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</front><body><![CDATA[ <p><b >A génese da Revista Nutrícias e o impacto no panorama nacional de publicações</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p > <b>Alexandra Bento<sup>1</sup></b> <br/>  <br/><sup>1</sup>Directora da Revista Nutrícias entre 2001 e 2011</p>     <p >&nbsp;</p>     <p> Corria o ano de 2001 e estava na recta final do meu primeiro mandato à frente da Associação Portuguesa dos Nutricionistas, rodeada de uma equipa jovem e dinâmica com vontade de levar bem longe a profissão de Nutricionista que estava ainda a despertar. É verdade que ser Nutricionista já tinha ultrapassado o desconhecimento inicial de muitos mas considerávamos que havia objectivos para concretizar, metas para atingir, horizontes para alargar. Esta postura de inconformismo e procura de novos lugares sempre marcou o espírito dos Nutricionistas. Sempre procurámos, a cada dia, diversificar competências, difundindo as nossas vocações no mercado de trabalho, sendo possível na altura ver-nos com grande determinação a dar os primeiros passos em locais hoje inquestionáveis. Esta postura de inquietação e procura de novos lugares continuou a marcar o espírito dos Nutricionistas de lá para cá. A nutrição afirmava-se enquanto ciência de fusões, e com todos os desafios que se levantavam, estava perfeitamente justificada a iniciativa da Associação Portuguesa dos Nutricionistas de editar a Revista Nutrícias. Com a pretensão de conseguir uma maior proximidade entre os Nutricionistas e todas as instituições com actividade relevante na área da nutrição, divulgaríamos o trabalho dos colegas nas suas várias vertentes, assim engrandecendo a profissão de Nutricionista - numa secção a que chamamos Especialidades - e simultaneamente daríamos a conhecer os estudos e pesquisas científicas efectuados nas mais diversas áreas - numa secção a que chamamos Cientificidades.  Esperávamos que, com o empenho e colaboração de todos, fosse possível tornar a Revista Nutrícias numa referência relativamente aos objectivos e motivações dos profissionais que representávamos. E os primeiros números começaram assim mesmo, convidando desde colegas de referência pela sua experiência a colegas com um trabalho inovador, muitos deles ainda muito jovens, a participar. Foi porque acreditaram no projecto ainda antes de ele ser conhecido que ajudaram a Revista Nutrícias a nascer e a crescer. Depressa deixaram de ser necessários os convites para participarem com um artigo na nossa Revista! Os artigos chegavam a um bom ritmo e a Revista, com uma periodicidade anual, via engrossar o número de páginas e o número de artigos bem diferenciados. Um dos pontos fortes da revista foi sem dúvida o perfil traçado de algumas personalidades relevantes na área. Era sempre com grande prazer que ficávamos a conhecer melhor, e também numa perspectiva mais pessoal, na primeira pessoa e na voz dos que com ela mais privavam, pessoal e profissionalmente, algumas figuras relevantes da nossa área, e não posso deixar de dar como exemplo o perfil do Dr. Emílio Peres, pela primeira vez designado na Revista Nutrícias como o &quot;Pai dos Nutricionistas&quot;, redigido pela colega Clara Matos, responsável editorial deste projecto e seu principal rosto obreiro durante os seus primeiros dez anos. Não posso falar do Dr. Emílio Peres sem lembrar que foi a primeira pessoa a dar--me pessoalmente os parabéns pela Revista Nutrícias: pela imagem moderna e arrojada; pelo nome sugestivo: as notícias da nutrição, as nutrícias; pela voz da investigação científica e da acção dos Nutricionistas, espelhado nos separadores Cientificidades e Especialidades desta Revista. A verdade é que a Revista Nutrícias colheu o agrado de todos e rapidamente cresceu e se afirmou, tornando-se o espelho da dinâmica de investigação nas ciências da nutrição, até se tornar na referência nacional das revistas da área da nutrição que é hoje. E contribuiu para o crescimento das ciências da nutrição e da profissão de Nutricionista, sendo incontornável o benefício que todo o processo de criação de um artigo e a sua publicação tem. Para quem quer publicar, obriga a pensar e desenvolver um pensamento crítico e sistematizado, desenvolver o estudo, planear o artigo, escrever de forma sucinta e exacta, reconsiderar o artigo e submetê-lo à apreciação dos pares. Para os pares, a revisão do trabalho submetido é um estímulo à constante actualização e desenvolvimento de reflexão crítica face ao trabalho avaliado. Para quem lê, beneficia da sistematização de dados obtidos e do conhecimento, sendo que no final, este processo se traduz sempre no avanço da ciência. Para quem analisa, compreende o crescimento e afirmação de uma profissão, que o faz por si mas que beneficia das estratégias que outros desenvolveram para o auxiliar.  De facto, a Revista Nutrícias fez parte integrante de um conjunto de estratégias traçadas por uma equipa que não mais parou de olhar e trabalhar a profissão. Mas, a Revista Nutrícias também acompanhou tendências. Tal como internacionalmente, nos últimos catorze anos a evolução no panorama das publicações científicas em Portugal foi sustentadamente crescente. Um olhar atento pelos artigos publicados ao longo destes anos é possível notar predomínio de universidades na produção do conhecimento em nutrição, mas ainda se trata de uma área em consolidação pois a Revista é ainda jovem. As temáticas abordadas são bastante diversificadas no âmbito da nutrição, consolidando a sua importância nas questões da saúde da população.  Ao longo dos últimos anos a Associação Portuguesa dos Nutricionistas iniciou um processo de inovação do projecto editorial inicial para que a Revista correspondesse às exigências de uma publicação científica internacional, editada em Portugal, e que aspira a ser referência na publicação de trabalhos científicos na área da nutrição além fronteiras. A Revista Nutrícias aumentou o número de edições por ano, passou de anual a trimestral, com 3 das edições exclusivamente online, mantendo o habitual número de Maio também em papel, mantendo uma política de submissão de trabalhos para publicação gratuita. E trilhou o caminho da indexação em bases de dados bibliográficas internacionais. Em 2011 foi iniciado o processo de indexação na plataforma SciELO, tendo sido aprovada pelo seu Comité Consultivo em 2013, aumentando a visibilidade da Revista permitindo desta forma atingir um universo mais abrangente de leitores dos trabalhos publicados e alargando o leque de interessados em publicar na Revista Nutrícias.  Neste caminho de crescimento e sucesso surge o aparente paradoxo: descontinuação desta publicação.  Termina a Revista Nutrícias para dar vida a uma nova publicação, com uma nova designação “Acta Portuguesa de Nutrição”, dando assim seguimento a todo o rigor e cientificidade que caracterizaram o caminho da Revista Nutrícias, de forma a inserir-se numa estratégia de internacionalização da Revista na área da publicação científica.  Catorze anos passaram desde que foi editada a primeira Revista Nutrícias. Anos volvidos e os objectivos foram concretizados. Hoje, a Revista Nutrícias prepara-se para outros voos! </p>      ]]></body>
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