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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>RECENS&Atilde;O</b></p>     <p><b>Entrevista com Roque Rodrigues</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Maria Raquel Freire</b><a href="#0">*</a><a name="top0"></a></p>     <p>Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, Portugal. Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, Portugal. <a href="mailto:rfreire@fe.uc.pt">rfreire@fe.uc.pt</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Roque Rodrigues &eacute; uma figura incontorn&aacute;vel da vida pol&iacute;tica timorense, com um historial de vida que atesta quanto ao seu envolvimento e compromisso para com Timor<b>-</b>Leste. Sempre presente nos momentos mais dif&iacute;ceis da hist&oacute;ria deste pa&iacute;s, tem tamb&eacute;m partilhado todos os bons momentos no processo de constru&ccedil;&atilde;o e consolida&ccedil;&atilde;o do Estado, do qual fala com orgulho sentido. No seu habitual tom cordial e bem<b>-</b>humorado, Roque Rodrigues, assessor da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica de Timor<b>-</b>Leste, concedeu<b>-</b>nos esta entrevista no dia 18 de janeiro de 2014, refletindo sobre o papel de atores dom&eacute;sticos e externos e as din&acirc;micas na sua interse&ccedil;&atilde;o para a constru&ccedil;&atilde;o da paz em Timor<b>-</b>Leste; analisando o passado e o futuro do pa&iacute;s; e falando sobre oportunidades e desafios que se apresentam para o futuro. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>No seu entender, qual o legado mais marcante da Administra&ccedil;&atilde;o Transit&oacute;ria (UNTAET) para o que &eacute; hoje Timor<b>-</b>Leste?</b></p>     <p>Respondo de duas maneiras. Primeiro, a UNTAET ajudou a lideran&ccedil;a timorense a retomar o Estado, ou seja, n&oacute;s t&iacute;nhamos proclamado a rep&uacute;blica, mas as estruturas republicanas pereceram com a guerra; o Estado, o seu aparelho, as suas estruturas foram sendo desmanteladas pela ocupa&ccedil;&atilde;o militar indon&eacute;sia. Portanto, para n&oacute;s o que eles [UNTAET] estavam a fazer era ajudar a restruturar, a restabelecer, a recompor o Estado e as suas estruturas. Como a ONU nunca reconheceu o Estado timorense, para eles [miss&atilde;o no terreno] tratava<b>-</b>se, por um lado, de limpar a destrui&ccedil;&atilde;o que tinha sido feita pela Indon&eacute;sia, particularmente na fase final. Por outro lado, ajudar a construir, a moldar os alicerces da rep&uacute;blica, do Estado republicano que n&oacute;s quer&iacute;amos reconhecido internacionalmente. Esta &eacute; a minha primeira perspetiva, relativa ao trabalho marcante da UNTAET, que na altura se centrava em ajudar a nossa na&ccedil;&atilde;o a repor a estabilidade. Para eles, significava ‘limpar’ o que a Indon&eacute;sia tinha deixado destru&iacute;do.  Segundo, foi preciosa a a&ccedil;&atilde;o da UNTAET na inser&ccedil;&atilde;o de Timor como Estado. Seria mais dif&iacute;cil para as autoridades do pa&iacute;s obterem reconhecimento regional e internacional sem o apoio das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, e nomeadamente da Administra&ccedil;&atilde;o Transit&oacute;ria. As Na&ccedil;&otilde;es Unidas desempenharam tarefas essenciais em Timor<b>-</b>Leste. No cerne destas, o Estado, ter os alicerces para o Estado, e tarefa inevit&aacute;vel e incontorn&aacute;vel foi, proceder &agrave; sua inser&ccedil;&atilde;o na sub<b>-</b>regi&atilde;o e na regi&atilde;o, com o benepl&aacute;cito da ONU. Ou seja, com a presen&ccedil;a do mais alto mandat&aacute;rio da ONU no dia 20 de maio, que &eacute; o dia em que para n&oacute;s foi restaurada a independ&ecirc;ncia do Estado nacional, para eles reconhecida a nossa independ&ecirc;ncia. Timor<b>-</b>Leste passou ent&atilde;o a ser aceite na comunidade internacional.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Atendendo &agrave; sua participa&ccedil;&atilde;o e ao envolvimento direto no processo de consolida&ccedil;&atilde;o do Estado depois de anos de ocupa&ccedil;&atilde;o e resist&ecirc;ncia, que leitura faz do curso que Timor<b>-</b>Leste tem prosseguido? Quais s&atilde;o, no seu entender, os principais desafios que o pa&iacute;s enfrenta?</b></p>     <p>Aqui est&aacute; uma pergunta dif&iacute;cil. Consolidar as estruturas do Estado &eacute; um processo que leva anos. Ou seja, as independ&ecirc;ncias conquistam<b>-</b>se e as independ&ecirc;ncias perdem<b>-</b>se. Para que n&atilde;o se perca esta capacidade de exercer soberanamente decis&otilde;es, fazer escolhas sobre o futuro do pa&iacute;s, &eacute; necess&aacute;rio saber manter a independ&ecirc;ncia. Portanto, se n&oacute;s entendemos que o que d&aacute; sentido &agrave; luta &eacute; a independ&ecirc;ncia conquistada, isto significa manter soberania, significa consolidar o Estado, refor&ccedil;ar a independ&ecirc;ncia. Ent&atilde;o, provavelmente, este &eacute; o grande desafio, &eacute; saber consolidar a independ&ecirc;ncia e aceitar as v&aacute;rias falhas, os v&aacute;rios desafios, as v&aacute;rias tarefas que em v&aacute;rios dom&iacute;nios o pa&iacute;s enfrenta. Vou dar um exemplo apenas, na &aacute;rea da economia. Timor<b>-</b>Leste &eacute; um pa&iacute;s aben&ccedil;oado pela natureza. Tem em primeiro lugar o povo que se mostrou h&aacute;bil, capaz de resistir &agrave; press&atilde;o, capaz de ser criador e fazer face aos piores desafios, e de contestar um vizinho. Por outro lado, se olharmos para o territ&oacute;rio, o territ&oacute;rio &eacute; rico, e o mar tamb&eacute;m. Ent&atilde;o, construir uma independ&ecirc;ncia ou consolidar a independ&ecirc;ncia obriga<b>-</b>nos a tarefas que dizem respeito ao alicer&ccedil;ar da economia em bases s&oacute;lidas. Uma delas &eacute; aproveitar de uma maneira equilibrada e sustentada os recursos com que a natureza nos brindou. Estou a falar dos recursos da terra e dos recursos do mar. Timor est&aacute; inserido numa zona onde se encontra a maior extens&atilde;o coral&iacute;fera do mundo. N&oacute;s somos um dos seis pa&iacute;ses do que &eacute; denominada a Iniciativa do Tri&acirc;ngulo Coral&iacute;fero, em ingl&ecirc;s <i>Coral Triangle Initiative</i>. Estamos ao p&eacute; da Austr&aacute;lia que &eacute; um pa&iacute;s que faz face &agrave; maior barreira de coral do mundo. Por outro lado, o pa&iacute;s disp&otilde;e de recursos no mar, de petr&oacute;leo e de g&aacute;s; ent&atilde;o, alicer&ccedil;ar a nossa economia, dar um sentido de autossufici&ecirc;ncia e respeitar o ambiente s&atilde;o tarefas que n&oacute;s temos pela frente. Isso obriga a outra coisa, que &eacute; diversificar, evitar a depend&ecirc;ncia. Timor tem todas as condi&ccedil;&otilde;es para ser autossuficiente do ponto de vista marinho, mas faltam recursos humanos. Como aproveitar o potencial que o pa&iacute;s tem se n&atilde;o lan&ccedil;armos as bases de uma estrat&eacute;gia de valoriza&ccedil;&atilde;o de recursos humanos? Este &eacute; provavelmente o maior desafio para Timor<b>-</b>Leste.  Este caminho tem sido percorrido, contudo n&oacute;s n&atilde;o podemos dizer que &eacute; um caminho f&aacute;cil porque nos primeiros anos da independ&ecirc;ncia o pa&iacute;s sofreu e conheceu alguns sobressaltos. Eu digo que a consolida&ccedil;&atilde;o das institui&ccedil;&otilde;es &eacute; um processo que demora tempo. Estou convencido de que n&oacute;s estamos no bom caminho. &Eacute; inevit&aacute;vel estarmos na esteira, na senda da consolida&ccedil;&atilde;o das nossas institui&ccedil;&otilde;es. N&atilde;o &eacute; apenas um processo de consolida&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m de refor&ccedil;o do seu car&aacute;ter, ou seja, n&oacute;s queremos um Estado democr&aacute;tico, o que significa lidar bem com a diversidade, garantir a pluralidade de vozes e de op&ccedil;&otilde;es, dentro daquilo que a Constitui&ccedil;&atilde;o permite. N&atilde;o &eacute; o caos, n&atilde;o &eacute; o democratismo, h&aacute; princ&iacute;pios que t&ecirc;m de ser respeitados, mas o respeito por esses princ&iacute;pios faz<b>-</b>se de acordo com a cultura, que &eacute; o itiner&aacute;rio, o roteiro que Timor j&aacute; percorreu. Eu n&atilde;o espero ver implantada em Timor a democracia num curto espa&ccedil;o de tempo, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel. Outros levaram provavelmente 600 anos para chegarem onde est&atilde;o, n&oacute;s estamos apenas com 10, 11 anos, vamos fazer 12, de restaura&ccedil;&atilde;o do nosso Estado, portanto &eacute; um caminho que vai sendo feito.  Sendo mais ousado vou referir ainda um outro desafio. A democracia n&atilde;o serve se as condi&ccedil;&otilde;es de vida do povo n&atilde;o forem alteradas substancialmente. Nenhuma democracia o &eacute; enquanto houver pobres. N&oacute;s estamos com uma taxa de pobreza grande. N&atilde;o quero especificar n&uacute;meros, porque n&atilde;o coincidem e n&atilde;o sei em quem confiar, mas os &uacute;ltimos dados que obtive ontem mostram que a n&iacute;vel da pobreza extrema, ‘extreme poverty’, estamos perto dos 10%. Enquanto 10% dos cidad&atilde;os viverem em extrema pobreza n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel falar<b>-</b>se em democracia, e muito menos numa democracia perfeita. Este princ&iacute;pio &eacute; v&aacute;lido para Timor como &eacute; v&aacute;lido para os Estados Unidos. Da&iacute; que privilegiar os direitos em democracia sem pensar no bem<b>-</b>estar dos cidad&atilde;os &eacute; demagogia.</p>     <p><b>A sa&iacute;da da UNMIT tem sido veiculada como marcando um momento fundamental na hist&oacute;ria do pa&iacute;s, e na sua afirma&ccedil;&atilde;o como Estado independente e aut&oacute;nomo, com pol&iacute;ticas sustent&aacute;veis. Entende que a estabilidade e a paz est&atilde;o consolidadas e que as pol&iacute;ticas mais recentes de ajuda ao desenvolvimento, como no caso da Guin&eacute;<b>-</b>Bissau, ou a maior integra&ccedil;&atilde;o a n&iacute;vel regional, por exemplo, s&atilde;o demonstrativas disso mesmo? E a n&iacute;vel interno, onde os indicadores de desenvolvimento s&atilde;o ainda fr&aacute;geis?</b></p>     <p>A paz &eacute; um desafio permanente. Eu n&atilde;o creio que a paz seja, e vou usar a express&atilde;o inglesa uma vez que capta melhor o sentido que pretendo dar ao conceito, uma esp&eacute;cie de <i>political commodity</i>. &Eacute; um bem precioso, &eacute; uma condi&ccedil;&atilde;o <i>sine qua non</i>, mas obriga, tal como o amor a uma pr&aacute;tica di&aacute;ria, a que a flor seja regada diariamente. Nenhum pa&iacute;s, e n&oacute;s vimos mesmo isto em pa&iacute;ses ditos consolidados, quando descuraram, quando deixaram de olhar para o processo de consolida&ccedil;&atilde;o da paz de uma maneira hol&iacute;stica, integrada, escapou a um processo em que as pessoas se viram a pouco e pouco despojadas das condi&ccedil;&otilde;es mais b&aacute;sicas de vida. Estou a falar por exemplo da pobreza que atinge a Europa.  O problema da paz, o problema da estabilidade s&atilde;o coisas, e eu vou responder um pouco como os chineses, vou ser um pouco c&iacute;nico, talvez mais ir&oacute;nico do que c&iacute;nico. Uma vez perguntaram ao falecido primeiro<b>-</b>ministro chin&ecirc;s Chu Enlai o que ele pensava da Revolu&ccedil;&atilde;o Francesa e Chu Enlai respondeu assim: ‘&Eacute; muito cedo para falarmos nisso’. Eu vou responder &agrave; quest&atilde;o com ironia, &eacute; um pouco cedo falarmos da paz e estabilidade em Timor. Olho para o mundo e n&atilde;o &eacute; um problema de Timor. Quando te&oacute;ricos como Fukuyama j&aacute; diziam que a hist&oacute;ria tinha acabado, n&atilde;o havia mais nada a fazer porque a hist&oacute;ria havia terminado, apareceu uma ofensiva terrorista, a paz foi minada. Pergunto se esta irradia&ccedil;&atilde;o do extremismo religioso, do fanatismo, refletido em a&ccedil;&otilde;es violentas, se n&atilde;o &eacute; um atentado, se n&atilde;o nos leva uma vez mais &agrave; quest&atilde;o de quais s&atilde;o os fundamentos da paz? De como se alcan&ccedil;a a paz? E a paz n&atilde;o se faz sem justi&ccedil;a, sem inclus&atilde;o. Portanto, pol&iacute;ticas inclusivas, pol&iacute;ticas de justi&ccedil;a social (a designa&ccedil;&atilde;o inglesa traduz melhor o conceito de <i>social equity</i>), s&oacute; isto &eacute; condi&ccedil;&atilde;o base e <i>sine qua non</i> para termos estabilidade e paz.  Relativamente a indicadores de desenvolvimento: &eacute; verdade, uma coisa &eacute; um pa&iacute;s fr&aacute;gil, outra coisa &eacute; um pa&iacute;s falhado ou em rota de falhan&ccedil;o. Eu digo assim, o meu pa&iacute;s &eacute; fr&aacute;gil mas est&aacute; longe de ser um pa&iacute;s falhado. Mas fr&aacute;geis somos todos n&oacute;s! Se quiser olhar por um outro &acirc;ngulo, quando olhamos a velocidade a que se processa a din&acirc;mica de globaliza&ccedil;&atilde;o, ent&atilde;o todos n&oacute;s somos Estados fr&aacute;geis. Pergunto uma coisa: o abalo nos EUA e a recess&atilde;o desde 2008 n&atilde;o mostrou fragilidade? Se n&atilde;o quisermos falar de fragilidade, ou mesmo de vulnerabilidade, no m&iacute;nimo podemos falar da resili&ecirc;ncia do sistema econ&oacute;mico e financeiro, que n&atilde;o foi, de facto, suficientemente resiliente. Os EUA apresentam um d&eacute;fice significativo: no sistema banc&aacute;rio j&aacute; ultrapassa a base dos trili&otilde;es. N&atilde;o colapsaram, mas n&atilde;o foram suficientemente resilientes. Como &eacute; que podemos exigir de Timor estabilidade e paz asseguradas? Podemos &eacute; dizer que estamos no bom caminho. Todo o trabalho desenvolvido dentro do sistema visa produzir justi&ccedil;a social, e este est&aacute; a ser feito, mas h&aacute; ainda muito para fazer. Quanto a fragilidade, sim, n&oacute;s ainda somos um pa&iacute;s fr&aacute;gil, mas &eacute; por isso que nos atrevemos a assumir a lideran&ccedil;a de um grupo de 18 pa&iacute;ses, que se chama g7+. Todos eles re&uacute;nem duas condi&ccedil;&otilde;es: s&atilde;o pa&iacute;ses p&oacute;s<b>-</b>conflito (<i>post</i><b>-</b><i>conflict societies</i>), e s&atilde;o tamb&eacute;m Estados fr&aacute;geis, cujas sociedades ainda revelam vulnerabilidade, e por isso &eacute; precisa aten&ccedil;&atilde;o especial a estas quest&otilde;es.</p>     <p><b>Qual entende ser o principal contributo de Portugal em todo este processo e que papel potencial ou real considera que Portugal poderia ou pode ainda ter no processo de consolida&ccedil;&atilde;o da paz em Timor<b>-</b>Leste?</b></p>     <p>O principal contributo de Portugal pode ser lido de duas maneiras; se estivermos a falar apenas do processo que teve lugar e que ficou conhecido como de transi&ccedil;&atilde;o, &eacute; uma coisa, se estivermos a falar no processo que precedeu &agrave; fase de transi&ccedil;&atilde;o, a resposta &eacute; mais longa. Mas diria que foi essencial, foi substancial a participa&ccedil;&atilde;o de Portugal no processo de transi&ccedil;&atilde;o. Toda a parte da componente militar, o maior n&uacute;mero de a&ccedil;&otilde;es, de agentes que nos ajudaram na retoma das fun&ccedil;&otilde;es do Estado e no processo de inser&ccedil;&atilde;o de Timor no conjunto de Estados soberanos, a&iacute; Portugal teve um papel not&aacute;vel. Por outro lado, qualquer pessoa que estude o processo de transi&ccedil;&atilde;o vai deparar<b>-</b>se com Portugal e o seu legado em Timor<b>-</b>Leste, as suas obras e a&ccedil;&otilde;es. O que se pode fazer? Setores como a justi&ccedil;a, a solidariedade social, a administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica s&atilde;o fundamentais, mas honestamente, a partir deste ano Timor<b>-</b>Leste vai assumir a X Cimeira ou a X Confer&ecirc;ncia dos pa&iacute;ses membros de l&iacute;ngua portuguesa, e eu diria que o principal papel que eu gostaria de ver da parte de Portugal neste &acirc;mbito seria de agir com os outros Estados<b>-</b>Membros no esp&iacute;rito comunit&aacute;rio, ou seja, no esp&iacute;rito da CPLP, no que diz respeito &agrave; l&iacute;ngua portuguesa. Porqu&ecirc;? Portugal &eacute; um pa&iacute;s que depois de aceitar o mirand&ecirc;s como l&iacute;ngua oficial, de forma inclusiva, se revela praticamente um pa&iacute;s monolingue; Timor<b>-</b>Leste &eacute; plurilingue. Esta experi&ecirc;ncia &eacute; um desafio para n&oacute;s, mas &eacute; tamb&eacute;m um desafio &agrave; comunidade e a Portugal. Os maiores recursos a n&iacute;vel lingu&iacute;stico est&atilde;o em Portugal e no Brasil, e por isso mesmo o vocabul&aacute;rio ortogr&aacute;fico nacional tem a sua maior expans&atilde;o e desenvolvimento nestes dois pa&iacute;ses, no Brasil e em Portugal. Poder&iacute;amos ter um papel de Portugal e do Brasil, no que diz respeito &agrave; reintrodu&ccedil;&atilde;o da l&iacute;ngua portuguesa e &agrave; sua parceria estrat&eacute;gica com o t&eacute;tum, porque o t&eacute;tum tem de se afirmar como l&iacute;ngua de todos n&oacute;s, pois &eacute; l&iacute;ngua Constitucional, e porque ele – t&eacute;tum – vai enriquecer com o conv&iacute;vio estrat&eacute;gico com a l&iacute;ngua portuguesa.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <p><a href="#top0">*</a><a name="0"></a> Investigadora do Centro de Estudos Sociais e professora auxiliar com agrega&ccedil;&atilde;o de Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. Os seus interesses de investiga&ccedil;&atilde;o centram-se nos estudos para a paz, em particular <i>peacekeeping</i> e <i>peacebuilding</i>; pol&iacute;tica externa, seguran&ccedil;a internacional, R&uacute;ssia e espa&ccedil;o p&oacute;s-Sovi&eacute;tico. Tem publicado nestas &aacute;reas v&aacute;rios cap&iacute;tulos em livros e artigos em revistas cient&iacute;ficas nacionais e estrangeiras. &Eacute; autora, entre outros, de <i>Conflict and Security in the Former Soviet Union: The Role of the OSCE</i> (Ashgate, 2003); organizadora de <i>Pol&iacute;tica Externa: As Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais em Mudan&ccedil;a</i> (Imprensa da Universidade de Coimbra, 2011); autora de <i>A R&uacute;ssia de Putin: Vectores Estruturantes de Pol&iacute;tica Externa</i> (Almedina, 2011); coorganizadora de <i>Competing for Influence: The EU and Russia in Post-Soviet Eurasia</i> e de <i>Russia and European Security</i>, com Roger E. Kanet (Republic of Letters, 2 vols., 2012), bem como de <i>Russia and Its Near Neighbours: Identity, Interests and Foreign Policy</i>, tamb&eacute;m com Roger E. Kanet (Palgrave, 2012).</p> </html>      ]]></body>
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