<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>2182-7435</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Revista Crítica de Ciências Sociais]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Revista Crítica de Ciências Sociais]]></abbrev-journal-title>
<issn>2182-7435</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Centro de Estudos Sociais]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S2182-74352015000100001</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Memórias de violências: Que futuro para o passado?]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Meneses]]></surname>
<given-names><![CDATA[Maria Paula]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
<xref ref-type="aff" rid="A02"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade de Coimbra Centro de Estudos Sociais ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A02">
<institution><![CDATA[,Colégio de S. Jerónimo  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Coimbra ]]></addr-line>
<country>Portugal</country>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>05</month>
<year>2015</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>05</month>
<year>2015</year>
</pub-date>
<numero>106</numero>
<fpage>3</fpage>
<lpage>8</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S2182-74352015000100001&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S2182-74352015000100001&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S2182-74352015000100001&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></p>     <p><b>Mem&oacute;rias de viol&ecirc;ncias: Que futuro para o passado?</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Maria Paula Meneses</b></p>     <p>Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra Col&eacute;gio de S. Jer&oacute;nimo, Largo D. Dinis, Apartado 3087, 3000-995 Coimbra, Portugal <a href="mailto:menesesp@ces.uc.pt">menesesp@ces.uc.pt</a></p>      <p>&nbsp;</p>        <p><i>Vivemos num mundo profundamente marcado por encontros culturais, pela coloniza&ccedil;&atilde;o, lutas nacionalistas e viol&ecirc;ncia das guerras civis. Estes processos n&atilde;o s&oacute; marcam a distribui&ccedil;&atilde;o da riqueza, do poder e do conhecimento a n&iacute;vel global, como tamb&eacute;m afirmam as atuais fronteiras nacionais, influenciando os regimes sociojur&iacute;dicos que governam as vidas das pessoas, gerando novos debates sobre o conte&uacute;do pol&iacute;tico das narrativas fundacionais dos &lsquo;novos&rsquo; territ&oacute;rios pol&iacute;ticos resultantes das lutas emancipat&oacute;rias nacionalistas. Por&eacute;m, o impacto do moderno projeto colonial aconteceu n&atilde;o apenas a n&iacute;vel da implanta&ccedil;&atilde;o do Estado moderno; pelo contr&aacute;rio, marcou as formas de narrar e definir uma heran&ccedil;a que ainda hoje se faz sentir. </i></p>      <p><i>A compreens&atilde;o dos contornos atuais dos debates hist&oacute;ricos sobre os Estados-na&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-coloniais em contexto africano abre campo para problematizar as op&ccedil;&otilde;es e as ra&iacute;zes das raz&otilde;es que transformam a delimita&ccedil;&atilde;o de fronteiras e as pol&iacute;ticas de perten&ccedil;a e cidadania em espa&ccedil;os de conflito aberto. A utilidade heur&iacute;stica de conceitos como &lsquo;na&ccedil;&atilde;o&rsquo; depende muito da forma como estes s&atilde;o utilizados para explicar e justificar os processos e pr&aacute;ticas sociais e pol&iacute;ticas espec&iacute;ficas, quer hoje, quer no passado. Em contextos como os de Mo&ccedil;ambique, Angola ou Congo, o problema reside em saber em que consiste a integridade nacional, em questionar os sentidos de perten&ccedil;a e as suas implica&ccedil;&otilde;es morais e materiais. Justamente porque estas quest&otilde;es s&atilde;o t&atilde;o reais e imperativas que ganham for&ccedil;a e sentidos que impelem a uma reflex&atilde;o mais profunda. </i></p>      <p><i>Os textos que integram este volume da</i> Revista Cr&iacute;tica de Ci&ecirc;ncias Sociais<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>  <i>s&atilde;o produto de reflex&otilde;es desenvolvidas no &acirc;mbito de projetos de investiga&ccedil;&atilde;o que procuram debater as possibilidades da descoloniza&ccedil;&atilde;o e democratiza&ccedil;&atilde;o da moderna historiografia. No seu conjunto, estas reflex&otilde;es procuram contribuir para uma amplia&ccedil;&atilde;o metodol&oacute;gica e epistemol&oacute;gica sobre as lat&ecirc;ncias coloniais para al&eacute;m das independ&ecirc;ncias pol&iacute;ticas (Santos, 2006). Estas an&aacute;lises, cujo epicentro se encontra em Mo&ccedil;ambique, nos &uacute;ltimos 50 anos, somam-se a um crescente n&uacute;mero de debates acad&eacute;micos e pol&iacute;ticos que enfatizam a necessidade de interpretar os impactos da economia pol&iacute;tica da situa&ccedil;&atilde;o colonial (Balandier, 1951) a curto e longo prazo, numa interse&ccedil;&atilde;o de fatores locais, nacionais e globais. </i></p>      <p><i>Apesar de os textos incidirem especialmente sobre Mo&ccedil;ambique, outros territ&oacute;rios est&atilde;o presentes neste volume. O facto de Mo&ccedil;ambique, Guin&eacute;-Bissau e Angola terem sido col&oacute;nias de Portugal marca, sem d&uacute;vida, o campo das narrativas sobre a constru&ccedil;&atilde;o destas na&ccedil;&otilde;es, mas n&atilde;o termina nem se encerra apenas nestas rela&ccedil;&otilde;es. Paralela &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de &Aacute;frica enquanto projeto imperial, a apropria&ccedil;&atilde;o de &lsquo;novos&rsquo; territ&oacute;rios pela a&ccedil;&atilde;o da geopol&iacute;tica moderna surge associada &agrave; emerg&ecirc;ncia de um Portugal que era parte de um projeto imperial europeu. Do outro lado, como importa sublinhar, a hist&oacute;ria, especialmente da luta armada, mant&eacute;m-se um elemento fundamental de estrutura&ccedil;&atilde;o dos sentidos de perten&ccedil;a a projetos nacionais recentes. Uma avalia&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios eventos ligados &agrave; situa&ccedil;&atilde;o colonial e &agrave; transi&ccedil;&atilde;o para as independ&ecirc;ncias revela, em simult&acirc;neo, aspetos esquecidos e/ou silenciados sobre o passado &ndash; como a situa&ccedil;&atilde;o dos diminu&iacute;dos f&iacute;sicos das For&ccedil;as Armadas, uma das consequ&ecirc;ncias da Guerra Colonial/Guerra de Liberta&ccedil;&atilde;o Nacional &ndash; mas tamb&eacute;m sobre as d&uacute;vidas presentes e a realidade que as acompanha (Sarlo, 2007).</i></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Como os textos sugerem, as narrativas contempor&acirc;neas encerram v&aacute;rios paradigmas, por vezes conflituais entre si: o paradigma colonial, o anticolonial e o nacionalista. Em tempos modernos, a express&atilde;o mais vis&iacute;vel das narrativas opostas &agrave; oferecida pelos colonizadores foi a grande narrativa gerada pela luta nacionalista, centrada na den&uacute;ncia do colonialismo e dos seus v&iacute;cios e na elabora&ccedil;&atilde;o de um projeto nacional de futuro (Andrade, 1998). Esta narrativa, repleta de promessas para o futuro, evitou e continua a evitar di&aacute;logos com o passado. &Eacute; este o projeto que est&aacute;, como v&aacute;rios textos analisam, na origem da ideia de Mo&ccedil;ambique para os mo&ccedil;ambicanos e mo&ccedil;ambicanas. Este projeto, apelando &agrave; igualdade, provocou, de forma dram&aacute;tica, o apagamento das diferen&ccedil;as culturais e pol&iacute;ticas que formavam o tecido social do pa&iacute;s, gerando profundas contradi&ccedil;&otilde;es, sin&oacute;nimo de continuidades com mecanismos de domina&ccedil;&atilde;o modernos, cuja a&ccedil;&atilde;o se continua a fazer sentir (Meneses, 2008).</i></p>      <p><i>Os artigos est&atilde;o organizados de forma a interligar os fios fornecidos pelos sujeitos e temas que abordam, e que se repetem e repercutem em v&aacute;rios momentos.</i></p>      <p><i>A partir de locais m&uacute;ltiplos de constru&ccedil;&atilde;o e interpreta&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica, estes textos procuram reabilitar sujeitos &ndash; individuais ou coletivos &ndash; e eventos, de acordo com a especificidade da sua rela&ccedil;&atilde;o com as v&aacute;rias facetas dos projetos pol&iacute;ticos em confronto. As hist&oacute;rias plurais em di&aacute;logo relatam-nos contactos e continuidades, e s&atilde;o tanto mais cred&iacute;veis quanto constru&iacute;das atrav&eacute;s de debates e an&aacute;lises escrupulosas de v&aacute;rias perspetivas e situa&ccedil;&otilde;es, alargando o reconhecimento da diversidade epist&eacute;mica do mundo, quando, em simult&acirc;neo, p&otilde;em um fim a qualquer das teleologias existentes.</i></p>      <p><i>Em &ldquo;Xiconhoca, o inimigo: Quem eram (s&atilde;o) os inimigos da revolu&ccedil;&atilde;o mo&ccedil;ambicana?&rdquo; Maria Paula Meneses analisa v&aacute;rios eventos, violentos, sobre os quais assenta o projeto de na&ccedil;&atilde;o em Mo&ccedil;ambique. O artigo discute a tentativa da cria&ccedil;&atilde;o do &lsquo;homem novo&rsquo; no contexto de um jovem pa&iacute;s independente, avaliando a continuidade da presen&ccedil;a da figura do inimigo interno, representado pelo Xiconhoca. O artigo aborda igualmente a centralidade da figura do inimigo interno a partir da an&aacute;lise de v&aacute;rias reuni&otilde;es de busca de verdade e de reconcilia&ccedil;&atilde;o realizadas em Mo&ccedil;ambique entre 1975 e 1982, discutindo em detalhe o contexto pol&iacute;tico-ideol&oacute;gico em que estas reuni&otilde;es aconteceram, assim como as suas implica&ccedil;&otilde;es no contexto da constru&ccedil;&atilde;o da cidadania e da hist&oacute;ria oficial de Mo&ccedil;ambique.</i></p>      <p><i>Benedito Machava debate, no seu artigo sobre o epis&oacute;dio do 7 de Setembro de 1974, o papel de um grupo de resist&ecirc;ncia africana, abrindo caminho para uma reflex&atilde;o mais ampla em torno da dial&eacute;tica dos processos de descoloniza&ccedil;&atilde;o. A solu&ccedil;&atilde;o deste epis&oacute;dio menos conhecido do processo de transi&ccedil;&atilde;o para a independ&ecirc;ncia em Mo&ccedil;ambique foi poss&iacute;vel, entre outros aspetos, gra&ccedil;as &agrave; participa&ccedil;&atilde;o ativa das elites africanas urbanas. Analisando o imagin&aacute;rio pol&iacute;tico destas elites urbanas, o artigo descreve o papel que estas desempenharam no desarmar de uma tentativa de golpe &ndash; 7 de setembro &ndash; e na prote&ccedil;&atilde;o das popula&ccedil;&otilde;es africanas, evitando deste modo o escalar da viol&ecirc;ncia em Louren&ccedil;o Marques.</i></p>      <p><i>A liga&ccedil;&atilde;o entre a literatura, o cinema e a hist&oacute;ria est&aacute; no centro do artigo de Fabrice</i> <i>Schurmans, cuja an&aacute;lise se centra nas obras</i> Une Saison au Congo<i>, de Aim&eacute; C&eacute;saire,</i> <i>e</i> Lumumba<i>, de Raoul Peck. Para o autor, a rela&ccedil;&atilde;o &iacute;ntima entre a hist&oacute;ria e a fic&ccedil;&atilde;o permite que a literatura possa, num patamar mais amplo, relatar a hist&oacute;ria, tocando no cerne de um debate central &agrave;s ci&ecirc;ncias sociais e humanas. A literatura e o cinema desempenham um papel importante n&atilde;o apenas na transmiss&atilde;o de uma mem&oacute;ria truncada, dominada durante muito tempo por uma historiografia de origem colonial, mas tamb&eacute;m na edifica&ccedil;&atilde;o de um outro discurso hist&oacute;rico. Como Schurmans sublinha, n&atilde;o se trata de p&ocirc;r em evid&ecirc;ncia a rela&ccedil;&atilde;o entre literatura/cinema e hist&oacute;ria, mas de questionar especificamente a natureza desta rela&ccedil;&atilde;o na atualidade.</i></p>      <p><i>O tema da mem&oacute;ria &eacute; retomado por Bruno Sena Martins, num texto intitulado &ldquo;Viol&ecirc;ncia colonial e testemunho: para uma mem&oacute;ria p&oacute;s-abissal&rdquo;. Partindo da problematiza&ccedil;&atilde;o dos silenciamentos presentes em hist&oacute;rias de vida de &ldquo;deficientes das For&ccedil;as Armadas&rdquo;, o autor desafia as modernas narrativas nacionais, analisando as lutas pelo sentido trazidas pelas suas narrativas. O texto procura, por um lado, dar a perceber os termos de um confronto entre uma mem&oacute;ria da viol&ecirc;ncia, corporalmente inscrita, e a denega&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia colonial no senso comum do Portugal democr&aacute;tico. Por outro lado, procura compreender de que modo a no&ccedil;&atilde;o de uma guerra evit&aacute;vel e injusta, crescentemente sedimentada ap&oacute;s o seu ocaso, cria um paradoxo para aqueles que, tendo sido parte de uma for&ccedil;a agressora, se configuram como v&iacute;timas.</i></p>      <p><i>Ungulani Ba Ka Khosa procura com o seu texto contribuir para o debate sobre as pol&iacute;ticas identit&aacute;rias no Mo&ccedil;ambique contempor&acirc;neo. Contrapondo a diversidade identit&aacute;ria do tecido social do pa&iacute;s &agrave; altivez ignorante das estruturas de poder presentes no mesmo pa&iacute;s, o texto problematiza, em v&aacute;rios momentos hist&oacute;ricos, a fratura cognitiva entre o projeto pol&iacute;tico nacional, conceptualizado a partir das elites que controlam o Estado, e o plurilinguismo e a polifonia que constroem o tecido social real. </i></p>      <p><i>No seu texto sobre mem&oacute;ria, hist&oacute;ria e narrativa, Teresa Cruz e Silva expande os desafios &agrave; escrita biogr&aacute;fica no contexto da luta nacionalista em Mo&ccedil;ambique. Centrando-se nas figuras de Zedequias Manganhela e Eduardo Mondlane, a autora situa o seu trabalho na configura&ccedil;&atilde;o e reconfigura&ccedil;&atilde;o dos discursos no contexto da &lsquo;recupera&ccedil;&atilde;o&rsquo; de uma hist&oacute;ria nacional, relacionando-o tamb&eacute;m com o debate em torno da constru&ccedil;&atilde;o de figuras de her&oacute;is nacionais. O artigo situa-se quer no quadro de uma hist&oacute;ria oficial de Mo&ccedil;ambique, quer no quadro da hist&oacute;ria institucional da Igreja Presbiteriana de Mo&ccedil;ambique/Miss&atilde;o Su&iacute;&ccedil;a, &agrave; qual os dois protagonistas se encontravam ligados, desafiando o leitor a enfrentar as armadilhas da escrita biogr&aacute;fica.</i></p>      <p><i>Jo&atilde;o Paulo Borges Coelho, ao problematizar no seu texto como abrir a f&aacute;bula, prop&otilde;e-nos uma discuss&atilde;o sobre as complexidades associadas ao uso pol&iacute;tico do passado na constru&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria em Mo&ccedil;ambique. Como o autor sublinha, a narrativa fundadora da na&ccedil;&atilde;o mo&ccedil;ambicana permanece ancorada em epis&oacute;dios efabulados sobre a luta de liberta&ccedil;&atilde;o. Esta narrativa, desenvolvida a partir de um conjunto de oposi&ccedil;&otilde;es bin&aacute;rias e em no&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas de experi&ecirc;ncia e subjetividade, est&aacute; enraizada no depoimento de um conjunto de testemunhas desta luta, cuja autoridade moral nunca &eacute; questionada. Esta narrativa efabulada, ref&eacute;m de alian&ccedil;a &iacute;ntima entre o poder e o conhecimento sobre o passado recente, continua a procurar legitimar o exerc&iacute;cio da autoridade em Mo&ccedil;ambique, desafiando qualquer a&ccedil;&atilde;o em prol da democratiza&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria.</i></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>O n&uacute;mero encerra com um depoimento pessoal de Aniceto Afonso, membro do Movimento das For&ccedil;as Armadas de Portugal, estacionado na frente de guerra em Mo&ccedil;ambique, &agrave; altura do golpe de 25 de abril de 1974. A an&aacute;lise atenta dos acontecimentos e atores envolvidos no golpe &eacute; reveladora da import&acirc;ncia pol&iacute;tica deste, embora a consist&ecirc;ncia militar do grupo do MFA fosse mais fr&aacute;gil, como o autor argumenta. Uma leitura incontorn&aacute;vel para uma melhor compreens&atilde;o dos processos de descoloniza&ccedil;&atilde;o que marcaram a transfer&ecirc;ncia de poderes para os novos pa&iacute;ses independentes em 1975. </i></p>      <p><i>A rutura com o passado colonial est&aacute;, como este n&uacute;mero da revista exp&otilde;e, repleta de epis&oacute;dios de continuidade com rela&ccedil;&otilde;es e projetos forjados nos anos que antecederam as independ&ecirc;ncias. Estas reflex&otilde;es, no seu conjunto, ecoam um apelo ao revisitar da hist&oacute;ria, sinal inequ&iacute;voco do fracasso de qualquer metanarrativa nacional. Estes debates chamam a aten&ccedil;&atilde;o para fraturas que atravessam as sociedades p&oacute;s-coloniais e para a necessidade de um amplo processo de desvendamento de mem&oacute;rias de viol&ecirc;ncia. O estudo dos processos que geraram estas fraturas &eacute; uma condi&ccedil;&atilde;o para a reconcilia&ccedil;&atilde;o e reconstitui&ccedil;&atilde;o dos pa&iacute;ses, e para um futuro de paz e progresso social. Como estes textos espelham, um conhecimento detalhado da hist&oacute;ria, assente em detalhes texturizados, e n&atilde;o apenas em generaliza&ccedil;&otilde;es ou vers&otilde;es higienizadas dos processos hist&oacute;ricos, abre espa&ccedil;o para uma releitura e mesmo reinven&ccedil;&atilde;o destes processos, para imaginar o futuro de uma forma que evita a repeti&ccedil;&atilde;o dos erros e a imposi&ccedil;&atilde;o de uma leitura singular e simplista dos passados. As m&uacute;ltiplas mem&oacute;rias e esquecimentos sobre os epis&oacute;dios de viol&ecirc;ncia colonial e das resist&ecirc;ncias nacionalistas permitem a afirma&ccedil;&atilde;o de outras narrativas que desafiam as leituras hegem&oacute;nicas, reacion&aacute;rias, que paralisam qualquer vontade de mudan&ccedil;a. </i></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></p>     <!-- ref --><p>Andrade, M&aacute;rio de (1998), <i>Origens do nacionalismo africano: continuidade e ruptura nos movimentos unit&aacute;rios emergentes da luta contra a domina&ccedil;&atilde;o colonial portuguesa: 1911-1961</i>. Lisboa: Publica&ccedil;&otilde;es Dom Quixote.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000027&pid=S2182-7435201500010000100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Balandier, Georges (1951), &ldquo;La situation coloniale: approche th&eacute;orique&rdquo;, <i>Cahiers Internationaux de Sociologie,</i> 11, 44-79.</p>      <p>Meneses, Maria Paula (2008), &ldquo;Mundos locais, mundos globais: a diferen&ccedil;a da hist&oacute;ria&rdquo;, <i>in </i>Rosa Cabecinhas; Lu&iacute;s Cunha (orgs.), <i>Comunica&ccedil;&atilde;o intercultural: perspectivas, dilemas e desafios</i>. Porto: Campo das Letras, 75-93.</p>      <!-- ref --><p>Santos, Boaventura de Sousa (2006), <i>A gram&aacute;tica do tempo. Para uma nova cultura pol&iacute;tica</i>. Porto: Afrontamento.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000031&pid=S2182-7435201500010000100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Sarlo, Beatriz (2007), <i>Tempo passado: cultura da mem&oacute;ria e guinada subjetiva</i>. Belo Horizonte: Editora UFMG.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000033&pid=S2182-7435201500010000100005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Artigo recebido a 01/05/2015 Aprovado para publica&ccedil;&atilde;o a 28/04/2015</p>     <p>&nbsp;</p>      <p><b>NOTAS</b></p>      <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> Este n&uacute;mero foi organizado em articula&ccedil;&atilde;o com v&aacute;rios projetos de investiga&ccedil;&atilde;o desenvolvidos no Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra &ndash; Laborat&oacute;rio Associado, nomeadamente: &ldquo;ALICE, espelhos estranhos, li&ccedil;&otilde;es imprevistas&rdquo;, coordenado por Boaventura de Sousa Santos, que recebe fundos do Conselho Europeu de Investiga&ccedil;&atilde;o, 7.&ordm; Programa Quadro da Uni&atilde;o Europeia (FP/2007-2013) / ERC <i>Grant Agreement</i> n.&ordm; 269807; &ldquo;ALCORA &ndash; Alian&ccedil;as secretas e mapas imaginados: a Guerra Colonial Portuguesa no xadrez da &Aacute;frica Austral&rdquo; (PTDC/AFR/121404/2010-FCOMP-01-0124-FEDER-019531) e os &ldquo;Os Comprometidos: questionando o futuro do passado em Mo&ccedil;ambique&rdquo; (PTDC/AFR/103057/2008 FCOMP-01-0124-FEDER-008664)<b>. </b>Estes dois &uacute;ltimos contaram com o apoio, via FEDER, do Programa Operacional Factores de Competitividade (COMPETE) e de Fundos Nacionais atrav&eacute;s da Funda&ccedil;&atilde;o para a Ci&ecirc;ncia e a Tecnologia (FCT). O n&uacute;mero conta igualmente com a experi&ecirc;ncia do projeto &ldquo;Vidas marcadas pela hist&oacute;ria: a Guerra Colonial Portuguesa e os deficientes das For&ccedil;as Armadas&rdquo; (PTDC/CS-SOC/118305/2010-FCOMP-01-0124-FEDER-019877), coordenado por Boaventura de Sousa Santos. Um agradecimento profundo a todos e todas os/as que participaram nos v&aacute;rios eventos acad&eacute;micos associados a estes projetos e cujos coment&aacute;rios e sugest&otilde;es ajudaram, em m&uacute;ltiplos momentos, a tecer as narrativas dos textos que integram este volume.</p> </html>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Andrade]]></surname>
<given-names><![CDATA[Mário de]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Origens do nacionalismo africano: continuidade e ruptura nos movimentos unitários emergentes da luta contra a dominação colonial portuguesa: 1911-1961]]></source>
<year>1998</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Publicações Dom Quixote]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Balandier]]></surname>
<given-names><![CDATA[Georges]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="fr"><![CDATA[La situation coloniale]]></article-title>
<source><![CDATA[Cahiers Internationaux de Sociologie]]></source>
<year>1951</year>
<volume>11</volume>
<page-range>44-79</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Meneses]]></surname>
<given-names><![CDATA[Maria Paula]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Mundos locais, mundos globais: a diferença da história]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Cabecinhas]]></surname>
<given-names><![CDATA[Rosa]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Cunha]]></surname>
<given-names><![CDATA[Luís]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Comunicação intercultural: perspectivas, dilemas e desafios]]></source>
<year>2008</year>
<page-range>75-93</page-range><publisher-loc><![CDATA[Porto ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Campo das Letras]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Santos]]></surname>
<given-names><![CDATA[Boaventura de Sousa]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A gramática do tempo. Para uma nova cultura política]]></source>
<year>2006</year>
<publisher-loc><![CDATA[Porto ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Afrontamento]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Sarlo]]></surname>
<given-names><![CDATA[Beatriz]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Tempo passado: cultura da memória e guinada subjetiva]]></source>
<year>2007</year>
<publisher-loc><![CDATA[Belo Horizonte ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Editora UFMG]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
