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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>RECENSÃO</b></p>     <p><b>Santos, Ana Cristina (2013), <i>Social Movements and Sexual Citizenship in Southern Europe</i>.</b></p>     <p><b>Social Movements and Sexual Citizenship in Southern Europe</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Ant&oacute;nio Fernando Cascais, Ana Cristina Santos </b></p>     <p>Faculdade de Ci&ecirc;ncias Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa . Avenida de Berna, 26-C, 1069-061 Lisboa, Portugal <a href="mailto:afcascais1@gmail.com">afcascais1@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Santos, Ana Cristina (2013), <i>Social Movements and Sexual Citizenship in Southern Europe</i>. Basingstoke: Palgrave Macmillan, 240 pp.</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Social Movements and Sexual Citizenship in Southern Europe </i>constitui um estudo de grande f&ocirc;lego sobre o associativismo L&eacute;sbico, Gay, Bissexual, Transg&eacute;nero e <i>Queer</i> (LGBTQ) portugu&ecirc;s, sendo que a autora j&aacute; anteriormente tinha lan&ccedil;ado as suas bases em <i>A lei do desejo. Direitos humanos e minorias sexuais em Portugal</i> (2005),<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a> prosseguindo-o depois na sua tese de doutoramento, que a obra em an&aacute;lise largamente reflete. N&atilde;o ser&aacute; doravante leg&iacute;timo, para quem trate do tema, deixar de passar por <i>Social Movements and Sexual Citizenship in Southern Europe</i>. Conv&eacute;m assinalar que esta obra transcende em muito as limita&ccedil;&otilde;es geralmente inerentes aos trabalhos acad&eacute;micos. E isto n&atilde;o apenas pela sua excel&ecirc;ncia intr&iacute;nseca, mas porque vem numa sequ&ecirc;ncia, que &eacute; t&atilde;o biogr&aacute;fica como teor&eacute;tica, absolutamente coerente com toda a pesquisa anterior de Santos &ndash; desde <i>A lei do desejo, </i>posteriormente prosseguida, at&eacute; &agrave; conce&ccedil;&atilde;o do projeto &ldquo;<i>INTIMATE</i> &ndash; Cidadania, cuidado e escolha: a micropol&iacute;tica da intimidade na Europa do sul&rdquo;, financiado pelo <i>European Research Council</i>, cujas bases te&oacute;ricas se pode depreender que j&aacute; se encontram, em grande medida, em <i>Social Movements and Sexual Citizenship in Southern Europe</i>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Teoricamente, o ponto de partida da obra encontra-se na intersec&ccedil;&atilde;o dos estudos sobre os movimentos sociais, os estudos <i>Gay</i>, L&eacute;sbicos e <i>Queer</i> (GLQ) e os estudos sobre a cidadania sexual. Paralelamente, os movimentos e os contextos LGBT de Espanha e de It&aacute;lia foram sobretudo utilizados como contrapontos mais do que fontes de dados comparativos para o estudo do associativismo LGBT portugu&ecirc;s. Est&aacute; longe de ser abundante a literatura que o investiga e Ana Cristina Santos &eacute; a &uacute;nica autora que o abordou extensamente no seu conjunto e da forma mais minuciosa e aprofundada. Mais, al&eacute;m da &ldquo;tese-objeto-acad&eacute;mico&rdquo; e acima de tudo, &eacute; a &uacute;nica que det&eacute;m o m&eacute;rito de ter formulado uma <i>tese te&oacute;rica</i> de fundo sobre ele. Com efeito, ap&oacute;s contextualizar o associativismo LGBT portugu&ecirc;s no(s) &acirc;mbito(s) mais vasto(s) das mudan&ccedil;as pol&iacute;ticas, legais e culturais no pr&oacute;prio pa&iacute;s, bem como a n&iacute;vel global, a autora defende que, em Portugal especificamente, o movimento LGBT transcende de algum modo a cl&aacute;ssica dicotomia entre assimilacionismo/integracionismo e radicalismo/confrontacionalismo, apresentando carater&iacute;sticas singulares que definem um ativismo sincr&eacute;tico que uma abordagem te&oacute;rica se tem de obrigar a considerar para o poder compreender cabalmente, evitando os enviesamentos decorrentes da aplica&ccedil;&atilde;o &agrave; realidade nacional de grelhas te&oacute;ricas formuladas em fun&ccedil;&atilde;o de outros contextos hist&oacute;ricos: &ldquo;O ativismo sincr&eacute;tico &eacute; uma nova abordagem decorrente do seu uso combinado de estrat&eacute;gias orientadas para fins, que de outro modo poderiam ser vistos como incompat&iacute;veis. Aquilo que o impulsiona &eacute; um alvo estabelecido, de prefer&ecirc;ncia a uma posi&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica. O fundamento sobre que assenta o ativismo sincr&eacute;tico adv&eacute;m daquilo que os ativistas constroem como objetivos ating&iacute;veis, os quais determinam as estrat&eacute;gias empregadas e os ativistas percecionam o sucesso do movimento com base nesses objetivos previamente definidos&rdquo; (Santos, 2013: 157).</p>     <p>Se algum reparo de monta houvesse a fazer, seria algo que inegavelmente afeta toda a atual pesquisa das ci&ecirc;ncias sociais e humanas sobre o movimento LGBT, e que consiste no facto de elas terem de confiar de algum modo em pressupostos n&atilde;o provados ou an&aacute;lises ainda consideravelmente superficiais ou insuficientes na sua generalidade sobre quest&otilde;es como o verdadeiro sentido e alcance da religi&atilde;o na sociedade portuguesa (e nas pr&oacute;prias pessoas LGBT). Ou da hist&oacute;ria da persegui&ccedil;&atilde;o legal da homossexualidade, ou das formas e modalidades da homofobia na sociedade portuguesa e da homofobia internalizada na comunidade LGBT, para dar apenas estes exemplos. Nem por isso a investiga&ccedil;&atilde;o fica comprometida, por&eacute;m: trabalho para quem o fa&ccedil;a e com exig&ecirc;ncia n&atilde;o inferior &agrave; da presente obra.</p>     <p>A autora retira duas conclus&otilde;es de fundo que resultam da explora&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica respeitante aos movimentos sociais. Primeiro, que o estudo destes requer uma moldura te&oacute;rica capaz de dar conta da diversidade dos seus atores e estrat&eacute;gias, ao inv&eacute;s de construir os impactos dos movimentos segundo narrativas lineares, o que leva a autora &agrave; cr&iacute;tica das explica&ccedil;&otilde;es sociol&oacute;gicas dominantes quanto &agrave; fragilidade hist&oacute;rica e &agrave; inefic&aacute;cia dos movimentos sociais em Portugal, que, afinal, a academia acaba por falsamente reiterar, na medida em que essencialmente os desvaloriza (p. 176). Segundo, que &eacute; imprescind&iacute;vel levar em considera&ccedil;&atilde;o as contradi&ccedil;&otilde;es e tens&otilde;es intr&iacute;nsecas ao pr&oacute;prio associativismo LGBT, as quais, no entanto, acabam por fazer com que o ativismo beneficie com a sua constitutiva conflitualidade, que dinamiza o seu impacto nas esferas pol&iacute;tica, jur&iacute;dica e medi&aacute;tica, sem ter de depositar a sua exclusiva confian&ccedil;a numa for&ccedil;ada homogeneidade estrat&eacute;gica e ideol&oacute;gica (p. 177).</p>     <p>Ana Cristina Santos, que sempre prestou uma aten&ccedil;&atilde;o crucial &agrave; rela&ccedil;&atilde;o entre a investiga&ccedil;&atilde;o acad&eacute;mica e o ativismo pol&iacute;tico, tem com este livro um contributo incontorn&aacute;vel para a esclarecer, sem excessivas complac&ecirc;ncias tanto para uma como para o outro. &Eacute; importante destacar o facto de Santos compor o quadro te&oacute;rico e hist&oacute;rico a partir do qual &eacute; poss&iacute;vel empreender uma an&aacute;lise extremamente produtiva do processo que levou a que o nosso pa&iacute;s tenha sido pioneiro na aprova&ccedil;&atilde;o de uma lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo, ainda que o &acirc;mbito da obra abranja sobretudo uma &eacute;poca anterior e se refira a esse processo de forma muito breve; e ainda que a lei do casamento tenha vindo a marcar uma altera&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica radical no quadro de funcionamento do associativismo LGBT em Portugal tal como ele foi estudado pela autora.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <!-- ref --><p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> Santos, Ana Cristina (2005), <i>A lei do desejo. Direitos humanos e minorias sexuais em Portugal</i>. Porto: Afrontamento, 203 pp.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1527042&pid=S2182-7435201600020000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body><back>
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