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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article examines some of the relationships between discourse and migrations, highlighting how regimes of representations of a colonial origin persist in contemporary Europe, defining the essential vectors of an ethics and politics of translation that may provide the foundations for a logic of inter-recognition.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="fr"><p><![CDATA[Dans cet article nous nous penchons sur quelques aspects de la relation entre discours et migrations, en mettant en exergue la persistance, dans l’Europe contemporaine, de régimes de représentation aux racines coloniales et en définissant les vecteurs essentiels d’une éthique et d’une politique de la traduction susceptibles de fournir les fondements d’une logique de reconnaissance mutuelle.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO</b></p>     <p><b>Traduzir e ser traduzido. Notas sobre discurso e migra&ccedil;&otilde;es<sup><a href="#0">*</a></sup><a name="top0"></a></b></p>     <p><b>To Translate and Be Translated. Notes on Discourse and Migrations</b></p>     <p><b>Traduire et &ecirc;tre traduit. Notes sur le discours et les migrations</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Ant&oacute;nio Sousa Ribeiro</b></p>     <p>Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra | Centro de Estudos Sociais    da Universidade de Coimbra. Col&eacute;gio de S. Jer&oacute;nimo, Largo D. Dinis,    Apartado 3087, 3000-995 Coimbra, Portugal <a href="mailto:asr@ces.uc.pt">asr@ces.uc.pt</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Neste artigo percorrem-se alguns aspectos da rela&ccedil;&atilde;o entre discurso    e migra&ccedil;&otilde;es, sublinhando-se a persist&ecirc;ncia na Europa contempor&acirc;nea    de regimes de representa&ccedil;&atilde;o de raiz colonial e definindo-se os    vectores essenciais de uma &eacute;tica e pol&iacute;tica da tradu&ccedil;&atilde;o    suscept&iacute;veis de proporcionar os fundamentos de uma l&oacute;gica de inter-reconhecimento.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavras-chave:</b> colonialidade, discurso, migra&ccedil;&otilde;es, refugiados,    tradu&ccedil;&atilde;o</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This article examines some of the relationships between discourse and migrations,    highlighting how regimes of representations of a colonial origin persist in    contemporary Europe, defining the essential vectors of an ethics and politics    of translation that may provide the foundations for a logic of inter-recognition.</p>     <p><b>Keywords</b>: coloniality, discourse, migrations, refugees, translation</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>R&Eacute;SUM&Eacute;</b></p>     <p>Dans cet article nous nous penchons sur quelques aspects de la relation entre    discours et migrations, en mettant en exergue la persistance, dans l&rsquo;Europe    contemporaine, de r&eacute;gimes de repr&eacute;sentation aux racines coloniales    et en d&eacute;finissant les vecteurs essentiels d&rsquo;une &eacute;thique    et d&rsquo;une politique de la traduction susceptibles de fournir les fondements    d&rsquo;une logique de reconnaissance mutuelle.</p>     <p><b>Mots-cl&eacute;s:</b> colonialit&eacute;, discours, migrations, r&eacute;fugi&eacute;s,    traduction</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A cena passa-se num fim de tarde em Viena, h&aacute; cerca de 20 anos, no &acirc;mbito    de uma confer&ecirc;ncia p&uacute;blica a cargo da reputada sociolinguista Ruth    Wodak, a que tive oportunidade de assistir. Estava reunida uma apreci&aacute;vel    massa de gente, de v&aacute;rias centenas de pessoas, j&aacute; que a confer&ecirc;ncia,    inclu&iacute;da nas chamadas Confer&ecirc;ncias Vienenses, uma s&eacute;rie    de sess&otilde;es para o grande p&uacute;blico organizadas pela municipalidade,    tinha lugar no imenso sal&atilde;o nobre da C&acirc;mara Municipal da capital    austr&iacute;aca. Ruth Wodak estava, no fundamental, a apresentar os resultados    dos seus projectos de investiga&ccedil;&atilde;o sobre a constru&ccedil;&atilde;o    discursiva da identidade austr&iacute;aca (Wodak <i>et al.</i>, 1998). Na parte    final da sess&atilde;o, houve o per&iacute;odo habitual de perguntas e respostas.    Tudo corria em perfeita normalidade, at&eacute; ao momento em que um membro    do p&uacute;blico fez a pergunta: &ldquo;Considera que os imigrantes que pretendam    obter a nacionalidade austr&iacute;aca devem ser obrigados a fazer prova de    dom&iacute;nio fluente da l&iacute;ngua alem&atilde;?&rdquo;. A resposta, lac&oacute;nica,    veio de rajada, sem a m&iacute;nima hesita&ccedil;&atilde;o: &ldquo;N&atilde;o,    n&atilde;o considero&rdquo;.</p>     <p>Enquanto observador e estrangeiro, o tumulto entre a assist&ecirc;ncia e a    atmosfera agressiva que, de imediato, se geraram, deixaram-me at&oacute;nito.    Indubitavelmente, a resposta &agrave; pergunta tocara um nervo muito sens&iacute;vel.    Um cavalheiro j&aacute; de idade, que parecia particularmente indignado, fez    quest&atilde;o de citar alguns versos do poeta nacional austr&iacute;aco, Franz    Grillparzer, indispens&aacute;veis nas cartilhas escolares, sobre o valor da    l&iacute;ngua alem&atilde; para a defini&ccedil;&atilde;o da na&ccedil;&atilde;o    austr&iacute;aca, assim tornando perfeitamente claro que a origem da agita&ccedil;&atilde;o    geral estava na equa&ccedil;&atilde;o, pelos vistos, profundamente radicada    entre um largo sector dos presentes entre a perten&ccedil;a nacional e a partilha    de uma l&iacute;ngua nacional e na desconfian&ccedil;a, n&atilde;o menos enraizada,    contra toda a transgress&atilde;o de um conceito de assimila&ccedil;&atilde;o    assente nos termos definidos pela l&oacute;gica dominante da na&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Evidentemente que Ruth Wodak n&atilde;o estava a negar minimamente o valor    e import&acirc;ncia do dom&iacute;nio da l&iacute;ngua para quem decide viver    e trabalhar num pa&iacute;s que n&atilde;o &eacute; o seu. Estava, contudo,    a criticar duramente o que, a seu ver, era o estabelecimento de um requisito    jur&iacute;dico que representava a nega&ccedil;&atilde;o de valores e direitos    humanos fundamentais. Num ensaio posterior, ela escreveria, com verve pol&eacute;mica,    que os testes de l&iacute;ngua se transformaram em &ldquo;novos guardas fronteiri&ccedil;os    (p&oacute;s)modernos&rdquo;, funcionando como &ldquo;uma esp&eacute;cie de bilhete    de admiss&atilde;o &agrave; Terra Prometida&rdquo; (Wodak, 2013: 10).<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>    E, num cap&iacute;tulo recente, Wodak insiste em recordar que, em oposi&ccedil;&atilde;o    a uma no&ccedil;&atilde;o de cosmopolitismo ou p&oacute;s-nacionalismo como    marcas de uma cidadania europeia, &ldquo;o conceito de &lsquo;l&iacute;ngua    materna&rsquo;&rdquo; e o &ldquo;regresso a pol&iacute;ticas nacionais de l&iacute;ngua    que essencializam o Estado-na&ccedil;&atilde;o, projectando uma cultura, l&iacute;ngua    e territ&oacute;rio homog&eacute;neos (&hellip;) est&aacute; relacionado com    &lsquo;pol&iacute;ticas do corpo&rsquo; nativistas que v&ecirc;em e conceptualizam    a na&ccedil;&atilde;o como um corpo, com a l&iacute;ngua materna a simbolizar    a l&iacute;ngua nacional&rdquo; (Wodak, 2018: 410-411).</p>     <p>Havia, no entanto, um outro aspecto importante que Ruth Wodak certamente queria    sublinhar ao recusar-se a satisfazer as expectativas de um largo sector do p&uacute;blico    naquele fim de tarde em Viena: estava, tamb&eacute;m, a salientar, implicitamente,    que o dom&iacute;nio da l&iacute;ngua de modo nenhum iria permitir superar automaticamente    a mir&iacute;ade de outros factores de discrimina&ccedil;&atilde;o presentes    na sociedade austr&iacute;aca, como noutras sociedades europeias, contra imigrantes    de diferentes proveni&ecirc;ncias. Por outras palavras, estava a apontar para    o facto de que ser, literalmente, traduzido implicava problemas muito mais profundos,    que uma simples exig&ecirc;ncia de assimila&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s    da l&iacute;ngua era incapaz de resolver.</p>     <p>Veio-me &agrave; ideia este significativo epis&oacute;dio no contexto de uma    reflex&atilde;o sobre a relev&acirc;ncia do conceito de tradu&ccedil;&atilde;o    para as quest&otilde;es atinentes &agrave; rela&ccedil;&atilde;o entre discurso    e migra&ccedil;&otilde;es. Tratou-se, efectivamente, de um momento em que se    me tornou dolorosamente claro em que medida uma concep&ccedil;&atilde;o m&iacute;tica    de l&iacute;ngua nacional estava a funcionar, naquele contexto espec&iacute;fico,    como um operador poderoso para o confronto com aquilo a que, numa obra recente,    Reece Jones chamou o &ldquo;complexo da invas&atilde;o&rdquo; (Jones, 2016).    A prova de profici&ecirc;ncia lingu&iacute;stica n&atilde;o bastaria, claramente,    por si s&oacute;, para garantir a integra&ccedil;&atilde;o na sociedade austr&iacute;aca.    Contudo, no imagin&aacute;rio colectivo, esta exig&ecirc;ncia parecia, de alguma    forma, oferecer uma sensa&ccedil;&atilde;o de seguran&ccedil;a, uma possibilidade    de controlar o medo do heterog&eacute;neo &ndash; como signo de unidade, a l&iacute;ngua    nacional proporcionaria a ilus&atilde;o de uma fronteira bem definida, cuidadosamente    acautelada, a delimitar um territ&oacute;rio essencialmente seguro.</p>     <p>Desde o final do mil&eacute;nio, a escala e natureza das mobilidades for&ccedil;adas    transformaram-se drasticamente, em particular na sequ&ecirc;ncia da equivocamente    chamada &ldquo;crise dos refugiados&rdquo;. Uma consequ&ecirc;ncia n&atilde;o    menor deste processo foi, seguramente, a desestabiliza&ccedil;&atilde;o do sentido    das pr&oacute;prias palavras &ldquo;refugiado&rdquo; e &ldquo;migrante&rdquo;.    Como &eacute; sabido, a Conven&ccedil;&atilde;o sobre os Refugiados das Na&ccedil;&otilde;es    Unidas,<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a> proclamada em 1951,    oferecia uma defini&ccedil;&atilde;o muito restrita, uma vez que conferia aos    pa&iacute;ses signat&aacute;rios a liberdade para optar por uma defini&ccedil;&atilde;o    de refugiado como v&iacute;tima dos &ldquo;acontecimentos ocorridos na Europa    antes de 1 de Janeiro de 1951&rdquo;, restringindo, assim, no fundamental, o    &acirc;mbito do conceito &agrave;s consequ&ecirc;ncias do Nazismo e da Segunda    Guerra Mundial em solo europeu. A Conven&ccedil;&atilde;o foi revista em 1967    para eliminar as limita&ccedil;&otilde;es geogr&aacute;ficas e as balizas temporais.    No entanto, a defini&ccedil;&atilde;o da condi&ccedil;&atilde;o de refugiado    como sendo aplic&aacute;vel a quem teve de abandonar o pa&iacute;s de origem    &ldquo;devido ao receio fundado de ser perseguido por motivos relacionados com    a ra&ccedil;a, religi&atilde;o, nacionalidade, perten&ccedil;a a um grupo social    ou a uma opini&atilde;o pol&iacute;tica determinada&rdquo;, em oposi&ccedil;&atilde;o    ao migrante, que, supostamente, se deslocou voluntariamente para um outro pa&iacute;s,    tende a obscurecer o simples facto de que migrantes que se deslocam por motivos    econ&oacute;micos ou ligados a quest&otilde;es ambientais o fazem, em muitos    casos, n&atilde;o por escolha, mas porque, por uma s&eacute;rie de raz&otilde;es,    incluindo a explora&ccedil;&atilde;o desenfreada de recursos naturais por grandes    empresas multinacionais, as condi&ccedil;&otilde;es de vida no local de origem    se tornaram insuport&aacute;veis ou fazem mesmo incorrer em risco de vida.</p>     <p>Embora a escala dificilmente tenha precedentes, quest&otilde;es fundamentais    suscitadas pela situa&ccedil;&atilde;o presente n&atilde;o s&atilde;o novas    e t&ecirc;m de ser entendidas na longa dura&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es    entre a Europa e os seus &ldquo;outros&rdquo;. Neste aspecto, chama particularmente    a aten&ccedil;&atilde;o a inexist&ecirc;ncia, em geral, de uma consci&ecirc;ncia    aprofundada do modo como a defini&ccedil;&atilde;o da diferen&ccedil;a e a percep&ccedil;&atilde;o    da diferen&ccedil;a permanece, no discurso europeu, presa a um quadro de refer&ecirc;ncia    informado pela persist&ecirc;ncia daquilo a que Pascal Blanchard chamou <i>la    fracture coloniale</i> (a fractura colonial) (Blanchard <i>et al.</i>, 2005).    Esta fractura est&aacute; sobredeterminada por uma longa hist&oacute;ria de    exclus&atilde;o violenta &ndash; as formas muito diversas em que essa mem&oacute;ria    reverbera na percep&ccedil;&atilde;o de hoje mereceriam muito mais aten&ccedil;&atilde;o    do que aquela que t&ecirc;m recebido. Tendo em mente a mem&oacute;ria da Guerra    da Arg&eacute;lia em Fran&ccedil;a, Benjamin Stora p&otilde;e em relevo aquilo    a que chama <i>transferts de m&eacute;moire</i> (transfer&ecirc;ncias de mem&oacute;ria),    que implicam que uma imagem do &ldquo;inimigo&rdquo; consolidada no contexto    da guerra seja persistentemente projectada sobre migrantes provenientes do Norte    de &Aacute;frica e, em geral, sobre a larga popula&ccedil;&atilde;o francesa    de religi&atilde;o mu&ccedil;ulmana (Stora, 1999). Novas formas de diferencia&ccedil;&atilde;o    e exclus&atilde;o, especialmente marcadas por preconceitos anti-&aacute;rabes,    alimentam-se de uma hist&oacute;ria de viol&ecirc;ncia estreitamente associada    ao passado colonial europeu, raz&atilde;o pela qual as lutas pela mem&oacute;ria    permanecem um elemento t&atilde;o decisivo na constitui&ccedil;&atilde;o de    uma esfera p&uacute;blica europeia democr&aacute;tica e cosmopolita.</p>     <p>Seja no plano da recupera&ccedil;&atilde;o de uma perspectiva na&ccedil;&atilde;o-c&ecirc;ntrica,    seja do ponto de vista de uma concep&ccedil;&atilde;o cristalizada do &ldquo;Ocidente&rdquo;,    as fantasias de centralidade continuam a desempenhar um papel fundamental. Num    dos textos fundadores da Uni&atilde;o Europeia, a declara&ccedil;&atilde;o de    Robert Schuman de 9 de Maio de 1950 propondo o chamado Plano Schuman, consta    uma refer&ecirc;ncia quase de passagem que pode facilmente passar despercebida,    mas &eacute; muito esclarecedora neste aspecto: o desenvolvimento econ&oacute;mico    europeu permitiria que a Europa levasse a cabo &ldquo;uma das suas tarefas fundamentais,    o desenvolvimento do continente africano&rdquo;.<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>    Naturalmente que, &agrave; &eacute;poca, a inevit&aacute;vel e iminente provincializa&ccedil;&atilde;o    da Europa (Chakrabarty, 2000) estava inteiramente fora do horizonte dos pol&iacute;ticos    europeus. No quadro de uma redefini&ccedil;&atilde;o da &ldquo;ideia europeia&rdquo;    no per&iacute;odo imediatamente a seguir &agrave; Segunda Guerra Mundial, &eacute;    evidente que a fantasia de centralidade impl&iacute;cita na alus&atilde;o de    Schuman, enquanto vers&atilde;o moderna, consciente ou inconsciente, do &ldquo;fardo    do homem branco&rdquo;, se baseava no facto do dom&iacute;nio colonial europeu    sobre largas parcelas do continente africano. Mas a mesma ideia de Europa permanece,    at&eacute; aos nossos dias, ferida de contradi&ccedil;&otilde;es e heterogeneidades    que s&atilde;o insepar&aacute;veis da constitui&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica    de padr&otilde;es s&oacute;lidos de identidade que se projectam sobre outros    pa&iacute;ses ou regi&otilde;es europeus na forma de estere&oacute;tipos distintamente    informados pela diferen&ccedil;a colonial. Assim, quando, em 17 de Maio de 2011,    Angela Merkel exigia que os europeus do Sul deveriam ter menos feriados e reformar-se    mais tarde, isto &eacute;, trabalhar mais duramente como, supostamente, fazem    os europeus do Norte, n&atilde;o se tratava apenas da demonstra&ccedil;&atilde;o    do poder de estere&oacute;tipos que, como hoje &eacute; muito claro, desempenharam,    com consequ&ecirc;ncias pesadas, um papel n&atilde;o despiciendo na resposta    dilat&oacute;ria e insuficiente &agrave; crise financeira, esses mesmos estere&oacute;tipos    evidenciam claramente a projec&ccedil;&atilde;o de uma imagem do Sul da Europa    moldada a partir da diferen&ccedil;a colonial (Ervedosa, 2017).</p>     <p>Uma tal projec&ccedil;&atilde;o tem uma longa tradi&ccedil;&atilde;o. Na sua    obra <i>Imagining the Balkans</i>, Maria Todorova, partindo das teses de Edward    Said sobre o Orientalismo, define o balcanismo como uma forma&ccedil;&atilde;o    discursiva que projecta a imagem puramente negativa, quando n&atilde;o pejorativa,    de uma semiexist&ecirc;ncia: na imagina&ccedil;&atilde;o europeia dominante,    os Balc&atilde;s, escreve Todorova, s&atilde;o &ldquo;semidesenvolvidos, semicoloniais,    semicivilizados, semiorientais&rdquo; (1997: 16). Analogamente, no ensaio, hoje    cl&aacute;ssico, &ldquo;Entre Prospero e Caliban&rdquo; (Santos, 2002), Boaventura    de Sousa Santos mostra, &agrave; luz de abundantes exemplos, como a fantasia    nacional portuguesa da ocupa&ccedil;&atilde;o de uma posi&ccedil;&atilde;o central    como Prospero colonizador contrasta com vis&otilde;es norte-europeias que fixam    os portugueses no papel de um Caliban incivilizado. Os exemplos citados por    Santos, e muitos outros poderiam acrescentar-se, abundam, por exemplo, em alus&otilde;es    &agrave; horrenda fealdade dos portugueses, enquanto mistura de ra&ccedil;as    tidas como inferiores, e incidem em t&oacute;picos como a pouca disponibilidade    para o trabalho, a incapacidade de explorar devidamente os recursos naturais    do pa&iacute;s de uma forma racional ou a imoralidade e promiscuidade de gente    incapaz de controlar as suas puls&otilde;es sexuais de forma civilizada &ndash;    tudo lugares comuns rotineiramente aplicados pelo discurso colonial aos povos    colonizados.</p>     <p>A degrada&ccedil;&atilde;o discursiva do Sul est&aacute; em conson&acirc;ncia    com a persist&ecirc;ncia, e mesmo o refor&ccedil;o, de um modelo centro-periferia    que reproduz no plano intra-europeu uma geografia simb&oacute;lica do poder    an&aacute;loga, de muitas maneiras, aos estere&oacute;tipos da diferen&ccedil;a    colonial. Estes estere&oacute;tipos, mesmo que em forma mais sofisticada, ocorrem    em contextos muitas vezes inesperados. Veja-se, por exemplo, a express&atilde;o    <i>Kerneuropa</i>, no sentido de &ldquo;o n&uacute;cleo da Europa&rdquo; ou    &ldquo;os pa&iacute;ses nucleares europeus&rdquo;. A express&atilde;o foi introduzida    no discurso europeu atrav&eacute;s do documento &ldquo;Ideias sobre a pol&iacute;tica    europeia&rdquo; (&ldquo;&Uuml;berlegungen zur europ&auml;ischen Politik&rdquo;),    o chamado documento Sch&auml;uble-Lamers, da autoria dos pol&iacute;ticos crist&atilde;os-democratas    alem&atilde;es Wolfgang Sch&auml;uble e Karl Lamers. Foi, depois, usada, entre    outros, pelo ent&atilde;o ministro dos Neg&oacute;cios Estrangeiros da Alemanha,    Joschka Fischer e, pouco mais tarde, emergiria num lugar central, o apelo conjunto    lan&ccedil;ado, em 2003, por J&uuml;rgen Habermas e Jacques Derrida na sequ&ecirc;ncia    da invas&atilde;o do Iraque, publicado na Alemanha pelo influente jornal <i>Frankfurter    Allgemeine Zeitung</i> com o t&iacute;tulo &ldquo;Unsere Erneuerung. Nach dem    Krieg: die Wiedergeburt Europas&rdquo; (&ldquo;A nossa renova&ccedil;&atilde;o.    Depois da guerra: o renascimento da Europa) (Habermas e Derrida, 2003a).<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>    O manifesto &eacute; um apelo &agrave; unidade que, aos olhos dos autores, s&oacute;    pode ser promovida &ldquo;se os estados-membros nucleares&rdquo; forem capazes    de iniciativa e de conduzir um processo de reflex&atilde;o no curso da qual,    no contexto da &ldquo;incomparavelmente rica diversidade&rdquo; da Europa contempor&acirc;nea,    &ldquo;os cidad&atilde;os de uma na&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m de considerar    os cidad&atilde;os de uma outra na&ccedil;&atilde;o como, fundamentalmente,    &lsquo;um de n&oacute;s&rsquo;&rdquo; (<i>ibidem</i>). O que chama a aten&ccedil;&atilde;o,    por um lado, &eacute; o facto de o &iacute;mpeto ut&oacute;pico, sem d&uacute;vida,    bem intencionado, do manifesto assentar num conceito, o de &ldquo;n&uacute;cleo    europeu&rdquo;, fundado numa rela&ccedil;&atilde;o de poder assim&eacute;trica    e marcado pela defini&ccedil;&atilde;o de uma fronteira aparentemente intranspon&iacute;vel;    por outro lado, apesar de um apelo final &agrave; rejei&ccedil;&atilde;o do    eurocentrismo, o modelo, proposto pelo documento, de uma rela&ccedil;&atilde;o    com o outro como &ldquo;reconhecimento rec&iacute;proco do outro na sua alteridade&rdquo;    e como a base de uma poss&iacute;vel &ldquo;identidade comum&rdquo; futura,    n&atilde;o apenas permanece inteiramente abstracto como, sobretudo, focando-se    nas rela&ccedil;&otilde;es entre os pa&iacute;ses europeus, esquece o facto    de que a hist&oacute;ria da Europa e da constitui&ccedil;&atilde;o da Europa    teve lugar, em aspectos fundamentais, fora das fronteiras geogr&aacute;ficas    do continente europeu.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&ldquo;A Europa contempor&acirc;nea&rdquo;, escrevem os autores, &ldquo;foi    moldada pela experi&ecirc;ncia dos regimes totalit&aacute;rios do s&eacute;culo    xx e pelo Holocausto&rdquo; (<i>ibidem</i>). Apenas no breve final se encontra    uma refer&ecirc;ncia ao passado colonial europeu:</p>     <p>     <blockquote>Cada uma das grandes na&ccedil;&otilde;es europeias viveu o apogeu    do seu poder imperial e (&hellip;) teve de lidar com a experi&ecirc;ncia da    perda de um imp&eacute;rio. (&hellip;) Com a dist&acirc;ncia crescente relativamente    ao dom&iacute;nio imperial e &agrave; hist&oacute;ria do colonialismo, as pot&ecirc;ncias    europeias ganharam a possibilidade de assumir uma dist&acirc;ncia reflexiva    em rela&ccedil;&atilde;o a si pr&oacute;prias (&hellip;) de se verem no papel    d&uacute;bio de vencedores a quem se exige que prestem contas pela viol&ecirc;ncia    de uma modernidade imposta e desenraizadora. (Habermas e Derrida, 2003a)</blockquote>     <p></p>     <p>Limitar a quest&atilde;o do colonialismo simplesmente &agrave; din&acirc;mica    de uma &ldquo;modernidade imposta e desenraizadora&rdquo; tem um desagrad&aacute;vel    ressaibo a eufemismo. Mas, independentemente disso, a quest&atilde;o central,    a meu ver, est&aacute; em que a presen&ccedil;a contempor&acirc;nea do migrante    e do refugiado, da enorme massa de gente a bater &agrave; porta da Europa, p&otilde;e    inteiramente em quest&atilde;o a ideia da dist&acirc;ncia crescente relativamente    &agrave; hist&oacute;ria do colonialismo. Na realidade, em muitos aspectos,    o colonialismo tem de ser visto como um elemento definidor, n&atilde;o apenas    do passado, mas da contemporaneidade europeia, e, ao n&atilde;o enfrentar esta    quest&atilde;o, o manifesto de Habermas e Derrida vem, no fim de contas, ocupar    um lugar no seio da tradi&ccedil;&atilde;o de um discurso ut&oacute;pico europeu    em que a celebra&ccedil;&atilde;o da diversidade cultural s&oacute; insuficientemente    reflecte sobre a natureza conflitual e o potencial de viol&ecirc;ncia de uma    defini&ccedil;&atilde;o da diferen&ccedil;a que percorre aquilo a que Boaventura    de Sousa Santos chamou a linha abissal enquanto tra&ccedil;o definidor da diferen&ccedil;a    colonial (Santos, 2007).</p>     <p>Reconhecer que a fractura colonial n&atilde;o pertence simplesmente ao passado    da Europa, mas sim ao seu presente, tem v&aacute;rias consequ&ecirc;ncias decisivas.    A mais importante ser&aacute;, sem d&uacute;vida o reconhecimento da preval&ecirc;ncia    do racismo nas sociedades europeias. Para regressar &agrave;s minhas refer&ecirc;ncias    iniciais sobre a quest&atilde;o da linguagem, a pesquisa etnogr&aacute;fica    entre comunidades migrantes em Portugal, mas tamb&eacute;m a observa&ccedil;&atilde;o    corrente, n&atilde;o t&ecirc;m dificuldades em identificar casos de discrimina&ccedil;&atilde;o    racista baseados na l&iacute;ngua: &eacute; bem sabido que um sotaque africano    ao telefone pode facilmente custar a perda de uma oportunidade de emprego ou    da possibilidade do arrendamento de uma casa. A organiza&ccedil;&atilde;o SOS    Racismo reporta, sistematicamente, situa&ccedil;&otilde;es no local de trabalho    em que, por exemplo, funcion&aacute;rios que est&atilde;o a conversar em crioulo    cabo-verdiano s&atilde;o proibidos pela ger&ecirc;ncia de o fazer. H&aacute;    cerca de dois anos, na &Aacute;ustria, verificou-se um debate sobre uma iniciativa    do governo da Alta &Aacute;ustria de acordo com a qual as crian&ccedil;as de    escola deveriam ser proibidas de usar, em contexto escolar, qualquer l&iacute;ngua    que n&atilde;o o alem&atilde;o, incluindo durante o recreio no p&aacute;tio.    A iniciativa foi bloqueada pelos &oacute;rg&atilde;os federais, mas o simples    facto de que um tal absurdo possa ter sido tomado seriamente em considera&ccedil;&atilde;o    &eacute; muito revelador.<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a> Portugal    ocupa, sistematicamente, em inqu&eacute;ritos internacionais como, por exemplo,    o European Social Survey, uma posi&ccedil;&atilde;o pouco lisonjeira no respeitante    ao t&oacute;pico do racismo. A preval&ecirc;ncia da discrimina&ccedil;&atilde;o    racista &ndash; n&atilde;o apenas o ressentimento anti-refugiado ou anti-imigrante,    na dimens&atilde;o alarmante que tem vindo a assumir em muitos pa&iacute;ses    europeus, mas as formas de discrimina&ccedil;&atilde;o quotidianas que, muitas    vezes, se manifestam a uma microescala &ndash; mostra &agrave; saciedade em    que medida a integra&ccedil;&atilde;o ou a assimila&ccedil;&atilde;o n&atilde;o    s&atilde;o sempre sen&atilde;o uma condi&ccedil;&atilde;o provis&oacute;ria:    independentemente da cidadania formal, quem, pelos mais diferentes motivos,    desde a cor da pele &agrave; l&iacute;ngua, transporte sinais de alteridade,    est&aacute; sujeito a que, em contextos determinados, esses sinais sejam activados    como marca de exclus&atilde;o e surjam como legitima&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas    da viol&ecirc;ncia.</p>     <p>Estas observa&ccedil;&otilde;es conduzem &agrave; quest&atilde;o central que    tem de ser posta em equa&ccedil;&atilde;o por qualquer abordagem cr&iacute;tica    da rela&ccedil;&atilde;o entre discurso e migra&ccedil;&atilde;o, a quest&atilde;o    da tradu&ccedil;&atilde;o. A imagem mais corrente para os processos de tradu&ccedil;&atilde;o    &eacute; a imagem da ponte. Demasiadas vezes, no entanto, esta imagem surge,    tanto no discurso corrente, como no discurso da pol&iacute;tica ou da academia,    como a solu&ccedil;&atilde;o, e n&atilde;o como a formula&ccedil;&atilde;o de    um problema. De facto, &eacute; manifesto que, se &eacute; necess&aacute;ria    uma ponte, &eacute; porque existe um obst&aacute;culo a transpor. Esta &eacute;,    evidentemente, a quest&atilde;o central: a ponte tem de ser tomada, n&atilde;o    como alguma coisa que permite negligenciar e fazer esquecer o obst&aacute;culo    transposto, mas sim como algo que torna manifesta a exist&ecirc;ncia e persist&ecirc;ncia    desse obst&aacute;culo. &Eacute; assim que qualquer conceito de tradu&ccedil;&atilde;o    tem de ser fundado numa no&ccedil;&atilde;o de conflito: como as l&iacute;nguas    e culturas s&atilde;o, por defini&ccedil;&atilde;o, incomensur&aacute;veis,    toda a teoria da tradu&ccedil;&atilde;o tem de come&ccedil;ar por se confrontar    com o problema da intraduzibilidade. Por outras palavras, todo o processo de    tradu&ccedil;&atilde;o mais n&atilde;o &eacute; do que o esfor&ccedil;o para    superar este problema, atrav&eacute;s da procura de uma medida comum que permita    compreender e p&ocirc;r em rela&ccedil;&atilde;o o que &eacute; irrevogavelmente    diferente. Toda a solu&ccedil;&atilde;o neste &acirc;mbito, como todo o tradutor    sabe ou devia saber, &eacute; sempre prec&aacute;ria e, de certa forma, provis&oacute;ria:    n&atilde;o h&aacute; universais da tradu&ccedil;&atilde;o, uma vez que, em &uacute;ltima    an&aacute;lise, tudo est&aacute; dependente da particularidade do contexto de    uma l&iacute;ngua e cultura determinadas.<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a></p>     <p>Fundamentar o conceito de tradu&ccedil;&atilde;o numa no&ccedil;&atilde;o de    intraduzibilidade n&atilde;o pode, no entanto, ser confundido com modelos da    rela&ccedil;&atilde;o intercultural que postulam a n&atilde;o-tradu&ccedil;&atilde;o    ou a recusa de traduzir como a base defensiva de uma identidade potencialmente    agressiva. O mais influente desses modelos ser&aacute;, seguramente, o do &ldquo;choque    de civiliza&ccedil;&otilde;es&rdquo; proposto por Samuel Huntington (1996),    que representa uma vers&atilde;o extrema daquilo a que um cr&iacute;tico chamou    uma &ldquo;ins&acirc;nia de identidade&rdquo; (Meyer, 1997), com o seu postulado    do car&aacute;cter estanque das esferas culturais que, no melhor dos casos,    podem apenas coexistir e, no pior, se relacionam entre si atrav&eacute;s do    conflito e da guerra (recorde-se como, na mais perfeita ortodoxia schmittiana,    para Huntington, s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel conhecer verdadeiramente    a pr&oacute;pria identidade a partir do momento em que foi poss&iacute;vel identificar    o inimigo).<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a> Nos termos que estou    a propor, a no&ccedil;&atilde;o de intraduzibilidade permite n&atilde;o perder    nunca de vista que a tarefa da tradu&ccedil;&atilde;o &ndash; tornar intelig&iacute;vel    a diferen&ccedil;a e produzir um espa&ccedil;o comum para o relacionamento com    a diferen&ccedil;a &ndash; n&atilde;o significa um processo de assimila&ccedil;&atilde;o.    Kwame Anthony Appiah prop&otilde;e o conceito de &ldquo;tradu&ccedil;&atilde;o    densa&rdquo; para abranger os processos de tradu&ccedil;&atilde;o que incorporam    a percep&ccedil;&atilde;o da forma como rituais e pr&aacute;ticas, incluindo    as pr&aacute;ticas discursivas, est&atilde;o enraizados em contextos culturais    complexos (Appiah, 1993). Em anos recentes, o conceito de tradu&ccedil;&atilde;o    cultural tornou-se corrente, como chamada de aten&ccedil;&atilde;o para o facto    de que toda a rela&ccedil;&atilde;o entre textos escritos em l&iacute;nguas    diferentes &eacute; uma rela&ccedil;&atilde;o entre culturas diferentes.<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>    Isto, por&eacute;m, n&atilde;o &eacute; bastante, j&aacute; que o pr&oacute;prio    conceito de cultura est&aacute; envolvido em consider&aacute;vel turbul&ecirc;ncia.    Na formula&ccedil;&atilde;o famosa de James Clifford, &ldquo;as &lsquo;culturas&rsquo;    n&atilde;o ficam quietas &agrave; espera da fotografia&rdquo; (1986: 10). Por    outras palavras, as culturas s&atilde;o processos din&acirc;micos e conflituais    e n&atilde;o simplesmente c&acirc;nones estabelecidos ou repert&oacute;rios    est&aacute;veis. Por esta raz&atilde;o, neste mesmo sentido, Stuart Hall (1992)    escreveria, nos anos 90, que a cultura &eacute; mais uma quest&atilde;o de tradu&ccedil;&atilde;o    do que de tradi&ccedil;&atilde;o, com a implica&ccedil;&atilde;o de que estar-em-tradu&ccedil;&atilde;o    n&atilde;o &eacute; um tra&ccedil;o incidental, mas uma caracter&iacute;stica    essencial, definidora, de qualquer cultura.</p>     <p>Num breve artigo escrito no in&iacute;cio dos anos 90, Wolfgang Iser recordava    que a &ldquo;traduzibilidade&rdquo; implica &ldquo;a tradu&ccedil;&atilde;o    da alteridade sem submeter esta a no&ccedil;&otilde;es pr&eacute;-concebidas&rdquo;    (Iser, 1994). Isto &eacute;, continuando a citar Iser, no acto de tradu&ccedil;&atilde;o,    &ldquo;uma cultura estranha n&atilde;o &eacute; simplesmente subsumida ao nosso    quadro de refer&ecirc;ncia; &eacute; esse mesmo quadro que &eacute; sujeito    a transforma&ccedil;&otilde;es para integrar aquilo que n&atilde;o se ajusta&rdquo;    (<i>ibidem</i>). &Eacute; esta a quest&atilde;o fundamental, que nos remete    de novo para a quest&atilde;o, atr&aacute;s, aflorada, da intraduzibilidade.    Se cada acto de tradu&ccedil;&atilde;o, enquanto refuta&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica    da impossibilidade de traduzir, corresponde a p&ocirc;r em quest&atilde;o e    redefinir um quadro de refer&ecirc;ncia estabelecido, ent&atilde;o, do mesmo    passo, o que est&aacute; a ser posto em quest&atilde;o e redefinido s&atilde;o    tamb&eacute;m as rela&ccedil;&otilde;es de poder entre as culturas. O acto de    subsumir, de assimilar, como Adorno repetidamente insistiu, corresponde a exercer    poder no dom&iacute;nio conceptual. No &acirc;mbito da teoria p&oacute;s-colonial,    o conceito de colonialidade, proposto por An&iacute;bal Quijano (1997), visa,    justamente, o processo de submiss&atilde;o do alegadamente subalterno a an&aacute;logas    l&oacute;gicas de poder, desde logo no plano simb&oacute;lico, muito para al&eacute;m    do fim das rela&ccedil;&otilde;es formais de coloniza&ccedil;&atilde;o.<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a>    &Eacute; por essa raz&atilde;o que um conceito de tradu&ccedil;&atilde;o resultante    da cr&iacute;tica das epistemologias coloniais tem de se distanciar da ideia    de um di&aacute;logo entre culturas representado pela imagem da ponte. Ao implicar,    necessariamente, a negocia&ccedil;&atilde;o de diferen&ccedil;as, a tradu&ccedil;&atilde;o    n&atilde;o se esgota, efectivamente, num conceito de di&aacute;logo. Na verdade,    o conceito de alteridade &eacute; insepar&aacute;vel dos processos de tradu&ccedil;&atilde;o    que permitem o relacionamento com essa alteridade &ndash; o espa&ccedil;o da    fronteira, que constitui esse espa&ccedil;o de negocia&ccedil;&atilde;o &eacute;,    por defini&ccedil;&atilde;o, prec&aacute;rio e inst&aacute;vel, quer dizer,    &eacute; sempre um espa&ccedil;o de conting&ecirc;ncia em que a presen&ccedil;a    do n&atilde;o-id&ecirc;ntico p&otilde;e permanentemente em causa qualquer no&ccedil;&atilde;o    de s&iacute;ntese e de assimila&ccedil;&atilde;o, mantendo, pelo contr&aacute;rio,    operativa uma rela&ccedil;&atilde;o de tens&atilde;o e estranheza m&uacute;tuas.    &Eacute; assim que, se a raz&atilde;o da tradu&ccedil;&atilde;o &eacute; uma    raz&atilde;o cosmopolita, &eacute;-o, n&atilde;o na medida em que possa ir al&eacute;m    das fronteiras, mas sim em que seja capaz de se situar na fronteira, de se instituir    como raz&atilde;o fronteiri&ccedil;a, isto &eacute;, de ocupar os espa&ccedil;os    de articula&ccedil;&atilde;o e de negociar em perman&ecirc;ncia as condi&ccedil;&otilde;es    dessa articula&ccedil;&atilde;o. S&oacute; assim o efeito mais elementar da    fronteira, a percep&ccedil;&atilde;o de que existe um outro, pode traduzir-se    na cria&ccedil;&atilde;o de condi&ccedil;&otilde;es de inteligibilidade que    permitam superar a condi&ccedil;&atilde;o do intraduz&iacute;vel e produzir    novas configura&ccedil;&otilde;es insuspeitadas.</p>     <p>Neste aspecto, um elemento fundamental do potencial pol&iacute;tico do conceito    de tradu&ccedil;&atilde;o reside na forma como ele se revela essencial para    a defini&ccedil;&atilde;o de qualquer pol&iacute;tica do reconhecimento. N&atilde;o    &eacute; de mais, neste contexto, sublinhar a diferen&ccedil;a irredut&iacute;vel    entre reconhecimento e toler&acirc;ncia. A toler&acirc;ncia &eacute; um acto    de poder que n&atilde;o tem sequer de traduzir qualquer esfor&ccedil;o de aproxima&ccedil;&atilde;o    relativamente ao que &eacute; tolerado. O reconhecimento, pelo contr&aacute;rio,    pressup&otilde;e um envolvimento concreto com a diferen&ccedil;a e a procura    de modos de articula&ccedil;&atilde;o com essa diferen&ccedil;a.<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a>    Por outras palavras, a toler&acirc;ncia &eacute; equivalente &agrave; recusa    da tradu&ccedil;&atilde;o, ao passo que o reconhecimento s&oacute; pode fundar-se    em processos de tradu&ccedil;&atilde;o. A relev&acirc;ncia desta quest&atilde;o    tornou-se tragicamente evidente com a irrup&ccedil;&atilde;o da chamada crise    dos refugiados e as vagas maci&ccedil;as de migra&ccedil;&atilde;o pelo Mediterr&acirc;neo.    Migrantes e refugiados s&atilde;o pessoas traduzidas, no sentido literal, foram    projectados violentamente para contextos estranhos onde s&atilde;o for&ccedil;adas    a enfrentar a necessidade, n&atilde;o apenas de ser aceites, mas tamb&eacute;m    de serem reconhecidas, isto &eacute;, de se tornarem sujeitos, e n&atilde;o    apenas objectos, de tradu&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o obstante, os discursos    correntes sobre migrantes e refugiados tendem a remet&ecirc;-los para o outro    lado daquela &ldquo;linha abissal&rdquo; cuja caracter&iacute;stica mais determinante,    segundo Boaventura de Sousa Santos, est&aacute; na &ldquo;impossibilidade da    co-presen&ccedil;a dos dois lados da linha&rdquo; (Santos, 2007: 4). No seu    ensaio &ldquo;We Refugees&rdquo;, de 1943, Hannah Arendt conclu&iacute;a a sua    reflex&atilde;o autobiogr&aacute;fica sobre a condi&ccedil;&atilde;o do refugiado    escrevendo que &ldquo;a comunidade dos povos da Europa fez-se em peda&ccedil;os    quando permitiu, e porque permitiu, que o seu membro mais fraco fosse exclu&iacute;do    e perseguido&rdquo; (Arendt, 1994 (1943): 119). A quest&atilde;o, no contexto    europeu contempor&acirc;neo, &eacute; o facto de o refugiado nunca ter sido    sequer reconhecido como &ldquo;membro&rdquo;, podendo, assim, ser exclu&iacute;do    sem mais de forma burocr&aacute;tica e rotineira. Isto &eacute; concomitante    com o que Zygmunt Bauman caracteriza como &ldquo;a constri&ccedil;&atilde;o    do dom&iacute;nio de obriga&ccedil;&otilde;es morais que estamos dispostos a    admitir, pelas quais estamos dispostos a responsabilizar-nos e que estamos dispostos    a aceitar como objecto da nossa aten&ccedil;&atilde;o constante, di&aacute;ria,    e da nossa ac&ccedil;&atilde;o correctiva&rdquo; (Bauman, 2016: 135). O que    significa que os migrantes e refugiados est&atilde;o permanentemente a ser empurrados    para al&eacute;m da &ldquo;zona de tradu&ccedil;&atilde;o&rdquo;,<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>    isto &eacute;, empurrados para um n&atilde;o-territ&oacute;rio em que o reconhecimento    dos seus direitos humanos est&aacute; suspenso. As fronteiras tornaram-se flex&iacute;veis,    passam por s&iacute;tios insuspeitados e definem espa&ccedil;os de exclus&atilde;o,    n&atilde;o-espa&ccedil;os, em que o outro &eacute; constru&iacute;do como &ldquo;intraduz&iacute;vel&rdquo;,    isto &eacute;, como algu&eacute;m fechado numa irredut&iacute;vel estranheza    e que formula reivindica&ccedil;&otilde;es ou exprime necessidades que n&atilde;o    poderiam ser satisfeitas sem preju&iacute;zo irrepar&aacute;vel para a comunidade.    Nestas circunst&acirc;ncias, n&atilde;o pode haver tradu&ccedil;&atilde;o enquanto    negocia&ccedil;&atilde;o de diferen&ccedil;as, mas t&atilde;o-somente uma reac&ccedil;&atilde;o    defensiva baseada na erec&ccedil;&atilde;o de fronteiras violentas entendidas    como linhas abissais.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Neste quadro, a tarefa pol&iacute;tica e &eacute;tica consistir&aacute;, em    conformidade, em ampliar os limites da zona de tradu&ccedil;&atilde;o de modo    a permitir abranger as muitas experi&ecirc;ncias diferentes e os diversos discursos    que emergem nas condi&ccedil;&otilde;es actuais de mobilidade global. Ao lidar    com um problema de t&atilde;o grande escala, &eacute; importante, evidentemente,    insistir numa medida comum de humanidade &ndash; &eacute; esse o fundamento    da compaix&atilde;o, entendida, n&atilde;o como uma emo&ccedil;&atilde;o sentimental,    mas sim como um modo cognitivo e performativo de relacionamento com as dificuldades    do outro. Mas &eacute; igualmente importante perceber que essa humanidade comum    fala muitas l&iacute;nguas diferentes, est&aacute; dividida e fragmentada de    acordo com mir&iacute;ades de diferentes linhas de fronteira que t&ecirc;m de    ser reconhecidas na sua especificidade. Por outras palavras, nada se ganha em    subestimar as dificuldades da comunica&ccedil;&atilde;o intercultural, visto    que o terreno comum do reconhecimento m&uacute;tuo n&atilde;o &eacute; simplesmente    pr&eacute;-existente &ndash; proporcionado, por exemplo, por uma ret&oacute;rica    universal de direitos humanos &ndash;, antes tem de ser reafirmado e produzido    no pr&oacute;prio acto de tradu&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Para dar um exemplo entre muitos poss&iacute;veis, a dificuldade de reconhecimento    em contextos pr&aacute;ticos est&aacute; bem ilustrada no document&aacute;rio    <i>La forteresse</i>, do realizador su&iacute;&ccedil;o Fernand Melgar, ele    pr&oacute;prio filho de um emigrante espanhol, produzido em 2008.<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a>    O document&aacute;rio foca-se no quotidiano de um centro de deten&ccedil;&atilde;o    para requerentes do estatuto de refugiado numa pequena cidade su&iacute;&ccedil;a.    Um dos aspectos mais impressivos do filme est&aacute; na forma como aborda a    quest&atilde;o do testemunho. Na verdade, em boa medida, a decis&atilde;o de    concess&atilde;o, ou n&atilde;o, do direito de perman&ecirc;ncia depende da    credibilidade do discurso que o candidato ou candidata consegue articular sobre    a sua traject&oacute;ria pessoal. O requerente ou a requerente est&aacute;,    desde o in&iacute;cio, numa posi&ccedil;&atilde;o desvantajosa, n&atilde;o apenas    pela debilidade f&iacute;sica ou mental e pela necessidade, quase sempre, da    media&ccedil;&atilde;o de um int&eacute;rprete, mas tamb&eacute;m porque o testemunho    que produz &eacute; sempre objecto de enorme suspeita, j&aacute; que, na maior    parte dos casos, n&atilde;o existem provas documentais ou outras que possam    ser apresentadas, existe apenas a narrativa individual. A teoria do testemunho    tem vindo a sublinhar a import&acirc;ncia do envolvimento numa situa&ccedil;&atilde;o    dial&oacute;gica, que depende sempre do interlocutor, sobretudo quando do que    se trata &eacute; de mem&oacute;rias traum&aacute;ticas e a empatia com um ouvinte    permite a quem est&aacute; a produzir o testemunho quebrar um sil&ecirc;ncio    que pode ter pesado durante muito tempo ou trazer &agrave; linguagem experi&ecirc;ncias    cujo extremo de viol&ecirc;ncia as torna dificilmente verbaliz&aacute;veis.    Contudo, nas situa&ccedil;&otilde;es filmadas por Melgar, o interlocutor, mesmo    quando n&atilde;o &eacute; abertamente hostil, &eacute; um representante do    Estado e, em &uacute;ltima an&aacute;lise, exerce fun&ccedil;&otilde;es quase    de juiz, e a produ&ccedil;&atilde;o de testemunho tem, assim, lugar num quadro    eminentemente desfavor&aacute;vel. Os funcion&aacute;rios que conduzem a entrevista    est&atilde;o colocados na posi&ccedil;&atilde;o de analistas do discurso, sem    estarem necessariamente qualificados para tal: os crit&eacute;rios de verdade    por que se norteiam dificilmente permitem fazer justi&ccedil;a &agrave; complexidade    da dimens&atilde;o performativa de uma situa&ccedil;&atilde;o em que o sil&ecirc;ncio,    o gesto, a linguagem corporal podem ser t&atilde;o importantes como as palavras.    Basta ver, por exemplo, os longos momentos de sil&ecirc;ncio, praticamente inevit&aacute;veis    quando se est&aacute; a recapitular mem&oacute;rias profundamente traum&aacute;ticas,    mas que, do ponto de vista do entrevistador, inevitavelmente p&otilde;em em    quest&atilde;o a credibilidade do requerente ao estatuto de refugiado. Quebrar    o sil&ecirc;ncio permitiria a essa pessoa adquirir uma identidade social, superar    a condi&ccedil;&atilde;o de v&iacute;tima, de simples objecto da viol&ecirc;ncia,    e afirmar um acto de autoria como reinscri&ccedil;&atilde;o no universo do discurso.    Nas condi&ccedil;&otilde;es do centro de deten&ccedil;&atilde;o retratado por    Melgar, isto, no entanto, s&oacute; muito dificilmente se torna poss&iacute;vel.</p>     <p>A recusa do reconhecimento significa a recusa de traduzir. A persist&ecirc;ncia    de representa&ccedil;&otilde;es coloniais do outro neste contexto &eacute; uma    evid&ecirc;ncia: os refugiados e migrantes prov&ecirc;m do Sul global e s&atilde;o    v&iacute;timas de processos pol&iacute;ticos e de conflitos armados que, sob    o regime colonial de representa&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o imaginados como    t&iacute;picos de uma condi&ccedil;&atilde;o end&eacute;mica de caos incivilizado.    Uma &eacute;tica da tradu&ccedil;&atilde;o, pelo contr&aacute;rio, tem de conduzir    a uma posi&ccedil;&atilde;o muito diferente, com consequ&ecirc;ncias importantes,    entre as quais &eacute; de sublinhar, de novo, a seguinte, associada ao poder    transformador da tradu&ccedil;&atilde;o: a tradu&ccedil;&atilde;o n&atilde;o    &eacute; nunca um processo unidireccional, mas sim um processo no curso do qual    ambos os termos da rela&ccedil;&atilde;o s&atilde;o postos em movimento e, como    assinalei atr&aacute;s, s&atilde;o levados a rever e p&ocirc;r em quest&atilde;o    os seus respectivos quadros de refer&ecirc;ncia. &Eacute; uma rela&ccedil;&atilde;o    de reciprocidade, o que significa que lidar com o chamado &ldquo;problema dos    refugiados&rdquo; n&atilde;o pode ser simplesmente visto como um problema de    integra&ccedil;&atilde;o, tem de implicar a disponibilidade das sociedades de    acolhimento para um empenhamento na constru&ccedil;&atilde;o de quadros mentais    e estruturas sociais verdadeiramente multiculturais. Na sua obra <i>The Search    for the Perfect Language</i>, Umberto Eco escreve que &ldquo;a Europa poliglota    n&atilde;o ser&aacute; um continente em que os indiv&iacute;duos se relacionam    fluentemente em todas as outras l&iacute;nguas; no melhor dos casos, poderia    ser um continente em que as pessoas podem encontrar-se e falar umas com as outras,    cada qual na sua l&iacute;ngua, compreendendo, o melhor que puderem, o discurso    dos outros&rdquo; (Eco, 1995: 351). Talvez que este padr&atilde;o de incompletude    m&uacute;tua e de imperfei&ccedil;&atilde;o, combinado com a capacidade de construir    uma zona de tradu&ccedil;&atilde;o comum, possa, na sua ambi&ccedil;&atilde;o    prudente, proporcionar um modelo de rela&ccedil;&otilde;es e pr&aacute;ticas    sociais conscientes da necessidade permanente de traduzir e de ser traduzido    como base fundamental de qualquer comunidade humana.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>BIBLIOGRAFIA</b></p>     <p>Appiah, Kwame Anthony (1993), &ldquo;Thick Translation&rdquo;, <i>Callaloo</i>,    16(4), 808-819.</p>     <!-- ref --><p>Apter, Emily (2006), <i>The Translation Zone: A New Comparative Literature</i>.    Princeton: Princeton University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1539031&pid=S2182-7435201800030000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Arendt, Hannah (1994), &ldquo;We Refugees&rdquo;, <i>in</i> Marc Robinson (org.),    <i>Altogether Elsewhere: Writers on Exile</i>. Boston/London: Faber and Faber,    110-119 (orig. 1943).</p>     <!-- ref --><p>Bauman, Zygmunt (2016), <i>Strangers at Our Door</i>. London: Polity Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1539034&pid=S2182-7435201800030000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Blanchard, Pascal; Bancel, Nicolas; Lemaire, Sandrine (orgs.) (2005), <i>La    fracture coloniale: la soci&eacute;t&eacute; fran&ccedil;aise au prisme de l&rsquo;h&eacute;ritage    colonial</i>. Paris: La D&eacute;couverte.</p>     <p>Buden, Boris; Nowotny, Stefan; Simon, Sherry; Crinin, Michael (2009), &ldquo;Cultural    Translation: An Introduction to the Problem, and Responses&rdquo;, <i>Translation    Studies</i>, 2(2), 196-219.</p>     <!-- ref --><p>Budick, Sanford; Iser, Wolfgang (orgs.) (1996), <i>The Translatability of Cultures:    Figurations of the Space Between</i>. Stanford: Stanford University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1539038&pid=S2182-7435201800030000300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Cassin, Barbara (org.) (2004), <i>Vocabulaire europ&eacute;en des philosophies:    dictionnaire des intraduisibles</i>. Paris: Seuil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1539040&pid=S2182-7435201800030000300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Chakrabarty, Dipesh (2000), <i>Provincializing Europe: Postcolonial Thought    and Historical Difference</i>. Princeton: Princeton University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1539042&pid=S2182-7435201800030000300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Clifford, James (1986), &ldquo;Introduction: Partial Truths&rdquo;, <i>in</i>    James Clifford; George Marcus (orgs.), <i>Writing Culture: The Poetics and Politics    of Ethnography</i>. Berkeley: University of California Press, 1-26.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Eco, Umberto (1995), <i>The Search for the Perfect Language</i>. Oxford: Blackwell.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1539045&pid=S2182-7435201800030000300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Ervedosa, Clara (2017), &ldquo;The Calibanisation of the South in the German    Public &lsquo;Euro Crisis&rsquo; Discourse&rdquo;, <i>Postcolonial Studies</i>,    20(2), 137-162.</p>     <!-- ref --><p>Forst, Rainer (2013), <i>Toleration in Conflict: Past and Present</i>. Cambridge:    Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1539048&pid=S2182-7435201800030000300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Habermas, J&uuml;rgen; Derrida, Jacques (2003a), &ldquo;Unsere Erneuerung.    Nach dem Krieg: Die Wiedergeburt Europas&rdquo;, <i>Frankfurter Allgemeine Zeitung</i>,    31 de Maio.</p>     <p>Habermas, J&uuml;rgen; Derrida, Jacques (2003b), &ldquo;February 15, or what    Binds Europeans Together: A Plea for a Common Foreign Policy, Beginning at the    Core of Europe&rdquo;, <i>Constellations</i>, 10(3), 292-297.</p>     <p>Hall, Stuart (1992), &ldquo;The Question of Cultural Identity&rdquo;, <i>in</i>    Stuart Hall; David Held; Tony McGrew (orgs.), <i>Modernity and Its Futures</i>.    London: Polity Press, 273-325.</p>     <p>Honneth, Axel (2004), &ldquo;Recognition and Justice: Outline of a Plural Theory    of Justice&rdquo;, <i>Acta Sociologica</i>, 47(4), 351-364.</p>     <!-- ref --><p>Huntington, Samuel P. (1996), <i>The Clash of Civilizations and the Remaking    of the World Order</i>. New York: Simon &amp; Schuster.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1539054&pid=S2182-7435201800030000300017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Iser, Wolfgang (1994), &ldquo;On Translatability&rdquo;, <i>Surfaces</i>, 4.    Consultado a 03.07.2004, em <a href="https://www.pum.umontreal.ca/revues/surfaces/vol4/iser.html" target="_blank">https://www.pum.umontreal.ca/revues/surfaces/vol4/iser.html</a>.</p>     <!-- ref --><p>Jones, Reece (2016), <i>Violent Borders: Refugees and the Right to Move</i>.    London/New York: Verso.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1539057&pid=S2182-7435201800030000300019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Large, Duncan; Akashi, Motoko; J&oacute;zwikowska, Wanda; Rose, Emily (orgs.)    (2018), <i>Untranslatability: Interdisciplinary Perspectives</i>. New York:    Routledge.</p>     <p>Levine, Suzanne Jill; Lateef-Jan, Katie (orgs.) (2018), <i>Untranslatability    Goes Global</i>. New York/London: Routledge.</p>     <!-- ref --><p>Maitland, Sarah (2017), <i>What is Cultural Translation?</i> London/New York:    Bloomsbury Academic.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1539061&pid=S2182-7435201800030000300022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Meyer, Thomas (1997), <i>Identit&auml;ts-Wahn. Die Politisierung des kulturellen    Unterschieds</i>. Berlin: Aufbau.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1539063&pid=S2182-7435201800030000300023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Pedra, Cl&aacute;udia (2018), &ldquo;Os refugiados clim&aacute;ticos ter&atilde;o    direito a estatuto?&rdquo;, <i>P&uacute;blico</i>, 3 de Setembro, p. 5.</p>     <p>Quijano, An&iacute;bal (1997), &ldquo;Colonialidad del poder, cultura y conocimiento    en America Latina&rdquo;, <i>Anuario Mariateguiano</i>, 9(9), 113-121.</p>     <p>Ribeiro, Ant&oacute;nio Sousa (2004), &ldquo;Os limites da toler&acirc;ncia:    as &lsquo;li&ccedil;&otilde;es&rsquo; do Holocausto&rdquo;, <i>Revista de Hist&oacute;ria    das Ideias</i>, 25, 405-421.</p>     <p>Ribeiro, Ant&oacute;nio Sousa (2005), &ldquo;A tradu&ccedil;&atilde;o como    met&aacute;fora da contemporaneidade. P&oacute;s-colonialismo, fronteiras e    identidades&rdquo;, <i>in </i>Ana Gabriela Macedo; Maria Eduarda Keating (orgs.),    <i>Col&oacute;quio de outono. Estudos de tradu&ccedil;&atilde;o. Estudos p&oacute;scoloniais</i>.    Braga: Universidade do Minho/Centro de Estudos Human&iacute;sticos, 77-87.</p>     <p>Ribeiro, Ant&oacute;nio Sousa (2014), &ldquo;Fronteiras intranspon&iacute;veis.    Notas sobre <i>La forteresse</i>, de Fernand Melgar&rdquo;, <i>Revista Cr&iacute;tica    de Ci&ecirc;ncias Sociais</i>, 105, 153-158.</p>     <p>Santos, Boaventura de Sousa (2002), &ldquo;Entre Prospero e Caliban: colonialismo,    p&oacute;s-colonialismo e inter-identidade&rdquo;, <i>in</i> Maria Irene Ramalho;    Ant&oacute;nio Sousa Ribeiro (orgs.),<i> Entre ser e estar: ra&iacute;zes, percursos    e discursos da identidade</i>. Porto: Edi&ccedil;&otilde;es Afrontamento, 23-85.</p>     <p>Santos, Boaventura de Sousa (2007), &ldquo;Para al&eacute;m do pensamento abissal:    das linhas globais &agrave; ecologia de saberes&rdquo;, <i>Revista Cr&iacute;tica    de Ci&ecirc;ncias Sociais</i>, 78, 3-46.</p>     <p>Stora, Benjamin (1999), <i>Le transfert d&rsquo;une m&eacute;moire: de l&rsquo;Alg&eacute;rie    fran&ccedil;aise au racisme anti-arabe</i>. Paris: La D&eacute;couverte.</p>     <!-- ref --><p>Todorova, Maria (1997), <i>Imagining the Balkans</i>. New York: Oxford University    Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1539073&pid=S2182-7435201800030000300031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Venuti, Lawrence (1998), <i>The Scandals of Translation: Towards an Ethics    of Difference</i>. London: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1539075&pid=S2182-7435201800030000300032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Wodak, Ruth; Cillia, Rudolf de; Reisigl, Martin; Liebhart, Karin; Hofst&auml;tter,    Klaus; Kargl, Maria (1998), <i>Zur diskursiven Konstruktion der nationalen Identit&auml;t</i>.    Frankfurt am Main: Suhrkamp.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1539077&pid=S2182-7435201800030000300033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Wodak, Ruth (2013), &ldquo;Europ&auml;ische Identit&auml;ten. Nationalismen    und (Sprach-)Barrieren. Festrede zur Er&ouml;ffnung des Internationalen Brucknerfestes    Linz 2013&rdquo;. Consultado a 24.08.2018, em <a href="https://medienportal.univie.ac.at/uploads/media/FestvortragLinzWodakshort2.pdf" target="_blank">https://medienportal.univie.ac.at/uploads/media/FestvortragLinzWodakshort2.pdf</a>.</p>     <p>Wodak, Ruth (2018), &ldquo;Discourses about Nationalism&rdquo;, <i>in</i> John    Flowerdew; John E. Richardson (orgs.), <i>The Routledge Handbook of Critical    Discourse Studies</i>. New York: Routledge, 403-420.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <p><Sup><a name="0"></a><a href="#top0">*</a></Sup> Por vontade do autor, este    artigo n&atilde;o segue as regras do Acordo Ortogr&aacute;fico de 1990.</p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> Todas as tradu&ccedil;&otilde;es    s&atilde;o do autor.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> Os textos da Conven&ccedil;&atilde;o    de 1951 e do protocolo de 1967 que rev&ecirc; a vers&atilde;o inicial s&atilde;o    facilmente acess&iacute;veis (por exemplo, em <a href="http://www.unhcr.org/3b66c2aa10" target="_blank">http://www.unhcr.org/3b66c2aa10</a>,    consultado a 07.05.2018). Para uma interven&ccedil;&atilde;o muito recente sobre    o conceito de &ldquo;refugiado clim&aacute;tico&rdquo;, ver Pedra (2018).</p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> Pode ler-se o texto da Declara&ccedil;&atilde;o,    por exemplo, em <a href="https://www.robert-schuman.eu/en/doc/questions-d-europe/qe-204-en.pdf" target="_blank">https://www.robert-schuman.eu/en/doc/questions-d-europe/qe-204-en.pdf</a>    (consultado a 07.05.2018).</p>     <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> Uma vers&atilde;o em l&iacute;ngua    inglesa foi publicada quase em simult&acirc;neo na revista <i>Constellations    </i>(Habermas e Derrida<i>,</i> 2003b).</p>     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> Sobre este caso, ver &ldquo;Deutschpflicht    in Schulen: Bund erteilt W&uuml;nschen aus Ober&ouml;sterreich Absage&rdquo;,    <i>Standard</i>, 5 de setembro de 2016. A sociolingu&iacute;stica austr&iacute;aca,    a come&ccedil;ar pelos trabalhos j&aacute; referidos de Ruth Wodak, tem dado    contributos muito relevantes para a discuss&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o    entre l&iacute;ngua e migra&ccedil;&atilde;o. Uma das percep&ccedil;&otilde;es    mais importantes, aparentemente elementar, mas inteiramente estranha ao senso    comum nacional, vem lapidarmente expressa na tomada de posi&ccedil;&atilde;o,    em 2011, do Grupo de Investiga&ccedil;&atilde;o Interuniversit&aacute;rio &lsquo;L&iacute;ngua,    Migra&ccedil;&atilde;o e Cr&iacute;tica ao Racismo&rsquo;: &ldquo;Turco, b&oacute;snio-croata-s&eacute;rvio    ou polaco n&atilde;o s&atilde;o l&iacute;nguas estrangeiras na &Aacute;ustria.    A n&atilde;o ser que se queira, de uma penada, declarar que uma parte da popula&ccedil;&atilde;o    austr&iacute;aca &eacute; estrangeira e, assim, &eacute; uma <i>n&atilde;o-popula&ccedil;&atilde;o</i>&rdquo;    (it&aacute;lico no original; cf. &ldquo;Bildung und die o¨sterreichische Migrationsgesellschaft.    Einladung zu Entdramatisierung und Versachlichung&rdquo;, acess&iacute;vel em    <a href="https://www.uibk.ac.at/iezw/archive/copy_of_einmischungen/texte/stellungnahme-ag-sprache-migration-und-rassismuskritik.pdf" target="_blank">https://www.uibk.ac.at/iezw/archive/copy_of_einmischungen/texte/stellungnahme-ag-sprache-migration-und-rassismuskritik.pdf</a>,    consultado a 23.07.2018).</p>     <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> Sobre a quest&atilde;o da    intraduzibilidade, veja-se, entre outros, Budick e Iser (1996); Cassin (2004);    Levine e Lateef-Jan (2018); Large <i>et al.</i> (2018).</p>     <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> &ldquo;S&oacute; sabemos quem    somos quando sabemos quem n&atilde;o somos e, muitas vezes, quando sabemos contra    quem somos&rdquo; (Huntington, 1996: 21).</p>     <p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> Para uma introdu&ccedil;&atilde;o    ao conceito de tradu&ccedil;&atilde;o cultural pode ver-se Maitland (2017);    veja-se tamb&eacute;m Buden <i>et al.</i> (2009). A revista <i>Translation Studies</i>    dedicou v&aacute;rios dos seus n&uacute;meros posteriores &agrave; discuss&atilde;o    do conceito.</p>     <p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup> Para alguns exemplos particularmente    chocantes da preval&ecirc;ncia da l&oacute;gica de colonialidade em processos    de tradu&ccedil;&atilde;o, ver Venuti (1998). Para um desenvolvimento de algumas    destas quest&otilde;es, ver Ribeiro (2005).</p>     <p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup> Sobre o conceito de toler&acirc;ncia,    pode ver-se a s&iacute;ntese cr&iacute;tica de Rainer Forst (2013). Cf. tamb&eacute;m    Ribeiro (2004). O conceito de reconhecimento deve muito, como &eacute; sabido,    aos trabalhos de Axel Honneth (entre muitas outras refer&ecirc;ncias, ver Honneth,    2004).</p>     <p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup> O conceito de &ldquo;zona    de tradu&ccedil;&atilde;o&rdquo; deve-se a Emily Apter (2006), embora seja definido    pela autora num sentido algo diferente do que aqui proponho.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></Sup> Sigo aqui aspectos das    minhas notas (em Ribeiro, 2014).</p>      ]]></body><back>
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