<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>2182-7435</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Revista Crítica de Ciências Sociais]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Revista Crítica de Ciências Sociais]]></abbrev-journal-title>
<issn>2182-7435</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Centro de Estudos Sociais]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S2182-74352019000100014</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Moving Cities – Contested Views on Urban Life]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Saraiva]]></surname>
<given-names><![CDATA[Pedro]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A1"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="AA1">
<institution><![CDATA[,Universidade de Coimbra Faculdade de Economia ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="AA2">
<institution><![CDATA[,Universidade de Coimbra Centro de Estudos Sociais ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Coimbra ]]></addr-line>
<country>Portugal</country>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>05</month>
<year>2019</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>05</month>
<year>2019</year>
</pub-date>
<numero>118</numero>
<fpage>206</fpage>
<lpage>209</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S2182-74352019000100014&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S2182-74352019000100014&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S2182-74352019000100014&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>RECENSÃO</b></p>     <p><b>Ferro, L&iacute;gia; Smagacz-Poziemska, Marta; G&oacute;mez, M. Victoria;    Kurtenbach, Sebastian; Pereira, Patr&iacute;cia; Villal&oacute;n, Juan Jos&eacute;    (orgs.) (2018), <i>Moving Cities &ndash; </i><i>Contested Views on Urban Life</i><sup><a href="#0">*</a></sup><a name="top0"></a></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Pedro Saraiva</b></p>     <p>Doutorando na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra | Centro de    Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. Av. Dr. Dias da Silva, 165, 3004-512    Coimbra, Portugal&nbsp;<a href="mailto:pdgs@outlook.pt">pdgs@outlook.pt</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Moving Cities &ndash; Contested Views on Urban Life</b></p>     <p><b>L&iacute;gia Ferro, Marta Smagacz-Poziemska, M. Victoria G&oacute;mez, Sebastian    Kurtenbach, Patr&iacute;cia Pereira, Juan Jos&eacute; Villal&oacute;n (orgs.)</b></p>     <p><b>Ferro, L&iacute;gia; Smagacz-Poziemska, Marta; G&oacute;mez, M. Victoria;    Kurtenbach, Sebastian; Pereira, Patr&iacute;cia; Villal&oacute;n, Juan Jos&eacute;    (orgs.) (2018), <i>Moving Cities &ndash; Contested Views on Urban Life</i>.    Wiesbaden: Springer VS, 223 pp.</b></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&Eacute; imposs&iacute;vel pensar o mundo contempor&acirc;neo sem pensar nas    nossas cidades e nas v&aacute;rias quest&otilde;es que as caraterizam. Nomeadamente    as v&aacute;rias vis&otilde;es contestadas e contradit&oacute;rias que comp&otilde;em    a Sociologia Urbana. Esse &eacute; o grande objetivo do livro <i>Moving Cities    &ndash; Contested Views on Urban Life</i> de 2018, organizado por L&iacute;gia    Ferro, Marta Smagacz-Poziemska, M. Victoria G&oacute;mez, Sebastian Kurtenbach,    Patr&iacute;cia Pereira e Juan Jos&eacute; Villal&oacute;n. Com este livro,    os autores (a maioria investigadores na European Sociological Association Research    Network 37 &ndash; Urban Sociology) e os organizadores pretendem trazer novas    e diferentes vis&otilde;es sobre as cidades e a vida urbana, usando exemplos    de v&aacute;rias cidades da Europa, mas tamb&eacute;m dos Estados Unidos da    Am&eacute;rica e do Brasil. Ao longo de 12 cap&iacute;tulos, s&atilde;o dadas    a conhecer diversas vis&otilde;es sobre as quest&otilde;es urbanas mais relevantes    dos nossos tempos, acabando estas por terem, muitas vezes, pontos em comum,    embora retratando quest&otilde;es diferentes.</p>     <p>As cidades, apesar de globais, tornaram-se locais de conflitos e contradi&ccedil;&otilde;es,    mas igualmente locais de reivindica&ccedil;&atilde;o de direitos, seja por parte    de integrantes das classes baixas ou do poder financeiro global. Assim sendo,    n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel pensar numa &uacute;nica forma de cidadania,    mas sim em v&aacute;rias (cap&iacute;tulo 1, de Saskia Sassen).</p>     <p>Al&eacute;m da reivindica&ccedil;&atilde;o de direitos, tamb&eacute;m n&atilde;o    estamos est&aacute;veis num &uacute;nico local, mas em constante mobilidade    no interior das cidades, obrigando a uma nova reconfigura&ccedil;&atilde;o da    ideia de &ldquo;comunidade&rdquo;, passando-se a falar em &ldquo;comunidades&rdquo;,    formadas por pessoas das mais diversas origens sociais (cap&iacute;tulo 2, de    Talja Blokland). Se estamos em mobilidade, tamb&eacute;m sentimos que o &ldquo;direito    &agrave; cidade&rdquo; (conceito de Henri Lefebvre) passou a ser relido como    o &ldquo;direito &agrave; acessibilidade e &agrave; mobilidade&rdquo; (p. 43).    Uma vez que passamos a ser m&oacute;veis nas cidades, novos espa&ccedil;os urbanos    tamb&eacute;m se tornam familiares e novas representa&ccedil;&otilde;es sobre    esses mesmos espa&ccedil;os emergem (cap&iacute;tulo 3, de Joan J. Pujadas e    Gaspar Maza).</p>     <p>Por outro lado, poderemos ver os espa&ccedil;os urbanos nos quais nos movemos    como o resultado das rela&ccedil;&otilde;es sociais numa dada sociedade. Dessa    forma, conflitos entre quem exige visibilidade e quem permite essa visibilidade    (por exemplo, entre trabalhadores da classe oper&aacute;ria e o Estado, atrav&eacute;s    da pol&iacute;cia) emergem nos espa&ccedil;os urbanos, com estes mesmos a serem    influenciados por quem consegue impor a sua vontade (cap&iacute;tulo 4, de Ray    Hutchison).</p>     <p>Como os espa&ccedil;os urbanos s&atilde;o o resultado das intera&ccedil;&otilde;es    sociais entre diferentes grupos, cada grupo social tenta demonstrar o seu &ldquo;direito    &agrave; cidade&rdquo;, nomeadamente nos espa&ccedil;os urbanos que s&atilde;o    p&uacute;blicos. No entanto, quando v&aacute;rios grupos sociais tentam impor    a sua vontade nos usos desses espa&ccedil;os, surgem conflitos, dos quais s&atilde;o    exemplo os que ocorreram em 2014, no Brasil, entre moradores, comerciantes e    adeptos de futebol em dias de jogo do Campeonato do Mundo de Futebol (cap&iacute;tulo    5, Heitor Fr&uacute;goli Jr.).</p>     <p>Voltando ao conceito de &ldquo;direito &agrave; cidade&rdquo;, os respons&aacute;veis    pelos estabelecimentos comerciais que encontramos nas ruas podem tamb&eacute;m    criar conflitos com potenciais clientes ou com moradores dessas ruas, devido    &agrave; incompatibilidade de interesses entre quem tenta fazer neg&oacute;cio    num determinado setor e quem frequenta/vive na zona e preferiria deparar-se    com outro tipo de estabelecimento (cap&iacute;tulo 6, de Maxime Felder e Lo&iuml;c    Pignolo).</p>     <p>Por outro lado, as cidades s&atilde;o tamb&eacute;m marcadas pela inseguran&ccedil;a    e pela criminalidade, que influenciam as representa&ccedil;&otilde;es que temos    delas bem como as nossas desloca&ccedil;&otilde;es. Tentar perceber que &aacute;reas    s&atilde;o as mais problem&aacute;ticas torna-se importante para delimitar estrat&eacute;gias    espec&iacute;ficas de combate (cap&iacute;tulo 7, de Riccardo Valente).</p>     <p>Noutro aspeto relacionado com as cidades, discute-se muito sobre pol&iacute;ticas    culturais como forma de regenera&ccedil;&atilde;o urbana. Se estas parecem ser    vantajosas na competi&ccedil;&atilde;o entre cidades, fica a d&uacute;vida sobre    at&eacute; que ponto promovem a coes&atilde;o social dos seus habitantes (cap&iacute;tulo    8, de Nunzia Borrelli e Kathleen M. Adams).</p>     <p>Al&eacute;m da mobilidade e da quest&atilde;o do uso do espa&ccedil;o urbano,    s&atilde;o ainda abordadas no livro as quest&otilde;es da habita&ccedil;&atilde;o    urbana. Num estudo realizado na Finl&acirc;ndia, tentou perceber-se se existe    uma certa perce&ccedil;&atilde;o de desordem social em bairros constru&iacute;dos    ap&oacute;s a Segunda Guerra Mundial (cap&iacute;tulo 9, de Teemu Kemppainen).    Num outro estudo, realizado na B&oacute;snia-Herzegovina, procurou-se acompanhar    o fen&oacute;meno das pr&aacute;ticas informais de privatiza&ccedil;&atilde;o    de apartamentos sociais, nomeadamente a sua modifica&ccedil;&atilde;o bem como    a apropria&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os comuns em v&aacute;rios condom&iacute;nios    (cap&iacute;tulo 10, de Sonja Lakic).</p>     <p>Voltando &agrave; luta pelo espa&ccedil;o urbano, &eacute; dado o exemplo de    um conflito emergente nas cidades alem&atilde;s: a luta entre projetos de jardinagem    em espa&ccedil;os urbanos vazios e grupos sociais que pretendem usar esses espa&ccedil;os    para proveito econ&oacute;mico (capitulo 11, de Jennifer Morstein). Por fim,    usando o caso de Detroit, sobretudo ap&oacute;s a declara&ccedil;&atilde;o de    fal&ecirc;ncia da cidade, relata-se o surgimento de projetos de ocupa&ccedil;&atilde;o    de espa&ccedil;os livres na cidade que vieram trazer conflitos entre quem pretende    colmatar as necessidades das pessoas mais carenciadas e quem defende interesses    financeiros emergentes (cap&iacute;tulo 12, de Eve Avdoulos).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Com esta breve s&iacute;ntese &eacute; poss&iacute;vel verificar que, embora    sejam abordadas na obra quest&otilde;es que n&atilde;o s&atilde;o muito recentes    (como os cap&iacute;tulos que se baseiam no conceito do &ldquo;direito &agrave;    cidade&rdquo; de Lefebrve), existem outras que s&atilde;o importantes discutir    mesmo que n&atilde;o pare&ccedil;am muito relevantes &agrave; primeira vista,    como as quest&otilde;es da mobilidade ou da habita&ccedil;&atilde;o. Estas duas    quest&otilde;es, a par da do uso do espa&ccedil;o urbano, oferecem outras perspetivas    de entendimento das nossas cidades. Porque, para al&eacute;m de ocuparmos o    espa&ccedil;o urbano, tamb&eacute;m temos necessidade de nos movermos nas cidades    e termos os nossos espa&ccedil;os privados, nomeadamente a nossa habita&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Os autores de v&aacute;rios cap&iacute;tulos do livro oferecem, por isso, outras    alternativas e vis&otilde;es de olhar as cidades. Regressando ao conceito de    &ldquo;direito &agrave; cidade&rdquo;, muito usado e subentendido em alguns    dos cap&iacute;tulos aqui referidos, n&atilde;o existe propriamente uma repeti&ccedil;&atilde;o    do conceito cunhado por Lefebvre sobre a utiliza&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o    urbano pelas classes oper&aacute;rias tendo em vista a reivindica&ccedil;&atilde;o    de direitos. Existe, sim, uma renova&ccedil;&atilde;o deste conceito &agrave;    luz dos nossos tempos, ou seja, verifica-se o uso do conceito criado em 1968    em exemplos mais recentes. Poderemos, assim, perceber este conceito, n&atilde;o    s&oacute; aplicado &agrave; luta pelos direitos sociais, mas tamb&eacute;m como    forma de reivindicar espa&ccedil;o urbano, que pode ser usado para al&eacute;m    dos interesses financeiros de alguns grupos sociais.</p>     <p>Em conclus&atilde;o, &eacute; poss&iacute;vel olhar para este livro como sendo    um manual atualizado, n&atilde;o s&oacute; na aplica&ccedil;&atilde;o do conceito    do &ldquo;direito &agrave; cidade&rdquo;, mas igualmente na chamada de aten&ccedil;&atilde;o    para outras quest&otilde;es urbanas t&atilde;o relevantes como esta, como a    mobilidade e a habita&ccedil;&atilde;o urbana contempor&acirc;nea. Podemos entender    este livro como um esfor&ccedil;o de um grupo de investigadores, que com forma&ccedil;&otilde;es    diferentes, mas com interesses de investiga&ccedil;&atilde;o convergentes, apresentam    as suas vis&otilde;es sobre as quest&otilde;es urbanas contempor&acirc;neas,    discutindo-as e apresentando linhas de investiga&ccedil;&atilde;o futuras, uma    vez que as cidades n&atilde;o s&atilde;o elementos est&aacute;ticos e apresentam-se    sempre em constante mudan&ccedil;a.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <p><Sup><a name="0"></a><a href="#top0">*</a></Sup> Este texto foi realizado no    &acirc;mbito de uma Bolsa de Doutoramento da Funda&ccedil;&atilde;o para a Ci&ecirc;ncia    e a Tecnologia (ref.&ordf; SFRH/BD/137480/2018), financiada pelo Fundo Social    Europeu e por fundos nacionais do Minist&eacute;rio de Ci&ecirc;ncia, Tecnologia    e Ensino Superior de Portugal.</p>      ]]></body>
</article>
