<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>2182-7435</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Revista Crítica de Ciências Sociais]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Revista Crítica de Ciências Sociais]]></abbrev-journal-title>
<issn>2182-7435</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Centro de Estudos Sociais]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S2182-74352020000300004</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.4000/rccs.11056</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[As novas tendências na teoria social contemporânea. Uma introdução]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Freire-Medeiros]]></surname>
<given-names><![CDATA[Bianca]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A1"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Corrêa]]></surname>
<given-names><![CDATA[Diogo Silva]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A2"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="AA1">
<institution><![CDATA[,Universidade de São Paulo Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas Departamento de Sociologia]]></institution>
<addr-line><![CDATA[São Paulo ]]></addr-line>
<country>Brasil</country>
</aff>
<aff id="AA2">
<institution><![CDATA[,Universidade de Vila Velha  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
<country>Brasil</country>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2020</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2020</year>
</pub-date>
<numero>123</numero>
<fpage>71</fpage>
<lpage>76</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S2182-74352020000300004&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S2182-74352020000300004&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S2182-74352020000300004&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>DOSSIER</b></p>     <p><b>As novas tend&ecirc;ncias na teoria social contempor&acirc;nea. Uma introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Bianca Freire-Medeiros*</b></p>     <p><img src="/img/revistas/id_orcid.gif"> <a href="https://orcid.org/0000-0003-3121-7897">https://orcid.org/0000-0003-3121-7897</a></p>     
<p><b>Diogo Silva Corr&ecirc;a**</b></p>     <p><img src="/img/revistas/id_orcid.gif"> <a href="https://orcid.org/0000-0001-5519-6985">https://orcid.org/0000-0001-5519-6985</a></p>     
<p>* Programa de P&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em Sociologia, Departamento de Sociologia, Faculdade de Filosofia, Letras e Ci&ecirc;ncias Humanas, Universidade de S&atilde;o Paulo Avenida Prof. Luciano Gualberto, 315 &ndash; sala 1057, Pr&eacute;dio de Filosofia e Ci&ecirc;ncias Sociais, Cidade Universit&aacute;ria &ndash; Butant&atilde;, 05508-010 S&atilde;o Paulo, Brasil <a href="mailto:bfreiremedeiros@gmail.com">bfreiremedeiros@gmail.com</a> </p>     <p>** Programa de P&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em Sociologia Pol&iacute;tica, Universidade de Vila Velha Av. Comiss&aacute;rio Jos&eacute; Dantas de Melo, 21, sala 8, Pr&eacute;dio da Biblioteca, Boa Vista &ndash; Vila Velha ES, CEP 29102-920, Brasil <a href="mailto:dioscorrea@gmail.com">dioscorrea@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em que medida a teoria social contempor&acirc;nea, ancorada no patrim&ocirc;nio intelectual que a sustenta, &eacute; capaz de reinventar tal legado, reformular refer&ecirc;ncias e problematizar as quest&otilde;es do seu pr&oacute;prio tempo? Com essa indaga&ccedil;&atilde;o no horizonte, o presente dossi&ecirc; re&uacute;ne um conjunto de cinco artigos que se ocupam de mapear, em suas origens e impactos, algumas das novas tend&ecirc;ncias de um fen&ocirc;meno de distin&ccedil;&atilde;o pr&oacute;prio &agrave;s ci&ecirc;ncias sociais e &agrave;s humanidades da segunda metade do s&eacute;culo xx e in&iacute;cio do xxi: <i>as viradas epist&ecirc;micas (</i>ou<i> turns</i>, na designa&ccedil;&atilde;o anglo-sax&ocirc;nica).</p>     <p>Desde o an&uacute;ncio da <i>virada lingu&iacute;stica</i>, feito pelo fil&oacute;sofo Richard Rorty em 1969, somos testemunhas de uma profus&atilde;o desnorteante de novos <i>turns</i> (cultural, interpretativo, pragm&aacute;tico, ontol&oacute;gico, afetivo, etc.) e <i>studies</i> (culturais, p&oacute;s-coloniais, de g&ecirc;nero, <i>queer</i>, entre v&aacute;rios outros). O impacto dessa profus&atilde;o &eacute; relevante por si s&oacute;, seja ela interpretada como resultado de modismos intelectuais de superf&iacute;cie ou, ao contr&aacute;rio, como um conjunto genu&iacute;no de abalos s&iacute;smicos provocados por mudan&ccedil;as paradigm&aacute;ticas. Isso porque as <i>viradas</i> s&atilde;o, a um s&oacute; tempo, express&otilde;es de insatisfa&ccedil;&atilde;o com as diretrizes epist&ecirc;micas vigentes, de apari&ccedil;&atilde;o de novas tend&ecirc;ncias na paisagem do campo intelectual das ci&ecirc;ncias humanas e testemunhos de uma <i>libido sciendi</i> disposta a compartilhar de um (novo) solo comum de quest&otilde;es, defini&ccedil;&otilde;es e categorias interpretativas.</p>     <p>Se a hist&oacute;ria das ci&ecirc;ncias sociais e humanas pode ser lida como um cruzamento entre suas an&aacute;lises do presente, suas interpreta&ccedil;&otilde;es do passado e suas perspectivas para o futuro, a refer&ecirc;ncia integrada a esses diferentes marcos temporais depende de categorias classificat&oacute;rias para tornar-se intelig&iacute;vel. Embora tal l&oacute;gica de classifica&ccedil;&otilde;es aproximativas e distintivas, i.e., de modos de agrupar e de distinguir pessoas, &eacute;pocas e orienta&ccedil;&otilde;es intelectuais a partir de um tra&ccedil;o, uma ideia ou uma imagem, possa ser tomada como uma propriedade formal inerente &agrave; vida coletiva, os modos pelos quais essa l&oacute;gica opera s&atilde;o historicamente vari&aacute;veis. Atentos &agrave;s molduras ou categorias espa&ccedil;o-temporais que interceptam a cogni&ccedil;&atilde;o e indo al&eacute;m de uma narrativa de supera&ccedil;&otilde;es, tantas vezes presente em &ldquo;balan&ccedil;os do campo&rdquo; nos quais uma <i>virada</i> aparece como que uma evolu&ccedil;&atilde;o epistemol&oacute;gica em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; anterior, os colaboradores deste dossi&ecirc; logram recuperar de maneira cr&iacute;tica pressupostos, conceitos, diagn&oacute;sticos e recursos de imagina&ccedil;&atilde;o que, em cada giro, pretenderam fundar novas intelig&ecirc;ncias e princ&iacute;pios de inteligibilidade a respeito do <i>social</i>.</p>     <p>&Eacute; desse modo que o artigo de Adelia Miglievich-Ribeiro, intitulado &ldquo;A virada p&oacute;s-colonial: experi&ecirc;ncias, trauma e sensibilidades transfronteiri&ccedil;as&rdquo;, abre o dossi&ecirc; e explicita, de maneira incontorn&aacute;vel, a necessidade de aten&ccedil;&atilde;o aos constrangimentos geohist&oacute;ricos que informam cada nova guinada epist&ecirc;mica. Se leituras cr&iacute;ticas apontam, n&atilde;o sem raz&atilde;o, que a miss&atilde;o de tomar os textos em sua materialidade, para desconstru&iacute;-los interna e formalmente, teria levado muitos p&oacute;s-coloniais a negligenciar as dimens&otilde;es afetiva e moral da colonialidade, Miglievich-Ribeiro busca justamente demonstrar que, ao projeto epistemol&oacute;gico da <i>virada p&oacute;s-colonial</i>, corresponderia o que a soci&oacute;loga denomina de &ldquo;conhecimento-testemunho&rdquo;. Constru&iacute;da a partir da experi&ecirc;ncia do colonialismo-racismo que a atravessa, essa proposta de desvelamento do mundo escaparia da oposi&ccedil;&atilde;o entre centro e periferia, racionalidade e afetos. E &eacute; a&iacute;, desde um lugar de afeto e da experi&ecirc;ncia vivida e corp&oacute;rea, que a autora revisita as contribui&ccedil;&otilde;es de Frantz Fanon e Edward Said, convencendo-nos de que as quest&otilde;es que os animaram nas primeiras horas do gesto p&oacute;s-colonial n&atilde;o apenas seguem pulsantes, mas s&atilde;o capazes de contaminar positivamente outras guinadas epist&ecirc;micas (com destaque para a <i>virada afetiva</i>) interessadas em criar outros registros intelectuais para dar conta de fen&ocirc;menos, rela&ccedil;&otilde;es, processos e estruturas de longa dura&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Em &ldquo;Os estudos cr&iacute;ticos da religi&atilde;o e do secularismo: virada ou paradigma?&rdquo;, artigo seguinte deste dossi&ecirc;, Bruno Reinhardt sobrevoa a recente virada cr&iacute;tica ocorrida nos estudos da religi&atilde;o e do secularismo. Partindo da erudita e complexa obra de Talal Asad, Reinhardt aterrissa no campo de rea&ccedil;&atilde;o &agrave; virada secularista que, desde ao menos a famosa assertiva de Max Weber, manteve-se hegem&ocirc;nica nos estudos da religi&atilde;o. &Eacute; assim que ele prop&otilde;e um estudo comparativo que coloca em simetria os secularismos existentes no Ocidente, questionando se essa reviravolta p&oacute;s-secular que redefiniu, no campo acad&ecirc;mico, o lugar e o papel da religi&atilde;o &eacute; uma aut&ecirc;ntica &ldquo;mudan&ccedil;a paradigm&aacute;tica&rdquo; ou uma mera &ldquo;virada&rdquo;.</p>     <p>Bianca Freire-Medeiros e Mauricio Piatti Lages, em &ldquo;A virada das mobilidades: fluxos, fixos e fric&ccedil;&otilde;es&rdquo;, escrutinam um dos giros mais recentes, que emerge no bojo das reflex&otilde;es sobre a chamada globaliza&ccedil;&atilde;o. Ainda que reconhe&ccedil;am a pluralidade de perspectivas te&oacute;ricas e filia&ccedil;&otilde;es disciplinares dos autores que comp&otilde;em o giro m&oacute;vel, Freire-Medeiros e Lages optam por tomar o <i>new mobilities paradigm</i>, mais especificamente as teoriza&ccedil;&otilde;es do soci&oacute;logo brit&acirc;nico John Urry, como plataforma de observa&ccedil;&atilde;o e refer&ecirc;ncia anal&iacute;tica. A vast&iacute;ssima obra de Urry &eacute; organizada e perscrutada a partir da tr&iacute;ade fluxos, fixos e fric&ccedil;&otilde;es, o que lhes permite confrontar a percep&ccedil;&atilde;o equivocada de que &agrave; <i>virada das mobilidades</i> corresponderia uma ontologia do social, constitu&iacute;do apenas por circula&ccedil;&otilde;es em rede, sempre ininterruptas ou destitu&iacute;das de fronteiras materiais e simb&oacute;licas. O que est&aacute; em jogo, segundo os autores, &eacute; uma ontologia que identifica as mobilidades socioespaciais, atravessadas por desigualdades de v&aacute;rias ordens, como pedra angular da exist&ecirc;ncia no mundo contempor&acirc;neo e da qual deriva uma cr&iacute;tica ao sedentarismo epist&ecirc;mico e metodol&oacute;gico. O artigo encerra com uma breve reflex&atilde;o que nos ajuda a situar o contexto de produ&ccedil;&atilde;o deste dossi&ecirc;: o cen&aacute;rio de propaga&ccedil;&atilde;o do coronav&iacute;rus SARS-CoV-2 em escala global, ele mesmo um ponto de inflex&atilde;o tanto nas formas de concebermos e narrarmos o presente, quanto nas possibilidades de definirmos par&acirc;metros pol&iacute;tico-normativos a respeito do futuro.</p>     <p>Em &ldquo;O antinarciso no s&eacute;culo xxi &ndash; A quest&atilde;o ontol&oacute;gica na filosofia e na antropologia&rdquo;, artigo assinado por Diogo Silva Corr&ecirc;a e Paula Baltar, os autores exp&otilde;em o que h&aacute; de propriamente comum &agrave; recente retomada do conceito de ontologia na filosofia e na antropologia contempor&acirc;neas. Eles assumem a hip&oacute;tese de que &eacute; poss&iacute;vel vislumbrar uma dire&ccedil;&atilde;o &ldquo;antinarc&iacute;sica&rdquo; em tal retomada e entendem que, tanto no caso do realismo especulativo na filosofia quanto da virada ontol&oacute;gica na antropologia, haveria uma busca obsessiva por uma alteridade radical &ndash; seja pela tentativa epist&ecirc;mica de capturar o mundo ou a realidade para al&eacute;m (ou aqu&eacute;m) do humano, seja pelo esfor&ccedil;o sistem&aacute;tico de explorar e conferir um estatuto ontol&oacute;gico &agrave;s formas de vida ou metaf&iacute;sicas de coletivos n&atilde;o ocidentais. Corr&ecirc;a e Baltar tamb&eacute;m salientam, na conclus&atilde;o, que a busca por essa alteridade radical &ndash; a de que o conceito de ontologia vem para servir como um operador conceitual importante &ndash; serve, ao fim e ao cabo, como um dispositivo para a filosofia e a antropologia se colocarem permanentemente em quest&atilde;o.</p>     <p>O &uacute;ltimo artigo &ldquo;A virada praxiol&oacute;gica&rdquo;, de autoria de Gabriel Peters, revisita de maneira extremamente criativa uma das <i>viradas</i> mais estabelecidas e ecoantes do campo das ci&ecirc;ncias sociais. A partir da no&ccedil;&atilde;o de &ldquo;gal&aacute;xia praxiol&oacute;gica&rdquo;, o autor tra&ccedil;a uma certa genealogia que recupera tanto as influ&ecirc;ncias filos&oacute;ficas que sustentam a centralidade epistemol&oacute;gica dada &agrave; no&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;tica, quanto identifica aqueles que seriam os atributos centrais da praxiologia, i.e., os sete postulados que Peters usa como fio condutor para a elabora&ccedil;&atilde;o de um panorama dos giros te&oacute;ricos internos &agrave; pr&oacute;pria <i>virada praxiol&oacute;gica</i>. Apesar de sens&iacute;vel &agrave;s varia&ccedil;&otilde;es internas (ou mesmo <i>subviradas</i> dentro da virada praxiol&oacute;gica), o artigo de Peters sustenta a tese segundo a qual as teorias de tonalidade praxiol&oacute;gica se ancoram todas em uma ontologia processual que concebe o mundo social como um fluxo ininterrupto de pr&aacute;ticas.</p>     <p>Uma leitura que tome os artigos do presente dossi&ecirc; em conjunto permitir&aacute; perceber pelo menos duas caracter&iacute;sticas dos giros epist&ecirc;micos que marcam as ci&ecirc;ncias sociais e humanas. A primeira refere-se ao ritmo, por assim dizer, dessas reflex&otilde;es: menos do que de movimentos pendulares, as <i>viradas</i> (<i>turns</i>) s&atilde;o feitas de turbul&ecirc;ncias, fric&ccedil;&otilde;es, disson&acirc;ncias, tens&otilde;es, cada uma fomentando e expondo reviravoltas (<i>returns</i>) internas, que podem ser menos ou mais disruptivas. Se toda virada nasce de uma insatisfa&ccedil;&atilde;o, ela pr&oacute;pria, ao propor um novo programa ou conjunto de conceitos, produz novos problemas e rea&ccedil;&otilde;es. A segunda caracter&iacute;stica refere-se &agrave;s mudan&ccedil;as de sensibilidade intelectual sinalizadas pelas <i>viradas</i>, que desembocam em inqu&eacute;ritos n&atilde;o apenas <i>inter</i>disciplinares, mas tamb&eacute;m incluem no seu escopo reflex&otilde;es cr&iacute;ticas acerca da &ldquo;disciplinaridade&rdquo; mesma dos saberes modernos. O que significa dizer, em outros termos, que toda virada &eacute;, de forma mais ou menos expl&iacute;cita, um gesto reflexivo sobre o pr&oacute;prio campo do qual ela parte e para o qual ela se volta criticamente.</p>     <p>Al&eacute;m dos cinco artigos, o dossi&ecirc; conta ainda com duas recens&otilde;es e um texto na se&ccedil;&atilde;o Espa&ccedil;o Virtual. Vin&iacute;cius Mendes faz uma leitura cr&iacute;tica da colet&acirc;nea <i>New Approaches to Latin American Studies</i>, organizada por Juan Poblete e publicada em 2018, em que pelo menos uma dezena de <i>viradas</i> s&atilde;o examinadas sob as lentes dos estudos latino-americanos e testadas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s demandas cognitivas e anatomias pr&oacute;prias daquela regi&atilde;o. O livro mais recente de Robin Celikates, <i>Critique as Social Practice: Critical Theory and Social Self-Understanding </i>(2018), &eacute; objeto da an&aacute;lise fina de Pedro Grunewald Louro, que recupera a obra <i>vis-&agrave;-vis</i> os dilemas anal&iacute;ticos enfrentados pela Teoria Cr&iacute;tica nos dias atuais. Atento &agrave;s viradas internas &agrave; Teoria Cr&iacute;tica, Louro aponta para o modo como Celiakes oferece uma consistente alternativa para a famosa antinomia entre cr&iacute;tica interna e cr&iacute;tica externa ou, no caso do contexto franc&ecirc;s, entre sociologias que procuram arrogar para si a tarefa de produ&ccedil;&atilde;o da cr&iacute;tica &agrave; domina&ccedil;&atilde;o social e sociologias <i>da </i>cr&iacute;tica, isto &eacute;, que delegam e tomam as opera&ccedil;&otilde;es cr&iacute;ticas dos atores como objeto de an&aacute;lise.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Por fim, Mar&iacute;lia Bueno apresenta, na se&ccedil;&atilde;o Espa&ccedil;o Virtual, o &ldquo;Blog do Labemus &ndash; Laborat&oacute;rio de Estudos de Teoria e Mudan&ccedil;a Social&rdquo;, um projeto colaborativo que tem como proposta promover di&aacute;logos interdisciplinares e diversificados, publicando artigos, tradu&ccedil;&otilde;es e resenhas, entre outros, das mais diversas &aacute;reas de ci&ecirc;ncias humanas. Incluindo coment&aacute;rios mais abrangentes sobre o lugar que o <i>blog</i> ocupa no cen&aacute;rio intelectual brasileiro, Bueno apresenta este portal como uma plataforma que tem como proposta primordial contribuir para a difus&atilde;o e democratiza&ccedil;&atilde;o do acesso ao conhecimento te&oacute;rico, ao mesmo tempo em que d&aacute; lugar a conte&uacute;dos que fogem ao modelo dos r&iacute;gidos sistemas das tradicionais revistas e peri&oacute;dicos acad&ecirc;micos.</p>     <p>Como um todo, o presente dossi&ecirc; espera ser capaz de fomentar tanto uma revis&atilde;o cr&iacute;tica dos pressupostos te&oacute;rico-normativos e instrumentos anal&iacute;ticos das ci&ecirc;ncias sociais quanto oferecer novos horizontes interpretativos que, oxal&aacute;, sejam capazes de nos auxiliar no trato com as novidades e diferen&ccedil;as pr&oacute;prias do mundo contempor&acirc;neo.</p>      ]]></body>
</article>
