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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O código de defesa do consumidor (CDC) aplicado na hotelaria paulista: 1998 a 2012]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The enactment in 1990 of the Consumer Protection Act changed the relationship between suppliers and consumers. This research analyzed the origin of conflicts with guests and implementation of Consumer Protection Act in hotels of São Paulo by collecting, tabulating and analyzing the State of São Paulo Court&#8217;s judgments involving hotel companies from the year of 1998 to 2012. The research describes the formation of the Consumer Protection Act in Brazil. It also analyzes the quantitative results of the research on the sections raised in the guests lawsuits against hotel facilities and concludes with the research results and the analysis of the data collected. Finally, it presents some possible comparisons in a way that allows insights on the relationship between commercial hospitality and the Brazilian Consumer Protection Act.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana"><b><b>TURISMO - ARTIGOS CIENT&Iacute;FICOS</b></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana"><b>O c&#243;digo de defesa do consumidor (CDC) aplicado na hotelaria paulista: 1998   a 2012</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>The consumer defense code (CDC) applied in S&#227;o Paulo hotels: 1998 to 2012</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b >Alessandra Aparecida de Souza Mieldazis<sup>1</sup></b>; <b >J&#250;lio C&#233;sar Butuhy<sup>2</sup>; Rodrigo Marcos de Castro<sup>3</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><sup>1</sup>Centro Universit&#225;rio   SENAC de S&#227;o Paulo, Departamento de Hotelaria, Av.   Eus&#233;bio Stevaux, 823 &#8211; 04696.000, S&#227;o Paulo, S&#227;o Paulo, Brasil,   <a href="mailto:alessandra.asouza@sp.senac.br">alessandra.asouza@sp.senac.br</a>    <br>   <sup>2</sup>Centro Universit&#225;rio   SENAC de S&#227;o Paulo, Departamento de Hotelaria, Av. Eus&#233;bio Stevaux, 823 &#8211; 04696.000, S&#227;o   Paulo, S&#227;o Paulo, Brasil, <a href="mailto:julio.cbutuhy@sp.senac.br">julio.cbutuhy@sp.senac.br    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   </a><sup>3</sup>Centro Universit&#225;rio   SENAC de S&#227;o Paulo, Departamento de Hotelaria, Av. Eus&#233;bio Stevaux, 823 &#8211; 04696.000, S&#227;o Paulo, S&#227;o Paulo, Brasil, <a href="mailto:rodrigo.mcastro@sp.senac.br">rodrigo.mcastro@sp.senac.br</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr noshade size="1">     <p><font size="2" face="Verdana"><b >RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A promulga&#231;&#227;o em 1990 do C&#243;digo de Defesa do Consumidor &#8211; CDC modificou o relacionamento entre fornecedores e consumidores.  A pesquisa analisou a origem dos conflitos com os h&#243;spedes e a aplica&#231;&#227;o do CDC na hotelaria de S&#227;o Paulo. Assim, foram levantados, tabulados e analisados os ac&#243;rd&#227;os do Tribunal de Justi&#231;a no Estado de S&#227;o Paulo envolvendo empresas hoteleiras no per&#237;odo de 1998 a 2012. A pesquisa inicia por descrever a forma&#231;&#227;o do C&#243;digo de defesa do Consumidor (CDC) no Brasil. Continua por analisar os resultados quantitativos da pesquisa sobre os artigos invocados nas a&#231;&#245;es judiciais de h&#243;spedes contra meios de hospedagem e finaliza com os resultados da pesquisa e a an&#225;lise dos dados coletados, e poss&#237;veis compara&#231;&#245;es s&#227;o relatadas e apresentadas em formato que permita <i >insights</i> nas rela&#231;&#245;es existentes entre a hospitalidade comercial e o CDC. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b >Palavras-chave: </b>Hotel, leis, consumidor. </font></p> <hr noshade size="1">     <p><font size="2" face="Verdana"><b >ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">The enactment in 1990 of the Consumer Protection Act changed the relationship between suppliers and consumers. This research analyzed the origin of conflicts with guests and implementation of Consumer Protection Act in hotels of S&#227;o Paulo by collecting, tabulating and analyzing the State of S&#227;o Paulo Court&#8217;s judgments involving hotel companies from the year of 1998 to 2012.  The research describes the formation of the Consumer Protection Act in Brazil. It also analyzes the quantitative results of the research on the sections raised in the guests lawsuits against hotel facilities and concludes with the research results and the analysis of the data collected. Finally, it presents some possible comparisons in a way that allows insights on the relationship between commercial hospitality and the Brazilian Consumer Protection Act. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b >Keywords:</b> Hotel, laws, consumer.</font></p> <hr noshade size="1">     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b >1.Introdu&#231;&#227;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em maio de 1938 foi promulgada no Brasil, a primeira lei que tratava do turismo: regulamentava a venda de passagens a&#233;reas, mar&#237;timas ou terrestres. Mas foi na d&#233;cada de 1960, que alguns autores consideram como o principal antecedente do sistema jur&#237;dico dessa atividade econ&#244;mica, pois o Decreto n&#186; 55, de 18 de novembro de 1966, cria a Empresa Brasileira de Turismo (EMBRATUR) e o Conselho Nacional de Turismo (CNTUR). Ap&#243;s esse per&#237;odo, a EMBRATUR foi encarregada de promulgar normas e regras para o turismo e a hotelaria, normatizando essas atividades no Brasil. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os estudiosos do Direito do turismo, como Feuz (2003), Longanese (2004) e Mamede (2002 e 2004), afirmam que a EMBRATUR n&#227;o tem poder de legislar, ou seja, n&#227;o pode criar as leis , pois ela n&#227;o faz parte do ordenamento jur&#237;dico brasileiro . O conjunto das leis &#233; que comp&#245;e a Constitui&#231;&#227;o Federal (CF), a lei m&#225;xima do nosso pa&#237;s. Da necessidade que o os legisladores sentem em avan&#231;ar a amplitude da a&#231;&#227;o das leis e da inerente especializa&#231;&#227;o desse ramo do direito, foram organizados agrupamentos jur&#237;dicos espec&#237;ficos, para atender uma determinada demanda.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">E incutido na Constitui&#231;&#227;o   Federal, existe um conjunto de leis que tratam mais precisamente das rela&#231;&#245;es   comerciais, sejam essas rela&#231;&#245;es do tipo pessoas-empresas ou entre empresas,   que no Brasil se popularizou com o nome de C&#243;digo Comercial, ou, mais   corretamente, o Direito comercial, de onde se originou o C&#243;digo de defesa do   Consumidor - CDC. O turismo como "ind&#250;stria" se organizou, cresceu e   se subdividiu em v&#225;rias partes, como Eventos, Alimenta&#231;&#227;o, ag&#234;ncias e   operadoras de viagens, transportes e Meios de Hospedagem. Dos tempos quase   artesanais dos pioneiros como C&#233;sar Ritz, a hotelaria se tornou um neg&#243;cio   lucrativo, profissionalizado e globalizado, sendo atualmente composto por um   grupo muito grande de empresas internacionais e nacionais (Duarte, 1996).   Quanto mais profissionalizado um ramo da economia se torna, mais regrado o   mesmo precisa ser, pois o crescimento da sua cadeia sist&#234;mica de   interdepend&#234;ncias e inter-relacionamentos entre os v&#225;rios atores envolvidos   ser&#225; cada vez mais amplo e menos control&#225;vel pelo estado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">E a hotelaria, por ser um ramo econ&#244;mico importante nos pa&#237;ses que possuem um turismo interno pujante &#233; um dos aspectos mais importantes para que a roda do turismo gire com efici&#234;ncia. Sua sa&#250;de financeira, profissionaliza&#231;&#227;o e respeito aos regramentos econ&#244;micos vigentes, s&#227;o importantes para que o turismo prospere e seja rent&#225;vel em qualquer pa&#237;s do mundo. Os estudos acad&#234;micos em turismo e seus segmentos: hotelaria, lazer, eventos e gastronomia, ainda s&#227;o relativamente recentes no Brasil. Somente a partir da d&#233;cada de 1990, percebe-se, nos meios acad&#234;micos e na esfera governamental, sua import&#226;ncia econ&#244;mica e as vantagens competitivas que a voca&#231;&#227;o do pa&#237;s apresenta. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Para construir essa ferramenta propiciadora da compreens&#227;o do conhecimento, &#233; necess&#225;ria uma proposi&#231;&#227;o de estudos da &#225;rea que considere os diferentes olhares e m&#233;todos pertinentes, n&#227;o se atendo apenas &#224; sua natureza e defini&#231;&#227;o de objeto das ci&#234;ncias sociais aplicadas (com destaque para Economia, Administra&#231;&#227;o, Direito, Arquitetura e Urbanismo), mas, sobretudo, se completando como objeto das ci&#234;ncias da sa&#250;de (Nutri&#231;&#227;o) e humanas (dentre as quais sobressaem Sociologia, Antropologia, Hist&#243;ria e Psicologia). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Este eixo abrange as seguintes teorias: estrutura da organiza&#231;&#227;o, planejamento estrat&#233;gico, m&#233;todos de avalia&#231;&#227;o mercadol&#243;gica e financeira, planejamento do turismo, estrutura&#231;&#227;o do espa&#231;o urbano e territorial, projetos de produtos e servi&#231;os, gest&#227;o de projetos, organiza&#231;&#227;o de recursos, direito aplicado ao turismo, desenvolvimento e gest&#227;o de pessoas, marketing de servi&#231;os, impacto e influ&#234;ncia no desempenho da organiza&#231;&#227;o e da sociedade. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Pretende-se assim, instigar um novo espa&#231;o de pensamento, no contexto dos estudos acad&#234;micos e mercadol&#243;gicos de forma a ampliar e trazer diferentes interpreta&#231;&#245;es que, sem serem as usuais, contribuam para compreens&#227;o desse campo de investiga&#231;&#227;o. Busca-se, tamb&#233;m, fomentar a reflex&#227;o sobre a resson&#226;ncia de tal atividade no contexto macroecon&#244;mico do setor terci&#225;rio, em espec&#237;fico, o da hospitalidade. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A presente pesquisa tamb&#233;m pode se houver interesse e condi&#231;&#245;es futuras, desenvolver uma &#8220;cartilha&#8221; ou &#8220;manual&#8221; esclarecedor dos gestores de meios de hospedagem, sobre quais as principais ocorr&#234;ncias envolvendo o CDC e os meios de hospedagem no Brasil e como os gestores podem melhor &#8221;preparar&#8221; os seus hot&#233;is para evitar futuros processos judiciais.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><a><b >2. O</b></a><b >bjetivos e justificativa</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O Objetivo Geral &#233; tra&#231;ar um paralelo entre a aplica&#231;&#227;o do C&#243;digo de Defesa do Consumidor e a origem de conflitos com os consumidores de servi&#231;os hoteleiros que chegam at&#233; a &#250;ltima esfera jur&#237;dica estadual. Depois de analisados, os dados pesquisados podem gerar informa&#231;&#245;es que podem servir na melhoria das rela&#231;&#245;es entre os hot&#233;is e seus h&#243;spedes. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Como Objetivos espec&#237;ficos, tem-se o intuito de: a) pesquisar, tabular e analisar a jurisprud&#234;ncia no estado de S&#227;o Paulo envolvendo empresas do ramo da hotelaria; e b) qualificar (categorizada e estratificada) e quantificar (n&#250;meros absolutos e percentuais) os principais conflitos existentes, na esfera do direito c&#237;vel. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O ac&#243;rd&#227;o, base not&#243;ria da evolu&#231;&#227;o da jurisprud&#234;ncia, &#233; a ferramenta utilizada pelo Direito para impedir que &#8220;as leis fiquem atrasadas&#8221; em rela&#231;&#227;o ao desenvolvimento da sociedade. Como toda a lei, o C&#243;digo de Defesa do Consumidor (CDC) depende basicamente n&#227;o s&#243; do que est&#225; escrito, mas tamb&#233;m da interpreta&#231;&#227;o dada &#224; lei pelo Juiz de Direito sobre a coisa julgada, ou seja, sobre o conflito existente. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Dias (2013) afirma que a lei n&#227;o consegue acompanhar o desenvolvimento, cada vez mais acentuado, da sociedade, sendo as rela&#231;&#245;es afetivas, as mais sens&#237;veis &#224; evolu&#231;&#227;o dos valores e conceitos. Dada &#224; acelera&#231;&#227;o e a transforma&#231;&#227;o da sociedade, essas mesmas leis escapam ao direito positivado (leis e normas escritas), pois n&#227;o tem o legislador condi&#231;&#245;es de prever tudo o que &#233; digno de regramento. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Mas por que escolher os ac&#243;rd&#227;os do Tribunal de Justi&#231;a do Estado de S&#227;o Paulo&#8204; Foram aspectos fundamentais o fato de que S&#227;o Paulo &#233; o estado com o maior n&#250;mero de hot&#233;is e leitos do pa&#237;s (BSH, 2013, p. 73-74) e o Tribunal de Justi&#231;a do Estado de S&#227;o Paulo (tribunal que profere decis&#245;es na &#250;ltima inst&#226;ncia jur&#237;dica estadual) possuir um sistema eletr&#244;nico de livre acesso aos ac&#243;rd&#227;os (datados a partir de 1997) com o inteiro teor da decis&#227;o. Al&#233;m disso, o estado foi a principal porta de entrada das redes hoteleiras internacionais no Brasil, ainda na d&#233;cada de 1970 e, na &#8220;invas&#227;o&#8221; ocorrida em meados da d&#233;cada de 1990, que acabou por introduzir novas formas de pensar a qualidade no servi&#231;o, respeito ao h&#243;spede e na gest&#227;o nos meios de hospedagem (BSH, 2004, p. 21). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Al&#233;m disso, os autores trabalham nesse estado h&#225; mais de dez anos, em empresas ligadas diretamente &#224; hospitalidade comercial, em cargos de doc&#234;ncia, supervis&#227;o, ger&#234;ncia ou consultoria. Essas fun&#231;&#245;es e a experi&#234;ncia em diferentes empresas permitiram o conhecimento da import&#226;ncia e a necessidade do respeito &#224; aplica&#231;&#227;o do CDC na hotelaria, seja como nivelador nos contratos de rela&#231;&#245;es de consumo, seja como estrat&#233;gia de qualidade para elevar a satisfa&#231;&#227;o do h&#243;spede com o servi&#231;o ou produto hoteleiro adquirido. Por &#250;ltimo, essa nova pesquisa complementar&#225; outra, realizada anteriormente, que levantou e tabulou os mesmos Ac&#243;rd&#227;os relativos aos anos de 1998 a 2004. Assim sendo, ao finalizar essa pesquisa, foi poss&#237;vel estabelecer uma linha temporal de 15 anos com um raro e &#250;nico hist&#243;rico sobre conflitos entre h&#243;spedes e hot&#233;is.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><a><b >3. M</b></a><b >etodologia (materiais e m&#233;todos)</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">A pesquisa intitulada &#8220;O C&#243;digo de Defesa do Consumidor (CDC) aplicado na hotelaria paulista: 1998 e 2012&#8221; analisou as desconformidades entre o h&#243;spede e o hotel, sob a &#8220;lente&#8221; do CDC e do Direito do Turismo, atrav&#233;s da leitura dos ac&#243;rd&#227;os do Tribunal de Justi&#231;a do Estado de S&#227;o Paulo. Para atingir a intera&#231;&#227;o desses m&#250;ltiplos focos sobre a origem de conflitos envolvendo os consumidores de servi&#231;os tur&#237;sticos e seus fornecedores e, ajudar a compreender por que alguns conflitos chegam at&#233; a &#250;ltima esfera jur&#237;dica estadual, ser&#225; utilizada a metodologia de an&#225;lise de conte&#250;do. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Para isso, a pesquisa ser&#225; realizada por meio de levantamento e tabula&#231;&#227;o da jurisprud&#234;ncia existente no estado de S&#227;o Paulo, envolvendo as empresas do ramo da hotelaria, permitindo assim complementar o entendimento da rela&#231;&#227;o pessoal-comercial entre h&#243;spedes e hot&#233;is. Complementando, se desenvolver&#225; a qualifica&#231;&#227;o (categorizada e estratificada) e a quantifica&#231;&#227;o (n&#250;meros absolutos e percentuais) dos principais conflitos existentes, na esfera do direito c&#237;vel. Essa metodologia foi escolhida justamente por ser a que, no caso especifico desta pesquisa, a que melhor poderia ser utilizada para efetuar a an&#225;lise de conte&#250;do e onde poderiam ser descobertos os artigos do CDC mais utilizados nas a&#231;&#245;es judiciais e quais os principais motivos para os conflitos que envolvem h&#243;spedes e hot&#233;is chegarem at&#233; o Tribunal de Justi&#231;a de S&#227;o Paulo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Por n&#227;o se ater ao m&#233;rito da Doutrina Jur&#237;dica (os motivos da cria&#231;&#227;o e divis&#227;o das leis no sistema jur&#237;dico brasileiro), mas sim &#224;s decis&#245;es julgadas em &#250;ltima inst&#226;ncia estadual, essa pesquisa ir&#225; qualificar e quantificar as decis&#245;es de processos envolvendo o CDC. Assim, se vislumbrar&#225;, ao final desse processo, poss&#237;veis tend&#234;ncias, nas decis&#245;es dos magistrados do estado de S&#227;o Paulo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Assim, como fonte principal na constru&#231;&#227;o desse trabalho foi pesquisado os ac&#243;rd&#227;os do Tribunal de Justi&#231;a do Estado de S&#227;o Paulo (entre 1998 e 2012), essenciais para compreender as interpreta&#231;&#245;es dadas pelos magistrados nos mais diversos conflitos entre empresas hoteleiras e turistas. Al&#233;m disso, ser&#225; utilizada como fonte b&#225;sica, a legisla&#231;&#227;o federal de prote&#231;&#227;o ao consumidor, de n&#250;mero 8.078, de 1990, a lei maior que rege as rela&#231;&#245;es de consumo entre os compradores e os vendedores, que ficou popularmente conhecida como o C&#243;digo de Defesa do Consumidor, ou, mais simplesmente, CDC. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A pesquisa desenvolver&#225; um estudo explorat&#243;rio dividido em duas frentes convergentes, desenvolvidas separadamente, mesmo sendo dependentes uma da outra. Assim, a primeira frente &#233; a pesquisa, sele&#231;&#227;o e defini&#231;&#227;o das fontes bibliogr&#225;ficas que auxiliaram na defini&#231;&#227;o te&#243;rica do projeto e seu desenvolvimento, sendo necess&#225;rio que essa possua material: </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b >a)</b> Aplic&#225;vel &#224; hotelaria, permitindo criar uma vis&#227;o sist&#234;mica e estrat&#233;gica desse componente do turismo; </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b >b)</b> Sejam artigos, livros ou sites da &#225;rea do Direito, com assuntos na &#243;rbita do direito, do direito no turismo e/ou na hotelaria, dos contratos em hotelaria, a jurisprud&#234;ncia, as leis e a sociedade, as rela&#231;&#245;es de consumo e o CDC, al&#233;m de outras mat&#233;rias correlatas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A segunda &#233; a pesquisa realizada no site do Tribunal de Justi&#231;a do Estado de S&#227;o Paulo, localizando todos os ac&#243;rd&#227;os de inteiro teor que possuam citadas no seu &#8220;corpo processual&#8221; (uma descri&#231;&#227;o concisa do conflito) as palavras &#8220;hotel consumidor&#8221;, &#8220;hotel h&#243;spede&#8221; e &#8220;hotel c&#243;digo&#8221;. Ap&#243;s a leitura desses ac&#243;rd&#227;os, ser&#227;o considerados para efeito de defini&#231;&#227;o do universo da pesquisa, e da qualifica&#231;&#227;o e quantifica&#231;&#227;o final de dados, os que citem ao longo do ac&#243;rd&#227;o, artigos do CDC em casos envolvendo hot&#233;is. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Ao t&#233;rmino da tabula&#231;&#227;o dos ac&#243;rd&#227;os, os mesmos ser&#227;o divididos por quantidade e percentual de participa&#231;&#227;o sobre o universo da pesquisa, tendo os seguintes itens estudados: </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&#167;  Quantidade de a&#231;&#245;es julgadas pelo TJSP entre 1998 e 2012, </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">&#167;  Comarca de origem das a&#231;&#245;es judiciais, </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&#167;  Quantidade percentual e absoluta de cita&#231;&#245;es de artigos do CDC, </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&#167;  Parte autora da A&#231;&#227;o judicial, </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&#167;  Parte vencedora da a&#231;&#227;o judicial julgada pelo TJSP, </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&#167;  Classifica&#231;&#227;o do autor da a&#231;&#227;o (vitima), e </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&#167;  Processos por responsabilidade &#250;nica ou solid&#225;ria. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Finalizando, se realizar&#225; a an&#225;lise dos dados levantados junto aos processos, estudando a motiva&#231;&#227;o da a&#231;&#227;o judicial que ensejada pelos h&#243;spedes contra os hot&#233;is. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><a><b>4. A pesquisa</b></a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Durante a realiza&#231;&#227;o da coleta de dados e ap&#243;s o uso do &#8220;filtro&#8221; estabelecido no projeto da pesquisa foram classificados 1.489 (mil quatrocentos e oitenta e nove) ac&#243;rd&#227;os, sendo que desses, um total de 1.212 (mil duzentos e doze) estava disponibilizado para a pesquisa p&#250;blica. Alguns ac&#243;rd&#227;os, apesar de terem sido localizados e citados pelo sistema de busca do TJSP, n&#227;o puderam ser acessados, pois ou estavam com o <i >link</i> de acesso &#8220;quebrado&#8221;, ou tramitavam como sendo &#8220;segredo de justi&#231;a&#8221;. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Desse modo, depois de serem reproduzidos heliograficamente os ac&#243;rd&#227;os poss&#237;veis, realizou-se uma leitura de todos os conflitos, para uma nova e definitiva sele&#231;&#227;o. Para serem escolhidos para participar da tabula&#231;&#227;o de dados, seria necess&#225;rio estarem inseridos, na a&#231;&#227;o que resultou no ac&#243;rd&#227;o, quatro aspectos fundamentais, quais sejam: </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&#167;  Conflito deveria envolver um hotel do estado de S&#227;o Paulo; </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&#167;  Deveria haver uma ou mais cita&#231;&#245;es do C&#243;digo de Defesa do Consumidor; </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&#167;  Deveriam estar na esfera do Direito Civil; e que, </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">N&#227;o fossem a&#231;&#245;es repetidas (as a&#231;&#245;es repetidas somente seriam aceitas se houvesse nova cita&#231;&#227;o de artigos do CDC). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Utilizando os aspectos acima citados, restaram 55 (cinquenta e cinco) das decis&#245;es judiciais inicialmente selecionadas, sendo estas as que verdadeiramente possu&#237;am, no seu &#8220;corpo processual&#8221;, o enquadramento especificado. Ap&#243;s, efetuou-se a tabula&#231;&#227;o dos dados poss&#237;veis de serem esclarecedores dos conflitos que existem envolvendo a aplica&#231;&#227;o do CDC e a hotelaria paulista. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A tabula&#231;&#227;o obteve os dados a respeito dos artigos citados no per&#237;odo de tempo compreendido pela pesquisa, tendo sido levantado: </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&#167;   A quantidade absoluta e relativa de artigos citados nos ac&#243;rd&#227;os; </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&#167;   Qual comarca onde se originou a a&#231;&#227;o (n&#227;o o conflito); </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&#167;   A tipifica&#231;&#227;o de quem ou o que iniciou/ &#8220;abriu&#8221; a&#231;&#227;o; </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">&#167;   Qual a categoria do ingressante (sexo) da a&#231;&#227;o judicial; </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&#167;   Qual foi o provimento dado e qual a parte vencedora do conflito; e, </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&#167;   A&#231;&#245;es baseadas no conceito de Responsabilidade &#250;nica ou solid&#225;ria. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Antes do inicio da an&#225;lise dos dados da pesquisa, cabe salientar que o pesquisador surpreendeu-se com a quantidade final de ac&#243;rd&#227;os envolvendo empresas hoteleiras e artigos do CDC que se encaixavam no projeto da pesquisa, fazendo-se necess&#225;rio discutir algumas das possibilidades existentes, que possam justificar essa situa&#231;&#227;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">De inicio, devemos analisar que desde a entrada do CDC, em 1990, muitos h&#243;spedes passaram a exigir um servi&#231;o melhor e o respeito do que foi definido durante a negocia&#231;&#227;o, obrigando o prestador de servi&#231;o a desenvolver a cultura de se antecipar aos desejos e necessidades do consumidor (Morgado, 2013) e procurar, al&#233;m de parceiro tur&#237;stico confi&#225;vel, uma maior profissionaliza&#231;&#227;o na sua pr&#243;pria equipe. &#8220;...a minimiza&#231;&#227;o dos problemas advindos dos servi&#231;os defeituosos, passa, obrigatoriamente, pela profissionaliza&#231;&#227;o&#8221; (Rosetto, 2012). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Como que para corroborar a opini&#227;o de Rossetto (2012), a jornalista M&#244;nica Bichara, em reportagem para o Jornal &#8220;Correio da Bahia&#8221;, com data de 18 de mar&#231;o de 2003, entrevistou o Sr. Evanilson Montenegro, diretor do Hotel Belmar, da cidade de Salvador, Bahia. O mesmo afirmou que &#8220;Hoje, 99% dos casos s&#227;o resolvidos na pr&#243;pria recep&#231;&#227;o (do hotel)&#8221;. Apesar dos dados descritos pelo Sr. Montenegro parecerem exagerados, aparentemente poucos consumidores consideram os seus conflitos uma &#8220;quest&#227;o de honra&#8221; grande o suficiente para arrastar o processo at&#233; a &#250;ltima inst&#226;ncia jur&#237;dica estadual. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Mesmo assim, a qualifica&#231;&#227;o da m&#227;o-de-obra foi evidente e isso tamb&#233;m contribuiu para a redu&#231;&#227;o dos conflitos, sendo que &#8220;Desde a entrada em vigor do CDC, h&#225; dez anos, a rela&#231;&#227;o entre fornecedores e consumidores de servi&#231;os vem melhorando muito no pa&#237;s (Bichara, 2013). Mesmo que n&#227;o fosse pelo CDC, a qualidade deveria realmente melhorar, pois a &#8220;invas&#227;o&#8221; dos grupos hoteleiros  internacionais ao mercado brasileiro, em meados da d&#233;cada de 1990, definiu um novo modelo de gest&#227;o e atendimento de clientes. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Outros motivos poss&#237;veis s&#227;o de ordem jur&#237;dica, e por raz&#245;es diversas: um por ser mais atual, outro pela rapidez na decis&#227;o e um terceiro pela demora. Al&#233;m dos motivos anteriormente citados, deve-se ainda incluir a entrada em vigor em 2002, do Novo C&#243;digo Civil &#8211; NCC. O NCC passa a ser utilizado como sustent&#225;culo em muitas a&#231;&#245;es c&#237;veis, pois o mesmo incorporou o principal da jurisprud&#234;ncia nacional dos &#250;ltimos 85 anos, sendo considerado por alguns juristas, como mais atual que o CDC (Mamede, 2004). Com um NCC mais pr&#243;ximo dos dias atuais, foi poss&#237;vel aos magistrados utiliz&#225;-lo como base para as suas decis&#245;es, pois &#8220;(...) nos casos em que as normas previstas no C&#243;digo Civil forem mais ben&#233;ficas aos consumidores os ju&#237;zes poder&#227;o optar por elas&#8221; (Franco citando Bichara, 2013). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A segunda raz&#227;o &#233; a exist&#234;ncia dos Juizado Especial C&#237;vel &#8211; JEC, criado para ser o desaguadouro das reclama&#231;&#245;es motivadas pelo CDC e, que s&#227;o funcionais para a solu&#231;&#227;o de conflitos que envolvam indeniza&#231;&#245;es de no m&#225;ximo 20 (vinte) sal&#225;rios m&#237;nimos, existindo alguns casos, em que a vitima diminuiu o seu pedido por danos, para poder se adequar a esse juizado (Sarralheiro, 1999). Al&#233;m disso, a rapidez com que os processos s&#227;o resolvidos, algo entre 90 e 120 dias, inclusive em &#250;ltima inst&#226;ncia do JEC, torna esse instrumento jur&#237;dico, muito popular entre os consumidores paulistas. O percentual em 1999, de r&#233;us que prosseguiam com o processo em outras esferas jur&#237;dicas era de apenas 5%, aproximadamente (Sarralheiro, 1999). Por &#250;ltimo, existe o fato de a justi&#231;a brasileira ser conhecida como morosa e provida de in&#250;meros meandros legais, que podem criar condi&#231;&#245;es de posterga&#231;&#227;o de uma decis&#227;o judicial final por v&#225;rios anos, n&#227;o sendo raros os casos noticiados de processos que levaram mais de dez anos para um veredicto final, sem direito a apela&#231;&#227;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Esse aspecto tende a &#8220;pesar&#8221; consideravelmente no momento de o h&#243;spede planejar entrar com um processo contra o hotel. O consumidor sabe que um acordo r&#225;pido com a empresa (quase sempre menos vantajoso do ponto de vista financeiro e, at&#233; mesmo pessoal), tem a compensa&#231;&#227;o de ser mais r&#225;pido e menos estressante psicologicamente do que uma &#8220;batalha judicial&#8221; (Bevilaqua, 2013). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><a><b >4.1    A </b></a><b >tabula&#231;&#227;o e a an&#225;lise</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A <a href="#t1">Tabela 1</a> demonstra que mesmo o universo da pesquisa ser composto por 55 (cinquenta e cinco) ac&#243;rd&#227;os, em v&#225;rios dos casos ora analisados, os magistrados citam mais de um artigo do CDC, para embasar as suas decis&#245;es.</font></p>     <p><a name="t1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/tms/v10n2/10n2a17t1.jpg" width="344" height="421">     
<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os mais citados   s&#227;o os que tratam dos direitos do consumidor (art. 6&#186;), e da   responsabilidade dos fornecedores para com seus   produtos e servi&#231;os (art. 14&#186;), cada um deles com 5 cita&#231;&#245;es, respons&#225;veis,   ambos, por 32,2% do total de cita&#231;&#245;es. </font>     <p><font size="2" face="Verdana">Em sequencia, temos os artigos que tratam da defini&#231;&#227;o de Fornecedor (art. 3&#186;), presente em 4 ac&#243;rd&#227;os e com participa&#231;&#227;o de 12,9% no total  e, em quarto lugar, o que especifica a obriga&#231;&#227;o do fornecedor de zelar pela seguran&#231;a e sa&#250;de do consumidor (art. 8&#186;), com 3 apari&#231;&#245;es ( 9,7% dos artigos). No total foram 14 artigos diferentes do CDC presentes nas a&#231;&#245;es, mas juntos, estes quatro artigos citados, respondem por 54,85% do total dos dados. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Pode-se entender que, nas a&#231;&#245;es julgadas, considera-se prioritariamente se foram &#8220;feridos&#8221; os direitos b&#225;sicos do consumidor, qual a responsabilidade do hoteleiro perante o seu h&#243;spede. Os hot&#233;is s&#227;o regidos pelo CDC nas suas rela&#231;&#245;es com os turistas e os estabelecimentos meios de hospedagem s&#227;o respons&#225;veis por garantir a seguran&#231;a e a sa&#250;de do seu cliente, mesmo que o h&#243;spede venha a ser negligente com seus cuidados pessoais. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Era poss&#237;vel deduzir que a Comarca de S&#227;o Paulo, por ser a maior cidade do estado e do pa&#237;s, estivesse como primeira colocada nesta pesquisa, com um total de 20 (vinte) julgamentos e 36,4% do total das a&#231;&#245;es. O item OUTRAS COMARCAS, com 14 (quatorze) julgamentos e 25,4% do total das a&#231;&#245;es, agrupa as a&#231;&#245;es oriundas de Atibaia, Avar&#233;, Bauru, Botucatu, Campos do Jord&#227;o, Catanduva, Jacare&#237;, Lind&#243;ia, Santo Andr&#233;, Santos, S&#227;o Jos&#233; dos Campos, Sorocaba, Taubat&#233; e Vinhedo, com apenas um processo julgado no per&#237;odo, cada uma. Em seguida, aparecem as cidades de Campinas e Ribeir&#227;o Preto com um total e 09 (nove) julgamentos cada e 16,4% cada. Por &#250;ltimo, surge a Comarca de S&#227;o Carlos, merecedora de uma aten&#231;&#227;o especial, pois aparece com 03 (tr&#234;s) processos e 5,3% do total. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Os dados da <a href="#t2">Tabela 2</a> devem ser analisados com uma vis&#227;o cuidadosa, pois apesar de as Comarcas de Campinas e Ribeir&#227;o Preto estarem em segundo lugar, este fato n&#227;o significa em absoluto uma busca por parte dos consumidores locais dos seus direitos.</font></p>     <p><a name="t2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/tms/v10n2/10n2a17t2.jpg" width="355" height="238">     
<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">Apenas a minoria das a&#231;&#245;es foi   proposta por alguma vitima de um acidente ou por ter sido enganado em um   servi&#231;o contratado. A maioria, 07 (sete)   a&#231;&#245;es, foi proposta pelo Minist&#233;rio P&#250;blico   (MP) da comarca. Os processos foram propostos contra hot&#233;is da cidade por que o   Corpo de Bombeiros n&#227;o emitiu a licen&#231;a de opera&#231;&#227;o, pois eles estavam fora das   normas consideradas como necess&#225;rias para garantir a seguran&#231;a dos h&#243;spedes. </font>     <p><font size="2" face="Verdana">Nesse ponto, o MP estava fazendo uso da sua obriga&#231;&#227;o de defender de forma coletiva, o consumidor, fato esse constante do art. 82&#186;, par&#225;grafo I, apesar deste artigo n&#227;o ter sido citado em nenhum momento, nos processos. Apesar dessa obriga&#231;&#227;o direta, as a&#231;&#245;es do MP contra os hot&#233;is, foram consideradas desprovidas de raz&#227;o pelos desembargadores, que consideraram inadequado o uso do CDC como base, para requerer a proibi&#231;&#227;o das atividades das empresas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A <a href="#t3">Tabela 3</a> demonstra que de todos os 55 ac&#243;rd&#227;os, a maioria ampla de a&#231;&#245;es foi proposta por Pessoa F&#237;sica (consumidores no conceito mais estrito), apesar de 06 (seis) Pessoas Jur&#237;dicas terem se utilizado o CDC para acionar judicialmente outra empresa, pois elas eram a destinat&#225;ria final do produto adquirido.</font></p>     <p><a name="t3"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/tms/v10n2/10n2a17t3.jpg" width="352" height="200"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">Assim, elas adquiriram a condi&#231;&#227;o de consumidoras. As 13 (treze) a&#231;&#245;es citadas (23,6% dos n&#250;meros relativos), como sendo do Poder   P&#250;blico, s&#227;o todas origin&#225;rias das a&#231;&#245;es propostas pelo MP das Comarcas de Campinas, Ribeir&#227;o Preto e S&#227;o Carlos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Desses n&#250;meros, pode-se deduzir que o Poder P&#250;blico, pouco usa judicialmente das suas atribui&#231;&#245;es de defender coletivamente os Consumidores, e que, quando o faz, n&#227;o &#233; levado totalmente em considera&#231;&#227;o pelos desembargadores respons&#225;veis por julgar esses conflitos. Tamb&#233;m &#233; pequeno o n&#250;mero de processos movidos por Pessoas Jur&#237;dicas, o que demonstra que poucas empresas descobriram os seus direitos, dentro da intrincada cadeia de m&#250;ltiplos fornecedores e consumidores, pela qual &#233; formado o &#8220;<i>trade</i>&#8221; tur&#237;stico (Duarte, 1996). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os n&#250;meros da <a href="#t4">Tabela 4</a> se apresentam relativamente equilibrados, existindo uma predomin&#226;ncia por a&#231;&#245;es propostas pelo sexo Masculino, 20 a&#231;&#245;es e 36,5%, de um total de 55 processos, sendo, entretanto, que as outras categorias existentes possuem resultados pr&#243;ximos.</font></p>     <p><a name="t4"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/tms/v10n2/10n2a17t4.jpg" width="346" height="216"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">Chama aten&#231;&#227;o que 8 (oito) processos, ou 14,4% do total, foram &#8220;abertos&#8221; por m&#250;ltiplas v&#237;timas (uma situa&#231;&#227;o comum nos   tribunais de outras &#225;reas do Direito), e tamb&#233;m chama aten&#231;&#227;o o fato de haver   apenas uma pequena parcela participativa no total dos processos da &#225;rea do CDC   c&#237;vel.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Como os turistas de lazer costumam viajar com suas fam&#237;lias, esse n&#250;mero deveria ser maior, pois um fato negativo na hospedagem, resultar&#225;, em desconforto, em maior ou menor escala, para todo o grupo familiar. Outra poss&#237;vel explica&#231;&#227;o &#233; de que, por estar a lazer, o mesmo seja mais condescendente com as falhas nos servi&#231;os, aceitando solu&#231;&#245;es sugeridas pelos empregados ou gestores do hotel com maior facilidade. Assim, levariam adiante at&#233; os tribunais, apenas os fatos que tenham sido traumatizantes ou que n&#227;o receberam, quando da comunica&#231;&#227;o do mesmo aos representantes da empresa, de uma aten&#231;&#227;o m&#237;nima por parte desses &#250;ltimos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nesse ponto, devemos retornar a an&#225;lise para a exist&#234;ncia do desequil&#237;brio nas rela&#231;&#245;es pessoal-comerciais, pois a aus&#234;ncia de preocupa&#231;&#227;o com o h&#243;spede, por parte da equipe do hotel, incute no mesmo a sensa&#231;&#227;o de n&#227;o ser importante para a empresa hoteleira. Ele apenas existe como um ente &#8220;respeitado&#8221; dentro do sistema de presta&#231;&#227;o de servi&#231;os tur&#237;sticos, se estiver pagando o valor que a empresa pediu pelos seus pr&#233;stimos e se n&#227;o fizer nenhum coment&#225;rio ou reclama&#231;&#227;o depreciativa sobre o meio de hospedagem, seja essa justa, ou n&#227;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A <a href="#t5">Tabela 5</a> demonstra sem &#8220;sombra de d&#250;vidas&#8221;, que existe a tend&#234;ncia nas decis&#245;es em favor dos consumidores, sendo que o percentual de 78,2% obtido nessa tabela seria muito maior relativamente, se das 08 (oito) a&#231;&#245;es ganhas pelas empresas r&#233;s, fossem retirados da amostragem 07 (sete) processos abertos pelo MP de S&#227;o Carlos e que foram considerados como desprovidos pelo TJSP.</font></p>     <p><a name="t5"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/tms/v10n2/10n2a17t5.jpg" width="366" height="193"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">A <a href="#t6">Tabela 6</a> demonstra que a institui&#231;&#227;o da figura da Responsabilidade Solid&#225;ria na cadeia de   presta&#231;&#227;o de servi&#231;os ou venda de produtos &#233; um importante fator na defesa dos   direitos dos h&#243;spedes, pois 405 dos reclamantes utilizaram este expediente jur&#237;dico para dar mais for&#231;a a sua queixa judicial. </font></p>     <p><a name="t6"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/tms/v10n2/10n2a17t6.jpg" width="353" height="218"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">Este tipo de reclama&#231;&#227;o foi considerada por   v&#225;rios juristas (Mamede, 2002; Longanese, 2004; Dorta & Pomilio, 2003;   Feuz, 2003, Grinover <i>et al</i>, 1995) como um dos artigos centrais do CDC (&#233;   todo o Cap&#237;tulo IV - Da Qualidade de Produtos e Servi&#231;os, da Preven&#231;&#227;o e da   Repara&#231;&#227;o dos Danos, compreendido entre os artigos 8&#186; e 28&#186;). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Esses artigos visaram facilitar a busca do consumidor por seus direitos, pois o mesmo n&#227;o necessitaria reclamar junto ao hotel onde ficou hospedado (normalmente muito distante do seu domicilio e onde ocorreu a insatisfa&#231;&#227;o que gerou o conflito), mas sim, com a empresa tur&#237;stica que lhe forneceu aquela acomoda&#231;&#227;o, que quase sempre est&#225; localizada na cidade onde o consumidor reside. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Apesar dessa benesse existente no CDC, a <a href="#t6">Tabela 6</a> demonstra que a maioria das a&#231;&#245;es ainda &#233; contra uma &#250;nica empresa, o equivalente a 33 dos 55 processos, n&#250;meros esses que correspondem a 60,0% do universo pesquisado. Uma fatia minorit&#225;ria de processos &#233; movida pelo conceito de Responsabilidade Solid&#225;ria que, em n&#250;meros absolutos, &#233; igual a 22 (vinte e dois) a&#231;&#245;es e em n&#250;meros relativos, a 40,0% do total. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Faz-se importante verificar que desses 22 processos em que existem respons&#225;veis solid&#225;rios junto com os hot&#233;is, em 09 (nove) deles, consta como r&#233; uma ag&#234;ncia de viagens. Nos outros 13 (treze) casos restantes, s&#227;o acionadas diferentes companhias de seguro, principalmente por protelarem o pagamento de indeniza&#231;&#245;es aos h&#243;spedes que tenham sido vitimas de algum infort&#250;nio, durante hospedagem em algum dos hot&#233;is que possu&#237;am ap&#243;lices dessas empresas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Por &#250;ltimo, a <a href="#t7">Tabela 7</a> permite verificar os anos em que mais houve a&#231;&#245;es julgadas, sendo que sobressai ano de 2008, com 08 (oito) a&#231;&#245;es, que representam 14,5% do total desta pesquisa.</font></p>     <p><a name="t7"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/tms/v10n2/10n2a17t7.jpg" width="333" height="462"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">Na segunda posi&#231;&#227;o, em ela&#231;&#227;o a quantidade de   a&#231;&#245;es julgadas, vem os anos de 2004 e 2005, com 06 (seis) a&#231;&#245;es cada um (10,9%   cada ano). Em terceira posi&#231;&#227;o, v&#234; o ano de 2000, com 05 (cinco) a&#231;&#245;es, com o   percentual de 9,0%. Ao somar todas as a&#231;&#245;es e dividir pelo total de anos desta   pesquisa, tem-se uma m&#233;dia de 3,6 a&#231;&#245;es por ano. Ao comparar este dado com os   anos acima citados, fica mais claro ainda verificar que 2008 est&#225; claramente   acima da m&#233;dia. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em resumo, os dados apresentados permitem determinar que a&#231;&#245;es com base no CDC s&#227;o propostas principalmente pelo Sexo masculino (36,5%), como Pessoa f&#237;sica (65,5%), originando-se na Comarca de S&#227;o Paulo (41,2%), contra R&#233;us &#250;nicos (36,4%), providos basicamente em favor da V&#237;tima (78,2%), que buscavam garantir os seus direitos legais, o seu direito &#224; sa&#250;de e &#224; seguran&#231;a nas rela&#231;&#245;es pessoal-comerciais e que os fornecedores assumissem a sua responsabilidade como prestadores de servi&#231;os (54,8%), tendo, estas a&#231;&#245;es, tido o seu &#225;pice, no ano de 2008 (14,5%).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b >5.      Considera&#231;&#245;es finais</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Como se viu anteriormente, essa pesquisa teve como objetivo estabelecer os aspectos geradores de conflito entre os hot&#233;is e seus h&#243;spedes, delineando o perfil das a&#231;&#245;es judiciais interpostas pelos consumidores. A pesquisa, tabula&#231;&#227;o e an&#225;lise dos ac&#243;rd&#227;os pesquisados possibilitaram conhecer a realidade dos processos instados pelos consumidores e suas afli&#231;&#245;es com insatisfa&#231;&#245;es n&#227;o atendidas a contento, tanto pelas empresas hoteleiras, como por seus parceiros comerciais. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O surgimento do CDC era um acontecimento considerado como l&#243;gico pelos juristas, pois &#233; tend&#234;ncia do Direito se especializar cada vez mais, procurando assim, permitir um desenvolvimento harmonioso entre todos os atores envolvidos nas esferas de poder social e econ&#244;mico de uma sociedade. O CDC &#233; importante harmonizador, principalmente, das rela&#231;&#245;es entre pessoas f&#237;sicas e empresas, sendo, estas &#250;ltimas, as reais detentoras e definidoras do procedimento de fornecimento dos bens. Esse poder do fornecedor, quando n&#227;o mediado, pode levar ao abuso econ&#244;mico e &#224; espolia&#231;&#227;o do consumidor, fatos estes que o CDC visou impedir. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&#201; importante salientar o beneficio que a pesquisa obteve por ser realizada no estado de S&#227;o Paulo. Tanto pela quantidade consider&#225;vel de ac&#243;rd&#227;os do Tribunal de Justi&#231;a e sua base de dados dispon&#237;vel para pesquisa eletr&#244;nica, como por ser esse o estado que possui a maior concentra&#231;&#227;o hoteleira do pa&#237;s, mostrou-se de grande validade no que tange a quantidade absoluta de julgamentos que tem por base o CDC, que puderam ser utilizados para efeito da pesquisa. Pois, durante a pesquisa bibliogr&#225;fica realizada em paralelo, verificaram-se, em alguns casos, os reduzidos exemplos de jurisprud&#234;ncia citada pelos autores pesquisados. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Durante a realiza&#231;&#227;o da pesquisa, verificou-se que o C&#243;digo de Defesa do Consumidor possui diversos pontos totalmente aplic&#225;veis na hospitalidade comercial, aqui considerada como os hot&#233;is paulistas, mas tamb&#233;m para qualquer outra empresa prestadora de servi&#231;os de hospedagem e venda de alimenta&#231;&#227;o. O aumento da concorr&#234;ncia, a partir da metade final da d&#233;cada de 1990, impulsionou melhorias significativas para a qualidade de servi&#231;os e atendimento na hotelaria brasileira. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Da mesma forma, o fato de o consumidor estar mais consciente dos seus direitos e valorizar cada vez mais o seu dinheiro contribuiu para que o mesmo estivesse mais atento aos processos de negocia&#231;&#227;o, evitando &#8220;cair nas armadilhas&#8221; criadas por agentes de viagem e hoteleiros que usavam m&#225; f&#233;. Este fato tamb&#233;m deve ter colaborado significativamente para a diminui&#231;&#227;o de conflitos envolvendo hot&#233;is e h&#243;spedes. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Apesar de n&#227;o haver expressiva quantidade de ac&#243;rd&#227;os envolvendo o CDC e os hot&#233;is no estado de S&#227;o Paulo (apenas os 55 aqui estudados), deve-se levar em considera&#231;&#227;o o total de ac&#243;rd&#227;os julgados pelo TJSP, entre 1998 e 2012, que envolveram o termo &#8220;Hotel&#8221; (1.489 processos inicialmente catalogados). Assim, podemos dizer que existe uma quantidade interessante de processos envolvendo a hotelaria paulista, em todas as esferas do Direito, que poderiam ensejar outras pesquisas que possam explorar mais o vi&#233;s aberto por esta pesquisa. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A princ&#237;pio, &#233; patente que os magistrados paulistas privilegiam os consumidores, pois mais de 78% das decis&#245;es promulgadas davam ganho de causa &#224; v&#237;tima. Nas poucas vezes em que o r&#233;u saiu vitorioso do processo, foi justamente contra o Minist&#233;rio P&#250;blico, &#243;rg&#227;o representante do estado, encarregado de defender os direitos coletivos dos consumidores. Isso pode suscitar um questionamento sobre o pensamento do Tribunal de Justi&#231;a a respeito do trabalho dos &#243;rg&#227;os p&#250;blicos que realizam a defesa dos consumidores em ju&#237;zo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em quase todos os processos existentes mantidos por pessoas f&#237;sicas, ficou clara a tentativa dos hoteleiros, e em alguns casos analisados, dos seus poss&#237;veis respons&#225;veis solid&#225;rios (aqui, nessa pesquisa, s&#227;o a ag&#234;ncia de viagem e as companhias seguradoras) de fugir &#224; responsabilidade por seus atos, ou pela falta deles. Pode-se verificar que, mesmo a culpa tendo sido constatada, procura-se protelar ao m&#225;ximo, atrav&#233;s principalmente de meandros jur&#237;dicos, as indeniza&#231;&#245;es devidas tanto por dano moral ou material, ou ambos os casos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O conflito s&#243; se instala quando a empresa promete algo e n&#227;o cumpre, sendo, poss&#237;vel haver alguns casos de o fornecedor ultrapassar os padr&#245;es medianos de bom relacionamento interpessoal e comercial com o consumidor. Mas, pelo que foi poss&#237;vel verificar na pesquisa, a maioria absoluta de casos envolve empresas que n&#227;o respeitaram os padr&#245;es b&#225;sicos de hospitalidade, comumente reconhecidos na hotelaria brasileira, como por exemplo, garantir a seguran&#231;a e integridade do patrim&#244;nio do seu h&#243;spede. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">V&#225;rios s&#227;o os casos de consumidores que reclamam da falta de itens b&#225;sicos comumente ligados ao conceito comum de hospitalidade. Pode-se verificar principalmente a inseguran&#231;a e manuten&#231;&#227;o prec&#225;ria de ambientes para uso frequente do cliente, a desorganiza&#231;&#227;o no atendimento nos hot&#233;is, a falta de preocupa&#231;&#227;o por parte dos representantes dos hot&#233;is com os seus h&#243;spedes em momentos de desamparo emocional e a procrastina&#231;&#227;o do m&#225;ximo de tempo poss&#237;vel, do pagamento das indeniza&#231;&#245;es devidas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nas rela&#231;&#245;es interpessoais comerciais existentes na hotelaria, o Direito sempre estar&#225; presente, mesmo que o in&#237;cio do conflito elimine de vez qualquer oportunidade da lembran&#231;a da hospitalidade. Ademais, mesmo com o fim da rela&#231;&#227;o pessoal-comercial, ainda resta o contrato, que deve ser cumprido, quer por comum acordo entre as partes envolvidas, quer com o aux&#237;lio do poder jur&#237;dico legalmente constitu&#237;do pelo estado, sendo um desses, o TJSP. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Bevilaqua, em seu artigo &#8220;Notas sobre a forma e raz&#227;o sobre os conflitos no mercado de consumo&#8221;, compartilha de uma opini&#227;o similar, mas um pouco diferente, ao defender que o estudo dos conceitos da hospitalidade pode ser muito &#250;til, na gest&#227;o de uma empresa. A autora citou v&#225;rios exemplos de pessoas que quando tiveram problemas com os seus fornecedores, se sentiram atacadas em seu &#237;ntimo, sendo esse o momento em que desaparece de uma vez por todas de uma rela&#231;&#227;o comercial saud&#225;vel. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em muitos ac&#243;rd&#227;os foi poss&#237;vel encontrar express&#245;es como &#8220;Fui roubada, e a equipe do hotel n&#227;o deu a m&#237;nima!&#8221;, &#8220;Eles ficaram parados e n&#227;o fizeram nada para me ajudar.&#8221;, &#8220;Meu filho se machucou e eles apenas queriam se certificar de que a culpa foi nossa!&#8221;, al&#233;m de outras frases desse mesmo tom, que demonstram que nem sempre a perda material &#233; a &#250;nica e principal impulsionadora de um conflito, mas que a decep&#231;&#227;o e raiva do h&#243;spede n&#227;o s&#227;o esquecidas t&#227;o facilmente. A verifica&#231;&#227;o dos motivos que geram conflitos entre consumidores e fornecedores demonstra ser um campo de estudos imenso, apenas inicialmente descortinado pelo trabalho pioneiro de pesquisadores como Bevilaqua (2013), Oliveira (1989) e Lanna (1996), entre outros, ao qual esse pesquisador humildemente procurou contribuir, como sendo mais uma poss&#237;vel vertente de estudos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b >Refer&#234;ncias bibliograficas</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Bevilaqua, C. (2013). <i >Notas sobre a forma e raz&#227;o sobre os conflitos no mercado de consumo</i>. Retirado da Revista do N&#250;cleo de Arquitetura e Urbanismo da USP. Consultado em 23.06.2013 no website <a href="http://www.nau.usp.br/" target="_blank">http://www.nau.usp.br/</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000153&pid=S2182-8458201400020001700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Bichara, M. (2013). <i >C&#243;digo civil d&#225; mais prote&#231;&#227;o a clientes de hot&#233;is.</i> Retirado do Jornal Correio da Bahia. Consultado em 23.06.2013 no website <a href="http://www.correiodabahia.com.br/2003/03/18/noticia.asp" target="_blank">http://www.correiodabahia.com.br/2003/03/18/noticia.asp</a>&#8204;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000155&pid=S2182-8458201400020001700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">BRASIL (2012). <i >C&#243;digo de Defesa do Consumidor - Lei n&#176; 8.078, de 11/09/1990</i>. Bras&#237;lia, Brasil: DOU.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000157&pid=S2182-8458201400020001700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">BSH International (2013). <i >Redes hoteleiras - Cidade de S&#227;o Paulo 2012</i>. S&#227;o Paulo, Brasil: BSH.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000159&pid=S2182-8458201400020001700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">BSH International (2004). <i >Hotelaria de Luxo &#8211; S&#227;o Paulo e Rio de Janeiro 1998-2003</i>. S&#227;o Paulo, Brasil: BSH.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000161&pid=S2182-8458201400020001700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Dias, M. B. (2013). <i >&#201; dever da jurisprud&#234;ncia inovar diante do novo.</i> Consultado em 23.06.2013 no website <a href="http://www.mundojuridico.adv.br" target="_blank">http://www.mundojuridico.adv.br</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000163&pid=S2182-8458201400020001700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Dorta, L., Pomilio, R. A. S. (2003). As <i >leis e o turismo: Uma vis&#227;o panor&#226;mica</i>. S&#227;o Paulo, Brasil: Textonovo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000165&pid=S2182-8458201400020001700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Duarte, V. V. (1996). <i >Administra&#231;&#227;o de Sistemas Hoteleiros.</i> S&#227;o Paulo, Brasil: SENAC-SP.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000167&pid=S2182-8458201400020001700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Feuz, P. S. <i >O. </i>(2003).  <i >Direito do consumidor nos contratos de turismo</i>. S&#227;o Paulo, Brasil: Edipro.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000169&pid=S2182-8458201400020001700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Grinover, A. P., Benjamin, A. H. V., Denari, Z., Filomeno, J. G. B., Fink, D. R., Nery J&#250;nior, N. & Watanabe, K. (1995). <i >C&#243;digo Brasileiro de Defesa o Consumidor</i> <i >&#8211; comentado pelos autores do anteprojeto.</i> Rio de Janeiro, Brasil: Forense Universit&#225;ria.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000171&pid=S2182-8458201400020001700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     ]]></body>
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<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Oliveira, L. R. C. (1989). <i >Compara&#231;&#227;o e Interpreta&#231;&#227;o na Antropologia Jur&#237;dica</i>. <i >Anu&#225;rio Antropol&#243;gico &#8211; UNB,  01</i> (01), 23-45.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000183&pid=S2182-8458201400020001700016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Rossetto, A. E. (2012). <i >Responsabilidades civil dos hoteleiros</i>. Retirado do Portal Monte Verde. Consultado em 23.06.2013 no website <a href="http://www.monteverdemg.com.br/vm-hotel.htm" target="_blank">http://www.monteverdemg.com.br/vm-hotel.htm</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000185&pid=S2182-8458201400020001700017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Sarralheiro, C. R. R.. (1999). <i >A legisla&#231;&#227;o aplic&#225;vel &#224; empreendimentos empresas de turismo, entidades representativas e &#243;rg&#227;os p&#250;blicos - juizado especial c&#237;vel</i>. S&#227;o Paulo, Brasil: SENAC-SP.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000187&pid=S2182-8458201400020001700018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b >Processo do artigo:</b></font>    <br>   <font size="2" face="Verdana"><b >Enviado</b>: 09 Junho 2013    ]]></body>
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