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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[(Des)Centralização da gestão pública do turismo brasileiro: análise da participação dos atores privados no Conselho Nacional de Turismo]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This study analyses the participation of private actors in the process of establishing tourism policy, through the discussions conducted during the National Tourism Council meetings from 2003 to 2008. The study was performed based on a cross sectional and longitudinal perspective, together with case study methodology, allowing the application of network theory and the social network analysis model in a qualitative approach. Throughout this research, it was found that the involvement of councillors in setting government agenda and in developing a National Tourism Policy takes place simultaneously, but not symmetrically. Councillors participate through their initiatives/discussions in meetings, as well as their possession of economic and organisational resources. In addition, although the process of establishing the National Tourism Plans has been the result of a complex network of public and private actors, the National Tourism Council is mostly functioning through the active participation of private actors.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana"><b><b>TURISMO -  ARTIGOS CIENT&Iacute;FICOS </b></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana"><b>(Des)Centraliza&#231;&#227;o da gest&#227;o p&#250;blica do turismo   brasileiro: an&#225;lise da participa&#231;&#227;o dos atores privados no Conselho Nacional de   Turismo</b> </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>De(Centralization) of Brazilian   tourism public management: Analysis of the involvement of private actors in the   National Tourism Council</b> </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Pamela de Medeiros Brand&#227;o<sup>1</sup></b>; <b>Mariana Baldi<sup>2</sup>; Marcus Alban<sup>3</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><sup>1</sup>Universidade   Federal da Bahia, Escola de Administra&#231;&#227;o, N&#250;cleo de P&#243;s-Gradua&#231;&#227;o em   Administra&#231;&#227;o (NPGA), Av. Reitor Miguel Calmon, s/n - Vale do Canela &#8211; 40110-903 &#8211; Salvador/BA &#8211; Brasil, <a href="mailto:pamela_brandao@yahoo.com.br">pamela_brandao@yahoo.com.br</a>    <br> <sup>2</sup>Universidade   Federal do Rio Grande do Sul, Escola de Administra&#231;&#227;o, Programa de   P&#243;s-Gradua&#231;&#227;o em Administra&#231;&#227;o (PPGA), 91340-110 &#8211; Porto Alegre/RS &#8211; Brasil,   <a href="mailto:mariana.baldi@ufrgs.br">mariana.baldi@ufrgs.br</a>     ]]></body>
<body><![CDATA[<br> </font><font size="2" face="Verdana"><sup>3</sup>Universidade   Federal da Bahia, Escola de Administra&#231;&#227;o, N&#250;cleo de P&#243;s-Gradua&#231;&#227;o em   Administra&#231;&#227;o (NPGA), 40110-903 &#8211; Salvador/BA &#8211; Brasil, <a href="mailto:m.alban@uol.com.br">m.alban@uol.com.br</a> <br clear=all > </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr noshade size="1">     <p><font size="2" face="Verdana"><b>RESUMO</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Este artigo   analisa a participa&#231;&#227;o dos atores privados no processo de elabora&#231;&#227;o das   pol&#237;ticas de turismo, a partir das interven&#231;&#245;es realizadas no decorrer das   reuni&#245;es do Conselho Nacional de Turismo, de 2003 a 2008. O estudo teve um   corte seccional com perspectiva longitudinal e adotou o estudo de caso,   permitindo aplicar a teoria de redes e o modelo de an&#225;lise de redes sociais   numa abordagem qualitativa. Atrav&#233;s da pesquisa realizada, constatou-se que a   participa&#231;&#227;o dos conselheiros na forma&#231;&#227;o da agenda governamental e na   formula&#231;&#227;o da pol&#237;tica nacional de turismo se d&#225; simultaneamente, mas n&#227;o   simetricamente, pela atua&#231;&#227;o/interven&#231;&#227;o destes nas reuni&#245;es e pela posse de   recursos econ&#244;micos e organizacionais; e que embora o processo de elabora&#231;&#227;o   dos Planos Nacionais de Turismo tenham sido resultado de uma complexa rede de   atores p&#250;blicos e privados, o Conselho Nacional do   Turismo se caracteriza eminentemente como um conselho formado por maioria ativa de atores privados. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Palavras-chave: </b>An&#225;lise   de redes sociais, participa&#231;&#227;o, descentraliza&#231;&#227;o, conselho nacional de turismo, plano nacional de turismo. </font></p> <hr noshade size="1">     <p><font size="2" face="Verdana"><b>ABSTRACT</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">This study analyses the participation of private   actors in the process of establishing tourism policy, through the discussions   conducted during <a></a>the National Tourism Council meetings   from 2003 to 2008. The study was performed based on a cross sectional and   longitudinal perspective, together with case study methodology, allowing the   application of network theory and the social network analysis model in a   qualitative approach. Throughout this research, it was found that the   involvement of councillors in setting government agenda and in developing a   National Tourism Policy takes place simultaneously, but not symmetrically.   Councillors participate through their initiatives/discussions in meetings, as   well as their possession of economic and organisational resources. In addition,   although the process of establishing the National Tourism Plans has been the   result of a complex network of public and private actors, the National Tourism   Council is mostly functioning through the active participation of private   actors.  </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Keywords: </b>Social network analysis, involvement,   decentralization, national tourism council, national tourism plan.    </font></p> <hr noshade size="1">     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>1.   Introdu&#231;&#227;o </b>    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No Brasil,   muita coisa mudou com a passagem dos anos 80 aos anos 90. A luta contra o   regime autorit&#225;rio se completou e o pa&#237;s passou a conviver com um regime   democr&#225;tico dotado de normalidade procedimental e estabilidade institucional   (Nogueira, 1998). A elabora&#231;&#227;o da Constitui&#231;&#227;o Federal de 1988 e a publica&#231;&#227;o   do Plano Diretor de Reforma do Aparelho do Estado resultaram na   institucionaliza&#231;&#227;o da participa&#231;&#227;o social na gest&#227;o das pol&#237;ticas p&#250;blicas e   na ado&#231;&#227;o do paradigma da administra&#231;&#227;o gerencial. (Pinho & Sacramento,   2009). Essas mudan&#231;as contribu&#237;ram para a consolida&#231;&#227;o da democracia, mesmo que   imperfeita, e para estimular as tentativas de implementar um Estado gerencial   que garantisse efici&#234;ncia &#224; administra&#231;&#227;o p&#250;blica. Fato que resultou na   implementa&#231;&#227;o gradativa de diversos mecanismos participativos, como por exemplo, os conselhos e f&#243;runs sociais. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No turismo,   n&#227;o foi diferente. Em meio &#224; pol&#237;tica neoliberal vigente, a import&#226;ncia   econ&#244;mica que a atividade adquiria impulsionava uma reorganiza&#231;&#227;o da pol&#237;tica   de turismo e uma redefini&#231;&#227;o do papel do Estado. A descentraliza&#231;&#227;o do poder do   Estado na atividade tur&#237;stica passa a ser concebida como uma estrat&#233;gia para   ampliar os seus n&#237;veis de desempenho. Com essa inten&#231;&#227;o, foi criado o   Minist&#233;rio de Turismo (MTur) e institu&#237;do o Sistema Nacional do Turismo (SNT), estrutura administrativa em g&#234;nese mais democr&#225;tica e participativa. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Esse   processo tem suscitado interpreta&#231;&#245;es de que esse sistema, atrav&#233;s dos f&#243;runs e   conselhos de turismo que o comp&#245;e, tem promovido a descentraliza&#231;&#227;o e a   democratiza&#231;&#227;o na Pol&#237;tica Nacional de Turismo. O presente artigo apresenta uma   interpreta&#231;&#227;o distinta. Apesar de ser ineg&#225;vel os avan&#231;os e as mudan&#231;as na   condu&#231;&#227;o da pol&#237;tica do Estado, n&#227;o &#233; claro em que medida esse modelo tem de   fato contribu&#237;do para a consolida&#231;&#227;o de uma gest&#227;o democr&#225;tica. Para avaliar   essa quest&#227;o, o artigo analisa a participa&#231;&#227;o dos atores privados no processo   de elabora&#231;&#227;o das pol&#237;ticas de turismo, a partir das interven&#231;&#245;es realizadas no   decorrer das reuni&#245;es do Conselho Nacional de Turismo (CNT), no per&#237;odo de 2003   a 2008. Apresenta-se dividido em cinco se&#231;&#245;es, sendo a primeira composta por essas   considera&#231;&#245;es iniciais. A segunda discute brevemente conceitos inerentes a   teoria de redes. Em seguida, apresenta-se os m&#233;todos e dados. Os resultados s&#227;o   apresentados e discutidos. E por fim, apresentam-se as considera&#231;&#245;es conclusivas. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>2. Revis&#227;o de literatura</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Sorensen   (2007) define redes sociais como um conjunto de pessoas ou organiza&#231;&#245;es ligadas   atrav&#233;s de rela&#231;&#245;es sociais de um tipo espec&#237;fico, seja, por exemplo, por   rela&#231;&#245;es de amizade ou de transfer&#234;ncia de fundos, ou ainda de neg&#243;cios ou   reputa&#231;&#227;o, conforme identificadas por Powell e Smith-Doerr (1994). Dentro desse   conceito, a rede social &#233; compreendida como um conjunto de dois elementos   centrais: os atores, que podem ser pessoas, organiza&#231;&#245;es ou grupos; e por suas   rela&#231;&#245;es sociais &#8211; que ligam os atores por meio da intera&#231;&#227;o estabelecida entre eles. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os   la&#231;os s&#227;o os v&#237;nculos relacionais existentes entre os atores que s&#227;o   classificados por Granovetter (1973), segundo sua intensidade, quantidade de   tempo despendido, intensidade emocional, intimidade e servi&#231;os rec&#237;procos   envolvidos na rela&#231;&#227;o. A depender destes aspectos, s&#227;o denominados como fortes   &#8211; aqueles caracterizados por altos n&#237;veis de intimidade e proximidade, como por   exemplo, os estabelecidos entre amigos, fam&#237;lia ou pequenos grupos de atores &#8211;,   ou como la&#231;os fracos, que s&#227;o caracterizados por rela&#231;&#245;es esparsas que envolvem um menor consumo de tempo e de emo&#231;&#245;es, menor intimidade e reciprocidade. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Embora   os la&#231;os fracos manifestem n&#237;veis de proximidade e intimidade inferiores aos   la&#231;os fortes, este mesmo ator, ratifica em seus estudos, a &#8220;for&#231;a dos la&#231;os   fracos&#8221; frente a sua import&#226;ncia para a manuten&#231;&#227;o da rede social, por   possibilitar novos canais de acesso a informa&#231;&#245;es, ideias e recursos. Assim, os   la&#231;os fracos seriam fortalecidos pela diversidade de informa&#231;&#245;es que os atores   podem trazer para a rede, atrav&#233;s dos contatos indiretos estabelecidos por meio   de pontes. Esta constata&#231;&#227;o permitiu, posteriormente, que Burt (1992)   constru&#237;sse a teoria dos buracos estruturais, tidos por Powell e Smith-Doer (2003) como fronteiras naturais no espa&#231;o social. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Burt   (1992) define buraco estrutural como o relacionamento entre dois atores n&#227;o   redundantes. Para este autor, quanto maior o n&#250;mero de contatos n&#227;o redundantes   (contatos desconectados), maiores s&#227;o os n&#250;meros de buracos estruturais por   contato e, consequentemente, maiores as perspectivas de benef&#237;cios promovidos   pela rede &#8211; os de informa&#231;&#227;o e de controle. Este autor   observa que os contatos estabelecidos entre atores que compartilham la&#231;os   fortes apresentam uma maior probabilidade de que as informa&#231;&#245;es compartilhadas   sejam as mesmas. J&#225; os contatos entre os la&#231;os fracos, resultam em novos fluxos de informa&#231;&#245;es diferenciadas que permitem ampliar a oportunidades de mobilidades dos atores e refor&#231;ar a coes&#227;o social. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Al&#233;m   da classifica&#231;&#227;o pelos la&#231;os, as redes s&#227;o analisadas segundo crit&#233;rios de   posicionamento dos atores (centralidade/periferia); e de densidade (redes   densas e esparsas) (Burt, 1992). O posicionamento que um ator ocupa dentro de   uma rede reflete no n&#237;vel de import&#226;ncia deste ator, cujas medidas est&#227;o   atreladas ao conceito de centralidade. A import&#226;ncia do ator &#233; examinada   perante tr&#234;s indicadores principais: o n&#250;mero de v&#237;nculos, a intermedia&#231;&#227;o, e a rapidez (Guarnieri, 2008). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Assim,   baseado no primeiro indicador, o ator central &#233; aquele que possui um maior   n&#250;mero de v&#237;nculos comparado aos demais atores. De modo que tendo o ator um   maior grau de centralidade, ele ser&#225; mais ativo no processo de dissemina&#231;&#227;o de   informa&#231;&#245;es relevantes no desempenho da rede que ele comp&#245;e. Entretanto, o   n&#250;mero de v&#237;nculos n&#227;o &#233; necessariamente determinante, visto que pode resultar   em contatos redundantes. Baldi (2004, p. 47) define os contatos redundantes   como &#8220;aqueles dirigidos &#224;s mesmas pessoas e, portanto, levam &#224;s mesmas   informa&#231;&#245;es e aos mesmos benef&#237;cios.&#8221; </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Diante   dessa limita&#231;&#227;o, apresenta-se o segundo indicador: a intermedia&#231;&#227;o, na qual a   centralidade est&#225; relacionada aos contatos indiretos estabelecidos atrav&#233;s de   pontes. As pontes s&#227;o conex&#245;es estabelecidas entre um ator aparentemente   perif&#233;rico, mas que est&#225; ligado a subgrupos de atores importantes. O terceiro   indicador refere-se &#224; rapidez com que um ator interage com os outros. Trata-se   da centralidade por proximidade, que reduz os custos do processo. Nesta perspectiva,   quanto maior for a proximidade dos atores, maior ser&#225; a probabilidade de coes&#227;o da rede. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Uma   rede formada por grupos coesos &#233; chamada de rede com alta densidade, pois   dissemina informa&#231;&#245;es relevantes e gera estruturas normativas e culturais, as   quais t&#234;m efeito sobre o comportamento (Granovetter, 1985). Nesse ponto, se   insere o conceito de densidade que est&#225; relacionado intrinsecamente &#224; extens&#227;o   e intensidade das conex&#245;es estabelecidas entre os atores da rede &#8211; quanto maior   a interconex&#227;o, maior a densidade (Gnyawali & Madhavan, 2001). A rede &#233;   densa quando os atores imersos est&#227;o conectados de tal forma que geram   informa&#231;&#245;es mais refinadas, dirigidas a uma determinada quest&#227;o. J&#225; a rede   esparsa (ou difusa), seria uma rede de atores desconectados ou com baixo n&#237;vel   de interconex&#227;o, com interesses diversos e que, como consequ&#234;ncia, gerariam   informa&#231;&#245;es generalistas n&#227;o necessariamente &#250;teis (Sorensen, 2007). </font>     <p ><font size="2" face="Verdana">Tanto as redes densas como as redes esparsas, apresentam   vantagens e desvantagens para o desempenho das organiza&#231;&#245;es, a depender do   contexto em que estas organiza&#231;&#245;es se inserem, tal como defendido por Rowley,   Behrens e Krackhardt (2000) ao afirmar que as redes densas s&#227;o mais vantajosas   em ambientes est&#225;veis e redes esparsas s&#227;o mais ben&#233;ficas em ambientes   incertos. Na perspectiva de Sorensen (2007) as redes densas locais possibilitam   que seja desenvolvida uma gest&#227;o conjunta para resolver problemas que afetam o   n&#237;vel de desenvolvimento, visto que s&#227;o sustentadas por crit&#233;rios de confian&#231;a,   aprendizagem e de inova&#231;&#227;o. Entretanto, as redes esparsas tamb&#233;m possuem uma   rela&#231;&#227;o positiva para o desempenho (Powell; Smith-Doer, 1994), pois oferecem   novas informa&#231;&#245;es possibilitadas pelo car&#225;ter n&#227;o redundante dos contatos   defendidos por Burt (1992), principalmente ao considerar a incerteza que envolve o ambiente competitivo (Rowley, Behrens & Krackhardt, 2000). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Ambas as considera&#231;&#245;es denotam a import&#226;ncia da constru&#231;&#227;o de redes   sociais que se refere, de acordo com Hall (1999), ao desenvolvimento de la&#231;os   entre os atores, quer sejam organiza&#231;&#245;es ou indiv&#237;duos, no qual se tornam mais   formalizados para interesse de sustento rec&#237;proco. J&#225; Braun (2004) complementa,   definindo-a como organismos din&#226;micos relacionados com atores de mudan&#231;a   cont&#237;nua e fatores contextuais de inova&#231;&#227;o. Em outras palavras, &#8220;as redes s&#227;o,   constantemente, socialmente constru&#237;das, reproduzidas e alteradas como   resultado das a&#231;&#245;es dos atores.&#8221; (Nohria, 1992, p. 7 <i>apud</i> Baldi, 2004, p. 50). De modo   que, considerando que as rela&#231;&#245;es sociais n&#227;o acontecem no v&#225;cuo, as redes s&#227;o   formadas pela identidade e pela hist&#243;ria tanto em n&#237;vel individual quanto   coletivo. Isso implica em um processo de constru&#231;&#227;o permanente, no qual os   &#8220;padr&#245;es de la&#231;os estabelecidos em uma rede prov&#234;m oportunidades e limita&#231;&#245;es   porque influem no acesso das pessoas e institui&#231;&#245;es a recursos como informa&#231;&#245;es, riqueza e poder.&#8221; (Wellman, 1983, p. 156). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Diante   disso, torna-se relevante n&#227;o apenas identificar as estruturas das rela&#231;&#245;es   entre atores, mas tamb&#233;m analisar as propriedades destes atores e as posi&#231;&#245;es   por eles ocupadas. &#201; preciso compreender como os la&#231;os s&#227;o criados, como e   porque s&#227;o mantidos, que recursos fluem, e em que circunst&#226;ncias se utiliza um determinado tipo de la&#231;o (Powell; Smith-Doerr, 1994). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Para   tanto, aplica-se a An&#225;lise de Redes Sociais. Essa ferramenta &#8220;permite   identificar detalhadamente os padr&#245;es de relacionamento entre atores em uma   determinada situa&#231;&#227;o social, assim como as suas mudan&#231;as no tempo&#8221;,   apresentando &#8220;[...] grande potencialidade para o   estudo da rela&#231;&#227;o entre p&#250;blico e privado na formula&#231;&#227;o e gest&#227;o de a&#231;&#245;es do   Estado&#8221; (Marques, 1999, p. 46).  O   conhecimento sobre a estrutura e os processos da gest&#227;o p&#250;blica, na perspectiva   relacional, pode ser convertido em opni&#245;es &#250;teis para o planejamento e   desenvolvimento de destinos tur&#237;sticos (Maz&#243;n, 2012). Ademais contribui para   que os atores atuem no processo decis&#243;rio da rede de modo participativo,   auto-organizado, enraizado nas necessidades e voca&#231;&#245;es locais, respeitando a cultura e as realidades nas quais est&#227;o imersos. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana"><b>3. M&#233;todos e dados</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">a pesquisa   realizada se classifica como te&#243;rico-emp&#237;rica e adota o m&#233;todo de abordagem   indutivo. Diante dos seus fins se caracteriza como sendo   descritivo-explorat&#243;rio. Como estrat&#233;gia de pesquisa, foi utilizado o estudo de   caso. O estudo adotou um corte seccional com perspectiva longitudinal,   resgatando dados e informa&#231;&#245;es sobre os relacionamentos entre atores que faziam   parte da rede pol&#237;tica do turismo brasileiro institu&#237;dos durante o per&#237;odo compreendido entre 2003 a 2008. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Trata-se,   portanto, de uma an&#225;lise de redes espec&#237;ficas cujo foco delimitou-se sobre os   participantes do processo de decis&#227;o da Rede Pol&#237;tica do Turismo Brasileiro e   sobre suas rela&#231;&#245;es. Foram considerados apenas os atores da Rede Pol&#237;tica do   Turismo que se encontram listados nos do PNT 2003/2007 e do PNT 2007/2010   (principais instrumentos da a&#231;&#227;o p&#250;blica relativa ao turismo no Brasil e que   refletem a Pol&#237;tica Nacional do Turismo) como aqueles que contribu&#237;ram em seu   processo de elabora&#231;&#227;o. Estes atores, por sua vez, comp&#245;em o Conselho Nacional de Turismo, de modo que este &#243;rg&#227;o passou a ser objeto de investiga&#231;&#227;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O CNT &#233; um   &#243;rg&#227;o colegiado superior de assessoramento que comp&#245;e a estrutura b&#225;sica e o   N&#250;cleo Estrat&#233;gico do MTur que tem como des&#237;gnio implementar um modelo de   gest&#227;o p&#250;blica descentralizada e participativa. Congrega os representantes nacionais da maioria das entidades   p&#250;blicas e privadas que se encontram vinculadas &#224; atividade tur&#237;stica no   Brasil, e que comp&#245;em a sua rede pol&#237;tica. Sua composi&#231;&#227;o desde a instala&#231;&#227;o em   2003 at&#233; 2008 totalizou um conjunto de 78 atores p&#250;blicos e privados, sendo que   destes 30 participaram na formula&#231;&#227;o dos dois planos nacionais, 13 participaram   apenas na formula&#231;&#227;o do primeiro plano, e 35 participaram apenas do segundo plano. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Diante   dessa quantidade de atores do CNT, e   considerando a necessidade de captar um padr&#227;o global e caracter&#237;sticas   est&#225;veis do per&#237;odo de elabora&#231;&#227;o dos dois planos, optou-se pelo uso de uma   amostra intencional, na qual se investigou apenas os atores que mantiveram sua   participa&#231;&#227;o em ambos os planos. Dessa forma, a amostra populacional investigada foi formada por 30 atores. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Para   operacionalizar a pesquisa foi organizado um banco de dados com as 22 atas das reuni&#245;es do CNT realizadas ordinariamente a cada trimestre no per&#237;odo   compreendido entre 2003 e 2008, disponibilizadas no site do Minist&#233;rio do Turismo. Tais atas foram utilizadas como um   referencial discursivo fundamental para alcan&#231;ar os objetivos da pesquisa, e se   consolidaram como um instrumento singular que retrata as intera&#231;&#245;es sociais   ocorridas antes e durante o processo de elabora&#231;&#227;o dos PNTs. Por serem   documentos de dom&#237;nio p&#250;blico possuem uma dimens&#227;o interna e externa, atrelada &#224; l&#243;gica discursiva que marca a inst&#226;ncia institucional. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Para analis&#225;-las, adotou-se o m&#233;todo de   an&#225;lise de conte&#250;do seguindo as fases delineadas por Bardin   (1977). Assim, inicialmente foram selecionadas as unidades de registro a serem   utilizadas: <b>a) personagens:</b> no caso   os atores p&#250;blicos e privados que comp&#245;e o Conselho Nacional de Turismo e que   fizeram parte da elabora&#231;&#227;o dos dois   planos nacionais;<b> b)     acontecimento:</b> todas as reuni&#245;es do CNT realizadas no per&#237;odo entre 2003 e   2008; <b>c) documentos:</b> 22 atas das referidas reuni&#245;es do CNT. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Selecionadas as unidades de registro, foram   aplicadas regras de enumera&#231;&#227;o propostas pelo mesmo autor, tais como: a)   Frequ&#234;ncia simples (frequ&#234;ncia da presen&#231;a ou aus&#234;ncia dos atores); b) N&#250;meros   de interven&#231;&#245;es realizadas por cada ator em cada reuni&#227;o; c) M&#233;dia Aritm&#233;tica   de interven&#231;&#245;es (n&#250;meros de interven&#231;&#245;es realizadas pelos atores durante todas   as reuni&#245;es pelo n&#250;mero de reuni&#245;es realizadas); d) Dire&#231;&#227;o (se a participa&#231;&#227;o era direcionada &#224; formula&#231;&#227;o do PNT). </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana"><b><a href="/img/revistas/tms/v10nespecial/10a25t1.jpg">Tabela 1</a></b>    </font></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">Com base nesta &#250;ltima regra, foram selecionados trechos das interven&#231;&#245;es   realizadas por cada ator, os quais eram inseridos em planilhas eletr&#244;nicas   individualizadas (por cada reuni&#227;o) e coletivas (todas as reuni&#245;es).   Posteriormente, estes trechos foram agrupados por tem&#225;ticas (em outra planilha   unificada), e estes temas comparados com os macroprogramas do PNT. Dessa forma,   foi poss&#237;vel verificar em que medida os problemas percebidos pelos conselheiros   influenciaram no processo de elabora&#231;&#227;o da pol&#237;tica. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Finalmente   &#224; luz das m&#250;ltiplas fontes de evid&#234;ncias qualitativas que foram aplicadas neste   estudo e de suas bases anal&#237;ticas e emp&#237;ricas, buscou-se dar um sentido mais   amplo aos dados analisados, procedendo a interpreta&#231;&#227;o dos mesmos e fazendo uma   ponte entre eles e o conhecimento existente. Simultaneamente a todas estas fases   de coleta, an&#225;lise de dados e de fontes de evid&#234;ncias, foi utilizada a Teoria   de Redes Sociais e o m&#233;todo de An&#225;lise de Rede Social que permitiu compreender a estrutura e o funcionamento da Rede Pol&#237;tica do Turismo Brasileiro. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>4. Resultados principais</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>4.1. Descentralia&#231;&#227;o e   participa&#231;&#227;o no conselho nacional de turismo</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Analisando-se   individualmente o n&#250;mero de interven&#231;&#245;es realizadas por ator, durante as   reuni&#245;es do Conselho Nacional do Turismo constata-se que h&#225; uma maior   participa&#231;&#227;o dos atores privados (427 interven&#231;&#245;es) do que dos p&#250;blicos (118   interven&#231;&#245;es), com exce&#231;&#227;o para as indica&#231;&#245;es da presid&#234;ncia da Rep&#250;blica que   ocupa o primeiro lugar do <i>ranking</i> com   uma m&#233;dia de 2,36 interven&#231;&#245;es por reuni&#227;o realizada. Entretanto, quando   avaliadas em blocos, verifica-se que os n&#237;veis de participa&#231;&#245;es entre todos os   atores p&#250;blicos (m&#233;dia de 16,85 por ator) e privados (m&#233;dia de 17,79 por ator) n&#227;o s&#227;o destoantes, n&#227;o existindo uma diferen&#231;a significativa entre eles. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Cabe   notar que embora os conselheiros indicados pela presid&#234;ncia possuam poder   pol&#237;tico e capacidade de influir em pol&#237;ticas p&#250;blicas pela compet&#234;ncia   executiva, t&#233;cnica e intelectual, eles n&#227;o exercem fun&#231;&#245;es p&#250;blicas, nem   mobilizam recursos p&#250;blicos associados a essas fun&#231;&#245;es.  Por isso, n&#227;o s&#227;o considerados como   atores em ess&#234;ncia p&#250;blicos. Diante disso, se subtra&#237;das &#224;s interven&#231;&#245;es das   indica&#231;&#245;es da presid&#234;ncia do grupo formado pelos atores p&#250;blicos tem-se apenas   66 interven&#231;&#245;es, atingindo a uma m&#233;dia de 11 interven&#231;&#245;es por ator e uma m&#233;dia de   0,5 interven&#231;&#245;es de cada ator por reuni&#227;o. Nesse caso apresenta-se com um   percentual de 37,5% abaixo da m&#233;dia privada, indicando que o CNT &#233; eminentemente um Conselho formado por maioria ativa de atores privados. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Sem   embargo, a simples presen&#231;a e a atua&#231;&#227;o de atores p&#250;blicos e privados nas   pol&#237;ticas p&#250;blicas de turismo denotam que se tem buscado superar o dualismo   contradit&#243;rio entre o Estado e o Mercado, por meio da consolida&#231;&#227;o de espa&#231;os   (f&#243;runs e conselhos) nos quais possam se complementar, e assim avan&#231;ar na   efici&#234;ncia da a&#231;&#227;o p&#250;blica nas economias de mercado. Isso porque a sinergia   entre o Estado e um sistema de mercado predominantemente privado, resulta &#8220;num   elevado n&#237;vel de produtividade da economia e numa acentuada din&#226;mica de   crescimento econ&#244;mico&#8221;. (Est&#234;v&#227;o, 1999, p. 5). Contudo, a sinergia pressup&#245;e   tamb&#233;m uma rela&#231;&#227;o equilibrada e mais equitativa poss&#237;vel, sem a preemin&#234;ncia de nenhuma das partes. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Por   isso, o resultado apresentado na <a href="/img/revistas/tms/v10nespecial/10a25t1.jpg">Tabela 1</a> &#233; inquietante. Se por um lado, a   presen&#231;a de atores privados nos processos decis&#243;rios das pol&#237;ticas mostra a   preocupa&#231;&#227;o com a efici&#234;ncia, efic&#225;cia e efetividade da a&#231;&#227;o estatal, por outro   lado a aus&#234;ncia de atores que representem os interesses da popula&#231;&#227;o local e o   posicionamento perif&#233;rico das classes profissionais na rede revela que essa   sinergia n&#227;o est&#225; alinhada a contento com as orienta&#231;&#245;es pr&#243;-democratiza&#231;&#227;o.   Isto porque a descentraliza&#231;&#227;o do poder estatal tem se convertido na   centraliza&#231;&#227;o do poder do mercado, fazendo com que as a&#231;&#245;es governamentais estejam direcionadas para atender os interesses do capital. </font></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Adentrando   nessa an&#225;lise, percebe-se que dentre o grupo de atores privados, as   organiza&#231;&#245;es da classe empresarial como: FNHRBS, ABAV,   FBC&VB, ABIH, Braztoa, possuem altas m&#233;dias de interven&#231;&#245;es - o que pode revelar que a iniciativa privada possui   interesses diretos com o crescimento da atividade, uma vez que este reflete no   desempenho dos empreendimentos que representam, e vice-versa. As   interven&#231;&#245;es realizadas pela classe empresarial corroboram com a perspectiva de   que a atividade tur&#237;stica &#233; por ess&#234;ncia de responsabilidade da iniciativa   privada, cabendo ao Estado continuar a ser, tal como defendido por Peterson   (2003), respons&#225;vel pela gest&#227;o em uma &#250;ltima inst&#226;ncia. Al&#233;m disso, assim como   j&#225; alertado por Santos (2002), o Estado n&#227;o se configura como o &#250;nico ator   ativo neste processo, na medida em que as decis&#245;es de incluir ou excluir um   problema na agenda governamental do turismo n&#227;o parte apenas do Estado, mas sim, da negocia&#231;&#227;o entre os atores p&#250;blicos e n&#227;o p&#250;blicos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Esse resultado explica em termos, o motivo pelo   qual o turismo ainda &#233; visto por muitos como uma atividade meramente econ&#244;mica.   Bem como tamb&#233;m esclarece o fato de as propostas apresentadas pelos dois   &#250;ltimos planos nacionais possu&#237;rem um vi&#233;s fortemente economicista. Esta   assertiva &#233; respaldada ainda pela mediana participa&#231;&#227;o das associa&#231;&#245;es de   classe profissionais, tais como Contratuh, Abbtur, Fenagtur, que representam, em suma,   os bachar&#233;is, profissionais e trabalhadores do turismo. Ora, se os planos   nacionais possuem um vi&#233;s economicista, e se estes profissionais est&#227;o   participando de forma mediana, mas positivamente em rela&#231;&#227;o a outros atores,   ent&#227;o por que seus interesses n&#227;o est&#227;o representados nos planos&#8204; Ser&#225; apenas   porque intervieram em menor quantidade de vezes do que os atores privados&#8204; Ou   ser&#225; ainda, e em maior propor&#231;&#227;o, porque as suas rela&#231;&#245;es de poder s&#227;o   diferenciadas&#8204; </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Decerto,   a exist&#234;ncia de diferen&#231;as de poderes, interesses, ideologias e n&#237;veis de   intera&#231;&#227;o, tal como argumentado por Souza (2006), s&#227;o mais decisivas no   processo de elabora&#231;&#227;o das pol&#237;ticas p&#250;blicas do que a presen&#231;a ou aus&#234;ncia de   determinados atores. Visto que alguns ocupam posicionamentos mais centrais do   que os outros dentro da rede, quer seja pela densidade de suas rela&#231;&#245;es   internas ou externas a sua composi&#231;&#227;o. Bem como pelos recursos que trazem ou   poder&#227;o trazer para a rede, e assim sendo atender as expectativas de   crescimento almejada, expressas nas metas tra&#231;adas pelos Planos Nacionais de Turismo investigados. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Visto   isso, verifica-se que as associa&#231;&#245;es de classe empresarial (representando o   mercado) possuem uma maior centralidade na rede do que as associa&#231;&#245;es de classe   profissional, n&#227;o apenas por terem realizado um maior n&#250;mero de interven&#231;&#245;es   durante as reuni&#245;es no Conselho, mas sim e, sobretudo, por apresentarem maiores   perspectivas de contribuir, numa vis&#227;o restrita e imediatista, para crescimento   econ&#244;mico da atividade tur&#237;stica. A centralidade das associa&#231;&#245;es de classe   empresarial da rede pol&#237;tica do turismo pode ser justificada baseando-se em   dois crit&#233;rios principais elencados por Wasserman e Faust (2007): pelo   reconhecimento da import&#226;ncia do ator para a realiza&#231;&#227;o de uma determinada   a&#231;&#227;o, e pelo seu poder de influ&#234;ncia. Ambos os crit&#233;rios est&#227;o vinculados ao   poder econ&#244;mico que essas entidades possuem. Dessa forma, suas reivindica&#231;&#245;es   s&#227;o aceitas pelo poder p&#250;blico (leia-se Minist&#233;rio do Turismo) em maiores   propor&#231;&#245;es e, uma vez aceitas, s&#227;o conduzidas &#224;s inst&#226;ncias deliberativas superiores,   com a finalidade de encontrar solu&#231;&#245;es imediatas por meio de negocia&#231;&#245;es e   articula&#231;&#245;es com outras esferas governamentais. Se o Estado n&#227;o disp&#245;e de   recursos econ&#244;micos para fomentar a atividade tur&#237;stica, ent&#227;o as a&#231;&#245;es do   Minist&#233;rio do Turismo raramente v&#227;o contra o interesse do capital (a classe empresarial). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Outro   fator tamb&#233;m elencado por Wasserman e Faust (2007), diz respeito &#224; facilidade   de contato com os outros atores da Rede. Considerando que a maioria dos atores   que comp&#245;e o CNT s&#227;o representantes do <i>trade</i> tur&#237;stico, ent&#227;o maiores ser&#227;o as facilidades de contatos entre atores que   possuem v&#237;nculos entre si, e que compartilham interesses comuns. Os v&#237;nculos   existentes entre estes atores s&#227;o resultado de la&#231;os imersos (Borgatti &   Foster, 2003) desenvolvidos ao longo do tempo, em prol de angariar benef&#237;cios   m&#250;tuos, conforme pode ser observado atrav&#233;s da identifica&#231;&#227;o de parcerias e   acordos de coopera&#231;&#227;o, os quais tendem a ser pautados por crit&#233;rios de   confian&#231;a, pois dificilmente um representante da classe empresarial ir&#225; contra os interesses do grupo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Contudo,   ainda que os recursos econ&#244;micos sejam decisivos para influenciar o poder de   influ&#234;ncia dos atores privados dentro do CNT e fora dele, n&#227;o s&#227;o   determinantes, uma vez que o poder se estabelece no seio das rela&#231;&#245;es sociais,   revelando caracter&#237;sticas relacionais e intencionais. O poder organizacional &#8211;   que engloba o conhecimento espec&#237;fico da atividade tur&#237;stica, a capacidade   t&#233;cnica de executar projetos, a capacidade de lideran&#231;a e de articula&#231;&#227;o   pol&#237;tica, a personalidade dos atores, dentre outros aspectos &#8211; tamb&#233;m se apresenta como um elemento decisivo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Dessa   forma, verificou-se que a participa&#231;&#227;o dos conselheiros do CNT na forma&#231;&#227;o da   agenda de atua&#231;&#227;o dos poderes p&#250;blicos e na forma&#231;&#227;o da pol&#237;tica nacional de   turismo (formula&#231;&#227;o do PNT e defini&#231;&#227;o de seus objetivos) se d&#225;   simultaneamente, mas n&#227;o simetricamente, pela atua&#231;&#227;o/ interven&#231;&#227;o destes nas   reuni&#245;es e pela posse de recursos econ&#244;micos e organizacionais. Foi percebida   uma rela&#231;&#227;o regular entre a posse de determinados recursos e a capacidade de   influenciar o processo decis&#243;rio (Fuks & Perissinotto, 2006), levando a   confirmar que as associa&#231;&#245;es de classe empresarial, detentoras recursos   organizacionais e econ&#244;micos em maior propor&#231;&#227;o do que as associa&#231;&#245;es de classe   profissional possuem um maior poder de influ&#234;ncia na rede. A posse de recursos   est&#225; direta e proporcionalmente associada ao poder econ&#244;mico e organizacional,   que por sua vez reflete na capacidade que cada ator possui, enquanto entidade,   em contribuir para o cumprimento das metas expressas nos PNTs. Quanto maior for   o poder econ&#244;mico e organizacional maior ser&#225; o poder de influ&#234;ncia destes   atores: quer seja no processo de tomada de decis&#227;o, quer seja na forma&#231;&#227;o da   agenda governamental. Bem como mais centralizado este ator estar&#225; posicionado na Rede. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A   predomin&#226;ncia da participa&#231;&#227;o da iniciativa privada, &#226;mbito nacional, &#233;   entendida ainda como resultado da concep&#231;&#227;o do turismo como atividade   econ&#244;mica. A supremacia do poder de influ&#234;ncia das entidades empresariais   estimula o crescimento econ&#244;mico da atividade tur&#237;stica e contribui para que as   metas tra&#231;adas pelo PNT sejam cumpridas, principalmente porque seus   investimentos (oriundos do cr&#233;dito ofertado pelos organismos financeiros   p&#250;blicos) resultam em melhores condi&#231;&#245;es competitivas do produto tur&#237;stico   nacional, no aumento do fluxo tur&#237;stico e na gera&#231;&#227;o de divisas. Isso permite a   legitima&#231;&#227;o de seu poder, na medida em que passa a ser aceito pela maioria dos   atores envolvidos, notoriamente pelo poder p&#250;blico. Entretanto, mesmo que o   setor privado detenha um maior poder de influ&#234;ncia na operacionaliza&#231;&#227;o da   atividade tur&#237;stica, a parte da gest&#227;o depende muito do poder p&#250;blico,   especificamente para a realiza&#231;&#227;o de investimentos p&#250;blicos de infraestrutura   de acessibilidade e de saneamento, garantindo as condi&#231;&#245;es para o desenvolvimento da atividade, ainda que ela seja realizada pelo setor privado. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&#201;   poss&#237;vel concluir que, a depender dos atores envolvidos, os recursos econ&#244;micos   s&#227;o mais ou menos determinantes do que os recursos organizacionais, pois quando   se trata das rela&#231;&#245;es de poder entre os atores p&#250;blicos e privados, percebe-se   que os atores p&#250;blicos, embora em menor n&#250;mero e com menos recursos econ&#244;micos   (diretos) impactantes para o crescimento da atividade tur&#237;stica, apresentam   significativo poder de influ&#234;ncia pol&#237;tica em fun&#231;&#227;o do poder organizacional   que det&#233;m - quer seja no que se   refere &#224;s compet&#234;ncias t&#233;cnicas da equipe ministerial, quer seja pela   habilidade de articula&#231;&#227;o pol&#237;tica do MTur e demais atores p&#250;blicos. Do mesmo   modo, outras entidades que n&#227;o possuem recursos econ&#244;micos tiveram, ou n&#227;o,   poder de influ&#234;ncia na rede a depender da participa&#231;&#227;o ativa no Conselho, mas,   sobretudo, da capacidade de articula&#231;&#227;o e intermedia&#231;&#227;o, mesmo que essa   capacidade, em alguns casos, tamb&#233;m possa ser resultado do poder econ&#244;mico e organizacional. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A   Federa&#231;&#227;o Brasileira de <i>Convention &   Visitors Bureaux,</i> por exemplo. O poder de influ&#234;ncia desse ator no processo   de elabora&#231;&#227;o das pol&#237;ticas p&#250;blicas de turismo resulta tanto da participa&#231;&#227;o   no Conselho (4&#186; ator com maior n&#237;vel de interven&#231;&#227;o nas reuni&#245;es), quanto do   poder econ&#244;mico e do poder organizacional que possuem. Trata-se de uma entidade   que se destaca pela transversalidade de suas a&#231;&#245;es, bem como pelo papel de   intermedia&#231;&#227;o da rede, articulando as demandas das entidades privadas com as   representa&#231;&#245;es governamentais e as representa&#231;&#245;es dos trabalhadores. A   ABEOC tamb&#233;m se encontra em situa&#231;&#227;o similar, por&#233;m a capacidade de articula&#231;&#227;o   e a reciprocidade se revelam como sendo mais decisivos do que os n&#237;veis de participa&#231;&#227;o no Conselho, dado que ocupa o 19&#186; lugar no <i>ranking</i> com uma m&#233;dia de interven&#231;&#245;es de 0,40. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">De forma corol&#225;ria, a efetividade da participa&#231;&#227;o dos membros do   CNT nas pol&#237;ticas p&#250;blicas de turismo, n&#227;o pode ser avaliada apenas pelo n&#250;mero   de interven&#231;&#245;es realizadas durante as suas reuni&#245;es, mas, sobretudo, pelos seus   direcionamentos, inferindo em   que medida os temas abordados pelos conselheiros nas reuni&#245;es est&#227;o incluidos   nos macroprogramas propostos pelos PNTs. Seguindo essa linha de an&#225;lise,   identificou-se que as tem&#225;ticas das interven&#231;&#245;es   realizadas pela rede refletiram-se no processo de elabora&#231;&#227;o de programas e   a&#231;&#245;es estrat&#233;gicas, e passaram a compor o PNT 2007/2010. Analisando os macroprogramas do PNT 2003-2007 e do PNT   2007-2010, observou-se modifica&#231;&#245;es not&#225;veis, tais como o acr&#233;scimo de novos   objetivos espec&#237;ficos e de novos programas no PNT 2007-2010 decorrentes das demandas levantadas no CNT durante o per&#237;odo investigado. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os   atores do CNT foram respons&#225;veis por prognosticar e apontar os principais   desafios relativos ao desenvolvimento da atividade tur&#237;stica, os quais   nortearam e orientaram a elabora&#231;&#227;o das propostas contidas em seus   macroprogramas e programas. No entanto, cabe ressaltar que tais apontamentos   mostraram-se setorizados e imbricados na l&#243;gica do autointeresse. Essa   constata&#231;&#227;o, n&#227;o se revela como um fator no todo negativo, visto que os   interesses desses remeteram-se, em sua maioria, aos interesses do turismo em geral. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A   grande maioria dos problemas percebidos e discutidos pelos atores p&#250;blicos e privados durante as   reuni&#245;es foram efetivados em pol&#237;tica, por meio da inclus&#227;o nos macroprogramas e nos programas   contidos no PNT. Como exemplos da interven&#231;&#227;o dos conselheiros que se   refletiram no PNT 2007/2010 cita-se as demandas referentes a: melhoria dos   sistemas de transportes, que resultou na cria&#231;&#227;o do Macroprograma Log&#237;stica de   Transportes; a necessidade de criar um Sistema de Informa&#231;&#245;es Tur&#237;sticas que   foi incorporado no Macroprograma de Informa&#231;&#245;es e Estudos Tur&#237;sticos; &#224;   regulamenta&#231;&#227;o e normatiza&#231;&#227;o da atividade que foi incorporada no Macroprograma   de Qualifica&#231;&#227;o dos Equipamentos e Servi&#231;os e resultou tamb&#233;m na aprova&#231;&#227;o da   Lei Geral do Turismo; a import&#226;ncia de se investir mais na comercializa&#231;&#227;o e na   promo&#231;&#227;o do turismo interno que foram consideradas no Macroprograma de Promo&#231;&#227;o e Apoio a Comercializa&#231;&#227;o, dentre outras. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Por&#233;m, no que se refere ao   conte&#250;do das interven&#231;&#245;es, existe uma supremacia e diversidade de problemas   abordados pelos atores privados. A supremacia privada se justifica pelo fato de   estes atores se encontrarem mais pr&#243;ximos da atividade tur&#237;stica do que os   atores p&#250;blicos, em termos de operacionaliza&#231;&#227;o. Ao vivenciarem a realidade   inerente ao setor que representam, utilizam-se das reuni&#245;es para relatar   diagn&#243;sticos de sucesso ou de fracasso, na busca de uma interven&#231;&#227;o p&#250;blica que   garanta melhores n&#237;veis de desempenho. Tamb&#233;m &#233; reflexo das m&#233;dias de   interven&#231;&#245;es realizadas pelos mesmos, as quais tamb&#233;m foram superiores &#224; m&#233;dia p&#250;blica. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>5. Conclus&#245;es</b> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A Pol&#237;tica   Nacional do Turismo com a ado&#231;&#227;o do modelo de gest&#227;o descentralizada e   participativa atingiu resultados consider&#225;veis e que n&#227;o podem ser rejeitados,   principalmente no que se refere &#224; cria&#231;&#227;o de f&#243;runs e conselhos nacionais,   estaduais e municipais de turismo. No entanto, a estrutura e o funcionamento   dessas inst&#226;ncias baseiam-se num sistema hier&#225;rquico que resulta na   centraliza&#231;&#227;o de poder privado. Ao mesmo tempo em que o modelo de   descentraliza&#231;&#227;o significou a abertura para uma gest&#227;o mais participativa,   significou tamb&#233;m a redu&#231;&#227;o do poder do Estado em favor do poder do mercado. O   mercado tem se consolidado como um dos atores centrais e de maior poder de influ&#234;ncia na elabora&#231;&#227;o dos Planos Nacionais de Turismo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em &#226;mbito   nacional, a participa&#231;&#227;o dos conselheiros na forma&#231;&#227;o da agenda governamental e   na formula&#231;&#227;o da pol&#237;tica nacional de turismo se d&#225; simultaneamente, mas n&#227;o   simetricamente, pela atua&#231;&#227;o/interven&#231;&#227;o destes nas reuni&#245;es e pela posse de   recursos econ&#244;micos e organizacionais; e que embora o processo de elabora&#231;&#227;o   dos Planos Nacionais de Turismo tenham sido resultado de uma complexa rede de   atores p&#250;blicos e privados, o Conselho Nacional do Turismo se caracteriza eminentemente como um conselho formado por maioria ativa de atores privados. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A   supremacia do poder de influ&#234;ncia das entidades empresariais estimula o   crescimento econ&#244;mico da atividade tur&#237;stica e contribui para que as metas   tra&#231;adas pelo PNT sejam cumpridas, principalmente porque seus investimentos   resultam em melhores condi&#231;&#245;es competitivas do produto tur&#237;stico nacional, no   aumento do fluxo tur&#237;stico e na gera&#231;&#227;o de divisas. Todavia, resulta tamb&#233;m na   exclus&#227;o de tem&#225;ticas de interesse coletivo na forma&#231;&#227;o da agenda   governamental, na marginaliza&#231;&#227;o das entidades profissionais (associa&#231;&#245;es e   sindicatos), na exclus&#227;o social, bem como em todos os efeitos subsequentes que descaracterizam uma gest&#227;o participativa e democr&#225;tica. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana"><b>Refer&#234;ncias</b> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Baldi, M. (2004). <i>A imers&#227;o social da a&#231;&#227;o econ&#244;mica dos atores do setor   coureiro-cal&#231;adista do Vale dos Sinos</i>: uma an&#225;lise a partir dos mecanismos   estrutural, cultural, cognitivo e pol&#237;tico. 2004. 305f. Tese (Doutorado em Administra&#231;&#227;o) &#8211; Escola de Administra&#231;&#227;o, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000084&pid=S2182-8458201400030002500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Bardin, L. (1977). <i>An&#225;lise de conte&#250;do</i>. Lisboa: Edi&#231;&#245;es 70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000086&pid=S2182-8458201400030002500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Borgatti, S. &   Foster, P. (2003). The network   paradigm in organizational research: a review and typology. <i>Journal of Management</i>, <i>29</i>(6), 991-1013.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000088&pid=S2182-8458201400030002500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Burt, R.S. (1992). The social stucture of competition.   In: N. Nohria, & R. G. 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Recursos, decis&#227;o e poder: Conselhos Gestores de pol&#237;ticas p&#250;blicas de   Curitiba. <i>Revista Brasileira de Ci&#234;ncias     Sociais</i>, <i>21</i>(60), 67-81.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000094&pid=S2182-8458201400030002500007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Gnyawali, D. & Madhavan, R. (2001).   Cooperative networks and competitive dynamics: a structural embeddedness   perspective. <i>Academy of Management Review</i>, <i>26</i>(3), 431-445.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000096&pid=S2182-8458201400030002500008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Granovetter, M. (1985).   Economic action and social structure: the problem of embeddedness. <i>American Journal of Sociology</i>, Vol. <i>91</i>, 491-501.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000098&pid=S2182-8458201400030002500009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Granovetter, M.   (1973). The Strength of Weak Ties. <i>The     American Journal of Sociology</i>, <i>78</i>(6),   1360-1380.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000100&pid=S2182-8458201400030002500010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Guarnieri, F.   (2008). <i>A an&#225;lise das redes     sociais na pr&#225;tica. </i>Retrieved   February 21, 2012, from <a href="http://www.intranetportal.com.br/colab1" target="_blank">www.intranetportal.com.br/colab1</a> </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000102&pid=S2182-8458201400030002500011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Hall, C. (1999). Rethinking collaboration and partnership: a public policy perspective. <i>Journal of sustainable tourism</i>, <i>7</i>(3-4), 274&#8211;89.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000103&pid=S2182-8458201400030002500012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Marques, E. (1999). 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Accountability: j&#225; podemos traduzi-la para o portugu&#234;s&#8204;. <i>Revista de Administra&#231;&#227;o P&#250;blica</i>, <i>43</i>(6),   1343-1368.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000112&pid=S2182-8458201400030002500017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Powell, W. &   Smith-Doerr, L. (1994). Networks and economic life. In: N. Smelser & R.   Swedberg, <i>The Handbook of Economic     Sociology</i>. Princeton, N. J.: Princeton University Press. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Powell, W. &   Smith-Doerr, L. (2003). Networks and economic life. In: N. Smelser & R.   Swedberg, <i>The Handbook of Economic     Sociology</i>. (2nd ed.). Princeton, N. 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