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<journal-title><![CDATA[e-Pública: Revista Eletrónica de Direito Público]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Eficiência energética em Portugal: uma panorâmica geral]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article aims to give a panoramic view of the politics for energy efficiency - somewhere in between Energy and Environmental policies - in the European Union and particularly, in Portugal, in the context of the framework provided by the National Plan for Energy Efficiency 2013-2106.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p  align="right"><b><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">DIREITO PÚBLICO GERAL</font></b></p> <!--TITULO-->     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b> Efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica em Portugal: uma panor&acirc;mica geral<sup><a href="#_ftn1" name="_ftnref1" title="">1</a></sup> </b></font> </p> <!--TITULO TRADUZIDO-->     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b> Energy efficiency in Portugal: an overview </b></font> </p>     <p>&nbsp;</p> <!--RESPONSABILIDADE-->     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b> Carla Amado Gomes<sup>I</sup><sup><a href="#_ftn2" name="_ftnref2" title="">2</a></sup> </b></font> </p>     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> <sup>I</sup> Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Alameda da Universidade - Cidade Universitária, 1649-014 Lisboa - Portugal. <a href="mailto:CARLAMADOGOMES@FD.ULISBOA.PT">CARLAMADOGOMES@FD.ULISBOA.PT</a> </font> </p>     <p>&nbsp;</p> <!--RESUMO IDENTIFICADOR--> <!--ABSTRACT-->     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESUMO</b></font> </p> <!--RESUMO-->     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Este artigo pretende dar uma visão geral da política de eficiência energética &#8212; uma realidade encravada entre as políticas energética e do ambiente &#8212; na União Europeia e muito particularmente em Portugal, no contexto do Plano de Acção para a Eficiência Energética 2013-2016. </font></p> <!--PALAVRAS-CHAVE-->     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Palavras-chave:</b> Eficiência energética * ambiente</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ABSTRACT</b></font> </p>     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> This article aims to give a panoramic view of the politics for energy efficiency &#8212; somewhere in between Energy and Environmental policies &#8212; in the European Union and particularly, in Portugal, in the context of the framework provided by the National Plan for Energy Efficiency 2013-2106. </font></p> <!--PALAVRAS-CHAVE tradução-->     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Keywords:</b> Energy efficiency * environment </font> </p>     <p>&nbsp;</p> <!--TÓPICO-->     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" style="text-transform:uppercase" size="3"><b>0. </b></font> </p> <!--CORPO DE TEXTO--> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">     <p>Considera&ccedil;&otilde;es introdut&oacute;rias: a efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica entre o Ambiente e a Energia; <b>1. </b>A efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica em Portugal: o PNAEE de 2008 e a sua revis&atilde;o em 2013; <b>2.</b> A estrat&eacute;gia de realiza&ccedil;&atilde;o dos objectivos de aumento de efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica:<b> 2.1. </b>Transportes; <b>2.2.</b> Residencial e Servi&ccedil;os; <b>2.3.</b> Ind&uacute;stria; <b>2.4.</b> Estado; <b>2.5.</b> Comportamentos; <b>2.6.</b> Agricultura; <b>3.</b> A efici&ecirc;ncia da estrat&eacute;gia de efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica em Portugal; <b>4.</b> <i>Back to basics?</i> O dilema ambiental da efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica</p> </font> <!--TÓPICO-->     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" style="text-transform:uppercase" size="3"><b>0. </b></font> </p> <!--CORPO DE TEXTO--> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">     <p>Considera&ccedil;&otilde;es introdut&oacute;rias: a efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica entre o Ambiente e a Energia</p>     <p>Escrever sobre efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica n&atilde;o &eacute; tarefa f&aacute;cil para um jurista. Por um lado, o tema reveste complexidade t&eacute;cnica apreci&aacute;vel, devido &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o de termos e siglas estranhos ao l&eacute;xico comum, al&eacute;m de f&oacute;rmulas de c&aacute;lculo<sup><a title="" href="http://nektarbrand.com/maquetes/e-publica/v3n3a014.html#_ftn3" name="_ftnref3">3</a></sup>; por outro lado, as t&eacute;cnicas de medi&ccedil;&atilde;o da efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica variam muito e, consequentemente, muito podem variar os resultados consoante a metodologia utilizada. Outros factores suscept&iacute;veis de alterar os resultados das avalia&ccedil;&otilde;es de desempenho de efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica s&atilde;o o clima (esta&ccedil;&otilde;es mais amenas ou mais extremas), o contexto econ&oacute;mico (as crises econ&oacute;micas, reduzindo o consumo, baixam automaticamente o consumo de energia), a evolu&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica<sup><a title="" href="http://nektarbrand.com/maquetes/e-publica/v3n3a014.html#_ftn4" name="_ftnref4">4</a></sup>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Acresce que o pr&oacute;prio termo se reveste de ambiguidades, como se pode confrontar na pr&oacute;pria nomenclatura adoptada por documentos da Uni&atilde;o Europeia sobre a tem&aacute;tica. Assim, se a directiva sobre efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica actualmente em vigor a define como &ldquo;o r&aacute;cio entre o resultado em termos do desempenho, servi&ccedil;os, bens ou energia gerados e a energia utilizada para o efeito&rdquo; (artigo 2, n.&ordm; 4, da directiva 2012/27/UE, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 25 de Outubro), j&aacute; o <i>Plano da Uni&atilde;o Europeia para a Efici&ecirc;ncia Energ&eacute;tica 2011</i><sup><a title="" href="http://nektarbrand.com/maquetes/e-publica/v3n3a014.html#_ftn5" name="_ftnref5">5</a></sup>esclarece que &ldquo;tecnicamente, 'efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica significa usar menos energia mas manter um n&iacute;vel equivalente de actividade econ&oacute;mica ou servi&ccedil;o&rdquo; (&ldquo; &laquo;energy efficiency&raquo; means using less energy inputs while maintaining an equivalent level of economic activity or service&rdquo;); j&aacute; &ldquo;&laquo;poupan&ccedil;a de energia&raquo; &eacute; um conceito mais amplo que tamb&eacute;m include redu&ccedil;&atilde;o do consumo atrav&eacute;s de mudan&ccedil;as de comportamento ou de afrouxamento do crescimento econ&oacute;mico. Na pr&aacute;tica, s&atilde;o conceitos dif&iacute;ceis de destrin&ccedil;ar e s&atilde;o utilizados indiferenciadamente&rdquo;<sup><a title="" href="http://nektarbrand.com/maquetes/e-publica/v3n3a014.html#_ftn6" name="_ftnref6">6</a></sup>.</p>     <p>Uma outra &ldquo;duplicidade&rdquo; que a efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica convoca &eacute; a da sua filia&ccedil;&atilde;o: de uma banda, a vincula&ccedil;&atilde;o ao Direito da Energia &eacute; evidente, uma vez que o aumento de efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica maximiza a utilidade da energia, evitando consumos in&uacute;teis e, por essa via, previne o aumento da depend&ecirc;ncia energ&eacute;tica ou, caso o Estado seja energeticamente autosuficiente, rentabiliza a produ&ccedil;&atilde;o; de outra banda, a(s) liga&ccedil;&atilde;o(&otilde;es) ao Direito do Ambiente surge(m) tamb&eacute;m cristalina(s) quer numa vers&atilde;o minimalista, que acentua a vertente da efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica enquanto evita&ccedil;&atilde;o do desperd&iacute;cio de energia produzida a partir de f&oacute;sseis, contendo a utiliza&ccedil;&atilde;o destes recursos e contribuindo para a luta contra o aquecimento global; quer numa vers&atilde;o m&eacute;dia, associando efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica a reconvers&atilde;o das fontes de energia, reduzindo as fontes f&oacute;sseis e incrementando as fontes renov&aacute;veis, <i>maxime</i> a partir da t&eacute;cnica da cogera&ccedil;&atilde;o (a produ&ccedil;&atilde;o simult&acirc;nea, num processo &uacute;nico, de energia t&eacute;rmica e de energia el&eacute;trica ou mec&acirc;nica) &mdash; ou seja, adoptando m&eacute;todos de produ&ccedil;&atilde;o de energia mais eficientes do ponto de vista ecol&oacute;gico; quer, finalmente e numa perspectiva maximalista, entendendo efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica como &mdash; mais do que simplesmente maximizar o uso da energia que normalmente se utiliza, anulando o desperd&iacute;cio e permitindo a manuten&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel de consumo &mdash;, sin&oacute;nimo de implementa&ccedil;&atilde;o de uma verdadeira metodologia de redu&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o de energia em consequ&ecirc;ncia de uma redu&ccedil;&atilde;o do consumo.</p>     <p>Ressalte-se que h&aacute; mesmo quem duvide de que a pol&iacute;tica de efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica &eacute; ben&eacute;fica para a causa ambiental. RUDIN observa que &ldquo;o facto de a efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica coincidir com o crescente uso de recursos naturais deveria fazer-nos pensar em termos n&atilde;o econ&oacute;micos&rdquo; (non-business terms)<sup><a title="" href="http://nektarbrand.com/maquetes/e-publica/v3n3a014.html#_ftn7" name="_ftnref7">7</a></sup>. HERRING, na mesma linha, chama a aten&ccedil;&atilde;o para que a efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica pode n&atilde;o ser exactamente &ldquo;amiga do ambiente&rdquo;, na medida em que ela acaba por legitimar o aumento de consumo. O autor entende, ainda assim, que se os ganhos em efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica puderem ser canalizados para uma progressiva e consistente descarboniza&ccedil;&atilde;o das fontes de energia, ela surgir&aacute; n&atilde;o como um fim em si mas como um instrumento de realiza&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica ambiental<sup><a title="" href="http://nektarbrand.com/maquetes/e-publica/v3n3a014.html#_ftn8" name="_ftnref8">8</a></sup>.</p>     <p>A Uni&atilde;o Europeia come&ccedil;ou por legislar em sede de &ldquo;utiliza&ccedil;&atilde;o racional e economia da energia&rdquo; em 1979, atrav&eacute;s da directiva 79/530/CEE, do Conselho, de 14 de Maio, relativa &agrave; informa&ccedil;&atilde;o sobre o consumo de energia dos aparelhos dom&eacute;sticos por meio de etiquetagem, ao abrigo do ent&atilde;o artigo 100 do Tratado de Roma, em sede de harmoniza&ccedil;&atilde;o de legisla&ccedil;&otilde;es<sup><a title="" href="http://nektarbrand.com/maquetes/e-publica/v3n3a014.html#_ftn9" name="_ftnref9">9</a></sup>. Esta directiva surtiu pouco efeito pr&aacute;tico (foi apenas objecto de uma directiva de execu&ccedil;&atilde;o, relativamente a fornos el&eacute;ctricos e com fraco n&iacute;vel de implementa&ccedil;&atilde;o pelos Estados membros) e veio a ser revogada (e ampliada) em 1992, pela directiva 92/75/CEE, do Conselho, de 22 de Setembro, relativa &agrave; indica&ccedil;&atilde;o do consumo de energia dos aparelhos dom&eacute;sticos por meio de rotulagem e outras indica&ccedil;&otilde;es uniformes relativas aos produtos, diploma esse j&aacute; sustentado na base habilitante do ent&atilde;o artigo 130R, actual 191 do Tratado sobre o Funcionamento da Uni&atilde;o Europeia (doravante, TFUE), e portanto mais ambientalmente conotado<sup><a title="" href="http://nektarbrand.com/maquetes/e-publica/v3n3a014.html#_ftn10" name="_ftnref10">10</a></sup>.</p>     <p>Esta directiva &mdash; hoje revogada pela directiva 2010/30/CE, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 19 de Maio (relativa &agrave; indica&ccedil;a&#771;o do consumo de energia e de outros recursos por parte dos produtos relacionados com a energia, por meio de rotulagem e outras indica&ccedil;o&#771;es uniformes relativas aos produtos) &mdash; inseria-se no pacote de diplomas filiados &agrave; designada <i>pol&iacute;tica de produ&ccedil;&atilde;o e consumo sustent&aacute;veis</i> (<i>Integrated Product Policy, IPP</i>)<sup><a title="" href="http://nektarbrand.com/maquetes/e-publica/v3n3a014.html#_ftn11" name="_ftnref11">11</a></sup>, que se entretece, desde o in&iacute;cio do s&eacute;culo XXI e o envolvimento da Uni&atilde;o Europeia na luta contra as altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas, com a emergente pol&iacute;tica de energia da Uni&atilde;o Europeia, consagrada com o Tratado de Lisboa no T&iacute;tulo XXI do TFUE.</p>     <p>Foi precisamente este o T&iacute;tulo que deu cobertura &agrave; directiva 2010/30/CE, mais precisamente o artigo 194, n.&ordm; 2 do TFUE. A tomada de posi&ccedil;&atilde;o da Uni&atilde;o Europeia nas <i>Conclus&otilde;es da Presid&ecirc;ncia do Conselho Europeu de 8 e 9 de Mar&ccedil;o de 2007</i>, no qual se lan&ccedil;ou a famosa estrat&eacute;gia 20/20/20 e se estabeleceu um objectivo de redu&ccedil;&atilde;o do consumo de energia/efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica de 20% at&eacute; 2020, colocou a efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica entre a pol&iacute;tica de ambiente e a pol&iacute;tica energ&eacute;tica &mdash; sendo certo que se usa indiferenciadamente as express&otilde;es &lsquo;efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica&rsquo; e &lsquo;redu&ccedil;&atilde;o do consumo de energia&rsquo; quando elas n&atilde;o s&atilde;o, na verdade, sin&oacute;nimas&hellip;</p>     <p>Percurso id&ecirc;ntico ao da directiva 2010/30 foi o da directiva 2010/31/CE, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 19 de Maio, relativa ao desempenho energ&eacute;tico dos edif&iacute;cios, que revogou a directiva 2002/91/CE, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 16 de Dezembro, a qual, por seu turno, veio muscular aquela que foi a primeira directiva sobre desempenho energ&eacute;tico dos edif&iacute;cios &mdash; a directiva 93/76/CEE, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 13 de Setembro (na qual ainda se falava em &ldquo;efic&aacute;cia energ&eacute;tica&rdquo;)<sup><a title="" href="http://nektarbrand.com/maquetes/e-publica/v3n3a014.html#_ftn12" name="_ftnref12">12</a></sup>. Enquanto as directivas de 1993 e 2002 tiveram como base habilitante as normas ambientais (os ent&atilde;o artigos 130S e 175 do Tratado de Roma, respectivamente), as directivas de 2010 j&aacute; se suportam no artigo 194 do TFUE, em sede de pol&iacute;tica de energia<sup><a title="" href="http://nektarbrand.com/maquetes/e-publica/v3n3a014.html#_ftn13" name="_ftnref13">13</a></sup>.</p>     <p>Esta altern&acirc;ncia entre bases jur&iacute;dicas, sobretudo a partir do momento em que a op&ccedil;&atilde;o entre Ambiente e Energia se tornou poss&iacute;vel (p&oacute;s Tratado de Lisboa, portanto), n&atilde;o &eacute; inocente. Recorde-se que o <i>Livro Verde sobre a Efici&ecirc;ncia Energ&eacute;tica</i><sup><a title="" href="http://nektarbrand.com/maquetes/e-publica/v3n3a014.html#_ftn14" name="_ftnref14">14</a></sup> tinha por mote &ldquo;Fazer mais com menos&rdquo;, o que indicia uma redu&ccedil;&atilde;o efectiva do consumo de energia, objectivo que tem um espelho particularmente impressivo no conceito de <i>Nega Watt</i> (n&atilde;o produ&ccedil;&atilde;o de um Mega Watt); todavia, a Comiss&atilde;o reconhecia que os Estados-membros se manifestaram contr&aacute;rios &agrave; redu&ccedil;&atilde;o anual de consumo de energia em 1% <sup><a title="" href="http://nektarbrand.com/maquetes/e-publica/v3n3a014.html#_ftn15" name="_ftnref15">15</a></sup>, o que, afinal, aponta para um cen&aacute;rio de continuidade de &iacute;ndices de consumo, ainda que com maximiza&ccedil;&atilde;o da utiliza&ccedil;&atilde;o da energia. Por outras palavras, o objectivo final era fazer <i>mais</i> (ou pelo menos o mesmo) com o <i>mesmo</i> consumo de energia o que, do ponto de vista ambiental, n&atilde;o &eacute; o mais recomend&aacute;vel, em face do cen&aacute;rio de esgotamento de recursos a que assistimos.</p>     <p>Certo &eacute; que a rela&ccedil;&atilde;o entre efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica, descarboniza&ccedil;&atilde;o e reconvers&atilde;o energ&eacute;tica desmultiplicou a rede normativa nesta sede. Temos hoje, para al&eacute;m das directivas sobre rotulagem de produtos relacionados com a energia e desempenho energ&eacute;tico dos edif&iacute;cios, diplomas v&aacute;rios relativos &agrave; promo&ccedil;&atilde;o da efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica, seja no dom&iacute;nio da circula&ccedil;&atilde;o rodovi&aacute;ria (regulamento (CE) 1222/2009, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 25 de Novembro, relativo &agrave; rotulagem dos pneus no que respeita &agrave; efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica e a outros par&acirc;metros), seja na &aacute;rea da ilumina&ccedil;&atilde;o (directiva 98/11/CE, da Comiss&atilde;o, de 27 de Janeiro, relativa &agrave; rotulagem energ&eacute;tica das l&acirc;mpadas el&eacute;ctricas para uso dom&eacute;stico), seja em sede de concep&ccedil;&atilde;o ecol&oacute;gica dos produtos relacionados com o uso de energia (directiva 2009/125/CE, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 21 de Outubro).</p>     <p>Diploma central neste dom&iacute;nio veio a ser a directiva 2006/32/CE, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 5 de Abril, relativa &agrave; efici&ecirc;ncia na utiliza&ccedil;a&#771;o final de energia e aos servi&ccedil;os energe&#769;ticos<sup><a title="" href="http://nektarbrand.com/maquetes/e-publica/v3n3a014.html#_ftn16" name="_ftnref16">16</a></sup> Esta directiva, que acolheu as principais conclus&otilde;es do <i>Livro Verde sobre Efici&ecirc;ncia Energ&eacute;tica </i>de 2005 e que hoje se encontra revogada pela directiva 2012/27/UE, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 25 de Outubro, introduziu, entre outras linhas de actua&ccedil;&atilde;o:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>i) a fixa&ccedil;&atilde;o de um objectivo global nacional de incremento de efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica de 9% at&eacute; 2016 (artigo 4, n.&ordm; 1), embora meramente indicativo; ii) a cria&ccedil;&atilde;o de esquemas de mercado como os &ldquo;certificados brancos&rdquo; (cfr. o artigo 6, n.&ordm; 1, al. b));</p>     <p>iii) a promo&ccedil;&atilde;o do protagonismo do sector p&uacute;blico (&ldquo;um papel exemplar&rdquo;) na implementa&ccedil;&atilde;o de medidas de efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica, nomeadamente no &acirc;mbito da contrata&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica (artigo 5, n.&ordm; 1, &sect;3&ordm;, e Anexo VI)<sup><a title="" href="http://nektarbrand.com/maquetes/e-publica/v3n3a014.html#_ftn17" name="_ftnref17">17</a></sup>;</p>     <p>iv) a possibilidade de imposi&ccedil;&atilde;o aos fornecedores de energia de obriga&ccedil;&otilde;es de presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os a pre&ccedil;os competitivos, de realiza&ccedil;&atilde;o de auditorias de efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica e de contribui&ccedil;&atilde;o para fundos destinados ao financiamento de programas de efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica (artigo 6, n.&ordm; 2);</p>     <p>v) a obriga&ccedil;&atilde;o de apresenta&ccedil;&atilde;o &agrave; Comiss&atilde;o, pelos Estados-membros, de Planos de Ac&ccedil;&atilde;o para a Efici&ecirc;ncia Energ&eacute;tica em 2007, 2011 e 2014, com a descri&ccedil;&atilde;o das medidas a adoptar no sentido do alcance do objectivo de incremento de 9% proposto pela directiva (artigo 14).</p>     <p>A natureza n&atilde;o vinculativa da meta fixada nesta directiva, acompanhada da constata&ccedil;&atilde;o da pouca efic&aacute;cia da sua implementa&ccedil;&atilde;o &mdash; nomeadamente, nas conclus&otilde;es da Comunica&ccedil;&atilde;o da Comiss&atilde;o <i>Efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica: para alcan&ccedil;ar o objectivo de 20%</i><sup><a title="" href="http://nektarbrand.com/maquetes/e-publica/v3n3a014.html#_ftn18" name="_ftnref18">18</a></sup> (2008), e no <i>Plano para a Efici&ecirc;ncia Energ&eacute;tica 2011</i><sup><a title="" href="http://nektarbrand.com/maquetes/e-publica/v3n3a014.html#_ftn19" name="_ftnref19">19</a></sup> <i>&mdash;</i> levaram &agrave; adop&ccedil;&atilde;o da directiva 2012/27/UE, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 25 de Outubro. O <i>Plano para a Efici&ecirc;ncia Energ&eacute;tica 2011</i> prometia a reforma do quadro legislativo existente com o objectivo de introduzir mudan&ccedil;as de vulto, que sintetizava em: a) poupan&ccedil;as de 1.000&euro;/ano por frac&ccedil;&atilde;o habitacional; b) aumento da competitividade das empresas; c) cria&ccedil;&atilde;o de mais de 12 milh&otilde;es de empregos; d) redu&ccedil;&atilde;o de emiss&otilde;es de gases com efeito de estufa em 740 milh&otilde;es de toneladas.</p>     <p>Tais melhorias passariam, desde logo, pela introdu&ccedil;&atilde;o de metas vinculativas, as quais deveriam permitir alcan&ccedil;ar um incremento de efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica de 20% em 2020. Tal des&iacute;gnio assentaria em medidas concretas a implementar em tr&ecirc;s dom&iacute;nios priorit&aacute;rios: i) a reforma dos edif&iacute;cios (respons&aacute;veis pelo consumo de 40% da energia na Uni&atilde;o Europeia), sobretudo dos p&uacute;blicos, mas tamb&eacute;m atrav&eacute;s de obriga&ccedil;&otilde;es de redu&ccedil;&atilde;o do consumo em casas particulares; ii) os transportes; e iii) a ind&uacute;stria.</p>     <p>A directiva 2012/27/UE<sup><a title="" href="http://nektarbrand.com/maquetes/e-publica/v3n3a014.html#_ftn20" name="_ftnref20">20</a></sup> vem trazer mais consist&ecirc;ncia a estes objectivos, fixando uma meta, para a Uni&atilde;o Europeia no seu conjunto, de um consumo m&aacute;ximo de 1 474 Mtep de energia prim&aacute;ria e/ou de 1078 Mtep de energia final em 2020 (artigo 3, n.&ordm; 2)<sup><a title="" href="http://nektarbrand.com/maquetes/e-publica/v3n3a014.html#_ftn21" name="_ftnref21">21</a></sup>. Esta meta dever&aacute; ser atingida atrav&eacute;s da actua&ccedil;&atilde;o conjugada nos dom&iacute;nios referidos e em outros que os Estados-membros entendam relevantes, sendo certo que a directiva, numa manobra pragm&aacute;tica e explorando a ambiguidade do termo &ldquo;efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica&rdquo;, aponta, no artigo 7, duas vias alternativas de consecu&ccedil;&atilde;o de tal meta:</p>     <p>i) <i>the hard way</i>, atrav&eacute;s da imposi&ccedil;&atilde;o de obriga&ccedil;&otilde;es de efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica, que se traduziriam em poupan&ccedil;as de 1,5% por ano, entre 2014 e 2020, conforme se pode ler no n.&ordm; 1:</p>     <p><i>&ldquo;1. Os Estados-Membros estabelecem regimes de obriga&ccedil;&atilde;o de efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica. Esses regimes asseguram que os distribuidores de energia e/ou as empresas de venda de energia a retalho que forem designados partes sujeitas a obriga&ccedil;&atilde;o ao abrigo do n&ordm; 4, e que exer&ccedil;am a sua atividade no territ&oacute;rio de um Estado-Membro, atinjam um objetivo cumulativo de economias finais de energia at&eacute; 31 de dezembro de 2020, sem preju&iacute;zo do n&ordm; 2.</i></p>     <p><i>Esse objetivo &eacute; pelo menos equivalente &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o anual, de 1 de janeiro de 2014 a 31 de dezembro de 2020, de novas economias que ascendam a 1,5 %, em volume, das vendas anuais de energia aos consumidores finais de todos os distribuidores de energia ou de todas as empresas de venda de energia a retalho, calculadas com base na m&eacute;dia do &uacute;ltimo per&iacute;odo de tr&ecirc;s anos anterior a 1 de janeiro de 2013. As vendas de energia, em volume, utilizada nos transportes podem ser total ou parcialmente exclu&iacute;das desse c&aacute;lculo&rdquo;</i>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>ii) <i>the soft way</i>, atrav&eacute;s da v&aacute;lvula de escape aberta pelo n.&ordm; 9 do mesmo preceito, que se reproduz:</p>     <p><i>&ldquo;9. Em alternativa ao estabelecimento de um regime de obriga&ccedil;&atilde;o de efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica ao abrigo do n&ordm; 1, os Estados-Membros podem optar por tomar outras medidas pol&iacute;ticas destinadas a obter economias de energia entre os consumidores finais, desde que essas medidas pol&iacute;ticas satisfa&ccedil;am os crit&eacute;rios previstos nos n&ordm;s 10 e 11. A quantidade anual de novas economias de energia conseguidas gra&ccedil;as a esta abordagem deve ser equivalente &agrave; quantidade de novas economias de energia exigidas nos termos dos n.&ordm;s 1, 2 e 3. Desde que a equival&ecirc;ncia se mantenha, os Estados-Membros podem combinar regimes obrigat&oacute;rios com medidas pol&iacute;ticas alternativas, incluindo programas nacionais de efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica.</i></p>     <p><i>Entre as medidas pol&iacute;ticas referidas no primeiro par&aacute;grafo podem incluir-se as seguintes medidas ou combina&ccedil;&otilde;es de medidas:</i></p>     <p><i>a) Taxas sobre a energia ou o di&oacute;xido de carbono que tenham por efeito reduzir o consumo final de energia; </i><i>b) Mecanismos e instrumentos de financiamento ou incentivos fiscais que levem &agrave; aplica&ccedil;&atilde;o de tecnologias ou t&eacute;cnicas eficientes do ponto de vista energ&eacute;tico e que tenham por efeito reduzir o consumo final de energia; </i><i>c) Disposi&ccedil;&otilde;es regulamentares ou acordos volunt&aacute;rios que levem &agrave; aplica&ccedil;&atilde;o de tecnologias ou t&eacute;cnicas eficientes do ponto de vista energ&eacute;tico e que tenham por efeito reduzir o consumo final de energia; </i><i>d) Normas que visem melhorar a efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica dos produtos e servi&ccedil;os, incluindo edif&iacute;cios e ve&iacute;culos, exceto nos casos em que tenham car&aacute;ter obrigat&oacute;rio e sejam aplic&aacute;veis nos Estados-Membros por for&ccedil;a da legisla&ccedil;&atilde;o da Uni&atilde;o; </i><i>e) Sistemas de rotulagem energ&eacute;tica, com exce&ccedil;&atilde;o dos que tenham car&aacute;ter obrigat&oacute;rio e sejam aplic&aacute;veis nos Estados-Membros por for&ccedil;a da legisla&ccedil;&atilde;o da Uni&atilde;o; </i><i>f) A&ccedil;&otilde;es de forma&ccedil;&atilde;o e sensibiliza&ccedil;&atilde;o, nomeadamente programas de aconselhamento energ&eacute;tico, que levem &agrave; aplica&ccedil;&atilde;o de tecnologias ou t&eacute;cnicas eficientes do ponto de vista energ&eacute;tico e que tenham por efeito reduzir o consumo final de energia;</i></p>     <p><i>At&eacute; 5 de dezembro de 2013, os Estados-Membros notificam a Comiss&atilde;o das medidas pol&iacute;ticas que tencionam adotar para efeitos do primeiro par&aacute;grafo do presente n&uacute;mero e do artigo 20, n.&ordm; 6, de acordo com o quadro previsto no Anexo V, ponto 4, indicando de que modo contam atingir o n&iacute;vel de economias exigido. No caso das medidas pol&iacute;ticas referidas no segundo par&aacute;grafo do presente n&uacute;mero e no artigo 20, n.&ordm; 6, a notifica&ccedil;&atilde;o feita &agrave; Comiss&atilde;o deve indicar de que modo s&atilde;o preenchidos os crit&eacute;rios previstos no n.&ordm; 10. No caso de medidas pol&iacute;ticas n&atilde;o referidas no segundo par&aacute;grafo do presente n&uacute;mero ou no artigo 20, n.&ordm; 6, os Estados-Membros devem explicar de que forma &eacute; atingido um n&iacute;vel equivalente de economias, de controlo e de verifica&ccedil;&atilde;o. A Comiss&atilde;o pode apresentar sugest&otilde;es de altera&ccedil;&atilde;o no prazo de tr&ecirc;s meses ap&oacute;s a notifica&ccedil;&atilde;o&rdquo;</i> <sup><a title="" href="http://nektarbrand.com/maquetes/e-publica/v3n3a014.html#_ftn22" name="_ftnref22">22</a></sup><i>.</i></p>     <p>Esta disposi&ccedil;&atilde;o, com a sua alternatividade, atesta bem o dilema com que se confronta o objectivo de efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica &mdash; que espelha identicamente o dilema da sua maior proximidade a uma pol&iacute;tica de Energia, mais pr&oacute;xima do crescimento econ&oacute;mico, ou a uma pol&iacute;tica de Ambiente, mais prop&iacute;cia ao decrescimento<sup><a title="" href="http://nektarbrand.com/maquetes/e-publica/v3n3a014.html#_ftn23" name="_ftnref23">23</a></sup>. Note-se que mesmo pressupondo a efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica num <i>mix</i> energ&eacute;tico predominantemente renov&aacute;vel &mdash; recorde-se que Estados como a Alemanha apontam para um sistema energ&eacute;tico totalmente assente em energias renov&aacute;veis em 2050 &mdash;, e que as renov&aacute;veis s&atilde;o inesgot&aacute;veis, o espa&ccedil;o em que as estruturas que as captam e transformam se fixam n&atilde;o &eacute;, facto que recomenda a efectiva redu&ccedil;&atilde;o de consumo. Por&eacute;m, a conten&ccedil;&atilde;o energ&eacute;tica implica uma reformula&ccedil;&atilde;o de h&aacute;bitos e mesmo uma restri&ccedil;&atilde;o de direitos como a propriedade e a iniciativa privada, ou seja, uma altera&ccedil;&atilde;o de comportamentos<sup><a title="" href="http://nektarbrand.com/maquetes/e-publica/v3n3a014.html#_ftn24" name="_ftnref24">24</a></sup> que, para ser socialmente tolerada e economicamente vi&aacute;vel, exige um tempo de assimila&ccedil;&atilde;o porventura mais dilatado.</p>     <p>Nos termos do n.&ordm; 4 do Anexo V da directiva, o Estados-membros deveriam notificar a Comiss&atilde;o, at&eacute; 5 de Dezembro de 2013, da sua proposta de metodologia circunstanciada para o funcionamento dos regimes de obriga&ccedil;&atilde;o de efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica e para efeitos do artigo 7, n.&ordm; 9. Foi o caso de Portugal<sup><a title="" href="http://nektarbrand.com/maquetes/e-publica/v3n3a014.html#_ftn25" name="_ftnref25">25</a></sup>, e &eacute; dele que vamos tratar em seguida.</p> <!--TÓPICO-->     <p>&nbsp;</p>     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" style="text-transform:uppercase" size="3"><b>1. A efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica em Portugal: o PNAEE de 2008 e a sua revis&atilde;o em 2013 </b></font> </p> <!--CORPO DE TEXTO--> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">     <p>Rui PENA observa que Portugal &ldquo;acordou tarde para a efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica&rdquo;, tendo-se come&ccedil;ado a pensar nisso apenas em 2005, com a primeira <i>Estrat&eacute;gia Nacional para a Energia</i><sup><a title="" href="http://nektarbrand.com/maquetes/e-publica/v3n3a014.html#_ftn26" name="_ftnref26">26</a></sup><i>, </i>fixando em 10% o objectivo de incremento para 2015<sup><a title="" href="http://nektarbrand.com/maquetes/e-publica/v3n3a014.html#_ftn27" name="_ftnref27">27</a></sup>. Pouco depois, na sequ&ecirc;ncia da directiva 2006/32/CE, foi aprovado, pela Resolu&ccedil;&atilde;o do Conselho de Ministros n.&ordm; 80/2008, de 20 de Maio, o primeiro <i>Plano Nacional de Ac&ccedil;&atilde;o para a Efici&ecirc;ncia Energ&eacute;tica</i> (PNAEE) para o per&iacute;odo de 2008-2015, no qual eram contempladas quatro &aacute;reas espec&iacute;ficas de actua&ccedil;&atilde;o: Transportes; Residencial e Servi&ccedil;os; Ind&uacute;stria; e Estado, al&eacute;m de tr&ecirc;s &aacute;reas designadas &lsquo;transversais&rsquo;: Comportamentos; Fiscalidade e Incentivos; e Financiamentos. Nessa ocasi&atilde;o, foi tamb&eacute;m anunciada a cria&ccedil;&atilde;o do Fundo de Efici&ecirc;ncia Energ&eacute;tica, que tinha por objetivo financiar os programas e as medidas previstos no PNAEE (que veio a ser criado pelo Decreto-Lei n.&ordm; 50/2010, de 20 de Maio).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A superveni&ecirc;ncia da directiva 2012/27/UE que, como vimos, veio consagrar uma nova meta para a efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica &mdash; incremento de 20% em 2020 &mdash;, a par da constata&ccedil;&atilde;o da inefic&aacute;cia da estrat&eacute;gia tra&ccedil;ada em 2008, levou &agrave; revis&atilde;o do PNAEE 2008-2015 pelo PNAEE2013-2016, aprovado pela Resolu&ccedil;&atilde;o do Conselho de Ministros n.&ordm; 20/2013, de 10 de Abril, plano cuja execu&ccedil;&atilde;o acaba de terminar. A falta de sucesso do PNAEE2008-2015 em muito se deve &agrave; conjuntura recessiva que (ainda) se vive na Europa, e particularmente em Portugal, desde 2008, da qual resultou um excesso de oferta de energia, cada vez mais produzida a partir de fontes renov&aacute;veis, em face da decrescente procura, tanto no plano habitacional como empresarial, tanto no plano dos combust&iacute;veis como no da electricidade<sup><a title="" href="http://nektarbrand.com/maquetes/e-publica/v3n3a014.html#_ftn28" name="_ftnref28">28</a></sup>.</p>     <p>Com efeito, e como se pode extrair dos considerandos da Resolu&ccedil;&atilde;o n.&ordm; 20/2013,</p>     <p><i>&ldquo;O diagn&oacute;stico da execu&ccedil;&atilde;o do PNAEE 2008-2015 e do PNAER 2010 [Plano Nacional de Ac&ccedil;&atilde;o para as Energias Renov&aacute;veis] permitiu concluir que, relativamente ao indicador por excel&ecirc;ncia da efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica da economia, Portugal apresenta hoje uma intensidade energ&eacute;tica da energia prim&aacute;ria em linha com a Uni&atilde;o Europeia (UE), mas que este valor oculta um resultado menos positivo quando medida a intensidade energ&eacute;tica da energia final. Na realidade, o elevado investimento feito por Portugal em energias renov&aacute;veis e o reduzido consumo energ&eacute;tico no setor residencial, comparativamente com o resto da Europa, encobrem uma intensidade energ&eacute;tica da economia produtiva 27% superior &agrave; m&eacute;dia da Uni&atilde;o Europeia. Este resultado vem refor&ccedil;ar a necessidade de intensificar os esfor&ccedil;os na atua&ccedil;&atilde;o direta sobre a energia final, no &acirc;mbito do PNAEE, em particular da economia produtiva, por oposi&ccedil;&atilde;o a um maior n&iacute;vel de investimento na oferta de energia, sem p&ocirc;r em causa o necess&aacute;rio cumprimento das metas de incorpora&ccedil;&atilde;o de energias renov&aacute;veis no &acirc;mbito do PNAER&rdquo;.</i></p>     <p>Ainda assim, e desde logo em raz&atilde;o da necessidade de transposi&ccedil;&atilde;o das directivas europeias, o PNAEE2008-2015 suportou v&aacute;rias iniciativas legislativas e administrativas, sendo que algumas mantiveram a sua val&ecirc;ncia, numa l&oacute;gica de continuidade e aprofundamento, com o novo PNAEE. Refiram-se o programa de incremento de efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica na administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, o regime de certifica&ccedil;&atilde;o energ&eacute;tica dos edif&iacute;cios, a rotulagem energ&eacute;tica &mdash; aos quais voltaremos <i>infra</i>. Houve, em contrapartida, medidas que provaram deficientemente e foram suprimidas, como a redu&ccedil;&atilde;o da taxa&ccedil;&atilde;o de combust&iacute;veis mais eficientes (<i>Efici&ecirc;ncia Fuel</i>) ou a <i>Plataforma de gest&atilde;o de tr&aacute;fego nos grandes centros urbanos</i>.</p>     <p>Com o PNAEE2013-2016, a fasquia subiu, n&atilde;o s&oacute; em virtude da directiva de 2012, espelhada na <i>Estrat&eacute;gia Nacional para a Energia 2020</i> (ENE 2020) &mdash; aprovada pela Resolu&ccedil;&atilde;o do Conselho de Ministros n.&ordm; 29/2010, de 15 de Abril &mdash;, que fixou o &iacute;ndice de incremento de efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica em 20% para 2020 como, e sobretudo, porque o XIX Governo Constitucional, que tomou posse em 2011, definiu uma meta mais ambiciosa, correspondente a uma redu&ccedil;&atilde;o de consumo da energia prim&aacute;ria em 25% at&eacute; 2020. O PNAEE definiu assim, em conformidade com esta nova meta, o valor de 1.501.305 tep para 2016, dos quais 49% j&aacute; se encontravam realizados em 2010, por for&ccedil;a do PNAEE 2008-2015.</p>     <p>O PNAEE define seis &aacute;reas de actua&ccedil;&atilde;o: Transportes; Residencial e Servi&ccedil;os; Ind&uacute;stria; Estado; Comportamentos; e Agricultura. Os objectivos para 2016, s&atilde;o, por sectores, os seguintes:</p>     <br>     <p>Transportes&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 344.038&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 23%</p>     <p>Residencial e Servi&ccedil;os &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; 634.265 &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 42%</p>     <p>Ind&uacute;stria&#8232; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;365.309&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 24%&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Estado &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;106.380 &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;7%</p>     <p>Comportamentos &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; 21.313 &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;1%</p>     <p>Agricultura &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;30.000 &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;2%</p>     <p>Um aspecto a real&ccedil;ar deste PNAEE, ainda em sede geral, &eacute; a sua associa&ccedil;&atilde;o ao <i>Plano Nacional de Ac&ccedil;&atilde;o para as Energias Renov&aacute;veis</i> (PNAER). O Governo entendeu rev&ecirc;-los em simult&acirc;neo, actualizando em mat&eacute;ria de energias renov&aacute;veis as directizes tra&ccedil;adas em 2010, uma vez que se pretende o &ldquo;alinhamento dos respetivos objetivos em fun&ccedil;&atilde;o do consumo de energia prim&aacute;ria e da necess&aacute;ria contribui&ccedil;&atilde;o do setor energ&eacute;tico para a redu&ccedil;&atilde;o de emiss&otilde;es de gases com efeito de estufa&rdquo;, com vista a facilitar &ldquo;os processos de decis&atilde;o, nomeadamente os que envolvam op&ccedil;&otilde;es entre investir na efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica ou na promo&ccedil;&atilde;o do uso de energias renov&aacute;veis, tornando-os mais claros e racionais&rdquo;.</p> </font> <!--TÓPICO-->     <p>&nbsp;</p>     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" style="text-transform:uppercase" size="3"><b>2. A estrat&eacute;gia de realiza&ccedil;&atilde;o dos objectivos de aumento de efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica</b></font> </p> <!--CORPO DE TEXTO--> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Como j&aacute; se avan&ccedil;ou <i>supra</i>, Portugal optou pelo <i>soft way</i> de realiza&ccedil;&atilde;o dos objectivos da directiva de 2012, tendo notificado a Comiss&atilde;o de que iria apostar em medidas alternativas &agrave; redu&ccedil;&atilde;o de consumos. Estas medidas dividem-se, como se disse, por seis sectores, que vamos passar em sint&eacute;tica revista de seguida</font> <!--sub TÓPICO-->     <p>&nbsp;</p>     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>2.1. Transportes</b></font> </p> <!--CORPO DE TEXTO--> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">     <p>Em 2008, as medidas relativas aos Transportes abrangiam tr&ecirc;s programas: <i>Renove Carro</i>, <i>Mobilidade Urbana </i>e <i>Sistema de Efici&ecirc;ncia Energ&eacute;tica nos Transportes. </i>Foram contabilizadas redu&ccedil;&otilde;es de consumo energ&eacute;tico de cerca de 252.959 tep, entre 2008 e 2010, o que deixou Portugal, em face do novo objectivo para 2020, com uma realiza&ccedil;&atilde;o de 74%. Entre 2013-2016, previa-se o incremento de 116.730 tep, mantendo-se estes programas, aditados de novas medidas.</p>     <p>i) Quanto ao <i>Renove carro</i>, deve real&ccedil;ar-se o sucesso da medida &ldquo;Revitaliza&ccedil;&atilde;o do abate de ve&iacute;culos em fim de vida&rdquo;, que gerou ganhos de efici&ecirc;ncia de 52.848 tep at&eacute; 2013. A este programa juntam-se a &ldquo;Tributa&ccedil;&atilde;o Verde&rdquo;, que penaliza fiscalmente os ve&iacute;culos que emitem mais CO<sub>2</sub>, e que incentiva a aquisi&ccedil;&atilde;o de ve&iacute;culos el&eacute;ctricos atrav&eacute;s da isen&ccedil;&atilde;o total, em sede de IUC (Imposto &Uacute;nico de Circula&ccedil;&atilde;o), da componente ambiental e, em sede de ISV (Imposto sobre o Valor Autom&oacute;vel), na aquisi&ccedil;&atilde;o. Acresce ainda a medida &ldquo;Pneu Verde&rdquo; (um pneu de baixa resist&ecirc;ncia ao rolamento, que induz efici&ecirc;ncia entre 1 e 2%, e que deve ver controlada a sua press&atilde;o assiduamente &mdash; uma press&atilde;o incorrecta importa em mais 1 a 2,5% de consumo do ve&iacute;culo). Estas duas medidas dever&atilde;o ser promovidas atrav&eacute;s de campanhas de sensibiliza&ccedil;&atilde;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>ii) Quanto &agrave; <i>Mobilidade Urbana,</i> ela traduziu-se, at&eacute; 2013, na promo&ccedil;&atilde;o da mobilidade sustent&aacute;vel e na adop&ccedil;&atilde;o de boas pr&aacute;ticas no transporte urbano &mdash; correspondeu ao incremento do uso do metro (metro do Porto, metro de superf&iacute;cie do Sul do Tejo e extens&atilde;o da rede de metro em Lisboa), que muito se deveu, desde 2008, &agrave; conjuntura macroecon&oacute;mica (retra&ccedil;&atilde;o no consumo e consequente maior procura de transportes p&uacute;blicos). Acrescem, no PNAEE2013-2016, a promo&ccedil;&atilde;o de solu&ccedil;&otilde;es atractivas para a continua&ccedil;&atilde;o deste incremento &mdash; como a constru&ccedil;&atilde;o de parques de estacionamento perto de esta&ccedil;&otilde;es de comboios<sup><a title="" href="http://nektarbrand.com/maquetes/e-publica/v3n3a014.html#_ftn29" name="_ftnref29">29</a></sup>.</p>     <p>Inclui-se neste esfor&ccedil;o de reinven&ccedil;&atilde;o das formas de mobilidade o refor&ccedil;o da utiliza&ccedil;&atilde;o quotidiana da bicicleta &mdash; tamb&eacute;m muito incentivado pela crise econ&oacute;mica &mdash;, apostando na implementa&ccedil;&atilde;o de solu&ccedil;&otilde;es de <i>bike sharing </i>e na constru&ccedil;&atilde;o de redes cicl&aacute;veis quer com o objectivo de oferecer infraestruturas de apoio do <i>Plano de Promo&ccedil;&atilde;o da Bicicleta e Outros Modos de Transporte Suave 2013-2020</i> (relativo a actividades de desporto e lazer), quer infraestruturas que promovam a utiliza&ccedil;&atilde;o quotidiana da bicicleta como meio de transporte individual, ligando zonas residenciais, zonas de emprego, de servi&ccedil;os e grandes equipamentos<sup><a title="" href="http://nektarbrand.com/maquetes/e-publica/v3n3a014.html#_ftn30" name="_ftnref30">30</a></sup>.</p>     <p>A mobilidade eficiente &eacute; tamb&eacute;m mobilidade interurbana, tendo-se assistido, nos &uacute;ltimos dez anos, &agrave; progressiva reestrutura&ccedil;&atilde;o da oferta na utiliza&ccedil;&atilde;o da rede ferrovi&aacute;ria, com diminui&ccedil;&atilde;o do tempo de viagem entre Lisboa e Porto, Lisboa e Castelo Branco e Lisboa e Algarve. No novo PNAEE, pretende-se ainda incentivar a utiliza&ccedil;&atilde;o de frotas de minibus que contribuam, de forma aut&oacute;noma, ou integradas em frota de autocarros de tamanho convencional, para uma maior adequa&ccedil;&atilde;o &agrave; procura em horas de vazio (tanto no espa&ccedil;o urbano como em espa&ccedil;o rural de baixa densidade demogr&aacute;fica); e bem assim implementar solu&ccedil;&otilde;es de transporte p&uacute;blico flex&iacute;vel (TPF), que se traduzem em servi&ccedil;os com itiner&aacute;rios, paragens e hor&aacute;rios vari&aacute;veis, adequando-se melhor aos v&aacute;rios tipos de procura, aumentando os n&iacute;veis de desempenho (redu&ccedil;&atilde;o de consumos, de percursos e dist&acirc;ncias) e reduzindo a op&ccedil;&atilde;o pelo transporte individual.</p>     <p>Outras medidas previstas neste programa s&atilde;o: a eventual revis&atilde;o t&eacute;cnica do Regulamento de Gest&atilde;o dos Consumos de Energia no Sector dos Transportes, no &acirc;mbito dos operadores dedicados de frotas de transportes e de frotas de transporte de empresas que consumam anualmente um valor acima de um determinado referencial (o regulamento atual abrange todas as frotas com consumos anuais superiores a 500 tep) e que, atrav&eacute;s de auditorias espec&iacute;ficas, elaboram planos de racionaliza&ccedil;&atilde;o com vista &agrave; melhoria da intensidade energ&eacute;tica ou redu&ccedil;&atilde;o dos consumos espec&iacute;ficos; o enchimento de pneus das frotas de transporte a nitrog&eacute;nio, com vista a minimizar as perdas de press&atilde;o; e a implementa&ccedil;&atilde;o de um sistema de boas pr&aacute;ticas de condu&ccedil;&atilde;o para os condutores das frotas, incluindo uma forma&ccedil;&atilde;o em eco-condu&ccedil;&atilde;o.</p> </font> <!--sub TÓPICO-->     <p>&nbsp;</p>     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>2.2. Residencial e servi&ccedil;os&nbsp;</b></font> </p> <!--CORPO DE TEXTO--> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">     <p>No PNAEE2008-2015, este dom&iacute;nio abrangia os programas <i>Renove Casa &amp; Escrit&oacute;rio, Sistema de Efici&ecirc;ncia Energ&eacute;tica nos Edif&iacute;cios </i>e <i>Renov&aacute;veis na Hora e Programa Solar. </i>Entre 2008 e 2010 foram contabilizadas redu&ccedil;&otilde;es de consumo energ&eacute;tico de cerca de 267.008 tep, o que permitiu atingir, em termos acumulados, 42% do objetivo previsto.</p>     <p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;i) Quanto ao programa <i>Renove casa e escrit&oacute;rio</i>, do antecedente &eacute; de assinalar os bons resultados da medida de substitui&ccedil;&atilde;o de l&acirc;mpadas ineficientes por cerca de 15 milh&otilde;es de l&acirc;mpadas fluorescentes compactas em lares e locais de trabalho, suportada pelo regime do Decreto-Lei n.&ordm; 108/2007, de 12 de Abril, bem como a progressiva ades&atilde;o dos consumidores &agrave; aquisi&ccedil;&atilde;o de equipamentos dom&eacute;sticos de elevado desempenho energ&eacute;tico (frigor&iacute;ficos, arcas congeladoras e m&aacute;quinas de lavar roupa), fruto da obriga&ccedil;&atilde;o de rotulagem regulada pelo Decreto-Lei n.&ordm; 63/2011, de 9 de Maio.</p>     <p>Com o PNAEE2013-2016, visa-se o incremento da substitui&ccedil;&atilde;o de equipamentos menos eficientes atrav&eacute;s de campanhas de informa&ccedil;&atilde;o e de um alargamento da obriga&ccedil;&atilde;o de rotulagem a mais equipamentos (fornos; ares condicionados) &ndash; caso as campanhas sejam insuficientes, avan&ccedil;ar-se-&aacute; para a tributa&ccedil;&atilde;o dos equipamentos menos eficientes.</p>     <p>O novo PNAEE aposta tamb&eacute;m nas campanhas de sensibiliza&ccedil;&atilde;o para a aquisi&ccedil;&atilde;o de recuperadores de calor e de substitui&ccedil;&atilde;o das janelas das resid&ecirc;ncias e locais de trabalho por janelas eficientes, devidamente identificadas atrav&eacute;s de r&oacute;tulos energ&eacute;ticos &mdash; com a instala&ccedil;&atilde;o prevista, at&eacute; 2016, de entre 750 e 800 mil m2 de vidros eficientes. Tais janelas, juntamente com outras medidas de isolamento, incrementam significativamente a efici&ecirc;ncia energ&eacute;ticas dos edif&iacute;cios, e isso &eacute; reconhecido atrav&eacute;s dos certificados energ&eacute;ticos, cuja emiss&atilde;o &eacute; obrigat&oacute;ria na celebra&ccedil;&atilde;o de contratos de arrendamento e compra e venda desde 2013 (cfr. o artigo 5&ordm; do Decreto-Lei n.&ordm; 118/2013, de 20 de Agosto).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;ii) Quanto ao programa<i> Sistema de Efici&ecirc;ncia Energ&eacute;tica nos Edif&iacute;cios, </i>verifica-se uma evolu&ccedil;&atilde;o consistente desde 2013, com a introdu&ccedil;&atilde;o da obrigatoriedade de emiss&atilde;o de certificados energ&eacute;ticos (quase 400 mil certificados em 2010), contabilizada num valor de efici&ecirc;ncia de 57.473 tep no sector residencial e de 23.697 tep no sector dos servi&ccedil;os<sup><a title="" href="http://nektarbrand.com/maquetes/e-publica/v3n3a014.html#_ftn31" name="_ftnref31">31</a></sup>. Contava-se, com o novo PNAEE, certificar, at&eacute; ao ano 2020, com classe energ&eacute;tica B- ou superior e no &acirc;mbito de edif&iacute;cios novos ou sujeitos a grandes remodela&ccedil;&otilde;es, mais 58.563.066 m2 , correspondendo essa &aacute;rea a cerca de 268 mil fogos residenciais<sup><a title="" href="http://nektarbrand.com/maquetes/e-publica/v3n3a014.html#_ftn32" name="_ftnref32">32</a></sup>.</p>     <p>Deixando por ora de parte o dom&iacute;nio da certifica&ccedil;&atilde;o energ&eacute;tica dos edif&iacute;cios p&uacute;blicos &mdash; ver <i>infra</i> &mdash;, deve ressaltar-se que os edif&iacute;cios sujeitos a opera&ccedil;&otilde;es de reabilita&ccedil;&atilde;o urbana<sup><a title="" href="http://nektarbrand.com/maquetes/e-publica/v3n3a014.html#_ftn33" name="_ftnref33">33</a></sup> est&atilde;o, em regra, isentos de cumprir as regras do sistema de desempenho energ&eacute;tico, nos termos do artigo 6&ordm; do Decreto-Lei n.&ordm; 53/2014, de 8 de Abril &mdash;, isen&ccedil;&atilde;o que deixa de fora um consider&aacute;vel conjunto de patrim&oacute;nio edificado, tendo sobretudo em conta, por um lado, que a recess&atilde;o econ&oacute;mica travou novas constru&ccedil;&otilde;es e, por outro lado, que o turismo tem incentivado fortemente a reabilita&ccedil;&atilde;o de edif&iacute;cios em zonas antigas, sobretudo nos grandes centros urbanos.</p>     <p>Deve mencionar-se tamb&eacute;m, neste &acirc;mbito, o programa <i>Solar T&eacute;rmico Residencial</i>, que visa a cria&ccedil;&atilde;o de um mercado para o setor residencial de 100.000 m<sup>2</sup> de colectores solares instalados por ano (numa previs&atilde;o de cerca de 800 mil m<sup>2</sup> de colectores instalados e operacionais at&eacute; 2016). Esta medida suporta-se em campanhas de sensibiliza&ccedil;&atilde;o e em financiamentos atrav&eacute;s de linhas de cr&eacute;dito espec&iacute;ficas. Acresce, na l&oacute;gica da directiva 2012/27/UE, o (re)incentivo &agrave; cogera&ccedil;&atilde;o (um modelo existente em Portugal desde o Decreto-Lei n.&ordm; 186/95, de 27 de Julho, revisto pelo Decreto-Lei n.&ordm; 538/99, de 13 de Dezembro, e hoje sediado no Decreto-Lei n.&ordm; 68-A/2015, de 30 de Abril), dividindo o regime remunerat&oacute;rio geral em duas dimens&otilde;es: ou injec&ccedil;&atilde;o total ou parcial da energia produzida na rede el&eacute;ctrica de servi&ccedil;o p&uacute;blico; ou autoconsumo da referida energia, sendo que nas instala&ccedil;&otilde;es de cogera&ccedil;&atilde;o com pot&ecirc;ncia el&eacute;trica de injec&ccedil;&atilde;o inferior ou igual a 20 MW, o produtor tem garantia de compra da energia excedente pelo comercializador de &uacute;ltimo recurso<sup><a title="" href="http://nektarbrand.com/maquetes/e-publica/v3n3a014.html#_ftn34" name="_ftnref34">34</a></sup>.</p>     <p>Cabe ainda referir a previs&atilde;o da substitui&ccedil;&atilde;o paulatina dos contadores de electricidade em im&oacute;veis residenciais por contadores inteligentes, que informam o utilizador dos per&iacute;odos de maior ou menor demanda de energia e do consequente pre&ccedil;o, mais ou menos elevado, da mesma, permitindo racionalizar os consumos. De acordo com uma entrevista dada pelo Presidente do Conselho de Administra&ccedil;&atilde;o da EDP Distribui&ccedil;&atilde;o em Junho de 2016, a substitui&ccedil;&atilde;o de contadores, prevista nos artigos 16&ordm; a 18&ordm; do Decreto-Lei n.&ordm; 68-A/2015, est&aacute; a decorrer a ritmo acelerado, custeada pela distribuidora e dever&aacute;, no final de 2017, chegar a 1 milh&atilde;o de habita&ccedil;&otilde;es, permitindo ganhos entre 4% a 20% em efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica<sup><a title="" href="http://nektarbrand.com/maquetes/e-publica/v3n3a014.html#_ftn35" name="_ftnref35">35</a></sup>.</p> </font> <!--sub TÓPICO-->     <p>&nbsp;</p>     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>2.3. Ind&uacute;stria</b></font> </p> <!--CORPO DE TEXTO--> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">     <p>A &aacute;rea da Ind&uacute;stria no PNAEE de 2008 abrangia o programa <i>Sistema de Efici&ecirc;ncia Energ&eacute;tica na Ind&uacute;stria. </i>Nesta &aacute;rea foram contabilizadas redu&ccedil;&otilde;es de consumo energ&eacute;tico de cerca de 177.895 tep, entre 2008 e 2010, o que permitiu atingir, em termos acumulados, 49% do objetivo previsto.</p>     <p>Este programa mant&eacute;m-se no PNAEE2013-2016, traduzindo-se fundamentalmente, e por um lado, na elabora&ccedil;&atilde;o de planos de racionaliza&ccedil;&atilde;o dos consumos de energia pelas instala&ccedil;&otilde;es industriais, no &acirc;mbito do Sistema de Gest&atilde;o de Consumos Intensivos de Energia (SGCIE)<sup><a title="" href="http://nektarbrand.com/maquetes/e-publica/v3n3a014.html#_ftn36" name="_ftnref36">36</a></sup>, regulado pelo Decreto-Lei n.&ordm; 71/2008, de 15 de Abril (alterado pela Lei n.&ordm; 7/2013, de 22 de Janeiro) e, por outro lado, na instala&ccedil;&atilde;o de sistemas de cogera&ccedil;&atilde;o, mais uma vez na l&oacute;gica do Decreto-Lei n.&ordm; 68-A/2015, de 30 de Abril.</p>     <p>Sublinhe-se que, nos termos do artigo 12&ordm; do Decreto-Lei n.&ordm; 68-A/2015, de 30 de Abril, as PMEs (pequenas e m&eacute;dias empresas) est&atilde;o isentas (no que toca tanto a instala&ccedil;&otilde;es como a frotas de transporte) de realiza&ccedil;&atilde;o de auditorias energ&eacute;ticas e de manuten&ccedil;&atilde;o de sistemas de gest&atilde;o de energia &mdash; sendo que as PMEs constituem a esmagadora maioria do tecido empresarial portugu&ecirc;s<sup><a title="" href="http://nektarbrand.com/maquetes/e-publica/v3n3a014.html#_ftn37" name="_ftnref37">37</a></sup>.</p> </font> <!--sub TÓPICO-->     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>2.4. Estado</b></font> </p> <!--CORPO DE TEXTO--> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">     <p>A efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica na Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica &eacute; um objectivo particularmente acarinhado pela directiva 2012/27/UE e perseguido, em conformidade, pelos diplomas nacionais sobre o tema. Com efeito, a ideia &eacute; a de que o sector p&uacute;blico fa&ccedil;a pedagogia pelo exemplo &mdash; mas deve dizer-se que, entre 2008 e 2010 foram contabilizadas redu&ccedil;&otilde;es de consumo energ&eacute;tico de cerca de 9.902 tep, o que corresponde apenas a 9% do objetivo previsto para 2020.</p>     <p>O programa <i>Efici&ecirc;ncia Energ&eacute;tica no Estado</i> despontou em 2010, com a resolu&ccedil;&atilde;o da Assembleia da Rep&uacute;blica n.&ordm; 114/2010, de 29 de Outubro, na qual recomendou ao Governo que elaborasse legisla&ccedil;&atilde;o para a obrigatoriedade de divulga&ccedil;&atilde;o da factura energ&eacute;tica da administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, directa e indirecta &mdash; j&aacute; fazendo eco da directiva 2006/32/CE, que reservava &agrave;s entidades p&uacute;blicas um &ldquo;papel exemplar&rdquo; na promo&ccedil;&atilde;o da efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica. Em resposta, o Governo fez aprovar, em Janeiro de 2011, o <i>Programa de Efici&ecirc;ncia Energ&eacute;tica na Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica - Eco.AP</i>, atrav&eacute;s da Resolu&ccedil;&atilde;o do Conselho de Ministros n.&ordm; 2/2011, de 12 de Janeiro (a que depois se juntou a Resolu&ccedil;&atilde;o do Conselho de Ministros n.&ordm; 67/2012, de 9 de Agosto)<sup><a title="" href="http://nektarbrand.com/maquetes/e-publica/v3n3a014.html#_ftn38" name="_ftnref38">38</a></sup>. Ambas visaram criar condi&ccedil;&otilde;es para o desenvolvimento de uma efectiva pol&iacute;tica de efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica no sector do Estado, prevendo o PNAEE2013-2016 alcan&ccedil;ar um aumento da efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica de 30% at&eacute; 2020 face aos valores de consumo actual nos seus edif&iacute;cios e equipamentos.</p>     <p>Estes diplomas foram complementados com:</p>     <p>i) o regime jur&iacute;dico aplic&aacute;vel &agrave; forma&ccedil;&atilde;o e execu&ccedil;&atilde;o dos contratos de desempenho energ&eacute;tico que revistam a natureza de contratos de gest&atilde;o de efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica, a celebrar entre as entidades p&uacute;blicas e as empresas de servi&ccedil;os energ&eacute;ticos &mdash; vertido no Decreto-Lei n.&ordm; 29/2011, de 28 de Fevereiro;</p>     <p>ii) o Despacho Normativo n.&ordm; 15/2012, de 3 de Julho, que estabelece o sistema de qualifica&ccedil;&atilde;o das empresas de servi&ccedil;os energ&eacute;ticos, estabelecendo requisitos diferenciados de natureza t&eacute;cnica e de natureza financeira em fun&ccedil;&atilde;o do consumo de energia dos edif&iacute;cios ou equipamentos &mdash; com vista a garantir que todos os contratos de gest&atilde;o de efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica s&atilde;o celebrados com empresas devidamente habilitadas para o efeito e dotadas de condi&ccedil;&otilde;es financeiras adequadas para a celebra&ccedil;&atilde;o dos referidos contratos;</p>     <p>iii) a <u><a href="https://dre.pt/application/file/175255">Resolu&ccedil;&atilde;o do Conselho de Ministros n.&ordm; 67/2012, de 9 de Agosto</a></u> a qual, no &acirc;mbito do <i>programa Eco.AP</i>, determina o procedimento de selec&ccedil;&atilde;o de edif&iacute;cios e equipamentos a submeter a contratos de gest&atilde;o de efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica, bem como a constitui&ccedil;&atilde;o de agrupamentos de entidades adjudicantes que ser&atilde;o respons&aacute;veis pelo lan&ccedil;amento dos respectivos procedimentos de contrata&ccedil;&atilde;o (ao abrigo do disposto no Decreto-Lei n.&ordm; 29/2011, de 28 de Fevereiro), e estabelece ainda a obriga&ccedil;&atilde;o de celebra&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via de um acordo de implementa&ccedil;&atilde;o do <i>Eco.AP</i> entre os minist&eacute;rios envolvidos;</p>     <p>iv) a <u><a href="https://dre.pt/application/file/919822">Portaria n.&ordm; 60/2013, de 5 de Fevereiro</a></u>, que aprova o caderno de encargos tipo dos procedimentos para a forma&ccedil;&atilde;o de contratos de gest&atilde;o de efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica - <i>Programa Eco.AP</i> (numa antecipa&ccedil;&atilde;o de obriga&ccedil;&otilde;es constantes da diretiva 2012/27/UE), viabilizando a contrata&ccedil;&atilde;o de economias de energia a empresas especialistas no sector (sendo o contrato remunerado em fun&ccedil;&atilde;o das economias efectivamente alcan&ccedil;adas), e premiando nos procedimentos concursais as empresas que apresentem um maior know-how, reflectindo-se este em redu&ccedil;&otilde;es do consumo de energia;</p>     <p>v) o Decreto-Lei n.&ordm; 68-A/2015, de 30 de Abril, j&aacute; por diversas vezes referido, na medida em que as disposi&ccedil;&otilde;es em mat&eacute;ria de efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica e produ&ccedil;&atilde;o em cogera&ccedil;&atilde;o se aplicam tamb&eacute;m ao sector p&uacute;blico, sempre na l&oacute;gica de que este sector deve liderar pelo exemplo.</p>     <p>Os escassos 9% atingidos at&eacute; 2010 foram basicamente conseguidos atrav&eacute;s da certifica&ccedil;&atilde;o energ&eacute;tica de edif&iacute;cios do Estado e de medidas adoptadas em sede de ilumina&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica &mdash; instala&ccedil;&atilde;o de reguladores de fluxo, substitui&ccedil;&atilde;o de l&acirc;mpadas de vapor de merc&uacute;rio e instala&ccedil;&atilde;o de tecnologia LED em sem&aacute;foros. No plano da renova&ccedil;&atilde;o de frota autom&oacute;vel, houve incremento de aquisi&ccedil;&atilde;o de ve&iacute;culos de baixas emiss&otilde;es.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O PNAEE2013-2016 prev&ecirc; economias de energia em quatro dom&iacute;nios:</p> <ul>       <li>no plano da certifica&ccedil;&atilde;o energ&eacute;tica dos edif&iacute;cios e dos contratos de gest&atilde;o de efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica, o objectivo &eacute; contabilizar, em 2020, um total de 2225 edif&iacute;cios p&uacute;blicos certificados<sup><a title="" href="http://nektarbrand.com/maquetes/e-publica/v3n3a014.html#_ftn39" name="_ftnref39">39</a></sup>, dos quais cerca de 500 ser&atilde;o objecto de celebra&ccedil;&atilde;o de contratos de gest&atilde;o de efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica no &acirc;mbito do <i>AP</i> &mdash; estando integrados no conjunto de edif&iacute;cios que representam, pelo menos, 20 % do consumo de energia de cada minist&eacute;rio;</li>       <li>no &acirc;mbito da elabora&ccedil;&atilde;o de Planos de Ac&ccedil;&atilde;o de Efici&ecirc;ncia Energ&eacute;tica, para os edif&iacute;cios p&uacute;blicos com consumos mais reduzidos (cfr. a al&iacute;nea d) do n.&ordm; 2 da Resolu&ccedil;&atilde;o do Conselho de Ministros n.&ordm; 2/2011, de 12 de Janeiro). Nestes planos s&atilde;o definidos dois tipos de medidas, activas e passivas: as primeiras consistem na introdu&ccedil;&atilde;o de tecnologias de ilumina&ccedil;&atilde;o mais eficientes e sistemas de controlo, na substitui&ccedil;&atilde;o de equipamentos na &aacute;rea da climatiza&ccedil;&atilde;o por outros mais eficientes, e na instala&ccedil;&atilde;o de colectores solares t&eacute;rmicos em edif&iacute;cios ou equipamentos com grandes necessidades, como escolas e pavilh&otilde;es multiusos<sup><a title="" href="http://nektarbrand.com/maquetes/e-publica/v3n3a014.html#_ftn40" name="_ftnref40">40</a></sup>; as segundas passam por interven&ccedil;&otilde;es na envolvente dos edif&iacute;cios, desde a coloca&ccedil;&atilde;o de isolamento na envolvente opaca do edif&iacute;cio (paredes, pavimentos, coberturas), &agrave; instala&ccedil;&atilde;o de dispositivos de sombreamento (interiores e exteriores);</li>       <li>no dom&iacute;nio da gest&atilde;o de frotas, a aposta &eacute; continuar a renovar as frotas p&uacute;blicas com ve&iacute;culos de baixas emiss&otilde;es, na linha das orienta&ccedil;&otilde;es da <i>Estrat&eacute;gia Nacional para as Compras P&uacute;blicas Ecol&oacute;gicas</i><sup><a title="" href="http://nektarbrand.com/maquetes/e-publica/v3n3a014.html#_ftn41" name="_ftnref41">41</a></sup><i>, </i>bem como criar planos de mobilidade para os organismos p&uacute;blicos sempre que tal se justifique<sup><a title="" href="http://nektarbrand.com/maquetes/e-publica/v3n3a014.html#_ftn42" name="_ftnref42">42</a></sup>;</li>     </ul> <ul>       <li>ao n&iacute;vel da Ilumina&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica, &aacute;rea onde se tem registado um incremento sens&iacute;vel de ganhos de efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica nos &uacute;ltimos anos, ainda h&aacute; muito por fazer. Em Portugal, a ilumina&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica gera 3% do consumo energ&eacute;tico e a rede p&uacute;blica tem crescido a um ritmo de 4/5% ao ano, factos que convocam a elabora&ccedil;&atilde;o de um regulamento espec&iacute;fico que dever&aacute; disciplinar a aprova&ccedil;&atilde;o de novos projectos de extens&atilde;o da rede (abrangendo an&aacute;lise custo-benef&iacute;cio, lan&ccedil;amento de concursos, monitoriza&ccedil;&atilde;o e controlo deste tipo de sistemas), com vista a garantir ganhos de efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica, redu&ccedil;&atilde;o de custos e um adequado n&iacute;vel de servi&ccedil;o<sup><a title="" href="http://nektarbrand.com/maquetes/e-publica/v3n3a014.html#_ftn43" name="_ftnref43">43</a></sup>.</li>     </ul>     <p>&nbsp;</p>     <p>Cumpre sublinhar que, no plano da efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica dos edif&iacute;cios da Administra&ccedil;&atilde;o central (extens&iacute;vel a outras entidades p&uacute;blicas), o Decreto-Lei n.&ordm; 68-A/2015, de 30 de Abril, consagra um significativo conjunto de excep&ccedil;&otilde;es &agrave; observ&acirc;ncia, no &acirc;mbito de aquisi&ccedil;&otilde;es e arrendamentos, dos requisitos de bom desempenho energ&eacute;tico (cfr. o artigo 9&ordm;, n.&ordm;s 2 e 3). Uma das excep&ccedil;&otilde;es &eacute; a dos casos de aquisi&ccedil;&atilde;o para &ldquo;grande renova&ccedil;&atilde;o&rdquo;, o que a torna perplexizante &mdash; sobretudo quando atentamos em que o artigo 9, n.&ordm; 1, al&iacute;nea b) da directiva 31/2010/UE disp&otilde;e que, ap&oacute;s 31 de Dezembro de 2018, todos os &ldquo;novos&rdquo; edif&iacute;cios p&uacute;blicos dever&atilde;o ser &ldquo;nearly zero energy buildings&rdquo;<sup><a title="" href="http://nektarbrand.com/maquetes/e-publica/v3n3a014.html#_ftn44" name="_ftnref44">44</a></sup>.</p> </font> <!--sub TÓPICO-->     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>2.5. Comportamentos</b></font> </p> <!--CORPO DE TEXTO--> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">     <p>O PNAEE2013-2016 aposta na continuidade dos programas gizados no PNAEE anterior: <i>Programa Mais </i>e <i>Opera&ccedil;&atilde;o E., </i>que contabilizaram, entre entre 2008 e 2010, redu&ccedil;&otilde;es de consumo energ&eacute;tico de cerca de 21.313 tep, obtendo a maior taxa de sucesso (100%) do PNAEE &mdash; muito por for&ccedil;a do aumento do IVA sobre a electricidade e o g&aacute;s natural de 6% para 23%, acr&eacute;scimo que, numa conjuntura recessiva, teve um evidente efeito de contrac&ccedil;&atilde;o de gastos/consumos. Estes programas s&atilde;o concentrados, no novo PNAEE, no programa <i>Comunicar Efici&ecirc;ncia Energ&eacute;tica.</i></p>     <p>Este programa visa fundamentalmente promover a consciencializa&ccedil;&atilde;o dos consumidores sobre a import&acirc;ncia da efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica, levando-os a alterar os seus comportamentos de consumo. Exemplos desta opera&ccedil;&atilde;o de sedu&ccedil;&atilde;o para consumos energeticamente mais eficientes s&atilde;o a inclus&atilde;o de manuais de instru&ccedil;&otilde;es sobre como potenciar a efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica nos electrodom&eacute;sticos rotulados como mais eficientes &mdash; esclarecendo sobre aspectos como as temperaturas de lavagem, carga de funcionamento, utiliza&ccedil;&atilde;o e dist&acirc;ncia de instala&ccedil;&atilde;o dos equipamentos de frio, controlo do <i>stand-by </i>dos aparelhos, utiliza&ccedil;&atilde;o de sensores e temporizadores &mdash;, ou a cria&ccedil;&atilde;o de campanhas de divulga&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas de eco-condu&ccedil;&atilde;o de ve&iacute;culos, p&uacute;blicos e privados (j&aacute; praticadas em algumas escolas de condu&ccedil;&atilde;o).</p>     <p>Para al&eacute;m destas ac&ccedil;&otilde;es mais direccionadas, continuar&atilde;o a ser desenvolvidas campanhas junto da comunidade escolar, actividades desportivas em parceria com institui&ccedil;&otilde;es e empresas de refer&ecirc;ncia na &aacute;rea da energia, e atribui&ccedil;&atilde;o de pr&eacute;mios para a divulga&ccedil;&atilde;o e sensibiliza&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o escolar para a tem&aacute;tica da efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica.</p>     <p>O PNAEE refere ainda, em sede de altera&ccedil;&atilde;o comportamental, a substitui&ccedil;&atilde;o de contadores tradicionais por contadores inteligentes que, como vimos acima, &eacute; j&aacute; uma realidade &mdash; restando ver como &eacute; assimilada pelos consumidores.</p> </font> <!--sub TÓPICO-->     <p>&nbsp;</p>     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>2.6. Agricultura</b></font> </p> <!--CORPO DE TEXTO--> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">     <p>Este dom&iacute;nio &eacute; totalmente novo no PNAEE2013-2016, o que torna imposs&iacute;vel fazer qualquer balan&ccedil;o. Pretende-se com esta linha de actua&ccedil;&atilde;o promover a actualiza&ccedil;&atilde;o e a renova&ccedil;&atilde;o dos parques de maquinaria agr&iacute;cola e florestal e introduzir melhorias nas esta&ccedil;&otilde;es elevat&oacute;rias e sistemas de rega &mdash; opera&ccedil;&otilde;es sustentadas em diagn&oacute;sticos e auditorias &agrave;s atividades do sector &mdash;, tendo em aten&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&oacute; o plano da efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica como o da efici&ecirc;ncia h&iacute;drica (de acordo com o <i>Plano Nacional de Ac&ccedil;&atilde;o para o Uso Eficiente de &Aacute;gua</i> 2012-2020)<sup><a title="" href="http://nektarbrand.com/maquetes/e-publica/v3n3a014.html#_ftn45" name="_ftnref45">45</a></sup>.</p> </font> <!--TÓPICO-->     <p>&nbsp;</p>     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" style="text-transform:uppercase" size="3"><b>3. A efici&ecirc;ncia da estrat&eacute;gia de efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica em Portugal</b></font> </p> <!--CORPO DE TEXTO--> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Testar a efici&ecirc;ncia do PNAEE2013-2016 n&atilde;o se afigura f&aacute;cil &mdash; desde logo em virtude da recente finaliza&ccedil;&atilde;o da sua execu&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m porque os dados afer&iacute;veis at&eacute; agora n&atilde;o se encontram dispon&iacute;veis, pelo menos onde seria expect&aacute;vel. &Eacute; deveras curioso que, por exemplo, no site do programa <i>Eco.AP</i>, o <i>Bar&oacute;metro Eco.AP,</i> criado na sequ&ecirc;ncia da resolu&ccedil;&atilde;o da Assembleia da Rep&uacute;blica <i>supra</i> referenciada e que tem por objetivo caraterizar, comparar e divulgar publicamente o desempenho energ&eacute;tico dos servi&ccedil;os, se encontre em reformula&ccedil;&atilde;o h&aacute; v&aacute;rios meses, nada se conseguindo aferir sobre os objectivos tra&ccedil;ados no PNAEE, ainda que reportados a 2014 ou 2015. Por seu turno, na p&aacute;gina do PNAEE, constam apenas dados at&eacute; ao ano de 2013<sup><a title="" href="http://nektarbrand.com/maquetes/e-publica/v3n3a014.html#_ftn46" name="_ftnref46">46</a></sup>.</p>     <p>A acreditar na concretiza&ccedil;&atilde;o das projec&ccedil;&otilde;es, em termos de economia de energia prim&aacute;ria, a previs&atilde;o para 2020 &eacute; de ganhos de 800 milh&otilde;es de euros, que poder&atilde;o ascender a 850 milh&otilde;es se considerarmos tamb&eacute;m os ganhos com redu&ccedil;&atilde;o de emiss&otilde;es de CO<sub>2</sub>. E a estimativa da poupan&ccedil;a induzida pelo PNAEE at&eacute; 2016 &eacute; de 1501 ktep, correspondente a uma redu&ccedil;&atilde;o do consumo energ&eacute;tico de aproximadamente 8,2% relativamente &agrave; m&eacute;dia do consumo verificada no per&iacute;odo entre 2001 e 2005, o que se aproxima da meta indicativa definida pela Uni&atilde;o Europeia de 9% de poupan&ccedil;a de energia at&eacute; 2016 &mdash; mas n&atilde;o nos esque&ccedil;amos que o anterior Governo subiu a fasquia para 25% de ganhos em efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica em 2020, e que o actual ainda se prop&ocirc;s fazer melhor (30% em 2030, com papel cimeiro para a Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica<sup><a title="" href="http://nektarbrand.com/maquetes/e-publica/v3n3a014.html#_ftn47" name="_ftnref47">47</a></sup>), o que pode comprometer o &ecirc;xito do PNAEE2013-2016 e exigir esfor&ccedil;os desmesurados (e porventura irrealistas) ao pr&oacute;ximo PNAEE &mdash; que ainda n&atilde;o existe...</p>     <p>As excep&ccedil;&otilde;es ao cumprimento de obriga&ccedil;&otilde;es de desempenho energ&eacute;tico, vertidas sobretudo no Decreto-Lei n.&ordm; 68-A/2015, de 30 de Abril, n&atilde;o ajudam a credibilizar o objectivo tra&ccedil;ado: recordem-se as amplas isen&ccedil;&otilde;es de que gozam aquisi&ccedil;&otilde;es e arrendamentos de edif&iacute;cios p&uacute;blicos, bem como aquelas de que gozam as PMEs. Acrescem outras derroga&ccedil;&otilde;es, como as verificadas no &acirc;mbito da reabilita&ccedil;&atilde;o de im&oacute;veis, a que aludimos, ao abrigo do Decreto-Lei n.&ordm; 53/2014, de 8 de Abril. Ressalte-se ainda que o Fundo de Efici&ecirc;ncia Energ&eacute;tica, criado em 2010, tinha, em 31 de Dezembro de 2015, um fundo patrimonial de 8.491.084,84&euro;, do qual saiu, em 2015, um total de 206.305,39&euro; para financiamento de apenas tr&ecirc;s projectos &mdash; um saldo francamente baixo<sup><a title="" href="http://nektarbrand.com/maquetes/e-publica/v3n3a014.html#_ftn48" name="_ftnref48">48</a></sup>.</p>     <p>O sucesso absoluto do PNAEE no plano de efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica pode tamb&eacute;m estar de algum modo &ldquo;mascarado&rdquo; pela sua associa&ccedil;&atilde;o ao PNAER. Isto porque o impacto estimado do PNAEE, em palavras do seu pr&oacute;prio lote de considerandos iniciais, &ldquo;&eacute; suscet&iacute;vel de ser medido diretamente na vertente associada &agrave; redu&ccedil;&atilde;o das importa&ccedil;&otilde;es de combust&iacute;veis f&oacute;sseis, bem como na diminui&ccedil;&atilde;o das emiss&otilde;es de gases com efeito de estufa, medidas em emiss&otilde;es de CO<sub>2</sub> equivalentes&rdquo;. Trata-se aqui de uma &ldquo;dimens&atilde;o&rdquo; de efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica que n&atilde;o &eacute; aferida pelo potencial de maximiza&ccedil;&atilde;o da energia final mas antes pelo &iacute;ndice de redu&ccedil;&atilde;o da componente f&oacute;ssil no <i>mix</i> energ&eacute;tico.</p>     <p>Note-se que, al&eacute;m de ganhos directos em efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica, o PNAEE preconiza tamb&eacute;m a realiza&ccedil;&atilde;o de benef&iacute;cios indirectos &mdash; n&atilde;o quantificados &mdash;, como a cria&ccedil;&atilde;o de emprego associado &agrave; sua execu&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m disso, existem ainda benef&iacute;cios mais difusos: pense-se na melhoria da qualidade do ar nas cidades em raz&atilde;o da diminui&ccedil;&atilde;o de utiliza&ccedil;&atilde;o de ve&iacute;culos para transporte particular promovida pela transi&ccedil;&atilde;o para modos de transporte suaves ou para o transporte p&uacute;blico &mdash; com impacto positivo, a curto e m&eacute;dio prazo, nos custos com a sa&uacute;de p&uacute;blica, a qual, por sua vez, tem tamb&eacute;m reflexos sobre a atividade econ&oacute;mica e a produtividade.</p>     <p>A aferi&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica dos ganhos em efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica &eacute;, de facto, muito complexa, e os progressos dos ind&iacute;ces obtidos est&atilde;o muito dependentes da altera&ccedil;&atilde;o de comportamentos dos consumidores, plano no qual a aleatoriedade facilmente se introduz. Pensamos, por exemplo, no efeito perverso que um esc&acirc;ndalo como o do falseamento dos dados das emiss&otilde;es dos motores a diesel dos veiculos da marca Volkswagen pode provocar nos consumidores, que v&ecirc;em frustradas as suas expectativas de contribui&ccedil;&atilde;o para a luta contra as altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas. Acresce que, malgrado a forte consci&ecirc;ncia ambiental no Estados-membros do norte da Europa, nos Estados do sul, sobretudo em raz&atilde;o da conjuntura econ&oacute;mica de crise, o factor principal de incentivo para gerar efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica n&atilde;o &eacute; o ambiental mas o de conten&ccedil;&atilde;o de custos e equil&iacute;brio do or&ccedil;amento familiar &mdash; no qual uma an&aacute;lise de curto prazo tem um papel primordial.</p>     <p>Diga-se, de resto, que o cen&aacute;rio t&atilde;o-pouco se afigura promissor no plano da Uni&atilde;o Europeia. No Relat&oacute;rio apresentado pela Comiss&atilde;o, em final de 2015, ao Parlamento Europeu e ao Conselho, sobre o progresso feito pelos Estados-membros no plano da efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica com vista ao cumprimento dos objectivos da directiva 2012/27/UE<sup><a title="" href="http://nektarbrand.com/maquetes/e-publica/v3n3a014.html#_ftn49" name="_ftnref49">49</a></sup>, conclui-se, por um lado, que, no plano global dos (ainda) 28 Estados-membros, o consumo de energia aumentou (mesmo que em certos Estados tenha decrescido) e, por outro lado, que o incremento em efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica previsto fica, num conjunto muito significativo de Estados, muito abaixo do patamar dos 20% em 2020<sup><a title="" href="http://nektarbrand.com/maquetes/e-publica/v3n3a014.html#_ftn50" name="_ftnref50">50</a></sup>.</p>     <p>Estes dados justificam que a Comiss&atilde;o, na recente Comunica&ccedil;&atilde;o Energia Limpa para os Europeus<sup><a title="" href="http://nektarbrand.com/maquetes/e-publica/v3n3a014.html#_ftn51" name="_ftnref51">51</a></sup> tenha apelado a um aumento do esfor&ccedil;o dos Estados membros neste campo, invocando desde logo o compromisso assumido no Acordo de Paris <sup><a title="" href="http://nektarbrand.com/maquetes/e-publica/v3n3a014.html#_ftn52" name="_ftnref52">52</a></sup>.</p> </font> <!--TÓPICO-->     <p>&nbsp;</p>     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" style="text-transform:uppercase" size="3"><b>4. <i>Back to basics?</i> O dilema ambiental da efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica</b></font> </p> <!--CORPO DE TEXTO--> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Depois deste breve p&eacute;riplo, que demonstra a complexidade de implementa&ccedil;&atilde;o de medidas verdadeiramente eficazes no plano da efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica &mdash; e desde logo de defini&ccedil;&atilde;o do conte&uacute;do desta no&ccedil;&atilde;o &mdash;, regressamos &agrave; interroga&ccedil;&atilde;o inicial, sobre a dupla filia&ccedil;&atilde;o, ambiental e energ&eacute;tica, desta pol&iacute;tica: ser&aacute; a efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica um objectivo amigo do ambiente?</p>     <p>Wolfgang SACHS, em finais da d&eacute;cada de 1990, advertia os mais entusiastas de que &ldquo;apelar &agrave; efici&ecirc;ncia de utiliza&ccedil;&atilde;o de recursos naturais, por si s&oacute;, turva uma vis&atilde;o de reformas ecol&oacute;gicas assente em duas traves-mestras: - o escrut&iacute;nio dos meios; acompanhado - da avalia&ccedil;&atilde;o dos objectivos em face destes. O mero incremento da efici&ecirc;ncia de utiliza&ccedil;&atilde;o dos recurso conduz a um beco sem sa&iacute;da se n&atilde;o for <i>pari passu</i> com uma atitude inteligente de conten&ccedil;&atilde;o de crescimento&rdquo;<sup><a title="" href="http://nektarbrand.com/maquetes/e-publica/v3n3a014.html#_ftn53" name="_ftnref53">53</a></sup>. Se atentarmos em que, desde finais dos anos 1960, a pegada ecol&oacute;gica da Humanidade duplicou; em que, desde os anos 1980 excedemos a biocapacidade do Planeta em 25%<sup><a title="" href="http://nektarbrand.com/maquetes/e-publica/v3n3a014.html#_ftn54" name="_ftnref54">54</a></sup>; em que, na &uacute;ltima d&eacute;cada, no m&ecirc;s de Agosto come&ccedil;amos a viver em sobrecapacidade<sup><a title="" href="http://nektarbrand.com/maquetes/e-publica/v3n3a014.html#_ftn55" name="_ftnref55">55</a></sup>, o que significa que precisar&iacute;amos, entre 1.5 Terra/ano (m&eacute;dia), a 4 Terras/ano (cidad&atilde;o dos EUA) ou 5.5 Terras/ano (cidad&atilde;o dos Emirados &Aacute;rabes Unidos) para satisfazer as nossas necessidades, entre b&aacute;sicas e sup&eacute;rfluas<sup><a title="" href="http://nektarbrand.com/maquetes/e-publica/v3n3a014.html#_ftn56" name="_ftnref56">56</a></sup>; as palavras de SACHS ganham ainda mais sentido e o objectivo de &ldquo;efici&ecirc;nca energ&eacute;tica&rdquo; pode ser, afinal, uma desculpa para manter o ritmo de consumo em crescendo com o mesmo (ou maior) &iacute;ndice de energia final.</p>     <p>Significar&aacute; isso que a solu&ccedil;&atilde;o passa, n&atilde;o por fazer mais com o mesmo, mas antes por fazer menos com menos? Que o caminho &eacute; adoptar uma atitude de &ldquo;sensata frugalidade&rdquo; (&ldquo;wisdom of frugality&rdquo;), como advoga RUDIN, abandonando a vertigem da sociedade de consumo e (re)construindo a sociedade por apelo a um modelo de &ldquo;simplicidade volunt&aacute;ria&rdquo;, baseado em produ&ccedil;&atilde;o local e economias de pequena escala<sup><a title="" href="http://nektarbrand.com/maquetes/e-publica/v3n3a014.html#_ftn57" name="_ftnref57">57</a></sup>?</p>     <p>Estas interroga&ccedil;&otilde;es s&atilde;o, como real&ccedil;a HERRING, mais &eacute;ticas do que t&eacute;cnicas e mais culturais do que econ&oacute;micas<sup><a title="" href="http://nektarbrand.com/maquetes/e-publica/v3n3a014.html#_ftn58" name="_ftnref58">58</a></sup>. Para al&eacute;m de quest&otilde;es de pol&iacute;tica energ&eacute;tica, que ultrapassam a reflex&atilde;o sobre como poupar na factura energ&eacute;tica, est&aacute; aqui em causa uma no&ccedil;&atilde;o altamente difusa e subjectiva, que se traduz no que cada sociedade, cada indiv&iacute;duo, entende por &ldquo;qualidade de vida&rdquo;. Parafraseando HERRING e concluindo, &ldquo;trata-se de velhas quest&otilde;es: o consenso sobre solu&ccedil;&otilde;es pr&aacute;ticas de &laquo;sufici&ecirc;ncia&raquo; levar&aacute; tempo. No entretanto, a efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica dever&aacute; constituir uma ferramenta valiosa para gerar economias dom&eacute;sticas e estimular a produtividade, independentemente do efeito de redu&ccedil;&atilde;o de energia final que efectivamente possa gerar&rdquo;<sup><a title="" href="http://nektarbrand.com/maquetes/e-publica/v3n3a014.html#_ftn59" name="_ftnref59">59</a></sup>.</p> </font>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <!-- NOTAS --> <a href="#_ftnref1" name="_ftn1" title="">1</a> Este artigo constitui a vers&atilde;o desenvolvida da interven&ccedil;&atilde;o da autora no <i>I Congreso Internacional sobre el Derecho de las Energias Renovables y la Eficiencia Energ</i>     <br>      <br>  <a href="#_ftnref2" name="_ftn2" title="">2</a> Professora Auxiliar da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Investigadora do CIDP.     <br>      <br>  <a href="#_ftnref3" name="_ftn3" title="">3</a> Chamando a aten&ccedil;&atilde;o para a complexidade e, apesar da profus&atilde;o de conceitos, o car&aacute;cter lacunar da directiva europeia da efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica de 2013, Orsolya B&Aacute;NYAI e L&aacute;szl&oacute; FODOR (Energy efficiency obligation schemes in the energy efficiency directive &ndash; an environmental assessment,<i> Environmental engineering and management journal, </i>2014/11, ponto 3), de onde est&atilde;o ausentes, de entre 45 defini&ccedil;&otilde;es, os termos &ldquo;intensidade energ&eacute;tica&rdquo;, &ldquo;economias de energia prim&aacute;ria&rdquo; e &ldquo;economias de energia final&rdquo;. Os autores afirmam mesmo que &ldquo;All of these contribute to the complexity and often ambiguous (indecisive) phrasing of the Directive&rsquo;s text. It may be said that the EED is the longest (56 pages in the Official Journal) energetic legal act of recent times as well as the most difficult to understand&rdquo; (ponto 6)     ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     <!-- ref --><br> <a href="#_ftnref4" name="_ftn4" title="">4</a> Barbara SCHLOMANN, Clemens ROHDE, Patrick PL&Ouml;TZ, Dimensions of energy efficiency in a political context,<i> Energy Efficiency</i>, 2015, pp. 97 segs, 101 e 103.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1799176&pid=S2183-184X201600030001400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><br>     <br> <a href="#_ftnref5" name="_ftn5" title="">5</a> COM (2011) 109 final.     <br>     <br> <a href="#_ftnref6" name="_ftn6" title="">6</a> <i>Plano para a Efici&ecirc;ncia Energ&eacute;tica</i>, p. 2, nota 2.     <br>     <br> <a href="#_ftnref7" name="_ftn7" title="">7</a> Andrew RUDIN, How improved efficiency harms the Environment<b>, </b>1999, dispon&iacute;vel em <a href="http://home.earthlink.net/~andrewrudin/article.html" target="_blank">http://home.earthlink.net/~andrewrudin/article.html</a>     <br>     <br> <a href="#_ftnref8" name="_ftn8" title="">8</a> Horace HERRING, Energy efficiency: a critical view, <i>in Energy,</i> n&ordm; 31, 2006, pp. 10 segs, 10 &mdash; o autor ilustra o fen&oacute;meno aparentemente contradit&oacute;rio de a efici&ecirc;ncia gerar aumento de consumo com v&aacute;rios exemplos de h&aacute; muito coligidos pelos economistas (pp. 11 segs).     ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     <br> <a href="#_ftnref9" name="_ftn9" title="">9</a> Para uma panor&acirc;mica das pol&iacute;ticas de efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica noutros ordenamentos jur&iacute;dicos, vejam-se Howard GELLER <i>et alli,</i> <i>Policies for increasing energy efficiency: Thirty years of experience in OECD countries, </i>Energy Policy, vol. 34, Mar&ccedil;o 2006, pp. 556 segs; D. Yogi GOSWAMI, Frank KREITH, <i>Handbook of Energy Efficiency and Renewable Energy</i>, Boca Raton, 2007, 2-1 segs; Mark NEWBERY, Silka GOLDBERG, <i>The European Energy Handbook. A survey of current issues in the European Energy sector, 9&ordf; ed, 2015 &mdash; </i>dispon&iacute;vel em <a href="https://www.cobalt.legal/file/repository/publications/pdf/European_Energy_Handbook_2015.pdf" target="_blank">https://www.cobalt.legal/file/repository/publications/pdf/European_Energy_Handbook_2015.pdf</a>     <br>     <br> <a href="#_ftnref10" name="_ftn10" title="">10</a> Leia-se o considerando 3&ordm; do Pre&acirc;mbulo: &ldquo;Considerando que o artigo 130R do Tratado exige uma utiliza&ccedil;a&#771;o prudente e racional dos recursos naturais; que a utiliza&ccedil;a&#771;o racional da energia e&#769; um dos principais meios para alcan&ccedil;ar este objectivo e reduzir a polui&ccedil;a&#771;o do ambiente...&rdquo;.     <br>      <br>  <a href="#_ftnref11" name="_ftn11" title="">11</a> Sobre a IPP, veja-se Carla AMADO GOMES, Consumo sustent&aacute;vel&nbsp;: ter ou ser, eis a quest&atilde;o&hellip;, <i>Revista do Minist&eacute;rio P&uacute;blico,</i> n.&ordm; 136, 2013, pp. 29 segs.     <br>     <br> <a href="#_ftnref12" name="_ftn12" title="">12</a> Directiva hoje revogada pela directiva 2006/32/CE, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 5 de Abril.     <br>     <br> <a href="#_ftnref13" name="_ftn13" title="">13</a> Sobre a pol&iacute;tica de efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica na Uni&atilde;o Europeia, veja-se <i>EU Energy Law: Vol. VII: Energy Efficiency in the European Union</i>, Joseph Curtin (ed.), Deventer/Heverlee, 2014.     ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     <br> <a href="#_ftnref14" name="_ftn14" title="">14</a> COM (2005) 265 final, de 22 de Junho de 2005.     <br>     <!-- ref --><br> <a href="#_ftnref15" name="_ftn15" title="">15</a> Cfr. o <i>Livro Verde sobre Efici&ecirc;ncia Energ&eacute;tica</i>, a pag. 14.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1799198&pid=S2183-184X201600030001400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><br>     <!-- ref --><br> <a href="#_ftnref16" name="_ftn16" title="">16</a> Sobre esta directiva, veja-se Suzana TAVARES DA SILVA, Direito da Energia, Coimbra, 2011, pp. 207-210.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1799200&pid=S2183-184X201600030001400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><br>     <br> <a href="#_ftnref17" name="_ftn17" title="">17</a> Recorde-se que ao sector p&uacute;blico j&aacute; fora destinado um papel de relevo na directiva 31/2010, no tocante ao desempenho energ&eacute;tico dos edif&iacute;cios p&uacute;blicos.     <br>     <br> <a href="#_ftnref18" name="_ftn18" title="">18</a> COM (2008) 772 final, de 13 de Novembro.     ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     <br> <a href="#_ftnref19" name="_ftn19" title="">19</a> &ldquo;Substantial steps have been taken towards this objective &ndash; notably in the appliances and buildings markets. Nonetheless, recent Commission estimates suggest that the EU is on course to achieve only half of the 20% objective. The EU needs to act now to get on track to achieve its target&rdquo;.     <br>     <br> <a href="#_ftnref20" name="_ftn20" title="">20</a> Sobre esta directiva, vejam-se Orsolya B&Aacute;NYAI e L&aacute;szl&oacute; FODOR, Energy efficiency obligation&hellip;,<i>cit., passim</i>.     <br>     <br> <a href="#_ftnref21" name="_ftn21" title="">21</a> <i>Mtep</i> &eacute; uma unidade de medida de energia (tonelada equivalente a petr&oacute;leo; um Mtep equivale a 106 toneladas de petr&oacute;leo); <i>energia prim&aacute;ria</i> &eacute; a energia tal como entra no sistema, ou seja, as fontes de energia (carv&atilde;o; petr&oacute;leo; &aacute;gua; vento), enquanto <i>energia final</i> corresponde &agrave; energia disponibilizada, nas suas v&aacute;rias formas (electricidade, combust&iacute;veis, g&aacute;s).<br /> Porque a energia prim&aacute;ria sofre transforma&ccedil;&otilde;es para dar origem &agrave; energia final (por exemplo, o carv&atilde;o &ndash; energia prim&aacute;ria - pode produzir electricidade &ndash; energia final), e essas transforma&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m sempre um rendimento inferior &agrave; unidade, a energia prim&aacute;ria &eacute; sempre maior que a energia final que lhe corresponde. Por exemplo, se uma central el&eacute;ctrica tiver um rendimento de 40%, isso significa que por cada 100 unidades de energia prim&aacute;ria entrada na central (por exemplo carv&atilde;o), apenas se obt&ecirc;m 40 unidades de energia final (energia el&eacute;ctrica).<br /> Este mesmo racioc&iacute;nio &eacute; tamb&eacute;m aplic&aacute;vel &agrave;s transforma&ccedil;&otilde;es que sofre a energia final no utilizador, para que este disponha da energia de que carece (<i>energia &uacute;til</i>) sob a forma, por exemplo, de calor, energia motriz, ilumina&ccedil;&atilde;o.     <br>     <br> <a href="#_ftnref22" name="_ftn22" title="">22</a> Assinala-se a pend&ecirc;ncia de um pedido de decis&atilde;o prejudicial junto do Tribunal de Justi&ccedil;a da Uni&atilde;o Europeia, remetido pelo Tribunal Supremo de Espanha em 6 de Novembro de 2016, no &acirc;mbito de um processo que envolve a empresa <i>Saras Energia S.A.</i> e a <i>Administraci&oacute;n del Estado, </i>ao qual foi atribu&iacute;do o n&ordm; de processo C-561/16, e cujas quest&otilde;es s&atilde;o as seguintes: <br /> <i>&ldquo;</i>&Eacute; compat&iacute;vel com o artigo 7.&deg;, n.&ordm;&nbsp;1 e 9, da Diretiva 2012/27/UE&nbsp;uma regulamenta&ccedil;&atilde;o de um Estado-Membro que estabelece um regime nacional de obriga&ccedil;&atilde;o de efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica cujo cumprimento prim&aacute;rio consiste numa contribui&ccedil;&atilde;o financeira anual para um Fundo Nacional de Efici&ecirc;ncia Energ&eacute;tica criado ao abrigo do disposto no artigo 20.&deg;, n.&deg;&nbsp;4, da referida Diretiva? <br /> &Eacute; compat&iacute;vel com os artigos 7.&deg;, n.&deg;&nbsp;1, e 20.&deg;, n.&deg;&nbsp;6, da Diretiva 2012/27/UE uma regulamenta&ccedil;&atilde;o nacional que prev&ecirc; a possibilidade de cumprir as obriga&ccedil;&otilde;es de economia energ&eacute;tica atrav&eacute;s da certifica&ccedil;&atilde;o da economia conseguida, como uma alternativa &agrave; contribui&ccedil;&atilde;o financeira para um Fundo Nacional de Efici&ecirc;ncia Energ&eacute;tica?<br /> Em caso de resposta afirmativa &agrave; quest&atilde;o anterior, &eacute; compat&iacute;vel com os citados artigos 7.&deg;, n.&deg;&nbsp;1, e 20.&deg;, n.&deg;&nbsp;6, da Diretiva [2012/27/UE] a previs&atilde;o da referida possibilidade alternativa de cumprimento das obriga&ccedil;&otilde;es de economia energ&eacute;tica quando a sua exist&ecirc;ncia efetiva depende de o Governo a implementar discricionariamente por via regulamentar? <br /> E, neste contexto, &eacute; tal regulamenta&ccedil;&atilde;o compat&iacute;vel quando o Governo n&atilde;o proceda &agrave; implementa&ccedil;&atilde;o da referida alternativa?<br /> &Eacute; compat&iacute;vel com o artigo 7.&deg;, n.os&nbsp;1 e 4, da Diretiva [2012/27/UE] um regime nacional que considera partes sujeitas a obriga&ccedil;&atilde;o de efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica apenas as empresas de venda de energia a retalho e n&atilde;o os distribuidores?<br /> Em caso de resposta afirmativa &agrave; quest&atilde;o anterior, &eacute; compat&iacute;vel com os referidos n&uacute;meros do artigo 7.&deg; a designa&ccedil;&atilde;o das empresas de venda de energia a retalho como partes sujeitas a obriga&ccedil;&atilde;o, sem determinar os motivos que levam a n&atilde;o considerar como tal os distribuidores de energia?&rdquo;.     <br>     <br> <a href="#_ftnref23" name="_ftn23" title="">23</a> Acentuando este aspecto, Orsolya B&Aacute;NYAI e L&aacute;szl&oacute; FODOR, Energy efficiency obligation&hellip;, <i>cit.</i>, ponto 6.     ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     <br> <a href="#_ftnref24" name="_ftn24" title="">24</a> Que, segundo alguns, ser&aacute; mesmo mais eficaz do que estrat&eacute;gia de manuten&ccedil;&atilde;o do <i>status quo</i> atrav&eacute;s de medidas tecnol&oacute;gicas de incremento da efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica, demandando, no entanto, incentivos, por exemplo consubstanciados numa remunera&ccedil;&atilde;o da energia poupada (<i>feed-in tariff</i>) &mdash; Paolo BERTOLDI, Silvia REZESSY, Vlasis OIKONOMOU, Rewarding energy savings rather than energy efficiency: Exploring the concept of a feed-in tariff for energy savings, <i>Energy Policy</i>, n&ordm; 56, 2013, pp. 526 segs.     <br>     <br> <a href="#_ftnref25" name="_ftn25" title="">25</a> A notifica&ccedil;&atilde;o pode ser consultada na p&aacute;gina da DGEG : <a href="http://www.dgeg.pt" target="_blank">www.dgeg.pt</a>     <br>     <br> <a href="#_ftnref26" name="_ftn26" title="">26</a> Aprovada pela Resolu&ccedil;&atilde;o do Conselho de Ministros n.&ordm; 169/2005, de 24 de Outubro, hoje substitu&iacute;da pela Resolu&ccedil;&atilde;o do Conselho de Ministros n.&ordm; 29/2010, de 15 de Abril.     <br>     <br> <a href="#_ftnref27" name="_ftn27" title="">27</a> Rui PENA, Resposta &agrave; quest&atilde;o 2. Como descreveria o quadro normativo portugu&ecirc;s quanto &agrave; promo&ccedil;&atilde;o da efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica?, <i>O Direito da Energia em Portugal: cinco quest&otilde;es sobre o &ldquo;estado da arte</i>&rdquo;, coord. de Carla Amado Gomes, org. de Bernardo Galv&atilde;o Lucas <i>et alli,</i> Lisboa, 2016, pp. 61-63.     <br>     <br> <a href="#_ftnref28" name="_ftn28" title="">28</a> Como se pode ler na Introdu&ccedil;&atilde;o, ponto 1.1., do PNAEE 2013-2016, &ldquo;O consumo de energia prim&aacute;ria registou uma redu&ccedil;&atilde;o de 1% face a 2010. A queda do Produto Interno Bruto (PIB) em 2011 &eacute; um dos principais fatores que justificam esta tend&ecirc;ncia, verificando-se que a recess&atilde;o econ&oacute;mica alterou significativamente os padr&otilde;es nacionais de consumo de energia prim&aacute;ria e as expectativas de evolu&ccedil;&atilde;o at&eacute; 2020&rdquo;.     ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     <br> <a href="#_ftnref29" name="_ftn29" title="">29</a> Refira-se, no entanto e <i>a latere</i>, que os utentes reclamam mais, nomeadamente, a cria&ccedil;&atilde;o de passes combinados sem pagar servi&ccedil;os de que n&atilde;o necessitam e a maior fiabilidade dos hor&aacute;rios.     <br>     <br> <a href="#_ftnref30" name="_ftn30" title="">30</a> Este esfor&ccedil;o tem sido maioritariamente desenvolvido pelos munic&iacute;pios.     <br>     <br> <a href="#_ftnref31" name="_ftn31" title="">31</a> Sobre este ponto, vejam-se Jos&eacute; Eduardo FIGUEIREDO DIAS<i> &mdash; </i>A certifica&ccedil;&atilde;o e a efici&ecirc;ncia energ&eacute;ticas dos edif&iacute;cios, <i>Cadernos O Direito &ndash; Temas de Direito da Energia</i>, n&ordm; 3, 2008, pp. 139 segs; Miguel ASSIS RAIMUNDO, <i>Efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica, sector imobili&aacute;rio e Ambiente</i>, Actas do Col&oacute;quio Ambiente &amp; Energia, org. de Carla Amado Gomes e Tiago Antunes, ICJP, 2011, pp. 179 segs &mdash; dispon&iacute;vel em <a href="https://www.icjp.pt/sites/default/files/media/ebook_ambienteenergia_completo_isbn.pdf" target="_blank">https://www.icjp.pt/sites/default/files/media/ebook_ambienteenergia_completo_isbn.pdf</a>.     <br>     <br> <a href="#_ftnref32" name="_ftn32" title="">32</a> Entre 2007-2012, a m&eacute;dia anual dos registos para estes edif&iacute;cios foi de 19,3 mil fogos residenciais, dos quais 7,7% respeitam a grandes remodela&ccedil;&otilde;es.     <br>     <br> <a href="#_ftnref33" name="_ftn33" title="">33</a> Reabilita&ccedil;&atilde;o urbana, segundo o artigo 2&ordm; do Decreto-Lei n.&ordm; 53/2014, citado no texto, traduz-se em &ldquo;reabilita&ccedil;&atilde;o de edif&iacute;cios ou de fra&ccedil;&otilde;es, conclu&iacute;dos h&aacute; pelo menos 30 anos ou localizados em &aacute;reas de reabilita&ccedil;&atilde;o urbana, sempre que se destinem a ser afetos total ou predominantemente ao uso habitacional e desde que a opera&ccedil;&atilde;o urban&iacute;stica n&atilde;o origine desconformidades, nem agrave as existentes, ou contribua para a melhoria das condi&ccedil;&otilde;es de seguran&ccedil;a e salubridade do edif&iacute;cio ou fra&ccedil;&atilde;o&rdquo; (n.&ordm; 1). Constituem opera&ccedil;&otilde;es de reabilita&ccedil;&atilde;o: &ldquo;<i>a) </i>Obras de conserva&ccedil;&atilde;o;&#8232;<i>b) </i>Obras de altera&ccedil;&atilde;o;&#8232;<i>c) </i>Obras de reconstru&ccedil;&atilde;o;&#8232;<i>d) </i>Obras de constru&ccedil;&atilde;o ou de amplia&ccedil;&atilde;o, na medida em que sejam condicionadas por circunst&acirc;ncias preexistentes que impossibilitem o cumprimento da legisla&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica aplic&aacute;vel, desde que n&atilde;o ultrapassem os alinhamentos e a c&eacute;rcea superior das edifica&ccedil;&otilde;es confinantes mais elevadas e n&atilde;o agravem as condi&ccedil;&otilde;es de salubridade ou seguran&ccedil;a de outras edifica&ccedil;&otilde;es; <i>e) </i>Altera&ccedil;&otilde;es de utiliza&ccedil;&atilde;o&rdquo; (n.&ordm; 2). Sobre o regime em vigor, Ana Fernanda NEVES, <i>Reabilita&ccedil;&atilde;o de pr&eacute;dios nos centros hist&oacute;ricos</i>, Quest&otilde;es Atuais de Direito Local, n.&ordm; 11, 2016, pp. 31 segs.     ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     <br> <a href="#_ftnref34" name="_ftn34" title="">34</a> Quanto &agrave; remunera&ccedil;&atilde;o no &acirc;mbito do regime especial, veja-se o artigo 4&ordm;A do Decreto-Lei 23/2010, de 25 de Mar&ccedil;o, na redac&ccedil;&atilde;o que lhe foi dada pelo Decreto-Lei n.&ordm; 68-A/2015, de 30 de Abril (que assenta fundamentalmente numa tarifa de refer&ecirc;ncia acrescida de um pr&eacute;mio de elevada efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica, &ldquo;calculado em fun&ccedil;&atilde;o da poupan&ccedil;a de energia prima&#769;ria realizada na cogera&ccedil;a&#771;o quando esta seja de elevada efici&ecirc;ncia&rdquo; e pago na condi&ccedil;&atilde;o &ldquo;de a eletricidade produzida em cogera&ccedil;a&#771;o e o calor residual serem efetivamente utilizados para realizar economias de energia prima&#769;ria&rdquo;).     <br>     <br> <a href="#_ftnref35" name="_ftn35" title="">35</a> Entrevista dispon&iacute;vel em  <a href="http://www.energiainteligente.pt/2016/06/28/3099/" target="_blank">http://www.energiainteligente.pt/2016/06/28/3099/</a>     <br>     <br> <a href="#_ftnref36" name="_ftn36" title="">36</a> O Sistema de Gest&atilde;o de Consumos Intensivos de Energia aplica-se &agrave;s instala&ccedil;&otilde;es Consumidoras Intensivas de Energia (CIE) que no ano civil imediatamente anterior tenham tido um consumo energ&eacute;tico superior a 500 tep/ano, com excep&ccedil;&atilde;o das instala&ccedil;&otilde;es de cogera&ccedil;&atilde;o juridicamente aut&oacute;nomas dos respectivos consumidores de energia.     <br>     <br> <a href="#_ftnref37" name="_ftn37" title="">37</a> Segundo dados da PORDATA, as PMEs constituem 99,9% das empresas portuguesas &mdash;<a href="http://www.pordata.pt/Portugal/Pequenas+e+m&eacute;dias+empresas+em+percentagem+do+total+de+empresas+total+e+por+dimens&atilde;o-2859" target="_blank">http://www.pordata.pt/Portugal/Pequenas+e+m&eacute;dias+empresas+em+percentagem+do+total+de+empresas+total+e+por+dimens&atilde;o-2859</a>.     <br>     <br> <a href="#_ftnref38" name="_ftn38" title="">38</a> Uma das solu&ccedil;&otilde;es introduzidas por esta Resolu&ccedil;&atilde;o consubstancia-se na figura do Gestor Local de Energia, a designar por todos os servi&ccedil;os e organismos da administra&ccedil;&atilde;o direta e indireta do Estado, bem como as empresas p&uacute;blicas, as universidades, as entidades p&uacute;blicas empresariais, as funda&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas, as associa&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas ou privadas com capital maioritariamente p&uacute;blico, ficando este gestor respons&aacute;vel pela dinamiza&ccedil;&atilde;o e verifica&ccedil;&atilde;o das medidas para a melhoria da efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica.     ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     <br> <a href="#_ftnref39" name="_ftn39" title="">39</a> Sobre este ponto, veja-se Pedro PEIXOTO DE SOUSA, <i>Optimiza&ccedil;&atilde;o da  efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica em edif&iacute;cios p&uacute;blicos</i>, tese de mestrado apresentada na Faculdade de Engenharia da  Universidade do Porto, no &acirc;mbito do Mestrado Integrado em Engenharia Eletrot&eacute;cnica e de Computadores, Porto, 2016 &mdash;  dispon&iacute;vel em <a href="http://www.webcache.googleusercontent.com" target="_blank">www.webcache.googleusercontent.com</a>     <br>     <br> <a href="#_ftnref40" name="_ftn40" title="">40</a> Realce-se ainda o fomento de uma pol&iacute;tica de compras p&uacute;blicas ecol&oacute;gicas na aquisi&ccedil;&atilde;o de equipamentos, bem como a promo&ccedil;&atilde;o de tecnologias de teleconfer&ecirc;ncia para a realiza&ccedil;&atilde;o de reuni&otilde;es.     <br>     <br> <a href="#_ftnref41" name="_ftn41" title="">41</a> Aprovada pela Resolu&ccedil;&atilde;o do Conselho de Ministros n.&ordm; 38/2016, de 29 de Julho (<i>Estrat&eacute;gia Nacional para as Compras P&uacute;blicas Ecol&oacute;gicas 2020</i>).     <br>     <br> <a href="#_ftnref42" name="_ftn42" title="">42</a> Assinale-se o <i>Programa da Mobilidade Sustent&aacute;vel para a Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica 2015-2020 (Eco-mob)</i>, no &acirc;mbito do qual se preconiza a substitui&ccedil;&atilde;o de um total de 1200 ve&iacute;culos convencionais por ve&iacute;culos el&eacute;ctricos, com redu&ccedil;&atilde;o de 20% de emiss&otilde;es de CO<sub>2 </sub>&mdash; aprovado pela Resolu&ccedil;&atilde;o do Conselho de Ministros n.&ordm; 54/2015, de 28 de Julho.     <br>     <br> <a href="#_ftnref43" name="_ftn43" title="">43</a> O PNAEE ilustra como exemplos de projectos deste tipo a instala&ccedil;&atilde;o de reguladores do fluxo luminoso, a substitui&ccedil;&atilde;o de lumin&aacute;rias e balastros ineficientes ou obsoletos, a substitui&ccedil;&atilde;o de l&acirc;mpadas de vapor de merc&uacute;rio por fontes de luz mais eficientes, a instala&ccedil;&atilde;o de tecnologias de controlo, gest&atilde;o e monitoriza&ccedil;&atilde;o da ilumina&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, e a substitui&ccedil;&atilde;o das fontes luminosas nos sistemas de controlo de tr&aacute;fego e pe&otilde;es por tecnologia LED.     ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     <br> <a href="#_ftnref44" name="_ftn44" title="">44</a> Sobre os edif&iacute;cios de baixas necessidades energ&eacute;ticas, veja-se Pedro BROGUEIRA ANDRADE, <i>Efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica em edif&iacute;cios: oportunidades e desafios,</i> tese de mestrado apresentada na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, no &acirc;mbito do Mestrado Integrado em Engenharia Eletrot&eacute;cnica e de Computadores, Porto, 2012, pp. 47-78 &mdash; dispon&iacute;vel em <a href="https://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:2BSnG3HTr6AJ:https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/65326/1/000151060.pdf+&amp;cd=1&amp;hl=pt-PT&amp;ct=clnk&amp;gl=pt&amp;client=safari">https://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:2BSnG3HTr6AJ:https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/65326/1/000151060.pdf+&amp;cd=1&amp;hl=pt-PT&amp;ct=clnk&amp;gl=pt&amp;client=safari</a>     <br>     <br> <a href="#_ftnref45" name="_ftn45" title="">45</a> Dispon&iacute;vel aqui: <a href="https://www.apambiente.pt/_zdata/CONSULTA_PUBLICA/2012/PNUEA/Implementacao-PNUEA_2012-2020_JUNHO.pdf" target="_blank">https://www.apambiente.pt/_zdata/CONSULTA_PUBLICA/2012/PNUEA/Implementacao-PNUEA_2012-2020_JUNHO.pdf</a>     <br>     <br> <a href="#_ftnref46" name="_ftn46" title="">46</a> Cfr.<a href="http://www.pnaee.pt/pnaee" target="_blank">http://www.pnaee.pt/pnaee</a>     <br>     <br> <a href="#_ftnref47" name="_ftn47" title="">47</a> Cfr. o Programa do XX Governo Constitucional (p. 48) em <a href="http://www.portugal.gov.pt/media/18167052/20151106-programa-governo.pdf" target="_blank">http://www.portugal.gov.pt/media/18167052/20151106-programa-governo.pdf</a>     <br>     <br> <a href="#_ftnref48" name="_ftn48" title="">48</a> O reduzido n&uacute;mero de projectos eleg&iacute;veis dever-se-&aacute; um tanto &agrave; pouca divulga&ccedil;&atilde;o da exist&ecirc;ncia do Fundo e outro tanto &agrave; falta de objectividade dos avisos dos concursos &mdash; cfr. o Relat&oacute;rio de Actividades e Contas do FEE em 2015 &ndash; dispon&iacute;vel em <a href="http://www.pnaee.pt/images/FEE-Relatorios/RC_2015_FEE.pdf">http://www.pnaee.pt/images/FEE-Relatorios/RC_2015_FEE.pdf</a>     ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     <br> <a href="#_ftnref49" name="_ftn49" title="">49</a> COM(2015) 574 final , de 18 de Novembro.     <br>     <br> <a href="#_ftnref50" name="_ftn50" title="">50</a> Comunica&ccedil;&atilde;o da Comiss&atilde;o ao Parlamento Europeu, ao Conselho, ao Comit&eacute; Econ&oacute;mico e Social, ao Comit&eacute; das Regi&otilde;es e ao Banco Europeu de Investimentos &mdash; COM(2016) 860 final, de 30 de Novembro de 2016 (dispon&iacute;vel aqui: <a href="https://ec.europa.eu/transparency/regdoc/rep/1/2016/EN/COM-2016-860-F1-EN-MAIN.PDF">https://ec.europa.eu/transparency/regdoc/rep/1/2016/EN/COM-2016-860-F1-EN-MAIN.PDF</a>)     <br>     <br> <a href="#_ftnref51" name="_ftn51" title="">51</a> A Comunica&ccedil;&atilde;o assenta em tr&ecirc;s pilares, constituindo o primeiro a primazia do objectivo da efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica (pp. 4 segs). Segundo a proposta da Comiss&atilde;o, a Directiva 2012/27/CE dever&aacute; ser revista e passar a fixar a percentagem de 30% de ganhos em efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica em 2030 e as obriga&ccedil;&otilde;es de poupan&ccedil;a de 1,5% dever&atilde;o manter-se para l&aacute; de 2020. Este refor&ccedil;o dever&aacute; ser suportado na intensifica&ccedil;&atilde;o da estrat&eacute;gia dos edif&iacute;cios inteligentes (por recurso a apoios, p&uacute;blicos e privados, de cerca de 10 mil milh&otilde;es de euros), da mobilidade el&eacute;ctrica (com instala&ccedil;&atilde;o de pontos de recarga em parques de estacionamento p&uacute;blicos e privados) e da rotulagem energ&eacute;tica.     <br>     <br> <a href="#_ftnref52" name="_ftn52" title="">52</a> Cfr. as p&aacute;gs 13-15 do Relat&oacute;rio.     <br>     <!-- ref --><br> <a href="#_ftnref53" name="_ftn53" title="">53</a> Wolfgang SACHS, Planet Dialectics: Explorations in Environment &amp; Development, London, 1999, p. 41.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1799274&pid=S2183-184X201600030001400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><br>     <br> <a href="#_ftnref54" name="_ftn54" title="">54</a> Cfr. <a href="http://wwf.panda.org/about_our_earth/all_publications/living_planet_report/2012_lpr/demands_on_our_planet/" target="_blank">http://wwf.panda.org/about_our_earth/all_publications/living_planet_report/2012_lpr/demands_on_our_planet/</a>     <br>     <br> <a href="#_ftnref55" name="_ftn55" title="">55</a> Falamos do <i>Earth overshoot day </i>(numa tradu&ccedil;&atilde;o livre, o dia em que a  Terra <i>estoura </i>o seu &ldquo;or&ccedil;amento&rdquo; anual), identificado desde h&aacute; duas d&eacute;cadas: em 1993, ocorreu em 21 de  Outubro; em 2003, alcan&ccedil;ou-se no dia 22 de Setembro; e este ano, fixou-se em 20 de Agosto &ndash; dados dispon&iacute;veis em  <a href="http://www.footprintnetwork.org/en/index.php/gfn/page/earth_over-shoot_day/" target="_blank">http://www.footprintnetwork.org/en/index.php/gfn/page/earth_over-shoot_day/</a>     <br>     <br> <a href="#_ftnref56" name="_ftn56" title="">56</a> Cfr.  <a href="http://wwf.panda.org/about_our_earth/all_publications/living_planet_report/2012_lpr/demands_on_our_planet/" target="_blank">http://wwf.panda.org/about_our_earth/all_publications/living_planet_report/2012_lpr/demands_on_our_planet/</a>     <br>     <br> <a href="#_ftnref57" name="_ftn57" title="">57</a> Andrew RUDIN, How improved&hellip;, <i>cit.</i>     <br>     <br> <a href="#_ftnref58" name="_ftn58" title="">58</a> Horace HERRING, Energy efficiency&hellip;, <i>cit</i>., p. 19.     ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     <br> <a href="#_ftnref59" name="_ftn59" title="">59</a> Horace HERRING, Energy efficiency&hellip;, <i>cit</i>., p. 19.     <br>     <br> </font>     <p></p>      ]]></body><back>
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