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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The paper focuses on the problem of the environmental protection of the global commons. It is first clarified what constitute global commons and the concepts that used to rule these areas. It is then portrayed the deficit of environmental protection of the global commons, which flows from the application of the &#8220;tragedy of the commons&#8221; to these 2 areas, from the present principles of international environmental law and, primarily, from the lack of liability provisions for compensation of the ecological damage enshrined in the treaties that rule the global commons. The concepts of common heritage of mankind and common concern of humankind are then presented, claiming that from these concepts flows an erga omnes obligation to protect the environment of the global commons. It is then stated that the global environmental protection is of such relevance that it fulfills the criteria of &#8220;the importance of rights involved&#8221;, undoubtedly acquiring the status of erga omnes obligation. It is furthermore shown the viewpoint and understanding of the International Court of Justice regarding the existence of environmental erga omnes obligations throughout several cases. The paper concludes affirming that the adoption of the Draft Articles on Responsibility of States of Internationally Wrongful Acts, of 2001, marked a turning point in the environmental protection of the global commons, by recognizing legal standing of all States to claim erga omnes obligations. Summary: 1. Introduction; 2. Tragedy of the commons; 2.1 Global commons; 2.2 Res nullius; 2.3 Res communis; 2.4 Global tragedy of the commons; 2.5 Failure to take action by the international order; a) Area; b) Outer space; c) Atmosphere; d) Antartic; e) Others; 3. Common Heritage of Mankind; 4. Common Concern of Humankind; 5. Erga omnes obligations; 5.1 Erga omnes obligations for the protection of the environment; 5.2 International Court of Justice cases; 6. Conclusion.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p>&nbsp;</p>     <p  align="right"><b><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">DIREITO PÚBLICO</font></b></p> <!--TITULO-->     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b> Prote&ccedil;&atilde;o Ambiental das &Aacute;reas Globais Comuns </b></font> </p> <!--TITULO TRADUZIDO-->     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b> Environmental Protection of the Global Commons </b></font> </p>     <p>&nbsp;</p> <!--RESPONSABILIDADE-->     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b> Filipe Rodrigues <sup><a href="#_ftn1" name="_ftnref1" title="">1</a></sup> </b></font> </p>     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa - Alameda da Universidade - Cidade Universitária, 1649-014 Lisboa &#8211; Portugal. E-mail: <a href="mailto:filipe.silva993@gmail.com">filipe.silva993@gmail.com</a> </font> </p>     <p>&nbsp;</p> <!--RESUMO IDENTIFICADOR--> <!--<hr size:"1px" noshade>-->     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESUMO</b></font> </p> <!--RESUMO-->     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> &nbsp;O presente trabalho incide sobre a problem&aacute;tica da prote&ccedil;&atilde;o ambiental das &aacute;reas globais comuns. S&atilde;o primeiro identificadas as &aacute;reas globais comuns e os conceitos que regulavam anteriormente estas &aacute;reas. &Eacute; posteriormente retratado o d&eacute;fice de prote&ccedil;&atilde;o ambiental das &aacute;reas globais comuns, decorrente da l&oacute;gica da &ldquo;trag&eacute;dia dos comuns&rdquo;, dos atuais princ&iacute;pios de direito internacional do ambiente e, principalmente, da aus&ecirc;ncia de mecanismos de responsabiliza&ccedil;&atilde;o por danos ecol&oacute;gicos nos tratados que as regulam. S&atilde;o depois introduzidos os conceitos de &ldquo;patrim&oacute;nio comum da humanidade&rdquo; e de &ldquo;interesse comum da humanidade&rdquo;, defendendo que destes conceitos surge uma obriga&ccedil;&atilde;o erga omnes de prote&ccedil;&atilde;o ambiental das &aacute;reas globais comuns. &Eacute; seguidamente reiterado que a prote&ccedil;&atilde;o do ambiente a n&iacute;vel global afigura-se de tamanha relev&acirc;ncia que preenche o crit&eacute;rio da &ldquo;import&acirc;ncia dos direitos envolvidos&rdquo;, sendo por isso, indubitavelmente, uma obriga&ccedil;&atilde;o erga omnes. &Eacute; posteriormente retratada a posi&ccedil;&atilde;o e entendimento do Tribunal Internacional de Justi&ccedil;a sobre a exist&ecirc;ncia de obriga&ccedil;&otilde;es erga omnes e a sua sindicabilidade, atrav&eacute;s da an&aacute;lise de v&aacute;rios casos. O presente trabalho conclui afirmando que a ado&ccedil;&atilde;o do Projeto da Comiss&atilde;o de Direito Internacional sobre Responsabilidade Internacional dos Estados por Factos Il&iacute;citos, de 2001, marca um ponto de viragem na sindicabilidade das obriga&ccedil;&otilde;es erga omnes e, consequentemente, na prote&ccedil;&atilde;o ambiental das &aacute;reas globais comuns. </font> </p> <!--SUMARIO-->     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Sumário:</b> 1. Introdu&ccedil;&atilde;o; 2. &ldquo;Trag&eacute;dia dos comuns&rdquo;; 2.1 &Aacute;reas globais comuns; 2.2 <i>Res nullius</i>; 2.3 <i>Res communis</i>; 2.4 Trag&eacute;dia global dos comuns; 2.5 Falta de resposta da ordem internacional; a) &Aacute;rea; b) Espa&ccedil;o; c) Atmosfera; d) Ant&aacute;rtida; e) Outros; 3. <i>Common Heritage of Mankind</i>; 4. <i>Common Concern of Humankind</i>; 5. Obriga&ccedil;&otilde;es <i>erga omnes</i>; 5.1 Obriga&ccedil;&otilde;es <i>erga omnes </i>de prote&ccedil;&atilde;o do ambiente; 5.2 Jurisprud&ecirc;ncia do Tribunal Internacional de Justi&ccedil;a; 6. Conclus&atilde;o. </font> </p> <!--PALAVRAS-CHAVE-->     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Palavras-chave:</b>&nbsp;Prote&ccedil;&atilde;o ambiental; &aacute;reas globais comuns; <i>common heritage of mankind</i>; <i>common concern of humankind</i>; obriga&ccedil;&otilde;es <i>erga omnes</i></font> </p>     <p>&nbsp;</p> <!--ABSTRACT-->     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ABSTRACT</b></font> </p>     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> The paper focuses on the problem of the environmental protection of the global commons. It is first clarified what constitute global commons and the concepts that used to rule these areas. It is then portrayed the deficit of environmental protection of the global commons, which flows from the application of the &ldquo;tragedy of the commons&rdquo; to these 2&nbsp;areas, from the present principles of international environmental law and, primarily, from the lack of liability provisions for compensation of the ecological damage enshrined in the treaties that rule the global commons. The concepts of common heritage of mankind and common concern of humankind are then presented, claiming that from these concepts flows an erga omnes obligation to protect the environment of the global commons. It is then stated that the global environmental protection is of such relevance that it fulfills the criteria of &ldquo;the importance of rights involved&rdquo;, undoubtedly acquiring the status of erga omnes obligation. It is furthermore shown the viewpoint and understanding of the International Court of Justice regarding the existence of environmental erga omnes obligations throughout several cases. The paper concludes affirming that the adoption of the Draft Articles on Responsibility of States of Internationally Wrongful Acts, of 2001, marked a turning point in the environmental protection of the global commons, by recognizing legal standing of all States to claim erga omnes obligations. </font> </p> <!--SUMMARY-->     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Summary:</b>&nbsp;1. Introduction; 2. Tragedy of the commons; 2.1 Global commons; 2.2&nbsp;<i>Res nullius</i>; 2.3&nbsp;<i>Res communis</i>; 2.4 Global tragedy of the commons; 2.5 Failure to take action by the international order; a) Area; b) Outer space; c) Atmosphere; d) Antartic; e) Others; 3.&nbsp;<i>Common Heritage of Mankind</i>; 4.&nbsp;<i>Common Concern of Humankind</i>; 5.&nbsp;<i>Erga omnes</i>&nbsp;obligations; 5.1&nbsp;<i>Erga omnes&nbsp;</i>obligations for the protection of the environment; 5.2 International Court of Justice cases; 6. Conclusion. </font> </p> <!--PALAVRAS-CHAVE tradução-->     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Keywords:</b> Environmental protection; global commons; common heritage of mankind; common concern of humankind; <i>erga omnes </i>obligations&nbsp;</font> </p>     <p>&nbsp;</p> <!--TÓPICO-->     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" style="text-transform:uppercase" size="3"><b>1. Introdu&ccedil;&atilde;o&nbsp;</b></font> </p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">     <p>Ao descobrir o fogo, o Homem adquiriu a capacidade de alterar o meio ambiente em que se inseria. Atrav&eacute;s da globaliza&ccedil;&atilde;o, esta capacidade de alterar o ambiente revelou uma dimens&atilde;o global. Os fen&oacute;menos de polui&ccedil;&atilde;o j&aacute; n&atilde;o t&ecirc;m apenas repercuss&atilde;o local, mas podem adquirir um car&aacute;cter transnacional. De facto, a polui&ccedil;&atilde;o desconhece os conceitos de fronteiras ou jurisdi&ccedil;&otilde;es nacionais. Os desafios ambientais atingiram uma escala global, e interferem, agora, com os bens ecol&oacute;gicos globais, profundamente relacionados com a sustentabilidade da vida humana. Estas preocupa&ccedil;&otilde;es incluem, entre outros, a deple&ccedil;&atilde;o da camada de ozono, o aquecimento global, a desertifica&ccedil;&atilde;o, a introdu&ccedil;&atilde;o de subst&acirc;ncias t&oacute;xicas na cadeia alimentar, a extin&ccedil;&atilde;o de esp&eacute;cies de flora e fauna, e a destrui&ccedil;&atilde;o de 3&nbsp;ecossistemas. Estas preocupa&ccedil;&otilde;es tornaram-se significativamente importantes para todos os Estados, e reclamam, por sua vez, uma solu&ccedil;&atilde;o global<sup><a href="#_ftn1" name="_ftnref1" title="">1</a></sup><span>.</span></p> </font>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" style="text-transform:uppercase" size="3"><b>2. &ldquo;Trag&eacute;dia dos comuns&rdquo;&nbsp;</b></font> </p>     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>2.1 &Aacute;reas globais comuns&nbsp;</b></font> </p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">     <p>As &aacute;reas globais comuns s&atilde;o as &aacute;reas do planeta que n&atilde;o est&atilde;o submetidas &agrave; jurisdi&ccedil;&atilde;o de nenhum Estado e que est&atilde;o dispon&iacute;veis para ser utilizadas pela comunidade global<sup><a href="#_ftn2" name="_ftnref2" title="">2</a></sup><span>.</span>Isto porque existem, de facto, &aacute;reas no planeta que est&atilde;o livres de qualquer exerc&iacute;cio de soberania. N&atilde;o existe nenhuma defini&ccedil;&atilde;o acordada sobre o termo ou consenso sobre o seu &acirc;mbito; trata-se mais de uma refer&ecirc;ncia coletiva &agrave;s regi&otilde;es relevantes do que um termo t&eacute;cnico<sup><a href="#_ftn3" name="_ftnref3" title="">3</a></sup><span>.</span>As &aacute;reas globais comuns s&atilde;o a &Aacute;rea, que corresponde aos fundos marinhos os quais se estendem al&eacute;m das zonas econ&oacute;micas exclusivas e das plataformas continentais dos Estados; o espa&ccedil;o extraatmosf&eacute;rico; a atmosfera e, controvertidamente, a Ant&aacute;rtida<sup><a href="#_ftn4" name="_ftnref4" title="">4</a></sup><span>.</span>&nbsp;</p>     <p>Ao contr&aacute;rio das &aacute;reas sobre a soberania de um Estado, em que a jurisdi&ccedil;&atilde;o &eacute; exercida tendo como base a localiza&ccedil;&atilde;o dentro do territ&oacute;rio, a jurisdi&ccedil;&atilde;o nestas &aacute;reas &eacute; exercida com base na nacionalidade<sup><a href="#_ftn5" name="_ftnref5" title="">5</a></sup>; as embarca&ccedil;&otilde;es navegam no mar sob a bandeira de um Estado, e os sat&eacute;lites artificiais t&ecirc;m a nacionalidade do Estado que os registe<sup><a href="#_ftn6" name="_ftnref6" title="">6</a></sup><span>.</span>&nbsp;</p> </font>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>2.2 Res nullius</b></font> </p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">     <p>De acordo com o Direito Internacional tradicional, existiam dois princ&iacute;pios que regulavam as &aacute;reas globais comuns: os princ&iacute;pios de <i>res communis </i>e de <i>res nullius</i><sup><a href="#_ftn7" name="_ftnref7" title="">7</a></sup><span>.</span> Segundo este &uacute;ltimo conceito, uma &aacute;rea do planeta era considerada comum se n&atilde;o pertencesse a nenhum Estado. Consequentemente, qualquer Estado podia anexar esta &aacute;rea ao seu territ&oacute;rio se a conseguisse efetivamente ocupar. Foi atrav&eacute;s deste conceito que os Estados europeus reivindicaram soberania sobre territ&oacute;rios n&atilde;o controlados por nenhuma na&ccedil;&atilde;o &ldquo;civilizada&rdquo;, atrav&eacute;s do direito de descobrimento e do exerc&iacute;cio permanente de jurisdi&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#_ftn8" name="_ftnref8" title="">8</a></sup><span>.</span>&nbsp;</p> </font>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>2.3 Res communis</b></font> </p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Pelo contr&aacute;rio, o conceito de <i>res communis </i>n&atilde;o permite a apropria&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas reconhecidas como comuns pelos Estados, mas permite o livre acesso &agrave;quelas &aacute;reas por qualquer Estado, para o fim que pretender, numa l&oacute;gica de &ldquo;o primeiro a chegar &eacute; o primeiro a ser servido&rdquo;<sup><a href="#_ftn9" name="_ftnref9" title="">9</a></sup><span>.</span> &Eacute;, de certa forma, um conceito individualista, porque permite que os Estados atuem nestas &aacute;reas n&atilde;o numa l&oacute;gica de solidariedade, no benef&iacute;cio da comunidade dos Estados, mas visando apenas os seus interesses, maioritariamente econ&oacute;micos. Acaba por ser um conceito que beneficia os pa&iacute;ses mais desenvolvidos porque a explora&ccedil;&atilde;o destas &aacute;reas, por exemplo, do fundo marinho ou do espa&ccedil;o, requer uma quantidade enorme de recursos que s&oacute; os pa&iacute;ses mais desenvolvidos t&ecirc;m disponibilidade para despender<sup><a href="#_ftn10" name="_ftnref10" title="">10</a></sup><span>.</span>&nbsp;</p> </font>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>2.4 Trag&eacute;dia global dos comuns&nbsp;</b></font> </p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">     <p>A trag&eacute;dia pode ser representada da seguinte forma: num descampado que n&atilde;o &eacute; propriedade de ningu&eacute;m, todos os camponeses t&ecirc;m interesse em explorar aquele recurso o m&aacute;ximo que consigam, numa l&oacute;gica individualista, levando os seus rebanhos a pastar, porque o preju&iacute;zo (o custo de utiliza&ccedil;&atilde;o daquele recurso, que &eacute; o facto da relva dispon&iacute;vel ir diminuindo at&eacute; eventualmente se extinguir) &eacute; repercutido em todos os interessados no descampado.&nbsp;</p>     <p>Aplicando esta teoria &agrave;s &aacute;reas comuns do planeta, nenhum Estado tem incentivos para parar de as utilizar e explor&aacute;-las o m&aacute;ximo que consiga, porque n&atilde;o existe nenhum mecanismo que o obrigue a internalizar os custos de degrada&ccedil;&atilde;o ou desaparecimento dos recursos, podendo eventualmente levar &agrave; sua exaust&atilde;o, pondo desta forma em causa a sustentabilidade do planeta. Esta trag&eacute;dia global &eacute; acentuada pelo facto de, relativamente a algumas &aacute;reas comuns como, por exemplo a atmosfera, praticamente todas as pessoas do mundo terem acesso a esta e contribu&iacute;rem para a sua degrada&ccedil;&atilde;o, atrav&eacute;s da emiss&atilde;o de gases de efeito estufa (neste caso, o excesso relaciona-se com aquilo que toda a gente adiciona ao bem, e n&atilde;o, ao contr&aacute;rio das outras &ldquo;trag&eacute;dias&rdquo;, aquilo que retira<sup><a href="#_ftn12" name="_ftnref12" title="">12</a></sup>) e pelo facto de n&atilde;o haver a perce&ccedil;&atilde;o que os recursos terrestres s&atilde;o finitos. N&atilde;o existem, por enquanto, os meios tecnol&oacute;gicos necess&aacute;rios para partirmos &agrave; procura de outro pasto para os nossos rebanhos pastarem; s&oacute; existe uma Terra. Daqui podemos inferir a dimens&atilde;o global que o princ&iacute;pio da preven&ccedil;&atilde;o adquire<sup><a href="#_ftn13" name="_ftnref13" title="">13</a></sup><span>.</span>&nbsp;</p>     <p>Outro problema que pode surgir consiste na exist&ecirc;ncia de <i>free-riders</i>, entidades, neste caso Estados, que podem aproveitar as medidas de preserva&ccedil;&atilde;o do ambiente das &aacute;reas globais comuns que outros Estados estejam a implementar para se absterem de praticarem por si as mesmas medidas. Outro problema consiste no &ldquo;dilema do prisioneiro&rdquo;, em que nenhum Estado tem incentivos para cooperar e adotar uma solu&ccedil;&atilde;o coletivamente superior &agrave;quela que obteriam se prosseguissem os seus interesses individuais.&nbsp;</p>     <p>Existe, por outro lado, uma propens&atilde;o para que fen&oacute;menos de polui&ccedil;&atilde;o locais tenham repercuss&atilde;o global. Al&eacute;m do aquecimento global, que j&aacute; referimos, a emiss&atilde;o de clorofluorcarbonetos (CFC&rsquo;s) que destruiu a camada de ozono, n&atilde;o o fez acima do territ&oacute;rio de nenhum Estado em espec&iacute;fico; a desfloresta&ccedil;&atilde;o, principalmente no Brasil e no Sudeste&nbsp;Asi&aacute;tico, potencia os efeitos do aquecimento global; a perda de biodiversidade que, por existir em pontos espec&iacute;ficos do planeta, adquire import&acirc;ncia global, e a pr&oacute;pria polui&ccedil;&atilde;o de bens ambientais de import&acirc;ncia global como os oceanos; a acidifica&ccedil;&atilde;o, aquecimento e o aumento do n&iacute;vel dos mares, s&atilde;o fen&oacute;menos globais e n&atilde;o locais. Desta forma, uma prote&ccedil;&atilde;o eficaz do ambiente passa por uma aproxima&ccedil;&atilde;o global, porque os bens em causa s&atilde;o importantes a n&iacute;vel global, para toda a humanidade<sup><a href="#_ftn14" name="_ftnref14" title="">14</a></sup><span>.</span>&nbsp;</p> </font>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>2.5 Falta de resposta da ordem internacional</b></font> </p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">     <p>Nas &aacute;reas globais comuns, o dano pode ser provocado a indiv&iacute;duos ou a Estados, como por exemplo numa colis&atilde;o de navios, ou pode ser provocado &agrave; &aacute;rea em si, aos componentes vivos e n&atilde;o vivos que l&aacute; se encontram, ao ambiente dessas &aacute;reas. &Eacute; o dano &agrave;s &aacute;reas globais comuns, neste sentido, que o presente trabalho se ocupa.&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A maioria dos regimes adotados at&eacute; hoje que regulam as &aacute;reas globais comuns t&ecirc;m por fim prevenir disputas militares ou ocupa&ccedil;&otilde;es nacionais, e a reservar estas &aacute;reas unicamente para a sua explora&ccedil;&atilde;o pac&iacute;fica e uso no benef&iacute;cio da humanidade. A prote&ccedil;&atilde;o do ambiente &eacute; apenas uma preocupa&ccedil;&atilde;o marginal na elabora&ccedil;&atilde;o desses regimes<sup><a href="#_ftn15" name="_ftnref15" title="">15</a></sup><span>.</span>&nbsp;</p>     <p>As normas e princ&iacute;pios de Direito Internacional do Ambiente, por outro lado, s&atilde;o insuficientes para fornecerem uma solu&ccedil;&atilde;o para o problema porque foram concebidas para defender o ambiente e os recursos naturais dentro dos territ&oacute;rios nacionais, n&atilde;o levando em considera&ccedil;&atilde;o os interesses superiores aos Estados, nomeadamente a prote&ccedil;&atilde;o dos bens ambientais globais<sup><a href="#_ftn16" name="_ftnref16" title="">16</a></sup><span>.</span>&nbsp;</p>     <p>Por exemplo, por serem dirigidas &agrave; resolu&ccedil;&atilde;o de conflitos entre dois ou mais Estados, as normas internacionais que regulam a polui&ccedil;&atilde;o transfronteiri&ccedil;a apenas levam em conta os danos provocados no territ&oacute;rio de outros Estados, e n&atilde;o t&ecirc;m em conta o dano provocado ao ambiente globalmente considerado. Por outro lado, o princ&iacute;pio do uso equitativo de recursos partilhados est&aacute; dirigido &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o &agrave; conserva&ccedil;&atilde;o. Quer isto dizer que este princ&iacute;pio n&atilde;o pro&iacute;be a destrui&ccedil;&atilde;o dos recursos, desde que esta aconte&ccedil;a de&nbsp;forma equitativa. Por &uacute;ltimo, existem muitos tratados que adotam uma aproxima&ccedil;&atilde;o regional para a prote&ccedil;&atilde;o do ambiente, que, apesar de ser melhor do que nada, n&atilde;o compreende a dimens&atilde;o global dos problemas ambientais e aproxima&ccedil;&atilde;o de regula&ccedil;&atilde;o global que este requer.&nbsp;</p>     <p>De acordo com o Princ&iacute;pio 21 da Declara&ccedil;&atilde;o de Estocolmo sobre o Meio Ambiente Humano de 1972:&nbsp;</p>     <p><i>&ldquo;</i>Os Estados t&ecirc;m o direito soberano de explorar seus pr&oacute;prios recursos em aplica&ccedil;&atilde;o de sua pr&oacute;pria pol&iacute;tica ambiental e a obriga&ccedil;&atilde;o de assegurar-se de que as atividades que se levem a cabo, dentro de sua jurisdi&ccedil;&atilde;o, ou sob seu controle, n&atilde;o prejudiquem o meio ambiente de outros Estados ou de zonas situadas fora de toda jurisdi&ccedil;&atilde;o nacional.&rdquo;<sup><a href="#_ftn17" name="_ftnref17" title="">17</a></sup>&nbsp;</p>     <p>Est&aacute;, desta forma, consagrado o princ&iacute;pio de <i>sic ueter tuo ut alienum non laedas</i>, ou <i>no-harm rule</i>, amplamente aceite como refletindo costume internacional<sup><a href="#_ftn18" name="_ftnref18" title="">18</a></sup><span>.</span> O princ&iacute;pio 21 coloca o dano provocado ao ambiente de &aacute;reas al&eacute;m da jurisdi&ccedil;&atilde;o dos Estados ao mesmo n&iacute;vel que o dano provocado no ambiente no territ&oacute;rio dos Estados<sup><a href="#_ftn19" name="_ftnref19" title="">19</a></sup> e estabelece a obriga&ccedil;&atilde;o dos Estados absterem-se de adotar medidas que prejudiquem significativamente o ambiente de outros Estados ou de &aacute;reas al&eacute;m da jurisdi&ccedil;&atilde;o de qualquer Estado, e de cooperarem de forma a atingir este fim<sup><a href="#_ftn20" name="_ftnref20" title="">20</a></sup>, o que pode ser descrito, em termos gerais, como a obriga&ccedil;&atilde;o de prevenir danos ao ambiente.&nbsp;</p>     <p>&Eacute; uma regra b&aacute;sica de direito internacional que a viola&ccedil;&atilde;o de uma obriga&ccedil;&atilde;o gera a obriga&ccedil;&atilde;o de proceder &agrave; repara&ccedil;&atilde;o do dano causado<sup><a href="#_ftn21" name="_ftnref21" title="">21</a></sup><span>.</span> De maneira conforme, a vig&ecirc;ncia desta norma implica a exist&ecirc;ncia da obriga&ccedil;&atilde;o por parte dos Estados de procederem &agrave;s repara&ccedil;&otilde;es devidas quando as atividades realizadas dentro da sua jurisdi&ccedil;&atilde;o ou controlo causem danos ao ambiente das &aacute;reas globais comuns. Apesar da preval&ecirc;ncia de regimes&nbsp;regulat&oacute;rios, de gest&atilde;o de riscos ou san&ccedil;&otilde;es penais ou contraordenacionais, o Direito do Ambiente eficaz n&atilde;o pode descurar a exist&ecirc;ncia de mecanismos de apuramento de responsabilidade<sup><a href="#_ftn22" name="_ftnref22" title="">22</a></sup><span>.</span>&nbsp;</p>     <p>Contudo, a tradu&ccedil;&atilde;o do Princ&iacute;pio 21 para um regime de compensa&ccedil;&atilde;o de danos provocados ao ambiente das &aacute;reas comuns est&aacute; longe de ser clara<sup><a href="#_ftn23" name="_ftnref23" title="">23</a></sup><span>.</span> O Princ&iacute;pio 22 da Declara&ccedil;&atilde;o convida os Estados a cooperarem entre si de forma a desenvolver mecanismos de responsabilidade internacional para os danos provocados nas &aacute;reas globais comuns<sup><a href="#_ftn24" name="_ftnref24" title="">24</a></sup><span>.</span> A falta de tomada de a&ccedil;&atilde;o pode ser demonstrada pelo facto de, 20 anos depois, na Confer&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, em 1992, no Rio de Janeiro, os Estados terem sido novamente encorajados a tomar &ldquo;uma linha de a&ccedil;&atilde;o&rdquo; semelhante, &ldquo;de um modo expedito e mais determinado&rdquo;<sup><a href="#_ftn25" name="_ftnref25" title="">25</a></sup><span>.</span>&nbsp;</p>     <p>Contudo, atualmente, &agrave; exce&ccedil;&atilde;o do regime previsto para a Ant&aacute;rtida, n&atilde;o est&aacute; previsto nenhum mecanismo de responsabilidade para endere&ccedil;ar os danos provocados &agrave;s &aacute;reas globais comuns<sup><a href="#_ftn26" name="_ftnref26" title="">26</a></sup><span>.</span> Vejamos:</p> </font>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>2.5.1 &Aacute;rea&nbsp;</b></font> </p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">     <p>A conven&ccedil;&atilde;o mais importante em mat&eacute;ria de prote&ccedil;&atilde;o do ambiente marinho &eacute; a Conven&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Direito do Mar. A Conven&ccedil;&atilde;o dedica toda a parte&nbsp;XII &agrave; prote&ccedil;&atilde;o e preserva&ccedil;&atilde;o do ambiente marinho. Al&eacute;m da obriga&ccedil;&atilde;o geral de &ldquo;proteger e preservar o ambiente marinho&rdquo;<sup><a href="#_ftn27" name="_ftnref27" title="">27</a></sup>, o tratado tamb&eacute;m consagra a obriga&ccedil;&atilde;o dos Estados adotarem leis e regulamentos de forma a prevenir, reduzir e controlar a polui&ccedil;&atilde;o de fontes sob a sua jurisdi&ccedil;&atilde;o ou controlo<sup><a href="#_ftn28" name="_ftnref28" title="">28</a></sup>, e a obriga&ccedil;&atilde;o de &ldquo;tomar todas as medidas necess&aacute;rias para garantir que as atividades sob sua jurisdi&ccedil;&atilde;o ou controlo se efetuem de modo a n&atilde;o causar preju&iacute;zos por polui&ccedil;&atilde;o a outros Estados e ao seu meio ambiente, e que a polui&ccedil;&atilde;o causada por incidentes ou atividades sob sua jurisdi&ccedil;&atilde;o ou controlo n&atilde;o se estenda al&eacute;m das &aacute;reas onde exer&ccedil;am direitos de soberania&rdquo;<sup><a href="#_ftn29" name="_ftnref29" title="">29</a></sup><span>.</span> Contudo, o artigo 235 deixa para um momento posterior a cria&ccedil;&atilde;o, atrav&eacute;s da coopera&ccedil;&atilde;o entre os Estados, de mecanismos de responsabilidade por dano ecol&oacute;gico na &Aacute;rea, que ainda hoje n&atilde;o foram criados.&nbsp;</p>     <p>Existem, contudo, tratados que lidam diretamente com a preven&ccedil;&atilde;o de polui&ccedil;&atilde;o, mas que deixam para as jurisdi&ccedil;&otilde;es nacionais a cria&ccedil;&atilde;o de mecanismos de responsabilidade<sup><a href="#_ftn30" name="_ftnref30" title="">30</a></sup><span>.</span> Por outro lado, outras conven&ccedil;&otilde;es, como por exemplo a Conven&ccedil;&atilde;o sobre Polui&ccedil;&atilde;o Marinha por Opera&ccedil;&otilde;es de Imers&atilde;o de Detritos e Outros Produtos, de acordo com &ldquo;os princ&iacute;pios do direito internacional relacionados com as responsabilidades dos Estados no que diz respeito aos danos causados ao meio ambiente de outros Estados ou a qualquer outra zona do meio ambiente&rdquo;<sup><a href="#_ftn31" name="_ftnref31" title="">31</a></sup>, deixam tamb&eacute;m para um momento posterior a cria&ccedil;&atilde;o de um regime de responsabilidade, que ainda n&atilde;o foram igualmente desenvolvidos.&nbsp;</p>     <p>O Tribunal Internacional para o Direito do Mar foi questionado sobre a eventual responsabilidade dos Estados por atividades minerais desenvolvidas na &Aacute;rea por empresas por estes patrocinadas. Apesar de ter considerado que existem deveres de preven&ccedil;&atilde;o de danos ambientais dos recursos abi&oacute;ticos presentes no fundo marinho e a consequente responsabilidade por incumprimento desses deveres<sup><a href="#_ftn32" name="_ftnref32" title="">32</a></sup>, o Tribunal n&atilde;o esclareceu o &ldquo;n&iacute;vel&nbsp;de recupera&ccedil;&atilde;o dos bens ambientais nem sobre os crit&eacute;rios de repara&ccedil;&atilde;o&rdquo;<sup><a href="#_ftn33" name="_ftnref33" title="">33</a></sup>, nem indagou se outras atividades que n&atilde;o as de explora&ccedil;&atilde;o dos recursos minerais dos fundos marinhos a cargo da Autoridade estavam sujeitos ao dever preven&ccedil;&atilde;o e repara&ccedil;&atilde;o de danos ao ambiente marinho<sup><a href="#_ftn34" name="_ftnref34" title="">34</a></sup><span>.</span>&nbsp;</p>     <p>Concluindo, n&atilde;o existe atualmente nenhum regime que estabele&ccedil;a responsabilidade pelo dano provocado na &Aacute;rea.</p> </font>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>2.5.2 Espa&ccedil;o&nbsp;</b></font> </p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">     <p>Os tratados internacionais que regulam as atividades espaciais, nomeadamente o Tratado do Espa&ccedil;o de 1967 e o Acordo da Lua de 1979, estabelecem o espa&ccedil;o como &ldquo;propriedade comum&rdquo; que nenhum Estado pode apropriar, e que todos t&ecirc;m acesso igual<sup><a href="#_ftn35" name="_ftnref35" title="">35</a></sup><span>.</span>&nbsp;</p>     <p>O tratado subordina o livre acesso ao espa&ccedil;o e a liberdade de explora&ccedil;&atilde;o &agrave; prossecu&ccedil;&atilde;o do benef&iacute;cio e interesse de todos os pa&iacute;ses, independentemente do seu desenvolvimento econ&oacute;mico e cient&iacute;fico, devendo os Estados tomar todas as medidas que evitem a contamina&ccedil;&atilde;o da Lua ou de outros objetos celestes e que previnam a introdu&ccedil;&atilde;o de organismos extraterrestres na Terra que causem altera&ccedil;&otilde;es significativas no ambiente terrestre<sup><a href="#_ftn36" name="_ftnref36" title="">36</a></sup><span>.</span>&nbsp;</p>     <p>Sob a Conven&ccedil;&atilde;o de Responsabilidade, o Estado parte na conven&ccedil;&atilde;o que lance ou procure lan&ccedil;ar um objeto para o espa&ccedil;o, incluindo a Lua ou outros objetos celestes, &eacute; internacionalmente respons&aacute;vel pelo dano causado a outro Estado parte ou &agrave;s suas pessoas naturais ou jur&iacute;dicas por esse objeto ou as suas partes componentes na Terra, no espa&ccedil;o a&eacute;reo ou no espa&ccedil;o exterior<sup><a href="#_ftn37" name="_ftnref37" title="">37</a></sup><span>.</span> Este tratado &eacute; o &uacute;nico que explicitamente imp&otilde;e a responsabilidade absoluta dos Estados pelo dano causado por qualquer sujeito sob a jurisdi&ccedil;&atilde;o ou controlo do Estado, que esteja envolvido em atividades espaciais<sup><a href="#_ftn38" name="_ftnref38" title="">38</a></sup><span>.</span>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Contudo, a defini&ccedil;&atilde;o de dano prevista nesse tratado n&atilde;o inclui o dano ecol&oacute;gico<sup><a href="#_ftn39" name="_ftnref39" title="">39</a></sup>, abrangendo apenas &ldquo;perda de vida, dano pessoal ou outra les&atilde;o de sa&uacute;de; perda ou dano sobre a propriedade dos Estados ou pessoas, naturais ou jur&iacute;dicas, ou de organiza&ccedil;&otilde;es internacionais intergovernamentais.&rdquo;<sup><a href="#_ftn40" name="_ftnref40" title="">40</a></sup> Quer isto dizer que o dano ecol&oacute;gico &eacute; apenas tutelado na medida em que integre o dano de um Estado<sup><a href="#_ftn41" name="_ftnref41" title="">41</a></sup>, acabando por ficar desamparado quando o dano n&atilde;o se estenda a nenhuma destas entidades.&nbsp;</p> </font>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>2.5.3 Atmosfera&nbsp;</b></font> </p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">     <p>A atmosfera &eacute; mais dificilmente concebida como &aacute;rea global comum porque os Estados podem exercer a sua jurisdi&ccedil;&atilde;o sobre o ar acima do seu territ&oacute;rio, fazendo com que estas &aacute;reas n&atilde;o estejam estritamente fora das soberanias nacionais. Mas, ao contr&aacute;rio do territ&oacute;rio terrestre, o ar da atmosfera n&atilde;o &eacute; capaz de ser fisicamente separado do ar diretamente acima do territ&oacute;rio de outro Estado e, &agrave; semelhan&ccedil;a do ambiente marinho, os danos provocados &agrave; atmosfera n&atilde;o se limitam a uma regi&atilde;o em particular, mas espalham-se pelo globo, afetando a comunidade de Estados como um todo<sup><a href="#_ftn42" name="_ftnref42" title="">42</a></sup><span>.</span> Neste sentido, a atmosfera constitui um bem global comum<sup><a href="#_ftn43" name="_ftnref43" title="">43</a></sup><span>.</span>&nbsp;</p>     <p>As principais conven&ccedil;&otilde;es de prote&ccedil;&atilde;o do ambiente atmosf&eacute;rico s&atilde;o a Conven&ccedil;&atilde;o de Viena para a Prote&ccedil;&atilde;o da Camada de Ozono<sup><a href="#_ftn44" name="_ftnref44" title="">44</a></sup> e a Conven&ccedil;&atilde;o-Quadro das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Altera&ccedil;&otilde;es Clim&aacute;ticas<sup><a href="#_ftn45" name="_ftnref45" title="">45</a></sup> (doravante &ldquo;UNFCCC&rdquo;). Nestas duas conven&ccedil;&otilde;es, o dano&nbsp;ecol&oacute;gico &eacute; apenas indiretamente tutelado atrav&eacute;s de obriga&ccedil;&otilde;es de redu&ccedil;&atilde;o de emiss&otilde;es de gases que provoquem o aumento do buraco da camada de ozono ou que contribuam para o aumento do efeito de estufa, acabando a camada de ozono e a atmosfera por se regenerar. &Eacute; critic&aacute;vel, novamente, o facto de n&atilde;o prever igualmente um mecanismo de responsabilidade, mas tal deve-se &agrave; recusa da exist&ecirc;ncia de tais mecanismos por parte dos pa&iacute;ses desenvolvidos porque, como &eacute; &oacute;bvio, tendo em conta as emiss&otilde;es hist&oacute;ricas, os principais respons&aacute;veis seriam precisamente estes.</p> </font>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>2.5.4 Ant&aacute;rtida&nbsp;</b></font> </p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">     <p>O estatuto de &aacute;rea comum da Ant&aacute;rtida &eacute; ligeiramente diferente das outras &aacute;reas. Algumas zonas s&atilde;o contestadas pelos Estados, mas todas as reivindica&ccedil;&otilde;es encontram-se suspensas desde a celebra&ccedil;&atilde;o do Tratado da Ant&aacute;rtida em 1959<sup><a href="#_ftn46" name="_ftnref46" title="">46</a></sup><span>.</span> A prote&ccedil;&atilde;o do ambiente ant&aacute;rtico &eacute; um dos principais objetivos do regime previsto no tratado. Este regime foi ainda desenhado para o uso pac&iacute;fico e cient&iacute;fico da Ant&aacute;rtida, existindo in&uacute;meros outros regimes que estabelecem inclusivamente zonas protegidas, que abrangem todo o ecossistema ant&aacute;rtico, nomeadamente o continente e os ecossistemas mar&iacute;timos associados.&nbsp;</p>     <p>Em mat&eacute;ria de responsabilidade, a Conven&ccedil;&atilde;o sobre a Regula&ccedil;&atilde;o de Atividades sobre Recursos Minerais Ant&aacute;rticos previa um regime de responsabilidade civil e estatal em atividades minerais, que previa disposi&ccedil;&otilde;es sobre repara&ccedil;&atilde;o e compensa&ccedil;&atilde;o de danos provocados ao ecossistema ant&aacute;rtico<sup><a href="#_ftn47" name="_ftnref47" title="">47</a></sup><span>.</span> Este dano era verdadeiramente ecol&oacute;gico, porque era independente da exist&ecirc;ncia de danos verificados aos Estados, ao contr&aacute;rio da Conven&ccedil;&atilde;o de Responsabilidade para as atividades espaciais. Contudo, esta conven&ccedil;&atilde;o n&atilde;o entrou em vigor devido &agrave; falta de apoio de Estados-chave, e foi substitu&iacute;da pelo Protocolo de Prote&ccedil;&atilde;o Ambiental do Tratado da Ant&aacute;rtida, que acabou por proibir qualquer atividade de minera&ccedil;&atilde;o na Ant&aacute;rtida<sup><a href="#_ftn48" name="_ftnref48" title="">48</a></sup>, devido ao entendimento que qualquer atividade semelhante, mesmo que tutelada pelas normas da Conven&ccedil;&atilde;o, provocaria danos ao ambiente fr&aacute;gil da regi&atilde;o<sup><a href="#_ftn49" name="_ftnref49" title="">4</a></sup><span>.</span> Em 2005, foi anexado ao Protocolo um mecanismo de responsabilidade decorrente de emerg&ecirc;ncias ambientais<sup><a href="#_ftn50" name="_ftnref50" title="">50</a></sup><span>.</span> Trata-se, novamente, de um mecanismo de&nbsp;responsabilidade ecol&oacute;gica, embora com um &acirc;mbito mais restrito daquele que estava previsto na Conven&ccedil;&atilde;o de atividade sobre recursos minerais.</p> </font>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>2.5.5 Outros&nbsp;</b></font> </p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">     <p>Existem outros tratados ambientais que tamb&eacute;m referem a quest&atilde;o da exist&ecirc;ncia de mecanismos de responsabilidade ecol&oacute;gicos. A Conven&ccedil;&atilde;o de Basileia sobre o Controlo de Movimentos Transfronteiri&ccedil;os de Res&iacute;duos Perigosos e Sua Elimina&ccedil;&atilde;o de 1989<sup><a href="#_ftn51" name="_ftnref51" title="">51</a></sup> e a Conven&ccedil;&atilde;o sobre Diversidade Biol&oacute;gica de 1992<sup><a href="#_ftn52" name="_ftnref52" title="">52</a></sup>, cont&ecirc;m disposi&ccedil;&otilde;es que preveem a cria&ccedil;&atilde;o posterior de regras e procedimentos sobre responsabilidade. A Conven&ccedil;&atilde;o sobre a Preven&ccedil;&atilde;o da Polui&ccedil;&atilde;o Marinha causada por Opera&ccedil;&otilde;es de Imers&atilde;o de Detritos e outros Produtos<sup><a href="#_ftn53" name="_ftnref53" title="">53</a></sup>estabelece novamente que os Estados membros devem cooperar e desenvolver posteriormente o Direito Internacional sobre a responsabilidade por danos ecol&oacute;gicos especialmente sobre o objeto do tratado. Contudo, em nenhum destes casos, foi constru&iacute;do at&eacute; hoje um regime de responsabilidade por danos provocados &agrave;s &aacute;reas globais comuns. Deste modo, a Ant&aacute;rtida &eacute; a &uacute;nica &aacute;rea global comum que cont&eacute;m um mecanismo de compensa&ccedil;&atilde;o de dano ecol&oacute;gico.</p> </font>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>3. Common heritage of mankind&nbsp;</b></font> </p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">     <p>Partindo dos conceitos anteriormente referidos de <i>res communis </i>e <i>res nullius</i>, os pa&iacute;ses em desenvolvimento aperceberam-se que a vig&ecirc;ncia do primeiro beneficiava apenas os pa&iacute;ses desenvolvidos, e receavam que, se alguma vez conseguissem desenvolver a tecnologia necess&aacute;ria para explorar estas &aacute;reas, j&aacute; nada restasse para si. Desde modo, rejeitaram este conceito e tentaram promover, junto dos &oacute;rg&atilde;os internacionais, um conceito alternativo que assegurasse uma distribui&ccedil;&atilde;o da riqueza obtida na explora&ccedil;&atilde;o destas &aacute;reas a todos os pa&iacute;ses, e n&atilde;o s&oacute; &agrave;queles que tinham os meios tecnol&oacute;gicos para tal.&nbsp;</p>     <p>Foi neste clima de ant&iacute;tese com o princ&iacute;pio de <i>res communis </i>que surgiu o conceito de <i>common heritage of mankind, </i>ou &ldquo;heran&ccedil;a comum da humanidade&rdquo;. Este conceito foi proposto pelo embaixador de Malta para as Na&ccedil;&otilde;es Unidas, com o prop&oacute;sito de caracterizar o fundo marinho al&eacute;m dos limites de jurisdi&ccedil;&atilde;o nacional<sup><a href="#_ftn54" name="_ftnref54" title="">54</a></sup><span>.</span> O objetivo dos Estados em desenvolvimento era atingir uma igualdade material, atrav&eacute;s da distribui&ccedil;&atilde;o dos lucros e da transfer&ecirc;ncia de tecnologias para que pudessem explorar essas &aacute;reas<sup><a href="#_ftn55" name="_ftnref55" title="">55</a></sup><span>.</span>&nbsp;</p>     <p>No seguimento do pedido, a Assembleia Geral adotou uma resolu&ccedil;&atilde;o que declarou o fundo marinho como <i>common heritage of mankind</i><sup><a href="#_ftn56" name="_ftnref56" title="">56</a></sup><span>.</span> Esta &aacute;rea foi novamente abrangida pelo conceito quando a Conven&ccedil;&atilde;o para o Direito do Mar declarou a &Aacute;rea (recorde-se, o fundo marinho e o mar alto al&eacute;m dos limites das jurisdi&ccedil;&otilde;es nacionais) e os seus recursos <i>common heritage of mankind</i><sup><a href="#_ftn57" name="_ftnref57" title="">57</a></sup><span>.</span> O conceito foi estendido ao espa&ccedil;o pelo Tratado do Espa&ccedil;o<sup><a href="#_ftn58" name="_ftnref58" title="">58</a></sup>, e posteriormente, pelo Tratado da Lua de 1979, que declarou a Lua, os seus recursos naturais e os outros corpos celestes <i>common heritage of mankind</i><sup><a href="#_ftn59" name="_ftnref59" title="">59</a></sup><span>.</span> Apesar do foco do regime previsto para a Ant&aacute;rtida ser a preserva&ccedil;&atilde;o do ecossistema ant&aacute;rtico e n&atilde;o a aloca&ccedil;&atilde;o de recursos em benef&iacute;cio da humanidade, excluindo desta forma a qualifica&ccedil;&atilde;o da Ant&aacute;rtida como heran&ccedil;a comum da humanidade<sup><a href="#_ftn60" name="_ftnref60" title="">60</a></sup>, o Protocolo de Prote&ccedil;&atilde;o Ambiental da Ant&aacute;rtida cont&eacute;m tra&ccedil;os do princ&iacute;pio de heran&ccedil;a comum, como a partilha do conhecimento cient&iacute;fico<sup><a href="#_ftn61" name="_ftnref61" title="">61</a></sup><span>.</span>&nbsp;</p>     <p>Devido ao facto da concretiza&ccedil;&atilde;o do princ&iacute;pio de heran&ccedil;a comum da humanidade variar nos diferentes regimes internacionais, n&atilde;o existe nenhuma defini&ccedil;&atilde;o concreta sobre este<sup><a href="#_ftn62" name="_ftnref62" title="">62</a></sup><span>.</span> Contudo, apesar de toda a controv&eacute;rsia inicial e ceticismo saud&aacute;veis acerca do&nbsp;conte&uacute;do do conceito, &eacute; hoje poss&iacute;vel identificar os elementos comuns a todos os regimes que o conceito de <i>common heritage of mankind </i>implica<sup><a href="#_ftn63" name="_ftnref63" title="">63</a></sup>:&nbsp;</p> <ul>       <li>a &aacute;rea declarada como tal n&atilde;o pode ser apropriada;&nbsp;</li>       <li>a &aacute;rea tem der ser explorada no benef&iacute;cio de toda a humanidade;&nbsp;</li>       ]]></body>
<body><![CDATA[<li>a &aacute;rea tem de ser governada por um regime que assegure uma gest&atilde;o comum.&nbsp;</li>     </ul>     <p>O segundo elemento implica, por sua vez, tr&ecirc;s consequ&ecirc;ncias<sup><a href="#_ftn64" name="_ftnref64" title="">64</a></sup>:&nbsp;</p> <ul>       <li>o uso estrito para fins pac&iacute;ficos;&nbsp;</li>       <li>a &aacute;rea tem de ser aberta a pesquisa cient&iacute;fica;&nbsp;</li>       <li>as preocupa&ccedil;&otilde;es ambientais t&ecirc;m de ser levadas em conta.&nbsp;</li>     </ul>     <p>O conceito de heran&ccedil;a comum da humanidade distingue-se de <i>res communis </i>porque recai sobre os Estados a obriga&ccedil;&atilde;o de aceder &agrave;s &aacute;reas comuns n&atilde;o numa perspetiva individualista, mas no benef&iacute;cio de toda a humanidade, de todos os Estados, numa l&oacute;gica de solidariedade, atribuindo um dever de coopera&ccedil;&atilde;o entre os Estados desenvolvidos e em desenvolvimento, numa tentativa de estreitar a diferen&ccedil;a econ&oacute;mica entre si<sup><a href="#_ftn65" name="_ftnref65" title="">65</a></sup><span>.</span>&nbsp;</p>     <p>Os tratados internacionais referidos estabelecem regimes que imp&otilde;em uma certa forma de controlo, atrav&eacute;s da gest&atilde;o da explora&ccedil;&atilde;o dos recursos naturais das &aacute;reas e a reparti&ccedil;&atilde;o equitativa dos benef&iacute;cios para todos os Estados parte, refletindo a ideia que a humanidade, como um conjunto, &eacute; respons&aacute;vel pela gest&atilde;o da &aacute;rea em quest&atilde;o<sup><a href="#_ftn66" name="_ftnref66" title="">66</a></sup><span>.</span>&nbsp;</p>     <p>Algumas express&otilde;es do princ&iacute;pio de heran&ccedil;a comum contidas nos tratados internacionais estabelecem a prote&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas globais comuns<sup><a href="#_ftn67" name="_ftnref67" title="">67</a></sup><span>.</span> Contudo, esta prote&ccedil;&atilde;o &eacute; reflexa<sup><a href="#_ftn68" name="_ftnref68" title="">61</a></sup> e, por isso, insuficiente para a prote&ccedil;&atilde;o ecol&oacute;gica eficaz que as &aacute;reas globais comuns requerem. O conceito n&atilde;o d&aacute; lugar ao desenvolvimento sustent&aacute;vel e prote&ccedil;&atilde;o ambiental das &aacute;reas globais comuns, pois a premissa do princ&iacute;pio de heran&ccedil;a comum da&nbsp;humanidade &eacute; novamente a explora&ccedil;&atilde;o dessas &aacute;reas e n&atilde;o a sua preserva&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#_ftn69" name="_ftnref69" title="">69</a></sup><span>.</span> O foco n&atilde;o &eacute; o modo como os Estados podem unir-se para preservar essas &aacute;reas, mas sim como podem dividir os lucros da explora&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#_ftn70" name="_ftnref70" title="">70</a></sup><span>.</span> H&aacute; um incentivo n&atilde;o para preservar, mas para maximizar a explora&ccedil;&atilde;o desses recursos e dos retornos econ&oacute;micos, porque quanto mais cada parte explora, mais toda a gente beneficia, de um ponto de vista econ&oacute;mico.&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Deste modo, continua a n&atilde;o existir mecanismos de internaliza&ccedil;&atilde;o do dano ambiental causado &agrave;s &aacute;reas globais comuns e n&atilde;o se tem em conta princ&iacute;pios ambientais como o princ&iacute;pio da preven&ccedil;&atilde;o ou o princ&iacute;pio do poluidor-pagador. Em termos ecol&oacute;gicos, o resultado do conceito de heran&ccedil;a comum da humanidade ser&aacute; o mesmo porque apenas se regulou o modo como o recurso &eacute; explorado.</p> </font>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" style="text-transform:uppercase" size="3"><b>4. <i>Common concern of humankind&nbsp;</i></b></font> </p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">     <p>A atmosfera n&atilde;o consta das &aacute;reas globais comuns que foram declaradas heran&ccedil;a comum da humanidade. A raz&atilde;o para tal deve-se &agrave; inadequa&ccedil;&atilde;o da no&ccedil;&atilde;o de heran&ccedil;a comum, com o seu significado de livre acesso e reparti&ccedil;&atilde;o de benef&iacute;cios que adv&ecirc;m da sua explora&ccedil;&atilde;o para regular a atmosfera, que n&atilde;o constitui um objeto que possa ser explorado para o bem da humanidade<sup><a href="#_ftn71" name="_ftnref71" title="">71</a></sup><span>.</span> &nbsp;</p>     <p>O Governo de Malta prop&ocirc;s que a atmosfera fosse declarada heran&ccedil;a comum da humanidade, mas, ao inv&eacute;s, a Resolu&ccedil;&atilde;o do Clima de 1988 da Assembleia Geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas declarou que as altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas eram <i>common concern of humankind</i><sup><a href="#_ftn72" name="_ftnref72" title="">72</a></sup>, ou &ldquo;interesse comum da humanidade&rdquo;. Posteriormente, a Conven&ccedil;&atilde;o Quadro das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre as Altera&ccedil;&otilde;es Clim&aacute;ticas tamb&eacute;m declarou, no seu pre&acirc;mbulo, a altera&ccedil;&atilde;o do clima da Terra e os seus efeitos adversos como interesse comum da humanidade<sup><a href="#_ftn73" name="_ftnref73" title="">73</a></sup><span>.</span> Mais recentemente, o Acordo de Paris de 2015 declarou novamente as altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas como interesse comum da humanidade<sup><a href="#_ftn74" name="_ftnref74" title="">74</a></sup><span>.</span> &nbsp;</p>     <p>O conceito n&atilde;o se destina a substituir a heran&ccedil;a comum da humanidade<sup><a href="#_ftn75" name="_ftnref75" title="">75</a></sup><span>.</span> N&atilde;o s&atilde;o &aacute;reas ou recursos que s&atilde;o considerados interesses comuns, mas sim determinados interesses ambientais ou a&ccedil;&otilde;es de preserva&ccedil;&atilde;o, a origem do que torna uma preocupa&ccedil;&atilde;o comum<sup><a href="#_ftn76" name="_ftnref76" title="">76</a></sup><span>.</span> No caso da UNFCCC, n&atilde;o &eacute; a atmosfera ou mesmo o clima que &eacute; classificado como interesse comum da humanidade, mas sim a &ldquo;altera&ccedil;&atilde;o no clima da Terra e os seus efeitos negativos&rdquo; (pre&acirc;mbulo).&nbsp;</p>     <p>As florestas tropicais e a biodiversidade constituem outros elementos importantes para a manuten&ccedil;&atilde;o da vida na Terra<sup><a href="#_ftn77" name="_ftnref77" title="">77</a></sup>, mas a aplica&ccedil;&atilde;o do conceito de interesse comum da humanidade a estes elementos apresenta uma dificuldade acrescida, porque estes recursos encontram-se na maior parte das vezes no territ&oacute;rio dos Estados e, de acordo com a l&oacute;gica tradicional de soberania, e especialmente da Carta dos Direitos e Deveres Econ&oacute;micos dos Estados, os Estados est&atilde;o intituladas a explorar estes recursos sem qualquer interfer&ecirc;ncia por parte de outros Estados<sup><a href="#_ftn78" name="_ftnref78" title="">78</a></sup><span>.</span> &nbsp;</p>     <p>Contudo, a Conven&ccedil;&atilde;o sobre Diversidade Biol&oacute;gica, precedida pela Carta do Mundo para a Natureza<sup><a href="#_ftn79" name="_ftnref79" title="">79</a></sup>, declara, no seu pre&acirc;mbulo, a &ldquo;conserva&ccedil;&atilde;o da diversidade biol&oacute;gica interesse comum&rdquo; <sup><a href="#_ftn80" name="_ftnref80" title="">80</a></sup> (repare-se, novamente, n&atilde;o a diversidade biol&oacute;gica em si).</p>     <p>Quanto &agrave;s florestas, apesar de ainda n&atilde;o terem oficialmente adquirido o estatuto de interesse comum da humanidade, h&aacute; uma s&eacute;rie de precedentes em que os Estados acordaram, com base no conceito de interesse comum da humanidade, limitar a sua soberania sobre partes dos seus recursos naturais e comprometeram-se a obriga&ccedil;&otilde;es unilaterais da sua conserva&ccedil;&atilde;o, nomeadamente na Conven&ccedil;&atilde;o sobre o Com&eacute;rcio Internacional de Esp&eacute;cies da Fauna e da Flora Selvagem Amea&ccedil;adas de Extin&ccedil;&atilde;o (mais conhecida por Conven&ccedil;&atilde;o "CITES"), a Conven&ccedil;&atilde;o para a Prote&ccedil;&atilde;o do Patrim&oacute;nio Mundial, Cultural e Natural<sup><a href="#_ftn81" name="_ftnref81" title="">81</a></sup> e a Conven&ccedil;&atilde;o das Zonas H&uacute;midas com interesse internacional para as aves aqu&aacute;ticas<sup><a href="#_ftn82" name="_ftnref82" title="">82</a></sup><span>.</span> Num caso australiano, o tribunal sustentou que a inclus&atilde;o de uma certa zona na lista de Patrim&oacute;nio Mundial implica a obriga&ccedil;&atilde;o internacional de proteger esse s&iacute;tio<sup><a href="#_ftn83" name="_ftnref83" title="">83</a></sup><span>.</span>&nbsp;</p>     <p>Apesar dos Estados continuarem a ter soberania sobre os seus recursos naturais e a liberdade de determinarem como s&atilde;o usados, esta soberania n&atilde;o &eacute; ilimitada ou absoluta, mas deve agora ser exercida dentro das margens da responsabilidade global estabelecida nos tratados referidos<sup><a href="#_ftn84" name="_ftnref84" title="">84</a></sup><span>.</span> A prote&ccedil;&atilde;o de interesses comuns que se encontram dentro dos territ&oacute;rios nacionais n&atilde;o requer que os Estados cedam a sua soberania sobre estes, mas que tenham em conta os interesses da comunidade internacional. Os Estados est&atilde;o intitulados a receber da comunidade internacional, entre outros, ajuda financeira e tecnol&oacute;gica, como recompensa pela correta administra&ccedil;&atilde;o dos recursos em causa<sup><a href="#_ftn85" name="_ftnref85" title="">85</a></sup><span>.</span>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O conceito de heran&ccedil;a comum da humanidade pressup&otilde;e uma igualdade na reparti&ccedil;&atilde;o dos benef&iacute;cios, enquanto que o conceito de interesse comum da humanidade implica uma igualdade de participa&ccedil;&atilde;o, distribui&ccedil;&atilde;o equitativa dos esfor&ccedil;os e custos de preserva&ccedil;&atilde;o dos bens ambientais<sup><a href="#_ftn86" name="_ftnref86" title="">86</a></sup>, numa l&oacute;gica de responsabilidades comuns mas diferenciadas, porque o benef&iacute;cio resultante &eacute; precisamente a prote&ccedil;&atilde;o ambiental a n&iacute;vel global<sup><a href="#_ftn87" name="_ftnref87" title="">87</a></sup><span>.</span> Ao contr&aacute;rio da heran&ccedil;a comum, o conceito de interesse comum n&atilde;o chega a atingir o mesmo n&iacute;vel institucional de coopera&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#_ftn88" name="_ftnref88" title="">88</a></sup><span>.</span>&nbsp;</p>     <p>&Eacute; necess&aacute;rio acrescentar o potencial que estes conceitos t&ecirc;m para servir como base para a quest&atilde;o da prote&ccedil;&atilde;o dos interesses das gera&ccedil;&otilde;es futuras<sup><a href="#_ftn89" name="_ftnref89" title="">89</a></sup><span>.</span> A express&atilde;o &ldquo;<i>humankind</i>&rdquo;, al&eacute;m de conter um elemento espacial &ndash; interesse de todos os seres humanos do planeta &ndash;, cont&eacute;m tamb&eacute;m um elemento temporal &ndash; a prote&ccedil;&atilde;o do ambiente &eacute; realizada n&atilde;o no benef&iacute;cio dos seres humanos que atualmente habitam o planeta, mas tamb&eacute;m no benef&iacute;cio das gera&ccedil;&otilde;es vindouras<sup><a href="#_ftn90" name="_ftnref90" title="">90</a></sup><span>.</span> &Eacute; implicado que os Estados atuam como <i>trustees </i>dos recursos naturais<sup><a href="#_ftn91" name="_ftnref91" title="">91</a></sup> tanto dentro como para al&eacute;m das suas jurisdi&ccedil;&otilde;es, tendo a obriga&ccedil;&atilde;o de proteger esses recursos para o benef&iacute;cio da humanidade.</p> </font>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" style="text-transform:uppercase" size="3"><b>5. Obriga&ccedil;&otilde;es <i>erga omnes&nbsp;</i></b></font> </p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">     <p>Resta saber se este conceito tem alguma consequ&ecirc;ncia jur&iacute;dica espec&iacute;fica que contribua para a prote&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas globais comuns ou se &eacute; apenas um conceito abstrato desprovido de conte&uacute;do. De acordo com Birnie, Boyle e Redgewell, o conceito de interesse comum da humanidade atribui &agrave; comunidade global tanto um interesse leg&iacute;timo nos recursos de import&acirc;ncia global e uma responsabilidade comum em contribuir para um desenvolvimento sustent&aacute;vel<sup><a href="#_ftn92" name="_ftnref92" title="">92</a></sup><span>.</span> De facto, como referimos, todos temos um interesse que a comunidade global se desenvolva de forma sustent&aacute;vel.&nbsp;</p>     <p>Analisemos este conceito &agrave; luz da <i>no-harm rule</i>. Esta regra foi primeiro aplicada pelo Tribunal Internacional de Justi&ccedil;a (doravante &ldquo;TIJ&rdquo;) no caso <i>Trail Smelter, </i>concretizando-se num dever dos Estados de n&atilde;o usarem o seu territ&oacute;rio de forma a causar danos noutros Estados<sup><a href="#_ftn93" name="_ftnref93" title="">93</a></sup><span>.</span> Mas, se forem causados danos n&atilde;o no territ&oacute;rio de um Estado mas&nbsp;nas &aacute;reas globais comuns, com a relev&acirc;ncia ambiental global que acarretam, quem &eacute; que deve poder demandar a entidade que provocou o dano?&nbsp;</p>     <p>A resposta &eacute;: todos os Estados. O conceito de interesse comum da humanidade origina obriga&ccedil;&otilde;es <i>erga omnes </i>de prote&ccedil;&atilde;o desses bens<i>, </i>obriga&ccedil;&otilde;es devidas n&atilde;o a um Estado espec&iacute;fico, mas a toda a comunidade global<sup><a href="#_ftn94" name="_ftnref94" title="">94</a></sup><span>.</span> A correta preserva&ccedil;&atilde;o e prote&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas globais comuns passa pela exist&ecirc;ncia de obriga&ccedil;&otilde;es <i>erga omnes </i>legalmente vinculativas<sup><a href="#_ftn95" name="_ftnref95" title="">95</a></sup><span>.</span> H&aacute; uma semelhan&ccedil;a com a a&ccedil;&atilde;o popular, porque a legitimidade de um Estado para a sua sindicabilidade n&atilde;o depende da afeta&ccedil;&atilde;o dos seus interesses individuais, mas todos os Estados t&ecirc;m id&ecirc;ntica legitimidade sobre a viola&ccedil;&atilde;o de qualquer obriga&ccedil;&atilde;o que resulte da aplica&ccedil;&atilde;o do conceito<sup><a href="#_ftn96" name="_ftnref96" title="">96</a></sup><span>.</span>&nbsp;</p>     <p>A exist&ecirc;ncia de obriga&ccedil;&otilde;es <i>erga omnes </i>foi primeiro enunciada pelo TIJ no caso Barcelona <i>Traction</i>, em que o tribunal referiu que existiam obriga&ccedil;&otilde;es dos Estados devidas &agrave; comunidade global como um todo:&nbsp;</p>     <p style="margin-left:30px;">&ldquo;<i>An essential distinction should be drawn between the obligations of a state towards the international community as a whole, and those arising </i>vis-&agrave;-vis <i>another state in the field of diplomatic protection. By their very nature, the former are the concern of all states. In view of the importance of the rights involved, all states can be held to have a legal interest in their protection; they are obligations erga omnes.</i>&rdquo;<sup><a href="#_ftn97" name="_ftnref97" title="">97</a></sup>&nbsp;</p>     <p>As obriga&ccedil;&otilde;es <i>erga omnes </i>caracterizam-se pela sua indivisibilidade, a sua estrutura n&atilde;o-bilateral, car&aacute;cter rec&iacute;proco: a sua viola&ccedil;&atilde;o afeta todos os outros Estados<sup><a href="#_ftn98" name="_ftnref98" title="">98</a></sup><span>.</span> Como observado pelo Tribunal, podem ser encontrados exemplos de obriga&ccedil;&otilde;es <i>erga omnes </i>tanto no direito internacional geral como nos tratados<sup><a href="#_ftn99" name="_ftnref99" title="">99</a></sup><span>.</span>&nbsp;</p> </font>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>5.1 Obriga&ccedil;&otilde;es <i>erga omnes </i>ecol&oacute;gicas&nbsp;</b></font> </p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">     <p>Mas que interesses geram obriga&ccedil;&otilde;es <i>erga omnes</i>? Apesar de d&eacute;cadas de discuss&atilde;o, a quest&atilde;o ainda n&atilde;o foi satisfatoriamente resolvida, tendo o Tribunal adotado uma vis&atilde;o restritiva<sup><a href="#_ftn100" name="_ftnref100" title="">100</a></sup>, preferindo focar-se na produ&ccedil;&atilde;o de efeitos <i>erga omnes </i>ao inv&eacute;s das condi&ccedil;&otilde;es nas quais uma obriga&ccedil;&atilde;o adquire car&aacute;cter <i>erga omnes</i><sup><a href="#_ftn101" name="_ftnref101" title="">101</a></sup><span>.</span> O Tribunal reconheceu expressamente alguns exemplos de obriga&ccedil;&otilde;es <i>erga omnes</i>, nomeadamente sobre a proibi&ccedil;&atilde;o de agress&otilde;es, escravid&atilde;o, discrimina&ccedil;&atilde;o e genoc&iacute;dio, no caso sobre a aplica&ccedil;&atilde;o da Conven&ccedil;&atilde;o de Preven&ccedil;&atilde;o e Castigo por Crime de Genoc&iacute;dio<sup><a href="#_ftn102" name="_ftnref102" title="">102</a></sup>, e no caso Atividades&nbsp;Armadas no territ&oacute;rio do Congo<sup><a href="#_ftn103" name="_ftnref103" title="">103</a></sup>, sobre o direito dos povos &agrave; autodetermina&ccedil;&atilde;o, no caso recente Timor-Leste<sup><a href="#_ftn104" name="_ftnref104" title="">104</a></sup> e no caso Consequ&ecirc;ncias Jur&iacute;dicas da Constru&ccedil;&atilde;o de uma Parede no Territ&oacute;rio Ocupado da Palestina<sup><a href="#_ftn105" name="_ftnref105" title="">105</a></sup><span>.</span> Adicionalmente, alguns ju&iacute;zes inclu&iacute;ram, individualmente, a proibi&ccedil;&atilde;o contra o uso de for&ccedil;a<sup><a href="#_ftn106" name="_ftnref106" title="">106</a></sup>, e o desenvolvimento sustent&aacute;vel<sup><a href="#_ftn107" name="_ftnref107" title="">107</a></sup> como obriga&ccedil;&otilde;es com natureza <i>erga omnes</i>.&nbsp;</p>     <p>O Tribunal salientou que, de forma a revestir a natureza <i>erga omnes</i>, a obriga&ccedil;&atilde;o em causa tem de proteger valores importantes &ndash; &ldquo;<i>in view of the importance of the rights involved, all States can be held to have a legal interest of obligations erga omnes</i>&rdquo;. Ao contr&aacute;rio da prote&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos, a Comiss&atilde;o de Direito Internacional n&atilde;o reconheceu explicitamente a prote&ccedil;&atilde;o do ambiente como uma obriga&ccedil;&atilde;o devida <i>erga omnes </i>no seu Projeto do Artigo 5, mas inclui direitos sob tratados multilaterais &ldquo;<i>expressly stipulated in that treaty for the protection of the collective interests of the states parties thereto</i>&rdquo;<sup><a href="#_ftn108" name="_ftnref108" title="">108</a></sup><span>.</span>&nbsp;</p>     <p>A classifica&ccedil;&atilde;o da atmosfera e da biodiversidade como <i>common concern of humankind </i>parte das ideias da exist&ecirc;ncia e import&acirc;ncia dos seus valores ecol&oacute;gicos<sup><a href="#_ftn109" name="_ftnref109" title="">109</a></sup><span>.</span> Como referimos, o ambiente tem por caracter&iacute;stica ser finito, limitado. N&atilde;o temos espa&ccedil;o suficiente para depositar todo o lixo que produzimos; a atmosfera e a camada de ozono n&atilde;o sustentam uma emiss&atilde;o ininterrupta de gases que os prejudiquem. Em segundo lugar, algumas &aacute;reas globais comuns j&aacute; est&atilde;o no limite das suas capacidades de explora&ccedil;&atilde;o. Por fim, o ambiente &eacute; a base para a sobreviv&ecirc;ncia humana. Apesar de j&aacute; nos distanciarmos muito do tempo em que ca&ccedil;&aacute;vamos e recolh&iacute;amos os alimentos diretamente do meio natural, ainda temos uma liga&ccedil;&atilde;o estreita com este. A preserva&ccedil;&atilde;o do ambiente representa um interesse superior e independente de qualquer interesse estatal. A aplica&ccedil;&atilde;o do conceito de comum da humanidade passa a focar as no&ccedil;&otilde;es de solidariedade e de coopera&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o numa l&oacute;gica de partilha de benef&iacute;cios, mas de preserva&ccedil;&atilde;o do ambiente global. Todos os elementos que respeitam o uso e acesso das &aacute;reas comuns t&ecirc;m de ser desenvolvidos desta maneira, devido &agrave; import&acirc;ncia que estes t&ecirc;m para a exist&ecirc;ncia da humanidade. A prote&ccedil;&atilde;o do ambiente global associa-se ao Humanismo, que acompanhou, no Direito, o surgimento dos chamados direitos de &ldquo;terceira gera&ccedil;&atilde;o&rdquo;, um ponto de vista sobre os seres humanos que s&atilde;o protegidos n&atilde;o devido &agrave; nacionalidade mas precisamente por terem esta caracter&iacute;stica. O ambiente deve ser protegido globalmente porque a sua prote&ccedil;&atilde;o &eacute; independente da cidadania, &eacute; superior a um qualquer v&iacute;nculo que se possa estabelecer entre uma pessoa e um Estado, mas sim prov&eacute;m da qualidade humana<sup><a href="#_ftn110" name="_ftnref110" title="">110</a></sup><span>.</span>&nbsp;</p>     <p>Este humanismo insere-se no termo &ldquo;comum&rdquo;, presente em ambos os conceitos de heran&ccedil;a e interesse da humanidade. Tal leva-nos &agrave; mudan&ccedil;a de paradigma das rela&ccedil;&otilde;es entre os Estados no Direito Internacional. &Agrave; semelhan&ccedil;a do que ocorreu com a Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica, em que o centro da sua atua&ccedil;&atilde;o passou a ser a prossecu&ccedil;&atilde;o do interesse p&uacute;blico, no respeito dos cidad&atilde;os atrav&eacute;s da institui&ccedil;&atilde;o de rela&ccedil;&otilde;es jur&iacute;dicas multilaterais<sup><a href="#_ftn111" name="_ftnref111" title="">111</a></sup>, os Estados deixaram progressivamente de ser o centro das rela&ccedil;&otilde;es internacionais para passarem a ser os cidad&atilde;os na qualidade de seres humanos<sup><a href="#_ftn112" name="_ftnref112" title="">112</a></sup><span>.</span> Podemos fazer uma compara&ccedil;&atilde;o com a revolu&ccedil;&atilde;o coperniciana, em que o &ldquo;centro do mundo&rdquo; deixou de ser os Estados para passar a ser o ser humano. &Eacute; hoje cada vez maior o n&uacute;mero de tratados ou conven&ccedil;&otilde;es que, ao inv&eacute;s de estabelecerem uma reciprocidade de obriga&ccedil;&otilde;es, aceitam obriga&ccedil;&otilde;es unilaterais, em que o benef&iacute;cio que recebem &eacute; precisamente a preserva&ccedil;&atilde;o do ambiente ou de outros valores, no interesse da comunidade global<sup><a href="#_ftn113" name="_ftnref113" title="">113</a></sup><span>.</span>&nbsp;</p>     <p>N&atilde;o existem interesses mais fundamentais e vitais para a exist&ecirc;ncia da comunidade internacional que a preven&ccedil;&atilde;o de degrada&ccedil;&otilde;es ambientais que viabilizam a exist&ecirc;ncia de vida. Quando a sobreviv&ecirc;ncia do ser Humano e a vida na Terra est&atilde;o em causa, n&atilde;o pode haver margem para aprecia&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Por tudo o que foi dito, a prote&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas globais comuns preenche sem d&uacute;vida este crit&eacute;rio<sup><a href="#_ftn114" name="_ftnref114" title="">114</a></sup><span>.</span> A polui&ccedil;&atilde;o, a partir de um determinado n&iacute;vel, representa uma amea&ccedil;a global; sem a atmosfera ou sem a camada de ozono, qualquer forma de vida muito provavelmente n&atilde;o seria sustent&aacute;vel na Terra. Desta forma, as obriga&ccedil;&otilde;es <i>erga omnes </i>estendem-se, indubitavelmente, &agrave; prote&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas globais comuns.</p> </font>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>5.2 Jurisprud&ecirc;ncia do Tribunal Internacional de Justi&ccedil;a&nbsp;</b></font> </p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Infelizmente, o Tribunal Internacional de Justi&ccedil;a nunca reconheceu a exist&ecirc;ncia de obriga&ccedil;&otilde;es <i>erga omnes </i>a prop&oacute;sito de danos provocados a &aacute;reas fora das jurisdi&ccedil;&otilde;es nacionais<sup><a href="#_ftn115" name="_ftnref115" title="">115</a></sup><span>.</span> Ao olharmos para a jurisprud&ecirc;ncia do TIJ, constatamos que o Tribunal nunca decidiu sobre a aplica&ccedil;&atilde;o da <i>no-harm rule </i>a estas &aacute;reas. O TIJ reconheceu novamente este princ&iacute;pio no caso Canal Corfu<sup><a href="#_ftn116" name="_ftnref116" title="">116</a></sup>, mas fora do contexto ambiental<sup><a href="#_ftn117" name="_ftnref117" title="">117</a></sup><span>.</span> Posteriormente, o Tribunal reconheceu, de algum modo, a natureza global da <i>no-harm rule </i>nos casos Licitude da Amea&ccedil;a ou Emprego de Armas Nucleares<sup><a href="#_ftn118" name="_ftnref118" title="">118</a></sup>, Projeto <i>Gabcikovo-Nagymaros</i><sup><a href="#_ftn119" name="_ftnref119" title="">119</a></sup> e <i>Pulp Mills </i>sob o Rio Uruguai<sup><a href="#_ftn120" name="_ftnref120" title="">120</a></sup> em contextos ambientais. Contudo, os &uacute;ltimos dois casos n&atilde;o dizem respeito a danos ecol&oacute;gicos provocados fora das jurisdi&ccedil;&otilde;es dos Estados, enquanto o primeiro n&atilde;o diz verdadeiramente respeito a danos ecol&oacute;gicos<sup><a href="#_ftn121" name="_ftnref121" title="">121</a></sup><span>.</span>&nbsp;</p>     <p>Por outro lado, no caso <i>Mox Plant</i>, o Tribunal Internacional para o Direito do Mar declarou a sindicabilidade do dever de coopera&ccedil;&atilde;o em mat&eacute;ria ambiental, que surgia como consequ&ecirc;ncia das obriga&ccedil;&otilde;es <i>erga omnes</i><sup><a href="#_ftn122" name="_ftnref122" title="">122</a></sup>, dando desta forma subst&acirc;ncia a este tipo de obriga&ccedil;&otilde;es.&nbsp;</p>     <p>Contudo, apesar de ter reconhecido a exist&ecirc;ncia de obriga&ccedil;&otilde;es <i>erga </i>omnes, o TIJ n&atilde;o reconheceu a legitimidade para sindicar a viola&ccedil;&atilde;o destas obriga&ccedil;&otilde;es<sup><a href="#_ftn123" name="_ftnref123" title="">123</a></sup><span>.</span> No entender do Tribunal, o interesse na prote&ccedil;&atilde;o das obriga&ccedil;&otilde;es <i>erga omnes </i>&eacute; um interesse objetivo, e n&atilde;o subjetivo e, mesmo quando haja um interesse subjetivo, n&atilde;o existe nenhum dano material dos Estados<sup><a href="#_ftn124" name="_ftnref124" title="">124</a></sup><span>.</span> No caso Sudoeste Africano<i>, </i>o TIJ referiu que a sindicabilidade das obriga&ccedil;&otilde;es <i>erga omnes </i>assemelha-se a uma <i>actio popularis</i>, e declarou explicitamente que uma a&ccedil;&atilde;o semelhante &eacute; incompat&iacute;vel com o direito internacional existente na altura<sup><a href="#_ftn125" name="_ftnref125" title="">125</a></sup><span>.</span>&nbsp;</p>     <p>No caso Testes Nucleares, o Tribunal foi relutante em admitir a exist&ecirc;ncia de danos iminentes e irrepar&aacute;veis em rela&ccedil;&atilde;o aos pedidos da Austr&aacute;lia e da Nova Zel&acirc;ndia em proteger o ambiente global, incluindo o mar alto, afirmando que as provid&ecirc;ncias cautelares de prote&ccedil;&atilde;o eram desnecess&aacute;rias, em face dos direitos invocados, para al&eacute;m daqueles relacionados ao territ&oacute;rio de ambos os Estados<sup><a href="#_ftn126" name="_ftnref126" title="">126</a></sup><span>.</span> As opini&otilde;es dissidentes de quatro ju&iacute;zes consideraram a exist&ecirc;ncia de uma <i>actio popularis </i>controversa, mas &ldquo;capaz de um argumento jur&iacute;dico racional&rdquo;<sup><a href="#_ftn127" name="_ftnref127" title="">127</a></sup><span>.</span> Em especial, o Ju&iacute;z Petren afirmou a contrariedade entre proclamar a exist&ecirc;ncia de obriga&ccedil;&otilde;es <i>erga omnes </i>e negar a sua sindicabilidade<sup><a href="#_ftn128" name="_ftnref128" title="">128</a></sup><span>.</span>&nbsp;</p>     <p>Adicionalmente, no caso Atividades militares e paramilitares na Nicar&aacute;gua<sup><a href="#_ftn129" name="_ftnref129" title="">129</a></sup>, o Tribunal evitou a quest&atilde;o da consequ&ecirc;ncia da viola&ccedil;&atilde;o de obriga&ccedil;&otilde;es <i>erga omnes</i>, ao tratar os direitos humanos, erroneamente, como regimes contidos<sup><a href="#_ftn130" name="_ftnref130" title="">130</a></sup><span>.</span> No caso Timor-Leste<i>, </i>o Tribunal n&atilde;o se pronunciou novamente pela quest&atilde;o, rejeitando a sua jurisdi&ccedil;&atilde;o, pelo facto de a Indon&eacute;sia ser um terceiro indispens&aacute;vel ao processo, mas que n&atilde;o tinha aceite a jurisdi&ccedil;&atilde;o do Tribunal<sup><a href="#_ftn131" name="_ftnref131" title="">131</a></sup><span>.</span>&nbsp;</p>     <p>No caso Jurisdi&ccedil;&atilde;o de Pescas da Isl&acirc;ndia<i>, </i>o Tribunal foi tamb&eacute;m cauteloso ao permitir a possibilidade dos Estados adotarem medidas unilaterais de resposta decorrentes da viola&ccedil;&atilde;o de obriga&ccedil;&otilde;es <i>erga omnes, </i>nomeadamente a obriga&ccedil;&atilde;o <i>erga omnes </i>de conservar os recursos animais no mar alto.<sup><a href="#_ftn132" name="_ftnref132" title="">132</a></sup>&nbsp;</p>     <p>Contudo, a legitimidade para a defesa de obriga&ccedil;&otilde;es <i>erga omnes </i>est&aacute; agora consagrada no artigo 48, n.&ordm; 1, al&iacute;nea b) do Projeto da Comiss&atilde;o de Direito Internacional sobre Responsabilidade Internacional dos Estados por Factos Il&iacute;citos:&nbsp;</p>     <p style="margin-left:30px;">&ldquo;1. <i>Any State other than an injured State is entitled to invoke the responsibility of another State in accordance with paragraph 2 if: &hellip; </i>(b) <i>the obligation breached is owed to the International community as a whole</i>.&rdquo;&nbsp;</p>     <p>Apesar da pr&aacute;tica sobre a possibilidade de invocar obriga&ccedil;&otilde;es <i>erga omnes </i>ser incerta, o artigo 48 demonstra uma aproxima&ccedil;&atilde;o progressiva e inovadora<sup><a href="#_ftn133" name="_ftnref133" title="">133</a></sup>que consegue, de muitas formas, captar o &ldquo;multilateralismo em expans&atilde;o das obriga&ccedil;&otilde;es contempor&acirc;neas&rdquo;<sup><a href="#_ftn134" name="_ftnref134" title="">134</a></sup><span>.</span> James Crawford, relator especial da Comiss&atilde;o de Direito Internacional para o tema da responsabilidade, explicitamente considerou a obriga&ccedil;&atilde;o de prevenir danos &agrave;s &aacute;reas globais comuns como uma obriga&ccedil;&atilde;o <i>erga omnes</i><sup><a href="#_ftn135" name="_ftnref135" title="">135</a></sup><i>. </i>O autor inclusivamente refere a possibilidade de sindicar estas obriga&ccedil;&otilde;es quanto a bens que se encontram dentro do territ&oacute;rio dos Estados, dando como exemplo a obriga&ccedil;&atilde;o dos Estados protegerem e preservarem as florestas que existam no seu territ&oacute;rio, n&atilde;o para o seu pr&oacute;prio benef&iacute;cio, mas para o benef&iacute;cio da comunidade internacional<sup><a href="#_ftn136" name="_ftnref136" title="">136</a></sup><span>.</span>&nbsp;</p>     <p>A oportunidade para reivindicar viola&ccedil;&otilde;es de obriga&ccedil;&otilde;es <i>erga omnes</i>, nomeadamente a possibilidade de qualquer Estado reclamar a responsabiliza&ccedil;&atilde;o daqueles que provocam danos nas &aacute;reas globais comuns, &eacute; agora poss&iacute;vel e espera-se que seja utilizado no futuro. Resta agora saber se o TIJ mudar&aacute; a sua posi&ccedil;&atilde;o quanto &agrave; sindicabilidade das obriga&ccedil;&otilde;es <i>erga omnes</i>, em face do novo Artigo 48<sup><a href="#_ftn137" name="_ftnref137" title="">137</a></sup><span>.</span>&nbsp;</p> </font>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" style="text-transform:uppercase" size="3"><b>6. Conclus&atilde;o&nbsp;</b></font> </p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">     <p>O dever de n&atilde;o provocar danos nas &aacute;reas globais comuns constitui uma obriga&ccedil;&atilde;o <i>erga omnes</i>. Tal deve-se &agrave; indispensabilidade e intrinsecabilidade destas &aacute;reas &agrave; sobreviv&ecirc;ncia do ser humano, revestindo os danos que se verificaram nestas &aacute;reas natureza global.&nbsp;</p>     <p>Juntamente com os fen&oacute;menos de globaliza&ccedil;&atilde;o da polui&ccedil;&atilde;o, assiste-se tamb&eacute;m a uma globaliza&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos, em que o ser humano merece prote&ccedil;&atilde;o n&atilde;o por via da cidadania mas por estar inserido numa comunidade tamb&eacute;m global, encerrando um fim em si mesmo. Por sua vez, esta implica uma altera&ccedil;&atilde;o do paradigma das rela&ccedil;&otilde;es internacionais entre os Estados, atrav&eacute;s da celebra&ccedil;&atilde;o de tratados com natureza multilateral, em oposi&ccedil;&atilde;o das conce&ccedil;&otilde;es bilaterais do direito internacional, tendo por objeto uma preocupa&ccedil;&atilde;o inerente a todos os Estados, a prote&ccedil;&atilde;o destas &aacute;reas globais comuns.&nbsp;</p>     <p>Apesar do TIJ ter adotado uma posi&ccedil;&atilde;o restritiva quanto &agrave; sindicabilidade das obriga&ccedil;&otilde;es <i>erga omnes</i>, o Projeto da Comiss&atilde;o de Direito Internacional sobre Responsabilidade Internacional dos Estados por Factos Il&iacute;citos veio sem d&uacute;vida abrir as portas para a sua sindicabilidade, finalmente colmatando a lacuna que se perdurava na comunidade internacional quanto &agrave; prote&ccedil;&atilde;o ambiental das &aacute;reas globais comuns.</p> </font>     <p>&nbsp;</p> <!-- NOTAS -->     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>NOTAS</b></font> </p>     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> <a href="#_ftnref1" name="_ftn1" title="">1</a> Comiss&atilde;o de Direito Internacional &ndash; First report on the protection of the atmosphere, por Shinya Murase, Relator Especial, 14 de fevereiro de 2014, Doc. Na&ccedil;&otilde;es Unidas A/CN.4/667, p. 8.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref2" name="_ftn2" title="">2</a> JUTTA BRUNN&Eacute;E, Common Areas, Common Heritage, and Common Concern, in <i>The Oxford Handbook of International Environmental Law</i>, Daniel Bodansky, Jutta Brunn&eacute;e e H. Hey (eds.), Nova Iorque, 2007, p. 557; DINAH SHELTON, Common Concern of Humanity, <i>Iustum Aequum Salutar</i>, vol. 1, 2009, p. 35. &nbsp;     ]]></body>
<body><![CDATA[<br>           <br>       <a href="#_ftnref3" name="_ftn3" title="">3</a> XUE HANQIN, <i>Transboundary Damage in International Law</i>, Cambridge, 2003, p. 192.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref4" name="_ftn4" title="">4</a> Ao contr&aacute;rio da Ant&aacute;rtida, o &Aacute;rtico n&atilde;o &eacute; considerado &aacute;rea global comum. Existe atualmente uma disputa entre quase todos os Estados circundantes ao &Aacute;rtico, que proclamam a sua soberania sobre parte desse territ&oacute;rio, acabando por, na pr&aacute;tica, n&atilde;o sobrar nenhuma parcela de territ&oacute;rio que possa ser reconhecida como &aacute;rea global comum. Contudo, dada a fragilidade e sensibilidade do ecossistema presente no &Aacute;rtico e pelo facto de este desempenhar um papel semelhante &agrave; Ant&aacute;rtida na manuten&ccedil;&atilde;o do clima terreste, justifica que o &Aacute;rtico devesse tamb&eacute;m ser considerado uma &aacute;rea global comum. &nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref5" name="_ftn5" title="">5</a> KATHY LEIGH, Liability for Damage to the Global Commons, <i>Australian Yearbook of International Law</i>, vol. 14, 1992, p. 130.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref6" name="_ftn6" title="">6</a> Artigo 20 da Conven&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre o Direito do Mar (doravante &ldquo;Conven&ccedil;&atilde;o de Montego Bay&rdquo;), 10 de dezembro de 1982, 21 International Legal Materials (doravante &ldquo;ILM&rdquo;) 1261 (1972), e Artigo 2 da Conven&ccedil;&atilde;o sobre o Registo de Objetos Lan&ccedil;ados no Espa&ccedil;o Exterior, 12 de novembro de 1974, 1023 United Nations Treaty Series (doravante &ldquo;UNTS&rdquo;) 15. &nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref7" name="_ftn7" title="">7</a> BRADLEY LARSCHAN E BONNIE C. BRENNAN, The Common Heritage of Mankind Principle in International Law, <i>Columbia Journal of Transnational Law</i>, vol. 21, 1983, p. 305.&nbsp;     ]]></body>
<body><![CDATA[<br>           <br>       <a href="#_ftnref8" name="_ftn8" title="">8</a> CHRISTOPHER C. JOYNER, Legal Implications of the Concept of Common Heritage of Mankind, <i>International and Comparative Law Quarterly</i>, vol. 35, 1986, p. 194; BRADLEY LARSCHAN, <i>The Common...</i>, p. 312.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref9" name="_ftn9" title="">9</a> ARVID PARDO, The Law of the Sea: Its Past and Its Future, <i>Oregon Law Review</i>, vol. 63, 1984, p. 7; BRADLEY LARSCHAN, <i>The Common...</i>, p. 316.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref10" name="_ftn10" title="">10</a> GEORG BERRISCH, <i>The Application of the Concept of &ldquo;Common Heritage of Humankind&rdquo; to the Protection of the Global Environment &ndash; One Response of Public International Law to Global Environmental Threats</i>, Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado, Universidade McGill, Canad&aacute;, 1990, p. 109.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref11" name="_ftn11" title="">11</a> GARRET HARDIN, Tragedy of the Commons, <i>Science</i>, 13, vol. 162, 1968, publica&ccedil;&atilde;o n.&ordm; 3859, pp. 1243 ss. &nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref12" name="_ftn12" title="">12</a> FERNANDO ARA&Uacute;JO, <i>A Trag&eacute;dia dos baldios e dos anti-baldios &ndash; O problema econ&oacute;mico do n&iacute;vel &oacute;ptimo de apropria&ccedil;&atilde;o</i>, Coimbra, 2008, p. 84.&nbsp;     ]]></body>
<body><![CDATA[<br>           <br>       <a href="#_ftnref13" name="_ftn13" title="">13</a> PATRICIA BIRNIE, ALAN BOYLE E CATHERINE REDGEWELL, <i>International Law &amp; The Environment</i>, 3.a ed., Nova Iorque, 2009, p. 130.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref14" name="_ftn14" title="">14</a> ALEXANDRE S. TIMOSHENKO, Ecological Security &ndash; Response to Global Challenges, in <i>Environmental Change and International Law: New Challenges and Dimensions</i>, Edith Brown Weiss (ed.), Hong Kong, 1993, p. 420.&nbsp; GEORG BERRISCH, <i>The Application...</i>, p. 106.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref15" name="_ftn15" title="">15</a> XUE HANQIN, <i>Transboundary...</i>, p. 208.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref16" name="_ftn16" title="">16</a> <i>Idem</i>, p. 191; KATHY LEIGH, <i>Liability...</i>, p. 129; GEORG BERRISCH, <i>The Application...</i>, p. 130.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref17" name="_ftn17" title="">17</a> Declaration of the United Nations Conference on the Human Environment (doravante &ldquo;Declara&ccedil;&atilde;o de Estocolmo&rdquo;), 16 de junho de 1972, adotada pela Confer&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, Doc. Na&ccedil;&otilde;es Unidas A/CONF.48/14/Rev.1. Desde a Confer&ecirc;ncia, este princ&iacute;pio tem sido subsequentemente incorporado nos v&aacute;rios tratados de prote&ccedil;&atilde;o do ambiente e noutros instrumentos de valor normativo inferior.&nbsp;     ]]></body>
<body><![CDATA[<br>           <br>       <a href="#_ftnref18" name="_ftn18" title="">18</a> JONATHAN I. CHARNEY, Third State Remedies for Environmental Damage to World's Common Spaces, in <i>International Responsibility for Environmental Harm</i>, Francesco Francioni e Tullio Scovazzi (eds.), Londres, Boston, 1993, p. 163; TULLIO SCOVAZZI, State Responsibility for Environmental Harm, <i>Yearbook of International Environmental Law</i>, 2002, vol. 12, n.&ordm; 1, p. 47.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref19" name="_ftn19" title="">19</a> KATHY LEIGH, <i>Liability...</i>, p. 135.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref20" name="_ftn20" title="">20</a> JONATHAN I. CHARNEY, <i>Third...</i>, p. 165.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref21" name="_ftn21" title="">21</a> Ibidem.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref22" name="_ftn22" title="">22</a> RODA VERHEYEN, <i>Climate Change Damage and International Law &ndash; Prevention Duties and State Responsibility</i>, Pa&iacute;ses Baixos, 2004, p. 232; ALAN E. BOYLE, Globalizing Environmental Liability &ndash; The Interplay of National and International Law, <i>Journal of Environmental Law</i>, vol. 17, n.&ordm; 1, 2005, p. 1; JUTTA BRUNN&Eacute;E, Of Sense and Sensibility: Reflections on International Liability Regimes as Tools for Environmental Protection, <i>The International and Comparative Law Quarterly</i>, vol. 53, n.&ordm; 2, abril, 2014, p. 351; ALFRED REST, Responsibility and Liability for Transboundary Air Pollution Damage, in <i>Transboundary Air Pollution: International Legal Aspects of the Cooperation of </i>States, Flintermann, Kwiatkowska e Lammers (eds.), Dordrecht, Boston, Lancaster, 1986, p. 335; TULLIO SCOVAZZI, <i>State&hellip;</i>, p. 59.&nbsp;     ]]></body>
<body><![CDATA[<br>           <br>       <a href="#_ftnref23" name="_ftn23" title="">23</a> KATHY LEIGH, <i>Liability...</i>, p. 136.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref24" name="_ftn24" title="">24</a> &ldquo;Os Estados devem cooperar para continuar desenvolvendo o direito internacional no que se refere &agrave; responsabilidade e &agrave; indeniza&ccedil;&atilde;o &agrave;s v&iacute;timas da polui&ccedil;&atilde;o e de outros danos ambientais que as atividades realizadas dentro da jurisdi&ccedil;&atilde;o ou sob o controle de tais Estados causem a zonas fora de sua jurisdi&ccedil;&atilde;o.&rdquo; &ndash; Princ&iacute;pio 22 da Declara&ccedil;&atilde;o de Estocolmo.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref25" name="_ftn25" title="">25</a> &ldquo;Os Estados dever&atilde;o elaborar legisla&ccedil;&atilde;o nacional relativa &agrave; responsabilidade civil e &agrave; compensa&ccedil;&atilde;o das v&iacute;timas da polui&ccedil;&atilde;o e de outros preju&iacute;zos ambientais Os Estados dever&atilde;o tamb&eacute;m cooperar de um modo expedito e mais determinado na elabora&ccedil;&atilde;o de legisla&ccedil;&atilde;o internacional adicional relativa &agrave; responsabilidade civil e compensa&ccedil;&atilde;o por efeitos adversos causados por danos ambientais em &aacute;reas fora da sua &aacute;rea de jurisdi&ccedil;&atilde;o, e causados por atividades levadas a efeito dentro da &aacute;rea da sua jurisdi&ccedil;&atilde;o de controlo." &ndash; Princ&iacute;pio 13 da Rio Declaration on Environment and Development (doravante &ldquo;Declara&ccedil;&atilde;o do Rio&rdquo;), 4 de junho de 1992, Doc. Na&ccedil;&otilde;es Unidas A/CONF.151/26.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref26" name="_ftn26" title="">26</a> CARLA AMADO GOMES, Responsabilidade internacional do Estado por dano ecol&oacute;gico: uma miragem? in <i>Quest&otilde;es de responsabilidade internacional, Atas da Confer&ecirc;ncia realizada na Escola de Direito da Universidade do Minho no dia 4 de dezembro de 2015</i>, Braga, 2016, pp. 32. &nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref27" name="_ftn27" title="">27</a> Artigo 192 da Conven&ccedil;&atilde;o de Montego Bay.&nbsp;     ]]></body>
<body><![CDATA[<br>           <br>       <a href="#_ftnref28" name="_ftn28" title="">28</a> Artigos 194 e 207 a 212 da Conven&ccedil;&atilde;o de Montego Bay.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref29" name="_ftn29" title="">29</a> N.os 2 e 3 do artigo 194 da Conven&ccedil;&atilde;o de Montego Bay.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref30" name="_ftn30" title="">30</a> Por exemplo, a Conven&ccedil;&atilde;o Internacional para a Preven&ccedil;&atilde;o da Polui&ccedil;&atilde;o por Petr&oacute;leo, 12 de maio de 1954, 327 UNTS 221. O artigo VI disp&otilde;e: &ldquo;<i>1. Any contravention of Articles III and IX shall be an offence punishable under the law of the relevant territory in respect of the ship in accordance with paragraph (1) of Article II. 2. The penalties which may be imposed under the law of any of the territories of a Contracting Government in respect of the unlawful discharge from a ship of oil or oily mixture outside the territorial sea of that territory shall be adequate in severity to discourage any such unlawful discharge and shall not be less than the penalties which may be imposed under the law of that territory in respect of the same infringements within the territorial sea.</i>&rdquo;&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref31" name="_ftn31" title="">31</a> Artigo X da Conven&ccedil;&atilde;o para a Preven&ccedil;&atilde;o da Polui&ccedil;&atilde;o Marinha por Opera&ccedil;&otilde;es de Imers&atilde;o de Detritos e Outros Produtos (doravante &ldquo;Conven&ccedil;&atilde;o de <i>Dumping&rdquo;</i>), 29 de dezembro de 1972, 1046 UNTS 120.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref32" name="_ftn32" title="">32</a> Responsibilities And Obligations Of States Sponsoring Persons And Entities With Respect To Activities In The Area, Opini&atilde;o Consultiva, 1 de fevereiro de 2011, International Tribunal for the Law of the Sea Reports 2011, p. 46, par&aacute;g. 130.&nbsp;     ]]></body>
<body><![CDATA[<br>           <br>       <a href="#_ftnref33" name="_ftn33" title="">33</a> CARLA AMADO GOMES, <i>Responsabilidade</i>... p. 35&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref34" name="_ftn34" title="">34</a> Ibidem.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref35" name="_ftn35" title="">35</a> Artigos I e II do Tratado sobre os Princ&iacute;pios Que Regem as Atividades dos Estados na Explora&ccedil;&atilde;o e Utiliza&ccedil;&atilde;o do Espa&ccedil;o Exterior, Incluindo a Lua e Outros Corpos Celestes do Espa&ccedil;o Exterior (doravante &ldquo;Tratado do Espa&ccedil;o&rdquo;), 27 de janeiro de 1967, 610 UNTS 205.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref36" name="_ftn36" title="">36</a> Artigo VII do Tratado do Espa&ccedil;o.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref37" name="_ftn37" title="">37</a> Artigo VII da Conven&ccedil;&atilde;o sobre Responsabilidade Internacional por Danos Causados por Objetos Espaciais (doravante &ldquo;Conven&ccedil;&atilde;o sobre Responsabilidade Espacial&rdquo;), 29 de mar&ccedil;o de 1972, 961 UNTS 187.&nbsp;     ]]></body>
<body><![CDATA[<br>           <br>       <a href="#_ftnref38" name="_ftn38" title="">38</a> XUE HANQIN, <i>Transboundary...</i>, p. 219.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref39" name="_ftn39" title="">39</a> N. JASENTULIYANA, Environmental Impact of Space Activities: An International Law Perspective, <i>Proceedings of the 27th Colloquium of Law of Outer Space</i>, 1984, p. 395; ISABELLA H. PH. DIEDERIKS-VERSCHOOR, The Legal Aspects of Space Activities with Potentially Harmful Effects on the Earth and Space Environments, <i>Proceedings of the 15th Colloquium of Law of Outer Space</i>, 1972, p. 273; HOWARD A. BAKER, <i>Space Debris: Legal and Policy Implications</i>, Disserta&ccedil;&atilde;o submetida &agrave; Faculty of Graduate-Studies and Research, Institute of Air and Space Law, Universidade McGill, Canad&aacute;, p. 185.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref40" name="_ftn40" title="">40</a> Al&iacute;nea a) do artigo 1 da Conven&ccedil;&atilde;o sobre Responsabilidade Espacial.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref41" name="_ftn41" title="">41</a> JUTTA BRUNN&Eacute;E, <i>Common...</i>, p. 561.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref42" name="_ftn42" title="">42</a> JULIO BARBOZA, International Liability for the Injurious Consequences of Acts Not Prohibited by International Law and Protection of the Environment, in <i>Collected Courses of The Hague Academy of International Law</i>, Hague Academy of International Law, vol. 247, 1994, p. 394; PATRICIA BIRNIE, <i>International...</i>, p. 130 &ndash; &ldquo;It is thus immaterial whether the global atmosphere comprises airspace under the sovereignty of a subjacent state or not: it is a &lsquo;common resource&rsquo; of vital interest to mankind.&rdquo;&nbsp;     ]]></body>
<body><![CDATA[<br>           <br>       <a href="#_ftnref43" name="_ftn43" title="">43</a> Os direitos e deveres dos Estados sobre a atmosfera, como a camada de ar sobre os seus territ&oacute;rios, devem ser separados da soberania exclusiva dos Estados sobre o ar acima dos seus territ&oacute;rios. FRANK BIERMANN, &ldquo;Common Concern of Humankind&rdquo; &ndash; The Emergence of a New Concept of International Environmental Law, <i>Archiv des V&ouml;lkerrechts</i>, vol. 34, n.&ordm; 4, 1996, p. 427. Tal j&aacute; tinha sido estabelecido na decis&atilde;o arbitral <i>Trail Smelter </i>de 1941, como veremos mais &agrave; frente, quando o tribunal declarou que o Canad&aacute; n&atilde;o pode usar o seu territ&oacute;rio, nomeadamente a atmosfera, de modo a causar danos aos Estados Unidos. Arbitragem <i>Trail Smelter</i>, (Estados Unidos da Am&eacute;rica c. Canad&aacute;), 16 de abril de 1938 e 11 de mar&ccedil;o de 1941, 3 United Nations Reports of International Arbitral Awards (doravante &ldquo;UNRIAA&rdquo;), vol. III, pp. 1907 ss.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref44" name="_ftn44" title="">44</a> Conven&ccedil;&atilde;o de Viena para a Prote&ccedil;&atilde;o da Camada de Ozono, 22 de mar&ccedil;o de 1985, 1513 UNTS 323.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref45" name="_ftn45" title="">45</a> Conven&ccedil;&atilde;o-Quadro das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Altera&ccedil;&otilde;es Clim&aacute;ticas, 9 de maio de 1992, 1771 UNTS 107.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref46" name="_ftn46" title="">46</a> Tratado da Ant&aacute;rtida, 1 de dezembro de 1959, 402 UNTS 71.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref47" name="_ftn47" title="">47</a> Artigo 8 da Conven&ccedil;&atilde;o sobre a Regula&ccedil;&atilde;o de Atividades sobre Recursos Minerais Ant&aacute;rticos, 2 de junho de 1988, 27 ILM 868, 1988.&nbsp;     ]]></body>
<body><![CDATA[<br>           <br>       <a href="#_ftnref48" name="_ftn48" title="">48</a> Artigo 7 da Protocolo de Prote&ccedil;&atilde;o Ambiental do Tratado da Ant&aacute;rtida, 4 de outubro de 1991, 30 ILM 1461 (1991).&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref49" name="_ftn49" title="">49</a> XUE HANQIN, <i>Transboundary...</i>, p. 233.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref50" name="_ftn50" title="">50</a> Anexo VI &ndash; Responsabilidade decorrente de emerg&ecirc;ncias ambientais.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref51" name="_ftn51" title="">51</a> Conven&ccedil;&atilde;o sobre o Controlo de Movimentos Transfronteiri&ccedil;os de Res&iacute;duos Perigosos e Sua Elimina&ccedil;&atilde;o (doravante &ldquo;Conven&ccedil;&atilde;o de Basileia&rdquo;), 22 de mar&ccedil;o de 1989, 28 ILM 657 (1989).&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref52" name="_ftn52" title="">52</a> Artigo 3 da Conven&ccedil;&atilde;o sobre a Diversidade Biol&oacute;gica, 5 de junho de 1992, 31 ILM 822 (1992).&nbsp;     ]]></body>
<body><![CDATA[<br>           <br>       <a href="#_ftnref53" name="_ftn53" title="">53</a> Artigo 10 da Conven&ccedil;&atilde;o de <i>Dumping</i>. &nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref54" name="_ftn54" title="">54</a> Assembleia Geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (doravante &ldquo;UNGA&rdquo;) &ndash; &ldquo;Malta: Request for Inclusion of a Supplementary Item in the Agenda of the Twenty-Second Session&rdquo;, de 18 de agosto de 1967, General Assembly Official Records 22, Anexos da Sess&atilde;o, Item da Agenda 92, 1).&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref55" name="_ftn55" title="">55</a> JONATHAN I. CHARNEY, The Law of the Deep Sea Bed Post UNCLOS, <i>Oregon Law Review</i>, vol. 63, 1984, p. 22.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref56" name="_ftn56" title="">56</a> Declara&ccedil;&atilde;o dos Princ&iacute;pios que governam o Fundo Marinho, Leito do Oceano, e Subsolo, Al&eacute;m dos Limites das Jurisdi&ccedil;&otilde;es Nacionais, 17 de dezembro de 1970, Resolu&ccedil;&atilde;o 2749 (XXV) da UNGA.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref57" name="_ftn57" title="">57</a> Artigo 136 da Conven&ccedil;&atilde;o de Montego Bay &ndash; &ldquo;A &aacute;rea e os seus recursos s&atilde;o patrim&oacute;nio comum da humanidade.&rdquo;&nbsp;     ]]></body>
<body><![CDATA[<br>           <br>       <a href="#_ftnref58" name="_ftn58" title="">58</a> Artigo 1 do Tratado do Espa&ccedil;o &ndash; &ldquo;A explora&ccedil;&atilde;o e utiliza&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o exterior, incluindo a Lua e outros corpos celestes, ser&aacute; conduzida para benef&iacute;cio e interesse de todos os pa&iacute;ses, independentemente do seu grau de desenvolvimento econ&oacute;mico ou cient&iacute;fico, constituindo apan&aacute;gio de toda a Humanidade.&rdquo;&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref59" name="_ftn59" title="">59</a> N.&ordm; 1 do artigo 4 do Acordo que Governa as Atividades do Espa&ccedil;o na Lua e noutros Corpos Celestes, 5 de dezembro de 1979, 1363 UNTS 21 &ndash; &ldquo;<i>The exploration and use of the Moon shall be the province of all mankind and shall be carried out for the benefit and in the interests of all countries, irrespective of their degree of economic or scientific development</i>.&rdquo; O Acordo n&atilde;o foi ratificado por Portugal.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref60" name="_ftn60" title="">60</a> Como &eacute; a opini&atilde;o de Jutta Brunn&eacute;e &ndash; JUTTA BRUNN&Eacute;E, <i>Common...</i>, p. 563.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref61" name="_ftn61" title="">61</a> ALEXANDRE KISS, The common heritage of mankind &ndash; utopia or reality?, <i>International Journal</i>, vol. 40, 1985, p. 438; R&Uuml;DIGER WOLFRUM, Common Heritage of Mankind, in <i>Max Plank Encyclopedia of Public International Law</i>, R&uuml;dolph Bernhardt e Peter Macalister-Smith (eds.), Nova Iorque, vol. 1.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref62" name="_ftn62" title="">62</a> Ibidem.&nbsp;     ]]></body>
<body><![CDATA[<br>           <br>       <a href="#_ftnref63" name="_ftn63" title="">63</a> GEORG BERRISCH, <i>The Application...</i>, p. 101. Para um panorama sobre as diferentes defini&ccedil;&otilde;es doutrin&aacute;rias do conceito, <i>vide </i>KEMAL BASLAR, <i>The Concept of the Common Heritage of Mankind in International Law</i>, Martinus Nijhoff Publishers, 1998, p. 280 ss.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref64" name="_ftn64" title="">64</a> ANTONIO CASSESE, <i>International Law in a Divided World</i>, Inglaterra, 1986, p. 381.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref65" name="_ftn65" title="">65</a> GEORG BERRISCH, <i>The Application...</i>, p. 128.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref66" name="_ftn66" title="">66</a> JOHN E. NOYES, The Common Heritage of Mankind &ndash; Past Present and Future, <i>Denver Journal of International Law and Policy</i>, vol. 40, 2012, p. 451; BRADLEY LARSCHAN, <i>The Common...</i>, p. 319; Christopher C. Joyner, <i>Legal...</i>, p. 192.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref67" name="_ftn67" title="">67</a> JOHN E. NOYES, <i>idem</i>, p. 451.&nbsp;     ]]></body>
<body><![CDATA[<br>           <br>       <a href="#_ftnref68" name="_ftn68" title="">68</a> GEORG BERRISCH, <i>The Application...</i>, p. 140.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref69" name="_ftn69" title="">69</a> Veja-se JULIO BARBOZA, <i>International...</i>, p. 395, para quem o conceito acarreta uma conota&ccedil;&atilde;o patrimonial.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref70" name="_ftn70" title="">70</a> JUTTA BRUNN&Eacute;E, <i>Common...</i>, p. 563.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref71" name="_ftn71" title="">71</a> KEMAL BASLAR, <i>The Concept&hellip;</i>, p. 279; JUTTA BRUNN&Eacute;E, <i>Common&hellip;</i>, p. 565; FRANK BIERMANN, <i>Liability...</i>, p. 430; EDITH BROWN WEISS, Nature and the Law &ndash; Global Commons and the Common Concern of Mankind, Sustainable Humanity, Sustainable Nature: Our Responsibility, <i>Pontifical Academy of Sciences, </i>Extra Series 41, Cidade do Vaticano, 2014, p. 12.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref72" name="_ftn72" title="">72</a> Resolu&ccedil;&atilde;o 43/53 UNGA, 6 de dezembro de 1988 &ndash; Protection of Global Climate for Present and Future Generations of Mankind, Doc. Na&ccedil;&otilde;es Unidas A/RES/43/53.&nbsp;     ]]></body>
<body><![CDATA[<br>           <br>       <a href="#_ftnref73" name="_ftn73" title="">73</a> UNFCCC &ndash; &ldquo;Reconhecendo que a altera&ccedil;&atilde;o do clima da Terra e os seus efeitos negativos s&atilde;o uma preocupa&ccedil;&atilde;o comum da humanidade.&rdquo;&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref74" name="_ftn74" title="">74</a> Acordo de Paris, 12 de dezembro de 2015, Doc. Na&ccedil;&otilde;es Unidas FCCC/CP/2015/L.9 (pre&acirc;mbulo) &ndash; &ldquo;<i>Acknowledging that climate change is a common concern of humankind...</i>&rdquo;&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref75" name="_ftn75" title="">75</a> UNEP, II Meeting of the group of legal experts to examine the concept of CCM in relation to global environmental issues, Gen&eacute;bra, 1991, p. 254.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref76" name="_ftn76" title="">76</a> JUTTA BRUNN&Eacute;E, <i>Common...</i>, p. 565.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref77" name="_ftn77" title="">77</a> &Eacute; internacionalmente reconhecida a import&acirc;ncia ambiental do lago Baical, na R&uacute;ssia, e da floresta Amaz&oacute;nia, no Brasil. A elevada import&acirc;ncia destes bens para a comunidade global justifica que a prote&ccedil;&atilde;o destes bens sejam, de certa forma, id&ecirc;ntica &agrave; prote&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas globais comuns. ALAN BOYLE, Remedying Harm to International Common Spaces and Resources: Compensation and Other Approaches, in <i>Harm to the Environment: The Right to Compensation and Assessment of Damages</i>, Peter Wetterstein (ed.), Nova Iorque, 1997, p. 86.&nbsp;     ]]></body>
<body><![CDATA[<br>           <br>       <a href="#_ftnref78" name="_ftn78" title="">78</a> Charter of Economic Rights and Duties of States, aprovada pela Resolu&ccedil;&atilde;o 3281 (XXIX), de 12 de dezembro de 1974, Doc. Na&ccedil;&otilde;es Unidas A/RES/29/3281, Artigo 1 &ndash; &ldquo;<i>Every State has the sovereign and inalienable right to choose its economic system as well as it political, social and cultural systems in accordance with the will of its people, without outside interference, coercion or threat in any form whatsoever</i>.&rdquo;; n.&ordm; 1 do artigo 2 &ndash; &ldquo;<i>Every State has and shall freely exercise full permanent sovereignty, including possession, use and disposal, over all its wealth, natural resources and economic activities</i>.&rdquo;&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref79" name="_ftn79" title="">79</a> Carta do Mundo para a Natureza, aprovada pela Resolu&ccedil;&atilde;o 37/7, 28 de outubro 1982, Doc. Na&ccedil;&otilde;es Unidas A/RES/37/7.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref80" name="_ftn80" title="">80</a> Conven&ccedil;&atilde;o sobre a Diversidade Biol&oacute;gica, Pre&acirc;mbulo &ndash; &ldquo;<i>Affirming that the conservation of biological diversity is a common concern of humankind</i>.&rdquo;&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref81" name="_ftn81" title="">81</a> Conven&ccedil;&atilde;o para a Prote&ccedil;&atilde;o do Patrim&oacute;nio Mundial, Cultural e Natural, 16 de novembro de 1972, 11 ILM 1358 (1972).&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref82" name="_ftn82" title="">82</a> Conven&ccedil;&atilde;o das Zonas H&uacute;midas com interesse internacional para as aves aqu&aacute;ticas (doravante &ldquo;Conven&ccedil;&atilde;o de Ramsar&rdquo;), 2 de fevereiro de 1971, 996 UNTS 245.&nbsp;     ]]></body>
<body><![CDATA[<br>           <br>       <a href="#_ftnref83" name="_ftn83" title="">83</a> <i>The Commonwealth of Australia v. State of Tasmania</i>, 46 Australian Law Reports 625; 68 International Law Reports 266, 1983.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref84" name="_ftn84" title="">84</a> PATRICIA BIRNIE, <i>International...</i>, p. 130; ALEXANDRE KISS E DINAH SHELTON, <i>International Environmental Law</i>, Pa&iacute;ses Baixos, 1999, p. 251.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref85" name="_ftn85" title="">85</a> KEMAL BASLAR, <i>The Concept&hellip;</i>, p. 286.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref86" name="_ftn86" title="">86</a> <i>Idem</i>, p. 280; JUTTA BRUNN&Eacute;E, <i>Common...</i>, p. 566. R&uuml;diger Wolfrum, <i>Common&hellip;</i>; ANT&Ocirc;NIO CAN&Ccedil;ADO TRINDADE, <i>International Law for Humankind &ndash; Towards a New Jus Gentium</i>, Pa&iacute;ses Baixos, 2.a ed., 2013, p. 344; UNEP, The Meeting of the Group of Legal Experts to Examine the Concept of the Common Concern of Mankind in Relation to Global Environmental Issues, D.J. Attard (ed.), Malta, Nairobi, 1991, p. 24. &nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref87" name="_ftn87" title="">87</a> GEORG BERRISCH, <i>The Application...</i>, p. 145.&nbsp;     ]]></body>
<body><![CDATA[<br>           <br>       <a href="#_ftnref88" name="_ftn88" title="">88</a> Ibidem.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref89" name="_ftn89" title="">89</a> ALEXANDRE S. TIMOSHENKO, <i>Ecological...</i>, p. 420; ALEXANDRE KISS, <i>The common&hellip;</i>. p 415; SIMONE BORG, <i>Climate Change as a Common Concern of Humankind</i>, Li&ccedil;&atilde;o, IUCN Academy of Environmental Law Seminar, Universidade de Malta, 2007, p. 3; GEORG BERRISCH, <i>The Application...</i>, p. 117.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref90" name="_ftn90" title="">90</a> ALEXANDRE KISS, La notion de patrimoine commun de l&rsquo;humanit&eacute;, in <i>Collected Courses of The Hague Academy of International Law</i>, Hague Academy of International Law, vol. 175, 1982, p. 136.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref91" name="_ftn91" title="">91</a> JOHN E. NOYES, <i>The common&hellip;</i>, p. 450.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref92" name="_ftn92" title="">92</a> PATRICIA BIRNIE, <i>International Law&hellip;</i>, p. 130.&nbsp;     ]]></body>
<body><![CDATA[<br>           <br>       <a href="#_ftnref93" name="_ftn93" title="">93</a> &ldquo;under the principles of international law, [&hellip;] no State has the right to use or permit the use of its territory in such a manner as to cause injury by fumes in or to the territory of another or the properties or persons therein, when the case is of serious consequence and the injury is established by clear and convincing evidence.&rdquo;, Arbitragem <i>Trail Smelter</i>, p. 1965. &nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref94" name="_ftn94" title="">94</a> PATRICIA BIRNIE, <i>International...</i>, p. 130; PHILIPPE SANDS, JACQUELINE PEEL, ADRIANA FABRA E RUTH MACKENZIE, <i>Principles of International Environmental Law</i>, 3.a ed., 2012, p. 234; JONATHAN I. CHARNEY, <i>Third&hellip;</i>, p. 157; JUTTA BRUNN&Eacute;E, <i>Common...</i>, p. 565; JUTTA BRUNN&Eacute;E, &ldquo;Common Interest&rdquo; &ndash; Echoes from an Empty Shell? &ndash; Some Thoughts on Common Interest and International Environmental Law, <i>Za&ouml;RV</i>, 49, 1989, p. 807; DINAH SHELTON, <i>Common...</i>, p. 34; SIMONE BORG, <i>Climate Change&hellip;</i>, p. 3; GEORG BERRISCH, <i>The Application...</i>, p. 148; THOMAS COTTIER, <i>International Environmental Law and the Emerging Concept of Common Concern of Mankind: Possible Impact on Climate Change Mitigation</i>, Li&ccedil;&atilde;o, Institute for Environmental Decisions, ETH, Zurique, 2007, p. 10; ALFRED REST, Enforcing the rule of law for a better environment: elements of (civil/State) liability, erga omnes obligations and judicial access, in <i>International Conference on Global Environmental Governance, International Court of the Environmental Foundation</i>, Roma, 2010, p. 310; KARL ZEMANEK, New Trends in the Enforcement of erga omnes Obligations, <i>Max Planck Yearbook of United Nations Law</i>, Pa&iacute;ses Baixos, 4, 2000, p. 8; FREDERIK L. KIRGIS, Standing to Challenge Human Endeavors that Could Change the Climate, <i>American Journal of International Law</i>, vol. 84, 1990, p. 527; DURNER, <i>Common Goods, Statusprinzipien von Umweltg&uuml;tern im V&ouml;lkerrecht</i>, Baden-Baden, 2001, p. 240. A respeito de danos provocados no alto mar, <i>vide </i>Artigo 194, Conven&ccedil;&atilde;o de Montego Bay, e a confirma&ccedil;&atilde;o pelo Tribunal Internacional para o Direito do Mar, em Responsibilities and Obligations of States with Respect to Activities in the Area, Advisory Opinion, 1 de fevereiro 2011, 2011 International Tribunal for the Law Of the Sea Reports (doravante &ldquo;ITLOS Reports&rdquo;), 10, par&aacute;g. 180.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref95" name="_ftn95" title="">95</a> MALGOSIA FITZMAURICE, Liability for Environmental Damage caused to Global Commons, <i>Review of European, Comparative &amp; International Environmental Law</i>, vol. 5, n.&ordm; 4, 1996, p. 307; CARLA AMADO GOMES, Os bens ambientais como bens de interesse da Humanidade &ndash; entre o universalismo e a raz&atilde;o do Estado, <i>Revista O Direito</i>, ano 141.&ordm;, V, p. 14; ALFRED REST, <i>idem</i>, p. 316.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref96" name="_ftn96" title="">96</a> Sobre obriga&ccedil;&otilde;es <i>erga omnes</i>, no geral, <i>vide </i>AGO, Obligations Erga Omnes and the International Community, in <i>International Crimes of State: A Critical Analysis of the ILC&rsquo;s Draft Article 19 on State Responsibility</i>, Joseph H.H. Weiler, Antonio Cassese e Marina Spinedi (eds.), Nova Iorque, 1988, pp. 237 ss.; CLAUDIA ANNACKER, The Legal Regime of erga omnes Obligations in International Law, <i>Austrian Journal of Public International Law</i>, vol. 46, 1994, pp. 131 ss; ANDR&Eacute; DE HOOGH, <i>Obligations Erga Omnes and International Crimes: A Theoretical Inquiry Into the Implementation and Enforcement of the International Responsibility of States</i>, Pa&iacute;ses Baixos, 1996; MAURIZIO RAGAZZI, <i>The Concept of International Obligations Erga Omnes</i>, Nova Iorque, 2000; CHRISTIAN J. TAMS, <i>Enforcing Obligations Erga Omnes</i>, Nova Iorque, 2005. Em Portugal, <i>vide </i>PATR&Iacute;CIA GALV&Atilde;O TELES, Obligations Erga Omnes in International Law, <i>Revista Jur&iacute;dica da Associa&ccedil;&atilde;o Acad&eacute;mica da Faculdade de Direito de Lisboa</i>, n.&ordm; 20, novembro, 1996, pp. 73 ss; e MIGUEL GALV&Atilde;O TELES, Rights erga omnes, obligations omnium and obligations erga omnes, in <i>Estudos em homenagem ao Prof. Doutor Jos&eacute; Joaquim Gomes Canotilho</i>, Coimbra, vol. 1, 2012, pp. 707 ss. &nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref97" name="_ftn97" title="">97</a> Caso Barcelona <i>Traction Light and Power Company Ltd. </i>(B&eacute;lgica c. Espanha), Decis&atilde;o, International Court of Justice Reports (doravante &ldquo;ICJ Reports&rdquo;), 1970, p. 32, par&aacute;g. 33.&nbsp;     ]]></body>
<body><![CDATA[<br>           <br>       <a href="#_ftnref98" name="_ftn98" title="">98</a> OLIVIA LOPES PEGNA, Counter-claims and Obligations Erga Omnes before the International Court of Justice, <i>European Journal of International law</i>, vol. 9, 1998, pp. 731 e 732.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref99" name="_ftn99" title="">99</a> Para a rela&ccedil;&atilde;o entre obriga&ccedil;&otilde;es <i>erga omnes</i>, normas que revistam o car&aacute;cter de <i>jus cogens </i>e crimes internacionais, <i>vide </i>MALGOSIA FITZMAURICE, <i>Liability&hellip;</i>, pp. 307 ss.; MICHAEL BYERS, Conceptualising the Relationship between Jus Cogens and Erga Omnes Rules, <i>Nordic Journal of International Law</i>, vol. 66, n.&ordm; 2, pp. 211 ss; M. CHERIF BASSIOUNI, International Crimes: Jus Cogens and Obligations Erga Omnes, <i>Law and Contemporary Problems</i>, vol. 59, 1996, pp. 63 ss; ERIC A. POSNER, Erga Omnes Norms, Institutionalization, and Constitutionalism in International Law, University of Chicago, <i>Public Law &amp; Legal Theory Working Papers</i>, n.&ordm; 224, 2008, pp. 5 ss.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref100" name="_ftn100" title="">100</a> CHRISTIAN J. TAMS, <i>Enforcing&hellip;</i>, p. 117.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref101" name="_ftn101" title="">101</a> IAN D. SEIDERMAN, <i>Hierarchy in International Law: The Human Rights Dimension</i>, Antu&eacute;rpia, 2001, p. 123.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref102" name="_ftn102" title="">102</a> Caso Aplica&ccedil;&atilde;o da Conven&ccedil;&atilde;o de Preven&ccedil;&atilde;o e Castigo por Crime de Genoc&iacute;dio (B&oacute;snia e Herzegovina c. S&eacute;rvia e Montenegro), Obje&ccedil;&otilde;es Preliminares, ICJ Reports 1996, p. 616, par&aacute;g. 31 &ndash; &ldquo;<i>the rights and obligations enshrined by the Convention [on the Prevention and Punishment of the Crime of Genocide] are rights and obligations erga omnes</i>.&rdquo; &nbsp;     ]]></body>
<body><![CDATA[<br>           <br>       <a href="#_ftnref103" name="_ftn103" title="">103</a> Caso Atividades Armadas no territ&oacute;rio do Congo (nova submiss&atilde;o, 2002) (Rep&uacute;blica Democrata do Congo c. Ruanda), Jurisdi&ccedil;&atilde;o e Admissibilidade, Decis&atilde;o, ICJ Reports 2006, p. 29, par&aacute;g. 64, citando o Ac&oacute;rd&atilde;o do caso Aplica&ccedil;&atilde;o da conven&ccedil;&atilde;o de Preven&ccedil;&atilde;o e Castigo por Crime de Genoc&iacute;dio.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref104" name="_ftn104" title="">104</a> Caso Timor-Leste (Portugal c. Austr&aacute;lia), ICJ Reports 1995, p. 102, par&aacute;g. 29 &ndash; &ldquo;<i>Portugal's assertion that the right of peoples to self-determination </i>[&hellip;] <i>has an erga omnes character, is irreproachable.</i>&rdquo;&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref105" name="_ftn105" title="">105</a> Consequ&ecirc;ncias Jur&iacute;dicas da Constru&ccedil;&atilde;o de uma Parede no Territ&oacute;rio Ocupado da Palestina, Parecer Consultivo, ICJ Reports 2004, p. 172, par&aacute;g. 88, citando o Ac&oacute;rd&atilde;o do caso Timor-Leste.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref106" name="_ftn106" title="">106</a> Caso Atividades militares e paramilitares na Nicar&aacute;gua (Nicar&aacute;gua c. Estados Unidos da Am&eacute;rica), Medidas Provis&oacute;rias, Opini&atilde;o Dissidente do Ju&iacute;z Schwebel, ICJ Reports 1984, p. 196 &ndash; &ldquo;<i>These fundamental rights of a State to live in peace, free of the threat or use of force against its territorial integrity or political independence, are rights of every State, erga omnes.</i>&rdquo;&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref107" name="_ftn107" title="">107</a> Caso Projeto <i>Gabcikovo-Nagymaros </i>(Hungria c. Eslov&aacute;quia), Opini&atilde;o Separada do Ju&iacute;z Weeramantry, ICJ Reports 1984, pp. 117 &ndash; 118.&nbsp;     ]]></body>
<body><![CDATA[<br>           <br>       <a href="#_ftnref108" name="_ftn108" title="">108</a> Artigo 5, Parte 2, Report of the ILC on the Work of Its Forty-fifth Session n. 42, UNGA, Official Records, Sess&atilde;o 48.&ordm;, Suplemento n.&ordm; 10, Doc. Na&ccedil;&otilde;es Unidas A/48/10, 1993, pp. 128 ss.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref109" name="_ftn109" title="">109</a> ALEXANDRE S. TIMOSHENKO, <i>Ecological...</i>, p. 414.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref110" name="_ftn110" title="">110</a> DINAH SHELTON, <i>Common...</i>, p. 34.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref111" name="_ftn111" title="">111</a> VASCO PEREIRA DA SILVA, <i>O contencioso administrativo no div&atilde; da psican&aacute;lise: ensaio sobre as ac&ccedil;&otilde;es no novo processo administrativo</i>, 2.a ed., Coimbra, 2009, p. 217.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref112" name="_ftn112" title="">112</a> EDITH BROWN WEISS, Global environmental change and international law: The introductory framework, in <i>Environmental Change and International Law: New Challenges and Dimensions</i>, Edith Brown Weiss (ed.), Hong Kong, 1993, p. 10.&nbsp;     ]]></body>
<body><![CDATA[<br>           <br>       <a href="#_ftnref113" name="_ftn113" title="">113</a> Jutta Brunn&eacute;e, <i>&ldquo;Common&hellip;&rdquo;</i>, p. 796; GEORGE BERRISCH, <i>The Application...</i>, p. 144.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref114" name="_ftn114" title="">114</a> Jutta Brunn&eacute;e, <i>&ldquo;Common&hellip;&rdquo;</i>, p. 805; JONATHAN I. CHARNEY, <i>Third&hellip;</i>, p. 161; ALFRED REST, <i>Enforcing&hellip;, </i>p. 309; ALAN BOYLE, <i>Remedying&hellip;</i>, p. 94.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref115" name="_ftn115" title="">115</a> CARLA AMADO GOMES<i>, Responsabilidade</i>&hellip; p. 20.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref116" name="_ftn116" title="">116</a> Caso Canal Corfu (Reino Unido c. Alb&acirc;nia), Decis&atilde;o de 9 de abril, 1949, ICJ Reports 1949, p. 22.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref117" name="_ftn117" title="">117</a> JONATHAN I. CHARNEY, <i>Third&hellip;</i>, p. 164.&nbsp;     ]]></body>
<body><![CDATA[<br>           <br>       <a href="#_ftnref118" name="_ftn118" title="">118</a> Licitude da Amea&ccedil;a ou Emprego de Armas Nucleares, Opini&atilde;o Consultiva, ICJ Reports 1996, pp. 241 ss.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref119" name="_ftn119" title="">119</a> Caso Projeto <i>Gabcikovo-Nagymaros</i>, p. 41, par&aacute;g. 53.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref120" name="_ftn120" title="">120</a> Caso Celulosas do Rio Uruguai (Argentina c. Uruguai), Decis&atilde;o, ICJ Reports 2010, p. 78, par&aacute;g. 193.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref121" name="_ftn121" title="">121</a> YASUHIRO SHIGETA, Obligation to Protect the Environment in the ICJ's Practice &ndash; To What Extent Erga Omnes, <i>Japanese Yearbook of International Law</i>, vol. 55, 2012, p. 178.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref122" name="_ftn122" title="">122</a> Caso <i>MOX Plant </i>(Irlanda c. Reino Unido), Medidas Provis&oacute;rias, Ordem de 3 de dezembro de 2001, ITLOS Reports 2001, p. 95 &ndash; &ldquo;<i>the duty to cooperate is a fundamental principle in the prevention of pollution of the marine environment under Part XII of the Convention and general international law</i>.&rdquo; &nbsp;     ]]></body>
<body><![CDATA[<br>           <br>       <a href="#_ftnref123" name="_ftn123" title="">123</a> No caso Barcelona <i>Traction</i>, o Tribunal requereu a previs&atilde;o no tratado de uma disposi&ccedil;&atilde;o concreta que atribu&iacute;sse legitimidade.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref124" name="_ftn124" title="">124</a> YASUHIRO SHIGETA, <i>Obligation&hellip;</i>, p. 198 &ndash; <i>&ldquo;Even if there is a breach of an erga omnes obligation, an individual State's subjective interest might not be injured, as in the case of a tiny atmospheric nuclear test carried out inside a very large State in violation of the prohibition of atmospheric nuclear tests. Moreover, even if an individual State's subjective interest (e.g. benefit from the freedom of navigation, aviation and fishery on the high seas) is to be injured by a breach of an erga omnes obligation, any material injury (e.g. physical or economic harm) to this State might hardly be established in the immediate future, as is the case of nuclear pollution on the high seas in violation of the obligation to prevent marine pollution. In these cases, locus standi before the Court is not allowed to those States claiming the violation of an erga omnes obligation, unless an &laquo;actio popularis&raquo; or a disguised &laquo;action erga omnes&raquo; is allowed by a treaty provision or a declaration under the optional clause.&rdquo;&nbsp;</i>     <br>           <br>       <a href="#_ftnref125" name="_ftn125" title="">125</a> Caso Sudoeste Africano (Eti&oacute;pia c. &Aacute;frica do Sul), Segunda Fase, Decis&atilde;o, ICJ Reports 1966, p. 47, par&aacute;g. 88.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref126" name="_ftn126" title="">126</a> Caso Testes Nucleares (Nova Zel&acirc;ndia c. Fran&ccedil;a), Medidas Provis&oacute;rias, ICJ Reports 1973, p. 103, par&aacute;g. 22.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref127" name="_ftn127" title="">127</a> <i>Idem</i>, p. 370.&nbsp;     ]]></body>
<body><![CDATA[<br>           <br>       <a href="#_ftnref128" name="_ftn128" title="">128</a> <i>Idem</i>, p. 303.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref129" name="_ftn129" title="">129</a> Caso Nicar&aacute;gua, par&aacute;g. 267.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref130" name="_ftn130" title="">130</a> KARL ZEMANEK, <i>New trends&hellip;</i>, p. 11. &nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref131" name="_ftn131" title="">131</a> Caso Timor-Leste, par&aacute;g. 34.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref132" name="_ftn132" title="">132</a> Caso Jurisdi&ccedil;&atilde;o de Pescas da Isl&acirc;ndia (Reino Unido c. Isl&acirc;ndia), M&eacute;rito, Decis&atilde;o, ICJ Reports 1974, p. 39.&nbsp;     ]]></body>
<body><![CDATA[<br>           <br>       <a href="#_ftnref133" name="_ftn133" title="">133</a> ALFRED REST, <i>Enforcing&hellip;</i>, p. 318.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref134" name="_ftn134" title="">134</a> MALGOSIA FITZMAURICE, International Responsibility and Liability, in <i>The Oxford Handbook of International Environmental Law</i>, Daniel Bodansky, Jutta Brunn&eacute;e e H. Hey (eds.), Nova Iorque, 2007, p. 1021.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref135" name="_ftn135" title="">135</a> JAMES CRAWFORD, Third Report on State Responsibility, Add. 4 (2000), p. 8, par&aacute;g. 379; Doc. UN A/CN.4/507/.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref136" name="_ftn136" title="">136</a> JAMES CRAWFORD, <i>The International Law Commission&rsquo;s Articles on State Responsibility, Introduction, Text and Commentaries</i>, Cambridge, 2003, p. 443.&nbsp;     <br>           <br>       <a href="#_ftnref137" name="_ftn137" title="">137</a> Outra possibilidade de inverter a pr&aacute;tica restritiva dos Estados sobre responsabilidade ambiental seria fortalecer o papel das organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais, atribuindo-lhes legitimidade perante as inst&acirc;ncias internacionais para a defesa do ambiente das &aacute;reas globais comuns. GEORGE BERRISCH, <i>The Application...</i>, p. 149, CARLA AMADO GOMES, <i>Os bens&hellip;</i>, p. 12. Contudo, sem deixar de entender que este &eacute; o passo na dire&ccedil;&atilde;o certa, entendemos que seria um passo que o Direito Internacional do Ambiente n&atilde;o est&aacute; ainda preparado, sendo primeiro necess&aacute;rio ter bem assente a legitimidade de qualquer Estado para a defesa das &aacute;reas globais comuns, avan&ccedil;ando posteriormente para a consagra&ccedil;&atilde;o das ONG&rsquo;s como partes leg&iacute;timas perante o TIJ.&nbsp;     ]]></body>
<body><![CDATA[<br>           <br> </font> </p>      ]]></body>
</article>
