<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>2183-184X</journal-id>
<journal-title><![CDATA[e-Pública: Revista Eletrónica de Direito Público]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[e-Pública]]></abbrev-journal-title>
<issn>2183-184X</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Instituto de Ciências Jurídico-Políticas (Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa)]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S2183-184X2018000200002</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Situação e Desafios da Protecção dos Direitos Fundamentais na União Europeia: recent lessons from the court of justice of the EU]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Restrictive measures and the fight against terrorism in the European Union]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Ramos]]></surname>
<given-names><![CDATA[Rui Manuel Moura]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade Católica de Lisboa Faculdade de Direito ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Coimbra ]]></addr-line>
<country>Portugal</country>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>07</month>
<year>2018</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>07</month>
<year>2018</year>
</pub-date>
<volume>5</volume>
<numero>2</numero>
<fpage>07</fpage>
<lpage>24</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S2183-184X2018000200002&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S2183-184X2018000200002&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S2183-184X2018000200002&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[O artigo analisa a Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia enquanto um dos três vetores do sistema de proteção dos direitos fundamentais acolhido nos Tratados e resultante do artigo 6.º do Tratado da União Europeia resultante do Tratado de Lisboa no contexto da evolução jurisprudencial da sua proteção. Em particular, analisa o seu âmbito de aplicação, a eficácia horizontal das suas disposições, os termos da aplicabilidade dos direitos sociais reconhecidos na Carta. Por outro, discute também a adesão da União Europeia à Convenção Europeia dos Direitos do Homem e o Parecer n.º 2/13 do Tribunal de Justiça da União Europeia.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The article analyzes the Charter of Fundamental Rights of the European Union as one of the three vectors of the system of protection of fundamental rights, as set out in the Treaties and resulting from Article 6 of the Treaty on European Union resulting from the Treaty of Lisbon in the context of the evolution of its case-law. protection. In particular, it analyzes its scope, the horizontal effectiveness of its provisions, the terms of the applicability of the social rights recognized in the Charter. It also discusses the accession of the European Union to the European Convention on Human Rights and Opinion No 2/13 of the Court of Justice of the European Union.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[União Europeia]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Direitos Fundamentais]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Carta dos Direitos]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Fundamentais da União Europeia]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Convenção Europeia dos Direitos do Homem]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[European Union]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Fundamental Rights]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Charter of Fundamental Rights of the European Union]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[European Convention on Human Rights]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">DESTAQUE</font></b></p> <!--TITULO-->     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b> Situa&ccedil;&atilde;o    e Desafios da Protec&ccedil;&atilde;o&nbsp;dos Direitos Fundamentais na Uni&atilde;o    Europeia </b> </font> </p> <!--TITULO TRADUZIDO-->     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b> Restrictive    measures and the fight against terrorism in the European Union: recent lessons    from the court of justice of the EU </b> </font> </p>     <p>&nbsp;</p> <!--RESPONSABILIDADE-->     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b> Rui Manuel    Moura Ramos<sup><a href="#_ftn1" name="_ftnref1" title="">1</a></sup> </b>&nbsp;    </font> </p>     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Faculdade de    Direito da Universidade Cat&oacute;lica de Lisboa,    <br>   Pátio da Universidade    <br>   3004-528 Coimbra-Portugal    <br>   E-mail: <a href="mailto:rmmramos@fd.uc.pt">rmmramos@fd.uc.pt</a> </font> </p> <!--TÍTULO-->     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESUMO</b>    </font> </p> <!--TÓPICO--> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O artigo analisa a Carta dos Direitos Fundamentais da Uni&atilde;o Europeia    enquanto um dos tr&ecirc;s vetores do sistema de prote&ccedil;&atilde;o dos    direitos fundamentais acolhido nos Tratados e resultante do artigo 6.&ordm;    do Tratado da Uni&atilde;o Europeia resultante do Tratado de Lisboa&nbsp;no    contexto da evolu&ccedil;&atilde;o jurisprudencial da sua prote&ccedil;&atilde;o.    Em particular, analisa o seu &acirc;mbito de aplica&ccedil;&atilde;o, a efic&aacute;cia    horizontal das suas disposi&ccedil;&otilde;es, os termos da aplicabilidade dos    direitos sociais reconhecidos na Carta. Por outro, discute tamb&eacute;m a ades&atilde;o    da Uni&atilde;o Europeia &agrave; Conven&ccedil;&atilde;o Europeia dos Direitos    do Homem e o Parecer n.&ordm; 2/13 do Tribunal de Justi&ccedil;a da Uni&atilde;o    Europeia.&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <!--TÍTULO      <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Sumário</b></font> </p>       <p>&nbsp;</p> <!--TÍTULO-->     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Palavras-Chave:</b>    Uni&atilde;o Europeia - Direitos Fundamentais - Carta dos Direitos Fundamentais    da Uni&atilde;o Europeia - Conven&ccedil;&atilde;o Europeia dos Direitos do    Homem </font> </p>     <p>&nbsp;</p> <!--TÍTULO-->     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ABSTRACT</b></font>  </p>     <p>The article analyzes the Charter of Fundamental Rights of the European Union    as one of the three vectors of the system of protection of fundamental rights,    as set out in the Treaties and resulting from Article 6 of the Treaty on European    Union resulting from the Treaty of Lisbon in the context of the evolution of    its case-law. protection. In particular, it analyzes its scope, the horizontal    effectiveness of its provisions, the terms of the applicability of the social    rights recognized in the Charter. It also discusses the accession of the European    Union to the European Convention on Human Rights and Opinion No 2/13 of the    Court of Justice of the European Union.</p>     <p>&nbsp;</p> <!--TÍTULO-->     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Keywords:</b>    European Union - Fundamental Rights - Charter of Fundamental Rights of the European    Union - European Convention on Human Rights</font> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <!--TÓPICO-->     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" style="text-transform:uppercase" size="3"><b>Restrictive    measures and the fight against terrorism in the European Union: recent lessons    from the court of justice of the EU</b></font> </p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">      <p>1 . A reflex&atilde;o que nos convoca coloca-se sob a &eacute;gide da Carta    dos Direitos Fundamentais da Uni&atilde;o Europeia<sup><a href="#_ftn1" name="_ftnref1" title="">1</a></sup>    e ocorre decorridos tr&ecirc;s lustros ap&oacute;s a proclama&ccedil;&atilde;o    da sua vers&atilde;o origin&aacute;ria<sup><a href="#_ftn2" name="_ftnref2" title="">2</a></sup>.    Entretanto, como se sabe, o texto viria a sobre algumas adapta&ccedil;&otilde;es    na v&eacute;spera da assinatura do Tratado de Lisboa<sup><a href="#_ftn3" name="_ftnref3" title="">3</a></sup>,    sendo que este acto de revis&atilde;o, sem incorporar formalmente a Carta no    direito prim&aacute;rio da Uni&atilde;o, lhe viria a atribuir &ldquo;o mesmo    valor jur&iacute;dico que os Tratados&rdquo;<sup><a href="#_ftn4" name="_ftnref4" title="">4</a></sup>    (artigo 6.&ordm;, n.&ordm; 1, do TUE), precisando em particular que o que nela    se disp&otilde;e &ldquo;de forma alguma (&hellip;) pode alargar as compet&ecirc;ncias    da Uni&atilde;o, tal como definidas nos Tratados&rdquo; (artigo 6.&ordm;, n.&ordm;    1).</p>     <p>A Carta &eacute;, por&eacute;m, mau grado a sua import&acirc;ncia, apenas um    dos tr&ecirc;s vectores do sistema de protec&ccedil;&atilde;o dos direitos fundamentais    acolhido nos Tratados. A ela h&aacute; que acrescentar, com um estatuto particular,    a Conven&ccedil;&atilde;o Europeia dos Direitos Humanos<sup><a href="#_ftn5" name="_ftnref5" title="">5</a></sup>,    a que a Uni&atilde;o manifesta a vontade de aderir (artigo 6.&ordm;, n.&ordm;    2 &ndash; tamb&eacute;m &ldquo;sem altera&ccedil;&atilde;o das compet&ecirc;ncias    da Uni&atilde;o, tal como previstas nos Tratados&rdquo;), sendo que &ldquo;do    direito da Uni&atilde;o fazem parte, com o estatuto de princ&iacute;pios gerais,    os direitos fundamentais tal como os garante a CEDH e tal como resultam das    tradi&ccedil;&otilde;es constitucionais comuns aos Estados-Membros&rdquo; (artigo    6.&ordm;, n.&ordm; 3).</p>     <p>Este sistema constituiu-se a bem dizer por estratos, e essa constru&ccedil;&atilde;o    n&atilde;o est&aacute; verdadeiramente terminada, n&atilde;o dispensando ademais    um trabalho de s&iacute;ntese, coordena&ccedil;&atilde;o, e racionaliza&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#_ftn6" name="_ftnref6" title="">6</a></sup>.</p>     <p>2. O sistema resulta, como &eacute; sabido, de uma constru&ccedil;&atilde;o    pretoriana, do que de algum modo podemos ver como uma forma de activismo judici&aacute;rio<sup><a href="#_ftn7" name="_ftnref7" title="">7</a></sup>.    Assim, &eacute; por uma s&eacute;rie de decis&otilde;es judiciais iniciada pelo    que constituiu uma falsa partida, no caso <i>Storck</i><sup><a href="#_ftn8" name="_ftnref8" title="">8</a></sup>,    em que o Tribunal de Justi&ccedil;a das Comunidades Europeias<sup><a href="#_ftn9" name="_ftnref9" title="">9</a></sup>    excluiu a possibilidade de considerar, como par&acirc;metros de validade dos    actos comunit&aacute;rios, normas nacionais qualquer que fosse a sua natureza,    inclusivamente de car&aacute;cter constitucional, que a protec&ccedil;&atilde;o    dos direitos fundamentais se viria a impor no &acirc;mbito do direito da Uni&atilde;o.</p>     <p>Dez anos depois, com os ac&oacute;rd&atilde;os <i>Stauder</i><sup><a href="#_ftn10" name="_ftnref10" title="">10</a></sup>    e <i>Internationales Handelsgesellschaft</i><sup><a href="#_ftn11" name="_ftnref11" title="">11</a></sup>,    o Tribunal afirmaria que o respeito pelos direitos fundamentais constitu&iacute;a    um requisito de legitimidade dos actos comunit&aacute;rios, na medida em que    constitu&iacute;a parte integrante dos princ&iacute;pios gerais de direito comunit&aacute;rio    cujo respeito lhe cabe assegurar. Em particular nesta &uacute;ltima decis&atilde;o,    consideraria que &laquo;a salvaguarda desses direitos, ainda que inspirada nas    tradi&ccedil;&otilde;es constitucionais comuns aos Estados-membros, deve ser    assegurada no &acirc;mbito da estrutura e dos objectivos da Comunidade&raquo;<sup><a href="#_ftn12" name="_ftnref12" title="">12</a></sup>,    reconhecendo posteriormente, no ac&oacute;rd&atilde;o <i>Nold</i><sup><a href="#_ftn13" name="_ftnref13" title="">13</a></sup>,    a possibilidade de recorrer aos tratados internacionais sobre direitos humanos    para construir um sistema n&atilde;o escrito de protec&ccedil;&atilde;o dos    direitos fundamentais, tendo sublinhado nos ac&oacute;rd&atilde;os <i>Rutili</i><sup><a href="#_ftn14" name="_ftnref14" title="">14</a></sup>    e <i>Hauer</i><sup><a href="#_ftn15" name="_ftnref15" title="">15</a></sup>    o especial papel que, a esse respeito, deve ser reconhecido &agrave; CEDH<sup><a href="#_ftn16" name="_ftnref16" title="">16</a></sup>.</p>     <p>3. Os princ&iacute;pios assim elaborados no plano jurisprudencial vieram, como    se sabe, a ser incorporados nos Tratados. Na verdade, depois de uma Declara&ccedil;&atilde;o    Comum das tr&ecirc;s institui&ccedil;&otilde;es que, embora sem car&aacute;cter    vinculativo, se referiria aos direitos garantidos pelas Constitui&ccedil;&otilde;es    dos Estados-Membros e pela CEDH, o princ&iacute;pio da protec&ccedil;&atilde;o    dos direitos fundamentais encontraria eco no pre&acirc;mbulo do Acto &Uacute;nico    Europeu, passando com o Tratado de Maastricht a constar do Tratado da Uni&atilde;o    Europeia (artigo F, par&aacute;grafo 2), o que seria reafirmado pelo Tratado    de Amesterd&atilde;o (tendo a disposi&ccedil;&atilde;o passado a constar do    artigo 6.&ordm;, par&aacute;grafo 2)<sup><a href="#_ftn17" name="_ftnref17" title="">17</a></sup>.</p>     <p>4. Entretanto, a possibilidade de ades&atilde;o formal das Comunidades Europeias    &agrave; CEDH seria considerada pelas institui&ccedil;&otilde;es<sup><a href="#_ftn18" name="_ftnref18" title="">18</a></sup>,    vindo a ser inviabilizada por um primeiro parecer do TJCE<sup><a href="#_ftn19" name="_ftnref19" title="">19</a></sup>,    que consideraria que &laquo;no estado actual do direito comunit&aacute;rio,    a Comunidade n&atilde;o tem compet&ecirc;ncia para aderir &agrave; CEDH&raquo;.    O Tribunal considerou, neste contexto, que &laquo;a ades&atilde;o &agrave; Conven&ccedil;&atilde;o    implicaria uma altera&ccedil;&atilde;o substancial do actual regime comunit&aacute;rio    de protec&ccedil;&atilde;o dos direitos do homem, na medida em que teria como    resultado a inser&ccedil;&atilde;o da Comunidade num sistema institucional internacional    distinto, bem como a integra&ccedil;&atilde;o do conjunto das disposi&ccedil;&otilde;es    da Conven&ccedil;&atilde;o na ordem jur&iacute;dica comunit&aacute;ria&raquo;<sup><a href="#_ftn20" name="_ftnref20" title="">20</a></sup>,    tendo acrescentado que &laquo;uma tal altera&ccedil;&atilde;o do regime de protec&ccedil;&atilde;o    dos direitos do homem na Comunidade, cujas implica&ccedil;&otilde;es institucionais    seriam igualmente fundamentais tanto para a Comunidade como para os Estados-Membros,    teria relev&acirc;ncia constitucional e ultrapassaria, pois, pela sua natureza,    os limites do artigo 235.&ordm;. S&oacute; poderia ser realizada pela via de    uma modifica&ccedil;&atilde;o do Tratado&raquo;<sup><a href="#_ftn21" name="_ftnref21" title="">21</a></sup>.</p>     <p>5. E, a partir de 2000, a Uni&atilde;o Europeia passaria a dispor de uma Carta    dos Direitos Fundamentais, que apesar de desprovida de car&aacute;cter vinculativo,    em breve passaria a ser objecto de invoca&ccedil;&atilde;o pela jurisprud&ecirc;ncia.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>6. Seria o novo artigo 6.&ordm; do TUE resultante do Tratado de Lisboa que    consagraria o sistema tripartido de fontes em mat&eacute;ria de protec&ccedil;&atilde;o    dos direitos fundamentais. De acordo com esta disposi&ccedil;&atilde;o, o papel    essencial parece reservado &agrave; Carta, ora equiparada ao direito prim&aacute;rio,    frisando-se, no par&aacute;grafo 3 do n.&ordm; 1 daquele artigo, que &laquo;os    direitos, as liberdades e os princ&iacute;pios<sup><a href="#_ftn22" name="_ftnref22" title="">22</a></sup>    consagrados na Carta devem ser interpretados de acordo com as disposi&ccedil;&otilde;es    gerais constantes do T&iacute;tulo VII da Carta que regem a sua interpreta&ccedil;&atilde;o    e aplica&ccedil;&atilde;o e tendo na devida conta as anota&ccedil;&otilde;es    a que a Carta faz refer&ecirc;ncia, que indicam as fontes dessas disposi&ccedil;&otilde;es&raquo;.</p>     <p>Um dos problemas abordados por este texto &eacute; o dos termos da sua aplica&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#_ftn23" name="_ftnref23" title="">23</a></sup>.    De acordo com o artigo 51.&ordm;, n.&ordm; 1, da Carta, &laquo;as [suas] disposi&ccedil;&otilde;es    (&hellip;) t&ecirc;m por destinat&aacute;rios as institui&ccedil;&otilde;es,    &oacute;rg&atilde;os e organismos da Uni&atilde;o, na observ&acirc;ncia do princ&iacute;pio    da subsidiariedade, bem como os Estados-Membros, apenas quando apliquem o direito    da Uni&atilde;o&raquo;. Independentemente da querela sobre o sentido a atribuir    a esta express&atilde;o, parece poder retirar-se da jurisprud&ecirc;ncia que    a Carta apenas ser&aacute; de aplicar a situa&ccedil;&otilde;es jur&iacute;dicas    nacionais que se insiram no campo de aplica&ccedil;&atilde;o do direito da Uni&atilde;o<sup><a href="#_ftn24" name="_ftnref24" title="">24</a></sup>,    o que n&atilde;o se verificaria quando a conex&atilde;o da situa&ccedil;&atilde;o    com o direito da Uni&atilde;o resultasse apenas da aplica&ccedil;&atilde;o das    disposi&ccedil;&otilde;es da Carta eventualmente vulneradas. Ao contr&aacute;rio,    e como j&aacute; se sublinhou, a medida nacional contestada dever&aacute; apresentar    uma conex&atilde;o suficiente com uma regra de direito da Uni&atilde;o, e esta    norma de direito da Uni&atilde;o n&atilde;o pode ser o direito fundamental que    se assume ter sido violado<sup><a href="#_ftn25" name="_ftnref25" title="">25</a></sup>.</p>     <p>Mais problem&aacute;tico ser&aacute; saber o que &eacute; necess&aacute;rio    para se poder falar da sufici&ecirc;ncia de uma tal conex&atilde;o. Se parece    claro que ela existe quando os Estados-Membros actuem enquanto agentes da Uni&atilde;o,    ou seja, quando se limitem a executar normas desta<sup><a href="#_ftn26" name="_ftnref26" title="">26</a></sup>,    a jurisprud&ecirc;ncia viria a fixar-se posteriormente numa f&oacute;rmula algo    diversa, bastando-se com a circunst&acirc;ncia de a regulamenta&ccedil;&atilde;o    nacional se situar &laquo;no &acirc;mbito do direito comunit&aacute;rio&raquo;    ou entrar &laquo;no campo de aplica&ccedil;&atilde;o&raquo; deste<sup><a href="#_ftn27" name="_ftnref27" title="">27</a></sup>.    Se num primeiro momento o Tribunal se orientara por uma abordagem de tipo formalista,    exigindo que a disposi&ccedil;&atilde;o nacional em quest&atilde;o tivesse &laquo;por    objectivo dar aplica&ccedil;&atilde;o a uma disposi&ccedil;&atilde;o do direito    comunit&aacute;rio&raquo;, n&atilde;o prosseguisse objectivos diversos dos do    direito comunit&aacute;rio nem tivesse car&aacute;cter geral, e n&atilde;o se    inserisse num dom&iacute;nio que fosse da compet&ecirc;ncia dos Estados-Membros<sup><a href="#_ftn28" name="_ftnref28" title="">28</a></sup>,    a evolu&ccedil;&atilde;o subsequente consagraria uma posi&ccedil;&atilde;o de    tipo funcional, em que a circunst&acirc;ncia de as normas internas n&atilde;o    apresentarem uma liga&ccedil;&atilde;o directa com a actua&ccedil;&atilde;o    do direito da Uni&atilde;o n&atilde;o seria obst&aacute;culo &agrave; aplica&ccedil;&atilde;o    da Carta<sup><a href="#_ftn29" name="_ftnref29" title="">29</a></sup>.</p>     <p>Esta linha de orienta&ccedil;&atilde;o seria confirmada, mais recentemente,    no ac&oacute;rd&atilde;o <i>Fransson</i>, proferido no processo C-617/10, em    que o TJUE admitiria a protec&ccedil;&atilde;o dos direitos fundamentais perante    situa&ccedil;&otilde;es reguladas pelo direito da Uni&atilde;o (ponto 19), abrangidas    por ele (ponto 21), ou conexionadas com ele (ponto 24)<sup><a href="#_ftn30" name="_ftnref30" title="">30</a></sup>.    Mas se pode assim dizer-se que, para a jurisprud&ecirc;ncia, se afigura bastante    que a medida nacional controvertida apresente uma conex&atilde;o com uma disposi&ccedil;&atilde;o    de direito da Uni&atilde;o, n&atilde;o sendo necess&aacute;rio que ela tenha    sido especificamente adoptada para dar actua&ccedil;&atilde;o a obriga&ccedil;&otilde;es    criadas pelo direito da Uni&atilde;o<sup><a href="#_ftn31" name="_ftnref31" title="">31</a></sup>,    n&atilde;o &eacute; menos verdade que o TJUE se n&atilde;o pronunciou ainda    claramente sobre a liga&ccedil;&atilde;o que, para efeitos de aplica&ccedil;&atilde;o    da Carta, dever&aacute; existir entre a situa&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica    nacional e o direito da Uni&atilde;o<sup><a href="#_ftn32" name="_ftnref32" title="">32</a></sup>.</p>     <p>E n&atilde;o menos perplexidades suscita a quest&atilde;o da efic&aacute;cia    horizontal da Carta, a prop&oacute;sito da qual, depois de ter afirmado que&laquo;    num lit&iacute;gio entre particulares, cabe ao &oacute;rg&atilde;o jurisdicional    nacional garantir a observ&acirc;ncia do princ&iacute;pio da n&atilde;o discrimina&ccedil;&atilde;o    em raz&atilde;o da idade, como concretizado pela Directiva 2000/78, devendo    afastar, quando necess&aacute;rio, as disposi&ccedil;&otilde;es contr&aacute;rias    da legisla&ccedil;&atilde;o nacional, independentemente de exercer a faculdade    de que disp&otilde;e de submeter ao Tribunal de Justi&ccedil;a da Uni&atilde;o    Europeia um pedido de decis&atilde;o prejudicial sobre a interpreta&ccedil;&atilde;o    deste princ&iacute;pio&raquo;<sup><a href="#_ftn33" name="_ftnref33" title="">33</a></sup>,    viria a estabelecer, no caso <i>AMS</i> (processo 176/12), um <i>distinguo</i>    em rela&ccedil;&atilde;o a esta situa&ccedil;&atilde;o, ao salientar que &laquo;quando    se conclua que uma disposi&ccedil;&atilde;o nacional de transposi&ccedil;&atilde;o    da directiva 2002/14/CE (&hellip;), que estabelece um quadro geral relativo    &agrave; informa&ccedil;&atilde;o e &agrave; consulta dos trabalhadores na Comunidade    Europeia, &eacute; incompat&iacute;vel com o direito da Uni&atilde;o, o artigo    27.&ordm; da Carta deve ser interpretado no sentido de que n&atilde;o pode ser    invocado num lit&iacute;gio entre particulares a fim de n&atilde;o ser aplicada    essa disposi&ccedil;&atilde;o nacional&raquo;<sup><a href="#_ftn34" name="_ftnref34" title="">34</a></sup>    (ponto 51)<sup><a href="#_ftn35" name="_ftnref35" title="">35</a></sup>.</p>     <p>7. Igualmente controvertida &eacute; a quest&atilde;o dos termos da aplicabilidade    dos direitos sociais reconhecidos na Carta<sup><a href="#_ftn36" name="_ftnref36" title="">36</a></sup>.    A este prop&oacute;sito, e para al&eacute;m do direito &agrave; informa&ccedil;&atilde;o    e consulta dos trabalhadores na empresa a que se reporta o artigo 27.&ordm;<sup><a href="#_ftn37" name="_ftnref37" title="">37</a></sup>,    do direito de negocia&ccedil;&atilde;o e ac&ccedil;&atilde;o colectiva consagrado    no artigo 28.&ordm;<sup><a href="#_ftn38" name="_ftnref38" title="">38</a></sup>,    do direito a condi&ccedil;&otilde;es de trabalho justas e equitativas, afirmado    no artigo 31.&ordm; e invocado nos dois ac&oacute;rd&atilde;os paralelos a que    acima nos referimos<sup><a href="#_ftn39" name="_ftnref39" title="">39</a></sup>,    importa referir ainda o direito &agrave; seguran&ccedil;a social e &agrave;    assist&ecirc;ncia social, acolhido no artigo 34.&ordm;, e no &acirc;mbito do    qual se afirmou recentemente uma jurisprud&ecirc;ncia que temos por restritiva<sup><a href="#_ftn40" name="_ftnref40" title="">40</a></sup>.</p>     <p>Muito embora a Carta se refira ao reconhecimento destes direitos, muitas vezes,    &laquo;nos casos e nas condi&ccedil;&otilde;es previstos pelo direito da Uni&atilde;o    e pelas legisla&ccedil;&otilde;es e pr&aacute;ticas nacionais&raquo;<sup><a href="#_ftn41" name="_ftnref41" title="">41</a></sup>,    importa saber em que termos a fundamentalidade<sup><a href="#_ftn42" name="_ftnref42" title="">42</a></sup>    que lhes &eacute; agora reconhecida ter&aacute; consequ&ecirc;ncias nos termos    do seu reconhecimento.</p>     <p>8. At&eacute; ao presente apenas tivemos em conta a Carta, enquanto fonte da    protec&ccedil;&atilde;o dos direitos fundamentais reconhecidos pela ordem jur&iacute;dica    da Uni&atilde;o. Mas, como referimos, o citado artigo 6.&ordm; do TUE refere-se,    no n.&ordm; 2, &agrave; CEDH, &agrave; qual a Uni&atilde;o manifesta a vontade    de aderir, precisando-se tamb&eacute;m que &laquo;essa ades&atilde;o n&atilde;o    altera as compet&ecirc;ncias da Uni&atilde;o, tal como definidas nos Tratados&raquo;.    Ultrapassa-se desta forma a quest&atilde;o de compet&ecirc;ncia em que o j&aacute;    mencionado Parecer n.&ordm; 2/94 se baseara para negar a possibilidade de ades&atilde;o    das Comunidades &agrave; Conven&ccedil;&atilde;o. Neste contexto, seria ali&aacute;s    aditado ao Tratado de Lisboa um novo Protocolo<sup><a href="#_ftn43" name="_ftnref43" title="">43</a></sup>    que sublinha que o acordo que a concretizasse deveria incluir cl&aacute;usulas    que preservassem as caracter&iacute;sticas pr&oacute;prias da Uni&atilde;o e    do direito da Uni&atilde;o (artigo 1.&ordm;), assegurando igualmente que &laquo;a    ades&atilde;o (&hellip;) n&atilde;o afecte as (&hellip;) compet&ecirc;ncias    [da Uni&atilde;o] nem as atribui&ccedil;&otilde;es das suas institui&ccedil;&otilde;es&raquo;    (artigo 2.&ordm;), colocando-se assim o acento t&oacute;nico na quest&atilde;o    da compatibilidade do acordo com a Uni&atilde;o e o seu direito, e n&atilde;o    j&aacute; na compet&ecirc;ncia da Uni&atilde;o para o celebrar.</p>     <p>Aquela quest&atilde;o viria a ser por sua vez posta de novo ao TJUE que, face    ao projecto entretanto negociado, afirmaria, no seu Parecer 2/13<sup><a href="#_ftn44" name="_ftnref44" title="">44</a></sup>,    que o Acordo Projectado<sup><a href="#_ftn45" name="_ftnref45" title="">45</a></sup>    era incompat&iacute;vel com o direito prim&aacute;rio, n&atilde;o permitia preservar    as caracter&iacute;sticas espec&iacute;ficas da Uni&atilde;o e do seu direito<sup><a href="#_ftn46" name="_ftnref46" title="">46</a></sup>,    sendo suscept&iacute;vel de lesar tais caracter&iacute;sticas e a autonomia    deste direito, e de afectar o artigo 344.&ordm; do TFUE<sup><a href="#_ftn47" name="_ftnref47" title="">47</a></sup>.</p>     <p>A ades&atilde;o querida pelo &ldquo;constituinte&rdquo; da Uni&atilde;o encontra-se    assim num limbo, em que uma vis&atilde;o absolutista da autonomia da Uni&atilde;o    e do seu direito parece negar a possibilidade de um controlo externo sobre os    termos em que nela se leva a cabo a protec&ccedil;&atilde;o dos direitos fundamentais,    no fundo a verdadeira novidade que a ades&atilde;o perspectivada era suscept&iacute;vel    de trazer. E esta circunst&acirc;ncia parece n&atilde;o poder ser esquecida    quando se analisam os termos e consequ&ecirc;ncias da resposta negativa do Parecer<sup><a href="#_ftn48" name="_ftnref48" title="">48</a></sup>,    que como que parecem esquecer ser precisamente esta novidade que constitu&iacute;a    um <i>prius</i> capaz de justificar, nas condi&ccedil;&otilde;es de 2007, a    reafirma&ccedil;&atilde;o da vontade (agora formulada num plano constitucional)    de ades&atilde;o da Uni&atilde;o &agrave; CEDH.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na verdade, os direitos garantidos pela CEDH (e por aqueles dos seus Protocolos    que houvessem sido ratificados por todos os Estados-Membros)<sup><a href="#_ftn49" name="_ftnref49" title="">49</a></sup>    j&aacute; se encontram recebidos no sistema global de protec&ccedil;&atilde;o    dos direitos fundamentais vigente na Uni&atilde;o, ou enquanto princ&iacute;pios    gerais, nos termos do n.&ordm; 3 do artigo 6.&ordm; do TUE<sup><a href="#_ftn50" name="_ftnref50" title="">50</a></sup>,    ou atrav&eacute;s da recep&ccedil;&atilde;o material, de car&aacute;cter parcial    embora, daqueles desses direitos que s&atilde;o elencados na Carta<sup><a href="#_ftn51" name="_ftnref51" title="">51</a></sup>,    e que, nos termos do disposto no citado n.&ordm; 1 do artigo 6.&ordm; (tendo    &ldquo;o mesmo valor jur&iacute;dico que os Tratados&rdquo;), passaram a integrar    o direito prim&aacute;rio<sup><a href="#_ftn52" name="_ftnref52" title="">52</a></sup>.    Na verdade, o terceiro par&aacute;grafo do n.&ordm; 1 do artigo 6.&ordm; preceitua    que &laquo;os direitos, as liberdades e os princ&iacute;pios consagrados na    Carta devem ser interpretados de acordo com as disposi&ccedil;&otilde;es gerais    constantes do T&iacute;tulo VII da Carta que regem a sua interpreta&ccedil;&atilde;o    e aplica&ccedil;&atilde;o e tendo na devida conta as anota&ccedil;&otilde;es    a que a Carta faz refer&ecirc;ncia&raquo;, sendo que o n.&ordm; 3 do artigo    52.&ordm;, inserido neste t&iacute;tulo, acrescenta que &laquo;na medida em    que a presente Carta contenha direitos correspondentes aos direitos garantidos    pela Conven&ccedil;&atilde;o Europeia para a Protec&ccedil;&atilde;o dos Direitos    do Homem e das Liberdades Fundamentais, o sentido e o &acirc;mbito desses direitos    s&atilde;o iguais aos conferidos por essa Conven&ccedil;&atilde;o&raquo;<sup><a href="#_ftn53" name="_ftnref53" title="">53</a></sup>.</p>     <p>O que significa que esses direitos constantes da CEDH<sup><a href="#_ftn54" name="_ftnref54" title="">54</a></sup>,    independentemente do valor que a este instrumento seja reconhecido na ordem    jur&iacute;dica da Uni&atilde;o e de uma (eventual?) futura ades&atilde;o desta    &uacute;ltima &agrave;quele texto, s&atilde;o actualmente parte integrante do    direito prim&aacute;rio da Uni&atilde;o, gozando por isso mesmo da posi&ccedil;&atilde;o    que lhe &eacute; inerente<sup><a href="#_ftn55" name="_ftnref55" title="">55</a></sup>    (desde logo, em termos de preval&ecirc;ncia da sua aplica&ccedil;&atilde;o sobre    o direito estatal, agora como decorrente do pr&oacute;prio direito da Uni&atilde;o    e n&atilde;o j&aacute; como resultante de um aut&oacute;nomo posicionamento    da ordem jur&iacute;dica dos Estados-Membros)<sup><a href="#_ftn56" name="_ftnref56" title="">56</a></sup>.</p>     <p>E &eacute; este actual posicionamento da CEDH no quadro do direito da Uni&atilde;o    e, em particular, do seu sistema de protec&ccedil;&atilde;o de direitos fundamentais,    que produz, <i>per se</i> , uma altera&ccedil;&atilde;o do relacionamento entre    as duas jurisdi&ccedil;&otilde;es (Estrasburgo e Luxemburgo) no quadro da interpreta&ccedil;&atilde;o    daqueles direitos, com o inerente reconhecimento da vincula&ccedil;&atilde;o,    por parte da Uni&atilde;o, ao pertinente <i>case-law</i> do primeiro daqueles    tribunais<sup><a href="#_ftn57" name="_ftnref57" title="">57</a></sup>. Nesta    medida, como j&aacute; se escreveu<sup><a href="#_ftn58" name="_ftnref58" title="">58</a></sup>,    &laquo;a autonomia da ordena&ccedil;&atilde;o dos direitos fundamentais da Uni&atilde;o    apenas persiste na medida em que o TJUE puder identificar <i>standards</i> superiores    ou adicionais aos contidos nos direitos correspondentes da Conven&ccedil;&atilde;o&raquo;.</p>     <p>O que se afigura n&atilde;o ter sido devidamente considerado pelo TJUE na an&aacute;lise    que levou a cabo no Parecer 2/13 sobre a autonomia do direito da Uni&atilde;o    Europeia.</p>     <p>9. Para al&eacute;m da Carta e da Conven&ccedil;&atilde;o, cuja perspectivada    ades&atilde;o fica por ora em suspenso, o artigo 6.&ordm; do TUE continua, no    seu n.&ordm; 3, a reconhecer que &laquo;do direito da Uni&atilde;o fazem parte,    enquanto princ&iacute;pios gerais, os direitos fundamentais tal como os garante    a CEDH e tal como resultam das tradi&ccedil;&otilde;es constitucionais comuns    aos Estados-Membros&raquo;. Se os desenvolvimentos anteriormente referidos podem    tornar menos relevante o recurso &agrave; CEDH como fonte daqueles princ&iacute;pios    gerais, o mesmo talvez se n&atilde;o deva dizer das tradi&ccedil;&otilde;es    constitucionais comuns aos Estados-Membros, uma vez que &eacute; refor&ccedil;ada    a aten&ccedil;&atilde;o dada pelo Tratado &agrave;s identidades nacionais respectivas.    Assim, o n.&ordm; 2 do artigo 4.&ordm; do TUE sublinha que a Uni&atilde;o respeita    essa identidade nacional, &laquo;reflectida nas estruturas pol&iacute;ticas    e constitucionais fundamentais de cada um dos Estados-Membros, incluindo no    que se refere &agrave; autonomia local e regional&raquo;. E este respeito, igualmente    acentuado no pre&acirc;mbulo do mesmo Tratado<sup><a href="#_ftn59" name="_ftnref59" title="">59</a></sup>,    pode legitimar a manuten&ccedil;&atilde;o de distintos <i>standards</i> de direitos    fundamentais nos Estados-Membros<sup><a href="#_ftn60" name="_ftnref60" title="">60</a></sup>.</p>     <p>10. &Agrave; natural complexidade do sistema de protec&ccedil;&atilde;o dos    direitos fundamentais que acab&aacute;mos de evocar acrescem presentemente alguns    desafios que n&atilde;o facilitam os termos em que a sua actua&ccedil;&atilde;o    tem lugar. Um deles resulta da circunst&acirc;ncia de aqueles direitos que mais    recentemente, atrav&eacute;s do cat&aacute;logo da Carta lograram expressa consagra&ccedil;&atilde;o    no sistema global de protec&ccedil;&atilde;o dos direitos fundamentais da Uni&atilde;o    [os contidos nos cap&iacute;tulos desta relativos &agrave; igualdade (III) e    &agrave; solidariedade (IV)]<sup><a href="#_ftn61" name="_ftnref61" title="">61</a></sup>    serem chamados a ser aplicados em tempos de crise<sup><a href="#_ftn62" name="_ftnref62" title="">62</a></sup>    e de maior escassez de recursos. Est&aacute; aqui em causa, por um lado, a eventual    menor densifica&ccedil;&atilde;o que h&aacute;-de ser reconhecida a direitos    de natureza social, assim como a maior dificuldade da sua efectiva&ccedil;&atilde;o    num tempo em que a preocupa&ccedil;&atilde;o com a sustentabilidade dos diversos    subsistemas sociais reduz sensivelmente a margem de escolhas do legislador.    O que, n&atilde;o deixando de provocar um aprofundamento dos termos em que a    pr&oacute;pria solidariedade deve ser compreendida<sup><a href="#_ftn63" name="_ftnref63" title="">63</a></sup>,    tamb&eacute;m contribuiu quer para alguma menor abertura do pret&oacute;rio    &agrave; considera&ccedil;&atilde;o de situa&ccedil;&otilde;es de alegada restri&ccedil;&atilde;o    de direitos<sup><a href="#_ftn64" name="_ftnref64" title="">64</a></sup>, quer    para a consagra&ccedil;&atilde;o de solu&ccedil;&otilde;es de car&aacute;cter    algo restritivo<sup><a href="#_ftn65" name="_ftnref65" title="">65</a></sup>.</p>     <p>11. Depois, parece tamb&eacute;m n&atilde;o poder esquecer-se que a aplica&ccedil;&atilde;o    de alguns destes direitos ocorre presentemente num contexto de amea&ccedil;as    globais que suscitam respostas que nem sempre harmonizam da forma mais feliz    a protec&ccedil;&atilde;o dos direitos das pessoas e a salvaguarda dos interesses    gerais, em face, designadamente, de amea&ccedil;as globais como o terrorismo<sup><a href="#_ftn66" name="_ftnref66" title="">66</a></sup>.    Se a protec&ccedil;&atilde;o dos direitos fundamentais no quadro da coopera&ccedil;&atilde;o    policial e judici&aacute;ria em mat&eacute;ria penal evidenciara j&aacute; delicados    problemas<sup><a href="#_ftn67" name="_ftnref67" title="">67</a></sup>, as medidas    que mais recentemente foram tomadas como resposta &agrave;quela amea&ccedil;a,    como os termos em que esta &uacute;ltima se tem materializado, antecipam uma    crescente necessidade de procurar balancear direitos e interesses, em diferentes    dom&iacute;nios, desde logo o da protec&ccedil;&atilde;o dos dados pessoais<sup><a href="#_ftn68" name="_ftnref68" title="">68</a></sup>    em que a intrus&atilde;o na vida pessoal tem vindo a ser justificada pelo combate    &agrave; amea&ccedil;a terrorista<sup><a href="#_ftn69" name="_ftnref69" title="">69</a></sup>    &ndash; uma situa&ccedil;&atilde;o a que os tempos mais recentes vieram dar    redobrada visibilidade<sup><a href="#_ftn70" name="_ftnref70" title="">70</a></sup>.</p>     <p>12. Por &uacute;ltimo, um outro problema n&atilde;o deixa de ver a sua relev&acirc;ncia    acrescida nos tempos que vivemos: o da universalidade dos direitos reconhecidos    por este sistema, ou seja, do seu &acirc;mbito pessoal de aplica&ccedil;&atilde;o.    A quest&atilde;o que a este prop&oacute;sito se coloca &eacute; a do reconhecimento<sup><a href="#_ftn71" name="_ftnref71" title="">71</a></sup>    destes direitos aos n&atilde;o detentores da cidadania da Uni&atilde;o, isto    &eacute;, aos nacionais de Estados terceiros<sup><a href="#_ftn72" name="_ftnref72" title="">72</a></sup>.    E, para al&eacute;m disso, e uma vez aceite o princ&iacute;pio desse reconhecimento,    o da indaga&ccedil;&atilde;o de quais os direitos fundamentais de que gozam,    e em que termos, para al&eacute;m dos estrangeiros legalmente residentes no    territ&oacute;rio da Uni&atilde;o, os estrangeiros em situa&ccedil;&atilde;o    irregular<sup><a href="#_ftn73" name="_ftnref73" title="">73</a></sup>, os refugiados    <sup><a href="#_ftn74" name="_ftnref74" title="">74</a></sup> e os requerentes    de asilo &ndash; assim se refazendo um caminho j&aacute; explorado pela jurisprud&ecirc;ncia    constitucional de diversos Estados-Membros.</p>     <p>13. O breve ponto de situa&ccedil;&atilde;o que procur&aacute;mos apresentar,    de forma sum&aacute;ria embora, sobre a actual situa&ccedil;&atilde;o da protec&ccedil;&atilde;o    dos direitos fundamentais na Uni&atilde;o Europeia evidencia claramente quer    a complexidade desta tem&aacute;tica quer a sua relev&acirc;ncia, justificando    assim a aten&ccedil;&atilde;o que mereceu aos organizadores desta confer&ecirc;ncia.    Embora discutidas desde h&aacute; muito entre os Autores que se t&ecirc;m ocupado    destas mat&eacute;rias, as quest&otilde;es que enunci&aacute;mos est&atilde;o    longe de se poderem dizer estabilizadas, sendo por isso de esperar que as comunica&ccedil;&otilde;es    que se seguem tragam novos e diversos olhares sobre os diversos temas que integram    o nosso programa. Resta-nos pois antecipar o maior sucesso aos trabalhos que    ora se iniciam, renovando as nossas felicita&ccedil;&otilde;es &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o    pela variedade dos aspectos aos quais se dirige a discuss&atilde;o que vamos    empreender e que, sem esgotar o objecto poss&iacute;vel da reflex&atilde;o sobre    a problem&aacute;tica que aqui nos congregou, constitui um revelador seguro    da pluralidade de aspectos que ela envolve e dos termos em que se tem processado    o seu desenvolvimento.</p>     <p>&nbsp;</p> </font>  <!-- NOTAS -->     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>NOTAS</b></font>  </p>     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> <a href="#_ftnref1" name="_ftn1" title="">1</a>    O presente estudo foi realizado no &acirc;mbito do projecto UID/DIR04643/2013    &laquo;Desafios sociais, incerteza e direito&raquo;, desenvolvido pelo Instituto    Jur&iacute;dico da Faculdade e Direito de Coimbra, de que o autor &eacute; investigador    integrado. De ora em diante, simplesmente, &ldquo;a Carta&rdquo;. Sobre este    texto, cfr. <i>Diritto, Diritti, Giurisdizione. La Carta dei diritti fondamentali    dell&rsquo;Unione Europea</i> (a cura di Roberto Toniatti), Padova, 2002, Cedam,    <i>Estudios sobre la Carta de los Derechos Fundamentales de la Uni&oacute;n    Europea</i> (bajo la cooordinaci&oacute;n de Carlos Ruiz Miguel), 2004, Universidade    de Santiago de Compostela e, entre n&oacute;s, Moura Ramos, &laquo;A Carta dos    Direitos Fundamentais da Uni&atilde;o Europeia e a protec&ccedil;&atilde;o dos    direitos fundamentais&raquo;, <i>in Estudos em Homenagem ao Prof. Doutor Rog&eacute;rio    Soares</i> (Studia Iuridica, 61. Ad Honorem &ndash;1), 2002, Coimbra Editora,    p. 963-989 (980-987), Ant&oacute;nio Goucha Soares, <i>A Carta dos Direitos    Fundamentais da Uni&atilde;o Europeia. A protec&ccedil;&atilde;o dos direitos    fundamentais no ordenamento comunit&aacute;rio</i>, Coimbra, 2002, Coimbra Editora,    e Maria Lu&iacute;sa Duarte, &laquo;A Carta dos Direitos Fundamentais da Uni&atilde;o    Europeia<i>.</i> Natureza e meios de tutela&raquo;, <i>in Estudos de Direito    da Uni&atilde;o e das Comunidades Europeias</i>, v. II, Coimbra, 2006, Coimbra    Editora, p. 255-289. Para coment&aacute;rios gerais, vejam-se Araceli Mangas    Martin (Dir.), <i>Carta de Los Derechos Fundamentales de la Uni&oacute;n Europea.    Comentario articulo por articulo</i>, Bilbao, 2008, Fundaci&oacute;n BBVA, <i>The    EU Charter of Fundamental Rights. A Commentary</i> (Edited by Steve Peers/Tamara    Harvey/Jeff Kenner/Angela Ward), Oxford, 2014, Hart,e, entre n&oacute;s, <i>Carta    dos Direitos Fundamentais da Uni&atilde;o Europeia Comentada</i> (coord.: Alessandra    Silveira/Mariana Canotilho), Coimbra, 2013, Almedina.    <br>       <br>   <a href="#_ftnref2" name="_ftn2" title="">2</a> A 7 de Dezembro de 2000, em    Nice. Para um ponto de situa&ccedil;&atilde;o da quest&atilde;o que nos ocupa,    referido ao momento de proclama&ccedil;&atilde;o da Carta, cfr. Fabrice Picod,    &laquo;Les Sources&raquo;, <i>in R&eacute;alit&eacute;s et perspectives du droit    communautaire des droits fondamentaux</i> [Fr&eacute;d&eacute;ric Sudre/Henri    Labayle (dir.)], Bruxelles, 2000, Bruylant, p. 125-185.    <br>       <br>   <a href="#_ftnref3" name="_ftn3" title="">3</a> A 12 de Dezembro de 2007.    <br>       <br>   <a href="#_ftnref4" name="_ftn4" title="">4</a> Por &ldquo;Tratados&rdquo; entenderemos    o Tratado da Uni&atilde;o Europeia (de ora em diante, TUE) e o Tratado sobre    o Funcionamento da Uni&atilde;o Europeia (de ora em diante, TFUE), que, nos    termos do n.&ordm; 3 do artigo 1.&ordm; daquele texto, &ldquo;t&ecirc;m o mesmo    valor jur&iacute;dico&rdquo;.    <br>       <br>   <a href="#_ftnref5" name="_ftn5" title="">5</a> De ora em diante, &ldquo;a Conven&ccedil;&atilde;o&rdquo;    ou &ldquo;a CEDH&rdquo;. Sobre este texto e o sistema em que se insere, cfr.    Maria Lu&iacute;sa Duarte, &laquo;A Conven&ccedil;&atilde;o Europeia dos Direitos    do Homem. A matriz europeia de garantia dos direitos fundamentais&raquo;, <i>in    Estudos de Direito da Uni&atilde;o e das Comunidades Europeias</i>, v. II (<i>cit.    supra</i>, nota 1), p. 165-190, Alejandro Saiz Arnaiz, &laquo;El Convenio de    Roma, el Tribunal Europeo de Derechos Humanos y la cultura com&uacute;n de los    derechos fondamentales en Europa&raquo;, <i>in Hacia una Corte de Justicia Latinoamericana</i>,    Valencia, 2009, AMELA, p. 25-48, Jens Meyer-Ladewig, &laquo;The European Court    of Human Rights as European Constitutional Court&raquo;, <i>in Liber Amicorum    Peter Leuprecht</i>, Bruxelles, 2012, Bruylant, p. 183-210, e, mais recentemente,    Silvia Sonelli, &laquo;La CEDU nel quadro di una tutela multilivello dei diritti    e il suo impatto sul diritto italiano: Direttrici di un dibattito&raquo;, <i>in    La Convenzione Europea dei Diritti dell&rsquo;Uomo e l&rsquo;Ordinamento Italiano.    Problematiche attuali e prospettive per il futuro</i> (a cura di Silvia Sonelli),    Torino, 2015, G. Giappichelli Editore, p. 1-27.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>       <br>   <a href="#_ftnref6" name="_ftn6" title="">6</a> Em sentido pr&oacute;ximo, tamb&eacute;m    Santiago Mu&ntilde;oz Machado, &laquo;Los tr&ecirc;s niveles de garantias de    los derechos fundamentales en la Uni&oacute;n Europea: Problemas de articulaci&oacute;n&raquo;,    19 <i>Revista de Derecho Comunitario Europeo</i> (enero-abril 2015), N.&ordm;    50, p. 195-230. Saliente-se que esta necessidade de articula&ccedil;&atilde;o    se n&atilde;o limita ao plano substantivo, estendendo-se, no &acirc;mbito processual,    ao relacionamento entre a quest&atilde;o prejudicial do actual artigo 267.&ordm;    do TFUE e as quest&otilde;es de inconstitucionalidade que os Tribunais Constitucionais    dos Estados-Membros s&atilde;o chamados a decidir. A este respeito, cfr. o ac&oacute;rd&atilde;o    de 22 de Junho de 2010, <i>Melki</i>, nos processos apensos C-188/10 e 189/10,    <i>Colect&acirc;nea</i>, p. I-5667, e, na doutrina, Diana-Urania Galetta, &laquo;Autonomia    procedurale e dialogo costruttivo fra giudici alla luce della sentenza <i>Melki</i>&raquo;,    <i>Il Diritto dell&rsquo;Unione Europea</i>, 1/11, p. 223-244, P. Cruz Villal&oacute;n/J.    L. Requejo Pag&eacute;s, &laquo;La relaci&oacute;n entre la cuesti&oacute;n    prejudicial y la cuesti&oacute;n de inconstitucionalidad&raquo;, 19 <i>Revista    de Derecho Comunitario Europeo</i> (enero-abril 2015), N.&ordm; 50, p. 173-194,    M. de Visser, &laquo;Juggling centralised constitutional review and EU primacy    in the domestic enforcement of the Charter: <i>A. v. B.</i>&raquo;, <i>Common    Market Law Review</i>, 52 (October 2015), N.&ordm; 5, p. 1201-1246, e, entre    n&oacute;s, J. N. Cunha Rodrigues, &laquo;Fiscaliza&ccedil;&atilde;o constitucional    e reenvio. A quest&atilde;o da prioridade&raquo;, <i>in Estudos em Homenagem    a Ant&oacute;nio Barbosa de Melo</i>, Coimbra, 2013, Almedina, p. 321-333. Perspectivando    as dificuldades que o sistema apresenta, quando considerado do ponto de vista    do particular, cfr. Maria Lu&iacute;sa Duarte, &laquo;O Direito da Uni&atilde;o    Europeia e o Direito Europeu dos Direitos do Homem. Uma defesa do &ldquo;tri&acirc;ngulo    judicial europeu&rdquo;&raquo;, <i>in Estudos de Direito da Uni&atilde;o e das    Comunidades Europeias</i>, v. II (<i>cit. supra</i>, nota 1), p. 205-236, e    &laquo;Justice constitutionnelle, justice ordinaire, justice supranationale:    &Agrave; qui revient la protection des droits fondamentaux en Europe?&raquo;,    <i>ibidem</i>, p. 237-253.    <br>       <br>   <a href="#_ftnref7" name="_ftn7" title="">7</a> Sobre este tema, cfr. Antonio    Saggio, &laquo;L&rsquo;activisme judiciaire dans l&rsquo;espace communautaire:    son r&ocirc;le dans l&rsquo;int&eacute;gration europ&eacute;enne et ses limites&raquo;,    <i>in O Direito Comunit&aacute;rio e a Constru&ccedil;&atilde;o Europeia</i>    (Studia Iuridica, 38. Colloquia &ndash; 1), Coimbra, 1999, Coimbra Editora,    p. 83-92.    <br>       <br>   <a href="#_ftnref8" name="_ftn8" title="">8</a> Ac&oacute;rd&atilde;o de 4 de    Fevereiro de 1959, <i>Storck/Alta Autoridade da CECA</i>, processo 1/58, <i>Colect&acirc;nea</i>,    p. 296-306, ponto 4, a). De acordo com o Tribunal, esta jurisdi&ccedil;&atilde;o    &laquo;s&oacute; tem que garantir o respeito do direito na interpreta&ccedil;&atilde;o    e aplica&ccedil;&atilde;o do Tratado e dos regulamentos de execu&ccedil;&atilde;o;    regra geral, n&atilde;o deve pronunciar-se sobre as normas de direito interno;    em consequ&ecirc;ncia, n&atilde;o pode examinar a acusa&ccedil;&atilde;o segundo    a qual, ao adoptar a sua decis&atilde;o, a Alta Autoridade violou princ&iacute;pios    do direito constitucional alem&atilde;o&raquo;.    <br>       <br>   <a href="#_ftnref9" name="_ftn9" title="">9</a> De ora em diante &ldquo;TJCE&rdquo;,    ou &ldquo;TJUE&rdquo;.    <br>       <br>   <a href="#_ftnref10" name="_ftn10" title="">10</a> Ac&oacute;rd&atilde;o de    12 de Novembro de 1969, processo 29/69, <i>Colect&acirc;nea</i>, p. 158-162,    ponto 7.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>       <br>   <a href="#_ftnref11" name="_ftn11" title="">11</a> Ac&oacute;rd&atilde;o de    17 de Dezembro de 1970, processo 11/70, <i>Colect&acirc;nea</i>, p. 627-634,    ponto 20.    <br>       <br>   <a href="#_ftnref12" name="_ftn12" title="">12</a> Ponto 4.    <br>       <br>   <a href="#_ftnref13" name="_ftn13" title="">13</a> Ac&oacute;rd&atilde;o de    14 de Maio de 1974, <i>Nold</i>, processo 4/73, <i>Colect&acirc;nea</i>, p.    285-292, ponto 13. No dizer do Tribunal, &laquo;os instrumentos internacionais    relativos &agrave; protec&ccedil;&atilde;o dos direitos do homem, em que os    Estados-membros colaboraram ou a que aderiram, podem igualmente dar indica&ccedil;&otilde;es    que &eacute; conveniente tomar em considera&ccedil;&atilde;o no &acirc;mbito    do direito comunit&aacute;rio&raquo;.    <br>       <br>   <a href="#_ftnref14" name="_ftn14" title="">14</a> Ac&oacute;rd&atilde;o de    28 de Outubro de 1975, <i>Rutili</i>, processo 36/75, <i>Colect&acirc;nea</i>,    p. 417-427, ponto 32.    <br>       <br>   <a href="#_ftnref15" name="_ftn15" title="">15</a> Ac&oacute;rd&atilde;o de    13 de Dezembro de 1979, <i>Hauer</i>, processo 44/79.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>       <br>   <a href="#_ftnref16" name="_ftn16" title="">16</a> Sobre esta evolu&ccedil;&atilde;o    jurisprudencial, mais desenvolvidamente, cfr. Bruno de Witte, &laquo;The past    and future role of the European Court of Justice in the protection of human    rights&raquo;, <i>in The EU and Human Rights</i> (Edited by Philip Alston, with    Mara Bustelo and James Heenan), Oxford, 1999, Oxford University Press, p. 859-897,    Moura Ramos, &laquo;A Carta dos Direitos Fundamentais da Uni&atilde;o Europeia    e a protec&ccedil;&atilde;o dos direitos fundamentais&raquo;, <i>in Estudos    em Homenagem ao Prof. Doutor Rog&eacute;rio Soares</i> (<i>cit. supra</i>, nota    1), p. 967-971, e Cruz Vila&ccedil;a, &laquo;A protec&ccedil;&atilde;o dos direitos    fundamentais na ordem jur&iacute;dica comunit&aacute;ria&raquo;, <i>ibidem</i>,    p. 415-433. Em especial sobre o papel da CEDH no sistema comunit&aacute;rio    de protec&ccedil;&atilde;o dos direitos fundamentais, cfr. Maria Lu&iacute;sa    Duarte, &laquo;O modelo europeu de protec&ccedil;&atilde;o dos direitos fundamentais    &ndash; Dualidade e converg&ecirc;ncia&raquo;, <i>in Estudos de Direito da Uni&atilde;o    e das Comunidades Europeias</i>, v. II (<i>cit. supra</i>, nota 1), p. 191-203.    <br>       <br>   <a href="#_ftnref17" name="_ftn17" title="">17</a> Para os termos desta disposi&ccedil;&atilde;o,    cfr. a an&aacute;lise de Bruno Nascimbene, &laquo;Tutela dei diritti fondamentali    e competenza della Corte di Giustizia nel Trattato di Amsterdam&raquo;, <i>in    Scritti in onore de Giuseppe Federico Mancini</i>, v. II &ndash; Diritto dell&rsquo;Unione    Europea, Milano, 1998, Giuffr&egrave;, p. 683-694. E, sobre o sistema dela resultante,    cfr. Koen Lenaerts, &laquo;Le respect des droits fondamentaux en tant que pr&iacute;ncipe    constitutionnel de l&rsquo;Union Europ&eacute;enne&raquo;, <i>in M&eacute;langes    en hommage &agrave; Michel Waelbroeck</i>, volume I, Bruxelles, 1999, Bruylant,    p. 423-457.    <br>       <br>   <a href="#_ftnref18" name="_ftn18" title="">18</a> Sobre os trabalhos ent&atilde;o    empreendidos, cfr. Moura Ramos, &laquo;L'adh&eacute;sion de la Communaut&eacute;    &agrave; la Convention Europ&eacute;enne des Droits de l'Homme. Rapport National    - Portugal&raquo;, <i>Revista de Direito e Economia</i>, v. 16-19 (1990-1993),    p. 753-766.    <br>       <br>   <a href="#_ftnref19" name="_ftn19" title="">19</a> Parecer n.&ordm; 2/94, de    28 de Mar&ccedil;o de 1996, <i>Colect&acirc;nea</i>, p. I-1759-1790. Sobre esta    decis&atilde;o, cfr. as vis&otilde;es contrastantes de Gil Carlos Rodriguez    Iglesias, &laquo;La Protecci&oacute;n de los derechos fundamentales en la Uni&oacute;n    Europea&raquo;, <i>in Scritti in onore de Giuseppe Federico Mancini</i> (<i>cit.    supra</i>, nota 17), p. 831-845 (839-845), Claudio Zanghi, &laquo;Un&rsquo;altra    ctitica al Parere 2/94 della Corte sull&rsquo;adesione della Comunit&agrave;    alla Convenzione Europea dei Diritti dell&rsquo;Uomo&raquo;, <i>ibidem</i>,    p. 1101-1120, e, entre n&oacute;s, Miguel Gorj&atilde;o-Henriques, &laquo;O    Parecer n.&ordm; 2/94, de 28.03.1996 e a compet&ecirc;ncia da Comunidade Europeia    para aderir &agrave; Conven&ccedil;&atilde;o Europeia dos Direitos do Homem&raquo;,    <i>Temas de Integra&ccedil;&atilde;o</i>, 3.&ordm; vol. (2.&ordm; semestre de    1998), N.&ordm; 6, p. 169-175. Considerando a quest&atilde;o no contexto mais    amplo do relacionamento dos tribunais de Estrasburgo e do Luxemburgo, cfr. Antonio    Tizzano, &laquo;Les Cours Europ&eacute;ennes et l&rsquo;adh&eacute;sion de l&rsquo;Union    &agrave; la CEDH&raquo;, <i>Il Diritto dell&rsquo;Unione Europea</i>, 1/11,    p. 29-57.    <br>       <br>   <a href="#_ftnref20" name="_ftn20" title="">20</a> Ponto 34.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>       <br>   <a href="#_ftnref21" name="_ftn21" title="">21</a> Ponto 35. Manifestando algum    cepticismo face &agrave; ades&atilde;o formal que desta forma fora inviabilizada,    veja-se, entre n&oacute;s, Maria Lu&iacute;sa Duarte, &laquo;A Uni&atilde;o    Europeia e os direitos fundamentais. M&eacute;todos de Protec&ccedil;&atilde;o&raquo;,    <i>in Estudos de Direito da Uni&atilde;o e das Comunidades Europeias</i>, Coimbra,    2000, Coimbra Editora, p. 11-35 (33-35).    <br>       <br>   <a href="#_ftnref22" name="_ftn22" title="">22</a> Sobre a distin&ccedil;&atilde;o    entre direitos e princ&iacute;pios, cfr. o n.&ordm; 5 do artigo 52.&ordm; da    Carta e a anota&ccedil;&atilde;o respectiva, e, na doutrina, recentemente, D.    Guomunds&oacute;ttir, &laquo;A renewed emphasis on the Charter&rsquo;s distinction    between rights and principles: Is a doctrine of judicial restraint more appropriate?&raquo;,    <i>Common Market Law Review</i>, 52 (June 2015), N.&ordm; 3, p. 685-720.    <br>       <br>   <a href="#_ftnref23" name="_ftn23" title="">23</a> Para uma abordagem global,    cfr. Marta Requejo Isidro, &laquo;La Carta de Derechos Fundamentales de la Uni&oacute;n    Europea: &acirc;mbito de aplicaci&oacute;n&raquo;, <i>in</i><i>Estudios sobre    la Carta de los Derechos Fundamentales de la Uni&oacute;n Europea</i> (<i>cit.    supra</i>, nota 1), p. 211-246; e, no quadro da sua aplica&ccedil;&atilde;o    jurisprudencial, cfr. A. Rosas/H. Kaila, &laquo;L&rsquo;application de la Charte    des droits fondamentaux de l&rsquo;Union Europ&eacute;enne par la Cour de Justice:    un premier bilan&raquo;, <i>Il Diritto dell&rsquo;Unione Europea</i>, 1/11,    p. 1-28.    <br>       <br>   <a href="#_ftnref24" name="_ftn24" title="">24</a> O que explicaria a postura    (de incompet&ecirc;ncia) do Tribunal sempre que se demonstre que uma determinada    situa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se insira no &acirc;mbito de aplica&ccedil;&atilde;o    deste direito, de tal modo que as disposi&ccedil;&otilde;es da Carta eventualmente    pertinentes n&atilde;o seriam consideradas suficientes para garantir, por si    s&oacute;, tal compet&ecirc;ncia. Neste sentido, cfr., por exemplo, os ac&oacute;rd&atilde;os    proferidos nos processos C-128/12 (<i>Sindicato dos Banc&aacute;rios do Norte</i>)    e C-264/12 (<i>Sindicato Nacional dos Profissionais de Seguros</i>), em que    se questionava a conformidade com o artigo 31.&ordm; da Carta das disposi&ccedil;&otilde;es    da lei do or&ccedil;amento portugu&ecirc;s para 2011 que previam restri&ccedil;&otilde;es    salariais. Neles, o TJUE, depois de recordar que as exig&ecirc;ncias que decorrem    da protec&ccedil;&atilde;o dos direitos fundamentais vinculam os Estados-Membros    sempre que estes sejam chamados a aplicar o direito da Uni&atilde;o (ponto 10    do primeiro daqueles ac&oacute;rd&atilde;os) e que as disposi&ccedil;&otilde;es    da Carta t&ecirc;m por destinat&aacute;rios &laquo;os Estados-Membros, apenas    quando apliquem o direito da Uni&atilde;o&raquo;, e que, por for&ccedil;ado    artigo 6.&ordm;, n.&ordm;&nbsp;1, TUE, que atribui valor vinculativo &agrave;    Carta, esta n&atilde;o cria nenhuma compet&ecirc;ncia nova para a Uni&atilde;o    e n&atilde;o altera as compet&ecirc;ncias desta (ponto 11), conclui pela incompet&ecirc;ncia    do Tribunal por a decis&atilde;o de reenvio n&atilde;o conter nenhum elemento    concreto que permita considerar que a referida lei se destina a aplicar o direito    da Uni&atilde;o (pontos 12 e 19, respectivamente). Sob uma distinta qualifica&ccedil;&atilde;o,    o Tribunal tamb&eacute;m entendeu, no caso <i>Pringle</i> (C-370/12) que os    Estados-Membros n&atilde;o aplicam o direito da Uni&atilde;o, na acep&ccedil;&atilde;o    do artigo 51.&ordm;, n.&ordm;&nbsp;1, da Carta, quando criam um mecanismo de    estabilidade como o MEE, para cuja cria&ccedil;&atilde;o os Tratados n&atilde;o    atribuem nenhuma compet&ecirc;ncia espec&iacute;fica &agrave; Uni&atilde;o,    pelo que o direito &agrave; tutela jurisdicional efectiva previsto no artigo    47.&ordm; da Carta se n&atilde;o oporia &agrave; celebra&ccedil;&atilde;o daquele    Tratado (ponto 180).     <br>       <br>   <a href="#_ftnref25" name="_ftn25" title="">25</a> Cfr. Enzo Cannizzaro, &laquo;Diritti    &ldquo;diretti&rdquo; e diritti &ldquo;indiretti&rdquo;: I diretti fondamentali    tra Unione, CEDU e Costituzione italiana&raquo;, <i>Il Diritto dell&rsquo;Unione    Europea</i>, 1/12, p. 23-42, e Marco Gestri/Stefano Silingardi, &laquo;La Tutela    dei Diritti Fondamentali in Europa dopo il Trattato di Lisbona&raquo;, <i>in    La Convenzione Europea dei Diritti dell&rsquo;Uomo e l&rsquo;Ordinamento Italiano.    Problematiche attuali e prospettive per il futuro</i> (<i>cit. supra</i>, nota    5), p. 29-94 (45). Sobre o <i>case-law</i> do Tribunal do Luxemburgo, a este    prop&oacute;sito, cfr. Jean-Paul Jacqu&eacute;, &laquo;La Cour de Justice face    &agrave; l&rsquo;article 51 de la Charte des Droits Fondamentaux. Timidit&eacute;    ou perspectives d&rsquo;ouverture?&raquo;, <i>in Scrutinizing Internal and External    Dimensions of European Law. Liber amicorum Paul Demaret</i> [Inge Govaere &amp;    Dominik Hanf], v. I, Bruxelles, 2013, Peter Lang, p. 211-228.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>       <br>   <a href="#_ftnref26" name="_ftn26" title="">26</a> Assim, no caso <i>Wachauf</i>    (5/88) o Tribunal referir-se-ia &agrave; &laquo;implementa&ccedil;&atilde;o    das regulamenta&ccedil;&otilde;es comunit&aacute;rias&raquo; (ponto 19).    <br>       <br>   <a href="#_ftnref27" name="_ftn27" title="">27</a> No ac&oacute;rd&atilde;o    <i>ERT</i> (260/89), o TJCE daria aquele requisito por preenchido por a regulamenta&ccedil;&atilde;o    nacional em causa ser suscept&iacute;vel de entravar o exerc&iacute;cio da livre    presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os (pontos 42 e 43).    <br>       <br>   <a href="#_ftnref28" name="_ftn28" title="">28</a> No ac&oacute;rd&atilde;o    <i>Annibaldi</i> (C-309/96), pontos 21-23. Tratava-se no caso, de uma regulamenta&ccedil;&atilde;o    nacional que criava um parque natural e arqueol&oacute;gico a fim de proteger    e valorizar o ambiente e o patrim&oacute;nio cultural do territ&oacute;rio em    quest&atilde;o (ponto 24). O TJUE retomaria esta linha de orienta&ccedil;&atilde;o    no caso <i>Iida</i> (processo C-40711), parecendo exigir que a legisla&ccedil;&atilde;o    nacional em causa tivesse por objectivo executar uma disposi&ccedil;&atilde;o    do direito da Uni&atilde;o, e indagando ainda qual o car&aacute;cter dessa legisla&ccedil;&atilde;o    e se a mesma prossegue outros objectivos que n&atilde;o sejam os abrangidos    pelo direito da Uni&atilde;o, ainda que seja suscept&iacute;vel de o afectar    indirectamente, bem como se existe uma regulamenta&ccedil;&atilde;o da Uni&atilde;o    espec&iacute;fica na mat&eacute;ria ou suscept&iacute;vel de o afectar (ponto    79).    <br>       <br>   <a href="#_ftnref29" name="_ftn29" title="">29</a> Assim, os ac&oacute;rd&atilde;os    proferidos nos casos <i>McB</i> (C-400/10) e <i>DEB</i> (C-279/09). Na mesma    linha, o Tribunal admitiria (no caso <i>N.S.</i>, C-493/10 e C-411/10) a aplica&ccedil;&atilde;o    da Carta em situa&ccedil;&otilde;es em que as autoridades dos Estados-Membros    exercitavam poderes discricion&aacute;rios em que haviam sido investidas pelo    direito da Uni&atilde;o (ponto 68), e admitiria depois (no caso <i>Vinkov</i>,    C-27/11) que a regulamenta&ccedil;&atilde;o nacional em quest&atilde;o constitu&iacute;sse    uma medida de aplica&ccedil;&atilde;o do direito da Uni&atilde;o ou apresentasse    outros elementos de liga&ccedil;&atilde;o a este &uacute;ltimo (ponto 59).    <br>       <br>   <a href="#_ftnref30" name="_ftn30" title="">30</a> Aqui divergindo expressamente    da posi&ccedil;&atilde;o do Advogado-Geral Cruz Villal&oacute;n que sustentara,    nas suas conclus&otilde;es, n&atilde;o serem de equiparar, aos casos em que    a norma&ccedil;&atilde;o estatal se fundamenta directamente no direito da Uni&atilde;o,    aqueles em que o direito estatal &eacute; posto ao servi&ccedil;o dos objectivos    estabelecidos pelo direito da Uni&atilde;o (pontos 60 e 64). No seu entender,    tal apenas sucederia quando o direito da Uni&atilde;o constitu&iacute;sse a    causa da interven&ccedil;&atilde;o normativa nacional, que seria assim directamente    motivada por aquele.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>       <br>   <a href="#_ftnref31" name="_ftn31" title="">31</a> Assim se exprimem Marco Gestri/Stefano    Silingardi, &laquo;La Tutela dei Diritti Fondamentali in Europa dopo il Trattato    di Lisbona&raquo; (<i>cit. supra</i>, nota 25), p. 54. Mas sublinhe-se que noutros    ac&oacute;rd&atilde;os (recentemente, <i>Ymeraga</i>, no processo C-87/12) o    TJUE parece regressar &agrave; jurisprud&ecirc;ncia mais restritiva dos ac&oacute;rd&atilde;os    <i>Annibaldi</i> e <i>Iida</i> (<i>cit. supra</i>, nota 28), ao sublinhar que    seria necess&aacute;rio verificar,entre outros elementos, se a legisla&ccedil;&atilde;o    nacional em causa tem por objectivo executar uma disposi&ccedil;&atilde;o do    direito da Uni&atilde;o, qual o car&aacute;cter dessa legisla&ccedil;&atilde;o    e se a mesma prossegue outros objectivos que n&atilde;o sejam os abrangidos    pelo direito da Uni&atilde;o, ainda que seja suscept&iacute;vel de o afectar    indirectamente, bem como se existe uma regulamenta&ccedil;&atilde;o da Uni&atilde;o    espec&iacute;fica na mat&eacute;ria ou suscept&iacute;vel de o afectar (ponto    41).    <br>       <br>   <a href="#_ftnref32" name="_ftn32" title="">32</a> Sobre o ponto, cfr., por    &uacute;ltimo, M. Dougan, &laquo;Judicial review of Member State actions under    the general principles and the Charter: Defining the &ldquo;Scope of Union law&rdquo;&raquo;,    <i>Common Market Law Review</i>, 52 (October 2015), N.&ordm; 5, p. 1201-1246.    <br>       <br>   <a href="#_ftnref33" name="_ftn33" title="">33</a> No ac&oacute;rd&atilde;o    proferido no processo C-555/07, <i>Kucukdeveci</i>. Sobre o ponto, cfr. Vera    Krzeminski, <i>The K&uuml;c&uuml;kdeveci Judgment. A Horizontal Direct Effect    for Directives?</i>, University of Leiden, 2010, e Mirjam de Mol, &laquo;K&uuml;c&uuml;kdeveci:    Mangold Revisited &ndash; Horizontal Direct Effect of a General Principle of    EU Law: Court of Justice of the European Union (Grand Chamber) Judgment of 19    January 2010, Case C-555/07,&nbsp;<i>Seda K&uuml;c&uuml;kdeveci</i>&nbsp;v.&nbsp;<i>Swedex    GmbH &amp; Co. KG</i>&raquo;, 6 <i>European Constitutional Law Review</i> (June    2010), Issue 2, p. 293-308.    <br>       <!-- ref --><br>   <a href="#_ftnref34" name="_ftn34" title="">34</a> O Tribunal excluiu a possibilidade    de atribuir efic&aacute;cia horizontal ao direito &agrave; informa&ccedil;&atilde;o    e &agrave; consulta dos trabalhadores na empresa, garantido no artigo 27.&ordm;    da Carta, frisando (ponto 47) que as circunst&acirc;ncias da causa no processo    principal eram distintas das que est&atilde;o na origem do ac&oacute;rd&atilde;o    <i>K&uuml;c&uuml;kdeveci</i>, na medida em que o princ&iacute;pio da n&atilde;o    discrimina&ccedil;&atilde;o em raz&atilde;o da idade, em causa neste &uacute;ltimo    processo, consagrado no artigo 21.&ordm;, n.&ordm;&nbsp;1, da Carta, bastava,    por si s&oacute;, para conferir aos particulares um direito subjectivo que pode    ser invocado enquanto tal. Sobre o ponto, cfr. N. Lazzerini, &laquo;(Some of)    the fundamental rights grantred by the Charter may be a source of obligations    for private parties: <i>MAS</i>&raquo;, <i>Common Market Law Review</i>, 51    (june 2014), N.&ordm; 3, p. 907-934,    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1808490&pid=S2183-184X201800020000200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> e Lucia Mill&aacute;n Moro, &laquo;Eficacia    directa versus Primacia&raquo;, <i>Common Market Law Review</i>, 51 (june 2014),    N.&ordm; 3, p. 1029-1045.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1808491&pid=S2183-184X201800020000200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><br>       ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <a href="#_ftnref35" name="_ftn35" title="">35</a> Sobre esta problem&aacute;tica,    cfr. Chris Hilson, &laquo;Rights and principles in EU Law: A distinction without    foundation?&raquo;, 2 <i>Maastricht Journal of European and Comparative Law</i>    (2008), p. 193-215, e, por &uacute;ltimo, D. Guomunds&oacute;ttir, &laquo;A    renewed emphasis on the Charter&rsquo;s distinction between rights and principles:    Is a doctrine of judicial restraint more appropriate?&raquo; (<i>cit. supra</i>,    nota 22), que v&ecirc; naquele aresto a confirma&ccedil;&atilde;o de que os    princ&iacute;pios da Carta n&atilde;o s&atilde;o horizontalmente invoc&aacute;veis,    e Eleni Franziou, &laquo;The horizontal effect of the Charter of Fundamental    Rights of the EU: Rediscovering the reasons for horizontality&raquo;, 21 <i>European    Law Journal. Review of European Law in Context</i> (September 2015), Issue 5,    p. 657-679.    <br>       <br>   <a href="#_ftnref36" name="_ftn36" title="">36</a> Veja-se o seu T&iacute;tulo    IV &ndash; Solidariedade, artigos 27.&ordm; a 38.&ordm;.    <br>       <br>   <a href="#_ftnref37" name="_ftn37" title="">37</a> Cfr. a situa&ccedil;&atilde;o    referida na nota 34.    <br>       <br>   <a href="#_ftnref38" name="_ftn38" title="">38</a> Cfr. os ac&oacute;rd&atilde;os    de 11 de Dezembro de 2007, <i>Viking</i>, C- 438/05, <i>Colect&acirc;nea</i>,    p. I-10806-10840, e de 18 de Dezembro de 2007, <i>Laval</i>, C-341/05, <i>Colect&acirc;nea</i>,    p. I-11845-11894. E, a este respeito, em sentido discrepante, cfr. Rebecca Zahn,    &laquo;The <i>Viking </i>and <i>Laval </i>Cases in the Context of European Enlargement&raquo;,    3 <i>Web Journal of Current Legal Issues</i> (2008), Paolo Mengozzi, &laquo;I    conflitti di leggi, le norme di applicazione necessaria in materia di rapport    di lavoro e la libert&agrave; di circolazione dei servizi nela Comunit&agrave;    Europea&raquo;, <i>in Nuovi Strumenti del Diritto Internazionale Privato. Liber    Fausto Pocar</i>, Milano, 2009, Giuffr&egrave; Editore, p. 701-722, Christoph    U. Schmid, &laquo;From effet utile to effet neolib&eacute;ral. A critique of    the new methodological expansionism of the European Court of Justice&raquo;,    <i>in</i><i>Conflict of Laws and Laws of Conflict in Europe and Beyond. Patterns    of Supranational and Transnational Juridification</i> [Rainer Nickel (ed)],    Antwerp, 2010, Intersentia, p. 295-314, e, por &uacute;ltimo, Mark Freedland/Jeremias    Prassl, <i>Viking, Laval and Beyond</i>, Oxford, 2014, Hart Publishing.    <br>       <br>   <a href="#_ftnref39" name="_ftn39" title="">39</a> Cfr. <i>supra</i>, na nota    24.    <br>       ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <a href="#_ftnref40" name="_ftn40" title="">40</a> Cfr. os ac&oacute;rd&atilde;os    de 11 de Novembro de 2014, <i>Dano</i>, C-333/13, e 15 de Setembro de 2015,    <i>Alimanovic</i>, C-67/14 (ainda n&atilde;o publicados na <i>Colect&acirc;nea</i>).    A este prop&oacute;sito, cfr. H. Verschueren, &laquo;Preventing &ldquo;benefit    tourism&rdquo; in the EU: A narrow or broad interpretation of the possibilities    offered by the ECJ in <i>Dano</i>?&raquo;, <i>Common Market Law Review</i>,    52 (April 2015), N.&ordm; 2, p. 363-390, e, entre n&oacute;s, Sofia Oliveira    Pais, &laquo;Current Challenges: Freedom of movement and acess of economically    inactive Union citizens to social benefits&raquo;, <i>in EU Citizenship. Challenges    and Opportunities</i> (coordena&ccedil;&atilde;o Sofia Oliveira Pais), Porto,    2015, Universidade Cat&oacute;lica Editora, p. 19-42 (32-37).Veja-se a tomada    em considera&ccedil;&atilde;o daquele primeiro ac&oacute;rd&atilde;o nos ac&oacute;rd&atilde;os    n.&ordm; 141/2015, de 25 de Fevereiro, e n.&ordm; 296/2015, de 25 de Maio, do    Tribunal Constitucional Portugu&ecirc;s, que, tendo-se referido &agrave;quele    artigo 34.&ordm; concluiu, sem formula&ccedil;&atilde;o de qualquer quest&atilde;o    prejudicial, que &laquo;<i>n&atilde;o h&aacute; qualquer d&uacute;vida que o    direito da Uni&atilde;o Europeia tolera um regime diferenciado</i>&nbsp;entre    cidad&atilde;os da Uni&atilde;o Europeia e cidad&atilde;os nacionais do Estado-Membro    de acolhimento, no que respeita a presta&ccedil;&otilde;es de um regime n&atilde;o    contributivo que garante um m&iacute;nimo de meios de subsist&ecirc;ncia&raquo;    (n.&ordm; 16 do segundo dos arestos citados) (<i>in</i> <i><a href=www.tribunalconstitucional.pt" title="">www.tribunalconstitucional.pt</a></i>).    <br>       <br>   <a href="#_ftnref41" name="_ftn41" title="">41</a> Esta men&ccedil;&atilde;o    apenas n&atilde;o consta dos artigos 29.&ordm; (direito de acesso aos servi&ccedil;os    de emprego), 31.&ordm; (condi&ccedil;&otilde;es de trabalho justas e equitativas),    32.&ordm; (proibi&ccedil;&atilde;o do trabalho infantil e protec&ccedil;&atilde;o    dos jovens no trabalho), 33.&ordm; (vida familiar e vida profissional), 37.&ordm;    (protec&ccedil;&atilde;o do ambiente) e 38.&ordm; (defesa dos consumidores),    sendo expressamente formulada a prop&oacute;sito dos artigos 30.&ordm; (protec&ccedil;&atilde;o    em caso de despedimento sem justa causa), 34.&ordm; (seguran&ccedil;a social    e assist&ecirc;ncia social), 35.&ordm; (protec&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de)    e 36.&ordm; (acesso a servi&ccedil;os de interesse econ&oacute;mico geral).    <br>       <br>   <a href="#_ftnref42" name="_ftn42" title="">42</a> Sobre esta categoria, por    &uacute;ltimo, Gomes Canotilho, &laquo;Para uma revis&atilde;o da dogm&aacute;tica    da jusfundamentalidade&raquo;, <i>in Estudos em Homenagem a Ant&oacute;nio Barbosa    de Melo</i> (<i>cit. supra</i>, nota 6), p. 533-554    <br>       <br>   <a href="#_ftnref43" name="_ftn43" title="">43</a> Relativo ao n.&ordm; 2 do    artigo 6.&ordm; do Tratado da Uni&atilde;o Europeia respeitante &agrave; ades&atilde;o    da Uni&atilde;o &agrave; Conven&ccedil;&atilde;o Europeia para a Protec&ccedil;&atilde;o    dos Direitos do Homem e das Liberdades Fundamentais (n.&ordm; 8).    <br>       <br>   <a href="#_ftnref44" name="_ftn44" title="">44</a> De 18 de Dezembro de 2014    (ainda n&atilde;o publicado na <i>Colect&acirc;nea</i>). Para uma an&aacute;lise    cr&iacute;tica, vejam-se, por exemplo, o Editorial Comment (&laquo;The EU&rsquo;s    Accession to the ECHR &ndash; a &ldquo;NO&rdquo; from the ECJ&raquo;), <i>Common    Market Law Review</i>, 52 (February 2015), N.&ordm; 1, p. 1-16, as an&aacute;lises    de Florence Benoit-Rohmer, &laquo;L&rsquo;adh&eacute;sion &agrave; la Convention    europ&eacute;enne des droits de l&rsquo;homme, un travail de P&eacute;n&eacute;lope?    &Agrave; propos de l&rsquo;avis 2/13 de la Cour de Justice&raquo;, <i>RTDEur.    </i>(juillet-septembre 2015), p. 593-611, e Ricardo Alonso Garcia, <i>An&aacute;lisis    cr&iacute;tico del veto judicial de la UE al CEDH en el Dictamen 2/13, de 18    de diciembre de 2014</i>, Working Papers on European Law and Regional Integration,    n.&ordm; 26 (2015).    <br>       ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <a href="#_ftnref45" name="_ftn45" title="">45</a> Para uma an&aacute;lise,    cfr. Paul Gragl, &laquo;A giant leap for european human rights: The Final Agreement    on the European Unions&rsquo;Accession to the European Convention on Human Rights&raquo;,    <i>Common Market Law Review</i>, 51 (2014), N.&ordm; 1, p. 13-58, J. Mart&iacute;n    y Perez de Nanclares, &laquo;Cita con la ambici&oacute;n: El Tribunal de Justicia    ante el desafio de la adhesi&oacute;n de la Uni&oacute;n al CEDU&raquo;, 18    <i>Revista de Derecho Comunitario Europeo</i> (mayo-agosto 2014), 48, p. 379-399,    e Vassiliki Kosta/Nikos Skoutaris/Vassilis Tzevelekos, <i>The EU Acession to    ECHR</i>, Oxford, 2014, Hart Publishing.    <br>       <br>   <a href="#_ftnref46" name="_ftn46" title="">46</a> Designadamente pelos termos    em que se encontravam consagradas as modalidades de funcionamento quer do mecanismo    do co-respons&aacute;vel quer do processo de aprecia&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via    pelo Tribunal de Justi&ccedil;a, e de n&atilde;o ter em conta as caracter&iacute;sticas    espec&iacute;ficas do direito da Uni&atilde;o relativo &agrave; fiscaliza&ccedil;&atilde;o    jurisdicional dos actos, ac&ccedil;&otilde;es ou omiss&otilde;es em mat&eacute;ria    de Pol&iacute;tica Externa e de Seguran&ccedil;a Comum (PESC).    <br>       <br>   <a href="#_ftnref47" name="_ftn47" title="">47</a> Pelo qual, recorde-se, os    Estados-Membros se comprometem a &laquo;n&atilde;o submeter qualquer diferendo    relativo &agrave; interpreta&ccedil;&atilde;o ou aplica&ccedil;&atilde;o dos    Tratados a um modo de resolu&ccedil;&atilde;o diverso dos que neles est&atilde;o    previstos&raquo;.    <br>       <br>   <a href="#_ftnref48" name="_ftn48" title="">48</a> Que, como &eacute; sabido,    se afastou da proposta mais matizada para que tendia a tomada de posi&ccedil;&atilde;o    da Advogada-Geral Juliane Kokott apresentada a 13 de Junho de 2014 (ainda n&atilde;o    publicada na <i>Colect&acirc;nea</i>).    <br>       <br>   <a href="#_ftnref49" name="_ftn49" title="">49</a> E elencados nos artigos 2.&ordm;    a 18.&ordm; daquele texto.    <br>       ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <a href="#_ftnref50" name="_ftn50" title="">50</a> Nos mesmos termos que os    que resultam das tradi&ccedil;&otilde;es constitucionais comuns aos Estados-Membros    (<i>ibidem</i>).    <br>       <br>   <a href="#_ftnref51" name="_ftn51" title="">51</a> &Eacute; o caso, designadamente,    dos artigos 2.&ordm; (direito &agrave; vida), 4.&ordm; (proibi&ccedil;&atilde;o    da tortura e dos tratos ou penas desumanos ou degradantes), 5.&ordm;, n.&ordm;s    1 e 2 (proibi&ccedil;&atilde;o da escravid&atilde;o e do trabalho for&ccedil;ado),    6.&ordm; (direito &agrave; liberdade e &agrave; seguran&ccedil;a), 7.&ordm;    (respeito pela vida privada e familiar), 10.&ordm;, n.&ordm; 1 (liberdade de    pensamento, de consci&ecirc;ncia e de religi&atilde;o), 11.&ordm; (liberdade    de express&atilde;o e de informa&ccedil;&atilde;o), 17.&ordm; (direito de propriedade),    19.&ordm;, n.&ordm; 1 (protec&ccedil;&atilde;o em caso de expuls&atilde;o),    19.&ordm;, n.&ordm; 2 (protec&ccedil;&atilde;o em caso de afastamento, expuls&atilde;o    ou extradi&ccedil;&atilde;o), 48.&ordm; (presun&ccedil;&atilde;o de inoc&ecirc;ncia    e direitos de defesa), e 49.&ordm;, n.&ordm;s 1 e 2 (princ&iacute;pios da legalidade    e da proporcionalidade dos delitos e das penas), que correspondem, respectivamente,    aos artigos 2.&ordm;, 3.&ordm;, 4.&ordm;, 5.&ordm;, 8.&ordm;, 9.&ordm;, e 10.&ordm;,    da Conven&ccedil;&atilde;o, 1.&ordm; do Protocolo Adicional, 4.&ordm; do Protocolo    n.&ordm; 4, 3.&ordm; (na interpreta&ccedil;&atilde;o do Tribunal Europeu dos    Direitos Humanos, de ora em diante &ldquo;TEDH&rdquo;), 6.&ordm;, n.&ordm; 2    e n.&ordm; 3, e 7.&ordm; da Conven&ccedil;&atilde;o. Note-se que esta tabela    de correspond&ecirc;ncia consta da Anota&ccedil;&atilde;o ao artigo 52.&ordm;    da Carta, e que estas Anota&ccedil;&otilde;es, nos termos do n.&ordm; 7 do seu    artigo 52.&ordm; como do quinto <i>considerandum</i> do seu pre&acirc;mbulo    e do par&aacute;grafo 3 do n.&ordm; 1 do artigo 6.&ordm; do TUE, devem ser tidas    em conta, na interpreta&ccedil;&atilde;o e aplica&ccedil;&atilde;o da Carta,    pelos &oacute;rg&atilde;os jurisdicionais da Uni&atilde;o e dos Estados-Membros.    Adicionalmente, a mesma anota&ccedil;&atilde;o refere ainda que outros artigos    da Carta t&ecirc;m o mesmo sentido, ainda que com um &acirc;mbito mais alargado,    de algumas disposi&ccedil;&otilde;es da CEDH: &eacute; o caso dos artigos 9.&ordm;    (direito de contrair casamento e constituir fam&iacute;lia), 12.&ordm;, n.&ordm;    1 (liberdade de reuni&atilde;o e associa&ccedil;&atilde;o), 14.&ordm;, n.&ordm;    1, e n.&ordm; 3 (direito &agrave; educa&ccedil;&atilde;o), 47.&ordm;, n.&ordm;s    2 e 3 (direito &agrave; ac&ccedil;&atilde;o e a um tribunal imparcial), e 50.&ordm;    (direito a n&atilde;o ser julgado ou punido penalmente mais do que uma vez pelo    mesmo delito), que correspondem aos artigos 12.&ordm; e 11.&ordm;, da CEDH,    2.&ordm; do Protocolo Adicional, 6.&ordm;, n.&ordm; 1, da CEDH, e 4.&ordm; do    Protocolo n.&ordm; 7.Note-se que a anota&ccedil;&atilde;o a que nos temos vindo    a referir clarifica que &laquo;a refer&ecirc;ncia &agrave; CEDH visa tanto a    Conven&ccedil;&atilde;o como os respectivos protocolos&raquo;, precisando ademais    que &laquo;o sentido e o &acirc;mbito dos direitos garantidos s&atilde;o determinados    n&atilde;o s&oacute; pelos textos desses instrumentos mas tamb&eacute;m pela    jurisprud&ecirc;ncia do TEDH e do TJUE&raquo;, sendo poss&iacute;vel &agrave;    Uni&atilde;o garantir &laquo;uma protec&ccedil;&atilde;o mais ampla&raquo; que    &laquo;nunca poder&aacute; ser inferior ao n&iacute;vel garantido pela CEDH&raquo;.    <br>       <br>   <a href="#_ftnref52" name="_ftn52" title="">52</a> Desenvolvidamente neste sentido,    cfr. Wolfgang Weiss, &laquo;Human rights in the EU: Rethinking the role of the    European Convention on Human Rights after Lisbon&raquo;, 7 <i>European Constitutional    Law Review</i> (2011), p. 64-95 (69-70).    <br>       <br>   <a href="#_ftnref53" name="_ftn53" title="">53</a> Sem que isso obste &laquo;a    que o direito da Uni&atilde;o confira uma protec&ccedil;&atilde;o mais ampla&raquo;,    acrescenta-se na disposi&ccedil;&atilde;o citada em texto.    <br>       <!-- ref --><br>   <a href="#_ftnref54" name="_ftn54" title="">54</a> E que, como o refere Wolfgang    Weiss (<i>op. cit. supra</i>, nota 52) correspondem a metade das cinquenta disposi&ccedil;&otilde;es    substantivas da Carta (p. 69).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1808531&pid=S2183-184X201800020000200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><br>       ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><br>   <a href="#_ftnref55" name="_ftn55" title="">55</a> Assim Wolfgang Weiss, &laquo;Human    rights in the EU: Rethinking the role of the European Convention on Human Rights    after Lisbon&raquo; (<i>cit. supra</i>, nota 52), p. 71-72.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1808533&pid=S2183-184X201800020000200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><br>       <br>   <a href="#_ftnref56" name="_ftn56" title="">56</a> Cfr. o artigo 8.&ordm;, n.&ordm;    4, da Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica Portuguesa, e a interpreta&ccedil;&atilde;o    entre n&oacute;s corrente sobre o lugar hier&aacute;rquico do direito convencional    recebido na ordem interna. A este &uacute;ltimo prop&oacute;sito, cfr. Moura    Ramos, &laquo;A Conven&ccedil;&atilde;o Europeia dos Direitos do Homem. Sua    posi&ccedil;&atilde;o face ao ordenamento jur&iacute;dico portugu&ecirc;s&raquo;,    <i>Documenta&ccedil;&atilde;o e Direito Comparado</i>, n.&ordm; 5 (1981), p.    93-195 (129-149).O que implica uma reconsidera&ccedil;&atilde;o, por esta via,    do relacionamento entre a CEDH e os sistemas nacionais. A este respeito, cfr.    a an&aacute;lise de Christoph U. Schmid, &laquo;The relationship between the    European Convention on Human Rights and national legal systems: A reconstruction    based on multi-level governance theory&raquo;, <i>in</i><i>La Convenzione Europea    dei Diritti dell&rsquo;Uomo e l&rsquo;Ordinamento Italiano. Problematiche attuali    e prospettive per il futuro</i> (<i>cit. supra</i>, nota 5), p. 163-182.    <br>       <br>   <a href="#_ftnref57" name="_ftn57" title="">57</a> Sobre esta problem&aacute;tica,    cfr. Dean Spielmann, &laquo;Human rights case law in the Strasbourg and Luxembourg    Courts: Conflicts, inconsistencies and complementarities&raquo;, <i>in The EU    and Human Rights</i> (<i>cit. supra</i>, nota 16), p. 757-780, Vincenzo Sciarabba,    <i>Tra Fonti e Corti. Diritti e principi fondamentali in Europa: profili costituzionali    e comparati degli sviluppi sovranazionali</i>, Padova, 2008, Cedam, Lech Garlicki,    &laquo;Cooperation of courts: The role of supranational jurisdictions in Europe&raquo;,    6 <i>International Journal of Constitutional Law</i> (July/October 2008), N.&ordm;s    3 &amp; 4, p. 509-530, Bruno Genevois, &laquo;La convention europ&eacute;enne    des droits de l&rsquo;homme et la Charte des droits fondamentaux de l&rsquo;Union    europ&eacute;enne: complementarit&eacute; ou concurrence?&raquo;, 26 <i>Revue    Fran&ccedil;aise de Droit Administratif</i> (mai-juin 2010), p. 437-444, e Cedric    Ryngaert, &laquo;Oscillating between embracing and avoiding Bosphorus: the European    Court on Human Rights on Member States responsibility for acts of international    organizations and the case of the European Union&raquo;, 39 <i>European Law    Review</i> (2014), N.&ordm; 2, p. 176-192. Sobre o relacionamento entre as duas    inst&acirc;ncias jurisdicionais, numa perspectiva mais geral, cfr. Denys Simon,    &laquo;Des influences r&eacute;ciproques entre CJCE et CEDH: &ldquo;je t&rsquo;aime,    moi non plus?&rdquo;&raquo;, <i>in Pouvoirs</i>, n.&ordm; 96 (Les Cours Europ&eacute;ennes.    Luxembourg et Strasbourg), p. 31-49, Angela Del Vecchio, <i>Giurisdizione Internazionale    e Globalizzazione. I tribunali internazionali tra glogallizzazione e frammentazione</i>,    Milano, 2003, Giuffr&egrave;, Neil Walker, &laquo;Beyond boundary disputes and    basic grids: mapping the global disorder of normative orders&raquo;, 6 <i>International    Journal of Constitutional Law</i> (July/October 2008), N.&ordm;s 3 &amp; 4,    p. 373-396, Michel Rosenfeld, &laquo;Rethinking constitutional ordering in an    era of legal and ideological pluralism&raquo;, <i>ibidem</i>, p. 415-455, e    Giuseppe de Vergottini, <i>Oltre il dialogo tra le Corti. Giudici, diritto straniero,    comparazione</i>, Bologna, 2010, Il Mulino.    <br>       <!-- ref --><br>   <a href="#_ftnref58" name="_ftn58" title="">58</a> Cfr. Wolfgang Weiss, &laquo;Human    rights in the EU: Rethinking the role of the European Convention on Human Rights    after Lisbon&raquo; (<i>cit. supra</i>, nota 52), p. 92.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1808539&pid=S2183-184X201800020000200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><br>       <br>   <a href="#_ftnref59" name="_ftn59" title="">59</a> O sexto <i>considerandum</i>    fala, efectivamente, em &laquo;aprofundar a solidariedade entre os seus povos,    respeitando a sua hist&oacute;ria, cultura e tradi&ccedil;&otilde;es&raquo;.    Sobre este respeito pela identidade nacional, cfr., entre n&oacute;s, Maria    Lu&iacute;sa Duarte, &laquo;A Constitui&ccedil;&atilde;o Europeia e os direitos    de soberania dos Estados-Membros &ndash; Elementos de um aparente paradoxo&raquo;,    <i>in Estudos de Direito da Uni&atilde;o e das Comunidades Europeias</i>, v.    II (<i>cit. supra</i>, nota 1), p. 405-435 (414-421).    <br>       ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <a href="#_ftnref60" name="_ftn60" title="">60</a> O que o TJUE de algum modo    reconheceria no ac&oacute;rd&atilde;o <i>Omega</i> (ac&oacute;rd&atilde;o de    14 de Outubro de 2004, C-36/02, <i>Colect&acirc;nea</i>, p. I-9609), ao aceitar    que &laquo;a medida restritiva adoptada pelas autoridades de um Estado-Membro    [n&atilde;o tenha de corresponder] (&hellip;) a uma concep&ccedil;&atilde;o    partilhada pela totalidade dos Estados-Membros no que respeita &agrave;s modalidades    de protec&ccedil;&atilde;o do direito fundamental ou do interesse leg&iacute;timo    em causa&raquo;, acrescentando que anteriores refer&ecirc;ncias, na sua jurisprud&ecirc;ncia,    a uma concep&ccedil;&atilde;o comum n&atilde;o pretendiam &laquo;formular um    crit&eacute;rio geral para a aprecia&ccedil;&atilde;o da proporcionalidade de    qualquer medida nacional que restrinja o exerc&iacute;cio de uma actividade    econ&oacute;mica&raquo; (ponto 37). Para uma an&aacute;lise da jurisprud&ecirc;ncia    pertinente, cfr. G. di Federico, &laquo;Identifying national identities in the    case-law of the Court of Justice of the European Union&raquo;, <i>Il Diritto    dell&rsquo;Unione Europea</i>, 4/14, p. 769-802.    <br>       <br>   <a href="#_ftnref61" name="_ftn61" title="">61</a> Ainda que anteriormente elencados    em documentos de valor jur&iacute;dico menos efectivo, como a Carta comunit&aacute;ria    dos direitos fundamentais dos trabalhadores.    <br>       <br>   <a href="#_ftnref62" name="_ftn62" title="">62</a> Sobre o ponto, cfr. Isabel    Lirola Delgado, &laquo;Derecho de resid&ecirc;ncia de los ciudadanos de la Uni&oacute;n    y prestaciones sociales en tiempos de crisis: Hacia un planteamiento casu&iacute;stico    y amb&iacute;guo de la solidariedad entre los Estados miembros?&raquo;, 18 <i>Revista    de Derecho Comunitario Europeo</i> (septiembre-diciembre 2014), 49, p. 733-766.    Para uma considera&ccedil;&atilde;o mais alargada, cfr, recentemente, Catarina    Santos Botelho, <i>Os Direitos Sociais em tempos de crise &ndash; Ou revisitar    as normas program&aacute;ticas</i>, Coimbra, 2015, Almedina.    <br>       <br>   <a href="#_ftnref63" name="_ftn63" title="">63</a> Saliente-se, a prop&oacute;sito,    a inclus&atilde;o, naquela no&ccedil;&atilde;o, da nota da intergeracionalidade.    Sobre esta dimens&atilde;o, entre n&oacute;s, Jo&atilde;o Carlos Loureiro, &laquo;<i>Fiat    constitutio, pereat mundus</i>? Neojoaquimismo, constitucionalismo e escassez&raquo;,    70 <i>Revista Portuguesa de Filosofia</i> (2014), p. 231-260 (251-257), e Susana    Tavares da Silva, &laquo;O problema da justi&ccedil;a intergeracional em jeito    de coment&aacute;rio ao ac&oacute;rd&atilde;o do Tribunal Constitucional n.&ordm;    187/2013&raquo;, <i>in Cadernos de Justi&ccedil;a Tribut&aacute;ria</i>, n.&ordm;    00 (Abr.-Jun. 2013), p. 6-18.    <br>       <br>   <a href="#_ftnref64" name="_ftn64" title="">64</a> Cfr., por exemplo, as situa&ccedil;&otilde;es    referidas <i>supra</i>, na nota 24.    <br>       ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <a href="#_ftnref65" name="_ftn65" title="">65</a> Vejam-se os arestos citados    <i>supra</i>, na nota 40.    <br>       <!-- ref --><br>   <a href="#_ftnref66" name="_ftn66" title="">66</a> Para uma vis&atilde;o geral,    cfr. Miryam Rodr&iacute;guez-Izquierdo Serrano, &laquo;El terrrorismo en la    evoluci&oacute;n del espacio de libertad, seguridad y justicia&raquo;, 14 <i>Revista    de Derecho Comunitario Europeo</i> (mayo-agosto 2010), 36, p. 531-559,    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1808555&pid=S2183-184X201800020000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> e Ben    Chigara, &laquo;On the jurisprudential significance of the emergent state practice    concerning foreign nationals merely suspected of involvement with terrorist    offences&raquo;, 16 <i>Maastricht Journal of European and Comparative Law</i>    (2009), 3, p. 315-339.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1808556&pid=S2183-184X201800020000200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><br>       <!-- ref --><br>   <a href="#_ftnref67" name="_ftn67" title="">67</a> Sobre as medidas restritivas    a este prop&oacute;sito adoptadas, cfr. C. Eckes, &laquo;EU restritive measures    against natural and legal persons: Fom counterterrorist to third country sanctions&raquo;,    <i>Common Market Law Review</i>, 51 (june 2014), N.&ordm; 3, p. 869-906,    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1808558&pid=S2183-184X201800020000200009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> e,    em particular, a jurisprud&ecirc;ncia <i>Kadhi</i> [ac&oacute;rd&atilde;os de    21 de Setembro de 2005, processo T-306/01, <i>Colect&acirc;nea</i>, p. II-3533,    de 3 de Setembro de 2008, processos apensos C-402/05 P e 415/05 P, <i>Colect&acirc;nea</i>,    p. I-6531, de 30 de Setembro de 2010, processo T-85/09, <i>Colect&acirc;nea</i>,    p. II-5177, e de 18 de Julho de 2013, processos C-584/10 P, C-593/10 P e C-595/10    P, ainda n&atilde;o publicado na <i>Colect&acirc;nea</i> &ndash; a seu respeito,    cfr. Panagiotis Tridimas, &laquo;Terrorism and the ECJ: Empowerment and Democracy    in the EC legal order&raquo;, 34 <i>European Law Review</i> (2009), p. 103-126,    Conor Gearty, &laquo;In Praise of Awkwardness: <i>Kadi</i> in the CJEU&raquo;,    10 <i>European Constitutional Law Review</i> (2014), p. 15-27, A. Cuyvers, &laquo;&rdquo;Give    me one good reason&rdquo;: The unified standard of review for sanctions after    <i>Kadi II</i>&raquo;, <i>Common Market Law Review</i>, 51 (december 2014),    N.&ordm; 6, p. 1579-1788, e, entre n&oacute;s, Maria Lu&iacute;sa Duarte, &laquo;O    Tribunal de Justi&ccedil;a da Uni&atilde;o Europeia e o controlo indirecto das    decis&otilde;es do Conselho de Seguran&ccedil;a. Sobre os crit&eacute;rios relevantes    de concilia&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica entre a luta contra o terrorismo    internacional e a protec&ccedil;&atilde;o dos direitos fundamentais&raquo;,    13 <i>Th&eacute;mis</i> (2013), n.&ordm;s 24/25, p. 49-76]. Num &acirc;mbito    mais geral, veja-se a an&aacute;lise de Vico Valentino, &laquo;La Giustizia    penale convenzionale e l&rsquo;oltranzismo dei controlimiti. Dall&rsquo;euro-entusiasmo    della prima ora all&rsquo;ermeneutica della sorveglianza&raquo;, <i>in La Convenzione    Europea dei Diritti dell&rsquo;Uomo e l&rsquo;Ordinamento Italiano. Problematiche    attuali e prospettive per il futuro</i> (<i>cit. supra</i>, nota 5), p. 253-279.    Atente-se, por outro lado, na controv&eacute;rsia suscitada pela Decis&atilde;o-Quadro    2002/584/JAI do Conselho, de 13 de Junho de 2002, relativa ao mandado de deten&ccedil;&atilde;o    europeu e aos processos de entrega entre os Estados-Membros, e &agrave;s v&aacute;rias    decis&otilde;es dos Tribunais Constitucionais dos Estados-Membros que sobre    ela ou a respectiva transposi&ccedil;&atilde;o se pronunciaram. Sobre o ponto,    cfr., para uma vis&atilde;o geral, Dorota Leczykiewicz, &laquo;Constitutional    conflicts and the third pillar&raquo;, 33 <i>European Law Review</i> (april    2008), p. 230-242, e Sara Iglesias S&aacute;nchez, &laquo;La jurisprud&ecirc;ncia    constitucional comparada sobre la orden europea de detenci&oacute;n y entrega,    y la naturaleza jur&iacute;dica de los actos del Tercer Pilar&raquo;, 14 <i>Revista    de Derecho Comunitario Europeo</i> (enero-abril 2010), 35, p. 169-192, e, em    particular para as quest&otilde;es postas pelas jurisdi&ccedil;&otilde;es constitucionais    dos Estados-membros, cfr., sobre o caso italiano (inicialmente processos 102-103/2008),    Lu&iacute;sa Marin, &laquo;The European arrest warrant and domestic legal orders.    Tensions between mutual recognition and fundamental rights: The Italian case&raquo;,    15 <i>Maastricht Journal of European and Comparative Law</i> (2008), 4, p. 473-492,    Marco Dani, &laquo;Tracking judicial dialogue: The scope for preliminary rulings    from the Italian Constitutional Court&raquo;, 16 <i>Maastricht Journal of European    and Comparative Law</i> (2009), 2, p. 149-170, C. Amalfitano, &laquo;Il mandato    d&rsquo;arresto europeo nuovamente al vaglio della Consulta&raquo;, <i>Il Diritto    dell&rsquo;Unione Europea</i>, 1/11, p. 183-199, E. Pagano, &laquo;Le posizioni    della Corte di giustizia e della Corte costituzionale sulla non corretta trasposizione    della decisione quadro sul mandato d&rsquo;arresto&raquo;, <i>Il Diritto dell&rsquo;Unione    Europea</i>, 1/12, p. 83-105, e Oreste Pollicino, &laquo;From partial to full    dialogue with Luxembourg: The last cooperative step of the Italian Constitutional    Court&raquo;, 10 <i>European Constitutional Law Review</i> (2014), p. 143-153;    para o caso espanhol (ac&oacute;rd&atilde;o de 26 de Fevereiro de 2013, <i>Melloni</i>,    processo C-399/11, <i>Colect&acirc;nea</i>, p. I-107), vejam-se Fernando Castillo    de la Torre/Petra Nemeckova, &laquo;Cronica de Jurisprudencia del Tribunal de    Justicia de la Uni&oacute;n Europea. Enero-abril 2013&raquo;, 17 <i>Revista    de Derecho Comunitario Europeo</i> (mayo-agosto 2013), 45, p. 779-830 (779-783),    Nik De Boer, &laquo;Addressing rights divergences under the Charter:&nbsp;<i>Melloni</i>&raquo;,    Case note on Case C-399/11&raquo;, 50&nbsp;<i>Common Market Law Review</i> (2013),    p. 1083-1103, Beatriz Garcia Sanchez, &laquo;Homogeneidad o estandar m&iacute;nimo    de protecci&oacute;n de los derechos fundamentales en la Uni&oacute;n Europea&raquo;,    17 <i>Revista de Derecho Comunitario Europeo</i> (septiembre-diciembre 2013),    46, p. 1137-1156, e Leonard F. M. Besselink, &laquo;The parameters of constitutional    conflict after <i>Melloni</i>&raquo;, 29 <i>European Law Review</i> (August    2014), p. 531-552; e, para o caso franc&ecirc;s, Fran&ccedil;ois-Xavier Millet,    &laquo;How much lenience for how much cooperation? On the first preliminary    reference of the French Constitutional Council to the Court of Justice&raquo;,    51 <i>Common Market Law Review</i> (2014), p. 195-218, J&eacute;rome Roux, &laquo;Premier    renvoi pr&eacute;judiciel du Conseil Constitutionnel &agrave; la Cour de Justice    et conjonction de dialogues des juges autour du mandat d&rsquo;arr&ecirc;t europ&eacute;en&raquo;,    <i>RTDEur.</i> (juillet-septembre 2013), p. 531-557, e Arthur Dyevre, &laquo;If    you can&rsquo;t beat them, join them. The French Constitutional Court first    reference to the Court of Justice (<i>Jeremy F</i>. v. <i>Premier Ministre</i>,    4 April 2013)&raquo;, 10 <i>European Constitutional Law Review</i> (2014), p.    154-161). [Diferentemente, como se sabe, as rela&ccedil;&otilde;es entre o <i>Bundesverfassungsgericht</i>    e o TJUE t&ecirc;m tido por objecto quest&otilde;es de outra natureza &ndash;    assim o ac&oacute;rd&atilde;o de 16 de Junho de 2015, <i>Gauweiler</i>, C-62/14,    ainda n&atilde;o publicado na <i>Colect&acirc;nea</i>: sobre este aresto, cfr.    Asteris Pliakos, &laquo;Le premier renvoi pr&eacute;judiciel de la Cour constitutionnelle    allemande &agrave; la CJUE: un pas en avant, deux pas en arri&egrave;re?&raquo;,    <i>Revue de l&rsquo;Union Europ&eacute;enne</i>, N.&ordm; 584 (janvier 2015),    p. 41-50, Dariusz Adamski, &laquo;Economic constitution of the euro area after    the <i>Gauweiler</i> preliminary ruling&raquo;, <i>Common Market Law Review</i>,    52 (2015), 6, p. 1451-1490,    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1808559&pid=S2183-184X201800020000200010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> e Michelle Everson, &laquo;An exercise in legal    honesty: Rewriting the Court of Justice and the <i>Bundesverfassungsgericht</i>&raquo;,    21 <i>European Law Journal</i> (2015), 4, p. 474-499;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1808560&pid=S2183-184X201800020000200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> e sobre a problem&aacute;tica    a que nos referimos acima, na nossa ordem jur&iacute;dica, cfr. Pedro Caeiro/S&oacute;nia    Fidalgo, &laquo;O mandato de deten&ccedil;&atilde;o europeu na experi&ecirc;ncia    portuguesa: t&oacute;picos da primeira d&eacute;cada&raquo;, <i>in Temas de    Extradi&ccedil;&atilde;o e Entrega</i> (coordenador: Pedro Caeiro), Coimbra,    2015, Almedina, p. 159-194.] Ainda sobre a problem&aacute;tica das rela&ccedil;&otilde;es    entre estas jurisdi&ccedil;&otilde;es, cfr. V. Skouris, &laquo;Les rapports    entre la Cour de Justice et les jurisdictions constitutionnelles nationales&raquo;,    <i>Il Diritto dell&rsquo;Unione Europea</i>, 4/2009, p. 775-787, e Maria Rosaria    Donnarruma, &laquo;Il processo di &ldquo;costitutionalizzazione&rdquo; della    Unione Europea e la tensione dialettica tra la giurisprudenza della Corte di    Giustizia e le giurisprudenze delle Corte Costituzionali&raquo;, 20 <i>Rivista    Italiana di Diritto Pubblico Comunitario</i> (2010), p. 407-449; e para as dificuldades    de um di&aacute;logo similar com o Tribunal de Estrasburgo, cfr. Francesco Vigan&ograve;,    &laquo;Convenzione Europea dei Dirittti dell&rsquo;Uomo e resistenze nazionalistiiche.    Corte Costituzionale italiana e Corte Europea. Tra &ldquo;Guerra&rdquo; e &ldquo;Dialogo&rdquo;.    Qualche osservazione dall&rsquo;angolo visuale di un penalista&raquo;, <i>in    La Convenzione Europea dei Diritti dell&rsquo;Uomo e l&rsquo;Ordinamento Italiano.    Problematiche attuali e prospettive per il futuro</i> (<i>cit. supra</i>, nota    5), p. 207-251.    <br>       ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><br>   <a href="#_ftnref68" name="_ftn68" title="">68</a> Sobre o ponto, cfr. F. Ferretti,    &laquo;Data protection and the legitimate interest of data controllers: Much    ado about nothing or the winter of rights?&raquo;, <i>Common Market Law Review</i>,    51 (june 2014), N.&ordm; 3, p. 843-868,    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1808563&pid=S2183-184X201800020000200012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> O. Lynskey, &laquo;The Data Retention    Directive is incompatible with the rights to privacy and data protection and    is invalid in its entirety: <i>Digital Rights Ireland</i>&raquo;, <i>Common    Market Law Review</i>, 51 (december 2014), N.&ordm; 6, p. 1789-1812,    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1808564&pid=S2183-184X201800020000200013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Maria Isabel    Gonzalez Pascual, &laquo;El TJUE como garante de los derechos en la UE tr&aacute;s    la sentencia <i>Digital Rights Ireland</i>&raquo;, 18 <i>Revista de Derecho    Comunitario Europeo</i> (septiembre-diciembre 2014), 49, p. 943-971,    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1808565&pid=S2183-184X201800020000200014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> e Gloria    Gonz&aacute;lez Fuster, <i>The Emergence of Personal Data Protection as a Fundamental    Right of the EU</i>, Vienna, 2014, Springer.    <br>       <br>   <a href="#_ftnref69" name="_ftn69" title="">69</a> Veja-se a decis&atilde;o    do <i>Bundesverfassungsgericht</i> de 24 de Abril de 2013, a prop&oacute;sito    da organiza&ccedil;&atilde;o, no plano da Uni&atilde;o, de um ficheiro de luta    antiterrorista [a prop&oacute;sito, cfr. Olivier Joop, &laquo;Jurisprudences    nationales int&eacute;ressant le droit de l&rsquo;Union europ&eacute;enne&raquo;,    <i>RTDEur</i>. (janvier-mars 2014), p. 225-248 (228-232)].    <br>       <br>   <a href="#_ftnref70" name="_ftn70" title="">70</a> Visibilidade que se reflectiu,    <i>inter alia</i>, na problem&aacute;tica das fronteiras da Uni&atilde;o e do    seu regime. Cfr., a prop&oacute;sito, Nuno Pi&ccedil;arra, &laquo;A crise nas    fronteiras (dos Estados-membros) da Uni&atilde;o Europeia: Causas e solu&ccedil;&otilde;es&raquo;,    <i>in A crise e o Direito</i> [Jorge Bacelar Gouveia/Nuno Pi&ccedil;arra (coordenadores)],    Lisboa, 2013, Almedina, p. 137-178. E, para a caracteriza&ccedil;&atilde;o da    situa&ccedil;&atilde;o inicial a este prop&oacute;sito, veja-se Bruno Nascimbene,    &laquo;Lo &ldquo;spazio Schengen&rdquo;: Libert&agrave; di circolazione e controlli    alle frontiere esterne&raquo;, <i>in Divenire Sociale e Adeguamento del Diritto.    Studi in Onore di Francesco Capotorti</i>, II &ndash; Diritto dell&rsquo;Unione    Europea, Diritto Internazionale Privato, Diritto Pubblico, Milano, 1999, Giuffr&egrave;,    p. 307-318.    <br>       <br>   <a href="#_ftnref71" name="_ftn71" title="">71</a> Reconhecimento que n&atilde;o    inclui, naturalmente, os direitos inclu&iacute;dos no T&iacute;tulo V da Carta    (Cidadania), artigos 39.&ordm; a 46.&ordm;.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>       <br>   <a href="#_ftnref72" name="_ftn72" title="">72</a> Sobre o estatuto desta categoria    de pessoas em face do direito da Uni&atilde;o, cfr. Gregor Noll/Jens Vedsted-Hansen,    &laquo;Non-Communitarians: Refugee and Asylum Policies&raquo;, <i>in The EU    and Human Rights</i> (<i>cit. supra</i>, nota 16), p. 359-410, Blanca Vil&aacute;    Costa, &laquo;The quest for a consistent set of rules governing the status of    non-Community nationals&raquo;, <i>ibidem</i>, p. 411-446, e, entre n&oacute;s,    &Agrave;lvaro Castro Oliveira, <i>Third Country Nationals and European Union    Law</i>, Floren&ccedil;a, 1996, Instituto Universit&aacute;rio Europeu, &laquo;A    Seguran&ccedil;a Social de Nacionais de Pa&iacute;ses Terceiros residentes na    Uni&atilde;o Europeia: o Direito, a Igualdade e a Utopia (coment&aacute;rio    de Jurisprud&ecirc;ncia do Tribunal de Justi&ccedil;a das Comunidades Europeias.    A prop&oacute;sito do ac&oacute;rd&atilde;o de 15/1/1998, <i>Henia c. B&eacute;lgica</i>,    Processo C-113/97)&raquo;, 2 <i>Temas de Integra&ccedil;&atilde;o</i> (1997),    n.&ordm;&nbsp;4, p.&nbsp;125-137, &laquo;The Position of Resident Third Country    Nationals: Is it too early to grant them Union Citizenship?&raquo;, <i>in</i>    AAVV, <i>European Citizenship: An Institutional Challenge</i> (edited by Massimo    La Torre), The Hague, 1998, Kluwer Law International, p.&nbsp;185-199, e &laquo;Immigrants    from Third Countries under EC External Agreements: The Need for Improvement&raquo;,    4 <i>European Foreign Affairs Review</i> (1999), p.&nbsp;215-233 e Miguel Gorj&atilde;o    Henriques, &laquo;A Europa e o &lsquo;Estrangeiro&rsquo;: Talo(s) ou Cristo?&raquo;,    3 <i>Temas de Integra&ccedil;?o</i> (1998), n.&ordm;&nbsp;6, pp.&nbsp;23-50.    <br>       <br>   <a href="#_ftnref73" name="_ftn73" title="">73</a> Cfr. o conjunto de estudos    inseridos em <i>Managing Migration Flows and Preventing Illegal Immigration.    Schengen &ndash; Justice and Home Affairs Colloquium</i> (Edited by Cl&aacute;udia    Faria), Maastricht, 2002, European Public Administration Institute, e, mais    recentemente, Fran&ccedil;ois Cr&eacute;peau/Bethany Hastie, &laquo;The case    for &ldquo;firewall&rdquo; protections for irregular migrants. Safeguarding    fundamental rights&raquo;, 17 <i>European Journal of Migration and Law</i> (2015),    p. 157-183, P. De Bruycker/S. Mananashvili, &laquo;<i>Audi alteram partem</i>    in immigration detention procedures, between the ECJ, the ECtHR and Member States:    G &amp; R&raquo;, <i>Common Market Law Review</i>, 52 (april 2015), N.&ordm;    2, p. 569-590, e D. Acosta Arcarazo, &laquo;The Charter, detention and possible    regularization of migrants in an irregular situation under the Return Directive:    <i>Mahdi</i>&raquo;, <i>Common Market Law Review</i>, 52 (october 2015), N.&ordm;    5, p. 1361-1378.    <br>       <br>   <a href="#_ftnref74" name="_ftn74" title="">74</a> Sobre o ponto, cfr. Eleanor    Drywood, &laquo;Who&rsquo;s in and who&rsquo;s out? The Court&rsquo;s emerging    case-law on the definition of a refugee&raquo;, <i>Common Market Law Review</i>,    51 (august 2014), N.&ordm; 4, p. 1093-1124, e, para uma abordagem mais geral,    <i>Who is a Refugee? A Comparative Case Law Study</i> [Jean-Yves Carlier/Dirk    Vanheule/Klaus Huumann/Carlos Pe&ntilde;a Galiano (Eds.)], The Hague, 1997,    Kluwer Law International. *Professor da Faculdade de Direito da Universidade    de Coimbra e Investigador no Instituto Jur&iacute;dico da mesma Faculdade. Membro    do <i>Institut de Droit International</i>. Presidente Em&eacute;rito do Tribunal    Constitucional de Portugal. Antigo Juiz do Tribunal de Primeira Inst&acirc;ncia    das Comunidades Europeias (hoje, Tribunal Geral da Uni&atilde;o Europeia).    <br>       <br>   </font></p> </font>       ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Dougan]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Judicial review of Member State actions under the general principles and the Charter: Defining the “Scope of Union law”]]></article-title>
<source><![CDATA[Common Market Law Review]]></source>
<year>Octo</year>
<month>be</month>
<day>r </day>
<volume>52</volume>
<numero>5</numero>
<issue>5</issue>
<page-range>1201-1246</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Lazzerini]]></surname>
<given-names><![CDATA[N.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[«(Some of) the fundamental rights grantred by the Charter may be a source of obligations for private parties: MAS»]]></article-title>
<source><![CDATA[Common Market Law Review]]></source>
<year>june</year>
<month> 2</month>
<day>01</day>
<volume>51</volume>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
<page-range>907-934</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Moro]]></surname>
<given-names><![CDATA[Lucia Millán]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[«Eficacia directa versus Primacia»]]></article-title>
<source><![CDATA[Common Market Law Review]]></source>
<year>june</year>
<month> 2</month>
<day>01</day>
<volume>51</volume>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
<page-range>1029-1045</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Weiss]]></surname>
<given-names><![CDATA[Wolfgang]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[correspondem a metade das cinquenta disposições substantivas da Carta]]></source>
<year></year>
<page-range>69</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Weiss]]></surname>
<given-names><![CDATA[Wolfgang]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[«Human rights in the EU: Rethinking the role of the European Convention on Human Rights after Lisbon»]]></source>
<year></year>
<page-range>71-72</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Weiss]]></surname>
<given-names><![CDATA[Wolfgang]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[«Human rights in the EU: Rethinking the role of the European Convention on Human Rights after Lisbon]]></source>
<year></year>
<page-range>92</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Serrano]]></surname>
<given-names><![CDATA[Miryam Rodríguez-Izquierdo]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[El terrrorismo en la evolución del espacio de libertad, seguridad y justicia]]></article-title>
<source><![CDATA[Revista de Derecho Comunitario Europeo]]></source>
<year>mayo</year>
<month>-a</month>
<day>go</day>
<volume>36</volume>
<page-range>531-559</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Chigara]]></surname>
<given-names><![CDATA[Ben]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[«On the jurisprudential significance of the emergent state practice concerning foreign nationals merely suspected of involvement with terrorist offences»]]></article-title>
<source><![CDATA[Maastricht Journal of European and Comparative Law]]></source>
<year>2009</year>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
<page-range>315-339</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Eckes]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[«EU restritive measures against natural and legal persons: Fom counterterrorist to third country sanctions»]]></article-title>
<source><![CDATA[Common Market Law Review]]></source>
<year>june</year>
<month> 2</month>
<day>01</day>
<volume>51</volume>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
<page-range>869-906</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Adamski]]></surname>
<given-names><![CDATA[Dariusz]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[«Economic constitution of the euro area after the Gauweiler preliminary ruling»]]></article-title>
<source><![CDATA[Common Market Law Review]]></source>
<year>2015</year>
<volume>52</volume>
<numero>6</numero>
<issue>6</issue>
<page-range>1451-1490</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Everson]]></surname>
<given-names><![CDATA[Michelle]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[«An exercise in legal honesty: Rewriting the Court of Justice and the Bundesverfassungsgericht»]]></article-title>
<source><![CDATA[European Law Journal]]></source>
<year>2015</year>
<volume>4</volume>
<page-range>474-499</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Ferretti]]></surname>
<given-names><![CDATA[F.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[«Data protection and the legitimate interest of data controllers: Much ado about nothing or the winter of rights?»]]></article-title>
<source><![CDATA[Common Market Law Review]]></source>
<year>june</year>
<month> 2</month>
<day>01</day>
<volume>51</volume>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
<page-range>843-868</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Lynskey]]></surname>
<given-names><![CDATA[O.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[«The Data Retention Directive is incompatible with the rights to privacy and data protection and is invalid in its entirety: Digital Rights Ireland»]]></article-title>
<source><![CDATA[Common Market Law Review]]></source>
<year>dece</year>
<month>mb</month>
<day>er</day>
<volume>51</volume>
<numero>6</numero>
<issue>6</issue>
<page-range>1789-1812</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B14">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Pascual]]></surname>
<given-names><![CDATA[Maria Isabel Gonzalez]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[«El TJUE como garante de los derechos en la UE trás la sentencia Digital Rights Ireland»]]></article-title>
<source><![CDATA[Revista de Derecho Comunitario Europeo]]></source>
<year>sept</year>
<month>ie</month>
<day>mb</day>
<volume>49</volume>
<page-range>943-971</page-range></nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
