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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A arbitragem internacional de protecção de investimentos e a dupla nacionalidade: dois pode ser igual a zero?]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[International arbitration for the safeguard of investments and double nationality: two can equal zero?]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The assessment of the investor&rsquo;s nationality is of utmost relevance to determine the arbitral tribunal&rsquo;s jurisdiction in Investor-State Arbitration. In treaty-based arbitration the investor must give evidence that is protected by the BIT, which means that he must have the nationality of the State party to the BIT that is not the host State. The case law considers irrelevant the fact that the investor possesses another nationality besides the nationality of the State party to the BIT and considers also irrelevant the fact that the invoked nationality is not the dominant one. Things get more serious if the investor has also the nationality of the host State (double nationality). In this scenario the investor cannot launch an ICSID arbitration against the host State because the Washington Convention forbids it. The possibility of an ad hoc arbitration is subject to the interpretation of the applicable BIT which has led to an unstable case law both because the BITs are not all equal and because different tribunals have analyzed the dominant nationality doctrine in different ways.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><b> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">DESTAQUE</font> </b></p> <!--TITULO-->     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b> A arbitragem internacional de protec&ccedil;&atilde;o de investimentos e a dupla nacionalidade: dois pode ser igual a zero? </b></font> </p> <!--TITULO TRADUZIDO-->     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b> International arbitration for the safeguard of investments and double nationality: two can equal zero? </b></font> </p>     <p>&nbsp;</p> <!--RESPONSABILIDADE-->     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b> Tiago Duarte<sup>I</sup> . </b></font> </p>     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> <sup>I</sup> PLMJ Advogados, SP, RL, Avenida Fontes Pereira de Melo 43, Lisboa, 1050- 119, Portugal . E-mail:<a href="mailto:tiago.duarte@plmj.pt">tiago.duarte@plmj.pt</a> </font> </p>     <p>&nbsp;</p> <!--RESUMO IDENTIFICADOR--> <!--<hr size:"1px" noshade>--> <!--RESUMO-->     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESUMO</b></font> </p>     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> A determina&ccedil;&atilde;o da nacionalidade do investidor &eacute; um dos elementos mais importantes para a verifica&ccedil;&atilde;o da jurisdi&ccedil;&atilde;o dos tribunais arbitrais nas arbitragens de prote&ccedil;&atilde;o de investimentos. Nas arbitragens baseadas em BIT (bilateral investment treaties) o investidor que inicia a arbitragem tem de demonstrar que est&aacute; protegido pelo BIT que pretende invocar, pelo que ter&aacute; de possuir a nacionalidade do Estado parte nesse mesmo BIT, que n&atilde;o seja o Estado onde o investimento foi realizado. A jurisprud&ecirc;ncia tem considerado irrelevante o facto de o investidor poder ter outras nacionalidades, para al&eacute;m da nacionalidade do Estado parte no BIT, desvalorizando igualmente o facto de essa nacionalidade n&atilde;o ser a nacionalidade dominante do investidor. Tudo se complica no caso de o investidor possuir igualmente a nacionalidade do Estado onde o investimento foi realizado. Nesse caso o investidor n&atilde;o poder&aacute; iniciar uma arbitragem com base no ICSID tendo em conta que a Conven&ccedil;&atilde;o de Washington veda essa possibilidade. J&aacute; no caso de arbitragens ad hoc tudo depender&aacute; da interpreta&ccedil;&atilde;o do BIT em concreto, o que tem levado a uma flutua&ccedil;&atilde;o jurisprudencial, seja porque os BIT s&atilde;o diferentes, seja porque tem havido diferentes abordagens jurisprudenciais quanto &agrave; relev&acirc;ncia da nacionalidade dominante. </font> </p> <!--PALAVRAS-CHAVE tradu&ccedil;&atilde;o-->     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Palavras-Chave:</b> ICSID; Dupla nacionalidade; Arbitragem de Investimentos; Jurisdi&ccedil;&atilde;o ratione personae.</font> </p>     <p>&nbsp;</p> <!--<hr size:"1px" noshade>-->     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ABSTRACT</b></font> </p> <!--RESUMO-->     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> The assessment of the investor&rsquo;s nationality is of utmost relevance to determine the arbitral tribunal&rsquo;s jurisdiction in Investor-State Arbitration. In treaty-based arbitration the investor must give evidence that is protected by the BIT, which means that he must have the nationality of the State party to the BIT that is not the host State. The case law considers irrelevant the fact that the investor possesses another nationality besides the nationality of the State party to the BIT and considers also irrelevant the fact that the invoked nationality is not the dominant one. Things get more serious if the investor has also the nationality of the host State (double nationality). In this scenario the investor cannot launch an ICSID arbitration against the host State because the Washington Convention forbids it. The possibility of an ad hoc arbitration is subject to the interpretation of the applicable BIT which has led to an unstable case law both because the BITs are not all equal and because different tribunals have analyzed the dominant nationality doctrine in different ways. </font> </p> <!--PALAVRAS-CHAVE-->     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Keywords:</b> ICSID; double nationality; Investor-State Arbitration; jurisdiction ratione personae.</font> </p>     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Sum&aacute;rio:</b> <b>I.</b> Introdu&ccedil;&atilde;o    <br>       <b>II.</b> A (ir)relev&acirc;ncia da nacionalidade dominante, em caso de dupla nacionalidade    <br>       <b> III.</b> A (ir)relev&acirc;ncia da nacionalidade do host State, em caso de dupla nacionalidade    <br>   Nas arbitragens do ICSID    <br>   Nas arbitragens ad hoc    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <b> IV.</b> Conclus&atilde;o </font> </p>     <p> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Summary:</b> <b>I.</b> Introduction    <br>       <b>II.</b> The (ir)relevance of the dominant nationality in double nationality cases    <br>       <b> III.</b> The (ir)relevance of the host State&rsquo;s nationality in double nationality cases    <br>   ICSID Arbitrations    <br>   Ad hoc Arbitrations    <br>   <b> IV.</b> Conclusion </font> </p>     <p>&nbsp;</p> <!--T&Oacute;PICO--> <!--CORPO DE TEXTO--> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">     <p><b>I - Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Os tratados internacionais de protec&ccedil;&atilde;o de investimentos, mais conhecidos como bilateral investment treaties (BIT), t&ecirc;m-se multiplicado nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, sendo usados pelos Estados como forma de promover e proteger os investimentos transfronteiri&ccedil;os. Assim, nesses BIT, cada Estado assegura aos investidores, nacionais do outro Estado parte no BIT, que decidam investir no seu territ&oacute;rio, um conjunto de direitos, como seja o direito a um fair and equitable treatment. Mais ainda, nesse mesmo BIT, os Estados d&atilde;o antecipadamente o seu consentimento para que se o investidor do outro Estado entender que algum desses direitos contidos no BIT foi desrespeitado, este possa iniciar uma arbitragem internacional contra o Estado em cujo territ&oacute;rio o investimento foi realizado. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Nestas arbitragens internacionais de protec&ccedil;&atilde;o de investimentos, baseadas no consentimento prestado pelo Estado atrav&eacute;s do BIT, a quest&atilde;o da nacionalidade do investidor &eacute; uma quest&atilde;o determinante na avalia&ccedil;&atilde;o da jurisdi&ccedil;&atilde;o – ratione personae – do tribunal arbitral, j&aacute; que o consentimento para a arbitragem foi dado pelo Estado em cujo territ&oacute;rio o investimento foi efectuado, apenas relativamente aos investidores que sejam nacionais do outro Estado parte no BIT. </p>     <p>Assim, torna-se fundamental apurar se o investidor que pretende iniciar uma arbitragem contra o Estado em cujo territ&oacute;rio investiu (host State), pode ser considerado um investidor protegido por esse mesmo BIT, por se integrar na defini&ccedil;&atilde;o de investidor contida no BIT que quer invocar na arbitragem. Normalmente, o conceito de investidor previsto no BIT remete para o conceito de nacional, nos termos da legisla&ccedil;&atilde;o interna do Estado da nacionalidade do investidor (home State), sendo que, enquanto o conceito de nacional &eacute; um conceito que cabe a cada Estado definir, o conceito de investidor depender&aacute; do que as partes acordarem no BIT, estando por&eacute;m sujeito, no caso de arbitragens de acordo com o International Centre for the Settlement of Investment Disputes (ICSID), aos outer limits impostos pela Conven&ccedil;&atilde;o de Washington, em que se exige que um investidor seja nacional de um Estado parte na referida Conven&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#_ftn1" name="_ftnref1" title="">1</a></sup> . </p>     <p>N&atilde;o obstante a determina&ccedil;&atilde;o da nacionalidade de um investidor possa n&atilde;o ser tarefa simples, como demonstra o caso Soufraki, que continua a ser o leading case no que respeita &agrave; determina&ccedil;&atilde;o dos poderes do tribunal arbitral na avalia&ccedil;&atilde;o da nacionalidade do investidor, onde a quest&atilde;o se come&ccedil;a a complicar &eacute; no caso de o investidor ter duas ou mais nacionalidades<sup><a href="#_ftn2" name="_ftnref2" title="">2</a></sup> . </p>     <p>Nesta situa&ccedil;&atilde;o ser&aacute; preciso verificar se se deve privilegiar ou n&atilde;o aquela que &eacute; a nacionalidade dominante ou efectiva do investidor, bem como apurar se alguma das nacionalidades do investidor &eacute; a do Estado em cujo territ&oacute;rio o investimento foi realizado e contra o qual o investidor pretende iniciar a arbitragem. </p>     <p>Como se ver&aacute;, o modo como os tribunais arbitrais t&ecirc;m vindo a decidir estes casos n&atilde;o &eacute; un&acirc;nime e fica a sensa&ccedil;&atilde;o que, neste dom&iacute;nio, como em tantos outros, a &uacute;ltima palavra ainda n&atilde;o foi pronunciada, o que, s&oacute; por si, justifica o presente estudo. </p>     <p><b>II – A (ir)relev&acirc;ncia da nacionalidade dominante, em caso de dupla nacionalidade </b> </p>     <p>Por vezes os Estados, quando confrontados com arbitragens apresentadas por investidores com dupla nacionalidade, invocam que o tribunal arbitral deveria recusar ter jurisdi&ccedil;&atilde;o ratione personae, nos casos em que a nacionalidade do investidor, que permite o recurso a determinado BIT e aos direitos a&iacute; consagrados, n&atilde;o &eacute;, alegadamente, a nacionalidade dominante e efectiva desse mesmo investidor. </p>     <p>A verdade, por&eacute;m, &eacute; que, at&eacute; agora, a quest&atilde;o da nacionalidade dominante ou efectiva (ou do genuine link) do investidor n&atilde;o tem merecido acolhimento na arbitragem de investimentos, &agrave; qual n&atilde;o tem sido aplicada a chamada doutrina Nottebohm, relativa &agrave; decis&atilde;o do Tribunal Internacional de Justi&ccedil;a, de 6 de Abril de 1955<sup><a href="#_ftn3" name="_ftnref3" title="">3</a></sup> . Com efeito, no &acirc;mbito da arbitragem de investimentos, e num caso em que estava em aprecia&ccedil;&atilde;o uma situa&ccedil;&atilde;o de alegada falta de genuine link do investidor com o Estado da nacionalidade invocada, o tribunal n&atilde;o deu raz&atilde;o aos argumentos do host State, tendo entendido que &ldquo;there is no room in ICSID proceedings for a test of effective nationality in an assessment of jurisdiction, such being exclusively governed by provisions of Article 25 of the ICSID Convention&rdquo; <sup><a href="#_ftn4" name="_ftnref4" title="">4</a></sup> . </p>     <p>Tamb&eacute;m no caso Olgu&iacute;n v. Paraguai, a quest&atilde;o da nacionalidade dominante foi suscitada pelo host State, mas sem sucesso. Nesse caso, o investidor tinha a nacionalidade americana e peruana, tendo iniciado uma arbitragem contra o Paraguai com base no BIT celebrado entre o Per&uacute; e o Paraguai. Segundo o Paraguai, em cujo territ&oacute;rio tinha sido realizado o investimento, a nacionalidade dominante do investidor era a americana e n&atilde;o a peruana, pois era naquele Estado que o investidor residia, sendo que, de acordo com a legisla&ccedil;&atilde;o peruana, em caso de dupla nacionalidade seria relevante a do local de resid&ecirc;ncia. Confrontado com esta situa&ccedil;&atilde;o, o tribunal arbitral recusou aplicar o crit&eacute;rio da &ldquo;dominant nationality&rdquo; , tendo conclu&iacute;do que &ldquo;the effectiveness of his Peruvian nationality is enough to determine that he cannot be excluded from the provisions for protection under the BIT&rdquo; <sup><a href="#_ftn5" name="_ftnref5" title="">5</a></sup> . </p>     <p>Aqui chegados, pode concluir-se que a jurisprud&ecirc;ncia tem, at&eacute; agora, rejeitado apreciar os casos de dupla nacionalidade (quando nenhuma delas &eacute; a do host State) &agrave; luz do crit&eacute;rio da nacionalidade dominante, considerando suficiente que o investidor tenha a nacionalidade do Estado parte no BIT, ainda que possa ter outras nacionalidades e mesmo que alguma dessas outras nacionalidades seja a dominante. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A quest&atilde;o muda, no entanto, de figura, no caso de uma das nacionalidades do investidor (para al&eacute;m da nacionalidade do &ldquo;home State&rdquo; ) ser, tamb&eacute;m, a nacionalidade do &ldquo;host State&rdquo; , ou seja do Estado em cujo territ&oacute;rio o investimento foi realizado e contra quem o investidor pretende iniciar uma arbitragem. Com efeito, sendo nacional do Estado contra o qual quer iniciar uma arbitragem, coloca-se a quest&atilde;o de saber se esse investidor pode ser considerado um investidor estrangeiro. </p>     <p><b>III – A (ir)relev&acirc;ncia da nacionalidade do host State, em caso de dupla nacionalidade </b> </p>     <p style="padding-left: 1.8em">a) Nas arbitragens do ICSID </p>     <p>Tendo em conta os objectivos da Conven&ccedil;&atilde;o de Washington, que criou o ICSID, no sentido de ajudar a promover e proteger os investimentos internacionais realizados por investidores, com a nacionalidade de um Estado parte na referida Conven&ccedil;&atilde;o, no territ&oacute;rio de outro Estado parte na mesma Conven&ccedil;&atilde;o, &eacute; sem surpresa que se verifica que o referido ICSID n&atilde;o est&aacute; dispon&iacute;vel para arbitragens iniciadas por investidores que tenham (tamb&eacute;m) a nacionalidade do host State, j&aacute; que, nesses casos, estariam a demandar perante um tribunal arbitral o seu pr&oacute;prio Estado, do qual s&atilde;o tamb&eacute;m nacionais. </p>     <p>Esta exclus&atilde;o foi muito debatida durante as negocia&ccedil;&otilde;es e a prepara&ccedil;&atilde;o da Conven&ccedil;&atilde;o de Washington, n&atilde;o constando tal exclus&atilde;o na vers&atilde;o inicial da mesma, mas acabando por ficar consagrada no art. 25.&ordm;, onde se pode ler que, &ldquo;nacional de outro Estado Contratante significa: a) qualquer pessoa singular que tenha a nacionalidade de um Estado Contratante, outro que n&atilde;o o Estado parte no diferendo, &agrave; data em que as partes hajam consentido em submeter tal diferendo a concilia&ccedil;&atilde;o ou arbitragem (&hellip;) &agrave; exclus&atilde;o de qualquer pessoa que, em qualquer das datas referidas tivesse igualmente a nacionalidade do Estado Contratante parte no diferendo&rdquo; <sup><a href="#_ftn6" name="_ftnref6" title="">6</a></sup> . </p>     <p>Ainda assim, alguns investidores procuraram, sem sucesso, iniciar arbitragens no contexto do ICSID, mesmo tendo a nacionalidade do host State, invocando que n&atilde;o era essa a sua nacionalidade dominante e efectiva. Assim, no caso Champion Trading v. Egipto, o tribunal entendeu n&atilde;o ter jurisdi&ccedil;&atilde;o sobre investidores com dupla nacionalidade, em que uma delas era a do host State, considerando n&atilde;o ser aplic&aacute;vel &agrave;s arbitragens no contexto da Conven&ccedil;&atilde;o de Washington o princ&iacute;pio da nacionalidade efectiva, tal como o mesmo foi previsto no Tribunal Internacional de Justi&ccedil;a, designadamente no cado Nottebohm. </p>     <p>Com efeito, o tribunal n&atilde;o aceitou a alega&ccedil;&atilde;o dos investidores, que defendiam que, &ldquo;under international public law, even if a person might technically be considered to be a dual national, an international tribunal, dealing with the question of the nationality of a party in an investment dispute under the Convention, must look to the real and effective nationality and that this real and effective nationality of all individual Claimants was that of the United States and of the United States only&rdquo; <sup><a href="#_ftn7" name="_ftnref7" title="">7</a></sup> . Segundo o tribunal, &ldquo;According to the ordinary meaning of the terms of the Convention (Article 25 (2)(a)) dual nationals are excluded from invoking the protection under the Convention against the host country of the investment of which they are also a national&rdquo; <sup><a href="#_ftn8" name="_ftnref8" title="">8</a></sup> . </p>     <p>Do mesmo modo, tamb&eacute;m Christoph Schreuer reconhece que, &ldquo;the Convention states categorically that the individual investor, to be eligible for party status, must not be a national of the host State. Thus, even persons who possess the nationality of another Contracting State are excluded if they possess the host State&rsquo;s nationality concurrently<sup><a href="#_ftn9" name="_ftnref9" title="">9</a></sup> . </p>     <p>Neste caso, o que pode acontecer &eacute; que o investidor renuncie &agrave; nacionalidade do host state antes de aceitar a oferta de arbitragem contida num BIT e de iniciar a arbitragem, j&aacute; que &eacute; nessas datas (e n&atilde;o na data da realiza&ccedil;&atilde;o do investimento) que &eacute; relevante verificar qual a nacionalidade do investidor, segundo o art. 25.&ordm; da Conven&ccedil;&atilde;o de Washington. Foi isso mesmo que sucedeu, por exemplo, no caso Victor Pey Casado v. Chile, em que o investidor renunciou &agrave; nacionalidade chilena, o que lhe permitiu iniciar uma arbitragem contra o Chile, numa altura em que j&aacute; n&atilde;o era cidad&atilde;o chileno<sup><a href="#_ftn10" name="_ftnref10" title="">10</a></sup> . </p>     <p>N&atilde;o se colocando, assim, o problema da dupla nacionalidade no caso de arbitragens do ICSID, coloca-se o mesmo no caso de arbitragens ad hoc, face &agrave;s quais n&atilde;o seja aplic&aacute;vel a Conven&ccedil;&atilde;o de Washington<sup><a href="#_ftn11" name="_ftnref11" title="">11</a></sup> . </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p style="padding-left: 1.8em">b) Nas arbitragens ad hoc </p>     <p>Em muitos BIT, os Estados d&atilde;o ao investidor a op&ccedil;&atilde;o de recorrer a uma arbitragem do ICSID ou a a uma arbitragem ad hoc, sempre que estes pretendam iniciar uma arbitragem por alegada viola&ccedil;&atilde;o, por parte do host State, dos direitos consagrados no BIT. </p>     <p>Ora, nas arbitragens ad hoc, em que a Conven&ccedil;&atilde;o de Washington n&atilde;o &eacute; aplic&aacute;vel, valem apenas as regras previstas no BIT celebrado entre os Estados ou, para alguns autores, tamb&eacute;m os princ&iacute;pios gerais do direito internacional p&uacute;blico<sup><a href="#_ftn12" name="_ftnref12" title="">12</a></sup> , o que tem levado a uma aumento da incerteza quanto &agrave; admissibilidade de os investidores que tenham (tamb&eacute;m) a nacionalidade do host State poderem demandar arbitralmente esse Estado, nos casos em que os BIT n&atilde;o contenham uma proibi&ccedil;&atilde;o expressa quanto a essa possibilidade. </p>     <p>Na doutrina, Zachary Douglas defende, quanto &agrave; poss&iacute;vel relev&acirc;ncia do crit&eacute;rio da &ldquo;nacionalidade dominante&rdquo; , no caso de arbitragens ad hoc, que um investidor que tenha a nacionalidade do home State, mas tamb&eacute;m a do host State, apenas poder&aacute; iniciar uma arbitragem contra o host State (no caso de o BIT n&atilde;o ter regras espec&iacute;ficas sobre essa situa&ccedil;&atilde;o) no caso de ter uma liga&ccedil;&atilde;o maior com o home state do que com o host state, a ponto de se considerar aquela a sua nacionalidade dominante. </p>     <p>Assim, para este autor, &ldquo;so long as the nationality of the adopted country [Estado que tem o BIT com o home State] is the dominant of the two in the sense that the individual maintains stronger personal links to that country rather than to the country of birth [que seria o Estado onde havia realizado o investimento e que queria demandar arbitralmente], then there is no overriding consideration of principle that should prevent such an individual from investing in the country of birth with reliance upon a relevant investment treaty&rdquo; <sup><a href="#_ftn13" name="_ftnref13" title="">13</a></sup> . </p>     <p>A posi&ccedil;&atilde;o deste autor n&atilde;o tinha sido, por&eacute;m, seguida pela jurisprud&ecirc;ncia, at&eacute; ao recente caso Heemsen v. Venezuela, que ser&aacute; analisado adiante. Com efeito, o primeiro caso em que um tribunal arbitral permitiu a um investidor com dupla nacionalidade – sendo uma delas a do host State – iniciar uma arbitragem baseada num BIT contra o host State, foi o caso Garcia Armas v. Venezuela<sup><a href="#_ftn14" name="_ftnref14" title="">14</a></sup> . </p>     <p>Nesse caso, o tribunal entendeu que os BIT s&atilde;o um &ldquo;instrumento especial, vigente &uacute;nicamente entre las partes que lo celebran, que no est&aacute; sujeto a la aplicaci&oacute;n del derecho internacional consuetudinario. Cada TBI [BIT] es un instrumento individual, redactado seg&uacute;n el inter&eacute;s de sus signatarios, como Estados soberanos, en el momento de su celebraci&oacute;n&rdquo; <sup><a href="#_ftn15" name="_ftnref15" title="">15</a></sup> . Assim, concluiu o tribunal no sentido de que, &ldquo;los TBIs constituyen lex specialis entre las partes que los celebran y as&iacute; deben considerarse cuando se interpretan sus respectivos t&eacute;rminos y condiciones para determinar los efectos de estos instrumentos sobre sus suscriptores&rdquo; <sup><a href="#_ftn16" name="_ftnref16" title="">16</a></sup> . </p>     <p>O tribunal entendeu igualmente que n&atilde;o era de aplicar, in casu, a teoria da nacionalidade dominante ou efectiva, tendo afastado &ldquo;el argumento de la Demandada sobre la aplicaci&oacute;n del princ&iacute;pio de nacionalidad efectiva y dominante en la interpretaci&oacute;n y aplicaci&oacute;n de los TBIs en general y, particularmente, del APPRI [BIT].&rdquo; <sup><a href="#_ftn17" name="_ftnref17" title="">17</a></sup> , tendo acrescentado que o facto de, quer a Venezuela, quer a Espanha terem tratado especificamente a quest&atilde;o dos investidores com dupla nacionalidade noutros BIT, o que n&atilde;o sucedia no BIT celebrado entre ambos os Estados, significava que n&atilde;o tinham querido afastar a jurisdi&ccedil;&atilde;o do tribunal sobre investidores com dupla nacionalidade, mesmo se uma delas era a do host State<sup><a href="#_ftn18" name="_ftnref18" title="">18</a></sup> . </p>     <p>O tribunal considerou, finalmente, ser &ldquo;irrelevante la caracterizaci&oacute;n que efect&uacute;a Venezuela de la nacionalidad espa&ntilde;ola de los Demandantes como &ldquo;meramente formal&rdquo; . A los fines del APPRI, es suficiente con que posean la nacionalidad espa&ntilde;ola. Su texto no impone ninguna limitaci&oacute;n a los dobles nacionales y no resulta posible privar de efectos a la nacionalidad otorgada libremente por un Estado y aceptada como v&aacute;lida por el otro.<sup><a href="#_ftn19" name="_ftnref19" title="">19</a></sup>&rdquo;  </p>     <p>Quanto &agrave; data relevante para o apuramento da nacionalidade dos investidores, o tribunal afastou o argumento do Host State, no sentido de que &ldquo;ni el se&ntilde;or Garc&iacute;a Armas ni la se&ntilde;ora Garc&iacute;a Gruber ten&iacute;an la nacionalidad espa&ntilde;ola en las fechas en las que perfeccionaron sus inversiones en las Compa&ntilde;&iacute;as, y, por lo tanto, esas inversiones no estar&iacute;an protegidas por el Tratado&rdquo; <sup><a href="#_ftn20" name="_ftnref20" title="">20</a></sup> . </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Com efeito, o tribunal defendeu (com um voto de vencido) que &ldquo;la mayor&iacute;a del Tribunal no considera relevante, para los efectos de la presente Decisi&oacute;n sobre Jurisdicci&oacute;n, inquirir cu&aacute;l era la nacionalidad de los Demandantes en las fechas en las que efectuaron sus inversiones en Venezuela, por cuanto esas fechas no constituyen un factor determinante para decidir sobre la aplicaci&oacute;n del APPRI. Efectivamente, los momentos relevantes para poder invocar la protecci&oacute;n del APPRI son: (a) la fecha en la que ocurri&oacute; la alegada violaci&oacute;n (en este caso, las Medidas); y (b) la fecha en la cual se inicia el procedimiento arbitral, tendiente a solucionar la controversia entre el inversor y el Estado receptor de la inversi&oacute;n resultado de la alegada violaci&oacute;n&rdquo; <sup><a href="#_ftn21" name="_ftnref21" title="">21</a></sup> . Mais adiante, acrescentou ainda, em resumo, que &ldquo;la nacionalidad del inversor debe verificarse al tiempo en el que otorga su consentimiento o al inicio del arbitraje, y no al momento de realizaci&oacute;n de la inversi&oacute;n cuya protecci&oacute;n se pretende.&rdquo; <sup><a href="#_ftn22" name="_ftnref22" title="">22</a></sup> </p>     <p>Esta decis&atilde;o veio a ser anulada pelos tribunais franceses (sede da arbitragem, por n&atilde;o se tratar de arbitragem do ICSID <sup><a href="#_ftn23" name="_ftnref23" title="">23</a></sup>) precisamente por causa da data do apuramento da nacionalidade do investidor. Com efeito, a Cour d&rsquo;Appel de Paris entendeu que para beneficiarem do BIT celebrado entre Espanha e a Venezuela os investidores tinham de ter a nacionalidade espanhola na data em que realizaram os investimentos na Venezuela, o que n&atilde;o tinha ficado provado<sup><a href="#_ftn24" name="_ftnref24" title="">24</a></sup> . </p>     <p>A quest&atilde;o da dupla nacionalidade, envolvendo a nacionalidade do host State voltou a ser discutida no caso Cem Cenzig Uzan v. Turquia, em que o investidor tinha apenas a nacionalidade turca quando decidiu investir na Turquia, tendo adquirido, apenas posteriormente, o estatuto de resid&ecirc;ncia permanente em Fran&ccedil;a e iniciando, algum tempo depois, uma arbitragem contra a Turquia, ao abrigo desse estatuto de residente permanente num estado-membro do European Charter Treaty (que &eacute; um Multilateral Investment Treaty que, ao contr&aacute;rio que vulgarmente ocorre nos BIT, estende a possibilidade de recurso &agrave; arbitragem a investidores que tenham resid&ecirc;ncia permanente num dos Estados-Membros, como &eacute; o caso de Fran&ccedil;a). </p>     <p>O tribunal come&ccedil;ou por considerar – citando com concord&acirc;ncia a posi&ccedil;&atilde;o do tribunal do caso Garcia Armas v. Venezuela – que &ldquo;it is not necessary to turn to customary international law in determining the meaning of &ldquo;Investor&rdquo;  in Article 1(7)(a)(i) and whether an Investor can sue a Contracting Party of which they are a national. The Tribunal considers the ECT to be a lex specialis. The Tribunal takes note of the decision of Serafin Garcia Armas and Karina Garcia v. Venezuela&rdquo; <sup><a href="#_ftn25" name="_ftnref25" title="">25</a></sup> . </p>     <p>Segundo o tribunal, &ldquo;it is not necessary in the present instance to investigate the content of customary international law on this issue. Even though Article 26(6) of the ECT states that the issues in dispute shall be decided &laquo;in accordance with this Treaty and applicable rules and principles of international law&raquo; this cannot be taken to mean that rules of customary international law are capable of overriding the clear text of the ECT, assuming it to exist&rdquo; <sup><a href="#_ftn26" name="_ftnref26" title="">26</a></sup> . </p>     <p>Por outro lado, o tribunal arbitral considerou que a mudan&ccedil;a superveniente de resid&ecirc;ncia, s&oacute; por si, n&atilde;o tornava internacional um investimento que, quando foi realizado, era estritamente nacional, salvo se estivessem em causa investimentos tamb&eacute;m supervenientes, ou seja, realizados quando o investidor j&aacute; tinha resid&ecirc;ncia permanente em Fran&ccedil;a, o que n&atilde;o era o caso. Em consequ&ecirc;ncia, o tribunal considerou n&atilde;o ter compet&ecirc;ncia ratione personae para decidir o lit&iacute;gio, por entender que o investidor (na data em que realizou o investimento) n&atilde;o se encontrava protegido pela cl&aacute;usula arbitral contida no ECT, por n&atilde;o ser nacional, nem residente permanente, em qualquer um dos Estados parte no ECT<sup><a href="#_ftn27" name="_ftnref27" title="">27</a></sup> . </p>     <p>Mais complexa foi a analise que o tribunal arbitral que decidiu o caso Rawat v. Rep&uacute;blica das Maur&iacute;cias teve de efectuar at&eacute; concluir n&atilde;o ter jurisdi&ccedil;&atilde;o ratione personae, por o Senhor Rawat ser tamb&eacute;m nacional da Rep&uacute;blica das Maur&iacute;cias, contra a qual tinha iniciado uma arbitragem ad hoc. </p>     <p>O tribunal come&ccedil;ou a sua an&aacute;lise no sentido de apurar se o BIT entre a Fran&ccedil;a e as Maur&iacute;cias se aplicaria aos investimentos do Senhor Rawat, tendo em conta a dupla nacionalidade deste. No que respeita &agrave; nacionalidade, o tribunal bastou-se com a conclus&atilde;o de que &ldquo;Rawat is a French national, and was a french national long before this dispute arose and he commenced arbitration<sup><a href="#_ftn28" name="_ftnref28" title="">28</a></sup> . O tribunal deixou, assim, por decidir a quest&atilde;o de saber qual a data em que um investidor tem de provar ser nacional do Home State<sup><a href="#_ftn29" name="_ftnref29" title="">29</a></sup> . Este ponto tem revelado, como se viu, alguma dose de incerteza, j&aacute; que, enquanto o art. 25.&ordm; da Conven&ccedil;&atilde;o de Washington esclarece quais as datas relevantes em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s quais o investidor deve provar a sua nacionalidade, nas arbitragens ad hoc n&atilde;o existe uma identifica&ccedil;&atilde;o dessas datas, tudo dependendo do acordo das partes firmado no BIT que, normalmente, tamb&eacute;m n&atilde;o fornece essa informa&ccedil;&atilde;o de modo claro e inequ&iacute;voco. </p>     <p>O tribunal arbitral, depois de assumir que o Senhor Rawat tinha dupla nacionalidade (sem inquirir desde quando &eacute; que essa situa&ccedil;&atilde;o existia), deparou-se com a quest&atilde;o de saber se o BIT protegia, ou n&atilde;o, os casos em que o investidor tem a nacionalidade do home State, mas tamb&eacute;m do host State. O tribunal come&ccedil;ou logo por afastar a aplicabilidade do conceito de &ldquo;dominant and effective nationality&rdquo; , pr&oacute;prio do Direito Internacional P&uacute;blico, &agrave;s arbitragens de investimentos, tendo em conta a aus&ecirc;ncia desse conceito no BIT aplic&aacute;vel. </p>     <p>Assim, o tribunal, depois de concluir que o senhor Rawat tinha (tamb&eacute;m) a nacionalidade francesa, come&ccedil;ou por concordar com o investidor, no sentido de que o BIT n&atilde;o exclu&iacute;a explicitamente os cidad&atilde;os com dupla nacionalidade de invocarem a protec&ccedil;&atilde;o do referido BIT, n&atilde;o competindo ao tribunal acrescentar ou incluir restri&ccedil;&otilde;es &agrave;s cl&aacute;usulas previstas no BIT, que n&atilde;o tivessem sido inclu&iacute;das pelas partes contratantes. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ainda assim, o tribunal entendeu que a interpreta&ccedil;&atilde;o de um tratado internacional, como &eacute; o BIT, teria de ser efectuada de acordo com as regras previstas no art. 31(1) da Conven&ccedil;&atilde;o de Viena, que exige que a interpreta&ccedil;&atilde;o das normas seja feita integrando essas mesmas normas no seu &ldquo;contexto&rdquo; . O tribunal chamou, assim, &agrave; cola&ccedil;&atilde;o o art. 9.&ordm; do BIT que, segundo o tribunal, &ldquo;directs all French and Mauritian &ldquo;ressortissants&rdquo;  who enter into investment contracts with the other state to arbitrate disputes with the host state under the ICSID Convention&rdquo; <sup><a href="#_ftn30" name="_ftnref30" title="">30</a></sup> . </p>     <p>Ora, como j&aacute; se viu, nos termos do art. 25.&ordm; n.&ordm; 2 da Conven&ccedil;&atilde;o de Washington, &eacute; considerado como sendo um &ldquo;national of another Contracting State&rdquo;  qualquer pessoa, singular ou colectiva, sendo que esse conceito &ldquo;does not include any person who (&hellip;) also had the nationality of the Contracting State party to the dispute&rdquo; . </p>     <p>Segundo o tribunal, de acordo com o BIT, uma vez que os investidores franceses que invistam nas Maur&iacute;cias devem celebrar contratos de investimentos que contenham cl&aacute;usulas de arbitragem do ICSID e o ICSID n&atilde;o permite arbitragens envolvendo investidores com dupla nacionalidade, isso significaria que o conceito de investidor previsto no BIT – lido no seu contexto – n&atilde;o abrangeria os investidores com dupla nacionalidade, sempre que fosse a do host State. </p>     <p>&Eacute; que, para o tribunal, caso contr&aacute;rio, haveria uma contradi&ccedil;&atilde;o no BIT, pois este estava a impor a determinados investidores (tamb&eacute;m &agrave;queles com dupla nacionalidade) que inclu&iacute;ssem nos contratos de investimento uma cl&aacute;usula do ICSID que, depois, em caso de lit&iacute;gio, estes n&atilde;o poderiam utilizar, precisamente por causa dessa dupla nacionalidade. Em suma, o tribunal entendeu que, &ldquo;by incorporating a mandatory reference to the ICSID Convention in the notion of &ldquo;ressortissant&rdquo;  through Article 9 of the BIT, France and Mauritius have implicitly, but necessarily, excluded French-Mauritian dual nationals from the scope of application of the BIT<sup><a href="#_ftn31" name="_ftnref31" title="">31</a></sup> &ldquo;. </p>     <p>Em aditamento desta conclus&atilde;o, o tribunal considerou que, se no contexto do art. 9.&ordm; do BIT, o termo ressortissant devia ser interpretado como excluindo os investidores com dupla nacionalidade, j&aacute; que estes n&atilde;o poderiam incluir nos contratos uma cl&aacute;usula arbitral remetendo para o ICSID, ent&atilde;o essa interpreta&ccedil;&atilde;o do conceito de ressortissant teria de valer para todas as cl&aacute;usulas do BIT, em que essa palavra fosse usada, o que, em consequ&ecirc;ncia, levaria &agrave; exclus&atilde;o dos investidores com dupla nacionalidade da protec&ccedil;&atilde;o de todo o BIT. </p>     <p>Esta decis&atilde;o do Tribunal tem de ser entendida atendendo &agrave; especificidade daquele BIT, que n&atilde;o continha uma cl&aacute;usula de dispute settlement, atrav&eacute;s da qual os Estados dessem o seu consentimento para que os investidores pudessem iniciar um arbitragem contra o host State. Bem ao inv&eacute;s, o que se previa era que os investidores e os Estados inclu&iacute;ssem uma cl&aacute;usula de recurso &agrave; arbitragem do ICSID nos contratos que viessem a celebrar. </p>     <p>Acontece que o que o investidor (com dupla nacionalidade) fez foi iniciar uma arbitragem ad hoc contra o host State (do qual era tamb&eacute;m nacional) ao abrigo da cl&aacute;usula de Dispute Settlement prevista noutro BIT que o investidor pretendeu &ldquo;importar&rdquo;  atrav&eacute;s do recurso &agrave; Most Favoured Nation Clause existente no BIT entre Fran&ccedil;a e as Maur&iacute;cias<sup><a href="#_ftn32" name="_ftnref32" title="">32</a></sup> . </p>     <p>A posi&ccedil;&atilde;o do tribunal &eacute; pass&iacute;vel de algumas reservas, podendo ser considerada excessiva. Com efeito, n&atilde;o parece que a mera obriga&ccedil;&atilde;o de os investidores celebrarem contratos com o host State e a&iacute; inclu&iacute;rem uma cl&aacute;usula arbitral do ICSID possa, por si s&oacute;, ser um elemento decisivo para interpretar o conceito de investidor previsto no BIT. </p>     <p>Com efeito, &eacute; dificilmente aceit&aacute;vel que uma cl&aacute;usula do BIT (que determina a celebra&ccedil;&atilde;o de contratos entre o Estado e o investidor, com inclus&atilde;o de uma cl&aacute;usula arbitral do ICSID), que foi naturalmente desenhada para dar uma protec&ccedil;&atilde;o extra ao investidor, obrigando o Estado a aceitar o recurso &agrave; arbitragem, possa ser usada contra o pr&oacute;prio investidor, sobretudo na eventualidade de o investidor poder recorrer &agrave; arbitragem fora do contexto do ICSID, como era a inten&ccedil;&atilde;o do Claimant. </p>     <p>Na verdade, s&oacute; se o tribunal tivesse decidido (mas n&atilde;o decidiu) que o investidor n&atilde;o poderia recorrer a investor-state arbitration fora do universo do ICSID, porque a MFN clause n&atilde;o estava dispon&iacute;vel para importar uma cl&aacute;usula de dispute settlement existente no BIT entre as Mauricias e a Finlandia &eacute; que poderia ter decidido que, sendo o recurso &agrave; arbitragem (contratual) do ICSID o &uacute;nico modo de resolu&ccedil;&atilde;o de lit&iacute;gios previsto no BIT e n&atilde;o sendo permitida a arbitragem do ICSID a cidad&atilde;os com dupla nacionalidade, ent&atilde;o o conceito de investidor n&atilde;o poderia incluir os duplos nacionais, por uma quest&atilde;o de coer&ecirc;ncia e de efeito &uacute;til. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Mas a verdade &eacute; que se se aceitasse a MFN clause – algo que o tribunal n&atilde;o chegou a decidir – como pretendia o investidor, sempre se poderia dizer que o conceito de investidor poderia permitir o recurso a investor-state arbitration tamb&eacute;m para duplos nacionais, que estariam apenas limitados a n&atilde;o iniciar arbitragens (contratuais) do ICSID, podendo (devendo) optar por arbitragens ad hoc, como, de resto, o investidor fez. </p>     <p>A quest&atilde;o do recurso a arbitragens de investimentos por parte de investidores com dupla nacionalidade, em que uma delas era a do host State, voltou a colocar-se no caso Balantines v. Rep&uacute;blica Dominicana, onde o tribunal arbitral considerou n&atilde;o ter jurisdi&ccedil;&atilde;o para decidir o lit&iacute;gio, tendo em conta a dupla nacionalidade do senhor Balantines, com base no facto de a nacionalidade dominante e efectiva do investidor ser a mesma do host State<sup><a href="#_ftn33" name="_ftnref33" title="">33</a></sup> . </p>     <p>Acontece que, nesse caso, a utiliza&ccedil;&atilde;o do conceito da nacionalidade dominante e efectiva, que tem sido rejeitada pelos tribunais arbitrais, era uma exig&ecirc;ncia do pr&oacute;prio tratado de protec&ccedil;&atilde;o de investimentos (in casu o CAFTA-DR, que &eacute; um tratado multilateral de livre com&eacute;rcio e protec&ccedil;&atilde;o de investimentos entre alguns Estados da Am&eacute;rica) que previa que, em casos de investidores com dupla nacionalidade, se deveria tomar em considera&ccedil;&atilde;o apenas e s&oacute; a nacionalidade dominante e efectiva do investidor. </p>     <p>Assim, nos termos do art. 10.28 do DR – CAFTA, podia ler-se que &ldquo;a natural person who is a dual national shall be deemed to be exclusively a national of the State of his or her dominant and effective nationality&rdquo; , o que levou o tribunal a analisar qual a nacionalidade dominante e efectiva dos investidores, nos momentos considerados relevantes (ou seja, na data da alegada viola&ccedil;&atilde;o do investimento e na data do in&iacute;cio da arbitragem) e a concluir que, ap&oacute;s a realiza&ccedil;&atilde;o do investimento na Rep&uacute;blica Dominicana, a nacionalidade do host State tinha passado a ser a nacionalidade dominante e efectiva dos investidores, o que era contestado por estes<sup><a href="#_ftn34" name="_ftnref34" title="">34</a></sup> . </p>     <p>Com efeito, segundo o tribunal, &ldquo;while this Tribunal cannot deny the fact that during the relevant period, the Claimants maintained connections to the United States and this also seems natural from the fact that they were born and lived in that country for the majority of their lives, in this Tribunal&rsquo;s opinion, during the relevant period the Dominican nationality was effective and took precedence over the American nationality&rdquo;  <sup><a href="#_ftn35" name="_ftnref35" title="">35</a></sup>. </p>     <p>Finalmente, foi no recente caso Heemsen v. Venezuela que, pela primeira vez, um tribunal arbitral invocou – sem que tal fosse uma obriga&ccedil;&atilde;o prevista no BIT – o conceito de nacionalidade dominante e efectiva para apurar qual a nacionalidade relevante, num caso em que o investidor possu&iacute;a dupla nacionalidade, sendo uma delas a do host State contra o qual tinha iniciado uma arbitragem, invocando a sua outra nacionalidade. </p>     <p>Neste caso o Tribunal recusou ter jurisdi&ccedil;&atilde;o ratione personae, por considerar que a nacionalidade dominante e efectiva dos investidores era a nacionalidade do host State, apesar de os mesmos terem tamb&eacute;m a nacionalidade alem&atilde;, que havia sido invocada para acederem &agrave; protec&ccedil;&atilde;o do BIT celebrado entre a Alemanha e a Venezuala, o que o Tribunal desconsiderou, por entender n&atilde;o ser essa a nacionalidade dominante e efectiva dos investidores<sup><a href="#_ftn36" name="_ftnref36" title="">36</a></sup> . </p>     <p>Segundo o Tribunal, &ldquo;aplicando por analogia el derecho internacional contempor&aacute;neo de la protecci&oacute;n diplom&aacute;tica al arbitraje de inversiones, se tendr&iacute;a que considerar que solo podr&aacute; reclamar el doble nacional que sea m&aacute;s extranjero que nacional, esto es, el inversor cuya nacionalidad dominante y efectiva no es la del Estado en contra del cual reclama&rdquo; <sup><a href="#_ftn37" name="_ftnref37" title="">37</a></sup>. Esta posi&ccedil;&atilde;o do tribunal &eacute; tanto mais significativa quanto foi tomada, usando as palavras do tribunal, &ldquo;ex abundante cautela&rdquo; , uma vez que o tribunal j&aacute; tinha anteriormente decidido n&atilde;o ter jurisdi&ccedil;&atilde;o ratione voluntatis para decidir o lit&iacute;gio, raz&atilde;o pela qual poderia ter evitado tomar posi&ccedil;&atilde;o sobre esta vexata quaestio relativa &agrave; quest&atilde;o da dupla nacionalidade dos investidores<sup><a href="#_ftn38" name="_ftnref38" title="">38</a></sup> . </p>     <p>Para enquadrar a sua decis&atilde;o, o tribunal come&ccedil;ou por indicar que &ldquo;el hecho de que las Partes Contratantes hayan elegido el CIADI como principal foro de resoluci&oacute;n de las controversias que surgieran del Tratado permite concluir que no ha sido la intenci&oacute;n de las Partes Contratantes otorgar protecci&oacute;n a los dobles nacionales.<sup><a href="#_ftn39" name="_ftnref39" title="">39</a></sup>&rdquo;  </p>     <p>Passando para a an&aacute;lise do BIT, e uma vez que a Conven&ccedil;&atilde;o de Washington n&atilde;o era aplic&aacute;vel ao caso em apre&ccedil;o, tendo o investidor recorrido &agrave; arbitragem ad hoc, o tribunal reconheceu que &ldquo;si bien es cierto que la definici&oacute;n de "nacional" del art&iacute;culo 1(3)(a) del Tratado [BIT] no excluye expresamente la protecci&oacute;n a los dobles nacionales de los dos Estados parte del Tratado, tampoco los incluye expresamente&rdquo; ,<sup><a href="#_ftn40" name="_ftnref40" title="">40</a></sup> . Para o tribunal, a quest&atilde;o de saber se o BIT protege ou n&atilde;o os investidores com dupla nacionalidade, sendo uma delas a do host state devia ser considerada uma quest&atilde;o pr&eacute;via face &agrave; quest&atilde;o de saber qual o modo de resolu&ccedil;&atilde;o de lit&iacute;gios a que o investidor vai recorrer (arbitragem do ICSID ou arbitragem ad hoc). Com efeito, para o tribunal, a palavra &ldquo;nacional&rdquo; , prevista no BIT n&atilde;o podia ter um significado, no caso de o investidor recorrer ao ICSID e outro significado, no caso de o investidor recorrer a arbitragem ad hoc. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Assim, para o tribunal &ldquo;la cuesti&oacute;n de si el Tratado protege o no a los dobles nacionales, decisi&oacute;n que pertenece exclusivamente a los Estados soberanos que negociaron y firmaron el Tratado, no puede depender del resultado de la negociaci&oacute;n entre el inversor de turno y el Estado demandado a&ntilde;os despu&eacute;s. En efecto, son solo Venezuela y Alemania los que pueden determinar las condiciones de aplicaci&oacute;n del Tratado y as&iacute; lo han hecho al elegir los t&eacute;rminos adoptados. Sostener lo contrario, implicar&iacute;a asumir que el Tratado contiene una definici&oacute;n distinta del t&eacute;rmino "nacional" dependiendo del eventual foro al cual se somete la disputa por acuerdo de partes a la disputa y por parte de los Estados Contratantes&rdquo; <sup><a href="#_ftn41" name="_ftnref41" title="">41</a></sup> . </p>     <p>Por outro lado, o tribunal entendeu que &ldquo;el Tratado [o BIT], en tanto que tratado internacional, debe ser interpretado a la luz de los principios generales del derecho internacional&rdquo; <sup><a href="#_ftn42" name="_ftnref42" title="">42</a></sup> . E, neste seguimento, concluiu, de modo inovador face &agrave; jurisprud&ecirc;ncia existente relativa &agrave; arbitragem de investimentos, que, &ldquo;en materia de inversiones internacionales, en caso de silencio del Tratado [BIT], la aplicaci&oacute;n de los principios generales del derecho internacional conduce a la aplicaci&oacute;n del principio de la nacionalidad dominante y efectiva&rdquo; <sup><a href="#_ftn43" name="_ftnref43" title="">43</a></sup> . </p>     <p>Ora, tendo o tribunal conclu&iacute;do que a nacionalidade dominante e efectiva dos investidores era a do host State e n&atilde;o a nacionalidade alem&atilde;, considerou n&atilde;o ter jurisdi&ccedil;&atilde;o ratione personae para decidir o lit&iacute;gio. </p>     <p><b>III – Conclus&atilde;o </b> </p>     <p>A an&aacute;lise da evolu&ccedil;&atilde;o jurisprudencial e da diferen&ccedil;a de regimes entre as arbitragens do ICSID e as arbitragens ad hoc no que respeita &agrave; aprecia&ccedil;&atilde;o da quest&atilde;o relativa &agrave; dupla nacionalidade, permite retirar algumas conclus&otilde;es relevantes. </p>     <p>Em primeiro lugar, acentua a import&acirc;ncia de um prudente e preventivo treaty planning. Com efeito, a an&aacute;lise relativa &agrave; exist&ecirc;ncia e ao conte&uacute;do de um BIT que possa ser aplic&aacute;vel ao investimento que est&aacute; em vias de ser realizado deve fazer parte de uma due diligence que um putativo investidor fa&ccedil;a antes de tomar a decis&atilde;o de investir num determinado Estado. Na verdade, bastaria que os investidores com dupla nacionalidade – sendo uma delas a do host State – tivessem criado uma empresa da qual fossem accionistas, em vez de investirem diretamente, na qualidade de cidad&atilde;os, para poder, mais tarde, ser essa empresa a assumir o papel de Claimant numa eventual arbitragem contra o host State, no caso de este Estado violar o BIT celebrado com o estado da nacionalidade dessa mesma empresa. Isso mesmo ficou, de resto, demonstrado no caso Tokios Tokeles v. Ucr&acirc;nia e naqueles que o seguiram<sup><a href="#_ftn44" name="_ftnref44" title="">44</a></sup> . </p>     <p>Em segundo lugar, acentua a import&acirc;ncia de se lerem cuidadosamente todas as cl&aacute;usulas do BIT potencialmente aplic&aacute;vel, j&aacute; que as decis&otilde;es dos tribunais s&atilde;o tomadas tendo em conta todas as particularidades dos BIT, interpretando-o no seu contexto e n&atilde;o apenas no seguimento de tend&ecirc;ncias gerais. Com efeito, as generaliza&ccedil;&otilde;es s&atilde;o muito perigosas (tamb&eacute;m) na arbitragem de investimentos, n&atilde;o se podendo afirmar, em geral, e apesar da decis&atilde;o do caso Garc&iacute;a Armas v. Venezuela ou do caso Baghat v. Egipto, que nas arbitragens ad hoc &eacute; sempre poss&iacute;vel que o Claimant tenha tamb&eacute;m a nacionalidade do host State, pois essa proibi&ccedil;&atilde;o apenas se encontra expressamente prevista no art. 25.&ordm; da Conven&ccedil;&atilde;o de Washington. Do mesmo, tamb&eacute;m n&atilde;o se pode afirmar, de modo geral, que nas arbitragens de investimentos os tribunais n&atilde;o aplicam o conceito de &ldquo;nacionalidade dominante e efectiva&rdquo; , como ficou patente no recente caso Heemsen v. Venezuela. </p>     <p>As decis&otilde;es arbitrais encontram-se fundamentadas, na maior parte dos casos, por pequenos detalhes, que podem fazer (e fazem) toda a diferen&ccedil;a, raz&atilde;o pela qual &eacute; fundamental que os investidores procedam a uma an&aacute;lise jur&iacute;dica aprofundada dos BIT potencialmente aplic&aacute;veis antes da realiza&ccedil;&atilde;o dos investimentos, planeando atempadamente os seus investimentos, de modo a evitarem acusa&ccedil;&otilde;es de abuso de direito, no caso de virem a proceder a altera&ccedil;&otilde;es da nacionalidade do investidor, para jurisdi&ccedil;&otilde;es mais favor&aacute;veis ou para empresas detidas pelos investidores individuais, numa altura em que o lit&iacute;gio com o host State j&aacute; se iniciou ou j&aacute; era foreseeable<sup><a href="#_ftn45" name="_ftnref45" title="">45</a></sup> . </p>     <p>Finalmente, a an&aacute;lise da jurisprud&ecirc;ncia, e o facto de, at&eacute; ao momento, n&atilde;o haver uma jurisprudence constante quanto a estes temas relativos &agrave; dupla nacionalidade dos investidores, mostra que a sedimenta&ccedil;&atilde;o dos conceitos neste dom&iacute;nio ainda n&atilde;o se encontra adquirida e estabilizada, o que dificulta a antecipa&ccedil;&atilde;o sobre qual das diversas linhas jurisprudenciais seguidas (nomeadamente na dicotomia entre a abordagem do caso Garcia Armas face &agrave; abordagem do caso Heemsen) se afirmar&aacute; no futuro como trendsetter<sup><a href="#_ftn46" name="_ftnref46" title="">46</a></sup> . </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Tiago Duarte </p>     <p>Doutor em Direito </p>     <p>S&oacute;cio da PLMJ – Advogados, SP, RL </p>     <p>Professor de International Investment Arbitration na Faculdade de Direito da Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa </p>     <p>&nbsp;</p> <!-- NOTAS --> <a href="#_ftnref1" name="_ftn1" title="">1</a> Sobre a defini&ccedil;&atilde;o de nacional e a defini&ccedil;&atilde;o de investidor, vejam-se, por exemplo, os dois casos Tenaris S.A. e Talta Lda v. Venezuela (arb/11/26 e arb/12/23) em que o autor deste texto actuou como <i>Legal Expert</i> sobre a interpreta&ccedil;&atilde;o do conceito de investidor no BIT entre Portugal e a Venezuela, sustentando uma interpreta&ccedil;&atilde;o que veio a ser acolhido por ambos os Tribunais arbitrais. Na doutrina, veja-se, por exemplo, Anthony Sinclair, <i>Nationality of Individual Investors in ICSID Arbitration</i>, International Arbitration Law Review, vol. 7, 2004, p&aacute;g. 191 e segs. E, do mesmo autor, <i>Nationality Requirements for Investors in ICSID Arbitration – The award in Soufraki v. The United Arab Emirates</i>, Transnational Dispute Management, vol. 1, n.o 4, 2004. Walid Ben Hamida, <i>La notion d&rsquo;investisseur: les nouveaux d&eacute;fis de l&rsquo;acc&egrave;s des personnes physiques au CIRDI</i>, Gazette du Palais, n.o 6 Nov/Dez 2007, p&aacute;g. 3871 e segs. Christoph Schreuer, Criteria to determine Investor Nationality (natural persons), Building International Investment Law – The first 50 years of ICSID, 2016, p&aacute;g. 153.     <br>     <br> <a href=" v6n2a04.html#_ftnref2" name="_ftn2" title="">2</a> <i>Soufraki v. Emirados &Aacute;rabes Unidos</i>, decis&atilde;o sobre a jurisdi&ccedil;&atilde;o, de 7 Julho de 2004. Sobre o facto de a an&aacute;lise da nacionalidade de um investidor dever ser realizada &agrave; luz do direito local, veja-se a decis&atilde;o sobre a jurisdi&ccedil;&atilde;o do caso Siag v. Egipto, de 11 de Abril de 2007, par&aacute;grafo 143, quando o tribunal afirma que <i>&ldquo;it is well established that the domestic laws of each Contracting State determine nationality. This has been accepted in ICSID practice&rdquo; </i>.     <br>     <br> <a href="#_ftnref3" name="_ftn3" title="">3</a> Neste caso, decidido pelo Tribunal Internacional de Justi&ccedil;a, estava em causa saber se o Liechtenstein podia exercer protec&ccedil;&atilde;o diplom&aacute;tica em representa&ccedil;&atilde;o do senhor Nottebohm. Com efeito, apesar de o senhor Nottebohm ter adquirido a nacionalidade do Liechtenstein, a sua nacionalidade origin&aacute;ria era alem&atilde;. Ora, segundo a Guatemala, que tinha prendido o senhor Nottebohm e expropriado os seus bens, quem poderia exercer a protec&ccedil;&atilde;o diplom&aacute;tica era apenas o Estado relativamente ao qual a sua nacionalidade fosse dominante, que, alegadamente, seria a nacionalidade alem&atilde;. O tribunal concordou com esta tese e, como tal, entendeu que o Liechtenstein n&atilde;o poderia representar o senhor Nottebohm, por n&atilde;o ter este um <i>genuine link</i> com esse Estado. Sobre esta tem&aacute;tica, Cornel Marian, <i>Who is afraid of Nottebohm? Reconciling the ICSID nationality Requirement for natural Persons with Nottebohm&rsquo;s &ldquo;Effective nationality&rdquo; </i> Test, Journal of International Arbitration, n.o 28, vol. 4, 2011, p&aacute;g. 313 e segs. Segundo este autor, a aplica&ccedil;&atilde;o da &ldquo;doutrina Nottebohm&rdquo;  para a arbitragem de investimentos iria dificultar o acesso dos investidores individuais &agrave; arbitragem, j&aacute; que, para l&aacute; de terem de provar a sua nacionalidade, teriam ainda de provar que a mesma nacionalidade era &ldquo;efectiva&rdquo; . Contra esta vis&atilde;o e defendendo a relev&acirc;ncia da nacionalidade efectiva, veja-se o voto de vencido de Orrego Vicu&ntilde;a, no caso Siag v. Egipto, decis&atilde;o sobre a Jurisdi&ccedil;&atilde;o, de 11 de Abril de 2007.     <br>     ]]></body>
<body><![CDATA[<br> <a href="#_ftnref4" name="_ftn4" title="">4</a> Siag v. Egipto, senten&ccedil;a 1 de junho 2009 parag. 473. A quest&atilde;o tinha j&aacute; sido analisada, com maior detalhe, na decis&atilde;o sobre a jurisdi&ccedil;&atilde;o, 11 de abril 2007 par&aacute;g. 174 e segs. No mesmo sentido, veja-se o caso Micula v. Rom&eacute;nia, Decis&atilde;o sobre a Jurisdi&ccedil;&atilde;o, 24 de setembro 2008 parag. 99 e segs. onde o tribunal considerou que o chamado &ldquo;genuine link test&rdquo; , no sentido de saber com que Estado o investidor tinha um la&ccedil;o mais efetivo, n&atilde;o seria aplic&aacute;vel in casu, tendo em conta que as partes no BIT n&atilde;o tinha acrescentado esse requisito na defini&ccedil;&atilde;o de investidor, considerando apenas o crit&eacute;rio da nacionalidade, de acordo com o direito interno do Estado da nacionalidade, sem refer&ecirc;ncias adicionais ao facto de a nacionalidade ser ou n&atilde;o &ldquo;efectiva&rdquo; . Neste caso, os investidores tinham renunciado &agrave; nacionalidade romena e adquirido a nacionalidade sueca, tendo iniciado uma arbitragem contra a Rom&eacute;nia com base no BIT entre a Su&eacute;cia e a Rom&eacute;nia. Apesar disso, a Rom&eacute;nia alegou que, de um ponto de vista do direito internacional, aqueles investidores deveriam continuar a ser considerados nacionais da Rom&eacute;nia, pois era com esse Estado que mantinham uma rela&ccedil;&atilde;o mais pr&oacute;xima, o que n&atilde;o foi aceite por parte do Tribunal, sobretudo tendo em considera&ccedil;&atilde;o que os investidores j&aacute; n&atilde;o eram cidad&atilde;os da Rom&eacute;nia &agrave; luz da legisla&ccedil;&atilde;o romena.     <br>     <br> <a href="#_ftnref5" name="_ftn5" title="">5</a> Olgu&iacute;n v. Paraguai, senten&ccedil;a de 26 de Julho de 2001, par&aacute;grafos 60-62. Sobre estas quest&otilde;es, Katia Yannaca-Small, <i>Who is entitled to claim? – The definition of nationality in investment arbitration, Arbitration Under International Investment Agreements</i> – a Guide to the Key issues, 2018, p&aacute;g. 223 e segs.     <br>     <br> <a href="#_ftnref6" name="_ftn6" title="">6</a> No <i>Preliminary Draft</i> da Conven&ccedil;&atilde;o, esta proibi&ccedil;&atilde;o de que quem tenha a nacionalidade do <i>host state</i> (para al&eacute;m de ter outra nacionalidade) n&atilde;o pode demandar o host state, n&atilde;o vinha prevista, o que foi objeto de cr&iacute;ticas. Uma das sugest&otilde;es ent&atilde;o apresentadas foi a de permitir que quem tivesse dupla nacionalidade (incluindo a do host state) pudesse demandar este Estado apenas se a outra nacionalidade fosse a &ldquo;nacionalidade efectiva&rdquo; . As v&aacute;rias sugest&otilde;es apresentadas acabaram por ser todas rejeitadas, tendo ficado prevista a proibi&ccedil;&atilde;o de quem tenha dupla nacionalidade (onde se inclua a nacionalidade do host state) de demandar o host state. Para uma an&aacute;lise hist&oacute;ria desta quest&atilde;o, C.F. Amerasinghe, <i>Jurisdiction Ratione personae under the Convention on the Settlement of Investment Disputes between States and nationals of other States,</i> The British Yearbook of International Law, 1974-1975, 1977, p&aacute;g. 250 e segs. e Christoph Schreuer, <i>The ICSID Convention – A commentary</i>, 2009, p&aacute;g. 271.     <br>     <br> <a href="#_ftnref7" name="_ftn7" title="">7</a> Champion Trading v. Egipto, Decis&atilde;o sobre a Jurisdi&ccedil;&atilde;o, 21 de outubro 2003, 3.4.1 e segs     <br>     <br> <a href="#_ftnref8" name="_ftn8" title="">8</a> Champion Trading v. Egipto, Decis&atilde;o sobre a Jurisdi&ccedil;&atilde;o, 21 outubro 2003 3.4.1.     <br>     ]]></body>
<body><![CDATA[<br> <a href="#_ftnref9" name="_ftn9" title="">9</a> Christoph Schreuer, <i>The ICSID Convention – A commentary</i>, 2009, p&aacute;g. 274.     <br>     <br> <a href="#_ftnref10" name="_ftn10" title="">10</a> Victor Pey Casado v. Chile, senten&ccedil;a de 8 de maio de 2008, par&aacute;grafos 314 a 322.     <br>     <br> <a href="#_ftnref11" name="_ftn11" title="">11</a> Javier Garcia Olmedo, <i>Claims by Dual Nationals under Investment Treaties: Are Investors Entitled to Sue Their Own States? Journal of International Dispute Settlement</i>, 2017, vol. 8, p&aacute;g. 695 e segs.     <br>     <br> <a href="#_ftnref12" name="_ftn12" title="">12</a> Javier Garcia Olmedo, Claims by Dual Nationals under Investment Treaties: Are Investors Entitled to Sue Their Own States? Journal of International Dispute Settlement, 2017, vol. 8, p&aacute;g. 695 e segs.     <br>     <br> <a href="#_ftnref13" name="_ftn13" title="">13</a> Zachary Douglas, <i>The International Law of Investment Claims</i>, 2009, p&aacute;g. 321. No mesmo sentido, M. Sornarajah, <i>The International Law on Foreign Investment</i>, 2017, p&aacute;g. 380 considera que <i>&ldquo;problems of dual nationality often arise and are usually settled through the applicationof the traditional principles of international law. The principle of dominant or effective nationalityis the determinative criterion of nationality in these circumstances&rdquo; </i> O autor n&atilde;o avan&ccedil;a, no entanto, com exemplos de tribunais arbitrais que tenham seguido este crit&eacute;rio no contexto de arbitragens de protec&ccedil;&atilde;o de investimentos baseadas em BIT.     <br>     ]]></body>
<body><![CDATA[<br> <a href="#_ftnref14" name="_ftn14" title="">14</a> Garcia Armas v. Venezuela, Decis&atilde;o sobre a Jurisdi&ccedil;&atilde;o, de 15 de dezembro 2014. Seguindo esta jurisprud&ecirc;ncia, veja-se, tamb&eacute;m, posteriormente, o caso Bahgat v. Egipto, Decis&atilde;o sobre a Jurisdi&ccedil;&atilde;o de 30 de Novembro de 2017. Note-se, no entanto, que ambas as decis&otilde;es mereceram votos de vencido por parte de um dos membros de cada um dos tribunais arbitrais. No caso Garcia Armas v. Venezuela, decis&atilde;o sobre a jurisdi&ccedil;&atilde;o, de 15 de Dezembro de 2014, o tribunal referiu (par&aacute;grafo 192 e 193) que <i>&ldquo;resulta obvio que, por voluntad de las Partes, las disposiciones del Reglamento CNUDMI son las &uacute;nicas aplicables a esta controversia. Tambi&eacute;n lo es que en ellas no existe ninguna restricci&oacute;n para que una parte que tenga simult&aacute;neamente la nacionalidad de ambos Estados (del inversor y del receptor), invoque la protecci&oacute;n del APPRI [BIT] contra alguno de esos Estados. El Tribunal considera necesario enfatizar que la exclusi&oacute;n de los dobles nacionales establecida en el art&iacute;culo 25(2) del Convenio CIADI [ICSID] no es aplicable a este procedimiento&rdquo; </i>.     <br>     <br> <a href="#_ftnref15" name="_ftn15" title="">15</a> Garcia Armas v. Venezuela, Decis&atilde;o sobre a Jurisdi&ccedil;&atilde;o, de 15 de dezembro 2014, par&aacute;grafo 154.     <br>     <br> <a href="#_ftnref16" name="_ftn16" title="">16</a> Garcia Armas v. Venezuela, Decis&atilde;o sobre a Jurisdi&ccedil;&atilde;o, de 15 de dezembro 2014, par&aacute;grafo 158.     <br>     <br> <a href="#_ftnref17" name="_ftn17" title="">17</a> Garcia Armas v. Venezuela, Decis&atilde;o sobre a Jurisdi&ccedil;&atilde;o, de 15 de dezembro 2014, par&aacute;grafo 174.     <br>     <br> <a href="#_ftnref18" name="_ftn18" title="">18</a> Garcia Armas v. Venezuela, Decis&atilde;o sobre a Jurisdi&ccedil;&atilde;o, de 15 de dezembro 2014, par&aacute;grafo 181 e segs.     <br>     ]]></body>
<body><![CDATA[<br> <a href="#_ftnref19" name="_ftn19" title="">19</a> Garcia Armas v. Venezuela, Decis&atilde;o sobre a Jurisdi&ccedil;&atilde;o, de 15 de dezembro 2014, par&aacute;grafo 200.     <br>     <br> <a href="#_ftnref20" name="_ftn20" title="">20</a> Garcia Armas v. Venezuela, Decis&atilde;o sobre a Jurisdi&ccedil;&atilde;o, de 15 de dezembro 2014, par&aacute;grafo 212.     <br>     <br> <a href="#_ftnref21" name="_ftn21" title="">21</a> Garcia Armas v. Venezuela, Decis&atilde;o sobre a Jurisdi&ccedil;&atilde;o, de 15 de dezembro 2014, par&aacute;grafo 212.     <br>     <br> <a href="#_ftnref22" name="_ftn22" title="">22</a> Garcia Armas v. Venezuela, Decis&atilde;o sobre a Jurisdi&ccedil;&atilde;o, de 15 de dezembro 2014, par&aacute;grafo 217.     <br>     <br> <a href="#_ftnref23" name="_ftn23" title="">23</a> Decis&atilde;o da Cour d&rsquo;Appel de Paris de 25 de Abril de 2017. Note-se que enquanto as decis&otilde;es arbitrais emitidas no &acirc;mbito do ICSID n&atilde;o est&atilde;o sujeitas a anula&ccedil;&atilde;o pelos tribunais estaduais, mas apenas pela interven&ccedil;&atilde;o de um <i>ad hoc committee</i> formado no &acirc;mbito da pr&oacute;pria Conven&ccedil;&atilde;o de Washington e com base em fundamentos muito limitados, j&aacute; as decis&otilde;es arbitrais ad hoc, como era o caso da decis&atilde;o do caso Garcia Armas v. Venezuela, podem ser anuladas pelo tribunal judicial da sede da arbitragem que, naquele caso, era Paris.     <br>     ]]></body>
<body><![CDATA[<br> <a href="#_ftnref24" name="_ftn24" title="">24</a> Esta decis&atilde;o da Cour d&rsquo;Appel veio a ser anulada pela <i>Cour de Cassation</i>, atrav&eacute;s de decis&atilde;o de 13 de Fevereiro de 2019, que devolveu o assunto &agrave; <i>Cour d&rsquo;Appel</i>, com o argumento de que este n&atilde;o poderia ter anulado apenas parcialmente a senten&ccedil;a arbitral com esse fundamento, antes devendo ter ocorrido uma anula&ccedil;&atilde;o total da decis&atilde;o arbitral, por estar em causa a (falta de) jurisdi&ccedil;&atilde;o do tribunal arbitral.     <br>     <br> <a href="#_ftnref25" name="_ftn25" title="">25</a> Cem Cenzig Uzan v. Turquia, senten&ccedil;a sobre objec&ccedil;&otilde;es preliminares, 20 de Abril de 2016, par&aacute;grafo 141.     <br>     <br> <a href="#_ftnref26" name="_ftn26" title="">26</a> Cem Cenzig Uzan v. Turquia, senten&ccedil;a sobre objec&ccedil;&otilde;es preliminares, 20 de Abril de 2016, par&aacute;grafo 144.     <br>     <br> <a href="#_ftnref27" name="_ftn27" title="">27</a> Cem Cenzig Uzan v. Turquia, senten&ccedil;a sobre objec&ccedil;&otilde;es preliminares, 20 de Abril de 2016, par&aacute;grafo 145 e segs.     <br>     <br> <a href="#_ftnref28" name="_ftn28" title="">28</a> Dawood Rawat v. Rep&uacute;blica das Maur&iacute;cias, senten&ccedil;a sobre a jurisdi&ccedil;&atilde;o, 6 de Abril 2018, par&aacute;grafo 165.     <br>     ]]></body>
<body><![CDATA[<br> <a href="#_ftnref29" name="_ftn29" title="">29</a> Segundo o Tribunal (par&aacute;grafo 165, nota de rodap&eacute; 148) <i>&ldquo;the tribunal need not resolve the Partie&rsquo;s dispute as to whether Rawat also had to be a French national before he made the relevant investments in Mauritius, in light of our dismissal of his claims on other grounds&rdquo; </i>.     <br>     <br> <a href="#_ftnref30" name="_ftn30" title="">30</a> Dawood Rawat v. Rep&uacute;blica das Maur&iacute;cias, senten&ccedil;a sobre a jurisdi&ccedil;&atilde;o, 6 de Abril 2018, par&aacute;grafo 174.     <br>     <br> <a href="#_ftnref31" name="_ftn31" title="">31</a> Dawood Rawat v. Rep&uacute;blica das Maur&iacute;cias, senten&ccedil;a sobre a jurisdi&ccedil;&atilde;o, 6 de Abril 2018, par&aacute;grafo 179.     <br>     <br> <a href="#_ftnref32" name="_ftn32" title="">32</a> Uma MFN clause (<i>most favoured nation clause</i>) &eacute; uma cl&aacute;usula que se encontra em v&aacute;rios BIT e atrav&eacute;s da qual os Estados garantem aos investidores abrangidos por esse BIT que os direitos que lhes s&atilde;o atribu&iacute;dos por esse BIT (<i>basic BIT</i>) n&atilde;o ser&atilde;o menos favor&aacute;veis do que os direitos que esse mesmo Estado conceda a investidores de outros Estados terceiros, com os quais tenha igualmente celebrado outro BIT (<i>third party BIT</i>). Isto significa que um investidor que esteja ao abrigo de um BIT que contenha uma MFN clause poder&aacute; &ldquo;importar&rdquo;  uma cl&aacute;usula existente noutro BIT, celebrado pelo <i>host State</i> (neste caso, as Maur&iacute;cias) celebrado com outro Estado terceiro (neste caso a Finl&acirc;ndia), e que seja mais favor&aacute;vel para o investidor do que as cl&aacute;usulas existentes no BIT que lhe &eacute; directamente aplic&aacute;vel. Apesar disso, os tribunais arbitrais n&atilde;o t&ecirc;m aceitado a utiliza&ccedil;&atilde;o da MFN clause para importar o consentimento para arbitragem que n&atilde;o exista no basic BIT, que era o que o investidor pretendia aparentemente fazer. Para uma discuss&atilde;o recente dessa tem&aacute;tica veja-se, por exemplo, o caso Venezuela US, SRL v. Venezuela, senten&ccedil;a sobre a jurisdi&ccedil;&atilde;o, de 26 de julho de 2016, par&aacute;grafo 100 e segs., bem como o voto de vencido do &aacute;rbitro Marcelo Kohen inclu&iacute;do nessa decis&atilde;o. Tamb&eacute;m sobre este tema, veja-se ainda o <i>&ldquo;Final Report of the Study Group on the Most-Favoured-Nation clause&rdquo; </i> adoptado pela <i>International Law Commission</i> em 2015.     <br>     <br> <a href="#_ftnref33" name="_ftn33" title="">33</a> Michael Balantine and Lisa Balantine v. Rep&uacute;blica Dominicana, senten&ccedil;a de 3 de setembro de 2019.     <br>     ]]></body>
<body><![CDATA[<br> <a href="#_ftnref34" name="_ftn34" title="">34</a> Michael Balantine and Lisa Balantine v. Rep&uacute;blica Dominicana, senten&ccedil;a de 3 de setembro de 2019, par&aacute;grafo 597 e segs.     <br>     <br> <a href="#_ftnref35" name="_ftn35" title="">35</a> Michael Balantine and Lisa Balantine v. Rep&uacute;blica Dominicana, senten&ccedil;a de 3 de setembro de 2019, par&aacute;grafo 597. Os investidores iniciaram, entretanto, no dia 3 de Dezembro de 2019, uma ac&ccedil;&atilde;o de recurso desta decis&atilde;o junto dos tribunais judiciais dos Estados Unidos (sede da arbitragem) precisamente por discordarem do modo como o Tribunal considerou (com um voto de vencido) que a nacionalidade dominante e efectiva dos referidos investidores era a da Rep&uacute;blica Dominicana (<i>host State</i>) e n&atilde;o a dos Estados Unidos da Am&eacute;rica.     <br>     <br> <a href="#_ftnref36" name="_ftn36" title="">36</a> Enrique Heemsen e Jorge Hemmsen v. Venezuela, decis&atilde;o sobre a jurisdi&ccedil;&atilde;o, 29 de Outubro de 2019. Com efeito, ao contr&aacute;rio do que havia sido afirmado por tribunais anteriores, com seja no caso Rawat ou Garcia Armas, o tribunal, neste caso, considerou (par&aacute;grafo 440) que <i>&ldquo;el tribunal es de la opini&oacute;n que, en mat&eacute;ria de inversioes internacionales, en caso de silencio del Tratado [BIT], la aplicaci&oacute;n de los principios generales del derecho internacional conduce a la aplicaci&oacute;n del principio de la nacionalidad dominante y efectiva&rdquo; </i>.     <br>     <br> <a href="#_ftnref37" name="_ftn37" title="">37</a> Enrique Heemsen e Jorge Hemmsen v. Venezuela, decis&atilde;o sobre a jurisdi&ccedil;&atilde;o, 29 de Outubro de 2019, par&aacute;grafo 443.     <br>     <br> <a href="#_ftnref38" name="_ftn38" title="">38</a> Enrique Heemsen e Jorge Hemmsen v. Venezuela, decis&atilde;o sobre a jurisdi&ccedil;&atilde;o, 29 de Outubro de 2019, par&aacute;grafo 411.     <br>     ]]></body>
<body><![CDATA[<br> <a href="#_ftnref39" name="_ftn39" title="">39</a> Enrique Heemsen e Jorge Hemmsen v. Venezuela, decis&atilde;o sobre a jurisdi&ccedil;&atilde;o, 29 de Outubro de 2019, par&aacute;grafo 413.     <br>     <br> <a href="#_ftnref40" name="_ftn40" title="">40</a> Enrique Heemsen e Jorge Hemmsen v. Venezuela, decis&atilde;o sobre a jurisdi&ccedil;&atilde;o, 29 de Outubro de 2019, par&aacute;grafo 414.     <br>     <br> <a href="#_ftnref41" name="_ftn41" title="">41</a> Enrique Heemsen e Jorge Hemmsen v. Venezuela, decis&atilde;o sobre a jurisdi&ccedil;&atilde;o, 29 de Outubro de 2019, par&aacute;grafo 419.     <br>     <br> <a href="#_ftnref42" name="_ftn42" title="">42</a> Enrique Heemsen e Jorge Hemmsen v. Venezuela, decis&atilde;o sobre a jurisdi&ccedil;&atilde;o, 29 de Outubro de 2019, par&aacute;grafo 421.     <br>     <br> <a href="#_ftnref43" name="_ftn43" title="">43</a> Enrique Heemsen e Jorge Hemmsen v. Venezuela, Laudo de Jurisdicci&oacute;n, 29 de Outubro de 2019, par&aacute;grafo 440.     <br>     ]]></body>
<body><![CDATA[<br> <a href="#_ftnref44" name="_ftn44" title="">44</a> Tokios Tokeles v. Ucr&acirc;nia, decis&atilde;o sobre a jurisdi&ccedil;&atilde;o, de 29 de Abril de 2004.     <br>     <br> <a href="#_ftnref45" name="_ftn45" title="">45</a> Sobre este tema veja-se, Jorun Baumgartner, Treaty Shopping in <i>International Investment Law</i>, 2016 e Duncan Watson e Tom Brebner, <i>Nationality Planning and Abuse of Process: A Coherent Framework</i>, ICSID Review, vol. 33, n.o 1, 2018. Na jurisprud&ecirc;ncia, veja-se o caso <i>Philip Morris v. Australia</i>, senten&ccedil;a sobre a jurisdi&ccedil;&atilde;o de 17 de Dezembro de 2015 e <i>Ren&eacute;e Rose Levy and Gramcitel S.A. v. Rep&uacute;blica do Per&uacute;</i>, Senten&ccedil;a de 9 de Janeiro de 2015.     <br>     <br> <a href="#_ftnref46" name="_ftn46" title="">46</a> Sobre a quest&atilde;o da &ldquo;constru&ccedil;&atilde;o&rdquo;  de uma <i>jurisprudence constante</i> na arbitragem de investimentos, veja-se Abdulqawi Ahmed Yusuf & Guled Yusuf, <i>Precedent & Jurisprudence Constante</i>, Building International Investment Law – The first 50 years of ICSID, 2016, p&aacute;g. 71 e segs.     <br>     <br> </font>     ]]></body>
</article>
