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</front><body><![CDATA[ <div>       <p><b><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4">Dossier Pol&iacute;ticas P&uacute;blicas de Ambiente em Portugal</font></b></p>   <b>    <br>   </b>       <p><b>Editorial</b></p>       <br>       <p><b>Carla Amado Gomes <sup>I</sup>, Pedro Moniz Lopes <sup>II</sup> </b></p>       <p> <b> <sup>I</sup></b> Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa    <br>     Alameda da Universidade - Cidade Universit&aacute;ria     <br>     1649-014 Lisboa - Portugal    <br>     <a href="mailto:carlamadogomes@fd.ulisboa.pt" target="_blank"> carlamadogomes@fd.ulisboa.pt </a> </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <b><sup>II</sup> </b>Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa    <br>   Alameda da Universidade, Cidade Universit&aacute;ria, Lisboa    <br>   1649-014, Portugal    <br>   <a href="mailto:plope@fd.ulisboa.pt" target="_blank"> plope@fd.ulisboa.pt</a>       <p>&nbsp;</p>       <p>&nbsp;</p>       <p> A protec&ccedil;&atilde;o do ambiente constitui um objectivo novo no longo curso da hist&oacute;ria do Planeta &ndash; e do Direito. Somente desde a d&eacute;cada de 1970 se pode afirmar que a pol&iacute;tica de ambiente ganha espa&ccedil;o e relevo na actua&ccedil;&atilde;o dos Estados quer no plano nacional, quer internacional. O Programa das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Ambiente (PNUA) nasce em 1972, na sequ&ecirc;ncia da Confer&ecirc;ncia de Estocolmo, promovida pela Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, e desde ent&atilde;o o seu trabalho de coordena&ccedil;&atilde;o de iniciativas de protec&ccedil;&atilde;o ambiental por todo o mundo tem-se afirmado com evid&ecirc;ncia &ndash; embora n&atilde;o com a efic&aacute;cia desej&aacute;vel. Em 1988, juntamente com a Organiza&ccedil;&atilde;o Meteorol&oacute;gica Mundial, prop&ocirc;s &agrave; Assembleia Geral da ONU a cria&ccedil;&atilde;o do Painel Internacional sobre Altera&ccedil;&otilde;es Clim&aacute;ticas, com vista a elaborar um relat&oacute;rio aprofundado sobre altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas globais, a estudar os impactos sociais e econ&oacute;micos de tais altera&ccedil;&otilde;es e a preparar o texto de uma Conven&ccedil;&atilde;o Internacional dedicada ao tema. Essa Conven&ccedil;&atilde;o vem a nascer em 1992 (em vigor desde 1993) e constitui hoje o esteio dos instrumentos da pol&iacute;tica internacional de gest&atilde;o das altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas, nomeadamente do Acordo de Paris (2014, em vigor desde 2016), omnipresente em todas as pol&iacute;ticas nacionais e internacionais relacionadas com a tutela do ambiente e ep&iacute;tome do grande desafio civilizacional do s&eacute;culo XXI. </p>       <p> Em Portugal, pode dizer-se que a &acirc;ncora para a pol&iacute;tica de ambiente nasce, formalmente, com a Constitui&ccedil;&atilde;o de 1976 e com a inscri&ccedil;&atilde;o do artigo 66.&ordm;, com a ep&iacute;grafe &ldquo;Ambiente e qualidade de vida&rdquo; na Lei Fundamental (s&oacute; com a revis&atilde;o constitucional de 1982, no entanto, passa a ser considerada &ldquo;tarefa fundamental do Estado&rdquo;, na al&iacute;nea<em> e) </em>do artigo 9.&ordm;). &Eacute; verdade que a Constitui&ccedil;&atilde;o de 1822 havia imposto um dever de planta&ccedil;&atilde;o de &aacute;rvores &agrave;s C&acirc;maras Municipais (par. V do artigo 223.&ordm;), e que o decreto 5787-III, de 10 de Maio de 1919, cont&eacute;m uma preliminar disciplina de utiliza&ccedil;&atilde;o dos recursos h&iacute;dricos, mas a considera&ccedil;&atilde;o do ambiente enquanto conjunto de elementos naturais e suas interac&ccedil;&otilde;es com as restantes pol&iacute;ticas sociais, econ&oacute;micas e culturais n&atilde;o esteve presente no plano de ac&ccedil;&atilde;o do Governo portugu&ecirc;s antes da d&eacute;cada de 1990. </p>       <p> Na verdade e sem embargo da cria&ccedil;&atilde;o da LPN (Liga para a Protec&ccedil;&atilde;o da Natureza) em 1948 e dos manifestos de escritores ilustres contra interven&ccedil;&otilde;es em espa&ccedil;os naturais (recorde-se Aquilino Ribeiro, <em>Quando os lobos uivam</em>, 1958), a verdade &eacute; que a pol&iacute;tica de ambiente em Portugal &eacute; fortemente &ndash; para n&atilde;o dizer exclusivamente &ndash; tribut&aacute;ria das directrizes impostas por Bruxelas, que s&oacute; se fizeram sentir a partir da d&eacute;cada de 1990. Do ponto de vista puramente sociol&oacute;gico, poder&aacute; dizer-se que a consci&ecirc;ncia ambiental da popula&ccedil;&atilde;o portuguesa foi despertada pelas grandes cheias em Lisboa, em 1967, com os preju&iacute;zos, materiais e humanos que acarretaram, os quais Gon&ccedil;alo Ribeiro Telles (o homem por detr&aacute;s da primeira Lei de Bases do Ambiente, de 1987) prontamente imputou ao desordenamento urbano<sup><a href="#_ftn1" name="_ftnref1" title="">1</a></sup>. Mas a afirma&ccedil;&atilde;o de uma estrat&eacute;gia de gest&atilde;o de um conjunto de realidades sectoriais &ndash; biodiversidade; recursos h&iacute;dricos; res&iacute;duos; qualidade do ar &ndash;, a partir do s&eacute;culo XXI intensamente condicionados pelo contexto global das altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas, e a assun&ccedil;&atilde;o da transversalidade e integra&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica de ambiente (cfr. o artigo 13.&ordm; da Lei de Bases do Ambiente, Lei 19/2014, de 14 de Abril), s&oacute; com o &ldquo;empurr&atilde;o&rdquo; da ades&atilde;o da Uni&atilde;o Europeia se tornou uma realidade tanto do ponto de vista jur&iacute;dico, como no plano da mobiliza&ccedil;&atilde;o social. </p>       <p> Num momento em que Portugal, por for&ccedil;a do <em>European Green Deal</em> e do Plano de recupera&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica para 2020-2030 muito se fala, nos palcos dos actores pol&iacute;ticos e econ&oacute;micos, de economia circular, de transi&ccedil;&atilde;o energ&eacute;tica e de adapta&ccedil;&atilde;o &agrave;s altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas, associa&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais do ambiente e grupos da sociedade civil organizam-se para enfrentar a prospec&ccedil;&atilde;o de petr&oacute;leo nas costas algarvia e vicentina, a minera&ccedil;&atilde;o do l&iacute;tio, a expans&atilde;o do aeroporto da Portela e a constru&ccedil;&atilde;o do novo aeroporto no Montijo. O Minist&eacute;rio do Ambiente e Ac&ccedil;&atilde;o Clim&aacute;tica n&atilde;o &eacute; o &uacute;nico lugar em que se define a(s) pol&iacute;tica(s) de ambiente. O activismo social, sinal de uma percep&ccedil;&atilde;o crescente de que a protec&ccedil;&atilde;o do ambiente, natural e reconstru&iacute;do &eacute; uma responsabilidade de todos, traduz um imperativo pol&iacute;tico de promo&ccedil;&atilde;o da participa&ccedil;&atilde;o dos cidad&atilde;os na elabora&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de ambiente &ndash; malgrado o dirigismo de Bruxelas. </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p> A revista e-Publica decidiu dedicar um Dossier especial ao tema Pol&iacute;ticas P&uacute;blicas de Ambiente, num momento hist&oacute;rico muito particular, marcado pelo flagelo da epidemia COVID-19. Passado um primeiro est&aacute;dio da pandemia, no qual esta parecia instalar uma ben&eacute;fica &ldquo;ditadura verde&rdquo; por for&ccedil;a do confinamento, rapidamente se percebeu que tal al&iacute;vio n&atilde;o s&oacute; era plenamente revers&iacute;vel como altamente prejudicial. A retoma de actividade (da ind&uacute;stria, dos transportes, do com&eacute;rcio), inevit&aacute;vel perante a amea&ccedil;a de colapso socio-econ&oacute;mico, n&atilde;o s&oacute; normalizou os &iacute;ndices de emiss&otilde;es de CO2 para a atmosfera como revelou o perigo do recuo do Estado nas actividades de fiscaliza&ccedil;&atilde;o. Como li&ccedil;&otilde;es da pandemia parecem resultar, para o que aqui mais directamente releva, duas: a necessidade de regular mais racionalmente a utiliza&ccedil;&atilde;o de recursos de biodiversidade e o imperativo de transi&ccedil;&atilde;o para uma sociedade hipocarb&oacute;nica. Neste quadro, as escolhas que se fizerem atrav&eacute;s das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de ambiente revelar-se-&atilde;o decisivas quer para a sobreviv&ecirc;ncia da esp&eacute;cie como para a sustentabilidade do modelo civilizacional. </p>       <p> COVID-19. Passado um primeiro est&aacute;dio da pandemia, no qual esta parecia instalar uma ben&eacute;fica &ldquo;ditadura verde&rdquo; por for&ccedil;a do confinamento, rapidamente se percebeu que tal al&iacute;vio n&atilde;o s&oacute; era plenamente revers&iacute;vel como altamente prejudicial. A retoma de actividade (da ind&uacute;stria, dos transportes, do com&eacute;rcio), inevit&aacute;vel perante a amea&ccedil;a de colapso socio-econ&oacute;mico, n&atilde;o s&oacute; normalizou os &iacute;ndices de emiss&otilde;es de CO2 para a atmosfera como revelou o perigo do recuo do Estado nas actividades de fiscaliza&ccedil;&atilde;o. Como li&ccedil;&otilde;es da pandemia parecem resultar, para o que aqui mais directamente releva, duas: a necessidade de regular mais racionalmente a utiliza&ccedil;&atilde;o de recursos de biodiversidade e o imperativo de transi&ccedil;&atilde;o para uma sociedade hipocarb&oacute;nica. Neste quadro, as escolhas que se fizerem atrav&eacute;s das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de ambiente revelar-se-&atilde;o decisivas quer para a sobreviv&ecirc;ncia da esp&eacute;cie como para a sustentabilidade do modelo civilizacional. </p>       <p> Deste Dossier da e-Publica constam nove textos sobre nove pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, incidentes sobre a gest&atilde;o de recursos ambientais ou fortemente influenciadas pela necessidade de incorporar a protec&ccedil;&atilde;o do ambiente em determinados sectores da actividade s&oacute;cio-econ&oacute;mica: Florestas (Dulce Lopes); Energia (Filipe Matias Santos); Economia Circular (Helo&iacute;sa Oliveira); Ambiente marinho (Maria de F&aacute;tima Moreira); Res&iacute;duos (Ricardo Branco); Biodiversidade terrestre (Rui Tavares Lanceiro); Fiscalidade Ambiental (Rute Saraiva); Preven&ccedil;&atilde;o de cat&aacute;strofes naturais (Rute Saraiva e Jorge Saraiva); e Transportes (Tiago Melo Cartaxo). Trata-se de uma selec&ccedil;&atilde;o norteada por crit&eacute;rios conjugados de relev&acirc;ncia material e disponibilidade de autores, que se assume claramente deficit&aacute;ria em face do universo poss&iacute;vel. </p>       <p> Aos autores que se disponibilizaram a escrever para este Dossier, deixamos o nosso sincero agradecimento. Aos leitores, desejamos uma leitura proveitosa e inspiradora. </p>       <p>&nbsp;</p>       <p>&nbsp;</p>       <div id="footnotes"> <a href="#_ftnref1" name="_ftn1" title="">1</a> B. R<span class="small">IBEIRO TAVARES, <em> O ambiente e as pol&iacute;ticas ambientais em Portugal: contributo para uma abordagem hist&oacute;rica </em> , Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado em cidadania ambiental e participa&ccedil;&atilde;o, orientada pelas Professoras Doutoras Lia Vasconcelos e Ana Paula Martinho, Universidade Aberta, Lisboa, 2013, p. 10 &ndash; dispon&iacute;vel aqui: <a target="_blank" href="https://repositorioaberto.uab.pt/bitstream/10400.2/2757/1/O%20Ambiente%20e%20as%20Pol%C3%ADticas%20Ambientais%20em%20Portugal.pdf"> Link </a>     <br>     Com interesse para o tema, veja-se tamb&eacute;m V. SOROMENHO MARQUES <em> , Ra&iacute;zes do Ambientalismo em Portugal, Metamorfoses. Entre o Colapso e o Desenvolvimento Sustenta´vel, </em> Mem Martins, 2005. </span></div>   <span class="small">       <p>&nbsp;</p>       <p>&nbsp;</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>       <p align="right"> <i>Carla Amado Gomes     <br>     Editora convidada do n.&ordm; 2 do vol. 7 da e-P&uacute;blica </i> </p>       <p align="right"> <i>Pedro Moniz Lopes     <br>     Director Executivo da e-P&uacute;blica </i> </p>   <!-- T&Iacute;TULO E CONT&Eacute;UDO DESSE T&Oacute;PICO -->   <!-- ESTA PARTE DOS *** DEIXAS SEMPRE ENTRE O CONTEUDO E AS NOTAS -->       <p>&nbsp;</p>       <p>&nbsp;</p>       <p>&nbsp;</p> </span></div>      ]]></body>
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