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<journal-title><![CDATA[e-Pública: Revista Eletrónica de Direito Público]]></journal-title>
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<publisher-name><![CDATA[Instituto de Ciências Jurídico-Políticas (Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa)]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Políticas de mobilidade e transportes: entre a sustentabilidade e uma transição justa]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Mobility and transport have gained increasing relevance in the implementation processes of sustainability objectives, from international, regional, national and even local perspectives. Not only with regard to the Sustainable Development Goals (SDGs) set forth by the United Nations, but also within the scope of commitments under the United Nations Framework Convention on Climate Change and in a way of promoting the resilience of communities and territories, the paradigm shift towards mobility and transport solutions for reduced (or even neutral) emissions of greenhouse gases is gradually becoming a concrete reality. However, the inequalities that exist in territories and societies do not yet grant everyone access to the most recent innovations for what is considered sustainable or soft mobility, so it is necessary to quickly adapt public policies and the law, in order to guarantee what is considered as the “just transition,” from conventional mobility to new cleaner, cheaper and healthier approaches, as defined by the European Green Deal. This article aims to provide a brief overview of the existing instruments and mechanisms, as well as to present a path to the challenges and opportunities of the future for sustainable and fair mobility.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <div>       <p><b><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4">Pol&iacute;ticas de mobilidade e transportes: entre a sustentabilidade e uma transi&ccedil;&atilde;o justa</font></b></p>   <b>    <br>   </b>       <p><b><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4">Mobility and transport policies: between sustainability and a just transition</font></b></p>       <br>       <br>       <br>       <p><b>Tiago de Melo Cartaxo<sup><a id="calibre_link-50" title="1" href="#calibre_link-1" class="noteref">1</a></sup></b></p>       <p>NOVA School of Law    <br>     Universidade Nova de Lisboa    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>     Campus de Campolide    <br>     1099-032 Lisboa - Portugal    <br>     <a href="mailto:tiagocartaxo@novalaw.unl.pt">tiagocartaxo@novalaw.unl.pt</a>     <br>         <br>         <br>         <br>         <br>   </p>       <p><b>RESUMO</b></p>       <p>A mobilidade e os transportes t&ecirc;m ganho crescente relev&acirc;ncia nos processos de implementa&ccedil;&atilde;o dos objetivos de sustentabilidade, nas perspetivas internacional, regional, nacional e mesmo local. N&atilde;o apenas no que concerne aos Objetivos do Desenvolvimento Sustent&aacute;vel (ODS) estabelecidos pelas Na&ccedil;&otilde;es Unidas, mas tamb&eacute;m no &acirc;mbito do cumprimento de compromissos assumidos no &acirc;mbito da Conven&ccedil;&atilde;o Quadro das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para as Altera&ccedil;&otilde;es Clim&aacute;ticas e numa l&oacute;gica de promo&ccedil;&atilde;o da resili&ecirc;ncia das comunidades e territ&oacute;rios, a mudan&ccedil;a de paradigma para solu&ccedil;&otilde;es de mobilidade e transporte com emiss&otilde;es reduzidas (ou mesmo neutras) de gases com efeito de estufa torna-se, cada vez mais, uma realidade concreta. No entanto, as desigualdades existentes no territ&oacute;rio e nas sociedades n&atilde;o permitem ainda o acesso de todos &agrave;s mais recentes inova&ccedil;&otilde;es das chamadas mobilidades sustent&aacute;vel ou suave, pelo que se imp&otilde;e uma r&aacute;pida adapta&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e do direito, de molde a garantir a chamada &ldquo;transi&ccedil;&atilde;o justa&rdquo;, de uma mobilidade convencional para novas abordagens mais limpas, mais baratas e mais saud&aacute;veis, conforme definido pelo Pacto Ecol&oacute;gico Europeu. O presente artigo pretende fazer um breve enquadramento dos instrumentos e mecanismos existentes, bem como apresentar um caminho para os desafios e as oportunidades do futuro para uma mobilidade sustent&aacute;vel e justa.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavras-chave:</b> Mobilidade; transportes; sustentabilidade; ambiente; direitos.</p>       <p><b>Sum&aacute;rio:</b> 1. Enquadramento; 2. Breve panor&acirc;mica internacional; 3. Enquadramento da realidade europeia; 4. Desenvolvimentos na realidade nacional; 5. A transi&ccedil;&atilde;o justa; 6. Conclus&otilde;es e perspetivas futuras.</p>       <br>       <p><b>ABSTRACT</b></p>       <p>Mobility and transport have gained increasing relevance in the implementation processes of sustainability objectives, from international, regional, national and even local perspectives. Not only with regard to the Sustainable Development Goals (SDGs) set forth by the United Nations, but also within the scope of commitments under the United Nations Framework Convention on Climate Change and in a way of promoting the resilience of communities and territories, the paradigm shift towards mobility and transport solutions for reduced (or even neutral) emissions of greenhouse gases is gradually becoming a concrete reality. However, the inequalities that exist in territories and societies do not yet grant everyone access to the most recent innovations for what is considered sustainable or soft mobility, so it is necessary to quickly adapt public policies and the law, in order to guarantee what is considered as the &ldquo;just transition,&rdquo; from conventional mobility to new cleaner, cheaper and healthier approaches, as defined by the European Green Deal. This article aims to provide a brief overview of the existing instruments and mechanisms, as well as to present a path to the challenges and opportunities of the future for sustainable and fair mobility.</p>       <p><b>Keywords:</b> Mobility; transports; sustainability; environment; rights.</p>       <p><b>Summary:</b> 1. Background; Brief international overview; 3. Overview of the European reality; 4. Developments in the national reality; 5. The fair transition; 6. Conclusions and future perspectives.</p>       <p>&nbsp;</p>       <br>       <p><b>1. Enquadramento</b></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Num mundo que procura, mormente pelas exig&ecirc;ncias das altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas, adaptar-se rapidamente a um novo estilo de desenvolvimento, as tem&aacute;ticas relacionadas com a mobilidade sustent&aacute;vel assumem, cada vez mais, um papel central na gest&atilde;o dos territ&oacute;rios.</p>       <p>A mobilidade entende-se como o conjunto das viagens ou movimentos gerados diariamente pelos habitantes de um determinado territ&oacute;rio e os respetivos modelos, condi&ccedil;&otilde;es e caracter&iacute;sticas associados a tais movimentos populacionais, incluindo os modos de transporte selecionados, a dura&ccedil;&atilde;o das viagens, ou o tempo gasto com os meios de transporte.</p>       <p>As cidades e as respetivas &aacute;reas metropolitanas, onde j&aacute; nos nossos dias habita a maioria da popula&ccedil;&atilde;o mundial, enfrentam o desafio de garantir que os movimentos pendulares sejam r&aacute;pidos, limpos e confort&aacute;veis. Em apre&ccedil;o est&aacute; o futuro do transporte rodovi&aacute;rio<sup><a id="calibre_link-51" title="2" href="#calibre_link-2" class="noteref">2</a></sup>, do ferrovi&aacute;rio, &agrave; superf&iacute;cie ou subterr&acirc;neo, e as solu&ccedil;&otilde;es da &ldquo;mobilidade suave&rdquo;, que se concretizam em modos de locomo&ccedil;&atilde;o a tra&ccedil;&atilde;o humana, como a mobilidade a p&eacute; ou o uso de bicicleta.</p>       <p>Perante as diferentes op&ccedil;&otilde;es que os respons&aacute;veis p&uacute;blicos, os investidores e os pr&oacute;prios cidad&atilde;os t&ecirc;m pela frente, a decis&atilde;o pela implementa&ccedil;&atilde;o dos diferentes tipos de mobilidade tem impactos significativos nos comportamentos di&aacute;rios da sociedade e na utiliza&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio. Em consequ&ecirc;ncia, as decis&otilde;es pol&iacute;ticas nesta mat&eacute;ria (e mesmo as op&ccedil;&otilde;es jur&iacute;dicas) afetam, diretamente, a qualidade de vida dos habitantes e o os valores naturais presentes nos territ&oacute;rios.</p>       <p>Os avan&ccedil;os tecnol&oacute;gicos t&ecirc;m vindo a facilitar a vida dos utilizadores de meios de transporte, tanto p&uacute;blico como privado. Com as novas plataformas eletr&oacute;nicas e aplica&ccedil;&otilde;es m&oacute;veis, &eacute; hoje poss&iacute;vel obter um autom&oacute;vel, uma bicicleta ou uma trotineta, &agrave; dist&acirc;ncia de um simples clique. Al&eacute;m disso, quase todas estas novas solu&ccedil;&otilde;es disponibilizam, de forma crescente e tendencialmente exclusiva, op&ccedil;&otilde;es sustent&aacute;veis ou de emiss&otilde;es reduzidas (pelo menos aparentemente, pela aposta na tra&ccedil;&atilde;o el&eacute;trica).</p>       <p>Do mesmo modo, as pr&oacute;prias autoridades p&uacute;blicas, como as &aacute;reas metropolitanas e os munic&iacute;pios, t&ecirc;m procurado reduzir os pre&ccedil;os para a utiliza&ccedil;&atilde;o do transporte p&uacute;blico, de molde a fomentar um maior uso por parte dos cidad&atilde;os. E grande parte dos meios de transporte p&uacute;blico come&ccedil;am tamb&eacute;m a abandonar os combust&iacute;veis f&oacute;sseis.</p>       <p>Ainda assim, nem todas as solu&ccedil;&otilde;es de mobilidade sustent&aacute;vel chegam a todos, de forma igual. Nem todos t&ecirc;m capacidade financeira para utilizar as novas plataformas ou aplica&ccedil;&otilde;es de mobilidade, tal como nem todas as comunidades presentes no territ&oacute;rio t&ecirc;m acesso f&aacute;cil a solu&ccedil;&otilde;es de transporte mais econ&oacute;micas. Exige-se, portanto, que a transi&ccedil;&atilde;o para estas novas formas de mobilidade sustent&aacute;vel ou hipocarb&oacute;nica cheguem a todos, de maneira mais equitativa. O presente artigo pretende, por isso, apresentar um breve enquadramento dos instrumentos e mecanismos existentes, nas panor&acirc;micasinternacional, europeia e nacional, bem como apresentar um caminho para os desafios e as oportunidades do futuro para uma mobilidade sustent&aacute;vel e justa.</p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>2. Breve panor&acirc;mica internacional</b></p>       <p>Numa perspetiva internacional, importa mencionar a influ&ecirc;ncia dos esfor&ccedil;os das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para que os diversos estados alterem as respetivas estrat&eacute;gias, pol&iacute;ticas e o pr&oacute;prio direito interno, num caminho para a sustentabilidade e, cada vez mais, para uma sociedade hipocarb&oacute;nica, que garanta a resili&ecirc;ncia das comunidades e dos territ&oacute;rios onde as mesmas habitam. Tanto os Objetivos do Desenvolvimento Sustent&aacute;vel (ODS) como os compromissos assumidos, em v&aacute;rios momentos, no &acirc;mbito da Conven&ccedil;&atilde;o Quadro das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para as Altera&ccedil;&otilde;es Clim&aacute;ticas, de que &eacute; exemplo o Acordo de Paris, demonstram essa mudan&ccedil;a de paradigma, que inclui, necessariamente, solu&ccedil;&otilde;es de mobilidade e transporte com emiss&otilde;es reduzidas (ou mesmo neutras) de gases com efeito de estufa (GEE).</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Territ&oacute;rios que se pretendem sustent&aacute;veis, tendo em vista n&atilde;o apenas procurar garantir ou melhorar um modo de vida saud&aacute;vel aos seus habitantes mas tamb&eacute;m a qualidade e a resili&ecirc;ncia dos recursos e valores naturais, conforme tem sido preocupa&ccedil;&atilde;o cada vez maior dos respons&aacute;veis pol&iacute;ticos e legislativos<sup><a id="calibre_link-52" title="3" href="#calibre_link-3" class="noteref">3</a></sup>, exigem formas de mobilidade caracterizadas por mecanismos e ve&iacute;culos considerados &ldquo;limpos&rdquo; (e portanto n&atilde;o poluentes ou com n&iacute;veis reduzidos de emiss&otilde;es), que funcionem em rede, permitindo a intermodalidade, e por modelos que garantam a durabilidade dos respetivos componentes e infraestruturas, contribuindo tamb&eacute;m para uma economia circular<sup><a id="calibre_link-53" title="4" href="#calibre_link-4" class="noteref">4</a></sup>.</p>       <p>A prop&oacute;sito daquilo que &eacute; o desenvolvimento sustent&aacute;vel, importa recordar a defini&ccedil;&atilde;o do relat&oacute;rio da Comiss&atilde;o Brundtland &ndash; <i>World Commission on Environment and Development</i> (WCED), de 1987, intitulado <i>Our Common Future</i>, e que estabeleceu que &ldquo;desenvolvimento sustent&aacute;vel &eacute; aquele que permite satisfazer as necessidades das gera&ccedil;&otilde;es atuais sem comprometer a possibilidade de as gera&ccedil;&otilde;es futuras satisfazerem as suas&rdquo;<sup><a id="calibre_link-54" title="5" href="#calibre_link-5" class="noteref">5</a></sup>.</p>       <p>Em todo o caso, nos dias de hoje, surgem j&aacute; cr&iacute;ticas &agrave; narrativa do desenvolvimento sustent&aacute;vel. Entendem alguns autores, como Benson e Craig, que se a inten&ccedil;&atilde;o inicial seria a de preservar o planeta e os seus recursos para as gera&ccedil;&otilde;es futuras, a mesma acabou por n&atilde;o lograr suficientemente, uma vez que a resili&ecirc;ncia socio-ecol&oacute;gica se encontra cada vez mais em perigo, em especial devido &agrave;s altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas<sup><a id="calibre_link-55" title="6" href="#calibre_link-6" class="noteref">6</a></sup>.</p>       <p>Na tend&ecirc;ncia de promo&ccedil;&atilde;o da sustentabilidade e da integra&ccedil;&atilde;o da mesma nos conceitos urbanos, cumprir&aacute; enfatizar que, no &acirc;mbito do Programa UN-Habitat, foi disponibilizado o relat&oacute;rio intitulado <i>Nova Agenda Urbana </i>(do ingl&ecirc;s <i>New Urban Agenda</i>), aprovado em Nova Iorque, a 20 de setembro de 2016, como prepara&ccedil;&atilde;o da Confer&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Habita&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento Sustent&aacute;vel (Habitat III), que se realizou entre os dias 17 e 20 de outubro de 2016, na cidade do Quito, Equador, e que culminou com a ado&ccedil;&atilde;o do referido documento, com a denomina&ccedil;&atilde;o <i>Nova Agenda Urbana &ndash; Declara&ccedil;&atilde;o do Quito sobre Cidades Sustent&aacute;veis e Aglomerados Urbanos para Todos</i><sup><a id="calibre_link-56" title="7" href="#calibre_link-7" class="noteref">7</a></sup><i>.</i></p>       <p>O documento delineou um caminho de implementa&ccedil;&atilde;o, atrav&eacute;s de &ldquo;compromissos transformadores para o desenvolvimento sustent&aacute;vel urbano&rdquo; (no que concerne ao &ldquo;desenvolvimento urbano sustent&aacute;vel para a inclus&atilde;o social e a elimina&ccedil;&atilde;o da pobreza&rdquo;, &ldquo;prosperidade urbana sustent&aacute;vel e inclusiva e oportunidades para todos&rdquo;, bem como &ldquo;desenvolvimento urbano ambientalmente sustent&aacute;vel e resiliente&rdquo;)<sup><a id="calibre_link-57" title="8" href="#calibre_link-8" class="noteref">8</a></sup> <sup><a id="calibre_link-58" title="9" href="#calibre_link-9" class="noteref">9</a></sup>, princ&iacute;pios para uma &ldquo;implementa&ccedil;&atilde;o efetiva&rdquo; (mais concretamente, em mat&eacute;ria de &ldquo;estabelecimento de regimes que suportem a cria&ccedil;&atilde;o de estruturas de governa&ccedil;&atilde;o urbana&rdquo;, &ldquo;planeamento e gest&atilde;o do desenvolvimento do espa&ccedil;o urbano&rdquo; e &ldquo;meios de implementa&ccedil;&atilde;o&rdquo;)<sup><a id="calibre_link-59" title="10" href="#calibre_link-10" class="noteref">10</a></sup>, bem como regras de &ldquo;acompanhamento e revis&atilde;o&rdquo; da referida agenda<sup><a id="calibre_link-60" title="11" href="#calibre_link-11" class="noteref">11</a></sup>.</p>       <p>Estes objetivos baseiam-se nos compromissos dos estados em &ldquo;n&atilde;o deixar ningu&eacute;m para tr&aacute;s&rdquo;, &ldquo;garantir economias urbanas sustent&aacute;veis e inclusivas&rdquo; e &ldquo;garantir a sustentabilidade ambiental&rdquo;<sup><a id="calibre_link-61" title="12" href="#calibre_link-12" class="noteref">12</a></sup>, a par de &ldquo;valorizar a forma como planeamos, financiamos, desenvolvemos, governamos e gerimos as cidades e os aglomerados humanos&rdquo;, &ldquo;reconhecer o papel liderante dos governos (&hellip;) na defini&ccedil;&atilde;o e implementa&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas e legisla&ccedil;&atilde;o inclusiva e efetiva para o desenvolvimento da sustentabilidade urbana&rdquo; e &ldquo;adotar abordagens de desenvolvimento urbano e territorial sustent&aacute;veis, centradas nas pessoas, respeitadoras e integradoras das diferentes idades e g&eacute;neros, atrav&eacute;s da implementa&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas, estrat&eacute;gias, desenvolvimento de capacidades e a&ccedil;&otilde;es a todos os n&iacute;veis e adaptados &agrave; mudan&ccedil;a (&hellip;)&rdquo;<sup><a id="calibre_link-62" title="13" href="#calibre_link-13" class="noteref">13</a></sup>.</p>       <p>As referidas op&ccedil;&otilde;es foram tomadas, na esteira dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustent&aacute;vel (ODS)<sup><a id="calibre_link-63" title="14" href="#calibre_link-14" class="noteref">14</a></sup>, na Cimeira das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Desenvolvimento Sustent&aacute;vel, entre 25 e 27 de setembro de 2015, enquanto parte integrante de uma agenda de a&ccedil;&atilde;o para 2030 (<i>Transforming our world: the 2030 Agenda for Sustainable Development</i>), adotada por meio da Resolu&ccedil;&atilde;o 70/1 da Assembleia Geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, de 25 de setembro de 2015, concretizando-se os referidos objetivos nos seguintes compromissos:</p>       <div class="ml-3">         <p>&ldquo;1. Erradicar a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares;</p>         <p>2. Erradicar a fome, alcan&ccedil;ar a seguran&ccedil;a alimentar, melhorar a nutri&ccedil;&atilde;o e promover a agricultura sustent&aacute;vel;</p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p>3. Garantir o acesso &agrave; sa&uacute;de de qualidade e promover o bem-estar para todos, em todas as idades;</p>         <p>4. Garantir o acesso &agrave; educa&ccedil;&atilde;o inclusiva, de qualidade e equitativa, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos;</p>         <p>5. Alcan&ccedil;ar a igualdade de g&eacute;nero e <i>empoderar</i> todas as mulheres e raparigas;</p>         <p>6. Garantir a disponibilidade e a gest&atilde;o sustent&aacute;vel da &aacute;gua pot&aacute;vel e do saneamento para todos;</p>         <p>7. Garantir o acesso a fontes de energia fi&aacute;veis, sustent&aacute;veis e modernas para todos;</p>         <p>8. Promover o crescimento econ&oacute;mico inclusivo e sustent&aacute;vel, o emprego pleno e produtivo e o trabalho digno para todos;</p>         <p>9. Construir infraestruturas resilientes, promover a industrializa&ccedil;&atilde;o inclusiva e sustent&aacute;vel e fomentar a inova&ccedil;&atilde;o;</p>         <p>10. Reduzir as desigualdades no interior dos pa&iacute;ses e entre pa&iacute;ses;</p>         <p>11. Tornar as cidades e comunidades inclusivas, seguras, resilientes e sustent&aacute;veis;</p>         <p>12. Garantir padr&otilde;es de consumo e de produ&ccedil;&atilde;o sustent&aacute;veis;</p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p>13. Adotar medidas urgentes para combater as altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas e os seus impactos;</p>         <p>14. Conservar e usar de forma sustent&aacute;vel os oceanos, mares e os recursos marinhos para o desenvolvimento sustent&aacute;vel;</p>         <p>15. Proteger, restaurar e promover o uso sustent&aacute;vel dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustent&aacute;vel as florestas, combater a desertifica&ccedil;&atilde;o, travar e reverter a degrada&ccedil;&atilde;o dos solos e travar a perda de biodiversidade;</p>         <p>16. Promover sociedades pac&iacute;ficas e inclusivas para o desenvolvimento sustent&aacute;vel, proporcionar o acesso &agrave; justi&ccedil;a para todos e construir institui&ccedil;&otilde;es eficazes, respons&aacute;veis e inclusivas a todos os n&iacute;veis;</p>         <p>17. Refor&ccedil;ar os meios de implementa&ccedil;&atilde;o e revitalizar a Parceria Global para o Desenvolvimento Sustent&aacute;vel.&rdquo;</p>   </div>       <p>A concretiza&ccedil;&atilde;o do &ldquo;Objetivo 11 &ndash; Cidades e comunidades sustent&aacute;veis&rdquo; assume-se como uma aspira&ccedil;&atilde;o dos estados, que reconheceram encontrarem-se em condi&ccedil;&otilde;es de &ldquo;tornar as cidades e os aglomerados urbanos inclusivos, seguros, resilientes e sustent&aacute;veis&rdquo;, atrav&eacute;s das seguintes medidas:</p>       <p>&ldquo;11.1 At&eacute; 2030, garantir o acesso de todos a uma habita&ccedil;&atilde;o adequada, segura e acess&iacute;vel e servi&ccedil;os b&aacute;sicos e melhorar os bairros degradados;</p>       <p>11.2 Em 2030, dar acesso a sistemas de transporte seguros, econ&oacute;micos, acess&iacute;veis e sustent&aacute;veis ??para todos, melhorando a seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria, nomeadamente atrav&eacute;s da expans&atilde;o dos transportes p&uacute;blicos, com especial aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s necessidades das pessoas vulner&aacute;veis, das mulheres, das crian&ccedil;as, das pessoas com defici&ecirc;ncia e das pessoas idosas;</p>       <p>11.3 At&eacute; 2030, refor&ccedil;ar a urbaniza&ccedil;&atilde;o inclusiva e sustent&aacute;vel e a capacidade para um planeamento e gest&atilde;o participativos, integrados e sustent&aacute;veis ??dos aglomerados humanos em todos os pa&iacute;ses;</p>       <p>11.4 Refor&ccedil;ar os esfor&ccedil;os para proteger e salvaguardar o patrim&oacute;nio cultural e natural no mundo;</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>11.5 Em 2030, reduzir significativamente o n&uacute;mero de mortes e o n&uacute;mero de pessoas afetadas e diminuir substancialmente as perdas econ&oacute;micas diretas relativas ao produto interno bruto global causadas por desastres, incluindo cat&aacute;strofes relacionadas com a &aacute;gua, com foco na prote&ccedil;&atilde;o dos pobres e das pessoas em situa&ccedil;&atilde;o vulner&aacute;vel;</p>       <p>11.6 At&eacute; 2030, reduzir o impacte ambiental negativo <i>per capita</i> das cidades, nomeadamente atrav&eacute;s da presta&ccedil;&atilde;o de especial aten&ccedil;&atilde;o &agrave; qualidade do ar, gest&atilde;o de res&iacute;duos municipais e outras mat&eacute;rias;</p>       <p>11.7 Em 2030, proporcionar acesso universal a espa&ccedil;os verdes e p&uacute;blicos seguros, inclusivos e acess&iacute;veis, em particular para mulheres e crian&ccedil;as, idosos e pessoas com defici&ecirc;ncia;</p>       <p>11.a Apoiar as rela&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas, sociais e ambientais positivas entre as zonas urbanas, periurbanas e rurais, refor&ccedil;ando o planeamento do desenvolvimento nacional e regional;</p>       <p>11.b Em 2020, aumentar substancialmente o n&uacute;mero de cidades e aglomerados humanos que adotem e implementem pol&iacute;ticas e planos integrados para a inclus&atilde;o, a efici&ecirc;ncia dos recursos, a mitiga&ccedil;&atilde;o e a adapta&ccedil;&atilde;o &agrave;s altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas, a resili&ecirc;ncia &agrave;s cat&aacute;strofes e desenvolver e implementar, de acordo com o Quadro de Sendai para a Redu&ccedil;&atilde;o do Risco de Desastre 2015-2030, a gest&atilde;o hol&iacute;stica de riscos de desastres a todos os n&iacute;veis;</p>       <p>11.c Apoiar os pa&iacute;ses menos desenvolvidos, nomeadamente atrav&eacute;s de assist&ecirc;ncia financeira e t&eacute;cnica, na constru&ccedil;&atilde;o de edif&iacute;cios sustent&aacute;veis ??e resilientes, utilizando materiais locais.&rdquo;</p>       <p>Tamb&eacute;m em sede de agendas das Na&ccedil;&otilde;es Unidas e o papel das cidades e das comunidades locais, cumpre sublinhar a ado&ccedil;&atilde;o do &ldquo;Acordo de Paris&rdquo;. Este instrumento internacional resultou da 21.&ordf; Confer&ecirc;ncia de Partes (COP 21), no &acirc;mbito da Conven&ccedil;&atilde;o Quadro das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para as Altera&ccedil;&otilde;es Clim&aacute;ticas de 1992 (UNFCCC), e estabeleceu a necessidade de assegurar que o aumento da temperatura m&eacute;dia global se mantenha em 2&deg;C abaixo dos n&iacute;veis pr&eacute;-industriais, bem como de envidar esfor&ccedil;os para limitar o aumento da temperatura at&eacute; 1,5&deg;C acima dos n&iacute;veis pr&eacute;-industriais, reconhecendo que tal reduzir&aacute; significativamente os riscos e impactos das altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas<sup><a id="calibre_link-64" title="15" href="#calibre_link-15" class="noteref">15</a></sup>.</p>       <p>No &acirc;mbito deste acordo, as cidades, a sociedade civil, o setor privado, as institui&ccedil;&otilde;es financeiras e outras autoridades &ldquo;subnacionais&rdquo;, comunidades locais e popula&ccedil;&otilde;es ind&iacute;genas, enquanto <i>non-party stakeholders</i><sup><a id="calibre_link-65" title="16" href="#calibre_link-16" class="noteref">16</a></sup>, atendendo a que representam um papel de extrema relev&acirc;ncia na dinamiza&ccedil;&atilde;o das atividades humanas e na pr&oacute;pria gest&atilde;o do territ&oacute;rio, de uma forma mais sustent&aacute;vel. Neste sentido, as autoridades respons&aacute;veis pela gest&atilde;o da mobilidade e dos transportes n&atilde;o podem deixar de atender &agrave;s aspira&ccedil;&otilde;es do Acordo de Paris na implementa&ccedil;&atilde;o das respetivas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de mobilidade, em especial no que concerne aos servi&ccedil;os p&uacute;blicos de transportes, mas tamb&eacute;m na regula&ccedil;&atilde;o dos demais setores da mobilidade.</p>       <p id="calibre_link-99" class="block_4">Importa ainda mencionar neste &acirc;mbito a organiza&ccedil;&atilde;o, por parte das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, das Confer&ecirc;ncias Globais sobre Transportes Sustent&aacute;veis, tendo sido a primeira realizada em Asgabate, no Turquemenist&atilde;o, entre 26 e 27 de novembro de 2016. Nesta primeira confer&ecirc;ncia, fortemente influenciada pelos ODS, foi aprovada uma declara&ccedil;&atilde;o sobre compromissos e recomenda&ccedil;&otilde;es de pol&iacute;ticas, em que os participantes reafirmaram o compromisso de melhorar o papel dos transportes sustent&aacute;veis na liga&ccedil;&atilde;o das pessoas e comunidades aos empregos, escolas e servi&ccedil;os de sa&uacute;de, bem como na entrega de bens e servi&ccedil;os &agrave;s comunidades rurais e urbanas, proporcionando a todos oportunidades iguais e com a preocupa&ccedil;&atilde;o de &ldquo;n&atilde;o deixar ningu&eacute;m para tr&aacute;s&rdquo;<sup><a id="calibre_link-66" title="17" href="#calibre_link-17" class="noteref">17</a></sup>.</p>       <p>A Segunda Confer&ecirc;ncia Global encontra-se agendada para os dias 5 a 7 de maio de 2020, em Pequim.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>       <p><b>3. Enquadramento da realidade europeia</b></p>       <p>Na realidade da Uni&atilde;o Europeia (UE), a maioria dos cidad&atilde;os habita em &aacute;reas urbanas. Mais de 60% da popula&ccedil;&atilde;o vive em cidades com mais de 10.000 habitantes e passam grande parte do dia-a-dia dentro daqueles espa&ccedil;os urbanos, compartilhando infraestruturas comuns de transportes e acessibilidades. Cumpre, portanto, enfatizar que as viagens inclu&iacute;das no conceito de mobilidade urbana correspondem a 40% das emiss&otilde;es de CO<sub class="calibre4">2</sub> dos transportes rodovi&aacute;rios e cerca de 70% de outros poluentes provenientes de ve&iacute;culos de transporte.</p>       <p>Como resultado desta realidade, as cidades europeias enfrentam crescentes problemas causados pelos transportes e pelo tr&aacute;fego rodovi&aacute;rio. As dificuldades em melhorar a qualidade da mobilidade e, ao mesmo tempo, reduzir o congestionamento do tr&aacute;fego, os acidentes rodovi&aacute;rios e a polui&ccedil;&atilde;o s&atilde;o enormes desafios, comuns a todo o territ&oacute;rio europeu, em especial nas grandes cidades. O congestionamento do tr&aacute;fego na UE verifica-se, sobretudo, dentro das regi&otilde;es urbanas, custando os respetivos meios de resolu&ccedil;&atilde;o anualmente cerca de 100 mil milh&otilde;es de euros, o que corresponde a 1% do PIB de toda a UE<sup><a id="calibre_link-67" title="18" href="#calibre_link-18" class="noteref">18</a></sup>.</p>       <p>Neste sentido, as autoridades p&uacute;blicas respons&aacute;veis pela governa&ccedil;&atilde;o dos territ&oacute;rios encontram-se na melhor posi&ccedil;&atilde;o para procurar encontrar as respostas certas, ou pelo menos as mais adequadas, para estes desafios, atendendo &agrave;s circunst&acirc;ncias espec&iacute;ficas de cada realidade socio-ecol&oacute;gica individualmente identificada, bem como &agrave;s subsequentes inter-rela&ccedil;&otilde;es com as demais comunidades e territ&oacute;rios.</p>       <p>Foi exatamente por este motivo que a Comiss&atilde;o Europeia lan&ccedil;ou, em 2013, o &ldquo;Pacote da Mobilidade Urbana&rdquo; (<i>Urban Mobility Package</i>), um conjunto de medidas para melhorar a mobilidade nas cidades, que procurou promover (i) a partilha de experi&ecirc;ncias, apresentando a melhores pr&aacute;ticas e fomentando a coopera&ccedil;&atilde;o; (ii) o estabelecimento de apoio financeiro direcionado; (iii) o enfoque da investiga&ccedil;&atilde;o e da inova&ccedil;&atilde;o no fornecimento de solu&ccedil;&otilde;es para os desafios da mobilidade urbana; e (iv) o envolvimento dos Estados-Membros e do refor&ccedil;o da coopera&ccedil;&atilde;o internacional nesta mat&eacute;ria.</p>       <p>Este pacote de medidas apresentou como elemento central a Comunica&ccedil;&atilde;o &ldquo;Avan&ccedil;ar em conjunto para uma mobilidade urbana competitiva e eficiente na utiliza&ccedil;&atilde;o de recursos&rdquo; &ndash; COM(2013) 913 final, de 17 de dezembro de 2013, sendo complementado por um anexo que estabelece o conceito de ‘Planos de Mobilidade Urbana Sustent&aacute;vel&rsquo;, bem como quatro documentos de trabalho dedicados &agrave;s tem&aacute;ticas da log&iacute;stica urbana, regulamentos de acesso urbano, implanta&ccedil;&atilde;o de solu&ccedil;&otilde;es de sistemas de transporte inteligente em &aacute;reas urbanas e seguran&ccedil;a rodovi&aacute;ria urbana<sup><a id="calibre_link-68" title="19" href="#calibre_link-19" class="noteref">19</a></sup>. Mais uma vez, verifica-se a fundamental interliga&ccedil;&atilde;o entre os valores da efici&ecirc;ncia e da sustentabilidade que dever&aacute;, naturalmente, orientar a concreta implementa&ccedil;&atilde;o e operacionaliza&ccedil;&atilde;o, de novos modelos na &aacute;rea da mobilidade.</p>       <p>O &ldquo;Pacote da Mobilidade Urbana&rdquo; havia j&aacute; sido precedido pela ado&ccedil;&atilde;o por parte da Comiss&atilde;o Europeia, em 25 de setembro de 2007, do Livro Verde &ndash; &ldquo;Por uma nova cultura de mobilidade urbana.&rdquo; Atrav&eacute;s deste instrumento, a Comiss&atilde;o procurara estabelecer uma nova agenda europeia para a mobilidade urbana, respeitando as responsabilidades das autoridades locais, regionais e nacionais neste dom&iacute;nio e pretendendo, simultaneamente, facilitar a procura de novas e diferentes solu&ccedil;&otilde;es, por exemplo atrav&eacute;s da partilha das melhores pr&aacute;ticas desenvolvidas em algumas cidades<sup><a id="calibre_link-69" title="20" href="#calibre_link-20" class="noteref">20</a></sup>.</p>       <p>O Livro Verde apresentou exemplos de efici&ecirc;ncia e sustentabilidade no &acirc;mbito da melhoria da qualidade do transporte coletivo, como o aumento da utiliza&ccedil;&atilde;o de tecnologias limpas e energeticamente eficientes, a promo&ccedil;&atilde;o da pr&aacute;tica de caminhada e do ciclismo (a chamada mobilidade suave) e a prote&ccedil;&atilde;o dos direitos dos passageiros de transportes p&uacute;blicos.</p>       <p>Ainda em 2009, o Parlamento Europeu e o Conselho aprovaram a Diretiva 2009/33/CE, de 23 de Abril de 2009, relativa &agrave; promo&ccedil;&atilde;o de ve&iacute;culos de transporte rodovi&aacute;rio n&atilde;o poluentes e energeticamente eficientes, com o objeto e a finalidade de exigir &ldquo;que os poderes p&uacute;blicos, as entidades adjudicantes e alguns operadores [tivessem] em conta os impactos energ&eacute;tico e ambiental durante o tempo de vida, incluindo o consumo de energia e as emiss&otilde;es de CO2 e de determinados poluentes, ao comprarem ve&iacute;culos de transporte rodovi&aacute;rio, a fim de promover e estimular o mercado de ve&iacute;culos n&atilde;o poluentes e energeticamente eficientes e de melhorar a contribui&ccedil;&atilde;o do sector dos transportes para as pol&iacute;ticas da Comunidade nos dom&iacute;nios do ambiente, do clima e da energia (artigo 1.&ordm;). Esta diretiva procurou aplicar-se aos contratos de compra e venda de ve&iacute;culos de transporte rodovi&aacute;rio, tanto por parte de poderes p&uacute;blicos ou entidades adjudicantes<sup><a id="calibre_link-70" title="21" href="#calibre_link-21" class="noteref">21</a></sup> (al&iacute;nea a) do artigo 2.&ordm;) como de operadores que executam obriga&ccedil;&otilde;es de servi&ccedil;o p&uacute;blico no &acirc;mbito de contratos de servi&ccedil;o p&uacute;blico (al&iacute;nea b) do artigo 2.&ordm;).</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A mencionada diretiva foi recentemente revista pela Diretiva (UE) 2019/1161 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 20 de junho de 2019, que procurou focar o respetivo regime numa promo&ccedil;&atilde;o de uma mobilidade hipocarb&oacute;nica e numa an&aacute;lise do ciclo de vida dos ve&iacute;culos contratados, relegando a datada express&atilde;o &ldquo;efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica&rdquo; para segundo plano. Tal op&ccedil;&atilde;o verifica-se, desde logo, na pr&oacute;pria altera&ccedil;&atilde;o ao t&iacute;tulo da diretiva (cfr. artigo 1.&ordm; da Diretiva (UE) 2019/1161), apenas se limitando agora &agrave; &ldquo;&agrave; promo&ccedil;&atilde;o de ve&iacute;culos de transporte rodovi&aacute;rio n&atilde;o poluentes a favor da mobilidade com n&iacute;vel baixo de emiss&otilde;es&rdquo;. A nova reda&ccedil;&atilde;o dada ao artigo 5.&ordm; do texto de 2009 revela ainda um importante estabelecimento de objetivos em mat&eacute;ria de contrata&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, expressos como percentagens m&iacute;nimas de ve&iacute;culos n&atilde;o poluentes no n&uacute;mero total de ve&iacute;culos de transporte rodovi&aacute;rio contratados, entre dois per&iacute;odos de refer&ecirc;ncia, sendo o primeiro entre 2 de agosto de 2021 e 31 de dezembro de 2025 e o segundo entre 1 de janeiro de 2026 e 31 de dezembro de 2030.</p>       <p>Tamb&eacute;m no ano de 2009, outro instrumento com especial relev&acirc;ncia no &acirc;mbito das pol&iacute;ticas europeias foi o Plano de A&ccedil;&atilde;o sobre Mobilidade Urbana, adotado pela Comunica&ccedil;&atilde;o da Comiss&atilde;o COM (2009) 490 final, de 30 de setembro de 2009, e que estabeleceu vinte medidas no sentido de incentivar e apoiar as autoridades locais, regionais e nacionais a alcan&ccedil;ar os seus objetivos de mobilidade urbana sustent&aacute;vel. Com o referido Plano de A&ccedil;&atilde;o, a Comiss&atilde;o Europeia apresentou pela primeira vez um pacote de apoio, de car&aacute;ter abrangente no dom&iacute;nio da mobilidade urbana.</p>       <p>As a&ccedil;&otilde;es foram lan&ccedil;adas ao longo dos tr&ecirc;s anos seguintes &agrave; ado&ccedil;&atilde;o do Plano, tendo a Comiss&atilde;o Europeia procedido, posteriormente, a uma an&aacute;lise da execu&ccedil;&atilde;o do Plano de A&ccedil;&atilde;o que teve em conta para o desenvolvimento do j&aacute; referido Pacote de Mobilidade Urbana de 2013.</p>       <p>No &acirc;mbito das pol&iacute;ticas e iniciativas dedicadas &agrave; mobilidade e que t&ecirc;m vindo a ser implementadas por administra&ccedil;&otilde;es locais, regionais, nacionais ou mesmo pelas institui&ccedil;&otilde;es europeias, a preocupa&ccedil;&atilde;o essencial incide na necessidade de uma transi&ccedil;&atilde;o para uma gest&atilde;o sustent&aacute;vel, eficiente e que promova os transportes limpos, a mobilidade suave (formas de locomo&ccedil;&atilde;o n&atilde;o motorizadas) e a intermodalidade, baseada na utiliza&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios tipos de transporte, de molde a promover um mais reduzido volume de emiss&atilde;o de GEE<sup><a id="calibre_link-71" title="22" href="#calibre_link-22" class="noteref">22</a></sup>.</p>       <p>Procura-se que, nos dias de hoje, as &aacute;reas urbanas sejam territ&oacute;rios e comunidades cujas atividades provoquem um impacto neutro no meio ambiente e, consequentemente, no clima<sup><a id="calibre_link-72" title="23" href="#calibre_link-23" class="noteref">23</a></sup>. Neste sentido, importa identificar algumas iniciativas e programas a ter em considera&ccedil;&atilde;o. Por um lado, a CIVITAS, lan&ccedil;ada pela Comiss&atilde;o Europeia em 2002, que visa apoiar as cidades em toda a Europa a implementar e testar estrat&eacute;gias inovadoras e integradas que abordem os objetivos energ&eacute;ticos, de transportes e ambientais. A iniciativa testou e implementou mais de 800 medidas e solu&ccedil;&otilde;es de transporte urbano como parte de projetos de demonstra&ccedil;&atilde;o em mais de 80 cidades <i>Living Lab</i> em toda a UE. O F&oacute;rum anual CIVITAS re&uacute;ne profissionais e pol&iacute;ticos das cidades que integram esta iniciativa<sup><a id="calibre_link-73" title="24" href="#calibre_link-24" class="noteref">24</a></sup>.</p>       <p>Relativamente &agrave; investiga&ccedil;&atilde;o em mobilidade urbana, designadamente nas solu&ccedil;&otilde;es sustent&aacute;veis, tem vindo tamb&eacute;m a ser financiada, nos &uacute;ltimos anos, uma diversidade de atividades de investiga&ccedil;&atilde;o, investiga&ccedil;&atilde;o aplicada e demonstra&ccedil;&atilde;o. Grande parte da informa&ccedil;&atilde;o sobre estes projetos, bem como as melhores pr&aacute;ticas, not&iacute;cias e material de forma&ccedil;&atilde;o, pode ser encontrada no portal europeu denominado ELTIS sobre transporte urbano e mobilidade, enquanto projeto financiado pela Dire&ccedil;&atilde;o-Geral para a Mobilidade e Transportes da Comiss&atilde;o Europeia<sup><a id="calibre_link-74" title="25" href="#calibre_link-25" class="noteref">25</a></sup>. O 7.&ordm; Programa-Quadro de Investiga&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento Tecnol&oacute;gico, substitu&iacute;do pelo Programa Horizonte 2020 e, a partir de 2021, pelo Horizonte Europa, desempenhou, at&eacute; 2013, um papel relevante no apoio &agrave; investiga&ccedil;&atilde;o no dom&iacute;nio dos combust&iacute;veis alternativos (biocombust&iacute;veis e pilhas de hidrog&eacute;nio), incluindo a aplica&ccedil;&atilde;o aos transportes e a investiga&ccedil;&atilde;o sobre a mobilidade urbana (como a pr&oacute;xima gera&ccedil;&atilde;o de ve&iacute;culos, os novos conceitos de mobilidade, os modos de transporte n&atilde;o poluentes, a gest&atilde;o da procura e as ferramentas para apoiar o desenvolvimento e a implementa&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas).</p>       <p>Por outro lado, a &ldquo;Parceria Europeia para a Inova&ccedil;&atilde;o de Cidades e Comunidades Inteligentes&rdquo; assumiu como objetivo principal garantir um apoio efetivo &agrave;s cidades e &agrave;s comunidades, &agrave;s empresas e &agrave; sociedade civil, para a implementa&ccedil;&atilde;o de solu&ccedil;&otilde;es mais inteligentes para as cidades a uma escala de maior dimens&atilde;o. Na referida parceria unem-se as &aacute;reas da energia, dos transportes e das tecnologias da informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o (TIC), de molde a procurar melhorar servi&ccedil;os, reduzindo simultaneamente o consumo de energia e os impactos poluentes<sup><a id="calibre_link-75" title="26" href="#calibre_link-26" class="noteref">26</a></sup>.</p>       <p>O programa &ldquo;Energia Inteligente para a Europa&rdquo;, atrav&eacute;s da iniciativa <i>STEER &ndash; Energy in Transport</i>, representa tamb&eacute;m um exemplo de uma iniciativa para o financiamento de atividades que promovam uma utiliza&ccedil;&atilde;o mais sustent&aacute;vel da energia nos transportes, atrav&eacute;s da efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica, da utiliza&ccedil;&atilde;o de fontes de combust&iacute;vel novas e renov&aacute;veis, do incentivo a ve&iacute;culos alternativos e do refor&ccedil;o do conhecimento das ag&ecirc;ncias de gest&atilde;o locais no dom&iacute;nio dos transportes<sup><a id="calibre_link-76" title="27" href="#calibre_link-27" class="noteref">27</a></sup>.</p>       <p>Tamb&eacute;m em mat&eacute;ria de campanhas lan&ccedil;adas pela Comiss&atilde;o Europeia, destaque dever&aacute; ser dado &agrave; iniciativa <i>Do the Right Mix</i>, que visou promover uma realidade em que, usando diferentes modos de transporte para cada viagem (atrav&eacute;s da intermodalidade), conforme apropriado, os cidad&atilde;os poderiam melhorar sua sa&uacute;de, as suas condi&ccedil;&otilde;es financeiras e o pr&oacute;prio meio ambiente, e que consistiu numa iniciativa de tr&ecirc;s anos que procurou apoiar os &ldquo;mobilizadores urbanos&rdquo; a desenvolver a sua atividade de forma sustent&aacute;vel nos 28 Estados-Membros da UE, mas tamb&eacute;m na Noruega, Isl&acirc;ndia e Liechtenstein<sup><a id="calibre_link-77" title="28" href="#calibre_link-28" class="noteref">28</a></sup>.</p>       <p>Ainda assim, a campanha que tem sido mais disseminada na UE nesta mat&eacute;ria tem sido a iniciativa anual que decorre anualmente na semana entre 16 e 22 de setembro &ndash; &ldquo;Semana Europeia da Mobilidade&rdquo; &ndash; e que procura incentivar as autoridades locais europeias a introduzir medidas de transporte sustent&aacute;veis, convidando os residentes e visitantes a recorrer a alternativas ao uso do autom&oacute;vel, com especial prefer&ecirc;ncia &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o de vias pedonais, ciclovias e transportes p&uacute;blicos. O tema da iniciativa para o ano de 2020 ser&aacute; &ldquo;Mobilidade de Emiss&otilde;es-Zero para Todos&rdquo;<sup><a id="calibre_link-78" title="29" href="#calibre_link-29" class="noteref">29</a></sup>.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Mais recentemente, a Comiss&atilde;o Europeia apresentou &ndash; e o Parlamento Europeu manifestou o seu apoio, mediante resolu&ccedil;&atilde;o de 15 de janeiro de 2020<sup><a id="calibre_link-79" title="30" href="#calibre_link-30" class="noteref">30</a></sup> &ndash; o Pacto Ecol&oacute;gico Europeu (<i>European Green Deal</i>), que consiste num pacote de medidas que procura permitir &agrave;s empresas e aos cidad&atilde;os europeus beneficiar de uma transi&ccedil;&atilde;o ecol&oacute;gica sustent&aacute;vel. As medidas s&atilde;o acompanhadas por um roteiro inicial de pol&iacute;ticas fundamentais, que incluem a redu&ccedil;&atilde;o das emiss&otilde;es de GEE e o investimento na investiga&ccedil;&atilde;o e na inova&ccedil;&atilde;o de ponta, de molde a preservar o ambiente natural da Europa. Um importante dom&iacute;nio de interven&ccedil;&atilde;o do Pacto &eacute;, exatamente, a mobilidade sustent&aacute;vel. Considerando que as emiss&otilde;es provenientes dos transportes representam um quarto das emiss&otilde;es de GEE na UE e continuam a aumentar, o Pacto Ecol&oacute;gico visa reduzi-las 90% at&eacute; 2050. As solu&ccedil;&otilde;es apresentadas s&atilde;o, portanto, baseadas na mobilidade automatizada e sistemas inteligentes de gest&atilde;o do tr&aacute;fego rodovi&aacute;rio para transportes mais eficientes e mais limpos; no desenvolvimento de aplica&ccedil;&otilde;es inteligentes e de solu&ccedil;&otilde;es de mobilidade como servi&ccedil;o; no aumento da oferta de combust&iacute;veis alternativos sustent&aacute;veis no setor dos transportes; num quadro normativo mais restritivo da polui&ccedil;&atilde;o autom&oacute;vel; na redu&ccedil;&atilde;o da polui&ccedil;&atilde;o nos portos da UE; ou na melhoria a qualidade do ar nas imedia&ccedil;&otilde;es dos aeroportos. Mais acresce que o Pacto Ecol&oacute;gico prev&ecirc; um mecanismo financeiro para a &ldquo;transi&ccedil;&atilde;o justa&rdquo;, direcionado a apoiar as regi&otilde;es e setores que s&atilde;o mais afetados pela transi&ccedil;&atilde;o para a economia verde, &ldquo;n&atilde;o deixando ningu&eacute;m para tr&aacute;s&rdquo;<sup><a id="calibre_link-80" title="31" href="#calibre_link-31" class="noteref">31</a></sup>.</p>       <p>Ainda no que respeita &agrave; mat&eacute;ria de transportes no continente europeu, mas na perspetiva mais alargada da Comiss&atilde;o Econ&oacute;mica das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Europa (conhecida como UNECE), um interessante estudo recente demonstra que ocorr&ecirc;ncias clim&aacute;ticas extremas e altera&ccedil;&otilde;es a mais longo-prazo (como a subida do n&iacute;vel do mar), tal como efeitos cumulativos, podem resultar em danos &agrave;s infraestruturas de transporte, interrup&ccedil;&otilde;es operacionais e press&otilde;es na capacidade e efici&ecirc;ncia das redes europeias<sup><a id="calibre_link-81" title="32" href="#calibre_link-32" class="noteref">32</a></sup>.</p>       <p>Os resultados apresentados demonstram que o pr&oacute;prio setor da mobilidade e transportes est&aacute; tamb&eacute;m ele amea&ccedil;ado pela realidade das altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas. Deste modo, a necessidade de uma r&aacute;pida mudan&ccedil;a de paradigma tem tamb&eacute;m de passar pela gest&atilde;o e utiliza&ccedil;&atilde;o da mobilidade e transportes, no sentido de estrat&eacute;gias e solu&ccedil;&otilde;es mais sustent&aacute;veis e, essencialmente, hipocarb&oacute;nicas.</p>       <p>Ainda no &acirc;mbito da UNECE, os ministros dos transportes dos estados reuniram-se em Genebra, entre 25 e 28 de fevereiro, para aprovar uma Declara&ccedil;&atilde;o para a implementa&ccedil;&atilde;o de solu&ccedil;&otilde;es sustent&aacute;veis ??de transporte terrestre, no sentido de enfrentar os desafios clim&aacute;ticos e ambientais. A mencionada Declara&ccedil;&atilde;o tem como principal inten&ccedil;&atilde;o servir de <i>call to action</i> para a Segunda Confer&ecirc;ncia Global sobre Transportes Sustent&aacute;veis, agendada para Pequim, entre 5 e 7 de maio de 2020, de molde a que sejam assumidos compromissos que cumpram os objetivos que foram estabelecidos no Acordo de Paris<sup><a id="calibre_link-82" title="33" href="#calibre_link-33" class="noteref">33</a></sup>.</p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>4. Desenvolvimentos na realidade nacional</b></p>       <p>Procurando seguir as experi&ecirc;ncias internacionais e europeias no caminho para cidades e territ&oacute;rios mais sustent&aacute;veis (e at&eacute; mesmo mais inteligentes), a Estrat&eacute;gia &ldquo;Cidades Sustent&aacute;veis 2020&rdquo;, aprovada em Portugal pela Resolu&ccedil;&atilde;o do Conselho de Ministros n.&ordm; 61/2015, de 16 de julho, pretendeu persuadir os respons&aacute;veis locais, regionais e nacionais a implementar medidas para cidades mais pr&oacute;speras, mais resilientes<sup><a id="calibre_link-83" title="34" href="#calibre_link-34" class="noteref">34</a></sup>, mais saud&aacute;veis, mais justas, mais conectadas e mais cognitivas. De acordo com o recomendado pela estrat&eacute;gia, a atua&ccedil;&atilde;o dos diferentes atores da cidade deve basear-se nos princ&iacute;pios orientadores da Estrutura&ccedil;&atilde;o urbana do territ&oacute;rio (n.&ordm; 1); territorializa&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas (n.&ordm; 2); coordena&ccedil;&atilde;o horizontal (n.&ordm; 3); coordena&ccedil;&atilde;o vertical (n.&ordm; 4); envolvimento ativo (n.&ordm; 5); conhecimento do territ&oacute;rio (n.&ordm; 6); e capacita&ccedil;&atilde;o coletiva (n.&ordm; 7).</p>       <p>Estabeleceu- se, atrav&eacute;s da referida Resolu&ccedil;&atilde;o do Conselho de Ministros, que a Estrat&eacute;gia &ldquo;Cidades Sustent&aacute;veis 2020&rdquo; seria implementada com o aux&iacute;lio de instrumentos de operacionaliza&ccedil;&atilde;o, designadamente atrav&eacute;s das denominadas &ldquo;fontes de financiamento para o desenvolvimento urbano sustent&aacute;vel&rdquo;, previstas no par&aacute;grafo 7.1.1 do referido documento e que implicam o recurso ao ciclo de financiamento europeu 2014-2020 (que agora termina), complementado com outras solu&ccedil;&otilde;es de investimento geridas a n&iacute;vel europeu. Podemos enunciar, como exemplos, os programas Horizonte 2020, INTERREG (Europa, MED, SUDOE, POCTEP), Espa&ccedil;o Atl&acirc;ntico, COSME, LIFE e URBACT III, entre outros, e o Fundo Europeu para Investimentos Estrat&eacute;gicos, mas tamb&eacute;m a &ldquo;abordagens territoriais integradas&rdquo; (7.1.2), de que &eacute; exemplo o enfoque particular que &ldquo;(&hellip;) &eacute; dado &agrave;s a&ccedil;&otilde;es integradas de desenvolvimento sustent&aacute;vel (AIDUS), que se destinam a prosseguir estrat&eacute;gias de desenvolvimento sustent&aacute;vel no &acirc;mbito do quadro de financiamento europeu &ldquo;Portugal 2020&rdquo;, tendo em considera&ccedil;&atilde;o a relev&acirc;ncia dos sistemas urbanos na dinamiza&ccedil;&atilde;o do crescimento e do emprego, da competitividade e da inova&ccedil;&atilde;o, e tamb&eacute;m da sustentabilidade e promo&ccedil;&atilde;o da qualidade de vida&rdquo;, a par da elabora&ccedil;&atilde;o e implementa&ccedil;&atilde;o de Planos Estrat&eacute;gicos de Desenvolvimento Urbano (PEDU) e tamb&eacute;m Planos de Mobilidade Urbana Sustent&aacute;vel, definidos ao n&iacute;vel de NUTIII, planos de a&ccedil;&atilde;o para a regenera&ccedil;&atilde;o urbana para &aacute;reas espec&iacute;ficas selecionadas e planos de a&ccedil;&atilde;o integrados para as comunidades desfavorecidas objeto de interven&ccedil;&atilde;o<sup><a id="calibre_link-84" title="35" href="#calibre_link-35" class="noteref">35</a></sup>. A mobilidade sustent&aacute;vel assume, tamb&eacute;m aqui, um papel relevante na mudan&ccedil;a de paradigma para territ&oacute;rios mais sustent&aacute;veis e resilientes.</p>       <p>Em complemento a esta estrat&eacute;gia, cumpre tamb&eacute;m real&ccedil;ar o trabalho desenvolvido, num &acirc;mbito nacional, em mat&eacute;ria de desenvolvimento urbano sustent&aacute;vel, que culminou na elabora&ccedil;&atilde;o e publica&ccedil;&atilde;o de um Relat&oacute;rio Nacional &ndash; Portugal Habitat III<sup><a id="calibre_link-85" title="36" href="#calibre_link-36" class="noteref">36</a></sup>, de agosto de 2016, como prepara&ccedil;&atilde;o da posi&ccedil;&atilde;o portuguesa para a anteriormente mencionada Confer&ecirc;ncia do Quito e que ter&aacute; contribu&iacute;do para as conclus&otilde;es finais daquela iniciativa, que adotou a <i>Nova Agenda Urbana &ndash; Declara&ccedil;&atilde;o do Quito sobre Cidades Sustent&aacute;veis e Aglomerados Urbanos para Todos</i><sup><a id="calibre_link-86" title="37" href="#calibre_link-37" class="noteref">37</a></sup>.</p>       <p>Uma importante mudan&ccedil;a de paradigma em mat&eacute;ria de mobilidade e transportes em Portugal consistiu na aprova&ccedil;&atilde;o do Decreto-Lei n.&ordm; 86-D/2016, de 31 de dezembro, e do Decreto n.&ordm; 82/2016, de 28 de novembro, mediante os quais se deu o primeiro passo na efetiva implementa&ccedil;&atilde;o de novos modelos de gest&atilde;o descentralizada do servi&ccedil;o p&uacute;blico de transporte por autocarro no concelho de Lisboa e na &Aacute;rea Metropolitana do Porto (AMP).</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Nos termos do Decreto-Lei n.&ordm; 86-D/2016, o Munic&iacute;pio de Lisboa passou a ser, simultaneamente, a autoridade de transportes <i>titular </i>do servi&ccedil;o p&uacute;blico de transporte coletivo de passageiros por autocarro prestado pela Carris, o <i>concedente</i> no contrato de concess&atilde;o existente, e o <i>detentor da totalidade</i> das a&ccedil;&otilde;es representativas do capital social daquela empresa p&uacute;blica<sup><a id="calibre_link-87" title="38" href="#calibre_link-38" class="noteref">38</a></sup>. Por outro lado, nos termos do estabelecido pelo Decreto-Lei n.&ordm; 82/2016, &eacute; a AMP, na qualidade de entidade intermunicipal<sup><a id="calibre_link-88" title="39" href="#calibre_link-39" class="noteref">39</a></sup>, que passa a ser, em <i>partilha</i> com o Estado, titular de compet&ecirc;ncias alusivas ao servi&ccedil;o p&uacute;blico de transporte de passageiros, detentora da posi&ccedil;&atilde;o de <i>contraente p&uacute;blico</i> no &ldquo;contrato de servi&ccedil;o p&uacute;blico&rdquo; que vier a ser modificado e, finalmente, a <i>gestora operacional</i> da STCP<sup><a id="calibre_link-89" title="40" href="#calibre_link-40" class="noteref">40</a></sup>.</p>       <p>Procurou o legislador juntar &agrave; descentraliza&ccedil;&atilde;o de compet&ecirc;ncias, axial nos modelos de <i>new public management</i><sup><a id="calibre_link-90" title="41" href="#calibre_link-41" class="noteref">41</a></sup> de origem anglo-sax&oacute;nica, juntar a motiva&ccedil;&atilde;o em implementar um racional de promo&ccedil;&atilde;o da efici&ecirc;ncia e sustentabilidade neste concreto servi&ccedil;o p&uacute;blico de transporte. Esta motiva&ccedil;&atilde;o apreende-se, desde logo, da leitura dos pre&acirc;mbulos de ambos os diplomas, uma vez que &eacute; sublinhado que o novo modelo de gest&atilde;o do servi&ccedil;o a ser prestado pela Carris visa &ldquo;a eleva&ccedil;&atilde;o dos atuais patamares de efici&ecirc;ncia e sustentabilidade no desenvolvimento do servi&ccedil;o p&uacute;blico de transporte de passageiros, e pretende refor&ccedil;ar a promo&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas de sustentabilidade ambiental e de redu&ccedil;&atilde;o da emiss&atilde;o de poluentes, designadamente atrav&eacute;s da renova&ccedil;&atilde;o da frota de autocarros da Carris com ve&iacute;culos movidos a g&aacute;s natural, energia el&eacute;trica ou outras formas de energia pass&iacute;veis de gerar ganhos ambientais&rdquo;<sup><a id="calibre_link-91" title="42" href="#calibre_link-42" class="noteref">42</a></sup>. Por outro lado, no diploma da STCP, prev&ecirc;-se que &ldquo;o exerc&iacute;cio pela AMP de poderes de autoridade de transportes e de gest&atilde;o operacional do servi&ccedil;o p&uacute;blico em causa visa maximizar a seguran&ccedil;a, efici&ecirc;ncia, qualidade e menor custo dos transportes p&uacute;blicos para os utentes dos munic&iacute;pios servidos pela STCP, S. A.&rdquo;, e por conseguinte, com impactos positivos no plano da sustentabilidade.</p>       <p>Acresce que, tamb&eacute;m em sede preambular, o Decreto-Lei n.&ordm; 86-D/2016, enfatiza a necessidade de refor&ccedil;ar a promo&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas de sustentabilidade ambiental e de redu&ccedil;&atilde;o da emiss&atilde;o de poluentes, &ldquo;designadamente atrav&eacute;s da renova&ccedil;&atilde;o da frota de autocarros da Carris com ve&iacute;culos movidos a g&aacute;s natural, energia el&eacute;trica ou outras formas de energia pass&iacute;veis de gerar ganhos ambientais&rdquo;<sup><a id="calibre_link-92" title="43" href="#calibre_link-43" class="noteref">43</a></sup>.</p>       <p>Um subsequente marco substancial na promo&ccedil;&atilde;o de um acesso mais equitativo ao transporte p&uacute;blico em Portugal foi a introdu&ccedil;&atilde;o de pre&ccedil;os mais reduzidos no passe &ldquo;Navegante&rdquo; para os transportes nas &aacute;reas metropolitanas portuguesas. Exemplo deste momento relevante foi, na &aacute;rea metropolitana de Lisboa, o Regulamento n.&ordm; 278-A/2019, de 27 de mar&ccedil;o, entretanto alterado pelo Regulamento n.&ordm; 717/2019, de 13 de setembro, que estabeleceu a defini&ccedil;&atilde;o valores reduzidos para cart&otilde;es de viagem municipais e metropolitanos (artigo 8.&ordm;). A mencionada iniciativa permitiu que mais utilizadores tivessem acesso aos transportes p&uacute;blicos, podendo contribuir para uma redu&ccedil;&atilde;o do tr&aacute;fego rodovi&aacute;rio nos grandes centros urbanos e tamb&eacute;m para a consequente melhoria da mobilidade sustent&aacute;vel<sup><a id="calibre_link-93" title="44" href="#calibre_link-44" class="noteref">44</a></sup>.</p>       <p>Em todo o caso, ser&aacute; ainda necess&aacute;rio que estas medidas cheguem a toda a popula&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o apenas &agrave;s residentes nas &aacute;reas metropolitanas ou nas &aacute;reas urbanas, uma vez que tamb&eacute;m fora dessas &aacute;reas a igualdade no acesso &agrave; mobilidade deve ser garantida.</p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>5. A transi&ccedil;&atilde;o justa</b></p>       <p>Os avan&ccedil;os na mobilidade sustent&aacute;vel e nas inova&ccedil;&otilde;es que permitem, cada vez mais, a sua implementa&ccedil;&atilde;o e a consequente redu&ccedil;&atilde;o de GEE s&atilde;o ineg&aacute;veis. No entanto, as desigualdades existentes no territ&oacute;rio e no seio das sociedades n&atilde;o permitem ainda o acesso de todos &agrave;s mais recentes inova&ccedil;&otilde;es que permitam a transi&ccedil;&atilde;o para um paradigma de uma total mobilidade sustent&aacute;vel (incluindo a suave).</p>       <p>Imp&otilde;e-se, portanto, uma r&aacute;pida adapta&ccedil;&atilde;o por parte das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e do direito, para garantir a chamada &ldquo;transi&ccedil;&atilde;o justa&rdquo; tamb&eacute;m para a &aacute;rea da mobilidade &ndash; de uma mobilidade convencional para as novas abordagens amigas do ambiente, acess&iacute;veis a todos<sup><a id="calibre_link-94" title="45" href="#calibre_link-45" class="noteref">45</a></sup>.</p>       <p>Os territ&oacute;rios, e em especial as autoridades respons&aacute;veis pela gest&atilde;o dos mesmos, devem, naturalmente, procurar implementar sistemas de transporte urbano mais sustent&aacute;veis, com o objetivo de reduzir acidentes, congestionamentos, polui&ccedil;&atilde;o do ar e do ru&iacute;do, a emiss&atilde;o de GEE e melhorar as intera&ccedil;&otilde;es sociais, a qualidade de vida, os servi&ccedil;os e as infraestruturas. Os sistemas de mobilidade e transporte contempor&acirc;neos s&atilde;o, portanto, muitas vezes caracterizados como injustos. Tendem a favorecer o transporte motorizado, deixando para tr&aacute;s outras formas de transporte mais sustent&aacute;veis e, com elas, grande parte das popula&ccedil;&otilde;es, que n&atilde;o t&ecirc;m capacidade financeira para aceder a essas solu&ccedil;&otilde;es sustent&aacute;veis ou hipocarb&oacute;nicas<sup><a id="calibre_link-95" title="46" href="#calibre_link-46" class="noteref">46</a></sup>.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As comunidades modernas encontram-se expostas aos riscos e aos poluentes do tr&aacute;fego rodovi&aacute;rio (mas tamb&eacute;m do a&eacute;reo), a distribui&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o n&atilde;o &eacute; igual e o tempo de transporte &eacute; habitualmente longo e desconfort&aacute;vel. A injusti&ccedil;a no transporte urbano influencia as mudan&ccedil;as no planeamento urbano dos dias de hoje, no desenvolvimento das infraestruturas de transporte e na gest&atilde;o do tr&acirc;nsito. Simultaneamente, as pol&iacute;ticas de transporte aos n&iacute;veis local, regional, estadual e nacional t&ecirc;m impactos diretos nos padr&otilde;es de uso e desenvolvimento do espa&ccedil;o. E os esfor&ccedil;os para desafiar as pol&iacute;ticas de discrimina&ccedil;&atilde;o, segrega&ccedil;&atilde;o e transporte desigual abrangem uma ampla s&eacute;rie de impactos sociais.</p>       <p>Por estes motivos, as pol&iacute;ticas para o acesso &agrave; mobilidade e aos transportes sustent&aacute;veis devem combater as desigualdades desde a fase do planeamento &agrave; da gest&atilde;o. Um sistema de transportes justo deve: (i) garantir oportunidades de envolvimento p&uacute;blico significativo no processo de planeamento dos transportes, particularmente para as comunidades que sentem mais diretamente o impacto de projetos ou op&ccedil;&otilde;es de financiamento; (ii) manter um alto padr&atilde;o de responsabilidade p&uacute;blica e transpar&ecirc;ncia financeira; (iii) distribuir igualmente os benef&iacute;cios e encargos dos servi&ccedil;os de transporte em todos os n&iacute;veis de rendimentos e comunidades, de forma justa; (iv) fornecer servi&ccedil;os de alta qualidade &ndash; enfatizando o acesso a oportunidades econ&oacute;micas e mobilidade b&aacute;sica &ndash; a todas as comunidades, mas com especial preocupa&ccedil;&atilde;o com aquelas que mais dependentes dos servi&ccedil;os de transporte; e (v) priorizar igualmente os esfor&ccedil;os para revitalizar comunidades com maiores dificuldades econ&oacute;micas e minorit&aacute;rias, expandindo as infraestrutura de transporte para garantir maior igualdade no acesso.<sup><a id="calibre_link-96" title="47" href="#calibre_link-47" class="noteref">47</a></sup></p>       <p>A transi&ccedil;&atilde;o justa no acesso &agrave; mobilidade sustent&aacute;vel dever&aacute; aliar estas componentes &agrave; presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os de mobilidade e transporte baseados em solu&ccedil;&otilde;es n&atilde;o poluentes e hipocarb&oacute;nicas. A igualdade no acesso aos transportes deve, por isso, ser tamb&eacute;m articulada com a justi&ccedil;a ambiental (e, nos dias de hoje, tamb&eacute;m a justi&ccedil;a clim&aacute;tica). Tal como acontece com os aterros e as ind&uacute;strias poluidoras, que s&atilde;o mais propensas a localizar-se perto de comunidades de baixos rendimentos e/ou minorit&aacute;rias, o mesmo ocorre com o acesso a transportes e &agrave; mobilidade.<sup><a id="calibre_link-97" title="48" href="#calibre_link-48" class="noteref">48</a></sup> E mais ainda a transportes e mobilidade amigos do ambiente.</p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>6. Conclus&otilde;es e perspetivas futuras</b></p>       <p>O setor dos transportes &eacute; um dos principais respons&aacute;veis pelo aumento das emiss&otilde;es de GEE e de ru&iacute;do<sup><a id="calibre_link-98" title="49" href="#calibre_link-49" class="noteref">49</a></sup>. Deste modo, o presente artigo teve como principal inten&ccedil;&atilde;o mapear algumas das mais relevantes op&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas, estrat&eacute;gicas e jur&iacute;dicas na &aacute;rea da mobilidade e transportes, em especial na parte em que esta se relaciona com a sustentabilidade (e o caminho para uma sociedade de baixo-carbono), mas tamb&eacute;m na forma como ser&aacute; poss&iacute;vel garantir um acesso &agrave; mobilidade sustent&aacute;vel a todas as popula&ccedil;&otilde;es.</p>       <p>Dos avan&ccedil;os nas agendas internacionais, mormente no seio das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, ao desenvolvimento de pol&iacute;ticas e estrat&eacute;gias no &acirc;mbito da Uni&atilde;o Europeia, o caminho para a mobilidade sustent&aacute;vel est&aacute; a tornar-se cada vez mais concreto, quase sempre impulsionado pela inova&ccedil;&atilde;o e as novas tecnologias que, tantas vezes, permitem a utiliza&ccedil;&atilde;o de plataformas e aplica&ccedil;&otilde;es eletr&oacute;nicas e para dispositivos m&oacute;veis.</p>       <p>Tamb&eacute;m na realidade nacional, diversos instrumentos e mecanismos para a mobilidade sustent&aacute;vel t&ecirc;m vindo a ser adotados, embora, na maioria dos casos, tal aconte&ccedil;a por influ&ecirc;ncia das realidades internacional e europeia. Ainda assim, op&ccedil;&otilde;es como a ado&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias para cidades mais sustent&aacute;veis ou a implementa&ccedil;&atilde;o de medidas que procurem fazer chegar os meios de transporte p&uacute;blico &agrave; maioria dos cidad&atilde;os (especialmente aos que vivem nos arredores das cidades) &ndash; o que se prev&ecirc; que venha a reduzir substancialmente a utiliza&ccedil;&atilde;o do autom&oacute;vel &ndash; demonstram que Portugal se encontra a tra&ccedil;ar um caminho para uma mudan&ccedil;a de paradigma. Em todo o caso, este &eacute; um caminho que exige mais coragem e envolvimento de todos, em especial dos utilizadores dos pr&oacute;prios transportes.</p>       <p>Porque a tem&aacute;tica da mobilidade e dos transportes &eacute; assaz ampla, ficaram por tratar as mat&eacute;rias relacionadas com os transportes a&eacute;reo e mar&iacute;timo, bem como outras concernentes especificamente &agrave; regulamenta&ccedil;&atilde;o do setor autom&oacute;vel (de ligeiros ou pesados), que bastante relev&acirc;ncia assumem tamb&eacute;m nesta mudan&ccedil;a estrat&eacute;gica que as sociedades dos dias de hoje est&atilde;o a viver, em especial devido ao sempre presente tema das altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas.</p>       <p>Conclui-se, portanto e face a todo o expendido, que esta mudan&ccedil;a de paradigma, tamb&eacute;m na mobilidade e nos transportes, tem de ser uma transi&ccedil;&atilde;o para uma sociedade de baixo-carbono (mais ainda, de carbono zero), que se quer efetiva e, acima de tudo, justa e que n&atilde;o deixe ningu&eacute;m para tr&aacute;s.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<br>       <br>       <br>       <div id="footnotes">     <dl id="calibre_link-1" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="1" href="#calibre_link-50" class="calibre6">1</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> NOVA School of Law, Universidade Nova de Lisboa, Campus de Campolide, 1099-032 Lisboa, <a href="mailto:tiagocartaxo@novalaw.unl.pt">tiagocartaxo@novalaw.unl.pt</a></p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-2" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="2" href="#calibre_link-51" class="calibre6">2</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Para uma caracteriza&ccedil;&atilde;o panor&acirc;mica do subsetor dos transportes terrestres rodovi&aacute;rios, veja-se S. Tavares da Silva, &ldquo;Direito Administrativo dos Transportes&rdquo;, in P. Otero e P. Gon&ccedil;alves (coord.), Tratado de Direito Administrativo Especial, Volume V, Coimbra, Almedina, 2011, p. 433.</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-3" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="3" href="#calibre_link-52" class="calibre6">3</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Ver, a este t&iacute;tulo, M. Castro Neto (coord.), Uma Vis&atilde;o Integrada para o Territ&oacute;rio, Lisboa, Dire&ccedil;&atilde;o-Geral do Territ&oacute;rio, 2015, pp. 57-65, dispon&iacute;vel em <a href="http://www.dgterritorio.pt/static/repository/2015-10/2015-10-22173923_54ab20bb-0b19-4b78-b3b7-038c54e07421$$466C622B-84E8-4957-B11E-25B916C851FB$$03EA35CD-0693-4037-9B3B-DF65DE6F4496$$File$$pt$$1.pdf" class="text_3">http://www.dgterritorio.pt/static/repository/2015-10/2015-10-22173923_54ab20bb-0b19-4b78-b3b7-038c54e07421$$466C622B-84E8-4957-B11E-25B916C851FB$$03EA35CD-0693-4037-9B3B-DF65DE6F4496$$File$$pt$$1.pdf</a> (acedido em 29 de fevereiro de 2020).</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-4" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="4" href="#calibre_link-53" class="calibre6">4</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Sobre a tem&aacute;tica da economia circular, ver R. Hughes, &ldquo;The EU Circular Economy Package &ndash; Life Cycle Thinking to Life Cycle Law?&rdquo;, Procedia CIRP, Vol. 61, 2017, pp. 10-16; C. Backes, Law for a Circular Economy, Haia, Eleven, 2017; e, mais recentemente, C. Amado Gomes, &ldquo;O Pl&aacute;stico, a Nova Praga Ambiental&rdquo;, Revista Electr&oacute;nica de Derecho Ambiental, n.&ordm; 35, Diciembre 2019, dispon&iacute;vel em <a target="_blank" href="https://huespedes.cica.es/gimadus/35/35_02-plastico.html" class="text_3">https://huespedes.cica.es/gimadus/35/35_02-plastico.html</a> (acedido em 29 de fevereiro de 2020).</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-5" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="5" href="#calibre_link-54" class="calibre6">5</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Foi, posteriormente, este o sentido do princ&iacute;pio 3 da Declara&ccedil;&atilde;o do Rio sobre Ambiente e Desenvolvimento, resultante da Confer&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Ambiente e Desenvolvimento, em 1992, que, reafirmando as aspira&ccedil;&otilde;es da Declara&ccedil;&atilde;o da Confer&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Ambiente Humano, adotada em Estocolmo em 1972, consagrou que: &ldquo;o direito ao desenvolvimento dever&aacute; ser exercido de forma a atender equitativamente &agrave;s necessidades, em termos de desenvolvimento e de ambiente, das gera&ccedil;&otilde;es atuais e futuras.&rdquo; Para um melhor conhecimento sobre o percurso que a terminologia tem vindo a trilhar nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, cfr. D. Bodansky, The Art and Craft of International Environmental Law, Cambridge, MA, and London, England, Harvard University Press, 2010, pp. 30-35. Ver, sobre o princ&iacute;pio da equidade intergeracional, &ldquo;Law and the Future: A Legal Perspective on Intergenerational Justice&rdquo;, in e-P&uacute;blica Revista Eletr&oacute;nica de Direito P&uacute;blico, Vol. 2, n.&ordm; 2, julho de 2015, e C. Amado Gomes, &ldquo;Responsabilidade intergeracional e o direito ao (ou dever de?) n&atilde;o uso dos recursos naturais&rdquo;, in Revista do Minist&eacute;rio P&uacute;blico, n.&ordm; 145, 2016, pp. 75 ss. </p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-6" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="6" href="#calibre_link-55" class="calibre6">6</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> M. H. Benson e R. K. Craig, The End of Sustainability: Resilience and the Future of Environmental Governance in the Anthropocene, Lawrence, KA, University Press of Kansas, 2017, pp. 33-47.</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-7" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="7" href="#calibre_link-56" class="calibre6">7</a></dt>       <dd class="calibre7">             ]]></body>
<body><![CDATA[<p id="calibre_link-100" class="block_10"> A vers&atilde;o atualizada, em l&iacute;ngua inglesa, da mencionada agenda encontra-se dispon&iacute;vel, nas l&iacute;nguas oficiais da Na&ccedil;&otilde;es Unidas, em: <a target="_blank" href="https://habitat3.org/the-new-urban-agenda" class="text_3">https://habitat3.org/the-new-urban-agenda</a> (acedido em 29 de fevereiro de 2020).</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-8" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="8" href="#calibre_link-57" class="calibre6">8</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Cfr. par&aacute;grafos 24 a 80 do Anexo &agrave;s conclus&otilde;es finais da Confer&ecirc;ncia do Quito.</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-9" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="9" href="#calibre_link-58" class="calibre6">9</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Para uma introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; tem&aacute;tica da resili&ecirc;ncia e a sua rela&ccedil;&atilde;o com o direito, sugere-se a leitura de A.S. Garmestani e C. R. Allen (eds.), Social-Ecological Resilience and Law, New York, Columbia University Press, 2014.</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-10" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="10" href="#calibre_link-59" class="calibre6">10</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Cfr. par&aacute;grafos 81 a 160.</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-11" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="11" href="#calibre_link-60" class="calibre6">11</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Cfr. par&aacute;grafos 161 a 175.</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-12" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="12" href="#calibre_link-61" class="calibre6">12</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Cfr. al&iacute;neas (a), (b) e (c) do par&aacute;grafo 14.</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-13" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="13" href="#calibre_link-62" class="calibre6">13</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Cfr. al&iacute;neas (a), (b) e (c), incisos (i), (ii), (iii) e (iv) do par&aacute;grafo 15.</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-14" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="14" href="#calibre_link-63" class="calibre6">14</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Ainda que se tenham estabelecido tais objetivos, cumpre, a este t&iacute;tulo, assinalar a falta de um consenso de &acirc;mbito internacional, ainda nos nossos dias, sobre o significado substantivo e pr&aacute;tico de um conceito jur&iacute;dico de desenvolvimento sustent&aacute;vel. Neste sentido, cfr. S. Bell et al., Environmental Law, 9th edition, Oxford, Oxford University Press, 2017, pp. 58-65, pp. 148-153. Ver ainda, a prop&oacute;sito desta tem&aacute;tica, C. Amado Gomes, &ldquo;A insustent&aacute;vel leveza do ‘princ&iacute;pio do desenvolvimento sustent&aacute;vel&rsquo;&rdquo;, Revista do Minist&eacute;rio P&uacute;blico, n.&ordm; 147, 2016, pp. 137 ss.</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-15" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="15" href="#calibre_link-64" class="calibre6">15</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> O acordo foi negociado por representantes de 195 pa&iacute;ses e, ap&oacute;s ter sido assinado em 22 de abril de 2016, entrou em vigor a 4 de novembro de 2016, dispon&iacute;vel em <a href="http://unfccc.int/paris_agreement/items/9485.php" class="text_3">http://unfccc.int/paris_agreement/items/9485.php</a> (acedido em 29 de fevereiro de 2020).</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-16" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="16" href="#calibre_link-65" class="calibre6">16</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Note-se que estes atores n&atilde;o-estaduais incluem o chamado grupo NAZCA (Non-State Actor Zone for Climate Action), anteriormente criado aquando da Confer&ecirc;ncia de Lima, que decorreu entre 1 e 12 de dezembro de 2014. Para mais informa&ccedil;&atilde;o sobre a NAZCA consulte-se <a href="http://climateaction.unfccc.int/" class="text_3">http://climateaction.unfccc.int/</a> (acedido em 29 de fevereiro de 2020).</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-17" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="17" href="#calibre_link-66" class="calibre6">17</a></dt>       <dd class="calibre7">             ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Ver p&aacute;gina da internet da Confer&ecirc;ncia Global sobre Transportes Sustent&aacute;veis, Asgabate, 26 e 27 de novembro de 2016, dispon&iacute;vel em <a target="_blank" href="https://sustainabledevelopment.un.org/Global-Sustainable-Transport-Conference-2016" class="text_3">https://sustainabledevelopment.un.org/Global-Sustainable-Transport-Conference-2016</a> (acedido em 29 de fevereiro de 2020).</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-18" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="18" href="#calibre_link-67" class="calibre6">18</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p id="calibre_link-101" class="block_10"> Sobre estas mat&eacute;rias, sugere-se a consulta da p&aacute;gina da internet da Comiss&atilde;o Europeia dedicada &agrave;s &aacute;reas da mobilidade e transportes, dispon&iacute;vel em <a target="_blank" href="https://ec.europa.eu/transport/themes/urban/urban_mobility_en" class="text_3">https://ec.europa.eu/transport/themes/urban/urban_mobility_en</a> (acedido em 29 de fevereiro de 2020).</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-19" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="19" href="#calibre_link-68" class="calibre6">19</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Para mais informa&ccedil;&atilde;o a respeito do &ldquo;Pacote da Mobilidade Urbana&rdquo; consulte-se o seguinte link disponibilizado pela Comiss&atilde;o Europeia: <a target="_blank" href="https://ec.europa.eu/transport/themes/urban/urban_mobility/ump_en" class="text_3">https://ec.europa.eu/transport/themes/urban/urban_mobility/ump_en</a> (acedido em 29 de fevereiro de 2020).</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-20" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="20" href="#calibre_link-69" class="calibre6">20</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> O Livro Verde encontra-se dispon&iacute;vel em <a href="http://eur-lex.europa.eu/legal-content/EN/ALL/?uri=CELEX:52007DC0551" class="text_3">http://eur-lex.europa.eu/legal-content/EN/ALL/?uri=CELEX:52007DC0551</a> (acedido em 29 de fevereiro de 2020).</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-21" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="21" href="#calibre_link-70" class="calibre6">21</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> No &acirc;mbito das Diretivas 2004/17/CE do Parlamento Europeu e do Conselho, de 31 de mar&ccedil;o de 2004, relativa &agrave; coordena&ccedil;&atilde;o dos processos de adjudica&ccedil;&atilde;o de contratos nos sectores da &aacute;gua, da energia, dos transportes e dos servi&ccedil;os postais, e 2004/18/CE do Parlamento Europeu e do Conselho, de 31 de mar&ccedil;o de 2004, relativa &agrave; coordena&ccedil;&atilde;o dos processos de adjudica&ccedil;&atilde;o dos contratos de empreitada de obras p&uacute;blicas, dos contratos p&uacute;blicos de fornecimento e dos contratos p&uacute;blicos de servi&ccedil;os, hoje revogadas, respetivamente, pelas Diretivas 2014/25/UE do Parlamento Europeu e do Conselho, de 26 de fevereiro de 2014, e 2014/24/UE do Parlamento Europeu e do Conselho, de 26 de fevereiro de 2014.</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-22" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="22" href="#calibre_link-71" class="calibre6">22</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Em tema de desenvolvimento sustent&aacute;vel e transportes, cfr. M. Humphreys, Sustainability in European Transport Policy, London and New York, Routledge, 2011, pp. 108-152. </p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-23" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="23" href="#calibre_link-72" class="calibre6">23</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Ver, sobre esta mat&eacute;ria, United Nations Economic Commission for Europe, Climate Neutral Cities: How to make cities less energy and carbon intensive and more resilient to climatic challenges, New York and Geneva, United Nations, 2011.</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-24" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="24" href="#calibre_link-73" class="calibre6">24</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> O portal da iniciativa CIVITAS pode ser consultado em <a href="http://civitas.eu/" class="text_3">http://civitas.eu/</a> (acedido em 29 de fevereiro de 2020).</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-25" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="25" href="#calibre_link-74" class="calibre6">25</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.eltis.org/" class="text_3">http://www.eltis.org/</a> (acedido em 29 de fevereiro de 2020).</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-26" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="26" href="#calibre_link-75" class="calibre6">26</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Ver Comunicado de Imprensa da Comiss&atilde;o Europeia, de 26 de novembro de 2013, dispon&iacute;vel em <a target="_blank" href="https://ec.europa.eu/commission/presscorner/detail/pt/IP_13_1159" class="text_3">https://ec.europa.eu/commission/presscorner/detail/pt/IP_13_1159</a> (acedido em 29 de fevereiro de 2020).</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-27" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="27" href="#calibre_link-76" class="calibre6">27</a></dt>       <dd class="calibre7">             ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Mais informa&ccedil;&atilde;o sobre o programa dispon&iacute;vel em <a target="_blank" href="https://ec.europa.eu/energy/intelligent/about/funding-areas/" class="text_3">https://ec.europa.eu/energy/intelligent/about/funding-areas/</a> (acedido em 29 de fevereiro de 2020).</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-28" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="28" href="#calibre_link-77" class="calibre6">28</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Sobre a iniciativa Do The Right Mix &ndash; Sustainable Urban Mobility, sugere-se a consulta do seguinte link: <a href="http://dotherightmix.eu/" class="text_3">http://dotherightmix.eu/</a> (acedido em 29 de fevereiro de 2020).</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-29" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="29" href="#calibre_link-78" class="calibre6">29</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Para mais Informa&ccedil;&atilde;o sobre esta iniciativa, ver a p&aacute;gina da internet da Semana Europeia da Mobilidade, dispon&iacute;vel em: <a target="_blank" href="https://mobilityweek.eu/home/" class="text_3">https://mobilityweek.eu/home/</a> (acedido em 29 de fevereiro de 2020).</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-30" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="30" href="#calibre_link-79" class="calibre6">30</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Ver p&aacute;gina da internet do Parlamento Europeu, dispon&iacute;vel em <a target="_blank" href="https://www.europarl.europa.eu/doceo/document/TA-9-2020-0005_EN.html" class="text_3">https://www.europarl.europa.eu/doceo/document/TA-9-2020-0005_EN.html</a> (acedido em 29 de fevereiro de 2020).</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-31" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="31" href="#calibre_link-80" class="calibre6">31</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Ver p&aacute;gina da internet do Pacto Ecol&oacute;gico Europeu, dispon&iacute;vel em <a target="_blank" href="https://ec.europa.eu/info/strategy/priorities-2019-2024/european-green-deal_pt#documents" class="text_3">https://ec.europa.eu/info/strategy/priorities-2019-2024/european-green-deal_pt#documents</a> (acedido em 29 de fevereiro de 2020).</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-32" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="32" href="#calibre_link-81" class="calibre6">32</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> United Nations, Climate Change Impacts and Adaptation for Transport Networks and Nodes, Geneva, United Nations, 2020, dispon&iacute;vel em <a href="http://www.unece.org/trans/resources/publications/trends-and-economics/2020/climate-change-impacts-and-adaptation-for-international-transport-networks/doc.html" class="text_3" lang="en">http://www.unece.org/trans/resources/publications/trends-and-economics/2020/climate-change-impacts-and-adaptation-for-international-transport-networks/doc.html</a> (acedido em 29 de fevereiro de 2020).</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-33" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="33" href="#calibre_link-82" class="calibre6">33</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> A Declara&ccedil;&atilde;o pode ser consultada da p&aacute;gina da internet da UNECE, dispon&iacute;vel em <a href="http://www.unece.org/fileadmin/DAM/trans/doc/2020/itc/ECE-TRANS-2020-2e.pdf" class="text_3">http://www.unece.org/fileadmin/DAM/trans/doc/2020/itc/ECE-TRANS-2020-2e.pdf</a> (acedido em 29 de fevereiro de 2020).</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-34" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="34" href="#calibre_link-83" class="calibre6">34</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p id="calibre_link-102" class="block_10"> Sobre a tem&aacute;tica da resili&ecirc;ncia nas cidades, cfr. J. D. Sachs, The Age of Sustainable Development, New York, Columbia University Press, 2015, pp. 355-391. Ver tamb&eacute;m, na rela&ccedil;&atilde;o com as mat&eacute;rias jur&iacute;dicas, C.A.T. Arnold, &ldquo;Resilient Cities and Adaptive Law&rdquo;, Idaho Law Review, Vol. 50, 2014, pp. 245-264. Dispon&iacute;vel na SSRN: <a target="_blank" href="https://ssrn.com/abstract=2456358" class="text_3">https://ssrn.com/abstract=2456358</a> (acedido em 29 de fevereiro de 2020).</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-35" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="35" href="#calibre_link-84" class="calibre6">35</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Para um maior desenvolvimento do tema, ver C. Cavaco (ed.) Cidades Sustent&aacute;veis 2020, Lisboa, Dire&ccedil;&atilde;o-Geral do Territ&oacute;rio, 2015, dispon&iacute;vel em <a href="http://www.dgterritorio.pt/filedownload.aspx?schema=f7664ca7-3a1a-4b25-9f46-2056eef44c33&channel=35c2e555-c85c-4720-84d1-e2d2f910e83c&content_id=664601B5-48B3-40D1-BC76-C471AEB75A2D&field=storage_image&lang=pt&ver=1&amp;filetype=pdf&dtestate=2015-10-08150530" class="text_3">http://www.dgterritorio.pt/filedownload.aspx?schema=f7664ca7-3a1a-4b25-9f46-2056eef44c33&amp;channel=35c2e555-c85c-4720-84d1-e2d2f910e83c&amp;content_id=664601B5-48B3-40D1-BC76-C471AEB75A2D&amp;field=storage_image&amp;lang=pt&amp;ver=1&amp;filetype=pdf&amp;dtestate=2015-10-08150530</a> (acedido em 29 de fevereiro de 2020).</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-36" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="36" href="#calibre_link-85" class="calibre6">36</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Este Relat&oacute;rio Nacional subdividiu-se nas tem&aacute;ticas (i) Demografia Urbana, (ii) Ordenamento do Territ&oacute;rio e Planeamento Urbano, (iii) Ambiente e Urbaniza&ccedil;&atilde;o (onde surgem, entre outros, os subdom&iacute;nios &ldquo;Redu&ccedil;&atilde;o do congestionamento do tr&aacute;fego&rdquo; e a &ldquo;Polui&ccedil;&atilde;o do Ar&rdquo;), (iv) Governan&ccedil;a Urbana e Legisla&ccedil;&atilde;o, (v) Economia Urbana e (vi) Habita&ccedil;&atilde;o e Infraestruturas B&aacute;sicas. Sobre o respetivo teor, sugere-se a consulta da informa&ccedil;&atilde;o dispon&iacute;vel em <a href="http://habitatiii.dgterritorio.pt/" class="text_3">http://habitatiii.dgterritorio.pt/</a> (acedido em 29 de fevereiro de 2020).</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-37" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="37" href="#calibre_link-86" class="calibre6">37</a></dt>       <dd class="calibre7">             ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Tamb&eacute;m em mat&eacute;ria energ&eacute;tica, dever&aacute; ser feita men&ccedil;&atilde;o ao Plano Nacional de A&ccedil;&atilde;o para a Efici&ecirc;ncia Energ&eacute;tica para o per&iacute;odo 2013-2016 (Estrat&eacute;gia para a Efici&ecirc;ncia Energ&eacute;tica &ndash; PNAEE 2016), aprovado pela Resolu&ccedil;&atilde;o do Conselho de Ministros n.&ordm; 20/2013, de 10 de abril, o qual, embora j&aacute; caducado, suportou relevantes iniciativas recentes no &acirc;mbito da tem&aacute;tica da mobilidade urbana, ao projetar novas a&ccedil;&otilde;es e metas no sentido de dar resposta &agrave;s preocupa&ccedil;&otilde;es relativas &agrave; redu&ccedil;&atilde;o de energia prim&aacute;ria para o horizonte de 2020.</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-38" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="38" href="#calibre_link-87" class="calibre6">38</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Cfr. al&iacute;neas a) a c) dos artigos 1.&ordm;, 2.&ordm;, 3.&ordm; e 4.&ordm; do Decreto-Lei n.&ordm; 86-D/2016.</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-39" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="39" href="#calibre_link-88" class="calibre6">39</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Cfr. n.&ordm; 2 do artigo 63.&ordm;, da Lei n.&ordm; 75/2013, de 12 de setembro, trata-se de uma &ldquo;associa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica de autarquias locais&rdquo;. Esta tamb&eacute;m &eacute; uma autoridade de transportes intermunicipal &agrave; luz do disposto no artigo 8&ordm; do RJSPTP.</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-40" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="40" href="#calibre_link-89" class="calibre6">40</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Cfr. al&iacute;neas a) e b) dos artigos 1.&ordm;, 2.&ordm;, 4.&ordm; e 6.&ordm; do Decreto-Lei n.&ordm; 82/2016.</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-41" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="41" href="#calibre_link-90" class="calibre6">41</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Sobre esta mat&eacute;ria, e entre outros, veja-se J. P. Pfiffner, &ldquo;Traditional Public Administration versus The New Public Management: Accountability versus Efficiency&rdquo;, in A. Benz, H. Siedentopf e K. P. Sommermann (eds.), Institutionenbildung in Regierung und Verwaltung: Festschrift f&uuml;r Klaus Konig, Berlin, Duncker &amp; Humbolt, 2004, pp. 443-454. Em Portugal, veja-se P. Gon&ccedil;alves, &ldquo;Ensaio sobre a boa governa&ccedil;&atilde;o da administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica a partir do mote da &ldquo;new public governance&rdquo;, O Governo da Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica, Governance Lab, Almedina, 2013, p. 12. Num ensaio de defini&ccedil;&atilde;o de new public management inspirado na doutrina, dir&iacute;amos que se trata do conjunto de medidas e estrat&eacute;gias tendentes a melhorar a organiza&ccedil;&atilde;o e o desempenho da fun&ccedil;&atilde;o administrativa, e que visam introduzir na fundamenta&ccedil;&atilde;o da decis&atilde;o p&uacute;blica um racional de economia, efici&ecirc;ncia, efic&aacute;cia e transpar&ecirc;ncia, e n&atilde;o por respeito apenas a uma motiva&ccedil;&atilde;o estritamente pol&iacute;tica, concretizada em obedi&ecirc;ncia mec&acirc;nica &agrave; lei numa l&oacute;gica oitocentista. Sobre o princ&iacute;pio da boa administra&ccedil;&atilde;o, veja-se M. Assis Raimundo, &ldquo;Os princ&iacute;pios no novo CPA e o princ&iacute;pio da boa administra&ccedil;&atilde;o, em particular&rdquo;, in C. Amado Gomes, A. F. Neves e T. Serr&atilde;o (coord.), Coment&aacute;rios ao Novo C&oacute;digo de Procedimento Administrativo, Vol. I, 3&ordf; Edi&ccedil;&atilde;o, Lisboa, AAFDL, p. 169. </p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-42" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="42" href="#calibre_link-91" class="calibre6">42</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Sobre a posterior necessidade da tomada em considera&ccedil;&atilde;o de crit&eacute;rios relativos &agrave; prote&ccedil;&atilde;o do ambiente para determinar a proposta economicamente mais vantajosa em contratos p&uacute;blicos, ver o hist&oacute;rico Ac&oacute;rd&atilde;o do Tribunal de Justi&ccedil;a de 17 de setembro de 2002, Concordia Bus Finland, C-513/99, ECLI:EU:C:2002:495.</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-43" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="43" href="#calibre_link-92" class="calibre6">43</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Neste sentido, ver J. Faria Lopes e T. Melo Cartaxo, &ldquo;Desafios Jur&iacute;dicos para a Mobilidade Urbana em Lisboa e no Porto: Descentraliza&ccedil;&atilde;o de Poderes e Sustentabilidade&rdquo;, Themis &ndash; Revista da Faculdade de Direito da UNL, N.&ordm; 33, Ano XVIII, 2017, pp. 139-174.</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-44" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="44" href="#calibre_link-93" class="calibre6">44</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Entre os exemplos de medidas semelhantes, mas que implementaram o acesso gratuito aos servi&ccedil;os p&uacute;blicos de transporte, encontram-se os casos do munic&iacute;pio de Cascais, a partir de 1 de janeiro de 2020, e do Gr&atilde;o-Ducado do Luxemburgo que, a partir de 1 de mar&ccedil;o de 2020, &eacute; o primeiro pa&iacute;s do mundo a disponibilizar transportes gratuitos para todos. Mais informa&ccedil;&atilde;o sobre o acesso gratuito ao servi&ccedil;o p&uacute;blico de transportes no munic&iacute;pio de Cascais encontra-se dispon&iacute;vel em <a target="_blank" href="https://www.mobicascais.pt/news/cartao-viver-cascais-o-seu-titulo-para-transporte-rodoviario-gratuito-MTMw" class="text_3">https://www.mobicascais.pt/news/cartao-viver-cascais-o-seu-titulo-para-transporte-rodoviario-gratuito-MTMw</a> (acedido em 29 de fevereiro de 2020). As condi&ccedil;&otilde;es para o acesso gratuito ao servi&ccedil;o p&uacute;blico de transportes no Luxemburgo encontram-se dispon&iacute;veis em <a target="_blank" href="https://www.mobiliteit.lu/en/tickets/free-transport/" class="text_3">https://www.mobiliteit.lu/en/tickets/free-transport/</a> (acedido em 29 de fevereiro de 2020).</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-45" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="45" href="#calibre_link-94" class="calibre6">45</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> O termo &ldquo;transi&ccedil;&atilde;o justa&rdquo; &eacute; maioritariamente utilizado na &aacute;rea da energia, como a garantia de que todos os cidad&atilde;os t&ecirc;m um acesso equitativo &agrave; mudan&ccedil;a de um est&aacute;dio em que a energia &eacute; baseada em combust&iacute;veis f&oacute;sseis para um novo paradigma de energia limpa baixo-carbono. Ver N. Healy e J. Barry, &ldquo;Politicizing energy justice and energy system transitions: Fossil fuel divestment and a ‘just transition&rsquo;&rdquo;, Energy Policy, Vol. 108, 2017, pp. 451-459; J. Kent, R. Dowling e S. Maalsen, &ldquo;Catalysts for transport transitions: Bridging the gap between disruptions and change&rdquo;, Journal of Transport Geography, Vol. 60, 2017, pp 200-207.</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-46" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="46" href="#calibre_link-95" class="calibre6">46</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> S. G&ouml;ssling, &ldquo;Urban Transport Justice,&rdquo; Journal of Transport Geography, Vol. 54, 2016, pp. 1-9.</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-47" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="47" href="#calibre_link-96" class="calibre6">47</a></dt>       <dd class="calibre7">             ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Ver T. W. Sanchez e M. Brenman, The Right to Transportation: Moving to Equity Abingdon, Routledge, 2017, pp. 2-10.</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-48" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="48" href="#calibre_link-97" class="calibre6">48</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Ver A. Pettersson, Out and About in the Welfare State &ndash; the Right to Transport in Everyday Life for People with Disabilities in Swedish, Danish and Norwegian Law, Ume&aring;, Ume&aring; University, 2015, dispon&iacute;vel em <a href="http://www.diva-portal.org/smash/get/diva2:802039/FULLTEXT01.pdf" class="text_3" lang="en">http://www.diva-portal.org/smash/get/diva2:802039/FULLTEXT01.pdf</a> (acedido em 29 de fevereiro de 2020); W. Keblowski, D. Bassens e M. Van Criekingen, &ldquo;Re-politicizing Transport with the Right to the City: An Attempt to Mobilise Critical Urban Transport Studies&rdquo;, Cosmopolis, 2016, pp. 2-33, dispon&iacute;vel em <a target="_blank" href="https://cris.vub.be/en/publications/repoliticizing-transport-with-the-right-to-the-city-an-attempt-to-mobilise-critical-urban-transport-studies(f48c7434-1a79-4eef-9889-888786175bff).html" class="text_3" lang="en">https://cris.vub.be/en/publications/repoliticizing-transport-with-the-right-to-the-city-an-attempt-to-mobilise-critical-urban-transport-studies(f48c7434-1a79-4eef-9889-888786175bff).html</a> (acedido em 29 de fevereiro de 2020); S.N. Adli e S. Donovan, &ldquo;Right to the city: Applying justice tests to public transport investments&rdquo;, Transport Policy, Vol. 66, 2018, pp. 56-65.</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-49" class="footnote1">       <dt class="calibre5"><a title="49" href="#calibre_link-98" class="calibre6">49</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> M.T. Folg&ocirc;a Batista, &ldquo;A efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica e o sector dos transportes em Portugal: breve estado da arte&rdquo;, TRIM &ndash; Tordesillas Revista de investigaci&oacute;n multidisciplinar, n.&ordm; 17, 2019, pp. 15-29, dispon&iacute;vel em <a target="_blank" href="https://revistas.uva.es/index.php/trim/article/view/4196/3266" class="text_3">https://revistas.uva.es/index.php/trim/article/view/4196/3266</a> (acedido em 29 de fevereiro de 2020).</p>       </dd>     </dl>   </div> </div>     <br>      ]]></body>
</article>
