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<journal-title><![CDATA[e-Pública: Revista Eletrónica de Direito Público]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Alguns problemas sobre a tutela dos direitos fundamentais na jurisprudência do Tribunal de Justiça da União Europeia: os casos Viking e Laval]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Some problems for the protection of fundamental rights in the jurisprudence of the Court of Justice of the European Union: the Viking and Laval cases]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Viking and Laval are well-known judgments from the Court of Justice of the European Union on the labour field. More than a decade later, they seem to continue restraining the present and the future of EU labour law. This study seeks to reflect critically on that jurisprudence, which certainly constitutes a privileged barometer of one of the biggest constitutional tension in the European Union, namely the collision between economic freedoms stated by the Treaties and the rights laid down by the EU Charter of Fundamental Rights and by the national constitutional laws.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <div>       <p><b><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4">Alguns problemas sobre a tutela dos direitos fundamentais na jurisprud&ecirc;ncia do Tribunal de Justi&ccedil;a da Uni&atilde;o Europeia: os casos Viking e Laval</font></b></p>   <b>    <br>   </b>       <p> <b><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4">Some problems for the protection of fundamental rights in the jurisprudence of the Court of Justice of the European Union: the Viking and Laval cases</font></b></p>       <br>       <p><b>Pedro Oliveira<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-89" title="1" href="#calibre_link-1" class="noteref">1</a></sup></b></p>       <p>Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra    <br>     P&aacute;tio da Universidade    <br>     3004-528 Coimbra - Portugal    <br>     <a href="mailto:pedro_amri@hotmail.com">pedro_amri@hotmail.com</a>     ]]></body>
<body><![CDATA[<br>         <br>         <br>         <br>   </p>       <p><b>RESUMO</b></p>       <p>Na jurisprud&ecirc;ncia do Tribunal de Justi&ccedil;a da Uni&atilde;o Europeia em mat&eacute;ria laboral destacam-se as decis&otilde;es proferidas nos casos <i>Viking </i>e <i>Laval</i>. Mais de uma d&eacute;cada depois, as ondas-de-choque geradas por estes arestos continuam a fazer-se sentir, condicionando o presente e o futuro do direito do trabalho da Uni&atilde;o. Este estudo busca reflectir criticamente sobre essa linha jurisprudencial, a qual, entre outras coisas, constitui um bar&oacute;metro privilegiado de uma das maiores tens&otilde;es constitucionais da Uni&atilde;o Europeia, no choque entre liberdades econ&oacute;micas decorrentes do Tratado e os direitos consagrados na Carta dos Direitos Fundamentais da Uni&atilde;o Europeia e nas Constitui&ccedil;&otilde;es nacionais. </p>       <p><b>Palavras-chave: </b><i>Viking</i>; <i>Laval</i>; liberdades econ&oacute;micas; direitos fundamentais; direito do trabalho da Uni&atilde;o Europeia.</p>       <p> <b>Sum&aacute;rio</b>: 1. Introdu&ccedil;&atilde;o; 2. Recordando os casos <i>Viking</i> e <i>Laval</i>; 3. Os problemas; 4. An&aacute;lise cr&iacute;tica; 4.1. <i>Viking</i>; 4.2. <i>Laval</i>; 5. Em busca da reconcilia&ccedil;&atilde;o entre liberdades econ&oacute;micas e direitos fundamentais; 6. Um caminho ainda <i>in fieri.</i></p>       <br>       <p><b>ABSTRACT</b></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b></b><i>Viking</i> and <i>Laval</i> are well-known judgments from the Court of Justice of the European Union on the labour field. More than a decade later, they seem to continue restraining the present and the future of EU labour law. This study seeks to reflect critically on that jurisprudence, which certainly constitutes a privileged barometer of one of the biggest constitutional tension in the European Union, namely the collision between economic freedoms stated by the Treaties and the rights laid down by the EU Charter of Fundamental Rights and by the national constitutional laws. </p>       <p><b>Keywords:</b> <i>Viking</i> <i>Laval</i>; economic freedoms; fundamental rights; EU labour law.</p>       <p><b>Summary:</b> 1. Introduction. 2. Recalling the Viking and Laval cases. 3. The problems. 4. Critical analysis. 4.1. Viking. 4.2. Laval. 5. In search of reconciliation between economic freedoms and fundamental rights. 6. A path still in fieri.</p>       <p>&nbsp;</p>       <p>&nbsp;</p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>1. Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>       <p>Na jurisprud&ecirc;ncia do Tribunal de Justi&ccedil;a da Uni&atilde;o Europeia em mat&eacute;ria laboral destacam-se, sem d&uacute;vida, as decis&otilde;es proferidas nos casos <i>Viking</i><sup class="calibre2" style="     margin-left: 3px; "><a id="calibre_link-90" title="2" href="#calibre_link-2" class="noteref">2</a></sup><i> </i>e <i>Laval</i><sup class="calibre2"><a style="     margin-left: 3px; " id="calibre_link-91" title="3" href="#calibre_link-3" class="noteref">3</a></sup>. Mais de uma d&eacute;cada depois, as ondas-de-choque geradas por estes arestos continuam a fazer-se sentir, condicionando o presente e o futuro do direito do trabalho da Uni&atilde;o.<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-92" title="4" href="#calibre_link-4" class="noteref">4</a></sup> Al&eacute;m das consequ&ecirc;ncias imediatas para os trabalhadores do espa&ccedil;o europeu, a doutrina decorrente de <i>Viking</i> e <i>Laval</i> colocou claramente em relevo quer as aporias e dificuldades na articula&ccedil;&atilde;o entre o sistema jur&iacute;dico da Uni&atilde;o e as ordens constitucionais dom&eacute;sticas, quer, ainda, zonas de clivagem com o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, cuja jurisdi&ccedil;&atilde;o, com diversos contornos, &eacute; certo, se realiza, como &eacute; sabido, num &acirc;mbito tendencialmente sobrepon&iacute;vel<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-93" title="5" href="#calibre_link-5" class="noteref">5</a></sup>. </p>       <p>Sem surpresa, os arestos <i>Viking</i> e <i>Laval</i> motivaram uma ampl&iacute;ssima reflex&atilde;o na literatura acad&eacute;mica, que alguns compararam a um efeito s&iacute;smico<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-94" title="6" href="#calibre_link-6" class="noteref">6</a></sup>. Entre os problemas fulcrais, real&ccedil;a-se a consequ&ecirc;ncia das escolhas (isto &eacute;, daquilo que se tencionou priorizar) quanto &agrave; pondera&ccedil;&atilde;o entre o econ&oacute;mico e o social, <i>rectius</i>, entre as liberdades econ&oacute;micas do mercado interno e os direitos fundamentais dos trabalhadores<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-95" title="7" href="#calibre_link-7" class="noteref">7</a></sup>, bem como, no plano dogm&aacute;tico-constitucional, a dimens&atilde;o da aplicabilidade directa e horizontal destas mesmas liberdades no conspecto europeu. Para o sobressalto concorre, em suma, o facto de a doutrina fixada em <i>Viking</i>-<i>Laval</i> colocar em cheque a imagem (e a subst&acirc;ncia) do modelo social da Uni&atilde;o, n&atilde;o por for&ccedil;a de interven&ccedil;&atilde;o legiferante, mas por via de uma hermen&ecirc;utica heterodoxa adoptada pelo TJ, que parece emergir como o seu &ldquo;&aacute;pice constitucional&rdquo; (<i>constitutional apex</i>)<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-96" title="8" href="#calibre_link-8" class="noteref">8</a></sup>. </p>       <p>Julgamos oportuno, pois, considerar criticamente essa linha jurisprudencial. Ela constitui um bar&oacute;metro privilegiado de uma das maiores tens&otilde;es constitucionais da Uni&atilde;o Europeia, no choque entre liberdades econ&oacute;micas decorrentes do Tratado e os direitos consagrados na Carta dos Direitos Fundamentais da Uni&atilde;o Europeia<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-97" title="9" href="#calibre_link-9" class="noteref">9</a></sup> e nas Constitui&ccedil;&otilde;es dom&eacute;sticas. Ali&aacute;s, esta reflex&atilde;o torna-se ainda mais urgente quando se atentem nas refrac&ccedil;&otilde;es dos casos <i>Viking</i> e <i>Laval</i> em solu&ccedil;&otilde;es normativas da Uni&atilde;o, das quais se destaca a Directiva 2018/957 do Parlamento Europeu e do Conselho, relativa ao destacamento de trabalhadores no &acirc;mbito de uma presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os, cujo prazo de transposi&ccedil;&atilde;o para os direitos nacionais termina em Julho deste ano.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>       <p><b>2. Recordando os casos <i>Viking</i> e <i>Laval</i></b></p>       <p>Antes de passarmos &agrave;s quest&otilde;es em causa nos arestos <i>Viking</i> e <i>Laval</i>, recorde-se o essencial do circunstancialismo f&aacute;ctico. </p>       <p>O caso <i>Viking</i> envolveu o Sindicato dos Mar&iacute;timos Finlandeses e a Federa&ccedil;&atilde;o Internacional dos Trabalhadores dos Transportes (ITF) contra a <i>Viking Line ABP</i>, uma empresa finlandesa operadora de servi&ccedil;os de <i>ferry</i> entre Hels&iacute;nquia na Finl&acirc;ndia (Estado-Membro da UE desde 1995) e Talin na Est&oacute;nia (Estado-Membro da UE desde 2004). </p>       <p>Em 2003, a <i>Viking </i>decidiu<i> </i>alterar o pavilh&atilde;o do seu navio (<i>Rosella</i>) da Finl&acirc;ndia para a Est&oacute;nia, pa&iacute;s a partir do qual passaria a prestar servi&ccedil;os, permitindo-lhe assim celebrar um acordo colectivo com um sindicato est&oacute;nio e, desse modo, aligeirar as condi&ccedil;&otilde;es de trabalho da tripula&ccedil;&atilde;o da referida embarca&ccedil;&atilde;o que, embora fosse constitu&iacute;da maioritariamente por trabalhadores finlandeses, viu-se assim, <i>ex abrupto</i>, sujeita &agrave;s regras laborais est&oacute;nias, consagradoras de sal&aacute;rios mais baixos e condi&ccedil;&otilde;es de emprego menos favor&aacute;veis. </p>       <p>A <i>Viking</i> encetou negocia&ccedil;&otilde;es com o sindicato finland&ecirc;s com vista ao <i>re-flagging</i> do<i>Rosella. </i>O sindicato op&ocirc;s-se a tal medida e decretou uma greve que teria lugar a partir de 2 de Dezembro de 2003 &ndash; o direito de greve &eacute; um direito fundamental na ordem jur&iacute;dica interna e vem consignado no artigo 13.&ordm; da Constitui&ccedil;&atilde;o finlandesa<i>. </i>Al&eacute;m<i> </i>disso, o sindicato,<i> </i>na qualidade de afiliado da ITF<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-98" title="10" href="#calibre_link-10" class="noteref">10</a></sup>, apelou &agrave; solidariedade desta no sentido de reportar os factos descritos aos demais afiliados e pedir-lhes que se abstivessem de celebrar eventuais acordos colectivos com a <i>Viking. </i>A ITF, considerando que era o sindicato finland&ecirc;s quem tinha legitimidade para a celebra&ccedil;&atilde;o do acordo, atendeu &agrave; solicita&ccedil;&atilde;o e enviou, a 6 de Novembro de 2003, uma carta informativa a todos os seus membros. Por seu turno, a <i>Viking</i>, com receio de ser defrontada com a greve, acatou as exig&ecirc;ncias do sindicato finland&ecirc;s, deixando o <i>re-flagging</i> em suspenso. </p>       <p>Entretanto, em 18 de Agosto de 2004, pouco tempo depois de a Est&oacute;nia se ter tornado um Estado-Membro da Uni&atilde;o Europeia, a <i>Viking</i> requereu &agrave; <i>Commercial Court of England and Wales</i> uma injun&ccedil;&atilde;o para impedir que a ITF e o sindicato finland&ecirc;s lan&ccedil;assem m&atilde;o de ac&ccedil;&otilde;es colectivas <i>ad futurum</i> que visassem travar a altera&ccedil;&atilde;o do pavilh&atilde;o do <i>Rosella</i> para a Est&oacute;nia. Em 16 de Junho de 2005, a judicatura inglesa reconheceu a pretens&atilde;o da <i>Viking</i> por considerar que as ac&ccedil;&otilde;es colectivas eram contr&aacute;rias ao Direito da Uni&atilde;o Europeia. O sindicato finland&ecirc;s e a ITF recorreram da decis&atilde;o para a <i>Court of Appeal</i>, a qual, a 3 de Novembro de 2005, em sede de reenvio prejudicial, resolveu submeter o caso ao julgamento do Tribunal de Justi&ccedil;a. </p>       <p>No caso <i>Laval</i>, a <i>Baltic Bygg AB</i>, filial sueca da <i>Laval un Partneri Ltd</i> (Laval) &ndash; empresa let&atilde; do sector da constru&ccedil;&atilde;o, foi adjudicada por concurso p&uacute;blico em Junho de 2004 para a remodela&ccedil;&atilde;o de um estabelecimento escolar em Vaxhol, na Su&eacute;cia. </p>       <p>Por conseguinte, o sindicato sueco dos trabalhadores da constru&ccedil;&atilde;o (<i>Svenska Byggnadsarbetaref&ouml;rbundet</i> &ndash;<i> Bygngnads</i>) &ndash; entabulou negocia&ccedil;&otilde;es com a <i>Laval</i> com vista &agrave; celebra&ccedil;&atilde;o de um acordo de ades&atilde;o que estendesse a aplica&ccedil;&atilde;o da conven&ccedil;&atilde;o colectiva do respectivo sector de actividade aos trabalhadores destacados, de forma a poder negociar com a <i>Laval</i>, caso a caso, as remunera&ccedil;&otilde;es salariais destes. A <i>Laval</i> n&atilde;o somente recusou os termos expostos, como tamb&eacute;m encetou uma nova contratualiza&ccedil;&atilde;o com um sindicato let&atilde;o dos trabalhadores da constru&ccedil;&atilde;o. </p>       <p>Em resposta, o <i>Byggnads</i>, apoiado pelo sindicato sueco dos electricistas, desencadeou ac&ccedil;&otilde;es colectivas nos finais de 2004, incluindo um boicote pac&iacute;fico nas instala&ccedil;&otilde;es da <i>Baltic Bygg</i> &ndash; o direito de greve &eacute; um direito fundamental &agrave; luz da Constitui&ccedil;&atilde;o Sueca. </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Por causa disso, a <i>Laval</i> intentou uma ac&ccedil;&atilde;o judicial num tribunal do trabalho sueco, na qual invocava a viola&ccedil;&atilde;o do seu direito de livre circula&ccedil;&atilde;o, consagrado no Tratado, e reclamava, al&eacute;m da declara&ccedil;&atilde;o de ilegalidade de tais ac&ccedil;&otilde;es colectivas, uma injun&ccedil;&atilde;o que as interrompesse, bem como uma indemniza&ccedil;&atilde;o a ser paga pelos sindicatos em virtude dos preju&iacute;zos financeiros que tivera &ndash; a empresa entrara entretanto num processo de liquida&ccedil;&atilde;o por insolv&ecirc;ncia. O &oacute;rg&atilde;o jurisdicional <i>ad quem</i> sueco suspendeu a inst&acirc;ncia e reenviou ao TJUE as quest&otilde;es atinentes ao caso <i>sub judice</i>. </p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>3. Os problemas</b></p>       <p>Tal como no caso <i>Laval</i>, as garantias jur&iacute;dicas da entidade patronal alegadamente infringidas em <i>Viking</i> referiam-se &agrave;s liberdades econ&oacute;micas do Direito da Uni&atilde;o Europeia, nomeadamente a liberdade de estabelecimento e a livre presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os, estatu&iacute;das, respectivamente, nos artigos 49.&ordm; e 56.&ordm; do Tratado Sobre o Funcionamento da Uni&atilde;o Europeia (doravante TFUE)<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-99" title="11" href="#calibre_link-11" class="noteref">11</a></sup>. Em oposi&ccedil;&atilde;o, tanto o sindicato sueco em <i>Laval</i>, como o sindicato finland&ecirc;s no caso <i>Viking</i>, invocaram, em defesa das ac&ccedil;&otilde;es colectivas postas em pr&aacute;tica, o direito &agrave; greve, constitucionalmente reconhecidos nestes pa&iacute;ses.<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-100" title="12" href="#calibre_link-12" class="noteref">12</a></sup> </p>       <p>O cerne da quest&atilde;o estava, pois, em saber se o exerc&iacute;cio de um direito fundamental de um Estado-Membro poderia colocar em causa as liberdades econ&oacute;micas priorit&aacute;rias na Uni&atilde;o, bem como se estas liberdades gozariam de efic&aacute;cia horizontal directa, no sentido de permitir um particular valer-se delas contra outro particular. A d&uacute;vida era revers&iacute;vel: estariam os direitos fundamentais das constitui&ccedil;&otilde;es dos Estados-Membros sujeitos &agrave; constri&ccedil;&atilde;o por for&ccedil;a das liberdades do mercado interno?</p>       <p>Este confronto afigurava-se particularmente relevante, na medida em que convocava do Tribunal de Justi&ccedil;a uma posi&ccedil;&atilde;o decisiva para o futuro do direito laboral da Uni&atilde;o Europeia. No essencial, a decis&atilde;o a proferir poderia acolher-se a um de dois m&eacute;todos: <i>opting-out</i> ou <i>opting</i>-<i>in</i><sup class="calibre2"><a id="calibre_link-101" title="13" href="#calibre_link-13" class="noteref">13</a></sup><i>.</i> Seguindo esta linha de racioc&iacute;nio, o papel do Tribunal na forma&ccedil;&atilde;o daquele ramo jur&iacute;dico teria correspondido ao <i>opting-out</i> se: (i) seguisse a sua pr&oacute;pria jurisprud&ecirc;ncia precedente (aresto <i>Albany) </i>e exclu&iacute;sse as ac&ccedil;&otilde;es colectivas do escopo das disposi&ccedil;&otilde;es do Tratado relativas &agrave;s liberdades econ&oacute;micas<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-102" title="14" href="#calibre_link-14" class="noteref">14</a></sup>; (ii) invocasse o princ&iacute;pio da subsidiariedade, deixando a cargo dos Estados-Membros a aprecia&ccedil;&atilde;o da colis&atilde;o entre as ordens jur&iacute;dicas nacionais e comunit&aacute;ria respeitantes ao direito de ac&ccedil;&atilde;o colectiva dos sindicatos e &agrave;s liberdades econ&oacute;micas dos empregadores<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-103" title="15" href="#calibre_link-15" class="noteref">15</a></sup>; ou (iii) recusasse a aplica&ccedil;&atilde;o das disposi&ccedil;&otilde;es concernentes &agrave;s liberdades econ&oacute;micas contra os sindicatos (rejei&ccedil;&atilde;o da efic&aacute;cia direta horizontal)<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-104" title="16" href="#calibre_link-16" class="noteref">16</a></sup>. Em vez disso, e como se ver&aacute; adiante, a doutrina seguida pelo tribunal nos casos <i>Viking</i> e <i>Laval</i> configurou o <i>opting-in</i>. </p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>4. An&aacute;lise cr&iacute;tica</b></p>       <p><b>4.1 <i>Viking </i></b></p>       <p>Importa, antes de mais, chamar a aten&ccedil;&atilde;o para um n&oacute;dulo problem&aacute;tico a prop&oacute;sito do qual o Tribunal de Justi&ccedil;a n&atilde;o se manifestou, mas que ainda assim n&atilde;o se nos afigura despiciendo aflorar. Trata-se daquilo que se designa na doutrina por <i>forum shopping</i><sup class="calibre2"><a id="calibre_link-105" title="17" href="#calibre_link-17" class="noteref">17</a></sup>. &Eacute; sabido que a transnacionaliza&ccedil;&atilde;o das ac&ccedil;&otilde;es colectivas potencia o envolvimento das judicaturas de diferentes Estados-Membros. Daqui podem resultar algumas d&uacute;vidas (que, diga-se de passagem, se fazem tamb&eacute;m sentir noutros dom&iacute;nios de actua&ccedil;&atilde;o)<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-106" title="18" href="#calibre_link-18" class="noteref">18</a></sup>. Assim: (i) qual o tribunal nacional jurisdicionalmente competente para julgar a licitude de uma ac&ccedil;&atilde;o colectiva dessa natureza; e (ii) qual a lei dom&eacute;stica subsum&iacute;vel a esses casos? </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Estas interpela&ccedil;&otilde;es, pensadas sobretudo no horizonte do direito internacional privado, demandam especial cautela quando transpostas para o contexto juslaboral europeu, uma vez que as respostas delas emanadas acentuam os riscos de flexibiliza&ccedil;&atilde;o e inseguran&ccedil;a jur&iacute;dica neste campo. Ora, sabemos que tribunais diferentes adoptam perspectivas diferentes acerca da legalidade das ac&ccedil;&otilde;es colectivas transfronteiri&ccedil;as. E n&atilde;o foi por acaso, ali&aacute;s, que a <i>Viking</i>, tendo em vista que a sede da ITF estava localizada em Londres, instaurou a ac&ccedil;&atilde;o judicial na <i>British High Court</i>. Tratou-se na verdade de uma escolha estrat&eacute;gica: a estreiteza da leitura do int&eacute;rprete-julgador ingl&ecirc;s<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-107" title="19" href="#calibre_link-19" class="noteref">19</a></sup> certamente n&atilde;o coincidiria com a da judicatura finlandesa, caso a conformidade das ac&ccedil;&otilde;es colectivas tivessem sido levadas &agrave; aprecia&ccedil;&atilde;o desta, desde logo porque o direito &agrave; greve na Finl&acirc;ndia, diversamente da ordem jur&iacute;dica inglesa<i>, </i>traduz, conforme se referiu, um direito fundamental consagrado na Constitui&ccedil;&atilde;o daquele pa&iacute;s. </p>       <p>Acrescente-se, por outro lado, que a n&iacute;vel europeu o direito &agrave; greve vem enunciado no artigo 28.&ordm; da Carta dos Direitos Fundamentais da Uni&atilde;o Europeia<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-108" title="20" href="#calibre_link-20" class="noteref">20</a></sup>. Isto n&atilde;o significa, por&eacute;m, que tal desiderato tenha constitu&iacute;do uma via de resolu&ccedil;&atilde;o do problema. A Carta n&atilde;o havia sido ainda equiparada ao patamar do direito prim&aacute;rio da Uni&atilde;o (o que efectivamente aconteceria em Dezembro de 2009). N&atilde;o obstante, o TJUE, embora de forma &ldquo;defensiva&rdquo;<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-109" title="21" href="#calibre_link-21" class="noteref">21</a></sup>, invocou-a no caso <i>sub judice</i>, acabando aqui por replicar outras dificuldades que at&eacute; hoje parecem limitar o alcance das garantias nela consagradas: distin&ccedil;&atilde;o entre direitos e princ&iacute;pios<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-110" title="22" href="#calibre_link-22" class="noteref">22</a></sup>. Nos dizeres do tribunal, &ldquo;embora o direito de desencadear uma ac&ccedil;&atilde;o colectiva, incluindo o direito de greve, deva, assim, ser reconhecido enquanto direito fundamental que constitui parte integrante dos princ&iacute;pios gerais do direito comunit&aacute;rio cuja observ&acirc;ncia &eacute; assegurada pelo Tribunal de Justi&ccedil;a, &eacute; tamb&eacute;m verdade que o seu exerc&iacute;cio pode ser sujeito a determinadas restri&ccedil;&otilde;es&rdquo;<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-111" title="23" href="#calibre_link-23" class="noteref">23</a></sup>. </p>       <p>O reconhecimento do direito de ac&ccedil;&atilde;o colectiva, incluindo &agrave; greve, enquanto princ&iacute;pio geral do direito do trabalho da Uni&atilde;o Europeia, n&atilde;o clarificaria, contudo, se a colis&atilde;o entre este direito e as liberdades econ&oacute;micas &eacute; concili&aacute;vel, e nem de que modo este conflito tem de ser legalmente constru&iacute;do. </p>       <p>O TJUE, ao arrepio do que defendera anteriormente<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-112" title="24" href="#calibre_link-24" class="noteref">24</a></sup>, afirmou que as ac&ccedil;&otilde;es colectivas descritas no lit&iacute;gio n&atilde;o escapavam do &acirc;mbito de aplica&ccedil;&atilde;o do artigo 49.&ordm; do TFUE (antigo artigo 43.&ordm; do Tratado da Comunidade Europeia). A este prop&oacute;sito, o Tribunal, ancorado na casu&iacute;stica em torno da compatibiliza&ccedil;&atilde;o das liberdades econ&oacute;micas (livre circula&ccedil;&atilde;o de mercadorias e livre presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os), com os direitos fundamentais (liberdades de express&atilde;o e de reuni&atilde;o), concluiu no sentido de o exerc&iacute;cio destes poder restringir aquelas liberdades<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-113" title="25" href="#calibre_link-25" class="noteref">25</a></sup>. N&atilde;o se pode escamotear, todavia, a estranheza desta interpreta&ccedil;&atilde;o anal&oacute;gica, dado que os contornos dos casos em apre&ccedil;o eram consideravelmente divergentes do caso <i>Viking</i>, e a promo&ccedil;&atilde;o das ac&ccedil;&otilde;es colectivas neles inscritas n&atilde;o tiveram como protagonistas nem trabalhadores nem as suas estruturas representativas. </p>       <p>Bem vistas as coisas, o TJUE estava n&atilde;o s&oacute; a ignorar as finalidades do ramo juslaboral, como tamb&eacute;m deixou evidente que perspectiva as ac&ccedil;&otilde;es colectivas primeiramente em termos do impacto que elas podem ter na prossecu&ccedil;&atilde;o das liberdades econ&oacute;micas do mercado interno, <i>in casu,</i> da liberdade de estabelecimento<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-114" title="26" href="#calibre_link-26" class="noteref">26</a></sup>. Mas a &ldquo;supremacia&rdquo; dessas liberdades, aparentemente mais fundamentais do que os preceitos constitucionais dom&eacute;sticos, n&atilde;o passaria despercebido ao olhar mais atento da doutrina, que a avaliou enquanto factor amea&ccedil;ador do &ldquo;<i>acquis communautaire</i> social&rdquo;<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-115" title="27" href="#calibre_link-27" class="noteref">27</a></sup>.</p>       <p>Outro ru&iacute;do sist&eacute;mico trazido &agrave; decis&atilde;o do tribunal pelos representantes do governo de alguns pa&iacute;ses (revelador da fragilidade do princ&iacute;pio da subsidiariedade) prendeu-se com a exclus&atilde;o da compet&ecirc;ncia da Uni&atilde;o para regular o direito &agrave; greve. A este prop&oacute;sito, o TJUE declarou, de forma bastante impressiva, que &ldquo;embora seja verdade que, nos dom&iacute;nios n&atilde;o abrangidos pela compet&ecirc;ncia da Comunidade, os Estados-Membros continuam, em princ&iacute;pio, a ter liberdade para fixar as condi&ccedil;&otilde;es de exist&ecirc;ncia dos direitos em causa e as modalidades de exerc&iacute;cio desses direitos, n&atilde;o &eacute; menos certo que, no exerc&iacute;cio das suas compet&ecirc;ncias, os Estados-Membros devem respeitar o direito comunit&aacute;rio&rdquo;<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-116" title="28" href="#calibre_link-28" class="noteref">28</a></sup>. </p>       <p>Note-se, de todo o modo, que o julgamento do caso <i>Viking</i> n&atilde;o contou somente com aspectos negativos. Com efeito, o tribunal declarou que a actua&ccedil;&atilde;o da Uni&atilde;o deve ter em conta n&atilde;o apenas a optimiza&ccedil;&atilde;o do mercado interno, mas igualmente a prossecu&ccedil;&atilde;o da <i>social</i> <i>policy</i>: &ldquo;os direitos que resultam das disposi&ccedil;&otilde;es do Tratado relativas &agrave; livre circula&ccedil;&atilde;o de mercadorias, de pessoas, de servi&ccedil;os e de capitais devem ser ajustados aos objectivos prosseguidos pela pol&iacute;tica social, entre os quais figura, designadamente, como resulta do artigo 136.&deg;, primeiro par&aacute;grafo, CE, a melhoria das condi&ccedil;&otilde;es de vida e de trabalho, de modo a permitir a sua igualiza&ccedil;&atilde;o no progresso, uma protec&ccedil;&atilde;o social adequada e o di&aacute;logo social&rdquo;<sup class="calibre2"> </sup><sup class="calibre2"><a id="calibre_link-117" title="29" href="#calibre_link-29" class="noteref">29</a></sup>.</p>       <p>A verdade, por&eacute;m, &eacute; que conciliar estes direitos e liberdades constitui uma tarefa particularmente delicada, reclamando por isso um olhar mais circunstanciado por parte do int&eacute;rprete. Efectivamente, o Advogado-Geral Miguel Poiares Maduro sublinhou nas suas conclus&otilde;es a complexidade desta mat&eacute;ria, deixando assente que, embora a liberdade de estabelecimento e a livre presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os sejam concili&aacute;veis com o exerc&iacute;cio dos direitos fundamentais ou com a pol&iacute;tica social da comunidade, uma resposta ao problema suscitado no caso <i>Viking</i> n&atilde;o era simples<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-118" title="30" href="#calibre_link-30" class="noteref">30</a></sup>. </p>       <p>Apesar de ter admitido que as ac&ccedil;&otilde;es colectivas promovidas pelos sindicatos eram motivadas pelos elevados riscos de compress&atilde;o das garantias laborais, que resultaria da mudan&ccedil;a do pavilh&atilde;o do navio para a Est&oacute;nia, a opini&atilde;o do Advogado-Geral (subscrita posteriormente pelo TJUE) parece ter conferido uma for&ccedil;a exponencial &agrave;s liberdades do mercado interno, em detrimento dos direitos fundamentais dos trabalhadores<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-119" title="31" href="#calibre_link-31" class="noteref">31</a></sup>. &Eacute; o que se infere, por exemplo, da leitura da seguinte formula&ccedil;&atilde;o: &ldquo;inevitavelmente, a realiza&ccedil;&atilde;o do progresso econ&oacute;mico atrav&eacute;s do com&eacute;rcio intracomunit&aacute;rio implica, para os trabalhadores em toda a Comunidade, o risco de terem de se sujeitar a mudan&ccedil;as de circunst&acirc;ncias de trabalho, ou mesmo de perderem os seus empregos&rdquo;<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-120" title="32" href="#calibre_link-32" class="noteref">32</a></sup>.</p>       <p>No que diz respeito &agrave; efic&aacute;cia directa horizontal do artigo 43.&ordm; do Tratado, relativo &agrave; liberdade de estabelecimento, entendeu-se que o mesmo pode ser invocado pelos particulares (no caso a empresa <i>Viking</i>) contra um terceiro (no caso os sindicatos)<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-121" title="33" href="#calibre_link-33" class="noteref">33</a></sup> quando estes particulares sejam confrontados com &ldquo;um obst&aacute;culo que n&atilde;o podem razoavelmente evitar&rdquo;<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-122" title="34" href="#calibre_link-34" class="noteref">34</a></sup>. Esta leitura do TJUE acabou por ampliar o per&iacute;metro do direito prim&aacute;rio da Uni&atilde;o, na medida em que, como vimos, se afasta da regra segundo a qual o disposto no Tratado teria por norma efeito vertical, s&oacute; excepcionalmente podendo gerar efeito directo horizontal. Numa viragem, o are&oacute;pago do Luxemburgo enfatizou que a jurisprud&ecirc;ncia por ele firmada &ldquo;n&atilde;o cont&eacute;m ind&iacute;cio algum que permita sustentar validamente que se limita &agrave;s associa&ccedil;&otilde;es ou aos organismos que exercem fun&ccedil;&otilde;es regulamentares ou que disp&otilde;em de poderes quase-legislativos&rdquo;<sup class="calibre2"> </sup><sup class="calibre2"><a id="calibre_link-123" title="35" href="#calibre_link-35" class="noteref">35</a></sup>. </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Pese embora o facto deste aspecto poder ter representado uma revolu&ccedil;&atilde;o coperniciana na jurisprud&ecirc;ncia da Uni&atilde;o<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-124" title="36" href="#calibre_link-36" class="noteref">36</a></sup>, ele n&atilde;o esconde a j&aacute; conhecida preocupa&ccedil;&atilde;o do TJUE em salvaguardar, a qualquer custo, a chamada integra&ccedil;&atilde;o &ldquo;negativa&rdquo; do mercado, atrav&eacute;s da remo&ccedil;&atilde;o das barreiras &agrave; livre circula&ccedil;&atilde;o, entendidas como aquelas atua&ccedil;&otilde;es que possam ter um &ldquo;efeito neutralizador&rdquo; postas em pr&aacute;tica pelos sujeitos de direito privado. </p>       <p>Mas se assim &eacute;, surge de imediato a seguinte pergunta: que tipo de ac&ccedil;&otilde;es colectivas &ndash; leg&iacute;timas a n&iacute;vel nacional &ndash; est&atilde;o aptas a vulnerar as liberdades de circula&ccedil;&atilde;o? Ora, esta d&uacute;vida faz todo o sentido se pensarmos no segmento espec&iacute;fico das estruturas de representa&ccedil;&atilde;o colectiva dos trabalhadores, mais concretamente quanto a (maior ou menor) efectividade dos meios que adoptam para alcan&ccedil;ar os fins para os quais s&atilde;o institu&iacute;das. E &eacute; imperioso que para atingir essas finalidades, o exerc&iacute;cio de uma ac&ccedil;&atilde;o colectiva como a greve implique, enquanto mecanismo de press&atilde;o, algum preju&iacute;zo econ&oacute;mico para os empregadores. </p>       <p>Do aludido pelo Tribunal n&atilde;o emana uma resposta inequ&iacute;voca &agrave; interroga&ccedil;&atilde;o referenciada. De todo o modo, os ju&iacute;zes observaram que a conduta praticada pela federa&ccedil;&atilde;o internacional dos trabalhadores do transporte com o intuito de dissuadir o n&atilde;o registo da matr&iacute;cula de um navio num Estado-Membro diferente daquele da nacionalidade do seu propriet&aacute;rio efectivo,&ldquo;deve considerar-se, no m&iacute;nimo, suscept&iacute;vel de restringir o exerc&iacute;cio pela <i>Viking</i> do seu direito de livre estabelecimento&rdquo;<sup class="calibre2"> </sup><sup class="calibre2"><a id="calibre_link-125" title="37" href="#calibre_link-37" class="noteref">37</a></sup>. </p>       <p>Essa vis&atilde;o estreita seguida pelo are&oacute;pago do Luxemburgo implica (ou potencia) pelo menos duas consequ&ecirc;ncias nefastas, designadamente o <i>dumping</i> social e o enfraquecimento das ac&ccedil;&otilde;es colectivas, visto que ao minimiz&aacute;-las, est&aacute; igualmente a p&ocirc;r em causa a sua efectividade<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-126" title="38" href="#calibre_link-38" class="noteref">38</a></sup>. Na realidade, ao contr&aacute;rio da dissocia&ccedil;&atilde;o interpretativa feita pelo TJUE, o direito fundamental de negocia&ccedil;&atilde;o colectiva, sem o direito &agrave; greve, reduzir-se-ia numa mera &ldquo;pedinchagem&rdquo; ou, simplesmente, numa &ldquo;esmola&rdquo; colectiva<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-127" title="39" href="#calibre_link-39" class="noteref">39</a></sup>.</p>       <p>Recorde-se, ali&aacute;s, que &agrave; imagem de outros sistemas jur&iacute;dicos europeus, incluindo o finland&ecirc;s, o direito &agrave; greve vem consignado na Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica Portuguesa, concretamente no artigo 57.&ordm;. Na li&ccedil;&atilde;o de Gomes Canotilho e Vital Moreira, &ldquo;a caracteriza&ccedil;&atilde;o constitucional do direito &agrave; greve como um dos &ldquo;direitos, liberdades e garantias&rdquo; significa, entre outras coisas: (a) um direito subjectivo negativo, n&atilde;o podendo os trabalhadores ser proibidos ou impedidos de fazer greve, nem podendo ser compelidos a p&ocirc;r termo a uma greve em curso (salvo se il&iacute;cita); (b) efic&aacute;cia externa imediata, em rela&shy;&ccedil;&atilde;o a entidades privadas (n&ordm; 1 do artigo 18.&ordm;), n&atilde;o constituindo o exerc&iacute;cio do direito de greve qualquer viola&ccedil;&atilde;o do contrato de trabalho, nem podendo as mesmas entidades neutralizar ou aniquilar praticamente esse direito; (c) efic&aacute;cia imediata, no sentido de directa aplicabilidade, n&atilde;o podendo o exerc&iacute;cio deste direito depender da exist&ecirc;ncia de qualquer lei concretizadora. Como meio de &laquo;ac&ccedil;&atilde;o directa&raquo; dos trabalhadores constitucio&shy;nalmente reconhecido, a greve traduz-se num incumprimento l&iacute;cito da obriga&ccedil;&atilde;o de presta&ccedil;&atilde;o de trabalho, com os preju&iacute;zos inerentes para as entidades empregadoras (interrup&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o, risco de incumpri&shy;mento de encomendas)&rdquo;<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-128" title="40" href="#calibre_link-40" class="noteref">40</a></sup>. </p>       <p>A resposta ao caso <i>Viking</i> &ndash; assente na antinomia entre uma liberdade econ&oacute;mica do mercado interno e o direito fundamental de ac&ccedil;&atilde;o colectiva &ndash; foi a de que caberia ao int&eacute;rprete-julgador nacional aferir da adequa&ccedil;&atilde;o da ac&ccedil;&atilde;o colectiva em causa<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-129" title="41" href="#calibre_link-41" class="noteref">41</a></sup>, em conson&acirc;ncia com o princ&iacute;pio da proporcionalidade.<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-130" title="42" href="#calibre_link-42" class="noteref">42</a></sup> </p>       <p>Mas o tribunal n&atilde;o ficou por aqui. De modo bastante contundente, ele &ldquo;adiantou&rdquo;, ao &oacute;rg&atilde;o jurisdicional de reenvio, que &ldquo;o artigo 43.&deg; CE [actual artigo 49.&ordm; do TFUE] deve ser interpretado no sentido de que ac&ccedil;&otilde;es colectivas como as que est&atilde;o em causa no processo principal, que visam induzir uma empresa cuja sede est&aacute; situada num Estado-Membro determinado a celebrar uma conven&ccedil;&atilde;o colectiva de trabalho com um sindicato estabelecido nesse Estado e a aplicar as cl&aacute;usulas previstas nessa conven&ccedil;&atilde;o aos trabalhadores de uma filial da referida empresa estabelecida noutro Estado-Membro, constituem restri&ccedil;&otilde;es na acep&ccedil;&atilde;o do referido artigo&rdquo;. E termina por dizer que &ldquo;estas restri&ccedil;&otilde;es podem, em princ&iacute;pio, ser justificadas pela protec&ccedil;&atilde;o de uma raz&atilde;o imperiosa de interesse geral, como a protec&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores, na condi&ccedil;&atilde;o de se provar que s&atilde;o aptas a garantir a realiza&ccedil;&atilde;o do objectivo leg&iacute;timo prosseguido e n&atilde;o ultrapassam o necess&aacute;rio para o alcan&ccedil;ar&rdquo;<sup class="calibre2"> </sup><sup class="calibre2"><a id="calibre_link-131" title="43" href="#calibre_link-43" class="noteref">43</a></sup>. </p>       <p>O Tribunal n&atilde;o se pronunciou acerca das ac&ccedil;&otilde;es colectivas que eventualmente pudessem estar enquadradas nos crit&eacute;rios (algo vago) acima mencionados. Questiona-se, afinal, o que podem configurar raz&otilde;es imperiosas de interesse geral? Os Estados-Membros n&atilde;o t&ecirc;m legitimidade para determinar a configura&ccedil;&atilde;o das mesmas em favor da tutela dos direitos fundamentais dos trabalhadores? O direito &agrave; greve deve funcionar como <i>ultima ratio</i>?</p>       <p>N&atilde;o deixa de ser curioso que, no caso <i>sub judice</i>, e como ali&aacute;s foi frisado na doutrina, a &uacute;ltima palavra acerca da justifica&ccedil;&atilde;o das ac&ccedil;&otilde;es colectivas, com base no princ&iacute;pio da proporcionalidade<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-132" title="44" href="#calibre_link-44" class="noteref">44</a></sup>, seria, inaugural<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-133" title="45" href="#calibre_link-45" class="noteref">45</a></sup> e &ldquo;ironicamente&rdquo;<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-134" title="46" href="#calibre_link-46" class="noteref">46</a></sup>, de um int&eacute;rprete-julgador ingl&ecirc;s. </p>       <p>Como resulta das observa&ccedil;&otilde;es contidas no caso <i>Viking</i>, o TJUE deixou &agrave; judicatura nacional uma margem de discricionariedade consideravelmente limitada<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-135" title="47" href="#calibre_link-47" class="noteref">47</a></sup> e esta linha jurisprudencial seria reiterada (com maior robustez) em <i>Laval</i>. </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>       <p><b>4.2. <i>Laval</i></b></p>       <p>No caso <i>Laval</i>, a an&aacute;lise da quest&atilde;o suscitada no tribunal do trabalho sueco assumiu contornos mais complexos. De um modo bastante &ldquo;intrigante&rdquo;<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-136" title="48" href="#calibre_link-48" class="noteref">48</a></sup>, o TJUE apreciou a conformidade das ac&ccedil;&otilde;es colectivas n&atilde;o s&oacute; &agrave; luz do direito prim&aacute;rio (livre presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os), mas tamb&eacute;m na esteira da Directiva 96/71/CE, de 16 de Dezembro de 1996, relativa ao destacamento de trabalhadores no &acirc;mbito de uma presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-137" title="49" href="#calibre_link-49" class="noteref">49</a></sup>. </p>       <p> Em primeiro lugar, &eacute; importante recordar que, como se extrai do direito da Uni&atilde;o, as Directivas n&atilde;o t&ecirc;m efic&aacute;cia horizontal directa<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-138" title="50" href="#calibre_link-50" class="noteref">50</a></sup>, porquanto n&atilde;o seria leg&iacute;timo que a entidade patronal (<i>Laval</i>) viesse perante a judicatura nacional invocar um instrumento normativo desta natureza contra os sindicatos. </p>       <p>A despeito disso, o TJUE subscreveu a tese do Advogado-Geral P. Menghozzi, para quem era pertinente interpretar a Directiva 96/71 em conjuga&ccedil;&atilde;o com o artigo 49.&ordm; do Tratado da Comunidade Europeia<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-139" title="51" href="#calibre_link-51" class="noteref">51</a></sup>. No entendimento deste, uma medida incompat&iacute;vel com a Directiva 96/71 ser&aacute;, <i>a fortiori</i>, contr&aacute;ria ao artigo 49.&ordm;, o que n&atilde;o significa, por&eacute;m, que uma medida consonante com esta mesma Directiva tamb&eacute;m o seja com o artigo 49.&ordm;<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-140" title="52" href="#calibre_link-52" class="noteref">52</a></sup>. </p>       <p>Nesta linha, o TJUE estabeleceu uma rela&ccedil;&atilde;o &ldquo;enigm&aacute;tica&rdquo; entre estes dois normativos<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-141" title="53" href="#calibre_link-53" class="noteref">53</a></sup>, admitindo, tal como sucedeu no caso <i>Viking</i>, o efeito directo horizontal das liberdades do mercado, <i>in casu</i>, da livre presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-142" title="54" href="#calibre_link-54" class="noteref">54</a></sup>. </p>       <p>No contexto da Directiva 96/71, por vezes abreviada na literatura pela sigla PWD, ressalta pela sua nuclear import&acirc;ncia o n.&ordm; 1 do artigo 3.&ordm;, o qual tem como escopo principal, pelo menos &agrave; partida<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-143" title="55" href="#calibre_link-55" class="noteref">55</a></sup>, garantir que ao trabalhador destacado para outro Estado-Membro seja conferido um <i>standard</i> m&iacute;nimo de protec&ccedil;&atilde;o relativamente &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es de trabalho e emprego, buscando assim evitar que este trabalhador goze de um tratamento desfavor&aacute;vel em compara&ccedil;&atilde;o aos nacionais daquele mesmo estado<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-144" title="56" href="#calibre_link-56" class="noteref">56</a></sup>. A maioria das suas regras m&iacute;nimas enumeradas no referido dispositivo foi incorporada pela legisla&ccedil;&atilde;o sueca, com excep&ccedil;&atilde;o da al&iacute;nea <i>c)</i>, que enuncia as remunera&ccedil;&otilde;es salariais m&iacute;nimas. Conforme &eacute; pr&aacute;tica corrente no sistema jur&iacute;dico da Su&eacute;cia, a disciplina salarial reger-se-ia por conven&ccedil;&otilde;es colectivas de trabalho. Importava assim para o tribunal, apreciar a congru&ecirc;ncia do acto transpositor sueco com a Directiva 96/71<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-145" title="57" href="#calibre_link-57" class="noteref">57</a></sup>. </p>       <p>Curiosamente, o TJUE, ap&oacute;s salientar que a Directiva n&atilde;o visa harmonizar as legislaturas dom&eacute;sticas, observou que os Estados-Membros &ldquo;continuam livres de escolher, a n&iacute;vel nacional, um sistema que n&atilde;o figure expressamente entre os previstos na referida directiva [96/71], <i>desde que n&atilde;o coloque obst&aacute;culos &agrave; presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os entre os Estados-Membros</i>&rdquo;<sup class="calibre2"> </sup><sup class="calibre2"><a id="calibre_link-146" title="58" href="#calibre_link-58" class="noteref">58</a></sup>.</p>       <p>Como se referiu, o modelo sueco constitu&iacute;a precisamente um desses sistemas, j&aacute; que os sal&aacute;rios eram colectivamente convencionados pelos parceiros sociais. Da&iacute; que faria todo o sentido que aos trabalhadores let&otilde;es em destacamento fossem aplicadas &agrave;quelas regras de composi&ccedil;&atilde;o salarial. N&atilde;o obstante, o TJUE alinhavou que a al&iacute;nea c), do n.&ordm; 1 do artigo 3.&ordm; da Directiva 96/71 s&oacute; se referia &agrave;s remunera&ccedil;&otilde;es salariais m&iacute;nimas, concluindo: &ldquo;esta disposi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o pode ser invocada para justificar uma obriga&ccedil;&atilde;o imposta a esses prestadores de servi&ccedil;os, de respeitarem remunera&ccedil;&otilde;es salariais como as que as organiza&ccedil;&otilde;es sindicais demandadas no processo principal pretendem impor no &acirc;mbito do sistema sueco, as quais n&atilde;o constituem sal&aacute;rios m&iacute;nimos e n&atilde;o s&atilde;o, de resto, fixadas segundo as modalidades previstas, a este respeito, no artigo 3.&deg;&rdquo;<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-147" title="59" href="#calibre_link-59" class="noteref">59</a></sup>. Em outras palavras, o TJUE transferiu aos sindicatos a responsabilidade pela &ldquo;inadequa&ccedil;&atilde;o&rdquo; do regime legal finland&ecirc;s. </p>       <p>A isto se seguiria uma das formula&ccedil;&otilde;es mais impressivas do &oacute;rg&atilde;o jurisdicional europeu<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-148" title="60" href="#calibre_link-60" class="noteref">60</a></sup>, que em linha com as conclus&otilde;es do Advogado-Geral<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-149" title="61" href="#calibre_link-61" class="noteref">61</a></sup>, afirmou que as modifica&ccedil;&otilde;es normativas, constantes da ordem jur&iacute;dica sueca, autorizadas pela Directiva<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-150" title="62" href="#calibre_link-62" class="noteref">62</a></sup>, poderiam representar um entrave &agrave; livre presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-151" title="63" href="#calibre_link-63" class="noteref">63</a></sup>. </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em outras palavras, &eacute; como se a Directiva 96/71 passasse a oferecer-se como uma &ldquo;grelha r&iacute;gida&rdquo;, dotada de um <i>standard</i> m&aacute;ximo<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-152" title="64" href="#calibre_link-64" class="noteref">64</a></sup>, e j&aacute; n&atilde;o m&iacute;nimo como prev&ecirc; o n&uacute;mero 7 do seu artigo 3.&ordm;<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-153" title="65" href="#calibre_link-65" class="noteref">65</a></sup>, ao qual, ali&aacute;s, foi atribu&iacute;do um cariz &ldquo;minimalista&rdquo;<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-154" title="66" href="#calibre_link-66" class="noteref">66</a></sup>. </p>       <p>&Agrave; imagem do caso <i>Viking</i>, o Tribunal reiterou que os direitos de ac&ccedil;&atilde;o colectiva, como a greve, constituem direitos fundamentais (&ldquo;parte integrante dos princ&iacute;pios gerais do direito comunit&aacute;rio&rdquo;) que gozam de protec&ccedil;&atilde;o constitucional em v&aacute;rias Constitui&ccedil;&otilde;es dom&eacute;sticas<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-155" title="67" href="#calibre_link-67" class="noteref">67</a></sup>, mas que n&atilde;o est&atilde;o imunes a sofrerem restri&ccedil;&otilde;es<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-156" title="68" href="#calibre_link-68" class="noteref">68</a></sup>, e isto apesar da compet&ecirc;ncia para regular tais direitos estar expressamente subtra&iacute;da do dom&iacute;nio da Uni&atilde;o (n.&ordm; 5 do artigo 153.&ordm; do TFUE &ndash; antigo artigo 137.&ordm; do Tratado da Comunidade Europeia). </p>       <p>Al&eacute;m disso, o Tribunal considerou defens&aacute;vel que, &agrave; luz da Directiva 96/71, um sindicato pudesse lan&ccedil;ar m&atilde;o de uma ac&ccedil;&atilde;o colectiva com o prop&oacute;sito de exigir da empresa receptora dos trabalhadores destacados a ades&atilde;o a um acordo colectivo pr&eacute;-existente, cujo conte&uacute;do eventualmente estabelecesse um ordenado m&iacute;nimo espec&iacute;fico<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-157" title="69" href="#calibre_link-69" class="noteref">69</a></sup>. Note-se, contudo, que o TJUE entendeu que as ac&ccedil;&otilde;es colectivas poderiam restringir a livre presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os enunciada no artigo 49&ordm; do Tratado da Comunidade Europeia (actual artigo 56&ordm; TFUE). </p>       <p>De novo, o Tribunal incumbiu o int&eacute;rprete-julgador nacional da aplica&ccedil;&atilde;o (para ele in&eacute;dita) do princ&iacute;pio da proporcionalidade<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-158" title="70" href="#calibre_link-70" class="noteref">70</a></sup>, deixando-lhe uma margem limitad&iacute;ssima de aprecia&ccedil;&atilde;o. Com efeito, o TJUE, assim como sucedeu no caso <i>Viking</i>, dedicou v&aacute;rias passagens da decis&atilde;o &agrave; (des)proporcionalidade, (des)necessidade e (des)adequa&ccedil;&atilde;o das ac&ccedil;&otilde;es colectivas promovidas pelos sindicatos. </p>       <p>Enquanto no caso <i>Viking,</i> o TJUE demonstrou algum &ldquo;comedimento judicial&rdquo;, em <i>Laval</i><sup class="calibre2"><a id="calibre_link-159" title="71" href="#calibre_link-71" class="noteref">71</a></sup> ele parece ter deixado uma mensagem muito clara aos trabalhadores europeus de que tensiona priorizar a defesa e fomento da integra&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica europeia, e isto a expensas &ldquo;da protec&ccedil;&atilde;o social, dos sistemas nacionais, dos actores sociais e, finalmente, dos trabalhadores&rdquo;.<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-160" title="72" href="#calibre_link-72" class="noteref">72</a></sup> </p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>5. Em busca da reconcilia&ccedil;&atilde;o entre liberdades econ&oacute;micas e direitos fundamentais </b></p>       <p>A repercuss&atilde;o dos arestos <i>Viking</i> e <i>Laval</i>, bem como dos seus sucessores<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-161" title="73" href="#calibre_link-73" class="noteref">73</a></sup>, foi bastante vari&aacute;vel no conspecto europeu<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-162" title="74" href="#calibre_link-74" class="noteref">74</a></sup>, sendo que os exemplos mais expressivos da sua interfer&ecirc;ncia, em termos legislativos e jurisprudenciais, parecem ter sido aqueles Estados-Membros de onde eles emergiram<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-163" title="75" href="#calibre_link-75" class="noteref">75</a></sup>. Por outro lado, a irradia&ccedil;&atilde;o desses casos (e do criticismo exacerbado contra eles) verificou-se ainda ao n&iacute;vel legiferante da Uni&atilde;o<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-164" title="76" href="#calibre_link-76" class="noteref">76</a></sup>, procurando-se uma solu&ccedil;&atilde;o consensual capaz de acalmar as ondas de choque ainda t&atilde;o presentes. Referimo-nos &agrave; proposta de regulamento do Conselho, relativo ao exerc&iacute;cio do direito de ac&ccedil;&atilde;o colectiva no contexto da liberdade de estabelecimento e da liberdade de presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-165" title="77" href="#calibre_link-77" class="noteref">77</a></sup>. </p>       <p>Vale a pena, a este prop&oacute;sito, transcrever o conte&uacute;do do artigo 2&ordm; da proposta, epigrafado &ldquo;Princ&iacute;pios Gerais&rdquo;, <i>in fine</i>: &ldquo;O exerc&iacute;cio da liberdade de estabelecimento e da liberdade de presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os consagradas no Tratado deve respeitar o direito fundamental de a&ccedil;&atilde;o coletiva, incluindo o direito ou liberdade de greve e inversamente, o direito fundamental de a&ccedil;&atilde;o coletiva, incluindo o direito ou a liberdade de greve, de respeitar o exerc&iacute;cio destas liberdades econ&oacute;micas&rdquo;<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-166" title="78" href="#calibre_link-78" class="noteref">78</a></sup>. </p>       <p>A proposta consignava ainda, no seu artigo 4.&ordm;, um mecanismo de alerta que n&atilde;o agradou, sobretudo, aos sindicatos. Vejamos em que termos a norma foi insculpida: &ldquo;1. Sempre que se verifiquem actos ou circunst&acirc;ncias graves que afectem o exerc&iacute;cio efectivo da liberdade de estabelecimento ou da liberdade de presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os, suscet&iacute;veis de causar s&eacute;rias perturba&ccedil;&otilde;es ao bom funcionamento do mercado interno e/ou perdas importantes para o seu sistema de rela&ccedil;&otilde;es laborais, ou ainda provocar agita&ccedil;&atilde;o social no seu territ&oacute;rio ou no territ&oacute;rio de outros Estados-Membros, o Estado-Membro em quest&atilde;o deve imediatamente informar e notificar a Comiss&atilde;o, o Estado-Membro de estabelecimento ou de origem do prestador de servi&ccedil;os e/ou outros Estados-Membros envolvidos&rdquo;. </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Esta proposta reacenderia o debate entre acad&eacute;micos, juristas, parceiros sociais e actores pol&iacute;ticos acerca da fractura irresolvida entre o exerc&iacute;cio de um direito fundamental preconizado na Constitui&ccedil;&atilde;o dos Estados-Membros (direito de ac&ccedil;&atilde;o colectiva, incluindo o direito de greve) e as liberdades econ&oacute;micas do Tratado da Uni&atilde;o (liberdade de estabelecimento e livre presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os). Os sindicatos censuraram-na pela sua falta de clareza em priorizar os direitos sociais. Os empregadores suspeitavam que dela resultaria uma liberaliza&ccedil;&atilde;o das ac&ccedil;&otilde;es colectivas. E muitos Estados-Membros receavam da sua excessiva interfer&ecirc;ncia nas ordens jur&iacute;dicas internas. O desfecho aqui, previsivelmente, n&atilde;o poderia ter sido outro sen&atilde;o a sua plena rejei&ccedil;&atilde;o parlamentar<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-167" title="79" href="#calibre_link-79" class="noteref">79</a></sup>, o que, note-se, p&ocirc;s em xeque a pr&oacute;pria capacidade regulat&oacute;ria da Uni&atilde;o<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-168" title="80" href="#calibre_link-80" class="noteref">80</a></sup>. </p>       <p>Posteriormente, uma outra medida &ndash; n&atilde;o imune de cr&iacute;ticas<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-169" title="81" href="#calibre_link-81" class="noteref">81</a></sup> &ndash; prendeu-se com a cria&ccedil;&atilde;o de um instrumento normativo que visava o melhoramento e o refor&ccedil;o da transposi&ccedil;&atilde;o, implementa&ccedil;&atilde;o e execu&ccedil;&atilde;o da Directiva relativa ao destacamento transfronteiri&ccedil;o de trabalhadores. Trata-se da Directiva de execu&ccedil;&atilde;o 2014/67/UE<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-170" title="82" href="#calibre_link-82" class="noteref">82</a></sup>, de 15 de Maio de 2014, do Parlamento Europeu e do Conselho<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-171" title="83" href="#calibre_link-83" class="noteref">83</a></sup>. </p>       <p>Entretanto, a 28 de Junho de 2018, era publicada no Jornal Oficial da Uni&atilde;o Europeia a Directiva 2018/957, do Parlamento Europeu e do Conselho, que veio finalmente alterar a Directiva 96/71, tendo em vista o refor&ccedil;o da protec&ccedil;&atilde;o das garantias dos trabalhadores destacados<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-172" title="84" href="#calibre_link-84" class="noteref">84</a></sup>. </p>       <p>Essas formula&ccedil;&otilde;es normativas, desenhadas a partir de e tendo em vista casos concretos com contornos muito precisos, como os dos casos <i>Viking</i> e <i>Laval</i>, v&atilde;o sendo ajustadas e afinadas &agrave; medida que novas situa&ccedil;&otilde;es confrontam a aplica&ccedil;&atilde;o dos normativos da Uni&atilde;o e um estudo aturado dessa evolu&ccedil;&atilde;o, que n&atilde;o cabe fazer aqui, por certo traria conclus&otilde;es interessantes<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-173" title="85" href="#calibre_link-85" class="noteref">85</a></sup>. </p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>6. Um caminho ainda <i>in fieri</i> </b></p>       <p>Os arestos <i>Viking</i> e <i>Laval</i> tocaram em expedientes complexos, que n&atilde;o se circunscrevem &agrave; oposi&ccedil;&atilde;o entre o econ&oacute;mico e o social. Na verdade, vimos que estes lit&iacute;gios esbarram noutros n&oacute;dulos problem&aacute;ticos, designadamente a dimens&atilde;o t&eacute;cnico-metodol&oacute;gica das interpreta&ccedil;&otilde;es do are&oacute;pago do Luxemburgo sobre o direito derivado da Uni&atilde;o, em particular da Directiva origin&aacute;ria sobre o destacamento de trabalhadores; bem como acerca das liberdades econ&oacute;micas do Tratado, <i>in casu</i>, a liberdade de estabelecimento e a livre presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os. </p>       <p>Por outro lado, esses arestos acentuaram a fragilidade de quest&otilde;es constitucionais mais profundas, concretamente o equil&iacute;brio das compet&ecirc;ncias entre os Estados-Membros e a Uni&atilde;o. Sem que se defenda uma rela&ccedil;&atilde;o simbi&oacute;tica entre estas duas ordens, parece-nos que a actua&ccedil;&atilde;o do Tribunal de Justi&ccedil;a ter&aacute; ido mais longe do que seria expect&aacute;vel. Ao arrepio do estipulado no n.&ordm; 5 do artigo 53&ordm; do TFUE,<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-174" title="86" href="#calibre_link-86" class="noteref">86</a></sup> o &oacute;rg&atilde;o jurisdicional europeu restringiu o direito fundamental &agrave; greve, o qual consta tanto do c&acirc;none laboral de v&aacute;rias constitui&ccedil;&otilde;es europeias, incluindo a portuguesa (artigo 57.&ordm;), como tamb&eacute;m da Carta dos Direitos Fundamentais da Uni&atilde;o Europeia (artigo 28.&ordm;)<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-175" title="87" href="#calibre_link-87" class="noteref">87</a></sup>. </p>       <p>Al&eacute;m disso, o alcance emancipat&oacute;rio das legislaturas laborais dom&eacute;sticas foi igualmente posto em causa, na medida em que esta jurisprud&ecirc;ncia sujeita-as a um ju&iacute;zo de prognose fundado num teste de proporcionalidade cujas coordenadas deixam &agrave;s judicaturas nacionais uma margem de aprecia&ccedil;&atilde;o excessivamente reduzida. Vale por dizer, quanto maior for o car&aacute;cter de protec&ccedil;&atilde;o destas normas no &acirc;mbito nacional, maior poder&aacute; ser a sua incid&ecirc;ncia compressora das liberdades econ&oacute;micas do mercado. </p>       <p>Passada pouco mais de uma d&eacute;cada dos casos <i>Viking</i> e <i>Laval</i>, a rigidez desta jurisprud&ecirc;ncia tem-se esbatido noutros arestos<sup class="calibre2"><a id="calibre_link-176" title="88" href="#calibre_link-88" class="noteref">88</a></sup>; e julgamos que essas ondas de choque continuar&atilde;o presentes num futuro pr&oacute;ximo, isto &eacute;, ap&oacute;s o t&eacute;rmino do prazo para a transposi&ccedil;&atilde;o da referida Directiva 2018/957. </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<br>       <br>       <br>       <div id="footnotes">     <dl id="calibre_link-1" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="1" href="#calibre_link-89" class="calibre6">1</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p>Licenciado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra; Mestre em Ci&ecirc;ncias Jur&iacute;dico-Empresariais (Men&ccedil;&atilde;o em Direito Laboral) pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra; Doutorando em Direito P&uacute;blico (Direito da Uni&atilde;o Europeia) pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra; Bolseiro da Funda&ccedil;&atilde;o para a Ci&ecirc;ncia e a Tecnologia (SFRH/BD/146029/2019); Membro da Comunidad para la Investigaci&oacute;n y el Estudio Laboral y Ocupacional (Cielo). <a href="mailto:pedro_amri@hotmail.com" class="text_4">pedro_amri@hotmail.com</a> </p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-2" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="2" href="#calibre_link-90" class="calibre6">2</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Ac&oacute;rd&atilde;o do TJUE de 11.12.2007, processo C-438/05, International Transport Workers&rsquo; Federation, Finnish Seamen&rsquo;s Union contra Viking Line ABP, O&Uuml; Viking Line Eesti. Todos os ac&oacute;rd&atilde;os do Tribunal de Justi&ccedil;a da Uni&atilde;o Europeia (e as respectivas conclus&otilde;es dos advogados gerais) citados neste artigo encontram-se dispon&iacute;veis no s&iacute;tio da internet <a target="_blank" href="https://curia.europa.eu/jcms/jcms/j_6/pt/" class="text_4">https://curia.europa.eu/jcms/jcms/j_6/pt/</a>. O &uacute;ltimo acesso foi a 30 de Mar&ccedil;o de 2020.</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-3" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="3" href="#calibre_link-91" class="calibre6">3</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Ac&oacute;rd&atilde;o do TJUE de 18.12.2008, processo C-341/05, Laval un Partneri Ltd contra Svenska Byggnadsarbetareforbundet. A doutrina aqui firmada seria seguida pelo Tribunal de Justi&ccedil;a, formando o quarteto <i>Laval</i>/<i>Viking</i>, no Ac&oacute;rd&atilde;o do TJUE de 03.04.2008, processo C-346/06, Dirk R&uuml;ffert contra Land Niedersachsen e no Ac&oacute;rd&atilde;o do TJUE de 19.06.2008, processo C-319/06, Comiss&atilde;o Europeia contra Gr&atilde;o-Ducado do Luxemburgo. </p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-4" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="4" href="#calibre_link-92" class="calibre6">4</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p>Assim escreve E. Frantziou, &ldquo;Most of the Charter of Fundamental Rights is Horizontally Applicable: ECJ 6 November 2018, joined cases C-569/19 and C-570/16, Bauer et al&rdquo;, <i>European Constitutional Law Review</i>, 15, 2019, p. 329: &ldquo;Viking heritage continues to hold much their ground&rdquo;. Na mesma linha, S. Giubboni, &ldquo;Freedom to conduct a business and EU labour law&rdquo;, <i>European Constitutional Law Review</i>, 14, 2018, p. 179 e A. Davies, &ldquo;How has the Court of Justice changed its management and approach towards the social <i>acquis</i>?&rdquo;, <i>European Constitutional Law Review</i>, 14, 2018, p. 154, consideram que a doutrina emergente dos casos <i>Viking</i> e <i>Laval</i> continua a ter seguimento na judicatura do are&oacute;pago do Luxemburgo. </p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-5" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="5" href="#calibre_link-93" class="calibre6">5</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> N&atilde;o cabe no &acirc;mbito do presente estudo abordar esta delicada problem&aacute;tica. De todo o modo, cumpre referir que embora o ac&oacute;rd&atilde;o <i>Viking</i> haja invocado a Conven&ccedil;&atilde;o Europeia dos Direitos do Homem, a leitura que fez do direito de ac&ccedil;&atilde;o colectiva n&atilde;o corresponde &agrave; que vinha sendo sustentada pelo Tribunal do Estrasburgo. Sobre alguns problemas no &acirc;mbito do di&aacute;logo entre essas duas jurisdi&ccedil;&otilde;es, veja-se R. Moura Ramos, &ldquo;Situa&ccedil;&atilde;o e Desafios da Protec&ccedil;&atilde;o dos Direitos Fundamentais na Uni&atilde;o Europeia&rdquo;, <i>e-P&uacute;blica</i>, Vol. 5, No. 2, 2018, pp. 16-19; C. Timmermans, &ldquo;The Relationship between the European Court of Justice and the European Court of Human Rights&rdquo;, in A. Arnull <i>et al</i>. (eds.), <i>A Constitutional Order of States? Essays in EU Law in Honour of Alan Dashwood</i>, London, Hart Publishing, 2011, pp. 151 ss. Para mais desenvolvimentos, cf. L. Sheeck, &ldquo;The Relationship between the European Courts and Integration through Human Rights&rdquo;, <i>Zeitschrift f&uuml;r ausl&auml;ndisches &ouml;ffentliches Recht und V&ouml;lkerrecht</i>, 2005, pp. 837 ss; S. D. Scott, &ldquo;A Tale of Two Courts: Luxembourg, Strasbourg and the Growing European Human Rights <i>Acquis</i>&rdquo;, <i>Common Market Law Review</i>, n.&ordm; 43, 2006, pp. 629 ss; G. Harpaz, &ldquo;The Long Way to Harmony&rdquo;, <i>European Human Rights Law Review</i>, 2009, pp. 768 ss; T. Lock, in M. Kellerbauer, M. Klamert e J. Tomakin (eds.), <i>The EU Treaties and the Charter of Fundamental Rights. </i><i>A Commentary</i> (Oxford, Oxford University Press, 2019, pp. 2183-4; G. Moreno Gonzales, &ldquo;Viking y Laval en el contexto del pluralismo constitucional y la posibilidad de di&aacute;logo con el Tribunal Europeo de Derechos Humanos&rdquo;,&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<i>FORO. </i><i>Revista de Derecho</i>, no. 22, 2014, pp. 107 e ss.</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-6" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="6" href="#calibre_link-94" class="calibre6">6</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Os casos Viking e Laval tiveram enorme resson&acirc;ncia doutrinal. Para um estudo amplo na literatura estrangeira, com diferentes perspectivas, veja-se a obra monogr&aacute;fica de M. Freedland e J. AdAms-Prassl (eds.), Viking, Laval and Beyond&cedil; Oxford, Portland, Oregon, 2014. Uma leitura aprofundada, embora circunscrita &agrave; doutrina brit&acirc;nica, &eacute; a de C. Barnard, &ldquo;The calm after the storm: time to reflect on EU (labour) law scholarship following the decisions in Viking and Laval&rdquo;, in A. Bogg, C. Costello e A. Davies (eds.), Research Handbook on EU Labour Law, Cheltenham, Edward Elgar Publishing, 2016, pp. 337 ss. Entre n&oacute;s, cf. B. Mestre, &ldquo;The ruling Laval un Partneri: clarification and innovation&rdquo;, European Law Reporter, 1, 2008, pp. 2 ss.; M. R. Redinha, &ldquo;A vol d&rsquo; oiseau: desenvolvimentos recentes no direito de greve na Uni&atilde;o Europeia&rdquo;, Revista Eletr&oacute;nica de Direito, 1, 2013, pp. 1 ss.; P. Moreira, &ldquo;A inadequa&ccedil;&atilde;o do princ&iacute;pio da proporcionalidade ao direito &agrave; greve. Algumas notas da perspectiva do direito portugu&ecirc;s&rdquo;, O Direito, 146, 2014, pp. 145 ss.; H. Neves e R. Silva, &ldquo;Coment&aacute;rios aos Ac&oacute;rd&atilde;os Viking e Laval: o direito de greve na Uni&atilde;o Europeia&rdquo;, Revista Eletr&ocirc;nica de Direito do Centro Universit&aacute;rio Newton Paiva, 28, 2016, pp. 68 ss.; J. Gomes, &ldquo;Algumas notas sobre o direito &agrave; greve e a sua evolu&ccedil;&atilde;o ao n&iacute;vel europeu&rdquo;, Revista Jur&iacute;dica de los Derechos Sociales, 1, 2017, pp. 157 ss. </p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-7" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="7" href="#calibre_link-95" class="calibre6">7</a></dt>       <dd class="calibre7">             ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Chamando a aten&ccedil;&atilde;o para o problema, C. Joerges e F. R&ouml;dl &ldquo;Informal Politics, Formalised Law and the ‘Social Deficit&rsquo; of European Integration: Reflections after the Judgments of the ECJ in Viking and Laval&rdquo;, <i>European Law Journal</i>, 15, 2009, p. 1, escrevem: ‘&ldquo;Social Europe&rsquo;, ie the ensemble of European social and labour law and policy and social rights, has become a wide and opaque field&rdquo;. </p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-8" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="8" href="#calibre_link-96" class="calibre6">8</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Assim, S. Giubboni, &ldquo;The rise and fall of EU labour law&rdquo;, <i>European Law Journal</i>, 24, 2018, p. 12. Em sentido pr&oacute;ximo, mas j&aacute; n&atilde;o em defesa dos trabalhadores e sim do mercado interno, v. S. Weatherill, &ldquo;Viking and Laval: The EU Internal Market Perspective&rdquo;, in<i> Viking</i>, pp. 239 ss.<i> </i></p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-9" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="9" href="#calibre_link-97" class="calibre6">9</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Sobre a Carta, veja-se, entre outros, R. Moura Ramos, &ldquo;A Carta dos Direitos Fundamentais da Uni&atilde;o Europeia e a Protec&ccedil;&atilde;o dos Direitos Fundamentais&rdquo;, in<i> Estudos de Homenagem ao Prof. Doutor Rog&eacute;rio Soares</i>, Coimbra, Coimbra Editora, 2002, pp. 963 ss; os estudos reunidos em A. Silveira e M. Canotilho (coord.),<i> Carta dos Direitos Fundamentais da Uni&atilde;o Europeia Comentada</i>), Coimbra, Almedina, 2013, e <i>The EU Treaties and the Charter of Fundamental Rights</i>, pp. 2095 ss. Com mais desenvolvimentos sobre o texto da Carta no &acirc;mbito do direito laboral da Uni&atilde;o Europeia, cf. E. Ales, in E. Ales, <i>et al</i> (eds.), <i>International and European Labour Law: A Commentary</i> Baden-Baden, Nomos, 2018, pp. 195 ss; C. Barnard, &ldquo;Are social &laquo;Rights&raquo; rights?&rdquo;, <i>European Labour Law Journal</i>, 2020, pp. 1 ss. </p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-10" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="10" href="#calibre_link-98" class="calibre6">10</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Dentre outras coisas, a ITF dedica-se ao combate do chamado <i>re-flagging convenience</i>, como o que estava inscrito no caso <i>Viking</i>. </p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-11" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="11" href="#calibre_link-99" class="calibre6">11</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> O exerc&iacute;cio dessas liberdades foi codificado pela Directiva 2006/123/CE, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 12 de Dezembro de 2006, relativa aos servi&ccedil;os no mercado interno (JO 376/36). &Eacute; de notar que o artigo 1&ordm; deste normativo estabelece no seu n&uacute;mero 6 que &ldquo;a presente directiva n&atilde;o afecta a legisla&ccedil;&atilde;o laboral, ou seja quaisquer disposi&ccedil;&otilde;es legais ou contratuais em mat&eacute;ria de condi&ccedil;&otilde;es de emprego, de condi&ccedil;&otilde;es de trabalho, incluindo a sa&uacute;de e a seguran&ccedil;a no trabalho, e da rela&ccedil;&atilde;o entre o empregador e o trabalhador, que os Estados-Membros aplicam em conformidade com o respectivo direito nacional no respeito do direito comunit&aacute;rio (&hellip;)&rdquo;. E o n.&ordm; 7 remata: &ldquo;a presente directiva n&atilde;o afecta o exerc&iacute;cio dos direitos fundamentais, tal como reconhecidos pelos Estados-Membros e pelo direito comunit&aacute;rio e tamb&eacute;m n&atilde;o prejudica o direito de negociar, celebrar e aplicar conven&ccedil;&otilde;es colectivas e o direito de ac&ccedil;&atilde;o colectiva, em conformidade com o direito e as pr&aacute;ticas nacionais que respeitam o direito comunit&aacute;rio&rdquo;.&nbsp;Para mais desenvolvimentos acerca da liberdade de estabelecimento e da livre presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os, veja-se o importante estudo de C. Barnard, The Substantive Law of the EU: The Four Freedoms, 2.&ordf; ed., Oxford, Oxford University Press, 2016, pp. 381-446. Sobre a interfer&ecirc;ncia da livre presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os no contexto laboral, veja-se ainda Ales, et al. (eds.), International and European Labour Law, pp. 77 ss. </p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-12" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="12" href="#calibre_link-100" class="calibre6">12</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> O direito &agrave; greve tem respaldo constitucional em 17 Estados-Membros. Sobre o ponto, cf. D. Ulber, in Ales, <i>et al. </i>(eds.), <i>International and European Labour Law</i>, p. 1460. </p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-13" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="13" href="#calibre_link-101" class="calibre6">13</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Assim, B. Bercusson, <i>European Labour Law</i>, 2.&ordf; ed., New York, Cambridge University Press, 2009, p. 674. </p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-14" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="14" href="#calibre_link-102" class="calibre6">14</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> No Ac&oacute;rd&atilde;o do TJUE de 20.09.1999, processo C-67/96, caso <i>Albany</i>, o tribunal considerou (n.&ordm;s 59-60): &ldquo;&eacute; verdade que alguns efeitos restritivos da concorr&ecirc;ncia s&atilde;o inerentes aos acordos colectivos conclu&iacute;dos entre organiza&ccedil;&otilde;es representativas das entidades patronais e dos trabalhadores. Todavia, os objectivos de pol&iacute;tica social prosseguidos por esses acordos ficariam seriamente comprometidos se os parceiros sociais estivessem sujeitos ao artigo 85.&deg;, n.&deg;1, do Tratado na busca em comum de medidas destinadas a melhorar as condi&ccedil;&otilde;es de emprego e de trabalho. Resulta, assim, de uma interpreta&ccedil;&atilde;o &uacute;til e coerente das disposi&ccedil;&otilde;es do Tratado, no seu conjunto, que acordos conclu&iacute;dos no &acirc;mbito de negocia&ccedil;&otilde;es colectivas entre parceiros sociais com vista a atingir esses objectivos devem ser consideradas, em raz&atilde;o da sua natureza e do seu objecto, <i>como n&atilde;o abrangidas pelo artigo 85.&deg;, n.&deg;1, do Tratado</i>&rdquo; (sublinhado nosso). </p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-15" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="15" href="#calibre_link-103" class="calibre6">15</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> O n.&ordm; 5 do artigo 153.&ordm; TFUE exclui <i>expressis verbis</i> da compet&ecirc;ncia da Uni&atilde;o a regula&ccedil;&atilde;o de tais direitos: &ldquo;o disposto no presente artigo n&atilde;o &eacute; aplic&aacute;vel &agrave;s remunera&ccedil;&otilde;es, ao direito sindical, ao direito de greve e ao direito de <i>lock-out</i>&rdquo;. </p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-16" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="16" href="#calibre_link-104" class="calibre6">16</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> &Eacute; question&aacute;vel se os empregadores teriam legitimidade para invocar as disposi&ccedil;&otilde;es do tratado (actuais artigos 49.&ordm; e 56.&ordm; do TFUE) com o prop&oacute;sito de obstar as ac&ccedil;&otilde;es colectivas promovidas pelos sindicatos. De acordo com a jurisprud&ecirc;ncia do TJUE, tais normas s&oacute; s&atilde;o invoc&aacute;veis em face de uma autoridade p&uacute;blica (efic&aacute;cia vertical), com excep&ccedil;&atilde;o daquelas ac&ccedil;&otilde;es envolvendo associa&ccedil;&otilde;es profissionais ou entidades com compet&ecirc;ncia regulat&oacute;ria ou semi-regulat&oacute;ria. Neste sentido, veja-se o Ac&oacute;rd&atilde;o do TJUE de 15.12.1995, processo C-415/93, caso <i>Footbal Association ASBL </i>e o Ac&oacute;rd&atilde;o do TJUE de 19.02.2002, processo C-309/99, J. C. J. Wouters, J. W. Savelbergh, Price Waterhouse Belastingadviseurs BV e Algemene Raad van de Nederlandse Orde vanAdvocaten. Para uma an&aacute;lise da problem&aacute;tica sobre o efeito directo horizontal nos julgamentos dos casos <i>Viking</i> e <i>Laval</i>, v. A. Dashwood, &ldquo;Viking and Laval: Issues of Horizontal Direct Effect&rdquo;, <i>Cambridge Yearbook of European Legal Studies</i>, 10, 2008, pp. 527-537; D. Wyatt, &ldquo;Horizontal Effect of Fundamental Freedoms and the Right to Equality After Viking and Mangold and the Implications for Community Competences&raquo;, <i>Croatian Yearbook of European Law and Policy</i>, 4, 2008, pp. 5-12; J. Vamvaka, &ldquo;Horizontal effect of fundamental rights and freedoms: much Ado about nothing? German, Polish and EU theories compared after Viking Line, <i>Jean Monnet Working Paper n. 11/09</i>, 2009, e <span class="text_16" lang="en">E. Spaventa, &ldquo;The Horizontal Application of Fundamental Rights as General Principles of Union Law: a Constitutional Order of States?&rdquo;, in A. Arnull, <i>et al.</i> (eds.), <i>Essays in EU Law in Honour of A. Dashwood</i>, London, Hart Publishing, 2011, pp. 111-112. <i> </i></span></p>       </dd>     </dl>     <span class="text_16" lang="en">     <dl id="calibre_link-17" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="17" href="#calibre_link-105" class="calibre6">17</a></dt>       <dd class="calibre7">             ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Chamando a aten&ccedil;&atilde;o para o problema no contexto dos casos Viking e Laval, cf. Commentary on the EU Treaties, p. 88; Joerges e R&ouml;dl, ELJ , p. 10; A. Davies, &ldquo;One step forward The Viking and Laval Cases in the ECJ&rdquo;, Industrial Law Journal, 37, 2008, p. 147; B. Bercusson, European Labour Law, p. 678; F. Dorssemont, &ldquo;The Right to take Collective Action v. Fundamental Economic Freedoms in the Aftermath of Laval and Viking: Foes are forever!&raquo;, in M. De Vos (ed.), European Union Internal Market and Labour Law: friends or foes?, Antwerpen, Intersentia, 2009, p. 53. Este autor (p. 54) utiliza a seguinte express&atilde;o: party shopping. </p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-18" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="18" href="#calibre_link-106" class="calibre6">18</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Referimo-nos &agrave; dimens&atilde;o laboral da transmiss&atilde;o transfronteiri&ccedil;a de unidade econ&oacute;mica (Directiva 2001/23/CE do Conselho, de 12 de Mar&ccedil;o de 2001. A este prop&oacute;sito, v. D. Niksova, &ldquo;Cross-Border Transfers of Undertakings&rdquo;, in E. Kov&aacute;cs e M. Winner (eds.), <i>Stakeholder Protection in Restructuring: Selected Company and Labour Law Issues</i>, 2019, pp. 201 ss; e J. Gomes e A. Carneiro da Frada, &ldquo;Algumas quest&otilde;es &ndash; e poucas respostas &ndash; sobre a transmiss&atilde;o transfronteiri&ccedil;a de unidade econ&oacute;mica&rdquo;, <i>Prontu&aacute;rio de Direito do Trabalho</i>, 2018-II, p. 131 ss. Para mais desenvolvimentos sobre este ponto, v. o relat&oacute;rio da Comiss&atilde;o Europeia intitulado &ldquo;Study on the application of Directive 2001/23/EC to Cross Border Transfers of Undertakings&rdquo;, dispon&iacute;vel em <a href="http://ec.europa.eu/employment_social/labour_law/documentation_en.htm" class="text_4">http://ec.europa.eu/employment_social/labour_law/documentation_en.htm</a>. (acedido em 15 de Mar&ccedil;o de 2020). </p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-19" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="19" href="#calibre_link-107" class="calibre6">19</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Conforme se pode ler em B. Bercusson, <i>European Labour Law,</i> p. 673, a decis&atilde;o do int&eacute;rprete-julgador ingl&ecirc;s foi proferida nos seguintes moldes: &ldquo;EU law overrode any national law, even the national constitution of a Member State&rdquo;. No entanto, e como bem sublinha o autor (p. 674), &ldquo;the Treaty provisions on free movement are not absolute. Free movement is limited by public policy considerations, both in the Treaty and as developed by the European Court of Justice through its extensive case-law&rdquo;.</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-20" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="20" href="#calibre_link-108" class="calibre6">20</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> O artigo 28.&ordm; da Carta consagra: &ldquo;os trabalhadores e as entidades patronais, ou as respectivas organiza&ccedil;&otilde;es, t&ecirc;m, de acordo com o direito da Uni&atilde;o e as legisla&ccedil;&otilde;es e pr&aacute;ticas nacionais, o direito de negociar e de celebrar conven&ccedil;&otilde;es colectivas aos n&iacute;veis apropriados, bem como de recorrer em caso de conflito de interesses, a ac&ccedil;&otilde;es colectivas para a defesa dos seus interesses, incluindo a greve&rdquo;. Segundo J. Leite, &ldquo;Anota&ccedil;&atilde;o ao artigo 28.&ordm; da Carta dos Direitos Fundamentais da Uni&atilde;o Europeia&rdquo;, in Silveira e Canotilho, Carta dos Direitos Fundamentais da Uni&atilde;o Europeia Comentada, p. 340, &ldquo;&agrave; autotutela coletiva associa-se, com mais frequ&ecirc;ncia, a greve, em alguns sistemas nacionais, tamb&eacute;m o locaute, mas v&aacute;rias outras formas de a&ccedil;&atilde;o coletiva se podem considerar suas modalidades ou formas de express&atilde;o, como a reuni&atilde;o, a manifesta&ccedil;&atilde;o, o abaixo-assinado, o label, o boicote, etc.&rdquo;. Sobre este aspecto, veja-se ainda Ulber, in Ales, et al. (eds.), International and European Labour Law, pp. 1474-6. </p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-21" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="21" href="#calibre_link-109" class="calibre6">21</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Neste sentido, cf. Davies, ILJ, p. 139; N. Hos, &ldquo;The Principle of Proportionality in the Viking and Laval Cases: An Appropriate Standard of Judicial Review?&rdquo;,EUI-LAW Working Papers, no. 2009/06, April 9, 2009. , p. 245, dispon&iacute;vel em <a href="https://ssrn.com/abstract=1553158" target="_blank">https://ssrn.com/abstract=1553158</a>, (acedido em 15 de Mar&ccedil;o de 2020); e J. Moses, &ldquo;Is Constitutional Symmetry Enough? Social Models and Market Integration in the US and Europe&rdquo;, Journal of Common Market Studies, 49, 2011, p. 826. Com uma leitura mais optimista, v. M. Corti, &ldquo;Le decisi&oacute;n ITF e LAVAL della Corte di Giustizia: un passo avanti e due indietro por l&rsquo;Europa Sociale&rdquo;, Rivista Italiana di Diritto del Lavoro, n.&ordm; 1, 2008 p. 249, e A. Baylos, &ldquo;El derecho de huelga en Europa puesto en cuesti&oacute;n: la sentencia del Tribunal de Justicia sobre el caso Viking&rdquo;, dispon&iacute;vel em <a href="http://www.ccoo.es/comunes/temp/recursos/99999/115076">www.ccoo.es/comunes/temp/recursos/99999/115076</a>. (acedido em 15 de Mar&ccedil;o de 2020)</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-22" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="22" href="#calibre_link-110" class="calibre6">22</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Escrevendo a este prop&oacute;sito, Moura Ramos, <i>e-P</i>, p. 16, observa que &ldquo;muito embora a Carta se refira ao reconhecimento destes direitos, muitas vezes, nos casos e nas condi&ccedil;&otilde;es previstos pelo direito da Uni&atilde;o e pelas legisla&ccedil;&otilde;es e pr&aacute;ticas nacionais, importa saber em que termos a fundamentalidade que lhes &eacute; agora reconhecida ter&aacute; consequ&ecirc;ncias nos termos do seu reconhecimento&rdquo;. Sobre a dicotomia entre direitos e princ&iacute;pios, v. o n.&ordm; 5 do artigo 52.&ordm; da Carta, o qual Spaventa, <i>Essays in EU Law</i>, p. 202 (nota 10) descreve como uma <i>unhelpful distinction</i>; na doutrina, e com mais desenvolvimentos acerca desta distin&ccedil;&atilde;o no horizonte espec&iacute;fico do t&iacute;tulo 4 da Carta dedicado &agrave; solidariedade (artigos 27.&ordm; a 38.&ordm;), veja-se Barnard, <i>ELLJ</i>, pp. 1 ss. Relativamente &agrave; natureza jur&iacute;dica do artigo 28&ordm;, a autora (p. 7), ancorada no caso <i>Viking</i>, considera que a referida norma se traduz num princ&iacute;pio. Em sentido pr&oacute;ximo, v. Dorssemont, <i>European Union</i>,<i> </i>p. 58. Bem diferente &eacute; a opini&atilde;o de Ulber, in Ales, <i>et al. </i>(eds.), <i>International and European Labour Law</i>, p. 1462, o qual escreve: &ldquo;article 28 CFREU is a right and not only a general principle&rdquo; e de T. Lock, in <i>The EU Treaties</i>, p. 2183: &ldquo;In substantive terms, it must be regarded as a right, not a mere principle.</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-23" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="23" href="#calibre_link-111" class="calibre6">23</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Segundo Davies, <i>ILJ</i>, p. 139, &ldquo;although the Court recognized the right as fundamental, it did so in what might be termed a &laquo;defensive&raquo; context&rdquo;. No mesmo sentido, cf. Hos, EUI&nbsp;, p. 245, e Moses, <i>JCMS,</i> p. 826. Entre n&oacute;s, Redinha, <i>RED</i>, p. 4, enfatiza, de forma acertada, que o reconhecimento, pelo TJUE, da greve quer enquanto direito fundamental, quer como uma poss&iacute;vel restri&ccedil;&atilde;o &agrave; livre presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os, revela o car&aacute;cter &ldquo;limit&aacute;vel e compress&iacute;vel&rdquo; deste direito. Ainda assim, tal reconhecimento parece ter sido um dos poucos aspectos que rendeu elogios a este julgamento. Nesse sentido, v. Corti, <i>RIDL, </i>p. 249, e Baylos, &ldquo;El derecho de huelga en Europa&rdquo;. Em sentido contr&aacute;rio, a <i>European Trade Union Federation </i>publicou uma nota de rep&uacute;dio em 11 de Dezembro de 2007. Veja-se Joerges e Rodl, <i>ELJ</i>, nota 49: &ldquo;whether an outright denial of a European fundamental right to strike was indeed a realistic menace can be doubted given the loss of public acceptance and political legitimation that would have resulted from such a ‘finding&rsquo; of the court&rdquo;. </p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-24" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="24" href="#calibre_link-112" class="calibre6">24</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> O TJUE, particularmente nos n.&ordm;s 52 a 60 do ac&oacute;rd&atilde;o, e em linha com a tese do Advogado-Geral Miguel Poiares Maduro, recusou a analogia entre o caso <i>Viking</i> e o j&aacute; citado caso <i>Albany</i>. Dorssemont, <i>European Union</i>, p. 81, considera que os argumentos apresentados pelo Advogado-Geral para a recusa desta analogia s&atilde;o &ldquo;escol&aacute;sticos e artificiais&rdquo;. Sobre este ponto v. tamb&eacute;m Joerges e Rodl, <i>ELJ</i>, p. 11, e Davies, <i>ILJ</i>, pp. 139-41. </p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-25" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="25" href="#calibre_link-113" class="calibre6">25</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> V. n.&ordm;s 45 e 46 do ac&oacute;rd&atilde;o.</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-26" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="26" href="#calibre_link-114" class="calibre6">26</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> V. n.&ordm; 68 do Ac&oacute;rd&atilde;o. Parece mesmo verificar-se na jurisprud&ecirc;ncia do TJUE uma tend&ecirc;ncia expansionista da sobreposi&ccedil;&atilde;o da liberdade econ&oacute;mica de estabelecimento em confronto com outros direitos fundamentais dos trabalhadores, designadamente o direito de negocia&ccedil;&atilde;o colectiva. Um exemplo expressivo disso pode ver-se, de novo, no &acirc;mbito da transmiss&atilde;o de unidade econ&oacute;mica (Ac&oacute;rd&atilde;o do TJUE de 18.07.2013, processo C-426/11, Mark Alemo-Herron e o. contra Parkwood Leisure Ltd;<i> </i>e o<i> </i>Ac&oacute;rd&atilde;o do TJUE de 26.12.2016, processo C-201/15,<i> Anonymi Geniki Etairia Tsimenton Iraklis contra Ypourgos Ergasias, Koinonikis Asfalisis Kai Koinonikis Allilengyis</i>. Estes arestos, segundo Giubboni, <i>ECLR</i>, p. 180, finalizam &ldquo;the explicitly neoliberal restyling regarding the internal market doctrine initiated by the famous quartet&rdquo;. Com mais desenvolvimentos sobre o caso <i>Alemo-Herron</i> e suas implica&ccedil;&otilde;es, veja-se, para al&eacute;m deste estudo de Giubboni, pp. 183-184; J. Prassl, &ldquo;Freedom of Contract as a General Principle of EU Law? Transfers of Undertakings and the Protection of Employer Rights in EU Labour Law&rdquo;<i>, Industrial Law Journal</i>, 42, 2013, pp. 434 ss; Davies, <i>ECLR</i>, pp. 167-168; D. Carvalho Martins, &ldquo;Transfer of an economic unit Requirements, effects and recent CJEU ruling&rdquo;, <i>European Labour Law Journal</i>, 2018 p. 42 e M. Bard e C. Leone, &ldquo;Minimum Harmonisation after Alemo-Herron: The Janus Face of EU Fundamental Rights Review&rdquo;, <i>European Constitutional Law Review</i>, 11, 2015, pp. 140 ss. A prop&oacute;sito do caso <i>Iraklis</i>, cf. Giubboni, <i>ECLR</i>,pp. 185 ss e Davies, <i>ECLR</i>, pp. 167 ss. </p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-27" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="27" href="#calibre_link-115" class="calibre6">27</a></dt>       <dd class="calibre7">             ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Neste sentido, v. B. Bercusson, &ldquo;The Lisbon Treaty and Social Europe&rdquo;, <i>ERA Forum</i>, 10, 2009, p. 104.</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-28" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="28" href="#calibre_link-116" class="calibre6">28</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Ac&oacute;rd&atilde;o <i>Viking</i>, n.&ordm; 40.</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-29" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="29" href="#calibre_link-117" class="calibre6">29</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Ac&oacute;rd&atilde;o <i>Viking</i>, n.&ordm; 79.</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-30" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="30" href="#calibre_link-118" class="calibre6">30</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> V. n.&ordm; 23 das conclus&otilde;es do Advogado-Geral Miguel Poiares Maduro. </p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-31" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="31" href="#calibre_link-119" class="calibre6">31</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Neste sentido, Bercusson, <i>ERA Forum</i> p. 104; Moses, <i>JCMS,</i>, p. 825; P. Pecinovsky, &ldquo;Evolutions in the Social Case Law of the Court of Justice &ndash; The follow-up cases of the Laval quartet: ESA and RegioPost&rdquo;, <i>European Labour Law Journal</i>, 7, n.&ordm; 2, 2016, p. 295; R. Zimmer, &ldquo;Labour Market Politics through Jurisprudence: The Influence of the Judgements of the European Court of Justice (Viking, Laval, Ruffert, Luxembourg) on Labour Market Policies&rdquo;, <i>German Policy Studies</i>, 7, n.&ordm; 1, 2011, pp. 212 e 215; e C. Barnard, &ldquo;EU Employment Law and the European Social Model: the Past, the Present and the Future&rdquo;, <i>Current Legal Problems</i>, 67, 2014, pp. 203-204. Em sentido diverso, J. Sarri&oacute;n Esteve, <i>&ldquo;</i>Los conflictos entre libertades econ&oacute;micas y y derechos fundamentales en la jurisprud&ecirc;ncia del Tribunal de Justicia de la Uni&oacute;n Europea&rdquo;, <i>Revista de Derecho Pol&iacute;tico,</i> 81, 2011, p. 402, considera n&atilde;o ter havido aquilo que grande parte da doutrina descreve como a subordina&ccedil;&atilde;o destes direitos fundamentais face as liberdades econ&oacute;micas. Para mais desenvolvimentos, cf. Gomes, <i>RJDS</i>, p. 168.</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-32" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="32" href="#calibre_link-120" class="calibre6">32</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Conclus&otilde;es do Advogado-Geral Miguel Poiares Maduro, n.&ordm; 58. </p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-33" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="33" href="#calibre_link-121" class="calibre6">33</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> N&atilde;o deixa de causar alguma estranheza o termo de compara&ccedil;&atilde;o que o TJUE adoptou com a jurisprud&ecirc;ncia sobre a mat&eacute;ria. Ora, os sindicatos t&ecirc;m como fun&ccedil;&atilde;o primordial negociar os termos e as condi&ccedil;&otilde;es laborais com os empregadores, ao passo que as associa&ccedil;&otilde;es profissionais imp&otilde;em as suas regras pr&oacute;prias aos afiliados que dela passam a fazer parte de forma volunt&aacute;ria. Apesar de ambas as entidades terem as suas actividades apoiadas pelo Estado, a natureza de tais apoios n&atilde;o s&atilde;o equivalentes. Como bem escreve Davies, <i>ILJ</i>, p. 136, &ldquo;professional bodies are given exclusive control over a particular area of economic activity, whereas unions are (in general) given the right to take collective action to support their negotiating activities&rdquo;. </p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-34" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="34" href="#calibre_link-122" class="calibre6">34</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> V. n.&ordm; 48 das conclus&otilde;es do Advogado-Geral Miguel Poiares Maduro e o n.&ordm; 66 do ac&oacute;rd&atilde;o. Para mais desenvolvimentos sobre este tema no contexto espec&iacute;fico dos ac&oacute;rd&atilde;os <i>Viking</i> e <i>Laval</i>, cf. Dorssemont, <i>European Union</i>, p. 81, J&oacute;natas Machado, <i>Direito da Uni&atilde;o Europeia</i>, Coimbra, Coimbra Editora, 2010, pp. 475-6; Davies, <i>ILJ</i>, pp. 136-137.</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-35" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="35" href="#calibre_link-123" class="calibre6">35</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Ac&oacute;rd&atilde;o <i>Viking</i>, n.&ordm; 65.</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-36" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="36" href="#calibre_link-124" class="calibre6">36</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Em sentido pr&oacute;ximo, Gomes, <i>RJDS</i> p. 168. Por sua vez, Joerges e Rodl,<i> ELJ</i>, p. 12, escrevem que &ldquo;the idea of horizontal effect to trade unions represents not really a drastic change, but still a bold move in the courts jurisprudence&rdquo;.</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-37" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="37" href="#calibre_link-125" class="calibre6">37</a></dt>       <dd class="calibre7">             ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Ac&oacute;rd&atilde;o <i>Viking</i>, n.&ordm; 73.</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-38" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="38" href="#calibre_link-126" class="calibre6">38</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Deve se ter presente, contudo, que a abordagem seguida pelo TJUE nos casos <i>Viking</i> e <i>Laval</i> caracteriza, conforme enfatiza Bercusson, <i>European Labour Law</i>, p. 675, a volta ao s&eacute;culo XIX quando se perfilava a primazia das normas do mercado &uacute;nico e a ilegitimidade das ac&ccedil;&otilde;es colectivas. Com mais desenvolvimentos cr&iacute;ticos sobre esta leitura restritiva do tribunal, v. P. Perinetto, &ldquo;Viking and Laval: An Italian Perspective&rdquo;, <i>European Labour Law Journal</i>, 3, 2012, p. 277; Davies, <i>ILJ</i>, p. 127 e Zimmer, <i>GPS</i> p. 231. </p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-39" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="39" href="#calibre_link-127" class="calibre6">39</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Estas express&otilde;es l&ecirc;em-se em Ulber, in Ales, et al. (eds.), International and European Labour Law p. 1459; C. La Macchia, &ldquo;The protection of the strike in the internal national legal systems&rdquo;, p. 4, dispon&iacute;vel em http://www.scioperi.cgil.it/Europa/IntroComparazione-en.pdf(acedido em 31 de Mar&ccedil;o de 2020). </p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-40" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="40" href="#calibre_link-128" class="calibre6">40</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> J. Gomes Canotilho e V. Moreira, <i>Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica Portuguesa</i>, 4&ordf; ed., Coimbra, Coimbra Editora<i>, </i>2014, p. 756. </p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-41" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="41" href="#calibre_link-129" class="calibre6">41</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> De acordo com o TJUE (n.&ordm; 87 do Ac&oacute;rd&atilde;o), o juiz nacional dever&aacute; &ldquo;examinar, por um lado, se, em aplica&ccedil;&atilde;o da legisla&ccedil;&atilde;o nacional e do direito convencional aplic&aacute;vel a essa ac&ccedil;&atilde;o, o FSU n&atilde;o dispunha de outros meios, menos restritivos da liberdade de estabelecimento, para levar a bom termo a negocia&ccedil;&atilde;o colectiva encetada pela Viking e, por outro, se este sindicato tinha esgotado esses meios antes de desencadear a referida ac&ccedil;&atilde;o&rdquo;. Nesta medida, o exerc&iacute;cio do direito de ac&ccedil;&atilde;o colectiva afigura-se como ultima ratio. Criticando a vis&atilde;o excessivamente restritiva do TJUE, v. Gomes, <i>RJDS</i>, p. 171; Hos, <i>EUI</i>, p. 245; Davies, <i>ILJ</i>, pp, 144-5; Zimmer, <i>GPS</i>, p. 221 e Weatherill, <i>Viking</i>, p. 36. </p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-42" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="42" href="#calibre_link-130" class="calibre6">42</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Para uma an&aacute;lise detalhada da aplica&ccedil;&atilde;o do princ&iacute;pio da proporcionalidade nos casos <i>Viking</i> e <i>Laval</i>, veja-se Hos, <i>EUI</i>, pp. 236 ss, que chama a aten&ccedil;&atilde;o para o facto de haver um conceito aut&oacute;nomo deste princ&iacute;pio no &acirc;mbito do Direito da Uni&atilde;o Europeia, nem sempre coincidente com o das ordens jur&iacute;dicas internas. Sobre o tema, cf. tamb&eacute;m Davies, <i>ILJ</i>, pp. 141-143; P. Moreira,<i> O Direito</i>, pp. 152 ss. e Gomes, <i>RJDS</i>, p. 173. Para mais desenvolvimentos sobre esse princ&iacute;pio no direito portugu&ecirc;s, v. entre outros, Gomes Canotilho e Moreira, <i>Constitui&ccedil;&atilde;o</i>,<i> </i>pp. 391-392. </p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-43" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="43" href="#calibre_link-131" class="calibre6">43</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Ac&oacute;rd&atilde;o <i>Viking</i>, n.&ordm; 90.</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-44" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="44" href="#calibre_link-132" class="calibre6">44</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Sobre as diferen&ccedil;as de aplica&ccedil;&atilde;o deste teste no conspecto europeu, cf. Gomes, &ldquo;<i>RJDS</i>, p. 173.</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-45" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="45" href="#calibre_link-133" class="calibre6">45</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Davies, <i>ILJ</i>, p. 146, sublinha que a aplica&ccedil;&atilde;o do princ&iacute;pio da proporcionalidade constituiria &ldquo;a new development&rdquo; na judicatura inglesa. </p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-46" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="46" href="#calibre_link-134" class="calibre6">46</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> A express&atilde;o &eacute; de Joerges e Rodl, <i>ELJ</i>, p. 14. Efectivamente, as ac&ccedil;&otilde;es colectivas n&atilde;o s&atilde;o consideradas direitos fundamentais, e mesmo estes t&ecirc;m um alcance muito limitado na ordem jur&iacute;dica inglesa. Sobre o ponto, v. C. O&rsquo;Cineide, &ldquo;The European Social Charter and the UK: why it matters&rdquo;, <i>Kings Law Journal</i>, 29, 2018, p. 276. </p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-47" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="47" href="#calibre_link-135" class="calibre6">47</a></dt>       <dd class="calibre7">             ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Neste sentido, v. Weatherill, <i>Viking</i>, p. 234-235, que ap&oacute;s analisar a jurisprud&ecirc;ncia do Tribunal de Justi&ccedil;a, sublinha (p. 235) que &ldquo;the main problem with the rulings in Viking and Laval&ndash;and the reason they are not orthodox applications of internal market law, but rather misapplications&ndash;is that they are barren of adequate nuance and, in particular, miss out the wide margin of discretion properly accorded to the regulator most prominently in Schmidberger&rdquo;. Al&eacute;m deste &uacute;ltimo, o autor faz refer&ecirc;ncia ainda (pp. 32-33) ao caso <i>&Oacute;mega</i>.</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-48" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="48" href="#calibre_link-136" class="calibre6">48</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> A express&atilde;o l&ecirc;-se em Davies, <i>ILJ</i>, p. 127, e em Dorssemont, <i>European Union</i>,<i> </i>p. 60. Sobre este tema, veja-se, entre n&oacute;s, ainda o estudo de M. Gorj&atilde;o Henriques, <i>Direito da Uni&atilde;o: hist&oacute;ria, direito, cidadania, mercado interno e concorr&ecirc;ncia, </i>7.&ordf; ed., Coimbra, Almedina, 2014, p. 306. </p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-49" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="49" href="#calibre_link-137" class="calibre6">49</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Para uma an&aacute;lise mais circunstanciada sobre a Directiva 96/71 no contexto do quarteto <i>Viking</i>, cf. The EU <i>Treaties</i>, pp. 83 ss. </p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-50" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="50" href="#calibre_link-138" class="calibre6">50</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Como ensina J&oacute;natas Machado, <i>Direito da Uni&atilde;o Europeia</i>, p. 206: &ldquo;uma Directiva n&atilde;o pode impor obriga&ccedil;&otilde;es a um particular nem pode ser invocada contra ele em lit&iacute;gios que envolvam apenas particulares&rdquo;. De facto, o efeito direto horizontal das Directivas tem sido negado pelo Tribunal de Justi&ccedil;a com o argumento de que elas t&ecirc;m como destinat&aacute;rios os Estados-Membros e n&atilde;o os particulares. Para mais desenvolvimentos sobre este tema, cf. entre outros, F. de Quadros, <i>Direito da Uni&atilde;o Europeia</i>, 3.&ordf; ed., Coimbra, Almedina, 2018, pp. 553 ss.; R. Kr&aacute;l, &ldquo;Questioning the Limits of Invocability of EU Directives in Triangular Situations&rdquo;, <i>European Public Law</i>, 16, 2010, pp. 239 ss e P. Craig, &ldquo;The Legal Effect of Directives: Policy Rules and Exception&rdquo;, <i>European Law Review</i>, 34, 2009, pp. 349 ss. Para Dashwood, <i>CYELS</i>, pp. 537-539, o TJUE n&atilde;o reconheceu o efeito directo horizontal da Directiva 96/71 no caso <i>Laval</i>. </p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-51" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="51" href="#calibre_link-139" class="calibre6">51</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> V. n.&ordm; 121 das conclus&otilde;es do Advogado-Geral Paolo Menghozzi.</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-52" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="52" href="#calibre_link-140" class="calibre6">52</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> N.&ordm; 150 das conclus&otilde;es do Advogado-Geral Paolo Menghozzi.</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-53" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="53" href="#calibre_link-141" class="calibre6">53</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> A express&atilde;o &eacute; de Dorssemont, <i>European Union</i>, p. 83. </p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-54" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="54" href="#calibre_link-142" class="calibre6">54</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> L&ecirc;-se no n.&ordm; 97 do ac&oacute;rd&atilde;o <i>Laval</i>: &ldquo;na medida em que visa eliminar restri&ccedil;&otilde;es &agrave; livre presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os, resultantes da circunst&acirc;ncia de o prestador estar estabelecido num Estado-Membro diferente daquele onde a presta&ccedil;&atilde;o deve ser fornecida, o artigo 49.&deg;&nbsp;CE [actual artigo 56.&ordm; TFUE] &eacute; directamente aplic&aacute;vel nas ordens jur&iacute;dicas dos Estados-Membros, no termo do per&iacute;odo de transi&ccedil;&atilde;o, e confere aos particulares direitos que estes podem invocar nos tribunais e que os &oacute;rg&atilde;os jurisdicionais nacionais devem salvaguardar&rdquo;.</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-55" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="55" href="#calibre_link-143" class="calibre6">55</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Escrevendo, uma d&eacute;cada antes do caso <i>Laval</i>, P. Davies, &ldquo;Posted Workers: Single Market Or Protection of National Labour Law Systems&rdquo;, <i>Common Market Law Review</i>, 37, 1997, pp. 571 ss, trouxe para a boca-de-cena aqueles que pareciam ser as verdadeiras prioridades da comunidade impl&iacute;citos neste desiderato, o que se viria a concretizar no caso <i>Laval</i>, <i>Ruffert</i> e <i>Comiss&atilde;o contra Luxemburgo</i>. </p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-56" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="56" href="#calibre_link-144" class="calibre6">56</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Os considerandos 6, 13, 17 e 22 da Directiva 96/71 t&ecirc;m o seguinte teor: &ldquo;Considerando que a transnacionaliza&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o de trabalho levanta problemas quanto &agrave; legisla&ccedil;&atilde;o que lhe &eacute; aplic&aacute;vel e que conv&eacute;m, no interesse das partes, prever as condi&ccedil;&otilde;es de trabalho aplic&aacute;veis &agrave; rela&ccedil;&atilde;o de trabalho em causa; Considerando que as legisla&ccedil;&otilde;es dos Estados-Membros devem ser coordenadas de modo a prever um n&uacute;cleo de regras imperativas relativas &agrave; protec&ccedil;&atilde;o m&iacute;nima a observar no pa&iacute;s de acolhimento pelas entidades patronais que destaquem trabalhadores para trabalharem temporariamente no territ&oacute;rio do Estado-Membro onde os servi&ccedil;os s&atilde;o prestados; que essa coordena&ccedil;&atilde;o s&oacute; pode ser assegurada pelo direito comunit&aacute;rio; Considerando que as regras imperativas de protec&ccedil;&atilde;o m&iacute;nima em vigor no pa&iacute;s de acolhimento n&atilde;o devem impedir a aplica&ccedil;&atilde;o de condi&ccedil;&otilde;es de trabalho e emprego mais favor&aacute;veis aos trabalhadores; Considerando que a presente directiva n&atilde;o prejudica os Estados-Membros em mat&eacute;ria de defesa colectiva dos interesses profissionais&rdquo;.</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-57" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="57" href="#calibre_link-145" class="calibre6">57</a></dt>       <dd class="calibre7">             ]]></body>
<body><![CDATA[<p> No entender de Moses, <i>JCMS,</i> p. 827, a Directiva 96/71 deixa a &ldquo;porta escancarada&rdquo; para o activismo judici&aacute;rio do TJUE. </p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-58" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="58" href="#calibre_link-146" class="calibre6">58</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Ac&oacute;rd&atilde;o <i>Laval</i>, n.&ordm; 68, sublinhado <i>nosso</i>.</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-59" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="59" href="#calibre_link-147" class="calibre6">59</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Ac&oacute;rd&atilde;o <i>Laval</i>, n.&ordm; 70.</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-60" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="60" href="#calibre_link-148" class="calibre6">60</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> P. Rodi&egrave;re, &ldquo;Les arr&ecirc;ts Viking et Laval, le droit de gr&egrave;ve et le droit de n&eacute;gociation collective&rdquo;, <i>Revue trimestrielle de droit europ&eacute;en</i>, 2008, p. 65, descreve a decis&atilde;o como sendo de &ldquo;car&aacute;cter sofisticado&rdquo; (<i>character sofistiqu&eacute;</i>), enquanto La Macchia, &ldquo;The protection of the strike&rdquo;, p. 21, descreve-a como &ldquo;desconcertante e intimidante&rdquo; &ldquo;disconcerting and intimidating&rdquo;. </p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-61" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="61" href="#calibre_link-149" class="calibre6">61</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Para Bercusson, <i>ERA Forum</i> p. 103, tratou-se aqui de uma &ldquo;interpreta&ccedil;&atilde;o bizarra&rdquo; (&ldquo;bizarre interpretation&rdquo;). J&aacute; Davies, <i>ILJ</i>, p. 129, considera que a vis&atilde;o do TJUE demonstra a &ldquo;fundamental misunderstanding of the way in which collective bargaining works: it cannot be isolated from collective action&rdquo;. </p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-62" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="62" href="#calibre_link-150" class="calibre6">62</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> O n.&ordm; 7 do artigo 3.&ordm; da Directiva consagra: &ldquo;o disposto nos n&ordm;s 1 a 6 n&atilde;o obsta &agrave; aplica&ccedil;&atilde;o de condi&ccedil;&otilde;es de emprego e trabalho mais favor&aacute;veis aos trabalhadores&rdquo;. A respeito da t&eacute;cnica interpretativa utilizada pelo TJUE neste segmento espec&iacute;fico, cf. C. Barnard, &ldquo;More Posting&rdquo;, <i>Industrial Law Journal</i>, 43, 2014, pp. 200-203. </p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-63" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="63" href="#calibre_link-151" class="calibre6">63</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> &Eacute; o que escreveu o TJUE no n.&ordm; 80 da decis&atilde;o: &ldquo;o artigo 3.&deg;, n.&deg;&nbsp;7, da Directiva 96/71 n&atilde;o pode ser interpretado no sentido de que permite ao Estado-Membro de acolhimento subordinar a realiza&ccedil;&atilde;o de uma presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os no seu territ&oacute;rio ao respeito de condi&ccedil;&otilde;es de trabalho e de emprego que v&atilde;o al&eacute;m das regras imperativas de protec&ccedil;&atilde;o m&iacute;nima&rdquo;. Este aspecto retrata a inflex&atilde;o no <i>modus operandi</i> do TJUE em rela&ccedil;&atilde;o ao modelo da harmoniza&ccedil;&atilde;o. Para mais desenvolvimentos sobre a crise deste modelo, veja-se Giubboni, <i>ELJ</i>,p. 11. </p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-64" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="64" href="#calibre_link-152" class="calibre6">64</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Neste sentido, v. Zimmer, <i>GPS</i>, p. 217.</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-65" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="65" href="#calibre_link-153" class="calibre6">65</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Segundo Bercusson, <i>ERA Forum</i>, p. 103, o tribunal estava, desta forma, a trilhar um caminho perigoso para o futuro do progresso social da Uni&atilde;o Europeia. </p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-66" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="66" href="#calibre_link-154" class="calibre6">66</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Como reflecte La Macchia, &ldquo;The protection of the strike&rdquo;, p. 3, &ldquo;in the European imagination the aim of the individual states yielding of sovereignty in favour of the EU should be the building of a &laquo;uniform rule&raquo;. This utopian image ignores the fact that between community law and internal law the channels of communication are constituted by the sources (in a traditional sense) by the community and national jurisprudence and legal culture which do not intersect in a logically ordered manner, but simply because they co-exist&rdquo;. </p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-67" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="67" href="#calibre_link-155" class="calibre6">67</a></dt>       <dd class="calibre7">             ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Ac&oacute;rd&atilde;o <i>Laval</i>, n.&ordm; 95.</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-68" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="68" href="#calibre_link-156" class="calibre6">68</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Ac&oacute;rd&atilde;o <i>Laval</i>, n.&ordm; 91 e 95.</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-69" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="69" href="#calibre_link-157" class="calibre6">69</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Ac&oacute;rd&atilde;o <i>Laval</i>, n.&ordm; 109.</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-70" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="70" href="#calibre_link-158" class="calibre6">70</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Como sublinha Zimmer, <i>GPS</i>, p. 221: &ldquo;in Swedish law there is not even a proportionality test of industrial action, unions do have free choice of means&rdquo;. </p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-71" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="71" href="#calibre_link-159" class="calibre6">71</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> A prop&oacute;sito da decis&atilde;o do caso Laval, Joerges e Rodl, ELJ, p. 17, criticam a amplitude das formula&ccedil;&otilde;es do TJUE relativas &agrave; supremacia do direito da Uni&atilde;o. Em sentido pr&oacute;ximo, v. L. Mason, &ldquo;Constitutionality of Labour Rights: an Historical Tipology of the Judicial Treatment of the Constitutional Legality of Labour Legislation&rdquo;, R. Wolfrum et. al. (eds), Max Planck Encyclopedia of Comparative Constitutional Law 2018, p. 28. </p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-72" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="72" href="#calibre_link-160" class="calibre6">72</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Assim, Perinetto, <i>ELLJ</i>, p. 275.</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-73" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="73" href="#calibre_link-161" class="calibre6">73</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Para al&eacute;m dos casos <i>Ruffert</i> e <i>Comiss&atilde;o contra Luxemburgo, </i>verificam-se alguns afloramentos dessa orienta&ccedil;&atilde;o jurisprudencial no Ac&oacute;rd&atilde;o do TJUE de 15.07.2010, processo n.&ordm; C-271/08, Comiss&atilde;o Europeia contra Rep&uacute;blica Federal da Alemanha, no qual a Advogada-Geral Verica Trstenjak frisa que &ldquo;&eacute; poss&iacute;vel inferir do ac&oacute;rd&atilde;o Ruffert os primeiros ind&iacute;cios de que &eacute; necess&aacute;rio modular a linha jurisprudencial seguida nos ac&oacute;rd&atilde;os Viking Line e Laval un Partneri.&rdquo; (n.&ordm; 192 das conclus&otilde;es). Sobre este Ac&oacute;rd&atilde;o, cf. as anota&ccedil;&otilde;es feitas por Barnard, <i>CLP</i> p. 205. Veja-se ainda o Ac&oacute;rd&atilde;o do TJUE de 18.09.2014, processo C-549/13, <i>Bundesdruckerei GmbH contra Stadt Dortmund</i>; e, a respeito deste, Pecinovsky, <i>ELLJ</i>, p. 301. </p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-74" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="74" href="#calibre_link-162" class="calibre6">74</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> M. Bobeki, &ldquo;EU Law in National Courts: Viking, Laval and Beyond&rdquo;, <i>Viking</i>, pp. 323 ss, explica que uma das raz&otilde;es por que isso acontece, reside no modo como a jurisprud&ecirc;ncia da Uni&atilde;o se repercute nas judicaturas dom&eacute;sticas. Segundo o autor (p. 324), &ldquo;knowledge of EU law in the Member States resembles a black box&rdquo;.</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-75" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="75" href="#calibre_link-163" class="calibre6">75</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Sobre as modifica&ccedil;&otilde;es introduzidas nas ordens jur&iacute;dicas sueca, dinamarquesa e luxemburguesa, v. Zimmer, <i>GPS</i>, pp. 224-228. O autor (pp. 225-227) faz ainda uma an&aacute;lise emp&iacute;rica do agravamento das condi&ccedil;&otilde;es laborais dos trabalhadores alem&atilde;es ap&oacute;s as altera&ccedil;&otilde;es do sistema germ&acirc;nico da <i>Tariftreueerkl&auml;rungen</i> por introduzidas por for&ccedil;a do caso <i>Ruffert</i>. Sobre os efeitos previs&iacute;veis dos casos <i>Viking</i> e <i>Laval</i> no sistema brit&acirc;nico, Cf. Davies, <i>ILJ</i>, pp.145-146. </p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-76" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="76" href="#calibre_link-164" class="calibre6">76</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Em 2011, na comunica&ccedil;&atilde;o dirigida ao &ldquo;Ato para o mercado &uacute;nico II &ndash; Juntos para um novo crescimento&rdquo;, a Comiss&atilde;o Europeia comprometeu-se, tendo em conta as recomenda&ccedil;&otilde;es constantes do relat&oacute;rio Monti 2010 (&ldquo;Uma nova estrat&eacute;gia para o mercado &uacute;nico: ao servi&ccedil;o da economia e sociedade europeias&rdquo;) a apresentar duas propostas no contexto das ac&ccedil;&otilde;es colectivas dos trabalhadores. </p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-77" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="77" href="#calibre_link-165" class="calibre6">77</a></dt>       <dd class="calibre7">             ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Proposta n.&ordm; 52012PC0130, de 21 de Mar&ccedil;o de 2012. Dispon&iacute;vel em <a target="_blank" href="https://eur-lex.europa.eu/LexUriServ/LexUriServ.do?uri=COM:2012:0130:FIN:PT:PDF" class="text_4">https://eur-lex.europa.eu/LexUriServ/LexUriServ.do?uri=COM:2012:0130:FIN:PT:PDF</a> (acedido em 27 de Mar&ccedil;o de 2020).</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-78" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="78" href="#calibre_link-166" class="calibre6">78</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Na exposi&ccedil;&atilde;o de motivos da proposta (p. 14), alinhavou-se o seguinte: &ldquo;A fim de evitar que os sindicatos se vejam impedidos ou mesmo proibidos de facto de exercerem com efic&aacute;cia os seus direitos coletivos devido &agrave; amea&ccedil;a de pedidos de indemniza&ccedil;&atilde;o, com base no ac&oacute;rd&atilde;o Viking-Line, da parte de empregadores que invoquem elementos relacionados com o car&aacute;ter transfronteiri&ccedil;o de determinadas situa&ccedil;&otilde;es, conv&eacute;m lembrar que em situa&ccedil;&otilde;es que care&ccedil;am de elementos transfronteiri&ccedil;os ou em que estes sejam hipot&eacute;ticos, deve presumir-se que uma a&ccedil;&atilde;o coletiva n&atilde;o constitui viola&ccedil;&atilde;o da liberdade de estabelecimento ou de presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os. Tal n&atilde;o prejudica a conformidade da a&ccedil;&atilde;o coletiva com as legisla&ccedil;&otilde;es e pr&aacute;ticas nacionais. De facto, um risco t&atilde;o elevado de responsabilidade em caso de danos com base numa situa&ccedil;&atilde;o hipot&eacute;tica ou em que n&atilde;o existam elementos de car&aacute;ter transfronteiri&ccedil;o tornaria o recurso dos sindicatos ao direito de greve assaz dif&iacute;cil, se n&atilde;o mesmo imposs&iacute;vel, em situa&ccedil;&otilde;es em que nem se aplicam as liberdades de estabelecimento ou de presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os&rdquo;. </p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-79" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="79" href="#calibre_link-167" class="calibre6">79</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Para uma an&aacute;lise detida sobre a proposta, Cf. The Adoptive Parents, &ldquo;The Life of a Death Foretold: The Proposal for a Monti II Regulation&rdquo;, <i>Viking,</i>, pp. 99 ss, onde se aludem as causas que ter&atilde;o levado a n&atilde;o aprova&ccedil;&atilde;o da mesma, com destaque para uma poss&iacute;vel transgress&atilde;o do princ&iacute;pio da subsidiariedade (pp. 99-102), o seu escopo limitado (pp. 102-103) e a aplica&ccedil;&atilde;o do princ&iacute;pio da proporcionalidade nela subjacente (pp. 103-107). No mesmo sentido, v. Barnard, <i>Research Handbook</i>, p. 22, que escreve: &ldquo;it was the political process that eventually killed the proposal&rdquo;. Sobre o tema, veja-se ainda Weatherill, <i>Viking</i>, p. 36. </p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-80" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="80" href="#calibre_link-168" class="calibre6">80</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Assim, Barnard, <i>CLP</i>, p. 206. </p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-81" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="81" href="#calibre_link-169" class="calibre6">81</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Suscitaram-se as mesmas cr&iacute;ticas referenciadas na nota anterior. Assim, Barnard, <i>Research Handbook</i>, p. 23. </p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-82" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="82" href="#calibre_link-170" class="calibre6">82</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Publicada no Jornal Oficial da Uni&atilde;o Europeia a 28 de Maio de 2014.</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-83" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="83" href="#calibre_link-171" class="calibre6">83</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Para uma an&aacute;lise do texto e de alguns problemas suscitados no contexto desta Directiva, Cf. S. Richard, &ldquo;The implementing directive on posted workers: and what now?&rdquo;, 2016, p. 1 e ss., dispon&iacute;vel em <a target="_blank" href="https://www.robert-schuman.eu/en/european-issues/0383-the-implementing-directive-on-posted-workers-and-what-now" class="text_29">https://www.robert-schuman.eu/en/european-issues/0383-the-implementing-directive-on-posted-workers-and-what-now</a>(acedido em 26 de Mar&ccedil;o de 2020).</p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-84" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="84" href="#calibre_link-172" class="calibre6">84</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> A respeito das mudan&ccedil;as (e continuidades) no seio da nova Directiva, cf. R. Zahn, &ldquo;Revision of the Posted Workers&rsquo; Directive: a Europeanisation Perspective&rdquo;, <i>Cambridge Yearbook of European Legal Studies</i>, 2017, pp. 1-20; J. Lhernould, &ldquo;Directive (EU) 2018/957 of 28 June 2018 amending Directive 96/71/EC concerning the posting of workers in the framework of the provision of services&rdquo;, <i>Era Forum</i>, 2019, pp. 249 ss, dispon&iacute;vel em <a target="_blank" href="https://link.springer.com/article/10.1007/s12027-019-00573-x" class="text_4" lang="en">https://link.springer.com/article/10.1007/s12027-019-00573-x</a> (acedido em 30 de Mar&ccedil;o de 2020); D. Carter, &ldquo;Equal Pay for Equal Work in the same Place? Assessing the Revision to the Posted Workers Directive&rdquo;, 2018, pp. 31 ss, dispon&iacute;vel <a target="_blank" href="https://hrcak.srce.hr/file/317577" class="text_4" lang="en">https://hrcak.srce.hr/file/317577</a> (acedido em 30 de Mar&ccedil;o de 2020). </p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-85" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="85" href="#calibre_link-173" class="calibre6">85</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Um &uacute;ltimo ac&oacute;rd&atilde;o que gost&aacute;vamos ainda de referir nessa linha reflexiva, &eacute; o Ac&oacute;rd&atilde;o do TJUE de 17.11.2015, processo C-115/14, <i>RegioPost GmbH &amp; Co. </i><i>Contra Stadt Landau in der Falz</i>. Sobre este aresto, v. os estudos renunidos em A. S&aacute;nchez Graells (ed.),<i> Smart Public Procurement and Labour Standards: Pushing the Discussion after Regiopost</i>, Oxford | Portland, Hart Publishing, 2018; PecinovskY, <i>ELLJ</i>, pp. 302-319 e Davies, <i>ECLR</i> , pp. 164-165. Esta autora (p. 164) sublinha que o caso <i>RegioPost</i> traduz um sinal de que a jurisprud&ecirc;ncia do TJUE &ldquo;tem amenizado um pouco desde <i>Viking</i>&rdquo;. </p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-86" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="86" href="#calibre_link-174" class="calibre6">86</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Este desiderato consagra: &ldquo;O disposto no presente artigo n&atilde;o &eacute; aplic&aacute;vel &agrave;s remunera&ccedil;&otilde;es, ao direito sindical, ao direito de greve e ao direito de lock-out&rdquo;. </p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-87" class="footnote">       <dt class="calibre5"><a title="87" href="#calibre_link-175" class="calibre6">87</a></dt>       <dd class="calibre7">             ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Como acertadamente enfatizam Joerges e Rodl, <i>ELJ</i>, p. 82, &ldquo;the ECJ is not a constitutional court with comprehensive competences. It is not legitimated to reorganise the interdependence of Europe&rsquo;s social and economic constitutions, let alone replace the variety of European social models with a uniform Hayekian Rechtsstaat&rdquo;. </p>       </dd>     </dl>     <dl id="calibre_link-88" class="footnote1">       <dt class="calibre5"><a title="88" href="#calibre_link-176" class="calibre6">88</a></dt>       <dd class="calibre7">             <p> Para uma primeira aproxima&ccedil;&atilde;o &agrave; discuss&atilde;o em torno desses arestos (casos <i>Allemo-Herron</i> e <i>Iraklis),</i> vejam-se as refer&ecirc;ncias <i>supra</i>, nota 25.</p>       </dd>     </dl>   </span></div> </div>      ]]></body>
</article>
