<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>2183-3176</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Cadernos do Arquivo Municipal]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cadernos do Arquivo Municipal]]></abbrev-journal-title>
<issn>2183-3176</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Arquivo Municipal de Lisboa / Câmara Municipal de Lisboa]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S2183-31762014000100008</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O prédio de rendimento Joanino]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The Joanine multifamily building]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Caldas]]></surname>
<given-names><![CDATA[João Vieira]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A1"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Pinto]]></surname>
<given-names><![CDATA[Maria Rocha]]></given-names>
</name>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Rosado]]></surname>
<given-names><![CDATA[Ana]]></given-names>
</name>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="AA1">
<institution><![CDATA[,Instituto Superior Técnico  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>06</month>
<year>2014</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>06</month>
<year>2014</year>
</pub-date>
<volume>ser2</volume>
<numero>1</numero>
<fpage>125</fpage>
<lpage>150</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S2183-31762014000100008&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S2183-31762014000100008&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S2183-31762014000100008&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[O prédio de rendimento, enquanto edifício construído de raiz para alojar diferentes famílias sob regime de aluguer, teve particular desenvolvimento em Lisboa na primeira metade do século XVIII. A Lisboa joanina poderá mesmo ter constituído o espaço de experimentação da habitação multifamiliar urbana que preparou o caminho para a sistematização operada pelo prédio de rendimento pombalino. Nesse contexto geográfico e cronológico destaca-se o edifício corrente de três/quatro pisos e dois fogos por piso, invenção da Idade Moderna que constitui o tema central do presente artigo.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Built from the scratch to house several families, the so-called “income building” knew a booming development in the first half of the eighteenth century. One may say that it was during the reign of D. João V that were laid the foundations of the urban multifamily housing, later systematized with the pombaline “income building”. In this geographical and chronological context stands out the common three/four storeys building with two dwellings per floor that may be regarded as a pre-modern invention and is the heart of this article.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Bairros históricos de Lisboa]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Antigo Regime]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Habitação plurifamiliar]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Compartimentação]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Lisbon historical neighbourhoods]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Eighteenth Century]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Multifamily housing]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[House plan]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO</b></p>     <p><b>O prédio de rendimento Joanino</b></p>     <p><b>The Joanine multifamily building</b></p>     <p><b>João Vieira Caldas<a href="#*"><sup>*</sup></a><a name="top*"></a>, Maria    Rocha Pinto<a href="#**"><sup>**</sup></a><a name="top**"></a>, Ana Rosado<a href="#***"><sup>***</sup></a><a name="top***"></a></b></p>     <p>* Instituto Superior Técnico, Lisboa, Portugal</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>O prédio de rendimento, enquanto edifício construído de raiz para alojar diferentes    famílias sob regime de aluguer, teve particular desenvolvimento em Lisboa na    primeira metade do século XVIII. A Lisboa joanina poderá mesmo ter constituído    o espaço de experimentação da habitação multifamiliar urbana que preparou o    caminho para a sistematização operada pelo prédio de rendimento pombalino. Nesse    contexto geográfico e cronológico destaca-se o edifício corrente de três/quatro    pisos e dois fogos por piso, invenção da Idade Moderna que constitui o tema    central do presente artigo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>PALAVRAS-CHAVE</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Bairros históricos de Lisboa / Antigo Regime / Habitação plurifamiliar / Compartimentação</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>Built from the scratch to house several families, the so-called &ldquo;income building&rdquo;    knew a booming development in the first half of the eighteenth century. One    may say that it was during the reign of D. João V that were laid the foundations    of the urban multifamily housing, later systematized with the <i>pombaline</i>    &ldquo;income building&rdquo;. In this geographical and chronological context stands out    the common three/four storeys building with two dwellings per floor that may    be regarded as a pre-modern invention and is the heart of this article.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>KEYWORDS</b></p>     <p>Lisbon historical neighbourhoods / Eighteenth Century / Multifamily housing    / House plan</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1 INTRODUÇÃO</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O prédio de rendimento, entendido como um edifício construído de raiz (ou radicalmente    transformado) para albergar várias famílias, sem laço de parentesco necessário,    em fogos separados e em regime de aluguer, teve larga e prematura difusão na    Lisboa do Antigo Regime.</p>     <p>Em geral, quando se fala na origem do prédio de habitação para rendimento enquanto    tipologia arquitetónica consolidada, em Lisboa, é quase sempre o edifício de    habitação plurifamiliar pombalino que se tem em mente. No entanto, os poucos    estudos até agora realizados que, de alguma forma, abordam a temática da arquitetura    urbana corrente pressupõem uma difusão do prédio de habitação plurifamiliar,    na capital, muito anterior à sistematização da tipologia &ldquo;prédio de rendimento&rdquo;    resultante da reconstrução pombalina. Essa difusão, sugerida por alguma iconografia<a href="#1"><sup>1</sup></a><a name="top1"></a>,    tem sido comprovada pela documentação de arquivo e pelo estudo de edifícios    ou partes de edifícios anteriores ao Terramoto e ainda existentes nos chamados    &ldquo;bairros históricos&rdquo;.</p>     <p>O conhecimento sólido da história do edifício urbano corrente, destinado a    habitação plurifamiliar, em Lisboa, só é, no entanto, possível através de uma    investigação simultânea em múltiplas frentes que faça uma análise sistemática    bairro a bairro, rua a rua, dos prédios datáveis do Antigo Regime, cruzando    o trabalho de campo com dados de diferentes arquivos<a href="#2"><sup>2</sup></a><a name="top2"></a>.  </p>     <p>Uma investigação deste tipo, para ser levada a bom termo, exige a participação    de equipas multidisciplinares e meios de investigação alargados. Porém, a acelerada    degradação da habitação nos &ldquo;bairros históricos&rdquo;; a permissividade no que respeita    à intervenção em edifícios antigos inscrita no atual enquadramento legal do    licenciamento urbanístico, que, entre outros aspetos, admite a possibilidade    de realização de alterações profundas sem a correspondente obrigatoriedade de    registo do estado anterior às obras, obliterando-o do ponto de vista da memória    futura; a profusão de ações que se dizem de &ldquo;reabilitação&rdquo; mas que resultam    numa destruição total dos edifícios à exceção das fachadas principais<a href="#3"><sup>3</sup></a><a name="top3"></a>,    levaram-nos a refletir sobre o &ldquo;estado da questão&rdquo;, apoiando-nos no conhecimento    parcelar que, apesar de tudo, já foi produzido e num conjunto de trabalhos de    investigação recentes, materializados em dissertações de Mestrado Integrado    em Arquitetura cujos resultados nunca foram publicados<a href="#4"><sup>4</sup></a><a name="top4"></a>.</p>     <p>O tema do prédio de habitação corrente em Lisboa começou a surgir com alguma    relevância em trabalhos dos anos de 1990 sobre o Bairro Alto, mas só em anos    mais recentes foi alvo de raros estudos mais específicos entre os quais se destacam    algumas dissertações académicas e os artigos de Maria Helena Barreiros. Hélder    Carita aborda o assunto no capítulo sobre &ldquo;Arquitetura Vernácula&rdquo; do seu estudo    pioneiro sobre o Bairro Alto<a href="#5"><sup>5</sup></a><a name="top5"></a>.    António Reis Cabrita, José Aguiar e João Appleton, no <i>Manual de apoio à reabilitação    dos edifícios</i> do mesmo bairro<a href="#6"><sup>6</sup></a><a name="top6"></a>,    desenvolvem-no talvez um pouco mais. Ambos os trabalhos revelam já algum interesse    pela compreensão da organização do espaço interno dos fogos, mas é Helena Barreiros    quem tem tentado explorar, como um todo — ainda que preferencialmente estudando    a casa pombalina —, o processo que vai da encomenda à realidade construída,    passando pela conceção espacial e funcional dos fogos e respetivos acessos no    interior do prédio<a href="#7"><sup>7</sup></a><a name="top7"></a>. </p>     <p>De facto, embora nalguns trabalhos em torno do tema já tenham sido esboçadas    tentativas de compreensão do prédio pombalino enquanto edifício de habitação    plurifamiliar necessariamente adaptável à variedade de dimensão e situação dos    lotes que couberam por compensação, após o Terramoto, a cada proprietário, a    maior parte dos autores que se lhe refere continua, tanto no que toca aos seus    aspetos estruturais e construtivos, como às áreas semipúblicas — átrios e caixas    de escadas — e, por vezes, ao tipo e composição dos fogos, a repetir um modelo    arquetípico sem correspondência numa realidade efetivamente muito mais complexa.    Ainda assim, no que toca ao campo da habitação coletiva, o prédio de rendimento    pombalino, apesar de pouco aprofundado, acabou por ofuscar as restantes formas    de habitação corrente setecentista, em particular as que estão na base da síntese    pombalina.</p>     <p>Embora conscientes de que se trata apenas de mais um passo na investigação    de um campo que ainda se encontra nos seus primórdios, com o presente trabalho    pretendemos, justamente, dar uma contribuição para a melhor compreensão do que    seria o prédio de rendimento numa primeira metade do século XVIII grosseiramente    delimitada, na convicção, com Maria Helena Barreiros, de que a Lisboa joanina    constituiu um importante espaço de experimentação da habitação plurifamiliar    destinada a aluguer, confirmada e desenvolvida pelo conjunto de dissertações    de Mestrado Integrado atrás referidas<a href="#8"><sup>8</sup></a><a name="top8"></a>.    A investigação que as suporta vem corroborar e estender a outras zonas da cidade    já consolidada no período joanino, ainda que periférica, algumas das conclusões    apontadas nos trabalhos de pesquisa precedentes, em particular nos que se debruçaram    sobre o Bairro Alto. </p>     <p>Confirma-se, assim, a predominância do lote estreito e comprido de origem medieval,    correspondente a edifícios de três ou quatro pisos com um fogo por piso. De    igual modo se verificou que esses fogos eram maioritariamente constituídos por    três compartimentos dispostos em linha — sala para a frente, cozinha para trás    e quarto ou alcova interior (<a href="#f1a">Figura 1a</a>) —, sendo também relativamente    comum, em lotes ligeiramente mais largos e curtos, uma variante em que a cozinha    e o quarto se dispõem lado a lado junto ao tardoz comunicando ambos diretamente    com a sala da frente (<a href="#f1b">Figura 1b</a>). O sistema de acessos aos    fogos é semelhante nas duas variantes: uma escada &ldquo;de tiro&rdquo; que sobe encostada    a uma das empenas mas que, quando o edifício é relativamente curto e tem vários    andares, dobra em L a partir do pequeno patamar do primeiro ou do segundo andares.  </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1a"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n1/ser2n1a08f1a.jpg">      
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f1b"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n1/ser2n1a08f1b.jpg">      
<p>&nbsp;</p>     <p>É também semelhante o processo que leva à conceção de fogos maiores e com mais    divisões a partir da matriz de três compartimentos. Em ambas as variantes, essa    opção implica maior ocupação do lote em profundidade, permitindo, na variante    em linha, a introdução de mais um quarto ou alcova interior e, na segunda variante,    a introdução de uma fiada intermédia de compartimentos interiores — dois quartos/alcovas    em paralelo ou um quarto e um curto corredor ou um vestíbulo.</p>     <p>A ocupação de um lote estreito com um edifício habitacional de um fogo por    piso e três compartimentos por fogo, organizados em linha e correspondentes    às três funções básicas do habitar — estar/socializar, dormir e comer/confecionar    a alimentação — ou às três áreas fundamentais da habitação — área social, área    privada e área de serviço —, tem certamente uma filiação medieval independentemente    do facto de muitas das suas variantes com maior número de compartimentos e/ou    diferente disposição poderem ter uma origem posterior. Contudo, ainda não é    possível afirmar peremptoriamente que a maior parte deles foi construída de    raiz como habitação plurifamiliar e não como ampliação de simples casas unifamiliares    de dois pisos. É, por enquanto, difícil determinar se, na origem, já correspondiam    a dois fogos sobrepostos ou a uma só habitação com &ldquo;loja&rdquo; por baixo. Os trabalhos    de investigação que estão na base do presente artigo apenas confirmaram que,    nas áreas estudadas, a maior parte dos prédios com três ou mais pisos resultaram    de sucessivas transformações e ampliações executadas em diferentes épocas —    não só nos períodos de obras intensas realizadas, primeiro, a pretexto dos danos    causados pelo Terramoto, e, mais tarde, nas décadas de transição do século XIX    para o século XX, mas também ao longo de toda a Idade Moderna e, nomeadamente,    na época joanina. Na origem, quase todos eles teriam, de facto, apenas dois    pisos.</p>     <p>Ao centrarmos o presente artigo no estudo e caracterização do prédio de rendimento    com dois inquilinos por piso do período joanino, estamos não só a delimitar    com mais clareza o objeto de estudo, tanto tipológica como cronologicamente,    como a abordar edifícios que, com maior probabilidade, eram destinados para    arrendamento a vários inquilinos desde a sua origem. Por conseguinte, se bem    que, no que respeita à Lisboa da primeira metade do século XVIII, seja já indiscutível    a vulgarização do prédio rendimento com um, mas também com dois inquilinos por    piso, é este último — sobre o qual nos vamos debruçar<a href="#9"><sup>9</sup></a><a name="top9"></a>    — que constitui uma das mais interessantes e significativas inovações da habitação    na cidade da Idade Moderna. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2 CONSIDERAÇÕES METODOLÓGICAS</b></p>     <p>O presente artigo apoia-se, portanto, num conjunto de quatro trabalhos de investigação    que abordam a habitação plurifamiliar corrente em Lisboa na época pré-industrial    <a href="#10"><sup>10</sup></a><a name="top10"></a>. Todos se dedicaram ao estudo,    caracterização e documentação do edifício corrente do ponto de vista da sua    inserção urbana e da sua organização espacial, funcional e morfológica, procedendo-se,    sempre que tal foi possível, a uma caracterização construtiva mesmo que parcial.</p>     <p>À exceção do primeiro desses trabalhos, realizado em 2011, cujo caráter experimental    levou a uma seleção de edifícios mais restrita em três diferentes zonas de Lisboa    <a href="#11"><sup>11</sup></a><a name="top11"></a>, para cada um dos outros    três foi delimitada uma área de características morfológicas homogéneas do tecido    urbano histórico da cidade — Bairro da Madragoa, Bairro da Bica e encosta de    Santana —, dentro da qual cada investigador analisou cerca de 60 prédios de    entre os quais selecionou, em média, 25 casos de estudo. </p>     <p>O processo de investigação, enquadrado por consulta bibliográfica, baseou-se    na recolha de informação individual referente a cada exemplar com recurso tanto    a levantamentos métricos e fotográficos <i>in situ</i> como à consulta de processos    de obra e fotografias antigas no Arquivo Municipal de Lisboa. Ainda que apenas    para escassos casos, no âmbito do <i>corpus</i> dos edifícios estudados, existam    nesse Arquivo registos que remontam aos finais do século XIX, os projetos de    alteração e os autos de vistoria encontrados foram fulcrais para, por cruzamento    com o trabalho de campo e com a bibliografia, detetar padrões e tendências de    alteração destes prédios em diferentes épocas. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Com base nos desenhos dos processos de obra, retificados pelos levantamentos    das fachadas e do interior dos edifícios (sempre que foi possível visitar os    fogos), procedeu-se então ao redesenho de cada caso de estudo tal como se encontra    hoje. Depois, face às alterações descritas em autos de vistoria e registadas    nos desenhos de alterações (&ldquo;vermelhos e amarelos&rdquo;), e a uma análise crítica    do estado atual do edifício, foram retiradas todas as camadas passíveis de ser    lidas como acrescentos — ampliações a tardoz, acréscimo de pisos, recompartimentações    internas — e desenhou-se uma hipotética reconstituição da edificação anterior    às alterações, porventura da edificação original. Desta forma, sistematizou-se    toda a informação disponível sobre os prédios uniformizando-se também os desenhos    em escala e na expressão gráfica. Por fim, por comparação e analogia, sistematizaram-se    os tipos habitacionais encontrados e fez-se uma caracterização dos aspetos construtivos    mais relevantes, fosse pela sua frequência, fosse por poderem ser representativos    de uma evolução na utilização dos materiais e nos modos de construir. </p>     <p>Apesar de cada uma das pesquisas de base ter tido um desenvolvimento autónomo    e dirigido a um universo de edificações bem delimitado, na medida em que todas    utilizam o mesmo método podem ser também complementares entre si. Permitem,    assim (com a ajuda dos resultados das poucas pesquisas afins já realizadas),    caracterizar globalmente o prédio corrente e contribuir para a definição de    uma tipologia da habitação plurifamiliar da época pré-industrial em Lisboa.    Através de uma análise comparativa é possível apontar tendências construtivas    e morfológicas e confirmar a existência de tipos arquitetónicos que, não obstante    poderem ser pouco representativos num determinado bairro, reforçam-se quando    a amostra se alarga a outras áreas da cidade. O conhecimento assim produzido    pretende contribuir para o aprofundamento da história da habitação multifamiliar    em Lisboa, nas suas múltiplas vertentes (morfológica, espacial, funcional, construtiva,    etc.), e sistematizar informação relevante tanto para a reflexão sobre a salvaguarda    dos chamados &ldquo;bairros históricos&rdquo; como para uma reabilitação mais informada,    rigorosa e efetiva dos edifícios que os compõem. </p>     <p>O método seguido nas pesquisas parcelares já efetuadas, abarcando prédios cuja    construção inicial se insere desejavelmente no âmbito cronológico da Idade Moderna,    mas susceptíveis de terem sido profundamente alterados desde então e, em particular,    na época contemporânea, encerra pouco rigor quando se pretende fazer uma aproximação    a cronologias mais específicas. Para complementar e aprofundar a pesquisa já    realizada, confinando-a, mesmo que <i>grosso modo</i>, à primeira metade do    século XVIII, foi necessário recorrer a outros fundos arquivísticos. Às fontes    anteriormente referidas acrescem, pois, os <i>Livros da Décima</i>, os <i>Livros    de Cordeamentos</i> e os <i>Róis de Confessados</i>.</p>     <p>Os livros da <i>Décima da cidade de Lisboa</i> e seu termo, conservados no    Arquivo Histórico do Tribunal de Contas, registam um imposto — a décima — &ldquo;sobre    as propriedades, prédios, ofícios e ordenados, capitais emprestados a juros    lucros do comércio e da indústria&rdquo;<a href="#12"><sup>12</sup></a><a name="top12"></a>,    cobrado com caráter permanente a partir de 1762 e abrangendo um período que,    nalguns casos, vai até 1840<a href="#13"><sup>13</sup></a><a name="top13"></a>.    Ordenados por freguesias, os <i>Livros de Propriedades Urbanas</i> registavam    anualmente para cada rua, casa a casa, o nome dos respetivos proprietários,    a décima paga e a composição sumária dos imóveis<a href="#14"><sup>14</sup></a><a name="top14"></a>,    remetendo para o respetivo <i>Livro de Arruamentos</i>. Este, por sua vez, complementa    o de Propriedades com a indicação dos arrendamentos de cada parcela dos imóveis    e a identidade dos arrendatários, confirmando, assim, a larga difusão do sistema    do prédio de rendimento na cidade<a href="#15"><sup>15</sup></a><a name="top15"></a>    independentemente do reordenamento e sistematização predial que, em paralelo,    se tentava implantar na Baixa em reconstrução. Os registos destes livros vêm    ainda confirmar a proliferação em todos os bairros históricos de Lisboa dos    prédios de múltiplos fogos por piso<a href="#16"><sup>16</sup></a><a name="top16"></a>,    assim como a sua ampla existência, enquanto tal, nos primeiros anos em que há    registo sistemático da cobrança da Décima (1762-1763). </p>     <p>Para efeitos do presente artigo, considerou-se que os edifícios registados    nesses primeiros anos podiam ser englobados no conjunto dos prédios de rendimento    joaninos. Por um lado porque, pelo cruzamento dos diversos fundos arquivísticos    consultados, verifica-se que a maioria dos prédios arruinados ou danificados    pelo Terramoto de 1755, nas áreas de Lisboa estudadas, ainda são identificados    como ruína no início dos anos de 1760<a href="#17"><sup>17</sup></a><a name="top17"></a>.    Por outro lado, dado que os prédios pombalinos da Baixa só começaram a ser edificados    após a aprovação do respetivo Plano, em Junho de 1758, não é provável que em    1762-63 já pudessem ter sido concluídos, nos bairros então periféricos, edifícios    de arquitetura caracteristicamente pombalina ou por esta influenciada. Se, porventura,    foram integralmente (re)construídos prédios de rendimento nestes bairros, no    intervalo entre 1755 e 1762, poderão ser considerados ainda edifícios joaninos    mesmo que não marcados estilisticamente enquanto tal e desde que não marcados    estilisticamente como pombalinos.</p>     <p>No entanto, em consequência de os registos da <i>Décima</i> terem sido efetuados    por diferentes pessoas em diferentes anos e conforme as freguesias, a profundidade    da informação recolhida é variável. Não existindo ainda, na época, números de    polícia para identificar os prédios, há documentos em que é possível localizá-los    claramente, por exemplo, quando se trata de gavetos, enquanto noutros a identificação    do prédio é feita apenas pelo número de ordem na rua. Por outro lado, se há    oficiais que iniciam uma nova contagem de prédios em cada rua (como se verifica    nas freguesias da Pena e Socorro) há outros que adotam uma contagem contínua    para toda a freguesia (por exemplo, em Santa Catarina), o que dificulta ainda    mais a investigação. Também se verifica, nalguns casos, a indicação, na sequência    de uma rua, dos &ldquo;chãos&rdquo; devolutos e arruinados<a href="#18"><sup>18</sup></a><a name="top18"></a>,    enquanto há outros casos em que, sem ter havido qualquer referência anterior    a lotes desocupados, de um ano para outro é registada uma &ldquo;nova&rdquo; propriedade    entre dois prédios de proprietários já anteriormente referidos. Todos estes    fatores dificultam a tarefa de localizar de forma precisa e sistemática cada    prédio ou, tão simplesmente, de enumerar a totalidade de lotes de uma rua, tornando    quase impossível fazer coincidir aquele número de ordem com a sucessão de prédios    atual.</p>     <p>Alguma da informação assim obtida pôde ser complementada pela consulta dos    <i>Livros de Cordeamentos</i> do acervo do Arquivo Municipal de Lisboa onde,    a partir de 1614, se registam os pedidos dos proprietários ao Senado para a    realização de obras bem como os respetivos autos de vistoria. Se, por um lado,    a localização dos prédios é sempre imprecisa, sendo referida apenas a rua, em    regra sem qualquer outro ponto de referência, por outro, a informação obtida    através deste tipo de documentos permite compreender as alterações construtivas    comuns a determinada época o que, por si só, é uma mais-valia. Por interseção    destes pedidos de cordeamento com as referências aos proprietários nos <i>Livros    de Propriedades</i> e Arruamentos da <i>Décima</i> é, por vezes, possível determinar    a localização de um imóvel e perceber quais as alterações a que foi sujeito    num dado ano<a href="#19"><sup>19</sup></a><a name="top19"></a>, ou mesmo identificar    a data da sua construção. </p>     <p>Por fim, dever-se-á ainda mencionar a importância dos <i>Róis de Confessados</i>,    do acervo do Arquivo Histórico do Patriarcado de Lisboa, para o entendimento    da cidade joanina. A propósito do dever pascal de confessar e comungar, extensível    a todos os fiéis com mais de sete anos, os priores faziam o registo de todos    os habitantes da sua paróquia, agrupando-os por fogo e seguindo a sequência    das ruas. Apontando o homem à cabeça do fogo (muitas vezes com a respetiva profissão),    é feita uma enumeração dos elementos da família e da sua relação com o chefe    de família, o que permite entender a composição dos agregados familiares bem    como a frequência e quantidade de criados e escravos. Contudo, não estando os    fogos associados a um número que identifique o imóvel, levanta-se o problema    da relação entre o fogo e o imóvel e da própria definição de fogo na época em    estudo. Segundo Isaías da Rosa Pereira &ldquo;um fogo constituído por pai, mãe e filhos,    desdobra[-se] em dois fogos quando um dos filhos casa e fica a viver no mesmo    edifício&rdquo; e em três fogos, se um segundo filho casar<a href="#20"><sup>20</sup></a><a name="top20"></a>,    mas não fica claro se, à luz do entendimento atual, cada &ldquo;fogo&rdquo; corresponde    a um apartamento próprio e fisicamente separado dos restantes, ainda que situado    no mesmo edifício, ou se o termo fogo se refere a cada uma das famílias nucleares    que continuam a viver, em comum, na mesma casa. Dever-se-á ainda mencionar a    frequente presença de pessoas com apelidos distintos e sem relação de parentesco    ou de serviço explícita integrando um mesmo fogo, hipotético indício da prática    de subarrendamento. Apesar da dificuldade de se associar os fogos assim entendidos    aos respetivos imóveis, os <i>Róis de Confessados</i> fornecem contributos complementares    nomeadamente no que se refere à toponímia da cidade. Exemplo desta mais-valia    é a definição clara da estrutura viária do Bairro da Bica, descrita em 1651    já com os nomes das ruas que hoje conhecemos (&ldquo;Rua do Cabral&rdquo;, &ldquo;Rua da Biqua    Grande&rdquo;, &ldquo;Rua do Almada&rdquo;, &ldquo;Rua do Larangeiro&rdquo; ...) <a href="#21"><sup>21</sup></a><a name="top21"></a>.  </p>     <p>Apesar do imenso espólio arquivístico consultado, o trabalho de cruzamento    de dados é moroso não sendo a recolha de dados linear nem homogénea para cada    caso. Assim, da larga amostra de prédios estudados nas dissertações de mestrado    que motivaram este artigo, só foi possível associar com precisão um cordeamento    ou registo de arruamento a um número reduzido de edifícios. Partindo dos <i>Livros    da Décima</i>, fez-se um levantamento de todos os prédios situados nas ruas    em estudo, registando a sua composição (número de pisos e fogos por piso), proprietário    e posição relativa na rua. Apesar da alteração de nomes de algumas ruas, foi    possível identificar alguns prédios, normalmente em lotes de início de rua,    bem referenciados, tendo-se verificado que muitos mantêm a morfologia de então.    Verificou-se de seguida todos os pedidos de obras dos <i>Livros de Cordeamentos</i>    para as mesmas ruas, tendo sido possível, por cruzamento de proprietários, confirmar    obras nalguns destes lotes — melhoramentos, ampliações ou até demolições e reconstruções    a <i>fundamentis</i>. Não obstante a dificuldade de associar uma data precisa    à maioria dos edifícios inicialmente estudados, foi possível reforçar algumas    conclusões dos trabalhos de investigação sobre habitação plurifamiliar do Antigo    Regime em que aqueles se integravam e identificar algumas tendências da edificação    joanina.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>3 SELEÇÃO DE CASOS DE ESTUDO</b></p>     <p>O prédio de rendimento pré-pombalino de dois fogos por piso foi encontrado    em todas as áreas estudadas e, até, expressando eventuais variantes tipológicas,    com semelhanças na lógica da organização e funcionamento internos adaptadas    a diferentes realidades urbanas e sociais. Assim, além do prédio de rendimento    joanino de ocorrência mais frequente, e que será objeto de maior desenvolvimento    neste estudo, encontram-se, pontualmente, conjuntos de pequenos edifícios plurifamiliares    organizados &ldquo;em banda&rdquo;, mas também prédios de maiores dimensões e com os elementos    compositivos da fachada mais elaborados, provavelmente destinados a uma classe    social mais abastada. São estes os que mais facilmente identificamos com a estética    do período joanino (em particular no que se refere às molduras dos vãos) e nos    quais reconhecemos uma influência da arquitetura erudita. </p>     <p>Na encosta de Santana, não só foi possível encontrar vários exemplares do prédio    de rendimento comum com dois inquilinos por piso, já construídos à data dos    primeiros registos sistemáticos da <i>Décima da Cidade</i>, como se encontraram    exemplares das outras duas variantes, acima referidas, igualmente anteriores    a 1762-63.</p>     <p>O prédio de habitação corrente setecentista, tipicamente urbano, com mais de    dois pisos e dois inquilinos por piso — o antepassado do prédio de rendimento    —, caracteriza-se por ter fachadas largas, com uma composição tendencialmente    simétrica e cinco vãos à largura: uma fiada de janelas axial, sobre a porta    principal, para iluminação da caixa de escadas, e, de cada lado, um par de vãos    para cada fogo. </p>     <p>Um dos exemplares deste tipo, de cronologia comprovadamente joanina, situa-se    no topo norte da Calçada de Santana<a href="#22"><sup>22</sup></a><a name="top22"></a>(<a href="#f2">Figura    2</a>). O edifício aparece mencionado nos <i>Livros da Décima da Cidade</i>,    em 1763, tendo como proprietário Fernando Luís Freire e constando de &ldquo;duas loges    e quatro andares&rdquo; <a href="#23"><sup>23</sup></a><a name="top23"></a> (depreende-se    que são dois &ldquo;andares&rdquo; — esquerdo e direito — em cada piso), e em 1764 com três    andares todos com parte esquerda e direita<a href="#24"><sup>24</sup></a><a name="top24"></a>.    Embora a discrepância possa ser atribuída a alguma falta de rigor ou diferença    de método no registo das propriedades, parece mais plausível, à luz destes registos,    o terceiro andar ser resultado de uma ampliação pós-terramoto. </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n1/ser2n1a08f2.jpg">      
<p>&nbsp;</p>     <p><span>Trata-se, portanto, de um prédio de quatro pisos, com escada axial e    dois fogos por piso, aproximadamente simétricos, correspondente ao tipo acima    enunciado com as duas janelas por fogo (as sacadas só aparecem no terceiro e    quarto pisos) e que, presumivelmente, tinha três pisos na época joanina. O prédio    apresenta hoje outras alterações posteriores à hipotética ampliação pombalina,    como a trapeira que interrompe o beiral do telhado, a adição de beirais sobre    as janelas, ou as guardas de ferro forjado das varandas. A trapeira é provavelmente    um acrescento de meados do séc. XIX (já existe em 1898-1908) e os beirais foram    colocados em 1927. Estes são apenas alguns exemplos de alterações que imóveis    de génese joanina, ou mesmo anterior, podem ter sofrido ao longo do tempo e    para cuja identificação precisa e eventual datação são indispensáveis os processos    de obras e os registos fotográficos do Arquivo Municipal de Lisboa, onde se    conserva informação remontando aos finais do séc. XIX. </span></p> <span>      <p>As escadas estão implantadas a eixo do edifício e à face da fachada beneficiando    da iluminação da fiada de janelas axial. Têm um único lanço entre cada piso,    estando os vários lanços sobrepostos e ligados entre si por corredores, com    o mesmo comprimento e desenvolvimento paralelo àqueles, que unem cada patamar    de chegada, mais interior, ao de início dos lanços seguintes, junto à janela    da fachada. Este tipo de escada já foi identificado por Maria Helena Barreiros    que o entendeu como umas das características próprias do tipo de edifício joanino    que designou por &ldquo;protopombalino&rdquo;<a href="#25"><sup>25</sup></a><a name="top25"></a>.    Neste edifício há apenas uma porta de entrada para cada fogo, embora a configuração    espacial dos patamares mais interiores e a organização interna dos fogos indiciem    existência no passado de um duplo acesso aos fogos: uma porta direta para a    sala, que entretanto terá sido entaipada, e outra mais próxima da zona de serviço.    O duplo acesso ao fogo a partir do mesmo patamar é, significativamente, outra    das características do prédio &ldquo;protopombalino&rdquo; enunciadas por aquela autora.  </p>     <p>A profundidade do lote é superior à sua largura e os fogos tinham, na origem,    a mesma lógica distributiva tradicional que se encontra sistematicamente nos    prédios de habitação corrente, de um só fogo por piso, em todo o Antigo Regime:    três compartimentos dispostos em linha — sala junto à fachada, quarto interior    e cozinha a tardoz — situados entre espessas paredes-mestras (<a href="#f3">Figura    3</a>).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f3"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n1/ser2n1a08f3.jpg">      
<p>&nbsp;</p>     <p>No largo do convento da Encarnação, em posição de destaque em frente ao portal    do convento, encontra-se um edifício com uma fachada do mesmo tipo da do prédio    anterior, embora corresponda a um lote pouco profundo<a href="#26"><sup>26</sup></a><a name="top26"></a>    (<a href="#f4">Figura 4</a>). Nota-se, neste caso, a mesma procura de simetria    mas há maior regularidade de dimensões e posição dos vãos, igualmente distribuídos    por cinco alinhamentos verticais. As três portas do rés do chão — a axial, de    acesso às escadas, e as outras duas de acesso às lojas/fogos desse piso — correspondem    aos alinhamentos centrais. Nos alinhamentos exteriores há apenas janelas de    peito. O alinhamento axial, além da porta de entrada, inclui as janelas de peito    para iluminação das escadas e só nos dois alinhamentos intermédios há janelas    de sacada. A fachada é enquadrada por falsas pilastras (relevadas no reboco)    e era atravessada por dois frisos que assinalavam os pavimentos do 1º e 3º andares    (já só existe o do 3º).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n1/ser2n1a08f4.jpg">      
<p>&nbsp;</p>     <p>O telhado, onde se destacam duas trapeiras de cronologia desconhecida alinhadas    com as janelas de sacada, remata atualmente em beirado assente em cornija. Também    aqui o terceiro andar parece resultar de uma ampliação por apresentar cantarias    de espessura mais reduzida que nos pisos inferiores, um friso a assinalar o    pavimento (na origem só existiria friso ao nível do 1º andar) e por ter um pé-direito    sensivelmente mais pequeno (2,30m) que os restantes pisos (2,60m). No entanto,    os registos da <i>Décima da Cidade</i> de 1763 referem já uma &ldquo;propriedade de    duas loges e seis andares&rdquo;<a href="#27"><sup>27</sup></a><a name="top27"></a>,    indicando que o terceiro andar estaria construído nesta data. Note-se que se    entende por seis andares o somatório dos três andares direitos com os três esquerdos.    As atuais guardas das sacadas, em ferro forjado, terão substituído outras mais    antigas, provavelmente em madeira ou, em ferro, de &ldquo;varão e nó&rdquo;.</p>     <p>O acesso aos fogos dos andares faz-se igualmente através de uma escada de lanços    sobrepostos com corredor paralelo para ligação dos patamares, mas com uma variante:    o corredor tem três degraus a meio que ajudam a diminuir a extensão dos lanços    e, consequentemente, a profundidade da caixa de escadas. A curta profundidade    do lote conduz também a uma variante na distribuição dos compartimentos, tendo    cada fogo duas divisões junto à fachada principal e duas junto ao tardoz (hoje    três, com a construção, no séc. XX, de instalações sanitárias junto à cozinha).</p>     <p>Tem ainda o mesmo tipo de fachada o prédio da calçada do Garcia nº 28, correspondente    a dois fogos por piso que, no entanto, tinham maior área que os dos dois prédios    anteriores. Só é possível estudá-lo graças à existência de um processo de obra    no Arquivo Municipal de Lisboa, já que do edifício apenas sobra a frontaria.    Externamente, apresenta fortes semelhanças com o exemplo do largo do convento    da Encarnação: se removermos virtualmente o quarto piso, muito possivelmente    acrescentado, as fachadas ficam iguais.</p>     <p>Este prédio aparece mencionado nos <i>Livros da Décima</i> de 1762/63 como    tendo duas lojas, dois primeiros andares e dois segundos<a href="#28"><sup>28</sup></a><a name="top28"></a>.    A restante informação só pode ser obtida através do processo de obra nº 14397,    onde podemos encontrar uma planta do segundo andar<a href="#29"><sup>29</sup></a><a name="top29"></a>    tal como estava em 1962 e que mostra o mesmo tipo de escada de lanços sobrepostos    — um lanço por piso com corredor paralelo — e grandes alterações no interior    dos fogos. Um exercício de reconstituição simples, considerando apenas as paredes    que se repetem em ambos os fogos, aponta para a existência de três divisões:    uma sala junto à fachada principal, e quarto e cozinha, lado a lado, a tardoz    (<a href="#f5">Figura 5</a>), distribuição esta também próxima da encontrada    no exemplo do largo do convento da Encarnação.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f5"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n1/ser2n1a08f5.jpg">      
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><span>Estes exemplos, marcadamente urbanos, desenvolvem-se em altura por estarem    implantados em áreas de grande densidade construtiva. Nas franjas menos densas,    onde os lotes podem adquirir maiores dimensões, um piso térreo e um andar são    suficientes. As soluções associadas a zonas de menor pressão demográfica podem    traduzir-se em edifícios longos e baixos, constituídos pela repetição de vários    módulos habitacionais organizados &ldquo;em banda&rdquo;<a href="#30"><sup>30</sup></a><a name="top30"></a>.    </span></p> <span>      <p>Um bom exemplo de &ldquo;prédio em banda&rdquo; encontra-se na esquina da travessa do Torel    com a travessa Forno do Torel<a href="#31"><sup>31</sup></a><a name="top31"></a>    (<a href="#f6">Figura 6</a>), já na zona de transição da encosta de Santana    para a plataforma do Campo de Santana que, na primeira metade do século XVIII,    correspondia também à transição para uma área suburbana. Trata-se de uma banda    constituída por três módulos (prédios), cada um com quatro fogos — dois no rés    do chão e dois no 1º andar — separados por uma escada de tiro axial. Os fogos    do rés-do-chão são independentes e têm uma porta de entrada direta a partir    da rua. </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f6"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n1/ser2n1a08f6.jpg">      
<p>&nbsp;</p>     <p>É um exemplar de grande integridade, que já existia com a configuração atual    em 1763<a href="#32"><sup>32</sup></a><a name="top32"></a>, mas cujas sacadas    com guardas de &ldquo;varão e nó&rdquo; de apenas cinco varões, que pressupunham um forro    de rotulados de madeira, são indício de uma possível génese seiscentista. A    cada fogo do rés do chão corresponde uma porta de entrada e uma janela de peito,    enquanto a cada fogo do primeiro andar correspondem uma janela de sacada e uma    de peito, alinhadas com os vãos do rés-do-chão respetivo. Sobre as portas de    acesso às escadas abrem-se pequenos óculos de iluminação.</p>     <p>Os fogos parecem seguir genericamente o modelo das três divisões em linha com    uma variante mais evidente no módulo de esquina, cujos fogos têm quatro divisões,    duas para a frente e duas para trás. No 1º andar direito do módulo de esquina    há um acesso ao sótão, através de um lanço sobreposto ao principal, possível    embrião das escadas de &ldquo;lanços sobrepostos&rdquo; tal como existem nos prédios de    rendimento de três e quatro pisos.</p>     <p>O terceiro tipo de prédio de rendimento &ldquo;joanino&rdquo; afasta-se do prédio corrente    pela maior dimensão e complexidade dos fogos e pela exibição de uma fachada    de desenho mais erudito e de filiação barroca, expresso principalmente no trabalho    das cantarias. O uso sistemático e exclusivo de janelas de sacada dispostas    regularmente na fachada ao nível dos andares principais revela também que estes    prédios, onde frequentemente o proprietário vivia, se destinavam a uma classe    social mais elevada (negociantes e &ldquo;nobreza de toga&rdquo;)<a href="#33"><sup>33</sup></a><a name="top33"></a>.  </p>     <p>No edifício da calçada de Santana nº 136-150<a href="#34"><sup>34</sup></a><a name="top34"></a>,    podemos observar estas características formais marcadamente joaninas, embora    tenha sido construído, ou reconstruído, depois do Terramoto como atesta o Auto    de Vistoria de 1759 existente no <i>Livro de Cordeamentos</i><a href="#35"><sup>35</sup></a><a name="top35"></a>.    Embora seja referido naquele Livro o desejo de reedificar <i>a fundamentis</i>,    não é evidente que essa intenção tenha sido seguida. Antes pelo contrário. Não    só as referências documentais a reedificações <i>a fundamentis</i>, embora muito    comuns, poucas vezes correspondem à realidade construída, como, neste caso particular,    o aproveitamento de estruturas pré-existentes é a única explicação para a irregularidade    da planta onde transparece também a junção de dois lotes, de resto assinalada    na fachada principal por meio de uma pilastra colocada no enfiamento da espessa    parede mestra que teria dividido os primitivos edifícios.</p>     <p>A análise deste edifício permite concluir que foi reconstruído como prédio    de rendimento, caso não o fosse já antes da reconstrução. Não existe qualquer    sinal distintivo de um piso nobre (<a href="#f7">Figura 7</a>). O ritmo e configuração    dos vãos, na fachada principal, é igual nos dois primeiros andares tal como,    no interior, ambos têm dois fogos de dimensões equivalentes a cada lado da escada    de tiro central que um auto de vistoria de 2010 indica ser em pedra<a href="#36"><sup>36</sup></a><a name="top36"></a>.    No quarto piso, para lá do tratamento de fachada claramente distinto, a escada    passa a funcionar em sistema de lanços opostos com patamar intermédio, mantendo-se    no entanto a configuração dos fogos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f7"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n1/ser2n1a08f7.jpg">      
<p>&nbsp;</p>     <p>Embora este andar pareça uma ampliação, dados a dimensão, o desenho dos vãos    e a sua posição acima do primeiro beirado com cornija, para sê-lo as respetivas    obras teriam de ter ocorrido no decurso da reconstrução ou pouco tempo depois,    já que, em 1764, o <i>Livro da Décima</i> descreve um prédio já com três andares    de fogos para arrendar<a href="#37"><sup>37</sup></a><a name="top37"></a>. O    facto de ambos os terceiros andares estarem então devolutos pode corroborar    a hipótese da sua construção ter sido posterior à dos restantes, assim como    pode ser apenas uma coincidência. O prédio tem ainda umas águas-furtadas sobre    este andar, mas estas não seriam necessariamente referidas nos <i>Livros da    Décima</i> quando faziam parte integrante dos fogos do andar imediatamente abaixo.</p>     <p>Uma expressão erudita equivalente à deste edifício da calçada de Santana pode    também ser pontualmente encontrada em prédios &ldquo;joaninos&rdquo; de outros bairros de    Lisboa. Em todos parece refletir-se a vontade dos proprietários de que a arquitetura    do prédio em que tencionavam viver exprimisse um certo estatuto social, mesmo    quando tinham dimensões correntes, como no edifício da rua da Bica de Duarte    Belo nº 61-63 que tem apenas três pisos e dois fogos<a href="#38"><sup>38</sup></a><a name="top38"></a>.    Os vãos têm cantarias mais cuidadas, com lintéis curvos, semelhantes às da calçada    de Santana nº 136-150, e as escadas têm lambris de azulejo com motivos ornamentais,    em azul sobre fundo branco.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>4 CONSIDERAÇÕES FINAIS</b></p>     <p>O prédio de rendimento de dois fogos por piso parece ter uma origem ainda anterior    ao século XVIII<a href="#39"><sup>39</sup></a><a name="top39"></a>, mas terá    sido durante o reinado de D. João V que se começou a difundir com mais intensidade    em Lisboa. Tal como as outras modalidades de habitação multifamiliar setecentista    &ldquo;não-pombalina&rdquo;, corresponde a uma tipologia que se aperfeiçoa depois de 1755,    sobretudo no que respeita à regularidade da fachada, mas que se desenvolve autonomamente,    em paralelo com a arquitetura pombalina, nos bairros menos destruídos pelo Terramoto    e que ficaram de fora do Plano da Baixa.</p>     <p>Desde os mais vetustos exemplos, a respetiva planta apresenta uma distribuição    tendencialmente simétrica, com a escada sobre o eixo de simetria e cada par    de fogos do mesmo piso organizado em espelho, reflexo da sua génese na duplicação    do fogo simples dos prédios de um fogo por piso. Por consequência, a tipologia    do fogo assenta também em dois tipos base, em função da largura e da profundidade    do lote. Os mais simples fogos emparelhados têm também três compartimentos dispostos    em linha, ou três/quatro compartimentos em contacto com as fachadas (um para    a frente e dois para trás ou dois para a frente e dois para trás). Este tipo    de distribuição dá continuidade a uma organização funcional tripartida, comum,    pelo menos, desde o início da Idade Moderna, onde a sala — o compartimento maior    e sistematicamente posicionado junto à fachada principal — corresponde ao embrião    de uma área social, a cozinha — salvo raras exceções, posicionada junto ao tardoz    do prédio —, corresponde ao embrião de uma área de serviços e o quarto, ou alcova,    corresponde ao embrião de uma área privada. Nos fogos com as principais divisões    dispostas em linha, o quarto fica no meio da casa, entre os outros dois compartimentos.    Nos fogos de maior largura e menor profundidade, o quarto fica ao lado da cozinha.    Na versão com quatro compartimentos, a divisão extra fica ao lado da sala e    tanto pode reforçar a área social, como a área privada, como ambas. </p>     <p>Na época joanina, contudo, em particular na habitação corrente, a especialização    funcional é muito incipiente e a noção de privacidade muito relativa. Nos fogos    organizados em linha, nem sempre há corredor de ligação da sala à cozinha passando    ao lado do quarto, e, quando há, resulta frequentemente de uma intervenção tardia.    A passagem fazia-se normalmente através do quarto sem qualquer parede de separação.    Nos fogos organizados em duas fiadas -— frente e tardoz —, é ainda mais rara    a existência de um corredor de origem, sendo vulgar comunicarem todos os compartimentos    entre si. Costuma haver portas mesmo onde, aos olhos de hoje, seriam de evitar,    como entre a cozinha e o quarto contíguo.</p>     <p>Com o aumento da superfície dos fogos e alguma complexificação das funções    habitacionais, próprias do fluir do tempo, as áreas funcionais começam a surgir    subdivididas. Veja-se o exemplo do prédio sito na rua de Sta. Bárbara, nº12-12D<a href="#40"><sup>40</sup></a><a name="top40"></a>    em que, com a mesma distribuição linear de áreas funcionais, a zona intermédia    e de tardoz são seccionadas e passam a corresponder a quatro divisões. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A essa desmultiplicação pode corresponder, como no presente exemplo, uma duplicação    da entrada nos fogos que, se não é uma invenção do período joanino <a href="#41"><sup>41</sup></a><a name="top41"></a>,    é certamente uma das características distributivas experimentais que tem particular    desenvolvimento na primeira metade de setecentos. Nestes casos verifica-se que,    a partir do mesmo patamar, há duas entradas para o mesmo fogo: uma diretamente    para a área social — normalmente para a sala, mais raramente para um espaço    vestibular —, outra para a área de serviços — diretamente para a cozinha ou    para uma passagem (compartimento ou corredor) que leva à cozinha (<a href="#f8">Figura    8</a>). </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f8"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n1/ser2n1a08f8.jpg">      
<p>&nbsp;</p>     <p>Mas se o duplo acesso corresponde a uma experiência caracteristicamente joanina,    é a escada comum de acesso aos fogos que constitui o principal campo de experimentação    na habitação deste período. Nos mais antigos prédios de dois fogos por piso,    que eram concebidos como uma duplicação dos edifícios estreitos de um fogo por    piso e com os compartimentos em linha<a href="#42"><sup>42</sup></a><a name="top42"></a>,    utiliza-se o mesmo tipo de escada que era comum nestes últimos — a escada &ldquo;de    tiro&rdquo; — que se desenvolvia também linearmente, com um único lanço entre cada    piso e pequenos patamares de acesso às portas dos fogos. É este tipo de escada    que ainda está presente no prédio de rendimento &ldquo;erudito&rdquo; da calçada de Santana    nº 136-150, datado de 1759 (que, mais que uma memória, pode ser uma pré-existência    e um comprovativo adicional de que esta casa não foi reedificada <i>a fundamentis</i>),    mas está sobretudo presente nos primeiros exemplos de edifício de dois fogos    por piso. </p>     <p>Na rua de São Bento nº 250-254 encontra-se um edifício com dois pisos e sótão,    cuja origem pode ser anterior ao século XVIII e que mostra uma solução simples    de escada de tiro servindo dois fogos com três divisões distribuídas linearmente<a href="#43"><sup>43</sup></a><a name="top43"></a>(<a href="#f9">Figura    9</a>). Esta é provavelmente a solução mais comum, senão a única, para aceder    a dois fogos no mesmo andar quando os edifícios tinham apenas dois pisos. Quando    se acrescentavam novos pisos, criava-se um problema no sistema de acessos.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f9"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n1/ser2n1a08f9.jpg">      
<p>&nbsp;</p>     <p>A construção de edifícios com mais de três pisos, ou a sua ampliação, trazia    problemas ao prosseguimento deste tipo de escadas por ser impossível prolongá-las    para além do tardoz. Nos edifícios de um fogo por piso esse problema resolvia-se,    até certo ponto, mudando uma ou mais vezes a direção das escadas. Em qualquer    caso, e independentemente do número de pisos do edifício, a utilização da escada    de tiro obrigava a que a porta de entrada nos diversos fogos fosse mudando de    sítio à medida que se subia.</p>     <p>A época joanina corresponde ao início da decadência da escada de tiro, sobretudo    devido à multiplicação dos prédios de dois fogos por piso e com cada vez mais    andares, onde a escada de desenvolvimento linear, ao contrário do que acontecia    nos prédios de um fogo por piso, não tinha solução de continuidade a partir    de determinada altura. Observou-se, por exemplo, nos casos da travessa do Forno    do Torel e na calçada de Santana nº 136-150 que uma escada de tiro servia dois    fogos por piso. Na travessa do Forno do Torel, a existência de um só andar acima    do rés do chão não traz problemas funcionais à utilização desse tipo de escada.    Já na calçada de Santana, a escada de tiro começa por causar alterações na distribuição    interior dos fogos porque a zona de entrada para a casa, no segundo andar, se    desloca para tardoz acompanhando a escada. E o acesso ao 3º andar já requer    uma nova solução de acesso vertical porque, ao chegar à parede de tardoz, a    escada de tiro não pode, simplesmente, continuar. Além do mais, a escada desenvolvida    em profundidade representava uma perda de área habitacional. </p>     <p>Até se chegar à escada de lanços opostos com patamar intermédio, cujo desenho    e uso foram sistematizados com o prédio de rendimento pombalino (embora a arquitetura    pombalina tivesse desenvolvido também outras soluções) e que a partir de então    passou a ser maioritariamente utilizada, várias soluções foram sendo experimentadas.    Uma delas, pouco frequente mas, mesmo assim, disseminada por vários bairros    de Lisboa<a href="#44"><sup>44</sup></a><a name="top44"></a>, é a que pode ser    exemplificada no prédio nº30-34 da rua da Bica de Duarte Belo<a href="#45"><sup>45</sup></a><a name="top45"></a>    (<a href="#f10">Figura 10</a>). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f10"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n1/ser2n1a08f10.jpg">      
<p>&nbsp;</p>     <p>O edifício, hoje com quatro pisos, seria, na sua origem, muito semelhante ao    da rua de S. Bento nº 259-254, com apenas um sobrado e escada de tiro central    servindo dois fogos de distribuição linear. O acrescento de dois pisos, perfeitamente    visível pela introdução na fachada de janelas de sacada, janela central de iluminação    e dois frisos marcando o pavimento dos dois andares adicionais, levou, no interior,    ao desenvolvimento de uma escada com lanços contínuos entre cada piso que, em    vez de serem colocados sequencialmente, como nas escadas de tiro, aparecem dispostos    paralelamente mas em sentidos contrários (como nas futuras escadas de lanços    opostos, mas sem patamar intermédio), permitindo que a escada se desenvolva    na totalidade junto à face interna da fachada principal (<a href="#f11">Figura    11</a>). O patamar de acesso aos fogos encontra-se, portanto, alternadamente,    junto à fachada e no extremo interno dos lanços, sem que isso altere substancialmente    o funcionamento dos fogos já que a entrada, embora em posições diferentes, é    sempre feita pela sala. </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f11"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n1/ser2n1a08f11.jpg">      
<p>&nbsp;</p>     <p>Outra solução que, tal como esta, permite o desenvolvimento vertical da escada    numa zona confinada do edifício — reforçando o conceito de caixa de escada —,    mas que mantém o patamar de acesso aos fogos na mesma posição, é a escada de    lanços sobrepostos e orientados sempre no mesmo sentido, já mencionada anteriormente.    Recorre a lanços contínuos e sobrepostos mas ligados entre si através de um    patamar/corredor paralelo, que pode ser plano ou ter alguns degraus para encurtar    o comprimento do lanço principal<a href="#46"><sup>46</sup></a><a name="top46"></a>.    Este tipo de escada é o mais comum nos exemplares de cronologia joanina confirmada.  </p>     <p>O desenvolvimento da escada junto à fachada, ao contrário do que acontece na    escada de tiro que se vai afastando cada vez mais da fachada à medida que progride,    permite a sua iluminação através de janelas de peito que substituem com vantagem    os pontuais óculos que apareciam ao nível do 1º andar nas escadas de tiro. Estas    janelas, quando são da mesma dimensão das restantes janelas de peito e implantadas    a eixo das fachadas, vão conferir-lhes uma imagem de maior regularidade e eliminar    as zonas cegas. No interior podem até ter conversadeiras, como na calçada do    Garcia nº 28. As conversadeiras, aliás, constituem um tipo de dispositivo fixo    relativamente comum nos prédios correntes joaninos. Há também uma série de acabamentos    que, não sendo exclusivos deste período, se estendem a quase todos os prédios    de rendimento joaninos, de entre os quais sobressaem, pela sua frequência e    pela quantidade que chegou até nós, os tetos de madeira pintada de tipo &ldquo;saia    e camisa&rdquo;.</p>     <p>O que é uma tendência da primeira metade de setecentos, transversal a quase    todo o edificado habitacional de Lisboa, é a realização de ampliações, reconstruções    ou simples melhoramentos nos edifícios, como atestam os <i>Livros de Cordeamentos</i>.    Seja por um contexto económico favorável ou devido a um fenómeno de moda, mesmo    os mais simples prédios com rés do chão e um ou dois andares eram intervencionados.    Os pedidos de licença ao Senado da cidade<a href="#47"><sup>47</sup></a><a name="top47"></a>    incluem reedificações puras, com demolições e abertura de novos alicerces, reconstruções    de fachada, assentamento de cunhais e, sobretudo, abertura e alargamento de    portas e janelas. </p>     <p><span>O pedido mais comum — representa a larga maioria dos requerimentos ao    Senado neste período — e constante em todas as áreas da cidade é o da abertura    de janelas de sacada ou de substituição das existentes. A construção destas    janelas estava dependente de autorização, dado o obstáculo que as respetivas    sacadas poderiam constituir para a circulação na via pública, em especial de    carruagens e cavaleiros. Assim, a regra do Senado é clara: a pedra da varanda    teria de ser encastrada a uma altura superior a 14 palmos a contar do solo,    embora haja frequentes pedidos para redução dessa altura quando tal não prejudica    o trânsito de veículos e animais<a href="#48"><sup>48</sup></a><a name="top48"></a>.    Há também quem disponha de sacadas de madeira e pretenda substituí-las por sacadas    de pedra (<a href="#f12">Figura 12</a>)<a href="#49"><sup>49</sup></a><a name="top49"></a>.    Podemos mesmo admitir, pela intensidade de solicitações, que o uso sistemático    de janelas de sacada se tenha generalizado na primeira metade do século XVIII,    tornando aqueles elementos indispensáveis à caracterização do prédio corrente    joanino.</span></p> <span>      <p>&nbsp;</p> <a name="f12"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n1/ser2n1a08f12.jpg">      
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>FONTES E BIBLIOGRAFIA</b></p>     <p><b>Fontes manuscritas</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Arquivo Histórico do Patriarcado de Lisboa</b></p>     <p><i>Livro dos Róis de Confessados, Freguesia de Santa Catharina</i>, 1651 [ref.    2483]</p>     <p><b>Arquivo do Tribunal de Contas</b></p>     <p><i>Décima da Cidade, Livros de Arruamentos,</i> DC 307 AR, 1766; DC 924 AR,    1764; DC 1160 AR, 1762-1763</p>     <p><b>Arquivo do Tribunal de Contas</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Décima da Cidade, Livros de Propriedades</i>, DC 305 P, 1762-1763; DC 925    PP, 1763</p>     <p><b>Arquivo Municipal de Lisboa</b></p>     <p><i>Livros de Cordeamentos de 1700-1704</i></p> <i>      <p>Livros de Cordeamentos de 1707</p>     <p>Livros de Cordeamentos de 1757-1759</p> </i>      <p>Obras n.º 14397, n.º 1459, n.º 8691, n.º 12070, n.º 25020 e n.º 14397</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Bibliografia</b></p>     <p>BARREIROS, Maria Helena – &ldquo;Casas em cima de casas&rdquo;: apontamentos sobre o espaço    doméstico da Baixa Pombalina. <i>Monumentos.</i> Nº 21 (2004), p. 88-97. </p>     <p>BARREIROS, Maria Helena – Habitar a &ldquo;Real Praça do Comércio&rdquo;: casas pombalinas    no eixo Alfândega Arsenal. In FARIA, Miguel Figueira de (coord.) – <i>Do Terreiro    do Paço à Praça do Comércio: história de um espaço urbano.</i> Lisboa: Imprensa    Nacional-Casa da Moeda/Universidade Autónoma de Lisboa, 2012. p. 135-155.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>BARREIROS, Maria Helena – Prédios de rendimento entre o joanino e o tardopombalino.    In <i>Património arquitectónico: Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.</i> Lisboa:    SCML, 2010. vol. II, tomo 1, p. 16-39.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2067223&pid=S2183-3176201400010000800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CABRITA, António Reis; AGUIAR, José; APPLETON, João – <i>Manual de apoio à    reabilitação dos edifícios do Bairro Alto.</i> Lisboa: Câmara Municipal/LNEC,    1993.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2067225&pid=S2183-3176201400010000800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CARITA, Helder – <i>Bairro Alto: tipologias e modos arquitectónicos.</i> 2ª    edição. Lisboa: Câmara Municipal, 1994.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2067227&pid=S2183-3176201400010000800005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>GONÇALVES, Ana Rita Valadas – <i>Habitação plurifamiliar &ldquo;não-pombalina&rdquo;: casos    de estudo em Lisboa entre os séculos XVII e XIX.</i> Lisboa: [s.n.], 2011. Dissertação    de Mestrado em Arquitetura, apresentada ao Instituto Superior Técnico, Universidade    Técnica de Lisboa.</p>     <p>MATOS, José Sarmento de; PAULO, Jorge Ferreira – Estudos históricos e patrimoniais:    conjunto de propriedades selecionadas na Colina de Sant’Ana. Anexo a <i>Colina    de Santana: documento estratégico de intervenção</i> [Em linha]. Lisboa: Câmara    Municipal, 2013 [Consult. 27.12.2013]. Disponível na Internet: <a href="http://www.cm-lisboa.pt_fileadmin_VIVER_Urbanismo_urbanismo_planeamento_colina_Documento_Estrategico_da_Colina_de_Santana_10dezembro.pdf" target="_blank">http://www.cm-lisboa.pt_fileadmin_VIVER_Urbanismo_urbanismo_planeamento_colina_Documento_Estrategico_da_Colina_de_Santana_10dezembro.pdf</a></p>     <p>MATOSO, Joana Parracho – <i>A habitação corrente da época pré-industrial em    Lisboa: o caso do Bairro da Madragoa.</i> Lisboa: [s.n.], 2013. Dissertação    de Mestrado em Arquitetura, apresentada ao Instituto Superior Técnico, Universidade    de Lisboa.</p>     <p>MURTEIRA, Helena – <i>Lisboa da Restauração às Luzes.</i> Lisboa: Editorial    Presença, 1999.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>PEREIRA, Isaías da Rosa – Os Róis de Confessados, seu interesse histórico e    alguns problemas que suscitam a sua utilização. In Primeiras Jornadas de História    Moderna, 1, Lisboa, 1986 - <i>Actas.</i> Lisboa: Centro de História da Universidade    de Lisboa, 1986. Separata.</p>     <p>PINTO, Maria Gonçalves Frazão da Rocha – <i>A habitação corrente da época pré-industrial    em Lisboa: o caso do Bairro da Bica.</i> Lisboa: [s.n.], 2013. Dissertação de    Mestrado em Arquitetura, apresentada ao Instituto Superior Técnico, Universidade    de Lisboa.</p>     <p>REIS, Ana Rita; SIMÕES, Maria José de Freitas; RODRIGUES, Susana – A décima    da cidade: contributo para a datação do edificado da Baixa. <i>Monumentos.</i>    Nº 21 (2004), p. 58-65.</p>     <p>ROSADO, Ana Costa – <i>A habitação característica do Antigo Regime na encosta    de Santana: tipologias e modos de habitar.</i> Lisboa: [s.n.], 2013. Dissertação    de Mestrado em Arquitetura, apresentada ao Instituto Superior Técnico, Universidade    de Lisboa.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>submissão/submission: 21/03/2014</p>     <p>aceitação/approval: 20/04/2014</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top*"><sup>*</sup></a><a name="*"></a> João Rosa Vieira Caldas é    licenciado em Arquitetura ( Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, 1977),    mestre em História de Arte (Faculdade de Ciências, Sociais e Humanas - Universidade    Nova de Lisboa 1988), doutorado em Arquitetura (Instituto Superior Técnico-    Universidade Técnica de Lisboa, 2007), dividiu a sua atividade profissional    entre a prática da arquitetura, o ensino, a investigação e a crítica. Atualmente    é professor de História e de Teoria da Arquitetura no Mestrado Integrado em    Arquitetura do Instituto Superior Técnico, leciona no Curso de Doutoramento    em Arquitetura do mesmo Instituto onde também se dedica à investigação no quadro    do Instituto de Engenharia de Estruturas, Território e Construção. Correio eletrónico:    <a href="mailto:jvieiracaldas@tecnico.ulisboa.pt">jvieiracaldas@tecnico.ulisboa.pt</a></p>     <p><a href="#top**"><sup>**</sup></a><a name="**"></a> Maria Gonçalves Frazão    da Rocha Pinto concluiu o Mestrado em Arquitetura no Instituto Superior Técnico    (Universidade de Lisboa, 2013) com a dissertação A habitação corrente da época    pré-industrial em Lisboa: o caso do Bairro da Bica. Correio eletrónico: <a href="mailto:mariarochapinto@gmail.com">mariarochapinto@gmail.com</a></p>     <p><a href="#top***"><sup>***</sup></a><a name="***"></a> Ana Costa Rosado é mestre    em Arquitetura pelo Instituto Superior Técnico (2013) com a dissertação A habitação    característica do Antigo Regime na encosta de Santana: Tipologias e Modos de    Habitar. Em 2011/2012 estudou na University of Tecnology Graz (Áustria) ao abrigo    do programa Erasmus. Realizou 6 meses de estágio no atelier RieglerRiewe Architekten,    em Graz, Áustria (2012). Correio eletrónico: <a href="mailto:ana.costa.rosado@gmail.com">ana.costa.rosado@gmail.com</a></p>     <p><a href="#top1"><sup>1</sup></a><a name="1"></a> Desde a iluminura com a perspetiva    da rua Nova dos Mercadores do <i>Livro de Horas de D. Manuel,</i> f. 180 (Museu    Nacional de Arte Antiga), até ao desenho aguarelado de Zuzarte representando    o lado oriental Rossio e, mais importante para o caso, parte do lado sul, antes    do Terramoto de 1755 (Coleção particular).</p>     <p><a href="#top2"><sup>2</sup></a><a name="2"></a> <i>Processos de Obra e Livros    de Cordeamentos</i> no Arquivo Municipal de Lisboa (AML), <i>Livros da Décima    da Cidade de Lisboa e seu Termo no Arquivo Histórico do Tribunal de Contas</i>    (AHTC),<i> Róis de Confessados</i> em arquivos paroquiais e no Arquivo Histórico    do Patriarcado de Lisboa (AHPL), <span class="char-style-override-7" xml:lang="pt-PT">Contratos    Notariais no Arquivo Nacional da Torre do Tombo (ANTT).</span></p> <span class="char-style-override-7" xml:lang="pt-PT">      <p><a href="#top3"><sup>3</sup></a><a name="3"></a> Realidades que tornam paradoxal    a noticiada intenção do município de candidatar os &ldquo;bairros históricos&rdquo; a Património    Mundial.</p>     <!-- ref --><p><a href="#top4"><sup>4</sup></a><a name="4"></a> Inserem-se numa linha de investigação    informal, não financiada, sobre o prédio de habitação plurifamiliar corrente    na Lisboa do Antigo Regime, desenvolvida no contexto do Mestrado Integrado em    Arquitetura do Instituto Superior Técnico e conduzida por João Vieira Caldas,    no âmbito da qual já foram concluídas quatro dissertações de mestrado: GONÇALVES,    Ana Rita Valadas – <span class="char-style-override-7" xml:lang="pt-PT">Habitação    plurifamiliar &quot;não-pombalina&quot; : casos de estudo em Lisboa entre os    séculos XVII e XIX. Lisboa: [s.n.], 2011. Dissertação de Mestrado em Arquitetura    apresentada ao Instituto Superior Técnico, Universidade Técnica de Lisboa;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2067249&pid=S2183-3176201400010000800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> MATOSO,    Joana Parracho – <span class="char-style-override-7" xml:lang="pt-PT">A habitação    corrente de época pré-industrial em Lisboa: o caso do Bairro da Madragoa. Lisboa:    [s.n.], 2013. Dissertação de Mestrado em Arquitetura apresentada ao Instituto    Superior Técnico, Universidade de Lisboa; PINTO, Maria Gonçalves Frazão da Rocha    – <span class="char-style-override-7" xml:lang="pt-PT">A habitação corrente    de época pré-industrial em Lisboa: o caso do Bairro da Bica. Lisboa: [s.n.],    2013. Dissertação de Mestrado em Arquitetura apresentada ao Instituto Superior    Técnico, Universidade de Lisboa; ROSADO, Ana Costa – <span class="char-style-override-7" xml:lang="pt-PT">A    habitação característica do Antigo Regime na encosta de Santana: tipologias    e modos de habitar. Lisboa: [s.n.], 2013. Dissertação de Mestrado em Arquitetura    apresentada ao Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2067250&pid=S2183-3176201400010000800013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> Constituíram    referência fundamental para estas dissertações os trabalhos já publicados de    Maria Helena Barreiros, em particular o artigo Prédios de rendimento entre o    joanino e o tardopombalino. In <span class="char-style-override-7" xml:lang="pt-PT">Património    arquitectónico: Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Lisboa: SCML, 2010. vol.    II, tomo 1, p. 16-39, autora que está a desenvolver uma tese de doutoramento    sobre <span class="char-style-override-7" xml:lang="pt-PT">A habitação multifamiliar    pombalina: composição e afirmação de um programa arquitectónico, inscrita na    FA.UP e orientada por Francisco Barata Fernandes e por João Vieira Caldas. Maria    Helena Barreiros tem também dado apoio à linha de investigação acima referida    seja através da co-orientação de dissertações (GONÇALVES, Ana Rita Valadas –    <span class="char-style-override-7" xml:lang="pt-PT">Habitação plurifamiliar    &quot;não-pombalina&quot;, 2011), seja através da arguição nas respectivas provas    públicas (PINTO, Maria Gonçalves Frazão da Rocha – <span class="char-style-override-7" xml:lang="pt-PT">A    habitação corrente da época pré-industrial em Lisboa: o caso do Bairro da Bica,    2013).</span></span></span></span></span></span></span></span></p> <span class="char-style-override-7" xml:lang="pt-PT"><span class="char-style-override-7" xml:lang="pt-PT"><span class="char-style-override-7" xml:lang="pt-PT"><span class="char-style-override-7" xml:lang="pt-PT"><span class="char-style-override-7" xml:lang="pt-PT"><span class="char-style-override-7" xml:lang="pt-PT"><span class="char-style-override-7" xml:lang="pt-PT"><span class="char-style-override-7" xml:lang="pt-PT">      <p><a href="#top5"><sup>5</sup></a><a name="5"></a> CARITA, Helder – <i>Bairro    Alto: tipologias e modos arquitectónicos.</i> 2ª edição. Lisboa: Câmara Municipal    de Lisboa, 1994.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top6"><sup>6</sup></a><a name="6"></a> CABRITA, António Reis; AGUIAR,    José; APPLETON, João – <i>Manual de apoio à reabilitação dos edifícios do Bairro    Alto.</i> Lisboa: Câmara Municipal de Lisboa/LNEC, 1993.</p>     <p><a href="#top7"><sup>7</sup></a><a name="7"></a> BARREIROS, Maria Helena –<i>    op. cit.</i> (cf. nota 4). BARREIROS, Maria Helena – &ldquo;Casas em cima de casas&rdquo;:    apontamentos sobre o espaço doméstico da Baixa Pombalina. <i>Monumentos.</i>    Nº 21 (2004), p. 88-97. BARREIROS, Maria Helena – Habitar a &ldquo;Real Praça do Comércio&rdquo;:    casas pombalinas no eixo Alfândega Arsenal. In FARIA, Miguel Figueira de (coord.)    – <span class="char-style-override-7" xml:lang="pt-PT">Do Terreiro do Paço à    Praça do Comércio: história de um espaço urbano. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa    da Moeda/Universidade Autónoma de Lisboa, 2012. p. 135-155.</span></p> <span class="char-style-override-7" xml:lang="pt-PT">      <p><a href="#top8"><sup>8</sup></a><a name="8"></a> Cf. nota 4.</p>     <p><a href="#top9"><sup>9</sup></a><a name="9"></a> Tanto quanto nos foi possível    averiguar, o prédio de rendimento joanino de dois inquilinos por piso, em Lisboa,    nunca foi alvo de uma pesquisa específica e ainda menos de uma investigação    sistemática.</p>     <p><a href="#top10"><sup>10</sup></a><a name="10"></a> Cf. respetivas referências    bibliográficas na nota 4. </p>     <p><a href="#top11"><sup>11</sup></a><a name="11"></a> GONÇALVES, Ana Rita Valadas    – <i>op. cit.</i> Foram estudados os seguintes núcleos: rua da Graça, correnteza    de edifícios localizada no lado oriental do extremo norte da rua; largo de Santa    Bárbara, correnteza de edifícios no lado oriental; rua de São Bento, edifícios    localizados intermitentemente no lado oriental da metade sul da rua.</p>     <p><a href="#top12"><sup>12</sup></a><a name="12"></a> REIS, Ana Rita; SIMÕES,    Maria José de Freitas; RODRIGUES, Susana – A décima da cidade: contributo para    a datação do edificado da Baixa. <i>Monumentos.</i> Nº 21 (2004), p. 58.</p>     <p><a href="#top13"><sup>13</sup></a><a name="13"></a> <i>Idem</i>, p. 58.</p>     <p><a href="#top14"><sup>14</sup></a><a name="14"></a> &ldquo;Rua Bica Grande, pelo    lado direito, principiando da Calçada do Combro, n. 1 — Propriedade do Ex<i>celentissimo</i>    D. José de Menezes que consta de tres lojas e dous primeiros andares arrendada    <...>&rdquo; AHTC, <i>Décima da Cidade</i>, <i>Livro de Propriedades</i>, DC 305 P,    1762-1763.</p>     <p><a href="#top15"><sup>15</sup></a><a name="15"></a> &ldquo;Bica de Duarte Bello,    pelo lado direito, n. 87 — Propriedade de Pedro Hiber que consta de hua loja    e três andares. Primeira loja arrendada em 20 mil reis. Se<i>gunda</i> loja    arrendada em 22 mil reis a João (?), primeiro andar devoluto, sendo andar devoluto,    <i>outro</i> andar devoluto.&rdquo; AHTC, <i>Décima da Cidade</i>, <i>Livro de Arruamentos</i>,    DC 307 AR, 1766, f. 38 verso [note-se que este escrivão usa uma numeração contínua    dos prédios da freguesia, pelo que o prédio n. 87 corresponde, na realidade,    ao oitavo da rua pelo lado direito].</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top16"><sup>16</sup></a><a name="16"></a> &ldquo;Rua Bica Grande, pelo    lado esquerdo principiando da Calçada do Combro: n.1 — Propriedade de Henrique    Nerney que consta de seis lojas, três primeiros andares, dous segundos andares    e três terceiros andares arrendada;&rdquo; AHTC, <i>Décima da Cidade</i>, <i>Livro    de Propriedades</i>, DC 305 P, 1762-1763, f. 33. </p>     <p><a href="#top17"><sup>17</sup></a><a name="17"></a> &ldquo;Rua direita da Encarnação    pelo lado Dir<i>eito</i> vindo p<i>era</i> a S<i>anta</i>. Igreja; Nº1; Chão    de cazas cahidas que foi de Franc<i>isco</i> de Moura Borralho sem poder ter    habitação alguma; Nº2 Chão de cazas cahidas de Joanna de Figueiredo desta como    se afirma&rdquo; AHTC,<i> Décima da Cidade</i>, <i>Livro de Propriedades</i>, DC 925    PP, 1763, f. 188.</p>     <p><a href="#top18"><sup>18</sup></a><a name="18"></a> Cf. nota 16.</p>     <p><a href="#top19"><sup>19</sup></a><a name="19"></a> &ldquo;1700; Diz o Conde de Soure    que elle possui humas cazas junto a Santa Catharrina do Monte Sinai, nas coais    (?) nessas fazer obras e fazer um cunhal e meter seus portais e jenellas de    sacada&rdquo; AML, <i>Livro de Cordeamentos</i>, 1700-1704. </p>     <p><a href="#top20"><sup>20</sup></a><a name="20"></a> PEREIRA, Isaías da Rosa    – Os Róis de Confessados, seu interesse histórico e alguns problemas que suscitam    a sua utilização. Primeiras Jornadas de História Moderna, 1, Lisboa, 1986 –    <i>Actas</i>. Lisboa: Centro de História da Universidade de Lisboa, 1986. Separata,    p. 60. </p>     <p><a href="#top21"><sup>21</sup></a><a name="21"></a> AHPL, <i>Livro dos Róis    de Confessados</i>, Freguesia de Santa Catharina, 1651 [ref. 2483].</p>     <p><a href="#top22"><sup>22</sup></a><a name="22"></a> Cf. Calçada de Santana,    n.º 202-206 in ROSADO, Ana Costa – <i>op. cit.</i>, vol. I, p. 47.</p>     <p><a href="#top23"><sup>23</sup></a><a name="23"></a> &ldquo;Rua directa de S<i>anta</i>.    Anna vindo do dormitório pelo Lado Esquerdo &lt;…&gt; p. 157; Nº2; Propriedade    de Fernando Luís F<i>reire</i>. que consta de duas loges e quatro andares arrendada    ao todo;&rdquo; AHTC, <i>Décima da Cidade</i>, Livro de Propriedades, DC 925 PP, 1763.</p>     <p><a href="#top24"><sup>24</sup></a><a name="24"></a> &ldquo;Rua direita de Santa Anna    vindo do Convento p<i>era</i> abaxo pello lado esquerdo; p. 131; Nº2; Propriedade    de Fernando Luís F<i>reire</i>, Logea e sobrado;, 2ª logea;, 1º andár p<i>arte</i>    esquerda, 2º andár da p.e esquerda, 2º andár da p<i>arte</i> direita, 3º andár    da p<i>arte</i> esquerda, 3º andár p<i>arte</i> direita&rdquo; AHTC, <i>Décima da    Cidade</i>, Livro de Arruamentos, DC 924 AR, 1764.</p>     <p><a href="#top25"><sup>25</sup></a><a name="25"></a>&ldquo;Prédios provavelmente da    primeira metade do séc. XVIII com fachada simétrica, onde dois vãos por fogo    ladeiam a janela de iluminação da caixa de escada, que se encontra em posição    central, e se desenvolve através de lanços sobrepostos com corredor paralelo    a fazer a ligação entre os patamares.&rdquo; BARREIROS, Maria Helena – Prédios de    rendimento entre o Joanino e o Tardopombalino. In <i>Património arquitectónico:    Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.</i> Lisboa: SCML, 2010. vol. II, tomo    1, p. 20.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top26"><sup>26</sup></a><a name="26"></a> Cf. Largo do convento da    Encarnação, n.º 2-6 in ROSADO, Ana Costa – <i>op. cit.</i>, vol. I, p. 50.</p>     <p><a href="#top27"><sup>27</sup></a><a name="27"></a> &ldquo;Nº7; Propriedade de João    Pedro Ramos consta de duas loges e seis andares&rdquo; AHTC, <i>Décima da Cidade</i>,    <i>Livro de Propriedades</i>, DC 925 PP, 1763, f. 190v.</p>     <p><a href="#top28"><sup>28</sup></a><a name="28"></a> &ldquo;<i>Rua do Arco da Graça    ou Rua dos Livreiros Lado Direito entrando do Arco para</i> (?)&rdquo; p.128; &ldquo;<i>Dita</i>    Rua Lado esquerdo entrando do Arco da Graça&rdquo; p.131v; &ldquo;Nº8; <i>Propriedade do    mesmo proprietário consta de logea e dois primeiros andares e dois segundos    andares; Primeira logea arrendada; </i>Segunda logea arrendada; <i>(?)Prefeira    arrendada</i>; <i>Primeiro andar arrendado</i>; <i>Primeiro andar arrendado</i>;    <i>Dois segundoz andares arrendados</i>&rdquo; p.134v; AHTC,<i> Décima da Cidade</i>,    <i>Livro de Arruamentos</i>, DC 1160 AR, 1762-1763.</p>     <p><a href="#top29"><sup>29</sup></a><a name="29"></a> Incorretamente marcada    como 3º andar, embora se desenhem claramente as janelas de sacada.</p>     <p><a href="#top30"><sup>30</sup></a><a name="30"></a> Maria Helena Barreiros    identificou uma pequena &ldquo;banda&rdquo; de filiação joanina, embora com três pisos,    na rua D. Pedro V n.º 18-30. Cf. BARREIROS, Maria Helena – <i>op. cit.</i>,    p. 23-25.</p>     <p><a href="#top31"><sup>31</sup></a><a name="31"></a> Cf. Travessa do Forno do    Torel, n.º 13-23<span class="char-style-override-7" xml:lang="pt-PT"> in ROSADO,    Ana Costa – <i>op. cit.</i>, vol. I, p. 51.</span></p> <span class="char-style-override-7" xml:lang="pt-PT">      <p><a href="#top32"><sup>32</sup></a><a name="32"></a> &ldquo;Travessa do Forno pelo    lado esquerdo;&lt;…&gt;; Nº2; Propriedade de Roza Joaquina que consta de tres    loges e quatro sobrados arrendada <...>&rdquo;; AHTC, <i>Décima da Cidade</i>, <i>Livro    de Propriedades</i>, DC 925 PP, 1763, f. 144 [A contagem é feita no sentido    sul-norte. Os fogos em falta são os do módulo virado para a Travessa do Torel].</p>     <p> &ldquo;Travessa do Forno vindo das Casas de Pº Jozé pello Lado Direito; Nº1; Propriedade    de Roza Joaquina <i>ainda</i> na Travessa do Torel; 1ª Logea; O andár por sima;    2ª Logea; Andár por sima; 3ª Logea na esquina devoluta; Andár por sima; 4ª Logea    <i>já</i> na Travessa do Forno; Andár por sima; 5ª Logea; Andár por sima; 6ª    Logea; Andár por sima&rdquo; AHTC, <i>Décima da Cidade</i>, <i>Livro de Arruamentos</i>,    DC 924 AR, 1764, f. 116 [A contagem é feita no sentido norte-sul].</p>     <p><a href="#top33"><sup>33</sup></a><a name="33"></a> Cf. MATOS, José Sarmento    de; PAULO, Jorge Ferreira – Estudos históricos e patrimoniais: conjunto de propriedades    selecionadas na Colina de Sant’Ana. Anexo a <i>Colina de Santana: documento    estratégico de intervenção</i> [Em linha]. Lisboa: Câmara Municipal de Lisboa,    2013, p. 22 [Consult. 27.12.2013]. Disponível na Internet: <a href="http://www.cm-lisboa.pt_fileadmin_VIVER_Urbanismo_urbanismo_planeamento_colina_Documento_Estrategico_da_Colina_de_Santana_10dezembro.pdf" target="_blank">http://www.cm-lisboa.pt_fileadmin_VIVER_Urbanismo_urbanismo_planeamento_colina_Documento_Estrategico_da_Colina_de_Santana_10dezembro.pdf</a></p>     <p><a href="#top34"><sup>34</sup></a><a name="34"></a> Cf. ROSADO, Ana Costa –    <i>op. cit.</i>, vol. I, p. 59.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top35"><sup>35</sup></a><a name="35"></a> &ldquo;1759 Abril 2. Joze da    Silva Morais, Calçada de Santa Anna. Dis Joze da Silva Moraes morador na Calsada    de Santa Anna que por cauza do terramoto se aruinaram humas cazas [...] de o    supplicante abitava no dito sitio e as quer reteficar e o não pode fazer sem    licença deste senado (...).</p>     <p>Auto de vestoria</p>     <p>Anno do nacimento de Nosso Senhor Jezus Christo de mil cetesentos sincoenta    e nove annos aos dois dias do mes de Abril do dito anno nesta cidade de Lisboa    e calçada de Santa Anna aonde foy o Dezembargador Manoel de Campos e Souza veriador    do Senado da Camara que a seu cargo tem o pellouro das obras em companhia dos    offeciaes do Regimento das mesmas obras e de mim escrivam dellas para efeito    de se ver e cordiar a obra que ahy pertende mandar fazer Joze da Silva Morais    nas suas cazas que pertende reidificar a fondamentis e sendo ahy lo(?) o dito    Dezembargador mandou ao mestre e medidor da cidade Manoel Antonio medice e cordiace    o que fez e medindo do conhal ao conhal tem a traveça que dece para o monturo    para onde tambem as cazas fazem frente dezaseis palmos e tres quoartos e medindo    do dito conhal ao outro conhal fronteyro na Calçada de Santa Anna tem esta trinta    e cete palmos de largo e do dito conhal para cima tem extrocimento direyto com    cazas vezinhas e nam pora nenhum degrao na rua e nestes pontos hade abrir alicerces    asentar jenellas de sacada em altura d dezaseis palmos e nesta forma ouve o    dito Dezembargador a vestoria por feita de que para constar em Meza mandou (?)    escrivam fizece este auto a que satis[...] e eu Antonio Cardozo Casseres escrivam    o escrevy e asigney. / Antonio Cardozo Casseres /&rdquo; AML, <i>Livro de Cordeamentos    de 1757-1759</i>.</p>     <p><a href="#top36"><sup>36</sup></a><a name="36"></a> AML, <i>Obra nº 1459</i>.    O estado de avançada degradação do imóvel levou à sua interdição, impossibilitando    a visita ao interior e a recolha de imagens.</p>     <p><a href="#top37"><sup>37</sup></a><a name="37"></a> &ldquo;Nº 7; Propriedade de Jozé    da Sª de Morais; 1º quarto de Logea comporta; 1º andar vindo da Logea grande    que ocupa; 2º andár p.e esquerda; 2º andar da p.e direita; 3º andár p.e esquerda;    (?); 1ª Logea; Andár por sima desta Logea com; 2ª Logea na esquina a (?); Andár    por sima desta Logea arrendado; 3ª Logea na Travessa do Monturo com; Na escada    no (?);2 Terceiros andares da propriedade estão devolutos&rdquo; AHTC, <i>Décima da    Cidade</i>, <i>Livro de Arruamentos</i>, DC 924 AR, 1764, f. 135.</p>     <p><a href="#top38"><sup>38</sup></a><a name="38"></a> Cf. PINTO, Maria Gonçalves    Frazão da Rocha – <i>op. cit.</i>, vol. II, p. 129.</p>     <p><a href="#top39"><sup>39</sup></a><a name="39"></a> Cf. CARITA, Helder – <i>op.    cit.</i>, p. 113. Cf. CABRITA, António Reis; AGUIAR, José; APPLETON, João –<span class="char-style-override-7" xml:lang="pt-PT">    op. cit., p. 48-49.</span></p> <span class="char-style-override-7" xml:lang="pt-PT">      <p><a href="#top40"><sup>40</sup></a><a name="40"></a> Cf. GONÇALVES, Ana Rita    Valadas – <i>op. cit.</i>, vol. I, p. 48.</p>     <p><a href="#top41"><sup>41</sup></a><a name="41"></a> Helder Carita publica várias    plantas de edifícios em que há duplo acesso à habitação, mas são de cronologia    imprecisa, têm apenas um fogo por piso e uma escada em L que propicia essa solução.    Cf. CARITA, Helder – <i>op. cit.</i>, p. 110 e 117.</p>     <p><a href="#top42"><sup>42</sup></a><a name="42"></a> Cf. CARITA, Helder – <i>op.    cit.</i>, p. 113.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top43"><sup>43</sup></a><a name="43"></a> Cf. GONÇALVES, Ana Rita    Valadas – <i>op. cit.</i>, vol. I, p. 73.</p>     <p><a href="#top44"><sup>44</sup></a><a name="44"></a> Por exemplo, no prédio    da rua do Arco da Graça nº 14-18. Cf. ROSADO, Ana Costa – <i>op. cit.</i>, vol.    II, p. 107-109.</p>     <p><a href="#top45"><sup>45</sup></a><a name="45"></a> Cf. PINTO, Maria Gonçalves    Frazão da Rocha – <>op. cit., vol. II, p. 157.</p>     <p><a href="#top46"><sup>46</sup></a><a name="46"></a> A utilização destes degraus    paralelos ao lanço principal mas de sentido oposto pode ter constituído o embrião    da escada de lanços opostos com patamar intermédio. Cf. BARREIROS, Maria Helena    – <i>op. cit.</i>, p. 18, nota 4.</p>     <p><a href="#top47"><sup>47</sup></a><a name="47"></a> AML, <i>Livros de Cordeamentos</i>,    fundo onde este tipo de pedidos se encontra registado.</p>     <p><a href="#top48"><sup>48</sup></a><a name="48"></a> &ldquo;Diz Domingos de Fonsequa    que ele é Shor e possuidor de huma morada de cazas sittas nesta cidade na Calçada    da Biqua Grande em a qual quer abrir humas janellas de sacada e por huma delas    não chegar a ter quatorze palmos da postura, porem (?) adonde está não cauza    impedimento d’alguma serventia de cidade&rdquo; AML, <i>Livro de Cordeamentos de 1707</i>.</p>     <p><a href="#top49"><sup>49</sup></a><a name="49"></a> &ldquo;Diz Paula Maria de Faria    que ella tem huas cazas na Rua Direita de Santa Anna as quais esta edificando    e porque nellas (?) hua sacada de pão e quer por lhe sacada de pedra o que não    pode fazer sem Liçenssa deste Senado; 23 de Julho de 1704&rdquo; AML, <i>Livro de    Cordeamentos de 1700-1704.</i></p>     <p></p> </span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span></span>       ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BARREIROS]]></surname>
<given-names><![CDATA[Maria Helena]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[“Casas em cima de casas”: apontamentos sobre o espaço doméstico da Baixa Pombalina]]></article-title>
<source><![CDATA[Monumentos]]></source>
<year>2004</year>
<volume>21</volume>
<page-range>88-97</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BARREIROS]]></surname>
<given-names><![CDATA[Maria Helena]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Habitar a “Real Praça do Comércio”: casas pombalinas no eixo Alfândega Arsenal]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[FARIA]]></surname>
<given-names><![CDATA[Miguel Figueira de]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Do Terreiro do Paço à Praça do Comércio: história de um espaço urbano.]]></source>
<year>2012</year>
<page-range>135-155</page-range><publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Imprensa Nacional-Casa da Moeda/Universidade Autónoma de Lisboa]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[BARREIROS]]></surname>
<given-names><![CDATA[Maria Helena]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Prédios de rendimento entre o joanino e o tardopombalino]]></article-title>
<source><![CDATA[Património arquitectónico: Santa Casa da Misericórdia de Lisboa]]></source>
<year>2010</year>
<volume>II</volume>
<page-range>16-39</page-range><publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[SCML]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[CABRITA]]></surname>
<given-names><![CDATA[António Reis]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[AGUIAR]]></surname>
<given-names><![CDATA[José]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[APPLETON]]></surname>
<given-names><![CDATA[João]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Manual de apoio à reabilitação dos edifícios do Bairro Alto.]]></source>
<year>1993</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Câmara Municipal/LNEC]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[CARITA]]></surname>
<given-names><![CDATA[Helder]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Bairro Alto: tipologias e modos arquitectónicos.]]></source>
<year>1994</year>
<edition>2ª</edition>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Câmara Municipal,]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[GONÇALVES]]></surname>
<given-names><![CDATA[Ana Rita Valadas]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Habitação plurifamiliar “não-pombalina”: casos de estudo em Lisboa entre os séculos XVII e XIX]]></source>
<year></year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MATOS]]></surname>
<given-names><![CDATA[José Sarmento de]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[PAULO]]></surname>
<given-names><![CDATA[Jorge Ferreira]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Estudos históricos e patrimoniais: conjunto de propriedades selecionadas na Colina de Sant’Ana]]></source>
<year>27.1</year>
<month>2.</month>
<day>20</day>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Câmara Municipal]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MATOSO]]></surname>
<given-names><![CDATA[Joana Parracho]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A habitação corrente da época pré-industrial em Lisboa: o caso do Bairro da Madragoa.]]></source>
<year>2013</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MURTEIRA]]></surname>
<given-names><![CDATA[Helena]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Lisboa da Restauração às Luzes.]]></source>
<year>1999</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Editorial Presença]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<nlm-citation citation-type="confpro">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[PEREIRA]]></surname>
<given-names><![CDATA[Isaías da Rosa]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Os Róis de Confessados, seu interesse histórico e alguns problemas que suscitam a sua utilização]]></article-title>
<source><![CDATA[Actas]]></source>
<year>1986</year>
<conf-name><![CDATA[1 Primeiras Jornadas de História Moderna]]></conf-name>
<conf-date>1986</conf-date>
<conf-loc>Lisboa </conf-loc>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Centro de História da Universidade de Lisboa]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[PINTO]]></surname>
<given-names><![CDATA[Maria Gonçalves Frazão da Rocha]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A habitação corrente da época pré-industrial em Lisboa: o caso do Bairro da Bica.]]></source>
<year>2013</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[REIS]]></surname>
<given-names><![CDATA[Ana Rita]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[SIMÕES]]></surname>
<given-names><![CDATA[Maria José de Freitas]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[RODRIGUES]]></surname>
<given-names><![CDATA[Susana]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A décima da cidade: contributo para a datação do edificado da Baixa.]]></source>
<year>2004</year>
<volume>21</volume>
<page-range>58-65</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[ROSADO]]></surname>
<given-names><![CDATA[Ana Costa]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A habitação característica do Antigo Regime na encosta de Santana: tipologias e modos de habitar.]]></source>
<year>2013</year>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
