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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Bernardo da Costa Barradas: Um pintor-dourador de Lisboa (1706-1747)]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article is dedicated to a Lisbon painter and gilder, who has practice his metier in the reign of D. João V. From an historical perspective, it aims to give a contribution to the study of his craft and especially to characterize the socio-economic status of this kind of artist in the first half of the eighteenth century, helping to complete his biography and correcting some less rigorous information.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO</b></p>     <p><b>Bernardo da Costa Barradas: Um pintor-dourador de Lisboa (1706-1747)</b></p>     <p><b>Bernardo da Costa Barradas: A painter-gilder of Lisbon (1706-1747)</b></p>     <p><b>Jorge Ferreira Paulo<a href="#*"><sup>*</sup></a><a name="top*"></a></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>O presente artigo é dedicado a um pintor e dourador lisboeta que exerceu o    seu ofício no reinado de D. João V. Numa perspetiva histórica, pretende-se dar    um contributo para o estudo da sua atividade e, sobretudo, para a caraterização    do estatuto socioeconómico deste tipo de artista na primeira metade do século    XVIII, ajudando a completar a sua biografia e corrigindo alguma informação menos    correta.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>PALAVRAS-CHAVE</b></p>     <p>Lisboa / Rua da Verónica / Pintura / Talha / Douramento</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This article is dedicated to a Lisbon painter and gilder, who has practice    his metier in the reign of D. João V. From an historical perspective, it aims    to give a contribution to the study of his craft and especially to characterize    the socio-economic status of this kind of artist in the first half of the eighteenth    century, helping to complete his biography and correcting some less rigorous    information. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>KEYWORDS</b></p>     <p>Lisbon / Veronica Street / Painting / Wood Carving / Gilding</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTA PRÉVIA</b></p>     <p>No decurso de investigações documentais iniciadas em 1991, por ocasião dos    levantamentos patrimoniais da Zona Oriental de Lisboa, no âmbito da preparação    da Expo 98 e no desenvolvimento do programa "Caminho do Oriente", o autor deparou    com variada documentação relativa ao pintor e dourador Bernardo da Costa Barradas.    Essa documentação – quer relativa à sua atividade profissional, quer a detalhes    da sua vida privada (familiares, económicos, patrimoniais, etc.) – justificou    a elaboração <i>a posteriori</i> de um estudo autónomo sobre o mesmo sujeito,    nunca publicado na sua versão definitiva.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Entretanto, em 1998, Jaelson Bitran Trindade dedicou ao mesmo artista um estudo    focado na sua atividade como pintor, em especial no respeitante à intervenção    na igreja matriz de São João Baptista de Alcochete<a href="#1"><sup>1</sup></a><a name="top1"></a>.    Posteriormente, Vítor Serrão, em trabalho publicado em 2003, divulga outras    intervenções de Bernardo Barradas, acentuando o relevo da sua produção pictórica,    e aprofunda o estudo das pinturas de Alcochete<a href="#2"><sup>2</sup></a><a name="top2"></a>.  </p>     <p>Estes dois estudos, dada a sua focagem na vertente da História de Arte, poderiam    tornar redundante a publicação do presente trabalho, à data já completado, mas    ainda inédito. No entanto, a forte componente de informação de vida de Bernardo    da Costa Barradas reunida permite dar um contributo interessante para o conhecimento    mais aproximado da atividade, do estatuto social e dos hábitos de vida de um    artista a trabalhar em Lisboa, originário de uma família de oficiais mecânicos    que, todavia, tem uma certa ascensão social decorrente da sua atividade profissional,    sendo inclusivamente recebido como familiar do Santo Ofício. A tónica nesta    perspetiva, possível face à documentação recolhida ainda desconhecida, torna    pertinente a publicação deste texto, independentemente de alguma repetição de    informações já reveladas pelos dois referidos autores. Mais pertinente ainda    se revela a presente publicação pois dá a conhecer a avaliação da obra de pintura    de Bernardo da Costa Barradas na matriz de Alcochete, realizada por Carlos Mardel    em 1748, documento essencial apenso ao suculento Inventário Orfanológico abaixo    citado, além de outros documentos, até ao momento desconhecidos. Poder-se-á    assim afirmar com segurança e de forma conclusiva que Bernardo da Costa Barradas    não foi o autor das telas da igreja de São João Baptista de Alcochete, pois    as mesmas não são referidas na citada avaliação de Carlos Mardel, omissão que    decerto não seria possível pois estava em causa o pagamento à sua viúva dos    honorários devidos pelo trabalho realizado. Nesta conformidade, deverá corrigir-se    a afirmação algo precipitada dos dois supracitados autores, pelo que, até ao    eventual aparecimento de qualquer nova documentação mais explícita, as quatro    telas da igreja de Alcochete continuam órfãs de autor, deixando de fazer qualquer    sentido as eruditas considerações estéticas sobre a excelência artística de    Bernardo da Costa Barradas que, na verdade, foi sempre um simples pintor-dourador,    autor em Alcochete de pinturas de “brutescos”, das quais ainda restam alguns,    poucos, exemplares. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>INFORMAÇÕES BIOGRÁFICAS</b></p>     <p>Bernardo da Costa Barradas nasceu em Lisboa, na freguesia de Santa Engrácia,    onde recebeu os santos óleos do batismo no dia 29 de agosto de 1706<a href="#3"><sup>3</sup></a><a name="top3"></a>.    Cresceu e viveu em casa dos pais e depois em casas suas na travessa da Verónica    ou dos Aciprestes, à Vila Galega, junto a Santa Clara. Os pais, Domingos da    Costa Barradas e Jerónima dos Santos, também eram naturais desta freguesia,    que acolhia a família desde o tempo de seus avós que também aqui viveram, sendo    o avô paterno, António da Costa Barradas, daqui natural, e a sua mulher, Maria    de Andrade, batizada em Santo Estêvão. Pela parte materna era neto de João Lopes,    natural de Ferreira de Aves, e de Violante Ferreira, de Vila Franca de Xira<a href="#4"><sup>4</sup></a><a name="top4"></a>.</p>     <p>Sendo o mais novo de três irmãos, foi o único que não professou a vida religiosa.    O mais velho, frei José da Costa, trinitário, tomou hábito em Santarém, estudou    Teologia em Coimbra, foi lente de Moral em Santarém e reitor do convento de    Alvito, onde ministrou mais de dez anos <a href="#5"><sup>5</sup></a><a name="top5"></a>;    o segundo, frei Manuel dos Santos, franciscano da Província dos Algarves, foi    pregador e professor<a href="#6"><sup>6</sup></a><a name="top6"></a>. A Bernardo    coube-lhe uma outra via, virada às artes. </p>     <p>O estado incapacitante do pai, atingido pela cegueira, e a condição de iletrada    da mãe, não os impediu de se preocuparem com a instrução dos filhos, pelo menos    no que diz respeito ao primogénito. Deduzimo-lo por uma nota respeitante a uma    dívida ao livreiro Pedro António Caldas referente a uns "liuros clasicos" que    comprara para o "menino mais velho", entre os quais, "Oracio e virgilio", "Arte    portugueza" ou a "presedencia de S. Caterina"<a href="#7"><sup>7</sup></a><a name="top7"></a>.    O segundo filho seguiu as pisadas religiosas dos tios, professando como franciscano    da Província dos Algarves.</p>     <p>Bernardo casou-se com 25 anos, no dia 28 de julho de 1731, também em Santa    Engrácia, com D. Eufrosina Caetana das Neves e Oliveira, uma leiriense filha    de José das Neves e Oliveira e de D. Josefa de Santa Isabel, natural de Santo    Estêvão de Alfama, sendo todos os avós naturais da zona de Leiria<a href="#8"><sup>8</sup></a><a name="top8"></a>.    Foi mesmo uma das avós da noiva, D. Maria José, viúva do governador de Cabo    Verde, António Vieira, que terá acertado o casamento com Domingos da Costa Barradas,    providenciando com a devida antecedência o dote dos nubentes, que casariam por    "carta de ametade"<a href="#9"><sup>9</sup></a><a name="top9"></a>. </p>     <p>A noiva foi dotada com 600.000 reis em dinheiro de contado e um conjunto vasto    de peças: "Huma salua de Prata Lavrada, e huma comfeiteira de Prata meya duzia    de garfos do mesmo, e huma faca de cabo de Prata, huma duzia de lançois de Pano    de linho, hum cobertor de Damasco emcarnado, huma armação de Leito (...)"<a href="#10"><sup>10</sup></a><a name="top10"></a>,    seguindo o rol, entre colchas, toalhas, guardanapos e travesseiros, tudo rigorosa    e notarialmente registado em 27 de março. O entusiasmo do noivo, que tudo presenciou,    por certo terá aumentado com a enumeração das peças, não tanto com o leito de    paussanto ou o contador de dezasseis gavetas de pés torneados, mas com as palavras    que repetidamente iam sendo registadas no livro de notas pelo tabelião Tomé    Freire de Araújo – ouro, esmeraldas, diamantes –, à medida que se descreviam    as joias de D. Eufrosina.</p>     <p>Quanto a Bernardo da Costa Barradas, foi dotado com "huma morada de cazas na    trauessa da Veronica hindo do dito Campo de Santa Clara para o arco da Praça,    a mão direita (...) que constão de loge com seu sobrado, e quintal com huma    caza em todo sima que servem de cozinha"<a href="#11"><sup>11</sup></a><a name="top11"></a>,    ficando assim reforçada a ligação ao sítio que o viu nascer, onde viria a adquirir    uma outra propriedade e onde viveria até ao último dos seus dias. Para compor    a casa nova recebeu sete cortinas de damasco encarnado com sanefas a condizer    e franja de retrós cor de ouro e dois tapetes de Arraiolos, "hum milhor que    outro"<a href="#12"><sup>12</sup></a><a name="top12"></a>. O encarnado e a cor    de ouro parecem constituir uma marca de gosto ou de hábito no que diz respeito    aos seus bens decorativos, pois mantêm-se presentes nos róis elaborados aquando    do seu falecimento.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f1"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n1/ser2n1a12f1.jpg">      
<p>&nbsp;</p>     <p>Durante treze anos a família foi crescendo a um ritmo regular, ali na freguesia    de Santa Engrácia. O nascimento dos cinco filhos, entre 1734 e 1746, constitui    uma preciosa ajuda para a reconstituição do percurso de vida do pintor, desde    logo pelo registo dos batismos, todos às mãos de Francisco dos Santos, presbítero    do hábito de S. Pedro. Pelo nome dos padrinhos é possível conjeturar sobre os    seus relacionamentos e a sua proximidade a certos círculos ou a determinadas    redes clientelares, casos de Vasco Lourenço Veloso (1734), o rico negociante    da Cruz de Santa Apolónia, de Francisco Carneiro de Araújo e Melo (1737), do    desembargador Duarte Salter de Mendonça (1740), de Francisco do Rego e Matos    (1744) e do secretário de Estado Diogo de Mendonça Corte Real (1746)<a href="#13"><sup>13</sup></a><a name="top13"></a>.    Não menos importante é a condição de menoridade dos filhos aquando da morte    de Bernardo da Costa Barradas, uma vez que implicou a elaboração de um inventário    <i>post mortem</i>, sempre rico em informações.</p>     <p>Cumprindo a tradição familiar, Bernardo da Costa Barradas abraçou um ofício    mecânico. O pai foi pedreiro e, mais tarde, fogueteiro, como seu pai também    já o fora. O avô materno, João Lopes, foi oficial de cordoeiro. Bernardo enveredou    pelo ofício de pintor-dourador. Infelizmente, desconhecemos as suas primeiras    intervenções, nada se sabendo sobre os primeiros tempos de atividade, a quem    esteve associado ou com quem e como fez o seu aprendizado. </p>     <p>A primeira informação relacionada com a sua atividade profissional data de    16 de outubro de 1726, quando, com 20 anos de idade, ingressa na Irmandade de    S. Lucas, de acordo com o "Livro dos assentos dos Irmãos". No primeiro capítulo,    o Compromisso da irmandade estatuía acerca dos que haviam de ser recebidos por    irmãos:</p>     <blockquote>        <p>os pintores todos, assi de olio, como de tempera, Architectos, Scultores,      Iluminadores, ou outras quaisquer pessoas que professarem debuxo que quiserem      ser irmãos desta irmandade do glorioso São Lucas, serão reçebidos nella, sendo      conheçidos por pessoas de boas consciencias (...)<a href="#14"><sup>14</sup></a><a name="top14"></a>.</p> </blockquote>     <p>No mesmo registo também se lê que nunca chegou a pagar os seus anuais, estipulados    em quatro vinténs. Não foi por isso, porém, que deixou de ser considerado pessoa    de boa consciência, tanto mais que passou no crivo do Santo Ofício, cujo rigor    nas provanças de qualidade de sangue por vezes se mostravam melindrosas para    este tipo de artífices, não podendo indiciar vestígio de "infâmia de feito ou    de direito". Do seu volumoso processo, ao qual foi agregado o da mulher, resultou    a pretendida certidão de limpeza de sangue, passada em 26 de novembro de 1737<a href="#15"><sup>15</sup></a><a name="top15"></a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A ATIVIDADE PROFISSIONAL</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Por exercer uma atividade pouco notável ou por não se tratar de uma figura    de primeiro plano, as referências a Bernardo da Costa Barradas e à sua obra    foram pontuais até à publicação dos artigos dos dois autores já referidos acima,    apesar de justificados por uma intervenção de pintura que agora se sabe não    ter sido da sua autoria<a href="#16"><sup>16</sup></a><a name="top16"></a>.    Embora apareça sempre associado à atividade da pintura, mencionado como "mestre    do oficio de pintor", "pintor", "mestre pintor", "mestre da arte de pintura"    ou "da arte de pintor", trabalhava no âmbito das modalidades menos exigentes    daquela arte, como a têmpera, o fresco, o douramento e o estofado. De facto,    uma análise atenta da documentação evidencia que a sua pintura tinha um caráter    decorativo ou ornamental, de brutesco, não havendo registos de intervenções    de maior projeção. Era, então, um pintor-dourador, com capacidade de fazer ornamentos    e também de executar uma pintura decorativa de elementos arquitetónicos. Assim    o demonstram os contratos de obra em que intervém como outorgante comprometido    com um clausulado estrito e de caráter descritivo. Desta maneira, terá realizado    o exame do seu ofício sujeitando-se aos critérios estipulados nos pontos cinco    e seis do Regimento dos Pintores, que apesar de categorizar estas modalidades    como menores não deixava de atribuir a imprescindível "carta de examinação"    para o exercício profissional, como se pode ler:</p>     <blockquote>        <p>E o que de tempera ou fresco quiser vsar faraa em parede a fresco E em panno      ou tauoa a tempera figura ou lauor romano ou grotesco querendo vsar de tudo      E fazendo o sobredito ficara examinado de todas as cousas a dita pintura de      tempera ou fresco jmferiores.</p>       <p>E o que de dourado ou estofado Somente quiser vsar por mais não poder alcançar      faraa hu<i>ma</i> peça de ouro bornido E mate em a qual haueraa algu<i>m</i>      plano ou tauoa per si de dous palmos em que faça alem do dito dourado dous      palmos de rapado E faraa mais hu<i>m</i> pao de branco bornido e encarnaraa      hu<i>m</i> rostro de vulto de hu<i>ma</i> virgem, de encarnação polida<a href="#17"><sup>17</sup></a><a name="top17"></a>.</p> </blockquote>     <p>Este regimento estaria ainda em vigor no século XVIII, uma vez que não se registou    nenhum acrescentamento aos regimentos dos pintores e dos douradores, ao contrário    do que se passou com outros oficiais mecânicos<a href="#18"><sup>18</sup></a><a name="top18"></a>.</p>     <p>Reunindo a informação publicada e outra que ora se revela, hoje é possível    afirmar-se que a atividade de Bernardo da Costa Barradas está relativamente    bem documentada, ao longo dos 14 anos que medeiam entre o primeiro trabalho    referenciado e a data da sua morte, distribuindo-se as nove intervenções conhecidas    por dez desses anos: S. Vicente de Fora (1734 e 1737), Nossa Senhora da Conceição    do Monte Olivete (1735), S. Tomé (1736), Santa Marinha (1741), S. João da Praça    (1741-1742), Santo Estêvão de Ribeira de Canha (1745), Matriz de Alcochete (1745-46)    e Paço da Casa de Bragança (1747)<a href="#19"><sup>19</sup></a><a name="top19"></a>.  </p>     <p>&nbsp;</p> <a href="/img/revistas/cam/vser2n1/ser2n1a12f2.jpg" target="_blank">Figura  2</a>      
<p>&nbsp;</p>     <p>Apesar de pouco restar da sua obra, quer por ação humana, quer por efeito do    Terramoto de 1755, além da memória documental, é possível fazer algumas considerações    sobre o seu trabalho.</p>     <p>Olhando para a distribuição geográfica das suas intervenções, pela marcação    na planta da cidade pré-terramoto, de João Nunes Tinoco, verifica-se que há    uma concentração da sua atividade na zona oriental de Lisboa, relativamente    perto da sua residência. Tal permite inferir que a proximidade ao local da obra    poderia constituir um dos critérios na licitação das arrematações de empreitadas    ou que a adjudicação destas poderia decorrer de certas ligações a irmandades    vizinhas. Neste sentido, apenas os últimos trabalhos se afastam desta lógica,    em Ribeira de Canha, Alcochete e no paço bragantino. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O tipo de comitente envolvido nas empreitadas executadas por Barradas varia,    embora predomine a iniciativa religiosa, por parte de irmandades ou de comunidades    monásticas, frequentes promotoras de programas decorativos dos seus espaços,    muitas vezes em articulação com a sua atividade prestamista. </p>     <p>Quanto ao tempo de execução dos trabalhos, analisando o clausulado dos contratos    de obra conhecidos, verifica-se que duraram entre 2 a 8 meses. Curiosamente,    a encomenda de maior valor, na igreja de S. João da Praça, que demorou 5/6 meses,    não corresponde à de maior tempo de execução, como Santa Marinha (8 meses) ou    Alcochete.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="t1"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n1/ser2n1a12t1.jpg">      
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>AS EMPREITADAS</b></p>     <p>Analisemos as nove intervenções documentadas, direta ou indiretamente, de Bernardo    da Costa Barrada, entre 1734 e 1747.</p>     <p>1) 1734 – A sua primeira obra conhecida resultou de uma encomenda da irmandade    das Almas de S. Vicente de Fora, com quem se contratou em 10 de agosto para    pintar a capela de Nossa Senhora das Almas na igreja do convento seu vizinho,    a primeira quando se entra na igreja, do lado da Epístola. Em 1731 já tinha    esta designação, mas em 1759 (6 de agosto), segundo o padre Luís Cardoso, reportando-se    a informações dadas pelo padre Francisco José de Matos na sequência do Terramoto    de 1755, era conhecida por capela de S. Miguel<a href="#20"><sup>20</sup></a><a name="top20"></a>,    invocação muito comum em Portugal, geralmente associada ao culto das almas e    à boa morte para os agonizantes. Segundo a doutrina de S. Jerónimo, S. Miguel    estava incumbido da recolha das almas, com a balança destinada a separar os    eleitos dos réprobos, para as conduzir à glória. Esta irmandade das Almas, uma    das três que existia em S. Vicente, terá adquirido a capela depois desta vagar,    aprestando-se a recompô-la, ornamentando-a, consistindo a obra na execução de  </p>     <blockquote>        <p>(...) hum fronte espiçio de madeira liza para nelle se pintar hum retabolo      de architetura com sua Tribuna e escada para seruentia por dentro com huma      pianha, para nella se pôr o Anjo São Miguel, com duas portas e huma terá sua      casinha para despejos e se obriga a fazer duas cardencias e nos vaos dellas      seus almarios com portas e fechaduras e toda a dita obra se obriga fazer de      madeiras e barrotes de purças juntas forradas de pano grudado tudo bom e das      milhores purças que ouuer e feita a dita obra na forma do dito risco, e com      toda a perfeição dandoa feita e acabada de tudo o pertencente ao seu officio      de entalhador the quinze do mes de Agosto proximo que vem deste prezente anno<a href="#21"><sup>21</sup></a><a name="top21"></a>.</p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A obra ter-se-á prolongado, pois só em 12 de maio do ano seguinte foi "pago    e satisfeito"<a href="#22"><sup>22</sup></a><a name="top22"></a>, conforme o    estipulado na escritura de quitação, que definia o resto do pagamento no final    da obra.</p>     <p>O trabalho final de ornamentação da capela, "feita de madeira e preparada para    se pintar"<a href="#23"><sup>23</sup></a><a name="top23"></a>, coube a Bernardo    da Costa Barradas, que se comprometeu pela quantia de 180.000 réis a concluir    a obra até 15 de outubro, pintando-a com todo o primor da sua arte: </p>     <blockquote>        <p>(...) p<i>ela</i> frente de pedras fingidas das mais esquipaticas e ar natural,      e estas serão feitas como manda a Arte de sorte q<i>ue</i> fação bom apartam<i>ento</i>,      só as colunas serão de pedra verde fingidas na milhor forma possiuel e estas      serão guarneçidas com festões de ouro escuresida, como tambem os pilares e      trapillares e toda a p<i>arte</i> liza, donde couber, e for possiuel, e leuara      o ornato de ouro escuresido, e este será de Mordente, e toda a talha, e filetes      q<i>ue</i> ornão a mesma capp<i>ela</i> será de ouro de Bornido, e a moldura      do oculo de sima será fingida de pedra, e só os filetes serão dourados, e      no meyo leuara hum emblema dedicado a São Miguel o qual ficara na Elleição      delle Pintor, e as tarjas, q<i>ue</i> guarneçem, e ornão a d<i>ita</i> capp<i>ela</i>      leuarão tambem os seos emblemas no meyo, o Throno sera fingido de pedras na      mesma forma q<i>ue</i> fica dito, e será guarneçido em cada facha com sua      Tarja de ouro escurecido, e as molduras do mesmo Throno com seos filetes de      ouro, e a casa será Pintada de architetura de Cores fazendo huma boa prespectiua,      e esta pintura sera a olio, e asim tambem as banquetas serão guarneçidas com      brotesco de ouro, e as portas da dita capp<i>ela</i> serão de xarão emcarnado,      e azul e os degraos, e altar de pedra fingida, e as cardencias serão pintadas      na milhor forma, com tarjas e brotesco de pintura, e nas mais Tarjas que reuestem      a capp<i>ela</i> serão com Tarjas dedicadas a São Miguel com seos filetes      á roda e os andaimes serão por conta delle Bernardo da Costa Barradas, e asim      mais seis castiçais, e huma crus pratiados e guarnecidos com ouro nas gargantas,      e nas mais partes donde realçe, e asim mais tres moldurinhas dos Evangelhos      douradas de bornido, e o santo será estofado pela frente, e emcarnado de pelimento      (...)<a href="#24"><sup>24</sup></a><a name="top24"></a>. </p> </blockquote>     <p>A descrição desta empreitada de Barradas em S. Vicente de Fora, a mais detalhada    que se lhe conhece, enuncia claramente as características da sua pintura decorativa,    com os fingidos de pedra e os brutescos. O retábulo fingido, em <i>trompe-l'oeil</i>,    possivelmente de caráter provisório, viria mais tarde a ser substituído pelo    que lá está hoje, integrado num programa único mais vasto com outros formalmente    muito semelhantes.</p>     <p>2) 1735 – Neste ano, Bernardo da Costa Barradas, conjuntamente com João Crisóstomo    Ribeiro, também pintor dourador<a href="#25"><sup>25</sup></a><a name="top25"></a>,    empreendeu a obra de pintura e douramento da talha da capela de Nossa Senhora    de Copacabana, na igreja do convento de Nossa Senhora da Conceição do Monte    Olivete, dos Agostinhos Descalços, conhecidos por frades Grilos. O trabalho    foi encomendado em 5 de março por Luís Manuel Castanheda de Moura Pereira Teles,    contador mor do reino, que tinha o seu jazigo naquela capela, feita em talha,    e "porque a queria dourar e Pintar se contratara com elles em lhe fazer a dita    obra com todo o primor da arte pondolhe no simo as suas Armas"<a href="#26"><sup>26</sup></a><a name="top26"></a>,    por preço de 300.000 réis. Porém, a parceria não se manteria até ao final da    obra, não a concluindo juntos, pois João Crisóstomo Ribeiro, em 4 de junho,    cedeu e trespassou a sua metade da empreitada para o Barradas, "para que possa    findar e hauer para sy o lucro ou perda q<i>ue</i> Deos for Seruido dar nella"<a href="#27"><sup>27</sup></a><a name="top27"></a>.    O contrato, celebrado em 5 de março, definia o fim do mês de julho como data    para a conclusão da obra, prazo que foi cumprido, pois o contador mor morreu    em 10 de junho e logo ali foi a sepultar. Contudo, a iniciativa desta obra coubera    a sua mãe, D. Francisca Pereira Teles, que já ali se encontrava sepultada e    em cuja lápide ainda hoje se lê: </p>     <p>S. DE D. FRANCISCA PEREIRA TEL/LES FILHA MOLHER MAY DOS CON/TADORES MORES LUIS    PEREIRA DE / BARROS PLACIDO DE CASTANHEDA / DE MOURA <a href="#28"><sup>28</sup></a><a name="top28"></a>    LUIS MANOEL DE CAS/TANHEDA DE MOURA PEREIRA TELLES / DO CONSELHO DE SUA MAGESTADE    / ALCAYDES MORES DA VILLA DE BASTO / COMENDADORES DAS COMENDAS DE / SAM SALVADOR    DE SERRAZES S. PAYO / DE OLIVEIRA DE FRADES DE SAM / JOAM DO PINHEIRO, E DE    SEU FILHO / LUIS MANOEL / 1716. </p>     <p>A devoção de D. Francisca pela Senhora de Copacabana está bem patente quer    na iniciativa de se tornar padroeira da sua capela, quer nas suas disposições    testamentárias que refletem a determinação para que a ela se unisse a sua alma    eternamente. Mandou que o seu corpo fosse "sepultado na Capp<i>ella</i> de N<i>ossa</i>    S<i>enhora</i> de Copacabana e aos pes do seu Altar citta no conv<i>ento</i>    de N<i>ossa</i> S<i>enhora</i> da Concepção de monte oliuete dos P<i>adres</i>    Augost<i>inhos</i> descalsos pela p<i>ublica</i> deuoção q<i>ue</i> tenho com    ella a quem Deixo p<i>ara</i> as obras da sua Capp<i>ella</i> 50.000 reis"<a href="#29"><sup>29</sup></a><a name="top29"></a>.    Deixou ainda 100.000 réis à irmandade de Copacabana para que os aplicasse a    juros, "em parte muito segura", que reverteriam para os religiosos do convento    para a missa da sua festa anual, a aplicar pela sua alma.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n1/ser2n1a12f3.jpg">      
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A imagem de Nossa Senhora de Copacabana foi entretanto substituída por uma    imagem de São Teotónio, da autoria de Manuel de Almeida. Frei Agostinho de Santa    Maria, vigário geral da Congregação dos Agostinhos Descalços, dedicou o primeiro    tomo do "Santuário Mariano", onde conta a história das imagens de Nossa Senhora    veneradas em Lisboa, a ela "Maria Santissima debayxo do seu milagroso titulo    de Copacavana"<a href="#30"><sup>30</sup></a><a name="top30"></a>. Conta-nos    o clérigo a história desta Nossa Senhora de origem peruana que esteve na origem    do célebre topónimo brasileiro<a href="#31"><sup>31</sup></a><a name="top31"></a>.    Trazida para o Porto, em meados do século XVII <a href="#32"><sup>32</sup></a><a name="top32"></a>,    daqui se disseminou por ermidas e capelas, entrando nesta igreja no dia 1 de    novembro de 1706, "obrada com grande perfeição, tunica branca semeada de flores    de ouro, manto azul bordado de matizes de pedras, e perolas; tem em sua mão    direita sceptro, e na cabeça coroa imperial de prata ricamente obrada; em o    braço esquerdo o Menino Deos"<a href="#33"><sup>33</sup></a><a name="top33"></a>.  </p>     <p>3) 1736 – A igreja de S. Tomé sofreu a intervenção seguinte de Bernardo da    Costa Barradas. Por contrato celebrado em 4 de setembro, obrigou-se com a irmandade    do Santíssimo Sacramento a dourar toda a obra de talha existente naquela igreja,    bem como a viga do coro, ainda por forrar, e a cimalha real. Todos os materiais    ficariam por sua conta, tanto de aparelhos como de ouro, e tudo se concluiria    até ao Domingo de Ramos de 1737, pelo preço de 700.000 réis. Mais, "alem do    dourado se obriga a pintar a simalha real de cores que tambem lhe serão apontadas    por pessoas da meza, e duas cortininhas de Damasco fingido com seos Galões"    <a href="#34"><sup>34</sup></a><a name="top34"></a>. No contrato ficou bem explícito    o ouro a aplicar no douramento:</p>     <blockquote>        <p>(...) do mais córado que ouuer, e não branco, ou desmayado, e o aparelho      será o costumado sem faltar a demão algu<i>ma</i> das q<i>ue</i> precisa o      dito aparelho p<i>ara</i> ficar bom que são duas de gesso groço, tres de gesso      mate, hu<i>ma</i> de lacradura, e tres de bolo tudo feito com cola de retalho      branco sem ser salgado (...)<a href="#35"><sup>35</sup></a><a name="top35"></a>.    </p> </blockquote>     <p>Apesar de ter sobrevivido ao Terramoto, esta igreja foi demolida no século    XIX. </p>     <p>4) 1737 – Ainda neste ano regressaria a S. Vicente de Fora, onde trabalhara    três anos antes. Sabemo-lo por uma certidão tirada de um livro de contas e despesa    desta igreja, datada de 11 de novembro de 1737, lendo-se no treslado do "Títtulo    das Empreitadas e a do Arquitetto":</p>     <blockquote>        <p>(...) se deu de Empreittada ao pinttor Bernardo da Costa Barradas de dourar      o Retabullo de nossa senhora da pureza nouentta e seis mil Reis. / Em o que      se deu ao mesmo pinttor [da digo] pinttor de dourar o Retabullo de Christto      duzenttos mil Reis. / Em o que se deu ao mesmo Pinttor o Coro vintte e seis      mil e quatrocentos e outentta reis. / Em o que se deu ao mesmo de Dourar o      Rematte que se acressenttou no Alttar do Senhor dos Paços e a Banquetta de      Santta ursulla vinte mil Reis (...)<a href="#36"><sup>36</sup></a><a name="top36"></a>.</p> </blockquote>     <p>5) 1741 – Após três anos sem notícias do seu paradeiro ou atividade, encontramo-lo    a trabalhar na igreja de Santa Marinha, também destruída pelo megassismo. Por    encomenda da irmandade de Nossa Senhora da Boa Nova e Via Sacra foi contratado    para dourar o retábulo da capela daquela Senhora, bem como o ornamento de pintura    do teto dela – "atendendo a nessecid<i>ade</i> e prejuizo do retabollo da Cappella    da mesma s<i>enhora</i> q<i>ue</i> por não estar dourado padecia grauissimo    danno e não estar com a desencia diuida para o Culto da mesma s<i>enhora</i>    se ajustara com elle Bern<i>ardo</i> da Costa Barradas" <a href="#37"><sup>37</sup></a><a name="top37"></a>    –, pelo montante de 240.000 réis. Celebraram escritura em 19 de fevereiro. Oito    meses volvidos, no dia 29 de outubro, reuniram-se de novo os mesmos outorgantes    em sede notarial a fim de escriturarem o contrato de cessão relativo ao pagamento    da empreitada. Contudo, recebeu apenas uma parte dos honorários<a href="#38"><sup>38</sup></a><a name="top38"></a>,    só recebendo os 120.000 réis em falta em 28 de julho de 1742, conforme acordado    na escritura de cessão<a href="#39"><sup>39</sup></a><a name="top39"></a>. </p>     <p>6) 1741 – A intervenção seguinte ocorreu na igreja de S. João da Praça, onde    dourou toda a obra de talha da capela do Santíssimo Sacramento, por contrato    de 31 de outubro com o marquês de Angeja e a mesa da irmandade do Santíssimo    Sacramento da dita paroquial, consistindo a empreitada no douramento </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>        <p>(...) de toda a obra de talha que tem na Capella do Santisimo Sacram<i>ento</i>      da dita Jgr<i>eja</i> desde o Arco pera dentro emtrando no dito dourado o      Trono e tribuna fazendosse toda e qualquer obra de Talha que faltar e Remates      que forem presizos p<i>ara</i> porfucão da mesma Talha feitos por emtalhador      de sorte que tudo ficasse perfeito na milhor forma que premetisse asim a dita      Arte de Pintura como o of<i>ficio</i> de emtalhador (...) <a href="#40"><sup>40</sup></a><a name="top40"></a>.    </p> </blockquote>     <p>Ficou também responsável pelo trabalho necessário de entalhador – "e pello    que toca a talha mandara fazer os comsertos de que a mesma talha necesitar asim    de fasquiado como da dita talha"<a href="#41"><sup>41</sup></a><a name="top41"></a>.    Mais se lê no contrato que a obra fora "posta a lanços", fixando-se editais    para o efeito, "para por elles se dar publica noticia a todos os oficiaes e    pesoas que querem por sua conta tomar a obrigação de fazer a dita obra tanto    no comodo de presso como na perfeição e com efeito havendo varios lansos por    ultimo foi o delle Bernardo da Costa Barradas", no valor de 1.290.000 réis,    devendo concluir a obra até à Quaresma de 1742, recebendo logo 300.000 réis.    Esta igreja foi reconstruída após 1755.</p>     <p>7) 1745 – Do trabalho na igreja de Santo Estêvão da Ribeira de Canha, da Ordem    de S. Bento de Avis, desconhecem-se pormenores. Contudo, importa salientar dois    aspetos: por um lado, constitui a sua primeira intervenção fora de Lisboa, por    outro, ocorre no âmbito de uma intervenção multidisciplinar (trabalho de pintor,    carpinteiro e pedreiro), em sociedade formalizada em sede notarial, em 28 de    abril, após assumir a obrigação de "fazer hu<i>ma</i> Jgr<i>eja</i> noua p<i>ara</i>    a freg<i>uezia</i> de Santo Esteuão da Ribeira de Canha"<a href="#42"><sup>42</sup></a><a name="top42"></a>,    em 8 de fevereiro, no Tribunal do Conselho da Fazenda.</p>     <p>Pela mesma escritura decidem que "todos sinco serão iguaes socios na dita obra    na despeza e Receita, e no seu lucro, ou perda q<i>ue</i> Deos der", definindo    também quem desempenharia as funções de tesoureiro e de escrivão, ficando este    último cargo entregue a Bernardo da Costa Barradas, "Mestre da arte de pintor",    a quem competia, desde logo, a tarefa de rubricar e numerar os livros de receita    e despesa da obra. O seu estatuto na sociedade, face aos demais sócios (dois    carpinteiros e dois pedreiros), é evidenciado pela responsabilidade que lhe    é atribuída: "todos os negocios pertencentes a dita obra e Requerim<i>entos</i>    q<i>ue</i> forem percizos fará som<i>ente</i> elle Bernardo da Costa Barradas".</p>     <p>8) 1745-46 – Neste período trabalhou em Alcochete, chegando a contrair um empréstimo    "para a continuação da obra de pintura que fizera na matris de São João Baptista    da villa de Alcoxete"<a href="#43"><sup>43</sup></a><a name="top43"></a>, em    31 de janeiro de 1746. Pelo testamento, aberto em agosto de 1747, sabe-se que    quando morreu ainda não estavam liquidadas as contas relativas a esta obra.    Se por um lado devia 38.400 réis ao prior da freguesia de Alcochete, por outro,    refere que da obra que fizera </p>     <blockquote>        <p>(...) a Sua Mag<i>estade</i> na Jgreja de S. João Bap<i>tista</i> de Alcochete      por ordem do Concelho da Fazenda de q<i>ue</i> he Arquiteto o Sarg<i>ento</i>      mor Carlos M<i>ardel</i> o q<i>ual</i> tem em seu poder todos os papeis pertencentes      a d<i>ita</i> obra constará depois de medida a sua importançia da q<i>ual</i>      se abaterão duzentos e quarenta mil réis q<i>ue</i> tenho recebido por conta      da mesma obra (...) <a href="#44"><sup>44</sup></a><a name="top44"></a>. </p> </blockquote>     <p>O acerto de contas foi realizado já pela viúva inventariante, que para efeitos    de partilhas se viu forçada a pedir uma certidão a Carlos Mardel, que avaliou    a obra em 1.106.076 réis. Por esta avaliação de caráter descritivo passada em    5 de maio de 1748, que demorou ao arquiteto dois dias de "jornada", e pela qual    cobrou 22.952 réis (medição mais certidão), conhece-se agora em pormenor a intervenção    de Bernardo da Costa Barradas em Alcochete. Nela registou o arquiteto sargento-mor:</p>     <blockquote>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Certidam</p>       <p>Carlos Mardel Sargento Mor da Jmfantaria com Exsercio de Emginheiro na Corte      e arquiteto de Sua Magestade e dos passos Riais Conselhos da Fazenda e ordens      Estado de Bragansa e agoas Liures Etc<i>a</i>. Certefico que pella hordem      de uosa Magestade fui a uilla de alcoxete a medir e aualiar a obra de pintura      que se fes na igreja Matris de Sam João Bauptista cuja obra fes por hordem      de uosa Magestade o Mestre pintor Bernardo da Costa Baradas e consiste a obra      delle em os tetos de tres naues da Jgreja pintado de Brotesco deuidida cada      huma naue em paineis semalh<i>antes</i> frizos pintados com seus ornatos o      teto debaixo do coro e em sima com suas balaustradas tudo pintado e fingido      de pedra hum frontepisio de huma Capella e teto da samcristia tudo pintado      de brutesco e seis culunas na mesma Jgreja pintadas e fingidas de pedra com      seus arcos e ornamentos e portas e Janellas e tudo o que achej hé o seguinte.</p>       <p>O teto da Naue grande no mejo hé deuidido em uinte e sete paineis de quinse      palmos de comprido cada hum chejos de Pintura de Brutesco aualio hum em desaseis      mil reis e todos Jmportão em coatro sentos e Trinta e dois mil reis. 432.000</p>       <p>Os dois Tetos nas duas Naues nos largos tem sete paineis cada hum do mesmo      comprimento e fabrica com a do teto do mejo aualio cada hum pello mesmo preso      de desaseis mil reis e todos Jmportam em duzentos e uinte e coatro mil reis.</p>       <p>224.000</p>       <p>Simalha frizo e arquitraue dos tres tetos pintados com seus ornamentos e      fingido de pedra lhe aualio por todo a simcomfrensia das Tres naues em sento      e uinte mil reis. </p>       <p>120.000.</p>       <p>O Teto de Baixo do Coro com dois paineis em suas mulduras e fachias de ornatos      e a Balaustrada no mesmo Coro pintada e fingida de pedra lhe aualio tudo en      sesenta mil reis.</p>       <p>60.000.</p>       <p>O Frontespisio de huma Capella no largo da Jgreja tudo pintado lhe aualio      desanoue mil e duzentos reis.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>19.200.</p>       <p>O teto da samcristia em coatro paineis de Bustos e o emtre as simalhas ornatos      e suas portas e duas janelas pintadas de uermelho lhe aualio tudo em sesenta      mil reis.</p>       <p>60.000.</p>       <p>Seis culunas grandes na Jgreja com seus arcos em sima com o ornamento e as      seis culunas fingidas de pedra lhe aualio tudo em sento e coarenta mil reis.      140.000.</p>       <p>A metade do selario dos dois dias da Jornada medisam e pasar a sertidão Jmporta      em onze mil e coatrosentos e setenta e seis reis. 11.476<a href="#45"><sup>45</sup></a><a name="top45"></a>.</p> </blockquote>     <p>Definitivamente, este documento põe de lado qualquer hipótese de autoria de    Bernardo da Costa Barradas relativamente às quatro telas do altar-mor alusivas    ao patrono de Alcochete<a href="#46"><sup>46</sup></a><a name="top46"></a>.    Por outro lado revela o nome do responsável pelo programa de pintura decorativa    da igreja (ornamentação, brutesco, fingidos de pedra), da qual pouco resta,    além dos dois painéis de madeira por baixo do coro com as "mulduras e fachias    de ornatos". Quanto aos painéis dos tetos das três naves, há muito que deixaram    de apresentar os brutescos do pintor Barradas, desaparecendo muito antes da    intervenção da Direção Geral de Edifícios e Monumentos Nacionais na década de    1940, de que resultou a pintura de todos os tetos<a href="#47"><sup>47</sup></a><a name="top47"></a>.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n1/ser2n1a12f4.jpg">      
<p>&nbsp;</p>     <p>9) 1747 – A última intervenção do pintor ficou concluída no 1º semestre deste    ano, ocorrendo no paço da Casa de Bragança, onde realizou obra do seu ofício    de pintor. Sabemo-lo através de uma procuração datada de 21 de junho, pela qual    nomeou o primo, Francisco Xavier da Costa, como seu procurador para cobrar 63.166    réis do Almoxarife dos Dízimos do Pescado de Lisboa "q<i>ue</i> por mandado    dos Ministros da Junta do Estado da caza de Bragança Se lhe mandão Satisfazer    procedidos da Obra que de seu officio fez no Paço da mesma caza de Bragança"<a href="#48"><sup>48</sup></a><a name="top48"></a>.  </p>     <p>Deste trabalho nada mais se sabe. Do Paço pouco ou nada resta, pois não resistiu    ao Terramoto, à semelhança das circunvizinhanças, localizado que estava na colina    dos Mártires, sobre a barroca do Ferragial. Porém, merece-nos duas considerações.    A primeira, por constituir a única intervenção de Bernardo da Costa Barradas    num edifício não religioso; a segunda, por representar a ascensão do pintor    ao círculo mais alto a que um artista poderia aspirar, a Casa Real. Esta ligação    entre a matriz de Alcochete e o Paço de Bragança parece fazer-se através do    arquiteto do Conselho da Fazenda e do Estado da Casa de Bragança, Carlos Mardel,    que porventura terá apreciado os brutescos do mestre Barradas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Um outro aspeto associado à atividade profissional de Bernardo da Costa Barradas    é merecedor de alguma atenção. Diz respeito aos empréstimos a que recorreu para    poder executar os trabalhos do seu ofício, ou seja, pedindo dinheiro emprestado    para poder trabalhar<a href="#49"><sup>49</sup></a><a name="top49"></a>. Tal    situação é mais notória no período em que está em curso a obra de Alcochete,    que envolveu montantes mais elevados e que, talvez por isso, o tenha levado    à contingência de se sujeitar a várias obrigações de caráter prestacionista.    Mais concretamente para a fase de Alcochete, em 1 de outubro de 1745 pediu 400.000    réis emprestados às freiras de Santa Apolónia, hipotecando para tal uma propriedade    como garantia<a href="#50"><sup>50</sup></a><a name="top50"></a>. Terá sido    a escassez de dinheiro de contado para a prossecução dos trabalhos em Alcochete    que o determinou? Assim parece, ao lermos um outro contrato de empréstimo, contraído    em 31 de janeiro de 1746, agora de 320.000 réis, ao negociante Matias Lopes    da Silveira, "para a continuação da obra de pintura que fizera na matriz de    São João Baptista da villa de Alcoxete"<a href="#51"><sup>51</sup></a><a name="top51"></a>,    de que viria a distratar-se a 8 de agosto desse mesmo ano<a href="#52"><sup>52</sup></a><a name="top52"></a>.  </p>     <p>No seguimento de um pequeno carrossel de empréstimos e pagamentos, a 21 de    maio de 1746 viu-se na contingência de vender a casa com que os pais o dotaram    em 1731, embolsando 800.000 réis que lhe permitiram pagar a dívida às freiras    de Santa Apolónia<a href="#53"><sup>53</sup></a><a name="top53"></a> e a Matias    Lopes. Esta situação decorreria das condições contratuais inerentes a este tipo    de empreitadas, que determinavam um pequeno pagamento parcelar de entrada e    o restante no final da obra, depois de devidamente avaliada pelo comitente.    Ora, necessitando o artífice de dinheiros prontos para a aquisição de materiais<a href="#54"><sup>54</sup></a><a name="top54"></a>,    muitas vezes era forçado a recorrer a empréstimos a juros, endividando-se<a href="#55"><sup>55</sup></a><a name="top55"></a>.    Tal ideia é confirmada pela obrigação constante do registo da sociedade para    a obra na Ribeira de Canha: "Sendo elle thezoureiro Obrigado a dar o dinh<i>eiro</i>    q<i>ue</i> Se determinar entre todos ao companh<i>eiro</i> q<i>ue</i> asestir    na dita Obra, e aSestindo mais de hum se dará áquelle que se conuier para poder    continuar com os gastos que for fazendo (...)"<a href="#56"><sup>56</sup></a><a name="top56"></a>.  </p>     <p>Além de adiantar dinheiro seu, este tipo de artífice não raramente tinha de    esperar bastante tempo até receber a totalidade do estipulado<a href="#57"><sup>57</sup></a><a name="top57"></a>.</p>     <p>Anteriormente, em 19 de julho de 1736, o pintor pedira 200.000 réis a juro    à irmandade das Almas da freguesia de S. Tomé, na pessoa de seu tesoureiro,    o Padre José Mendes Pimenta, em cuja igreja viria a trabalhar dois meses depois,    por encomenda de outra irmandade, a do Santíssimo Sacramento <a href="#58"><sup>58</sup></a><a name="top58"></a>.    Nesta escritura apresentou um fiador, evitando assim dar a casa como garantia<a href="#59"><sup>59</sup></a><a name="top59"></a>.    Assim o exigia a rigidez do clausulado, impondo sanções em caso de incumprimento.</p>     <p>Pela informação disponível pode concluir-se que através de uma gestão rigorosa    com recurso frequente a crédito a juros, Bernardo da Costa Barradas ia conseguindo    pagar as suas dívidas, sem, contudo, conseguir livrar-se deste expediente para    poder exercer a arte do seu ofício.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>PATRIMÓNIO E ÚLTIMAS VONTADES</b></p>     <p>Apenas por uma vez Bernardo da Costa Barradas não é referenciado como residente    na Vila Galega. De facto, no dia 21 de junho de 1747 encontrava-se "assistindo"    na rua do Carrião, em casa do primo Francisco Xavier da Costa, com quem permutara    temporariamente de residência, talvez pela maior proximidade ao paço da Casa    de Bragança, onde trabalhara havia pouco tempo<a href="#60"><sup>60</sup></a><a name="top60"></a>.    Contudo, no dia 31 do mês seguinte já estava de regresso à travessa da Verónica,    aí fazendo redigir o seu testamento<a href="#61"><sup>61</sup></a><a name="top61"></a>.</p>     <p>Encontrava-se então gravemente enfermo, "de doença q<i>ue</i> D<i>eus</i> foy    seruido darlhe, mas em seu prefeito Juizo, e entendimento" <a href="#62"><sup>62</sup></a><a name="top62"></a>.    Deixando de lado tal dádiva divina, desconhecem-se as causas de morte tão prematura.    Sabe-se apenas que a maleita o acompanhava pelo menos desde abril de 1746, pois    já então visitava a botica de S. Vicente em busca de remédios e prescrições    terapêuticas que o curassem. As receitas e notas de dívida aos frades vicentinos    que integram o seu inventário orfanológico revelam que tinha começado a tomar    caldos de víboras a 21 de abril de 1747, tendo comprado por sua conta 22 víboras    por 2.200 réis. Entre os produtos prescritos encontramos água de rosas, flor    de enxofre, óleo de tártaro e sal torrado, integrando um receituário mais vasto    que incluía, por exemplo, a forma de confecionar a "matéria", determinando os    passos a seguir, começando pela cozedura dos ovos, devidamente quebrados com    os dedos até endurecerem, "em certam de ferro bem limpa", juntando-lhes sais    em pó, indo depois ao "fogo de carvão forte e sem chama e revolvendo a materia    com espatula de ferro athe fazer espuma, se esprema na prensa, o oleo (...)"<a href="#63"><sup>63</sup></a><a name="top63"></a>.  </p>     <p>A testemunhar o seu último ato estiveram presentes pessoas que lhe eram próximas,    certamente não apenas por vizinhança ou para fazer fé pública, ou não estivessem    entre as sete testemunhas presentes, além de um seu criado, dois pintores, dois    carpinteiros e um pedreiro<a href="#64"><sup>64</sup></a><a name="top64"></a>.    Três semanas depois soçobrava à doença, morrendo no dia 20 de agosto de 1747,    a cinco dias de celebrar o seu 41º aniversário<a href="#65"><sup>65</sup></a><a name="top65"></a>.    Os pais, ainda vivos, ficaram por herdeiros, ficando a terça para dividir pelos    filhos quando aqueles morressem.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Analisando o arrolamento expresso no testamento, respeitante aos seus bens    móveis e às quantias que envolviam credores e devedores, verifica-se que o ofício    que lhe preencheu a vida não lhe foi desfavorável. Relativamente aos bens imóveis,    Bernardo da Costa Barradas possuía duas propriedades na travessa da Verónica,    onde morava, e outra na travessa do Rosário/horta da Cera, ali mesmo ao lado.    As casas com que o pai o dotara não lhe serviram muito tempo. Aliás, pouco depois    de casar, logo no primeiro dia de 1732 comprou uma "propried<i>ade</i> de Cazas    gr<i>andes</i>", também à travessa da Verónica por 450.000 reis, foreiras a    Gaspar Sodré Ferreira<a href="#66"><sup>66</sup></a><a name="top66"></a>, ficando    a haver algum dinheiro que lhe permitiu beneficiar de algum rendimento a juro<a href="#67"><sup>67</sup></a><a name="top67"></a>.  </p>     <p>A nova casa de habitação tinha uma tipologia comum à maioria dos edifícios    do arruamento, com loja e dois andares, pouco variando quanto ao número de lojas    (uma ou duas) e de andares (um ou dois), isto em 1762, quando é possível fazer    a reconstituição fiável do arruamento<a href="#68"><sup>68</sup></a><a name="top68"></a>.    Contudo, se não se distinguia pela tipologia diferenciar-se-ia pela dimensão,    de acordo com a referência a "casas grandes", vindo ainda a ser acrescentadas    em mais um sobrado e aumentadas as sacadas em altura, após reunir os cabedais    necessários, em 1737, como descrito no cordeamento de 10 de julho realizado    pelo Senado da Câmara:</p>     <blockquote>        <p>Diz Bernardo da Costa Barradas que elle hé s<i>enhor</i>, e pessuhidor de      huma morada de cazas, em Villa Galega, na traueça da veronica, as quais pertende      reformar, sem tomar nada do publico, nem exceder a sua propria Ária (...),      e fazendo as ginelas de sacada mais altas (...)<a href="#69"><sup>69</sup></a><a name="top69"></a>.</p> </blockquote>     <p>Deferido o pedido procedeu-se ao cordeamento, a 4 de setembro, registado pela    mão do escrivão do tombo dos bens e das propriedades da cidade, que acompanhou</p>     <blockquote>        <p>(...) a ver e cordear a obra das cazas de Bernardo da Costa Barradas em que      pertende leuantar mais hum sobrado e se vio que a frontaria dellas extroce      direita com a parede das cazas que lhe ficão da parte de baxo e com o muro      do quintal que lhe fica da parte de sima e as sacadas que asentar no segundo      sobrado ficão em altura de mais de dezaseis palmos e o degrao que tem na Rua      o bota fora pera rebaxar a porta da escada (...)<a href="#70"><sup>70</sup></a><a name="top70"></a>.    </p> </blockquote>     <p>Concluída a obra em janeiro, a "propriedade de cazas q<i>ue</i> de nouo Reedificou,    e acrescentou em que viue na dita Trauessa da Veronica"<a href="#71"><sup>71</sup></a><a name="top71"></a>,    desde logo foi hipotecada para garantia de um empréstimo. </p>     <p>Mais detalhada é a descrição das casas feita por ocasião do inventário <i>post    mortem</i> do pintor: </p>     <blockquote>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p>(...) constam de entrada de logea e na mesma para a parte esquerda huma Cazinha      Com Genela de Grades de ferro e na dita Logea huma Cazinha para mosso e debaxo      da escada ha outra Cazinha e no primeiro andar ha tres Cazas Cozinha e Camera      com sua genela para a Rua e Caza de fora com tres genelas de asentos e no      andar de sima ha outras tres Cazas cozinha Camera e Caza de fora com duas      genelas de Sacada e por sima ha humas agoas fortadas que constam de tres Cazinhas      e huma Cazinha de Caruam com huma baranda as quaes estam nouas e bem tratadas      todas com suas pinturas e vidrassas (...)<a href="#72"><sup>72</sup></a><a name="top72"></a>.    </p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p> <a name="f5"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n1/ser2n1a12f5.jpg">      
<p>&nbsp;</p>     <p>O relativo destaque da casa do pintor, apesar de desprovida de ambição, é confirmado    em sede de imposto de décima relativamente às restantes daquele troço da rua,    como se comprova na avaliação dos Livros de Arruamentos, entre 1762 e 1767<a href="#73"><sup>73</sup></a><a name="top73"></a>.    Entretanto, já a família mudara de residência, "por ser de major rendimento    accomodando-se em cazas de menos valor em vtilid<i>ade</i> do Cazal, e sinco    f<i>ilhos</i> menores"<a href="#74"><sup>74</sup></a><a name="top74"></a>. A    antiga casa de morada da família passou a ser arrendada. Assim o fez o tutor    testamentário dos filhos menores, em 1756 (12/06), arrendando-a a Manuel António    da Costa, apesar de danificada pelo terramoto. É então descrita com "dous andares    de sobrados com suas loges"<a href="#75"><sup>75</sup></a><a name="top75"></a>.    Depois de arrendada alguns anos ao Apontador das Obras, que ocupava o 1º e 2º    andar, em 1768 é vendida ao repartidor dos órfãos do termo, João Aires da Rocha,    que ali fixaria residência<a href="#76"><sup>76</sup></a><a name="top76"></a>.  </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f6"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n1/ser2n1a12f6.jpg">      
<p>&nbsp;</p>     <p>A alienação da propriedade, porém, não apagou de todo a ligação do pintor à    memória do sítio, pois, por disposição testamentária, fizera-se sepultar na    ermidinha de Nossa Senhora do Rosário, vizinha de sempre, em frente das suas    casas da Travessa da Verónica. Tudo com a maior das simplicidades "sem mais    pompa nenhuma que hum Caixão allugado, e leuado por seis pobres mendicantes",    amortalhado no hábito de S. Francisco e de Nossa Senhora do Monte do Carmo,    de quem era, segundo suas humildes palavras, "indigno terceiro"<a href="#77"><sup>77</sup></a><a name="top77"></a>.    Com espírito despojado e generoso, não se esqueceu do irmão e dos avós já falecidos    partilhando com eles as 400 missas de esmola que deixou encomendadas, destinadas    a si e às almas redentoras do fogo do purgatório. Aos parentes, aos amigos e    aos inimigos, sem distinção, pediu que lhe perdoassem. À mulher, de quem tão    cedo se separava e de quem também esperava a generosidade do perdão pelos agravos    por ele cometidos, dedica a sua última pintura, registando por palavras de amor    e afeto os sentimentos que os uniam, perpetuados pelas suas últimas vontades.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f7"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n1/ser2n1a12f7.jpg">      
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>FONTES E BIBLIOGRAFIA</b></p>     <p><b>Fontes manuscritas</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Arquivo Nacional da Torre do Tombo</b></p>     <p><i>Cartórios Notariais de Lisboa, Livros de Notas</i></p>     <p><i>1º,</i> Ofício A, liv. 465 </p>     <p><i>1º,</i> Ofício B, liv. 558, 563, 566, 576, 579, 580, 582, 583, 588, 595,    598, 626, 628, 630, 632, 634, 640 </p>     <p><i>7º,</i> Ofício A, liv. 479, 481 </p>     <p><i>8º</i>, liv. 2 </p>     <p><i>Habilitações do Santo Ofício</i>, mç. 7, nº 104 </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Inventários Post Mortem</i>, mç. 59, nº 7 </p>     <p><i>Registo Geral de Testamentos</i>, liv. 147 e 240</p>     <p><b>Registos Paroquiais</b></p>     <p><i>Santa Engrácia, Batismos</i>, liv. 4, 6, 7, 8 </p>     <p><i>Santa Engrácia, Casamentos</i>, liv. 4 </p>     <p><i>Santa Engrácia, Óbitos</i>, liv. 5 </p>     <p><i>S. Vicente de Fora</i>, 2ª inc., docs. avulsos, cx. 18, mç. 47</p>     <p><b>Arquivo Histórico do Tribunal de Contas</b></p>     <p><i>Décima da Cidade, Livros de Arruamentos, Santa Engrácia</i>, mç. 421 a 462  </p>     <p><b>Arquivo Municipal de Lisboa</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Livros de Cordeamentos de 1730-1737 </i></p> <i>      <p>Livro dos Regimentos dos Oficiais Mecânicos </p>     <p>Livros 1º e 2º do Acrescentamento dos Regimentos dos Oficiais Mecânicos</p>     <p>Livro 8º de Consultas e Decretos de D. João V do Senado Oriental</p> </i>      <p>&nbsp;</p>     <p><b>Bibliografia</b></p>     <!-- ref --><p><i>Boletim da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais.</i> Lisboa:    [s.n.]. Nº 33 (1943).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2068686&pid=S2183-3176201400010001200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA - <i>Carta Topográfica de Lisboa sob a direção de    Filipe Folque: 1856-1858.</i> Lisboa: Câmara Municipal, 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2068688&pid=S2183-3176201400010001200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>ESTEVAM, José - <i>A restauração da Igreja Matriz de Alcochete.</i> Lisboa:    Couto Martins, 1948.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2068690&pid=S2183-3176201400010001200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FERREIRA, Sílvia - A retabulística. Presença e memória. In SALDANHA, Sandra    Costa (coord.) - <i>Mosteiro de São Vicente de Fora: Arte e História.</i> Lisboa:    Centro Cultural do Patriarcado de Lisboa, 2010. p. 279-295.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2068692&pid=S2183-3176201400010001200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MACHADO, Diogo Barbosa - <i>Bibliotheca Lusitana.</i> Coimbra: Atlântida Editora,    1965. tomo I.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2068694&pid=S2183-3176201400010001200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>MATOS, José Sarmento de; PAULO, Jorge Ferreira - <i>Guia Histórico do Caminho    do Oriente. </i>Lisboa: Livros Horizonte, 1999. 2 vol.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2068696&pid=S2183-3176201400010001200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CARDOSO, Padre Luís – Dicionário Geográfico, 1759. In PORTUGAL, Fernando; MATOS,    Alfredo de (ed.) - <i>Lisboa em 1758 - Memórias Paroquiais de Lisboa.</i> Lisboa:    [s.n.], 1974.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2068698&pid=S2183-3176201400010001200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>SANTA MARIA, Frei Agostinho de - <i>Santuário Mariano.</i> Lisboa: Off. Antonio    Pedrozo Galram, 1707. tomo I.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2068700&pid=S2183-3176201400010001200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>SERRÃO, Vítor - O núcleo de pintura. In FERNANDES, Isabel (coord.) - <i>Igreja    de São João Baptista de Alcochete.</i> Alcochete: [s.n.], 2003. p. 76-103.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2068702&pid=S2183-3176201400010001200009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>SILVA, Augusto Vieira da – <i>Plantas topográficas de Lisboa.</i> Lisboa: Oficinas    Gráficas da Câmara Municipal, 1950.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2068704&pid=S2183-3176201400010001200010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SOROMENHO, Miguel - O Mosteiro e igreja de São Vicente de Fora. In MOITA, Irisalva    (coord.) - <i>O Livro de Lisboa.</i> Lisboa: Livros Horizonte, 1994. p. 207-214.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2068706&pid=S2183-3176201400010001200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>TEIXEIRA, Francisco A. Garcez - <i>Irmandade de S. Lucas - Estudo do seu arquivo.</i>    Lisboa: [s.n.], 1931.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2068708&pid=S2183-3176201400010001200012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>TRINDADE, Jaelson Bitran - Nas encruzilhadas da arte: o pintor Barradas, de    Lisboa (1747).<i> Museu.</i> Porto: [s.n.]. 4ª Série, Nº 7 (1998), p. 107-135.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2068710&pid=S2183-3176201400010001200013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>submissão/submission: 10/03/2014</p>     <p>aceitação/approval: 17/04/2014</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <p><a href="#top*"><sup>*</sup></a><a name="*"></a> Jorge Luís Ferreira Marques    Paulo é licenciado em História e mestre em Paleografia e Diplomática, com especialização    na escrita humanística, em cujo âmbito prossegue estudos. No âmbito da Olisipografia,    colaborou em vários periódicos e tem-se dedicado a estudos de caráter histórico    e patrimonial para entidades públicas e privadas, com particular incidência    em certas zonas de Lisboa, como a Lapa, Príncipe Real, Baixa Pombalina, S. Paulo,    Mouraria, Colina de Sant'Ana e a zona oriental. A sua publicação mais recente    data de 2013, em coautoria, "Um sítio na Baixa". Correio eletrónico: <a href="mailto:jfpaulo@netcabo.pt">jfpaulo@netcabo.pt</a></p>     <p><a href="#top1"><sup>1</sup></a><a name="1"></a> TRINDADE, Jaelson Bitran -    Nas encruzilhadas da arte: o pintor Barradas, de Lisboa (1747). <i>Museu.</i>    Porto: [s.n.]. 4ª Série, Nº 7 (1998), p. 107-135.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top2"><sup>2</sup></a><a name="2"></a> SERRÃO, Vítor - O núcleo de    pintura. In FERNANDES, Isabel (coord.) - <i>Igreja de São João Baptista de Alcochete.</i>    Alcochete: [s.n.], 2003. p. 76-103.</p>     <p><a href="#top3"><sup>3</sup></a><a name="3"></a> Arquivo Nacional da Torre    do Tombo (ANTT), <i>Registos Paroquiais, Santa Engrácia, Batismos</i>, liv.    4, f. 172v.</p>     <p><a href="#top4"><sup>4</sup></a><a name="4"></a> ANTT, <i>Habilitações do Santo    Ofício</i>, mç. 7, nº 104.</p>     <p><a href="#top5"><sup>5</sup></a><a name="5"></a> Nasceu em 25 de julho de 1696.    ANTT, <i>Registos Paroquiais, Santa Engrácia, Batismos</i>, liv. 4, f. 82.</p>     <p><a href="#top6"><sup>6</sup></a><a name="6"></a> Nasceu em 23 de março de 1704.    ANTT, <i>Registos Paroquiais, Santa Engrácia, Batismos</i>, liv. 4, f. 152v.  </p>     <p><a href="#top7"><sup>7</sup></a><a name="7"></a> ANTT, <i>Inventários Post    Mortem</i>, mç. 59, nº 7, f. s/nº.</p>     <p><a href="#top8"><sup>8</sup></a><a name="8"></a> ANTT, <i>Registos Paroquiais,    Santa Engrácia, Casamentos</i>, liv. 4, f. 230.</p>     <p><a href="#top9"><sup>9</sup></a><a name="9"></a> Um treslado da escritura de    dote e obrigação, copiado em 1 de agosto de 1744 pelo tabelião António da Silva    Freire, encontra-se inserto no inventário orfanológico de Bernardo da Costa    Barradas (BCB), f. 189-192.</p>     <p><a href="#top10"><sup>10</sup></a><a name="10"></a> ANTT, <i>Inventários Post    Mortem</i>, mç. 59, nº 7, f. 189v. </p>     <p><a href="#top11"><sup>11</sup></a><a name="11"></a> Cfr. TRINDADE, Jaelson    Bitran - <i>op. cit.</i>, p. 113. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top12"><sup>12</sup></a><a name="12"></a> ANTT, <i>Inventários Post    Mortem</i>, mç. 59, nº 7, f. 190v.</p>     <p><a href="#top13"><sup>13</sup></a><a name="13"></a> O mais velho, Joaquim,    batizado a 22 de março de 1734 (ANTT, <i>Registos Paroquiais, Santa Engrácia,    Batismos</i>, liv. 6, f. 289), depois o Manuel, nascido a 17 de agosto de 1737    (ANTT, <i>Registos Paroquiais, Santa Engrácia, Batismos</i>, liv. 7, f. 116v.),    Maria, 7 de junho de 1740 (ANTT, <i>Registos Paroquiais, Santa Engrácia, Batismos</i>,    liv. 7, f. 231v.), Josefa, 13 de agosto de 1744 (ANTT, <i>Registos Paroquiais,    Santa Engrácia, Batismos</i>, liv. 8, f. 135v.-136) e Ana, batizada a 6 de agosto    de 1746 (ANTT, <i>Registos Paroquiais, Santa Engrácia, Batismos</i>, liv. 8,    f. 218v.). </p>     <p><a href="#top14"><sup>14</sup></a><a name="14"></a> Cfr. TEIXEIRA, Francisco    A. Garcez - Irmandade de S. Lucas - Estudo do seu arquivo. Lisboa: [s.n.], 1931.    p. 93. Informação já dada por Jaelson Trindade (<i>op. cit.</i>, p. 107-108).    Não obstante ser mencionado como Bernardo da Costa Saradas, o facto de ser referido    como morador na Vila Galega e apontado o seu óbito a 20 de agosto de 1747 (apesar    do registo paroquial do óbito indicar o dia 24) confirma-se a sua identificação,    tratando-se, portanto, de um erro de leitura. </p>     <p><a href="#top15"><sup>15</sup></a><a name="15"></a> ANTT, <i>Habilitações do    Santo Ofício</i>, mç. 7, nº 104.</p>     <p><a href="#top16"><sup>16</sup></a><a name="16"></a> Além de Jaelson Trindade    (<i>op. cit.</i>) e de Vítor Serrão, Bernardo Costa Barradas é mencionado por    Garcês Teixeira (<i>op. cit.</i>), Miguel Soromenho (Cfr. O Mosteiro e igreja    de São Vicente de Fora. In MOITA, Irisalva (coord.) - <i>O Livro de Lisboa.</i>    Lisboa: Livros Horizonte, 1994. p. 212), José Sarmento de Matos e Jorge Ferreira    Paulo (Cfr. Guia Histórico do Caminho do Oriente. Lisboa: Livros Horizonte,    1999. p. 51 e 70) e Sílvia Ferreira, mencionando documento compulsado por Miguel    Soromenho (Cfr. A retabulística. Presença e memória. In SALDANHA, Sandra Costa    (coord.) - Mosteiro de São Vicente de Fora: Arte e História. Lisboa: Centro    Cultural do Patriarcado de Lisboa, 2010. p. 285 e 287; por erro de leitura –    96.000 por 906.000 reis –, a autora fala de um "pagamento avultado" a Bernardo    Costa Barradas). </p>     <p><a href="#top17"><sup>17</sup></a><a name="17"></a> Arquivo Municipal de Lisboa    (AML), <i>Livro dos Regimentos dos Oficiais Mecânicos</i>, f. 128-130v.</p>     <p><a href="#top18"><sup>18</sup></a><a name="18"></a> AML, <i>Livros 1º e 2º    do Acrescentamento dos Regimentos dos Oficiais Mecânicos.</i> </p>     <p><a href="#top19"><sup>19</sup></a><a name="19"></a> Cronologicamente, foram    divulgadas: 1994 – Miguel Soromenho (S. Vicente de Fora-1737); 1998 – Jaelson    Trindade (Alcochete); 1999 – Jorge Ferreira Paulo (Grilo); 2003 – Vítor Serrão    (S. Vicente de Fora-1734, S. Tomé, Ribeira de Canha), que refere ainda duas    outras intervenções de Bernardo Costa Barradas, em Santo André e Santa Apolónia,    que de acordo com a documentação referenciada não são corretas; 2014 – Jorge    Ferreira Paulo (Santa Marinha, S. João da Praça, Paço da Casa de Bragança).</p>     <p><a href="#top20"><sup>20</sup></a><a name="20"></a> CARDOSO, Padre Luís - <i>Dicionário    Geográfico</i>, 1759. In PORTUGAL, Fernando; MATOS, Alfredo de (ed.) - <i>Lisboa    em 1758 - Memórias Paroquiais de Lisboa.</i> Lisboa: [s.n.], 1974. p. 276.</p>     <p><a href="#top21"><sup>21</sup></a><a name="21"></a> A obra de talha fora realizada    pelo entalhador Manuel da Costa, por contrato de 23 de julho de 1730, "na forma    do risco posto em hum papel que elles partes asignarão". Cfr. FERREIRA, Sílvia    - op. cit., p. 285; ANTT, 1º Cartório Notarial de Lisboa, Livro de Notas, Ofício    B, cx. 47, liv. 558, f. 65v.-66v.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top22"><sup>22</sup></a><a name="22"></a> ANTT, <i>1º Cartório Notarial    de Lisboa, Livro de Notas</i>, Ofício B, cx. 48, liv. 563, f. 50v.-51.</p>     <p><a href="#top23"><sup>23</sup></a><a name="23"></a> ANTT, <i>1º Cartório Notarial    de Lisboa, Livro de Notas</i>, Ofício B, cx. 52, liv. 579, f. 80v. (SERRÃO,    Vítor - op. cit., p. 98).</p>     <p><a href="#top24"><sup>24</sup></a><a name="24"></a> <i>Idem, ibidem</i>, f.    80v.-82.</p>     <p><a href="#top25"><sup>25</sup></a><a name="25"></a> João Crisóstomo Ribeiro    foi também um pintor dourador lisboeta, morador na rua Nova do Almada. Nos anos    de 1734-1735 executou trabalhos de douramento e pintura na igreja de Santo André,    em obra de talha realizada pelo entalhador João Oliveira, obrigando-se a "dourar    toda a obra de Talha que se acha na dita Igreja feita de nouo, com as cabeças    dos Serafins, e meninos, e fundos da dita Talha, feitos ao estilo moderno de    que se uza", e arcos das cappelas de pintura, com fastoens de flores, e o grosso    das frestas de pintura e as comruspondentes que não dão luz serão fingidas de    vidraça pintada, e o tecto da mesma Jgreja pintado todo de Brutesco (...) e    a Simalha Real pintada tambem de pintura e da mesma sorte as paredes do choro,    e as que ficão por baixo delle, e o tecto do choro pintado de brutesco"; e ainda    capelas, altares, púlpitos, pedestais, além da limpeza do ouro de vários retábulos,    estofar imagens e fazer "de nouo noue paineis estureados quatro delles com a    vida de Santo Andre, e os sinco com Paços da Sagrada escriptura". V. Serrão    menciona Bernardo Costa Barradas como um dos outorgantes desta escritura, o    que não se verifica (<i>op. cit.</i>, p. 99); ANTT, <i>1º Cartório Notarial    de Lisboa, Livro de Notas</i>, Ofício B, cx. 52, liv. 580, f. 47v.-49. Em 1740-1741    J. C. Ribeiro dourou e pintou grande parte da talha da igreja do Convento do    Salvador, que sofreu grandes obras naquela década.</p>     <p><a href="#top26"><sup>26</sup></a><a name="26"></a> ANTT, <i>1º Cartório Notarial    de Lisboa, Livro de Notas</i>, Ofício B, cx. 52, liv. 582, f. 35v.-37 (Cfr.    MATOS, José Sarmento de; PAULO, Jorge Ferreira - Guia Histórico do Caminho do    Oriente. vol. II, p. 70-71). </p>     <p><a href="#top27"><sup>27</sup></a><a name="27"></a> ANTT, <i>1º Cartório Notarial    de Lisboa, Livro de Notas</i>, Ofício B, cx. 52, liv. 583, f. 83-84. Vítor Serrão    coloca os dois pintores a trabalhar na igreja de Santo André confundindo esta    escritura com um outro contrato de obra referente apenas ao pintor J. C. Ribeiro,    levando-o a considerações sem fundamento sobre BCB. Cfr. op. cit., p. 99.</p>     <p><a href="#top28"><sup>28</sup></a><a name="28"></a> Plácido Castanheda de Moura    esteve na origem toponímica do largo do Contador Mor, na antiga freguesia de    Sant'Iago, onde adquiriu uma propriedade depois de vender as casas e hortas    na Bemposta, devido à construção do palácio de D. Catarina de Bragança.</p>     <p><a href="#top29"><sup>29</sup></a><a name="29"></a> ANTT, <i>Registo Geral    de Testamentos</i>, liv. 147, f. 46v.</p>     <p><a href="#top30"><sup>30</sup></a><a name="30"></a> Frei Agostinho de Santa    Maria (1642-1728) foi cronista da Ordem. Segundo MACHADO, Diogo Barbosa - <i>Bibliotheca    Lusitana</i>. Coimbra: Atlântida Editora, 1965. tomo I, p. 69-70, "recebeu o    hábito na igreja das religiosas do mesmo instituto situada no lugar do Grillo    suburbio de Lisboa, authorizando este acto com a sua presença a serenissima    Raynha D. Luiza Francisca de Gusmão insigne protectora da sua reforma, e foy    o primeiro noviço, que teve neste Reyno".</p>     <p><a href="#top31"><sup>31</sup></a><a name="31"></a> Copacabana significava    lugar e assento da pedra preciosa na língua dos índios peruanos. "Mas que pedra    mais preciosa, e peregrina, que Maria Santíssima?" – pergunta Frei Agostinho    – "não he pedra dura, mas pedra tão doce, que produz mel; porque produzio o    doce e suave Jesus" (Cfr. SANTA MARIA, Frei Agostinho de - Santuário Mariano.    Lisboa: Off. Antonio Pedrozo Galram, 1707. tomo I, p. 70).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top32"><sup>32</sup></a><a name="32"></a> Trazida do Peru pelo regressado    e enriquecido António Veiga que lhe dedicou uma capela com uma imagem que mandou    fazer segundo cópia trazida da vila de Copacabana. </p>     <p><a href="#top33"><sup>33</sup></a><a name="33"></a> SANTA MARIA, Frei Agostinho    de - <i>op. cit.</i>, p. 477-479.</p>     <p><a href="#top34"><sup>34</sup></a><a name="34"></a> ANTT, <i>1º Cartório Notarial    de Lisboa, Livro de Notas</i>, Ofício B, cx. 53, liv. 588, f. 93-94 (SERRÃO,    Vítor - op. cit., p. 99). </p>     <p><a href="#top35"><sup>35</sup></a><a name="35"></a> <i>Idem, ibidem</i>.</p>     <p><a href="#top36"><sup>36</sup></a><a name="36"></a> Mencionado por SOROMENHO,    Miguel - <i>op. cit.</i>, p. 212 (ANTT, S. Vicente de Fora, 2ª inc., docs. avulsos,    cx. 18, mç. 47, doc. 75).</p>     <p><a href="#top37"><sup>37</sup></a><a name="37"></a> ANTT, <i>1º Cartório Notarial    de Lisboa, Livro de Notas</i>, Ofício A, cx. 103, liv. 465, f. 42v.-43v. </p>     <p><a href="#top38"><sup>38</sup></a><a name="38"></a> ANTT, <i>7º Cartório Notarial    de Lisboa, Livro de Notas</i>, Ofício A, cx. 81, liv. 479, f. 16v.-17v.</p>     <p><a href="#top39"><sup>39</sup></a><a name="39"></a> ANTT, <i>7º Cartório Notarial    de Lisboa, Livro de Notas</i>, Ofício A, cx. 82, liv. 481, f. 25v.-26.</p>     <p><a href="#top40"><sup>40</sup></a><a name="40"></a> ANTT, <i>7º Cartório Notarial    de Lisboa, Livro de Notas</i>, Ofício A, cx. 81, liv. 479, f. 17v.-20.</p>     <p><a href="#top41"><sup>41</sup></a><a name="41"></a> ANTT, <i>7º Cartório Notarial    de Lisboa, Livro de Notas</i>, Ofício A, cx. 81, liv. 479, f. 18v.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top42"><sup>42</sup></a><a name="42"></a> ANTT, <i>1º Cartório Notarial    de Lisboa, Livro de Notas</i>, Ofício B, cx. 61, liv. 626, f. 44v.-46 (SERRÃO,    Vítor - op. cit., p. 99).</p>     <p><a href="#top43"><sup>43</sup></a><a name="43"></a> ANTT, <i>1º Cartório Notarial    de Lisboa, Livro de Notas</i>, Ofício B, cx. 62, liv. 630, f. 81-82 (SERRÃO,    Vítor - op. cit., p. 100). &#9;</p>     <p><a href="#top44"><sup>44</sup></a><a name="44"></a> ANTT, <i>Registo Geral    de Testamentos</i>, liv. 240, f. 124v.-127v.</p>     <p><a href="#top45"><sup>45</sup></a><a name="45"></a> ANTT, <i>Inventários Post    Mortem</i>, mç. 59, nº 7, f. 230-232. Esta certidão foi passada em pública-forma    pelo tabelião Manuel Inácio da Silva Pimenta, em 29 de agosto de 1748, e posteriormente    por Félix José Guilherme, escrivão dos órfãos de Alfama.</p>     <p><a href="#top46"><sup>46</sup></a><a name="46"></a> Jaelsen Trindade começa    por afirmar no seu ensaio (<i>op. cit.</i>, p. 109 e 115), a partir do testamento    de Bernardo Costa Barradas, que "foram feitas obras nos anos de 1740, mas ainda    falta apurar quais foram elas". Contudo, prosseguindo, sem suporte documental,    acaba por considerar que as "4 grandes telas da vida de S. João Batista, que    compõem a obra «do seu ofício de pintor» para Alcochete, tiveram um pagamento    razoável, até mesmo elevado". Vítor Serrão (op. cit., p. 97) seguiu esta linha    escrevendo que "a identidade precisa foi dada a conhecer pelo historiador de    arte brasileiro Jaelson Bitran Trindade, em 1998, num notável ensaio onde revelou    a documentação relativa à factura dessas telas, que se mantinham sob perturbador    anonimato". Ora, chamando o testamento à colação nada de específico se vislumbra    sobre o trabalho de Barradas. Nem qualquer outro documento conhecido corrobora    tal autoria, nem tão pouco alude a qualquer fatura. Assim sendo, as telas persistem    teimosamente anónimas.</p>     <p><a href="#top47"><sup>47</sup></a><a name="47"></a> José Estevam refere que    "nas reparações em 1908, as Obras Públicas substituíram o teto de castanho por    casquinha, segundo consta na vila" (Cfr. A restauração da Igreja Matriz de Alcochete.    Lisboa: Couto Martins, 1948. p. 103). Cfr. Boletim da Direcção Geral dos Edifícios    e Monumentos Nacionais. Lisboa: [s.n.]. Nº 33 (1943), p. 23. Refira-se ainda    que no teto da nave central contam-se hoje 24 painéis e não os 27 contabilizados    por Mardel.</p>     <p><a href="#top48"><sup>48</sup></a><a name="48"></a> ANTT, <i>1º Cartório Notarial    de Lisboa, Livro de Notas</i>, Ofício B, cx. 64, liv. 640, f. 14v.-15.</p>     <p><a href="#top49"><sup>49</sup></a><a name="49"></a> Vítor Serrão noticiou várias,    contudo, a sua menção a "empréstimos a juro de altos quantitativos, que atestam    um estatuto social de alguma relevância", suscita ambiguidade quanto à posição    de Bernardo Costa Barradas no empréstimo (op. cit., p. 98). Clarifique-se que    o pintor foi prestacionista na maioria dos empréstimos.</p>     <p><a href="#top50"><sup>50</sup></a><a name="50"></a> ANTT, <i>1º Cartório Notarial    de Lisboa, Livro de Notas</i>, Ofício B, cx. 61, liv. 628, f. 97-98v. Vítor    Serrão afirma que "as religiosas do Mosteiro de Santa Apolónia contratam Barradas    para realizar pinturas nesse convento" (op. cit., p. 100). Ora, esta escritura    corresponde a um simples empréstimo, sem qualquer referência a obra ou pintura.</p>     <p><a href="#top51"><sup>51</sup></a><a name="51"></a> ANTT, <i>1º Cartório Notarial    de Lisboa, Livro de Notas</i>, Ofício B, cx. 62, liv. 630, f. 81-82. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top52"><sup>52</sup></a><a name="52"></a> ANTT, <i>1º Cartório Notarial    de Lisboa, Livro de Notas</i>, Ofício B, cx. 63, liv. 634, f. 16-16v. Vítor    Serrão considera tratar-se de um novo empréstimo, quando na realidade se trata    de um "lançado em nota" de dois recibos; indica o dia 3, quando foi 13 de agosto;    refere a participação de João da Silva das Candeias, mas o nome é José (op.    cit., p. 100). </p>     <p><a href="#top53"><sup>53</sup></a><a name="53"></a> ANTT, <i>1º Cartório Notarial    de Lisboa, Livro de Notas</i>, Ofício B, liv. 632, f. 100-101v.</p>     <p><a href="#top54"><sup>54</sup></a><a name="54"></a> Jaelson Trindade revela    um rol de produtos adquiridos a José Lino Vermeule (<i>op. cit.</i>, p. 111).</p>     <p><a href="#top55"><sup>55</sup></a><a name="55"></a> Contraíra outro empréstimo    em 1738, após a obra de S. Vicente de Fora, de 225.000 reis, comprometendo-se    a pagar juros anuais e a devolver o principal da dívida em três meses após ser    solicitado a fazê-lo. Como garantia deixou a "propriedade de cazas nouas que    elle deuedor possui na dita Traueça da veronica"; ANTT, 1º Cartório Notarial    de Lisboa, Livro de Notas, Ofício B, liv. 598, f. 3-4v. e 4v.-6v.</p>     <p><a href="#top56"><sup>56</sup></a><a name="56"></a> ANTT, <i>1º Cartório Notarial    de Lisboa, Livro de Notas</i>, Ofício B, cx. 61, liv. 626, f. 45. </p>     <p><a href="#top57"><sup>57</sup></a><a name="57"></a> Foi o caso da situação    que originou a queixa de vários artífices (pintores, escultores, entalhadores,    latoeiros) ao arquiteto mor, João Frederico Ludovice, credores do Senado da    Câmara pelos trabalhos de pintura e dourado realizados em colunatas e toldos    aquando da procissão do Corpus Christi de 1719, continuando à espera do pagamento    ao fim de ano e meio (AML, Livro 8º de Consultas e Decretos de D. João V do    Senado Oriental, f. 170-227).</p>     <p><a href="#top58"><sup>58</sup></a><a name="58"></a> ANTT, <i>1º Cartório Notarial    de Lisboa, Livro de Notas</i>, Ofício B, cx. 53, liv. 588, f. 34v.-35v. Vítor    Serrão, ao contrário, refere este documento como um empréstimo ("de 32000.000    rs") feito pelo Barradas "para usufruto da dita irmandade", datando-o de 19    de junho, e menciona o Dr. Francisco Gomes como tesoureiro da irmandade (op.    cit., p. 99). Na verdade, era o promotor dos resíduos do Arcebispado Oriental,    em cuja casa se realizou a escritura, que ficaria distratada em 9 de janeiro    de 1738.</p>     <p><a href="#top59"><sup>59</sup></a><a name="59"></a> ANTT, <i>1º Cartório Notarial    de Lisboa, Livro de Notas</i>, Ofício B, cx. 53, liv. 588, f. 62v.</p>     <p><a href="#top60"><sup>60</sup></a><a name="60"></a> ANTT, <i>1º Cartório Notarial    de Lisboa, Livro de Notas</i>, Ofício B, cx. 64, liv. 640, f. 14v.-15.</p>     <p><a href="#top61"><sup>61</sup></a><a name="61"></a> ANTT, <i>1º Cartório Notarial    de Lisboa, Livro de Notas</i>, Ofício B, cx. 64, liv. 640, f. 14v.&#9;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top62"><sup>62</sup></a><a name="62"></a> ANTT, <i>Registo Geral    de Testamentos</i>, liv. 240, f. 124v.-127v. </p>     <p><a href="#top63"><sup>63</sup></a><a name="63"></a> ANTT, <i>Inventários Post    Mortem</i>, mç. 59, nº 7, f. s/nº.</p>     <p><a href="#top64"><sup>64</sup></a><a name="64"></a> TRINDADE, Jaelson Bitran    - <i>op. cit.</i>, p. 112.</p>     <p><a href="#top65"><sup>65</sup></a><a name="65"></a> ANTT, <i>Registos Paroquiais,    Santa Engrácia, Óbitos</i>, liv. 5, f. 42v.</p>     <p><a href="#top66"><sup>66</sup></a><a name="66"></a> ANTT, <i>1º Cartório Notarial    de Lisboa, Livro de Notas</i>, Ofício B, cx. 49, liv. 566, f. 89-91v. e 91v.-92v.</p>     <p><a href="#top67"><sup>67</sup></a><a name="67"></a> ANTT, <i>1º Cartório Notarial    de Lisboa, Livro de Notas</i>, Ofício B, cx. 51, liv. 576, f. 35v.-36 (SERRÃO,    Vítor - op. cit., p. 98).</p>     <p><a href="#top68"><sup>68</sup></a><a name="68"></a> Arquivo Histórico do Tribunal    de Contas (AHTC), <i>Décima da Cidade, Livros de Arruamentos</i>, mç. 421.</p>     <p><a href="#top69"><sup>69</sup></a><a name="69"></a> AML, <i>Livro de Cordeamentos    de 1730-1737</i>, f. 456-457v.</p>     <p><a href="#top70"><sup>70</sup></a><a name="70"></a> <i>Idem, ibidem</i>, f.    456v.</p>     <p><a href="#top71"><sup>71</sup></a><a name="71"></a> ANTT, <i>1º Cartório Notarial    de Lisboa, Livro de Notas</i>, Ofício B, cx. 55, liv. 595, f. 31-32v. (SERRÃO,    Vítor - op. cit., p. 100). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top72"><sup>72</sup></a><a name="72"></a> ANTT, <i>Inventários Post    Mortem</i>, mç. 59, nº 7, f. 128-128v. (TRINDADE, Jaelson Bitran - op. cit.,    p. 113).</p>     <p><a href="#top73"><sup>73</sup></a><a name="73"></a> AHTC, <i>Décima da Cidade,    Livros de Arruamentos</i>, mç. 421, 422, 423.</p>     <p><a href="#top74"><sup>74</sup></a><a name="74"></a> ANTT, <i>Inventários Post    Mortem</i>, mç. 59, nº 7, f. 227.</p>     <p><a href="#top75"><sup>75</sup></a><a name="75"></a> ANTT, 8º Cartório Notarial    de Lisboa, <i>Livro de Notas</i>, cx. 1, liv. 2, f. 52v.-53v.</p>     <p><a href="#top76"><sup>76</sup></a><a name="76"></a> Conheceu entretanto vários    proprietários até ao 2º quartel do século XIX: D. Inês Maria de Barros, D. Ana    Aires de Miranda, Padre Miguel Rodrigues Abranches, António Ribeiro da Costa    (AHTC, <i>Décima da Cidade, Livros de Arruamentos</i>, mç. 424 a 462).</p>     <p><a href="#top77"><sup>77</sup></a><a name="77"></a> ANTT, <i>Registo Geral    de Testamentos</i>, liv. 240, f. 124v.-127v.</p>      ]]></body><back>
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