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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Largo do Carmo, 8 a 10: Um estudo de caso]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The viewer perspective on an old building can trigger multiple readings, so many times unexpected. Either the particular history of the building, always an unraveling bundle of interventions; its inclusion in an urban set of a specific area of the city; the surprise of discovering the personality of the builder and eventually of the architect; or even the successive destination of the property and its occupants. All these components are combined in the building number 8 to 10 in largo do Carmo. Inserted in Lisbon reconstruction after the 1755 Earthquake, it becomes relevant once we perceive that it is integrated in an entire city quarter and, above all, that the owner and promoter was Sebastião José de Carvalho e Melo, marquis of Pombal. It is focused, therefore, at the heart of a very particular time of Lisbon and leads us to take into account the private developers in that process, namely, in this case, the political protagonist of that unique moment in the history of Lisbon.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO</b></p>     <p><b>Largo do Carmo, 8 a 10. Um estudo de caso</b></p>     <p><b>Largo do Carmo, 8 to 10. A case study</b></p>     <p><b>José Sarmento de Matos*, Jorge Ferreira Paulo**</b></p>     <p>* Olisipógrafo. Depois de frequentar o curso de História da Faculdade de Letras    da Universidade de Lisboa e História de Arte da Universidade Nova de Lisboa,    tem-se dedicado ao estudo da arquitetura civil palaciana da cidade de Lisboa.    Nesta perspetiva desenvolveu igualmente trabalhos sobre urbanismo e história    geral da cidade. Tem várias obras publicadas sobre temáticas olisiponenses,    como “Uma Casa na Lapa” ou ”A Invenção de Lisboa” (2 vols.), entre outras. Colabora    atualmente em matérias históricas e patrimoniais com o Grupo de Trabalho da    Colina de Sant’Ana. Comissariou a exposição "Maresias" (2014) do Museu da Cidade.</p>     <p>Correio eletrónico: <a href="mailto:sarmentomatos@gmail.com">sarmentomatos@gmail.com</a></p>     <p>** Licenciado em História e mestre em Paleografia e Diplomática, com especialização    na escrita humanística, em cujo âmbito prossegue estudos. No campo da Olisipografia,    colaborou em vários periódicos e tem-se dedicado a estudos de caráter histórico    e patrimonial para entidades públicas e privadas, com particular incidência    em certas zonas de Lisboa, como a Lapa, Príncipe Real, Baixa Pombalina, São    Paulo, Mouraria, Colina de Sant'Ana e a zona oriental. Publicou em 2013, em    coautoria, <i>Um sítio na Baixa. A sede do Banco de Portugal.</i></p>     <p>Correio eletrónico: <a href="mailto:jfpaulo@netcabo.pt">jfpaulo@netcabo.pt</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A projeção do olhar sobre um edifício antigo pode desencadear múltiplas leituras,    quantas vezes inesperadas. Seja a história particular do prédio, sempre um amontoado    de intervenções por deslindar; seja, igualmente, a sua inserção num conjunto    urbano participante de uma zona específica da cidade; seja a surpresa decorrente    de conhecer a personalidade que o construiu ou, eventualmente, o arquiteto;    seja, ainda, o destino sucessivo do imóvel, bem como os seus ocupantes. Todas    estas componentes se conjugam no prédio nº 8 a 10 do largo do Carmo. Inserido    no processo de reconstrução de Lisboa após o terramoto de 1755, ganha relevo    por se perceber sem dificuldade que está compreendido numa urbanização de todo    um quarteirão e, sobretudo, que o proprietário e promotor se chama Sebastião    José de Carvalho e Melo, marquês de Pombal. Aponta-nos, pois, o cerne de um    tempo lisboeta muito concreto, o que obriga a ter em conta os promotores privados    nesse processo, neste caso o protagonista político desse momento charneira da    história de Lisboa.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>PALAVRAS-CHAVE</b></p>     <p>Lisboa / Largo do Carmo / Marquês de Pombal / Reconstrução</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>The viewer perspective on an old building can trigger multiple readings, so    many times unexpected. Either the particular history of the building, always    an unraveling bundle of interventions; its inclusion in an urban set of a specific    area of the city; the surprise of discovering the personality of the builder    and eventually of the architect; or even the successive destination of the property    and its occupants. All these components are combined in the building number    8 to 10 in<i> largo do Carmo</i>. Inserted in Lisbon reconstruction after the    1755 Earthquake, it becomes relevant once we perceive that it is integrated    in an entire city quarter and, above all, that the owner and promoter was Sebastião    José de Carvalho e Melo, marquis of Pombal. It is focused, therefore, at the    heart of a very particular time of Lisbon and leads us to take into account    the private developers in that process, namely, in this case, the political    protagonist of that unique moment in the history of Lisbon.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>KEYWORDS</b></p>     <p>Lisbon / <i>Largo do Carmo</i> / Marquis of Pombal / Reconstruction</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>PREÂMBULO</b></p>     <p>O período posterior ao terramoto de 1755 é marcado pela forte intervenção do    poder régio absolutista na definição dos critérios urbanísticos e arquitetónicos    da cidade de Lisboa, então como nunca entendida como cabeça do reino. Além de    regular ao pormenor o traçado da cidade nova, impõe regras estritas aos construtores    particulares, quer nos prospetos arquitetónicos, quer nos modos de construção,    quer, ainda, nos detalhes decorativos. A prática costumeira de cada qual dispor    da liberdade de construir a sua casa como entendia, dentro, claro, de algumas    normas aceites – caso da obediência genérica à largura predefinida das vias    públicas –, é transformada na obrigação de todos se conformarem às diretrizes    do poder político, que a si mesmo se entende como divinamente iluminado e, por    consequência, imperativo na normatividade e totalitário nas decisões. </p>     <p>A capital do reino transforma-se no espelho em que o poder se revê, de uma    forma de tal maneira globalizante e determinada que, na verdade, não tem nenhum    outro exemplo contemporâneo. A chamada Lisboa pombalina é, portanto, o mais    significativo exemplo de tentativa de conformação dos arquétipos vivenciais    e estéticos de uma sociedade aos ditames do poder régio, que se arroga o direito    de ditar as regras segundo as quais todos, sem exceção – sejam altos aristocratas,    nobrezas intermédias ou a massa plebeia – têm de reger as suas vidas, afeiçoar    os seus gostos e balizar as suas decisões. </p>     <p>Esta verdadeira revolução nos hábitos e nas coordenadas estéticas dos lisboetas    teve, naturalmente, os seus protagonistas, que, no que à construção diz respeito,    se identificam por hábito com os engenheiros militares que deram corpo ao ideário    do poder a partir dos estiradores da Sala do Risco, entre os quais se destacam    as figuras de proa do período de arranque desse complexo processo – Manuel da    Maia, Eugénio dos Santos e Carvalho e Carlos Mardel<a href="#1"><sup>1</sup></a><a name="top1"></a>.  </p>     <p>No entanto, para ser completo o quadro de referências deste período <i>sui    generis</i> é necessário, igualmente, ter em atenção alguns dos construtores    particulares, com especial ênfase para a figura tutelar deste processo gigantesco,    o ministro todo-poderoso, Sebastião José de Carvalho e Melo, conde de Oeiras    e marquês de Pombal. As suas intervenções prediais mais significativas, entre    outras adiante mencionadas – o conjunto urbanístico da rua Formosa (hoje do    Século), no largo de São Paulo, nas Pedras Negras (junto à Madalena e à Sé)    –, revelam-se momentos determinantes desta viragem de paradigmas construtivos,    ganhando mesmo um caráter modelar. Pombal não se limitou a exigir, mas deu também    o exemplo da forma como cada qual, na sua esfera pessoal, devia contribuir para    se atingir o ideal absolutista de uma cidade uniforme, quer na orgânica da vida,    quer nas definições estéticas de um gosto comum.</p>     <p>A sua última intervenção é neste enquadramento que ganha sentido. Senhor, por    vias algo ínvias, do grande quarteirão fronteiro ao convento do Carmo, o marquês    inicia em 1776 o processo urbanístico de que vai resultar o aspeto atual desse    conjunto. O facto de abandonar o poder no ano seguinte (1777) não lhe permitiu    acompanhar o desenrolar da obra, pelo que a mesmo se arrastou no tempo, com    as inevitáveis modificações sucessivas de cada um dos prédios que compõem a    urbanização. </p>     <p>É um desses prédios, propriedade da Fundação AJB - A Junção do Bem, que é objeto    do estudo que se segue, encomendado pela mesma entidade para acompanhar e sustentar    o processo de obras de reabilitação que nele pretende desenvolver. Ficam aqui    os agradecimentos à Fundação pela autorização para a divulgação pública deste    trabalho que, nas suas limitações, permite chamar a atenção para a intervenção    predial de Pombal e, sobretudo, completa, com novas contribuições documentais    e precisões de leitura, o notável trabalho de Gustavo de Matos Sequeira, <i>O    Carmo e a Trindade</i>, obra maior da olisipografia<a href="#2"><sup>2</sup></a><a name="top2"></a>.  </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>INTRODUÇÃO</b></p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n2/ser2n2a10f1.jpg">      
<p>&nbsp;</p>     <p>Como é frequente na construção das áreas antigas da cidade, cada prédio é um    caso que esconde frequentemente um novelo construtivo por vezes difícil de deslindar.    O edifício objeto deste estudo não foge a esta constatação, uma vez que, e apesar    do aspeto uno e comum que exibe exteriormente, quase se diria vulgar, basta    passar a porta de entrada para o largo do Carmo para se perceber que a evolução    do edificado é complexa, desmentindo à primeira observação o caráter linear    e escorreito que o exterior sugere, pois, na verdade, o seu invólucro, diga-se    assim, pouco ou nada corresponde ao que se observa no interior. O vestíbulo    principal, de acesso à escada do prédio, apresenta uma cobertura linear, com    vigamentos retilíneos, de construção simplificada. Mas bastará olhar para a    parede lateral esquerda para se constatar que a mesma acaba de forma estranha,    enviesada e cortada em chanfro. Além disso, a porta ampla que dá acesso à divisão    seguinte apresenta largas e sólidas cantarias, mais habituais em aberturas exteriores    que interiores. Na verdade, as divisões a que essa porta dá acesso são revestidas    por tetos abobadados, sustentados em sólidos pilares que denotam alguma antiguidade    e, sobretudo, nada têm a ver com o modelo construtivo de vigamento da parte    fronteira do prédio sobre o largo do Carmo. </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n2/ser2n2a10f2.jpg">      
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n2/ser2n2a10f3.jpg">      
<p>&nbsp;</p>     <p>Portanto, logo à entrada, está desperto o apetite para a componente detetivesca    que a realidade imbricada da construção de Lisboa tem o condão de aguçar. As    surpresas continuam. Ao lado do vestíbulo existe uma outra entrada a partir    da rua que dá acesso a um corredor que, inesperadamente, inflete para a direita    e passa a correr sob o prédio lateral, levantando de imediato a suspeita que    as duas propriedades, hoje de senhorios diversos, tiveram na origem o mesmo    construtor, pois só assim se compreende que exista essa "promiscuidade", passe    a expressão, entre os dois edifícios. Esse corredor estreito desemboca num pátio    quadrado que, ao fundo, é fechado por uma construção sólida e antiga, que, no    interior, apresenta duplo pé-direito coberto por estrutura abobadada. Olhando    com atenção para a vista aérea acima inserida, facilmente se constata que essa    dependência no pátio se prolonga por detrás dos outros prédios vizinhos, no    centro do miolo de todo o quarteirão, reforçando--se deste modo a ideia de um    mesmo projeto original, isto é de um mesmo proprietário construtor do conjunto.    Ou seja, todo o quarteirão – com frentes para o largo do Carmo e o atual largo    Rafael Bordalo Pinheiro (antigo da Abegoaria) e limitado lateralmente pela rua    da Trindade e pela travessa do Carmo – resulta da intervenção posterior ao terramoto    de 1755 e parece obedecer a idêntico padrão, o que indicia o mesmo proprietário.  </p>     <p>Esta perceção é depressa confirmada, quer pela busca documental, quer pela    leitura de <i>O Carmo e a Trindade</i>, obra-mestra de Gustavo de Matos Sequeira,    que facilita a despistagem de várias das questões colocadas pela construção,    bem como ajuda a esclarecer a evolução urbanística desta vasta área, cujas informações    mais longínquas remontam aos finais do século XIII, reinando D. Dinis, e se    consolida após a construção do convento do Carmo e a urbanização da sua envolvente,    que irá germinando a partir do século XV, até que o sismo de 1755 ponha em causa    a imagem construída, levando a regra e o esquadro da Sala do Risco a determinar    um novo traçado retilíneo da malha urbana, como ainda o podemos apreciar, substituindo    o caráter acidental e empírico das pré-existências<a href="#3"><sup>3</sup></a><a name="top3"></a>.    Mas, observando com minúcia o prédio em questão toma-se consciência que, como    acontece noutras zonas da cidade, incluindo na Baixa, no processo de reconstrução    pós-terramoto, apesar dos seus parâmetros tão rígidos, se aproveitou sempre    tudo o que era possível aproveitar, desde que permitisse encaixar-se na definição    arrumada da nova estrutura viária geométrica então definida<a href="#4"><sup>4</sup></a><a name="top4"></a>.  </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Todo este novelo ganha rapidamente um novo interesse quando a recolha documental    decorrente da investigação realizada nos afirma de forma incontestável que,    em boa verdade, todo o quarteirão foi iniciativa de um mesmo proprietário, cujo    nome vem dar sainete a este prédio aparentemente tão comum: Sebastião José de    Carvalho e Melo, marquês de Pombal. A veia imobiliária do célebre marquês, que    o transformou em um dos maiores proprietários fundiários de Lisboa, não só se    exerceu na rua Formosa (do Século), nas Janelas Verdes, em São Paulo, na Madalena/Sé,    como também aqui no Carmo, através da construção deste enorme quarteirão, a    partir de 1776, pouco antes da sua morte política, consequência da morte física    de D. José, em 1777<a href="#5"><sup>5</sup></a><a name="top5"></a>. </p>     <p>&nbsp;</p> <a href ="/img/revistas/cam/vser2n2/ser2n2a10f4.jpg" target="_blank">Figura  4</a>      
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f5"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n2/ser2n2a10f5-6.jpg">      
<p>&nbsp;</p>      <p>Reforçam-se, deste modo – de forma se diria inesperada –, os motivos de interesse    na apreciação desta construção, quase anódina para o transeunte pela vulgarização    repetitiva do padrão predial pombalino. Mas, pelos vistos, valerá bem a pena    o esforço da atenção, pois é sabido que qualquer peça, por mais banal, poderá    sempre dar lastro a cruzamentos imprevisíveis na história da cidade. </p>     <p>Nesta ordem de ideias, de seguida definem-se três pontos de abordagem desta    construção e das questões que ela coloca. Em primeiro lugar, a evolução construtiva    da área em questão, com especial ênfase neste quarteirão, focando sobretudo    as alterações decorrentes da intervenção pós-terramoto. Em segundo lugar, a    evolução da propriedade e a forma como chegou à posse de Pombal, procurando    seguir a sua tramitação e subdivisão após a venda em 1805. E, por fim, compreender    a evolução e a estrutura atual do prédio em estudo, uma vez autonomizado, procurando    determinar as diversas alterações ao longo dos séculos XIX e XX. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ENTRE O CARMO E A TRINDADE</b></p>     <p>&nbsp;</p> <a href ="/img/revistas/cam/vser2n2/ser2n2a10f7.jpg" target="_blank">Figura  7</a>      
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a href ="/img/revistas/cam/vser2n2/ser2n2a10f8.jpg" target="_blank">Figura  8</a>      
<p>&nbsp;</p>     <p>A primeira destas plantas fornece com alguma fidelidade, devido ao trabalho    de consulta realizado por Matos Sequeira no "Tombo da cidade", levantado após    o terramoto, o traçado desta zona em 1755, bem como a divisão das propriedades    que compunham este conjunto complexo e irregular.</p>     <p>As principais referências da zona são os grandes conventos da Trindade (iniciado    no século XIII) e do Carmo (início do século XV), e mais tarde a nova paroquial    do Sacramento, na calçada do mesmo nome. Ao centro da planta é sensível a existência    de um quarteirão irregular, delimitado a sul pela esquinada rua da Marquesinha    (assim chamada por ser ali o palácio dos marqueses de Arronches, depois duques    de Lafões), a poente pela rua do Arcebispo, a nascente pela rua da Oliveira,    então prolongada para sul, e a norte pela calçadinha da Trindade, que ligava    os adros das duas grandes casas conventuais. Ao centro deste conjunto irregular    corria, nascente/poente, uma outra via, bastante estreita, que permitia a circulação    entre a rua da Oliveira e a do Arcebispo. Do lado nascente esta via era coberta    por um arco ou passadiço, que ligava as duas partes de uma mesma propriedade,    a maior da zona, pelo que essa pequena serventia se chamava do Arco, denominação    que foi variando consoante os sucessivos proprietários: do capitão de Ginetes,    um D. João de Mascarenhas, no século XVI, e depois do Melo, devido a Simão de    Melo de Magalhães, que viria a vincular a propriedade, morgadio esse que tanta    tinta faria correr como adiante se relatará<a href="#6"><sup>6</sup></a><a name="top6"></a>.    Na planta em apreço, Matos Sequeira já chama à propriedade Casa do Passadiço    do marquês de Pombal. </p>     <p>Convirá acentuar, para melhor se compreender a malha de hoje em dia, que o    largo do Carmo era então bem diverso na sua delimitação. Havia uma acentuada    diferença de cota entre o nível da rua da Oliveira e o adro primitivo, bastante    mais estreito e longilíneo. Depois do terramoto esse troço da rua da Oliveira    desapareceu, com a demolição das construções do seu lado nascente, e o desnível    foi aplainado através do enterramento da fachada do Carmo, cujo portal principal    só recentemente voltou à cota original através do rebaixamento de parte do terreno    fronteiro. Além disso, como bem se percebe na leitura das plantas sobrepostas,    o quarteirão central avançou os seus limites nascentes, ocupando grosso modo    a largura desse troço antigo da rua da Oliveira. Aliás o mesmo se passou a poente,    absorvendo boa parte do terreno da antiga rua do Arcebispo. </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f9"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n2/ser2n2a10f9.jpg">      
<p>&nbsp;</p>     <p>Após o terramoto, a planta mestra de Eugénio dos Santos/Carlos Mardel (1758)    propõe um novo traçado urbanístico para toda a zona, através da uniformização    geométrica quer do largo fronteiro ao Carmo quer do grande quarteirão poente,    através do traçado retilíneo da antiga travessa da Marquezinha (hoje do Carmo)    e do alinhamento da rua da Trindade. Para o lado poente mantém uma via única,    e não é previsto então qualquer largo, mais tarde aberto, embora tente alinhar    a rua do Arcebispo.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f10"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n2/ser2n2a10f10.jpg">      
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>No entanto, o mais relevante é que embora faça desaparecer o troço da rua da    Oliveira, alargando deste modo o largo do Carmo, não prevê o aumento do quarteirão    através da ocupação do antigo leito desse mesmo troço da rua da Oliveira, como    depois igualmente se passará a poente, relativamente à rua do Arcebispo. Portanto,    entre 1758, data desta planta mestra da reconstrução de Lisboa, e 1776, quando    se iniciam as obras do marquês de Pombal no seu quarteirão, dá-se uma alteração    significativa das dimensões deste pelo avanço que resulta da ocupação do terreno    das duas antigas ruas a nascente e poente, talvez em compensação pelas áreas    cortadas quer a sul, na travessa do Carmo, quer a norte, na depois denominada    rua da Trindade.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f11"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n2/ser2n2a10f11.jpg">      
<p>&nbsp;</p>     <p>Outra novidade decorrente deste projeto de 1758 é a concentração do quarteirão    através do desaparecimento da antiga rua do Arco, ou do Passadiço, que anteriormente    o cortava sensivelmente a meio.</p>     <p>Por uma conjugação de fatores que adiante se explicarão com mais detalhe, à    data do terramoto a principal propriedade deste grande quarteirão, a casa do    Arco ou do Passadiço, também chamado palácio do marquês de Montalvão, como se    dirá, pertencia ao secretário de estado Sebastião José de Carvalho e Melo, ainda    talvez longe de imaginar que em 1759 seria já conde de Oeiras e, dez anos depois,    marquês de Pombal. </p>     <p>Mediante uma série de expedientes financeiros e benesses régias, Sebastião    José consolida o conjunto através da aquisição de todos os lotes que envolviam    a sua propriedade original, até deter a globalidade do novo quarteirão retilíneo    definido pela reconstrução<a href="#7"><sup>7</sup></a><a name="top7"></a>.    E, fazendo fé na planta acima de Eugénio dos Santos (1758), consegue mesmo expandir    o terreno através da ocupação dos antigos leitos das ruas da Oliveira e do Arcebispo,    a nascente e poente, respetivamente, tornando talvez mais proporcionadas as    dimensões do largo do Carmo, então significativamente alteado, certamente à    cota anterior da mesma rua da Oliveira. </p>     <p>Todo este processo determina que só em 1776 o marquês dê início às obras de    execução do vasto projeto, razão pela qual o mesmo ficou bastante longe da unidade    formal que revelam as outras intervenções diretas de Pombal,<a href="#8"><sup>8</sup></a><a name="top8"></a>    seja na rua Formosa, seja nos dois quarteirões ainda intactos de São Paulo e    da Madalena/Sé ou nas ruas da Alfândega e de São Paulo<a href="#9"><sup>9</sup></a><a name="top9"></a>.    Logo no ano seguinte, a morte do rei leva à sua demissão, pelo que a construção    se terá arrastado já sem a unidade arquitetónica global, de início por certo    pretendida, da qual o proponente, desterrado em Pombal, onde morre em 1782,    seria o garante. </p>     <p>Como se verá adiante, só alguns dos prédios se finalizaram de seguida, ficando    outros incompletos até bastante mais tarde, sofrendo diversas obras e acrescentos.    Apesar de revelarem uma vaga familiaridade ditada pela referência genérica dos    modelos pombalinos, todas estas unidades prediais apresentam diferenças acentuadas,    quer nos prospetos – número de andares, sótãos, etc. –, quer nos acabamentos    exteriores, como cantarias e gradeamentos de sacadas.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>AS QUERELAS EM TORNO DE UM MORGADIO</b></p>     <p>Como atrás se referiu, o proprietário das casas do Arco em finais do século    XVI era Simão de Melo de Magalhães, ou simplesmente Simão de Melo, como é habitualmente    mencionado. Era sobrinho de Lopo Vaz de São Paio (hoje mais prosaicamente dito    Sampaio), controverso governador da Índia, e, como tal, andou com o tio pelos    orientes, sendo capitão de Malaca. De lá terá trazido algum pé-de-meia, e, chegado    a Lisboa comprou aos herdeiros do capitão de Ginetes a boa propriedade da rua    da Oliveira, ao Carmo, dividida pela estreita via do Arco, assim chamada devido    ao passadiço que unia as duas partes das casas nobres, como então se dizia.  </p>     <p>Reunindo outras propriedades em diversos lugares, e um outro morgadio instituído    pelo pai, Pedro de Magalhães, Simão de Melo instituiu novo vínculo, tendo por    cabeça as ditas casas e uma capela no vizinho convento de São Francisco, adquirida    para sua sepultura. O primeiro morgado foi seu filho, Manuel de Melo de Magalhães,    também militar, o qual deixou uma filha única e herdeira, D. Francisca. Esta,    2ª administradora do morgadio, casou com D. Jorge Mascarenhas, 1º conde de Castelo    Novo e 1º marquês de Montalvão, figura notável do seu tempo, 1º vice-rei do    Brasil, que viria a ser preso e condenado após a Restauração, devido à fuga    para Castela da mulher e de alguns dos filhos. Dado este casamento, o palácio    foi então designado dos marqueses de Montalvão. </p>     <p>Como se tivesse extinguido toda a descendência dos referidos titulares em finais    do mesmo século, a sucessão do morgadio, segundo as cláusulas da instituição,    foi parar ao descendente varão mais velho da única irmã do instituidor, o referido    Simão de Melo, chamada D. Violante de Magalhães. Fora esta casada com Gonçalo    Pires Coelho, senhor de Felgueiras, sendo ao tempo o mais velho varão descendente    deste casal, aliás por via feminina, Martim Teixeira Coelho, senhor de Teixeira    e Sergude, opulento fidalgo nortenho<a href="#10"><sup>10</sup></a><a name="top10"></a>.    O referido Martim entrou na posse do vínculo (1705), e nele estava "posto em    sossego", como diria o poeta, quando é confrontado com a reclamação de posse    do morgadio, entreposta por Sebastião de Carvalho e Melo, morgado da rua Formosa,    em Lisboa, que alegava que o vínculo lhe pertencia pois era descendente de Gaspar    Leitão Coelho, filho varão, afirmava perentório o Carvalho e Melo, dos referidos    Gonçalo Pires Coelho e D. Violante de Magalhães, que naturalmente precedia a    irmã, avó do senhor de Teixeira<a href="#11"><sup>11</sup></a><a name="top11"></a>.  </p>     <p>Pode dizer-se com propriedade que esta dedução genealógica caiu como "O Carmo    e a Trindade" no intrincado meio dos genealogistas, que, em pouco tempo, consoante    as simpatias pessoais ou as afinidades políticas, correram pressurosos a apoiar    cada qual a sua parte litigante. Diga-se, em abono da verdade, que a filiação    em tronco tão fidalgo do tal Gaspar Leitão, que o descendente chamava também    Coelho, parecia algo delirante, dada a sua própria condição social conhecida    na Terra da Feira e o facto, nada despiciendo, de não constar nas tábuas genealógicas    dos senhores de Felgueiras, os descendentes de Egas Moniz e do célebre Pero    Coelho, o "carrasco" da linda Inês, nenhum Gaspar Leitão, já que o apelido familiar    era, e fora sempre, somente Coelho. E nem se diga que eram factos muito antigos    e se perdera a memória pois o dito Gaspar Leitão vivera em finais do século    XVI, portanto em tempos relativamente recentes, pelo que essas memórias de parentescos    podiam estar ainda bem vivas.</p>     <p>A questão seguiu os seus trâmites, com intermináveis alegações, persistindo    os morgados da rua Formosa nas suas pretensões à posse do morgadio, nas pessoas    de Manuel de Carvalho e Ataíde, filho do referido Sebastião, apaixonado genealogista    – que não se livra da fama de falsário, forjando inúmeros documentos para sustentar    as suas alegações –, e depois do filho deste, Sebastião José de Carvalho e Melo,    que se tornaria o bem conhecido marquês de Pombal<a href="#12"><sup>12</sup></a><a name="top12"></a>.  </p>     <p>Portanto, a partir de 1750, data da nomeação deste último para secretário de    estado, para se tornar em breve o íntimo do monarca D. José, o destino da questão    do morgado do Carmo estava traçado. A sentença seria em breve revista e a posse    do vínculo atribuída ao novo homem forte da governação. Bem reclamaram Gonçalo    Cristóvão Teixeira Coelho de Melo Pinto Mesquita, senhor de Teixeira e Sergude,    do morgadio de Abaças (Vila Real) e da Casa do Bonjardim, no Porto, assim como    o jurista que apoiou a sua causa, Francisco Xavier Teixeira de Mendonça, autor    de uma suculenta obra impressa sobre os direitos do seu constituinte (a segunda,    depois do <i>Epílogo</i>...), com cerca de duzentas páginas recheadas de douta    argumentação, genealógica e jurídica, e ostentando o seguinte título pomposo    à moda do tempo: </p>     <p>Petição de revista, que pedio Gonçalo Cristóvão Teixeira Coelho de Mello Pinto    de Mesquita da sentença proferida a favor de Sebastião Joseph de Carvalho e    Mello, sobre os morgados, que instituirão Pedro de Magalhães, e seu filho Simão    de Mello: e por ficarem vagos por falta de descendentes dos últimos Marquezes    de Montalvão, se julgarão por final sentença no anno de 1705 a Martim Teixeira    Coelho de Mello, senhor donatario da villa da Teixeira, e de Sergude, avô do    supplicante feita por Francisco Xavier Teixeira de Mendonça<a href="#13"><sup>13</sup></a><a name="top13"></a>.  </p>     <p>Devido ao alarido então desencadeado, ambos acabaram presos, respetivamente    em 1756 e 1758. Gonçalo Cristóvão ficou na Junqueira até 1777, de onde saiu    após a ascensão de D. Maria I, tendo depois casado e tido geração. Quanto a    Teixeira de Mendonça, depois de passagem também pela prisão da Junqueira, foi    desterrado para Angola, onde morreu. Saiu-lhes cara a contestação à autoridade    férrea de Sebastião José, que neste caso alguns inimigos apelidaram de ganância    cega. Mas não deixa de ser curioso, como aliás assinala o genealogista Felgueiras    Gaio, que após a queda em desgraça de Pombal e a reabilitação de Gonçalo Cristóvão,    este não tenha voltado a reivindicar o disputado morgadio. Talvez tenha funcionado    em pleno a manigância de Pombal, transferindo propriedades entre morgadios,    como adiante se menciona, sempre com o superior beneplácito d’el-rei.</p>     <p>Portanto, na posse descansada das propriedades do Carmo, Sebastião José foi    tratando de conformar as mesmas com os novos limites traçados pela malha rigorosa    imposta pela Sala do Risco<a href="#14"><sup>14</sup></a><a name="top14"></a>.    Uma vez eliminada a antiga rua do Arco, que cortava a meio o antigo quarteirão,    tratou de adquirir todos os outros lotes que ficavam dentro dos limites destinados    a balizar a nova urbanização. Nesta conformidade, ainda em 2 de maio de 1773,    o já então marquês de Pombal arrematou diversas propriedades envolventes dos    terrenos afetos ao seu morgadio, constituindo um fundo de arrematação considerável<a href="#15"><sup>15</sup></a><a name="top15"></a>.    São referidas então as medidas de 227 palmos de frente, na travessa do Arcebispo,    por 114,65 palmos de fundo. Estas propriedades, sucessivamente arrematadas,    juntavam--se às que faziam frente para a antiga rua da Oliveira, agora largo    do Carmo, que já pertenciam ao marquês de Pombal – isto é, ao morgadio – de    acordo com a justificação que apresentou, devidamente comprovada por despacho    do desembargador dos agravos da Casa da Suplicação Jerónimo de Lemos Monteiro,    então o inspetor responsável pela inspeção dos bairros de Santa Catarina, Remolares,    Mocambo e Bairro Alto, em abril de 1774<a href="#16"><sup>16</sup></a><a name="top16"></a>.  </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a href ="/img/revistas/cam/vser2n2/ser2n2a10f12-13.jpg" target="_blank">Figura  12 e 13</a>      
<p>&nbsp;</p>     <p>Para reunir os capitais necessários para esta operação imobiliária de monta,    o marquês conseguiu autorização, através das indispensáveis provisões régias,    para poder vender bens vinculados fora de Lisboa, em especial integrantes do    seu morgadio familiar da rua Formosa, passando para a posse desse mesmo morgadio    as novas aquisições no Carmo<a href="#17"><sup>17</sup></a><a name="top17"></a>.  </p>     <p>Desta forma, o grande quarteirão passou a pertencer em boa parte ao morgadio    chamado dos Carvalhos da rua Formosa, tornando difícil a destrinça da pertença    entre os dois vínculos, o de Simão de Melo e o da rua Formosa. Aliás, em 1805,    quando o 2º marquês de Pombal pretende vender todo o quarteirão, já estava na    posse de uma provisão a autorizar a desanexação da propriedade do vínculo, que    lhe fora passada pelo então príncipe regente, D. João, não havendo então qualquer    especificação sobre de qual se trata, tendo portanto tudo já reunido num só<a href="#18"><sup>18</sup></a><a name="top18"></a>.    Parece, pois, poder inferir-se, sobretudo a partir da letra de uma das provisões    régias de 1776, que o marquês se acautelou relativamente à possibilidade de    se voltar a colocar judicialmente o problema da posse do morgadio em consequência    da instabilidade política do seu poder, integrando as casas do Carmo no morgado    da rua Formosa. </p>     <p>Além disso, em 21 maio de 1774, sob a orientação do sargento-mor Monteiro de    Carvalho, é feita a nova delimitação do conjunto afeto ao marquês de Pombal,    sendo o respetivo relatório bem explícito relativamente à integração no mesmo    do terreno anteriormente ocupado pela rua da Oliveira<a href="#19"><sup>19</sup></a><a name="top19"></a>,    sendo facultada a respetiva autorização de compra, prescrevendo-se: </p>     <p>(...) e feita a conta pello dito Sargento mor Emginheiro a toda a area dos    referidos dous chãos achou comportar treze mil duzentos vinte e sinco palmos    e noventa e sinco centessimos Superficiais, e sahir com frente de cento e quinze    palmos e vinte e seis centessimos com o fundo de cento e quatorze palmos e Setenta    e sinco centessimos, e como agora Se lhe adjudicão na frente da dita Praça do    Largo do Carmo duzentos e vinte e Sete palmos de frente com o dito fundo de    cento e quatorze palmos e Setenta e sinco centessimos deue comprar na dita frente    pera prehencher a dita adjudicação que se lhe faz cento e onze palmos e quatro    centessimos que multiplicados pello dito fundo faz huma area Superficial de    doze mil outocentos vinte e dous palmos e dezaseis centessimos, a qual adjudicação    se lhe faz em observancia de huma Portaria do Em.mo Cardeal da Cunha (…) Regedor    das Justiças e Jnspector geral desta Cidade (...)<a href="#20"><sup>20</sup></a><a name="top20"></a>.</p>     <p>Iniciada a construção em 1776, logo em 1777 já a propriedade (constituída como    unidade até à sua alienação em 1805) apresentava vários "quartos" edificados    – "consta de varios quartos", dizem os registos da <i>Décima da Cidade</i>,    mais concretamente quatro, todos arrendados a negociantes: João da Costa Soares,    Arnaldo Henriques Dormi (ou Dorme) e o desembargador Luís Rebelo Quintela, com    duas unidades prediais<a href="#21"><sup>21</sup></a><a name="top21"></a>. No    ano seguinte ficam concluídos os restantes, passando a propriedade a ser constituída    por seis quartos – "consta de seis quartos separados com loges de entrada dous    andares e agoas furtadas". </p>     <p>Os homens de negócio mantiveram-se como residentes, pagando elevadas rendas    (600.000 réis), juntando-se como arrendatários, em 1778, Joaquim Pedro Quintela,    Estur Baurman, hamburguês, Baltasar Pinto de Miranda, contador do Erário Régio,    e o vice-cônsul da Holanda<a href="#22"><sup>22</sup></a><a name="top22"></a>.    Depois, o genovês José Maria Massa (1781-1791). A maior parte deles ficando    aqui no quarteirão por vários anos<a href="#23"><sup>23</sup></a><a name="top23"></a>.</p>     <p>A forma como é referida e descrita a propriedade, no seu todo, diverge apenas    a partir de 1782, passando os vários quartos ou edifícios a apresentar três    andares ao invés de dois, como até aí, como se verifica no quadro <i>infra</i>.</p>     <p></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p></p>     <p></p>     <p><b>Ano | Descrição / tipologia da propriedade do marquês de Pombal na praça    do Carmo (1778-1784)</b></p> <hr>     <p>1777 | "Consta de Varios quartos"<a href="#24"><sup>24</sup></a><a name="top24"></a>.  </p>     <p>1778 | "Consta de Seis quartos Separados Com Loges de entrada dous andares    e agoas furtadas"<a href="#25"><sup>25</sup></a><a name="top25"></a>. "outro    quarto que Consta de Loge de entrada e mais ofecinas dous andares e agoas furtadas    (...)". </p>     <p>1779 | consta de Varios quartos que arenda Separados com Loge de entrada, dous    andares, e agoas furtadas (...)"<a href="#26"><sup>26</sup></a><a name="top26"></a>.  </p>     <p>1780 | "Consta de Loges dous andares e agoas furtadas". Esta Propriedade hé    devidida em quartoz Separados que se arendão (...)"<a href="#27"><sup>27</sup></a><a name="top27"></a>.</p>     <p>1781 | "Consta de Loges, dous andares, e agoas furtadas arendada em quartos    separadoz (...)"<a href="#28"><sup>28</sup></a><a name="top28"></a>. </p>     <p>1782 | "consta de Varios quartos Cada hum de tres andares, e agoas furtadas    (...)"<a href="#29"><sup>29</sup></a><a name="top29"></a>. </p>     <p>1783 | "devedida em quartos, Cada hum de trez andares e agoas furtadas (...)"<a href="#30"><sup>30</sup></a><a name="top30"></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>1784 | "Consta de Varios quartos Separados, Cada hum de Loge e mais offecinas,    tres andares e agoas furtadas (...)"<a href="#31"><sup>31</sup></a><a name="top31"></a>.  </p> <hr>     <p>&nbsp;</p>     <p>O ano de 1805 constitui uma data marcante para a história do conjunto predial    que compunha o quarteirão, cuja propriedade é alienada nas suas diferentes unidades,    deixando de pertencer ao marquês de Pombal as sete propriedades que o constituíam.</p>     <p>O segundo marquês de Pombal, Henrique José de Carvalho e Mello, conde de Oeiras,    do Conselho de Estado da Rainha, grão cruz da Ordem de Cristo e presidente do    Senado da Câmara de Lisboa, conseguiu obter autorização para alienar os prédios    do Carmo através de uma provisão régia e com o consentimento do imediato sucessor    do morgado, o seu irmão e conde da Redinha. Essa provisão, dada pelo príncipe    regente e da autoria do escrivão Estanislau da Silva Feyo Sequeira Coutinho,    permitiu, por arrematação, </p>     <p class="cita--o">fazer a venda do Predio que possue no Largo do Xafariz do Carmo    [composto por várias propriedades de casas], apezar de ter Sido de vínculo de    Morgado, e isto pello mesmo Senhor o haver por dezanexado do mesmo Morgado,    pella mesma Regia Provizão; em Consequencia do que se passou a fazer publica    Arrematação do mesmo Predio [entenda-se da propriedade nas suas diferentes componentes]    perante o Juiz Comissario nomeado para a mesma o Dez<i>embargador</i> João Manoel    Guerreiro de Amorim<a href="#32"><sup>32</sup></a><a name="top32"></a>. </p>     <p>Um dos sete adquirentes foi o comerciante Francisco da Silva Vieira, que adquiriu    o "segundo quarteirão" ["quarto" ou "prédio"] "virando para a Praça do Carmo".    Adquiriu a propriedade em hasta pública, arrematando-a em 16 de março, conforme    o registo do pagamento do imposto de transmissão da propriedade que efetuou    aquando da aquisição:</p>     <p>Francisco da Silva Vieira dise rematou em Asta Publica nas Cazas de Rezidencia    do Dezembargador dos Agravos e Juiz Comisario da Caza do Ex.mo Marquez de Pombal    Escrivão Estanislau da Silva Feio de Siqueira Coutinho hum quarto de Cazas da    esquina pertencentes ao Ex.mo Marquez de Pombal citas na Praça do Carmo desta    cidade que pella ditta Praça pegão com as que rematou Manoel da Silva Franco    e pella Rua nova do Carmo [hoje Travessa] com as que rematou Gaspar Beltrão    Pilar Freguezia do Sacramento desta cidade por preço de quatorze contos <i>duzentos    mil </i>reis <i>duzentos mil reis de que pagou de ciza hum conto quatrocentos    e vinte mil reis. Lisboa dia 16 do dito</i> [Março]. E de como recebeu asinou.    / Martins / Araujo /<a href="#33"><sup>33</sup></a><a name="top33"></a>.</p>     <p>Assim se inicia, em 1805, a história particularizada do prédio de esquina objeto    central deste estudo. No entanto, antes de se passar à descrição da vida acidentada    desta propriedade então autonomizada e à sua análise construtiva, será necessário    alinhavar algumas considerações sobre o quebra-cabeças mais intrigante deste    grande quarteirão: o grande bloco retangular que ocupa boa parte do miolo do    conjunto, hoje dividido pelas unidades prediais que fazem frente para o largo    do Carmo, cuja antiguidade é atestada pela cobertura de abóbada que apresenta.    Como antes do terramoto de 1755 esta área era cortada pela atrás citada rua    do Arco, é evidente que esta unidade datará da reconstrução após o sismo, iniciada    como se viu em 1776. </p>     <p>Nas plantas de Lisboa após 1776, em particular a de Duarte José Fava, a primeira    a ser levantada de forma rigorosa (1807), o quarteirão do Carmo é representado    como uma mole compacta, sem especificar a sua orgânica interna, certamente devido    à escala da própria planta. </p>     <p>&nbsp;</p> <a href ="/img/revistas/cam/vser2n2/ser2n2a10f14.jpg" target="_blank">Figura  14</a>      
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Desta forma, será necessário esperar pelo levantamento da cidade realizado    sob a direção de Filipe Folque, a partir de 1856, para se poder fazer a leitura    da orgânica interna deste enorme quarteirão, já então subdividido desde 1805,    como bem se percebe pela minúcia do desenho que não esquece de assinalar os    muros estreitos entre os pátios dos prédios que dão sobre o largo do Carmo.  </p>     <p>&nbsp;</p> <a href ="/img/revistas/cam/vser2n2/ser2n2a10f15.jpg" target="_blank">Figura  15</a>      
<p>&nbsp;</p>     <p>Qual era a função, na economia do conjunto deste alongado corpo abobadado,    hoje divido em várias partes? Seria originalmente uno? Que propósito determinou    esta inesperada construção, erguida de forma tão sólida e solenizada pela cobertura    em abóbada? Seria ela autónoma em relação aos prédios que a rodeavam? </p>     <p>Só foi detetada uma referência direta a esta construção, datada de 25 de julho    de 1885, num registo referente à propriedade ao lado do prédio em apreço, em    que é descrita como sendo composta por "rés do chão, quatro andares e sotão,    pateo e ao fundo d'este em dois pavimentos de abobada cinco quartos para creados"<a href="#34"><sup>34</sup></a><a name="top34"></a>.  </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f16"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n2/ser2n2a10f16.jpg">      
<p>&nbsp;</p>     <p>Numa descrição anterior, de 1879, ainda na posse dos condes da Anadia, a mesma    propriedade, antes de ser ampliada, compunha-se de "lojas, cocheira, palheiro,    primeiro e segundo andar, aguas furtadas e sotão"<a href="#35"><sup>35</sup></a><a name="top35"></a>.    Esta informação de 1885 é evidentemente tardia, estando portanto a parte afeta    a este prédio dessa nave de duplo piso subdividida em cinco pequenos quartos,    certamente em dois pisos.</p>     <p>A hipótese mais imediata de se tratar de cocheiras de serventia dos prédios    que olham para o Carmo levanta, na verdade, um problema. Como vimos, o prédio    em estudo apresenta um corredor abobadado que a meio inflete para a direita,    seguindo depois até ao referido pátio, onde se encontra a entrada desta dependência.    Ora esse corredor, além de estreito, inflete a meio em ângulo reto. Daí será    admissível que permitisse o trânsito de cavalos ou muares, mas nunca dos respetivos    carros, mesmo tratando-se de seges, bem mais pequenas que os coches e as berlindas.    Uma cocheira onde não fosse possível acederem as viaturas não servia os propósitos    de tal equipamento, sempre destinado a cavalariça e guarda dos respetivos carros.    Numa primeira leitura colocou-se a hipótese de parte deste corredor ser um reaproveitamento    do leito da antiga rua do Arco. No entanto, tal hipótese foi abandonada quer    por ser difícil ter a certeza da localização exata da antiga via pública, em    virtude da alteração tão profunda do edificado, como, além disso, segundo o    "Tombo da Cidade", o antigo arruamento tinha de largura 21 palmos da parte do    nascente e 21,5 palmos da parte do poente (pouco mais de 4 metros) e o corredor    em apreço é muito mais estreito. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Curiosamente, Matos Sequeira possivelmente nunca terá entrado dentro deste    quarteirão, pois se o tivesse feito esta insólita construção despertar-lhe-ia    a curiosidade sempre aguçada. No entanto, levanta algumas pontas e suscita dúvidas    na sua obra que podem levar a colocar uma hipótese, que, naturalmente, não passará    disso mesmo, já que nenhuma referência documental foi até ao momento encontrada    de maneira a poder sustentá-la. Um dos aspetos que despertam a atenção do mestre    olisipógrafo é a "lenta gestação" e a toponímia do largo da Abegoaria, que hoje    conhecemos por Rafael Bordalo Pinheiro. Segundo ele, já em 1816 a <i>Gazeta    de Lisboa</i> se refere a "um largo novo que se há-de fazer" neste local. E,    em 1817 e 1822, respetivamente na mesma <i>Gazeta</i> e no <i>Diário do Governo</i>    se menciona o largo da Abegoaria, e em ambos os casos se liga o local à venda    de "carruagens, traquitanas, seges, carrinhos ingleses", etc. Escreve em seguida    Matos Sequeira: </p>     <p>Num informe dado por mim ao Sr. Dr. Alfredo de Sousa da Câmara, autor do folheto    Abegão e Abegoaria, publicado em 1936, atribuí tal sinonímia a uma possível    abegoaria do Convento dos Trinos. Agora, melhor estudado o assunto, duvido que    assim fosse. Os frades não tiveram nesse local qualquer dependência desse género,    nem tal título ao largo foi posto depois de 1833, como então aventei. </p>     <p>Que houve aqui uma abegoaria, houve; mas qual e onde?</p>     <p>A possível extensão do vocábulo, de abrigo de bois e vacas, para abrigo de    gado cavalar e muar, poderia explicar a sinonímia atribuindo-a às cavalariças    da oficina de seges cujos proprietários, em geral, faziam com a venda e compra    de carros o negócio das indispensáveis cavalgaduras. </p>     <p>Seria? Não seria?<a href="#36"><sup>36</sup></a><a name="top36"></a></p>     <p>Compete agora perguntar se Matos Sequeira, ao apreciar com a devida atenção    o interior deste quarteirão, que confronta igualmente para o largo da Abegoaria,    não lhe teria ocorrido a ideia de ser exatamente esta insólita construção abobadada,    escondida de olhares externos, suficientemente ampla para guardar as bestas    e carros, a tal chamada abegoaria, numa versão urbana de um termo habitualmente    do mundo rural, onde se realizavam frequentes leilões de "carruagens, traquitanas,    seges, carrinhos ingleses"?</p>     <p>A título de curiosidade, deverá referir-se que o prédio ao lado deste aqui    em estudo serviu de residência entre 1804 e 1808, ao célebre conde de Novion,    militar realista francês refugiado em Portugal e que chefiou a recém-criada    Guarda Real da Polícia<a href="#37"><sup>37</sup></a><a name="top37"></a>. Com    a sua saída, em 1808, durante a presença de Junot em Lisboa, ali se instalou    uma "Secretaria Francesa". A partir daí, e durante 10 anos, albergou a Polícia    – "chefe e Bandeiras da Guarda Real da Policia"<a href="#38"><sup>38</sup></a><a name="top38"></a>.    Teria a Polícia utilizado como espécie de aquartelamento ou mera guarda de cavalos    e equipamentos esta nave tão propícia, ali mesmo à mão? </p>     <p>De facto, só uma análise mais aprofundada da globalidade deste edifício tão    invulgar, com a observação minuciosa das suas paredes e entradas, que pressupõe    o estudo das várias propriedades de todo o quarteirão, permitirá, talvez um    dia, entender com precisão a ideia original que presidiu à sua construção. </p>     <p>De momento limitamo-nos a levantar a questão colocada por esta estrutura inesperada    na economia do prédio que compete analisar, que de facto o enriquece com um    espaço extra, de boa estrutura e dotado de um simpático pátio quadrangular de    acesso. </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>EVOLUÇÃO CONSTRUTIVA E DE PROPRIEDADE DO PRÉDIO</b></p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f17"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n2/ser2n2a10f17.jpg">      
<p>&nbsp;</p>     <p><b>A)</b></p>     <p>Segundo a descrição constante dos registos da <i>Décima da Cidade</i>, logo    em 1779 o conjunto predial do marquês do Pombal, então já desterrado em Pombal    e a braços com os penosos interrogatórios judiciais, constava de "varios quartos    que arenda separados com loge de entrada, dous andares, e agoas furtadas"<a href="#39"><sup>39</sup></a><a name="top39"></a>.    Ora, observando o alçado acima, esta realidade construtiva das diferenciadas    unidades é bem evidenciada, com a exceção natural das depois desaparecidas "agoas    furtadas" originais. Basta atentar no cunhal de esquina, para se perceber que    o mesmo segue em junta fendida até à altura terminal do segundo andar, sendo    liso a partir daí, marcando bem o acrescento de mais um andar, efetuado ainda,    como anotam os mesmos registos da <i>Décima da Cidade</i>, a partir de 1782.    Em 1784 anotam especificamente os minuciosos oficiais encarregados do levantamento    para o pagamento do imposto: "varios quartos separados, cada hum de loge e mais    offecinas, tres andares e agoas furtadas". Portanto terá sido pouco depois do    início da construção, mais precisamente seis anos decorridos, que se terá levantado    mais um andar, substituindo as águas-furtadas, que agora se elevam acima desse    novo piso. O prolongamento do cunhal é agora liso, e as janelas de peito são    de bastante menores dimensões que as do piso inferior, também de peitoril, bem    como é diverso o talhe das cantarias, aqui ligadas à cimalha que lhe corre por    cima.</p>     <p>Portanto, na versão original, seria quase uma casa nobre, com um piso térreo    "de loges", de três aberturas, sendo a central o portal de acesso, com desenho    cuidado na cantaria da verga superior, que sustenta a sacada central do piso    nobre. Neste último, igualmente de três aberturas, todas de sacada, destaca-se    a central, mais ampla e ligada em eixo à cantaria do portal. Essa linha axial    é acentuada pelo desenho da pedra de lioz da verga superior dessa mesma janela,    que apresenta uma espécie de enunciado de um frontão recortado, não saliente.    Após o acrescento do terceiro andar, o prospeto aproximou-se da matriz predial    da Baixa, com as "loges" e os três andares, sempre bem hierarquizados pela dimensão    das janelas. </p>     <p>Se do ponto de vista exterior não se levantam grandes dúvidas na evolução da    construção original, em boa parte devido à "informação" inscrita no cunhal e    no desenho das cantarias, já o mesmo não se passa no interior. Retomando a planta    do rés-do-chão atrás reproduzida poder-se-ão alinhavar algumas considerações,    que tornam a leitura construtiva deste piso térreo bastante mais complexa que    a da fachada exterior. </p>     <p>Numa das provisões régias de 1776, referentes a estas casas do Carmo do marquês    de Pombal, refere-se expressamente que "pelo Terramoto, e incendio do primeiro    de Novembro de 1755, forão não só distruidas, mas inteiramente aniquiladas sem    dellas ficar mais do que o terreno queimado"<a href="#40"><sup>40</sup></a><a name="top40"></a>.    Apesar destas afirmações tão drásticas relativas aos efeitos do terramoto neste    local, convirá talvez matizá-las, pois a realidade que hoje se observa poderá    admitir pensar-se que a propriedade tenha ficado muito maltratada, inabitável    com certeza, mas que alguma coisa terá ficado de pé, permitindo o seu reaproveitamento.    De facto, se tivessem sido completamente "não só distruidas, mas inteiramente    aniquiladas sem dellas ficar mais do que o terreno queimado", seria difícil    admitir que no ano seguinte ao início de reconstrução (1776) os registos da    décima de 1777 já refiram várias delas como prontas, inclusivamente já habitadas.  </p>     <p>Admite-se que a vertigem construtiva neste período fosse enorme, tornando expeditos    os oficiais envolvidos nas diversas especialidades da edificação. Mesmo assim    é difícil conceber que o sistema de abóbadas dos pisos térreos, que se repete    em todos os prédios do conjunto, fosse erguido de jacto em menos de um ano.    E, sobretudo, não é fácil explicar o facto desse sistema de abóbadas se restringir    somente à parte traseira desse piso térreo, apresentando o vestíbulo outro tipo    de cobertura, mais simplificada e de verga reta. Olhada com atenção a planta    sobreposta da propriedade, comparando o antes e depois do terramoto, constata-se    com facilidade que este prédio se encontra, na sua quase totalidade, dentro    dos limites da construção anterior, mesmo que se possa admitir estar um tanto    de esguelha. Ora é exatamente de esguelha que se posiciona a parede à esquerda    de quem entra no vestíbulo, apresentando um chanfro acentuado que a liga às    divisões seguintes, cobertas de abóbadas. Além disso, repare-se que as paredes-mestras    da parte posterior deste piso térreo são mais espessas que as do vestíbulo,    e que a porta de acesso a essas mesmas divisões é bastante larga e as suas cantarias    apresentam o aspeto mais comum de porta exterior. </p>     <p>Uma explicação parece poder colocar-se. A parte traseira deste rés-do-chão,    com as suas abóbadas e a respetiva porta sólida e larga, seriam preexistências    aproveitadas na reconstrução, e o espaço do vestíbulo, apresentando outras características    construtivas, seria decorrente do avanço da propriedade, ocupando o leito da    antiga rua da Oliveira, agora desaparecida, apropriação autorizada desde 1774,    como acima se referiu. Esta hipótese pode justificar a evidente incongruência    arquitetónica que este piso apresenta a olho nu. Mais se destaque que é somente    a partir do vestíbulo que o corredor de acesso ao pátio inflete sob o prédio    vizinho, parecendo indiciar que num primeiro momento o projeto seria diferente.    Aliás, de início, os registos da <i>Décima da Cidade</i> referem somente que    o conjunto se compunha de seis unidades, mas na venda em 1805 já são sete. Quanto    mais a atenção se projeta, mais complexa se torna a tarefa de destrinçar com    certezas a génese deste edifício, tão "simplório" à primeira vista.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No entanto, apesar de parecer mais plausível esta hipótese acima enunciada    de se tratar de uma preexistência, não se poderá descartar a possibilidade de    a construção se ter aligeirado, talvez por caráter de urgência, em especial    na parte do terreno outrora ocupado pela rua da Oliveira – onde se verifica    o recurso a uma diferente tipologia estrutural, mais simples, de vigamentos    retos, que cobrem o vestíbulo –, talvez menos consolidado que o restante já    anteriormente edificado, por isso necessitado de mais cuidados para garantir    a solidez para sustentar estruturas de abóbadas. </p>     <p>A confirmação de uma destas alternativas para explicar esta aparente incongruência    fica naturalmente sujeita a ulteriores prospeções só possíveis em processo de    obra. A olho nu, portanto para já, não é possível ser-se definitivo quanto à    decifração deste enigma inesperado e pouco habitual. </p>     <p>Quanto aos outros pisos, pouco de interessante se encontra, apesar de algumas    salas amplas e luminosas e da presença de alguns silhares de azulejos de padrão    pombalino. Em relação ao pátio e à dependência abobadada a que dá acesso, que    tanto enriquece esta propriedade, já atrás se alinhavaram algumas considerações    sobre tal anexo tão pouco comum na construção pombalina. </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f18-19"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n2/ser2n2a10f18-19.jpg">      
<p>&nbsp;</p>     <p><b>B)</b></p>     <p>Depois da tentativa de destrinçar as particularidades construtivas originais,    fixe-se de seguida a atenção na evolução da propriedade a partir da sua autonomização    em 1805, através da arrematação em hasta pública por Francisco da Silva Vieira.  </p>     <p>O novo proprietário iniciou prontamente novos processos de obras, pois se no    primeiro semestre de 1805 estava arrendada a Francisco Teixeira, por 200.000    reis, ficou logo devoluta no 2º semestre, e consta no livro de arruamentos desse    mesmo ano que estava "redefincandosse"<a href="#41"><sup>41</sup></a><a name="top41"></a>.    A expressão deverá ser algo exagerada, tratando--se por certo de obras mais    ou menos profundas, pois no ano seguinte já estava plenamente habitada, em parte    pelo senhorio e outra parte arrendada. </p>     <p>O senhorio, Francisco da Silva Vieira, negociante da praça de Lisboa, ocupou    a loja e o primeiro andar (e o último piso até 1808)<a href="#42"><sup>42</sup></a><a name="top42"></a>.    O segundo andar, devoluto nos anos de 1809 a 1811, período de grande instabilidade    na capital, andava quase sempre arrendado, o mesmo se passando com o último    piso que passa a partir de 1811 a ser referenciado como 3º andar e já não como    água-furtada, como até aí<a href="#43"><sup>43</sup></a><a name="top43"></a>.    Os arrendatários eram essencialmente negociantes: José António da Costa (1806-1808),    António Lúcio Cordeiro (1812-17), Bento António (1821-1830) e José Gabriel (1833)<a href="#44"><sup>44</sup></a><a name="top44"></a>.    Entre 1818 e 1820 o 2º e 3º andares estiveram arrendados a D. Leonor, de quem    nada se sabe, além do primeiro nome.</p>     <p>Francisco da Silva Vieira era natural de Massarelos, bispado do Porto, filho    legítimo do capitão José da Silva Vieira e de D. Benta Francisca de Jesus. Morreu    solteiro, sem filhos legítimos ou naturais, deixou a casa do Carmo e o conjunto    de seus bens a seus "dois manos", como se lhes refere no testamento, Jerónimo    da Silva Vieira e D. Ana Maria de Jesus, também solteiros e em cuja companhia    vivia ali ao Carmo, depois de lhes ter providenciado a vinda para Lisboa. Nas    suas determinações finais, primeiro no testamento (1814) e depois por codicilo,    dispôs os irmãos como testamenteiros, procuradores e administradores de seus    bens, deixando-lhes além de ações, apólices e móveis a propriedade do Carmo<a href="#45"><sup>45</sup></a><a name="top45"></a>.    No codicilo, de 23 de janeiro de 1819, já "gravemente enfermo de cama", ampliou    o testamento, fazendo mais alguns legados como fossem algum montante para a    sua criadagem de confiança e para as obras da igreja da sua freguesia do Sacramento    e seus pobres. Viria a falecer oito dias depois, a 31 de janeiro<a href="#46"><sup>46</sup></a><a name="top46"></a>.    Os dois irmãos mantiveram a residência na casa do Carmo, ocupando sempre o 1º    andar. Assim, de 1819 a 1827 é dado como proprietário Jerónimo da Silva Vieira,    capitão de navios (depois referenciado como negociante)<a href="#47"><sup>47</sup></a><a name="top47"></a>.    A partir daí será a irmã a proprietária<a href="#48"><sup>48</sup></a><a name="top48"></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Posteriormente, a propriedade veio à posse de Manuel Moreira Garcia, o conhecido    filantropo e fundador da Cervejaria Trindade, edificador de alguns prédios ali    na zona reconstruída da Trindade, entre os quais o de sua residência, revestido    de azulejos do Ferreira das Tabuletas, onde morava. Por legado deixou o prédio    do Carmo a seu sobrinho, o galego Domingos Moreira Garcia que, em 1903, já viúvo    de D. Elisa de Almeida Navarro, por testamento, acabaria por deixar também por    legado pio o edifício à "Associação Protectora das Creanças", de que era então    usufrutuária D. Maria Helena Cardim<a href="#49"><sup>49</sup></a><a name="top49"></a>.    A sua filantropia estendeu-se a outras instituições como a Sociedade da Casa    de Asilo de Infância Desvalida de Lisboa, a Irmandade do Santíssimo Sacramento    da freguesia e a associação espanhola "A Fraternidade"<a href="#50"><sup>50</sup></a><a name="top50"></a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>OBRAS DE AMPLIAÇÃO DA PROPRIEDADE, EM 1915</b></p>     <p>Pretendendo instalar a sua sede no edifício ao Carmo a "Associação Protectora    das Creanças" procedeu a diversas alterações na propriedade, restaurando-a e    ampliando-a, visto encontrar-se em más condições de conservação – "em estado    de ruína", em 1915. O projeto inicial concebia o acrescento de dois pisos, o    último dos quais constituído por trapeiras. Contudo, a Câmara Municipal de Lisboa    impôs como condição a substituição das trapeiras por mansardas. A Associação    optou pela construção de mais um andar, visto a frente principal deitar sobre    o largo do Carmo. As janelas do último piso seriam colocadas no alinhamento    da platibanda, as janelas levariam um pequeno frontão (o que não veio a verificar-se);    demolir-se-ia a cimalha e construir-se-ia uma outra entre o 3º e 4º andar; no    interior respeitar-se-ia o anterior projeto.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>PROJETO INICIAL (1915)</b></p>     <p>&nbsp;</p> <a href ="/img/revistas/cam/vser2n2/ser2n2a10f20-21.jpg" target="_blank">Figura  20 e 21</a>      
<p>&nbsp;</p>     <p><b>ALTERAÇÕES AO PROJETO INCIAL (1915)</b></p>     <p>&nbsp;</p> <a href ="/img/revistas/cam/vser2n2/ser2n2a10f22-23.jpg" target="_blank">Figura  22 e 23</a>      
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>NOVAS ALTERAÇÕES AO PROJETO INICIAL (1915)</b></p>     <p>&nbsp;</p> <a href ="/img/revistas/cam/vser2n2/ser2n2a10f24-25.jpg" target="_blank">Figura  24 e 25</a>      
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>CONCLUSÃO</b></p>     <p>Por vezes a compreensão mais aprofundada da realidade construída não resulta    tanto da consideração das obras ímpares, dos grandes edifícios, mas, sim, da    análise atenta de prédios comuns ou, até, de alguns que, à primeira vista, passam    facilmente despercebidos no conjunto urbano. Em especial quando se lida com    o caso de Lisboa, cidade alvo de uma intervenção reconstrutiva após o terramoto    de 1755 que disseminou um modelo predial imposto pelo poder político, facto    do qual nasceu uma conformidade de prospetos que torna todos as construções    deste período numa espécie de módulos repetitivos de um mesmo padrão. Mas, como    este prédio do Carmo revela, essa uniformidade está bem longe de ser real, mal    se penetra no interior de muitos deles. Cada caso é um caso e cada um deles    pode mesmo abrir-se como uma verdadeira caixa de surpresas. </p>     <p>É o que se desvenda neste prédio, aparentemente irrelevante, no largo do Carmo.    Como atrás se procurou chamar a atenção, este edifício "fala" por si e remete    para a compreensão mais aprofundada da urbanização após 1755 de toda esta zona    da cidade. Alguns detalhes construtivos, em especial no piso térreo, remetem    para alterações sucessivas na definição urbanística do largo do Carmo, decorrente    da eliminação de um troço da rua da Oliveira e da subida de cota de todo o logradouro    público. Além disso, a inesperada existência de pátio nas traseiras, com um    corpo abobadado de finalidade por esclarecer, desperta de imediato para a evidência    da unidade de todo o quarteirão, inicialmente considerado como uma unidade urbanística    que, nos seus pressupostos, remete para o modelo do quarteirão que então se    dissemina a partir do projeto da Baixa, de 1758, embora aqui se trate de uma    outra escala. </p>     <p>A consciência do quarteirão como definidor do conjunto em que este prédio se    insere ganha outro relevo ao saber-se que todo ele resulta de uma mesma vontade,    isto é, de um mesmo proprietário, neste caso o marquês de Pombal, protagonista    cimeiro de todo o processo urbanístico que Lisboa conhece no pós-terramoto.    As peripécias que envolvem a chegada da propriedade às mãos de Pombal e a forma    como as alarga por aquisições sucessivas não deixam de iluminar quer a maneira    - nem sempre «lisa» nos modos -, como Pombal se torna um dos maiores proprietários    imobiliários de Lisboa, quer as formas específicas de câmbio de terrenos - em    parte devido à existência dos morgadios, isto é, propriedade vinculada a fins    específicos, quer, ainda, a definição muito rígida dos parâmetros da reconstrução    e do respeito pelos seus ditames, aos quais não escapa o próprio Pombal. </p>     <p>Tudo isto concorre para transformar este prédio anódino e, até, aparentemente    desinteressante para a abordagem exclusivamente externa, no motivador de um    exercício que entrecruza diversas cambiantes de análise - o Urbanismo, a Arquitetura,    o Direito que rege a comunidade, a Genealogia, a Sociologia e a História, seja    ela parcial ou globalmente entendida – que constitui a diferença olisipográfica,    ou seja, a certeza de que a cidade só pode ser captada quando se fazem incidir    sobre ela todos esses focos de forma simultânea e unívoca.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Incaracterístico, num primeiro relance, este prédio do Carmo, quando «trocado    por miúdos», revela-se como um interessante <i>case study</i> para se aceder    à compreensão mais aproximada da realidade lisboeta neste período central da    sua história.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>FONTES E BIBLIOGRAFIA</b></p>     <p><b>Fontes manuscritas</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Arquivo Histórico do Tribunal de Contas</b></p>     <p><i>Décima da Cidade</i>, Livros de Arruamentos, mçs. 956 a 982</p>     <p><i>Erário Régio</i>, Livro 2004</p>     <p><b>Arquivo Municipal de Lisboa</b></p>     <p>Cartulário Pombalino</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Livro de cópias do tombo das propriedades do Bairro Alto arruinadas pelo terramoto    de 1755 e termos de posse dos terrenos do mesmo bairro </p>     <p>Livro primeiro de tombo das propriedades foreiras à Camara da cidade de Lisboa</p>     <p><i>Processo de obra nº 11127</i></p>     <p><i>Processo de obra nº 25249</i></p>     <p><b>Arquivo Nacional Torre do Tombo</b></p>     <p><i>Cartórios Notariais de Lisboa,</i> Livros de Notas</p>     <p>4º Cartório, Livro 43</p>     <p>12º Cartório, Ofício B, Livro 138</p>     <p><i>Chancelaria de D. José</i>, Livro 80</p>     <p><i>Desembargo do Paço</i>, Corte e Estremadura, mç. 2161, nº 43</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Inventários Orfanológicos</i>, Letra J, mç. 386, nº 28</p>     <p><i>Juízo da Inspeção dos Bairros de Lisboa</i>, Bairro Alto</p>     <p>Tombo, Livro 5</p>     <p>Adjudicações e Posses, Livro 6</p>     <p>Registo Geral de Testamentos </p>     <p>Livros 166, 167, 373</p>     <p><i>Registos Paroquiais de Lisboa</i>, Freguesia do Sacramento, Óbitos, Livro    9</p>     <p><b>Conservatória do Registo Predial de Lisboa</b></p>     <p>2ª Conservatória, Livros B25 e G3</p>     <p><b>Fontes Impressas</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>MENDONÇA, Francisco Xavier Teixeira de – <i>Epilogo memorial, ou recopilação    juridica da cauza que pende por embargos, sobre a successão do morgado que fica    vago por falta de descendentes dos Snrs. D. Jorge Mascarenhas e D. Francisca    de Vilhena, marquezes de Montalvão, a favor de Gonçalo Christovão Teixeira Coelho    de Mello Pinto de Mesquita contra Sebastião José de Carvalho e Mello.</i> Salamanca:    Officina de Antonio Villar Gordo, 1743.i</p>     <p>MENDONÇA, Francisco Xavier Teixeira de – <i>Petição de revista, que pedio Gonçalo    Cristóvão Teixeira Coelho de Mello Pinto de Mesquita da sentença proferida a    favor de Sebastião Joseph de Carvalho e Mello, sobre os morgados, que instituirão    Pedro de Magalhães, e seu filho Simão de Mello: e por ficarem vagos por falta    de descendentes dos últimos marquezes de Montalvão, se julgarão por final sentença    no anno de 1705 a Martim Teixeira Coelho de Mello, senhor donatario da villa    da Teixeira, e de Sergude, avô do supplicante.</i> Lisboa: Officina de Francisco    Luiz Ameno, 1750.</p>     <p><b>Bibliografia</b></p>     <!-- ref --><p>CASTILHO, Júlio de – <i>Lisboa antiga: o Bairro Alto.</i> 3ª ed. Lisboa: Câmara    Municipal, 1954-1966. 5 vol.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2060598&pid=S2183-3176201400020001000001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>FRANÇA, José-Augusto – <i>Lisboa pombalina e o iluminismo. </i>Lisboa: Livros    Horizonte, 1965.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2060600&pid=S2183-3176201400020001000002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>GAYO, Manuel Felgueyras – <i>Nobiliário de famílias de Portugal. </i>Braga:    Ed. Carvalhos de Basto, 1990.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2060602&pid=S2183-3176201400020001000003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>LISBOA. Câmara Municipal – <i>Atlas da carta topográfica de Lisboa sob a direcção    de Filipe Folque: 1856-1858.</i> Lisboa: Câmara Municipal, 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2060604&pid=S2183-3176201400020001000004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MATOS, José Sarmento de - Pombal, marquês de. In PEREIRA, José Fernandes (dir.)    – <i>Dicionário da arte barroca em Portugal. </i>Lisboa: Editorial Presença,    1989. p. 367-369.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2060606&pid=S2183-3176201400020001000005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>MATOS, José Sarmento de - Prédio urbano. In PEREIRA, José Fernandes (dir.)    – <i>Dicionário da arte barroca em Portugal. </i>Lisboa: Editorial Presença,    1989. p. 379-381.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2060608&pid=S2183-3176201400020001000006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>MATOS, José Sarmento de; PAULO, Jorge Ferreira – <i>Estudo histórico e patrimonial:    prédio de rendimento sito na praça de S. Paulo, 1 a 15.</i> Lisboa: [s.n.],    2009. Inédito.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2060610&pid=S2183-3176201400020001000007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MATOS, José Sarmento de; PAULO, Jorge Ferreira – <i>Um sítio na Baixa: a sede    do Banco de Portugal. </i>Lisboa: Museu do Dinheiro; Banco de Portugal, 2013.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2060612&pid=S2183-3176201400020001000008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p><i>MONUMENTOS</i>. DGEMN. 21 (setembro de 2004). Dossiê dedicado à Baixa Pombalina.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2060614&pid=S2183-3176201400020001000009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>PAULO, Jorge Ferreira – <i>Nº 43-51, à rua Nova do Carvalho: estudo histórico    de um prédio pombalino. </i>Lisboa: [s.n.], 2007. Inédito.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2060616&pid=S2183-3176201400020001000010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ROSSA, Walter – <i>Além da Baixa: indícios de planeamento urbano na Lisboa    setecentista.</i> Lisboa: IPPAR, 1998.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2060618&pid=S2183-3176201400020001000011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ROSSA, Walter; TOSTÕES, Ana (ed.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2060620&pid=S2183-3176201400020001000012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->) – <i>Lisboa 1758: o plano da Baixa hoje.</i>    Lisboa: Câmara Municipal, 2008.</p>     <!-- ref --><p>SEQUEIRA, Gustavo de Matos – <i>O Carmo e a Trindade: subsídios para a história    de Lisboa.</i> Lisboa: Câmara Municipal, 1939-1941. 3 vol.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2060622&pid=S2183-3176201400020001000013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>SILVA, Augusto Vieira da – <i>Plantas topográficas de Lisboa. </i>Lisboa: Oficinas    Gráficas da Câmara Municipal, 1950.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2060624&pid=S2183-3176201400020001000014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>submissão/submission: 07/09/2014</p>     <p>aceitação/approval: 31/10/2014</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Notas</b></p>     <p><a href="#top1"><sup>1</sup></a><a name="1"></a> Sendo vasta a bibliografia    sobre Lisboa pombalina, refira-se, pela sua relevância, entre outras obras:    FRANÇA, José-Augusto – <i>Lisboa pombalina e o iluminismo. </i>Lisboa: Livros    Horizonte, 1965; <i>Monumentos. </i>DGEMN. 21 (setembro de 2004). Dossiê dedicado    à Baixa Pombalina; ROSSA, Walter – <i>Além da Baixa: indícios de planeamento    urbano na Lisboa setecentista. </i>Lisboa: IPPAR, 1998; ROSSA, Walter; TOSTÕES,    Ana (ed.) – <i>Lisboa 1758: o plano da Baixa hoje. </i>Lisboa: Câmara Municipal,    2008.</p>     <p><a href="#top2"><sup>2</sup></a><a name="2"></a>Cf. SEQUEIRA, Gustavo de Matos    – <i>O Carmo e a Trindade.</i> Lisboa: Câmara Municipal, 1939. 3 vol.</p>     <p><a href="#top3"><sup>3</sup></a><a name="3"></a> Cf. SEQUEIRA, Gustavo de Matos,    <i>op. cit.</i></p>     <p><a href="#top4"><sup>4</sup></a><a name="4"></a> Veja-se, por exemplo, o caso    do edifício construído por Matias José de Castro, em 1769, na esquina entre    a rua de São Julião e a rua do Ouro (MATOS, José Sarmento de; PAULO, Jorge Ferreira    – <i>Um sítio na Baixa: a sede do Banco de Portugal. </i>Lisboa: Museu do Dinheiro;    Banco de Portugal, 2013. p. 109-114).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top5"><sup>5</sup></a><a name="5"></a>Cf. MATOS, José Sarmento de    - Pombal, marquês de. In PEREIRA, José Fernandes (dir.) - <i>Dicionário da arte    barroca em Portugal. </i>Lisboa: Editorial Presença, 1989. p. 367-369. MATOS,    José Sarmento de - Prédio urbano. In PEREIRA, <i>op. cit.</i>, 379-381. MATOS,    José Sarmento de Matos; PAULO, Jorge Ferreira – <i>Estudo histórico e patrimonial:    prédio de rendimento sito na praça de S. Paulo, 1 a 15. </i>Lisboa: [s.n.],    2009. Inédito; PAULO, Jorge Ferreira – <i>Nº 43-51</i>, à <i>Rua Nova do Carvalho:    estudo histórico de um prédio pombalino.</i> Lisboa: [s.n.], 2007. Inédito (estudo    utilizado, em parte, por APPLETON, João G.; DOMINGOS, Isabel - <i>Biografia    de um pombalino. </i>Lisboa: Orion, 2009).</p>     <p><a href="#top6"><sup>6</sup></a><a name="6"></a>No século XVI esta pequena    via é referenciada por "Rua do Capitão dos Ginetes" ou por "travessa que vai    direita da porta principal do Carmo, pera a Trindade, por baxo de hum arco das    casas do Capitão dos Ginetes" (AML, <i>Livro primeiro de tombo das propriedades    foreiras à Camara da cidade de Lisboa</i>, f. 501v., 502v. e 509v.); no lado    esquerdo do arruamento, indo do Carmo para a Trindade, tinha a Câmara de Lisboa    duas pequenas propriedades, que então mantinha aforadas.</p>     <p><a href="#top7"><sup>7</sup></a><a name="7"></a> Arquivo Nacional da Torre    do Tombo (ANTT), <i>Chancelaria de D. José</i>, Livro 80, f. 323-323v.; ANTT,    <i>4º Cartório Notarial de Lisboa,</i> Livro 42, f. 33-35; ANTT, <i>Juízo da    Inspeção dos Bairros de Lisboa</i>, Tombo, Bairro Alto, Livro 5, f. 31v.-33,    50-54, 55v.-56, 59-60v. [Cf. Anexos II, III e IV].</p>     <p><a href="#top8"><sup>8</sup></a><a name="8"></a> Conhecem-se diversos prospetos    referentes a várias destas propriedades (AML, <i>Cartulário pombalino</i>, doc.    35, 36, 37, 38, 52, 53, 54, 55): São Paulo, Cais do Sodré, São João da Praça,    rua Nova da Sé, rua de São Crispim, rua do Grão Prior e calçada do Correio Velho.</p>     <p><a href="#top9"><sup>9</sup></a><a name="9"></a> Neste mesmo ano, em 1776,    o marquês de Pombal obteve um alvará régio que lhe permitiu instituir uma casa    para o seu filho segundo, José Francisco de Carvalho e Daun, conde da Redinha,    dotando-a com três das suas grandes propriedades urbanas: a da Sé, junto à igreja    da Madalena, a da rua da Alfândega (entre as ruas da Madalena e dos Fanqueiros)    e a da rua de São Paulo, junto à "ponte nobre" (Arco Grande sobre a rua de São    Paulo), desmembrando-as e desanexando-as dos vínculos em que estavam incorporadas    (ANTT, <i>Desembargo do Paço,</i> Corte e Estremadura, mç. 2161, nº 43).</p>     <p><a href="#top10"><sup>10</sup></a><a name="10"></a> Cf. Teixeiras. In GAYO,    Manuel Felgueyras - <i>Nobiliário de famílias de Portugal. </i>Braga: Ed. Carvalhos    de Basto, 1990. tomo IX, p. 553.</p>     <p><a href="#top11"><sup>11</sup></a><a name="11"></a> Cf. MENDONÇA, Francisco    Xavier Teixeira de – <i>Epilogo memorial, ou recopilação juridica da cauza que    pende por embargos, sobre a successão do morgado que fica vago por falta de    descendentes dos Snrs. D. Jorge Mascarenhas e D. Francisca de Vilhena, marquezes    de Montalvão, a favor de Gonçalo Christovão Teixeira Coelho de Mello Pinto de    Mesquita contra Sebastião José de Carvalho e Mello. </i>Salamanca: Officina    de Antonio Villar Gordo, 1743.</p>     <p><a href="#top12"><sup>12</sup></a><a name="12"></a> Cf. Carvalhos. In GAYO,    Manuel Felgueyras - <i>op. cit.,</i> tomo III, p. 456-457.</p>     <p><a href="#top13"><sup>13</sup></a><a name="13"></a> Cf. MENDONÇA, Francisco    Xavier Teixeira de - <i>Petição de revista, que pedio Gonçalo Cristóvão Teixeira    Coelho de Mello Pinto de Mesquita da sentença proferida a favor de Sebastião    Joseph de Carvalho e Mello, sobre os morgados, que instituirão Pedro de Magalhães,    e seu filho Simão de Mello: e por ficarem vagos por falta de descendentes dos    últimos marquezes de Montalvão, se julgarão por final sentença no anno de 1705    a Martim Teixeira Coelho de Mello, senhor donatario da villa da Teixeira, e    de Sergude, avô do supplicante. </i>Lisboa: Officina de Francisco Luiz Ameno,    1750.</p>     <p><a href="#top14"><sup>14</sup></a><a name="14"></a> A medição e demarcação    do Bairro Alto, que então incluía as freguesias do Sacramento, da Encarnação    e de Santa Isabel, começaram oficialmente a 22 de março de 1756, embora na realidade    só tivessem início um mês depois, em 22 de abril. No terreno, concretamente,    principiou no "angollo do pillar da trauesa do Sacramento pera a Rua direita    do chiado", tendo por intervenientes o desembargador José Carvalho de Andrade,    ministro inspetor do Bairro Alto, António Félix Ribeiro do Amaral, oficial de    engenharia, e o capitão Eugénio dos Santos e Carvalho, nomeado para pôr em curso    a diligência imposta pelo decreto de 29 de novembro de 1755 no distrito daquele    Bairro (ANTT, <i>Juízo da Inspeção dos bairros de Lisboa,</i> Tombo, Bairro    Alto, Livro 5, f. 5v.-6v.).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top15"><sup>15</sup></a><a name="15"></a> Cf. Anexo II, com a identificação    e descrição das aquisições de Pombal, respetivamente, na travessa do Arcebispo,    na travessa da Marquesinha, na travessa do Arco de D. Manuel e na calçadinha    que ia da Trindade para o Carmo, além das duas da rua da Oliveira, já na sua    posse. As medições destas propriedades ocorreram nos dias 21, 28 e 29 de maio    e dia 1 de junho, todas realizadas sob a orientação de Eugénio dos Santos.</p>     <p><a href="#top16"><sup>16</sup></a><a name="16"></a> ANTT, <i>Juízo da Inspeção    dos Bairros de Lisboa, </i>Adjudicações e Posses, Bairro Alto, Livro 6, f. 76    e 77.</p>     <p><a href="#top17"><sup>17</sup></a><a name="17"></a> ANTT, <i>Chancelaria de    D. José</i>, Livro 80, f. 323-323v.; ANTT, <i>4º Cartório Notarial de Lisboa,</i>    Livro 43, f. 33 [v. Anexos III e IV].</p>     <p><a href="#top18"><sup>18</sup></a><a name="18"></a> ANTT, <i>12º Cartório Notarial    de Lisboa</i>, Ofício B, Livro 138, f. 34v.-36.</p>     <p><a href="#top19"><sup>19</sup></a><a name="19"></a> A identificação do proprietário    dos dois prédios com frente à rua da Oliveira só então (7 de abril de 1774)    é aposta em verba à medição de 1756, no livro do tombo, em que se lê "não constou    quem hera o dono dela[s]" (ANTT, <i>Juízo da Inspeção dos Bairros de Lisboa</i>,    Tombo, Bairro Alto, Livro 5, f. 59v.-60). No mês seguinte, tudo é fundamentado    no livro de adjudicações e posses: "que no dia primeiro de Nouembro de mil Setecentos    Sincoenta e sinco em que foi o memorauel Terremoto e incendio que a elle Se    seguio era o dito Ex.mo Seu constituinte [o marquês de Pombal] Senhor e pessuidor    de duas propriedades de cazas misticas huma a outra descriptas debaixo dos n.os    3º e 4º das que se achavão no Lado do poente da Rua da Oliueira ao Carmo como    ao depois justificou perante o dito <i>Dezembargador</i> Jnspector que por Seu    despacho dado nos autos da Justificação mandou Se puzessem verbas no livro do    tombo, e se puzerão com effeito a margem dos termos de Mediçoens das ditas propriedades    de como pertencião ao dito Ex.mo Seu constituinte Sem prejuizo de 3º (...)"    (ANTT, <i>Juízo da Inspeção dos Bairros de Lisboa</i>, Adjudicações e Posses,    Bairro Alto, Livro 6, f. 76-77).</p>     <p><a href="#top20"><sup>20</sup></a><a name="20"></a> ANTT, <i>Juízo da Inspeção    dos Bairros de Lisboa</i>, Adjudicações e Posses, Bairro Alto, Livro 6, f. 76-77.</p>     <p><a href="#top21"><sup>21</sup></a><a name="21"></a> Arquivo Histórico do Tribunal    de Contas (AHTC), <i>Décima da Cidade</i>, Freguesia do Sacramento, Livros de    Arruamentos, mçs. 961 e 962. João da Costa Soares só aqui esteve um ano (1777);    Arnaldo Dorme, holandês, aqui ficou de 1777 a 1780; Luís Rebelo Quintela, de    1777 a 1781, ocupando dois destes quartos, juntamente com o sobrinho Joaquim    Pedro Quintela, que a partir de 1782 passou a ocupar os dois sozinho. No ano    de 1777 pagavam todos 600.000 reis pelo arrendamento do respetivo quarto, que    ocupavam na totalidade, sendo estas propriedades as de maior valor patrimonial,    com frente para o Carmo.</p>     <p><a href="#top22"><sup>22</sup></a><a name="22"></a> AHTC, <i>Décima da Cidade</i>,    Freguesia do Sacramento, Livros de Arruamentos, mç. 962.</p>     <p><a href="#top23"><sup>23</sup></a><a name="23"></a> AHTC, <i>Décima da Cidade</i>,    Freguesia do Sacramento, Livros de Arruamentos, mçs. 962 a 964.</p>     <p><a href="#top24"><sup>24</sup></a><a name="24"></a> AHTC, <i>Décima da Cidade</i>,    Freguesia do Sacramento, Livros de Arruamentos, mç. 962, f. 44v.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top25"><sup>25</sup></a><a name="25"></a> AHTC, <i>Décima da Cidade</i>,    Freguesia do Sacramento, Livros de Arruamentos, mç. 962, f. 33.</p>     <p><a href="#top26"><sup>26</sup></a><a name="26"></a> AHTC, <i>Décima da Cidade</i>,    Freguesia do Sacramento, Livros de Arruamentos, mç. 962, f. 41.</p>     <p><a href="#top27"><sup>27</sup></a><a name="27"></a> AHTC, <i>Décima da Cidade</i>,    Freguesia do Sacramento, Livros de Arruamentos, mç. 963, f. 59.</p>     <p><a href="#top28"><sup>28</sup></a><a name="28"></a> AHTC, <i>Décima da Cidade</i>,    Freguesia do Sacramento, Livros de Arruamentos, mç. 963, f. 50.</p>     <p><a href="#top29"><sup>29</sup></a><a name="29"></a> AHTC, <i>Décima da Cidade</i>,    Freguesia do Sacramento, Livros de Arruamentos, mç. 964, f. 38.</p>     <p><a href="#top30"><sup>30</sup></a><a name="30"></a> AHTC, <i>Décima da Cidade</i>,    Freguesia do Sacramento, Livros de Arruamentos, mç. 964, f. 45.</p>     <p><a href="#top31"><sup>31</sup></a><a name="31"></a> AHTC, <i>Décima da Cidade</i>,    Freguesia do Sacramento, Livros de Arruamentos, mç. 964, f. 44.</p>     <p><a href="#top32"><sup>32</sup></a><a name="32"></a>ANTT, 12º <i>Cartório Notarial    de Lisboa</i>, Ofício B, Livros de Notas, Livro 138, f. 34v.-36.</p>     <p><a href="#top33"><sup>33</sup></a><a name="33"></a>AHTC, <i>Erário Régio</i>,    Livro 2004, f. 34v.</p>     <p><a href="#top34"><sup>34</sup></a><a name="34"></a>Conservatória do Registo    Predial de Lisboa (CRPL), <i>2ª Conservatória</i> B25, f. 93.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top35"><sup>35</sup></a><a name="35"></a>CRPL, <i>2ª Conservatória</i>    B25, f. 93 e Livro G3, f. 95.</p>     <p><a href="#top36"><sup>36</sup></a><a name="36"></a>Cf. SEQUEIRA, Gustavo de    Matos - <i>op. cit.,</i> 2ª ed., vol. III, p. 234; CASTILHO, Júlio de – <i>Lisboa    Antiga: o Bairro Alto.</i> 3ª ed. Lisboa: Câmara Municipal, 1954. vol. 1.</p>     <p><a href="#top37"><sup>37</sup></a><a name="37"></a>AHTC,<i> Décima da Cidade</i>,    Freguesia do Sacramento, Livros de Arruamentos, mçs. 972 e 973.</p>     <p><a href="#top38"><sup>38</sup></a><a name="38"></a>AHTC,<i> Décima da Cidade</i>,    Freguesia do Sacramento, Livros de Arruamentos, mçs. 973 a 977.</p>     <p><a href="#top39"><sup>39</sup></a><a name="39"></a>AHTC, <i>Décima da Cidade</i>,    Freguesia do Sacramento, Livros de Arruamentos, mç. 962, f. 41.</p>     <p><a href="#top40"><sup>40</sup></a><a name="40"></a>ANTT, <i>Chancelaria de    D. José</i>, Livro 80, f. 323-323v.i</p>     <p><a href="#top41"><sup>41</sup></a><a name="41"></a>AHTC, <i>Décima da Cidade</i>,    Freguesia do Sacramento, Livros de Arruamentos, mç. 972.i</p>     <p><a href="#top42"><sup>42</sup></a><a name="42"></a>AHTC, <i>Décima da Cidade,    </i>Freguesia do Sacramento, Livros de Arruamentos, mçs. 972 e 973.</p>     <p><a href="#top43"><sup>43</sup></a><a name="43"></a>AHTC, <i>Décima da Cidade</i>,    Freguesia do Sacramento, Livros de Arruamentos, mçs. 974 e 975.</p>     <p><a href="#top44"><sup>44</sup></a><a name="44"></a>AHTC, <i>Décima da Cidade</i>,    Freguesia do Sacramento, Livros de Arruamentos, mçs. 972 a 982.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top45"><sup>45</sup></a><a name="45"></a>ANTT, <i>Registo Geral de    Testamentos</i>, Livro 373, f. 62-63v.</p>     <p><a href="#top46"><sup>46</sup></a><a name="46"></a>ANTT, <i>Registos Paroquiais    de Lisboa</i>, Freguesia do Sacramento, Óbitos, Livro 9, fl. 32v.</p>     <p><a href="#top47"><sup>47</sup></a><a name="47"></a>AHTC, <i>Décima da Cidade</i>,    Freguesia do Sacramento, Livros de Arruamentos, mçs. 978 a 980. ANTT,<i> Inventários    Orfanológicos</i>, Letra J, mç. 386, nº 28.</p>     <p><a href="#top48"><sup>48</sup></a><a name="48"></a>AHTC, <i>Décima da Cidade</i>,    Freguesia do Sacramento, Livros de Arruamentos, mçs. 981 e 982.</p>     <p><a href="#top49"><sup>49</sup></a><a name="49"></a>ANTT, <i>Registo Geral de    Testamentos</i>, Livro 166, f. 49v.-50v. e Livro 167, f. 1v.-12.i</p>     <p><a href="#top50"><sup>50</sup></a><a name="50"></a> Em anexo pode ver-se a    identificação de todos os proprietários do prédio (Anexo I).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ANEXOS     <p></b>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>I - Proprietários do prédio do largo do Carmo, 8-10</i></p>     <p>1º Marquês de Pombal (1777-1782)</p>     <p>2º Marquês de Pombal (1782-1805)</p>     <p>Francisco da Silva Vieira (1805-1819)</p>     <p>Jerónimo da Silva Vieira (1819-1827)</p>     <p>D. Ana Maria de Jesus (1828-1833...)</p>     <p>Manuel Moreira Garcia</p>     <p>Domingos Moreira Garcia</p>     <p>Associação Protetora das Crianças</p>     <p>Patronato da Associação Protetora das Crianças</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Fundação AJB - A Junção do Bem</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>II – 1756, Lisboa</b></p>     <p><b>Medição e descrição (em palmos) das propriedades adquiridas (ou na posse)    do marquês de Pombal para formar o seu quarteirão composto por vários prédios    de rendimento.</b></p>     <p><b>ANTT, Juízo da Inspeção dos Bairros de Lisboa, Tombo, Bairro Alto, Livro    5.</b></p>     <p>&nbsp;</p> <a href ="/img/revistas/cam/vser2n2/ser2n2a10ta.jpg" target="_blank">Tabela</a>      
<p>&nbsp;</p>     <p><b>III - 1776, janeiro, 22, Lisboa</b></p>     <p><i>Provisão régia passada a favor do marquês de Pombal. Instrumento [treslado]    com o teor da provisão passada em 16/04/1776. </i></p>     <p>ANTT, <i>4º Cartório Notarial de Lisboa,</i> Livro de notas, Livro 42, f. 33-35.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>(...) D<i>om</i> Jozeph por Graça de Deus, Rey de Portugal, e dos Algarves,    daQuem, e daLem Mar, em Africa Senhor de Guiné, Etca. Faço Saber, que o Marquez    de Pombal me Reprezentou por sua Petição: que entre os bens do Morgado, que    instituira Simão de Mello e Magalhaens, de que o Suplicante era Administrador,    se comprehendião, como cabeça delle, humas cazas amplas, e nobres, si/tas na    cidade de Lisboa, defronte da Jgreja, e Convento dos Relligiozos Carmelitas    Calçados; as quaes pelo Terramoto, e incendio do primeiro de Novembro de mil,    setecentos, cincoenta, e cinco, foram não Só destruhidas, sem dellas ficar mais    do que o terreno queimado. E porque o Suplicante para levantar as ditas cazas,    em beneficio publico do prospecto da Cidade, com utilidade particular dos Bens    Vinculados da Sua Caza, tinha justo a venda de seis Apolices, que possuhia na    Companhia Geral de Pernambuco, e Parayba, pertencentes ao Morgado de Lucenas,    de que hera Administrador, pelos preços dos Seus actuaes Capitaes, que pertendia    aplicar à factura das ditas cazas, por se lhe Seguir mayor utilidade. Me pedia    lhe fizesse mercê conceder faculdade para a alheação das referidas Apolices,    não obstante Serem de Vinculo, e confirmar a Subrogação, que o Suplicante fazia    dellas, a beneficio da dita obra, para a qual já tinha acomulado a mayor parte    dos materiaes, com com despeza Concideravel. E visto o que alegou, consentimento,    que deu para esta venda, e Subrogação, o Conde de Oeyras, immediato Successor    da Caza do Marquez Suplicante seu Pay. E tendo concideração ao mais, que me    foi prezente, em consulta da Meza do Meu Dezembargo do Paço: Hey por bem conceder    ao Suplicante as Faculdades, que pede para poder vender as Seis Apolices, de    que faz menção, sem embargo de Serem vinculadas, e das clauzulas da Sua instituição,    ficando subrogado o Capital das ditas Apolices, nas referidas cazas, que tem    mandado reedificar, e unido, e vinculado ao mesmo vinculo o Sobredito capital,    e livres, e izentas delle as ditas seis Apolices. E esta Provizão se cumprirá    inteiramente, como nella Se contém, e valerá posto que Seu effeito haja de durar    mais de hum anno, sem embargo da Ordemnação do Livro Segundo, titulo quarenta    em contrario; e Se trasladará na Escriptura, que se fizer desta venda, e Subrogação,    no Tombo, e insti/tuição do dito Morgado, para constar a todo o tempo, que assim    o houve por bem; e deu fiança no Livro primeiro dellas a folhas duzentas, e    nove verso, a pagar os novos direitos, que dever desta merce, como constou por    conhecimento em forma, assignado pelos officiaes dos mesmos direitos. El Rey    Nosso Senhor o mandou por seu especial Mandado pelos Ministros abaixo assignados    do Seu Conselho, e Seus Dezembargadores do Paço: Jozeph Anastacio Guerreiro    a fez em Lisboa a vinte, e nove de Janeiro de mil, Setecentos, Setenta, e Seis.    Antonio Pedro Vergollino a fez escrever // Pedro Viegas de Novaes // Joseph    Ricalde Pereira de Castro //. Por Rezolução de Sua Magestade de vinte, e dous    de Janeiro de mil, Setecentos, Setenta, e Seis; tomada em consulta do Dezembargo    do Paço. // Antonio Joseph de Affonceca Lemos // Pagou quinhentos e quarenta    reis, e aos officiaes nada por quitarem. Lisboa trinta de Janeiro de mil, setecentos,    Setenta, e Seis. // Dom Sebastião Maldonado // Registada na Chancellaria Mór    da Corte, e Reyno no Livro de Officios, e Merces a folhas trezentas, Setenta,    e quatro verso. Lisboa trinta de Janeiro de mil, Setecentos, setenta, e seis    // Jeronimo Joseph Correa de Moura //. (...)</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>IV - 1776, dezembro, 04, Lisboa</b></p>     <p>Provisão de confirmação de venda de bens pertencentes ao morgado da rua Formosa    ficando a ele subrogadas as casas que com o seu produto se edificava junto ao    convento do Carmo de Lisboa. </p>     <p>ANTT, <i>Chancelaria de D. José</i>, Livro 80, f. 323-323v.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Dom Jozé Etca. Faço saber que o Marques de Pombal, me Reprezentou por sua p<i>eti</i>çam    que entre os bens do Morgado, instituido por Simão de Melo, e Magalhães, de    que o Supplic<i>ant</i>e era Adm<i>inistrad</i>or, Se comprihendião como Cabeça    delles, huas Amplas, e nobres casas, Sitas na cid<i>ad</i>e de L<i>isbo</i>a    defronte da Jgre<i>j</i>a, e convento dos Religiozos Caramelitas Calçados, as    quais pelo Terramoto, e incendio do primeiro de Nov<i>emb</i>ro de 1755, forão    não Só distruidas, mas inteiram<i>en</i>te aniquiladas Sem dellas ficar mais,    do que o terreno queimado. E porque o Supplic<i>ant</i>e para levantar as Referidas    Casas, em beneficio publico do Prespecto da Cid<i>ad</i>e, e em utilidade particular    dos bens vinculados de que era Adm<i>inistrad</i>or, tinha vendido hum Prazo    na v<i>ill</i>a da Ega. Hu<i>m</i>as terras no Campo de Freixede, e Abadinhas,    no termo de Monte Mor o Velho, e outras no Campo de Alencarce, no t<i>e</i>r<i>m</i>o    de Soure ao Dez<i>embargad</i>or João Pereira Ramos de Azeredo Coutinho, pello    preço de 6.335.000 reis que seus Jrmãos o Cardeal de Carv<i>alh</i>o e Francisco    X<i>avi</i>er de Mendonça Furtado deicharão vinculadas ao Morgado da Rua Formoza;    Outras propried<i>ad</i>es sitas na V<i>ill</i>a de S. João da Pesqueira, e    outras V<i>ill</i>as, e lugares da Comenda de Pinhel a João Manoel de Castro    e Sande pello preço de 2.800.000 reis; e outras terras Sitas na Villa de Sernachelhe,    e outros lugares daquellas Vizinhanças a Francisco Xavier de Moraes de Figueiredo    por 1.600.000 reis Sendo os Referidos bens pertencentes ao mesmo morgado da    Rua Fermoza; o qual tinha grande discomodo, na arrecadação de todos os Reff<i>erid</i>os    bens, emtão grandes distancias, e notoria conviniencia, em Receber os Rendim<i>en</i>tos    delles na d<i>it</i>a propried<i>ad</i>e que hia Reedificar, quazi dentro em    Sua Casa. Pedindome lhe fizece m<i>er</i>ce conceder faculd<i>ad</i>e p<i>ar</i>a    as Atuações de todos os Sobreditos bens, não obst<i>ant</i>e Serem de Vinculo;    e confirmar a Sobrogação, que o Supp<i>licant</i>e fazia delles na obra, para    que ja tinha acomolado a major parte dos matriaes, com despeza, / ou igual,    ou major do que o valor das Sobred<i>ita</i>s Vendas, ficando o novo edificio    pertencendo ao d<i>it</i>o Morgado da Rua Fermoza; Cujas erão as propried<i>ad</i>es    vinculadas; e visto o que alegou, e concentim<i>en</i>to que prestou o Conde    Oeiras [sic] Jmmediato Sucessor da Casa; e morgados do Marques Supp<i>licant</i>e    da Casa, digo Seu Pay; e a vista da notoria, e evidente utilid<i>ad</i>ie que    Rezulta ao d<i>it</i>io Morgado das vendas, que tem feito, e da aplicação que    quer fazer dos preços dellas, p<i>ar</i>ia a Reedificação das Casas de que Se    trata; ao que tendo concideração, e ao mais, que me foi prezente em Consulta    da Meza do Meu Dez<i>embarg</i>io do Paço; Hey por bem fazer merce ao Marques    Supp<i>licant</i>ie de autorizar as Vendas de que se fas menção, e de as confirmar,    como com efeito confirmo, e hey por confirmadas Sem embargo de Serem feitas    de bens de morgado, e de quaisquer Clauzulas da sua instituição; ficando o novo    ideficio, que o Supp<i>licant</i>ie tem mandado vincular digo Reedificar defronte    da Jgr<i>ej</i>ia, e Conv<i>en</i>ito dos Religiozos Caramelitas Calçados desta    Cid<i>ad</i>ie unido, e vinculado, e pertencendo ao d<i>it</i>io Morgado da    Rua Formoza; Cujas erão as propried<i>ad</i>ies Vendidas; e estas livres, e    izentas do mesmo Morgado; e esta Provizão Se cumprirá como nella Se contem,    posto que Seu efeito haja de durar mais de hum anno, Sem emb<i>ar</i>igo da    Ordenação em contrario, L<i>iv</i>iro 2º digo da ordenação do L<i>iv</i>iro    2º T<i>i</i>it<i>u</i>ilo 4º em contrario, e Se tresladará na Escriptura que    se fizer desta Sobrogação, no Tombo, e instituição do dito Morgado, e aonde    mais pertencer para constar a todo o tempo, que aSim o houve por bem; E pagou    de novos Direitos 107.350 reis (...) El Rey Nosso Senhor o mandou por seu espicial    mando pellos Ministros abacho aSinados do seu Conselho e Seus Dezembargadores    do Paço. Jozé Anastacio Guerreiro a fez em Lisboa a 4 de Dezembro de 1775. desta    gratis. Francisco de Azis da Silva Padilha e Sexas a fez escrever // Bartolomeu    Jozé Nunes Cardozo Giraldes // Jozé Ricalde Pereira de Castro // Por Rezolução    de Sua Magestade de 22 de Nov<i>emb</i>iro de 1775. tomada em consulta do Dez<i>embar</i>igo    do Paço // Antonio Jozé de Afonseca Lemos // Pagou 400 r<i>ei</i>is aos off<i>icia</i>ies    Nada por quitarem. Lisboa 5 de Dez<i>emb</i>iro de 1775 // D. Sebastião Mald<i>onad</i>io    // Jeronimo Jozé Corr<i>e</i>ia de Moura //i</p>      ]]></body><back>
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