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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A escrita “manuelina” nas provisões régias quinhentistas]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In the reign of D. Manuel, from 1500 onwards, a new kind of letter appeared in Portugal. This lettering was distinct from the johannine calligraphy (a standard graphic fixed in the Royal Chancellery since D. João I), with the introduction of changes and innovations similar to the model of the Castilian courtier characterized by a different calligraphic version and a faster cursive hand. The introduction of these variations into a previously canonized writing must have been accomplished through the hands of highly positioned professionals in the royal court, who had the capacity and authority to maneuver and imposed them. The analysis of the writings used by the court clerks in the drafting of royal provisions allows assigning the introduction of manueline writing to the writers Afonso Mexia and António Carneiro respectively in the calligraphic version and quick cursive hand.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO</b></p> <b>     <p>A escrita &ldquo;manuelina&rdquo; nas provis&otilde;es r&eacute;gias quinhentistas </p>     <p>&ldquo;Manueline&rdquo; scripts in royal provisions at the early sixteenth-century</p>     <p>Maria Teresa Pereira Coelho<sup>*</sup></p> </b>     <p><sup>*</sup> Maria Teresa Pereira Coelho, investigadora independente, 2775-368 Carcavelos, Portugal. <a href="mailto:tpereiracoelho@sapo.pt">tpereiracoelho@sapo.pt</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>No reinado de D. Manuel, a partir de 1500, surge em Portugal uma nova letra bem distinta da letra joanina (c&acirc;none gr&aacute;fico fixado na Chancelaria R&eacute;gia desde D. Jo&atilde;o I), com introdu&ccedil;&atilde;o de altera&ccedil;&otilde;es e inova&ccedil;&otilde;es semelhantes ao modelo da cortes&atilde;o castelhana apresentando uma vers&atilde;o caligrafada e outra cursiva veloz. A introdu&ccedil;&atilde;o destas altera&ccedil;&otilde;es numa escrita previamente canonizada dever&aacute; ter surgido atrav&eacute;s das m&atilde;os de profissionais altamente posicionados na Corte r&eacute;gia, com capacidade e espa&ccedil;o de manobra para as impor. A an&aacute;lise das escritas usadas pelos escriv&atilde;es da Corte na reda&ccedil;&atilde;o das provis&otilde;es r&eacute;gias permite atribuir a introdu&ccedil;&atilde;o da escrita manuelina aos escriv&atilde;es Afonso Mexia e Ant&oacute;nio Carneiro nas vers&otilde;es caligrafada e cursiva veloz respetivamente.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>PALAVRAS-CHAVE</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Paleografia / Escrita manuelina / Escrita cortes&atilde; / Provis&otilde;es r&eacute;gias / C&acirc;none</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>In the reign of D. Manuel, from 1500 onwards, a new kind of letter appeared in Portugal. This lettering was distinct from the johannine calligraphy (a standard graphic fixed in the Royal Chancellery since D. Jo&atilde;o I), with the introduction of changes and innovations similar to the model of the Castilian courtier characterized by a different calligraphic version and a faster cursive hand. The introduction of these variations into a previously canonized writing must have been accomplished through the hands of highly positioned professionals in the royal court, who had the capacity and authority to maneuver and imposed them. The analysis of the writings used by the court clerks in the drafting of royal provisions allows assigning the introduction of manueline writing to the writers Afonso Mexia and Ant&oacute;nio Carneiro respectively in the calligraphic version and quick cursive hand. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>KEYWORDS</b></p>     <p>Palaeography / &ldquo;Manueline&rdquo; script / Courtly script / Royal provisions / Canon</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></p>     <p>Pode dizer-se que as escritas s&atilde;o o resultado da evolu&ccedil;&atilde;o de um tipo anterior, produto de uma regi&atilde;o e de um movimento cultural em que se insere, sofrendo influ&ecirc;ncias que se repercutem nas suas formas e v&atilde;o contribuindo para a sua diferencia&ccedil;&atilde;o que, a pouco e pouco, permitem distinguir a exist&ecirc;ncia de caracter&iacute;sticas diferentes da escrita que a antecede. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No decorrer da evolu&ccedil;&atilde;o da forma, &eacute; poss&iacute;vel fixar certos momentos em que a escrita assume aspetos caracter&iacute;sticos, que permitem distinguir tipos bem definidos a que se atribui um nome particular, procedendo-se deste modo a uma classifica&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Em 1969, Eduardo Borges Nunes prop&ocirc;s a denomina&ccedil;&atilde;o de &ldquo;manuelina&rdquo; para uma &ldquo;letra nova&rdquo;, surgida no reinado de D. Manuel, apresentando-a como &ldquo;bem distinta da letra joanina&rdquo;<a href="#1"><sup>1</sup></a><a name="top1"></a>, que desapareceu em meados do s&eacute;culo XVI, ap&oacute;s um processo de hibrida&ccedil;&atilde;o. Considerou que esta &ldquo;letra nova&rdquo;, sendo cursiva por forma&ccedil;&atilde;o, apresentava duas vers&otilde;es: uma caligrafada e outra cursiva veloz. Nas refer&ecirc;ncias a esta nova letra foram feitas algumas compara&ccedil;&otilde;es com o c&acirc;none joanino e com o modelo da escrita cortes&atilde; castelhana. As classifica&ccedil;&otilde;es, mais ou menos tradicionais, baseadas nas grandes &ldquo;fam&iacute;lias&rdquo; de escrita situam esta &ldquo;nova letra&rdquo; no campo das g&oacute;ticas quanto &agrave; forma&ccedil;&atilde;o e nos subgrupos das caligr&aacute;ficas e cursivas no que diz respeito ao modo de execu&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Tendo como ponto de partida a ideia de que esta nova escrita &ldquo;foi, de facto, obra do ambiente gr&aacute;fico da corte r&eacute;gia&rdquo;<a href="#2"><sup>2</sup></a><a name="top2"></a> e que a sua introdu&ccedil;&atilde;o em Portugal poderia estar relacionada com os contactos entre as cortes portuguesa e castelhana, dadas as rela&ccedil;&otilde;es familiares muito pr&oacute;ximas durante este reinado e considerando que seria de origem cortes&atilde; (escrita usada na Corte castelhana), a an&aacute;lise da documenta&ccedil;&atilde;o redigida pelos escriv&atilde;es permite atribuir a responsabilidade da introdu&ccedil;&atilde;o da escrita manuelina na documenta&ccedil;&atilde;o portuguesa aos escriv&atilde;es Afonso Mexia e Ant&oacute;nio Carneiro. </p>     <p>O elevado n&uacute;mero de provis&otilde;es r&eacute;gias (cartas missivas, mandados e alvar&aacute;s) existente no acervo do Arquivo da C&acirc;mara de Lisboa tem possibilitado uma an&aacute;lise da escrita utilizada por v&aacute;rios escriv&atilde;es identificados no escatocolo, pass&iacute;veis de localizar temporalmente e admitindo-se a hip&oacute;tese de verificar em cada autor gr&aacute;fico a altera&ccedil;&atilde;o ou perman&ecirc;ncia de um tipo de escrita, o que permite conhecer o c&acirc;none joanino, identificar as altera&ccedil;&otilde;es introduzidas a partir de 1500 e caracterizar um novo arqu&eacute;tipo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ENQUADRAMENTO HIST&Oacute;RICO: TEND&Ecirc;NCIAS GR&Aacute;FICAS NOS S&Eacute;CULOS XV E XVI</b></p>     <p>Na Europa do s&eacute;culo XV, a escrita predominante continuava a ser a &ldquo;g&oacute;tica&rdquo;, nas vers&otilde;es &ldquo;cursiva&rdquo; e &ldquo;libr&aacute;ria&rdquo; em que, se por um lado se cursivava para permitir uma escrita mais r&aacute;pida, por outro se apresentava um tipo mais caligr&aacute;fico &ldquo;fortemente anguloso, mais adequado &agrave; natureza de manuscritos solenes&rdquo;<a href="#3"><sup>3</sup></a><a name="top3"></a>.</p>     <p>O aumento da produ&ccedil;&atilde;o de documentos de car&aacute;ter jur&iacute;dico e econ&oacute;mico e das atividades nas chancelarias por parte dos not&aacute;rios, tabeli&atilde;es p&uacute;blicos e escriv&atilde;es, levou a uma execu&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida da escrita n&atilde;o compat&iacute;vel com a forma caligr&aacute;fica da &ldquo;g&oacute;tica&rdquo;. A cursividade da &ldquo;g&oacute;tica&rdquo; e a sua multiplicidade de estilos foram produzindo formas artificiais de liga&ccedil;&atilde;o entre as letras que condicionavam a sua feitura. Na opini&atilde;o de Jos&eacute; Marques<a href="#4"><sup>4</sup></a><a name="top4"></a>, estamos perante um fen&oacute;meno de <i>ductus</i> inverso, ou seja, a ordem e o sentido dos tra&ccedil;os inverte-se para uma maior facilidade de movimentos, com consequ&ecirc;ncias de ordem gr&aacute;fica. A liga&ccedil;&atilde;o entre as letras feita pela parte superior desfigura algumas delas, levando ao aparecimento de novas formas. Este fen&oacute;meno, diferenciado de acordo com a regi&atilde;o, leva-nos, por exemplo, a distinguir o cursivo portugu&ecirc;s do de Castela, que embora havendo um certo parentesco entre eles e algum paralelismo na evolu&ccedil;&atilde;o, nomeadamente no arredondamento das letras e nos tra&ccedil;os de abreviatura, apresentam caracter&iacute;sticas espec&iacute;ficas.</p>     <p>As cr&iacute;ticas feitas pelos humanistas italianos &agrave; forma artificial da escrita &ldquo;g&oacute;tica&rdquo;, por um lado, e a introdu&ccedil;&atilde;o, pelo humanista Poggio Bracciolini, de uma nova forma de escrita (a &ldquo;human&iacute;stica&rdquo;) que, imitando a &ldquo;carolina&rdquo;, apresentava um modo de execu&ccedil;&atilde;o r&aacute;pido, contribu&iacute;ram para a expans&atilde;o desta &uacute;ltima e progressivo desaparecimento da anterior. </p>     <p>A reaproxima&ccedil;&atilde;o, desde meados do s&eacute;culo XV, entre os reinos de Portugal e de Castela, intensificada durante o reinado de D. Manuel, levou Borges Nunes a interrogar-se sobre a possibilidade de os escriv&atilde;es portugueses terem imitado a escrita &ldquo;cortes&atilde;&rdquo; castelhana, considerando que poderia ter existido uma &ldquo;lenta contamina&ccedil;&atilde;o de esp&iacute;rito&rdquo;<a href="#5"><sup>5</sup></a><a name="top5"></a> sem que isso implicasse a importa&ccedil;&atilde;o pura e simples do modelo castelhano.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A escrita &ldquo;cortes&atilde;&rdquo;, uma deriva&ccedil;&atilde;o da letra de &ldquo;albalaes&rdquo; (alvar&aacute;s), apresenta-se comprimida, mi&uacute;da, com poucas abreviaturas, arredondamento dos tra&ccedil;os, diminui&ccedil;&atilde;o da altura das hastes e com muitas ligaduras em que os tra&ccedil;os finais se prologam em forma de curva. Esta escrita empregada com grande regularidade nas cartas e despachos expedidos pela secretaria dos reis, pelo conselho ou pela chancelaria, foi pouco usada nos documentos particulares.</p>     <p>A escrita cortes&atilde;, que pode ter grande perfei&ccedil;&atilde;o e beleza quando executada com cuidado, como recomendavam as pragm&aacute;ticas r&eacute;gias sobre a reda&ccedil;&atilde;o de documentos p&uacute;blicos, sofreu um processo de degrada&ccedil;&atilde;o, tal como tinha acontecido anteriormente com a g&oacute;tica, em virtude do <i>cursus</i>. Pela rapidez de reda&ccedil;&atilde;o transformou-se em escrita processual, resultante da arte de execu&ccedil;&atilde;o dos escribas, que foram suprimindo tra&ccedil;os sup&eacute;rfluos e equiparando o tamanho das v&aacute;rias letras. A grafia das letras transformou-se num puro enlace de curvas c&ocirc;ncavas e convexas, num tra&ccedil;o que aparenta uma cadeia sem fim, sem separa&ccedil;&atilde;o de palavras a que se d&aacute; o nome de escrita encadeada.</p>     <p>Em Portugal, no &uacute;ltimo quartel do s&eacute;culo XIV, o cursivo comum deteriora-se acentuadamente dando lugar a um tipo mais regularizado, aparentado aos cursivos franceses, semelhante &agrave; &ldquo;lettre b&acirc;tarde&rdquo;, para a qual Borges Nunes prop&otilde;e o nome de &ldquo;letra joanina&rdquo;<a href="#6"><sup>6</sup></a><a name="top6"></a>. No s&eacute;culo XV, e com prolongamento at&eacute; ao s&eacute;culo XVI, a escrita vigente era a &ldquo;g&oacute;tica&rdquo;, nas vers&otilde;es caligr&aacute;fica utilizada essencialmente nos c&oacute;dices e cursiva para os textos diplom&aacute;ticos. No entanto, tal como aconteceu em Castela, &ldquo;os escriv&atilde;es da corte come&ccedil;aram, paulatinamente, a diminuir a agudeza das hastes, a aliviar a compress&atilde;o horizontal da escrita, a acentuar-lhe a inclina&ccedil;&atilde;o, a arredondar o tra&ccedil;ado de letras e sinais&rdquo;<a href="#7"><sup>7</sup></a><a name="top7"></a>, dando origem a uma nova letra para a qual Eduardo Borges Nunes prop&otilde;e o apelativo de letra manuelina, afirmando ter sido ela um produto t&iacute;pico dos meios escreventes da Corte portuguesa do final do s&eacute;culo XV e primeira metade do s&eacute;culo XVI. Em simult&acirc;neo, num processo natural de contamina&ccedil;&atilde;o, come&ccedil;am a surgir &ldquo;elementos de um sistema gr&aacute;fico diferente, neste caso do human&iacute;stico&rdquo;<a href="#8"><sup>8</sup></a><a name="top8"></a> podendo afirmar-se que &ldquo;o processo de introdu&ccedil;&atilde;o da escrita human&iacute;stica na pr&aacute;tica escritur&aacute;ria dos escriv&atilde;es r&eacute;gios teve in&iacute;cio na d&eacute;cada iniciada em 1520, prolongando-se pela d&eacute;cada seguinte&rdquo;<a href="#9"><sup>9</sup></a><a name="top9"></a>. </p>     <p>A &ldquo;human&iacute;stica libr&aacute;ria&rdquo; est&aacute; associada &agrave; fase de reforma dos forais e &agrave; c&oacute;pia da documenta&ccedil;&atilde;o r&eacute;gia referente a cada uma das comarcas do reino, cuja cole&ccedil;&atilde;o ficou conhecida pela designa&ccedil;&atilde;o de &ldquo;Leitura Nova&rdquo;.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>CARACTERIZA&Ccedil;&Atilde;O DAS ESCRITAS UTILIZADAS PELOS ESCRIV&Atilde;ES NAS PROVIS&Otilde;ES R&Eacute;GIAS</b></p>     <p>Nas provis&otilde;es r&eacute;gias produzidas na &uacute;ltima d&eacute;cada do s&eacute;culo XV predomina o c&acirc;none &ldquo;joanino&rdquo; (ver <a href="#f1">Figuras 1</a>e <a href="#f2">2</a>) em que os tra&ccedil;os angulosos, as hastes altas, o prolongamento inferior das caudas e os longos tra&ccedil;os de abreviatura ocupam o espa&ccedil;o entre as linhas, dando um aspeto carregado, sem grande contraste de finos e cheios.</p>     <p>Na reda&ccedil;&atilde;o das provis&otilde;es r&eacute;gias ap&oacute;s 1500 a maioria dos escriv&atilde;es utilizava um novo modelo que se caracteriza, em termos gerais, pela altera&ccedil;&atilde;o da sua feitura, pelo aparecimento de novas formas em algumas letras e pelo desaparecimento de outras, tornando-se evidente a tend&ecirc;ncia para o arredondamento dos tra&ccedil;os, a diminui&ccedil;&atilde;o do tamanho das hastes e dos prolongamentos, libertando espa&ccedil;o entre as linhas e comprimindo as letras de cada palavra.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n10/ser2n10a06f1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f2"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n10/ser2n10a06f2.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Na execu&ccedil;&atilde;o dessa nova escrita, a que foi dado o apelativo de manuelina, foram identificadas duas t&eacute;cnicas: uma caligrafada (ver <a href="#f3">Figuras 3</a>) e uma cursiva comum<a href="#10"><sup>10</sup></a><a name="top10"></a> (ver <a href="#f4">Figuras 4</a>) que se diferenciam pelo n&uacute;mero de tra&ccedil;os da feitura e pelo espa&ccedil;o entre palavras, que na cursiva &eacute; ocupado por ligaduras.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n10/ser2n10a06f3.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n10/ser2n10a06f4.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>A escrita &ldquo;manuelina comum&rdquo; cursiva, com uni&atilde;o das letras de cada palavra e ligaduras entre algumas palavras, apresenta as letras pequenas<a href="#11"><sup>11</sup></a><a name="top11"></a> de dimens&otilde;es reduzidas com tra&ccedil;os arredondados (a, c, m, n, r, u) e la&ccedil;adas redondas em algumas formas (e, s, t). As letras altas<a href="#12"><sup>12</sup></a><a name="top12"></a> apresentam hastes curtas com la&ccedil;adas (b, l, h, d) ou tra&ccedil;os obl&iacute;quos arredondados (v) com predom&iacute;nio da inclina&ccedil;&atilde;o para a esquerda. As letras baixas<a href="#13"><sup>13</sup></a><a name="top13"></a>, sem grandes prolongamentos, revelam formas arredondadas com simplifica&ccedil;&atilde;o na feitura, atrav&eacute;s da diminui&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de tra&ccedil;os de execu&ccedil;&atilde;o, o uso de la&ccedil;adas em algumas formas (f, j, z). &Eacute; frequente a coexist&ecirc;ncia, no mesmo documento, de v&aacute;rias formas das mesmas letras, como &eacute; o caso de <b>f</b>, <b>g</b>, <b>p</b>, <b>s</b>. Registou-se uma escassez de uso de abreviaturas e a diminui&ccedil;&atilde;o do uso de <b><i>i</i></b> e <b><i>s</i></b> longo bem como de <b><i>r</i></b> caudado; predomin&acirc;ncia do <b><i>r</i></b> arredondando semelhante ao n&uacute;mero 2, do <b><i>e</i></b> com la&ccedil;ada e <b><i>i</i></b> com pinta.</p>     <p>No sistema de numera&ccedil;&atilde;o, mant&eacute;m-se o uso de letras e n&uacute;meros com maior frequ&ecirc;ncia para formas mistas e em que o numeral <b><i>5</i></b> &eacute; aquele que apresenta maior variedade de formas.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4a"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n10/ser2n10a06f4a.jpg">     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Na escrita &ldquo;manuelina caligrafada&rdquo;, para al&eacute;m do arredondamento dos tra&ccedil;os, da diminui&ccedil;&atilde;o da extens&atilde;o das hastes e dos prolongamentos, podemos verificar a separa&ccedil;&atilde;o das palavras, o menor uso de ligaduras e a compress&atilde;o horizontal da escrita com maior n&uacute;mero de palavras por linha, o frequente uso do <b><i>s</i></b> g&oacute;tico em final de palavra e variadas formas do sinal de conjun&ccedil;&atilde;o <b><i>e</i></b>. Na variante caligrafada &eacute; mais frequente o uso de v&iacute;rgulas, pontos finais e cedilhas.</p>     <p>Os primeiros escriv&atilde;es a apresentar altera&ccedil;&otilde;es ao modelo joanino s&atilde;o Ant&oacute;nio Carneiro e Afonso Mexia, respetivamente nas vers&otilde;es &ldquo;comum&rdquo; e &ldquo;caligrafada&rdquo; a quem, provavelmente, poder&atilde;o ser atribu&iacute;das as responsabilidades pela inova&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Tendo em considera&ccedil;&atilde;o que cada escrita &eacute; o resultado da evolu&ccedil;&atilde;o de um tipo anterior, em que entram em ‘competi&ccedil;&atilde;o' v&aacute;rios elementos e causas m&uacute;ltiplas, interessa averiguar as condi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e culturais ou elementos exteriores que possam estar na base destas altera&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>&Eacute; sabida a proximidade entre as cortes portuguesa e castelhana atrav&eacute;s dos sucessivos matrim&oacute;nios do rei D. Manuel, cuja evid&ecirc;ncia, dentre outras, &eacute; a vinda para Portugal de membros da Corte castelhana. Assim, como &eacute; certo que no s&eacute;culo XV a letra utilizada em Castela nas cartas e despachos expedidos pela secretaria dos reis era a cortes&atilde; pode-se afirmar que a nova letra manuelina &eacute; de inspira&ccedil;&atilde;o cortes&atilde;.</p>     <p>Tendo em considera&ccedil;&atilde;o as caracter&iacute;sticas apresentadas por Mu&ntilde;oz y Rivero relativamente &agrave; escrita cortes&atilde;, nomeadamente o facto de apresentar um arredondamento dos tra&ccedil;os, ser comprimida, mi&uacute;da, n&atilde;o muito pr&oacute;diga em abreviaturas, com muitas ligaduras e o prolongamento dos tra&ccedil;os finais em forma de curva e comparando a manuelina caligrafada com a cortes&atilde;, podemos verificar a exist&ecirc;ncia de algumas semelhan&ccedil;as.</p>     <p>Estas semelhan&ccedil;as traduzem-se n&atilde;o s&oacute; no arredondamento dos tra&ccedil;os e na forma de algumas letras, como sejam, as letras <b><i>A</i></b> e <b><i>S</i></b> mai&uacute;scula, o <b><i>d,</i></b> <b><i>f</i></b>, <b><i>v</i></b>, <b><i>a</i></b> e <b><i>y </i></b>min&uacute;scula, mas tamb&eacute;m na compress&atilde;o horizontal da escrita e nas dimens&otilde;es reduzidas das letras pequenas.</p>     <p>Tem-se constatado que &eacute; frequente, no mesmo per&iacute;odo temporal em que h&aacute; uma prolifera&ccedil;&atilde;o da escrita manuelina (ver <a href="#f5">Figuras 5</a>), a presen&ccedil;a de escritas realizadas sem obedi&ecirc;ncia aos c&acirc;nones estabelecidos (ver <a href="#f6">Figuras 6</a>), permitindo identificar para o mesmo autor gr&aacute;fico v&aacute;rios tipos de escrita, incluindo formas de escrita espont&acirc;nea, ou variantes gr&aacute;ficas da escrita usual no quotidiano, como se pode exemplificar atrav&eacute;s de alguns documentos redigidos por Dami&atilde;o Dias, entre outros escriv&atilde;es. </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f5"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n10/ser2n10a06f5.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f6"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n10/ser2n10a06f6.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>No caso de Afonso Mexia, o escriv&atilde;o usou, durante a sua longa carreira, o modelo joanino, o novo modelo de escrita manuelina nas vers&otilde;es comum e caligrafada (ver <a href="#f7">Figuras 7</a>) e uma outra escrita que poder&aacute; ser considerada espont&acirc;nea ou usual (ver <a href="#f8">Figuras 8</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f7"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n10/ser2n10a06f7.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f8"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n10/ser2n10a06f8.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>A hip&oacute;tese de exist&ecirc;ncia de uma rela&ccedil;&atilde;o direta entre o tipo de escrita utilizada e a tipologia documental pode considerar-se nula j&aacute; que foram utilizados v&aacute;rios tipos de escrita nos alvar&aacute;s e cartas-missivas. Apenas nos mandados se observa alguma maior frequ&ecirc;ncia do uso das escritas mais cursivas e usuais. A escolha do tipo de escrita parece ficar ao crit&eacute;rio de cada escriv&atilde;o com exce&ccedil;&atilde;o de algumas cartas mais solenes em que predominou uma escrita caligrafada.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>TIPOLOGIA DOCUMENTAL E FORMUL&Aacute;RIOS</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As provis&otilde;es r&eacute;gias no reinado de D. Manuel apresentam formul&aacute;rios espec&iacute;ficos para cada um dos tipos (alvar&aacute;s, mandados e cartas-missivas) n&atilde;o se verificando diferen&ccedil;as significativas entre os v&aacute;rios escriv&atilde;es.</p>     <p>Os <b>alvar&aacute;s </b>t&ecirc;m in&iacute;cio com a <i>subscriptio </i>r&eacute;gia (N&oacute;s el rei), seguida da notifica&ccedil;&atilde;o (fazemos saber) e da <i>inscriptio</i><a href="#14"><sup>14</sup></a><a name="top14"></a> (a vos F.). O texto pode ter in&iacute;cio com a narra&ccedil;&atilde;o seguida do dispositivo (Nos praz ou havemos por bem) ou o contr&aacute;rio, terminando com a cl&aacute;usula de notifica&ccedil;&atilde;o (vos mandamos). O escatocolo come&ccedil;a com o partic&iacute;pio &ldquo;feito&rdquo; ou &ldquo;escrito&rdquo; seguido da <i>datatio</i> (elemento topogr&aacute;fico, elemento cronol&oacute;gico: dia, m&ecirc;s e ano), sendo, por vezes, interrompido entre o m&ecirc;s e o ano pela identifica&ccedil;&atilde;o do escriv&atilde;o (&ldquo;F. o fez&rdquo;) ou tendo in&iacute;cio com a identifica&ccedil;&atilde;o do autor, seguindo-se a data.</p>     <p>Nos <b>mandados,</b> o protocolo tem in&iacute;cio com o nome do destinat&aacute;rio, a <i>inscriptio</i><a href="#15"><sup>15</sup></a><a name="top15"></a> seguida do dispositivo (mandamos vos). O texto &eacute; curto, apresentando as instru&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas de forma direta. O escatocolo come&ccedil;a com o partic&iacute;pio &ldquo;feito&rdquo; seguido da <i>datatio</i> (elemento topogr&aacute;fico, elemento cronol&oacute;gico: dia, m&ecirc;s e ano) id&ecirc;ntico ao dos alvar&aacute;s.</p>     <p>As <b>cartas-missivas</b> apresentam um formul&aacute;rio diversificado e t&ecirc;m, regra geral, in&iacute;cio com o endere&ccedil;o<a href="#16"><sup>16</sup></a><a name="top16"></a>, seguido da <i>subscriptio</i> r&eacute;gia e de uma sauda&ccedil;&atilde;o (vos enviamos muito saudar). O texto inicia-se com a <i>narratio</i> e termina com o dispositivo. O escatocolo &eacute; id&ecirc;ntico ao dos alvar&aacute;s e mandados, diferindo apenas no predom&iacute;nio do verbo utilizado (escrita em vez de feita).</p>     <p>A <i>subscriptio</i> mais usada nas provis&otilde;es r&eacute;gias &eacute; concisa, expressa por &ldquo;Dom Manuel et cetera&rdquo; ou &ldquo;Nos el rey&rdquo;, tendo-se registado poucas situa&ccedil;&otilde;es em que &eacute; utilizada a forma extensa<a href="#17"><sup>17</sup></a><a name="top17"></a>.</p>     <p>No reinado de D. Jo&atilde;o III registam-se altera&ccedil;&otilde;es no final do escatocolo, nomeadamente com introdu&ccedil;&atilde;o de frases de subscri&ccedil;&atilde;o redigidas por escriv&atilde;es que continuavam como redatores das provis&otilde;es r&eacute;gias ou outros e, em paralelo, a exist&ecirc;ncia do mesmo tipo de documentos sem qualquer subscri&ccedil;&atilde;o sem diferen&ccedil;as nos formul&aacute;rios dos documentos com subscri&ccedil;&atilde;o e sem subscri&ccedil;&atilde;o. </p>     <p>A t&iacute;tulo de exemplo, podemos indicar duas cartas para o mesmo destinat&aacute;rio, redigidas pelo escriv&atilde;o Manuel de Moura, uma com subscri&ccedil;&atilde;o<a href="#18"><sup>18</sup></a><a name="top18"></a> e outra sem<a href="#19"><sup>19</sup></a><a name="top19"></a>, em que foi utilizado o mesmo formul&aacute;rio: endere&ccedil;o, seguido da <i>subscriptio</i> r&eacute;gia e de uma sauda&ccedil;&atilde;o. O texto inicia-se com a narratio e termina com o dispositivo e no escatocolo constam os elementos topogr&aacute;fico, cronol&oacute;gico e de identifica&ccedil;&atilde;o do escriv&atilde;o.</p>     <p>O mesmo escriv&atilde;o com subscritores diferentes n&atilde;o apresenta formul&aacute;rios diferentes, como &eacute; o caso de dois mandados<a href="#20"><sup>20</sup></a><a name="top20"></a> de &Aacute;lvaro Neto em que o formul&aacute;rio &eacute; igual: nome do destinat&aacute;rio (<i>inscriptio</i>), seguido do dispositivo (mandamos vos) e de um texto curto e direto. O escatocolo tem in&iacute;cio com o partic&iacute;pio &ldquo;escrito&rdquo; seguido do local e dos elementos cronol&oacute;gicos.</p>     <p>A partir de 1521, a subscri&ccedil;&atilde;o das provis&otilde;es r&eacute;gias surgiu essencialmente associada aos assuntos da Fazenda. Alguns dos escriv&atilde;es, que no anterior reinado faziam parte do grupo preferencial para a reda&ccedil;&atilde;o da documenta&ccedil;&atilde;o emanada da C&acirc;mara do Rei, ter&atilde;o sido &ldquo;deslocados&rdquo; para assuntos relacionados com a Fazenda. O ato de subscri&ccedil;&atilde;o passou a ser frequente, tendo sido identificados como subscritores os escriv&atilde;es Afonso Mexia, Ant&atilde;o da Fonseca, Dami&atilde;o Dias, Est&ecirc;v&atilde;o d'&Aacute;lvares, Fern&atilde;o d'&Aacute;lvares, Garcia de Resende e Jorge de Figueiredo. No entanto, a passagem de escriv&atilde;o a subscritor n&atilde;o parece ser sin&oacute;nimo de experi&ecirc;ncia na carreira de escriv&atilde;o. Com efeito, se &eacute; verdade que, apenas Afonso Mexia e Dami&atilde;o Dias apresentavam uma longa carreira como escriv&atilde;es, n&atilde;o &eacute; menos verdade que o escriv&atilde;o Andr&eacute; Pires, um dos mais experientes e com carreira mais longa, n&atilde;o aparece como subscritor. Nem todos os subscritores que surgem a partir de 1521 constam entre os escriv&atilde;es mais significativos na reda&ccedil;&atilde;o das provis&otilde;es r&eacute;gias at&eacute; essa data, como &eacute; o caso de Est&ecirc;v&atilde;o d'&Aacute;lvares, Jorge de Figueiredo e Fern&atilde;o d'&Aacute;lvares, cujos primeiros documentos encontrados datam de 1519.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>CONCLUS&Atilde;O</b></p>     <p>Entre as caracter&iacute;sticas gerais da escrita de 1490 a 1500 poder-se-&aacute; destacar o contraste entre o tamanho das letras pequenas, a extens&atilde;o das hastes e os prolongamentos das letras altas e baixas, tipificando o c&acirc;none da escrita joanina que predomina neste per&iacute;odo. As poucas abreviaturas e os abundantes e longos tra&ccedil;os de significa&ccedil;&atilde;o geral preenchem o espa&ccedil;o entre linhas que, em conjunto com as hastes e prolongamentos, conferem um aspeto pesado a esta escrita.</p>     <p>A partir de 1500, registou-se uma diminui&ccedil;&atilde;o da extens&atilde;o das hastes e dos prolongamentos, arredondamento dos tra&ccedil;os das letras com compress&atilde;o horizontal da escrita, aparecimento de novas formas de algumas letras, liberta&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;o entre palavras e linhas, conferindo um aspeto mais leve &agrave; mancha de texto. Este novo modelo, que se pode designar por &ldquo;escrita manuelina&rdquo;, usado pela quase totalidade dos escriv&atilde;es, apresenta duas variantes: uma cursiva comum e outra caligrafada. </p>     <p>A exist&ecirc;ncia de um novo c&acirc;none apresenta um per&iacute;odo de grande estabilidade e difus&atilde;o na d&eacute;cada de 1510-1519 por parte da maioria dos escriv&atilde;es da C&acirc;mara do Rei e uma fase de hibrida&ccedil;&atilde;o com prolifera&ccedil;&atilde;o de varia&ccedil;&otilde;es gr&aacute;ficas e escritas usuais, ap&oacute;s 1520, sem que desapare&ccedil;a at&eacute; 1530.</p>     <p>Existem bastantes semelhan&ccedil;as entre a escrita manuelina e a cortes&atilde; castelhana no que diz respeito &agrave; forma, feitura de algumas letras, arredondamento dos tra&ccedil;os, diminui&ccedil;&atilde;o do tamanho das hastes, escassez de abreviaturas e compress&atilde;o da mancha de texto. A evolu&ccedil;&atilde;o em paralelo das g&oacute;ticas cursivas, em Portugal e Castela, e a intensifica&ccedil;&atilde;o da troca de correspond&ecirc;ncia podem ter servido de motor de arranque a esta nova escrita que surgiu no reinado de D. Manuel. </p>     <p>Constata-se que &eacute; vulgar o mesmo indiv&iacute;duo utilizar v&aacute;rios tipos de escrita, sendo o exemplo mais significativo o caso do escriv&atilde;o Afonso Mexia, que usa o modelo joanino, o novo modelo de escrita manuelina nas vers&otilde;es comum e caligrafada e uma outra escrita que poder&aacute; ser considerada espont&acirc;nea ou usual.</p>     <p>O novo modelo gr&aacute;fico, tendo-se generalizado &agrave; maioria dos escreventes, apresenta &ldquo;focos&rdquo; de resist&ecirc;ncia, como &eacute; o caso de Dami&atilde;o Dias que redigiu muitos documentos numa escrita espont&acirc;nea ou usual, que se afasta de qualquer c&acirc;none. </p>     <p>A tipologia documental, o teor dos documentos e os destinat&aacute;rios n&atilde;o condicionam os escriv&atilde;es &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o de um tipo de escrita, embora no conjunto de documentos redigidos por cada um pare&ccedil;a que, tendencialmente, tenha havido maior cuidado na execu&ccedil;&atilde;o da escrita dos alvar&aacute;s e cartas-missivas do que na escrita utilizada nos mandados.</p>     <p>A exist&ecirc;ncia de subscri&ccedil;&atilde;o de escriv&atilde;es em grande parte das provis&otilde;es r&eacute;gias, ap&oacute;s a subida ao trono de D. Jo&atilde;o III, parece n&atilde;o corresponder a uma altera&ccedil;&atilde;o da escrita nem dos formul&aacute;rios em fun&ccedil;&atilde;o, ou por imposi&ccedil;&atilde;o do subscritor.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></p> <b>     <p>FONTES </p>     <p>MANUSCRITAS</p>     <p>Arquivo Distrital de &Eacute;vora</p> </b>     <p>Livro 73, Cole&ccedil;&atilde;o de Originais da C&acirc;mara Municipal de &Eacute;vora.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Arquivo Municipal de Lisboa</b></p>     <p>Chancelaria da Cidade, Livro 1&ordm; do provimento de of&iacute;cios.</p>     <p>Chancelaria da Cidade, Livro 1&ordm; de servi&ccedil;os a El Rei.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Chancelaria R&eacute;gia, Livro 3&ordm; de D. Jo&atilde;o II.</p>     <p>Chancelaria R&eacute;gia, Livro 3&ordm; de D. Manuel I.</p>     <p>Chancelaria R&eacute;gia, Livro 4&ordm; de D. Manuel I.</p>     <p>Chancelaria R&eacute;gia, Livro de festas.</p>     <p>Provimento do P&atilde;o, Livro 2&ordm; do provimento do p&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Arquivo Nacional Torre do Tombo</b></p>     <p>Corpo Cronol&oacute;gico, Parte 1, ma&ccedil;os de 1 a 44</p>     <p>Corpo Cronol&oacute;gico, Parte 2, ma&ccedil;os de 2 a 12</p>     <p>Corpo Cronol&oacute;gico, Parte 3, ma&ccedil;os de 1 a 11</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>IMPRESSAS</b></p>     <p><i>As gavetas da Torre do Tombo.</i> Lisboa: Centro de Estudos Hist&oacute;ricos Ultramarinos, 1974. vol. X, p. 475. (GAV XIX-XX, ma&ccedil;os 1-7).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ESTUDOS</b></p>     <!-- ref --><p>ALONSO CORT&Eacute;S, Vicenta – <i>La escritura y lo escrito: paleografia y diplom&aacute;tica de Espa&ntilde;a y Am&eacute;rica en los siglos XVI y XVII</i>. Madrid: Instituto de Cooperaci&oacute;n Iberoamericana, 1986.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2063880&pid=S2183-3176201800020000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BATTELLI, Giulio – <i>Lezioni di paleeografia</i>. 3&ordf; ed. Citt&agrave; del Vaticano: Libreria Editrice Vaticana, 1986.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2063882&pid=S2183-3176201800020000600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CENCETTI, Giorgio – <i>Vechi e nuovi orientamenti nello studio della paleografia. La Bibliofilia.</i> Milano: Casa Editrice Leo S. Olschki. Vol. 50 N&ordm; 1 (1948), p. 4-23.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2063884&pid=S2183-3176201800020000600003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>COSTA, Avelino Jesus da – <i>&Aacute;lbum de paleografia e diplom&aacute;tica portuguesas</i>. 4&ordf; ed. Coimbra: Faculdade de Letras, Universidade de Coimbra, 1983.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2063886&pid=S2183-3176201800020000600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>COELHO, Maria Teresa Pereira – <i>Existiu uma escrita manuelina? Estudo paleogr&aacute;fico da produ&ccedil;&atilde;o gr&aacute;fica de escriv&atilde;es da corte r&eacute;gia portuguesa (1490-1530).</i> Lisboa: [s.n.], 2006. Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado em Paleografia e Diplom&aacute;tica, apresentada &agrave; Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2063888&pid=S2183-3176201800020000600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CRUZ, Ant&oacute;nio – <i>Paleografia portuguesa: ensaio de manual.</i> Porto: Universidade Portucalense, 1987.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2063890&pid=S2183-3176201800020000600006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>DIAS, Jo&atilde;o Jos&eacute; Alves; MARQUES, A. H. de Oliveira; RODRIGUES, Teresa F. – <i>&Aacute;lbum de paleografia.</i> Lisboa: Editorial Estampa, 1987.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2063892&pid=S2183-3176201800020000600007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>GARCIA VILLADA, Zacarias – <i>Paleografia espa&ntilde;ola</i>. Barcelona: Ediciones El Abir, 1974. 2 vol.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2063894&pid=S2183-3176201800020000600008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>GIMENO BLAY, Francisco M. – <i>La paleografia en Espa&ntilde;a</i>. In PETRUCCI, Armando; PRATESI, Alessandra, ed. – <i>Un Secolo di paleografia diplomatica: 1887-1986.</i> Roma: Gela Editrici, 1988. p. 189-209.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2063896&pid=S2183-3176201800020000600009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MARIN MARTINEZ, Tom&aacute;s, coord. – <i>Paleografia y diplomatica. </i>3&ordf; ed. Madrid: Universidad Nacional de Educaci&oacute;n a Distancia, 1988.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2063898&pid=S2183-3176201800020000600010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MARQUES, Jos&eacute; – Pr&aacute;ticas paleogr&aacute;ficas em Portugal no s&eacute;culo XV. <i>Revista da Faculdade de Letras.</i> Porto: Faculdade Letras, Universidade do Porto. I S&eacute;rie, Vol. 1 (2002), p. 73-96.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2063900&pid=S2183-3176201800020000600011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MILLARES CARLO, Agust&iacute;n – <i>Paleografia espa&ntilde;ola: ensaio de una historia de la escritura en Espa&ntilde;a desde el siglo VIII al XVII</i>. Barcelona: Editorial Labor, 1929. vol. 1.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2063902&pid=S2183-3176201800020000600012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MUNOZ Y RIVERO, Jes&uacute;s – <i>Manual de paleografia diplom&aacute;tica espa&ntilde;ola de los siglos XII al XVII</i>. Madrid: Atlas, 1972.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2063904&pid=S2183-3176201800020000600013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>NUNES, Eduardo Borges – <i>&Aacute;lbum de Paleografia.</i> Lisboa: Instituto de Alta Cultura, Centro de Estudos Hist&oacute;ricos anexo &agrave; Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 1969.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2063906&pid=S2183-3176201800020000600014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>PAULO, Jorge Ferreira – <i>A escrita human&iacute;stica na documenta&ccedil;&atilde;o r&eacute;gia de Quinhentos</i>. Lisboa: [s.n.], 2006. Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado em Paleografia e Diplom&aacute;tica, apresentada &agrave; Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2063908&pid=S2183-3176201800020000600015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>submiss&atilde;o/submission: 30/09/2018</p>     <p>aceita&ccedil;&atilde;o/approval: 13/11/2018</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>NOTAS</b></p>     <p>COELHO, Maria Teresa Pereira – A escrita &ldquo;manuelina&rdquo; nas provis&otilde;es r&eacute;gias quinhentistas. <i>Cadernos do Arquivo Municipal</i>. 2&ordf; S&eacute;rie N&ordm; 10 (julho-dezembro 2018), p. 97 – 109.</p> <a href="#top1"><sup>1</sup></a><a name="1"></a> NUNES, Eduardo Borges – <i>&Aacute;lbum de Paleografia</i>. Lisboa: Instituto de Alta Cultura, Centro de Estudos Hist&oacute;ricos anexo &agrave; Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 1969. p. 24.     <p></p> <a href="#top2"><sup>2</sup></a><a name="2"></a> NUNES, Eduardo Borges, <i>Op. cit</i>., p. 23.     <p></p> <a href="#top3"><sup>3</sup></a><a name="3"></a> MARQUES, Jos&eacute; – Pr&aacute;ticas paleogr&aacute;ficas em Portugal no s&eacute;culo XV. <i>Revista da Faculdade de Letras</i>. Porto: Faculdade Letras, Universidade do Porto. I S&eacute;rie Vol. 1 (2002), p. 75.     <p></p> <a href="#top4"><sup>4</sup></a><a name="4"></a> MARQUES, Jos&eacute;, <i>Op. cit</i>., p. 82.     <p></p> <a href="#top5"><sup>5</sup></a><a name="5"></a> NUNES, Eduardo Borges, <i>Op. cit</i>., p. 24.     <p></p> <a href="#top6"><sup>6</sup></a><a name="6"></a> NUNES, Eduardo Borges, <i>Op. cit</i>., p. 21.     <p></p> <a href="#top7"><sup>7</sup></a><a name="7"></a> NUNES, Eduardo Borges, <i>Op. cit</i>., p. 22.     <p></p> <a href="#top8"><sup>8</sup></a><a name="8"></a> PAULO, Jorge Ferreira – <i>A escrita human&iacute;stica na documenta&ccedil;&atilde;o r&eacute;gia portuguesa de Quinhentos. </i>Lisboa: [s.n.], 2006. p. 96. Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado em Paleografia e Diplom&aacute;tica, apresentada &agrave; Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.     <p></p> <a href="#top9"><sup>9</sup></a><a name="9"></a> PAULO, Jorge Ferreira, <i>Op. cit</i>., p. 135.     ]]></body>
<body><![CDATA[<p></p> <a href="#top10"><sup>10</sup></a><a name="10"></a> COELHO, Maria Teresa Pereira – <i>Existiu uma escrita manuelina? Estudo paleogr&aacute;fico da produ&ccedil;&atilde;o gr&aacute;fica de escriv&atilde;es da corte r&eacute;gia portuguesa (1490-1530).</i> Lisboa: [s.n.], 2006. Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado em Paleografia e Diplom&aacute;tica, apresentada &agrave; Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.     <p></p> <a href="#top11"><sup>11</sup></a><a name="11"></a> Letras em que o corpo n&atilde;o sobressai: a, c, e, i, m, n, o, r, s, t, u, x.     <p></p> <a href="#top12"><sup>12</sup></a><a name="12"></a> Letras cuja haste se eleva para a parte superior do corpo: b, d, h, k, l.     <p></p> <a href="#top13"><sup>13</sup></a><a name="13"></a> Letras que se prolongam para a parte inferior do corpo: g, j, p, y, z.     <p></p> <a href="#top14"><sup>14</sup></a><a name="14"></a> Pode ser &uacute;nica (almoxarife…) ou m&uacute;ltipla (ju&iacute;zes e oficiais…).     <p></p> <a href="#top15"><sup>15</sup></a><a name="15"></a> &Uacute;nico (Licenciado…) ou m&uacute;ltiplo (vereadores, procurador, procuradores dos mesteres…).     <p></p> <a href="#top16"><sup>16</sup></a><a name="16"></a> Pode ser &uacute;nico e nominal (bispo amigo… ou &Aacute;lvaro Velho) ou m&uacute;ltiplo (vereadores, procurador e procuradores dos mesteres…).     <p></p> <a href="#top17"><sup>17</sup></a><a name="17"></a>Exemplo: &ldquo;Dom Manuell per gra&ccedil;a de Deus rey de Purtugall e dos Allgarves daquem e daleem mar em Africa senhor da Guinee e da comquista navega&ccedil;am comercio da Eteopia Persya e de Imdia…&rdquo;. in <i>As gavetas da Torre do Tombo.</i> Lisboa: Centro de Estudos Hist&oacute;ricos Ultramarinos, 1974. vol. X, p. 475. (GAV XIX-XX, ma&ccedil;os 1-7).     <p></p> <a href="#top18"><sup>18</sup></a><a name="18"></a> "Vereadores procurador e procuradores dos mesteres desta nosa cidade de Lisboa nos el rey vos enviamos muito saudar [texto] stprita na dicta cidade a xxiiij dias d'abril Manuel de Moura a fez de 1521 e eu Fernam d'Alvares a fiz estprever" (AML, Chancelaria da Cidade, Livro 1&ordm; de servi&ccedil;os a El Rei, doc. 40, f. 53).     <p></p> <a href="#top19"><sup>19</sup></a><a name="19"></a> "Vereadores procurador e procuradores dos mesteres da cidade de Lisboa eu el rey vos enviamos muito saudar [texto] stprita em cojmbra a xx dias d'outubro Manuel de Moura a fez de 1527" (AML, Chancelaria da Cidade, Livro 1&ordm; de servi&ccedil;os a El Rei, doc. 44, f. 59).     ]]></body>
<body><![CDATA[<p></p> <a href="#top20"><sup>20</sup></a><a name="20"></a> "Pantaly&atilde;o Diaz mandamos vos que [texto] stprito em Lisboa a xij dias de Dezembro Alvaro Neto o fez de mil xxij e eu Afonso Mexia o ssobstprevy" (Arquivo Nacional Torre do Tombo (ANTT), Corpo Cronol&oacute;gico, Parte I, m. 28, d. 136, 1522). "Almoxarife de Symtra mamdamos vos que [texto] stprito em evora a xxj dias de mayo Allvaro Neto o fez de mil bc xxiiij e eu Antam de Fonseca o sobescrevy" (ANTT, Corpo Cronol&oacute;gico, Parte I, m. 31, d. 11, 1524).     <p></p>      ]]></body><back>
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