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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A Ilha: História e urbanismo do grande quarteirão onde se implantou o Hospital Real de Todos-os-Santos, ao Rossio (1750-1779)]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In the late 15th century a significant part of the Convent of São Domingos’ enclosure was occupied by the new Hospital Real de Todos-os-Santos. Located in the eastern side of Rossio square, soon this large block became known as the island where the Royal Hospital stands. Although the hospital building was destroyed first by a fire in 1750 and then by a devastating earthquake in 1755, only in 1769 king José decided to transfer it to the former Jesuit College of Santo Antão. This article aims to trace the history of the final years of the Hospital Real de Todos-os-Santos building and the island where it was located.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO</b></p>     <p><b>A <i>Ilha</i>. História e urbanismo do grande quarteirão onde se implantou    o Hospital Real de Todos-os-Santos, ao Rossio (1750-1779)</b></p>     <p><b>The <i>Island</i>. The history of the large block where the Hospital Real    de Todos-os-Santos once stood (1750-1779)</b></p>     <p><b>Hélia Cristina Tirano Tomás Silva<sup>*</sup>, Tiago Borges Lourenço<sup>**</sup></b></p>     <p><sup>*</sup>Hélia Cristina Tirano Tomás Silva, Departamento Património Cultural    &mdash; CML / Instituto de História da Arte / Faculdade de Ciências Sociais e Humanas,    Universidade NOVA de Lisboa, 1069-061 Lisboa. <a href="mailto:helia.silva@cm-lisboa.pt">helia.silva@cm-lisboa.pt</a></p>     <p><sup>**</sup>Tiago Borges Lourenço, Instituto de História da Arte / Faculdade    de Ciências Sociais e Humanas, Universidade NOVA de Lisboa, 1069-061 Lisboa.<a href="mailto:tborgeslourenco@gmail.com">tborgeslourenco@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Contrariamente a uma ideia generalizada e muitas vezes repetida, não foi o    Terramoto de 1755 que condenou o Hospital Real de Todos-os-Santos, ao Rossio,    a um irremediável desaparecimento. Na verdade, não só o plano de reconstrução    da Baixa de Lisboa não lhe previa uma nova localização, como, nos anos subsequentes,    uma campanha de obras de reconstrução chegou a ser equacionada e (parcialmente)    executada. O seu destino foi traçado por uma carta régia assinada por D. José,    a 26 de setembro de 1769, que decretou a passagem do hospital para o edifício    do antigo Colégio jesuítico de Santo Antão e deu indicações precisas para a    divisão e venda do seu terreno, ao Rossio. Mas antes (e depois disso), o local    do grande quarteirão que chegou a ser conhecido como a <i>Ilha em que estava    edificado o Hospital Real de Todos os Santos</i><a href="#1"><sup>1</sup></a><a name="top1"></a>    foi impregnado de uma riquíssima história como poucos em Lisboa.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>PALAVRAS-CHAVE</b></p>     <p>Lisboa / Hospital Real de Todos-os-Santos / Urbanismo / Arquitetura / Saúde</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>In the late 15<sup>th</sup> century a significant part of the Convent of São    Domingos&rsquo; enclosure was occupied by the new Hospital Real de Todos-os-Santos.    Located in the eastern side of Rossio square, soon this large block became known    as the <i>island where the Royal Hospital stands</i>. Although the hospital    building was destroyed first by a fire in 1750 and then by a devastating earthquake    in 1755, only in 1769 king José decided to transfer it to the former Jesuit    College of Santo Antão. This article aims to trace the history of the final    years of the Hospital Real de Todos-os-Santos building and the <i>island</i>    where it was located.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>KEYWORDS</b></p>     <p>Lisbon / Hospital Real de Todos-os-Santos / Urbanism / Architecture / Health</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1) A HISTÓRIA ANTES DESTA HISTÓRIA. . ESTRATIFICAÇÃO DA OCUPAÇÃO DE UM LUGAR</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O lugar tomado como objeto no presente estudo é o grande quadrilátero cujo    perímetro, em traços gerais, é atualmente delimitado pela Praça D. Pedro IV    (<i>do Rossio</i>) e ruas de Barros Queiroz, Dom Duarte, João das Regras, do    Poço do Borratém, dos Condes de Monsanto e da Betesga (<a href="#f1">Figura    1</a>): A Ilha em que estava edificado o Hospital Real de todos os Santos desta    Cidade; o Convento de São Domingos, e Cazas asim do Ill.mo e Ex.mo Marquês de    Cascaes<a href="#2"><sup>2</sup></a><a name="top2"></a>.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n11/ser2n11a07f1.jpg">      
<p>&nbsp;</p>     <p>Esta área, uma das mais centrais, nobres e emblemáticas da moderna identidade    da cidade de Lisboa, foi outrora ponto de</p>     <p>     <blockquote>confluência da bacia de encaixe do Esteiro da Baixa, aquífero do Tejo    formado no Quaternário, e das duas ribeiras hoje ocultas que nele desaguam,    a de Valverde (equivalente, em termos grosseiros, à Av. Liberdade) e a de Arroios    (do mesmo modo hoje fossilizada nos alinhamentos da Rua da Palma e parte da    Avenida Almirante Reis)<a href="#3"><sup>3</sup></a><a name="top3"></a>.        <p></p> </blockquote>     <p>Era, pois, um local particularmente inóspito, o que não impediu uma ocupação    humana (ainda que descontínua) ao longo de mais de três mil anos. Tendo sido    alvo de campanhas arqueológicas<a href="#4"><sup>4</sup></a><a name="top4"></a>    no decorrer da segunda metade do século XX, constitui-se como uma das áreas    da cidade em que melhor é possível detalhar a diferente estratificação da presença    humana, cujas primeiras evidências remontam à Idade do Bronze Final<a href="#5"><sup>5</sup></a><a name="top5"></a>.</p>     <p>Aquando da ocupação romana, o local era atravessado por &ldquo;um dos dois devertículos    de uma das mais importantes vias da Hispania ocidental que, com início na cidade    do Tejo se dirigia à capital conventual Scallabis, e dali para o Noroeste Peninsular    ou para a capital provincial, Emerita&rdquo;<a href="#6"><sup>6</sup></a><a name="top6"></a>.    Junto a este existiu uma importante necrópole (em funcionamento entre os séculos    I e III) e o circo máximo de Felicitas Iulia Olisipo. Contrariamente ao último,    cuja implantação correspondia de forma genérica ao Rossio pré-terramoto, a necrópole    implantava-se na zona atualmente ocupada pela Praça da Figueira e, por isso,    na área em estudo. &ldquo;Assumindo uma expressão arquitectónica monumentalizada,    denunciando a sua importância &#91;&hellip;&#93;, iria sofrer uma intensa campanha de desmantelamento    para aproveitamento de pedra no último terço do século III d.C.&rdquo;<a href="#7"><sup>7</sup></a><a name="top7"></a>,    possivelmente para edificação da primitiva muralha Baixo Imperial. Durante cerca    de um século, partes do espaço remanescente mantiveram ainda a função funerária    (sepulturas de inumação e incineração), conhecendo-se ainda a existência de    uma casa agrícola provavelmente datada do século V<a href="#8"><sup>8</sup></a><a name="top8"></a>,    sendo escassos os vestígios referentes aos sete séculos seguintes.</p>     <p>Na sequência das campanhas arqueológicas de 1999-2001 na Praça da Figueira    foi descrito um bairro da Al- -Ushbuna islâmica com pelo menos 18 habitações,    provavelmente datado da primeira metade do século XII e que</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>     <blockquote>significativamente afastad&#91;o&#93; da Medina, bem amuralhada &#91;...&#93;, em    nada te&#91;ve&#93; a ver com o crescimento orgânico de cidade islâmica &#91;...&#93; &#91;denunciando&#93;    planeamento urbano preciso, constituído por fiadas de quarteirões providos da    mesma largura e separadas por longas mas estreitas vias longitudinais, ligadas    por outras transversais. As dimensões das casas &#91;...&#93; mas também dos quarteirões    e das vias, reflectem ocupação intensiva do solo disponível<a href="#9"><sup>9</sup></a><a name="top9"></a>.       <p></p> </blockquote>     <p>Ainda assim, e não obstante a forma consolidada que os vestígios deste bairro    parecem sugerir, a sua existência e ocupação ter-se-á limitado a um curto período    de tempo, em virtude do seu progressivo abandono na sequência da conquista cristã    da cidade em 1147.</p>     <p>Na Lisboa cristã, a primeira notícia relevante relacionada com o local data    de 1241, ano da fundação de um convento dominicano, da qual resultou o aterramento    do local onde outrora se havia implantado o bairro islâmico. No decorrer dos    quase cem anos compreendidos entre os dois momentos, haviam sido fundados em    Lisboa seis conventos ou mosteiros<a href="#10"><sup>10</sup></a><a name="top10"></a>,    enquadrando-se a instituição do Convento de São Domingos de Lisboa nesta tentativa    de ancorar na cidade algumas das principais instituições religiosas da época.    No entanto, diferia dos demais na forma como a sua implantação não ocorreu em    nenhuma das colinas mas antes numa área baixa e próxima do centro nevrálgico    da urbe, num terreno que, embora fronteiro a uma das principais vias de saída    da cidade (a Corredoura) e próximo do núcleo habitacional consolidado, apresentava    características manifestamente adversas.</p>     <p>A sua fundação deveu-se a D. Sancho II, &ldquo;e com licença do Dayaõ, e cabido da    Sè que estava vacante, lançou nelle a primeira pedra hum Bispo estrangeyro&ldquo;<a href="#11"><sup>11</sup></a><a name="top11"></a>,    já em 1242<a href="#12"><sup>12</sup></a><a name="top12"></a>. Embora não seja    totalmente claro, parece provável que já não existisse sequer um pequeno esteiro    navegável, apesar de relatos da descoberta, durante obras executadas no século    XVI, de &ldquo;sylhares de pedraria bem lavrada, e a partes grossas argollas de bronze    travadas, e pendentes dellas, como em caiz, pera servirem de amarrar navios&rdquo;<a href="#13"><sup>13</sup></a><a name="top13"></a>.    Seria uma construção modesta quando, em 1249, D. Afonso III decidiu empreender    uma segunda campanha de obras. Desconhece-se a configuração do edifício, sabendo-se,    no entanto, que o local da grande igreja então ereta não mais se alterou, correspondendo    em rigor ao da atual.</p>     <p>Com os terrenos então doados pelo monarca ao convento<a href="#14"><sup>14</sup></a><a name="top14"></a>,    a área da sua cerca passou a corresponder aproximadamente ao objeto deste estudo,    a <i>Ilha</i><a href="#15"><sup>15</sup></a><a name="top15"></a>, que &ldquo;naquele    tempo eraõ terras devolutas que o povo se servia sem aver dono particular delas,    em telhaes, e fornos de tijolo por huma parte, e por outra em sementeiras de    ferregeais e hortaliças&rdquo;<a href="#16"><sup>16</sup></a><a name="top16"></a>.    Ainda que todas estas operações tivessem dotado o edifício conventual de melhoradas    condições de acomodação e de uma grande área de cerca, a sua desfavorável localização    trazia-lhe ainda graves problemas, maioritariamente provocados pela caudalosa    confluência das águas pluviais que, ao longo dos séculos XIV e XV, foi provocando    crónicos danos na construção. Terá sido esse o principal motivo que fez com    que, no princípio de Quinhentos, D.Manuel I tivesse &ldquo;mand&#91;ado&#93; derribar todo    o edificio velho que era terreo, e f&#91;azer&#93; lavrar, e levantar de novo hum dormitorio    alto&rdquo;<a href="#17"><sup>17</sup></a><a name="top17"></a>. Na essência, tratava-se    de um projeto que fazia crescer a área do edifício para o interior do seu lote,    então o único espaço disponível para o efeito, visto que, por esta altura, o    convento havia já perdido uma substancial parte das suas propriedades, em virtude    de nela se ter instalado o novo Hospital Real<a href="#18"><sup>18</sup></a><a name="top18"></a>.</p>     <p>A decisão de D. João II em construir um grande hospital real assentava na tentativa    de aglutinar os diversos hospitais existentes na cidade num único edifício,    tendo para o efeito conseguido uma bula papal de Sisto IV em 1479. &ldquo;Vendo como    aquela parte do Rossio estava despejada e sitio bom para se fazer a tall hobra    &#91;...&#93;, e por lhes não quebrar sua pose, &#91;o monarca&#93; lhes pedio aquelle sitio    &#91;...&#93; e os padres lho derão&rdquo;<a href="#19"><sup>19</sup></a><a name="top19"></a>,    recebendo em troca um conjunto de propriedades que viriam a ser definidas pela    carta de escambo de 22 de agosto de 1502<a href="#20"><sup>20</sup></a><a name="top20"></a>.    Escolhido o local, a primeira pedra foi colocada a 15 de maio de 1492. No geral,    seguia o modelo dos hospitais europeus do seu tempo, com planta em &ldquo;forma de    Cruz de quatro braços iguais; ficam nos quatro ângulos quatro claustros grandes,    lageados de pedraria, com um poço no meio de cada um&rdquo;<a href="#21"><sup>21</sup></a><a name="top21"></a>.    Num dos braços encontrava-se a grande igreja com entrada pelo Rossio, tendo    sido instaladas nos restantes três braços outras tantas enfermarias (de Santa    Clara para &ldquo;males das mulheres&rdquo;, de São Cosme para &ldquo;males dos homens&rdquo; e de São    Vicente para &ldquo;febres dos homens&rdquo;). Com o correr do tempo, novas enfermarias    e dependências foram sendo construídas no interior do lote (caso das enfermarias    dos Capuchinhos Descalços e dos Camilos, esta última já do século XVIII), algumas    das quais isoladas por questões de salubridade<a href="#22"><sup>22</sup></a><a name="top22"></a>.</p>     <p>Assim, desde os primeiros anos do século XVI, a face nascente do Rossio era    continuamente edificada, composta pelos dormitórios e demais dependências do    Convento de São Domingos e pela frontaria do hospital, tudo assente sobre arcos<a href="#23"><sup>23</sup></a><a name="top23"></a>    que acolhiam cerca de duas centenas de pequenas lojas portáteis<a href="#24"><sup>24</sup></a><a name="top24"></a>,    e a Ermida de Nossa Senhora do Amparo (<a href="#f2">Figura 2</a>) Sobre os    arcos, o edifício desenvolvia-se em dois pisos voltados &ldquo;para o Rossio (com    as suas janelas geminadas e loggias, bem ao gosto da arquitectura doméstica    quinhentista) e para a Rua da Betesga, &#91;que&#93; constituíam por certo, as habitações    dos funcionários do hospital que tinham, por disposição do <i>Regimento</i>,    direito a nele habitar&rdquo;<a href="#25"><sup>25</sup></a><a name="top25"></a>.    O acesso à sua grandiosa igreja era feito por meio de uma massiva escadaria    de pedra com 21 degraus de três faces que se iam estreitecendo até culminarem    num tabuleiro ao nível do piso do templo, ao qual se acedia &ldquo;por hum portal    de obra muy custosa, todo de pedraria lavrada, que o faz ser hum dos melhores,    que ha neste Reyno&rdquo;<a href="#26"><sup>26</sup></a><a name="top26"></a> e o elemento    distintivo do edifício.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n11/ser2n11a07f2.jpg">      
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Seriam estas a configuração e a implantação que o Hospital Real de Todos-os-Santos    manteria durante pouco mais de dois séculos e meio, tornando-se num dos mais    icónicos referentes da Lisboa moderna.</p>     <p><b>2) OS DERRADEIROS ANOS DO HOSPITAL REAL DE TODOS-OS-SANTOS</b></p>     <p>O momento de charneira da história deste lugar é, assim, o da assinatura da    carta régia de doação da Igreja e Colégio de Santo Antão ao Hospital Real de    Todos-os-Santos, a 26 de setembro de 1769, cerca de uma década depois da expulsão    do país dos padres da Companhia de Jesus, os proprietários originais do edifício.</p>     <p>Considerando não poder</p>     <p>     <blockquote>dar aplicação mais pia à mesma Igreja e Colégio do que fazer dela    doação ao Hospital Real de Todos os Santos da cidade de Lisboa &#91;...&#93; &#91;devido&#93;    ao estrago do terramoto do ano de mil setecentos cinquenta e cinco se incendiou    e reduziu a cinzas a sua Igreja e Hospital e se acha&#91;r&#93; na maior urgência de    ter casa própria com a largueza e comodidade que é precisa &#91;...&#93; &#91;D. José doou&#93;    tudo o mais que se acha&#91;va&#93; dos muros da dita casa para dentro, sem limitação    alguma<a href="#27"><sup>27</sup></a><a name="top27"></a>.       <p></p> </blockquote>     <p>Mais do que uma mera carta de doação de um novo edifício a uma antiga instituição,    o monarca procurou também promover a rentabilização dos terrenos do antigo hospital,    que deveriam ser vendidos para custear as obras das novas acomodações, numa    situação em tudo semelhante ao que no ano anterior havia já ocorrido aquando    da cedência da (também primitivamente jesuíta) Casa Professa de São Roque à    Santa Casa da Misericórdia de Lisboa<a href="#28"><sup>28</sup></a><a name="top28"></a>.    Este documento de doação menciona a existência de duas plantas (uma dos terrenos    do antigo hospital e outra do edifício do futuro Hospital Real de São José)    que permanecem desconhecidas. A forma como, apenas dois dias depois, o Conde    de Oeiras emite uma detalhada &ldquo;ordem sobre a forma de fazer as obras &#91;em Santo    Antão&#93; e quem as dirige&rdquo; demonstra tratar-se de um assunto que estaria a ser    longamente maturado e discutido. Mais do que a ordem régia, este documento é    fundamental para compreender as motivações e a forma como deveriam processar-se    as obras e a subsequente passagem dos serviços, principiando com uma menção    ao facto de &ldquo;nunca ser conveniente nem conforme ao costume das outras cortes    que se fabricasse &#91;o hospital&#93; no interior da cidade capital destes Reinos&rdquo;<a href="#29"><sup>29</sup></a><a name="top29"></a>.    Na verdade, a localização do primitivo hospital num local tido como insalubre    tinha sido posta em causa diversas vezes ao longo do último século e meio, nomeadamente    por Filipe III em 1626<a href="#30"><sup>30</sup></a><a name="top30"></a> ou    por Ribeiro Sanches que, no seu <i>Tratado de conservação da saúde dos Povos</i>    &#91;publicado em 1756&#93;,</p>     <p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>&#91;...&#93; apontava como um dos maiores erros da construção dos hospitais    antigos, a sua localização nas zonas baixas e centrais das cidades onde os ares    pútridos, que impossibilitavam a cura dos enfermos<a href="#31"><sup>31</sup></a><a name="top31"></a>.       <p></p> </blockquote>     <p>Eixo definidor do planeamento de uma Baixa Pombalina de ruas largas e retilíneas    que contrastavam com o labiríntico traçado dos arruamentos medievais, não parece    possível aferir com total segurança que a questão da salubridade justifique,    por si só, a transferência do hospital. Na verdade, este processo de transferência    do hospital não é linear nem óbvio, pelo que qualquer proposta tenderá a ser    apenas conjetural. Como tal, e para o melhor compreender, importa começar por    recuar um pouco no tempo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>CINCO ANOS, DUAS CATÁSTROFES, UM HOSPITAL (1750-1755)</b></p>     <p>O desconforto indiciado pela forma como, pelo menos desde o início do século    XVII, foi paulatinamente colocado em questão o local da implantação do hospital    não parece ter sido acompanhado por uma efetiva preocupação em o resolver. Apesar    do crónico <i>déficit</i> financeiro e do número de camas, não existem indícios    de que, em algum momento, a transferência para um novo local tivesse sido detalhadamente    estudada. Parece prová-lo a forma como não houve qualquer tentativa de aproveitamento    da destruição provocada pelo grande incêndio da madrugada de 10 de agosto de    1750 para cumprir qualquer ensejo nesse sentido. De modo a compreender a magnitude    do desastre deste dia, socorremo-nos da <i>Relação Verdadeira e Individual do    formidavel incendio, que se ateou no Hospital Real de Todos os Santos da Cidade    de Lisboa...</i>, aquela que será possivelmente a mais fidedigna fonte de informação    para perceber a gravidade e alcance das chamas, assim como a composição do edifício    em meados de Setecentos. Este documento detalha o início do incêndio, pelas    &ldquo;tres da manhaã &#91;...&#93; em húas poucas de apáras das obras, nas casas que chamaõ    das tinas, que he aonde se aquenta agua para os banhos dos doentes&rdquo;<a href="#32"><sup>32</sup></a><a name="top32"></a>,    relatando também a forma como os religiosos dominicanos e camilos (&ldquo;que não    cessavão de acudir com agua, que trazião a seus hombros&rdquo;<a href="#33"><sup>33</sup></a><a name="top33"></a>)    contribuíram para reduzir as chamas de certas zonas do convento, nomeadamente    o dormitório e enfermaria de São Camilo e a &ldquo;selectíssima&rdquo; biblioteca. Existe    ainda uma ampla descrição do importante apoio que a demais comunidade religiosa    e laica da cidade empreendeu de modo a evitar uma propagação mais efetiva e    gravosa das chamas, o que pode explicar a forma como estas pouparam o vizinho    convento.</p>     <p>No rescaldo do incêndio, o grande edifício do Hospital Real de Todos-os-Santos    de Lisboa encontrava-se praticamente destruído, tendo apenas sobrado intacta    a enfermaria de São Camilo, construída no reinado de D. João V. Da igreja, restou    pouco mais do que a imponente fachada manuelina, miraculosamente intacta à semelhança    do que já se havia verificado aquando do incêndio de 27 de outubro de 1601.    Sendo um dos mais importantes e emblemáticos edifícios da cidade, rapidamente    foi formulado um ambicioso plano de reconstrução e ampliação<a href="#34"><sup>34</sup></a><a name="top34"></a>,    iniciado com o levantamento que resultou na <i>Planta Topographica, e exacta    do Sitio, que comprehende a Ilha em que estava edificado o Hospital Real de    todos os Santos desta Cidade; o Convento de São Domingos, e Cazas asim do Ilmº    e Exmº Marquês de Cascais..</i>.<a href="#35"><sup>35</sup></a><a name="top35"></a>    (ver <a href="#f3">Figura 3</a>). Trata-se do mais importante documento para    compreender a forma como a <i>Ilha</i> então se encontrava dividida e qual a    extensão do terreno de cada um dos seus componentes, podendo verificar-se que    o Palácio dos Marqueses de Cascais se encontrava maioritariamente encerrado    no interior do quarteirão por &ldquo;casas particulares&rdquo; com frente para as ruas dos    Alamos, Borratém e Betesga. Por serem consideradas necessárias para a concretização    do plano de ampliação do arruinado hospital<a href="#36"><sup>36</sup></a><a name="top36"></a>,    as que se encontravam voltadas para as duas últimas foram adquiridas, em número    de quatorze e depois de avaliadas em 39:202$900, por ordem do Decreto de D.    José datado de 6 de julho de 1752<a href="#37"><sup>37</sup></a><a name="top37"></a>.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n11/ser2n11a07f3.jpg">      
<p>&nbsp;</p>     <p>A forma sequencial como, em pouco mais de uma semana, todas as escrituras de    aquisição foram assinadas (pelo exato valor da avaliação) reflete um processo    solidamente conduzido que, ainda assim, encontraria dificuldades na resolução    da aquisição do mencionado palácio (pertença do Marquês do Louriçal, o então    representante da Casa de Cascais), peça-chave na concretização deste ambicioso    plano. Decorreriam mais de dois anos até à assinatura da escritura de venda    deste edifício (a 27 de setembro de 1754), uma vez mais pelo valor da avaliação,    48:000$00. Contrariamente às demais propriedades, a compra foi feita pela</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>     <blockquote>subroga&#91;ção de&#93; um padram de juro perpetuo de capital do predio em    que fossem avaliadas as ditas cazas que lhe mandou a passar para lhe ser pago    o juro do capital a sinco por cento ou vinte o milhar pellos rendimentos da    fazenda real<a href="#38"><sup>38</sup></a><a name="top38"></a>.       <p></p> </blockquote>     <p>O edifício era então descrito como</p>     <p>     <blockquote>humas cazas grandes &#91;...&#93; junto ao Posso do borratem &#91;&hellip;&#93; as quaes    constam de sinco pavimentos em que entra o terreo ou inferior em que ha varias    cazas, logeas, almazens, cocheiras, cazas de creados, cavalharice, palheiro,    celeyro e outras muntas acomodaçoes a roda do primeyro pateo que da entrada    as dittas cazas e do segundo que que servia de picadeiro, e anexas a estas casas    ha o quarto chamado pequeno &#91;&hellip;&#93; em que ha varias cazas assim terreas como altas    &#91;&hellip;&#93; sobre a rua que vay para a Mouraria em que ha algumas cazas e outras que    correm athe ao cunhal da Rua de Sam Pedro Martir com sua logeas, e outras que    ficam na rua direita que vay para a Mouraria que andavam de aluguer e no ditto    quarto pequeno ha huma capella do orago = Sam Matheos, e sam Eutropio com cazas    do servisso da mesma capella e outros sim mais humas cazas pequenas com serventia    para a Rua dos Alamos que se compõem de logeas e hum andar que tambem andavam    alugadas que sam pertenças das cazas grandes &#91;que andavam vinculadas ao Morgado    de Santo Eutropio.&#93; &#91;...&#93; &#91;Foram também incluídas&#93; humas pequenas &#91;casas&#93; sobre    o cano real no fim da rua dos Canos junto ao muro de Sam Domingos que se compoem    de doys andares e logeas com seus sobrados &#91;avaliadas separadamente em 2:200$00&#93;<a href="#39"><sup>39</sup></a><a name="top39"></a>.       <p></p> </blockquote>     <p>Desconhece-se a forma como estava planeada a reconstrução e ampliação do edifício    do hospital, escudada pela avultada soma deixada para o efeito por Lourenço    de Amorim Costa (1681-1752) no seu testamento<a href="#40"><sup>40</sup></a><a name="top40"></a>.    As obras terão começado pouco depois do incêndio, antes mesmo da aquisição das    propriedades anteriormente mencionadas. O desaparecimento, aquando do Terramoto    de 1755, de grande parte da documentação referente a estas obriga à recolha    e utilização de dados avulsos, ainda assim reveladores de uma empreitada em    larga escala: em dezembro de 1752 surgem referências aos gastos feitos nas enfermarias    e às &ldquo;mil camas que &#91;o Enfermeiro-Mor do Hospital&#93; mandou principiar&rdquo;<a href="#41"><sup>41</sup></a><a name="top41"></a>    e que o Rei insta a concluir. Em meados de 1755, estavam a ser despendidas substanciais    verbas com &ldquo;reparos&rdquo; do hospital e no &ldquo;Hospício dos padres Camilos&rdquo;, onde trabalhou    Manuel Gonçalves Vital, mestre pintor, que recebeu quase 270$00 por mês e meio    de trabalho no final do primeiro semestre de 1755<a href="#42"><sup>42</sup></a><a name="top42"></a>.    No entanto, grande parte do plano terá ficado por concretizar, visto que, em    novembro seguinte, o pouco que havia sido poupado cinco anos antes foi destruído    por um terramoto de grande magnitude seguido de incêndio. Uma vez mais, a fachada    manuelina da igreja sobreviveu &mdash; cairia apenas alguns anos depois, por ação    do homem.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>&hellip;CUIDAR DOS VIVOS (1755-1789)</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Com uma substancial parte da cidade profundamente derruída e queimada, importava    <i>cuidar dos vivos e enterrar os mortos</i>, frase-chavão que ficou indelevelmente    associada à <i>reconstrução pombalina</i> mas que, em bom rigor, se desconhece    se terá efetivamente sido proferida. No entanto, real ou fruto de uma construção    mítica subsequente, descreve como poucas o processo que se seguiu ao Terramoto    de 1 de novembro de 1755.</p>     <p>Algumas das primeiras medidas foram tomadas para providenciar uma acomodação    temporária dos doentes do hospital e dos muitos feridos que a catástrofe provocou<a href="#43"><sup>43</sup></a><a name="top43"></a>    e que nos primeiros dias permaneceram no centro do Rossio. Perante a necessidade    de reerguer a cidade, a Manuel da Maia (1677-1768), Engenheiro-Mor do Reino,    afiguraram-se cinco grandes possibilidades de ação<a href="#44"><sup>44</sup></a><a name="top44"></a>:    o &ldquo;primeiro modo&rdquo; limitava a restituir a cidade &ldquo;ao seu antigo estado, levantando    os edifícios nas suas antigas alturas, e as ruas nas suas mesmas larguras&rdquo;,    o segundo a &ldquo;levanta&#91;r&#93; os edifícios nas suas antigas alturas, e mudando as    ruas estreitas em ruas largas&rdquo;, &ldquo;o terceiro modo, &#91;a&#93; diminui&#91;r&#93; as alturas    a dous pavimentos sobre o térreo, e mudando as ruas estreitas em largas&rdquo;, &ldquo;o    quarto modo &#91;passava por&#93; arrasa&#91;r&#93; toda a Cidade baixa, levantando-a com os    entulhos, suavizando assim as subidas para as partes altas, e fazendo descenso    para o mar com melhor correnteza das águas, formando novas ruas com liberdade    competente, tanto na largura, como na altura dos edifícios que nunca poderá    exceder a largura das ruas&rdquo; e &ldquo;o quinto modo &#91;por&#93; despreza&#91;r a&#93; Lisboa arruinada,    e formando outra de novo desde Alcântara até Pedrouços&rdquo;<a href="#45"><sup>45</sup></a><a name="top45"></a>.    Assim o equacionou no princípio de dezembro de 1755, na primeira das três partes    das suas <i>Dissertações</i>, nas quais enunciou os fundamentos para a intervenção    na Lisboa pós-terramoto. Definiria melhor esta questão ao longo das seguintes    partes, revelando uma preferência pelo quarto modo que</p>     <p>     <blockquote>não só atend&#91;ia&#93; &#91;...&#93; à prevenção de semelhante flagelo, assim na    abreviação da altura das casas, como na largura das ruas, mas a facilitar a    dificil acomodação dos desentulhos, servindo-se deles para suavizar a aspereza    das serventias da Cidade baixa para a alta, e expelindo também as águas com    melhor êxito para o mar, livrando Lisboa baixa das inundações que &#91;até então&#93;    padec&#91;ia&#93; em ocasiões de maré cheia<a href="#46"><sup>46</sup></a><a name="top46"></a>.       <p></p> </blockquote>     <p>Manuel da Maia encarrega alguns dos seus melhores técnicos e ajudantes para    delinear três planos para a cidade baixa, que de pronto passaram a seis. Com    base em indicações precisas sobre a especificidade que cada estudo deveria ter,    surgiram assim seis plantas para a cidade baixa que refletiam diferentes filosofias    e graus de intervenção, desde a simples emenda de ruas pré-existentes à total    &ldquo;liberdade possível, sem atender à conservação dos sítios das Igrejas Paroquias    para que, no caso de não servir de embaraço, a tal mudança possa também entrar    na conta dos pensamentos ponderados&rdquo;<a href="#47"><sup>47</sup></a><a name="top47"></a>.    Uma intervenção no Rossio encontrava-se contemplada em quatro das plantas, embora    apenas metade destas considerassem a regularização da face poente: a planta    4, a de maior liberdade e da autoria de Pedro Gualter da Fonseca, regularizava    toda a área da <i>Ilha</i>, dividindo-a em nove quarteirões (cinco dos quais    no local do Hospital, que deveria desaparecer), o maior dos quais ocupado pelo    Convento de São Domingos, que passaria a contar com uma nova igreja, à face    da praça. Da autoria de Eugénio dos Santos (1711-1760), a planta 5 visava uma    profunda regularização dos alinhamentos da praça, implicando a redisposição    das propriedades do convento e do hospital, entre as quais se deveria rasgar    um novo arruamento<a href="#48"><sup>48</sup></a><a name="top48"></a>. A escolha    deste plano para a nova <i>Lisboa Pombalina</i> marcou o início da fragmentação    da <i>Ilha</i> em &ldquo;Arquipélago&rdquo;, cuja tendência seria uma constante ao longo    do século seguinte.</p>     <p>A leitura destas seis plantas permite compreender que, uma vez mais, perante    a enorme oportunidade aberta por uma catástrofe, nem num plano meramente teórico    foi fortemente defendida uma relocalização do hospital que dissipasse as crónicas    dúvidas com a sua pouco sã implantação. Na verdade, este facto parece entroncar    na filosofia seguida para a reconstrução da cidade que não parecia contemplar    profundas relocalizações de serviços públicos nem a edificação de grandes construções    para os albergar. Na primeira <i>Dissertação</i>, Manuel da Maia ainda ensaia    algumas ideias neste sentido (nomeadamente a da própria construção de um novo    hospital, a São Bento), abandonando-as progressivamente à exceção da férrea    convicção na necessidade de um novo palácio real, entre São João dos Bencasados    e o Convento beneditino da Estrela &mdash; contrariando a resolução régia de 2 de    julho de 1759, o palácio acabaria por não ser construído. Por seu turno, a urgência    de novos edifícios para os tribunais públicos seria suprida com a sua passagem    para o local do antigo Paço da Ribeira<a href="#49"><sup>49</sup></a><a name="top49"></a>,    mantendo a necessária proximidade ao rio. Assim, a manutenção do hospital ao    Rossio parece enquadrar-se na lógica urbanística vigente, ampliada pela crónica    questão financeira que tende a justificar a maioria das opções tomadas em Lisboa    ao longo dos séculos. Não é possível, pois, desprezar a imensa dificuldade material,    humana e financeira que constituiria a construção de um novo edifício de raiz    que pudesse albergar todos os serviços de um grande hospital; nem o facto de,    pouco antes, a coroa portuguesa ter despendido quase 90 contos de réis na aquisição    das propriedades necessárias para a ampliação do edifício existente. A equação    de uma transferência teria, assim, que confrontar todos estes pontos.</p>     <p>A escolha da planta 5 acabaria por constituir um meio-termo entre a simples    reconstrução das construções da <i>Ilha</i> e o seu total arrasamento, uma vez    que previa a manutenção parcial do edificado acompanhada por um novo alinhamento    e desenho das respetivas fachadas. &#91;&hellip;&#93; &#91;<i>S</i>&#93;<i>obre as dúvidas, que se    devem evacuar, para se dar principio á Praça do Rocio</i>, foi, a 19 de junho    de 1759, redigido um conjunto de instruções que definiram pormenorizadamente    a forma como os terrenos deveriam ser esquadrinhados e divididos para serem    edificados. A <i>Ilha</i> seria regularizada a norte pela abertura de uma nova    &ldquo;Rua magnifica&rdquo; de ligação do Rossio à Rua Nova da Palma<a href="#50"><sup>50</sup></a><a name="top50"></a>,    &ldquo;que sai&#91;ria&#93; da mesma Praça &#91;do Rossio&#93; pelo lado Setentrional do Convento    de São Domingos &#91;...&#93; sem atenção a que seja o Terreno e o Adro dos Padres&rdquo;<a href="#51"><sup>51</sup></a><a name="top51"></a>.    Duas outras ruas se abririam no seu interior: uma, de quarenta palmos e perpendicular    ao Rossio que, dividindo as propriedades dos dominicanos das do hospital, deveria    &ldquo;sair à Rua direita que vai do Poço do Borratem para as Portas da Mouraria&rdquo;<a href="#52"><sup>52</sup></a><a name="top52"></a>    (eixo atualmente composto pela Rua do Amparo, face norte da Praça da Figueira    e Rua João das Regras); e outra, à ilharga do convento, unindo as duas novas    ruas (Travessa do Amparo<a href="#53"><sup>53</sup></a><a name="top53"></a>).    Pela primeira vez desde o século XV, o Convento de São Domingos ficava totalmente    isolado do demais edificado, passando o perímetro do seu terreno a ser composto    pelos novos arruamentos. Por seu turno, do lado sul, a Rua da Betesga seria    alargada e regularizada. De modo a corrigir o irregular formato quadrilateral    da Praça do Rossio, optou-se por emendar a orientação e avançar a implantação    dos edifícios a si voltados, o que acentuou o recuo da igreja dominicana, a    única construção daquela face a manter o alinhamento original. De modo a serem    ressarcidos dos terrenos desapossados pela abertura das novas ruas, considerou-se    que o convento e o hospital seriam devidamente compensados pela área ganha na    frente do Rossio e pelo potencial rendimento que poderiam retirar &ldquo;das lojas,    que devem fazer no lugar onde antes estavam os Arcos do Rossio&rdquo;<a href="#54"><sup>54</sup></a><a name="top54"></a>    e pelas &ldquo;frentes preciosas&rdquo; que ganhavam voltadas a &ldquo;boas ruas novas&rdquo;.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n11/ser2n11a07f4.jpg">      
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Acompanhando a nova feição urbana do Rossio, a arquitetura foi também alvo    de rigorosa regulamentação. À semelhança da zona baixa da cidade, para a Praça    do Rossio foram delineadas regras estilísticas vertidas em desenhos que deveriam    servir de referência a todas as futuras construções. Assim, à semelhança do    novo edificado particular, também o convento e o hospital deveriam seguir as    regras do <i>Cartulário Pombalino</i><a href="#55"><sup>55</sup></a><a name="top55"></a>    e com isso serem encerrados na &ldquo;&laquo;caixa&raquo; pragmática da arquitectura pombalina&rdquo;<a href="#56"><sup>56</sup></a><a name="top56"></a>.    Por ficar implantada numa posição recuada, a igreja do convento pôde manter    as suas características definidoras de templo católico, sendo inclusivamente    embelezada e barroquizada. Por oposição, toda a fachada nascente do Rossio deveria    seguir o desenho nº 23 do Cartulário (ver <a href="#f5">Figura 5</a>), pressupondo    a construção de dois quarteirões com cinco edifícios cada, separados por pilastras,    que deveriam seguir a métrica de vãos 3-6-9-6-3.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f5"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n11/ser2n11a07f5.jpg">      
<p>&nbsp;</p>     <p>Esta opção de &ldquo;encartular&rdquo; edifícios religiosos estendia-se a outras áreas    do centro da cidade. A implantação de cinco outros conventos reconstruídos no    pós-terramoto<a href="#57"><sup>57</sup></a><a name="top57"></a> sofreu uma    sensível alteração para uma melhor integração na nova malha urbana, o que obrigou    a uma total ou parcial regularização dos quarteirões onde se inseriam e à reconstrução    dos edifícios respeitando o desenho do cartulário. Menos comum foi a adoção    de um programa do género num grande edifício civil, ainda que o caso do Hospital    não seja o único conhecido<a href="#58"><sup>58</sup></a><a name="top58"></a>.    Embora não existam dados a este respeito, é altamente provável que, a par da    fachada voltada para o Rossio, estivesse previsto que toda a reedificação da    frontaria da Rua da Betesga seguisse também os princípios do <i>Cartulário Pombalino</i>.    Perante a potencial perda dos seus elementos definidores (nomeadamente dos arcos    sobre os quais assentava, da escadaria monumental e da quinhentista fachada    da igreja, profusamente decorada) o Hospital Real de Todos-os-Santos estaria    prestes a ficar privado da sua identidade e a constituir-se como mais um edifício    num emaranhado reticular de outras construções &ldquo;encartuladas&rdquo;. No entanto, este    plano, em particular, nunca chegou a ser cumprido.</p>     <p>Ao longo das semanas que se seguiram ao terramoto, foram tomadas rápidas diligências    para uma reconstrução do edifício que, numa primeira fase, permitisse o regresso    dos doentes entretanto espalhados por diversos edifícios dispersos pela cidade.    Não existem dados concretos que permitam compreender de que forma o plano de    redesenho e regularização do alinhamento das fachadas colidia com o projeto    delineado no pós-incêndio de 1750, que se admite que se mantivesse atual e em    vias de ainda poder ser seguido &mdash; poderia ser aproveitado com alterações ou    teria que ser totalmente reequacionado?<a href="#59"><sup>59</sup></a><a name="top59"></a>    Tão pouco se conhece, de forma concreta, o modo como, na transição para 1756,    se iniciou a reconstrução do edifício, ainda que tudo pareça indiciar que, perante    a urgência, se tenha optado pela construção de estruturas provisórias no interior    do quarteirão antes de se poder avançar para construções mais duradouras. A    maioria das novas construções seria integral ou parcialmente construída de madeira<a href="#60"><sup>60</sup></a><a name="top60"></a>,    seguindo o que já havia sido executado logo após o incêndio de 1750, altura    em que se &ldquo;fizeraão a toda a pressa enfermarias de frontal interinas &#91;...&#93; &#91;e    que&#93; depois do terremoto &#91;se&#93; restabeleceraõ &#91;&hellip;&#93; e dellas se serviraõ&rdquo;<a href="#61"><sup>61</sup></a><a name="top61"></a>,    pelo que é com total naturalidade que, em final de 1774, ainda surja referência    à &ldquo;barraca que serve interinamente de Hospital Real de Todos os Santos&rdquo;<a href="#62"><sup>62</sup></a><a name="top62"></a>.    Do mesmo modo, toda a face sul da Rua Nova do Amparo era constituída por um    amontado de barracas e &ldquo;estanceas&rdquo; (locais onde se vendia madeira) arrendadas    pelo Hospital<a href="#63"><sup>63</sup></a><a name="top63"></a>. No entanto,    diversos dados soltos permitem perceber o aproveitamento de alguns edifícios    arruinados<a href="#64"><sup>64</sup></a><a name="top64"></a>, prevendo-se em    maio de 1756 fazerem-se &ldquo;os consertos das duas enfermarias de São Camilo e São    Francisco&rdquo;<a href="#65"><sup>65</sup></a><a name="top65"></a>, numa altura em    que quatro novas &ldquo;enfermarias térreas&rdquo; já se encontravam concluídas e prontas    a receber os doentes<a href="#66"><sup>66</sup></a><a name="top66"></a>. Por    seu turno, os religiosos de São Camilo de Lelis mantinham-se desde 1754 em acomodações    que correspondiam ao antigo palácio dos Marqueses de Cascais, a parte do hospital    que menos terá sofrido com o terramoto<a href="#67"><sup>67</sup></a><a name="top67"></a>.</p>     <p>O vizinho Convento de São Domingos também tinha sido profundamente afetado    pelo terramoto e pelo incêndio subsequente. Os seus livros de despesa demonstram    que as obras de reconstrução terão sido iniciadas logo em novembro de 1755,    embora os pagamentos das diferentes despesas começassem apenas no mês seguinte.    No remanescente da década, as intervenções terão essencialmente passado pela    consolidação do edificado e pela dotação de condições mínimas de habitabilidade.    Em março de 1760, os religiosos começaram a proceder ao desentulhamento dos    Arcos do Rossio<a href="#68"><sup>68</sup></a><a name="top68"></a> (cujo entulho    &ldquo;se mandou conduzir p<u>ar</u>a o meyo do Rocio&rdquo;<a href="#69"><sup>69</sup></a><a name="top69"></a>),    motivados pela necessidade de retirar daí &ldquo;hum infame estabulo de mulheres perdidas,    q<u>ue</u> agregadas a outros tantos ladrões, so servião de infamar a reputação    do Conv<u>en</u>to, e roubar de noute as pessoas que passavão por aquelle citio,    ou discuidadas, ou ignorantes do perigo&rdquo;<a href="#70"><sup>70</sup></a><a name="top70"></a>.    Rapidamente os dominicanos encontraram uma outra motivação para esta empreitada,    uma vez que &ldquo;desentulhados os arcos&#91;,&#93; acodio o povo p<u>ar</u>a os alugar&rdquo;<a href="#71"><sup>71</sup></a><a name="top71"></a>,    ocasionando um rendimento anual de 700 mil réis, precioso num período de carestia.    Quase em simultâneo, desentulharam também a igreja para o início da construção    do novo templo. No entanto, a coincidência cronológica desta obra com o começo    da edificação do novo dormitório<a href="#72"><sup>72</sup></a><a name="top72"></a>,    a partir de abril de 1761, acarretou dificuldades financeiras e técnicas à concretização    de ambas, obrigando à interrupção da última, um ano depois do seu início. De    modo a evitar &ldquo;não só o damno de se arruinarem aquellas novas paredes com a    inclemencia do seg<u>uin</u>te inverno, mas tambem, pod&#91;er&#93; adquerir alguns    alugueis q<u>ue</u> servisem p<u>ar</u>a o pagam<u>en</u>to do juro&rdquo;<a href="#73"><sup>73</sup></a><a name="top73"></a>    dos empréstimos pedidos para a construção, os dominicanos optaram por &ldquo;cobrir    a obra&rdquo;, possivelmente com uma estrutura de madeira, construindo algumas lojas    no piso térreo do edifício voltado ao adro e &ldquo;por tras da igreja&rdquo;, que prontamente    alugaram. As obras continuaram ao longo da década de 1760, constatando-se um    significativo acréscimo do valor com elas gasto no triénio 1764-1766<a href="#74"><sup>74</sup></a><a name="top74"></a>.    Entroncando na ausência de recibos de aluguer dos nove arcos dominicanos no    Rossio a partir de dezembro de 1764 (momento a partir do qual apenas passam    a ser registados os valores referentes ao aluguer das <i>logeas</i> voltadas    ao adro), é possível afirmar que, a partir do início do ano seguinte, o avanço    da obra do Rossio terá implicado a demolição do remanescente dos antigos edifícios    quinhentistas pertencentes ao convento. Em 1769 surge menção ao acabamento da    &ldquo;escada que sobe da portaria p<u>ar</u>a dormitorios e concerto da escada da    livraria do conv<u>en</u>to e tilhados&rdquo;<a href="#75"><sup>75</sup></a><a name="top75"></a>    de uma cela, o que parece apontar para uma fase avançada das obras dos edifícios    do Rossio. Ainda assim, a progressiva (re)construção do Convento de São Domingos    terá prosseguido de forma consistente, pelo menos, até 1789<a href="#76"><sup>76</sup></a><a name="top76"></a>,    registando-se em 1776 a compra de umas impressionantes 2111 carradas de entulho    do hospital<a href="#77"><sup>77</sup></a><a name="top77"></a>, possivelmente    para empregar nas obras do interior do quarteirão e na construção dos edifícios    voltados à recém-aberta Rua do Amparo<a href="#78"><sup>78</sup></a><a name="top78"></a>    (<a href="#f6">Figura 6</a>).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f6"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n11/ser2n11a07f6.jpg">      
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>UM HOSPITAL QUE SE TRANSFERE, UMA NOVA PRAÇA QUE SE CRIA (1769-1779)</b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Um hospital abarracado no interior dos seus terrenos e um convento    que, com um novo desenho, ao Rossio se reconstruía. Entre ruínas de pedras,    construções de madeira e um permanente e atarefado estaleiro, seria esta a realidade    da <i>Ilha</i> quando, a 26 de setembro de 1769, D. José decide transferir as    instalações hospitalares para o antigo colégio jesuíta de Santo Antão<a href="#79"><sup>79</sup></a><a name="top79"></a>.</p>     <p>Um conjunto de circunstâncias parece apontar para que, durante a década que    mediou a expulsão dos jesuítas de Portugal (pelo Decreto de 3 de setembro de    1759) e a tomada desta decisão, tenha existido um planeamento longamente amadurecido<a href="#80"><sup>80</sup></a><a name="top80"></a>.    Na verdade, um breve prólogo ocorreu logo poucas semanas depois da desocupação    do edifício, em cumprimento de uma ordem régia para a passagem de doentes do    hospital para o antigo Colégio de Santo Antão, tendo para o efeito o Enfermeiro-Mor    ordenado a execução de obras de pequena monta neste último. Tratava-se de &ldquo;doentes    &#91;feridos&#93; q<u>ue</u> foram prezos p<u>ar</u>a o Collegio de S<u>an</u>to Antao    q<u>ue</u> por ordem de S<u>ua</u> Mag<u>est</u>ade se foram curar&rdquo;<a href="#81"><sup>81</sup></a><a name="top81"></a>,    possivelmente vindos da Cadeia do Limoeiro, na sequência de uma prática habitual<a href="#82"><sup>82</sup></a><a name="top82"></a>.    Logo em dezembro, um conjunto de diligências práticas começam a ser tomadas,    de que se destaca o aluguer de quatro seges para transferir os doentes. No mês    seguinte encontram-se registos do pagamento à &ldquo;mulher q<u>ue</u> lavou a Igr<u>e</u>ja    do Collegio de S<u>an</u>to Antao&rdquo;<a href="#83"><sup>83</sup></a><a name="top83"></a>,    assim como, entre outros, da compra de duas mil varas de pano de berberia, cem    cobertores, louça, candeeiros, um turíbulo e uma naveta de latão, o que parece    indiciar uma utilização plena do espaço. No entanto, a existência desta enfermaria    fora do hospital seria efémera, conforme comprova o pagamento feito em março    seguinte ao &ldquo;arrieyro Joao Dias do aluguel de hua cege q<u>ue</u> trouce os    feridos do Collegio&rdquo;<a href="#84"><sup>84</sup></a><a name="top84"></a>, coincidindo    com a conclusão das obras da enfermaria dos feridos no hospital ao Rossio. Dos    livros de receita e despesa do hospital referentes a este ano ou aos seguintes    não constam quaisquer outros registos a este respeito, à exceção do pagamento    da transferência da antiga botica jesuíta (junho de 1760) e de estantes (março    de 1761) para o Hospital Real de Todos-os-Santos. Por si só, a instalação temporária    desta enfermaria não permite afirmar que logo em 1759 tenha existido uma ideia    concreta para a transferência definitiva do hospital para Santo Antão; no entanto    é inegável a forma como desde cedo se percecionou (e se concretizou) a potencialidade    do espaço para este fim. Estavam, pois, lançadas as sementes... </p>     <p>Ao longo da década seguinte, o processo de transferência foi sendo sucessivamente    aprimorado. Por aviso do Conde de Oeiras datado de 4 de fevereiro de 1764, Caetano    Tomás de Sousa (1700-1766) recebeu ordens para &ldquo;tirar um plano de tudo que pertença    ao edifício do Colégio de Santo Antão&rdquo;<a href="#85"><sup>85</sup></a><a name="top85"></a>.    Embora o aviso não discrimine a intenção da ordem, a existência de três plantas    de um projeto de reconversão do antigo colégio em hospital assinadas pelo arquiteto<a href="#86"><sup>86</sup></a><a name="top86"></a>    parecem inequivocamente demonstrar ser esse o intuito.</p>     <p>O Hospital Real é, pois, transferido num cenário semelhante ao que se verificará    de forma massiva noutros contextos a partir de 1834, altura em que muitas das    instituições públicas são instaladas nos edifícios das recém-suprimidas casas    religiosas da cidade. Pela primeira vez, a cidade dispunha de um edifício vago    suficientemente grande para acolher todas as acomodações do hospital, à distância    da vontade régia, da elaboração de um projeto de readaptação do espaço e do    pagamento da respetiva obra. Depois da tempestade perfeita provocada por duas    catástrofes em cinco anos, esta possibilidade constituir-se-ia como a tão desejada    bonança. Reunidas as condições, Lisboa teria por fim um novo hospital, seguindo    os modernos preceitos ao nível do desenho da planta e local de implantação.</p>     <p>Logo a 2 de outubro de 1769, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML)    tomou posse do antigo edifício jesuíta. Menos de duas semanas depois, a 16 de    outubro, as obras iniciaram-se rápida e sequencialmente, com o envolvimento    de mais de uma centena de operários (de entre os quais 8 carpinteiros, 2 equipas    de pedreiros e 98 outros trabalhadores). Pelo <i>Auxiliar da despesa do Cofre    das obras do novo Hospital</i><a href="#97"><sup>87</sup></a><a name="top87"></a>    e por diversos livros de receita e despesa da SCML, é possível traçar um muito    rigoroso retrato do modo como as obras decorreram e das verbas despendidas.    Com um gasto total de cerca de 137,5 contos de réis<a href="#88"><sup>88</sup></a><a name="top88"></a>,    os trabalhos prolongaram-se até outubro de 1777, embora estivessem globalmente    concluídos no início de 1775<a href="#89"><sup>89</sup></a><a name="top89"></a>.</p>     <p>Perante a perspetiva de uma relocalização a breve trecho, as obras de reconstrução    do velho edifício terão sido abandonadas. No entanto, Lisboa era uma cidade    em franca recuperação e a Praça do Rossio um dos seus mais nobres locais. É    nesse contexto que se dá o curioso caso da venda dos terrenos e início da demolição    do antigo edifício antes da transferência dos serviços, ainda com o Hospital    Real de Todos-os-Santos em pleno funcionamento. Disso mesmo dá conta, a 27 de    março de 1771, a creditação nos livros de despesa da construção do novo Hospital    Real da quantia de 7.760$00 entregue pelo</p>     <p>     <blockquote>Padre Procurador Geral dos Conegos Regulares D. Joaquim de Maria Santissima,    em nome do Real Mosteiro de Mafra, producto de toda a frente da Praça do Rocio    do chão do antigo Hospital Real de Todos os Santos, que comprehende, desde a    Travessa nova de S. Domingos até a Rua da Betesga, trezentos outenta e trez    palmos de frente com noventa e seis de fundo, que rematou o ditto Padre Procurador    Geral pela Inspecção do Bairro do Rocio que hé Inspector e Desembargador Jozé    Alberto Leitão, que a respeito de vinte mil reis por palmo<a href="#90"><sup>90</sup></a><a name="top90"></a>.       <p></p> </blockquote>     <p>Para o efeito terá sido levada em consideração a avaliação feita dez anos antes    das propriedades do lado poente que, por terem</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>     <blockquote>a vantagem de ficarem logrando da hua rua que lhes fica no fundo p<u>ar</u>a    donde podem fazer mais acomodaçoes, dando os proprietarios mayor vallor as propriedades,    &#91;...&#93; e &#91;sendo&#93; o mais nobre citio em que pode haver propriedades de particulares,    poderá valer um palmo de frente com cem de fundo no Lado do occidente vinte    mil reis sem que fique com mais foro algum, pella dita compra<a href="#91"><sup>91</sup></a><a name="top91"></a>.       <p></p> </blockquote>     <p>Estando por esta altura a totalidade dos demais terrenos do Rossio com propriedade    definida, a perspetiva de uma saída a breve trecho do edifício hospitalar constituía    a derradeira oportunidade para a aquisição de terrenos voltados à praça. No    caso do grande lote originalmente destinado à nova frontaria do Hospital Real    de Todos-os-Santos, coincide com um momento de particular turbulência para a    Ordem dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho, que, ao longo da primeira metade    da década de 1770, se encontrava a passar por uma profunda reformulação, que    resultou na extinção da maioria das suas casas religiosas em Portugal. À aglutinação,    no Convento de Mafra, dos religiosos dos diversos conventos extintos, seguiu-se    a venda dos seus bens &ldquo;por conta do Estado, e do seu producto he que foi edeficado    o Palacio chamado da Inquisição, e no que se gastarão 99:200$00rs e quazi igual    quantia nas Cazas do Rocio&rdquo;<a href="#92"><sup>92</sup></a><a name="top92"></a>.    Os trabalhos de construção destas últimas foram iniciados de seguida, tendo    os agostinhos erguido cinco novos edifícios, cujo traço de fachada seguia o    mesmo desenho do cartulário inicialmente previsto para a reconstrução do hospital.    A regularização do lado nascente da Praça do Rossio, com a construção dos novos    edifícios a uma cota cerca de dois metros acima da original e algumas dezenas    de metros no interior da implantação primitiva da praça, não implicou a demolição    do que sobrava da fachada principal do edifício hospitalar, apenas ao desmancho    do adro da igreja<a href="#93"><sup>93</sup></a><a name="top93"></a>, por cuja    alvenaria &ldquo;entregou &#91;a 1 de junho seguinte&#93; o Director da obra dos Reverendos    Conegos Regrantes de S. Agostinho de Mafra, Fr<u>ei</u> Joaquim da Anunciação,    por mão do M<u>es</u>tre Carpinteiro Francisco Xavier da Silva &#91;a&#93; importancia&rdquo;<a href="#94"><sup>94</sup></a><a name="top94"></a>    de 240$00. Tapada por uma cortina de pedra, a fachada principal do edifício    hospitalar perdia assim a sua frente para o Rossio, dele ficando apartado pela    primeira vez. Fica por compreender o grau de ruína destas suas frontarias, uma    vez que, no decorrer do primeiro semestre deste ano, a instituição ainda mantinha    arrendadas (pelo menos) três lojas &ldquo;ao pé da porta d&#91;o&#93; Hospital&rdquo;<a href="#95"><sup>95</sup></a><a name="top95"></a>    (uma delas com sobrado) e mais de uma dezena na Rua da Betesga, o que indicia    a existência de condições mínimas de utilização e habitabilidade. No entanto,    o facto de os diversos livros da Décima da Cidade do terceiro quartel de Oitocentos    registarem o edifício do hospital na Rua do Amparo, parece indiciar que a sua    entrada ter-se-á passado a fazer por aí<a href="#96"><sup>96</sup></a><a name="top96"></a>.</p>     <p>A transferência dos doentes para o novo Hospital Real (dito de S. José) ocorre    nos primeiros dias de abril de 1775. Por essa altura, a frente oriental do Rossio    estaria já toda construída e consolidada. No quarteirão dominicano, as lojas    estariam ocupadas, os primeiros andares arrendados e os três pisos superiores    ocupados pelos dormitórios e demais dependências dos religiosos. O quarteirão    agostinho cumpriria o preceito para o qual fora construído, o integral arrendamento.    No interior do que restava da <i>Ilha</i>, estaria a ser levantada a sequência    construtiva do Convento de S. Domingos, na face norte da Rua Nova do Amparo,    começada pelo lado do Rossio. No entanto, a escassez de verbas impediria a construção    de todos os edifícios e o consequente fecho do grande quarteirão do convento.    Por esse facto, os terrenos mais próximos da desaparecida Travessa do Amparo<a href="#97"><sup>97</sup></a><a name="top97"></a>    foram sendo sucessivamente ocupados por construções abarracadas, que se mantiveram    até à supressão do cenóbio em 1834. Sem ligação ao Rossio, truncado no interior    de um quarteirão e composto por um misto de construções de madeira e de reminiscências    pré-terramotos, algumas arruinadas e outras aproveitadas e adaptadas, o vazio    edifício do hospital era uma triste sombra da imponência que em tempos havia    tido, perdido entre a cidade que já não existia e aquela que então despontava.</p>     <p>A reutilização do seu terreno constitui uma exceção no grande plano traçado    em 1756 e cumprido com algum rigor. No entanto, significou uma oportunidade    para resolver eficazmente uma complicada reminiscência urbanística pré-terramoto    e permitir uma mais direta ligação com o eixo de saída da cidade que cruzava    a zona dos Anjos e Arroios, via Rua Nova da Palma. Com naturalidade, a primeira    ideia para a ocupação do espaço consistia no prolongamento do traçado ortogonal    das ruas vindas do rio, até então interrompido pela fachada lateral do hospital,    à Rua da Betesga.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f7"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n11/ser2n11a07f7.jpg">      
<p>&nbsp;</p>     <p>Esta tardia <i>pombalinização urbanística </i> dos terrenos do hospital é confirmada    pelo próprio aviso que o trunca<a href="#98"><sup>98</sup></a><a name="top98"></a>:    perante o esvaziamento do edifício do hospital, a 23 de novembro de 1775, D.    José confirma que</p>     <p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>ficando devoluto o grande terreno que occupava o antigo Hospital,    do que lhe f&#91;e&#93;z Mercê, para que separando-se todo o que não fosse necessario    devaçar-se para o serviço pùblico da Cidade, podesse vender o que restasse,    ou nelle edificar Propriedades em beneíficios da mesma Casa Pia; porque além    das duas ruas que logo se cortárão do sobredito terreno, chamadas dos Corrieiros,    e da Princeza, se havião de cortar outras duas para se continuarem á rua Bella    da Rainha &#91;atual rua dos Fanqueiros&#93;, e á dos Douradores, que todas quatro hiao    acabar na Rua de S. Domingos<a href="#99"><sup>99</sup></a><a name="top99"></a>.       <p></p> </blockquote>     <p>No entanto, e contrariando as suas próprias diretrizes, por este mesmo aviso    ordena</p>     <p>     <blockquote>que em lugar destas duas ultimas ruas, que ainda não esta&#91;vam&#93; demarcadas,    se devasse em beneficio do Público huma Arca de quatro frente, com &#91;380&#93; palmos    do Norte a Sul, e &#91;440&#93; de Nascente ao Poente, para se estabelecer huma Praça    de fructa, e hortaliças, com os arruamentos, e cabanas necessarias ao serviço,    e uso della, de cujo terreno F&#91;e&#93;z Mercê ao Senado da Camara de Lisboa, com    a obrigação de fazer a dita Obra, sem que fique responsavel de pagamento<a href="#100"><sup>100</sup></a><a name="top100"></a>.       <p></p> </blockquote>     <p>O monarca justifica esta opção com o dever de fazer &ldquo;prevalecer a todo o interesse    particular, o da Causa Pública&rdquo;<a href="#101"><sup>101</sup></a><a name="top101"></a>,    garantindo ao Hospital Real a compensação de poder continuar a edificar casas    no terreno junto ao Convento de São Camilo de Lelis que, agora voltado à nova    praça, ganharia uma acentuada valorização. Não obstante, parece ser insuficiente    para compensar a perda de potenciais rendimentos causada pela alienação dos    três quarteirões que deixaram de ser construídos. A &ldquo;Praça Nova&rdquo;, como então    foi sendo chamada, ficava assim maioritariamente encerrada por edifícios conventuais    (ou de posse conventual), encartulando-se também a sua face poente, onde se    encontrava o convento dos padres camilos. </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f8"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n11/ser2n11a07f8.jpg">      
<p>&nbsp;</p>     <p>Com a cedência da placa central ao Senado para um mercado de fruta, foi iniciado    o desmancho do antigo edifício hospitalar e a subsequente venda de entulho.    Entre 1776 e 1779, os livros de contas da SCML registaram a venda de materiais    ao Senado, às comunidades religiosas vizinhas e a particulares<a href="#102"><sup>102</sup></a><a name="top102"></a>.    A este propósito, destaca-se o pagamento feito por parte do primeiro &ldquo;dos materiaes    que se achavão no sitio do antigo Hospital no chão doado por Sua Mag<u>est</u>ade    para Praça Publica das vendas&rdquo; (17/05/1776, 800$00)<a href="#103"><sup>103</sup></a><a name="top103"></a>,    assim como a mencionada compra de &ldquo;2111 carradas de pedra de alvenaria&rdquo; feita    pelos dominicanos (27/08/1776, 316$65)<a href="#104"><sup>104</sup></a><a name="top104"></a>    ou de 880 carradas do mesmo material pelos religiosos de S. Camilo de Lelis    (03/12/1779, 176$00)<a href="#105"><sup>105</sup></a><a name="top105"></a>,    o último registo a este propósito encontrado. Dados que desvendam a incorporação    material e simbólica de elementos do antigo hospital na construção dos novos    edifícios voltados à Praça da Figueira. Desmanchado o hospital, o trabalho terá    prosseguido com o entulhamento das estruturas térreas e subterrâneas e com o    alinhamento da nova praça. Pouco depois, começaria a ganhar forma o novo mercado,    com as bancas dispostas em retângulo. Em funcionamento já em 1778<a href="#106"><sup>106</sup></a><a name="top106"></a>,    marcaria o final do grande programa pombalino e o definitivo apagamento do Hospital    Real de Todos-os-Santos da imagem e do quotidiano da cidade.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>CONCLUSÃO</b></p>     <p>O desaparecimento do Hospital Real de Todos-os-Santos ocorre, assim, no contexto    de uma conjuntura que envolveu as preocupações crónicas com a salubridade do    local, os elevados custos de reconstrução do seu edifício (dentro do plano pombalino)    e o facto de, pela primeira vez, a cidade possuir um espaço com as condições    necessárias para acolher a grande estrutura hospitalar.</p>     <p>A sua transferência em 1775 e a supressão do Convento de São Domingos em 1834    alteraram tão profundamente o urbanismo deste local que hoje é difícil perceber    a real dimensão e limites da <i>Ilha em que estava edificado o Hospital Real    de Todos os Santos</i>. Desfragmentada em arquipélago<a href="#107"><sup>107</sup></a><a name="top107"></a>,    este espaço tem sido um contínuo de transformações de usos e vivências, numa    sobreposição de camadas ao longo dos últimos 3000 anos, tendo a <i>Ilha</i>    constituído o mais icónico destes muitos estratos.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f9"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n11/ser2n11a07f9.jpg">      
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</b></p> <b>      <p>FONTES</p>     <p>MANUSCRITAS </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Arquivo Histórico da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa</p> </b>      <p>Carta Régia de 8 de fevereiro de 1768. PT-SCMLSB/SCML/CR/02/02/012.</p>     <p>Carta Régia de 26 de setembro de 1769. PT-SCMLSB SCML/CR/02/02/022.</p>     <p>Aviso Régio de 27 de setembro de 1769. PT-SCMLSB SCML/CR/02/02/023.</p>     <p>Ofício da Secretaria de Estado dos Negócios do Reino de 23 de dezembro de 1774.    PT-SCMLSB SCML/CR/02/02/039.</p>     <p>Decreto de 23 de novembro de 1775. PT-SCMLSB SCML/CR/02/02/063.</p>     <p>Cofre das Obras do novo Hospital, Livro 1. PT-SCMLSB/GF/DP/04/01/Lv001.</p>     <p>Cofre das Obras do novo Hospital, Livro 2. PT-SCMLSB/GF/DP/04/01/Lv002.</p>     <p>Auxiliar da despesa do Cofre das Obras do novo Hospital. PT-SCMLSB/GF/DP/04/02/Lv001.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Arquivo Histórico do Tribunal de Contas</b></p>     <p>Décima da Cidade. Freguesia de Santa Justa e Santa Rufina (diversos livros    de arruamentos e prédios, entre 1762 e 1833).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Arquivo Municipal de Lisboa</b></p>     <p>Chancelaria Régia, Livro 1º de Filipe III. </p>     <p>Chancelaria Régia, Livro 1º de consultas e decretos e avisos de D. José.</p>     <p>Chancelaria Régia, Livro 2º de consultas, decretos e avisos de D. José.</p>     <p>Urbanismo e Obras, Cartulário Pombalino, <i>Prospeto da praça do Rossio no    quarteirão da arte oriental da Praça</i>. &#91;c.177?&#93;.</p>     <p>Urbanismo e Obras, Cartulário Pombalino, <i>Prospecto do lado do Norte da Praça    do Rocio &#91;&hellip;&#93; assim como também os prospectos do edificio da Inquizicam&#93;</i>.    1758-1777.</p>     <p>Urbanismo e Obras, Planeamento Urbanístico, Desenhos e plantas, <i>Planta topográfica    da cidade de Lisboa, compreendendo na sua extenção a beira Mar da Ponte </i>&#91;&hellip;&#93;.  </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Urbanismo e Obras, Planeamento Urbanístico, Desenhos e plantas, <i>Planta topográfica    da cidade de Lisboa arruinada, tambem segundo o novo alinhamento dos Arquitectos    Eugénio dos Santos e Carvalho e Carlos Mardel</i>. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Arquivo Nacional da Torre do Tombo</b></p>     <p>Hospital de S. José, Livros 921-936, 943, 1107, 4776 e 9523.</p>     <p>Juizo da Inspecção dos Bairros de Lisboa, Bairro do Rossio, Livro 12. PT/TT/JIBL/F/012.</p>     <p>Livro das Plantas da Freguesia de Lisboa, Planta da Freguesia de Stª Justa,    PT/TT/CF/0153, p. 64.</p>     <p>Ministério das Finanças, Convento de São Vicente de Fora, cx 2223.</p>     <p>Ordem dos Pregadores, Mosteiro de São Domingos de Lisboa. Livros 76, 89 e 109.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Biblioteca Nacional de Portugal</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Planta Topographica, e exacta do Sitio, que comprehende a Ilha em que estava    edificado o Hospital Real de todos os Santos desta Cidade; o Convento de São    Domingos, e Cazas asim do Ilmº e Exmº Marquês de Cascais, como as dos particulares;    a qual foi tirada na prezença do Sargento Môr Fhilippe Roiz de Oliveira, pello    Ajudante Guilherme Joaquim Paês de Menezes, e o Discipulo Thomas Roiz da Costa,    a que asistirão tambem outros Discipulos todos do dito Sargento Môr, e se finalizou    a 9 de Dezembro de 1750. Iconografia D.100.R.</p>     <p>&#91;Projecto do Hospital de São José&#93;. Iconografia. D.29R., D.30.R., D.31.R.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>IMPRESSAS</b></p>     <p>BRANDÃO, João &mdash; <i>Tratado da majestade, grandeza e abastança da cidade de    Lisboa na 2ª Metade do século XVI: estatística de Lisboa de 1552</i>. Lisboa:    Liv. Ferin, 1923.</p>     <p>CACEGAS, Luís &mdash; <i>Primeira parte da história de S. Domingos particular do    reino, e conquistas de Portugal</i>. Lisboa: Officina de António Rodrigues Galhardo,    1767.</p>     <p>CASTILHO, Júlio de &mdash; <i>Lisboa antiga</i>. 2ª ed. Lisboa: Bertrand, 1904.</p>     <p>COSTA, António Carvalho da &mdash; <i>Corographia portuguesa&hellip;</i> Lisboa: Officina    Real Deslandesiana, 1712. tomo III.</p>     <p>FREIRE, Francisco José &mdash; <i>Memória das principais providencias que se derão    no terramoto...</i> Lisboa: &#91;s.n.&#93;, 1758.</p>     <!-- ref --><p><i>Instrucções sobre as dúvidas, que se devem evacuar, para se dar princípio    á Praça do Rocio.</i> Lisboa: Impresso Avulso, 1759.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2071165&pid=S2183-3176201900010000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>MACHADO, Jorge Francisco &mdash; <i>Breve relação das rendas e despezas do Hospital    Real de Todos os Santos...</i> Lisboa: Officina de Miguel Manescal da Costa,    1765.</p>     <p>OLIVEIRA, Nicolau de &mdash; <i>Livro das grandezas de Lisboa</i>. Lisboa: Vega,    1992.</p>     <p>PEREIRA, Luís Gonzaga &mdash; <i>Monumentos Sacros de Lisboa em 1833</i>. Lisboa:    Oficinas Graficas da Biblioteca Nacional,1927. </p>     <!-- ref --><p><i>Relação Verdadeira e Individual do formidavel incendio, que se ateou no    Hospital Real de Todos os Santos da Cidade de Lisboa, em 10 de Agosto, deste    anno de 1750.</i> Lisboa: Officina de Manoel Soares, 1750.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2071170&pid=S2183-3176201900010000700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>SACRAMENTO, Frei António do &mdash; <i>Memórias curiosas em que por estes annos de    1778 se acham as principaes cousas da Corte de Lisboa</i>. Lisboa: Officina    do Tombo Histórico, 1929.</p>     <!-- ref --><p>VITERBO, Francisco de Sousa - <i>Dicionário histórico e documental dos arquitectos,    engenheiros e construtores portugueses</i>. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da    Moeda, 1988. vol III.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2071173&pid=S2183-3176201900010000700012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>ESTUDOS</b></p>     <p>CAESSA, Ana - Cartulário Pombalino: da Casa do Risco ao Arquivo Municipal de    Lisboa. In VIEGAS, Inês, coord. &mdash; <i>Cartulário Pombalino: colecção de 70 prospectos    (1758-1846)</i>. Lisboa: Câmara Municipal, 2005. p. 13-19.</p>     <p>CARREIRA, Adélia Caldas &mdash; <i>Lisboa de 1731 a 1833: da desordem à ordem no    espaço urbano</i>. Lisboa: &#91;s.n.&#93;, 2012. Tese de Doutoramento em História da    Arte apresentada na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade    Nova de Lisboa.</p>     <p>FRANÇA, José-Augusto &mdash; <i>Lisboa pombalina e o Iluminismo</i>. Lisboa: Bertrand,    1977. </p>     <p>FREIRE, João Paulo &mdash; <i>Lisboa do meu tempo e do passado: do Rossio ao Poço    do Borratém</i>. Lisboa: Empresa Nacional de Publicidade, 1939.</p>     <p>GOMES, Mário Varela; GOMES, Rosa Varela; SILVA, Rodrigo Banha da &mdash; O bairro    islâmico da Praça da Figueira. In <i>Cristãos e muçulmanos na Idade Média peninsular:    encontros e desencontros.</i> Lisboa: Instituto de Arqueologia e Paleociências    da Universidade Nova de Lisboa, 2011. p. 17-25.</p>     <p>LEITE, Ana Cristina &mdash; O Hospital Real de Todos-os-Santos. In PEREIRA, Paulo,    dir. &mdash; <i>Hospital Real de Todos-os-Santos: 500 anos</i>. Lisboa: Câmara Municipal,    1993. p. 5-19.</p>     <p>LOURENÇO, Tiago Borges; MÉGRE, Rita; SILVA, Hélia &mdash; A Lisboa dos conventos:    permanências e metamorfoses. In SEIXAS, João, coord. &mdash; <i>Projecções de Lisboa:    utopias e estratégias para uma cidade em movimento perpétuo.</i> Lisboa: Caleidoscópio,    2018. p. 86-111.</p>     <p>MOITA, Irisalva &mdash; <i>V Centenário do Hospital de Todos os Santos.</i> Lisboa:    Correios de Portugal, 1992.</p>     <p>MOITA, Irisalva &mdash; O Hospital Real de Todos-os-Santos: enfermarias &mdash; Aposentadorias    &mdash; Serviços. In PEREIRA, Paulo, dir. &mdash; <i>Hospital Real de Todos-os-Santos: 500    anos</i>. Lisboa: Câmara Municipal, 1993. p. 40-48.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>RIJO, Delminda &mdash; Palácio dos Estaus: de Hospedaria Real a Palácio da Inquisição    e Tribunal do Santo Ofício. <i>Cadernos do Arquivo Municipal</i>. Lisboa. 2.ª    Série N.º 5 (2016), p. 19-49.</p>     <p>ROSSA, Walter - No 1º plano. In ROSSA, Walter e TOSTÕES, Ana, coord. &mdash; <i>Lisboa    1758: O plano da Baixa hoje</i>. Lisboa: Câmara Municipal, 2008. p. 24-81.</p>     <p>SANTOS, Maria Helena Ribeiro dos &mdash; <i>El Proyecto de Manuel da Maia y la reconstrucción    de la Baixa de Lisboa en el siglo XVIII</i>. Barcelona: &#91;s.n.&#93;, 2012. Tese de    Doutoramento apresentada ao Departament d&rsquo;Urbanisme i Ordennació del Territori,    Universitat Politècnica de Catalunya.</p>     <p>SILVA, Augusto Vieira da &mdash; <i>Plantas topográficas de Lisboa</i>. Lisboa: Câmara    Municipal, 1950.</p>     <p>SILVA, Raquel Henriques da &mdash; Lisboa reconstruída e ampliada (1758-1903). In    ROSSA, Walter; TOSTÕES, Ana, coord. - <i>Lisboa 1758: o plano da Baixa hoje.</i>    Lisboa: Câmara Municipal, 2008. p. 126-167.</p>     <p>SILVA, Rodrigo Banha da &mdash; A ocupação da idade do bronze final da Praça da Figueira    (Lisboa): novos e velhos dados sobre os antecedentes da cidade de Lisboa. <i>Cira    Arqueologia</i>. Vila Franca de Xira: Câmara Municipal. Nº 2 (2013), p. 40-62.</p>     <p>SILVA, Rodrigo Banha da &mdash; A ocupação do período da dominação islâmica na Praça    da Figueira (Lisboa). In Congresso Afonso Henriques e a Sua Época - <i>Actas    </i>(em publicação).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Recursos <i>online</i></b></p>     <p>LOURENÇO, Tiago Borges; MÉGRE, Rita; SILVA, Hélia &mdash; <i>As casas religiosas    de Lisboa</i>. &#91;Em linha&#93;. Lisboa: Câmara Municipal, 2018. &#91;Consult. em 04.12.2018&#93;.    Disponível na Internet: <a href="http://lxconventos.cm-lisboa.pt/wp-content/uploads/2015/06/CasasReligiosasLisboa.pdf" target="_blank">http://lxconventos.cm-lisboa.pt/wp-content/uploads/2015/06/CasasReligiosasLisboa.pdf</a>.    Integrado no projeto Lx Conventos </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Submissão/submission: 09/03/2019 </p>     <p>Aceitação/approval: 23/03/2019 </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <p>SILVA, Hélia Cristina Tirano Tomás, e Lourenço, Tiago Borges, A <i>Ilha</i>.    História e urbanismo do grande quarteirão onde se implantou o Hospital Real    de Todos-os-Santos, ao Rossio (1750-1779). <i>Cadernos do Arquivo Municipal</i>.    2ª Série Nº 11 (janeiro-junho 2019), p. 103 &mdash; 126.</p>     <p><a href="#top1"><sup>1</sup></a><a name="1"></a> <i>Planta Topographica, e    exacta do Sitio, que comprehende a Ilha em que estava edificado o Hospital Real    de todos os Santos desta Cidade; o Convento de São Domingos, e Cazas asim do    Ilmº e Exmº Marquês de Cascais &#91;&hellip;&#93;. </i>Filipe Rodrigues de Oliveira, 1750.    Biblioteca Nacional de Portugal (BNP) &mdash; <a href="http://purl.pt/22488" target="_blank">http://purl.pt/22488</a>    .</p>     <p><a href="#top2"><sup>2</sup></a><a name="2"></a> Ibidem.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top3"><sup>3</sup></a><a name="3"></a> SILVA, Rodrigo Banha da &mdash;    <i>A ocupação da idade do bronze final da Praça da Figueira (Lisboa): novos    e velhos dados sobre os antecedentes da cidade de Lisboa. </i>Cira Arqueologia.    Vila Franca de Xira: Câmara Municipal. Nº 2 (2013), p. 40.</p>     <p><a href="#top4"><sup>4</sup></a><a name="4"></a> As mais importantes em 1960,    1962, 1971 e 1999-2001, todas na Praça da Figueira.</p>     <p><a href="#top5"><sup>5</sup></a><a name="5"></a> Nas escavações arqueológicas    de 1962, foram encontradas várias estruturas na Praça da Figueira, de entre    as quais uma &ldquo;lítica ovalada &#91;...&#93; descrita como composta por lajes (calcárias?),    pouco espessas e encastradas no solo &#91;...&#93;. A ausência de outros elementos de    caracterização torna difícil garantir hoje de forma categórica a sua funcionalidade    original, sugerindo tratar-se de um fundo de construção (cabana?) de planta    quase circular, embora outras hipóteses sejam admissíveis.&rdquo; (SILVA, Rodrigo    Banha da &mdash; <i>op.cit.</i>, p.42). A presença de estruturas da Idade do Bronze    seria confirmada nas campanhas arqueológicas de 1999-2001.</p>     <p><a href="#top6"><sup>6</sup></a><a name="6"></a> SILVA, Rodrigo Banha da &mdash;    A ocupação do período da dominação islâmica na Praça da Figueira (Lisboa). In    <i>Actas do Congresso Afonso Henriques e a sua época (em publicação)</i>.</p>     <p><a href="#top7"><sup>7</sup></a><a name="7"></a> Idem.</p>     <p><a href="#top8"><sup>8</sup></a><a name="8"></a> Idem.</p>     <p><a href="#top9"><sup>9</sup></a><a name="9"></a> GOMES, Mário Varela; GOMES,    Rosa Varela; SILVA, Rodrigo Banha da &mdash; O Bairro Islâmico da Praça da Figueira.    In <i>Cristãos e muçulmanos na Idade Média peninsular: encontros e desencontros.</i>    Lisboa: Instituto de Arqueologia e Paleociências da Universidade Nova de Lisboa,    2011. p. 23.</p>     <p><a href="#top10"><sup>10</sup></a><a name="10"></a> São Vicente de Fora (1147),    São Miguel das Donas (1160), São Félix de Chelas (1192), São Francisco da Cidade    (1217), Santíssima Trindade (1218) e Santos-o-Velho (1220). A este propósito    consultar LOURENÇO, Tiago Borges; MÉGRE, Rita; SILVA, Hélia &mdash; <i>As casas religiosas    de Lisboa</i>. &#91;Em linha&#93;. Lisboa: Câmara Municipal, 2018. &#91;Consult. em 04.12.2018&#93;.    Disponível na Internet: <a href="http://lxconventos.cm-lisboa.pt/wp-content/uploads/2015/06/CasasReligiosasLisboa.pdf" target="_blank">http://lxconventos.cm-lisboa.pt/wp-content/uploads/2015/06/CasasReligiosasLisboa.pdf</a>.    Integrado no projeto Lx Conventos.</p>     <p><a href="#top11"><sup>11</sup></a><a name="11"></a> CACEGAS, Luís &mdash; <i>Primeira    parte da história de S. Domingos Particular do Reino, e conquistas de Portugal</i>...    Lisboa: Officina de António Rodrigues Galhardo, 1767. p. 182-183.</p>     <p><a href="#top12"><sup>12</sup></a><a name="12"></a> Subsistem algumas dúvidas    sobre se a pequena ermida contígua à nova igreja dominicana já se encontrava    construída à época. A Ermida de Nossa Senhora da Purificação (popularmente conhecida    como Ermida de Nossa Senhora da Escada devido ao facto de o seu acesso ser feito    por uma escadaria) desapareceria com o Terramoto de 1755.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top13"><sup>13</sup></a><a name="13"></a> CACEGAS, <i>op. cit</i>.,    p. 313</p>     <p><a href="#top14"><sup>14</sup></a><a name="14"></a> Embora não tenha sido possível    encontrar qualquer documento sobre a cedência destes terrenos, tem sido aceite    ao longo dos tempos que terá efetivamente sido D. Afonso III quem fez tal mercê    aos religiosos.</p>     <p><a href="#top15"><sup>15</sup></a><a name="15"></a> Implantada a poente dos    terrenos dominicanos e próxima do sopé da colina da Alcáçova, no decorrer dos    primeiros séculos da Lisboa cristã, a via junto à qual se implantaria a Ermida    de São Mateus constituiu-se como uma das principais saídas a norte da cidade,    cruzando a Mouraria. A sua importância estratégica é atestada pela opção de    nela se erguer a Porta de São Vicente da Mouraria da Muralha Fernandina, assim    como pela recém-descoberta arqueológica de uma necrópole medieval nas suas proximidades.    Foi igualmente em seu torno que foi construído o Poço do Borratém. </p>     <p><a href="#top16"><sup>16</sup></a><a name="16"></a> CACEGAS &mdash; <i>op. cit</i>.,    p. 316.</p>     <p><a href="#top17"><sup>17</sup></a><a name="17"></a> CACEGAS &mdash; <i>op. cit</i>.,    p. 317.</p>     <p><a href="#top18"><sup>18</sup></a><a name="18"></a> Voltado ao Rossio, grande    praça que, entretanto, havia sido aberta.</p>     <p><a href="#top19"><sup>19</sup></a><a name="19"></a> BRANDÃO, João &mdash; <i>Tratado    da majestade, grandeza e abastança da cidade de Lisboa na 2ª metade do século    XVI: estatística de Lisboa de 1552</i>. Lisboa: Liv. Ferin, 1923. p. 110-111.</p>     <p><a href="#top20"><sup>20</sup></a><a name="20"></a> &#91;Arquivo Nacional Torre    do Tombo&#93; ANTT, <i>Chancelaria de D. Manuel, Livro I da Estremadura</i>, f.    252-255.</p>     <p><a href="#top21"><sup>21</sup></a><a name="21"></a> OLIVEIRA, Nicolau de &mdash;    <i>Livro das grandezas de Lisboa</i>. Lisboa: Vega, 1992. p. 602.</p>     <p><a href="#top22"><sup>22</sup></a><a name="22"></a> Sobre as instalações hospitalares,    consultar MOITA, Irisalva &mdash; O Hospital Real de Todos-os-Santos: enfermarias    &mdash; aposentadorias &mdash; serviços. In PEREIRA, Paulo, dir. &mdash; <i>Hospital Real de Todos-os-Santos:    500 Anos</i>. Lisboa: Câmara Municipal, 1993. p. 40-48.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top23"><sup>23</sup></a><a name="23"></a> Existe uma crónica falta    de consenso entre as fontes (tanto escritas como iconográficas) no que concerne    ao número de arcos. Seriam provavelmente cerca de 25, dois terços dos quais    pertencentes ao hospital. Esta opção terá sido tomada devido aos crónicos problemas    com a humidade no solo do local, que inclusivamente obrigava a que as obras    de edificação ocorressem em determinados momentos do ano.</p>     <p><a href="#top24"><sup>24</sup></a><a name="24"></a> &ldquo;N&rsquo;essa arcada muitos mercadores    possuiam armarios e balcões fechados, de que pagavam renda ao hospital, e onde    vendiam ao povo toda a sorte de pannos de linho, canequim, cassa e olanda, linhos,    rendas, tranças, franjas e outras coisas semelhantes, alem de artigos de calçado    e estopa; e na escadaria da egreja &#91;...&#93; tinham poiso certo os cegos distribuidores    e pregoeiros ambulantes de papeis e novidades&rdquo; (CASTILHO, Júlio de &mdash; <i>Lisboa    Antiga</i>. Lisboa: Bertrand. 2ª ed. 1904. p. 197).</p>     <p><a href="#top25"><sup>25</sup></a><a name="25"></a> LEITE, Ana Cristina &mdash; O    Hospital Real de Todos-os-Santos. In PEREIRA, Paulo, dir. &mdash; <i>op. cit</i>.,    p. 11.</p>     <p><a href="#top26"><sup>26</sup></a><a name="26"></a> COSTA, António Carvalho    da &mdash; <i>Corographia Portuguesa...</i> Lisboa: Officina Real Deslandesiana, 1712.    tomo III, p. 396.</p>     <p><a href="#top27"><sup>27</sup></a><a name="27"></a> Arquivo Histórico da Santa    Casa da Misericórdia de Lisboa (AHSCML), Carta Régia de 26 de setembro de 1769.    PT-SCMLSB SCML/CR/02/02/022.</p>     <p><a href="#top28"><sup>28</sup></a><a name="28"></a> AHSCML, Carta Régia de    8 de fevereiro de 1768. PT-SCMLSB/SCML/CR/02/02/012.</p>     <p><a href="#top29"><sup>29</sup></a><a name="29"></a> AHSCML, Aviso Régio de    27 de setembro de 1769. PT-SCMLSB SCML/CR/02/02/023.</p>     <p><a href="#top30"><sup>30</sup></a><a name="30"></a> Em carta de 16 de julho    de 1626 é aludido o conteúdo de uma outra, datada de 7 de março do mesmo ano    (cujo paradeiro se desconhece), na qual Filipe III levanta a possibilidade de    &ldquo;mudar &#91;o Hospital&#93; para outro sítio mais são&rdquo;. Arquivo Municipal de Lisboa    (AML), Chancelaria Régia, Livro 1º de Filipe III, f. 77-77v.</p>     <p><a href="#top31"><sup>31</sup></a><a name="31"></a> CARREIRA, Adélia Caldas    &mdash; <i>Lisboa de 1731 a 1833: da desordem à ordem no espaço urbano</i>. Lisboa:    &#91;s.n.&#93;, 2012. Tese de Doutoramento em História da Arte apresentada na Faculdade    de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. p. 277.</p>     <p><a href="#top32"><sup>32</sup></a><a name="32"></a> Relação verdadeira e individual    do formidavel incendio, que se ateou no Hospital Real de Todos os Santos da    cidade de Lisboa, em 10 de Agosto, deste anno de 1750. Lisboa: Officina de Manoel    Soares, 1750.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top33"><sup>33</sup></a><a name="33"></a> Idem.</p>     <p><a href="#top34"><sup>34</sup></a><a name="34"></a>34 Existem também diversas    notícias sobre obras avulsas, de caráter prático, nomeadamente a &ldquo;demolição    de algumas paredes que ameaçam ruina&rdquo; (AML, Livro 1º de consultas e decretos    e avisos de D. José, f. 9-9v, 12/08/1750) e a &ldquo;abertura de uma porta do lado    do Rossio por baixo de um dos arcos &#91;&hellip;&#93; para o bom serviço do hospital (AML,    Livro 2º de consultas, decretos e avisos de D. José, f. 85-85v, 28/06/1751).</p>     <p><a href="#top35"><sup>35</sup></a><a name="35"></a> BNP, Iconografia D.100R    &mdash; <a href="http://purl.pt/22488" target="_blank">http://purl.pt/22488</a> </p>     <p><a href="#top36"><sup>36</sup></a><a name="36"></a> As escrituras de venda    destas propriedades foram celebradas entre 1 e 8 de agosto de 1752, sendo através    delas possível saber as características de cada edifício, respetivos proprietários    e valor pago por cada uma (ANTT, Hospital de S. José, liv. 1107, f. 1-84). </p>     <p><a href="#top37"><sup>37</sup></a><a name="37"></a> ANTT, Hospital de S. José,    liv. 1107, f. 1-3.</p>     <p><a href="#top38"><sup>38</sup></a><a name="38"></a> Idem, f. 106.</p>     <p><a href="#top39"><sup>39</sup></a><a name="39"></a> Idem, f. 103v-105.</p>     <p><a href="#top40"><sup>40</sup></a><a name="40"></a> Nascido em Ponte de Lima,    fez fortuna nas minas do Brasil. Legou várias dezenas de contos de réis para    a reconstrução do edifício do hospital.</p>     <p><a href="#top41"><sup>41</sup></a><a name="41"></a> ANTT, Hospital de S. José,    liv. 943, f. 1.</p>     <p><a href="#top42"><sup>42</sup></a><a name="42"></a> ANTT, Hospital de S. José,    liv. 921, f. 181.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top43"><sup>43</sup></a><a name="43"></a> Nas casas de Dom Antão    de Almada e nos celeiros do Conde de Castelo Melhor e do Mosteiro de São Bento    da Saúde.</p>     <p><a href="#top44"><sup>44</sup></a><a name="44"></a> Esta questão é originalmente    aprofundada em FRANÇA, José-Augusto &mdash; <i>Lisboa Pombalina e o Iluminismo</i>.    Lisboa: Bertrand, 1977.</p>     <p><a href="#top45"><sup>45</sup></a><a name="45"></a> Dissertação de Manuel da    Maia &mdash; Primeira Parte (original desaparecido). Transcrito em FRANÇA, José-Augusto    &mdash; <i>op. cit</i>., p. 291-295.</p>     <p><a href="#top46"><sup>46</sup></a><a name="46"></a> Idem, p. 292. </p>     <p><a href="#top47"><sup>47</sup></a><a name="47"></a> Dissertação de Manuel da    Maia &mdash; Terceira Parte. Transcrito em FRANÇA, José-Augusto &mdash; <i>op. cit</i>.,    p. 307.</p>     <p><a href="#top48"><sup>48</sup></a><a name="48"></a> Desconhece-se o paradeiro    desta planta. Em 1950, Vieira da Silva publicou uma cópia de uma planta semelhante    (SILVA, A. Vieira da &mdash; <i>Plantas topográficas de Lisboa</i>. Lisboa: Câmara    Municipal, 1950. p. 19, planta 2), assinada por Eugénio dos Santos e Carlos    Mardel (1695/6-1763) (<a href="#f4">Figura 4</a>). Segundo o olisipógrafo, esta    segunda planta, &ldquo;se não é o desenvolvimento ou ampliação do projecto n.º 5 &#91;&hellip;&#93;,    talvez seja aquela a que se refere o decreto de 12 de Junho de 1758, ou mais    provàvelmente o de 19 do mesmo mês, conquanto não corresponda exactamente ao    plano que foi executado, o que seria devido, porventura, a alterações ulteriormente    aprovadas&rdquo; (SILVA, Vieira da &mdash; <i>op. cit</i>., p. 37).</p>     <p><a href="#top49"><sup>49</sup></a><a name="49"></a> Do &ldquo;velho Terreiro do Paço    &#91;&hellip;&#93; saiu o Paço, mas confirmou-se e reafirmou-se no local o Poder, quer nas    funções, quer na estátua que a tonifica em <i>praça real</i>, pese embora do    Comércio e não do rei&rdquo; (ROSSA, Walter &mdash; No 1º Plano. In ROSSA, Walter; TOSTÕES,    Ana, coord. &mdash; <i>Lisboa 1758: o plano da Baixa Hoje</i>. Lisboa: Câmara Municipal,    2008. p. 59).</p>     <p><a href="#top50"><sup>50</sup></a><a name="50"></a> Então designada por Travessa    de São Domingos, esta nova rua corresponde à atual Rua de Barros Queirós.</p>     <p><a href="#top51"><sup>51</sup></a><a name="51"></a> Instrucções sobre as dúvidas,    que se devem evacuar, para se dar principio á Praça do Rocio. Lisboa: Impresso    Avulso, 1759.</p>     <p><a href="#top52"><sup>52</sup></a><a name="52"></a> Idem.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top53"><sup>53</sup></a><a name="53"></a> Esta rua desapareceu no    século XIX, sendo substituída pela atual Rua Dom Duarte aberta alguns metros    a poente.</p>     <p><a href="#top54"><sup>54</sup></a><a name="54"></a> Instrucções sobre as dúvidas...</p>     <p><a href="#top55"><sup>55</sup></a><a name="55"></a> &ldquo;Trata-se &#91;&hellip;&#93; de um conjunto    de 70 alçados para a reconstrução da cidade de Lisboa, segundo as directivas    programáticas do Marquês de Pombal &#91;&hellip;&#93; &#91;encontrando-se todas as peças&#93; numerad&#91;a&#93;s    sequencialmente.&rdquo; (CAESSA, Ana - Cartulário Pombalino: da Casa do Risco ao Arquivo    Municipal de Lisboa. In VIEGAS, Inês, coord. &mdash; <i>Cartulário Pombalino: colecção    de 70 prospectos (1758-1846)</i>. Lisboa: Câmara Municipal, 2005. p. 18).</p>     <p><a href="#top56"><sup>56</sup></a><a name="56"></a> SILVA, Raquel Henriques    da &mdash; Lisboa Reconstruída e Ampliada (1758-1903). In ROSSA, Walter e TOSTÕES,    Ana, coord. &mdash; <i>op. cit.</i>, p. 132.</p>     <p><a href="#top57"><sup>57</sup></a><a name="57"></a> Boa Hora, Corpo Santo,    Corpus Christi, Santíssima Trindade e São Camilo de Lelis (este último adiante    abordado). Esta questão é mais profundamente abordada em LOURENÇO, Tiago Borges;    MÉGRE, Rita; SILVA, Hélia &mdash; A Lisboa dos conventos: permanências e metamorfoses.    In SEIXAS, João, coord. &mdash; <i>Projecções de Lisboa: utopias e estratégias para    uma cidade em movimento perpétuo.</i> Lisboa: Caleidoscópio, 2018. p. 86-111.  </p>     <p><a href="#top58"><sup>58</sup></a><a name="58"></a> O mesmo também se verificou    com o novo desenho do Palácio da Inquisição, implantado no topo norte da Praça    do Rossio (AML, Cartulário Pombalino, Prospecto do lado do Norte da Praça do    Rossio &#91;...&#93; assim como também os prospetos do edifício da Inquisição &mdash; PT/AMLSB/CMLSB/UROB-PU/01/065;    e RIJO, Delminda &mdash; Palácio dos Estaus de Hospedaria Real a Palácio da Inquisição    e Tribunal do Santo Ofício. <i>Cadernos do Arquivo Municipal</i>. 2ª Série Nº    5 (jan.-jun. 2016), p. 19-49).</p>     <p><a href="#top59"><sup>59</sup></a><a name="59"></a> São conhecidos poucos dados    acerca da reconstrução do edifício. Os livros de receita e despesa do hospital    do período compreendido entre 1755 e 1771 (ANTT, Hospital de S. José, Livros    921-936, 4776 e 9523) limitam-se a registar obras correntes de pequena monta,    invariavelmente descritas como <i>reparos</i>.</p>     <p><a href="#top60"><sup>60</sup></a><a name="60"></a> Para se cubrirem, mandou    D. José reaproveitar &ldquo;a telha, que se acha&#91;va&#93; nas ruinas das casas, que serviraõ    de Thesouro no Castelo de S. Jorge&rdquo; (FREIRE, Francisco José &mdash; <i>Memória das    principais providencias que se derão no Terramoto...</i> Lisboa: &#91;s.n.&#93;, 1758.    p. 90).</p>     <p><a href="#top61"><sup>61</sup></a><a name="61"></a> SACRAMENTO, Frei António    do &mdash; <i>Memórias curiosas em que por estes annos de 1778 se acham as principaes    cousas da Corte de Lisboa</i>. Lisboa: Officina do Tombo Histórico, 1929. p.    14.</p>     <p><a href="#top62"><sup>62</sup></a><a name="62"></a> AHSCML, Ofício da Secretaria    de Estado dos Negócios do Reino de 23 de dezembro de 1774. PT-SCMLSB SCML/CR/02/02/039.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top63"><sup>63</sup></a><a name="63"></a> ANTT, Hospital de S. José,    Livros 4776 e 9523.</p>     <p><a href="#top64"><sup>64</sup></a><a name="64"></a> Existe também menção às    despesas feitas com a reedificação da igreja no período compreendido entre 1759    e 1764 (MACHADO, Jorge Francisco &mdash; <i>Breve Relação das Rendas e Despezas do    Hospital Real de Todos os Santos</i>... Lisboa: Officina de Miguel Manescal    da Costa, 1765).</p>     <p><a href="#top65"><sup>65</sup></a><a name="65"></a> ANTT, Hospital de S. José,    lv. 943, f. 16v-17. Pela planta resultante do levantamento de 1750 é possível    observar que a área ocupada pelo edifício a norte da cabeceira da igreja era    manifestamente maior do que no século XVI, englobando grande parte do espaço    originalmente destinado a hortas. A falta de terreno para construção de novos    edifícios, mesmo que de madeira, parece indicar que a progressiva reconstrução    do hospital no pós-terramoto terá também sido feita à custa do reaproveitamento    de alguns dos espaços de alvenaria em funcionamento até 1750.</p>     <p><a href="#top66"><sup>66</sup></a><a name="66"></a> Em poucos anos, o número    de enfermarias do hospital aumentou até um número próximo ao das existentes    no final da primeira metade de Setecentos (PEREIRA, Paulo, dir &mdash; <i>op. cit</i>.,    p. 76-77).</p>     <p><a href="#top67"><sup>67</sup></a><a name="67"></a> Embora só tivessem delas    tomada posse após a transferência do Hospital para Santo Antão &mdash; até então,    os edifícios eram propriedade hospitalar.</p>     <p><a href="#top68"><sup>68</sup></a><a name="68"></a> Apesar de aparentemente    simples, esta obra seria embargada por duas vezes.</p>     <p><a href="#top69"><sup>69</sup></a><a name="69"></a> ANTT, Ordem dos Pregadores,    Mosteiro de São Domingos de Lisboa. liv. 89, f. 1.</p>     <p><a href="#top70"><sup>70</sup></a><a name="70"></a> Idem, f. 3.</p>     <p><a href="#top71"><sup>71</sup></a><a name="71"></a> Idem, f. 3.</p>     <p><a href="#top72"><sup>72</sup></a><a name="72"></a> O primeiro edifício voltado    ao Rossio a ser construído pelos dominicanos foi o que ficava mais próximo da    sua igreja e do Largo de São Domingos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top73"><sup>73</sup></a><a name="73"></a> Idem, f. 16v-17.</p>     <p><a href="#top74"><sup>74</sup></a><a name="74"></a> De todos os anos consultados,    os dois primeiros foram aqueles em que maior verba foi despendida nesta obra:    1764 - 14:029$622; 1765 - 20:628$014; 1766 - 8:182$481, incluindo pagamento    de juros (ANTT, Ordem dos Pregadores, Mosteiro de São Domingos de Lisboa, liv.    106).</p>     <p><a href="#top75"><sup>75</sup></a><a name="75"></a> Idem.</p>     <p><a href="#top76"><sup>76</sup></a><a name="76"></a>Entre 1788 e 1789 registou-se    um gasto de cerca de 3:000$000 com a construção do novo refeitório e da livraria    (ANTT, Ordem dos Pregadores, Mosteiro de São Domingos de Lisboa, liv. 76). Nas    primeiras décadas do século XIX, o convento tinha arrendado um total de 47 lojas    voltadas à Rua do Amparo. </p>     <p><a href="#top77"><sup>77</sup></a><a name="77"></a> AHSCML, Cofre das Obras    do novo Hospital, Livro 1, f. 226v.</p>     <p><a href="#top78"><sup>78</sup></a><a name="78"></a> Assim se chamava, em virtude    de ter sido rasgada no enfiamento do local onde, até 1755, se encontrava a Ermida    de Nossa Senhora do Amparo, mencionada no final do primeiro capítulo do presente    texto.</p>     <p><a href="#top79"><sup>79</sup></a><a name="79"></a> Contemporaneamente, também    no Porto se providenciava a construção de um novo hospital (Santo António) para    substituir o quinhentista da Rua das Flores, por questões de salubridade e exiguidade    do espaço original.</p>     <p><a href="#top80"><sup>80</sup></a><a name="80"></a> Desde logo pela forma como    este foi o último dos edifícios jesuítas em Lisboa ao qual foi atribuído um    novo uso. O Colégio de São Francisco Xavier foi atribuído para acolher o Recolhimento    do Castelo (1759); o Noviciado de Nossa Senhora da Assunção (à Cotovia) para    o Colégio dos Nobres (1761); o Noviciado das Missões da Índia (a Arroios) para    as religiosas do Convento de Nossa Senhora da Conceição, à Luz (1766); e a Casa    Professa de São Roque para a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (1768). Estes    edifícios constituíam algumas das melhores, mais sólidas e ricas construções    da cidade, com a vantagem de nenhum ter sido irremediavelmente destruído pelo    terramoto.</p>     <p><a href="#top81"><sup>81</sup></a><a name="81"></a> ANTT, Hospital de S. José,    livro 926, f. 8. </p>     <p><a href="#top82"><sup>82</sup></a><a name="82"></a> Na documentação do século    XVIII referente ao Hospital, encontram-se diversas ordens régias para transferência    de doentes do Limoeiro para as enfermarias do hospital. Embora não tenha sido    possível encontrar a ordem que esteve na base do presente caso, pouco antes,    em fevereiro de 1759, D. José ordenou a passagem de um grupo de presos &ldquo;para    o Hospital Real, para o de São João de D<u>eo</u>s e para o Tronco&rdquo; (ANTT, Hospital    de S. José, liv. 943, f. 8), devidamente guardados por sentinelas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top83"><sup>83</sup></a><a name="83"></a> ANTT, Hospital de S. José,    livro 926, f. 66v.</p>     <p><a href="#top84"><sup>84</sup></a><a name="84"></a> Idem, f. 68. O facto de    se ter alugado apenas uma sege para o retorno dos feridos parece indicar que    muitos deles se tivessem, entretanto, curado e regressado à prisão (ou morrido).</p>     <p><a href="#top85"><sup>85</sup></a><a name="85"></a> Transcrito em VITERBO,    Francisco de Sousa &mdash; <i>Dicionário histórico e documental dos arquitectos, engenheiros    e construtores portugueses</i>. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1988.    vol. III, p. 108.</p>     <p><a href="#top86"><sup>86</sup></a><a name="86"></a> BNP, &#91;Projecto do Hospital    de São José&#93;, Iconografia. D.29R., D.30.R., D.31.R. (anteriormente mencionado    por CARREIRA, Adélia Caldas, op. cit., p. 283-288).</p>     <p><a href="#top87"><sup>87</sup></a><a name="87"></a> AHSCML, Auxiliar da despesa    do Cofre das obras do novo Hospital. PT-SCMLSB/GF/DP/04/02/Lv001.</p>     <p><a href="#top88"><sup>88</sup></a><a name="88"></a> Valores por ano (iniciado    em julho): 1769-1770: 20:137$498 // 1770-1771: 18:705$434 // 1771-1772: 29:459$937    // 1772-1773: 19:782$143 // 1773-1774: 1:915$672 // 1774-1775: 24:521$932 //    1775-1776: 9:606$180 // 1776-1777: 1:146$352; pagamentos liquidados entre 1777    e 1780: 12:259$112. (AHSCML, Cofre das Obras do novo Hospital, Livro 1. PT-SCMLSB/GF/DP/04/01/Lv001).</p>     <p><a href="#top89"><sup>89</sup></a><a name="89"></a> Não obstante a interrupção    de mais de um ano, entre junho de 1773 e agosto de 1774.</p>     <p><a href="#top90"><sup>90</sup></a><a name="90"></a> AHSCML, Idem, f. 42v.</p>     <p><a href="#top91"><sup>91</sup></a><a name="91"></a> ANTT, Juizo da Inspecção    dos Bairros de Lisboa, Bairro do Rossio, Livro 12. PT/TT/JIBL/F/012.</p>     <p><a href="#top92"><sup>92</sup></a><a name="92"></a> ANTT, Ministério das Finanças,    Convento de São Vicente de Fora, cx 2223, f. 320-321.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top93"><sup>93</sup></a><a name="93"></a> E possivelmente parte da    sua imponente escadaria. Com a subida de cota do Rossio, os degraus inferiores    foram aterrados, tendo-se descoberto alguns no subsolo de uma loja, no decorrer    na década de 1950.</p>     <p><a href="#top94"><sup>94</sup></a><a name="94"></a> AHSCML, Idem, f. 43v. Em    meados do ano seguinte, os edifícios estariam ainda por concluir, visto que    não foram registados no livro da Décima da Cidade de 1772. Arquivo Histórico    do Tribunal de Contas (AHTC), Décima da Cidade, freguesia de Santa Justa e Santa    Rufina. 1772. DC638PU.</p>     <p><a href="#top95"><sup>95</sup></a><a name="95"></a> ANTT, Hospital de S. José,    Livro 9523, f. 128.</p>     <p><a href="#top96"><sup>96</sup></a><a name="96"></a> AHTC, Décima da Cidade,    freguesia de Santa Justa e Santa Rufina.</p>     <p><a href="#top97"><sup>97</sup></a><a name="97"></a> Ver nota de rodapé 53.</p>     <p><a href="#top98"><sup>98</sup></a><a name="98"></a> Encontra-se também prevista    no levantamento do Sargento-Mor José Monteiro de Carvalho (<a href="#f7">Figura    7</a>). Elaborado na sequência da reconfiguração administrativa de 1770, este    levantamento da cidade por freguesias não se limitava a delinear o que se encontrava    construído, inserindo também elementos de alterações urbanísticas em projeto.</p>     <p><a href="#top99"><sup>99</sup></a><a name="99"></a> AHSCML, Decreto de 23 de    novembro de 1775. PT-SCMLSB SCML/CR/02/02/063.</p>     <p><a href="#top100"><sup>100</sup></a><a name="100"></a>100 Esta opção parece    surgir no contexto da proibição da venda no Rossio e das preocupações reveladas    em ações do género, nomeadamente com a construção do Mercado da Ribeira Nova,    em 1771.</p>     <p><a href="#top101"><sup>101</sup></a><a name="101"></a> AHSCML, Idem.</p>     <p><a href="#top102"><sup>102</sup></a><a name="102"></a> A quase totalidade reporta-se    à venda de &ldquo;carradas de pedra de alvenaria&rdquo; e de &ldquo;colos de telha&rdquo;, existindo    apenas o registo da venda de &ldquo;uma pedra de cantaria por 480rs&rdquo; e de &ldquo;madeira&rdquo;.    Contrariamente ao valor constante da unidade no caso da venda da telha (200rs/colo),    é interessante compreender a total desuniformização dos valores por carrada,    variando entre os 150rs e os 230rs, possivelmente atendendo à qualidade da pedra    (AHSCML, Cofre das Obras do novo Hospital, Livro 1, PT-SCMLSB/GF/DP/04/01/Lv001).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top103"><sup>103</sup></a><a name="103"></a> Idem, f. 222v</p>     <p><a href="#top104"><sup>104</sup></a><a name="104"></a> Idem, f. 226v. No mesmo    dia, os administradores da Casa de D. José da Silva Pessanha pagaram 69$600    por 464 carradas de pedra de alvenaria. Em ambos os casos, a venda fez-se por    150 réis/carrada.</p>     <p><a href="#top105"><sup>105</sup></a><a name="105"></a> AHSCML, Cofre das Obras    do novo Hospital, Livro 2, f. 76v. PT-SCMLSB/GF/DP/04/01/Lv002.</p>     <p><a href="#top106"><sup>106</sup></a><a name="106"></a> Nesse ano, Frei António    do Sacramento alude já ao &ldquo;terreno da praça da fructa que se formou no mesmo    sítio &#91;do hospital&#93;&rdquo; (SACRAMENTO, Frei António do &mdash; <i>op. cit.</i>, p. 14).</p>     <p><a href="#top107"><sup>107</sup></a><a name="107"></a> Sobre a história e urbanismo    do sítio no período entre 1834 e 2019, ver LOURENÇO, Tiago Borges; SILVA, Hélia    &mdash; De <i>Ilha</i> a <i>arquipélago</i>: história e urbanismo do lugar do grande    quarteirão onde outrora se implantou o Hospital Real de Todos-os-Santos, ao    Rossio (1834-2019) publicado neste número dos <i>Cadernos do Arquivo Municipal</i>.</p>      ]]></body><back>
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