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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Características e exigências sociotécnicas em confronto num bairro de origem pré-industrial: notas sobre o Bairro das Trinas]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[After more than 250 years the urbanization of the Trinas do Mocambo Convent land can still be seen as a successful urban development operation, showing adaptability over time, due to the high durability of the buildings that make up the “Trinas Neighbourhood”. These eighteenth-century buildings, which could fit into the landscape of current housing architecture in Lisbon at the time, have a set of features that have remained over time. This article seeks to identify some features and values of this neighbourhood that justify its integrity and efficiency. It also describes some recent transformations, identifying drivers and highlighting impacts to which this heritage is submitted, while analysing how certain technical and social requirements may influence the rehabilitation of this pre-industrial historical, architectural and urban heritage.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO</b></p>     <p><b>Caracter&iacute;sticas e exig&ecirc;ncias sociot&eacute;cnicas em confronto num bairro de origem pr&eacute;-industrial: notas sobre o <i>Bairro das Trinas</i></b></p>     <p><b>Characteristics vs. requirements on a preindustrial neighbourhood: notes about the <i>Trinas Neighbourhood</i></b></p>     <p><b>Joana Fazenda Mendes Mour&atilde;o<sup>*</sup></b></p>     <p><sup>*</sup>Joana Fazenda Mendes Mour&atilde;o, IST-Instituto Superior T&eacute;cnico, Universidade de Lisboa, 1049-001 Lisboa, Portugal. <a href="mailto:joana.mourao@tecnico.ulisboa.pt">joana.mourao@tecnico.ulisboa.pt</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Ap&oacute;s mais de 250 anos, o aforamento dos terrenos adjacentes ao Convento das Trinas do Mocambo pode ainda ser visto como uma opera&ccedil;&atilde;o de desenvolvimento urbano de sucesso, perpetuada pela adaptabilidade e durabilidade dos edif&iacute;cios do &ldquo;<i>Bairro das Trinas</i>&rdquo;. Estes edif&iacute;cios de origem setecentista, que se podem integrar no panorama da arquitetura habitacional corrente em Lisboa da &eacute;poca, apresentam um conjunto de caracter&iacute;sticas que permaneceram &iacute;ntegras ao longo do tempo. </p>     <p>O presente artigo procura destacar algumas caracter&iacute;sticas deste conjunto edificado que lhe conferem integridade e efici&ecirc;ncia construtiva, habitacional e urban&iacute;stica. Procura tamb&eacute;m descrever algumas transforma&ccedil;&otilde;es recentes e as respetivas motiva&ccedil;&otilde;es, evidenciando os impactes a que este patrim&oacute;nio se encontra sujeito e analisando a forma como determinados requisitos podem influenciar a reabilita&ccedil;&atilde;o deste patrim&oacute;nio arquitet&oacute;nico e urban&iacute;stico de origem pr&eacute;-industrial.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>PALAVRAS-CHAVE</b></p>     <p>Hist&oacute;ria Urbana / Patrim&oacute;nio Edificado / Habita&ccedil;&atilde;o / Reabilita&ccedil;&atilde;o / Sustentabilidade </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>After more than 250 years the urbanization of the <i>Trinas do Mocambo</i> Convent land can still be seen as a successful urban development operation, showing adaptability over time, due to the high durability of the buildings that make up the &ldquo;<i>Trinas Neighbourhood</i>&rdquo;. These eighteenth-century buildings, which could fit into the landscape of current housing architecture in Lisbon at the time, have a set of features that have remained over time.</p>     <p>This article seeks to identify some features and values of this neighbourhood that justify its integrity and efficiency. It also describes some recent transformations, identifying drivers and highlighting impacts to which this heritage is submitted, while analysing how certain technical and social requirements may influence the rehabilitation of this pre-industrial historical, architectural and urban heritage.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>KEYWORDS</b></p>     <p>Urban History / Housing / Built Heritage / Sustainability / Refurbishment</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></p>     <p>&ldquo;Reabilita&ccedil;&atilde;o urbana&rdquo; &eacute; hoje um conceito amplo que compreende diferentes processos de interven&ccedil;&atilde;o no tecido urbano, reutilizando edif&iacute;cios ou lotes existentes e dando prioridade a objetivos vari&aacute;veis. O regime jur&iacute;dico aplic&aacute;vel apresenta como defini&ccedil;&atilde;o de reabilita&ccedil;&atilde;o urbana &laquo;a forma de interven&ccedil;&atilde;o integrada sobre o tecido urbano existente, em que o patrim&oacute;nio urban&iacute;stico e imobili&aacute;rio &eacute; mantido, no todo ou em parte substancial, e modernizado atrav&eacute;s da realiza&ccedil;&atilde;o de obras&raquo;<a href="#1"><sup>1</sup></a><a name="top1"></a>. Este &eacute; um regime de car&aacute;cter estrat&eacute;gico que preconiza o princ&iacute;pio da prote&ccedil;&atilde;o do existente. Por&eacute;m, a sua aplica&ccedil;&atilde;o &eacute; reduzida, uma vez que a reabilita&ccedil;&atilde;o de edif&iacute;cios, salvo raras exce&ccedil;&otilde;es, tem ocorrido nas cidades portuguesas sem esse car&aacute;cter estrat&eacute;gico. </p>     <p>O n&iacute;vel de preserva&ccedil;&atilde;o a assegurar nos edif&iacute;cios existentes n&atilde;o classificados, de acordo com as orienta&ccedil;&otilde;es deste regime, &eacute; determinado no &acirc;mbito de plano ou programa estrat&eacute;gico de reabilita&ccedil;&atilde;o urbana a estabelecer, sendo em geral por via de planos de pormenor de reabilita&ccedil;&atilde;o urbana que se estabelecem essas orienta&ccedil;&otilde;es. Contudo, quando estes instrumentos de planeamento n&atilde;o existem, quando s&atilde;o insuficientemente detalhados ou quando n&atilde;o s&atilde;o efetivamente implementados, o n&iacute;vel de preserva&ccedil;&atilde;o do edificado que ocorre nas obras de reabilita&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se encontra relacionado com a <i>signific&acirc;ncia</i>, <i>autenticidade</i> ou <i>integridade</i> de cada edif&iacute;cio<a href="#2"><sup>2</sup></a><a name="top2"></a>. </p>     <p>Neste contexto, as altera&ccedil;&otilde;es program&aacute;ticas e os requisitos t&eacute;cnicos e sociais aplic&aacute;veis &agrave; habita&ccedil;&atilde;o urbana podem originar obras avulso onde a preserva&ccedil;&atilde;o do edificado &eacute; reduzida e aleat&oacute;ria, n&atilde;o seguindo crit&eacute;rios reconhec&iacute;veis. Assim, em &aacute;reas urbanas como o <i>Bairro das Trinas </i>(entendido como o bairro existente dentro dos terrenos do Convento das Trinas do Mocambo, urbanizado a partir de 1757), o patrim&oacute;nio edificado n&atilde;o classificado, de origem pr&eacute;-industrial, constitui um recurso que importa conhecer, documentar e divulgar, para que possa ser reconhecido como um valor &#173;– e para melhor se definir em que medida cada um dos seus elementos caracter&iacute;sticos merecem preserva&ccedil;&atilde;o nos processos de reabilita&ccedil;&atilde;o urbana e de edif&iacute;cios. </p>     <p>O facto de este <i>patrim&oacute;nio</i> ter sido constru&iacute;do com base numa cultura construtiva e urban&iacute;stica normalizada, modular, eficiente e dur&aacute;vel, incorporando recursos de elevada qualidade, &eacute; raz&atilde;o suficiente para que n&atilde;o deva ser transformado sem escrut&iacute;nio. A esta raz&atilde;o outras acrescem, em particular face aos objetivos legitimados de maior efici&ecirc;ncia no uso de recursos naturais e de manuten&ccedil;&atilde;o do capital natural a longo prazo (vulgo <i>sustentabilidade ambiental</i>). Assim, no sentido de aumentar o escrut&iacute;nio sobre os processos de transforma&ccedil;&atilde;o deste patrim&oacute;nio, com valor hist&oacute;rico, urban&iacute;stico e arquitet&oacute;nico, interessa analisar os impactes da interven&ccedil;&atilde;o em edif&iacute;cios que t&ecirc;m ocorrido no <i>Bairro das Trinas</i>. Para esse fim, pretende-se destacar alguns dos valores em presen&ccedil;a, evidenciar impactes das interven&ccedil;&otilde;es em curso e abordar algumas raz&otilde;es para compreendermos as atuais transforma&ccedil;&otilde;es no <i>Bairro das Trinas</i>. Procura-se, ainda, evidenciar que as interven&ccedil;&otilde;es de demoli&ccedil;&atilde;o parcial ou total de edif&iacute;cios, embora possam ser justificadas por objetivos de requalifica&ccedil;&atilde;o do edificado urbano e por requisitos sociot&eacute;cnicos leg&iacute;timos, contradizem objetivos de sustentabilidade cultural e ambiental cujo reconhecimento p&uacute;blico &eacute; crescente.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>OS VALORES EM PRESEN&Ccedil;A NO BAIRRO E SUA G&Eacute;NESE</b></p>     <p>O <i>Bairro das Trinas</i>, decorrente do aforamento dos terrenos do Convento das Trinas do Mocambo iniciado em 1757<a href="#3"><sup>3</sup></a><a name="top3"></a>, situa-se atualmente na freguesia da Estrela, uma freguesia constitu&iacute;da em 2012 agrupando as freguesias da Lapa e Santos-o-Velho. Em 2011 este Bairro compreendia 1185 alojamentos, divididos homogeneamente pela Rua das Pra&ccedil;as que divide longitudinalmente o bairro<a href="#4"><sup>4</sup></a><a name="top4"></a>. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O Bairro comporta hoje 283 edif&iacute;cios, dos quais 173 podem ser considerados de &eacute;poca de constru&ccedil;&atilde;o anterior a 1919, de acordo com levantamento <i>in loco</i> (em 2017) cruzado com dados do Instituto Nacional de Estat&iacute;stica (INE) de 2011<a href="#5"><sup>5</sup></a><a name="top5"></a>. O Bairro concentra, numa pequena &aacute;rea (11ha), uma comunidade habitacional significativa (1438 habitantes em 2011) que usufrui de equipamentos coletivos partilhados na sua contiguidade e de condi&ccedil;&otilde;es para a mobilidade pedonal.</p>     <p>A densidade do <i>Bairro das Trinas </i>foi variando ao longo do tempo, embora n&atilde;o de forma linear. Ao per&iacute;odo de maior degrada&ccedil;&atilde;o e abandono do edificado, correspondente ao pico de desloca&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o lisboeta para os sub&uacute;rbios de primeira coroa, sucedeu uma reocupa&ccedil;&atilde;o pela classe jovem ou m&eacute;dia-alta, ainda antes da crise econ&oacute;mica, em busca da centralidade do Bairro<a href="#6"><sup>6</sup></a><a name="top6"></a>. A vaga mais recente de gentrifica&ccedil;&atilde;o, ocorrida na &uacute;ltima d&eacute;cada, num momento de escassez de oferta de habita&ccedil;&atilde;o urbana e de grande crescimento do turismo urbano, apresentou uma extens&atilde;o e caracter&iacute;sticas substancialmente diferentes da primeira vaga de gentrifica&ccedil;&atilde;o, ocorrida de forma menos expressiva h&aacute; mais de uma d&eacute;cada.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ENQUADRAMENTO HIST&Oacute;RICO DO CONJUNTO EDIFICADO</b></p>     <p>O <i>Bairro das Trinas</i> n&atilde;o se encontra delimitado em nenhum instrumento urban&iacute;stico, sendo uma interpreta&ccedil;&atilde;o do produto urban&iacute;stico resultante do aforamento dos terrenos adjacentes ao Convento das Trinas do Mocambo, decorrido durante a d&eacute;cada de 60 do s&eacute;culo XVIII. Este aforamento encontra-se descrito de forma &uacute;nica no livro &ldquo;Uma casa na Lapa&rdquo;<a href="#7"><sup>7</sup></a><a name="top7"></a> descri&ccedil;&atilde;o que, pela sua qualidade, criou um <i>Bairro das Trinas, </i>pelo menos para os seus leitores ou habitantes.</p>     <p>Este bairro, resultante da urbaniza&ccedil;&atilde;o de terrenos conventuais, como o foram muitos em Lisboa durante o s&eacute;culo XVIII<a href="#8"><sup>8</sup></a><a name="top8"></a>, localiza-se nos antigos terrenos do Convento das Trinas do Mocambo – que se situam no trap&eacute;zio entre as ruas da Lapa, do Quelhas, Garcia de Horta e S&atilde;o Domingos &agrave; Lapa, sendo atravessados pelas ruas do Meio &agrave; Lapa, das Trinas, S&atilde;o Jo&atilde;o da Mata, Rem&eacute;dios e S&atilde;o F&eacute;lix e, longitudinalmente, pela Rua das Pra&ccedil;as.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n12/ser2n12a06f1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Como o olisip&oacute;grafo Jos&eacute; Sarmento de Matos (1946-2018) nos conta, de forma literariamente inigual&aacute;vel, logo depois do terramoto de 1755, o atraso da reconstru&ccedil;&atilde;o pombalina da Baixa estimulou a r&aacute;pida urbaniza&ccedil;&atilde;o em zonas perif&eacute;ricas de Lisboa, tais como a encosta da Estrela. Recorria-se ent&atilde;o a uma reconstru&ccedil;&atilde;o espont&acirc;nea e emp&iacute;rica da cidade, resultante num crescimento urbano significativo. A essa espontaneidade, por&eacute;m, n&atilde;o correspondia uma aus&ecirc;ncia de regras, muito pelo contr&aacute;rio. </p>     <p>A urbaniza&ccedil;&atilde;o e edifica&ccedil;&atilde;o no <i>Bairro das Trinas</i> seguem uma modularidade not&aacute;vel, atribuindo-se a sua regula&ccedil;&atilde;o &agrave; pr&oacute;pria Ordem Trinit&aacute;ria, possivelmente por via do procurador das freiras Trinas, frei Caetano de Santa In&ecirc;s, que ter&aacute; gerido o aforamento da encosta e definido as disposi&ccedil;&otilde;es dos contratos de foro<a href="#9"><sup>9</sup></a><a name="top9"></a>.</p>     <p>O processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o tem ent&atilde;o origem com o loteamento promovido pela Ordem das Trinas, em oposi&ccedil;&atilde;o &agrave;s inten&ccedil;&otilde;es urban&iacute;sticas do Marqu&ecirc;s de Pombal de conten&ccedil;&atilde;o e de regula&ccedil;&atilde;o central e plena da reconstru&ccedil;&atilde;o da cidade. A regula&ccedil;&atilde;o urban&iacute;stica, por iniciativa da Ordem, impunha-se por via das condi&ccedil;&otilde;es estipuladas para a urbaniza&ccedil;&atilde;o e edifica&ccedil;&atilde;o do Bairro, definindo-se regras f&iacute;sicas e temporais para a implementa&ccedil;&atilde;o do &ldquo;plano&rdquo; (tais como iniciar a edifica&ccedil;&atilde;o no pr&oacute;prio ano do contrato, acabar dentro de tr&ecirc;s anos e edificar com 30 palmos de frente e 238 palmos de largo, ou edificar face &agrave; rua e &laquo;de forma a que esta fique uniforme&raquo;)<a href="#10"><sup>10</sup></a><a name="top10"></a>. Adicionalmente foram tamb&eacute;m estabelecidas pelas Trinas regras de car&aacute;cter social, uma vez que n&atilde;o era permitido que os terrenos fossem vendidos &laquo;a pessoas poderosas&raquo;<a href="#11"><sup>11</sup></a><a name="top11"></a>. As freiras da Lapa conseguiram assim lotear quinhentos lotes, em apenas dois anos, e apesar de um Aviso de 30 de dezembro de 1755, reiterado a 16 de setembro de 1756, o ter proibido<a href="#12"><sup>12</sup></a><a name="top12"></a>, em 1762 estavam j&aacute; identificadas todas as novas ruas do Bairro e muitos edif&iacute;cios constru&iacute;dos<a href="#13"><sup>13</sup></a><a name="top13"></a>.</p>     <p>Este foi o acelerado in&iacute;cio da transforma&ccedil;&atilde;o dos terrenos das Trinas, em que as ruas foram tra&ccedil;adas (como se pode observar na planta da freguesia da Lapa, de Monteiro de Carvalho, de 1770) seguindo a perpendicular &agrave; Rua da Lapa, onde estava acabada de construir a Igreja da Lapa, em frente &agrave; Rua dos Rem&eacute;dios, a meio do Bairro. Surgia assim a Lapa como contraponto &agrave; Baixa, complementando e antecipando a oferta de habita&ccedil;&atilde;o tornada urgente pelo Grande Terramoto.</p>     <p>Assim surge o aqui designado <i>Bairro das Trinas, </i>constitu&iacute;do por doze quarteir&otilde;es retangulares, dos quais um &eacute; ocupado em grande parte pelo pr&oacute;prio Convento das Trinas. Estes quarteir&otilde;es constituem a designada <i>Lapa popular,</i> muito embora alguns palacetes e edif&iacute;cios de escala significativa tenham sido constru&iacute;dos dentro desta malha urbana.</p>     <p>Esta zona, ao longo do tempo, tem-se inserido em &aacute;reas com diferentes denomina&ccedil;&otilde;es, tais como: Mocambo, Madragoa, Lapa, Santos-o-Velho, Trinas, tendo sido recentemente integrada na freguesia da Estrela e encontrando-se ao abrigo do Plano de Pormenor de Reabilita&ccedil;&atilde;o Urbana da Madragoa, que cont&eacute;m um diagn&oacute;stico e um levantamento do estado de conserva&ccedil;&atilde;o dos edif&iacute;cios de 2014<a href="#14"><sup>14</sup></a><a name="top14"></a>.</p>     <p>Este <i>Bairro das Trinas</i>, para al&eacute;m do ineg&aacute;vel valor hist&oacute;rico como testemunho de um processo relevante e reproduzido de &ldquo;urbaniza&ccedil;&atilde;o sem urbanistas&rdquo;, comporta um conjunto de valores urban&iacute;sticos e arquitet&oacute;nicos, aos quais est&atilde;o tamb&eacute;m associados recursos materiais e energ&eacute;ticos consider&aacute;veis, escassamente reconhecidos pelos agentes envolvidos na interven&ccedil;&atilde;o nestes edif&iacute;cios. </p>     <p>Estes valores &ldquo;externalizados&rdquo; est&atilde;o para al&eacute;m da localiza&ccedil;&atilde;o e acessibilidade urbanas, decorrendo das continuidades urban&iacute;sticas do conjunto edificado e da homogeneidade, adaptabilidade, qualidade e efici&ecirc;ncia da arquitetura e constru&ccedil;&atilde;o habitacional que, certamente, contribu&iacute;ram para a manuten&ccedil;&atilde;o da coer&ecirc;ncia do Bairro ao longo da sua consolida&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n12/ser2n12a06f2.jpg">     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n12/ser2n12a06f3.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n12/ser2n12a06f4.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>VALORES URBAN&Iacute;STICOS</b></p>     <p>No <i>Bairro das Trinas,</i> em 2017, encontravam-se cinco pedras de foro datadas da segunda metade do s&eacute;culo XVIII, sendo atribu&iacute;veis ao aforamento das Trinas, apresentando a sua cruz ou a designa&ccedil;&atilde;o <i>Trinas</i>. Em dezembro de 2017, uma destas pedras (<a href="#f2">Figura 2</a>) foi removida no &acirc;mbito da demoli&ccedil;&atilde;o integral de um edif&iacute;cio (<a href="#f3">Figura 3</a> e <a href="#f4">figura4</a>), tendo sido reintroduzida num novo edif&iacute;cio em 2019. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f5"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n12/ser2n12a06f5.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f6"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n12/ser2n12a06f6.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Estas pedras de foro, al&eacute;m do seu ineg&aacute;vel valor hist&oacute;rico, ajudam-nos a fundamentar a exist&ecirc;ncia do <i>Bairro das Trinas </i>e do seu processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o e edifica&ccedil;&atilde;o. Este, embora n&atilde;o se encontre reconhecido por nenhum instrumento de planeamento e salvaguarda e se inclua em geral, sem diferencia&ccedil;&atilde;o, na Madragoa ou na Lapa<a href="#15"><sup>15</sup></a><a name="top15"></a>, &eacute; parte significativa de um patrim&oacute;nio urban&iacute;stico olisiponense que apresenta alguma homogeneidade e mereceria ser registado com detalhe nas suas partes e no seu conjunto &laquo;o processo urbano aqui desencadeado pouco inova na tradi&ccedil;&atilde;o lisboeta&raquo;<a href="#16"><sup>16</sup></a><a name="top16"></a>.</p>     <p>Um dos aspetos mais caracter&iacute;sticos deste Bairro &eacute; a modularidade e repeti&ccedil;&atilde;o dos lotes, cuja perman&ecirc;ncia o dota de uma integridade urban&iacute;stica reconhec&iacute;vel (<a href="#f1">Figura 1</a>), decorrente de um &laquo;urbanismo pombalino sem Pombal&raquo;<a href="#17"><sup>17</sup></a><a name="top17"></a>, desenvolvido &agrave; escala dom&eacute;stica da <i>Lapa popular</i>. </p>     <p>Na cartografia atual (<a href="#f1">Figura 1</a>) encontramos mais de uma centena de lotes com a dimens&atilde;o m&iacute;nima original (aproximadamente 7x14m), muitos dos quais ainda albergam pequenos edif&iacute;cios setecentistas de tr&ecirc;s v&atilde;os, ainda que a maior parte tenha sido ampliada e transformada ao longo do tempo. Contudo, identificam-se tamb&eacute;m algumas variantes com lotes mais largos onde os edif&iacute;cios apresentam j&aacute; 4, 5, 6 ou 7 v&atilde;os, alguns dos quais albergando equipamentos. Assim, os edif&iacute;cios que foram povoando o Bairro sobre esta matriz podiam ser unifamiliares ou multifamiliares, tipologias que conviviam neste bairro interclassista, e podiam albergar equipamentos, como escolas (<a href="#f8">Figura 8</a>) ou hospitais. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f7"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n12/ser2n12a06f7.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f8"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n12/ser2n12a06f8.jpg">     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>VALORES ARQUITET&Oacute;NICOS</b></p>     <p>O edif&iacute;cio base do aforamento Trino, correspondendo ao lote mais pequeno, apresenta tr&ecirc;s v&atilde;os e geralmente &eacute; constitu&iacute;do por r&eacute;s do ch&atilde;o, dois pisos e uma mansarda (<a href="#f7">Figura 7</a>). Este lote m&iacute;nimo mede entre 6,8 a 7,8 metros de largura (33 p&eacute;s de largura) e a sua profundidade &eacute; vari&aacute;vel, dada a geometria trapezoidal do cadastro ent&atilde;o definido pelo tra&ccedil;ado das vias, nem sempre paralelas, tendo a implanta&ccedil;&atilde;o dos edif&iacute;cios, em m&eacute;dia, 14 metros de profundidade (<a href="#f1">Figura 1</a>). A compartimenta&ccedil;&atilde;o &eacute;, em geral, modular, executada com cruzes de Santo Andr&eacute; completas nas paredes interiores paralelas &agrave; fachada, geralmente tr&ecirc;s, e com tabique e fasquio nas paredes interiores, perpendiculares &agrave; fachada, geralmente para a cria&ccedil;&atilde;o do corredor (<a href="#f11">Figura 11</a>).</p>     <p>No piso t&eacute;rreo dos edif&iacute;cios mais antigos &eacute; ainda comum existirem duas portas, uma para acesso direto ao piso t&eacute;rreo e outra para acesso aos pisos superiores (<a href="#f7">Figura 7</a>), em geral por escada de tiro (<a href="#f13">Figura 13</a>). Devido &agrave; acentuada inclina&ccedil;&atilde;o das vias, estas portas nem sempre apresentam a mesma cota de soleira. No decorrer da amplia&ccedil;&atilde;o por agrega&ccedil;&atilde;o de fra&ccedil;&otilde;es habitacionais, algumas destas portas foram alteradas e por vezes convertidas em janelas (<a href="#f9">Figura 9</a>).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f9"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n12/ser2n12a06f9.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f10"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n12/ser2n12a06f10.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f11"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n12/ser2n12a06f11.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>N&atilde;o obstante as varia&ccedil;&otilde;es, as tipologias arquitet&oacute;nicas que encontramos no Bairro seguem as tipologias dos pr&eacute;dios de rendimento &laquo;entre o per&iacute;odo joanino e o tardo-pombalino&raquo; que se caracterizam pela exist&ecirc;ncia de alcovas, herdeiras da tradi&ccedil;&atilde;o setecentista, mas tamb&eacute;m – em alguns casos – por entradas e circula&ccedil;&otilde;es duplas, provenientes j&aacute; da tipologia pombalina<a href="#18"><sup>18</sup></a><a name="top18"></a>.</p>     <p>Dada a exiguidade do lote, em vez de escadas centrais de acesso a esquerdo direito – como &eacute; comum noutros bairros lisboetas contempor&acirc;neos e noutros edif&iacute;cios deste mesmo Bairro, nos edif&iacute;cios mais estreitos das<i> Trinas</i> as escadas existem junto &agrave; empena do pr&eacute;dio, distribuindo um fogo por piso. Nestes casos, quando as escadas s&atilde;o de lances opostos, os edif&iacute;cios apresentam geralmente apenas uma porta (<a href="#f10">Figura 10</a> a <a href="#f12">figura 12</a>). Nos lotes mais largos, ou destinados a equipamentos, as escadas podem encontrar-se a meio do lote e n&atilde;o junto &agrave; empena (<a href="#f8">Figura 8</a> e <a href="#f16">figura 16</a>).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f12"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n12/ser2n12a06f12.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f13"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n12/ser2n12a06f13.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>VALORES CONSTRUTIVOS, MATERIAIS E ENERG&Eacute;TICOS</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O <i>Bairro das Trinas</i> mant&eacute;m parte da sua integridade e dos seus materiais construtivos originais: madeira equivalente &agrave; utilizada na constru&ccedil;&atilde;o naval setecentista, alvenarias de pedra estruturais, aparelhadas com argamassas de cal e areia e refor&ccedil;os de tijolo de burro – algumas, erguidas nos anos logo depois do terramoto, ainda permanecem intactas.</p>     <p>Estes edif&iacute;cios pr&eacute;-industriais, caracterizados por um ciclo de vida longo, foram concebidos para tirar proveito das fontes de energia e dos materiais dispon&iacute;veis e incorporaram m&atilde;o de obra intensiva. Aqui, o uso de recursos no processo de edifica&ccedil;&atilde;o e no per&iacute;odo posterior da sua consolida&ccedil;&atilde;o e utiliza&ccedil;&atilde;o constituem testemunhos espec&iacute;ficos de uma cultura construtiva, cuja durabilidade decorre tamb&eacute;m da elevada energia que incorpora<a href="#19"><sup>19</sup></a><a name="top19"></a>.</p>     <p>Os edif&iacute;cios tradicionais que constituem o <i>Bairro das Trinas</i>, em pedra, argamassas de cal e elementos estruturais secund&aacute;rios em madeira, funcionam tamb&eacute;m de forma espec&iacute;fica ao n&iacute;vel do conforto ambiental interior dado pelo balan&ccedil;o da temperatura (possibilitados pela in&eacute;rcia t&eacute;rmica dos materiais) e balan&ccedil;o de humidade (possibilitados pela higroscopicidade dos materiais) do ambiente interior. Estes edif&iacute;cios t&ecirc;m, em geral, um desempenho t&eacute;rmico muito melhor do que o indicado em simula&ccedil;&otilde;es energ&eacute;ticas<a href="#20"><sup>20</sup></a><a name="top20"></a> e, em particular, do que o indicado na aplica&ccedil;&atilde;o do nosso sistema de certifica&ccedil;&atilde;o energ&eacute;tica corrente<a href="#21"><sup>21</sup></a><a name="top21"></a>. </p>     <p>A elevada in&eacute;rcia t&eacute;rmica, a permeabilidade e higroscopicidade da constru&ccedil;&atilde;o tradicional dotam-na de bons n&iacute;veis de conforto (na maior parte dos dias do ano), se conjugadas com uma correta utiliza&ccedil;&atilde;o, ventila&ccedil;&atilde;o e prote&ccedil;&atilde;o dos ganhos solares diretos, dados pela adequada dimens&atilde;o das superf&iacute;cies envidra&ccedil;adas e respetivas portadas. O desconforto que ocorre em alguns dias de inverno nestes edif&iacute;cios &eacute; pass&iacute;vel de ser minimizado por sistemas de climatiza&ccedil;&atilde;o pontuais (alguns edif&iacute;cios denotam o acrescento de pequenas chamin&eacute;s para a coloca&ccedil;&atilde;o de salamandras – vd. <a href="#f12">Figura 12</a>), de acordo com os regimes de climatiza&ccedil;&atilde;o intermitentes e sazonalmente curtos, comuns nos edif&iacute;cios do sul da Europa. O desconforto no ver&atilde;o, tamb&eacute;m pontual, pode por sua vez ser ultrapassado pela ventila&ccedil;&atilde;o natural cruzada que estes edif&iacute;cios permitem e cujas circula&ccedil;&otilde;es duplas favorecem.</p>     <p>Assim, na preserva&ccedil;&atilde;o e reabilita&ccedil;&atilde;o destes edif&iacute;cios deveria considerar-se n&atilde;o s&oacute; a conserva&ccedil;&atilde;o da <i>elevada energia incorporada</i> nos processos e nos materiais dos sistemas construtivos pr&eacute;-industriais, mas tamb&eacute;m o recurso da <i>reduzida energia operacional</i>, ou seja, a possibilidade de minimizar o desconforto nos per&iacute;odos que o justificam com poucos (ou nenhuns) recursos energ&eacute;ticos (para al&eacute;m do sol). </p>     <p>Por&eacute;m, h&aacute; uma escassa valoriza&ccedil;&atilde;o deste desempenho ambiental positivo e as opini&otilde;es menos fundamentadas sobre o desempenho desta constru&ccedil;&atilde;o em geral n&atilde;o acompanham a produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e acad&eacute;mica sobre o assunto<a href="#22"><sup>22</sup></a><a name="top22"></a>. A pr&oacute;pria regulamenta&ccedil;&atilde;o t&eacute;rmica e energ&eacute;tica de edif&iacute;cios tem seguido pressupostos que n&atilde;o s&atilde;o totalmente adequados a este tipo de edificado, nem ao contexto socioecon&oacute;mico dos que os habitam em perman&ecirc;ncia<a href="#23"><sup>23</sup></a><a name="top23"></a>.</p>     <p>Assim, a sobrevaloriza&ccedil;&atilde;o das necessidades de conforto t&eacute;rmico – que s&atilde;o intermitentes – tem legitimado a introdu&ccedil;&atilde;o de climatiza&ccedil;&atilde;o ativa em edif&iacute;cios habitacionais reabilitados, por vezes usada com um regime mais permanente, sendo desadequada a uma pol&iacute;tica energ&eacute;tica sustent&aacute;vel e &agrave;s necessidades de habita&ccedil;&atilde;o de pre&ccedil;o acess&iacute;vel. Deste modo, podem ser os edif&iacute;cios reconstru&iacute;dos com maiores demoli&ccedil;&otilde;es os que alcan&ccedil;am classes energ&eacute;ticas superiores: edif&iacute;cios em que as compartimenta&ccedil;&otilde;es internas, horizontais e verticais, foram eliminadas para facilitar a introdu&ccedil;&atilde;o das tubagens de ar condicionado centralizado (<a href="#f17">Figura 17</a>), ou em que as fachadas a tardoz foram substitu&iacute;das por envidra&ccedil;ados viabilizados por uma climatiza&ccedil;&atilde;o ativa permanente de elevada efici&ecirc;ncia, mas ainda assim com consumos muito superiores aos do uso anterior (<a href="#f15">Figura 15</a>). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f14"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n12/ser2n12a06f14.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f15"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n12/ser2n12a06f15.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>AS VONTADES EM PRESEN&Ccedil;A NUM BAIRRO EM TRANSFORMA&Ccedil;&Atilde;O</b></p>     <p>Os valores e os recursos em presen&ccedil;a no <i>Bairro das Trinas</i>, embora dur&aacute;veis, encontram-se vulner&aacute;veis face &agrave;s din&acirc;micas socioecon&oacute;micas que motivam as transforma&ccedil;&otilde;es no patrim&oacute;nio edificado e ditam as modas de &ldquo;reabilita&ccedil;&atilde;o&rdquo; da constru&ccedil;&atilde;o em cada &eacute;poca. </p>     <p>Existe um conjunto de requisitos t&eacute;cnicos e sociais que os agentes (reguladores, investidores, propriet&aacute;rios, donos de obra e projetistas) imp&otilde;em &agrave;s interven&ccedil;&otilde;es em edif&iacute;cios urbanos existentes, com vista a assegurar a sua rentabilidade e sucesso no mercado, em particular nas &aacute;reas da seguran&ccedil;a, conforto e acessibilidade. Embora na sua maior parte leg&iacute;timos, estes requisitos n&atilde;o se encontram compatibilizados com as caracter&iacute;sticas e valores do edificado pr&eacute;-industrial.</p>     <p>Mesmo durante a vig&ecirc;ncia do j&aacute; revogado<a href="#24"><sup>24</sup></a><a name="top24"></a> Regime Excecional e Transit&oacute;rio para a Reabilita&ccedil;&atilde;o de Edif&iacute;cios<a href="#25"><sup>25</sup></a><a name="top25"></a>, que isentava as obras de reabilita&ccedil;&atilde;o do cumprimento de grande parte dos requisitos t&eacute;cnicos, as interven&ccedil;&otilde;es nos centros urbanos valorizados ambicionaram os mais elevados n&iacute;veis de acessibilidade e conforto na habita&ccedil;&atilde;o, mesmo que desadequados ao edificado preexistente e ao seu uso sustent&aacute;vel.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>N&atilde;o &eacute; dif&iacute;cil identificar algumas din&acirc;micas que justificam estas tend&ecirc;ncias: por um lado, os estilos de vida e mobilidade impuseram uma progressiva <i>despedonaliza&ccedil;&atilde;o</i> dos bairros e uma forte presen&ccedil;a do autom&oacute;vel, aumentando a disputa pela acessibilidade vi&aacute;ria, valorizada ao n&iacute;vel global pelos mercados financeiros, e requerendo estacionamento dentro dos edif&iacute;cios. Alterou-se assim a utiliza&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o p&uacute;blico, vocacionando muitos pisos t&eacute;rreos para garagens, por vezes tamb&eacute;m subterr&acirc;neas. </p>     <p>No processo de grande valoriza&ccedil;&atilde;o financeira dos lotes urbanos alterou-se a composi&ccedil;&atilde;o social do Bairro, com a substitui&ccedil;&atilde;o de pr&eacute;dios populares, com muitas fra&ccedil;&otilde;es, por edif&iacute;cios com apartamentos de grande dimens&atilde;o ou mesmo unifamiliares. Mais recentemente, as obras mais pequenas destinaram-se ao arrendamento de curta dura&ccedil;&atilde;o, optando por criar apartamentos pequenos ou mais compartimentados, comprometendo irreversivelmente o desempenho e qualidade dos edif&iacute;cios e fra&ccedil;&otilde;es originais.</p>     <p>Assim, na &uacute;ltima d&eacute;cada podemos identificar v&aacute;rios tipos de interven&ccedil;&otilde;es nos lotes do Bairro, incluindo: as de substitui&ccedil;&atilde;o total de edif&iacute;cios (<a href="#f5">Figura 5</a>), as de conserva&ccedil;&atilde;o aut&oacute;noma da fachada – ou de <i>fachadismo </i>(<a href="#f14">Figura 14</a>), as de amplia&ccedil;&atilde;o e/ou reabilita&ccedil;&atilde;o por edif&iacute;cio (<a href="#f18">Figura 18</a> e <a href="#f20">Figura 20</a>) ou por fra&ccedil;&atilde;o. Estes tipos de interven&ccedil;&atilde;o podem destinar-se a criar ou recriar habita&ccedil;&atilde;o uni ou plurifamiliar de elevado <i>standard</i>, que multiplica as mais-valias da localiza&ccedil;&atilde;o privilegiada do Bairro ou, mais pontualmente (geralmente na op&ccedil;&atilde;o de &ldquo;reabilita&ccedil;&atilde;o &agrave; fra&ccedil;&atilde;o&rdquo;), destinar-se &agrave; oferta de arrendamento de curta dura&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Algumas interven&ccedil;&otilde;es de <i>fachadismo</i> substituem edif&iacute;cios multifamiliares por moradias unifamiliares, mantendo apenas a fachada principal, privada da sua fun&ccedil;&atilde;o estrutural (<a href="#f14">Figura 14</a>). Nestes casos, lotes onde poderiam viver mais de quatro fam&iacute;lias, destinam-se apenas a um habitante e o piso t&eacute;rreo &eacute; o acesso a garagem pr&oacute;pria. Outras interven&ccedil;&otilde;es de<i> fachadismo</i>, por vezes ainda expectantes (<a href="#f16">Figura 16</a>), mant&ecirc;m a tipologia plurifamiliar, mas optam por introduzir v&aacute;rios pisos de cave para albergar as necessidades de estacionamento correspondentes a v&aacute;rias fam&iacute;lias, mantendo tamb&eacute;m a fachada desprovida da sua fun&ccedil;&atilde;o estrutural, suspensa em estrutura de bet&atilde;o sobre as novas caves.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f16"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n12/ser2n12a06f16.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f17"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n12/ser2n12a06f17.jpg">     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f18"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n12/ser2n12a06f18.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Por&eacute;m, algumas interven&ccedil;&otilde;es exemplares conjugam preserva&ccedil;&atilde;o com amplia&ccedil;&atilde;o e validam a solu&ccedil;&atilde;o unifamiliar em lote pequeno, mantendo o piso t&eacute;rreo e prescindindo do estacionamento integrado (<a href="#f18">Figura 18</a>). A dispensa de estacionamento em garagem tamb&eacute;m acontece nas obras mais recentes devido a uma maior adapta&ccedil;&atilde;o da gest&atilde;o urban&iacute;stica ao contexto<a href="#26"><sup>26</sup></a><a name="top26"></a>, ainda que procedendo neste caso a uma anexa&ccedil;&atilde;o cadastral com ineg&aacute;veis interfer&ecirc;ncias na morfologia urbana original (<a href="#f20">Figura 20</a>).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f19"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n12/ser2n12a06f19.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f20"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n12/ser2n12a06f20.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS CONCLUSIVAS</b></p>     <p>O <i>Bairro das Trinas</i>, como outros que lhe s&atilde;o contempor&acirc;neos, ilustra de forma muito expressiva a sobreposi&ccedil;&atilde;o das dimens&otilde;es naturo-ambiental e t&eacute;cnico-cultural do patrim&oacute;nio material<a href="#27"><sup>27</sup></a><a name="top27"></a>. Por&eacute;m, a efici&ecirc;ncia urban&iacute;stica, habitacional, construtiva e ambiental dos edif&iacute;cios pr&eacute;-industriais do <i>Bairro das Trinas</i> parece n&atilde;o ter um papel decisivo no tipo de interven&ccedil;&otilde;es de reabilita&ccedil;&atilde;o ocorridas neste conjunto edificado. </p>     <p>Deste modo, as interven&ccedil;&otilde;es recentes resultam n&atilde;o raras vezes na perda de sistemas construtivos insubstitu&iacute;veis, material e tecnicamente valiosos, de tipologias habitacionais com bom desempenho e qualidade arquitet&oacute;nica assinal&aacute;vel, bem como de morfologias urbanas consolidadas e homog&eacute;neas, testemunhos de processos de urbaniza&ccedil;&atilde;o relevantes.</p>     <p>As interven&ccedil;&otilde;es recentes nos edif&iacute;cios do <i>Bairro das Trinas</i>, embora possam responder a requisitos t&eacute;cnicos e sociais de conforto ativo, funcionalidade e acessibilidade, nem sempre beneficiam este patrim&oacute;nio habitacional urbano. Este tipo de &ldquo;reabilita&ccedil;&atilde;o de edif&iacute;cios&rdquo;, substituindo a maior parte das componentes originais, e prescindindo de elementos importantes do edif&iacute;cio, se tivermos em conta a energia e os materiais perdidos como recursos ambientais, resultar&aacute; sempre num balan&ccedil;o penalizador, em que se consomem mais recursos sem por isso se obter melhor desempenho ou conforto real. Paralelamente, parece n&atilde;o entrar neste balan&ccedil;o o valor cultural ineg&aacute;vel deste conjunto edificado como testemunho da Hist&oacute;ria da habita&ccedil;&atilde;o urbana, com n&iacute;veis de integridade assinal&aacute;veis.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Parafraseando Jos&eacute; Sarmento de Matos, &laquo;Lisboa n&atilde;o &eacute; apenas uma coisa que se estuda, &eacute; uma coisa que nos diz respeito&raquo;<a href="#28"><sup>28</sup></a><a name="top28"></a>. &Eacute; por isso mesmo que &eacute; necess&aacute;rio questionarmos e escrutinarmos publicamente estas interven&ccedil;&otilde;es, em particular face aos objetivos de sustentabilidade cultural e ambiental, e notar que, na aus&ecirc;ncia de uma pol&iacute;tica efetiva de <i>conserva&ccedil;&atilde;o urbana integrada</i>, a aceita&ccedil;&atilde;o e sobrevaloriza&ccedil;&atilde;o de determinados requisitos da constru&ccedil;&atilde;o legitima a perda patrimonial e material.</p>     <p>Esta perda continuar&aacute; a ocorrer, enquanto as exig&ecirc;ncias sociot&eacute;cnicas para os edif&iacute;cios de habita&ccedil;&atilde;o e &aacute;reas residenciais urbanas forem estabelecidas pelos diferentes intervenientes na reabilita&ccedil;&atilde;o urbana e de edif&iacute;cios, sem considerar as limita&ccedil;&otilde;es dos recursos dispon&iacute;veis no <i>futuro </i>nem os recursos incorporados no <i>passado</i>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&Ecirc;NCIAS BILIOGR&Aacute;FICAS</b></p>     <p><b>FONTES</b></p>     <p><b>Arquivo Municipal de Lisboa</b></p>     <p>Jo&atilde;o Hermes Goulart, [Rua das Pra&ccedil;as], PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/004/JHG/004107.</p>     <p>Machado & Souza, [Rua dos Rem&eacute;dios, &agrave; Lapa], PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/003/FAN/000107.</p>     <p>Machado & Souza, [Rua dos Rem&eacute;dios, &agrave; Lapa], PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/003/FAN/000306.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Machado & Souza, [Rua de S&atilde;o F&eacute;lix], PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/003/FAN/000311.</p>     <p>Machado & Souza, [Rua de S&atilde;o Jo&atilde;o da Mata], PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/003/FAN/000178.</p>     <p>Machado & Souza, [Rua de S&atilde;o Jo&atilde;o da Mata], PTAMLSB/CMLSBAH/PCSP/003/FAN/000135.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Instituto Nacional de Estat&iacute;stica</b></p>     <p>PORTUGAL. Instituto Nacional de Estat&iacute;stica (INE) - <i>Censos; Alojamento e Edificado por subsec&ccedil;&atilde;o, 2011</i> [Em linha]. Lisboa: INE, 2011. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://censos.ine.pt/" target="_blank">https://censos.ine.pt/</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Legisla&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Decreto-Lei n&ordm; 307/2009. <i>D.R. I S&eacute;rie</i>. 206/2009 (2009-10-23) 7956-7975.</p>     <p>Decreto-Lei n&ordm; 53/2014. <i>D.R. I S&eacute;rie</i>. 169/2014 (2014-04-08) 2337-2340.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Decreto-Lei n&ordm; 95/2019. <i>D.R. I S&eacute;rie</i>. 136/2019 (2019-07-18) 35-45.</p>     <p>Aviso n&ordm; 8302/2016. <i>D.R. II S&eacute;rie</i>. 125/2016 (2016-07-01) 20446-20461.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ESTUDOS</b></p>     <p>BARREIROS, Maria Helena – Pr&eacute;dios de rendimento entre o joanino e o tardo pombalino. In MANTAS, Helena Alexandra [et al.] - <i>Patrim&oacute;nio arquitect&oacute;nico Santa Casa da Miseric&oacute;rdia de Lisboa. </i>Lisboa: Santa Casa da Miseric&oacute;rdia, Museu de S&atilde;o Roque, 2010. vol. II, tomo 1, p. 16-39.</p>     <!-- ref --><p>CALDAS, Jo&atilde;o Vieira; PINTO, Maria Rocha; ROSADO, Ana – O pr&eacute;dio de rendimento Joanino. <i>Cadernos do Arquivo Municipal</i>. 2&ordf; S&eacute;rie N&ordm; 1 (janeiro – junho 2014), p. 130-156.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2073114&pid=S2183-3176201900020000600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>CENTRO NACIONAL DE CULTURA - <i>Jos&eacute; Sarmento de Matos (1946-2018)</i> [Em linha]. Lisboa: CNC, 2018. Dispon&iacute;vel na Internet: <a href="https://www.cnc.pt/jose-sarmento-de-matos-1946-2018/" target="_blank">https://www.cnc.pt/jose-sarmento-de-matos-1946-2018/</a>.</p>     <!-- ref --><p>CURTIS, R. – Energy efficiency in traditional and historic buildings: keeping it simple. In Internacional Conference on Energy Efficiency and Comfort of Historic Buildings, 2, Brussels, 2016 - <i>EECHB-2016: proceedings. </i>Bruxelas: Belgian Building Research Institute, 2016. p. 174-180.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2073117&pid=S2183-3176201900020000600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>FLORES, Joaquim – An investigation of the energy efficiency of traditional buildings in the Oporto World Heritage Site. In Internacional Conference on Energy Efficiency and Comfort of Historic Buildings, 2, Brussels, 2016 - <i>EECHB-2016: proceedings.</i> Bruxelas: Belgian Building Research Institute, 2016. p. 83-92.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2073119&pid=S2183-3176201900020000600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>HARRISON, Rodney – Beyond &ldquo;natural&rdquo; and &ldquo;cultural&rdquo; heritage: toward an ontological politics of heritage in the age of anthropocene. <i>Heritage & Society</i>. N&ordm; 8:1 (2015), p. 24-42.</p>     <p>International Congress of Architects and Technicians of Historical Monuments, 2, Venice, 1964 – <i>International charters for conservation and restoration of monuments and sites</i>. Paris: ICOMOS, [20-?]. p. 2-4.</p>     <!-- ref --><p>JACKSON, Mike – Embodied energy and historic preservation: a needed reassessment. <i>APT Bulletin. </i>N&ordm; 36 (2005), p. 47-52.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2073123&pid=S2183-3176201900020000600008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>MATELA, Raquel Sofia de Pinto Lobo e – <i>O papel dos conventos no crescimento urbano: reflex&otilde;es sobre monumentos e salvaguarda do patrim&oacute;nio</i>. Lisboa: [s.n.], 2009. Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado em Arquitectura, apresentada ao Instituto Superior T&eacute;cnico.</p>     <!-- ref --><p>MATOS, Jos&eacute; Sarmento de – <i>Uma casa na Lapa</i>. Lisboa: Funda&ccedil;&atilde;o Luso-Americana para o Desenvolvimento; Quetzal Editores, 1994.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2073126&pid=S2183-3176201900020000600010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MOUR&Atilde;O, Joana Fazenda – Regenera&ccedil;&atilde;o urbana integrada, prote&ccedil;&atilde;o do patrim&oacute;nio cultural e efici&ecirc;ncia ambiental como objetivos divergentes nas pol&iacute;ticas urbanas em Portugal (2000-2020). <i>Cidades, Comunidades e Territ&oacute;rios</i>. N&ordm; 38 (Jun/2019), p. 79-95.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2073128&pid=S2183-3176201900020000600011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>MOUR&Atilde;O, Joana Fazenda [et al.] – Combining embodied and operational energy in buildings refurbishment life cycle energy assessment. <i>Energy & Buildings</i>. N&ordm; 197 (15 Aug 2019), p. 34-46.</p>     <!-- ref --><p>MOUR&Atilde;O, Joana Fazenda; PEDRO, Jo&atilde;o Branco – <i>Princ&iacute;pios de edifica&ccedil;&atilde;o sustent&aacute;vel</i>. Lisboa: EPUL; LNEC, 2012.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2073131&pid=S2183-3176201900020000600013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>PRACCHI, Valeria – Historic buildings and energy efficiency. <i>Historic Environment: Policy & Pratice</i>. V. 5, N&ordm; 2 (2014), p. 210-225.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2073133&pid=S2183-3176201900020000600014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>WEBB, Amanda L. – Energy retro?ts in historic and traditional buildings: a review of problems and methods. <i>Renewable and Sustainable Energy Reviews.</i> N&ordm; 77 (2017), p. 748-759.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2073135&pid=S2183-3176201900020000600015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Submiss&atilde;o/submission: 26/07/2019 </p>     <p>Aceita&ccedil;&atilde;o/approval: 06/12/2019 </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <p><a href="#top1"><sup>1</sup></a><a name="1"></a> Decreto-Lei n&ordm; 307/2009. <i>Di&aacute;rio da Rep&uacute;blica (D.R.) I S&eacute;rie</i>. 206/2009 (2009-10-23) 7956-7975.</p>     <p><a href="#top2"><sup>2</sup></a><a name="2"></a> Crit&eacute;rios geralmente utilizados pela UNESCO e ICOMOS com vista &agrave; salvaguarda do patrim&oacute;nio em s&iacute;tios classificados e definidos em v&aacute;rias cartas publicadas por estas institui&ccedil;&otilde;es (ICOMOS, 1998).</p>     <p><a href="#top3"><sup>3</sup></a><a name="3"></a> MATOS, Jos&eacute; Sarmento de – <i>Uma casa na Lapa</i>. Lisboa: Funda&ccedil;&atilde;o Luso-Americana para o Desenvolvimento; Quetzal Editores, 1994.</p>     <p><a href="#top4"><sup>4</sup></a><a name="4"></a> PORTUGAL. Instituto Nacional de Estat&iacute;stica (INE) - <i>Censos; Alojamento e Edificado por subsec&ccedil;&atilde;o, 2011</i> [Em linha]. Lisboa: INE, 2011. Dispon&iacute;vel em: <a href=" https://censos.ine.pt/" target="_blank"> https://censos.ine.pt/</a>.</p>     <p><a href="#top5"><sup>5</sup></a><a name="5"></a> <i>Idem</i>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top6"><sup>6</sup></a><a name="6"></a> <i>Idem</i>, 2001 e 2011. </p>     <p><a href="#top7"><sup>7</sup></a><a name="7"></a> MATOS, Jos&eacute; Sarmento de – <i>Uma casa na Lapa</i>. Lisboa: Funda&ccedil;&atilde;o Luso-Americana para o Desenvolvimento; Quetzal Editores, 1994.</p>     <p><a href="#top8"><sup>8</sup></a><a name="8"></a> MATELA, Raquel Sofia de Pinto Lobo e – <i>O papel dos conventos no crescimento urbano: reflex&otilde;es sobre monumentos e salvaguarda do patrim&oacute;nio</i>. Lisboa: [s.n.], 2009. Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado em Arquitectura, apresentada ao Instituto Superior T&eacute;cnico.</p>     <p><a href="#top9"><sup>9</sup></a><a name="9"></a> MATOS, Jos&eacute; Sarmento de – <i>Uma casa na Lapa</i>. Lisboa: Funda&ccedil;&atilde;o Luso-Americana para o Desenvolvimento; Quetzal Editores, 1994. p. 36, p. 62.</p>     <p><a href="#top10"><sup>10</sup></a><a name="10"></a> <i>Idem</i>, p. 37.</p>     <p><a href="#top11"><sup>11</sup></a><a name="11"></a> <i>Idem</i>, p. 54.</p>     <p><a href="#top12"><sup>12</sup></a><a name="12"></a> <i>Idem</i> p. 38-39.</p>     <p><a href="#top13"><sup>13</sup></a><a name="13"></a> <i>Idem</i>, p. 4.</p>     <p><a href="#top14"><sup>14</sup></a><a name="14"></a> Aviso n&ordm; 8302/2016. <i>D.R. II S&eacute;rie</i>. 125/2016 (2016-07-01) 20446-20461.</p>     <p><a href="#top15"><sup>15</sup></a><a name="15"></a> Aviso n&ordm; 8302/2016. <i>D.R. II S&eacute;rie</i>. 125/2016 (2016-07-01) 20446-20461.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top16"><sup>16</sup></a><a name="16"></a> MATOS, Jos&eacute; Sarmento de – <i>Uma casa na Lapa</i>. Lisboa: Funda&ccedil;&atilde;o Luso-Americana para o Desenvolvimento; Quetzal Editores, 1994. p. 30.</p>     <p><a href="#top17"><sup>17</sup></a><a name="17"></a> <i>Idem.</i> p. 48.</p>     <p><a href="#top18"><sup>18</sup></a><a name="18"></a> BARREIROS, Maria Helena – Pr&eacute;dios de rendimento entre o joanino e o tardo pombalino. In MANTAS, Helena Alexandra [et al.] - <i>Patrim&oacute;nio arquitect&oacute;nico Santa Casa da Miseric&oacute;rdia de Lisboa. </i>Lisboa: Santa Casa da Miseric&oacute;rdia, Museu de S&atilde;o Roque, 2010. vol. II, tomo 1, p. 16-39. CALDAS, Jo&atilde;o Vieira; PINTO, Maria Rocha; ROSADO, Ana – O pr&eacute;dio de rendimento Joanino. <i>Cadernos do Arquivo Municipal</i>. 2&ordf; S&eacute;rie N&ordm; 1 (janeiro – junho 2014), p. 130-156.</p>     <p><a href="#top19"><sup>19</sup></a><a name="19"></a> JACKSON, Mike – Embodied energy and historic preservation: a needed reassessment. <i>APT Bulletin. </i>N&ordm; 36 (2005), p. 47-52.</p>     <p><a href="#top20"><sup>20</sup></a><a name="20"></a> WEBB, Amanda L. – Energy retro?ts in historic and traditional buildings: a review of problems and methods. <i>Renewable and Sustainable Energy Reviews.</i> N&ordm; 77 (2017), p. 748-759.</p>     <p><a href="#top21"><sup>21</sup></a><a name="21"></a> MOUR&Atilde;O, Joana Fazenda [et al.] – Combining embodied and operational energy in buildings refurbishment life cycle energy assessment. <i>Energy & Buildings</i>. N&ordm; 197 (15 Aug 2019), p. 34-46.</p>     <p><a href="#top22"><sup>22</sup></a><a name="22"></a> FLORES, Joaquim – An investigation of the energy efficiency of traditional buildings in the Oporto World Heritage Site. In Internacional Conference on Energy Efficiency and Comfort of Historic Buildings, 2, Brussels, 2016 - <i>EECHB-2016: proceedings. </i>Bruxelas: Belgian Building Research Institute, 2016. p. 83-92. PRACCHI, Valeria – Historic buildings and energy efficiency. <i>Historic Environment: Policy & Pratice</i>. V. 5 N&ordm; 2 (2014) p. 210-225; CURTIS, R. – Energy efficiency in traditional and historic buildings: keeping it simple. In Internacional Conference on Energy Efficiency and Comfort of Historic Buildings, 2, Brussels, 2016 - <i>EECHB-2016: proceedings. </i>Bruxelas: Belgian Building Research Institute, 2016. p. 174-180. MOUR&Atilde;O, Joana Fazenda [et al.] – Combining embodied and operational energy in buildings refurbishment life cycle energy assessment. <i>Energy & Buildings</i>. N&ordm; 197 (15 Aug 2019), p. 34-46.</p>     <p><a href="#top23"><sup>23</sup></a><a name="23"></a> O sistema de certifica&ccedil;&atilde;o energ&eacute;tica atual n&atilde;o tem em conta a disponibilidade dos utilizadores dos edif&iacute;cios para suportar uma fatura energ&eacute;tica elevada para garantir o conforto que preconiza. </p>     <p><a href="#top24"><sup>24</sup></a><a name="24"></a> Decreto-Lei n&ordm; 95/2019. <i>D.R. I S&eacute;rie</i>. 136/2019 (2019-07-18) 35-45.</p>     <p><a href="#top25"><sup>25</sup></a><a name="25"></a> Decreto-Lei n&ordm; 53/2014. <i>D.R. I S&eacute;rie</i>. 169/2014 (2014-04-08) 2337-2340.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top26"><sup>26</sup></a><a name="26"></a> Aviso n&ordm; 8302/2016. <i>D.R. II S&eacute;rie</i>. 125/2016 (2016-07-01) 20446-20461.</p>     <p><a href="#top27"><sup>27</sup></a><a name="27"></a> HARRISON, Rodney – Beyond &ldquo;natural&rdquo; and &ldquo;cultural&rdquo; heritage: toward an ontological politics of heritage in the age of anthropocene. <i>Heritage & Society</i>. N&ordm; 8:1 (2015), p. 24-42. </p>     <p><a href="#top28"><sup>28</sup></a><a name="28"></a> CENTRO NACIONAL DE CULTURA - <i>Jos&eacute; Sarmento de Matos (1946-2018)</i> [Em linha]. Lisboa: CNC, 2018. Dispon&iacute;vel na Internet: <a href="https://www.cnc.pt/jose-sarmento-de-matos-1946-2018/" target="_blank">https://www.cnc.pt/jose-sarmento-de-matos-1946-2018/</a>.</p>      ]]></body><back>
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