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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Para onde a indústria os levou: crescimento urbano de Marvila e Beato a partir de 1835]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Up to the second quarter of the 19th century, Marvila and Beato were farming districts at Lisbon's eastern border, courtyards for the leisure of the aristocratic classes and places of ecclesiastic seclusion, along with their lengthy cultivated properties. With the industry's arrival, a new path begins for these boroughs: the old convents, after the extinction in Portugal of all religious orders, are reborn as industrial sites; working-class housing multiplies. With increasing industrial growth and the settling of large warehouses in the region, the landscape thickened, with embankments which brought a whole new scale. At the end of the 20th century, the industry lost its pace, and the riverside Marvila and Beato became deserted. Presently, a return is on the way to this (almost) forgotten boroughs. This essay follows the region's urban development using its old cartography, attempting to foresee urban revitalization from the indelible marks of a growth led by the industry's pace.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Zona ribeirinha oriental de Lisboa]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO</b></p>     <p><b>Para onde a ind&uacute;stria os levou: crescimento urbano de Marvila e Beato a partir de 1835<a href="#1"><sup>1</sup></a><a name="top1"></a></b></p>     <p><b>Where the industry led them: urban growth of the Marvila and Beato boroughs since 1835</b></p>     <p><b>Margarida Reis e Silva<sup>*</sup></b></p>     <p><sup>*</sup>Margarida de Almeida Reis e Silva. Instituto de Ci&ecirc;ncias Sociais, Universidade de Lisboa, 1600-189 Lisboa, Portugal.<a href="mailto:mreisesilva@gmail.com">mreisesilva@gmail.com</a></p>     <p>Doutoranda em Hist&oacute;ria no Programa Interuniversit&aacute;rio de Doutoramento (PIUDHist). Membro da comiss&atilde;o instaladora do Centro Interpretativo de Marvila e Beato: C&acirc;mara Municipal de Lisboa e ICS-UL. <i>This research was supported by the H2020 European funding on the project &ldquo;ROCK: Regeneration and Optimization of Cultural Heritage in Creative and Knowledge Cities&rdquo;, hosted by Instituto de Ci&ecirc;ncias Sociais, Universidade de Lisboa, under the Grant Agreement Number 730280</i>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>At&eacute; ao segundo quartel do s&eacute;culo XIX, Marvila e Beato eram zonas agr&iacute;colas na fronteira oriental de Lisboa, terreiros de lazer aristocr&aacute;tico e locais de reclus&atilde;o mon&aacute;stica, com as suas cercas cultivadas. Chegada a ind&uacute;stria, inicia-se novo rumo para estas atuais freguesias: os velhos conventos, extintas as ordens religiosas, renascem como complexos industriais; multiplica-se a habita&ccedil;&atilde;o oper&aacute;ria. Com o avan&ccedil;o fabril e dos grandes armaz&eacute;ns, a paisagem densifica-se, em aterros ao rio que trazem uma nova escala. No final do s&eacute;culo XX, a ind&uacute;stria perde o &iacute;mpeto e Marvila e Beato ribeirinhos desertificam-se. Atualmente, ensaia-se o retorno a estes bairros (quase) esquecidos de Lisboa. Neste trabalho, segue-se o crescimento desta regi&atilde;o usando os seus velhos mapas, procurando perspetivar a revitaliza&ccedil;&atilde;o a partir das marcas indel&eacute;veis de um crescimento feito ao ritmo da ind&uacute;stria.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>PALAVRAS-CHAVE</b></p>     <p>Zona ribeirinha oriental de Lisboa / Marvila / Beato / Evolu&ccedil;&atilde;o urbana de Lisboa / Industrializa&ccedil;&atilde;o de Lisboa</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>Up to the second quarter of the 19<sup>th</sup> century, Marvila and Beato were farming districts at Lisbon&rsquo;s eastern border, courtyards for the leisure of the aristocratic classes and places of ecclesiastic seclusion, along with their lengthy cultivated properties. With the industry&rsquo;s arrival, a new path begins for these boroughs: the old convents, after the extinction in Portugal of all religious orders, are reborn as industrial sites; working-class housing multiplies. With increasing industrial growth and the settling of large warehouses in the region, the landscape thickened, with embankments which brought a whole new scale. At the end of the 20<sup>th</sup> century, the industry lost its pace, and the riverside Marvila and Beato became deserted. Presently, a return is on the way to this (almost) forgotten boroughs. This essay follows the region&rsquo;s urban development using its old cartography, attempting to foresee urban revitalization from the indelible marks of a growth led by the industry&rsquo;s pace.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>KEYWORDS</b></p>     <p>Lisbon&rsquo;s oriental riverfront / Marvila / Beato / Lisbon&rsquo;s urban growth / Lisbon&rsquo;s industrialization</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></p>     <p>Este texto parte de uma investiga&ccedil;&atilde;o sobre os p&aacute;tios e vilas da zona ribeirinha oriental de Lisboa<a href="#2"><sup>2</sup></a><a name="top2"></a>. Para melhor enquadrar esses n&uacute;cleos de habita&ccedil;&atilde;o popular, identificou-se como necess&aacute;rio um conhecimento mais profundo do tecido urbano das atuais freguesias de Marvila e Beato<a href="#3"><sup>3</sup></a><a name="top3"></a> (na sua zona ribeirinha), dois &laquo;burgos&raquo; industriais da cidade, abordando as suas fases de crescimento e transforma&ccedil;&atilde;o desde o nascimento na regi&atilde;o de um universo fabril, at&eacute; &agrave; desindustrializa&ccedil;&atilde;o de finais do s&eacute;culo XX e chegando aos nossos dias.</p>     <p>Perdida a sua identidade industrial, despontam atualmente estes bairros como nova centralidade em Lisboa, com os seus grandes espa&ccedil;os obsoletos procurados agora pelas chamadas &laquo;ind&uacute;strias criativas&raquo;. Ainda assim, os antigos n&uacute;cleos de habita&ccedil;&atilde;o popular e os complexos fabris confundem-se na restante malha urbana, num processo de degrada&ccedil;&atilde;o que a nova vaga urban&iacute;stica ainda n&atilde;o veio totalmente mitigar.</p>     <p>Ser&aacute; justamente com este renovado interesse por Marvila e Beato no horizonte que procuraremos caracterizar a materialidade destes que foram, em determinada altura, os principais bairros industriais de Lisboa e cuja identidade julgamos importante salvaguardar.</p>     <p>A regi&atilde;o em estudo, na sua fei&ccedil;&atilde;o atual, &eacute; o resultado de transfigura&ccedil;&otilde;es urbanas marcantes que a cidade tamb&eacute;m viveu na sua progress&atilde;o, desde capital de um pa&iacute;s maioritariamente agr&iacute;cola, passando (tardiamente) por um per&iacute;odo de industrializa&ccedil;&atilde;o e chegando, nos dias de hoje, &agrave;s encruzilhadas da era p&oacute;s-industrial. Torna-se, por&eacute;m, n&iacute;tido que, nos espa&ccedil;os onde a ind&uacute;stria foi o principal motor de crescimento, ter&aacute; sido essa irrup&ccedil;&atilde;o (e ocaso) particularmente determinante em todo o desenhar do espa&ccedil;o urbano atual.</p>     <p>Para melhor descrever as profundas altera&ccedil;&otilde;es aqui vividas, iremos seguir esse percurso utilizando velhos mapas – as representa&ccedil;&otilde;es cartogr&aacute;ficas produzidas ao longo dos &uacute;ltimos dois s&eacute;culos e mantidas nos seus arquivos pela C&acirc;mara Municipal de Lisboa –, fontes prim&aacute;rias criadas sem inten&ccedil;&atilde;o de compor a hist&oacute;ria da cidade, que nos permitir&atilde;o n&atilde;o s&oacute; olhar o territ&oacute;rio como um todo, como tamb&eacute;m criar uma cronologia das mudan&ccedil;as operadas no terreno, refletindo sobre esse trajeto &agrave; luz das insufici&ecirc;ncias encontradas na atualidade. Procuraremos, sempre que poss&iacute;vel, cruzar as informa&ccedil;&otilde;es a&iacute; obtidas com a bibliografia e as fontes conhecidas, incluindo-se nestas alguns testemunhos orais.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A ZONA RIBEIRINHA ORIENTAL NA CARTA DA LINHA DE DEFESA DE LISBOA (1835)</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n12/ser2n12a08f1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Na segunda metade do s&eacute;culo XIX, a expans&atilde;o de Lisboa passa a desenhar-se para norte, definindo-se novos eixos, com destaque para a atual Avenida da Liberdade. A oriente, a paisagem mant&eacute;m-se pouco urbanizada, povoada de uma d&uacute;zia de manufaturas, mas permanecendo esta uma zona rural, destino de veraneio de alguma aristocracia lisboeta aqui propriet&aacute;ria desde (pelo menos) finais do s&eacute;culo XV, lado-a-lado com os robustos edif&iacute;cios das ordens religiosas, aqui instaladas desde os alvores da Idade M&eacute;dia.</p>     <p>Nesta representa&ccedil;&atilde;o da regi&atilde;o em escala alargada, distinguem-se referentes existentes ainda hoje. A paisagem ribeirinha &eacute; cortada por algumas vias de circula&ccedil;&atilde;o: a principal ser&aacute; a estrada marginal, que na &eacute;poca tomava os nomes de Rua Direita de Xabregas, Direita do Grilo ou Direita do Beato (atual Rua do A&ccedil;&uacute;car), no seu percurso entre a Madre de Deus e o Po&ccedil;o do Bispo<a href="#4"><sup>4</sup></a><a name="top4"></a>. Ao longo deste eixo - o <i>Caminho do Oriente</i>, como d&eacute;cadas mais tarde foi batizado, para que Lisboa reaprendesse a percorr&ecirc;-lo<a href="#5"><sup>5</sup></a><a name="top5"></a> - encontramos as principais edifica&ccedil;&otilde;es. Primeiro a Madre de Deus, em conjunto com o Pal&aacute;cio dos Marqueses de Nisa, desenhando-se em ziguezague frente ao rio. Seria este conjunto arquitet&oacute;nico o centro do velho sonho de Francisco de Holanda para um pal&aacute;cio de veraneio de D. Sebasti&atilde;o, em terrenos j&aacute; aqui comprados por seu av&ocirc;, D. Jo&atilde;o III, em que o &laquo;Terreiro de Xabregas&raquo;, ombreando com o ocidental Terreiro do Pa&ccedil;o, fecharia, virando-se aos &laquo;bons ares do rio&raquo;, o frondoso Vale de Chelas<a href="#6"><sup>6</sup></a><a name="top6"></a>. Seguia-se, nesta linha ribeirinha, o Convento de S&atilde;o Francisco, com os seus p&aacute;tios e claustros e que, na sua configura&ccedil;&atilde;o inicial, pr&eacute;-terramoto, teria a fachada virada a sul, fechando porventura o idealizado Terreiro Real<a href="#7"><sup>7</sup></a><a name="top7"></a>. Seguem-se o Pal&aacute;cio de Xabregas, dos Marqueses de Olh&atilde;o, e o Palacete da Quinta Leite de Sousa, quase a par do Pal&aacute;cio dos Senhores das Ilhas Desertas, herdeiros do nobre D. Gast&atilde;o Coutinho, com propriedades de ambos os lados da marginal. Sucedem-se os conventos, destacando-se o do Beato Ant&oacute;nio, no centro do territ&oacute;rio, e terminando no Pal&aacute;cio da Mitra, j&aacute; na chegada ao Po&ccedil;o do Bispo. Ao longo do percurso, a proximidade constante do rio, que em alguns trechos, como do Pal&aacute;cio das Ilhas Desertas ao Convento das Freiras <i>Grilas</i><a href="#8"><sup>8</sup></a><a name="top8"></a>, mal se distingue das casas, que parecem invadi-lo. Ao que se sabe, muitas propriedades da regi&atilde;o teriam o seu pr&oacute;prio cais. Numa cota superior, v&ecirc;-se a atual Rua Direita de Marvila (ao tempo a ex&oacute;tica &laquo;Rua Direita dos Ananases&raquo;), cortada por duas grandes cal&ccedil;adas transversais que ainda hoje permanecem. Subindo o Vale de Chelas, e a Estrada que vinha terminar a sueste da Madre de Deus, perto da &laquo;Quinta da Borda d&rsquo;&Aacute;gua&raquo;, surgem na Carta duas Estamparias de Chitas, das quais se encontra igualmente registo na bibliografia<a href="#9"><sup>9</sup></a><a name="top9"></a>.</p>      <p>No restante terreno, poucos mais n&uacute;cleos habitacionais se distinguem: um pequeno n&uacute;cleo encima S. Francisco - o Alto dos Toucinheiros -, mais &agrave; frente, v&ecirc;-se um outro conjunto - o Grilo - semelhante ao que envolve o Convento do Beato e os pal&aacute;cios do Duque de Laf&otilde;es e do Marqu&ecirc;s de Marialva, ambos sobre a encosta. Maior concentra&ccedil;&atilde;o se distingue junto ao Po&ccedil;o do Bispo, nos quarteir&otilde;es que envolvem o Convento de Marvila (de Freiras Br&iacute;gidas) e se estendem at&eacute; ao Pal&aacute;cio do Marqu&ecirc;s de Abrantes, sendo estes aglomerados possivelmente as habita&ccedil;&otilde;es dos que se encontravam ao servi&ccedil;o de tais casas nobres e eclesi&aacute;sticas.</p>     <p>Nas v&eacute;speras da chegada do comboio, a Zona Ribeirinha Oriental era assim um territ&oacute;rio aberto, de terrenos rurais virados ao rio. Em 1939, evocava-a assim Norberto de Ara&uacute;jo, nas suas <i>Peregrina&ccedil;&otilde;es em Lisboa</i>:</p>     <p>     <blockquote>Sem linha f&eacute;rrea nem passagem s&ocirc;bre viadutos, sem edif&iacute;cios fabris, armaz&eacute;ns e oficinas, sem cortinas de pr&eacute;dios a encobrir o rio - largo como o mar - Xabregas, &laquo;Enxobregas&raquo; dos s&eacute;culos velhos, era arrabalde, t&iacute;mido de p&oacute;voas ao acaso, luminoso e lavado. No s&eacute;culo passado, a&iacute; por 1840, a transi&ccedil;&atilde;o estava feita. [&hellip;] Muta&ccedil;&atilde;o assim em parte alguma de Lisboa se verificou<a href="#10"><sup>10</sup></a><a name="top10"></a>.         ]]></body>
<body><![CDATA[<p></p> </blockquote>     <p>Em 1834, com a afirma&ccedil;&atilde;o do Liberalismo, a extin&ccedil;&atilde;o das ordens religiosas trouxera uma transfigura&ccedil;&atilde;o urbana significativa, operada n&atilde;o s&oacute; em Lisboa mas em todo o pa&iacute;s, com o Estado subitamente a bra&ccedil;os com centenas de espa&ccedil;os conventuais desocupados. Tamb&eacute;m a burguesia, em ascens&atilde;o nesta conjuntura, come&ccedil;ara a adquirir as quintas de alguma nobreza descapitalizada, transferindo para aqui as suas resid&ecirc;ncias secund&aacute;rias e, pouco a pouco, tamb&eacute;m as unidades industriais que v&atilde;o fazendo a sua fortuna. &Eacute; nesse momento hist&oacute;rico que a Zona Oriental encontra definitivamente a sua nova voca&ccedil;&atilde;o e inicia a convers&atilde;o numa das grandes bases industriais de Lisboa, a par com a Zona Ribeirinha Ocidental, em Alc&acirc;ntara.</p>     <p>Ser&aacute; em 1840 que se fixar&aacute; em Xabregas a primeira grande unidade industrial: a F&aacute;brica da Companhia de Fia&ccedil;&atilde;o e Tecidos Lisbonense. Para instalar este complexo movido a vapor, a sociedade propriet&aacute;ria requerera ao Estado ocupar o extinto Convento de S. Francisco, que aqui existira desde 1460<a href="#11"><sup>11</sup></a><a name="top11"></a>. Ap&oacute;s um inc&ecirc;ndio, a Fia&ccedil;&atilde;o abandona o Convento, a&iacute; se instalando, em 1844, a F&aacute;brica de Tabacos de Xabregas<a href="#12"><sup>12</sup></a><a name="top12"></a>, unidade que aqui permanecer&aacute; at&eacute; 1965.</p>     <p>Em 28 de Outubro de 1856, no contexto do grande desenvolvimento das comunica&ccedil;&otilde;es e transportes que pautou os anos da Regenera&ccedil;&atilde;o, &eacute; inaugurada a primeira linha f&eacute;rrea nacional, a Linha do Norte, ligando Lisboa - e a ainda n&atilde;o conclu&iacute;da Esta&ccedil;&atilde;o de Santa Apol&oacute;nia - &agrave; Esta&ccedil;&atilde;o do Carregado e cruzando nesse caminho as pacatas quintas da zona ribeirinha oriental. Precipitava-se o come&ccedil;o de uma nova etapa sem retorno no destino desta regi&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n12/ser2n12a08f2.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A ZONA RIBEIRINHA ORIENTAL NO LEVANTAMENTO DE FILIPE FOLQUE (1856-1858)</b></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f3"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n12/ser2n12a08f3.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>No contexto de um in&eacute;dito desenvolvimento urbano, &eacute; feito um levantamento topogr&aacute;fico da cidade de Lisboa e seus termos. A nova Carta consistia em 65 plantas, &agrave; escala de 1/1000, elaboradas entre 1856 e 1858 sob dire&ccedil;&atilde;o de Filipe Folque, &laquo;Director dos Trabalhos Geod&eacute;sicos, Chorographicos e Hydrographicos do Reino&raquo;. Com esta representa&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o urbano, encomenda do ministro Fontes Pereira de Melo, pretendia criar-se a base de trabalho para programar uma nova cidade.</p>     <p>Pela observa&ccedil;&atilde;o destas plantas, &eacute;-nos poss&iacute;vel, sempre com apoio na bibliografia e fontes, caracterizar com mais pormenor a freguesia do Beato Ant&oacute;nio de meados de oitocentos, situada para l&aacute; do limite oriental da cidade, demarcado pela Estrada da Circunvala&ccedil;&atilde;o desde 1852<a href="#13"><sup>13</sup></a><a name="top13"></a>. Compreendendo terrenos das atuais Marvila e Beato, a freguesia pertencia ent&atilde;o ao ef&eacute;mero concelho dos Olivais, vizinho de Lisboa pelo lado oriental. </p>     <p>Encontramos nestas plantas uma cidade que, para oriente, pouco mais se constru&iacute;ra do que &agrave; beira-rio, numa paisagem essencialmente agr&iacute;cola, desde a Madre de Deus ao Convento do Beato. Identificam-se os locais de veraneio da nobreza, com as suas quintas, como o Pal&aacute;cio Olh&atilde;o ou o palacete da Quinta Leite de Sousa, na Cal&ccedil;ada do Grilo, junto ao qual se adivinha um jardim de buxo com sebes recortadas, denunciando a natureza do edif&iacute;cio que o acompanha. Mas a mais sumptuosa propriedade da Zona Oriental &eacute; sem d&uacute;vida o Pal&aacute;cio do Duque de Laf&otilde;es, junto &agrave; Rua Direita do Beato Ant&oacute;nio, cujos riqu&iacute;ssimos jardins, pomares e alamedas n&atilde;o deixam d&uacute;vidas quanto ao lugar desta zona como recreio das classes abastadas. Esta propriedade serve ainda como paradigma do impacto profundo de outro elemento no panorama local: a j&aacute; referida via f&eacute;rrea. O corte abrupto que o comboio imprimiu nesta quinta ser&aacute; a imagem viva do seu impacto na regi&atilde;o, marcando um profundo sulco que corta a paisagem e a compartimenta e isola at&eacute; hoje.</p>     <p>Da nova <i>camada</i> industrial que come&ccedil;a a inscrever-se no espa&ccedil;o vislumbram-se ent&atilde;o poucos sinais. O convento dos frades <i>Grilos</i> surge ainda com essa designa&ccedil;&atilde;o, j&aacute; que a sua utiliza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o teria ainda conhecido mudan&ccedil;a relevante. O Convento do Beato teria sido vendido em hasta p&uacute;blica e viveria ent&atilde;o os primeiros tempos como ind&uacute;stria de transforma&ccedil;&atilde;o de cereais; n&atilde;o obstante, nesta representa&ccedil;&atilde;o tal n&atilde;o &eacute; vis&iacute;vel. O mesmo n&atilde;o sucede com S. Francisco de Xabregas, j&aacute; designado como &laquo;F&aacute;brica de Tabaco&raquo;, a laborar h&aacute; uma d&eacute;cada. A noroeste desta unidade, um novo volume se distingue, a F&aacute;brica de Fia&ccedil;&atilde;o e Tecidos de Xabregas, ou F&aacute;brica da Samaritana, aqui constru&iacute;da entre 1854 e 1857<a href="#14"><sup>14</sup></a><a name="top14"></a>. </p>     <p>No contexto geral de um territ&oacute;rio pouco urbanizado, quanto a n&uacute;cleos habitacionais distingue-se, &agrave; direita da Samaritana, no sop&eacute; do monte, o conjunto do Beco dos Toucinheiros. Entre o Convento do Beato o Pal&aacute;cio do Duque de Laf&otilde;es, identificam-se as mesmas pequenas concentra&ccedil;&otilde;es de casas. No alto do Grilo, outro antigo n&uacute;cleo populacional, percebem-se algumas constru&ccedil;&otilde;es onde se l&ecirc; a designa&ccedil;&atilde;o &laquo;Travessa da Ilha do Grilo&raquo;<a href="#15"><sup>15</sup></a><a name="top15"></a>. </p>     <p>Incontorn&aacute;vel, na planta da regi&atilde;o, &eacute; certamente o rio. Solares, conventos e azinhagas, todos partilhavam o azul do Tejo como pano de fundo. &Agrave; &laquo;entrada&raquo; do Beato, o Largo Marqu&ecirc;s de Nisa era ainda um terreiro fechado, virado ao rio, apesar de j&aacute; parcialmente demolido pela constru&ccedil;&atilde;o da Ponte Ferrovi&aacute;ria. As antigas casas de <br />   D. Gast&atilde;o e o convento das freiras <i>Grilas</i> avan&ccedil;avam ainda pelas &aacute;guas e a Rua Direita de Xabregas desenvolvia-se ainda como marginal, com os respetivos muros de suporte, interrompidos pelos ancoradouros de apoio &agrave;s propriedades. A ent&atilde;o freguesia do Beato Ant&oacute;nio tinha do seu lado esta liga&ccedil;&atilde;o ao tr&aacute;fego fluvial, a que agora se acrescentava a chegada da linha do comboio, que a ligava rapidamente a outros destinos e lhe duplicava a atratividade. Por agora, em 1858, a passagem por aqui do caminho de ferro ditara com certeza a inscri&ccedil;&atilde;o desta freguesia &laquo;do termo&raquo; no tra&ccedil;ado de um mapa da capital. </p>     <p>Acrescente-se ainda um outro (pequeno) elemento, a respeito desta d&uacute;plice liga&ccedil;&atilde;o entre a regi&atilde;o e o comboio. Em 1856, o Convento da Madre de Deus e o vizinho Pal&aacute;cio Nisa viram-se praticamente &laquo;invadidos&raquo; pela Ponte Ferrovi&aacute;ria de Xabregas, constru&iacute;da a cent&iacute;metros das suas paredes centen&aacute;rias. Em 1871, um dos art&iacute;fices envolvidos na grande campanha de obras do antigo convento ter&aacute; decidido &laquo;abra&ccedil;ar&raquo; definitivamente esta refer&ecirc;ncia na vida do edif&iacute;cio e da regi&atilde;o, esculpindo num dos capit&eacute;is das colunas do claustrim a imagem de um comboio a vapor<a href="#16"><sup>16</sup></a><a name="top16"></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n12/ser2n12a08f4_5.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A ZONA RIBEIRINHA ORIENTAL NO LEVANTAMENTO DE J&Uacute;LIO VIEIRA DA SILVA PINTO (1904-1911)</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f6"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n12/ser2n12a08f6.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f7"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n12/ser2n12a08f7.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Observamos agora uma planta feita cinco d&eacute;cadas mais tarde, sob dire&ccedil;&atilde;o do engenheiro J&uacute;lio Vieira da Silva Pinto.</p>     <p>Lisboa tinha nova divis&atilde;o administrativa e atravessava um crescimento sem precedentes, com novos bairros, popula&ccedil;&atilde;o duplicada e abra&ccedil;ando novas no&ccedil;&otilde;es de planeamento urbano. O levantamento completo resultou ent&atilde;o em 249 plantas, &agrave; escala de 1/1000. As atuais freguesias de Marvila e Beato encontravam-se reintegradas no espa&ccedil;o da cidade; desaparecido o concelho dos Olivais, em 1886, Lisboa ganhara uma silhueta mais pr&oacute;xima da atual. Na Zona Oriental, as mudan&ccedil;as que apenas se adivinhavam 50 anos antes tinham tomado agora outra dimens&atilde;o. Apesar de, no interior, a paisagem apresentar ainda consider&aacute;veis extens&otilde;es agr&iacute;colas, a frente ribeirinha, entre o rio e a linha do comboio, espelhava uma din&acirc;mica totalmente nova - a ind&uacute;stria tinha-se instalado definitivamente.</p>     <p>Na linha litoral, poucos eram os vest&iacute;gios de outrora: o Pal&aacute;cio Olh&atilde;o e a grande propriedade do Duque de Laf&otilde;es eram aparentemente uns dos poucos resistentes, na sua fun&ccedil;&atilde;o residencial. Em volta, uma nova <i>camada</i> de voca&ccedil;&atilde;o industrial e mercantil de grande escala viera acrescentar-se e, n&atilde;o arrasando integralmente o que a precedera, moldara-se e alojara-se nos espa&ccedil;os pr&eacute;-existentes, a uma velocidade perturbadora, se comparado com o territ&oacute;rio em 1858. </p>     <p>O conjunto do Convento da Madre de Deus e Pal&aacute;cio Nisa, ambos entregues ao Estado, transformara-se, a partir de 1871, no Asilo D. Maria Pia, assim identificado nesta Carta. Sabe-se que, a par do ensino t&eacute;cnico ministrado no Asilo, desde 1884 que parte do edif&iacute;cio se destinava &agrave; Escola Afonso Domingues, dedicada a formar profissionais para a ind&uacute;stria<a href="#17"><sup>17</sup></a><a name="top17"></a>. Fronteira, no n&uacute;mero 5 do mesmo Largo, funcionava desde 1882 a F&aacute;brica de Licores &Acirc;ncora<a href="#18"><sup>18</sup></a><a name="top18"></a>. Logo acima, a F&aacute;brica de Fia&ccedil;&atilde;o e Tecidos de Xabregas (Samaritana) duplicara de tamanho e constru&iacute;ra, num terreiro interior ligado ao seu parque industrial, a primeira vila oper&aacute;ria da zona ribeirinha oriental - a Vila Flamiano. Subindo o Beco dos Toucinheiros, encontrava-se agora o P&aacute;tio do Black, conjunto adaptado a habita&ccedil;&atilde;o oper&aacute;ria, em finais de oitocentos, pela mesma firma<a href="#19"><sup>19</sup></a><a name="top19"></a>, seguido da extensa correnteza da Vila Dias, que ter&aacute; chegado a albergar 300 fam&iacute;lias<a href="#20"><sup>20</sup></a><a name="top20"></a>. Mais acima, s&atilde;o agora vis&iacute;veis v&aacute;rios edif&iacute;cios em banda, com pequenos m&oacute;dulos construtivos que se repetem, t&iacute;picos da habita&ccedil;&atilde;o popular, que passam a pontuar o tra&ccedil;ado desta zona. &Eacute; aqui, no epicentro dessa nova &laquo;colmeia&raquo; de trabalhadores, que se instalara em 1899, no Beco dos Toucinheiros, a Cooperativa de Cr&eacute;dito e Consumo A Xabreguense<a href="#21"><sup>21</sup></a><a name="top21"></a>, votada a ajudar os trabalhadores na sua vida financeira e dinamizando igualmente uma biblioteca oper&aacute;ria<a href="#22"><sup>22</sup></a><a name="top22"></a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f8"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n12/ser2n12a08f8.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f9"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n12/ser2n12a08f9.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Em S. Francisco, a &laquo;F&aacute;brica de Tabacos&raquo; prosperava, identificando-se um novo edif&iacute;cio no seguimento da Rua de Xabregas. Logo em frente deste importante centro industrial encontrava-se j&aacute; instalada, desde 1896, uma Cozinha Econ&oacute;mica, a quarta em Lisboa, obra social que procurava dar apoio alimentar aos trabalhadores da regi&atilde;o<a href="#23"><sup>23</sup></a><a name="top23"></a>. </p>     <p>Mais &agrave; frente, os pomares da Quinta Leite de Sousa haviam dado lugar a uma enorme massa constru&iacute;da: a F&aacute;brica de Fia&ccedil;&atilde;o e Tecidos Oriental, terminada em 1888<a href="#24"><sup>24</sup></a><a name="top24"></a>. No antigo Pal&aacute;cio da Quinta e seu entorno, improvisava-se habita&ccedil;&atilde;o para as classes mais pobres na ent&atilde;o Vila Zenha (depois Vila Maria Lu&iacute;sa) e aqui se instalar&aacute;, nos primeiros anos do s&eacute;culo, a Escola Central n&ordm; 20, frequentada pelos filhos dos oper&aacute;rios<a href="#25"><sup>25</sup></a><a name="top25"></a>. O Pal&aacute;cio das Ilhas Desertas encontrava-se igualmente subdividido e alugado para diversos fins; em frente, na Cal&ccedil;ada de D. Gast&atilde;o, antigo terreiro do seu nobre pal&aacute;cio, funcionava ent&atilde;o a Cooperativa Oper&aacute;ria Oriental<a href="#26"><sup>26</sup></a><a name="top26"></a>. O convento masculino do Grilo dera lugar ao Recolhimento de Nossa Senhora do Amparo (ou do Grilo), mantendo-se a igreja como centro da par&oacute;quia de S. Bartolomeu. Na antiga cerca conventual e em toda a extens&atilde;o da sua cong&eacute;nere feminina, erguia-se agora o complexo industrial da Manuten&ccedil;&atilde;o Militar, adaptando alguns edif&iacute;cios e tendo destru&iacute;do outros, com as suas enormes alas de produ&ccedil;&atilde;o e a sua padaria industrial, garantindo o abastecimento de todo o Ex&eacute;rcito. Na antiga morada do Beato Ant&oacute;nio, continuava em labora&ccedil;&atilde;o a cereal&iacute;fera Nacional.</p>     <p>Para Leste, onde se estende atualmente Marvila e onde o anterior levantamento n&atilde;o chegara, alongava-se, sem interrup&ccedil;&otilde;es, a paisagem fabril. Na Rua do A&ccedil;&uacute;car, distingue-se o edif&iacute;cio da Companhia Portuguesa de F&oacute;sforos<a href="#27"><sup>27</sup></a><a name="top27"></a>. Para oriente, a grande F&aacute;brica de Material de Guerra de Bra&ccedil;o de Prata. Junto a esta, identificam-se os armaz&eacute;ns vin&iacute;colas de Jos&eacute; Domingos Barreiro ou da Sociedade Abel Pereira da Fonseca, esta &uacute;ltima com cais de embarque para o Tejo nas traseiras do edif&iacute;cio. Tamb&eacute;m tinha armaz&eacute;ns no Po&ccedil;o do Bispo a companhia agr&iacute;cola de Joaquim dos Santos Lima, que aqui constru&iacute;ra um dos exemplos mais interessantes de habita&ccedil;&atilde;o popular da capital - o Pr&eacute;dio Santos Lima - onde os trabalhadores habitavam os pisos superiores, sobre as tanoarias e armaz&eacute;ns da empresa. Num r&aacute;pido desvio pela Rua do Vale Formoso, encontramos vest&iacute;gios da nova viv&ecirc;ncia oper&aacute;ria em edif&iacute;cios como a Cooperativa de Bra&ccedil;o de Prata. Tamb&eacute;m aqui se encontra o reticulado da pequena Vila Leonilla<a href="#28"><sup>28</sup></a><a name="top28"></a>, com as suas casas t&eacute;rreas de fachadas repetidas, junto &agrave; antiga Quinta da Concei&ccedil;&atilde;o. Mais &agrave; frente, na Quinta da Matinha, distinguem-se na cartografia os pavilh&otilde;es de uma unidade corticeira que aqui laboraria desde 1887 e que ter&aacute; pertencido &agrave; Companhia Geral da Corti&ccedil;a<a href="#29"><sup>29</sup></a><a name="top29"></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Voltando ao Po&ccedil;o do Bispo e subindo a Rua Direita de Marvila, deparamos com o antigo Convento das Br&iacute;gidas, tamb&eacute;m ele entretanto extinto e identificado j&aacute; no mapa como &laquo;Asilo D. Lu&iacute;s&raquo;. Cruzando a linha f&eacute;rrea, identifica-se o Pal&aacute;cio do Marqu&ecirc;s de Abrantes, propriedade-charneira desta freguesia, desde finais do s&eacute;culo XIX transformado no P&aacute;tio do Col&eacute;gio. Mais &agrave; frente, fechando este percurso, a inscri&ccedil;&atilde;o &laquo;Quinta dos Sab&otilde;es&raquo; revela as primeiras marcas de uma ind&uacute;stria em desenvolvimento<a href="#30"><sup>30</sup></a><a name="top30"></a>.</p>     <p>A fei&ccedil;&atilde;o fabril que viera envolver os terrenos das antigas quintas operara grandes transforma&ccedil;&otilde;es tamb&eacute;m noutra esfera da Zona Oriental. Desde 1887 e das Grandes Obras do Porto de Lisboa e, mais tarde, na 1&ordf; Rep&uacute;blica, sucederam-se as constru&ccedil;&otilde;es de &laquo;novos cais e docas por toda a orla oriental&raquo;<a href="#31"><sup>31</sup></a><a name="top31"></a>, numa espessa linha constru&iacute;da que iniciava um afastamento relativamente ao Rio Tejo. Frente &agrave; Madre de Deus e a S. Francisco, j&aacute; <i>trespassados</i> pela Ponte Ferrovi&aacute;ria e fronteira ao terreiro de onde outrora os Marqueses de Nisa olhavam o rio, erguia-se agora, em aterro, a grande F&aacute;brica de Moagem a Vapor Alian&ccedil;a, dominando a paisagem com a sua constru&ccedil;&atilde;o em altura.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f10"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n12/ser2n12a08f10.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f11"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n12/ser2n12a08f11.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Tamb&eacute;m em terrenos ganhos ao rio se constru&iacute;ra a Rua da Manuten&ccedil;&atilde;o, que, ao mesmo tempo que permitia a expans&atilde;o das ind&uacute;strias e o melhoramento das comunica&ccedil;&otilde;es fluviais, transformava a velha Rua de Xabregas ribeirinha num mero caminho interior<a href="#32"><sup>32</sup></a><a name="top32"></a>. Grande parte do complexo da Manuten&ccedil;&atilde;o Militar se fizera em aterro e, junto ao Convento do Beato, fazem-se igualmente os primeiros avan&ccedil;os sobre o Tejo. Nesta zona, submerso no parque industrial da Nacional, escondia-se um afamado recanto rom&acirc;ntico das freguesias ribeirinhas - a Alameda do Beato, estendendo-se frente ao convento - com um ch&atilde;o que a popula&ccedil;&atilde;o embelezara num mosaico de pedrinhas a que chamavam "O Embrexado", estendendo-se frente &agrave; fachada do antigo edif&iacute;cio religioso: um Passeio P&uacute;blico virado ao rio<a href="#33"><sup>33</sup></a><a name="top33"></a>. Em 1900, Angelina Vidal recordava este passeio, elogiando-lhe a vista e a paisagem:</p>     <p>     <blockquote>O <i>Embreixado</i>, muito concorrido do povo de Lisboa e dos arredores, que ali costumava divertir-se dos aborrecimentos da vida. No tempo em que foram edificados o convento e o templo n&atilde;o havia em frente casarias. O largo formava uma linda alameda coberta de frondosos arvoredos, e o templo ostentava a sua bela fachada de cantaria, coroada com duas altas torres e v&aacute;rias pir&acirc;mides. Depois era o Tejo desafogado que se desdobrava longamente, em ondula&ccedil;&otilde;es azuladas que vinham quebrar-se suavemente contra o areal da grande praia<a href="#34"><sup>34</sup></a><a name="top34"></a>.         <p></p> </blockquote>     <p>Onze anos volvidos, esta paisagem id&iacute;lica encontrava-se totalmente transfigurada. A escala da zona ribeirinha oriental alterara-se. </p>     <p>No dom&iacute;nio das modifica&ccedil;&otilde;es estruturantes, h&aacute; que referir ainda as comunica&ccedil;&otilde;es ferrovi&aacute;rias. Entre o levantamento de Folque e o de 1911 terminara-se a Linha de Cintura de Lisboa, que se liga &agrave; Linha do Norte junto &agrave; esta&ccedil;&atilde;o de Bra&ccedil;o de Prata. Esta nova linha rasgar&aacute; mais um sulco no territ&oacute;rio, apartando durante d&eacute;cadas a Rua de Marvila do restante per&iacute;metro urbano. Tamb&eacute;m de assinalar o novo t&uacute;nel da Concord&acirc;ncia de Xabregas, que possibilita o acesso, a partir da zona ribeirinha oriental, a todas as linhas f&eacute;rreas que terminam em Lisboa, mas cujo papel de barreira arquitet&oacute;nica acentuar&aacute; ainda mais o isolamento do Beco dos Toucinheiros.</p>     <p>Em in&iacute;cios do s&eacute;culo XX, j&aacute; se encontrava assim constru&iacute;da uma parte significativa do patrim&oacute;nio industrial das atuais Marvila e Beato, em particular a maioria das suas unidades fabris e armaz&eacute;ns, assim como uma parcela expressiva dos conjuntos de habita&ccedil;&atilde;o oper&aacute;ria: a par do crescimento industrial, aumentara obviamente a necessidade de m&atilde;o de obra, ocasionando movimentos migrat&oacute;rios que trouxeram milhares de pessoas para a capital. &Eacute; poss&iacute;vel identificar nesta Planta as v&aacute;rias solu&ccedil;&otilde;es encontradas para resolver a crise habitacional vivida, tanto nos velhos edif&iacute;cios palacianos ent&atilde;o subdivididos, como nas pr&oacute;prias constru&ccedil;&otilde;es de raiz, com maior ou melhor qualidade construtiva.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f12"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n12/ser2n12a08f12.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f13"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n12/ser2n12a08f13.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A ZONA RIBEIRINHA ORIENTAL NO LEVANTAMENTO DO INSTITUTO GEOGR&Aacute;FICO E CADASTRAL (1954-1958)</b></p>     <p>Olhamos agora a Zona Oriental num conjunto de plantas elaboradas para a C&acirc;mara Municipal de Lisboa (CML), com &laquo;levantamento e desenho&raquo; do ent&atilde;o Instituto Geogr&aacute;fico e Cadastral (IGC). Para a regi&atilde;o pretendida, este levantamento foi efetuado entre 1954 e 1958 (com aditamento em 1978), em plantas de 1/1000. </p>     <p>Nesta d&eacute;cada, as modifica&ccedil;&otilde;es estruturais vividas na regi&atilde;o haviam ganho uma escala tal que iremos enumer&aacute;-las &agrave; partida, para em seguida enquadrar as situa&ccedil;&otilde;es pontuais do edificado.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Se a Xabregas industrial do in&iacute;cio de novecentos espelhava a mudan&ccedil;a trazida pela f&aacute;brica oitocentista, a f&aacute;brica de meados do s&eacute;culo XX, movida a energia el&eacute;trica e estendendo-se no territ&oacute;rio, encontrou ainda alguns espa&ccedil;os para se instalar nesta &aacute;rea industrial j&aacute; bastante consolidada. A principal forma de conseguir esta implanta&ccedil;&atilde;o foram novos aterros ao rio, numa regi&atilde;o agora planeada em conjunto com a restante cidade.</p>     <p> Em 1933, operara-se o in&iacute;cio de uma mudan&ccedil;a nas acessibilidades desta zona com a abertura da Rua Gualdim Pais, partindo do Largo Marqu&ecirc;s de Nisa e subindo o Vale de Chelas, para a&iacute; se ligar &agrave; velha Estrada de Chelas e ao interior da cidade<a href="#35"><sup>35</sup></a><a name="top35"></a>.</p>     <p>Cerca de 1936/37, com a decis&atilde;o de retirar a F&aacute;brica de G&aacute;s de Bel&eacute;m, adivinha-se nova transforma&ccedil;&atilde;o na Zona Oriental<a href="#36"><sup>36</sup></a><a name="top36"></a>: em 1944, inaugura-se na Quinta da Matinha, em terreno parcialmente conquistado ao rio, a F&aacute;brica de G&aacute;s da Matinha, com os seus enormes gas&oacute;metros, que ainda hoje guardam vest&iacute;gio na paisagem. </p>     <p>No porto, em 1942, foi criada a Zona Industrial do Po&ccedil;o do Bispo, com a edifica&ccedil;&atilde;o de uma nova doca e, em 1946, constr&oacute;i-se um novo cais entre Xabregas e o Po&ccedil;o do Bispo<a href="#37"><sup>37</sup></a><a name="top37"></a>.</p>     <p>O Plano Geral de Urbaniza&ccedil;&atilde;o e Expans&atilde;o de Lisboa, de &Eacute;tienne De Gr&ouml;er, de 1938-48, definia este crescimento fabril para oriente, ligado &agrave; atividade portu&aacute;ria, e tra&ccedil;ava uma nova avenida marginal, de liga&ccedil;&atilde;o entre toda esta zona ribeirinha. A regi&atilde;o oriental viu-se definitivamente votada &agrave; ind&uacute;stria, com unidades modernas que se estenderam ordenadamente para norte e para o interior, pelos Olivais e at&eacute; Moscavide, continuando depois pelo vale do Tejo. Mas a velha zona ribeirinha n&atilde;o ficara inteiramente fora deste reordenamento. Em 1950, &eacute; terminado o tro&ccedil;o da Avenida Infante D. Henrique que remata Beato e Marvila pelo rio e lhes imprime indelevelmente uma nova escala<a href="#38"><sup>38</sup></a><a name="top38"></a>. </p>     <p>Nos testemunhos orais, antigos moradores e oper&aacute;rios descreveram os banhos no rio quando crian&ccedil;as, os passeios em fam&iacute;lia, ou mesmo o h&aacute;bito de fugir ao calor estival, em ser&otilde;es nas <i>praias</i> do Tejo<a href="#39"><sup>39</sup></a><a name="top39"></a>. Com a constru&ccedil;&atilde;o da nova Avenida, fala-se agora de um &laquo;derradeiro adeus ao rio&raquo;<a href="#40"><sup>40</sup></a><a name="top40"></a>. Olhando a planta de 1954-58, descobre-se uma faixa ribeirinha, cuja extens&atilde;o, desde a linha do comboio, ter&aacute; quase duplicado de largura desde o s&eacute;culo anterior, quando o Duque de Laf&otilde;es tinha o seu pr&oacute;prio ancoradouro. </p>     <p>Olhemos agora de perto o edificado em meados do s&eacute;culo XX: o antigo Convento da Madre de Deus retornou a Asilo D. Maria Pia (agora da Casa Pia de Lisboa)<a href="#41"><sup>41</sup></a><a name="top41"></a> - a Escola Afonso Domingues encontrara nova casa, num edif&iacute;cio constru&iacute;do de raiz no interior deste territ&oacute;rio, na antiga Quinta das Veigas<a href="#42"><sup>42</sup></a><a name="top42"></a>. Em 1958, a F&aacute;brica Alian&ccedil;a n&atilde;o marcava j&aacute; o horizonte do Largo Marqu&ecirc;s de Nisa: um violento inc&ecirc;ndio destru&iacute;ra-a em 1947, permanecendo as ru&iacute;nas no local durante d&eacute;cadas. Tamb&eacute;m a Samaritana sofrera um fogo em meados do s&eacute;culo XX, ditando o final desta unidade emblem&aacute;tica que chegou a empregar 500 oper&aacute;rios. O enorme edif&iacute;cio foi ocupado parcialmente por pequenas ind&uacute;strias, encontrando-se no geral muito degradado, mas resistindo at&eacute; hoje no local, com as suas s&oacute;lidas paredes incombust&iacute;veis.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f14"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n12/ser2n12a08f14.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Os n&uacute;cleos de habita&ccedil;&atilde;o popular da Vila Dias e do P&aacute;tio do Black permaneciam habitados nos anos de 1950, registando-se uma prolifera&ccedil;&atilde;o de constru&ccedil;&otilde;es prec&aacute;rias &agrave; sua volta, num aut&ecirc;ntico labirinto que se foi formando no Alto dos Toucinheiros. A Vila Flamiano, com a j&aacute; referida abertura da Rua Gualdim Pais, tinha sa&iacute;do parcialmente do interior dos quarteir&otilde;es fabris onde nascera. Na mesma rua, surgira entretanto a &uacute;ltima vila da Zona Oriental - a Vila Em&iacute;lia - terminada em 1933 e um dos &uacute;ltimos conjuntos deste tipo a serem constru&iacute;dos na cidade de Lisboa.</p>     <p>&Agrave; data deste levantamento, ainda laborava em S. Francisco a F&aacute;brica de Tabaco, em instala&ccedil;&otilde;es que se foram alargando<a href="#43"><sup>43</sup></a><a name="top43"></a>. A Rua de Xabregas e a Rua da Manuten&ccedil;&atilde;o apresentavam-se mais urbanizadas, tendo a&iacute; crescido entretanto alguns pr&eacute;dios de habita&ccedil;&atilde;o, a par dos antigos armaz&eacute;ns e dos resqu&iacute;cios da Xabregas de veraneio<a href="#44"><sup>44</sup></a><a name="top44"></a>. A F&aacute;brica de Fia&ccedil;&atilde;o e Tecidos Oriental ainda trabalhava em 1958, tendo quase duplicado a &aacute;rea constru&iacute;da desde o &uacute;ltimo levantamento<a href="#45"><sup>45</sup></a><a name="top45"></a>. Tamb&eacute;m o quarteir&atilde;o da Vila Maria Lu&iacute;sa se encontrava nesta &eacute;poca quase totalmente preenchido por constru&ccedil;&otilde;es, entre os equipamentos de apoio &agrave; Escola n.&ordm; 20 e v&aacute;rios n&uacute;cleos de habita&ccedil;&atilde;o de baixo custo, o mesmo parecendo suceder nas propriedades cont&iacute;guas. Nas imedia&ccedil;&otilde;es, restavam ainda o Pal&aacute;cio Olh&atilde;o e o Pal&aacute;cio Laf&otilde;es, testemunhando os tempos em que Xabregas era &laquo;um logradouro apetec&iacute;vel da fidalguia lisboeta&raquo;<a href="#46"><sup>46</sup></a><a name="top46"></a>. De referir ainda a Quinta das Pintoras, n&atilde;o longe da propriedade do Duque de Laf&otilde;es, cujo propriet&aacute;rio, Henry Chatelanat, a&iacute; criara uma escola gratuita para as crian&ccedil;as da regi&atilde;o, naquele que ser&aacute; agora o Ateneu da Madre de Deus<a href="#47"><sup>47</sup></a><a name="top47"></a>. Recordando o Convento do Grilo, o Recolhimento e a Igreja de S. Bartolomeu continuavam inalterados na d&eacute;cada de 1950, com as fun&ccedil;&otilde;es que mantiveram at&eacute; recentemente<a href="#48"><sup>48</sup></a><a name="top48"></a>. Na Alameda do Beato, um pequen&iacute;ssimo lact&aacute;rio de apoio &agrave; primeira inf&acirc;ncia ajudava desde 1929 as fam&iacute;lias mais pobres<a href="#49"><sup>49</sup></a><a name="top49"></a>.</p>     <p>Como grandes unidades industriais, nas plantas de 1954-58 continuam a identificar-se a Manuten&ccedil;&atilde;o Militar, a Nacional (ent&atilde;o Companhia Industrial de Portugal e Col&oacute;nias), ou a F&aacute;brica de Bra&ccedil;o de Prata, refer&ecirc;ncias absolutas da regi&atilde;o, com espa&ccedil;os que se alargaram, aproveitando os aterros, e empregando um n&uacute;mero crescente de trabalhadores<a href="#50"><sup>50</sup></a><a name="top50"></a>. Acrescentava-se a Sociedade Nacional de Sab&otilde;es (SNS), nascida no Alto de Marvila, onde outrora tinham existido pequenas unidades industriais do mesmo ramo. A SNS multiplicara-se desde 1919 numa mir&iacute;ade de ramos de produ&ccedil;&atilde;o, um aut&ecirc;ntico complexo industrial, com o seu pr&oacute;prio apeadeiro ferrovi&aacute;rio e enormes edif&iacute;cios, que foram crescendo &agrave; medida que esta se ia expandindo por v&aacute;rias quintas da regi&atilde;o<a href="#51"><sup>51</sup></a><a name="top51"></a>.</p>     <p>Regista-se ainda a abertura da F&aacute;brica de Borracha Luso-Belga, na Rua do A&ccedil;&uacute;car, junto &agrave; agora Sociedade Nacional de F&oacute;sforos, tamb&eacute;m ela ainda em labora&ccedil;&atilde;o &agrave; data deste levantamento<a href="#52"><sup>52</sup></a><a name="top52"></a>. No Po&ccedil;o do Bispo, tudo continuava como anteriormente, com as suas tanoarias e empresas vin&iacute;colas, registando-se um aumento da extens&atilde;o de armaz&eacute;ns, alguns deles em aterro<a href="#53"><sup>53</sup></a><a name="top53"></a>. Desde 1946, aqui se encontrava a sede do Clube Oriental de Lisboa, gl&oacute;ria do bairro, resultado da uni&atilde;o de tr&ecirc;s clubes oper&aacute;rios j&aacute; existentes. Na Rua Direita de Marvila, a Sopa de Assist&ecirc;ncia 5 de Dezembro (conhecida popularmente como &laquo;Sopa do Sid&oacute;nio&raquo;, devido ao Chefe de Estado na sua g&eacute;nese), dava apoio alimentar aos mais carenciados desde 1918<a href="#54"><sup>54</sup></a><a name="top54"></a>.</p>     <p>A nova escala da ind&uacute;stria, numa &eacute;poca de crescimento que continuaria durante a d&eacute;cada seguinte, trouxe consigo novas necessidades habitacionais. O aumento da procura de m&atilde;o de obra continuava a trazer milhares de pessoas a Marvila e Beato; s&atilde;o vis&iacute;veis neste levantamento as solu&ccedil;&otilde;es encontradas para alojar esta nova vaga de trabalhadores e suas fam&iacute;lias. Apesar de se encontrar fora da zona ribeirinha, &eacute; imposs&iacute;vel n&atilde;o referir a constru&ccedil;&atilde;o do grande Bairro da Madre de Deus, inaugurado em 1944, com as suas ruas cuidadosamente desenhadas, parte dos planos de habita&ccedil;&atilde;o para as classes m&eacute;dias que o Estado Novo levara a cabo nestas d&eacute;cadas. Ap&oacute;s a constru&ccedil;&atilde;o da <i>Madredeus</i>, tamb&eacute;m as casas degradadas da Ilha do Grilo deram lugar a um novo bairro de linhas retas, caracter&iacute;stico da arquitetura estadual da &eacute;poca. Mas estas n&atilde;o estariam &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o da maioria da classe trabalhadora, que se distribu&iacute;a numa infinidade de novos p&aacute;tios, aproveitando mais uma vez o edificado pr&eacute;-existente. Neste levantamento, surgem identificados alguns desses espa&ccedil;os<a href="#55"><sup>55</sup></a><a name="top55"></a>, como ser&aacute; o P&aacute;tio Marialva (ou Casal dos Corvos), o P&aacute;tio da Quintinha, o P&aacute;tio do Israel, da Matinha<a href="#56"><sup>56</sup></a><a name="top56"></a> ou do Beir&atilde;o<a href="#57"><sup>57</sup></a><a name="top57"></a> (no jardim do palacete deste &uacute;ltimo ter&aacute; laborado a setecentista Refinaria de A&ccedil;&uacute;car que d&aacute; nome &agrave; rua, e, no s&eacute;culo XX, funcionou uma escola prim&aacute;ria da Voz do Oper&aacute;rio). N&atilde;o esquecendo todos os outros de que se conhece a exist&ecirc;ncia, como o P&aacute;tio da Liberdade (ou do Terras), do Coelho ou do Capelista<a href="#58"><sup>58</sup></a><a name="top58"></a>, mas que n&atilde;o ganharam honras de men&ccedil;&atilde;o nesta cartografia.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f15"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n12/ser2n12a08f15.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f16"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n12/ser2n12a08f16.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Por &uacute;ltimo, a refer&ecirc;ncia a uma outra forma de habita&ccedil;&atilde;o que entretanto se viera &laquo;acrescentar&raquo; &agrave; paisagem - os bairros clandestinos. Das habita&ccedil;&otilde;es miser&aacute;veis da Rua do Sol a Chelas ao enorme Bairro Chin&ecirc;s, onde centenas de fam&iacute;lias se instalaram na sua chegada &agrave; regi&atilde;o. Esta realidade patenteou, juntamente com outros n&uacute;cleos na cidade e periferias, uma nova crise habitacional. No fundo, seria apenas a continua&ccedil;&atilde;o do mesmo problema antigo, de encontrar solu&ccedil;&otilde;es para alojar as popula&ccedil;&otilde;es de menores recursos, a que os p&aacute;tios n&atilde;o conseguiram fazer frente, a que se juntaram as Vilas na viragem para o s&eacute;culo XX <a href="#59"><sup>59</sup></a><a name="top59"></a>, mas para o qual n&atilde;o houvera ainda resolu&ccedil;&atilde;o, a caminho do s&eacute;culo XXI&hellip; Em investiga&ccedil;&atilde;o de 2012, Deolinda Folgado demonstra como o Plano dos Olivais Sul, de 1960-61, denota finalmente a preocupa&ccedil;&atilde;o em construir habita&ccedil;&atilde;o de baixo custo em larga escala, referindo expressamente o n&uacute;mero de &laquo;empregados&raquo; na Zona Oriental (24 400), 60% destes vivendo na regi&atilde;o e muitos em &laquo;condi&ccedil;&otilde;es habitacionais extremamente deficientes&raquo;<a href="#60"><sup>60</sup></a><a name="top60"></a>. No mesmo sentido, a partir de 1965, implementou-se o primeiro Plano de Urbaniza&ccedil;&atilde;o de Chelas, um processo de realojamento que abrangeu popula&ccedil;&otilde;es de v&aacute;rios pontos da cidade e que se prolonga at&eacute; &agrave; atualidade. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f17"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n12/ser2n12a08f17.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f18"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n12/ser2n12a08f18.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Ap&oacute;s quase dois s&eacute;culos de percurso observados, procur&aacute;mos recensear as profundas transforma&ccedil;&otilde;es urbanas vividas nas zonas ribeirinhas de Marvila e Beato. Identificam-se poucas diferen&ccedil;as entre estes dois antigos &laquo;bairros&raquo; fabris de Lisboa; com um desenvolvimento urbano claramente definido pela ind&uacute;stria, parecem estes ter crescido, neste contexto, a par um do outro, primeiro o Beato, fronteiro a Lisboa, e seguindo-se Marvila, no caminho para oriente.</p>     <p>No in&iacute;cio, ser&aacute; de real&ccedil;ar o corte marcado, nas cercas conventuais e quintas de lazer da nobreza, pela chegada do comboio, novo meio de carga e transporte que <i>acelerar&aacute;</i> claramente o ritmo do crescimento urbano &agrave; sua volta. Em sucess&atilde;o, foi tamb&eacute;m poss&iacute;vel acompanhar o despontar da ind&uacute;stria nesta zona oriental da cidade, com a paisagem oitocentista a ver-se ent&atilde;o povoada pelas chamin&eacute;s de tijolo que ainda hoje se vislumbram pontualmente. J&aacute; no s&eacute;culo XX, essa ind&uacute;stria florescente continua a reclamar espa&ccedil;o, criando as primeiras cortinas opacas que tapam o rio e iniciam o seu afastamento destes velhos burgos lisboetas. Em meados do s&eacute;culo, prolongar-se-&atilde;o os aterros, as docas (de um crescente movimento portu&aacute;rio) e nascem as f&aacute;bricas modernas, em que, &agrave;s velhas m&aacute;quinas a vapor, se substituem agora as grandes centrais el&eacute;tricas, rodeadas de extens&otilde;es de edif&iacute;cios em bet&atilde;o.</p>     <p>Transformada (a par de Alc&acirc;ntara, a ocidente) numa zona industrial de primeira import&acirc;ncia na cidade de Lisboa, e consequentemente do pa&iacute;s, esta orla ribeirinha oriental <i>evoluiu</i> assim num s&oacute; s&eacute;culo – entre meados do s&eacute;culo XIX e meados do s&eacute;culo XX – ao ritmo acelerado que a ind&uacute;stria lhe veio impor, t&atilde;o simplesmente o fruto, como explica Jorge Cust&oacute;dio, da &laquo;introdu&ccedil;&atilde;o de um novo gigantismo arquitect&oacute;nico, pr&oacute;prio de locais onde se passara a produzir por meio de m&aacute;quinas e com um n&uacute;mero crescente de oper&aacute;rios&raquo;<a href="#61"><sup>61</sup></a><a name="top61"></a>. Numa zona at&eacute; a&iacute; (esparsamente) ocupada pelas classes mais ricas, ganham ent&atilde;o terreno as classes populares (cuja presen&ccedil;a maiorit&aacute;ria marca Marvila e Beato at&eacute; hoje), j&aacute; que a ind&uacute;stria traz trabalho em grande escala e atrai milhares de migrantes, que se instalam como podem no novo territ&oacute;rio. A ind&uacute;stria e a consequente press&atilde;o demogr&aacute;fica ser&atilde;o assim os grandes motores da metamorfose aqui observada, que se desenhar&aacute; por vezes ao sabor do acaso, outras fruto de um maior planeamento urbano, e que vai procurando respostas &agrave;s necessidades funcionais emergentes. </p>     <p>Em finais do s&eacute;culo XX, nova mudan&ccedil;a se iniciar&aacute;: a ind&uacute;stria abranda, os armaz&eacute;ns encerram; Marvila e Beato, agora &oacute;rf&atilde;os das suas f&aacute;bricas e entrepostos, ter&atilde;o de encontrar novo caminho. No geral, resultou um territ&oacute;rio descont&iacute;nuo, feito de cortes e <i>invas&otilde;es</i> s&uacute;bitas, em que restam, sobrepostas, as v&aacute;rias camadas do crescimento desordenado das &uacute;ltimas d&eacute;cadas, e que at&eacute; recentemente parecia ter sido esquecido.</p>     <p>Esperemos que a cidade, relembrada agora destes velhos bairros, n&atilde;o deixe de valorizar aquilo que os distingue no territ&oacute;rio lisboeta: sob uma luz (ainda) l&iacute;mpida que recorda o seu passado de retiro &agrave; beira-rio (e que alguns edif&iacute;cios ilustres ajudam igualmente a vislumbrar), estende-se um rico patrim&oacute;nio ligado ao crescimento industrial, com as suas vilas e os seus p&aacute;tios, tomando as mais variadas formas, que recordam a (dif&iacute;cil) busca por uma habita&ccedil;&atilde;o, ou os grandes edif&iacute;cios fabris e de armaz&eacute;m, com a sua arquitetura de tra&ccedil;os particulares que importar&aacute; preservar. Se, at&eacute; recentemente, Marvila e Beato pareciam sofrer o abandono a que por vezes s&atilde;o votados os bairros habitados maioritariamente por popula&ccedil;&otilde;es de baixos rendimentos, esperemos que o renovado interesse por estas paragens contribua agora para construir uma cidade mais diversa, mas que n&atilde;o esque&ccedil;a e descarte a popula&ccedil;&atilde;o que est&aacute; na g&eacute;nese do seu desenvolvimento urbano e que comp&ocirc;s at&eacute; hoje a pauta do seu Patrim&oacute;nio Imaterial.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f19"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n12/ser2n12a08f19_20.jpg">     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></p>     <p><b>FONTES</b></p>     <p><b>MANUSCRITAS</b></p>     <p><b>Arquivo Municipal de Lisboa</b></p>     <p>Alberto Carlos Lima, Vila Dias, PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/004/LIM/000883.</p>     <p>Atlas da carta topogr&aacute;fica de Lisboa, Filipe Folque, 1856-58. PT/AMLSB/CMLSB/UROB-PU/05/01.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Augusto de Jesus Fernandes, Sociedade Comercial Abel Pereira da Fonseca, armaz&eacute;m de vinhos, PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/004/AJF/002254.</p>     <p>Eduardo Portugal, [Mercado de levante de Xabregas, situado junto do viaduto do caminho de ferro e o edif&iacute;cio da Escola Industrial Afonso Domingues], 1939, PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/004/EDP/001360.</p>     <p>Judah Benoliel, Bairro chin&ecirc;s junto ao campo de futebol do Oriental, PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/004/JBN/004886.</p>     <p>Levantamento da Planta de Lisboa: 1904-1911, Silva Pinto. PT/AMLSB/CMLSB/UROB-PU/05/03.</p>     <p>M&aacute;rio de Oliveira, Fotografia a&eacute;rea da zona do bairro da Madre de Deus, PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/004/MAO/000475.</p>     <p>Processo de obra n&ordm; 51739 / 2013/1&ordf;REP/PG/1920.</p>     <p>Vasco Gouveia de Figueiredo, Casa antiga, PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/004/VGF/000784.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Gabinete de Estudos Olisiponenses</b></p>     <p>Carta Topographica da Linha de Defesa da Cidade de Lisboa, 1835. Arm. 1, pasta 22, n&ordm; 2246.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Planta da cidade, tinta sobre chapa, Levantamento e desenho do Instituto Geogr&aacute;fico e Cadastral, 1954-58 e 1978. MP 4299 CMLEO, MP 4300 CMLEO, MP 4313 CMLEO, MP 4314 CMLEO, MP 4315 CMLEO, MP 4316 CMLEO, MP 4317 CMLEO, MP 4326 CMLEO, MP 4327 CMLEO, MP 4328 CMLEO, MP 4329 CMLEO, MP 4330 CMLEO, MP 4337 CMLEO e MP 4603 RES CMLEO.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Museu de Lisboa, Pal&aacute;cio Pimenta</b></p>     <p>A Antiga F&aacute;brica de Tabacos de Xabregas, &Oacute;leo s/ tela, Jo&atilde;o Pedrozo, 1270mm x 835mm, 1859. MC.PIN.316.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>IMPRESSAS</b></p>     <p>A assist&ecirc;ncia de 5 de Dezembro. <i>Ilustra&ccedil;&atilde;o Portuguesa</i>. Lisboa. N&ordm; 646 (8 de julho de 1918), p. 26.</p>     <p><i>Inqu&eacute;rito Industrial 1881: Inqu&eacute;rito Directo, Segunda Parte, Visita &agrave;s f&aacute;bricas</i>. Lisboa: Imprensa Nacional, 1881.</p>     <p>Instituto da Habita&ccedil;&atilde;o e da Reabilita&ccedil;&atilde;o Urbana, IP - <i>Igreja da Madre de Deus/Mosteiro da Madre de Deus/Museu Nacional do Azulejo</i>: ficha PT031106410009 [Em linha]. [Consult. 13 jun. 2010]. Dispon&iacute;vel na Internet: <a href="http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=2547" target="_blank">http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=2547</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ESTUDOS</b></p>     <!-- ref --><p>ARA&Uacute;JO, Norberto – <i>Peregrina&ccedil;&otilde;es em Lisboa.</i> 2&ordf; ed. Lisboa: Vega, 1993. vol. XV.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2073798&pid=S2183-3176201900020000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BARRETO, Ant&oacute;nio – Mudan&ccedil;a social em Portugal, 1960-2000. In Ant&oacute;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2073800&pid=S2183-3176201900020000800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->nio Costa Pinto, ed. - <i>Portugal Contempor&acirc;neo</i>. Lisboa: Publica&ccedil;&otilde;es Dom Quixote, 2005. p. 137-162.</p>     <!-- ref --><p>CALADO, Maria, coord. – <i>Atlas de Lisboa: a cidade no espa&ccedil;o e no tempo</i>. Lisboa: Contexto Editora, 1993.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2073802&pid=S2183-3176201900020000800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p><i>Cidade/Campo: Cadernos da Habita&ccedil;&atilde;o ao Territ&oacute;rio</i>. Lisboa: Ulmeiro. N&ordm; 1 (1978), p. 28.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2073804&pid=S2183-3176201900020000800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CONSIGLIERI, Carlos; ABEL, Mar&iacute;lia – <i>O formoso s&iacute;tio de Marvila</i>. Lisboa: Junta de Freguesia de Marvila, 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2073806&pid=S2183-3176201900020000800005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CONSIGLIERI, Carlos [et al.] – <i>Pelas freguesias de Lisboa: S&atilde;o Jo&atilde;o, Beato, Marvila, Santa Maria dos Olivais</i>. Lisboa: C&acirc;mara Municipal, 1993.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2073808&pid=S2183-3176201900020000800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CORDEIRO, Ricardo Alexandre Forte – <i>Filantropia: as cozinhas econ&oacute;micas de Lisboa (1893-1911)</i> [Em linha]. Lisboa: [s.n.], 2012. Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado em Hist&oacute;ria Moderna e Contempor&acirc;nea apresentada ao ISCTE-IUL. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://hdl.handle.net/10071/5510" target="_blank"> http://hdl.handle.net/10071/5510</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2073810&pid=S2183-3176201900020000800007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CUST&Oacute;DIO, Jorge – Reflexos da industrializa&ccedil;&atilde;o na fisionomia e vida da cidade. In MOITA, Irisalva, coord. – <i>O livro de Lisboa</i>. Lisboa: Livros Horizonte, 1994. p. 435-492.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2073812&pid=S2183-3176201900020000800008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>DELGADO, Ralph – <i>A antiga freguesia dos Olivais</i>. Lisboa: C&acirc;mara Municipal, 1969.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2073814&pid=S2183-3176201900020000800009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>F&Eacute;LIX, Catarina [et al.] – <i>F&aacute;bricas do Beato</i>. Lisboa: C&acirc;mara Municipal-Comiss&atilde;o Municipal de Topon&iacute;mia, 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2073816&pid=S2183-3176201900020000800010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FERREIRA, Paula Cristina; SANCHEZ, Paula; FIGUEIREDO, Sandra – <i>A freguesia do Beato na Hist&oacute;ria</i>. Lisboa: Junta de Freguesia do Beato, 1995.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2073818&pid=S2183-3176201900020000800011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FOLGADO, Deolinda; CUST&Oacute;DIO, Jorge – <i>Caminho do Oriente: guia do patrim&oacute;nio industrial</i>. Lisboa: Livros Horizonte, 1999.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2073820&pid=S2183-3176201900020000800012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FOLGADO, Deolinda – <i>A nova ordem industrial no Estado Novo (1933-1968): da f&aacute;brica ao territ&oacute;rio de Lisboa</i>. Lisboa: Livros Horizonte, 2012.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2073822&pid=S2183-3176201900020000800013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FURTADO, M&aacute;rio – <i>Do antigo s&iacute;tio de Xabregas</i>. Lisboa: Vega, 1997.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2073824&pid=S2183-3176201900020000800014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FREIRE, Jo&atilde;o; LOUSADA, Maria Alexandre – <i>Roteiros da mem&oacute;ria urbana - Lisboa: marcas deixadas por libert&aacute;rios e afins ao longo do s&eacute;culo XX</i>. Lisboa: Colibri, 2013.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2073826&pid=S2183-3176201900020000800015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>LAINS, Pedro; SILVA, &Aacute;lvaro Ferreira da, org. – O s&eacute;culo XX. In <i>Hist&oacute;ria Econ&oacute;mica de Portugal: 1700-2000</i>. Lisboa: Imprensa de Ci&ecirc;ncias Sociais, 2005. vol 3.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2073828&pid=S2183-3176201900020000800016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>LEITE, Cristina; VILHENA, Jo&atilde;o Francisco – <i>P&aacute;tios de Lisboa: cidades entre muros</i>. Lisboa: Gradiva Publica&ccedil;&otilde;es, 1991.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2073830&pid=S2183-3176201900020000800017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>MATOS, Jos&eacute; Sarmento de; PAULO, Jorge Ferreira – <i>Caminho do Oriente: guia hist&oacute;rico</i>. Lisboa: Livros Horizonte, 1999. 2 vol.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2073832&pid=S2183-3176201900020000800018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>PEREIRA, Miriam – <i>Livre c&acirc;mbio e desenvolvimento econ&oacute;mico: Portugal na segunda metade do s&eacute;culo XIX</i>. 2&ordf; ed. Lisboa: S&aacute; da Costa Editora, 1983.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2073834&pid=S2183-3176201900020000800019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>PEREIRA, Nuno Teot&oacute;nio – P&aacute;tios e vilas de Lisboa 1870-1930: a promo&ccedil;&atilde;o privada do alojamento oper&aacute;rio. <i>An&aacute;lise Social</i>. Lisboa: ICS. Vol. XXIX N&ordm; 127 (1994) (3&ordm;), p. 509-524.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2073836&pid=S2183-3176201900020000800020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>PEREIRA, Nuno Teot&oacute;nio; BUARQUE, Irene – <i>Pr&eacute;dios e vilas de Lisboa</i>. Lisboa: Livros Horizonte, 1995.</p>     <!-- ref --><p>PINH&Atilde;O, Carlos – <i>Fantasia lispoeta</i>. Amadora: NAOrion, [1981].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2073839&pid=S2183-3176201900020000800022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>PINHEIRO, Magda de Avelar – Crescimento e moderniza&ccedil;&atilde;o das cidades no Portugal oitocentista. <i>Ler Hist&oacute;ria</i>. Lisboa: ISCTE. N&ordm; 20 (1990), p. 79-107.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2073841&pid=S2183-3176201900020000800023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>PINHEIRO, Magda de Avelar – <i>Biografia de Lisboa</i>. Lisboa: Esfera dos Livros, 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2073843&pid=S2183-3176201900020000800024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>PINTO, S&oacute;nia Cristina Ildefonso – <i>Vilas oper&aacute;rias em Lisboa: emerg&ecirc;ncia de novos modelos de habitar: o caso da Vila Berta.</i> Lisboa: [s.n.] 2008. Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado em Arquitetura pela Universidade T&eacute;cnica de Lisboa-Instituto Superior T&eacute;cnico.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2073845&pid=S2183-3176201900020000800025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>RODRIGUES, Maria Jo&atilde;o Madeira – Tradi&ccedil;&atilde;o, transi&ccedil;&atilde;o e mudan&ccedil;a: a produ&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o urbano na Lisboa oitocentista. <i>Boletim da Assembleia Municipal de Lisboa</i>. Lisboa: Assembleia Municipal de Lisboa, 1979. Separata.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2073847&pid=S2183-3176201900020000800026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Rotas e percursos. <i>Boletim Informativo O Beato</i>. Lisboa: Junta de Freguesia do Beato, 2005. Separata.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2073849&pid=S2183-3176201900020000800027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SALGUEIRO, Teresa Barata – <i>A cidade em Portugal: uma geografia urbana</i>. Porto: Edi&ccedil;&otilde;es Afrontamento, 1992.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2073851&pid=S2183-3176201900020000800028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SILVA, Carlos Nunes – Mercado e pol&iacute;ticas p&uacute;blicas em Portugal: a quest&atilde;o da habita&ccedil;&atilde;o na primeira metade do s&eacute;culo XX. <i>An&aacute;lise Social</i>. Vol. XXIX N&ordm; 127 (1994) (3&ordm;), p. 655-676.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2073853&pid=S2183-3176201900020000800029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>SILVA, Maria Margarida de Almeida Reis e – <i>P&aacute;tios e vilas da zona ribeirinha oriental: materialidade, mem&oacute;ria e recupera&ccedil;&atilde;o urbana </i>[Em linha]. Lisboa: [s.n.], 2013. Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado em Hist&oacute;ria Moderna e Contempor&acirc;nea apresentada ao ISCTE-IUL. Dispon&iacute;vel na Internet: http://hdl.handle.net/10071/6967.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2073855&pid=S2183-3176201900020000800030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SILVA, Margarida Reis e – P&aacute;tios e vilas de Marvila e Beato: modos de vida de um movimento antigo. <i>Cadernos do Arquivo Municipal</i> [Em linha]. 2&ordf; S&eacute;rie, N&ordm; 6 (julho - dezembro 2016), p. 143-170. [Consult. 29/04/2019] Dispon&iacute;vel na Internet: <a href="http://arquivomunicipal.cm-lisboa.pt/fotos/editor2/Cadernos/2serie/cad6/artigo05.pdf" target="_blank">http://arquivomunicipal.cm-lisboa.pt/fotos/editor2/Cadernos/2serie/cad6/artigo05.pdf</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2073857&pid=S2183-3176201900020000800031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>TEIXEIRA, Manuel – <i>Habita&ccedil;&atilde;o popular na cidade oitocentista: as ilhas do Porto</i>. Lisboa: Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian: Junta Nacional de Investiga&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica e Tecnol&oacute;gica, 1996.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2073859&pid=S2183-3176201900020000800032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>VIDAL, Angelina – <i>Lisboa antiga e Lisboa moderna</i>. 2&ordf; ed. Lisboa: Vega, 1994.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2073861&pid=S2183-3176201900020000800033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>VIEIRA, Alice; FERREIRA, Ant&oacute;nio Pedro – <i>Esta Lisboa</i>. Lisboa: Editorial Caminho, 1993.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2073863&pid=S2183-3176201900020000800034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RECURSOS ONLINE</b></p>     <p>Lisboa S.O.S. Primeiro m&ecirc;s de vida. [Consult. 20/08/2013]. Dispon&iacute;vel na Internet: lisboasos.blogspot.com/2008/07/lisboa-sos-primeiro-ms-de-vida.html.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>TESTEMUNHOS ORAIS</b></p>     <p>Informa&ccedil;&otilde;es de v&aacute;rios moradores, Lisboa – 2010-2013 e 2018-2019.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Submiss&atilde;o/submission: 31/07/2019 </p>     <p>Aceita&ccedil;&atilde;o/approval: 25/09/2019 </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <p><a href="#top1"><sup>1</sup></a><a name="1"></a>Por defini&ccedil;&atilde;o editorial, irei escrever segundo o Acordo Ortogr&aacute;fico de 1990, com o qual n&atilde;o concordo.</p>     <p><a href="#top2"><sup>2</sup></a><a name="2"></a> Na sua reda&ccedil;&atilde;o inicial, constituiu uma parte da disserta&ccedil;&atilde;o <i>P&aacute;tios e vilas da zona ribeirinha oriental: materialidade, mem&oacute;ria e recupera&ccedil;&atilde;o urbana </i>[Em linha]. Lisboa: [s.n.], 2013. Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado em Hist&oacute;ria Moderna e Contempor&acirc;nea apresentada ao ISCTE-IUL. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://hdl.handle.net/10071/6967" target="_blank">http://hdl.handle.net/10071/6967</a>.</p>     <p><a href="#top3"><sup>3</sup></a><a name="3"></a> N&atilde;o obstante a popula&ccedil;&atilde;o destes n&uacute;cleos mais antigos parecer ter integrado Beato e Marvila como os seus &laquo;bairros&raquo; de origem, h&aacute; que clarificar as designa&ccedil;&otilde;es topon&iacute;micas e legais destes territ&oacute;rios: em 1379, foi criada a grande freguesia lim&iacute;trofe de Santa Maria dos Olivais (concelho entre 1852 e 1886) que compreendia os atuais territ&oacute;rios de Marvila e Beato. A freguesia do Beato – que inclui &agrave; beira-rio as zonas de Xabregas ou, menos conhecido, o Grilo – autonomizou-se legalmente em 1770 (com algumas altera&ccedil;&otilde;es de &laquo;fronteiras&raquo; at&eacute; aos nossos dias). J&aacute; Marvila, apesar de existir como top&oacute;nimo lisboeta pelo menos desde o s&eacute;culo XII, nasceu como freguesia apenas em 1959 – abaixo da Estrada/Rua de Marvila, na orla ribeirinha, inclui as zonas do Po&ccedil;o do Bispo, Vale Formoso, Bra&ccedil;o de Prata ou da Matinha.</p>     <p><a href="#top4"><sup>4</sup></a><a name="4"></a> Utilizou-se como referentes extremos da faixa ribeirinha, a sudoeste, o Convento da Madre de Deus (para l&aacute; da fronteira com a Penha de Fran&ccedil;a, mas referente inalien&aacute;vel do espa&ccedil;o urbano do Beato) e, a nordeste, o Largo do Po&ccedil;o do Bispo (formalmente Largo David Leandro da Silva) ou, se poss&iacute;vel, no extremo oriente da freguesia de Marvila, a Quinta da Matinha.</p>     <p><a href="#top5"><sup>5</sup></a><a name="5"></a> <i>Caminho do Oriente</i> foi o nome dado a esta antiga estrada marginal numa s&eacute;rie de volumes sobre a zona ribeirinha oriental - do Jardim do Tabaco a Sacav&eacute;m - publicados no &acirc;mbito da Expo 98 e citados neste artigo. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top6"><sup>6</sup></a><a name="6"></a> MATOS, Jos&eacute; Sarmento de; PAULO, Jorge Ferreira – <i>Caminho do Oriente: guia hist&oacute;rico</i>. Lisboa: Livros Horizonte, 1999. vol. 2, p. 17-18.</p>     <p><a href="#top7"><sup>7</sup></a><a name="7"></a> <i>Idem</i>, p. 26.</p>     <p><a href="#top8"><sup>8</sup></a><a name="8"></a> Assim conhecido pela sua localiza&ccedil;&atilde;o na zona &laquo;do Grilo&raquo;. Tanto este convento como o seu fronteiro cong&eacute;nere masculino albergavam Agostinhos Descal&ccedil;os.</p>     <p><a href="#top9"><sup>9</sup></a><a name="9"></a> CUST&Oacute;DIO, Jorge – Reflexos da industrializa&ccedil;&atilde;o na fisionomia e vida da cidade. In MOITA, Irisalva, coord. - <i>O livro de Lisboa</i>. Lisboa: Livros Horizonte, 1994. p. 462.</p>     <p><a href="#top10"><sup>10</sup></a><a name="10"></a> ARA&Uacute;JO, Norberto – <i>Peregrina&ccedil;&otilde;es em Lisboa</i>. 2.&ordf; ed. Lisboa: Vega, 1993. vol. xv, p. 56.</p>     <p><a href="#top11"><sup>11</sup></a><a name="11"></a> Sobre esta apropria&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os religiosos, t&atilde;o frequente na Lisboa oitocentista, l eia-se sobre as rea&ccedil;&otilde;es &agrave; &eacute;poca: &laquo;publicado em 1848 em l&iacute;ngua inglesa, [&hellip;] um guia para visitantes estrangeiros mostrava-se particularmente indignado com o que acontecera ao convento de Xabregas, transformado primeiro numa f&aacute;brica de algod&otilde;es [&hellip;], depois em f&aacute;brica de tabacos&raquo;: PINHEIRO, Magda de Avelar – <i>Biografia de Lisboa</i>. Lisboa: Esfera dos Livros, 2011. p. 217.</p>     <p><a href="#top12"><sup>12</sup></a><a name="12"></a> A F&aacute;brica de Tabaco de Xabregas ser&aacute; mais tarde vista como uma unidade que &laquo;comandava o metabolismo do tecido industrial&raquo; nacional. LAINS, Pedro; SILVA, &Aacute;lvaro Ferreira da, org. – O s&eacute;culo XX. In <i>Hist&oacute;ria Econ&oacute;mica de Portugal: 1700-2000</i>. Lisboa: Imprensa de Ci&ecirc;ncias Sociais, 2005.vol 3, p. 268.</p>     <p><a href="#top13"><sup>13</sup></a><a name="13"></a> A Circunvala&ccedil;&atilde;o delimitava o per&iacute;metro de Lisboa. Na Zona Oriental, correspondendo &agrave; atual Avenida Afonso III, <i>descia</i> do Alto de S. Jo&atilde;o, terminando no topo sul do Convento da Madre de Deus.</p>     <p><a href="#top14"><sup>14</sup></a><a name="14"></a> FOLGADO, Deolinda; CUST&Oacute;DIO, Jorge – <i>Caminho do Oriente: guia do patrim&oacute;nio industrial</i>. Lisboa: Livros Horizonte, 1999. p. 78.</p>     <p><a href="#top15"><sup>15</sup></a><a name="15"></a> Sendo esta uma designa&ccedil;&atilde;o comum para habita&ccedil;&otilde;es populares - que se manteve no Porto – chegou-nos uma descri&ccedil;&atilde;o de 1896: &laquo;um duplo renque de casebres, de singela madeira e taipa, mal armados, imundos, quase sem beirais, sem forros, sem vidra&ccedil;as [&hellip;] Assim como era um, eram todos. R&eacute;s-do-ch&atilde;o e um andar: em baixo, alternadamente, uma janela e uma porta; em cima uma sucess&atilde;o mon&oacute;tona de janelas&raquo;: Abel Botelho. <i>Amanh&atilde;</i>, citado em CONSIGLIERI, Carlos [et al.] – <i>Pelas freguesias de Lisboa: S&atilde;o Jo&atilde;o, Beato, Marvila, Santa Maria dos Olivais</i>. Lisboa: C&acirc;mara Municipal, 1993. p. 77. Seria este um primeiro n&uacute;cleo habitacional de trabalhadores de uma das manufaturas do Vale de Chelas? Outras hip&oacute;teses apontam para que &laquo;Ilha&raquo; se refira apenas &agrave; situa&ccedil;&atilde;o deste conjunto, isolado no alto de um pequeno monte.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top16"><sup>16</sup></a><a name="16"></a> Instituto da Habita&ccedil;&atilde;o e da Reabilita&ccedil;&atilde;o Urbana, IP - <i>Igreja da Madre de Deus/Mosteiro da Madre de Deus/Museu Nacional do Azulejo</i>: ficha PT031106410009 [Em linha]. [Consult. 13 jun. 2010]. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=2547" target="_blank">http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=2547</a>.</p>     <p><a href="#top17"><sup>17</sup></a><a name="17"></a> MATOS, Jos&eacute; Sarmento de; PAULO, Jorge Ferreira – <i>Caminho do Oriente: guia hist&oacute;rico</i>&hellip;, vol. 2, p. 21.</p>     <p><a href="#top18"><sup>18</sup></a><a name="18"></a> FURTADO, M&aacute;rio – <i>Do antigo s&iacute;tio de Xabregas</i>. Lisboa: Vega, 1997. p. 17.</p>     <p><a href="#top19"><sup>19</sup></a><a name="19"></a> Segundo o <i>Inqu&eacute;rito Industrial 1881: inqu&eacute;rito directo, segunda parte, visita &agrave;s f&aacute;bricas</i>. Lisboa: Imprensa Nacional, 1881.</p>     <p><a href="#top20"><sup>20</sup></a><a name="20"></a> <i>Cidade/Campo: Cadernos da Habita&ccedil;&atilde;o ao Territ&oacute;rio</i>. Lisboa: Ulmeiro. N.&ordm; 1 (1978), p. 28.</p>     <p><a href="#top21"><sup>21</sup></a><a name="21"></a> FREIRE, Jo&atilde;o; LOUSADA, Maria Alexandre – <i>Roteiros da mem&oacute;ria urbana - Lisboa: marcas deixadas por libert&aacute;rios e afins ao longo do s&eacute;culo XX</i>. Lisboa: Colibri, 2013. p. 82.</p>     <p><a href="#top22"><sup>22</sup></a><a name="22"></a> Informa&ccedil;&otilde;es de v&aacute;rios moradores entre 2018-2019.</p>     <p><a href="#top23"><sup>23</sup></a><a name="23"></a> Segundo investiga&ccedil;&atilde;o recente, a cria&ccedil;&atilde;o da Cozinha Econ&oacute;mica de Xabregas ter-se-ia devido a uma peti&ccedil;&atilde;o assinada por 800 trabalhadores da regi&atilde;o. No panorama das Cozinhas da cidade, seria, infelizmente, aquela em que se detetava maior car&ecirc;ncia econ&oacute;mica da parte dos seus utilizadores que, no calor do dia 5 de Outubro de 1910, a ter&atilde;o invadido, pilhado e destru&iacute;do: CORDEIRO, Ricardo Alexandre Forte – <i>Filantropia: as cozinhas econ&oacute;micas de Lisboa (1893-1911)</i> [Em linha]. Lisboa: [s.n.], 2012. Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado em Hist&oacute;ria Moderna e Contempor&acirc;nea apresentada ao ISCTE-IUL. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://hdl.handle.net/10071/5510" target="_blank">http://hdl.handle.net/10071/5510</a>. Localiza&ccedil;&atilde;o da Cozinha indicada por testemunhos de v&aacute;rios moradores entre 2018-2019.</p>     <p><a href="#top24"><sup>24</sup></a><a name="24"></a> Em 1898, esta unidade industrial empregaria 425 oper&aacute;rios: FOLGADO, Deolinda; CUST&Oacute;DIO, Jorge – <i>Caminho do Oriente: guia do patrim&oacute;nio industrial</i>&hellip;, p. 103.</p>     <p><a href="#top25"><sup>25</sup></a><a name="25"></a> MATOS, Jos&eacute; Sarmento de; PAULO, Jorge Ferreira – <i>Caminho do Oriente: guia hist&oacute;rico</i>&hellip;, vol. 2, p. 53.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top26"><sup>26</sup></a><a name="26"></a> FREIRE, Jo&atilde;o; LOUSADA, Maria Alexandre – <i>Roteiros da mem&oacute;ria urbana – Lisboa&hellip;</i>, p. 82.</p>     <p><a href="#top27"><sup>27</sup></a><a name="27"></a> H&aacute; tamb&eacute;m registos da corticeira <i>Fuertes e Comandita</i>, a funcionar na Quinta da Mitra, Rua do A&ccedil;&uacute;car, entre 1898 e 1919, n&atilde;o se sabendo, na cartografia, onde seriam os seus pavilh&otilde;es: FOLGADO, Deolinda; CUST&Oacute;DIO, Jorge – <i>Caminho do Oriente: guia do patrim&oacute;nio industrial</i>&hellip;, p. 148-151.</p>     <p><a href="#top28"><sup>28</sup></a><a name="28"></a> Cf. testemunho de Jos&eacute; Fonseca, 2019 e AML, Controlo de obras particulares, Processo de obra n&ordm; 51739/20013/1&ordf;REP/PG/1920 - PT/AMLSB/CMLSBAH/COPA/001/42771-00004.</p>     <p><a href="#top29"><sup>29</sup></a><a name="29"></a> FOLGADO, Deolinda; CUST&Oacute;DIO, Jorge – <i>Caminho do Oriente: guia do patrim&oacute;nio industrial</i>&hellip;, p. 186. Jorge Cust&oacute;dio identificou 12 unidades de transforma&ccedil;&atilde;o de corti&ccedil;a a laborar na zona em finais do s&eacute;culo XIX: CUST&Oacute;DIO, Jorge – Reflexos da Industrializa&ccedil;&atilde;o&hellip;, p. 471 e 489.</p>     <p><a href="#top30"><sup>30</sup></a><a name="30"></a> Tamb&eacute;m nos eixos da Rua de Marvila e Rua Direita de Marvila funcionaram v&aacute;rias organiza&ccedil;&otilde;es oper&aacute;rias, como as Associa&ccedil;&otilde;es de Classe dos Corticeiros e dos Manipuladores de Sab&atilde;o, assim como a Cooperativa Oper&aacute;ria do Beato e Po&ccedil;o do Bispo. FREIRE, Jo&atilde;o; LOUSADA, Maria Alexandre – <i>Roteiros da mem&oacute;ria urbana – Lisboa&hellip;</i>, p. 84.</p>     <p><a href="#top31"><sup>31</sup></a><a name="31"></a> CONSIGLIERI, Carlos; ABEL, Mar&iacute;lia – <i>O formoso s&iacute;tio de Marvila</i>. Lisboa: Junta de Freguesia de Marvila, 2004. p. 30.</p>     <p><a href="#top32"><sup>32</sup></a><a name="32"></a> A Rua da Manuten&ccedil;&atilde;o, agora na primeira linha ribeirinha, j&aacute; n&atilde;o funcionava como um passeio marginal, visto num dos seus extremos ser um beco sem sa&iacute;da.</p>     <p><a href="#top33"><sup>33</sup></a><a name="33"></a> CONSIGLIERI, Carlos [et al.] – <i>Pelas freguesias de Lisboa&hellip;</i>, p. 73.</p>     <p><a href="#top34"><sup>34</sup></a><a name="34"></a> VIDAL, Angelina – <i>Lisboa antiga e Lisboa moderna</i>. 2.&ordf; ed. Lisboa: Vega, 1994. p. 265.</p>     <p><a href="#top35"><sup>35</sup></a><a name="35"></a> Mais tarde, foi conclu&iacute;da esta liga&ccedil;&atilde;o entre o interior e a Zona Ribeirinha, com a abertura da Rua Bispo de Cochim, que liga a Rua Gualdim Pais &agrave; Avenida Infante D. Henrique e ao rio.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top36"><sup>36</sup></a><a name="36"></a> &laquo;Que seja regularizada desde j&aacute; a margem [&hellip;] para montante do Po&ccedil;o do Bispo at&eacute; &agrave; Quinta da Matinha [&hellip;] O Governo determinou pelo Decreto-Lei [&hellip;] de 1935, a transfer&ecirc;ncia das instala&ccedil;&otilde;es [&hellip;] das Companhias Reunidas de Gaz e Electricidade, [&hellip;] pela necessidade de est&eacute;tica de desafrontar o monumento arquitect&oacute;nico [&hellip;] que &eacute; a Torre de Bel&eacute;m&raquo;. AHMOP, Conselho Superior de Obras P&uacute;blicas, parecer n.&ordm; 762, citado em FOLGADO, Deolinda – <i>A nova ordem industrial no Estado Novo (1933-1968): da f&aacute;brica ao territ&oacute;rio de Lisboa</i>. Lisboa: Livros Horizonte, 2012. p. 138.</p>     <p><a href="#top37"><sup>37</sup></a><a name="37"></a> CONSIGLIERI, Carlos; ABEL, Mar&iacute;lia – <i>O formoso s&iacute;tio de Marvila</i>&hellip;, p. 30.</p>     <p><a href="#top38"><sup>38</sup></a><a name="38"></a> Seguem-se novos aterros, com linhas vi&aacute;ria e ferrovi&aacute;ria dentro do porto, e os parques de contentores a partir da d&eacute;cada de 1970. </p>     <p><a href="#top39"><sup>39</sup></a><a name="39"></a> Ver SILVA, Margarida Reis e – P&aacute;tios e vilas de Marvila e Beato: modos de vida de um movimento antigo. <i>Cadernos do Arquivo Municipal</i> [Em linha]. 2&ordf; S&eacute;rie, N&ordm; 6 (julho - dezembro 2016), p. 143-170. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://arquivomunicipal.cm-lisboa.pt/fotos/editor2/Cadernos/2serie/cad6/artigo05.pdf" target="_blank">http://arquivomunicipal.cm-lisboa.pt/fotos/editor2/Cadernos/2serie/cad6/artigo05.pdf</a>.</p>     <p><a href="#top40"><sup>40</sup></a><a name="40"></a> FURTADO, M&aacute;rio – <i>Do antigo s&iacute;tio de Xabregas</i>&hellip;, p. 145.</p>     <p><a href="#top41"><sup>41</sup></a><a name="41"></a> Cerca de 1965, a Igreja e parte do edif&iacute;cio acolher&atilde;o cole&ccedil;&otilde;es de artes decorativas do Museu Nacional de Arte Antiga e mais tarde o Museu do Azulejo.</p>     <p><a href="#top42"><sup>42</sup></a><a name="42"></a> Atualmente na rota da Terceira Travessia do Tejo, esta Escola Industrial, que alguns chamaram &laquo;A Universidade de Xabregas&raquo;, foi desativada em 2010, encontrando-se o edif&iacute;cio abandonado desde ent&atilde;o.</p>     <p><a href="#top43"><sup>43</sup></a><a name="43"></a> A Companhia mudou-se para Cabo Ruivo e o convento, reabilitado, encontra-se ocupado por uma entidade estatal. No espa&ccedil;o da antiga igreja encontra-se sedeada uma companhia de teatro.</p>     <p><a href="#top44"><sup>44</sup></a><a name="44"></a> Houve entretanto demoli&ccedil;&otilde;es, sem reconstru&ccedil;&otilde;es posteriores. De real&ccedil;ar o que resta do Pal&aacute;cio das Ilhas Desertas, adaptado entretanto a escola e habita&ccedil;&atilde;o popular, com as suas grossas paredes que outrora flanqueavam o Tejo.</p>     <p><a href="#top45"><sup>45</sup></a><a name="45"></a> Ter&aacute; laborado at&eacute; &agrave; d&eacute;cada de 1980. Anos depois foi demolida e a&iacute; constru&iacute;da uma zona comercial e de servi&ccedil;os, com um enorme bloco de habita&ccedil;&atilde;o em altura.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top46"><sup>46</sup></a><a name="46"></a> DELGADO, Ralph – <i>A antiga freguesia dos Olivais</i>, Lisboa: C&acirc;mara Municipal, 1969. p. 21. O Pal&aacute;cio Olh&atilde;o ter&aacute; sido vendido &agrave; ind&uacute;stria hoteleira na d&eacute;cada de 2000, permanecendo o Pal&aacute;cio Laf&otilde;es como resid&ecirc;ncia dos propriet&aacute;rios at&eacute; 2019, data em que ter&aacute; sido vendido para o mesmo ramo.</p>     <p><a href="#top47"><sup>47</sup></a><a name="47"></a> Testemunho de Am&eacute;rica Nabais, Lisboa, 17/06/2011. Tamb&eacute;m no P&aacute;tio do Col&eacute;gio, onde se instalara a Sociedade Musical 3 de Agosto, h&aacute; testemunhos da exist&ecirc;ncia de uma escola. Refer&ecirc;ncia a esta escola tamb&eacute;m em CONSIGLIERI, Carlos; ABEL, Mar&iacute;lia – <i>O formoso s&iacute;tio de Marvila</i>&hellip;, p. 34.</p>     <p><a href="#top48"><sup>48</sup></a><a name="48"></a> Desativado recentemente, o Recolhimento surge integrado num plano estatal de reabilita&ccedil;&atilde;o de edificado para arrendamento acess&iacute;vel.</p>     <p><a href="#top49"><sup>49</sup></a><a name="49"></a> CONSIGLIERI, Carlos; ABEL, Mar&iacute;lia – <i>O formoso s&iacute;tio de Marvila&hellip;,</i> p. 20.</p>     <p><a href="#top50"><sup>50</sup></a><a name="50"></a> Os edif&iacute;cios da Manuten&ccedil;&atilde;o Militar, desativada em finais dos anos 90, encontram-se, do seu lado poente, com ocupa&ccedil;&atilde;o residual. O lado nascente foi mais recentemente cedido &agrave; CML para cria&ccedil;&atilde;o do Hub Criativo do Beato, para instala&ccedil;&atilde;o de <i>startups</i>, atualmente em curso - de referir a exist&ecirc;ncia nestes edif&iacute;cios de um n&uacute;cleo museol&oacute;gico da Manuten&ccedil;&atilde;o Militar. A F&aacute;brica de Bra&ccedil;o de Prata, quase totalmente demolida, dar&aacute; lugar a um condom&iacute;nio privado; o edif&iacute;cio dos seus antigos escrit&oacute;rios – que alberga um conhecido espa&ccedil;o cultural - aguarda decis&otilde;es sobre a Terceira Travessia do Tejo. A Nacional, ainda em labora&ccedil;&atilde;o, ter&aacute; desafetado os aposentos conventuais do Beato e parte dos edif&iacute;cios industriais de h&aacute; um s&eacute;culo. Parte desses espa&ccedil;os &eacute; arrendada para eventos, sem que essa nova rentabiliza&ccedil;&atilde;o e frui&ccedil;&atilde;o reverta para o espa&ccedil;o urbano exterior, at&eacute; agora em estado de algum abandono. Os edif&iacute;cios restantes est&atilde;o atualmente em obras para transforma&ccedil;&atilde;o em condom&iacute;nio.</p>     <p><a href="#top51"><sup>51</sup></a><a name="51"></a> Ver FOLGADO, Deolinda; CUST&Oacute;DIO, Jorge – <i>Caminho do Oriente: guia do patrim&oacute;nio industrial</i>&hellip;, p. 128-135. Desativada na d&eacute;cada de 1980, a SNS foi integralmente destru&iacute;da. Restou o mirante centen&aacute;rio da Quinta do Brito, uma das propriedades em que esta unidade se instalou.</p>     <p><a href="#top52"><sup>52</sup></a><a name="52"></a> Ambas as unidades fecharam na d&eacute;cada de 1980, encontrando-se os edif&iacute;cios arrendados para diversos fins. De registar, em torno da antiga Fosforeira <br />   (e bairro conhecido como &laquo;Tr&aacute;s-dos-F&oacute;sforos&raquo;), a fixa&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rias empresas de produ&ccedil;&atilde;o de cerveja artesanal.</p>     <p><a href="#top53"><sup>53</sup></a><a name="53"></a> Tamb&eacute;m nesta zona, a propriedade entre a Quinta da Mitra e a da Pedreira, recordada pelo seu chal&eacute;, foi coberta de armaz&eacute;ns, com apeadeiro privativo, n&atilde;o se sabendo, no entanto, a que ramo de atividade estariam ligados. Hoje incluem espa&ccedil;os de <i>cowork</i> e s&atilde;o palco de in&uacute;meras iniciativas culturais e de lazer. A Abel Pereira da Fonseca e a Jos&eacute; Domingos Barreiro fecharam as portas na d&eacute;cada de 1970. A primeira tem agora v&aacute;rias ocupa&ccedil;&otilde;es, da restaura&ccedil;&atilde;o ao com&eacute;rcio <i>vintage</i>, passando por um espa&ccedil;o de <i>cowork</i>. A segunda, e todo o quarteir&atilde;o que a rodeia, ser&atilde;o transformados brevemente num condom&iacute;nio privado.</p>     <p><a href="#top54"><sup>54</sup></a><a name="54"></a> CONSIGLIERI, Carlos; ABEL, Mar&iacute;lia – <i>O formoso s&iacute;tio de Marvila</i>.., p. 35.</p>     <p><a href="#top55"><sup>55</sup></a><a name="55"></a> Podendo estes conjuntos, no entanto, ter uma exist&ecirc;ncia anterior.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top56"><sup>56</sup></a><a name="56"></a> No caminho para a Matinha, perto da Rua do Vale Formoso, a coletividade da Fraternidade Oper&aacute;ria tinha entretanto (1916) dado nome &agrave; rua onde se instalara. </p>     <p><a href="#top57"><sup>57</sup></a><a name="57"></a> Este conjunto, propriedade da CML, aguarda atualmente reabilita&ccedil;&atilde;o, integrada num programa municipal de arrendamento jovem.</p>     <p><a href="#top58"><sup>58</sup></a><a name="58"></a> Informa&ccedil;&otilde;es de v&aacute;rios moradores, Lisboa, 2010-2013 e 2018-2019.</p>     <p><a href="#top59"><sup>59</sup></a><a name="59"></a> O primeiro texto sobre habita&ccedil;&atilde;o popular oitocentista chamara justamente &agrave;s vilas um &laquo;ensaio de solu&ccedil;&atilde;o&raquo;: RODRIGUES, Maria Jo&atilde;o Madeira – Tradi&ccedil;&atilde;o, transi&ccedil;&atilde;o e mudan&ccedil;a: a produ&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o urbano na Lisboa oitocentista. <i>Boletim da Assembleia Municipal de Lisboa</i>. Lisboa: Assembleia Municipal de Lisboa, 1979. p. 40. Separata.</p>     <p><a href="#top60"><sup>60</sup></a><a name="60"></a> FOLGADO, Deolinda – <i>A nova ordem industrial no Estado Novo (1933-1968)</i>&hellip;, p. 261-262.</p>     <p><a href="#top61"><sup>61</sup></a><a name="61"></a> CUST&Oacute;DIO, Jorge – Reflexos da industrializa&ccedil;&atilde;o&hellip;, p. 475.</p> </sup></sup>     ]]></body><back>
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