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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A modernidade complexa dos bairros dos Olivais]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Built by public initiative in the 60s, the neighbourhoods of Olivais in Lisbon are often regarded as the first full statement of Athens Charter`s principles erected in Portugal. However, at the time of their construction these principles were already questioned by several architects, some of which intervened in the building projects and influenced the development of the master plans. This article attempts to dismantle reductive ideas about this neighbourhoods that have become commonplace, exposing the circumstances that governed its conception, identifying differences between the master plans of Olivais Norte and Olivais Sul, and seeking to characterize and compare various types of approaches adopted by different project teams.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO</b></p>     <p><b>A modernidade complexa dos bairros dos Olivais<a href="#1"><sup>1</sup></a><a name="top1"></a></b></p>     <p><b>The complex modernity of Olivais neighbourhoods</b></p>     <p><b>Tiago Cardoso de Oliveira<sup>*</sup></b></p>     <p><sup>*</sup>Tiago de Almada Cardoso Proen&ccedil;a de Oliveira, CEAA – Centro de Estudos Arnaldo Ara&uacute;jo, Escola Superior Art&iacute;stica do Porto (ESAP), 4050-545 Porto; Departamento de Engenharia Civil e Arquitetura (DECA), Faculdade de Engenharia, Universidade da Beira Interior, 6201-001 Covilh&atilde;, Portugal. <a href="mailto:tiago.cardosodeoliveira@gmail.com">tiago.cardosodeoliveira@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Constru&iacute;dos por iniciativa p&uacute;blica nos anos 60, os bairros dos Olivais em Lisboa s&atilde;o ami&uacute;de considerados como a primeira afirma&ccedil;&atilde;o plena dos princ&iacute;pios da Carta de Atenas em Portugal. No entanto, &agrave; data da sua constru&ccedil;&atilde;o, estes princ&iacute;pios j&aacute; eram postos em causa por v&aacute;rios arquitetos, tendo alguns destes participado nos projetos dos edif&iacute;cios e influenciado o desenvolvimento do plano. Este artigo tenta desmontar ideias redutoras que se vulgarizaram sobre o bairro, expondo as circunst&acirc;ncias que presidiram &agrave; sua conce&ccedil;&atilde;o, identificando diferen&ccedil;as entre os planos de Olivais Norte e de Olivais Sul e procurando caracterizar e comparar diversos tipos de abordagens adotados pelas equipas de projeto. </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>PALAVRAS-CHAVE</b></p>     <p>Olivais / Carta de Atenas / Estrutura celular / Racionalismo / <i>Plan masse</i></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>Built by public initiative in the 60s, the neighbourhoods of Olivais in Lisbon are often regarded as the first full statement of Athens Charter`s principles erected in Portugal. However, at the time of their construction these principles were already questioned by several architects, some of which intervened in the building projects and influenced the development of the master plans. This article attempts to dismantle reductive ideas about this neighbourhoods that have become commonplace, exposing the circumstances that governed its conception, identifying differences between the master plans of Olivais Norte and Olivais Sul, and seeking to characterize and compare various types of approaches adopted by different project teams.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>KEYWORDS</b></p>     <p>Olivais / Athens Charter / Cellular structure / Rationalism / <i>Plan masse</i></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></p>     <p>Os bairros dos Olivais continuam as estrat&eacute;gias de expans&atilde;o da cidade de Lisboa e de elimina&ccedil;&atilde;o de <i>deficit</i> habitacional, desencadeadas por iniciativa p&uacute;blica nos anos 40 e iniciadas com o bairro de Alvalade. S&atilde;o denominados por bairros integrados por preverem com&eacute;rcio e servi&ccedil;os juntamente com a habita&ccedil;&atilde;o. &Agrave; semelhan&ccedil;a de Alvalade, a zona dos Olivais n&atilde;o ostentava marcas fortes de pr&eacute;-exist&ecirc;ncias urbanas, mas &agrave; sua diferen&ccedil;a, apresentava-se desligada da continuidade imediata dos eixos de expans&atilde;o da &aacute;rea urbana que veio a estruturar as avenidas de Alvalade. Estas circunst&acirc;ncias v&atilde;o ajudar a conferir aos bairros dos Olivais a configura&ccedil;&atilde;o de uma urbaniza&ccedil;&atilde;o separada da cidade, imagem que &eacute; refor&ccedil;ada pela natureza das experi&ecirc;ncias urban&iacute;sticas que a&iacute; foram levadas a cabo. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n12/ser2n12a10f1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Embora j&aacute; tivessem sido realizadas em Lisboa, nos anos 1950, interven&ccedil;&otilde;es urbanas informadas pelo ide&aacute;rio do Movimento Moderno, nomeadamente em Alvalade e na Avenida Infante Santo, elas consistiam em bairros habitacionais de pequena dimens&atilde;o que resultavam da revis&atilde;o de partes de um plano que, na sua g&eacute;nese, prev&ecirc; um sistema urbano formal de ruas e quarteir&otilde;es, como &eacute; o caso de Alvalade, ou encontravam-se encaixadas na cidade tradicional, como acontece na Avenida Infante Santo. Em qualquer dos casos, estas realiza&ccedil;&otilde;es evidenciam um cuidado singular com a forma urbana e com a rela&ccedil;&atilde;o com a cidade circundante, que as leva a considerar o alinhamento das ruas na implanta&ccedil;&atilde;o dos edif&iacute;cios e, em muitos casos, a prescindir da melhor orienta&ccedil;&atilde;o solar.</p>     <p>Nuno Portas lembra que &eacute; nos Olivais que a cidade de Lisboa vive pela primeira vez &ldquo;um ambiente alternativo ao sistema &laquo;rua-quarteir&atilde;o&raquo;&rdquo;<a href="#2"><sup>2</sup></a><a name="top2"></a>. De facto, nos planos para os Olivais, tanto Norte como Sul, os edif&iacute;cios implantam-se no terreno, sem a obriga&ccedil;&atilde;o de se perfilarem pelos arruamentos e com poucos constrangimentos por pr&eacute;- -exist&ecirc;ncias constru&iacute;das. Segundo J. M. Fernandes, a influ&ecirc;ncia que Olivais exerceu pelos bairros do Pa&iacute;s foi enorme e permitiu, em definitivo, a implanta&ccedil;&atilde;o e vulgariza&ccedil;&atilde;o do &ldquo;ide&aacute;rio moderno do espa&ccedil;o urbano &laquo;estilha&ccedil;ado&raquo; e da &laquo;casa em altura&raquo; isolada&rdquo;<a href="#3"><sup>3</sup></a><a name="top3"></a>. Neste sentido pode argumentar-se que os bairros dos Olivais foram importantes na divulga&ccedil;&atilde;o em Portugal do ide&aacute;rio do urbanismo racionalista que segue as determina&ccedil;&otilde;es dos Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna (CIAM)<a href="#4"><sup>4</sup></a><a name="top4"></a>. No entanto, como observa Ana Tost&otilde;es<a href="#5"><sup>5</sup></a><a name="top5"></a>, se Olivais Norte assume express&atilde;o moderna e internacional, finalmente concretizada num conjunto pensado de raiz no esp&iacute;rito da Carta de Atenas<a href="#6"><sup>6</sup></a><a name="top6"></a>, o plano de Olivais Sul constituir&aacute; um verdadeiro laborat&oacute;rio de experi&ecirc;ncias tipol&oacute;gicas e urban&iacute;sticas. H&aacute;, assim, diferen&ccedil;as assinal&aacute;veis entre os dois planos e entre as interven&ccedil;&otilde;es arquitet&oacute;nicas que a&iacute; se realizaram, que nos propomos a discutir.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. O DECRETO-LEI N.&ordm; 42454 E O GABINETE T&Eacute;CNICO DA HABITA&Ccedil;&Atilde;O</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os estudos-base de urbaniza&ccedil;&atilde;o dos Olivais s&atilde;o iniciados em 1955 no Gabinete de Estudos de Urbaniza&ccedil;&atilde;o (GEU), da C&acirc;mara Municipal de Lisboa (CML). Os Olivais foram subdivididos em duas zonas: Olivais Norte, com cerca de 40ha, e Olivais Sul, com uma &aacute;rea total de 187ha. Com a publica&ccedil;&atilde;o do Decreto-Lei n&ordm; 42454 em 1959, o munic&iacute;pio fica obrigado &agrave; concretiza&ccedil;&atilde;o de um plano definido de constru&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas dividido em planos anuais de distribui&ccedil;&atilde;o de terrenos destinados &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de habita&ccedil;&atilde;o. O Decreto-Lei fixava um prazo de tr&ecirc;s meses e meio para a apresenta&ccedil;&atilde;o dos primeiros projetos a financiamento, pelo que a CML recorreu aos terrenos de Olivais Norte, na sua maioria j&aacute; municipais, o que se repercutiria na economia da realiza&ccedil;&atilde;o. Os arruamentos principais estavam constru&iacute;dos, os estudos de urbaniza&ccedil;&atilde;o estavam praticamente conclu&iacute;dos e o projeto das habita&ccedil;&otilde;es estava definido segundo o Plano de Pormenor elaborado pelo GEU entre 1955 e 58, muito embora houvesse retifica&ccedil;&otilde;es a fazer exigidas pelo diploma.</p>     <p>Para as novas unidades urbanas, o referido diploma preconizava uma distribui&ccedil;&atilde;o das habita&ccedil;&otilde;es a construir na raz&atilde;o de 30% para habita&ccedil;&otilde;es de renda livre e de 70% para fogos sociais. Dentro deste &uacute;ltimo grupo estabeleciam-se quatro categorias em fun&ccedil;&atilde;o do montante das presta&ccedil;&otilde;es mensais e fixava-se a propor&ccedil;&atilde;o dos fogos a atribuir em 40% para a categoria I, a mais econ&oacute;mica, 30% para a categoria II, 20% para a categoria III e 10% para a categoria IV, encorajando-se explicitamente a conviv&ecirc;ncia de todas estas categorias nas urbaniza&ccedil;&otilde;es a realizar.</p>     <p>O Gabinete T&eacute;cnico da Habita&ccedil;&atilde;o (GTH), que vem substituir o GEU, &eacute; criado em janeiro de 1960 para dar execu&ccedil;&atilde;o ao plano estabelecido no Decreto-Lei n&ordm; 42454, designadamente as tarefas atribu&iacute;das ao munic&iacute;pio pelo seu art.&ordm; 22&ordm;, que incluem a prepara&ccedil;&atilde;o dos programas de trabalho, elabora&ccedil;&atilde;o dos projetos e dire&ccedil;&atilde;o e fiscaliza&ccedil;&atilde;o das obras. A par destas atividades, inclui na sua org&acirc;nica um Servi&ccedil;o de Investiga&ccedil;&atilde;o que vir&aacute; a desenvolver um vasto trabalho na prepara&ccedil;&atilde;o de documenta&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica para apoiar a elabora&ccedil;&atilde;o dos projetos de arquitetura, com indica&ccedil;&otilde;es relativas &agrave; dimens&atilde;o dos edif&iacute;cios e dos fogos, ao tipo de equipamento e &agrave;s caracter&iacute;sticas de constru&ccedil;&atilde;o, sempre com a preocupa&ccedil;&atilde;o do controlo de custos. A avalia&ccedil;&atilde;o dos resultados obtidos pela constru&ccedil;&atilde;o entretanto realizada, nas suas v&aacute;rias especialidades e em situa&ccedil;&otilde;es de p&oacute;s-ocupa&ccedil;&atilde;o, era tamb&eacute;m considerada nas recomenda&ccedil;&otilde;es produzidas por este servi&ccedil;o, que viria a estabelecer uma rela&ccedil;&atilde;o muito pr&oacute;xima com as equipas projetistas.</p>     <p>Os projetos dos edif&iacute;cios foram distribu&iacute;dos pelo GTH de tr&ecirc;s maneiras diferentes<a href="#7"><sup>7</sup></a><a name="top7"></a>: convite direto a equipas exteriores que teriam assist&ecirc;ncia t&eacute;cnica por parte dos t&eacute;cnicos do GTH; atribui&ccedil;&atilde;o aos servi&ccedil;os camar&aacute;rios; concursos de conce&ccedil;&atilde;o-constru&ccedil;&atilde;o a partir de bases fornecidas pelo gabinete. No per&iacute;odo que correspondeu ao arranque das opera&ccedil;&otilde;es em Olivais Norte e Sul, a op&ccedil;&atilde;o mais utilizada foi a da encomenda a equipas exteriores, em que apenas 20% se referia a projetos-tipo, considerando-se o restante como projetos de repeti&ccedil;&atilde;o. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2. OLIVAIS NORTE</b></p>     <p>O Plano de Olivais Norte (ON), para 10000 habitantes a distribuir por 2500 fogos num terreno com pouco mais de um quinto do tamanho do de Olivais Sul (OS), &eacute; designado como a C&eacute;lula A do Plano dos Olivais. Inspira-se numa conce&ccedil;&atilde;o &laquo;cl&aacute;ssica&raquo; do modernismo racionalista, em que edif&iacute;cios isolados, explorando as tipologias da torre, do bloco e da &laquo;banda&raquo;, se distribuem pelo terreno procurando a melhor orienta&ccedil;&atilde;o solar. A repetitividade de tipologias e a regularidade imposta &agrave; sua implanta&ccedil;&atilde;o assegura ainda ao bairro uma unidade de conjunto que, como veremos, j&aacute; n&atilde;o se vai verificar em OS. De um modo geral, a rede vi&aacute;ria segrega os caminhos pedestres da circula&ccedil;&atilde;o mec&acirc;nica e o tra&ccedil;ado das ruas autonomiza-se da orienta&ccedil;&atilde;o dos edif&iacute;cios mas mant&eacute;m-se, ainda assim, como o elemento integrador do conjunto e condiciona a implanta&ccedil;&atilde;o do edificado.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n12/ser2n12a10f2.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>A import&acirc;ncia conferida &agrave; h&eacute;lio-orienta&ccedil;&atilde;o e a separa&ccedil;&atilde;o entre os tra&ccedil;ados das vias principais e a implanta&ccedil;&atilde;o dos edif&iacute;cios, tem como exemplo precedente em Portugal o bairro da Federa&ccedil;&atilde;o das Caixas de Previd&ecirc;ncia em Ramalde, no Porto, da autoria de Fernando T&aacute;vora (1952-60). No entanto, apesar de se afastar da imposi&ccedil;&atilde;o de continuidade de um desenho urbano existente, em Ramalde, os edif&iacute;cios s&atilde;o todos projetados pela mesma equipa, t&ecirc;m uma tipologia &uacute;nica, a mesma c&eacute;rcea e uma orienta&ccedil;&atilde;o constante que determina tamb&eacute;m o tra&ccedil;ado vi&aacute;rio de serventia, o que o aproxima do plano de realiza&ccedil;&otilde;es em Alvalade, de que &eacute; exemplo o Bairro das Estacas.</p>     <p>A <i>tabula rasa</i> como dado &agrave; partida proporciona aos planeadores uma rela&ccedil;&atilde;o mais livre com o terreno e a possibilidade de aplica&ccedil;&atilde;o quase imediata de modelos te&oacute;ricos. Mas esta liberdade parece aplicar-se mais a OS, porque no caso de ON a implanta&ccedil;&atilde;o junto ao grande Bairro da Encarna&ccedil;&atilde;o, constru&iacute;do em 1938, tem uma influ&ecirc;ncia determinante na defini&ccedil;&atilde;o do tra&ccedil;ado urbano. E se ON n&atilde;o estabelece maior continuidade com o Bairro da Encarna&ccedil;&atilde;o em virtude da autonomia que procura na sua composi&ccedil;&atilde;o, tamb&eacute;m este &uacute;ltimo se presta pouco a isso pelo mesmo motivo.</p>     <p>Da autoria de Paulino Montez, o Bairro da Encarna&ccedil;&atilde;o &eacute; o maior dos bairros do Programa de Casas Econ&oacute;micas do Estado Novo e &eacute; constitu&iacute;do por moradias unifamiliares geminadas em 2 pisos, com fachada para a rua e jardim nas traseiras. Seguindo o modelo dos bairros-jardim, apresenta grandes espa&ccedil;os verdes p&uacute;blicos e disp&otilde;e-se em ruas curvil&iacute;neas de uma forma quase sim&eacute;trica em rela&ccedil;&atilde;o a uma alameda central, onde se ergue a igreja. O bairro possui ainda dois eixos secund&aacute;rios, igualmente sim&eacute;tricos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; alameda central, que culminam em dois mercados rodeados por algum com&eacute;rcio e que v&atilde;o comunicar diretamente com o bairro de ON. Para al&eacute;m de contemplar a proximidade destes equipamentos, o plano de ON inclui-se de alguma forma na continuidade do tra&ccedil;ado vi&aacute;rio definido pelo Bairro da Encarna&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&Agrave; diferen&ccedil;a do Bairro da Encarna&ccedil;&atilde;o, ON organiza-se a partir de uma hierarquia dos espa&ccedil;os exteriores de circula&ccedil;&atilde;o que constr&oacute;i um sistema onde os edif&iacute;cios isolados de habita&ccedil;&atilde;o podem assumir maior autonomia formal. A Mem&oacute;ria Descritiva do plano refere a franca ado&ccedil;&atilde;o do &ldquo;princ&iacute;pio de independ&ecirc;ncia dos blocos habitacionais, com todas as vantagens conhecidas de possibilidade de orienta&ccedil;&atilde;o conveniente, isolamento das habita&ccedil;&otilde;es, etc&rdquo;<a href="#8"><sup>8</sup></a><a name="top8"></a>. J&aacute; os de equipamento organizam-se em quarteir&atilde;o semiaberto na &aacute;rea destinada ao Centro C&iacute;vico Comercial, previsto como &ldquo;um conjunto de forma a limitar um espa&ccedil;o livre p&uacute;blico s&oacute; acess&iacute;vel por arruamentos de pe&otilde;es&rdquo;<a href="#9"><sup>9</sup></a><a name="top9"></a>. A estrutura vi&aacute;ria &eacute; organizada em quatro n&iacute;veis: arruamentos principais que ligam &agrave;s grandes art&eacute;rias; arruamentos de servi&ccedil;o para aceder a todos os pontos da c&eacute;lula, que desviam o tr&acirc;nsito das vias principais e t&ecirc;m o prop&oacute;sito expresso de n&atilde;o estabelecer circuitos alternativos; serventias dos blocos habitacionais; vias pedonais com um tra&ccedil;ado que procura minimizar as dist&acirc;ncias a percorrer.</p>     <p>Inicialmente pensados para integrar a arboriza&ccedil;&atilde;o existente, afinal perdida com os movimentos de terra, os espa&ccedil;os livres ocupam, como relata Leopoldo de Almeida<a href="#10"><sup>10</sup></a><a name="top10"></a>, 62% da &aacute;rea de ON e o seu tratamento iniciou-se quase em simult&acirc;neo com a constru&ccedil;&atilde;o dos edif&iacute;cios, o que j&aacute; ent&atilde;o constitu&iacute;a uma exce&ccedil;&atilde;o. No entanto, apesar do protagonismo que lhes &eacute; concedido, os edif&iacute;cios de habita&ccedil;&atilde;o concentram-se nas tipologias de torre, de bloco e de banda, e, mesmo que se desdobrem em projetos de repeti&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o geram um espa&ccedil;o exterior aut&oacute;nomo e n&atilde;o fragmentam a continuidade de uma estrutura urbana pr&eacute;-definida, assumindo a imagem de figuras-tipo isoladas sobre um fundo cont&iacute;nuo.</p>     <p>Entre as solu&ccedil;&otilde;es arquitet&oacute;nicas para habita&ccedil;&atilde;o apresentadas em ON distinguem-se duas estrat&eacute;gias de abordagem determinadas pelas categorias que as constituem. Assim, os fogos das categorias superiores constituem-se em blocos de maior dimens&atilde;o (8 e 12 pisos), concentrados no sector central, e os fogos para as categorias I e II organizam-se em blocos em banda e em torres de pequena altura, mais dispersos pelo terreno. Os edif&iacute;cios das categorias mais altas s&atilde;o dispostos de forma a solidarizar a implanta&ccedil;&atilde;o do Centro C&iacute;vico Comercial e da escola prim&aacute;ria e a constituir o &laquo;n&uacute;cleo duro&raquo; da unidade urbana.</p>     <p>Assim, os edif&iacute;cios mais altos s&atilde;o colocados no centro do terreno, onde se pratica uma implanta&ccedil;&atilde;o segundo eixos cartesianos, constituindo uma esp&eacute;cie de acr&oacute;pole, e os blocos mais baixos, com maior repeti&ccedil;&atilde;o do tipo e orienta&ccedil;&atilde;o, e geometria mais vari&aacute;vel, dispersam-se pela periferia, numa l&oacute;gica de <i>plan masse</i><a href="#11"><sup>11</sup></a><a name="top11"></a> que lembra a da <i>Ville Radieuse</i><a href="#12"><sup>12</sup></a><a name="top12"></a> de Le Corbusier. Apesar de explicar que o terreno sofreu uma regulariza&ccedil;&atilde;o geral, a Mem&oacute;ria Descritiva do plano salienta a preocupa&ccedil;&atilde;o com que este escalonamento de c&eacute;rceas acompanhe a orografia do terreno.</p>     <p>Os quatro blocos desenhados por Palma de Melo e Pires Martins (1960-64), implantados entre a escola e a &aacute;rea do Centro C&iacute;vico Comercial, asseguram a espinha dorsal deste sector central. Com oito pisos destinados &agrave; categoria III, estes edif&iacute;cios apresentam um piso vazado ao n&iacute;vel da sobreloja e um piso t&eacute;rreo reservado a acessos e garagem, implantando-se perpendicularmente &agrave; rua principal, recuados em rela&ccedil;&atilde;o a ela e parcialmente desfasados entre si. O piso aberto n&atilde;o est&aacute; ao n&iacute;vel do terreno, ficando assim indispon&iacute;vel &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o por parte dos transeuntes e dificultando o atravessamento, embora o desfasamento entre os edif&iacute;cios, o recuo em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; rua principal e as passagens pontuais permitidas pelo piso das garagens, mitiguem o efeito de barreira.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f3"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n12/ser2n12a10f3.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>A figura do bloco com um piso vazado repete-se no edif&iacute;cio de 10 pisos para a categoria IV, projetado por Jo&atilde;o Abel Manta e tamb&eacute;m implantado junto &agrave; &aacute;rea do Centro C&iacute;vico. De facto, repete-se um conjunto de figuras arquitet&oacute;nicas que caracterizam de uma forma geral o bloco de habita&ccedil;&atilde;o moderno, como as do volume desligado do ch&atilde;o, as da modula&ccedil;&atilde;o da estrutura portante e da sua afirma&ccedil;&atilde;o nos al&ccedil;ados, as da exalta&ccedil;&atilde;o pl&aacute;stica das comunica&ccedil;&otilde;es verticais, ou as da cobertura plana em terra&ccedil;o utiliz&aacute;vel. Mant&eacute;m-se tamb&eacute;m a diferencia&ccedil;&atilde;o entre acesso de servi&ccedil;o e acesso principal e a orienta&ccedil;&atilde;o da zona de servi&ccedil;o para a frente noroeste, o que d&aacute; origem a um longo corredor de distribui&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Neste caso, o piso t&eacute;rreo, tamb&eacute;m dedicado a garagens, &eacute; absorvido pela diferen&ccedil;a entre as duas cotas de acesso ao edif&iacute;cio, ficando o piso vazado ao n&iacute;vel da pra&ccedil;a que se desenvolve para o lado noroeste. Este piso fica praticamente reduzido &agrave; fun&ccedil;&atilde;o de separa&ccedil;&atilde;o do volume superior de habita&ccedil;&atilde;o, uma vez que n&atilde;o promove rela&ccedil;&otilde;es de vizinhan&ccedil;a dentro do edif&iacute;cio, nem a continuidade do espa&ccedil;o verde exterior. Mas apesar desta diminui&ccedil;&atilde;o de universo, o edif&iacute;cio participa no espa&ccedil;o envolvente, o que &eacute; mais do que pode dizer-se de alguns dos seus vizinhos mais recentes implantados na &aacute;rea reservada ao Centro C&iacute;vico.</p>     <p>&Eacute; talvez nas categorias mais baixas que se verifica uma maior diversifica&ccedil;&atilde;o dos espa&ccedil;os internos, sobretudo daqueles destinados &agrave;s fun&ccedil;&otilde;es de servi&ccedil;o. De facto, devido &agrave; exiguidade das &aacute;reas e &agrave; perda de sentido da l&oacute;gica de divis&atilde;o do fogo em &aacute;rea de servi&ccedil;o e de habitar, a que se assiste nas categorias mais altas, os fogos das categorias I e II s&atilde;o protagonistas da pesquisa de novas formas de articula&ccedil;&atilde;o dos espa&ccedil;os habitacionais.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n12/ser2n12a10f4.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os edif&iacute;cios para a categoria I, de Vasconcelos Esteves, apresentam propostas de cozinhas com uma &aacute;rea reduzida, que comunicam abertamente com a sala comum atrav&eacute;s de &aacute;reas de liga&ccedil;&atilde;o destinadas &agrave; tomada de refei&ccedil;&otilde;es. Esta sobreposi&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os e de fun&ccedil;&otilde;es vem a ser criticada em estudos posteriores do Servi&ccedil;o de Investiga&ccedil;&atilde;o do GTH, mas n&atilde;o se pode deixar de registar o interesse das experi&ecirc;ncias em torno da no&ccedil;&atilde;o de planta livre e o de outras, relacionadas com as potencialidades de forma aberta, em que se prev&ecirc; a agrega&ccedil;&atilde;o de tipos diferentes. Mas h&aacute; outras propostas para as categorias mais baixas, que se concentram nas necessidades funcionais do agregado familiar e evidenciam uma atitude &laquo;revisionista&raquo; em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s figuras do Movimento Moderno.</p>     <p>As bandas para a categoria I de Braula Reis e Jo&atilde;o Matoso t&ecirc;m a particularidade de se organizar em espa&ccedil;o canal, constituindo assim a &uacute;nica rua do tipo tradicional em ON. Para al&eacute;m da implanta&ccedil;&atilde;o a acompanhar a rua, o tratamento das fachadas, que se revestem a tijolo e n&atilde;o ostentam a marca&ccedil;&atilde;o da estrutura portante, a utiliza&ccedil;&atilde;o de v&atilde;os e varandas pontuais e n&atilde;o em <i>longueur</i>, e a utiliza&ccedil;&atilde;o afirmada da cobertura inclinada remetem para uma reinterpreta&ccedil;&atilde;o da linguagem tradicional, ao arrepio das experi&ecirc;ncias dentro do <i>mainstream</i> dos CIAM a que assistimos nas categorias mais altas. Tamb&eacute;m em banda, mas para a categoria II, os fogos de Teot&oacute;nio Pereira e Pinto Freitas seguem as mesmas orienta&ccedil;&otilde;es, mas evidenciam uma preocupa&ccedil;&atilde;o particular com as rela&ccedil;&otilde;es de vizinhan&ccedil;a. As arrecada&ccedil;&otilde;es s&atilde;o transferidas para o exterior, onde se contempla uma &aacute;rea de conv&iacute;vio que &eacute; tratada com especial cuidado e para onde se desenha equipamento urbano e se prev&ecirc; a contribui&ccedil;&atilde;o de artistas pl&aacute;sticos. Esta ocupa&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o urbano adjacente &eacute; singular em ON, mas ser&aacute; mais explorada em OS, sobretudo para o caso das categorias mais econ&oacute;micas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f5"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n12/ser2n12a10f5.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Na proposta para as torres de 8 pisos previstas para a categoria II, Teot&oacute;nio Pereira e Pinto Freitas procuraram contrariar o isolamento entre vizinhos criando uma pequena &aacute;rea de conv&iacute;vio em cada patamar de acesso. Tamb&eacute;m na cobertura em terra&ccedil;o se prev&ecirc;, para al&eacute;m de estendais e arrecada&ccedil;&otilde;es, um espa&ccedil;o parcialmente coberto que, segundo a explica&ccedil;&atilde;o dos autores, se prop&otilde;e incentivar as &ldquo;rela&ccedil;&otilde;es de vizinhan&ccedil;a e aproveitamento das vistas sobre o bairro ou o rio&rdquo;<a href="#13"><sup>13</sup></a><a name="top13"></a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f6"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n12/ser2n12a10f6.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>ON constitui-se assim como um territ&oacute;rio onde as teorias urbanas desenvolvidas no seio dos CIAM podem finalmente ser postas em pr&aacute;tica com um m&iacute;nimo de constrangimentos, propiciando a inser&ccedil;&atilde;o pontual dos edif&iacute;cios num espa&ccedil;o livre, fluido e ajardinado, e contrapondo-se &agrave; urban&iacute;stica formal praticada em Alvalade. Cumpre-se finalmente a cidade sobre o parque preconizada na Carta de Atenas, mas esta &eacute; uma realiza&ccedil;&atilde;o tardia onde se nota j&aacute; a reflex&atilde;o cr&iacute;tica de alguns projetistas. Apesar disso, em ON, a estrutura geral do plano imp&otilde;e-se &agrave; pulveriza&ccedil;&atilde;o das propostas arquitet&oacute;nicas, o que j&aacute; n&atilde;o vir&aacute; a ser o caso do vizinho OS. Poder-se-ia argumentar que o tamanho de ON, equivalente a uma c&eacute;lula de OS, facilita a defini&ccedil;&atilde;o de uma imagem global, mas h&aacute; que admitir que n&atilde;o se vislumbra a mesma unidade em qualquer das outras c&eacute;lulas que comp&otilde;em OS.</p>     <p>Leopoldo de Almeida<a href="#14"><sup>14</sup></a><a name="top14"></a> aponta-lhe um excesso de fidelidade a princ&iacute;pios esquem&aacute;ticos que ter&atilde;o conduzido a uma neutralidade dos espa&ccedil;os urbanos e a um esquema circulat&oacute;rio demasiado desvinculado dos edif&iacute;cios. Outra d&uacute;vida que surge ao autor prende-se com a medida em que deve propor-se &agrave;s popula&ccedil;&otilde;es de baixos recursos uma linguagem urban&iacute;stica em clara rutura com o seu &laquo;habitat&raquo; de origem, o que denota preocupa&ccedil;&otilde;es de ordem cultural e sociol&oacute;gica que v&atilde;o ter grande express&atilde;o no bairro de Olivais Sul.</p>     <p>Os arquitetos que participaram em ON pertencem &agrave; gera&ccedil;&atilde;o nascida nos anos 1920 que, na sua maioria, partilhava convic&ccedil;&otilde;es pr&oacute;ximas do racionalismo preconizado pelos CIAM, muito embora este j&aacute; estivesse a ser posto em causa. Apesar de verificarmos que alguns destes arquitetos n&atilde;o partilham j&aacute; desta conce&ccedil;&atilde;o abstrata do destinat&aacute;rio da arquitetura, as suas interven&ccedil;&otilde;es resumem-se ainda a edif&iacute;cios isolados.</p>     <p>Em OS vamos encontrar tamb&eacute;m a gera&ccedil;&atilde;o nascida nos anos 1930, a dos disc&iacute;pulos e colaboradores da primeira gera&ccedil;&atilde;o, muitos dos quais pr&oacute;ximos das preocupa&ccedil;&otilde;es que no p&oacute;s-guerra vieram p&ocirc;r em causa o dogmatismo da Carta de Atenas e, em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, provocar a extin&ccedil;&atilde;o dos CIAM, e que eram agora veiculadas pela revista <i>Arquitectura</i>. Como veremos, aqui ter&atilde;o oportunidade de intervir em grupos de edif&iacute;cios agregados e de determinar a sua implanta&ccedil;&atilde;o e espa&ccedil;o exterior.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3. OLIVAIS SUL</b></p>     <p>O plano de OS apresenta uma estrutura celular hierarquizada, baseada no zonamento de fun&ccedil;&otilde;es, seguindo o esquema proposto pela primeira gera&ccedil;&atilde;o das <i>new towns</i> brit&acirc;nicas que desenvolve a tradi&ccedil;&atilde;o das cidades-jardim e se afasta do <i>mainstream</i> racionalista do &acirc;mbito dos CIAM. Fundamenta-se numa ideia de semi-autonomia do bairro em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; cidade, ao mesmo tempo que procura autonomia entre as suas partes de uma forma hier&aacute;rquica e vai permitir grande liberdade individual aos projetistas dentro de cada c&eacute;lula. Implantando-se a sul do Bairro da Encarna&ccedil;&atilde;o e a norte dos terrenos ainda vagos de Chelas, dentro de um pol&iacute;gono definido por quatro avenidas j&aacute; constru&iacute;das, n&atilde;o vai estabelecer rela&ccedil;&otilde;es de continuidade ou interdepend&ecirc;ncia com a envolvente urbana. &Agrave; semelhan&ccedil;a de ON, o territ&oacute;rio ostentava poucas pr&eacute;-exist&ecirc;ncias urbanas.</p>     <p>A malha de Olivais Sul tamb&eacute;m j&aacute; tinha sido objeto de um plano por parte do extinto GEU. De acordo com a Mem&oacute;ria Descritiva do plano elaborado pelo GTH<a href="#15"><sup>15</sup></a><a name="top15"></a>, a aplica&ccedil;&atilde;o do Decreto-Lei n.&ordm; 42454 tornou obsoleto o anterior estudo que, entretanto, j&aacute; resultara na constru&ccedil;&atilde;o de parte dos arruamentos, o que constitu&iacute;a um importante condicionamento na elabora&ccedil;&atilde;o do novo trabalho. O documento refere que se optou por uma solu&ccedil;&atilde;o de compromisso, consistindo as altera&ccedil;&otilde;es mais profundas na retifica&ccedil;&atilde;o das penetra&ccedil;&otilde;es da malha e respetivos n&oacute;s.</p>     <p>O territ&oacute;rio &eacute; descrito como uma zona rural, com uma explora&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola t&iacute;pica dos arrabaldes lisboetas que, nalguns casos, obrigaria a obras de modela&ccedil;&atilde;o do terreno de certa import&acirc;ncia. O tipo caracter&iacute;stico da propriedade r&uacute;stica era o da quinta, com o n&uacute;cleo edificado quase sempre em locais elevados, servido por &aacute;leas sombreadas com acesso por azinhagas muradas. Refere-se que houve o cuidado de, sempre que poss&iacute;vel, respeitar estas caracter&iacute;sticas e procurar a sua integra&ccedil;&atilde;o paisag&iacute;stica .</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f7"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n12/ser2n12a10f7.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Na pr&aacute;tica, o que hoje se reconhece das pr&eacute;-exist&ecirc;ncias constru&iacute;das em OS &eacute; a persist&ecirc;ncia da geometria das azinhagas no tra&ccedil;ado da circula&ccedil;&atilde;o vi&aacute;ria e a conserva&ccedil;&atilde;o do cemit&eacute;rio e de duas das quintas, uma delas, a da Fonte do Anjo, que sempre se manteve em propriedade privada apesar de alienada da maior parte dos seus terrenos, e outra, a do Contador-Mor, que acolhe atualmente uma biblioteca municipal. No entanto, &agrave; diferen&ccedil;a do que acontece em ON, sente-se em OS a presen&ccedil;a singular de um territ&oacute;rio cujas caracter&iacute;sticas geogr&aacute;ficas determinam a configura&ccedil;&atilde;o do edificado.</p>     <p>No plano do GTH para Olivais Sul<a href="#16"><sup>16</sup></a><a name="top16"></a>, contemplando uma popula&ccedil;&atilde;o aproximada de 38000 habitantes a instalar em cerca de 8000 fogos, os princ&iacute;pios racionalistas s&atilde;o aplicados j&aacute; de uma forma cr&iacute;tica. Estrutura-se em cinco c&eacute;lulas, dispostas em torno de uma sexta, onde se instalaria o Centro C&iacute;vico-Comercial Principal, a que se atribu&iacute;a um papel fundamental no funcionamento semiaut&oacute;nomo do bairro em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; cidade, que s&oacute; muito mais tarde &eacute; realizado e em moldes diferentes do que estava determinado. Os equipamentos b&aacute;sicos (escolas e com&eacute;rcio) distribu&iacute;am-se localmente segundo raios de influ&ecirc;ncia e acompanhando a concentra&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o. &Agrave; escala do bairro, previam-se centros c&iacute;vico-comerciais (um principal, dois secund&aacute;rios), parques principais, instala&ccedil;&otilde;es desportivas e igrejas. A localiza&ccedil;&atilde;o dos centros c&iacute;vico-comerciais secund&aacute;rios levava em conta a rede vi&aacute;ria principal, implantando-se junto &agrave;s vias de atravessamento, que definem a separa&ccedil;&atilde;o das c&eacute;lulas, e constituindo em conjunto com o Centro C&iacute;vico-Comercial Principal uma linha longitudinal central que se define como coluna vertebral do plano. O esquema de arruamentos internos pretendia-se claramente hierarquizado, de acordo com as fun&ccedil;&otilde;es atribu&iacute;das no plano. Tamb&eacute;m se substitui o estacionamento ao longo do passeio por bolsas e impasses, com acesso pelos arruamentos locais e com dimens&otilde;es definidas consoante as categorias de habita&ccedil;&atilde;o. O sistema vi&aacute;rio seria complementado por uma rede de percursos pedonais independente e demarcada da circula&ccedil;&atilde;o autom&oacute;vel, explorando &ldquo;o interesse paisag&iacute;stico dos percursos&rdquo;<a href="#17"><sup>17</sup></a><a name="top17"></a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f8"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n12/ser2n12a10f8.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Das seis c&eacute;lulas que comp&otilde;em a malha dos Olivais Sul, apenas quatro (B, C, D, E) se destinam diretamente a habita&ccedil;&atilde;o. A c&eacute;lula F &eacute; constitu&iacute;da em grande parte pelo Cemit&eacute;rio dos Olivais, por uma faixa de prote&ccedil;&atilde;o &agrave; zona industrial e por um n&uacute;cleo habitacional de realojamento. A c&eacute;lula G &eacute; ocupada pelo Centro C&iacute;vico-Comercial Principal. As c&eacute;lulas habitacionais inclu&iacute;ram, para al&eacute;m das zonas verdes de prote&ccedil;&atilde;o, recreio e desporto, o equipamento escolar e comercial adequado. &Agrave; escala da c&eacute;lula planearam-se quatro grandes parques para crian&ccedil;as em idade escolar que nunca seriam realizados nos moldes em que foram pensados<a href="#18"><sup>18</sup></a><a name="top18"></a>. Em todas as c&eacute;lulas previam-se tamb&eacute;m jardins de tratamento formal cuidado, reivindicando a tradi&ccedil;&atilde;o do jardim p&uacute;blico lisboeta, que seriam &ldquo;pontos de atrac&ccedil;&atilde;o determinantes na caracteriza&ccedil;&atilde;o das zonas&rdquo;<a href="#19"><sup>19</sup></a><a name="top19"></a>, de acordo com o que vem expresso na Mem&oacute;ria Descritiva. Reservam-se ainda duas grandes &aacute;reas verdes na c&eacute;lula C para toda a popula&ccedil;&atilde;o, o atual Parque do Vale do Sil&ecirc;ncio, a poente, e o parque urbano da Quinta do Contador Mor, a nascente, mas s&oacute; o primeiro foi realizado.</p>     <p>O plano propunha-se estruturar as zonas residenciais com base no n&uacute;mero de habitantes e estabelecer um quadro geral de equipamento e servi&ccedil;os ajustado aos escal&otilde;es definidos. Os quatro escal&otilde;es eram os seguintes: grupo residencial com 1200 a 2400 habitantes; unidade de vizinhan&ccedil;a com 4000 a 5800 habitantes; c&eacute;lula com 9600 a 12000 habitantes; malha com 38400 a 48000 habitantes. Na defini&ccedil;&atilde;o destas &aacute;reas procurou antever-se as necessidades de ar livre por indiv&iacute;duo e h&aacute;bitos de frequentadores por faixas et&aacute;rias, delineando-se uma s&eacute;rie de determina&ccedil;&otilde;es program&aacute;ticas que vinculavam espa&ccedil;os livres com caracter&iacute;sticas definidas a cada escal&atilde;o habitacional. Reservaram-se na proximidade imediata dos edif&iacute;cios de habita&ccedil;&atilde;o, no escal&atilde;o grupos residenciais, terrenos de jogos infantis e espa&ccedil;os para o conv&iacute;vio e recreio de adultos, sendo estes &laquo;prolongamentos da habita&ccedil;&atilde;o&raquo; considerados na Mem&oacute;ria Descritiva como particularmente pertinentes nas zonas onde predominavam as categorias mais baixas.</p>     <p>Mas, apesar da malha ter sido organizada em fun&ccedil;&atilde;o de &laquo;c&eacute;lulas&raquo;, esta designa&ccedil;&atilde;o refere-se por vezes a uma subdivis&atilde;o geogr&aacute;fica que decorre do tra&ccedil;ado das vias principais e que adota este nome por simplifica&ccedil;&atilde;o. Assim, considera-se que as c&eacute;lulas B e C s&atilde;o compostas por duas unidades de vizinhan&ccedil;a &laquo;te&oacute;ricas&raquo;, enquanto que as c&eacute;lulas D e E acabam por corresponder apenas a unidades de vizinhan&ccedil;a &uacute;nicas. Do mesmo modo, nem sempre os grupos residenciais correspondem exatamente &agrave; sua base te&oacute;rica. Este desacerto entre o dimensionamento te&oacute;rico e a aplica&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica &eacute; justificado pela preocupa&ccedil;&atilde;o em se evitar a cria&ccedil;&atilde;o de n&uacute;cleos socialmente segregados e conduziu &agrave; defini&ccedil;&atilde;o de &ldquo;esquemas de organiza&ccedil;&atilde;o espacial interpenetrantes e fluidos&rdquo;.</p>     <p>Ainda em rela&ccedil;&atilde;o aos grupos residenciais, se, por um lado, procurava evitar-se a auto-segrega&ccedil;&atilde;o de n&uacute;cleos que resultaria da grande concentra&ccedil;&atilde;o de fogos de uma &uacute;nica categoria, o que era desaconselhado pelo decreto fundador, por outro, rejeitava-se a mistura indiscriminada, privilegiando-se a cria&ccedil;&atilde;o de pequenos n&uacute;cleos formados por categorias afins, agregando principalmente as duas primeiras (I e II) ou as duas &uacute;ltimas (III e IV). Atribu&iacute;a-se aos &oacute;rg&atilde;os coletivos dos escal&otilde;es seguintes um papel integrador destes grupos, que raramente se fechariam sobre si e se constituiriam como um todo articulado em fun&ccedil;&atilde;o desses equipamentos.</p>     <p>Carlos Duarte defende, em 2007<a href="#20"><sup>20</sup></a><a name="top20"></a>, que o processo de organiza&ccedil;&atilde;o celular utilizado em OS tem vantagens "do ponto de vista de dentro para fora", no modo de habitar, explicando que na base das coisas estava a preocupa&ccedil;&atilde;o com a forma de vida que se iria desenvolver naquele s&iacute;tio. Admitindo que "isso [possa] dar origem [&hellip;] a uma certa dispers&atilde;o formal, e [&hellip;] at&eacute; a uma certa anarquia", considera que esse risco &eacute; mitigado em OS porque os contratos que o GTH firmava com os projetistas "eram de [&hellip;] grande dimens&atilde;o de forma a [permitir] a identifica&ccedil;&atilde;o de zonas com uma certa extens&atilde;o". O arquiteto sustenta que essa imagem pr&oacute;pria s&oacute; se perde quando Olivais &eacute; visto &agrave; dist&acirc;ncia, ou de avi&atilde;o ou autom&oacute;vel, mas confessa que n&atilde;o era essa a ordem formal que estava na base das suas maiores preocupa&ccedil;&otilde;es, que no plano a ordem formal era subordinada principalmente a fatores de ordem sociol&oacute;gica. Esta posi&ccedil;&atilde;o denota afastamento da estrat&eacute;gia de composi&ccedil;&atilde;o formal abstrata do<i> plan masse, </i>que &eacute; associada ao planeamento racionalista moderno. </p>     <p>Ainda assim, em 1969<a href="#21"><sup>21</sup></a><a name="top21"></a>, Nuno Portas considerava o plano de OS limitado ao zonamento e arranjo de volumes, n&atilde;o designando um espa&ccedil;o urbano caracter&iacute;stico que, de fora para dentro, programasse os edif&iacute;cios, o que, aliado &agrave; aus&ecirc;ncia de pr&eacute;-exist&ecirc;ncias, propiciava uma aglomera&ccedil;&atilde;o de objetos disputando protagonismo, num &ldquo;estranho &laquo;collage&raquo; espacial com o seu qu&ecirc; de experi&ecirc;ncia de concretismo sonoro, ou montagem pop de elementos achados, que apenas fica empobrecido pelo facto de ter sido feito sem humor&rdquo;. Mesmo as solu&ccedil;&otilde;es de arquitetura mais repetitivas e tipologicamente articuladas s&atilde;o, segundo ele, reduzidas a objetos pela n&atilde;o-estrutura do conjunto e cita um morador do bairro, que o descreve como um conjunto de edif&iacute;cios &ldquo;semeados em dia de vendaval&rdquo;. Significativamente, Portas reconhece ao plano de ON uma ordem leg&iacute;vel, por vulgar que fosse. </p>     <p>Carlos Duarte explica em 2002 que o convite a arquitetos para executar os projetos no seu <i>atelier</i> resultava tamb&eacute;m da aus&ecirc;ncia de alternativa face ao tempo e recursos dispon&iacute;veis, admitindo que este sistema viria a revelar dificuldades, nomeadamente na rela&ccedil;&atilde;o entre urbanistas e arquitetos, e ter&aacute; sido respons&aacute;vel por algumas solu&ccedil;&otilde;es de compromisso. Acrescenta que as indica&ccedil;&otilde;es num&eacute;ricas das c&eacute;lulas eram acompanhadas por visualiza&ccedil;&otilde;es a tr&ecirc;s dimens&otilde;es que exprimiam inten&ccedil;&otilde;es de organiza&ccedil;&atilde;o espacial e volum&eacute;trica: &ldquo;Com o andar do tempo verificar-se-ia que em alguns casos conduziriam a desentendimentos entre as duas partes, embora noutros tivessem constitu&iacute;do um ponto de partida para um trabalho comum&rdquo;<a href="#22"><sup>22</sup></a><a name="top22"></a>.</p>     <p>&Eacute; assinal&aacute;vel o esfor&ccedil;o do GTH em coordenar e articular formalmente as propostas das equipas projetistas. Apesar das cr&iacute;ticas &agrave; consist&ecirc;ncia da estrutura urbana de OS, poder-se-ia argumentar que &eacute; a maleabilidade dessa estrutura que permite a diferencia&ccedil;&atilde;o das solu&ccedil;&otilde;es de arquitetura e a riqueza da sua articula&ccedil;&atilde;o com o espa&ccedil;o exterior imediato. De uma forma geral, os te&oacute;ricos coincidem na cr&iacute;tica &agrave; legibilidade, ou mesmo &agrave; identidade da estrutura urbana de OS, mas reconhecem o cuidado que houve no tratamento do espa&ccedil;o livre exterior, e parece ser sobretudo ao n&iacute;vel da resolu&ccedil;&atilde;o dos grupos residenciais que encontram maior interesse disciplinar na interven&ccedil;&atilde;o. </p>     <p>Podemos argumentar que o Plano de OS contribui para o processo de distanciamento das teorias da Carta de Atenas. A sua estrutura celular, que facilitava as incurs&otilde;es dos autores dos projetos de arquitetura no desenho urbano, afastava-se da conce&ccedil;&atilde;o de ON, onde era leg&iacute;vel a repeti&ccedil;&atilde;o do tipo, descrita por Portas como a &ldquo;unidade imposta &agrave; diversidade&rdquo;<a href="#23"><sup>23</sup></a><a name="top23"></a>. Embora em ON se verifiquem experi&ecirc;ncias, ainda que circunscritas aos edif&iacute;cios, que j&aacute; indicam uma atitude cr&iacute;tica em rela&ccedil;&atilde;o ao esquematismo dos CIAM, o plano apresenta-se ainda tribut&aacute;rio dos modelos racionalistas j&aacute; testados. Em OS, a mistura de tipos e formas de agrupamento &eacute; encorajada, prescindindo-se da disposi&ccedil;&atilde;o h&eacute;lio-orientada ou de outra geometria reguladora, &ldquo;a diversidade impondo-se &agrave; unidade&rdquo;<a href="#24"><sup>24</sup></a><a name="top24"></a>.</p>     <p>Carlos Duarte confirma a influ&ecirc;ncia das realiza&ccedil;&otilde;es inglesas do p&oacute;s-guerra, nomeadamente na ado&ccedil;&atilde;o do conceito de &laquo;unidade de vizinhan&ccedil;a&raquo;, embora sem seguir &agrave; letra os esquemas dessas cidades. O autor frisa que tudo &eacute; feito na perspetiva de aplica&ccedil;&atilde;o a uma cidade como Lisboa, com uma tradi&ccedil;&atilde;o de viver urbano e um patrim&oacute;nio hist&oacute;rico e arquitet&oacute;nico peculiar, e que por isso se insistiu na &laquo;vida de bairro&raquo; com tradu&ccedil;&atilde;o espacial em ruas, caminhos e pra&ccedil;as. Esta inten&ccedil;&atilde;o ter&aacute; tido, segundo ele, correspond&ecirc;ncia no trabalho de algumas equipas de projetistas, na linha de realiza&ccedil;&otilde;es da INA-Casa, na mesma &eacute;poca em It&aacute;lia. Duarte revela que houve a preocupa&ccedil;&atilde;o em agrupar os arquitetos por &laquo;tend&ecirc;ncias&raquo;, &ldquo;assim se conseguindo n&uacute;cleos de paisagem urbana de relativa homogeneidade&rdquo;, mas reconhece ainda assim a exist&ecirc;ncia de casos de &ldquo;evidente ruptura imag&eacute;tica&rdquo;<a href="#25"><sup>25</sup></a><a name="top25"></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na Mem&oacute;ria Descritiva assinala-se como inten&ccedil;&atilde;o de base &ldquo;dar forma a uma organiza&ccedil;&atilde;o espacial de caracter&iacute;sticas vincadamente urbanas em que sejam consideradas algumas solu&ccedil;&otilde;es tradicionais de cidade (rua, pra&ccedil;a, p&aacute;tio)&rdquo;. O respeito pelas caracter&iacute;sticas orogr&aacute;ficas do terreno &eacute; repetidamente mencionado, nomeadamente na descri&ccedil;&atilde;o dos circuitos de pe&otilde;es, que se pretendiam independentes das vias de tr&aacute;fego autom&oacute;vel, mas com uma leitura f&aacute;cil, &ldquo;ligando os centros de interesse principais e explorando o interesse paisag&iacute;stico dos percursos&rdquo;, e em cujo tra&ccedil;ado se teve em conta as azinhagas existentes. Enumeram-se assim preocupa&ccedil;&otilde;es morfol&oacute;gicas que podem parecer contradit&oacute;rias, como a disposi&ccedil;&atilde;o dos edif&iacute;cios ao longo do terreno &ldquo;sem lhe alterarem os aspectos essenciais, antes acentuando as suas caracter&iacute;sticas&rdquo;, a implanta&ccedil;&atilde;o das torres nos pontos altos &ldquo;ou de forma a propiciar uma leitura r&iacute;tmica das cumeadas&rdquo; e, nas encostas, a ader&ecirc;ncia das constru&ccedil;&otilde;es ao relevo que, no entanto, &ldquo;igualmente e deliberadamente se pretendem encontrar na continuidade da melhor tradi&ccedil;&atilde;o da arquitectura e arte urbana da cidade&rdquo;. </p>     <p>De facto, parecem evidenciar-se diferen&ccedil;as de conce&ccedil;&atilde;o entre os principais respons&aacute;veis pela sua elabora&ccedil;&atilde;o, Rafael Botelho e Carlos Duarte. Apesar de pr&oacute;ximos em idade, o primeiro, nascido em 1923, foi mais do que uma vez bolseiro em Inglaterra para estudar <i>in loco</i> as <i>new towns,</i> e o segundo, nascido em 1926, mostrava interesse pelas experi&ecirc;ncias n&oacute;rdicas e italianas, sobre as quais escreveu na revista <i>Arquitectura</i>, e manifestava as preocupa&ccedil;&otilde;es cultural que temos vindo a conhecer. </p>     <p>Nuno Portas relata que em OS lhes coube uma unidade de vizinhan&ccedil;a com mais de 500 habita&ccedil;&otilde;es de baixo custo onde o plano de volumes "indicava tamb&eacute;m bandas e torres como ingredientes compositivos". Segundo ele, procuraram levar mais longe a cr&iacute;tica ao <i>mainstream</i> racionalista: &ldquo;tentar inserir a pra&ccedil;a, a rua, o p&aacute;tio, como espa&ccedil;os positivos (menos residuais) que os edif&iacute;cios, por seu turno, mais encostados uns aos outros, moldariam&rdquo;. Articularam, assim, os &laquo;blocos&raquo; em quarteir&otilde;es relativamente abertos e de geometria irregular, de modo a ladearem os arruamentos e introduziram tamb&eacute;m fun&ccedil;&otilde;es n&atilde;o habitacionais nos edif&iacute;cios, que no programa eram previstas separadas, &ldquo;para que essas ruas ou pra&ccedil;as n&atilde;o ficassem apenas na ret&oacute;rica do &laquo;feitio&raquo;&rdquo;<a href="#26"><sup>26</sup></a><a name="top26"></a>.</p>     <p>A descri&ccedil;&atilde;o adequa-se aos edif&iacute;cios em banda para a categoria I que projetou com Costa Cabral na C&eacute;lula C, que era gerida por Carlos Duarte. A organiza&ccedil;&atilde;o interna das habita&ccedil;&otilde;es, explica Portas, procurava coer&ecirc;ncia com o espa&ccedil;o p&uacute;blico pretendido, tentando que as &ldquo;pe&ccedil;as mais vividas (cozinhas, quartos dos filhos, escadas) se abrissem para o interior dos quarteir&otilde;es, que, &ldquo;ao contr&aacute;rio do <i>standard</i> racionalista&rdquo;, a entrada no fogo n&atilde;o desse diretamente para a sala nem esta desse acesso aos quartos e se pudesse fechar ao uso da casa (ou em alternativa ser vista como um espa&ccedil;o multiusos), ou ainda que n&atilde;o houvesse passa-pratos entre a sala e a cozinha mas que fosse esta a ter um recanto para comer. Estas experi&ecirc;ncias culturais chegam a causar, nas bandas como nas torres, desalinhamentos entre as paredes e a estrutura portante que seriam inadmiss&iacute;veis &agrave; luz dos c&acirc;nones racionalistas.</p>     <p>Nestas torres, para a categoria II, encontramos de novo uma zona de conv&iacute;vio com vista para a rua no patamar de piso, como nas torres de Nuno Teot&oacute;nio Pereira e Ant&oacute;nio Freitas em ON para a mesma categoria, mas desta vez apartada da zona que concentra as entradas para os quatro fogos. No interior das habita&ccedil;&otilde;es definem-se circula&ccedil;&otilde;es poss&iacute;veis atrav&eacute;s das v&aacute;rias divis&otilde;es, procurando versatilidade de uso num espa&ccedil;o de &aacute;rea reduzida. </p>     <p>Nas interven&ccedil;&otilde;es em OS nota-se preocupa&ccedil;&atilde;o com o espa&ccedil;o concreto e com as circunst&acirc;ncias do lugar. Mesmo que se considere que isso acontecia de modo descont&iacute;nuo e segundo o arb&iacute;trio dos diversos projetistas, o plano de urbaniza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o deixava de dar indica&ccedil;&otilde;es nesse sentido. Na zona Sul da C&eacute;lula B, os edif&iacute;cios de quatro pisos em banda de Vasco Croft, Justino Morais e Joaquim Cadima seguiram um estudo de volumetria e organiza&ccedil;&atilde;o, prevendo uma massa edificada em bandas cont&iacute;nuas e definindo uma sucess&atilde;o de logradouros de serventia pr&oacute;xima das habita&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>Quando da publica&ccedil;&atilde;o do projeto<a href="#27"><sup>27</sup></a><a name="top27"></a>, os autores manifestaram interesse numa movimenta&ccedil;&atilde;o volum&eacute;trica que evitasse &ldquo;a monotonia das fachadas cont&iacute;nuas e das empenas cegas, frequentemente observ&aacute;vel nos edif&iacute;cios sujeitos a limites or&ccedil;amentais baixos&rdquo;. A edifica&ccedil;&atilde;o, para a categoria I, organizou-se com base na repeti&ccedil;&atilde;o e conjuga&ccedil;&atilde;o de n&uacute;cleos de tr&ecirc;s fogos reunidos por n&uacute;cleo de acessos comum. Segundo os arquitetos, a c&eacute;lula-base foi estudada &ldquo;de forma a permitir a sua jun&ccedil;&atilde;o com as c&eacute;lulas imediatas, atrav&eacute;s das empenas ou de uma das frentes, permitindo formar bandas cont&iacute;nuas com possibilidade de ligeiras inflex&otilde;es para acompanhar os arruamentos, ou conjuntos mistos em T, L ou U&rdquo;. Embora n&atilde;o fa&ccedil;am refer&ecirc;ncia &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o interna dos fogos, reconhecem-se preocupa&ccedil;&otilde;es partilhadas com Portas e Costa Cabral na defini&ccedil;&atilde;o de zonas autonomizadas junto da cozinha para refei&ccedil;&otilde;es ou servi&ccedil;os dom&eacute;sticos e de varandas com &aacute;rea suficiente para se estar, ainda que n&atilde;o se identifique a mesma preocupa&ccedil;&atilde;o com a possibilidade de compartimenta&ccedil;&atilde;o dos espa&ccedil;os e de distin&ccedil;&atilde;o de percursos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f9"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n12/ser2n12a10f9.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Ambas as equipas partilham uma abordagem ao projeto de habita&ccedil;&atilde;o coletiva em que a orienta&ccedil;&atilde;o solar n&atilde;o &eacute; a principal quest&atilde;o, mas, sim, a presen&ccedil;a urbana e a rela&ccedil;&atilde;o com o espa&ccedil;o exterior. Mas enquanto Portas<a href="#28"><sup>28</sup></a><a name="top28"></a> justifica a utiliza&ccedil;&atilde;o do tijolo &agrave; vista como uma forma de acentuar a continuidade das paredes dos al&ccedil;ados dos edif&iacute;cios no espa&ccedil;o exterior coletivo, Croft, Cadima e Morais<a href="#29"><sup>29</sup></a><a name="top29"></a> argumentam a sua utiliza&ccedil;&atilde;o pelo lado do conforto t&eacute;rmico e do envelhecimento do material. Tamb&eacute;m em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; solu&ccedil;&atilde;o para a cobertura, enquanto Portas confessa uma posi&ccedil;&atilde;o de partida influenciada pela ret&oacute;rica neo-realista para explicar a op&ccedil;&atilde;o pelo telhado, a outra equipa continua com a argumenta&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica para fundamentar a solu&ccedil;&atilde;o em laje de bet&atilde;o armado, com enchimento de bet&atilde;o celular e revestimento cer&acirc;mico. No entanto, parece claro que Croft, Cadima e Morais partilham um l&eacute;xico figurativo de tend&ecirc;ncia cultural com Costa Cabral, Portas e outros projetistas que v&atilde;o trabalhar em OS.</p>     <p>Como em ON, &eacute; sobretudo nas categorias mais baixas que encontramos as propostas mais interessantes em OS. A Mem&oacute;ria Descritiva do Plano esclarece que as bandas cont&iacute;nuas de quatro pisos se destinavam sobretudo &agrave;s categorias mais baixas, at&eacute; por ser este o limite de pisos que exclui a obrigatoriedade de meios mec&acirc;nicos (mais caros) para os acessos verticais, o que conferia aos espa&ccedil;os exteriores uma import&acirc;ncia acrescida por servirem uma popula&ccedil;&atilde;o que &ldquo;por virtude de h&aacute;bitos tradicionais, de um sedentarismo for&ccedil;ado pela pr&oacute;pria condi&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica e tamb&eacute;m pela exiguidade das habita&ccedil;&otilde;es mais os poder&atilde;o apreciar&rdquo;. No entanto o GTH admite terem sido considerados casos diferentes &ldquo;a t&iacute;tulo excepcional e tentados com uma inten&ccedil;&atilde;o deliberadamente experimental&rdquo;. Ser&aacute; este o caso dos edif&iacute;cios em banda de V&iacute;tor Figueiredo e Vasco Lobo, tamb&eacute;m na C&eacute;lula B, que apesar de se destinarem &agrave; categoria I apresentam um desenvolvimento de sete pisos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f10"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n12/ser2n12a10f10.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Aqui &eacute; utilizado o sistema de distribui&ccedil;&atilde;o em galeria exterior, que minimiza a utiliza&ccedil;&atilde;o de elevadores e articula os diferentes corpos tanto em planimetria como em altimetria. No entanto, esta galeria n&atilde;o &eacute; apenas entendida como dispositivo de circula&ccedil;&atilde;o, mas, tamb&eacute;m, como espa&ccedil;o que promove as rela&ccedil;&otilde;es de vizinhan&ccedil;a. Igualmente significativa &eacute; a defini&ccedil;&atilde;o de uma &aacute;rea de limiar entre a entrada do fogo e a galeria. Esta zona de soleira confere &agrave;s galerias o car&aacute;cter de cen&aacute;rio urbano que &eacute; acentuado pelo envolvimento que proporciona a articula&ccedil;&atilde;o dos tramos do pr&oacute;prio edif&iacute;cio. A rela&ccedil;&atilde;o com estas ruas artificiais parece procurar substituir a rela&ccedil;&atilde;o com o exterior imediato, que &eacute; assim transportada para as alturas.</p>     <p>Pensado como edifica&ccedil;&atilde;o aut&oacute;noma e pass&iacute;vel de repeti&ccedil;&atilde;o, o edif&iacute;cio parece querer constituir-se ele pr&oacute;prio num lugar que pode ser implantado em s&iacute;tios diferentes. Por ambiciosa que possa parecer a pretens&atilde;o, ela distingue-o dos edif&iacute;cios isolados de conce&ccedil;&atilde;o mais racionalista que vimos em ON, ou, para n&atilde;o irmos t&atilde;o longe, do edif&iacute;cio vizinho desenhado por Hern&acirc;ni Gandra, Neves Calhoz, Coutinho Raposo e Costa Martins que, por alguma raz&atilde;o, &eacute; conhecido entre os residentes do bairro pelo nome de &laquo;comboio parado&raquo;.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f11"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n12/ser2n12a10f11.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Projetado para a categoria II, este &uacute;ltimo edif&iacute;cio desenvolve-se em oito pisos e tamb&eacute;m &eacute; servido por um sistema de distribui&ccedil;&atilde;o em galeria, mas, &agrave; diferen&ccedil;a do anterior, &eacute; pensado de uma forma mais gen&eacute;rica e mais conforme aos c&acirc;nones universais da arquitetura racionalista do Movimento Moderno. Ao contr&aacute;rio das interven&ccedil;&otilde;es em Alvalade, n&atilde;o encontra o respaldo da cidade tradicional, existente ou projetada, e parece poder prolongar-se por uma extens&atilde;o indeterminada, somando &laquo;carruagens&raquo;. Por outro lado, apesar de ter a mesma orienta&ccedil;&atilde;o Noroeste-Sueste dos blocos em ON, n&atilde;o se encontra inserido num ritmo de composi&ccedil;&atilde;o que estabele&ccedil;a limites claros &agrave; sua configura&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Como vimos, em OS, &agrave; defini&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o exterior atrav&eacute;s do cont&iacute;nuo constru&iacute;do, em que poder&iacute;amos incluir as interven&ccedil;&otilde;es de Portas e Costa Cabral ou as de Croft, Cadima e Morais, que continuam as linhas de investiga&ccedil;&atilde;o mais &laquo;urbanas&raquo; do Neo-Brutalismo brit&acirc;nico ou do Neo-Realismo italiano, contrap&otilde;e-se a implanta&ccedil;&atilde;o pontual de torres em s&iacute;tios determinados, que vai ao encontro do prop&oacute;sito de Rafael Botelho de balizar uma leitura geral do territ&oacute;rio marcando os seus pontos altos e que denota a influ&ecirc;ncia do esp&iacute;rito pitoresco no Neo-Humanismo brit&acirc;nico ou do Neo-Empirismo n&oacute;rdico. </p>     <p>Na zona Sul da C&eacute;lula C, Manuel Tainha e Raul Hestnes Ferreira constroem tr&ecirc;s torres de dez pisos para a categoria 2, em que a inten&ccedil;&atilde;o de Botelho parece ser tomada em conta e porventura acentuada de uma forma inusitada pela cor escolhida pelos arquitetos. Aqui existe uma analogia com as torres de Portas e Costa Cabral na defini&ccedil;&atilde;o de zonas de conv&iacute;vio e de vista para o exterior nos patamares de piso. Mas enquanto estes privilegiavam a vis&atilde;o mergulhante, para a rua e para o bairro, Tainha e Hestnes Ferreira exploram a vista distante, &agrave; escala do territ&oacute;rio. Nestas torres, as aberturas para os patamares alternam entre duas fachadas opostas, variando em altura conforme os andares e em orienta&ccedil;&atilde;o conforme os edif&iacute;cios, demonstrando preocupa&ccedil;&atilde;o com a composi&ccedil;&atilde;o geral do conjunto e com tomadas de vista que pressup&otilde;em a posi&ccedil;&atilde;o distante do observador.</p>     <p>Embora os prismas quadrangulares que constituem os edif&iacute;cios se implantem com uma aresta para Norte, minimizando a exposi&ccedil;&atilde;o a esse quadrante, as tipologias organizam-se simetricamente em rela&ccedil;&atilde;o aos seus eixos, que podem rodar noventa graus de torre para torre, o que representa uma apreci&aacute;vel quantidade de orienta&ccedil;&otilde;es solares diferentes, nem todas boas, para habita&ccedil;&otilde;es de planta semelhante. De resto, todas as arestas, orientadas aos quatro pontos cardeais, apresentam v&atilde;os que correspondem invariavelmente a janelas de quartos. Daqui se conclui da exist&ecirc;ncia de uma abordagem po&eacute;tica ao edificado no seu conjunto que se sobrep&otilde;e a quest&otilde;es pontuais de ordem mais gen&eacute;rica e racionalista, que &eacute; ilustrada pela import&acirc;ncia dada &agrave; composi&ccedil;&atilde;o urbana e se evidencia na aten&ccedil;&atilde;o dada &agrave; implanta&ccedil;&atilde;o dos edif&iacute;cios e &agrave; defini&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o exterior comum.</p>     <p>J&aacute; noutras experi&ecirc;ncias em torre, como a de Fernando Gomes da Silva e Oct&aacute;vio Rego Costa, tamb&eacute;m na C&eacute;lula C, os acessos a cada lote s&atilde;o individualizados e os edif&iacute;cios tratados como entidades aut&oacute;nomas. Assegurando, com a sua implanta&ccedil;&atilde;o, a leitura r&iacute;tmica das cumeadas pretendida no plano, estas tr&ecirc;s torres de catorze pisos s&atilde;o tamb&eacute;m id&ecirc;nticas, mas, &agrave; diferen&ccedil;a das de Tainha e Hestnes Ferreira, mant&ecirc;m a mesma orienta&ccedil;&atilde;o, com a coluna de escadas do lado Norte, minimizando assim a exposi&ccedil;&atilde;o dos fogos para esse quadrante. N&atilde;o se tem assim propriamente uma leitura de conjunto, mas antes uma vis&atilde;o serial de objetos que pontuam o territ&oacute;rio e que, sem grande diferen&ccedil;a, poderiam ser mais do que tr&ecirc;s.</p>     <p>Mas se as torres de Gomes da Silva e Rego Costa e as de Tainha e Hestnes Ferreira cumprem o des&iacute;gnio de pontuar o territ&oacute;rio, isso n&atilde;o acontece &agrave;s de Portas e Costa Cabral. Embora estas &uacute;ltimas sejam implantadas de modo a continuar o ritmo imprimido pelas primeiras, apesar de variarem de orienta&ccedil;&atilde;o, t&ecirc;m metade da c&eacute;rcea e est&atilde;o envoltas por constru&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o conseguindo sobressair como pontos not&aacute;veis &agrave; dist&acirc;ncia, sobretudo depois do crescimento da vegeta&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES FINAIS</b></p>     <p>Os planos dos Olivais partilham uma conce&ccedil;&atilde;o de composi&ccedil;&atilde;o de volumes soltos sobre o terreno, com uma implanta&ccedil;&atilde;o aut&oacute;noma do tra&ccedil;ado das vias de circula&ccedil;&atilde;o e em que os equipamentos e servi&ccedil;os s&atilde;o segregados da habita&ccedil;&atilde;o. No entanto, para al&eacute;m destas semelhan&ccedil;as, a que se pode juntar a disciplina de constru&ccedil;&atilde;o e os condicionamentos impostos pelo Decreto-Lei n&ordm; 42454, existe uma s&eacute;rie de diferen&ccedil;as que ilustram a complexidade cultural do pensamento arquitet&oacute;nico e urban&iacute;stico &agrave; &eacute;poca e, em particular, em Portugal.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f12"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n12/ser2n12a10f12.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Se em ON se reconhece um tra&ccedil;ado agregador na composi&ccedil;&atilde;o e se remete o terreno em que est&aacute; implantada para uma posi&ccedil;&atilde;o de pano de fundo, em OS, os volumes organizam-se de uma forma celular, que procura tirar partido da orografia. Em ON, a estrutura compositiva &eacute; clara em todo o territ&oacute;rio e os edif&iacute;cios est&atilde;o submetidos &agrave;s suas regras, funcionando como elementos de um todo. Em OS, a composi&ccedil;&atilde;o geral n&atilde;o consegue uma legibilidade clara e a caracteriza&ccedil;&atilde;o urbana firma-se sobretudo nas solu&ccedil;&otilde;es encontradas pelas diferentes equipas projetistas para os <i>grupos residenciais,</i> que funcionam como fragmentos. Poder&iacute;amos ainda concluir que, em ON, somos remetidos para o todo e, em OS, somos remetidos para a parte. </p>     <p>Naturalmente que, nestas compara&ccedil;&otilde;es, &eacute; preciso ressalvar a diferen&ccedil;a de dimens&atilde;o entre os dois territ&oacute;rios. O facto de OS ser quatro vezes maior que ON &eacute; importante para a sua legibilidade como estrutura, mas, ainda assim, n&atilde;o h&aacute; d&uacute;vida que n&atilde;o encontramos dentro das c&eacute;lulas de OS a identidade com o todo que encontramos em ON. No entanto, em certa medida, o relativo &laquo;falhan&ccedil;o&raquo; que &eacute; apontado ao plano de OS no que diz respeito a impor uma imagem urbana &eacute; ressalvado pela liberdade que permitiu aos projetistas conceber cada interven&ccedil;&atilde;o. Apesar da diversidade destes fragmentos, sente-se em OS um esp&iacute;rito de lugar e h&aacute;, na sua edifica&ccedil;&atilde;o, uma coer&ecirc;ncia espacial e formal, ainda que se possa apontar que parte dessa coer&ecirc;ncia se deva &agrave;s imposi&ccedil;&otilde;es construtivas do GTH e &agrave;s restri&ccedil;&otilde;es program&aacute;ticas do Decreto-Lei n&ordm; 42454.</p>     <p>De outra forma n&atilde;o se compreenderia o modo como a constru&ccedil;&atilde;o compacta e cont&iacute;nua que se construiu na &aacute;rea destinada ao Centro C&iacute;vico em OS nos parece desadequada. O alinhamento pela rua e em cortina ininterrupta de edifica&ccedil;&atilde;o, que atinge a c&eacute;rcea dos 14 pisos, contrasta de forma contundente com a implanta&ccedil;&atilde;o fragmentada, a geometria variada, a presen&ccedil;a do terreno e a mistura de tipologias que caracterizam o bairro. O encerramento do interior do lote da C&eacute;lula G, o regresso &agrave; forma fechada, ou quarteir&atilde;o, ainda por cima com estas dimens&otilde;es, revela-se contradit&oacute;rio com o &laquo;esp&iacute;rito&raquo; dos Olivais. Talvez este contraste seja mais elucidativo da presen&ccedil;a de uma estrutura em OS, ou pelo menos de um des&iacute;gnio compositivo, do que a tentativa de enuncia&ccedil;&atilde;o das suas regras.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></p>     <p><b>FONTES</b></p>     <p><b>Arquivo Municipal de Lisboa</b></p>     <p>Planos Gerais de Olivais Norte e Sul. 1970. AML, PT/AMLSB/CMLSB/UROB/EV/0257, p. 9.</p>     <p>Plano de Urbaniza&ccedil;&atilde;o da Zona de Olivais Norte, 1959-60. AML, PT/AMLSB/CMLSB/UROB-PU/10/313/11; P&aacute;g. 17.</p>     <p>Planta de Olivais Sul, 1968. AML, PT/AMLSB/CMLSB/UROB/EV/0506, p. 2.</p>     <p>Estrutura Celular de Olivais Sul, 1959. AML, PT/AMLSB/CMLSB/UROB-PU/10/313/05, p. 13.</p>     <p>Edif&iacute;cio de Abel Manta em Olivais Norte, fotografia de Armando Maia Serodio, 1963. AML, PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/004/SER/005332.</p>     <p>Edif&iacute;cio de Vasconcelos Esteves, fotografia de Artur Jo&atilde;o Goulart, 1965. AML, PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/004/AJG/S02419.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Edif&iacute;cio de Braula Reis e Matoso, fotografia de Vasco Gouveia de Figueiredo, 1968. AML, PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/004/VGF/001271.</p>     <p>Torres de Teot&oacute;nio Pereira e Blocos de Palma de Melo com o Bairro da Encarna&ccedil;&atilde;o em primeiro plano, fotografia de Armando Maia Ser&ocirc;dio, 1968. AML, PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/004/SER/S01384.</p>     <p>Edif&iacute;cio de Croft, Morais e Cadima, fotografia de Arnaldo Madureira, 1965. AML, PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/004/ARM/004179.</p>     <p>Edif&iacute;cio de Figueiredo e Lobo, fotografia de Vasco Gouveia de Figueiredo, 1967. AML, PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/004/VGF/001227.</p>     <p>Edif&iacute;cio de Gandra, Calhoz, Coutinho Raposo e Costa Martins, fotografia de Augusto de Jesus Fernandes, 1966. AML, PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/004/AJF/001817.</p>     <p>Torres de Gomes da Silva e Rego Costa (1&ordm; plano) e torres de Portas e Costa Cabral (2&ordm; plano), fotografia de Augusto de Jesus Fernandes, 1966. AML, PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/004/AJF/001875.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ESTUDOS</b></p>     <!-- ref --><p>ALMEIDA, Leopoldo – Olivais Norte: nota cr&iacute;tica. <i>Arquitectura</i>. N&ordm; 81 (1964), p.12-14.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2075705&pid=S2183-3176201900020001000001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ALMEIDA, Pedro Vieira de; Fernandes, Jos&eacute; Manuel – <i>Hist&oacute;ria da arte em Portugal: a arquitectura moderna</i>. Lisboa: Publica&ccedil;&otilde;es Alfa, 1986. vol 14.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2075707&pid=S2183-3176201900020001000002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CROFT, Vasco; Morais, Justino; Cadima, Joaquim – Conjunto de habita&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas em Olivais-Sul. <i>Arquitectura</i>. N&ordm; 110 (1969), p. 166-169.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2075709&pid=S2183-3176201900020001000003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>DUARTE, Carlos – Mem&oacute;rias de Olivais-Sul. <i>Jornal Arquitectos.</i> N&ordm; 204 (2002), p. 53-58.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2075711&pid=S2183-3176201900020001000004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>GRAVAGNUOLO, Benedetto – <i>Historia del urbanismo en Europa: 1750-1960</i>. Madrid: Ediciones Akal, 1998.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2075713&pid=S2183-3176201900020001000005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>LAMAS, Jos&eacute; – <i>Morfologia urbana e desenho da cidade.</i> Lisboa: Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian: Funda&ccedil;&atilde;o para Ci&ecirc;ncia e Tecnologia, 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2075715&pid=S2183-3176201900020001000006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MUMFORD, Eric – <i>The CIAM discourse on urbanism, 1928-1960</i>. Cambridge, MA: MIT Press, 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2075717&pid=S2183-3176201900020001000007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>NUNES, Jo&atilde;o Pedro Silva – <i>&Agrave; Escala humana: planeamento urbano e arquitectura de habita&ccedil;&atilde;o em Olivais Sul (Lisboa, 1959-1969)</i>. Lisboa: C&acirc;mara Municipal de Lisboa, 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2075719&pid=S2183-3176201900020001000008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>PEREIRA, Nuno Teot&oacute;nio; FREITAS, Ant&oacute;nio Pinto de; PORTAS, Nuno – Habita&ccedil;&otilde;es em torre em Olivais-Norte. <i>Arquitectura</i>. N&ordm; 110 (1969), p. 170-173.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2075721&pid=S2183-3176201900020001000009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>PORTAS, Nuno – <i>A cidade como arquitectura</i>. Lisboa: Livros Horizonte, 1969.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2075723&pid=S2183-3176201900020001000010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>PORTAS, Nuno – A habita&ccedil;&atilde;o colectiva nos ateliers da Rua da Alegria. <i>Jornal Arquitectos.</i> N&ordm; 204 (2002), p. 48-52.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2075725&pid=S2183-3176201900020001000011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>SANT&rsquo;ANA, Joel; FIGUEIREDO, Eduardo; ANTUNES, Joaquim – Aspectos da interven&ccedil;&atilde;o do Gabinete T&eacute;cnico da Habita&ccedil;&atilde;o da C&acirc;mara Municipal de Lisboa na constru&ccedil;&atilde;o de habita&ccedil;&atilde;o social. <i>Boletim GTH</i>. Vol. 6 N&ordm; 41-42 (1&ordm; semestre 1982), p. 371-376.</p>     <!-- ref --><p>Extractos da mem&oacute;ria descritiva do estudo base de Olivais elaborada em 1955. <i>Arquitectura</i>. N&ordm; 81 (mar&ccedil;o 1964), p. 5-11.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2075728&pid=S2183-3176201900020001000013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Olivais Sul em discuss&atilde;o. <i>Arquitectura</i>. N&ordm; 127-128 (1973), p. 57-64.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2075730&pid=S2183-3176201900020001000014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>TOST&Otilde;ES, Ana – <i>Os verdes anos na arquitectura portuguesa dos anos cinquenta</i>. Porto: Edi&ccedil;&otilde;es FAUP, 1997.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2075732&pid=S2183-3176201900020001000015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Submiss&atilde;o/submission: 31/07/2019 </p>     <p>Aceita&ccedil;&atilde;o/approval: 15/11/2019 </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <p><a href="#top1"><sup>1</sup></a><a name="1"></a> O presente artigo, revisto e aumentado, tem por base a tese de doutoramento intitulada <i>As vicissitudes do espa&ccedil;o urbano moderno ou o menino e a &aacute;gua do banho: os bairros dos Olivais</i>. Lisboa: [s.n.], 2015. Tese de doutoramento apresentada &agrave; Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa. </p>     <p><a href="#top2"><sup>2</sup></a><a name="2"></a> PORTAS, Nuno – <i>A cidade como arquitectura</i>. Lisboa: Livros Horizonte, 1969. p. 128.</p>     <p><a href="#top3"><sup>3</sup></a><a name="3"></a> ALMEIDA, Pedro Vieira de; FERNANDES, Jos&eacute; Manuel – <i>Hist&oacute;ria da arte em Portugal: a arquitectura moderna</i>. Lisboa: Publica&ccedil;&otilde;es Alfa, 1986. Vol. 14, p. 153-154.</p>     <p><a href="#top4"><sup>4</sup></a><a name="4"></a> Os 10 CIAM realizaram-se entre 1928 e 1956. Como lembra Benedetto Gravagnuolo, a eles corresponder&aacute; o papel guia na promo&ccedil;&atilde;o de uma confronta&ccedil;&atilde;o sistem&aacute;tica entre as diversas experi&ecirc;ncias e teorias da modernidade. GRAVAGNUOLO, Benedetto – <i>Historia del urbanismo en Europa: 1750-1960</i>. Madrid: Ediciones Akal, 1998. p. 385.</p>     <p><a href="#top5"><sup>5</sup></a><a name="5"></a> TOST&Otilde;ES, Ana – <i>Os verdes anos na arquitectura portuguesa dos anos cinquenta</i>. Porto: Edi&ccedil;&otilde;es FAUP, 1997. p. 76.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top6"><sup>6</sup></a><a name="6"></a> O 4&ordm; CIAM, realizado em 1933 e dedicado &agrave; cidade funcional, &eacute; o respons&aacute;vel pela produ&ccedil;&atilde;o da Carta de Atenas (escrita por Le Corbusier em 1942 e exprimindo uma posi&ccedil;&atilde;o pessoal sobre as conclus&otilde;es do congresso), onde se fixaram princ&iacute;pios sistem&aacute;ticos relativos ao moderno planeamento. Em Portugal, vai ser publicada na revista <i>Arquitectura</i> (do n&ordm; 20 ao n&ordm; 27) em 1948. Um resumo da Carta tinha j&aacute; sido publicado em 1944, na revista <i>T&eacute;cnica</i> do Instituto Superior T&eacute;cnico (n&ordm; 147, maio de 1944).</p>     <p><a href="#top7"><sup>7</sup></a><a name="7"></a> SANT&rsquo;ANA, Joel; Figueiredo, Eduardo; ANTUNES, Joaquim – Aspectos da interven&ccedil;&atilde;o do Gabinete T&eacute;cnico da Habita&ccedil;&atilde;o da C&acirc;mara Municipal de Lisboa na constru&ccedil;&atilde;o de habita&ccedil;&atilde;o social. <i>Boletim GTH</i>. Vol. 6 N&ordm;41-42 (1&ordm; semestre 1982), p. 371-376.</p>     <p><a href="#top8"><sup>8</sup></a><a name="8"></a> Extractos da Mem&oacute;ria Descritiva do Estudo Base de Olivais elaborada em 1955. <i>Arquitectura</i>. N&ordm; 81 (1964), p. 5-28.</p>     <p><a href="#top9"><sup>9</sup></a><a name="9"></a> <i>Idem</i>. O projeto do Centro C&iacute;vico, de Joaquim Ferreira, tamb&eacute;m apresentado nesta revista e que previa atividades comerciais, artesanais e profissionais, articulada por p&aacute;tios, e ainda uma biblioteca e um anfiteatro, n&atilde;o foi constru&iacute;do. </p>     <p><a href="#top10"><sup>10</sup></a><a name="10"></a> ALMEIDA, Leopoldo – Olivais Norte: nota cr&iacute;tica. <i>Arquitectura</i>. N&ordm; 81 (1964), p. 12-14.</p>     <p><a href="#top11"><sup>11</sup></a><a name="11"></a> <i>Plan Masse</i> consiste na representa&ccedil;&atilde;o gr&aacute;fica a&eacute;rea da interven&ccedil;&atilde;o no terreno. Alguns autores denunciam o car&aacute;cter abstrato e arbitr&aacute;rio desta forma de representa&ccedil;&atilde;o como m&eacute;todo de composi&ccedil;&atilde;o urbana em si, e tamb&eacute;m de &laquo;ideologia&raquo; de projeto, ligando-o ao planeamento racionalista moderno.</p>     <p>Ver LAMAS, Jos&eacute; – <i>Morfologia urbana e desenho da cidade</i>. Lisboa: Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian: Funda&ccedil;&atilde;o para Ci&ecirc;ncia e Tecnologia, 2004. p. 370-374.</p>     <p><a href="#top12"><sup>12</sup></a><a name="12"></a> Diagrama divulgado por Le Corbusier em 1930, por ocasi&atilde;o do 3&ordm; CIAM em Bruxelas. Dedicado ao tema &ldquo;M&eacute;todos Construtivos Racionais&rdquo;, com o subtema &ldquo;Constru&ccedil;&otilde;es baixas, m&eacute;dias ou altas&rdquo;, este congresso concentrou-se no estudo da divis&atilde;o racional do solo. Ver MUMFORD, Eric – The CIAM discourse on urbanism, 1928-1960. Cambridge, MA: MIT Press, 2000. p. 49 e GRAVAGNUOLO, Benedetto – <i>Historia del urbanismo en Europa, 1750-1960</i>. Madrid: Ediciones Akal, 1998. p. 392.</p>     <p><a href="#top13"><sup>13</sup></a><a name="13"></a> PEREIRA, Nuno Teot&oacute;nio; FREITAS, Ant&oacute;nio Pinto de; PORTAS, Nuno – Habita&ccedil;&otilde;es em torre em Olivais-Norte. <i>Arquitectura</i>. N&ordm; 110 (1969), p. 171-174.</p>     <p><a href="#top14"><sup>14</sup></a><a name="14"></a> ALMEIDA, Leopoldo – <i>Op. cit.</i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top15"><sup>15</sup></a><a name="15"></a> Ver Olivais Sul em Discuss&atilde;o. <i>Arquitectura</i>. N&ordm; 127-128 (1973), p. 57-64.</p>     <p><a href="#top16"><sup>16</sup></a><a name="16"></a> A autoria do plano-base de OS &eacute; atribu&iacute;da a Rafael Botelho e Carlos Duarte. A autoria dos planos parcelares &eacute; atribu&iacute;da a um grupo de trabalho dirigido por Rafael Botelho, de que fizeram parte Ant&oacute;nio Freitas, Carlos Duarte, Celestino de Castro e M&aacute;rio J. Bruxelas. A autoria do projeto de urbaniza&ccedil;&atilde;o, equipamento e espa&ccedil;os livres &eacute; atribu&iacute;da a um grupo de trabalho dirigido por Carlos Duarte, de que fizeram parte Luiz Vassalo Rosa, Eduardo G. Medeiros, Francisco Figueira, Carlos Worm, Joel Santana, Joaquim Castro; Engs. J. M. Pereira Gomes e Jo&atilde;o Guterres; Escultores Jorge Vieira e Ant&oacute;nio Alfredo. Ver Olivais Sul em Discuss&atilde;o. <i>Arquitectura</i>. N&ordm; 127-128 (1973), p. 57-64.</p>     <p><a href="#top17"><sup>17</sup></a><a name="17"></a> Ver Olivais Sul em discuss&atilde;o. <i>Arquitectura</i>. N&ordm; 127-128 (1973), p. 57-64.</p>     <p><a href="#top18"><sup>18</sup></a><a name="18"></a> Segundo a Mem&oacute;ria Descritiva do plano, os parques a construir nos Olivais Sul contemplariam &aacute;reas l&uacute;dicas e instala&ccedil;&otilde;es para atividades pedag&oacute;gicas como teatro de ar livre, fantoches, biblioteca infantil, etc., seguindo o modelo das escolas e parques su&iacute;&ccedil;os &ldquo;Robinson Crusoe&rdquo;.</p>     <p><a href="#top19"><sup>19</sup></a><a name="19"></a> Ver Olivais Sul em discuss&atilde;o. <i>Arquitectura</i>. N&ordm; 127-128 (1973), p. 57-64.</p>     <p><a href="#top20"><sup>20</sup></a><a name="20"></a> NUNES, Jo&atilde;o Pedro Silva – <i>&Agrave; escala humana: planeamento urbano e arquitectura de habita&ccedil;&atilde;o em Olivais Sul (Lisboa, 1959-1969)</i>. Lisboa: C&acirc;mara Municipal de Lisboa, 2007. p. 120 e 122-123.</p>     <p><a href="#top21"><sup>21</sup></a><a name="21"></a> PORTAS, Nuno – <i>A cidade como arquitectura</i>. Lisboa: Livros Horizonte, 1969. p. 129-130.</p>     <p><a href="#top22"><sup>22</sup></a><a name="22"></a> DUARTE, Carlos – Mem&oacute;rias de Olivais-Sul. <i>Jornal Arquitectos</i>. N&ordm; 204 (2002), p. 53-58.</p>     <p><a href="#top23"><sup>23</sup></a><a name="23"></a> PORTAS, Nuno – A habita&ccedil;&atilde;o colectiva nos ateliers da Rua da Alegria. <i>Jornal Arquitectos.</i> N&ordm; 204 (2002), p. 48-52.</p>     <p><a href="#top24"><sup>24</sup></a><a name="24"></a> <i>Idem</i>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top25"><sup>25</sup></a><a name="25"></a> DUARTE, Carlos – Mem&oacute;rias de Olivais-Sul. <i>Jornal Arquitectos</i>. N&ordm; 204 (2002), p. 53-58.</p>     <p><a href="#top26"><sup>26</sup></a><a name="26"></a> PORTAS, Nuno – A habita&ccedil;&atilde;o colectiva nos ateliers da Rua da Alegria. <i>Jornal Arquitectos.</i> N&ordm; 204 (2002), p. 51.</p>     <p><a href="#top27"><sup>27</sup></a><a name="27"></a> CROFT, Vasco; MORAIS, Justino; CADIMA, Joaquim – Conjunto de habita&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas em Olivais-Sul. <i>Arquitectura</i>. N&ordm; 110 (1969), p. 166-169.</p>     <p><a href="#top28"><sup>28</sup></a><a name="28"></a> PORTAS, Nuno – A habita&ccedil;&atilde;o colectiva nos ateliers da Rua da Alegria. <i>Jornal Arquitectos.</i> N&ordm; 204 (2002), p. 48-52.</p>     <p><a href="#top29"><sup>29</sup></a><a name="29"></a> CROFT, Vasco; MORAIS, Justino; CADIMA, Joaquim – <i>Op. cit.</i></p>      ]]></body><back>
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