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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A habitação das “classes laboriosas”: Espaços de residência operária na Lisboa do final do século XIX]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The housing of the “working classes”: Lisbon's residence spaces in the late nineteenth century]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In the late 19th century, Lisbon's industrial development will enhance the city's demographic and urban growth. These phenomena arise from the increase of the “working classes”, namely those related to factory production, but also from the emergence of housing units with different types. The “patios” and other residential settlements, resulting from the reuse of buildings and spaces integrated in the pre-existing urban network, incorporated heterogeneous communities. The “vilas” and “neighbourhoods” of the working-class, because integrated in the factory space or belonging to an industrial owner, housed much more homogeneous populations. Thus, diverse social and urban spaces appear in the working-class Lisbon of that time. This article, therefore, focuses on identifying the housing spaces of the “working classes” existing in Lisbon in the last decade of the 1800s, analysing its urban location, the distribution of residents in these areas and their living conditions.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>DOSSIER TEM&Aacute;TICO</b></p>     <p align="right">&nbsp;</p>     <p><b>A habita&ccedil;&atilde;o das “classes laboriosas”. Espa&ccedil;os de resid&ecirc;ncia oper&aacute;ria na Lisboa do final do s&eacute;culo XIX</b></p>     <p><b>The housing of the “working classes”. Lisbon's residence spaces in the late nineteenth century</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Ana Alc&acirc;ntara<sup>*</sup></b></p>     <p><sup>*</sup>Ana Ramos Alc&acirc;ntara, ESE-IPS – Escola Superior de Educa&ccedil;&atilde;o, Instituto Polit&eacute;cnico de Set&uacute;bal, 2914 – 504 Set&uacute;bal / IHC-FCSH NOVA – Instituto de Hist&oacute;ria Contempor&acirc;nea, Faculdade de Ci&ecirc;ncias Sociais e Humanas, Universidade NOVA de Lisboa, 1069-061 Lisboa, Portugal. <a href="mailto:anaralcantara@gmail.com">anaralcantara@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No per&iacute;odo final do s&eacute;culo XIX o desenvolvimento industrial de Lisboa vai potenciar o crescimento demogr&aacute;fico e urbano da cidade. Estes fen&oacute;menos adv&ecirc;m do incremento das &laquo;classes laboriosas&raquo;, nomeadamente as arroladas &agrave; produ&ccedil;&atilde;o fabril e oficinal, mas tamb&eacute;m do surgimento de n&uacute;cleos habitacionais com diferentes tipologias. Os &laquo;p&aacute;tios&raquo; e outros aglomerados residenciais, resultantes do aproveitamento de edif&iacute;cios e espa&ccedil;os integrados na rede urbana preexistente, incorporavam comunidades social e laboralmente heterog&eacute;neas. As &laquo;vilas&raquo; e &laquo;bairros&raquo; oper&aacute;rios, que por estarem integrados no espa&ccedil;o da f&aacute;brica e/ou pertencerem a um propriet&aacute;rio industrial, abrigavam comunidades de cariz bastante mais homog&eacute;neo, concebendo-se, assim, espa&ccedil;os sociais e urbanos diversos na Lisboa oper&aacute;ria de ent&atilde;o.</p>     <p>Este artigo foca-se, portanto, na identifica&ccedil;&atilde;o dos espa&ccedil;os de habita&ccedil;&atilde;o das &laquo;classes laboriosas&raquo; existentes em Lisboa na &uacute;ltima d&eacute;cada de Oitocentos, analisando, simultaneamente, a sua localiza&ccedil;&atilde;o urbana, a distribui&ccedil;&atilde;o de moradores por esses espa&ccedil;os e as suas condi&ccedil;&otilde;es de habitabilidade.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>PALAVRAS-CHAVE</b></p>     <p>Lisboa / Habita&ccedil;&atilde;o / Operariado / S&eacute;culo XIX</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>In the late 19th century, Lisbon's industrial development will enhance the city's demographic and urban growth. These phenomena arise from the increase of the “working classes”, namely those related to factory production, but also from the emergence of housing units with different types. The “patios” and other residential settlements, resulting from the reuse of buildings and spaces integrated in the pre-existing urban network, incorporated heterogeneous communities. The “vilas” and “neighbourhoods” of the working-class, because integrated in the factory space or belonging to an industrial owner, housed much more homogeneous populations. Thus, diverse social and urban spaces appear in the working-class Lisbon of that time.</p>     <p>This article, therefore, focuses on identifying the housing spaces of the “working classes” existing in Lisbon in the last decade of the 1800s, analysing its urban location, the distribution of residents in these areas and their living conditions.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>KEYWORDS</b></p>     <p>Lisbon / Housing / Working class / 19<sup>th</sup> century</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>     <blockquote>De Lisboa sei dizer (&hellip;) que (&hellip;) os oper&aacute;rios de pequena ind&uacute;stria, os das obras e servi&ccedil;os municipais, de envolta com gente pobre, que se emprega nos mais variados misteres, arrastam vida miser&aacute;vel em resid&ecirc;ncias infectas. (&hellip;) [&Eacute;] este calv&aacute;rio do operariado: a habita&ccedil;&atilde;o<a href="#1"><sup>1</sup></a><a name="top1"></a>.         <p></p>         <p></p> </blockquote>     <p>Na &uacute;ltima d&eacute;cada do s&eacute;culo XIX, Lisboa cresceu em espa&ccedil;o constru&iacute;do e em n&uacute;mero de habitantes. A reconfigura&ccedil;&atilde;o social da capital, o grande polo de atra&ccedil;&atilde;o do Reino onde em 1890 se concentrava mais de 6% da popula&ccedil;&atilde;o portuguesa, fez-se &agrave; custa de &laquo;novos lisboetas&raquo;<a href="#2"><sup>2</sup></a><a name="top2"></a> que v&atilde;o, em larga medida, incrementar as classes trabalhadoras, nomeadamente a oper&aacute;ria, resultado de uma forte migra&ccedil;&atilde;o rural.</p>     <p>Este artigo ocupa-se dos espa&ccedil;os de habita&ccedil;&atilde;o das &laquo;classes laboriosas&raquo; lisboetas na &uacute;ltima d&eacute;cada do s&eacute;culo XIX. Pretende-se caracterizar as tipologias e as condi&ccedil;&otilde;es de habitabilidade dos aglomerados residenciais destas comunidades, a sua implanta&ccedil;&atilde;o urbana e a distribui&ccedil;&atilde;o dos moradores por esses espa&ccedil;os.</p>     <p>A ideia do territ&oacute;rio como elemento indispens&aacute;vel ao entendimento das rela&ccedil;&otilde;es sociais e humanas e a conce&ccedil;&atilde;o de que toda a a&ccedil;&atilde;o humana pressup&otilde;e uma localiza&ccedil;&atilde;o num determinado espa&ccedil;o-tempo<a href="#3"><sup>3</sup></a><a name="top3"></a> conduziram a que a vari&aacute;vel espacial - o &laquo;onde&raquo; - assuma um papel fundamental neste artigo. Sendo, assim, primordiais para esta investiga&ccedil;&atilde;o estat&iacute;sticas, inqu&eacute;ritos, relat&oacute;rios e estudos, que se debru&ccedil;aram sobre a situa&ccedil;&atilde;o social e habitacional das &laquo;classes laboriosas&raquo; da capital e que nos permitem localizar estes espa&ccedil;os na ent&atilde;o cidade de Lisboa<a href="#4"><sup>4</sup></a><a name="top4"></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As crescentes preocupa&ccedil;&otilde;es sanit&aacute;rias caracter&iacute;sticas do per&iacute;odo final de Oitocentos e a consci&ecirc;ncia de que as deficientes condi&ccedil;&otilde;es de habitabilidade eram causa de uma maior incid&ecirc;ncia de variadas doen&ccedil;as, como a tuberculose, entre a popula&ccedil;&atilde;o oper&aacute;ria<a href="#5"><sup>5</sup></a><a name="top5"></a> ter&atilde;o estado na origem da realiza&ccedil;&atilde;o, pelo Conselho dos Melhoramentos Sanit&aacute;rios do Minist&eacute;rio das Obras P&uacute;blicas, Com&eacute;rcio e Ind&uacute;stria, do <i>Inqu&eacute;rito aos pateos de Lisboa</i>.<a href="#6"><sup>6</sup></a><a name="top6"></a> Constituindo um invent&aacute;rio de &laquo;p&aacute;tios&raquo; e &laquo;vilas&raquo; lisboetas no final do s&eacute;culo XIX<a href="#7"><sup>7</sup></a><a name="top7"></a>, nele foi registado o nome, localiza&ccedil;&atilde;o e propriet&aacute;rio de cada um destes aglomerados habitacionais, assim como o seu n&uacute;mero de fogos e de habitantes. Ao incluir, tamb&eacute;m, refer&ecirc;ncias &agrave; exist&ecirc;ncia ou n&atilde;o de vidra&ccedil;as nas janelas, de latrinas ou pias, de canaliza&ccedil;&atilde;o, da forma de escoamento das &aacute;guas pluviais e despejos e do tipo de pavimento das habita&ccedil;&otilde;es, serve para avaliar a conserva&ccedil;&atilde;o e salubridade destes espa&ccedil;os, categorizando-os como “bom”, “em mau estado, mas repar&aacute;veis” ou “em estado conden&aacute;vel”. Assim, os relat&oacute;rios anexos &agrave;s duas partes deste inqu&eacute;rito tinham como objetivo “indicar as obras de saneamento indispens&aacute;veis”<a href="#8"><sup>8</sup></a><a name="top8"></a> aos da segunda categoria e recomendavam, tamb&eacute;m, a demoli&ccedil;&atilde;o dos “que se encontra[va]m em deplor&aacute;veis condi&ccedil;&otilde;es hygienicas e em tal estado de ru&iacute;na, dificilmente repar&aacute;vel”<a href="#9"><sup>9</sup></a><a name="top9"></a>. Toda a informa&ccedil;&atilde;o que nele se encontra torna o <i>Inqu&eacute;rito aos pateos de Lisboa</i> imprescind&iacute;vel a este trabalho.</p>     <p>Embora incontorn&aacute;vel, enquanto reposit&oacute;rio de informa&ccedil;&atilde;o relativa ao habitar das &laquo;classes laboriosas&raquo; lisboetas desta &eacute;poca, o <i>Inqu&eacute;rito aos pateos de Lisboa</i> n&atilde;o abarcou todas as formas residenciais destas popula&ccedil;&otilde;es. Ficaram de fora estruturas mais ou menos prec&aacute;rias constru&iacute;das em terrenos abandonados ou baldios, a ocupa&ccedil;&atilde;o de ru&iacute;nas sem a interven&ccedil;&atilde;o e/ou conhecimento dos propriet&aacute;rios, os alugueres de quartos ou partes de casas e alojamentos coletivos e/ou sazonais como as &laquo;casas de malta&raquo;. &Eacute; de referir, tamb&eacute;m, que esta fonte denota alguma sub-representa&ccedil;&atilde;o dos n&uacute;cleos habitacionais localizados nas zonas mais perif&eacute;ricas da cidade, nomeadamente, no eixo Santa Apol&oacute;nia/Madredeus e Alc&acirc;ntara/Junqueira. A aus&ecirc;ncia de refer&ecirc;ncia a espa&ccedil;os residenciais emblem&aacute;ticos desta &eacute;poca, como o p&aacute;tio do Fi&uacute;za em Alc&acirc;ntara ou o p&aacute;tio Marialva em Marvila, revela que a “comiss&atilde;o [que] comporta[va] pessoal technico competente, (&hellip;) um representante da Camara Municipal e (&hellip;) delegado de sa&uacute;de”<a href="#10"><sup>10</sup></a><a name="top10"></a> levou a cabo um levantamento mais exaustivo e minucioso nos bairros hist&oacute;ricos e mais centrais da cidade<a href="#11"><sup>11</sup></a><a name="top11"></a>. Este facto conduziu a que o estudo e caracteriza&ccedil;&atilde;o dos “typos de habita&ccedil;&otilde;es populares”<a href="#12"><sup>12</sup></a><a name="top12"></a> lisboetas deste per&iacute;odo fosse coadjuvado com outras fontes e documentos. &Eacute; o caso do projeto-lei, n&atilde;o aprovado, onde o deputado Augusto Fuchini<a href="#13"><sup>13</sup></a><a name="top13"></a>, para al&eacute;m de elencar as “m&aacute;s condi&ccedil;&otilde;es de salubridade da cidade de Lisboa (&hellip;) [e] as condi&ccedil;&otilde;es de vida das classes prolet&aacute;rias da capital”<a href="#14"><sup>14</sup></a><a name="top14"></a>, identifica as poucas solu&ccedil;&otilde;es de habita&ccedil;&atilde;o oper&aacute;ria que se deviam aos “esfor&ccedil;os (&hellip;) das nossas ind&uacute;strias”<a href="#15"><sup>15</sup></a><a name="top15"></a> e sugere solu&ccedil;&otilde;es e benesses fiscais que levassem “as poderosas companhias ou grandes industriais a compreende[r] a conveni&ecirc;ncia de facultarem a habita&ccedil;&atilde;o (&hellip;) aos seus oper&aacute;rios (&hellip;) com rendas ass&aacute;s econ&oacute;micas”<a href="#16"><sup>16</sup></a><a name="top16"></a>. Ou outros relat&oacute;rios e estudos<a href="#17"><sup>17</sup></a><a name="top17"></a> com detalhadas exposi&ccedil;&otilde;es tanto de “antigos pateos (&hellip;) [como de] quarteir&otilde;es de casas (&hellip;) constru&iacute;das de prop&oacute;sito”<a href="#18"><sup>18</sup></a><a name="top18"></a>.</p>     <p>Estas informa&ccedil;&otilde;es associadas aos licenciamentos, processos de obras e pedidos de novos arruamentos depositados no<i> Fundo de Urbanismo e Obras </i>e <i>Processos de Obras</i> do Arquivo Municipal de Lisboa permitiram identificar, localizar e proceder &agrave; caracteriza&ccedil;&atilde;o de n&uacute;cleos de habita&ccedil;&atilde;o, onde moraria a popula&ccedil;&atilde;o oper&aacute;ria lisboeta, cuja ocupa&ccedil;&atilde;o pode ser confirmada na d&eacute;cada entre 1890 e 1900.</p>     <p>O extenso e minucioso levantamento de “formas de habita&ccedil;&atilde;o pluri-familiar [e] estudo sistem&aacute;tico dos diferentes tipos de constru&ccedil;&atilde;o correspondendo &agrave;s sucessivas &eacute;pocas e &agrave;s classes e estratos da popula&ccedil;&atilde;o a que se destinavam”<a href="#19"><sup>19</sup></a><a name="top19"></a>, levado a cabo pelo arquiteto Nuno Teot&oacute;nio Pereira, assim como o invent&aacute;rio realizado pela Divis&atilde;o de Reabilita&ccedil;&atilde;o Urbana dos P&aacute;tios e Vilas da C&acirc;mara Municipal de Lisboa<a href="#20"><sup>20</sup></a><a name="top20"></a>, que visava a salvaguarda de alguns deste espa&ccedil;os, constituem, no &acirc;mbito desta investiga&ccedil;&atilde;o, fontes secund&aacute;rias atuais que permitem colmatar falhas e imprecis&otilde;es das fontes da &eacute;poca.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>&laquo;P&Aacute;TIOS&raquo;, &laquo;VILAS&raquo; E &laquo;BAIRROS&raquo; LABORIOSOS</b></p>     <p>     <blockquote>Pateos de Lisboa – recintos irregulares, onde se aglomeram habita&ccedil;&otilde;es e casinhotos, de capacidade limitada, constru&ccedil;&atilde;o defeituosa, sem luz nem arejamento<a href="#21"><sup>21</sup></a><a name="top21"></a>. (&hellip;) Tudo o que &eacute; necess&aacute;rio &agrave; vida – o ar, o sol, o espa&ccedil;o, falta nestas habita&ccedil;&otilde;es<a href="#22"><sup>22</sup></a><a name="top22"></a>.         <p></p>         <p></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A estrutura urbana de Lisboa, no final do s&eacute;culo XIX, assenta ainda nos bairros antigos com elevada densidade populacional e diversidade social. Espa&ccedil;os verdadeiramente interclassistas, onde, em andares acrescentados &agrave;s constru&ccedil;&otilde;es pr&eacute;-existentes e nas traseiras de pr&eacute;dios e quarteir&otilde;es, habitavam pessoas que chegavam &agrave; procura de trabalho e de melhores condi&ccedil;&otilde;es de vida.</p>     <p>O desenvolvimento do processo industrializador de Lisboa e decorrente aumento das comunidades oper&aacute;rias na &uacute;ltima d&eacute;cada de Oitocentos<a href="#23"><sup>23</sup></a><a name="top23"></a>, associado &agrave;s campanhas de obras p&uacute;blicas de embelezamento e renova&ccedil;&atilde;o urbana<a href="#24"><sup>24</sup></a><a name="top24"></a>, que levaram a necessidades crescentes de m&atilde;o-de-obra e ao intensificar do afluxo de popula&ccedil;&otilde;es &agrave; capital, conduziram ao aumento da procura de resid&ecirc;ncia por &laquo;novos lisboetas&raquo; que laboravam na ind&uacute;stria e, tamb&eacute;m, nas obras p&uacute;blicas e servi&ccedil;os. Dada a incapacidade da estrutura urbana em albergar o crescimento demogr&aacute;fico da capital e a quase aus&ecirc;ncia de resposta estatal &agrave; necessidade habitacional das &laquo;classes laboriosas&raquo;, a busca de solu&ccedil;&otilde;es residenciais para o operariado foi deixada aos privados. Foi dos/as pr&oacute;prios/as, dos patr&otilde;es e de outros propriet&aacute;rios que surgiram iniciativas de constru&ccedil;&atilde;o e/ou adapta&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os para habita&ccedil;&atilde;o dos novos efetivos populacionais.</p>     <p>As primeiras respostas assentaram na ocupa&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os livres da urbe tradicional, anterior ao terramoto de 1755, e de edif&iacute;cios devolutos, atrav&eacute;s da sobreocupa&ccedil;&atilde;o de velhas constru&ccedil;&otilde;es. Aproveitam-se caves, conventos das extintas ordens religiosas e pal&aacute;cios desocupados ou em ru&iacute;nas, que foram repartidos em pequenos fogos<a href="#25"><sup>25</sup></a><a name="top25"></a>. Por outro lado, desponta o aproveitamento dos espa&ccedil;os desocupados nas partes de tr&aacute;s de ruas e nos logradouros de pr&eacute;dios, atrav&eacute;s da constru&ccedil;&atilde;o de conjuntos habitacionais mais ou menos prec&aacute;rios e pensados para albergarem muita gente em pouco espa&ccedil;o.</p>     <p>A localiza&ccedil;&atilde;o dos diferentes tipos de n&uacute;cleos de habita&ccedil;&atilde;o das &laquo;classes laboriosas&raquo; na &uacute;ltima d&eacute;cada do s&eacute;culo XIX (ver <a href="#f1">Figura 1</a>) – &laquo;p&aacute;tios&raquo;, &laquo;vilas oper&aacute;rias&raquo; e &laquo;bairros oper&aacute;rios&raquo; – revela uma dissemina&ccedil;&atilde;o em toda a extens&atilde;o da cidade realmente urbanizada &agrave; &eacute;poca, com maior concentra&ccedil;&atilde;o nos bairros hist&oacute;ricos e nas &aacute;reas da periferia onde crescia a atividade industrial. Simultaneamente, assinala-se uma aus&ecirc;ncia quase total na Baixa comercial da cidade e na extens&atilde;o mais ruralizada da capital.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="f1"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n13/ser2n13a04f1.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A solu&ccedil;&atilde;o habitacional mais frequente entre as &laquo;classes laboriosas&raquo; assentava fundamentalmente, como evidente na <a href="#f1">Figura 1</a>, na tipologia &laquo;p&aacute;tios&raquo;. Agrupamentos de resid&ecirc;ncias resultantes de constru&ccedil;&otilde;es mais ou menos prec&aacute;rias edificadas em traseiras de pr&eacute;dios e quarteir&otilde;es ou de reaproveitamentos de constru&ccedil;&otilde;es anteriores constitu&iacute;am-se como ilhas integradas na malha urbana hist&oacute;rica. Constru&ccedil;&otilde;es n&atilde;o planeadas que integravam o sistema nuclear urbano da cidade tradicional e que estavam espacialmente relacionados com a implanta&ccedil;&atilde;o fabril na cidade em 1890<a href="#26"><sup>26</sup></a><a name="top26"></a>.</p>     <p>O aumento da densidade populacional nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas do s&eacute;culo XIX e o esgotamento das capacidades de absor&ccedil;&atilde;o de novos habitantes em &laquo;p&aacute;tios&raquo; e casas dos bairros tradicionais conduziu &agrave; edifica&ccedil;&atilde;o de &laquo;vilas&raquo; de diferentes g&eacute;neros, conforme a necessidade, espa&ccedil;o livre e disponibilidade financeira dos propriet&aacute;rios/construtores. A constru&ccedil;&atilde;o das &laquo;vilas&raquo; especificamente destinadas a habita&ccedil;&atilde;o oper&aacute;ria por iniciativa dos propriet&aacute;rios industriais configurava uma solu&ccedil;&atilde;o economicamente proveitosa. Para al&eacute;m do cunho filantr&oacute;pico, oferecia, aos empregadores, renda resultante do aluguer das casas e gerava uma depend&ecirc;ncia entre habita&ccedil;&atilde;o e local de trabalho. Ou seja, agrupava trabalhadores/as de baixo rendimento salarial ao mesmo tempo que aumentava a depend&ecirc;ncia destes/as face &agrave; f&aacute;brica, reduzindo, assim, a mobilidade no emprego e as reivindica&ccedil;&otilde;es laborais. Ainda assim, e como se ver&aacute; mais &agrave; frente, eram “habita&ccedil;&atilde;o coletiva, num espa&ccedil;o relativamente humanizado e relativamente salubre”<a href="#27"><sup>27</sup></a><a name="top27"></a> se comparado com os aproveitamentos de espa&ccedil;os nos bairros setecentistas ou com os &laquo;p&aacute;tios&raquo;. A territorialidade das &laquo;vilas oper&aacute;rias&raquo;, a amarelo na <a href="#f1">Figura 1</a>, acontecia nas imedia&ccedil;&otilde;es das novas &aacute;reas de implanta&ccedil;&atilde;o industrial a oriente e a ocidente do centro e s&oacute;, pontualmente, penetrava na malha urbana mais central.</p>     <p>Os &laquo;bairros oper&aacute;rios&raquo; eram, em modelo, id&ecirc;nticos &agrave;s &laquo;vilas&raquo;. Exigiam, no entanto, maiores recursos para a obra, j&aacute; que constitu&iacute;am conjuntos urban&iacute;sticos edificados em mais que um quarteir&atilde;o, onde as preocupa&ccedil;&otilde;es construtivas inclu&iacute;am, tamb&eacute;m, o espa&ccedil;o exterior coletivo. Os &laquo;bairros&raquo;, a azul na <a href="#f1">Figura 1</a>, surgem essencialmente em zonas de crescimento industrial como Alc&acirc;ntara e, em maior quantidade, na zona oriental de Lisboa. Nesta &uacute;ltima, localiza-se o &uacute;nico “bairro oper&aacute;rio”<a href="#28"><sup>28</sup></a><a name="top28"></a> edificado de raiz em Lisboa no final de Oitocentos, o Bairro Oper&aacute;rio dos Barbadinhos<a href="#29"><sup>29</sup></a><a name="top29"></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para al&eacute;m dos &laquo;p&aacute;tios&raquo;, &laquo;vilas&raquo; e &laquo;bairros&raquo;, representados na <a href="#f1">Figura 1</a>, existiam ainda &laquo;bairros de barracas&raquo; constru&iacute;dos com “todo o lixo da cidade”<a href="#30"><sup>30</sup></a><a name="top30"></a> e as &laquo;casas de malta&raquo;. Por &laquo;casas de malta&raquo; entendiam-se alojamentos coletivos usados, essencialmente, pela popula&ccedil;&atilde;o masculina que trabalhava por temporada. Eram, portanto, locais de pernoita destinados a trabalhadores tempor&aacute;rios e/ou acabados de chegar &agrave; capital, onde se alugava “um espa&ccedil;o (&hellip;) – geralmente uma cama e um prego para pendurar a roupa”<a href="#31"><sup>31</sup></a><a name="top31"></a>. Estas moradias coletivas, os “subterr&acirc;neos (&hellip;) para os lados da Ajuda e de Alc&acirc;ntara”<a href="#32"><sup>32</sup></a><a name="top32"></a>, as “barracas de madeira aglomerada [e] (&hellip;) de latas de petr&oacute;leo”<a href="#33"><sup>33</sup></a><a name="top33"></a> do Casal Ventoso ou as furnas de Monsanto faziam, tamb&eacute;m, parte da realidade habitacional das &laquo;classes laboriosas&raquo; lisboetas deste per&iacute;odo. Por passarem despercebidas na teia urbana, por terem um car&aacute;cter mais prec&aacute;rio e/ou por se localizarem afastados das &laquo;zonas nobres&raquo; da capital, fugiam dos olhares p&uacute;blicos do final do s&eacute;culo XIX, mais investidos no processo de monumentaliza&ccedil;&atilde;o de Lisboa<a href="#34"><sup>34</sup></a><a name="top34"></a>. Assim, embora referidas na imprensa e documenta&ccedil;&atilde;o da &eacute;poca, n&atilde;o eram indicadas as suas localiza&ccedil;&otilde;es exatas, n&atilde;o nos permitindo a sua representa&ccedil;&atilde;o cartogr&aacute;fica.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>MORADORES NA CIDADE DAS &laquo;CLASSES LABORIOSAS&raquo;</b></p>     <p>     <blockquote>Percorram-se em Lisboa os bairros onde de prefer&ecirc;ncia residem os oper&aacute;rios, como, por exemplo a Alfama, esses restos immundos da cidade velha, ou a freguezia de Santos-o-Velho, algumas ruas em que se accumula uma parte consider&aacute;vel da popula&ccedil;&atilde;o laboriosa; e o que se v&ecirc;?<a href="#35"><sup>35</sup></a><a name="top35"></a>         <p></p>         <p></p> </blockquote>     <p>A distribui&ccedil;&atilde;o dos n&uacute;cleos de habita&ccedil;&atilde;o &laquo;laboriosa&raquo;, na <a href="#f1">Figura 1</a>, permite afirmar que Lisboa, no final do s&eacute;culo XIX, ainda n&atilde;o apresentava uma segrega&ccedil;&atilde;o espacial classista muito vincada, pr&oacute;pria de uma cidade moderna industrial. As comunidades oper&aacute;rias n&atilde;o estavam enraizadas num s&oacute; espa&ccedil;o da cidade. Ocupavam os bairros hist&oacute;ricos e antigos do centro – nas margens da Baixa comercial e industrial onde trabalhavam – e as envolv&ecirc;ncias das f&aacute;bricas das zonas industriais perif&eacute;ricas em afirma&ccedil;&atilde;o nesta &eacute;poca<a href="#36"><sup>36</sup></a><a name="top36"></a>. Foi, certamente, a procura de proximidade aos locais de trabalho que potenciou o surgimento das grandes aglomera&ccedil;&otilde;es de moradores das &laquo;classes laboriosas&raquo; em territ&oacute;rios de &laquo;fronteira&raquo; entre a velha cidade central e os novos polos de desenvolvimento industrial que cresciam para oriente e para ocidente.</p>     <p>Apesar das limita&ccedil;&otilde;es das fontes<a href="#37"><sup>37</sup></a><a name="top37"></a>, a identifica&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de residentes nos n&uacute;cleos de habita&ccedil;&atilde;o identificados (<a href="#q1">Quadro 1</a>) permitiu calcular manchas de densidade de moradores<a href="#38"><sup>38</sup></a><a name="top38"></a> das &laquo;classes laboriosas&raquo; no territ&oacute;rio lisboeta (ver <a href="#f2">Figura 2</a>). Observam-se aglomerados habitacionais com mais inquilinos em redor do centro hist&oacute;rico, localizados no que se pode identificar como faixas de &laquo;fronteira&raquo; entre a zona central e a oriental (ver <a href="#f4">Figura 4</a>) e entre a zona central e a ocidental (ver <a href="#f6">Figura 6</a>) e em pontos muito circunscritos no polo industrial da Lisboa oriental. Existia, especificamente, uma clara intensifica&ccedil;&atilde;o da densidade nos eixos urbanos Alfama/Mouraria, Sapadores/Barbadinhos, Amoreiras/S. Bento e Xabregas.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="q1"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n13/ser2n13a04q1.jpg"> </p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n13/ser2n13a04f2.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>A acumula&ccedil;&atilde;o das gentes &laquo;laboriosas&raquo; na &aacute;rea de Alfama/Castelo/Mouraria, com maior intensidade em Alfama, resulta do elevado n&uacute;mero de &laquo;p&aacute;tios&raquo; desta &aacute;rea motivado “pela proximidade do arsenal do ex&eacute;rcito e suas depend&ecirc;ncias, pelas f&aacute;bricas de tabaco, de bot&otilde;es, de chumbo. E officinas de caminho de ferro, [que se] presta[vam] &agrave;s conveni&ecirc;ncias de milhares de oper&aacute;rios de ambos os sexos que l&aacute; habitam”<a href="#39"><sup>39</sup></a><a name="top39"></a>. Ou seja, a &aacute;rea mais central da cidade por ter rendas mais altas<a href="#40"><sup>40</sup></a><a name="top40"></a> e menos espa&ccedil;o dispon&iacute;vel tornava-se habitacionalmente inacess&iacute;vel para as classes mais desfavorecidas da popula&ccedil;&atilde;o. Os/as trabalhadores/as das f&aacute;bricas e oficinas a&iacute; instaladas viveriam em redor, nos becos, vielas e cal&ccedil;adas de Alfama, Mouraria, Castelo, Bairro Alto ou em redor da rua Direita dos Anjos. De facto, no per&iacute;metro delimitado pela rua da Mouraria, Costa do Castelo, rua das Cruzes da S&eacute;, cal&ccedil;ada de S&atilde;o Vicente e travessa das M&oacute;nicas – uma das manchas de maior densidade de moradores das &laquo;classes laboriosas&raquo; na <a href="#f2">Figura 2</a> – existia uma densa rede de n&uacute;cleos habitacionais de m&uacute;ltiplas dimens&otilde;es que se encaixava entre os espa&ccedil;os industriais da Baixa e da rua da Palma e os da rua dos Caminhos de Ferro/rua de Santa Apol&oacute;nia<a href="#41"><sup>41</sup></a><a name="top41"></a>.</p>     <p>O bairro de Alfama – retratado pelo fot&oacute;grafo Joshua Benoliel na <a href="#f3">Figura 3</a> – e a Mouraria eram caracterizados pela imprensa de &eacute;poca como “habita&ccedil;&otilde;es de mis&eacute;ria”<a href="#42"><sup>42</sup></a><a name="top42"></a> e foram sentenciados, por v&aacute;rios projetos nunca efetivados da edilidade lisboeta<a href="#43"><sup>43</sup></a><a name="top43"></a>, ao desaparecimento. Onde a press&atilde;o urban&iacute;stica permitia, os &laquo;p&aacute;tios&raquo; surgiam e agregavam-se, transformando-se em amontoados de pequenos alojamentos colados uns aos outros que n&atilde;o contemplavam as componentes fundamentais de escoamento de &aacute;guas e/ou esgotos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n13/ser2n13a04f3.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Nos territ&oacute;rios a oriente da &aacute;rea central da cidade, com ocupa&ccedil;&atilde;o de solo de cariz ainda eminentemente rural, a exist&ecirc;ncia de espa&ccedil;o desocupado, as poucas constru&ccedil;&otilde;es preexistentes e os terrenos mais baratos potenciaram a constru&ccedil;&atilde;o e transforma&ccedil;&atilde;o de edificado para habita&ccedil;&atilde;o de comunidades industriais. Estes fatores conduziram &agrave; elevada densidade de moradores no eixo Sapadores/rua da Bela Vista &agrave; Gra&ccedil;a/cal&ccedil;ada dos Barbadinhos, que se observa na <a href="#f2">Figura 2</a>, muito influenciada pelos setecentos e vinte moradores do Bairro Oper&aacute;rio de Barbadinhos<a href="#44"><sup>44</sup></a><a name="top44"></a> (ver <a href="#f4">Figura 4</a>) – “a maioria (&hellip;) composta de oper&aacute;rios da F&aacute;brica de Tabacos”<a href="#45"><sup>45</sup></a><a name="top45"></a>. Assim como, pelas cento e noventa e seis pessoas que viviam no p&aacute;tio Sousa, da rua Nossa Senhora da Gl&oacute;ria, e pelos cento e cinquenta habitantes do p&aacute;tio dos Peixinhos da rua de Sapadores. A forte densidade populacional na rua de Xabregas mostra a import&acirc;ncia da vila Dias – que no dec&eacute;nio de 1890 era casa para cerca de quatrocentas pessoas<a href="#46"><sup>46</sup></a><a name="top46"></a> – e do bairro da &laquo;Companhia de Fabrico de Algod&atilde;o de Xabregas&raquo; – que as fontes indicavam albergar seiscentos e trinta e quatro oper&aacute;rios/as da f&aacute;brica nos primeiros anos do s&eacute;culo XX<a href="#47"><sup>47</sup></a><a name="top47"></a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n13/ser2n13a04f4.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>O “desolador caminho marginal da cidade, rua da Bica do Sapato, Cal&ccedil;ada de Santa Apol&oacute;nia, da Cruz da Pedra, da Madre de Deus (&hellip;) era reduzido a um sud&aacute;rio de coisas tristes e indignas”<a href="#48"><sup>48</sup></a><a name="top48"></a>, muito marcado pelas casas que surgiam para l&aacute; dos port&otilde;es de ferro de velhos pal&aacute;cios ou antigos conventos abandonados, num processo de ocupa&ccedil;&atilde;o de terras e ru&iacute;nas no tecido semirrural da cidade. O p&aacute;tio do Col&eacute;gio em Marvila, o p&aacute;tio da Matinha no Bra&ccedil;o de Prata e o p&aacute;tio do Beir&atilde;o foram edificados nas ru&iacute;nas e hortas de antigas quintas pelos/as oper&aacute;rios/as de saboarias, f&aacute;bricas de curtumes, de tijolos ou corti&ccedil;a da zona oriental da cidade.</p>     <p>Outras solu&ccedil;&otilde;es habitacionais improvisadas foram tamb&eacute;m ensaiadas por empresas ou f&aacute;bricas para albergar os seus empregados. Como, por exemplo, a &laquo;F&aacute;brica de lanif&iacute;cios de J. Pedro de Matos&raquo; num antigo pal&aacute;cio de Chelas onde a “resid&ecirc;ncia senhorial, noutras eras ocupada pelos favorecidos da sorte, [era] quasi exclusivamente habitada por prolet&aacute;rios”<a href="#49"><sup>49</sup></a><a name="top49"></a>, a vila Maria Lu&iacute;sa ou o p&aacute;tio do Black em Xabregas. Na vila Maria Lu&iacute;sa, “em lugar das velhas sementeiras de cereais [que existiam na antiga Quinta Leite de Sousa, a dire&ccedil;&atilde;o da &laquo;F&aacute;brica de fia&ccedil;&atilde;o e tecidos Oriental&raquo; mandou] semear de pequeninos pr&eacute;dios, armados como casitas de pombos, onde habitam fam&iacute;lias pobres”<a href="#50"><sup>50</sup></a><a name="top50"></a>. O p&aacute;tio do Black revelava outro cuidado no aproveitamento de uma antiga casa agr&iacute;cola, com a &laquo;Companhia de Fabrico de Algod&atilde;o de Xabregas&raquo; a justificar as op&ccedil;&otilde;es da empresa pela “necessidade de fornecer habita&ccedil;&atilde;o barata, confort&aacute;vel e higi&eacute;nica aos que tem por &uacute;nica fortuna o produto do seu trabalho quotidiano”<a href="#51"><sup>51</sup></a><a name="top51"></a>.</p>     <p>Tamb&eacute;m a constru&ccedil;&atilde;o de raiz de &laquo;vilas&raquo; por iniciativa de industriais e empres&aacute;rios, essencialmente ligados aos t&ecirc;xteis, caracterizou a evolu&ccedil;&atilde;o urbana da faixa marginal oriental de Lisboa no final de Oitocentos (ver <a href="#f1">Figura 1</a> e <a href="#f3">3</a>). A vila Dias, constru&iacute;da em 1888 com o intuito de abrigar cerca de quatrocentas<a href="#52"><sup>52</sup></a><a name="top52"></a> pessoas, &eacute; o exemplo &uacute;ltimo da edifica&ccedil;&atilde;o de resid&ecirc;ncias oper&aacute;rias por iniciativa particular. A sua configura&ccedil;&atilde;o uniforme virada para um espa&ccedil;o interior coletivo, retratado com alguns dos habitantes na <a href="#f5">Figura 5</a>, separava os moradores das principais vias de comunica&ccedil;&atilde;o, determinando “o isolamento destes oper&aacute;rios de outros n&uacute;cleos habitacionais e de outras classes sociais”<a href="#53"><sup>53</sup></a><a name="top53"></a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f5"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n13/ser2n13a04f5.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>O desenvolvimento e a afirma&ccedil;&atilde;o dos territ&oacute;rios mais ocidentais de Lisboa como polo industrial adveio da instala&ccedil;&atilde;o de pequenas e m&eacute;dias estamparias logo nos primeiros anos do s&eacute;culo XIX, nomeadamente em Alc&acirc;ntara, criando a necessidade de espa&ccedil;os de resid&ecirc;ncia para a crescente m&atilde;o-de-obra. Nesta &aacute;rea, os n&uacute;cleos de habita&ccedil;&atilde;o &laquo;laboriosa&raquo; prolongavam-se ao longo das vias de acesso &agrave;s concentra&ccedil;&otilde;es fabris, afastando-se dos espa&ccedil;os de trabalho fabril e oficinal &agrave; medida que os terrenos iam encarecendo por efeitos da procura para instala&ccedil;&atilde;o de novas unidades de produ&ccedil;&atilde;o<a href="#54"><sup>54</sup></a><a name="top54"></a>.</p>     <p>A agrega&ccedil;&atilde;o habitacional em redor da rua de S. Bento e representada na <a href="#f6">Figura 6</a>, na &laquo;fronteira&raquo; entre a zona central e ocidental, revela-se paradigm&aacute;tica. N&atilde;o sendo lugar de instala&ccedil;&atilde;o de f&aacute;bricas referenciadas no<i> Inqu&eacute;rito Industrial de 1890</i>, esta art&eacute;ria era como que um &laquo;enclave n&atilde;o industrial&raquo; situado entre as &aacute;reas fabris do eixo Amoreiras/Rato, do Bairro Alto e da rua 24 de Julho<a href="#55"><sup>55</sup></a><a name="top55"></a>. No entanto, a&iacute; localizavam-se vinte e cinco &laquo;p&aacute;tios&raquo;<a href="#56"><sup>56</sup></a><a name="top56"></a> – lugares de habita&ccedil;&atilde;o para mil cento e vinte e tr&ecirc;s pessoas das &laquo;classes laboriosas&raquo; cujos percursos quotidianos se cruzavam com os de deputados e pares do Reino, a caminho do Pal&aacute;cio das Cortes no largo de S&atilde;o Bento. A forte densidade de moradores do eixo rua das Amoreiras/rua S&atilde;o Jo&atilde;o dos Bencasados (atual rua Silva Carvalho)/rua do Sol ao Rato/rua de S. Bento, que se pode observar na <a href="#f2">Figura 2</a>, n&atilde;o se explica somente pelos muitos &laquo;p&aacute;tios&raquo; que a&iacute; existiam (ver <a href="#f6">Figura 6</a>) mas, tamb&eacute;m, pelo n&uacute;mero de moradores de alguns destes n&uacute;cleos habitacionais – como o p&aacute;tio Biaggi, na rua das Amoreiras, onde viviam trezentas e dez pessoas; os p&aacute;tios Casal das Oliveiras, Caetano Carvalho e a vila Visconde de S. Ambr&oacute;sio na rua do Sol ao Rato com, respetivamente, cento e quarenta e oito, cento e setenta e quatro, e cento e trinta e seis inquilinos; ou os p&aacute;tios Mendon&ccedil;a e Quinta da Rosa que, na rua de S. Bento, eram morada para cento e vinte, e cento e noventa e quatro almas<a href="#57"><sup>57</sup></a><a name="top57"></a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f6"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n13/ser2n13a04f6.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Tamb&eacute;m a concentra&ccedil;&atilde;o industrial de Alc&acirc;ntara favoreceu a de n&uacute;cleos de habita&ccedil;&atilde;o em &aacute;reas espec&iacute;ficas. A falta de enquadramento estatal e os terrenos abandonados e/ou vazios potenciou um crescimento habitacional desestruturado atrav&eacute;s da instala&ccedil;&atilde;o de &laquo;p&aacute;tios&raquo; e de outras formas de habita&ccedil;&atilde;o ainda mais prec&aacute;rias, que ter&atilde;o escapado aos registos coevos, junto &agrave; rua Maria Pia e Arco do Carvalh&atilde;o. Os onze &laquo;p&aacute;tios&raquo;, com trezentos e oito moradores em oitenta e cinco fogos, que foram identificados ao longo destas ruas decorreram, na sua maioria, da iniciativa privada e pontual de pequenos investidores que procuravam, desta forma, um investimento de retorno f&aacute;cil atrav&eacute;s das rendas cobradas. Os fracos recursos empregues nas constru&ccedil;&otilde;es resultavam em “obra de fancaria (&hellip;) [que] lhes d&aacute;, pouco tempo depois de conclu&iacute;das e habitadas, um aspeto asqueroso”<a href="#58"><sup>58</sup></a><a name="top58"></a>. Este ter&aacute; sido o caso dos p&aacute;tios do Alexandre, do Cid e do Mafra que, no <i>Inqu&eacute;rito aos pateos de Lisboa</i>, est&atilde;o adjetivados como “velhos pardieiros” ou “velhas (barracas)”<a href="#59"><sup>59</sup></a><a name="top59"></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na mesma encosta dos Prazeres, resultado da autoconstru&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o integrado nos arruamentos oficiais, irrompe neste final de Oitocentos o “Casal Ventoso, (&hellip;) casaria apinhada ou dispersa, do cemit&eacute;rio dos Prazeres ao caneiro de Alc&acirc;ntara”<a href="#60"><sup>60</sup></a><a name="top60"></a>. Este bairro de “casebres podres que se sucedem em declive”<a href="#61"><sup>61</sup></a><a name="top61"></a>, que surge retratado na <a href="#f7">Figura 7</a> j&aacute; no final dos anos 30 do s&eacute;culo XX, por ter escapado &agrave; inventaria&ccedil;&atilde;o, cartografia e mesmo registo fotogr&aacute;fico da &eacute;poca, n&atilde;o foi cartografado neste trabalho.</p>     <p>Do outro lado da ribeira de Alc&acirc;ntara, &aacute;rea dominada pela ind&uacute;stria t&ecirc;xtil, ergueram-se os primeiros alojamentos oper&aacute;rios concretizados por donos das f&aacute;bricas. Em 1873, foi constru&iacute;do no Calv&aacute;rio o bairro da &laquo;F&aacute;brica de Tecidos Lisbonense&raquo; (propriedade da &laquo;Companhia de Fia&ccedil;&atilde;o e Tecidos Lisbonense&raquo;)<a href="#62"><sup>62</sup></a><a name="top62"></a> representado na <a href="#f6">Figura 6</a>. Era uma correnteza de habita&ccedil;&otilde;es que alojavam quarenta e nove fam&iacute;lias dos “oper&aacute;rios mais antigos e distinctos”<a href="#63"><sup>63</sup></a><a name="top63"></a>, nas traseiras do estabelecimento fabril. Na rua da F&aacute;brica da P&oacute;lvora, “a &laquo;Companhia Lisbonense de Estamparia e Tinturaria de Algod&otilde;es&raquo; fez levantar, em 1885”<a href="#64"><sup>64</sup></a><a name="top64"></a>, o bairro do Cabrinha (ver <a href="#f6">Figura 6</a>) para albergar oitenta e quatro fam&iacute;lias oper&aacute;rias<a href="#65"><sup>65</sup></a><a name="top65"></a>. Constru&iacute;do “numa &eacute;poca em que ainda n&atilde;o se tinham lan&ccedil;ado os fundamentos da teoria dos micr&oacute;bios e a hygiene n&atilde;o passava das mais rudimentares no&ccedil;&otilde;es,”<a href="#66"><sup>66</sup></a><a name="top66"></a> este bairro n&atilde;o era mais que a “acumula&ccedil;&atilde;o de gente”<a href="#67"><sup>67</sup></a><a name="top67"></a> que trabalhava na ind&uacute;stria das redondezas. Nesta mesma zona, tamb&eacute;m, pal&aacute;cios e conventos desocupados foram subdivididos em habita&ccedil;&otilde;es oper&aacute;rias, como o p&aacute;tio das Flamengas (ver <a href="#f6">Figura 6</a>) na rua S&atilde;o Joaquim ao Calv&aacute;rio (atual rua 1&ordm; de Maio), resultado da adapta&ccedil;&atilde;o de depend&ecirc;ncias do antigo convento das Flamengas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f7"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n13/ser2n13a04f7.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>CONDI&Ccedil;&Otilde;ES DE HABITABILIDADE</p>     <p>     <blockquote>Semelham-se a gaiolas, com viveiros, / As edifica&ccedil;&otilde;es somente emadeiradas (&hellip;) / E o fim de tarde inspira-me; e incomoda! (&hellip;) / Vazam-se os arsenais e as oficinas; / Reluz, viscoso, o rio; apressam-se as obreiras; (&hellip;) / E apinham-se num bairro aonde miam gatas, / E o peixe podre gera focos de infec&ccedil;&atilde;o!<a href="#68"><sup>68</sup></a><a name="top68"></a>         <p></p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p></p> </blockquote>     <p>Este retrato do quotidiano lisboeta, por Ces&aacute;rio Verde, revela a pobreza, a sobrelota&ccedil;&atilde;o e a falta de condi&ccedil;&otilde;es de higiene das habita&ccedil;&otilde;es oper&aacute;rias na cidade. O mesmo exprime Caeiro da Matta quando refere a fragilidade f&iacute;sica e as taxas de mortalidade das popula&ccedil;&otilde;es trabalhadoras como “consequ&ecirc;ncias da hyperpopula&ccedil;&atilde;o (&hellip;) [,] das defeituosas condi&ccedil;&otilde;es da habita&ccedil;&atilde;o”<a href="#69"><sup>69</sup></a><a name="top69"></a> e da falta de saneamento na capital.</p>     <p>O “caneiro de Alc&acirc;ntara foi afamado como umas das cousas mais dignas de l&aacute;stima e mais repugnantes da capital”<a href="#70"><sup>70</sup></a><a name="top70"></a>, fazendo dos surtos de febre tifoide algo recorrente, nomeadamente, entre trabalhadoras/es da “Companhia Lisbonense de estamparia e tinturaria de algod&otilde;es [cujo] aspecto (&hellip;) denuncia[va] bem (&hellip;) o meio em que viv[ia]m”<a href="#71"><sup>71</sup></a><a name="top71"></a>. Tamb&eacute;m o “duplo renque de casebres, de singela madeira e taipa, mal armados, immundos, quasi sem beiraes, sem f&oacute;rros, sem vidra&ccedil;as (&hellip;) [com] piso, talhado no terreno natural”<a href="#72"><sup>72</sup></a><a name="top72"></a> da travessa da Ilha do Grilo, entre Xabregas e Marvila, descrito por Abel Botelho no romance <i>Amanh&atilde;</i>, revela as condi&ccedil;&otilde;es habitacionais oper&aacute;rias lisboetas na &uacute;ltima d&eacute;cada do s&eacute;culo XIX.</p>     <p>Os &laquo;p&aacute;tios&raquo;, &laquo;vilas&raquo; e &laquo;bairros&raquo;, para os quais se encontram dados referentes &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es de habitabilidade<a href="#75"><sup>75</sup></a><a name="top75"></a>, classificados como “em mau estado” e “em estado conden&aacute;vel”, representam 72% do total das duzentas e trinta e oito constru&ccedil;&otilde;es visitadas pelos agentes do Conselho dos Melhoramentos Sanit&aacute;rios do Minist&eacute;rio das Obras P&uacute;blicas, Com&eacute;rcio e Ind&uacute;stria<a href="#76"><sup>76</sup></a><a name="top76"></a> e da Secretaria da 3&ordf; Circunscri&ccedil;&atilde;o dos Servi&ccedil;os Technicos da Ind&uacute;stria<a href="#77"><sup>77</sup></a><a name="top77"></a> (<a href="#q2">Quadro 2</a>).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="q2"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n13/ser2n13a04q2.jpg"><a href="#73"><sup>73</sup></a><a name="top73"></a>, <a href="#74"><sup>74</sup></a><a name="top74"></a> </p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A an&aacute;lise espacial da sua territorializa&ccedil;&atilde;o mostra, como representado na <a href="#f8">Figura 8</a>, que as d&eacute;beis condi&ccedil;&otilde;es de salubridade habitacional se distribu&iacute;am por toda a malha urbana lisboeta da d&eacute;cada de 1890. Apesar das habita&ccedil;&otilde;es em “estado de ru&iacute;na, dificilmente repar&aacute;vel”<a href="#78"><sup>78</sup></a><a name="top78"></a> (a laranja escuro na <a href="#f8">Figura 8</a>) pontilharem v&aacute;rias &aacute;reas da cidade, abarcando praticamente todo o territ&oacute;rio de dissemina&ccedil;&atilde;o dos n&uacute;cleos habitacionais das &laquo;classes laboriosas&raquo; (ver <a href="#f1">Figura 1</a>), as maiores concentra&ccedil;&otilde;es de &laquo;p&aacute;tios&raquo; e &laquo;vilas&raquo; em estado irremedi&aacute;vel situavam-se na cal&ccedil;ada de Santana, junto ao Rossio, na faixa Rato/S&atilde;o Bento, principalmente entre a travessa de Santa Quit&eacute;ria e a parte norte da rua de S&atilde;o Bento, e na Madragoa, nomeadamente na rua das Trinas do Mocambo (atual rua das Trinas). Na “col&oacute;nia oper&aacute;ria (&hellip;) [que era a] rede emaranhada de travessas estreitas e tortuosas e de becos imundos e sem sa&iacute;da”<a href="#79"><sup>79</sup></a><a name="top79"></a> do eixo Alfama/Mouraria havia, segundo as fontes coevas, proporcionalmente mais n&uacute;cleos de habita&ccedil;&atilde;o pass&iacute;veis de atingirem “condi&ccedil;&otilde;es razo&aacute;veis para serem habitados, se lhes fizerem as convenientes repara&ccedil;&otilde;es”<a href="#80"><sup>80</sup></a><a name="top80"></a>. J&aacute; a an&aacute;lise espacial das condi&ccedil;&otilde;es habitacionais no tro&ccedil;o entre a rua do Sol ao Rato e a pra&ccedil;a de S&atilde;o Bento indica uma propor&ccedil;&atilde;o id&ecirc;ntica entre resid&ecirc;ncias com hip&oacute;tese de recupera&ccedil;&atilde;o e os “casinhotos sem a m&iacute;nima condi&ccedil;&atilde;o hygienica”<a href="#81"><sup>81</sup></a><a name="top81"></a> cuja “velhice, (&hellip;) defeitos de constru&ccedil;&atilde;o ou desleixo nas repara&ccedil;&otilde;es”<a href="#82"><sup>82</sup></a><a name="top82"></a> j&aacute; deixara sem arranjo poss&iacute;vel.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f8"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n13/ser2n13a04f8.jpg">     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Os n&uacute;cleos de habita&ccedil;&atilde;o “em bom estado”<a href="#83"><sup>83</sup></a><a name="top83"></a> de conserva&ccedil;&atilde;o representavam 28% do universo habitacional das &laquo;classes laboriosas&raquo; (<a href="#q2">Quadro 2</a>). A sua territorializa&ccedil;&atilde;o (ver <a href="#f9">Figura 9</a>) mostra que estes se localizavam, fundamentalmente, na faixa urbana entre a Costa do Castelo e a rua da Madalena, na conflu&ecirc;ncia da rua de Arroios com a estrada de Sacav&eacute;m (atual rua Alves Tordo) e o Arco do Cego e em redor do largo do Rato. Estas concentra&ccedil;&otilde;es, em &aacute;reas de terrenos com valores inflacionados pela proximidade &agrave; principal &aacute;rea comercial da cidade ou aos eixos de crescimento urbano planeado – como a avenida Rainha Dona Am&eacute;lia (atual avenida Almirante Reis) – revela que a melhor qualidade habitacional estava, naturalmente, associada a um maior investimento por parte dos propriet&aacute;rios e/ou construtores.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f9"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n13/ser2n13a04f9.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>“LISBOAS OPER&Aacute;RIAS”: DIFERENTES ESPA&Ccedil;OS E COMUNIDADES</p>     <p>A crescente popula&ccedil;&atilde;o oper&aacute;ria em Lisboa do final do s&eacute;culo XIX habitava, essencialmente, constru&ccedil;&otilde;es improvisadas integradas na malha urbana pr&eacute;-existente. Eram os &laquo;p&aacute;tios&raquo;, quase sempre com m&aacute;s condi&ccedil;&otilde;es de salubridade e, maioritariamente, constru&iacute;dos na &uacute;ltima d&eacute;cada de Oitocentos<a href="#84"><sup>84</sup></a><a name="top84"></a>, o tipo de habita&ccedil;&atilde;o predominante.</p>     <p>A dispers&atilde;o destes n&uacute;cleos habitacionais indica que, embora existissem em toda &aacute;rea urbanizada da capital, as comunidades &laquo;laboriosas&raquo; agregaram-se em determinados espa&ccedil;os. Fundamentalmente em &laquo;lugares de fronteira&raquo; entre a zona mais central da cidade e os territ&oacute;rios oriental e ocidental da capital, no eixo Alfama/ Mouraria e Sapadores e na faixa Amoreiras/S&atilde;o Bento, e em Xabregas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O eixo urbano Alfama/Mouraria at&eacute; Sapadores, espa&ccedil;o habitacional de trabalhadores/as fabris e oficinais empregados na Baixa, na rua da Palma e na envolvente a Santa Apol&oacute;nia, que viveriam em constante contacto com a &laquo;cidade burguesa&raquo; que se afirma e alarga neste per&iacute;odo, seria um espa&ccedil;o oper&aacute;rio bastante heterog&eacute;neo, com grande diversidade social e laboral. Na faixa Amoreiras/S&atilde;o Bento morava, certamente, muita da m&atilde;o-de-obra dos estabelecimentos industriais que se instalavam nos arredores, como no Bairro Alto, Amoreiras ou Campo de Ourique. Assim como o operariado do eixo industrial da rua de S&atilde;o Paulo/rua da Boavista/rua 24 de Julho, &aacute;rea com elevada densidade de m&atilde;o-de-obra oper&aacute;ria<a href="#85"><sup>85</sup></a><a name="top85"></a> e poucas resid&ecirc;ncias das &laquo;classes laboriosas&raquo;. A forte concentra&ccedil;&atilde;o de habitantes &laquo;laboriosos&raquo; nestas &aacute;reas – Amoreiras/S&atilde;o Bento e Alfama/Mouraria/Sapadores – e a densidade interm&eacute;dia de moradores que se localizava entre elas atestam a import&acirc;ncia da zona mais central da cidade como um dos grandes dormit&oacute;rios oper&aacute;rios lisboetas deste per&iacute;odo e, por isso, um espa&ccedil;o social propiciador &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de uma identidade de classe entre o operariado a&iacute; residente no final do s&eacute;culo XIX.</p>     <p>Xabregas, com uma grande concentra&ccedil;&atilde;o de oper&aacute;rios/as habitando &laquo;p&aacute;tios&raquo; e &laquo;vilas&raquo; constru&iacute;dos por iniciativa de propriet&aacute;rios industriais, representa o surgimento do sub&uacute;rbio industrial em que a zona oriental lisboeta se transformar&aacute; no s&eacute;culo XX. A sobreposi&ccedil;&atilde;o territorial entre n&uacute;cleos habitacionais e espa&ccedil;os de trabalho industrial neste territ&oacute;rio enformou comunidades cada vez mais homog&eacute;neas e um tipo de viv&ecirc;ncia oper&aacute;ria segregada socialmente dos outros espa&ccedil;os urbanos. J&aacute; Alc&acirc;ntara, uma &aacute;rea mais precocemente “vocacionada &agrave; ind&uacute;stria, desde a implanta&ccedil;&atilde;o da F&aacute;brica da P&oacute;lvora Seca, no s&eacute;culo XVIII, e da f&aacute;brica de curtumes de 1810”<a href="#86"><sup>86</sup></a><a name="top86"></a>, configurou uma mistura entre solu&ccedil;&otilde;es habitacionais vocacionadas para as &laquo;classes laboriosas&raquo; – que tanto inclu&iacute;am &laquo;p&aacute;tios&raquo; e &laquo;vilas&raquo; resultantes da transforma&ccedil;&atilde;o de antigos espa&ccedil;os r&uacute;sticos e/ou conventuais, como &laquo;vilas&raquo; e &laquo;bairros&raquo; constru&iacute;dos para comunidades fabris espec&iacute;ficas. O crescimento industrial e, subsequentemente, a concentra&ccedil;&atilde;o de popula&ccedil;&otilde;es oper&aacute;rias nas zonas de Xabregas/Beato/Bra&ccedil;o de Prata e Alc&acirc;ntara conduziu a uma nova organiza&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o urbano. Os tipos e disposi&ccedil;&atilde;o dos n&uacute;cleos de habita&ccedil;&atilde;o das &laquo;classes laboriosas&raquo; a&iacute; localizados, pouco documentados nas fontes para zona ocidental, mas comprovados para a zona oriental, potenciaram um maior isolamento destas comunidades oper&aacute;rias. As caracter&iacute;sticas dos seus espa&ccedil;os de habita&ccedil;&atilde;o e a proximidade geogr&aacute;fica aos locais de trabalho tender&atilde;o a uma crescente segrega&ccedil;&atilde;o dos v&aacute;rios grupos sociais. Deste modo, tamb&eacute;m em Lisboa se verificou a tend&ecirc;ncia de “crescimento urbano das cidades europeias desde 1880 [que] originou, novos bairros oper&aacute;rios diferentes dos bairros populares”<a href="#87"><sup>87</sup></a><a name="top87"></a>, que se converteram em centros de uma “intensa vida comunit&aacute;ria surgida da sobreposi&ccedil;&atilde;o das esferas de trabalho, consumo, &oacute;cio e da a&ccedil;&atilde;o colectiva”<a href="#88"><sup>88</sup></a><a name="top88"></a> localizados nas periferias urbanas.</p>     <p>Na d&eacute;cada de 1890, em Lisboa, este processo de afirma&ccedil;&atilde;o das periferias industriais como espa&ccedil;os &uacute;nicos de trabalho fabril e habita&ccedil;&atilde;o oper&aacute;ria ainda estava a dar os primeiros passos. Grande parte das comunidades &laquo;laboriosas&raquo; habitava os espa&ccedil;os de fronteira entre a zona central, que estava em processo de perda de preponder&acirc;ncia como polo de produ&ccedil;&atilde;o oficinal e fabril, e as zonas perif&eacute;ricas – oriental e ocidental – que se iam afirmando como n&uacute;cleos industriais e de agrega&ccedil;&atilde;o prolet&aacute;ria.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></p> <b>     <p>FONTES </p>     <p>MANUSCRITAS</p>     <p>Arquivo Municipal de Lisboa</p> </b>     <p>[Abertura de ruas no bairro dos Castelinhos. 1895-07-30 – 1900-10-17], PT/AMLSB/CMLSB/UROB-PU/09/00274.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>[Abertura de ruas no bairro dos Castelinhos. 1898-06-27], PT/AMLSB/CMLSB/UROB-PU/09/00259.</p>     <p>[Alargamento da travessa do Mato Grosso. 1899-10-30 – 1926-10-26], PT/AMLSB/CMLSB/UROB-PU/09/00822.</p>     <p>[Constru&ccedil;&atilde;o da rede da canaliza&ccedil;&atilde;o de esgoto no bairro do Calv&aacute;rio. 1892-08-22], PT/AMLSB/CMLSB/UROB-PU/09/03076.</p>     <p>[Constru&ccedil;&atilde;o de ruas no bairro Oper&aacute;rio dos Barbadinhos. 1890-05-09 – 1893-02], PT/AMLSB/CMLSB/UROB-PU/09/00775.</p>     <p>[Constru&ccedil;&atilde;o de ruas no bairro Tavares. 1901-03-11 – 1915-01-18], PT/AMLSB/CMLSB/UROB-PU/09/00772.</p>     <p>[Escritura de expropria&ccedil;&atilde;o. 1897-06-11], PT/AMLSB/CMLSB/AGER-N/02/08331.</p>     <p>[Expropria&ccedil;&atilde;o na rua dos Sapadores. 1893-05-06 – 1896-08-28], PT/AMLSB/CMLSB/UROB-PU/09/00411.</p>     <p>[Planta do bairro de Santo Amaro. 1891-12-30], PT/AMLSB/CMLSB/UROB-PU/09/00778.</p>     <p>[Planta do bairro do Calv&aacute;rio. 1904-05-05 – 1904-06-16], PT/AMLSB/CMLSB/UROB-PU/09/01358.</p>     <p>[Projecto de alargamento e retifica&ccedil;&atilde;o dos alinhamentos do largo do Conde Pombeiro e da rua de Santa B&aacute;rbara. 1905-06-02 – 1913-07-16], PT/AMLSB/CMLSB/UROB-PU/09/00464.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>[Projecto do novo bairro a Santo Amaro no Casal do Rol&atilde;o. 1887-06-30 – 1891-06-15], PT/AMLSB/CMLSB/UROB-PU/09/00314.</p>     <p>Casal Ventoso, Eduardo Portugal, 1939, PT/AMLSB/POR/023221.</p>     <p>Crian&ccedil;as em Alfama, Joshua Benoliel, 190-, PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/004/JBN/001538.</p>     <p>Vila Dias, Alberto Carlos Lima, 191-, PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/004/LIM/000883.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>IMPRESSAS</b></p>     <p><i>A Ilustra&ccedil;&atilde;o Portuguesa</i>. Lisboa: Typ. do Di&aacute;rio Ilustrado.1&ordf; S&eacute;rie (27/08/1888).</p>     <p>AZEVEDO, Ant&oacute;nio – <i>Habita&ccedil;&otilde;es oper&aacute;rias em Portugal: relat&oacute;rio Coimbra. </i>Coimbra: Imprensa da Universidade, 1905.</p>     <p>BASTOS, Teixeira – <i>Habita&ccedil;&otilde;es oper&aacute;rias</i>. Lisboa: Companhia Nacional Editora, 1898.</p>     <p>BOTELHO, Francisco de Paula – <i>Melhoramentos urgentes de Lisboa e Porto: plano geral. </i>Lisboa: J. A. Rodrigues, 1907.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>FUSCHINI, Augusto –<i> Constru&ccedil;&atilde;o de casas econ&oacute;micas e salubres para habita&ccedil;&atilde;o das classes pobres (Projecto de lei apresentado &agrave; Camara dos Senhores Deputados em 16 de Maio de 1884)</i>. Lisboa: Imprensa Nacional, 1884.</p>     <p><i>Ilustra&ccedil;&atilde;o Portuguesa</i>. Lisboa. 2&ordf; S&eacute;rie (15/07/1922).</p>     <p><i>Inqu&eacute;rito aos pateos de Lisboa</i>. Lisboa: Conselho dos Melhoramentos Sanit&aacute;rios do Minist&eacute;rio das Obras Publicas, Commercio e Industria, 1903.</p>     <p><i>Inqu&eacute;rito aos pateos de Lisboa.</i> Lisboa: Conselho dos Melhoramentos Sanit&aacute;rios do Minist&eacute;rio das Obras Publicas, Commercio e Industria, 1905.</p>     <p><i>Inqu&eacute;rito industrial de 1890</i>. Lisboa: Minist&eacute;rio das Obras P&uacute;blicas, Commercio e Industria, Direc&ccedil;&atilde;o Geral do Commercio e Industria, 1891.</p>     <p>MATTA, J. Caeiro da – <i>Habita&ccedil;&otilde;es populares</i>. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1909.</p>     <p><i>Plano de pormenor e salvaguarda: p&aacute;tios e vilas</i>. Lisboa: Divis&atilde;o de Reabilita&ccedil;&atilde;o Urbana dos P&aacute;tios e Vilas da C&acirc;mara Municipal de Lisboa, 1993.</p>     <p>SIM&Otilde;ES, J. de Oliveira – Contribui&ccedil;&atilde;o para o estudo das casas para oper&aacute;rios. <i>Boletim do Trabalho Industrial</i>. Lisboa: Imprensa Nacional. N&ordm; 66 (1912).</p>     <p>ESTUDOS </p>     <!-- ref --><p>ALC&Acirc;NTARA, Ana – <i>Espa&ccedil;os da Lisboa oper&aacute;ria: trabalho, habita&ccedil;&atilde;o, associativismo e interven&ccedil;&atilde;o oper&aacute;ria na cidade na &uacute;ltima d&eacute;cada do s&eacute;culo </i>XIX. Lisboa: [s.n], 2019. Tese de Doutoramento em Hist&oacute;ria na especialidade de Hist&oacute;ria Contempor&acirc;nea, apresentada &agrave; Universidade NOVA de Lisboa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2075423&pid=S2183-3176202000010000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ALVES, Daniel – Geocoding thousands of fiscal records. <i>Digital Humanities and History</i> [Em linha]. (julho 2016). [Consult. 27/01/2020]. Dispon&iacute;vel na Internet: <a href="https://dhhistory.hypotheses.org/123" target="_blank">https://dhhistory.hypotheses.org/123</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2075425&pid=S2183-3176202000010000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>BANALES, Jos&eacute; Luis Oyon – Historia urbana e historia obrera: reflexiones sobre la vida obrera y su inscrici&oacute;n en el esp&aacute;cio urbano, 1900-1950. <i>Hist&oacute;ria contempor&acirc;nea. </i>24 (2002), p. 11-58.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2075426&pid=S2183-3176202000010000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BARATA, Ana – <i>Lisboa &laquo;caes da Europa&raquo;: realidades, desejos e fic&ccedil;&otilde;es para a cidade (1860-1930). </i>Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es Colibri, 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2075428&pid=S2183-3176202000010000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BOTELHO, Abel – <i>Amanh&atilde;</i>. 1&ordf; ed. Porto: Lello &amp; Irm&atilde;os Editores, 1901.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2075430&pid=S2183-3176202000010000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BRAND&Atilde;O, Ra&uacute;l – <i>Os oper&aacute;rios</i>. Lisboa: Biblioteca Nacional, 1984.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2075432&pid=S2183-3176202000010000400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>CASC&Atilde;O, Rui – O crescimento demogr&aacute;fico: ritmos e factores. In MATTOSO, Jos&eacute;, dir. – <i>Hist&oacute;ria de Portugal: o liberalismo (1807-1890)</i>. Lisboa: C&iacute;rculo de Leitores, 1993. vol. 5, p. 425-439.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2075434&pid=S2183-3176202000010000400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p><i>Cat&aacute;logo da Exposi&ccedil;&atilde;o Nacional das Industrias Fabris</i>. Lisboa: Imprensa Nacional, 1889. vol. II.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2075436&pid=S2183-3176202000010000400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CRONIN, J. E. – Labor insurgency and class formation: comparative perspectives on the crisis of 1917-1920 in Europe. In CRONIN, J. E.; SIRIANI, C., coord. – <i>Work, community and power: the experience of labor in Europe and America, 1900-1925.</i> Philadelphia: Temple University Press, 1983.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2075438&pid=S2183-3176202000010000400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FOLGADO, Deolinda; CUST&Oacute;DIO, Jorge – <i>Caminho do Oriente: guia do patrim&oacute;nio industrial</i>. Lisboa: Livros Horizonte, 1999.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2075440&pid=S2183-3176202000010000400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>LEFEBVRE, H. – <i>The production of space</i>. Maiden: Blackwell Publishing, 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2075442&pid=S2183-3176202000010000400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>PEREIRA, Nuno Teot&oacute;nio; BUARQUE, Irene, fot. – <i>Pr&eacute;dios e vilas de Lisboa</i>. Lisboa: Livros Horizonte, 1995.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2075444&pid=S2183-3176202000010000400012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>RODRIGUES, Maria Jo&atilde;o Madeira – Tradi&ccedil;&atilde;o, transi&ccedil;&atilde;o e mudan&ccedil;a: a produ&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o urbano na Lisboa Oitocentista. <i>Boletim Cultural da Assembleia Distrital de Lisboa</i>. Lisboa: Assembleia Distrital. 3&ordf; S&eacute;rie N&ordm; 84 (1979). Separata.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2075446&pid=S2183-3176202000010000400013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>RODRIGUES, Teresa – <i>Nascer e morrer na Lisboa Oitocentista: migra&ccedil;&otilde;es, mortalidade e desenvolvimento</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es Cosmos, 1995.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2075448&pid=S2183-3176202000010000400014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SILVA, Raquel Henriques da – Os &uacute;ltimos anos da Monarquia: desenvolvimento urban&iacute;stico: os novos bairros. In MOITA, Irisalva, coord. – <i>O livro de Lisboa. </i>Lisboa: Livros Horizonte, 1994. p. 405-424.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2075450&pid=S2183-3176202000010000400015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SILVEIRA, Lu&iacute;s N. E. [et al.] – Caminhos-de-ferro, popula&ccedil;&atilde;o e desigualdades territoriais em Portugal, 1801-1930. <i>Ler Hist&oacute;ria</i>. N&ordm; 61 (2011), p. 7-39.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2075452&pid=S2183-3176202000010000400016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>VERDE, Ces&aacute;rio – <i>O livro de Ces&aacute;rio Verde</i>. Lisboa: Editorial Minerva, [1952].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2075454&pid=S2183-3176202000010000400017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>VIDAL, Angelina – <i>Lisboa antiga e Lisboa moderna: elementos hist&oacute;ricos da sua evolu&ccedil;&atilde;o</i>. Lisboa: Typographia de Gazeta de Lisboa, 1900. vol. I e II.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2075456&pid=S2183-3176202000010000400018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Submiss&atilde;o/submission: 28/01/2020 </p>     <p>Aceita&ccedil;&atilde;o/approval: 27/03/2020 </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>NOTAS</b></p>     <p><a href="#top1"><sup>1</sup></a><a name="1"></a> SIM&Otilde;ES, J. de Oliveira – Contribui&ccedil;&atilde;o para o estudo das casas para oper&aacute;rios. <i>Boletim do Trabalho Industrial</i>. Lisboa: Imprensa Nacional. N&ordm; 66 (1912), p. 24-25.</p>     <p><a href="#top2"><sup>2</sup></a><a name="2"></a> RODRIGUES, Teresa – <i>Nascer e morrer na Lisboa Oitocentista: migra&ccedil;&otilde;es, mortalidade e desenvolvimento.</i> Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es Cosmos, 1995; SILVEIRA, Lu&iacute;s N. E. [et al.] – Caminhos-de-ferro, popula&ccedil;&atilde;o e desigualdades territoriais em Portugal, 1801-1930. <i>Ler Hist&oacute;ria</i>. N&ordm; 61 (2011), p. 7-39.</p>     <p><a href="#top3"><sup>3</sup></a><a name="3"></a> LEFEBVRE, H. –<i>The production of space</i>. Maiden: Blackwell Publishing, 2007.</p>     <p><a href="#top4"><sup>4</sup></a><a name="4"></a> Ver lista de Fontes.</p>     <p><a href="#top5"><sup>5</sup></a><a name="5"></a> CASC&Atilde;O, Rui – O crescimento demogr&aacute;fico: ritmos e factores. In MATTOSO, Jos&eacute;, dir. – <i>Hist&oacute;ria de Portugal: o liberalismo (1807-1890)</i>. Lisboa: C&iacute;rculo de Leitores, 1993. vol. 5, p. 425-439; MATTA, J. Caeiro da – <i>Habita&ccedil;&otilde;es populares</i>. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1909.</p>     <p><a href="#top6"><sup>6</sup></a><a name="6"></a> <i>Inqu&eacute;rito aos pateos de Lisboa</i>. Lisboa: Conselho dos Melhoramentos Sanit&aacute;rios do Minist&eacute;rio das Obras Publicas, Commercio e Industria, 1903-1905.</p>     <p><a href="#top7"><sup>7</sup></a><a name="7"></a> O trabalho de levantamento que originaria o <i>Inqu&eacute;rito aos pateos de Lisboa</i> foi feito entre 1897/99 e a sua publica&ccedil;&atilde;o s&oacute; aconteceu em 1902 e 1905.</p>     <p><a href="#top8"><sup>8</sup></a><a name="8"></a> <i>Inqu&eacute;rito aos pateos de Lisboa</i>. Lisboa: Conselho dos Melhoramentos Sanit&aacute;rios do Minist&eacute;rio das Obras Publicas, Commercio e Industria, 1905. p. 4.</p>     <p><a href="#top9"><sup>9</sup></a><a name="9"></a> <i>Idem</i>, p. 3.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top10"><sup>10</sup></a><a name="10"></a> <i>Idem</i>, p. 4.</p>     <p><a href="#top11"><sup>11</sup></a><a name="11"></a> O Inqu&eacute;rito aos pateos de Lisboa contabilizou 233 &laquo;p&aacute;tios&raquo; lisboetas, sendo que estes representam 79% da totalidade dos n&uacute;cleos de habita&ccedil;&atilde;o identificados.</p>     <p><a href="#top12"><sup>12</sup></a><a name="12"></a> MATTA, J. Caeiro da – <i>Habita&ccedil;&otilde;es populares</i>. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1909. p. 237.</p>     <p><a href="#top13"><sup>13</sup></a><a name="13"></a> FUSCHINI, Augusto <i>Constru&ccedil;&atilde;o de casas econ&oacute;micas e salubres para habita&ccedil;&atilde;o das classes pobres (Projecto de lei apresentado &agrave; Camara dos Senhores Deputados em 16 de Maio de 1884)</i>. Lisboa: Imprensa Nacional, 1884.</p>     <p><a href="#top14"><sup>14</sup></a><a name="14"></a> <i>Idem</i>, p. 3.</p>     <p><a href="#top15"><sup>15</sup></a><a name="15"></a> <i>Idem</i>, p. 18.</p>     <p><a href="#top16"><sup>16</sup></a><a name="16"></a> <i>Idem</i>, p. 20.</p>     <p><a href="#top17"><sup>17</sup></a><a name="17"></a> AZEVEDO, Ant&oacute;nio – <i>Habita&ccedil;&otilde;es oper&aacute;rias em Portugal: relat&oacute;rio Coimbra.</i> Coimbra: Imprensa da Universidade, 1905; SIM&Otilde;ES, J. de Oliveira – Contribui&ccedil;&atilde;o para o estudo das casas para oper&aacute;rios. <i>Boletim do Trabalho Industrial</i>. Lisboa: Imprensa Nacional. N&ordm; 66 (1912); MATTA, J. Caeiro da – <i>Habita&ccedil;&otilde;es populares</i>. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1909.</p>     <p><a href="#top18"><sup>18</sup></a><a name="18"></a> SIM&Otilde;ES, J. de Oliveira – Contribui&ccedil;&atilde;o para o estudo das casas para oper&aacute;rios. <i>Boletim do Trabalho Industrial</i>. Lisboa: Imprensa Nacional. N&ordm; 66 (1912), p. 25.</p>     <p><a href="#top19"><sup>19</sup></a><a name="19"></a> PEREIRA, Nuno Teot&oacute;nio; BUARQUE, Irene, fot. – <i>Pr&eacute;dios e vilas de Lisboa</i>. Lisboa: Livros Horizonte, 1995. p. 8.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top20"><sup>20</sup></a><a name="20"></a> <i> Plano de pormenor e salvaguarda: p&aacute;tios e vilas.</i> Lisboa: Divis&atilde;o de Reabilita&ccedil;&atilde;o Urbana dos P&aacute;tios e Vilas da C&acirc;mara Municipal de Lisboa, 1993.</p>     <p><a href="#top21"><sup>21</sup></a><a name="21"></a> MATTA, J. Caeiro da – <i>Habita&ccedil;&otilde;es populares</i>. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1909. p. 82.</p>     <p><a href="#top22"><sup>22</sup></a><a name="22"></a> <i>Idem</i>, p. 88.</p>     <p><a href="#top23"><sup>23</sup></a><a name="23"></a> ALC&Acirc;NTARA, Ana – <i>Espa&ccedil;os da Lisboa oper&aacute;ria: trabalho, habita&ccedil;&atilde;o, associativismo e interven&ccedil;&atilde;o oper&aacute;ria na cidade na &uacute;ltima d&eacute;cada do s&eacute;culo XIX.</i> Lisboa: [s.n], 2019. Tese de Doutoramento em Hist&oacute;ria na especialidade de Hist&oacute;ria Contempor&acirc;nea, apresentada &agrave; Universidade NOVA de Lisboa.</p>     <p><a href="#top24"><sup>24</sup></a><a name="24"></a> BARATA, Ana – <i>Lisboa &laquo;caes da Europa&raquo;: realidades, desejos e fic&ccedil;&otilde;es para a cidade (1860-1930).</i> Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es Colibri, 2010; RODRIGUES, Maria Jo&atilde;o Madeira – <i>Tradi&ccedil;&atilde;o, transi&ccedil;&atilde;o e mudan&ccedil;a: a produ&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o urbano na Lisboa Oitocentista</i>. Lisboa: Assembleia Distrital de Lisboa, 1979; SILVA, Raquel Henriques da – Os &uacute;ltimos anos da Monarquia: desenvolvimento urban&iacute;stico: os novos bairros. MOITA, Irisalva, coord. – <i>O livro de Lisboa</i>. Lisboa: Livros Horizonte, 1994. p. 405-424.</p>     <p><a href="#top25"><sup>25</sup></a><a name="25"></a> PEREIRA, Nuno Teot&oacute;nio; BUARQUE, Irene, fot. – <i>Pr&eacute;dios e vilas de Lisboa</i>. Lisboa: Livros Horizonte, 1995. p. 262-263.</p>     <p><a href="#top26"><sup>26</sup></a><a name="26"></a> ALC&Acirc;NTARA, Ana – <i>Espa&ccedil;os da Lisboa oper&aacute;ria: trabalho, habita&ccedil;&atilde;o, associativismo e interven&ccedil;&atilde;o oper&aacute;ria na cidade na &uacute;ltima d&eacute;cada do s&eacute;culo XIX.</i> Lisboa: [s.n], 2019. Tese de Doutoramento em Hist&oacute;ria na especialidade de Hist&oacute;ria Contempor&acirc;nea, apresentada &agrave; Universidade NOVA de Lisboa.</p>     <p><a href="#top27"><sup>27</sup></a><a name="27"></a> RODRIGUES, Maria Jo&atilde;o Madeira – <i>Tradi&ccedil;&atilde;o, transi&ccedil;&atilde;o e mudan&ccedil;a: a produ&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o urbano na Lisboa Oitocentista</i>. Lisboa: Assembleia Distrital, 1979. p. 41.</p>     <p><a href="#top28"><sup>28</sup></a><a name="28"></a> Arquivo Municipal de Lisboa (AML), [Constru&ccedil;&atilde;o de ruas no bairro Oper&aacute;rio dos Barbadinhos. 1890-05-09 – 1893-02], PT/AMLSB/CMLSB/UROB-PU/09/00775.</p>     <p><a href="#top29"><sup>29</sup></a><a name="29"></a> Em 1890, a Companhia Comercial Construtora apresenta &agrave; C&acirc;mara Municipal de Lisboa o projeto para a sua constru&ccedil;&atilde;o no terreno entre a cal&ccedil;ada dos Barbadinhos e a rua do Vale de Santo Ant&oacute;nio.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top30"><sup>30</sup></a><a name="30"></a> BRAND&Atilde;O, Ra&uacute;l – <i>Os oper&aacute;rios</i>. Lisboa: Biblioteca Nacional, 1984. p. 312.</p>     <p><a href="#top31"><sup>31</sup></a><a name="31"></a> MATTA, J. Caeiro da – <i>Habita&ccedil;&otilde;es populares</i>. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1909. p. 237 (citando <i>O S&eacute;culo</i>, n&ordm; 6321, agosto de 1899).</p>     <p><a href="#top32"><sup>32</sup></a><a name="32"></a> <i>A Ilustra&ccedil;&atilde;o Portuguesa</i>. Lisboa: Typ. Do Di&aacute;rio Ilustrado. 1&ordf; S&eacute;rie (27/08/1888), p. 3.</p>     <p><a href="#top33"><sup>33</sup></a><a name="33"></a> BRAND&Atilde;O, Ra&uacute;l – <i>Os oper&aacute;rios</i>. Lisboa: Biblioteca Nacional, 1984. p. 311.</p>     <p><a href="#top34"><sup>34</sup></a><a name="34"></a> BARATA, Ana – <i>Lisboa &laquo;caes da Europa&raquo;: realidades, desejos e fic&ccedil;&otilde;es para a cidade (1860-1930).</i> Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es Colibri, 2010; MATTA, J. Caeiro da – <i>Habita&ccedil;&otilde;es populares</i>. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1909; RODRIGUES, Maria Jo&atilde;o Madeira – <i>Tradi&ccedil;&atilde;o, transi&ccedil;&atilde;o e mudan&ccedil;a: a produ&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o urbano na Lisboa Oitocentista</i>. Lisboa: Assembleia Distrital, 1979; SILVA, Raquel Henriques da – Os &uacute;ltimos anos da Monarquia: desenvolvimento urban&iacute;stico: os novos bairros. In MOITA, Irisalva, coord. – <i>O livro de Lisboa</i>. Lisboa: Livros Horizonte, 1994.</p>     <p><a href="#top35"><sup>35</sup></a><a name="35"></a> BASTOS, Teixeira – <i>Habita&ccedil;&otilde;es oper&aacute;rias</i>. Lisboa: Companhia Nacional Editora, 1898. p. 3.</p>     <p><a href="#top36"><sup>36</sup></a><a name="36"></a> ALC&Acirc;NTARA, Ana – <i>Espa&ccedil;os da Lisboa oper&aacute;ria: trabalho, habita&ccedil;&atilde;o, associativismo e interven&ccedil;&atilde;o oper&aacute;ria na cidade na &uacute;ltima d&eacute;cada do s&eacute;culo XIX</i>. Lisboa: [s.n], 2019. Tese de Doutoramento em Hist&oacute;ria na especialidade de Hist&oacute;ria Contempor&acirc;nea, apresentada &agrave; Universidade NOVA de Lisboa.</p>     <p><a href="#top37"><sup>37</sup></a><a name="37"></a> As diversas fontes consultadas permitiram identificar o n&uacute;mero de moradores de 82% dos n&uacute;cleos de habita&ccedil;&atilde;o das &laquo;classes laboriosas&raquo; registados (<a href="#q1">Quadro 1</a>).</p>     <p><a href="#top38"><sup>38</sup></a><a name="38"></a> Para cartografar a densidade de moradores das &laquo;classes laboriosas&raquo;, optou-se por calcular a densidade de pontos por quil&oacute;metro quadrado, sendo cada ponto valorizado conforme o n&uacute;mero total de habitantes em cada n&uacute;cleo (agregado de habita&ccedil;&otilde;es - &laquo;p&aacute;tio&raquo;, &laquo;vila&raquo; ou &laquo;bairros&raquo;) referenciado nas fontes. Assim, na <a href="#f2">Figura 2</a>, as zonas com manchas mais escuras representam &aacute;reas onde se concentravam as moradas de maior n&uacute;mero de pessoas.</p>     <p><a href="#top39"><sup>39</sup></a><a name="39"></a> VIDAL, Angelina – <i>Lisboa antiga e Lisboa moderna: elementos hist&oacute;ricos da sua evolu&ccedil;&atilde;o</i>. Lisboa: Typographia de Gazeta de Lisboa, 1900. vol. I, p. 62.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top40"><sup>40</sup></a><a name="40"></a> ALVES, Daniel – Geocoding thousands of fiscal records. <i>Digital Humanities and History</i> [Em linha]. (julho 2016). [Consult. 27/01/2020]. Dispon&iacute;vel na Internet: <a href="https://dhhistory.hypotheses.org/123" target="_blank">https://dhhistory.hypotheses.org/123</a></p>     <p><a href="#top41"><sup>41</sup></a><a name="41"></a> ALC&Acirc;NTARA, Ana – <i>Espa&ccedil;os da Lisboa oper&aacute;ria: trabalho, habita&ccedil;&atilde;o, associativismo e interven&ccedil;&atilde;o oper&aacute;ria na cidade na &uacute;ltima d&eacute;cada do s&eacute;culo XIX</i>. Lisboa: [s.n], 2019. Tese de Doutoramento em Hist&oacute;ria na especialidade de Hist&oacute;ria Contempor&acirc;nea, apresentada &agrave; Universidade NOVA de Lisboa.</p>     <p><a href="#top42"><sup>42</sup></a><a name="42"></a> <i>Ilustra&ccedil;&atilde;o Portuguesa</i>. Lisboa. 2&ordf; S&eacute;rie (15/07/1922), p. 55.</p>     <p><a href="#top43"><sup>43</sup></a><a name="43"></a> BARATA, Ana – <i>Lisboa &laquo;caes da Europa&raquo;: realidades, desejos e fic&ccedil;&otilde;es para a cidade (1860-1930).</i> Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es Colibri, 2010. p. 176.</p>     <p><a href="#top44"><sup>44</sup></a><a name="44"></a> AML, [Constru&ccedil;&atilde;o de ruas no bairro Oper&aacute;rio dos Barbadinhos. 1890-05-09 – 1893-02], PT/AMLSB/CMLSB/UROB-PU/09/00775.</p>     <p><a href="#top45"><sup>45</sup></a><a name="45"></a> BASTOS, Teixeira – <i>Habita&ccedil;&otilde;es oper&aacute;rias</i>. Lisboa: Companhia Nacional Editora, 1898. p. 5.</p>     <p><a href="#top46"><sup>46</sup></a><a name="46"></a> <i>Plano de Pormenor e salvaguarda: p&aacute;tios e vilas</i>. Lisboa: Divis&atilde;o de Reabilita&ccedil;&atilde;o Urbana dos P&aacute;tios e Vilas da C&acirc;mara Municipal de Lisboa, 1993.</p>     <p><a href="#top47"><sup>47</sup></a><a name="47"></a> SIM&Otilde;ES, J. de Oliveira – Contribui&ccedil;&atilde;o para o estudo das casas para oper&aacute;rios. <i>Boletim do Trabalho Industrial</i>. Lisboa: Imprensa Nacional. N&ordm; 66 (1912).</p>     <p><a href="#top48"><sup>48</sup></a><a name="48"></a> BOTELHO, Francisco de Paula – <i>Melhoramentos urgentes de Lisboa e Porto: plano geral</i>. Lisboa: J. A. Rodrigues, 1907. p. 58.</p>     <p><a href="#top49"><sup>49</sup></a><a name="49"></a> SIM&Otilde;ES, J. de Oliveira – Contribui&ccedil;&atilde;o para o estudo das casas para oper&aacute;rios. <i>Boletim do Trabalho Industrial</i>. Lisboa: Imprensa Nacional. N&ordm; 66 (1912), p. 54.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top50"><sup>50</sup></a><a name="50"></a> VIDAL, Angelina – <i>Lisboa antiga e Lisboa moderna: elementos hist&oacute;ricos da sua evolu&ccedil;&atilde;o</i>. Lisboa: Typographia de Gazeta de Lisboa, 1900. vol. I.</p>     <p><a href="#top51"><sup>51</sup></a><a name="51"></a> <i>Cat&aacute;logo da Exposi&ccedil;&atilde;o Nacional das Industrias Fabris</i>. Lisboa: Imprensa Nacional, 1889. vol II, p. 93.</p>     <p><a href="#top52"><sup>52</sup></a><a name="52"></a> MATTA, J. Caeiro da – <i>Habita&ccedil;&otilde;es populares</i>. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1909. p. 236.</p>     <p><a href="#top53"><sup>53</sup></a><a name="53"></a> FOLGADO, Deolinda; CUST&Oacute;DIO, Jorge – <i>Caminho do Oriente: guia do patrim&oacute;nio industrial</i>. Lisboa: Livros Horizonte, 1999. p. 83.</p>     <p><a href="#top54"><sup>54</sup></a><a name="54"></a> ALC&Acirc;NTARA, Ana – <i>Espa&ccedil;os da Lisboa oper&aacute;ria: trabalho, habita&ccedil;&atilde;o, associativismo e interven&ccedil;&atilde;o oper&aacute;ria na cidade na &uacute;ltima d&eacute;cada do s&eacute;culo XIX</i>. Lisboa: [s.n], 2019. Tese de Doutoramento em Hist&oacute;ria na especialidade de Hist&oacute;ria Contempor&acirc;nea, apresentada &agrave; Universidade NOVA de Lisboa.</p>     <p><a href="#top55"><sup>55</sup></a><a name="55"></a> <i>Ibidem</i>.</p>     <p><a href="#top56"><sup>56</sup></a><a name="56"></a> Um dos &laquo;p&aacute;tios&raquo; da rua de S&atilde;o Bento era o p&aacute;tio do Gil, demolido em 1990, onde nasceu Alexandre Herculano a 28 de mar&ccedil;o de 1810.</p>     <p><a href="#top57"><sup>57</sup></a><a name="57"></a> <i>Inqu&eacute;rito aos pateos de Lisboa.</i> Lisboa: Conselho dos Melhoramentos Sanit&aacute;rios do Minist&eacute;rio das Obras Publicas, Commercio e Industria, 1905.</p>     <p><a href="#top58"><sup>58</sup></a><a name="58"></a> SIM&Otilde;ES, J. de Oliveira – Contribui&ccedil;&atilde;o para o estudo das casas para oper&aacute;rios. <i>Boletim do Trabalho Industrial</i>. Lisboa: Imprensa Nacional. N&ordm; 66 (1912), p. 25.</p>     <p><a href="#top59"><sup>59</sup></a><a name="59"></a> <i>Inqu&eacute;rito aos pateos de Lisboa.</i> Lisboa: Conselho dos Melhoramentos Sanit&aacute;rios do Minist&eacute;rio das Obras Publicas, Commercio e Industria, 1905.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top60"><sup>60</sup></a><a name="60"></a> SIM&Otilde;ES, J. de Oliveira – Contribui&ccedil;&atilde;o para o estudo das casas para oper&aacute;rios. <i>Boletim do Trabalho Industrial</i>. Lisboa: Imprensa Nacional. N&ordm; 66 (1912), p. 25.</p>     <p><a href="#top61"><sup>61</sup></a><a name="61"></a> BRAND&Atilde;O, Ra&uacute;l – <i>Os oper&aacute;rios</i>. Lisboa: Biblioteca Nacional, 1984. p. 311.</p>     <p><a href="#top62"><sup>62</sup></a><a name="62"></a> FUSCHINI, Augusto <i>Constru&ccedil;&atilde;o de casas econ&oacute;micas e salubres para habita&ccedil;&atilde;o das classes pobres (Projecto de lei apresentado &agrave; Camara dos Senhores Deputados em 16 de Maio de 1884)</i>. Lisboa: Imprensa Nacional, 1884. p. 18.</p>     <p><a href="#top63"><sup>63</sup></a><a name="63"></a> <i>Idem</i>, p. 20.</p>     <p><a href="#top64"><sup>64</sup></a><a name="64"></a> MATTA, J. Caeiro da – <i>Habita&ccedil;&otilde;es populares</i>. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1909. p. 104.</p>     <p><a href="#top65"><sup>65</sup></a><a name="65"></a> SIM&Otilde;ES, J. de Oliveira – Contribui&ccedil;&atilde;o para o estudo das casas para Oper&aacute;rios. <i>Boletim do Trabalho Industrial</i>. Lisboa: Imprensa Nacional. N&ordm; 66 (1912), p. 51.</p>     <p><a href="#top66"><sup>66</sup></a><a name="66"></a> <i>Idem</i>, p. 50.</p>     <p><a href="#top67"><sup>67</sup></a><a name="67"></a> <i>Idem</i>, p. 51.</p>     <p><a href="#top68"><sup>68</sup></a><a name="68"></a> VERDE, Ces&aacute;rio – <i>O livro de Ces&aacute;rio Verde</i>. Lisboa: Editorial Minerva, [1952]. p. 94-95.</p>     <p><a href="#top69"><sup>69</sup></a><a name="69"></a> MATTA, J. Caeiro da – <i>Habita&ccedil;&otilde;es populares</i>. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1909. p. 89.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top70"><sup>70</sup></a><a name="70"></a> VIDAL, Angelina – <i>Lisboa antiga e Lisboa moderna: elementos hist&oacute;ricos da sua evolu&ccedil;&atilde;o</i>. Lisboa: Typographia de Gazeta de Lisboa, 1900. vol. I, p. 18.</p>     <p><a href="#top71"><sup>71</sup></a><a name="71"></a> SIM&Otilde;ES, J. de Oliveira – Contribui&ccedil;&atilde;o para o estudo das casas para oper&aacute;rios. <i>Boletim do Trabalho Industrial</i>. Lisboa: Imprensa Nacional. N&ordm; 66 (1912), p. 51.</p>     <p><a href="#top72"><sup>72</sup></a><a name="72"></a> BOTELHO, Abel – <i>Amanh&atilde;</i>. 1&ordf; ed. Porto: Lello&Irm&atilde;os Editores, 1901. p. 28-29.</p>     <p><a href="#top73"><sup>73</sup></a><a name="73"></a> Estes valores referem-se &agrave; agrega&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de n&uacute;cleos de habita&ccedil;&atilde;o das &laquo;classes laboriosas&raquo; para os quais as fontes indicam as condi&ccedil;&otilde;es de habitabilidade. Como as fontes n&atilde;o permitiram saber esta informa&ccedil;&atilde;o relativa cinquenta e sete (19%), estes valores referem-se ao universo classificado - 238 n&uacute;cleos.</p>     <p><a href="#top74"><sup>74</sup></a><a name="74"></a> Refere-se aos valores percentuais dos n&uacute;cleos de habita&ccedil;&atilde;o de cada tipo classificados em cada n&iacute;vel de condi&ccedil;&otilde;es de habitabilidade.</p>     <p><a href="#top75"><sup>75</sup></a><a name="75"></a> As fontes consultadas n&atilde;o possibilitaram o levantamento das condi&ccedil;&otilde;es de habitabilidade para cinquenta e sete (19%) dos n&uacute;cleos de habita&ccedil;&atilde;o das &laquo;classes laboriosas&raquo; inventariados.</p>     <p><a href="#top76"><sup>76</sup></a><a name="76"></a> <i>Inqu&eacute;rito aos pateos de Lisboa.</i> Lisboa: Conselho dos Melhoramentos Sanit&aacute;rios do Minist&eacute;rio das Obras Publicas, Commercio e Industria, 1905.</p>     <p><a href="#top77"><sup>77</sup></a><a name="77"></a> SIM&Otilde;ES, J. de Oliveira – Contribui&ccedil;&atilde;o para o estudo das casas para oper&aacute;rios. <i>Boletim do Trabalho Industrial</i>. Lisboa: Imprensa Nacional. N&ordm; 66 (1912).</p>     <p><a href="#top78"><sup>78</sup></a><a name="78"></a> <i>Inqu&eacute;rito aos pateos de Lisboa.</i> Lisboa: Conselho dos Melhoramentos Sanit&aacute;rios do Minist&eacute;rio das Obras Publicas, Commercio e Industria, 1905. p. 3.</p>     <p><a href="#top79"><sup>79</sup></a><a name="79"></a> BASTOS, Teixeira – <i>Habita&ccedil;&otilde;es oper&aacute;rias</i>. Lisboa: Companhia Nacional Editora, 1898. p. 63.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top80"><sup>80</sup></a><a name="80"></a> <i>Inqu&eacute;rito aos pateos de Lisboa.</i> Lisboa: Conselho dos Melhoramentos Sanit&aacute;rios do Minist&eacute;rio das Obras Publicas, Commercio e Industria, 1905. p. 3.</p>     <p><a href="#top81"><sup>81</sup></a><a name="81"></a> VIDAL, Angelina – <i>Lisboa antiga e Lisboa moderna: elementos hist&oacute;ricos da sua evolu&ccedil;&atilde;o</i>. Lisboa: Typographia de Gazeta de Lisboa, 1900. vol. I, p. 62.</p>     <p><a href="#top82"><sup>82</sup></a><a name="82"></a> <i>Inqu&eacute;rito aos pateos de Lisboa.</i> Lisboa: Conselho dos Melhoramentos Sanit&aacute;rios do Minist&eacute;rio das Obras Publicas, Commercio e Industria, 1905. p. 3.</p>     <p><a href="#top83"><sup>83</sup></a><a name="83"></a> <i>Ibidem</i>.</p>     <p><a href="#top84"><sup>84</sup></a><a name="84"></a> ALC&Acirc;NTARA, Ana – <i>Espa&ccedil;os da Lisboa oper&aacute;ria: trabalho, habita&ccedil;&atilde;o, associativismo e interven&ccedil;&atilde;o oper&aacute;ria na cidade na &uacute;ltima d&eacute;cada do s&eacute;culo XIX</i>. Lisboa: [s.n], 2019. Tese de Doutoramento em Hist&oacute;ria na especialidade de Hist&oacute;ria Contempor&acirc;nea, apresentada &agrave; Universidade NOVA de Lisboa.</p>     <p><a href="#top85"><sup>85</sup></a><a name="85"></a> <i>Ibidem</i>.</p>     <p><a href="#top86"><sup>86</sup></a><a name="86"></a> RODRIGUES, Maria Jo&atilde;o Madeira – Tradi&ccedil;&atilde;o, transi&ccedil;&atilde;o e mudan&ccedil;a: a produ&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o urbano na Lisboa Oitocentista. <i>Boletim Cultural da Assembleia Distrital de Lisboa</i>. Lisboa: Assembleia Distrital. 3&ordf; S&eacute;rie N&ordm; 84 (1979), p. 19. Separata.</p>     <p><a href="#top87"><sup>87</sup></a><a name="87"></a> BANALES, Jos&eacute; Luis Oyon – Historia urbana e historia obrera: reflexiones sobre la vida obrera y su inscrici&oacute;n en el esp&aacute;cio urbano, 1900-1950. <i>Hist&oacute;ria contempor&acirc;nea. </i>24 (2002).</p>     <p><a href="#top88"><sup>88</sup></a><a name="88"></a> CRONIN, J. E. – Labor insurgency and class formation: comparative perspectives on the crisis of 1917-1920 in Europe. In CRONIN, J. E.; SIRIANI, C., coord. - <i>Work, community and power: the experience of labor in Europe and America, 1900-1925.</i> Philadelphia: Temple University Press, 1983.</p>      ]]></body><back>
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