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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Estado de Polícia, Revolução e Estado Liberal (1760-1865): Em homenagem a António Manuel Hespanha]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Police State, Revolution and Liberal State(1760-1865): In tribute to António Manuel Hespanha]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[If some imagine that society and the political system have radically changed with the triumph of the 1820 revolution, others see liberalism as a regeneration of the past while others still opt for evidencing the continuity between the Ancien Régime and Liberalism. This paper derives from those readings and aims to contribute to (dis)associating the nature and governance of the Police State in the second half of the 19th century with the result of the political and social practices of the Liberal State, five decades after the constitutional monarchy was implemented (1866). Our work will be based on the evidences suggested by the budgets and the list of public servants (1866) and what we know about the end of the Ancien Régime.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>DESTAQUE</b></p>     <p><b>Estado de <i>Pol&iacute;cia</i>, Revolu&ccedil;&atilde;o e Estado Liberal (1760-1865): &ldquo;Em homenagem a Ant&oacute;nio Manuel Hespanha&rdquo;</b></p>     <p><b><i>Police State</i>, Revolution and Liberal State(1760-1865): In tribute to Ant&oacute;nio Manuel Hespanha</b></p>     <p><b>Jos&eacute; Subtil<sup>*</sup></b></p>     <p><sup>*</sup>Jos&eacute; Manuel Louzada Lopes Subtil, Universidade Aut&oacute;noma de Lisboa, 1150-293 Lisboa. <a href="mailto:josesubtil@outlook.pt">josesubtil@outlook.pt</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Se uns imaginam que a sociedade em geral e o sistema pol&iacute;tico mudaram radicalmente com o triunfo da revolu&ccedil;&atilde;o (1820), outros preferem olhar para o liberalismo como uma regenera&ccedil;&atilde;o do passado e outros, ainda, optam por real&ccedil;ar as continuidades entre o Antigo Regime e o Liberalismo. O presente trabalho resulta dos pressentimentos destas leituras e procura, tanto quanto poss&iacute;vel, no &acirc;mbito das evid&ecirc;ncias sugeridas pelos or&ccedil;amentos e rela&ccedil;&atilde;o dos empregados p&uacute;blicos (1866) e do que se sabe sobre o final do Antigo Regime, contribuir para (des) associar a natureza e o governo do Estado de <i>Pol&iacute;cia</i>, da segunda metade do s&eacute;culo XVIII, ao resultado das pr&aacute;ticas pol&iacute;ticas e sociais do Estado Liberal, cerca de cinco d&eacute;cadas ap&oacute;s a instaura&ccedil;&atilde;o da monarquia constitucional (1866).</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>PALAVRAS-CHAVE</b></p>     <p>Estado / Pol&iacute;cia / Liberalismo / Revolu&ccedil;&atilde;o</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>If some imagine that society and the political system have radically changed with the triumph of the 1820 revolution, others see liberalism as a regeneration of the past while others still opt for evidencing the continuity between the <i>Ancien R&eacute;gime </i>and Liberalism. This paper derives from those readings and aims to contribute to (dis)associating the nature and governance of the <i>Police</i> State in the second half of the 19th century with the result of the political and social practices of the Liberal State, five decades after the constitutional monarchy was implemented (1866). Our work will be based on the evidences suggested by the budgets and the list of public servants (1866) and what we know about the end of the <i>Ancien R&eacute;gime</i>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>KEYWORDS</b></p>     <p>State / Police /Liberalism / Revolution</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Optando por interpreta&ccedil;&otilde;es que procuram esquivar-se &agrave; proclama&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica do novo poder liberal, &eacute; poss&iacute;vel analisar a revolu&ccedil;&atilde;o no &acirc;mbito de outros mecanismos de poder que nos podem surpreender quanto &agrave; natureza radical da mesma ou &agrave; sua intrincada liga&ccedil;&atilde;o com o final do Antigo Regime<a href="#1"><sup>1</sup></a><a name="top1"></a>. Ter&aacute; sido o Estado Liberal uma constru&ccedil;&atilde;o singular em rutura com o modelo pol&iacute;tico, doutrin&aacute;rio e governamental preconizado desde a segunda metade do s&eacute;culo XVIII?<a href="#2"><sup>2</sup></a><a name="top2"></a> Ou, por outros modos, ter&aacute; prosseguido, no essencial, o programa pol&iacute;tico do Estado de <i>Pol&iacute;cia</i>?<a href="#3"><sup>3</sup></a><a name="top3"></a> Poderemos falar de uma evolu&ccedil;&atilde;o geneal&oacute;gica? Vejamos algumas linhas de orienta&ccedil;&atilde;o pr&oacute;ximas de uma perspetiva menos radicular e mais rizom&aacute;tica<a href="#4"><sup>4</sup></a><a name="top4"></a>.</p>     <p>De uma forma geral, a consci&ecirc;ncia poss&iacute;vel dos novos l&iacute;deres liberais e a narrativa em torno da entroniza&ccedil;&atilde;o do novo poder n&atilde;o t&ecirc;m ingredientes verdadeiramente novos em rela&ccedil;&atilde;o ao ambiente pol&iacute;tico e culto-mental do final do Antigo Regime, desde logo, pela conce&ccedil;&atilde;o da sociedade e a finalidade do poder, aspetos emblem&aacute;ticos do Estado de <i>Pol&iacute;cia</i> que corresponderam a tr&ecirc;s ideias inovadoras e estruturantes<a href="#5"><sup>5</sup></a><a name="top5"></a>.</p>     <p>A come&ccedil;ar pelo conceito de um Reino formado por vassalos, ligados &agrave; pastoral crist&atilde; e r&eacute;gia, deu lugar ao conceito de um Reino formado de &quot;popula&ccedil;&atilde;o&quot; como conjunto de cidad&atilde;os que esperam uma interven&ccedil;&atilde;o ativa dos poderes para aumentar o seu bem-estar e, consequentemente, a grandeza do Reino. Foi neste imagin&aacute;rio que a ideia de felicidade substituiu a ideia de destino e predestina&ccedil;&atilde;o da vida social para cumprimento dos des&iacute;gnios insond&aacute;veis do Criador. Esta mudan&ccedil;a n&atilde;o eliminou, evidentemente, elementos do modelo de integra&ccedil;&atilde;o tradicional como a continua&ccedil;&atilde;o da afirma&ccedil;&atilde;o do pr&iacute;ncipe como pai obrigado a zelar pelos seus vassalos e a din&acirc;mica social vista como obriga&ccedil;&atilde;o e dever da vontade divina. Todavia, a concomit&acirc;ncia destes dois modelos corroeu a estabilidade do modelo do imagin&aacute;rio corporativo e aproximou o modelo do Estado de <i>Pol&iacute;cia</i> ao que viria a ser o modelo do Estado Liberal. Como veremos mais adiante, o mesmo se passou com a ordem constitucional que, longe de se afirmar como radicalmente nova e original, est&aacute; fundada em preceitos do Antigo Regime.</p>     <p>A segunda ideia &eacute; relativa &agrave; governa&ccedil;&atilde;o (<i>governance</i>), &aacute;reas de a&ccedil;&atilde;o, objetivos e recursos humanos, financeiros e de comunica&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tico-administrativa. As mudan&ccedil;as verificadas depois do terramoto (1755) n&atilde;o foram um desfecho de luta de ideias, mas decorreram das respostas concretas a uma situa&ccedil;&atilde;o de cat&aacute;strofe que, ao contr&aacute;rio das solu&ccedil;&otilde;es passivas do modelo jurisdicional, pedia decis&otilde;es r&aacute;pidas, operacionais, que s&oacute; uma administra&ccedil;&atilde;o ativa, de certo modo discricion&aacute;ria, seria capaz de oferecer<a href="#6"><sup>6</sup></a><a name="top6"></a>.</p>     <p>Esta interven&ccedil;&atilde;o inusitada da pol&iacute;tica na governa&ccedil;&atilde;o precisou de uma justifica&ccedil;&atilde;o doutrin&aacute;ria, bem como da ades&atilde;o de novos protagonistas identificados com a governamentaliza&ccedil;&atilde;o. Deste modo, os objetivos do Estado de <i>Pol&iacute;cia</i> ajustaram-se &agrave;s solu&ccedil;&otilde;es e &agrave; rea&ccedil;&atilde;o inevit&aacute;vel perante o caos causado pelo cataclismo, mas pedia novos recursos e compet&ecirc;ncias. E pedia uma elite reformista que acabou, paradoxalmente, por despontar no grupo tradicional mais influente politicamente, isto &eacute;, a magistratura que, doravante, se metamorfoseou em gestores e administradores que cultivaram saberes ligados &agrave; gest&atilde;o social e &agrave; massifica&ccedil;&atilde;o disciplinar.</p>     <p>A terceira ideia est&aacute; ligada, precisamente, &agrave;s tecnologias disciplinares como mecanismos condicionantes dos comportamentos, padr&otilde;es de orienta&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, o bem-estar e a felicidade, a riqueza da Na&ccedil;&atilde;o, a boa sa&uacute;de dos corpos e das almas, a assist&ecirc;ncia aos mais desfavorecidos, a seguran&ccedil;a p&uacute;blica, a eleva&ccedil;&atilde;o moral dos h&aacute;bitos e dos costumes, a sacraliza&ccedil;&atilde;o do trabalho, a condena&ccedil;&atilde;o do &oacute;cio e, consequentemente, da caridade que alimentava a pobreza e a indig&ecirc;ncia.</p>     <p>Se pretendemos, como se ver&aacute;, evidenciar, em torno destas quest&otilde;es, as continuidades geneal&oacute;gicas entre o Antigo Regime e a revolu&ccedil;&atilde;o, &eacute; certo que outras, n&atilde;o menos importantes, abrangem legados significativos como a racionalidade do territ&oacute;rio e o modelo espacial, as estruturas constitucionais como leis fundamentais, a Igreja como institui&ccedil;&atilde;o social, a exibi&ccedil;&atilde;o do poder can&oacute;nico e do modelo organizativo paroquial, o estatuto jur&iacute;dico dos corpos sociais e a teoria da suas representa&ccedil;&otilde;es, a organiza&ccedil;&atilde;o do governo e da administra&ccedil;&atilde;o em economia, religi&atilde;o, justi&ccedil;a, guerra e ultramar, a estrutura&ccedil;&atilde;o judicial, o governo municipalista, a codifica&ccedil;&atilde;o e a altera&ccedil;&atilde;o das fontes de Direito. </p>     <p>Olhando para o Direito como regulador social, a Lei da Boa Raz&atilde;o (1769)<a href="#7"><sup>7</sup></a><a name="top7"></a> passou a valorizar a oportunidade pol&iacute;tica e a centralidade no direito p&aacute;trio e, um pouco mais tarde, Pascoal Jos&eacute; de Melo Freire, encarregue por D. Maria de reformar as Ordena&ccedil;&otilde;es (Projeto do Novo C&oacute;digo), veio com as suas <i>Institui&ccedil;&otilde;es</i> a ser fonte de inspira&ccedil;&atilde;o para os juristas do liberalismo<a href="#8"><sup>8</sup></a><a name="top8"></a>. Como teremos ocasi&atilde;o de enfatizar, o sistema educativo relacionado com o ensino prim&aacute;rio, secund&aacute;rio e misto<a href="#9"><sup>9</sup></a><a name="top9"></a> e o refor&ccedil;o dos recursos humanos e organizativos para arrecada&ccedil;&atilde;o dos impostos constitu&iacute;ram outras &aacute;reas de conflu&ecirc;ncia.</p>     <p>&Eacute; certo que algumas inova&ccedil;&otilde;es identificam-se, contudo, melhor com o Estado Liberal do que com o final do Antigo Regime, como o funcionamento da C&acirc;mara dos Deputados, da C&acirc;mara dos Pares, o sistema eleitoral censit&aacute;rio, a separa&ccedil;&atilde;o dos poderes executivo, legislativo, judicial e moderador, a proemin&ecirc;ncia dos militares, o crescimento progressivo do aparelho de Estado, a import&acirc;ncia dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o (estradas, caminhos de ferro, correios e tel&eacute;grafos) e a montagem das redes de arrecada&ccedil;&atilde;o de impostos e monitoriza&ccedil;&atilde;o dos deveres fiscais dos cidad&atilde;os (alf&acirc;ndegas e reparti&ccedil;&otilde;es da fazenda)<a href="#10"><sup>10</sup></a><a name="top10"></a>.</p>     <p>O per&iacute;odo coberto por esta an&aacute;lise vai desde a cria&ccedil;&atilde;o do Intendente Geral da Pol&iacute;cia, da Corte e do Reino (1760) at&eacute; ao final da primeira fase da Regenera&ccedil;&atilde;o (1865), com dados recolhidos para o ano seguinte (or&ccedil;amento e rela&ccedil;&atilde;o de empregados do Estado, 1866).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>1. A "CORNUC&Oacute;PIA" DO ESTADO DE <i>POL&Iacute;CIA</i></b></p>     <p>Comecemos por justificar o &ldquo;emblema&rdquo; deste t&iacute;tulo.</p>     <p>Na medida em que a Fortuna, a Abund&acirc;ncia, a Fertilidade e a Riqueza passaram a ser perten&ccedil;a dos cuidados do Estado de <i>Pol&iacute;cia</i><a href="#11"><sup>11</sup></a><a name="top11"></a> ao longo do s&eacute;culo XVIII, em toda a Europa Continental, talvez um bom s&iacute;mbolo representativo desta mudan&ccedil;a pol&iacute;tica seja a cornuc&oacute;pia da mitologia greco-romana cuja express&atilde;o art&iacute;stica &eacute; um vaso (s&iacute;mbolo do &uacute;tero) em forma de chifre (s&iacute;mbolo f&aacute;lico) donde brotam, em fartura, flores, frutas e moedas, s&iacute;mbolos da agricultura e do com&eacute;rcio, ou seja, estamos a falar das condi&ccedil;&otilde;es da felicidade (<i>gluckseligkeit</i>) das popula&ccedil;&otilde;es dependentes do poder do Estado, tal como o entendiam os doutrinadores do cameralismo, em especial, Johann Heinrich Justi (1717-1771) na sua <i>Economia de Estado</i> (1755)<a href="#12"><sup>12</sup></a><a name="top12"></a>.</p>     <p>De facto, a felicidade entendida como a vida vivida o melhor poss&iacute;vel atravessa, a partir de meados do s&eacute;culo XVIII, o discurso das ci&ecirc;ncias de pol&iacute;cia (<i>polizeiwissenschaft</i>) que tinham criado as condi&ccedil;&otilde;es da sua possibilidade, acabando por se constituir num projeto singular.</p>     <p>Em Portugal s&atilde;o muitas as manifesta&ccedil;&otilde;es por este programa pol&iacute;tico, racional, iluminado, simultaneamente destinado aos "cidad&atilde;os" e ao engrandecimento do Reino visto como "na&ccedil;&atilde;o", como uma popula&ccedil;&atilde;o indiferenciada, j&aacute; n&atilde;o como um conjunto de corpos sociais aut&oacute;nomos, independentes e diferenciados.</p>     <p>No discurso preliminar que abre a edi&ccedil;&atilde;o das "mem&oacute;rias" da Academia Real das Ci&ecirc;ncias (1797), um dos seus fundadores, Jos&eacute; Corr&ecirc;a da Serra, diz que "O desejo da p&uacute;blica prosperidade" deve ser o trabalho de cada portugu&ecirc;s e o primeiro passo de uma na&ccedil;&atilde;o dever ser conhecer perfeitamente as terras que habita, o que em si encerr&atilde;o, o que de si produzem, o de que s&atilde;o capazes [&hellip;] "conhecer o que temos; ensinar-nos a aproveitallo; escolher na immensa variedade das produc&ccedil;oes da natureza, espalhadas por outras terras, novas plantas, animaes, e culturas an&aacute;logas aos climas, e terrenos que os Portuguezes habit&atilde;o" e fazer o "exame do estado actual das artes entre n&oacute;s, o melhoramento dos methodos, e m&aacute;quinas que nellas se us&atilde;o, a diminui&ccedil;&atilde;o dos gastos, e a dos pre&ccedil;os que dahi resulta, os planos s&oacute;lidos, e calculados de canaes de navega&ccedil;&atilde;o, e r&eacute;ga, de enxugar paues, melhorar portos, os methodos de aperfei&ccedil;oar a nossa navega&ccedil;&atilde;o" e, por fim, conhecer "as causas, por que crescemos, ou diminu&iacute;mos em n&uacute;mero, em for&ccedil;as, em luzes, em riquezas"<a href="#13"><sup>13</sup></a><a name="top13"></a>.</p>     <p>Uns anos antes, o Intendente Geral da Pol&iacute;cia, da Corte e do Reino (cargo criado em 25 de junho de 1760), por sinal, tamb&eacute;m, Superintendente dos Contrabandos, Diogo In&aacute;cio de Pina Manique, dizia num aviso aos provedores das comarcas do Norte (1783) que &ldquo;Sendo o aumento da popula&ccedil;&atilde;o um dos objetivos mais interessantes, e pr&oacute;prios de uma bem regulada Pol&iacute;cia por consistirem as for&ccedil;as e riquezas de um estado na multid&atilde;o dos habitantes&rdquo;<a href="#14"><sup>14</sup></a><a name="top14"></a>.</p>     <p>Na Europa, no in&iacute;cio do s&eacute;culo XVIII, Nicolas Delamare no Pref&aacute;cio ao seu <i>Trait&eacute; de la Police</i> (1707), doutrinava a &ldquo;pol&iacute;cia&rdquo; do seguinte modo:</p>     <p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>Le bonheur de l&rsquo;homme, comme chacun le sait, d&eacute;pend de trois sortes de biens, les biens de l&rsquo;&acirc;me, les biens du corps, et ceux qu&rsquo;on appelle de la fortune. La privation des premiers jette les t&eacute;n&egrave;bres dans son esprit, corrompe son Cœur, e lui fait oublier les principaux devoirs: celle des seconds l&rsquo;abandonne &agrave; la langueur et aux souffrances; et si les derniers lui manquent, il est rare, sans une gr&acirc;ce d&rsquo;en haut ou des secours tout particuliers, qu&rsquo;il puisse jouir d&rsquo;un v&eacute;ritable repos <a href="#15"><sup>15</sup></a><a name="top15"></a>.         <p></p> </blockquote>     <p>Esta pol&iacute;cia com voca&ccedil;&atilde;o para intervir para o bem p&uacute;blico, muito para al&eacute;m das atribui&ccedil;&otilde;es tradicionais de garantir a seguran&ccedil;a, a ordem e o sossego, foi marcada pela influ&ecirc;ncia do cameralismo e da ci&ecirc;ncia de pol&iacute;cia. Em Portugal, percebe-se tudo isto no impulso reformista pombalino e mariano-joanino, no final do s&eacute;culo, evidenciado no fulgor doutrin&aacute;rio, cient&iacute;fico e pragm&aacute;tico das mem&oacute;rias<i> da Academia Real das Ci&ecirc;ncias de Lisboa</i>.</p>     <p>As conce&ccedil;&otilde;es cameral&iacute;sticas s&atilde;o, tamb&eacute;m, como modalidades de pensamento econ&oacute;mico &ndash; mercantilismo primeiro e fisiocratismo depois &ndash; cruzadas e combinadas com doutrinas pol&iacute;ticas pr&oacute;ximas &agrave; conformidade da raz&atilde;o de Estado que engendraram a &ldquo;governamentaliza&ccedil;&atilde;o&rdquo; das popula&ccedil;&otilde;es e a manipula&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o pol&iacute;tico entre os finais do s&eacute;culo XVII e in&iacute;cios do s&eacute;culo XVIII.</p>     <p>Na base do desenvolvimento destas doutrinas estiveram, sobretudo, os problemas relacionados com o enorme aumento da popula&ccedil;&atilde;o que obrigaram os estados modernos a encontrar outras "artes" administrativas, outros conhecimentos e a dispor de outros recursos para as governar. Por isso, a demografia e a "estad&iacute;stica" se tornaram ci&ecirc;ncias do Estado e governamentalizaram realidades contingentes como a sa&uacute;de preventiva e curativa, os &iacute;ndices de natalidade, a pujan&ccedil;a da fecundidade, a ecologia, higiene e a instru&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica. Mas este projeto implicava despesas avultadas e as ci&ecirc;ncias camerais responderam a estas necessidades com um conjunto de saberes e pr&aacute;ticas destinadas a fortalecer as finan&ccedil;as do pr&iacute;ncipe atrav&eacute;s da boa e eficiente arrecada&ccedil;&atilde;o de impostos, a promover a atividade econ&oacute;mica e o consumo, a regular o com&eacute;rcio e o controlo das alf&acirc;ndegas, tanto para estimular as exporta&ccedil;&otilde;es como para limitar as importa&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>Ocupavam-se, por isso, da administra&ccedil;&atilde;o do patrim&oacute;nio do pr&iacute;ncipe, bens e recursos da Coroa, sejam bosques, coutos, minas, salinas, impostos, prados, lez&iacute;rias e tudo que pudesse fazer crescer a riqueza, a produ&ccedil;&atilde;o, consumo e o com&eacute;rcio como a produ&ccedil;&atilde;o de bens e servi&ccedil;os, a boa sa&uacute;de, a quantidade e qualidade dos alimentos, a vigil&acirc;ncia dos costumes, a preserva&ccedil;&atilde;o da moral, o incremento da agricultura e das manufaturas, o combate &agrave; delinqu&ecirc;ncia e &agrave; mendicidade<a href="#16"><sup>16</sup></a><a name="top16"></a>. </p>     <p>Com as Luzes, esta pol&iacute;tica passou a ser a pol&iacute;tica do monarca esclarecido que devia trabalhar para o progresso e bem-estar do povo com a ajuda de s&aacute;bios funcion&aacute;rios e conselheiros e de uma administra&ccedil;&atilde;o destinada a governar o bem comum. As disciplinas cameral&iacute;sticas adaptaram-se a esta mudan&ccedil;a de forma que a ci&ecirc;ncia de pol&iacute;cia acabou por agregar o conceito de eudemonismo, ou seja, de que o seu objetivo era a procura da felicidade dos &ldquo;s&uacute;bditos-cidad&atilde;os&rdquo; para se alcan&ccedil;ar o bem-estar geral e n&atilde;o o do pr&iacute;ncipe, isto &eacute;, &agrave; imagem negativa da pol&iacute;cia encarregue da ordem, da seguran&ccedil;a e da repress&atilde;o, surge, agora, uma faceta positiva que a tornou aut&oacute;noma e com outras fun&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas. </p>     <p>A transforma&ccedil;&atilde;o desta pol&iacute;cia de seguran&ccedil;a numa pol&iacute;cia para a felicidade coletiva e ligada &agrave; prosperidade econ&oacute;mica do Estado, criou, evidentemente, problemas pol&iacute;ticos. Percebe-se, portanto, que n&atilde;o estamos a falar s&oacute; de uma institui&ccedil;&atilde;o, com a sua organiza&ccedil;&atilde;o e recursos, mas de um conjunto de mecanismos engendrados pela sua miss&atilde;o que asseguravam a ordem, o crescimento das riquezas e as condi&ccedil;&otilde;es da felicidade geral dos povos, o melhoramento das cidades, o crescimento da popula&ccedil;&atilde;o e a seguran&ccedil;a, em sentido lato, desde a vigil&acirc;ncia contra inc&ecirc;ndios, o combate &agrave; criminalidade, a resolu&ccedil;&atilde;o de tumultos, a defesa da propriedade p&uacute;blica e privada, a preserva&ccedil;&atilde;o dos costumes, a garantia da salubridade, a regula&ccedil;&atilde;o da ind&uacute;stria e do com&eacute;rcio, isto &eacute;, uma infind&aacute;vel bateria de fun&ccedil;&otilde;es com o objetivo de colmatar as insufici&ecirc;ncias sociais e econ&oacute;micas que impediam o bem-estar. </p>     <p>Esta invoca&ccedil;&atilde;o da felicidade coletiva conduziu, necessariamente, &agrave; conceptualiza&ccedil;&atilde;o da &ldquo;popula&ccedil;&atilde;o&rdquo; como elemento-chave dos tratados de pol&iacute;cia, bem como &agrave; sua modela&ccedil;&atilde;o ideal, isto &eacute;, o seu aumento sustentado, a obriga&ccedil;&atilde;o para assegurar as melhores condi&ccedil;&otilde;es de subsist&ecirc;ncia e de sa&uacute;de, a qualidade da circula&ccedil;&atilde;o dos homens e dos produtos (estradas e canais), a higiene e a qualidade do ambiente. Com esta nova realidade social e pol&iacute;tica imergia o passado da miseric&oacute;rdia, da caridade e da pastoral crist&atilde; doravante capturado e incinerado pelo Estado de <i>Pol&iacute;cia</i>. A mendicidade, a pobreza e a doen&ccedil;a ficavam inscritas no problema geral da sa&uacute;de, do bem-estar e da felicidade das popula&ccedil;&otilde;es, na medida em que, com a emerg&ecirc;ncia do novo conceito de &ldquo;popula&ccedil;&atilde;o&rdquo;, ficou corro&iacute;do o fundamento da fam&iacute;lia que tinha sido o suporte do modelo de governo corporativo e tradicional. </p>     <p>Percebe-se porque esta objetiva&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica provocou a maximiza&ccedil;&atilde;o da import&acirc;ncia da sa&uacute;de p&uacute;blica, o desvio pol&iacute;tico para a incurs&atilde;o nos corpos vivos, e j&aacute; n&atilde;o s&oacute; nos corpos f&iacute;sicos, porque a conserva&ccedil;&atilde;o da vida e o seu alargamento passaram a ser fundamentais para o poder de Estado. Ser&aacute; esta incurs&atilde;o nos corpos vivos que desencadear&aacute; a necessidade absoluta do controlo da vida, descentrando a aten&ccedil;&atilde;o dos corpos individualizados para o corpo geral da popula&ccedil;&atilde;o e criando um novo regime pol&iacute;tico a que Foucault chamaria de biopoder. Os regimes disciplinares e biopol&iacute;ticos articularam-se para a constru&ccedil;&atilde;o do Estado de <i>Pol&iacute;cia </i>que se legitimar&aacute;, portanto, fora da soberania que assentava na centralidade divina do monarca como justifica&ccedil;&atilde;o para os atos de poder e domina&ccedil;&atilde;o<a href="#17"><sup>17</sup></a><a name="top17"></a>. A extens&atilde;o dos programas biopol&iacute;ticos e o excesso de defesa da vida levar&atilde;o &agrave; implanta&ccedil;&atilde;o de medidas extremas como a segrega&ccedil;&atilde;o dos bairros urbanos, a diferencia&ccedil;&atilde;o dos tratamentos hospitalares, os campos de concentra&ccedil;&atilde;o de contagiados, as quarentenas e os expurgos em massa que ter&atilde;o levado Giorgio Agamben a radicalizar o pensamento de Michel Foucault, desenvolvendo a teoria tanatopol&iacute;tica, isto &eacute;, a maximiza&ccedil;&atilde;o do homem como esp&eacute;cie, como ser vivo (Estado de exce&ccedil;&atilde;o)<a href="#18"><sup>18</sup></a><a name="top18"></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Compreende-se que esta pol&iacute;cia tenha surgido nas grandes cidades, centrais no processo de produ&ccedil;&atilde;o e com&eacute;rcio, de grande concentra&ccedil;&atilde;o de popula&ccedil;&otilde;es &ldquo;perigosas&rdquo;, na sua maioria pobres, justificando que os programas biopol&iacute;ticos tenham utilizado dispositivos disciplinares sobre a mobilidade e o ambiente, como os passaportes, relat&oacute;rios de georreferencia&ccedil;&atilde;o, cercas sanit&aacute;rias e de seguran&ccedil;a p&uacute;blica, cord&otilde;es de sinaliza&ccedil;&atilde;o da purifica&ccedil;&atilde;o do ar, monitoriza&ccedil;&atilde;o da mobilidade das doen&ccedil;as e dos movimentos &ldquo;anormais&rdquo;, afinal de contas, tamb&eacute;m um programa de combate &agrave; criminalidade para garantir a seguran&ccedil;a e a ordem. </p>     <p>Come&ccedil;ava, desde ent&atilde;o, a ganhar forma a racionalidade das pol&iacute;ticas, ou seja, a ideia da padroniza&ccedil;&atilde;o da sociedade segundo um modelo de ajustamento social que englobava n&atilde;o s&oacute; a riqueza, mas os comportamentos e as atitudes. Este modelo tamb&eacute;m foi explicado por Foucault que o etiquetou de disciplinar, isto &eacute;, todo um mecanismo que incidia sobre os corpos como entidades f&iacute;sicas para os modelar e equipar com procedimentos, h&aacute;bitos e <i>habitus</i><a href="#19"><sup>19</sup></a><a name="top19"></a>. Ao passarem para a al&ccedil;ada da administra&ccedil;&atilde;o do Estado de <i>Pol&iacute;cia</i> ou serem por ele capturadas, a fam&iacute;lia e a comunidade tradicional foram substitu&iacute;das por novas institui&ccedil;&otilde;es &ndash; escolas, oficinas, ex&eacute;rcitos, hospitais &ndash; para normalizar os indiv&iacute;duos, acomodar as suas excentricidades e corrigir as suas anomalias, auxiliadas pela medicina, pedagogia e novas ci&ecirc;ncias sociais. </p>     <p>Os conselhos ao pr&iacute;ncipe, que foram o modelo de governo jurisdicional s&atilde;o, agora, substitu&iacute;dos por tratados e resultados cient&iacute;ficos que ensinam a governar e, ainda, por orienta&ccedil;&otilde;es pragm&aacute;ticas que brotavam das pr&aacute;ticas pol&iacute;ticas e dos conhecimentos sobre a &ldquo;nova&rdquo; economia pol&iacute;tica. Manuais que regulavam os regimes alimentares, os cuidados de sa&uacute;de, os h&aacute;bitos sexuais e de higiene, o controlo das emo&ccedil;&otilde;es, a ocupa&ccedil;&atilde;o dos tempos livres, as rotinas nas f&aacute;bricas, hospitais e escolas e at&eacute; a ritualiza&ccedil;&atilde;o da morte. </p>     <p>O ganho da previsibilidade imposta pela padroniza&ccedil;&atilde;o era, em si mesmo, um ganho de seguran&ccedil;a e ordem que proporcionava as melhores condi&ccedil;&otilde;es para o sucesso do trabalho como motor da produ&ccedil;&atilde;o e mobiliza&ccedil;&atilde;o da riqueza. Nascia um novo campo socioecon&oacute;mico ancorado no com&eacute;rcio, na agricultura e ind&uacute;stria, nos cuidados das matas e florestas, na explora&ccedil;&atilde;o das minas<a href="#20"><sup>20</sup></a><a name="top20"></a> e no desenvolvimento cient&iacute;fico. As minorias sociais (doentes, mendigos, desempregados) potenciavam e ilustravam a periferiza&ccedil;&atilde;o &agrave; dignidade deste novo trabalho regenerador. </p>     <p>Mas este &ldquo;bem da sociedade&rdquo; e a procura da felicidade tiveram como consequ&ecirc;ncia a limita&ccedil;&atilde;o dos direitos particulares a favor do interesse geral, ativaram a discricionariedade e libertaram o exerc&iacute;cio do poder dos limites legais, da tradi&ccedil;&atilde;o e dos direitos adquiridos. Esta liberta&ccedil;&atilde;o dos constrangimentos da justi&ccedil;a tornou esta <i>pol&iacute;cia </i>numa institui&ccedil;&atilde;o criativa, excessiva e radical nas suas formula&ccedil;&otilde;es e pr&aacute;ticas. Um estatuto que provocou um clima de grande tens&atilde;o jurisdicional e esteve na base da intensa conflitualidade com os mais diversos magistrados, conselhos e tribunais. A ci&ecirc;ncia de pol&iacute;cia tinha, por isso, uma pregn&acirc;ncia ut&oacute;pica, uma originalidade que fazia dos projetos pol&iacute;ticos potencia&ccedil;&otilde;es m&aacute;gicas ao monopolizar a no&ccedil;&atilde;o de progresso e de desenvolvimento. Um imagin&aacute;rio que derrubou as fronteiras da viol&ecirc;ncia na medida em que deixou de haver limites para os governos melhorarem a vida das popula&ccedil;&otilde;es e aumentar o grau de felicidade. Esta abertura &agrave; utopia estimulou a interven&ccedil;&atilde;o desmedida da pol&iacute;tica e sujeitou os indiv&iacute;duos &agrave; depend&ecirc;ncia da ambi&ccedil;&atilde;o do maior prazer e bem-estar poss&iacute;veis.</p>     <p>Cresceram, com este programa pol&iacute;tico, novos saberes. </p>     <p>A estat&iacute;stica, ci&ecirc;ncia fundamental do Estado de <i>Pol&iacute;cia</i> que permitia o conhecimento da realidade social, possibilitava previs&otilde;es e permitia ensaiar planeamentos e interven&ccedil;&otilde;es regionais, locais ou gerais. Um contempor&acirc;neo, o visconde da Lapa, Manuel de Almeida e Vasconcelos de Soveral<a href="#21"><sup>21</sup></a><a name="top21"></a>, dizia, na sua mem&oacute;ria sobre um plano de estat&iacute;stica, como sendo o &ldquo;conhecimento perfeito do Estado he o que essencialmente concorre&rdquo; para a estat&iacute;stica que se encarrega de infinitas coisas por&eacute;m, &ldquo;occupa-se, entre milhares de cousas not&aacute;veis, em colher as que tem influencia sobre o bem-estar do Estado, visivil, ou occultamente&rdquo;. Para guiar as for&ccedil;as de uma sociedade e conhecer as suas grandezas seria preciso, no seu entender, atender &ldquo;1&ordm; &agrave; posi&ccedil;&atilde;o, e situa&ccedil;&atilde;o do Paiz; 2&ordm; &agrave; forma, e caracter do seu Governo; 3&ordm; ao caracter nacional de seus habitantes&rdquo; e, ainda, &ldquo;ao seu terreno, clima, e &agrave;s disposi&ccedil;&otilde;es, que elle oferece para a communica&ccedil;&atilde;o exterior, e interior: para o que o trabalho dos habitantes, ajudando a natureza, concorre infinitamente&rdquo;, ou seja, conhecer o estado da fazenda, as fontes das rendas, tributos diretos e indiretos e os meios para a sua arrecada&ccedil;&atilde;o. Esta aritm&eacute;tica pol&iacute;tica dos homens, das coisas e da natureza, permitiu n&atilde;o s&oacute; conhecer a realidade como simular a mesma, tornando revers&iacute;vel o real e a subjetiva&ccedil;&atilde;o da materialidade<a href="#22"><sup>22</sup></a><a name="top22"></a>. </p>     <p>Depois, a medicina que se desenvolvia no conhecimento cir&uacute;rgico, bot&acirc;nico e nas pr&aacute;ticas hospitalares. Uma ci&ecirc;ncia que passou a intervir, cada vez mais, na exist&ecirc;ncia do indiv&iacute;duo na popula&ccedil;&atilde;o, muito para al&eacute;m dos aspetos relacionados com a doen&ccedil;a e os doentes, ou seja, a medicina tornou-se, tamb&eacute;m, uma ci&ecirc;ncia do Estado de <i>Pol&iacute;cia</i>, uma medicina ao servi&ccedil;o das inten&ccedil;&otilde;es do poder porque se transformou numa autoridade sobre a vida, quer para conseguir interromper a doen&ccedil;a e evitar a morte, como para prolongar a vida com orienta&ccedil;&otilde;es sobre a alimenta&ccedil;&atilde;o, a qualidade do ambiente, a limpeza dos h&aacute;bitos sexuais, a sanidade dos costumes, a higiene privada e p&uacute;blica. Esta amplia&ccedil;&atilde;o enorme da esfera estrita da medicina acabou, tamb&eacute;m, por transformar os hospitais, de centros de recolhimento assistencial, em estabelecimentos terap&ecirc;uticos e de tratamento estat&iacute;stico das tipologias de enfermidade com registos sistem&aacute;ticos dos ritmos de vida, morte e doen&ccedil;a. O poder do Estado de <i>Pol&iacute;cia</i> passou a usar a autoridade m&eacute;dica para decidir sobre a cidade e os seus habitantes, os recursos e condi&ccedil;&otilde;es de vida, inclusive sobre as taxas de natalidade e mortalidade. </p>     <p>Neste governo de saberes valer&aacute; a pena chamar a aten&ccedil;&atilde;o para outras &aacute;reas cient&iacute;ficas. O caso, por exemplo, de Jos&eacute; Joaquim Soares de Barros, com um trabalho diacr&oacute;nico sobre a hist&oacute;ria da demografia em Portugal<a href="#23"><sup>23</sup></a><a name="top23"></a> e com aten&ccedil;&atilde;o para o problema da emigra&ccedil;&atilde;o e do abandono dos campos. Ou, no plano agr&iacute;cola, Ant&oacute;nio Henriques da Silveira<a href="#24"><sup>24</sup></a><a name="top24"></a>, com a marca doutrin&aacute;ria de que todos os terrenos devem ser aproveitados, o que exige m&atilde;o-de-obra qualificada e saud&aacute;vel, apontando males como o abandono dos baldios dos concelhos, a multid&atilde;o de mendigos e pedintes, as &ldquo;grangearias dos Nobres&rdquo;, o luxo e a multiplicidade de dias santos em que n&atilde;o se trabalha. Para Domingos Vandelli<a href="#25"><sup>25</sup></a><a name="top25"></a>, a prioridade de um governo de &ldquo;sabia pol&iacute;tica&rdquo; &eacute; muito mais importante que a quantidade de livros de economia e conhecimentos t&eacute;cnicos agr&iacute;colas<a href="#26"><sup>26</sup></a><a name="top26"></a>.</p>     <p>A pan&oacute;plia das mem&oacute;rias entradas na Academia Real das Ci&ecirc;ncias de Lisboa sobre tudo o que podia contribuir para o bem-estar das popula&ccedil;&otilde;es cobre uma infinidade de temas como sal-gema, conserva&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua da chuva, sele&ccedil;&atilde;o de plantas, tratamento das farinhas, fundi&ccedil;&otilde;es, hospitais, gado, papel, nitro, fontes naturais, pesca e peixes, virtude dos nabos, conhecimento da bot&acirc;nica, benef&iacute;cios e malef&iacute;cios da meteorologia, estat&iacute;stica, qualidade do leite, regula&ccedil;&atilde;o dos pesos e medidas, virtude do sistema decimal, organiza&ccedil;&atilde;o das feiras e mercados, sa&uacute;de das vinhas, uso do carv&atilde;o, manufatura de chap&eacute;us, cuidados com pa&uacute;s, encanamentos, &aacute;guas-ardentes, com&eacute;rcio, amoreiras, baldios, agricultura intensiva, uso do a&ccedil;&uacute;car, organiza&ccedil;&atilde;o das queimadas, levantamento dos mapas de povoa&ccedil;&atilde;o com indicadores diversos, uma enorme quantidade de t&oacute;picos que valem a leitura atenta dos v&aacute;rios volumes das mem&oacute;rias.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Num outro plano, o assistencial, o tratamento diferenciado aos pobres, com assist&ecirc;ncia aos &ldquo;merecedores&rdquo; e repress&atilde;o sobre os &ldquo;v&aacute;lidos&rdquo; para os transformar em trabalhadores ativos, fez da esmola tradicional uma reserva para os enjeitados, inv&aacute;lidos e velhos, acompanhando, nesta mat&eacute;ria, o vanguardismo europeu, embora com conce&ccedil;&otilde;es diferentes preconizadas por D. Rodrigo de Sousa Coutinho e Diogo In&aacute;cio de Pina Manique<a href="#27"><sup>27</sup></a><a name="top27"></a>. O combate &agrave; ociosidade destinava-se a colmatar a &ldquo;falta de gentes para se ocuparem na Agricultura, nas Artes, e nas Manufacturas&rdquo; por terem vindo para Lisboa procurar a &ldquo;ociosidade de mendigar&rdquo;, assumindo como urgente &ldquo;extinguir a ociosidade para deste modo evitar os v&iacute;cios, e tornar &uacute;teis ao Estado aqueles indiv&iacute;duos que lhe servem de peso&rdquo;. At&eacute; na divis&atilde;o do trabalho se preconizava que os homens n&atilde;o vendessem bolos, hortali&ccedil;as, frutas e peixe &ldquo;por serem [trabalho] de mulher&rdquo; e, assim, se poderem empregar &ldquo;na Cultura dos Campos, no exerc&iacute;cio das Artes, e Manufacturas, no servi&ccedil;o de Reedifica&ccedil;&atilde;o da Cidade, no das Tropas Regulares, e no da Marinha&rdquo;. </p>     <p>Quanto aos menores, o intendente geral da Pol&iacute;cia, da Corte e do Reino, atrav&eacute;s da Casa Pia, procurava proteger as crian&ccedil;as abandonadas, com o refor&ccedil;o das redes de prote&ccedil;&atilde;o em todas as sedes de concelho e o envolvimento dos ju&iacute;zes de vintena nas cabe&ccedil;as de freguesia, promovia estudos sobre leites substitutos do leite materno das amas, apoiava a inclus&atilde;o de crian&ccedil;as &oacute;rf&atilde;s em fam&iacute;lias rurais para aprenderem a agricultura e instru&iacute;a os ministros dos bairros e os provedores para combaterem o &ldquo;ninho de prostitui&ccedil;&atilde;o&rdquo; que constitu&iacute;am as casas dos expostos. A sistematiza&ccedil;&atilde;o, no plano das concretiza&ccedil;&otilde;es e dos resultados, das pol&iacute;ticas sociais de combate &agrave; mendicidade, ociosidade, recupera&ccedil;&atilde;o de menores e diminu&iacute;dos socialmente aparece no Estado de <i>Pol&iacute;cia</i> como um novo objetivo em contraste com o dom&iacute;nio exercido pela Igreja com recurso &agrave; caridade<a href="#28"><sup>28</sup></a><a name="top28"></a>.</p>     <p>Vejamos, para concluir, outras pr&aacute;ticas e finalidades do Estado de <i>Pol&iacute;cia</i> plasmadas numa rede de novos organismos em nada semelhantes aos &oacute;rg&atilde;os colegiais do Antigo Regime. A arrecada&ccedil;&atilde;o dos impostos e a fiscaliza&ccedil;&atilde;o das contas, no seguimento da regula&ccedil;&atilde;o das atividades de com&eacute;rcio (Junta do Com&eacute;rcio, 30 de setembro de 1755 e Mesa do Bem Comum dos Mercadores, 1757), ficou entregue ao poderoso Er&aacute;rio R&eacute;gio (22 de dezembro de 1761) que absorveu as compet&ecirc;ncias do Conselho da Fazenda. Foi por sua iniciativa que se procedeu &agrave; centraliza&ccedil;&atilde;o das opera&ccedil;&otilde;es de tesouraria da fazenda real e se inaugurou uma nova contabilidade (partidas dobradas) com registos atrav&eacute;s de folhas de caixa (Di&aacute;rios), balancetes (Livros Mestres) e movimentos de receita e despesa (Livros Auxiliares). A mesma t&eacute;cnica contabil&iacute;stica seria imposta &agrave;s c&acirc;maras (Alvar&aacute; de 23 de julho de 1766) e estendida &agrave;s alf&acirc;ndegas. Como estas opera&ccedil;&otilde;es requeriam novos funcion&aacute;rios foi aberta a Aula do Com&eacute;rcio para assumir fun&ccedil;&otilde;es de forma&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>No campo administrativo, foi feita uma grande reforma com o envolvimento dos intendentes (superintendentes gerais das Alf&acirc;ndegas (1766), um para o Norte e outro para o Sul (1766), superintendente do Sal do Algarve (1765), inspetor geral para as F&aacute;bricas do Reino (1777), superintendentes dos Lanif&iacute;cios (1769), superintendente geral da D&eacute;cima, superintendente dos Contrabandos)<a href="#29"><sup>29</sup></a><a name="top29"></a>. Para melhorar as comunica&ccedil;&otilde;es, depois da &ldquo;nacionaliza&ccedil;&atilde;o&rdquo; dos Correios, foi criado o cargo de intendente das Estradas (Alvar&aacute; de 28 de mar&ccedil;o de 1791), reconhecendo-se a ru&iacute;na das estradas de que resulta n&atilde;o poderem &ldquo;os Lavradores transportar os Frutos dos seus trabalhos, nem por falta de Exporta&ccedil;&atilde;o, e Consumo adiantar a sua Agricultura&rdquo;. Em 1 de abril de 1799, Jos&eacute; Diogo Mascarenhas Neto seria nomeado superintendente geral dos Correios.</p>     <p>Na agricultura, Luiz Ferrari de Mordau, de origem italiana, protegido do marqu&ecirc;s de Pombal, seria nomeado intendente geral da Agricultura (1765), cargo que exerceria por muitos anos, pelo menos at&eacute; 1802. Nas minas e metais, Joaquim Pedro Fragoso da Mota de Sequeira, doutor por Coimbra, viajaria pela Europa, como pensionista do governo, para obter conhecimentos antes de exercer o lugar de intendente geral das Minas e Metais do Reino. Foi s&oacute;cio da Academia Real das Ci&ecirc;ncias de Lisboa, membro das Sociedades Econ&oacute;micas de Leipzig e Madrid e autor de v&aacute;rias mem&oacute;rias da Academia sobre a cultura dos castanheiros, azinheiras, sobreiros, carvalhos, o uso das gadanhas para a ceifa do trigo, centeio e cevada. Aconteceu o mesmo a Jos&eacute; Bonif&aacute;cio de Andrade e Silva (1763-1838), natural de S. Paulo, convidado pelo duque de Laf&otilde;es para entrar na Academia devido &agrave;s suas compet&ecirc;ncias, agraciado com bolsas para viajar pela Europa, entre 1790 e 1800, a fim de obter conhecimentos na metalurgia. Seria nomeado intendente geral das Minas e regente de uma cadeira, na Universidade de Coimbra, sobre Metalurgia e Geognosia.</p>     <p>A pol&iacute;cia da sa&uacute;de p&uacute;blica foi, por&eacute;m, como j&aacute; referido, a que mais objetivou a raz&atilde;o do Estado de <i>Pol&iacute;cia</i>, quer pela coer&ecirc;ncia entre os seus mecanismos e princ&iacute;pios, quer pelos saberes e t&eacute;cnicas que desenvolveu. De assinalar o impulso dos jardins bot&acirc;nicos, a farmacopeia, o instituto vac&iacute;nico, as mem&oacute;rias sobre sa&uacute;de, as experi&ecirc;ncias da Junta do Protomedicato e da Comiss&atilde;o da Sa&uacute;de P&uacute;blica, o melhoramento dos hospitais, a cirurgia e o ensino da medicina.</p>     <p>Na &aacute;rea da educa&ccedil;&atilde;o, a reforma dos Estudos Maiores (Novos Estatutos da Universidade de Coimbra, Carta de Lei de 28 de agosto de 1772) foi acompanhada pela cria&ccedil;&atilde;o de uma rede escolar de Estudos Menores na depend&ecirc;ncia da Junta de Provid&ecirc;ncia Liter&aacute;ria (1770) coordenada pela Real Mesa Cens&oacute;ria. Para o final do s&eacute;culo seria criada a Junta da Diretoria Geral de Estudos e Escolas do Reino (Carta R&eacute;gia de 17 de dezembro de 1794) e a Academia Real das Ci&ecirc;ncias de Lisboa (1779-1780).</p>     <p>No que respeita &agrave; estrutura do governo, a organiza&ccedil;&atilde;o por secretarias de estado, embora tenham sido criadas no reinado de D. Jo&atilde;o V, foi o grande emblema da centralidade administrativa do Estado de <i>Pol&iacute;cia</i>, sobretudo pela sua operacionalidade e politiza&ccedil;&atilde;o no sentido da governamentaliza&ccedil;&atilde;o, acompanhando a exautora&ccedil;&atilde;o das compet&ecirc;ncias dos conselhos e tribunais do Antigo Regime<a href="#30"><sup>30</sup></a><a name="top30"></a>. Um dos aspetos mais inovadores deste modelo durante o pombalismo foi, justamente, a sua integridade e coes&atilde;o, podendo falar-se de um governo com um "primeiro ministro" (Pombal) chefe do gabinete ministerial, acontecendo o mesmo, depois do seu afastamento, com o desembargador Jos&eacute; de Seabra da Silva. Trata-se de uma grande mudan&ccedil;a em rela&ccedil;&atilde;o ao reinado de D. Jo&atilde;o V em que os secret&aacute;rios de estado foram figuras burocr&aacute;ticas e desgarradas no seu desempenho individual. Este tipo de funcionalidade e organiza&ccedil;&atilde;o foi adotado pelos liberais como podemos ver, neste volume, no texto de Ant&oacute;nio Pedro Manique<a href="#31"><sup>31</sup></a><a name="top31"></a>.</p>     <p>A esta modalidade de governo juntou-se a reforma dos funcion&aacute;rios p&uacute;blicos fundada na altera&ccedil;&atilde;o dos pagamentos de servi&ccedil;os que passaram a ser remunerados por sal&aacute;rios e n&atilde;o pela fonte de rendimento dos of&iacute;cios, iniciando- -se, tamb&eacute;m, o processo de recrutamento por meritocracia (lugares de justi&ccedil;a e fazenda) contrariando, portanto, os crit&eacute;rios fundados no privil&eacute;gio e na tradi&ccedil;&atilde;o familiar<a href="#32"><sup>32</sup></a><a name="top32"></a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>2. O ESTADO NO FINAL DA PRIMEIRA FASE DA REGENERA&Ccedil;&Atilde;O</b></p>     <p>Muitas s&atilde;o as perspetivas para apreciar o Estado Liberal desde a revolu&ccedil;&atilde;o (1820) at&eacute; ao final da monarquia constitucional (1910)<a href="#33"><sup>33</sup></a><a name="top33"></a>. As que mais nos interessam para o que estamos a tratar e para o per&iacute;odo em an&aacute;lise (da revolu&ccedil;&atilde;o, 1820, at&eacute; ao final da primeira fase da Regenera&ccedil;&atilde;o, 1865) s&atilde;o, contudo, a abordagem constitucional, a "produ&ccedil;&atilde;o" da burocracia estadualista e o funcionamento da C&acirc;mara dos Deputados e da C&acirc;mara dos Pares, ou seja, evid&ecirc;ncias sobre o regime constitucional, o poder executivo e legislativo.</p>     <p>Sobre o regime constitucional, Ant&oacute;nio Manuel Hespanha<a href="#34"><sup>34</sup></a><a name="top34"></a> diz-nos que "eram muitas as continuidades entre o primeiro constitucionalismo liberal e o constitucionalismo de Antigo Regime"<a href="#35"><sup>35</sup></a><a name="top35"></a>. Os elementos que sobreviveram do passado na nova era constitucional foram v&aacute;rios. Desde logo, o conceito de soberania como poder supremo. Segundo Ant&oacute;nio Hespanha, a Constitui&ccedil;&atilde;o de 1822 refere a ultrapassagem dos limites do poder como causa dos "males da P&aacute;tria" e reconhece, na invoca&ccedil;&atilde;o e simbolicamente, a "Sant&iacute;ssima Trindade" como fonte e origem do poder constituinte.</p>     <p>Em segundo lugar, a "ideia da autorregula&ccedil;&atilde;o dos corpos pol&iacute;ticos" devia incorporar a ordem constitucional, ou seja, a ordem jur&iacute;dica da autonomia jurisdicional dos corpos privilegiados como a Igreja, a fam&iacute;lia e as corpora&ccedil;&otilde;es, marcava o particularismo jur&iacute;dico da Constitui&ccedil;&atilde;o. </p>     <p>Em terceiro, a produ&ccedil;&atilde;o legislativa n&atilde;o correspondia a um ato discricion&aacute;rio submetido &agrave; vontade pol&iacute;tica do legislador, mas era vista como revela&ccedil;&atilde;o de uma ordem superior, indispon&iacute;vel, o que, de facto, aproximava o Congresso a um tribunal do Antigo Regime onde se decidia da mesma forma como numa mesa de desembargadores, isto &eacute;, pela confronta&ccedil;&atilde;o dos votos. Na mesma linha, manteve-se a orienta&ccedil;&atilde;o de que a tradi&ccedil;&atilde;o legitima e reconhece a ordem jur&iacute;dica e que, portanto, esta deve acomodar-se &agrave;quela.</p>     <p>Em quarto, a ideia da pluralidade corporativa manteve-se, querendo com isto dizer-se que a atribui&ccedil;&atilde;o dos poderes n&atilde;o era vista como uma delibera&ccedil;&atilde;o em resultado da natureza do Estado, mas como uma "distribui&ccedil;&atilde;o tradicional, historicamente estabelecida, de compet&ecirc;ncias".</p>     <p>Em quinto, a ideia dos contrapesos e controlos (<i>checks and balances</i>) para manuten&ccedil;&atilde;o da ordem constitucional foi inspirada e fundada nas jurisdi&ccedil;&otilde;es pr&eacute;-constitucionais e nos limites do poder do pr&iacute;ncipe durante o Antigo regime.</p>     <p>Em sexto, a confirma&ccedil;&atilde;o da ordem jur&iacute;dica tradicional quando a nova ordem constitucional regula cada ato de poder (como decis&atilde;o ou senten&ccedil;a) de acordo com os direitos adquiridos ou, pelo menos, envolvidos, portanto, o ato administrativo era um ato que continuava a l&oacute;gica jurisdicional.</p>     <p>E, finalmente, a sobreposi&ccedil;&atilde;o dos direitos dos particulares com a historicidade dos mesmos, adquiridos por "uso, por concess&atilde;o, geral ou particular" e n&atilde;o absolutamente naturais. Podiam, neste sentido, serem direitos viol&aacute;veis desde que fosse observado o procedimento jur&iacute;dico de acordo com a origem desses direitos.</p>     <p>Aproximemo-nos, agora, &agrave; dimens&atilde;o do aparelho governativo do Estado Liberal e &agrave; constru&ccedil;&atilde;o, consolida&ccedil;&atilde;o e progresso da burocracia. Tanto Joana Estorninho de Almeida<a href="#36"><sup>36</sup></a><a name="top36"></a> como Ant&oacute;nio Pedro Tavares de Almeida<a href="#37"><sup>37</sup></a><a name="top37"></a> definiram o modelo de instaura&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento das estruturas de governo que, ainda hoje, representa o conhecimento mais detalhado sobre a mat&eacute;ria. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na sua tese de doutoramento, Joana Estorninho de Almeida optou por uma abordagem aprofundada da cultura burocr&aacute;tica e fez um balan&ccedil;o da evolu&ccedil;&atilde;o org&acirc;nica e funcional das secretarias de estado at&eacute; ao final da primeira fase da Regenera&ccedil;&atilde;o, descreveu o modelo ministerial de administra&ccedil;&atilde;o, a organiza&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os e inventariou o quadro de pessoal, a forma de recrutamento, as modalidades remunerat&oacute;rias e as tipologias profissionais. Completou o seu trabalho com uma representa&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas quotidianas, os comportamentos e a qualidade de vida. No ano de 1851, d&aacute;-nos conta de 339 empregados nos servi&ccedil;os centrais das secretarias de estado contra 120 no in&iacute;cio da revolu&ccedil;&atilde;o (1822)<a href="#38"><sup>38</sup></a><a name="top38"></a>. J&aacute; quanto ao total de dependentes, considerados estes como os empregados p&uacute;blicos, militares, religiosos, t&eacute;cnicos, empregados menores e tempor&aacute;rios, reformados e pessoal auxiliar (oper&aacute;rios) dos minist&eacute;rios, Joana Estorninho, com alguma reserva e cuidado, aponta para n&uacute;meros surpreendentes entre 1848-49, num total de 43955<a href="#39"><sup>39</sup></a><a name="top39"></a>, em que quase 70% se refere ao Minist&eacute;rio da Guerra (30676). A grande novidade do Estado Liberal n&atilde;o foi a implanta&ccedil;&atilde;o da burocracia como processo administrativo, mas a massifica&ccedil;&atilde;o do mesmo. O Estado de <i>Pol&iacute;cia </i>j&aacute; tinha procedido a modifica&ccedil;&otilde;es substantivas na segunda metade do s&eacute;culo XVIII: a cria&ccedil;&atilde;o de planos de classifica&ccedil;&atilde;o dos arquivos das secretarias de Estado; o controlo administrativo atrav&eacute;s de circuitos de filtragem pol&iacute;tica; o expediente dos manuais de formul&aacute;rios e sua tramita&ccedil;&atilde;o; a cria&ccedil;&atilde;o de novas categorias profissionais e a hierarquiza&ccedil;&atilde;o das mesmas; a decis&atilde;o comissarial com efeitos na avalia&ccedil;&atilde;o das fun&ccedil;&otilde;es, a revoga&ccedil;&atilde;o das nomea&ccedil;&otilde;es e a meritocracia como crit&eacute;rio de progress&atilde;o nas carreiras<a href="#40"><sup>40</sup></a><a name="top40"></a>.</p>     <p>Pedro Tavares de Almeida relativiza a centraliza&ccedil;&atilde;o burocr&aacute;tica e a permeabilidade da administra&ccedil;&atilde;o central &agrave; manipula&ccedil;&atilde;o e instrumentaliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica (privil&eacute;gios de promo&ccedil;&atilde;o, demiss&otilde;es pol&iacute;ticas). Fala da especializa&ccedil;&atilde;o funcional dos servi&ccedil;os, o refor&ccedil;o da estrutura hier&aacute;rquica, a uniformiza&ccedil;&atilde;o de normas, regulamentos e o concurso p&uacute;blico para recrutamento de dirigentes, desconstruindo, sobre as elites administrativas, as imagens dominadas pelo centralismo ("patrocinato", "empregomania" e "v&iacute;cio papelista")<a href="#41"><sup>41</sup></a><a name="top41"></a>. Refere, para o ano de 1853, um total de 10328 funcion&aacute;rios, para o ano de 1864, um total de 11311, para o ano de 1876, um total de 14463 e, para o ano de 1890, um total de 22118<a href="#42"><sup>42</sup></a><a name="top42"></a>. No mesmo sentido apontam, tamb&eacute;m, as conclus&otilde;es dos trabalhos de Lu&iacute;s Espinha da Silveira, com importantes contribui&ccedil;&otilde;es para o estudo do territ&oacute;rio, a divis&atilde;o administrativa e os processos de decis&atilde;o<a href="#43"><sup>43</sup></a><a name="top43"></a>.</p>     <p>Podemos, ent&atilde;o, concluir que os sinais do Estado Liberal n&atilde;o s&atilde;o muito diferentes do Estado de <i>Pol&iacute;cia</i> que marcou, efetivamente, como j&aacute; evidenciamos, a diferen&ccedil;a com a tradi&ccedil;&atilde;o do final do Antigo Regime, ou seja, o momento de rutura com os modelos corporativos e jurisdicionais foi a segunda metade do s&eacute;culo XVIII.</p>     <p>No que se refere ao poder legislativo, teremos, seguramente, o aspeto mais marcante da diferen&ccedil;a com o Estado de <i>Pol&iacute;cia</i>. Ant&oacute;nio Pedro Manique<a href="#44"><sup>44</sup></a><a name="top44"></a> tem estudado o funcionamento das Cortes na dupla dimens&atilde;o do relacionamento entre as duas c&acirc;maras (Deputados e Pares) e da comunica&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica entre estas e o Governo. A quantifica&ccedil;&atilde;o dos produtos legislativos no per&iacute;odo compreendido entre 1851 e 1865 mostra que, se a iniciativa legislativa pertencia, em partes quase iguais, aos deputados e ao Governo, a percentagem de aprova&ccedil;&otilde;es conseguida pelas propostas governamentais excedia largamente a dos projetos parlamentares, o que evidencia a influ&ecirc;ncia exercida pelo Executivo sobre as c&acirc;maras legislativas. Por outro lado, a produ&ccedil;&atilde;o legislativa das <i>ditaduras</i>, em viola&ccedil;&atilde;o da Carta Constitucional, bem como a captura do poder moderador pelo Governo, desde 1834, revelam um significativo intervalo entre a <i>constitui&ccedil;&atilde;o formal</i> e <i>a constitui&ccedil;&atilde;o real</i>, num regime em que a vertente parlamentar &eacute; acentuada a partir de 1852 e em que o monarca, conservando embora o poder simb&oacute;lico atribu&iacute;do ao chefe do Estado pela Carta Constitucional, n&atilde;o tem capacidade para influenciar significativamente o curso da vida pol&iacute;tica ao longo do s&eacute;culo XIX.</p>     <p>Passemos, agora, a alguns indicadores que nos podem possibilitar a compara&ccedil;&atilde;o do Estado Liberal com o Estado de <i>Pol&iacute;cia</i> em torno de quatro vari&aacute;veis referentes ao ano de 1866. A primeira, sobre a distribui&ccedil;&atilde;o dos empregados do Estado por minist&eacute;rios, tendo em conta a afeta&ccedil;&atilde;o absoluta dos recursos humanos (Quadro I); a segunda, a reparti&ccedil;&atilde;o destes recursos, j&aacute; n&atilde;o por minist&eacute;rios, mas por &aacute;reas funcionais do Estado (Quadros II e III); a terceira, sobre as despesas de cada minist&eacute;rio (Quadro IV); a quarta, as &aacute;reas funcionais cobertas por despesas sem afeta&ccedil;&atilde;o de empregados p&uacute;blicos (Quadros V a IX). A conjuga&ccedil;&atilde;o das quatro vari&aacute;veis permite-nos conhecer o seguinte: a) a dimens&atilde;o da depend&ecirc;ncia do funcionalismo p&uacute;blico, ou seja, a escolha feita pelo Estado para integrar os seus funcion&aacute;rios por grandes &aacute;reas ministeriais; b) a tipologia da distribui&ccedil;&atilde;o, no conjunto dos minist&eacute;rios, dos mesmos funcion&aacute;rios por &aacute;reas funcionais; c) e, no plano das despesas, as escolhas feitas pelo Estado para aplicar as verbas do or&ccedil;amento, por minist&eacute;rio ou por &aacute;reas funcionais, isto &eacute;, distinguir entre as que foram asseguradas diretamente pelos servi&ccedil;os p&uacute;blicos e as que se reportaram a concess&otilde;es a terceiros sem execu&ccedil;&atilde;o ministerial.</p>     <p>Comecemos, ent&atilde;o, pelos empregados p&uacute;blicos. Os mapas que se seguem explicitam a distribui&ccedil;&atilde;o por minist&eacute;rio com base numa fonte destinada a preparar o or&ccedil;amento de 1867-68, da responsabilidade de Ant&oacute;nio Maria de Fontes Pereira de Melo, ministro da Fazenda<a href="#45"><sup>45</sup></a><a name="top45"></a>. Uma das vantagens destes quadros e gr&aacute;ficos &eacute; traduzir, de forma sucinta, mas substantiva, os recursos humanos dos minist&eacute;rios: o dos Neg&oacute;cios do Reino, dirigido pelo ministro Jo&atilde;o Batista da Silva Ferr&atilde;o de Carvalho M&aacute;rtens; o dos Neg&oacute;cios Eclesi&aacute;sticos e da Justi&ccedil;a, da responsabilidade de Augusto C&eacute;sar Barjona de Freitas; o dos Neg&oacute;cios da Fazenda e dos Neg&oacute;cios da Guerra, ambos liderados por Ant&oacute;nio Maria de Fontes Pereira de Melo; o dos Neg&oacute;cios da Marinha e Ultramar, com a dire&ccedil;&atilde;o do visconde da Praia Grande de Macau; o dos Neg&oacute;cios Estrangeiros, da responsabilidade de Jos&eacute; Maria do Casal Ribeiro; e o das Obras P&uacute;blicas, Com&eacute;rcio e Ind&uacute;stria com o ministro Jo&atilde;o de Andrade Corvo.</p>     <p>O Quadro I e Gr&aacute;fico I mostram-nos o peso de cada minist&eacute;rio em recursos humanos. Dos sete minist&eacute;rios, dois deles, o dos Neg&oacute;cios do Reino e Neg&oacute;cios da Fazenda, contabilizam mais de metade da afeta&ccedil;&atilde;o dos recursos, restando a outros dois, o dos Neg&oacute;cios da Guerra e das Obras P&uacute;blicas, Com&eacute;rcio e Ind&uacute;stria, quase 35% o que perfaz, para estes quatro minist&eacute;rios, 85% dos empregados do Estado. Restam 15% para os tr&ecirc;s minist&eacute;rios, Marinha e Ultramar, Neg&oacute;cios Estrangeiros e Neg&oacute;cios Eclesi&aacute;sticos e da Justi&ccedil;a, sem d&uacute;vida, um conjunto ministerial com pouca relev&acirc;ncia. A exist&ecirc;ncia do pequeno minist&eacute;rio dos Neg&oacute;cios Estrangeiros justificava-se pela coer&ecirc;ncia e import&acirc;ncia da frente diplom&aacute;tica e, tamb&eacute;m, pela especificidade do seu or&ccedil;amento.</p>     <p>O total de funcion&aacute;rios p&uacute;blicos (13946) &eacute; superior ao recenseado por Pedro Tavares de Almeida para o ano de 1864 (11311) mas pr&oacute;ximo dos que apurou para 1876 (14463)<a href="#46"><sup>46</sup></a><a name="top46"></a>, embora os totais aqui calculados incluam os lugares vagos que n&atilde;o estavam preenchidos, mas previstos nas estruturas org&acirc;nicas e funcionais<a href="#47"><sup>47</sup></a><a name="top47"></a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="q1"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n14/ser2n14a03q1.jpg">     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="g1"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n14/ser2n14a03g1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>A distribui&ccedil;&atilde;o dos empregados p&uacute;blicos, n&atilde;o por minist&eacute;rios, mas por &aacute;reas funcionais (ver Quadros II e III que, em conjunto, representam a totalidade dos funcion&aacute;rios representada no Gr&aacute;fico II) apresenta, sem d&uacute;vida, algumas significa&ccedil;&otilde;es emblem&aacute;ticas do perfil do Estado Liberal no final da primeira fase da Regenera&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>O que ressalta, desde logo, &eacute; o facto de 60% dos empregados p&uacute;blicos estarem empenhados em fun&ccedil;&otilde;es relacionadas com as &aacute;reas dos impostos, defesa e apoio pol&iacute;tico e administrativo ao Governo: a arrecada&ccedil;&atilde;o de impostos (quase 28%) e a defesa (cerca de 19%), perfazem perto de metade de todo o conjunto dos funcion&aacute;rios p&uacute;blicos do Estado Liberal.</p>     <p>Quando nos aproximamos das &aacute;reas espec&iacute;ficas do Governo destinadas ao desenvolvimento econ&oacute;mico, industrial, social, educativo e servi&ccedil;os essenciais, como a sa&uacute;de e a prote&ccedil;&atilde;o social, os n&uacute;meros correspondem a cerca de 40% dos efetivos do Estado Liberal, com a maior fatia destinada &agrave; educa&ccedil;&atilde;o, em particular ao ensino prim&aacute;rio, secund&aacute;rio e misto, numa percentagem de perto de 18%.</p>     <p>Seguem-se os tel&eacute;grafos e os correios com a surpreendente cifra de perto de 10%. Sobre os caminhos de ferro que, no restante s&eacute;culo XIX, foram impulsionados pelo Estado, n&atilde;o t&ecirc;m uma aten&ccedil;&atilde;o especial no or&ccedil;amento de 1866<a href="#48"><sup>48</sup></a><a name="top48"></a>. &Agrave; justi&ccedil;a est&aacute; reservado um contingente com pouco mais de 3% e as restantes rubricas marcam a diminuta inten&ccedil;&atilde;o do Estado em intervir nessas &aacute;reas, mesmo a frente diplom&aacute;tica.</p>     <p>Passemos, agora, a uma outra vari&aacute;vel, ou seja, &agrave;s despesas de cada minist&eacute;rio que nos conduzem, em conjuga&ccedil;&atilde;o com os dados recolhidos sobre os empregados, a um olhar diferente, ou seja, saber duas coisas: o que o Estado gasta por cada minist&eacute;rio, incluindo despesa com pessoal, e o que gasta com pagamentos a servi&ccedil;os que n&atilde;o s&atilde;o controlados pelo Estado, isto &eacute;, fun&ccedil;&otilde;es exercidas por pessoal que n&atilde;o pertence aos quadros do Estado<a href="#49"><sup>49</sup></a><a name="top49"></a>. O or&ccedil;amento permite-nos, portanto, identificar as &aacute;reas em que o Estado Liberal n&atilde;o tem interven&ccedil;&atilde;o direta, embora as reconhe&ccedil;a como cobertas pela sua responsabilidade e, por isso, lhes atribui dota&ccedil;&atilde;o or&ccedil;amental.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="q2"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n14/ser2n14a03q2.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="q3"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n14/ser2n14a03q3.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="g2"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n14/ser2n14a03g2.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>O Quadro IV e o Gr&aacute;fico III mostram-nos o Minist&eacute;rio dos Neg&oacute;cios do Reino e o Minist&eacute;rio dos Neg&oacute;cios da Fazenda a contabilizarem 44.6% contra os 52.3% em recursos humanos, surgindo, agora, o Minist&eacute;rio dos Neg&oacute;cios da Guerra e o Minist&eacute;rio das Obras P&uacute;blicas, Com&eacute;rcio e Ind&uacute;stria com 39.2% contra 23.7% em recursos humanos. Estes quatro minist&eacute;rios totalizam 83.8% das despesas do Estado. Os 16.2% que restam pertencem aos restantes tr&ecirc;s minist&eacute;rios, o Minist&eacute;rio dos Neg&oacute;cios Estrangeiros, o Minist&eacute;rio dos Neg&oacute;cios Eclesi&aacute;sticos e da Justi&ccedil;a e o Minist&eacute;rio dos Neg&oacute;cios da Marinha e Ultramar. A maior diferen&ccedil;a na compara&ccedil;&atilde;o entre recursos humanos e despesas or&ccedil;amentadas pertence ao Minist&eacute;rio da Guerra, quarto em recursos humanos, mas segundo em despesa.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="q4"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n14/ser2n14a03q4.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="g3"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n14/ser2n14a03g3.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>No que concerne a despesas assumidas pelo Estado sem afeta&ccedil;&atilde;o de recursos humanos, conforme se pode constatar pelas listas dos empregados p&uacute;blicos, est&atilde;o distribu&iacute;das por cinco minist&eacute;rios: Minist&eacute;rio do Reino (Quadro V), Minist&eacute;rio dos Neg&oacute;cios Eclesi&aacute;sticos e de Justi&ccedil;a (Quadro VI), Minist&eacute;rio dos Neg&oacute;cios da Guerra (Quadro VII), Minist&eacute;rio dos Neg&oacute;cios da Marinha e Ultramar (Quadro VIII) e Minist&eacute;rio das Obras P&uacute;blicas, Com&eacute;rcio e Ind&uacute;stria (Quadro IX). Os minist&eacute;rios da Fazenda e dos Neg&oacute;cios Estrangeiros s&atilde;o a exce&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Atentemos, um pouco, sobre cada um. O Minist&eacute;rio do Reino, para al&eacute;m da dota&ccedil;&atilde;o or&ccedil;amental para a fam&iacute;lia real, tem despesas com a sa&uacute;de, benefic&ecirc;ncia, educa&ccedil;&atilde;o e seguran&ccedil;a, destacando-se as despesas com os hospitais e os recolhimentos, duas &aacute;reas que o Estado Liberal n&atilde;o interv&eacute;m diretamente, isto &eacute;, n&atilde;o empenha servi&ccedil;os e recursos humanos, mas disponibiliza dota&ccedil;&otilde;es sobretudo para as c&acirc;maras municipais e as miseric&oacute;rdias. Como vimos anteriormente, se a sa&uacute;de e a assist&ecirc;ncia social foram &aacute;reas protegidas e adotadas como priorit&aacute;rias no programa do Estado de <i>Pol&iacute;cia </i>n&atilde;o h&aacute; sinais de que o Estado Liberal tenha mudado, substancialmente, as mesmas orienta&ccedil;&otilde;es nestas mat&eacute;rias, preferindo "liberalizar" as suas satisfa&ccedil;&otilde;es, ao contr&aacute;rio da manifesta&ccedil;&atilde;o excessiva pelo controlo centralizado do Estado de <i>Pol&iacute;cia</i> nos finais do s&eacute;culo XVIII.</p>     <p>Quanto ao Minist&eacute;rio dos Neg&oacute;cios Eclesi&aacute;sticos e de Justi&ccedil;a, verificamos que afeta verbas para as cadeias, o que nos quer dizer que o Estado Liberal abdicou de governar diretamente um dos dispositivos de repress&atilde;o e controlo da criminalidade, tanto porque n&atilde;o implantou, ainda, um sistema prisional, como as cadeias que existem est&atilde;o sob responsabilidade dos munic&iacute;pios que nomeiam e abonam os guardas prisionais.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="q5"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n14/ser2n14a03q5.jpg">     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Neste aspeto nada h&aacute; de importante a assinalar que se distinga do Estado de <i>Pol&iacute;cia,</i> muito embora, no in&iacute;cio da revolu&ccedil;&atilde;o, o debate sobre estes temas tenha ocupado os primeiros deputados das Cortes Ordin&aacute;rias, tal como se chegou a discutir, no per&iacute;odo mariano-joanino, a constru&ccedil;&atilde;o de uma penitenci&aacute;ria e a concretiza&ccedil;&atilde;o por Pascoal Jos&eacute; de Melo Freire do <i>Ensaio do C&oacute;digo Criminal</i> publicado durante o vintismo (1823)<a href="#50"><sup>50</sup></a><a name="top50"></a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="q6"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n14/ser2n14a03q6.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>O Minist&eacute;rio dos Neg&oacute;cios da Guerra, o Minist&eacute;rio da Marinha e Ultramar e o Minist&eacute;rio das Obras P&uacute;blicas, Com&eacute;rcio e Ind&uacute;stria repetem &aacute;reas j&aacute; referidas, como a sa&uacute;de e a educa&ccedil;&atilde;o, tendo o &uacute;ltimo destinado verbas pouco significativas para a agricultura, minas, obras p&uacute;blicas e estradas. O entusiasmo da administra&ccedil;&atilde;o intendencial e a devo&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica das mem&oacute;rias da Academia Real das Ci&ecirc;ncias de Lisboa contrastam, um s&eacute;culo depois, com a atrofia reformista do Estado Liberal.</p>     <p>Todavia, temos como grande novidade, o aparecimento de um novo minist&eacute;rio, das Obras P&uacute;blicas, Com&eacute;rcio e Ind&uacute;stria (desde 1851), embora o Estado de <i>Pol&iacute;cia</i> tenha elegido as mesmas &aacute;reas como de prioridade governativa e criado, para o efeito, uma rede de intendentes e superintendentes com ampla jurisdi&ccedil;&atilde;o sobre todo o Reino. Estes intendentes e superintendentes respondiam perante o secret&aacute;rio de Estado dos Neg&oacute;cios do Reino. A defini&ccedil;&atilde;o priorit&aacute;ria destas &aacute;reas n&atilde;o &eacute; novidade na monarquia constitucional, embora tudo indique que a assun&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica do Estado de Pol&iacute;cia ter&aacute; sido mais determinada.</p>     <p>Por outro lado, assiste-se, no final da primeira fase da Regenera&ccedil;&atilde;o, a um forte investimento em recursos e dota&ccedil;&otilde;es or&ccedil;amentais para os militares que surgem como a grande elite do regime liberal<a href="#51"><sup>51</sup></a><a name="top51"></a>. O setor da seguran&ccedil;a, que o Estado de <i>Pol&iacute;cia</i> deu grande import&acirc;ncia com a coordena&ccedil;&atilde;o do intendente geral da Pol&iacute;cia, da Corte e do Reino sobre os ju&iacute;zes de bairro, os ju&iacute;zes de fora e as ordenan&ccedil;as, a cria&ccedil;&atilde;o da Real Pol&iacute;cia e as orienta&ccedil;&otilde;es sobre o controlo de mobilidade, registos de resid&ecirc;ncia, passaportes e pol&iacute;cia secreta, n&atilde;o teve grande desenvolvimento no Estado Liberal.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="q7"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n14/ser2n14a03q7.jpg">     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="q8"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n14/ser2n14a03q8.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="q9"></a> <img src="/img/revistas/cam/vser2n14/ser2n14a03q9.jpg">     
<p>&nbsp;</p>     <p>Finalmente, sobre a sa&uacute;de, podemos dizer que o Estado Liberal n&atilde;o assume a sua dire&ccedil;&atilde;o e gest&atilde;o, apenas a regula atrav&eacute;s do importante Conselho de Sa&uacute;de P&uacute;blica e dos seus delegados<a href="#52"><sup>52</sup></a><a name="top52"></a>, o mesmo acontecendo com as obras pias e de benefic&ecirc;ncia, o ensino e a educa&ccedil;&atilde;o superior, o ensino industrial e comercial.</p>     <p>A exce&ccedil;&atilde;o foi para o ensino prim&aacute;rio, secund&aacute;rio e misto, de facto, a maior aposta, em recursos humanos e no plano or&ccedil;amental, do Estado Liberal at&eacute; ao final da primeira fase da Regenera&ccedil;&atilde;o, embora n&atilde;o seja, mais uma vez, uma novidade em rela&ccedil;&atilde;o ao Estado de <i>Pol&iacute;cia </i>que, como dissemos, foi inovador, tanto para o ensino superior como para o ensino das primeiras letras.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>CONCLUS&Atilde;O</b></p>     <p>Foi comum ao Estado de <i>Pol&iacute;cia</i> e ao Estado Liberal a ideia da constru&ccedil;&atilde;o de um poder capaz de regular e transformar a sociedade segundo a vontade pol&iacute;tica e os des&iacute;gnios tra&ccedil;ados pela racionalidade das reformas e das interven&ccedil;&otilde;es governativas, um poder acima da pr&oacute;pria sociedade, dotado de recursos e meios de imposi&ccedil;&atilde;o da disciplina, isto &eacute;, a ideia do Estado como ente imagin&aacute;rio. N&atilde;o foi, portanto, uma novidade da revolu&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Este imagin&aacute;rio, criado e sustentado atrav&eacute;s de discursos assertivos, puls&otilde;es e uma administra&ccedil;&atilde;o ativa, exigiu dispositivos e mecanismos de governa&ccedil;&atilde;o novos, atores diferentes, sistemas de organiza&ccedil;&atilde;o fundados em estruturas e fun&ccedil;&otilde;es direcionados para uma administra&ccedil;&atilde;o interventiva, fazedora de coisas e, no &acirc;mbito constitucional, um novo Direito que legitimasse o exerc&iacute;cio destes novos poderes. Tudo isto esteve presente no Estado de <i>Pol&iacute;cia</i> e no Estado Liberal. N&atilde;o foi, portanto, novidade da revolu&ccedil;&atilde;o. O melhor exemplo desta sintonia pode ser encontrado na Lei da <i>Boa Raz&atilde;o</i> (1769) e nas Constitui&ccedil;&otilde;es e na Carta Constitucional (1822, 1826, 1838), quer porque imp&otilde;em condi&ccedil;&otilde;es &agrave;s leis, como preconizam a racionalidade jur&iacute;dica. No mesmo sentido, podemos referir o debate sobre o <i>Novo C&oacute;digo </i>(Junta Ordin&aacute;ria da Revis&atilde;o e Censura do Novo C&oacute;digo (1784) presidida por Jos&eacute; de Seabra da Silva) cujo projeto de Pascoal Jos&eacute; de Melo Freire sobre o Direito P&uacute;blico e o Direito Criminal foi uma obra impregnada de ideias constitucionais, sobretudo a distin&ccedil;&atilde;o entre leis fundamentais e a legisla&ccedil;&atilde;o ordin&aacute;ria<a href="#53"><sup>53</sup></a><a name="top53"></a>, base da formula&ccedil;&atilde;o constitucional liberal.</p>     <p>A relev&acirc;ncia pol&iacute;tica evidenciada sobre a sa&uacute;de p&uacute;blica &eacute; uma continuidade, embora enfatizada desde o pombalismo e do per&iacute;odo mariano-joanino. Aquilo que se esperava, nesta mat&eacute;ria, do Estado Liberal foi menos do que seria expect&aacute;vel. Como ressalta dos dados compulsados, tirando o importante poder regulador do Conselho de Sa&uacute;de P&uacute;blica, o Estado Liberal n&atilde;o assumiu a governa&ccedil;&atilde;o direta dos grandes hospitais urbanos, fez doa&ccedil;&otilde;es or&ccedil;amentais a entidades sobre os quais n&atilde;o tinha poder disciplinar, n&atilde;o controlava os recrutamentos nem administrava os bens e a log&iacute;stica. O Estado Liberal abdicou das responsabilidades governativas que o <i>Estado de Pol&iacute;cia</i> tinha dado sobejas provas.</p>     <p>Aconteceu o mesmo no plano da assist&ecirc;ncia. O Estado Liberal n&atilde;o fez mais do que exercer o poder regulador, atrav&eacute;s do Conselho Geral da Benefic&ecirc;ncia e da concess&atilde;o de dota&ccedil;&otilde;es or&ccedil;amentais a entidades particulares (miseric&oacute;rdias, munic&iacute;pios, ordens religiosas, f&aacute;bricas da igreja), n&atilde;o assumindo, portanto, nenhuma gest&atilde;o direta de governa&ccedil;&atilde;o nem afetando recursos humanos.</p>     <p>Na seguran&ccedil;a, o figurino n&atilde;o foi muito al&eacute;m do que vigorou no final do Antigo Regime, com os munic&iacute;pios a assumirem a organiza&ccedil;&atilde;o do combate &agrave; criminalidade atrav&eacute;s dos guardas municipais e o poder central sem mecanismos de interven&ccedil;&atilde;o, com exce&ccedil;&atilde;o do poder, fundamentalmente simb&oacute;lico, exercido pelos governadores civis.</p>     <p>No entanto, no que respeita &agrave; defesa, sabemos que o corpo de militares e a &aacute;rea funcional correspondente ganharam, efetivamente, um protagonismo que n&atilde;o pode ser reportado ao per&iacute;odo josefino e mariano-joanino<a href="#54"><sup>54</sup></a><a name="top54"></a>. Esta foi, de facto, a grande &aacute;rea de afeta&ccedil;&atilde;o de recursos humanos e financeiros, a tal ponto que podemos identificar o Estado Liberal com o da afirma&ccedil;&atilde;o da elite militar. A defesa (ex&eacute;rcito, cavalaria, marinha) n&atilde;o foi predominante nas orienta&ccedil;&otilde;es do Estado de <i>Pol&iacute;cia</i>.</p>     <p>Mas a tend&ecirc;ncia mais not&oacute;ria, fundada nas reformas pombalinas, que se acumulou ao longo das primeiras d&eacute;cadas da monarquia constitucional foi, indiscutivelmente, a educa&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria, secund&aacute;ria e mista cujo investimento foi enorme na cria&ccedil;&atilde;o de uma rede de escolas, na defini&ccedil;&atilde;o de programas e na exist&ecirc;ncia de corpos de professores, dependentes e supervisionados pelo Estado Liberal.</p>     <p>No ensino superior manteve-se a grande autonomia da Universidade de Coimbra em rela&ccedil;&atilde;o ao Estado Liberal, como j&aacute; acontecia no final do Antigo Regime, pese, embora, a intromiss&atilde;o do poder r&eacute;gio na reforma profunda dos seus Estatutos (1772). Contudo, at&eacute; meados do s&eacute;culo XIX surgiriam outros n&iacute;veis de forma&ccedil;&atilde;o superior com apostas nos cursos polit&eacute;cnicos na agricultura, com&eacute;rcio e ind&uacute;stria.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Se durante o Estado de <i>Pol&iacute;cia </i>constatamos um alinhamento entre controlo de contas, inspe&ccedil;&atilde;o e refor&ccedil;o na arrecada&ccedil;&atilde;o dos impostos, sem d&uacute;vida que esta din&acirc;mica est&aacute; presente no Estado Liberal de forma singular na medida em que representa um dos setores com mais recursos humanos e organizativos (rede das alf&acirc;ndegas e reparti&ccedil;&otilde;es da fazenda).</p>     <p>Sobre a estrutura de governo, as dimens&otilde;es org&acirc;nicas e funcionais, podemos dizer que seguiu, como tamb&eacute;m foi dito, a mesma l&oacute;gica que vigorou no final do Antigo Regime, ou seja, o modelo de secretarias de Estado. As novidades do Estado Liberal, at&eacute; ao final da primeira fase da Regenera&ccedil;&atilde;o, foram, fundamentalmente, duas. O alargamento dos servi&ccedil;os de apoio ao ministro que tutelava o minist&eacute;rio, com gabinetes ministeriais e secretarias gerais e, em segundo lugar, a implanta&ccedil;&atilde;o de organismos centrais, especializados em determinadas &aacute;reas, a partir de uma estrutura piramidal: dire&ccedil;&atilde;o geral, reparti&ccedil;&atilde;o e sec&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Uma &uacute;ltima palavra para o que poder&iacute;amos admitir como a grande fronteira da revolu&ccedil;&atilde;o, ou seja, o paradigma igualit&aacute;rio que os liberais quiseram cunhar para marcar a rutura com o Antigo Regime e perspetivar o sentido da revolu&ccedil;&atilde;o<a href="#55"><sup>55</sup></a><a name="top55"></a>. Parece ter resultado da avalia&ccedil;&atilde;o dos liberais a ideia de que o paradigma igualit&aacute;rio se contrapunha &agrave; sociedade de privil&eacute;gios, mas, em grande medida, esta ideia &eacute; obliterada pelas mudan&ccedil;as operadas no Estado de <i>Pol&iacute;cia</i> tendentes a esbater a distin&ccedil;&atilde;o provocada pelos privil&eacute;gios de sangue no acesso aos cargos p&uacute;blicos e na nomea&ccedil;&atilde;o dos dirigentes pol&iacute;ticos e administrativos<a href="#56"><sup>56</sup></a><a name="top56"></a>. Duas constata&ccedil;&otilde;es de relevo podem ser apresentadas neste &acirc;mbito, a reforma dos estatutos remunerat&oacute;rios, a meritocracia como crit&eacute;rio de admiss&atilde;o e progress&atilde;o nas carreiras e a "despatrimonializa&ccedil;&atilde;o" dos of&iacute;cios exercidos nos lugares de magistratura e de fazenda e uma profunda mudan&ccedil;a nas categorias profissionais. Por outro lado, o regime constitucional n&atilde;o abandonou o privil&eacute;gio do estatuto social como resulta, por exemplo, das faculdades para votar, eleger e ser eleito, a diminui&ccedil;&atilde;o do papel das mulheres, dos analfabetos e sem rendimentos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></p>     <p>FONTES</p>     <p>ACADEMIA REAL DAS CI&Ecirc;NCIA DE LISBOA &ndash; <i>Mem&oacute;rias Econ&oacute;micas da Academia Real das Sciencias, para o Adiantamento da Agricultura, das Artes e da Industria em Portugal, e suas conquistas</i> [Em linha]. Lisboa: <i>Academia Real das Sciencias, </i>1789-1815. Dispon&iacute;vel na Internet: <a href="https://books.google.pt/books?id=d54EAAAAQAAJ&amp;printsec=frontcover&amp;hl=pt-PT&amp;source=gbs_ge_summary_r&amp;cad=0#v=onepage&amp;q&amp;f=false" target="_blank">https://books.google.pt/books?id=d54EAAAAQAAJ&amp;printsec=frontcover&amp;hl=pt-PT&amp;source=gbs_ge_summary_r&amp;cad=0#v=onepage&amp;q&amp;f=false</a></p>     <p><i>Or&ccedil;amento Geral e Propostas de Lei das Receitas e Despesa do Estado</i>, Or&ccedil;amento para o ano de 1866. Dispon&iacute;vel na Internet: <a href="http://badigital.sgmf.pt" target="_blank">http://badigital.sgmf.pt</a></p>     <p><i>Instruc&ccedil;&otilde;es Regulamentares para a administra&ccedil;&atilde;o, arrecada&ccedil;&atilde;o, e contabilidade dos rendimentos publicos nos Districtos Administrativos do Reino e Ilhas adjacentes, feitas em conformidade do Decreto de 12 de Dezembro de 1842 </i>(e respetivos modelos em anexo).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Rela&ccedil;&atilde;o Nominal por Minist&eacute;rios dos Empregados do Estado, Respectivos Vencimentos.</i> Lisboa: Imprensa Nacional, 1867. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ESTUDOS</b></p>     <p>ABREU, Laurinda &ndash; <i>O poder e os pobres, as din&acirc;micas pol&iacute;ticas e sociais da pobreza e da assist&ecirc;ncia em Portugal (s&eacute;culos XVI-XVIII)</i>. Lisboa: Gradiva, 2014.</p>     <p>ABREU, Laurinda &ndash; <i>Pina Manique, um reformador no Portugal das luzes</i>. Lisboa: Gradiva, 2013.</p>     <p>ADAM, Ulrich &ndash; <i>The political economy of J.H.G. Justi</i>. Oxford: Peter Lang, 2006.</p>     <p>AGAMBEN, Giorgi &ndash; <i>Homo sacer: o poder soberano e a vida nua</i>. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2014. </p>     <p>ALMEIDA, Pedro Tavares de &ndash; <i>A constru&ccedil;&atilde;o do Estado Liberal: elite pol&iacute;tica e burocracia na "Regenera&ccedil;&atilde;o" (1851-1890)</i>. Lisboa: [s.n.], 1995. Tese de doutoramento em Hist&oacute;ria, apresentada &agrave; Universidade NOVA de Lisboa.</p>     <p>ALMEIDA, Pedro Tavares de &ndash; <i>Legisla&ccedil;&atilde;o eleitoral portuguesa, 1820-1926. </i>Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1998.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>ALMEIDA, Pedro Tavares de; BRANCO, Rui &ndash; <i>Burocracia, Estado e territ&oacute;rio</i>. Lisboa: Livros Horizonte, 2000.</p>     <p>ALMEIDA, Joana Estorninho de &ndash; <i>A cultura burocr&aacute;tica ministerial, reparti&ccedil;&otilde;es, empregados e quotidiano das secretarias de Estado na primeira metade do s&eacute;culo XIX</i>. Lisboa: [s.n.], 2008. Tese de doutoramento em Hist&oacute;ria, apresentada ao Instituto de Ci&ecirc;ncias Sociais da Universidade de Lisboa.</p>     <p>BONIF&Aacute;CIO, F&aacute;tima &ndash; <i>O s&eacute;culo XIX portugu&ecirc;s</i>. Lisboa: Imprensa de Ci&ecirc;ncias Sociais, 2002.</p>     <p>CARDOSO, Jos&eacute; Lu&iacute;s &ndash; <i>O pensamento econ&oacute;mico em Portugal nos finais do s&eacute;culo XVIII (1780-1808)</i>. Lisboa: Estampa, 1989.</p>     <p>COSTA, Fernando Dores &ndash; Mil&iacute;cia e sociedade. In HESPANHA, Ant&oacute;nio Manuel, coord. &ndash; <i>Nova hist&oacute;ria militar de Portugal</i>. Lisboa: C&iacute;rculo de Leitores, 2004. vol. II, p. 68-111.</p>     <p>DELAMARE, Nicolas &ndash; <i>Trait&eacute; de la police, o&ugrave; l&rsquo;on trouvera l&acute;histoire de son etablissemente, les fonctions et les prerogatives de ses magistrats, toutes les loix et tous les reglemens qui la concernent. </i>Paris: Michel Brunet, [1703-1719].</p>     <p>DELEUZE, Gilles; GUATTARI, F&eacute;lix &ndash; <i>Mille plateau. </i>Paris: Minuit, 1980.</p>     <p>FERNANDES, Paulo Jorge &ndash; The political history of nineteenth-century Portugal. <i>E-Journal of Portuguese History</i>. V. I N&ordm; 1 (Summer 2003).</p>     <p>FERNANDEZ, Hugo Carvalho de Matos &ndash; Entender a modernidade: a import&acirc;ncia do paradigma igualit&aacute;rio. <i>Perspectivas: Jornal of Political Science</i>. V. 6 (2011), p. 66-139.</p>     <p>FOUCAULT, Michel &ndash; <i>Microf&iacute;sica do poder</i>. Rio de Janeiro: Graal, 1999.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>FOUCAULT, Michel &ndash; <i>Nascimento da biopol&iacute;tica</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es 70, 2010.</p>     <p>FOUCAULT, Michel &ndash; <i>Vigiar e punir: nascimento da pris&atilde;o</i>. Petr&oacute;polis: Vozes, 1977.</p>     <p>GAMA, Maria Lu&iacute;sa &ndash; As ci&ecirc;ncias de Pol&iacute;cia em Portugal: teoria, reformismo e pr&aacute;ticas nos finais do Antigo Regime. In POL&Oacute;NIA, Am&eacute;lia [et al.] &ndash; <i>Ci&ecirc;ncia e poder na primeira idade global</i>. Porto: Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 2016. p. 180-211.</p>     <p>HESPANHA, Ant&oacute;nio Manuel &ndash; La revoluci&oacute;n y los mecanismos del poder. In PETIT, Carlos, ed. &ndash; <i>Derecho privado y revoluci&oacute;n burguesa</i>. Madrid: Marcial Pons, 1989. p. 15-52.</p>     <p>HESPANHA, Ant&oacute;nio Manuel &ndash; <i>A cultura jur&iacute;dica europeia: s&iacute;ntese de um mil&eacute;nio</i>. Coimbra: Almedina, 2012.</p>     <p>HESPANHA, Ant&oacute;nio Manuel &ndash; An introduction to 19th century, portuguese constitutional and state history. <i>E-Journal of Portuguese History. </i>V. 2 N&ordm; 2 (Winter 2004).</p>     <p>HESPANHA, Ant&oacute;nio Manuel &ndash; <i>Guiando a m&atilde;o invis&iacute;vel: direitos, Estado e Lei no liberalismo mon&aacute;rquico portugu&ecirc;s</i>. Coimbra: Almedina, 2004.</p>     <p>HESPANHA, Ant&oacute;nio Manuel &ndash; <i>Uma monarquia constitucional: a Constitui&ccedil;&atilde;o mon&aacute;rquica oitocentista. </i>Lisboa: Kindle-Amazon, 2019. </p>     <p>HESPANHA, Ant&oacute;nio Manuel; SUBTIL, Jos&eacute; Manuel &ndash; Corporativismo e Estado de Pol&iacute;cia como modelos de governo das sociedades euro-americanas do Antigo Regime. In FRAGOSO, Jo&atilde;o; GOUV&Ecirc;A, Maria de F&aacute;tima, org. &ndash; <i>O Brasil colonial (1443-1580). </i>Rio de Janeiro: Civiliza&ccedil;&atilde;o Brasileira, 2014. vol. I.</p>     <p>LUZ, Lara Emanuele da &ndash; A genealogia e a consagra&ccedil;&atilde;o do termo biopol&iacute;tica: intercursos entre Esposito, Arendt e Foucault. <i>HYBRIS. </i>V. 8 N&ordm; 2 (novembro 2017), p. 213-231.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>MANIQUE, Ant&oacute;nio Pedro &ndash; <i>Processo legislativo e conflitualidade pol&iacute;tica na primeira fase da regenera&ccedil;&atilde;o (1851-1865)</i>. Santar&eacute;m: Escola Superior de Educa&ccedil;&atilde;o, 1992. </p>     <p>MANIQUE, Ant&oacute;nio Pedro &ndash;<i> La Charte Constitutionelle de 1826 et l&rsquo;organisation du Parlement sous le lib&eacute;ralisme monarchique portugais. Parliaments, Estates and Representation. </i>V. 16 (1996), p. 93-106.</p>     <p>MANIQUE, Ant&oacute;nio Pedro &ndash; O direito de dissolu&ccedil;&atilde;o em Portugal: normas e pr&aacute;ticas constitucionais (1852-1865). In SANTOS, Maria Helena Carvalho dos &ndash; <i>Constitui&ccedil;&atilde;o da Europa, constitui&ccedil;&otilde;es da Europa: europe&iacute;smo e nacionalismo na hist&oacute;ria constitucional europeia</i>. Lisboa: Assembleia da Rep&uacute;blica, 1992. </p>     <p>MANIQUE, Ant&oacute;nio Pedro &ndash; Parlamento, Governo e produ&ccedil;&atilde;o legislativa na primeira fase da Regenera&ccedil;&atilde;o: normas legais e pr&aacute;ticas pol&iacute;ticas (1851-1865)<i>. Cadernos do Arquivo Municipal</i> [Em linha]. 2&ordf; S&eacute;rie N&ordm; 14 (julho-dezembro 2020), p. 41-63. Dispon&iacute;vel na Internet: <a href="http://arquivomunicipal.cm-lisboa.pt/fotos/editor2/Cadernos/2serie/14/04_parlamento.pdf" target="_blank">http://arquivomunicipal.cm-lisboa.pt/fotos/editor2/Cadernos/2serie/14/04_parlamento.pdf.</a> </p>     <p>MAYER, Arno J. &ndash; <i>La persist&ecirc;ncia del Antiguo R&eacute;gimen: Europa hasta la Grande Guerra</i>. Madrid: Alianza Editorial, 1984.</p>     <p>NUNES, Filipe Abreu &ndash; O recrutamento das elites administrativas no Portugal contempor&acirc;neo. <i>Ler Hist&oacute;ria. </i>N&ordm; 64 (2013), p. 137-162.</p>     <p>&Oacute;, Jorge Ramos do &ndash; A Casa Pia de Lisboa (1780-1960) como laborat&oacute;rio da modernidade educativa: raz&otilde;es e problemas de um projecto em movimento. In PESTANA, Catalina [et al.] &ndash; <i>Concretizar um projecto de esperan&ccedil;a. </i>Lisboa: Casa Pia de Lisboa, 2005. p. 17-33. </p>     <p>OLIVAL, Fernanda &ndash; La economi´a de la merced en la cultura poli´tica del Portugal Moderno. In P&Eacute;REZ, Francisco Jos&eacute; Aranda; RODRIGUES, Jos&eacute; Dami&atilde;o &ndash; <i>De re publica hispaniae: uma vindicaci&oacute;n de la cultura pol&iacute;tica en los reinos ib&eacute;ricos en la primera modernidade</i>. Madrid: S&iacute;lex, 2008.</p>     <p>PINHEIRO, Magda &ndash; A constru&ccedil;&atilde;o dos caminhos-de-ferro e a encomenda de produtos industriais em Portugal (1855-90). <i>An&aacute;lise Social</i>. V. XXIV N&ordm; 101-102 (2&ordm;-3&ordm; 1988), p. 745-767.</p>     <p>SEELAENDER, Airton Cerqueira-Leite &ndash; A "Pol&iacute;cia" e as fun&ccedil;&otilde;es do Estado: notas sobre a "Pol&iacute;cia" do Antigo Regime. <i>Revista da Faculdade de Direito da UFPR</i>. N&ordm; 49 (2009).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>SILVA, Jos&eacute; Alberto &ndash; <i>A Academia Real das Ci&ecirc;ncias de Lisboa (1779-1834): ci&ecirc;ncias e hibridismo numa periferia europeia</i>. Lisboa: Colibri, 2018. (CIUHCT; 8).</p>     <p>SILVEIRA, Lu&iacute;s Nuno Espinha da &ndash; A administra&ccedil;&atilde;o do Estado em Portugal no s&eacute;culo XIX. In MOYA, Antonio Morales, coord. &ndash; <i>Los 98 ib&eacute;ricos y el mar</i>. Madrid: Comisar&iacute;a General de Espa&ntilde;a, 1998. p. 319-313.</p>     <p>SUBTIL, Carlos &ndash; <i>A sa&uacute;de p&uacute;blica e os enfermeiros, entre o vintismo e a Regenera&ccedil;&atilde;o (1821-1852)</i>. Porto: Universidade Cat&oacute;lica Editora, 2016.</p>     <p>SUBTIL, Jos&eacute; &ndash; Inspecteurs, intendants et surintendants. In DESCIMON, Robert; SCHAUB, Jean-Fr&eacute;d&eacute;ric; VICENT, Bernard, dir. &ndash; <i>Les figures de l`Administrateur</i>. Paris: &Eacute;cole des Hautes &Eacute;tudes en Sciences Sociales, 1997. p. 135-149.</p>     <p>SUBTIL, Jos&eacute; &ndash; <i>O vintismo e a criminalidade (1820-1823)</i>. Lisboa: [s.n.], 1986. Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado em Hist&oacute;ria dos s&eacute;culos XIX e XX, apresentada &agrave; Faculdade de Ci&ecirc;ncias Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa.</p>     <p>SUBTIL, Jos&eacute; &ndash; As mudan&ccedil;as em curso na segunda metade do s&eacute;culo XVIII: a ci&ecirc;ncia de pol&iacute;cia e o novo perfil dos funcion&aacute;rios r&eacute;gios. In STUMPF, Roberta; CHATURVEDULA, Nandini, org. &ndash; <i>Cargos e of&iacute;cios nas monarquias ib&eacute;ricas: provimento, controlo e venalidade (s&eacute;culos XVII-XVIII). </i>Lisboa: Centro de Hist&oacute;ria de Al&eacute;m Mar, 2012. p. 65-80.</p>     <p>SUBTIL, Jos&eacute; &ndash; Os poderes do centro. In MATTOSO, Jos&eacute;, dir. &ndash; <i>Hist&oacute;ria de Portugal</i>. Lisboa: Editorial Estampa, 1998. vol. IV &ndash; O Antigo Regime, p. 141-173.</p>     <p>SUBTIL, Jos&eacute; &ndash; Pombal e o rei: valimento ou governamentaliza&ccedil;&atilde;o. <i>Ler Hist&oacute;ria. </i>N&ordm; 60 (2011), p. 53-69.</p>     <p>SUBTIL, Jos&eacute; &ndash; A economia da gra&ccedil;a como dispositivo r&eacute;gio de domina&ccedil;&atilde;o no Antigo Regime. In VAQUINHAS, Irene, coord. &ndash; <i>Homenagem a Jos&eacute; Amado Mendes. </i>Coimbra: Imprensa da Universidade, 2020.</p>     <p>SUBTIL, Jos&eacute; &ndash; A Lei da &lsquo;Boa Raz&atilde;o&rsquo; como inevitabilidade pombalina (1756-1768) e a consagra&ccedil;&atilde;o do protoliberalismo (1769-1807). In CERQUEIRA, Gustavo; MARQUES, Cl&aacute;udia Lima, coord. &ndash; <i>La fonction modernisatrice du droit compar&eacute;, 250 ans de la Loi de la RaisonSaine. </i>Paris: Centro de Estudos Europeus e Alem&atilde;es, 2020.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>SUBTIL, Jos&eacute; &ndash; O direito de pol&iacute;cia nas v&eacute;speras do Estado liberal em Portugal. In FONSECA, Ricardo Marcelo, coord. &ndash; <i>As formas do direito, ordem, raz&atilde;o e decis&atilde;o, experi&ecirc;ncias jur&iacute;dicas antes e depois da modernidade</i>. Curitiba: Juru&aacute; Editora, 2013. p. 275-332. </p>     <p>SUBTIL, Jos&eacute; &ndash; O Governo da Fazenda e das Finan&ccedil;as (1750-1974). In CRUZ, M&aacute;rio Pinho da, coord. &ndash; <i>Dos secret&aacute;rios de estado dos neg&oacute;cios da Fazenda aos ministros das Finan&ccedil;as (1782-2006). </i>Lisboa: Secretaria Geral do Minist&eacute;rio das Finan&ccedil;as e da Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica, 2006.</p>     <p>SUBTIL, Jos&eacute; &ndash; O projeto sobre a responsabilidade dos funcion&aacute;rios p&uacute;blicos: abordagem estrutural e an&aacute;lise da discuss&atilde;o nas Cortes Ordin&aacute;rias de 1823. In AA.VV. &ndash; <i>Arqueologia do Estado, primeiras jornadas sobre formas de organiza&ccedil;&atilde;o e exerc&iacute;cio dos poderes na europa do sul, s&eacute;culos XVIII-XVIII. </i>Lisboa: Hist&oacute;ria e Cr&iacute;tica, 1988. p. 615-627.</p>     <p>SUBTIL, Jos&eacute; &ndash; <i>O terramoto pol&iacute;tico (1755-1759). </i>Lisboa: Ediual, 2007.</p>     <p>SUBTIL, Jos&eacute; &ndash; <i>O Tribunal do Desembargo do Pa&ccedil;o, 1750-1833. </i>Lisboa: Ediual, 2011. </p>     <p>VALLERA, Tom&aacute;s &ndash; <i>"Torna-te o que deves ser": uma hist&oacute;ria da pol&iacute;cia como genealogia da escola moderna (meados do s&eacute;culo XVII - segunda metade do s&eacute;culo XVIII)</i>. Lisboa: Universidade de Lisboa, 2019.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <p><a href="#top1"><sup>1</sup></a><a name="1"></a> Outras an&aacute;lises, por exemplo, em HESPANHA, Ant&oacute;nio Manuel &ndash; La revoluci&oacute;n y los mecanismos del poder. In PETIT, Carlos, ed. &ndash; <i>Derecho privado y revoluci&oacute;n burguesa.</i> Madrid: Marcial Pons, 1989. p. 15-52. Sobre a continuidade do Antigo Regime nas sociedades contempor&acirc;neas, ver a obra de MAYER, Arno J. &ndash; <i>La persist&ecirc;ncia del Antiguo R&eacute;gimen: Europa hasta la Grande Guerra.</i> Madrid: Alianza Editorial, 1984.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top2"><sup>2</sup></a><a name="2"></a> Para um contexto geral do s&eacute;culo XIX continua fundamental a obra de BONIF&Aacute;CIO, F&aacute;tima &ndash; <i>O s&eacute;culo XIX portugu&ecirc;s. </i>Lisboa: Imprensa de Ci&ecirc;ncias Sociais, 2002, como, tamb&eacute;m, de FERNANDES, Paulo Jorge &ndash; The political history of nineteenth-century Portugal. <i>E-Journal of Portuguese History. </i>V. I N&ordm; 1 (Summer 2003). Dispon&iacute;vel na Internet: <a href="https://www.brown.edu/Departments/Portuguese_Brazilian_Studies/ejph/" target="_blank">https://www.brown.edu/Departments/Portuguese_Brazilian_Studies/ejph/</a>.</p>     <p><a href="#top3"><sup>3</sup></a><a name="3"></a>Recentemente, Tom&aacute;s Vallera defendeu, em linha com os trabalhos de Jorge Ramos do &Oacute;, a genealogia da escola moderna (s&eacute;culos XIX-XX) no Estado de <i>Pol&iacute;cia</i>, com destaque para a continuidade do projeto da Casa Pia de Lisboa, ver VALLERA, Tom&aacute;s &ndash; &ldquo;Torna-te o que deves ser&rdquo;: uma hist&oacute;ria da pol&iacute;cia como genealogia da escola moderna (meados do s&eacute;culo XVII - segunda metade do s&eacute;culo XVIII). Lisboa: [s.n.], 2019. Tese de doutoramento em Hist&oacute;ria, apresentada na Universidade de Lisboa, e de &Oacute;, Jorge Ramos do &ndash; A Casa Pia de Lisboa (1780-1960) como laborat&oacute;rio da modernidade educativa: raz&otilde;es e problemas de um projecto em movimento. In PESTANA, Catalina [et al.] &ndash; <i>Concretizar um projecto de esperan&ccedil;a. </i>Lisboa: Casa Pia de Lisboa, 2005. p. 17-33.</p>     <p><a href="#top4"><sup>4</sup></a><a name="4"></a> Seguindo de perto as propostas de DELEUZE, Gilles; GUATTARI, F&eacute;lix &ndash; <i>Mille plateaux. </i>Paris: Minuit, 1980, onde contrap&otilde;em &agrave; an&aacute;lise bin&aacute;ria e dicot&oacute;mica (radicular), a an&aacute;lise plural e heterog&eacute;nea (rizom&aacute;tica) em que o conceito de Estado est&aacute; ligado numa multiplicidade de ruturas, conex&otilde;es e acentramentos.</p>     <p><a href="#top5"><sup>5</sup></a><a name="5"></a> N&atilde;o obstante o que for dito, mais &agrave; frente, sobre o Estado de <i>Pol&iacute;cia</i>, refere-se aqui o trabalho de Maria Lu&iacute;sa Gama como um primeiro reposit&oacute;rio sobre o tema, GAMA, Maria Lu&iacute;sa &ndash; As ci&ecirc;ncias de pol&iacute;cia em Portugal: teoria, reformismo e pr&aacute;ticas nos finais do Antigo Regime. In POL&Oacute;NIA, Am&eacute;lia, org. &ndash; <i>Ci&ecirc;ncia e poder na primeira idade global.</i> Porto: Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 2016. p. 180-211. Dispon&iacute;vel na Internet: <a href="https://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/14407.pdf" target="_blank">https://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/14407.pdf</a>.</p>     <p><a href="#top6"><sup>6</sup></a><a name="6"></a> Ver nota <i>infra</i> n&ordm; 30.</p>     <p><a href="#top7"><sup>7</sup></a><a name="7"></a> Ver nota <i>infra</i> n&ordm; 11.</p>     <p><a href="#top8"><sup>8</sup></a><a name="8"></a>Sobre a cultura jur&iacute;dica da &eacute;poca ver HESPANHA, Ant&oacute;nio Manuel &ndash; <i>A cultura jur&iacute;dica europeia, s&iacute;ntese de um mil&eacute;nio</i>. Coimbra: Almedina, 2012.</p>     <p><a href="#top9"><sup>9</sup></a><a name="9"></a>Ant&oacute;nio Manuel Hespanha revisita estes temas na mais recente obra, antes do seu falecimento, em HESPANHA, Ant&oacute;nio Manuel &ndash; <i>Uma monarquia constitucional: a Constitui&ccedil;&atilde;o mon&aacute;rquica oitocentista. </i>Lisboa: Kindle-Amazon, 2019.</p>     <p><a href="#top10"><sup>10</sup></a><a name="10"></a> Para ilustra&ccedil;&atilde;o desta estrat&eacute;gia ver, por exemplo, o detalhe das <i>Instruc&ccedil;&otilde;es Regulamentares para a administra&ccedil;&atilde;o, arrecada&ccedil;&atilde;o, e contabilidade dos Rendimentos Publicos nos Districtos Administrativos do Reino e Ilhas adjacentes, feitas em conformidade do Decreto de 12 de Dezembro de 1842 </i>(e respetivos modelos em anexo).</p>     <p><a href="#top11"><sup>11</sup></a><a name="11"></a> Ver SUBTIL, Jos&eacute; &ndash; O direito de pol&iacute;cia nas v&eacute;speras do Estado Liberal em Portugal. In FONSECA, Ricardo Marcelo, coord. &ndash; <i>As formas do direito, ordem, raz&atilde;o e decis&atilde;o, experi&ecirc;ncias jur&iacute;dicas antes e depois da modernidade</i>. Curitiba: Juru&aacute; Editora, 2013. p. 275-332; e, recentemente, SUBTIL, Jos&eacute; &ndash; A lei da &ldquo;Boa Raz&atilde;o&rdquo; como inevitabilidade pombalina (1756-1768) e a consagra&ccedil;&atilde;o do protoliberalismo (1769-1807). In CERQUEIRA, Gustavo; MARQUES, Cl&aacute;udia Lima, coord. &ndash; <i>La fonction modernisatrice du droit compar&eacute;, 250 ans de la Loi de la RaisonSaine. </i>Paris: Centro de Estudos Europeus e Alem&atilde;es, 2020; e de HESPANHA, Ant&oacute;nio Manuel; SUBTIL, Jos&eacute; &ndash; Corporativismo e Estado de pol&iacute;cia como modelos de governo das sociedades euro-americanas do Antigo Regime. In FRAGOSO, Jo&atilde;o; GOUV&Ecirc;A, Maria de F&aacute;tima, org. &ndash; <i>O Brasil colonial (1443-1580). </i>Rio de Janeiro: Civiliza&ccedil;&atilde;o Brasileira, 2014. vol. I.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top12"><sup>12</sup></a><a name="12"></a> Sobre este importante autor do cameralismo, para alguns o iniciador da Economia Pol&iacute;tica, ver ADAM, Ulrich &ndash; <i>The political economy of J.H.G. Justi. </i>Oxford: Peter Lang, 2006.</p>     <p><a href="#top13"><sup>13</sup></a><a name="13"></a> ACADEMIA REAL DAS CI&Ecirc;NCIAS DE LISBOA &ndash; <i>Mem&oacute;rias Econ&oacute;micas da Academia Real das Sciencias, para o Adiantamento da Agricultura, das Artes e da Industria em Portugal, e suas conquistas</i> [Em linha]. Lisboa: Officina da Academia Real das Sciencias, 1790-1815. tomos I, II e V. [Consult. 14/01/2020]. Dispon&iacute;vel na Internet:<a href="https://books.google.pt/books?id=d54EAAAAQAAJ&amp;printsec=frontcover&amp;hl=pt-PT&amp;source=gbs_ge_summary_r&amp;cad=0#v=onepage&amp;q&amp;f=false" target="_blank">https://books.google.pt/books?id=d54EAAAAQAAJ&amp;printsec=frontcover&amp;hl=pt-PT&amp;source=gbs_ge_summary_r&amp;cad=0#v=onepage&amp;q&amp;f=false</a>.</p>     <p><a href="#top14"><sup>14</sup></a><a name="14"></a> Arquivo Nacional da Torre do Tombo (ANTT), Minist&eacute;rio do Reino, Intend&ecirc;ncia Geral da Pol&iacute;cia, ma&ccedil;o 453.</p>     <p><a href="#top15"><sup>15</sup></a><a name="15"></a> DELAMARE, Nicolas &ndash; <i>Trait&eacute; de la police, o&ugrave; l&rsquo;on trouvera l&acute;histoire de son etablissemente, les fonctions et les prerogatives de ses magistrats, toutes les loix et tous les reglemens qui la concernent. </i>Paris: Michel Brunet, [1703-1719].</p>     <p><a href="#top16"><sup>16</sup></a><a name="16"></a> O estilo de governo cameral &eacute;, no essencial, o mesmo do modelo jurisdicional, isto &eacute;, organizado em torno de c&acirc;maras colegiais, seguindo um modelo de decis&atilde;o tomado por consenso, sess&otilde;es ordin&aacute;rias de trabalho, apoio de uma secretaria com oficiais, arquivo e despacho. O conjunto de mat&eacute;rias que constitu&iacute;am as ci&ecirc;ncias camerais e formaram um programa acad&eacute;mico iniciou-se em 1727 com a cria&ccedil;&atilde;o da c&aacute;tedra de Profesi&oacute;n en <i>Economia, Pol&iacute;cia e Cameral&iacute;stica</i> nas universidades de Halle e Frankfurt e a fase de consolida&ccedil;&atilde;o ap&oacute;s a publica&ccedil;&atilde;o da <i>Economia de Estado</i> de Johann Heinrich von Justi (1755). Sobre as repercuss&otilde;es em Portugal, ver CARDOSO, Jos&eacute; Lu&iacute;s &ndash; <i>O pensamento econ&oacute;mico em Portugal nos finais do s&eacute;culo XVIII (1780-1808). </i>Lisboa: Estampa, 1989.</p>     <p><a href="#top17"><sup>17</sup></a><a name="17"></a> A teoria da soberania &eacute; uma forma de poder que se exerce sobre a terra e os seus produtos e n&atilde;o sobre o trabalho dos corpos e dos seus atos. Fundamenta-se no soberano, enquanto o poder disciplinar sup&otilde;e um sistema de coer&ccedil;&atilde;o mais do que a exist&ecirc;ncia de um monarca. O controlo do biopoder foi uma consequ&ecirc;ncia do sistema disciplinar (ver notas <i>infra</i> n<sup>os</sup> 18 e 19).</p>     <p><a href="#top18"><sup>18</sup></a><a name="18"></a> Para o desenvolvimento destas quest&otilde;es, com redobrado interesse na atual pandemia da Covid-19, ver de FOUCAULT, Michel &ndash; <i>Nascimento da biopol&iacute;tica</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es 70, 2010; de AGAMBEN, Giorgio &ndash; <i>Homo sacer: o poder soberano e a vida nua. </i>Belo Horizonte: Editora UFMG, 2014. S&iacute;ntese recente em LUZ, Lara Emanuele da &ndash; A genealogia e a consagra&ccedil;&atilde;o do termo biopol&iacute;tica: intercursos entre Esposito, Arendt e Foucault. <i>HYBRIS. </i>V. 8 N&ordm; 2 (novembro 2017), p. 213-231.</p>     <p><a href="#top19"><sup>19</sup></a><a name="19"></a> FOUCAULT, Michel &ndash; <i>Microf&iacute;sica do poder. </i>Rio de Janeiro: Graal, 1999 e FOUCAULT, Michel &ndash; <i>Vigiar e punir: nascimento da pris&atilde;o. </i>Petr&oacute;polis: Vozes, 1977.</p>     <p><a href="#top20"><sup>20</sup></a><a name="20"></a> Para D. Rodrigo de Sousa Coutinho &eacute; a principal causa da decad&ecirc;ncia porque gera fortunas sem trabalho, causa despovoamento e aumenta o pre&ccedil;o da m&atilde;o de obra, em COUTINHO, Rodrigo de Sousa &ndash; <i>Memoria sobre a verdadeira influ&ecirc;ncia das minas de metais preciosos na ind&uacute;stria das na&ccedil;&otilde;es, especialmente na portuguesa.</i> In ACADEMIA REAL DAS CI&Ecirc;NCIAS DE LISBOA &ndash; <i>Memorias Econ&oacute;micas da Academia Real das Sciencias, para o Adiantamento da Agricultura, das Artes e da Industria em Portugal, e suas conquistas</i>. Lisboa: Academia Real das Sciencias, 1789. tomo I.</p>     <p><a href="#top21"><sup>21</sup></a><a name="21"></a> Manuel de Almeida e Vasconcelos de Soveral, 1&ordm; conde da Lapa, exerceu o cargo de governador e de capit&atilde;o-general do Reino de Angola entre 1790 e 1797.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top22"><sup>22</sup></a><a name="22"></a> SOVERAL, Manuel de Almeida e Vasconcelos de &ndash; Memoria sobre o modo de formar hum Plano de Statistica de Portugal. In<i> Academia Real das Ci&ecirc;ncias de Lisboa</i> &ndash; <i>Memorias Econ&oacute;micas da Academia Real das Sciencias, para o Adiantamento da Agricultura, das Artes e da Industria em Portugal, e suas conquistas</i>. [Em linha] Lisboa: Academia Real das Sciencias, 1815. tomo V, p. 155-172. [Consult. 14/01/2020]. Dispon&iacute;vel na Internet: <a href="https://books.google.pt/books?id=d54EAAAAQAAJ&amp;printsec=frontcover&amp;hl=pt-PT&amp;source=gbs_ge_summary_r&amp;cad=0#v=onepage&amp;q&amp;f=false" target="_blank">https://books.google.pt/books?id=d54EAAAAQAAJ&amp;printsec=frontcover&amp;hl=pt-PT&amp;source=gbs_ge_summary_r&amp;cad=0#v=onepage&amp;q&amp;f=false</a>.</p>     <p><a href="#top23"><sup>23</sup></a><a name="23"></a> BARROS, Joze Joaquim Soares de &ndash; Memoria Sobre as cauzas da differente popula&ccedil;&atilde;o de Portugal em diversos tempos da Monarquia. In<i> Academia Real das Ci&ecirc;ncias de Lisboa</i> &ndash; <i>Memorias Econ&oacute;micas da Academia Real das Sciencias, para o Adiantamento da Agricultura, das Artes e da Industria em Portugal, e suas conquistas</i>. [Em linha]. Lisboa: Academia Real das Sciencias, 1789. tomo I, p. 123-115. [Consult. 14/01/2020]. Dispon&iacute;vel na Internet:<a href="https://books.google.pt/books?id=d54EAAAAQAAJ&amp;printsec=frontcover&amp;hl=pt-PT&amp;source=gbs_ge_summary_r&amp;cad=0#v=onepage&amp;q&amp;f=false" target="_blank">https://books.google.pt/books?id=d54EAAAAQAAJ&amp;printsec=frontcover&amp;hl=pt-PT&amp;source=gbs_ge_summary_r&amp;cad=0#v=onepage&amp;q&amp;f=false</a>.</p> <a href="#top24"><sup>24</sup></a><a name="24"></a> SILVEIRA, Ant&oacute;nio Henriques da &ndash; Memoria Sobre a Agricultura, e popula&ccedil;&atilde;o da Provincia de Alem-Tejo. In<i> Academia Real das Ci&ecirc;ncias de Lisboa</i> &ndash; <i>Op. cit.,</i> tomo I, p. 41-122.     <p></p>     <p><a href="#top25"><sup>25</sup></a><a name="25"></a> Domingos Vandelli, de nacionalidade italiana, foi contratado pela Universidade de Coimbra e veio a ser um dos fundadores da Academia Real das Ci&ecirc;ncias de Lisboa, onde colaborou com v&aacute;rias mem&oacute;rias.</p> <a href="#top26"><sup>26</sup></a><a name="26"></a> VANDELLI, Domingos, Memoria Sobre a Agricultura deste Reino, e das suas Conquistas e, Sobre algumas produc&ccedil;&otilde;es naturaes deste Reino, das quaes se poderia tirar utilidade. In<i> Academia Real das Ci&ecirc;ncias de Lisboa</i> &ndash; <i>Op. cit.,</i> tomo II, p. 164-187.     <p></p>     <p><a href="#top27"><sup>27</sup></a><a name="27"></a>Ver ABREU, Laurinda &ndash; <i>Pina Manique, um reformador no Portugal das luzes. </i>Lisboa: Gradiva, 2013.</p>     <p><a href="#top28"><sup>28</sup></a><a name="28"></a> ABREU, Laurinda &ndash; <i>O poder e os pobres, as din&acirc;micas pol&iacute;ticas e sociais da pobreza e da assist&ecirc;ncia em Portugal (s&eacute;culos XVI-XVIII)</i>. Lisboa: Gradiva, 2014.</p>     <p><a href="#top29"><sup>29</sup></a><a name="29"></a> Jos&eacute; Subtil &ndash; Inspecteurs, intendants et surintendants. In DESCIMON, Robert; SCHAUB, Jean-Fr&eacute;d&eacute;ric; VICENT, Bernard, dir. &ndash; <i>Les figures de l`Administrateur</i>. Paris: &Eacute;cole des Hautes &Eacute;tudes en Sciences Sociales, 1997. p. 135-149.</p>     <p><a href="#top30"><sup>30</sup></a><a name="30"></a> Quanto &agrave;s novidades deste modelo pol&iacute;tico, ver SUBTIL, Jos&eacute; &ndash; <i>O terramoto pol&iacute;tico (1755-1759). </i>Lisboa: Ediual, 2007 e, ainda, SUBTIL, Jos&eacute; &ndash; <i>O Tribunal do Desembargo do Pa&ccedil;o, 1750-1833. </i>Lisboa: Ediual, 2011. Sobre outras interpreta&ccedil;&otilde;es e debate, ver textos de Ant&oacute;nio Manuel Hespanha, Nuno Gon&ccedil;alo Monteiro e Jos&eacute; Subtil no <i>E-Journal of Portuguese History.</i> V. 5 N&ordm; 2 (2007). Dispon&iacute;vel na Internet: <a href="https://www.brown.edu/Departments/Portuguese_Brazilian_Studies/ejph/html/Winter07.html" target="_blank">https://www.brown.edu/Departments/Portuguese_Brazilian_Studies/ejph/html/Winter07.html</a>.</p>     <p><a href="#top31"><sup>31</sup></a><a name="31"></a> MANIQUE, Ant&oacute;nio Pedro &ndash; Parlamento, Governo e produ&ccedil;&atilde;o legislativa na primeira fase da Regenera&ccedil;&atilde;o: normas legais e pr&aacute;ticas pol&iacute;ticas. In SUBTIL, Jos&eacute; &ndash; Pombal e o Rei: valimento ou governamentaliza&ccedil;&atilde;o. <i>Ler Hist&oacute;ria. </i>N&ordm; 60 (2011), p. 53-69. Comparam-se os dois momentos e &eacute; desconstru&iacute;da a imagem de &ldquo;valido&rdquo;, cultivada, precisamente, pelos liberais para se distinguirem do passado. Fizeram-no, ali&aacute;s, em muitos e variados temas para se justificarem como art&iacute;fices de uma nova realidade e legitimarem, portanto, o processo revolucion&aacute;rio.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top32"><sup>32</sup></a><a name="32"></a> Desenvolvimento destas quest&otilde;es em SUBTIL, Jos&eacute; &ndash; As mudan&ccedil;as em curso na segunda metade do s&eacute;culo XVIII: a ci&ecirc;ncia de pol&iacute;cia e o novo perfil dos funcion&aacute;rios r&eacute;gios. In STUMPF, Roberta; CHATURVEDULA,<i> </i>Nandini, org. &ndash; <i>Cargos e of&iacute;cios nas monarquias ib&eacute;ricas: provimento, controlo e venalidade (s&eacute;culos <span class="CharOverride-29" lang="pt-PT">XVII-XVIII<span class="CharOverride-28" lang="pt-PT">)</span></span></i><span class="CharOverride-29" lang="pt-PT"><span class="CharOverride-28" lang="pt-PT">. Lisboa: Centro de Hist&oacute;ria de Al&eacute;m Mar, 2012. p. 65-80. E, sobretudo, em SUBTIL, Jos&eacute; &ndash; Os poderes do centro. In MATTOSO,<i> </i>Jos&eacute;, dir. &ndash; <i>Hist&oacute;ria de Portugal</i>. Lisboa: Editorial Estampa, 1998. vol. IV &ndash; O Antigo Regime, p. 141-173.</span></span></p> <span class="CharOverride-29" lang="pt-PT"><span class="CharOverride-28" lang="pt-PT">     <p><a href="#top33"><sup>33</sup></a><a name="33"></a> Sobre esta historiografia, ver HESPANHA, Ant&oacute;nio Manuel &ndash; An Introduction to 19th century, Portuguese constitutional and state history.<i> E-Journal of Portuguese History. </i>V. 2 N&ordm; 2 (Winter 2004).</p>     <p><a href="#top34"><sup>34</sup></a><a name="34"></a> HESPANHA, Ant&oacute;nio Manuel &ndash; <i>Guiando a m&atilde;o invis&iacute;vel: direitos, Estado e Lei no liberalismo mon&aacute;rquico portugu&ecirc;s</i>. Coimbra: Almedina, 2004; HESPANHA, Ant&oacute;nio Manuel &ndash; La revoluci&oacute;n y los mecanismos del poder, <i>op. cit</i>., e, mais recentemente, HESPANHA, Ant&oacute;nio Manuel &ndash; <i>Uma monarquia constitucional: a constitui&ccedil;&atilde;o mon&aacute;rquica oitocentista. </i>Lisboa: Kindle-Amazon, 2019.</p>     <p><a href="#top35"><sup>35</sup></a><a name="35"></a> <i>Idem, </i>p.<i> </i>12.</p> </span>     <p><span class="CharOverride-28" lang="pt-PT"><a href="#top36"><sup>36</sup></a><a name="36"></a> ALMEIDA, Joana Estorninho de &ndash; <i>A cultura burocr&aacute;tica ministerial, reparti&ccedil;&otilde;es, empregados e quotidiano das secretarias de Estado na primeira metade do s&eacute;culo </i></span><i><span class="CharOverride-29" lang="pt-PT">XIX</span></i><span class="CharOverride-29" lang="pt-PT">. Lisboa: Instituto de Ci&ecirc;ncias Sociais. 2008. Tese de doutoramento em Hist&oacute;ria apresentada ao Instituto de Ci&ecirc;ncias Socais da Universidade de Lisboa. Uma investiga&ccedil;&atilde;o muito suportada pelos Almanaques relativos &agrave; primeira metade do s&eacute;culo XIX e, nalguns momentos, pelos or&ccedil;amentos de Estado.</span></p> <span class="CharOverride-29" lang="pt-PT">     <p><a href="#top37"><sup>37</sup></a><a name="37"></a> ALMEIDA, Pedro Tavares de &ndash; <i>A constru&ccedil;&atilde;o do Estado liberal: elite pol&iacute;tica e burocracia na &ldquo;Regenera&ccedil;&atilde;o&rdquo; (1851-1890). </i>Lisboa: Universidade Nova, 1995. vol. 2, p. 273; ALMEIDA, Pedro Tavares de &ndash; <i>Legisla&ccedil;&atilde;o eleitoral portuguesa, 1820-1926. </i>Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1998; ainda em parceria com ALMEIDA, Pedro Tavares de; BRANCO, Rui &ndash; <i>Burocracia, Estado e territ&oacute;rio. </i>Lisboa: Livros Horizonte, 2000.</p>     <p><a href="#top38"><sup>38</sup></a><a name="38"></a> ALMEIDA, Joana Estorninho de &ndash; <i>Op. cit.,</i> p. 124</p>     <p><a href="#top39"><sup>39</sup></a><a name="39"></a> <i>Idem,</i> p. 143.</p>     <p><a href="#top40"><sup>40</sup></a><a name="40"></a> Ver notas supra n&ordm;s 29 e 30.</p>     <p><a href="#top41"><sup>41</sup></a><a name="41"></a> Na mesma linha de investiga&ccedil;&atilde;o ver, mais recentemente, NUNES, Filipe Abreu &ndash; O recrutamento das elites administrativas no Portugal contempor&acirc;neo. <i>Ler Hist&oacute;ria. </i>N&ordm; 64 (2013), p. 137-162.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top42"><sup>42</sup></a><a name="42"></a> ALMEIDA, Pedro Tavares de &ndash; <i>A constru&ccedil;&atilde;o do Estado liberal, Op. cit., </i>p. 273.</p>     <p><a href="#top43"><sup>43</sup></a><a name="43"></a> Ver s&iacute;ntese em SILVEIRA, Lu&iacute;s Nuno Espinha da &ndash; A administra&ccedil;&atilde;o do Estado em Portugal no s&eacute;culo XIX. In MOYA, Antonio Morales, coord. &ndash; <i>Los 98 ibericos y el mar</i>.<i> </i>Madrid: Comisar&iacute;a General de Espa&ntilde;a, 1998. p. 319-313.</p>     <p><a href="#top44"><sup>44</sup></a><a name="44"></a> MANIQUE, Ant&oacute;nio Pedro &ndash; <i>Processo legislativo e conflitualidade pol&iacute;tica na primeira fase da Regenera&ccedil;&atilde;o (1851-1865).</i> Santar&eacute;m: Escola Superior de Educa&ccedil;&atilde;o, 1992. Provas p&uacute;blicas para professor coordenador do Ensino Superior Polit&eacute;cnico; MANIQUE, Ant&oacute;nio Pedro &ndash; <i>Parlamento, Governo e produ&ccedil;&atilde;o legislativa na primeira fase da Regenera&ccedil;&atilde;o: normas legais e pr&aacute;ticas pol&iacute;ticas (1851-1865).</i>MANIQUE, Ant&oacute;nio Pedro &ndash; Parlamento, Governo e produ&ccedil;&atilde;o legislativa na primeira fase da Regenera&ccedil;&atilde;o: normas legais e pr&aacute;ticas pol&iacute;ticas (1851-1865). <i>Cadernos do Arquivo Municipal</i> [Em linha]. 2&ordf; S&eacute;rie N&ordm; 14 (julho-dezembro 2020), p. 41-63. Dispon&iacute;vel na Internet: <a href="http://arquivomunicipal.cm-lisboa.pt/fotos/editor2/Cadernos/2serie/14/04_parlamento.pdf" target="_blank">http://arquivomunicipal.cm-lisboa.pt/fotos/editor2/Cadernos/2serie/14/04_parlamento.pdf</a>; MANIQUE, Ant&oacute;nio Pedro &ndash; O direito de dissolu&ccedil;&atilde;o em Portugal: normas e pr&aacute;ticas constitucionais (1852-1865). In SANTOS, Maria Helena Carvalho dos &ndash; <i>Constitui&ccedil;&atilde;o da Europa, constitui&ccedil;&otilde;es da Europa: europe&iacute;smo e nacionalismo na hist&oacute;ria constitucional europeia</i>. Lisboa: Assembleia da Rep&uacute;blica, 1992; MANIQUE, Ant&oacute;nio Pedro &ndash; <i>La Charte Constitutionelle de 1826 et l&rsquo;organisation du Parlement sous le Lib&eacute;ralisme Monarchique Portugais. Parliaments, Estates and Representation. </i>V. 16 (1996).</p>     <p><a href="#top45"><sup>45</sup></a><a name="45"></a> <i>Rela&ccedil;&atilde;o Nominal por Minist&eacute;rios dos Empregados do Estado, Respectivos Vencimentos</i>. Lisboa: Imprensa Nacional, 1867 (de acordo com o artigo 13&ordm; da Carta de Lei de 15 de julho de 1857, com refer&ecirc;ncia ao pessoal existente no dia 31 de julho de 1866 e ao or&ccedil;amento para 1867-1868 da responsabilidade de Ant&oacute;nio Maria de Fontes Pereira de Mello).</p>     <p><a href="#top46"><sup>46</sup></a><a name="46"></a> ALMEIDA, Ant&oacute;nio Pedro Tavares de &ndash; <i>A constru&ccedil;&atilde;o do Estado liberal, Op. cit., </i>p. 143.</p>     <p><a href="#top47"><sup>47</sup></a><a name="47"></a> Com base em anteriores trabalhos sobre os &ldquo;servi&ccedil;os centrais&rdquo; do Minist&eacute;rio da Fazenda, o mais poderoso no que respeita a recursos e verbas or&ccedil;amentais, podemos afirmar que em 1836 tinha 118 funcion&aacute;rios e, no ano de 1866, contava com 257, terminando com 364 funcion&aacute;rios nas v&eacute;speras da implanta&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica. O grande aumento, como, ali&aacute;s, aconteceu em todos os minist&eacute;rios, foi entre 1919 e 1928 (passando de tr&ecirc;s mil a quatro mil funcion&aacute;rios), descendo, depois, durante todo o Estado Novo para, em m&eacute;dia, mil e quinhentos funcion&aacute;rios e, no final do governo de Oliveira Salazar, na transi&ccedil;&atilde;o para o marcelismo, subir para valores nunca vistos, atingindo os nove mil funcion&aacute;rios. Ver SUBTIL, Jos&eacute; &ndash; O governo da Fazenda e das Finan&ccedil;as (1750-1974). In CRUZ, M&aacute;rio Pinho da, coord. &ndash; <i>Dos secret&aacute;rios de Estado dos neg&oacute;cios da Fazenda aos ministros das Finan&ccedil;as (1782-2006). </i>Lisboa: Secretaria-Geral do Minist&eacute;rio das Finan&ccedil;as e da Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica, 2006. p. 36-69.</p>     <p><a href="#top48"><sup>48</sup></a><a name="48"></a>48 Sobre o tema ver PINHEIRO, Magda &ndash; A constru&ccedil;&atilde;o dos caminhos-de-ferro e a encomenda de produtos industriais em Portugal (1855-90). <i>An&aacute;lise Social</i>. V. XXIV N&ordm; 101-102 (2&ordm;-3&ordm; 1988), p. 745-767.</p> </span>     <p><span class="CharOverride-29" lang="pt-PT"><a href="#top49"><sup>49</sup></a><a name="49"></a> <i>Or&ccedil;amento geral e propostas de Lei das Receitas e Despesa do Estado</i>, <i>or&ccedil;amento para o ano de 1866</i> [Em linha]. Lisboa: Minist&eacute;rio das Finan&ccedil;as, 1866. [Consult. 14/01/2020]. Dispon&iacute;vel na Internet: </span><a href=""><span class="Hyperlink CharOverride-30" lang="pt-PT">http://badigital.sgmf.pt</span></a><span class="CharOverride-26" lang="pt-PT">. </span></p> <span class="CharOverride-26" lang="pt-PT">     <p><a href="#top50"><sup>50</sup></a><a name="50"></a> Ver SUBTIL, Jos&eacute; &ndash; <i>O vintismo e a criminalidade (1820-1823)</i>. Lisboa: [s.n.], 1986. Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado em Hist&oacute;ria dos s&eacute;culos XIX e XX, apresentada &agrave; Faculdade de Ci&ecirc;ncias Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa e, sobretudo, para um enquadramento geral, ver HESPANHA, Ant&oacute;nio Manuel &ndash; <i>A cultura jur&iacute;dica europeia: s&iacute;ntese de um mil&eacute;nio</i>. Coimbra: Almedina, 2012.</p> <a href="#top51"><sup>51</sup></a><a name="51"></a> Para uma contextualiza&ccedil;&atilde;o da &eacute;poca, ver COSTA, Fernando Dores &ndash; Mil&iacute;cia e sociedade. In HESPANHA, Ant&oacute;nio Manuel, coord. &ndash; <i>Nova hist&oacute;ria militar de Portugal.</i> Lisboa: C&iacute;rculo de Leitores, 2004. vol. II, p. 68-111.     <p></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top52"><sup>52</sup></a><a name="52"></a> Ver, em especial, a recente tese de doutoramento de SUBTIL, Carlos &ndash; <i>A sa&uacute;de p&uacute;blica e os enfermeiros, entre o vintismo e a Regenera&ccedil;&atilde;o (1821-1852)</i>. Porto: Universidade Cat&oacute;lica Editora, 2016.</p>     <p><a href="#top53"><sup>53</sup></a><a name="53"></a> Ant&oacute;nio Manuel Hespanha percorre esta cultura constitucional em HESPANHA, Ant&oacute;nio Manuel &ndash; <i>Guiando a m&atilde;o invis&iacute;vel</i>, <i>Op. cit.,</i> p. 6-78.</p>     <p><a href="#top54"><sup>54</sup></a><a name="54"></a> Ver COSTA, Fernando Dores &ndash; Mil&iacute;cia e sociedade. In HESPANHA, Ant&oacute;nio Manuel, coord. &ndash; <i>Nova hist&oacute;ria militar de Portugal. </i>Lisboa: C&iacute;rculo de Leitores, 2004. vol. II, p. 68-111.</p>     <p><a href="#top55"><sup>55</sup></a><a name="55"></a> Para uma defesa destas ideias, ver FERNANDEZ, Hugo Carvalho de Matos &ndash; Entender a modernidade: a import&acirc;ncia do paradigma igualit&aacute;rio. <i>Perspectivas, Political Science and International Relations. </i>N&ordm; 6 (2011), p. 66-139.</p>     <p><a href="#top56"><sup>56</sup></a><a name="56"></a> Sobre a sociedade de privil&eacute;gios ver OLIVAL, Fernanda &ndash; La economi´a de la merced en la cultura poli´tica del Portugal moderno. In P&Eacute;REZ, Francisco Jos&eacute; Aranda; RODRIGUES, Jos&eacute; Dami&atilde;o &ndash; <i>De re publica hispaniae: uma vindicaci&oacute;n de la cultura pol&iacute;tica en los Reinos ib&eacute;ricos en la primera modernidade</i>. Madrid: S&iacute;lex, 2008. Recentemente, SUBTIL, Jos&eacute; &ndash; A economia da <i>gra&ccedil;a </i>como dispositivo r&eacute;gio de domina&ccedil;&atilde;o no Antigo Regime. In VAQUINHAS, Irene, coord. &ndash; <i>Homenagem a Jos&eacute; Amado Mendes. </i>Coimbra: Imprensa da Universidade, 2020.</p>      ]]></body><back>
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