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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Corpos modificados/alterados: Entre a moda e os projetos de identidade]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The body has come to play an increasingly crucial role in social context, where appearance represents the privileged sphere for self-expression and identity construction. Among the many ways of decorating, adorning and camouflaging the body, some traditional techniques (tattoing, piercing, scarification) are competing with newer and technological ones (aesthetic surgery, implants) to shape and portray individualities. On the one hand, those techniques are borrowing from the world of fashion purposes and codes of presentation, on the other hand, they challenge that fluidity and continuous change by materializing long term identity projects aimed at resisting transformation. In both cases individuals refer to the body as a privileged realm to narrate and reflect upon their own personal story, they also seem more capable to manage the different techniques, and to mix them for their expressive purposes. The result is a combination of visual codes that can reveal different bodily models as well as different ways of experiencing corporeality and embodiment. The article tries to account for this variety by referring to a research carried out on four techniques (tattoing, scarification, aesthetic surgery and piercing) among a group of users and professionals.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Projeto do corpo]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>CORPOS, IDENTIDADE, MODA, SUSTENTATIBILIDADE E MERCADO</b></p>     <p><b>Corpos modificados/alterados. Entre a moda e os projetos de identidade</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Modified bodies. Between fashion and identity projects.</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Ambrogia Cereda*</b></p>     <p>*Universit&agrave; Cattolica del Sacro Cuore, Mil&atilde;o, It&aacute;lia.</p>     <p><a href="mailto:ambrogia.cereda@unicatt.it">ambrogia.cereda@unicatt.it</a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>O corpo tem vindo a desempenhar de forma crescente um papel crucial no contexto social, onde a apar&ecirc;ncia representa a esfera privilegiada para a auto-express&atilde;o e para a constru&ccedil;&atilde;o da identidade. Entre as muitas maneiras de decorar, adornar e camuflar o corpo, algumas t&eacute;cnicas tradicionais (as tatuagens, o piercing, a escarifica&ccedil;&atilde;o) competem com t&eacute;cnicas mais recentes e tecnol&oacute;gicas (a cirurgia est&eacute;tica, implantes) para modelar e retratar individualidades. Por um lado, essas t&eacute;cnicas est&atilde;o a utilizar prop&oacute;sitos e c&oacute;digos de apresenta&ccedil;&atilde;o do mundo da moda. Por outro lado, desafiam esssa fluidez e mudan&ccedil;a cont&iacute;nua ao materializarem projetos de identidade a longo prazo cujo objetivo &eacute; resistir &agrave; transforma&ccedil;&atilde;o. Em ambos os casos, os indiv&iacute;duos referem-se ao corpo como um dom&iacute;nio privilegiado para narrar e refletir sobre a sua pr&oacute;pria hist&oacute;ria pessoal, parecendo tamb&eacute;m sentir-se mais capazes de gerir as diferentes t&eacute;cnicas e de as misturar para atingir os seus pr&oacute;prios prop&oacute;sitos expressivos. O resultado &eacute; uma combina&ccedil;&atilde;o de c&oacute;digos visuais que consegue revelar diferentes modelos corporais, bem como diferentes formasde experienciar a corporalidade e a personifica&ccedil;&atilde;o. Este artigo procura dar conta desta variedade, com refer&ecirc;ncia a uma pesquisa desenvolvida sobre quatro t&eacute;cnicas (a tatuagem, a escarifica&ccedil;&atilde;o, a cirurgia est&eacute;tica e o piercing) entre um gupo de utilizadores e profissionais.</p>     <p><b>Palavras-chave</b>: Projeto do corpo, Identidade, Tatuagem, Piercing, Personifica&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>The body has come to play an increasingly crucial role in social context, where appearance represents the privileged sphere for self-expression and identity construction. Among the many ways of decorating, adorning and camouflaging the body, some traditional techniques (tattoing, piercing, scarification) are competing with newer and technological ones (aesthetic surgery, implants) to shape and portray individualities. On the one hand, those techniques are borrowing from the world of fashion purposes and codes of presentation, on the other hand, they challenge that fluidity and continuous change by materializing long term identity projects aimed at resisting transformation.    <br>   In both cases individuals refer to the body as a privileged realm to narrate and reflect upon their own personal story, they also seem more capable to manage the different techniques, and to mix them for their expressive purposes. The result is a combination of visual codes that can reveal different bodily models as well as different ways of experiencing corporeality and embodiment.    <br>   The article tries to account for this variety by referring to a research carried out on four techniques (tattoing, scarification, aesthetic surgery and piercing) among a group of users and professionals.</p>     <p><b>Keywords</b>: Body Project, identity, tattoing, piercing, embodiment</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>As teorias contempor&acirc;neas sobre o papel do corpo na sociedade apontam para a import&acirc;ncia crescente da apar&ecirc;ncia como um dom&iacute;nio privilegiado para a constru&ccedil;&atilde;o e express&atilde;o da nossa identidade individual. Neste enquadramento, modificar o corpo e trabalhar sobre a sua superf&iacute;cie utilizando diferentes t&eacute;cnicas (vestu&aacute;rio, maquilhagem, tatuagem, cirurgia) representam os pr&eacute;-requisitos necess&aacute;rios para participar nas intera&ccedil;&otilde;es sociais quotidianas: um visual bem conseguido funciona como um visto para uma integra&ccedil;&atilde;o bem sucedida no grupo social.</p>     <p>A moda &ndash; considerada como um meio de express&atilde;o da identidade &ndash; participa neste processo como uma das fontes mais influentes para a recria&ccedil;&atilde;o do eu individual:</p>     <blockquote>Crescemos a acreditar que a moda (e gera&ccedil;&otilde;es de escritores na m&iacute;riade de revistas t&ecirc;m contribu&iacute;do para esta convic&ccedil;&atilde;o) &eacute; uma deusa misteriosa, a cujos decretos &eacute; nosso dever obedecer mais do que compreender porque, na verdade, est&aacute; impl&iacute;cito que estes decretos transcendem toda a comum compreens&atilde;o humana. N&atilde;o sabemos porque s&atilde;o feitos, ou por quanto tempo ir&atilde;o perdurar, mas apenas que devem ser seguidos, e que quanto mais r&aacute;pida for a obedi&ecirc;ncia, maior ser&aacute; o m&eacute;rito(Fluegel, 1930: 137, citado em Kawamura, 2004: 44).</blockquote>     <p>A forma do corpo e a apar&ecirc;ncia s&atilde;o materializadas seguindo as regras do sistema simb&oacute;lico intang&iacute;vel por meio do vestu&aacute;rio e de outras t&eacute;cnicas de adorno pessoal que constituem um conjuntode ferramentas dispon&iacute;vel. Neste enquadramento, os meios de comunica&ccedil;&atilde;o social e a publicidadefornecem materiais visuais para a transforma&ccedil;&atilde;o total: numa revista qualquer um pode encontrar umaampla variedade de sugest&otilde;es sobre formas visuais e formas corporais de sucesso para qualqueresta&ccedil;&atilde;o. Isto torna-se particularmente evidente no contexto italiano, onde a moda tem representado ummeio tradicional de integra&ccedil;&atilde;o social desde a Idade M&eacute;dia e ainda &eacute; considerada como provedora de modelos de aceita&ccedil;&atilde;o, mais do que como forma de express&otilde;es anticulturais (Mora, 2009). Nestecontexto, a manuten&ccedil;&atilde;o do corpo e a modifica&ccedil;&atilde;o corporal parecem entrar no sistema da moda como estrat&eacute;gias chave para a personifica&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Tentarei trazer alguma clareza sobre estas pr&aacute;ticas para articular a sua fun&ccedil;&atilde;o como ferramentas para a identidade; ao debru&ccedil;ar-me sobre quatro diferentes t&eacute;cnicas (tatuagem, <i>piercing</i>, escarifica&ccedil;&atilde;o, cirurgia est&eacute;tica) e fornecendo dados colhidos numa<sup><a href="#1" name="top1">[1]</a></sup> pesquisa emp&iacute;rica, o papel do corpo ser&aacute; questionado e as tipologias do corpo ser&atilde;o delineadas como realiza&ccedil;&otilde;es de identidades situadas, reflexivas e representadas.</p>     <p><b>2. Muitos Eus, que corpo?</b></p>     <p>Vivemos num mundo social ambivalente, no qual tens&otilde;es sobre os pap&eacute;is de g&eacute;nero, estatuto social e a express&atilde;o da sexualidade podem ser encontradas em qualquer arena social, dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o social ao trabalho, da pol&iacute;tica &agrave; educa&ccedil;&atilde;o. Tentar prever qual ser&aacute; o aspeto das pessoas parece um jogo arriscado, escondendo uma rela&ccedil;&atilde;o extremamente incerta entre o eu privado e a identidade p&uacute;blica. No entanto, o corpo nunca esteve t&atilde;o presente e nunca foi t&atilde;o crucial nas representa&ccedil;&otilde;es da cultura de consumo e da moda, como tem ocorrido nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, e &eacute; sugerido como propriedade pessoal que todos podem moldar consoante lhes aprouver. Na verdade, a nossa corporalidade tem-se tornado o equivalente a um objecto que pode ser manipulado, exibido e atualizado, tornando o poder social invis&iacute;vel de forma crescente (Turner, 1985). &Eacute; este o mesmo corpo atrav&eacute;s do qual temos experi&ecirc;ncias e perce&ccedil;&otilde;es na nossa vida quotidiana e que n&atilde;o nos pertence apenas a n&oacute;s, mas &eacute; n&oacute;s pr&oacute;prios (Merleau-Ponty, 1954)?</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os estudos de moda tendem a considerar a corporalidade como um n&atilde;o-fen&oacute;meno, algo quenecessita de ser culturalizado, uma vez que sem a ajuda do vestu&aacute;rio seria uma mera materialidade que &eacute; quase inintelig&iacute;vel (Entwistle, 2000). Mas ap&oacute;s ter sido domado atrav&eacute;s de elementos de cultura muito precisos (roupas, ornamentos, tatuagens, <i>piercing</i>, maquilhagem, perfume), os corpos podem entrar no dom&iacute;nio da significa&ccedil;&atilde;o. Roland Barthes (1993) retratou este dom&iacute;nio como um espect&aacute;culo,onde o corpo humano est&aacute; adaptado a um modelo &ndash; geralmente fornecido pela moda &ndash; acess&iacute;vel aquem decidir transmitir o papel complexo que se quer desempenhar. Por conseguinte, enquanto nosfornece pe&ccedil;as de vestu&aacute;rio que transmitem o que queremos comunicar sobre n&oacute;s, o sistema da modatorna-nos n&atilde;o apenas intelig&iacute;veis, como tamb&eacute;m classific&aacute;veis. Nesta perspectiva, para al&eacute;m da suacapacidade de comunicar ideias, emo&ccedil;&otilde;es ou de realizar opera&ccedil;&otilde;es simb&oacute;licas e t&eacute;cnicas complicadas (por exemplo, dan&ccedil;ar, cantar, atuar, opera&ccedil;&otilde;es cir&uacute;rgicas), o nosso corpo torna-se o suporte para um interc&acirc;mbio social mais frut&iacute;fero e &eacute; rapidamente transformado na express&atilde;o do gosto pessoal e dasideias. Uma nova variabilidade no panorama da moda n&atilde;o s&oacute; envolve o corpo social, mas tamb&eacute;m o corpo f&iacute;sico, que &eacute; cada vez mais separado da biologia, modificado e moldado gra&ccedil;as a muitos aparelhos diferentes: o <i>fitness</i>, a dieta, o uso de pr&oacute;teses, a cultura do corpo/ <i>body-building</i>, a cirurgia est&eacute;tica, o fetichismo, a tatuagem e os produtos de cosm&eacute;tica, s&atilde;o as novas ferramentas para acomunica&ccedil;&atilde;o. Os corpos s&atilde;o, assim, concebidos como uma muta&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua e qualquer um se pode tornar um <i>body-flux</i> (Codeluppi, 1992: 85), que perdeu qualquer fronteira e identidade precisas, podeser confundido com o seu contexto exterior e ter interc&acirc;mbios ininterruptos de fluxo para o exterior.</p>     <p>Os efeitos deste processo s&atilde;o epitomizados pelo comportamento dos jovens na moda e na suapreocupa&ccedil;&atilde;o com a apar&ecirc;ncia. A sua presen&ccedil;a mais significativa no mundo da moda, em todos os n&iacute;veissociais, j&aacute; foi ilustrada como um elemento fundamental na agenda social (Crane, 2000). Al&eacute;m disso, eles parecem ter-se transformado nos &ldquo;escolhidos&rdquo; no dom&iacute;nio do consumo, devido &agrave; sua capacidadeem mediar as suas rela&ccedil;&otilde;es com diferentes cen&aacute;rios (Mora, 2009). Os jovens est&atilde;o, de facto, mais interessados em descodificar as mensagens incorporadas nos produtos da cultura de massas e que se encontram dispon&iacute;veis no mercado. Mesmo que a sua atitude pare&ccedil;a menos flex&iacute;vel do que o seucorpo, na medida em que seguem as sugest&otilde;es de revistas e dos novos meios de comunica&ccedil;&atilde;o e julgam de uma forma negativa as <i>performances</i> corporais de quem n&atilde;o est&aacute; em sintonia com os seus estere&oacute;tipos de idade, profiss&atilde;o e g&eacute;nero (Pietropolli Charmet e Marcazzan, 2000; Stagi, 2008). Eles parecem ter decorado a li&ccedil;&atilde;o sobre como devem utilizar os seus corpos e aplicar os procedimentos datatuagem, do <i>piercing</i> e da cirurgia est&eacute;tica, como sendo partes integrantes do seu c&oacute;digo de moda,ferramentas utilizadas para a socializa&ccedil;&atilde;o e reconhecimento social.</p>     <p>Pesquisas recentes assinalaram o hiato profundo que separa as pr&aacute;ticas quotidianas de como vestir-se dos modelos ideais transmitidos pelos meios de comunica&ccedil;&atilde;o. Ilustram como asrepresenta&ccedil;&otilde;es sugeridas pelas campanhas de marcas de moda famosas se baseiam em poucos modelosfemininos e s&atilde;o frequentemente extremos, uma vez que basicamente promovem um tipo de mulher objetificada e subordinada (Ruggerone 2006; Diaz Soloaga e Mu&ntilde;iz Muriel, 2008). No entanto, a atitude tomada para ligar a identidade individual e as representa&ccedil;&otilde;es mediadas que est&atilde;o na moda n&atilde;o &eacute; apenas uma &ldquo;pr&aacute;tica da juventude&rdquo;, mas cada vez mais envolve adultos em diferentes idades e posi&ccedil;&otilde;es sociais, devido &agrave; influ&ecirc;ncia exercida pelas representa&ccedil;&otilde;es das identidades de g&eacute;nerotransmitidas pelas revistas glamorosas da moda e pelos jornais e ocupando uma parte importante da agenda cultural (Wykes e Gunter, 2005).</p>     <p>Na realidade, supostamente poucos de n&oacute;s estar&atilde;o directamente empenhados em cumprir osditames dos <i>designers</i> da moda, enquanto a maioria das pessoas tenta encontrar um rumo no conjunto super-saturado de imagens transmitidas pelos an&uacute;ncios da moda. Numa dimens&atilde;o mais privada, os jovens parecem ter desenvolvido h&aacute;bitos psicol&oacute;gicos que os tornam cada vez mais capazes de introspec&ccedil;&atilde;o e, consequentemente, particularmente vulner&aacute;veis &agrave; excessiva e negativa preocupa&ccedil;&atilde;o com as suas pr&oacute;prias perce&ccedil;&otilde;es do corpo e com as perce&ccedil;&otilde;es dos outros (Simmons, Blyth e McKinney,1983). Esta mesma preocupa&ccedil;&atilde;o, no entanto, parece ser um assunto tipicamente Ocidental e est&aacute; relacionada com as <i>performances</i> corporais em actividades quotidianas que transformaram a modifica&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria da nossa apar&ecirc;ncia corporal numa ac&ccedil;&atilde;o &oacute;bvia (Le Breton, 2002).</p>     <p>A utiliza&ccedil;&atilde;o crescente da tatuagem, do <i>piercing</i> e de outras pr&aacute;ticas mais invasivas ou dolorosas(por exemplo, a cirurgia est&eacute;tica e a escarifica&ccedil;&atilde;o) n&atilde;o s&oacute; se impinge a uma mentalidade &ldquo;naturalista&rdquo;mais antiga, mas tamb&eacute;m ao risco de perder o controlo sobre a nossa vida. Assim sendo, a modifica&ccedil;&atilde;o do nosso corpo representa &ldquo;um gesto contra o corpo natural e a tirania da forma&ccedil;&atilde;o de<i>habitus</i>&rdquo;(Featherstone, 2000: 2). A pr&aacute;tica de modifica&ccedil;&atilde;o do corpo, na verdade, proporciona uma sensa&ccedil;&atilde;o de estar em controlo que representa por si s&oacute; um valor e uma op&ccedil;&atilde;o que pode ser seleccionada de maneira a reduzir os riscos e a ansiedade devido a uma crescente instabilidade docen&aacute;rio social, composto por uma variedade de possibilidades de personifica&ccedil;&atilde;o. Os dados da pesquisa assinalaram a import&acirc;ncia de exibir a &ldquo;apar&ecirc;ncia certa&rdquo; nas intera&ccedil;&otilde;es sociais entre os jovens estudantes, como a difus&atilde;o de um fen&oacute;meno designado por <i>body tuning</i> no qual os corpos individuais s&atilde;o adaptados aos requisitos da situa&ccedil;&atilde;o, dando lugar a m&uacute;ltiplas e s&uacute;bitas identifica&ccedil;&otilde;es e atransforma&ccedil;&otilde;es instant&acirc;neas da nossa apar&ecirc;ncia f&iacute;sica (Stagi, 2008). Trabalhar sobre a superf&iacute;cie corporal em diferentes n&iacute;veis (atrav&eacute;s do vestu&aacute;rio, mas tamb&eacute;m atrav&eacute;s do piercing, tatuagem ou cirurgia est&eacute;tica) torna-se um meio privilegiado de produ&ccedil;&atilde;o de uma identidade bem sucedida em qualquer situa&ccedil;&atilde;o. </p>     <p>Este modelo foi promovido nos finais dos anos 80, com a crescente cultura de consumo queenfatizava a apar&ecirc;ncia como uma caracter&iacute;stica fulcral da vida social e interligava os preceitos m&eacute;dicos da manuten&ccedil;&atilde;o do corpo e as sugest&otilde;es hedonistas de frui&ccedil;&atilde;o corporal:</p>     <blockquote>A cultura de consumo encaixa com a conce&ccedil;&atilde;o predominante auto-preservacionista do corpo, que encoraja o indiv&iacute;duo a adotar estrat&eacute;gias instrumentais para combater a deteriora&ccedil;&atilde;o e a decad&ecirc;ncia (aplaudidas tamb&eacute;m pelas burocracias do Estado, que procuram reduzir os custos de sa&uacute;de, educando o p&uacute;blico e combatendo a neglig&ecirc;ncia do corpo) e combina-a com a no&ccedil;&atilde;o de que o corpo &eacute; um ve&iacute;culo de prazer e de auto-express&atilde;o.As imagens de um corpo belo, abertamente sexual e associado ao hedonismo, ao lazer e &agrave; exposi&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, enfatizam a import&acirc;ncia da apar&ecirc;ncia e do &ldquo;visual&rdquo; (Featherstone, 1991: 170).</blockquote>     <p>Hoje em dia esta convic&ccedil;&atilde;o &eacute; partilhada por qualquer indiv&iacute;duo que &eacute; sens&iacute;vel a expectativas sociais e que aprendeu que a imagem corporal &eacute; entendida como uma tarefa a ser conseguida atrav&eacute;sdo uso da tecnologia, da biologia, da cultura e de qualquer aparelho dispon&iacute;vel no contexto social(Shilling, 2003). Esta tarefa adquire as caracter&iacute;sticas de um projecto para o indiv&iacute;duo (Giddens, 1991) que apaga as diferen&ccedil;as entre aquilo que &eacute; natural e o que foi naturalizado e selecciona os seus/as suaspr&oacute;prias pr&aacute;ticas corporais para &ldquo;concluir&rdquo; o trabalho atrav&eacute;s de escolhas de estilos de vida.</p>     <blockquote>A ideia do corpo como projecto n&atilde;o implica que todos tenham a predisposi&ccedil;&atilde;o ou a capacidade para transformarem radicalmente o seu corpo. Pressup&otilde;e, sim, que as pessoas normalmente est&atilde;o conscientes destes desenvolvimentos transformadores e que existe uma forte tend&ecirc;ncia nas sociedades ocidentais contempor&acirc;neas para se associarem aos seus corpos e se preocuparem cada vez mais com eles. (Shilling, 2003: 174)</blockquote>     <p>Mas quais s&atilde;o os meios para a nossa transforma&ccedil;&atilde;o? Neste ensaio analisarei, em primeiro lugar, o papel das modifica&ccedil;&otilde;es do corpo como parte de um idioma corporal partilhado (que est&aacute; em moda) e como um ponto de refer&ecirc;ncia na interac&ccedil;&atilde;o social; seguidamente, refletirei sobre as representa&ccedil;&otilde;es que fornecem este tipo de conhecimento para as actividades situadas. Ap&oacute;s delinear as tipologias dos modelos do corpo, resultantes da pesquisa emp&iacute;rica, discutirei a possibilidade da exist&ecirc;ncia de outros tipos de corpo e de <i>performances</i> da identidade.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>3. Modifica&ccedil;&otilde;es do corpo como pr&aacute;ticas modernas</b></p>     <p>Pertencemos a um sistema de conduta institucionalizado, no qual existe um conhecimento comum sobre a nossa apar&ecirc;ncia e que n&oacute;s usamos para evocar nos outros aquilo que entendemos como parte da nossa express&atilde;o. Isto pode ser designado por &ldquo;idioma corporal&rdquo; e regula as formas atrav&eacute;s das quais qualquer pessoa deve prestar aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s apar&ecirc;ncias (Goffman, 1963). Para as nossas <i>performances</i> sociais, podemos contar com uma s&eacute;rie de t&eacute;cnicas que devemos observar, utilizar e para mostrar o nosso corpo em sociedade. Estas &ldquo;t&eacute;cnicas corporais&rdquo; (Mauss, 1950) que nos permitem partilhar o idioma do corpo s&atilde;o aprendidas desde muito cedo e implicam uma dupla experi&ecirc;ncia depersonifica&ccedil;&atilde;o e de remodela&ccedil;&atilde;o nos passos subsequentes da nossa socializa&ccedil;&atilde;o. As t&eacute;cnicas corporais n&atilde;o s&oacute; fazem parte de um conjunto mais amplo de informa&ccedil;&atilde;o &uacute;til para a vida social e para transmitir coes&atilde;o social, mas tamb&eacute;m representam um aperfei&ccedil;oamento deste conhecimento quando as usamos para recriar aquilo que sabemos sobre o nosso corpo e a forma como a sociedade o aceita (Leveratto, 2006).</p>     <p>Os meios de comunica&ccedil;&atilde;o dominantes estruturam e representam a cirurgia cosm&eacute;tica, a tatuagem e o <i>piercing</i> corporal como m&eacute;todos de modifica&ccedil;&atilde;o do corpo. As provas resultantes da an&aacute;lise de artigos de jornais sobre a cirurgia cosm&eacute;tica e a tatuagem mostram que estes s&atilde;o representados de forma positiva, como op&ccedil;&otilde;es de estilos de vida do consumidor, enquanto o <i>piercing</i> &eacute; frequentemente enquadrado de forma negativa, como uma pr&aacute;tica pouco saud&aacute;vel e problem&aacute;tica. De forma semelhante, os dados obtidos indicam que os riscos associados &agrave; cirurgia est&eacute;tica e &agrave; tatuagem s&atilde;o frequentemente subestimados, tal como a tatuagem &eacute; associada ao desvio da normalidade. Aocontr&aacute;rio, os potenciais riscos relacionados com o piercing corporal s&atilde;o sobrevalorizados (Adams, 2009).</p>     <p>Estas t&eacute;cnicas de enquadramento reflectem um entendimento social enraizado das pr&aacute;ticas de modifica&ccedil;&atilde;o do corpo e simultaneamente informam e moldam o nosso conhecimento comum sobre as <i>performances</i> corporais / de identidade.</p>     <p>Seguindo estas interpreta&ccedil;&otilde;es, a tatuagem, a escarifica&ccedil;&atilde;o, o <i>piercing</i> e a cirurgia est&eacute;tica fazemparte do conhecimento sobre a forma como os corpos podem ser usados nas sociedades ocidentais e oque deveria ser evitado nos contextos sociais. Esta divis&atilde;o &eacute; marcada atrav&eacute;s de normas sociais espec&iacute;ficas sobre a apresenta&ccedil;&atilde;o corporal e tem sido normalizada atrav&eacute;s de uma aten&ccedil;&atilde;o crescente para a utiliza&ccedil;&atilde;o de ferramentas apropriadas para a manuten&ccedil;&atilde;o do corpo, abandonando restri&ccedil;&otilde;es erigidez: deteta-se uma tend&ecirc;ncia global para descartar as limita&ccedil;&otilde;es puritanas sobre a indiferen&ccedil;a, a mod&eacute;stia e o distanciamento lento em rela&ccedil;&atilde;o aos outros corpos (Ory, 2009). Como resultado de uma democratiza&ccedil;&atilde;o na &aacute;rea do cuidado com o corpo e com a estetiza&ccedil;&atilde;o da apar&ecirc;ncia corporal &ndash;amplificada e apoiada pelo crescimento da ind&uacute;stria da maquilhagem &ndash; os mais recentes par&acirc;metrospara a defini&ccedil;&atilde;o do nosso corpo s&atilde;o delineados utilizando as t&eacute;cnicas corporais &ldquo;mais em moda&rdquo; que se encontram dispon&iacute;veis na nossa cultura. Estas regras t&ecirc;m sido redefinidas ao longo de algumasgera&ccedil;&otilde;es e t&ecirc;m exigido das pessoas uma interpreta&ccedil;&atilde;o dos seus corpos como uma superf&iacute;cie flex&iacute;vel:</p>     <blockquote>       <p>&ldquo;O nosso corpo pode ser entendido como uma tela, na qual cada um pode fazer o seu melhor quadro&rdquo;. (T8)</p>       <p>&ldquo;Penso que dever&iacute;amos interpretar o nosso corpo como o nosso lar, embelezamo-lo, decoramo-lo, &eacute; a &uacute;nica coisa que temos na nossa vida, portanto &eacute; nosso direito decidir como ele deveria ser apresentado.&rdquo; (S3)</p> </blockquote>     <p>Se, por um lado, as pessoas comuns parecem procurar mudan&ccedil;as constantes, por outro lado, os profissionais trabalham sobre o papel do corpo como um material vivo e como uma perspetiva em qualquer situa&ccedil;&atilde;o incerta. A oportunidade de transformamos o nosso eu e a nossa apar&ecirc;ncia corporal &eacute; constru&iacute;da como uma liberdade limitada ou relativa. Apesar de inacabada, no corpo n&oacute;s encontramos limites precisos para a materializa&ccedil;&atilde;o do que &eacute; percebido como &ldquo;o nosso eu&rdquo;, e o problema para todos torna-se a materializa&ccedil;&atilde;o da fronteira entre a materialidade do corpo e a imaterialidade dos significados culturais.</p>     <blockquote>&ldquo;Estamos de volta ao discurso pr&eacute;vio sobre a moda. As imagens transmitidas pelos meios de comunica&ccedil;&atilde;o, pela televis&atilde;o, etc., promovem modelos que nos compelem a trazer as pessoas de volta &agrave; Terra. N&atilde;o podemos pensar que nos mudamos a n&oacute;s pr&oacute;prios como mudamos de camisa de manh&atilde;, da azul para a branca. O tecido do corpo n&atilde;o &eacute; como o pano, o algod&atilde;o ou o linho, que pode cortado e cosido! Est&aacute; vivo!!&rdquo; (CH1)<sup><a href="#2" name="top2">[2]</a></sup></blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Dando uma forma particular aos seus corpos e tornando-os mais sedutores atrav&eacute;s da cirurgia est&eacute;tica ou de formas mais tribais atrav&eacute;s da escarifica&ccedil;&atilde;o, os atores sociais materializam o princ&iacute;pio fundamental das teorias cl&aacute;ssicas sobre a moda: querem mostrar a sua ades&atilde;o a um grupo preciso, aomesmo tempo que se distanciam uns dos outros (Simmel, 1904).</p>     <p>Nas pr&aacute;ticas de modifica&ccedil;&atilde;o dos seus corpos, os atores sociais sugerem aquilo que sabem sobre o c&oacute;digo cultural para a auto-apresenta&ccedil;&atilde;o e quais as t&eacute;cnicas permitidas pelo seu grupo: do nossovestido at&eacute; &agrave; cor da nossa pele, do tom da voz at&eacute; ao tamanho do nosso decote, sempre mostramos que sabemos muitas coisas sobre as maneiras como um corpo se deve apresentar. Se este facto parece&oacute;bvio, n&atilde;o significa que a raz&atilde;o seja evidente, parece antes sustentar uma conven&ccedil;&atilde;o micro-sociol&oacute;gica de acordo com a qual toda uma s&eacute;rie de no&ccedil;&otilde;es deve ser desempenhada com compet&ecirc;nciapor forma a ser percebida como natural (Garfinkel, 1976).</p>     <p>Modificar o corpo envolve, de facto, um complexo de actividades socialmente norteadas, perceptuais, interactivas e micro-pol&iacute;ticas que moldam determinadas atividades como express&otilde;es dos &ldquo;eus&rdquo;. Quando vemos a express&atilde;o do eu como uma conquista, um feito, consideramos a identidadecomo uma propriedade alcan&ccedil;ada da conduta concreta de um indiv&iacute;duo. Em vez de ser uma propriedade de indiv&iacute;duos, o eu &eacute; concebido como uma caracter&iacute;stica emergente de situa&ccedil;&otilde;es sociais:quer como um resultado, quer como uma base l&oacute;gica para uma variedade de disposi&ccedil;&otilde;es sociais sobre a apar&ecirc;ncia do nosso corpo (isto &eacute;, o projecto do corpo).</p>     <p>A ast&uacute;cia do projecto do corpo &eacute; tomada como um dado adquirido e refor&ccedil;ada pelo facto de parecer ser um tra&ccedil;o natural e interno da nossa realidade. Se conseguirmos reconhecer pelo menos duas categorias de corpos &ndash; os que est&atilde;o na moda e os que n&atilde;o est&atilde;o &ndash; s&atilde;o muitas as formas atrav&eacute;s das quais eles foram materializados e eles representam aplica&ccedil;&otilde;es inteligentes de regras precisas de manuten&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica e de aptid&otilde;es estrat&eacute;gicas que os indiv&iacute;duos devem conhecer e utilizar comomembros competentes do seu grupo (Garfinkel, 1967).</p>     <p>Estas t&eacute;cnicas n&atilde;o est&atilde;o isentas da diferencia&ccedil;&atilde;o de g&eacute;nero e os efeitos sobre os corpos t&ecirc;m como objectivo performances com forte conota&ccedil;&atilde;o de g&eacute;nero. A cirurgia est&eacute;tica, por exemplo, &eacute; a mais conotada do ponto de vista do g&eacute;nero, sendo utilizada por uma maioria de pacientes femininas e tendo como prop&oacute;sito a modifica&ccedil;&atilde;o do corpo acentuando as caracter&iacute;sticas sexuais a partir de um ponto de vista tipicamente masculino e heterossexual (Davis, 2002): ao recorrerem a ela, as mulheresrefor&ccedil;am o enfoque na apar&ecirc;ncia como uma tarefa feminina e sugerem um modelo cultural feminino espec&iacute;fico (isto &eacute;, colocando um peito maior, l&aacute;bio mais volumosos e um nariz min&uacute;sculo). Esta mesma insist&ecirc;ncia &eacute; comunicada a outras t&eacute;cnicas (por exemplo, a tatuagem, o piercing) que s&atilde;outilizadas para dar forma a um modelo sedutor feminino de auto-apresenta&ccedil;&atilde;o, em sintonia com as representa&ccedil;&otilde;es de g&eacute;nero dominantes.</p>     <p>Uma vez que &eacute; atrav&eacute;s da utiliza&ccedil;&atilde;o de t&eacute;cnicas do corpo que o conhecimento acerca do uso socialdo corpo &eacute; aperfei&ccedil;oado, ent&atilde;o &eacute; atrav&eacute;s destas mesmas t&eacute;cnicas que a utiliza&ccedil;&atilde;o social do corpomoderno &eacute; naturalizado de acordo com um c&oacute;digo partilhado. Isto implica que os atores sociais contempor&acirc;neos exibem atrav&eacute;s dos seus corpos a sua vontade em participar na chamada &ldquo;cultura das apar&ecirc;ncias&rdquo;, subscrevendo as distin&ccedil;&otilde;es entre os homens e as mulheres bem sucedidos/as e quecuidam da sua pele, do seu peso e do seu &ldquo;visual&rdquo;, por oposi&ccedil;&atilde;o aos outros que negligenciam e, subsequentemente, se marginalizam a si pr&oacute;prios (Vigarello, 2003; Robin 2005).</p>     <p>Por um lado, o trabalho sobre o corpo &eacute; sugerido como uma escolha livre; por outro lado, tem deser realizado seleccionando os materiais simb&oacute;licos corretos e a pr&aacute;tica mais adequada para atingir o melhor resultado.</p>     <p>Como &eacute; que ent&atilde;o os atores sociais t&ecirc;m sucesso na sua selec&ccedil;&atilde;o de imagens corporais bem sucedidas e modernas?</p>     <p><b>4. Modelando o corpo: entre os ditames da moda e o estilo pessoal</b></p>     <p>A moda feminina pode ser interpretada como um campo importante para fornecer representa&ccedil;&otilde;esdo corpo feminino, o que se torna num texto significativo de como a cultura constr&oacute;i a feminilidade e a forma como transmite essa representa&ccedil;&atilde;o &agrave;s mulheres (Evans e Thornton, 1991). Em particular, os elementos sexuais er&oacute;ticos da moda (Steele 1985) e a participa&ccedil;&atilde;o nas pr&aacute;ticas da moda por aquelesque pertencem aos estratos sociais mais baixos e perif&eacute;ricos t&ecirc;m contribu&iacute;do para a constru&ccedil;&atilde;o de umarepresenta&ccedil;&atilde;o maioritariamente feminina da moda e da preocupa&ccedil;&atilde;o coma apar&ecirc;ncia. A rela&ccedil;&atilde;o entre abeleza, a apar&ecirc;ncia f&iacute;sica e a identidade tem sido uma quest&atilde;o n&atilde;o apenas pertencente ao pensamento feminista, que tem insistido sobre as performances relacionadas com o nosso vestu&aacute;rio pessoal e a reprodu&ccedil;&atilde;o estrutural de desigualdades para algumas categorias (Davis 1995; Wolf 1997), mas tamb&eacute;m tem fomentado uma reflex&atilde;o mais ampla sobre o papel das imagens de modelos corporais precisos que t&ecirc;m atra&iacute;do a aten&ccedil;&atilde;o dos acad&eacute;micos e problematizado o papel dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o e das pr&aacute;ticas de embelezamento (Goffman, 1979; Vigarello, 2003).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Mesmo estando enraizado no mundo feminino, o trabalho realizado na apar&ecirc;ncia individual est&aacute; crescentemente a transformar-se numa tarefa universalizada, a ser conseguida utilizando os recursos dispon&iacute;veis no mercado e acess&iacute;vel de acordo com os recursos de cada um.</p>     <p>Esta segunda quest&atilde;o relacionada com a constru&ccedil;&atilde;o moderna do corpo tem sido desenvolvidaap&oacute;s alguma transforma&ccedil;&atilde;o recente na ind&uacute;stria da moda e da beleza que promovem modelos para um p&uacute;blico masculino que aprende como pode ser criado, ou conseguido um estilo pessoal, e que mostramque um &ldquo;eu elegante&rdquo; &eacute; constitu&iacute;do por diferentes solu&ccedil;&otilde;es oferecidas por revistas sobre estilos de vida.Cada selec&ccedil;&atilde;o &eacute; eficaz na medida em que &eacute; descrita como tendo sido j&aacute; experimentada e aprovada e,consequentemente, um homem apenas tem de procurar nas p&aacute;ginas, encontrar as pe&ccedil;as de vestu&aacute;rio pr&oacute;prias e a atitude psicol&oacute;gica para qualquer situa&ccedil;&atilde;o (Materassi, 2010). Encontrar e colocar empr&aacute;tica as solu&ccedil;&otilde;es sugeridas parece ser a resposta para uma necessidade espont&acirc;nea, mas umaambiguidade pode ser facilmente assinada. Por um lado, os estudos sobre a publicidade de moda (Bordo, 1993; Crane 2000; David et al. 2002) salientaram o papel das imagens na cria&ccedil;&atilde;o derepresenta&ccedil;&otilde;es de modelos corporais e de pap&eacute;is de g&eacute;nero, atrav&eacute;s dos quais qualquer um podeencontrar uma solu&ccedil;&atilde;o &uacute;til para o problema de nos conseguirmos comunicar a n&oacute;s pr&oacute;prios. Por outro lado, uma vez que a moda est&aacute; cada vez menos dependente da imita&ccedil;&atilde;o entre classes sociais e cada vezmais relacionada com a necessidade de auto-express&atilde;o do indiv&iacute;duo (Crane, 2000; Volont&eacute;, 2003; Bovone, 2007; Mora, 2009), a sua for&ccedil;a como uma fonte de representa&ccedil;&otilde;es coletivas parece estar regulada pela capacidade de o indiv&iacute;duo deixar a sua pr&oacute;pria identidade aparecer atrav&eacute;s de gestos,palavras, vestu&aacute;rio. Em ambos os casos, tal rela&ccedil;&atilde;o depende do facto de ningu&eacute;m poder ser um exclu&iacute;do do sistema da moda e as pessoas t&ecirc;m, de alguma forma, de prestar aten&ccedil;&atilde;o ao modo comoconstruem e interpretam as suas apar&ecirc;ncias, uma vez que n&atilde;o t&ecirc;m outro meio para se representarem(Wilson, 1985).</p>     <p>O poder de conseguir comunicar algo sobre o sujeito &eacute; uma caracter&iacute;stica de qualquer pr&aacute;tica de consumo, atrav&eacute;s da qual qualquer um aprende a necessidade e o dever de transmitir a sua identidade, utilizando objectos como apoios e indicadores do seu posicionamento na sociedade (Douglas e Isherwood 1979). A tatuagem, o <i>piercing</i>, a escarifica&ccedil;&atilde;o e a cirurgia est&eacute;tica s&atilde;o sugeridos nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o (antigos e recentes) como acess&oacute;rios do corpo e especialmente nas campanhas publicit&aacute;rias da moda s&atilde;o ilustrados como fazendo parte da pan&oacute;plia corporal p&oacute;s-moderna. Os modelos contidos nas imagens det&ecirc;m a tarefa de regular os termos dos nossos contactos com outraspessoas, as nossas emo&ccedil;&otilde;es e inten&ccedil;&otilde;es (Goffman, 1979). Al&eacute;m disso, como n&atilde;o t&ecirc;m necessidade de reflectir os factos, eles mostram as formas atrav&eacute;s das quais n&oacute;s pensamos que os homens e as mulheres deveriam comportar-se e aceitamo-los como tal. No entanto, muito daquilo que n&oacute;s assumimos ser a prefer&ecirc;ncia individual &eacute; influenciada pelas for&ccedil;as sociais e culturais mais profundas (Bourdieu, 1963; Davis 1995), e pelo facto de se ter cuidado com as apar&ecirc;ncias, reconhece-se que a corporalidade &eacute; sempre o lugar para a auto-verdade contingente, resultado dos procedimentos utilizados para transformar o corpo e para o tornar vis&iacute;vel. Nesta perspectiva, o corpo tem de ser questionado sobre o processo de express&atilde;o do eu, por forma a revelar a interliga&ccedil;&atilde;o entre ascompet&ecirc;ncias sobre a apar&ecirc;ncia f&iacute;sica, a actividade situada e a identidade como uma propriedade alcan&ccedil;ada.</p>     <p><b>5. Questionando o corpo. Uma sensibilidade etno-metodol&oacute;gica</b></p>     <p>De que forma deve o corpo ser interrogado? A metodologia deste inqu&eacute;rito tem sido medida na interpreta&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o entre transforma&ccedil;&atilde;o do corpo e recria&ccedil;&atilde;o do eu. Foram escolhidas quatro tipologias diferentes, de maneira a produzir uma representa&ccedil;&atilde;o &uacute;til de um <i>continuum</i> no universo das modifica&ccedil;&otilde;es do corpo, desde as mais art&iacute;sticas e modernas &ndash; e consequentemente aceites &ndash; pr&aacute;ticas (isto &eacute;, a tatuagem e a cirurgia est&eacute;tica) e as mais sub-culturais e pertencentes a nichos (o <i>piercing</i> e a escarifica&ccedil;&atilde;o). Assim, para ilustrar os eventos da personifica&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s da modifica&ccedil;&atilde;o do corpo, uma metodologia qualitativa surgiu como o mais &uacute;til instrumento para deixar os elementos situacionais tomados como dados adquiridos emergirem e o conhecimento escondido sobre actividades f&iacute;sicasorientadas ser revelado. Adotar a observa&ccedil;&atilde;o participativa e entrevistas aprofundadas<sup><a href="#3" name="top3">[3]</a></sup> tem implicado tamb&eacute;m uma perspectiva tipicamente etno-metodologista de acordo com a qual a identidade &ndash; eassim, a express&atilde;o do nosso eu &ndash; tem sido lida num sentido performativo. Nesta perspectiva, o factode nos concentrarmos sobre os m&eacute;todos utilizados pelos membros do grupo social de &ldquo;modificadores do corpo&rdquo; para dar um sentido &agrave;s suas actividades, tem ajudado a evitar a diverg&ecirc;ncia entre as pr&aacute;ticas e as teoriza&ccedil;&otilde;es do processo de personifica&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>No campo dos estudos de g&eacute;nero tem sido prestada particular aten&ccedil;&atilde;o &agrave; quest&atilde;o da metodologia,que tem revelado quase a mesma import&acirc;ncia do objecto de pesquisa<sup><a href="#4" name="top4">[4]</a></sup>. Neste cen&aacute;rio te&oacute;rico, pode ser encontrada uma tend&ecirc;ncia que privilegia uma abordagem psicoanal&iacute;tica e que a considera fulcral na personifica&ccedil;&atilde;o do g&eacute;nero em particular (Irigaray, 1978; Butler, 1990; 2003). Como consequ&ecirc;ncia disto, a corporalidade &eacute; interpretada como uma estrutura textual, divergindo das quest&otilde;es relacionadas com a materialidade vivida do corpo. Esta &uacute;ltima &eacute; de facto analisada nas pr&aacute;ticas dessa dist&acirc;ncia peculiar produzida entre corpos e textos em atividades concretas e em contextos sociais significativos (Howson, 2005). Observar as modifica&ccedil;&otilde;es corporais como partes de um processo baseado num conhecimento t&aacute;cito (Garfinkel, 1967) sobre o corpo tem revelado as opera&ccedil;&otilde;es quotidianas efectuadas para classificar as nossas pr&oacute;prias ac&ccedil;&otilde;es de personifica&ccedil;&atilde;o e as ac&ccedil;&otilde;es dos outros. Nesta perspectiva, quer as observa&ccedil;&otilde;es participantes em est&uacute;dios de tatuagem, quer as entrevistas aprofundadas, s&atilde;o as actividades em que os membros produzem e gerem cen&aacute;rios de assuntos quotidianos organizados e [s&atilde;o] vistos como id&ecirc;nticos aos procedimentos dos membros para tornarem esses cen&aacute;rios &rdquo;cont&aacute;veis&rdquo;. O car&aacute;cter &ldquo;reflexivo&rdquo; ou &ldquo;encarnado&rdquo; das pr&aacute;ticas &ldquo;report&aacute;veis&rdquo; e dos relatos constituem o cerne dessa recomenda&ccedil;&atilde;o. Quando falo em relatar, os meus interesses s&atilde;o direccionados para assuntos como os que referirei abaixo. Quero com isto dizer observ&aacute;vel-e-report&aacute;vel, isto &eacute;, acess&iacute;veis a membros como pr&aacute;ticas situadas de looking-and-telling (Garfinkel, 1967: 1).</p>     <p>O senso comum sobre o processo de personifica&ccedil;&atilde;o tem enfatizado a rela&ccedil;&atilde;o entre a moda e asmodifica&ccedil;&otilde;es do corpo como instrumentos que orientam o comportamento individual. Mesmo que algo esteja sempre impl&iacute;cito nas explica&ccedil;&otilde;es, devido ao facto de um indiv&iacute;duo tomar como dado adquiridoa ades&atilde;o de todos os participantes na pr&aacute;tica, observar e recolher relatos sobre modifica&ccedil;&atilde;o corporaltem permitido uma compreens&atilde;o mais profunda da racionalidade para al&eacute;m deste comportamentosocial e tem revelado a sua natureza fortemente enraizada no campo da reprodu&ccedil;&atilde;o. Foram encontradasquatro respostas corporais espec&iacute;ficas para a quest&atilde;o sobre a subjectividade: o corpo <i>screen</i> (ecr&atilde;), o corpo <i>monumental</i>, o corpo <i>diferido</i>, e o corpo <i>consum&iacute;vel</i>. Descreverei estas tipologias no pontoseguinte, explicando como cada um pode ser lido como o resultado de uma conce&ccedil;&atilde;o particular das t&eacute;cnicas corporais utilizadas e como pode ser parte de uma performance da identidade.</p>     <p><b>6. Corpos auto-modelados. Uma tipologia</b></p>     <p>Podemos detetar diferentes modelos corporais que parecem resultar das pr&aacute;ticas de cuidado com a apar&ecirc;ncia e que podem ilustrar melhor o conceito de auto-apresenta&ccedil;&atilde;o no processo da modifica&ccedil;&atilde;o corporal.</p>     <p>Das entrevistas e das etnografias recolhidas, a variedade de tipologias corporais dispon&iacute;vel no contexto social pode ser reduzida a quatro modelos principais: o corpo screen (ecr&atilde;), o corpo monumental, o corpo diferido, o corpo consum&iacute;vel. Cada um subscreve uma conce&ccedil;&atilde;o das maneirasatrav&eacute;s das quais &eacute; suposto os homens e as mulheres utilizarem o idioma corporal, mas consiste numasimplifica&ccedil;&atilde;o da realidade complexa, reproduzida atrav&eacute;s das actividades situadas de auto-express&atilde;o. N&atilde;o &eacute; suposto os tipos nesta s&eacute;rie serem mutuamente exclusivos. Cada um representa caracter&iacute;sticas que aparecem em combina&ccedil;&atilde;o com caracter&iacute;sticas de outro tipo na praxis. Al&eacute;m disso, devem servistas como figuras t&iacute;picas, seguindo um enquadramento Weberiano (Weber, 1904), de acordo com oqual um processo de abstrac&ccedil;&atilde;o &eacute; operado, isolando e idealizando algumas caracter&iacute;sticas que pertencem aos casos emp&iacute;ricos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O primeiro tipo corporal emerge da arena dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o internacionais e &eacute; similar a uma superf&iacute;cie neutra sobre a qual um indiv&iacute;duo consegue operar interminavelmente e projectar imagens corporais aceites e promovidas pela cultura dominante. Para utilizar as palavras de uma tatuadora entrevistada, &eacute;:</p>     <blockquote>&ldquo;Um corpo o mais preservado poss&iacute;vel, utilizando tamb&eacute;m a cirurgia est&eacute;tica. Talveztatuado. Um corpo que n&atilde;o se permite desistir, &Eacute; isso. Tamb&eacute;m em termos f&iacute;sicos. E a tatuagem pode ser aceit&aacute;vel. Porque, de qualquer maneira, normalmente &eacute; atribu&iacute;da aosjovens. Se prestarem aten&ccedil;&atilde;o ao que muitas mulheres dizem: &lsquo;Mas eu n&atilde;o posso faz&ecirc;-lo. J&aacute; tenho 45 anos!&rsquo; Na realidade, n&atilde;o v&atilde;o morrer amanh&atilde;, pois n&atilde;o?&rdquo;<sup><a href="#5" name="top5">[5]</a></sup></blockquote>     <p>Pode de facto ser compreendido como um <i>screen</i> (ecr&atilde;), porque muitos atos de personifica&ccedil;&atilde;oseguem-se uns aos outros e s&atilde;o adaptados para produzir uma identidade adequada &agrave; situa&ccedil;&atilde;o. Se os piv&ocirc;s, as estrelas do mundo pop, as estrelas de cinema se dedicam a uma quase radical remodela&ccedil;&atilde;o do corpo, as pessoas comuns t&ecirc;m de seguir os seus ensinamentos e h&aacute;bitos para transformarem em espect&aacute;culo o seu eu. Neste processo, a corporalidade torna-se o sempre insuficiente lugar para uma <i>bricolage</i>, uma pe&ccedil;a tempor&aacute;ria da nossa presen&ccedil;a (Le Breton, 2008). N&atilde;o obstante, este corpo n&atilde;o &eacute; &ldquo;desenformado&rdquo;, ou ca&oacute;tico, para resumi-lo a um adjectivo mais adequado, poderia ser definido como &ldquo;instant&acirc;neo&rdquo;, uma materializa&ccedil;&atilde;o de uma l&oacute;gica escondida: a exibi&ccedil;&atilde;o do eu. Identifica&ccedil;&otilde;es epersonifica&ccedil;&atilde;o s&atilde;o ent&atilde;o aceleradas para criar um fluxo cont&iacute;nuo, adaptado &agrave; acelera&ccedil;&atilde;o das rotinas di&aacute;rias.</p>     <p>Uma vez que o sistema da moda sugere a forma como a nossa apar&ecirc;ncia deveria ser inovada, o nosso corpo participa no processo de inova&ccedil;&atilde;o, adquirindo os detalhes &ldquo;corretos&rdquo; gra&ccedil;as &agrave; maisrecente t&eacute;cnica corporal: um nariz pequeno conseguido atrav&eacute;s da cirurgia est&eacute;tica, um umbigo provocante gra&ccedil;as ao <i>piercing</i>, uma anca sensual <i>via</i> a tatuagem. Cada parte deveria ser exibida para materializar um corpo jovem, sedutor e meta-cultural. Os projectos do corpo est&atilde;o focalizados em atravessar o patamar do rejuvenescimento, para atingir o objectivo da erotiza&ccedil;&atilde;o ou decora&ccedil;&atilde;o para performances sexuais. O conhecimento impl&iacute;cito sobre o eu de apresenta&ccedil;&atilde;o &eacute; a capacidade de usar um tipo de corporalidade j&aacute; pronta, que pode conter todas as caracter&iacute;sticas do momento, mesmo que de forma contradit&oacute;ria.</p>     <p>Ainda que seja ambivalente, este modelo corporal n&atilde;o pode ser muito detalhado: tra&ccedil;os ex&oacute;ticos ou sub-culturais devem ser traduzidos em sugest&otilde;es mais cativantes e para serem absorvidos na moda dominante. Os utilizadores s&atilde;o de facto uma comunidade ampla e indiferenciada, que tem absorvido omodelo globalizado belo, bem-sucedido e jovem, enquanto se tornou dependente da informa&ccedil;&atilde;o e dasdefini&ccedil;&otilde;es legitimando os grupos dominantes (Wilson et al. 1995), porque:</p>     <blockquote>&ldquo;N&oacute;s precisamos de informa&ccedil;&atilde;o, observamo-los e guardamo-los, mas nunca nos perguntamos porqu&ecirc;, ou se eles s&atilde;o verdadeiros ou falsos.// N&oacute;s precisamos de fic&ccedil;&atilde;o&rdquo;.(T3)<sup><a href="#6" name="top6">[6]</a></sup></blockquote>     <p>Este modelo op&otilde;e-se ao <i>corpo monumental</i>, resultado de um processo de domestica&ccedil;&atilde;o, atrav&eacute;s do qual os indiv&iacute;duos aprendem a prestar aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s t&eacute;cnicas e aos procedimentos da personifica&ccedil;&atilde;o. Esta tipologia voluntarista &eacute; organizada e controlada pelos profissionais (cirurgi&otilde;es, tatuadores, <i>piercers</i>), para produzir uma individualidade disciplinada.</p>     <p>Atrav&eacute;s da etnografia nos est&uacute;dios de tatuagem e observando as interac&ccedil;&otilde;es na sala de espera dos hospitais e das cl&iacute;nicas, o corpo apareceu como um objectivo alcan&ccedil;&aacute;vel apenas se quatro caracter&iacute;sticas estiverem presentes no processo individual de modifica&ccedil;&atilde;o. &Eacute; caracterizado por ser <i>celular</i>, determinando a distribui&ccedil;&atilde;o espacial dos corpos; <i>org&acirc;nico,</i> assegurando que as actividades s&atilde;o &ldquo;naturais&rdquo; para os corpos; <i>gen&eacute;tico,</i> controlando a evolu&ccedil;&atilde;o da actividade; <i>combinat&oacute;rio</i>, combinando a for&ccedil;a de muitos corpos numa massa &uacute;nica. O resultado &eacute; uma corporalidade obtida ap&oacute;s uma selec&ccedil;&atilde;o de moldados e <i>habitus,</i> gra&ccedil;as &agrave; informa&ccedil;&atilde;o transmitida de profissionais a pacientes/ clientes para fornecerem um <i>know-how</i> experiente e para estimularem a auto-supervis&atilde;o e o comportamento auto-controlado.</p>     <p>As compet&ecirc;ncias b&aacute;sicas sobre a nossa anatomia, psicologia, reac&ccedil;&otilde;es &agrave; cirurgia e &agrave; medicina,ou tratamentos homeop&aacute;ticos s&atilde;o funcionais para desenvolver um conhecimento sobre o corpo como ele &eacute;, enquanto a vontade para aceitar os regimes corporais &eacute; uma forma de criar uma comunidade que considera a modifica&ccedil;&atilde;o do corpo como um compromisso s&eacute;rio e trabalha para isso voluntariamente.</p>     <p>Neste enquadramento, a rela&ccedil;&atilde;o com a dor n&atilde;o &eacute; a principal caracter&iacute;stica, mas ainda &eacute; uma presen&ccedil;a no trabalho para a personifica&ccedil;&atilde;o, basicamente influenciado por uma interpreta&ccedil;&atilde;o influenciada pelo g&eacute;nero, de acordo com a qual as mulheres t&ecirc;m mais experi&ecirc;ncia com a dor e s&atilde;o maisatra&iacute;das para pr&aacute;ticas dolorosas de domestica&ccedil;&atilde;o corporal. Adicionalmente, representa uma semelhan&ccedil;a significativa com pr&aacute;ticas mais comuns de modifica&ccedil;&atilde;o do corpo como a competi&ccedil;&atilde;o desportiva, na qual um indiv&iacute;duo tem de dominar o seu pr&oacute;prio corpo, os seus desejos e fraquezas, por forma a alcan&ccedil;ar o mais alto n&iacute;vel de <i>performance</i>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O conceito de <i>performance</i> &eacute; fundamental para a terceira tipologia corporal: o corpo <i>diferido</i>. Este modelo corporal ideal &eacute; parcialmente inspirado em inst&acirc;ncias sub-culturais, mas ao mesmo tempo est&aacute; distanciado do limite extremo dos <i>performers</i> do corpo e das modifica&ccedil;&otilde;es radicais que operam no corpo, que s&atilde;o consideradas desvios arriscados &ndash; e por vezes in&uacute;teis &ndash; do idioma do corpo. O gosto est&eacute;tico &eacute; representado como um tra&ccedil;o distintivo da cultura e do estilo de vida de cada um, assimtornando-se o objectivo dos profissionais que aspiram educar os seus clientes/pacientes no processo de personifica&ccedil;&atilde;o.</p>     <blockquote>&ldquo;O que eu tento fazer &eacute; encontrar uma forma melhor para os desejos do cliente, o que n&atilde;o significa alterar as ideias dele/dela, por vezes simplesmente chegam e n&atilde;o sabem que algopode feito de uma maneira diferente, de uma maneira que &eacute; adaptada ao seu gosto est&eacute;tico pessoal.&rdquo; (T4)<sup><a href="#7" name="top7">[7]</a></sup>.</blockquote>     <p>A materializa&ccedil;&atilde;o da identidade &eacute; assim baseada numa desconstru&ccedil;&atilde;o de representa&ccedil;&otilde;es culturais, mas ao mesmo tempo &eacute; constitu&iacute;da por s&iacute;mbolos e significados dispon&iacute;veis na vida quotidiana. Concorrendo a uma conce&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica de criatividade simb&oacute;lica (Willis, 1990), os indiv&iacute;duos est&atilde;o empenhados numa colabora&ccedil;&atilde;o para a re-interpreta&ccedil;&atilde;o de modelos corporais concebidos como sendodemasiado estereotipados e ao mesmo tempo &uacute;teis para uma actividade situada mais competente e mais compreens&iacute;vel. A semelhan&ccedil;a com a moda aqui &eacute; evidente, mas &eacute; fortemente rejeitada nas narrativas dos entrevistados, uma vez que representa uma for&ccedil;a homogeneizadora e enfraquecedora para o uso da nossa corporalidade.</p>     <p>O gosto pessoal &eacute; parcialmente interpretado numa perspectiva Bourdieusiana, sendo a express&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o de cada um e manifestando-se em h&aacute;bitos e maneiras corporais (Bourdieu, 1979); por outro lado, ele difere parcialmente, incluindo uma conce&ccedil;&atilde;o alargada de &ldquo;est&eacute;tico&rdquo; como atributo de express&otilde;es corporais sem conceitos, apoiado por estar fisicamente envolvido na experi&ecirc;ncia quotidiana (Maffesoli, 1990).</p>     <p>Uma &uacute;ltima tipologia &eacute; o resultado da chamada cultura de consumo, por conseguinte, design&aacute;-la-ei por <i>corpo consum&iacute;vel</i>. Nesta perspectiva, o corpo individual torna-se um suporte para qualquer tipode acess&oacute;rios de moda, tendo como objectivo exibir-se na interac&ccedil;&atilde;o. Podem ser encontradas semelhan&ccedil;as entre este tipo e o corpo ecr&atilde; (<i>screen</i>), se o lermos como um &ldquo;corpo em exposi&ccedil;&atilde;o&rdquo;, mas sendo diferente do primeiro modelo na medida em que a sua redu&ccedil;&atilde;o a uma mercadoria atrav&eacute;s das t&eacute;cnicas corporais &eacute; ainda mais importante do que a sua cont&iacute;nua metamorfose.</p>     <p>Atrav&eacute;s da mercantiliza&ccedil;&atilde;o, efectivamente qualquer caracter&iacute;stica pode ser comprada e vendida e a identidade ou a identidade de g&eacute;nero pode tornar-se parte deste processo, tal como vestidos ou implantes cir&uacute;rgicos, e pode atravessar as fonteiras das identidades nacionais. No mundo contempor&acirc;neo, de facto, o mercado material movimenta um fluxo de produtos de qualquer parte domundo para qualquer canto do planeta e o supermercado cultural global faz circular um fluxo deinforma&ccedil;&atilde;o e de identidades potenciais de um qualquer local para outro. Estas duas formas do mercado contribuem para construir um contexto no qual os indiv&iacute;duos podem localizar as suas narrativas e dar uma estrutura &agrave; sua modula&ccedil;&atilde;o de identidade (Mathews, 2000).</p>     <p>Teoricamente, qualquer um pode ter acesso &agrave;s t&eacute;cnicas para a manuten&ccedil;&atilde;o do corpo se o desejarfazer. Al&eacute;m do mais, o desejo do indiv&iacute;duo em ser suficientemente merit&oacute;rio para investir dinheiro na sua pr&oacute;pria melhoria e na apar&ecirc;ncia f&iacute;sica, como &eacute; sugerido pelos meios de comunica&ccedil;&atilde;ointernacionais, para se adequar ao contexto, pode ser traduzido na necessidade de apoiar qualquer tipo de produto. Os princ&iacute;pios desta teoria podem encontrar-se num cat&aacute;logo promovendo uma famosa cl&iacute;nica italiana de cirurgia est&eacute;tica</p>     <blockquote>Porque n&atilde;o entrar num vesti&aacute;rio e tentar qualquer tipo de fatos de banho sem ter de dizer &ldquo;este n&atilde;o, porque me faz gorda, nem este porque n&atilde;o me favorece, nem aquele porque n&atilde;o me esconde a barriga&rdquo;. Em vez disso, pense em como seria bom se pudesse dizer a si pr&oacute;prio/a &ldquo;Posso compr&aacute;-los todos porque o meu corpo adequa-se a qualquer modelo!&rdquo;Aquele saco de compras no seu bra&ccedil;o que cont&eacute;m um micro-biquini seria uma verdadeira conquista para que goste cada vez mais de si.<sup><a href="#8" name="top8">[8]</a></sup></blockquote>     <p>Estes princ&iacute;pios de personifica&ccedil;&atilde;o podem ser aplicados quer &agrave;s mulheres, quer aos homens, que aprenderam como um corpo bonito e bem cuidado &eacute; parte integrante de um ritual de socializa&ccedil;&atilde;o colectivo. A sociedade n&atilde;o imp&otilde;e qualquer uniforme, o corpo consum&iacute;vel torna-se o &uacute;nico uniformeque todos podem usar enquanto cuidam das suas apar&ecirc;ncias. N&atilde;o &eacute; requerida qualquer caracter&iacute;stica t&iacute;pica para esta actividade, apenas a solicitude em substituir as caracter&iacute;sticas pessoais de cada um por caracter&iacute;sticas mais funcionais. Tal como qualquer tipo de produto, o corpo consum&iacute;vel subscreve a nossa identidade e as compet&ecirc;ncias de g&eacute;nero.</p>     <p><b>7. Rumo a uma personifica&ccedil;&atilde;o mais reflexiva?</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As fontes que fornecem informa&ccedil;&atilde;o sobre o que deveria ser entendido como socialmente &uacute;til s&atilde;o muitas hoje em dia, que v&atilde;o desde a fam&iacute;lia aos meios de comunica&ccedil;&atilde;o internacionais, do grupo depares &agrave; cultura de consumo, da arte corporal &agrave; moda, da ci&ecirc;ncia &agrave; sa&uacute;de. O que &eacute; comum a estasdiferentes fontes &eacute; a participa&ccedil;&atilde;o num processo de produ&ccedil;&atilde;o de uma est&eacute;tica do corpo, que deriva de um sistema t&iacute;pico de cinema: &eacute; extremo na medida em que quer parecer provocante, preciso ecalculado e torna o corpo o mais bonito objecto de consumo (Vigarello, 2003). Estes esquemas deconduta, implicados nas pr&aacute;ticas de modifica&ccedil;&atilde;o corporal est&atilde;o longe de serem neutros e inofensivos, uma vez que participam na tarefa di&aacute;ria desempenhada por homens e mulheres: preservar a ordem social espec&iacute;fica (Goffman, 1979). A for&ccedil;a e durabilidade desta ordem n&atilde;o resulta do facto de ser verdade ou evidente, mas por nunca ser questionada, nunca ser discutida e ser sempre tomada como um dado adquirido, como parte da realidade da situa&ccedil;&atilde;o (Garfinkel, 1967).</p>     <p>Uma vez que &eacute; o resultado de uma s&eacute;rie de procedimentos de questionamento, de procura de respostas, de indaga&ccedil;&otilde;es &ndash; e n&atilde;o apenas da manipula&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o &ndash; o esquema atrav&eacute;s do qual interpretamos e materializamos o nosso eu depende das t&eacute;cnicas fornecidas pela sociedade aos seus membros. Nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, o trabalho realizado nas interac&ccedil;&otilde;es face a face tem envolvido o trabalho corporal de forma crescente (Turner, 1984) e a gama de t&eacute;cnicas corporais tem sido alargada, bem como o grupo de pessoas que recorre &agrave; tatuagem, &agrave; cirurgia est&eacute;tica e ao piercing, para incrementar a sua pr&oacute;pria performance social. A moda deu um forte impulso a este processo e definiuas formas atrav&eacute;s das quais o nosso corpo deve ser concebido: um objecto que exprime a nossaidentidade e que deveria ser regularmente (ou melhor, o mais depressa poss&iacute;vel) inovada.</p>     <p>Ap&oacute;s os modelos ilustrados anteriormente, um &uacute;ltimo modelo emergiu nos relatos das pessoas entrevistadas. Aparece como uma abstrac&ccedil;&atilde;o, em contraste com as quatro tipologias mencionadas e com os ditames da moda. Parece transversal a todas elas e ser&aacute; designado por o corpo <i>convivial</i>, umaidentidade alcan&ccedil;ada atrav&eacute;s de uma comunica&ccedil;&atilde;o menos funcional e mais reflexiva do nosso eu na vida quotidiana.</p>     <blockquote>&ldquo;N&atilde;o se trata fazer uma ou outra coisa. &Eacute; uma quest&atilde;o de analisar algo que esteja aacontecer, de aprender como o corpo se cura e reage e como muda. &Eacute; uma disciplina que pode fazer acontecer na sua vida e que pode mudar a sua forma de ser&rdquo;. (S2)<sup><a href="#9" name="top9">[9]</a></sup></blockquote>     <p>&Eacute; um feito permitido pelo abrandamento e pela redu&ccedil;&atilde;o do impacto das representa&ccedil;&otilde;es, mais do que pela sele&ccedil;&atilde;o entre as in&uacute;meras sugest&otilde;es transmitidas pelos meios de comunica&ccedil;&atilde;o, nem seguindo a l&oacute;gica da disciplina, nem cultivando a peculiaridade do gosto.</p>     <blockquote>&ldquo;Tento persuadir as pessoas de que n&atilde;o deveriam andar numa correria, n&atilde;o se deveriam for&ccedil;ar a fazer coisas, h&aacute; limites naturais que deveriam ser respeitados, o tempo, deve serpaciente, estar atento, observar o que acontece ao corpo, compreender e reflectir sobre tudo.&rdquo; (P3)<sup><a href="#10" name="top10">[10]</a></sup></blockquote>     <p>Na opini&atilde;o dos entrevistados, este &uacute;ltimo modelo implica uma rela&ccedil;&atilde;o mais consciente com o corpo e encontra muitos obst&aacute;culos que variam entre a educa&ccedil;&atilde;o, que reduziu a responsabilidade pessoal a uma fantochada, at&eacute; &agrave; descoberta da dor, que se tornou um problema f&iacute;sico evit&aacute;vel; desde a cultura de consumo, cuja import&acirc;ncia excessiva reduz os desejos e imp&otilde;e as imagens estereotipadasrelacionadas com elas, com o nosso cuidado pessoal, cujo condicionamento mec&acirc;nico pode terminar numa mera domestica&ccedil;&atilde;o do gosto est&eacute;tico das massas. Para ter sucesso nesta tarefa, a influ&ecirc;ncia das imagens deveria ser redefinida e enfraquecida atrav&eacute;s de uma reflex&atilde;o sobre os nossos desejos. Esta tipologia produz mais quest&otilde;es do que respostas, uma vez que aparece como um modelo de personifica&ccedil;&atilde;o reflexiva, procurando um significado num cen&aacute;rio crescentemente saturado com modelos objetificados, finamente gravados e capazes de se imporem atrav&eacute;s da ilus&atilde;o da auto-express&atilde;o competente.</p>     <p>Apesar da identidade ser compreendida como o resultado de um trabalho destinado a mover-se dialecticamente entre a auto narra&ccedil;&atilde;o e o uso de um c&oacute;digo comum de personifica&ccedil;&atilde;o, criando uma auto narra&ccedil;&atilde;o compreens&iacute;vel, parece ser o problema mais urgente influenciando as pr&aacute;ticas de modifica&ccedil;&atilde;o e orientando-as para materializa&ccedil;&otilde;es de tipologias corporais estetizadas, mais do que subversivas. A tradi&ccedil;&atilde;o da moda em It&aacute;lia tem ajudado a produzir um modelo de auto-representa&ccedil;&atilde;o que &eacute; fortemente dependente de defini&ccedil;&otilde;es dominantes de apar&ecirc;ncia corporal e ainda relutante a grandes inova&ccedil;&otilde;es, at&eacute; ao ponto em que a moda pode, de certa forma, parecer conservadora (Mora, 2009). Esta tradi&ccedil;&atilde;o parece ter influenciado as pr&aacute;ticas corporais e fomentado modelos corporais que est&atilde;o em sintonia com asrepresenta&ccedil;&otilde;es nas imagens de moda. Um esfor&ccedil;o em manter uma certa dist&acirc;ncia destes tipos aparece hoje apenas como um comportamento exclusivo. &Eacute; um trabalho lento sobre a reflexividade, desempenhado por profissionais nos seus est&uacute;dios e consult&oacute;rios, mas pode conduzir a performances de identidade como realiza&ccedil;&otilde;es de pr&aacute;ticas de personifica&ccedil;&atilde;o mais cr&iacute;ticas e respons&aacute;veis. Esta perspectiva diferente parece abandonar a interpreta&ccedil;&atilde;o da moda como uma mera prolifera&ccedil;&atilde;o de estilos (Polhemus, 1998; 2004), a favor de uma maneira diferente de entrar no seu espa&ccedil;o simb&oacute;lico, focado num projecto corporal duradouro e numa capacidade incrementada de pedir melhores resultados. Supervisionar as formas atrav&eacute;s das quais este processo est&aacute; a ser desenvolvido pode ser um recurso &uacute;til tamb&eacute;m para o pr&oacute;prio sistema da moda que est&aacute; a passar por um processo de transforma&ccedil;&atilde;o, quer nas suas dimens&otilde;es materiais, quer simb&oacute;licas.     <p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <p>Adams, J. (2009) &ldquo;Bodies of Change: A Comparative Analysis of Media Representations of Body Modification Practices<i>&rdquo;</i>, <i>Sociological Perspectives</i>, Vol. 52, No. 1: 103-129.</p>     <!-- ref --><p>Baudrillard, J. (1979) <i>De la S&eacute;duction</i>, Paris : Galil&eacute;e.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2028018&pid=S2183-3575201300020000200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Barthes, R. (1982) <i>&ldquo;Encore le Corps Critique&rdquo;</i>, nn. 423-424.</p>     <!-- ref --><p>Bordo, S. (1993) <i>Unbearable Weight. Feminism, Western Culture and the Body</i>, Berkeley: University of California Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2028021&pid=S2183-3575201300020000200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Bourdieu P. (1979) <i>La Distinction. Critique Social duJjugemen</i>t, Paris: Minuit.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2028023&pid=S2183-3575201300020000200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Butler, J. (1990) <i>Gender Troubles. Feminism and the Subversion of Identity</i> Routledge: New York.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2028025&pid=S2183-3575201300020000200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Butler, J. (2003) <i>Bodies that Matter. On the Discursive Limits of Sex</i>, New York: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2028027&pid=S2183-3575201300020000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Codeluppi, V. (1995) &ldquo;Il Corpo Flusso. La Moda al di l&agrave; del Narcisismo&rdquo;, in Ceriani G. and Grandi R. (eds.), <i>Moda: Regole e Rappresentazioni. Il Cambiamento, il Sistema, la Comunicazione</i>, Milan: FrancoAngeli, Milan, pp. 82-90.</p>     <!-- ref --><p>Corbin, A., Courtine, J.-J, de Baecque A. e Vigarello, G. (2008) (eds.) <i>Histoire du Corps. III - Les Mutations du Regard. Le XXe si&egrave;cle</i>, Paris: Seuil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2028030&pid=S2183-3575201300020000200009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Crane, D. (2000) <i>Fashion and its Social Agendas: Class, Gender, and Identity in Clothing</i>, Chicago/London: Chicago Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2028032&pid=S2183-3575201300020000200010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Davis, K. (2002) &ldquo;&lsquo;A Dubious Equality&rsquo;: Men, Women and Cosmetic Surgery&rdquo;, <i>Body and Society</i>, 8,1: 49-65. </p>     <!-- ref --><p>Davis, K. (1995) <i>Reshaping the Female Body: The Dilemma of Cosmetic Surger</i>y, London: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2028035&pid=S2183-3575201300020000200012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Entwistle. J. (2000) &lsquo;&rsquo;The Fashioned Body&rsquo;&rsquo; in Entwistle J. and Wilson E. (2001) <i>Body Dressing</i>, Oxford: Berg, pp. 33-58.</p>     <p>Diaz, Soloaga P.; Mu&ntilde;iz, Muriel C. (2008) &ldquo;Women Stereotypes Portrayed in Print Ads by Luxury Fashion Brands. A Content Analysis from 2002 to 2005&rdquo;, <i>Observatorio (OBS*) Journal</i>, 4: 291-305.</i></p>      <!-- ref --><p>Douglas, M.; Isherwood, B. (1979) <i>The World of Goods: Towards an Anthropology of Consumption</i>, New York: Basic Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2028039&pid=S2183-3575201300020000200015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Evans, C.; Thornton, M. (1991) &ldquo;Fashion, Representation, Femininity&rdquo;, <i>Feminist Review</i>, No. 38: 48-66.</p>     <!-- ref --><p>Featherstone, M. (2000) (ed.) <i>Body Modification</i>, London: Sage.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2028042&pid=S2183-3575201300020000200017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Featherstone, M.; Hepworth. M.; Turner, B. (1991) <i>The Body: Social Process and Cultural Theory</i>, Thousand Oaks/London/New Delhi: Sage.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2028044&pid=S2183-3575201300020000200018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Fox, Keller E. (1989) &ldquo;Holding the Centre of Feminist Theory&rdquo;, <i>Women Studies&rsquo; International Forum</i>, 12, 3: 313-318.</p>     <!-- ref --><p>Garfinkel, H., (1967) <i>Studies in Ethnomethodology</i>, Englewood Cliffs, Prentice Hall.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2028047&pid=S2183-3575201300020000200020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Goffman, E. (1963) <i>Behavior in Public Places: Notes on the Social Rrganization of Gatherings</i>, New York: Free Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2028049&pid=S2183-3575201300020000200021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Goffman, E. (1979) <i>Gender Advertisement</i>, Cambridge: Harvard University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2028051&pid=S2183-3575201300020000200022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Howson, A. (2005) <i>Embodying Gender</i>, London/Thousand Oaks/New Delhi: Sage.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2028053&pid=S2183-3575201300020000200023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p>Irigaray, L. (1977) <i>Ce Sexe qui n&rsquo;Est pas Un</i>, Paris: Minuit.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Le Breton, D. (2002) <i>Signes d&rsquo;Identit&eacute;. Tatouage, Piercing et autres Marques Corporelles</i>, Paris : M&eacute;taili&eacute;.</p>     <!-- ref --><p>Le Breton, D. (2008) <i>Anthropologie du Corps et Modernit&eacute;</i>, Paris : PUF.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2028057&pid=S2183-3575201300020000200026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Leveratto, J.M. (2006) &ldquo;Lire Mauss. L&rsquo;Authentification des Techniques du Corps et ses Enjeux &Eacute;pist&eacute;mologiques&rdquo;, <i>Le Portique</i>, 17: 6-17.</p>     <!-- ref --><p>Maffesoli M. (1990) <i>Au Creux des Apparences</i>, Paris: Plon.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2028060&pid=S2183-3575201300020000200028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Materassi L., (2010) &lsquo;&rsquo;Life Style Magazines: Immaginari al Maschile&rsquo;&rsquo; in Mora E. (ed.) <i>Geografie della Moda</i>, Milan: Franco Angeli, pp. 50-61.</p>     <!-- ref --><p>Mathews, G. (2000) <i>Global Culture/Individual Identity: Searching for Home in the Cultural Supermarket</i>, London/New York: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2028063&pid=S2183-3575201300020000200030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Mauss, M. (1950) &ldquo;Les Techniques du Corps&rdquo;, <i>Sociologie et anthropologie</i>, Paris: PUF, pp. 365-386. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Merleau-Ponty, M. (1945) <i>Ph&eacute;nomenologie de la Perception</i>, Paris: Gallimard.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2028066&pid=S2183-3575201300020000200032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Mora, E.(2009) <i>Fare Moda. Esperienze di Produzione e Consumo</i>, Milan: Bruno Mondadori.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2028068&pid=S2183-3575201300020000200033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Oakley, A. (1976) <i>Sex, Gender and Society</i>, London: Gower.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2028070&pid=S2183-3575201300020000200034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Ory P. (2008) &ldquo;Le Corps Ordinaire&rdquo; in Corbin A.,Courtine J.-J, de Baecque A. e Vigarello G. (eds.), <i>Histoire du Corps. III - Les Mutations du Regard. Le XX</i>e <i>si&egrave;cle</i>, Paris: Seuil, pp. 129-161.</p>     <!-- ref --><p>Pietropolli, Charmet G.; Marcazzan, A. (2000) <i>Piercing e Tatuaggio. Manipolazioni del Corpo in Adolescenza</i>, Milan: FrancoAngeli.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2028073&pid=S2183-3575201300020000200036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Polhemus, T. (1998) &ldquo;In the supermarket of style&rdquo; in Redhead S. (a cura di) <i>The Clubcultures Reader: Readings in Popular Cultural studies</i>, Oxford: Blackwell.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Polhemus, T. (2004) <i>Hot Bodies, Cool Styles. New Techniques in Self-Adornement</i>, London: Thames &amp; Hudson.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2028076&pid=S2183-3575201300020000200038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p>Robin, A. (2005) <i>Pour une Sociologie du &ldquo;Beau Sexe Fort&rdquo;</i>, Paris : L&rsquo;Harmattan.</p>     <p>Ruggerone, L. (2006) &ldquo;The Simulated (Fictitious) Body: The Production of Women&rsquo;s Images in Fashion Advertisement&rdquo;, <i>Poetics</i>, 6, 34: 354 - 369.</p>     <!-- ref --><p>Shilling, C. (2003) <i>The Body and Social Theory</i>, London: Sage.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2028080&pid=S2183-3575201300020000200041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Simmel, G. (1904) &ldquo;Fashion<i>&rdquo;, International Quarterly</i>, 1904, X, 1: 130-155.</p>     <p>Simmons, R. G.; Blyth, D. A.; McKinney, K. L. (1983) &ldquo;The Social and Psychological Effects of Puberty on White Females&rdquo; in Brooks-Gunn J. and Petersen, AC <i>Girls at Puberty: Biological and Psychological Perspectives,</i> New York: Plenum.</p>     <!-- ref --><p>Stagi L. (2008) <i>Anticorpi. Dieta, Fitness e Altre Prigioni</i>, Milan: FrancoAngeli.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2028084&pid=S2183-3575201300020000200044&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Steele V. (1985) <i>Fashion and Eroticism: Ideals of Feminine Beauty from the Victorian Era to the Jazz Age</i>, Oxford: Oxford University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2028086&pid=S2183-3575201300020000200045&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Stella, R. (1998) <i>Prendere Corpo: L&rsquo;Evoluzione del Paradigma Corporeo in Sociologia</i>, Milan: FrancoAngeli.</p>     <p>Travaillot, Y. (1998) <i>La Sociologie des Pratiques d&rsquo;Entretiens du Corps</i>, Paris: PUF.</p>     <!-- ref --><p>Turner, B.S. (1985) <i>The Body and Society</i>, Oxford: Basil Blackwell.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2028090&pid=S2183-3575201300020000200048&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Vigarello, G. (2003) <i>Histoire de la Beaut&eacute;. Le Corps et l&rsquo;Art d&rsquo;Embellir de la Renaissance &agrave; nos Jour</i>, Paris: Seuil.</p>     <!-- ref --><p>Weber, M. (1904) &laquo;Die Objektivit&auml;t Sozialwissenschaftlicher und Sozialpolitischer Erkenntnis&raquo; <i>Archiv f&uuml;r Sozialwissenschaft und Sozialpolitik</i> XIX : 22-87.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2028093&pid=S2183-3575201300020000200050&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Willis, P. (1990) &ldquo;Symbolic Creativity&rdquo; in Willis, P. <i>Common Culture. Symbolic Work at Play in the Everyday Cultures of the Young</i>, Milton Keynes: Open University Press.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Wilson, C.C.; Gutierrez F.; Chao, L.M. (2003) <i>Racism, Sexism and the Media: The Rise of Class Communication in Multicultural America</i>, Thousand Oaks/London/New Delhi: Sage.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2028096&pid=S2183-3575201300020000200052&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Wilson, E. (1985) <i>Adorned in Dreams: Fashion and Modernity</i>, London: Tauris.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2028098&pid=S2183-3575201300020000200053&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Wolf, N. (1991) <i>The Beauty Myth. How Images of Beauty are used Against Women</i>, New York: Bantham Doubleday.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2028100&pid=S2183-3575201300020000200054&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Wykes, M.; Gunter, B. (2005) <i>The Media and Body Image</i>, London/Thousand Oaks/New Delhi: Sage.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2028102&pid=S2183-3575201300020000200055&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Traduzido por Jo&atilde;o Paulo Abreu Silva.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Notas</b></p>     <p><sup><a href="#top1" name="1">[1]</a></sup> A pesquisa foi realizada adotando uma metodologia qualitativa (1 m&ecirc;s de observa&ccedil;&atilde;o participante em est&uacute;dios de tatuagem e 20 entrevistas aprofundadas a tatuadores profissionais, <i>piercers</i>, cirurgi&otilde;es e utilizadores comuns das pr&aacute;ticas corporais selecionadas), os corpos modificados s&atilde;o investigados como um patamar entre a passagem individual para a diferencia&ccedil;&atilde;o e a necessidade comum de perten&ccedil;a a uma comunidade.</p>     <p><sup><a href="#top2" name="2">[2]</a></sup> (CH1) refere-se &agrave; cirurgia, primeira entrevista. Neste caso particular, o entrevistado &eacute; um cirurgi&atilde;o italiano de 50 anos.</p>     <p><sup><a href="#top3" name="3">[3]</a></sup> A primeira tem sido adotada para investigar pr&aacute;ticas tomadas como adquiridas durante um m&ecirc;s de trabalho de campo num est&uacute;dio de tatuagem e de piercingem Estrasburgo (FR), 8 observa&ccedil;&otilde;es participantes de um dia em lojas selecionadas de tatuagem em Mil&atilde;o e no interior e por ocasi&atilde;o da Conven&ccedil;&atilde;o Anual de Tatuagem de Mil&atilde;o em 2008. Este trabalho de campo tem implementado a compreens&atilde;o do processo atrav&eacute;s do qual os indiv&iacute;duos atribuem um significado &agrave;spr&aacute;ticas de auto-modifica&ccedil;&atilde;o. O segundo focou 4 t&eacute;cnicas diferentes: a tatuagem, a escarifica&ccedil;&atilde;o, o piercing e a cirurgia est&eacute;tica. Os entrevistados (12 mulheres; 16 homens) foram selecionados entre tr&ecirc;s categorias de profissionais : cirurgi&otilde;es, tatuadores, piercers e v&aacute;rias diferentes tipologias &ndash; relativas &agrave; idade e &agrave;atividade &ndash; de utilizadores comuns (Clientes/pacientes): estudantes, gerentes, jornalistas <i>free-lance</i>, empregadores, trabalhadores na ind&uacute;stria mec&acirc;nica (<i>ver Tab.1</i>), para fornecer uma amostra variada e eficaz.</p>     <p><sup><a href="#top4" name="4">[4]</a></sup> A reflex&atilde;o feminista sobre o g&eacute;nero efetivamente reconheceu a import&acirc;ncia de tematizar este aspeto e tem assinalado uma rela&ccedil;&atilde;o entre as pr&aacute;ticas de pesquisa e a possibilidade de desenvolver pr&aacute;ticas sociais adequadas (Oakley 1981; Fox Keller 1989).</p>     <p><sup><a href="#top5" name="5">[5]</a></sup> (T5) refere-se &agrave; tatuagem, quinta entrevista. Neste caso particular a entrevistada &eacute; uma mulher de 45 anos, tatuadora profissional.</p>     <p><sup><a href="#top6" name="6">[6]</a></sup> (T3) refere-se &agrave; tatuagem, terceira entrevista. Neste caso trata-se de um italiano de 30 anos, , utilizador e trabalhador na ind&uacute;stria mec&acirc;nica.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top7" name="7">[7]</a></sup> (T4) quarta entrevista, tatuagem, mulher de 30 anos, tatuadora profissional.</p>     <p><sup><a href="#top8" name="8">[8]</a></sup> Cfr. <a href="http://www.laclinique.it/" target="_blank">www.laclinique.it</a>, 29/08/2010.</p>     <p><sup><a href="#top9" name="9">[9]</a></sup> (S2) refere-se &agrave; escarifica&ccedil;&atilde;o, segunda entrevista. Neste caso, trata-se de um homem de 35 anos, <i>piercer</i> franc&ecirc;s, especializado na pr&aacute;tica da escarifica&ccedil;&atilde;o</p>     <p><sup><a href="#top10" name="10">[10]</a></sup> (P3) refere-se ao piercing, terceira entrevista. Aqui trata-se de um italiano de 36 anos, <i>piercer</i> especializado em diferentes t&eacute;cnicas de modifica&ccedil;&atilde;o corporal.</p> </i>     ]]></body><back>
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