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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Lançando a moda: o discurso das revistas]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This essay discusses the production and discourse of fashion magazines, or glossies, which are an integral part of the ‘fashion system'. As intermediaries between producers and consuming public, the glossies' main purpose is to propose: to make proposals about what in particular makes the latest clothes ‘fashion'; about what the latest trends are likely to be; about the importance of the names behind them; about reasons why fashion should be important in readers' lives; and about where the clothes themselves may be purchased. Such proposals legitimize fashion and the fashion world in cultural - and commercial - terms. The glossies make meaningful connections between things that seem to be essentially independent; they give them social lives by creating an imaginary world about them; and they provide historical and aesthetic order in a world whose products, by their very seasonality and potentially chaotic quantity, are likely to go unnoticed. Fashion magazines represent the fashions shown in the catwalk collections. In so doing, they create ‘a discourse of fashion' whose key evaluative terms are used by different people across time and space to mark out and contest semantic territory in which local cultural preferences engage with globalizing norms of fashion taste.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Sistema da moda]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>CORPOS, IDENTIDADE, MODA, SUSTENTATIBILIDADE E MERCADO</b></p>     <p><b>Lan&ccedil;ando a moda: o discurso das revistas</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Proposing Fashion: The Discourse of Glossy Magazines</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Brian Moeran*</b>    <br>     <p>*Copenhagen Business School, Dinamarca.</p>     <p><a href="mailto:bdm.ikl@cbs.dk">bdm.ikl@cbs.dk</a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>No presente artigo discute-se a produ&ccedil;&atilde;o e o discurso das revistas de moda, que constituem parte integrante do &ldquo;sistema da moda&rdquo;. Enquanto intermedi&aacute;rias entre os fabricantes e os consumidores, estas revistas t&ecirc;m por principal objetivo: apresentarpropostas sobre as pe&ccedil;as de vestu&aacute;rio que est&atilde;o na moda; sobre quais ser&atilde;o as &uacute;ltimas tend&ecirc;ncias; sobre a import&acirc;ncia dos nomes que ostentam; sobre os motivos pelos quais a moda deve ocupar um lugar importante nas vidas das leitoras; e sobre os locais ondese pode comprar o vestu&aacute;rio publicitado. Estas propostas conferem legitimidade &agrave; moda e ao mundo da moda em termos culturais e comerciais. As revistas estabelecem rela&ccedil;&otilde;es significativas entre coisas que aparentam ser independentes na sua ess&ecirc;ncia; d&atilde;o-lhes vida social, criando um mundo imagin&aacute;rio sobre elas; e imp&otilde;em ordem, quer hist&oacute;rica quer esteticamente, num mundo cujosprodutos provavelmente passam despercebidos, devido &agrave; sua natureza sazonal e quantidade potencialmente ca&oacute;tica. As revistas de moda apresentam as tend&ecirc;ncias que fazem parte das cole&ccedil;&otilde;es mostradas nas passarelas. Ao faz&ecirc;-lo, criam um &ldquo;discurso da moda&rdquo; cujos termos avaliativos s&atilde;o usados por diferentes pessoas, em tempos e espa&ccedil;os distintos, para demarcar e contestar um territ&oacute;rio sem&acirc;ntico em que as prefer&ecirc;ncias culturais de &acirc;mbito local interagem com as normas globalizantes do sentido de moda.</p>     <p><b>Palavras-chave</b>: Sistema da moda, revistas de moda, linguagem avaliativa, sentido de moda, Jap&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This essay discusses the production and discourse of fashion magazines, or glossies, which are an integral part of the &lsquo;fashion system&rsquo;. As intermediaries between producers and consuming public, the glossies&rsquo; main purpose is to propose: to make proposals about what in particular makes the latest clothes &lsquo;fashion&rsquo;; about what the latest trends are likely to be; about the importance of the names behind them; about reasons why fashion should be important in readers&rsquo; lives; and about where the clothes themselves may be purchased. Such proposals legitimize fashion and the fashion world in cultural &ndash; and commercial &ndash; terms.    <br>   The glossies make meaningful connections between things that seem to be essentially independent; they give them social lives by creating an imaginary world about them; and they provide historical and aesthetic order in a world whose products, by their very seasonality and potentially chaotic quantity, are likely to go unnoticed. Fashion magazines represent the fashions shown in the catwalk collections. In so doing, they create &lsquo;a discourse of fashion&rsquo; whose key evaluative terms are used by different people across time and space to mark out and contest semantic territory in which local cultural preferences engage with globalizing norms of fashion taste.</p>     <p><b>Keywords</b>: Fashion System, Fashion Magazines, Evaluative Language, Fashion Taste, Japan.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. O embara&ccedil;o da escolha</b></p>     <p><i>First look at spring</i>,<sup><a href="#1" name="top1">[1]</a></sup> <i>Fashion&rsquo;s hottest summer shade</i>, <sup><a href="#2" name="top2">[2]</a></sup> Autumn&rsquo;s key look,<sup><a href="#3" name="top3">[3]</a></sup> e <i>Your style this winter</i><sup><a href="#4" name="top4">[4]</a></sup> os t&iacute;tulos das revistas guiam-nos atrav&eacute;s das esta&ccedil;&otilde;es da natureza e da ind&uacute;stria da moda, com os seus <i>best buys</i>, <i>new looks</i> e <i>must-haves</i>. Nestas revistas vemos <i>lingerie</i> arrojada, <i>T-shirts</i> assim&eacute;tricas, blusas leves, <i>jeans</i> desgastados, os cl&aacute;ssicos <i>Le Smoking</i>, roupa de noite deslumbrante, vestidos vers&aacute;teis com corte adireito, outros com efeito amarrotado, casacos elegantes, saias femininas, vestidos de noite requintados, corpetes intricados, casacos luxuosos, cal&ccedil;as ao estilo masculino, cal&ccedil;&otilde;es ultracurtos, fatos provocantes, <i>tops</i>esculturais, simples <i>smocks</i>, malhas suaves, <i>bodies</i> sofisticados e <i>smokings</i> feitos &agrave; medida. Estas pe&ccedil;as s&atilde;o feitas de tecidos di&aacute;fanos, que proporcionam uma sensa&ccedil;&atilde;o agrad&aacute;vel &agrave; pele. O efeito enrugado do algod&atilde;o, a delicadeza da renda, a frivolidade do <i>chiffon</i>, a ousadia da ganga, a luxuosidade do veludo, o toque macio da camur&ccedil;a, a sensualidade da seda, o requinte do cetim, a suavidade das malhas e a textura do linho &ndash; tudo isto contribui para enriquecer o detalhe: acabamentos <i>vintage</i>, colarinhos ousados, finos <i>smockings</i>, plissados delicados, mangas dram&aacute;ticas, folhos elaborados, enfeites extravagantes, franzidos exc&ecirc;ntricos, bordados refinados, <i>tops</i> drapeados, al&ccedil;as s&oacute;brias, pregas primorosas e fechos estrat&eacute;gicos. A estas pe&ccedil;as s&atilde;oacrescentados acess&oacute;rios simples ou exuberantes, incluindo berloques diversos, pulseiras arrojadas, la&ccedil;os ao pesco&ccedil;o, cintos pr&aacute;ticos, elegantes saltos agulha, sand&aacute;lias seletas, malas <i>statement</i> e sapatos sedutores.<sup><a href="#5" name="top5">[5]</a></sup> As revistas dizem-nos onde encontrar os 5 <i>must-haves</i> da primavera, 12 <i>looks</i> de ver&atilde;o perfeitos, 36 visuais quevamos adorar, 49 fatos de banho que vamos querer comprar agora, os 50 melhores sapatos e malas desteoutono, o dicion&aacute;rio de 52 p&aacute;ginas de marcas parisienses, 88 artigos para o ver&atilde;o, 96 achados para o inverno/meia-esta&ccedil;&atilde;o, as 100 melhores compras, 101 pechinchas, 105 <i>looks</i> casuais que vamos poder usar em qualquer ocasi&atilde;o, 120 p&aacute;ginas de &uacute;ltimas tend&ecirc;ncias, 138 pe&ccedil;as que v&atilde;o compor o nosso visual, 200 novos <i>looks</i>, 257 objetos de desejo, 394 formas inteligentes de parecer <i>sexy</i> e as 498 melhores compras <i>fashion</i>. &Eacute;certo que tudo pode ajudar a estar na moda mas certamente que haver&aacute; algures uma &ldquo;linha t&eacute;nue entre estar deslumbrante e ficar parecida com um <i>Womble</i>.&rdquo;<sup><a href="#6" name="top6">[6]</a></sup> Tendo em conta que &ldquo;a ess&ecirc;ncia da moda reside num processo de mudan&ccedil;a&rdquo; (Blumer, 1969: 278), onde colocamos essa divis&oacute;ria? Se &ldquo;moda&rdquo; significa &ldquo;estar na moda&rdquo; (Blumer, 1969: 280), ent&atilde;o tudo o que podemos fazer &eacute; escolher &agrave; nossa vontade e esperar que as coisas corram pelo melhor.</p>     <p>A cada nova esta&ccedil;&atilde;o as leitoras de revistas de moda deparam-se com um dilema c&iacute;clico. Que pe&ccedil;as lhes permitem uma transi&ccedil;&atilde;o f&aacute;cil do dia para a noite, tornando o visual mais sofisticado ou simples de acordo coma hora, o local e a ocasi&atilde;o (aquilo a que os Japoneses chamam TPO), &agrave; medida que o tempo aquece ou arrefece:<sup><a href="#7" name="top7">[7]</a></sup> <i>Suit of the season: seven days, seven ways</i>;<sup><a href="#8" name="top8">[8]</a></sup> <i>Evening Essentials</i>; <i>Workwear now</i>; e <i>It&rsquo;s time to party so Make the new looks work for you</i>.<sup><a href="#9" name="top9">[9]</a></sup> Como conseguir, sem esfor&ccedil;o, a t&atilde;o-desejada transi&ccedil;&atilde;o do &ldquo;cl&aacute;ssico moderno&rdquo; para o &ldquo;<i>chic</i> citadino&rdquo;, ao mesmo tempo renovando o guarda-roupa, valorizando os seus atributos e tirando o m&aacute;ximo partido do visual? Se, por um lado, as revistas garantem que se pode &ldquo;escolher umestilo pessoal &agrave; la carte&rdquo;, &ldquo;indo buscar uma ideia aqui e outra acol&aacute; em vez de adotar um <i>look</i> j&aacute; completo&rdquo;,<sup><a href="#10" name="top10">[10]</a></sup> por outro lado, tamb&eacute;m d&atilde;o indica&ccedil;&otilde;es sobre os principais <i>looks</i> da primavera ou do outono e sobre oque est&aacute; ou n&atilde;o na moda, para que n&atilde;o nos afastemos da tend&ecirc;ncia da esta&ccedil;&atilde;o. Ol&aacute; fatos de cal&ccedil;a e casaco, sapatos de salto cone e vestidos fluidos. Adeus fatos largos, saltos compensados e vestidos a direito. E caso n&atilde;o saiba quando deve dizer ol&aacute; e adeus &agrave;s suas roupas, h&aacute; sempre uma dica &uacute;til para ajudar a lidar com aaparente arbitrariedade destas mudan&ccedil;as. As revistas dizem-nos que cada pe&ccedil;a tem a sua fun&ccedil;&atilde;o. O vestidofluido esconde as ancas e alisa a barriga; o <i>blazer</i> disfar&ccedil;a um peito grande e d&aacute; a ilus&atilde;o de umaapar&ecirc;ncia mais esbelta, enquanto as cal&ccedil;as com aberturas laterais escondem o peito, chamando a aten&ccedil;&atilde;o para umaspernas bem torneadas.<sup><a href="#11" name="top11">[11]</a></sup> Quanto aos &ldquo;<i>pumps</i>&rdquo; (bombas) &ndash; os sapatos originalmente rasos e sem presilhas que foram moda em 1555 &ndash; talvez o som que emitem ao andar seja parecido com o de um &ldquo;aparelho para bombear l&iacute;quido ou ar&rdquo;. Seja como for, esta esta&ccedil;&atilde;o deve ter ares de salto compensado e n&atilde;o cone.</p>     <p><b>2. As duas faces da moda</b></p>     <p>As revistas e outras publica&ccedil;&otilde;es da imprensa da moda s&atilde;o parte integrante daquilo que Fred Davis denominou &ldquo;sistema da moda&rdquo;, i.e. &ldquo;pr&aacute;ticas mais ou menos estabelecidas do complexo conjunto de institui&ccedil;&otilde;es (<i>design</i>, exposi&ccedil;&atilde;o, produ&ccedil;&atilde;o, distribui&ccedil;&atilde;o, vendas, etc.) que processa asmodas &agrave; medida que estas s&atilde;o encaminhadas dos criadores para os consumidores&rdquo; (Davis, 1992: 200, fn 7). Enquanto intermedi&aacute;rias entre os fabricantes e os consumidores, o principal objetivo destasrevistas consiste em <i>propor</i>: apresentar propostas sobre as pe&ccedil;as de vestu&aacute;rio que est&atilde;o na moda (&ldquo;Anova abordagem que a moda prop&otilde;e para o preto tem tudo a ver com for&ccedil;a, sensualidade e feminilidade&rdquo;);<sup><a href="#12" name="top12">[12]</a></sup> sobre quais ser&atilde;o as &uacute;ltimas tend&ecirc;ncias (&ldquo;O trabalho dos estilistas situa-se hojeentre os extremos do feminino e do masculino&rdquo;);<sup><a href="#13" name="top13">[13]</a></sup> sobre a import&acirc;ncia dos nomes que ostentam (&ldquo;Tom Ford cria sedu&ccedil;&atilde;o&rdquo;,<sup><a href="#14" name="top14">[14]</a></sup> ou &ldquo;Coloque a delicada boa de Helmut Lang&rsquo;s &agrave; volta do pesco&ccedil;o&rdquo;);<sup><a href="#15" name="top15">[15]</a></sup> sobre os motivos pelos quais a moda deve ocupar um lugar importante nas vidas das leitoras (&ldquo;Enquanto estilistas, damos &agrave;s pessoas raz&otilde;es para sonhar&rdquo;);<sup><a href="#16" name="top16">[16]</a></sup> e sobre os locais onde se pode comprar o vestu&aacute;rio publicitado (&ldquo;botas de Sonia Rykiel para encomendar, na <i>Browns</i>&rdquo;).<sup><a href="#17" name="top17">[17]</a></sup> Propostas como estas conferem legitimidade &agrave; moda e ao mundo da moda em termos culturais e comerciais(Moulin, 1987: 76).</p>     <p>As revistas estabelecem rela&ccedil;&otilde;es significativas entre coisas que aparentam ser independentes nasua ess&ecirc;ncia; d&atilde;o-lhes vida social, criando um mundo imagin&aacute;rio sobre elas; sensibilizam os participantes para a &aacute;rea da moda em que se inserem; e imp&otilde;em ordem, quer hist&oacute;rica quer esteticamente, num mundo cujos produtos provavelmente passam despercebidos, devido &agrave; sua natureza sazonal e quantidade potencialmente ca&oacute;tica (Blumer, 1969: 290). Encontramos, assim, uma rela&ccedil;&atilde;o pouco &oacute;bvia, &agrave; primeira vista, entre as manequins de passarela riqu&iacute;ssimas que n&atilde;o saem decasa por menos de 10.000 libras por dia, os editores de revistas que s&atilde;o chamados &agrave; responsabilidadepelos ministros por promoverem a anorexia e a bulimia, e o papel da &ldquo;fam&iacute;lia&rdquo; na sociedadecontempor&acirc;nea.<sup><a href="#18" name="top18">[18]</a></sup> Em contrapartida, &eacute;-nos apresentado um retrato completo do mundo social de um acess&oacute;rio &ldquo;<i>must-have&rdquo;</i> como a <i>Fendi Baguette</i>. Primeiro &ldquo;arrematadas&rdquo; por vedetas como Madonna, Gwyneth Paltrow, Liz Hurley e Catherine Zeta-Jones e posteriormente agraciadas com o estatuto de objeto de culto, 600.000 destas malas foram vendidas nos quatro anos que se seguiram &agrave; sua primeira apari&ccedil;&atilde;o na cole&ccedil;&atilde;o outono/ inverno da Fendi, em Mil&atilde;o em 1997. O elevado n&uacute;mero de vendas levou a LVMH e a Prada a desembolsar, em conjunto, a quantia de 900 milh&otilde;es de d&oacute;lares para controlar, com 51% das a&ccedil;&otilde;es, aquela que fora uma casa de luxo virtualmente desconhecida durante a maior parte da d&eacute;cada de 90.<sup><a href="#19" name="top19">[19]</a></sup></p>     <p>&Eacute; deste modo que as revistas ajudam a moldar um conceito coletivo de moda. Contudo, ao mesmo tempo (que no mundo da arte (Hauser, 1982: 431)), acarretam for&ccedil;as esteticamente irrelevantes como o snobismo, o elitismo, o culto das tend&ecirc;ncias e o medo de n&atilde;o estar &agrave; altura dos ju&iacute;zes do gosto estabelecido, naquilo a que Pierre Bourdieu (1993: 135) chamou &ldquo;uma dial&eacute;tica de pretens&otilde;es e distin&ccedil;&otilde;es&rdquo;. Assim, as revistas dizem &agrave;s suas leitoras que a Sofia [Coppola] &eacute; uma ju&iacute;za da moda, com uma cara que vale mil palavas (ou mais)&rdquo;. Sugerem-lhes que &ldquo;esque&ccedil;am a mala perfeita.<sup><a href="#20" name="top20">[20]</a></sup> Nesta esta&ccedil;&atilde;o, o derradeiro acess&oacute;rio &eacute; o barco perfeito&rdquo;.<sup><a href="#21" name="top21">[21]</a></sup> Afirmam tamb&eacute;m que um bronzeado &eacute; &ldquo;essencial para a m&aacute;xima exposi&ccedil;&atilde;o solar que torna qualquer visual mais <i>blas&eacute;</i> e espont&acirc;neo&rdquo;<sup><a href="#22" name="top22">[22]</a></sup> e que &ldquo;&eacute; totalmente errado deixar parecer que nos importamos com a roupa. Na verdade, quanto mais nos importamos, menos isso deve transparecer&rdquo;.<sup><a href="#23" name="top23">[23]</a></sup></p>     <p>Portanto, a produ&ccedil;&atilde;o e rece&ccedil;&atilde;o de moda s&atilde;o interdependentes, quer em termos de comunica&ccedil;&atilde;oquer em termos da organiza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o e consumo. Os estilistas precisam de mediadores eint&eacute;rpretes de ambos os setores para garantir que o seu trabalho &eacute; compreendido de forma correta. O quese pretende &eacute; que esta &ldquo;correta&rdquo; compreens&atilde;o depois se traduza em vendas. Ou seja, como a pol&iacute;tica, aarte ou o meio acad&eacute;mico, tamb&eacute;m a moda &eacute; marcada por uma luta pela angaria&ccedil;&atilde;o de seguidores, e umadas tarefas das revistas consiste precisamente em converter os agn&oacute;sticos. A rece&ccedil;&atilde;o da moda &eacute;, pois,um produto resultante da coopera&ccedil;&atilde;o social entre os membros de uma &ldquo;comunidade de f&eacute;&rdquo;, baseadanuma cren&ccedil;a coletiva ou falso reconhecimento (Bourdieu, 1993: 138) do poder da alta-costura e dopronto-a-vestir. &Eacute; esta f&eacute; que impulsiona o sistema da moda.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Aqueles que trabalham para as revistas s&atilde;o uma esp&eacute;cie de ap&oacute;stolos que espalham a Palavra, que retratam e interpretam as cole&ccedil;&otilde;es dos estilistas em cada esta&ccedil;&atilde;o, propondo significados com que os leitores se possam identificar, eliminando toda a estranheza da novidade, conciliando aquilo que &agrave; primeira vista pode ser confundido com algo j&aacute; familiar e, ao mesmo tempo, criando um <i>continuum</i> entre tend&ecirc;ncias passadas, atuais e futuras. A sua fun&ccedil;&atilde;o n&atilde;o consiste somente em apreciar novas tend&ecirc;ncias estil&iacute;sticas &ndash; frequentemente estabelecendo o contraponto entre os estilos das tend&ecirc;ncias atuais e passadas (&ldquo;Depois do <i>chic</i> equestre, &eacute; agora o encanto buc&oacute;lico que est&aacute; na moda. Animais galopantes, p&aacute;ssaros esvoa&ccedil;antes e &aacute;rvores murmurantes adornam as mais delicadas pe&ccedil;as de roupa eacess&oacute;rios desta esta&ccedil;&atilde;o&rdquo;)<sup><a href="#24" name="top24">[24]</a></sup> &ndash; mas em reconhecer novas descobertas, reavalia&ccedil;&otilde;es ereinterpreta&ccedil;&otilde;es de estilos que foram mal-entendidos e/ ou pertencem ao passado (&ldquo;At&eacute; as malhas com padr&otilde;es de neve ficam <i>chic</i> num top ou miniconjunto&rdquo;,<sup><a href="#25" name="top25">[25]</a></sup> ou &lsquo;Helmut Lang suaviza o estilo fetiche <i>chic</i>, acrescentando-lhe tons de creme&rdquo;,<sup><a href="#26" name="top26">[26]</a></sup> e &ldquo;saltos agulha de Manolo Blahnik d&atilde;o nova vida a umcl&aacute;ssico Chanel&rdquo;).<sup><a href="#27" name="top27">[27]</a></sup> Se, por um lado, os estilistas criam a forma dos artigos de moda, as revistas, por outro lado, criam a sua lenda (Hauser, 1982: 468). Ao faz&ecirc;-lo, inventam personagens m&iacute;ticas com base nos estilistas e nas casas de moda que os empregam, bem como noutros intervenientes do mundoda moda. Daqui resulta que as cole&ccedil;&otilde;es podem ser julgadas n&atilde;o pelo seu valor intr&iacute;nseco mas pelosnomes que ostentam: <sup><a href="#28" name="top28">[28]</a></sup> <i>Bally high</i>, <i>Choo polish</i>, <i>Hedi times</i>, <i>Kors c&eacute;l&egrave;bre</i>, <i>Mayle order</i>, e <i>Model T.Ford</i>.</p>     <p>N&atilde;o obstante, o p&uacute;blico precisa das revistas para auxiliar na distin&ccedil;&atilde;o entre o que &eacute; &ldquo;bom&rdquo; e o que &eacute; &ldquo;inferior&rdquo; no caos aparente das cole&ccedil;&otilde;es de cada esta&ccedil;&atilde;o em Nova Iorque, Londres, Mil&atilde;o e Paris. Dessa forma as revistas ajudam a transformar a moda, enquanto ideia abstrata e discurso est&eacute;tico, em vestu&aacute;rio do dia-a-dia (Entwistle, 2000: 237). Assim, ao refletir sobre a passagem de uma esta&ccedil;&atilde;o, estas podem anunciar que &ldquo;<i>looks</i> surpreendentemente f&aacute;ceis de vestir saltaram das passarelas para os arm&aacute;rios das mulheres&rdquo;.<sup><a href="#29" name="top29">[29]</a></sup></p>     <p><b>3. Ciclos de produ&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>O motor que impulsiona a publica&ccedil;&atilde;o das revistas de moda &eacute;, naturalmente, a pr&oacute;pria moda.Cada revista &eacute; simultaneamente um produto cultural e um bem, atraindo assim v&aacute;rios p&uacute;blicos, alguns dos quais aparecem apenas para exibir as suas roupas, outros para as comprar e outros ainda para gerar burburinho em torno delas. Estes p&uacute;blicos incluem a &ldquo;<i>fashion village&rdquo;</i><sup><a href="#30" name="top30">[30]</a></sup>, composta por <i>designers</i>, fot&oacute;grafos, manequins, cabeleireiros, maquilhadores, ag&ecirc;ncias de modelos, etc.; a &ldquo;<i>fashion leadership</i>&rdquo; (Davies, 1992: 146-9), que atualmente integra celebridades do mundo do cinema, dam&uacute;sica e do entretenimento; os compradores de moda, principalmente das grandes cadeias comerciais (Entwistle, 2006: 704-24); e a imprensa internacional, incluindo revistas de moda, que reveem e comentam as cole&ccedil;&otilde;es de cada esta&ccedil;&atilde;o e apresentam novas tend&ecirc;ncias ao grande p&uacute;blico. Ainda assim, n&oacute;s, comuns consumidores de moda, estamos completamente &agrave; margem da mente coletiva da <i>fashion village</i> e <i>leadership</i>. Como relembrou um estilista em ascens&atilde;o &agrave;s leitoras das revistas de moda: &ldquo;Eu preferiria sempre vestir estrelas da <i>pop</i> do que pessoas comuns&rdquo;.<sup><a href="#31" name="top31">[31]</a></sup> Logo, para entender a moda precisamos de compreender as inter-rela&ccedil;&otilde;es entre a sua produ&ccedil;&atilde;o e o seu consumo, entre osideais de moda e a forma como a roupa &eacute; de facto usada por todo o mundo. E, no que toca a esta quest&atilde;o, a resposta &eacute;-nos dada pelas revistas de moda de cada pa&iacute;s.</p>     <p>Uma vez que as revistas est&atilde;o intimamente ligadas &agrave; ind&uacute;stria da moda, as suas edi&ccedil;&otilde;es mensais seguem de perto o calend&aacute;rio das esta&ccedil;&otilde;es (&ldquo;a rapidez com que as tend&ecirc;ncias se desvaneceram em apenas duas esta&ccedil;&otilde;es&rdquo;),<sup><a href="#32" name="top32">[32]</a></sup> e &eacute; normal que uma editora-chefe recorra a este discurso sazonal a fim deesbo&ccedil;ar um plano geral para a sua revista com seis meses de anteced&ecirc;ncia. As edi&ccedil;&otilde;es de mar&ccedil;o e setembro da maior parte das revistas<sup><a href="#33" name="top33">[33]</a></sup> s&atilde;o dedicadas &agrave;s &uacute;ltimas cole&ccedil;&otilde;es primavera/ver&atilde;o e outono/inverno, lan&ccedil;adas em Londres, Nova Iorque, Paris e Mil&atilde;o. Geralmente, uma ou duas tend&ecirc;ncias s&atilde;o selecionadas como destaques (<i>Frill Seekers</i><sup><a href="#34" name="top34">[34]</a></sup> ou <i>The return of the trophy jacket</i>).<sup><a href="#35" name="top35">[35]</a></sup> Os desfiles de cada esta&ccedil;&atilde;o s&atilde;o, normalmente, seguidos de uma edi&ccedil;&atilde;o especial consagrada &agrave; beleza, inspirada nos cabelos e maquilhagem das manequins de passarela, e outra sobre acess&oacute;rios, nomeadamente malas e sapatos, que podem passar em v&iacute;deo ao mesmo tempo que desfila uma cole&ccedil;&atilde;o):<sup><a href="#36" name="top36">[36]</a></sup> <i>Beauty Snip: recreating the YSL catwalk look</i>;<sup><a href="#37" name="top37">[37]</a></sup> <i>Milan Hair style</i>;<sup><a href="#38" name="top38">[38]</a></sup> <i>Fancy feet</i>,<sup><a href="#39" name="top39">[39]</a></sup>or <i>Look of the moment: the romantic accessory</i>.<sup><a href="#40" name="top40">[40]</a></sup></p>     <p>As restantes quatro edi&ccedil;&otilde;es costumam seguir padr&otilde;es pr&eacute;-estabelecidos, sendo que algumas se centram noutro tipo de aspetos ligados &agrave; moda. Por exemplo, os editores v&atilde;o aproveitar os conceitos de amor e romance associados ao Dia dos Namorados para promover <i>lingerie</i> nas suas edi&ccedil;&otilde;es de fevereiro. J&aacute; nos meses de julho e agosto o tema das f&eacute;rias permite-lhes integrar especiais sobrevestu&aacute;rio de praia, enquanto o final do ano lhes d&aacute; a oportunidade de encher as p&aacute;ginas das suasedi&ccedil;&otilde;es de dezembro com acess&oacute;rios, joias e perfumes. Ao usar as tend&ecirc;ncias de cada esta&ccedil;&atilde;o para propor determinados temas, &eacute; frequente as revistas apresentarem outros produtos relacionados com esses temas, como se eles pr&oacute;prios fossem &ldquo;cole&ccedil;&otilde;es&rdquo;: desde <i>lingerie</i> e fatos de banho, a rel&oacute;gios e joias, passando por telem&oacute;veis e chocolates, todos eles exibidos como verdadeiras tend&ecirc;ncias de moda. Os produtos que as revistas mostram nas suas p&aacute;ginas, seja como texto seja como publicidade, transformam-se em artigos de &ldquo;moda&rdquo;, sujeitos a constantes e regulares ciclos de mudan&ccedil;a.</p>     <p>Nos &uacute;ltimos anos, foi-se tornando cada vez mais evidente que o tradicional sistema de moda com duas esta&ccedil;&otilde;es est&aacute; a dar lugar a planos de produ&ccedil;&atilde;o mais fluidos e cont&iacute;nuos, em conson&acirc;ncia com as exig&ecirc;ncias dos consumidores e a capacidade tecnol&oacute;gica de as suprir. N&atilde;o obstante, adistribui&ccedil;&atilde;o de roupa nas temporadas de primavera/ ver&atilde;o e outono/inverno continua a ser muito importante para as revistas de moda. E os motivos s&atilde;o bastante claros. Em primeiro lugar, esta pr&aacute;tica imp&otilde;e ordem a um volume potencialmente ca&oacute;tico de roupa que tem de ser mostrada e proposta &agrave;s leitoras, que por seu turno se deixam tranquilizar um pouco pelo facto de existirem fronteiras sazonais fixas dentro das quais se operam as mudan&ccedil;as da moda. Em segundo lugar, como acab&aacute;mos de ver, aordem &eacute; uma parte essencial dos processos de produ&ccedil;&atilde;o das revistas de moda, dado que, sem ela, seriam obrigadas a ignorar a sua estrutura editorial anual e a dedicar muito mais tempo e esfor&ccedil;o ao planeamento de edi&ccedil;&otilde;es mensais abrangendo uma maior variedade de conte&uacute;dos. Nestas circunst&acirc;ncias, uma revista dificilmente conseguiria manter publica&ccedil;&otilde;es mensais regulares com os recursos humanos e financeiros dispon&iacute;veis. Em terceiro lugar, a distribui&ccedil;&atilde;o de roupa em duas esta&ccedil;&otilde;es fornece uma estrutura conveniente para as solicita&ccedil;&otilde;es de material publicit&aacute;rio, e apublicidade, como sabemos, constitui a base financeira que influencia a decis&atilde;o do editor de lan&ccedil;ar, manter ou cessar a publica&ccedil;&atilde;o de um determinado t&iacute;tulo. Atendendo &agrave; import&acirc;ncia das revistas no mundo da moda, a longo prazo seria contraproducente marginalizar a tradicional estrutura sazonal da ind&uacute;stria da moda, a menos que os seus intervenientes optassem por outro meio de veicula&ccedil;&atilde;o dos seus produtos. Poder&aacute; ser este o motivo que justifica a passagem do papel ao ecr&atilde; na dissemina&ccedil;&atilde;o dos estilos de moda, a que assistimos hoje em dia.</p>     <p>No plano textual, a raz&atilde;o de ser das revistas de moda reside no &ldquo;<i>fashion well</i>&rdquo; mensal &ndash; um especial de 40 a 52 fotografias a cores de p&aacute;gina inteira das mais recentes pe&ccedil;as de marca, sem interrup&ccedil;&otilde;es publicit&aacute;rias, promovendo estilistas, fot&oacute;grafos e manequins de renome, a par de maquilhadores, cabeleireiros, e outros profissionais cuja reputa&ccedil;&atilde;o se encontra mais ou menos circunscrita pela <i>fashion village</i>. Idealmente, as fotografias de um <i>fashion well</i> devem ser editadas deforma a que a roupa preencha 60 a 70% da p&aacute;gina e o fundo apenas 30 ou 40% no m&aacute;ximo. Tamb&eacute;m o tecido deve estar bem vis&iacute;vel, embora isso nem sempre aconte&ccedil;a.<sup><a href="#41" name="top41">[41]</a></sup></p>     <p>As roupas s&atilde;o emprestadas pelas casas de moda, que se revelam mais ou menos cooperantesdependendo do estatuto da revista que quer fotografar as suas pe&ccedil;as numa sess&atilde;o. As revistas usam osnomes das casas de moda mais privilegiadas, que aparecem divulgadas nas suas p&aacute;ginas, e introduzem as modifica&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para garantir que nenhuma &eacute; esquecida numa dada esta&ccedil;&atilde;o ou &ndash; n&atilde;o sendo isso exequ&iacute;vel &ndash; num determinado ano. Mas o que se inclui ou n&atilde;o numa hist&oacute;ria depende, em certa medida, daquilo que &eacute; popular para as leitoras e que vende bem no pa&iacute;s em quest&atilde;o.<sup><a href="#42" name="top42">[42]</a></sup>Portanto, as revistas apresentam propostas de como a moda pode ser transformada em tipos de roupa usada pelas leitoras nas suas vidas quotidianas. Sem a roupa, sem as imagens que retratam a moda e, logo, sem as revistas n&atilde;o existiria o &ldquo;sistema da moda&rdquo; conforme o conhecemos. S&atilde;o as revistas quefazem a ponte entre fabricantes e consumidores, entre oferta e procura, atrav&eacute;s de um conjunto de entidades mediadoras.</p>     <p><b>4. Personagens ecl&eacute;ticas e combina&ccedil;&atilde;o cl&aacute;ssica</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Como &eacute; que tudo isto come&ccedil;a, esta s&eacute;rie de processos c&iacute;clicos que rodeiam o <i>glamour</i> e o universo de significados acoplados &agrave; roupa, aos acess&oacute;rios, &agrave; beleza e ao cabelo? H&aacute; j&aacute; v&aacute;rios s&eacute;culos que as revistas de moda nos acompanham e &eacute; por isso que agora n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel indicar com precis&atilde;o omomento em que tudo come&ccedil;ou. Cada nova tend&ecirc;ncia conquista o seu espa&ccedil;o p&uacute;blico quando osestilistas de todo o mundo apresentam as suas cole&ccedil;&otilde;es de passarela. Mas, antes disso, h&aacute; uma fase deprepara&ccedil;&atilde;o, que se centra essencialmente em dois processos: por um lado, os desenvolvimentosalcan&ccedil;ados pela ind&uacute;stria t&ecirc;xtil; e, por outro lado, as tend&ecirc;ncias atuais que, juntamente com osacontecimentos mais recentes das esferas art&iacute;sticas, liter&aacute;rias e pol&iacute;ticas, bem como de outros setoresda modernidade, s&atilde;o capazes de despoletar mudan&ccedil;as no futuro imediato.</p>     <p>O desfile e a imprensa de moda s&atilde;o antigos rivais, disputando a produ&ccedil;&atilde;o de imagens que definem a moda. Juntos formam uma combina&ccedil;&atilde;o cl&aacute;ssica. Para as casas de moda, as imagens definit&oacute;rias encontram-se nos desfiles que organizam a cada esta&ccedil;&atilde;o para vender as suas cole&ccedil;&otilde;es epara produzir as pe&ccedil;as de vestu&aacute;rio que ser&atilde;o escolhidas pelos editores, analistas e consumidores de moda, antes de serem apresentadas como tend&ecirc;ncias (Crane, 2000: 165). Por seu turno, as revistasagem como mediadores destas imagens de passarela, acrescentando muitas mais fotos de est&uacute;dio e no local, e assim se convertem numa esp&eacute;cie de intermedi&aacute;rios culturais entre vendedores, compradores eespetadores. A tens&atilde;o entre estas duas institui&ccedil;&otilde;es produtoras de imagens do sistema da moda resulta numa alian&ccedil;a criativa, que contribuiu para que as imagens de moda se tornassem cada vez mais poderosas na sociedade contempor&acirc;nea.</p>     <p>Um desfile &eacute; uma apresenta&ccedil;&atilde;o bianual de uma nova cole&ccedil;&atilde;o de roupa, cobrindo os corpos que se deslocam ao longo da passarela, em frente ao p&uacute;blico.<sup><a href="#43" name="top43">[43]</a></sup> Mas quem &eacute; ao certo esse p&uacute;blico? Ser&atilde;o as celebridades e outras figuras destacadas do mundo do entretenimento que, numa &ldquo;pol&iacute;tica de lugares&rdquo;<sup><a href="#44" name="top44">[44]</a></sup>, lutam pelas cadeiras da frente, ao lado da plataforma elevada onde as manequinsdesfilam? Ou ser&aacute; a multid&atilde;o de fot&oacute;grafos que monta o seu equipamento no final da passarela, onde as manequins param por breves momentos para adotarem a &ldquo;<i>sprezzatura</i>&rdquo; certa ou uma pose casual?Ou ser&atilde;o os representantes das grandes superf&iacute;cies comerciais e outros retalhistas que se sentam na segunda fila, longe da ribalta? Ou ser&atilde;o as editoras das revistas de moda que chegam de destinos remotos apenas para assistir a 15 minutos do espet&aacute;culo proporcionado pelos costureiros? Ou aindaoutros representantes, patrocinadores e parceiros da ind&uacute;stria da moda? Ou ser&aacute; o todo este conjunto ecl&eacute;tico de personagens? N&atilde;o s&atilde;o s&oacute; as revistas que t&ecirc;m p&uacute;blicos variados (Moeran, 2014).</p>     <p>Antes do in&iacute;cio do mil&eacute;nio, um desfile de moda era a primeira apresenta&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica das roupas de um estilista e eram precisos cerca de seis meses antes da data prevista do lan&ccedil;amento para que a cole&ccedil;&atilde;o chegasse aos <i>outlets</i> e &agrave;s ruas. As rea&ccedil;&otilde;es dos compradores, e em menor grau da imprensa,determinavam o n&uacute;mero de pe&ccedil;as de cada estilo que seriam encomendadas e, posteriormente, fabricadas e vendidas. O desfile de moda funcionava, assim, como um importante meio de promo&ccedil;&atilde;o que conciliava as preocupa&ccedil;&otilde;es da ind&uacute;stria da roupa com o entretenimento e as vendas. Ao organizar um desfile, uma casa de moda (estilista ou marca) podia apresentar e controlar uma vis&atilde;o ou conceito est&eacute;ticos. E ao faz&ecirc;-lo regularmente, conseguia tamb&eacute;m coordenar as suas apresenta&ccedil;&otilde;es para compradores estrangeiros, protegendo-se de eventuais viola&ccedil;&otilde;es de direitos de autor atrav&eacute;s de um invent&aacute;rio dos seus produtos.</p>     <p>Estas rela&ccedil;&otilde;es entre as casas de moda e os compradores, mais ou menos formalizadas pelo sistema de vendas bianuais, foram agora subvertidas pela <i>fast fashion</i> (moda r&aacute;pida). Inicialmente promovida pela Biba e depois canonizada pela Zara, a <i>fast fashion</i> baseia-se no princ&iacute;pio de cont&iacute;nuo reabastecimento, o que levou ao desenvolvimento quase ininterrupto de cole&ccedil;&otilde;es, tendo como corol&aacute;rio uma colabora&ccedil;&atilde;o mais informal entre as casas de moda e os compradores (Skov, 2006: 764-83). Por outras palavras, a ind&uacute;stria da moda deixou de organizar o seu calend&aacute;rio de acordo com asapresenta&ccedil;&otilde;es de vendas bianuais, uma vez que os compradores de uma marca e os seus parceiros de neg&oacute;cio j&aacute; conhecem aquilo que est&aacute; ser produzido por terem visitado o <i>showroom</i> previamente e devido ao planeamento antecipado. Consequentemente, o desfile de moda hoje em dia j&aacute; n&atilde;o &eacute; tantouma ocasi&atilde;o de vendas, mas antes um evento de &iacute;ndole ritual e social. Ao inv&eacute;s de um arriscadolan&ccedil;amento de roupa, trata-se de uma festa para aqueles que produzem, distribuem, compram e vendem essa roupa.</p>     <p>Enquanto ritual, ou &ldquo;campeonato de valores&rdquo; (Moeran, 2010; Moeran e Pedersen, 2011), odesfile de moda demarca-se claramente do mundo exterior em termos de agenda e localiza&ccedil;&atilde;o. Primeiro porque tem lugar durante um per&iacute;odo circunscrito (&ldquo;<i>fashion week</i>&rdquo;), insinuando que a moda s&oacute; pode existir nestas alturas e em mais nenhuma ocasi&atilde;o. Segundo porque costuma ser organizado emlocais pouco atrativos, na sua maioria concebidos para outros fins que n&atilde;o desfiles de cole&ccedil;&otilde;es de moda: salas de exposi&ccedil;&otilde;es, armaz&eacute;ns, teatros, museus e tendas. O facto de serem normalmente espa&ccedil;os fechados e sem janelas prova que o desfile tem lugar numa atmosfera marcada pela neutralidade e pelo anonimato. Tudo isto &eacute; intencional, dando aos organizadores total controlo sobre a encena&ccedil;&atilde;o de cada cole&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Este espa&ccedil;o delimitado encontra-se dividido entre o palco, onde a cole&ccedil;&atilde;o pode ser apreciada pelo p&uacute;blico, e os bastidores, onde o(a) estilista, juntamente com a sua equipa, comp&otilde;e a cole&ccedil;&atilde;o e d&aacute;os &uacute;ltimos retoques. Enquanto o palco &eacute; cuidadosamente programado em quest&otilde;es de tempo e lugar para excluir toda e qualquer possibilidade de imprevistos e improviso a t&iacute;tulo individual no desenrolar do ritual (embora possa haver acidentes e eles de facto aconte&ccedil;am), os bastidores escondem uma ordem ca&oacute;tica &ndash; ordem na disposi&ccedil;&atilde;o das roupas, permitindo que as manequins se vistam, dispam e vistam novamente de forma c&eacute;lere; e caos no que concerne &agrave; quantidade de pessoas diferentes l&aacute; presentes e &agrave; multiplicidade de tarefas que t&ecirc;m de desempenhar para que o desfile no palco seja um sucesso.</p>     <p>O desfile de moda comp&otilde;e-se, assim, de dois espet&aacute;culos, cada um contido no outro. Um consiste na sucess&atilde;o de roupas que v&atilde;o aparecendo na passarela, planeada e programada ao mais &iacute;nfimo pormenor da pose e viragem das manequins. O outro &eacute; o espet&aacute;culo protagonizado pelos espetadores, cujo comportamento &eacute; programado em termos sociol&oacute;gicos &agrave; medida que observam e s&atilde;o observados enquanto participantes do espet&aacute;culo (Fairchild, 1989: 22-9). A este respeito, refira-se que o car&aacute;cter dram&aacute;tico de um desfile de moda tem origem num &ldquo;duplo antagonismo&rdquo; (Hauser, 1982: 495): o primeiro entre os v&aacute;rios intervenientes (estilista, produtor, manequins, etc.); e o segundo entre aqueles que produzem e aqueles que assistem ao espet&aacute;culo.</p>     <p>Enquanto campeonato de valores, o desfile de moda, tal como as revistas, serve para definir a ind&uacute;stria da moda como uma <i>comunidade</i> (ou &ldquo;<i>village</i>&rdquo;), nomeadamente em termos de produ&ccedil;&atilde;o (figuras do mundo da moda e estudantes de moda), distribui&ccedil;&atilde;o (compradores), reprodu&ccedil;&atilde;o (jornalistas e fot&oacute;grafos da imprensa da moda) <i>e</i> consumo (celebridades). O desfile de moda coloca em evid&ecirc;ncia quest&otilde;es de perten&ccedil;a a essa comunidade (a quem &eacute; permitida e recusada a entrada numdesfile); faz a gest&atilde;o de rela&ccedil;&otilde;es interpessoais entre participantes (quer em termos de disposi&ccedil;&atilde;o de lugares quer em termos de bastidores); e supervisiona o seu comportamento (incluindo comportamentos de grupo e <i>dress code</i> (Smith, 1989: 51).</p>     <p><b>5. Cartolas e hist&oacute;rias</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Uma vez mostradas todas as cartolas e pe&ccedil;as de roupa de uma cole&ccedil;&atilde;o, &eacute; altura de as revistas falarem sobre quem fez o qu&ecirc;, para qu&ecirc; e como &eacute; que isso se enquadra nas vidas das pessoas. A sua principal tarefa consiste em transformar as cole&ccedil;&otilde;es de moda num &ldquo;<i>fashion well</i>&rdquo; &ndash; um especial comcerca de 42 a 50 p&aacute;ginas de fotografias de moda que s&atilde;o o n&uacute;cleo de cada n&uacute;mero (ou o &ldquo;<i>book</i>&rdquo;) da<i>Vogue</i>, <i>Elle</i>, <i>Marie Claire</i> e <i>Harper&rsquo;s Bazaar</i>. O <i>fashion well</i> n&atilde;o tem an&uacute;ncios e surge quase sempre atr&ecirc;s ter&ccedil;os da revista, quer se trate de uma revista europeia ou americana. Quer isto dizer que pode ter que folhear muitas p&aacute;ginas antes de chegar &agrave; ess&ecirc;ncia de uma revista de moda (embora os editores japoneses tenham mais considera&ccedil;&atilde;o pelas suas leitoras, colocando o <i>fashion well</i> mais pr&oacute;ximo doin&iacute;cio da revista). A&iacute; poder&aacute; encontrar as imagens do vestido mais <i>in</i>, dos sapatos delicados, do <i>top</i>supersensual, das cal&ccedil;as <i>grungy</i> ao estilo roqueiro <i>chic</i> e dos <i>slips</i> bancos que vemos nas cole&ccedil;&otilde;es e queagora surgem em coordenados diferentes: tecidos primorosos, ganga, t&eacute;nis exc&ecirc;ntricos e acess&oacute;rios moderados para um visual <i>Workwear now</i>;<sup><a href="#45" name="top45">[45]</a></sup> ou um caqui discreto, couro cor de bronze, <i>pumps</i> com padr&atilde;o brocado, <i>tops</i> inspirados em <i>lingerie</i>, um simples casaco de malha conjugados com <i>tops</i> e saias<i>lam&eacute;</i> para uma vers&atilde;o <i>Strike it rich</i>.<sup><a href="#46" name="top46">[46]</a></sup></p>     <p>Com t&iacute;tulos como <i>Hot metal</i> (&ldquo;Nesta esta&ccedil;&atilde;o crie um <i>look</i> faiscante com metais preciosos como o ouro, o estanho, o cobre e o bronze&rdquo;), <i>Emerald dreams</i> (&ldquo;Inesperadas misturas de tecidos est&atilde;o afazer furor&rdquo;), <i>Working girl</i> (&ldquo;O fato est&aacute; de volta&rdquo;), <i>White magic</i> (&ldquo;Agasalhe-se com pele de ovelha,veludos e malhas em tons de branco ou creme&rdquo;), e <i>Touch chic</i> (&ldquo;Atreva-se a sair &agrave; rua com uns sapatosde picos &agrave; anos 80 e uma pe&ccedil;a justa de couro ou de Lycra. Olha mas n&atilde;o toca&rdquo;), cada hist&oacute;ria &eacute; geralmente composta por oito a doze (podem ser mais ou menos) p&aacute;ginas e &eacute; concebida de forma a ilustrar um tema abrangente ligado &agrave; moda (<i>Winter warmers</i>).<sup><a href="#47" name="top47">[47]</a></sup></p>     <p>Cada <i>fashion well</i> tem as suas pr&oacute;prias hist&oacute;rias para contar e algumas apresentam um tom maisnarrativo do que outras. Vejamos, por exemplo, uma edi&ccedil;&atilde;o de primavera/ ver&atilde;o. As tr&ecirc;s hist&oacute;rias s&atilde;o: <i>Military time</i> (&ldquo;Siga a &uacute;ltima tend&ecirc;ncia da primavera em caqui e verde azeitona: os detalhes s&atilde;o ombreiras, bolsos e cintos&rdquo;); <i>Runway or realway</i> (&ldquo;Escolha <i>looks</i> de estilista da cabe&ccedil;a aos p&eacute;s ou tire o m&aacute;ximo partido do seu guarda-roupa com uma pe&ccedil;a essencial&rdquo;); e <i>Reality fashion</i> (&ldquo;Do cl&aacute;ssico ao moderno: como os mais recentes <i>looks</i> de estilista se deixam inspirar pelos atuais estilos de vida&rdquo;). No entanto, nem sempre &eacute; garantido que as imagens sejam adequadas aos t&iacute;tulos. <i>Military time</i> recorre a equipamento do ex&eacute;rcito (um helic&oacute;ptero <i>Desert Hawk</i> numa foto e um <i>Jeep</i> poeirento noutra), soldados (nos seus fatos camuflados ou uniformes de combate, rodeando a manequim) e outros elementos marcadamente &ldquo;militares&rdquo; (uma barraca de madeira) para preparar a pose da manequim em frente &agrave; c&acirc;mara. A <i>reality fashion</i> tamb&eacute;m passa para o mundo real (se bem que apenas em Nova Iorque), com as suas manequins a posar no <i>Bloomingdale&rsquo;s</i>, nos gabinetes do <i>New York Post</i>, num consult&oacute;rio de cirurgia pl&aacute;stica, supermercado, caf&eacute;, escola e at&eacute; no centro de entregas <i>UPS</i>. As passarelas e o mundo real, no entanto, veem-se reduzidos a fotografias de est&uacute;dio sem qualquer imagem de fundo para ilustrar o tema publicitado na hist&oacute;ria.<sup><a href="#48" name="top48">[48]</a></sup></p>     <p>Mitsuko Watanabe, Diretora de Assuntos de Moda da <i>Vogue Nippon</i> na altura em que nosconhecemos, era nominalmente respons&aacute;vel por tudo aquilo que se relacionava com as p&aacute;ginas de moda externas ao <i>fashion well</i>. O seu trabalho consistia em garantir um equil&iacute;brio global em cada edi&ccedil;&atilde;o da revista, concebendo p&aacute;ginas que tirassem os leitores do seu caminho para ir comprar a revista.</p>     <blockquote>&ldquo;O <i>fashion well</i> &eacute; na verdade a parte de sonho de uma revista. E &eacute; a parte mais importante da<i>Vogue</i>. &Eacute; por isso que tanta gente est&aacute; envolvida. Em japon&ecirc;s, &ldquo;<i>well</i>&rdquo; diz-se <i>ido</i>, invocando aimagem de &aacute;gua a borbulhar vinda de grandes profundezas. &Eacute; precisamente por isso que o<i>fashion well</i> tem de ser mensal. Dado que T&oacute;quio fica muito longe do epicentro da moda mundial, temos uma editora estrangeira que faz a maior parte das nossas hist&oacute;rias. Cada edi&ccedil;&atilde;o da <i>Vogue Nippon</i> &eacute; dedicada a um tema em particular, como a do pr&oacute;ximo m&ecirc;s que intitul&aacute;mos <i>Sweet &amp; Sexy</i>. Estes temas s&atilde;o decididos depois de os desfiles de cada esta&ccedil;&atilde;o terem terminado. Todos vamos assistir aos desfiles em Nova Iorque, Londres, Paris e Mil&atilde;o e, quando acabam, reunimo-nos aqui em T&oacute;quio para falar sobre eles. Isto significa que a nossa editora de moda estrangeira, Gabriele, nos visita juntamente com o <i>booking editor</i> e o Vice-Presidente da Cond&eacute; Nast para a regi&atilde;o da &Aacute;sia e Pac&iacute;fico. Temos reuni&otilde;es durante dois dias e meio para discutir tudo o que vimos nas quatro a seis semanas anteriores. Durante as nossas reuni&otilde;es, surgem certas palavras-chave &ndash; &ldquo;rom&acirc;ntico&rdquo;, &ldquo;estilo masculino&rdquo;, etc. &ndash; que s&atilde;o depois usadas como temas principais para as pr&oacute;ximas edi&ccedil;&otilde;es. Estas palavras-chave ajudam-nos a circunscrever subtemas dentro dos temas principais e s&atilde;o estes que a Gabriele desenvolve, mas sempre em estreita colabora&ccedil;&atilde;ocom a nossa Editora-Chefe. Como &eacute; que surgem estas palavras-chave? Essa &eacute; uma pergunta de dif&iacute;cil resposta. Mas acho que &eacute; um <i>feeling</i>. E esse <i>feeling</i> baseia-se em diferentes tipos de materiais, cores e estilos de roupa que vimos nas cole&ccedil;&otilde;es. N&atilde;o, n&atilde;o levamos em conta as previs&otilde;es de tend&ecirc;ncias que se fazem antes dos desfiles. E tamb&eacute;m n&atilde;o ligamos ao que as outras edi&ccedil;&otilde;es da <i>Vogue</i> fazem. Se assim fosse, o nosso trabalho seria imposs&iacute;vel! &Eacute; tamb&eacute;m nesta reuni&atilde;o que trocamos ideias sobre as manequins que na nossa opini&atilde;o melhor se adequariam aos temas selecionados para futuras edi&ccedil;&otilde;es. Por isso, na primavera deste ano decidimos, por exemplo, que ter&iacute;amos tr&ecirc;s edi&ccedil;&otilde;es dedicadas a manequins <i>sh joppoi</i>, jovens, doces e sensuais antes de passar &agrave;s manequins mais sofisticadas de novembro. E se tudo mudar na esta&ccedil;&atilde;o seguinte, pois bem, a moda &eacute; isso mesmo! N&atilde;o existe necessariamente continuidade, por muito que a desejemos!&rdquo;</blockquote>     <p>A Mitsuko soltou uma gargalhada sibilante quando eu referi que esta postura era totalmente diferente daquela adotada pelos acad&eacute;micos.</p>     <blockquote>&ldquo;Geralmente contratamos um fot&oacute;grafo para trabalhar connosco durante seis meses para que possamos manter quer a continuidade quer a qualidade das nossas capas. Este &eacute; um dos motivos pelos quais n&atilde;o temos celebridades nas nossas capas. &Eacute; demasiado dispendioso e, de qualquer modo, &eacute; muito dif&iacute;cil agendar sess&otilde;es fotogr&aacute;ficas para quando queremos ou precisamos. Nesse caso, ter&iacute;amos de selecionar, numa ag&ecirc;ncia, as fotos da celebridade que escolh&ecirc;ssemos e certamente que a maioria delas n&atilde;o estaria &agrave; altura dos nossos padr&otilde;es de qualidade nem do estilo <i>Vogue</i>. Portanto evitamo-las, muito emboraseja agora de praxe na <i>Vogue</i> americana recorrer a celebridades em vez de manequins. No que respeita &agrave; roupa usada pelas modelos de capa, enviamos &agrave; Gabriele uma lista das nossas marcas preferidas. Esta escolha baseia-se em larga medida nos neg&oacute;cios levados a cabo entre essas marcas e a <i>Vogue</i>, como deve imaginar,&rdquo; disse Mitsuko, soltando nova gargalhada. &ldquo;E &eacute; muito dif&iacute;cil chegar a um equil&iacute;brio. O voto final neste processo de sele&ccedil;&atilde;o &eacute; da Gabriele. No entanto, se tivermos tido o mesmo estilista mais do que uma vez numa dada esta&ccedil;&atilde;o, temos de garantir que isso n&atilde;o se repete. A Gabriele desenvolve cada uma das hist&oacute;rias em conjunto com o fot&oacute;grafo que escolhe para trabalhar consigo. Este &uacute;ltimo envia-nos as fotos, geralmente de acordo com a sua ordem de prefer&ecirc;ncia. Alguns fot&oacute;grafos insistem para que n&atilde;o se fa&ccedil;a qualquer altera&ccedil;&atilde;o, outros n&atilde;o se importam tanto. De um modo geral, n&atilde;o mudamos muito as fotografias porque n&atilde;o existe um modo particularmente &ldquo;japon&ecirc;s&rdquo; de ver as imagens. Contudo, deparamo-nos em algumas ocasi&otilde;es com problemas decorrentes do facto de as revistas japonesas se abrirem da direita para a esquerda e a maioria dos fot&oacute;grafos tem em mente apenas a revista ao estilo ocidental. Isto significa que por vezes temos de alterar as duas &uacute;ltimas p&aacute;ginas para que uma hist&oacute;ria termine com a foto que inequivocamente marca o seu fim. De vez em quando, embora n&atilde;o t&atilde;o frequentemente, tamb&eacute;m temos de inverter a ordem das duas p&aacute;ginas iniciais. A fun&ccedil;&atilde;o da equipa de moda consiste em redigir o texto que acompanha estas fotos, j&aacute; que nenhuma editora de moda o fornece juntamente com as imagens das hist&oacute;rias que produz. Portanto, somos n&oacute;s que inventamos um t&iacute;tulo para a hist&oacute;ria, cujo tema depois destacamos no texto, em cada p&aacute;gina. Claro que, no in&iacute;cio, quando nos contactapara informar sobre os seus planos para a edi&ccedil;&atilde;o seguinte, a Gabriele vai empregar algumas palavras-chave para nos explicar a sua perspetiva da hist&oacute;ria. Estas palavrasgeralmente reaparecem no texto final, garantindo assim uma l&oacute;gica de continuidade entre a conce&ccedil;&atilde;o, produ&ccedil;&atilde;o e conclus&atilde;o de cada hist&oacute;ria de moda.&rdquo;<sup><a href="#49" name="top49">[49]</a></sup></blockquote>     <p><b>6. Dress code</b></p>     <p>Se houve algo que sempre me acompanhou ao longo da minha viagem do conceito ao produtoatrav&eacute;s das revistas de moda foi a import&acirc;ncia da linguagem. Antes de mais, pode dizer-se que a linguagem, assim como a roupa, constitui um c&oacute;digo <i>(code)</i> cujos termos-chave &ndash; tecido, textura, cor, entre outros &ndash; nunca s&atilde;o est&aacute;veis; mudam constantemente num universo de significados negociados, que s&atilde;o interpretados de diferentes maneiras pelos mais diversos grupos sociais e de estilo. Por conseguinte, o c&oacute;digo permanece em grande medida impreciso e impl&iacute;cito, em vez do oposto como acontece na linguagem, dependendo dos contextos em que os seus termos-chave atuam(Davies, 1992: 5-8). A <i>moda</i> decorre de &ndash; e refere-se a &ndash; uma altera&ccedil;&atilde;o do c&oacute;digo que rodeia as conven&ccedil;&otilde;es visuais do vestu&aacute;rio. Sem mudan&ccedil;as n&atilde;o pode haver moda, embora a natureza dessas mudan&ccedil;as possa tornar-se alvo de negocia&ccedil;&atilde;o entre aqueles que constituem o mundo da moda e o seu p&uacute;blico (Davies, 1992: 14-15).</p>     <p>O segundo aspeto da linguagem que se destacou foi o uso que os membros do mundo da modafaziam das <i>palavras-chave</i>. Os analistas, estilistas e editores de revistas agarram-se &agrave;s palavras-chave para n&atilde;o se perderem no implac&aacute;vel <i>tsunami</i> da moda. As palavras-chave produzem a roupa, que por sua vez gera novas palavras-chave, levando as <i>fashionistas</i> (<i>fashion victim</i>, <i>fashion pack</i>, <i>couture vulture</i>, <i>Palm Bitch</i>, <i>Sloane Ranger</i>, &lsquo;It&rsquo; list, etc.) a comprar e usar a roupa como &ldquo;artigos de moda&rdquo;. Por&eacute;m, as palavras-chave podem ser interpretadas de diversas formas e &eacute; precisamente a sua densidade sem&acirc;ntica que as torna t&atilde;o poderosas (e palavras-&ldquo;chave&rdquo;), fazendo com que as pessoasacreditem que est&atilde;o de acordo com alguma coisa (como &ldquo;identidade&rdquo;, &ldquo;atitude&rdquo;, ou &ldquo;<i>chic</i>&rdquo;) quando naverdade, se vissem para al&eacute;m da palavra-chave, poderiam chegar &agrave; conclus&atilde;o de que afinal n&atilde;o est&atilde;o (Moeran, 1984). Haver&aacute;, ent&atilde;o, algum conte&uacute;do por tr&aacute;s desta &ldquo;linguagem da roupa&rdquo; (Lurie, 1981)?</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Poder-se-&aacute; afirmar que a moda, assim como depende da mudan&ccedil;a, tamb&eacute;m n&atilde;o existe, nem pode existir, sem a linguagem. Isto n&atilde;o significa que a roupa funciona <i>como</i> a linguagem ou que <i>seja</i> uma linguagem (Bogatyrev, 1976: 13-19; Maramotti, 2000: 35-37) mas d&aacute; origem a um <i>discurso</i>, embora os profissionais afirmem que a roupa &eacute; capaz de &ldquo;evocar respostas sem a media&ccedil;&atilde;o das palavras&rdquo; (Griffiths, 2000: 78). Na minha opini&atilde;o, o uso que se faz da linguagem serve, acima de tudo, para transformar a roupa em <i>moda</i>. &Eacute; a linguagem que define o que &eacute; ou n&atilde;o moda. A quest&atilde;o que se coloca &eacute;: como &eacute; que as revistas prop&otilde;em este discurso aos fabricantes e consumidores de moda ao mesmo tempo?</p>     <p>N&atilde;o sou o primeiro a sugerir que os significados da moda s&atilde;o veiculados por meio da linguagem. Roland Barthes, por exemplo, ficou fascinado com a maneira como a moda era (e ainda &eacute;) <i>descrita</i> e com as suas representa&ccedil;&otilde;es na linguagem. Para demonstrar o seu ponto de vista, Barthes analisou a linguagem de duas revistas de moda francesas &ndash; <i>Elle</i> e <i>Jardin des Modes</i> &ndash; publicadas no per&iacute;odo de um ano (de junho 1958 a junho de 1959), tendo posteriormente lan&ccedil;ado aquele que &eacute; porvezes descrito como <i>o</i> livro mais aborrecido alguma vez escrito sobre moda (Barthes, 1967).</p>     <p>Nestas circunst&acirc;ncias, n&atilde;o seria com certeza muito sensato da minha parte fazer um relato detalhado da forma como Barthes se debateu com a linguagem escrita da moda. Mas alguns dos seus argumentos s&atilde;o dignos de refer&ecirc;ncia. Por exemplo, este autor faz a distin&ccedil;&atilde;o entre a representa&ccedil;&atilde;o de um vestido de noite numa fotografia de moda (aquilo a que chamou <i>image clothing</i> ou <i>v</i>&ecirc;tement-<i>image</i>), as palavras usadas para descrever esse vestido (<i>written-clothing</i> ou <i>v&ecirc;tement &eacute;crit</i>), e o pr&oacute;prio vestido (<i>le v&ecirc;tement reel</i>). Embora o vestu&aacute;rio fotografado e o vestu&aacute;rio escrito devam convergir no vestu&aacute;rio real, Barthes afirmava que tal n&atilde;o acontece. Pelo contr&aacute;rio, as tr&ecirc;s diferentes estruturas devestu&aacute;rio (ic&oacute;nica, verbal e tecnol&oacute;gica) existem independentemente umas das outras, permitindo uma mudan&ccedil;a cont&iacute;nua de uma para a outra sem nunca se conseguir contemplar a sua plenitude (Barthes, 1967: 13-17).</p>     <p>Barthes tamb&eacute;m mencionou que o vestu&aacute;rio escrito se comp&otilde;e de duas classes interrelacionadas de enunciados. Uma inclui todos os elementos do vestu&aacute;rio (formas, tecidos, cores, etc.) que significam diferentes tipos de roupa; a outra refere-se a todos os aspetos avaliativos (&ldquo;discreto&rdquo;, &ldquo;divertido&rdquo;, etc.) e circunstanciais (&ldquo;noite&rdquo;, &ldquo;fim de semana&rdquo;, &ldquo;compras&rdquo;, &ldquo;festa&rdquo;, etc.) que simbolizam os tipos de vidas que levamos no mundo. Juntas, estas classes de enunciados transmitem o significado da pr&oacute;pria <i>Moda</i>, dizia o autor. &Eacute; sobre este &ldquo;discurso do gosto&rdquo; que pretendo debru&ccedil;ar-me, analisando primeiro o modo como a linguagem &eacute; usada para descrever a roupa no Jap&atilde;o e, seguidamente, comparando-o com o que descobri nas revistas de moda em Inglaterra no per&iacute;odo correspondente.</p>     <p><b>7. Detalhe desej&aacute;vel</b></p>     <p>S&atilde;o v&aacute;rias as palavras e express&otilde;es usadas nas revistas para descrever em pormenor as pe&ccedil;as de roupa que preenchem as suas p&aacute;ginas.<sup><a href="#50" name="top50">[50]</a></sup> Algumas destas express&otilde;es s&atilde;o puramente descritivas (&ldquo;gola alta <i>stretch</i>&rdquo;, &ldquo;camisola de ombro desca&iacute;do&rdquo;, &ldquo;cal&ccedil;as vincadas&rdquo;, etc.); e outras s&atilde;o mais avaliativas (&ldquo;<i>top</i> sensual&rdquo;, &ldquo;elegante camisa caqui&rdquo; e &ldquo;casaco feminino&rdquo;). O meu interesse reside neste &uacute;ltimo grupo de palavras e express&otilde;es, visto que s&atilde;o elas que transformam a roupa em moda, dando a conhecer diferentes estilos &agrave;s pessoas no seu dia-a-dia.</p>     <p>Diferentes revistas de moda tendem a escrever sobre moda de formas igualmente diferentes(Barthes, 1967: 21 fn 3). Algumas, como a <i>Elle</i>, s&atilde;o essencialmente descritivas, enquanto outras, como a <i>Figaro</i>, <i>Oggi</i> e <i>Marie Claire</i>, recorrem mais frequentemente a termos avaliativos. Esta diferen&ccedil;a no uso dado &agrave;s palavras e express&otilde;es depende, em certa medida, do gosto pessoal do editor de moda decada revista (por vezes subcontratado). Assim se explica porque &eacute; que um t&iacute;tulo pode mudar de tom algo subitamente, &agrave; medida que as pessoas mudam de emprego.<sup><a href="#51" name="top51">[51]</a></sup></p>     <p>De um modo geral, o discurso da moda usado nas revistas em todo o mundo expressa a capacidade do editor de reparar e informar os outros de que as coisas t&ecirc;m certas qualidades: que um vestido, por exemplo, tem um determinado corte (&ldquo;linha branca e justa&rdquo;); que uma combina&ccedil;&atilde;o de cor e tecido d&aacute; um certo &ldquo;ar&rdquo;(&ldquo;A textura e mescla de cores do <i>tweed</i> proporcionam uma sensa&ccedil;&atilde;o de luxo&rdquo;); ou que um acess&oacute;rio acrescenta um certo &ldquo;valor&rdquo; (&ldquo;os saltos met&aacute;licos acrescentam um toque de eleg&acirc;ncia&rdquo;). N&oacute;s utilizamos estes conceitos de gosto, ou termos avaliativos, para nos referirmos a um vasto conjunto de outras coisas de que desfrutamos nas nossas vidas di&aacute;rias, tais como a arte,<sup><a href="#52" name="top52">[52]</a></sup> a m&uacute;sica, o desporto e o vinho (Lehrer, 1983).</p>     <p>Facilmente compreendemos muitas destas express&otilde;es quando as lemos, mas nem sempre &eacute; t&atilde;o f&aacute;cil us&aacute;-las no dia-a-dia (a menos que sejamos membros esmerados de algum c&iacute;rculo de moda, arte ou enologia). Contudo, dificilmente iremos elogiar uma amiga pelo seu &ldquo;vestido inteligente&rdquo;, porexemplo; seria igualmente pouco prov&aacute;vel que, ao comentar a cor do vestido, nos refer&iacute;ssemos ao seu &ldquo;mono-tom atrevido&rdquo;. Algumas palavras t&ecirc;m uma dupla fun&ccedil;&atilde;o, mesmo no dia-a-dia, podendo ser usadas para descrever e avaliar, por exemplo: &ldquo;moderno&rdquo;, &ldquo;garrido&rdquo;, &ldquo;rico&rdquo;, &ldquo;seleto&rdquo; e &ldquo;justo&rdquo;. Outraspalavras, sejam escritas sejam faladas, funcionam apenas, ou principalmente, como termos avaliativosquer na moda quer no dia-a-dia (&ldquo;<i>chic</i>&rdquo;, &ldquo;elegante&rdquo;, &ldquo;feminino&rdquo;, &ldquo;deslumbrante&rdquo;, &ldquo;encantador&rdquo;, &ldquo;doce&rdquo;e &ldquo;en&eacute;rgico&rdquo;). Outras h&aacute; que raramente, ou nunca, s&atilde;o usadas com conota&ccedil;&atilde;o avaliativa. &Eacute; pouco prov&aacute;vel que mesmo os mais exuberantes editores de revista ou cr&iacute;ticos usem palavras tais como &ldquo;pegajoso&rdquo;, &ldquo;confuso&rdquo;, &ldquo;est&aacute;tico&rdquo;, ou &ldquo;ins&iacute;pido&rdquo; para descrever a moda e a roupa (Sibley, 1978: 65).</p>     <p>Os editores de revistas e cr&iacute;ticos de moda adotam certas t&eacute;cnicas de escrita sobre moda.<sup><a href="#53" name="top53">[53]</a></sup> Em primeiro lugar, podem usar uma palavra avaliativa para corroborar outra. Assim, uma blusa pode ser&ldquo;extremamente simples precisamente devido &agrave; sua forma ortodoxa&rdquo;, enquanto &ldquo;o branco deste ano n&atilde;o &eacute; somente puro e belo, mas transmite uma imagem de juventude ativa&rdquo;. No entanto, ser&atilde;o mais asvezes em que chamar&atilde;o a nossa aten&ccedil;&atilde;o para uma aprecia&ccedil;&atilde;o qualitativa, apontando ou simplesmente mencionando aspetos n&atilde;o-avaliativos mas facilmente detet&aacute;veis de uma pe&ccedil;a de roupa. Por exemplo, &ldquo;the side, sleeve and collar zipper details are brimming with adult playfulness&rdquo; (i.e. &ldquo;os fechos laterais, da manga e do colarinho convidam os adultos &agrave; brincadeira&rdquo;). Neste caso, podem facilmente recorrer a palavras e express&otilde;es n&atilde;o-avaliativas para refor&ccedil;ar a sua aplica&ccedil;&atilde;o de um termo avaliativo (<i>adult playfulness</i>) que, em &uacute;ltima an&aacute;lise, depende da presen&ccedil;a de detalhes (<i>side, sleeve, collar</i> e<i>zipper</i>) para os quais n&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio ativar mecanismos de gosto ou sensibilidade. Outros exemplos semelhantes s&atilde;o: &ldquo;uma suavidade e eleg&acirc;ncia femininas simbolizadas por Grace Kelly&rdquo;; &ldquo;nesta esta&ccedil;&atilde;o, gra&ccedil;as a materiais naturais e suaves, os acabamentos tornaram-se ainda mais rom&acirc;nticos&rdquo;; e &ldquo;uma combina&ccedil;&atilde;o de cinzentos apresenta uma diferen&ccedil;a subtil de textura&rdquo;.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em segundo lugar, como os cr&iacute;ticos profissionais de todas as &aacute;reas que <i>lato sensu</i> podemossubsumir no &ldquo;discurso est&eacute;tico&rdquo;, os escritores de moda podem optar por referir apenas as qualidadesque querem que vejamos e ignorar o resto: &ldquo;material de elevada qualidade e f&aacute;cil de usar&rdquo; ou &ldquo;umaqualidade, gra&ccedil;a e feminilidade intemporais&rdquo;. Consequentemente, passamos a acreditar que o material que se descreve &eacute; de alta qualidade, f&aacute;cil de usar e que um determinado casaco apresenta n&atilde;o s&oacute; qualidade, gra&ccedil;a e feminilidade, mas que estas tr&ecirc;s carater&iacute;sticas s&atilde;o &ldquo;intemporais&rdquo;, e por isso transcendem as fronteiras das esta&ccedil;&otilde;es. Neste caso, a qualidade do material do casaco acaba por ser tida como um dado adquirido. Ou seja, torna-se &ldquo;imaterial&rdquo;.</p>     <p>Em terceiro lugar, os escritores de moda usam frequentemente s&iacute;miles e met&aacute;foras: &ldquo;A moda de Paris e o dram&aacute;tico rejuvenescimento da alta-costura&rdquo;; &ldquo;um toque de couro, <i>sexy</i> e justo ao corpo&rdquo;;&ldquo;qualquer que seja a esta&ccedil;&atilde;o, a renda continua a seduzir as mulheres&rdquo;, entre outras. Muitas das palavras que fazem parte do vocabul&aacute;rio da moda (como equilibrado, arrojado, s&oacute;brio, dram&aacute;tico, din&acirc;mico, etc.) tornaram-se avaliativas por via de uma transfer&ecirc;ncia metaf&oacute;rica. Ou seja, embora se tenham tornado termos padr&atilde;o no discurso da moda, estas n&atilde;o s&atilde;o normalmente consideradas avaliativas exceto na escrita cr&iacute;tica e art&iacute;stica em geral. N&atilde;o dizemos da cerveja que tem um gosto &ldquo;s&oacute;brio&rdquo;, porexemplo, e t&atilde;o-pouco dizemos que a casa do nosso vizinho &eacute; &ldquo;equilibrada&rdquo; ou &ldquo;arrojada&rdquo;. Assim, a utiliza&ccedil;&atilde;o destas palavras no discurso da moda apresenta uma dimens&atilde;o quase metaf&oacute;rica (Sibley,1978: 65).</p>     <p>Em quarto lugar, os escritores de moda recorrem &agrave; repeti&ccedil;&atilde;o e reitera&ccedil;&atilde;o para refor&ccedil;ar os seus argumentos. A repeti&ccedil;&atilde;o n&atilde;o consiste apenas em usar as mesmas palavras (como realce, equil&iacute;brio, corte, linha, visual, toque e sensa&ccedil;&atilde;o) sucessivamente, mas tamb&eacute;m em juntar palavras avaliativas semelhantes ao inv&eacute;s de usar apenas uma (por exemplo, &ldquo;simples e requintado&rdquo;, &ldquo;moderno e feminino&rdquo;, &ldquo;minimalista e compacto&rdquo;). Como vou demonstrar mais adiante, a repeti&ccedil;&atilde;o leva frequentemente ao agrupamento de palavras avaliativas no discurso da moda (por exemplo, &ldquo;femininoe coquete&rdquo;, &ldquo;coquete e ousado&rdquo;, &ldquo;ousado e divertido&rdquo;).</p>     <p>Por &uacute;ltimo, os escritores de moda tamb&eacute;m estabelecem contrastes para dar &ecirc;nfase &agrave;s suas descri&ccedil;&otilde;es (por exemplo: &ldquo;quer sejam modernos quer sejam femininos, os casacos largos&hellip;&rdquo;). Estes contrastes baseiam-se na cor, no material e no corte, podendo tamb&eacute;m inspirar-se na sobreposi&ccedil;&atilde;o depe&ccedil;as de roupa e acess&oacute;rios. Por exemplo, &ldquo;uma cor clara de citrino revela uma personalidade gentil&rdquo; pode ser considerada uma afirma&ccedil;&atilde;o contrastiva dada a comum associa&ccedil;&atilde;o do amarelo a adjetivos como &ldquo;en&eacute;rgico&rdquo; e &ldquo;brilhante&rdquo;, em detrimento de outros como &ldquo;gentil&rdquo;. Do mesmo modo, &ldquo;uma silhueta marcadamente feminina misturada com o chame de um blus&atilde;o de couro&rdquo; coloca em contraste duas pe&ccedil;as de roupa &ndash; a parte de cima mais masculina e a parte de baixo feminina &ndash; aludindo &agrave; descri&ccedil;&atilde;o generalizada do couro como um material &ldquo;forte&rdquo; e &ldquo;moderno&rdquo;. Este m&eacute;todo de avalia&ccedil;&atilde;o damoda tamb&eacute;m resulta no agrupamento de termos constantes do vocabul&aacute;rio da moda atrav&eacute;s da nega&ccedil;&atilde;o (&ldquo;elegante mas atrevido&rdquo;, &ldquo;atrevido mas feminino&rdquo;, &ldquo;feminino mas moderno&rdquo;, &ldquo;moderno mas <i>sexy</i>&rdquo;, &ldquo;<i>sexy</i> mas sofisticado&rdquo;, etc.). Estes agrupamentos podem ser considerados &ldquo;n&uacute;cleos de gosto&rdquo;.</p>     <p><b>8. Vocabul&aacute;rio da moda</b></p>     <p>Ser&aacute; que existe harmonia entre a teoria e a pr&aacute;tica na maneira como as revistas usam o <i>dresscode</i> da moda? Ser&aacute; que os editores aderem &agrave;s divis&otilde;es formais criadas pela ind&uacute;stria entre silhueta, pe&ccedil;a, tecido, detalhe, cor e acess&oacute;rio? Se assim &eacute;, at&eacute; que ponto podemos afirmar que a linguagem da moda &eacute; &ldquo;global&rdquo;? E que n&iacute;vel de continuidade existe entre a produ&ccedil;&atilde;o e o consumo de moda? Prestemos aten&ccedil;&atilde;o primeiro &agrave;s revistas japonesas e depois &agrave;s brit&acirc;nicas para encontrar as respostas a estas perguntas.</p>     <p>Uma lista preliminar de palavras por mim encontradas nas revistas de moda japonesas mostra que o discurso da moda apresenta termos em ingl&ecirc;s e japon&ecirc;s, mais ou menos equitativamente divididos.<sup><a href="#54" name="top54">[54]</a></sup> Trata-se, naturalmente, de uma lista aberta, j&aacute; que o vocabul&aacute;rio da moda pode ser, e &eacute;-o quase sempre, expandido indefinidamente conforme as mudan&ccedil;as de esta&ccedil;&atilde;o e as novas tend&ecirc;ncias. De certa maneira, isto faz com que a estrutura lexical do discurso da moda seja provavelmente menos est&aacute;vel do que a dos discursos avaliativos an&aacute;logos no &acirc;mbito da est&eacute;tica e da enologia. Afinal decontas, o facto de que a &ldquo;moda&rdquo; se baseia numa mudan&ccedil;a de esta&ccedil;&atilde;o bianual, altura em que s&atilde;o apresentadas novas pe&ccedil;as (ou pe&ccedil;as antigas mas recicladas com recurso a t&eacute;cnicas de <i>bricolage</i>), significa que o discurso da moda tamb&eacute;m se rege pela &ldquo;novidade&rdquo; e pela &ldquo;originalidade&rdquo;. Ainda que sejam usadas as mesmas palavras, estas podem adquirir &ldquo;novos&rdquo; significados (como por exemplo &ldquo;o branco deste ano &eacute; puro e limpo&rdquo;, ou &ldquo;o <i>grunge</i> de hoje &eacute; uma tend&ecirc;ncia mais suave e f&aacute;cil de usar do que antes&rdquo;).</p>     <p>Concomitantemente, ao contr&aacute;rio do vocabul&aacute;rio enol&oacute;gico, as palavras avaliativas n&atilde;o costumam depender das propriedades intr&iacute;nsecas dos objetos descritos. Por exemplo, ao avaliar vinho, um termo chave como <i>equil&iacute;brio</i> expressa uma rela&ccedil;&atilde;o qu&iacute;mica entre o a&ccedil;&uacute;car e o &aacute;cido (Lehrer, 1985: 7), consolidando assim um certo n&iacute;vel de entendimento entre as pessoas que partilham uma garrafa de vinho digestivo (que, &agrave; semelhan&ccedil;a do vinho doce, dificilmente ser&aacute; descrito como sendo, por exemplo, &ldquo;&aacute;cido&rdquo; ou &ldquo;amargo&rdquo;). Na ind&uacute;stria da moda, por&eacute;m, <i>equil&iacute;brio</i>, que &eacute; tamb&eacute;m comummente usado como termo avaliativo, aplica-se a uma rela&ccedil;&atilde;o entre materiais (a &ldquo;suavidade&rdquo; da l&atilde; e a textura &ldquo;forte&rdquo; do couro), cores (preto e branco), pe&ccedil;as de guarda-roupa (fato de duas pe&ccedil;as e mala a condizer) e corte (saia <i>god&eacute;</i> e casaco justo), ou a qualquer combina&ccedil;&atilde;o destes elementos. Daqui resulta uma perda de alicerces sem&acirc;nticos, o que, como j&aacute; tivemos oportunidade de verificar, constitui uma caracter&iacute;stica do discurso da moda como um todo. Barthes estava certo a este respeito quando definiu o vestu&aacute;rio escrito como um conjunto alargado de significantes que flutuam livremente.</p>     <p>Partindo do princ&iacute;pio de que estas palavras avaliativas possuem um significado para os leitores e para os escritores, ainda que possam ser subjetivamente interpretadas, torna-se pertinente perguntarqual &eacute; a estrutura lexical desta lista. De acordo com a minha an&aacute;lise das express&otilde;es usadas nas revistas japonesas, o discurso da moda pode ser dividido em seis categorias, diferentes mas interrelacionadas, adotadas pela mesma ind&uacute;stria: <i>silhueta</i>, <i>pe&ccedil;a</i>, <i>tecido</i>, <i>detalhe</i>, <i>cor</i> e <i>acess&oacute;rio</i>. A estas seis categorias podemos acrescentar outras tr&ecirc;s, mais abrangentes, a saber: <i>gosto</i>, <i>visual</i> e <i>esta&ccedil;&atilde;o</i>.</p>     <p>Cada uma destas categorias inclui um conceito superordenado: para silhueta &eacute; <i>corpo</i>; para pe&ccedil;a, <i>guarda-roupa</i>; para detalhe, <i>t&eacute;cnica</i> (<i>gijutsu</i> em japon&ecirc;s); para cor, <i>coordena&ccedil;&atilde;o</i>; para tecido, <i>textura</i>; para acess&oacute;rio, <i>realce</i>; para gosto, <i>sensa&ccedil;&atilde;o</i> (tamb&eacute;m designado <i>kankaku</i>); para visual, <i>estilo</i> (baseado no <i>equil&iacute;brio</i> e na <i>coordena&ccedil;&atilde;o</i>); e para esta&ccedil;&atilde;o, <i>modo</i> (ou a pr&oacute;pria moda). Associados a estas categorias encontramos grupos de palavras, desde o <i>b&aacute;sico</i> ao <i>luxuoso</i> com v&aacute;rias pe&ccedil;as de vestu&aacute;rio, edo <i>cl&aacute;ssico</i> ao <i>ousado</i> com tecidos, passando por visuais que v&atilde;o do <i>glamoroso</i> ao <i>estoico</i>. Cadacategoria, com a exce&ccedil;&atilde;o da esta&ccedil;&atilde;o, inclui entre duas a cinco d&uacute;zias de adjetivos avaliativos (cada esta&ccedil;&atilde;o tem apenas uma d&uacute;zia).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Qual a frequ&ecirc;ncia destas palavras? Quantas aparecem em mais do que uma categoria? A maioria&eacute; multidimensional, em particular aquelas que, direta ou indiretamente, se referem &agrave; feminilidade e eleg&acirc;ncia. Algumas, por&eacute;m, s&atilde;o usadas em muito menos contextos. <i>Silhueta</i>, por exemplo, integra palavras como <i>compacto</i>, <i>fluido</i>, <i>delgado</i>, e <i>esbelto</i> que n&atilde;o aparecem em mais nenhuma categoria. Por seu turno, <i>cor</i> engloba conceitos como <i>akarui</i> (luz), <i>azayaka</i> (brilho), <i>calor</i>, <i>ochitsuita</i> (relaxado) e <i>pureza</i>, que n&atilde;o surgem em mais nenhuma categoria. Contudo, no c&ocirc;mputo geral, encontrei 23palavras repetidas em cinco ou mais categorias do total de nove existentes: <i>maduro</i> (<i>otonappoi</i>), <i>chic</i>,<i>cl&aacute;ssico</i>, <i>giro</i>, <i>elegante</i>, <i>feminino</i> (e o seu equivalente japon&ecirc;s <i>onnarashii</i>), <i>fresco</i>, <i>lindo</i>, <i>forte</i>, <i>luxuoso</i>, <i>masculino</i>, <i>moderno</i>, <i>nost&aacute;lgico</i>, <i>rico</i>, <i>sexy</i>, <i>seleto</i>, <i>simples</i>, <i>sofisticado, ousado</i>, <i>estiloso</i>, <i>doce</i> e &ldquo;<i>conforme as tend&ecirc;ncias deste ano</i>&rdquo; (<i>kotoshi-rashii</i>). Este conjunto de palavras constitui o n&uacute;cleo vocabular da moda japonesa presente no discurso das revistas em 2001. Mas at&eacute; onde vai a coer&ecirc;ncia deste discurso, quer em termos do <i>continuum</i> que tentei desenhar ao longo deste cap&iacute;tulo entre a produ&ccedil;&atilde;o e o consumo, quer em termos dos outros discursos de moda patentes nas revistas de outros pa&iacute;ses?</p>     <p>A resposta &agrave; primeira metade da pergunta prende-se com as previs&otilde;es de moda. Foi animadordescobrir que uma revista de tend&ecirc;ncias publicada pela ind&uacute;stria japonesa da moda apresentava, com seis meses de anteced&ecirc;ncia, as palavras-chave que se podiam ler nas revistas japonesas quando asesta&ccedil;&otilde;es chegaram &agrave;s ruas de T&oacute;quio, Osaka, Quioto e ao resto do Jap&atilde;o.<sup><a href="#55" name="top55">[55]</a></sup> Ainda assim, as exce&ccedil;&otilde;es foram suficientes em n&uacute;mero para me fazer duvidar da exist&ecirc;ncia de absoluta continuidade nas v&aacute;rias etapas que medeiam a produ&ccedil;&atilde;o e o consumo.</p>     <p>A revista <i>Fashion Color</i> apresenta sugest&otilde;es semestrais aos profissionais da ind&uacute;stria sobre as tend&ecirc;ncias da pr&oacute;xima esta&ccedil;&atilde;o em termos de silhuetas, detalhes, tecidos, acess&oacute;rios e cores. Esta revista toma por base as &ldquo;imagens-raiz&rdquo; e &ldquo;palavras-chave&rdquo; de cada esta&ccedil;&atilde;o para fornecer detalhesvisuais daqueles que provavelmente ser&atilde;o os novos &ldquo;<i>looks</i>&rdquo;. Embora n&atilde;o me tenha deparado com algumas das palavras-chave anunciadas para cada esta&ccedil;&atilde;o (<i>fant&aacute;stico</i> e <i>personalizado</i>, por exemplo)na minha leitura das revistas de moda japonesas seis meses depois, a verdade &eacute; que a maioria delas, como disse, de facto aparecia. Encontrei express&otilde;es como <i>decote sensual em V</i>, <i>minissaia gira</i>, e <i>katachi</i> (forma) <i>elegante</i> associadas a <i>silhueta</i>, por exemplo, e <i>verde vivo</i>, <i>tons pastel femininos</i> e <i>laranja azayaka</i> na categoria <i>cor</i>. Outras express&otilde;es comuns eram <i>padr&atilde;o chic</i>, <i>pormenor simples</i> e <i>estilo elegante</i>.</p>     <p>Conclui-se, portanto, que os analistas de moda usam a linguagem de modo satisfat&oacute;rio, ainda queque se baseiem em pouco mais do que a intui&ccedil;&atilde;o para fazer suposi&ccedil;&otilde;es sobre o que vai acontecer na esta&ccedil;&atilde;o seguinte. Contudo, as suas imagens-raiz ocupam uma posi&ccedil;&atilde;o mais ambivalente no fluxo dovestu&aacute;rio de moda, desde a previs&atilde;o ao consumo, passando pela produ&ccedil;&atilde;o. Enquanto os visuais de estilo militar e safari previstos para o ver&atilde;o de 2001 marcaram, de facto, presen&ccedil;a ass&iacute;dua nas p&aacute;ginas das revistas de moda japonesas durante essa esta&ccedil;&atilde;o, e embora tamb&eacute;m se fizesse alus&atilde;o ao estilo dos anos 50 e 60 bem como &agrave; moda dos anos 80 escolhidas pelos analistas, as suas refer&ecirc;ncias ao mundo do entretenimento &ndash; Madonna, moda <i>punk</i>, e a arte dos anos 60 e 70 &ndash; eram virtualmente inexistentes quando entrou a esta&ccedil;&atilde;o, assim como a sua previs&atilde;o de um interesse renovado pelo &ldquo;estilo Jacqueline Kennedy&rdquo;.</p>     <p>Talvez isto n&atilde;o seja surpreendente. Afinal de contas, os japoneses sempre se preocuparam mais com a pr&oacute;pria arte contempor&acirc;nea ou com a arte moderna europeia (principalmente o Impressionismo) do que com os movimentos art&iacute;sticos americanos das d&eacute;cadas de 60 e 70. A m&uacute;sica<i>punk</i> nunca conquistou realmente o Jap&atilde;o, tendo existido apenas marginalmente como um estilo de moda decadente. Do mesmo modo, a esposa de um presidente americano do p&oacute;s-guerra e posteriormente de um armador grego n&atilde;o teve qualquer relev&acirc;ncia para a sociedade japonesa desse per&iacute;odo. O motivo pelo qual estes elementos foram selecionados como &ldquo;imagem-raiz&rdquo; para a previs&atilde;odas tend&ecirc;ncias de moda no Jap&atilde;o permanece um mist&eacute;rio.</p>     <p>A resposta &agrave; segunda parte da pergunta acima colocada, sobre a coer&ecirc;ncia do discurso da moda, &eacute; dada pelos consumidores. Que infer&ecirc;ncias devemos n&oacute;s, enquanto <i>consumidores</i>, extrair dos textos das revistas de moda? Ser&aacute; que podemos atribuir express&otilde;es como &ldquo;fato elegante de uma pe&ccedil;a&rdquo;,&ldquo;acess&oacute;rio <i>must-have</i>&rdquo; e &ldquo;toque de sensualidade&rdquo; apenas ao virtuosismo dos editores e sua propens&atilde;o para a ostenta&ccedil;&atilde;o verbal, como imaginou Adrienne Lehrer quando, pela primeira vez, em jantares com amigos e conhecidos, ouvir falar de vinhos (Lehrer, 1985: 3), e como insinuou Roland Barthes na sua an&aacute;lise da linguagem da moda?</p>     <p>Segundo a minha investiga&ccedil;&atilde;o, a maior parte das leitoras japonesas diz prestar pouca aten&ccedil;&atilde;o ao discurso do gosto que perpassa as suas revistas de moda. As suas preocupa&ccedil;&otilde;es prendem-se, antes de mais, com os pre&ccedil;os e tamb&eacute;m, em certa medida, com as marcas (embora menos agora do que h&aacute; dez ou vinte anos). Outra das suas preocupa&ccedil;&otilde;es consiste em saber onde podem comprar aquilo que veem nas revistas para depois se poderem deslocar &agrave;s lojas em quest&atilde;o e perguntar se determinada pe&ccedil;a est&aacute; ou n&atilde;o dispon&iacute;vel em <i>stock</i>. Dizem, no entanto, que raramente ou nunca leem os floreados que, emcertas revistas, acompanham as fotografias de moda e algumas at&eacute; se riram quando souberam da exist&ecirc;ncia de escritores de moda que inventam r&oacute;is de termos avaliativos cujos significados nos transcendem totalmente (<i>wake ga wakaranai</i>).<sup><a href="#56" name="top56">[56]</a></sup></p>     <p>As minhas entrevistas com leitoras no Jap&atilde;o (e Hong Kong) v&ecirc;m corroborar os dados dainvestiga&ccedil;&atilde;o levada a cabo na Europa e nos EUA. As mulheres japonesas n&atilde;o t&ecirc;m por h&aacute;bito adotar a <i>totalidade</i> de um determinado estilo, embora n&atilde;o hesitem em conservar alguns elementos desse mesmo estilo (Kaiser e tal, 1991: 165-185). As mulheres mais jovens, por&eacute;m, parecem ser menos aventureiras e menos cr&iacute;ticas a este respeito do que as mulheres mais velhas (Crane, 2000: 208), visto n&atilde;o terem ainda amadurecido a autoconfian&ccedil;a necess&aacute;ria para se vestirem de acordo com o seu pr&oacute;prio estilo. As leitoras japonesas certamente que usam as revistas de moda para comprar osprodutos publicitados, mas fazem-no sobretudo por causa das imagens que l&aacute; <i>veem</i>. Muitas mulheres consideram que a fotografia de moda proporciona uma esp&eacute;cie de entretenimento visual (Crane, 2000: 212), tendo s&eacute;rias d&uacute;vidas acerca do vocabul&aacute;rio que as rodeia.</p>     <p><b>9. Principais looks</b></p>     <p>O que se passa noutros locais do mundo? Ser&aacute; que o discurso da moda &eacute; global e coerente? &Eacute; &oacute;bvio que aquilo que em termos culturais vale para os analistas e consumidores de moda japoneses n&atilde;o vale necessariamente para outros pa&iacute;ses e vice-versa. As refer&ecirc;ncias a Jackie Kennedy (ou Jackie Onassis), por exemplo, marcaram ampla presen&ccedil;a nas revistas de moda americanas e brit&acirc;nicas em 2001, mas o mesmo n&atilde;o aconteceu no Jap&atilde;o. A edi&ccedil;&atilde;o americana de outubro da revista <i>Marie Claire</i> publicou uma hist&oacute;ria intitulada <i>O Jackie</i>, enquanto no mesmo m&ecirc;s a <i>Elle</i> aliou o seguinte texto a uma fotografia: &ldquo;O casaco de princesa Chanel &eacute; exatamente aquilo que Jackie O. teria usado mas com um toque mais moderno&rdquo;.<sup><a href="#57" name="top57">[57]</a></sup> Ainda em outubro &ndash; embora a imagem de Jackie Kennedy tenha sido, na verdade, a imagem projetada para a <i>primavera</i> desse ano<sup><a href="#58" name="top58">[58]</a></sup> &ndash; a edi&ccedil;&atilde;o brit&acirc;nica da <i>Marie Claire</i> escrevia: &ldquo;Os estilistas modernizaram o <i>look</i> cl&aacute;ssico dos anos 60, simbolizado por Jackie O., ao estilosensual do s&eacute;culo XXI, mostrando que &eacute; voc&ecirc; que manda&rdquo;.<sup><a href="#59" name="top59">[59]</a></sup></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Mais interessante &eacute; talvez a compara&ccedil;&atilde;o de todos os termos encontrados nas revistas de modajaponesas com aqueles usados nas revistas de moda publicadas noutros pa&iacute;ses. Portanto, procedi ao mesmo tipo de an&aacute;lise das palavras e express&otilde;es usadas nas revistas brit&acirc;nicas (principalmente a <i>Vogue</i>) em 2001 para ver as rela&ccedil;&otilde;es de semelhan&ccedil;a e/ou afastamento relativamente ao material japon&ecirc;s. Esta an&aacute;lise permitiria retirar conclus&otilde;es de &acirc;mbito global sobre os principais visuais do mundo da moda.</p>     <p>Ent&atilde;o o que foi que eu descobri? No Reino Unido e no Jap&atilde;o, o discurso da moda recorreprimordialmente a imagens que, por um lado, acentuam a feminilidade sedutora e o hibridismo de g&eacute;nero e, por outro, galvanizam a sofistica&ccedil;&atilde;o do <i>glamour</i> e o estilo descontra&iacute;do das ruas. Adere&ccedil;os, bijutaria, <i>designs</i>, tecidos, <i>tops</i>, colares e vestidos s&atilde;o todos considerados <i>femininos</i> &ndash; algumas vezes na sua vertente <i>coquete</i>, outras numa perspetiva meramente <i>rom&acirc;ntica</i> &ndash; a menos que subitamenteadquiram uma dimens&atilde;o <i>masculina</i>, <i>arrapazada</i>, <i>janota</i>, <i>maria-rapaz</i> ou <i>militar</i>, com os casacos &agrave;s riscas, uniformes cl&aacute;ssicos, pe&ccedil;as ao estilo executivo, elegantes <i>tailleurs</i> de cal&ccedil;a e silhuetas delgadas. Com os seus <i>looks</i>, formas, esta&ccedil;&otilde;es e efeitos, as cole&ccedil;&otilde;es, a roupa e os acess&oacute;rios contribuem para uma &ldquo;esta&ccedil;&atilde;o arrojada, selvagem e sensual&rdquo; &ndash; com decotes fundos, tecidos agrad&aacute;veis &agrave; pele, visuaisde noite e vestidos s&oacute;brios. <i>Doce e sensual</i>, <i>suave e sensual</i> e <i>forte e sensual</i> contrastam com <i>moda de rua</i>, <i>simplicidade</i>, <i>ultrafeminino</i> e <i>charme blas&eacute;</i>. &Eacute; assim que a moda opera as suas mudan&ccedil;as c&iacute;clicasentre os estilos &ldquo;<i>touchy-feely soft</i>&rdquo; e o &ldquo;<i>don&rsquo;t-mess-with-me hard</i>&rdquo;, assim denominados pela <i>Vogue</i>brit&acirc;nica.<sup><a href="#60" name="top60">[60]</a></sup></p>     <p>A quantidade de voc&aacute;bulos partilhados indica que a ind&uacute;stria da moda, com a ajuda das revistas, conseguiu de facto criar um discurso global que pode ser usado para estimular o consumo: <i>o mais recente look de ver&atilde;o, silhuetas cl&aacute;ssicas com detalhes de sensualidade, couros luxuosos requeremacess&oacute;rios ousados, formas simples mas arrojadas, tecidos ricos, looks poderosos, silhuetasesbeltas, estilo feminino</i>, etc. Para al&eacute;m disto, as revistas de moda brit&acirc;nicas, assim como as japonesas, tamb&eacute;m empregam diversos adjetivos avaliativos, que se distribuem pelas nove categorias anteriormente mencionadas: acess&oacute;rio, cor, detalhe, tecido, pe&ccedil;a, visual, esta&ccedil;&atilde;o, silhueta e gosto. O n&uacute;mero de palavras encontradas em mais do que uma categoria foi ligeiramente inferior (20, n&atilde;o 23). No entanto, apenas onze coincidiam com as palavras encontradas nas revistas de moda japonesas. Isto indica que a moda n&atilde;o &eacute; t&atilde;o abrangente ou dominante quanto se possa pensar. N&atilde;o s&atilde;o s&oacute; apenas as imagens que s&atilde;o sujeitas a uma multiplicidade de interpreta&ccedil;&otilde;es, tamb&eacute;m a linguagem &eacute; multidimensional (Crane, 2000: 207).</p>     <p>Tanto as revistas japonesas como as brit&acirc;nicas t&ecirc;m prefer&ecirc;ncia por adjetivos como <i>chic, cl&aacute;ssico, moderno, elegante, feminino, fresco, forte, luxuoso, sexy, simples</i> e <i>sofisticado</i>. Poder-se-&aacute; dizer, ent&atilde;o, que estas palavras fazem parte de um discurso de sentido &ldquo;global&rdquo; de moda (se considerarmos que tamb&eacute;m as encontramos em edi&ccedil;&otilde;es de 2001 de revistas publicadas noutros pontos da Europa, nos EUA, Am&eacute;rica do Sul e &ndash; com alguns problemas &ndash; na parte oriental e sudeste da &Aacute;sia). Contudo, enquanto os japoneses preferem termos como <i>maduro (otonappoi), giro, lindo, masculino, moderno, nost&aacute;lgico, rico, seleto, provocante, estiloso, doce e &ldquo;deste ano&rdquo; (kotoshi-rashii), os brit&acirc;nicos centram-se mais em adjetivos como dram&aacute;tico, coquete, feminino, bonito, sedutor, sensual, suave, forte e vintage</i>.</p>     <p>Claro que algumas destas palavras podem ser tidas como varia&ccedil;&otilde;es culturais da mesma ideia, como &eacute; o caso de <i>bonito</i> ou <i>feminino</i>, por oposi&ccedil;&atilde;o a <i>giro</i>; outras (<i>sensual</i>, <i>sedutor</i> e <i>coquete</i>) claramente n&atilde;o o s&atilde;o. Isto significa, em primeiro lugar, que existem diferen&ccedil;as lingu&iacute;sticas &oacute;bvias, que devem ser levadas em conta. O discurso da moda japonesa, por exemplo, n&atilde;o costuma usar muitos dossuperlativos isolados (<i>o mais chic, o mais sensual, o mais desejado, ultrafeminino</i>) que caraterizam asrevistas angl&oacute;fonas. Nem t&atilde;o-pouco revela a predile&ccedil;&atilde;o destas &uacute;ltimas pela utiliza&ccedil;&atilde;o de chav&otilde;es etrocadilhos nos t&iacute;tulos das hist&oacute;rias (<i>Following suit, Check Mate, Take a Bow, Cover Story</i>)<sup><a href="#61" name="top61">[61]</a></sup>.</p>     <p>Em segundo lugar, existem diferentes <i>realces culturais</i>, o que se manifesta de forma evidente na escrita de moda nip&oacute;nica atrav&eacute;s do evitamento de met&aacute;foras crist&atilde;s como <i>ang&eacute;lico</i>, <i>divino</i> ou <i>deusa</i>,podendo tamb&eacute;m refletir-se no modo como certos termos chave se agrupam. Por exemplo, a escrita de moda nip&oacute;nica apresenta uma imagem de sensualidade que &eacute; <i>feminina</i> (e <i>onnarashii</i>), <i>chic, elegante, fresca</i> e <i>simples</i>, enquanto as revistas brit&acirc;nicas privilegiam uma postura assertiva e uma sensualidade <i>severa, r&iacute;gida</i> e <i>forte</i>. J&aacute; nas demonstra&ccedil;&otilde;es de sensualidade das revistas americanas predominam adjetivos como <i>coquete, provocador, tentador, luxurioso, sedutor, furtivo e selvagem</i>. Quer isto dizerque um &uacute;nico termo avaliativo cumpre diferentes fun&ccedil;&otilde;es consoante as zonas culturais do mundo da moda. Acresce ainda que as palavras nucleares dos grupos de gosto podem variar. Se nos Estados Unidos e na Inglaterra a moda equivale a <i>glamour</i><sup><a href="#62" name="top62">[62]</a></sup>, no Jap&atilde;o significa <i>eleg&acirc;ncia</i><sup><a href="#63" name="top63">[63]</a></sup>.</p>     <p>Os termos avaliativos est&atilde;o tamb&eacute;m sujeitos a diversas interpreta&ccedil;&otilde;es <i>dentro</i> de uma determinada zona cultural e entre diferentes marcas de moda. A este prop&oacute;sito, leia-se o coment&aacute;rio deTom Ford que diz que &ldquo;a mulher Yves Saint Laurent Rive Gauche tem uma sensualidade mais inteligente e intricada do que a mulher Gucci&rdquo;<sup><a href="#64" name="top64">[64]</a></sup>. Assim, o significado de <i>cada</i> uma dos cerca de 100 termos avaliativos identificados na escrita de moda japonesa, e que na sua maioria reaparece com frequ&ecirc;ncia noutros discursos de moda, depende de quem os usa, para quem, sobre quem e em quecontexto. Dito de outro modo, h&aacute; v&aacute;rios n&iacute;veis de <i>realce social</i>, que devem ser tidos em conta numaqualquer an&aacute;lise da natureza global do discurso da moda.</p>     <p><b>10. Est&eacute;tica minimalista</b></p>     <p>Este aspeto traz-me de volta ao ponto de partida baseado no trabalho de Roland Barthes e ao papel dos significados culturais no vestu&aacute;rio escrito. Procedi a uma planifica&ccedil;&atilde;o detalhada e an&aacute;lise da estrutura do vestu&aacute;rio escrito, a que chamei &ldquo;discurso do gosto&rdquo;, tendo sugerido que, ao contr&aacute;rio da opini&atilde;o de Barthes, a linguagem da moda est&aacute; claramente associada &agrave;s normas &ldquo;est&eacute;ticas&rdquo; do gosto. A minha an&aacute;lise apontou para a exist&ecirc;ncia de termos avaliativos chave que constituem o discurso damoda, sendo que estes conceitos-chave interagem n&atilde;o s&oacute; entre si mas tamb&eacute;m dentro de uma ou mais &aacute;reas avaliativas tais como a arte, a est&eacute;tica, o desporto, a m&uacute;sica e a enologia.</p>     <p>Mas que papel desempenham os conceitos-chave nestes discursos? Conforme mencionei anteriormente, a raz&atilde;o pela qual os termos avaliativos se tornam <i>palavras-chave</i> &eacute;, desde logo, o facto de congregarem v&aacute;rios significados, ao mesmo tempo que s&atilde;o lexical e sintaticamente previs&iacute;veis. Asleitoras ass&iacute;duas das revistas de moda <i>sabem</i> que o cetim &eacute; <i>requintado</i> e a renda <i>sexy</i>, que um vestido preto &eacute; <i>simples</i> e um estilo &eacute; <i>elegante</i>, que as cores garridas s&atilde;o <i>quentes</i>, as peles <i>ricas</i> e <i>luxuosas</i>, os padr&otilde;es florais <i>rom&acirc;nticos</i>, etc. Neste contexto, as palavras-chave patentes no discurso da modaconstituem um c&oacute;digo &ldquo;restrito&rdquo; (Bernstein, 1971: 118-137). As pessoas direta e indiretamente envolvidas no mundo da moda usam-nas livremente como um meio de manifesta&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&oacute; de perten&ccedil;a a esse mundo, mas tamb&eacute;m da sua exclusividade perante pessoas externas. Podem at&eacute; pensar que, como resultado disso, concordam sobre o &ldquo;significado&rdquo; de uma determinada palavra-chave.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Trata-se, no entanto, de uma ilus&atilde;o que &eacute;, no m&iacute;nimo, dupla. Em primeiro lugar, diferentes pessoascom posi&ccedil;&otilde;es distintas no mundo da moda tendem a falar sobre moda de maneiras algo discrepantes.Um cortador de tecidos, por exemplo, ir&aacute; adotar um ponto de vista muito mais t&eacute;cnico sobre um detalhe de um vestido do que um cr&iacute;tico ou um comprador. Desta forma, o discurso da moda acaba por incorporar significados ligeiramente diferentes. Em segundo lugar, conforme mencionei anteriormente, o mundo da moda est&aacute; estruturado, pelo menos formalmente, em duas esta&ccedil;&otilde;es anuais, sendo que em cada uma se introduzem altera&ccedil;&otilde;es aos artigos apresentados para consumo. Neste contexto, aspalavras-chave s&atilde;o um elemento crucial de liga&ccedil;&atilde;o entre o velho e o novo j&aacute; que, como todos osconceitos verbais chave, &ldquo;comportam uma ambival&ecirc;ncia conceptual que lhes permite assimilar a mudan&ccedil;a&rdquo; (Parkin, 1978: 305). &Eacute; por este motivo que, numa &uacute;nica esta&ccedil;&atilde;o, encontramos express&otilde;escomo a <i>tend&ecirc;ncia chic do ano</i>, a par das respetivas varia&ccedil;&otilde;es de uma palavra-chave: <i>chic selvagem, chicelegante, chic masculino, chic desleixado</i>, entre outras<sup><a href="#65" name="top65">[65]</a></sup>. Assim se explica porque &eacute; que alguns termos originalmente japoneses (como <i>onnarashii</i> e <i>j hin</i>) surgem traduzidos por equivalentes emingl&ecirc;s que, embora pr&oacute;ximos, n&atilde;o s&atilde;o totalmente id&ecirc;nticos aos termos originais em japon&ecirc;s(feminilidade e elegante). Usados por diferentes pessoas, em tempos e espa&ccedil;os diferentes, servem para demarcar e contestar um territ&oacute;rio sem&acirc;ntico em que as prefer&ecirc;ncias culturais de &acirc;mbito local interagemcom as normas globalizantes do sentido de moda.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <!-- ref --><p>Aspers, P. (2001) <i>Markets in Fashion: A Phenomenological Approach</i>, Stockholm: City University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2026693&pid=S2183-3575201300020000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Barthes, R. (1967) <i>Syst&egrave;me de la Mode</i>, Paris: &Eacute;ditions du Seuil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2026695&pid=S2183-3575201300020000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Bernstein, B. (1971) <i>Class, Codes and Control: Theoretical Studies towards a Sociology of Language</i>, New York: Schocken Books, , pp. 118-37.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2026697&pid=S2183-3575201300020000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Blumer, H. (1969) &lsquo;Fashion: From Class differentiation to Collective Selection,&rsquo; <i>The Sociological Quarterly,</i> Volume 10, N&uacute;mero 3.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Buckley, R.; Gundle, S. (2000) &lsquo;Fashion and Glamour&rsquo; in N. White and I. Griffith (eds.) <i>The Fashion Business: Theory, Practice, Image</i>, Oxford: Berg, pp. 37-54.</p>     <p>Bogatyrev, P. (1976) &lsquo;Costume as a Iign&rsquo; in L. Matejka and I.Titunik (eds.) <i>Semiotics of Art: Prague School Contributions</i>, Cambridge MA: MIT Press, pp. 13-19.</p>     <!-- ref --><p>Bourdieu, P. (1993) <i>The Field of Cultural Production</i>, Cambridge: Polity.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2026702&pid=S2183-3575201300020000400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Crane, D. (2000) <i>Fashion and its Social Agendas: Class, Gender, and Identity in Clothing</i>, Chicago: Chicago University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2026704&pid=S2183-3575201300020000400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Davis, F. (1992) <i>Fashion, Culture, and Identity</i>. Chicago: University of Chicago Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2026706&pid=S2183-3575201300020000400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Entwistle, J. (2006) &lsquo;The cultural economy of fashion buying.&rsquo; <i>Current Sociology</i>, Volume 54, Number 5: 704-24.</p>     <!-- ref --><p>Entwistle, J. (2000) <i>The Fashioned Body: Fashion, Dress and Modern Social Theory</i>, Cambridge: Polity.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2026709&pid=S2183-3575201300020000400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Griffiths, I. (2000) &ldquo;The invisible man&rdquo; in N. White and I. Griffith (eds.) <i>The Fashion Business: Theory, Practice, Image</i>, Oxford: Berg.</p>     <!-- ref --><p>Hauser, A. (1982) <i>The Sociology of Art</i>, London: Routledge and Kegan Paul.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2026712&pid=S2183-3575201300020000400013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Kaiser, S.; Nagasawa, R.; Hutton, S. (1991) &lsquo;Fashion, Postmodernity, and Personal Appearance: A Symbolic Interactionist Formulation&rsquo;, <i>Symbolic Interaction</i>, Volume 15: 165-85.</p>     <!-- ref --><p>Kondo, D. (1997) <i>About Face: Performing Race in Fashion and Theatre</i>, New York: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2026715&pid=S2183-3575201300020000400015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Lurie, A. (1981) <i>The Language of Clothes</i>, New York: Random House.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2026717&pid=S2183-3575201300020000400016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Maramotti, L. (2000) &lsquo;Connecting Creativity&rdquo; in N. White and I. Griffith (eds.) <i>The Fashion Business: Theory, Practice, Image</i>, Oxford: Berg, pp. 35-7.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>McKay, J. (2000) <i>The Magazines Handbook</i>, London: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2026720&pid=S2183-3575201300020000400018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Moulin, R. (1987) <i>The French Art Market: A Sociological View</i>, New Brunswick and London: Rutgers University Press, p. 76.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2026722&pid=S2183-3575201300020000400019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Moeran, B. (2014) <i>The Business of &copy;reativity: Toward an Anthropology of Worth</i>, Walnut Creek, CA: Left Coast Press.</p>     <!-- ref --><p>Moeran, B.; Strandgaard Pedersen, J. (eds.) (2011) <i>Negotiating Values in the Creative Industries: Fairs, Festivals, and Competitive Events</i>, Cambridge: Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2026725&pid=S2183-3575201300020000400021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Moeran, B. (2010) &ldquo;The Book Fair as a Tournament of Values&rdquo;, <i>Journal of the Royal Anthropological Institute</i> (NS), Volume 16: 138-154.</p>     <p>Moeran, B. (2004) &lsquo;A Japanese Discourse of Fashion and Taste&rsquo;, <i>Fashion Theory</i>, Volume 8, N&uacute;mero 1: 35-62. </p>     <p>Moeran, B. (1984) &ldquo;Individual, Group and Seishin: Japan&rsquo;s Internal Cultural Debate&rdquo;, <i>Man</i> (N.S.), Volume 19. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Parkin, D. (1978) <i>The Cultural Definition of Political Response</i>, London: Academic Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2026730&pid=S2183-3575201300020000400025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Sibley, F. (1978) &lsquo;Aesthetic Concepts&rsquo; in Joseph Margolis (ed.) <i>Philosophy Looks at the Arts: Contemporary Readings in Aesthetics</i>, Philadelphia: Temple University Press (PubliaCdo pela primeira vez em Philosophical Review, Volume LXVIII, 1959: 421-50.</p>     <!-- ref --><p>Smith, C. (1989) <i>Auctions: The Social Construction of Value</i>, London: Harvester Wheatsheaf.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2026733&pid=S2183-3575201300020000400027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Skov, L; Skjold, E; Moeran, B.; Larsen, F.; Csaba, F. (2009) &rsquo;The Fashion Show as an Art Form&rsquo; <i>&copy;reative Encounters Working Paper</i>, Copenhagen Business School.</p>     <p>Skov, L. (2006) &rsquo;The Role of Trade Fairs in the Global Fashion Business&rsquo;, <i>Current Sociology</i>, Volume 54, N&uacute;mero 5: 764-83.</p>     <!-- ref --><p>Wilson, E. (1987) <i>Adorned in Dreams</i>, London: Virago.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2026737&pid=S2183-3575201300020000400030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Traduzido por Jo&atilde;o Paulo Abreu Silva</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Notas</b></p>     <p><sup><a href="#top1" name="1">[1]</a></sup> <i>Vogue</i> USA, fevereiro de 1991.</p>     <p><sup><a href="#top2" name="2">[2]</a></sup> <i>Elle</i> UK, junho de 2000.</p>     <p><sup><a href="#top3" name="3">[3]</a></sup> <i>Vogue</i> UK, outubro de 2000.</p>     <p><sup><a href="#top4" name="4">[4]</a></sup> <i>Marie Claire</i> France, setembro de 1997</p>     <p><sup><a href="#top5" name="5">[5]</a></sup> Todos os exemplos foram retirados da edi&ccedil;&atilde;o brit&acirc;nica da revista <i>Vogue</i>, do outono de 2001</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top6" name="6">[6]</a></sup> <i>Elle</i> UK, outubro de 2001.</p>     <p><sup><a href="#top7" name="7">[7]</a></sup> <i>Vogue</i> UK, maio de 2001.</p>     <p><sup><a href="#top8" name="8">[8]</a></sup> <i>Marie Clair</i>e USA, outubro de 1997.</p>     <p><sup><a href="#top9" name="9">[9]</a></sup> <i>Marie Claire</i> USA, janeiro, fevereiro e mar&ccedil;o de 2001.</p>     <p><sup><a href="#top10" name="10">[10]</a></sup> <i>Elle</i> UK, janeiro de 2001.</p>     <p><sup><a href="#top11" name="11">[11]</a></sup> <i>Marie Claire</i> USA, mar&ccedil;o de 2001. As pe&ccedil;as de vestu&aacute;rio s&atilde;o multifuncionais na medida em que permitem moldar v&aacute;rias partes do corpo da mulher. A revista <i>Marie Claire</i> USA (fevereiro de 2001) diz &agrave;s leitoras que um blus&atilde;o esconde um peito pequeno; casacos compridosdisfar&ccedil;am um rabo grande; e que as riscas verticais favorecem qualquer tipo de corpo. Com a mais recente <i>lingerie</i>, pode adelga&ccedil;ar o seu corpo, tornar as suas coxas mais firmes, esconder curvas e pneus, aumentar o decote e disfar&ccedil;ar as suas imperfei&ccedil;&otilde;es. Conselhos de primeira linha para os que est&atilde;o na linha da frente da moda.</p>     <p><sup><a href="#top12" name="12">[12]</a></sup> <i>Vogue</i> UK, mar&ccedil;o de 2001.</p>     <p><sup><a href="#top13" name="13">[13]</a></sup> <i>Vogue</i> UK, fevereiro de 2001.</p>     <p><sup><a href="#top14" name="14">[14]</a></sup> <i>Vogue</i> UK, agosto de 2001.</p>     <p><sup><a href="#top15" name="15">[15]</a></sup> <i>Vogue</i> UK, maio de 2001.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top16" name="16">[16]</a></sup> John Galliano, citado na<i>Vogue</i> US, dezembro de 2001.</p>     <p><sup><a href="#top17" name="17">[17]</a></sup> <i>Vogue</i> UK, outubro de 2000.</p>     <p><sup><a href="#top18" name="18">[18]</a></sup> Leslie White, &lsquo;From power suits to girl power&rsquo;. <i>Elle</i> UK, October 2001, pp. 123-6.</p>     <p><sup><a href="#top19" name="19">[19]</a></sup> <i>Elle</i> UK, outubro de 2001.</p>     <p><sup><a href="#top20" name="20">[20]</a></sup> Justine Picardy, &rsquo;Modern fashion icons.&rsquo; <i>Vogue</i> UK, janeiro de 2001, p. 33.</p>     <p><sup><a href="#top21" name="21">[21]</a></sup> <i>Vogue</i> UK, maio de 2001.</p>     <p><sup><a href="#top22" name="22">[22]</a></sup> <i>Vogue</i> UK, junho de 1998.</p>     <p><sup><a href="#top23" name="23">[23]</a></sup> <i>Vogue</i> UK, setembro de 2001</p>     <p><sup><a href="#top24" name="24">[24]</a></sup> <i>Vogue</i> UK, 1991; Joanne Entwistle, <i>The Fashioned Body: Fashion, dress and modern social theory. Cambridge: Polity</i>, 2000, p. 237.</p>     <p><sup><a href="#top25" name="25">[25]</a></sup> <i>Vogue</i> UK, novembro de 1991.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top26" name="26">[26]</a></sup> <i>Vogue</i> UK, julho de 1991.</p>     <p><sup><a href="#top27" name="27">[27]</a></sup> <i>Vogue</i> UK, outubro de 2001.</p>     <p><sup><a href="#top28" name="28">[28]</a></sup> Conforme Bourdieu assinala (1993: 138), de forma mordaz: &lsquo;Se for um jornalista de moda, n&atilde;o deve adotar uma vis&atilde;o sociol&oacute;gica do mundo&rsquo;.</p>     <p><sup><a href="#top29" name="29">[29</a></sup> <i>Elle</i> UK, janeiro de 2001.</p>     <p><sup><a href="#top30" name="30">[30]</a></sup> Entrevista, Kazuhiro Sait , Presidente, Nikkei Cond&eacute;-Nast e Editor-Chefe, <i>Vogue Nippon</i>, T&oacute;quio, 21 de setembro de 2004.</p>     <p><sup><a href="#top31" name="31">[31]</a></sup> <i>Vogue</i> UK, mar&ccedil;o de 2001.</p>     <p><sup><a href="#top32" name="32">[32]</a></sup> Sarah Mower, &lsquo;Vogue <i>view</i>: best and worst of 2001&rsquo;. <i>Vogue</i> US, dezembro de 2001, p. 159.</p>     <p><sup><a href="#top33" name="33">[33]</a></sup> No Jap&atilde;o, &eacute; comum haver algum ajustamento sazonal devido &agrave; data de publica&ccedil;&atilde;o precoce a cada m&ecirc;s.</p>     <p><sup><a href="#top34" name="34">[34]</a></sup> <i>Vogue</i> UK, outubro de 2001.</p>     <p><sup><a href="#top35" name="35">[35]</a></sup> <i>Vogue</i> USA, dezembro de 2001.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top36" name="36">[36]</a></sup> V&aacute;rias revistas de moda disp&otilde;em agora de modelos eletr&oacute;nicos com par&acirc;metros pr&eacute;-definidos para o comprimento da hist&oacute;ria e para a dimens&atilde;o das fotos, para a formata&ccedil;&atilde;o e para os tamanhos dos t&iacute;tulos, cr&eacute;ditos e outros elementos de <i>design</i> que constituem a &ldquo;mob&iacute;lia&rdquo; de uma p&aacute;gina (ver Jenny McKay, The <i>Magazines</i> Handbook. London: Routledge, 2000, p. 122).</p>     <p><sup><a href="#top37" name="37">[37]</a></sup> <i>Vogue</i> UK, outubro de 2000.</p>     <p><sup><a href="#top38" name="38">[38]</a></sup> <i>Elle</i> Japon, novembro de 2002.</p>     <p><sup><a href="#top39" name="39">[39]</a></sup> <i>Vogue</i> UK, novembro de 1991.</p>     <p><sup><a href="#top40" name="40">[40]</a></sup> <i>Vogue</i> USA, outubro de 2001.</p>     <p><sup><a href="#top41" name="41">[41]</a></sup> Entrevista, Misao It , Editora-Chefe, Harper&rsquo;s Bazaar Jap&atilde;o, T&oacute;quio, 19 de novembro de 2002. Cf. Patrik Aspers, <i>Markets in Fashion: A phenomenological approach</i>. Stockholm: City University Press, 2001, p. 7.</p>     <p><sup><a href="#top42" name="42">[42]</a></sup> Entrevista, Mitsuko Watanabe, Diretora de Assuntos de Moda, <i>Vogue Nippon</i>, T&oacute;quio, 21 de setembro de 2004.</p>     <p><sup><a href="#top43" name="43">[43]</a></sup> Lise Skov, Else Skjold, Brian Moeran, Frederik Larsen, and Fabian Csaba, &rsquo;The fashion show as an art form.&rsquo; <i>&copy;reative Encounters</i> Working Paper, Copenhagen Business School, 2009. Muitos dos aspetos referidos nesta sec&ccedil;&atilde;o baseiam-se no presente trabalho, pelo que deixo aqui o meu agradecimento aos coautores pela permiss&atilde;o para os reproduzir aqui.</p>     <p><sup><a href="#top44" name="44">[44]</a></sup> Dorinne Kondo, <i>About Face: Performing race in fashion and theatre</i>. New York: Routledge, 1997. Atrav&eacute;s de atos de exclus&atilde;o, inclus&atilde;o e disposi&ccedil;&atilde;o de lugares, cada estilista e respetiva equipa marca uma posi&ccedil;&atilde;o acerca dos pap&eacute;is desempenhados por cada interveniente de um desfile. Um comentador de moda respeitado pode, por exemplo, ser relegado para lugares secund&aacute;rios ou mesmo exclu&iacute;do de um desfile como repres&aacute;lia devido a uma cobertura inadequada deum evento anterior.</p>     <p><sup><a href="#top45" name="45">[45]</a></sup> <i>Marie Claire</i> USA, fevereiro de 2001.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top46" name="46">[46]</a></sup> <i>Elle</i> USA, mar&ccedil;o de 2002.</p>     <p><sup><a href="#top47" name="47">[47]</a></sup> Todos os exemplos foram retirados da edi&ccedil;&atilde;o brit&acirc;nica da revista <i>Elle</i>, de novembro de 1997.</p>     <p><sup><a href="#top48" name="48">[48]</a></sup> <i>Marie Claire</i> USA, mar&ccedil;o de 2001.</p>     <p><sup><a href="#top49" name="49">[49]</a></sup> Entrevista, Mitsuko Watanabe, Diretora de Assuntos de Moda, <i>Vogue Nippon</i>, T&oacute;quio, 21 de setembro de 2004.</p>     <p><sup><a href="#top50" name="50">[50]</a></sup> O resto deste cap&iacute;tulo baseia-se em Brian Moeran, &lsquo;A Japanese discourse of fashion and taste&rsquo;, <i>Fashion Theory</i>, Volume 8, N&uacute;mero 1, 2004, pp. 35-62.</p>     <p><sup><a href="#top51" name="51">[51]</a></sup> Como aconteceu com a edi&ccedil;&atilde;o francesa da revista <i>Marie Claire</i> no final da d&eacute;cada de 1980. (Comunica&ccedil;&atilde;o pessoal, Katie Breen, ex-Diretora-Chefe Internacional, Marie Claire, Paris.)</p>     <p><sup><a href="#top52" name="52">[52]</a></sup>Frank Sibley, &lsquo;Aesthetic concepts&rsquo;. In Joseph Margolis (ed.) <i>Philosophy Looks at the Arts: Contemporary readings in aesthetics</i>. Philadelphia: Temple University Press, 1978. (Publiado pela primeira vez em Philosophical Review, Volume LXVIII, 1959, pp. 421-50.)</p>     <p><sup><a href="#top53" name="53">[53]</a></sup> O resto desta sec&ccedil;&atilde;o baseia-se em Sibley, 1978, pp. 79-81.</p>     <p><sup><a href="#top54" name="54">[54]</a></sup> Est&aacute; dispon&iacute;vel uma lista completa de termos no anexo de Moeran, 2004.</p>     <p><sup><a href="#top55" name="55">[55]</a></sup> FC, &lsquo;Trend check note: Spring 2001&rsquo;, <i>Fashion Color</i> Volume 70, 2000, pp. 6-7; and FC, &lsquo;Trend check note: Summer 2001&rsquo;, Fashion Color Volume 71, 2001, pp. 6-7.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top56" name="56">[56]</a></sup> Esta rea&ccedil;&atilde;o corrobora os resultados obtidos no estudo de Diana Crane com informantes americanos, que raramente veem os editores de moda como &ldquo;autoridades de moda&rdquo; (Crane 2000: 214).</p>     <p><sup><a href="#top57" name="57">[57]</a></sup> Elle USA, setembro de 2001, &lsquo;Stylebeat&rsquo;, p. 266.</p>     <p><sup><a href="#top58" name="58">[58]</a></sup><i>FC</i>, 2000.</p>     <p><sup><a href="#top59" name="59">[59]</a></sup> <i>Marie Claire</i> UK, outubro de 2001, &lsquo;Smart Money&rsquo;, p. 260.</p>     <p><sup><a href="#top60" name="60">[60]</a></sup> <i>Vogue</i> UK, setembro de 2001.</p>     <p><sup><a href="#top61" name="61">[61]</a></sup> Isto &eacute; algo surpreendente visto que os trocadilhos s&atilde;o um elemento central do humor japon&ecirc;s.</p>     <p><sup><a href="#top62" name="62">[62]</a></sup> R&eacute;ka Buckley and Stephen Gundle, &lsquo;Fashion and glamour&rsquo;. In N. White and I. Griffith (eds.) <i>The Fashion Business: Theory, practice, image</i>. Oxford: Berg, 2000, pp. 37-54.</p>     <p><sup><a href="#top63" name="63">[63]</a></sup> No entanto, at&eacute; onde eu sei, n&atilde;o se trata da &lsquo;servid&atilde;o da eleg&acirc;ncia&rsquo; criticada por Simone de Beauvoir. (In Elisabeth Wilson, <i>Adorned in Dreams</i>. London: Virago, 1987, p. 125.)</p>     <p><sup><a href="#top64" name="64">[64]</a></sup> <i>Elle</i> USA, setembro de 2001, p. 455.</p>     <p><sup><a href="#top65" name="65">[65]</a></sup> Num ano (2001) de edi&ccedil;&otilde;es da Vogue e Elle brit&acirc;ncias, deparei-me com as seguintes varia&ccedil;&otilde;es de <i>chic</i>: <i>aggressive chic, Boho chic, bombshell chic, bonchic, boy-chic, Brit chic, bubble-gum chic, buttoned-up chic, cartoon chic, casual chic, celluloid chic, chandelier chic, courtesan chic, deconstructed chic, fetishchic, fifties chic, girlie chic, glam chic, Grecian chic, Greek chic, gypsy chic, heroine chic, masculine chic, minimalist chic, military chic, moody chic, oh-so-chic, Parisian chic, porn chic, primitive chic, ready steady chic, rebel chic, rock chic, salvage chic, severe chic, slick chic, spiky chic, sport chic, survivor chic, tomboychic, tongue-in-chic, tough chic, trashy chic, ultra chic, urban chic e vintage chic</i>.</p>     ]]></body>
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