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<publisher-name><![CDATA[Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade - Universidade do Minho]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Preocupações éticas no jornalismo feito por não-jornalistas]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Ethical concerns in journalism done by non-journalists]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[If journalism has become post-industrial, we observe facilitators production systems, and publication of user-generated content (UGC) and the performance of professional and amateur sharing. In this context, it is necessary to question how ordinary citizens who practice acts of journalism ethically justify their work. This article draws on three episodes (England, Brazil and the West Bank) to deepen a debate on the approximation of values of amateur and professional journalists. The text also reviews examples of organizations and professionals who strive to har- monize relations in this new media ecosystem.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>NAS FRONTEIRAS DO JORNALISMO</b></p>     <p><b>Preocupa&ccedil;&otilde;es &eacute;ticas no jornalismo feito por n&atilde;o-jornalistas</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Ethical concerns in journalism done by non-journalists</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Rog&eacute;rio Christofoletti*</b></p>     <p>*Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil.</p>     <p><a href="mailto:rogerio.christofoletti@uol.com.br">rogerio.christofoletti@uol.com.br</a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Em um contexto de jornalismo p&oacute;s-industrial, onde funcionam sistemas facilitadores de produ&ccedil;&atilde;o, publica&ccedil;&atilde;o e compartilhamento de conte&uacute;dos gerados por usu&aacute;rios (CGU) e onde atuam profissionais e amadores, &eacute; necess&aacute;rio questionar em que bases &eacute;ticas se apoiam os gestos de cidad&atilde;os comuns que praticam atos de jornalismo. Este artigo recorre a tr&ecirc;s epis&oacute;dios distintos (ocorridos na Inglaterra, Cisjord&acirc;nia e Brasil) para aprofundar um debate em torno da aproxima&ccedil;&atilde;o de valores de amadores e jornalistas profissionais. O texto revisa ainda exemplos onde organiza&ccedil;&otilde;es e profissionais se esfor&ccedil;am para assimilar a presen&ccedil;a de novos atores no ecossistema midi&aacute;tico.</p>     <p><b>Palavras-chave</b>: Deontologias; jornalismo; profissionalismo; amadorismo; desafios.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>If journalism has become post-industrial, we observe facilitators production systems, and publication of user-generated content (UGC) and the performance of professional and amateur sharing. In this context, it is necessary to question how ordinary citizens who practice acts of journalism ethically justify their work. This article draws on three episodes (England, Brazil and the West Bank) to deepen a debate on the approximation of values of amateur and professional journalists. The text also reviews examples of organizations and professionals who strive to har- monize relations in this new media ecosystem.</P>     <p><b>Keywords</b>: Deontology; journalism; pro-Am; challenges.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Parecia ser uma quinta-feira como outra qualquer. Milhares de pessoas seguiam para o trabalho ou para a escola, recheando os vag&otilde;es do metr&ocirc; e os conhecidos &ocirc;nibus vermelhos de dois andares. Em menos de uma hora, quatro explos&otilde;es atingiram um &ocirc;nibus e tr&ecirc;s trens do metr&ocirc; no centro de Londres, matando 52 pessoas e ferindo outras 700. A agitada manh&atilde; de 7 de julho de 2005 entrou para a hist&oacute;ria como um triste ato terrorista, mas foi tamb&eacute;m um marco na linha do tempo da m&iacute;dia brit&acirc;nica. Segundo o jornalista Torin Douglas, foi um ponto de virada no uso de conte&uacute;do n&atilde;o-profissional no notici&aacute;rio. Para o especialista, o 7/7 &quot;democratizou&quot; a m&iacute;dia<sup><a href="#1" name="top1">[1]</a></sup>.</p>     <p>N&atilde;o foi um exagero. Os atentados provocaram muitas v&iacute;timas e uma enxurrada nas reda&ccedil;&otilde;es de material produzido por amadores. Num &uacute;nico dia, a BBC, por exemplo, recebeu 22 mil mensagens de textos e e-mails com relatos e informa&ccedil;&otilde;es, mais de 300 fotos e diversos v&iacute;deos feitos com c&acirc;meras fotogr&aacute;ficas comuns e telefones celulares. Pela primeira vez, a c&uacute;pula diretiva da criteriosa e tradicional BBC considerou aqueles v&iacute;deos amadores mais jornalisticamente relevantes que o material profissional. O Conte&uacute;do Gerado pelo Usu&aacute;rio (CGU) recebeu um outro tratamento.</p>     <p>Longe de Londres, na tumultuada Cisjord&acirc;nia, um grupo de mulheres israelenses, &quot;ativistas pela paz de todos os setores da sociedade&quot;, abastece o site Machsomwatch<sup><a href="#2" name="top2">[2]</a></sup> com relatos de viola&ccedil;&otilde;es de direitos humanos ao longo do lit&iacute;gio na regi&atilde;o. Elas n&atilde;o s&atilde;o jornalistas profissionais, mas desde 2001 fazem um trabalho an&aacute;logo: &quot;Documentamos regularmente o que vemos e ouvimos&quot;. S&atilde;o contr&aacute;rias &quot;&agrave; ocupa&ccedil;&atilde;o israelense e &agrave; nega&ccedil;&atilde;o dos direitos dos palestinos de circular livremente na sua terra&quot;. Fazem observa&ccedil;&otilde;es di&aacute;rias nos postos de checagem do ex&eacute;rcito israelense, denunciam o que consideram abusos e viola&ccedil;&otilde;es, e encaminham esses relatos a funcion&aacute;rios p&uacute;blicos e representantes eleitos, chamando a aten&ccedil;&atilde;o para o conflito na Cisjord&acirc;nia. Conforme explicam, querem &quot;influenciar a opini&atilde;o p&uacute;blica no pa&iacute;s e no mundo, e, assim, p&ocirc;r fim &agrave; ocupa&ccedil;&atilde;o destrutiva, que causa danos &agrave; sociedade israelense e &agrave; palestina&quot;<sup><a href="#3" name="top3">[3]</a></sup>.</p>     <p>Longe da Cisjord&acirc;nia, no Brasil, um heterodoxo grupo de m&iacute;dia ganhou visibilidade internacional oferecendo um conjunto de relatos independentes sobre as manifesta&ccedil;&otilde;es que chacoalharam o pa&iacute;s em junho de 2013. Sob o nome de M&iacute;dia Ninja – sigla para Narrativas Independentes, Jornalismo e A&ccedil;&atilde;o -, o coletivo re&uacute;ne ativistas, jornalistas profissionais e comunicadores amadores em torno da ideia de oferecer uma alternativa &agrave;s coberturas da m&iacute;dia tradicional. Os ninjas t&ecirc;m a&ccedil;&otilde;es descentralizadas, usam as redes sociais da internet, fazem coberturas ao vivo, sem cortes ou edi&ccedil;&atilde;o, e se concentram em temas sociais. O grupo surgiu em junho de 2011, a partir da P&oacute;s-TV, iniciativa que priorizava a transmiss&atilde;o ao vivo de conte&uacute;dos audiovisuais pela internet<sup><a href="#4" name="top4">[4]</a></sup>. Dois anos depois, um turbilh&atilde;o de protestos se espalhou como rastilho de p&oacute;lvora pelo pa&iacute;s, levando milh&otilde;es de pessoas &agrave;s ruas contra o uso de verbas p&uacute;blicas na constru&ccedil;&atilde;o de est&aacute;dios para a Copa do Mundo de 2014, contra a impunidade e a corrup&ccedil;&atilde;o na pol&iacute;tica, contra os aumentos nas tarifas de transporte p&uacute;blico, entre outros temas. As chamadas Jornadas de Junho foram as maiores mobiliza&ccedil;&otilde;es populares desde as manifesta&ccedil;&otilde;es pelo impeachmente do ent&atilde;o presidente da rep&uacute;blica Fernando Collor de Mello, em 1992. Houve passeatas em mais de 400 cidades em todos os estados brasileiros, inclusive com protestos de apoio em outras partes do mundo<sup><a href="#5" name="top5">[5]</a></sup>.</p>     <p>Em junho de 2013, os meios de comunica&ccedil;&atilde;o tradicionais tentaram cobrir as manifesta&ccedil;&otilde;es, mas tiveram dificuldades em muitas cidades, sendo inclusive hostilizados. A M&iacute;dia Ninja ofereceu um conjunto impressionante e relevante. Tanto que suas cenas foram reproduzidas e valorizadas pelas maiores emissoras de televis&atilde;o, a despeito da duvidosa qualidade t&eacute;cnica e da inadequa&ccedil;&atilde;o est&eacute;tica em muitos momentos<sup><a href="#6" name="top6">[6]</a></sup>.</p>     <p>O que h&aacute; de comum entre esses tr&ecirc;s exemplos t&atilde;o incomuns – os atentados em Londres, o monitoramento da ocupa&ccedil;&atilde;o da Cisjord&acirc;nia e os protestos no Brasil? Do ponto de vista da comunica&ccedil;&atilde;o, os epis&oacute;dios revelam tra&ccedil;os que enaltecem a participa&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico nos processos de informa&ccedil;&atilde;o, e a produ&ccedil;&atilde;o e difus&atilde;o de conte&uacute;dos jornal&iacute;sticos por amadores. Esses casos tamb&eacute;m reservam questionamentos de car&aacute;ter &eacute;tico sobre as pr&aacute;ticas e as condutas dos sujeitos dessas a&ccedil;&otilde;es. No que tange a uma reflex&atilde;o dos limites entre profissionalidade e envolvimento amador, os epis&oacute;dios tamb&eacute;m contribuem para uma defini&ccedil;&atilde;o de novos valores emergentes.</p>     <p><b>1. Se n&atilde;o pode venc&ecirc;-los&hellip;</b></p>     <p>N&atilde;o faz muito tempo, mas &eacute; sempre necess&aacute;rio lembrar: j&aacute; houve fronteiras mais n&iacute;tidas entre quem produzia material jornal&iacute;stico e quem se restringia a consumi-lo. Por d&eacute;cadas, coube a um grupo social responder pela busca, sele&ccedil;&atilde;o, tratamento, hierarquiza&ccedil;&atilde;o, contextualiza&ccedil;&atilde;o e embalamento de dados dispersos, transformando-os em informa&ccedil;&otilde;es de cunho noticioso. Esse coletivo se organizou profissionalmente, estabelecendo regras de conduta, gram&aacute;ticas t&eacute;cnicas e regras de funcionamento de forma que a sociedade pudesse distingui-lo como tal. Os jornalistas n&atilde;o apenas se tornaram uma categoria profissional como tamb&eacute;m justificaram sua exist&ecirc;ncia e a legitimidade de suas a&ccedil;&otilde;es. Atendendo a uma demanda das sociedades, o jornalismo se tornou necess&aacute;rio para a evolu&ccedil;&atilde;o das democracias e fundamental para o desenvolvimento social. A maior parte das pessoas – que n&atilde;o se ocupava desse of&iacute;cio – se limitou a ser constantemente abastecida pelos jornalistas, reconhecendo neles os aut&ecirc;nticos produtores das informa&ccedil;&otilde;es de cunho de interesse p&uacute;blico.</p>     <p>H&aacute; pelo menos duas d&eacute;cadas, come&ccedil;ou a erodir o balc&atilde;o que separava jornalistas de audi&ecirc;ncia. As potencialidades tecnol&oacute;gicas vindas da internet, da digitaliza&ccedil;&atilde;o de arquivos de texto, som e imagem, da miniaturiza&ccedil;&atilde;o de equipamentos e da converg&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica permitiram alguns efeitos altamente transformadores nas rela&ccedil;&otilde;es entre esses contingentes. A produ&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos mostrou-se cada vez mais descomplicada, o que alimentou e fortaleceu uma cultura cada vez mais global de participa&ccedil;&atilde;o e colabora&ccedil;&atilde;o. A inexist&ecirc;ncia de fronteiras geogr&aacute;ficas na internet tornou as trocas de informa&ccedil;&atilde;o mais amplas, r&aacute;pidas e efetivas. Esses componentes criaram um cen&aacute;rio de explos&atilde;o informativa e de aumento de demanda por conte&uacute;dos, derivado do tamb&eacute;m crescimento na oferta de materiais. A fartura de meios de produ&ccedil;&atilde;o e difus&atilde;o de conte&uacute;dos, e as muitas oportunidades de participa&ccedil;&atilde;o do processo de comunica&ccedil;&atilde;o propiciaram tamb&eacute;m que os usu&aacute;rios dispensassem os mediadores, aqueles que se interpunham entre p&uacute;blico e fontes de informa&ccedil;&atilde;o. O balc&atilde;o que separava produtores de consumidores ficou poroso, vazado.</p>     <p>Surpreendidos ou satisfeitos, alertados ou incomodados, profissionais do jornalismo e empresas do ramo se viram obrigados a reconhecer a cada vez mais crescente import&acirc;ncia das audi&ecirc;ncias no mercado produtivo de conte&uacute;dos. Dan Gillmor (2004) apressou-se a rebatizar de &quot;ex-p&uacute;blico&quot; esse contigente antes alijado dos processos de produ&ccedil;&atilde;o. Rosen (2006) se referiu a eles como &quot;as pessoas anteriormente conhecidas por audi&ecirc;ncia&quot;, aquelas que escrevem em seus blogs, que postam suas fotos e v&iacute;deos, que contam as hist&oacute;rias que presenciam, que compartilham o que sabem. Isto &eacute;, aquelas que surgem no fim de um sistema de m&iacute;dia unidirecional, que n&atilde;o se resignam &agrave; condi&ccedil;&atilde;o de recept&aacute;culo passivo de informa&ccedil;&otilde;es.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Bruns (2008) reuniu uso, consumo e produ&ccedil;&atilde;o num termo h&iacute;brido: &quot;produsage&quot;. Segundo argumenta, o conceito se aplica a contextos onde h&aacute; cria&ccedil;&atilde;o e extens&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o e conhecimento lideradas por sujeitos comuns; contextos onde os papeis de consumidor e usu&aacute;rio final desapareceram, dando lugar a fun&ccedil;&otilde;es mistas, onde as dist&acirc;ncias entre produtores e meros consumidores se perderam. Nessas comunidades, &quot;os usu&aacute;rios j&aacute; s&atilde;o sempre necessariamente tamb&eacute;m produtores da base de conhecimento compartilhado, independentemente de se est&atilde;o cientes desse papel, eles tornaram-se um novo, h&iacute;brido, <i>produser</i><sup><a href="#7" name="top7">[7]</a></sup>&quot; (<i>op.cit</i>.: 2).</p>     <p>Keen (2008) critica a invas&atilde;o desses amadores, reputando a eles perigos que podem inclusive deteriorar a cultura e a civiliza&ccedil;&atilde;o contempor&acirc;neas. O escopo do autor &eacute; amplo e o ataque &eacute; dirigido sobretudo &agrave;queles que produzem conte&uacute;dos de car&aacute;ter art&iacute;stico-simb&oacute;lico, desapropriando os intermedi&aacute;rios, a quem antes cabia reconhecer os talentos e os valores importantes para a sociedade.</p>     <p>Hargittai e Walejko (2008) chamam a aten&ccedil;&atilde;o para distintas formas e n&iacute;veis de participa&ccedil;&atilde;o na cria&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos e seu compartilhamento nos tempos atuais. As autoras apontam que n&atilde;o se trata apenas de diferen&ccedil;as mas tamb&eacute;m de desigualdades, notadamente entre g&ecirc;neros, o que intensifica ou pode vir a refor&ccedil;ar estruturas de assimetria social j&aacute; existentes. O alerta &eacute; bem-vindo e &eacute; natural que ele seja formulado, a exemplo de outras tantas preocupa&ccedil;&otilde;es, dado que a vida <i>on line</i> cada vez mais reproduz e multiplica os dilemas da exist&ecirc;ncia <i>off line</i> em sociedade.</p>     <p>Muitos outros autores abordaram os temas da colabora&ccedil;&atilde;o e do aumento da participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica nos processos de informa&ccedil;&atilde;o/comunica&ccedil;&atilde;o, mas o reconhecimento das audi&ecirc;ncias teve um refor&ccedil;o substancial com a edi&ccedil;&atilde;o em julho de 2011 de um volumoso documento da Federal Communications Comission (FCC), a ag&ecirc;ncia norte-americana de regula&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia. Em 468 p&aacute;ginas, o estudo produzido por Steven Waldman e seu grupo de trabalho aborda n&atilde;o s&oacute; os meios de comunica&ccedil;&atilde;o comerciais, mas tamb&eacute;m a m&iacute;dia sem fins lucrativos, atores de fora do sistema (como o governo) e quest&otilde;es transversais (como consumo de m&iacute;dia, diversidade, pessoas com defici&ecirc;ncia, por exemplo). Em todas essas se&ccedil;&otilde;es, o estudo tenta observar as transforma&ccedil;&otilde;es ocorridas na paisagem midi&aacute;tica com a chegada de novos atores e novas potencialidades. Como n&atilde;o poderia deixar de ser, o documento da FCC oferece ainda elementos para uma discuss&atilde;o sobre pol&iacute;ticas e regula&ccedil;&atilde;o do sistema de m&iacute;dia nos Estados Unidos, abordando aspectos como radiodifus&atilde;o, TV a cabo, internet e <i>mobile systems</i>, propriedade e controle dos meios, publicidade e propaganda, direitos autorais e propriedade intelectual. A conclus&atilde;o mais b&aacute;sica da FCC &eacute; que o cen&aacute;rio midi&aacute;tico vem mudando tanto e t&atilde;o rapidamente que algumas das regulamenta&ccedil;&otilde;es atuais &quot;est&atilde;o fora de sincronia com as necessidades de informa&ccedil;&atilde;o das comunidades e a natureza fluida dos mercados de m&iacute;dia locais modernos&quot; (<i>op. Cit</i>.: 6).</p>     <p>Entre as recomenda&ccedil;&otilde;es do documento est&atilde;o a necessidade de uma maior transpar&ecirc;ncia do governo para que jornalistas e cidad&atilde;os monitorem suas a&ccedil;&otilde;es; verbas publicit&aacute;rias p&uacute;blicas devem ser mais dirigidas &agrave;s m&iacute;dias locais; meios sem fins lucrativos precisam desenvolver modelos de neg&oacute;cios mais rent&aacute;veis; banda larga universal e internet aberta s&atilde;o essenciais para que a nova paisagem midi&aacute;tica sirva aos prop&oacute;sitos das comunidades; e os formuladores devem ouvir mais as comunidades historicamente carentes na elabora&ccedil;&atilde;o de suas pol&iacute;ticas de comunica&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>A FCC reconhece o paradoxo: h&aacute; abund&acirc;ncia de m&iacute;dia e car&ecirc;ncia de relat&oacute;rios e informes p&uacute;blicos. &quot;As comunidades beneficiam-se enormemente pelas muitas inova&ccedil;&otilde;es trazidas pela internet e sofrem, simultaneamente, com as mudan&ccedil;as s&iacute;smicas nos mercados de m&iacute;dia&quot; (<i>op.cit.</i>: 7). O momento &eacute; confuso, mas o relat&oacute;rio &eacute; otimista: reconhecendo as m&iacute;dias locais e as comunidades, os EUA podem alcan&ccedil;ar o melhor sistema de m&iacute;dia que o pa&iacute;s j&aacute; teve. &Eacute; importante observar que o &oacute;rg&atilde;o regulador das comunica&ccedil;&otilde;es norte-americanas distribui prerrogativas e responsabilidades para chegar &agrave; excel&ecirc;ncia midi&aacute;tica entre atores n&atilde;o-profissionais. Assim, n&atilde;o cabe apenas &agrave; ind&uacute;stria a melhoria dos servi&ccedil;os e produtos de informa&ccedil;&atilde;o e entretenimento. N&atilde;o &eacute; &agrave; toa que Anderson, Bell e Shirky (2013) analisam o cen&aacute;rio atual a partir da perspectiva de que n&atilde;o h&aacute; mais uma ind&uacute;stria jornal&iacute;stica. &quot;Antigamente, havia uma. Era uma ind&uacute;stria que se mantinha em p&eacute; por coisas que em geral mant&ecirc;m um setor em p&eacute;: a similitude de m&eacute;todos entre um grupo relativamente pequeno e uniforme de empresas e a incapacidade de algu&eacute;m de fora desse grupo criar um produto competitivo. Essas condi&ccedil;&otilde;es n&atilde;o se cumprem mais&quot; (<i>op. Cit</i>.: 32).</p>     <p>Antes, era perceptivo que havia uma &eacute;tica espec&iacute;fica para o jornalismo, j&aacute; que a profiss&atilde;o estava bem delimitada e seus contornos se davam inclusive por um conjunto de valores &eacute;ticos. Jornalistas agiam conforme um conjunto de recomenda&ccedil;&otilde;es, tinham claras virtudes e contraexemplos de a&ccedil;&atilde;o, e definiam seu campo de atua&ccedil;&atilde;o tendo em vista padr&otilde;es de conduta. Poderiam ser (e eram) cobrados quando contrariavam essas normativas deontol&oacute;gicas. Com a chegada de novos atores e consequente porosidade no campo, as quest&otilde;es &eacute;ticas podem ser estendidas tamb&eacute;m aos novatos, gerando novos pontos de tens&atilde;o e discuss&atilde;o.</p>     <p>Nos tr&ecirc;s exemplos do in&iacute;cio deste artigo – os atentados de 2005 em Londres, a ocupa&ccedil;&atilde;o da Cisjord&acirc;nia e as a&ccedil;&otilde;es da M&iacute;dia Ninja -, &eacute; poss&iacute;vel observar mudan&ccedil;as no di&aacute;logo entre fontes, produtores de informa&ccedil;&atilde;o e consumidores, n&atilde;o apenas horizontalizando esse di&aacute;logo, como muitas vezes, borrando as fronteiras entre um territ&oacute;rio e outro. Nos tr&ecirc;s casos, h&aacute; mais do que colabora&ccedil;&atilde;o ou participa&ccedil;&atilde;o da audi&ecirc;ncia. Os epis&oacute;dios podem &quot;contaminar&quot; a &eacute;tica jornal&iacute;stica (at&eacute; ent&atilde;o restrita aos profissionais) com outras preocupa&ccedil;&otilde;es ou par&acirc;metros. Podem trazer &agrave; tona o ditado de que &quot;se n&atilde;o pode venc&ecirc;-los, junte-se a eles&quot;&hellip;</p>     <p><b>2. Negocia&ccedil;&atilde;o, colis&atilde;o, assimila&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>O ditado revela em si uma generosa dose de resigna&ccedil;&atilde;o diante de um dilema que se considera insuper&aacute;vel. Mas ser&aacute; que jornalistas e usu&aacute;rios n&atilde;o-profissionalizados se relacionam sempre da mesma forma? Como as empresas de comunica&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m recebido e aproveitado o Conte&uacute;do Gerado pelo Usu&aacute;rio (CGU) em suas plataformas e produtos? A conviv&ecirc;ncia entre esses distintos contigentes sempre &eacute; entendida como um problema?</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>De olho na imprensa <i>mainstream</i> brit&acirc;nica do final da d&eacute;cada passada, Hermida e Thurman (2008) v&ecirc;em nessa aproxima&ccedil;&atilde;o um choque de culturas. Os autores fizeram um relato de como doze sites de jornais de &acirc;mbio nacional no Reino Unido promoviam a integra&ccedil;&atilde;o entre seus conte&uacute;dos e os materiais produzidos por usu&aacute;rios. Segundo perceberam, a maior proximidade vinha contribuindo para derrubar d&uacute;vidas dos <i>staffs</i> comercial e editorial sobre a import&acirc;ncia e valor desses conte&uacute;dos amadores, antes vistos com bastante desconfian&ccedil;a. Editores de &aacute;rea tamb&eacute;m foram ouvidos, na tentativa de colher temores e potencialidades na integra&ccedil;&atilde;o. Entre os receios, estava o de que n&atilde;o usar os conte&uacute;dos do p&uacute;blico pode ajudar a marginalizar os meios perante os leitores. Ainda entre as preocupa&ccedil;&otilde;es estavam a possibilidade de conte&uacute;dos de terceiros afetarem a imagem da marca das empresas de comunica&ccedil;&atilde;o (com consequ&ecirc;ncias &agrave; credibilidade de seus produtos e servi&ccedil;os) e o controle da conversa&ccedil;&atilde;o, com a clara interefer&ecirc;ncia e rigor na modera&ccedil;&atilde;o de coment&aacute;rios. Identidade profissional, reputa&ccedil;&atilde;o e aspectos legais tamb&eacute;m poderiam ser afetadas com a chegada dos amadores, temiam os editores entrevistados para a pesquisa. Neste sentido, a integra&ccedil;&atilde;o dos conte&uacute;dos amadores ao cotidiano de publica&ccedil;&otilde;es profissionais reserva desafios e o abandono de preconceitos.</p>     <p>Com os olhares ainda detidos na realidade brit&acirc;nica, Singer e Ashman (2009) se debru&ccedil;am sobre o caso do <i>The Guardian</i>, onde os jornalistas ainda assimilam e negociam suas rela&ccedil;&otilde;es com os usu&aacute;rios. Jornal tradicional, o di&aacute;rio tem buscado se adaptar aos novos meios, investindo em novas modalidades narrativas e interatividade. Em 2008, por exemplo, <i>The Guardian</i> chegou a receber 350 mil coment&aacute;rios &agrave;s suas mat&eacute;rias num &uacute;nico m&ecirc;s. Singer e Ashman observam que o r&aacute;pido crescimento de diversas formas de CGU - &quot;que v&atilde;o de coment&aacute;rios em blogs hospedados no jornal a not&iacute;cias hiperlocais - significa que o jornalista tem muito menos controle sobre o que antes era um processo essencialmente industrial de fazer not&iacute;cias&quot; (<i>op.cit.</i>: 3).</p>     <p>O estudo recorreu a entrevistas em profundidade e question&aacute;rios. Perguntados sobre marcas essenciais para o &quot;bom jornalismo&quot;, os jornalistas entrevistados mencionaram &quot;boa apura&ccedil;&atilde;o/precis&atilde;o&quot; (<i>accuracy</i>), seguida de &quot;crebilidade&quot;, &quot;responsabilidade&quot; e &quot;compet&ecirc;ncia&quot;. Os sujeitos da pesquisa tamb&eacute;m vincularam CGU a valores como &quot;livre express&atilde;o&quot;. Algumas preocupa&ccedil;&otilde;es foram percebidas, como o pouco compromisso com a autenticidade dos relatos, e como esses usu&aacute;rios t&ecirc;m potencial para degradar a credibilidade da publica&ccedil;&atilde;o e seus produtos derivados. Neste sentido, a participa&ccedil;&atilde;o amadora n&atilde;o se mostra um perigo no que tange a compet&ecirc;ncia t&eacute;cnica do p&uacute;blico, mas &agrave; autoridade do jornalista e aos seus c&acirc;nones. Um ponto de tens&atilde;o observado &eacute; o que op&otilde;e o anonimato dos usu&aacute;rios - pr&aacute;tica bastante disseminada na web – e a <i>accountability</i> dos jornalistas, um valor emergente.</p>     <p>Na pesquisa, entre os jornalistas mais tradicionais, ligados &agrave; plataforma impressa, parece vigorar uma ambival&ecirc;ncia diante da presen&ccedil;a e a&ccedil;&atilde;o dos usu&aacute;rios: ao mesmo tempo em que os profissionais destacam a necessidade de manter dist&acirc;ncia dos leitores, s&atilde;o instados a interagir com eles&hellip;</p>     <p>Singer e Ashman concluem que os jornalistas est&atilde;o lutando para &quot;acomodar eticamente as oportunidades de liberdade e di&aacute;logo dadas pelo CGU, salvaguardando a sua credibilidade e senso de responsabilidade&quot; (<i>op.cit.</i>: 18). Esses profissionais tentam incorporar quest&otilde;es levantadas pela presen&ccedil;a dos amadores dentro de um quadro normativo j&aacute; existente na empresa. Singer e Ashman se referem aos princ&iacute;pios da Scott Trust, documento que orienta os jornalistas do <i>The Guardian</i> h&aacute; d&eacute;cadas. Perdura a m&aacute;xima que o jornal carrega - &quot;Coment&aacute;rios s&atilde;o livres mas os fatos s&atilde;o sagrados&quot; -, por&eacute;m os dilemas do CGU trazem &agrave; tona desafios in&eacute;ditos, j&aacute; que o produto oferecido ao p&uacute;blico n&atilde;o &eacute; resultado exclusivo do trabalho e das decis&otilde;es dos profissionais.</p>     <p>As mudan&ccedil;as que assistimos h&aacute; duas d&eacute;cadas n&atilde;o s&atilde;o cosm&eacute;ticas, mas &quot;movimentos tect&ocirc;nicos&quot; (cf. Anderson <i>et al</i>., 2013). Para os autores, que se dedicaram a uma alentada an&aacute;lise da situa&ccedil;&atilde;o atual da realidade norte-americana, o jornalismo n&atilde;o depende mais de uma ind&uacute;stria para ser produzido e distribu&iacute;do. Ele &eacute; essencial para a vida contempor&acirc;nea, mas uma reestrutura&ccedil;&atilde;o &eacute; imprescind&iacute;vel, e muitas oportunidades de fazer um bom trabalho est&atilde;o em novas formas de atuar. Os autores reconhecem que algumas atividades s&atilde;o melhor desempenhadas por amadores, por multid&otilde;es e por m&aacute;quinas; outras por jornalistas, como convencionou ter.</p>     <blockquote>O processo do jornalismo vem sofrendo uma transforma&ccedil;&atilde;o t&atilde;o radical pelas m&atilde;os de for&ccedil;as tecnol&oacute;gicas e econ&ocirc;micas que j&aacute; n&atilde;o h&aacute; algo que possa ser descrito como &lsquo;uma ind&uacute;stria&rsquo; na qual o jornalista atuaria. Nos Estados Unidos, j&aacute; n&atilde;o h&aacute; um plano comum de carreira, um conjunto de ferramentas e modelos de produ&ccedil;&atilde;o ou uma categoria de trabalhadores est&aacute;vel e previs&iacute;vel. (<i>op. cit</i>.: 51)</blockquote>     <p>Para Anderson, Bell e Shirky, a &quot;ind&uacute;stria jornal&iacute;stica est&aacute; morta, mas o jornalismo segue vivo em muitos lugares&quot; (p.69). O advento da internet n&atilde;o permitiu apenas a emerg&ecirc;ncia de outros atores, mas um novo ecossistema jornal&iacute;stico. Assim, aos olhos dos autores, as organiza&ccedil;&otilde;es jornal&iacute;sticas dos Estados Unidos n&atilde;o teriam mais o controle das not&iacute;cias como antes, pois n&atilde;o podem garantir as coberturas dos fatos sozinhas. As recomenda&ccedil;&otilde;es do estudo v&atilde;o de aprender a trabalhar com terceiros a reconhecer e premiar a colabora&ccedil;&atilde;o, passando por incluir links para os materiais-fontes e usar o trabalho sistematizado pelos outros. Nada mais descentralizador&hellip;</p>     <p><b>3. Ensino, envolvimento e engajamento</b></p>     <p>Os debates sobre a chegada dos amadores, as estrat&eacute;gias organizacionais para o melhor aproveitamento dos conte&uacute;dos gerados pelos usu&aacute;rios e as experi&ecirc;ncias apoiadas em associa&ccedil;&atilde;o, colabora&ccedil;&atilde;o ou simbiose possibilitam afirmar que, hoje, em tese, todos podem fazer jornalismo. Em distintos graus de qualidade, para diversos p&uacute;blicos, em escalas diferentes, mas podem oferecer produtos e servi&ccedil;os que competem com o que cham&aacute;vamos de jornalismo profissional. Algumas quest&otilde;es podem se derivar dessa assertiva: O jornalismo corre risco? Ele perde com essas novas condi&ccedil;&otilde;es e com a chegada dos <i>outsiders</i>? Se a compet&ecirc;ncia t&eacute;cnica n&atilde;o se mostra como um problema, pode-se dizer o mesmo sobre a &eacute;tica? Em outras palavras, a &eacute;tica jornal&iacute;stica foi superada? Estamos pr&oacute;ximos disso? Pode-se esperar que o usu&aacute;rio siga as mesmas guias &eacute;ticas dos jornalistas profissionais? O amador pode ser cobrado se vier a contrari&aacute;-las? Est&aacute; preparado para atuar conforme tal gram&aacute;tica? Se n&atilde;o est&aacute;, como deve se orientar?</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ward e Wasserman (2010) argumentam que o crescimento da participa&ccedil;&atilde;o dos cidad&atilde;os nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o est&aacute; transformando o jornalismo e a sua &eacute;tica, fazendo com que emerja uma &quot;&eacute;tica de m&iacute;dia aberta&quot;, modalidade de interesse mais amplo. Diferente de sistemas mais fechados – geralmente, os profissionais -, essa &eacute;tica &quot;incentiva uma abordagem mais aberta e participativa&quot;, considerando que um c&oacute;digo se aplica n&atilde;o s&oacute; aos jornalistas, mas a todos os usu&aacute;rios. Uma &eacute;tica aberta permite tamb&eacute;m maior envolvimento nas discuss&otilde;es, participa&ccedil;&atilde;o efetiva e revis&atilde;o/determina&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos, por exemplo. &Eacute;ticas profissionais tendem a ser mais fechadas e o jornalismo em particular erigiu suas barreiras com sua doutrina de autonomia e objetividade, lembram Ward e Wasserman. As recentes mudan&ccedil;as na ecologia midi&aacute;tica t&ecirc;m provocado transforma&ccedil;&otilde;es tamb&eacute;m na &eacute;tica do setor. &quot;Novos meios baseados nos cidad&atilde;os est&atilde;o remodelando a &eacute;tica na m&iacute;dia, com o potencial de criar um discurso &eacute;tico global, mais inclusivo e participativo (2010: 281).</p>     <p>Os autores reconhecem que se trata de uma tarefa complexa alcan&ccedil;ar um n&iacute;vel mais aberto e global para a &eacute;tica midi&aacute;tica. Para faz&ecirc;-lo, &eacute; preciso mais hospitalidade – para que haja participa&ccedil;&atilde;o efetiva no processo -, sinceridade, toler&acirc;ncia, respeito e auto-reflex&atilde;o. Deve-se buscar a verdade e alimentar um sentido que transcenda fronteiras sociais, materiais e nacionais.</p>     <p>Um caminho seguro pode estar na educa&ccedil;&atilde;o, no ensino de &eacute;tica jornal&iacute;stica para os amadores. Quem sinaliza essa dire&ccedil;&atilde;o &eacute; a professora Jan Leach, para quem &quot;os jornalistas n&atilde;o ser&atilde;o - nem devem ser - os &uacute;nicos a levantarem quest&otilde;es &eacute;ticas e descobrirem um lugar no territ&oacute;rio digital para os padr&otilde;es de credibilidade dos conte&uacute;dos&quot; (2009: 44). Segundo explica, tais questionamentos ser&atilde;o resultantes das &quot;exig&ecirc;ncias e possibilidades deste novo ambiente de m&iacute;dia que agora abra&ccedil;a o engajamento social como uma fun&ccedil;&atilde;o essencial&quot; (p. 42).</p>     <p>A autora sinaliza aspectos onde se percebe desconex&atilde;o entre as pr&aacute;ticas jornal&iacute;sticas e as emergentes nas m&iacute;dias digitais/sociais: autentica&ccedil;&atilde;o de fontes de informa&ccedil;&atilde;o, especialmente quando os dados s&atilde;o fornecidos anonimamente; garantia da fiabilidade dos conte&uacute;dos publicados em sites/blogs hospedados em meios jornal&iacute;sticos; dissolu&ccedil;&atilde;o de conflitos de interesse; falta de fiscaliza&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas e/ou falta de presta&ccedil;&atilde;o de contas dos atos dos usu&aacute;rios<sup><a href="#8" name="top8">[8]</a></sup>. Tais lacunas sugerem a necessidade de diretrizes &eacute;ticas, afirma. Leach lembra Jay Rosen, que afirmou que o meio digital &eacute; um sistema aberto. &quot;Para praticantes digitais, o desafio ser&aacute; encontrar formas para abra&ccedil;ar este sistema aberto, sem sacrificar o que for preciso para manter a credibilidade. Aqui est&atilde;o duas recomenda&ccedil;&otilde;es: transpar&ecirc;ncia e educa&ccedil;&atilde;o&quot; (op.cit.: 44).</p>     <p>O primeiro conceito vem ganhando cada vez mais espa&ccedil;o na agenda das sociedades complexas, principalmente no que tange aos atos dos governos. Chamada de accountability, a demanda est&aacute; baseada em a&ccedil;&otilde;es transparentes e p&uacute;blicas, e presta&ccedil;&atilde;o de contas das tomadas de decis&atilde;o e resultados. Como a expectativa se espalha em todas as dire&ccedil;&otilde;es, o pr&oacute;prio jornalismo vem sendo contagiado por ela, gerando palavras de ordem como a de Jay Rosen, para quem &quot;a transpar&ecirc;ncia &eacute; a nova objetividade&quot;<sup><a href="#9" name="top9">[9]</a></sup>.</p>     <p>A segunda recomenda&ccedil;&atilde;o de Jan Leach – investir em educa&ccedil;&atilde;o – requer esfor&ccedil;os conjuntos, planejamento, perenidade de a&ccedil;&otilde;es e boa dose de abertura por parte de organiza&ccedil;&otilde;es e profissionais. Isto &eacute;, para uma efetiva educa&ccedil;&atilde;o para a m&iacute;dia (de forma geral), &eacute; necess&aacute;rio que empresas do setor e jornalistas estejam dispostos a abrir suas caixas pretas e apresentar ao p&uacute;blico como s&atilde;o produzidas as not&iacute;cias, como funcionam as reda&ccedil;&otilde;es, de que forma trabalham os profissionais, como a &aacute;rea se relaciona com outros grupos de interesse e centros de poder. Tal abertura pode contrariar interesses comerciais e corporativos. No que se refere a um nicho espec&iacute;fico de educa&ccedil;&atilde;o – aquela que abordaria conte&uacute;dos e saberes de uma &eacute;tica jornal&iacute;stica –, as mesmas dificuldades se apresentam, com alguns complicadores espec&iacute;ficos.</p>     <p>Se a &eacute;tica jornal&iacute;stica se abrir, como afirmam Ward e Wasserman, como esse processo ser&aacute; conduzido? Se antes fechada num grupo profissional, j&aacute; n&atilde;o era t&atilde;o f&aacute;cil buscar consensos para os c&oacute;digos de &eacute;tica e para seguir orienta&ccedil;&otilde;es de conduta, imagine agora numa perspectiva mais ampla, que contempla usu&aacute;rios que podem simplesmente n&atilde;o aderir aos mesmos compromissos antes assumidos pelos jornalistas diante da expectativa da sociedade. Neste sentido, engajamento &eacute;tico &eacute; um primeiro impasse a ser enfrentado. Como envolver usu&aacute;rios t&atilde;o heterog&ecirc;neos em um processo complexo e conflitante que &eacute; o da discuss&atilde;o &eacute;tica sobre a conduta pessoal e lev&aacute;-los a aceitar e assimilar um conjunto de valores que podem lhes parecer n&atilde;o-familiares? O leitor mais atento pode responder de pronto: educa&ccedil;&atilde;o &eacute; o caminho mais curto para aproximar esses contingentes distintos. Sim, mas &eacute; necess&aacute;rio lembrar que o processo educativo &eacute; uma via de m&atilde;o dupla, que envolve ensino e aprendizagem, disposi&ccedil;&atilde;o de compartilhamento, reflex&atilde;o cr&iacute;tica e de de assimila&ccedil;&atilde;o de saberes. Organiza&ccedil;&otilde;es e profissionais precisam estar dispostos a abrir um arcabou&ccedil;o &eacute;tico antes confinado; aos usu&aacute;rios cabe aceitar participar desse jogo, inclusive aumentando sua participa&ccedil;&atilde;o na discuss&atilde;o e tomadas de decis&atilde;o sobre os valores mais relevantes e as pr&aacute;ticas mais recomendadas e aceit&aacute;veis.</p>     <p>De alguma forma, a meu ver, o debate atualiza uma dicotomia externalizada na d&eacute;cada de 1990 que contrapunha dois modelos de produ&ccedil;&atilde;o de software. Raymond recorreu a uma met&aacute;fora para distingui-los: catedral e bazar<sup><a href="#10" name="top10">[10]</a></sup>. Segundo ele, o primeiro &eacute; mais fechado, pr&oacute;prio da ind&uacute;stria e das grandes corpora&ccedil;&otilde;es que se dedicam a programar e escrever c&oacute;digos de computador. Suas equipes s&atilde;o restritas e o trabalho &eacute; feito segundo uma l&oacute;gica verticalizada, com cadeias de comando expl&iacute;citas e diretrizes claras a serem seguidas. J&aacute; o &quot;bazar&quot; funciona como um grande mercado de ideias, onde se trabalha com equipes muito grandes, sem fronteiras geogr&aacute;ficas ou profissionais, sem cadeias de comando e de modo colaborativo. A l&oacute;gica cooperativa e porosa permite que a produ&ccedil;&atilde;o se mova a partir dos inputs dos participantes, com decis&otilde;es compartilhadas e responsabilidade plural. Seguindo a met&aacute;fora de Raymond, Microsoft &eacute; catedral, Mozilla &eacute; bazar. O Internet Explorer &eacute; um software-propriet&aacute;rio, resultado do modelo de produ&ccedil;&atilde;o catedral, enquanto que seu concorrente, o navegador Firefox, &eacute; derivado de uma a&ccedil;&atilde;o de bazar, &agrave; base de desenvolvedores profissionais, amadores, diletantes&hellip;</p>     <p>A hist&oacute;ria recente mostra que usu&aacute;rios dispersos e heterog&ecirc;neos s&atilde;o capazes de se articular, discutir e definir bases de condutas aceit&aacute;veis em web, na forma de netiquetas, por exemplo (cf. Christofoletti, 2011). Mas ressalto que o caso do jornalismo reserva cuidados adicionais, j&aacute; que a pr&aacute;tica afeta terceiros, incide em reputa&ccedil;&otilde;es de organiza&ccedil;&otilde;es e pessoais, e tamb&eacute;m contribui para a forma&ccedil;&atilde;o do entendimento da realidade e das ideias, conceitos e ju&iacute;zos que a comp&otilde;em. Quer dizer: &eacute; maior a escala de a&ccedil;&atilde;o, e potenciais riscos e preju&iacute;zos.</p>     <p>As observadoras da ocupa&ccedil;&atilde;o da Cisjord&acirc;nia, os amadores que ajudam a compor a M&iacute;dia Ninja e os cidad&atilde;os londrinos que &quot;cobriram&quot; os atentados em 2005 podem ter se ocupado de produzir relatos jornal&iacute;sticos ou parajornal&iacute;sticos. Tecnologicamente, estavam munidos de aparelhos que lhes permitissem faz&ecirc;-los. Emocionalmente, estavam envolvidos e dispostos a oferecer tais relatos. Mas estariam tamb&eacute;m eticamente engajados para refletir sobre cuidados e dilemas derivados da a&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica? Esses contingentes sentem necessidade desses cintur&otilde;es morais para justificar suas a&ccedil;&otilde;es? Sentem que devem satisfa&ccedil;&otilde;es aos p&uacute;blicos e demais grupos de interesses sobre tais ou quais escolhas e decis&otilde;es?</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os questionamentos n&atilde;o cessam neste artigo. Estamos todos em pleno processo de redefini&ccedil;&atilde;o de bases sociais, culturais e &eacute;ticas neste novo ecossistema midi&aacute;tico. Os amadores fazem parte da realidade atual e constituem um fen&ocirc;meno irrevers&iacute;vel. Nesses tempos em que se discute a natureza do jornalismo e de quem pode ajudar a prov&ecirc;-lo, &eacute; essencial inserir mais uma indaga&ccedil;&atilde;o: Quem est&aacute; disposto a discutir bases para uma nova &eacute;tica jornal&iacute;stica? Tal quest&atilde;o n&atilde;o ser&aacute; respondida apenas pelos profissionais. Ali&aacute;s, eles dependem tamb&eacute;m que os amadores participem dessa discuss&atilde;o para, inclusive, redeterminar os limites de suas a&ccedil;&otilde;es cotidianas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <!-- ref --><p>Anderson, C.W.; Bell, E. &amp; Shirky, C. (2013) &quot;O Jornalismo P&oacute;s-Industrial: adapta&ccedil;&atilde;o aos novos tempos&quot;, <i>Revista de Jornalismo ESPM</i>, 5, abril-maio-junho, pp. 30-89.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2012256&pid=S2183-3575201400010001000001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Bruns, A. (2008) <i>Blogs, Wikipedia, Second Life, and Beyond: From Production to Produsage</i>. New York: Peter Lang Ed.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2012258&pid=S2183-3575201400010001000002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Christofoletti, R. (2011). &quot;O caso do Brasil: Valores, c&oacute;digos de &eacute;tica e novos regramentos para o jornalismo nas redes sociais&quot;. <i>Cuadernos de Informaci&oacute;n</i>, v. 29, p. 25-34.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2012260&pid=S2183-3575201400010001000003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Christofoletti, R. &amp; Giovanaza, D. (2013). &quot;Tecnolog&iacute;a y Zonas de Tensi&oacute;n &Eacute;tica para Periodistas&quot;. <i>Cuadernos de Informaci&oacute;n</i>, v. 32, p. 27-38.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2012262&pid=S2183-3575201400010001000004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Gillmor, D. (2004) <i>We the Media: Grassroots Journalism By the People, For the People</i>. Sebastopol: O&rsquo;Reilly Media.</p>     <!-- ref --><p>Hargittai, E. &amp; Walejko, G. (2008). &quot;The Participation Divide: Content creation and sharing in the digital age&quot;, <i>Information, Communication &amp; Society</i>, 11:2, 239-256.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2012265&pid=S2183-3575201400010001000006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Hermida, A. &amp; Thurman, N. (2008) &quot;A clash of cultures: The integration of user-generated content within professional journalistic frameworks at British newspaper websites&quot;, <i>Journalism Practice</i>, 2: 3, 343-356.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2012267&pid=S2183-3575201400010001000007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Keen, A. (2008) <i>O culto do amador</i>. Rio de Janeiro: Zahar.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2012269&pid=S2183-3575201400010001000008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Leach, J. (2009) &quot;Creating Ethical Bridges From Journalism to Digital News&quot;. <i>Nieman Reports</i>, Fall&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2012271&pid=S2183-3575201400010001000009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Rosen, J. (2006) &quot;The People Formerly Known as the Audience&quot;. 27 de junho. Dispon&iacute;vel em <a href="http://archive.pressthink.org/2006/06/27/ppl_frmr.html" target="_blank">http://archive.pressthink.org/2006/06/27/ppl_frmr.html</a> Acesso em 10 de fevereiro de 2014.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2012272&pid=S2183-3575201400010001000010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Singer, J. B. &amp; Ashman, I. (2009) &quot;&lsquo;Comment Is Free, but Facts Are Sacred&rsquo;: User-generated Content and Ethical Constructs at the Guardian&quot;, <i>Journal of Mass Media Ethics</i>, 24: 3-21.</p>     <p>The Information Needs Communities. The changing media landscape in a broadband age. Edited by Steven Waldman and Working Group. Federal Communications Comission, july 2011.</p>     <!-- ref --><p>Ure, M. (2013) &quot;Dilemas &eacute;ticos y modelos deontol&oacute;gicos para el periodista usuario de medios sociales&quot;, <i>Cuadernos.Info</i>, 32, 67-76.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2012276&pid=S2183-3575201400010001000012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Ward, S. J. &amp; Wasserman, H. (2010) &quot;Towards an Open Ethics: Implications of New Media Platforms for Global Ethics Discourse&quot;, <i>Journal of Mass Media Ethics</i>, 25:275–292.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2012278&pid=S2183-3575201400010001000013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Wiesslitz, C. &amp; Ashuri, T. (2011). &quot;Moral journalists&quot;: The emergence of new intermediaries of news in an age of digital media. <i>Journalism,</i> 12: 8, 1-17.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2012280&pid=S2183-3575201400010001000014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Recebido a 13-03-2014</b></p>     <p><b>Aceite a 06-05-2014</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Notas</b></p>     <p><sup><a href="#top1" name="1">[1]</a></sup> A consta&ccedil;&atilde;o se deu um ano depois, num ruidoso artigo de 4 de julho de 2006, publicado no site da BBC News: &quot;How 7/7 &lsquo;democratized&rsquo; media&quot;. Ver: <a href="http://news.bbc.co.uk/2/hi/uk_news/5142702.stm" target="_blank">http://news.bbc.co.uk/2/hi/uk_news/5142702.stm</a> Acesso em 28 de fevereiro de 2014.</p>     <p><sup><a href="#top2" name="2">[2]</a></sup> <a href="http://www.machsomwatch.org/en" target="_blank">http://www.machsomwatch.org/en</a></p>     <p><sup><a href="#top3" name="3">[3]</a></sup> <a href="http://www.machsomwatch.org/en/about-us" target="_blank">http://www.machsomwatch.org/en/about-us</a></p>     <p><sup><a href="#top4" name="4">[4]</a></sup> O jornalista Bruno Torturra, um dos principais articuladores da M&iacute;dia Ninja, fez um relato pulsante sobre o coletivo na edi&ccedil;&atilde;o 87 da revista piau&iacute;, de dezembro de 2013. &quot;Olho da rua&quot; est&aacute; dispon&iacute;vel em <a href="http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-87/questoes-de-midia-e-politica/olho-da-rua" target="_blank">http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-87/questoes-de-midia-e-politica/olho-da-rua</a> Acessado em 10 de mar&ccedil;o de 2014.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top5" name="5">[5]</a></sup> Para uma lista das manifesta&ccedil;&otilde;es nas cidades, consultar <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Cidades_participantes_dos_ protestos_no_Brasil_em_2013" target="_blank">http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Cidades_participantes_dos_ protestos_no_Brasil_em_2013</a> Acessado em 11 de mar&ccedil;o de 2014.</p>     <p><sup><a href="#top6" name="6">[6]</a></sup> Ver: <a href="http://www.adnews.com.br/midia/globo-desmente-policia-do-rio-usando-video-do-midia-ninja" target="_blank">http://www.adnews.com.br/midia/globo-desmente-policia-do-rio-usando-video-do-midia-ninja</a> Acessado em 11 de mar&ccedil;o de 2014.</p>     <p><sup><a href="#top7" name="7">[7]</a></sup> Na verdade, o termo &quot;produser&quot; foi criado por Alvin Toffler em A Terceira Onda (Rio de Janeiro: Record, 1980), e foi reapropriado por Bruns quase trinta anos depois.</p>     <p><sup><a href="#top8" name="8">[8]</a></sup> Existem diversos autores que enumeram novos/velhos dilemas e preocupa&ccedil;&otilde;es para jornalistas em meios digitais. Algumas dessas listas s&atilde;o coincidentes e tamb&eacute;m sinalizam zonas de descompasso entre as pr&aacute;ticas decantadas no jornalismo e os h&aacute;bitos que v&atilde;o se consolidando nas m&iacute;dias sociais. Cito Ure (2013), para quem a administra&ccedil;&atilde;o de contas em redes sociais, rela&ccedil;&atilde;o com as fontes, intera&ccedil;&atilde;o com usu&aacute;rios, confirma&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es, gest&atilde;o de erros, inser&ccedil;&atilde;o de links e a distin&ccedil;&atilde;o entre conte&uacute;dos informativos e publicit&aacute;rios s&atilde;o alguns dos dilemas mais importantes para os jornalistas que se aventuram como usu&aacute;rios de m&iacute;dias sociais. Ver ainda Christofoletti e Giovanaz (2013).</p>     <p><sup><a href="#top9" name="9">[9]</a></sup> Consultar: <a href="http://journalism.colorado.edu/2014/03/14/jay-rosen-transparency-is-the-new-objectivity/" target="_blank">http://journalism.colorado.edu/2014/03/14/jay-rosen-transparency-is-the-new-objectivity/</a> Acessado em 09 de mar&ccedil;o de 2014.</p>     <p><sup><a href="#top10" name="10">[10]</a></sup> Em maio de 1997, Eric S. Raymond apresentou no Linux Kongress &quot;A catedral e o bazar&quot;, texto que se tornou uma refer&ecirc;ncia obrigat&oacute;ria para os movimentos pelos softwares livres no mundo. O documento foi atualizado diversas vezes e acabou se notabilizando como uma esp&eacute;cie de manifesto para os ativistas que se opunham ao modelo &uacute;nico do software propriet&aacute;rio. Uma vers&atilde;o pode consultada em <a href="http://www.catb.org/%7Eesr/writings/cathedral-bazaar/cathedral-bazaar/" target="_blank">http://www.catb.org/~esr/writings/cathedral-bazaar/cathedral-bazaar/</a> Acessado em 10 de mar&ccedil;o de 2014.</p>      ]]></body><back>
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