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<article-id pub-id-type="doi">10.17231/comsoc.25(2014).1875</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Para além da propaganda e da Internet: a ética do jornalismo]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[According to Herman and Chomsky's “propaganda model”, the information conveyed by the news media is largely determined, both with regard to the agenda-setting and the framing of the news, by the “persuasion industries”. Unlike those media, the Internet offers, at least for now, the possibility that different, alternative voices of citizens and civic and non-governmental organizations are freely heard. At the same time, the Internet challenges the monopoly of traditional news media to offer relevant, credible information. This possibility of citizens and organizations to use Internet to oppose to propaganda is, probably, one of the causes of the current crisis of journalism. The survival of journalism to this crisis lies not in forgetting its ethics but rather in the systematic and consistent reaffirmation of that ethics. Thus, ethics reveals itself as a necessary condition, even if not a sufficient one, to the pragmatic success of journalism.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>DA PUBLICIDADE &Agrave; PROPAGANDA</b></p>     <p><b>Para al&eacute;m da propaganda e da Internet: a &eacute;tica do jornalismo</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Beyond propaganda and the Internet: the ethics of journalism</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>J. Paulo Serra*</b></p>     <p>*Departamento de Comunica&ccedil;&atilde;o e Artes, Universidade da Beira Interior, Portugal.</p>     <p><a href="mailto:pserra@ubi.pt">pserra@ubi.pt</a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Segundo o &quot;modelo da propaganda&quot; de Herman e Chomsky, a informa&ccedil;&atilde;o veiculada pelos <i>media</i> noticiosos &eacute; determinada, em grande medida, quer em termos do agendamento quer em termos do enquadramento das not&iacute;cias, pelas &quot;ind&uacute;strias da persuas&atilde;o&quot;. Ao contr&aacute;rio desses meios, a Internet oferece, pelo menos por enquanto, a possibilidade de dar livre voz a vozes diferentes e alternativas, de cidad&atilde;os e organiza&ccedil;&otilde;es c&iacute;vicas e n&atilde;o-governamentais. Ela desafia, ao mesmo tempo, o monop&oacute;lio dos meios noticiosos tradicionais para oferecerem informa&ccedil;&atilde;o relevante e cred&iacute;vel. Esta possibilidade de cidad&atilde;os e organiza&ccedil;&otilde;es utilizarem a Internet para contrariar a propaganda constitui, provavelmente, uma das principais causas da atual crise do jornalismo. A sobreviv&ecirc;ncia do jornalismo a esta crise reside n&atilde;o num esquecimento da sua &eacute;tica mas, antes, na reafirma&ccedil;&atilde;o sistem&aacute;tica e consistente da mesma. A &eacute;tica revela-se, assim, condi&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria, ainda que n&atilde;o suficiente, do sucesso pragm&aacute;tico do jornalismo.</p>     <p><b>Palavras-chave</b>: Propaganda; internet; jornalismo; &eacute;tica.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>According to Herman and Chomsky's &quot;propaganda model&quot;, the information conveyed by the news media is largely determined, both with regard to the agenda-setting and the framing of the news, by the &quot;persuasion industries&quot;. Unlike those media, the Internet offers, at least for now, the possibility that different, alternative voices of citizens and civic and non-governmental organizations are freely heard. At the same time, the Internet challenges the monopoly of traditional news media to offer relevant, credible information. This possibility of citizens and organizations to use Internet to oppose to propaganda is, probably, one of the causes of the current crisis of journalism. The survival of journalism to this crisis lies not in forgetting its ethics but rather in the systematic and consistent reaffirmation of that ethics. Thus, ethics reveals itself as a necessary condition, even if not a sufficient one, to the pragmatic success of journalism.</p>     <p><b>Keywords</b>: Propaganda; internet; journalism; ethics.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>1. Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Depois de longas d&eacute;cadas de um apagamento suspeito na teoria da comunica&ccedil;&atilde;o, trabalhos recentes t&ecirc;m vindo a redescobrir o poder da propaganda – que entretanto escolheu, para si pr&oacute;pria, nomes com conota&ccedil;&otilde;es menos negativas como &quot;rela&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas&quot;, &quot;publicidade&quot;, &quot;comunica&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica&quot; e outros.</p>     <p>E, tal como aconteceu na &eacute;poca em que inicialmente foi teorizada por homens como Ivy Ledbetter Lee (1915)<sup><a href="#1" name="top1">[1]</a></sup> ou Edward Bernays (1928) – as primeiras d&eacute;cadas do s&eacute;culo XX -, a propaganda moderna encontra-se estreitamente ligada aos <i>media</i>. Podemos mesmo dizer que a propaganda n&atilde;o poderia existir se os <i>media</i> n&atilde;o existissem: de facto, a propaganda &eacute; propaganda <i>para os media</i> e <i>atrav&eacute;s dos media</i>, mesmo se e quando ela &eacute; produzida fora dos <i>media</i>.</p>     <p>Desde h&aacute; alguns anos que Noam Chomsky e Edward Herman, os autores do chamado &quot;modelo da propaganda&quot;, t&ecirc;m vindo a sublinhar a liga&ccedil;&atilde;o muito convenientemente esquecida entre <i>media</i> e propaganda. Mesmo se essa liga&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; assumida pela maioria dos profissionais dos <i>media</i>, a liga&ccedil;&atilde;o existe – e existe, desde logo, no sentido em que a agenda e o enquadramento dos <i>media</i> s&atilde;o, em grande parte, influenciados pelas &quot;ind&uacute;strias da persuas&atilde;o&quot; (Trevor &amp; Goldsworthy, 2008) e as companhias e institui&ccedil;&otilde;es em favor das quais elas trabalham.</p>     <p>A Internet, com a sua natureza livre e aberta – pelo menos por enquanto -, tem vindo a contribuir de forma muito relevante para impedir que os poderes pol&iacute;ticos, econ&oacute;micos e medi&aacute;ticos estabelecidos controlem de forma total o discurso p&uacute;blico, impondo a propaganda como regra. No contexto dos diversos <i>media</i>, a Internet oferece a possibilidade de que sejam ouvidas vozes alternativas que, de outro modo, n&atilde;o teriam voz: as vozes dos cidad&atilde;os individuais, das organiza&ccedil;&otilde;es c&iacute;vicas e n&atilde;o-governamentais de defesa do ambiente, dos direitos humanos, dos consumidores, etc.</p>     <p>Esta possibilidade de usar a Internet para contrariar a propaganda constitui, provavelmente, uma das causas da atual crise do jornalismo, na medida em que tende a afastar os cidad&atilde;os de um jornalismo demasiado alinhado com os interesses dominantes.</p>     <p>O jornalismo &eacute; colocado, assim, perante o seguinte dilema: ou contrariar os interesses dominantes e, desse modo, correr o risco de fal&ecirc;ncia decorrente da perda de an&uacute;ncios e patroc&iacute;nios; ou alinhar pelos interesses dominantes e, assim, perder credibilidade e p&uacute;blico para a Internet, em particular para meios como os blogues, as redes sociais, etc..</p>     <p><b>2. A dimens&atilde;o &eacute;tica do jornalismo</b></p>     <p>O jornalismo envolve uma dimens&atilde;o &eacute;tica b&aacute;sica porque &eacute; um poder, e um poder de uma natureza muito especial: o de construir a (uma) realidade e, mediante essa constru&ccedil;&atilde;o, orientar a vida de cada um de n&oacute;s. Da&iacute; que quest&otilde;es como a objetividade, a veracidade, a honestidade ou a imparcialidade da informa&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica tenham sido assumidas, praticamente desde o seu in&iacute;cio, como exig&ecirc;ncias cruciais do jornalismo como profiss&atilde;o.</p>     <p>Essa dimens&atilde;o &eacute;tica do jornalismo &eacute; muito bem identificada por Walter Lippmann quando acentua que [e]xceto no que se refere a alguns poucos assuntos acerca dos quais o nosso conhecimento &eacute; grande, n&atilde;o podemos distinguir entre relatos verdadeiros e falsos. Escolhemos, assim, entre rep&oacute;rteres fi&aacute;veis e n&atilde;o fi&aacute;veis<sup><a href="#2" name="top2">[2]</a></sup> (Lippmann, 1922: 223). Na mesma dire&ccedil;&atilde;o, Robert Park (1940) sublinha, no seu famoso ensaio sobre o tema, que as not&iacute;cias s&atilde;o a par da ci&ecirc;ncia e do senso comum - &quot;uma forma de conhecimento&quot; de que depende a nossa orienta&ccedil;&atilde;o no mundo e na sociedade e a nossa participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica – pelo que, infere-se, &eacute; de fundamental import&acirc;ncia que esse conhecimento seja o mais fi&aacute;vel poss&iacute;vel.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A alternativa ao jornalismo feito por &quot;rep&oacute;rteres fi&aacute;veis&quot; &eacute; n&atilde;o s&oacute; o mau jornalismo dos &quot;rep&oacute;rteres n&atilde;o fi&aacute;veis&quot; mas tamb&eacute;m, e sobretudo, a propaganda: &quot;Um grupo de homens, que podem evitar o acesso independente ao acontecimento, organiza a not&iacute;cia sobre o mesmo para se adequar ao seu prop&oacute;sito&quot;<sup><a href="#3" name="top3">[3]</a></sup> (Lippmann, 1922: 42). O mesmo &eacute; dizer que a propaganda n&atilde;o &eacute; propriamente uma mentira, mas antes uma &quot;verdade&quot; contada de forma criativa, enviesada e interessada.<sup><a href="#4" name="top4">[4]</a></sup></p>     <p>&Eacute; precisamente a consci&ecirc;ncia do poder do jornalismo nas sociedades contempor&acirc;neas e da sua irrevog&aacute;vel dimens&atilde;o &eacute;tica que explica que, ao longo do seu desenvolvimento, o jornalismo e os jornalistas tenham sido criticados, frequentemente, por falta de &eacute;tica – sendo que essas cr&iacute;ticas foram, em grande medida, incorporadas reflexivamente no pr&oacute;prio processo de constru&ccedil;&atilde;o do jornalismo como profiss&atilde;o e como deontologia.</p>     <p><i>Os exemplos das cr&iacute;ticas dirigidas aos jornalistas e ao jornalismo, logo nos prim&oacute;rdios do jornalismo dito &quot;objetivo&quot;, s&atilde;o abundantes. Mencionamos, a seguir, apenas quatro, dois referentes a Portugal e dois referentes ao Reino Unido e aos EUA.</i></p>     <p>No caso de Portugal, temos em mente a cr&iacute;tica mordaz de E&ccedil;a de Queir&oacute;s ao jornalismo &quot;encomendado e pago&quot; de Palma Caval&atilde;o e da sua <i>Corneta do Diabo</i> retratado em <i>Os Maias</i> (Queiroz, 1888: 266-286); ou, ainda, a cr&iacute;tica crua de Fialho de Almeida, nas suas <i>Pasquinadas</i> (1890), aos jornalistas e aos jornais vendidos aos interesses pessoais, pol&iacute;ticos e econ&oacute;micos do seu tempo:</p>     <blockquote>Os jornaes que se sustentam, teem todos um intuito qualquer d'ordem secreta; &aacute; parte este ou aquelle, quasi todos foram fundados para a aerosta&ccedil;&atilde;o politica d'um nome, para a defesa d'um syndicato, ou para fazer ganhar dinheiro a um imbecil. (Almeida, 1904: 216)</blockquote>     <p>Quanto ao Reino Unido, numa das suas novelas do Padre Brown, Chesterton p&otilde;e o correspondente Francis Finn a escrever a Mr. Edward Nutt, &quot;o diligente editor do <i>The Daily Reformer</i>&quot;,<sup><a href="#5" name="top5">[5]</a></sup> que &quot;o jornalismo consiste, em larga medida, em dizer &lsquo;Lord Jones morreu' a pessoas que nunca souberam que Lord Jones estava vivo&quot;<sup><a href="#6" name="top6">[6]</a></sup> (Chesterton, 1914: 164) - uma afirma&ccedil;&atilde;o que, para al&eacute;m de evidenciar o facto de o jornalismo construir a realidade social, tamb&eacute;m se pode interpretar como significando que essa constru&ccedil;&atilde;o &eacute; muitas vezes feita no desprezo pela realidade quotidiana das pessoas comuns, substitu&iacute;da pelo mundo long&iacute;nquo dos not&aacute;veis. Num outro texto, significativamente intitulado &quot;A tirania do mau jornalismo&quot; (<i>The tyranny of bad journalism</i>), Chesterton acusa a imprensa (<i>Press</i>) de ser</p>     <blockquote>&quot;uma conspira&ccedil;&atilde;o de uns poucos milion&aacute;rios, todos suficientemente semelhantes quanto ao tipo para estarem de acordo sobre os limites do que esta grande na&ccedil;&atilde;o (da qual fazemos parte) pode saber sobre si mesma e sobre os seus amigos e inimigos&quot;<sup><a href="#7" name="top7">[7]</a></sup> (Chesterton, 1917: 201).</blockquote>     <p>No que respeita aos EUA, o escritor Upton Sinclair, referindo a grave crise que afeta o mundo do seu tempo (p&oacute;s-I Guerra Mundial), acentua a import&acirc;ncia da exist&ecirc;ncia de informa&ccedil;&atilde;o verdadeira sobre o conjunto do corpo social, que permita decis&otilde;es r&aacute;pidas e esclarecidas sobre os problemas detetados. Ora, interroga-se (afirma) Sinclair, [e] se os nervos dos quais dependemos para o conhecimento deste corpo social nos desse informa&ccedil;&otilde;es falsas acerca da sua condi&ccedil;&atilde;o?&quot;<sup><a href="#8" name="top8">[8]</a></sup> (Sinclair, 1919: 9).</p>     <p><b>3. O modelo da propaganda revisitado</b></p>     <p>De acordo com as palavras bem conhecidas de um dos pais fundadores da propaganda moderna, Edward Bernays – o famoso sobrinho de Sigmund Freud –, a propaganda &eacute; &quot;a manipula&ccedil;&atilde;o consciente e inteligente dos h&aacute;bitos e opini&otilde;es organizadas das massas&quot;, constituindo os criadores dessa manipula&ccedil;&atilde;o &quot;um governo invis&iacute;vel que &eacute; o verdadeiro poder dominante do nosso pa&iacute;s&quot;<sup><a href="#9" name="top9">[9]</a></sup> (Bernays, 1928: 9).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Sublinhando tamb&eacute;m o car&aacute;cter manipulador da atividade, Harold Lasswell, outro dos teorizadores da propaganda moderna, nomeadamente na sua vertente pol&iacute;tica – j&aacute; que Bernays se dedicou mais &agrave; vertente comercial da coisa -, definiu-a como &quot;a gest&atilde;o das atitudes coletivas atrav&eacute;s da manipula&ccedil;&atilde;o de s&iacute;mbolos significativos. A palavra atitude &eacute; tomada aqui no sentido de uma tend&ecirc;ncia a agir de acordo com determinados padr&otilde;es de avalia&ccedil;&atilde;o&quot;<sup><a href="#10" name="top10">[10]</a></sup> (Lasswell, 1927: 627). E, tal como Lasswell d&aacute; a entender, a propaganda perfeita – ou o &quot;crime perfeito&quot;, como mais tarde diria Baudrillard (1996) – ser&aacute; aquela que consegue levar o indiv&iacute;duo a pensar que foi ele pr&oacute;prio que deliberou fazer aquilo que a propaganda o levou, de facto, a fazer (Lasswell, 1927: 628).</p>     <p>As conota&ccedil;&otilde;es negativas e mesmo pejorativas que os termos &quot;propaganda&quot; e &quot;manipula&ccedil;&atilde;o&quot; adquiriram a partir das pr&aacute;ticas nazi-fascistas e comunistas antes da II Guerra Mundial e durante a mesma, levaram os seus teorizadores a troc&aacute;-los por termos mais in&oacute;cuos e aceit&aacute;veis como &quot;rela&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas&quot;, &quot;comunica&ccedil;&atilde;o&quot; e assim por diante.</p>     <p>Contudo, podemos desde logo perguntar-nos se mudar as palavras mudou, de fato, a pr&oacute;pria coisa; se n&atilde;o se tratou, tamb&eacute;m neste dom&iacute;nio, de uma mera quest&atilde;o nominal. A resposta a esta nossa pergunta por parte dos autores do chamado &quot;modelo da propaganda&quot;, Chomsky e Herman, &eacute; a de que, com esse ou outro nome, nunca deix&aacute;mos de estar submetidos &agrave; influ&ecirc;ncia da propaganda.</p>     <p>De acordo com o &quot;modelo da propaganda&quot;, os <i>media</i> noticiosos filtram a informa&ccedil;&atilde;o que comunicam ao p&uacute;blico com base em fatores como a propriedade (capitalista e concentrada), a publicidade (principal fonte de rendimento), as fontes (predomin&acirc;ncia das fontes do poder pol&iacute;tico e econ&oacute;mico), a cr&iacute;tica (como meio de disciplinar a linha editorial) e a ideologia anticomunista (que recentemente ter&aacute; perdido for&ccedil;a). Como acentuam os criadores do modelo, estes filtros &quot;estabelecem as premissas do discurso e da interpreta&ccedil;&atilde;o, e a defini&ccedil;&atilde;o do que &eacute; notici&aacute;vel em primeiro lugar&quot;<sup><a href="#11" name="top11">[11]</a></sup> (Herman &amp; Chomsky, 1988: 2).</p>     <p>E se, tal como afirma a teoria do agendamento (McCombs &amp; Shaw, 1972), os <i>media</i> noticiosos estabelecem a agenda p&uacute;blica e o respetivo enquadramento e, fazendo isso, constituem o que n&oacute;s chamamos &quot;a realidade&quot;, ent&atilde;o o &quot;modelo da propaganda&quot; pode ser visto, tamb&eacute;m, como uma explica&ccedil;&atilde;o da forma como se estabelece essa agenda e esse enquadramento: quem diz, o qu&ecirc;, como, e com que objetivos (sen&atilde;o mesmo com que efeitos).</p>     <p><b><i>4.</i> As ind&uacute;strias da persuas&atilde;o e os <i>media</i></b></p>     <p>As ind&uacute;strias da persuas&atilde;o (Pearson &amp; Turner, 1965) – ag&ecirc;ncias de rela&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas, de publicidade, de comunica&ccedil;&atilde;o e an&aacute;logas –, cuja atividade se centra em fornecer &quot;informa&ccedil;&otilde;es&quot; e &quot;not&iacute;cias&quot; aos <i>media</i>, constituem, certamente, os mais poderosos dos filtros mencionados por Herman e Chomsky.</p>     <p>Com efeito, de acordo com os c&aacute;lculos de certos autores (Trevor &amp; Goldsworthy, 2008: 24-25), quer no Reino Unido quer nos Estados Unidos, cerca de metade das &quot;not&iacute;cias&quot; que lemos/ouvimos/vemos nos <i>media</i> ter&atilde;o origem nos escrit&oacute;rios das ind&uacute;strias da persuas&atilde;o. Outros autores, como Stauber e Rampton (1995), recorrem a uma enorme quantidade de casos para evidenciar a forma como as ind&uacute;strias da persuas&atilde;o e os <i>media</i> trabalham em conjunto para enganar os cidad&atilde;os e os consumidores – n&atilde;o mentindo mas, como j&aacute; dissemos atr&aacute;s, contanto a &quot;verdade&quot; de uma forma muito criativa e apropriada aos interesses das corpora&ccedil;&otilde;es e outras entidades ao servi&ccedil;o das quais se encontram.</p>     <p>Esta rela&ccedil;&atilde;o entre ind&uacute;strias da persuas&atilde;o e <i>media</i>, esta confus&atilde;o intencional entre propaganda e not&iacute;cias n&atilde;o &eacute;, obviamente, uma cria&ccedil;&atilde;o recente – ela constitui, de facto, a pr&oacute;pria ess&ecirc;ncia da propaganda moderna. Como escreveu Bernays no seu cl&aacute;ssico sobre o tema,</p>     <blockquote>A p&aacute;gina um do <i>New York Times</i>, no dia em que estes par&aacute;grafos s&atilde;o escritos, cont&eacute;m oito not&iacute;cias importantes. Quatro delas, ou seja, metade, s&atilde;o propaganda. O leitor casual aceita-as como relatos de acontecimentos espont&acirc;neos. Mas s&ecirc;-lo-&atilde;o?<sup><a href="#12" name="top12">[12]</a></sup> (Bernays, 1928: 23)</blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Neste mesmo sentido, e depois de mencionar algumas das campanhas bem-sucedidas levadas a cabo pelo propagandista americano, Larry Tie conclui que &quot;a per&iacute;cia especial de Bernays aqui, como em todos os seus encargos estrangeiros, consistia em lidar com a imprensa&quot;<sup><a href="#13" name="top13">[13]</a></sup> (Tye, 2002: 183).</p>     <p>Apesar de os trabalhos que cit&aacute;mos e outros similares provarem que o &quot;crime&quot; (ainda) n&atilde;o &eacute; perfeito – ao ponto de, por vezes, a propaganda produzir o seu pr&oacute;prio descr&eacute;dito –, nunca conheceremos a real dimens&atilde;o do engano a que, diariamente, nos encontramos sujeitos. Mas podemos, ainda assim, suspeitar dela.</p>     <p>Esta suspeita &eacute;, sem d&uacute;vida, uma das principais causas da crise de confian&ccedil;a que hoje enfrentamos na economia, na pol&iacute;tica, nos <i>media</i>, nos mais diversos setores da sociedade. Em todos estes sectores, os cidad&atilde;os sentem que aquilo que sabem &eacute; apenas uma pequena parte da hist&oacute;ria, uma pequena parte do que deviam saber, qui&ccedil;&aacute; nem sequer a parte essencial; e que decis&otilde;es de que eles n&atilde;o conhecem nem as causas nem os prop&oacute;sitos reais controlam, de forma irrevog&aacute;vel, a sua vida.</p>     <p>Contudo, e como reconhece um dos autores do &quot;modelo da propaganda&quot;, este n&atilde;o implica que n&atilde;o existam &quot;<i>media</i> alternativos, fontes de informa&ccedil;&atilde;o de base, e ceticismo p&uacute;blico sobre a veracidade dos <i>media</i>&quot;<sup><a href="#14" name="top14">[14]</a></sup> (Herman, 2003: 3).</p>     <p>A Internet &eacute;, sem d&uacute;vida, o meta-meio ou plataforma que suporta muitos desses &quot;<i>media</i> alternativos&quot; que permitem a cidad&atilde;os e organiza&ccedil;&otilde;es c&iacute;vicas e n&atilde;o-governamentais a produ&ccedil;&atilde;o, difus&atilde;o e troca de conte&uacute;dos n&atilde;o veiculados ou secundarizados pelos <i>media mainstream</i> - e, assim, tornar publicamente vis&iacute;veis temas, enquadramentos e perspetivas que, de outra forma, n&atilde;o se tornariam vis&iacute;veis. Ora, a informa&ccedil;&atilde;o acerca desses temas, enquadramentos e perspetivas n&atilde;o conformes com os interesses pol&iacute;ticos e econ&oacute;micos dominantes &eacute; um requisito para a discuss&atilde;o livre e igualit&aacute;ria que, tal como enfatizado por autores como Habermas (1989), &eacute; essencial para a delibera&ccedil;&atilde;o e decis&atilde;o democr&aacute;ticas.</p>     <p>Essa informa&ccedil;&atilde;o pode mesmo, algumas vezes, impedir ou reorientar decis&otilde;es dadas como irrevog&aacute;veis pelas ind&uacute;strias da persuas&atilde;o e pelas corpora&ccedil;&otilde;es e entidades para as quais elas trabalham, como procuramos mostrar com os dois exemplos seguintes.</p>     <p><b>5. Os casos do ambiente e da defesa do consumidor</b></p>     <p>Se h&aacute; &aacute;reas em que a informa&ccedil;&atilde;o alternativa tornada poss&iacute;vel pela Internet &eacute; essencial, essas &aacute;reas s&atilde;o, sem d&uacute;vida, as do ambiente e da defesa do consumidor - seja porque ambas s&atilde;o &aacute;reas essenciais para a vida de todos n&oacute;s, seja porque nelas se defrontam interesses poderosos e muitas vezes obscuros, seja ainda porque os <i>media</i> noticiosos tendem a olhar para os temas destas &aacute;reas como temas noticiosos relativamente menores.</p>     <p>Na primeira &aacute;rea &eacute; bem conhecida, em Portugal, a associa&ccedil;&atilde;o ambiental Quercus (<a href="http://www.quercus.pt" target="_blank">www.quercus.pt</a>). No seu s&iacute;tio web, a Quercus descreve-se a si mesma da seguinte forma:</p>     <blockquote>A Quercus &eacute; uma Organiza&ccedil;&atilde;o N&atilde;o Governamental de Ambiente (ONGA) portuguesa fundada a 31 de outubro de 1985.         ]]></body>
<body><![CDATA[<p></p>         <p>&Eacute; uma associa&ccedil;&atilde;o independente, apartid&aacute;ria, de &acirc;mbito nacional, sem fins lucrativos e constitu&iacute;da por cidad&atilde;os que se juntaram em torno do mesmo interesse pela Conserva&ccedil;&atilde;o da Natureza e dos Recursos Naturais e na Defesa do Ambiente em geral, numa perspectiva de desenvolvimento sustentado. [&hellip;]<sup><a href="#15" name="top15">[15]</a></sup>   </blockquote>     <p>Durante as &uacute;ltimas d&eacute;cadas, a Quercus tem vindo a conduzir, em Portugal – e, em muitos casos, em associa&ccedil;&atilde;o com as suas cong&eacute;neres estrangeiras nos seus respetivos pa&iacute;ses –, algumas importantes campanhas sobre o ambiente, nomeadamente contra os alimentos geneticamente modificados (<i>GM foods</i>), o nuclear ou as barragens hidroel&eacute;tricas.</p>     <p>Na &aacute;rea da defesa do consumidor, a grande refer&ecirc;ncia portuguesa &eacute; a DECO (<a href="http://www.deco.proteste.pt/" target="_blank">www.deco.proteste.pt/</a>), que se apresenta a si mesma do seguinte modo:</p>     <blockquote>A DECO - Associa&ccedil;&atilde;o Portuguesa para a Defesa do Consumidor tem como miss&atilde;o a defesa dos direitos e leg&iacute;timos interesses dos consumidores. Fundada a 12 de fevereiro de 1974, a DECO tem vindo a refor&ccedil;ar a sua imagem de relevante institui&ccedil;&atilde;o de interesse p&uacute;blico, estatuto adquirido em 1978, conquistando ao longo dos anos um elevado n&uacute;mero de associados, contando, atualmente, com cerca de 400 000 membros associados. [&hellip;]<sup><a href="#16" name="top16">[16]</a></sup></blockquote>     <p>Tamb&eacute;m nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas a DECO tem levado a cabo campanhas de grande relevo em mat&eacute;rias como os pre&ccedil;os da eletricidade e do g&aacute;s, as taxas dos servi&ccedil;os banc&aacute;rios, os contratos de fideliza&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os, ou, mais recentemente, a mudan&ccedil;a compulsiva da televis&atilde;o anal&oacute;gica para a TDT (Televis&atilde;o Digital Terrestre), a prop&oacute;sito da qual a DECO decidiu mesmo levar a ANACOM (Autoridade Nacional de Comunica&ccedil;&otilde;es) a tribunal.<sup><a href="#17" name="top17">[17]</a></sup></p>     <p>As campanhas da Quercus e da DECO s&atilde;o conduzidas geralmente em confronto com os interesses pol&iacute;ticos e corporativos instalados e as ind&uacute;strias da persuas&atilde;o que os servem – como o ilustra, claramente, o que se passou a prop&oacute;sito do projeto da EDP para a constru&ccedil;&atilde;o de um conjunto de novas barragens h&iacute;dricas em rios como o Sabor ou o Tua, aprovado pelo governo portugu&ecirc;s em 2009, e de que tratei de forma detalhada num outro texto (Serra, 2010).</p>     <p>Mesmo se &eacute; verdade que alguma da informa&ccedil;&atilde;o produzida por associa&ccedil;&otilde;es como a Quercus ou a DECO &eacute; veiculada pelos <i>media mainstream</i> – ou, pelo menos, por alguns deles –, n&atilde;o &eacute; menos verdade que as for&ccedil;as em presen&ccedil;a s&atilde;o incomensur&aacute;veis, e que o silenciamento <i>de facto</i> da parte mais fraca &eacute; quase sempre a regra. E n&atilde;o falamos apenas da maior predisposi&ccedil;&atilde;o dos <i>media mainstream</i> para veicular a &quot;informa&ccedil;&atilde;o&quot; das corpora&ccedil;&otilde;es e entidades do poder, mas tamb&eacute;m dos meios que estas mobilizam em campanhas de marketing, publicidade e rela&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas (o caso da campanha da EDP sobre as novas barragens &eacute; um bom exemplo disso mesmo).</p>     <p>E &eacute; a&iacute; que a Internet, com todos os seus meios – o s&iacute;tio web, o Facebook, o YouTube, os blogues, etc. –, tem vindo a desempenhar um papel crucial, incluindo, em alguns casos, o de agendamento dos <i>media mainstream</i>. No caso particular do s&iacute;tio web de cada um destas organiza&ccedil;&otilde;es, ele oferece um conjunto de informa&ccedil;&otilde;es essenciais sobre as quest&otilde;es em agenda e os direitos dos cidad&atilde;os que estes n&atilde;o encontram, ou encontram muito dificilmente, em qualquer outro meio – e que representam, sem d&uacute;vida, uma forma de dar maior poder e iniciativa aos cidad&atilde;os.</p>     <p><b>6. A Internet e a esfera p&uacute;blica</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O &quot;modelo da propaganda&quot; pode ser visto, em grande medida, como uma explicita&ccedil;&atilde;o da tese habermasiana da refeudaliza&ccedil;&atilde;o da esfera p&uacute;blica (Habermas, 1989). Mais especificamente, o modelo procura explicar o papel que desempenham, nesta refeudaliza&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o s&oacute; as ind&uacute;strias da persuas&atilde;o – e as corpora&ccedil;&otilde;es que as empregam – mas tamb&eacute;m os <i>media mainstream</i> e os seus jornalistas.</p>     <p>O que se observa na maior parte das campanhas da Quercus e da DECO, referidas atr&aacute;s, &eacute; que, tal como acentuado por Gans (2004), h&aacute; uma tend&ecirc;ncia generalizada dos jornalistas para darem prioridade a &quot;fontes do poder&quot; (<i>powerful sources</i>) e, consequentemente, a considerar os comunicados de imprensa (<i>press releases</i>) ou as informa&ccedil;&otilde;es que prov&ecirc;m dessas fontes como as verdadeiras &quot;not&iacute;cias&quot;.</p>     <p>No entender de Gans, os jornalistas adotam esta pr&aacute;tica para lidarem com os problemas do tempo e da credibilidade das fontes – e, obviamente, com o problema econ&oacute;mico (necessidade de poupar). Contudo, esta &eacute; uma pr&aacute;tica que, em &uacute;ltima an&aacute;lise, desacredita os jornalistas, na medida em que ela evidencia o sil&ecirc;ncio que eles imp&otilde;em &agrave;s fontes menos poderosas e, portanto, a sua falta de imparcialidade.</p>     <p>Num tal contexto, a Internet pode ser – e &eacute;, de facto – um meio cr&iacute;tico para os cidad&atilde;os e as organiza&ccedil;&otilde;es c&iacute;vicas e n&atilde;o-governamentais, e respetivas causas. A Internet propicia a estes cidad&atilde;os e organiza&ccedil;&otilde;es uma voz que, parafraseando o dito de Bateson acerca da informa&ccedil;&atilde;o, pode ser uma diferen&ccedil;a que faz a diferen&ccedil;a. E isso &eacute; ainda mais importante se tivermos em conta que a Internet &eacute; um meio n&atilde;o s&oacute; em crescimento cont&iacute;nuo e exponencial, mas tamb&eacute;m preferido, de forma crescente, pelas pessoas mais jovens e com maior n&iacute;vel de instru&ccedil;&atilde;o – o que faz com que os <i>media mainstream</i> percam alguma da sua domin&acirc;ncia nas nossas sociedades.</p>     <p>O que acabamos de dizer n&atilde;o exclui que a Internet seja, tamb&eacute;m ela, um meio densamente povoado por corpora&ccedil;&otilde;es e outras organiza&ccedil;&otilde;es estabelecidas, incluindo aqui as medi&aacute;ticas. Ou que, por exemplo, a maior parte dos blogues n&atilde;o tenda a basear-se em not&iacute;cias fornecidas pelos <i>media mainstream</i>. No entanto, e ao contr&aacute;rio do que acontece nestes <i>media</i>, a Internet permite um jogo de poderes e contrapoderes que n&atilde;o exclui a recusa e a revolta dos economicamente e politicamente mais fracos. Como sublinha Foucault,</p>     <blockquote>O poder &eacute; apenas um certo tipo de rela&ccedil;&atilde;o entre indiv&iacute;duos. [&hellip;] A caracter&iacute;stica distintiva do poder &eacute; que alguns homens podem determinar mais ou menos inteiramente a conduta de outros homens – mas nunca exaustivamente ou coercivamente. [&hellip;] N&atilde;o h&aacute; poder sem recusa ou revolta potenciais.<sup><a href="#18" name="top18">[18]</a></sup> (Foucault, 1981: 253)</blockquote>     <p>A abertura da Internet e a aus&ecirc;ncia nela de um controlo centralizado tornam praticamente imposs&iacute;vel que as ind&uacute;strias da persuas&atilde;o calem todas as vozes. Com a Internet, na Internet, h&aacute; sempre algu&eacute;m para contar a hist&oacute;ria, ou o outro lado da hist&oacute;ria dominante.</p>     <p><b>7. Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></p>     <p>Do que dissemos at&eacute; aqui conclui-se, em primeiro lugar, que a atual crise do jornalismo deriva, em grande parte, do fato de que os cidad&atilde;os, insatisfeitos com a propaganda que encontram nos <i>media mainstream</i>, se viram para a Internet e para os meios n&atilde;o especificamente noticiosos &agrave; procura de informa&ccedil;&atilde;o alternativa. E for&ccedil;oso &eacute; reconhecer que, muitas vezes, s&oacute; a&iacute; conseguem encontrar informa&ccedil;&atilde;o cred&iacute;vel e relevante.</p>     <p>Deste modo, o jornalismo encontra-se literalmente apertado entre a propaganda e a Internet, num caminho cada vez mais estreito e num equil&iacute;brio cada vez mais inst&aacute;vel. O risco pode ser n&atilde;o apenas a fal&ecirc;ncia do jornalismo tal como o conhecemos mas tamb&eacute;m, com essa fal&ecirc;ncia, a oclus&atilde;o da esfera p&uacute;blica e da vida p&uacute;blica tal como a temos conhecido ao longo dos &uacute;ltimos dois s&eacute;culos. At&eacute; porque, como se sabe, a Internet &eacute; um espa&ccedil;o ca&oacute;tico de informa&ccedil;&otilde;es, onde muitas vezes &eacute; dif&iacute;cil distinguir entre a informa&ccedil;&atilde;o que &eacute; cred&iacute;vel e relevante e a informa&ccedil;&atilde;o que o n&atilde;o &eacute; - pelo que tamb&eacute;m ela exige os pr&oacute;prios jornalistas como fornecedores de grande parte da informa&ccedil;&atilde;o cred&iacute;vel e relevante que nela circula, e que alimenta meios como os blogues e outros.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Mas pergunta-se: o que &eacute; que tudo isto tem a ver com a &eacute;tica do jornalismo? A segunda conclus&atilde;o que queremos extrair do que dissemos &eacute; a de que, precisamente, a &eacute;tica &eacute; a &uacute;nica forma de o jornalismo contrariar a crescente fuga dos seus p&uacute;blicos n&atilde;o apenas para a Internet mas, nesta, dos <i>media</i> noticiosos para meios mais &quot;comunit&aacute;rios&quot; – ou seja, mais fechados e paroquiais – como o Facebook, o Twiter ou certos blogues.</p>     <p>&Eacute; certo que, habitualmente, a &eacute;tica &eacute; vista como oposta &agrave; pragm&aacute;tica. Assim, enquanto a primeira est&aacute; orientada para os fins, a segunda est&aacute; orientada para os meios (em vista de certos fins); enquanto a primeira se guia por valores como a liberdade, a equidade e o respeito pela pessoa humana, a segunda guia-se por valores como o sucesso e a efic&aacute;cia.</p>     <p>No entanto, o que acontece no jornalismo – dir-se-ia, nas pr&aacute;ticas discursivas em geral – &eacute; que o seu sucesso depende, antes de mais, do seu respeito pelos valores morais; a pragm&aacute;tica depende da &eacute;tica. Sem respeito pelo outro e por valores da&iacute; decorrentes como a veracidade, a honestidade e a imparcialidade, o jornalismo est&aacute;, mais cedo ou mais tarde, condenado ao fracasso.</p>     <p>Assim, e para concluir: entre a gaiola de ferro da propaganda e a anarquia da Internet, o jornalismo deve procurar (novamente) o seu pr&oacute;prio caminho – um caminho centrado na investiga&ccedil;&atilde;o, na veracidade e na imparcialidade.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <p>Almeida, F. (1904) &lsquo;Os jornalistas' in <i>Pasquinadas (Jornal d' um vagabundo)</i>, Porto: Lello &amp; Irm&atilde;o, pp. 211-221.</p>     <!-- ref --><p>Baudrillard, J. (1996) <i>The Perfect Crime</i>, London and New York: Verso Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2012404&pid=S2183-3575201400010001100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Bernays, E. (1923) <i>Crystallizing Public Opinion</i>, New York: Boni and Liveright.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2012406&pid=S2183-3575201400010001100003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Bernays, E. (1928) <i>Propaganda</i>, New York: Horace Liveright.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2012408&pid=S2183-3575201400010001100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Chesterton, G. (1914) <i>The Wisdom of Father Brown</i>, London, New York, Toronto and Melbourne: Gassell and Company, Ltd.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2012410&pid=S2183-3575201400010001100005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Chesterton, G. (1917) &lsquo;The Tyranny of Bad Journalism' in <i>Utopia of Usurers and Other Essays</i>, New York: Boni and Liveright, pp. 200-208.</p>     <p>Chomsky, N. (1997) &lsquo;What Makes Mainstream Media Mainstream', <i>Z Magazine</i>, October, 1997 [<a href="http://www.chomsky.info/articles/199710--.htm" target="_blank">http://www.chomsky.info/articles/199710--.htm</a>, consultado em 15/02/2014].</p>     <!-- ref --><p>Ewen, S. (1996) <i>PR: A Social History of Spin</i>, New York: Basic Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2012414&pid=S2183-3575201400010001100008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Foucault, M. (1981) &lsquo;Omnes et Singulatim: Towards a Criticism of Political Reason' in McMurrin, S. (ed.) (1981) <i>The Tanner Lectures on Human Values</i>, Vol. 2, Salt Lake City: University of Utah Press, pp. 223-54.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Habermas, J. (1989) <i>The Structural Transformation of the Public Sphere: An Inquiry into a Category of Bourgeois Society</i>, Cambridge MA: The MIT Press.</p>     <!-- ref --><p>Herman, E. &amp; Chomsky, N. (1988) <i>Manufacturing Consent: The Political Economy of the Mass Media</i>, New York: Pantheon Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2012418&pid=S2183-3575201400010001100011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Herman, E. (1996) &lsquo;The Propaganda Model Revisited', <i>Monthly Review</i>, July, 1996, [<a href="http://www.chomsky.info/onchomsky/199607--.htm" target="_blank">http://www.chomsky.info/onchomsky/199607--.htm</a>, consultado em 15/02/2014].</p>     <p>Herman, E. (2003) &lsquo;The Propaganda Model: A Retrospective', <i>Against All Reason</i>, 1: 1-14 [<a href="http://human-nature.com/reason/" target="_blank">http://human-nature.com/reason/</a>, consultado em 15/02/2014].</p>     <!-- ref --><p>Gans, H. (2004) <i>Deciding What's News: A Study of CBS Evening News, NBC Nightly News, Newsweek and Time,</i> Evanston: Northwestern University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2012422&pid=S2183-3575201400010001100014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Judd, D. &amp; Hellinger, D. (1995) &lsquo;Persuasion Industry and Media Join in Manipulating Public', <i>St. Louis Journalism Review</i>&cedil; 25 (179): 1-3.</p>     <p>Klaehn, J. (2002) &lsquo;A Critical Review and Assessment of Herman and Chomsky's Propaganda Model', <i>European Journal of Communication,</i> 17 (2): 147–182.</p>     <p>Lasswell, H. (1927) &lsquo;The Theory of Political Propaganda', <i>The American Political Science Review</i>, 21 (3): 627-631.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Lee, I. L. (1915) <i>Human Nature and the Railroads</i>, Philadelphia: E S Nash &amp; Co.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2012427&pid=S2183-3575201400010001100018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Lippmann, W. (1922): <i>Public Opinion</i>, New York: Harcourt, Brace &amp; Company.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2012429&pid=S2183-3575201400010001100019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Mccombs, M. &amp; Shaw, D. (1972) &lsquo;The Agenda-setting Function of Mass Media', <i>Public Opinion Quarterly</i>, 36: 176-187.</p>     <!-- ref --><p>Morris, T. &amp; Goldsworthy, S. (2008) <i>PR: A Persuasive Industry? Spin, Public Relations and The Shaping of the Modern Media</i>, Houndmills: Palgrave MacMillan.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2012432&pid=S2183-3575201400010001100021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Park, R. (1940) &lsquo;News as a Form of Knowledge', <i>American. Journal of Sociology</i>, 45 (5): 669-686.</p>     <!-- ref --><p>Queiroz, E. (1888) <i>Os Maias: Episodios da Vida Rom&acirc;ntica</i>, Porto: Livraria Chardron, 2 Vols.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2012435&pid=S2183-3575201400010001100023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Serra, P. (2010) &lsquo;Persuas&atilde;o e propaganda: os limites da ret&oacute;rica na sociedade mediatizada', in Martins, M. &amp; Gr&aacute;cio, R. (eds.) (2010) <i>Comunica&ccedil;&atilde;o e Sociedade, n.16 – Comunica&ccedil;&atilde;o e Argumenta&ccedil;&atilde;o</i>, Braga: Universidade do Minho, Centro de Estudos de Comunica&ccedil;&atilde;o e Sociedade, pp. 85-100.</p>     <p>Sinclair, U. (1919) <i>The Brass Check: A Study of American Journalism</i>, Pasadena, CA: Author.</p>     <!-- ref --><p>Stauber, J. &amp; Rampton, S. (2004) <i>Toxic Sludge is Good for You: Lies, Damn Lies and the Public Relations Industry</i>, London: Robinson.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2012439&pid=S2183-3575201400010001100026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Tye, L. (2002) <i>The Father of Spin: Edward L. Bernays and the Birth of Public Relations</i>, New York: Owl Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2012441&pid=S2183-3575201400010001100027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Recebido a 15-03-2014</b></p>     <p><b>Aceite a 06-05-2014</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Notas</b></p>     <p><sup><a href="#top1" name="1">[1]</a></sup> A quem Upton Sinclair, que lhe dedicou o cap&iacute;tulo de um dos seus livros, chamou significativamente &quot;Poison Ivy&quot; (Sinclair, 1919, pp. 311-313).</p>     <p><sup><a href="#top2" name="2">[2]</a></sup> &quot;Except on a few subjects where our own knowledge is great, we cannot choose between true and false accounts. So we choose between trustworthy and untrustworthy reporters.&quot;</p>     <p><sup><a href="#top3" name="3">[3]</a></sup> &quot;A group of men, who can prevent independent access to the event, arrange the news of it to suit their purpose.&quot;</p>     <p><sup><a href="#top4" name="4">[4]</a></sup> Nesse sentido, a seguinte quadra do nosso Ant&oacute;nio Aleixo &eacute;, seguramente, uma das melhores descri&ccedil;&otilde;es da natureza da propaganda: &quot;P'ra mentira ser segura / e atingir profundidade, / tem de trazer &agrave; mistura / qualquer coisa de verdade.&quot;</p>     <p><sup><a href="#top5" name="5">[5]</a></sup> &quot;the industrious editor of <i>The Daily Reformer</i>&quot;.</p>     <p><sup><a href="#top6" name="6">[6]</a></sup> &quot;[&hellip;] journalism largely consists in saying &lsquo;Lord Jones is Dead' to people who never knew that Lord Jones was alive&quot;.</p>     <p><sup><a href="#top7" name="7">[7]</a></sup> &quot;The point about the Press is that it is not what it is called. It is not the &quot;popular Press.&quot; It is not the Public Press. It is not an organ of public opinion. It is a conspiracy of a very few millionaires, all sufficiently similar in type to agree on the limits of what this great nation (to which we belong) may know about itself and its friends and enemies.&quot;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top8" name="8">[8]</a></sup> &quot;What if the nerves upon which we depend for knowledge of this social body should give us false reports of its condition?&quot;</p>     <p><sup><a href="#top9" name="9">[9]</a></sup> &quot;The conscious and intelligent manipulation of the organized habits and opinions of the masses is an important element in democratic society. Those who manipulate this unseen mechanism of society constitute an invisible government which is the true ruling power of our country.&quot;</p>     <p><sup><a href="#top10" name="10">[10]</a></sup> &quot;[&hellip;] the management of collective attitudes by the manipulation of significant symbols. The word attitude is taken to mean a tendency to act according to certain patterns of valuation&quot;.</p>     <p><sup><a href="#top11" name="11">[11]</a></sup> &quot;They fix the premises of discourse and interpretation, and the definition of what is newsworthy in the first place [&hellip;]&quot;.</p>     <p><sup><a href="#top12" name="12">[12]</a></sup> &quot;Page one of the <i>New York Times</i> on the day these paragraphs are written contains eight important news stories. Four of them, or one-half, are propaganda. The casual reader accepts them as accounts of spontaneous happenings. But are they?&quot;</p>     <p><sup><a href="#top13" name="13">[13]</a></sup> &quot;Bernays' special expertise here, as in all of his foreign assignments, was handling the press.&quot;</p>     <p><sup><a href="#top14" name="14">[14]</a></sup> &quot;[&hellip;] alternative media, grassroots information sources, and public scepticism about media truthfulness&quot;.</p>     <p><sup><a href="#top15" name="15">[15]</a></sup> <a href="http://www.quercus.pt/home/quemsomos/apresentacao" target="_blank">http://www.quercus.pt/home/quemsomos/apresentacao</a></p>     <p><sup><a href="#top16" name="16">[16]</a></sup> <a href="http://www.deco.proteste.pt/informacao/associacao" target="_blank">http://www.deco.proteste.pt/informacao/associacao</a></p>     <p><sup><a href="#top17" name="17">[17]</a></sup> Comunicado de imprensa de 22-10-2013: &quot;A DECO intenta hoje uma a&ccedil;&atilde;o contra a ANACOM e pede que a entidade reguladora seja condenada a pagar uma indemniza&ccedil;&atilde;o global de 42 milh&otilde;es de euros pelos danos causados aos consumidores.&quot; (<a href="http://www.deco.proteste.pt/tecnologia/televisores/" target="_blank">http://www.deco.proteste.pt/tecnologia/televisores/comunicado-de-imprensa/tdt-deco-leva-anacom-a-tribunal-por-falhanco-na-mudanca</a>).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top18" name="18">[18]</a></sup> &quot;Power is only a certain type of relation between individuals. [&hellip;] The characteristic feature of power is that some men can more or less entirely determine other men's conduct - but never exhaustively or coercively. [&hellip;] There is no power without potential refusal or revolt.&quot;</p>      ]]></body><back>
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