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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Agendamento em publicidade: compreender os dilemas éticos de um ponto de vista comunicativo]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article discusses the concept of advertising ethics in the particular case of a contro- versial advertorial campaign for a major mining project in Ros¸ia Montana?, a historical region of Romania. Based on the on the agenda-setting theory (Shaw & McCombs, 1977) and on the tripolar model of agendas (Watson, 2008), the analysis replaces the oversimplifying approaches to the ethics of advertising with a communicative perspective that highlights the need for a contextual examination of the ethical dilemmas arisen by advertorial practices. The study reveals that ethics is not only about solid and undisputable norms to be respected by professionals in the field or about ‘black and white' moral verdicts given by ethicists or philosophers, but also about the study of contextual determinations that lead to ethical choices made by advertisers, based on the interactions between three interested agendas - corporate, policy, and media - in an attempt to rule over the public agenda.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>DA PUBLICIDADE &Agrave; PROPAGANDA</b></p>     <p><b>Agendamento em publicidade: compreender os dilemas &eacute;ticos de um ponto de vista comunicativo</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Setting the agenda in advertising: understanding ethical dilemmas from a communicative perspective</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Marius-Adrian Hazaparu*</b></p>     <p>*Departamento de Jornalismo e Ci&ecirc;ncias da Comunica&ccedil;&atilde;o, Facultatea de Litere &lsquo;Alexandru Ioan Cuza', Universidade de Iasi, Rom&eacute;nia.</p>     <p><a href="mailto:adihazaparu@yahoo.com">adihazaparu@yahoo.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Este artigo discute o conceito da &eacute;tica na publicidade, em particular no caso de uma controversa campanha de publireportagens sobre um grande projeto mineiro em Rosia Montana, uma regi&atilde;o hist&oacute;rica da Rom&eacute;nia. Com base na teoria do agendamento (Shaw &amp; McCombs, 1977) e no modelo tripolar das agendas (Watson, 2008), a an&aacute;lise substitui as excessivamente simplificadoras abordagens &agrave; &eacute;tica da publicidade por uma perspetiva comunicativa que real&ccedil;a a necessidade de uma an&aacute;lise contextual dos dilemas &eacute;ticos levantados pelas pr&aacute;ticas de publireportagem. O estudo revela que a &eacute;tica n&atilde;o se refere apenas &agrave;s normas s&oacute;lidas e indiscut&iacute;veis que t&ecirc;m que ser respeitadas pelos profissionais da &aacute;rea, nem aos veredictos morais bem definidos ditados por fil&oacute;sofos ou especialistas em &eacute;tica, mas tamb&eacute;m ao estudo de determina&ccedil;&otilde;es contextuais que conduzem a escolhas &eacute;ticas de publicit&aacute;rios, com base nas intera&ccedil;&otilde;es entre tr&ecirc;s agendas interessadas – corporativa, pol&iacute;tica e dos <i>media</i> –, numa tentativa de dominar a agenda p&uacute;blica.</p>     <p><b>Palavras-chave</b>: Publicidade; comunica&ccedil;&atilde;o; agendamento; dilemas &eacute;ticos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This article discusses the concept of advertising ethics in the particular case of a contro- versial advertorial campaign for a major mining project in Ros¸ia Montana?, a historical region of Romania. Based on the on the agenda-setting theory (Shaw & McCombs, 1977) and on the tripolar model of agendas (Watson, 2008), the analysis replaces the oversimplifying approaches to the ethics of advertising with a communicative perspective that highlights the need for a contextual examination of the ethical dilemmas arisen by advertorial practices. The study reveals that ethics is not only about solid and undisputable norms to be respected by professionals in the field or about &lsquo;black and white' moral verdicts given by ethicists or philosophers, but also about the study of contextual determinations that lead to ethical choices made by advertisers, based on the interactions between three interested agendas – corporate, policy, and media – in an attempt to rule over the public agenda.</p>     <p><b>Keywords</b>: Advertising; communication; agenda-setting; ethical dilemmas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Quando se trata de publicidade, aquilo que as pessoas esperam, em termos de comportamento profissional, &eacute; encoberto por alguns princ&iacute;pios que se referem &agrave; justi&ccedil;a, &agrave; honestidade, &agrave; verdade e &agrave; sinceridade nas suas pr&aacute;ticas. Em certa medida, estes princ&iacute;pios s&atilde;o considerados obriga&ccedil;&otilde;es morais que os especialistas em publicidade t&ecirc;m que respeitar para corresponder aos padr&otilde;es &eacute;ticos e profissionais, e suscitar uma comunica&ccedil;&atilde;o transparente com os recetores das suas mensagens. Uma vez que a publicidade – devido &agrave; sua natureza generalizada e persuasiva – &eacute; considerada uma das mais fortes formas de comunica&ccedil;&atilde;o (Pollay, 1986), encontra-se, muitas vezes, associada a regras que t&ecirc;m como objetivo tornar as empresas de publicidade socialmente respons&aacute;veis, e, por conseguinte, faz&ecirc;-las rever, retificar e, inclusivamente, autocensurar as mensagens consideradas prejudiciais para a sociedade. &Eacute; por isso que, em geral, atualmente a &quot;maioria dos publicit&aacute;rios se esfor&ccedil;a por manter padr&otilde;es de &eacute;tica justos e por praticar publicidade socialmente respons&aacute;vel&quot;, e aquilo que foi outrora &quot;uma &aacute;rea livre e descontrolada&quot;, &eacute;, agora, &quot;uma profiss&atilde;o fortemente avaliada e altamente regulada&quot; (Arens <i>et al.</i>, 2009: 40). No entanto, apesar de toda a legisla&ccedil;&atilde;o e de toda a regulamenta&ccedil;&atilde;o implementada pelos organismos reguladores, o debate em torno da &eacute;tica da publicidade ainda &eacute; uma preocupa&ccedil;&atilde;o constante nas sociedades contempor&acirc;neas. A perce&ccedil;&atilde;o geral &eacute; que a publicidade, enquanto forma de comunica&ccedil;&atilde;o comercial, &eacute; inerentemente ludibriante, seguindo um interesse particular, por oposi&ccedil;&atilde;o &agrave;quilo que poderia ser - e normalmente &eacute; - considerado interesse p&uacute;blico. Diversas opini&otilde;es transmitidas ao longo do tempo sobre a &eacute;tica da publicidade indiciavam uma incompatibilidade irreconcili&aacute;vel – ou, nas palavras de Beltramini, &quot;o grande paradoxo&quot; (Beltramini, 2003) – entre a forma subjetiva como os produtos s&atilde;o publicitados e a forma como s&atilde;o objetivamente analisados.</p>     <p>As duas vertentes contradit&oacute;rias do mesmo conceito s&atilde;o mais &oacute;bvias na polariza&ccedil;&atilde;o das perspetivas dos especialistas, que se dividem entre defensores e cr&iacute;ticos deste componente altamente importante do marketing, com um impacto significativo na economia e na sociedade. A maioria daqueles que defendem a publicidade v&ecirc;, frequentemente, esta &aacute;rea de um ponto de vista capitalista, afirmando que a publicidade estimula a concorr&ecirc;ncia entre empresas, mant&eacute;m os consumidores informados, oferecendo-lhes a capacidade de escolher de forma inteligente entre uma s&eacute;rie de produtos e servi&ccedil;os anunciados, e, em pa&iacute;ses onde os consumidores possuem rendimentos elevados, poder&aacute; incentivar a inova&ccedil;&atilde;o e o desenvolvimento de novos produtos. No geral, &quot;a publicidade estimula uma economia saud&aacute;vel. Tamb&eacute;m ajuda a criar consumidores financeiramente saud&aacute;veis, mais informados, mais bem-educados e mais exigentes&quot; (Arens <i>et al.</i>, 2009: 33). Esta &eacute;, em suma, uma situa&ccedil;&atilde;o de &quot;copo meio cheio&quot; e de &quot;copo meio vazio&quot;, aplicada &agrave; publicidade. A situa&ccedil;&atilde;o de &quot;copo meio vazio&quot;, segundo a mesma abordagem capitalista, indica que a publicidade, n&atilde;o s&oacute; origina mais custos, que s&atilde;o acrescentados ao pre&ccedil;o do produto (de modo a cobrir os custos de publicidade), mas tamb&eacute;m que a quest&atilde;o n&atilde;o reside apenas na diversidade de informa&ccedil;&atilde;o que permite aos consumidores fazer escolhas de forma inteligente; antes, a quest&atilde;o reside nos diferentes <i>slogans</i> e mensagens assentes em f&oacute;rmulas preconcebidas que levam os consumidores a tomar decis&otilde;es emocionais (e n&atilde;o racionais). A cr&iacute;tica publicit&aacute;ria aborda, muitas vezes, refer&ecirc;ncias &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de falsas expectativas, distor&ccedil;&atilde;o, ludibrio e a natureza tendenciosa e enganadora das suas mensagens. Outras discuss&otilde;es poderiam juntar-se a estas duas perspetivas de an&aacute;lise polarizadas. Estas referem-se &agrave; moralidade da publicidade e &agrave; mistifica&ccedil;&atilde;o da verdade, quer numa perspetiva filos&oacute;fica, quer numa perspetiva profissional (Levitt, 1970; Gustafson, 2001; Bivins, 2009), ao seu impacto nos h&aacute;bitos de consumo (Gustafson, 2001), ou, de um ponto de vista &eacute;tico, nas suas distor&ccedil;&otilde;es, rota&ccedil;&otilde;es, exageros e natureza manipulativa (Phillips, 1997; Shabbir &amp; Thwaites, 2007). A discuss&atilde;o destas quest&otilde;es revela-se um jogo perp&eacute;tuo de desacordo entre aqueles que demonizam a publicidade, por um lado, e aqueles que a glorificam, por outro.</p>     <p><b>Metodologia e enquadramento te&oacute;rico</b></p>     <p>Este artigo ir&aacute; procurar evitar a perigosa abordagem dualista descrita anteriormente. Por sua vez, procurar&aacute; abordar a publicidade e a sua &eacute;tica numa <i>perspetiva comunicativa</i>, com base na premissa de que a publicidade n&atilde;o &eacute; um tipo de comunica&ccedil;&atilde;o bidirecional linear (das equipas de RP e publicidade das empresas em dire&ccedil;&atilde;o aos consumidores), mas um processo complexo, interativo e multifacetado, que necessita do contributo de muitos outros atores (organiza&ccedil;&otilde;es, cidad&atilde;os, m&eacute;dia, sociedade civil, institui&ccedil;&otilde;es regulamentares, etc.) para chegar ao &quot;aspeto&quot; final do produto de publireportagem. Apenas o mero facto de existir um n&uacute;mero crescente de organismos de regula&ccedil;&atilde;o a tentar delimitar o setor da publicidade constitui um forte ind&iacute;cio da sua natureza interativa e da sua complexidade. Por conseguinte, a sua redu&ccedil;&atilde;o a perspetivas moralistas ou a pontos de vista extremistas que colocam a &ecirc;nfase na bondade ou na maldade da publicidade evidencia uma compreens&atilde;o redutora da natureza multidimensional da publicidade.</p>     <p>No sentido de estudar a premissa referida acima, em vez de uma <i>abordagem extensiva</i> &agrave; &eacute;tica da publicidade, este estudo aplica uma <i>abordagem intensiv</i>a. Como explica Swanborn, &quot;numa <i>abordagem extensiva</i> recolhemos informa&ccedil;&otilde;es acerca das propriedades relevantes de um grande n&uacute;mero de inst&acirc;ncias de um fen&oacute;meno. (&hellip;) Utilizamos um conjunto alargado de eventos, pessoas, organiza&ccedil;&otilde;es ou estados-na&ccedil;&atilde;o para fundamentar as nossas conclus&otilde;es acerca do fen&oacute;meno&quot;, e a estrat&eacute;gia extensiva dominante para recolher dados emp&iacute;ricos &eacute; o inqu&eacute;rito de larga escala, no qual centenas ou mesmo milhares de participantes poder&atilde;o contribuir para o estudo de um fen&oacute;meno espec&iacute;fico (Swanborn, 2010: 1-2). Segundo este mesmo autor,</p>     <blockquote>&quot;em alternativa, ao aplicar uma <i>abordagem intensiva</i>, um investigador concentra-se, apenas, <i>numa</i> inst&acirc;ncia espec&iacute;fica do fen&oacute;meno a estudar, ou apenas num conjunto de inst&acirc;ncias, de modo a estudar determinado fen&oacute;meno aprofundadamente. (&hellip;) Cada uma das inst&acirc;ncias &eacute; estudada no seu contexto espec&iacute;fico, e mais pormenorizadamente do que na investiga&ccedil;&atilde;o extensiva. Os dados s&atilde;o recolhidos utilizando v&aacute;rias fontes de informa&ccedil;&atilde;o, tais como porta-vozes, observa&ccedil;&otilde;es comportamentais e an&aacute;lise documental. (&hellip;) A cada uma das inst&acirc;ncias ou exemplos designa-se, normalmente, <i>um caso</i>. Por conseguinte, uma abordagem intensiva designa-se, geralmente, &quot;estudo de caso&quot; - ou estudo de v&aacute;rios casos, se for estudada mais de uma inst&acirc;ncia do fen&oacute;meno&quot; (Swanborn, 2010: 2).</blockquote>     <p>O caso em estudo no presente artigo &eacute; a decis&atilde;o adotada em outubro de 2013 pelo Conselho Audiovisual Nacional (NAC) da Rom&eacute;nia, no sentido de retirar da transmiss&atilde;o de r&aacute;dio e de TV os an&uacute;ncios criados para uma controversa campanha de publireportagem destinada a promover um projeto da Rosia Montana Gold Corporation, com vista &agrave; explora&ccedil;&atilde;o de ouro e de prata nas Montanhas Apuseni e, implicitamente, na &aacute;rea de Rosia Montana. Para melhor compreendermos o motivo da sele&ccedil;&atilde;o deste fen&oacute;meno espec&iacute;fico para estudo, forneceremos, mais adiante, neste artigo, uma breve perspetiva hist&oacute;rica da quest&atilde;o da Rosia Montana, bem como uma descri&ccedil;&atilde;o dos pontos.</p>     <p>Em conformidade com a perspetiva comunicativa relativa &agrave; &eacute;tica da publicidade, o enquadramento conceptual utilizado para estudar o presente caso &eacute; o <i>modelo do agendamento dos efeitos dos media</i> (Shaw &amp; McCombs, 1977), <i>o modelo do processo de agendamento</i> de Rogers e Dearing (1988), e o <i>modelo tripolar de agendas</i> de Watson (2008), todos estes desenvolvidos a partir da <i>teoria do agendamento</i> (McCombs &amp; Shaw, 1972). A escolha deste enquadramento te&oacute;rico baseia-se na co-depend&ecirc;ncia entre a publicidade e os <i>media</i>, vista como setores diferentes que condicionam mutuamente o seu sucesso e a sua rentabilidade:</p>     <blockquote>&quot;Sem os <i>media</i> para alcan&ccedil;ar grandes n&uacute;meros de consumidores atrav&eacute;s de an&uacute;ncios publicit&aacute;rios, os marketers teriam que ir de porta em porta para tentar vender os seus produtos um a um, atrav&eacute;s da venda pessoal; ou, alternativamente, os consumidores teriam que vaguear de loja em loja, questionando-se sobre qual a loja que vende o produto de que necessitam – ambas tarefas muito dispendiosas. As ag&ecirc;ncias de publicidade n&atilde;o existiriam se n&atilde;o houvesse <i>media</i> para passar os an&uacute;ncios por elas criados&quot; (Warner, 2009: 8-9).</blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Al&eacute;m disso, a ind&uacute;stria da publicidade aproveita a popularidade dos <i>media</i> e utiliza-a para satisfazer as suas pr&oacute;prias necessidades, tal como os <i>media</i> aproveitam e utilizam o financiamento que os anunciantes est&atilde;o dispostos a ceder para que os seus produtos sejam publicitados.</p>     <p>Os <i>media</i> s&atilde;o atrativos para as empresas e para os pol&iacute;ticos, tamb&eacute;m, porque constituem uma forte ferramenta para influenciar o p&uacute;blico ao qual pretendem chegar. Como sugere a teoria do agendamento,</p>     <blockquote>&quot;este impacto dos <i>media</i> – a capacidade de operar mudan&ccedil;as cognitivas entre as pessoas, de estruturar o seu pensamento – foi designado como fun&ccedil;&atilde;o de agendamento da comunica&ccedil;&atilde;o de massas. Poder&aacute; residir aqui o mais importante efeito da comunica&ccedil;&atilde;o de massas: a sua capacidade de ordenar mentalmente e de organizar o nosso mundo por n&oacute;s. Resumindo, os <i>media</i> podem n&atilde;o ter &ecirc;xito a dizer-nos o que pensar, mas s&atilde;o extraordinariamente bem-sucedidos a dizer-nos em que pensar&quot; (Shaw &amp; McCombs, 1977: 5).</blockquote>     <p>Simplisticamente, a agenda dos <i>media</i> transforma-se na agenda do p&uacute;blico. Este modelo bipolar inicial foi criticado e considerado insatisfat&oacute;rio relativamente a determinar se o agendamento foi iniciado pelos <i>media</i>, por alguns membros do p&uacute;blico ou por diferentes elites de uma sociedade (Watson, 2008: 152). Assim, foi posteriormente proposta uma melhoria do modelo por Rogers &amp; Dearing, segundo a qual o agendamento &eacute; descrito como um processo interacional entre a agenda p&uacute;blica, a agenda dos <i>media</i> e a agenda pol&iacute;tica.</p>     <p>A agenda p&uacute;blica comporta as quest&otilde;es que s&atilde;o percebidas como sendo importantes para o p&uacute;blico. Geralmente, estas quest&otilde;es s&atilde;o determinadas por sufr&aacute;gios e inqu&eacute;ritos aplicados a algumas partes da popula&ccedil;&atilde;o, mas, atualmente, as rea&ccedil;&otilde;es e as avalia&ccedil;&otilde;es feitas pelo p&uacute;blico nas plataformas das redes sociais tamb&eacute;m poderiam ser interpretadas como um indicador &uacute;til da configura&ccedil;&atilde;o da agenda p&uacute;blica.</p>     <p>A agenda dos <i>media</i> inclui os eventos que os &oacute;rg&atilde;os de comunica&ccedil;&atilde;o decidem cobrir durante um per&iacute;odo de tempo espec&iacute;fico (de acordo com alguns crit&eacute;rios profissionais geralmente conhecidos como &quot;relev&acirc;ncia noticiosa&quot;), e representa &quot;uma lista de quest&otilde;es e eventos vistos num determinado ponto no tempo, ordenados hierarquicamente por import&acirc;ncia&quot; (Rogers &amp; Dearing, 1988: 565). Rogers e Dearing formularam estas conclus&otilde;es relativamente ao papel dos <i>media</i> no processo de constru&ccedil;&atilde;o das agendas: (1) &quot;os <i>media</i> influenciam a agenda p&uacute;blica&quot;; (2) &quot;a agenda dos <i>media</i> parece exercer uma influ&ecirc;ncia direta, por vezes forte, sobre a agenda pol&iacute;tica&quot;; (3) &quot;a agenda p&uacute;blica, depois de definida ou refletida na agenda dos <i>media</i>, influencia a agenda pol&iacute;tica&quot; (Rogers &amp; Dearing, 1988: 579-580).</p>     <p>A agenda pol&iacute;tica &eacute; a agenda que os governos e os pol&iacute;ticos difundem, e que &eacute;, muitas vezes, induzida &quot;por contra-agendas – a direita do partido, a esquerda do partido&quot; (Watson, 2008: 153). Sendo profundamente influenciada por perspetivas pol&iacute;ticas, inclui perspetivas de l&iacute;deres pol&iacute;ticos, posi&ccedil;&otilde;es adotadas por partidos pol&iacute;ticos e o contributo de consultores, <i>lobbies</i>, grupos de reflex&atilde;o e burocratas do governo&quot; (Andreasen, 2006: 32).</p>     <p>No seu livro <i>Media Communication</i>, James Watson prop&ocirc;s uma altera&ccedil;&atilde;o ao modelo de agendamento concebido por Rogers e Dearing, acrescentando uma quarta agenda – a agenda corporativa –, de modo a real&ccedil;ar a din&acirc;mica do agendamento p&uacute;blico. Explica:</p>     <blockquote>&quot;Para nos concentrarmos na verdadeira distribui&ccedil;&atilde;o da influ&ecirc;ncia, ter&iacute;amos que acrescentar uma agenda adicional: a das corpora&ccedil;&otilde;es que dominam a vida contempor&acirc;nea. As agendas corporativas funcionam, muitas vezes, juntamente, e, ocasionalmente, em concorr&ecirc;ncia com as agendas pol&iacute;ticas do governo, procurando influenciar, sen&atilde;o ordenar, as agendas p&uacute;blicas&quot; (Watson, 2008: 153).</blockquote>     <p>Das quatro agendas, a &uacute;nica que n&atilde;o decorre de metas e objetivos conscientemente formados e articulados, &eacute; a agenda p&uacute;blica.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>&quot;Os governos, as corpora&ccedil;&otilde;es e os <i>media</i> sabem, em grande medida, aquilo que pretendem do p&uacute;blico, e como o conseguir. Os dois primeiros tamb&eacute;m sabem que, para criar e influenciar a opini&atilde;o p&uacute;blica, t&ecirc;m de o fazer atrav&eacute;s de mecanismos culturais, dos quais os <i>media</i> s&atilde;o, indubitavelmente, os mais importantes. Por outro lado, os grupos de interesses na sociedade s&atilde;o essenciais para influenciar a opini&atilde;o p&uacute;blica, com vista a utilizar a for&ccedil;a dessa opini&atilde;o para influenciar o governo ou as corpora&ccedil;&otilde;es&quot; (Watson, 2008: 154).</blockquote>     <p><b>Uma perspetiva comunicativa da &eacute;tica da publicidade. Um estudo de caso</b></p>     <p>O presente estudo de caso consiste na an&aacute;lise de uma decis&atilde;o tomada pelo Conselho Audiovisual Nacional (NAC) da Rom&eacute;nia, com vista a proibir a transmiss&atilde;o de uma s&eacute;rie de 11 an&uacute;ncios criados para r&aacute;dio e televis&atilde;o para promover o in&iacute;cio de um projeto mineiro em Rosia Montana, uma regi&atilde;o das Montanhas Apuseni, na Rom&eacute;nia. A decis&atilde;o do NAC (Decis&atilde;o 53/15.10.2013) foi tomada depois de o Conselho ter analisado um relat&oacute;rio de monitoriza&ccedil;&atilde;o (entre 1 de setembro e 6 de outubro de 2013) redigido pelo seu Departamento de Monitoriza&ccedil;&atilde;o dos <i>Media</i>, e de ter recebido mais de 2000 reclama&ccedil;&otilde;es de cidad&atilde;os de todo o pa&iacute;s, considerando os an&uacute;ncios anti&eacute;ticos e enganosos. A controv&eacute;rsia em torno da campanha de publireportagens est&aacute; enraizada no pr&oacute;prio projeto mineiro – not&oacute;rio, n&atilde;o s&oacute; na Rom&eacute;nia, mas tamb&eacute;m em toda a Europa. Nos seus 15 anos de hist&oacute;ria e no decurso de intermin&aacute;veis negocia&ccedil;&otilde;es e debates a n&iacute;vel nacional, a Rosia Montana Gold Corporation (RMGC), a filial romena da empresa canadiana Gabriel Resources, n&atilde;o conseguiu obter as autoriza&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para construir a maior mina de ouro na Europa na aldeia de Rosia Montana, nas Montanhas Apuseni. O estado conflituoso da situa&ccedil;&atilde;o culminou, no outono passado, em protestos nas ruas, depois de o governo romeno ter proposto um projeto de lei que tinha como objetivo dar &quot;luz verde&quot; &agrave;s explora&ccedil;&otilde;es – e que se julgava implicar a destrui&ccedil;&atilde;o de tr&ecirc;s aldeias e quatro montanhas. O projeto de lei foi enviado ao Parlamento da Rom&eacute;nia para aprova&ccedil;&atilde;o, mas foi rejeitado pelos deputados dos quatro partidos. Neste contexto tumultuoso, no dia 15 de outubro de 2013, o Conselho Audiovisual Nacional deliberou proibir a transmiss&atilde;o dos an&uacute;ncios de promo&ccedil;&atilde;o do projeto mineiro em Rosia Montana na r&aacute;dio e na televis&atilde;o, at&eacute; que os seus autores os alterassem no sentido de observarem as regras e as regulamenta&ccedil;&otilde;es audiovisuais.</p>     <p>Com base na premissa de que a publicidade n&atilde;o &eacute; um tipo de comunica&ccedil;&atilde;o bidirecional linear, mas um processo complexo, interativo e multifacetado, esta an&aacute;lise acrescenta uma perspetiva comunicativa &agrave; &eacute;tica da publicidade, substituindo a abordagem ex&oacute;gena ao tema (uma abordagem normativa, &quot;normalizada&quot;, e, por conseguinte, limitada &agrave;s prescri&ccedil;&otilde;es inclu&iacute;das nos c&oacute;digos e regulamenta&ccedil;&otilde;es deontol&oacute;gicos) por uma abordagem end&oacute;gena. A abordagem end&oacute;gena permite-nos analisar a publicidade e a sua &eacute;tica a partir de um ponto de vista interno, mais proveitoso, e identificar a l&oacute;gica discursiva e as escolhas estrat&eacute;gicas dos publicit&aacute;rios para dar forma &agrave;s suas mensagens, do modo mais conveniente para a empresa cujos interesses defendem e representam.</p>     <p>Conforme referido na primeira parte do artigo, no caso da campanha publicit&aacute;ria do projeto mineiro da RMGC e da decis&atilde;o subsequente de proibir a sua transmiss&atilde;o, esta an&aacute;lise baseia-se na teoria do agendamento e no modelo de agendas tripolar de Watson. De referir que uma an&aacute;lise deste tipo s&oacute; pode ser realizada de forma adequada no caso espec&iacute;fico dos produtos, servi&ccedil;os, conceitos, etc. anunciados, de tal modo que exercem um impacto (social, cultural, econ&oacute;mica e politicamente) sobre um grupo social suficientemente grande e, desse modo, aumentam o interesse p&uacute;blico. No &acirc;mbito da teoria do agendamento, trata-se da sali&ecirc;ncia e do enquadramento dessas publireportagens, que t&ecirc;m a capacidade de exercer impacto sobre as opini&otilde;es, os conhecimentos e os processos de tomada de decis&atilde;o das pessoas. Essencialmente, o agendamento &eacute; um exerc&iacute;cio de poder e de influ&ecirc;ncia, que tamb&eacute;m &eacute; facilmente reconhec&iacute;vel na &aacute;rea da publicidade. Como acontece noutras formas de comunica&ccedil;&atilde;o de massa, o agendamento implica, neste caso, n&atilde;o s&oacute; colocar as quest&otilde;es numa agenda, mas tamb&eacute;m ser capaz de determinar a forma como estas quest&otilde;es s&atilde;o definidas, e identificar as solu&ccedil;&otilde;es consideradas adequadas (Beder, 2002).</p>     <p>Do ponto de vista do modelo de agendas tripolar aplicado &agrave; publicidade, uma quest&atilde;o de &eacute;tica pressuporia uma situa&ccedil;&atilde;o de conflito entre a agenda p&uacute;blica e a agenda dos <i>media</i>. Neste caso, a agenda dos <i>media</i> &eacute; considerada promotora de uma agenda corporativa, e a resolu&ccedil;&atilde;o do conflito reside na agenda pol&iacute;tica, definida pelo governo e pelos pol&iacute;ticos na forma de legisla&ccedil;&atilde;o ou – dependendo da natureza e da complexidade do conflito – de iniciativas legislativas. Isto pode dar origem a &quot;turbul&ecirc;ncias&quot; entre as agendas de outros participantes, como, por exemplo, a agenda dos <i>media</i> e a agenda pol&iacute;tica, ou entre a agenda pol&iacute;tica e a agenda corporativa.</p>     <p>No caso espec&iacute;fico da campanha de publireportagens do projeto mineiro da RMGC, a an&aacute;lise procurar&aacute; documentar a forma de impacto dos jogos das tr&ecirc;s agendas (dos <i>media</i>, corporativa e pol&iacute;tica) na agenda p&uacute;blica, e as suas repercuss&otilde;es.</p>     <p><b>&Eacute;tica do poder: agenda corporativa vs. agenda dos <i>media</i></b></p>     <p>Na sociedade atual, a publicidade constitui um grande neg&oacute;cio, e os jornais, a r&aacute;dio, a televis&atilde;o e a Internet contam com a entrada de dinheiro dessa publicidade. Isto torna a publicidade uma parte fulcral dos produtos finais dos <i>media</i> (i.e., os jornais reservam espa&ccedil;o tipogr&aacute;fico para a publicidade, os publicit&aacute;rios compram o espa&ccedil;o publicit&aacute;rio na televis&atilde;o e na r&aacute;dio que as emissoras estejam dispostas a vender, etc.), e, consequentemente, uma parte fulcral que contribui para a composi&ccedil;&atilde;o da agenda dos <i>media</i>. De todos os <i>media</i> tradicionais, aquele que os publicit&aacute;rios procuram com maior frequ&ecirc;ncia &eacute; a televis&atilde;o, uma vez que esta representa a ferramenta de comunica&ccedil;&atilde;o de massas mais generalizada. A televis&atilde;o tem a possibilidade (e a capacidade t&eacute;cnica) de transferir uma quest&atilde;o de uma agenda individual (pol&iacute;tica ou corporativa) para a agenda p&uacute;blica, salientando algumas quest&otilde;es em detrimento de outras, ou enquadrando uma quest&atilde;o de uma forma espec&iacute;fica desejada.</p>     <p>Geralmente, os an&uacute;ncios publicit&aacute;rios televisivos promovem produtos ou servi&ccedil;os que as empresas privadas pretendem vender ao p&uacute;blico e, nos <i>media</i> atuais, existe, normalmente, uma distin&ccedil;&atilde;o clara (e regulada) entre o conte&uacute;do editorial (artigos jornal&iacute;sticos) e conte&uacute;do de publireportagem (artigos encomendados), sobretudo porque existe uma linha deontol&oacute;gica que separa as duas profiss&otilde;es: enquanto o jornalista est&aacute; orientado para a representa&ccedil;&atilde;o do interesse p&uacute;blico, o publicit&aacute;rio est&aacute; orientado para a representa&ccedil;&atilde;o de um interesse particular. No caso da campanha publicit&aacute;ria da RMCG, o que nela se destaca &eacute; a inexist&ecirc;ncia de publicidade a um produto ou servi&ccedil;o, como acontece normalmente na publicidade. Em vez de objetos, a campanha promove opini&otilde;es, que s&atilde;o divulgadas atrav&eacute;s de an&uacute;ncios televisivos que podem ser designados como &quot;an&uacute;ncios de opini&atilde;o&quot;. De facto, durante as discuss&otilde;es em torno da decis&atilde;o de proibir os an&uacute;ncios da RMGC, no dia 15 de outubro de 2013, Lorand Turos, um dos membros do Conselho, perguntou: &quot;Qual &eacute; o objetivo desta campanha? &Eacute; um [tipo de] an&uacute;ncio interessante, que nunca tinha visto antes. A campanha n&atilde;o vende um produto ou um servi&ccedil;o. Esta empresa paga muito dinheiro para promover o qu&ecirc;?&quot; Uma poss&iacute;vel resposta poder&aacute; residir na distin&ccedil;&atilde;o entre a forma como a realidade &eacute; transmitida na publicidade e nas rela&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas, por contraponto &agrave; forma como &eacute; constru&iacute;da no jornalismo: o publicit&aacute;rio ou o rela&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas &quot;s&atilde;o orientados para alcan&ccedil;ar uma compreens&atilde;o <i>privada</i> da <i>realidade</i> de uma situa&ccedil;&atilde;o (embora isto n&atilde;o seja, de forma alguma, necess&aacute;rio), a partir da qual ser&aacute; comunicada uma interpreta&ccedil;&atilde;o em particular. No entanto, esta compreens&atilde;o n&atilde;o pode ser alcan&ccedil;ada nem comunicada publicamente; antes pelo contr&aacute;rio, o agente tentar&aacute; <i>impor</i> ao p&uacute;blico esta compreens&atilde;o privada predefinida. (&hellip;) Esta forma de comunica&ccedil;&atilde;o faz, nitidamente, parte da classe a que [o fil&oacute;sofo alem&atilde;o J&uuml;rgen] Habermas se refere como &quot;perlocucion&aacute;ria&quot;, i.e., tem como objetivo exercer um efeito em particular, independentemente de o p&uacute;blico perceber conscientemente ou n&atilde;o, e muito menos aceitar, toda a realidade da situa&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o existe uma orienta&ccedil;&atilde;o para alcan&ccedil;ar uma verdadeira compreens&atilde;o, exceto se for poss&iacute;vel alcan&ccedil;ar uma &quot;compreens&atilde;o&quot; que agrade ao cliente, uma vez que a verdadeira compreens&atilde;o tem que ocorrer p&uacute;blica, aberta e dialogicamente&quot; (Salter, 2005: 101).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As ilustra&ccedil;&otilde;es seguintes mostram como o projeto mineiro de Rosia Montana (= a situa&ccedil;&atilde;o) &eacute; definido nos <i>spots</i> televisivos da campanha de publireportagem (= a compreens&atilde;o privada da realidade da situa&ccedil;&atilde;o), de modo a satisfazer as necessidades do cliente e a cumprir a sua miss&atilde;o &quot;perlocucion&aacute;ria&quot; (= os resultados decorrentes do enquadramento privado da situa&ccedil;&atilde;o). De acordo com dados dispon&iacute;veis atrav&eacute;s do relat&oacute;rio de monitoriza&ccedil;&atilde;o do Conselho Audiovisual Nacional, correspondente ao per&iacute;odo entre 1 de setembro de 2013 e 6 de outubro de 2013, doze esta&ccedil;&otilde;es televisivas da Rom&eacute;nia emitiram onze vers&otilde;es de <i>spots</i> televisivos a promover o projeto mineiro em Rosia Montana. Todos os an&uacute;ncios terminam apresentando um endere&ccedil;o da Internet, onde os apoiantes do projeto mineiro s&atilde;o convidados (por um coment&aacute;rio em <i>voz off</i>) a inscrever-se em &quot;empregos em Rosia Montana&quot;.</p>     <p>V&aacute;rios an&uacute;ncios estavam baseados na mesma estrutura narrativa, adotando uma abordagem semelhante a uma reportagem especial: utilizando palavras emocionalmente persuasivas, pessoas de diferentes estratos sociais – residentes em Rosia Montana – descrevem a realidade socioecon&oacute;mica da aldeia, destacando a press&atilde;o da pobreza e da tristeza. Seguindo a estrutura da reportagem arquet&iacute;pica de Vladimir Propp, que inclui a exist&ecirc;ncia de um sujeito/v&iacute;tima de um ajudante/salvador (Propp, 1970), posicionam-se como v&iacute;timas &agrave; espera e a desejar serem salvas pelos investimentos da RMGC. Por conseguinte, promovem as explora&ccedil;&otilde;es em Rosia Montana como sendo a solu&ccedil;&atilde;o para (acabar com) a pobreza e para criar emprego na &aacute;rea.</p>     <p>Outros an&uacute;ncios assemelham-se a uma <i>vox populi</i> (voz do povo), em que o p&uacute;blico em geral, de diferentes cidades da Rom&eacute;nia, &eacute; convidado a responder &agrave; seguinte quest&atilde;o: &quot;Por que &eacute; a favor do projeto mineiro de Rosia Montana?' As respostas incluem recomenda&ccedil;&otilde;es para &quot;uma economia mais forte&quot;, &quot;uma vida melhor&quot;, &quot;investimentos&quot;, etc. Na parte final dos <i>spots</i>, surge a mesma pessoa, dizendo: &quot;O emprego em Rosia Montana&eacute; bom para a Rom&eacute;nia, e aquilo que &eacute; bom para a Rom&eacute;nia tamb&eacute;m &eacute; bom para mim&quot;.</p>     <p>Outro an&uacute;ncio mostra o l&iacute;der da Sindicatul &quot;Viitorul Mineritului&quot; (o Sindicato &quot;O Futuro da Atividade Mineira&quot;), que discute (numa entrevista?) a &quot;pobreza&quot;, o &quot;desespero&quot;, o &quot;emprego&quot;, a &quot;solidariedade humana&quot; e a vontade dos habitantes locais em trabalhar novamente nas minas. Na segunda parte do an&uacute;ncio, afirma: &quot;A atividade mineira pode criar milhares e milhares de empregos. (&hellip;) Inscreva-se para as minas! Inscreva-se para trabalhar em Rosia Montana&quot;.</p>     <p>Outro an&uacute;ncio, ainda, mostra um m&eacute;dico – diretor de uma cl&iacute;nica m&eacute;dica da regi&atilde;o de Alba – que est&aacute; a discutir (numa entrevista?) as dificuldades econ&oacute;micas regionais e, neste contexto, a import&acirc;ncia da aprova&ccedil;&atilde;o do projeto mineiro, quer para a regi&atilde;o, quer para a Rom&eacute;nia, uma vez que implica &quot;milhares de empregos&quot;, &quot;crescimento econ&oacute;mico&quot; e &quot;uma vida melhor&quot; para a popula&ccedil;&atilde;o. Outras palavras-chave utilizadas s&atilde;o &quot;estabilidade&quot;, &quot;normalidade&quot; e &quot;bons sal&aacute;rios&quot;. Na segunda parte do an&uacute;ncio, afirma: &quot;Inscreva-se para as minas! Inscreva-se para trabalhar em Rosia Montana&quot;.</p>     <p>Para terminar, outro an&uacute;ncio mostra o presidente da Confedera&ccedil;&atilde;o Nacional dos Sindicatos de Com&eacute;rcio &quot;Meridian&quot;, que discute (numa entrevista?) a forma como &quot;apenas a atividade mineira nos pode retirar da crise econ&oacute;mica e salvar a economia&quot;. Outros conceitos-chave real&ccedil;ados no <i>spot</i> est&atilde;o relacionados com os recursos de ouro que poderiam acelerar o desenvolvimento da regi&atilde;o, e proporcionar bem-estar &agrave; comunidade. Na segunda parte do an&uacute;ncio, afirma: &quot;Voc&ecirc; tamb&eacute;m deveria inscrever-se para as minas! Voc&ecirc; tamb&eacute;m deveria inscrever-se para trabalhar em Rosia Montana&quot;.</p>     <p>Estudiosos como Berger (2001) referiram que a implica&ccedil;&atilde;o de um ator corporativo no processo de agendamento assume a forma de um processo influenciador em duas fases: primeiro, a corpora&ccedil;&atilde;o desenvolve a sua pr&oacute;pria agenda de assuntos pol&iacute;ticos, e, em segundo lugar, ativa os seus canais de influ&ecirc;ncia orientados para outras agendas espec&iacute;ficas – agendas dos <i>media</i>, pol&iacute;ticas e p&uacute;blicas –, de modo a obter resultados favor&aacute;veis e, finalmente, a influenciar a tomada de decis&atilde;o.</p>     <p>Obviamente, as interpreta&ccedil;&otilde;es dos factos apresentados nestes an&uacute;ncios televisivos t&ecirc;m como objetivo apoiar os interesses do principal &quot;player&quot; envolvido na situa&ccedil;&atilde;o (= o projeto das minhas de ouro e de prata em Rosia Montana), a RMCG, apesar de toda a campanha tentar impor um enquadramento diferente ao p&uacute;blico, destacando alguns temas aos quais as pessoas s&atilde;o sens&iacute;veis (pobreza, desemprego, solidariedade humana, etc.), e dissimulando, assim, as controv&eacute;rsias em torno do projeto mineiro cujo in&iacute;cio ainda n&atilde;o foi autorizado. Por outras palavras, a campanha baseia-se numa estrat&eacute;gia de desdobramento de iniciativas, ou, utilizando um termo acad&eacute;mico mais neutro (Andreasen, 2006), uma estrat&eacute;gia de enquadramento: isto significa que, fora de mais contextos poss&iacute;veis, os dados n&atilde;o trabalhados do verdadeiro debate da situa&ccedil;&atilde;o s&atilde;o interpretados num contexto espec&iacute;fico que mostra a prefer&ecirc;ncia particular por um determinado resultado.</p>     <p>Nesta a&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica, a fun&ccedil;&atilde;o dos <i>media</i> &eacute; deliberadamente reduzida &agrave; de um canal de emiss&atilde;o que permitir&aacute; &agrave; corpora&ccedil;&atilde;o transferir a compreens&atilde;o privada da realidade da situa&ccedil;&atilde;o da sua agenda para a agenda p&uacute;blica. O &quot;&ecirc;xito&quot; da transfer&ecirc;ncia est&aacute; dependente de duas vari&aacute;veis. Uma delas &eacute; o grau em que a agenda dos <i>media</i> tamb&eacute;m &eacute; a do p&uacute;blico, e o seu discurso uma parte influente do discurso do p&uacute;blico. Watson (2008) defende que esta equa&ccedil;&atilde;o depende, em grande parte, da <i>posi&ccedil;&atilde;o</i> dos <i>media</i> na perce&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico, a sua credibilidade enquanto fonte de informa&ccedil;&atilde;o e a sua reputa&ccedil;&atilde;o de precis&atilde;o e de sinceridade. A segunda vari&aacute;vel que pode garantir uma transfer&ecirc;ncia de sucesso refere-se ao n&iacute;vel em que, ao mesmo tempo e nos mesmos canais de transmiss&atilde;o, outros enquadramentos da mesma situa&ccedil;&atilde;o (= o projeto das minas de ouro e de prata em Rosia Montana) circulam e chegam &agrave; agenda p&uacute;blica. Na campanha de publireportagem - um &quot;an&uacute;ncio de opini&atilde;o&quot; – o enquadramento desejado &eacute; multifacetado: os an&uacute;ncios baseados numa narrativa podem ser interpretados como contra-enquadramento das controv&eacute;rsias ecol&oacute;gicas e tecnol&oacute;gicas colocadas pelo projeto das minas, mudando o enfoque para o fator humano (i.e., desemprego, infelicidade, pobreza); os an&uacute;ncios que simulam a vox populi representam o contra-enquadramento do referendo local fracassado, organizado em dezembro de 2012 na regi&atilde;o, e uma antecipa&ccedil;&atilde;o do poss&iacute;vel referendo nacional sobre o problema do projeto das minas, que poderia decorrer em maio de 2014, conforme sugerido pelo Presidente da Rom&eacute;nia numa entrevista (<i>ver abaixo a cronologia inclu&iacute;da neste artigo</i>); os an&uacute;ncios que simulam as entrevistas enquadram as vozes dos especialistas que exprimem as suas opini&otilde;es a favor do projeto das minas, utilizando a mesma estrat&eacute;gia de fator humano. Globalmente, este enquadramento positivo que sustenta o projeto das minas contrasta profundamente com outro enquadramento que emergiu na agenda p&uacute;blica no decorrer do m&ecirc;s de setembro: protestos de rua em Rosia Montana, em Bucareste e noutras cidades importantes da Rom&eacute;nia, como rea&ccedil;&atilde;o &agrave; proposta de lei do Governo. Neste contexto, &eacute; uma tarefa dif&iacute;cil prever com precis&atilde;o a din&acirc;mica da agenda p&uacute;blica, o que s&oacute; pode ser realizado utilizando instrumentos de medida (como inqu&eacute;ritos ou sondagens), de modo a determinar de que modo uma quest&atilde;o social &eacute; classificada, em termos de import&acirc;ncia, entre outros t&oacute;picos de elevada relev&acirc;ncia para o p&uacute;blico. &Eacute; por isso que controlar as duas vari&aacute;veis descritas acima pode tornar mais f&aacute;cil &agrave; agenda corporativa impor uma realidade predefinida &agrave; agenda p&uacute;blica. Assim, a coocorr&ecirc;ncia de mais enquadramentos concorrentes na hierarquia das quest&otilde;es de agenda p&uacute;blica conduz, muitas vezes, a conflitos cujas resolu&ccedil;&otilde;es podem ser observadas em negocia&ccedil;&otilde;es entre as agendas. Uma indica&ccedil;&atilde;o do poder das corpora&ccedil;&otilde;es sobre os <i>media</i> &eacute; representada pela depend&ecirc;ncia dos <i>media</i> face ao financiamento que a publicidade pode proporcionar. Neste sentido, a monitoriza&ccedil;&atilde;o do Conselho mostra que, entre 1 de setembro de 2013 e 6 de outubro de 2013, os <i>spots</i> televisivos de promo&ccedil;&atilde;o do projeto das minas em Rosia Montana foram reproduzidos mais de 700 vezes, predominantemente em tr&ecirc;s esta&ccedil;&otilde;es televisivas especializadas em not&iacute;cias e &quot;talk-shows&quot;: B1 TV, Rom&acirc;nia TV e Antena 3. Al&eacute;m disso, o mesmo relat&oacute;rio destaca o facto de a RMGC ter patrocinado sete emiss&otilde;es televisivas em duas das esta&ccedil;&otilde;es de televis&atilde;o noticiosas. Outra monitoriza&ccedil;&atilde;o do Conselho (1 de setembro de 2013 – 11 de outubro de 2013) revelou que o tempo m&eacute;dio di&aacute;rio que as esta&ccedil;&otilde;es televisivas dedicaram a debates sobre o projeto das minas variou entre cerca de 113 minutos e cerca de 30 minutos. A estas, podemos adicionar algumas observa&ccedil;&otilde;es efetuadas por um dos membros da NAC: &quot;Se tivermos mais de um milhar de an&uacute;ncios gerados pela mesma empresa, essa empresa &eacute; quase como um acionista dessa televis&atilde;o. (&hellip;) A situa&ccedil;&atilde;o na qual nos encontramos &eacute; que, praticamente, algumas esta&ccedil;&otilde;es televisivas sobrevivem financeiramente gra&ccedil;as &agrave; promo&ccedil;&atilde;o deste projeto&quot;, comentou Christian Mititelu durante a reuni&atilde;o do NAC, quando a campanha de publireportagens foi proibida.</p>     <p><b>Em nome do p&uacute;blico: agenda corporativa vs. agenda pol&iacute;tica</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em <i>Media Communication</i>, Watson (2008) menciona algumas circunst&acirc;ncias sob as quais as corpora&ccedil;&otilde;es promovem as suas agendas atrav&eacute;s de alian&ccedil;as com outras agendas (com a agenda dos media ou com a agenda pol&iacute;tica), para influenciar, sen&atilde;o ordenar, as agendas p&uacute;blicas. Assim, este emaranhado de agendas indica que o processo de tomada de decis&atilde;o sobre a agenda pol&iacute;tica, n&atilde;o s&oacute; se encontra intimamente ligado &agrave;s movimenta&ccedil;&otilde;es a decorrer na agenda p&uacute;blica, como tamb&eacute;m &agrave; forma como as corpora&ccedil;&otilde;es desenvolvem estrat&eacute;gias de influ&ecirc;ncia, com vista a alcan&ccedil;ar pol&iacute;ticas favor&aacute;veis. O contexto pol&iacute;tico no &acirc;mbito do qual foi lan&ccedil;ada a campanha de promo&ccedil;&atilde;o do projeto das minas em Rosia Montana (apenas alguns dias depois de o governo romeno ter proposto um projeto de lei que autoriza integralmente as explora&ccedil;&otilde;es, e antes de o Parlamento romeno tomar a decis&atilde;o definitiva, no final de novembro e dezembro) &eacute; uma clara indica&ccedil;&atilde;o de que os <i>spots</i> televisivos se destinavam a influenciar a agenda p&uacute;blica e a agenda pol&iacute;tica. De facto, o membro do NAC Lorand Turos, durante a reuni&atilde;o do dia 15 de outubro de 2013, referiu-se &agrave; campanha como &quot;um problema que se encontra, agora, nas m&atilde;os do Parlamento. J&aacute; &eacute; uma quest&atilde;o pol&iacute;tica que necessita de uma decis&atilde;o pol&iacute;tica. A minha opini&atilde;o &eacute; que o objetivo bem definido desta campanha &eacute; obter uma vota&ccedil;&atilde;o favor&aacute;vel no Parlamento. Consequentemente, promove um interesse pol&iacute;tico. Na minha perspetiva, a afirma&ccedil;&atilde;o &quot;empregos em Rosia Montana s&atilde;o bons para a Rom&eacute;nia&quot; &eacute; uma mensagem pol&iacute;tica. E as mensagens pol&iacute;ticas&hellip; ou a promo&ccedil;&atilde;o de mensagens pol&iacute;ticas atrav&eacute;s da publicidade, s&atilde;o proibidas fora do per&iacute;odo de campanha eleitoral.&quot; Enquanto Watson fala sobre alian&ccedil;as, Berger reflete sobre conflitos que podem ocorrer entre atores corporativos e governos, sobretudo em ambientes democr&aacute;ticos, e especialmente no caso de quest&otilde;es sociais que s&atilde;o controversas para a sociedade:</p>     <blockquote>&quot;O governo democr&aacute;tico tem, teoricamente, tend&ecirc;ncia para socializar o conflito &mdash; ou seja, alargar o n&uacute;mero de participantes, ou vozes, no debate e resolu&ccedil;&atilde;o de problemas sociais, enquanto as empresas estabelecidas procuram proteger os seus interesses privados, as suas transa&ccedil;&otilde;es e as suas vantagens. Assim, os interesses privados das empresas est&atilde;o, muitas vezes, em conflito com os interesses p&uacute;blicos que se espera que o governo apoie&quot; (Berger, 2001: 97).</blockquote>     <p>Depois de analisar os <i>spots</i> televisivos contra os quais foram feitas mais de 2000 reclama&ccedil;&otilde;es de cidad&atilde;os, o Conselho Audiovisual Nacional da Rom&eacute;nia deliberou que os an&uacute;ncios criados com vista &agrave; promo&ccedil;&atilde;o do projeto mineiro em Rosia Montana infringiam algumas das disposi&ccedil;&otilde;es da Lei do Audiovisual, afirmando que foram ignorados dois requisitos espec&iacute;ficos: (1) &quot;as comunica&ccedil;&otilde;es comerciais audiovisuais n&atilde;o devem incentivar um comportamento prejudicial &agrave; sa&uacute;de e &agrave; seguran&ccedil;a da popula&ccedil;&atilde;o&quot;, e (2) &quot;as comunica&ccedil;&otilde;es comerciais audiovisuais n&atilde;o devem incentivar um comportamento prejudicial &agrave; prote&ccedil;&atilde;o do ambiente&quot;. O Conselho invocou, ainda, a infra&ccedil;&atilde;o de dois artigos do <i>C&oacute;digo de regulamenta&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do audiovisual</i>: (1) &quot;As comunica&ccedil;&otilde;es comerciais audiovisuais, independentemente do seu tipo e dura&ccedil;&atilde;o, devem observar os princ&iacute;pios de prote&ccedil;&atilde;o de menores, os princ&iacute;pios de informa&ccedil;&atilde;o correta do p&uacute;blico, os princ&iacute;pios do respeito pela dignidade humana, e os princ&iacute;pios de salvaguarda de uma concorr&ecirc;ncia leal entre diferentes concorrentes&quot;, e (2) &quot;S&atilde;o proibidas a publicidade e as televendas com recurso a t&eacute;cnicas enganadoras ou agressivas&quot;. O NAC tamb&eacute;m referiu a infra&ccedil;&atilde;o da Lei 363/2007, que &eacute; o equivalente romeno &agrave; Diretiva 2005/29/CE do Parlamento Europeu e do Conselho de 11 de maio de 2005, relativa &agrave;s pr&aacute;ticas comerciais desleais das empresas face aos consumidores. Segundo os princ&iacute;pios desta Diretiva, o consumidor n&atilde;o poder&aacute; ser enganado nem exposto a pr&aacute;ticas comerciais agressivas, e todas as mensagens devem ser redigidas com clareza, precis&atilde;o e justifica&ccedil;&atilde;o, permitindo ao consumidor fazer uma escolha informada e, por conseguinte, eficiente. O NAC considerou agressivo o facto de o comerciante ter utilizado, em seu benef&iacute;cio, alguns eventos &quot;infelizes&quot; ou circunst&acirc;ncias especiais da vida do consumidor, eventos ou circunst&acirc;ncias de gravidade tal que podem afetar a avalia&ccedil;&atilde;o do consumidor m&eacute;dio, e das quais o comerciante tem conhecimento, e as quais utiliza para influenciar a decis&atilde;o do consumidor relativamente ao produto. No caso em an&aacute;lise, &eacute; &oacute;bvio que a mensagem dos an&uacute;ncios se baseia nos &quot;infelizes&quot; eventos da vida (conforme caracterizados pela pr&oacute;pria lei) de algumas pessoas com uma situa&ccedil;&atilde;o financeira prec&aacute;ria. Neste sentido, est&atilde;o dispostos a apoiar um projeto nocivo para a sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o (incluindo a sua pr&oacute;pria) e para o ambiente (tendo em considera&ccedil;&atilde;o as tecnologias de explora&ccedil;&atilde;o mineira), desde que exista a promessa de uma vida tempor&aacute;ria melhor, sem levar em conta as consequ&ecirc;ncias ou efeitos do projeto.</p>     <p>At&eacute; ao momento, esta an&aacute;lise mostrou as intera&ccedil;&otilde;es (em termos de conflito ou de negocia&ccedil;&atilde;o) entre as tr&ecirc;s agendas (dos <i>media</i>, pol&iacute;tica e corporativa) destinadas a influenciar a agenda p&uacute;blica e o discurso p&uacute;blico. Existem intera&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o s&oacute; entre as agendas, mas tamb&eacute;m dentro de cada dom&iacute;nio, e, por vezes, formam-se coliga&ccedil;&otilde;es:</p>     <blockquote>&quot;No dom&iacute;nio da agenda p&uacute;blica, diversos grupos de interesse afirmam, muitas vezes, serem os &uacute;nicos que falam &quot;em nome do povo&quot; para convencer os <i>media</i> ou os decisores pol&iacute;ticos de que <i>eles</i> s&atilde;o os &uacute;nicos que devem ser ouvidos&quot; (Andreasen, 2006: 34).</blockquote>     <p>A cronologia que se segue, que destaca alguns eventos importantes em torno da campanha de publireportagens do projeto de explora&ccedil;&atilde;o mineira de Rosia Montana, foi concebida para ilustrar de que modo a din&acirc;mica da agenda pol&iacute;tica &eacute; alterada por agentes que n&atilde;o fazem, normalmente, parte das tr&ecirc;s agendas que procuram influenciar a agenda p&uacute;blica:</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="t1"></a> <img src="/img/revistas/csoc/v25/v25a12t1.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A sucess&atilde;o de eventos desta cronologia revela as implica&ccedil;&otilde;es de outros atores que participam no jogo de decis&atilde;o pol&iacute;tica, sem participarem em nenhuma das tr&ecirc;s agendas. O veredicto proferido pelo Conselho Audiovisual Nacional recebeu imediatamente o desacordo do impulsionador da campanha de publireportagens – Sindicatul &quot;Viitorul Mineritului&quot; (o Sindicato &quot;O Futuro da Atividade Mineira&quot;). Nesse mesmo dia, emitiram um comunicado &agrave; imprensa afirmando, pela voz do seu l&iacute;der, que a decis&atilde;o do NAC &quot;foi tomada sem qualquer possibilidade de debate, durante o qual as partes envolvidas pudessem esclarecer os seus pontos de vista, e que poderiam proteger o seu direito &agrave; liberdade de express&atilde;o&quot;. &Eacute;, agora, claro que a campanha tinha como objetivo influenciar, quer a agenda p&uacute;blica, quer a agenda pol&iacute;tica, mas esta estrat&eacute;gia sofreu algumas interfer&ecirc;ncias, provavelmente inesperadas, de partidos formalmente n&atilde;o envolvidos na &quot;batalha&quot; por Rosia Montana. Assim, uma campanha (essencialmente, uma campanha de publireportagens, n&atilde;o esque&ccedil;amos!) que procurava, aparentemente, oferecer solu&ccedil;&otilde;es para problemas sociais (e.g., pobreza, desemprego) tornou-se num problema social. Em termos de agendamento, a campanha de publireportagens transformou-se, ela pr&oacute;pria, numa <i>quest&atilde;o</i>. Andreasen (2006) explica de que modo uma quest&atilde;o pode subir na agenda p&uacute;blica: juntamente com as intera&ccedil;&otilde;es entre as agendas discutidas, necessita do envolvimento de mais alguns &quot;players&quot; – porta-vozes carism&aacute;ticos, l&iacute;deres de coliga&ccedil;&otilde;es (porque o envolvimento dos indiv&iacute;duos em si pode n&atilde;o ser suficiente), l&iacute;deres de ONGs, legisladores governamentais e diretores de ag&ecirc;ncia, jornalistas, editores e diretores de informa&ccedil;&atilde;o. No caso desta campanha, os <i>media</i> especularam que aquilo que fez a diferen&ccedil;a foi a carta aberta de sete p&aacute;ginas que Eugenia Voda, jornalista cultural e conhecida produtora televisiva da Rom&eacute;nia, enviou ao Conselho Audiovisual Nacional da Rom&eacute;nia a pedir a proibi&ccedil;&atilde;o dos <i>spots</i>. O documento era intitulado &quot;Por que &eacute; que um lago envenenado maior do que o Estado do M&oacute;naco &eacute; &quot;bom para a Rom&eacute;nia&quot;&quot;. Em conson&acirc;ncia com o debate p&uacute;blico sobre se a campanha de publireportagens proposta pela RMGC era de natureza social ou pol&iacute;tica, a jornalista indicou que os an&uacute;ncios televisivos promovem uma esp&eacute;cie de &quot;referendo privado&quot;, ao pedirem &agrave;s pessoas para &quot;dizer SIM &agrave; explora&ccedil;&atilde;o mineira&quot;. Eis um excerto da carta que alguns <i>media</i> nacionais consideraram ter despoletado a decis&atilde;o final da NAC: &quot;&Eacute; &quot;bom para a Rom&eacute;nia&quot;? Por que &eacute; que confiar&iacute;amos em algumas pessoas na rua – de todo o pa&iacute;s, com o nome da cidade escrito no ecr&atilde; do televisor –, que nos dizem, impl&iacute;cita e explicitamente, que o projeto &eacute; um &quot;bom&quot; projeto mas, ao inv&eacute;s, n&atilde;o confiar&iacute;amos nos ESPECIALISTAS do nosso pa&iacute;s (ge&oacute;logos, farmac&ecirc;uticos, economistas e arquitetos) que nos dizem – de facto, n&atilde;o t&atilde;o frequentemente, nem durante os intervalos para publicidade – que N&Atilde;O &eacute; bom de modo nenhum?! Entre outras coisas, esta longa hist&oacute;ria de Rosia Montana &eacute; um exemplo de humilha&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica dos especialistas.&quot;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Conforme indicado na cronologia, a carta aberta obteve como resposta uma outra carta aberta, assinada pelo l&iacute;der do sindicado envolvido na campanha de publireportagens, apenas dois dias depois de a campanha ter sido proibida na televis&atilde;o e na r&aacute;dio. As quest&otilde;es sobem ou descem quando porta-vozes carism&aacute;ticos t&ecirc;m uma palavra a dizer relativamente ao problema social sob escrut&iacute;nio. Em 2012, por exemplo, a anterior grande campanha do projeto de explora&ccedil;&atilde;o mineira em Rosia Montana viu rejeitados dois <i>spots</i> televisivos (an&uacute;ncios de opini&atilde;o) com dois famosos atores romenos, Maia Morgenstern e Dragos Bucur. Outro &quot;player&quot; a ter em conta &eacute; a Academia Romena. Na sua declara&ccedil;&atilde;o oficial de junho de 2013, a institui&ccedil;&atilde;o afirmou que o processo de tomada de decis&atilde;o n&atilde;o deveria ignorar os diversos protestos individuais e coletivos da sociedade civil, nem os protestos das academias de ci&ecirc;ncias e das duas principais Igrejas (a Ortodoxa Romena e a Cat&oacute;lica Romana), dos institutos culturais, na Rom&eacute;nia e no estrangeiro, e de personalidades e cientistas famosos. Por vezes, as ONGs podem intervir, como aconteceu em 2009, quando outra campanha de publireportagem patrocinada pela RMGC foi proibida pelo Conselho Audiovisual Nacional, depois de o Conselho Romeno para a Publicidade – uma organiza&ccedil;&atilde;o profissional, n&atilde;o-governamental, sem fins lucrativos e independente cuja atividade consiste na autorregula&ccedil;&atilde;o na publicidade – ter analisado os <i>spots</i>. Neste caso, o NAC tamb&eacute;m recebeu uma reclama&ccedil;&atilde;o oficial do presidente do PRM Cluj (um partido pol&iacute;tico de direita), pedindo ao Conselho a proibi&ccedil;&atilde;o do <i>spot</i> at&eacute; que a empresa obtivesse todas as aprova&ccedil;&otilde;es legais para iniciar o projeto de explora&ccedil;&atilde;o mineira. Todos estes atores podem constituir um grupo de defesa fundamental, que coloca ainda mais press&atilde;o sobre os decisores pol&iacute;ticos, e que &quot;pode contribuir significativamente para a mudan&ccedil;a das normas sociais&quot; (Andreasen, 2006: 43).</p>     <p><b>Conclus&otilde;es</b></p>     <p>O presente artigo procurou ilustrar a complexa natureza da publicidade e a necessidade imperiosa de avaliar a sua &eacute;tica de acordo com esta complexidade, e n&atilde;o reduzi-la aos discursos legais (&agrave;quilo que &eacute; legalmente certo ou errado) ou aos discursos morais (&agrave;quilo que &eacute; moralmente certo ou errado) propostos pelos advogados, fil&oacute;sofos e estudiosos da &eacute;tica. Pelo contr&aacute;rio, utilizando a teoria do agendamento como uma valiosa met&aacute;fora que representa, por um lado, as negocia&ccedil;&otilde;es &quot;invis&iacute;veis&quot; que ocorrem entre corpora&ccedil;&otilde;es, <i>media</i> e decisores pol&iacute;ticos, e, por outro lado, os resultados dessas negocia&ccedil;&otilde;es, &quot;vis&iacute;veis&quot; na agenda p&uacute;blica, este estudo real&ccedil;ou a necessidade de analisar a &eacute;tica da publicidade, identificando os contextos da produ&ccedil;&atilde;o de an&uacute;ncios publicit&aacute;rios, e n&atilde;o formulando, apenas, conclus&otilde;es relativamente ao resultado final. Esta simplifica&ccedil;&atilde;o excessiva da avalia&ccedil;&atilde;o da &eacute;tica na publicidade &eacute; substitu&iacute;da, aqui, pela &quot;&eacute;tica contextual&quot; ou pela &eacute;tica contextualmente determinada. A perspetiva comunicativa aqui preferida mostrou que a &quot;miopia moral&quot; e a &quot;mudez moral&quot; (a incapacidade de ver dilemas &eacute;ticos e a fraca comunica&ccedil;&atilde;o sobre os mesmos, quando reconhecidos), de Drumwright (2004), s&atilde;o contagiosas, e n&atilde;o se aplicam apenas &agrave; publicidade, mas tamb&eacute;m se disseminam nas &aacute;reas profissionais &agrave;s quais a publicidade est&aacute; ligada.</p>     <p>Obviamente, uma &eacute;tica contextual implica determinados riscos: embora se afaste da perspetiva restritiva que imp&otilde;e paradigmas irrefut&aacute;veis, pode incentivar uma esp&eacute;cie de relativismo em torno da separa&ccedil;&atilde;o daquilo que &eacute; &eacute;tico e daquilo que n&atilde;o &eacute; &eacute;tico, na publicidade. Simultaneamente, contrariamente &agrave; abordagem restritiva, que &eacute; autossuficiente, incentiva a comunica&ccedil;&atilde;o e, naturalmente, a investiga&ccedil;&atilde;o futura.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <!-- ref --><p>Andreasen, A. R. (2006) <i>Social Marketing in the 21st Century</i>, Londres: Sage Publications.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2012575&pid=S2183-3575201400010001200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Arens, W. F., Schaefer, D. H. &amp; Weigold, M. (2009), <i>Essentials of Contemporary Advertising, 2/e</i>, Columbus: McGraw-Hill Higher Education.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2012577&pid=S2183-3575201400010001200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Beder, S. (2002) &lsquo;Agenda Setting for Environmental Protection Policies' in Kerr, S., Buhrs, T. &amp; Dann, C. (eds.) (2002) <i>Green Governance: From Periphery to Power</i>, Christchurch: Lincoln University, pp. 22-25.</p>     <p>Beltramini, R. F. (2003) &lsquo;Advertising ethics: the ultimate oxymoron?', <i>Journal of Business Ethics</i>, 48(3): 215-216.</p>     <p>Berger, B. (2001) &lsquo;Private Issues and Public Policies: Locating the Corporate Agenda in Agenda-Setting Theory', <i>Journal of Public Relations Research</i>, 13(2): 91-126.</p>     <!-- ref --><p>Bivins, T. (2009) <i>Mixed Media: Moral Distinctions in Advertising, Public Relations, and Journalism</i>, Nova Iorque: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2012582&pid=S2183-3575201400010001200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Drumwright, M. &amp; Murphy P. (2004) &lsquo;How Advertising Practitioners View Ethics', <i>Journal of Advertising</i>, 33(2): 7-24.</p>     <p>Gustafson, A. (2001) &lsquo;Advertising's Impact on Morality in Society: Influencing Habits and Desires of Consumers', <i>Business and Society Review</i>, 106(3): 201-23.</p>     <p>Levitt, T. (1970) &lsquo;The morality (?) of advertising', <i>Harvard Business Review</i>, julho-agosto: 83-92.</p>     <p>McCombs, M. &amp; Shaw, D. (1972) &lsquo;The agenda-setting function of mass media', <i>Public Opinion Quarterly</i>, 36: 176-85.</p>     <!-- ref --><p>Phillips, M. J. (1997) <i>Ethics and manipulation in advertising: answering a flawed indictment</i>, Westport: Greenwood Publishing Group.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2012588&pid=S2183-3575201400010001200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Pollay, R. W. (1986) &lsquo;The distorted mirror: reflections on the unintended consequences of advertising', <i>Journal of Marketing</i>, 50: 18-36.</p>     <!-- ref --><p>Propp, V. (1970) <i>Morfologia basmului</i>, &icirc;n rom&acirc;ne te de Radu Nicolau, Bucure ti: Editura Univers.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2012591&pid=S2183-3575201400010001200013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Reese, S. (1991) &lsquo;Setting the Media's Agenda: A Power Balance Perspective' in Anderson J. (ed.) (1991) <i>Communication Yearbook</i> 14, Beverly Hills: Sage, pp. 309-40.</p>     <p>Rogers, E. &amp; Dearing, J. (1988) &lsquo;Agenda-setting research: Where has it been, where is it going?' in Anderson, J. (ed.) (1988) <i>Communication Yearbook</i> 11, Newbury Park, CA: Sage, pp. 555-93.</p>     <p>Salter, L. (2005) &lsquo;The communicative structures of journalism and public relations', <i>Journalism</i>, 6: 90-106.</p>     <p>Shabbir, H. &amp; Thwaites, D. (2007) &lsquo;The use of humor to mask deceptive advertising', <i>Journal of Advertising</i>, 36(2): 75-85.</p>     <!-- ref --><p>Shaw, D. L. &amp; McCombs, M. (1977). <i>The Emergence of American Political Issues: The Agenda-Setting Function of the Press</i>, St. Paul: West.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2012597&pid=S2183-3575201400010001200018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Soroka, S. (2002) &lsquo;Issue Attributes and Agenda-Setting by Media, the Public, and Policymakers in Canada', <i>International Journal of Public Opinion Research</i>, 14(3): 264-285.</p>     <!-- ref --><p>Swanborn, P. (2010) <i>Case Study Research: What, Why and How</i>, Londres: Sage Publications.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2012600&pid=S2183-3575201400010001200020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Warner, Ch. (2009) <i>Media Selling: Television, Print, the Internet, and Radio</i>, 4th ed., West Sussex: Wiley-Blackwell.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2012602&pid=S2183-3575201400010001200021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Watson, James (2008) <i>Media Communication. An Introduction to Theory and Process</i>, 3rd ed., Nova Iorque: Palgrave Macmillan.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2012604&pid=S2183-3575201400010001200022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Recebido a 14-03-2014</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Aceite a 05-05-2014</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Notas</b></p>     <p><sup><a href="#top1" name="1">[1]</a></sup> Este estudo de caso utiliza dados dispon&iacute;veis no website do Conselho Audiovisual Nacional da Rom&eacute;nia, em <a href="http://cna.ro/" target="_blank">http://cna.ro/</a>.</p>     <p><sup><a href="#top2" name="2">[2]</a></sup> As declara&ccedil;&otilde;es dos membros do Conselho Audiovisual Nacional (NAC) que participaram na reuni&atilde;o onde foi adotada a decis&atilde;o de retirar os <i>spots</i> da emiss&atilde;o foram traduzidas do Romeno, depois de veiculadas pelos media nacionais, no dia 15 de outubro de 2013. Os excertos originais est&atilde;o dispon&iacute;veis em: <a href="http://www.paginademedia.ro/2013/10/spoturile-pentru-rosia-montana-interzise-de-la-tv/" target="_blank">http://www.paginademedia.ro/2013/10/spoturile-pentru-rosia-montana-interzise-de-la-tv/</a></p>     <p><sup><a href="#top3" name="3">[3]</a></sup> Os excertos da carta aberta escrita pela jornalista Eugenia Voda foram traduzidos do Romeno, depois de veiculados pelos media nacionais, no dia 13 de outubro de 2013. Os excertos originais est&atilde;o dispon&iacute;veis em: <a href="http://www.paginademedia.ro/2013/10/eugenia-voda-cer-cna-stoparea-reclamelor-legate-de-rosia-montana/" target="_blank">http://www.paginademedia.ro/2013/10/eugenia-voda-cer-cna-stoparea-reclamelor-legate-de-rosia-montana/</a></p>     <p><sup><a href="#top4" name="4">[4]</a></sup> O Conselho Audiovisual Nacional da Rom&eacute;nia &eacute; uma institui&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica aut&oacute;noma dirigida por um conselho de 11 membros nomeados pelo Parlamento Romeno, com base na seguinte f&oacute;rmula: tr&ecirc;s nomea&ccedil;&otilde;es do Senado; tr&ecirc;s da C&acirc;mara de Deputados; dois do Presidente da Rom&eacute;nia; e tr&ecirc;s do Governo. As reuni&otilde;es do Conselho decorrem todas as ter&ccedil;as e quintas. S&atilde;o p&uacute;blicas e abertas a todos os interessados. Os jornalistas est&atilde;o presentes na maioria das reuni&otilde;es.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>[Tradu&ccedil;&atilde;o: Rui Sousa e Silva]</p>      ]]></body><back>
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