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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A prioridade ética da retórica publicitária]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The ethical primacy of advertising rhetoric]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Instituto Politécnico de Viseu Escola Superior de Educação de Viseu ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[What is the relationship between advertising and morals (this one as an object of ethical reflection)? Advertising does not depend on morality, but it can be moral or immoral. If advertising uses speech power to become effective, it is a rhetorical or a persuasive speech art requiring an ethical caution, because the goals are determined and do not justify the means. Advertising takes an ethical dimension, especially when it follows a cunning, fallacious or deceptive strategy. The topic of ethics is, sic et simpliciter, rational, dialectical and reflexive. Ethical issues are, as a rule, aporias. Thus, this paper focuses on a critical analysis of ethics in advertising and communication. The methodology is reflected in the conceptualization and questioning of advertising ethics as an aesthetic of rhetorical speech.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Comunicação de massas]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>DA PUBLICIDADE &Agrave; PROPAGANDA</b></p>     <p><b>A prioridade &eacute;tica da ret&oacute;rica publicit&aacute;ria</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>The ethical primacy of advertising rhetoric</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Paulo Barroso*</b></p>     <p>*Escola Superior de Educa&ccedil;&atilde;o de Viseu, Instituto Polit&eacute;cnico de Viseu, Portugal.</p>     <p><a href="mailto:pbarroso1062@gmail.com">pbarroso1062@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Qual &eacute; a rela&ccedil;&atilde;o entre a publicidade e a moral (esta enquanto objecto da reflex&atilde;o &eacute;tica)? A publicidade n&atilde;o depende da moral, mas pode revestir-se de moralidade ou imoralidade. Se a publicidade explora as potencialidades do discurso para se tornar eficaz, &eacute; uma forma de ret&oacute;rica ou arte do discurso persuasivo que exige um cuidado &eacute;tico, pois os fins est&atilde;o determinados e n&atilde;o justificam os meios. A publicidade assume uma dimens&atilde;o &eacute;tica devido &agrave;s estrat&eacute;gias que utiliza, havendo a possibilidade das estrat&eacute;gias serem ardilosas, falaciosas ou falazes. O tema da &eacute;tica &eacute;, <i>sic et simpliciter</i>, racional, dial&eacute;ctico e reflexivo. As quest&otilde;es &eacute;ticas s&atilde;o, por norma, apor&eacute;ticas. Assim, este texto privilegia uma an&aacute;lise cr&iacute;tica da &eacute;tica na publicidade e na comunica&ccedil;&atilde;o. A metodologia traduz-se na problematiza&ccedil;&atilde;o e conceptualiza&ccedil;&atilde;o da &eacute;tica da publicidade como uma est&eacute;tica do discurso ret&oacute;rico.</p>     <p><b>Palavras-chave</b>: Comunica&ccedil;&atilde;o de massas; &eacute;tica; publicidade; ret&oacute;rica; seculariza&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>What is the relationship between advertising and morals (this one as an object of ethical reflection)? Advertising does not depend on morality, but it can be moral or immoral. If advertising uses speech power to become effective, it is a rhetorical or a persuasive speech art requiring an ethical caution, because the goals are determined and do not justify the means. Advertising takes an ethical dimension, especially when it follows a cunning, fallacious or deceptive strategy. The topic of ethics is, <i>sic et simpliciter</i>, rational, dialectical and reflexive. Ethical issues are, as a rule, aporias. Thus, this paper focuses on a critical analysis of ethics in advertising and communication. The methodology is reflected in the conceptualization and questioning of advertising ethics as an aesthetic of rhetorical speech.</p>     <p><b>Keywords</b>: Advertising; ethics; mass-communication; rhetoric; secularization.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>1. Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <blockquote>&quot;N&atilde;o estudamos a &eacute;tica para saber o que &eacute; a &eacute;tica,mas para nos tornarmos &eacute;ticos.&quot; (Arist&oacute;teles, 1992: 1103b26-28).</blockquote>     <p>A supra cita&ccedil;&atilde;o da &Eacute;tica a Nic&oacute;maco, de Arist&oacute;teles, pressup&otilde;e tr&ecirc;s aspectos significativos e elementares:</p>     <p>1) As preocupa&ccedil;&otilde;es &eacute;ticas remontam &agrave; Antiguidade Cl&aacute;ssica e relacionam-se com a ret&oacute;rica e a pol&iacute;tica enquanto artes ou saberes t&eacute;cnicos e sociais;</p>     <p>2) O estudo dos fundamentos da ac&ccedil;&atilde;o humana interessa ao conhecimento e &agrave; pr&aacute;tica social, porque a &eacute;tica n&atilde;o determina comportamentos ideais, n&atilde;o analisa nem faz ju&iacute;zos de valor, n&atilde;o estabelece as melhores decis&otilde;es, mas &eacute; aplicada, i.e. tem a ver com a condu&ccedil;&atilde;o concreta da vida, pois permite viver bem a vida;</p>     <p>3) A &eacute;tica reside num elemento essencial, a virtude (os valores morais, no geral), na medida em que a virtude &eacute; o meio para a felicidade, que &eacute; o fim; ser &eacute;tico &eacute; ser virtuoso e isso &eacute; o suficiente e necess&aacute;rio para ser feliz. Segundo Arist&oacute;teles, a virtude &eacute; um estado habitual que dirige a decis&atilde;o, estabelecendo-se uma rela&ccedil;&atilde;o &uacute;til entre virtude e sabedoria para sermos virtuosos (Arist&oacute;teles, 1992: 1103b26-28; Santos, 2012: 17).</p>     <p>Relativamente a 1), a ret&oacute;rica aristot&eacute;lica tornou-se uma t&eacute;cnica total; integra uma &eacute;tica que n&atilde;o coloca a efic&aacute;cia em primeiro plano, segundo Philippe Breton (2002: 68). Com a adapta&ccedil;&atilde;o ou transforma&ccedil;&atilde;o da palavra em t&eacute;cnica para persuadir, a linguagem passou por um processo de tecniciza&ccedil;&atilde;o e de omnipot&ecirc;ncia ret&oacute;rica. O uso desta t&eacute;cnica ret&oacute;rica (<i>tekhn&eacute; rh&eacute;torik&eacute;</i>), todavia, deve ser relacionado com uma &eacute;tica espec&iacute;fica, segundo Breton: &quot;a tecniciza&ccedil;&atilde;o da palavra pode, de facto, basear-se, a montante, numa &eacute;tica e ao mesmo tempo na busca de efic&aacute;cia, ou estribar-se, a jusante, na busca da pura efic&aacute;cia &agrave; custa do que quer que seja&quot; (2002: 69). As mensagens publicit&aacute;rias s&atilde;o, neste sentido, o produto da t&eacute;cnica ret&oacute;rica, recorrendo ao texto e &agrave; imagem para se tornarem esteticamente mais apelativas e cr&iacute;veis (Grunig, 1990: 8).</p>     <p>Quanto a 2), a &eacute;tica n&atilde;o &eacute; a moral. Enquanto a &eacute;tica &eacute; uma reflex&atilde;o cr&iacute;tica sobre a moral e tem origem na interioridade, na autonomia do indiv&iacute;duo, a moral tem origem na exterioridade, na viv&ecirc;ncia dos costumes quotidianos: &quot;a moral diz respeito &agrave;s ac&ccedil;&otilde;es praticadas por h&aacute;bito e aos costumes em geral, o que privilegia o lado pelo qual a ac&ccedil;&atilde;o &eacute; ainda exterior ao sujeito&quot; (Renaud &amp; Renaud, 1999: 960). A publicidade pode ser amoral ou moral/imoral. A publicidade e a moral s&atilde;o duas esferas distintas. Na actividade criativa da publicidade n&atilde;o &eacute; pens&aacute;vel, como na ci&ecirc;ncia, uma neutralidade moral. A criatividade determina que a publicidade, enquanto actividade art&iacute;stica, n&atilde;o depende da moral, i.e., &eacute; amoral. Todavia, pode revestir-se de moralidade ou imoralidade. Existe publicidade com sentido moral, preocupa&ccedil;&otilde;es &eacute;ticas, ensinamentos pr&aacute;ticos, mas tamb&eacute;m publicidade imoral.</p>     <p>Sobre o ponto 3) h&aacute; uma proximidade entre ser &eacute;tico ou virtuoso e ser feliz, apesar de se separar, por vezes, estes dois estados de virtude e de felicidade. Esta separa&ccedil;&atilde;o &eacute;, em determinadas culturas, uma clivagem n&atilde;o necess&aacute;ria entre seguir a virtude e a lei, desistindo-se de ser feliz, e a procura do prazer e do sucesso, em detrimento de ser virtuoso. Segundo Jo&atilde;o C&eacute;sar das Neves (2008: 20), no primeiro caso, pode-se conseguir bens de efici&ecirc;ncia e de efic&aacute;cia (o sucesso produtivo e profissional), no segundo caso, pode-se conseguir bens de excel&ecirc;ncia (uma vida plena e com sentido) ou a aret&ecirc; para a Antiguidade Cl&aacute;ssica grega, &quot;a qualidade pela qual algo ou algu&eacute;m se mostra excelente&quot; (Barroso, 2008: 65). N&atilde;o &eacute; pelo primeiro caso que se &eacute; &eacute;tico; &eacute; pelo segundo caso. Por conseguinte, a &eacute;tica s&oacute; tem sentido se aplicada &agrave;s quest&otilde;es quotidianas da vida pr&aacute;tica, i.e. como <i>phron&ecirc;sis</i> (sabedoria pr&aacute;tica), pois saber o que &eacute; a &eacute;tica n&atilde;o &eacute; suficiente se esta n&atilde;o se exercer na pr&aacute;tica e nos tornar &eacute;ticos. A utilidade da &eacute;tica est&aacute; na &eacute;tica ser <i>phron&ecirc;sis</i>.</p>     <p>O problema-chave &eacute;, de facto, o que saber e o que fazer para nos tornarmos &eacute;ticos numa determinada actividade, como a publicidade. O caso da publicidade &eacute; deveras interessante para a aplica&ccedil;&atilde;o da &eacute;tica, porque a publicidade &eacute; uma estrat&eacute;gia e uma t&eacute;cnica de comunica&ccedil;&atilde;o que, como tal, se apresenta num discurso constitu&iacute;do por uma estrutura complexa, associando texto (significantes verbais) e imagem (significantes ic&oacute;nicos) para construir mensagens persuasivas reportadas a um mundo id&iacute;lico. A publicidade hiperboliza-se quando se prop&otilde;e solucionar todos os problemas das pessoas. Este &eacute; o factor da efic&aacute;cia argumentativa da publicidade.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em <i>De Officiis</i>, C&iacute;cero demonstrou n&atilde;o concordar com a mencionada clivagem entre a virtude e a felicidade, tendo aconselhado: &quot;A todos os que se prop&otilde;em ter uma boa carreira, a filosofia moral &eacute; indispens&aacute;vel&quot;. Quatro quest&otilde;es est&atilde;o subordinadas &agrave; proposi&ccedil;&atilde;o de C&iacute;cero:</p>     <p>a) A raz&atilde;o (&quot;ter uma boa carreira&quot;) com que se recomenda a &eacute;tica &eacute; &eacute;tica?</p>     <p>b) A &eacute;tica tem lugar, por exemplo, no mundo da publicidade ou dos neg&oacute;cios?</p>     <p>c) O que fazer quando ser &eacute;tico prejudica a carreira ou os neg&oacute;cios?</p>     <p>d) Para que serve a &eacute;tica dos <i>media</i>?</p>     <p><i>Ad primun</i>, &eacute; &oacute;bvio que para se conseguir uma boa carreira deve-se aprender o of&iacute;cio (e.g. Publicidade, Rela&ccedil;&otilde;es P&uacute;blicas, Jornalismo, Contabilidade, Finan&ccedil;as, Gest&atilde;o, Economia, etc.). Por conseguinte, a raz&atilde;o alegada por C&iacute;cero para recomendar a &eacute;tica n&atilde;o &eacute; &eacute;tica (Neves, 2008: 7), porque &quot;ter uma boa carreira&quot; n&atilde;o tem a ver com a &eacute;tica. &Eacute; absurdo pensar que ser &eacute;tico serve para se ter sucesso profissional, porque existem naturalmente outras vias mais directas, eficazes e menos &eacute;ticas para se ter o sucesso pretendido.</p>     <p><i>Ad secundum</i>, a quest&atilde;o de existir lugar para a &eacute;tica no mundo da publicidade ou dos neg&oacute;cios &eacute; complexa, porque a &eacute;tica dever&aacute; ter lugar, <i>a priori</i>, em todas as dimens&otilde;es da vida humana. Ser &eacute;tico &eacute; ser naturalmente humano, pois &quot;a &eacute;tica &eacute; a constru&ccedil;&atilde;o de uma vida, aquela constru&ccedil;&atilde;o que fazemos quer queiramos quer n&atilde;o&quot; (Neves, 2008: 9). Ser &eacute;tico n&atilde;o implica desistir do sucesso nos neg&oacute;cios; &eacute; independente de ter uma boa carreira. Todavia, entre ser &eacute;tico e ter uma boa carreira e n&atilde;o ser &eacute;tico e ter, na mesma, uma boa carreira, &eacute; claramente prefer&iacute;vel a primeira situa&ccedil;&atilde;o. A &eacute;tica favorece, de um modo geral, ter uma boa carreira, na perspectiva de C&iacute;cero. A fundamenta&ccedil;&atilde;o da &eacute;tica &eacute; indiscut&iacute;vel, porque &quot;a &eacute;tica n&atilde;o trata do mundo; a &eacute;tica tem que ser uma condi&ccedil;&atilde;o do mundo, como a l&oacute;gica&quot; (Wittgenstein, 1979: 77; 1999: &sect; 6.421).</p>     <p><i>Ad tertium</i>, quando ser &eacute;tico prejudica a carreira ou os neg&oacute;cios, saber o que fazer significa saber qual &eacute; a coisa certa a fazer numa dada situa&ccedil;&atilde;o em que se est&aacute; envolvido. Nesta perspectiva, ter pruridos &eacute;ticos e preocupa&ccedil;&otilde;es morais n&atilde;o s&oacute; n&atilde;o conduz como dificulta a obten&ccedil;&atilde;o de sucesso. Possuir bens de excel&ecirc;ncia dificulta conseguir bens de efici&ecirc;ncia e de efic&aacute;cia.</p>     <p><i>Ad quartum</i>, os meios de comunica&ccedil;&atilde;o social cumprem o designado servi&ccedil;o p&uacute;blico, por um lado, mas n&atilde;o podem deixar de ser empresas rent&aacute;veis economicamente (Camps, 1996b: 145). &quot;Os meios de comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&atilde;o agrupamentos altru&iacute;stas sem fim lucrativo como as ONG. S&atilde;o empresas com a s&atilde; inten&ccedil;&atilde;o de cobrir os gastos e beneficiar de gan&acirc;ncias econ&oacute;micas&quot;, ou seja, maximizar os benef&iacute;cios como o objectivo de qualquer outra empresa (Camps, 1996b: 153). Segundo Jo&atilde;o C&eacute;sar das Neves: &quot;Na &eacute;tica n&atilde;o se trata de determinar o comportamento ideal, o gestor perfeito, a atitude impoluta. Isso &eacute; uma fic&ccedil;&atilde;o, cuja utilidade costuma a ser muito duvidosa. Somos seres humanos, n&atilde;o anjos. [&hellip;] A &eacute;tica &eacute; apenas a tentativa de ser bom&quot; (Neves, 2008: 10). Os <i>media</i> tamb&eacute;m s&atilde;o sobressaltados por preocupa&ccedil;&otilde;es &eacute;ticas. Principalmente numa sociedade de consumo que produz em excesso e tem de vender tudo o que produz. A produ&ccedil;&atilde;o em massa cria a necessidade de provocar o consumo em massa, mesmo que os produtos sejam in&uacute;teis, sup&eacute;rfluos e sem qualidade. Para provocar esse consumo em massa, existe a publicidade e o <i>marketing</i>, por exemplo, enquanto t&eacute;cnicas de comunica&ccedil;&atilde;o persuasiva. </p>     <p>O tema da &eacute;tica &eacute;, <i>sic et simpliciter</i>, racional, dial&eacute;ctico e reflexivo. As quest&otilde;es &eacute;ticas s&atilde;o, por norma, apor&eacute;ticas. Assim, este texto privilegia uma an&aacute;lise cr&iacute;tica da &eacute;tica na publicidade e na comunica&ccedil;&atilde;o. A metodologia traduz-se na problematiza&ccedil;&atilde;o e conceptualiza&ccedil;&atilde;o da &eacute;tica da publicidade como uma est&eacute;tica do discurso ret&oacute;rico.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>2. &Eacute;tica e ret&oacute;rica da publicidade</b></p>     <p>A publicidade &eacute; uma t&eacute;cnica de comunica&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica. A aplica&ccedil;&atilde;o eficaz desta t&eacute;cnica pretende a produ&ccedil;&atilde;o e explora&ccedil;&atilde;o de certas conota&ccedil;&otilde;es em mensagens persuasivas. Trata-se de uma t&eacute;cnica ret&oacute;rica, pois, conforme esclareceu G&oacute;rgias, a ret&oacute;rica &eacute; a arte dos discursos, o bem supremo que d&aacute; a quem a possui a liberdade para si pr&oacute;prio e dom&iacute;nio sobre os outros, ou seja, &quot;o poder de persuadir pelo discurso&quot; qualquer pessoa (Plat&atilde;o, 1999: 452e). De um modo geral, a ret&oacute;rica &eacute; &quot;a capacidade de descobrir o que &eacute; adequado a cada caso com o fim de persuadir&quot; (Arist&oacute;teles, 1998: 1355b). Tal como na Antiguidade Cl&aacute;ssica, a estrutura social das sociedades actuais e complexas assenta no paralelismo entre antigo e moderno ou tradi&ccedil;&atilde;o e modernidade. Este paralelismo contribui para a ressemantiza&ccedil;&atilde;o ou reconvers&atilde;o do &quot;antigo&quot;, conforme admitiu Roland Barthes acerca da designada &quot;ret&oacute;rica antiga&quot; face ao moderno, ao afirmar que &quot;o mundo est&aacute; incrivelmente cheio de Ret&oacute;rica antiga&quot; (Barthes, 1987: 19). A ess&ecirc;ncia da publicidade &eacute; desde sempre chamar a aten&ccedil;&atilde;o, suscitar o interesse, despertar o desejo, permitir a memoriza&ccedil;&atilde;o, conduzir &agrave; ac&ccedil;&atilde;o e &agrave; repeti&ccedil;&atilde;o da ac&ccedil;&atilde;o. A publicidade torna-se, por isso, uma t&eacute;cnica ret&oacute;rica antiga e moderna.</p>     <p>N&atilde;o estar&aacute; o mundo moderno, como disse Roland Barthes, cheio de ret&oacute;rica antiga? Hoje, as sociedades s&atilde;o mais hedonistas; h&aacute; mais distrac&ccedil;&otilde;es; &eacute; mais dif&iacute;cil levar uma vida contemplativa e auto-reflexiva; existe uma maior percep&ccedil;&atilde;o sobre a velocidade das viv&ecirc;ncias e sobre a escassez do tempo; &eacute; cada vez mais vis&iacute;vel a dilui&ccedil;&atilde;o entre o &quot;eu privado&quot; e o &quot;eu p&uacute;blico&quot;; prolifera a iconolatria no espa&ccedil;o p&uacute;blico e a cultura do ecr&atilde;, etc. Por tudo isto se torna necess&aacute;rio reflectir, interpretar e problematizar a edifica&ccedil;&atilde;o desta cultura visual ou &quot;civiliza&ccedil;&atilde;o da imagem&quot;, segundo Gilles Deleuze. Esta civiliza&ccedil;&atilde;o &eacute; uma &quot;civiliza&ccedil;&atilde;o do clich&eacute;&quot;, para a qual contribui a publicidade enquanto ret&oacute;rica moderna sofisticada. Os conte&uacute;dos e formas da publicidade, os produtos e marcas anunciados, as estrat&eacute;gias e a prolifera&ccedil;&atilde;o dos discursos s&atilde;o reprodu&ccedil;&otilde;es sociais desta civiliza&ccedil;&atilde;o. A publicidade representa o que uma dada cultura valoriza e consome, ou seja, revela o que &eacute;: a homogeneiza&ccedil;&atilde;o dos valores sociais e princ&iacute;pios morais, estilos de vida, necessidades e desejos.</p>     <p>De acordo com Cha&iuml;m Perelman, &quot;a teoria da argumenta&ccedil;&atilde;o [&hellip;] abrange todo o campo do discurso que visa convencer ou persuadir, seja qual for o audit&oacute;rio ao qual se dirija e seja qual for o assunto sobre o qual incida&quot; (Perelman, 1977: 19). Em <i>A Aventura Semiol&oacute;gica</i>, Roland Barthes definiu a ret&oacute;rica como uma metalinguagem, cuja linguagem-objecto &eacute; o discurso. A ret&oacute;rica, tal como a po&eacute;tica, &eacute; um discurso sobre o discurso. Ambas comportam v&aacute;rias pr&aacute;ticas, como uma t&eacute;cnica ou arte da persuas&atilde;o, um ensino, uma ci&ecirc;ncia ou proto-ci&ecirc;ncia, uma moral e uma pr&aacute;tica social (Barthes, 1987: 20).</p>     <p>Se a publicidade explora as potencialidades do discurso para se tornar eficaz, &eacute; uma forma de ret&oacute;rica ou arte do discurso persuasivo. Falar em ret&oacute;rica da publicidade pressup&otilde;e o cuidado &eacute;tico no uso desta t&eacute;cnica de comunica&ccedil;&atilde;o, pois os fins est&atilde;o determinados e n&atilde;o justificam os meios. Neste sentido, imp&otilde;e-se falar da &eacute;tica ou da &eacute;tica aplicada &agrave; publicidade.</p>     <p>A publicidade assume uma dimens&atilde;o ret&oacute;rica por ser uma arte e uma t&eacute;cnica: arte pela est&eacute;tica ou embelezamento do discurso mais sedutor; t&eacute;cnica pela persuas&atilde;o do discurso. A publicidade assume tamb&eacute;m uma dimens&atilde;o &eacute;tica devido &agrave;s estrat&eacute;gias que utiliza para conseguir os fins pretendidos, havendo a possibilidade das estrat&eacute;gias serem ardilosas, falaciosas ou falazes.</p>     <p>O problema crucial &eacute; relacionar e reflectir sobre a &eacute;tica e a ret&oacute;rica da publicidade. Entre as duas h&aacute; uma correspond&ecirc;ncia e uma oposi&ccedil;&atilde;o. H&aacute; correspond&ecirc;ncia, porque ambas se implicam, pois n&atilde;o existem usos de linguagem publicit&aacute;ria sem estrat&eacute;gias ret&oacute;ricas de produ&ccedil;&atilde;o de sentido e assentimento nem inten&ccedil;&otilde;es de respeitar a &eacute;tica do discurso (tamb&eacute;m n&atilde;o existe &eacute;tica sem formas lingu&iacute;sticas de a expressar publicamente). H&aacute; oposi&ccedil;&atilde;o, porque quer a ret&oacute;rica da publicidade quer a &eacute;tica da publicidade encerram-se em dom&iacute;nios distintos: a ret&oacute;rica, no &acirc;mbito dos processos de produ&ccedil;&atilde;o do discurso com determinados fins, tendo em conta o <i>logos</i> (amplo campo da racionalidade e uso da palavra); a &eacute;tica, no &acirc;mbito dos modos justos de exercer a <i>praxis</i> lingu&iacute;stica, tendo em conta o <i>&ecirc;thos</i> e o <i>pathos</i> (amplo campo de valores e princ&iacute;pios morais).</p>     <p>A ret&oacute;rica define estrat&eacute;gias de produ&ccedil;&atilde;o do discurso, pertence ao campo do diz&iacute;vel, dos meios para atingir fins; a &eacute;tica, propriedade inerente ao <i>homo politicus</i> (que partilha e vive em comunidade) pertencente ao campo do indiz&iacute;vel. Ora, como reflectir sobre uma ret&oacute;rica da &eacute;tica ou sobre a presen&ccedil;a de princ&iacute;pios e valores morais na produ&ccedil;&atilde;o e no uso dos discursos p&uacute;blicos interesseiros e convenientes como s&atilde;o os publicit&aacute;rios?</p>     <p>No sistema tipol&oacute;gico aristot&eacute;lico, as obras de ret&oacute;rica inserem-se na classifica&ccedil;&atilde;o das produtivas ou ci&ecirc;ncias <i>po&eacute;ticas</i> (tendo como fim a produ&ccedil;&atilde;o de discursos) e as obras de &eacute;tica enquadram-se na classifica&ccedil;&atilde;o das ci&ecirc;ncias pr&aacute;ticas (de orienta&ccedil;&atilde;o da ac&ccedil;&atilde;o). Estas s&atilde;o, adoptando a perspectiva aristot&eacute;lica, as coordenadas da publicidade, que possui um cariz est&eacute;tico (i.e. de embelezamento do discurso, incluindo o texto e a imagem) e preocupa&ccedil;&otilde;es relativas aos valores morais e sociais (uso de uma determinada racionalidade comunicativa).</p>     <p>O papel dos princ&iacute;pios e valores morais no uso p&uacute;blico da palavra relaciona a ret&oacute;rica e a &eacute;tica. A ret&oacute;rica nunca deixou de ser aplicada profissionalmente na sua ess&ecirc;ncia, i.e. como arte do discurso. No que &eacute; atinente propriamente &agrave; ret&oacute;rica como arte do discurso, &eacute; relevante a observa&ccedil;&atilde;o de que a pr&aacute;tica de injusti&ccedil;a est&aacute; relacionada com a eloqu&ecirc;ncia, por um lado, e com o car&aacute;cter das pessoas e o poder de influenciar as outras nas decis&otilde;es justas, por outro lado (Arist&oacute;teles, 1998: 1372b).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Nas mensagens publicit&aacute;rias est&aacute; presente o dever de recorrer a argumentos que &quot;n&atilde;o podem&quot; ser recusados, porque se imp&otilde;em aos destinat&aacute;rios de forma reconhec&iacute;vel e aceit&aacute;vel. Os argumentos s&atilde;o publicitados com o fito de irrefutabilidade. A concep&ccedil;&atilde;o do discurso publicit&aacute;rio como um artefacto ret&oacute;rico (i.e. significativo, transmiss&iacute;vel, racional e dirigido a um audit&oacute;rio determinado) apoia-se na perspectiva ret&oacute;rica de um orador que procura convencer. Estes procedimentos obedecem ou n&atilde;o a princ&iacute;pios morais que regulam o uso da palavra? Devem ou n&atilde;o ser pautados por normas &eacute;ticas?</p>     <p>A pertin&ecirc;ncia em relacionar a ret&oacute;rica e a &eacute;tica reside em considerar que a ideia de verdade escapa, por vezes, aos princ&iacute;pios que presidem &agrave; produ&ccedil;&atilde;o dos discursos publicit&aacute;rios. Apesar de a argumenta&ccedil;&atilde;o pender para a arte de produ&ccedil;&atilde;o do discurso ret&oacute;rico ou para os princ&iacute;pios e valores de verdade e justi&ccedil;a, as mensagens publicit&aacute;rias desviam-se desta orienta&ccedil;&atilde;o de um modo natural, dadas as especificidades destas mensagens que todos reconhecem como opostas &agrave; informa&ccedil;&atilde;o verdadeira. A ret&oacute;rica publicit&aacute;ria estar&aacute;, deste modo, em oposi&ccedil;&atilde;o aos ideais &eacute;ticos da verdade, porque negligencia as normas e procedimentos que conduzem ao bom uso da argumenta&ccedil;&atilde;o, isto &eacute;, ao uso justo e correcto da ret&oacute;rica para persuadir.</p>     <p>A linguagem publicit&aacute;ria funciona como objecto de consumo. Por exemplo, &quot;A raz&atilde;o movida pela escolha&quot; (Fiat) &eacute; um <i>slogan</i> paradoxal pela invers&atilde;o entre &quot;raz&atilde;o&quot; e &quot;escolha&quot; mediada pela palavra &quot;movida&quot;. O objectivo n&atilde;o &eacute; dizer a verdade; &eacute; persuadir. O processo de persuas&atilde;o confunde intencionalmente a significa&ccedil;&atilde;o. Os an&uacute;ncios geram significados pela confus&atilde;o estrat&eacute;gica. Colocam-se quest&otilde;es &eacute;ticas face ao papel e &agrave;s influ&ecirc;ncias sociais da publicidade, principalmente numa &eacute;poca do triunfo do espect&aacute;culo, do liberalismo do mercado global ou, conforme referiu Giorgio Agamben, qualquer outro nome que se queira dar ao processo que domina hoje a hist&oacute;ria mundial, como a &quot;aliena&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria linguagem, da pr&oacute;pria natureza lingu&iacute;stica e comunicativa do homem, do <i>logos</i>&quot; (Agamben, 1993: 62).</p>     <p>Este repto de Agamben serve de advert&ecirc;ncia face &agrave; emergente sociedade do espect&aacute;culo. Uma &eacute;poca global em que a comunica&ccedil;&atilde;o surge como ideologia da modernidade, cujas consequ&ecirc;ncias mais evidentes s&atilde;o a crise de valores e a perda de humanidade, sociabilidade e, paradoxalmente, comunicabilidade. Conforme acrescentou Agamben, &quot;o que impede a comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; a pr&oacute;pria comunicabilidade, os homens est&atilde;o separados por aquilo que os une&quot; (Agamben, 1993: 64). H&aacute; uma esp&eacute;cie de aliena&ccedil;&atilde;o da natureza lingu&iacute;stica do homem, para a qual tamb&eacute;m a publicidade contribui.</p>     <p>Esta aliena&ccedil;&atilde;o ou desenraizamento do ser lingu&iacute;stico ou do novo <i>homo comunicans</i> deve-se, em parte, a esta &eacute;poca de excessos de comunica&ccedil;&atilde;o e de pretensos conhecimentos. Segundo Victoria Camps, os actuais sistemas pol&iacute;tico-sociais s&atilde;o convertidos em &quot;mediacracias&quot; dominadas por uma nova elite do &quot;<i>fast culture</i>&quot; e do &quot;<i>fast thinking</i>&quot; ou <i>ready-to-think</i> (Nietzsche, 1998: 228). Uma elite especializada na fabrica&ccedil;&atilde;o de consentimentos e de consensos, conforme j&aacute; tinha advertido, em 1922, Walter Lippmann (2004: 134).</p>     <p><b>3. &Eacute;tica da comunica&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Um dos campos mais interessantes da &eacute;tica contempor&acirc;nea cinge-se na objectividade ou pluralidade p&oacute;s-metaf&iacute;sica, designadamente na comunica&ccedil;&atilde;o verbal ou interac&ccedil;&atilde;o discursiva. Neste campo, pretende-se a objectiva&ccedil;&atilde;o da &eacute;tica, extens&iacute;vel a todas as dimens&otilde;es da natureza, incluindo todas as formas de vida e o pr&oacute;prio meio-ambiente.</p>     <p>O foco da &eacute;tica transferiu-se, passou da subjectividade da natureza humana para a interioriza&ccedil;&atilde;o da raz&atilde;o, atrav&eacute;s da auto-consci&ecirc;ncia humana cumpridora da norma gerada por si mesma. Esta auto-consci&ecirc;ncia &eacute;tica remonta &agrave; Antiguidade Cl&aacute;ssica grega, como se disse anteriormente com a &eacute;tica aristot&eacute;lica sobre aquilo que &eacute; estimado como bom (<i>eudaimon</i>) e culminou na &eacute;tica solipsista, monol&oacute;gica e intimista de Kant, na qual o indiv&iacute;duo imp&otilde;e a si mesmo a norma de conduta que deve ser tal que esta possa tornar-se norma universal, isto &eacute;, v&aacute;lida para todos. Com Kant, a &eacute;tica deontol&oacute;gica da norma moral incide sobre aquilo que se imp&otilde;e como obrigat&oacute;rio, a &quot;boa vontade&quot; (Kant, 1992: 21).</p>     <p>A mencionada transfer&ecirc;ncia &eacute;tica deve-se &agrave; modernidade e &agrave; seculariza&ccedil;&atilde;o da vida (e.g. a perda dos valores morais) que superou o modelo metaf&iacute;sico (c&oacute;smico) e teol&oacute;gico (baseada em princ&iacute;pios divinos) e que instaurou a raz&atilde;o como o &uacute;nico fundamento da &eacute;tica (baseada em princ&iacute;pios da liberdade auto-legisladora). As normas &eacute;ticas deixaram de ser natural e teologicamente heter&oacute;nomas e passaram a ser racionalmente aut&oacute;nomas, ou seja, impostas pela pr&oacute;pria raz&atilde;o a si mesma, conforme defendeu Kant com o conceito de &quot;boa vontade&quot; na fundamenta&ccedil;&atilde;o do imperativo categ&oacute;rico como norma da moralidade.</p>     <p>Depois das &eacute;ticas de Arist&oacute;teles e de Kant, um novo g&eacute;nero de &eacute;tica se imp&otilde;e como sabedoria pr&aacute;tica (<i>phron&ecirc;sis</i>), pelo que uma outra transfer&ecirc;ncia de foco do campo &eacute;tico verifica-se com a transi&ccedil;&atilde;o de um modelo &eacute;tico mentalista (em que a consci&ecirc;ncia ou a raz&atilde;o &eacute; o centro dos princ&iacute;pios que devem orientar a ac&ccedil;&atilde;o moral – o sujeito moral &eacute; um sujeito consciente) para um modelo &eacute;tico lingu&iacute;stico (em que aprender a usar as palavras conduz a uma forma de pensar, agir e organizar o mundo), que agora interessa abordar com mais destaque no presente texto, porque a transi&ccedil;&atilde;o &eacute;tica efectua-se a partir da consci&ecirc;ncia individual para a intersubjectividade e interac&ccedil;&atilde;o comunicativa. Este modelo &eacute;tico lingu&iacute;stico preconiza a ideia de que atrav&eacute;s das palavras fazemos a interpreta&ccedil;&atilde;o das coisas, comunicamos e entendemos a realidade.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A linguagem n&atilde;o serve apenas para expressar pensamentos ou sentimentos, mas tamb&eacute;m para agir socialmente, se bem que comunicar &eacute; j&aacute; <i>per se</i> interagir, produzir ac&ccedil;&otilde;es. Comunicar &eacute; uma forma de agir e a publicidade, enquanto t&eacute;cnica ret&oacute;rica de comunica&ccedil;&atilde;o, representa exponencialmente esta exig&ecirc;ncia &eacute;tica por via da sua finalidade em persuadir para vender, i.e., usar a comunica&ccedil;&atilde;o como meio para atingir um fim: vender o produto ou a marca. A t&eacute;cnica ret&oacute;rica torna-se uma ferramenta poderosa para colonizar os esp&iacute;ritos dos p&uacute;blicos, estando muito longe dos ideais antigos da sua g&eacute;nese republicana, pois, &eacute; este o sentido da express&atilde;o de Nietzsche da ret&oacute;rica como &quot;arte essencialmente republicana&quot; (Nietzsche, 1995: 27).</p>     <p>Como t&eacute;cnica de comunica&ccedil;&atilde;o, a publicidade informa sem ser esta a sua finalidade. A informa&ccedil;&atilde;o &eacute; um meio do processo de influ&ecirc;ncia ou persuas&atilde;o, n&atilde;o &eacute; um fim da publicidade. O prop&oacute;sito da publicidade &eacute; persuadir para vender, &quot;influenciar para provocar um comportamento de compra&quot; (Breton, 2002: 59). Por vezes, cria necessidades e desejos esp&uacute;rios nas pessoas, fomentando uma sociedade cada vez mais p&oacute;s-moderna ou secular, hedonista e consumista. A publicidade &quot;modela as consci&ecirc;ncias&quot;, na medida em que &quot;veicula por si pr&oacute;pria a apologia da sociedade de consumo e da cultura de massas&quot; (Breton, 2002: 60). A publicidade pode basear-se numa dada sensibilidade dominante na cultura em que se insere para tornar mais eficaz a mensagem que divulga. Por exemplo, o conceito de &quot;portugalidade&quot; explorado pela publicidade &agrave;s marcas Sagres e Azeite Gallo.</p>     <p>Todavia, mais do que uma t&eacute;cnica de comunica&ccedil;&atilde;o comercial, a publicidade afirma-se, cada vez mais, como uma amostra dos valores morais de uma determinada cultura ou sociedade. Esta circunst&acirc;ncia coloca a publicidade sob um escrut&iacute;nio &eacute;tico rigoroso e cauteloso.</p>     <p>O princ&iacute;pio de universalidade &eacute;tica &eacute; baseado numa perspectiva pragm&aacute;tica universal com exig&ecirc;ncias de consenso, ou seja, actuante sobre todos os participantes, ou seja, todos para quem a norma possui valor &eacute;tico. J&uuml;rgen Habermas desenvolveu esta ideia de raz&atilde;o pr&aacute;tica universal no campo de uma teoria da comunica&ccedil;&atilde;o que o pr&oacute;prio autor designou por teoria da ac&ccedil;&atilde;o comunicativa. Esta ac&ccedil;&atilde;o &eacute; social. O bem e a justi&ccedil;a s&atilde;o dois valores complementares e ambos exercem um papel activo na vida. &Eacute; a comunica&ccedil;&atilde;o que inter-relaciona os indiv&iacute;duos e se constitui o elo entre a racionalidade universal (eticidade) e a vida quotidiana (contextualiza&ccedil;&atilde;o).</p>     <p>As t&eacute;cnicas ret&oacute;ricas modernas, como a publicidade, edificaram uma nova elite no lado da produ&ccedil;&atilde;o e da emiss&atilde;o de discursos, formando uma &quot;mediacracia&quot;. Se juntarmos a esta concep&ccedil;&atilde;o o que, por exemplo, Habermas referiu em A <i>Teoria da Ac&ccedil;&atilde;o Comunicativa</i> ao denunciar a coloniza&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica, pol&iacute;tica e social de que &eacute; alvo a nossa vida, torna-se emergente, seguindo o repto de Habermas, recusar e resistir &agrave; coloniza&ccedil;&atilde;o, de modo a preservar a vida humana da contamina&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>A quest&atilde;o comunicacional (ou o chamado paradigma comunicacional) marca a modernidade e tem sido emergente. Primeiro, porque se reveste de interesse, numa &eacute;poca de transforma&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas; segundo, porque implica, como sempre, a comunica&ccedil;&atilde;o como condi&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica da vida social. De acordo com Habermas, a partir da comunica&ccedil;&atilde;o &quot;se constituem as ordens de legitimidade que regulam as rela&ccedil;&otilde;es sociais, o saber dispon&iacute;vel nas interac&ccedil;&otilde;es e o processo de socializa&ccedil;&atilde;o que gera as identidades individuais&quot; (Habermas <i>apud</i> Esteves, 2003: 40).</p>     <p>Habermas distinguiu a ac&ccedil;&atilde;o comunicativa e o uso estrat&eacute;gico da linguagem, baseando-se na procura (i.e. na ac&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica) dos interlocutores por entendimento e influ&ecirc;ncia (Habermas, 1984c: 181-183). A ac&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica &eacute; aquela em que um falante usa, atrav&eacute;s de um enunciado, o seu interlocutor como um meio para realizar um determinado interesse (e n&atilde;o apenas para comunicar). Para Habermas, &quot;s&oacute; h&aacute; ac&ccedil;&atilde;o comunicativa quando a interac&ccedil;&atilde;o est&aacute; voltada para o entendimento v&aacute;lido e os participantes do di&aacute;logo harmonizam sem reservas os seus fins ilocucion&aacute;rios&quot; e obt&ecirc;m consensos (Magalh&atilde;es, 2010: 155).</p>     <p>Esta &eacute; uma teoria global da ac&ccedil;&atilde;o social, em que o agir situa-se no quadro de uma interac&ccedil;&atilde;o que se constitui na base de regras alicer&ccedil;adas na comunica&ccedil;&atilde;o. Por isso Habermas se interessou pelos modelos universais do agir que estruturam a comunica&ccedil;&atilde;o lingu&iacute;stica como um conjunto de dizer e de fazer (<i>i.e.</i> os universais pragm&aacute;ticos). H&aacute; um car&aacute;cter duplo da comunica&ccedil;&atilde;o: a) a comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; dirigida &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de conven&ccedil;&otilde;es para o consenso; b) a interioriza&ccedil;&atilde;o de formas ideol&oacute;gicas codificadas provoca no sujeito formas comunicativas sistematicamente distorcidas (Habermas, 2003: 24; 1984b: 278). Deste modo, &eacute; no quadro das rela&ccedil;&otilde;es de comunica&ccedil;&atilde;o que se devem apreender os pressupostos gerais para a racionalidade e a verdade, de modo a distinguir a comunica&ccedil;&atilde;o distorcida da comunica&ccedil;&atilde;o aut&ecirc;ntica. A publicidade encontra-se no cerne desta quest&atilde;o &eacute;tica por via de se constituir uma t&eacute;cnica ret&oacute;rica para persuadir e uma actividade pr&aacute;tica para vender, independentemente dos meios e estrat&eacute;gias que utiliza.</p>     <p>A ac&ccedil;&atilde;o comunicativa &eacute; orientada para a compreens&atilde;o e &eacute; eminentemente uma ac&ccedil;&atilde;o social. Habermas definiu a sociedade na base de actos de comunica&ccedil;&atilde;o que s&atilde;o racionais e vinculam os interlocutores. Estes actos s&atilde;o dirigidos tendo em conta um acordo ou sucesso (Sfez, 1995: 12). A comunica&ccedil;&atilde;o est&aacute;, por conseguinte, no cerne dos v&iacute;nculos sociais. Dados estes pressupostos, realizam-se processos de entendimento e visam-se ac&ccedil;&otilde;es resultantes de prefer&ecirc;ncias e interesses (Habermas, 2010b: 21).</p>     <p>A teoria da comunica&ccedil;&atilde;o de Habermas pressup&otilde;e a &eacute;tica do discurso e a raz&atilde;o pr&aacute;tica universal. A inten&ccedil;&atilde;o de Habermas foi a de construir uma perspectiva moral que formasse um ju&iacute;zo ou princ&iacute;pio &eacute;tico imparcial e universal, sem ser uma esp&eacute;cie de imperativo &uacute;nico como prop&ocirc;s Kant. Este ju&iacute;zo ou princ&iacute;pio &eacute;tico seria um ponto de refer&ecirc;ncia ou par&acirc;metro de observa&ccedil;&atilde;o para avaliar, julgar e discutir a validade das normas morais (Rasmussen, 1991: 60-62).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ao contr&aacute;rio de Kant, que prop&ocirc;s um princ&iacute;pio de ac&ccedil;&atilde;o universal a partir do pr&oacute;prio sujeito que imp&otilde;e a todos uma m&aacute;xima que pretende tornar lei universal, Habermas sugeriu que o sujeito submetesse a sua m&aacute;xima a todas as outras pessoas para que se examine e se discuta a sua pretens&atilde;o de universalidade (Pegoraro, 2006: 146). Do formalismo kantiano que prescreve que se deve agir de tal modo que a sua ac&ccedil;&atilde;o se torne m&aacute;xima universal desloca-se para o formalismo lingu&iacute;stico habermasiano que prescreve que o sujeito prop&otilde;e para an&aacute;lise, discuss&atilde;o e valida&ccedil;&atilde;o uma norma individual contestada que deve tornar-se universal e consensual.</p>     <p>A &eacute;tica do discurso de Habermas &eacute; uma &eacute;tica de procedimentos formais, para a &quot;formula&ccedil;&atilde;o de um princ&iacute;pio universal de justifica&ccedil;&atilde;o ou valida&ccedil;&atilde;o das normas morais&quot; (Pegoraro, 2006: 139). O princ&iacute;pio seria universal devido &agrave; linguagem, que transcende os limites de uma &eacute;poca e de uma cultura. &Eacute; uma &eacute;tica dial&oacute;gica, porque privilegia o entendimento e consenso entre interlocutores por media&ccedil;&atilde;o da linguagem e da racionalidade discursiva por refer&ecirc;ncia &agrave; verdade, bem como considerando o contexto das interac&ccedil;&otilde;es mediatizadas pela linguagem. Habermas pretendeu dirimir eventuais conflitos argumentativos entre interlocutores e apresentar bases para uma regula&ccedil;&atilde;o conciliadora da conduta e da pr&aacute;tica social. As normas morais existentes e em conflito podem ser convertidas em normas v&aacute;lidas e aceites por todos, ou seja, a constru&ccedil;&atilde;o argumentativa de um consenso universal. Neste sentido, trata-se tamb&eacute;m de uma &eacute;tica processual (realiza-se enquanto tal) e construtiva (&eacute; constru&iacute;da pelos pr&oacute;prios participantes para solucionar conflitos e criar consensos), pelo que &eacute; completamente desajustada face ao campo de interven&ccedil;&atilde;o e influ&ecirc;ncia dos discursos publicit&aacute;rios.</p>     <p>A &eacute;tica de Habermas &eacute; concebida sobre o discurso. Este discurso tem de ser, por seu turno, verdadeiro ou, pelo menos, com pretens&atilde;o de enunciar a verdade. Por conseguinte, a linguagem comporta sempre duas condi&ccedil;&otilde;es fundamentais: i) racionalidade e ii) refer&ecirc;ncia &agrave; verdade. Os discursos publicit&aacute;rios n&atilde;o seguem estas duas condi&ccedil;&otilde;es fundamentais nem devem, pois afastavam-se da sua ess&ecirc;ncia se o fizessem, visto que pretendem exclusivamente persuadir para vender.</p>     <p>A publicidade n&atilde;o pode assumir o compromisso de procedimento proposto pela pragm&aacute;tica universal, pois n&atilde;o justifica a racionalidade comunicativa com pretens&otilde;es de validade na &eacute;tica discursiva. A &eacute;tica discursiva encontra-se sempre assente sobre a realidade, porque &eacute; o resultado de um universal pragm&aacute;tico constru&iacute;do com a participa&ccedil;&atilde;o de todos os agentes morais que s&atilde;o o produto de uma cultura onde vive e pertence.</p>     <p>As sociedades contempor&acirc;neas s&atilde;o, cada vez mais, dominadas por uma l&oacute;gica da raz&atilde;o instrumental, de interesses e discuss&otilde;es sobre quest&otilde;es pr&aacute;ticas de natureza estrat&eacute;gica, em que se tenta persuadir atrav&eacute;s de procedimentos ret&oacute;ricos falaciosos e favor&aacute;veis, independentemente de crit&eacute;rios de verdade ou validade, omitindo-se factos que contrariam a argumenta&ccedil;&atilde;o. Verificam-se estas estrat&eacute;gias de comunica&ccedil;&atilde;o nos campos da publicidade ou do <i>marketing</i>, totalmente desinteressadas e afastadas do que &eacute; a verdade, a validade e a racionalidade comunicativa.</p>     <p>Nestes casos, como aplicar ou seguir uma &eacute;tica da discuss&atilde;o se esta se apresentar prejudicial e contr&aacute;ria &agrave; estrat&eacute;gia persuasiva que se pretende? N&atilde;o seria poss&iacute;vel, porque a &eacute;tica da discuss&atilde;o &eacute; deliberadamente contrafactual (Santos, 2012: 260). &Eacute; indiferente &agrave; inten&ccedil;&atilde;o, mesmo que esta seja boa, pelo que se algu&eacute;m afirmar algo contr&aacute;rio aos princ&iacute;pios de validade da racionalidade comunicativa, sem se respeitar as regras do jogo argumentativo, este n&atilde;o se invalida nem entra em colapso.</p>     <p><b>4. Seculariza&ccedil;&atilde;o da publicidade</b></p>     <p>Na publicidade subliminar, certas mensagens com influ&ecirc;ncia indirecta e impercept&iacute;vel no p&uacute;blico s&atilde;o ocultadas numa outra considerada inocente, casual e fugaz. O exemplo mais recente foi a mensagem publicit&aacute;ria da Samsung num momento de aparente casualidade, como o registo de uma auto-fotografia de grupo (<i>selfie</i>) por Ellen DeGeneres na entrega dos &oacute;scares de Hollywood, evento transmitido em directo para todo o mundo. A actriz registou o momento com um telem&oacute;vel da Samsung conforme um acordo publicit&aacute;rio com a ABC. N&atilde;o se tratou de uma ac&ccedil;&atilde;o espont&acirc;nea, como fazia parecer, mas de uma estrat&eacute;gia publicit&aacute;ria para a Samsung, um <i>product placement</i> mascarado de inoc&ecirc;ncia e espontaneidade.</p>     <p>A manipula&ccedil;&atilde;o no campo dos <i>media</i> &eacute; um s&eacute;rio problema de &eacute;tica que, por se tratar de meios de comunica&ccedil;&atilde;o social, provocam repercuss&otilde;es em larga escala. Veja-se o exemplo da &quot;publicidade sem fronteiras&quot;, conforme a designa Gilles Lipovetsky (1989: 247), que n&atilde;o p&aacute;ra de invadir novos espa&ccedil;os e assumir novas e art&iacute;sticas roupagens da arte e do cinema, cada vez mais vis&iacute;veis e influentes. &quot;Se &eacute; verdade, como diz S&eacute;gu&eacute;la, que a &lsquo;verdadeira' publicidade alinha pelos m&eacute;todos do <i>star-system</i>, &eacute; ainda mais verdadeira a afirma&ccedil;&atilde;o de que ela &eacute; uma comunica&ccedil;&atilde;o estruturada como a moda, cada vez mais sob a depend&ecirc;ncia do espectacular, da personifica&ccedil;&atilde;o das apar&ecirc;ncias, da sedu&ccedil;&atilde;o pura&quot; (Lipovetsky, 1989: 251).</p>     <p>A publicidade n&atilde;o se exerce apenas no campo do consumo, mas tamb&eacute;m suscita tomadas de consci&ecirc;ncia perante problemas, levando &agrave; modifica&ccedil;&atilde;o de comportamentos, como no caso do alcoolismo, droga, preven&ccedil;&atilde;o rodovi&aacute;ria, etc. A publicidade sensibiliza, reorienta certas atitudes e comportamentos morais. Todavia, n&atilde;o &eacute; uma manifesta&ccedil;&atilde;o totalit&aacute;ria ou doutrin&aacute;ria (Lipovetsky, 1989: 260). A publicidade &quot;influencia mas n&atilde;o amea&ccedil;a, sugere mas sem pretender a domina&ccedil;&atilde;o doutrinal, funciona sem manique&iacute;smos nem culpabiliza&ccedil;&atilde;o&quot; (Lipovetsky, 1989: 260). Difunde normas e ideais, mas pouco praticados. &quot;A publicidade n&atilde;o se encarrega da redefini&ccedil;&atilde;o completa do g&eacute;nero humano, explora o que est&aacute; em embri&atilde;o tornando-o mais atractivo para mais indiv&iacute;duos&quot; (Lipovetsky, 1989: 261).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&Eacute; um dado adquirido que as mensagens publicit&aacute;rias exercem um poder de alcance e um poder de persuas&atilde;o. O exerc&iacute;cio desses poderes exige uma reflex&atilde;o &eacute;tica sobre os seus efeitos. Esta reflex&atilde;o nem sempre &eacute; realizada, porque se submete &agrave; l&oacute;gica do mercado. Mesmo assim, a actividade publicit&aacute;ria n&atilde;o tem a incumb&ecirc;ncia de pautar a moralidade ou a ideologia, redefinir os valores sociais e padr&otilde;es culturais ou reformar a pr&oacute;pria natureza humana. Se existe um poder, existe for&ccedil;osamente um alvo e um impacto.</p>     <p>Um sinal de seculariza&ccedil;&atilde;o reside nos meios utilizados para convencer, que dependem dos valores dominantes na sociedade em que s&atilde;o usados. Segundo Victoria Camps, &quot;a seculariza&ccedil;&atilde;o privatizou ou individualizou tudo&quot;, na medida em que &quot;tudo &eacute; relativo, incluindo aqueles valores que a nossa cultura e a nossa tradi&ccedil;&atilde;o conceberam como universais&quot; (Camps, 1996b: 61). Deste modo, vivemos numa certa confus&atilde;o, em que os pr&oacute;prios valores morais se tornam relativos, subjectivos e cada vez menos cr&iacute;veis.</p>     <p>Viver num regime democr&aacute;tico e numa sociedade da informa&ccedil;&atilde;o significa, paradoxalmente, a exist&ecirc;ncia de mais liberdades, mais tratamento e difus&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o, mais pluralidade de meios de comunica&ccedil;&atilde;o e de mensagens mass-medi&aacute;ticas e mais transpar&ecirc;ncia na actua&ccedil;&atilde;o dos <i>media</i>, mas tamb&eacute;m mais estrat&eacute;gias de manipula&ccedil;&atilde;o de consci&ecirc;ncia.</p>     <p>Todavia, o poder da publicidade &eacute; relativo, porque &quot;a publicidade s&oacute; tem ac&ccedil;&atilde;o eficaz sobre o acess&oacute;rio e o indiferente&quot; (Lipovetsky, 1989: 261). Segundo Lipovetsky, atendendo &agrave; superficialidade das suas mensagens, &quot;a pr&oacute;pria publicidade n&atilde;o passa de um poder de superf&iacute;cie, uma esp&eacute;cie de grau zero do poder, a partir do momento em que &eacute; medida pela bitola das exist&ecirc;ncias individuais&quot; (1989: 261).</p>     <p>A publicidade n&atilde;o aniquila o espa&ccedil;o p&uacute;blico da discuss&atilde;o e da cr&iacute;tica, mas pode amplificar pseudo-valores, lan&ccedil;ar em circula&ccedil;&atilde;o certas refer&ecirc;ncias e celebridades, tornando igual o superficial e o profundo, uniformizando desejos, usos, gostos, modas. A publicidade possui o poder estrat&eacute;gico de redefinir estilos de vida centrados naquilo que promove: o consumo. &quot;A publicidade contribuiu para desclassificar a &eacute;tica da poupan&ccedil;a em proveito da &eacute;tica do disp&ecirc;ndio e da frui&ccedil;&atilde;o imediata&quot; (Lipovetsky, 1989: 264). A publicidade insemina uma cultura hedonista e assume-se um agente de individualiza&ccedil;&atilde;o, acelerando a busca de personalidade e de novas formas de express&atilde;o.</p>     <p>Numa obra intitulada <i>A L'Ombre des Majorit&eacute;s Silencieuses – La Fin du Social</i>, Jean Baudrillard identificou esta exig&ecirc;ncia colectiva de novas formas de express&atilde;o, culminando no fim ou morte do social (o vazio social) e, por contraposi&ccedil;&atilde;o, no apogeu das massas: &quot;as massas resistem escandalosamente a esse imperativo da comunica&ccedil;&atilde;o racional. Atribu&iacute;mos-lhe sentido e elas querem espect&aacute;culo. Nenhum esfor&ccedil;o &eacute; capaz de as converter &agrave; seriedade dos conte&uacute;dos&quot; (Baudrillard, 1982: 15).</p>     <p><b>5. Conclus&atilde;o</b></p>     <p>Como &eacute; poss&iacute;vel denunciar a mentira persuasiva e paga, que &eacute; pr&oacute;pria das mensagens publicit&aacute;rias? Seria absurdo normalizar uma pr&aacute;tica generalizada e caracteristicamente enraizada na mentira, insinua&ccedil;&atilde;o, manipula&ccedil;&atilde;o, excesso ou exagero, omiss&atilde;o, distor&ccedil;&atilde;o e ataque &agrave; concorr&ecirc;ncia. Os meios e os fins, a mentira e a verdade, o bem e o mal, o justo e o injusto, informa&ccedil;&atilde;o e publicidade comercial ou propaganda ideol&oacute;gica, imagem e <i>voyeurismo</i>, p&uacute;blico e privado pertencem ao mesmo campo do problema e s&atilde;o pr&aacute;ticas sociais h&iacute;bridas.</p>     <p>Um exemplo do constante surgimento ou aprimoramento de estrat&eacute;gias ardilosas e novas formas insidiosas de abuso do poder medi&aacute;tico &eacute; a &quot;publi-reportagem&quot;, uma hibridez perniciosa que &eacute; sempre, no fundo, alguma publicidade, mas n&atilde;o respeita a imparcialidade e objectividade dos crit&eacute;rios de noticiabilidade jornal&iacute;stica. Neste caso, a obriga&ccedil;&atilde;o e necessidade de vender cria sensacionalismo e grandes t&iacute;tulos enganadores.</p>     <p>Charles Taylor caracterizou este novo paradigma &eacute;tico. Em <i>A &Eacute;tica da Autenticidade</i>, apresentou tr&ecirc;s doen&ccedil;as da modernidade: i) o individualismo e perda do colectivismo; ii) o predom&iacute;nio da raz&atilde;o instrumental sobre a raz&atilde;o cr&iacute;tica; iii) a diminui&ccedil;&atilde;o da participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica ou abstencionismo (Taylor, 2009: 19-24). Estas tr&ecirc;s maleitas da modernidade fomentam uma cultura p&oacute;s-moderna do narcisismo conformista e dependente. A fonte da moralidade est&aacute; dentro do sujeito e permite-o distinguir intuitivamente o bem do mal.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em <i>Paradoxos do Individualismo</i>, Victoria Camps refere-se a uma sociedade de incomunicados, apesar de a comunica&ccedil;&atilde;o ser o paradigma cultural do s&eacute;culo XX e de a t&eacute;cnica tornar muito simples comunicar: &quot;A possibilidade de comunicarmos &eacute; um valor do nosso s&eacute;culo, um valor que muito provavelmente ocupou o lugar dos valores ilustrados do progresso e a raz&atilde;o.&quot; (Camps, 1996a: 143). &quot;A sociedade da comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; mais solid&aacute;ria nem mais afectiva&quot; (Camps, 1996a: 21). Se os <i>media</i>, paradoxalmente, &quot;n&atilde;o nos fazem comunicar, contribuindo antes para nos isolar no nosso pr&oacute;prio mundo&quot;, conforme afirmou Victoria Camps (1996a: 21), a quest&atilde;o da &eacute;tica surge ao indagar se os media devem servir para aquilo que est&atilde;o a servir.</p>     <p>A p&oacute;s-modernidade &eacute; apan&aacute;gio das sociedades ocidentais de cariz capitalista, nas quais se regista uma evid&ecirc;ncia nas mudan&ccedil;as de comportamentos nas massas populares a partir da d&eacute;cada de 1980. O conceito de &quot;p&oacute;s-modernidade&quot;, apresentado pela primeira vez por Jean-Fran&ccedil;ois Lyotard em 1979, com a obra <i>A Condi&ccedil;&atilde;o P&oacute;s-Moderna</i>, sustenta a descren&ccedil;a no paradigma da modernidade, que culmina na deslegitima&ccedil;&atilde;o dos ideais, utopias, mega-narrativas, preceitos e imperativos do dever. Surge um outro paradigma neoliberal e amoral, o da massifica&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o e do consumo, o da industrializa&ccedil;&atilde;o e da tecnologia neo-liberal, o do individualismo indiferente e hedonismo neo-dionis&iacute;aco alimentado pelo espect&aacute;culo gratuito, sedu&ccedil;&atilde;o e prazer imediato.</p>     <p>A publicidade manifesta-se em m&uacute;ltiplos campos da sociedade e est&aacute; omnipresente, de uma maneira irrefrag&aacute;vel, na vida quotidiana. Principalmente nas designadas culturas, sociedades e mercados de massa, onde o n&iacute;vel de produ&ccedil;&atilde;o e de consumo de bens materiais &eacute; gradualmente crescente. O p&uacute;blico da publicidade &eacute; cr&eacute;dulo, irreflectido, sugestion&aacute;vel e impulsivo, pelo que o apelo a tend&ecirc;ncias e impulsos torna-se mais f&aacute;cil. O p&uacute;blico &eacute; impulsivo e adere facilmente &agrave; mensagem (Uceda, 2001). O discurso da publicidade &eacute; uma <i>orto-doxia</i> sobre desejos e sensa&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>Na publicidade, os conte&uacute;dos e formas da linguagem s&atilde;o progressivamente sofisticados, recorrendo aos contributos da psicologia e da sociologia para influir nos comportamentos dos consumidores. O texto e a imagem s&atilde;o adaptados para possu&iacute;rem a capacidade de influenciar o inconsciente humano e estimular desejos, al&eacute;m de serem &quot;portadores de mensagens culturais que determinam condutas aos indiv&iacute;duos expostos&quot; (Ver&iacute;ssimo, 2008: 18). O p&uacute;blico compra o produto, mas consome o signo, como advertiu Baudrillard. Este signo assenta na imagem de marca do produto adquirido e &eacute; a imagem que os consumidores querem manifestar de si pr&oacute;prios. A publicidade apresenta imagens positivas da vida atrav&eacute;s de um discurso optimista, sedutor, sensual, atractivo, com sensa&ccedil;&otilde;es de agrado e prazer, modelos ideais e estere&oacute;tipos sociais a seguir e a imitar como se tratasse de uma fantasia colectiva em que se acredita. Segundo Baudrillard, &quot;o aspecto actualmente mais interessante da publicidade &eacute; o seu desaparecimento, a sua dilui&ccedil;&atilde;o como forma espec&iacute;fica, ou como <i>medium</i>, muito simplesmente. J&aacute; n&atilde;o &eacute; (alguma vez foi?) um meio de comunica&ccedil;&atilde;o ou de informa&ccedil;&atilde;o. [&hellip;] Se num dado momento a mercadoria era a sua pr&oacute;pria publicidade (n&atilde;o havia outra), hoje a publicidade tornou-se a sua pr&oacute;pria mercadoria&quot; (Baudrillard, 1991: 116).</p>     <p>O desaparecimento da publicidade justifica-se pela sua dilui&ccedil;&atilde;o enquanto forma espec&iacute;fica de comunica&ccedil;&atilde;o ou <i>mediu</i>m, como seria ou deveria ser. Baudrillard defende que se verifica uma transi&ccedil;&atilde;o estrutural e essencial da publicidade, que passou de <i>medium</i> de comunica&ccedil;&atilde;o e informa&ccedil;&atilde;o de mercadorias para mercadoria, ou seja, a publicidade tornar-se a sua pr&oacute;pria mercadoria.</p>     <p>A publicidade confunde-se consigo pr&oacute;pria, porque as estrat&eacute;gias a que recorre, e.g. o erotismo, constituem indicadores do que &eacute; a pr&oacute;pria publicidade. A publicidade &eacute; um <i>medium</i> transformado na sua pr&oacute;pria mensagem, i.e. em si pr&oacute;prio, narcisicamente. A publicidade &eacute; mercadoria e, por isso, sobre ela recaem as leis do mercado, como a de procurar a publicidade por ela pr&oacute;pria ser o que &eacute;.</p>     <p>Assim, nesta perspectiva, j&aacute; n&atilde;o tem sentido avaliar ou acreditar na pr&oacute;pria publicidade, porque a mensagem deixou de ter um conte&uacute;do exterior a transmitir para ser ela pr&oacute;pria uma mensagem incr&eacute;dula, ideol&oacute;gica e produto capitalista. A publicidade obedece &agrave; l&oacute;gica social do consumo, sendo ela mesma um produto ou servi&ccedil;o de consumo. </p>     <p>O discurso publicit&aacute;rio &eacute; sempre o resultado de um acto de fala intencional que, antes de ser transmitido, foi alvo de um estudo aprofundado, um plano previamente definido, uma estrat&eacute;gia deliberada para o tornar mais persuasivo e capaz de influenciar os p&uacute;blicos-alvo. O discurso publicit&aacute;rio n&atilde;o &eacute; inocente. O objectivo fundamental de um an&uacute;ncio n&atilde;o &eacute; apenas mostrar ou informar sobre um produto ou uma marca; &eacute; apresentar um motivo ou fundamento para comprar.</p>     <p>Tamb&eacute;m Umberto Eco prop&ocirc;s um exame da comunica&ccedil;&atilde;o publicit&aacute;ria em que o foco deve ser deslocado: &quot;de um lado temos, como objecto de indaga&ccedil;&atilde;o, vastas configura&ccedil;&otilde;es sem&acirc;nticas que come&ccedil;am a interessar-nos ao n&iacute;vel dos iconogramas; do outro lado, abrem-se-nos perspectivas para a elabora&ccedil;&atilde;o de defini&ccedil;&otilde;es de uma poss&iacute;vel ret&oacute;rica visual&quot; (Eco, 2001: 156).</p>     <p>Na rela&ccedil;&atilde;o entre a ret&oacute;rica e a ideologia, o paralelismo imediato surge com uma outra rela&ccedil;&atilde;o entre a comunica&ccedil;&atilde;o e a cultura, i.e. a comunica&ccedil;&atilde;o est&aacute; para a cultura como a ret&oacute;rica est&aacute; para a ideologia. &quot;A leitura de algumas mensagens publicit&aacute;rias ter&aacute;, portanto, dupla fun&ccedil;&atilde;o: de um lado, indicar como se pode articular um mapa dos c&oacute;digos publicit&aacute;rios; do outro, mostrar como a an&aacute;lise semiol&oacute;gica, no momento em que implica a considera&ccedil;&atilde;o daquele Outro do universo dos signos que &eacute; o universo das ideologias, supera os limites &lsquo;formalistas' que parecem ser-lhe pr&oacute;prios e passa a contribuir para um discurso mais amplo que co-envolve (enquanto discurso semiol&oacute;gico correcto, e n&atilde;o enquanto supera&ccedil;&atilde;o do discurso semiol&oacute;gico) a situa&ccedil;&atilde;o de uma sociedade no seu complexo.&quot; (Eco, 2001: 157).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para Umberto Eco, a t&eacute;cnica publicit&aacute;ria parece assente no pressuposto de que &quot;um an&uacute;ncio mais atrair&aacute; a aten&ccedil;&atilde;o do espectador quanto mais violar as normas comunicacionais adquiridas (e subverter, destarte, um sistema de expectativas ret&oacute;ricas)&quot; (Eco, 2001: 157). Seguindo v&aacute;rios c&oacute;digos (iconogr&aacute;ficos, de gosto e sensibilidade, ret&oacute;rico, etc.), a comunica&ccedil;&atilde;o publicit&aacute;ria baseia-se na proposta de arqu&eacute;tipos do gosto que preenche expectativas em conformidade com uma sensibilidade corrente.</p>     <p>Segundo Umberto Eco, um publicit&aacute;rio respons&aacute;vel e dotado de ambi&ccedil;&otilde;es est&eacute;ticas tentar&aacute; sempre realizar o seu apelo atrav&eacute;s de solu&ccedil;&otilde;es originais e que permitam reconhecimento de genialidade associado ao produto proposto, provocando a sensa&ccedil;&atilde;o de agrado, identidade e satisfa&ccedil;&atilde;o ao consumidor (Eco, 2001: 157). Est&aacute; impl&iacute;cita a import&acirc;ncia, para a publicidade, dos componentes emotivos e est&eacute;ticos, nomeadamente as figuras de estilo ou de ret&oacute;rica, para a provoca&ccedil;&atilde;o de efeitos.</p>     <p>Um caso cr&iacute;tico de utiliza&ccedil;&atilde;o de imagens publicit&aacute;rias que suscitaram efeitos pol&eacute;micos, choque e discuss&otilde;es &eacute;ticas foi o de Oliviero Toscani, fot&oacute;grafo da marca United Colors of Benetton, entre 1982 e 2000. Toscani explorou o conceito de &quot;choque&quot; de certos tabus (e.g. homossexualidade, racismo, sida, sexo, etc.) sem ter a ver com o produto (Breton, 2002: 60). Neste caso, a &eacute;tica foi tida em conta ou ajudou a publicitar ou a vender o produto? N&atilde;o, porque se verificou o oposto, o primado da ret&oacute;rica sobre a &eacute;tica e a marca conseguiu o que pretendia: posicionamento e notoriedade.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <!-- ref --><p>Agamben, Giorgio (1993) <i>A Comunidade Que Vem</i>. Lisboa: Editorial Presen&ccedil;a.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019259&pid=S2183-3575201400010001300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Arist&oacute;teles (1992) &Eacute;thique <i>de Nicomaque</i>. Flammarion, Paris.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019261&pid=S2183-3575201400010001300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Arist&oacute;teles (1998) <i>Ret&oacute;rica</i>. Lisboa: Imprensa Nacional – Casa da Moeda.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019263&pid=S2183-3575201400010001300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Barthes, Roland (1987) <i>A Aventura Semiol&oacute;gica</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es 70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019265&pid=S2183-3575201400010001300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Barroso, Paulo, &quot;A pedagogia ideal da <i>aret&ecirc;</i> na morte de S&oacute;crates&quot;, <i>Revista Egit&acirc;nia Sciencia</i>. (3) Instituto Polit&eacute;cnico da Guarda, 2008, pp. 61-74.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019267&pid=S2183-3575201400010001300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Baudrillard, Jean (1982) <i>A L'Ombre des Majorit&eacute;s Silencieuses – La Fin du Social</i>. Paris: &Eacute;ditions Deno&euml;l/ Gonthier.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019269&pid=S2183-3575201400010001300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Baudrillard, Jean (1991) <i>Simulacros e Simula&ccedil;&atilde;o</i>. Lisboa: Rel&oacute;gio d'&Aacute;gua.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019271&pid=S2183-3575201400010001300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Breton, Philippe (2002) <i>A Palavra Manipulada</i>. Lisboa: Caminho.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019273&pid=S2183-3575201400010001300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Camps, Victoria (1996a) <i>Paradoxos do Individualismo</i>. Lisboa: Rel&oacute;gio D'&Aacute;gua.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019275&pid=S2183-3575201400010001300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Camps, Victoria (1996b) <i>El Malestar en la Vida P&uacute;blica</i>. Barcelona: Grijalbo-Mondadori.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019277&pid=S2183-3575201400010001300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Eco, Umberto (2001b) <i>A Estrutura Ausente</i>. S&atilde;o Paulo: Editora Perspectiva.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019279&pid=S2183-3575201400010001300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Esteves, Jo&atilde;o Pissarra (2003) <i>A &Eacute;tica da Comunica&ccedil;&atilde;o e os Media Modernos – Legitimidade e Poder nas Sociedades Complexas</i>. Lisboa: Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019281&pid=S2183-3575201400010001300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Grunig, Blanche (1990) <i>Les Mots de la Publicit&eacute;</i>. Paris: CNRS.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019283&pid=S2183-3575201400010001300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Habermas, J&uuml;rgen (1984a) <i>Communication and the Evolution of Society</i>. Newcastle: Athenaeum Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019285&pid=S2183-3575201400010001300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref -->&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019286&pid=S2183-3575201400010001300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p></p>     <!-- ref --><p>Habermas, J&uuml;rgen (1984c) <i>The Theory of Communicative Action</i> (vol. 2: <i>Lifeworld and System: A Critique of Functionalist Reason</i>). Boston: Beacon Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019288&pid=S2183-3575201400010001300016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Habermas, J&uuml;rgen (2003) <i>On The Pragmatics of Communication</i>. Oxford: Basil Blackwell Publishing.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019290&pid=S2183-3575201400010001300017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Habermas, J&uuml;rgen (2010a) <i>O Discurso Filos&oacute;fico da Modernidade</i>. Lisboa: Texto Editores.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019292&pid=S2183-3575201400010001300018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Habermas, J&uuml;rgen (2010b) <i>Fundamenta&ccedil;&atilde;o Lingu&iacute;stica da Sociologia</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es 70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019294&pid=S2183-3575201400010001300019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Heidegger, Martin (1990a) &quot;La question de la technique&quot;, <i>Essais et Conf&eacute;rences</i>. Paris: Gallimard, pp. 9-48.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019296&pid=S2183-3575201400010001300020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Heidegger, Martin (1990b) &quot;Que veut dire &lsquo;penser' ?&quot;, <i>Essais et Conf&eacute;rences</i>. Paris: Gallimard, pp. 151-169.</p>     <!-- ref --><p>Kant, Immanuel (1992) <i>Fundamenta&ccedil;&atilde;o da Metaf&iacute;sica dos Costumes</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es 70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019299&pid=S2183-3575201400010001300022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Lipovetsky, Gilles (1989) <i>O Imp&eacute;rio do Ef&eacute;mero</i>. Lisboa: Publica&ccedil;&otilde;es Dom Quixote.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019301&pid=S2183-3575201400010001300023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Lipovetsky, Gilles (2004) <i>O Crep&uacute;sculo do Dever – A &Eacute;tica Indolor dos Novos Tempos Democr&aacute;ticos</i>. Lisboa: Publica&ccedil;&otilde;es Dom Quixote.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019303&pid=S2183-3575201400010001300024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Lippmann, Walter (2004) <i>Public Opinion</i>. New York: Dover Publications.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019305&pid=S2183-3575201400010001300025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Lyotard, Jean-Fran&ccedil;ois (1989) <i>A Condi&ccedil;&atilde;o P&oacute;s-Moderna</i>. Lisboa: Gradiva.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019307&pid=S2183-3575201400010001300026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Magalh&atilde;es, Jo&atilde;o Baptista (2010) <i>Horizontes da &Eacute;tica: Para uma Cidadania Respons&aacute;vel</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es Afrontamento.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019309&pid=S2183-3575201400010001300027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Neves, Jo&atilde;o C&eacute;sar das (2008) <i>Introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; &Eacute;tica Empresarial</i>. Cascais: Princ&iacute;pia.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019311&pid=S2183-3575201400010001300028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Nietzsche, Friedrich (1995) <i>Da Ret&oacute;rica</i>. Lisboa: Vega.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019313&pid=S2183-3575201400010001300029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Nietzsche, Friedrich (1998) <i>A Gaia Ci&ecirc;ncia</i>. Lisboa: Rel&oacute;gio d'&Aacute;gua.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019315&pid=S2183-3575201400010001300030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Pegoraro, Olinto (2006) <i>&Eacute;tica dos Maiores Mestres Atrav&eacute;s da Hist&oacute;ria</i>. Rio de Janeiro: Editorial Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019317&pid=S2183-3575201400010001300031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Perelman, Cha&iuml;m (1977) <i>L'Empire Rh&eacute;torique</i>. Paris: Vrin.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019319&pid=S2183-3575201400010001300032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Plat&atilde;o (1999) <i>G&oacute;rgias</i>. Lisboa: Lisboa Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019321&pid=S2183-3575201400010001300033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Ramonet, Ignacio (2003) <i>A Tirania da Comunica&ccedil;&atilde;o</i>. Porto: Campo das Letras.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019323&pid=S2183-3575201400010001300034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Rasmussen, David M. (1991) <i>Reading Habermas</i>. Oxford: Basil Blackwell.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019325&pid=S2183-3575201400010001300035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Renaud, Isabel &amp; Renaud, Michel (1999) &quot;Moral&quot; <i>in</i>: <i>Logos – Enciclop&eacute;dia Luso-Brasileira de Filosofia</i>. (Vol. 3) Lisboa: Verbo, pp. 956-979.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019327&pid=S2183-3575201400010001300036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Santos, Jos&eacute; Manuel (2012) <i>Introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; &Eacute;tica</i>. Lisboa: Documenta.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019329&pid=S2183-3575201400010001300037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Sfez, Lucien (1995) <i>A Comunica&ccedil;&atilde;o</i>. Lisboa: Instituto Piaget.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019331&pid=S2183-3575201400010001300038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Singer, Peter (2004) <i>Um S&oacute; Mundo – A &Eacute;tica da Globaliza&ccedil;&atilde;o</i>. Lisboa: Gradiva.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019333&pid=S2183-3575201400010001300039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Singer, Peter (2006) <i>Como Havemos de Viver? A &Eacute;tica Numa &Eacute;poca de Individualismo</i>. Lisboa: Dinalivro.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019335&pid=S2183-3575201400010001300040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Taylor, Charles (2009) <i>A &Eacute;tica da Autenticidade</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es 70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019337&pid=S2183-3575201400010001300041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Uceda, Garc&iacute;a (2001) <i>Las Claves de la Publicidad</i>. Madrid: Esic Editorial.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019339&pid=S2183-3575201400010001300042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Ver&iacute;ssimo, Jorge (2008) <i>O Corpo na Publicidade</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es Colibri.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019341&pid=S2183-3575201400010001300043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Wittgenstein, Ludwig (1979) <i>Notebooks – 1914-1916</i>. Oxford: Blackwell.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019343&pid=S2183-3575201400010001300044&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Wittgenstein, Ludwig (1996) <i>Philosophical Investigations</i>. Oxford: Blackwell.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019345&pid=S2183-3575201400010001300045&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Wittgenstein, Ludwig (1999) <i>Tractatus Logico-Philosophicus</i>. London: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019347&pid=S2183-3575201400010001300046&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Recebido a 18-03-2014</b></p>     <p><b>Aceite a 09-05-2014</b></p>      ]]></body><back>
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