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<publisher-name><![CDATA[Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade - Universidade do Minho]]></publisher-name>
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<article-id pub-id-type="doi">10.17231/comsoc.34(2018).2945</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Contextos periféricos de criação artística: o caso angolano]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Peripheral contexts of artistic creativity: the Angolan case]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[After describing and discussing the conditions of artistic production in peripheral contexts, the course of the Angolan visual arts from the end of the colonial period to the present time is analysed, a period when these enjoy a relative international projection. This projection is the result of a double sustainability: on the one hand, the material conditions for creation and artistic production and, on the other hand, the sustainability or maintenance of an aesthetic pattern rooted in the tradition and history of the country.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS TEMÁTICOS</b></p>     <p><b>Contextos periféricos de criação artística: o caso angolano</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Peripheral contexts of artistic creativity: the Angolan case</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>José Carlos Venâncio*</b></p>     <p>*Universidade da Beira Interior, Portugal.</p>     <p><a href="mailto:jcvenancio@sapo.pt">jcvenancio@sapo.pt</a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Depois de se descrever e discutir as condições de produção artística em contextos    periféricos, analisa-se o percurso das artes plásticas angolanas desde finais    do período colonial até à atualidade, momento em que as mesmas desfrutam de    uma relativa projeção internacional. Essa projeção é o resultado de uma dupla    sustentabilidade: por um lado, as condições materiais de criação e produção    artística e, por outro, a sustentabilidade ou manutenção de um padrão estético    enraizado na tradição e na história do país.</p>     <p><b>Palavras-chave</b>: Arte angolana; produção artística; periferia.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>After describing and discussing the conditions of artistic production in peripheral    contexts, the course of the Angolan visual arts from the end of the colonial    period to the present time is analysed, a period when these enjoy a relative    international projection. This projection is the result of a double sustainability:    on the one hand, the material conditions for creation and artistic production    and, on the other hand, the sustainability or maintenance of an aesthetic pattern    rooted in the tradition and history of the country.</p>     <p><b>Keywords</b>: Angolan art, artistic production, periphery.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os contextos de produção artística, contrariando o otimismo de alguns analistas    (Marchart, 2014), continuam a reproduzir as assimetrias vigentes na economia    mundial e no sistema internacional, pelo que, tal como as economias e os Estados,    são passíveis de serem classificados como centrais, periféricos e, eventualmente,    semi-periféricos<sup><a href="#1" name="top1">[1]</a></sup>. O contexto artístico    angolano, objeto do presente ensaio, é, no propósito dessa nomenclatura, periférico.    Está alicerçado em experiências sociais e estéticas que, por razões históricas    e de dominação colonial, acabam por apresentar semelhanças, interconexões e    compromissos com a realidade portuguesa e com as dos restantes países e regiões    de colonização portuguesa. A análise a que se procederá insere-se, em conformidade,    num ambiente de reflexão pós-colonial, relevando, para o efeito, as dimensões    de uma dominação que se perpetua, mormente no que à cultura e à estética diz    respeito. Incidirá a mesma sobre vivências e realizações enquadráveis pelo que    se poderá designar por cultura cultivada, cujos protagonistas são, dos muitos    grupos sociais que formam a sociedade angolana, os que estiveram mais expostos    à influência europeia, devido, sobretudo, ao facto de terem beneficiado do ensino    formal implantado pelo sistema colonial. O sistema de ensino em apreço, implementado    no contexto do colonialismo moderno, teve, por sua vez, um duplo e ambivalente    propósito: o de gerar, por um lado, interlocutores e técnicos locais para viabilizar    a dominação<sup><a href="#2" name="top2">[2]</a></sup> e evitar, por outro,    que os conhecimentos transmitidos fossem de forma a igualar os colonizados aos    colonizadores, perpetuando, desta forma, a dependência que nunca deixou de estar    na mente de quem assim legislou e governou.</p>     <p>Repensar a atividade artística de Angola sob este prisma equivale a repensar    o respetivo contexto de produção cultural e artística à luz da sua autonomia    e sustentabilidade, um propósito que, não raras vezes, choca com a relação de    dependência herdada do sistema colonial e prevalecente em ambiente pós-colonial.    O conceito de &ldquo;contexto artístico&rdquo; traduz, neste propósito, contornos coincidentes    com o de cena artística, frequentemente usado, e, num patamar mais elaborado,    com o de &ldquo;campo artístico&rdquo;, devido a Pierre Bourdieu (2012), e &ldquo;mundos da arte&rdquo;,    desenvolvido por Howard Becker (1984). O primeiro, pelo esforço de evidenciar    relações estruturais e de homologia entre os elementos que o compõem, serve    mais ao propósito da argumentação que se segue<sup><a href="#3" name="top3">[3]</a></sup>.</p>     <p>Por contexto artístico entendo, assim, as relações, quer de natureza económica,    quer de natureza estética, que se estabelecem entre os vários atores que contribuem    para a realização e a afirmação da obra de arte, desde o momento da sua produção    até ao do seu consumo ou fruição. Sustentabilidade refere, nestes termos, quer    a autonomia económica do processo de produção da obra de arte, evidenciada como    uma atividade profissional a par das outras que configuram o (um) espaço económico,    quer a preservação de um sentido estético enraizado na sociedade que o alberga.</p>     <p>Entre as muitas funções da arte, está a da realização pessoal e a da autoestima,    que, tendo particular incidência no sujeito criador, não deixa de contribuir    para o bem-estar psicológico de quem a usufrui ou contempla, podendo ainda contribuir,    em circunstâncias determinadas, para o processo identitário deste. Esta função    não é tão aleatória no que ao criador diz respeito, não se podendo entender,    no que a este concerne, a realização pessoal separada da construção identitária,    quer na sua dimensão pessoal, quer na social, que, por sua vez, tanto pode remeter    para enquadramentos territorializados, sejam eles de ordem nacional, regional    ou local, como para referentes mais globalizantes e cosmopolitas, sem que as    duas orientações sejam em si excludentes (Venâncio, 1998). </p>     <p>A dimensão social em apreço condiciona o ato da criação por duas vias: pela    motivação pessoal e subjetiva, decorrente de ou em articulação com predisposições    identitárias e ideológicas previamente adquiridas, ou pelos imperativos que    se exercem do exterior, viabilizados por doutrinações, sobretudo de ordem política,    por políticas públicas, desenvolvidas, em muitas circunstâncias, em consonância    com as referidas doutrinações, ou, ainda, por influências difusas e indeterminadas,    decorrentes da internacionalização da economia, dos mercados e dos modos de    vida. Em qualquer das situações, o ato criativo acaba por ser condicionado e    valorizado por práticas (no sentido da <i>praxis</i> marxista) sociais e estéticas    que lhe servem de paradigma, desempenhando, em consonância, uma função integradora    nas sociedades, não obstante as diferenças e as desigualdades que estas internamente    espelhem. São diferenças de índole social e educativa, que com o contributo    de políticas públicas, se veem, ou se podem ver, esbatidas, resultando concomitantemente    na consolidação dos respetivos contextos artísticos. Menciono neste ponto da    argumentação as chamadas políticas públicas porque, na verdade, é difícil entender    o desenvolvimento de tais espaços de criatividade independentemente de políticas    que os condicionam e regulam.</p>     <p>Arte (quer a popular, quer a erudita ou académica) e desenvolvimento apresentam-se,    desta forma, como um binómio que, tendo sido desde sempre importante na vida    das pessoas e das sociedades, nunca como agora a relação de causalidade entre    uma e outra foi tão evidente e explorada. Andreas Reckwitz (2014, p. 133) refere,    a este propósito, o processo que conduziu à estetização da economia através    da criatividade e do espírito de inovação que o sujeito produtor foi chamado    a exercitar nas estruturas de produção. Trata-se de um paradigma que emerge    por volta de 1980, substituindo, nessa dimensão, o pós-fordismo e os preceitos    que envolviam o chamado capitalismo desorganizado, um processo de transformação    que, por sua vez, não deve ser entendido como uma pura reação à crise económica    e financeira do início dos anos 70 do século passado (Reckwitz, 2014). A viragem    em referência surge por via das indústrias criativas e da economia do design,    fenómenos que, ultimamente, têm conduzido à emergência das chamadas cidades    criativas, inteligentes ou líquidas, para utilizar um termo devido a Zygmunt    Baumann (2015), que, a par do turismo cultural crítico (valorizando mais o cidadão    do que o consumidor), têm proporcionado aos respetivos espaços um desenvolvimento    de que os artistas saem igualmente beneficiados. Engrandece-se, pois, o potencial    mercado das suas obras.</p>     <p>Várias são as modalidades artísticas e os circuitos artísticos a beneficiar    com esta viragem de paradigma. A música e as artes visuais serão, porventura,    as que mais têm beneficiado, conquanto não se deva excluir desse benefício as    chamadas artes plásticas convencionais: a pintura, o desenho, a gravura e a    escultura. Não obstante a prevalência de uma modernidade que, na qualidade de    líquida, é tentada a privilegiar, na arte e nas demais manifestações da vida,    o efémero, o descartável, em detrimento do duradouro (fruto do consumismo antevisto    por Marx há dois séculos), as obras de arte, mormente de pintura, tendem, precisamente    pelo seu caráter duradouro, a tornar-se ativos financeiros, num processo para    o qual contribuem vários atores e que assenta numa suposta qualidade estética    e técnica. Trata-se, na verdade, de um processo que, na sua essência, não difere    do que a antropologia económica (Schneider, 1970) desenvolveu a propósito da    caraterização do objeto-moeda em sociedades de economia não monetarizada. Equaciono,    a propósito, para além da já referida durabilidade, a mobilidade, a divisibilidade    e, sobretudo, a raridade, decorrendo esta da natureza artesanal e única do processo    produtivo nas artes plásticas (Sontag, 2015)<sup><a href="#4" name="top4">[4]</a></sup>.</p>     <p>Evidentemente que a consistência e a sustentabilidade dos campos ou mundos    da arte dependem de outros fatores, tais como o nível educacional e profissional    dos artistas e dos demais agentes implicados no circuito comercial dos objetos    artísticos (galeristas, diretores de museus, agentes artísticos, críticos de    arte, colecionadores, etc.), assim como da natureza do mercado interno dos países    ou regiões a que pertencem. Assim sendo, a economias e/ou mercados desestruturados    dificilmente poderá corresponder um mercado da arte e respetivo circuito estruturados.    É uma questão de homologia. As fragilidades na cadeia de produção, comercialização    e consumo que se registam nos mercados nacionais ou regionais acabam, naturalmente,    por se repercutir nos circuitos da arte.</p>     <p>Esta é, de certa forma, a situação de uma parte significativa dos países do    chamado Terceiro Mundo, termo que surge pela mão do demógrafo francês Alfred    Sauvy e do sociólogo Georges Balandier, após a II Guerra Mundial, para designar    o conjunto de países e povos que até então haviam vivido à margem do mundo industrializado    ou numa posição de subalternidade em relação ao mesmo. Sendo esse posicionamento    devido a fatores de vária ordem, o facto de muitas dessas sociedades terem sido    colonizadas, desde o século XVI, por potências europeias, é tal circunstância    tida, mormente na perspetiva das teorias de matriz marxista (refiro-me às teorias    da dependência, do sistema-mundo, assim como às recentes teorias ou abordagens    pós-coloniais<sup><a href="#5" name="top5">[5]</a></sup>), como o fator determinante    do posicionamento que tem vindo a ser referenciado.</p>     <p>Portugal foi uma das potências coloniais em causa. Da sua expansão atlântica    e da subsequente relação colonial imposta emergiu a sociedade em estudo, cujas    características são remissíveis quer à natureza e dinâmica do próprio império    colonial ao longo de cinco séculos<sup><a href="#6" name="top6">[6]</a></sup>,    quer às condições geográficas e demográficas locais.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Angola espelha um processo de colonização que não é propriamente idêntico ao    da maioria dos países da África continental, na medida em que a presença portuguesa,    com ocupação territorial, se fez sentir na região a partir do século XVI, i.e.    sob a vigência do mercantilismo. Luanda é fundada em 1576 e Benguela em 1617.</p>     <p>Tratou-se de uma presença conflituosa, de uma conquista marcada por um esforço    de guerra constante que levou o maior cronista português deste período, a residir    em Angola, António de Oliveira Cadornega (1623-1690), a intitular o livro em    que a descreve como a <i>História geral das guerras angolanas</i> (1681). O    conflito latente e explícito não impediu, de qualquer modo, que emergisse do    contacto então havido entre portugueses e africanos das etnias bacongo e ambundu    uma sociedade híbrida, que, à semelhança das sociedades insulares, cabo-verdiana    e são-tomense (constituídas à base de escravos vindos do continente), pode ser    entendida como crioula, sem que, contudo, não deixe esta designação de gerar    hoje alguma polémica. O termo, mais no plano formal do que no de conteúdo, tem    sido rejeitado, nomeadamente por uma parte da intelectualidade que gravita em    redor do MPLA (Movimento para a Libertação de Angola), por razões que se prendem    com o facto de os líderes dos outros movimentos de libertação lhes imputarem    o estigma de não-pertença à terra. A reação à designação traduz, nestes termos,    um esforço de legitimação enquanto &ldquo;angolanos&rdquo;, que se tornou tão mais premente    quanto o facto de uma parte da elite do MPLA, à qual pertencem mestiços e brancos,    ser, desde há muito, &ldquo;urbanizada&rdquo;, com raízes étnicas relativamente esbatidas,    constituindo, nessa condição, um grupo de <i>status</i> cultural e historicamente    diferenciado da maioria da população.</p>     <p>O campo de arte angolano, como acontece com o literário, acaba por dar nota,    como seria expectável, desta e doutras idiossincrasias, que aparecem associadas    quer à produção, quer à mediação, quer ainda ao consumo interno dos bens artísticos    e culturais. </p>     <p>A palavra literária teve, no âmbito dos nacionalismos na África de língua portuguesa,    um papel importante na afirmação dos mesmos, conquanto tenha exercido essa influência    de forma diferenciada; uma diferenciação que é, em muito, remissível à própria    natureza da relação colonial. A localização geográfica de cada colónia, a composição    humana e cultural de cada uma, a sua importância para a vitalidade do império    em termos económicos, são fatores que, entre outros, foram tidos em conta na    diferenciação das políticas coloniais. Uma caraterística, porém, foi comum a    todas: a inexistência de estruturas de ensino superior até ao início dos anos    60 do século XX, altura em que é instituído o ensino universitário em Angola    e em Moçambique. Este facto fez com que muitos jovens fossem obrigados a deslocar-se    para a metrópole para prosseguir os seus estudos, passando a conviver com colegas    de outras colónias e, em conjunto, com a contribuição de setores antifascistas    da sociedade portuguesa, se consciencializassem das injustiças do sistema colonial.    A informação de que dispunham na capital, embora escassa devido à ditadura vigente,    sempre era maior do que a que obtinham nas colónias.</p>     <p>A Casa dos Estudantes do Império (sedeada em Lisboa e em Coimbra) foi um dos    palcos desse amadurecimento político, que logrou transformar &ldquo;estudantes ultramarinos&rdquo;    em líderes nacionalistas, cuja ação veio depois a ser determinante na formação    de movimentos de libertação como o PAIGC (Partido Africano para a Independência    da Guiné e Cabo Verde), MPLA, Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique) e    MLSTP (Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe), integrados, a dada altura,    por razões de coordenação da luta anti-colonial em termos internacionais, na    CONCP (Conferência das Organizações Nacionalistas das Colónias Portuguesas).</p>     <p>De comum, estes movimentos tinham, por um lado, o facto de os seus líderes    terem tido uma vivência portuguesa e, por outro, a adesão ao universo ideológico    marxista, a aproximação aos países do bloco soviético e, em termos africanos,    ao grupo de países africanos alinhados com Casablanca<sup><a href="#7" name="top7">[7]</a></sup>.    Após a independência, são estas organizações que assumem o poder e os seus líderes,    num esforço de autolegitimação como políticos &ldquo;genuinamente&rdquo; africanos, promovem    a integração das periferias territoriais e dos respetivos grupos étnicos nos    espaços herdados da admnistração colonial, cujas fronteiras não foram postas    em causa. Entendem, em conformidade, &ldquo;ser importante fundar organizações sócio-profissionais    ligadas à literatura e à arte com o propósito explícito de as mesmas contribuirem    para a consciência nacional em construção. A experiência que traziam da vivência    portuguesa e da Casa dos Estudantes do Império ajudou à concretização de tais    objetivos, conquanto tenha igualmente pesado, para a concretização dos mesmos,    o conhecimento (escasso, mas eficiente nos seus propósitos) que tinham da revolução    soviética, que, por força da estética marxista e do realismo socialista (o estilo    oficial imposto pelo Partido Comunista a partir de 1932), pusera a arte e a    literatura ao serviço da revolução e da política.</p>     <p>Nestes termos, um mês após a independência do país, numa conjuntura ainda de    instabilidade política que antevia a longa guerra civil que se seguiu, é criada    a União dos Escritores Angolanos (UEA), que terá como presidente da assembleia-geral    Agostinho Neto, o primeiro presidente da então designada República Popular de    Angola. A influência do poder político era mais do que evidente.</p>     <p>Na prossecução do mesmo objetivo de enquadramento socioprofissional de artistas    e escritores, é fundada, dois anos depois, a 8 de outubro de 1977, a União Nacional    dos Artistas Plásticos (UNAP) e, uns anos mais tarde, a 9 de setembro de 1981,    é proclamada, enquanto instituição de utilidade pública, a União Nacional dos    Artistas e Compositores (UNAC)<sup><a href="#8" name="top8">[8]</a></sup>, tendo    por signatários, entre outros, conhecidos cantores como Rui Mingas, Waldemar    Bastos e Filipe Mukenga<sup><a href="#9" name="top9">[9]</a></sup>.</p>     <p>Não obstante este percurso comum quanto à profissionalização, proteção e implementação,    por parte dos poderes constituídos, das atividades culturais e criativas, registaram-se,    no âmbito destas, diferenças significativas ao longo dos 40 anos de independência.    São diferenças que têm, sobretudo, a ver com as modalidades artísticas em apreço    e com as respetivas mundividências e exercícios de criatividade. De todas, a    literatura foi, sem dúvida, a que permaneceu mais tempo comprometida com o projeto    político do MPLA, sem que se possa, contudo, deduzir desse comprometimento qualquer    empobrecimento estético. Se a palavra literária serviu como um instrumento de    auto-consciencialização e de persuasão aos primeiros nacionalistas, alguns deles    aliaram o desenho e a pintura à palavra. É o caso, entre outros, de Henrique    Abranches, Costa Andrade e Luandino Vieira, um dos escritores angolanos com    maior renome. Eles deram forma a uma das linhas evolutivas das artes plásticas    angolanas. A presença em Angola, durante o período colonial, de artistas plásticos    portugueses, tais como Neves e Sousa, Cruzeiro Seixas ou Alfredo Margarido (Pereira,    2011), permitiu, pela influência direta ou indiretamente exercida, a constituição    de uma outra linha, de caráter mais exógeno, mas que, como acontece na maioria    das situações africanas, não é de somenos importância para a explicação da emergência    das artes plásticas modernas em Angola. Esta via, a da influência de artistas    e mestres estrangeiros, mormente europeus, tem sido, aliás, apontada como a    mais importante para o surgimento e a afirmação da arte africana contemporânea    (Kasfir, 1999). Outra linha, igualmente significativa, na afirmação da arte    contemporânea na África subsariana e em Angola, em particular, é a que é protagonizada    pelo que se poderá designar por arte popular que, pela sua natureza, acaba por    ser uma relação estreita, (mais) continuada, com a chamada arte tradicional.</p>     <p>Trata-se de um tipo de arte que se confunde muitas vezes com artesanato e que,    no caso específico de Angola, atendendo ao percurso de dois artistas plásticos,    descrito por Pepetela no seu último romance (<i>Se o passado não tivesse asas</i>,    2016), pode tal não significar ausência de qualidade estética. Os artistas plásticos    em apreço, porque arredados dos circuitos dominantes do comércio da arte, viram-se    confinados, para a venda das suas obras, ao mercado de Benfica, localizado a    sul de Luanda, então uma referência na venda de artesanato.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Muitos dos artistas a exporem no mercado são de origem estrangeira, como é,    aliás, um dos artistas caracterizados por Pepetela. E, a este propósito, vale    referir que Angola enquanto destino migratório de pessoas oriundas sobretudo    da África central e ocidental, num fluxo de difícil controlo devido à extensão    das fronteiras, tem, em contrapartida, beneficiado, sobretudo no que respeita    ao artesanato e à arte popular, com as experiências de artistas vindos dessas    regiões. Para além da referência de Pepetela, não terá sido por acaso que Edson    Chagas entendeu Luanda, que alberga para cima de 6 milhões de habitantes, como    uma &ldquo;cidade enciclopédica&rdquo; na exposição que apresentou na Bienal de Veneza.</p>     <p>De uma primeira fase, marcada por princípios ideológicos e estéticos em muito    identificados com o marxismo e com o realismo socialista, conjuntura em que    se insere a fundação da UNAP, os artistas, mormente os do <i>mainstream</i>,    evoluíram para parâmetros menos comprometidos com o paradigma nacionalista.    A política, mormente a imediata e a que tem a ver com as vicissitudes da construção    nacional, deixou de ser preocupação e <i>leitmotiv</i> das suas criações. Começou    tal viragem por ser apanágio do grupo de jovens artistas, os que se autodenominam    de &ldquo;Nacionalistas&rdquo;, que, em finais dos anos 90 do século passado, revolucionaram    a cena artística luandense, com a defesa, entre outros valores, da autonomia    da produção artística. Sem descurarem os efeitos do passado colonial na sociedade    e na identidade angolanas, os problemas que afligem as novas gerações de artistas    plásticos passaram a ser de ordem mais geral e, como tal, mais transversais    e menos datados no tempo. É o discurso discricionário do Ocidente sobre África    (Nástio Mosquito, citado em <i>My African mind</i>, 2009), são os efeitos do    capitalismo sobre as identidades locais (conferir a obra de Edson Chagas) ou    ainda os efeitos de uma globalização perniciosa que preocupam os artistas das    novas gerações. A internacionalização de carreira, surge, neste contexto, como    um importante objetivo a ser atingido.</p>     <p>E, na verdade, parte desse objetivo tem sido almejado. O posicionamento do    país no sistema internacional, conquanto em muito sustentado por uma economia    excessivamente dependente do petróleo, tem ajudado à internacionalização dos    seus artistas. As políticas públicas de apoio à arte e à criatividade têm igualmente    ajudado. No fim, os governantes de hoje são os mesmos que, após alguma redenção    ideológica, continuam, no que à cultura e às artes diz respeito, o apoio e a    instrumentalização que haviam promovido, logo após a independência, sob influência    marxista e soviética. Nem sempre com a devida transparência (Cowcher, 2014)    e, como tal, suscetíveis de gerar injustiças. </p>     <p>Uma parte substancial dos apoios é despendida pelo Ministério da Cultura, que,    em cooperação com a ENSA – Seguros de Angola, suporta financeiramente a estreia    de Angola, em 2013, na Bienal de Veneza, arrecadando, enquanto representação    nacional, o Leão de Ouro pelo projeto <i>Luanda, cidade enciclopédica</i>, constituído    por 23 fotografias do artista plástico Edson Chagas. O pavilhão premiado acolheu    ainda a exposição de pintura e escultura <i>Angola em movimento,</i> composta    de obras provenientes da coleção da ENSA, na qual estão representados artistas    como Francisco Van-Dúnem, António Ole, Fineza Teta e Marco Kabenda.</p>     <p>Outro grande patrocinador das artes no país tem sido a já referida ENSA - Seguros    de Angola, empresa estatal que, no âmbito das suas obrigações sociais, tem implementado    o ensino e a revelação de novos talentos, em Luanda e nas províncias. O país    dispõe ainda de algumas fundações, que, mesmo nas circunstâncias em que a finalidade    primeira não seja a promoção artística, acabam por ajudar, de uma forma ou de    outra, a implementação destas. Não é este o caso da Fundação Sindika Dokolo,    nascida em 2004, cujo propósito explícito é o da promoção artística e cultural<sup><a href="#10" name="top10">[10]</a></sup>.    Sindika Dokolo preside à fundação e Fernando Alvim, artista plástico, é o vice-presidente.    A fundação dispõe de uma das maiores coleções de arte contemporânea africana<sup><a href="#11" name="top11">[11]</a></sup>    e proporcionou recentemente o retorno ao país de duas máscaras e uma estatueta    <i>tshokwé</i>, numa ação de recuperação de património extraviado, que, num    certo sentido, veio calar as vozes mais críticas sobre os princípios da fundação    e dos seus promotores<sup><a href="#12" name="top12">[12]</a></sup>. Pela mão    de Fernando Alvim, a fundação participa igualmente na organização da Trienal    de Luanda, evento que tem ajudado a projetar internacionalmente a cultura e    as artes plásticas do país.</p>     <p>Portugal foi o país escolhido para a projeção internacional da fundação. Começou    por patrocinar a organização de duas exposições sobre arte contemporânea africana,    uma em Lisboa, no Museu Coleção Berardo, que decorreu de 30 de janeiro a 31    de março de 2013, intitulada <i>No fly zone. Unlimited mileage</i>, que teve    como curadores Fernando Alvim, Simon Njami e Suzana Sousa; outra no Porto, na    Galeria Municipal Almeida Garrett, de 19 de abril a 17 de maio de 2015, intitulada    <i>You love me, you love me not</i> e igualmente comissariada por Fernando Alvim.    Recentemente, a fundação adquiriu o edifício da casa do cineasta português Manoel    de Oliveira para aí instalar a sua sede europeia e, a partir desse espaço, dinamizar    a reflexão e a produção artística, num propósito dialogante, entre a Europa    e a África.</p>     <p>Ao entender-se a sustentabilidade de uma economia ou de uma sociedade como    a sua capacidade de reprodução <i>autopoiética</i> (Luhmann, 2002; Vermeer,    2006)<sup><a href="#13" name="top13">[13]</a></sup>, como atrás foi referido,    o contexto artístico em estudo não deixa de apresentar fragilidades e desequilíbrios    que estão em linha de conta com as fragilidades da própria economia do país,    excessivamente dependente da produção petrolífera. Pelo que é dado verificar    a partir do testemunho de vários artistas, a que a imprensa tem dado relevo,    a crise do preço do <i>crude</i> tem sido fatal para o setor, quer a nível do    mercado, quer dos apoios estatais. </p>     <p>Estas fragilidades a nível comercial, de cariz imediato e com repercussões    na qualidade de vida dos artistas profissionalizados, não têm tido tradução    direta na qualidade estética do que é produzido. Os mercados centrais desempenham,    por norma, um papel &ldquo;antropofágico&rdquo; junto dos mercados periféricos, empobrecendo-os    esteticamente devido ao esforço a que os seus atores são tentados a desenvolver    no sentido de se adaptarem às formas estéticas dos colecionadores e demais agentes    dos mercados centrais onde desejam vender as suas obras. Não me parece, porém,    ser essa a postura dos artistas angolanos, mormente os do <i>mainstream</i>.    Não deixando os mesmos de gravitar à volta dos poderes instituídos, quer políticos,    quer económicos, têm sabido manter a autonomia que confere aos seus trabalhos    autenticidade estética e cultural. Adriano Mixinge (2017), um dos críticos angolanos    de arte com maior projeção, tem vindo a valorizar, nesse sentido, o que considera    como &ldquo;pintura de parede&rdquo;, o fio condutor de uma trajetória que, iniciando-se    nas pinturas rupestres de Tchitundu Hulu, acaba em artistas contemporâneos como    António Ole e Yonamine, sem se esquecer do contributo de artistas coloniais    como Neves e Sousa.</p>     <p>Aliás, o mesmo se tem passado, de uma maneira geral, com os escritores e com    os músicos. O espírito crítico e a autenticidade estética continuam a ser um    referente importante para o desenvolvimento das suas criações, características    essas que, mesmo nas situações de maior comprometimento político, durante a    vigência do regime político de partido único, não foram postas em causa, como    o confirma, no que à literatura diz respeito, a emergência da sátira social,    enquanto género ou subgénero literário.</p>     <p>A <i>título conclusivo</i>, apraz referir que, apesar das fragilidades, o contexto    de produção artística angolano apresenta uma vantagem que é, porventura, a mais    importante delas todas: a postura dos seus artistas. A importância que a primeira    leva de dirigentes nacionalistas, de influência marxista, atribuiu à cultura    e às artes permitiu a reunião de condições de produção artística, que hoje se    perpetuam e que têm ajudado os artistas a enfrentarem contratempos de ordem    estrutural e conjuntural, consolidando, em consonância, formas e estilos que    atribuem autenticidade e identidade às artes do país. O regime de partido único    do período imediatamente a seguir à independência foi, assim, no que a estes    domínios diz respeito, suficientemente flexível para proporcionar a sua criatividade.  </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Referências bibliográficas</b></p>     <p>Amselle, J.-L. (2005). <i>L&rsquo;art de la friche. Essai sur l&rsquo;art africain contemporain</i>.    Paris: Flammarion.</p>     <!-- ref --><p>Barthes, R. (1980/2012). <i>A câmara clara</i>. Lisboa: Edições 70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2008854&pid=S2183-3575201800020000800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Baumann, Z. (2015). <i>Arte, líquido?</i> Madrid: Sequitur.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2008856&pid=S2183-3575201800020000800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Becker, H. S. (1984). <i>Art worlds</i>. Berkeley: University of California    Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2008858&pid=S2183-3575201800020000800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Bourdieu, P. (1998/2012). <i>Les règles de l&rsquo; art. Genèse et structure du champ    littéraire</i>. Paris: Seuil</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Cowcher, K. E. (2014). Luanda onde está? Contemporary African Art and the Rentier    State. <i>Critical Interventions. Journal of African Art History and Visual    Culture</i>, <i>8</i>(2), 140-159. DOI: 10.1080/19301944.2014.939524&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2008861&pid=S2183-3575201800020000800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Freyre, G. (s.d.). <i>Aventura e rotina: sugestões de uma viagem à procura    das constantes portuguesas de carácter e acção</i>. Lisboa: Livros do Brasil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2008862&pid=S2183-3575201800020000800007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Haney, E. (2010). <i>Photography and Africa.</i> Londres: Reaktion Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2008864&pid=S2183-3575201800020000800008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Kasfir, S. L. (1990). <i>Contemporary African Art</i>. Londres: Thames &amp;    Hudson.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2008866&pid=S2183-3575201800020000800009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Lessa, A. &amp; Ruffié, J. (1957). <i>Seroantropologia de Cabo Verde: mesa-redonda    sobre o homem cabo-verdiano</i>. Lisboa: Junta de Investigações do Ultramar.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2008868&pid=S2183-3575201800020000800010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Luhmann, N. (1984/2002). <i>Soziale Systeme. Grundriß einer allgemeinen Theorie</i>.    Darmstadt: Wissenschafliche Buchgesellschaft.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2008870&pid=S2183-3575201800020000800011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Lopes, B. (1956). <i>Cabo-Verde visto por Gilberto Freyre</i>. Praia: Imprensa    Nacional.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2008872&pid=S2183-3575201800020000800012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Marchart, O. (2014). The globalization of art and the ‘Biennials of Resistance&rsquo;.    A history of biennials from the periphery. <i>World Art 4</i>(2), 263-276. Retirado    de <a href="https://doi.org/10.1080/21500894.2014.961645" target="_blank">https://doi.org/10.1080/21500894.2014.961645</a></p>     <!-- ref --><p>Martins, M. L. (2017). Comunicação da ciência, acesso aberto do conhecimento    e repositórios digitais. O futuro das comunidades lusófonas e ibero-americanas    de Ciências Sociais e Humanas. In M. L. Martins, (Ed.), <i>A internacionalização    das comunidades lusófonas e iberoamericanas de Ciências Sociais e Humanas –    O caso das Ciências da Comunicação</i> (pp. 19-58). Vila Nova de Famalicão:    Húmus. Retirado de <a href="http://www.lasics.uminho.pt/ojs/index.php/cecs_ebooks/issue/view/223/showToc" target="_blank">http://www.lasics.uminho.pt/ojs/index.php/cecs_ebooks/issue/view/223/showToc</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2008875&pid=S2183-3575201800020000800014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Mixinge, A. (2009). <i>Made in Angola. Arte contemporânea, artistas e debates</i>.    Paris: L&rsquo;Harmattan.</p>     <!-- ref --><p>Mixinge, A. (2017, fevereiro). Sobre as tendências da arte actual em Angola:    da criação aos novos canais de legitimação. <i>Artecapital</i>. Retirado de    <a href="http://www.artecapital.net/estado-da-arte-71" target="_blank">http://www.artecapital.net/estado-da-arte-71</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2008877&pid=S2183-3575201800020000800016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Muholi, Z. (2011). <i>Fotógrafas Africanas / African Women Photographers</i>.    Madrid: La Fabrica Editorial / Casa África&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2008878&pid=S2183-3575201800020000800017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Nicodemus, E. (1999). Bourdieu out of Europe? In O. Oguibe &amp; O. Enwezor,    <i>Reading the contemporary. African art from theory to the marketplace</i>    (pp. 75-85). Londres: Institute of International Visual Arts.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2008879&pid=S2183-3575201800020000800018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Pereira, T. I. M. (2011). <i>Uma travessia da colonialidade. Intervisualidades    da pintura, Portugal e Angola</i>. Tese de doutoramento, Belas-Artes (Pintura),    Universidade de Lisboa, Lisboa, Portugal. Retirado de <a href="http:// repositorio.ul.pt/handle/10451/4631?locale=en" target="_blank">http://    repositorio.ul.pt/handle/10451/4631?locale=en</a></p>     <p>Porto, N. (2000). <i>Modos de objectivação da dominação colonial. O caso do    Museu do Dundo, 1940-1970</i>. Tese de Doutoramento, Universidade de Coimbra,    Coimbra, Portugal. Retirado de <a href="http://hdl.handle.net/10316/1587" target="_blank">http://hdl.handle.net/10316/1587</a></p>     <!-- ref --><p>Reckwitz, A. (2012/2014). <i>Die Erfindung der Kreativität. Zum Prozess gesellschaftlicher    Aesthetisierung</i>. Berlin: Suhrkamp Verlag.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2008883&pid=S2183-3575201800020000800021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Sontag, S. (1973/2015). <i>Ensaios sobre fotografia</i>. Lisboa: Quetzal.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2008885&pid=S2183-3575201800020000800022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Venâncio, J. C. (1996). <i>Colonialismo, antropologia e lusofonias. Repensando    a presença portuguesa nos trópicos</i>. Lisboa: Editorial Vega.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2008887&pid=S2183-3575201800020000800023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Venâncio, J. C. (1998). The region as a reference for artistic creativity:    the importance of regional identity for the distinctiveness of the lusophone    literatures. <i>Comparative Social Research</i>, <i>17</i>, 177-197.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2008889&pid=S2183-3575201800020000800024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Venâncio, J. C. (2000/2009). <i>O fato africano. Elementos para uma Sociologia    da África</i>. Recife: Fundação Joaquim Nabuco/Editôra Massangana.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2008891&pid=S2183-3575201800020000800025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Venâncio, J. C. (2009 b). Falácias pós-coloniais. Manuel Figueira: De artista    nacional em Cabo Verde a artista <i>outsider</i> em Portugal. <i>Revista Angolana    de Sociologia</i>, <i>3</i>, 145-154.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2008893&pid=S2183-3575201800020000800026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Vermeer, H. J. (2006). <i>Luhmann&rsquo;s &ldquo;social systems&rdquo; theory: preliminary fragments    for a theory of translation</i>. Berlin: Frank &amp; Time.</p>     <!-- ref --><p>Wallerstein, I. (1974). <i>The modern world system I. Capitalist agriculture    and the origins of the European world- economy in the sixteenth century</i>.    Nova Iorque: Academic Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2008896&pid=S2183-3575201800020000800028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Wallerstein, I. (1980). <i>The world-system ii: mercantilism and the consolidation    of the European world-economy, 1600-1750</i>. Nova Iorque: Academic Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2008898&pid=S2183-3575201800020000800029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Nota biográfica</b></p>     <p>Professor Catedrático da Universidade da Beira Interior; Professor Titular    Convidado da Universidade Agostinho Neto. Publicou vários trabalhos sobre Angola,    Cabo Verde, Macau e Brasil. Merecem destaque os livros <i>Literatura e poder    na África lusófona</i> (1992), <i>A economia de Luanda e hinterland no século    XVIII. Um estudo de Sociologia Histórica</i> (1996), <i>Colonialismo, antropologia    e lusofonias. Repensando a presença portuguesa nos trópicos</i> (1996), <i>O    facto africano. Elementos para uma Sociologia de África</i> (2000) e <i>A dominação    colonial. Protagonismos e heranças</i> (2005).</p>     <p>ORCID: <a href="https://orcid.org/0000-0003-0428-1914" target="_blank">https://orcid.org/0000-0003-0428-1914</a></p>     <p>Email: <a href="mailto:jcvenancio@sapo.pt">jcvenancio@sapo.pt</a></p>     <p>Morada: Universidade da Beira Interior, 6200 Covilhã.</p>     <p><b>* Submetido: 08.05.2018</b></p>     <p><b>* Aceite: 22.07.2018</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Notas</b></p>     <p><sup><a href="#top1" name="1">[1]</a></sup> Referindo-se ao espaço dos países    de língua oficial portuguesa e projetando a língua como contexto específico    para a produção de conhecimento, culturas e artes, Moisés de Lemos Martins (2017)    chama a atenção para o facto de aí se colocar a questão da língua hegemónica    e da dominação científica.</p>     <p><sup><a href="#top2" name="2">[2]</a></sup> Esta preocupação específica não    é nova em Angola. Os jesuítas já ministravam aos seus escravos, nos séculos    XVII e XVIII, ofícios manuais para que os mesmos viessem a valer mais nos mercados    de destino, na Améria do Sul e Central.</p>     <p><sup><a href="#top3" name="3">[3]</a></sup> Evidentemente que Pierre Bourdieu    desenvolveu o conceito pensando no posicionamento da arte e da criatividade    artística em contextos europeus e/ou ocidentais. É, na verdade, um conceito    que funciona, sobretudo, em situações de mercado livre, sendo as tensões e hierarquias    sociais que o caracterizam de natureza infraestrutural, como escreve Everlyn    Nicodemus (1999). Tal facto não impede, porém, que o não possamos utilizar numa    perspetiva aberta e relacional, envolvendo contextos de produção próximos e,    entre si, hierarquizados, como são os que decorrem da relação colonial.</p>     <p><sup><a href="#top4" name="4">[4]</a></sup> Estas características estão igualmente    presentes noutras modalidades artísticas, como, por exemplo, na fotografia,    cujo registo é sempre único e irrepetível, dependendo de fatores como a disposição    do fotógrafo, as condições de luz, etc. Diferente é o que se passa com a sua    reprodução técnica. O valor que certas fotografias atingem no mercado, numa    altura em que a tecnologia permite a sua réplica, é, na verdade, o resultado    de uma convenção – como, de resto, acontece com a moeda-objeto sem valor de    uso –, que se traduz num compromisso das partes envolvidas, em que as fotografias,    previamente numeradas, não serão (ou não devem ser) reproduzidas. Sobre a relação    entre fotografia e pintura, conferir Barthes (2006) e, sobretudo, Sontag (2015),    que chama a atenção para uma característica, a da presença, que Walter Benjamim    havia restringido à obra de arte antes da sua reprodutibilidade técnica, mas    que, segundo Sontag, embora &ldquo;nenhuma fotografia seja um original no sentido    em que uma pintura o é sempre, há uma grande diferença entre aquilo a que podemos    chamar originais – impressão feita no momento do negativo original (isto é,    no mesmo período da evolução tecnológica da fotografia) em que a imagem foi    registada – e gerações subsequentes da mesma fotografia&rdquo; (Sontag, 2015, p. 140).    As fotografias digitais não vêm alterar a lógica desta argumentação, na medida    em que existe sempre um momento em que o fotógrafo, mesmo após o tratamento    informático, dá por concluída a fotografia e esse momento, como o do seu registo,    é, também ele, irrepetível ou irreversível.</p>     <p><sup><a href="#top5" name="5">[5]</a></sup> Tais teorias, inspiradas no conceito    de acumulação primitiva de capital, tal como o mesmo foi (re)elaborado por Karl    Marx, entendem que existe uma relação de causalidade estrutural entre a ação    colonial, o colonialismo e o subdesenvolvimento das sociedades em apreço.</p>     <p><sup><a href="#top6" name="6">[6]</a></sup> Não é consensual, no seio da historiografia,    a extensão do colonialismo europeu em África ao século XVI. Existem, contudo,    situações de colonização e de dominação, como sejam as ilhas de Cabo Verde e    os núcleos urbanos de Luanda e de Benguela e respetivos <i>hinterlands</i>,    onde, na verdade, a presença europeia se fez sentir de forma integrada, condicionando    a vida das populações dominadas de uma forma que pouco se alterou em relação    à subjugação que se seguiu após a partilha de África na Conferência de Berlim    (1884-85). No sentido de se marcar a diferença entre um período e outro, têm    historiadores e antropólogos adotado a designação colonialismo arcaico para    o primeiro período e a de colonialismo moderno para identificar a ocupação do    segundo período, acontecida sob a vigência do capitalismo industrial (Venâncio,    2009).</p>     <p><sup><a href="#top7" name="7">[7]</a></sup> O outro grupo de países ficou conhecido    como o grupo de Monróvia, com uma orientação política pró-ocidental. A constituição,    em 1963, da Organização de Unidade Africana (OUA) é o resultado de um compromisso    então encontrado entre os dois grupos, cuja divisão se fez sentir praticamente    até ao fim da Guerra Fria, até aos processos de democratização que se seguiram,    com valências mais formais que de conteúdo, pelo que, com alguma ironia, o processo    que os viabilizou ficou conhecido na África francófona por &ldquo;Paristroika&rdquo;.</p>     <p><sup><a href="#top8" name="8">[8]</a></sup> Hoje UNAC-SA (União Nacional dos    Artistas e Compositores – Sociedade de Autores).</p>     <p><sup><a href="#top9" name="9">[9]</a></sup> Embora o processo político pós-independência    dos países africanos de língua portuguesa, conhecidos pela sigla PALOP (Países    Africanos de Língua Oficial Portuguesa) tivesse sido, no essencial, idêntico,    registaram-se, no que à política cultural diz respeito, algumas diferenças.    Se Moçambique, que atinge a independência dois meses antes de Angola, terá,    no que respeita à institucionalização do mundo das artes, um percurso idêntico    ao angolano, como similar foi igualmente a linha política seguida para a (re)construção    do país, marcada pelo alinhamento com o Bloco Socialista, sob a liderança da    Frelimo, o mesmo não aconteceu em Cabo Verde. A linha política adotada (neste    país e na Guiné-Bissau), sob a égide do PAIGC (Partido Africano para a Independência    da Guiné e Cabo Verde), embora próxima da do MPLA e da Frelimo, delas se distinguiu    pela existência de uma maior abertura política e por uma maior neutralidade    no que respeita aos dois blocos da Guerra Fria. A influência do pensamento político    de Amílcar Cabral, fundador do partido e seguramente o mais preparado politicamente    dos dirigentes africanos de língua portuguesa, fez-se sentir no momento da independência    dos respetivos países.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top10" name="10">[10]</a></sup> A propósito, nomeadamente, do    Pavilhão de África na Bienal de Veneza de 2007 (<i>Check-List Luanda Pop</i>),    desenhado e suportado pela fundação.</p>     <p><sup><a href="#top11" name="11">[11]</a></sup> Um dos critérios que tem orientado    o colecionador, de origem congolesa, genro do ex-Presidente da República de    Angola, Eduardo dos Santos, e marido de uma das mulheres mais ricas de África,    a empresária Isabel dos Santos, é o de não circunscrever a sua coleção à arte    africana.</p>     <p><sup><a href="#top12" name="12">[12]</a></sup> Entre as críticas que lhe são    imputadas, estão as que se relacionam com o Pavilhão de África (<i>Check-List    Luanda Pop</i>), proferidas por Ben Davis num artigo intitulado &ldquo;Art and corruption    in Venice&rdquo; (Cowcher, 2014).</p>     <p><sup><a href="#top13" name="13">[13]</a></sup> A designação tem outra origem    que não nas ciências sociais e/ou humanas. Foi apropriada por Luhmann (2002),    no que se tornou um elemento essencial na definição de sistema social. Conferir    entre as críticas e recensões ao conceito de sistema social em Luhmann, a que    é devida a Hans Vermeer (2006), que tem a particularidade de vir de alguém comprometido    com a teoria da comunicação, elemento central na definição do conceito.</p>      ]]></body><back>
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