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<publisher-name><![CDATA[Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade - Universidade do Minho]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Juventude urbana e redes sociais em Moçambique: a participação política dos conectados desamparados]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Urban youth and social networks in Mozambique: the political participation of the helpless connected]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In the last 10 years, studies on political participation through social networks have marked the debate in the field of media studies. In Mozambique, particularly, and in the world, in general, youth represent the galvanizing centre that finds in the use of social networks an almost ideal tool of expression about their frustrations due to their situation of blatant social misery - unemployment and constant life uncertainty to which youth are exposed. With this article, we intend to analyse the role of social networks, specifically Facebook, in the political and social engagement of urban youth in Mozambique, considering a timeline that covers the last four years, 2014 to 2017. As a result, it is concluded that, despite the expansion of social networks in recent years, they cannot yet be considered as spaces for effective political participation by youth, due to the fact that the internet is less comprehensive, on the one hand, and the weak youth interest in political issues in Mozambique, on the other.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS TEMÁTICOS</b></p>     <p><b>Juventude urbana e redes sociais em Moçambique: a participação política    dos <i>conectados desamparados</i></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Urban youth and social networks in Mozambique: the political participation    of the <i>helpless connected</i></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Dércio Tsandzana*</b></p>     <p>*IEP Sciences Po Bordeaux, França.</p>     <p><a href="mailto:dercio.adpub@gmail.com">dercio.adpub@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Nos últimos 10 anos, os estudos sobre a participação política por intermédio    das redes sociais marcam o debate na área dos estudos dos média. Em Moçambique,    de forma particular, e no mundo, de forma geral, a juventude representa o centro    galvanizador que encontra no uso das redes socias uma ferramenta quase ideal    de expressão sobre as suas frustrações decorrentes da sua situação de gritante    miséria social – desemprego e incerteza de vida constante a que os jovens se    encontram expostos. Com o presente artigo, pretendemos analisar o papel das    redes sociais, concretamente o Facebook, no engajamento político e social da    juventude urbana em Moçambique, considerando um horizonte que abarca os últimos    quatro anos, 2014-2017. Como resultado, concluímos que embora a sua expansão    nos últimos anos, as redes sociais ainda não podem ser consideradas, no seu    todo, como espaços que permitam uma efectiva participação política da juventude,    decorrente do facto de a internet ser menos abrangente, por um lado, e do fraco    interesse da juventude em questões políticas em Moçambique, por outro.</p>     <p><b>Palavras-chave</b>: Juventude; redes sociais; participação política.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>In the last 10 years, studies on political participation through social networks    have marked the debate in the field of media studies. In Mozambique, particularly,    and in the world, in general, youth represent the galvanizing centre that finds    in the use of social networks an almost ideal tool of expression about their    frustrations due to their situation of blatant social misery – unemployment    and constant life uncertainty to which youth are exposed. With this article,    we intend to analyse the role of social networks, specifically Facebook, in    the political and social engagement of urban youth in Mozambique, considering    a timeline that covers the last four years, 2014 to 2017. As a result, it is    concluded that, despite the expansion of social networks in recent years, they    cannot yet be considered as spaces for effective political participation by    youth, due to the fact that the internet is less comprehensive, on the one hand,    and the weak youth interest in political issues in Mozambique, on the other.</p>     <p><b>Keywords</b>: Youth; social networks; political participation.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Introdução</b></p>     <p>Actualmente, com a crescente desconfiança sobre os métodos tradicionais de    participação política baseados no voto, os níveis de abstenção eleitoral e o    fraco engajamento pela política usual mostra-se em alta, praticamente, em todo    o mundo. Porém, em contrapartida, a emergência das redes sociais representa    a abertura de um espaço dinâmico com novas formas de participação cívico-política.</p>     <p>No presente artigo, um dos primeiros elementos a ter em conta é o da compreensão    do que consideramos participação política, uma discussão que, no seio das ciências    sociais não colhe consenso, segundo Norris (2003). Porém, julgamos antes ser    necessário definir o termo &lsquo;participação&rsquo; que, para além de ser polissémico,    autores como Bordenave (1983, p. 23) consideram que o mesmo significa &ldquo;fazer    parte, tomar parte ou ter parte&rsquo;&rsquo;. O autor prossegue dizendo que de nada adianta    &ldquo;fazer parte&rsquo;&rsquo; sem &ldquo;tomar parte&rdquo;, como, por exemplo, alguém que faz parte de    um grupo, mas não toma parte das decisões do mesmo. Em termos políticos, podemos    afirmar que a participação é vista como &ldquo;o conjunto de actividades individuais    ou colectivas que podem influenciar os governados sobre o funcionamento do sistema    político&rdquo;, como aponta Braud (2014, p. 353). Por outro lado, Nay (2014, p. 419),    afirma que a participação política é</p>     <blockquote>o conjunto de práticas (voto, protesto, activismo e participação em    reuniões públicas), bem como manifestações de interesse (para aprender sobre    política ou falar de política) dos governantes e dos cidadãos em relação aos    assuntos públicos que afectam a comunidade, a região, o Estado ou mesmo toda    a humanidade.</blockquote>     <p>Para nós, a definição de Nay (2014) é interessante, visto que destaca, para    além da votação, o activismo político como uma das formas integradas na participação    política. No campo da ciência política, o voto ainda é reconhecido como a modalidade    essencial de participação política, o que podemos chamar de &ldquo;boa participação&rdquo;.    Porém, nos últimos anos regista-se o surgimento de novas formas de participação    que se materializam em movimentos e organizações sociais, por intermédio de    outras práticas como: realização de greves, boicotes, petições e manifestações    com vista a influenciar os governos, o que podemos chamar de &ldquo;má participação&rdquo;.    Esta tendência é derivada do esgotamento político por parte dos cidadãos e consequente    decepção com o voto como o único mecanismo de participar politicamente, como    aponta Dahlgren (2003). Assim, as redes sociais e outras formas de comunicação    virtual mostram-se como essenciais, porque permitem a troca de informação com    as contrapartes e com uma população desinformada. De acordo com Castells (2001,    p. 9), &ldquo;uma rede é um conjunto de ligações interconectadas – modos de organização    com benefícios extraordinários, porque eles são naturalmente flexíveis e adaptáveis,    qualidades essenciais para sobreviver e prosperar em um ambiente em rápida mudança&rdquo;.    Mais amplamente, uma rede social pode ser uma estrutura social da internet,    em que os elementos são constituídos por organizações ou indivíduos, e cujos    elos representam as interações estabelecidas (político, corporativo, de serviço,    familiar, amigável, de acordo com o interesse e assim por diante). A principal    função de cada rede é, acima de tudo, a comunicação em massa e a transmissão    de conhecimentos que serão examinados em maior detalhe em nossa pesquisa.</p>     <p>Por um lado, autores como Matos (2009) mostram-nos que as redes sociais podem    ser um conjunto de espaços físicos e imateriais, onde os agentes sociais podem    efectivar sua participação no processo de comunicação pública, uma demostração    que interessa estudar no presente artigo. Já Pereira (2011, p. 16) explica que    o potencial da internet concentra-se em</p>     <blockquote>atingir indivíduos que, a princípio sem vinculações políticas às instituições    clássicas de organização da sociedade civil, estejam dispostos, desde que sejam    &lsquo;devidamente&rsquo; convencidos, a participar de acções específicas de protesto, cibernéticas    ou não, que tenham alguma identidade com seus interesses e percepções de mundo.</blockquote>     <p>Destacamos aqui como exemplo que desde a <i>primavera árabe</i><sup><a href="#1" name="top1">[1]</a></sup>,    é cada vez mais recorrente observar que os jovens, em vários cantos do mundo,    têm usado a tecnologia para se mobilizarem em torno das questões que os afectam.    Por um lado, tal como afirma Luvizotto (2016, p. 301), com a internet e as redes    sociais, as formas de comunicação e consumo de informação se modificaram, deixando    de ser unilaterais – marca dos meios de comunicação de massa – e passam a ser    mais participativas e democráticas. Ou seja, a informação circula com maior    fluidez e o seu alcance é amplo, se comparado com outras ferramentas de média.    Para além de diminuir a distância e o custo, a internet (com destaque para as    redes sociais como o Facebook), revolucionou a forma como a comunicação é exercida,    sendo que os actores políticos tentam capitalizar amplamente esse fenómeno,    mesmo considerando os últimos escândalos – como é o caso da Cambridge Analytica    (CA)<sup><a href="#2" name="top2">[2]</a></sup>.</p>     <p>Por outro, as redes sociais dão origem a novas transformações em nossas vidas    diárias, de forma dinâmica, e em constante mudança. Aqui, referimo-nos concretamente    ao fenómeno designado <i>uberização</i>, que é amplamente aclamado pelos jovens    que encontram um espaço ideal e um discurso de rebelião contra o <i>velho mundo</i>    que não dá espaço suficiente para eles, segundo Larrouy (2017, p. 56). Na mesma    dimensão, observa-se o surgimento do chamado &ldquo;jornalismo-cidadão&rdquo;<sup><a href="#3" name="top3">[3]</a></sup>    uma prática que desempenha um papel fundamental para o crescente desenvolvimento    da participação política e cívica dos cidadãos por intermédio de <i>blogs</i>    e fóruns de debate no Facebook, Twitter e em outras plataformas de interacção    (som, escrita, imagem).</p>     <p>Ao longo do artigo, vamos concentrar-nos na análise sobre os contornos da participação    cívica e política da juventude urbana de duas cidades de Moçambique por intermédio    das redes sociais, concretamente o Facebook, num horizonte compreendido de quatro    anos (2014-2017), designadamente, as Cidades de Maputo e da Beira, dois centros    urbanos que marcam o cenário político moçambicano, sendo que a Cidade de Maputo    encontra-se sob governação do partido no poder, Frente de Libertação de Moçambique    – Frelimo, e a cidade da Beira sob gestão do partido da oposição, Movimento    Democrático de Moçambique – MDM. Além desse facto, historicamente, a Cidade    da Beira representa um espaço fervescente do debate político nacional – <i>o    bastião da oposição</i>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A escolha de 2014 como ponto de partida deve-se ao facto de ter sido naquele    ano em que se assistiu a um interesse particular, por parte dos políticos, em    usar as redes sociais como espaço de engajamento aos cidadãos, concretamente    durante a campanha eleitoral para as quintas eleições gerais em Moçambique,    realizadas no dia 15 de Outubro daquele ano. Para a sua efectivação, o presente    estudo observou a realização de uma pesquisa qualitativa coadjuvada pela administração    de entrevistas semiestruturadas – através de grupos focais com jovens de seis    organizações cívicas em Maputo e Beira, bem como a revisão bibliográfica baseada    nos estudos sobre o associativismo juvenil em Moçambique e no debate teórico    sobre participação política e redes sociais. Das organizações envolvidas no    estudo, destaca-se o Parlamento Juvenil de Moçambique - coordenação da Cidade    de Maputo e Beira, e Activista Moçambique e Olho do Cidadão/Txeka, ambas da    Cidade de Maputo. Na Beira, foram entrevistados elementos das Associações Coalizão,    É Possível e AJURIS – Jovens Unidos Rumo à Reintegração Social.</p>     <p>Formalmente, o artigo está dividido em quatro partes, na primeira, apresenta-se    um breve resumo sobre a situação da juventude e governação da internet no espaço    lusófono; na segunda, faz-se a fundamentação teórica que orienta a problematização    do tema; na terceira, procura-se fazer um enquadramento das dinâmicas da participação    política na realidade africana e no caso moçambicano; na quarta e última parte,    avançam-se as principais conclusões desta investigação em forma de pistas de    análise e hipóteses.</p>     <p><b>Breve enquadramento sobre a juventude e a governação da internet no espaço    lusófono</b></p>     <p>Uma das grandes dificuldades metodológicas, quando discutimos sobre a internet,    é a existência de uma divergência acentuada na uniformização dos dados sobre    o acesso à mesma. Porém, no que aos países da CPLP diz respeito, podemos afirmar    que o Brasil e Portugal aparecem como aqueles que se encontram bem posicionados,    dadas as condições económicas e infra-estruturais em comparação com os outros    países da comunidade. Sendo Moçambique o nosso interesse particular, cabe-nos    notar que o acesso à internet situa-se em apenas 18%<sup><a href="#4" name="top4">[4]</a></sup>    do total população (29 milhões de habitantes<sup><a href="#5" name="top5">[5]</a></sup>).</p>     <p>No espaço da CPLP, a realização das Conferências de Governação Electrónica<i>,</i>    constituem um espaço privilegiado em que a discussão de questões ligadas à internet    é tida em conta, tendo a última decorrido em Outubro de 2017, no Brasil. A este    evento junta-se o Fórum da CPLP sobre Cibersegurança<i>,</i> cujo objectivo    é desenvolver uma reflexão em conjunto sobre a segurança da informação nesta    era digital, promovendo a cooperação multilateral entre Estados-membros na área    das telecomunicações, tendo o último encontro sido realizado em Díli, Timor-Leste.</p>     <p>Por outro lado, podemos destacar o surgimento da primeira iniciativa Lusófona    do Fórum de Governação da Internet<sup><a href="#6" name="top6">[6]</a></sup>,    cuja realização teve lugar no segundo trimestre de 2018. Porém, precisamos recuar    para o ano 2014 quando assistimos à aprovação da Declaração NETmundial, no Brasil,    um instrumento que resultou da discussão sobre o papel de vários actores na    governação da internet. Os exemplos acima configuram uma demostração que o espaço    lusófono ganha um maior interesse ao se preocupar não só em debater o futuro    da internet, mas também com o papel de cada actor no processo da sua governação.    Com estas iniciativas, percebe-se que o debate sobre a internet ganha maior    destaque no seio da comunidade, embora, no cômputo geral, os países lusófonos    não figurem como melhores classificados no acesso à internet no mundo.</p>     <p>No que tange à juventude, é preciso reconhecer que o seu estudo não é um exercício    consensual no campo das ciências sociais, sobretudo quando existe uma grande    divergência conceptual sobre a temática. Na vasta literatura consultada, observamos    que ser jovem nem sempre significou o mesmo em todos os momentos, como é destacado    por Muxel (1995), Abbnik (2005) e Galland (2009). Como sublinha Honwana (2012),    a juventude é sobretudo uma construção histórica relacionada principalmente    às transformações que afectam a sua socialização e a educação.</p>     <p>No entanto, cabe-nos sublinhar que não é apenas uma produção histórica, é também    uma produção cultural e institucional, cujos contornos variam de acordo com    as fronteiras nacionais e áreas culturais. Para o nosso estudo, consideraremos    jovem todo aquele indivíduo a partir da faixa dos dezoito anos de idade – a    idade legal para exercer o direito de voto em Moçambique, embora o acesso aos    SNS (Social Networking Sites), regido pela lei federal americana, estabeleça    a idade mínima de 13 anos para aceder ao Facebook, por exemplo. No tocante à    CPLP, nota-se a realização de diferentes iniciativas e plataformas de interacção,    com destaque para o Fórum da juventude da CPLP<i>,</i> de onde emerge a semana    da juventude da CPLP<i>,</i> sendo que a última edição decorreu em Cascais (2017)    sob o lema &ldquo;Investir na Juventude&rdquo;, uma iniciativa que enquadra-se na Carta    da juventude da CPLP (aprovada em Dezembro de 2013, em Salvador, no Brasil)<sup><a href="#7" name="top7">[7]</a></sup>),    a qual afirma no seu preâmbulo:</p>     <blockquote>os Estados membros da CPLP reconhecem os jovens como sujeitos de direitos    e sujeitos políticos, assumem como sua obrigação a promoção dos direitos, das    políticas de inclusão, autonomia e emancipação, o desenvolvimento integral e    o diálogo intergeracional como instrumentos para a afirmação dos jovens e dos    seus projetos de vida. (...) A CPLP considera que os jovens constituem um núcleo    social com características próprias exigindo uma intervenção própria por parte    dos poderes públicos, garantindo a participação dos jovens na tomada de decisões    públicas.</blockquote>     <p>A citação acima mostra, claramente, que existe uma consciência política ao    mais alto nível sobre o papel que a juventude representa no seio da comunidade,    embora variadas vezes seja relegada para o segundo plano pelos governantes,    uma temática que iremos discutir na terceira parte do artigo.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Participação política (online) e suas limitações</b></p>     <p>Em um estudo realizado sobre activismo, participação política e internet, Luvizotto    (2016, p. 302), explica que a internet e as redes sociais possibilitam uma nova    compreensão e sentido para a participação, para a democracia, para o activismo    e para as identidades colectivas. Essa ideia é corroborada por Vedel (2011,    p. 73), que afirma que &ldquo;nas últimas duas décadas, a internet mudou muitos aspectos    do nosso quotidiano, e a política não escapou dessas transformações. Seja para    informar, discutir notícias, participar de certas acções colectivas (como assinar    uma petição), muitas vezes usamos ferramentas digitais&rdquo;. Essas abordagens nos    convidam a pensar na internet como uma ferramenta de mudança marcada por uma    evolução permanente. Não podemos imaginar o futuro sem ela, pois, a sua mudança    é volátil e transforma as relações humanas de forma substancial.</p>     <p>Enquanto isso, Mabi e Theviot (2014, p. 5), afirmam que &ldquo;a multiplicação de    dispositivos participativos mobilizando ferramentas digitais atraiu rapidamente    o interesse de pesquisadores, produzindo uma importante literatura sobre a relação    entre a internet e a política, particularmente em termos de participação cívica&rdquo;.    Esta afirmação pode sugerir que os novos media reduzem a distância entre os    líderes políticos e os seus eleitores, e é por essa razão que em Moçambique,    regista-se uma tendência de adoptar novas tecnologias para se comunicar com    os cidadãos. Ao nível mais alto da política moçambicana, um exemplo notável    foi a decisão de Julho de 2017 do Presidente da República de Moçambique, Filipe    Nyusi, em abrir um espaço na sua página do Facebook para interagir com os usuários    com o formato de perguntas e respostas, um exercício visto como forma de captar    as sensibilidades da juventude naquele espaço.</p>     <p>Em um artigo sobre a mobilização de jovens brasileiros em São Paulo para o    transporte público, De Melo (2013) apontava que em países onde a pluralidade    dos meios de comunicação não é garantida, a expansão da internet é uma vantagem,    especialmente para jovens democracias como é o caso do Brasil, onde a internet    pode se tornar um instrumento que promove o exercício da cidadania. Em Moçambique,    um país que historicamente possui um passado de repreensão política devido à    existência de partido único ou partido-Estado, o uso da internet tem aumentando    a cada ano nas cidades, mas também nas áreas rurais, havendo assim um uso abrangente    para expressar opiniões sobre vários tópicos e especialmente para influenciar    decisões políticas, sendo que na Cidade de Maputo se encontra o maior número    de usuários.</p>     <p>Contudo, é preciso sublinhar que as redes sociais não substituem a prática    política quotidiana, como é o caso do voto. Assim, consideramos que &ldquo;fazer política&rdquo;    na esfera da comunicação virtual tem seus limites, pois, as redes sociais não    são um fim em si, mas um instrumento. Por exemplo, Monnoyer-Smith (2011) aponta    que cada nova tecnologia de comunicação traz uma novidade aos usuários e pode    ser usada para diversos fins, de acordo com cada pessoa. Esta afirmação não    pode ser entendida como um elemento isolado da realidade, porque toda nova tecnologia    é implantada em uma sociedade específica e com uma configuração social, política    e económica diferente, ou seja, devemos entender essa evolução em sede do contexto    em que vamos estudá-la, e Moçambique não é excepção.</p>     <p>Naquilo que Morozov (2011) chama &ldquo;net desilusion&rsquo;&rsquo;, mostra que as redes sociais    estão longe de constituir espaços de consenso sobre a participação e mobilização    política, pois não basta o seu acesso, torna-se importante dominar o uso, pois,    quanto mais acesso se têm, vários países e dirigentes políticos preparam-se    para controlar ou limitar o uso dessas redes sociais como instrumentos de participação    política. Em um estudo sobre a juventude britânica e o uso da internet, Gerodimos    (2008) demonstrou que existe um modelo na interação <i>top-down</i> dos jovens    por intermédio dos websites cívicos<i>,</i> o que desencoraja a participação    online e cria sentimentos de desamparo.</p>     <p>Ainda no campo das limitações, Loader (2011, p. 759), sublinha que &ldquo;munidos    com media sociais, os cidadãos não precisam mais ser consumidores passivos de    propaganda política, informações governamentais ou informações de massa, mas    podem partilhar perspectivas alternativas e publicar suas histórias, suas próprias    opiniões&rdquo;. No entanto, o mesmo autor afirma que hoje, o impacto mais óbvio das    redes sociais sobre a democracia pode ter sido a sua capacidade de &ldquo;perturbar    as práticas e instituições políticas tradicionais&rdquo;, para as quais é claramente    necessário evitar optimismo utópico sobre a existência de uma &ldquo;democracia digital&rdquo;.</p>     <p>Essas observações nos fazem pensar em duas grandes questões: (1) a real capacidade    mobilizadora das redes sociais, pois, se falamos sobre a participação política    online da juventude urbana, é necessário aferir até que ponto essas redes sociais    são um acto de inclusão, sobretudo em duas cidades marcadas pelo acesso desigual    a recursos, como é o caso de Maputo e da Beira; e (2) até que ponto as redes    sociais podem ser consideradas como um instrumento de libertação ou intimidação    política pelos governos, visto que há registo de tendências repreensivas contra    vozes que se levantam contra a governação vigente no país.</p>     <p><b>Juventude participava, mas esquecida pelo poder político: a narrativa africana    e o caso de Moçambique</b></p>     <p>Segundo Mbembe (1985, p. 19), para a maioria dos Estados africanos, os jovens    são &ldquo;a ponta de lança da nação&rdquo;, &ldquo;a garantia mais segura para o futuro&rdquo;, &ldquo;o    futuro no presente&rdquo;. Esse é um discurso amplamente usado em vários países e    revela uma homogeneização do Estado que se recusa a reconhecer a pluralidade    das condições em que vivem os jovens. Ou seja, vários Estados apontam, às vezes,    para culpar, ameaçar ou adiar, ou às vezes, para bajular a juventude, usando    registos do futuro para colocar os jovens como as esperanças de amanhã. Anteriormente,    esses jovens foram percebidos como um grupo sensível a qualquer coisa que pudesse    levar à desestabilização do Estado.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A tendência de politizar a juventude moçambicana esteve quase sempre presente    nas declarações do primeiro presidente de Moçambique independente, Samora Machel,    proferindo, na mesma época em que se criou a Organização da Juventude Moçambicana    (OJM), a 29 de novembro de 1977, que a juventude constituía a &ldquo;seiva da nação&rsquo;&rsquo;,    uma amostra que revela a importância histórica que há muito tempo tem sido dada    à juventude como um actor crucial na construção do país, sublinha Biza (2009).    Recentemente, falando numa reunião do partido Frelimo (25 de Março de 2018),    Filipe Nyusi, presidente deste partido que é, ao mesmo tempo, o Presidente da    República, disse que os jovens devem estar atentos:</p>     <blockquote>para acelerar a criação do bem-estar dos jovens, identificamos como    necessidades essenciais e imediatas: educação e formação, acesso à saúde, habitação    decente, emprego. (...) Afirmamos que o jovem moçambicano não pode continuar    com medo ou alimentado por promessas imaginárias por parte de forças que nunca    fizeram nada por elas. Essas forças pretendem impressioná-las ou manipulá-las<sup><a href="#8" name="top8">[8]</a></sup>.</blockquote>     <p>Porém, em Moçambique, a realidade nos revela que a juventude encontra-se numa    situação de &ldquo;marginalização permanente&rdquo; (Parlamento Juvenil de Moçambique, 2014),    sendo que a sua representatividade política continua diminuta nos órgãos de    decisão do país, embora constitua a maioria da população total do país. Por    exemplo, ao nível da Assembleia da República, observamos que dos 250 deputados,    apenas 40 (16%) é que foram eleitos para a qualidade de Deputados com idade    igual ou abaixo dos 35 anos, segundo nos revelou o Gabinete da Juventude Parlamentar    de Moçambique<sup><a href="#9" name="top9">[9]</a></sup>.</p>     <p>Face a esta situação de aparente abandono político, como refúgio, a juventude    encontra nas redes sociais um espaço fértil para o exercício da sua cidadania,    visto que o modelo por intermédio da votação e representação política encontra-se    em crise. Junta-se a este facto, o elevar da abstenção que não é necessariamente    sinónimo de indiferença, mas sim uma transmissão de desconfiança, protesto e    descontentamento – uma mensagem política. Por exemplo, em Moçambique, a participação    dos eleitores durante as primeiras eleições de 1994 (88%) foi substituída nos    últimos anos por indiferença e apatia. Por outras palavras, mais de metade dos    eleitores registados ignorou as eleições de 2009 (56%) e 2014 (52%), das quais    as cidades de Maputo e Beira não são excepção<sup><a href="#10" name="top10">[10]</a></sup>.</p>     <p>Autores como Tournier (2009, p. 17), enfatizam que essa abstenção entre os    jovens decorre, em primeiro lugar, de sua situação social. Por seu turno, Galland    (2009, p. 45) afirma que há uma desconfiança dos jovens para a política baseada    essencialmente na sensação de que os políticos estão totalmente desconectados    das realidades quotidianas dos cidadãos. Além disso, Coleman (2005) afirma que    não são os jovens que estão desconectados da política, mas as instituições políticas    que estão longe desses jovens. Estes jovens, através de práticas como as redes    sociais, constroem sua própria cultura de participação online. Ou seja, as modalidades    tradicionais de participação política da juventude tendem a ser rejuvenescidas    com o uso das redes sociais.</p>     <p><b>Redes sociais como alternativa para a participação política da juventude    em Moçambique: os casos de Maputo e da Beira</b></p>     <p>Ao longo dos últimos 10 anos, observamos que Moçambique vive uma dinâmica política    marcada pela renovação da paisagem política no meio urbano com a ascensão ao    poder pela oposição nas chamadas &ldquo;cidades mais influentes do país&rdquo;, designadamente    Beira e Quelimane (centro) e Nampula (norte), que hoje estão sob a presidência    do Movimento Democrático de Moçambique (MDM) e do partido Renamo, respectivamente.    O ambiente urbano, em Moçambique, tem sido foco de várias manifestações populares,    com destaque para o ano de 2010 na cidade Maputo, com a realização da &ldquo;revolta    contra o custo de vida&rdquo;, um momento marcante que abriu uma nova página na história    das mobilizações colectivas em Moçambique (Chaimite, 2014).</p>     <p>Desde então, temos notado uma evolução do uso de vários espaços de participação    para expressar uma opinião sobre diferentes assuntos concretos no quotidiano    de Moçambique, uma tendência que contribuiu para o uso de tecnologias de informação    e comunicação, com destaque para as redes sociais. De forma concreta, observamos    imagens de jovens que se unem para protestar através do uso de <i>hashtags</i>    pelo Twitter, Facebook e outras plataformas de redes sociais. O Facebook<i>,</i>    em Moçambique, representa, de forma recorrente, um espaço galvanizador do engajamento    da juventude, uma rede de dois milhões de utilizadores activos por mês<sup><a href="#11" name="top11">[11]</a></sup>    (Figura <a href="#f1">1</a>). Segundo Alexa (2018), o primeiro site mais visitado    pelos moçambicanos é o Google, seguido pelo YouTube e pelo Facebook.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f1"></a> <img src="/img/revistas/csoc/v34/v34a09f1.jpg"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Considerando que apenas 18% da população possui acesso à internet<sup><a href="#12" name="top12">[12]</a></sup>    (Figura <a href="#f2">2</a>) em Moçambique, importa referir que a televisão    continua sendo o meio mais confiável para o acesso à informação, pois, de forma    recorrente, os usuários buscam informação na internet, mas dão credibilidade    após a sua certificação em um meio tradicional – canal de televisão ou rádio,    segundo Raposo (2012). Esta realidade permite-nos entender em que dimensão devemos    analisar a contribuição das redes sociais como espaços de práticas de participação    política em uma sociedade marcada por uma desigualdade em termos de acesso e    uso de novas tecnologias da informação e comunicação, bem como nos alerta para    a necessidade de termos um olhar crítico sobre as mesmas redes.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f2"></a> <img src="/img/revistas/csoc/v34/v34a09f2.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Por um lado, a expansão exponencial no uso de redes sociais com serviços como    Free Facebook<sup><a href="#13" name="top13">[13]</a></sup> é fundamental para    entender como esse crescimento tem trazido mudanças reais para a forma de participação    na esfera política de Moçambique. Por outro lado, deve-se enfatizar que existe    uma grande divergência geográfica entre as cidades em termos do desenvolvimento    de infra-estruturas de provisão de serviços de internet, o que influencia de    forma substancial a qualidade da mesma. Um dos casos de protestos sociais que    teve o seu epicentro com o uso de redes sociais como ferramentas de mobilização    foi a manifestação realizada na cidade de Maputo, a 31 de Outubro de 2013, contra    a insegurança pública, um acto que contou com uma participação de mais de 10    mil pessoas.</p>     <p>Outro exemplo de destaque foi a manifestação de 16 de Março de 2014, convocada    por um grupo do Facebook intitulado Representantes de Luxo, cujo objectivo era    de reivindicar contra as <i>benesses</i> dos Deputados da Assembleia da República.    Ainda em 2014, durante a greve dos médicos (20 de Maio), a Associação dos Médicos    de Moçambique utilizou o Facebook para publicar os seus comunicados de imprensa,    tendo a detenção de Jorge Arroz, presidente da Associação de Médicos, sido anunciada    primeiramente na página do <i>Jornal@Verdade</i> no Facebook<sup><a href="#14" name="top14">[14]</a></sup>    e, posteriormente, popularizada por outros meios de comunicação. Como resultado,    registou-se a mobilização de mais de seiscentas pessoas para a esquadra da polícia    para exigir a libertação do médico.</p>     <p>Já em 2015, as redes sociais voltaram a ser o epicentro da mobilização para    uma manifestação contra o assassinato de um professor universitário no centro    da Cidade de Maputo, bem como para a realização da &lsquo;&rsquo;marcha popular pela paz&rsquo;&rsquo;,    realizada em 2016. Estes exemplos revelam que as redes sociais começaram a constituir    um campo de pressão, embora os políticos não tivessem, naqueles anos, a real    dimensão dessa importância, a avaliar pela forma como reagiram – com espanto    e chamando as redes sociais de &ldquo;fábricas de sonhos inalcançáveis&rdquo;, como afirmara    o então Presidente da República de Moçambique, Armando Guebuza.</p>     <p>Um exemplo notável, no campo político moçambicano, foi a decisão, em Julho    de 2017, do Presidente da República de Moçambique, Filipe Nyusi, em abrir um    espaço na sua página do Facebook<sup><a href="#15" name="top15">[15]</a></sup>    para interagir com os usuários da sua página num formato &lsquo;perguntas e respostas&rsquo;.    Por outro lado, Alcinda de Abreu, membro do <i>bureau</i> político do partido    Frelimo, falando numa conferência realizada em 29 de Novembro de 2017, por ocasião    do 40º aniversário da Organização da Juventude de Moçambique, disse que o maior    desafio da juventude de hoje é saber como usar as redes sociais para o acesso    à informação e conhecimento, com o objectivo de desenvolver o país. Ainda em    2017, o presidente moçambicano convidou alguns jovens internautas ao palácio    presidencial para uma interacção <i>tête-à-tête</i>, acto que repetiu já em    2018 durante uma visita de trabalho realizada na Província de Inhambane, Sul    de Moçambique.</p>     <p>De maneira geral, durante a nossa pesquisa, observamos que existem diferenças    substanciais entre o entendimento sobre a participação da juventude nas redes    sociais nas duas cidades. Enquanto em Maputo a juventude apresenta-se com alguma    relativa liberdade para se expressar, na cidade da Beira constatamos que a apatia    reina no seio da juventude, um elemento que é agravado pelas fortes desigualdades    que se registam entre os bairros da mesma cidade.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Por exemplo, Jackson Timóteo, um dos nossos entrevistados na Beira, membro    da Associação É Possível<i>,</i> referiu que a cultura de participação política    varia de acordo com o bairro de residência e nível de escolaridade de cada jovem,    tendo feito referência a Munhava e Macute, dois bairros residenciais onde as    competências e qualidade de formação escolar dos jovens são diferentes, o que    segundo ele influencia na forma como estes encaram e reagem aos problemas sociais    e políticos:</p>     <blockquote>se hoje queremos reivindicar alguma coisa, é mais fácil ir para Munhava    do que ir para Macute. Aqueles que possuem mais necessidades vivem em Munhava    e necessitam de ser ouvidos por quem de direito de acordo com suas necessidades    – várias manifestações são feitas em Munhava e algumas são convocadas pelas    redes sociais<sup><a href="#16" name="top16">[16]</a></sup>.</blockquote>     <p>Ainda na Cidade da Beira, Benedito Pequenino, coordenador da AJURIS fez notar    que a entrada de um novo partido político, o Movimento Democrático de Moçambique    - MDM, na governação municipal daquela cidade motivou a participação política    dos jovens em questões locais, pois estes passaram a perceber que existe espaço    para uma alternativa política, o que de igual forma trouxe abertura para a aceitação    de novas ideias. </p>     <p>Concernente à Cidade de Maputo, Cídia Chissungo, do Activista Moçambique referiu    que os jovens de Maputo pouco participam por intermédio das redes sociais devido    ao percurso histórico e político do próprio país, pois acredita-se que aqueles    que mais questionam os dirigentes estão tendencialmente expostos a perder oportunidades    diversas, por essa razão &ldquo;estão habituados a menos questionar e a ser bem-educados&rdquo;<sup><a href="#17" name="top17">[17]</a></sup>.    Porém, tal como na Beira, Alexandre Nhampossa, do Olho do Cidadão-Txeka<i>,</i>    revelou que na Cidade de Maputo também existe uma diferenciação de participação    em função da zona de residência:</p>     <p>na área urbana, existe uma maneira diferente de pensar e agir. Por exemplo,    os jovens podem fazer a diferença através de movimentos sociais e até organizar    manifestações usando o Facebook, mas se entrarmos na área sub-urbana, veremos    que os jovens são indiferentes a essas situações<sup><a href="#18" name="top18">[18]</a></sup>.</p>     <p>Voltando para 2014, ano em que se realizaram as últimas eleições gerais em    Moçambique, tanto os jovens de Maputo, como os da Beira, foram unânimes em afirmar    que as redes sociais representaram um &ldquo;ponto de viragem&rdquo; para o seguimento das    acções dos actores políticos (partidos e candidatos), mas esta acção não teve    um impacto substancial na sua decisão final de voto. Ou seja, apesar de terem    acompanhado algumas realizações por intermédio das redes sociais (campanha eleitoral),    as redes sociais não foram capazes de ser ferramentas mobilizadoras para votar    ou para formar a opinião de voto, visto que a decisão de votar (ou não) já estava    previamente tomada. Ademais, a partir do nosso estudo foi possível notar que    possuir uma conta em uma rede social não é sinónimo de aumento da participação    política, mas pode ser o contrário como vários autores críticos sobre participação    política online afirmam. Os mesmos consideram que há uma visão utópica de &ldquo;mais    internet é igual a mais democracia&rdquo; – o que chamaríamos de <i>miragem democrática</i>.</p>     <p>Outro elemento de destaque alia-se com a qualidade do próprio debate que se    registou no seio das redes sociais, tendo sido afirmado que o que se assistiu    em 2014 foi o acentuar da polarização de opinião e actos de ataques verbais    entre simpatizantes, membros e militantes dos partidos políticos concorrentes,    bem como a inexistência de feedback por parte dos actores políticos nos espaços    que foram criados para tal interacção durante aquele acto eleitoral, facto que    pode ser comprovado com o total abandono de algumas páginas nas redes sociais    depois das eleições.</p>     <p>Os jovens das duas cidades notam, com alguma satisfação, que de 2014 a 2017    tenha existido alguma evolução no uso das redes sociais como espaços de participação    política, embora prevaleça a apatia generalizada que caracteriza-se pelo &ldquo;reclamar    dentro da caixa&rdquo;, ou seja, a juventude protesta somente nas redes sociais, mas    inexiste uma acção enérgica para exprimir a sua vontade desde a última manifestação    realizada em 2016 contra o conflito armado em Moçambique. O ano de 2017 não    registou nenhuma acção de protesto assinalável.</p>     <p>Como resultado da nossa interacção nas Cidades de Maputo e Beira foi possível    perceber que quem mais se engaja nas redes sociais são aqueles que já eram,    de certa forma, activos no espaço offline ou que possuíam alguma ligação com    uma organização cívica ou uma rede de amigos também activa. Essa tendência é    derivada ao elevado nível de desconfiança que se instalou na juventude em relação    aos actores políticos nacionais que são vistos como os responsáveis pela situação    social degradante em que a juventude urbana se encontra.</p>     <p>Em última análise, a elaboração deste artigo emerge numa época em que Moçambique    será palco de eleições autárquicas, sendo que Maputo e Beira voltam a ser os    centros urbanos de maior destaque com os actores políticos a prepararem todo    o tipo de estratégias para maximizar positivamente o uso das redes sociais como    verdadeiros espaços de engajamento político, visto que, de forma recorrente,    os jovens encontram nos media digitais um espaço fértil para exprimir a sua    opinião e os actores políticos (partidos políticos) não querem se excluir desses    espaços.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>À guisa de conclusão</b></p>     <p>Falar sobre o uso de redes sociais no espaço urbano pela juventude moçambicana    é, em primeiro lugar, considerar que analisamos uma população que representa    a maioria dos cerca de 29 milhões de habitantes<sup><a href="#19" name="top19">[19]</a></sup>,    sendo que cerca de 60% é jovem – com idade compreendida entre 18 e 25 anos.    Em segundo plano, notamos que a juventude moçambicana está presente nas cidades,    mas também nas zonas rurais. Ao todo, uma juventude frequentemente considerada    como a &ldquo;seiva da nação&rdquo; pelo discurso político moçambicano (Samora Machel, 1977).    Entre a apatia e a falta de uma visão comum, é essa juventude que hoje está    no centro da mudança da <i>paisagem política</i>, utilizando as redes sociais    como espaços de participação e mobilização política, concretamente nas &ldquo;grandes    cidades&rdquo;, como são os casos de Maputo, Beira, Quelimane e Nampula.</p>     <p>No entanto, a acentuada desigualdade entre essas cidades em termos de acesso    às infra-estruturas de uso da internet, representa um elemento que merece uma    atenção especial ao analisar esse tema. Em conexão com essa questão, verifica-se    de forma recorrente a disseminação e circulação de notícias falsas (<i>fake    news</i>) sobre vários assuntos, bem como o surgimento de um sistema repressivo    e autoritário contra as chamadas vozes protestantes contra o regime do partido    no poder.</p>     <p>Um dos pontos a considerar nesta conclusão é o debate em torno da compreensão    da expressão &ldquo;ser jovem&rdquo;, um elemento que discutimos ao longo do artigo e demonstramos    que não existe um consenso no campo das ciências sociais. A partir do nosso    intercâmbio com o público-alvo e da literatura existente, podemos afirmar que    ser jovem não é essencialmente uma questão de idade determinada simplesmente    por legislação específica de um país, mas é acima de tudo uma condição social    e espiritual. Por outro lado, observamos que a determinação de ser jovem é condicionada    pelo <i>status</i> de vida de cada individuo no seu ambiente social, político    ou económico, uma realidade que também determinará como esse mesmo jovem vai    se empenhar no uso das redes sociais como espaços de participação política.</p>     <p>Deve ser enfatizado que, apesar do entusiasmo criado pelas redes sociais em    Moçambique, os jovens permanecem como os &ldquo;conectados abandonados&rdquo;, são esses    jovens que representam na sua globalidade a face do desemprego urbano e a precariedade    social e económica em Moçambique. Esses mesmos jovens estão nas cidades, mas    também nas áreas rurais e usam as redes para &ldquo;reclamar sem mostrar o rosto&rdquo;    e &ldquo;sem sair da rede&rdquo;. A esta situação acrescenta-se a individualização das acções    que dizem respeito à juventude moçambicana, não há uma missão partilhada sobre    os problemas e as necessidades desta camada social, e em último, as desigualdades    sociais, económicas e políticas entre jovens da mesma cidade é outro factor    que enfraquece a sua mobilização. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Referências bibliográficas</b></p>     <!-- ref --><p>Abbink, J. (2004). <i>Being young in Africa: the politics of despair and renewal</i>.    Amesterdão: Brill.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2009045&pid=S2183-3575201800020000900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Biza, A. (2009). <i>Associações juvenis, Estado e política em Moçambique. Da    herança aos novos desafios</i>. Conferência inaugural do IESE,    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2009047&pid=S2183-3575201800020000900002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> Maputo.</p>     <!-- ref --><p>Bordenave, J. (1983). <i>O que é participação</i>. São Paulo: Brasiliense.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2009049&pid=S2183-3575201800020000900003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Bordes, V. (2004). L&rsquo;alternative jeunesse. <i>Agora deÏbats/jeunesses</i>,    <i>36</i>, 118-119. Retirado de <a href="http://www.persee.fr/doc/agora_1268-5666_2004_num_36_1_2183_t13_0118_0000_1" target="_blank">www.persee.fr/doc/agora_1268-5666_2004_num_36_1_2183_t13_0118_0000_1</a></p>     <!-- ref --><p>Braud, P. (2014). <i>Sociologie politique</i>. Paris: LDGJ.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2009052&pid=S2183-3575201800020000900005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Castells, M. (2001).    <i>La galaxie internet</i>. Paris: Fayard.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2009053&pid=S2183-3575201800020000900006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Chaimite, E. (2017). Das revoltas às marchas: emergência de um repertório de    acções collectivas em Moçambique. In L. Brito (Ed.), <i>Agora eles tem medo    de nós!</i> (pp. 83-98). Maputo<i>:</i> IESE.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2009055&pid=S2183-3575201800020000900007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Coleman, S. (2005). <i>Remixing citizenship: democracy and young people&rsquo;s use    of the internet. Research report.</i> Londres: Carnegie Young People Initiative.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Dahlgren, P. (2012). Web et participation politique: quelles promesses et quels    pièges? <i>Questions de communication</i>, <i>21</i>, 13-24. Retirado de <a href="https://journals.openedition.org/ questionsdecommunication/6545" target="_blank">https://journals.openedition.org/    questionsdecommunication/6545</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2009058&pid=S2183-3575201800020000900009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>De Melo, M. (2013, 13 de novembro). <i>Faire de la politique à l&rsquo;ère de l&rsquo;activisme    en ligne</i> [Post em blogue]. Retirado de <a href="https://blogs.mediapart.fr/marilza-de-melo-foucher/blog/131113/faire-de-la-politique-l-ere-de-l-activisme-en-ligne" target="_blank">https://blogs.mediapart.fr/marilza-de-melo-foucher/blog/131113/faire-de-la-politique-l-ere-de-l-activisme-en-ligne</a></p>     <!-- ref --><p>Galland, O. (2009). <i>Les jeunes</i>. Paris: La Découverte.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2009060&pid=S2183-3575201800020000900011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Gerodimos, R. (2008). Mobilising young citizens in the UK: a content analysis    of youth and issue websites. <i>Information, Communication &amp; Society</i>,    <i>11</i>(7), 964-988. DOI: 10.1080/13691180802109014&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2009062&pid=S2183-3575201800020000900012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Honwana, A. (2012). <i>The time of youth: work, social change and politics    in Africa</i>. Londres: Kumarian Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2009063&pid=S2183-3575201800020000900013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Larrouy, P. (2017). <i>Ubérisation: utopie et tyrannie</i>. Paris: Uppr Éditions.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2009065&pid=S2183-3575201800020000900014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Loader, B. &amp; Mercea, D. (2011). Networking democracy? <i>Information, Communication    &amp; Society, 14</i>(6), 757-769. DOI: 10.1080/1369118X.2011.592648&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2009067&pid=S2183-3575201800020000900015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Luvizotto, C. (2016). Cidadania, ativismo e participação na internet: experiências    brasileiras. <i>Comunicação e Sociedade</i>, <i>30</i>, 297-312. DOI: 10.17231/comsoc.30(2016).2499&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2009068&pid=S2183-3575201800020000900016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Mabi, C. &amp; Theviot, A. (2014). La rénovation par le web? Dispositifs numériques    et évolution du militantisme au PS. <i>Participations</i>, <i>8</i>, 97-126.    DOI: 10.3917/parti.008.0097&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2009069&pid=S2183-3575201800020000900017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Matos. H. (2008). Engagement civique et participation politique: controverses    sur les TICs et le déclin du capital social. <i>Les Enjeux de l&rsquo;information    et de la communication</i>, <i>1</i>, 57-71. Retirado de <a href="http://www.cairn.info/article.php?ID_ARTICLE=ENIC_008_0500" target="_blank">http://www.cairn.info/article.php?ID_ARTICLE=ENIC_008_0500</a></p>     <p>Mbembe, A. (1985). <i>Les jeunes et l&rsquo;ordre politique en Afrique noire</i>.    Paris: L&rsquo;Harmattan.</p>     <p>Monnoyer-Smith, L. (2011). La participation en ligne, révélateur d&rsquo;une évolution    des pratiques politiques?. <i>Participations</i>, <i>1</i>, 156-185. DOI: 10.3917/parti.001.0156</p>     <!-- ref --><p>Morozov, E. (2011). <i>The net delusion: the dark side of internet freedom</i>.    Nova Iorque: Public Affairs Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2009073&pid=S2183-3575201800020000900021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Muxel, A. (1996). <i>Les jeunes et la politique</i>. Paris: Hachette Livre.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2009075&pid=S2183-3575201800020000900022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Nay, O. (2014). <i>Lexique de science politique, vie et institutions politiques</i>.    Paris: Dalloz.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2009077&pid=S2183-3575201800020000900023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Norris, P. (2003). Preaching to the converted? Pluralism, participation and    party websites. <i>Party Politics</i>, <i>9</i>(1), 21-45. DOI: 10.1177/135406880391003&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2009079&pid=S2183-3575201800020000900024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Parlamento Juvenil de Moçambique (2014). <i>Juventude e participação política    em Moçambique</i>. Maputo: Parlamento Juvenil de Moçambique.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2009080&pid=S2183-3575201800020000900025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Pereira, M. A. (2011). Internet e mobilização política - os movimentos sociais    na era digital. <i>Anais do IV Encontro da Associação Brasileira de Pesquisadores    em Comunicação e Política</i>. Retirado de <a href="http://www.compolitica.org/home/wp-content/uploads/2011/03/Marcus-Abilio.pdf" target="_blank">http://www.compolitica.org/home/wp-content/uploads/2011/03/Marcus-Abilio.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2009082&pid=S2183-3575201800020000900026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Raposo, E. (2012). A centralidade das redes sociais no acesso ao Estado pelos    cidadãos. <i>Debates – Boletim Informativo do Centro de Estudos Inter-Disciplinares    de Comunicação</i>, <i>1</i>(1), 4-6.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2009083&pid=S2183-3575201800020000900027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Tournier, V. (2009). Comment le vote vient aux jeunes. L&rsquo;apprentissage de la    norme électorale. <i>Agora deÏbats/ jeunesses</i>, 51, 79-96. DOI: 10.3917/agora.051.0079</p>     <p>Vedel, T (2011). Chapitre 5 - L&rsquo;internet et la démocratie: une liaison difficile.    In P. Perrineau &amp; L. Rouban (Eds.), <i>La deÏmocratie de l&rsquo;entre-soi</i>    (pp. 73-88). Paris: Presses de Sciences Po (P.F.N.S.P.).</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Nota biográfica</b></p>     <p>Dércio Tsandzana é licenciado em Administração Pública pela Universidade Eduardo    Mondlane, Moçambique. Mestre em Ciência Política pelo IEP Sciences Po Bordeaux,    França, sendo que actualmente é doutorando em Ciência Política na mesma Universidade.</p>     <p>Email: <a href="mailto:dercio.adpub@gmail.com">dercio.adpub@gmail.com</a></p>     <p>Morada: Domaine Universitaire, 10 Rue Robert Escarpit, 33600 Pessac, França</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>* Submetido: 19.05.2018</b></p>     <p><b>* Aceite: 20.07.2018</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Notas</b></p>     <p><sup><a href="#top1" name="1">[1]</a></sup> Foi uma onda revolucionária de    manifestações e protestos que ocorreram no Médio Oriente e no Norte da África    a partir de 18 de Dezembro de 2010. De forma concreta houve revoluções na Tunísia    e no Egipto.</p>     <p><sup><a href="#top2" name="2">[2]</a></sup> Em 2016, a CA trabalhou para a    campanha presidencial de Donald Trump e também para a do Brexit, visando a saída    do Reino Unido da União Europeia.</p>     <p><sup><a href="#top3" name="3">[3]</a></sup> Ver o movimento Olho do Cidadão-Txeka    em Moçambique, constituído por jovens bloguistas que usam as redes sociais para    monitorar a governação.</p>     <p><sup><a href="#top4" name="4">[4]</a></sup> Retirado de <a href="https://hootsuite.com/pt/pages/digital-in-2018" target="_blank">https://hootsuite.com/pt/pages/digital-in-2018</a></p>     <p><sup><a href="#top5" name="5">[5]</a></sup> De acordo com informação do INE    – Instituto Nacional de Estatísticas de Moçambique, 2017, disponível em <a href="http://www.ine.gov.mz/" target="_blank">http://www.ine.gov.mz/</a></p>     <p><sup><a href="#top6" name="6">[6]</a></sup> Trata-se do IGF – Lusofonia, Fórum    de Governação da Internet, disponível em <a href="http://igf-lusofonia.pt/" target="_blank">http://igf-lusofonia.pt/</a></p>     <p><sup><a href="#top7" name="7">[7]</a></sup> Retirado de <a href="https://goo.gl/u2E99B" target="_blank">https://goo.gl/u2E99B</a></p>     <p><sup><a href="#top8" name="8">[8]</a></sup> Excerto de uma reportagem da STV,    retirado de <a href="http://www.youtube.com/watch?v=2MbQW2yKSo8" target="_blank">https://www.youtube.com/watch?v=2MbQW2yKSo8</a></p>     <p><sup><a href="#top9" name="9">[9]</a></sup> Informação recolhida em conversa    com o Gabinete da Juventude parlamentar de Moçambique, em 2018.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top10" name="10">[10]</a></sup> Os dados da abstenção foram    obtidos através do que foi produzido pelos órgão de administração e gestão eleitorais    em Moçambique.</p>     <p><sup><a href="#top11" name="11">[11]</a></sup> Informação retirada de <a href="https://hootsuite.com/pt/pages/digital-in-2018" target="_blank">https://hootsuite.com/pt/pages/digital-in-2018</a></p>     <p> <a href="https://hootsuite.com/pt/pages/digital-in-2018" target="_blank"><sup></sup></a><sup><a href="#top12" name="12">[12]</a></sup>    Informação retirada de <a href="https://hootsuite.com/pt/pages/digital-in-2018" target="_blank">https://hootsuite.com/pt/pages/digital-in-2018</a></p>     <p> <a href="https://hootsuite.com/pt/pages/digital-in-2018" target="_blank"><sup></sup></a><sup><a href="#top13" name="13">[13]</a></sup>    Serviço implementado pela rede de telefonia móvel mCel com o apoio do Facebook.</p>     <p><sup><a href="#top14" name="14">[14]</a></sup> Disponível em <a href="http://www.facebook.com/JornalVerdade/" target="_blank">https://www.facebook.com/JornalVerdade/</a></p>     <p><sup><a href="#top15" name="15">[15]</a></sup> Disponível em <a href="http://www.facebook.com/NyusiConfioemti/" target="_blank">https://www.facebook.com/NyusiConfioemti/</a></p>     <p><sup><a href="#top16" name="16">[16]</a></sup> Excerto da entrevista a Jackson    Timóteo, realizada no dia 9 de Janeiro de 2017, na Cidade da Beira.</p>     <p><sup><a href="#top17" name="17">[17]</a></sup> Excerto da entrevista a Cídia    Chissungo, realizada no dia 9 de Janeiro de 2017, na Cidade de Maputo.</p>     <p><sup><a href="#top18" name="18">[18]</a></sup> Excerto da entrevista a Alexandre    Nhampossa, realizada no dia 4 de Janeiro de 2017, na Cidade de Maputo.</p>     <p><sup><a href="#top20" name="20">[20]</a></sup> Informação do INE – Instituto    Nacional de Estatísticas de Moçambique, 2017, disponível em <a href="http://www.ine.gov.mz/" target="_blank">http://www.ine.gov.mz/</a></p>     ]]></body>
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