<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>2183-3575</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Comunicação e Sociedade]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Comunicação e Sociedade]]></abbrev-journal-title>
<issn>2183-3575</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade - Universidade do Minho]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S2183-35752019000100003</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.17231/comsoc.0(2019).3060</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Biografias de aprendizagem num espaço europeu de mediação social]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Learning biographies in a European space for social mediation]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Evans]]></surname>
<given-names><![CDATA[Rob]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Otto-von-Guericke-Universität English Department Language Centre]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
<country>Alemanha</country>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>28</day>
<month>06</month>
<year>2019</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>28</day>
<month>06</month>
<year>2019</year>
</pub-date>
<volume>spe2019</volume>
<fpage>53</fpage>
<lpage>70</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S2183-35752019000100003&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S2183-35752019000100003&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S2183-35752019000100003&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Dentro da estrutura de um projeto Erasmus+ europeu, foram entrevistados mediadores estagiários sobre a sua experiência. Os contactos realizaram-se através de entrevistas não estruturadas, biográfico-narrativas qualitativamente profundas, nas quais indivíduos comprometidos com a interação dialógica criaram um entendimento partilhado, dando significado às suas histórias. Trata-se de entrevistas interativas, co-construídas. O detalhe da linguagem da entrevista documenta como a construção do significado ocorre, e como esta é afetada por motivos de pertença a determinados grupos, por discursos sobre etnias e culturas, assim como pelo género, idade, relações profissionais e educacionais, entre outros. A entrevista é sensível aos recursos da linguagem e aos seus usos na co-construção do significado. Este artigo, usando excertos de uma narrativa biográfica, mostra que a forma falante destas narrativas da aprendizagem biográfica dos mediadores pode oferecer uma visão do processo do conhecimento despoletado pela aprendizagem em comunidades de práticas, e que a criação de um espaço comum de experiência pode ser ouvido na conversa biográfica. Os recursos biográficos, a biograficidade e a sua relação com a linguagem e sociedade são considerados e, nas narrativas da entrevista podem ser observadas, ouvidas e partilhadas a criação de um espaço de aprendizagem, um espaço para o desenvolvimento e a revelação de noções e práticas de mediação.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Within the framework of a European Erasmus+ project, trainee mediators were interviewed about their experience. The encounters took place in unstructured, in-depth qualitative biographical-narrative interviews, in which individuals who are engaged in dialogic interaction create shared understanding and give meaning to their stories. The interview is interactive, co-constructed. The detail of the interview language documents how meaning-making takes place, and how this is affected by group belonging, ethnic or cultural discourses, as well as gender, age, professional and educational relationships, and so on. The interview is sensitive to language resources and their use in the co-construction of meaning. This paper, using extracts from one biographical narrative, shows that the languaged form that these narratives of the biographical learning of mediators take can offer insight into the learning processes triggered by learning in communities of practice, and that the creation of a common space of experience can be heard as it emerges in biographical talk. Biographical resources, biographicity, and their relationship with language and society are considered, and in the interview narratives the creation of a learning space, a space for the development and unfolding of notions and practices of mediation can be observed, heard and shared.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Entrevista biográfico-narrativa]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[construção de sentido]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[co-construção]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[biograficidade]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[savoir-vivre]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[mediação]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Biographical-narrative interview]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[meaning-making]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[co-construction]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[biographicity]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[savoir-vivre]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[mediation]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS TEM&Aacute;TICOS</b></p>     <p><b>Biografias de aprendizagem num espa&ccedil;o europeu de media&ccedil;&atilde;o social</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Learning biographies in a European space for social mediation</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> //     <p><b> Rob Evans <sup>1</sup></b>    <br>     <img src="/img/revistas/id_orcid.gif"> <a href="https://orcid.org/0000-0003-1168-4121" target="_blank">https://orcid.org/0000-0003-1168-4121</a></p>     
<p>*Language Centre, English Department, Otto-von-Guericke-Universit&auml;t, Alemanha.</p>     <p><a href="mailto:rob.evans@ovgu.de">rob.evans@ovgu.de</a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Dentro da estrutura de um projeto Erasmus+ europeu, foram entrevistados mediadores estagi&aacute;rios sobre a sua experi&ecirc;ncia. Os contactos realizaram-se atrav&eacute;s de entrevistas n&atilde;o estruturadas, biogr&aacute;fico-narrativas qualitativamente profundas, nas quais indiv&iacute;duos comprometidos com a intera&ccedil;&atilde;o dial&oacute;gica criaram um entendimento partilhado, dando significado &agrave;s suas hist&oacute;rias. Trata-se de entrevistas interativas, co-constru&iacute;das. O detalhe da linguagem da entrevista documenta como a constru&ccedil;&atilde;o do significado ocorre, e como esta &eacute; afetada por motivos de perten&ccedil;a a determinados grupos, por discursos sobre etnias e culturas, assim como pelo g&eacute;nero, idade, rela&ccedil;&otilde;es profissionais e educacionais, entre outros. A entrevista &eacute; sens&iacute;vel aos recursos da linguagem e aos seus usos na co-constru&ccedil;&atilde;o do significado. Este artigo, usando excertos de uma narrativa biogr&aacute;fica, mostra que a forma <i>falante</i> destas narrativas da aprendizagem biogr&aacute;fica dos mediadores pode oferecer uma vis&atilde;o do processo do conhecimento despoletado pela aprendizagem em comunidades de pr&aacute;ticas, e que a cria&ccedil;&atilde;o de um espa&ccedil;o comum de experi&ecirc;ncia pode ser ouvido na conversa biogr&aacute;fica. Os recursos biogr&aacute;ficos, a biograficidade e a sua rela&ccedil;&atilde;o com a linguagem e sociedade s&atilde;o considerados e, nas narrativas da entrevista podem ser observadas, ouvidas e partilhadas a cria&ccedil;&atilde;o de um espa&ccedil;o de aprendizagem, um espa&ccedil;o para o desenvolvimento e a revela&ccedil;&atilde;o de no&ccedil;&otilde;es e pr&aacute;ticas de media&ccedil;&atilde;o.</p>     <p><b>Palavras-chave</b>: Entrevista biogr&aacute;fico-narrativa; constru&ccedil;&atilde;o de sentido; co-constru&ccedil;&atilde;o; biograficidade; <i>savoir-vivre</i>; media&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>Within the framework of a European Erasmus+ project, trainee mediators were interviewed about their experience. The encounters took place in unstructured, in-depth qualitative biographical-narrative interviews, in which individuals who are engaged in dialogic interaction create shared understanding and give meaning to their stories. The interview is interactive, co-constructed. The detail of the interview language documents how meaning-making takes place, and how this is affected by group belonging, ethnic or cultural discourses, as well as gender, age, professional and educational relationships, and so on. The interview is sensitive to language resources and their use in the co-construction of meaning. This paper, using extracts from one biographical narrative, shows that the <i>languaged</i> form that these narratives of the biographical learning of mediators take can offer insight into the learning processes triggered by learning in communities of practice, and that the creation of a common space of experience can be heard as it emerges in biographical talk. Biographical resources, biographicity, and their relationship with language and society are considered, and in the interview narratives the creation of a learning space, a space for the development and unfolding of notions and practices of mediation can be observed, heard and shared.</p>     <p><b>Keywords</b>: Biographical-narrative interview; meaning-making; co-construction; biographicity; <i>savoir-vivre</i>; mediation.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>A chamada de artigos para a confer&ecirc;ncia internacional organizada pelos colegas do Instituto de Educa&ccedil;&atilde;o e do Instituto de Ci&ecirc;ncias Sociais da Universidade do Minho, em Braga, convidou trabalhos sobre migra&ccedil;&atilde;o, diversidade, comunica&ccedil;&atilde;o intercultural e a contribui&ccedil;&atilde;o da media&ccedil;&atilde;o para a promo&ccedil;&atilde;o de uma sociedade civil pac&iacute;fica, segura, inclusiva e aberta. Na resposta &agrave; chamada, neste artigo procura-se analisar as biografias de aprendizagem de profissionais da media&ccedil;&atilde;o social participantes no projeto de tr&ecirc;s anos (2017-2019) Erasmus+ CreE-A (Construction d'un espace europ&eacute;en de la M&eacute;diation sociale pour l'inclusion)<sup><a href="#1" name="top1">[1]</a></sup> de forma a discutir a contribui&ccedil;&atilde;o que esta narrativa biogr&aacute;fica pode dar para a compreens&atilde;o da forma&ccedil;&atilde;o da identidade e pr&aacute;tica do mediador.</p>     <p>O &uacute;ltimo e mais ambicioso objetivo do projeto CreE-Arlekin &eacute; a cria&ccedil;&atilde;o de uma comunidade profissional para a media&ccedil;&atilde;o social na Europa. Um cons&oacute;rcio europeu com diferentes parceiros, incluindo organiza&ccedil;&otilde;es para a media&ccedil;&atilde;o e a forma&ccedil;&atilde;o, universidades, cidades, especialistas na teoria e pr&aacute;tica da media&ccedil;&atilde;o, assim como representantes pol&iacute;ticos nacionais e europeus, que trabalhem juntos no projeto para estabelecer um interc&acirc;mbio estruturado entre a pr&aacute;tica e a teoria da media&ccedil;&atilde;o europeia. O objetivo a curto e m&eacute;dio prazo do CreE-A &eacute; identificar as pr&aacute;ticas comuns de media&ccedil;&atilde;o social, e promover a consci&ecirc;ncia e o conhecimento destas pr&aacute;ticas, assim como o respeito pela diversidade da sua realiza&ccedil;&atilde;o nos contextos espec&iacute;ficos de cada pa&iacute;s (Silva, Carvalho, Moisan &amp; Fortec&ouml;ef, 2017).</p>     <p>O aspeto principal do projeto &eacute; a <i>Tour d'Europe</i>, uma viagem de aprendizagem experimental inspirada nas tradi&ccedil;&otilde;es dos artes&atilde;os europeus. Em 2017, o primeiro ano deste projeto, 14 profissionais da media&ccedil;&atilde;o (ou profissionais de pr&aacute;ticas pr&oacute;ximas &agrave; media&ccedil;&atilde;o) foram enviados de pa&iacute;s a pa&iacute;s, dentro dos sete pa&iacute;ses participantes, numa jornada de imers&atilde;o nas realidades do trabalho dos mediadores, participando reflexivamente numa &quot;viagem atrav&eacute;s da Europa, durante a qual cada participante conheceu e partilhou experi&ecirc;ncias biogr&aacute;ficas e profissionais, enquanto mediador, com outros mediadores-profissionais de diferentes pa&iacute;ses&quot; (Silva et al., 2017, p. 75). Cada participante trouxe consigo a sua experi&ecirc;ncia pr&aacute;tica e conhecimento pr&eacute;vios e cada um foi confrontado durante o per&iacute;odo de imers&atilde;o com colegas mediadores que os receberam e lhes forneceram um espa&ccedil;o de aprendizagem onde conseguiram comparar e confrontar diferentes pr&aacute;ticas, e no qual foram trocadas diversas biografias de aprendizagem e conhecimentos, tanto formais como t&aacute;citos.</p>     <p>Paralelamente a esta imers&atilde;o pr&aacute;tica na realidade dos processos de media&ccedil;&atilde;o dos seus pares, aos participantes foi requerida uma reflex&atilde;o sobre as suas biografias pessoais e profissionais. Os coordenadores do projeto forneceram-lhes as ferramentas de reflex&atilde;o necess&aacute;rias para os ajudar a identificar conhecimentos e experi&ecirc;ncias profissionais diversas, para avivar a sua consci&ecirc;ncia sobre a pr&aacute;tica da media&ccedil;&atilde;o para a inclus&atilde;o social no pa&iacute;s anfitri&atilde;o, para observar e descrever as pr&aacute;ticas de media&ccedil;&atilde;o encontradas e para reportar estas quest&otilde;es atrav&eacute;s de um relat&oacute;rio multim&eacute;dia para concluir com sucesso a sua participa&ccedil;&atilde;o no projeto (o <i>Chef d'Oeuvre, Obra-Prima</i>), avaliado por um J&uacute;ri de Especialistas no final de 2017, em Barcelona.</p>     <p><b>A pesquisa: investiga&ccedil;&atilde;o de uma biografia de aprendizagem</b></p>     <p>Durante o semin&aacute;rio final em Barcelona, oito dos participantes (cinco profissionais da media&ccedil;&atilde;o e tr&ecirc;s mediadores especialistas) foram entrevistados sobre a sua experi&ecirc;ncia durante a <i>Tour d'Europe</i> e o impacto do espa&ccedil;o europeu na media&ccedil;&atilde;o social de acordo com a sua experi&ecirc;ncia durante a imers&atilde;o no pa&iacute;s anfitri&atilde;o. Os contactos com os mediadores-participantes realizaram-se atrav&eacute;s de entrevistas n&atilde;o estruturadas, biogr&aacute;fico-narrativas qualitativamente profundas, nas quais indiv&iacute;duos comprometidos com a intera&ccedil;&atilde;o dial&oacute;gica criaram um entendimento partilhado, dando significado &agrave;s suas hist&oacute;rias. As suas hist&oacute;rias narrativas tornam-se compreens&iacute;veis, para citar Luckmann, pelo processo de uni&atilde;o de &quot;experienciar as experi&ecirc;ncias dos outros&quot; (Luckmann, 1981, p. 58). A entrevista &eacute; interativa, co-constru&iacute;da e formada por vozes, as vozes dos co-investigadores e de outros cujas palavras s&atilde;o usadas e relembradas pelos oradores. O detalhe da linguagem da entrevista documenta como a constru&ccedil;&atilde;o do significado ocorre, e como esta &eacute; afetada por motivos de perten&ccedil;a a determinados grupos, por discursos sobre etnias e culturas (Pavlenko, 2007), assim como pelo g&eacute;nero, idade, rela&ccedil;&otilde;es profissionais e educacionais, entre outros. A entrevista &eacute; sens&iacute;vel aos recursos da linguagem e ao seu uso na co-constru&ccedil;&atilde;o do significado, pelo que o mais adequado foi conduzir as entrevistas de Barcelona nos idiomas dos pr&oacute;prios participantes, nomeadamente Franc&ecirc;s, Italiano, Portugu&ecirc;s e Alem&atilde;o.</p>     <p>Neste artigo, usando excertos de uma narrativa biogr&aacute;fica, vou tentar mostrar que a forma <i>falante</i> destas narrativas da aprendizagem biogr&aacute;fica dos mediadores pode oferecer uma vis&atilde;o do processo do conhecimento despoletado pela aprendizagem em comunidades de pr&aacute;ticas e que a cria&ccedil;&atilde;o de um espa&ccedil;o comum de experi&ecirc;ncia pode ser ouvido na conversa biogr&aacute;fica. Este artigo tem a seguinte estrutura:</p>     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>• em primeiro lugar, vou considerar algumas das condi&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para qualquer discuss&atilde;o de linguagem falada e o seu uso como &quot;dados&quot;. Em particular, &eacute; necess&aacute;rio estabelecer algum cuidado em rela&ccedil;&atilde;o ao uso de transcri&ccedil;&otilde;es com base na conversa das entrevistas multilingues;</p>       <p>• em segundo lugar, ser&atilde;o considerados os recursos biogr&aacute;ficos e a sua rela&ccedil;&atilde;o com a linguagem e a sociedade, do ponto de vista da intersubjetividade e da linguagem como a&ccedil;&atilde;o;</p>       <p>• em terceiro lugar, ser&aacute; apresentada uma breve discuss&atilde;o sobre a <i>biograficidade</i> e a relev&acirc;ncia dos dados da linguagem que s&atilde;o produzidos na narrativa biogr&aacute;fica que ser&aacute; analisada;</p>       <p>• e, por &uacute;ltimo, as minhas conclus&otilde;es v&atilde;o tentar sublinhar as vantagens da abordagem da linguagem discutida aqui, destacando o processo de aprendizagem cont&iacute;nuo contado nas narrativas da hist&oacute;ria de vida dos mediadores. A cria&ccedil;&atilde;o de um espa&ccedil;o de aprendizagem, um espa&ccedil;o para o desenvolvimento e a revela&ccedil;&atilde;o de no&ccedil;&otilde;es e pr&aacute;ticas de media&ccedil;&atilde;o que podem ser observadas, ouvidas e partilhadas;</p>       <p>• a conversa de Butoyi (nome alterado por quest&otilde;es de anonimato), uma das mediadoras entrevistadas em Barcelona, em 2017, ser&aacute; seletivamente analisada.</p> </blockquote>     <p><b>Utiliza&ccedil;&atilde;o de entrevistas qualitativas para compreender o mediador</b></p>     <p>As entrevistas qualitativas de pesquisa relacionam-se com a experi&ecirc;ncia individual e de grupo da realidade social e observam, questionam e gravam o testemunho dos pr&oacute;prios atores em locais de intera&ccedil;&atilde;o social escolhidos para a recolha dos dados e a sua posterior an&aacute;lise. A rela&ccedil;&atilde;o entre os atores sociais que participam em processos de transi&ccedil;&atilde;o e transforma&ccedil;&atilde;o em contextos sociais, profissionais e pessoais muito diferentes e o investigador, tem sido central para a discuss&atilde;o dos m&eacute;todos e dos objetivos de pesquisa ao longo de v&aacute;rios &quot;ciclos&quot; metodol&oacute;gicos nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas (Merrill &amp; West, 2009).</p>     <p>Existem diferentes abordagens para a entrevista biogr&aacute;fica e para as narrativas centradas em hist&oacute;rias de vida. Como indicado acima, eu proponho o uso da entrevista discursiva-biogr&aacute;fica, a qual se foca na constru&ccedil;&atilde;o do significado <i>falante</i> no discurso interativo das narrativas biogr&aacute;ficas. Outras &aacute;reas de pesquisa de biografia e de hist&oacute;ria de vida devem necessariamente ser exclu&iacute;das desta breve discuss&atilde;o, apesar do seu valor te&oacute;rico e emp&iacute;rico n&atilde;o estar em causa (ver por exemplo Alheit, 2002; Bertaux, 2005; Dausien, 1996; Demetrio, 1995; Fuchs-Heinritz, 2000; Merrill &amp; West, 2009; Pineau &amp; Le Grand, 2007; Sch&uuml;tze, 1976, 1981).</p>     <p>Os inquiridos na entrevista de pesquisa que participam em diversos ambientes, como os profissionais da media&ccedil;&atilde;o entrevistados em Barcelona, oferecem uma vis&atilde;o das entrevistas discursivas n&atilde;o estruturadas na import&acirc;ncia dos processos de altera&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica para o seu conhecimento individual e coletivo. E, ao fazer isso, eu discuto aqui que eles podem ser ouvidos na constru&ccedil;&atilde;o de discursos pr&oacute;prios de aprendizagem, nos quais a aceita&ccedil;&atilde;o de, e a resist&ecirc;ncia aos discursos dominantes das institui&ccedil;&otilde;es e da sociedade civil &eacute; abandonada na estratifica&ccedil;&atilde;o interdiscursiva de intera&ccedil;&atilde;o com (a) a pr&oacute;pria narrativa contada, (b) com a agenda do investigador e (c) com o di&aacute;logo, muito importante com aqueles cujas vozes e narrativas d&atilde;o express&atilde;o &agrave; complexidade e aos significados transacionados dos contextos de aprendizagem individuais e de grupo. O mediador traz para o seu trabalho e para a sua conversa uma hist&oacute;ria pessoal, uma hist&oacute;ria de fam&iacute;lia, uma hist&oacute;ria de aprendizagem e uma hist&oacute;ria de escolhas de vida, para referir apenas alguns dos aspetos cr&iacute;ticos no desenvolvimento de um indiv&iacute;duo.</p>     <p><b>Conversa biogr&aacute;fica, transcri&ccedil;&atilde;o, tradu&ccedil;&atilde;o e apresenta&ccedil;&atilde;o</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Antes de passar &agrave; an&aacute;lise das partes da narrativa aqui apresentada, s&atilde;o necess&aacute;rias algumas palavras sobre a utiliza&ccedil;&atilde;o das transcri&ccedil;&otilde;es da entrevista na pesquisa biogr&aacute;fica. Est&aacute; amplamente reconhecido que a decis&atilde;o de um determinado n&iacute;vel de detalhe na reprodu&ccedil;&atilde;o da entrevista falada, ou a omiss&atilde;o de alguns detalhes, representa o n&iacute;vel fundamental de an&aacute;lise decidido (G&uuml;lich &amp; Mondada, 2008; Ochs, 1979). Assim como a an&aacute;lise dos tempos, volume, entoa&ccedil;&atilde;o, stress e pros&oacute;dia, entendidas como produtos e produtores essenciais da intera&ccedil;&atilde;o e da co-constru&ccedil;&atilde;o de significado (G&uuml;nthner, 1997; Szczepek Reed, 2011).</p>     <p>A apresenta&ccedil;&atilde;o dos dados e das descobertas imp&otilde;e alguns obst&aacute;culos interessantes de ultrapassar. Devido &agrave;s dificuldades t&eacute;cnicas em apresentar entrevistas em diferentes idiomas numa tradu&ccedil;&atilde;o literal, devido &agrave; enorme diferen&ccedil;a entre as estruturas sint&aacute;ticas, os problemas morfol&oacute;gicos inerentes, para n&atilde;o mencionar a natureza problem&aacute;tica da exemplifica&ccedil;&atilde;o das caracter&iacute;sticas de significado e de discurso atrav&eacute;s do recurso a tradu&ccedil;&otilde;es descontextualizadas, por regra, a tradu&ccedil;&atilde;o &eacute; utilizada apenas para permitir o acesso &agrave; discuss&atilde;o dos fen&oacute;menos do discurso em diferentes idiomas. Neste sentido, quaisquer tentativas de apresentar os elementos pros&oacute;dicos do discurso, devem ser sempre entendidas como a realiza&ccedil;&atilde;o de uma fun&ccedil;&atilde;o estritamente impressionista. Neste artigo, os excertos da conversa apresentados foram mantidos no idioma original: o Franc&ecirc;s. Os coment&aacute;rios e a discuss&atilde;o da conversa da entrevista referem-se sempre ao idioma original.</p>     <p>Relativamente &agrave; transcri&ccedil;&atilde;o/apresenta&ccedil;&atilde;o da conversa, em pesquisas deste tipo devem ser observadas as exig&ecirc;ncias de exatid&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o ao idioma original da intera&ccedil;&atilde;o e, como consequ&ecirc;ncia, &agrave;s pragm&aacute;ticas interculturais do processo de rece&ccedil;&atilde;o e &agrave; explica&ccedil;&atilde;o dos resultados da an&aacute;lise. Aneta Pavlenko (2007) apontou que quando se trata de trabalhar com entrevistas multilingues, ou de trabalhar com mais que um idioma, tanto no processo de entrevista como no processo de p&oacute;s-produ&ccedil;&atilde;o da apresenta&ccedil;&atilde;o e dissemina&ccedil;&atilde;o, deve ser levada a s&eacute;rio a imagem completa da riqueza lingu&iacute;stica da narrativa e todas as implica&ccedil;&otilde;es de trabalhar num idioma ou noutro (Pavlenko, 2007).</p>     <p>Por esta raz&atilde;o, &eacute; necess&aacute;rio explicar brevemente o m&eacute;todo utilizado aqui para apresentar o discurso e o formato b&aacute;sico da transcri&ccedil;&atilde;o. Relativamente &agrave; quest&atilde;o de coloquialidade perante qualquer tipo de representa&ccedil;&atilde;o &quot;ideal&quot; do discurso, eu optei aqui por uma transcri&ccedil;&atilde;o que ignora a pron&uacute;ncia individual e a elis&atilde;o natural, fornecendo uma vers&atilde;o ortograficamente &quot;normal&quot; da conversa ouvida. Por outro lado, as formas de pontua&ccedil;&atilde;o da escrita padr&atilde;o foram omitidas por ser externas ao discurso. No seu lugar, existem indica&ccedil;&otilde;es de subida e descida de tom (? e _), pausas, respira&ccedil;&atilde;o (inspira&ccedil;&otilde;es .h e expira&ccedil;&otilde;es h), falar alto (em MAI&Uacute;SCULAS), etc. N&atilde;o foi feita nenhuma tentativa de for&ccedil;ar a conversa num tipo de &quot;forma&quot;, como par&aacute;grafos, nem de usar dois pontos, travess&otilde;es ou qualquer outra forma de organiza&ccedil;&atilde;o l&oacute;gica. As pausas curtas s&atilde;o indicadas por (.) e as pausas mais longas foram livremente cronometradas em segundos (2.0). As hesita&ccedil;&atilde;o ou d&uacute;vidas s&atilde;o indicadas por &quot;uhh&quot;. As passagens inintelig&iacute;veis da grava&ccedil;&atilde;o da entrevista s&atilde;o assinaladas com (xxx).</p>     <p>Cada excerto da transcri&ccedil;&atilde;o (TS) &eacute; apresentado em Franc&ecirc;s, com a forma de uma <a href="#t1">tabela</a>, como se segue.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="t1"></a> <img src="/img/revistas/csoc/vspe2019/vspe2019a03t1.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A coluna 1 mostra o n&uacute;mero da linha dentro do excerto atual. A coluna 2 inclui o TS original em Franc&ecirc;s. A coluna 3 cont&eacute;m informa&ccedil;&atilde;o relevante para a an&aacute;lise do TS como uma narrativa. Por exemplo, esta coluna pode conter refer&ecirc;ncias sobre caracter&iacute;sticas do discurso (p. ex. discurso epist&eacute;mico (&egrave;EpD), pros&oacute;dia (&#10132;Pro), modalidade (&#10132;MP) ou corre&ccedil;&otilde;es ou hesita&ccedil;&otilde;es (&quot;self-repair&quot; &#10132;SR). A coluna 3 tamb&eacute;m pode incluir informa&ccedil;&otilde;es de convers&atilde;o, onde as convers&otilde;es ou modifica&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas s&atilde;o real&ccedil;adas e discutidas na an&aacute;lise. A refer&ecirc;ncia ao &quot;discurso embutido&quot; (ESp) tem particular import&acirc;ncia nesta compreens&atilde;o da natureza da express&atilde;o dos discursos biogr&aacute;ficos.</p>     <p>Linde assinala como as hist&oacute;rias de outras pessoas (relacionadas no discurso indireto, embutidas e sobrepostas na narra&ccedil;&atilde;o) se tornam hist&oacute;rias &quot;pessoais&quot;, atrav&eacute;s de um processo de apropria&ccedil;&atilde;o ou convers&atilde;o (Linde, 1993, p. 35). O estado descontinuado e inacabado da narrativa oral &eacute; assim incorporado no discurso utilizado pelo narrador autobiogr&aacute;fico. Aqui, o conceito de &quot;embutir&quot; de Goffman pode ser usado para descrever este aspeto do &quot;eu&quot; do orador. As palavras que dizemos, aponta o autor, &quot;n&atilde;o s&atilde;o frequentemente as nossas, pelo menos as &quot;nossas&quot; atuais&quot;, pelo que &quot;apesar de que quem fala se encontra situacionalmente circunscrito, a pessoa em cujo nome s&atilde;o ditas as palavras de certeza que n&atilde;o o est&aacute;&quot; (Goffman, 1981, p. 3). Assim, esta incorpora&ccedil;&atilde;o torna poss&iacute;vel &quot;adotar&quot; numerosas vozes atrav&eacute;s do espa&ccedil;o e do tempo dentro da estrutura interativa da narrativa oral e da entrevista narrativa (Goffman, 1981, p. 4). Isto, como tentarei mostrar mais &agrave; frente na an&aacute;lise dos dados, &eacute; uma carater&iacute;stica central da conversa interativa na entrevista de pesquisa. De facto, para o desenvolvimento de discursos &quot;pr&oacute;prios&quot; dentro de uma biografia de aprendizagem emergente, as palavras &quot;convertidas&quot; e &quot;adotadas&quot; de outros, ou de um &quot;eu&quot; n&atilde;o atual &mdash; aquilo a que chamo &quot;discurso embutido&quot; &mdash; s&atilde;o um importante dispositivo para a contextualiza&ccedil;&atilde;o da conversa e servem como um dispositivo para fundamentar a validade da conversa, dando-lhe autoridade (Evans, 2004).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Recursos biogr&aacute;ficos: linguagem e intersubjetividade, a linguagem e &quot;o mundo&quot;</b></p>     <p>A experi&ecirc;ncia biogr&aacute;fica est&aacute; sempre ligada a um contexto espec&iacute;fico, e a experi&ecirc;ncia nova &eacute; trabalhada e retrabalhada na hist&oacute;ria de vida anterior. As &quot;experi&ecirc;ncias biogr&aacute;ficas e o conhecimento biogr&aacute;fico que surge atrav&eacute;s das mesmas&quot;, como afirma Hoerning, &quot;n&atilde;o s&atilde;o meramente o abandono de uma camada de coisas experienciadas, mas tamb&eacute;m o refazer cont&iacute;nuo de tudo o que &eacute; experienciado&quot; (Hoerning, 1989, p. 154). As biografias narradas atrav&eacute;s de encontros s&atilde;o pe&ccedil;as descont&iacute;nuas e a conversa, como poderemos ver mais &agrave; frente, &eacute; conversa biografada, a qual &eacute; estruturada tanto temporalmente como sequencialmente, realizando na comunica&ccedil;&atilde;o interativa o refazer da experi&ecirc;ncia da qual fala Hoerning. Ochs e Capps expressam-no deste modo:</p>     <blockquote>a narrativa pessoal &eacute; uma forma de usar a linguagem ou outro sistema simb&oacute;lico para incorporar eventos de vida com uma ordem temporal e l&oacute;gica, para os desmistificar e estabelecer uma coer&ecirc;ncia entre o passado, o presente e as experi&ecirc;ncias ainda n&atilde;o realizadas. (2001, p. 2)</blockquote>     <p>A &quot;mudan&ccedil;a radical&quot; da &quot;convers&atilde;o lingu&iacute;stica&quot; dos anos 1960, orientada para o interesse de um conhecimento &quot;revelador, socialmente coordenado, temporalmente e espacialmente situado&quot; das pr&aacute;ticas, atividades e a&ccedil;&atilde;o mediadas da linguagem (Schegloff, Ochs, &amp; Thompson, 1996, p. 6) impulsionaram a no&ccedil;&atilde;o de articula&ccedil;&atilde;o da investiga&ccedil;&atilde;o e de constru&ccedil;&atilde;o coletiva do significado, atrav&eacute;s da comunica&ccedil;&atilde;o intersubjetiva que se focava na perspetiva do sujeito da pesquisa (Hoffmann-Riem, 1994; Schiffrin, 2006; Sch&uuml;tze, 1975). A realiza&ccedil;&atilde;o do significado na intera&ccedil;&atilde;o entre contextos (social, institucional, f&iacute;sico ou emocional, entre outros) &eacute; conseguida, nesta perspetiva, atrav&eacute;s da revela&ccedil;&atilde;o sequencial dos recursos interativos dos membros dos diversos cen&aacute;rios no discurso &quot;com outros para al&eacute;m deles pr&oacute;prios e em &uacute;ltima inst&acirc;ncia com o mundo&quot; (Ricoeur, 1995, p. 41). Os contextos mais amplos nos quais os participantes est&atilde;o ativos s&atilde;o compreendidos aqui como, nas palavras de Gale Miller, &quot;ecologias de conhecimento&quot; interligadas, nas quais se organizam os significados interacionais espec&iacute;ficos de uma situa&ccedil;&atilde;o (Miller, 1994, p. 168). Sob este ponto de vista, os sujeitos s&atilde;o capazes de fazer uso dos recursos de diferentes cen&aacute;rios, socialmente organizados, aos quais pertencem (ou, por exemplo, nos quais se posicionam como pertencentes), de forma a se constitu&iacute;rem e reconstituirem discursivamente a si pr&oacute;prios e aos cen&aacute;rios institucionais com que interagem.</p>     <p>Assim, os processos discursivos de constru&ccedil;&atilde;o da identidade d&atilde;o-se na intera&ccedil;&atilde;o da linguagem em v&aacute;rios, m&uacute;ltiplos, n&iacute;veis. A intera&ccedil;&atilde;o e as rela&ccedil;&otilde;es de reciprocidade entre os indiv&iacute;duos e os outros fornece a estrutura dentro da qual os &quot;eus&quot; s&atilde;o constru&iacute;dos na comunica&ccedil;&atilde;o com os outros. A rela&ccedil;&atilde;o mut&aacute;vel dos indiv&iacute;duos com as suas palavras e as dos outros, atuais ou antigas, influenciam todos os passos da constru&ccedil;&atilde;o da identidade. A linguagem, dispon&iacute;vel para os indiv&iacute;duos sob v&aacute;rias formas, permite-lhes descreverem-se a si pr&oacute;prios e ao mundo, assim como &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es sociais dentro (e a desassocia&ccedil;&atilde;o de) de grupos reconhec&iacute;veis. As diferentes rela&ccedil;&otilde;es de associa&ccedil;&atilde;o e de perten&ccedil;a a um lugar, a um grupo &eacute;tnico, a grupos socialmente aceites ou socialmente estigmatizados &mdash; uma profiss&atilde;o respeitada, uma comunidade de gueto, uma comunidade religiosa &mdash; s&atilde;o constru&iacute;das em conversa atrav&eacute;s da indexicalidade. Neste sentido, s&atilde;o criadas identidades &quot;localizadas&quot; ou globais, que constantemente se cruzam no discurso dos oradores (De Fina, Schiffrin &amp; Bamberg, 2006).</p>     <p>Silva, Carvalho e Aparicio (2016) salientam que a forma&ccedil;&atilde;o de mediadores profissionais &eacute; um processo que envolve a intera&ccedil;&atilde;o com os outros, com o contexto social da a&ccedil;&atilde;o de media&ccedil;&atilde;o, assim como um processo de reflex&atilde;o e a&ccedil;&atilde;o pelo indiv&iacute;duo em si pr&oacute;prio no processo da sua forma&ccedil;&atilde;o. O resultado do processo &eacute;, afirmam, &quot;um processo de constru&ccedil;&atilde;o din&acirc;mico, interativo, contextualizado e cont&iacute;nuo&quot;. Adicionalmente, de acordo com um grande n&uacute;mero de publica&ccedil;&otilde;es, argumentam que &eacute; um</p>     <blockquote>processo individual, no qual a imagem e a defini&ccedil;&atilde;o de cada um (hist&oacute;ria e identidade pessoal) e dos outros (identidade social) s&atilde;o configuradas em rela&ccedil;&atilde;o com o reconhecimento (pontos de refer&ecirc;ncia, associa&ccedil;&atilde;o, atributos, identifica&ccedil;&otilde;es, estado coletivo) garantido por outros membros da fam&iacute;lia profissional. (Silva et al., 2016, p. 94)</blockquote>     <p>Assim, os sujeitos usam os seus recursos biogr&aacute;ficos formados na a&ccedil;&atilde;o social, de forma a constituir-se discursivamente a si pr&oacute;prios e aos cen&aacute;rios pessoais e profissionais nos quais interagem. Butoyi, participante no projeto cuja conversa ser&aacute; agora considerada, apresenta evid&ecirc;ncias deste elemento da hist&oacute;ria de vida.</p>     <p>Foi-lhe pedido que falasse sobre a sua educa&ccedil;&atilde;o e a sua escolha de carreira. Quando lhe perguntaram porque &eacute; que tinha escolhido Direito, Butoyi respondeu:</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><a name="t1"></a> <img src="/img/revistas/csoc/vspe2019/vspe2019a03t2.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Pensa, atrasa cuidadosamente a sua resposta (indicado como discurso de hesita&ccedil;&atilde;o/corre&ccedil;&atilde;o em 1.1) e, a seguir, formula uma afirma&ccedil;&atilde;o forte na primeira pessoa, utilizando muito a repeti&ccedil;&atilde;o (&quot;envie d'aider&quot;; &quot;venir en aide&quot;; &quot;pour aider&quot;; ll. 2-4). Devido &agrave; &ecirc;nfase com que ela evidentemente deseja sublinhar o seu desejo de ajudar, &eacute;-lhe perguntado porque &eacute; que escolheu Direito para ajudar os outros. Butoyi afirma que estava &agrave; procura de algo diferente daquilo que j&aacute; faziam a sua m&atilde;e (enfermeira) e as suas irm&atilde;s: &quot;j'ai cherch&eacute; quelque chose de diff&eacute;rent pour ne pas faire la m&ecirc;me chose &hellip;&quot;.</p>     <p>E continua:</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="t3"></a> <img src="/img/revistas/csoc/vspe2019/vspe2019a03t3.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Butoyi desliza na sua narrativa para uma forma e voz de um Outro an&oacute;nimo. O seu desejo &eacute; claramente expressar e justificar a sua insatisfa&ccedil;&atilde;o com os &quot;assuntos legais&quot; do dia-a-dia. Algu&eacute;m que precisa de informa&ccedil;&atilde;o ou ajuda legal acaba muitas vezes por sentir-se bloqueado ou rejeitado pelas rotinas normais da Lei, argumenta. Esta afirma&ccedil;&atilde;o de Butoyi recebe uma voz de &quot;fora do palco&quot; (indicado como ESp), uma voz na primeira pessoa, uma afirma&ccedil;&atilde;o imediata de veracidade e urg&ecirc;ncia. Este uso do discurso embutido de um Outro Desconhecido serve aqui para justificar os avan&ccedil;os hesitantes do ponto de vista da pr&oacute;pria Butoyi. O que ela pretende &eacute; &quot;Justi&ccedil;a&quot;. A emotiva simplicidade da Justi&ccedil;a &eacute; cuidadosamente parafraseada: para &quot;ver as coisas feitas da forma correta&quot;. A linguagem pros&oacute;dica enf&aacute;tica, aproveitando o volume e a energia, &eacute; assim enquadrada pelo aumento do detalhe tipo-fic&ccedil;&atilde;o e pela ret&oacute;rica conscientemente s&oacute;bria. Butoyi utiliza o contexto da sua experi&ecirc;ncia de forma natural e habilidosa, para construir uma mensagem narr&aacute;vel, criando uma narrativa com significado e partilh&aacute;vel.</p>     <p>As bases da fam&iacute;lia de Butoyi representam um papel nos valores expressos por ela. O seu av&ocirc; foi diretor de uma escola no Burundi. A experi&ecirc;ncia da imigra&ccedil;&atilde;o, da chegada &agrave; B&eacute;lgica, n&atilde;o foi isenta de relevantes dificuldades.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><a name="t4"></a> <img src="/img/revistas/csoc/vspe2019/vspe2019a03t4.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Butoyi observa que, por compara&ccedil;&atilde;o, as suas sobrinhas agora j&aacute; n&atilde;o t&ecirc;m problemas. Os seus pais deram-lhe tudo o que podiam. Para ela pessoalmente, e para a sua fam&iacute;lia, a adapta&ccedil;&atilde;o foi mais dif&iacute;cil no in&iacute;cio. Sob a press&atilde;o de um ambiente estrangeiro e novo na B&eacute;lgica, &quot;on a d&ucirc; readapter ici, refaire les &eacute;tudes&quot;. Esta press&atilde;o sobre os membros mais jovens da fam&iacute;lia significou que &quot;on mature un peu plus rapidement&quot;. Perante decis&otilde;es impostas pelo contexto no qual eram obrigados a &quot;crescer rapidamente&quot;, Butoyi diz, &quot;on r&eacute;flechissait, on a d&ucirc; r&eacute;flechir un peu plus vite que les autres&quot;.</p>     <p>Nestas afirma&ccedil;&otilde;es &eacute; claramente percet&iacute;vel o uso repetido do pronome impessoal. Isto permite que o orador recue para um segundo plano. &Eacute; apresentada em primeiro plano a experi&ecirc;ncia geral e generalizada da sua fam&iacute;lia. A narrativa epist&eacute;mica &eacute; assim generalizada. Adicionalmente, com &quot;fallait s'adapter&quot; e &quot;a d&ucirc; readapter&quot; &eacute;-nos dado a compreender que a fam&iacute;lia, e a pr&oacute;pria Butoyi, foram obrigadas pela for&ccedil;a das circunst&acirc;ncias. Parece que a perda for&ccedil;ada de atua&ccedil;&atilde;o &eacute; mais do que compensada pelo ato de afirma&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio agente e pelas afirma&ccedil;&otilde;es de conhecimento que Butoyi procura estabelecer.</p>     <p>N&atilde;o recebemos apenas a rela&ccedil;&atilde;o de uma verdade generalizada v&aacute;lida, mas podemos, em apenas alguns segundos de conversa, come&ccedil;ar a ouvir o poder da repeti&ccedil;&atilde;o (&quot;un peu plus&quot;, &quot;on a d&ucirc; readapter&quot;, &quot;on r&eacute;flechissait&quot;, &quot;on a d&ucirc; r&eacute;flechir&quot;) que estiliza t&atilde;o fortemente a conversa ret&oacute;rica (Tannen, 2007, p. 9).</p>     <p>Isto ajuda a justificar o sentimento de inseguran&ccedil;a que &eacute; afirmado e d&aacute; cor &agrave; narrativa com elementos de for&ccedil;a, necessidade, mas tamb&eacute;m de resili&ecirc;ncia. Butoyi continua a relacionar com entusiasmo a hist&oacute;ria de como com 12-13 anos ficou respons&aacute;vel por fazer as compras para a fam&iacute;lia quando a m&atilde;e estava a trabalhar. Aquilo que, sugere, &eacute; considerado por muitos um esc&acirc;ndalo, foi para ela uma experi&ecirc;ncia que lhe deu energia, resili&ecirc;ncia e maturidade. Esta curta pe&ccedil;a da narrativa come&ccedil;a com &quot;je me souviens&quot;. E completa a pequena hist&oacute;ria com as palavras &quot;moi, j'aimais bien cette autonomie l&agrave;&quot;. Neste ponto particular da narrativa, Butoyi surge com mais vigor na sua narrativa, deixando de utilizar &quot;on&quot; e come&ccedil;ando a falar na primeira pessoa.</p>     <p><b>Recursos biogr&aacute;ficos e estruturas quotidianas de experi&ecirc;ncia na hist&oacute;ria de vida</b></p>     <p>O m&eacute;todo biogr&aacute;fico permite-nos assim questionar como a mudan&ccedil;a nos ambientes das pessoas &eacute; reconhecida subjetivamente pelos indiv&iacute;duos, e como tal mudan&ccedil;a influencia a aprendizagem em situa&ccedil;&otilde;es de vida/trabalho/aprendizagem. Hist&oacute;rias de vida, de acordo com Alheit (1983), s&atilde;o essencialmente preenchidas pela necessidade de sincronizar n&iacute;veis d&iacute;spares de tempo experienciado: primeiramente, as dimens&otilde;es de eventos e experi&ecirc;ncias enquadradas como rotina, o dia-a-dia, e aquelas que operam no horizonte/escala do tempo de vida, os quais &quot;conectam eventos h&aacute; muito passados com experi&ecirc;ncias passadas, experi&ecirc;ncias passadas com as presentes e finalmente o presente com poss&iacute;veis eventos futuros&quot; (Alheit, 1983, p. 189). Refazer a reserva de experi&ecirc;ncias com as experi&ecirc;ncias recentes e criar novas associa&ccedil;&otilde;es entre o novo e o j&aacute; vivido, significa que o narrador tira partido dos seus recursos biogr&aacute;ficos recolhidos e estratificados. Podemos ver estes recursos como a totalidade do indiv&iacute;duo ou a ess&ecirc;ncia de v&aacute;rios e diferentes processos de aprendizagem. Eles s&atilde;o o resultado do significado individual dado &agrave; experi&ecirc;ncia, que produz formas subjetivas de conhecimento. Este conhecimento, por sua vez, &eacute; a base de novas estruturas culturais e sociais de experi&ecirc;ncia. Esta pr&aacute;tica social de aceder (e construir) recursos biogr&aacute;ficos ao longo da vida, de forma a alcan&ccedil;ar os requisitos quotidianos de um curso de vida mais orientado individualmente, tem sido apelidado de &quot;biograficidade&quot; (Alheit, 1990, 2018; Alheit &amp; Dausien, 2002).</p>     <p>J&aacute; vimos como Butoyi fala da sua inf&acirc;ncia e juventude, em termos de autonomia e responsabilidade. Os seus estudos s&atilde;o caracterizados, ao longo da sua narrativa, como uma procura de um prop&oacute;sito. Aos 16 ou 17 anos conheceu uma mulher que era ju&iacute;za. O desejo de Butoyi de &quot;ajudar os outros&quot; levou-a a estudar Direito durante tr&ecirc;s anos. Mas estes estudos n&atilde;o foram satisfat&oacute;rios. No seu terceiro ano na universidade de Direito, ficou a conhecer a media&ccedil;&atilde;o nos tribunais. Aqui, experienciou o confronto dos acusados com as v&iacute;timas das suas transgress&otilde;es e a responsabiliza&ccedil;&atilde;o dos acusados, induzindo uma consci&ecirc;ncia da infra&ccedil;&atilde;o pela qual eram acusados. A sua rea&ccedil;&atilde;o foi:</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><a name="t5"></a> <img src="/img/revistas/csoc/vspe2019/vspe2019a03t5.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Butoyi reproduz aquilo que ela apresenta como os seus processos genu&iacute;nos e espont&acirc;neos de pensamento neste momento passado. Este imediatismo torna a posi&ccedil;&atilde;o tomada menos vulner&aacute;vel, uma vez que n&atilde;o &eacute; apresentada como um argumento l&oacute;gico, ou como uma convers&atilde;o no di&aacute;logo (com qualquer um). Assim, este uso do discurso embutido bastante comum (ESp) &eacute; utilizado para definir a pr&oacute;pria agenda do narrador e serve tamb&eacute;m para apoiar a afirma&ccedil;&atilde;o epist&eacute;mica seguinte, nomeadamente, que, com a interven&ccedil;&atilde;o adequada, um infrator &mdash; generalizado como <i>l'homme</i> &mdash; n&atilde;o ir&aacute; repetir a infra&ccedil;&atilde;o. H&aacute; uma cr&iacute;tica do sistema legal, mas h&aacute; tamb&eacute;m um reconhecimento de que a solu&ccedil;&atilde;o imediata &eacute; frequentemente substitu&iacute;da por dificuldades legais com a perda do di&aacute;logo ou da intera&ccedil;&atilde;o entre o &quot;acusado&quot; e a &quot;v&iacute;tima&quot;. Contudo, ela pensou ter conseguido ver o potencial da utiliza&ccedil;&atilde;o desta media&ccedil;&atilde;o &quot;win-win&quot;:</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="t6"></a> <img src="/img/revistas/csoc/vspe2019/vspe2019a03t6.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Uma vez mais, nestes curtos excertos da sua detalhada narrativa de encontrar a sua forma um pouco sinuosa de apresentar o seu compromisso com as pr&aacute;ticas de media&ccedil;&atilde;o, &eacute; evidente, ao n&iacute;vel mais simples de ouvir, como constr&oacute;i &quot;cadeias&quot; de discurso narrativo, nas quais as suas afirma&ccedil;&otilde;es com car&aacute;ter epist&eacute;mico (&quot;c'est une bonne mani&egrave;re int&eacute;ressante d'aider l'autre parce que&quot; l.1-2; &quot;c'est une bonne pratique parce que&quot; l.3) s&atilde;o repetidas com ligeiras varia&ccedil;&otilde;es, seguidas de formas sint&aacute;ticas firmes e fixas. O efeito global da sintaxe nestas passagens da conversa &eacute; voluntariamente simples, com a utiliza&ccedil;&atilde;o de verbos simples e ativos, produzida em progress&otilde;es do tipo lista. Isto ajuda &agrave; coer&ecirc;ncia, as afirma&ccedil;&otilde;es s&atilde;o constru&iacute;das sequencial e cumulativamente. Aparentemente, o objetivo &eacute; declarar uma certeza, protegendo-se contra poss&iacute;veis cr&iacute;ticas. O efeito global &eacute; coroado com &mdash; ou leva a &mdash; o acentuado uso do discurso embutido (Excerto 4 l.1, Excerto 5 l.4-5). Butoyi desvia-se sem esfor&ccedil;o de um tipo confiante de discurso epist&eacute;mico, no qual afirma a sua aprova&ccedil;&atilde;o da media&ccedil;&atilde;o nos tribunais para o efeito &quot;tempestade&quot; que isto teve no seu pr&oacute;prio racioc&iacute;nio: &quot;je me suis dit ahh? j'aimerais bien travailler en quelque chose comme cela?&quot; Butoyi est&aacute; mais uma vez a interpretar os seus pensamentos daquela altura do passado na forma de discurso direto interior, para emprestar for&ccedil;a e vigor &agrave; afirma&ccedil;&atilde;o de conhecimento que faz neste momento sobre o valor da media&ccedil;&atilde;o (e, por isso, sobre a &quot;justi&ccedil;a&quot; ou &quot;l&oacute;gica&quot; da sua presente trajet&oacute;ria no momento do discurso).</p>     <p>Enquanto Butoyi est&aacute; aqui, a falar sobre s&iacute;tios, tempos e eventos ligados entre si no passado, Daniel Bertaux argumenta que &quot;existe uma hist&oacute;ria de vida logo quando algu&eacute;m conta a algu&eacute;m, quer seja um investigador ou n&atilde;o, qualquer epis&oacute;dio da sua experi&ecirc;ncia vivida&quot; (Bertaux, 2005, p. 36), uma vez que a considera&ccedil;&atilde;o discursiva assume uma forma que &eacute; relativamente espont&acirc;nea e dial&oacute;gica (Bertaux, 2005).</p>     <p>Nas narrativas suportadas por &quot;gram&aacute;ticas&quot; de experi&ecirc;ncia falada, &eacute; vocalizada e constru&iacute;da uma determinada ordem e coer&ecirc;ncia. Estas &mdash; hist&oacute;rias recorrentes, uso repetido da linguagem, por exemplo &mdash; s&atilde;o usadas para construir teorias de eventos que emergem como efetivas biografias negativas ou positivas (Capps &amp; Ochs, 1995). Lisa Capps e Elinor Ochs usam o termo &quot;gram&aacute;tica&quot; no seu estudo sobre um doente com agorafobia &quot;para cobrir amplamente como o narrador junta palavras em sequ&ecirc;ncias (sintaxe), como as pr&oacute;prias palavras s&atilde;o estruturadas (morfologia) e o sistema de som (fonologia) que os narradores usam para criar significado&quot; (Capps &amp; Ochs, 1995, p. 52).</p>     <p>A narrativa da hist&oacute;ria de vida de Butoyi (que tamb&eacute;m se aplica &agrave;s outras entrevistas) oferece exemplos da cor da sua narrativa, atrav&eacute;s de elementos espec&iacute;ficos de linguagem, elementos que carregam sinais importantes de interpreta&ccedil;&atilde;o e de constru&ccedil;&atilde;o de significado.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para Butoyi, o seu contacto com a media&ccedil;&atilde;o e com a reuni&atilde;o dos profissionais da media&ccedil;&atilde;o com outros colegas no in&iacute;cio do projeto CreE-A foi um &quot;choque&quot;. Colocar em pr&aacute;tica o que aprendeu &eacute; um desafio e uma aventura. Butoyi sente a necessidade de enfatizar a sua falta de experi&ecirc;ncia. &Eacute; a &uacute;nica estudante entre os participantes no projeto, afirma, e eles trabalham na &aacute;rea da media&ccedil;&atilde;o h&aacute; d&eacute;cadas, enquanto ela est&aacute; apenas a &quot;estabelecer-se&quot; (&quot;moi je d&eacute;barque&quot;! l.6). A narrativa neste excerto &eacute; notavelmente produzida como um di&aacute;logo pr&oacute;prio na primeira pessoa. Mas o que nos &eacute; pedido &eacute; ouvir o pensamento de Butoyi no ponto particular do passado, quando estas experi&ecirc;ncias aconteceram. O imediatismo da voz na primeira pessoa d&aacute; veracidade e autoridade ao seu argumento e, ao mesmo tempo, mostra a necessidade de considerar em detalhe a posi&ccedil;&atilde;o que ela assume. Isto torna a narrativa aut&ecirc;ntica e auto-orientada, cred&iacute;vel e incontest&aacute;vel.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="t7"></a> <img src="/img/revistas/csoc/vspe2019/vspe2019a03t7.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Continua, destacando o maior impacto da experi&ecirc;ncia direta comparado com a leitura e o estudo. Pode-se aprender atrav&eacute;s de um livro ou da internet, mas:</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="t8"></a> <img src="/img/revistas/csoc/vspe2019/vspe2019a03t8.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Enquanto a informa&ccedil;&atilde;o e os livros permanecem distantes, a experi&ecirc;ncia direta que adquiriu significa que esta &eacute; vivida a &quot;cem por cento&quot;: &quot;on la vit &agrave; 100 percent on est plus convaincue &mdash; je trouve&quot;. O choque do seu primeiro encontro com a media&ccedil;&atilde;o social, no entanto, foi perceber que fazer media&ccedil;&atilde;o &eacute; dif&iacute;cil (&quot;&ecirc;tre m&eacute;diateur n'est pas facile!&quot;).</p>     <p><b>&quot;Biograficidade&quot;, atua&ccedil;&atilde;o e reflexividade biogr&aacute;fica</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para ser capaz de desenvolver em conversa uma narrativa pr&oacute;pria mais coerente &mdash; em termos de linguagem para se &quot;traduzir&quot; a si mesmo &mdash; &eacute; crucial ter acesso a espa&ccedil;os de aprendizagem nos quais os recursos biogr&aacute;ficos podem ser adquiridos e implementados, e que, por sua vez, definam como se interpretam a experi&ecirc;ncia e o senso comum. &quot;Biograficidade&quot;, segundo a vis&atilde;o de Alheit (Alheit, 2006) significa a vontade ou necessidade (assim como a possibilidade) de obter tais recursos da experi&ecirc;ncia atrav&eacute;s do exerc&iacute;cio da atua&ccedil;&atilde;o na modela&ccedil;&atilde;o das nossas vidas. Gaston Pineau tamb&eacute;m sublinha a ess&ecirc;ncia de saber como viver (&quot;pouvoir-savoir vivre&quot;) e as dificuldades sentidas por toda a gente para ser agente e levar para a frente o projeto das suas vidas. Pelo que afirma: &quot;todo ser &eacute; um cogito que, ao mesmo tempo, se molda a si pr&oacute;prio, formando-se apenas o melhor que consegue&quot; (Pineau, 1996, p. 78).</p>     <p>Assim, uma abordagem biogr&aacute;fica que analise a identidade atuante como um recurso para dar sentido &agrave;s experi&ecirc;ncias de aprendizagem e, mais simplesmente, como Pineau sugere, para sobreviver no mundo (1996, p. 78) vira a nossa aten&ccedil;&atilde;o enquanto investigadores e profissionais da educa&ccedil;&atilde;o para o que acontece nas fronteiras entre a vida vivida e a vida refletida, ou &quot;fronti&egrave;res biocognitives&quot;, nas palavras de Pineau (1996, p. 78).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="t9"></a> <img src="/img/revistas/csoc/vspe2019/vspe2019a03t9.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Butoyi expressa uma ideia bastante pr&oacute;xima da no&ccedil;&atilde;o de aprendizagem biogr&aacute;fica utilizada por Gaston Pineau. A experi&ecirc;ncia em uma ou duas escolas da B&eacute;lgica com a media&ccedil;&atilde;o mostra, nas suas palavras, a natureza da media&ccedil;&atilde;o como um &quot;savoir-vivre&quot;, um processo de sensibiliza&ccedil;&atilde;o dos estudantes que, naturalmente, n&atilde;o &eacute; uma tarefa f&aacute;cil (&quot;ca prend du temps&quot;). A experi&ecirc;ncia coletiva dos mediadores estagi&aacute;rios e dos seus formadores dentro do projeto CreE-A, no qual podem ser forjadas liga&ccedil;&otilde;es tipo fam&iacute;lia, permite-lhe esperar que os efeitos pr&aacute;ticos da media&ccedil;&atilde;o como um projeto, como um <i>savoir-vivre</i>, possam crescer.</p>     <p>&quot;Ser um estrangeiro&quot;, uma mulher, um homem tem lugar ao n&iacute;vel do &quot;quotidiano&quot;, enquanto a alteridade biogr&aacute;fica, de g&eacute;nero ou classe, por exemplo, deve ser entendida num sentido de &quot;vida&quot;. Ser um mediador, intervir em momentos de conflito entre estranhos, pessoas oriundas de contextos de vida, pr&aacute;ticas lingu&iacute;sticas e usos comportamentais completamente diferentes, molda o processo de atua&ccedil;&atilde;o nas fronteiras do quotidiano e da vida. Como j&aacute; foi dito (Silva et al., 2016, p. 94), a constru&ccedil;&atilde;o biogr&aacute;fica do mediador &eacute; tanto um ato como um processo reflexivo. &Agrave; medida que a vida se desenvolve, em cada viragem da vida vivida, Bettina Dausien sugere que &quot;s&atilde;o vividas novas experi&ecirc;ncias, onde o sujeito tem de integrar um &quot;eu&quot; j&aacute; existente, e constru&ccedil;&otilde;es do mundo, e, como resultado, estas s&atilde;o confirmadas e estabilizadas (reprodu&ccedil;&atilde;o) ou alternativamente devem ser &quot;reescritas&quot; (transforma&ccedil;&atilde;o)&quot; (Dausien, 1996, p. 574).</p>     <p>Butoyi relata as dificuldades vividas na sua fase de imers&atilde;o na experi&ecirc;ncia com mediadores experientes, lidando com fam&iacute;lias e com os seus problemas di&aacute;rios de ter de pagar contas de g&aacute;s e eletricidade, manter os seus apartamentos, as dificuldades em perceber e ser percebido. As emo&ccedil;&otilde;es s&atilde;o dif&iacute;ceis de gerir, mas este &eacute; um caminho que ela tomou, uma atividade na qual tenta come&ccedil;ar a ter sucesso. Contudo, existem limita&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="t10"></a> <img src="/img/revistas/csoc/vspe2019/vspe2019a03t10.jpg"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Butoyi admite que as dificuldades que o mediador enfrenta n&atilde;o s&atilde;o insignificantes. A sua inseguran&ccedil;a neste t&oacute;pico pode ser ouvido nos efeitos pros&oacute;dicos do aumento do volume e da &ecirc;nfase (Pro 1.1), que imediatamente &quot;reduz&quot;, por assim dizer. O riso depois da declara&ccedil;&atilde;o de que a media&ccedil;&atilde;o &eacute; dif&iacute;cil pode representar um movimento para se auto-defender ap&oacute;s admitir alguma fraqueza ou inadequa&ccedil;&atilde;o; representa de facto uma invers&atilde;o da escalada da tens&atilde;o, um movimento para desdramatizar o que poderia parecer, por exemplo, exagerado ou n&atilde;o-s&eacute;rio. Em qualquer caso, a tentativa de Butoyi de atingir um co-entendimento &eacute; atenuada pelo movimento de se proteger da cr&iacute;tica. A narrativa biogr&aacute;fica corre sempre o risco de ser mal compreendida. A co-constru&ccedil;&atilde;o &eacute; o objetivo. Mas nem sempre &eacute; o resultado.</p>     <p>Assim, a biografia &eacute; constru&iacute;da sobre horizontes da vida e utiliza recursos de experi&ecirc;ncia, assentes em &quot;camadas&quot; ou &quot;estratos&quot; que representam &quot;reservas de sentido ou de significado&quot; (Dausien, 1996). A entrevista biogr&aacute;fica, que permite contar a hist&oacute;ria da mudan&ccedil;a da vida, abre tamb&eacute;m um espa&ccedil;o para a reflex&atilde;o. Assim, Butoyi relaciona o choque do seu primeiro contacto com as pr&aacute;ticas de media&ccedil;&atilde;o no terreno, expressa as suas d&uacute;vidas e reconhece o desafio que a media&ccedil;&atilde;o representa, para al&eacute;m de oferecer vislumbres da sua experi&ecirc;ncia biogr&aacute;fica relacionada com a pr&aacute;tica enquanto mediadora que tem todas as componentes de uma teoria de um evento (ver Capps &amp; Ochs, 1995). O contexto da investiga&ccedil;&atilde;o oferece de facto o &quot;palco&quot; no qual se relaciona a a&ccedil;&atilde;o biogr&aacute;fica, &quot;reescrita&quot; (metaforicamente), contextualizada e constru&iacute;da.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="t11"></a> <img src="/img/revistas/csoc/vspe2019/vspe2019a03t11.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Butoyi &eacute; capaz de chegar &agrave; conclus&atilde;o, a partir da sua experi&ecirc;ncia na comunidade de pr&aacute;tica representada pelo per&iacute;odo de tempo partilhado com os mediadores que participaram com ela no projeto CreE-A, que realmente consegue ver que tem lugar na &aacute;rea da media&ccedil;&atilde;o social.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="t12"></a> <img src="/img/revistas/csoc/vspe2019/vspe2019a03t12.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Conseguiu perceber que: &quot;On doit se sentir capable&quot;.</p>     <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>     <p>Bourdieu enfatizou as formas de realiza&ccedil;&atilde;o da identidade atrav&eacute;s do uso da linguagem e a forma como a linguagem, por direito pr&oacute;prio, &eacute; realizada atrav&eacute;s de &quot;atos de identidade&quot;, os quais nos permitem perceber a produ&ccedil;&atilde;o materializada da linguagem em cada espa&ccedil;o social, nas palavras de Bourdieu, &quot;uma dimens&atilde;o da hexis f&iacute;sica do indiv&iacute;duo, na qual o mundo social, em todas as suas rela&ccedil;&otilde;es, e o mundo em todas as rela&ccedil;&otilde;es socialmente instru&iacute;das se podem expressar&quot;. A linguagem, afirma, &quot;&eacute; uma t&eacute;cnica do corpo&quot; inclu&iacute;da em todas as rela&ccedil;&otilde;es sociais (Bourdieu, 2001, p. 126).</p>     <p>Com isto em mente, sugiro que a aten&ccedil;&atilde;o cuidada &agrave; linguagem nas conversas nos ajuda a compreender melhor a narrativa biogr&aacute;fica. Uma rigorosa an&aacute;lise da conversa demonstra, segundo o meu argumento, que a linguagem capta alguns dos seguintes pontos:</p>     <blockquote>       <p>• os m&uacute;ltiplos contextos de intera&ccedil;&atilde;o;</p>       <p>• a hesita&ccedil;&atilde;o e circunlocu&ccedil;&otilde;es da conversa da entrevista;</p>       <p>• o papel da voz na narrativa;</p>       <p>• a mem&oacute;ria e a verbaliza&ccedil;&atilde;o de um espa&ccedil;o lembrado;</p>       <p>• o timbre da conversa e a mem&oacute;ria emocional e hist&oacute;rica das pessoas e institui&ccedil;&otilde;es;</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>• as suposi&ccedil;&otilde;es de conhecimento partilhado;</p>       <p>• os discursos t&aacute;citos da compreens&atilde;o m&uacute;tua, expressos no uso partilhado da linguagem.</p> </blockquote>     <p>Sugiro que o detalhe ganho com o tipo de an&aacute;lise rigorosa aqui utilizada para discutir as narrativas de um mediador pode ser generalizada ao conjunto de uma narrativa biogr&aacute;fica completa. Tamb&eacute;m pode ser generalizada a outras potenciais narrativas e conversas da(s) mesma(s) pessoa(s). A an&aacute;lise &eacute; documentada e est&aacute; diretamente ligada &agrave; transcri&ccedil;&atilde;o. As evid&ecirc;ncias lingu&iacute;sticas &mdash; tamb&eacute;m chamadas pr&aacute;ticas da linguagem &mdash; encontradas numa parte de uma hist&oacute;ria de vida poder&atilde;o ser encontradas e ouvidas numa outra qualquer parte dessa hist&oacute;ria.</p>     <p>Os mediadores que foram entrevistados, e a narrativa da mediadora Butoyi, est&atilde;o na vanguarda de uma experi&ecirc;ncia relevante, em contextos de trabalho, aprendizagem, intera&ccedil;&atilde;o social, rela&ccedil;&otilde;es pr&oacute;ximas pessoais e intelectuais ou emocionais. A media&ccedil;&atilde;o, como afirma Helena Neves Almeida, pressup&otilde;e conhecimento, experi&ecirc;ncia e capacidades profissionais com o potencial de transformar rela&ccedil;&otilde;es pessoais, interindividuais, sociais e de comunidade, assim como de construir uma sociedade mais coesa, pac&iacute;fica, justa e inclusiva (Almeida, 2016, p. 31). O papel e a identidade profissional do mediador presente, e de poss&iacute;veis mediadores futuros no geral, &eacute; por natureza din&acirc;mica, e depende de uma tarefa de (auto)-reconstru&ccedil;&atilde;o e co-constru&ccedil;&atilde;o em a&ccedil;&atilde;o e intera&ccedil;&atilde;o com os outros (Silva et al., 2016, p. 94).</p>     <p>Nesta breve e clara discuss&atilde;o de uma sele&ccedil;&atilde;o de excertos da conversa biogr&aacute;fica de uma mediadora em forma&ccedil;&atilde;o, pode ser ouvida a constru&ccedil;&atilde;o local da a&ccedil;&atilde;o social/constru&ccedil;&atilde;o do significado social. A constru&ccedil;&atilde;o de um <i>savoir-faire</i> profissional &eacute; provis&oacute;rio, necessariamente incompleto, aud&iacute;vel e na transcri&ccedil;&atilde;o, para mim, visivelmente cautelosa, apesar de j&aacute; expl&iacute;cita no enquadramento do conhecimento novo e da nova atua&ccedil;&atilde;o. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <!-- ref --><p>Alheit, P. (1983). Alltagsleben. Zur Bedeutung eines gesellschaftlichen &quot;Restph&auml;nomens&quot;. Frankfurt / Nova Iorque: Campus Verlag.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015300&pid=S2183-3575201900010000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Alheit, P. (1990). Biographizit&auml;t als Projekt. Der &quot;biographische Ansatz&quot; in der Erwachsenenbildung. Bremen: Universit&auml;t Bremen.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015302&pid=S2183-3575201900010000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Alheit, P. (2002). Biographieforschung und Erwachsenenbildung. In M. Kraul &amp; W. Marotzki (Eds.), <i>Biographische Arbeit. Perspektiven erziehungswissenschaftlicher Biographieforschung</i> (pp. 211-240). Opladen: Leske+Budrich.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015304&pid=S2183-3575201900010000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Alheit, P. (2006). ‚Biografizit&auml;t‘ als Schl&uuml;sselkompetenz in der Moderne Paper presented at the Universit&auml;t Flensburg Tagung: &quot;Das Leben gestalten. Biografisch lernen - biografisch lehren&quot;, Universit&auml;t Flensburg. Retirado de <a href="http://www.abl-uni-goettingen.de/aktuell/Alheit_Biographizitaet_Schl-uessel_Flensburg-2006.pdf" target="_blank">http://www.abl-uni-goettingen.de/aktuell/Alheit_Biographizitaet_Schl-uessel_Flensburg-2006.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015306&pid=S2183-3575201900010000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Alheit, P. (2018). The concept of &quot;biographicity&quot; as background concept of lifelong learning. <i>Dyskursy mlodych andragogow</i>, <i>19</i>, 9-22. Retirado de <a href="http://cejsh.icm.edu.pl/cejsh/element/bwmeta1.../c/01_Alheit.pdf" target="_blank">http://cejsh.icm.edu.pl/cejsh/element/bwmeta1.../c/01_Alheit.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015307&pid=S2183-3575201900010000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Alheit, P. &amp; Dausien, B. (2002). Bildungsprozesse &uuml;ber die Lebensspanne und lebenslanges Lernen. In R. Tippelt (Ed.), <i>Handbuch Bildungsforschung</i> (pp. 565-585). Opladen: Leske + Budrich.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015308&pid=S2183-3575201900010000300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Almeida, H. N. (2016). Sustentabilidade da media&ccedil;&atilde;o social. Debates e desafios atuais. In A. M. C. Silva, M. d. L. Carvalho &amp; L. R. Oliveira (Eds.), <i>Sustentabilidade da Media&ccedil;&atilde;o Social: processos e pr&aacute;ticas</i> (pp. 13-33). Braga: CECS. Retirado de <a href="http://www.lasics.uminho.pt/ojs/index.php/cecs_ebooks/article/view/2321/2237" target="_blank">http://www.lasics.uminho.pt/ojs/index.php/cecs_ebooks/article/view/2321/2237</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015310&pid=S2183-3575201900010000300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Bertaux, D. (2005). <i>L'enqu&ecirc;te et ses m&eacute;thodes</i>. <i>Le r&eacute;cit de vie.</i> Paris: Armand Colin.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015311&pid=S2183-3575201900010000300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Bourdieu, P. (2001). <i>Langage et pouvoir symbolique</i>. Paris: Editions de Seuil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015313&pid=S2183-3575201900010000300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Capps, L. &amp; Ochs, E. (1995). <i>Constructing panic. The discourse of agoraphobia</i>. Cambridge (MA): Harvard University Press.</p>     <!-- ref --><p>Dausien, B. (1996). <i>Biographie und Geschlecht</i>. Opladen: Leske + Budrich.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015316&pid=S2183-3575201900010000300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>De Fina, A., Schiffrin, D. &amp; Bamberg, M. (2006). Introduction. In A. De Fina, D. Schiffrin &amp; M. Bamberg (Eds.), <i>Discourse and identity</i> (pp. 1-23). Cambridge: Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015318&pid=S2183-3575201900010000300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Demetrio, D. (1995). <i>Raccontarsi. L'autobiografia come cura di s&eacute;.</i> Mil&atilde;o: Raffaello Cortina Editore.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015320&pid=S2183-3575201900010000300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Evans, R. (2004). Learning discourse. Learning biographies, embedded speech and discourse identity in students' talk. Frankfurt / Main: Peter Lang.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015322&pid=S2183-3575201900010000300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Fuchs-Heinritz, W. (2000). Biographische Forschung. Eine Einf&uuml;hrung in Praxis und Methoden. Wiesbaden: Westdeutscher Verlag.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015324&pid=S2183-3575201900010000300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Goffman, E. (1981). <i>Forms of talk</i>. Oxford: Blackwell.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015326&pid=S2183-3575201900010000300016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>G&uuml;lich, E. &amp; Mondada, L. (2008). <i>Konversationsanalyse. Eine Einf&uuml;hrung am Beispiel des Franz&ouml;sischen</i>. Romanistische Arbeitshefte,Vol. 52. T&uuml;bingen: Max Niemeyer Verlag.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015328&pid=S2183-3575201900010000300017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>G&uuml;nthner, S. (1997). Complaint stories. Constructing emotional reciprocity among women. In H. Kotthoff &amp; R. Wodak (Eds.), <i>Communicating gender in context</i> (Vol. 42, pp. 179-218). Amesterd&atilde;o: John Benjamins.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015330&pid=S2183-3575201900010000300018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Hoerning, E. M. (1989). Erfahrungen als biographische Ressourcen. In P. Alheit &amp; E. M. Hoerning (Eds.), <i>Biographisches Wissen. Beitr&auml;ge zu einer Theorie lebensgeschichtlicher Erfahrung</i> (pp. 148-163). Frankfurt/ Nova Iorque: Campus Verlag.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015332&pid=S2183-3575201900010000300019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Hoffmann-Riem, C. (1994). <i>Elementare Ph&auml;nomene der Lebenssituation. Ausschnitte aus einem Jahrzehnt soziologischen Arbeitens</i>. Weinheim: Deutscher Studien Verlag.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015334&pid=S2183-3575201900010000300020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Linde, C. (1993). <i>Life stories. The creation of coherence</i>. Nova Iorque /Oxford: Oxford University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015336&pid=S2183-3575201900010000300021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Luckmann, T. (1981). Lebenslauf und Sprache. In J. Matthes, A. Pfeifenberger &amp; M. Stosberg (Eds.), Biographie in handlungswissenschaftlicher Perspektive. Kolloquium am Sozialwissenschaftlichen Forschungszentrum der Universit&auml;t Erlangen-N&uuml;rnberg (pp. 55-66). N&uuml;rnberg: Verlag der N&uuml;rnberger Forschungsvereinigung e.V.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015338&pid=S2183-3575201900010000300022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Merrill, B. &amp; West, L. (2009). <i>Using biographical methods in social research</i>. Londres: Sage.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015340&pid=S2183-3575201900010000300023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Miller, G. (1994). Toward ethnographies of institutional discourse: proposals and suggestions. In G. Miller &amp; R. Dingwall (Eds.), <i>Context and method in qualitative research</i> (pp. 155-171). Londres: Sage.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015342&pid=S2183-3575201900010000300024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Ochs, E. (1979). Transcription as theory. In E. Ochs &amp; B. B. Schieffelin (Eds.), <i>Developmental pragmatics</i> (pp. 43-72). Nova Iorque: Academic Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015344&pid=S2183-3575201900010000300025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Ochs, E. &amp; Capps, L. (2001). <i>Living narrative. Creating lives in everyday storytelling</i>. Cambridge (MA): Harvard University Press.</p>     <!-- ref --><p>Pavlenko, A. (2007). Autobiographic narratives as data in Applied Linguistics. <i>Applied Linguistics</i>, <i>28</i>(2), 163-188. <a href="https://doi.org/10.1093/applin/amm008" target="_blank">https://doi.org/10.1093/applin/amm008</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015347&pid=S2183-3575201900010000300027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Pineau, G. (1996). Les histoires de vie comme art formateur de l'existence. <i>Pratiques de formations/Analyses</i>, <i>31</i>, 65-80.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015348&pid=S2183-3575201900010000300028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Pineau, G. &amp; Le Grand, J.-L. (2007). <i>Les histoires de vie</i>. Paris: Presses Universitaires de France.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015350&pid=S2183-3575201900010000300029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Ricoeur, P. (1995). <i>R&eacute;flexion faite. Autobiographie intellectuelle</i>. Paris: Editions Esprit.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015352&pid=S2183-3575201900010000300030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Schegloff, E. A., Ochs, E. &amp; Thompson, S. A. (1996). Introduction. In E. Ochs, E. A. Schegloff &amp; S. A. Thompson (Eds.), <i>Interaction and grammar</i> (pp. 1-51). Cambridge: Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015354&pid=S2183-3575201900010000300031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Schiffrin, D. (2006). From linguistic reference to social reality. In A. De Fina, D. Schiffrin &amp; M. Bamberg (Eds.), <i>Discourse and identity</i> (pp. 103-131). Cambridge: Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015356&pid=S2183-3575201900010000300032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Sch&uuml;tze, F. (1975). Sprache soziologisch gesehen. Band II: Sprache als Indikator f&uuml;r egalit&auml;re und nicht-egalit&auml;re Sozialbeziehungen. M&uuml;nchen: Wilhelm Fink Verlag.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015358&pid=S2183-3575201900010000300033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Sch&uuml;tze, F. (1976). Zur Hervorlockung und Analyse von Erz&auml;hlungen thematisch relevanter Geschichten im Rahmen soziologischer Feldforschung. In Arbeitsgruppe Bielefelder Soziologen (Eds.), <i>Kommunikative Sozialforschung</i> (pp. 159-261). M&uuml;nchen: Wilhelm Fink Verlag.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015360&pid=S2183-3575201900010000300034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Sch&uuml;tze, F. (1981). Proze&szlig;strukturen des Lebenslaufs. In J. Matthes, A. Pfeifenberger &amp; M. Stosberg (Eds.), Biographie in handlungswissenschaftlicher Perspektive. Kolloquium am Sozialwissenschaftlichen Forschungszentrum der Universit&auml;t Erlangen-N&uuml;rnberg (pp. 67-157). N&uuml;rnberg: Verlag der N&uuml;rnberger Forschungsvereinigung e.V.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015362&pid=S2183-3575201900010000300035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Silva, A. M. C., Carvalho, M. d. L. &amp; Aparicio, M. (2016). Forma&ccedil;&atilde;o, profissionaliza&ccedil;&atilde;o e identidade dos mediadores sociais. In A. M. C. Silva, M. d. L. Carvalho &amp; L. R. Oliveira (Eds.), <i>Sustentabilidade da Media&ccedil;&atilde;o Social: processos e pr&aacute;ticas</i> (pp. 93-104). Braga: CECS. Retirado de <a href="http://www.lasics.uminho.pt/ojs/index.php/cecs_ebooks/article/view/2326/2242" target="_blank">http://www.lasics.uminho.pt/ojs/index.php/cecs_ebooks/article/view/2326/2242</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015364&pid=S2183-3575201900010000300036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Silva, A. M. C., Carvalho, M. d. L., Moisan, A. &amp; Fortec&ouml;ef, C. (2017). Arlekin: a collaborative action-research-training project without frontiers. <i>International Research Journal of Human Resources and Social Sciences, 4</i>(3), 66-87. Retirado de <a href="http://aarf.asia/hr2.php?p=Volume4%2CIssue3%2CMarch2017" target="_blank">http://aarf.asia/hr2.php?p=Volume4,Issue3,March2017</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015365&pid=S2183-3575201900010000300037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Szczepek Reed, B. (2011). <i>Analyzing conversation. An introduction to prosody</i>. Basingstoke: Palgrave.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015366&pid=S2183-3575201900010000300038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Tannen, D. (2007). <i>Talking voices. Repetition, dialogue, and imagery in conversational discourse, Vol. 25.</i> Cambridge: Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015368&pid=S2183-3575201900010000300039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Nota biogr&aacute;fica</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Rob Evans, nascido em Londres, vive em Duisburg e &eacute; professor de Ingl&ecirc;s Acad&ecirc;mico e Ingl&ecirc;s Comercial na Otto-von-Guericke-Universit&auml;t Magdeburg, Alemanha desde 2004. Estudou Russo e Hist&oacute;ria em Leeds e T&uuml;bingen. Vive e trabalha fora do Reino Unido h&aacute; mais de 40 anos, na Alemanha, It&aacute;lia e Egito. Os seus interesses de investiga&ccedil;&atilde;o s&atilde;o os m&eacute;todos biogr&aacute;ficos de pesquisa e os discursos de aprendizagem. Editou livros sobre o mundo global / local e aprendizagem de adultos (2009, 2010, 2016), sobre m&eacute;todos de pesquisa biogr&aacute;fica (2016). Colabora como editor e revisor em v&aacute;rias revistas europeias.</p>     <p><a href="https://orcid.org/0000-0003-1168-4121" target="_blank">https://orcid.org/0000-0003-1168-4121</a></p>     <p>Email: <a href="mailto:rob.evans@ovgu.de">rob.evans@ovgu.de</a></p>     <p>Morada: Language Centre, English Department, Otto-von-Guericke-Universit&auml;t Magdeburg, G40C-253 - Zschokkestr. 32, 39104 Magdeburg &mdash;Deutschland</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>* Submetido: 31/01/2019</b></p>     <p><b>* Aceite: 04/03/2019</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Tradu&ccedil;&atilde;o: N&uacute;ria Santos</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Notas</b></p>     <p><sup><a href="#top1" name="1">[1]</a></sup> EACEA, N.&deg; 580448-EPP-1-2016-1-FR-EPPKA3-IPI-SOC-IN</p>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Alheit]]></surname>
<given-names><![CDATA[P]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Alltagsleben: Zur Bedeutung eines gesellschaftlichen "Restphänomens"]]></source>
<year>1983</year>
<publisher-loc><![CDATA[FrankfurtNova Iorque ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Campus Verlag]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Alheit]]></surname>
<given-names><![CDATA[P]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Biographizität als Projekt: Der "biographische Ansatz" in der Erwachsenenbildung]]></source>
<year>1990</year>
<publisher-loc><![CDATA[Bremen ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Universität Bremen]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Alheit]]></surname>
<given-names><![CDATA[P]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="de"><![CDATA[Biographieforschung und Erwachsenenbildung]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Kraul]]></surname>
<given-names><![CDATA[M]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Marotzki]]></surname>
<given-names><![CDATA[W]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Biographische Arbeit: Perspektiven erziehungswissenschaftlicher Biographieforschung]]></source>
<year>2002</year>
<page-range>211-240</page-range><publisher-loc><![CDATA[Opladen ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Leske+Budrich]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Alheit]]></surname>
<given-names><![CDATA[P]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Biografizität als Schlüsselkompetenz in der Moderne Paper presented at the Universität Flensburg Tagung: "Das Leben gestalten. Biografisch lernen - biografisch lehren", Universität Flensburg]]></source>
<year>2006</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Alheit]]></surname>
<given-names><![CDATA[P]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The concept of "biographicity" as background concept of lifelong learning]]></article-title>
<source><![CDATA[Dyskursy mlodych andragogow]]></source>
<year>2018</year>
<volume>19</volume>
<page-range>9-22</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Alheit]]></surname>
<given-names><![CDATA[P]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Dausien]]></surname>
<given-names><![CDATA[B]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="de"><![CDATA[Bildungsprozesse über die Lebensspanne und lebenslanges Lernen]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Tippelt]]></surname>
<given-names><![CDATA[R]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Handbuch Bildungsforschung]]></source>
<year>2002</year>
<page-range>565-585</page-range><publisher-loc><![CDATA[Opladen ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Leske + Budrich]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Almeida]]></surname>
<given-names><![CDATA[H. N]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Sustentabilidade da mediação social. Debates e desafios atuais]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Silva]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. M. C]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Carvalho]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. d. L]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Oliveira]]></surname>
<given-names><![CDATA[L. R]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Sustentabilidade da Mediação Social: processos e práticas]]></source>
<year>2016</year>
<page-range>13-33</page-range><publisher-loc><![CDATA[Braga ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[CECS]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Bertaux]]></surname>
<given-names><![CDATA[D]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[L enquête et ses méthodes: Le récit de vie]]></source>
<year>2005</year>
<publisher-loc><![CDATA[Paris ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Armand Colin]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Bourdieu]]></surname>
<given-names><![CDATA[P]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Langage et pouvoir symbolique]]></source>
<year>2001</year>
<publisher-loc><![CDATA[Paris ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Editions de Seuil]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Capps]]></surname>
<given-names><![CDATA[L]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Ochs]]></surname>
<given-names><![CDATA[E]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Constructing panic: The discourse of agoraphobia]]></source>
<year>1995</year>
<publisher-loc><![CDATA[Cambridge ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Harvard University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Dausien]]></surname>
<given-names><![CDATA[B]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Biographie und Geschlecht]]></source>
<year>1996</year>
<publisher-loc><![CDATA[Opladen ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Leske + Budrich]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[De Fina]]></surname>
<given-names><![CDATA[A]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Schiffrin]]></surname>
<given-names><![CDATA[D]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Bamberg]]></surname>
<given-names><![CDATA[M]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Introduction]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[De Fina]]></surname>
<given-names><![CDATA[A]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Schiffrin]]></surname>
<given-names><![CDATA[D]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Bamberg]]></surname>
<given-names><![CDATA[M]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Discourse and identity]]></source>
<year>2006</year>
<page-range>1-23</page-range><publisher-loc><![CDATA[Cambridge ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Cambridge University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Demetrio]]></surname>
<given-names><![CDATA[D]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Raccontarsi: L autobiografia come cura di sé]]></source>
<year>1995</year>
<publisher-loc><![CDATA[Milão ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Raffaello Cortina Editore]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B14">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Evans]]></surname>
<given-names><![CDATA[R]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Learning discourse: Learning biographies, embedded speech and discourse identity in students talk]]></source>
<year>2004</year>
<publisher-loc><![CDATA[FrankfurtMain ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Peter Lang]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B15">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Fuchs-Heinritz]]></surname>
<given-names><![CDATA[W]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Biographische Forschung. Eine Einführung in Praxis und Methoden]]></source>
<year>2000</year>
<publisher-loc><![CDATA[Wiesbaden ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Westdeutscher Verlag]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B16">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Goffman]]></surname>
<given-names><![CDATA[E]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Forms of talk]]></source>
<year>1981</year>
<publisher-loc><![CDATA[Oxford ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Blackwell]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B17">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Gülich]]></surname>
<given-names><![CDATA[E]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Mondada]]></surname>
<given-names><![CDATA[L]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Konversationsanalyse: Eine Einführung am Beispiel des Französischen]]></source>
<year>2008</year>
<volume>52</volume>
<publisher-loc><![CDATA[Tübingen ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Max Niemeyer Verlag]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B18">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Günthner]]></surname>
<given-names><![CDATA[S]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Complaint stories: Constructing emotional reciprocity among women]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Kotthoff]]></surname>
<given-names><![CDATA[H]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Wodak]]></surname>
<given-names><![CDATA[R]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Communicating gender in context]]></source>
<year>1997</year>
<volume>42</volume>
<page-range>179-218</page-range><publisher-loc><![CDATA[Amesterdão ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[John Benjamins]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B19">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Hoerning]]></surname>
<given-names><![CDATA[E. M]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="de"><![CDATA[Erfahrungen als biographische Ressourcen]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Alheit]]></surname>
<given-names><![CDATA[P]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Hoerning]]></surname>
<given-names><![CDATA[E. M]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Biographisches Wissen: Beiträge zu einer Theorie lebensgeschichtlicher Erfahrung]]></source>
<year>1989</year>
<page-range>148-163</page-range><publisher-loc><![CDATA[FrankfurtNova Iorque ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Campus Verlag]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B20">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Hoffmann-Riem]]></surname>
<given-names><![CDATA[C]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Elementare Phänomene der Lebenssituation: Ausschnitte aus einem Jahrzehnt soziologischen Arbeitens]]></source>
<year>1994</year>
<publisher-loc><![CDATA[Weinheim ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Deutscher Studien Verlag]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B21">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Linde]]></surname>
<given-names><![CDATA[C]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Life stories: The creation of coherence]]></source>
<year>1993</year>
<publisher-loc><![CDATA[Nova IorqueOxford ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Oxford University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B22">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Luckmann]]></surname>
<given-names><![CDATA[T]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="de"><![CDATA[Lebenslauf und Sprache]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Matthes]]></surname>
<given-names><![CDATA[J]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Pfeifenberger]]></surname>
<given-names><![CDATA[A]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Stosberg]]></surname>
<given-names><![CDATA[M]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Biographie in handlungswissenschaftlicher Perspektive: Kolloquium am Sozialwissenschaftlichen Forschungszentrum der Universität Erlangen-Nürnberg]]></source>
<year>1981</year>
<page-range>55-66</page-range><publisher-loc><![CDATA[Nürnberg ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Verlag der Nürnberger Forschungsvereinigung e.V]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B23">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Merrill]]></surname>
<given-names><![CDATA[B]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[West]]></surname>
<given-names><![CDATA[L]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Using biographical methods in social research]]></source>
<year>2009</year>
<publisher-loc><![CDATA[Londres ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Sage]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B24">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Miller]]></surname>
<given-names><![CDATA[G]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Toward ethnographies of institutional discourse: proposals and suggestions]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Miller]]></surname>
<given-names><![CDATA[G]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Dingwall]]></surname>
<given-names><![CDATA[R]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[]]></source>
<year>1994</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B25">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Ochs]]></surname>
<given-names><![CDATA[E]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Transcription as theory]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Ochs]]></surname>
<given-names><![CDATA[E]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Schieffelin]]></surname>
<given-names><![CDATA[B. B]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Developmental pragmatics]]></source>
<year>1979</year>
<page-range>43-72</page-range><publisher-loc><![CDATA[Nova Iorque ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Academic Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B26">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Ochs]]></surname>
<given-names><![CDATA[E]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Capps]]></surname>
<given-names><![CDATA[L]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Living narrative: Creating lives in everyday storytelling]]></source>
<year>2001</year>
<publisher-loc><![CDATA[Cambridge ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Harvard University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B27">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Pavlenko]]></surname>
<given-names><![CDATA[A]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Autobiographic narratives as data in Applied Linguistics]]></article-title>
<source><![CDATA[Applied Linguistics]]></source>
<year>2007</year>
<volume>28</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>163-188</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B28">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Pineau]]></surname>
<given-names><![CDATA[G]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="fr"><![CDATA[Les histoires de vie comme art formateur de l existence]]></article-title>
<source><![CDATA[Pratiques de formations/Analyses]]></source>
<year>1996</year>
<volume>31</volume>
<page-range>65-80</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B29">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Pineau]]></surname>
<given-names><![CDATA[G]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Le Grand]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.-L]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Les histoires de vie]]></source>
<year>2007</year>
<publisher-loc><![CDATA[Paris ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Presses Universitaires de France]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B30">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Ricoeur]]></surname>
<given-names><![CDATA[P]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Réflexion faite: Autobiographie intellectuelle]]></source>
<year>1995</year>
<publisher-loc><![CDATA[Paris ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Editions Esprit]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B31">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Schegloff]]></surname>
<given-names><![CDATA[E. A]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Ochs]]></surname>
<given-names><![CDATA[E]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Thompson]]></surname>
<given-names><![CDATA[S. A]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Introduction]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Ochs]]></surname>
<given-names><![CDATA[E]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Schegloff]]></surname>
<given-names><![CDATA[E. A]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Thompson]]></surname>
<given-names><![CDATA[S. A]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Interaction and grammar]]></source>
<year>1996</year>
<page-range>1-51</page-range><publisher-loc><![CDATA[Cambridge ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Cambridge University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B32">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Schiffrin]]></surname>
<given-names><![CDATA[D]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[From linguistic reference to social reality]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[De Fina]]></surname>
<given-names><![CDATA[A]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Schiffrin]]></surname>
<given-names><![CDATA[D]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Bamberg]]></surname>
<given-names><![CDATA[M]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Discourse and identity]]></source>
<year>2006</year>
<page-range>103-131</page-range><publisher-loc><![CDATA[Cambridge ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Cambridge University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B33">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Schütze]]></surname>
<given-names><![CDATA[F]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Sprache soziologisch gesehen: Band II: Sprache als Indikator für egalitäre und nicht-egalitäre Sozialbeziehungen]]></source>
<year>1975</year>
<publisher-loc><![CDATA[München ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Wilhelm Fink Verlag]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B34">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Schütze]]></surname>
<given-names><![CDATA[F]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="de"><![CDATA[Zur Hervorlockung und Analyse von Erzählungen thematisch relevanter Geschichten im Rahmen soziologischer Feldforschung]]></article-title>
<collab>Arbeitsgruppe Bielefelder Soziologen</collab>
<source><![CDATA[Kommunikative Sozialforschung]]></source>
<year>1976</year>
<page-range>159-261</page-range><publisher-loc><![CDATA[München ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Wilhelm Fink Verlag]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B35">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Schütze]]></surname>
<given-names><![CDATA[F]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="de"><![CDATA[Prozeßstrukturen des Lebenslaufs]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Matthes]]></surname>
<given-names><![CDATA[J]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Pfeifenberger]]></surname>
<given-names><![CDATA[A]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Stosberg]]></surname>
<given-names><![CDATA[M]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Biographie in handlungswissenschaftlicher Perspektive. Kolloquium am Sozialwissenschaftlichen Forschungszentrum der Universität Erlangen-Nürnberg]]></source>
<year>1981</year>
<page-range>67-157</page-range><publisher-loc><![CDATA[Nürnberg ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Verlag der Nürnberger Forschungsvereinigung e.V]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B36">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Silva]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. M. C]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Carvalho]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. d. L]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Aparicio]]></surname>
<given-names><![CDATA[M]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Formação, profissionalização e identidade dos mediadores sociais]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Silva]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. M. C]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Carvalho]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. d. L]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Oliveira]]></surname>
<given-names><![CDATA[L. R]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Sustentabilidade da Mediação Social: processos e práticas]]></source>
<year>2016</year>
<page-range>93-104</page-range><publisher-loc><![CDATA[Braga ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[CECS]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B37">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Silva]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. M. C]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Carvalho]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. d. L]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Moisan]]></surname>
<given-names><![CDATA[A]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Fortecöef]]></surname>
<given-names><![CDATA[C]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Arlekin: a collaborative action-research-training project without frontiers]]></article-title>
<source><![CDATA[International Research Journal of Human Resources and Social Sciences]]></source>
<year>2017</year>
<volume>4</volume>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
<page-range>66-87</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B38">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Szczepek Reed]]></surname>
<given-names><![CDATA[B]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Analyzing conversation: An introduction to prosody]]></source>
<year>2011</year>
<publisher-loc><![CDATA[Basingstoke ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Palgrave]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B39">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Tannen]]></surname>
<given-names><![CDATA[D]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Talking voices: Repetition, dialogue, and imagery in conversational discourse, Vol. 25]]></source>
<year>2007</year>
<publisher-loc><![CDATA[Cambridge ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Cambridge University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
