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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Mediação intercultural com álbuns ilustrados]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Picturebooks are good resources for intercultural mediation with children given their multimodality and topic range related to contemporary living. When carefully selected, picturebooks may help children reflect on the multicultural world they live in and learn about meaningful intercultural action. Some examples of picturebooks are used from the Identity and Diversity in Picture Book Collections project (IDPBC) in order to explore topics related to the superdiversity of contemporary societies, such as, living in communities, multiple linguistic identities, approaches to mass migration and (voluntary and enforced) mobility. Fictional resources such as these are capable of generating empathy in readers and thus can be used to help children understand the growing cultural diversity around them, as well as the social phenomena of migration, refugees. These fictional resources may also contribute to children's understanding of social complexity at the global scale, at the human rights level, and within rules of democratic action as global citizens. Some inclusive didactic approaches are further suggested for using the selected picturebooks with five to 12-year old children in contexts of intercultural mediation.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS TEM&Aacute;TICOS</b></p>     <p><b>Media&ccedil;&atilde;o intercultural com &aacute;lbuns ilustrados</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Intercultural mediation through picturebooks</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> //     <p><b> Margarida Morgado <sup>1</sup></b>    <br>     <img src="/img/revistas/id_orcid.gif"> <a href="https://orcid.org/0000-0002-3651-3030" target="_blank">https://orcid.org/0000-0002-3651-3030</a></p>     
<p>*Escola Superior de Educa&ccedil;&atilde;o, Instituto Polit&eacute;cnico de Castelo Branco, Portugal.</p>     <p><a href="mailto:marg.morgado@ipcb.pt">marg.morgado@ipcb.pt</a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>&Eacute; grande o potencial de utiliza&ccedil;&atilde;o de livros-&aacute;lbum no contexto da media&ccedil;&atilde;o intercultural com crian&ccedil;as e jovens, que recorrem &agrave; multimodalidade para contar hist&oacute;rias sobre condi&ccedil;&otilde;es sociais de vida mundo atual. Quando criteriosamente selecionados, os livros-&aacute;lbum permitem aos jovens encontrar representa&ccedil;&otilde;es diversas de multiculturalidade e de atua&ccedil;&atilde;o intercultural significativas. Apresentam-se alguns exemplos de como um conjunto de livros-&aacute;lbum da cole&ccedil;&atilde;o do projeto IDPBC (Identity and Diversity in Picture Book Collections) pode ser usado para explorar t&oacute;picos de superdiversidade das sociedades modernas, tais como, viver em comunidades culturalmente muito diversas, constru&ccedil;&atilde;o de m&uacute;ltiplas identidades lingu&iacute;sticas, mobilidades humanas (for&ccedil;adas e volunt&aacute;rias) e migra&ccedil;&otilde;es, em massa. Estes recursos ficcionais, que se apresentam como geradores de empatia entre os leitores, podem ser usados para ajudar crian&ccedil;as a compreender a diversidade crescente em que vivem, bem como os fen&oacute;menos contempor&acirc;neos de migra&ccedil;&atilde;o ou refugiados. Eles podem tamb&eacute;m contribuir para ajudar os jovens a compreender a complexidade social &agrave; escala global e ao n&iacute;vel dos direitos humanos e da conviv&ecirc;ncia na diversidade de uma cidadania global. Sugerem-se por fim abordagens did&aacute;ticas inclusivas destes materiais, pass&iacute;veis de serem usadas com crian&ccedil;as (com idades dos cinco aos 12 anos) em situa&ccedil;&otilde;es de acolhimento e media&ccedil;&atilde;o intercultural.</p>     <p><b>Palavras-chave</b>: Livro-&aacute;lbum; identidade; diversidade; migra&ccedil;&atilde;o; media&ccedil;&atilde;o intercultural.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>Picturebooks are good resources for intercultural mediation with children given their multimodality and topic range related to contemporary living. When carefully selected, picturebooks may help children reflect on the multicultural world they live in and learn about meaningful intercultural action. Some examples of picturebooks are used from the Identity and Diversity in Picture Book Collections project (IDPBC) in order to explore topics related to the superdiversity of contemporary societies, such as, living in communities, multiple linguistic identities, approaches to mass migration and (voluntary and enforced) mobility. Fictional resources such as these are capable of generating empathy in readers and thus can be used to help children understand the growing cultural diversity around them, as well as the social phenomena of migration, refugees. These fictional resources may also contribute to children's understanding of social complexity at the global scale, at the human rights level, and within rules of democratic action as global citizens. Some inclusive didactic approaches are further suggested for using the selected picturebooks with five to 12-year old children in contexts of intercultural mediation.</p>     <p><b>Keywords</b>: Picturebook; identity; diversity; migration; intercultural mediation.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Margaret Meek (1991) escreveu que somos as hist&oacute;rias que lemos ou contamos, no sentido em que as sociedades criam fic&ccedil;&otilde;es e estas acabam por pautar o viver das pessoas em sociedade (Meek, 1991), reconhecendo igualmente a autora que a no&ccedil;&atilde;o de que a fic&ccedil;&atilde;o constr&oacute;i a realidade poder&aacute; n&atilde;o ser confort&aacute;vel para a maioria das pessoas. No fundo, Meek concorre com outros autores para afirmar a ideia que as narrativas (ficcionais ou outras) que partilhamos s&atilde;o estruturas ideol&oacute;gicas ou estrat&eacute;gias utilizadas para construir a realidade, recordar o passado, apresentar quem somos, (a(s) nossa(s) identidade(s)), os modos culturalmente pr&oacute;prios de nos entendermos e de nos recriarmos, aos outros e ao mundo. Ler ou contar hist&oacute;rias s&atilde;o atos essenciais de produ&ccedil;&atilde;o de sentido, de nomear o que ainda n&atilde;o foi nomeado ou de (re)construir acontecimentos reais de outras maneiras, de modo a gerar sentidos alternativos. A escolha de uma hist&oacute;ria ou de um modo de a narrar representa consequentemente uma mundovis&atilde;o, que tanto pode ser individual como coletiva. Segundo Bruner (1986), a narrativa configura um modo de pensar, geralmente recordado como vivido, sobre pessoas que s&atilde;o agentes, sobre as suas inten&ccedil;&otilde;es e sobre as vicissitudes dessas inten&ccedil;&otilde;es (Djikic, Oatley &amp; Moldoveanu, 2013, p. 30).</p>     <p>Conv&eacute;m, no entanto, alertar para riscos de utiliza&ccedil;&atilde;o de fic&ccedil;&otilde;es (e no caso do presente artigo, de livros-&aacute;lbum) no quadro de representa&ccedil;&atilde;o cultural da diversidade. Na palestra intitulada <i>The danger of a single story</i> [O perigo da hist&oacute;ria &uacute;nica] (Adichie, 2009), um <i>Ted Talk</i> no qual a escritora nigeriana radicada nos EUA, Chimamanda Ngozie Adichie reiterava a import&acirc;ncia de ler e contar hist&oacute;rias, no plural, ela alertava ao mesmo tempo para os perigos da &quot;hist&oacute;ria &uacute;nica&quot; e da reprodu&ccedil;&atilde;o de clich&eacute;s, discrimina&ccedil;&atilde;o, preconceitos, estere&oacute;tipos e populismo. Na base da sua palestra contra a discrimina&ccedil;&atilde;o &eacute;tnica, racial e social, ela chama a aten&ccedil;&atilde;o para a import&acirc;ncia das hist&oacute;rias que se contam, que se publicam, que se leem na escola e fora dela e como elas configuram modos de representa&ccedil;&atilde;o das sociedades que se tornam dominantes, ao mesmo tempo que reduzem as experi&ecirc;ncias vividas na realidade a certos clich&eacute;s.</p>     <p>Reproduz-se cultura com base no que se l&ecirc; e ouve, pelo que &eacute; importante que se escolham hist&oacute;rias tendo em conta crit&eacute;rios de representatividade do que &eacute; narrado: como &eacute; que um determinado aspeto cultural &eacute; contado? Por quem? De que modo? Com que efeito? Dado que &quot;n&atilde;o vemos o que n&atilde;o conhecemos&quot;, de que modo &eacute; que hist&oacute;rias (no plural) podem enriquecer o nosso conhecimento e reconhecimento da realidade representada?</p>     <p>Para al&eacute;m da necessidade de escolher criteriosamente as hist&oacute;rias sobre um determinado t&oacute;pico ou tema que se conta ou l&ecirc; a crian&ccedil;as, &eacute; igualmente importante considerar as estrat&eacute;gias da sua media&ccedil;&atilde;o intercultural junto de crian&ccedil;as, de modo a promover oportunidades de reflex&atilde;o, de compreens&atilde;o de fen&oacute;menos sociais complexos, sem desvirtuar a sua complexidade, e eventualmente promover o desenvolvimento das compet&ecirc;ncias de que crian&ccedil;as necessitar&atilde;o para lidar com situa&ccedil;&otilde;es de grande heterogeneidade cultural e lingu&iacute;stica na escola &mdash; uma vez que estas s&atilde;o cada vez mais frequentes &mdash;, e de superdiversidade (Vertovec, 2006) nas sociedades. A superdiversidade &eacute;tnica, social e lingu&iacute;stica &eacute; um conceito convocado para descrever profundas altera&ccedil;&otilde;es nos padr&otilde;es migrat&oacute;rios que afetam a ideia de composi&ccedil;&atilde;o &eacute;tnica homog&eacute;nea de grupos de migrantes, a sua distribui&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica e o seu estatuto socioecon&oacute;mico. O conceito visa relevar as diversas vari&aacute;veis que se intersectam nas trajet&oacute;rias de vidas sociais e culturais de migrantes nas sociedades atuais.</p>     <p>Neste texto debate-se, portanto, o potencial de utiliza&ccedil;&atilde;o de livros-&aacute;lbum para a media&ccedil;&atilde;o intercultural com crian&ccedil;as e jovens. A multimodalidade destes materiais de literatura infantojuvenil, quando criteriosamente selecionados e abordados de perspetivas socio construtivistas, tendo por foco a promo&ccedil;&atilde;o da compet&ecirc;ncia comunicativa intercultural e a cidadania global nos contextos educativos plurilingues e multiculturais das sociedades atuais, com as suas din&acirc;micas complexas de identidade e alteridade, permite uma forma&ccedil;&atilde;o expl&iacute;cita e intencional sobre o que acontece, quando no mundo globalizado do s&eacute;culo XXI, as diversas popula&ccedil;&otilde;es e culturas do mundo contactam como nunca antes em termos de espa&ccedil;o e tempo, dada a mobilidade crescente dos povos, volunt&aacute;ria e/ou for&ccedil;ada, mas tamb&eacute;m &agrave; presen&ccedil;a di&aacute;ria constante dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o digitais da Sociedade da Informa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>O nosso argumento para o presente texto &eacute;, em primeiro lugar, que a educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica carece de novas mundovis&otilde;es. E que estas podem ser partilhadas e aprendidas, de forma cr&iacute;tica, a partir de livros-&aacute;lbum atuais. Estes n&atilde;o s&oacute; t&ecirc;m evidenciado um crescente envolvimento com a representa&ccedil;&atilde;o de novas realidades de diversidade global e de a&ccedil;&otilde;es humanas com implica&ccedil;&otilde;es &agrave; escala global, de forma complexa, como possuem um potencial enorme de gerar empatia pelos outros, tornando-se assim em recursos &uacute;teis de educar para a diversidade e cidadania global.</p>     <p>Em segundo lugar, o presente texto argumenta que os livros-&aacute;lbum, na sua multimodalidade, s&atilde;o instrumentos de desenvolvimento de multiliteracias, necess&aacute;rias hoje para enfrentar um mundo que usa formas de representa&ccedil;&atilde;o complexas, baseadas tanto na oralidade, como na imagem e na escrita, por contraste com a tradicional literacia da escola, frequentemente ainda excessivamente ligada ao aprendizado e primado da escrita. Por outro lado, o livro-&aacute;lbum, em que escrita e imagem se entrecruzam, abre perspetivas de rela&ccedil;&atilde;o do que a crian&ccedil;a aprende na escola e usa em casa (televis&atilde;o, telem&oacute;vel, tecnologias digitais). Contudo, dado que a introdu&ccedil;&atilde;o de livros-&aacute;lbum na escola, sobretudo ao n&iacute;vel do pr&eacute;-escolar, n&atilde;o constitui novidade, conv&eacute;m salientar que se advoga uma utiliza&ccedil;&atilde;o destes recursos com crian&ccedil;as mais velhas e no quadro de pedagogias emergentes, socio-construtivistas, inclusivas, centradas no aluno, interativas e experienciais. Prop&otilde;e-se um olhar sobre os livros-&aacute;lbum como forma de mediar problemas sociais complexos em ambientes escolares e sociais com grande diversidade cultural e lingu&iacute;stica, tamb&eacute;m por duas outras raz&otilde;es: porque as crian&ccedil;as come&ccedil;am por pensar por imagens e porque uma imagem n&atilde;o ergue as barreiras lingu&iacute;sticas de um texto escrito ou oral, sendo assim particularmente adequado para ambientes plurilingues.</p>     <p>Come&ccedil;aremos por uma defini&ccedil;&atilde;o necessariamente sum&aacute;ria de dois conceitos operacionais convocados para a narra&ccedil;&atilde;o de hist&oacute;rias em termos de compet&ecirc;ncias a desenvolver em crian&ccedil;as: <i>compet&ecirc;ncia comunicativa intercultural</i> e <i>cidadania global</i>. Estes dois conceitos e compet&ecirc;ncias, refletidos nos curr&iacute;culos da educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica, servir&atilde;o para enquadrar as hist&oacute;rias de livros-&aacute;lbum da cole&ccedil;&atilde;o IDPBC (Identity and Diversity in Picture Book Collections) e as propostas inclusivas da sua explora&ccedil;&atilde;o com crian&ccedil;as no contexto de propostas de media&ccedil;&atilde;o intercultural em salas de aula com significativa diversidade cultural e lingu&iacute;stica, a partir de tr&ecirc;s objetivos educacionais: aprender a viver em comunidades culturalmente diversas, entender a constru&ccedil;&atilde;o de identidades lingu&iacute;sticas plurais e compreender a mobilidade e migra&ccedil;&atilde;o em termos atuais.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Educa&ccedil;&atilde;o para a cidadania global e desenvolvimento da compet&ecirc;ncia comunicativa intercultural</b></p>     <p>Ao contr&aacute;rio do que acontecia h&aacute; anos atr&aacute;s, todas as crian&ccedil;as entram hoje frequentemente em contacto com comportamentos e manifesta&ccedil;&otilde;es culturais heterog&eacute;neos, tanto presencialmente como pelo que leem/veem nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o digitais. Para que o contacto se torne encontro e n&atilde;o choque (cultural), &eacute; necess&aacute;rio educ&aacute;-las para tomar consci&ecirc;ncia, de forma cr&iacute;tica e conhecedora, do que as rodeia, para que possam desenvolver as capacidades, atitudes e conhecimento necess&aacute;rios &agrave; vida em (super)diversidade, saibam comunicar com efic&aacute;cia em ambientes lingu&iacute;stica e culturalmente diversos (ou seja, desenvolvam <i>compet&ecirc;ncia comunicativa intercultural</i>) e saibam construir uma <i>cidadania global</i>.</p>     <p><b>Cidadania global</b></p>     <p>A cidadania global &eacute; um termo frequentemente contestado, dada a sua abrang&ecirc;ncia de utiliza&ccedil;&atilde;o e ambiguidade. Oxley e Morris (2013, p. 301) salientam como &eacute; f&aacute;cil usar este conceito para situa&ccedil;&otilde;es t&atilde;o diferentes como banir o uso do v&eacute;u sobre a cara das mulheres em sociedades ocidentais; promover o trabalho com a diferen&ccedil;a que se origina em divis&otilde;es religiosas; desmontar o ponto de vista hegem&oacute;nico das sociedades ocidentais sobre o resto do mundo; ou capacitar os cidad&atilde;os com as compet&ecirc;ncias que lhes permitir&atilde;o resolver conflitos e lutar contra a injusti&ccedil;a social.</p>     <p>Sendo a cidadania um objetivo da educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica, tamb&eacute;m nem sempre se aborda a sua dimens&atilde;o como &lsquo;global&rsquo;;, dado que muitas vezes se procura ligar este termo (cidadania) com a educa&ccedil;&atilde;o para o desenvolvimento, com a aprendizagem dos direitos humanos, ou com a educa&ccedil;&atilde;o para a paz (Oxley &amp; Morris, 2013, p. 302).</p>     <p>Contudo, &eacute; no conceito de constru&ccedil;&atilde;o de uma cidadania global que se pretende situar a presente abordagem de media&ccedil;&atilde;o intercultural com livros-&aacute;lbum. Utilizaremos a no&ccedil;&atilde;o convocada por Parekh (2013, p. 12) de um <i>cidad&atilde;o orientado para a globalidade</i>, portanto geograficamente localizado num territ&oacute;rio espec&iacute;fico, embora atento &agrave;s repercuss&otilde;es locais no global e vice-versa. Consideraremos igualmente como parte da cidadania global as compet&ecirc;ncias geralmente definidas, de forma <i>normativa</i> em contextos educativos, que presumem a forma&ccedil;&atilde;o de um cidad&atilde;o em tempos de grande diversidade cultural e lingu&iacute;stica: tomar consci&ecirc;ncia de si no mundo; tomar consci&ecirc;ncia da responsabilidade humana sobre o planeta, conhecer outras culturas; desenvolver empatia e responsabilidade pelo outro &agrave; escala global.</p>     <p><b>Compet&ecirc;ncia comunicativa intercultural</b></p>     <p>Nas compet&ecirc;ncias educativas enunciadas no ponto anterior enquadra-se frequentemente a <i>educa&ccedil;&atilde;o intercultural,</i> no sentido de promover junto das crian&ccedil;as o autoconhecimento de si para responder de forma adequada aos outros em encontros interculturais, mas tamb&eacute;m tomar consci&ecirc;ncia de como cada indiv&iacute;duo vai construindo m&uacute;ltiplas identidades, flex&iacute;veis, e sempre em mudan&ccedil;a (Sen, 2006).</p>     <p>Em <i>Organiza&ccedil;&atilde;o curricular e programas. Estudo do Meio</i> (Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o, s.d., pp. 100-114), referente ao 1.&ordm; ciclo, por exemplo, fala-se em &quot;desenvolver o respeito pelos outros povos e culturas, rejeitando qualquer tipo de discrimina&ccedil;&atilde;o&quot; (Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o, s.d., pp. 103-104). Refere-se a descoberta dos outros por meio de &quot;conhecer costumes e tradi&ccedil;&otilde;es de outros povos quando existem realidades na escola&quot; (Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o, s.d., pp. 113-114). E, do programa do 3.&ordm; ano consta a formula&ccedil;&atilde;o seguinte: &quot;conhecer aspetos das culturas das minorias que eventualmente habitem na localidade ou bairro (costumes, l&iacute;ngua, gastronomia, m&uacute;sica)&quot; (Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o, s.d., p. 108).</p>     <p>Contudo, a <i>compet&ecirc;ncia comunicativa intercultural</i>, que nos parece ser a necess&aacute;ria &agrave; efic&aacute;cia de comunica&ccedil;&atilde;o num mundo globalizado e numa escola diversa, ir&aacute; para al&eacute;m do conhecer, para abarcar o saber ser, saber relacionar-se de forma cr&iacute;tica com os outros e saber aprender no sentido da descoberta e da intera&ccedil;&atilde;o com os outros (Byram, 1997). O modelo de Byram (1997) de compet&ecirc;ncia comunicativa intercultural poder&aacute; ser sintetizado na capacidade manifesta dos alunos para trabalhar e colaborar de forma efetiva com crian&ccedil;as e jovens de outras culturas. Tal implica utilizar comportamentos comunicativos adequados e saber negociar entre as diferentes identidades em presen&ccedil;a em ambiente culturalmente diverso. A compet&ecirc;ncia comunicativa intercultural inclui a tomada de consci&ecirc;ncia intercultural, o desenvolvimento da sensibilidade intercultural e a aprendizagem da efic&aacute;cia intercultural.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Uma das escalas usadas para medir a Efic&aacute;cia Intercultural, a de Portalla e Chen (2010; (ver tamb&eacute;m Mendenhall, Stevens, Bird, Oddou &amp; Osland, 2011), um instrumento validado que avalia a capacidade dos indiv&iacute;duos para atingir objetivos comunicativos em intera&ccedil;&otilde;es interculturais, inclui par&acirc;metros que medem o interesse e a curiosidade pelas pessoas de outras culturas, bem como o interesse em ser bem compreendido (dimens&atilde;o de <i>aprendizagem cont&iacute;nua</i>, subdividida em <i>consci&ecirc;ncia de si</i> e <i>explora&ccedil;&atilde;o</i>); o interesse em compreender outros povos e em desenvolver e manter rela&ccedil;&otilde;es com pessoas diferentes de n&oacute;s (dimens&atilde;o de <i>envolvimento interpessoal</i>, subdividida em <i>mentalidade global</i> e <i>interesse pela rela&ccedil;&atilde;o</i>); e compreender as diferen&ccedil;as psicol&oacute;gicas e emocionais que nos podem auxiliar a encontrar pontos de contacto, diminuindo assim o esfor&ccedil;o psicol&oacute;gico requerido na intera&ccedil;&atilde;o com pessoas diferentes de n&oacute;s (dimens&atilde;o de <i>resist&ecirc;ncia</i>, subdividida em <i>vis&atilde;o positiva</i> e <i>resili&ecirc;ncia</i>).</p>     <p>Quando traduzida para a&ccedil;&otilde;es concretas em sala de aula, a dimens&atilde;o de efic&aacute;cia intercultural ou de desenvolvimento da compet&ecirc;ncia comunicativa intercultural requer que as atividades de aprendizagem configurem explicitamente diversas perspetivas sobre um mesmo t&oacute;pico, tornando poss&iacute;veis trocas de impress&atilde;o sobre perspetivas diferentes. Requer porventura tamb&eacute;m que os diversos materiais e recursos que configuram perspetivas diferentes sobre um t&oacute;pico sejam conjugados com din&acirc;micas inclusivas de sala de aula que permitam que todos contribuam com o seu ponto de vista; requerendo igualmente que, quando poss&iacute;vel, os grupos de trabalho sejam oriundos de proveni&ecirc;ncias diversas ou possuam experi&ecirc;ncias de contextos diferentes (Gregersen-Hermans, 2015, p. 47).</p>     <p>Contudo, persistindo ainda d&uacute;vidas sobre a efic&aacute;cia intercultural quando promovida por meio de textos ficcionais, conv&eacute;m salientar os resultados publicados sobre o aumento de sensibilidade intercultural derivado da leitura de fic&ccedil;&atilde;o. O estudo recentemente publicado por uma equipa de investigadores da Universidade de Toronto, Djikic et al. (2013), conclui que os participantes (estudantes universit&aacute;rios), que n&atilde;o revelavam grande abertura de esp&iacute;rito inicialmente e que leram pequenas fic&ccedil;&otilde;es, por contraste aos que leram ensaios n&atilde;o-ficcionais, mostraram maior abertura de esp&iacute;rito ap&oacute;s a leitura de fic&ccedil;&atilde;o. Embora a leitura de n&atilde;o-fic&ccedil;&atilde;o permita aprender sobre qualquer mat&eacute;ria, nem sempre ajuda o leitor a pensar sobre ela. Um texto ficcional, sendo, em ess&ecirc;ncia, uma narrativa sobre o mundo social, sobre indiv&iacute;duos que interagem no mundo social, aumenta a empatia cognitiva dos leitores, ou seja, a sua capacidade para pensar em termos sociais e o seu interesse emocional. A empatia foi medida neste estudo em termos de capacidade do leitor para adotar o ponto de vista do outro (empatia cognitiva); e sentir compaix&atilde;o pelos menos afortunados (empatia emocional).</p>     <p>Embora n&atilde;o se possam extrapolar diretamente estes dados para a leitura de crian&ccedil;as, ou sustentar que estes efeitos de maior abertura e empatia para com o outro se mant&eacute;m de forma constante ao longo do tempo, os dados abrem perspetivas interessantes sobre o lugar da leitura da fic&ccedil;&atilde;o na cria&ccedil;&atilde;o de atitudes de rela&ccedil;&atilde;o emp&aacute;tica com o outro. No campo da educa&ccedil;&atilde;o pela literatura e no contexto de dinamiza&ccedil;&otilde;es em torno de fic&ccedil;&otilde;es com crian&ccedil;as, os dados apresentados conduzem-nos a pr&aacute;ticas de explora&ccedil;&atilde;o da fic&ccedil;&atilde;o que permitam aos jovens leitores uma identifica&ccedil;&atilde;o com a mundovis&atilde;o, os objetivos e as inten&ccedil;&otilde;es de protagonistas, que manifestem a sua simpatia por determinadas personagens, ou que debatam a sua aproxima&ccedil;&atilde;o &agrave;s experi&ecirc;ncias narradas como se tivessem tomado parte nelas. Djikic et al. (2013, p. 33) relevam ainda as fun&ccedil;&otilde;es de simula&ccedil;&atilde;o das narrativas ficcionais por permitirem aos leitores imaginar mundos poss&iacute;vel e desfechos prov&aacute;veis, bem como compreender emo&ccedil;&otilde;es dos outros e procurar compreender o que os outros (as personagens) est&atilde;o a pensar e sentir. A investiga&ccedil;&atilde;o levada a cabo por Speer, Reynolds e Zacks (2009) permite mesmo afirmar que ler as simula&ccedil;&otilde;es de uma hist&oacute;ria envolve as mesmas estruturas cerebrais usadas para a&ccedil;&otilde;es e perce&ccedil;&otilde;es compar&aacute;veis na vida real (Speer et al. 2009, p. 33), sem porventura os impactos negativos de incompreens&otilde;es e choques culturais.</p>     <p>Os estudos nesta &aacute;rea com crian&ccedil;as do pr&eacute;-escolar relacionam as hist&oacute;rias que lhes foram lidas e os filmes ficcionais que viram como significativos em termos do desenvolvimento da empatia nestas idades, por oposi&ccedil;&atilde;o, por exemplo, a ver televis&atilde;o (Speer et al., 2009, p. 34).</p>     <p><b>Imaginar o mundo global e perceber como se formam identidades lingu&iacute;sticas</b></p>     <p>S&atilde;o diversos os t&oacute;picos do curr&iacute;culo do ensino b&aacute;sico que permitem desenvolver a compet&ecirc;ncia de cidadania global, normativa e experiencial, bem como a compet&ecirc;ncia comunicativa intercultural, embora nem sempre os materiais pedag&oacute;gicos propostos respondam aos enunciados acima propostos e raramente se utilizem livros-&aacute;lbum com estes objetivos.</p>     <p>Para uma proposta de media&ccedil;&atilde;o intercultural, que tanto pode ser levada a cabo por professores como por educadores sociais, prop&otilde;e-se a identifica&ccedil;&atilde;o de t&oacute;picos englobantes, em torno dos quais se definem objetivos de aprendizagem. Como exemplo de utiliza&ccedil;&atilde;o dos livros-&aacute;lbum da cole&ccedil;&atilde;o IDPBC sugerimos trabalhar um t&oacute;pico ligado &agrave;s quest&otilde;es do local em articula&ccedil;&atilde;o com o global, nomeadamente <i>Imaginar o mundo global</i> e, dentro deste, colocar o enfoque na constru&ccedil;&atilde;o de <i>identidades lingu&iacute;sticas</i> das pessoas, para evidenciar que as identidades lingu&iacute;sticas s&atilde;o constru&iacute;das e que um indiv&iacute;duo tem m&uacute;ltiplas identidade(s) lingu&iacute;stica(s).</p>     <p>A escolha de t&oacute;pico para desenvolvimento de atividades de media&ccedil;&atilde;o intercultural com livros-&aacute;lbum determina abordagens pedag&oacute;gicas e estrat&eacute;gias de dinamiza&ccedil;&atilde;o que exploram a diversidade lingu&iacute;stica e o mundo global/globalizado de forma construtiva no processo de ensino e aprendizagem, com <i>todos</i> os alunos, valorizando a sua diversidade cultural e lingu&iacute;stica como enriquecedora para a comunidade educativa.</p>     <p>N&atilde;o se trata, contudo, de um t&oacute;pico de f&aacute;cil abordagem, dada a crescente multiculturalidade e plurilinguismo nas escolas e a necessidade que toda a comunidade educativa sente de compreender as crian&ccedil;as e jovens de culturas diferentes, com l&iacute;nguas diferentes e experi&ecirc;ncias educativas pr&eacute;vias muito diversas tamb&eacute;m.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No entanto, prevendo-se mobilidades crescentes &agrave; escala global, tanto volunt&aacute;rias como involunt&aacute;rias, a escola n&atilde;o se pode alhear da sua realidade multicultural e plurilingue, nem esquivar-se &agrave; necessidade dos jovens de aprender diversas l&iacute;nguas ao longo da vida para viajar, aprender, trabalhar e viver em ambientes que, mesmo em contextos de culturas monol&oacute;gicas dominantes, ser&atilde;o crescentemente mais internacionais e multilingues; mas tamb&eacute;m porque o acesso cr&iacute;tico &agrave; informa&ccedil;&atilde;o digital e multim&eacute;dia, a liberdade de express&atilde;o (de consumo e de produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos) e a capacita&ccedil;&atilde;o de uma voz aud&iacute;vel no mundo globalizado (Unesco, s.d.) passam pelo dom&iacute;nio de certas l&iacute;nguas de influ&ecirc;ncia.</p>     <p>A escolha do t&oacute;pico anuncia igualmente uma chamada de aten&ccedil;&atilde;o para a frequente marginaliza&ccedil;&atilde;o das quest&otilde;es lingu&iacute;sticas de comunica&ccedil;&atilde;o eficaz na media&ccedil;&atilde;o intercultural, como se l&iacute;ngua e cultura pudessem ser tratadas de forma separada. A media&ccedil;&atilde;o intercultural &eacute; essencialmente tamb&eacute;m sempre <i>comunica&ccedil;&atilde;o intercultural</i>. E esta pode ser facilitada de muitos modos diferentes: quer pela utiliza&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias de comunica&ccedil;&atilde;o eficazes como pela escolha de recursos adequados e sele&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias de ensino/aprendizagem mais conducentes &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o eficaz entre pessoas de culturas diversas. Entre estas est&atilde;o a explora&ccedil;&atilde;o criativa dos recursos, exerc&iacute;cios comparativos e de contraste da informa&ccedil;&atilde;o veiculada e da configura&ccedil;&atilde;o dos recursos. A comunica&ccedil;&atilde;o intercultural tamb&eacute;m pode passar pela introdu&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas experienciais (virtuais, reais ou ficcionais) sobre outras culturas, pessoas e lugares. Pode haver trocas de informa&ccedil;&atilde;o e de conhecimento, desde cedo, entre jovens de culturas diversas, por meio de recursos digitais, como acontece com a plataforma <i>e-twinning</i>, por meio de projetos de telecolabora&ccedil;&atilde;o (trocas virtuais online) ou por interm&eacute;dio de visitas de estudo e per&iacute;odos de estudo no estrangeiro.</p>     <p><b>Representar a superdiversidade</b></p>     <p>Torna-se necess&aacute;ria uma pequena contextualiza&ccedil;&atilde;o &agrave; identifica&ccedil;&atilde;o de quais os argumentos subjacentes a uma media&ccedil;&atilde;o intercultural com livros-&aacute;lbum centrada no t&oacute;pico &quot;Imaginar o mundo global e perceber como se formam identidades lingu&iacute;sticas&quot;.</p>     <p>A emergente comunidade mundial (Israel, 2012, p. 79), com a desloca&ccedil;&atilde;o global de pessoas e o decl&iacute;nio de comunidades homog&eacute;neas, d&aacute; origem a enquadramentos educativos novos, necessariamente assentes em interc&acirc;mbios, trabalho entre pares, colabora&ccedil;&atilde;o e coopera&ccedil;&atilde;o, trabalho interdisciplinar e novas configura&ccedil;&otilde;es do lugar ocupado pelas l&iacute;nguas e outras disciplinas na educa&ccedil;&atilde;o, mas sobretudo nas compet&ecirc;ncias a desenvolver para sobreviver no mundo.</p>     <p>Os problemas mais prementes radicam em padr&otilde;es sociais e demogr&aacute;ficos emergentes em muitos pa&iacute;ses europeus. Estes pressionam as conce&ccedil;&otilde;es que os trabalhadores sociais e o p&uacute;blico em geral det&eacute;m sobre imigrantes e sociedades multiculturais. Os problemas emergentes derivam da nova complexidade de presen&ccedil;a nos territ&oacute;rios de novos migrantes, ou estrangeiros, em pequenos grupos, dispersos, de origens m&uacute;ltiplas, provavelmente com conex&otilde;es transnacionais, socioeconomicamente diferenciados em termos do seu estatuto legal (trabalhadores tempor&aacute;rios, turistas, portadores de vistos especiais, quadros de empresas multinacionais, refugiados, imigrantes, alunos estrangeiros, pedidos de asilo, etc.).</p>     <p>Os problemas emergentes s&atilde;o frequentemente de natureza lingu&iacute;stico-cultural (utilizadores de diversas l&iacute;nguas-culturas no mesmo espa&ccedil;o e necessidade de comunicar no quadro da diversidade cultural) como express&atilde;o da <i>superdiversidade</i> (Vertovec, 2006), um termo cunhado para refletir a diversifica&ccedil;&atilde;o de etnias e de pa&iacute;ses de origem dos migrantes, mas tamb&eacute;m de vari&aacute;veis de como, onde e com quem vivem esses migrantes, as suas afilia&ccedil;&otilde;es religiosas, identidades regionais e lingu&iacute;sticas no pa&iacute;s de origem, afilia&ccedil;&otilde;es politico partid&aacute;rias e muitos outras identidades forjadas a partir de grupos de perten&ccedil;a. Existem diferen&ccedil;as de estatuto, direitos, experi&ecirc;ncias laborais, de g&eacute;nero, de rela&ccedil;&atilde;o com a espacialidade entre os migrantes que se tornaram socialmente significativas em termos das respostas esperadas pelos servi&ccedil;os p&uacute;blicos. S&oacute; em escolas de Londres, segundo o autor, baseando-se em Baker e Mohieldeen (2000), para dar um exemplo, falar-se-iam 300 l&iacute;nguas (um n&uacute;mero baseado num universo escolar de 896.743 alunos e nas l&iacute;nguas por eles faladas em casa), o que coloca uma enorme press&atilde;o nas escolas, autarquias e outros servi&ccedil;os p&uacute;blicos. &Agrave; superdiversidade lingu&iacute;stica carece acrescentar outro dado, o da grande variabilidade de diversidade religiosa, por exemplo, dentro do grupo dos mu&ccedil;ulmanos, devido &agrave; sua proveni&ecirc;ncia; ou o facto de as pr&aacute;ticas transnacionais dos migrantes serem mais diversas, mais intensas e mais complexas do que no passado (Vertovec, 2006). Segundo o autor, existe o risco acrescido de grupos a viver vidas paralelas sem rela&ccedil;&otilde;es interculturais significativas num mesmo territ&oacute;rio (Vertovec, 2006, p. 27).</p>     <p>Pelo conjunto das raz&otilde;es apontadas, a escolha de livros-&aacute;lbum para abordar esta faceta deste t&oacute;pico foi feita pensando na representa&ccedil;&atilde;o de bairros mistos, em que as pessoas se encontram umas com as outras nos seus h&aacute;bitos rotineiros (desloca&ccedil;&otilde;es, compras, escolas). Estas ser&atilde;o ideias valiosas para mostrar como diversas vari&aacute;veis, nomeadamente etnia, estatuto social, g&eacute;nero, idade, localidade, se intersectam em contextos de pr&aacute;ticas quotidianas.</p>     <p><b>Representar a pluralidade lingu&iacute;stica</b></p>     <p>Uma das estrat&eacute;gias usadas para fazer face &agrave; superdiversidade &eacute; a preserva&ccedil;&atilde;o e promo&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas plurilingues (aprendizagem e ou valoriza&ccedil;&atilde;o do conhecimento de diversas l&iacute;nguas ao longo da vida). Esta promo&ccedil;&atilde;o &eacute; acompanhada de estrat&eacute;gias de coes&atilde;o e inclus&atilde;o sociais: aceitar, valorizar e interagir com pessoas que s&atilde;o diferentes de n&oacute;s.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Contudo, o uso de uma l&iacute;ngua franca de comunica&ccedil;&atilde;o, como o Ingl&ecirc;s, &eacute; geralmente uma estrat&eacute;gia concomitante, por permitir uma certa unidade lingu&iacute;stica, sendo esta uma das raz&otilde;es para a introdu&ccedil;&atilde;o da sua aprendizagem curricular como l&iacute;ngua estrangeira desde o 3.&ordm; ano de escolaridade em escolas portuguesas.</p>     <p>Pode-se olhar para a hegemonia do Ingl&ecirc;s no mundo como uma estrutura de dom&iacute;nio lingu&iacute;stico, mas pode-se tamb&eacute;m consider&aacute;-lo uma l&iacute;ngua conectada a uma multitude de identidades lingu&iacute;sticas, j&aacute; que o Ingl&ecirc;s, sendo a l&iacute;ngua estrangeira mais aprendida no mundo, ser&aacute; frequentemente usado como mediador entre l&iacute;nguas maternas em contextos internacionais ou de grande diversidade lingu&iacute;stica (Breidbach, 2003).</p>     <p>As quest&otilde;es pol&iacute;ticas, econ&oacute;micas, sociais, culturais, ecol&oacute;gicas, tecnol&oacute;gicas mais importantes, no sentido em que afetam a vida das pessoas localmente, s&atilde;o hoje decididas ao n&iacute;vel global, n&atilde;o podendo ser contidas geogr&aacute;fica ou socialmente. As constela&ccedil;&otilde;es de participa&ccedil;&atilde;o a n&iacute;vel local, nacional e supranacional pressup&otilde;em uma <i>consci&ecirc;ncia lingu&iacute;stica apurada</i>, de que l&iacute;ngua usar e como interagir com falantes de outras l&iacute;nguas em termos de igualdade e de valoriza&ccedil;&atilde;o das suas pr&oacute;prias m&uacute;ltiplas identidades lingu&iacute;sticas e das dos outros.</p>     <p>Uma sociedade plural, diversa e intercultural cuida de promover a transmiss&atilde;o de ideias, opini&otilde;es e perspetivas sobre a realidade, por mais diversas que se revelem. Uma educa&ccedil;&atilde;o plurilingue, intercultural e para a diversidade ter&aacute; de centrar-se essencialmente na aceita&ccedil;&atilde;o e integra&ccedil;&atilde;o de uma multiplicidade de novas experi&ecirc;ncias (ditadas pelas circunst&acirc;ncias e necessidades de grupos, culturas e identidades diversas), que tanto podem ser do dom&iacute;nio privado (a fam&iacute;lia, os amigos, as atividades quotidianas, as formas de comunica&ccedil;&atilde;o), como do dom&iacute;nio p&uacute;blico (por exemplo, ser aluno numa escola).</p>     <p>Assim sendo, a escolha de livros-&aacute;lbum foi pensada para representar identidades lingu&iacute;sticas diversas como forma de representar uma mundovis&atilde;o e de fomentar a compet&ecirc;ncia cultural m&uacute;ltipla, pr&aacute;ticas interl&iacute;nguas (Rampton, 2005) e experi&ecirc;ncias de multilinguismo (Harris, 2003).</p>     <p><b>M&uacute;ltiplas hist&oacute;rias sobre um mesmo t&oacute;pico: migrar</b></p>     <p>No concreto das suas vidas, as crian&ccedil;as s&atilde;o confrontadas com imagens e hist&oacute;rias diversas de migrantes, refugiados, familiares em mobilidade geogr&aacute;fica, por raz&otilde;es diversas. Podem tratar-se de hist&oacute;rias &uacute;nicas, que simplificam situa&ccedil;&otilde;es complexas, vilipendiando-as, ou de imagens isoladas, dif&iacute;ceis de interpretar, por falta de informa&ccedil;&atilde;o contextual.</p>     <p>Para representar a complexidade atual, a mobilidade humana deve ser encarada como situa&ccedil;&atilde;o de encontro cultural, que tanto pode ser negativa como positiva, no sentido em que &eacute; um motor de inova&ccedil;&atilde;o e criatividade; o encontro intercultural tanto resulta em choque como em interse&ccedil;&atilde;o de grupos e de culturas, que d&atilde;o origem a novas reconfigura&ccedil;&otilde;es; o encontro intercultural tanto pode causar a segrega&ccedil;&atilde;o, o conflito e a guerra, como potenciar novos modos de vida, criativos e inovadores.</p>     <p>O conceito de mobilidade, perspetivado deste modo, &eacute; tamb&eacute;m adequado para perceber que as identidades individuais e de grupo se encontram em fluxo permanente, intersetando-se em espa&ccedil;os, no tempo (hist&oacute;rico) e na imagina&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Assim sendo, &eacute; importante que os livros-&aacute;lbum permitam explorar os encontros interculturais e as mobilidades contempor&acirc;neas em hist&oacute;rias diversas, dando exemplos de continuidade com o passado, mas tamb&eacute;m de disjun&ccedil;&atilde;o. Tal como &eacute; da maior relev&acirc;ncia levar as crian&ccedil;as a perceber que os livros-&aacute;lbum s&atilde;o pr&aacute;ticas culturais entre adultos e crian&ccedil;as e formas de comunicar e de imaginar a sociedade. Nesse sentido contribuem para a forma&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tico-ideol&oacute;gica de certas ideias e sentidos (Lewis, 2002).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Os livros-&aacute;lbum selecionados</b></p>     <p>A utiliza&ccedil;&atilde;o de imagens e ilustra&ccedil;&otilde;es sob a forma de narrativas, por exemplo em livros-&aacute;lbum e narrativas gr&aacute;ficas, tem sido ami&uacute;de usada em diversos contextos europeus como estrat&eacute;gia de aproxima&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as migrantes e oriundas de minorias &eacute;tnicas &agrave;s m&uacute;ltiplas representa&ccedil;&otilde;es das sociedades que habitam e ao capital social da escola. Um dos exemplos mais mediatizados ter&aacute; sido o de uma Biblioteca para Lampedusa de <i>silent books</i>, livros-&aacute;lbuns s&oacute; de imagens, intitulada <i>Silent books: final destination Lampedusa</i><sup><a href="#1" name="top1">[1]</a></sup>.</p>     <p>Que linguagem ser&aacute; mais expressiva para uma crian&ccedil;a do que uma sucess&atilde;o de imagens numa narrativa (com ou sem texto), permitindo-lhe a constru&ccedil;&atilde;o e reconstru&ccedil;&atilde;o das suas viv&ecirc;ncias, a par de tentativas de interpreta&ccedil;&atilde;o do que v&ecirc; representado a partir dos seus pr&oacute;prios conhecimentos culturais (impl&iacute;citos e expl&iacute;citos) e dos repert&oacute;rios lingu&iacute;sticos que domina?</p>     <p>As imagens visuais dominam as aprendizagens iniciais das crian&ccedil;as, as suas emo&ccedil;&otilde;es e a sua mundovis&atilde;o, pelo que a(s) sua(s) literacia(s) se encontra(m) profundamente entrosada(s) no modo como aprendem a ver e o que esperam ver (Meek, 1991). Tal como precisam de aprender a ler, as crian&ccedil;as precisam de aprender a ver as imagens de um livro-&aacute;lbum; sem instru&ccedil;&atilde;o expl&iacute;cita n&atilde;o as compreender&atilde;o. As imagens de um livro-&aacute;lbum n&atilde;o s&atilde;o apenas ilustra&ccedil;&otilde;es do texto que as acompanha; s&atilde;o uma forma distinta de representa&ccedil;&atilde;o, assente em c&oacute;digos semi&oacute;ticos que t&ecirc;m tanto a ver com o mundo da literatura como com o da televis&atilde;o, do filme e da produ&ccedil;&atilde;o visual digital.</p>     <p>Como escreve Meek (1991), a utiliza&ccedil;&atilde;o de livros-&aacute;lbum presume que vivemos numa cultura em que as imagens visuais e as narrativas s&atilde;o modos normais de organizar o mundo; em que os livros destinados a crian&ccedil;as, como os livros-&aacute;lbum, transvasam para outros p&uacute;blicos; em que se debate a transfer&ecirc;ncia de uma literacia baseada na escrita e leitura, para multiliteracias e a necessidade de modos de aprender a ler o visual e as conven&ccedil;&otilde;es narrativas transculturais (variedades de discursos, modos de saber, apresentar e representar, articula&ccedil;&otilde;es diversas do mundo e dos seus problemas).</p>     <p>Ao criarem-se condi&ccedil;&otilde;es de intera&ccedil;&atilde;o cultural da crian&ccedil;a com as imagens num livro-&aacute;lbum desenrola-se um exerc&iacute;cio de aceita&ccedil;&atilde;o m&uacute;tua e de integra&ccedil;&atilde;o do capital cultural representado e do pr&oacute;prio capital cultural da crian&ccedil;a, que est&atilde;o na base da preven&ccedil;&atilde;o da segrega&ccedil;&atilde;o e do isolamento ou fechamento em si daqueles que n&atilde;o veem as suas experi&ecirc;ncias (ou as suas l&iacute;nguas) reconhecidas nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o usados na escola.</p>     <p><b>Identidade e diversidade em livros-&aacute;lbum: a cole&ccedil;&atilde;o IDPBC</b></p>     <p>A proposta pedag&oacute;gica de media&ccedil;&atilde;o intercultural que apresentamos tem por base uma cole&ccedil;&atilde;o <i>internacional</i> de livros-&aacute;lbum, Identity and Diversity in Picture Book Collections. O projeto IDPBC desenvolveu um cat&aacute;logo anotado de 24 livros-&aacute;lbum para crian&ccedil;as dos cinco aos 12 anos sobre o tema da identidade e da diversidade, dispon&iacute;vel online sob a forma de <i>flip book</i><sup><a href="#2" name="top2">[2]</a></sup>. O cat&aacute;logo re&uacute;ne um conjunto de livros-&aacute;lbum internacionais atuais (grande parte deles acess&iacute;vel online, em parte ou na totalidade), com potencial educativo de desenvolvimento das compet&ecirc;ncias acima descritas. A cole&ccedil;&atilde;o de livros-&aacute;lbum e as propostas de dinamiza&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica desses livros com crian&ccedil;as visa dotar educadores, professores e t&eacute;cnicos de servi&ccedil;o social das compet&ecirc;ncias para mediar as novas realidades junto de crian&ccedil;as e jovens por meio de atividades de educa&ccedil;&atilde;o formal, n&atilde;o formal e informal (redes familiares, sociais).</p>     <p>Os livros-&aacute;lbum, por contraste com outros materiais ficcionais, aportam benef&iacute;cios diversos a diferentes grupos de alunos e em particular a pr&eacute;-leitores ou leitores relutantes (Botelho &amp; Rudman, 2010; Cotton &amp; Daly, 2014; Roche, 2010, 2015), porque as representa&ccedil;&otilde;es visuais se abrem mais facilmente, do que o texto verbal, a interpreta&ccedil;&otilde;es polif&oacute;nicas, baseadas na experi&ecirc;ncia de cada leitor.</p>     <p>Graham (1990, p. 27) salienta que a crian&ccedil;a l&ecirc; as imagens de um livro-&aacute;lbum &aacute; semelhan&ccedil;a de como interpreta comportamentos na vida real, adquirindo informa&ccedil;&atilde;o sobre como vivem e interagem pessoas de diferentes culturas e apoderando-se intrinsecamente das diferentes formas de cultura e de intera&ccedil;&atilde;o. Baghban (2007, p. 71) reconhece no livro-&aacute;lbum o potencial de ajudar crian&ccedil;as migrantes a lidar com os desafios que enfrentam, como, por exemplo, relacionar-se com gera&ccedil;&otilde;es mais velhas e com tradi&ccedil;&otilde;es, manter elos de liga&ccedil;&atilde;o com os familiares distantes e preservar construtivamente as suas rela&ccedil;&otilde;es com a terra natal. Tal ser&aacute; particularmente importante num mundo multicultural globalizado e tecnol&oacute;gico que assiste a mobilidades volunt&aacute;rias e involunt&aacute;rias massivas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>De seguida real&ccedil;aremos aqueles livros-&aacute;lbum que poderiam servir para abordar o t&oacute;pico de media&ccedil;&atilde;o intercultural acima definido a partir dos crit&eacute;rios que particulariz&aacute;mos, nomeadamente: a representa&ccedil;&atilde;o de bairros multiculturais e multi&eacute;tnicos em que as pessoas se encontram umas com as outras nos seus h&aacute;bitos rotineiros (desloca&ccedil;&otilde;es, compras, escolas), ativ&aacute;vel em <i>Last stop on market street</i> (de la Pena &amp; Robinson, 2015) e <i>We are all born free</i> (Amnistia Internacional, 2015); a representa&ccedil;&atilde;o de m&uacute;ltiplas identidades lingu&iacute;sticas que pode ser bem documentada por <i>My two blankets</i> (Kobald &amp; Blackwood, 2014); e a representa&ccedil;&atilde;o de m&uacute;ltiplas hist&oacute;rias sobre migra&ccedil;&atilde;o configurada em quatro livros-&aacute;lbum: <i>Migrando</i> (Mateos, 2010)<i>, Azzi in between</i> (Garland, 2012), <i>Akim court</i> (Dubois, 2012) e <i>The island</i> (Greder, 2008).</p>     <p>Na sec&ccedil;&atilde;o seguinte apresenta-se sumariamente cada livro-&aacute;lbum e algumas sugest&otilde;es de dinamiza&ccedil;&atilde;o dos livros-&aacute;lbum com crian&ccedil;as.</p>     <p><b>Dinamiza&ccedil;&otilde;es interculturais</b></p>     <p>Porque sabemos que o acesso aos materiais n&atilde;o &eacute; suficiente para apoiar os atores educativos na promo&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o para o s&eacute;culo XXI, gostar&iacute;amos de propor algumas estrat&eacute;gias inclusivas de media&ccedil;&atilde;o dos livros-&aacute;lbum transversais a qualquer livro-&aacute;lbum, a saber: relacionar o texto visual com a experi&ecirc;ncia pessoal da crian&ccedil;a; ajud&aacute;-la a encontrar a sua voz para expressar uma opini&atilde;o sobre o que est&aacute; a ver. Permitir &agrave; crian&ccedil;a que use diversas linguagens para expressar o seu entendimento (verbais, visuais, cin&eacute;ticas); convidar as crian&ccedil;as a reagir ativamente ao que est&atilde;o a ver no livro; explorar os temas, os t&oacute;picos e as ideias suscitadas pelo livro-&aacute;lbum com as crian&ccedil;as a partir de perspetivas diversas e m&uacute;ltiplas.</p>     <p>Se queremos ajudar a desenvolver nas crian&ccedil;as uma cidadania global e uma compet&ecirc;ncia comunicativa intercultural, importa capitalizar sobre um aspeto muito importante: as crian&ccedil;as pensam em imagens, primeiro, e s&oacute; depois por palavras. As imagens s&atilde;o a primeira linguagem que ajuda a promover um encontro com a hist&oacute;ria, particularmente quando as crian&ccedil;as ainda n&atilde;o dominam a l&iacute;ngua do pa&iacute;s de acolhimento.</p>     <p>Contudo, a rela&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a com a imagem n&atilde;o &eacute; espont&acirc;nea; ela tem de ser dirigida e acompanhada, pelo que propomos, depois de apresentados os livros-&aacute;lbum, um conjunto de perguntas para ativar a leitura de imagens.</p>     <p><b>Conviv&ecirc;ncia cosmopolita</b></p>     <p>Comecemos pela representa&ccedil;&atilde;o de bairros mistos em que as pessoas se encontram umas com as outras nos seus h&aacute;bitos rotineiros (desloca&ccedil;&otilde;es, compras, escolas) em <i>Last stop on market sreet</i> (de la Pena &amp; Robinson, 2015) e <i>We are all born free</i> (Amnesty International, 2015), estabelecendo a normalidade da vida multicultural e diversa.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f1"></a> <img src="/img/revistas/csoc/vspe2019/vspe2019a06f1.jpg"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><i>Last stop on Market Sreet</i> (2015), de Matt de la Pena e Christian Robinson, conta a hist&oacute;ria de uma crian&ccedil;a afro-americana que apanha um autocarro com a av&oacute;; pelo caminho CJ pergunta porque &eacute; que n&atilde;o tem um carro como o do seu amigo Colby; porque &eacute; que n&atilde;o tem um <i>IPod</i> como os rapazes no autocarro, etc. e a cada pergunta a av&oacute; responde com humor, fazendo-o valorizar o que tem em seu redor, especialmente as pessoas. No autocarro conversam com um homem invisual, assistem a um concerto de viola, e seguindo atr&aacute;s de um homem incapacitado e de um sem-abrigo, acabam por chegar ao seu destino, a cozinha onde av&oacute; e neto prestam servi&ccedil;o volunt&aacute;rio.</p>     <blockquote>       <p>Sugest&otilde;es de explora&ccedil;&atilde;o: O que significa &lsquo;beleza interior&rsquo;? Procura em teu redor o que normalmente n&atilde;o interpretas como belo e desenha esses objetos numa tira de papel.</p>       <p>Ou: Onde podes oferecer-te para fazer trabalho volunt&aacute;rio como o de CJ e Nana? Pode ser junto da tua fam&iacute;lia&hellip;</p>       <p>Ou: Como &eacute; que a diversidade pode tornar a tua comunidade mais forte? Prepara um livro sobre a diversidade da tua comunidade.</p> </blockquote>     <p><i>We are all born free,</i> produzido pela Amnistia Internacional, &eacute; a <i>Declara&ccedil;&atilde;o dos Direitos Humanos</i>, ilustrada por 30 dos maiores ilustradores do mundo. A variedade de estilos de ilustra&ccedil;&atilde;o explora a condi&ccedil;&atilde;o humana em diferentes contextos e situa&ccedil;&otilde;es, promovendo uma consciencializa&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos no concreto da atua&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as em cada cena ilustrada. As ilustra&ccedil;&otilde;es por si s&atilde;o pretextos para debate e explora&ccedil;&atilde;o das raz&otilde;es por que as pessoas possuem origens diversas, quais s&atilde;o as carater&iacute;sticas comuns de certos grupos, o que h&aacute; de diversos e igual, ou como respeitar a diferen&ccedil;a.</p>     <blockquote>Sugest&otilde;es de explora&ccedil;&atilde;o: Criar hist&oacute;rias a partir de cada ilustra&ccedil;&atilde;o; ilustrar os direitos humanos; adotar pap&eacute;is a partir das personagens representadas e criar di&aacute;logos encenados.</blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f2"></a> <img src="/img/revistas/csoc/vspe2019/vspe2019a06f2.jpg"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <b>A constru&ccedil;&atilde;o de identidades plurilingues</b>     <p>Para a compreens&atilde;o de identidades lingu&iacute;sticas, como se formam, por que se formam e o que implicam convoc&aacute;mos o livro-&aacute;lbum de Irena Kobald, ilustrado por Freya Blackwood, intitulado <i>My two blankets</i> (2014).</p>     <p><i>My two blankets</i> (Kobald &amp; Blackwood, 2014) conta a hist&oacute;ria de uma rapariga rec&eacute;m-chegada de uma cultura reconhecivelmente (pelos tons ocre e laranja e formato das casas em palhotas) africana, por quest&otilde;es alegadamente de seguran&ccedil;a, a uma urbe provavelmente europeia (representada em tons frios de azul claro e cinzentos e alguns beges), onde se sente estranha: tudo &eacute; estranho, a comida, os animais, as plantas, o vento. A torrente de palavras estranhas que a rodeiam &eacute; t&atilde;o forte que ela se sente aniquilada, pelo que se refugia no seu velho cobertor, coberto de representa&ccedil;&otilde;es de objetos que lhe aportam seguran&ccedil;a; ali se sente segura, ao ponto de n&atilde;o querer sair para o exterior. Quando passeia pelo parque pela terceira vez d&aacute;-se o encontro com uma rapariga local, cuja l&iacute;ngua desconhece, mas cujo sorriso reconhece. Come&ccedil;a assim uma amizade, que n&atilde;o apaga, por&eacute;m, a tristeza e solid&atilde;o que sente, at&eacute; que a outra rapariga lhe come&ccedil;a a trazer palavras novas, sempre mais. No cobertor da protagonista come&ccedil;am a aparecer algumas dessas novas palavras, que come&ccedil;am a deixar de ser sentidas como frias e duras. O novo cobertor come&ccedil;a por ser pequeno e fino, mas come&ccedil;a a crescer, a crescer at&eacute; se tornar t&atilde;o confort&aacute;vel, suave e quente como o anterior, at&eacute; ela deixar de se importar com qual o cobertor que usa.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f3"></a> <img src="/img/revistas/csoc/vspe2019/vspe2019a06f3.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Como estrat&eacute;gias de explora&ccedil;&atilde;o, sugerimos: Como te sentirias se tivesses de permanecer num outro pa&iacute;s durante um longo per&iacute;odo de tempo? Olha para a contracapa do livro e escolhe os objetos que seriam importantes para ti. Quais levarias contigo se s&oacute; pudesses levar 10?</p>     <blockquote>       <p>Ou: O que &eacute; um cobertor? Para que serve? Como te sentes com um cobertor? Todos se sentem da mesma maneira?</p>       <p>Ou: Compara o cobertor que a protagonista acha confort&aacute;vel e em que dorme com o novo cobertor que ela cria: tem a mesma forma? E as cores, s&atilde;o as mesmas? E os objetos representados, s&atilde;o os mesmos?</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ou: Desenha um cobertor para a tua l&iacute;ngua materna: pensa na forma, cor e objetos que desenharias nele. Em seguida desenha um cobertor para uma outra l&iacute;ngua que saibas: pensa outra vez na forma, cor e objetos que desenharias nele. Compara os teus cobertores com os dos teus colegas: O que acrescentarias aos/tirarias dos teus cobertores?</p> </blockquote>     <p><b>Perspetivas sobre migra&ccedil;&atilde;o e mobilidade</b></p>     <p>Ser&aacute; relevante debater com crian&ccedil;as os direitos humanos e dos imigrantes e refugiados, ou os pedidos de asilo? Pensamos que sim, dada a preval&ecirc;ncia de situa&ccedil;&otilde;es dessa natureza que rodeiam as crian&ccedil;as e dado que todas elas j&aacute; experimentaram momentos de injusti&ccedil;a, de preconceito, de conflito, de necessidade de tomar uma decis&atilde;o contr&aacute;ria &agrave; da maioria ou de se deixar conduzir pelas opini&otilde;es maiorit&aacute;rias.</p>     <p>Os quatro livros-&aacute;lbum seguintes apresentam e representam diversas perspetivas sobre os tipos de mobilidade humana a que assistimos hoje: volunt&aacute;ria, em busca de trabalho ou de uma vida melhor, em fuga de conflitos armados, da perspetiva de quem chega a um territ&oacute;rio e de quem foge de um territ&oacute;rio, com finais felizes, menos felizes e sombrios, em estilos visuais muito diferenciados, de autores de origem lingu&iacute;stica diversa, e formatos de livro-objeto variados: capas duras e moles, maiores e mais pequenos, fazendo uso de uma paleta grande de cores, ou apenas de cores prim&aacute;rias, ou de grada&ccedil;&otilde;es entre o branco e o preto, em quadradinhos, em esbo&ccedil;o a l&aacute;pis, etc.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f4"></a> <img src="/img/revistas/csoc/vspe2019/vspe2019a06f4.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p><i>Akim court</i>, de C. K. Dubois (2012), conta a hist&oacute;ria de uma crian&ccedil;a que foge de um conflito armado, &eacute; presa por soldados e acaba por chegar a um campo de refugiados. Akim &eacute; colocado na situa&ccedil;&atilde;o de uma crian&ccedil;a perdida numa zona de guerra: experimenta a viol&ecirc;ncia, a perda, a aliena&ccedil;&atilde;o e o drama de se tornar refugiado, quando inicialmente era apenas uma crian&ccedil;a a brincar &agrave; bola com outras, &agrave; porta de casa. Ao longo da narrativa, Akim agarra-se &agrave; liga&ccedil;&atilde;o familiar com a m&atilde;e, procurando e encontrando prote&ccedil;&atilde;o moment&acirc;nea junto de outras mulheres, tamb&eacute;m elas em fuga com os filhos. Uma hist&oacute;ria predominantemente visual, a carv&atilde;o, com momentos verbais de s&iacute;ntese.</p>     <p><i>Azzi in between</i>, de Sarah Garland (2012), &eacute; a hist&oacute;ria de como uma fam&iacute;lia migrante (pai, m&atilde;e, filha), ap&oacute;s uma terr&iacute;fica viagem de carro e barco, se tenta adaptar a um novo ambiente cultural. &Eacute; preciso aprender uma nova l&iacute;ngua, encontrar um lar e voltar de novo &agrave; escola. Azzi aprende a nova l&iacute;ngua, faz uma amiga, reconhece que outras crian&ccedil;as partilham hist&oacute;rias iguais &agrave; sua, e mant&eacute;m-se agarrada &agrave; sua cultura, pois guarda consigo uma semente que acaba por germinar na nova casa. Esta &eacute; uma hist&oacute;ria que encoraja no leitor uma resposta emocional sobre o medo, a separa&ccedil;&atilde;o, a perda, a esperan&ccedil;a e a capacidade para recome&ccedil;ar.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><a name="f5"></a> <img src="/img/revistas/csoc/vspe2019/vspe2019a06f5.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p><i>Migrando</i>, de Mariana Chiesa Mateos (2010), &eacute; um &aacute;lbum sem palavras (para al&eacute;m do t&iacute;tulo), que conta uma hist&oacute;ria de migra&ccedil;&atilde;o num sentido do folhear das p&aacute;ginas at&eacute; ao meio do livro e outra hist&oacute;ria de fluxo migrat&oacute;rio do final at&eacute; ao meio, obrigando o leitor a inverter o livro. N&atilde;o se restringe &agrave;s migra&ccedil;&otilde;es humanas, incluindo bandos de aves migrat&oacute;rias antropomorfizadas, diversos meios de transporte (comboio, avi&atilde;o, barco) e emo&ccedil;&otilde;es &agrave; chegada e &agrave; partida.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f6"></a> <img src="/img/revistas/csoc/vspe2019/vspe2019a06f6.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p><i>The island</i>, de Armin Greder (2008), &eacute; um livro-&aacute;lbum sombrio sobre uma comunidade que se recusa aceitar que um n&aacute;ufrago se estabele&ccedil;a no seu territ&oacute;rio, uma ilha-fortaleza, e que acaba por o escorra&ccedil;ar de volta ao mar, condenando-o &agrave; morte. A narrativa gr&aacute;fica exp&otilde;e importantes princ&iacute;pios morais e valores relativos: convida ao debate sobre o que significa justi&ccedil;a social, aceita&ccedil;&atilde;o do outro, ser acolhedor. Fala de exclus&atilde;o, barreiras lingu&iacute;sticas e culturais, xenofobia, falta de conhecimento sobre o outro, medo e preconceito. Exp&otilde;e tamb&eacute;m emo&ccedil;&otilde;es de quem procura prote&ccedil;&atilde;o: tristeza, solid&atilde;o, aus&ecirc;ncia de rela&ccedil;&atilde;o, coragem e desespero.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f7"></a> <img src="/img/revistas/csoc/vspe2019/vspe2019a06f7.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p>Como estrat&eacute;gias de explora&ccedil;&atilde;o, sugerimos: expor as capas dos quatro livros-&aacute;lbum e perguntar: &Eacute;s a personagem principal de uma destas hist&oacute;rias. Qual gostarias de ser? Porqu&ecirc;? Como te sentirias? Como sabes que essas seriam as tuas emo&ccedil;&otilde;es?</p>       <p>Ou: a partir de diversas imagens dos livros-&aacute;lbum: como tratarias um refugiado ou um imigrante? J&aacute; viajaste? Era tudo igual? O que era diferente? O que &eacute; que sentiste? Quais achas que seriam as novas experi&ecirc;ncias de um refugiado ou imigrante no teu pa&iacute;s? (mostrar quatro imagens dos livros-&aacute;lbum como modelos &mdash; escola, medo, abra&ccedil;o e tarefas quotidianas, como lavar o ch&atilde;o com esfregona, aspirar, cozinhar e comer).</p>       <p>Ou: nova sequ&ecirc;ncia de imagens de reuni&atilde;o dos diversos livros-&aacute;lbum: o que achas que significa ter direito a um lar? Como te sentes em casa? O que fazes? Quem te acompanha? Como receberias Azzi na tua casa? Como a farias sentir-se &agrave; vontade?</p>       <p>Ou: sequ&ecirc;ncia de imagens dos livros-&aacute;lbum: uma fortaleza, uma rapariga a ler, rapazes a jogar &agrave; bola, uma escola onde as crian&ccedil;as est&atilde;o a aprender.</p>       <p>O que torna um lugar seguro? Por que temos medo das outras pessoas? O medo &eacute; genu&iacute;no ou constru&iacute;do? Porque receamos o que n&atilde;o conhecemos? O que &eacute; coragem? Como rescreverias estas hist&oacute;rias?</p> </blockquote>     <p><b>Conclus&otilde;es</b></p>     <p>Refletir sobre as condi&ccedil;&otilde;es sociais atuais com crian&ccedil;as requer uma cole&ccedil;&atilde;o adequada de livros-&aacute;lbum no sentido de um conjunto de sentidos e imagina&ccedil;&atilde;o (Lewis, 2002) que podem ser explorados pelos leitores de diversos modos e cujos sentidos n&atilde;o s&atilde;o est&aacute;veis, mas sempre articulados a partir da experi&ecirc;ncia do leitor. Adicionalmente, os livros-&aacute;lbum devem convidar &agrave; disputa de sentido para auxiliar os leitores a construir, negociar e transformar mundovis&otilde;es (Botelho &amp; Rudman, 2009).</p>     <p>&Eacute; expect&aacute;vel que existam disjun&ccedil;&otilde;es entre as interpreta&ccedil;&otilde;es aqui apresentadas e as respostas de crian&ccedil;as e jovens aos livros-&aacute;lbum, face aos seus interesses, circunst&acirc;ncias e at&eacute; ideias do que significa ler.</p>     <p>Mostr&aacute;mos o que &eacute; poss&iacute;vel fazer de um ponto de vista pedag&oacute;gico: compilar uma cole&ccedil;&atilde;o de livros-&aacute;lbum, que seja ilustrativa para abordar um determinado t&oacute;pico e que apresente capacidades reprodutivas e de distribui&ccedil;&atilde;o de sentidos. Em seguida, propor um conjunto de estrat&eacute;gias de como podem ser mediados junto dos leitores, de forma a criar oportunidades de eles conhecerem o mundo e desenvolverem as compet&ecirc;ncias necess&aacute;rias para nele atuar.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Dada a configura&ccedil;&atilde;o do mundo social atual, real&ccedil;&aacute;mos o uso de livros-&aacute;lbum por promoverem a literacia visual; contudo, n&atilde;o se propuseram livros-&aacute;lbum sobre grupos espec&iacute;ficos de pessoas ou sobre uma cultura espec&iacute;fica; mesmo quando se aborda o t&oacute;pico dos refugiados procurou-se situ&aacute;-lo no &acirc;mbito de migra&ccedil;&otilde;es com diversas motiva&ccedil;&otilde;es e a partir de tradi&ccedil;&otilde;es liter&aacute;rias de express&atilde;o cultural distintas e utilizar livros-&aacute;lbum em l&iacute;nguas diferentes como forma de evitar essencialismos culturais e valorizar a multiculturalidade e o plurilinguismo. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <!-- ref --><p>Adichie, C. N. (2009). <i>The danger of a single story</i>. [V&iacute;deo]. Retirado de <a href="https://www.ted.com/talks/chimamanda_adichie_the_danger_of_a_single_story?language" target="_blank">https://www.ted.com/talks/chimamanda_adichie_the_danger_of_a_single_story?language</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015949&pid=S2183-3575201900010000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Amnistia Internacional (2015). <i>We are all born free</i>. Londres: Frances Lincoln Children's Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015950&pid=S2183-3575201900010000600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Baghban, M. (2007). Immigration in childhood: using picture books to cope. <i>Social Studies</i>, <i>98</i>(2), 71-76. <a href="https://doi.org/10.3200/TSSS.98.2.71-76" target="_blank">https://doi.org/10.3200/TSSS.98.2.71-76</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015952&pid=S2183-3575201900010000600003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Baker, P. &amp; Mohieldeen, Y. (2000). The languages of London's schoolchildren. In P. Baker &amp; J. Eversley (Eds.), <i>Multilingual capital</i> (pp. 5-60). Londres: Battlebridge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015953&pid=S2183-3575201900010000600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Botelho, M. &amp; Rudman, M. K. (Eds.) (2010). <i>Critical Multicultural analysis of children's literature. Mirrors, windows, and doors.</i> Nova Iorque: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015955&pid=S2183-3575201900010000600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Breidbach, S. (2013). <i>Plurilingualism, democratic citizenship in Europe and the role of English</i>. Estrasburgo: Council of Europe.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015957&pid=S2183-3575201900010000600006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Bruner, J. (1986). <i>Actual minds, possible worlds</i>. Cambridge, M. A.: Harvard University Press.</p>     <!-- ref --><p>Byram, M. (1997). <i>Teaching and Assessing intercultural communicative competence</i>. Clevedon: Multilingual Matters.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015960&pid=S2183-3575201900010000600008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Cotton, P. &amp; Daly, D. (2014). Visualising cultures: the &quot;European picture book collection&quot; moves &quot;down under&quot;. <i>Children's Literature in Education</i>, <i>46</i>(1), 88-106. <a href="http://doi.org/10.1007/s10583-014-9228-9" target="_blank">http://doi.org/10.1007/s10583-014-9228-9</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015962&pid=S2183-3575201900010000600009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>de la Pena, M. &amp; Robinson, C. (2015). <i>Last stop on market street</i>. Nova Iorque: G.P. Putnam's Sons Books for Young Readers.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015963&pid=S2183-3575201900010000600010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Djikic, M., Oatley, K. &amp; Moldoveanu, M. C. (2013). Reading other minds. Effects of literature on empathy. <i>Scientific Study of Literature, 3</i>(1), 28-47. <a href="https://doi.org/10.1075/ssol.3.1.06" target="_blank">https://doi.org/10.1075/ssol.3.1.06</a>     &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015965&pid=S2183-3575201900010000600011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>dji Dubois, C. K. (2012). <i>Akim court</i>. Paris: L'&eacute;cole des loisirs.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015966&pid=S2183-3575201900010000600012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Garland, S. (2012). <i>Azzi in Between</i>. Londres: Frances Lincoln Children's Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015968&pid=S2183-3575201900010000600013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Graham, J. (1990). <i>Pictures on the page.</i> Sheffield: National Association for Teaching English.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015970&pid=S2183-3575201900010000600014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Greder, A. (2008). <i>The island</i>. Sydney: Allen &amp; Unwin.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015972&pid=S2183-3575201900010000600015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Gregersen-Hermans, J. (2015). The impact of exposure to diversity in the international university environment and the development of intercultural competence in students. In A. Curaj, L. Matei, R. Pricopie, J. Salmi &amp; P. Scott (Eds.), <i>The European higher education area</i> (pp 73-92). Cham: Springer. <a href="https://doi.org/10.1007/978-3-319-20877-0_6" target="_blank">https://doi.org/10.1007/978-3-319-20877-0_6</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015974&pid=S2183-3575201900010000600016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Harris, R. (2003). <i>Language and new ethnicities: multilingual youth and diaspora</i>. London: King's College Working Papers in Urban Language &amp; Literacies.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015975&pid=S2183-3575201900010000600017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Israel, R. C. (2012). What does it mean to be a global citizen? <i>Kosmos</i>, 79. Retirado de <a href="http://www.kosmosjournal.org/wp-content/article-pdfs/what-does-it-mean-to-be-a-global-citizen.pdf" target="_blank">http://www.kosmosjournal.org/wp-content/article-pdfs/what-does-it-mean-to-be-a-global-citizen.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015977&pid=S2183-3575201900010000600018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Kobald, I. &amp; Blackwood, F. (2014). <i>My two blankets</i>. Austr&aacute;lia: Little Haire Book.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015978&pid=S2183-3575201900010000600019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Lewis, J. (2002). From culturalism to transculturalism. <i>Iowa Journal of Cultural Studies, 1</i>, 14-32. <a href="https://doi.org/10.17077/2168-569X.1003" target="_blank">https://doi.org/10.17077/2168-569X.1003</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015980&pid=S2183-3575201900010000600020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Mateos, M. C. (2010). <i>Migrando</i>. Lisboa: Orfeu Negro.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015981&pid=S2183-3575201900010000600021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Meek, M. (1991). <i>On being literate</i>. Londres: Random House Children's Publishers.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015983&pid=S2183-3575201900010000600022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Mendenhall, M. E., Stevens, M. J., Bird, A., Oddon, G. R. &amp; Osland, J. S. (2001). <i>Intercultural effectiveness scale. Technical report</i>. Chesterfield: The Kozai group, Inc.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015985&pid=S2183-3575201900010000600023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o. (s.d.). <i>Organiza&ccedil;&atilde;o curricular e programas. Estudo do Meio</i> (pp. 100-114). Lisboa: Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o. Retirado de <a href="https://www.dge.mec.pt/sites/default/files/Basico/Metas/Estudo_Meio/eb_em_programa_1c.pdf" target="_blank">https://www.dge.mec.pt/sites/default/files/Basico/Metas/Estudo_Meio/eb_em_programa_1c.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015987&pid=S2183-3575201900010000600024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Oxley, L. &amp; Morris, P. (2013). Global citizenship: a typology for distinguishing its multiple conceptions. <i>British Journal of Educational Studies</i>, <i>61</i>(3), 301-325.<a href="https://doi.org/10.1080/00071005.2013.79839" target="_blank">https://doi.org/10.1080/00071005.2013.79839</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015988&pid=S2183-3575201900010000600025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Parekh, B. (2013). Cosmopolitanism and global citizenship. <i>Review of International Studies</i>, 29, 3-17. <a href="https://doi.org/10.1017/S0260210503000019" target="_blank">https://doi.org/10.1017/S0260210503000019</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015989&pid=S2183-3575201900010000600026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Portalla, T. &amp; Chen, G.-M. (2010). The development and validation of the intercultural effectiveness scale. <i>Intercultural Communication Studies, XIX (3</i>), 21-37. Retirado de <a href="https://web.uri.edu/iaics/files/02TamraPortallaGuo-MingChen.pdf" target="_blank">https://web.uri.edu/iaics/files/02TamraPortallaGuo-MingChen.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015990&pid=S2183-3575201900010000600027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Rampton, B. (2005). <i>Crossing: language &amp; ethnicity among adolescents</i>. Manchester: St Jerome Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015991&pid=S2183-3575201900010000600028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Roche, M. (2010). Critical thinking and book talk: using picture books to promote discussion and critical thinking in the classroom. <i>Reading news (Conference edition).</i> Dublin: Reading Association of Ireland.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015993&pid=S2183-3575201900010000600029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Roche, M. (2015). <i>Developing children's critical thinking through picture books. A guide for primary and early years' students and teachers.</i> Oxon: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015995&pid=S2183-3575201900010000600030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Sen, A. (2006). <i>Identity and violence: the illusion of destiny</i>. Londres: W.B. Norton and Co. Ltd.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015997&pid=S2183-3575201900010000600031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Speer, N. K., Reynolds, J. R. &amp; Zacks, J. M. (2009). Reading stories activates neural representations of visual and motor experience. <i>Psychological Science, 20</i>(8), 989-999. <a href="https://doi.org/10.1111/j.1467-9280.2009.02397.x" target="_blank">https://doi.org/10.1111/j.1467-9280.2009.02397.x</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2015999&pid=S2183-3575201900010000600032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Unesco. (s.d.). Media and information literacy. [portal web]. Retirado de <a href="http://www.unesco.org/new/en/communication-and-information/media-development/media-literacy/mil-as-composite-concept" target="_blank">http://www.unesco.org/new/en/communication-and-information/media-development/media-literacy/mil-as-composite-concept</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016000&pid=S2183-3575201900010000600033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Vertovec, S. (2006). The emergence of super-diversity in Britain. <i>Compass</i>, <i>Working Paper No 25</i>. Oxford: University of Oxford.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016001&pid=S2183-3575201900010000600034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Nota biogr&aacute;fica</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Margarida Morgado &eacute; Professora Coordenadora de Estudos Culturais Ingleses na Escola Superior de Educa&ccedil;&atilde;o do Instituto Polit&eacute;cnico de Castelo Branco, Portugal, onde ensina e desenvolve investiga&ccedil;&atilde;o sobre o ensino do Ingl&ecirc;s, Educa&ccedil;&atilde;o, Comunica&ccedil;&atilde;o e Media&ccedil;&atilde;o intercultural, Leitura e literatura infanto-juvenil.</p>     <p>ORCID: <a href="https://orcid.org/0000-0002-3651-3030" target="_blank">https://orcid.org/0000-0002-3651-3030</a></p>     <p>Email: <a href="mailto:marg.morgado@ipcb.pt">marg.morgado@ipcb.pt</a></p>     <p>Morada: Escola Superior de Educa&ccedil;&atilde;o, Rua Professor Doutor Faria de Vasconcelos 6000-266 Castelo Branco</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>* Submetido: 20/07/2018</b></p>     <p><b>* Aceite: 21/09/2018</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Esta publica&ccedil;&atilde;o recorreu a materiais desenvolvidos no &acirc;mbito do projeto IDPBC &mdash; &quot;Identity and Diversity in Picture Book Collections&quot;, no qual a autora participou, e que recebeu financiamento do programa Erasmus+, com o contrato n&ordm;. 2015-1-LT01-KA201-013492. Aviso: Este texto reflete apenas as opini&otilde;es da autora, e a Ag&ecirc;ncia Executiva de Educa&ccedil;&atilde;o, Audiovisual e Cultura e a Comiss&atilde;o Europeia n&atilde;o podem ser responsabilizadas por qualquer uso que possa ser feito das informa&ccedil;&otilde;es nele contidas.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Notas</b></p>     <p><sup><a href="#top1" name="1">[1]</a></sup> Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.ibby.org/awards-activities/activities/silent-books/" target="_blank">http://www.ibby.org/awards-activities/activities/silent-books/</a></p>     <p><sup><a href="#top2" name="2">[2]</a></sup> Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.diversitytales.com/flipbooks/bookcollection/" target="_blank">http://www.diversitytales.com/flipbooks/bookcollection/</a>    <br>     <i>Annotated bibliographic catalogue</i>. Dispon&iacute;vel em <a href="http://diversitytales.com/flipbooks/bookcollection/files/assets/basic-html/page-1.html" target="_blank">http://diversitytales.com/flipbooks/bookcollection/files/assets/basic-html/page-1.html</a>    <br>     <i>Guide for enhancing inclusive practices</i>. Dispon&iacute;vel em <a href="http://diversitytales.com/resources/IDPBC_Guide.pdf" target="_blank">http://diversitytales.com/resources/IDPBC_Guide.pdf</a></p> </b></b>     ]]></body><back>
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