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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O rio como mediador: a recuperação de rios urbanos para criar novos espaços de mediação e de diálogo intercultural]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The river becomes the mediator: urban river restoration creating new spaces for intercultural dialogue and mediation]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[At a basic level, water is a fundamental part of the human experience. Cities are, for the most part, founded on rivers. Water and rivers form a significant metaphor in describing, recording and celebrating historic and personal narratives. The title of this paper is inspired by a Persian fairy tale where a lovelorn princess, needing reassurance that the man she had fallen in love with was true, spoke to and heard back from the river. Symbolised by the river, water is the bringer of life and the connector of people. And yet… in many cities the small urban river is a problem, something to be fenced off and ignored. While cities have rediscovered the importance of major rivers in driving regeneration, smaller tributaries, streams and creeks are covered, diverted or hidden away. But it doesn't take much for the focus to change. Revitalised riparian public spaces provide a natural and neutral meeting point for all members of the community with the river acting as a physical and metaphorical mediator. Previously unloved and unknown spaces can become a key part of a city's infrastructure. More importantly, the city residents have a space to meet becoming, in turn, known and loved.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS TEM&Aacute;TICOS</b></p>     <p><b>O rio como mediador &mdash; a recupera&ccedil;&atilde;o de rios urbanos para criar novos espa&ccedil;os de media&ccedil;&atilde;o e de di&aacute;logo intercultural</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>The river becomes the mediator &mdash; urban river restoration creating new spaces for intercultural dialogue and mediation</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> //     <p><b> Paul Chapman <sup>1</sup></b>    <br>     <img src="/img/revistas/id_orcid.gif"> <a href="https://orcid.org/0000-0003-1708-1946" target="_blank">https://orcid.org/0000-0003-1708-1946</a></p>     
<p><a href="mailto:paul@pceuconsultant.eu">paul@pceuconsultant.eu</a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Num n&iacute;vel b&aacute;sico, a &aacute;gua &eacute; uma parte essencial da experi&ecirc;ncia humana. Na maioria das vezes, as cidades s&atilde;o fundadas onde existem rios. A &aacute;gua e os rios s&atilde;o uma importante met&aacute;fora na descri&ccedil;&atilde;o, no registo e na celebra&ccedil;&atilde;o das narrativas hist&oacute;ricas e pessoais. O t&iacute;tulo deste artigo inspira-se num conto de fadas persa, no qual uma princesa apaixonada, que precisava de saber que o homem pelo qual se tinha apaixonado era verdadeiro, falava com o rio e ouvia-o. A &aacute;gua, simbolizada pelo rio, &eacute; portadora da vida e uma liga&ccedil;&atilde;o entre as pessoas. E, contudo, em muitas cidades os pequenos rios urbanos s&atilde;o vistos como um problema, algo vedado e ignorado. As cidades redescobriram a import&acirc;ncia dos rios principais, mas os pequenos afluentes, os riachos e as ribeiras s&atilde;o cobertos, desviados ou escondidos. Contudo, n&atilde;o &eacute; preciso muito para alterar o foco. Os espa&ccedil;os p&uacute;blicos ribeirinhos oferecem um ponto de encontro natural e neutro para todos os membros da comunidade, nos quais o rio atua como um mediador f&iacute;sico e metaf&oacute;rico. Espa&ccedil;os desconhecidos e pouco queridos podem tornar-se parte das infraestruturas da cidade. E mais importante, os habitantes da cidade ganham um espa&ccedil;o de encontro que assim se torna conhecido e querido.</p>     <p><b>Palavras-chave</b>: Urbanismo; rio; intercultural; constru&ccedil;&atilde;o de lugar.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>At a basic level, water is a fundamental part of the human experience. Cities are, for the most part, founded on rivers. Water and rivers form a significant metaphor in describing, recording and celebrating historic and personal narratives. The title of this paper is inspired by a Persian fairy tale where a lovelorn princess, needing reassurance that the man she had fallen in love with was true, spoke to and heard back from the river. Symbolised by the river, water is the bringer of life and the connector of people. And yet&hellip; in many cities the small urban river is a problem, something to be fenced off and ignored. While cities have rediscovered the importance of major rivers in driving regeneration, smaller tributaries, streams and creeks are covered, diverted or hidden away. But it doesn't take much for the focus to change. Revitalised riparian public spaces provide a natural and neutral meeting point for all members of the community with the river acting as a physical and metaphorical mediator. Previously unloved and unknown spaces can become a key part of a city's infrastructure. More importantly, the city residents have a space to meet becoming, in turn, known and loved.</p>     <p><b>Keywords</b>: Urban; river; intercultural; placemaking.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>O que &eacute; que um rio tem a ver com a media&ccedil;&atilde;o e o di&aacute;logo intercultural? Como pode um rio ser visto como um meio encorajador do compromisso intercultural? Nos &uacute;ltimos anos temos assistido a uma mudan&ccedil;a significativa. Algumas autoridades urbanas, como as de Seul, na Coreia do Sul, as de S&atilde;o Francisco, nos EUA, e as de Lewisham, no sudeste de Londres, t&ecirc;m vindo a alterar esta situa&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s do reencaminhamento e da revitaliza&ccedil;&atilde;o de pequenos e grandes rios, com a regenera&ccedil;&atilde;o e a canaliza&ccedil;&atilde;o dos rios para criar espa&ccedil;os din&acirc;micos, naturais e convidativos que trazem o meio ambiente para o cora&ccedil;&atilde;o da cidade. Em alguns casos, os benef&iacute;cios para as pessoas t&ecirc;m sido vistos como secund&aacute;rios, derivados dos benef&iacute;cios para a natureza, e, noutros, tem acontecido o contr&aacute;rio. Em Lewisham, esta intera&ccedil;&atilde;o entre as pessoas e a natureza tem sido ben&eacute;fica para ambas: t&ecirc;m sido vistos martins-pescadores e gar&ccedil;as no cora&ccedil;&atilde;o do ambiente urbano e os habitantes da cidade t&ecirc;m reclamado para si estes espa&ccedil;os, que antes estavam subaproveitados e n&atilde;o eram seguros, dando-lhes um novo f&ocirc;lego com as pessoas na sua ess&ecirc;ncia.</p>     <p>A experi&ecirc;ncia de Lewisham (Londres, Reino Unido), assim como muitas outras por todo o mundo, oferece um contexto para responder a estas quest&otilde;es. Com uma popula&ccedil;&atilde;o de cerca de 300.000 habitantes e um crescimento estimado de 10% nos pr&oacute;ximos 20 anos, abrange uma &aacute;rea de cerca de 36 km&sup2; e encontra-se na margem sul, a apenas cinco quil&oacute;metros dos pontos tur&iacute;sticos do centro de Londres. Est&aacute; considerado como um bairro do centro de Londres e inclui &aacute;reas que est&atilde;o entre as 10% mais desfavorecidas do Reino Unido. Os dados demogr&aacute;ficos mostram que as minorias &eacute;tnicas e raciais (BAME &mdash; sigla de &quot;black, asian and minority ethnic&quot; &mdash; uma combina&ccedil;&atilde;o que inclui pessoas das Cara&iacute;bas, da &Aacute;frica Ocidental e do Sudeste Asi&aacute;tico) constituem cerca de 50% da popula&ccedil;&atilde;o. &Eacute; por isso que qualquer a&ccedil;&atilde;o realizada nesta zona precisa de ser concebida para ter impacto nos habitantes como um todo, fazendo os esfor&ccedil;os espec&iacute;ficos necess&aacute;rios para incluir aqueles que n&atilde;o t&ecirc;m uma representa&ccedil;&atilde;o evidente.</p>     <p>Catorze por cento do territ&oacute;rio de Lewisham<sup><a href="#1" name="top1">[1]</a></sup> est&aacute; formado por espa&ccedil;os verdes e parques, acompanhados de tr&ecirc;s rios que formam o curso inferior da bacia de Ravensbourne: o pr&oacute;prio Ravensbourne, o rio Pool e o rio com o fant&aacute;stico nome de Quaggy. O acesso a espa&ccedil;os abertos de qualidade tem sido uma das principais ambi&ccedil;&otilde;es do Plano local de Lewisham<sup><a href="#2" name="top2">[2]</a></sup>, o qual segue as ambi&ccedil;&otilde;es mais amplas da autoridade de Londres, a &quot;Greater London Authority&quot;, e do &quot;Mayor&quot; de Londres<sup><a href="#3" name="top3">[3]</a></sup>.</p>     <p>O parque Ladywell Fields de Lewisham &eacute; atualmente um ativo da comunidade, galardoado e muito querido. Nos fins de semana de ver&atilde;o, o parque est&aacute; cheio de fam&iacute;lias onde os mais jovens e os mais velhos desfrutam juntos deste peda&ccedil;o de campo escondido no meio deste bairro londrino. Mesmo nos frios e h&uacute;midos dias de inverno, passam por aqui corredores e ciclistas enquanto algumas almas corajosas observam a cena desde o calor do caf&eacute; comunit&aacute;rio. Depois das aulas, o parque &eacute; o destino dos jovens que frequentam a pista de skate, das fam&iacute;lias com crian&ccedil;as que ocupam os dois parques infantis em perfeitas condi&ccedil;&otilde;es e, quando est&aacute; calor, fazem <i>paddle</i> no rio. Na altura do torneio de t&eacute;nis de Wimbledon &eacute; frequente ver filas de pessoas &agrave; espera para usar os <i>courts</i> recentemente renovados. Volunt&aacute;rios da biodiversidade e da hist&oacute;ria local organizam caminhadas informativas pelo parque. Existe a possibilidade de participar em a&ccedil;&otilde;es de limpeza do rio e ajudar a gerir as reservas naturais. &Agrave;s vezes, nas noites mais quentes de ver&atilde;o, alguns grupos locais organizam teatros comunit&aacute;rios na zona ribeirinha e atividades para contar hist&oacute;rias. Este &eacute; um magn&iacute;fico exemplo do que pode acontecer quando v&aacute;rias ag&ecirc;ncias e departamentos trabalham em conjunto para alcan&ccedil;ar v&aacute;rios benef&iacute;cios. Contudo, nem todas as atividades foram planeadas ou antecipadas, e as liga&ccedil;&otilde;es entre o meio ambiente e as oportunidades interculturais n&atilde;o tinham sido consideradas, pelo que existem aqui muitas li&ccedil;&otilde;es aprendidas e, ainda mais importante, por um grupo de pessoas dedicadas a melhorar o seu bairro.</p>     <p>Em 2005, este n&atilde;o era, de todo, o caso. O parque Ladywell Fields era um parque metropolitano sem interesse e desconexo que foi estabelecido por lei no final da d&eacute;cada de 1880<sup><a href="#4" name="top4">[4]</a></sup>. Localizado entre a esta&ccedil;&atilde;o de Ladywell, o Hospital Distrital e o limite do centro da cidade de Lewisham, a parte norte do parque era vista como um atalho inevit&aacute;vel entre as liga&ccedil;&otilde;es dos transportes e os locais de trabalho, um local para percorrer o mais r&aacute;pido poss&iacute;vel e um local para n&atilde;o ficar mais do que o tempo necess&aacute;rio. Foram feitas algumas tentativas pontuais e isoladas de resolver este problema, o que levou &agrave; inclus&atilde;o de um caminho iluminado ao longo do parque, mas globalmente foi reconhecida a necessidade de uma abordagem mais abrangente.</p>     <p><b>Eliminar o crime atrav&eacute;s da conce&ccedil;&atilde;o urban&iacute;stica</b></p>     <p>Com o aumento da press&atilde;o para ter acesso a espa&ccedil;os abertos, foi implementado um programa para melhorar os parques de Lewisham e para cumprir os requisitos de obten&ccedil;&atilde;o da Bandeira Verde<sup><a href="#5" name="top5">[5]</a></sup>. Num relat&oacute;rio de 2003 sobre a preven&ccedil;&atilde;o da criminalidade elaborado pela Pol&iacute;cia Metropolitana (j&aacute; n&atilde;o se encontra dispon&iacute;vel), a equipa de projeto observou uma lacuna significativa na sec&ccedil;&atilde;o sobre parques e espa&ccedil;os abertos, onde n&atilde;o tinha sido inclu&iacute;da informa&ccedil;&atilde;o na sec&ccedil;&atilde;o sobre corredores ribeirinhos. Em resumo, a pol&iacute;cia privilegiava a abordagem conhecida como <i>Designing out crime</i> que, embora fosse bem sucedida em ambientes urbanizados, n&atilde;o tinha sido testada como metodologia para espa&ccedil;os naturais. O princ&iacute;pio fundamental do <i>Designing out crime</i> &eacute; assinalar de forma clara as sa&iacute;das de emerg&ecirc;ncia, os acessos e as linhas de vis&atilde;o, e &eacute; normalmente aplicado ao desenvolvimento de &aacute;reas p&uacute;blicas edificadas ou residenciais. Al&eacute;m disso, usa a ideia de ter pessoas a &quot;vigiar&quot; os espa&ccedil;os, que funcionam como os olhos e os ouvidos da &aacute;rea. Um maior n&uacute;mero de pessoas, em vez de criar problemas, torna o espa&ccedil;o mais seguro, uma vez que reduz as hip&oacute;teses de crimes oportunistas.</p>     <p><b>O rio Ravensbourne</b></p>     <p>O rio Ravensbourne tornou-se o foco das propostas de melhorias sociais e ambientais para o parque Ladywell Fields. A bacia de Ravensbourne abrange v&aacute;rios bairros de Londres: emerge em Keston Ponds, em Bromley, com outros afluentes em Croydon e Greenwich; a sec&ccedil;&atilde;o a jusante da bacia flui atrav&eacute;s do sul de Lewisham e junta-se ao Tamisa em Deptford. A hist&oacute;ria do rio pode ser vista atrav&eacute;s dos nomes atuais de alguns lugares que refletem o seu passado industrial (moinhos): Cornmill, Glassmill e Watermill. Deptford foi a base da Marinha Brit&acirc;nica durante o reinado de Henrique VIII, uma vez que o seu &quot;vau fundo&quot; oferecia o espa&ccedil;o necess&aacute;rio para construir e equipar os navios da altura. No final do s&eacute;culo XVII, Pedro o Grande da R&uacute;ssia e a sua famosa comitiva secaram Deptford durante uma visita para aprender t&eacute;cnicas de constru&ccedil;&atilde;o naval.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Com a expans&atilde;o do bairro, os rios foram perdendo import&acirc;ncia e alguns transformaram-se em pouco mais do que esgotos. Ao mesmo tempo, isto levou a desenvolvimentos que foram constru&iacute;dos por cima do leito do rio e, noutros casos, o rio foi reconduzido por canais espec&iacute;ficos ou simplesmente coberto. As grandes inunda&ccedil;&otilde;es de 1968, com impacto na maior parte do bairro, parecem ter surgido como uma surpresa e levaram &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de mais canais e veda&ccedil;&otilde;es de encontro ao pensamento da altura.</p>     <p><b>Parque Ladywell Fields</b></p>     <p>No parque Ladywell Fields o principal canal do rio Ravensbourne corre &agrave; volta dos limites do parque e foi dividido por um gradeamento de ferro e escondido por tr&aacute;s das &aacute;rvores e arbustos. A mensagem involunt&aacute;ria transmitida foi &quot;&eacute; para manter afastado, este rio &eacute; um problema e deve ser evitado&quot;. De facto, ao fazer perguntas sobre os planos iniciais para o parque, a maioria dos habitantes respondia: &quot;que rio?&quot;. Apesar deste canal isolado ser um para&iacute;so para a vida selvagem, n&atilde;o contribu&iacute;a para os principais objetivos dos parques p&uacute;blicos.</p>     <p>Como em qualquer projeto importante para um espa&ccedil;o p&uacute;blico, o primeiro passo foi ouvir a opini&atilde;o p&uacute;blica. Os primeiros question&aacute;rios detetaram alguma profunda apreens&atilde;o com o estado do parque. As pessoas n&atilde;o o usavam principalmente porque n&atilde;o se sentiam seguras, quase 80% responderam que se sentiam assim<sup><a href="#6" name="top6">[6]</a></sup>. Ao perceber que o parque Ladywell Fields era considerado perigoso, a equipa de projeto viu uma oportunidade para testar a utiliza&ccedil;&atilde;o do conceito <i>Designing out crime</i> no parque. Poderia o parque tornar-se mais seguro com a implementa&ccedil;&atilde;o e a adapta&ccedil;&atilde;o de algumas das recomenda&ccedil;&otilde;es? Como iriam reagir as pessoas a estas mudan&ccedil;as? Qual seria o impacto na biodiversidade?</p>     <p>Os planos iniciais para o parque Ladywell Fields, apresentados como parte de uma proposta de financiamento para o fundo comunit&aacute;rio LIFE para o ambiente em 2005, consistiam em implementar linhas de vis&atilde;o claras e eliminar as barreiras f&iacute;sicas do rio. Mas, a utiliza&ccedil;&atilde;o deste conceito de <i>Designing out crime</i> implicava que este teria de ser aplicado sem cortar as &aacute;rvores que impediam ter linhas de vis&atilde;o mais claras, uma vez que as &aacute;rvores fazem parte de qualquer parque e j&aacute; se sabia que esta a&ccedil;&atilde;o iria levantar obje&ccedil;&otilde;es. Isto significava que o principal objetivo do projeto proposto era a remo&ccedil;&atilde;o da veda&ccedil;&atilde;o ao longo do corredor ribeirinho, para trazer o rio de volta ao dia a dia do parque. Houve discuss&otilde;es sobre assuntos como o acesso &agrave; &aacute;gua, vandalismo e as inevit&aacute;veis preocupa&ccedil;&otilde;es das autoridades locais sobre sa&uacute;de e seguran&ccedil;a &mdash; um dos motivos iniciais para a veda&ccedil;&atilde;o do rio foi o risco identificado de poss&iacute;veis afogamentos acidentais.</p>     <p>Contudo, os exerc&iacute;cios de consulta p&uacute;blica tamb&eacute;m trouxeram respostas muito mais ousadas, que marcaram o tom para o compromisso das pessoas com o processo. As pessoas responderam &agrave;s preocupa&ccedil;&otilde;es com a sa&uacute;de e a seguran&ccedil;a afirmando que permitir o contacto das pessoas com o rio poderia oferecer um contexto de aprendizagem sobre como lidar com a &aacute;gua. Houve muitos relatos sobre inf&acirc;ncias passadas a navegar, pescar e apanhar girinos, assim como um desejo de que as gera&ccedil;&otilde;es mais jovens tamb&eacute;m tivessem essa oportunidade.</p>     <p>Os planos apresentados, desenvolvidos e concebidos com a ajuda dos arquitetos paisagistas da BDP, pretendiam transformar o parque adicionando um canal secund&aacute;rio do rio atrav&eacute;s do centro da parte norte. Esta abordagem alterou um processo que era uma solu&ccedil;&atilde;o simplesmente natural para uma outra liderada por pessoas. Os trabalhos em curso inclu&iacute;ram uma avalia&ccedil;&atilde;o do impacto em termos de igualdade e um entendimento de que os resultados do trabalho teriam de ser partilhados e usados por toda a comunidade: o &quot;que rio?&quot; transformou-se em &quot;o nosso rio&quot;.</p>     <p>A equipa de execu&ccedil;&atilde;o uniu esfor&ccedil;os com ag&ecirc;ncias externas que participaram no processo, nomeadamente a Ag&ecirc;ncia do Ambiente que, em Inglaterra, &eacute; a autoridade que gere a &aacute;gua, os leitos e as margens dos rios. Ao combinar os recursos e os question&aacute;rios, esta abordagem conjunta pretendia evitar o &quot;cansa&ccedil;o das consultas&quot;, pelo que agradecia os coment&aacute;rios e as quest&otilde;es, mas tamb&eacute;m oferecia ch&aacute;, caf&eacute; e gelados em troca. O processo de consulta seguiu o procedimento habitual na C&acirc;mara para identificar e utilizar o maior n&uacute;mero poss&iacute;vel de intervenientes. Devido &agrave; pol&iacute;tica de acesso aberto dos parques e dos espa&ccedil;os verdes, foi preciso pensar de forma abrangente sobre os grupos e indiv&iacute;duos que era preciso incluir, para que o respons&aacute;vel da equipa procurasse medidas e oportunidades alternativas. Isto ajudou a modificar o foco das interven&ccedil;&otilde;es e foi uma forma de aproveitar a boa vontade e o interesse gerados pelo projeto.</p>     <p>Uma das situa&ccedil;&otilde;es que fica na mem&oacute;ria foi a utiliza&ccedil;&atilde;o de uma visita agendada do Arcebispo Desmond Tutu para a inaugura&ccedil;&atilde;o de uma nova ala do hospital ao lado do parque. A equipa viu aqui uma oportunidade de promover os planos e avaliar a rea&ccedil;&atilde;o dos utilizadores do hospital, que costumavam usar o parque como atalho para a esta&ccedil;&atilde;o ferrovi&aacute;ria e com os quais n&atilde;o teriam conseguido falar. O evento, que teve lugar no parque Ladywell Fields, ofereceu uma oportunidade para mostrar &agrave;s pessoas o espa&ccedil;o, explicar os planos e obter respostas em primeira m&atilde;o. Outras oportunidades de consulta surgiram por acaso ou pelo facto de o pessoal passar muito tempo no local, devido &agrave; natureza f&iacute;sica do projeto. Uma destas envolveu um membro do F&oacute;rum das pessoas com defici&ecirc;ncia de Lewisham que ouviu dizer que, devido &agrave;s corridas ilegais de motas atrav&eacute;s do parque, as entradas iam ser vedadas, o que levaria ao bloqueio involunt&aacute;rio do acesso para as pessoas em cadeiras de rodas. A equipa conseguiu introduzir esta quest&atilde;o no modelo <i>Designing out crime</i> e decidiu que a entrada principal n&atilde;o teria porta, funcionando assim como uma entrada de boas-vindas ao parque. Na verdade, o problema com as motas foi uma moda desse ver&atilde;o e, ap&oacute;s a reabertura do parque, raramente foi mencionado como um problema.</p>     <p>Muito importante para os novos objetivos do parque era um pequeno caf&eacute; que, embora estivesse aberto grande parte do ano, tinha dificuldades. O modelo <i>Designing out crime</i> centrou-se no valor acrescido de ter pessoas que fossem os &quot;olhos e os ouvidos&quot; do parque e um caf&eacute; era mais um motivo para a presen&ccedil;a das pessoas. Infelizmente, na altura, e na linha da perce&ccedil;&atilde;o geral sobre a &aacute;rea, o edif&iacute;cio existente era propenso a assaltos e atos de vandalismo. Originalmente fazia parte da esta&ccedil;&atilde;o ferrovi&aacute;ria e tinha acesso por ambos os lados. Contudo, o propriet&aacute;rio estava determinado a ficar e a fazer a diferen&ccedil;a no local, tendo visto os trabalhos propostos para o parque como uma oportunidade. A situa&ccedil;&atilde;o foi parcialmente resolvida atrav&eacute;s de uma fonte inesperada.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Como parte de um plano mais abrangente para melhorar o parque e promover a sua utiliza&ccedil;&atilde;o por pessoas de todas as idades, os Servi&ccedil;os para os Jovens de Lewisham, em parceria com a equipa do parque, constru&iacute;ram uma pista de skate. Ao lado dos courts de t&eacute;nis e dos parques infantis j&aacute; existentes, este movimento visava melhorar as instala&ccedil;&otilde;es para todos os grupos et&aacute;rios e, nomeadamente, como resposta aos seus pedidos, para a popula&ccedil;&atilde;o jovem e adolescente. A decis&atilde;o levantou algumas d&uacute;vidas ao financiador do projeto, que inicialmente n&atilde;o conseguia ver a liga&ccedil;&atilde;o entre a pista de skate e o meio ambiente. Tamb&eacute;m, tendo em conta o modelo <i>Design out crime</i>, existia uma preocupa&ccedil;&atilde;o geral, embora infundada, que atrair grupos de jovens s&oacute; servia para atrair os problemas que o projeto tentava resolver.</p>     <p>Contudo, os <i>skaters</i> e o dono do caf&eacute; acabaram por formar uma marcante, embora improv&aacute;vel, parceria. As les&otilde;es e hematomas dos <i>skaters</i> precisavam de gelo para ajudar na recupera&ccedil;&atilde;o. O caf&eacute; tinha muito gelo e o dono n&atilde;o se importava de o fornecer de gra&ccedil;a. Assim, os jovens come&ccedil;aram a frequentar o caf&eacute;, a comprar bebidas e <i>snacks</i> e, mais importante ainda, a construir uma rela&ccedil;&atilde;o com o dono do caf&eacute;. Este h&aacute;bito ajudou &agrave; viabilidade do caf&eacute; e, ao mesmo tempo, criou um motivo para a conviv&ecirc;ncia dos jovens com os outros utilizadores do parque. A partir desta altura, h&aacute; pelo menos 10 anos, houve um outro impacto not&aacute;vel. N&atilde;o houve mais assaltos, roubos nem atos de vandalismo reportados no caf&eacute; do parque. A combina&ccedil;&atilde;o de um dono de caf&eacute; comprometido e focado na comunidade, que preferiu fornecer recursos aos jovens em vez de agravar os problemas e as diferen&ccedil;as, teve o resultado do <i>Designing out crime</i> e ajudou a come&ccedil;ar a criar um espa&ccedil;o seguro.</p>     <p>O grupo de utilizadores do parque Ladywell Fields tamb&eacute;m foi muito importante nas discuss&otilde;es, debates e respostas positivas aos planos para reencaminhar o rio. N&atilde;o s&oacute; viram e apoiaram a l&oacute;gica por tr&aacute;s das decis&otilde;es de melhorar o caf&eacute; e construir a pista de <i>skate</i>, como tamb&eacute;m deram o seu apoio &agrave;s ideias para o rio. A sua influ&ecirc;ncia, e o envolvimento cont&iacute;nuo do grupo de utilizadores em todos os aspetos da remodela&ccedil;&atilde;o, significou que os seus membros, uma combina&ccedil;&atilde;o dos habitantes locais e dos grupos da comunidade, acompanharam sempre todos os assuntos, parceiros e possibilidades oferecidos pelos trabalhos. O seu objetivo era fazer do parque Ladywell Fields um destino para os habitantes locais, um lugar que estes quisessem visitar e utilizar.</p>     <p>Vale tamb&eacute;m a pena mencionar o impacto das altera&ccedil;&otilde;es na entrada principal do parque. Situada no fim de uma ponte rodovi&aacute;ria, por cima de uma linha ferrovi&aacute;ria e o rio, a primeira coisa que os visitantes viam era uma mancha de &aacute;rvores desordenada e descuidada, que impedia qualquer vis&atilde;o do parque. Tendo em conta o principal objetivo do modelo <i>Designing out crime</i>, a solu&ccedil;&atilde;o &oacute;bvia seria cortar as &aacute;rvores. Contudo, a equipa de execu&ccedil;&atilde;o descobriu rapidamente as rea&ccedil;&otilde;es que este tipo de a&ccedil;&otilde;es podem despoletar. Apesar de que as pessoas queriam um parque melhor, isto n&atilde;o poderia ser feito &agrave; custa das &aacute;rvores. O que fosse usado para as substituir teria de ser melhor e ter em conta as preocupa&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>Atualmente, os visitantes do parque Ladywell Fields t&ecirc;m uma entrada bem indicada, com uma zona de descanso e um bonito marco de madeira com o nome, assim como, e mais importante, uma vista fant&aacute;stica do parque e do novo canal central do rio. Um dos principais pontos do modelo <i>Designing out crime</i> &eacute; oferecer linhas de vis&atilde;o claras e que as pessoas disponham de v&aacute;rias op&ccedil;&otilde;es dispon&iacute;veis. A partir da nova entrada &eacute; poss&iacute;vel ver at&eacute; ao extremo da parte norte. De acordo com o parecer do respons&aacute;vel pelas &aacute;rvores da C&acirc;mara, as b&eacute;tulas prateadas que formavam a mancha desordenada foram replantadas em cada um dos lados da entrada para formar as linhas de &aacute;rvores ao longo do caminho.</p>     <p>Os caminhos originais e as vias de acesso eram um dos principais motivos referidos pelas pessoas relativamente &agrave; sensa&ccedil;&atilde;o de inseguran&ccedil;a. Apesar de existir uma liga&ccedil;&atilde;o direta entre a plataforma da esta&ccedil;&atilde;o e o parque, o caminho estava pouco iluminado e tinha uma veda&ccedil;&atilde;o alta, onde seria f&aacute;cil para algu&eacute;m esconder-se. O novo tra&ccedil;ado forneceu uma segunda via para sair da plataforma, removeu a barreira de um lado e assim criou linhas de vis&atilde;o claras sem tirar as &aacute;rvores adultas dessa &aacute;rea. Foram definidos novos caminhos e foi introduzida mais ilumina&ccedil;&atilde;o, o que contribuiu para gerar um ambiente mais seguro. Foram marcadas de forma clara as sa&iacute;das e entradas em dire&ccedil;&atilde;o ao centro da cidade e ao hospital, e o acesso &agrave; esta&ccedil;&atilde;o ferrovi&aacute;ria foi completamente transformado.</p>     <p>Uma das &aacute;reas onde a equipa de execu&ccedil;&atilde;o investiu muito tempo foi nas liga&ccedil;&otilde;es entre as crian&ccedil;as e as suas escolas. J&aacute; existia um programa de &quot;aulas ao ar livre&quot; implementado no agora recentemente renovado parque Ladywell Fields. As aulas sobre o ciclo da &aacute;gua ou a vida dos rios podiam ser agora dadas <i>in situ</i>. As escolas locais, que antes contratavam autocarros para levar os alunos a &quot;centros de natureza&quot; nos arredores de Londres, podiam agora fazer o mesmo atravessando a rua. A C&acirc;mara investiu em redes, equipamento de pesca e de monitoriza&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua para permitir que os alunos pudessem entrar no rio e viver a experi&ecirc;ncia em vez de ler apenas um livro. Numa nova abordagem, o pessoal garantiu que este equipamento tamb&eacute;m estava dispon&iacute;vel aos fins de semana, para encorajar os visitantes a entrar no rio. Isto teve um impacto adicional no envolvimento e na informa&ccedil;&atilde;o dos habitantes. Um dos relatos foi feito por um pai que n&atilde;o acreditava que existia um rio em Ladywell e pensava que o seu filho estava enganado. No fim de semana seguinte foram visitar o parque para confirmar. O rio passou a fazer parte da vida das pessoas e as pessoas que visitavam o rio e o parque tornaram-se parte umas das outras. A vis&atilde;o de um parque cheio e a ser utilizado come&ccedil;ou a tornar-se realidade nos dias seguintes &agrave; inaugura&ccedil;&atilde;o do novo canal do rio. O impacto visual da &aacute;gua atrav&eacute;s do parque era dif&iacute;cil de ignorar. As pessoas que costumavam passar pelo parque o mais r&aacute;pido poss&iacute;vel, come&ccedil;aram a parar para observar e conhecer este novo ambiente.</p>     <p>Uma das principais quest&otilde;es levantadas pelos intervenientes e o p&uacute;blico foi o potencial impacto na biodiversidade. Ao promover o uso do parque pelas pessoas, a flora e a fauna, que at&eacute; agora tinham sido pouco perturbadas, poderiam ser destru&iacute;das com o aumento das visitas. Surpreendentemente aconteceu o contr&aacute;rio. Onde antes havia um campo aberto de relva, havia agora um rio com margens progressivas, um lago e um jardim de flores silvestres especialmente plantadas. Uma maior diversidade de habitats naturais trouxe uma maior diversidade de esp&eacute;cies ao parque. Durante a visita da equipa de controlo da LIFE UE no in&iacute;cio da vida do projeto, os seus especialistas treinados ficaram impressionados ao identificar algumas destas plantas, p&aacute;ssaros, insetos e animais num ambiente urbano. O respons&aacute;vel pela biodiversidade da C&acirc;mara decidiu que o novo canal do rio deveria ser natural, que s&oacute; deveriam existir nas margens as plantas existentes a jusante deste. S&oacute; seriam semeadas plantas se isso fosse necess&aacute;rio para proteger as margens. Isto implicava que, embora o processo pudesse demorar mais tempo, o novo canal teria um aspeto natural desde o in&iacute;cio. Tudo isto acrescido ao seu atrativo e &agrave; crescente consciencializa&ccedil;&atilde;o de que, numa escala ambiental, algo especial estava a acontecer.</p>     <p>Os estudos realizados ap&oacute;s o fim dos trabalhos<sup><a href="#7" name="top7">[7]</a></sup> mostraram que agora existia o dobro da quantidade de biodiversidade no parque. Gar&ccedil;as, martins-pescadores e at&eacute; pequenas gar&ccedil;as brancas tornaram-se visitantes regulares, todos eles atra&iacute;dos pelo aumento do n&uacute;mero de peixes no rio. A Ag&ecirc;ncia do Ambiente fez a repovoa&ccedil;&atilde;o e a monitoriza&ccedil;&atilde;o de peixes, como bordalos e escalos, que foram aumentando neste rio melhorado, apoiados por uma significativa melhoria da qualidade da &aacute;gua do rio Ravensbourne. Isto n&atilde;o &eacute; algo que a equipa de execu&ccedil;&atilde;o tenha discutido no in&iacute;cio do projeto, mas, &agrave; medida que foram percebendo as prioridades do seu principal parceiro, a Ag&ecirc;ncia do Ambiente, o valor desta informa&ccedil;&atilde;o veio ao de cima. Desde uma perspetiva ambiental, existe ainda uma discuss&atilde;o sobre o valor da recupera&ccedil;&atilde;o dos rios nas &aacute;reas urbanas, nomeadamente pela falta de impacto percebida na qualidade da &aacute;gua. Contudo, as an&aacute;lises em curso<sup><a href="#8" name="top8">[8]</a></sup> mostraram uma melhoria significativa &mdash; de med&iacute;ocre para boa &mdash; na qualidade da &aacute;gua do rio. Isto foi importante porque ajudou na cria&ccedil;&atilde;o de um argumento dentro da comunidade da &aacute;gua que tinha sido ignorado at&eacute; ent&atilde;o: que melhorar os rios urbanos &eacute; uma forma eficiente de alcan&ccedil;ar as metas ambiciosas da qualidade da &aacute;gua estabelecidas pela UE atrav&eacute;s da Diretiva Quadro da &Aacute;gua.</p>     <p>E ainda, abordou uma das quest&otilde;es centrais das melhorias ambientais: o que acontece quando se envolvem as pessoas? A resposta do parque Ladywell Fields foi categoricamente positiva. Os habitantes unidos organizaram os &quot;dias de limpeza&quot;. Quaisquer incidentes de polui&ccedil;&atilde;o, inunda&ccedil;&otilde;es ou fluxos no rio eram imediatamente reportados, uma vez que o n&uacute;mero de &quot;olhos e ouvidos&quot; interessados, o n&uacute;mero de pessoas &quot;propriet&aacute;rias&quot; do rio, tinha aumentado. Houve um aumento do interesse na biodiversidade do parque, com crian&ccedil;as a ter aulas <i>in situ</i> para conhecer o ciclo da &aacute;gua, al&eacute;m do facto do parque fornecer um abrigo seguro para os morcegos. Num outro exemplo, que mostrou que a propriedade pode ter um grande interesse, alguns alunos em risco de exclus&atilde;o da escola secund&aacute;ria local perto do parque foram convidados a passar algum tempo no parque para construir casas para p&aacute;ssaros, e assim adquirir compet&ecirc;ncias pr&aacute;ticas. Em conversas posteriores, foi evidente que estes jovens assumiam depois uma responsabilidade pessoal pelas &quot;suas&quot; casas e que o comportamento antissocial e os atos de vandalismo diminu&iacute;am com este compromisso.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ao escrever este artigo, as discuss&otilde;es de assuntos aparentemente sem qualquer liga&ccedil;&atilde;o abriram a porta para o aspeto Intercultural referido no t&iacute;tulo. Quando o projeto come&ccedil;ou n&atilde;o havia muito mais do que uma vontade de aumentar o n&uacute;mero de utilizadores. Contudo, a partir do dia em que foi aberto o novo canal do rio, foi evidente que algo muito mais interessante estava a acontecer. O parque Ladywell Fields tornou-se num destino para toda a comunidade e, mais ainda, todos se sentiam seguros e confort&aacute;veis nele. As pessoas come&ccedil;avam animadas conversas com outras pessoas sentadas na mesa ao lado no caf&eacute;. Os filhos come&ccedil;aram a brincar juntos de forma natural na &aacute;gua e isto levava a conversas entre os pais. O grupo de utilizadores promoveu v&aacute;rias atividades diferentes, todas elas bem aceites, oferecendo um ambiente estruturado para que pessoas desconhecidas pudesses trabalhar juntas em a&ccedil;&otilde;es de limpeza do parque, ou tirando as esp&eacute;cies invasivas das margens do rio. O rio, e por associa&ccedil;&atilde;o o parque, tornou-se de todos, e o meio ambiente tornou-se o pano de fundo para a intera&ccedil;&atilde;o e o di&aacute;logo para al&eacute;m do dia a dia. Mas, o projeto cumpriu os seus objetivos? Como foi mantido o delicado equil&iacute;brio entre as pessoas e a natureza? Pode um rio urbano promover realmente o di&aacute;logo intercultural?</p>     <p><b>Os resultados</b></p>     <p>Em resumo, a resposta para estas perguntas &eacute; esmagadoramente positiva. O projeto conseguiu muito mais do que tinha sido previsto e ao faz&ecirc;-lo continua a chamar a aten&ccedil;&atilde;o dos especialistas locais, regionais, nacionais e internacionais. A mistura de pessoas e natureza num meio urbano influenciou o pensamento sobre como abordar a recupera&ccedil;&atilde;o dos rios e os problemas sociais. Os v&aacute;rios benef&iacute;cios desta abordagem est&atilde;o a come&ccedil;ar agora a ser completamente entendidos.</p>     <p>A come&ccedil;ar pela premissa inicial do projeto <i>Designing out crime</i>, qual foi o impacto do projeto nas pessoas que usam o parque? Por um lado, pode dizer-se que muito pouco mudou: o n&uacute;mero de incidentes de crime registados continuou igual. Contudo, houve um aumento de 250% no n&uacute;mero de pessoas a usar o parque, pelo que num c&aacute;lculo percentual pode afirmar-se que diminuiu o n&uacute;mero de crimes registados no parque Ladywell Fields. Para apoiar esta informa&ccedil;&atilde;o, o sentimento de seguran&ccedil;a ou muita seguran&ccedil;a duplicou, com quase 80% dos utilizadores do parque a mostrar que est&atilde;o muito mais relaxados neste novo ambiente, um aumento dos menos de 40% antes dos trabalhos<sup><a href="#9" name="top9">[9]</a></sup>.</p>     <p>Como j&aacute; foi referido, houve um aumento significativo da biodiversidade em Ladywell Fields. Esta biodiversidade atrai uma maior variedade de pessoas. &Eacute; muito gratificante ver o toque de cores de um martim-pescador a voar ao longo do corredor ribeirinho. Enquanto decorrem passeios no parque para especialistas do Departamento do Ambiente ou de outros projetos europeus, os visitantes podem ser surpreendidos com uma gar&ccedil;a a pescar no rio a poucos metros de uma concorrida linha ferrovi&aacute;ria ou estrada. Uma pessoa do World Wildlife Fund que tinha vivido em Lewisham 10 anos antes ficou impressionado com a apresenta&ccedil;&atilde;o sobre a vida naquele que ele conhecia como um rio &quot;morto&quot;. A combina&ccedil;&atilde;o da resili&ecirc;ncia da natureza, uma ajuda dos habitantes e parceiros, e uma quantia relativamente pequena de apoio financeiro da Uni&atilde;o Europeia e da C&acirc;mara, podem ter um impacto abrangente e duradouro.</p>     <p>De facto, os trabalhos na parte norte e o novo canal foram apenas o in&iacute;cio da hist&oacute;ria do parque Ladywell Fields. Com base na ideia de que as pessoas gostam de se associar a projetos de sucesso, os anos seguintes trouxeram um investimento de dois milh&otilde;es de libras do <i>Mayor</i> de Londres e da &quot;Greater London Authority&quot; para continuar a revitaliza&ccedil;&atilde;o e abrir o rio pelo meio das partes central e sul. Mais recentemente, foram feitos trabalhos para criar um espa&ccedil;o que funcione tamb&eacute;m como prote&ccedil;&atilde;o contra as inunda&ccedil;&otilde;es, visto como um investimento em maior escala, a montante, e as li&ccedil;&otilde;es aprendidas e observadas em Ladywell ser&atilde;o transferidas para o Beckenham Place Park. Isto ser&aacute; feito atrav&eacute;s de um subs&iacute;dio da Lotaria Nacional do Reino Unido e constru&iacute;do sob a ideia de que as pessoas fazem os lugares. O sucesso de Ladywell Fields tamb&eacute;m foi reconhecido atrav&eacute;s de um n&uacute;mero significativo de pr&eacute;mios para ambientes constru&iacute;dos: melhor novo espa&ccedil;o p&uacute;blico em Londres em 2013 nos pr&eacute;mios <i>London Planning Awards</i>; Primeiro pr&eacute;mio na categoria de espa&ccedil;os verdes urbanos em 2012 e Louvor na categoria de espa&ccedil;os p&uacute;blicos, nos pr&eacute;mios <i>New London Awards 2012</i>.</p>     <p><b>As li&ccedil;&otilde;es aprendidas</b></p>     <p>Os espa&ccedil;os abertos de qualidade criam oportunidades para a qualidade das rela&ccedil;&otilde;es interpessoais e a intera&ccedil;&atilde;o intercultural. A defini&ccedil;&atilde;o do dicion&aacute;rio do prefixo &quot;inter&quot; oferece v&aacute;rias descri&ccedil;&otilde;es: &quot;entre&quot;, &quot;dentro de&quot;, &quot;no meio de&quot;, &quot;mutuamente&quot;, &quot;reciprocamente&quot; e &quot;juntos&quot;. Em Ladywell Fields isto foi encorajado ativamente atrav&eacute;s dos dois guardas-florestais Waterlink Way. O nome vem de uma ciclovia e rota a p&eacute; existente ao longo do Ravensbourne e o objetivo destas duas pessoas &eacute; facilitar as intera&ccedil;&otilde;es. Os alunos da escola que visitam o parque para estudar o ciclo da &aacute;gua e a vida dos rios, os grupos de limpeza e as associa&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas e da natureza s&atilde;o encorajados a recrutar mais membros e a usar as mudan&ccedil;as no parque. Uma inova&ccedil;&atilde;o not&aacute;vel foi a abertura aos fins de semana da loja da C&acirc;mara de equipamento de pesca, redes e instrumentos de registo para encorajar as crian&ccedil;as e os pais a entrar no rio.</p>     <p>Tamb&eacute;m &eacute; importante ter em conta o impacto de trabalhar em parceria com outras ag&ecirc;ncias, grupos e indiv&iacute;duos para o sucesso do projeto. E isto &eacute; assim tanto se estes s&atilde;o os decisores como os agitadores locais, cada um tem um papel chave a desempenhar. A n&iacute;vel local, o grupo Quaggy Waterways Action Group (QWAG) fez campanha durante muito tempo para a recupera&ccedil;&atilde;o dos rios e dos canais de Lewisham. Em alguns setores da C&acirc;mara foram vistos como sonhadores ou idealistas, mas as suas press&otilde;es de longa data para melhorar a sa&uacute;de dos rios locais contribu&iacute;ram em grande medida para os planos do parque Ladywell Fields. Uma das interven&ccedil;&otilde;es mais importantes veio ap&oacute;s a entrega do projeto. Apesar do grupo ter sido inicialmente estabelecido para a monitoriza&ccedil;&atilde;o do estado do rio Quaggy no este de Lewisham, estiveram entre os primeiros grupos a elogiar a vis&atilde;o e o sucesso da recupera&ccedil;&atilde;o de Ladywell Fields, vendo-as completamente ligadas &agrave; sua pr&oacute;pria vis&atilde;o e definindo os padr&otilde;es das oportunidades a seguir.</p>     <p>A Ag&ecirc;ncia do Ambiente foi outro parceiro chave. Todos os trabalhos que envolvam a &aacute;gua e os canais dos rios de Inglaterra s&atilde;o supervisionados por esta entidade que tem a responsabilidade de prevenir as inunda&ccedil;&otilde;es, assim como de melhorar as condi&ccedil;&otilde;es naturais dos cursos de &aacute;gua. A rela&ccedil;&atilde;o com esta ag&ecirc;ncia nem sempre foi f&aacute;cil. Enquanto especialistas reconhecidos na &aacute;rea, &agrave;s vezes suspeitavam quando a C&acirc;mara assumia o comando: a situa&ccedil;&atilde;o era demasiado complexa e as especializa&ccedil;&otilde;es n&atilde;o existiam fora da sua organiza&ccedil;&atilde;o. Foi preciso ir construindo a rela&ccedil;&atilde;o para perceber os benef&iacute;cios m&uacute;tuos do trabalho em conjunto e, apesar de que os parceiros tinham diferentes pontos de partida e objetivos, o conjunto de resultados partilhados permitiu a todos reclamar algum cr&eacute;dito e alguns louros pelo projeto. Com o avan&ccedil;o do projeto tornou-se evidente que o trabalho interag&ecirc;ncias conseguia resultados muito melhores do que quando trabalhavam sozinhas, que as diferentes perspetivas e l&oacute;gicas ao trabalhar juntos, sem concorrer entre si, estavam a criar algo &uacute;nico. De facto, um membro s&eacute;nior da equipa de dire&ccedil;&atilde;o da Ag&ecirc;ncia do Ambiente quis saber como poderia &quot;colocar num frasco o que estava a acontecer&quot; para poder lev&aacute;-lo por todo o pa&iacute;s.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Uma das principais vantagens do trabalho em conjunto das organiza&ccedil;&otilde;es foi a capacidade de chegar a diferentes p&uacute;blicos. A combina&ccedil;&atilde;o de recursos ajudou a prevenir o cansa&ccedil;o das consultas e, mais importante, forneceu uma popula&ccedil;&atilde;o mais ampla para cada uma das organiza&ccedil;&otilde;es participantes. Em vez de simplesmente &quot;pregar aos convertidos&quot;, a Ag&ecirc;ncia do Ambiente conseguiu respostas de toda a comunidade. Adicionalmente, os parceiros trabalharam juntos e conseguiram oferecer m&eacute;todos alternativos para criar interesse. Assim, para al&eacute;m das consultas p&uacute;blicas mais &oacute;bvias relativamente aos planos, as pessoas tiveram a oportunidade de participar em &quot;<i>brainstormings</i> de projetos&quot;, &quot;dias de limpeza do rio&quot;, &quot;conserva&ccedil;&atilde;o da natureza&quot; e &quot;teatro e hist&oacute;rias&quot; usando o rio como palco e assunto.</p>     <p><b>Coes&atilde;o social e di&aacute;logo intercultural</b></p>     <p>Quando o novo canal do rio ficou pronto e o parque Ladywell Fields reabriu ao p&uacute;blico, o registo de utiliza&ccedil;&atilde;o aumentou 250%<sup><a href="#10" name="top10">[10]</a></sup>. Atualmente, quase 10 anos depois, este valor tem-se mantido constante. Durante este tempo, os membros da comunidade t&ecirc;m tido muitas oportunidades para se misturar, para se conhecer e para se comprometer. A pr&oacute;pria experi&ecirc;ncia do autor &eacute; que no ambiente neutro do parque as pessoas se mostram muito mais dispostas a iniciar uma conversa e mais capazes de conviver com as evidentes diferen&ccedil;as na comunidade. Quase todas as vezes que visitei o parque, e nomeadamente a &aacute;rea do caf&eacute;, as pessoas iniciavam conversas. Sempre que organizei visitas, ou mostrei o parque a algu&eacute;m interessado, os utilizadores do parque participavam nas conversas e ficavam contentes por apresentar a sua perspetiva. Na maior parte dos casos isto refor&ccedil;a a mensagem que tem sido passada: &quot;este parque foi transformado&quot;, &quot;gosto de vir aqui&quot;, &quot;este &eacute; o melhor dinheiro gasto pela C&acirc;mara&quot;.</p>     <p><b>Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></p>     <p>N&atilde;o &eacute; coincid&ecirc;ncia que um ambiente melhorado, focado na recupera&ccedil;&atilde;o de um rio escondido, tenha alterado a perce&ccedil;&atilde;o do parque Ladywell Fields, que passou de ser um problema a ser um destino para os habitantes. Contudo, &eacute; preciso fazer mais trabalho para medir o impacto a longo prazo, assim como os benef&iacute;cios ambientais e de sa&uacute;de que ocorreram. Existe informa&ccedil;&atilde;o dispon&iacute;vel sobre a melhoria da qualidade da &aacute;gua &mdash; que passou de med&iacute;ocre para boa de acordo com as indica&ccedil;&otilde;es da Diretiva Quadro da &Aacute;gua da UE<sup><a href="#11" name="top11">[11]</a></sup> &mdash; mas existem poucos dados para explicar os benef&iacute;cios da qualidade de vida. Isto evidencia a diferen&ccedil;a entre o setor ambiental e aqueles que tentam melhorar a sociedade.</p>     <p>Os incidentes de crimes reportados, apesar de ser quase iguais num n&iacute;vel preliminar, quando comparados com o aumento dos utilizadores, mostram uma importante redu&ccedil;&atilde;o por habitante. Uma observa&ccedil;&atilde;o interessante &eacute; que a melhoria do sentimento de seguran&ccedil;a das pessoas n&atilde;o foi conseguido &agrave;s custas da biodiversidade nem do meio ambiente. De facto, os dados iniciais recolhidos ao finalizar o projeto indicaram um aumento dos tipos de habitats, que levaram tamb&eacute;m a uma melhoria na diversidade da vida selvagem, com o dobro das esp&eacute;cies na &aacute;rea. Isto, de alguma forma, contribui para o argumento ou/ou quando se trata do ambiente urbano. Mais pessoas n&atilde;o significa obrigatoriamente menos vida selvagem. De facto, a experi&ecirc;ncia de Ladywell Fields mostra que uma maior exposi&ccedil;&atilde;o a uma paisagem de qualidade e as melhorias ribeirinhas aumentam o entendimento e a valoriza&ccedil;&atilde;o do seu meio ambiente pelos indiv&iacute;duos. Estes tornam-se olhos e ouvidos adicionais, t&ecirc;m orgulho na observa&ccedil;&atilde;o dos martins-pescadores e reportam os (poucos) incidentes de polui&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>A Ag&ecirc;ncia do Ambiente, a Comiss&atilde;o Europeia e a OCDE t&ecirc;m usado o parque Ladywell Fields como um exemplo de que uma boa qualidade das melhorias ambientais pode transformar as &aacute;reas urbanas. Contudo, nas apresenta&ccedil;&otilde;es destas organiza&ccedil;&otilde;es, a ideia de que as pessoas tamb&eacute;m podem obter benef&iacute;cios, embora sem surpresa, ainda n&atilde;o foi medida. Esta diferen&ccedil;a na pesquisa deve ser abordada, mas ser&aacute; necess&aacute;rio um projeto que ajude a estreitar o fosso que ainda existe entre as diferentes disciplinas. A recupera&ccedil;&atilde;o dos rios urbanos enquanto ideia reflete a complexidade e os problemas que existem entre os diferentes lados &mdash; neste caso, social e ambiental &mdash; apesar de mostrar que a intera&ccedil;&atilde;o, o di&aacute;logo e a descoberta de uma compreens&atilde;o partilhada oferece resultados inesperados.</p>     <p>O mesmo se aplica aos projetos focados no di&aacute;logo intercultural. O desafio &eacute; prever v&aacute;rios benef&iacute;cios de interven&ccedil;&otilde;es simples, para ver o potencial de um canal urbano em vez de tap&aacute;-lo. Do mesmo modo, deveria ser poss&iacute;vel ver o valor das pessoas com uma origem ou uma cultura diferente, em vez de ignor&aacute;-las ou escond&ecirc;-las.</p>     <p>Assim, o rio urbano torna-se n&atilde;o s&oacute; uma met&aacute;fora para a media&ccedil;&atilde;o social, mas tamb&eacute;m um local pr&aacute;tico para que esta intera&ccedil;&atilde;o aconte&ccedil;a. O impacto de um ambiente urbano de qualidade na qualidade de vida de todos pode ser resumido nesta cita&ccedil;&atilde;o do <i>Mayor</i> de Londres: &quot;o rejuvenescimento de Ladywell Fields permitiu que esta zona seja agora um o&aacute;sis de tranquilidade onde as pessoas podem socializar e relaxar&quot;<sup><a href="#12" name="top12">[12]</a></sup>.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Nota biogr&aacute;fica</b></p>     <p>Paul Chapman &eacute; um Urban PlaceMaker que liga o desenvolvimento f&iacute;sico de uma cidade &agrave;s suas constantes mudan&ccedil;as sociais. &Eacute; um perito do Programa das Cidades Interculturais do Conselho da Europa e do programa europeu URBACT. Tem mais de 18 anos de experi&ecirc;ncia na gest&atilde;o de programas transnacionais interdisciplinares. Tem um particular interesse no desenvolvimento de uma abordagem multi-ag&ecirc;ncia para redescobrir a import&acirc;ncia dos pequenos rios urbanos e foi fundamental no sucesso cont&iacute;nuo do galardoado parque Ladywell Fields e dos jardins Cornmill em Lewisham, Londres.</p>     <p>ORCID: <a href="https://orcid.org/0000-0003-1708-1946" target="_blank">https://orcid.org/0000-0003-1708-1946</a></p>     <p>Email: <a href="mailto:paul@pceuconsultant.eu">paul@pceuconsultant.eu</a></p>     <p>Morada: PCEU Consulting Ltd (UK), 25 Stillness Road, London, SE23 1NG, UK</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>* Submetido: 20/05/2018</b></p>     <p><b>* Aceite: 20/09/2018</b></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Tradu&ccedil;&atilde;o: N&uacute;ria Santos</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Notas</b></p>     <p><sup><a href="#top1" name="1">[1]</a></sup> Informa&ccedil;&atilde;o obtida da publica&ccedil;&atilde;o <i>Natural capital accounts for public green space in London</i>. Relat&oacute;rio elaborado pela &quot;Greater London Authority&quot;, e pelo &quot;National Trust and Heritage Lottery Fund&quot; (outubro de 2017). Dispon&iacute;vel em <a href="https://www.london.gov.uk/sites/default/files/11015viv_natural_capital_account_for_london_v7_full_vis.pdf" target="_blank">https://www.london.gov.uk/sites/default/files/11015viv_natural_capital_account_for_london_v7_full_vis.pdf</a></p>     <p><sup><a href="#top2" name="2">[2]</a></sup> <i>QUERCUS de Lewisham. Evaluation Report</i> (agosto de 2018). Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.pceuconsultant.eu/uploads/files/QUERCUS%20in%20Lewisham%20Evaluation%20Report(1).pdf" target="_blank">http://www.pceuconsultant.eu/uploads/files/QUERCUS%20in%20Lewisham%20Evaluation%20Report(1).pdf</a></p>     <p><sup><a href="#top3" name="3">[3]</a></sup> Plano de Londres, dispon&iacute;vel em <a href="http://www.london.gov.uk/what-we-do/planning/london-plan/current-london-plan" target="_blank">https://www.london.gov.uk/what-we-do/planning/london-plan/current-london-plan</a></p>     <p><sup><a href="#top4" name="4">[4]</a></sup> Hist&oacute;ria de Ladywell, dispon&iacute;vel em <a href="https://www.lewisham.gov.uk/inmyarea/history/local-history/Documents/Ladywe-llLocalHistory.pdf" target="_blank">https://www.lewisham.gov.uk/inmyarea/history/local-history/Documents/Ladywe-llLocalHistory.pdf</a></p>     <p><sup><a href="#top5" name="5">[5]</a></sup> Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.greenflagaward.org.uk/park-summary/?park=859">http://www.greenflagaward.org.uk/park-summary/?park=859</a></p>     <p><sup><a href="#top6" name="6">[6]</a></sup> <i>QUERCUS de Lewisham. Evaluation Report</i> (agosto de 2018). Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.pceuconsultant.eu/uploads/files/QUERCUS%20in%20Lewisham%20Evaluation%20Report(1).pdf" target="_blank">http://www.pceuconsultant.eu/uploads/files/QUERCUS%20in%20Lewisham%20Evaluation%20Report(1).pdf</a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top7" name="7">[7]</a></sup> <i>QUERCUS de Lewisham. Evaluation Report</i> (agosto de 2018). Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.pceuconsultant.eu/uploads/files/QUERCUS%20in%20Lewisham%20Evaluation%20Report(1).pdf" target="_blank">http://www.pceuconsultant.eu/uploads/files/QUERCUS%20in%20Lewisham%20Evaluation%20Report(1).pdf</a></p>     <p><sup><a href="#top8" name="8">[8]</a></sup> Dispon&iacute;vel em <a href="http://environment.data.gov.uk/catchment-planning/OperationalCatchment/3369/Summary" target="_blank">http://environment.data.gov.uk/catchment-planning/OperationalCatchment/3369/Summary</a></p>     <p><sup><a href="#top9" name="9">[9]</a></sup> Ver <i>QUERCUS de Lewisham. Evaluation Report</i> (agosto de 2018). Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.pceuconsultant.eu/uploads/files/QUERCUS%20in%20Lewisham%20Evaluation%20Report(1).pdf" target="_blank">http://www.pceuconsultant.eu/uploads/files/QUERCUS%20in%20Lewisham%20Evaluation%20Report(1).pdf</a></p>     <p><sup><a href="#top10" name="10">[10]</a></sup> Ver <i>QUERCUS de Lewisham. Evaluation Report</i> (agosto de 2018). Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.pceuconsultant.eu/uploads/files/QUERCUS%20in%20Lewisham%20Evaluation%20Report(1).pdf" target="_blank">http://www.pceuconsultant.eu/uploads/files/QUERCUS%20in%20Lewisham%20Evaluation%20Report(1).pdf</a></p>     <p><sup><a href="#top11" name="11">[11]</a></sup> Ver <a href="http://environment.data.gov.uk/catchment-planning/OperationalCatchment/3369/Summary" target="_blank">http://environment.data.gov.uk/catchment-planning/OperationalCatchment/3369/Summary</a></p>     <p><sup><a href="#top12" name="12">[12]</a></sup> No seguinte artigo dos arquitetos paisagistas do plano: <a href="http://www.bdp.com/en/projects/f-l/Ladywell-Fields/" target="_blank">http://www.bdp.com/en/projects/f-l/Ladywell-Fields/</a> e publicidade associada, e.g.: <a href="http://www.landezine.com/index.php/2014/12/ladywell-fields-by-bdp/" target="_blank">http://www.landezine.com/index.php/2014/12/ladywell-fields-by-bdp/</a></p>      ]]></body>
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