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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Vozes de mulheres em diáspora: hip hop, spoken word, Islão e web 2.0]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper focuses on the artistic production of four hip hop and spoken word artists belonging to the Muslim diaspora, Poetic Pilgrimage, Alia Sharrief, Hanouneh and Alia Gabres, aiming to understand if such cultural practices can be understood as forms of political, civic and social activism, with the potential to broaden or create alternative public spheres (Fraser, 1990). It articulates a form of musical production often associated with Islam, hip hop (Alim, 2005; Miah & Kalra, 2008), with spoken word, produced by Muslim women in diaspora, migrants or descendants of migrants, with different backgrounds and different life stories associated with Islam, allowing them effective voice in their self-representation, considered from their online presence (NTI and web 2.0). The diversity of the cultural producers and their forms of expression considered in this paper is understood as an example of the diversity within Islam and also as a denial of any orientalist stereotypes (Saïd, 1979) about Muslim women.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS TEM&Aacute;TICOS</b></p>     <p><b>Vozes de mulheres em di&aacute;spora: <i>hip hop, spoken word</i>, Isl&atilde;o e web 2.0</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Women's voices in diaspora: hip hop, spoken word, Islam and web 2.0</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> //     <p><b> Cl&aacute;udia Ara&uacute;jo <sup>1</sup></b>    <br>     <img src="/img/revistas/id_orcid.gif"> <a href="https://orcid.org/0000-0003-3528-5205" target="_blank">https://orcid.org/0000-0003-3528-5205</a></p>     
<p>*Faculdade de Ci&ecirc;ncias Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa, Portugal.</p>     <p><a href="mailto:claudia.araujo@campus.fcsh.unl.pt">claudia.araujo@campus.fcsh.unl.pt</a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Este trabalho foca-se na produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica de quatro artistas mu&ccedil;ulmanas em di&aacute;spora &mdash; Poetic Pilgrimage, Alia Sharrief, Hanouneh e Alia Gabres &mdash; nos g&eacute;neros <i>hip hop</i> e <i>spoken word</i>, com vista a analisar se as suas pr&aacute;ticas culturais podem ser consideradas formas de ativismo pol&iacute;tico, c&iacute;vico e social, com o potencial de alargar ou criar esferas p&uacute;blicas alternativas (Fraser, 1990). Articula uma forma de produ&ccedil;&atilde;o musical frequentemente associada ao Isl&atilde;o &mdash; o <i>hip hop</i> (Alim, 2005; Miah &amp; Kalra, 2008) &mdash;, com uma pr&aacute;tica art&iacute;stica de escrita e recita&ccedil;&atilde;o de poesia, o <i>spoken word</i>, produzidas por mulheres mu&ccedil;ulmanas em di&aacute;spora, migrantes ou descendentes de migrantes, de diversas proveni&ecirc;ncias e origens, com diferentes hist&oacute;rias de entrada no Isl&atilde;o, focando a sua ag&ecirc;ncia na sua auto-representa&ccedil;&atilde;o, atrav&eacute;s tanto da sua produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica, como da sua presen&ccedil;a online (NTI e web <i>2.0</i>). A diversidade das produtoras culturais e das suas formas de express&atilde;o visa ser demonstrativa da diversidade existente no Isl&atilde;o e anular estere&oacute;tipos orientalistas (Sa&iuml;d, 1979) que se lhes queiram impor.</p>     <p><b>Palavras-chave</b>: Mulheres; <i>hip hop</i>; Isl&atilde;o; esfera p&uacute;blica.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This paper focuses on the artistic production of four hip hop and spoken word artists belonging to the Muslim diaspora, Poetic Pilgrimage, Alia Sharrief, Hanouneh and Alia Gabres, aiming to understand if such cultural practices can be understood as forms of political, civic and social activism, with the potential to broaden or create alternative public spheres (Fraser, 1990). It articulates a form of musical production often associated with Islam, hip hop (Alim, 2005; Miah &amp; Kalra, 2008), with spoken word, produced by Muslim women in diaspora, migrants or descendants of migrants, with different backgrounds and different life stories associated with Islam, allowing them effective voice in their self-representation, considered from their online presence (NTI and web 2.0). The diversity of the cultural producers and their forms of expression considered in this paper is understood as an example of the diversity within Islam and also as a denial of any orientalist stereotypes (Sa&iuml;d, 1979) about Muslim women.</p>     <p><b>Keywords</b>: Women; hip hop; Islam; public sphere.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>O objeto deste estudo articula uma forma de produ&ccedil;&atilde;o musical frequentemente associada ao Isl&atilde;o &mdash; o <i>hip hop</i> (Alim, 2005; Miah &amp; Kalra, 2008) &mdash;, com uma pr&aacute;tica art&iacute;stica de escrita e recita&ccedil;&atilde;o de poesia, o <i>spoken word</i>, produzidas por mulheres mu&ccedil;ulmanas em di&aacute;spora, migrantes ou descendentes de migrantes, de diversas proveni&ecirc;ncias e origens, com diferentes hist&oacute;rias de entrada no Isl&atilde;o. Estas mulheres s&atilde;o representativas da grande diversidade existente na religi&atilde;o, e, como tal, as suas pr&aacute;ticas art&iacute;sticas, que comp&otilde;em, escrevem, apresentam e partilham, s&atilde;o exemplos poderosos dessa diversidade. Interroga se estas produ&ccedil;&otilde;es culturais podem ser consideradas formas de ativismo e contribuir para a cria&ccedil;&atilde;o de esferas p&uacute;blicas alternativas e contrap&uacute;blicos subalternos (Fraser, 1990), dando voz efetiva &agrave;s mulheres mu&ccedil;ulmanas na sua autorrepresenta&ccedil;&atilde;o, considerada a partir das suas produ&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas e da sua presen&ccedil;a online, atrav&eacute;s do uso de instrumentos proporcionados pelas novas tecnologias de informa&ccedil;&atilde;o (NTI) e pela web 2.0 (evolu&ccedil;&atilde;o de p&aacute;ginas da internet para plataformas de <i>social media</i>). Seguindo Stuart Hall (1997), que celebra a profunda revolu&ccedil;&atilde;o cultural resultante da autorrepresenta&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica de grupos subalternos e o seu impacto n&atilde;o s&oacute; na cultura expressiva global, mas tamb&eacute;m na pol&iacute;tica e na vida social, este trabalho pretende ser uma contribui&ccedil;&atilde;o para compreens&atilde;o desta revolu&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Um segundo objetivo passa pela explora&ccedil;&atilde;o do potencial destas pr&aacute;ticas expressivas na cria&ccedil;&atilde;o de identidades e subjetividades como formas de empoderamento das artistas, desafiando estere&oacute;tipos orientalistas sobre as mulheres mu&ccedil;ulmanas e questionando dicotomias como Ocidente/Oriente (Sa&iuml;d, 1979), secular/religioso (Asad, 2003) e identidade constru&iacute;da/ identidade atribu&iacute;da. Acreditando, com Ernst (2005), que &eacute; importante olhar o Isl&atilde;o atrav&eacute;s da lente da arte, enquanto ve&iacute;culo de autoexpress&atilde;o, para perceber a sua contribui&ccedil;&atilde;o para a constru&ccedil;&atilde;o identit&aacute;ria e cria&ccedil;&atilde;o de redes de interesse e ativismo, este estudo articula estas pr&aacute;ticas com uma explora&ccedil;&atilde;o das formas como as NTI influenciam redes contempor&acirc;neas de artistas, nomeadamente as que se identificam como mu&ccedil;ulmanas, demonstrando que estas s&atilde;o inclusivas dos seus p&uacute;blicos, contribuindo para a emerg&ecirc;ncia de uma comunidade transnacional e desterritorializada, na qual jovens mu&ccedil;ulmanos redefinem coletivamente o significado de ser efetivamente mu&ccedil;ulmano (El-Nawawy &amp; Khamis, 2011), atrav&eacute;s da constru&ccedil;&atilde;o de identidades e perten&ccedil;as alternativas, necessariamente h&iacute;bridas. Desta forma, explora ainda dois conceitos operativos, <i>Umma</i> transnacional online (Mandaville, 2003) e <i>cyber salons</i> isl&acirc;micos (Van der Veer, 2006).</p>     <p><b>Estrutura do trabalho</b></p>     <p>Partindo de uma discuss&atilde;o de t&oacute;picos essenciais para a compreens&atilde;o dos objetivos (incluindo cultura, subcultura, di&aacute;spora, criatividade, <i>hip hop</i> e <i>spoken word</i>, internet, ativismo e esfera p&uacute;blica), este estudo avan&ccedil;a para a an&aacute;lise comparativa do discurso e conte&uacute;do das produ&ccedil;&otilde;es culturais das quatro artistas, que foram selecionadas para esta investiga&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s de pesquisa numa p&aacute;gina da internet direcionada para a promo&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica de artistas mu&ccedil;ulmanos em di&aacute;spora<sup><a href="#1" name="top1">[1]</a></sup>. A partir do n&uacute;mero de visualiza&ccedil;&otilde;es no site de partilha YouTube &mdash; uma plataforma amplamente usada pelas artistas &mdash; foram selecionados alguns temas para an&aacute;lise detalhada, complementada por uma an&aacute;lise de conte&uacute;dos publicados nas suas p&aacute;ginas de <i>social media</i> e de internet, assim como dos projetos em que se envolvem.</p>     <p><b>Enquadramento te&oacute;rico</b></p>     <p>Thomas Turino (1993) refere-se a cultura como um processo localizado nas vidas concretas das pessoas atrav&eacute;s das suas pr&aacute;ticas sociais, a partir da sele&ccedil;&atilde;o, cria&ccedil;&atilde;o e apropria&ccedil;&atilde;o de recursos dispon&iacute;veis, e Dick Hebdige (1979) aponta que cultura &eacute; sempre um conceito amb&iacute;guo, ressalvando a import&acirc;ncia de conjeturas e especificidades na cria&ccedil;&atilde;o e articula&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas culturais e art&iacute;sticas de grupos sociais em posi&ccedil;&otilde;es subalternas, que se apropriam da cultura material e dos recursos culturais dispon&iacute;veis em determinados momentos e contextos, selecionando-os cuidadosamente para construir, a partir deles, identidades alternativas que lhes possam conferir algum sentido de autonomia numa sociedade cada vez mais fragmentada. Da mesma forma, Paul Gilroy (1995) destaca que as pr&aacute;ticas culturais na atualidade s&atilde;o herdeiras de um imagin&aacute;rio social partilhado, com grande poder identit&aacute;rio, baseado em rela&ccedil;&otilde;es de autenticidade e solidariedade, proporcionando reconhecimento e valoriza&ccedil;&atilde;o, tanto individuais como coletivos, em circunst&acirc;ncias pol&iacute;ticas, econ&oacute;micas e sociais que poder&atilde;o ser hostis. As pr&aacute;ticas art&iacute;sticas s&atilde;o assim entendidas como constituindo um conjunto de estrat&eacute;gias definidas e selecionadas em rela&ccedil;&atilde;o dial&eacute;tica com os contextos, objetivos e necessidades de grupos sociais em posi&ccedil;&atilde;o de subalternidade e alteridade, em articula&ccedil;&atilde;o com rela&ccedil;&otilde;es de poder e projetos hegem&oacute;nicos (Hall, 1992). Como afirma Ramnarine (2007), qualquer express&atilde;o cultural &eacute; sempre constru&iacute;da em intera&ccedil;&atilde;o entre diferentes grupos que partilham diferentes experi&ecirc;ncias, o que se reflete nas identidades que engendra &mdash; nesse sentido, as produ&ccedil;&otilde;es culturais de jovens diasp&oacute;ricos em situa&ccedil;&atilde;o minorit&aacute;ria, habitando a tens&atilde;o entre rela&ccedil;&otilde;es de poder e hierarquias de classe, n&atilde;o podem ser reduzidas &agrave; simples fun&ccedil;&atilde;o de resist&ecirc;ncia, mas constituem um instrumento poderoso de constru&ccedil;&atilde;o identit&aacute;ria, de rela&ccedil;&otilde;es interpessoais e de solidariedade.</p>     <p>&Eacute;, portanto, necess&aacute;rio considerar como a cultura expressiva se transforma criativamente a partir da experi&ecirc;ncia de mobilidade, particularmente a partir da migra&ccedil;&atilde;o e das viv&ecirc;ncias diasp&oacute;ricas femininas, considerando a possibilidade de emerg&ecirc;ncia de novas fun&ccedil;&otilde;es sociais de produ&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas criadas em contextos globalizados de desigualdade e discrimina&ccedil;&atilde;o interseccional. Com El-Nawawy e Khamis (2011), entendo identidade como um conceito complexo, din&acirc;mico e multifacetado, na intersec&ccedil;&atilde;o entre variados aspetos, passando pelo g&eacute;nero, religi&atilde;o, orienta&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, estatuto migrat&oacute;rio, classe econ&oacute;mica e social, etc., categorias que n&atilde;o s&atilde;o un&iacute;vocas, mas est&atilde;o em constante evolu&ccedil;&atilde;o e articula&ccedil;&atilde;o, produzindo significados culturais que podem ser partilhados em di&aacute;spora, mesmo que de forma intermitente.</p>     <p>Pr&aacute;ticas art&iacute;sticas como as aqui exploradas podem constituir um palco de lutas de representa&ccedil;&atilde;o, refletindo novas formas identit&aacute;rias e de perten&ccedil;a, questionando posi&ccedil;&otilde;es sociais hegem&oacute;nicas e pap&eacute;is de g&eacute;nero tradicionais, desmontando o significado de termos como tradi&ccedil;&atilde;o, modernidade, cultura, multiculturalismo, termos, ali&aacute;s, e como demonstra Michaels (1992), de delimita&ccedil;&atilde;o dif&iacute;cil, ligados a processos de coloniza&ccedil;&atilde;o e p&oacute;s-colonialismo, constituindo formas de adapta&ccedil;&atilde;o a novos contextos, sendo a urbaniza&ccedil;&atilde;o um fator importante.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Estas pr&aacute;ticas devem ser consideradas a partir de metodologias e estrat&eacute;gias de an&aacute;lise inovadoras, adaptadas a objetos culturais que tamb&eacute;m o s&atilde;o &mdash; Talal Asad (Mahmood, 1996) afirma a necessidade de compreender estes fen&oacute;menos de forma inclusiva, a partir dos seus contextos espec&iacute;ficos, tanto de produ&ccedil;&atilde;o como de rece&ccedil;&atilde;o, uma vez que eles s&atilde;o, &quot;simultaneamente, modernos e tradicionais, aut&ecirc;nticos e criativos&quot;. Asad (2003) rejeita absolutamente o peso ideol&oacute;gico dado &agrave; modernidade como um modelo universal, afirmando que este reflete um projeto neoliberal ocidental, constituindo um quadro normativo que define o que a modernidade dever&aacute; ser (mais do que uma descri&ccedil;&atilde;o do que efetivamente &eacute;), o que levar&aacute; &agrave; rejei&ccedil;&atilde;o de atos culturais produzidos por atores em posi&ccedil;&otilde;es n&atilde;o hegem&oacute;nicas como sendo tradicionais, retr&oacute;grados ou meras imita&ccedil;&otilde;es de padr&otilde;es ocidentais. Stuart Hall (1997) acrescenta que a emerg&ecirc;ncia de novos temas, regi&otilde;es, etnicidades, comunidades &mdash; a que acrescento religi&otilde;es e g&eacute;nero &mdash; anteriormente exclu&iacute;dos das formas <i>mainstream</i> de representa&ccedil;&atilde;o cultural, possibilita o surgimento de novos discursos contra-hegem&oacute;nicos, em que a subalternidade se afirma como uma nova posi&ccedil;&atilde;o de poder, que pode ser utilizada como forma de legitima&ccedil;&atilde;o no campo da arte moderna (que se mant&eacute;m, no entanto, numa posi&ccedil;&atilde;o marginalizada em rela&ccedil;&atilde;o ao <i>mainstream</i>). De facto,</p>     <blockquote>todas as m&uacute;sicas modernas mais explosivas s&atilde;o cruzamentos. A est&eacute;tica da m&uacute;sica popular moderna &eacute; a est&eacute;tica do h&iacute;brido, a est&eacute;tica do cruzamento, a est&eacute;tica da di&aacute;spora, a est&eacute;tica da criouliza&ccedil;&atilde;o. &Eacute; a mistura de m&uacute;sicas que &eacute; excitante para um jovem (...) [Os novos artistas querem] apoderar-se de algumas das tecnologias modernas, para falar na pr&oacute;pria l&iacute;ngua, para falar da sua pr&oacute;pria condi&ccedil;&atilde;o, ent&atilde;o eles est&atilde;o fora do lugar, ent&atilde;o o Outro n&atilde;o est&aacute; onde deveria estar. O primitivo de alguma forma escapou ao controlo. (Hall, 1997, p. 40)</blockquote>     <p>Tamb&eacute;m Hinnells (2005) enfatiza a import&acirc;ncia da arte na resolu&ccedil;&atilde;o de um dos principais desafios da globaliza&ccedil;&atilde;o: a tens&atilde;o entre homogeneiza&ccedil;&atilde;o e heterogeneiza&ccedil;&atilde;o cultural (Appadurai, 1990). O <i>hip hop</i> e o <i>spoken word</i> podem ser ent&atilde;o entendidos como resultantes de processos de globaliza&ccedil;&atilde;o enquanto fen&oacute;meno dial&eacute;tico, em que eventos em diversas localiza&ccedil;&otilde;es se afetam mutuamente, de forma por vezes divergente (Giddens, 2000), sendo que mensagens culturais dispersas a partir de posi&ccedil;&otilde;es hegem&oacute;nicas &mdash; como &eacute; o caso do <i>hip hop</i>, disperso a partir dos EUA &mdash; s&atilde;o recebidas e interpretadas por indiv&iacute;duos e grupos em diferentes localiza&ccedil;&otilde;es, reinventadas e adaptadas, incorporando as suas pr&oacute;prias tradi&ccedil;&otilde;es e identidades, tamb&eacute;m elas reinventadas. &Agrave; medida que a m&uacute;sica migra, os m&uacute;sicos buscam nas suas localidades possibilidades de constru&ccedil;&atilde;o de novos significados, potenciando a emerg&ecirc;ncia de pr&aacute;ticas culturais transnacionais (Nooshin, 2011). Assim, Toynbee e Dueck (2011) destacam a import&acirc;ncia das pr&aacute;ticas de tradu&ccedil;&atilde;o na produ&ccedil;&atilde;o musical: um tropo musical &eacute; traduzido porque responde a uma necessidade do grupo social que o adota, ganhando assim uma nova fun&ccedil;&atilde;o social, o que &eacute; particularmente not&oacute;rio no caso do <i>hip hop</i>, g&eacute;nero musical compreendido como &quot;o idioma natural da autoexpress&atilde;o&quot;, como uma &quot;poderosa linguagem de resist&ecirc;ncia&quot; (Nooshin, 2011, p. 91), ou como a &quot;l&iacute;ngua franca da rua&quot; (Miah &amp; Kalra, 2008, p. 17), integrado na linguagem do quotidiano, articulando preocupa&ccedil;&otilde;es locais e transnacionais.</p>     <p>Os m&uacute;sicos de <i>hip hop</i> surgem assim na posi&ccedil;&atilde;o de mediadores de identidades emergentes, reformulando fronteiras de perten&ccedil;a na adapta&ccedil;&atilde;o ao universo cultural dos centros urbanos, incorporando processos de forma&ccedil;&atilde;o de identidade que d&atilde;o conta dos estatutos subalternos de alguns dos habitantes da cidade. Assim, Miah e Kalra (2008) veem o <i>hip hop</i> como absolutamente central na cultura urbana de jovens mu&ccedil;ulmanos, quer em di&aacute;spora, quer em pa&iacute;ses de maioria mu&ccedil;ulmana. Os autores afirmam que o <i>hip hop</i> produzido por mu&ccedil;ulmanos exige ao seu p&uacute;blico um grau de engajamento ideol&oacute;gico, potenciador de di&aacute;logo e debate, uma vez que ultrapassa a fronteira das normas culturais tradicionais, unindo produtores e consumidores no desafio consciente de estere&oacute;tipos ligados &agrave; demoniza&ccedil;&atilde;o do Isl&atilde;o, a situa&ccedil;&otilde;es de pobreza e exclus&atilde;o social, e, acrescento, tamb&eacute;m &agrave; subvers&atilde;o de pap&eacute;is de g&eacute;nero tradicionais. O <i>hip hop</i> poder&aacute; servir igualmente como forma de distin&ccedil;&atilde;o intergeracional e de cria&ccedil;&atilde;o de dist&acirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s produ&ccedil;&otilde;es culturais das gera&ccedil;&otilde;es anteriores, constituindo, portanto, um instrumento de constru&ccedil;&atilde;o de identidade em contexto diasp&oacute;rico.</p>     <p>Este g&eacute;nero musical vai beber influ&ecirc;ncias ao Isl&atilde;o desde a sua g&eacute;nese, quando Afrika Bambaataa funda os Zulu Nation em 1973, incorporando j&aacute; refer&ecirc;ncias ao Isl&atilde;o e palavras em &aacute;rabe. Aidi (2011) afirma ser necess&aacute;rio considerar a import&acirc;ncia crescente do Isl&atilde;o nos bairros pobres e marginalizados nos EUA e na Europa, como resultado de pol&iacute;ticas de imigra&ccedil;&atilde;o e integra&ccedil;&atilde;o, desindustrializa&ccedil;&atilde;o e emprego e diminui&ccedil;&atilde;o da interven&ccedil;&atilde;o do estado social, aliados a ideologias do nacionalismo africano (como &eacute; o caso da <i>Nation of Islam</i>), para compreender o apelo que o <i>hip hop</i> exerce junto dos jovens em situa&ccedil;&atilde;o minorit&aacute;ria, subalterna e marginalizada. Relativamente ao M&eacute;dio Oriente, LeVine (2009) explica que o <i>hip hop</i> e outras formas de m&uacute;sica <i>hardcore</i> se tornaram instrumentos populares para criticar o <i>status quo</i> e &mdash; igualmente importante &mdash; para imaginar um futuro diferente, mais positivo, indo assim ao encontro de Appadurai (1990), que entende o poder da imagina&ccedil;&atilde;o e da criatividade como fundamental para a cria&ccedil;&atilde;o de mundos alternativos na consci&ecirc;ncia diasp&oacute;rica (&quot;Ideopaisagens&quot;). LeVine afirma inclusivamente que o <i>hip hop</i>, o <i>heavy metal</i> e o <i>rock</i> se tornaram a &quot;Al-Jazeera das ruas&quot; (2009, p. 35), sendo assim n&atilde;o apenas uma forma de express&atilde;o, mas tamb&eacute;m uma rede de acesso ao conhecimento e de partilha de informa&ccedil;&atilde;o. Os artistas incorporam elementos da sua viv&ecirc;ncia econ&oacute;mica, pol&iacute;tica, social e musical nas suas produ&ccedil;&otilde;es culturais, que ultrapassam claramente a simples imita&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o do Ocidente: surgem novos estilos e novas dire&ccedil;&otilde;es, que redefinem identidades e formas de perten&ccedil;as &agrave; <i>Umma</i> (a grande comunidade transnacional de cren&ccedil;a no Isl&atilde;o), contribuindo assim para o surgimento de novas esferas p&uacute;blicas n&atilde;o-tradicionais no mundo &aacute;rabe em di&aacute;spora, alternativas e contra-hegem&oacute;nicas, maioritariamente jovens e em constante inova&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&Agrave; medida que crescem os fluxos migrat&oacute;rios, aumenta tamb&eacute;m a produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica por parte de artistas em di&aacute;spora, muitas vezes refletindo a exist&ecirc;ncia diasp&oacute;rica e incluindo as suas tens&otilde;es como temas principais &mdash; recordando de forma nost&aacute;lgica o lugar de origem ou referindo dificuldades de integra&ccedil;&atilde;o, sociabiliza&ccedil;&atilde;o e situa&ccedil;&otilde;es de conflito a v&aacute;rios n&iacute;veis, tanto nos pa&iacute;ses de acolhimento como nos de origem, tanto a n&iacute;vel comunit&aacute;rio como pessoal. No entanto, e seguindo Ramnarine (2007), n&atilde;o &eacute; objetivo deste estudo apontar a unicidade da produ&ccedil;&atilde;o cultural em di&aacute;spora, uma vez que esta n&atilde;o deve ser reduzida ao simples resultado de movimentos migrat&oacute;rios e contatos multiculturais, mas sim compreendida na normalidade da produ&ccedil;&atilde;o criativa, em que os artistas s&atilde;o agentes individuais situados nos seus contextos quotidianos.</p>     <p>As rela&ccedil;&otilde;es entre mobilidade e pr&aacute;ticas expressivas n&atilde;o podem, portanto, ser vistas de forma linear. De facto, se os sons e a m&uacute;sica podem ser s&iacute;mbolos de alteridade na esfera p&uacute;blica, esta, exatamente porque &eacute; p&uacute;blica, tamb&eacute;m pode ser reapropriada pelas margens. Nancy Fraser (1990) aponta assim a exist&ecirc;ncia de uma esfera p&uacute;blica oficial e de esferas p&uacute;blicas alternativas, em que m&uacute;ltiplos atores, participativos em diferentes n&iacute;veis e em prol de diferentes interesses &mdash; a que chama contra-p&uacute;blicos subalternos &mdash;, criam discursos e interpreta&ccedil;&otilde;es alternativos e promotores de novas posi&ccedil;&otilde;es identit&aacute;rias no espa&ccedil;o partilhado. Observando a esfera p&uacute;blica constitu&iacute;da por mulheres artistas de <i>hip hop</i> e <i>spoken word</i> e os seus p&uacute;blicos, torna-se claro que estas pr&aacute;ticas art&iacute;sticas se tornam uma voz destacada no debate sobre etnia, g&eacute;nero, imigra&ccedil;&atilde;o, integra&ccedil;&atilde;o, exclus&atilde;o social, a n&iacute;vel local, regional e transnacional, questionando simultaneamente qual a vers&atilde;o do Isl&atilde;o que se considera aceit&aacute;vel na esfera p&uacute;blica ocidental &mdash; e, neste sentido, equipara-se com os debates sobre a laicidade, a permissibilidade ou n&atilde;o do v&eacute;u, ou a constru&ccedil;&atilde;o de mesquitas.</p>     <p>Mosquera (2015), num estudo sobre o impacto no p&uacute;blico de performances por mulheres mu&ccedil;ulmanas, conclui que estas constituem formas poderosas de questionar estere&oacute;tipos orientalistas e discursos medi&aacute;ticos sobre o outro(a) mu&ccedil;ulmano(a), ampliando o interesse dos espetadores pelo conhecimento de outras culturas e formas de arte. Esta aceita&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute;, no entanto, plena: as pr&oacute;prias artistas mu&ccedil;ulmanas t&ecirc;m constantemente de assumir a defesa na sua pr&aacute;tica art&iacute;stica em v&aacute;rias arenas, tanto face a mu&ccedil;ulmanos que consideram n&atilde;o s&oacute; pr&aacute;tica musical como a apresenta&ccedil;&atilde;o de mulheres em palco ou online <i>haran</i> (contr&aacute;ria ao Isl&atilde;o) (Piela, 2010), como face a um p&uacute;blico n&atilde;o religioso que n&atilde;o aprecia conte&uacute;dos abertamente religiosos e pol&iacute;ticos, ou ainda em rela&ccedil;&atilde;o a vis&otilde;es mis&oacute;ginas que n&atilde;o apreciam as mulheres (mu&ccedil;ulmanas ou n&atilde;o) no mundo das artes. Desta forma, o <i>hip hop</i> e o <i>spoken word</i> produzidos por artistas mu&ccedil;ulmanas t&ecirc;m o potencial de construir um discurso contra-hegem&oacute;nico, de cariz antirracista, anti-islamof&oacute;bico e antipatriarcal que pode, portanto, ser considerado uma forma de ativismo.</p>     <p>cooke (2001) havia j&aacute; indicado o potencial da poesia produzida por artistas mu&ccedil;ulmanas como instrumento de subvers&atilde;o e, inclusivamente, de prote&ccedil;&atilde;o, com os mais diversos objetivos, seja ativismo pelos direitos das mulheres, ativismo por causas globais, como a paz e o desarmamento, ativismo em prol de causas espec&iacute;ficas, como o conflito israelo-&aacute;rabe, ou ativismo pelo simples direito de ser artista, demonstrando como esta ganha m&uacute;ltiplas fun&ccedil;&otilde;es &mdash; mem&oacute;ria, catarse, empoderamento, partilha e a cria&ccedil;&atilde;o de comunidades e redes, mas igualmente destrui&ccedil;&atilde;o de estere&oacute;tipos, tanto orientalistas, como patriarcais. El Saadawi (1997), equiparando criatividade com protesto social, considera que esta implica sensibilidade relativamente a injusti&ccedil;as sociais e a todas as formas de discrimina&ccedil;&atilde;o, pelo que constitui uma forma de ativismo. Tamb&eacute;m Toman (2009) afirma que a cria&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica tem o potencial de ser um meio de comunica&ccedil;&atilde;o e de ativismo comum &agrave;s mulheres mu&ccedil;ulmanas em di&aacute;spora, atribuindo-lhe a fun&ccedil;&atilde;o de catalisador para mudan&ccedil;a social e reforma. A arte, foco da imagina&ccedil;&atilde;o, constitui uma forma individual e/ou coletiva de express&atilde;o e desenha perten&ccedil;as no seio de experi&ecirc;ncias partilhadas: na vis&atilde;o de Arjun Appadurai (1990) de um mundo globalizado a partir da conflu&ecirc;ncia de diferentes paisagens, &eacute; precisamente a interse&ccedil;&atilde;o de paisagens medi&aacute;ticas, imaginativas, econ&oacute;micas, laborais &mdash; inclusiva das suas diverg&ecirc;ncias &mdash; que permite que m&uacute;ltiplos atores em espa&ccedil;os m&uacute;ltiplos criem atos culturais inovadores, fluidos e h&iacute;bridos, consumidos por uma comunidade de p&uacute;blicos ainda mais dispersa, para o qual o desenvolvimento de instrumentos de NTI &eacute; fundamental.</p>     <p>Peter Mandaville (2003) reconhece o papel das NTI na cria&ccedil;&atilde;o da <i>Umma</i> virtual transnacional, enquanto comunidade inovadora de cren&ccedil;a e conhecimento partilhados, salientando o papel dos jovens mu&ccedil;ulmanos em di&aacute;spora na sua constru&ccedil;&atilde;o e manuten&ccedil;&atilde;o, o que possibilita o surgimento de identidades e discursos mu&ccedil;ulmanos alternativos, h&iacute;bridos e contra-hegem&oacute;nicos online, e, progressivamente, offline, promovendo desta forma o pluralismo e a diversidade do seio do Isl&atilde;o. Peter Van der Veer (2006) descreve este fen&oacute;meno como <i>cyber salons</i> isl&acirc;micos, comparando-os com os sal&otilde;es iluministas das capitais europeias, tendo assim a capacidade de expandir a esfera p&uacute;blica de discuss&atilde;o pol&iacute;tica e c&iacute;vica, em que tamb&eacute;m a express&atilde;o art&iacute;stica est&aacute; presente. A internet potencia assim a constru&ccedil;&atilde;o e manuten&ccedil;&atilde;o de redes globalizadas, transnacionais e desterritorializadas (El-Nawawy &amp; Khamis, 2011), a que acrescento genderizadas, em que as mulheres podem criar as suas pr&oacute;prias articula&ccedil;&otilde;es. No caso das mulheres artistas mu&ccedil;ulmanas, novos espa&ccedil;os transnacionais de autonomia (Piela, 2010), conjugando a dimens&atilde;o online e offline, permitem que se negociam identidades e perten&ccedil;as a m&uacute;ltiplos n&iacute;veis: local, nacional, religioso, art&iacute;stico, etc. (cooke, 2001). No entanto, h&aacute; que ressalvar que as NTI s&atilde;o um instrumento, uma tecnologia mediada geograficamente: como indica Castells (2004), a sociedade em rede (a estrutura social resultante das intera&ccedil;&otilde;es entre organiza&ccedil;&otilde;es sociais e tecnologias em constante negocia&ccedil;&atilde;o, evolu&ccedil;&atilde;o e inova&ccedil;&atilde;o, constitu&iacute;da por n&oacute;s interligados, sem hierarquias, centros ou periferias claramente identificados, ligando n&iacute;veis locais, nacionais e transnacionais), apesar de global, exclui uma grande parte da popula&ccedil;&atilde;o devido &agrave; fragmenta&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es de acesso (<i>digital divide</i>), tamb&eacute;m elas em constante negocia&ccedil;&atilde;o, e &agrave;s que o g&eacute;nero n&atilde;o &eacute; alheio.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Existem v&aacute;rias p&aacute;ginas na internet dedicadas &agrave; partilha e colabora&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica utilizadas por produtores musicais, como o SoundCloud<sup><a href="#2" name="top2">[2]</a></sup> e o Myspace<sup><a href="#3" name="top3">[3]</a></sup>, aliados a plataformas tradicionais de <i>social media</i> como o Facebook ou o YouTube. Igualmente, v&aacute;rias p&aacute;ginas na internet s&atilde;o dedicadas exclusivamente a artistas mu&ccedil;ulmanos, como Muslim Hip Hop<sup><a href="#4" name="top4">[4]</a></sup>, que apresenta este g&eacute;nero musical como uma alternativa vi&aacute;vel art&iacute;stica e comercialmente &agrave; m&uacute;sica <i>mainstream</i>, e promove qualquer artista cujas letras demonstrem que segue os princ&iacute;pios do Isl&atilde;o, ou MUSLIMA<sup><a href="#5" name="top5">[5]</a></sup>, Muslimah Montage<sup><a href="#6" name="top6">[6]</a></sup> ou Hijabi Chronicles<sup><a href="#7" name="top7">[7]</a></sup>, focados exclusivamente na produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica de mulheres. Estes s&atilde;o instrumentos que promovem efetivamente a constru&ccedil;&atilde;o de redes de artistas, a sua colabora&ccedil;&atilde;o e a intera&ccedil;&atilde;o direta com a sua base de apoio (e com os seus opositores). A internet surge, assim, como uma nova arena de autorrepresenta&ccedil;&atilde;o individual e de grupo, potenciadora de novos discursos contra-hegem&oacute;nicos, mesmo no seio da cultura popular.</p>     <p>Segue-se a an&aacute;lise das pr&aacute;ticas art&iacute;sticas que constituem o foco deste estudo, notando, no entanto, algumas limita&ccedil;&otilde;es: a amostra selecionada para an&aacute;lise, composta por quatro artistas, pretende ser exemplificativa da diversidade existente no Isl&atilde;o, mas n&atilde;o a demonstra efetivamente; foi limitada a produ&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas em Ingl&ecirc;s, embora a pesquisa d&ecirc; conta de um n&uacute;mero elevado de artistas nestes g&eacute;neros em todas as l&iacute;nguas da <i>Umma</i>; finalmente, a an&aacute;lise aqui &eacute; focada na produ&ccedil;&atilde;o musical e l&iacute;rica, n&atilde;o no conte&uacute;do multimodal (arte visual, v&iacute;deo) produzido por estas artistas, que ser&aacute;, certamente, digno de aten&ccedil;&atilde;o futura.</p>     <p><b>As artistas &mdash; Poetic Pilgrimage, Alia Sharrief, Hanouneh e Alia Gabres</b></p>     <p>As Poetic Pilgrimage s&atilde;o um duo de <i>hip hop</i> e <i>spoken word</i> brit&acirc;nico criado em 2002 por Muneera Rashida e Sukina Abdul Noor, poetas, compositoras e cantoras, cidad&atilde;s brit&acirc;nicas descendentes de Jamaicanos, convertidas ao Isl&atilde;o em 2005. O seu estilo musical, com grande diversidade instrumental, mistura influ&ecirc;ncias africanas e das Cara&iacute;bas com sons do M&eacute;dio Oriente e temas da m&uacute;sica negra, como o <i>soul</i>, o <i>afrobeat</i> ou o <i>jazz</i>, e inclui tropos da linguagem est&eacute;tica do <i>hip hop</i> aliados a tropos da <i>world music</i> (instrumentos tradicionais do M&eacute;dio Oriente, percuss&otilde;es jamaicanas, cantares tradicionais por mulheres mu&ccedil;ulmanas), e letras com refer&ecirc;ncias &agrave; exist&ecirc;ncia em di&aacute;spora, ao Isl&atilde;o e &agrave; situa&ccedil;&atilde;o das mulheres [&quot;Land far away&quot; (Poetic Pilgrimage, 2010a, faixa 6), &quot;What a girl to do&quot; (Poetic Pilgrimage. 2015)], mas em que tamb&eacute;m se foca pol&iacute;tica internacional, particularmente assuntos que dizem respeito &agrave; <i>Umma</i> [&quot;Silence is consent&quot; (Poetic Pilgrimage e Yahya, 2010b, faixa 12) faz uma lista exaustiva de situa&ccedil;&otilde;es de conflito armado, instabilidade ou falta de liberdade pol&iacute;tica e democr&aacute;tica que afetam pa&iacute;ses de maioria mu&ccedil;ulmana, referindo em particular o conflito israelo-&aacute;rabe e a situa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica na Ar&aacute;bia Saudita]. As Poetic Pilgrimage identificam-se como artistas de <i>hip hop</i> que tamb&eacute;m s&atilde;o Mu&ccedil;ulmanas, logo a m&uacute;sica e a poesia permite-lhes a articula&ccedil;&atilde;o de identidades m&uacute;ltiplas e complexas na cria&ccedil;&atilde;o dos seus pr&oacute;prios discursos &mdash; outras autorrefer&ecirc;ncias s&atilde;o mulher, ativista, brit&acirc;nica, africana e caribenha.</p>     <p>Assim, outra quest&atilde;o que as Poetic Pilgrimage abordam frequentemente &eacute; a do racismo e da discrimina&ccedil;&atilde;o, que encontram em v&aacute;rias frentes: pela cor da pele, origem, religi&atilde;o, g&eacute;nero, tanto de setores seculares, como de setores mu&ccedil;ulmanos da sociedade. O duo assume claramente as suas posi&ccedil;&otilde;es antirracismo, anti-islamofobia e antidiscrimina&ccedil;&atilde;o nos conte&uacute;dos l&iacute;ricos [Modern Day Marys (Poetic Pilgrimage., 2007)], nas entrevistas a meios de comunica&ccedil;&atilde;o ou &agrave; academia, nas suas p&aacute;ginas online, focando particularmente a quest&atilde;o da igualdade de g&eacute;nero, central tamb&eacute;m no discurso das cantoras no document&aacute;rio da Al-Jazeera, <i>Hip hop hijabis</i><sup><a href="#8" name="top8">[8]</a></sup>, em que se testemunha a discrimina&ccedil;&atilde;o interseccional de que s&atilde;o frequentemente alvo. Tanto a sua produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica como o seu posicionamento em plataformas online de produ&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria constituem formas de ativismo pol&iacute;tico, pass&iacute;veis de cria&ccedil;&atilde;o e expans&atilde;o de esferas p&uacute;blicas subalternas (Fraser, 1990), integrando-se na revolu&ccedil;&atilde;o cultural a partir da autorrepresenta&ccedil;&atilde;o de sujeitos nas margens que Hall (1997) descreve. O <i>hip hop</i> surge ent&atilde;o como um instrumento de a&ccedil;&atilde;o e mudan&ccedil;a social e pol&iacute;tica, baseada na participa&ccedil;&atilde;o e na divulga&ccedil;&atilde;o de uma mensagem poderosa e multidirecional.</p>     <p>As cantoras afirmam inclusivamente que visam posicionar-se como modelos ou exemplos para outras mulheres, mu&ccedil;ulmanas ou n&atilde;o, e tamb&eacute;m para as gera&ccedil;&otilde;es mais jovens, a v&aacute;rios n&iacute;veis, desde o uso do <i>hijab</i> at&eacute; &agrave; pr&aacute;tica art&iacute;stica, passando pela participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e c&iacute;vica, referindo igualmente que recebem contactos de membros do seu p&uacute;blico espalhados pelo globo que reconhecem e agradecem pela fonte de inspira&ccedil;&atilde;o que &eacute; o seu trabalho &mdash; demonstrando o alcance transnacional da cultura expressiva e a participa&ccedil;&atilde;o dos p&uacute;blicos na cria&ccedil;&atilde;o de comunidades de interesse e perten&ccedil;a agregadas a pr&aacute;ticas culturais. De facto, o <i>hip hop</i> &eacute; por elas considerado um instrumento de <i>dawah</i>, a pr&aacute;tica cor&acirc;nica de educar mu&ccedil;ulmanos e n&atilde;o-mu&ccedil;ulmanos sobre o Isl&atilde;o. Esta pr&aacute;tica pode ser particularmente importante em di&aacute;spora, criando espa&ccedil;os de discuss&atilde;o e informa&ccedil;&atilde;o sobre quest&otilde;es globais, transnacionais e locais associadas ao Isl&atilde;o, sendo igualmente uma fonte de empoderamento contra a discrimina&ccedil;&atilde;o de g&eacute;nero dentro da pr&oacute;pria <i>Umma</i>. As artistas, portanto, criam um espa&ccedil;o de express&atilde;o pr&oacute;pria atrav&eacute;s do equil&iacute;brio entre os v&aacute;rios sistemas identit&aacute;rios a que pertencem &mdash; Isl&atilde;o, cultura <i>hip hop</i>, di&aacute;spora africana, das Cara&iacute;bas e mu&ccedil;ulmana, Europa, etc.</p>     <p>J&aacute; Alia Sharrief, <i>rapper</i> e ativista estadunidense, assume que a sua grande inspira&ccedil;&atilde;o &eacute; o Isl&atilde;o e o seu grande objetivo &eacute; fazer <i>dawah</i>: produz <i>hip hop</i> mu&ccedil;ulmano, com refer&ecirc;ncias constantes ao Alcor&atilde;o e &agrave; <i>Nation of Islam</i>, explicando claramente aspetos do Isl&atilde;o ao seu p&uacute;blico, visando promover a unidade da <i>Umma</i> e a compreens&atilde;o da religi&atilde;o no Ocidente, desmontando musical e visualmente quaisquer estere&oacute;tipos orientalistas. A sua produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica &eacute; plena de refer&ecirc;ncias isl&acirc;micas, desde o uso do chamamento &agrave; ora&ccedil;&atilde;o em &quot;Maula Ya&quot; (Sharrief, 2015) ao constante apelo ao texto cor&acirc;nico, recorrendo &agrave; tradi&ccedil;&atilde;o mu&ccedil;ulmana de poesia e recita&ccedil;&atilde;o, incorporada no Alcor&atilde;o, nas pr&aacute;ticas rituais quotidianas e na tradi&ccedil;&atilde;o oral do M&eacute;dio Oriente. Alia Sharrief interpreta esta tradi&ccedil;&atilde;o como uma forma de empoderamento, justificando a partir dela a sua pr&aacute;tica art&iacute;stica face a cr&iacute;ticas que associem a produ&ccedil;&atilde;o e performance musical de mulheres a <i>haran</i>. &Eacute; igualmente clara em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sua perten&ccedil;a &agrave; <i>Nation of Islam</i>, atrav&eacute;s de temas dedicados a Malcolm X [&quot;Who ready&quot; (Sharrief, 2017, faixa 1) e &quot;Black heros&quot; (Sharrief, 2014)] e de refer&ecirc;ncias l&iacute;ricas ao movimento. Alia Sharrief define assim a sua identidade prim&aacute;ria como a religiosa, e que se juntam outros tra&ccedil;os identit&aacute;rios &mdash; artista, mulher, negra, ativista, esposa. &Eacute; particularmente cr&iacute;tica de conte&uacute;dos l&iacute;ricos e visuais mis&oacute;ginos, materialistas e hipersexualizados na ind&uacute;stria do <i>hip hop</i>, que visa contrariar com a sua pr&oacute;pria pr&aacute;tica art&iacute;stica, recorrendo inclusivamente ao discurso feminista de luta contra o patriarcado, e destacando o papel das mulheres mu&ccedil;ulmanas na produ&ccedil;&atilde;o e promo&ccedil;&atilde;o art&iacute;sticas como forma de ativismo contra a islamofobia, mas, ao mesmo tempo, defendendo valores e pap&eacute;is familiares e de g&eacute;nero tradicionais na <i>Umma</i>.</p>     <p>&Eacute; tamb&eacute;m a criadora e administradora do website The Hijabi Chronicles<sup><a href="#9" name="top9">[9]</a></sup>, uma plataforma criativa em que artistas mu&ccedil;ulmanas podem partilhar conte&uacute;dos, funcionando como um espa&ccedil;o de empoderamento das mulheres a partir da sua express&atilde;o cultural, pretendendo afirmar-se como forma de educa&ccedil;&atilde;o, motiva&ccedil;&atilde;o e apoio &agrave;s comunidades, atrav&eacute;s de instrumentos de NTI e web 2.0. O seu ativismo feminista vai assim ao encontro de cooke, que aceita o termo para definir &quot;qualquer a&ccedil;&atilde;o das mulheres que vise mudar expectativas relativamente ao seu papel social e &agrave;s suas responsabilidades&quot; (2001, p. vii) e de Badran (2009), que define ativismo feminista pela consci&ecirc;ncia das restri&ccedil;&otilde;es impostas &agrave;s mulheres e pelas tentativas de as eliminar. De facto, o espetro do feminismo em contextos mu&ccedil;ulmanos inclui movimentos isl&acirc;micos de mulheres com objetivos feministas que se op&otilde;em &agrave; identifica&ccedil;&atilde;o como tal (j&aacute; que a compreendem como aplicando-se a movimentos de car&aacute;cter exclusivamente ocidental e secular), movimentos assumidamente feministas e seculares, e ainda outros movimentos que se situam de algum modo na intersec&ccedil;&atilde;o destas duas posi&ccedil;&otilde;es (Badran &amp; cooke, 1993; Karam, 1997), em que Alia Sharrief parece tamb&eacute;m posicionar-se discursivamente. A artista apela igualmente ao fim da islamofobia, do racismo, da discrimina&ccedil;&atilde;o, da viol&ecirc;ncia policial e de retratos de alteridade atribu&iacute;dos aos Mu&ccedil;ulmanos pelos meios de comunica&ccedil;&atilde;o de massa ocidentais e refere igualmente a situa&ccedil;&atilde;o na Palestina.</p>     <p>A terceira artista, Hanouneh (um pseud&oacute;nimo que significa carinhosa, agrad&aacute;vel e inteligente em &Aacute;rabe), &eacute; uma compositora e cantora de <i>hip hop</i> e <i>reggae</i> sueca, mas que reclama uma identifica&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e cultural com o M&eacute;dio Oriente, atribuindo-se inclusivamente nacionalidade palestiniana &mdash; que, na pr&aacute;tica, n&atilde;o tem &mdash;, um posicionamento que deixa claro nas suas letras, plenas de conte&uacute;do pol&iacute;tico sobre o M&eacute;dio Oriente e a Faixa de Gaza [&quot;Real Gaza me seh&quot; (Hanouheh, 2011a, faixa 1) e &quot;Police inna mi yard&quot; (Hanouheh, 2011, faixa 3)]. A artista justifica este posicionamento identit&aacute;rio como a sua express&atilde;o de amor e saudade para com a Faixa de Gaza, onde viveu alguns meses, acrescentando que negoceia a sua posi&ccedil;&atilde;o de algum privil&eacute;gio no Ocidente <i>vs</i>. culpa por ter abandonado a Palestina com a responsabilidade de &quot;fazer algo&quot;, referindo ali&aacute;s querer ser a voz das suas irm&atilde;s no territ&oacute;rio (Dankic, 2013). O seu ativismo transnacional atrav&eacute;s da cultura expressiva vai assim ao encontro das reflex&otilde;es de Appadurai (1990) sobre o poder das ideopaisagens e tamb&eacute;m de cooke (2001), quando atribui &agrave; pr&aacute;tica art&iacute;stica das mulheres mu&ccedil;ulmanas a fun&ccedil;&atilde;o de catarse, mem&oacute;ria e cria&ccedil;&atilde;o de comunidades, imaginadas ou n&atilde;o. Artisticamente, Hanouneh distancia-se da tradi&ccedil;&atilde;o <i>hip hop</i> ao criar letras simples e de f&aacute;cil compreens&atilde;o, a que atribui mais for&ccedil;a, o que contraria a metalinguagem do g&eacute;nero, normalmente com constru&ccedil;&otilde;es discursivas complexas, de que a Alia Sharrief &eacute; o exemplo mais forte aqui explorado.</p>     <p>Esta artista faz igualmente uso pleno dos instrumentos das NTI e web 2.0 para a constru&ccedil;&atilde;o de redes de colabora&ccedil;&atilde;o com outros m&uacute;sicos: ligou-se atrav&eacute;s do Myspace com o coletivo 961 Underground, grupo transnacional baseado no L&iacute;bano, com 10 membros em v&aacute;rias localiza&ccedil;&otilde;es na Europa e no M&eacute;dio Oriente e, mais recentemente (2015/2016), colaborou com v&aacute;rios m&uacute;sicos libaneses num projeto intitulado &quot;Tawasul&quot;, dedicado &agrave; liberdade de express&atilde;o &mdash; este projeto insere-se no ativismo de Hanouneh, focado na comunica&ccedil;&atilde;o intercultural e solidariedade transnacional. Trabalha igualmente com m&uacute;sicos noutras localiza&ccedil;&otilde;es, nomeadamente na Jamaica.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Finalmente, Alia Gabres &eacute; uma poetisa e ativista radicada em Melbourne com dupla nacionalidade eritreia e australiana, e dedica-se pr&aacute;tica de <i>spoken word</i>. Envolvida em diversos projetos de promo&ccedil;&atilde;o da literacia e da escrita por mulheres a n&iacute;vel comunit&aacute;rio, o seu ativismo foca-se principalmente na &aacute;rea das artes, visando promover a pr&aacute;tica art&iacute;stica como geradora de conhecimento e transmiss&atilde;o cultural, sendo que se posiciona de forma bastante pr&oacute;xima das mulheres produtoras de literatura em cooke (2001): a fun&ccedil;&atilde;o de mem&oacute;ria, de contar hist&oacute;rias em voz pr&oacute;pria, de exig&ecirc;ncia e cria&ccedil;&atilde;o de um espa&ccedil;o pr&oacute;prio s&atilde;o carater&iacute;sticas da sua obra, como se demonstra nos temas &quot;This house&quot; (Gabres, 2011a) ou &quot;She cotton summer dress&quot; (Gabres, 2012). Alia Gabres n&atilde;o atribui &agrave; sua religi&atilde;o o foco da sua pr&aacute;tica art&iacute;stica, descrevendo a sua identidade como separada por h&iacute;fens: mulher-mu&ccedil;ulmana-africana-migrante (mas n&atilde;o menciona &quot;australiana&quot;). Os conte&uacute;dos po&eacute;ticos focam-se em experi&ecirc;ncias pessoais, incluindo quebra de estere&oacute;tipos e resposta a situa&ccedil;&otilde;es de discrimina&ccedil;&atilde;o interseccional em rela&ccedil;&atilde;o aos seus posicionamentos identit&aacute;rios m&uacute;ltiplos [&quot;Scent of love&quot; (Gabres, 2011b)], mas tamb&eacute;m em quest&otilde;es pol&iacute;ticas, nomeadamente o conflito israelo-&aacute;rabe [&quot;This house&quot; (Gabres, 2011a)]. Este &eacute; ali&aacute;s um ponto em comum &agrave;s quatro artistas inclu&iacute;das neste trabalho &mdash; de facto, a quest&atilde;o da Palestina &eacute; identificada por El-Nawawy e Khamis (2011) como absolutamente central para a identidade de jovens mu&ccedil;ulmanos em di&aacute;spora, afirmando que a uni&atilde;o e solidariedade &agrave; volta deste conflito lhes conferem um sentido de perten&ccedil;a &agrave; <i>Umma.</i></p>     <p><b>Conclus&otilde;es</b></p>     <p>A partir desta an&aacute;lise, &eacute; poss&iacute;vel identificar dois grandes temas comuns &agrave; produ&ccedil;&atilde;o cultural destas artistas: o conflito israelo-&aacute;rabe e a luta contra a islamofobia. Todas partilham a preocupa&ccedil;&atilde;o pela Palestina e uma identifica&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica com este territ&oacute;rio e o conflito em curso, bem como a esperan&ccedil;a na sua resolu&ccedil;&atilde;o, e todas rejeitam e desconstroem estere&oacute;tipos e discursos hegem&oacute;nicos sobre mu&ccedil;ulmanos em geral, e sobre mulheres mu&ccedil;ulmanas em particular, criando um discurso alternativo e inovador sobre o Isl&atilde;o, em voz pr&oacute;pria, abertamente feminino, difundido numa esfera p&uacute;blica alternativa para sua discuss&atilde;o, onde o seu p&uacute;blico &eacute; encorajado a partilhar e construir opini&otilde;es coletivamente, permitindo tanto concord&acirc;ncia quanto diverg&ecirc;ncia.</p>     <p>A linguagem do <i>hip hop</i> e o seu constante apelo &agrave; intertextualidade parece ali&aacute;s aplicar-se &agrave;s identidades e autoposicionamentos m&uacute;ltiplos destas artistas, expressos nos seus poemas, com muitas refer&ecirc;ncias ao campo sem&acirc;ntico da dor e sofrimento, assim como da esperan&ccedil;a num futuro melhor, mesmo quando se listam exaustivamente situa&ccedil;&otilde;es de discrimina&ccedil;&atilde;o, falta de liberdade, guerra, morte, racismo, etc. (e aqui refiro um tema de cada artista, porque esta metalinguagem &eacute; comum a todas elas: &quot;Silence is consent&quot; (Poetic Pilgrimage e Yahya, 2010b, faixa 12), &quot;Black heros&quot; (Sharrief, 2014), &quot;Police inna mi yard&quot; (Hanouheh, 2011b, faixa 3), &quot;This house&quot; (Gabres, 2011a). Estes sentimentos aliam-se ali&aacute;s a uma das caracter&iacute;stica dos g&eacute;neros <i>hip hop</i> e <i>spoken word</i>, que &eacute; o apelo &agrave; autenticidade como resposta &agrave; necessidade de autoexpress&atilde;o (Alim, 2005; Nooshin, 2011) e v&atilde;o ao encontro do que Paul Gilroy descreve como &quot;a condi&ccedil;&atilde;o de estar em sofrimento&quot; (1995, p. 203) &mdash; a m&uacute;sica pode, assim, ser um escape criativo para canalizar experi&ecirc;ncias de dor ligadas a situa&ccedil;&otilde;es de conflito armado, exclus&atilde;o social, pobreza, discrimina&ccedil;&atilde;o, injusti&ccedil;a, islamofobia, etc., ultrapassando a fun&ccedil;&atilde;o de resist&ecirc;ncia passiva e assumindo-se como uma pr&aacute;tica ativista, enquanto forma de superar a imposi&ccedil;&atilde;o do sil&ecirc;ncio e estabelecer di&aacute;logos e redes, tanto entre artistas, como com os p&uacute;blicos. Deste modo, a pr&aacute;tica destas artistas tem o potencial de criar di&aacute;logos alargados a contra-p&uacute;blicos em situa&ccedil;&otilde;es de subalternidade, constituindo-se como um ve&iacute;culo de autoexpress&atilde;o na luta contra opress&atilde;o, repress&atilde;o, discrimina&ccedil;&atilde;o, permitindo, simultaneamente, sentimentos de perten&ccedil;a e desafio (Landau, 2011).</p>     <p>Igualmente, o <i>hip hop</i> surge como uma forma de perten&ccedil;a &agrave; <i>Umma</i>, tanto a partir da pr&aacute;tica de <i>dawah</i>, que duas das artistas (Poetic Pilgrimage e Alia Sharrief) fazem abertamente, como dos apelos &agrave; unidade entre mu&ccedil;ulmanos ou a identifica&ccedil;&atilde;o com condi&ccedil;&otilde;es e conflitos comuns. As artistas parecem, portanto, encontrar-se entre duas posi&ccedil;&otilde;es: defesa e educa&ccedil;&atilde;o: defesa do seu direito &agrave; pr&aacute;tica art&iacute;stica e educa&ccedil;&atilde;o sobre o Isl&atilde;o e sua diversidade, promovendo compreens&atilde;o e conhecimento mais amplos sobre a religi&atilde;o, fomentando o di&aacute;logo inter-religioso e criando um discurso poderoso contra a discrimina&ccedil;&atilde;o de g&eacute;nero, mostrando como artistas mu&ccedil;ulmanas conceptualizam criativamente as liga&ccedil;&otilde;es entre sua produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica e sua f&eacute;, contribuindo para a cria&ccedil;&atilde;o e a consci&ecirc;ncia da <i>Umma</i>. Estas pr&aacute;ticas art&iacute;sticas, portanto, constituem formas de participa&ccedil;&atilde;o em e amplia&ccedil;&atilde;o da <i>Umma</i> transnacional online de Mandaville (2003) e dos <i>cyber salons</i> isl&acirc;micos de Van der Veer (2006), a que acrescentam uma nova dimens&atilde;o &mdash; a do g&eacute;nero. S&atilde;o fruto de e proporcionam uma nova linguagem, uma nova forma de estas mulheres exigirem o seu lugar no mundo globalizado, que encaram com um sentido de responsabilidade pessoal e social bastante agudo, combinando Isl&atilde;o e produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica quando assim o desejam, mantendo e defendendo uma identidade religiosa positiva, num contexto que lhes &eacute;, frequentemente, hostil.</p>     <p>O <i>hip hop</i> e o <i>spoken word</i>, pr&aacute;ticas essencialmente verbais, permitem um grande &acirc;mbito discursivo, logo s&atilde;o importantes para a abertura da discuss&atilde;o no espa&ccedil;o p&uacute;blico e permitem &agrave;s artistas a desconstru&ccedil;&atilde;o completa de vis&otilde;es orientalistas que as descrevam como distantes, ex&oacute;ticas ou silenciadas. Pelo contr&aacute;rio, estas exigem o reconhecimento da sua autonomia como produtoras culturais, e as suas pr&aacute;ticas expressivas constituem liga&ccedil;&otilde;es transfronteiri&ccedil;as e transnacionais, constru&iacute;das por meio de um discurso contra-hegem&oacute;nico orientado para a mudan&ccedil;a social e pol&iacute;tica, contribuindo tamb&eacute;m para a cria&ccedil;&atilde;o de uma identidade mu&ccedil;ulmana partilhada, inclusiva das diferen&ccedil;as entre elas. Esses processos de constru&ccedil;&atilde;o de identidade s&atilde;o realizados por estas mulheres dentro do seu quadro religioso pessoal, exposto mais ou menos abertamente: se a perten&ccedil;a religiosa nunca &eacute; amb&iacute;gua, mesmo que n&atilde;o seja reivindicada como uma identidade prim&aacute;ria, n&atilde;o lhes atribui uma posi&ccedil;&atilde;o imediata de alteridade, mas sim posicionamentos complexos e multifacetados, constru&iacute;dos atrav&eacute;s de di&aacute;logo e negocia&ccedil;&atilde;o. Como tal, a diversidade das artistas presentes neste estudo &eacute; tamb&eacute;m um convite para olhar para as mulheres mu&ccedil;ulmanas como indiv&iacute;duos, mesmo se estas partilhem pr&aacute;ticas comuns (como ser artista ou optar por um qualquer item de vestu&aacute;rio) &mdash; o trabalho aqui &eacute; n&atilde;o o de definir a mulher mu&ccedil;ulmana, mas sim o de indefini-la, individualiz&aacute;-la.</p>     <p>N&atilde;o ser&aacute; assim estranho que outra grande tem&aacute;tica partilhada no trabalho destas quatro artistas seja a condi&ccedil;&atilde;o das mulheres e a discrimina&ccedil;&atilde;o interseccional de que s&atilde;o alvo. Todas elas contribuem para a anula&ccedil;&atilde;o de estere&oacute;tipos orientalistas, ao mesmo tempo que representam a diversidade existente no Isl&atilde;o: as artistas s&atilde;o diferentes, com passados e entradas no Isl&atilde;o diferentes, com posi&ccedil;&otilde;es na sociedade civil tamb&eacute;m diferentes e diferentes identidades. Atrav&eacute;s das suas pr&aacute;ticas art&iacute;sticas, estas mulheres constroem pontes entre si e outras mulheres mu&ccedil;ulmanas, mas tamb&eacute;m com o resto do mundo. Os direitos das mulheres, portanto, constituem um dos focos de sua pr&aacute;tica art&iacute;stica e, como tal, esta insere-se no ativismo feminista no sentido que lhe atribui miriam cooke (2001): feminismo como uma epistemologia, revelando a consci&ecirc;ncia tanto do papel do g&eacute;nero na organiza&ccedil;&atilde;o da sociedade, como da exist&ecirc;ncia da discrimina&ccedil;&atilde;o interseccional contra as mulheres, lutando ativamente contra a sua perpetua&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Assim, a produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica de mulheres mu&ccedil;ulmanas em di&aacute;spora reflete a exist&ecirc;ncia diasp&oacute;rica e suas tens&otilde;es, por vezes apelando nostalgicamente a um lugar de origem (real ou imagin&aacute;rio), por vezes incorporando mem&oacute;rias de situa&ccedil;&otilde;es de conflito e hist&oacute;rias de resist&ecirc;ncia. Essas mulheres d&atilde;o a conhecer seu lado da hist&oacute;ria, recusando-se a ser silenciadas, criando suas pr&oacute;prias narrativas e repert&oacute;rios de protesto, que s&atilde;o formas leg&iacute;timas de empoderamento. As hist&oacute;rias s&atilde;o frequentemente contadas pela incorpora&ccedil;&atilde;o de temas tradicionais da m&uacute;sica isl&acirc;mica, reconstru&iacute;dos e reinterpretados, que funcionam tanto como uma forma de <i>dawah</i>, como de afirma&ccedil;&atilde;o pessoal, v&aacute;lida mesmo quando as mem&oacute;rias e hist&oacute;rias n&atilde;o foram vividas na primeira pessoa, uma vez que as artistas podem fazer apelo &agrave; mem&oacute;ria partilhada da <i>Umma</i> relativamente a situa&ccedil;&otilde;es de injusti&ccedil;a e discrimina&ccedil;&atilde;o percebidas como comuns.</p>     <p>As mulheres continuam sub-representadas nos campos art&iacute;stico e cultural &mdash; como afirma Adorno (1975), os crit&eacute;rios da ind&uacute;stria cultural s&atilde;o sempre os do <i>status quo</i>, <i>status quo</i> esse que a revolu&ccedil;&atilde;o cultural identificada por Stuart Hall (1997) tem o potencial de come&ccedil;ar a ruir, com a entrada em cena de novos atores, de que estas artistas s&atilde;o apenas uma pequena amostra. Estas novas produtoras culturais desafiam e questionam conceitos como g&eacute;nero, multiculturalismo, perten&ccedil;a, etnia, religi&atilde;o e mesmo cultura, e exigem que as suas interpreta&ccedil;&otilde;es sejam consideradas, testemunhando o alcance transnacional da cultura expressiva na anula&ccedil;&atilde;o de posi&ccedil;&otilde;es de alteridade e subalternidade. A m&uacute;sica e a performance podem igualmente criar e manter redes de acesso e partilha de informa&ccedil;&atilde;o e conhecimento &agrave; escala transnacional, indo assim ao encontro das fun&ccedil;&otilde;es atribu&iacute;das &agrave; pr&aacute;tica artista por cooke (2001), El Saawadi (1997) e Toman (2009): catarse, mem&oacute;ria, protesto social, cria&ccedil;&atilde;o de comunidades, posicionamento identit&aacute;rio. &Eacute; a partir das suas pr&aacute;ticas culturais e sociais que elas expandem a esfera p&uacute;blica a v&aacute;rios n&iacute;veis, for&ccedil;ando a inser&ccedil;&atilde;o de complexidades identit&aacute;rias que Habermas (1991) n&atilde;o considerou, como o g&eacute;nero ou a religi&atilde;o, criando esferas p&uacute;blicas alternativas e inclusivas, atrav&eacute;s de atos sociais e culturais que revelam processos de globaliza&ccedil;&atilde;o a partir de baixo, criando comunidades fluidas e abertas &agrave; participa&ccedil;&atilde;o transnacional. </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <!-- ref --><p>Adorno, T. W. (1975). Cultural industry reconsidered. <i>New German Critique</i>, <i>6</i>, 12-19. <a href="https://doi.org/10.2307/487650" target="_blank">https://doi.org/10.2307/487650</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016221&pid=S2183-3575201900010000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Aidi, H. (2011). 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(2003). <i>Formations of the secular: Christianity, Islam, Modernity</i>. Stanford: Stanford University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016227&pid=S2183-3575201900010000800005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Badran, M. &amp; cooke, m. (Eds.) (1990). <i>Opening the gates: a century of Arab feminist writing.</i> Bloomington: Indiana University Press,    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016229&pid=S2183-3575201900010000800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Badran, M. (2009). <i>Feminism in Islam; Secular and Religious Convergences</i>. Oxford: Oneworld Publications.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016231&pid=S2183-3575201900010000800007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Castells, M. (Ed.) (2004). <i>The network society &mdash; a cross-cultural perspective</i>. Cheltenham: Edward Elgar Publishing Limited.</p>     <!-- ref --><p>cooke, m. (2001). <i>Women claim Islam: creating Islamic feminism through literature</i>. Nova Iorque: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016234&pid=S2183-3575201900010000800009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Dankic, A. (2013). Hanouneh style resistance. 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Nova Iorque: Palgrave Macmillan.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016237&pid=S2183-3575201900010000800011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>El Saadawi, N. (1997). Women, creativity and dissidence. In N. El Saadawi &amp; A. Newson-Horst (Eds.), <i>The essential Nawal El Sadaawi &mdash; a reader</i> (pp. 66-77). Londres: Zeb Books.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Ernst, J. (2005). The problem of Islamic art. In m. cooke &amp; B. B. Lawrence (Eds.), <i>Muslim networks: from hajj to hip hop</i> (pp. 107-131). Chapel Hill: The University of North Carolina Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016240&pid=S2183-3575201900010000800013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Fraser, N. (1990). Rethinking the public sphere: a contribution to the critique of actually existing democracy. <i>Social Text, 25/26</i>, 56-80. <a href="https://doi.org/10.2307/466240" target="_blank">https://doi.org/10.2307/466240</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016242&pid=S2183-3575201900010000800014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Gabres, A. (2011a). This house. [V&iacute;deo]. Retirado de <a href="http://www.youtube.com/watch?v=2thVOaGjTIE" target="_blank">https://www.youtube.com/watch?v=2thVOaGjTIE</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016243&pid=S2183-3575201900010000800015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Gabres, A. (2011b). Scent of love. [V&iacute;deo]. Retirado de <a href="https://slamtv.org/2012/04/15/scent-of-love-alia-gabres" target="_blank">https://slamtv.org/2012/04/15/scent-of-love-alia-gabres/</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016244&pid=S2183-3575201900010000800016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Gabres, A. (2012). She cotton summer dress. [V&iacute;deo]. Retirado de <a href="https://www.youtube.com/</a>watch?v=wmkkMkZYrQ4" target="_blank">https://www.youtube.com/watch?v=wmkkMkZYrQ4</a></p>     <!-- ref --><p>Giddens. A. (2000). <i>Runaway world: how globalization is reshaping our lives</i>. Nova Iorque: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016246&pid=S2183-3575201900010000800018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Gilroy, P. (1995). <i>The black Atlantic: modernity and double-consciousness</i>. Harvard: Harvard University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016248&pid=S2183-3575201900010000800019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Habermas, J. (1991). <i>The structural transformation of the public sphere. An inquiry into a Category of bourgeois society</i>. Massachusetts: The MIT Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016250&pid=S2183-3575201900010000800020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Hall, S. (1992). Cultural Studies and its theoretical legacies. In L. Grossberg, C. Nelson &amp; P. Treichler (Eds.), <i>Cultural Studies</i> (pp. 227-294). Nova Iorque e Londres: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016252&pid=S2183-3575201900010000800021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Hall, S. (1997). The local and the global: globalization and ethnicity. In A. D. King (Ed.), <i>Culture, globalization and the world-system: contemporary conditions for the representation of identity</i> (pp. 19-40) Minnesota: University of Minnesota Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016254&pid=S2183-3575201900010000800022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Hanouneh. (2011a). <i>Real Gaza me seh. In love &amp; war.</i> [&Aacute;lbum digital]. Retirado de <a href="https://soundcloud.com/ promoe/hanouneh-feat-promoe-real-gaza-me-seh" target="_blank">https://soundcloud.com/ promoe/hanouneh-feat-promoe-real-gaza-me-seh</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016256&pid=S2183-3575201900010000800023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Hanouneh. (2011b). <i>Police inna mi yard. In Love &amp; War</i>. [&Aacute;lbum digital]. Retirado de <a href="https://soundcloud.com/hanouneh/police-inna-mi-yard/sets" target="_blank">https://soundcloud.com/hanouneh/police-inna-mi-yard/sets</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016257&pid=S2183-3575201900010000800024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Hebdige, D. (1979). <i>Subculture: the meaning of style</i>. Nova Iorque: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016258&pid=S2183-3575201900010000800025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Hinnells, J. R. (Eds.) (2005). <i>The Routledge companion to the study of religion</i>. Nova Iorque: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016260&pid=S2183-3575201900010000800026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Karam, A. M. (1997). <i>Women, Islamisms and the State: contemporary feminisms in Egypt</i>. Nova Iorque: Palgrave Macmillan.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016262&pid=S2183-3575201900010000800027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Landau, C. (2011). &quot;My own little Morocco at home&quot;: a biographical account of migration, mediation and music consumption. In J. Toynbee &amp; B. Dueck (Eds.), <i>Migrating music</i> (pp. 38-54). Londres e Nova Iorque: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016264&pid=S2183-3575201900010000800028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>LeVine, M. (2009). Flowers in the desert. <i>Viewpoints</i> [Special Edition: The state of the arts in the Middle East], pp. 34-37. Retirado de <a href="https://epdf.tips/queue/the-state-of-the-arts-in-the-middle-east-2009-the-middle-east-institute-viewpoin.html" target="_blank">https://epdf.tips/queue/the-state-of-the-arts-in-the-middle-east-2009-the-middle-east-institute-viewpoin.html</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016266&pid=S2183-3575201900010000800029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Mosquera, P. (2015). <i>Muslim women's voices at wesleyan understanding muslim cultures through the lens of performance</i>. Relat&oacute;rio de projeto, Wesleyan University, Connecticut, EUA. Retirado de <a href="https://www.wesleyan.edu/cfa/documents/2015/MWV_Report.pdf" target="_blank">https://www.wesleyan.edu/cfa/documents/2015/MWV_Report.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016267&pid=S2183-3575201900010000800030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Nooshin, L. (2011). Hip hop Tehran: migrating styles, musical meanings, marginalized voices. In J. Toynbee &amp; B. Dueck (Eds.), <i>Migrating music</i> (pp. 92-111). Londres e Nova Iorque: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016268&pid=S2183-3575201900010000800031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Mahmood, S. (1996). Interview with Talal Asad. <i>SEHR, 5</i>(1). Retirado de <a href="http://web.stanford.edu/group/SHR/5-1/text/asad.html" target="_blank">http://web.stanford.edu/group/SHR/5-1/text/asad.html</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016270&pid=S2183-3575201900010000800032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Mandaville, P. (2003). Communication and diasporic Islam. In K. H. Karim (Ed.), <i>The media of diaspora</i> (pp. 135-147). Londres e Nova Iorque: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016271&pid=S2183-3575201900010000800033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Miah, S. &amp; Kalra, V. S. (2008). Muslim hip hop: politicisation of Kool Islam. <i>South Asian Cultural Studies Journal</i>, <i>2</i>, 12-25.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016273&pid=S2183-3575201900010000800034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Michaels, W. B. (1992). Race into culture, a critical genealogy of cultural identities. <i>Critical Inquiry</i>, <i>18</i>(4), 655-685. <a href="https://doi.org/10.1086/448651" target="_blank">https://doi.org/10.1086/448651</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016275&pid=S2183-3575201900010000800035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Piela, A. (2010). Challenging stereotypes: Muslim women's photographic self-representations on the internet. <i>Heidelberg Journal of Religion on the Internet</i>, <i>4.1</i>, 87-110. <a href="https://doi.org/10.11588/rel.2010.1.9386" target="_blank">https://doi.org/10.11588/rel.2010.1.9386</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016276&pid=S2183-3575201900010000800036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Pilgrimage, P. (2007). <i>Modern day Marys</i>. [V&iacute;deo]. Dispon&iacute;vel em <a href="https://www.youtube.com/watch?v=VRImzRuUaqI" target="_blank">https://www.youtube.com/watch?v=VRImzRuUaqI</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016277&pid=S2183-3575201900010000800037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Pilgrimage, P. (2010a). Land far away. In <i>Star women: the mixtape</i> [&Aacute;lbum digital]. Retirado de <a href="https://poeticpilgrimage.bandcamp.com/track/land-far-away" target="_blank">https://poeticpilgrimage.bandcamp.com/track/land-far-away</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016278&pid=S2183-3575201900010000800038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Pilgrimage, P. (2010b). Silence is consent. In <i>Star women: the mixtape</i> [&Aacute;lbum digital]. Retirado de <a href="http://www.youtube.com/watch?v=z1orCqZg4SA" target="_blank">https://www.youtube.com/watch?v=z1orCqZg4SA</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016279&pid=S2183-3575201900010000800039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Pilgrimage, P. (2015). What a girl to do. Dispon&iacute;vel em <a href="https://soundcloud.com/poetic-pilgrimage/poetic-pilgrimage-whats-a-girl-to-do-free-download" target="_blank">https://soundcloud.com/poetic-pilgrimage/poetic-pilgrimage-whats-a-girl-to-do-free-download</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016280&pid=S2183-3575201900010000800040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Ramnarine, T. K. (2007). Musical performance in the diaspora: introduction. <i>Ethnomusicology Forum, 16</i>(1), 1-17. <a href="https://doi.org/10.1080/17411910701276310" target="_blank">https://doi.org/10.1080/17411910701276310</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016281&pid=S2183-3575201900010000800041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Sa&iuml;d, E. (1979). <i>Orientalism</i>. Nova Iorque: Vintage Books Edition.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016282&pid=S2183-3575201900010000800042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Sharrief, A. (2014). Black heros. Retirado de <a href="https://soundcloud.com/aliasharrief/blackheros" target="_blank">https://soundcloud.com/aliasharrief/blackheros</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016284&pid=S2183-3575201900010000800043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Sharrief, A. (2015) Maula Ya. Retirado de <a href="https://soundcloud.com/aliasharrief/maulaya" target="_blank">https://soundcloud.com/aliasharrief/maulaya</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016285&pid=S2183-3575201900010000800044&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Sharrief, A. (2017). Who ready? In <i>Don't forget me</i>. [&Aacute;lbum digital]. Retirado de <a href="https://soundcloud.com/aliasharrief/1-who-ready-by-alia-sharrief" target="_blank">https://soundcloud.com/aliasharrief/1-who-ready-by-alia-sharrief</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016286&pid=S2183-3575201900010000800045&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Toman, C. (2009). Women, activism and the arts. <i>Al-raida</i>, <i>124</i>, 2-5. Retirado de <a href="http://iwsawassets.lau.edu.lb/alraida/alraida-124.pdf" target="_blank">http://iwsawassets.lau.edu.lb/alraida/alraida-124.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016287&pid=S2183-3575201900010000800046&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Toynbee, J. &amp; Dueck, B. (Ed.) (2011). <i>Migrating music</i>. Londres e Nova Iorque: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016288&pid=S2183-3575201900010000800047&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Turino, T. (1993). <i>Moving away from silence. Music of the Peruvian altiplano and the experience of urban migration</i>. Chicago: The University of Chicago Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016290&pid=S2183-3575201900010000800048&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Van der Veer, P. (2006). Secrecy and publicity in the South Asian public arena. In A. Salvatore &amp; D. Eickelman (Eds.), <i>Public Islam and the common good</i> (pp. 29-51). Boston: Brill.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016292&pid=S2183-3575201900010000800049&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p><b>P&aacute;ginas da internet consultadas repetidamente durante a elabora&ccedil;&atilde;o deste artigo</b></p>     <p><a href="http://creativeummah.com/" target="_blank">http://creativeummah.com/</a></p>     <p><a href="http://www.muslimhiphop.com/" target="_blank">www.muslimhiphop.com/</a></p>     <p><a href="http://muslima.globalfundforwomen.org/" target="_blank">http://muslima.globalfundforwomen.org/</a></p>     <p><a href="http://muslimahmontage.com/" target="_blank">http://muslimahmontage.com/</a></p>     <p><b>Poetic Pilgrimage</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="https://www.facebook.com/poeticpilgrimagemusic/https://soundcloud.com/poetic-pilgrimage" target="_blank">https://www.facebook.com/poeticpilgrimagemusic/https://soundcloud.com/poetic-pilgrimage</a></p>     <p><a href="http://www.huffingtonpost.co.uk/muneera-williams/unlikely-emcees_b_6781976.html" target="_blank">http://www.huffingtonpost.co.uk/muneera-williams/unlikely-emcees_b_6781976.html</a></p>     <p><a href="http://www.telegraph.co.uk/women/womens-life/11454455/Muslim-women-who-rap-in-headscarves-Meet-the-hip-hop-hijabis.html" target="_blank">http://www.telegraph.co.uk/women/womens-life/11454455/Muslim-women-who-rap-in-headscarves-Meet-the-hip-hop-hijabis.html</a></p>     <p><a href="http://www.bbc.co.uk/programmes/p02n5kjf" target="_blank">http://www.bbc.co.uk/programmes/p02n5kjf</a></p>     <p><a href="http://www.aljazeera.com/programmes/witness/2015/03/hip-hop-hijabis-150305091541022.html" target="_blank">http://www.aljazeera.com/programmes/witness/2015/03/hip-hop-hijabis-150305091541022.html</a></p>     <p><b>Alia Sharrief</b></p>     <p><a href="http://www.facebook.com/AliaSharrief" target="_blank">https://www.facebook.com/AliaSharrief</a></p>     <p><a href="http://www.soundcloud.com/AliaSharrief" target="_blank">https://www.soundcloud.com/AliaSharrief</a></p>     <p><a href="http://thehijabichronicles.com/" target="_blank">http://thehijabichronicles.com/</a></p> <a href="http://www.facebook.com/TheHijabiChronicles/" target="_blank">https://www.facebook.com/TheHijabiChronicles/</a>     <p></p>     ]]></body>
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<body><![CDATA[<p><a href="http://footscrayarts.com/profile/alia-gabres/" target="_blank">http://footscrayarts.com/profile/alia-gabres/</a></p>     <p><a href="http://goingdownswinging.org.au/spoken-wordsters-alia-gabres/" target="_blank">http://goingdownswinging.org.au/spoken-wordsters-alia-gabres/</a></p>     <p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=0XVdUF9DX5o" target="_blank">https://www.youtube.com/watch?v=0XVdUF9DX5o</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Nota biogr&aacute;fica</b></p>     <p>Cl&aacute;udia Ara&uacute;jo &eacute; doutoranda em Estudos sobre a Globaliza&ccedil;&atilde;o na FCSH -UNL. &Eacute; mestre em Migra&ccedil;&otilde;es, Inter-etnicidades e Transnacionalismo pela mesma Universidade e possui duas licenciaturas, em L&iacute;nguas, Literaturas e Culturas, variante Estudos Franceses e Estudos Africanos pela FLUL, e em Turismo pelo IPVC. Trabalha sobre movimentos sociais pelos direitos dos migrantes e sua articula&ccedil;&atilde;o com a governa&ccedil;&atilde;o local, particularmente com foco nas mulheres migrantes.</p>     <p>ORCID: <a href="https://orcid.org/0000-0003-3528-5205" target="_blank">https://orcid.org/0000-0003-3528-5205</a></p>     <p>Email: <a href="mailto:araujoclaudia9@gmail.com">araujoclaudia9@gmail.com</a>; <a href="mailto:claudia.araujo@campus.fcsh.unl.pt">claudia.araujo@campus.fcsh.unl.pt</a></p>     <p>Morada: Rua Sabino de Sousa, 88, 2.&ordm; Dto, 1900-402 Lisboa</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>* Submetido: 30/07/2018</b></p>     <p><b>* Aceite: 20/12/2018</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Notas</b></p>     <p><sup><a href="#top1" name="1">[1]</a></sup> Dispon&iacute;vel em <a href="http://creativeummah.com/" target="_blank">http://creativeummah.com/</a></p>     <p><sup><a href="#top2" name="2">[2]</a></sup> Dispon&iacute;vel em <a href="https://soundcloud.com/" target="_blank">https://soundcloud.com/</a></p>     <p><sup><a href="#top3" name="3">[3]</a></sup> Dispon&iacute;vel em <a href="https://myspace.com/" target="_blank">https://myspace.com/</a></p>     <p><sup><a href="#top4" name="4">[4]</a></sup> Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.muslimhiphop.com/" target="_blank">www.muslimhiphop.com</a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top5" name="5">[5]</a></sup> Dispon&iacute;vel em <a href="http://muslima.globalfundforwomen.org/" target="_blank">http://muslima.globalfundforwomen.org/</a></p>     <p><sup><a href="#top6" name="6">[6]</a></sup> Dispon&iacute;vel em <a href="http://muslimahmontage.com/" target="_blank">http://muslimahmontage.com/</a></p>     <p><sup><a href="#top7" name="7">[7]</a></sup> Dispon&iacute;vel em <a href="http://thehijabichronicles.com/" target="_blank">http://thehijabichronicles.com/</a></p>     <p><sup><a href="#top8" name="8">[8]</a></sup> Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.aljazeera.com/programmes/witness/2015/03/hip-hop-hijabis-150305091541022.html" target="_blank">https://www.aljazeera.com/programmes/witness/2015/03/hip-hop-hijabis-150305091541022.html</a></p>     <p><sup><a href="#top9" name="9">[9]</a></sup> Dispon&iacute;vel em <a href="http://thehijabichronicles.com/" target="_blank">http://thehijabichronicles.com/</a></p>      ]]></body><back>
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