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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A memória como promotora de interculturalidade em Maputo, através da preservação da estatuária colonial]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Since this is a matter that is not yet resolved, where the strength of ideologies and reuses may change deeply or even reverse the ways it is evoked, the colonial past may become a problem (Vecchi, 2018a). This is the case of Portuguese colonialism which is frequently invoked to stress resentments: whether from the country that was colonised or the colonising country (Ferro, 2009). As soon as the Portuguese Revolution of 25 April 1974 took place, Mozambique promoted the elimination of colonialism symbols. This predictable attitude, aiming to show that the colonisation had ended, was later amended by the future Governments, with the colonial statues (at least, the ones that remained) being relocated to a place where they may be observed and contextualised. This action aimed to preserve the memory, which may enable the development of intercultural dynamics, softening the mentioned resentment: promoting questioning, in order to understand certain logics and, at the same time, filling gaps in the forgotten memory and in the Mozambican identity (Khan, Falconi & Krakowska, 2016). This paper refers to the cases related to the new life of two colonial statues in Maputo - Mouzinho de Albuquerque and Salazar -, during the post-colonial period and the permanence, until today, of the first monumental trace of Estado Novo [Second Republic] (Monumento aos Mortos da Primeira Guerra Mundial [World War I monument]), showing the importance that the preservation of memory has in a country or a nation's life, even when it is associated with the former coloniser. This sort of mental decolonisation (Mbembe, 2017; Thiong'o, 1986), aims the questioning of the way the colonial past weighs on the current intercultural relations, in Mozambique, when the country establishes a relation with the former coloniser, allowing its inhabitants to look at the past as a way to build future dynamics.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS TEM&Aacute;TICOS</b></p>     <p><b>A mem&oacute;ria como promotora de interculturalidade em Maputo, atrav&eacute;s da preserva&ccedil;&atilde;o da estatu&aacute;ria colonial</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Memory as an interculturality booster in Maputo, through the preservation of the colonial statuary</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> //     <p><b> V&iacute;tor de Sousa <sup>1</sup></b>    <br>     <img src="/img/revistas/id_orcid.gif"> <a href="https://orcid.org/0000-0002-6051-0980" target="_blank">https://orcid.org/0000-0002-6051-0980</a></p>     
<p>*Centro de Estudos de Comunica&ccedil;&atilde;o e Sociedade, Instituto de Ci&ecirc;ncias Sociais, Universidade do Minho, Portugal.</p>     <p><a href="mailto:vitordesousa@gmail.com">vitordesousa@gmail.com</a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Por n&atilde;o se tratar de um assunto encerrado, onde a for&ccedil;a das ideologias e dos reusos poder&aacute; alterar profundamente, ou at&eacute; inverter, os modos da sua evoca&ccedil;&atilde;o, o passado colonial pode revelar-se problem&aacute;tico (Vecchi, 2018a). &Eacute; o caso do colonialismo portugu&ecirc;s que, de forma recorrente &eacute; invocado para sublinhar ressentimentos: quer do pa&iacute;s que foi colonizado, quer do pa&iacute;s colonizador (Ferro, 2009). Mo&ccedil;ambique, logo que eclodiu em Portugal a Revolu&ccedil;&atilde;o do 25 de Abril de 1974, promoveu o apagamento dos s&iacute;mbolos do colonialismo. A previs&iacute;vel atitude, tendente a mostrar que a coloniza&ccedil;&atilde;o tinha acabado veio, depois, a ser corrigida pelos futuros Governos, com as est&aacute;tuas coloniais (pelo menos as que restaram), a serem deslocalizadas, onde passaram a poder ser observadas e contextualizadas. Tratou-se de uma a&ccedil;&atilde;o com vista &agrave; preserva&ccedil;&atilde;o da mem&oacute;ria, que pode permitir o desenvolvimento de din&acirc;micas interculturais, esbatendo o referido ressentimento: promovendo a problematiza&ccedil;&atilde;o para perceber determinadas l&oacute;gicas e, ao mesmo tempo, preencher vazios na mem&oacute;ria esquecida e na identidade dos mo&ccedil;ambicanos (Khan, Falconi &amp; Krakowska, 2016). Este artigo referencia os casos relativos &agrave; nova vida de duas est&aacute;tuas coloniais em Maputo &mdash; a de Mouzinho de Albuquerque e a de Salazar &mdash;, em tempo p&oacute;s-colonial, e &agrave; perman&ecirc;ncia, at&eacute; hoje, daquele que foi o primeiro vest&iacute;gio monumental do Estado Novo (o Monumento aos Mortos da Primeira Guerra Mundial), observando a import&acirc;ncia que tem a preserva&ccedil;&atilde;o da mem&oacute;ria na vida de um pa&iacute;s, ou de uma na&ccedil;&atilde;o, mesmo estando associada ao antigo colonizador. Esta esp&eacute;cie de descoloniza&ccedil;&atilde;o mental (Mbembe, 2017; Thiong'o, 1986), passa pela problematiza&ccedil;&atilde;o da forma como o passado colonial pesa nas rela&ccedil;&otilde;es interculturais nos dias de hoje em Mo&ccedil;ambique, quando o pa&iacute;s se relaciona com o antigo colonizador, permitindo que os seus habitantes olhem para o passado como forma de construir din&acirc;micas de futuro.</p>     <p><b>Palavras-chave</b>: Mem&oacute;ria; hist&oacute;ria; colonialidade; p&oacute;s-colonialidade; interculturalidade.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>Since this is a matter that is not yet resolved, where the strength of ideologies and reuses may change deeply or even reverse the ways it is evoked, the colonial past may become a problem (Vecchi, 2018a). This is the case of Portuguese colonialism which is frequently invoked to stress resentments: whether from the country that was colonised or the colonising country (Ferro, 2009). As soon as the Portuguese Revolution of 25 April 1974 took place, Mozambique promoted the elimination of colonialism symbols. This predictable attitude, aiming to show that the colonisation had ended, was later amended by the future Governments, with the colonial statues (at least, the ones that remained) being relocated to a place where they may be observed and contextualised. This action aimed to preserve the memory, which may enable the development of intercultural dynamics, softening the mentioned resentment: promoting questioning, in order to understand certain logics and, at the same time, filling gaps in the forgotten memory and in the Mozambican identity (Khan, Falconi &amp; Krakowska, 2016). This paper refers to the cases related to the new life of two colonial statues in Maputo &mdash; Mouzinho de Albuquerque and Salazar &mdash;, during the post-colonial period and the permanence, until today, of the first monumental trace of Estado Novo [Second Republic] (Monumento aos Mortos da Primeira Guerra Mundial [World War I monument]), showing the importance that the preservation of memory has in a country or a nation's life, even when it is associated with the former coloniser. This sort of mental decolonisation (Mbembe, 2017; Thiong'o, 1986), aims the questioning of the way the colonial past weighs on the current intercultural relations, in Mozambique, when the country establishes a relation with the former coloniser, allowing its inhabitants to look at the past as a way to build future dynamics.</p>     <p><b>Keywords</b>: Memory, history, coloniality, post-coloniality, interculturality.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>As est&aacute;tuas pontuam o espa&ccedil;o p&uacute;blico, como &eacute; o caso das cidades, onde existem maiores aglomerados populacionais. Como monumentos p&uacute;blicos que s&atilde;o, expressam a mem&oacute;ria coletiva e as suas representa&ccedil;&otilde;es e s&atilde;o normalmente relacionadas com tem&aacute;ticas ou figura&ccedil;&otilde;es ligadas &agrave; identidade nacional, pela m&atilde;o de quem, nessas circunst&acirc;ncias, det&eacute;m o poder.</p>     <p>Uma est&aacute;tua &eacute; um objeto im&oacute;vel (uma escultura em tr&ecirc;s dimens&otilde;es), que pode representar uma entidade real ou imagin&aacute;ria. Os governos coloniais erigiram est&aacute;tuas nos territ&oacute;rios que colonizaram relacionadas com a metr&oacute;pole ou com o seu imagin&aacute;rio. Margarida Calafate Ribeiro (2004) refere-se ao &quot;imp&eacute;rio como imagina&ccedil;&atilde;o do centro&quot;, sustentando que a elabora&ccedil;&atilde;o de uma imagem de Portugal enquanto centro foi concretizada exatamente atrav&eacute;s do imp&eacute;rio. Foram as marcas do imp&eacute;rio, que representava a &quot;na&ccedil;&atilde;o em excesso, que foi deslocada para longe&quot; (Richards, 1993), especialmente nessa rela&ccedil;&atilde;o com as &quot;comunidades imaginadas&quot; (Anderson, 1993), que tentaram fixar a liga&ccedil;&atilde;o. Mesmo que se tratasse de um &quot;Imp&eacute;rio de Papel&quot;, como conta Leonor Pires Martins (2012), em que as regi&otilde;es africanas foram tomando forma na cabe&ccedil;a dos portugueses atrav&eacute;s das imagens, mas que evidenciava a exist&ecirc;ncia de alguma fragilidade por parte de Lisboa.</p>     <p>Mo&ccedil;ambique, nomeadamente a sua capital, Maputo (outrora Louren&ccedil;o Marques), n&atilde;o fugiu &agrave; regra. Numa primeira fase, mesmo antes da independ&ecirc;ncia do pa&iacute;s, em junho de 1975, as est&aacute;tuas coloniais foram derrubadas (&agrave; exce&ccedil;&atilde;o do Monumento aos Mortos da Primeira Guerra Mundial, feito em pedra) e, muitas delas, danificadas. Numa segunda fase, o Governo mo&ccedil;ambicano pretendeu mostrar a anterior estatu&aacute;ria, preservando a mem&oacute;ria e contextualizando-a. &Eacute; o caso da est&aacute;tua equestre que homenageava Mouzinho de Albuquerque, que estava colocada bem no centro de Maputo (derrubada em maio de 1975), na Pra&ccedil;a que no tempo colonial tinha o nome do militar portugu&ecirc;s, que foi Comiss&aacute;rio R&eacute;gio de Mo&ccedil;ambique entre 1896 e 1898, que foi trasladada para o Fortaleza de Maputo, onde pode ser vista por todos os habitantes, e que os rec&eacute;m-casados utilizam como fundo para as fotografias da sua festa de casamento. Para al&eacute;m disso, uma outra est&aacute;tua representando Salazar, que no tempo colonial estava edificada tamb&eacute;m no centro da capital do pa&iacute;s (derrubada em maio de 1974), foi colocada na Biblioteca Nacional de Mo&ccedil;ambique, voltada para a parede, como que estando de castigo. Em ambos os casos, trata-se de uma esp&eacute;cie de descoloniza&ccedil;&atilde;o mental (Mbembe, 2017; Thiong'o, 1986), que passa por problematizar a forma de como o passado colonial pesa nos dias de hoje em Mo&ccedil;ambique. Nesse sentido, muito embora o conceito de interculturalidade possa ser pouco consensual &mdash; havendo quem o associe ao tempo das descobertas portuguesas, numa inspira&ccedil;&atilde;o claramente luso tropical &mdash;, a verdade &eacute; que, durante o per&iacute;odo colonial portugu&ecirc;s, vigorava uma esp&eacute;cie de interculturalidade invertida (Stoer &amp; Cortes&atilde;o, 1999), tutelada pelo colonizador, com o acento t&oacute;nico na ideia de &quot;portugalidade&quot;.</p>     <p>O tempo p&oacute;s-colonial n&atilde;o cancela o tempo colonial, embora o recicle. Nesse sentido, e como met&aacute;fora desse tempo passado-presente, a est&aacute;tua colonial representa uma aus&ecirc;ncia/indiferen&ccedil;a, mas ao mesmo tempo, devidamente contextualizada, pode assumir-se enquanto pilar do edif&iacute;cio da mem&oacute;ria de Mo&ccedil;ambique e, por arrastamento, tamb&eacute;m, de Portugal.</p>     <p><b>A mem&oacute;ria coletiva e a hist&oacute;ria</b></p>     <p>A heran&ccedil;a, enquanto patrim&oacute;nio, tornou-se em v&aacute;rios pa&iacute;ses numa palavra de ordem, evocando uma multiplicidade de associa&ccedil;&otilde;es emocionais. Para o Estado, constitui um meio oportunista para satisfazer as necessidades sociais do eleitorado, ao mesmo tempo que promove os objetivos pol&iacute;ticos de constru&ccedil;&atilde;o da na&ccedil;&atilde;o. No entendimento de Sabine Marschall (2009) &mdash; que escreveu sobre a ideia de heran&ccedil;a no per&iacute;odo p&oacute;s-apartheid na &Aacute;frica do Sul &mdash;, a heran&ccedil;a assenta num conceito male&aacute;vel e amb&iacute;guo, cheio de paradoxos, e pode ser utilizado de v&aacute;rias maneiras, apoiando, por vezes, pol&iacute;ticas, econ&oacute;micas, sociais e culturais contradit&oacute;rias. Desde o in&iacute;cio dos anos 90 do s&eacute;culo XX que o discurso da heran&ccedil;a patrimonial emergiu &mdash; n&atilde;o s&oacute; na &Aacute;frica do Sul, mas em v&aacute;rios outros pa&iacute;ses &mdash;, como um dos principais locais para negociar quest&otilde;es de cultura, de identidade e de cidadania, sugerindo o que &eacute; aut&ecirc;ntico, o que s&atilde;o as ra&iacute;zes profundas da identidade cultural e a &quot;ess&ecirc;ncia&quot; de um sentido de nacionalidade (Shepherd &amp; Robins, 2008). O patrim&oacute;nio &eacute; dif&iacute;cil de definir, por ser abrangente, contendo artefactos e estruturas tang&iacute;veis que remetem para o passado, bem como paisagens e aspetos intang&iacute;veis da cultura, como tradi&ccedil;&otilde;es, costumes e mem&oacute;rias orais. O patrim&oacute;nio relaciona-se tanto com o passado como com o presente (Marschall, 2009).</p>     <p>A comemora&ccedil;&atilde;o manifesta-se, entre outras formas, na renomea&ccedil;&atilde;o de ruas, cidades e pr&eacute;dios p&uacute;blicos; na constru&ccedil;&atilde;o de novos museus, de centros de documenta&ccedil;&atilde;o e de interpreta&ccedil;&atilde;o; na reencena&ccedil;&atilde;o de batalhas e eventos hist&oacute;ricos; na identifica&ccedil;&atilde;o e na marca&ccedil;&atilde;o oficial de novos locais de patrim&oacute;nio; bem como na instala&ccedil;&atilde;o de memoriais, monumentos e est&aacute;tuas p&uacute;blicas. Como monumentos p&uacute;blicos que s&atilde;o, as est&aacute;tuas expressam a mem&oacute;ria coletiva e a representa&ccedil;&atilde;o e s&atilde;o normalmente relacionados com as tem&aacute;ticas ou as figura&ccedil;&otilde;es ligadas &agrave; identidade nacional, pela m&atilde;o de quem, nessas circunst&acirc;ncias, det&eacute;m o poder.</p>     <p>Maputo n&atilde;o fugiu a esta tend&ecirc;ncia, muito embora a destrui&ccedil;&atilde;o dos vest&iacute;gios coloniais, que se fez sentir na sequ&ecirc;ncia da Revolu&ccedil;&atilde;o do 25 de Abril, em Portugal, antes mesmo da independ&ecirc;ncia de Mo&ccedil;ambique, tenha dado lugar &agrave; sua preserva&ccedil;&atilde;o, na tentativa de mostrar aos mo&ccedil;ambicanos vest&iacute;gios da mem&oacute;ria de quando estavam sob dom&iacute;nio portugu&ecirc;s.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A mem&oacute;ria coletiva &mdash; conceito criado por Maurice Halbwachs, em 1925, depois de concluir que a mem&oacute;ria &eacute; partilhada, transmitida e constru&iacute;da pelo grupo ou pela sociedade &mdash;, deve ser entendida sempre na sua pluridimensionalidade, j&aacute; que a mem&oacute;ria individual de um sujeito ou a que &eacute; referente a um pa&iacute;s est&atilde;o na base da formula&ccedil;&atilde;o de uma identidade. Noutro patamar estar&aacute; a hist&oacute;ria, que promove a s&iacute;ntese dos acontecimentos destac&aacute;veis de uma na&ccedil;&atilde;o, o que faz das mem&oacute;rias coletivas apenas um somat&oacute;rio de detalhes. Sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre hist&oacute;ria e mem&oacute;ria, o autor refere que &quot;a hist&oacute;ria come&ccedil;a somente do ponto onde acaba a tradi&ccedil;&atilde;o, momento em que se apaga ou se decomp&otilde;e a mem&oacute;ria social. Enquanto uma lembran&ccedil;a subsiste, &eacute; in&uacute;til fix&aacute;-la por escrito&quot; (Halbwachs, 1950/1990, p. 80).</p>     <p>Trata-se de uma ideia partilhada por Pierre Nora, embora este historiador observe que a mem&oacute;ria se tornou num objeto da hist&oacute;ria, pelo que equivale &agrave; pr&oacute;pria hist&oacute;ria. Destaca que o processo de acelera&ccedil;&atilde;o verificado na hist&oacute;ria, decorrente da massifica&ccedil;&atilde;o mediatizada da sociedade, provocou o fim da tradi&ccedil;&atilde;o da mem&oacute;ria, como consequ&ecirc;ncia da radical mudan&ccedil;a de pr&aacute;tica relativa aos arquivos, que deixaram de ter uma vis&atilde;o cr&iacute;tica, para apenas servirem para uso instrumental, contrariando a &quot;mem&oacute;ria viva&quot;. Nesse sentido, refere a cristaliza&ccedil;&atilde;o das formas de mem&oacute;ria, considerando-as mesmo &quot;mem&oacute;rias-pr&oacute;tese&quot;, que se substituem &agrave; experi&ecirc;ncia vivenciada (Nora, 1989). Defende a ideia de que j&aacute; n&atilde;o existe mem&oacute;ria, uma vez que ela &eacute; apenas revivida e ritualizada, pelo que a sociedade se serve hoje da hist&oacute;ria para lhe conferir lembran&ccedil;as. Nesse sentido, na sociedade contempor&acirc;nea n&atilde;o existe a possibilidade para uma hist&oacute;ria-mem&oacute;ria, como acontecia no s&eacute;culo XIX. Refere que a separa&ccedil;&atilde;o entre mem&oacute;ria e hist&oacute;ria produz significados bem definidos, com a mem&oacute;ria a ser encarada como tradi&ccedil;&atilde;o, assente na heran&ccedil;a, viva e din&acirc;mica e a hist&oacute;ria a representar o seu oposto, separando e selecionando os factos. O historiador refere, assim, que as sociedades modernas eliminaram por completo a mem&oacute;ria, sendo que a que existe se assume enquanto hist&oacute;ria. E, face &agrave; eventualidade de n&atilde;o se ter mem&oacute;ria, refere a possibilidade de aceder a uma mem&oacute;ria reconstitu&iacute;da que d&ecirc; sentido &agrave; identidade, como a cria&ccedil;&atilde;o de arquivos, a organiza&ccedil;&atilde;o de celebra&ccedil;&otilde;es, entre outras, em que os lugares de mem&oacute;ria se assumem como um espa&ccedil;o onde o ritual de uma mem&oacute;ria-hist&oacute;ria pode traduzir-se como lembran&ccedil;a (Nora, 1989). </p>     <p>As narrativas culturais, hist&oacute;ricas e educativas objetivam mem&oacute;rias e p&oacute;s-mem&oacute;rias, sendo demonstr&aacute;vel a sua produtividade atrav&eacute;s, por exemplo, de uma an&aacute;lise da memorializa&ccedil;&atilde;o da Guerra Colonial no contexto contempor&acirc;neo portugu&ecirc;s (Ribeiro &amp; Ribeiro, 2018) e que, neste contexto, tamb&eacute;m se revela importante para Mo&ccedil;ambique.</p>     <p>Segundo Ant&oacute;nio Sousa Ribeiro (2018), uma das mais produtivas reflex&otilde;es sobre estas tem&aacute;ticas traduz-se no conceito de &quot;p&oacute;s-mem&oacute;ria&quot;, proposto por Marianne Hirsch na d&eacute;cada de 90 do s&eacute;culo XX, cuja import&acirc;ncia &quot;reside na forma como possibilita pensar a posi&ccedil;&atilde;o complexa das gera&ccedil;&otilde;es subsequentes no &acirc;mbito dos processos de mem&oacute;ria&quot; (Ribeiro, 2018, p. 15). De forma paradoxal, &quot;p&oacute;s-mem&oacute;ria&quot;, ser&aacute; uma mem&oacute;ria que n&atilde;o foi vivida, mas que, &quot;pela sua viol&ecirc;ncia e pelo significado marcante das suas consequ&ecirc;ncias, nomeadamente no &acirc;mbito da socializa&ccedil;&atilde;o familiar, se imp&otilde;e a uma gera&ccedil;&atilde;o seguinte com suficiente for&ccedil;a para ficar indelevelmente inscrita&quot; (Ribeiro, 2018, p. 15). &Eacute; nesse sentido, que a p&oacute;s-mem&oacute;ria &quot;se transforma numa das pedras de toque que permitem dar um conte&uacute;do performativo concreto &agrave; rela&ccedil;&atilde;o com um passado violento&quot; (Ribeiro, 2018, p. 15). O que permite, tamb&eacute;m, codificar essas mem&oacute;rias em hist&oacute;rias e em narrativas, preservando-as e possibilitando que novos membros compartilhem uma hist&oacute;ria em grupo.</p>     <p>Sheila Khan sublinha a exist&ecirc;ncia de um p&oacute;s-colonialismo mo&ccedil;ambicano, diferenciado da din&acirc;mica p&oacute;s-colonial de express&atilde;o em l&iacute;ngua portuguesa, facto que diz sobressair na escrita de Jo&atilde;o Paulo Borges Coelho. A investigadora faz a aproxima&ccedil;&atilde;o de tr&ecirc;s obras do autor &mdash; <i>As visitas do Dr. Valdez</i> (2004), <i>Cr&oacute;nica da Rua 513.2</i> (2006) e <i>Campo de tr&acirc;nsito</i> (2007) &mdash; olhando para uma &quot;hist&oacute;ria dos &lsquo;calados&rsquo;, [onde se nomeiam] as margens, os sil&ecirc;ncios, as fragilidades de todos aqueles que testemunharam os ciclos, as transi&ccedil;&otilde;es, as mudan&ccedil;as desta na&ccedil;&atilde;o em constru&ccedil;&atilde;o que &eacute; Mo&ccedil;ambique&quot; (Khan, 2008, p. 134).</p>     <p>Depois de uma conversa com o escritor e historiador, Sheila Khan refere que a mem&oacute;ria social e coletiva se entrela&ccedil;a a um processo de &quot;estrutura&ccedil;&atilde;o de uma identidade nacional&quot;, embora tenha outra dimens&atilde;o, que se prende com &quot;a legitima&ccedil;&atilde;o do seu poder, sendo detentora da narrativa, de uma esp&eacute;cie de meta-narrativa da Hist&oacute;ria&quot;, que mais n&atilde;o &eacute;, afinal, do que &quot;a luta pela liberta&ccedil;&atilde;o, [que] legitima o seu poder, e isso passa por um arrancar de todo o passado (&hellip;) de demonizar todo um passado colonial&quot;<sup><a href="#1" name="top1">[1]</a></sup>. Por isso, nas diegeses do autor, este assume-se &quot;como um elo de contrastes, de sinais que projectam, (&hellip;), precisamente no que diz respeito &agrave; den&uacute;ncia de uma tentativa pol&iacute;tica de estabelecer uma ruptura (&hellip;) entre os tempos colonial e p&oacute;s-colonial&quot; (Khan, 2008, pp. 134-135). Em que se afigura clara &quot;a intersec&ccedil;&atilde;o entre a mem&oacute;ria social e o apagamento ou esquecimento, estrat&eacute;gico e pol&iacute;tico, desse outro tempo colonial, que &eacute; premente n&atilde;o esquecer, apagar ou sonegar&quot; (Khan, 2008, p. 135). Havendo, por outro lado, na gera&ccedil;&atilde;o que experienciou a Guerra Colonial, um confronto com o seu pr&oacute;prio processo de desterritorializa&ccedil;&atilde;o cultural, identit&aacute;ria e f&iacute;sica. Ou, como refere a personagem S&aacute; Caetana (<i>As visitas do Dr. Valdez</i>, 2004), &quot;pertencemos ao mundo velho, n&atilde;o temos o vigor do novo&quot; (Coelho, 2004, p. 204).</p>     <p>O passado colonial est&aacute; presente no mundo contempor&acirc;neo de muitas maneiras diferentes, sendo incorporado na cultura material de v&aacute;rias formas. De um modo talvez menos tang&iacute;vel, mas nem por isso menos atuante, molda a sociedade, percecionando posicionamentos (L'Estoile, 2008). Segundo Roberto Vecchi, o imp&eacute;rio &quot;explode hoje em mult&iacute;plices estilha&ccedil;os subjetivos cuja forma ainda n&atilde;o se constituiu e est&aacute; sujeita ao risco de reusos parciais ou revis&otilde;es interessadas&quot; (2018a, p. 18). Est&aacute; em curso uma transfer&ecirc;ncia de mem&oacute;ria entre gera&ccedil;&otilde;es, &quot;que deixam entrever sobreviv&ecirc;ncias poss&iacute;veis, de passados long&iacute;nquos e fragment&aacute;rios, pela for&ccedil;a de uma imagem flagrada por um olhar que n&atilde;o a reproduz, mas que a recria&quot; (Vecchi, 2018a, p. 18). E ser&aacute; isso o que restar&aacute;, depois de j&aacute; n&atilde;o haver testemunhas vivas dos acontecimentos.</p>     <p>As ideologias e a mem&oacute;ria social sobre o passado colonial entre os pa&iacute;ses de l&iacute;ngua portuguesa, sem estarem sujeitas &agrave; reflex&atilde;o e desconstru&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica, podem contribuir para express&otilde;es luso-c&ecirc;ntricas e estere&oacute;tipos sociais e levar a conflitos intergrupais, discrimina&ccedil;&atilde;o social e exclus&atilde;o de algumas pessoas (Abadia, Cabecinhas, Macedo, &amp; Cunha, 2016; Cabecinhas, 2007; Cabecinhas &amp; Feij&oacute;, 2010; Feij&oacute; &amp; Cabecinhas, 2009; M. L. Martins, 2015; Sousa, 2015, 2017). De facto, as mem&oacute;rias coletivas sobre o passado colonial geram tens&atilde;o entre os denominados &quot;povos de l&iacute;ngua portuguesa&quot;, cujo contacto com as vers&otilde;es hegem&oacute;nicas do passado colonial foi propiciado por narrativas culturais, educacionais e hist&oacute;ricas que t&ecirc;m sido recorrentemente mobilizadas para fortalecer a identidade nacional e justificar pol&iacute;ticas.</p>     <p>A mem&oacute;ria cultural (Assmann, 2008) &mdash; ou o v&iacute;nculo entre o passado, o presente e o futuro &mdash; constitui um processo cont&iacute;nuo de recorda&ccedil;&atilde;o e esquecimento, em que persiste a reconfigura&ccedil;&atilde;o dos indiv&iacute;duos ou do pr&oacute;prio grupo com o passado, sendo que o seu posicionamento &eacute; feito relativamente aos lugares de mem&oacute;ria emergentes e estabelecidos. Da&iacute; que a din&acirc;mica da mem&oacute;ria cultural tenha que ser contextualizada, observando-se os fatores sociais em que navega e a forma de como o poder foi exercido.</p>     <p><b>Presentismo, teoria p&oacute;s-colonial e interculturalidade</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A mem&oacute;ria transformou-se do ponto de vista cultural e pol&iacute;tico num terreno f&eacute;rtil onde se trava um combate duro pela constru&ccedil;&atilde;o de uma narrativa hegem&oacute;nica, com cada uma das fa&ccedil;&otilde;es intervenientes a reivindicar a sua pr&oacute;pria verdade ou, pelo menos, a sua autoridade de mem&oacute;ria. Ainda se olha para a hist&oacute;ria como se ela fosse constru&iacute;da entre bons e maus e ela &eacute; muito mais complexa do que isso. Para Diogo Ramada Curto (2018), trata-se de um desvio de uma quest&atilde;o que &eacute; urgente colocar e que se prende com a situa&ccedil;&atilde;o da pesquisa hist&oacute;rica. Advoga que o passado deveria ser estudado atrav&eacute;s do cruzamento da hist&oacute;ria com as ci&ecirc;ncias sociais em geral, assente em fontes e atrav&eacute;s do desenvolvimento de uma pr&aacute;tica anal&iacute;tica que impe&ccedil;a uma pr&aacute;tica moralista: &quot;que nos permita pensar as diferen&ccedil;as sociais, a uma escala que ultrapassa a na&ccedil;&atilde;o, para comprometer migra&ccedil;&otilde;es e movimentos populacionais&quot; (Curto, 2018, s.p.) e que possibilite, tamb&eacute;m, &quot;compreender melhor quais as grandes estruturas que, com a for&ccedil;a da in&eacute;rcia, se continuam a impor no presente, dificultando a moderniza&ccedil;&atilde;o de sociedades como a portuguesa&quot;, impedindo o presentismo (Curto, 2018, s.p.). &Eacute; exatamente nesse sentido que vai a investiga&ccedil;&atilde;o mais recente do historiador Ant&oacute;nio Manuel Hespanha (2019), em <i>Filhos da terra: identidades mesti&ccedil;as nos confins da expans&atilde;o portuguesa</i>, a hist&oacute;ria da expans&atilde;o portuguesa &eacute; contada n&atilde;o do ponto de vista da metr&oacute;pole, mas sim do ponto de vista daqueles que partiram e se instalaram nas margens do imp&eacute;rio portugu&ecirc;s. Hespanha refere que a publica&ccedil;&atilde;o procura reunir e tratar conjuntamente &quot;elementos para a an&aacute;lise daquilo a que se vem chamando desde h&aacute; uns anos o &lsquo;imp&eacute;rio sombra&rsquo; dos portugueses, ou seja, aquele conjunto de comunidades (&hellip;), sobretudo na &Aacute;frica e na &Aacute;sia, [que] se consideravam como &lsquo;portugueses&rsquo;&quot; (Hespanha, 2019, p. 12). Questiona, por isso, a exist&ecirc;ncia de uma &quot;identidade &lsquo;portuguesa&rsquo;&quot;, asseverando que os problemas come&ccedil;am logo a partir da&iacute;, com a defini&ccedil;&atilde;o do objeto de estudo. &Eacute; que, &agrave; medida que as comunidades &quot;portuguesas&quot; v&atilde;o sendo consideradas, na sua ambiguidade e complexidade dos elementos constitutivos, &quot;a sua identidade vai-se perdendo&quot;. E explica: &quot;s&atilde;o t&atilde;o diferentes entre si que agrup&aacute;-las &eacute;, antes de tudo, o resultado de termos decidido olhar para elas conjuntamente. E (&hellip;) conclu&iacute;mos que isso tem a ver (&hellip;) com a forma como, antecipadamente, as imagin&aacute;mos [como] &lsquo;portuguesas&rsquo;&quot; (Hespanha, 2019, pp. 12-13). Socorrendo-se de Sanjay Subrahmanyam (1995), evidencia mesmo d&uacute;vidas sobre a aplicabilidade da express&atilde;o &quot;di&aacute;spora portuguesa&quot;<sup><a href="#2" name="top2">[2]</a></sup>. Mois&eacute;s de Lemos Martins (2018) considera que a expans&atilde;o mar&iacute;tima europeia dos s&eacute;culos XV e XVI foi um processo que se abriu &agrave; alteridade, &agrave; diversidade e ao conhecimento do outro, mas que fracassou ao assimilar e destruir toda a diferen&ccedil;a, produzindo o colonialismo. O que foi, de resto, sublinhado durante o per&iacute;odo do Estado Novo, em que a inocula&ccedil;&atilde;o da ideologia junto dos territ&oacute;rios colonizados foi feita desde a escola, sublinhando os &quot;valores&quot; em que assentava o regime. O que levou Sephen R. Stoer e Luiza Cortes&atilde;o a destacarem a &quot;pesada heran&ccedil;a da &lsquo;portugalidade&rsquo;, como sendo uma &lsquo;interculturalidade invertida&rsquo;;&quot;, justificando com a tentativa daquele regime procurar atribuir uma &quot;homogeneidade constru&iacute;da&quot;, atrav&eacute;s dos curr&iacute;culos, dos professores, dos materiais escolares, em que o processo educativo se assumia como &quot;uma das vias a que se recorreu, numa tentativa de despertar/desenvolver o sentido de perten&ccedil;a a essa dispers&atilde;o/diversidade&quot; (Stoer &amp; Cortes&atilde;o, 1999, p. 59). O que contrariava a ret&oacute;rica vigente no Estado Novo, a coberto do desenvolvimento de uma pol&iacute;tica de assimilacionismo, muito embora controlado, terminando, nos anos 60, j&aacute; num assimilacionismo pleno, em que extinguiu mesmo a lei do indigenato, conferindo aos naturais a cidadania portuguesa (Torgal, 2009).</p>     <p>Rosa Cabecinhas e Lu&iacute;s Cunha (2008) tipificam, por isso, a interculturalidade enquanto pluralidade distante da diversidade ex&oacute;tica propalada pela propaganda do Estado Novo. A interculturalidade deve ser encarada enquanto processo, que significa que nele participam v&aacute;rias pessoas com desigualdades v&aacute;rias, e que se torna importante perceber &quot;que os lugares que habitamos e as fronteiras que nos separam constituem realidades que em boa medida s&atilde;o irremov&iacute;veis, transcendendo assim qualquer ret&oacute;rica multicultural&quot; (Cabecinhas &amp; Cunha, 2008, p. 7). Importa perceber que o mundo mais pequeno que a globaliza&ccedil;&atilde;o fornece n&atilde;o &eacute; diretamente proporcional a &quot;formas diferentes de enunciar desigualdades&quot; (Cabecinhas &amp; Cunha, 2008, p. 7). Os autores alertam, no entanto, para o risco de se poder &quot;confundir di&aacute;logo com simetria e interculturalidade com igualdade das partes&quot;, que decorre de uma tentativa de simplificar processos, embora essa atitude seja &quot;mais pr&oacute;pria de um imagin&aacute;rio imperial reciclado em tons p&oacute;s-modernos, que de uma vis&atilde;o desafiadora e que pretenda, de facto, criar renovados sentidos e modos de vida mais justos&quot; (Cabecinhas &amp; Cunha, 2008, p. 8). O t&atilde;o em voga di&aacute;logo com o &quot;outro&quot;, quase que se resume a uma dimens&atilde;o folcl&oacute;rica, mesmo que a abertura ao &quot;outro&quot; signifique &quot;transforma&ccedil;&atilde;o rec&iacute;proca&quot;, j&aacute; que, em todo este processo, a expectativa &eacute; que exista uma assimetria assente na ideia de que &quot;o outro deve pensar como n&oacute;s, porque n&oacute;s pensamos melhor&quot; (Cabecinhas &amp; Cunha, 2008, p. 9).</p>     <p>Jo&atilde;o Maria Andr&eacute; (2005) prop&otilde;e alguns princ&iacute;pios tendentes &agrave; promo&ccedil;&atilde;o do di&aacute;logo intercultural, que passam pelo conhecimento do &quot;outro&quot; como fator determinante para o desenvolvimento de uma a&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica, assente numa consci&ecirc;ncia cr&iacute;tica que &eacute; necess&aacute;ria &agrave; transforma&ccedil;&atilde;o social. Esta l&oacute;gica intercultural passa pela contesta&ccedil;&atilde;o de uma enuncia&ccedil;&atilde;o universal dos direitos humanos, por uma outra conce&ccedil;&atilde;o de universalidade, assente no pluralismo e que n&atilde;o seja imposta, para al&eacute;m da recupera&ccedil;&atilde;o dos tra&ccedil;os fundamentais de cada cultura, valorizando o seu recorte simb&oacute;lico.</p>     <p>&Eacute; por isso que a defini&ccedil;&atilde;o constante da entrada &quot;interculturalidade&quot; no <i>Dicion&aacute;rio da expans&atilde;o portuguesa (1415-1600)</i> levanta muitas d&uacute;vidas ao estar associada, exatamente &agrave; expans&atilde;o portuguesa, embora traduzida como um conceito surgido nos anos 70 do s&eacute;culo XX, em Fran&ccedil;a, no seio das ci&ecirc;ncias da educa&ccedil;&atilde;o, num per&iacute;odo de aumento de imigra&ccedil;&atilde;o (Lacerda, 2016, p. 588). A utiliza&ccedil;&atilde;o deste conceito no estudo de &eacute;pocas anteriores justifica-se pela necessidade de identificar no passado fen&oacute;menos semelhantes aos pretendidos com um ensino intercultural. Para tal, analisam-se processos que implicaram trocas culturais e amalgamento e n&atilde;o apenas conhecimento ou conv&iacute;vio com uma cultura diferente: &quot;a interculturalidade est&aacute; relacionada com outros conceitos como acultura&ccedil;&atilde;o e sincretismo, mas distingue-se claramente da multiculturalidade, que pressup&otilde;e apenas o conv&iacute;vio de duas culturas estratificadas e hierarquizadas&quot; (Lacerda, 2016, p. 589). Ora, segundo o referido dicion&aacute;rio, a cultura da expans&atilde;o portuguesa &mdash; como acontece com todas as culturas &mdash;, &quot;foi fruto de um processo de osmose, que se desenvolveu pelo choque, pela aceita&ccedil;&atilde;o e pela rejei&ccedil;&atilde;o de aspetos de culturas comunicantes&quot; (Lacerda, 2016, p. 589). Os agentes da expans&atilde;o portuguesa n&atilde;o tinham no&ccedil;&atilde;o deste processo, mas comportaram-se quase sempre &quot;como portadores de uma cultura acabada, considerando mesmo que algumas das suas matrizes, nomeadamente o cristianismo, eram formas superiores que deviam ser propagadas&quot; (Lacerda, 2016, p. 589). Desta cren&ccedil;a e dos comportamentos da&iacute; resultantes nasceram, segundo Teresa Lacerda, &quot;processos de acultura&ccedil;&atilde;o que geraram fen&oacute;menos interculturais&quot; (Lacerda, 2016, p. 589).</p>     <p>Trata-se de uma vis&atilde;o luso tropicalista da hist&oacute;ria da expans&atilde;o portuguesa, sendo que &eacute;, no m&iacute;nimo, muito question&aacute;vel, associar-lhe um recorte de interculturalidade, quando o poder era, ent&atilde;o, unilateral, com o sentido &uacute;nico a estar do lado do pa&iacute;s colonizador, sendo que quem n&atilde;o obedecia &agrave;s regras impostas, sofria as respetivas consequ&ecirc;ncias.</p>     <p>&Eacute; nesse sentido que deixar de considerar as diferen&ccedil;as entre hist&oacute;rias coloniais e processos de coloniza&ccedil;&atilde;o pode levar a impor sobre um povo a narrativa p&oacute;s-colonial de um outro tornando assim esse povo ainda mais invis&iacute;vel, como assinala Ana Paula Ferreira (2007). O que significa que o colonialismo &quot;pode estar a falar em nome de um p&oacute;s-colonialismo cr&iacute;tico, descentrado e n&atilde;o-hegem&oacute;nico&quot; (Ferreira, 2007, pp. 22-23). O que, segundo Pedro Shacht Pereira, &quot;consubstancia a apropria&ccedil;&atilde;o de uma metalinguagem cr&iacute;tica, historicamente descontextualizada, mesmo quando feita com a melhor das inten&ccedil;&otilde;es&quot;, e que acarreta &quot;riscos te&oacute;ricos consider&aacute;veis, nomeadamente o de voluntariamente perpetuar a um outro n&iacute;vel a rela&ccedil;&atilde;o colonial que se pretende abolir&quot; (Pereira, 2017, s.p.).</p>     <p>Como refere Jos&eacute; Neves (2016), o conhecimento hist&oacute;rico depende tanto de elementos emp&iacute;ricos de um dado passado como da utiliza&ccedil;&atilde;o de novas ferramentas te&oacute;rico-conceptuais que se apurem no presente, sendo que, em hist&oacute;ria, nenhum assunto pode ser dado por encerrado. J&aacute; Paul Ricœur (2000) confirmara a inseparabilidade entre mem&oacute;ria e esquecimento, sendo que, como assinala Sanjay Subrahmanyam (Meireles, 2016), a principal fun&ccedil;&atilde;o do historiador n&atilde;o &eacute; lembrar, j&aacute; que o trabalho se desenvolve em sentido contr&aacute;rio &agrave; din&acirc;mica de acreditar na mem&oacute;ria, indo mesmo contra ela, uma vez que esta se revela falsa. No entender de Tzvetan Todorov (2002), a mem&oacute;ria, &eacute; uma esp&eacute;cie de consci&ecirc;ncia seletiva do tempo, n&atilde;o se opondo ao esquecimento. A mem&oacute;ria &eacute; uma intera&ccedil;&atilde;o entre a supress&atilde;o e a conserva&ccedil;&atilde;o, sendo que restitui&ccedil;&atilde;o integral do passado &eacute; imposs&iacute;vel uma vez que mem&oacute;ria implica sempre uma sele&ccedil;&atilde;o. O historiador Fernando Bouza cita mesmo um ditado africano que sintetiza o que foi referido sobre o <i>modus operandi</i> da mem&oacute;ria: &quot;a mem&oacute;ria vai ao bosque e tr&aacute;s de l&aacute; a lenha que quer&quot; (Canelas, 2014).</p>     <p><b>As est&aacute;tuas de Mouzinho de Albuquerque, do Monumento aos Mortos da I Guerra Mundial e de Salazar recicladas</b></p>     <p>Uma est&aacute;tua &eacute; um objeto im&oacute;vel (uma escultura em tr&ecirc;s dimens&otilde;es), que pode representar uma entidade real ou imagin&aacute;ria. Os governos coloniais erigiram est&aacute;tuas nos territ&oacute;rios que colonizaram e que muito materializavam o seu imagin&aacute;rio, numa l&oacute;gica de centro a partir da metr&oacute;pole colonizadora, evidenciando a rela&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica entre Portugal e o seu imp&eacute;rio. Margarida Calafate Ribeiro (2004) parte do conceito &quot;imagina&ccedil;&atilde;o do centro&quot;, de Boaventura de Sousa Santos, rebatizando-o de &quot;imp&eacute;rio como imagina&ccedil;&atilde;o do centro&quot;. Sustenta que a elabora&ccedil;&atilde;o de uma imagem de Portugal enquanto centro realizou-se atrav&eacute;s do imp&eacute;rio, encobrindo uma &quot;imagem portuguesa ligada &agrave; sua realidade vivencial de periferia que &lsquo;imagina o centro&rsquo;&quot; (Ribeiro, 2004, p. 12). Esse ide&aacute;rio remonta ao per&iacute;odo da expans&atilde;o portuguesa, sendo que o colonialismo n&atilde;o constituiu um movimento de sentido &uacute;nico, j&aacute; que &quot;afetou&quot; tanto os pa&iacute;ses colonizados, como os pa&iacute;ses colonizadores. Talvez se perceba, assim, a ideia de Thomas Richards (1993), que se refere ao imp&eacute;rio como se tratasse de uma na&ccedil;&atilde;o em excesso, que foi deslocada para longe (talvez demasiadamente longe) conquistando territ&oacute;rios, sem que o respetivo controlo se afigurasse uma tarefa f&aacute;cil. Como observa Leonor Pires Martins a prop&oacute;sito do imp&eacute;rio colonial portugu&ecirc;s (<i>Um imp&eacute;rio de papel</i>, 2012), a ideia de na&ccedil;&atilde;o deslocou-se para um &quot;imenso aglomerado de territ&oacute;rios, dispersos e distantes entre si, cujo dom&iacute;nio direto e efetivo acabaria por ser mais fict&iacute;cio do que real, mais da ordem do ilus&oacute;rio do que do factual&quot; (L. P. Martins, 2012, p. 20).</p>     <p>Foram, de resto, as marcas do imp&eacute;rio, especialmente nesta rela&ccedil;&atilde;o com as &quot;comunidades imaginadas&quot; (Anderson, 1993), que tentaram fixar a liga&ccedil;&atilde;o, deixando essa ideia bastante clara atrav&eacute;s do que era retratado.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os v&aacute;rios dom&iacute;nios ultramarinos s&oacute; foram apreendidos pelos portugueses atrav&eacute;s da promulga&ccedil;&atilde;o de legisla&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica (de que &eacute; exemplo a publica&ccedil;&atilde;o, em 1930, do Ato Colonial, que viria a ser extinto em 1951), da propaganda do regime, bem como da difus&atilde;o de imagens mostrando o &quot;Portugal do Minho a Timor&quot; em toda a sua extens&atilde;o geogr&aacute;fica. Deste modo, como nota Manuela Ribeiro Sanches a partir de Gary Wilder, foi-se consagrando o estado-na&ccedil;&atilde;o imperial como um todo coerente, n&atilde;o obstante &quot;as vis&otilde;es distintas, as idiossincrasias, as contradi&ccedil;&otilde;es e os limites das &lsquo;miss&otilde;es civilizadoras&rsquo;, baseadas em querelas nacionais&quot;, tamb&eacute;m elas fundadoras do moderno estado-na&ccedil;&atilde;o (Sanches, 2012, p. 195).</p>     <p>Durante as d&eacute;cadas de 1930 e 1940, Louren&ccedil;o Marques (atual Maputo), &eacute; alvo de v&aacute;rias interven&ccedil;&otilde;es est&eacute;ticas no seu espa&ccedil;o p&uacute;blico, tendentes a &quot;&lsquo;monumentalizar&rsquo; e &lsquo;portugalizar&rsquo; a cidade, respondendo ao seu estatuto rec&eacute;m-adquirido de capital da Col&oacute;nia&quot; (Verheij, 2012, p. 11). Destas a&ccedil;&otilde;es do pa&iacute;s colonizador, destacam-se dois monumentos: o Monumento aos Mortos da Primeira Guerra Mundial (do escultor Ruy Roque Gameiro em colabora&ccedil;&atilde;o com o arquiteto Veloso Reis, de 1935), e o Monumento a Mouzinho de Albuquerque (Sim&otilde;es de Almeida, 1940) (Verheij, 2012, 2013, 2014). &Agrave; volta destes monumentos t&ecirc;m lugar pr&aacute;ticas comemorativas, destinadas a conferir aos monumentos &quot;o estatuto de alegoria da na&ccedil;&atilde;o portuguesa&quot;, desempenhando, assim, um sublinhado papel pol&iacute;tico na reformula&ccedil;&atilde;o autorit&aacute;ria do espa&ccedil;o p&uacute;blico da cidade &quot;como espa&ccedil;o &lsquo;imperial&rsquo; e na putativa hegemoniza&ccedil;&atilde;o das representa&ccedil;&otilde;es da comunidade imaginada como &lsquo;Na&ccedil;&atilde;o&rsquo;&quot;, permitindo assim abordar o uso e a utilidade pol&iacute;tico-ideol&oacute;gica do monumento do ponto de vista da organiza&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o p&uacute;blico (Verheij, 2012, p. 11).</p>     <p>Em Maputo, logo que eclodiu, em Portugal, da Revolu&ccedil;&atilde;o do 25 de Abril, as est&aacute;tuas coloniais come&ccedil;aram a ser derrubadas (&agrave; exce&ccedil;&atilde;o do Monumento aos Mortos da Primeira Guerra Mundial) e, muitas delas, foram irremediavelmente danificadas. Numa fase posterior, o Governo mo&ccedil;ambicano decidiu mudar a din&acirc;mica adotada inicialmente, mostrando a anterior estatu&aacute;ria colonial, preservando a mem&oacute;ria<sup><a href="#3" name="top3">[3]</a></sup>, mesmo que a tend&ecirc;ncia v&aacute; no sentido do derrube de vest&iacute;gios de anteriores opressores, como agora acontece noutros locais do mundo<sup><a href="#4" name="top4">[4]</a></sup>. &Eacute; o caso da est&aacute;tua equestre que homenageava Mouzinho de Albuquerque e estava colocada bem no centro de Maputo, na Pra&ccedil;a que no tempo colonial tinha o nome do militar portugu&ecirc;s, que foi Comiss&aacute;rio R&eacute;gio de Mo&ccedil;ambique entre 1896 e 1898. Foi trasladada para o Fortaleza de Maputo, onde pode ser vista, e que os rec&eacute;m-casados utilizam como fundo para as fotografias da sua festa de casamento, n&atilde;o obstante personificar o ex-colonizador (Figura <a href="#f1">1</a>).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f1"></a> <img src="/img/revistas/csoc/vspe2019/vspe2019a09f1.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A est&aacute;tua de Mouzinho de Albuquerque est&aacute; contextualizada por uma pequena nota. Montado num cavalo, numa escala para al&eacute;m da realidade (4,90 metros de altura), Mouzinho n&atilde;o passa indiferente logo que se entra no espa&ccedil;o, que constitui um dos principais monumentos hist&oacute;ricos da cidade. Foi para l&aacute; trasladado, depois de ter estado durante o per&iacute;odo colonial no mesmo local onde, agora, toca o c&eacute;u uma est&aacute;tua de bronze de Samora Machel (tem nove metros e meio). A pra&ccedil;a continua hoje na sua din&acirc;mica monumental de outrora, sendo ainda pontuada pela Catedral, pelo edif&iacute;cio do Munic&iacute;pio e pelo Jardim dos Casamentos, conhecido oficialmente por Jardim Bot&acirc;nico Tunduro, que j&aacute; sofreu v&aacute;rias evolu&ccedil;&otilde;es desde que foi inaugurado, em 1855.</p>     <p>A est&aacute;tua de Mouzinho de Albuquerque, que representa o homem que levou Ngungunhane como trof&eacute;u para Portugal e que est&aacute;, de resto, sepultado na Fortaleza de Maputo, depois de os seus restos mortais terem sido transladados da Ilha Terceira (A&ccedil;ores), em 1985 &mdash;, foi deslocalizada e foi colocada no interior do recinto, ao fundo, em frente &agrave; &uacute;nica entrada, e que pontua todo o espa&ccedil;o. O monumento foi retirado do local onde inicialmente foi edificado no primeiro semestre de 1975, na sequ&ecirc;ncia da independ&ecirc;ncia de Mo&ccedil;ambique.</p>     <p>A Fortaleza de Maputo est&aacute;, assim, descolonizada, seguindo as determina&ccedil;&otilde;es superiores. De resto, os monumentos p&uacute;blicos de Maputo s&atilde;o tutelados pela Universidade Eduardo Mondlane (o mesmo acontece com o Museu de Hist&oacute;ria Natural e com o Museu Nacional de Arte), podendo vislumbrar-se no local v&aacute;rios vest&iacute;gios da luta contra o colonizador portugu&ecirc;s. Algo parecido com o que acontece em Lisboa em rela&ccedil;&atilde;o ao edif&iacute;cio do Padr&atilde;o dos Descobrimentos, que foi constru&iacute;do para a Exposi&ccedil;&atilde;o do Mundo Portugu&ecirc;s de 1940, ao servi&ccedil;o da propaganda do Estado Novo e, hoje, acolhe, por exemplo, exposi&ccedil;&otilde;es sobre racismo e escravatura. N&atilde;o obstante, como refere Celso Azarias Inguane, &quot;a constru&ccedil;&atilde;o da mem&oacute;ria social [ser] (&hellip;) dominada principalmente por tentativas estatais de reproduzir a mem&oacute;ria nacional, estabelecendo uma narrativa hist&oacute;rica nacional e em continuidade com as pr&aacute;ticas coloniais&quot; (2007, p. ii).</p>     <p>Os cen&aacute;rios para fotografias de casamentos alargam-se, tamb&eacute;m, &agrave; esta&ccedil;&atilde;o de caminhos-de-ferro de Maputo, que fica localizada na Pra&ccedil;a dos Trabalhadores, atrav&eacute;s da utiliza&ccedil;&atilde;o das locomotivas, que foram recuperadas e integradas na musealiza&ccedil;&atilde;o operada no espa&ccedil;o, que foi inaugurado em junho de 2015. A esta&ccedil;&atilde;o de caminhos-de-ferro ergue-se num edif&iacute;cio de 1910 e &eacute; considerada como uma das mais belas do mundo.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No centro da mesma pra&ccedil;a, fica localizado o Monumento aos Mortos da Primeira Guerra Mundial (Figura <a href="#f2">2</a>).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f2"></a> <img src="/img/revistas/csoc/vspe2019/vspe2019a09f2.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Trata-se de um monumento de pedra, da autoria do escultor Ruy Roque Gameiro em colabora&ccedil;&atilde;o com o arquiteto Veloso Reis, que homenageia os combatentes africanos e europeus mortos no conflito &mdash; e que &eacute; o &uacute;nico monumento erguido em Mo&ccedil;ambique no per&iacute;odo colonial que retrata os mo&ccedil;ambicanos de forma favor&aacute;vel (1935) &mdash;, e representa uma mulher com uma cobra aos seus p&eacute;s, tendo na base refer&ecirc;ncias a batalhas que tiveram lugar em Mo&ccedil;ambique (Mecula, Quivambo, Nevala e Quionga), em que os guerreiros t&ecirc;m armas nas m&atilde;os e os s&iacute;mbolos da bandeira portuguesa. De resto, a est&aacute;tua propriamente dita, tem na sua m&atilde;o direita um fragmento de um padr&atilde;o com as armas nacionais, simbolizando os padr&otilde;es dos descobrimentos, muito embora na sua mem&oacute;ria descritiva se sublinhe um significado mais preciso, j&aacute; que remete para a reconquista de Quionga, &quot;que assim se insere nitidamente numa hist&oacute;ria secular de &lsquo;descobertas e conquistas&rsquo;&quot; e &eacute;, de forma simult&acirc;nea, &quot;um palimpsesto, coment&aacute;rio sobre o que pretendia ser: a resposta moderna aos antigos padr&otilde;es, marcos dur&aacute;veis de posse e de dom&iacute;nio&quot; (Verheij, 2012, p. 21).</p>     <p>O certo &eacute; que, n&atilde;o obstante o recorte colonial da est&aacute;tua, ela ter&aacute; sido reciclada pelos cidad&atilde;os de Maputo, que a preservaram n&atilde;o pela sua circunst&acirc;ncia inicial, que fixou o primeiro grande monumento da divulga&ccedil;&atilde;o da ideia imperial na col&oacute;nia, &quot;de uma &lsquo;pol&iacute;tica do esp&iacute;rito&rsquo;, que visava &lsquo;nacionalizar&rsquo; o espa&ccedil;o colonial&quot; (Verheij, 2012, p. 25), mas devido a uma lenda local, conhecida por &quot;Senhora da Cobra&quot;, que nada tem que ver com as raz&otilde;es pelas quais ela foi edificada, bastando compulsar a sua mem&oacute;ria descritiva. Segundo essa lenda, havia na regi&atilde;o uma cobra em cima de uma &aacute;rvore que atacava quem por ali passasse. No caminho entre a casa e o rio, mulheres e crian&ccedil;as eram atacadas e mortas pela cobra. At&eacute; que uma mulher decidiu p&ocirc;r fim &agrave; situa&ccedil;&atilde;o, cozinhando uma papa e colocando-a num caldeir&atilde;o &agrave; cabe&ccedil;a. Com a papa ainda quente, p&ocirc;s-se a andar em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; &aacute;rvore onde se escondia a cobra. Esta, ao atacar a mulher, entrou no caldeir&atilde;o da papa, morrendo. A mulher regressou &agrave; sua comunidade certa da sua vit&oacute;ria e todos celebraram a sua coragem. A est&aacute;tua, cuja envolvente est&aacute; em p&eacute;ssimo estado de conserva&ccedil;&atilde;o faz, por isso, parte do imagin&aacute;rio dos mo&ccedil;ambicanos, que valorizam mais a homenagem &agrave; mulher salvadora do que os que morreram na Primeira Guerra Mundial, onde se incluem mo&ccedil;ambicanos.</p>     <p>Finalmente, uma est&aacute;tua representando Salazar, que no tempo colonial estava edificada bem no centro de Maputo, ocupando um lugar de destaque, foi colocada na Biblioteca Nacional de Mo&ccedil;ambique (que antes era a antiga Biblioteca Municipal, em frente ao Hotel Tivoli, na baixa de Maputo), voltada para a parede (Figura <a href="#f3">3</a>).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f3"></a> <img src="/img/revistas/csoc/vspe2019/vspe2019a09f3.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center">Fonte: Paulo Pires Teixeira<sup><a href="#5" name="top5">[5]</a></sup></p>     <p>&Eacute; como se os mo&ccedil;ambicanos pusessem o ex-ditador portugu&ecirc;s de castigo, numa atitude que configura um humor refinado e que tem sido divulgada nos m&eacute;dia e nas redes sociais. Ao contr&aacute;rio da est&aacute;tua de Mouzinho de Albuquerque, n&atilde;o foi trasladada para a Fortaleza de Maputo, local que, como vimos, foi destinado a mostrar a mem&oacute;ria de Mo&ccedil;ambique do tempo colonial. A escultura de Salazar, feita de bronze, &eacute; de grandes dimens&otilde;es, e tem autoria de Leopoldo de Almeida, e mostra o ex-ditador de toga e de olhar frontal mas enfrenta, h&aacute; v&aacute;rios anos, a parede do edif&iacute;cio da Biblioteca Nacional. A este prop&oacute;sito, Joaquim Chissano, ex-chefe de Estado de Mo&ccedil;ambique, explica que isso n&atilde;o aconteceu por acaso, j&aacute; que se pretende mesmo salientar que a hist&oacute;ria n&atilde;o deve ser esquecida<sup><a href="#6" name="top6">[6]</a></sup>.</p>     <p><b>Notas finais</b></p>     <p>Roberto Vecchi afirma compreender a hesita&ccedil;&atilde;o de Walter Benjamin sobre a cita&ccedil;&atilde;o do passado, lembrando que nas teses do autor sobre o conceito de hist&oacute;ria, socorrendo-se de Robespierre, observara que &quot;a antiga Roma era um passado carregado de agora&quot; (Vecchi, 2018b, s.p.). Nota que o interesse do historiador materialista se reserva ao passado, &quot;pela sua qualidade de ter completamente passado, acabado, de ser definitivamente morto&quot;, o que lhe confere a possibilidade de ser citado. E &eacute;, segundo Vecchi, nesta hesita&ccedil;&atilde;o que reside o problema, que tem que ver com os reusos do passado e com a sua cita&ccedil;&atilde;o, &quot;caso o passado esteja definitivamente acabado, apresentar&aacute; menos riscos, em rela&ccedil;&atilde;o a um passado ainda em discuss&atilde;o&quot;, em que as ideologias e os reusos, &quot;poder(&atilde;o) alterar profundamente, ou at&eacute; inverter, os modos da sua evoca&ccedil;&atilde;o&quot; (Vecchi, 2018b, s.p.).</p>     <p>Para a ideologia estado-novista as representa&ccedil;&otilde;es n&atilde;o podiam ser amb&iacute;guas, pelo que a escolha, no que &agrave; estatu&aacute;ria diz respeito, foi sempre desenvolvida numa din&acirc;mica unidimensional, que &quot;precisava de formas de fixar a rela&ccedil;&atilde;o destes monumentos com a mem&oacute;ria coletiva e o presente que proclamava&quot;, como assinala Gerbert Verheij. Dessa forma, num tempo p&oacute;s-colonial, &quot;reintroduzir a conflitualidade que parece ser inerente a qualquer interpreta&ccedil;&atilde;o de imagens na era moderna (&hellip;) parece, enfim, necess&aacute;rio para compreender o papel social que o monumento desempenhava em Louren&ccedil;o Marques&quot; (Verheij, 2012, p. 53). Tanto mais que ajuda a perceber o destino do legado colonial em que, por via da independ&ecirc;ncia de Mo&ccedil;ambique (1975), a maioria dos vest&iacute;gios foi apagada, n&atilde;o obstante a tend&ecirc;ncia atual, ir no sentido de preservar o que restou na sequ&ecirc;ncia dessa atitude.</p>     <p>Nos casos referenciados por este artigo, relativos &agrave; nova vida de duas est&aacute;tuas coloniais em Maputo, em tempo p&oacute;s-colonial, e &agrave; perman&ecirc;ncia daquele que foi o primeiro vest&iacute;gio monumental do Estado Novo na capital mo&ccedil;ambicana, muito embora com uma g&eacute;nese deslocada do seu objetivo inicial por parte dos seus habitantes, pode observar-se a import&acirc;ncia que tem a preserva&ccedil;&atilde;o da mem&oacute;ria, mesmo associada ao antigo colonizador, na vida de um pa&iacute;s, ou de uma na&ccedil;&atilde;o. Nos casos da est&aacute;tua de Mouzinho de Albuquerque &mdash; deslocalizada para o Fortaleza de Maputo &mdash;, e da de Salazar &mdash; que foi colocada na Biblioteca Nacional voltada para uma parede &mdash;, pode afirmar-se que contribuem para o desenvolvimento de uma interculturalidade, numa rela&ccedil;&atilde;o entre o ex-pa&iacute;s colonizado, Mo&ccedil;ambique, e o pa&iacute;s colonizador, Portugal. Esta esp&eacute;cie de &quot;arejamento&quot; simb&oacute;lico permite questionar por parte dos cidad&atilde;os de Maputo (e dos mo&ccedil;ambicanos em geral) o seu passado colonial, assumindo essa parte da sua hist&oacute;ria, tendente a configurar uma identidade, menos povoada de espa&ccedil;os em branco, que navegam num mar de mem&oacute;ria e de esquecimento, e que pontuam o processo de constru&ccedil;&atilde;o da na&ccedil;&atilde;o mo&ccedil;ambicana (Khan et al., 2016).</p>     <p>Em ambos os casos, trata-se de uma esp&eacute;cie de descoloniza&ccedil;&atilde;o mental (Mbembe, 2017; Thiong'o, 1986), que passa pela problematiza&ccedil;&atilde;o da forma como o passado colonial pesa nas rela&ccedil;&otilde;es interculturais dos dias de hoje em Mo&ccedil;ambique, quando o pa&iacute;s olha para o seu passado, subjugado pela coloniza&ccedil;&atilde;o portuguesa. Nesse sentido, promove-se a interculturalidade, de forma a permitir ultrapassar equ&iacute;vocos e dirimir ressentimentos. Marc Ferro (2009) refere-se &agrave; exist&ecirc;ncia de uma reciprocidade dos ressentimentos, observando que o ressentimento n&atilde;o &eacute; apan&aacute;gio, apenas, daqueles que no in&iacute;cio eram identificados como v&iacute;timas. A investiga&ccedil;&atilde;o descobre que, simult&acirc;nea ou alternadamente, o ressentimento pode afetar, inibir n&atilde;o apenas uma das partes em causa, mas as duas. O caso da rea&ccedil;&atilde;o que se segue a uma revolu&ccedil;&atilde;o &eacute; &oacute;bvio, mas os percursos deste tipo s&atilde;o m&uacute;ltiplos e variados.</p>     <p>Como defende Maria Paula Meneses, urge abrir as narrativas hist&oacute;ricas, &quot;apostando em hist&oacute;rias interligadas, local e regionalmente, desafiando as heran&ccedil;as das representa&ccedil;&otilde;es coloniais&quot;. Dessa forma, a descoloniza&ccedil;&atilde;o deve assumir-se &quot;como um ato de controlo da consci&ecirc;ncia, um ato de liberta&ccedil;&atilde;o da opress&atilde;o do conhecimento enquanto monocultura&quot;. &Eacute; nesse contexto que a entrada no s&eacute;culo XXI requer &quot;uma cartografia em rede, dial&oacute;gica, mais complexa e cuidada da diversidade, que torne vis&iacute;veis alternativas epist&eacute;micas e ontol&oacute;gicas, para al&eacute;m das fraturas abissais&quot; (Meneses, 2018, p. 133).</p>     <p>O tempo p&oacute;s-colonial n&atilde;o cancela o tempo colonial, embora o recicle num jogo est&eacute;tico cheio de indiferen&ccedil;a e de aspetos l&uacute;dicos: a est&aacute;tua colonial representa uma aus&ecirc;ncia/indiferen&ccedil;a, mesmo que preencha ludicamente um espa&ccedil;o fotograf&aacute;vel. N&atilde;o obstante, o recorte estatal mo&ccedil;ambicano em reproduzir a mem&oacute;ria nacional, numa narrativa em linha com as pr&aacute;ticas coloniais. Mesmo que Mo&ccedil;ambique seja, em si mesmo, uma mem&oacute;ria da coloniza&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>O que vale, ent&atilde;o, uma est&aacute;tua?, pode perguntar-se. N&atilde;o basta que a pol&iacute;tica mo&ccedil;ambicana aposte na mem&oacute;ria, exibindo artefactos. Ela ter&aacute; que ser acompanhada por uma componente educativa, para que se interpretem os s&iacute;mbolos e se perceba a por&ccedil;&atilde;o vis&iacute;vel da hist&oacute;ria do pa&iacute;s evidenciada, nomeadamente atrav&eacute;s da estatu&aacute;ria. Caso contr&aacute;rio, tirar fotos com Mouzinho de Albuquerque em fundo, mesmo que este esteja contextualizado, n&atilde;o ter&aacute; que ver com nenhuma descoloniza&ccedil;&atilde;o mental, mas com outra coisa, n&atilde;o obstante a liberdade que cada um tem. O mesmo se poder&aacute; passar em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; est&aacute;tua de Salazar voltada para a parede da Biblioteca Nacional que, se n&atilde;o tiver contexto, poder&aacute; ser interpretada como mero ressentimento. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <p>Abadia, L., Cabecinhas, R., Macedo, I. &amp; Cunha, L. (2016). Interwoven migration narratives: identity and social representations in the Lusophone world. <i>Identities</i> &mdash; <i>Global Studies in Culture and Power, 25</i>(3), 339-357. <a href="https://doi.org/10.1080/1070289X.2016.1244062" target="_blank">https://doi.org/10.1080/1070289X.2016.1244062</a></p>     <!-- ref --><p>Anderson, B. (1993). <i>Imagined communities: reflections on the origin and spread of nationalism</i>. Londres: Verso.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016481&pid=S2183-3575201900010000900002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Andr&eacute;, J. M. (2005). <i>Di&aacute;logo intercultural, utopia e mesti&ccedil;agens em tempos de globaliza&ccedil;&atilde;o</i>. Coimbra: Ariadne Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016483&pid=S2183-3575201900010000900003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Assmann, J. (2008). Communicative and cultural memory. In A. Erll &amp; A. Nunning (Eds.), <i>Media and cultural memory</i> (pp. 109-118). Berlim/Nova Iorque: Walter de Gruyter.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016485&pid=S2183-3575201900010000900004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Cabecinhas, R. (2007). <i>Preto e branco: a naturaliza&ccedil;&atilde;o da discrimina&ccedil;&atilde;o racial</i>. Porto: Campo das Letras.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016487&pid=S2183-3575201900010000900005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Cabecinhas, R. &amp; Cunha, L. (2008). Introdu&ccedil;&atilde;o. Da import&acirc;ncia do di&aacute;logo ao desafio da interculturalidade. In R. Cabecinhas &amp; L. Cunha (Eds.), <i>Comunica&ccedil;&atilde;o intercultural. Perspectivas, dilemas e desafios</i> (pp. 7-12). Porto: Campo das Letras.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016489&pid=S2183-3575201900010000900006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Cabecinhas, R. &amp; Feij&oacute;, J. (2010). Colective memories of Portuguese colonial action in Africa: representations of the colonial past among Mozambicans and Portuguese youths<i>. International Journal of Conflict and Violence</i>, <i>4.1</i>, 38-44. Retirado de <a href="http://hdl.handle.net/1822/11738" target="_blank">http://hdl.handle.net/1822/11738</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016491&pid=S2183-3575201900010000900007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Canelas, L. (2014, 14 de dezembro). Entrevista a Fernando Bouza: &quot;O Portugal dos Filipes &eacute; uma cria&ccedil;&atilde;o portuguesa&quot;. <i>P&uacute;blico</i>. Retirado de <a href="https://pt.scribd.com/document/252415558/O-Portugal-Dos-Filipes-e-Uma-Criacao-Portuguesa-PUBLICO" target="_blank">https://pt.scribd.com/document/252415558/O-Portugal-Dos-Filipes-e-Uma-Criacao-Portuguesa-PUBLICO</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016492&pid=S2183-3575201900010000900008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Coelho, J. P. B. (2004). <i>As visitas do Dr. Valdez</i>. Lisboa: Caminho.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016493&pid=S2183-3575201900010000900009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Curto, D. R. (2018, 7 de maio). Atraso da Hist&oacute;ria. <i>Expresso</i>. Retirado de <a href="http://expresso.sapo.pt/blogues/2018-05-07-Atraso-da-historia#gs.xt=EdoU" target="_blank">http://expresso.sapo.pt/blogues/2018-05-07-Atraso-da-historia#gs.xt=EdoU</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016495&pid=S2183-3575201900010000900010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Feij&oacute;, J. &amp; Cabecinhas. R. (2009). Representa&ccedil;&otilde;es da hist&oacute;ria de Mo&ccedil;ambique por parte de estudantes universit&aacute;rios de Maputo. In <i>Anu&aacute;rio Internacional de Comunica&ccedil;&atilde;o Lus&oacute;fona</i>, 37-52. Vila Nova de Famalic&atilde;o: H&uacute;mus/Lusocom.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016496&pid=S2183-3575201900010000900011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Ferreira, A. P. (2007). Specificity without exceptionalism: towards a critical Lusophone postcoloniality. In P. de Medeiros (Ed.), <i>Lusophones literatures and postcolonialism</i> (pp. 21-40). Utrecht: University of Utrecht, Portuguese Studies Center.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016498&pid=S2183-3575201900010000900012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Ferro, M. (2009). <i>O ressentimento na hist&oacute;ria</i>. Lisboa: Teorema.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016500&pid=S2183-3575201900010000900013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Halbwachs, M (1950/1990). <i>A mem&oacute;ria colectiva</i>. S&atilde;o Paulo: V&eacute;rtice.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016502&pid=S2183-3575201900010000900014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Hespanha, A. M. (2019). <i>Filhos da terra. Identidades mesti&ccedil;as nos confins da expans&atilde;o portuguesa</i>. Lisboa: Tinta da China.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016504&pid=S2183-3575201900010000900015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Inguane, C. A. (2007). <i>Negotiating social memory in postcolonial Mozambique: the case of heritage sites in Mandhlakazi district</i>. Master of Arts in Social Anthropology. Johannesburg: University of the Witwatersrand.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016506&pid=S2183-3575201900010000900016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Khan, S. (2008). Narrativas, rostos e manifesta&ccedil;&otilde;es do p&oacute;s-colonialismo mo&ccedil;ambicano nos romances de Jo&atilde;o Paulo Borges Coelho. <i>Gragoat&aacute;</i>, <i>13</i> (24), 131-144. Retirado de <a href="http://www.gragoata.uff.br/index.php/gragoata/article/view/252" target="_blank">http://www.gragoata.uff.br/index.php/gragoata/article/view/252</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016508&pid=S2183-3575201900010000900017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Khan, S., Falconi, J. &amp; Krakowska, K. (2016). Mo&ccedil;ambique, novas gera&ccedil;&otilde;es em di&aacute;logo. <i>Cerrados</i>, 41, 314-329.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016509&pid=S2183-3575201900010000900018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>L'Estoile, B. (2008). The past as it leaves now: an anthropology of colonial legacies. <i>Social Anthropology, 16</i>(3), 267-279. <a href="https://doi.org/10.1111/j.1469-8676.2008.00050.x" target="_blank">https://doi.org/10.1111/j.1469-8676.2008.00050.x</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016511&pid=S2183-3575201900010000900019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Lacerda, T. (2016). Interculturalidade. In F. C. Domingues (Dir.), <i>Dicion&aacute;rio da expans&atilde;o portuguesa (1415-1600), Volume 2</i> (pp. 588-593). Lisboa: C&iacute;rculo de Leitores&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016512&pid=S2183-3575201900010000900020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Marschall, S. (2009). <i>Landscape of memory: commemorative monuments, memorials and public statuary in post-apartheid South Africa, vol. 15</i>. Boston: Brill.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016513&pid=S2183-3575201900010000900021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Martins, L. P. (2012). <i>Um imp&eacute;rio de papel</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es 70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016515&pid=S2183-3575201900010000900022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Martins, M. L. (Ed.) (2015)<i>. Lusofonia e interculturalidade - promessa e travessia</i>. Famalic&atilde;o: H&uacute;mus.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016517&pid=S2183-3575201900010000900023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Martins, M. L. (2018, 6 de abril). Descobertas/Descobrimentos e expans&atilde;o. Viagem e travessia. Portugalidade e lusofonia. <i>Correio do Minho</i>. Retirado de <a href="https://correiodominho.pt/cronicas/descobertas-descobrimentos-e-expansao-viagem-e-travessia-portugalidade-e-lusofonia/9812" target="_blank">https://correiodominho.pt/cronicas/descobertas-descobrimentos-e-expansao-viagem-e-travessia-portugalidade-e-lusofonia/9812</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016519&pid=S2183-3575201900010000900024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Mbembe, A. (2017). <i>Cr&iacute;tica da raz&atilde;o Negra</i>. Lisboa: Ant&iacute;gona.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016520&pid=S2183-3575201900010000900025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Meireles, L. (2016, 28 de agosto). Entrevista a Sanjay Subrahmanyam &quot;O imp&eacute;rio portugu&ecirc;s era um imp&eacute;rio em rede&quot;. <i>Expresso</i>, pp. 50-58.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016522&pid=S2183-3575201900010000900026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Meneses, M. P. (2018). Colonialismo como viol&ecirc;ncia: a &quot;miss&atilde;o civilizadora&quot; de Portugal em Mo&ccedil;ambique. <i>Revista Cr&iacute;tica de Ci&ecirc;ncias Sociais</i>[N&uacute;mero especial], 115-140.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016524&pid=S2183-3575201900010000900027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Neves, J. (2016). Os sujeitos da Hist&oacute;ria. In J. Neves (Ed.), <i>Quem faz a Hist&oacute;ria? Ensaios sobre o Portugal contempor&acirc;neo</i> (pp. 9-16). Lisboa: Tinta da China.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016526&pid=S2183-3575201900010000900028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Nora, P. (1989). Between memory and history: &lsquo;les lieux de m&eacute;moire&rsquo;. <i>Representations</i>, 26, 7-24. <a href="https://doi.org/10.2307/2928520" target="_blank">https://doi.org/10.2307/2928520</a></p>     <!-- ref --><p>Pereira, P. S. (2017, 25 de agosto). A lusofonia, a ambival&ecirc;ncia e as grelhas do ministro. <i>P&uacute;blico</i>. Retirado de <a href="https://www.publico.pt/2017/08/25/mundo/opiniao/a-lusofoniaa-ambivalencia-e-as-grelhas-do-ministro-1782621" target="_blank">https://www.publico.pt/2017/08/25/mundo/opiniao/a-lusofoniaa-ambivalencia-e-as-grelhas-do-ministro-1782621</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016529&pid=S2183-3575201900010000900030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Ribeiro, A. S. (2018). P&oacute;s-mem&oacute;ria e compaix&atilde;o &mdash; a raz&atilde;o das emo&ccedil;&otilde;es. <i>Jornal Memoirs</i>, p. 15. Retirado de <a href="http://www.ces.uc.pt/ficheiros2/files/MEMOIRS-encarte.pdf" target="_blank">https://www.ces.uc.pt/ficheiros2/files/MEMOIRS-encarte.pdf</a></p>     <!-- ref --><p>Ribeiro, A. S. &amp; Ribeiro, M. C. (2018). A past that will not go away. The colonial war in Portuguese postmemory. <i>Lusotopie</i>, 17, 2, 277-300. <a href="https://doi.org/10.1163/17683084-12341722" target="_blank">https://doi.org/10.1163/17683084-12341722</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016531&pid=S2183-3575201900010000900032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Ribeiro, M. C. (2004). <i>Uma hist&oacute;ria de regressos, imp&eacute;rio, guerra colonial e p&oacute;s-colonialismo</i>. Porto: Edi&ccedil;&otilde;es Afrontamento.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016532&pid=S2183-3575201900010000900033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Richards, T. (1993). <i>The imperial archive. Knowledge and the fantasy of Empire</i>. Londres/ Nova Iorque: Verso.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016534&pid=S2183-3575201900010000900034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Ricœur, P. (2000). <i>La Mem&oacute;ire, l'Histoire, l'Oubli</i>. Paris: &Eacute;ditions du Seuil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016536&pid=S2183-3575201900010000900035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Sanches, M. R. (2012). A bem da Europa e das suas na&ccedil;&otilde;es. In L. P. Martins, <i>Um imp&eacute;rio de papel</i> (pp. 195-207). Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es 70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016538&pid=S2183-3575201900010000900036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Shepherd, N. &amp; Robins, S. (Eds.) (2008). <i>New South African keywords</i>. Johannesburg: Jacana/Athens: Ohio University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016540&pid=S2183-3575201900010000900037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Sousa, V. (2013). O conceito de di&aacute;spora em tempo de globaliza&ccedil;&atilde;o. A rela&ccedil;&atilde;o entre imp&eacute;rio, lusofonia e &lsquo;portugalidade&rsquo;: um contrassenso? In M. Ledo, X. L&oacute;pez &amp; M. Salgueiro (Eds.), <i>Anu&aacute;rio Internacional de Comunica&ccedil;&atilde;o Lus&oacute;fona</i> (17-29). Santiago de Compostela: Lusocom/Agacom.</p>     <p>Sousa, V. (2015). <i>Da &lsquo;portugalidade&rsquo; &agrave; lusofonia</i>. Tese de Doutoramento, Universidade do Minho, Braga, Portugal. Retirado de <a href="http://repositorium.sdum.uminho.pt/handle/1822/38461" target="_blank">http://repositorium.sdum.uminho.pt/handle/1822/38461</a></p>     <p>Sousa, V. (2017). <i>Da &lsquo;portugalidade&rsquo; &agrave; lusofonia</i>. Vila Nova de Famalic&atilde;o: H&uacute;mus.</p>     <p>Stoer, S. R. &amp; Cortes&atilde;o, L. (1999). <i>&quot;Levantando a pedra&quot; &mdash; da pedagogia inter/multicultural &agrave;s pol&iacute;ticas educativas numa &eacute;poca de transnacionaliza&ccedil;&atilde;o</i>. Porto: Afrontamento.</p>     <!-- ref --><p>Subrahmanyam, S. (1995). <i>O imp&eacute;rio asi&aacute;tico portugu&ecirc;s 1500-1700. Uma hist&oacute;ria pol&iacute;tica e econ&oacute;mica</i>. Lisboa: Difel.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016546&pid=S2183-3575201900010000900042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Thiong'o, N. (1986). <i>Decolonising the mind: the politics of language in African literature</i>. Portsmouth: Heinemann Educational.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016548&pid=S2183-3575201900010000900043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Todorov, T. (2002). <i>Mem&oacute;ria do mal, tenta&ccedil;&atilde;o do bem. Uma An&aacute;lise do S&eacute;culo XX</i>. Porto: Edi&ccedil;&otilde;es Asa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016550&pid=S2183-3575201900010000900044&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Torgal, L. R. (2009<i>). Estados Novos, Estado Novo, Vol. 1</i>. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016552&pid=S2183-3575201900010000900045&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Vecchi, R. (2018a). Depois das testemunhas: sobreviv&ecirc;ncias. <i>Jornal Memoirs</i>, p. 18. Retirado de <a href="https://www.ces.uc.pt/ficheiros2/files/MEMOIRS-encarte.pdf" target="_blank">https://www.ces.uc.pt/ficheiros2/files/MEMOIRS-encarte.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016554&pid=S2183-3575201900010000900046&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Vecchi, R. (2018b, 19 de dezembro). Os (re)usos do passado. [Post em blogue]. Retirado de <a href="http://www.buala.org/pt/a-ler/os-reusos-do-passado" target="_blank">http://www.buala.org/pt/a-ler/os-reusos-do-passado</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016555&pid=S2183-3575201900010000900047&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Verheij, G. (2012). Monumentalidade e espa&ccedil;o p&uacute;blico em Louren&ccedil;o Marques nas D&eacute;cadas de 1930 e 1940. <i>On the waterfront</i>, 20, 11-54.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016556&pid=S2183-3575201900010000900048&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Verheij, G. (2013). Art and politics in the former &quot;Portuguese Colonial Empire&quot;. The monument to Mouzinho de Albuquerque in Louren&ccedil;o Marques. <i>RIHA Journal 0065</i>. Retirado de <a href="http://www.riha-journal.org/articles/2013/2013-jan-mar/verheijmouzinho-monument-marques" target="_blank">http://www.riha-journal.org/articles/2013/2013-jan-mar/verheijmouzinho-monument-marques</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016558&pid=S2183-3575201900010000900049&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Verheij, G. (2014). Monumentos coloniais em tempos p&oacute;s-coloniais. A estatu&aacute;ria de Louren&ccedil;o Marques. In B. F. Torras (Ed.), <i>Actas do IV Congresso de Hist&oacute;ria da Arte Portuguesa em homenagem a Jos&eacute; Augusto Fran&ccedil;a</i> (pp. 36-45). Lisboa: APHA.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016559&pid=S2183-3575201900010000900050&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Nota biogr&aacute;fica</b></p>     <p>V&iacute;tor de Sousa &eacute; doutorado em Ci&ecirc;ncias da Comunica&ccedil;&atilde;o (Comunica&ccedil;&atilde;o Intercultural), pela Universidade do Minho, com a tese <i>Da &lsquo;portugalidade&rsquo; &agrave; lusofonia</i>, &eacute; mestre (especializa&ccedil;&atilde;o em Educa&ccedil;&atilde;o para os M&eacute;dia) e licenciado (especializa&ccedil;&atilde;o em Informa&ccedil;&atilde;o e Jornalismo) na mesma &aacute;rea. Entre as suas &aacute;reas de investiga&ccedil;&atilde;o constam as quest&otilde;es em torno da identidade, Estudos Culturais, Educa&ccedil;&atilde;o para os M&eacute;dia e teorias de Jornalismo. &Eacute; investigador do CECS, onde integra o Grupo de Estudos Culturais, membro do Projeto &quot;CulturesPast&amp;Present - Memories, cultures and identities: how the past weights on the present-day intercultural relations in Mozambique and Portugal?&quot; (FCT/Aga Khan) e do Museu Virtual da Lusofonia. &Eacute; s&oacute;cio da Sopcom, ECREA e da Associa&ccedil;&atilde;o dos Amigos da Biblioteca Municipal de Penafiel. Venceu o Pr&eacute;mio Cient&iacute;fico M&aacute;rio Quartim Gra&ccedil;a 2016, que distinguiu a melhor tese conclu&iacute;da nos &uacute;ltimos tr&ecirc;s anos na &aacute;rea das Ci&ecirc;ncias Sociais e Humanas, em Portugal e na Am&eacute;rica Latina. Foi jornalista (1986-1997) e assessor de imprensa (1997-2005).</p>     <p>ORCID: <a href="https://orcid.org/0000-0002-6051-0980" target="_blank">https://orcid.org/0000-0002-6051-0980</a></p>     <p>Email: <a href="mailto:vitordesousa@gmail.com">vitordesousa@gmail.com</a></p>     <p>Morada: CECS-Centro de Estudos de Comunica&ccedil;&atilde;o e Sociedade, ICS-Instituto de Ci&ecirc;ncias Sociais, Universidade do Minho, Campus de Gualtar, 4710-057 Braga</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>* Submetido: 04/02/2019</b></p>     <p><b>* Aceite: 07/03/2019</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Investiga&ccedil;&atilde;o desenvolvida no contexto do projeto &quot;Memories, cultures and identities: how the past weights on the present-day intercultural relations in Mozambique and Portugal?&quot;, financiado pela Rede Aga Khan para o Desenvolvimento e pela Funda&ccedil;&atilde;o para a Ci&ecirc;ncia e Tecnologia. Tradu&ccedil;&atilde;o do artigo para Ingl&ecirc;s financiada pelo mesmo projeto.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Notas</b></p>     <p><sup><a href="#top1" name="1">[1]</a></sup> Sheila Khan, entrevista pessoal, 19 de julho, 2007. Entrevista com Jo&atilde;o Paulo Borges Coelho. Sines, Portugal.</p>     <p><sup><a href="#top2" name="2">[2]</a></sup> Suart Hall j&aacute; havia sublinhado &quot;a perspetiva diasp&oacute;rica da cultura pode ser vista como uma subvers&atilde;o dos modelos culturais tradicionais orientados para a na&ccedil;&atilde;o&quot; (Sousa, 2013, p. 36), tanto mais que, m tempo de globaliza&ccedil;&atilde;o, o conceito de di&aacute;spora pode n&atilde;o passar de um contrassenso quando evocado em nome da &quot;portugalidade&quot; (Sousa, 2013).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top3" name="3">[3]</a></sup> Na sequ&ecirc;ncia de duas miss&otilde;es de investiga&ccedil;&atilde;o que realizei, em novembro de 2018, em Maputo, no quadro do CECS - Centro de Estudos de Comunica&ccedil;&atilde;o e Sociedade e do projeto &quot;Memories, cultures and identities: how the past weights on the present-day intercultural relations in Mozambique and Portugal?&quot;, financiado pela Rede Aga Khan para o Desenvolvimento e pela Funda&ccedil;&atilde;o para a Ci&ecirc;ncia e Tecnologia, escrevi um artigo para o portal p&oacute;s-colonial Buala, intitulado &quot;O que vale uma est&aacute;tua? Mem&oacute;ria e descoloniza&ccedil;&atilde;o mental em Mo&ccedil;ambique&quot;. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.buala.org/pt/cidade/o-que-vale-uma-esta-tua-memo-ria-e-descolonizac-a-o-mental-em-moc-ambique" target="_blank">http://www.buala.org/pt/cidade/o-que-vale-uma-esta-tua-memo-ria-e-descolonizac-a-o-mental-em-moc-ambique</a></p>     <p><sup><a href="#top4" name="4">[4]</a></sup> &Eacute; disso exemplo o derrube das est&aacute;tuas em Charlottesville, na Virg&iacute;nia, em 2017, destinadas a homenagear s&iacute;mbolos dos Estados Confederados, evidenciando a clivagem entre os seus defensores, evocando a Guerra Civil Americana, e os seus contestat&aacute;rios, que veem nelas s&iacute;mbolos racistas que celebram a escravid&atilde;o.</p>     <p><sup><a href="#top5" name="5">[5]</a></sup> Retirado de <a href="https://delagoabayworld.wordpress.com/category/historia/a-estatua-de-salazar-em-maputo/" target="_blank">https://delagoabayworld.wordpress.com/category/historia/a-estatua-de-salazar-em-maputo/</a></p>     <p><sup><a href="#top6" name="6">[6]</a></sup> Segundo Joaquim Chissano, &quot;existiu Salazar, sim senhor. Ele at&eacute; fez algumas coisas boas &eacute; preciso lembrar - mas ele estando de cara para a frente ou virada para parede para n&oacute;s &eacute; igual porque n&oacute;s lembramo-nos de tudo o que ele fez de mal, sobretudo ao nosso pa&iacute;s, mas tamb&eacute;m em rela&ccedil;&atilde;o ao povo portugu&ecirc;s&quot;. Retirado de <a href="https://tvi24.iol.pt/internacional/estatua/salazar-virado-para-a-parede-de-castigo-em-maputo" target="_blank">https://tvi24.iol.pt/internacional/estatua/salazar-virado-para-a-parede-de-castigo-em-maputo</a></p>      ]]></body><back>
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