<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>2183-3575</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Comunicação e Sociedade]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Comunicação e Sociedade]]></abbrev-journal-title>
<issn>2183-3575</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade - Universidade do Minho]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S2183-35752019000200001</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.17231/comsoc.35(2019).3127</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Tempo e média: nota introdutória]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Time and media: introductory note]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Araújo]]></surname>
<given-names><![CDATA[Emília]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Matos]]></surname>
<given-names><![CDATA[Patrícia]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A02"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade do Minho Instituto de Ciências Sociais Departamento de Sociologia]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
<country>Portugal</country>
</aff>
<aff id="A02">
<institution><![CDATA[,Universidade Federal Fluminense  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
<country>Brasil</country>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>30</day>
<month>06</month>
<year>2019</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>30</day>
<month>06</month>
<year>2019</year>
</pub-date>
<volume>35</volume>
<fpage>7</fpage>
<lpage>15</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S2183-35752019000200001&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S2183-35752019000200001&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S2183-35752019000200001&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>NOTA INTRODUT&Oacute;RIA</b></p>     <p><b>Tempo e m&eacute;dia: nota introdut&oacute;ria</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Time and media: introductory note</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> //     <p><b> Em&iacute;lia Ara&uacute;jo <sup>*</sup></b>    <br>     <img src="http:/img/revistas/id_orcid.gif"> <a href="http://orcid.org/0000-0003-3600-3310">http://orcid.org/0000-0003-3600-3310</a></p>     <p><b> Patr&iacute;cia Matos <sup>**</sup></b>    <br>     <img src="/img/revistas/id_orcid.gif"> <a href="https://orcid.org/0000-0002-5902-8417">https://orcid.org/0000-0002-5902-8417</a></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>//*Instituto de Ci&ecirc;ncias Sociais, Departamento de Sociologia, Centro de Estudos de Comunica&ccedil;&atilde;o e Sociedade, Universidade do Minho, Portugal, <a href="mailto:emiliararaujo@gmail.com">emiliararaujo@gmail.com</a>.</p>     <p>//**Universidade Federal Fluminense, Brasil, <a href="mailto:pmatos@id.uff.br">pmatos@id.uff.br</a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Qual &eacute; hoje o tempo dos m&eacute;dia? Existe um tempo dos m&eacute;dia e para os m&eacute;dia? Em <i>A obra de arte na era de sua reprodutibilidade t&eacute;cnica </i>(1934/1994), Walter Benjamin pensava de forma seminal o impacto das t&eacute;cnicas de reprodu&ccedil;&atilde;o sobre a perce&ccedil;&atilde;o moderna. Para o autor, a massifica&ccedil;&atilde;o do consumo da fotografia e do cinema contribu&iacute;a, desde ent&atilde;o, para uma &ldquo;reorganiza&ccedil;&atilde;o esp&aacute;cio-temporal&rdquo; (Hansen, 2012, p. 210).</p>     <p>Se estamos mergulhados num contexto no qual produtos da cultura dos m&eacute;dia s&atilde;o propagados massivamente atrav&eacute;s de imagens e sons, torna-se urgente entender de que forma tais inova&ccedil;&otilde;es podem trazer transforma&ccedil;&otilde;es profundas n&atilde;o s&oacute; nos modos de lidar e perceber o tempo, mas nas din&acirc;micas pol&iacute;ticas, sociais e emocionais que se entrecruzam com o desenvolvimento de objetos tecnol&oacute;gicos e digitais. Antes mesmo do advento dos smartphones e do imp&eacute;rio online do Instagram, YouTube e Facebook, Vil&eacute;m Flusser pressentia: &ldquo;n&atilde;o &eacute; mais a posse, mas a informa&ccedil;&atilde;o (n&atilde;o mais o hardware, mas o software) que proporciona poder; e n&atilde;o &eacute; mais a economia, mas a comunica&ccedil;&atilde;o que constitui a infraestrutura da comunidade e da sociedade&rdquo; (Flusser, 1999, p. 155). Essa verdadeira revolu&ccedil;&atilde;o epistemol&oacute;gica levaria o autor a questionar &ldquo;o quanto crit&eacute;rios hist&oacute;ricos do tipo &lsquo;verdadeiro e falso&rsquo;, &lsquo;dado e feito&rsquo;, &lsquo;autentico e artificial&rsquo;, &lsquo;real e aparente&rsquo; n&atilde;o se aplicam mais ao nosso mundo&rdquo; (Flusser, 2008, p. 45).</p>     <p>Novas preocupa&ccedil;&otilde;es emergem, ent&atilde;o: que recursos te&oacute;ricos podemos mobilizar para entender hoje a atividade medi&aacute;tica? Que novas reconceptualiza&ccedil;&otilde;es se imp&otilde;em face ao modo como os m&eacute;dia lidam com o tempo social, hist&oacute;rico e cultural e o (trans) figuram? Em que condi&ccedil;&otilde;es e com que implica&ccedil;&otilde;es para os grupos, as organiza&ccedil;&otilde;es e os sujeitos? Com efeito, os fen&oacute;menos comunicacionais s&atilde;o tamb&eacute;m processos temporais e implicam v&aacute;rias dimens&otilde;es de tempo, da dura&ccedil;&atilde;o e da temporalidade. O advento da fotografia, paradigma da imagem t&eacute;cnica, marca ent&atilde;o a inaugura&ccedil;&atilde;o de uma nova era dos m&eacute;dia, que se estabelece e aprofunda com o surgimento dos novos m&eacute;dia digitais e das imagens sint&eacute;ticas. Ao longo do s&eacute;culo XX, as implica&ccedil;&otilde;es destas transforma&ccedil;&otilde;es para as dimens&otilde;es socio-antropol&oacute;gicas, culturais e pol&iacute;ticas foram investigadas por diversos autores. No que diz respeito &agrave; temporalidade das imagens t&eacute;cnicas, Flusser descreve o paradoxo diante do qual nos colocam: &ldquo;as imagens aparecem como rel&acirc;mpago e como rel&acirc;mpago desaparecem&rdquo; . No entanto, s&atilde;o &ldquo;eternas&rdquo; porque guardadas em mem&oacute;rias e tamb&eacute;m recuper&aacute;veis &ldquo;imediatamente&rdquo; . Logo, n&atilde;o h&aacute; mais o &ldquo;espa&ccedil;o: todos estamos aqui juntos, n&atilde;o importa onde estejamos&rdquo; . Logo, n&atilde;o h&aacute; mais o &ldquo;tempo&rdquo; : tudo est&aacute; comigo agora, n&atilde;o importa quando tenha acontecido&rdquo; (Flusser, 2008, p. 149).</p>     <p>Para articular o tempo, a comunica&ccedil;&atilde;o e os m&eacute;dia &eacute; importante partirmos de dois modos at&eacute; certo ponto complementares de conceber o tempo. Por um lado, o tempo cronol&oacute;gico, med&iacute;vel atrav&eacute;s de rel&oacute;gio, antecip&aacute;vel e sujeito a proje&ccedil;&atilde;o e, por outro, o tempo subjetivo, vivido e objeto da mem&oacute;ria e da experi&ecirc;ncia dos sujeitos, dos sistemas e das comunidades e grupos.</p>     <p>Na primeira perspetiva, a rela&ccedil;&atilde;o entre tempo e m&eacute;dia sugere alguma problematiza&ccedil;&atilde;o acerca do modo como aqueles vieram a estabelecer-se como agentes da acelera&ccedil;&atilde;o do tempo, por via, igualmente, da acelera&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica de que se beneficiaram nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas. Esta &eacute; uma das teses mais difundidas na &aacute;rea da sociologia do tempo e da sociologia da comunica&ccedil;&atilde;o e dos m&eacute;dia. H&aacute; v&aacute;rios pontos e dimens&otilde;es de an&aacute;lise a considerar nestas assun&ccedil;&otilde;es. Com efeito, novas gal&aacute;xias se abriram depois da de Gutemberg, por influ&ecirc;ncia da expans&atilde;o das teorias comunicacionais e do desenho e implementa&ccedil;&atilde;o de uma ampla variedade de meios tecnol&oacute;gicos que contribu&iacute;ram para a realiza&ccedil;&atilde;o efetiva da compress&atilde;o espa&ccedil;o-tempo, concetualizada por David Harvey (2002). Na pr&aacute;tica, os meios de comunica&ccedil;&atilde;o tornaram mais f&aacute;cil e mais r&aacute;pida a circula&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o, conduzindo tamb&eacute;m ao acesso generalizado a todos os tipos de conte&uacute;dos, por parte da popula&ccedil;&atilde;o. Mencionem-se tanto os meios tecnol&oacute;gicos propriamente ditos e que est&atilde;o intimamente relacionados com a expans&atilde;o da digitaliza&ccedil;&atilde;o, como os processos de circula&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o e contacto.</p>     <p>No seguimento da abordagem de Hartmut Rosa (2015), pode argumentar-se que a acelera&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica &eacute; um processo intr&iacute;nseco &agrave; intensifica&ccedil;&atilde;o da acelera&ccedil;&atilde;o social, por sua vez intimamente correlacionada com a expans&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o e dos m&eacute;dia. A sociedade &eacute;, como o explicara Irjun Appadurai, constitu&iacute;da de paisagens medi&aacute;ticas que operam em v&aacute;rios sentidos – uns no refor&ccedil;o da globaliza&ccedil;&atilde;o e da experi&ecirc;ncia da &ldquo;aldeia global&rdquo; , com os desafios e riscos inerentes; outros no sentido da emerg&ecirc;ncia de novas atividades e modalidades de trabalho, estilos de vida e cultura. Refere Appadurai:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>as <i>mediapaisagens</i>, sejam elas produzidas por interesses privados ou, p&uacute;blicos, tendem a ser explica&ccedil;&otilde;es centradas na imagem, com base narrativa, de peda&ccedil;os da realidade, e o que oferecem aos que as vivem e as transformam &eacute; uma s&eacute;rie de elementos (como personagens, enredos e formas textuais) a partir dos quais podem formar vidas imaginadas, as deles pr&oacute;prios e as daqueles que vivem noutros lugares. (Appadurai, 1996, p. 53)</blockquote>     <p>A sociologia do tempo tem dado conta das rela&ccedil;&otilde;es entre processos de acelera&ccedil;&atilde;o, velocidade informacional e comunicacional e transforma&ccedil;&otilde;es socioculturais. N&atilde;o &eacute; apenas a linha de fronteira entre tempo ocupado e tempo livre que se desvanece, &agrave; medida que a digitaliza&ccedil;&atilde;o transforma os espa&ccedil;os e os tempos de trabalho e alarga os leques de possibilidades relativas aos tempos do lazer. Emergem tamb&eacute;m novas empresas que respondem &agrave;s necessidades da acelera&ccedil;&atilde;o social dedicadas a providenciar servi&ccedil;os e bens marcados pela instantaneidade, o tempo parcial e, como referia Richard Sennet em 2006, o &ldquo;sequenciamento n&atilde;o linear&rdquo; (p. 53). A oferta providenciada pelos diversos meios comunicacionais &eacute; cada vez mais vasta, por vezes desencontrada, mas m&uacute;ltipla e complexa, constituindo o que Mike Featherstone (2009) denomina a ubiquidade do tempo: estar em toda a parte e em parte alguma, ao mesmo tempo. Neste sentido, os estudos indicam como est&aacute; a ser a experi&ecirc;ncia de vida de quem trabalha diretamente com e nos meios de informa&ccedil;&atilde;o e de comunica&ccedil;&atilde;o, em resposta a esse crescendo de acelera&ccedil;&atilde;o que se verifica como resposta, igualmente, &agrave; competi&ccedil;&atilde;o e &agrave; consequente necessidade de controlo e acesso a recursos, por parte das organiza&ccedil;&otilde;es que operam dentro do sistema medi&aacute;tico e informacional. Estamos no dom&iacute;nio do novo capitalismo (Sennet, 2006).</p>     <p>Mas n&atilde;o se trata apenas de diagnosticar as varia&ccedil;&otilde;es nos hor&aacute;rios de trabalho, ou sequer a aus&ecirc;ncia destes mas, principalmente, da necessidade constante de se estar ligado(a) como carater&iacute;stica essencial de conforma&ccedil;&atilde;o e integra&ccedil;&atilde;o. Noutra vertente, o tempo da e para a comunica&ccedil;&atilde;o ou informa&ccedil;&atilde;o desaparece enquanto entidade &uacute;nica do universo dos gostos e dos estilos de vida das popula&ccedil;&otilde;es, uma vez que, da mesma forma, a experi&ecirc;ncia quotidiana &eacute; amplamente constitu&iacute;da pelo tempo da media&ccedil;&atilde;o comunicacional. Os estudos acerca dos usos e implica&ccedil;&otilde;es das tecnologias de informa&ccedil;&atilde;o e de comunica&ccedil;&atilde;o s&atilde;o muito vastos. Inserem-se neste debate acerca das implica&ccedil;&otilde;es socioculturais das diversas formas de tecnoci&ecirc;ncia, salientando os efeitos na cultura.</p>     <p>Na segunda perspetiva &eacute; objeto de an&aacute;lise o tempo da experi&ecirc;ncia individual e coletiva, sendo de destacar os fen&oacute;menos relacionados com a constru&ccedil;&atilde;o dos horizontes temporais – passado-presente-futuro e com a (ir)reversibilidade. Uma das carater&iacute;sticas da sociedade tecnocient&iacute;fica digital est&aacute; na capacidade sem precedentes hist&oacute;ricos, de os meios tecnol&oacute;gicos de armazenamento e uso (dissemina&ccedil;&atilde;o) da informa&ccedil;&atilde;o permitirem, de forma (quase)instant&acirc;nea, a manipula&ccedil;&atilde;o dos horizontes temporais, desencadeando efeitos sobre o conhecimento, a avalia&ccedil;&atilde;o e o julgamento acerca quer da experi&ecirc;ncia, quer da expetativa hist&oacute;ricas. Dois dos pressupostos impl&iacute;citos que marcaram a hist&oacute;ria at&eacute; &agrave; expans&atilde;o da digitaliza&ccedil;&atilde;o – nomeado como processo que – consistia em propor que o tempo n&atilde;o seria armazen&aacute;vel e que os acontecimentos passados (e irrevers&iacute;veis) ficariam aced&iacute;veis atrav&eacute;s da mem&oacute;ria ou de objetos de registo.</p>     <p>O presente realiza de forma cada vez mais digital, o que disse Appadurai:</p>     <blockquote>o passado deixou de ser uma p&aacute;tria a que regressar numa simples opera&ccedil;&atilde;o de mem&oacute;ria. Tornou-se um armaz&eacute;m sincr&oacute;nico de enredos culturais, uma esp&eacute;cie de central de <i>casting </i>temporal a que recorrer apropriadamente, conforme o filme a realizar, a a pe&ccedil;a a encenar, os ref&eacute;ns a salvar. Tudo isto est&aacute; em forma para a corrida, se seguirmos Jean Baudrillard ou Jean-Fran&ccedil;ois Lyotard ao interior de um mundo de signos totalmente desatracados do seu significado social (todo o mundo &eacute; uma Disneyl&acirc;ndia). Mas gostaria de sugerir que a possibilidade aparentemente crescente de o substituir todo um per&iacute;odo ou postura por outros nos estilos culturais do capitalismo avan&ccedil;ado est&aacute; ligada a for&ccedil;as globais mais vastas que muito fizeram para mostrar aos Americanos que o passado &eacute; normalmente outro pa&iacute;s. Se o teu presente for o futuro deles (como em tanta teoria de moderniza&ccedil;&atilde;o &lsquo;e em muitas fantasias tur&iacute;sticas gratificantes), se o futuro deles for o teu passado (como no caso dos virtuosi filipinos da m&uacute;sica popular americana), ent&atilde;o o teu passado pode apresentar-se como uma simples modalidade normalizada do teu presente. Assim, embora alguns antrop&oacute;logos continuem a relegar os seus Outros para espa&ccedil;os temporais que eles pr&oacute;prios n&atilde;o ocupem (Fabian, 1983), as produ&ccedil;&otilde;es culturais p&oacute;s-industriais entraram numa fase p&oacute;s-nost&aacute;lgica. (Appadurai, 1996, pp. 47-48)</blockquote>     <p>A digitaliza&ccedil;&atilde;o oferece, no entanto, contextos bastante distintos desses pressupostos. Isto porque, n&atilde;o s&oacute; permite armazenar o tempo (s&eacute;ries de acontecimentos e eventos que ficam registados no momento em que ocorrem), como transforma profundamente a natureza da mem&oacute;ria, individual e coletiva. Uma crian&ccedil;a pode ver-se a si mesma quando era beb&eacute; ou em fases anteriores da sua vida e observar como eram as intera&ccedil;&otilde;es com os seus familiares, como era o seu espa&ccedil;o de vida e, inclusivamente, tirar conclus&otilde;es sobre a sua aceita&ccedil;&atilde;o e integra&ccedil;&atilde;o familiar e social. Este ato de &ldquo;ver-se&rdquo; a si pr&oacute;pria &eacute; com certeza complexo, porque a crian&ccedil;a acede ao que, numa certa altura da vida, lhe era inconsciente. Uma sociedade, ou um grupo pode rever-se no passado, revisitando acontecimentos dos quais n&atilde;o tiveram conhecimento, devido a controlo pol&iacute;tico, ou outro.</p>     <p>Al&eacute;m disso, os m&eacute;dia propiciam conte&uacute;dos acerca dos acontecimentos hist&oacute;ricos passados (e irrevers&iacute;veis), sob registos que os tornam revers&iacute;veis porque os trazem ao presente, sob a forma de imagens, discursos e outros, tornando-os objeto de novas experi&ecirc;ncias, mais do que recorda&ccedil;&atilde;o ou rememora&ccedil;&atilde;o, com potencial implica&ccedil;&atilde;o sobre as identidades individuais e coletivas. Movimentos como MeToo, ou revela&ccedil;&otilde;es como as que atingem hoje a Igreja ou celebridades por acusa&ccedil;&otilde;es de pedofilia e ass&eacute;dio s&atilde;o exemplares na forma como os m&eacute;dia recuperam o tempo passado e o transformam em objeto e mat&eacute;ria de emerg&ecirc;ncia constantes, conduzindo a revis&otilde;es legais tamb&eacute;m focadas sobre o tempo-objeto de crime ou san&ccedil;&atilde;o. Neste sentido, o tempo n&atilde;o &eacute; s&oacute; um instrumento de media&ccedil;&atilde;o e de cria&ccedil;&atilde;o de objetos (conte&uacute;dos e ou eventos). &Eacute; tamb&eacute;m ele pr&oacute;prio objeto de troca (sob a forma do que pode acontecer e do que poderia acontecer). </p>     <p>Adicionalmente, os m&eacute;dia facilitam a experi&ecirc;ncia constante de emerg&ecirc;ncia, quando fen&oacute;menos e acontecimentos permanecem de forma persistente e partilhada online, abrindo-se a diversas interpreta&ccedil;&otilde;es ao longo do tempo. Sabemos pouco sobre as consequ&ecirc;ncias desta possibilidade de criar emerg&ecirc;ncia constante nos m&eacute;dia e atrav&eacute;s dos m&eacute;dia sobre a sociedade e as pessoas, em concreto. Por agora, sabemos que qualquer acontecimento, no mesmo momento em que ocorre e se solta nas redes medi&aacute;ticas, torna-se imediatamente acess&iacute;vel, mas tamb&eacute;m armazen&aacute;vel e revers&iacute;vel (n&atilde;o o acontecimento em si, mas a sua forma temporal e medi&aacute;tica). V&aacute;rios dos conte&uacute;dos objetos de circula&ccedil;&atilde;o e consumo s&atilde;o puramente demonstra&ccedil;&otilde;es dos contrastes entre o que foi dito ao longo do tempo e o que foi dito &ldquo;agora&rdquo; . Neste aspeto, os m&eacute;dia e as suas l&oacute;gicas de interpreta&ccedil;&atilde;o prestam-se eximiamente a demonstrar o que se considera serem contradi&ccedil;&otilde;es, incoer&ecirc;ncias ou &ldquo;posturas vira casacas&rdquo; , justamente porque os meios tecnol&oacute;gicos permitem eficazmente o confronto de tempos. Fazem-no com interesses e motiva&ccedil;&otilde;es diversas, mas o que importa s&atilde;o os seus efeitos.</p>     <p>Como se observa, existem v&aacute;rios modos de entender a rela&ccedil;&atilde;o entre tempo e m&eacute;dia. Os enquadramentos te&oacute;ricos que permitem a sua an&aacute;lise incluem autores com perspetivas diferentes acerca das implica&ccedil;&otilde;es das tecnologias de informa&ccedil;&atilde;o e de comunica&ccedil;&atilde;o. Manuel Castells (2011) assinalou, por exemplo, que no contexto da sociedade digital, as redes sociais constituem o espa&ccedil;o-tempo das rela&ccedil;&otilde;es de poder que afetam a posi&ccedil;&atilde;o dos atores no espa&ccedil;o de oportunidades. T&iacute;pico das redes &eacute;, no entanto, o facto de contribu&iacute;rem para a redu&ccedil;&atilde;o dos compassos de espera entre rela&ccedil;&otilde;es, podendo afetar a capacidade de os atores planificarem e colocarem em pr&aacute;tica as suas a&ccedil;&otilde;es, ao mesmo tempo que as podem potenciar e catapultar para planos de concretiza&ccedil;&atilde;o irrevers&iacute;veis. Num alinhamento cr&iacute;tico, Zygmunt Bauman considerava na an&aacute;lise &agrave; globaliza&ccedil;&atilde;o e &agrave;s suas consequ&ecirc;ncias humanas (1999) que a capacidade de comprimir o tempo e o espa&ccedil;o conferida pelas tecnologias era uma fonte de poder e de desigualdade social em crescimento, paralela &agrave; globaliza&ccedil;&atilde;o. O autor chamara &ldquo;nova velocidade&rdquo; a esse tipo de acelera&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica e social que cria &ldquo;novas polariza&ccedil;&otilde;es&rdquo; , porque:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>trocando em mi&uacute;dos: em vez de homogeneizar a condi&ccedil;&atilde;o humana, a anula&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica das dist&acirc;ncias temporais/espaciais tende a polariz&aacute;-la. Ela emancipa certos seres humanos das restri&ccedil;&otilde;es territoriais e torna extraterritoriais certos significados geradores de comunidade – ao mesmo tempo que desnuda o territ&oacute;rio, no qual outras pessoas continuam sendo confinadas, do seu significado e da sua capacidade de doar identidade. Para algumas pessoas ela augura uma liberdade sem precedentes face aos obst&aacute;culos f&iacute;sicos e uma capacidade inaudita de se mover e agir a dist&acirc;ncia. Para outras, pressagia a impossibilidade de domesticar e se apropriar da localidade da qual t&ecirc;m pouca chance de se libertar para mudar-se para outro lugar. Com &ldquo;as dist&acirc;ncias n&atilde;o significando mais nada&rdquo; , as localidades, separadas por dist&acirc;ncias, tamb&eacute;m perdem seu significado. Isso, no entanto, augura para alguns a liberdade face &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de significado, mas para outros pressagia a falta de significado. Alguns podem agora mover-se para fora da localidade – qualquer localidade – quando quiserem. Outros observam, impotentes, a &uacute;nica localidade que habitam movendo-se sob seus p&eacute;s. (Bauman, 1999, p. 24)</blockquote>     <p>Um modelo te&oacute;rico que nos parece bastante &uacute;til na problematiza&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o entre tempo e m&eacute;dia pertence a Niklas Luhmann (2005). Este autor desenvolve a teoria dos sistemas aplicada a v&aacute;rias esferas da sociedade, em particular aos meios de comunica&ccedil;&atilde;o. Recusando a tend&ecirc;ncia para a unidade, o autor explica que os sistemas s&atilde;o realidades <i>processuais, </i>caraterizadas pela capacidade de autorrefer&ecirc;ncia e autopoiese. Com efeito, o tempo &eacute; entend&iacute;vel enquanto elemento central do sistema comunicacional medi&aacute;tico, uma vez que o sistema precisa de tempo para se auto reproduzir e gerir a mudan&ccedil;a.</p>     <p>No livro <i>A realidade dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o</i>, Luhmann (2005) argumenta sobre a particularidade do tempo nos sistemas comunicacionais, ressaltando que:</p>     <blockquote>os meios de comunica&ccedil;&atilde;o de massa, contudo, espalham a informa&ccedil;&atilde;o de forma t&atilde;o ampla que as pessoas, no momento seguinte, j&aacute; sup&otilde;em que ela seja de conhecimento geral (ou que n&atilde;o a conhecendo significaria &ldquo;ficar mal&rdquo; e, por isso, n&atilde;o se reconhece que n&atilde;o sabia (…) Nesse sentido, os meios de comunica&ccedil;&atilde;o produzem redund&acirc;ncia social em ampla escala na sociedade, quer dizer, a necessidade diretamente vinculada a essa redund&acirc;ncia de se ter informa&ccedil;&atilde;o nova. Da mesma forma que a economia, diferenciando-se de forma autofortificada com base nos pagamentos em dinheiro, produz incessantemente a necessidade de substituir o dinheiro gasto pelo novo, de forma semelhante os meios de comunica&ccedil;&atilde;o produzem a necessidade de substituir a informa&ccedil;&atilde;o redundante por nova informa&ccedil;&atilde;o: <i>fresh money </i>e <i>new information </i>s&atilde;o os motivos centrais da din&acirc;mica social. (Luhmann, 2005, p. 45)</blockquote>     <p>No entender do autor, a acelera&ccedil;&atilde;o do tempo na informa&ccedil;&atilde;o integra uma neurose global de produ&ccedil;&atilde;o sempre diferenciada de bens e de servi&ccedil;os e, nessa medida, os meios de comunica&ccedil;&atilde;o s&atilde;o n&atilde;o s&oacute; utilizadores de tempo. S&atilde;o tamb&eacute;m produtores de tempo, no que respeita &agrave; forma como s&atilde;o rececionados e &agrave;s rotinas que instituem (por exemplo, os hor&aacute;rios de certos programas estruturam o tempo quotidiano) e que se alteram.</p>     <p>A explora&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es entre tempo e m&eacute;dia n&atilde;o se fica, assim, pela an&aacute;lise de fen&oacute;menos sociol&oacute;gicos que marcam as grandes tend&ecirc;ncias da sociedade na atualidade e &agrave;s quais j&aacute; nos referimos: i)surgimento de novos padr&otilde;es de usos e valoriza&ccedil;&otilde;es do tempo e ii) novos modos de rela&ccedil;&atilde;o entre grupos e sujeitos sociais que incluem dispositivos medi&aacute;ticos com influ&ecirc;ncia na administra&ccedil;&atilde;o e usos sociais do tempo. Tem tamb&eacute;m muito a dizer sobre a forma como os sujeitos acedem a tais dispositivos de observa&ccedil;&atilde;o e de manipula&ccedil;&atilde;o do tempo e sobre os seus interesses e estrat&eacute;gias, uma vez que o controlo do tempo &eacute; um modo de poder e de domina&ccedil;&atilde;o. Desta maneira, a tem&aacute;tica das rela&ccedil;&otilde;es entre tempo e m&eacute;dia conduz-nos aos fen&oacute;menos de poder e de guerra, assim como de risco, seguran&ccedil;a e vigil&acirc;ncia.</p>     <p>Um apontamento necess&aacute;rio diz respeito &agrave; rela&ccedil;&atilde;o entre tempo, m&eacute;dia a arte. Tal acontece n&atilde;o apenas porque o tempo se refere aos contextos de circula&ccedil;&atilde;o da arte nos e atrav&eacute;s dos m&eacute;dia, mas porque tanto os m&eacute;dia, como as artes (analiticamente consideradas na sua individualidade), s&atilde;o temporalmente constitu&iacute;dos, isto &eacute;, o tempo faz diferen&ccedil;a na sua estrutura&ccedil;&atilde;o e conce&ccedil;&atilde;o, podendo mesmo funcionar como carater&iacute;stica distintiva dos conte&uacute;dos e das obras.</p>     <p>De novo, n&atilde;o nos referimos s&oacute; &agrave; dimens&atilde;o cronol&oacute;gica e med&iacute;vel do tempo, mas &agrave; forma como constitui a identidade dos conte&uacute;dos e das obras, podendo ser objeto de an&aacute;lise e de disposi&ccedil;&atilde;o est&eacute;tica deliberada. Retomando o conceito de sistema proposto por Luhmann (2005), observemos que o tempo tem tamb&eacute;m uma presen&ccedil;a discursiva nos m&eacute;dia porque faz parte dos conte&uacute;dos, das mensagens manifestas que circulam nos v&aacute;rios espa&ccedil;os, compondo a arquitetura das mensagens e dos conte&uacute;dos, de modos que se tornam inquestion&aacute;veis aos sujeitos. A publicidade produz uma linguagem e uma sem&acirc;ntica espec&iacute;ficas do tempo e o mesmo acontece no mundo dos m&eacute;dia sociais.</p>     <p>A teoria social preenche-se de autores que apelam insistentemente &agrave; centralidade das quest&otilde;es do tempo – de vida, usado, pedido, manipulado, cedido, controlado – nas sociedades atuais, sendo de questionar inclusivamente a necessidade de ser estruturada uma pedagogia apropriada ao uso do tempo, em contexto de a&ccedil;&atilde;o digitais.</p>     <p>Este n&uacute;mero n&atilde;o esgota o tema t&atilde;o vasto, como acab&aacute;mos de referir. Re&uacute;ne alguns temas que vieram a ser sugeridos pelos pr&oacute;prios autores, seguindo alinhamentos te&oacute;ricos diversos, nomeadamente atravessando os conceitos de dura&ccedil;&atilde;o, espera, sincroniza&ccedil;&atilde;o e acelera&ccedil;&atilde;o em contexto informativo.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Iniciamos o n&uacute;mero tem&aacute;tico com uma reflex&atilde;o sobre a no&ccedil;&atilde;o de tempo e sua rela&ccedil;&atilde;o com os m&eacute;dia, a partir de uma perspetiva transdisciplinar que dialoga com a f&iacute;sica moderna. No texto &ldquo;Tempo e caos: a &lsquo;imagina&ccedil;&atilde;o dos poss&iacute;veis&rsquo;&rdquo; , Gustavo Castro e Florence Dravet procuram perceber como a no&ccedil;&atilde;o de tempo medeia a perce&ccedil;&otilde;es e est&eacute;ticas de espa&ccedil;o/tempo e ordem/caos. Para isso, analisam nas narrativas &ldquo;As cosmic&ocirc;micas&rdquo; e &ldquo;Novas cosmic&ocirc;micas&rdquo; , de Italo Calvino, no filme <i>Melancholia</i>, de Lars Von Trier e, tamb&eacute;m, nas interpreta&ccedil;&otilde;es do f&iacute;sico e pr&eacute;mio Nobel de Qu&iacute;mica, Ilya Prigogine, atrav&eacute;s de um m&eacute;todo cr&iacute;tico.</p>     <p>Um outro tipo de espa&ccedil;o-tempo &eacute; abordado em &ldquo;O feiti&ccedil;o do tempo da com&eacute;dia&rdquo; . Nuno Jer&oacute;nimo e Carlos Alexandre enfatizam a import&acirc;ncia do tempo na constru&ccedil;&atilde;o da com&eacute;dia, como forma de arte inegavelmente tamb&eacute;m sujeita hoje ao tempo veloz das tecnologias digitais. Neste texto, em vez de acelera&ccedil;&atilde;o e compress&atilde;o, analisa-se a interrup&ccedil;&atilde;o como recurso discursivo e performativo da com&eacute;dia que, para os autores, possui caracter&iacute;sticas singulares em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; temporalidade, atuando, por exemplo, na suspens&atilde;o da vida quotidiana.</p>     <p>No texto &ldquo;O tempo do medo <i>versus </i>o tempo da ci&ecirc;ncia&rdquo; , Simone Evangelista e Marcelo Garcia abordam o descompasso entre regimes de temporalidade distintos em um mesmo epis&oacute;dio: a epidemia do v&iacute;rus Zika e microcefalia no Brasil, em 2015/2016. A partir de um estudo de caso sobre a difus&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es acerca da epidemia, os autores analisam o tempo da procura por respostas por parte da popula&ccedil;&atilde;o (cheia de d&uacute;vidas e incertezas) e, de outro lado, o tempo da divulga&ccedil;&atilde;o de dados por parte das institui&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas sobre o mesmo assunto. No cerne da discuss&atilde;o proposta pelos autores, est&aacute; o papel dos m&eacute;dia, notadamente das redes sociais como mediadora de tais disputas discursivas em torno da doen&ccedil;a.</p>     <p>O texto de Susana de Noronha, &ldquo;As cadeiras do cancro heredit&aacute;rio: compreender o tempo e a doen&ccedil;a com desenho etnogr&aacute;fico criativo&rdquo; debru&ccedil;a-se sobre a experi&ecirc;ncia da doen&ccedil;a e a persist&ecirc;ncia da espera como categoria anal&iacute;tica da vida em suspens&atilde;o. A pintura e o desenho etnogr&aacute;fico constituem meios privilegiados atrav&eacute;s dos quais a autora entra na dura&ccedil;&atilde;o da experi&ecirc;ncia do outro ser que se apaga pela doen&ccedil;a temporalmente limitativa do cancro.</p>     <p>No artigo &ldquo;Um olhar dos jornalistas sobre a relev&acirc;ncia do tempo na cobertura de fen&oacute;menos de corrup&ccedil;&atilde;o&rdquo; , Ana Moreira, Helena Sousa e Em&iacute;lia Ara&uacute;jo discutem a rela&ccedil;&atilde;o do tempo com os m&eacute;dia, numa perspetiva que considera as rela&ccedil;&otilde;es de poder entre o sistema judicial, medi&aacute;tico e pol&iacute;tico. As pr&aacute;ticas de corrup&ccedil;&atilde;o que envolvem acusa&ccedil;&otilde;es a pol&iacute;ticos constituem-se como foco de investiga&ccedil;&atilde;o, &agrave; luz dos padr&otilde;es de controlo do tempo que permeiam aqueles sistemas.</p>     <p>Priscilla Porto Nascimento Fasani assina o texto &ldquo;Temporalidades inscritas no corpo intensivo durante a experi&ecirc;ncia do projeto art&iacute;stico Soundsystem&rdquo; no qual exp&otilde;e as diversas formas de express&atilde;o do tempo obtidas pela arte, argumentando que os &ldquo;artistas resistem a cronopol&iacute;tica e prop&otilde;em um tempo do Acontecimento. A dan&ccedil;a e a m&uacute;sica permitem libertar o corpo de seus movimentos utilit&aacute;rios e org&acirc;nicos&rdquo; .</p>     <p>Em seguida, partimos para outra discuss&atilde;o que aborda o papel dos m&eacute;dia na rela&ccedil;&atilde;o com o tempo, agora do ponto de vista da perce&ccedil;&atilde;o de acelera&ccedil;&atilde;o, elimina&ccedil;&atilde;o do tempo e velocidade. Ivone Neiva Santos e Jos&eacute; Azevedo assinam um texto sobre os novos <i>fl&acirc;neurs</i>, propondo uma revis&atilde;o do estado de arte acerca da literatura que destaca a vis&atilde;o p&oacute;s-estruturalista do tempo. Em &ldquo;Compress&atilde;o do espa&ccedil;o-tempo e hiperlocaliza&ccedil;&atilde;o: os novos <i>fl&acirc;neurs&rdquo; </i>, os autores recorrem a a extensa revis&atilde;o bibliogr&aacute;fica e conceitual para discutir o tempo institu&iacute;do pelos m&eacute;dia, bem como seu car&aacute;ter de ubiquidade e pervasividade que contribuiriam para perce&ccedil;&otilde;es de desterritorializa&ccedil;&atilde;o e destemporaliza&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>A leitura de V&iacute;tor Sousa ao livro de Byung-Chul Han, <i>O aroma do tempo, </i>sobre a arte da demora e os seus paradoxos nas sociedades atuais evidencia o car&aacute;ter atemporal do questionamento filos&oacute;fico e antropol&oacute;gico sobre o tempo, demonstrando o interesse em discutir as temporalidades e os usos do tempo em paralelo com as din&acirc;micas sociais. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Appadurai, I. (1996). <i>Dimens&otilde;es culturais da globaliza&ccedil;&atilde;o. A modernidade sem peias</i>. Lisboa: Teorema.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2012946&pid=S2183-3575201900020000100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Bauman, Z. (1999). <i>Globaliza&ccedil;&atilde;o e consequ&ecirc;ncias humanas</i>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2012948&pid=S2183-3575201900020000100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Benjamin, W. (1934/1994). <i>A obra de arte na era da sua reprodutibilidade t&eacute;cnica. Magia e t&eacute;cnica, arte e pol&iacute;tica – ensaios sobre literatura e hist&oacute;ria da cultura</i>. S. Paulo: Brasiliense.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2012950&pid=S2183-3575201900020000100003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Castells, M. (2011). A network theory of power. <i>International Journal of Communication</i>, <i>5</i>, 773-787. Retirado de <a href="https://ijoc.org/index.php/ijoc/article/view/1136" target="_blank">https://ijoc.org/index.php/ijoc/article/view/1136</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2012952&pid=S2183-3575201900020000100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Featherstone, M. (2009). Ubiquitous media: an introduction. <i>Theory, Culture &amp; Society</i>, <i>26</i>(2-3), 1-22. <a href="https://doi.org/10.1177/0263276409103104" target="_blank">https://doi.org/10.1177/0263276409103104</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2012953&pid=S2183-3575201900020000100005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Flusser, V. (1999). <i>Ins universum der technischen bilder</i>. G&ouml;ttingen: European Photography.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2012954&pid=S2183-3575201900020000100006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Flusser, V. (2008). <i>O universo das imagens t&eacute;cnicas: elogio da superficialidade</i>. S&atilde;o Paulo: Annablume.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2012956&pid=S2183-3575201900020000100007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Hansen, M. (2012). Benjamin, cinema e experi&ecirc;ncia: a flor azul na terra da tecnologia. In T. Capistrano (Ed.), <i>Benjamin e a obra de arte: t&eacute;cnica, imagem, perce&ccedil;&atilde;o </i>(pp. 205-255). Rio de Janeiro: Contraponto.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2012958&pid=S2183-3575201900020000100008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Harvey, D. (2002). <i>Condi&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-moderna: uma pesquisa sobre as origens da mudan&ccedil;a cultural</i>. S&atilde;o Paulo: Loyola.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2012960&pid=S2183-3575201900020000100009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Luhmann, N. (2005). <i>A realidade dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o</i>. Paulus: S. Paulo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2012962&pid=S2183-3575201900020000100010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Rosa, H. (2015). <i>Social acceleration-a new theory of modernity</i>. Nova Iorque: Columbia University Press&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2012964&pid=S2183-3575201900020000100011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Sennet, R. (2006). <i>A cultura do novo capitalismo</i>. Rio de Janeiro: Record.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2012965&pid=S2183-3575201900020000100012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Nota biogr&aacute;fica</b></p>     <p>Em&iacute;lia Rodrigues Ara&uacute;jo &eacute; Professora Auxiliar no Instituto de Ci&ecirc;ncias Sociais, Departamento de Sociologia e investigadora no Centro de Estudos de Comunica&ccedil;&atilde;o e Sociedade. Tem participado em diversos projetos de investiga&ccedil;&atilde;o nas tem&aacute;ticas do tempo, cultura e mobilidades na ci&ecirc;ncia e na investiga&ccedil;&atilde;o. Participa em v&aacute;rias associa&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas, tendo diversas publica&ccedil;&otilde;es nacionais e internacionais sobre as tem&aacute;ticas mencionadas.</p>     <p>ORCID: <a href="http://orcid.org/0000-0003-3600-3310">http://orcid.org/0000-0003-3600-3310</a></p>     <p>Email: <a href="mailto:emiliararaujo@gmail.com">emiliararaujo@gmail.com</a></p>     <p>Morada: Universidade do Minho, Instituto de Ci&ecirc;ncias Sociais, Departamento de Sociologia, 4710-057 Gualtar – Braga, Portugal</p>     <p>Patr&iacute;cia Matos &eacute; doutoranda do Programa de P&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em Comunica&ccedil;&atilde;o da Universidade Federal Fluminense, Niter&oacute;i, Brasil. Possui mestrado pela mesma institui&ccedil;&atilde;o. &Eacute; investigadora visitante da Universidade Aberta da Catalunya. Trabalha principalmente com temas ligados a mobilidade, estilo de vida e Tecnologias de Informa&ccedil;&atilde;o e Comunica&ccedil;&atilde;o aplicadas ao mundo do trabalho.</p>     <p>ORCID: <a href="https://orcid.org/0000-0002-5902-8417">https://orcid.org/0000-0002-5902-8417</a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Email: <a href="mailto:pmatos@id.uff.br">pmatos@id.uff.br</a></p>     <p>Morada: Rua Professor Marcos Waldemar de Freitas Reis s/n Bloco A - UFASA S&atilde;o Domingos, Niter&oacute;i - CEP 24210-201 - Rio de Janeiro, Brasil</p>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Appadurai]]></surname>
<given-names><![CDATA[I]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Dimensões culturais da globalização: A modernidade sem peias]]></source>
<year>1996</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Teorema]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Bauman]]></surname>
<given-names><![CDATA[Z]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Globalização e consequências humanas]]></source>
<year>1999</year>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Jorge Zahar]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Benjamin]]></surname>
<given-names><![CDATA[W]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A obra de arte na era da sua reprodutibilidade técnica: Magia e técnica, arte e política - ensaios sobre literatura e história da cultura]]></source>
<year>1934</year>
<publisher-loc><![CDATA[S. Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Brasiliense]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Castells]]></surname>
<given-names><![CDATA[M]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[A network theory of power]]></article-title>
<source><![CDATA[International Journal of Communication]]></source>
<year>2011</year>
<volume>5</volume>
<page-range>773-787</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Featherstone]]></surname>
<given-names><![CDATA[M]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Ubiquitous media: an introduction]]></article-title>
<source><![CDATA[Theory, Culture & Society]]></source>
<year>2009</year>
<volume>26</volume>
<numero>2</numero><numero>3</numero>
<issue>2</issue><issue>3</issue>
<page-range>1-22</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Flusser]]></surname>
<given-names><![CDATA[V]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Ins universum der technischen bilder]]></source>
<year>1999</year>
<publisher-loc><![CDATA[Göttingen ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[European Photography]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Flusser]]></surname>
<given-names><![CDATA[V]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[O universo das imagens técnicas: elogio da superficialidade]]></source>
<year>2008</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Annablume]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Hansen]]></surname>
<given-names><![CDATA[M]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Benjamin, cinema e experiência: a flor azul na terra da tecnologia]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Capistrano]]></surname>
<given-names><![CDATA[T]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Benjamin e a obra de arte: técnica, imagem, perceção]]></source>
<year>2012</year>
<page-range>205-255</page-range><publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Contraponto]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Harvey]]></surname>
<given-names><![CDATA[D]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Condição pós-moderna: uma pesquisa sobre as origens da mudança cultural]]></source>
<year>2002</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Loyola]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Luhmann]]></surname>
<given-names><![CDATA[N]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A realidade dos meios de comunicação]]></source>
<year>2005</year>
<publisher-loc><![CDATA[Paulus ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[S. Paulo]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Rosa]]></surname>
<given-names><![CDATA[H]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Social acceleration-a new theory of modernity]]></source>
<year>2015</year>
<publisher-loc><![CDATA[Nova Iorque ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Columbia University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Sennet]]></surname>
<given-names><![CDATA[R]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A cultura do novo capitalismo]]></source>
<year>2006</year>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Record]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
