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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Temporalidades inscritas no corpo intensivo durante a experiência do projeto artístico Soundsystem]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article addresses the artistic project SoundSystem, developed by Franz Manata and Saulo Laudares since 1996. The process, in action up to the present day, consists of sharing experiences through sound installations, DJ's performances and urban interventions. Universal signs such as heart beats and bird corners are used. The duo assumes an ethical concern to affect the participant. The main issues involved are the “good encounters”, the time-dilation and the intensity provoked by the dionysian impulses of music and dance. This text will discuss the possibility of experience the time of the event, resisting to chronopolitics.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS TEM&Aacute;TICOS</b></p>     <p><b>Temporalidades inscritas no corpo intensivo durante a experi&ecirc;ncia do projeto art&iacute;stico Soundsystem</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Temporalities embedded on the intensive body during the experience of the artistic project SoundSystem</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> //     <p><b> Priscilla Porto Nascimento Fasani <sup>*</sup></b>    <br>     <img src="/img/revistas/id_orcid.gif"> <a href="https://orcid.org/0000-0002-1521-1818">https://orcid.org/0000-0002-1521-1818 </a></p>     
<p>*Universidade Federal da Bahia, Brasil.</p>     <p><a href="mailto:priscillafasani@hotmail.com">priscillafasani@hotmail.com</a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Este artigo debru&ccedil;a-se sobre o projeto art&iacute;stico SoundSystem, desenvolvido por Franz Manata e Saulo Laudares desde 1996. O processo, em a&ccedil;&atilde;o at&eacute; os dias de hoje, consiste em partilhar experi&ecirc;ncias atrav&eacute;s de instala&ccedil;&otilde;es sonoras, performances de DJ&rsquo;s e interven&ccedil;&otilde;es urbanas. S&atilde;o utilizados signos universais como batidas de cora&ccedil;&atilde;o e cantos de p&aacute;ssaros. A dupla assume uma preocupa&ccedil;&atilde;o &eacute;tica de afetar o participante. As principais quest&otilde;es envolvidas s&atilde;o os &ldquo;bons encontros&rdquo; , a dila&ccedil;&atilde;o do tempo e a intensidade provocada pelos impulsos dionis&iacute;acos da m&uacute;sica e da dan&ccedil;a. Neste artigo, a proposta &eacute; viver o tempo do acontecimento, resistindo &agrave; cronopol&iacute;tica.</p>     <p><b>Palavras-chave</b>: Arte contempor&acirc;nea; corpo sem &oacute;rg&atilde;os; encontros afetivos; perce&ccedil;&otilde;es do tempo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This article addresses the artistic project SoundSystem, developed by Franz Manata and Saulo Laudares since 1996. The process, in action up to the present day, consists of sharing experiences through sound installations, DJ&rsquo;s performances and urban interventions. Universal signs such as heart beats and bird corners are used. The duo assumes an ethical concern to affect the participant. The main issues involved are the &ldquo;good encounters&rdquo; , the time-dilation and the intensity provoked by the dionysian impulses of music and dance. This text will discuss the possibility of experience the time of the event, resisting to chronopolitics.</p>     <p><b>Keywords</b>: Affective encounters; body without organs; contemporary art; perceptions of time.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="right">Experimentar e interrogar &eacute; a minha maneira de avan&ccedil;ar. Sinto-me arrebatado, a minha alma dan&ccedil;a. (Nietzsche)</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Neste artigo, pensaremos a pr&aacute;tica de constru&ccedil;&atilde;o de um corpo sem &oacute;rg&atilde;os atrav&eacute;s das experi&ecirc;ncias partilhadas pelos artistas Franz Manata e Saulo Laudares nas obras Heartbeat (2006), The place (2010) e AFTER:Nature (2008). Estas instala&ccedil;&otilde;es sonoras foram exibidas no Rio de Janeiro: no Parque Lage, na casa do curador Bernardo Mosqueira e ao ar livre, no Aterro do Flamengo, respetivamente. As sensa&ccedil;&otilde;es intensivas que podem ser sentidas durante estas exposi&ccedil;&otilde;es, provocam altera&ccedil;&otilde;es nos circuitos de afetos, que permitem a cria&ccedil;&atilde;o de um corpo bailarino, que tamb&eacute;m dan&ccedil;a &agrave;s avessas. Os artistas resistem &agrave; cronopol&iacute;tica e prop&otilde;em um tempo do Acontecimento. A dan&ccedil;a e a m&uacute;sica permitem libertar o corpo de seus movimentos utilit&aacute;rios e org&acirc;nicos. Esta l&oacute;gica da sensa&ccedil;&atilde;o acontece nestes encontros que vinculam os processos art&iacute;sticos aos processos vitais, provocando a inven&ccedil;&atilde;o de tempos outros, diferentes do tempo cronol&oacute;gico.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f1"></a> <img src="/img/revistas/csoc/v35/v35a07f1.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>A exposi&ccedil;&atilde;o Heartbeat</b></p>     <p>A sensa&ccedil;&atilde;o experimentada durante a exposi&ccedil;&atilde;o da obra <i>Heartbeat</i> (2006), realizada nas Cavalari&ccedil;as do Parque Lage, no Rio de Janeiro, era de liberdade e de ang&uacute;stia ao mesmo tempo. O som vital dos batimentos card&iacute;acos, que sa&iacute;am das duas enormes caixas de som, faziam vibrar o meu corpo e n&atilde;o me era poss&iacute;vel ficar isenta diante daquelas ondas de grave. Dava para se ver as estrelas e a noite. Esta experi&ecirc;ncia que come&ccedil;ava no corpo, atingia outras linhas, outros estratos, fluxos, outras zonas de intensidade cont&iacute;nua, outros plat&ocirc;s. Parecia que o p&uacute;blico estava ali para sentir e nada mais. Para tentar explicar esta sensa&ccedil;&atilde;o quase indescrit&iacute;vel utilizarei as palavras de Nietzsche em <i>Zaratustra</i>, no aforismo <i>Dos que desprezam o corpo</i>: &ldquo;eu sou corpo e alma – assim fala a crian&ccedil;a&rdquo; (Nietzsche, 1973, p. 38).</p>     <p>Essa temporalidade ai&ocirc;nica que emana da partilha<sup><a href="#1" name="top1">[1]</a></sup> da instala&ccedil;&atilde;o sonora <i>Heartbeat</i>, um dos fragmentos do projeto SoundSystem, na qual se ouvia uma conversa entre os cora&ccedil;&otilde;es dos artistas Franz Manata e Saulo Laudares, numa pista de dan&ccedil;a, me produziu um efeito que perdura por anos. Ap&oacute;s senti-la era preciso pensar sobre esta experi&ecirc;ncia<sup><a href="#2" name="top2">[2]</a></sup>. O cora&ccedil;&atilde;o &ldquo;&eacute; o &oacute;rg&atilde;o do desejo&rdquo; , da vida, do encontro, &eacute; uma pulsa&ccedil;&atilde;o desejante (Barthes, 2003, p. 91).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Encontros intensivos</b></p>     <p>O momento em que a no&ccedil;&atilde;o de partilha aparece no projeto SoundSystem foi em The Place, em 1998. The Place &eacute; um espa&ccedil;o de imers&atilde;o aberto, em processo desde 1996, onde ocorrem manifesta&ccedil;&otilde;es que t&ecirc;m no outro o seu sentido de exist&ecirc;ncia. O espa&ccedil;o pode se tornar uma pista de dan&ccedil;a, um local de exposi&ccedil;&atilde;o ou palestras. A ideia inicial do The Place foi compartilhar a experi&ecirc;ncia da pista de dan&ccedil;a e foi inspirada na obra <i>Incidentes</i> (Barthes, 2004), no texto <i>No Palace, esta noite&hellip;,</i> no qual Barthes descreve a sua experi&ecirc;ncia na <i>boate</i> francesa Le Palace que, na &eacute;poca, era considerada o templo da dan&ccedil;a. Barthes, atrav&eacute;s de sua escrita, se remete &agrave; pot&ecirc;ncia desse encontro. A partir de ent&atilde;o, produzir a intensidade da experi&ecirc;ncia vivida por Barthes passou a ser o foco da dupla.</p>     <p>O pr&oacute;prio projeto surgiu a partir de um encontro dos artistas. Franz Manata e Saulo Laudares formam uma parceria art&iacute;stica e afetiva h&aacute; mais de vinte anos. Ambos nasceram em Belo Horizonte, mas vivem no Rio de Janeiro desde o ano 2000. Franz Manata &eacute; professor da Escola de Artes Visuais do Parque Lage e curador independente. Trabalhou durante sete anos (2001-2008) como co-curador do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Saulo Laudares &eacute; DJ de m&uacute;sica eletr&ocirc;nica, al&eacute;m de desenvolver trilhas sonoras para espet&aacute;culos de dan&ccedil;a e filmes. As obras dos artistas fizeram parte da galeria Artur Fidalgo, localizada em Copacabana e, mais recentemente, da S&eacute; Galeria, que fica no centro de S&atilde;o Paulo.</p>     <p>Inspirados em Lygia Clark e H&eacute;lio Oiticica, prop&otilde;em a participa&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico. Oiticica e Clark colocaram a presen&ccedil;a f&iacute;sica do espectador no centro, superando a dissocia&ccedil;&atilde;o entre sentimento e saber, mente e corpo, do eu e do outro, do produtor e do consumidor (Salom&atilde;o, 2015, p. 73). A perspetiva da vida como um laborat&oacute;rio de experimenta&ccedil;&otilde;es, de Oiticica, &eacute; um modo de vida que o duo tem como refer&ecirc;ncia para a conce&ccedil;&atilde;o de suas obras. Consequentemente, al&eacute;m de filhos de Oiticica, tamb&eacute;m s&atilde;o filhos de Nietzsche e Artaud (Salom&atilde;o, 2015, p. 87). Quanto &agrave; influ&ecirc;ncia de Lygia Clark, a no&ccedil;&atilde;o de objeto relacional da artista fundamenta o trabalho da dupla, entretanto, os artistas quase nunca fazem uso de um objeto material, mas desta arte desmaterializada que &eacute; a m&uacute;sica. Trata-se de uma arte relacional, que s&oacute; existe no acontecimento que &eacute; o encontro com o outro.</p>     <p>Em <i>Experi&ecirc;ncia e arte contempor&acirc;nea</i> (Kiffer, Bident &amp; Rezende, 2012), a no&ccedil;&atilde;o de experi&ecirc;ncia &eacute; apresentada atrav&eacute;s de diferentes perspetivas. A experi&ecirc;ncia &eacute; algo que nos pode atravessar de um lado a outro, revolver-nos, transformar-nos sem que se possa nome&aacute;-la; &eacute; algo que sobra, que excede a linguagem, que n&atilde;o pode ser contido e n&atilde;o tem onde caiba. A palavra experi&ecirc;ncia tem um duplo sentido: nomeia tanto uma prova pela qual se passou como a finalidade de produzir ou fomentar. A experi&ecirc;ncia &eacute; esse ponto de indetermina&ccedil;&atilde;o entre o singular e o universal, entre o sens&iacute;vel e o intelig&iacute;vel, entre o pr&aacute;tico e o te&oacute;rico. Segundo Georges Bataille (1943), a experi&ecirc;ncia &eacute; um limiar, n&atilde;o &eacute; um ac&uacute;mulo do vivido, aproximando-se mais do invis&iacute;vel e do n&atilde;o formul&aacute;vel, referindo-se a uma experi&ecirc;ncia interior, mas um interior retorcido, um interior exteriorizado ou um exterior interiorizado.</p>     <p>Segundo Cla&uacute;dio Oliveira, no artigo &ldquo;Do mesmo modo como queima o fogo ou da experi&ecirc;ncia como um saber que n&atilde;o se sabe&rdquo; , &ldquo;a arte contempor&acirc;nea talvez seja uma ocasi&atilde;o para nos reencontrarmos com o n&atilde;o saber constitutivo de nossa humanidade&rdquo; , de nos reencontrarmos com as sensa&ccedil;&otilde;es intensivas (Kiffer, Bident &amp; Rezende, 2012, p. 42). Afinal, a experi&ecirc;ncia – inclusive a do amor – nasce como uma rachadura no espelho, uma brecha na identidade de si e na ipseidade ou hecceidade<sup><a href="#3" name="top3">[3]</a></sup> das coisas, aquilo que Deleuze chama de o inomin&aacute;vel, o intempestivo, aquilo que n&atilde;o &eacute; uma forma, &eacute; um rizoma (Deleuze citado em Kiffer, Bident &amp; Rezende, 2012, p. 85).</p>     <p>No cap&iacute;tulo &ldquo;Ensaio sobre a destrui&ccedil;&atilde;o da experi&ecirc;ncia, de inf&acirc;ncia e hist&oacute;ria &ldquo;(Agamben, 2005), Agamben retoma o ensaio <i>Experi&ecirc;ncia e pobreza</i> de Benjamin (1933) e destaca que, para empobrecer a experi&ecirc;ncia do Homem, bastaria um cotidiano estressante, que atropela a temporalidade singular de cada um. A experi&ecirc;ncia, de acordo com Agamben, seria uma escada que leva a outros c&ocirc;modos da casa, uma ferramenta que entremeia presente, passado e futuro (Agamben, 2005, p. 24).</p>     <p><b>A cria&ccedil;&atilde;o de um corpo sem &oacute;rg&atilde;os</b></p>     <p>A experi&ecirc;ncia de sentir o som dos batimentos card&iacute;acos em Heartbeat, dissociados de uma imagem corp&oacute;rea, remeteram-me ao conceito deleuziano de <i>corpo sem &oacute;rg&atilde;os</i> (CsO). Esses cora&ccedil;&otilde;es n&atilde;o estavam ali &ldquo;expostos&rdquo; a fim de elucidarem a sua fun&ccedil;&atilde;o fisiol&oacute;gica no corpo, cumprindo seu car&aacute;ter utilit&aacute;rio no organismo. A inten&ccedil;&atilde;o era partilhar um desejo de afetar e ser afetado. O duo, Manata e Laudares, assim como Guatarri e Deleuze, compartilham um modo de exist&ecirc;ncia, um modo de vida, uma &eacute;tica. Os autores/artistas n&atilde;o escrevem ou criam juntos, no mesmo ritmo, mas cada um no seu tempo e, assim, trabalham entre os dois, trata-se de uma dupla captura.</p>     <p>Deleuze e Guatarri trabalham o conceito de CsO, no terceiro volume de Mil Plat&ocirc;s (1996). O CsO &eacute; uma pr&aacute;tica, uma experimenta&ccedil;&atilde;o, inspirada em Antonin Artaud, artista que buscou gerar, durante a experi&ecirc;ncia teatral, um corpo de resist&ecirc;ncia e intensidades, livre de automatismos e capaz de dan&ccedil;ar. O Teatro da Crueldade enfatizava o sens&iacute;vel e as sensa&ccedil;&otilde;es, problematizando o excesso de racionalidade do mundo ocidental. A crueldade para Artaud era a falta de liberdade (Lins, 1999, p. 12-13). Ao se esvaziar da sua funcionalidade, o corpo pode se abrir para o sens&iacute;vel, para o acontecimento.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Deleuze e Guatarri apropriam-se do conceito de CsO de Artaud para nomear a necessidade de criar um corpo liberto de sua fun&ccedil;&atilde;o, considerando a l&oacute;gica do capitalismo tardio, que prioriza a produtividade e controla o tempo dos indiv&iacute;duos. O CsO &eacute; um corpo em acontecimento, em devir, um corpo capaz de experimentar sensa&ccedil;&otilde;es, de dan&ccedil;ar, de sentir alegria e &ecirc;xtase:</p>     <blockquote>um CsO &eacute; feito de tal maneira que ele s&oacute; pode ser ocupado, povoado por intensidades. Somente as intensidades passam e circulam, mas o CsO n&atilde;o &eacute; uma cena, um lugar, nem mesmo um suporte onde aconteceria algo. Nada a ver com um fantasma, nada a interpretar. (&hellip;) Ele n&atilde;o &eacute; espa&ccedil;o e nem est&aacute; no espa&ccedil;o, &eacute; mat&eacute;ria que ocupar&aacute; o espa&ccedil;o em tal ou qual grau. (Deleuze, 2007, p. 13)</blockquote>     <p>A rotina corrida devido &agrave;s demandas de produtividade no trabalho tende a anestesiar e dessensibilizar nossos corpos e &eacute; preciso recri&aacute;-los. Deleuze aponta a import&acirc;ncia da experimenta&ccedil;&atilde;o, em oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; interpreta&ccedil;&atilde;o da psican&aacute;lise (Deleuze, 2007, p. 11).</p>     <p>Na exposi&ccedil;&atilde;o <i>Liberdade &eacute; pouco. O que desejo ainda n&atilde;o tem nome</i> (2010) o curador Bernardo Mosqueira convidou artistas para pensarem sobre a liberdade na contemporaneidade e exporem seus trabalhos em sua casa no Jardim Bot&acirc;nico. A frase que intitula a exposi&ccedil;&atilde;o foi retirada da obra <i>Perto do cora&ccedil;&atilde;o selvagem</i>, de Clarice Lispector (1980, p. 50). Franz Manata e Saulo Laudares apresentaram The Place<i>,</i> que &eacute; a pr&oacute;pria pista de dan&ccedil;a como obra de arte. Num ambiente sonoro com a parede fluorescente, v&aacute;rios DJ&rsquo;s se revezavam no som. De acordo com Mosqueira, &ldquo;a pista &eacute; lugar de atividade pol&iacute;tica: resist&ecirc;ncia, afeto, articula&ccedil;&atilde;o, rela&ccedil;&atilde;o e cria&ccedil;&atilde;o. Fervo &eacute; Luta&rdquo; .</p>     <p>A obra <i>Perto do cora&ccedil;&atilde;o selvagem</i> (Lispector, 1980), assim como a obra de Manata e Laudares, trata do invis&iacute;vel, do indiz&iacute;vel, das sensa&ccedil;&otilde;es que a personagem experimenta em seu corpo, em sua alma. Os conceitos de Spinoza, atravessam a obra, como a sua indistin&ccedil;&atilde;o entre alma e corpo. Joana transgride o cotidiano repetitivo do tempo cronol&oacute;gico, brincando com o tempo do rel&oacute;gio. Ela vive o instante atrav&eacute;s da inven&ccedil;&atilde;o de um tempo subjetivo. Joana cria para si um corpo sem &oacute;rg&atilde;os, um corpo em devir que n&atilde;o possui uma identidade, nem um g&ecirc;nero definido, ele se constr&oacute;i.</p>     <p>O sentido da &eacute;tica de Spinoza, presente tanto na obra de Lispector quanto na do duo, &eacute; compor rela&ccedil;&otilde;es que aumentem a pot&ecirc;ncia de agir e organizar encontros alegres que potencializem a for&ccedil;a de existir. Spinoza n&atilde;o se surpreende em ter um corpo, mas com o que o corpo pode: &ldquo;os corpos n&atilde;o se definem por seu g&ecirc;nero ou sua esp&eacute;cie, por seus &oacute;rg&atilde;os e suas fun&ccedil;&otilde;es, mas por aquilo que podem, pelos afetos dos quais s&atilde;o capazes (Spinoza citado em Deleuze &amp; Parnet, 1998, p. 49).</p>     <p>A quest&atilde;o que se coloca na obra de Manata e Laudares &eacute; como extrair alguma coisa alegre e apaixonante do que acontece, um clar&atilde;o, um encontro, um acontecimento, uma velocidade, um devir (Deleuze &amp; Parnet, 1998, p. 54). Assim, o importante &eacute; fazer de um acontecimento, por menor que seja, a coisa mais delicada do mundo, dando &ecirc;nfase &agrave;s alian&ccedil;as, &agrave;s n&uacute;pcias, aos cont&aacute;gios, ao vento, ao quase-impercet&iacute;vel.</p>     <p>O corpo dos artistas resiste &agrave; cronopol&iacute;tica, &agrave; pol&iacute;tica de controle do tempo, al&eacute;m de resistir &agrave; insensibilidade, &agrave;s imposi&ccedil;&otilde;es de g&ecirc;nero e outras formas de domestica&ccedil;&atilde;o do desejo. Os artistas desejam estar perto de um cora&ccedil;&atilde;o livre, selvagem.</p>     <p><b>Dan&ccedil;ando &agrave;s avessas</b></p>     <p>Orlandi em &ldquo;Corporeidades em minidesfile&rdquo; (2004, p. 10), sublinha que os CsO ocorrem como imanta&ccedil;&otilde;es de linhas de fuga que acontecem nos instantes em que explodem sentidos, nos encontros em que se experimenta no corpo, as intensidades e a eternidade, nesse entretempo ai&ocirc;nico, o tempo da crian&ccedil;a, da dura&ccedil;&atilde;o da vida. O CsO &eacute; o campo de iman&ecirc;ncia do desejo.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O teatro da crueldade de Artaud inaugura um teatro da n&atilde;o-representa&ccedil;&atilde;o, falando aos sentidos, ao sistema nervoso, &agrave; pr&oacute;pria carne, &agrave; pele. Esse corpo pleno elaborado por Artaud, nem humano, nem metaf&iacute;sico, era um corpo de resist&ecirc;ncia e intensidades, um corpo sem &oacute;rg&atilde;os. Este corpo refeito, reorganizado e liberto dos seus automatismos, se abre para dan&ccedil;ar ao inverso. A dan&ccedil;a &eacute; entendida como a liberta&ccedil;&atilde;o do corpo de seus movimentos utilit&aacute;rios, no direito e no avesso: &ldquo;quando tiverem conseguido um corpo sem &oacute;rg&atilde;os, ent&atilde;o o ter&atilde;o libertado dos seus automatismos e devolvido sua verdadeira liberdade. Ent&atilde;o poder&atilde;o ensin&aacute;-lo a dan&ccedil;ar &agrave;s avessas como no del&iacute;rio dos bailes populares e esse avesso ser&aacute; seu verdadeiro lugar&rdquo; (Lins, 1999, p. 47).</p>     <p>Esta <i>l&oacute;gica da sensa&ccedil;&atilde;o</i> (Deleuze, 2007), pensada por Deleuze, permite a unifica&ccedil;&atilde;o dos princ&iacute;pios opostos, o vivo e o morto, o desperto e o dormindo, o jovem e o velho, o amor e o &oacute;dio, a car&iacute;cia e a agress&atilde;o, o homem e a mulher. As fronteiras entre as artes s&atilde;o borradas. Nas artes pl&aacute;sticas ou na m&uacute;sica, n&atilde;o se trata de reproduzir ou inventar formas, mas de captar as for&ccedil;as. &Eacute; por este vi&eacute;s que nenhuma arte &eacute; figurativa. A obra de Manata e Laudares, ao acionar a m&uacute;sica e a dan&ccedil;a, busca tornar vis&iacute;veis e sonoras as coisas que n&atilde;o s&atilde;o. A obra &eacute; imaterial e material ao mesmo tempo.</p>     <p>Em <i>L&oacute;gica do sentido</i> (Deleuze, 1974, p. 73), quando Deleuze relaciona a obra liter&aacute;ria <i>Alice no pa&iacute;s das maravilhas</i> com a teoria do sentido, menciona o corpo glorioso e sem &oacute;rg&atilde;os, relacionando-o a Dion&iacute;sio que mostra seus dois semblantes, seu corpo aberto e lacerado, sua cabe&ccedil;a impass&iacute;vel e sem &oacute;rg&atilde;os, o Dion&iacute;sio desmembrado, mas tamb&eacute;m impenetr&aacute;vel. O <i>corpo sem &oacute;rg&atilde;os</i> &eacute; esse paradoxo da obra de Carrol, &eacute; essa intensidade, &eacute; esse limite. Saulo Laudares, ao falar da obra do duo, a relaciona ao &ldquo;cair num buraco de Alice&rdquo; , referindo-se a estas sensa&ccedil;&otilde;es &ldquo;incoerentes&rdquo; do inconsciente, presentes em suas experimenta&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas.</p>     <p>Podemos determinar qual o nosso poder de afetar e de ser afetado para que n&atilde;o vivamos ao acaso dos encontros. Se n&atilde;o sei do que meu corpo &eacute; capaz, de que o outro corpo com o qual me encontro &eacute; capaz, e como nossas rela&ccedil;&otilde;es podem se compor, vivo de maneira a recolher os efeitos destes encontros. Podemos ter o &ldquo;modo de exist&ecirc;ncia&rdquo; que nos convenha, tal como demonstrou Spinoza (citado em Deleuze, 2002).</p>     <p>Em <i>Mil plat&ocirc;s</i>, no plat&ocirc; datado de 28 de novembro de 1947, intitulado &ldquo;Como criar para si um corpo sem &oacute;rg&atilde;os&rdquo; (1996), Deleuze e Guatarri referem-se &agrave; data em que Artaud criou o conceito, que pode ser encontrado no poema <i>Para acabar com o ju&iacute;zo de Deus</i>. Nesta data, Artaud declara guerra aos &oacute;rg&atilde;os (Deleuze &amp; Guatarri, 1996, p. 10). A quest&atilde;o apresentada &eacute; que n&atilde;o se trata de encontrar este corpo pronto em algum lugar; &eacute; preciso cri&aacute;-lo. O <i>corpo sem &oacute;rg&atilde;os</i> &eacute; um &ldquo;exerc&iacute;cio&rdquo; , n&atilde;o &eacute; uma no&ccedil;&atilde;o, mas antes um conjunto de pr&aacute;ticas, uma experimenta&ccedil;&atilde;o. &ldquo;O corpo sem &oacute;rg&atilde;os jamais se conclui&rdquo; (Gadelha, 2010, p. 3).</p>     <p>Deleuze, em <i>O ato de cria&ccedil;&atilde;o</i> (1999) fala que as obras s&oacute; se tornar&atilde;o obras de arte se se tornarem atos de resist&ecirc;ncia. Elas resistem &agrave; aniquila&ccedil;&atilde;o da vida e endere&ccedil;am-se ao outro, a um outro que n&atilde;o existe (Deleuze, 1999, p. 91). A arte conserva, preservando um bloco de sensa&ccedil;&otilde;es, isto &eacute;, um composto de percetos e afetos. Os percetos s&atilde;o as perce&ccedil;&otilde;es que ultrapassam o estado daqueles que os experimentaram e os afetos transbordam os sentimentos daqueles que os atravessaram (Deleuze &amp; Guatarri, 2005, p. 213). Afeto &eacute; experimenta&ccedil;&atilde;o, e n&atilde;o objeto de interpreta&ccedil;&atilde;o, o afeto &eacute; n&atilde;o-pessoal (Furtado &amp; Lins, 2008, p. 45). Em <i>Di&aacute;logos</i> (Deleuze &amp; Parnet, 1998), Deleuze aponta que o desejo n&atilde;o &eacute; privil&eacute;gio de uma elite, &eacute; ele pr&oacute;prio um coletivo, um processo que exige um encontro, uma experi&ecirc;ncia, uma partilha.</p>     <p>A no&ccedil;&atilde;o de <i>corpo sem &oacute;rg&atilde;os</i>, nomeada por Artaud e utilizada por Deleuze e Guatarri, &eacute; tamb&eacute;m denominada corpo vibr&aacute;til (Rolnik, 2016), corpo pleno, corpo superior, corpo imposs&iacute;vel, corpo novo, corpo n&atilde;o oprimido, corpo puro, corpo intensivo, corpo desejante, corpo intenso, corpo potente, corpo pulsante, corpo dionis&iacute;aco, corpo dan&ccedil;ante, corpo que dan&ccedil;a pelo avesso. Importando aqui a sua pr&aacute;tica.</p>     <p>O que Deleuze e Guatarri prop&otilde;em em <i>O anti-&eacute;dipo</i> (2011) &eacute; uma desan&aacute;lise, possibilitando captar a pot&ecirc;ncia da droga sem se drogar ou a pot&ecirc;ncia da loucura sem ser louco. A esquizoan&aacute;lise &eacute; esse processo esquizo de descodifica&ccedil;&atilde;o e desterritorializa&ccedil;&atilde;o (Deleuze, 2013, p. 35). O intensivo &eacute; percebido como ato de resist&ecirc;ncia (Furtado &amp; Lins 2008, p. 69) e a alegria como for&ccedil;a revolucion&aacute;ria (Furtado &amp; Lins, 2008). A alegria nesse sentido &eacute; encanta&ccedil;&atilde;o, feiti&ccedil;o, estado de gra&ccedil;a, err&acirc;ncia. Trata-se de uma alegria vibr&aacute;til, um desejo de vida, a alegria-crian&ccedil;a heraclitiana ou uma alegria bailarina (Furtado &amp; Lins, 2008, p. 49).</p>     <p>O som, em Heartbeat (2006), potencializa a cria&ccedil;&atilde;o desse CsO, ao impelir o corpo a viver a experi&ecirc;ncia da dan&ccedil;a. Conforme, escreveu o curador e cr&iacute;tico Guilherme Bueno:</p>     <blockquote><i>Heartbeat</i> investe no que se chamaria &ldquo;pl&aacute;stica do som&rdquo; , isto &eacute;, da pot&ecirc;ncia das ondas ser capaz de moldar, agir sobre o corpo do participante, conferindo uma corporeidade escult&oacute;rica dada menos pelas caracter&iacute;sticas f&iacute;sicas particulares do espa&ccedil;o do que pelo quanto o som cria ali campos de for&ccedil;a de atra&ccedil;&atilde;o ou repuls&atilde;o, fazendo-nos tanto imergir hipnoticamente quanto em contrapartida sermos &ldquo;obstru&iacute;dos&rdquo; naquele ambiente. (Bueno, 2012)</blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Circuitos de afetos</b></p>     <p>Como afirmou Safatle (2016), as sociedades s&atilde;o, em sua dimens&atilde;o fundamental, circuitos de afetos. Elas constroem v&iacute;nculos atrav&eacute;s da maneira com que os corpos s&atilde;o afetados, objetos sentidos e desejos impulsionados. Esses momentos raros nos quais acontecimentos nos fazem ser afetados de outra forma, quebram os circuitos de afetos que imperavam at&eacute; ent&atilde;o, nos despossuindo de nossos trajetos, nos desamparando de nossos ritmos e decompondo nossos corpos.</p>     <p>Quando Manata e Laudares convidam as pessoas a participarem de performances de DJ&rsquo;s, ver uma instala&ccedil;&atilde;o com a palavra <i>dancing</i> em <i>neon</i> sem m&uacute;sica, ouvir a instala&ccedil;&atilde;o Heartbeat ou viver a experi&ecirc;ncia de contemplar a natureza e ouvir o canto dos p&aacute;ssaros durante a interven&ccedil;&atilde;o urbana AFTER:Nature, est&atilde;o realizando uma arte do acontecimento. Aqui n&atilde;o importa produzir objetos que ser&atilde;o interpretados, mas experienciar o instante, o ai&ocirc;nico devir. Criar, portanto, n&atilde;o &eacute; apenas dar forma a uma mat&eacute;ria ou refletir sobre ela, mas erigir ritornelos, cristais de tempo, em materiais visuais, sonoros ou linguageiros (Zourabichvili, 2016, p. 148).</p>     <p>Na obra <i>Deleuze: uma filosofia do acontecimento,</i> Zourabichvili (2016) se remete &agrave; <i>L&oacute;gica do sentido</i> (Deleuze, 1974), onde Deleuze observou que n&atilde;o devemos nos perguntar qual &eacute; o sentido de um acontecimento, porque o acontecimento &eacute; o pr&oacute;prio sentido! E o acontecimento est&aacute; nas coisas n&atilde;o vis&iacute;veis ou n&atilde;o tang&iacute;veis, nas coisas abstratas como o espa&ccedil;o e o tempo.</p>     <p>A consist&ecirc;ncia do mundo est&aacute; no afeto ou sensa&ccedil;&atilde;o; em outras palavras, ela est&aacute; no acontecimento. Mas esse acontecimento n&atilde;o &eacute; do corpo, ainda que ele ocorra aos corpos; ele est&aacute; no limite dos corpos, na passagem de um estado de coisas a outro (por exemplo, crescer). Assim, por ser o efeito incorp&oacute;reo de misturas de corpos, o acontecimento &eacute; express&aacute;vel por natureza, o que torna a linguagem poss&iacute;vel (Zourabichvili, 2016, p. 145).</p>     <p>Para que ocorram &ldquo;dispara&ccedil;&otilde;es afetivas&rdquo; , novas maneiras de perceber, de sentir, de agir atrav&eacute;s da arte &eacute; preciso que algo &ldquo;force&rdquo; o pensamento, abale-o e o arraste numa busca, deve haver uma incita&ccedil;&atilde;o casual que depende de um encontro (Zourabichvili, 2016, p. 51). E um encontro efetivo n&atilde;o &eacute; certamente fusional; &eacute; preciso uma arte das dist&acirc;ncias, nem muito perto, nem muito longe (Zourabichvili, 2016, p. 133).</p>     <p><b>Tempos ai&ocirc;nicos</b></p>     <p>No ensaio &ldquo;O que &eacute; o contempor&acirc;neo?&rdquo; Agamben (2010) investiga o problema do tempo e aponta a necessidade da inven&ccedil;&atilde;o de um outro tempo, diferente do tempo cronol&oacute;gico. &Eacute; dessa experi&ecirc;ncia de inven&ccedil;&atilde;o de uma outra temporalidade, de um ritmo pr&oacute;prio, de um encontro alegre consigo mesmo e com o outro que gostar&iacute;amos de tratar. A obra dos artistas Manata e Laudares flerta com essa quest&atilde;o ao propor uma dilata&ccedil;&atilde;o e intensifica&ccedil;&atilde;o da experi&ecirc;ncia do tempo vivido.</p>     <p>Em&iacute;lia Ara&uacute;jo, em <i>Quando o tempo desaparece</i> (2007), reflete sobre essas quest&otilde;es dos ritmos do tempo capitalista e do tempo subjetivo. As ferramentas que marcam o tempo, como o rel&oacute;gio e o calend&aacute;rio, obrigam-nos a ter um certo ritmo, o qual regula a nossa vida. Os indiv&iacute;duos n&atilde;o poderiam organizar seu dia-a-dia sem estarem seguros das formas de medi&ccedil;&atilde;o do tempo. Entretanto, em outros s&eacute;culos, estes ritmos estavam desencontrados, pois cada sociedade possu&iacute;a o seu pr&oacute;prio ritmo temporal. Mas, hoje, nenhuma sociedade sobrevive sem a orienta&ccedil;&atilde;o de um mesmo sistema temporal. Esta uniformiza&ccedil;&atilde;o de ritmos faz com que as sociedades fiquem mais dependentes entre si, apesar das dist&acirc;ncias geogr&aacute;ficas que as separam (Ara&uacute;jo, 2007, p. 21). Apesar da utilidade do calend&aacute;rio, a capacidade para avaliar a passagem do tempo est&aacute; muito para al&eacute;m da aptid&atilde;o para manusear todos estes instrumentos de medida. Possu&iacute;mos a habilidade de sentir a passagem do tempo, que nos transforma o corpo e afeta nosso estado de esp&iacute;rito.</p>     <p>O tempo tal qual o espa&ccedil;o, &eacute; uma dimens&atilde;o f&iacute;sica, mas o tempo, diferentemente do espa&ccedil;o, &eacute; constitu&iacute;do do invis&iacute;vel. Verifica-se hoje uma acentuada impress&atilde;o de acelera&ccedil;&atilde;o do tempo. Os estudos realizados sobre os usos e a ocupa&ccedil;&atilde;o do tempo demonstram haver uma crescente &ldquo;fome de tempo&rdquo; , resultado da celeridade dos ritmos de vida dos indiv&iacute;duos. A pressa &eacute; uma constante, tudo deve ser r&aacute;pido e com poucos intervalos de espera (Ara&uacute;jo, 2007, p. 24).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A concep&ccedil;&atilde;o do tempo como algo exterior ao indiv&iacute;duo, que este deve controlar e administrar, &eacute; um princ&iacute;pio da constitui&ccedil;&atilde;o da sociedade moderna. A ideia de uma cronologia abstrata e universal tamb&eacute;m. Isto faz parte do processo de coloniza&ccedil;&atilde;o global do capital que precisa controlar o tempo dos indiv&iacute;duos. Entretanto, &eacute; imperativo pressupor que ritmos distintos se desenrolam ao mesmo tempo (Ara&uacute;jo, 2007, p. 32).</p>     <p>Apesar de sua imaterialidade, o tempo tem uma profunda capacidade de afetar o comportamento das pessoas, e este tempo objetivo e comercializ&aacute;vel tem consequ&ecirc;ncias sobre a experi&ecirc;ncia subjetiva dos indiv&iacute;duos, j&aacute; que a falta de tempo leva ao stress, a sentimentos de impaci&ecirc;ncia e &agrave; ansiedade (Ara&uacute;jo, 2007, p. 37).</p>     <p>Os indiv&iacute;duos, mesmo n&atilde;o estando s&oacute;s, deixam de se sentir parte integrante de um todo. Al&eacute;m disso, h&aacute; um adiamento de compromissos no plano biogr&aacute;fico e a redu&ccedil;&atilde;o da quantidade de tempo livre dispon&iacute;vel. N&atilde;o h&aacute; d&uacute;vidas de que a administra&ccedil;&atilde;o do tempo se tornou uma quest&atilde;o pol&iacute;tica (Ara&uacute;jo, 2007, p. 43).</p>     <p>A necessidade de resistir &agrave; vigente cronopol&iacute;tica ou &agrave; pol&iacute;tica de otimiza&ccedil;&atilde;o do tempo justifica-se tendo em vista o mal-estar presente na contemporaneidade. O princ&iacute;pio do desempenho rege a performance do trabalhador que deve estar dispon&iacute;vel em tempo integral, o que &eacute; viabilizado pelas novas tecnologias de comunica&ccedil;&atilde;o. H&aacute;, dessa forma, uma recusa da temporalidade da experi&ecirc;ncia. De acordo com a fil&oacute;sofa Olg&aacute;ria Matos (2007), h&aacute; este processo de altera&ccedil;&atilde;o da temporalidade que se constitui atrav&eacute;s de uma acelera&ccedil;&atilde;o do presente. A organiza&ccedil;&atilde;o institucional do tempo faz com que cada um perca o sentido e o comando do tempo de sua vida. A impossibilidade de ter tempo para buscar um sentido para sua exist&ecirc;ncia provoca no homem um sentimento de n&atilde;o pertencimento, de &ldquo;sentir-se sup&eacute;rfluo&rdquo; , &ldquo;um estranho no mundo&rdquo; . Dessa maneira, h&aacute; um afrouxamento dos la&ccedil;os, que se tornam pouco duradouros. A pressa acentua a superficialidade dos v&iacute;nculos, produzindo um empobrecimento interior; tendo em vista que os sentimentos exigem a dura&ccedil;&atilde;o para desenvolverem-se: &ldquo;sem la&ccedil;os est&aacute;veis, produz-se um d&eacute;ficit simb&oacute;lico no indiv&iacute;duo e na sociedade, uma vez que valores dependem de um espa&ccedil;o comum de experi&ecirc;ncias compartilhadas&rdquo; (Matos, 2007, p. 102).</p>     <p>Na obra <i>A nau do tempo-rei</i> (1993), na qual o fil&oacute;sofo Peter P&aacute;l Pelbart versa sobre o tempo da loucura, o autor busca repensar algumas de nossas clausuras temporais, est&eacute;ticas e existenciais, brincando de desfazer certas ordens cristalizadas no espelho do tempo. O autor busca uma &ldquo;leveza l&uacute;dica&rdquo; capaz de reinventar o cotidiano. Pelbart cita Paul Virilio para falar de uma cronopol&iacute;tica que est&aacute; em curso e cujos desdobramentos ainda s&atilde;o desconhecidos, embora promova um achatamento temporal que proporciona um regime de temporalidade que tende a abolir a pr&oacute;pria dura&ccedil;&atilde;o (Pelbart, 1993, p. 33). O autor pontua que enquanto a cronopol&iacute;tica hegem&ocirc;nica visa &agrave; acelera&ccedil;&atilde;o m&aacute;xima, a loucura n&atilde;o s&oacute; encarna uma desacelera&ccedil;&atilde;o, mas a reivindica&ccedil;&atilde;o de um outro tempo. E, sem d&uacute;vida, resgatar o &ldquo;jorrar do tempo&rdquo; &eacute; uma necessidade n&atilde;o s&oacute; para a loucura, mas para a nossa vida e pensamento e pode se dar atrav&eacute;s da arte. A proposta dos artistas Manata e Laudares &eacute; inventar &ldquo;ateli&ecirc;s de tempo&rdquo; , buscando um tempo dilatado, mais pr&oacute;ximo da dura&ccedil;&atilde;o bergsoniana.</p>     <p>Este espa&ccedil;o reservado ao contra-tempo, ao intempestivo encontra-se em The Place, lugar de imers&atilde;o imagin&aacute;ria, uma &ldquo;m&aacute;quina do tempo&rdquo; . Os artistas Manata e Laudares prop&otilde;em momentos de resist&ecirc;ncia &agrave; viol&ecirc;ncia intr&iacute;nseca do fren&eacute;tico regime temporal vigente e buscam resgatar essa dimens&atilde;o est&eacute;tica de experimentar a intensidade, promovendo uma esp&eacute;cie de &ldquo;ritman&aacute;lise&rdquo; (Pelbart, 1993), considerando a multiplicidade r&iacute;tmica de cada sujeito. A m&uacute;sica eletr&ocirc;nica permite mixar variadas vozes, evocar diversos tempos e temporalidades, onde todos s&atilde;o embalados pelo ritmo das batidas de um cora&ccedil;&atilde;o acelerado. H&aacute; aqui a proposta do &ldquo;entre&rdquo; , de um &ldquo;entrelugar&rdquo; (Santiago, 2000) em que n&atilde;o se est&aacute; na clausura da loucura, que possui um excesso do fora e de lentid&atilde;o do tempo, nem totalmente dentro de um sistema acelerado que n&atilde;o abre espa&ccedil;o para a cria&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Os artistas buscam n&atilde;o o tempo pulsado do Chronos, mas o tempo flutuante da <i>poiesis</i> encontrado em Aion (Pelbart, 1993, p. 80). A essa tentativa de &ldquo;partilha do sens&iacute;vel&rdquo; (Ranci&egrave;re, 2005) ou do &ldquo;como viver junto&rdquo; , Barthes (2003) denominou &ldquo;idiorritmia&rdquo; , palavra composta do voc&aacute;bulo &iacute;dios (pr&oacute;prio) e rhythm&oacute;s (ritmo), que foi apropriada do universo religioso, mas que pode se estender ao mundo profano. Dessa forma, apesar de viver em comunidade, o ritmo de cada um pode ter vez. Quando se refere &agrave; dura&ccedil;&atilde;o da vida, da vitalidade, do aion, o fil&oacute;sofo pr&eacute;-socr&aacute;tico Her&aacute;clito diz: &ldquo;dura&ccedil;&atilde;o da vida &eacute; uma crian&ccedil;a brincando, movendo pe&ccedil;as em um jogo. A realeza &eacute; da crian&ccedil;a&rdquo; (Kahn, 2009, p. 95). E Nietzsche acrescenta: &ldquo;&eacute; que a crian&ccedil;a &eacute; inoc&ecirc;ncia e esquecimento, um novo come&ccedil;ar, um brinquedo&rdquo; (Nietzsche, 1973, p. 31).</p>     <p>Em <i>L&oacute;gica do sentido</i> (Deleuze, 1974, pp. 90-93), no cap&iacute;tulo &ldquo;Do aion&rdquo; , Deleuze discorre a respeito destas duas dimens&otilde;es do tempo, a de Cronos e a de Aion. De acordo com Cronos, s&oacute; o presente existe no tempo e este presente &eacute; de alguma maneira corporal. Segundo Aion, somente o passado e o futuro insistem ou subsistem no tempo. Enquanto Cronos exprimia a a&ccedil;&atilde;o dos corpos e a cria&ccedil;&atilde;o das qualidades corporais, Aion &eacute; o lugar dos acontecimentos incorporais. Enquanto Cronos era insepar&aacute;vel dos corpos que o preenchiam, Aion &eacute; povoado de efeitos que o habitam sem nunca preench&ecirc;-lo. Este presente do Aion, que representa o instante &eacute; o presente do ator, do dan&ccedil;arino. O aion &eacute; &ldquo;subtrair-se da cronologia sem saltar para um al&eacute;m&rdquo; (Pelbart, 2008, p. 22).</p>     <p>Que &eacute;, pois, o tempo? &Eacute; o conectar imediato dos heterog&ecirc;neos, &eacute; simultaneamente o an&ocirc;nimo e o individuante, o impessoal e fonte de toda a identidade (Zourabichvili, 2016, pp. 108-109). O tempo, para Deleuze, n&atilde;o &eacute; aquele que valoriza a conex&atilde;o de sucess&atilde;o, &eacute; um tempo heterog&ecirc;neo, &eacute; o tempo do Acontecimento (Zourabichvili, 2016, p. 99). Num mesmo organismo, cada &oacute;rg&atilde;o possui seu presente e sua dura&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria, de modo que nele coexistem v&aacute;rios presentes, dura&ccedil;&otilde;es ou velocidades relativas. Assim sendo, cada um de n&oacute;s vive simultaneamente em v&aacute;rias linhas do tempo, sendo que algumas linhas se esfumam e se interrompem brutalmente, ao passo que outras se afirmam. O presente n&atilde;o d&aacute; conta de sua pr&oacute;pria passagem (Zourabichvili, 2016, p. 101). O terceiro modo do tempo pensado por Deleuze &eacute; uma temporalidade que n&atilde;o privilegia nem o presente, nem o passado, mas o futuro; tudo o que existe est&aacute; em devir (Zourabichvili, 2016, p. 106).</p>     <p><b>AFTER:Nature</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Um encontro, como o acontecimento em AFTER:Nature (2008), possibilita se arrebatar para uma nova dimens&atilde;o temporal. Esta instala&ccedil;&atilde;o sonora acusm&aacute;tica, em que n&atilde;o se via a fonte do som, reproduzindo uma trilha composta por sons de cantos de p&aacute;ssaros, aconteceu em pleno Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro. O projeto consistiu na instala&ccedil;&atilde;o de 42 <i>tweeters</i> na copa de cinco &aacute;rvores. Nesta obra, os artistas desejaram atrair as pessoas para esse lugar transmutador, propuseram uma desacelera&ccedil;&atilde;o no caos urbano, instigaram o passante a desfrutar dos sons dos cantos dos p&aacute;ssaros e at&eacute; permitiram aos mais desatentos descobrir, atrav&eacute;s de &ldquo;falhas&rdquo; na trilha e outros ru&iacute;dos, de que se tratava de um artif&iacute;cio ou dispositivo. Nas palavras do curador Eduardo Campos sobre a interven&ccedil;&atilde;o urbana: &ldquo;na polifonia das cidades, o canto dos p&aacute;ssaros funciona como som at&aacute;vico, fazendo-nos lembrar nostalgicamente da natureza, da anticiviliza&ccedil;&atilde;o, da perda do para&iacute;so&rdquo; (Campos, 2008, p. 15). A obra pontua um entrelugar, um entretempo, situando-se como uma obra de passagem.</p>     <p>Podemos pensar nesta obra como um arquivo, um <i>locus</i> da mem&oacute;ria, dos registros do passado (Derrida, 2001), um &ldquo;bloco m&aacute;gico&rdquo; , um brinquedo de crian&ccedil;a, que aciona sensa&ccedil;&otilde;es adormecidas na nossa mem&oacute;ria e revela que a emerg&ecirc;ncia do correio eletr&ocirc;nico e de outras formas de comunica&ccedil;&atilde;o, transformaram nossa maneira de viver e de nos relacionar com os espa&ccedil;os p&uacute;blicos e privados. H&aacute; tamb&eacute;m a inten&ccedil;&atilde;o de reinventar o cotidiano e transfigurar o lugar comum. Trata-se de uma desnaturaliza&ccedil;&atilde;o do ordin&aacute;rio, o que os franceses chamam de <i>d&eacute;paysement</i>, express&atilde;o que descreve o deslocamento de um lugar para outro e seus efeitos advindos das mudan&ccedil;as de h&aacute;bitos e de ambiente (Bueno, 2012). Quando os artistas mimetizam o som do canto dos p&aacute;ssaros, enfatizam o seu poder de nos permitir sentir e ativar perce&ccedil;&otilde;es anestesiadas pelo cotidiano apressado da cidade.</p>     <p>Esse tempo eterno, com vagar, tempo prazeroso, sem hor&aacute;rios apressados, sem obriga&ccedil;&otilde;es, refere-se a um gozo de tempo sem imediatez, numa outra curti&ccedil;&atilde;o do tempo, uma maneira de fruir o tempo diferente do tempo do capitalismo, como afirma Waly Salom&atilde;o, &ldquo;&eacute; o time is pleasure&rdquo; , &eacute; o reinado do prazer e a suspens&atilde;o do princ&iacute;pio de realidade, nem que seja por alguns instantes (Salom&atilde;o, 2015, p. 90).</p>     <p>A esfera de dura&ccedil;&atilde;o vivida pela m&uacute;sica n&atilde;o se refere a um per&iacute;odo de tempo – 10 minutos, meia hora ou uma fra&ccedil;&atilde;o do dia – mas a um tempo experienciado, ao &ldquo;agora&rdquo; , a uma passagem da vida que sentimos. Tal passagem &eacute; mensur&aacute;vel apenas em termos de sensibilidades, tens&otilde;es e emo&ccedil;&otilde;es. Nossa vida &eacute; medida pelo ritmo, pela respira&ccedil;&atilde;o e pela pulsa&ccedil;&atilde;o. Ouvir m&uacute;sica pode promover um estado &ldquo;fora do tempo&rdquo; (Langer, 2011, p. 28). De acordo com Langer, sempre que sentimos, estamos na presen&ccedil;a da arte, da experi&ecirc;ncia est&eacute;tica (Langer, 2011, pp. 116-117).</p>     <p>Nossa apropria&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o &eacute; sonora. Reconhecemos ru&iacute;dos e os sons mais diversos e constru&iacute;mos nossa mem&oacute;ria afetiva a partir dos sons dom&eacute;sticos, por exemplo. Barthes anuncia que o &ldquo;ford-da&rdquo; freudiano, marca o nascimento da linguagem, quando a crian&ccedil;a experimenta a aus&ecirc;ncia e a presen&ccedil;a da m&atilde;e com um jogo que consiste em lan&ccedil;ar e retomar um carretel amarrado num barbante, criando n&atilde;o s&oacute; o primeiro jogo simb&oacute;lico, mas tamb&eacute;m o ritmo (Barthes, 1990, p. 220). Barthes tamb&eacute;m diferencia ouvir, que &eacute; um fen&ocirc;meno fisiol&oacute;gico, de escutar, que &eacute; um ato psicol&oacute;gico (Barthes, 1990, p. 217). E cada um possui a sua sinfonia pessoal, constru&iacute;da atrav&eacute;s das experi&ecirc;ncias.</p>     <p><b>Fragmentos finais</b></p>     <p>Manata e Laudares lan&ccedil;am na contemporaneidade pequenas luzes, como vaga-lumes, que possuem luz pr&oacute;pria, mas precisam do outro para conseguir iluminar uma por&ccedil;&atilde;o maior do seu tempo. Sua arte, atrav&eacute;s do dispositivo da m&uacute;sica, desperta esses seres dan&ccedil;antes e cheios de vitalidade, proporcionando lampejos, &ldquo;ao mesmo tempo er&oacute;ticos, alegres e inventivos&rdquo; (Didi-Huberman, 2011, p. 20), uma esp&eacute;cie de &ldquo;exce&ccedil;&atilde;o da alegria inocente&rdquo; (Didi-Huberman, 2011, p. 21) num mundo em que o tempo &eacute; t&atilde;o acelerado e sem muito tempo para a poesia. Esse lugar crucial &ldquo;onde a pol&iacute;tica se encarnaria nos corpos, nos gestos e nos desejos de cada um (Didi-Huberman, 2011, pp. 24-25) &eacute; sem d&uacute;vida um movimento de resist&ecirc;ncia, talvez muito fr&aacute;gil e sutil, mas necess&aacute;rio para iluminar a nossa noite. Quando Pasolini escreveu sobre os vaga-lumes referiu-se ao desaparecimento do humano no cora&ccedil;&atilde;o da sociedade atual, ele se referia a um mal-estar na cultura. Didi-Huberman nesta obra intitulada <i>Sobreviv&ecirc;ncia dos vagalumes</i> (2011) faz uma interfer&ecirc;ncia neste tempo apocal&iacute;ptico e prop&otilde;e uma &ldquo;pol&iacute;tica de sobreviv&ecirc;ncias&rdquo; , de percep&ccedil;&atilde;o da &ldquo;nova beleza de uma coreografia&rdquo; , de uma inven&ccedil;&atilde;o de formas, de &ldquo;redescobrir a inf&acirc;ncia do olhar sobre todas as coisas&rdquo; que possam emitir &ldquo;parcelas de humanidade&rdquo; (Didi-Huberman, 2011). </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <!-- ref --><p>Agamben, G. (2005). <i>Inf&acirc;ncia e hist&oacute;ria: destrui&ccedil;&atilde;o da experi&ecirc;ncia e origem da hist&oacute;ria</i>. Belo horizonte: Editora UFMG.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2014359&pid=S2183-3575201900020000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Agamben, G. (2010). O que &eacute; o contempor&acirc;neo? In G. Agamben, <i>Nudez</i> (pp. 19-29). Lisboa: Rel&oacute;gio D&rsquo; &Aacute;gua.</p>     <!-- ref --><p>Ara&uacute;jo, E. (2007). O desaparecimento do tempo nas sociedades modernas. In E. Ara&uacute;jo &amp; A. Duarte (Eds.), <i>Tempo e simultaneidade: o desaparecimento do tempo</i> (pp.21-47). Porto: eCopy.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2014362&pid=S2183-3575201900020000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Barthes, R. (2003). <i>Como viver junto: simula&ccedil;&otilde;es romanescas de alguns espa&ccedil;os cotidianos: cursos e semin&aacute;rios no Coll&egrave;ge de France, 1976-1977</i>. S&atilde;o Paulo: Martins Fontes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2014364&pid=S2183-3575201900020000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Barthes, R. (2004). <i>Incidentes.</i> S&atilde;o Paulo: Martins Fontes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2014366&pid=S2183-3575201900020000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Barthes, R. (1990). <i>O &oacute;bvio e o obtuso.</i> Rio de Janeiro: Nova Fronteira.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2014368&pid=S2183-3575201900020000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Bataille, G. (1943). <i>L&rsquo;exp&eacute;rience int&eacute;rieure.</i> Paris: Gallimard.</p>     <!-- ref --><p>Bueno, G. (2012, agosto). Franz Manata e Saulo Laudares. <i>Dasartes, 23</i>. Retirado de <a href="http://dasartes.com.br/materias/franz-manata-e-saulo-laudares/" target="_blank">http://dasartes.com.br/materias/franz-manata-e-saulo-laudares/</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2014371&pid=S2183-3575201900020000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Campos, M. (2008). AFTER: Nature. In <i>Cat&aacute;logo Interfer&ecirc;ncias Urbanas</i>, pr&ecirc;mio 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2014372&pid=S2183-3575201900020000700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Deleuze, G. (1974). <i>L&oacute;gica do sentido.</i> S&atilde;o Paulo: Perspectiva, Ed. da Universidade de S&atilde;o Paulo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2014374&pid=S2183-3575201900020000700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Deleuze, G. (1999). <i>O ato de cria&ccedil;&atilde;o. Palestra de 1987</i>. Edi&ccedil;&atilde;o brasileira: Folha de S&atilde;o Paulo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2014376&pid=S2183-3575201900020000700011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Deleuze, G. (2002). <i>Espinosa uma filosofia pr&aacute;tica.</i> S&atilde;o Paulo: Editora Escuta.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2014378&pid=S2183-3575201900020000700012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Deleuze, G. (2007). <i>Francis Bacon - l&oacute;gica da sensa&ccedil;&atilde;o.</i> Rio de Janeiro: Zahar.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2014380&pid=S2183-3575201900020000700013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Deleuze, G. (2013). <i>Conversa&ccedil;&otilde;es.</i> S&atilde;o Paulo: Editora 34.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2014382&pid=S2183-3575201900020000700014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Deleuze, G. &amp; Guatarri, F. (1996). <i>Mil plat&ocirc;s: capitalismo e esquizofrenia, vol. 3</i>. S&atilde;o Paulo: Ed. 34.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2014384&pid=S2183-3575201900020000700015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Deleuze, G. &amp; Guatarri, F. (2005). <i>O que &eacute; filosofia?</i> Rio de Janeiro: Ed. 34.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2014386&pid=S2183-3575201900020000700016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Deleuze, G. &amp; Guatarri, F. (2011). <i>O anti-&Eacute;dipo: capitalismo e esquizofrenia.</i> S&atilde;o Paulo: Ed. 34.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2014388&pid=S2183-3575201900020000700017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Deleuze, G. &amp; Parnet, C. (1998). <i>Di&aacute;logos.</i> S&atilde;o Paulo: Escuta.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2014390&pid=S2183-3575201900020000700018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Derrida, J. (2001). <i>Mal de arquivo: uma impress&atilde;o freudiana.</i> Rio de Janeiro: Relume Dumar&aacute;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2014392&pid=S2183-3575201900020000700019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->.</p>     <!-- ref --><p>Didi-Huberman, G. (2011). <i>Sobreviv&ecirc;ncia dos vagalumes.</i> Belo Horizonte: Editora UFMG.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2014394&pid=S2183-3575201900020000700020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Furtado, B. &amp; Lins, D. (Eds.). (2008). <i>Fazendo rizoma.</i> S&atilde;o Paulo: Hedra.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2014396&pid=S2183-3575201900020000700021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Gadelha, C. (2010). A respeito de modernos e contempor&acirc;neos<i>. Anais VI Congresso da ABRACE, 11</i>(1), 1-5. Retirado de <a href="http://www.publionline.iar.unicamp.br/index.php/abrace/article/view/3358/3516" target="_blank">https://www.publionline.iar.unicamp.br/index.php/abrace/article/view/3358/3516</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2014398&pid=S2183-3575201900020000700022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Kahn, C. (2009). <i>A arte e o pensamento de Her&aacute;clito.</i> S&atilde;o Paulo: Paulus.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2014399&pid=S2183-3575201900020000700023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Kiffer, A., Bident, C. &amp; Rezende, R. (ORG). (2012). <i>Experi&ecirc;ncia e arte contempor&acirc;nea.</i> Rio de Janeiro: Editora Circuito.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2014401&pid=S2183-3575201900020000700024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Langer, S. K. (2011). <i>Sentimento e forma: uma teoria da arte desenvolvida a partir de filosofia e nova chave.</i> S&atilde;o Paulo: Perspectiva.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2014403&pid=S2183-3575201900020000700025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Lispector, C. (1980). <i>Perto do cora&ccedil;&atilde;o selvagem.</i> Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2014405&pid=S2183-3575201900020000700026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Lins, D. (1999). <i>Antonin Artaud, o artes&atilde;o do corpo sem &oacute;rg&atilde;os.</i> Rio de Janeiro: Relume Dumar&aacute;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2014407&pid=S2183-3575201900020000700027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->.</p>     <!-- ref --><p>Matos, O. (2007). O mal-estar na contemporaneidade: performance e tempo<i>.</i> In M. Medeiros, M. Monteiro, &amp; T. Matsumoto (Eds.), <i>Tempo e performance</i> (pp. 11-20)<i>.</i> Bras&iacute;lia: Editora de P&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em Arte da Universidade de Bras&iacute;lia.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2014409&pid=S2183-3575201900020000700028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Nietzsche, F. (1973). <i>Assim falou Zaratustra.</i> Lisboa: Guimar&atilde;es Editores.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2014411&pid=S2183-3575201900020000700029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Orlandi, L. (2004). Corporeidades em minidesfile. Retirado de <a href="http://www.pucsp.br/nucleodesubjetividade/Textos/orlandi/corporeidade_minidesfiles.pdf" target="_blank">http://www.pucsp.br/nucleodesubjetividade/Textos/orlandi/corporeidade_minidesfiles.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2014413&pid=S2183-3575201900020000700030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Pelbart, P. P. (1993). <i>A nau do tempo-rei: sete ensaios sobre o tempo da Loucura.</i> Rio de Janeiro: Imago.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2014414&pid=S2183-3575201900020000700031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Pelbart, P. P. (2008). <i>O tempo n&atilde;o-reconciliado: imagens de tempo em Deleuze.</i> S&atilde;o Paulo: Perspectiva.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2014416&pid=S2183-3575201900020000700032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Ranci&egrave;re, J. (2005). <i>A partilha do sens&iacute;vel: est&eacute;tica e pol&iacute;tica.</i> S&atilde;o Paulo: Editora 34.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2014418&pid=S2183-3575201900020000700033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Rolnik, S. (2016). <i>Cartografia sentimental: transforma&ccedil;&otilde;es contempor&acirc;neas do desejo.</i> Porto Alegre: Editora Sulina; Editora da UFRGS.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2014420&pid=S2183-3575201900020000700034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Safatle, V. (2016). <i>O circuito dos afetos: corpos pol&iacute;ticos, desamparo e o fim do indiv&iacute;duo.</i> Belo Horizonte: Aut&ecirc;ntica.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2014422&pid=S2183-3575201900020000700035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Salom&atilde;o, W. (2015). <i>H&eacute;lio Oiticica: qual &eacute; o parangol&eacute;?</i> S&atilde;o Paulo: Companhia das Letras.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2014424&pid=S2183-3575201900020000700036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Santiago, S. (2000). <i>Uma literatura nos tr&oacute;picos</i>. Rio de Janeiro: Rocco.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2014426&pid=S2183-3575201900020000700037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Sodr&eacute;, M. (2016, agosto). <i>Educa&ccedil;&atilde;o e diversidade</i> [Palestra].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2014428&pid=S2183-3575201900020000700038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> UFBA, dia 29 de agosto de 2016, Salvador, BA.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Zourabichvili, F. (2016). <i>Deleuze: uma filosofia do acontecimento.</i> S&atilde;o Paulo: Editora 34.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2014430&pid=S2183-3575201900020000700039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Nota biogr&aacute;fica</b></p>     <p>Priscilla Porto Nascimento Fasani &eacute; doutorada em Cultura e Sociedade pela Universidade Federal da Bahia (2019), mestre em Ci&ecirc;ncia da Arte pela Universidade Federal Fluminense (2006) e graduada em Comunica&ccedil;&atilde;o Social pela Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica do Rio de Janeiro (2000). Publicou o livro <i>A rela&ccedil;&atilde;o &eacute;tica da arte na sociedade do espet&aacute;culo</i> pela Editora da UFF (2007). &Eacute; integrante do grupo de pesquisa Ecus da UFBA desde 2015.</p>     <p>ORCID: <a href="https://orcid.org/0000-0002-1521-1818" target="_blank">https://orcid.org/0000-0002-1521-1818</a></p>     <p>Email: <a href="mailto:priscillafasani@hotmail.com">priscillafasani@hotmail.com</a></p>     <p>Morada: Rua do Mangalo 277 - apto 102 – Patamares - Cep. 41.680-048 - Salvador - Bahia - Brasil</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>* Submetido: 01/09/2018</b></p>     <p><b>* Aceite: 10/2/2019</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Notas</b></p>     <p><sup><a href="#top1" name="1">[1]</a></sup> Para Jacques Ranci&eacute;re, em <i>A partilha do sens&iacute;vel</i> (2005), partilha significa tanto a participa&ccedil;&atilde;o em um conjunto comum quanto, inversamente, a separa&ccedil;&atilde;o, a distribui&ccedil;&atilde;o em quinh&otilde;es. A partilha do sens&iacute;vel &eacute; um ato pol&iacute;tico e se refere a um encontro discordante de perce&ccedil;&otilde;es individuais. H&aacute; um ritmo compartilhado e, ao mesmo tempo, um ritmo pr&oacute;prio de cada participante.</p>     <p><sup><a href="#top2" name="2">[2]</a></sup> De acordo com Muniz Sodr&eacute; (2016), etimologicamente, a palavra experi&ecirc;ncia vem do latim, <i>experiri</i>, e &eacute; formada por ex (fora), <i>peri</i> (per&iacute;metro, limite) e <i>entia</i> (aprender). Refere-se ao ato de aprender al&eacute;m dos limites, das fronteiras, h&aacute; um deslocamento espacial, uma aventura, uma viagem, uma travessia, onde o mais importante &eacute; o processo, a dura&ccedil;&atilde;o, o devir.</p>     <p><sup><a href="#top3" name="3">[3]</a></sup> Daniel Lins, no artigo &ldquo;Alegria como for&ccedil;a revolucion&aacute;ria&rdquo; , explica que uma hecceidade &eacute; um modo de individua&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica que constitui individualidades novas e resiste &agrave; pris&atilde;o identit&aacute;ria regida pelo pensamento ontol&oacute;gico, mediante a conex&atilde;o de um conjunto de elementos heterog&ecirc;neos materiais, os quais Deleuze nomeia de longitude e latitude, movimento e repouso, velocidade e lentid&atilde;o, rizoma, n&atilde;o &eacute; uma forma, &eacute; uma entidade in&eacute;dita e movedi&ccedil;a (Furtado &amp; Lins, 2008, p. 52).</p>      ]]></body><back>
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