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<article-id pub-id-type="doi">10.17231/comsoc.36(2019).2390</article-id>
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<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Introductory note]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade Charles Instituto de Estudos da Comunicação e Jornalismo ]]></institution>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>NOTA INTRODUT&Oacute;RIA</b></p>     <p><b>Nota introdut&oacute;ria</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introductory note</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> //     <p><b>F&aacute;bio Ribeiro*</b></p> <img src="/img/revistas/id_orcid.gif"> <a href="https://orcid.org/0000-0001-8071-6145" target="_blank">https://orcid.org/0000-0001-8071-6145</a>     
<p></p>     <p><b>Ana Duarte Melo**</b></p> <img src="/img/revistas/id_orcid.gif"> <a href="https://orcid.org/0000-0002-4598-7174" target="_blank">https://orcid.org/0000-0002-4598-7174</a>     
<p></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Nico Carpentier***</b></p> <img src="/img/revistas/id_orcid.gif"> <a href="https://orcid.org/0000-0002-8996-4636" target="_blank">https://orcid.org/0000-0002-8996-4636</a>     
<p></p> //     <p> //*Departamento de Letras, Artes e Comunica&ccedil;&atilde;o, Escola de Ci&ecirc;ncias Humanas e Sociais,     <br>   Universidade de Tr&aacute;s-os-Montes e Alto Douro / Centro de Estudos de Comunica&ccedil;&atilde;o e Sociedade, Instituto de Ci&ecirc;ncias Sociais, Universidade do Minho, Portugal, <a href="mailto:fabior@utad.pt">fabior@utad.pt</a>. //    <br>   //**Centro de Estudos de Comunica&ccedil;&atilde;o e Sociedade, Instituto de Ci&ecirc;ncias Sociais, Universidade do Minho, Portugal, <a href="mailto:anamelo@ics.uminho.pt">anamelo@ics.uminho.pt</a>. //    <br>   //***Instituto de Estudos da Comunica&ccedil;&atilde;o e Jornalismo, Universidade Charles, Rep&uacute;blica Checa, <a href="mailto:nico.carpentier@fsv.cuni.cz">nico.carpentier@fsv.cuni.cz</a>. //</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Por que &eacute; que a participa&ccedil;&atilde;o &eacute; relevante? O que se entende quando o conceito &eacute; usado? Como podemos garantir uma utiliza&ccedil;&atilde;o do termo &quot;participa&ccedil;&atilde;o&quot;de um modo respons&aacute;vel e com significado nos diferentes espa&ccedil;os da sociedade? Estas s&atilde;o, provavelmente, as quest&otilde;es mais importantes que nos motivaram, editores desta edi&ccedil;&atilde;o da revista <i>Comunica&ccedil;&atilde;o e Sociedade</i>, a propor uma discuss&atilde;o sobre a relev&acirc;ncia da participa&ccedil;&atilde;o e a convidar acad&eacute;micos de todo o mundo a apresentar diferentes perspetivas a partir de uma abordagem positiva e significativa sobre esta realidade. O resultado deste longo processo &eacute; este volume da revista, intitulado &quot;Resgatar a participa&ccedil;&atilde;o&quot;.</p>     <p>Esta edi&ccedil;&atilde;o apresenta 10 artigos, dispon&iacute;veis em Portugu&ecirc;s e Ingl&ecirc;s, produzidos por pesquisadores de diferentes latitudes geogr&aacute;ficas. Muitos v&ecirc;m da Europa (B&eacute;lgica, Portugal, Reino Unido, Espanha e Su&eacute;cia), e alguns do Brasil e da Indon&eacute;sia. Os(as) autores(as) apresentam estudos sobre o que consideram uma abordagem positiva – e pragm&aacute;tica – da participa&ccedil;&atilde;o, numa variedade assinal&aacute;vel de campos, incluindo consultas p&uacute;blicas sobre quest&otilde;es ambientais; participa&ccedil;&atilde;o no &acirc;mbito da pol&iacute;tica cultural; participa&ccedil;&atilde;o nas escolas prim&aacute;rias (como parte integrante de um projeto de literacia medi&aacute;tica); na produ&ccedil;&atilde;o colaborativa de um gui&atilde;o de fic&ccedil;&atilde;o/dram&aacute;tico; e, finalmente, como uma maneira de envolver comunidades marginalizadas. Provavelmente, a &uacute;nica exce&ccedil;&atilde;o a essa vis&atilde;o pragm&aacute;tica pode ser encontrada no &uacute;ltimo artigo, que traz a alta teoria de volta &agrave; discuss&atilde;o, argumentando que a participa&ccedil;&atilde;o pode ser percebida como um talism&atilde; (novamente uma perspetiva positiva) dentro de uma din&acirc;mica social contempor&acirc;nea.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O primeiro artigo desta revista, &quot;Resgatar a participa&ccedil;&atilde;o: para uma cr&iacute;tica sobre o lado oculto do conceito&quot;, desempenha um papel espec&iacute;fico. Escrito pelos editores – Nico Carpentier, Ana Duarte Melo e F&aacute;bio Ribeiro –, reflete sobre a contribui&ccedil;&atilde;o deste volume tem&aacute;tico para a teoria participativa. Neste sentido, o ponto de partida da an&aacute;lise sustenta-se na fluidez do conceito de participa&ccedil;&atilde;o e nos seus diferentes significados dentro de uma infinidade de marcos te&oacute;ricos e tradi&ccedil;&otilde;es acad&eacute;micas. Al&eacute;m disso, como conceito-chave, a participa&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m est&aacute; sujeita &agrave;s tend&ecirc;ncias que caracterizam a investiga&ccedil;&atilde;o acad&eacute;mica. No campo disciplinar dos Estudos da Comunica&ccedil;&atilde;o e dos M&eacute;dia, o conceito de participa&ccedil;&atilde;o voltou a ganhar popularidade com o surgimento da Web 2.0 – e mais tarde com as redes sociais – condensando o otimismo e a esperan&ccedil;a de futuras democratiza&ccedil;&otilde;es das sociedades. Na verdade, o que se seguiu depois deste contexto hist&oacute;rico resultou num certo desapontamento com essas expectativas imposs&iacute;veis de cumprir na totalidade, e que agora produzem o risco de desacreditar a no&ccedil;&atilde;o de participa&ccedil;&atilde;o em si, atrav&eacute;s da sua integra&ccedil;&atilde;o e alinhamento com lados obscuros do comportamento humano. Este artigo tem como objetivo resistir a esse movimento, atrav&eacute;s de duas linhas de argumenta&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>A primeira linha de argumenta&ccedil;&atilde;o baseia-se nas discuss&otilde;es sobre a defini&ccedil;&atilde;o de participa&ccedil;&atilde;o, nas quais as abordagens dist&oacute;pica e alarmista em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; participa&ccedil;&atilde;o desenvolvem defini&ccedil;&otilde;es muito amplas deste conceito, que implicitamente sugerem que a participa&ccedil;&atilde;o se resume a todas as formas de intera&ccedil;&atilde;o social. A abordagem mais restritiva &agrave; participa&ccedil;&atilde;o, que propomos e tornamos expl&iacute;cita, permite enfatizar o que n&atilde;o &eacute; participa&ccedil;&atilde;o. Tamb&eacute;m nos permite argumentar que a participa&ccedil;&atilde;o &eacute; inerentemente &eacute;tica e precisa de ser diferenciada das suas condi&ccedil;&otilde;es de efetividade, dos seus resultados e precisa de ser incorporada numa cultura democr&aacute;tica. A segunda linha de argumenta&ccedil;&atilde;o n&atilde;o oferece uma cr&iacute;tica &agrave;s posi&ccedil;&otilde;es negativistas sobre o conceito central desta revista, apenas desenvolve uma abordagem mais positiva, analisando as &aacute;reas de relev&acirc;ncia para a participa&ccedil;&atilde;o. Neste sentido, utiliza-se o modelo das tr&ecirc;s l&oacute;gicas – desenvolvido por Glynos e Howarth (2007) – para argumentar a relev&acirc;ncia social, pol&iacute;tica e fant&aacute;stica da participa&ccedil;&atilde;o. A combina&ccedil;&atilde;o dessas l&oacute;gicas produz uma lista abrangente de argumentos (ou seja, os argumentos protetores, agonistas, de direitos humanos, educacionais, integrativos, de frui&ccedil;&atilde;o e condu&ccedil;&atilde;o) que juntos permitem argumentar que a participa&ccedil;&atilde;o &eacute; ainda importante e precisa de ser protegida de cr&iacute;ticas alarmistas, fundadas em argumentos te&oacute;ricos ing&eacute;nuos.</p>     <p>O segundo artigo deste volume, da autoria de Miren Guti&eacute;rrez, intitula-se &quot;Participa&ccedil;&atilde;o num ambiente datificado: quest&otilde;es sobre literacia de dados&quot;. Neste caso, a autora discute as consequ&ecirc;ncias do &quot;processo de datifica&ccedil;&atilde;o de tudo&quot;para a participa&ccedil;&atilde;o, apontando para um contexto em que o ambiente digital se tornou num espa&ccedil;o importante e num importante facilitador da participa&ccedil;&atilde;o. Em vez de celebrar ingenuamente as capacidades do digital de aprimorar (ou at&eacute; reconhecer) a participa&ccedil;&atilde;o, Guti&eacute;rrez analisa as suas barreiras e oportunidades, onde a ansiedade de dados e o trabalho da ind&uacute;stria de infraestrutura de dados podem impor limites s&eacute;rios. Guti&eacute;rrez concentra-se principalmente noutra barreira, a saber, a aus&ecirc;ncia de literacia de dados, sendo que esta constitui uma condi&ccedil;&atilde;o significativa da possibilidade de participa&ccedil;&atilde;o. O seu argumento principal &eacute;, ent&atilde;o, que – nessa matriz de rela&ccedil;&otilde;es desiguais de poder – a participa&ccedil;&atilde;o pode (e precisa) de ser resgatada pela demoli&ccedil;&atilde;o dessas barreiras e pela cria&ccedil;&atilde;o de novos espa&ccedil;os que permitem que pessoas comuns exer&ccedil;am efetivamente a sua ag&ecirc;ncia de dados.</p>     <p>Em &quot;Para ale´m dos obsta´culos: experie&#094;ncias de consultas pu´blicas e a possibilidade de e´tica e releva&#094;ncia na participac¸a~o&quot;, Maria Fernandes-Jesus, Eunice Castro Seixas e Anabela Carvalho analisam as capacidades participativas de consultas p&uacute;blicas, que frequentemente s&atilde;o criticadas por permanecerem presas a uma abordagem <i>token&iacute;stica </i>da participa&ccedil;&atilde;o. Para se articular com esta discuss&atilde;o te&oacute;rica, o artigo apresenta uma abordagem emp&iacute;rica e analisa uma consulta p&uacute;blica espec&iacute;fica, lan&ccedil;ada em 2013, relacionada com a constru&ccedil;&atilde;o de linhas de alta tens&atilde;o ligando partes do Noroeste de Portugal e Espanha. Para melhor entender as experi&ecirc;ncias narradas dos cidad&atilde;os, os autores empregam a distin&ccedil;&atilde;o entre acesso, posi&ccedil;&atilde;o e influ&ecirc;ncia, usada por Senecah (2004). Esta distin&ccedil;&atilde;o refere-se a tr&ecirc;s elementos (interdependentes): a capacidade de falar sobre oportunidades e escolhas, a legitimidade do processo e o impacto que estas vozes t&ecirc;m no resultado. As entrevistas e as discuss&otilde;es dos grupos focais mostram um conjunto de cr&iacute;ticas &agrave; natureza democr&aacute;tica do processo de consulta, que foi considerado enganoso, desonesto e desrespeitoso. Mas, como argumentaram os autoras, a an&aacute;lise das vozes dos cidad&atilde;os tamb&eacute;m mostrou a express&atilde;o de um desejo de participa&ccedil;&atilde;o (genu&iacute;na), por exemplo, formulando propostas para melhorar as intensidades participativas das consultas p&uacute;blicas. Estas vozes alimentam a argumenta&ccedil;&atilde;o de que h&aacute; um impulso para a participa&ccedil;&atilde;o e para o empoderamento, que torna a participa&ccedil;&atilde;o preciosa e requer a sua implementa&ccedil;&atilde;o na pr&aacute;tica social.</p>     <p>O artigo de Sofia Lindstr&ouml;m Sol, intitulado &quot;O valor democr&aacute;tico da participa&ccedil;&atilde;o na pol&iacute;tica cultural sueca&quot;, centra-se no campo da cultura e das artes, para estudar como a participa&ccedil;&atilde;o (cultural) se articula neste campo. Mesmo que as pol&iacute;ticas culturais suecas tenham um ponto de partida hegem&oacute;nico – a ideia de que a cultura &eacute; boa – existem diferentes articula&ccedil;&otilde;es discursivas dessa ideia principal. A autora distingue dois discursos principais: a cultura-facilitadora (das coisas boas) e a cultura-preventiva (das coisas m&aacute;s), uma distin&ccedil;&atilde;o que afeta estruturalmente o modo como a participa&ccedil;&atilde;o &eacute; definida, seja inerente ou instrumental, como um meio em si mesma ou um meio para um fim, ou, por outras palavras, impulsionada por um modelo corporativista ou populista. Ao refletir sobre as poss&iacute;veis reconcilia&ccedil;&otilde;es de ambos os modelos e a sua poss&iacute;vel natureza complementar, a autora aponta para a discuss&atilde;o sobre a interpreta&ccedil;&atilde;o da participa&ccedil;&atilde;o e, portanto, para a sua centralidade nas discuss&otilde;es contempor&acirc;neas sobre pol&iacute;tica cultural – nas quais a participa&ccedil;&atilde;o &eacute; claramente significativa o suficiente para ser discutida –, mas tamb&eacute;m para a dif&iacute;cil rela&ccedil;&atilde;o entre os campos das artes e da pol&iacute;tica, com suas l&oacute;gicas de cria&ccedil;&atilde;o e governan&ccedil;a cultural. Isto levanta finalmente a quest&atilde;o sobre quem decide sobre a natureza, o objeto e a intensidade da participa&ccedil;&atilde;o no campo das artes.</p>     <p>A participa&ccedil;&atilde;o em idades muito jovens est&aacute; no centro do artigo &quot;Cidadania ativa e participa&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s dos m&eacute;dia: um projeto comunit&aacute;rio focado em crian&ccedil;as do Pr&eacute;-escolar e 1&ordm; Ciclo&quot;. Aqui, V&iacute;tor Tom&eacute;, Paula Lopes, Bruno Reis e Carlos Pedro Dias – todos da Universidade Aut&oacute;noma de Lisboa (Portugal) – analisam como o ambiente educacional e as fam&iacute;lias permitem que as crian&ccedil;as se tornem cidad&atilde;os digitais ativos. O artigo &eacute; uma an&aacute;lise da participa&ccedil;&atilde;o no projeto &quot;Educa&ccedil;&atilde;o para a cidadania digital para participa&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica&quot;, realizado em 2015, numa comunidade nos arredores de Lisboa. Usando uma metodologia de investiga&ccedil;&atilde;o-a&ccedil;&atilde;o, a pesquisa estudou contextos formais, n&atilde;o-formais e informais de aprendizagem, avaliando a autoperce&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; cidadania e participa&ccedil;&atilde;o c&iacute;vica, mas tamb&eacute;m as perce&ccedil;&otilde;es dos professores e dos encarregados de educa&ccedil;&atilde;o. A an&aacute;lise acompanhou as crian&ccedil;as que evolu&iacute;ram da n&atilde;o participa&ccedil;&atilde;o para o envolvimento claro e do uso dos m&eacute;dia tradicionais para a produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do digital. Na sua avalia&ccedil;&atilde;o, os autores apontam a import&acirc;ncia do conhecimento pr&eacute;vio do contexto, a fim de permitir a implementa&ccedil;&atilde;o adequada de tais projetos, garantindo o envolvimento e o comprometimento das autoridades educacionais, o apoio dos investigadores aos professores e a contribui&ccedil;&atilde;o dos profissionais dos m&eacute;dia.</p>     <p>&quot;A pr&aacute;tica da participa&ccedil;&atilde;o mediada em comunidades marginalizadas na Indon&eacute;sia&quot;, por Kurniawan Adi Saputro, do Instituto Indone´sio das Artes Yogyakarta, e Bari Paramarta Islam, investigador independente, lida com a produ&ccedil;&atilde;o de filmes participativos. O artigo foca-se em dois estudos de caso de comunidades marginalizadas na Indon&eacute;sia: uma comunidade de crentes numa religi&atilde;o tradicional (<i>penghayat</i>), em Elu Loda, e uma comunidade de pessoas com defici&ecirc;ncia, em Salam Rejo. As duas comunidades foram observadas durante a sua participa&ccedil;&atilde;o em oficinas de cinema, de outubro de 2018 a fevereiro de 2019, resultando numa an&aacute;lise do contexto da participa&ccedil;&atilde;o e de como essas pr&aacute;ticas a possibilitam e restringem. Utilizando entrevistas e question&aacute;rios para estudar a rela&ccedil;&atilde;o entre pr&aacute;ticas comunicativas e <i>storytelling</i>, os autores mostram como as narrativas pessoais e coletivas sobre as identidades e hist&oacute;rias dos participantes emergiram da experi&ecirc;ncia e como estas foram estruturadas pelas formas e g&eacute;neros comunicativos, pelo contexto cultural e pela inser&ccedil;&atilde;o dos participantes na comunidade.</p>     <p>Um caso de participa&ccedil;&atilde;o h&iacute;brida, n&atilde;o humana – demonstrando que a participa&ccedil;&atilde;o &eacute; importante por causa da sua capacidade de convocar uma diversidade de vozes – &eacute; descrito em &quot;Participa&ccedil;&atilde;o e patrim&oacute;nio cultural imaterial: o estudo de caso de ‘<i>Tava</i>, lugar de refer&ecirc;ncia para o povo Guarani'&quot;. Neste artigo, Rodrigo Lacerda concentra-se no processo de reconhecimento do patrim&oacute;nio cultural imaterial (PCI), institucionalizado pela Unesco (2003); &eacute; um processo que requer a participa&ccedil;&atilde;o de grupos e comunidades na identifica&ccedil;&atilde;o, salvaguarda e manuten&ccedil;&atilde;o de seu patrim&oacute;nio. Analisando a patrimonializa&ccedil;&atilde;o de uma d&eacute;cada das ru&iacute;nas da Miss&atilde;o Jesu&iacute;tico-Guarani de S&atilde;o Miguel, no Rio Grande do Sul (Brasil), o autor descreve como a resist&ecirc;ncia inicial dos Guarani ao processo foi gradualmente superada, por afinidade e reciprocidade nas rela&ccedil;&otilde;es entre agentes ind&iacute;genas e n&atilde;o ind&iacute;genas, a valoriza&ccedil;&atilde;o do potencial pol&iacute;tico do processo de reconhecimento do patrim&oacute;nio e a influ&ecirc;ncia de aspetos espirituais – nomeadamente a participa&ccedil;&atilde;o de atores n&atilde;o-humanos –, que resultaram, em 2014, na identifica&ccedil;&atilde;o e registo desse marco cultural.</p>     <p>No artigo &quot;Plataformas online de participa&ccedil;&atilde;o cidad&atilde;: meta-s&iacute;ntese e avalia&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica de seus impactos sociais e pol&iacute;ticos&quot;, escrito pelas autoras brasileiras Rose Marie Santini e Hanna Carvalho, podemos encontrar uma profunda preocupa&ccedil;&atilde;o com a efic&aacute;cia da inclus&atilde;o do cidad&atilde;o na esfera p&uacute;blica e digital. Com base numa revis&atilde;o bibliogr&aacute;fica muito sistem&aacute;tica, com foco nos principais peri&oacute;dicos mundiais inclu&iacute;dos na Scopus e na Web of Science, as autoras analisaram um grande n&uacute;mero de artigos cient&iacute;ficos. A sua an&aacute;lise permitiu concluir, por exemplo, que os cidad&atilde;os ainda lutam com os seus governos para obter explica&ccedil;&otilde;es sobre estrat&eacute;gias pol&iacute;ticas. Para Santini e Carvalho, &quot;poder – e n&atilde;o tecnologia – &eacute; o principal entrave para a efetiva participa&ccedil;&atilde;o cidad&atilde; online, cujas barreiras s&atilde;o cultivadas por uma elite pol&iacute;tica tradicional pouco interessada na constru&ccedil;&atilde;o de uma democracia transparente, inclusiva e colaborativa&quot;(p. 163). &Eacute; exatamente esse obst&aacute;culo que impede os cidad&atilde;os de se envolverem, se motivarem e se tornarem respons&aacute;veis.</p>     <p>Anna Zaluczkowska, no seu artigo &quot;Participa&ccedil;&atilde;o efetiva com recurso a narrativas negociadas&quot;, analisa o projeto transm&eacute;dia interativo &quot;Red Branch Heroes&quot;, na Irlanda do Norte. Este projeto, que envolveu a autora, experimentou a cria&ccedil;&atilde;o de narrativas negociadas, que incorporaram agonisticamente uma diversidade de vozes, incluindo vozes de autores, facilitadores e coordenadores. As narrativas interativas, mesmo que frequentemente abram a porta para um certo grau de envolvimento do utilizador, podem ser organizadas de v&aacute;rias formas, com muitas maneiras diferentes de capacitar ou n&atilde;o os participantes. O projeto &quot;Red Branch Heroes&quot;mostra que – parcialmente pela especificidade deste g&eacute;nero e navegando cuidadosamente pelas complexidades da sociedade de vigil&acirc;ncia contempor&acirc;nea – podem surgir oportunidades para a multivocalidade democr&aacute;tica e para intensidades participativas mais fortes, o que, por sua vez, pode apoiar a constru&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas mais democr&aacute;ticas e para sociedades descentralizadas. Mas este caso tamb&eacute;m demonstra que os acad&eacute;micos podem contribuir ativamente para o aprimoramento das pr&aacute;ticas participativas, dando assim significado &agrave; sua relev&acirc;ncia atrav&eacute;s da realiza&ccedil;&atilde;o de pesquisas baseadas na pr&aacute;tica.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Por fim, o artigo de Ignacio Bergillos apresenta, como se referiu anteriormente, uma perspetiva espec&iacute;fica. Menos interessado em usar uma abordagem emp&iacute;rica/pragm&aacute;tica em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; participa&ccedil;&atilde;o, o artigo &quot;A participa&ccedil;&atilde;o enquanto talism&atilde;: uma reflex&atilde;o metaf&oacute;rica e te&oacute;rica sobre a conceptualiza&ccedil;&atilde;o da participa&ccedil;&atilde;o&quot;baseia-se numa defini&ccedil;&atilde;o peculiar (e ainda positiva) de participa&ccedil;&atilde;o, articulando-a como um amuleto ou talism&atilde;, &quot;atribuidora de poder simb&oacute;lico, fantasmag&oacute;rica, obscura, est&eacute;tica ou valiosa&quot;(p. 209). O autor preocupa-se com as dimens&otilde;es sociais, psicol&oacute;gicas e fant&aacute;sticas da participa&ccedil;&atilde;o, o que torna a sua contribui&ccedil;&atilde;o altamente inovadora e at&eacute; um pouco provocativa. Mas, eventualmente, tamb&eacute;m Ignacio Bergillos conclui: &quot;a participa&ccedil;&atilde;o articula-se com o <i>poder</i>,<i> invoca</i> valores democr&aacute;ticos, &eacute; aut&ecirc;ntica ou um <i>fetiche</i>, &eacute; <i>simb&oacute;lica</i> ou um <i>mito</i>, requer um certo <i>ritual</i> que <i>capacita</i> e <i>promove o envolvimento emocional</i>&quot;(p. 217).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <!-- ref --><p>Glynos, J. &amp; Howarth, D. (2007). <i>Logics of critical explanation in social and political theory</i>. Londres e Nova Iorque: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016670&pid=S2183-3575201900030000100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Senecah, S. L. (2004). The trinity of voice: the role of practical theory in planning and evaluating the effectiveness of environmental participatory processes. In S. P. Depoe, J. W. Delicath &amp; M. F. Elsenbeer (Eds.), <i>Communication and public participation in environmental decision making</i> (pp. 13-33). Albany: State University of New York Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016672&pid=S2183-3575201900030000100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Nota biogr&aacute;fica</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>F&aacute;bio Ribeiro (PhD) &eacute; Professor Auxiliar na Universidade de Tr&aacute;s-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em Vila Real (Portugal). Ensina nas &aacute;reas do Jornalismo (Imprensa, R&aacute;dio e Televis&atilde;o) e sobre Sociologia da Comunica&ccedil;&atilde;o. Membro integrado do Centro de Estudos de Comunica&ccedil;&atilde;o e Sociedade da Universidade do Minho, desenvolve investiga&ccedil;&atilde;o sobre m&eacute;dia, participa&ccedil;&atilde;o, comunica&ccedil;&atilde;o de ci&ecirc;ncia e estudos radiof&oacute;nicos. Desde 2017, &eacute; vice-coordenador da sec&ccedil;&atilde;o &quot;R&aacute;dio e Meios Sonoros&quot;da Associa&ccedil;&atilde;o Portuguesa de Ci&ecirc;ncias da Comunica&ccedil;&atilde;o (Sopcom).</p>     <p>ORCID: <a href="https://orcid.org/0000-0001-8071-6145" target="_blank">https://orcid.org/0000-0001-8071-6145</a></p>     <p>Email: <a href="mailto:fabior@utad.pt">fabior@utad.pt</a></p>     <p>Morada: Escola de Ci&ecirc;ncias Humanas e Sociais, Departamento de Letras, Artes e Comunica&ccedil;&atilde;o, Quinta de Prados, 5000-801 Vila Real, Portugal</p>     <p>Ana Duarte Melo (PhD) &eacute; Professora Auxiliar na Universidade do Minho, onde leciona publicidade, comunica&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica e territorial, criatividade e guionismo. A sua investiga&ccedil;&atilde;o no Centro de Estudos de Comunica&ccedil;&atilde;o e Sociedade (CECS) combina participa&ccedil;&atilde;o, publicidade, comunica&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica e territorial. Vice-chair da &quot;Sec&ccedil;&atilde;o de Investiga&ccedil;&atilde;o em Comunica&ccedil;&atilde;o Participativa&quot;da IAMCR – International Association for Media and Communication Research (desde 2016), tem estado ativamente envolvida em diversos outros f&oacute;runs e publica&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas.</p>     <p>ORCID: <a href="https://orcid.org/0000-0002-4598-7174" target="_blank">https://orcid.org/0000-0002-4598-7174</a></p>     <p>Email: <a href="mailto:anamelo@ics.uminho.pt">anamelo@ics.uminho.pt</a></p>     <p>Morada: Universidade do Minho, Centro de Estudos de Comunica&ccedil;&atilde;o e Sociedade, Campus de Gualtar, 4710 - 057 Braga, Portugal</p>     <p>Nico Carpentier &eacute; Professor Extraordin&aacute;rio na Charles University, em Praga, e colabora como Professor Associado, a tempo parcial, com a VUB – Universidade Livre de Bruxelas, e como Investigador S&eacute;nior na Universidade de Uppsala, na Su&eacute;cia. Desenvolve investiga&ccedil;&atilde;o na Universidade de Tecnologia do Chipre e na Universidade de Loughborough, no Reino Unido. Nico Carpentier foi Tesoureiro da ECREA (2005-2012), Vice-Presidente (2008-2012) e Tesoureiro da IAMCR (2012-2016). Atualmente &eacute; o respons&aacute;vel pela &quot;Sec&ccedil;&atilde;o de Investiga&ccedil;&atilde;o em Comunica&ccedil;&atilde;o Participativa&quot;da IAMCR.</p>     <p>ORCID: <a href="https://orcid.org/0000-0002-8996-4636" target="_blank">https://orcid.org/0000-0002-8996-4636</a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Email: <a href="mailto:nico.carpentier@fsv.cuni.cz">nico.carpentier@fsv.cuni.cz</a>     <p>     <p>Morada: Charles University, Institute of Communication Studies and Journalism, Smetanovo n&aacute;bre&#382;&iacute; 6, 110 01 Praha 1, Rep&uacute;blica Checa</p>      ]]></body><back>
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