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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article returns to the in-depth theorisations about participation in order to reflect about the nature of participation, and to demonstrate some of the problems inherent to the publications that distinguish between light and dark (forms of) participation. The starting point of the article is a discussion on three limits embedded in the concept of participation. The first limit brings us back to the old discussion on the nature of participation, the focus on power, and what is included and excluded through its definition(s). The second limit of the participation concept thematises a series of distinctions, namely those between participation, its condition of possibility (access and interaction) and its outcomes. The third limit that (potentially) structures participation is the limit imposed by democratic culture. In response to these debates, the article introduces a more positive approach, that focuses on what has been ignored for too long, namely the reasons why participation matters. Here, the article provides a structural reflection on the contributions to the “Rescuing Participation” special issue, and constructs a theoretical model that consists out of three logics, namely a social, political and fantasmagoric logic, allowing us to better understand why participation matters.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS TEM&Aacute;TICOS</b></p>     <p><b>Resgatar a participa&ccedil;&atilde;o: para uma cr&iacute;tica sobre o lado oculto do conceito</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Rescuing participation: a critique on the dark participation concept</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Nico Carpentier*</b></p> <img src="/img/revistas/id_orcid.gif"> <a href="https://orcid.org/0000-0002-8996-4636" target="_blank">https://orcid.org/0000-0002-8996-4636</a>     
<p></p>     <p><b>Ana Duarte Melo**</b></p> <img src="/img/revistas/id_orcid.gif"> <a href="https://orcid.org/0000-0002-4598-7174" target="_blank">https://orcid.org/0000-0002-4598-7174</a>     
<p></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>F&aacute;bio Ribeiro***</b></p> <img src="/img/revistas/id_orcid.gif"> <a href="https://orcid.org/0000-0002-8996-4636" target="_blank">https://orcid.org/0000-0002-8996-4636</a>     
<p></p> //     <p> //*Instituto de Estudos da Comunica&ccedil;&atilde;o e Jornalismo, Universidade Charles, Rep&uacute;blica Checa, <a href="mailto:nico.carpentier@fsv.cuni.cz">nico.carpentier@fsv.cuni.cz</a>. //    <br>   //**Centro de Estudos de Comunica&ccedil;&atilde;o e Sociedade, Instituto de Ci&ecirc;ncias Sociais, Universidade do Minho, Portugal, <a href="mailto:anamelo@ics.uminho.pt">anamelo@ics.uminho.pt</a>. //    <br>   //***Departamento de Letras, Artes e Comunica&ccedil;&atilde;o, Escola de Ci&ecirc;ncias Humanas e Sociais,     <br>   Universidade de Tr&aacute;s-os-Montes e Alto Douro / Centro de Estudos de Comunica&ccedil;&atilde;o e Sociedade, Instituto de Ci&ecirc;ncias Sociais, Universidade do Minho, Portugal, <a href="mailto:fabior@utad.pt">fabior@utad.pt</a>. //     <p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este artigo regressa a uma teoriza&ccedil;&atilde;o aprofundada sobre o conceito de participa&ccedil;&atilde;o, com o objetivo de refletir sobre a natureza da participa&ccedil;&atilde;o e demonstrar alguns dos problemas inerentes &agrave;s publica&ccedil;&otilde;es que distinguem entre formas de participa&ccedil;&atilde;o claras e escuras. O ponto de partida do artigo &eacute; uma discuss&atilde;o sobre tr&ecirc;s limites inscritos no conceito de participa&ccedil;&atilde;o. O primeiro limite leva-nos a uma discuss&atilde;o antiga sobre a natureza da participa&ccedil;&atilde;o, o foco no poder e o que &eacute; inclu&iacute;do e exclu&iacute;do nestas defini&ccedil;&otilde;es. O segundo limite do conceito de participa&ccedil;&atilde;o tem como tema uma s&eacute;rie de distin&ccedil;&otilde;es, nomeadamente aquelas entre participa&ccedil;&atilde;o, a sua condi&ccedil;&atilde;o de possibilidade (acesso e intera&ccedil;&atilde;o) e os seus resultados. O terceiro limite que (potencialmente) estrutura a participa&ccedil;&atilde;o &eacute; da imposi&ccedil;&atilde;o da cultura democr&aacute;tica. Em resposta a estes debates, o artigo apresenta uma abordagem mais positiva, focada no que foi ignorado por muito tempo, a saber, as raz&otilde;es pelas quais a participa&ccedil;&atilde;o &eacute; importante. Aqui, o artigo fornece uma reflex&atilde;o estrutural sobre as contribui&ccedil;&otilde;es para este n&uacute;mero da revista e constr&oacute;i um modelo te&oacute;rico que consiste em associar estas tr&ecirc;s l&oacute;gicas, a saber, uma l&oacute;gica social, pol&iacute;tica e fantasmag&oacute;rica, permitindo entender melhor as raz&otilde;es pelas quais a participa&ccedil;&atilde;o &eacute; importante.</p>     <p><b>Palavras-chave</b>:      <p>condi&ccedil;&otilde;es de possibilidade; defini&ccedil;&atilde;o de participa&ccedil;&atilde;o; cultura democr&aacute;tica; limites de participa&ccedil;&atilde;o; teoria participativa; relev&acirc;ncia da participa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This article returns to the in-depth theorisations about participation in order to reflect about the nature of participation, and to demonstrate some of the problems inherent to the publications that distinguish between light and dark (forms of) participation. The starting point of the article is a discussion on three limits embedded in the concept of participation. The first limit brings us back to the old discussion on the nature of participation, the focus on power, and what is included and excluded through its definition(s). The second limit of the participation concept thematises a series of distinctions, namely those between participation, its condition of possibility (access and interaction) and its outcomes. The third limit that (potentially) structures participation is the limit imposed by democratic culture. In response to these debates, the article introduces a more positive approach, that focuses on what has been ignored for too long, namely the reasons why participation matters. Here, the article provides a structural reflection on the contributions to the &quot;Rescuing Participation&quot;special issue, and constructs a theoretical model that consists out of three logics, namely a social, political and fantasmagoric logic, allowing us to better understand why participation matters.</p>     <p><b>Keywords</b>: conditions of possibility; defining participation; democratic culture; limits of participation; participatory theory; relevance of participation.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <blockquote>Tudo isto me leva a colocar uma quest&atilde;o que tem estado a pairar no nosso debate coletivo que j&aacute; dura h&aacute; mais de dois meses – ser&aacute; que existe &quot;m&aacute; participa&ccedil;&atilde;o&quot;? O modelo proposto por Nico Carpentier oferece uma resposta, tal como eu a entendo: coloca a fasquia muito alta sobre o que conta como participa&ccedil;&atilde;o, mais um ideal do que propriamente uma realidade concreta e alcan&ccedil;&aacute;vel. A participa&ccedil;&atilde;o requer ainda uma distribui&ccedil;&atilde;o equitativa do poder entre participantes, quando convidados a tomar uma decis&atilde;o conjunta. Por&eacute;m, o meu trabalho centra-se na descri&ccedil;&atilde;o de oportunidades participativas entre diferentes institui&ccedil;&otilde;es, comunidades, pr&aacute;ticas, infraestruturas, como formas transit&oacute;rias de luta e negocia&ccedil;&atilde;o para a promo&ccedil;&atilde;o de uma cultura participativa. Segundo a perspetiva de Carpentier, a participa&ccedil;&atilde;o &eacute; algo que, na melhor das hip&oacute;teses, conseguimos alcan&ccedil;ar apenas de forma imperfeita. Quanto a mim, a participa&ccedil;&atilde;o opera essencialmente em diversos graus de possibilidade. (Henry Jenkins citado por Jenkins &amp; Carpentier, 2019a)</blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>A participa&ccedil;&atilde;o assume-se como um conceito te&oacute;rico que tem vindo a flutuar sobre diferentes n&iacute;veis de interesse e fasc&iacute;nio, o que, em parte, deriva da multiplicidade de conjunturas hist&oacute;ricas e pol&iacute;ticas (Carpentier, Dahlgren &amp; Pasquali, 2013). No campo da comunica&ccedil;&atilde;o e dos estudos dos m&eacute;dia, os anos 1960 e 1970 foram particularmente significativos para a promo&ccedil;&atilde;o dos direitos associados &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o. Enquanto a populariza&ccedil;&atilde;o da World Wide Web, nos anos 1990, potenciou o interesse pela intera&ccedil;&atilde;o e interatividades, a mudan&ccedil;a para uma segunda gera&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os web (geralmente referida como Web 2.0), no in&iacute;cio do novo s&eacute;culo, introduziu um redobrado interesse pela participa&ccedil;&atilde;o no quadro da investiga&ccedil;&atilde;o sobre Comunica&ccedil;&atilde;o e M&eacute;dia.</p>     <p>Depois de mais de uma d&eacute;cada ap&oacute;s um novo fasc&iacute;nio pela participa&ccedil;&atilde;o, e mais concretamente na esfera da comunica&ccedil;&atilde;o e dos m&eacute;dia, uma nova altera&ccedil;&atilde;o conjuntural parece estar a emergir. Diferentes grupos na sociedade levantam constantemente quest&otilde;es sobre a participa&ccedil;&atilde;o, por uma s&eacute;rie de raz&otilde;es. Por exemplo, alguns profissionais dos m&eacute;dia sentem-se pressionados para auscultar o p&uacute;blico, sem terem propriamente as condi&ccedil;&otilde;es ideais ou recursos para integrarem efetivamente a voz do p&uacute;blico nas suas produ&ccedil;&otilde;es. Muitos formatos participativos, dinamizados pelos m&eacute;dia, n&atilde;o mais ser&atilde;o do que estratagemas encapotados de &quot;marketing&quot;, pensados apenas para preencher grelhas de programa&ccedil;&atilde;o ou assegurar posi&ccedil;&otilde;es confort&aacute;veis nas audi&ecirc;ncias. Vai neste sentido a perce&ccedil;&atilde;o de Rosa Moreno (2006), ao sublinhar que a participa&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico nos m&eacute;dia e no jornalismo assumem a configura&ccedil;&atilde;o de um &quot;<i>affair</i>e technique&quot;, o que significa que as produ&ccedil;&otilde;es medi&aacute;ticas entendem que os cidad&atilde;os podem servir os interesses do entretenimento, em vez de promoverem debates com verdadeiro interesse p&uacute;blico.</p>     <p>Os formatos noticiosos parecem ref&eacute;ns de lutas ideol&oacute;gicas (Silva, 2013), desligados da busca pelo valor da verdade, transformando intrigas e mexericos em armas pol&iacute;ticas. A frustra&ccedil;&atilde;o ainda se torna mais expressiva quando o resultado da participa&ccedil;&atilde;o se torna pouco substantivo, na medida em que serve os interesses de elites poderosas (ativas nos campos da economia, pol&iacute;tica ou comunica&ccedil;&atilde;o, por exemplo), que validam assim as suas decis&otilde;es. Por isso n&atilde;o ser&aacute; incomum verificar que alguns &oacute;rg&atilde;os de comunica&ccedil;&atilde;o social apresentam sec&ccedil;&otilde;es lotadas de coment&aacute;rios, com p&aacute;ginas web repletas de &oacute;dio e preconceito, com utilizadores que escrevem mais do que propriamente ouvem e leem, frustrando aquilo que seria eventualmente desej&aacute;vel num debate coletivo e racional. Estes espa&ccedil;os de coment&aacute;rio envolvem uma grande fatia da aten&ccedil;&atilde;o e mobiliza&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico, como demonstram Stroud, Duyn e Peacock (2016). Para al&eacute;m da esfera medi&aacute;tica, os governos s&atilde;o por vezes visados por ex&eacute;rcitos de <i>trolls</i> e de outras formas de resist&ecirc;ncia, que colocam em causa a representatividade democr&aacute;tica tradicional, colocando o &quot;povo&quot;como uma amea&ccedil;a &agrave; democracia e n&atilde;o como uma parte integrante da mesma. De um ponto de vista bastante ideol&oacute;gico, a falta de confian&ccedil;a na capacidade dos cidad&atilde;os no envolvimento em pr&aacute;ticas democr&aacute;ticas &eacute; apenas uma parte da mudan&ccedil;a na cren&ccedil;a num sistema de uma elite cada vez mais forte, um pensamento que calibra a rela&ccedil;&atilde;o entre o povo e as &quot;suas&quot;elites.</p>     <p>Estes acontecimentos recentes motivaram a publica&ccedil;&atilde;o de diversos trabalhos sobre o lado oculto da participa&ccedil;&atilde;o ou, por outra perspetiva, da participa&ccedil;&atilde;o negativa. Mesmo que estas publica&ccedil;&otilde;es n&atilde;o utilizem grande suporte te&oacute;rico, colocando a &ecirc;nfase da negatividade em diversos aspetos da participa&ccedil;&atilde;o, existem sinais claros que apontam para uma reconfigura&ccedil;&atilde;o da participa&ccedil;&atilde;o com evidentes problemas. Por exemplo, no artigo de Tzur, Zalmanson e Oestreicher-Singer (2016), &quot;The dark side of user participation&quot;, discute-se de que forma os componentes interativos dos websites podem refor&ccedil;ar a confian&ccedil;a nestes espa&ccedil;os, ao mesmo tempo que se levanta a d&uacute;vida sobre a instrumentaliza&ccedil;&atilde;o da participa&ccedil;&atilde;o neste &acirc;mbito; o artigo de Bouchard (2016), &quot;The dark side of public participation&quot;, centra-se no caso da Lei da Prostitui&ccedil;&atilde;o canadiana e no modo como a consulta p&uacute;blica online legitimou as decis&otilde;es do governo. J&aacute; o trabalho de Lutz e Hoffman (2017), intitulado &quot;The dark side of online participation&quot;, procura sistematizar uma tipologia de pr&aacute;ticas participativas, incluindo uma variedade de categorias que definem a natureza negativa ou indesej&aacute;vel da participa&ccedil;&atilde;o online, como o envolvimento destrutivo, a imposi&ccedil;&atilde;o involunt&aacute;ria, o silenciamento, a autocensura e a exclus&atilde;o. Por fim, os artigos de Quandt (2018) e Frischlich, Boberg e Quandt (2019) utilizam o conceito de participa&ccedil;&atilde;o oculta numa cr&iacute;tica sobre as origens primitivas do jornalismo, ligado &quot;&agrave; recente onda de populismo nas democracias ocidentais&quot;e &quot;que se caracteriza por contribui&ccedil;&otilde;es negativas, ego&iacute;stas ou mesmo profundamente sinistras&quot;(Quandt, 2018, p. 40)</p>     <p>Este artigo procura seguir um caminho diferente, na medida em que procura regressar a uma certa teoriza&ccedil;&atilde;o sobre participa&ccedil;&atilde;o – que existe, claramente, como sugere a cita&ccedil;&atilde;o de abertura deste trabalho (Jenkins &amp; Carpentier, 2019a) – para refletir sobre a natureza deste conceito e demonstrar alguns dos problemas que diversas publica&ccedil;&otilde;es apontam quando distinguem entre formas de participa&ccedil;&atilde;o moderadas e ocultas. Com este trabalho procura-se, ainda, introduzir uma perspetiva mais positiva, que se foca numa abordagem que tem vindo a ser ignorada e que se relaciona com a pertin&ecirc;ncia da participa&ccedil;&atilde;o. Neste sentido, defende-se que a legitima&ccedil;&atilde;o da participa&ccedil;&atilde;o &eacute; necess&aacute;ria e deveria ser validada de um modo mais robusto, para n&atilde;o se cair numa l&oacute;gica de argumentos bem-intencionados. Consideramos, portanto, que &eacute; necess&aacute;rio dinamizar mais estudos acad&eacute;micos que protejam, defendam e resgatem a participa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p><b>Defini&ccedil;&otilde;es de participa&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Um dos pontos naturais neste debate consiste na discuss&atilde;o sobre o conceito de participa&ccedil;&atilde;o. De acordo com v&aacute;rios estudos nesta &aacute;rea (Carpentier, 2011, 2016, 2017), a participa&ccedil;&atilde;o define-se estruturalmente por diferentes significados, consoante as mais distintas tradi&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas e hist&oacute;ricas, o que tem vindo a promover uma certa imprecis&atilde;o em torno deste termo. Ainda assim, duas abordagens podem ser apresentadas, que sugerem diferentes perce&ccedil;&otilde;es sobre o conceito de participa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Por um lado, a abordagem sociol&oacute;gica define participa&ccedil;&atilde;o como uma forma de fazer parte de uma determinada realidade, o que resulta numa intera&ccedil;&atilde;o social concreta. Dependendo do campo considerado, entende-se por participa&ccedil;&atilde;o a visita a um museu, a pr&aacute;tica de uma modalidade desportiva, ver televis&atilde;o, marcar presen&ccedil;a no espa&ccedil;o online, entre outras possibilidades. </p>     <p>Por outro, uma abordagem pol&iacute;tica sobre participa&ccedil;&atilde;o encara o conceito como uma forma de partilhar o poder. Esta perspetiva baseia-se na teoria democr&aacute;tica, um sistema pol&iacute;tico que sempre se definiu na tens&atilde;o entre representa&ccedil;&atilde;o (ou delega&ccedil;&atilde;o do poder) e a participa&ccedil;&atilde;o (ou o exerc&iacute;cio do poder) (Held, 1996). No entanto, estas linhas de pensamento n&atilde;o significam que a participa&ccedil;&atilde;o seja apenas um desiderato da pol&iacute;tica institucionalmente concebida. O trabalho de Arnstein (1969), &quot;A ladder of citizen participation&quot;, surge como um destes exemplos concretos, na medida em que enquadra a participa&ccedil;&atilde;o dos cidad&atilde;os no planeamento urbano, uma &aacute;rea com evidentes conota&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas, mas que o artigo procura transcender. Por isso, no artigo, reflete-se sobre a forma como os residentes de um determinado local enfrentam as estrat&eacute;gias de poder e das elites que lhes reduzem as capacidades de intervir. Ainda assim, Arnstein estabelece um percurso – a escada da participa&ccedil;&atilde;o – que vai desde a n&atilde;o participa&ccedil;&atilde;o ao <i>tokenismo</i>, como uma forma pr&oacute;pria de definir este conceito. Outros exemplos que seguem esta perspetiva podem incluir outras dimens&otilde;es que n&atilde;o se relacionam com a pol&iacute;tica institucionalizada, atrav&eacute;s do estudo sobre a participa&ccedil;&atilde;o nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;rios (Carpentier, 2017; Howley, 2005), da participa&ccedil;&atilde;o como um processo de transforma&ccedil;&atilde;o e mudan&ccedil;a social (Dekker &amp; Uslaner, 2003; Tufte, 2017), da participa&ccedil;&atilde;o no campo das ONG (Oliveira, Duarte Melo &amp; Gon&ccedil;alves 2016), a interven&ccedil;&atilde;o do cidad&atilde;o na medicina (Guadagnoli &amp; Ward, 1998), dos estudantes na educa&ccedil;&atilde;o (Taylor &amp; Robinson, 2009), dos trabalhadores em contexto laboral em articula&ccedil;&atilde;o com o patronato (Pateman, 1970), a participa&ccedil;&atilde;o no quotidiano (Bakardjieva, 2003, 2012), no consumo (Hyman &amp; Tohill, 2017), na publicidade (Duarte Melo &amp; Duque, 2018) e na produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica (De Bruyne &amp; Gielen, 2011), entre tantos outros exemplos poss&iacute;veis.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Esta perspetiva pol&iacute;tica sugere imediatamente a distin&ccedil;&atilde;o entre participa&ccedil;&atilde;o e intera&ccedil;&atilde;o social, onde a participa&ccedil;&atilde;o se torna numa forma de tornar as rela&ccedil;&otilde;es de poder equitativas, num contexto de decis&otilde;es formais e informais, em distintos aspetos da sociedade, incluindo os m&eacute;dia (e.g., Wasko &amp; Mosco, 1992). A intera&ccedil;&atilde;o (e o acesso) continuam a ser essenciais &agrave; procura deste equil&iacute;brio do poder, mas nunca poder&atilde;o ser as caracter&iacute;sticas definidoras da participa&ccedil;&atilde;o. Tanto o acesso como a intera&ccedil;&atilde;o s&atilde;o necess&aacute;rios e desempenham um papel significativo nos processos de participa&ccedil;&atilde;o, mas n&atilde;o constituem por si s&oacute; condi&ccedil;&otilde;es suficientes para que a participa&ccedil;&atilde;o se concretize, j&aacute; que esta requer uma efetiva redistribui&ccedil;&atilde;o do poder. Este entendimento te&oacute;rico n&atilde;o implica, de modo algum, que a intera&ccedil;&atilde;o seja socialmente irrelevante, pelo contr&aacute;rio. A intera&ccedil;&atilde;o &eacute; uma dimens&atilde;o vital importante na sociedade, na medida em que &eacute; respons&aacute;vel por promover a coes&atilde;o social (Dekker &amp; Uslaner, 2003; Tufte, 2017). Em todo o caso, deve reconhecer-se que a intera&ccedil;&atilde;o social nem sempre &eacute; positiva ou benevolente. Afinal de contas, at&eacute; a guerra &eacute; uma forma de intera&ccedil;&atilde;o social. </p>     <p><b>Os limites da participa&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Enquanto a perspetiva sociol&oacute;gica aponta praticamente a participa&ccedil;&atilde;o como um conceito sem limites, a abordagem pol&iacute;tica imp&otilde;e barreiras concretas. A discuss&atilde;o sobre estes limites poder&aacute; ser &uacute;til para compreender melhor os problemas relacionados com a participa&ccedil;&atilde;o negativa/obscura. Este tipo de argumento enquadra-se preferencialmente na perspetiva pol&iacute;tica da participa&ccedil;&atilde;o, uma vez que &eacute; a partir desta inspira&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica que se define a natureza daquilo que se inclui ou exclui neste conceito. Neste sentido, discute-se a pr&aacute;tica democr&aacute;tica da participa&ccedil;&atilde;o e a ret&oacute;rica n&atilde;o-democr&aacute;tica da participa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Este primeiro limite leva-nos a uma reflex&atilde;o antiga sobre a natureza da participa&ccedil;&atilde;o e aquilo que as v&aacute;rias defini&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m vindo a excluir neste &acirc;mbito. Por exemplo, Arnstein (1969, p. 216) relacionou a participa&ccedil;&atilde;o explicitamente com o poder, referindo que &quot;a participa&ccedil;&atilde;o &eacute; a categoria que define o poder atribu&iacute;do aos pr&oacute;prios cidad&atilde;os&quot;. Na mesma p&aacute;gina, a autora explica, com mais detalhe, a sua perspetiva: </p>     <blockquote>consiste na redistribui&ccedil;&atilde;o do poder que permite a integra&ccedil;&atilde;o futura dos cidad&atilde;os exclu&iacute;dos dos processos pol&iacute;ticos e econ&oacute;micos. A participa&ccedil;&atilde;o &eacute; uma estrat&eacute;gia em que estes indiv&iacute;duos exclu&iacute;dos se juntam na partilha de informa&ccedil;&atilde;o, da procura por objetivos, da defini&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas, dos recursos e impostos a alocar, dos programas a desenvolver e dos benef&iacute;cios relacionados com a contratualiza&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es laborais entre funcion&aacute;rios e o patronato. (Arnstein, 1969, p. 216)</blockquote>     <p>A escada da participa&ccedil;&atilde;o, proposta por Arnstein, organiza-se em torno de tr&ecirc;s categorias principais (poder, <i>tokenismo</i> e n&atilde;o-participa&ccedil;&atilde;o), oito n&iacute;veis e apenas o primeiro (poder) se considera como participa&ccedil;&atilde;o. Em teoria, a escada de Arnstein dirige-se essencialmente ao territ&oacute;rio exclu&iacute;do pelo conceito de participa&ccedil;&atilde;o, longe de considera&ccedil;&otilde;es de senso comum <i>e </i>da ret&oacute;rica pol&iacute;tica sobre participa&ccedil;&atilde;o. Esta argumenta&ccedil;&atilde;o torna-se bastante evidente quando a autora define a categoria da n&atilde;o-participa&ccedil;&atilde;o, composta por dois n&iacute;veis: a manipula&ccedil;&atilde;o e a terapia. Deste modo, o objetivo destas pr&aacute;ticas participativas consiste em, aparentemente, &quot;promover a atribui&ccedil;&atilde;o de poder aos participantes para que possam ser &quot;educados&quot;ou &quot;convertidos&quot;, em vez de lhes atribuir responsabilidades no planeamento ou condu&ccedil;&atilde;o de programas&quot;(Arnstein, 1969, p. 217). Este argumento repete-se na segunda categoria, o <i>tokenismo</i>, composto por tr&ecirc;s n&iacute;veis: informa&ccedil;&atilde;o, consulta e concilia&ccedil;&atilde;o. Tomando a consulta como exemplo: baseia-se no convite que se faz aos indiv&iacute;duos para dizerem o que pensam, no entanto, para Arnstein, este n&iacute;vel &quot;&eacute; ainda uma esp&eacute;cie de engodo, uma vez que n&atilde;o oferece garantias absolutas de que as preocupa&ccedil;&otilde;es e os anseios dos participantes ser&atilde;o levados em conta (1969, p. 219). Mesmo se concord&aacute;ssemos que a escada de Arnstein permite uma divis&atilde;o clara entre participa&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o-participa&ccedil;&atilde;o (veja-se Carpentier, 2016, para uma cr&iacute;tica), dever&iacute;amos assumir igualmente que o trabalho da autora ensaia aquilo que pode ser descrito como participa&ccedil;&atilde;o &quot;negativa&quot;e &quot;oculta&quot;, dimens&otilde;es estas que est&atilde;o longe daquilo que pode ser definido como participa&ccedil;&atilde;o. </p>     <p>Este argumento ser&aacute; desenvolvido mais tarde quando se abordar o elemento central da defini&ccedil;&atilde;o de participa&ccedil;&atilde;o (na perspetiva pol&iacute;tica), nomeadamente na &quot;redistribui&ccedil;&atilde;o de poder&quot;(Arnstein, 1969, p. 216) e na &quot;equaliza&ccedil;&atilde;o de rela&ccedil;&otilde;es de poder&quot;(Carpentier, 2011, p. 354). Em primeiro lugar, estas defini&ccedil;&otilde;es apresentam a ideia de poder – pelo menos numa perspetiva foucauldiana – como uma realidade que transgride a categoriza&ccedil;&atilde;o entre &quot;positivo&quot;e &quot;negativo&quot;, entre &quot;transformador&quot;e &quot;restritivo&quot;. Para Foucault, o poder &eacute; produtivo. Seguindo as pr&oacute;prias palavras do autor:</p>     <blockquote>devemos, de uma vez por todas, eliminar a descri&ccedil;&atilde;o negativa dos efeitos do poder: porque exclui, reprime, censura, ignora, disfar&ccedil;a ou se apropria. De facto, aquilo que o poder faz &eacute; produzir; produz uma realidade; produz territ&oacute;rios para os objetos e rituais de verdade. (Foucault, 1991, p. 194)</blockquote>     <p>No entanto, esta &eacute; apenas uma parte do argumento, uma vez que a natureza produtiva do poder n&atilde;o ignora necessariamente o potencial transformador e/ou restritivo do poder. </p>     <p>Esta ideia leva-nos &agrave; teoria democr&aacute;tica, bem como &agrave; conce&ccedil;&atilde;o da democracia – com a sua redistribui&ccedil;&atilde;o do poder –, como uma posi&ccedil;&atilde;o normativa e particular de que a redistribui&ccedil;&atilde;o do poder deve ser &eacute;tica e equilibrada. Assim, recordamos um dos ensaios cl&aacute;ssicos de Dewey (1888), <i>The ethics of democracy</i>, onde o autor defende: &quot;numa palavra, a democracia &eacute; social, isto &eacute;, uma conce&ccedil;&atilde;o &eacute;tica na qual se baseia o seu significado governativo. A democracia &eacute; uma forma de governo simplesmente porque &eacute; uma associa&ccedil;&atilde;o moral e espiritual&quot;(Dewey, 1888, p. 18).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Aparentemente, a posi&ccedil;&atilde;o normativa da democracia sugere que a centraliza&ccedil;&atilde;o de comportamentos radicais de grupos particulares (elites) assume uma vertente pouco &eacute;tica, ao contr&aacute;rio da descentraliza&ccedil;&atilde;o, manifestamente &eacute;tica. Paralelamente a este argumento, podemos encontrar alguns discursos sobre o Per&iacute;odo das Luzes, que se focam na equidade e fraternidade (e irmandade), respons&aacute;veis por eliminarem rela&ccedil;&otilde;es de poder desequilibradas. Numa formula&ccedil;&atilde;o mais otimista, as rela&ccedil;&otilde;es de poder equilibradas podem ser consideradas &eacute;ticas, porque permitem aos indiv&iacute;duos a obten&ccedil;&atilde;o e manuten&ccedil;&atilde;o do controlo – at&eacute; certo ponto – sobre as suas vidas quotidianas, de acordo com modos aut&oacute;nomos de partilha do espa&ccedil;o comum.</p>     <p>Deste modo, n&atilde;o dever&aacute; ser ignorado o facto de que o estabelecimento e manuten&ccedil;&atilde;o da democracia foi objeto de lutas pol&iacute;ticas intensas. Como Perry (1973, p. 87) descreveu: &quot;durante muitos s&eacute;culos a democracia, enquanto conceito e ideal, esteve bastante mal reputada, porque as experi&ecirc;ncias negativas convenceram os intelectuais de que o regime democr&aacute;tico era um sonho fraudulento, prestes a ser conduzido ao desastre&quot;. Este conflito pol&iacute;tico foi parte da consolida&ccedil;&atilde;o do conceito de democracia, sustentado entre as ideias de representa&ccedil;&atilde;o e participa&ccedil;&atilde;o e sujeito a um escrut&iacute;nio cont&iacute;nuo (e leg&iacute;timo) da atividade pol&iacute;tico-democr&aacute;tica. Na verdade, no campo das ideologias democr&aacute;ticas podemos encontrar modelos que pretendem calibrar a dimens&atilde;o participativa (e.g., a democracia participativa), enquanto outros entendimentos sugerem o inverso (e.g., a democracia representativa). Assim, &quot;uma democracia competente apela a um combate vibrante entre diferentes posi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas democr&aacute;ticas&quot;(Mouffe, 2000, p. 104), ainda que, ao mesmo tempo, se exija um refor&ccedil;o do estabelecimento da hegemonia democr&aacute;tica ou, por outras palavras, da hegemoniza&ccedil;&atilde;o da <i>ideia</i> de democracia como intrinsecamente &eacute;tica.</p>     <p>Esta articula&ccedil;&atilde;o entre a democracia e a &eacute;tica tamb&eacute;m influencia a componente participativa, uma vez que se garante, neste ponto, a defesa da normatividade e propaga&ccedil;&atilde;o da democracia. Mesmo se forem contestados os diferentes graus e intensidades da participa&ccedil;&atilde;o, a ideia de participa&ccedil;&atilde;o – em contexto democr&aacute;tico – &eacute; profundamente &eacute;tica. E, neste sentido, os conceitos de participa&ccedil;&atilde;o &quot;negativa&quot;ou &quot;oculta&quot;s&atilde;o manifestamente contradit&oacute;rios. Por isso, o argumento pode (e deve) focar-se na exist&ecirc;ncia de diferentes intensidades participativas que s&atilde;o objeto de luta pol&iacute;tico-democr&aacute;tica leg&iacute;tima, mas num ambiente onde a democracia &eacute; o regime hegem&oacute;nico, a ideia de participa&ccedil;&atilde;o &eacute;, ela mesma, profundamente &eacute;tica – desde uma participa&ccedil;&atilde;o minimalista &agrave; maximalista (Carpentier, 2011), ou da participa&ccedil;&atilde;o fr&aacute;gil &agrave; robusta [baseada na distin&ccedil;&atilde;o de Barber (1984) entre democracia fr&aacute;gil e robusta].</p>     <p>O segundo limite do conceito de participa&ccedil;&atilde;o refere-se a duas distin&ccedil;&otilde;es cruciais. Primeiramente, a distin&ccedil;&atilde;o entre acesso, intera&ccedil;&atilde;o e participa&ccedil;&atilde;o, ensaiada anteriormente neste artigo. Se a participa&ccedil;&atilde;o &eacute; entendida como a tentativa de equilibrar rela&ccedil;&otilde;es de poder, sobra um espa&ccedil;o consider&aacute;vel entre acesso e intera&ccedil;&atilde;o, por um lado, e participa&ccedil;&atilde;o, por outro. Esta dicotomia n&atilde;o torna menos leg&iacute;timos o acesso e a intera&ccedil;&atilde;o, apenas os define como condi&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias – mas insuficientes – para a concretiza&ccedil;&atilde;o da participa&ccedil;&atilde;o. O acesso &eacute; vital para a pr&aacute;tica participat&oacute;ria, enquanto a intera&ccedil;&atilde;o requer a presen&ccedil;a de diferentes atores (participantes) no processo, atrav&eacute;s da media&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os e objetos. A intera&ccedil;&atilde;o refere-se igualmente ao estabelecimento de rela&ccedil;&otilde;es sociais e comunicativas. A intera&ccedil;&atilde;o &eacute; francamente necess&aacute;ria neste quadro participativo, na medida em que os cidad&atilde;os necessitam de espa&ccedil;os e objetos para interagirem entre si. No entanto, existem diversas formas de intera&ccedil;&atilde;o poss&iacute;veis e nem todas s&atilde;o participativas. Para resumir a ideia, dir-se-ia que um conflito violento &eacute; bastante interativo, porque consiste na tentativa de atingir outros indiv&iacute;duos, num determinado campo de batalha ou atrav&eacute;s de um m&iacute;ssil bal&iacute;stico. Mas n&atilde;o &eacute; participativo.</p>     <p>Existe tamb&eacute;m uma segunda distin&ccedil;&atilde;o particularmente relevante neste contexto, que se relaciona com as diferen&ccedil;as entre a participa&ccedil;&atilde;o e os resultados da participa&ccedil;&atilde;o. A participa&ccedil;&atilde;o consiste, num ponto de vista formal ou informal, num processo de tomada de decis&atilde;o, envolvendo diversos atores em diversas constela&ccedil;&otilde;es de poder que procura equilibrar e corrigir uma redistribui&ccedil;&atilde;o adequada do poder. Para ilustrar esta perspetiva, poder-se-ia recorrer a um exemplo de um projeto de investiga&ccedil;&atilde;o sobre a participa&ccedil;&atilde;o dos jovens e o potencial transformador dos conflitos (Y&uuml;ksek &amp; Carpentier, 2018): a participa&ccedil;&atilde;o dos jovens relaciona-se com a inclus&atilde;o dos mais novos nos processos de tomada de decis&atilde;o com o objetivo de corrigir o poder debilitado que este grupo tem na sociedade – muitas vezes pela l&oacute;gica inerente ao idadismo, que leva a atribuir um poder privilegiado aos adultos. Com a promo&ccedil;&atilde;o da participa&ccedil;&atilde;o dos jovens neste quadro, pretende-se ajustar estes desequil&iacute;brios entre os diversos poderes. No entanto, h&aacute; que distinguir entre os resultados e os pr&oacute;prios processos, necessariamente diferentes num n&iacute;vel normativo.</p>     <p>Por outras palavras, os resultados dos processos participativos n&atilde;o s&atilde;o naturalmente ben&eacute;ficos ou benevolentes, independentemente da &eacute;tica positiva inerente &agrave; descentraliza&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es de poder. Mesmo que possamos atribuir &agrave; participa&ccedil;&atilde;o uma dimens&atilde;o &eacute;tica, &agrave; partida, isso n&atilde;o significa que os resultados dessa a&ccedil;&atilde;o sejam naturalmente &eacute;ticos. Ainda que grande parte da investiga&ccedil;&atilde;o e da teoria que rodeiam o conceito de participa&ccedil;&atilde;o admitam essa possibilidade, os resultados dos processos participativos dependem, for&ccedil;osamente, da autoestima pessoal, da confian&ccedil;a, dos conhecimentos, das aptid&otilde;es, do status, do envolvimento social, dos n&iacute;veis de felicidade ou de justi&ccedil;a, como sugeriu o trabalho de Huesca (2008). Assim depreende-se que os benef&iacute;cios da participa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o podem ser garantidos <i>a priori</i>, uma vez que os resultados da participa&ccedil;&atilde;o podem ser frustrados ou resultar em conflitos pessoais, derivados de decis&otilde;es pouco esclarecidas ou do caos generalizado a n&iacute;vel social. Uma an&aacute;lise detalhada &agrave;s diferentes circunst&acirc;ncias que influenciam os resultados da participa&ccedil;&atilde;o extravasa as ambi&ccedil;&otilde;es deste artigo. No entanto, os &uacute;ltimos exemplos ilustram uma lista de possibilidades concretas de uma participa&ccedil;&atilde;o que pode n&atilde;o apresentar qualquer dimens&atilde;o &eacute;tica. Mesmo se o processo de participa&ccedil;&atilde;o envolver resultados negativos, n&atilde;o significa que n&atilde;o tenha havido preocupa&ccedil;&otilde;es &eacute;ticas na sua defini&ccedil;&atilde;o e constitui&ccedil;&atilde;o. </p>     <p>O terceiro limite &eacute; o mais dif&iacute;cil e contestado, porque sugere uma discuss&atilde;o altamente relevante no contexto da participa&ccedil;&atilde;o negativa/obscura. Ao analisarmos a participa&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s da lente democr&aacute;tica, tamb&eacute;m a democracia imp&otilde;e um limite a este conceito, uma vez que a participa&ccedil;&atilde;o apenas decorre dentro do esp&iacute;rito deste campo pol&iacute;tico. Embora a democracia n&atilde;o esteja restrita &agrave; pol&iacute;tica institucionalizada, pode desempenhar um papel importante em diversos ambientes sociais. Uma forma de ilustrar este ponto – tal como fizeram Jenkins e Carpentier (2019b) – passa por criar uma situa&ccedil;&atilde;o hipot&eacute;tica: imaginemos um processo de decis&atilde;o perfeitamente descentralizado, que se destina a decidir sobre a forma como se ir&aacute; cometer o homic&iacute;dio de uma determinada pessoa. Numa formula&ccedil;&atilde;o mais provocativa: pode um massacre ou um linchamento p&uacute;blico ser considerado participativo? Parece dif&iacute;cil reconhecer uma natureza participativa nestes comportamentos, o que levantar&aacute; naturalmente outras quest&otilde;es ou d&uacute;vidas.</p>     <p>N&atilde;o se debate apenas o resultado do processo, o que retoma considera&ccedil;&otilde;es sobre o segundo limite apresentado. O problema refere-se ao objeto da decis&atilde;o, que se situa fora do ambiente democr&aacute;tico, em articula&ccedil;&atilde;o (mas n&atilde;o restrito) &agrave; pr&aacute;tica participativa que a envolve. A teoria democr&aacute;tica lida com a duas formas de entender este regime pol&iacute;tico: a democracia processual e a democracia substantiva (veja-se Shapiro, 1996, p. 123). No primeiro caso, o processo &eacute; considerado democr&aacute;tico enquanto decorre um determinado procedimento. O dilema da deporta&ccedil;&atilde;o evidencia uma limita&ccedil;&atilde;o importante nesta argumenta&ccedil;&atilde;o, porque os processos democr&aacute;ticos podem ser utilizados para decidir sobre a deporta&ccedil;&atilde;o de uma minoria. Por isso &eacute; que se entende que a democracia substantiva poder&aacute; servir de complemento a este primeiro modelo, na medida em que se caracteriza pelo respeito de uma s&eacute;rie de valores, especialmente de Direitos Humanos. Esta argumenta&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m pode ser &uacute;til &agrave; participa&ccedil;&atilde;o, legitimando a necessidade de conjugar aspetos processuais e substantivos. O conflito agonista (Mouffe, 2013a) enquadra-se perfeitamente nesta perspetiva de participa&ccedil;&atilde;o, embora o conflito antag&oacute;nico/violento se torne irreconcili&aacute;vel com a participa&ccedil;&atilde;o. Esta linha de pensamento traz-nos &agrave; discuss&atilde;o sobre a participa&ccedil;&atilde;o negativa/obscura, como um dos v&aacute;rios problemas sociais associados &agrave; captura deste tipo de comportamentos, que s&atilde;o considerados participativos mas que n&atilde;o ser&atilde;o mais do que formas antag&oacute;nicas (e simb&oacute;licas) de viol&ecirc;ncia.</p>     <p><b>Uma perspetiva positiva: a import&acirc;ncia da participa&ccedil;&atilde;o </b></p>     <p>Mesmo se a participa&ccedil;&atilde;o negativa/obscura assumir uma certa problem&aacute;tica conceptual, existe ainda o risco de se considerar estes conceitos como realidades que respiram por si pr&oacute;prias, o que produz efeitos negativos na democracia. Este argumento n&atilde;o representa uma cr&iacute;tica em si mesmo, mas procura favorecer a promo&ccedil;&atilde;o de uma cr&iacute;tica que possa ser te&oacute;rica e conceptualmente bem fundamentada. Anteriormente defendeu-se que a participa&ccedil;&atilde;o assume intrinsecamente uma vertente &eacute;tica, numa perspetiva democr&aacute;tica, e que as pervers&otilde;es sobre este conceito s&atilde;o apenas isso mesmo: pervers&otilde;es. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Do mesmo modo, parece ser interessante refletir sobre as raz&otilde;es pelas quais a participa&ccedil;&atilde;o negativa/obscura tem vindo a ganhar protagonismo. Uma das raz&otilde;es plaus&iacute;veis prende-se com a insuficiente capacidade da teoria da participa&ccedil;&atilde;o, que ainda n&atilde;o conseguiu sustentar a import&acirc;ncia sociopol&iacute;tica da participa&ccedil;&atilde;o. Este volume da revista <i>Comunica&ccedil;&atilde;o e Sociedade</i> toma como inspira&ccedil;&atilde;o este preceito, de colocar a t&oacute;nica numa poss&iacute;vel remedia&ccedil;&atilde;o do problema, oferecendo uma perspetiva mais positiva sobre a participa&ccedil;&atilde;o, que n&atilde;o se foque nos limites deste termo, mas que apresente explicitamente por que raz&atilde;o a participa&ccedil;&atilde;o importa. </p>     <p>Esta linha de pensamento inspira-se igualmente na proposta desenvolvida por Glynos e Howarth (2007), onde se distinguem tr&ecirc;s l&oacute;gicas: a pol&iacute;tica, social e a l&oacute;gica fantasmag&oacute;rica (ver <a href="#t1">Tabela 1</a>). As origens da teoria do discurso e do p&oacute;s-estruturalismo orientam este modelo, por isso talvez seja conveniente explicar estes tr&ecirc;s n&iacute;veis. De acordo com Glynos e Howarth, a pol&iacute;tica &eacute; o habit&aacute;culo do conflito, da contesta&ccedil;&atilde;o e das lutas de poder, porque o mundo em que vivemos &eacute; f&eacute;rtil em diferen&ccedil;as radicais. O social &eacute; o lugar onde a pol&iacute;tica tempor&aacute;ria respira e sedimenta pr&aacute;ticas estabilizadas, mas que podem ser sempre refor&ccedil;adas pela esfera pol&iacute;tica. Finalmente, a l&oacute;gica fantasmag&oacute;rica &quot;oferece meios para entender as justifica&ccedil;&otilde;es pelas quais certos assuntos e pr&aacute;ticas surgem com muita intensidade no espa&ccedil;o p&uacute;blico&quot;(Glynos &amp; Howarth, 2007, p. 145). &Eacute; aqui que reside o mundo das fantasias e deriva&ccedil;&otilde;es. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="t1"></a> <img src="/img/revistas/csoc/v36/v36a02t1.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A l&oacute;gica pol&iacute;tica permite-nos pensar na relev&acirc;ncia da participa&ccedil;&atilde;o a partir das lutas de poder entre elites e os restantes cidad&atilde;os. Um dos argumentos recorrentes a favor da participa&ccedil;&atilde;o relaciona-se com a chamada prote&ccedil;&atilde;o do sistema democr&aacute;tico [ver a discuss&atilde;o de Held (1996, p. 45) sobre o republicanismo], onde a relev&acirc;ncia da participa&ccedil;&atilde;o se justifica pela necessidade de proteger o cidad&atilde;o comum das elites poderosas e opressoras. Como a concentra&ccedil;&atilde;o do poder &eacute; vista como pouco &eacute;tica, indesej&aacute;vel ou perigosa – porque n&atilde;o consegue representar a diversidade social, os interesses e tendencialmente serve os interesses das elites – a participa&ccedil;&atilde;o torna-se necess&aacute;ria para proteger as pessoas. Strauss sistematiza assim este argumento:</p>     <blockquote>uma sociedade pol&iacute;tica cumpre a sua fun&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s do poder pol&iacute;tico, capaz de amea&ccedil;ar a seguran&ccedil;a daquilo que est&aacute; consolidado e estabilizado. Para evitar este perigo, a maioria deve partilhar e medir a sua capacidade relativamente ao poder p&uacute;blico. (Strauss, 1978, p. 278)</blockquote>     <p>Neste volume da revista<i> Comunica&ccedil;&atilde;o e Sociedade</i>, v&aacute;rios artigos utilizam, indiretamente, este mesmo argumento. Rose Marie Santini e Hanna Carvalho refletem sobre a responsabilidade que as pr&aacute;ticas participativas operam na sociedade, como mecanismos capazes de proteger a cidadania. Tamb&eacute;m o artigo de Sofia Lindstr&ouml;m Sol, em que se aborda a participa&ccedil;&atilde;o do cidad&atilde;o no contexto cultural, ilustra o argumento anteriormente apresentado, na medida em que a autora apresenta uma an&aacute;lise sobre a necessidade de uma maior autonomia no campo das artes, bem como da transpar&ecirc;ncia (financeira) das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas para esta &aacute;rea. Este trabalho apela, a partir de um estudo de caso, a que a participa&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico na arte possa ser uma realidade mais consistente.</p>     <p>Existem ainda mais duas contribui&ccedil;&otilde;es que refor&ccedil;am esta perspetiva (tradicional) e protetiva, n&atilde;o limitada &agrave; prote&ccedil;&atilde;o da cidadania contra um Estado potencialmente tirano. O artigo de Maria Fernandes-Jesus, Eunice Castro Seixas e Anabela Carvalho apresenta a primeira varia&ccedil;&atilde;o deste argumento, com uma suposta crise da democracia representativa, pelo que as autoras argumentam que as pr&aacute;ticas participativas refor&ccedil;am a capacidade protetiva da democracia, de cidad&atilde;os perante for&ccedil;as pol&iacute;ticas que os podem enfraquecer. Neste trabalho refere-se, mais especificamente, que &quot;as quest&otilde;es de acesso, legitimidade, e influ&ecirc;ncia podem contribuir para a revitaliza&ccedil;&atilde;o da democracia, se forem baseadas na confian&ccedil;a, abertura, transpar&ecirc;ncia e em no&ccedil;&otilde;es de justi&ccedil;a&quot;(p. 76). O artigo de Miren Gutierrez apresenta a &quot;datifica&ccedil;&atilde;o de tudo&quot;para colocar os diversos problemas e desafios que se colocam &agrave; sociedade, originando m&uacute;ltiplos comportamentos e atores, n&atilde;o apenas da responsabilidade do Estado. &quot;A participa&ccedil;&atilde;o dos cidad&atilde;os na infraestrutura de dados&quot;(p. 49) &eacute;, segundo este trabalho, suportada por uma &quot;ag&ecirc;ncia cognitiva e literacia de dados como pontos de entrada&quot;(p. 50). De acordo com a tipologia anteriormente apresentada, este &eacute; claramente um argumento protetivo da participa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>O argumento agonista apresenta uma varia&ccedil;&atilde;o relativamente ao protetivo, na medida em que v&ecirc; a participa&ccedil;&atilde;o como uma ferramenta para dinamiza&ccedil;&atilde;o de uma maior variedade de vozes no espa&ccedil;o p&uacute;blico, o que pode facilitar a confronta&ccedil;&atilde;o (n&atilde;o violenta) de oportunidades para o di&aacute;logo e o debate. Uma das principais ideias, sublinhe-se, reside no ambiente democr&aacute;tico que dever&aacute; nortear o conflito. Citando Mouffe (2013b, p. 185), &quot;a especificidade da democracia moderna requer o reconhecimento e a legitima&ccedil;&atilde;o do conflito; nas sociedades democr&aacute;ticas o conflito nunca poder&aacute; e dever&aacute; ser erradicado&quot;. Ao mesmo tempo, &quot;as pol&iacute;ticas democr&aacute;ticas requerem&quot;o agonismo, que implica &quot;que outros n&atilde;o sejam vistos como inimigos a destruir, mas advers&aacute;rios cujas ideias devem ser discutidas e rebatidas, mesmo que ferozmente, sem que o direito a defender uma determinada posi&ccedil;&atilde;o seja sequer questionado&quot;(Mouffe, 2013b, p. 185).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O artigo de Rodrigo Lacerda apresenta uma abordagem original do argumento agonista ao focar-se no ativismo de certos grupos &eacute;tnicos relativamente &agrave; defesa do patrim&oacute;nio hist&oacute;rico, em S&atilde;o Miguel (Brasil). Como o pr&oacute;prio autor descreve, o artigo &eacute; centrado na &quot;a ontologia e a cosmologia Guarani, originando um ‘f&oacute;rum h&iacute;brido' (Harrison, 2013) em que humanos, n&atilde;o humanos e coisas participaram de modo a constituir uma democracia mais dial&oacute;gica que tem em considera&ccedil;&atilde;o diferentes modos de construir o mundo&quot;(p. 160). &Eacute; num sentido id&ecirc;ntico que surge o trabalho de Kurniawan Adi Saputro e Bari Paramarta Islam, ao demonstrar a capacidade de comunidades particulares para a comunica&ccedil;&atilde;o de identidades e hist&oacute;rias, atrav&eacute;s do recurso a v&iacute;deos que inclu&iacute;ram toda a comunidade. Os autores evidenciam, deste modo, como as intensidades participativas podem decorrer num ambiente cultural e comunit&aacute;rio, seguindo diferentes formas e g&eacute;neros comunicativos.</p>     <p>O artigo de Anna Zaluczkowska aproxima-se de um entendimento expl&iacute;cito do agonismo como um argumento diverso, uma vez que s&atilde;o descritas as formas pelas quais as diferentes vozes do p&uacute;blico podem integrar uma narrativa, que a autora define como &quot;narrativa negociada&quot;, que &quot;reconhece as formas em que as narrativas podem ser desviadas para promover determinado ponto de vista e sugere que a tomada de decis&atilde;o discursiva enquanto elemento central da cria&ccedil;&atilde;o participativa da hist&oacute;ria reduz a probabilidade de tal acontecer&quot;(p. 203).</p>     <p>Por fim, um &uacute;ltimo argumento, no quadro de uma l&oacute;gica pol&iacute;tica, onde se articula a participa&ccedil;&atilde;o com um dos Direitos Humanos. A participa&ccedil;&atilde;o no campo da pol&iacute;tica institucionalizada tem vindo a ser inclu&iacute;da em diversos documentos fundamentais, especialmente na Declara&ccedil;&atilde;o Universal dos Direitos Humanos (DUDH), de 1948, e do Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Pol&iacute;ticos (PIDCP), de 1966. Por exemplo, no artigo 21&ordm; da DUDH pode ler-se que &quot;toda a pessoa tem o direito de tomar parte na dire&ccedil;&atilde;o dos neg&oacute;cios p&uacute;blicos do seu pa&iacute;s, quer diretamente, quer por interm&eacute;dio de representantes livremente escolhidos&quot;, seguindo-se o ponto 3 que refere que &quot;a vontade do povo &eacute; o fundamento da autoridade dos poderes p&uacute;blicos&quot;. O artigo 25&ordm; do PIDCP apresenta uma perspetiva id&ecirc;ntica (veja-se Fox, 1992, Peter, 2013, Steiner, 1988, para uma reflex&atilde;o). A ideia subjacente &agrave; articula&ccedil;&atilde;o da participa&ccedil;&atilde;o (pol&iacute;tica) como um direito humano assenta na perspetiva de que &quot;direitos morais que as pessoas possuem s&atilde;o salientados pela sua humanidade&quot;(Peter, 2013, p. 2). Contudo, esta aproxima&ccedil;&atilde;o aos Direitos Humanos requer uma abordagem a uma l&oacute;gica pol&iacute;tica, na medida em que estes n&atilde;o est&atilde;o imunes &agrave; cr&iacute;tica, bem como a discuss&atilde;o sobre as intensidades participativas ou os degraus da redistribui&ccedil;&atilde;o do poder. Como refere Peter (2013, p. 11) – ver tamb&eacute;m Steiner (1988, p. 86) –: &quot;a cl&aacute;usula da participa&ccedil;&atilde;o enquanto tomar parte &eacute; demasiado vaga num determinado sistema pol&iacute;tico e deve ser solucionada pelo direito de participar nos processos pol&iacute;ticos deliberativos&quot;. Para al&eacute;m disso, as discuss&otilde;es sobre os direitos de comunica&ccedil;&atilde;o mostram (ver Carpentier, 2011, p. 88, para uma perspetiva) que existe igualmente uma luta pol&iacute;tica sobre a extens&atilde;o dos direitos participativos noutros campos sociais. </p>     <p>A l&oacute;gica social representa dois tipos de argumenta&ccedil;&atilde;o que evidenciam a import&acirc;ncia da participa&ccedil;&atilde;o. Em primeiro lugar, o argumento educacional ou de desenvolvimento, que retoma considera&ccedil;&otilde;es de Rosseau ou Wollstonecraft e, depois, de Marx e Engels, ainda que Held (1996, p. 45) tenha igualmente apontado que os fil&oacute;sofos da Gr&eacute;cia Antiga j&aacute; se preocupavam com estas quest&otilde;es, como demonstra o trabalho de Mars&iacute;lio de P&aacute;dua. Este argumento sublinha que os cidad&atilde;os apenas se tornam efetivamente como tal atrav&eacute;s da concretiza&ccedil;&atilde;o da participa&ccedil;&atilde;o. Isto surge na obra de Pateman (1970, p. 25), quando se refere ao trabalho de Rousseau e cruza com Plamenatz, que escreveu: &quot;[Rousseau] muda as nossas ideias (&hellip;) ao considerar que a ordem social afeta a estrutura da personalidade humana&quot;(Plamenatz, 1963, p. 440). Pateman prossegue nesta linha sinalizando o modelo democr&aacute;tico de Rousseau, que prop&otilde;e o desenvolvimento individual e pol&iacute;tico atrav&eacute;s do processo participativo, onde &quot;o indiv&iacute;duo aprende que a palavra ‘outro' deve ser igualmente aplicada a ele pr&oacute;prio (&hellip;) ele aprende a ser um cidad&atilde;o com responsabilidades p&uacute;blicas, mas tamb&eacute;m privadas&quot;(Pateman, 1970, p. 25).</p>     <p>A participa&ccedil;&atilde;o importa, portanto, porque produz cidad&atilde;os que est&atilde;o ativamente envolvidos na sociedade, contribuindo para a felicidade das circunst&acirc;ncias sociais (Oreg et al., 2011, p. 491).</p>     <p>A participa&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m se torna relevante em ambientes institucionais, constituindo-se numa forma de consolidar e estabilizar a sociedade. Este argumento relativo a uma ideia de integra&ccedil;&atilde;o parte do pressuposto que os processos participativos criam zonas de contacto (Allport, 1954; Pratt, 1991) que permitem o desenvolvimento da compreens&atilde;o m&uacute;tua entre grupos privilegiados e menos privilegiados na sociedade. A participa&ccedil;&atilde;o potencia a confian&ccedil;a e o sentimento de perten&ccedil;a (Oreg et al., 2011, p. 491). Os processos participativos incluem igualmente momentos de reconhecimento dos grupos mais desfavorecidos, cujas vozes tendem a ser integradas para equilibrar as rela&ccedil;&otilde;es de poder. Em certo sentido, estes processos participativos podem ser vistos como um ant&iacute;doto &agrave; ideia de Spivak (1988), que defendia que os subalternos n&atilde;o podem falar (ou ser ouvidos). A participa&ccedil;&atilde;o resgata os subalternos de uma exist&ecirc;ncia invis&iacute;vel, promovendo a sua pr&oacute;pria identidade.</p>     <p>O artigo de Vitor Tom&eacute;, Paula Lopes, Bruno Reis e Carlos Pedro Dias desenvolve uma argumenta&ccedil;&atilde;o tanto educacional como integradora. Os autores defendem que a participa&ccedil;&atilde;o dos alunos na produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do medi&aacute;tico aumenta o envolvimento entre estudantes e refor&ccedil;a as identidades de um grupo: </p>     <blockquote>a participa&ccedil;&atilde;o social das crian&ccedil;as aumentou, dentro e fora da escola, em articula&ccedil;&atilde;o com docentes, fam&iacute;lias e comunidade. (&hellip;) Tendo em aten&ccedil;&atilde;o as perce&ccedil;&otilde;es das professoras, a intera&ccedil;&atilde;o entre os contextos formal, n&atilde;o-formal e informal contribuiu para moldar as pr&aacute;ticas de cidadania das crian&ccedil;as.</blockquote>     <p>O terceiro argumento favor&aacute;vel &agrave; ideia de participa&ccedil;&atilde;o, a l&oacute;gica fantasmag&oacute;rica, enfatiza a import&acirc;ncia da participa&ccedil;&atilde;o pela satisfa&ccedil;&atilde;o que esta produz. O argumento da frui&ccedil;&atilde;o reveste-se, portanto, desta ideia bastante simples, de que a participa&ccedil;&atilde;o e o envolvimento normalmente provocam uma agradabilidade junto de quem a promove e dinamiza. Naturalmente que esta agradabilidade n&atilde;o est&aacute; isenta de problemas, sobretudo se for objeto de uma nova apropria&ccedil;&atilde;o das elites. N&atilde;o se trata apenas do &quot;campo da ordem de significa&ccedil;&atilde;o, mas do grande Outro&quot;, que &eacute; &quot;invadido por uma corrente pr&eacute;-simb&oacute;lica de frui&ccedil;&atilde;o (real)&quot;, mas que entretanto &quot;se torna envolvido na rede de significa&ccedil;&atilde;o (&hellip;) [e] o corpo submete-se &agrave; castra&ccedil;&atilde;o&quot;, como referiu &#381;i&#382;ek (1989, p. 136). Existe igualmente uma ideia de participa&ccedil;&atilde;o associada &agrave; excecionalidade, quando outras elites tentam repor a sua autoridade. Por isso surgem situa&ccedil;&otilde;es onde a participa&ccedil;&atilde;o maximalista revela lugares ut&oacute;picos (ou melhor, &quot;lugares jamais habitados&quot;), que se tornam inalcan&ccedil;&aacute;veis e vazios, mas que se aproximam a uma ideia da frui&ccedil;&atilde;o do envolvimento participativo. </p>     <p>O segundo argumento inserido na l&oacute;gica fantasmag&oacute;rica, o argumento da condu&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o se foca na satisfa&ccedil;&atilde;o que a participa&ccedil;&atilde;o promove. Este entendimento pode ser interpretado como uma vers&atilde;o positiva da proposta de Nietzsche sobre a vontade do poder. Como o pr&oacute;prio (1968, p. 404) admitiu, a vontade de dominar desempenha uma fun&ccedil;&atilde;o essencial na condu&ccedil;&atilde;o da sociedade, embora esteja conotada com a domina&ccedil;&atilde;o e o controlo: &quot;n&atilde;o existe escolha: o poder est&aacute; no topo ou fica remetido aos que est&atilde;o no fundo, como vermes, desprezados e aniquilados. Para se ser tirano, h&aacute; que defrontar os tiranos, i.e., <i>livremente</i>&quot;. A teoria da participa&ccedil;&atilde;o partilha a ideia de que o poder &eacute; fundamental para a condu&ccedil;&atilde;o da sociedade, ainda que (obviamente) articulada com a predisposi&ccedil;&atilde;o para tal, na medida em que a vontade para o exerc&iacute;cio do poder n&atilde;o pode ser dominada ou controlada, tal como sucede com a redistribui&ccedil;&atilde;o do poder. Se o conceito de participa&ccedil;&atilde;o assumir a necessidade do desejo de uma autonomia contextualizada, o desempenho participativo ser&aacute; mais frut&iacute;fero. O mesmo sucede inversamente: a frustra&ccedil;&atilde;o na redistribui&ccedil;&atilde;o do poder como exerc&iacute;cio de uma autonomia contextualizada gera riscos perversos, desde a apatia &agrave; revolta.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Neste volume da revista, no artigo &quot;A participa&ccedil;&atilde;o enquanto talism&atilde;: uma reflex&atilde;o metaf&oacute;rica e te&oacute;rica sobre a conceptualiza&ccedil;&atilde;o da participa&ccedil;&atilde;o&quot;, de Ignacio Bergillo, apresenta-se a defini&ccedil;&atilde;o de participa&ccedil;&atilde;o como um talism&atilde;, o que revela um fasc&iacute;nio fantasmag&oacute;rico sobre este conceito. Neste sentido, este trabalho demonstra o tipo de argumenta&ccedil;&atilde;o que favorece o conceito de Lacan sobre a fantasia, bem como os de ritualiza&ccedil;&atilde;o e atra&ccedil;&atilde;o est&eacute;tica subjacentes &agrave; participa&ccedil;&atilde;o. O autor conclui que </p>     <blockquote>se entendermos a participa&ccedil;&atilde;o como um talism&atilde;, podemos proteg&ecirc;-la, resgat&aacute;-la, ao refor&ccedil;armos a cren&ccedil;a no seu potencial. Ao recuperarmos a f&eacute; no seu poder, iremos ficar mais bem preparados para a democracia emocional e sentimental (Arias Maldonado, 2016; Wahl-Jorgensen, 2018) em que vivemos hoje. (p. 218)</blockquote>     <p><b>Uma breve conclus&atilde;o</b></p>     <p>Este artigo expressa uma preocupa&ccedil;&atilde;o profunda sobre a necessidade de uma maior teoriza&ccedil;&atilde;o sobre participa&ccedil;&atilde;o. Na verdade, este conceito lida com a dificuldade de abordagens simplistas sobre o termo, do senso comum, algo que at&eacute; poder&aacute; ser tentador, mas n&atilde;o ser&aacute; certamente o mais adequado quando se pretende abordar com mais detalhe em que consistem as pr&aacute;ticas participativas. Uma das formas de potenciar a reflex&atilde;o sobre este conceito passa por distingui-lo de intera&ccedil;&atilde;o e envolvimento, com o objetivo de tornar mais sofisticada a teoriza&ccedil;&atilde;o. Todos estes conceitos podem apontar na mesma dire&ccedil;&atilde;o, mas isso n&atilde;o ser&aacute; necessariamente prof&iacute;cuo, uma vez que muitas destas realidades podem ajudar a compreender melhor a conjuntura atual.</p>     <p>Embora n&atilde;o se pretenda diminuir a import&acirc;ncia de uma abordagem sociol&oacute;gica sobre participa&ccedil;&atilde;o, este artigo privilegia a abordagem pol&iacute;tica, que est&aacute; intrinsecamente relacionada com a teoria democr&aacute;tica, que oferece uma dimens&atilde;o te&oacute;rica e conceptual mais robusta ao termo. Esta op&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica resulta em que a rela&ccedil;&atilde;o entre participa&ccedil;&atilde;o e democracia esteja mais exposta, sujeita a uma dimens&atilde;o &eacute;tica que versa igualmente sobre uma participa&ccedil;&atilde;o negativa/obscura. Esta ser&aacute; eventualmente uma pervers&atilde;o da participa&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o poder&aacute; deixar de estar inscrita na defini&ccedil;&atilde;o deste conceito. </p>     <p>Estas reflex&otilde;es sobre a natureza intrinsecamente &eacute;tica tamb&eacute;m levantam a quest&atilde;o importante sobre os limites conceptuais da participa&ccedil;&atilde;o. Se a participa&ccedil;&atilde;o &eacute; assim t&atilde;o importante, como &eacute; que podemos defend&ecirc;-la? De que forma os cidad&atilde;os devem ser motivados a participar? Como &eacute; que atribu&iacute;mos relev&acirc;ncia &agrave; participa&ccedil;&atilde;o? In&uacute;meras publica&ccedil;&otilde;es sobre a participa&ccedil;&atilde;o destacam frequentes argumentos favor&aacute;veis a uma sociedade mais participativa, ao mesmo tempo que alguns autores advogam o contr&aacute;rio. As duas posi&ccedil;&otilde;es revelam id&ecirc;nticos problemas. A primeira porque integra suposi&ccedil;&otilde;es que funcionam contra a ideia e as pr&aacute;ticas de participa&ccedil;&atilde;o. A natureza &eacute;tica da participa&ccedil;&atilde;o precisa de ser argumentada, o que ser&aacute; um bom exerc&iacute;cio acad&eacute;mico e democr&aacute;tico. Este artigo trabalha na modesta esperan&ccedil;a de contribuir para esta legitima&ccedil;&atilde;o e clarifica&ccedil;&atilde;o. A segunda, ao argumentar que a participa&ccedil;&atilde;o, por vezes, est&aacute; envolta numa aura negra, tamb&eacute;m &eacute; problem&aacute;tica, n&atilde;o s&oacute; porque assenta em conce&ccedil;&otilde;es fr&aacute;geis sobre participa&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m porque corre o risco de se tornar um forte aliado daquelas vozes que procuram favorecer a centraliza&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es do poder, promovendo inadvertidamente for&ccedil;as que atacam a natureza pr&oacute;pria da democracia. Talvez seja precisamente aqui, neste ponto, onde se aniquila a verdadeira ess&ecirc;ncia da participa&ccedil;&atilde;o. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <!-- ref --><p>Allport, G. W. (1954). <i>The nature of prejudice</i>. Nova Iorque: Perseus Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016784&pid=S2183-3575201900030000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Arnstein, S. (1969). A ladder of citizen participation. <i>Journal of the American Institute of Planners</i>, <i>35</i>(4), 216-224. <a href="http://dx.doi.org/10.1080/01944366908977225" target="_blank">http://dx.doi.org/10.1080/01944366908977225</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016786&pid=S2183-3575201900030000200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Bakardjieva, M. (2003). Virtual togetherness: an everyday-life perspective. <i>Media, Culture &amp; Society, 25</i>(3), 291-313. <a href="https://doi.org/10.1177/0163443703025003001" target="_blank">https://doi.org/10.1177/0163443703025003001</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016787&pid=S2183-3575201900030000200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Bakardjieva, M. (2012). Subactivism: lifeworld and politics in the age of the internet. In <i>(Re) Inventing the internet</i> (pp. 85-108). Leiden: Brill Sense.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016788&pid=S2183-3575201900030000200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Barber, B. (1984). <i>Strong democracy: participatory politics for a new age</i>. Berkeley: University of California Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016790&pid=S2183-3575201900030000200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Bouchard, N. (2016). The dark side of public participation: participative processes that legitimize elected officials' values. <i>Canadian Public Administration Publique du Canada</i>, <i>59</i>(4), 516-537. <a href="https://doi.org/10.1111/capa.12199" target="_blank">https://doi.org/10.1111/capa.12199</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016792&pid=S2183-3575201900030000200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Carpentier, N. (2011). <i>Media and participation: a site of ideological-democratic struggle</i>. Bristol: Intellect.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016793&pid=S2183-3575201900030000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Carpentier, N. (2016). Beyond the ladder of participation: an analytical toolkit for the critical analysis of participatory media processes. <i>Javnost – The Public</i>, <i>23</i>(1), 70-88. <a href="https://doi.org/10.1080/13183222.2016.1149760" target="_blank">https://doi.org/10.1080/13183222.2016.1149760</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016795&pid=S2183-3575201900030000200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Carpentier, N. (2017). <i>The discursive-material knot: Cyprus in conflict and community media participation</i>. Nova Iorque: Peter Lang.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016796&pid=S2183-3575201900030000200009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Carpentier, N., Dahlgren, P. &amp; Pasquali, F. (2013). Waves of media democratization: a brief history of contemporary participatory practices in the media sphere. <i>Convergence</i>, <i>19</i>(3), 287-294. <a href="https://doi.org/10.1177/1354856513486529" target="_blank">https://doi.org/10.1177/1354856513486529</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016798&pid=S2183-3575201900030000200010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>De Bruyne, P. &amp; Gielen, P. (Eds.) (2011). <i>Community art: the politics of trespassing</i>. Amesterd&atilde;o: Valiz.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016799&pid=S2183-3575201900030000200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Dekker, P. &amp; Uslaner, E. M. (2003). <i>Social capital and participation in everyday life</i>. Londres: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016801&pid=S2183-3575201900030000200012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Dewey, J. (1888). <i>The ethics of democracy</i>. University of Michigan, Philosophical Papers, Second Series, Number 1. Michigan: Andrews &amp; Company Publishers.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016803&pid=S2183-3575201900030000200013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Duarte Melo, A. &amp; Duque, M. (Eds.) (2018). <i>ParticipAD – participatory advertising: a global perspective with a Latin American focus</i>. Braga: CECS.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016805&pid=S2183-3575201900030000200014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Foucault, M. (1991). <i>Discipline and punish: the birth of the prison</i>. Londres: Penguin.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016807&pid=S2183-3575201900030000200015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Fox, G. (1992). The right to political participation in international law. <i>Yale Journal of International Law</i>, <i>17</i>, 539-607.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016809&pid=S2183-3575201900030000200016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Frischlich, L., Boberg, S. &amp; Quandt, T. (2019). Comment sections as targets of dark participation? Journalists' evaluation and moderation of deviant user comments, <i>Journalism Studies</i>, <i>20</i>(13). <a href="https://doi.org/10.1080/1461670X.2018.1556320" target="_blank">https://doi.org/10.1080/1461670X.2018.1556320</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016811&pid=S2183-3575201900030000200017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Glynos, J. &amp; Howarth, D. (2007). <i>Logics of critical explanation in social and political theory</i>. Londres, Nova Iorque: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016812&pid=S2183-3575201900030000200018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Guadagnoli, E. &amp; Ward, P. (1998). Patient participation in decision-making. <i>Social Science &amp; Medicine</i>, <i>47</i>(3), 329-339.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016814&pid=S2183-3575201900030000200019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Held, D. (1996). <i>Models of democracy</i>. Cambridge and Stanford: Polity Press and Stanford University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016816&pid=S2183-3575201900030000200020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Howley, K. (2005). <i>Community media: people, places, and communication technologies</i>. Cambridge: Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016818&pid=S2183-3575201900030000200021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Huesca, R. (2008). Youth-produced radio and its impacts: from personal empowerment to political action. In N. Carpentier &amp; B. de Cleen (Eds.), <i>Participation and media production: critical reflections on content creation</i> (pp. 97-111). Newcastle: Cambridge Scholars Publishing.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016820&pid=S2183-3575201900030000200022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Hyman, L. &amp; Tohill, J. (Eds.) (2017). <i>Shopping for change: consumer activism and the possibilities of purchasing power</i>. Nova Iorque: Cornell University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016822&pid=S2183-3575201900030000200023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Jenkins, H. &amp; Carpentier, N. (2019a, 30 de maio). Participatory politics in an age of crisis: Henry Jenkins &amp; Nico Carpentier (Part I) [Post em blogue]. Retirado de <a href="http://henryjenkins.org/blog/2019/5/30/participatory-politics-in-an-age-of-crisis-henry-jenkins-amp-nico-carpentier-part-i" target="_blank">http://henryjenkins.org/blog/2019/5/30/participatory-politics-in-an-age-of-crisis-henry-jenkins-amp-nico-carpentier-part-i</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016824&pid=S2183-3575201900030000200024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Jenkins, H. &amp; Carpentier, N. (2019b, 7 de junho). Participatory politics in an age of crisis: Henry Jenkins &amp; Nico Carpentier (Part III) [Post em blogue]. Retirado de <a href="http://henryjenkins.org/blog/2019/6/1/participatory-politics-in-an-age-of-crisis-henry-jenkins-amp-nico-carpentier-part-iii-thh7l" target="_blank">http://henryjenkins.org/blog/2019/6/1/participatory-politics-in-an-age-of-crisis-henry-jenkins-amp-nico-carpentier-part-iii-thh7l</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016825&pid=S2183-3575201900030000200025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Lutz, C. &amp; Hoffmann, C. P. (2017). The dark side of online participation: exploring non-, passive and negative participation. <i>Information, Communication &amp; Society</i>, <i>20</i>(6), 876-897. <a href="https://doi.org/10.1080/1369118X.2017.1293129" target="_blank">https://doi.org/10.1080/1369118X.2017.1293129</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016826&pid=S2183-3575201900030000200026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Moreno, R. (2006). Citizens and media cultures: hidden behind democratic formality. <i>Global Media and Communication</i>, <i>2</i>(3), 299-313. <a href="https://doi.org/10.1177/1742766506069580" target="_blank">https://doi.org/10.1177/1742766506069580</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016827&pid=S2183-3575201900030000200027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Mouffe, C. (2000). <i>The democratic paradox</i>. Londres: Verso.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016828&pid=S2183-3575201900030000200028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Mouffe, C. (2013a). <i>Agonistics: thinking the world politically</i>. Londres: Verso.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016830&pid=S2183-3575201900030000200029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Mouffe, C. (2013b). Politics and passions: the stakes of democracy. In J. Martin (Ed.), <i>Chantal Mouffe. Hegemony, radical democracy and the political </i>(pp. 181-190). Londres: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016832&pid=S2183-3575201900030000200030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Nietzsche, F. (1968). <i>The will to power</i>. Nova Iorque: Vintage Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016834&pid=S2183-3575201900030000200031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Oliveira, E., Duarte Melo, A. &amp; Gon&ccedil;alves, G. (Eds.) (2016). <i>Strategic communication for non-profit organisations: challenges and alternative approaches</i>. EUA: Vernon Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016836&pid=S2183-3575201900030000200032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Oreg, S., Vakola, M. &amp; Armenakis, A. (2011). Change recipients' reactions to organizational change: a 60-year review of quantitative studies. <i>The Journal of Applied Behavioral Science</i>, <i>47</i>(4), 461-524. <a href="https://doi.org/10.1177/0021886310396550" target="_blank">https://doi.org/10.1177/0021886310396550</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016838&pid=S2183-3575201900030000200033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Pateman, C. (1970). <i>Participation and democratic theory</i>. Cambridge: Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016839&pid=S2183-3575201900030000200034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Perry, C. (1973). Ethics and democracy. <i>Ethics</i>, <i>83</i>(2), 87-107. <a href="https://doi.org/10.1086/291869" target="_blank">https://doi.org/10.1086/291869</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016841&pid=S2183-3575201900030000200035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Peter, F. (2013). The human right to political participation. <i>Journal of Ethics &amp; Social Philosophy</i>, <i>7</i>(2), 1-16. <a href="https://doi.org/10.26556/jesp.v7i2.71" target="_blank">https://doi.org/10.26556/jesp.v7i2.71</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016842&pid=S2183-3575201900030000200036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Plamenatz, J. (1963). <i>Man and society</i>, vol. 1. Londres: Longman.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016843&pid=S2183-3575201900030000200037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Pratt, M. L. (1991). Arts of the contact zone. <i>Profession</i>, <i>91</i>, 33-40.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016845&pid=S2183-3575201900030000200038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Quandt, T. (2018). Dark participation. <i>Media and Communication</i>, <i>6</i>(4), 36-48. <a href="http://dx.doi.org/10.17645/mac.v6i4.1519" target="_blank">http://dx.doi.org/10.17645/mac.v6i4.1519</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016847&pid=S2183-3575201900030000200039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Shapiro, I. (1996). <i>Democracy's place</i>. Ithaca: Cornell University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016848&pid=S2183-3575201900030000200040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Silva, M. (2013). Participa&ccedil;&atilde;o e delibera&ccedil;&atilde;o: um estudo de caso dos coment&aacute;rios &agrave;s not&iacute;cias sobre as elei&ccedil;&otilde;es presidenciais brasileiras. <i>Comunica&ccedil;&atilde;o e Sociedade</i>, <i>23</i>, 82-95. <a href="https://doi.org/10.17231/comsoc.23(2013).1615" target="_blank">https://doi.org/10.17231/comsoc.23(2013).1615</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016850&pid=S2183-3575201900030000200041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Spivak, G. C. (1988). Can the subaltern speak? In C. Nelson &amp; L. Grossberg (Eds.), <i>Marxism and the Interpretation of Culture</i> (pp. 271-313). Urbana &amp; Chicago: University of Illinois Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016851&pid=S2183-3575201900030000200042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Steiner, H. (1988). Political participation as a human right. <i>Harvard Human Rights Journal</i>, <i>1</i>, 77-134.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016853&pid=S2183-3575201900030000200043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Strauss, L. (1978). <i>Thoughts on Machiavelli</i>. Chicago: University of Chicago Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016855&pid=S2183-3575201900030000200044&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Stroud, N. J., Duyn, E. V. &amp; Peacock, C. (2016). News commenters and news comment readers. Retirado de <a href="https://mediaengagement.org/wp-content/uploads/2016/03/ENP-News-Commenters-and-Comment-Readers1.pdf" target="_blank">https://mediaengagement.org/wp-content/uploads/2016/03/ENP-News-Commenters-and-Comment-Readers1.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016857&pid=S2183-3575201900030000200045&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Taylor, C. &amp; Robinson, C. (2009). Student voice: theorising power and participation. <i>Pedagogy, Culture &amp; Society</i>, <i>17</i>(2), 161-175. <a href="https://doi.org/10.1080/14681360902934392" target="_blank">https://doi.org/10.1080/14681360902934392</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016858&pid=S2183-3575201900030000200046&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Tufte, T. (2017). <i>Communication and social change – a citizen perspective</i>. Cambridge: Polity Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016859&pid=S2183-3575201900030000200047&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Tzur, N. I., Zalmanson, L. &amp; Oestreicher-Singer, G. (2016). The dark side of user participation: the effect of calls to action on trust and information revelation. <i>SSRN</i> paper. <a href="https://doi.org/10.2139/ssrn.2814903" target="_blank">https://doi.org/10.2139/ssrn.2814903</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016861&pid=S2183-3575201900030000200048&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Wasko, J. &amp; Mosco, V. (Eds.) (1992). <i>Democratic communications in the information age</i>. Nova J&eacute;rsia: Garamond Press &amp; Ablex.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016862&pid=S2183-3575201900030000200049&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Y&uuml;ksek, D. &amp; Carpentier, N. (2018). Participatory contact zones and conflict transformation: the participatory intensities of the Cyprus Friendship Program. <i>Conjunctions</i>, <i>5</i>(1), 1-21. <a href="https://doi.org/10.7146/tjcp.v5i1.105286" target="_blank">https://doi.org/10.7146/tjcp.v5i1.105286</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016864&pid=S2183-3575201900030000200050&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>&#381;i&#382;ek, S. (1989). <i>The sublime object of ideology</i>. Londres: Verso.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2016865&pid=S2183-3575201900030000200051&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Nota biogr&aacute;fica</b></p>     <p>Nico Carpentier &eacute; Professor Extraordin&aacute;rio na Charles University, em Praga, e colabora como Professor Associado, a tempo parcial, com a VUB – Universidade Livre de Bruxelas, e como Investigador S&eacute;nior na Universidade de Uppsala, na Su&eacute;cia. Desenvolve investiga&ccedil;&atilde;o na Universidade de Tecnologia do Chipre e na Universidade de Loughborough, no Reino Unido. Nico Carpentier foi Tesoureiro da ECREA (2005-2012), Vice-Presidente (2008-2012) e Tesoureiro da IAMCR (2012-2016). Atualmente &eacute; o respons&aacute;vel pela &quot;Sec&ccedil;&atilde;o de Investiga&ccedil;&atilde;o em Comunica&ccedil;&atilde;o Participativa&quot;da IAMCR.</p>     <p>ORCID: <a href="https://orcid.org/0000-0002-8996-4636" target="_blank">https://orcid.org/0000-0002-8996-4636</a></p>     <p>Email: <a href="mailto:nico.carpentier@fsv.cuni.cz">nico.carpentier@fsv.cuni.cz</a></p>     <p>Morada: Charles University, Institute of Communication Studies and Journalism, Smetanovo n&aacute;bre&#382;&iacute; 6, 110 01 Praha 1, Rep&uacute;blica Checa</p>     <p>Ana Duarte Melo (PhD) &eacute; Professora Auxiliar na Universidade do Minho, onde leciona publicidade, comunica&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica e territorial, criatividade e guionismo. A sua investiga&ccedil;&atilde;o no Centro de Estudos de Comunica&ccedil;&atilde;o e Sociedade (CECS) combina participa&ccedil;&atilde;o, publicidade, comunica&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica e territorial. Vice-chair da &quot;Sec&ccedil;&atilde;o de Investiga&ccedil;&atilde;o em Comunica&ccedil;&atilde;o Participativa&quot;da IAMCR – International Association for Media and Communication Research (desde 2016), tem estado ativamente envolvida em diversos outros f&oacute;runs e publica&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas.</p>     <p>ORCID: <a href="https://orcid.org/0000-0002-4598-7174" target="_blank">https://orcid.org/0000-0002-4598-7174</a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Email: <a href="mailto:anamelo@ics.uminho.pt">anamelo@ics.uminho.pt</a></p>     <p>Morada: Centro de Estudos de Comunica&ccedil;&atilde;o e Sociedade, Universidade do Minho, Campus de Gualtar, 4710 - 057 Braga, Portugal</p>     <p>F&aacute;bio Ribeiro (PhD) &eacute; Professor Auxiliar na Universidade de Tr&aacute;s-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em Vila Real (Portugal). Ensina nas &aacute;reas do Jornalismo (Imprensa, R&aacute;dio e Televis&atilde;o) e sobre Sociologia da Comunica&ccedil;&atilde;o. Membro integrado do Centro de Estudos de Comunica&ccedil;&atilde;o e Sociedade da Universidade do Minho, desenvolve investiga&ccedil;&atilde;o sobre m&eacute;dia, participa&ccedil;&atilde;o, comunica&ccedil;&atilde;o de ci&ecirc;ncia e estudos radiof&oacute;nicos. Desde 2017, &eacute; vice-coordenador da sec&ccedil;&atilde;o &quot;R&aacute;dio e Meios Sonoros&quot;da Associa&ccedil;&atilde;o Portuguesa de Ci&ecirc;ncias da Comunica&ccedil;&atilde;o (Sopcom).</p>     <p>ORCID: <a href="https://orcid.org/0000-0001-8071-6145" target="_blank">https://orcid.org/0000-0001-8071-6145</a></p>     <p>Email: <a href="mailto:fabior@utad.pt">fabior@utad.pt</a>     <p>Morada: Escola de Ci&ecirc;ncias Humanas e Sociais, Departamento de Letras, Artes e Comunica&ccedil;&atilde;o, Quinta de Prados, 5000-801 Vila Real, Portugal</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>* Submiss&atilde;o: 31/07/2019</b></p>     <p><b>* Aceita&ccedil;&atilde;o: 26/09/2019</b></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
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