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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Para além dos obstáculos: experiências de consultas públicas e a possibilidade de ética e relevância na participação]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Public consultations are increasingly used in projects with environmental impact, allegedly as a way to ensure that affected people and communities have their concerns recognised and addressed. There have been multiple criticisms of this form of public participation, with consultations frequently viewed as a tokenistic practice. In this study, we focus on a public consultation on extra-high voltage power lines projected to go from northern Portugal to northwestern Spain. We analyse citizens' discourses regarding hindrances to participation as well as envisaged possibilities to improve it. The study draws on semi-structured interviews with 26 people and five focus groups discussions (N=37) carried out in localities in the north of Portugal that would be affected by the project. Based on citizens' narrated experiences of participation we discuss the relevance and the ethics of participation in access, standing and influence in public consultations processes.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS TEM&Aacute;TICOS</b></p>     <p><b>Para al&eacute;m dos obst&aacute;culos: experi&ecirc;ncias de consultas p&uacute;blicas e a possibilidade de &eacute;tica e relev&acirc;ncia na participa&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Beyond the hindrances: experiences of public consultations and the possibility of ethics and relevance in participation</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> //     <p><b>Maria Fernandes-Jesus*</b></p> <img src="/img/revistas/id_orcid.gif"> <a href="https://orcid.org/0000-0002-8868-1968" target="_blank">https://orcid.org/0000-0002-8868-1968</a>     
<p></p>     <p><b>Eunice Castro Seixas**</b></p> <img src="/img/revistas/id_orcid.gif"> <a href="https://orcid.org/0000-0001-5356-6014" target="_blank">https://orcid.org/0000-0001-5356-6014</a>     
<p></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Anabela Carvalho***</b></p> <img src="/img/revistas/id_orcid.gif"> <a href="https://orcid.org/0000-0002-7727-4187" target="_blank">https://orcid.org/0000-0002-7727-4187</a>     
<p></p> //     <p> //*Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o e Interven&ccedil;&atilde;o Social, Instituto Universit&aacute;rio de Lisboa, Portugal, <a href="mailto:maria.jesus@iscte-iul.pt">maria.jesus@iscte-iul.pt</a>. //    <br>   //**Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o em Sociologia Econ&oacute;mica e das Organiza&ccedil;&otilde;es, Centro de Ci&ecirc;ncias Sociais e Gest&atilde;o, Instituto Superior de Economia e Gest&atilde;o, Universidade de Lisboa, Portugal, <a href="mailto:euniceseixas@gmail.com">euniceseixas@gmail.com</a>. //    <br>   //***Departamento de Ci&ecirc;ncias da Comunica&ccedil;&atilde;o, Universidade do Minho, Portugal, <a href="mailto:carvalho@ics.uminho.pt">carvalho@ics.uminho.pt</a>. //</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>O procedimento de consulta p&uacute;blica tem sido, cada vez mais, utilizado em projetos com impacto ambiental, supostamente como uma forma de assegurar que as preocupa&ccedil;&otilde;es e sugest&otilde;es das pessoas e das comunidades interessadas e afetadas pelos projetos s&atilde;o tidas em conta. No entanto, esta forma de participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica tem vindo a ser bastante criticada, por ser uma pr&aacute;tica meramente simb&oacute;lica e sem consequ&ecirc;ncias concretas. Neste artigo, apresentamos um estudo focado no processo de consulta p&uacute;blica relativo ao projeto de constru&ccedil;&atilde;o de uma linha de muita alta tens&atilde;o entre o Norte de Portugal e a Galiza (Espanha). Especificamente, analisamos discursos de cidad&atilde;os relativamente &agrave;s barreiras &agrave; sua participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, bem como diversas recomenda&ccedil;&otilde;es para desenvolvimento de processos de consulta p&uacute;blica &eacute;ticos e relevantes. A an&aacute;lise apresentada &eacute; baseada em entrevistas semiestruturadas a 26 pessoas e em cinco grupos focais (N=37) realizados em quatro localidades do Norte de Portugal. A partir dos discursos sobre as diversas experi&ecirc;ncias de participa&ccedil;&atilde;o, discutimos significados de &eacute;tica e relev&acirc;ncia nas quest&otilde;es de acesso, legitimidade e influ&ecirc;ncia em processos de consulta p&uacute;blica. </p>     <p><b>Palavras-chave</b>: consulta; discursos; &eacute;tica; participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica; relev&acirc;ncia.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>Public consultations are increasingly used in projects with environmental impact, allegedly as a way to ensure that affected people and communities have their concerns recognised and addressed. There have been multiple criticisms of this form of public participation, with consultations frequently viewed as a tokenistic practice. In this study, we focus on a public consultation on extra-high voltage power lines projected to go from northern Portugal to northwestern Spain. We analyse citizens' discourses regarding hindrances to participation as well as envisaged possibilities to improve it. The study draws on semi-structured interviews with 26 people and five focus groups discussions (N=37) carried out in localities in the north of Portugal that would be affected by the project. Based on citizens' narrated experiences of participation we discuss the relevance and the ethics of participation in access, standing and influence in public consultations processes.</p>     <p><b>Keywords</b>: consultation; discourses; ethics; public participation; relevance.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Com vista a envolver os cidad&atilde;os nos processos de tomada de decis&atilde;o, a participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica tornou-se, essencialmente nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, um mecanismo bastante utilizado na elabora&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. Por participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica entende-se um espa&ccedil;o aberto &agrave; participa&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico, iniciado pelas institui&ccedil;&otilde;es (<i>top-down</i>) (Cornwall, 2002). A participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica pode ser definida como um processo de envolvimento do p&uacute;blico na formula&ccedil;&atilde;o, ado&ccedil;&atilde;o e implementa&ccedil;&atilde;o das agendas governamentais e/ou corporativas (Fishkin, 2009; Rowe &amp; Frewer, 2004). Normalmente, implica uma ou mais formas de intera&ccedil;&atilde;o entre o governo (ou outra institui&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica respons&aacute;vel) e o p&uacute;blico (O'Faircheallaigh, 2010), e pressup&otilde;e que as sugest&otilde;es do p&uacute;blico ser&atilde;o tidas em conta na elabora&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas (Rowe &amp; Frewer, 2000, 2004). Importa salientar que, tal como outras formas de participa&ccedil;&atilde;o (e.g., Carpentier, 2012; Ekman &amp; Amn&atilde;, 2012), a participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica &eacute; um fen&oacute;meno complexo e o pr&oacute;prio termo &eacute; bastante contestado (Rowe &amp; Frewer, 2004). Uma defini&ccedil;&atilde;o compreensiva de participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica deve reconhecer os seus v&aacute;rios n&iacute;veis e formatos. Neste sentido, v&aacute;rias propostas t&ecirc;m procurado analisar a participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica como um processo cont&iacute;nuo, em que os n&iacute;veis mais elevados de participa&ccedil;&atilde;o corresponderiam ao controlo – pelos cidad&atilde;os – de todo o processo e dos resultados da participa&ccedil;&atilde;o (Arnstein, 1969)<sup><a href="#1" name="top1">[1]</a></sup>. Dentro das diversas formas de participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, a consulta p&uacute;blica tem sido um dos procedimentos mais utilizados (Kaehne &amp; Taylor, 2016; Senecah, 2004). Contudo, apesar da in&uacute;mera literatura existente, s&atilde;o poucas as evid&ecirc;ncias de que as consultas p&uacute;blicas permitam aos cidad&atilde;os influenciarem os processos de tomada de decis&atilde;o (Kaehne &amp; Taylor, 2016; van Damme &amp; Brans, 2012). Pelo contr&aacute;rio, v&aacute;rios estudos sugerem que a consulta p&uacute;blica &eacute; um procedimento excessivamente <i>top-down</i>, colocado &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o meramente como uma formalidade (e.g., Hendry, 2004; Martin, 2007). </p>     <p>Neste sentido, torna-se fundamental responder &agrave; seguinte quest&atilde;o: &quot;o que s&atilde;o processos de participa&ccedil;&atilde;o de qualidade?&quot;. V&aacute;rios estudos t&ecirc;m procurado definir e caraterizar os ingredientes respons&aacute;veis por processos de participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica bem-sucedidos (e.g., Rowe &amp; Frewer, 2000, 2004; Rowe, Horlick-jones, Walls, Poortinga &amp; Pidgeon, 2008; Webler &amp; Tuller, 2006). No entanto, a maioria dos estudos desconsidera as vozes e as experi&ecirc;ncias dos cidad&atilde;os que participam nos processos de consulta p&uacute;blica. Torna-se assim fundamental compreender o modo como as pessoas avaliam os processos de participa&ccedil;&atilde;o, e tamb&eacute;m compreender quais as expectativas dos cidad&atilde;os relativamente &agrave; participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica (Webler &amp; Tuler, 2006), de forma a potenciar o desenvolvimento de processos de participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica &eacute;ticos e relevantes (Fox &amp; Murphy, 2012)<sup><a href="#2" name="top2">[2]</a></sup>. Neste artigo, discutimos possibilidades de desenvolver processos de consulta p&uacute;blica &eacute;ticos e relevantes, a partir de recomenda&ccedil;&otilde;es para a ado&ccedil;&atilde;o de um c&oacute;digo de &eacute;tica nos processos de participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica (Fox &amp; Murphy, 2012)<sup><a href="#3" name="top3">[3]</a></sup> e inspiradas por abordagens cr&iacute;ticas sobre a &quot;&eacute;tica do cuidado&quot;(e.g., Scourfield &amp; Burch, 2010; Tronto, 2010). </p>     <p>Especificamente, examinamos um processo de consulta p&uacute;blica, decorrido em 2013, sobre o projeto de constru&ccedil;&atilde;o de uma Linha de Muito Alta Tens&atilde;o (LMAT) entre Barcelos (Norte de Portugal) e Fontefria (Espanha). O projeto previa que a linha permitisse transportar 400 kv, que &eacute; o valor m&aacute;ximo que normalmente pode ser projetado (ainda assim, bastante incomum). Para al&eacute;m disso, as torres previstas eram excecionalmente altas, at&eacute; 75 metros, e as faixas de seguran&ccedil;a de 100 metros de largura, estendendo-se por v&aacute;rias centenas de quil&oacute;metros em Portugal. A rota atravessaria uma &aacute;rea territorial bastante diversificada, incluindo partes de floresta, terrenos de agricultura de pequena-escala e v&aacute;rios tipos de localidades habitadas. A rota projetada n&atilde;o incluiria cidades, mas um n&uacute;mero significativo de aldeias e outras &aacute;reas residenciais seriam diretamente afetadas. De acordo com a lei portuguesa (Decreto-Lei n.&ordm; 69/2000 e mudan&ccedil;as introduzidas com o Decreto-Lei n.&ordm; 197/2005), &eacute; obrigat&oacute;ria a realiza&ccedil;&atilde;o de uma Avalia&ccedil;&atilde;o do Impacto Ambiental (AIA) dos projetos que visam a constru&ccedil;&atilde;o de linhas a&eacute;reas de transporte de eletricidade com uma voltagem igual ou superior a 220 kv, cujo cumprimento seja superior a 15km e que tenham subesta&ccedil;&otilde;es com linhas acima de 110 kv (Decreto-Lei n.&ordm; 69/2000, Anexo 1, 19). O procedimento da consulta p&uacute;blica &quot;visa a recolha de opini&otilde;es, sugest&otilde;es e outros contributos dos interessados sobre cada projeto sujeito a AIA&quot;(Decreto-Lei 197/2005, artigo 2, al&iacute;nea f). Neste contexto, o &quot;p&uacute;blico interessado&quot;refere-se aos &quot;titulares de direitos subjetivos ou de interesses legalmente protegidos, no &acirc;mbito das decis&otilde;es tomadas no procedimento administrativo de AIA, bem como o p&uacute;blico afetado ou suscet&iacute;vel de ser afetado por essa decis&atilde;o, designadamente as organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais de ambiente (ONGA)&quot;(Decreto-Lei n.&ordm; 197/2005, artigo 2, al&iacute;nea r).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Relativamente ao projeto de constru&ccedil;&atilde;o da LMAT no Norte de Portugal, o Estado portugu&ecirc;s determinou que a consulta p&uacute;blica estivesse aberta por um per&iacute;odo de 30 a 50 dias e que o formato de consulta fosse a submiss&atilde;o de coment&aacute;rios escritos. Parte do projeto poderia ser consultado nos edif&iacute;cios das juntas de freguesia e das c&acirc;maras municipais interessadas. No total, foram submetidas 178 contribui&ccedil;&otilde;es por parte dos munic&iacute;pios, das juntas de freguesia, de associa&ccedil;&otilde;es locais, empresas, partidos pol&iacute;ticos e cidad&atilde;os (Lusa, 2015). Simultaneamente, v&aacute;rias comunidades locais contestaram o projeto, (por vezes, atrav&eacute;s da organiza&ccedil;&atilde;o e mobiliza&ccedil;&atilde;o coordenada entre os dois pa&iacute;ses afetados) atrav&eacute;s de diversas manifesta&ccedil;&otilde;es e protestos, e do boicote &agrave;s elei&ccedil;&otilde;es europeias de 2015. Contudo, &eacute; ainda pouco claro que impacto estas e outras mobiliza&ccedil;&otilde;es tiveram na decis&atilde;o de suspender o projeto por parte das entidades competentes. De facto, atualmente o projeto encontra-se suspenso, e a decis&atilde;o final n&atilde;o foi formalmente publicada.</p>     <p>Neste artigo, a an&aacute;lise apresentada foca-se essencialmente nos discursos dos cidad&atilde;os relativamente a quest&otilde;es relacionadas com o seu acesso, legitimidade<sup><a href="#4" name="top4">[4]</a></sup> e influ&ecirc;ncia (Senecah, 2004) na consulta p&uacute;blica. Procur&aacute;mos responder &agrave;s seguintes quest&otilde;es: que obst&aacute;culos existem nos processos de consulta? O que &eacute; um processo de consulta p&uacute;blica &eacute;tico e relevante? O que &eacute; isso significa para as pessoas? Que papel poder&atilde;o as consultas p&uacute;blicas ter na revitaliza&ccedil;&atilde;o da participa&ccedil;&atilde;o? Em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, este estudo procura ir al&eacute;m do foco no que est&aacute; &quot;errado&quot;ou &eacute; &quot;negativo&quot;no procedimento de consulta p&uacute;blica, e visa contribuir para a constru&ccedil;&atilde;o de abordagens que permitam resgatar a participa&ccedil;&atilde;o, mesmo em formatos formais e tradicionais. Ao abordamos estas quest&otilde;es a partir das experi&ecirc;ncias narradas pelas pessoas que foram convidadas (mesmo que n&atilde;o nominalmente) a participar no processo de consulta p&uacute;blica, refletimos sobre dimens&otilde;es mais gerais relacionadas com a relev&acirc;ncia e a &eacute;tica de processos de participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica. </p>     <p><b>&Eacute;tica e relev&acirc;ncia na participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica</b></p>     <p>A literatura na &aacute;rea da participa&ccedil;&atilde;o tem vindo a ser marcada por duas linhas de investiga&ccedil;&atilde;o distintas. Enquanto diversos autores enfatizam um decl&iacute;nio acentuado nos n&iacute;veis de participa&ccedil;&atilde;o formal (e.g., Amn&aring; &amp; Ekman, 2014; Dassonneville &amp; Hooghe, 2018; Putnam, 2000), outros focam-se na an&aacute;lise de formas n&atilde;o convencionais de participa&ccedil;&atilde;o na esfera pol&iacute;tica (e.g., Dalton, 2008, 2015; Norris, 2002, 2011). A ideia de que a participa&ccedil;&atilde;o &eacute; um princ&iacute;pio vital de qualquer sociedade democr&aacute;tica e que implica necessariamente o envolvimento ativo dos cidad&atilde;os nos processos de tomada de decis&atilde;o pol&iacute;tica tem sido transversal ao debate sobre o decl&iacute;nio ou a emerg&ecirc;ncia de formas de participa&ccedil;&atilde;o (Fishkin, 2009). Deste modo, os processos de participa&ccedil;&atilde;o devem providenciar as ferramentas necess&aacute;rias para que todos os cidad&atilde;os possam ter as mesmas oportunidades de influenciar as decis&otilde;es governamentais, assegurando assim a condi&ccedil;&atilde;o fundamental de igualdade pol&iacute;tica (Verba, 2003), que permite a manuten&ccedil;&atilde;o do sistema democr&aacute;tico e &eacute; um garante da respetiva qualidade (Verba, 2003; Verba, Schlozman &amp; Brady, 1995). N&atilde;o obstante a tend&ecirc;ncia para considerar a participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica como algo intrinsecamente &quot;bom&quot;, que apresenta v&aacute;rios benef&iacute;cios para a democracia (e.g., Stewart &amp; Sinclair, 2007), o modo como os processos de participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica s&atilde;o desenhados e implementados continua a ser bastante controverso (e.g., Arnstein, 1969; Hendry, 2004; O'Faircheallaigh, 2010). Neste aspeto, v&aacute;rios autores t&ecirc;m vindo a questionar a &quot;utilidade&quot;, &quot;efic&aacute;cia&quot;e &quot;produtividade&quot;dos processos de participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, nomeadamente na capacidade de melhorar os processos de tomada de decis&atilde;o e/ou as rela&ccedil;&otilde;es comunit&aacute;rias (Rowe et al., 2008; Rowe &amp; Frewer, 2000, 2004; Senecah, 2004). Neste sentido, tem sido sugerido que os processos de participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica sejam avaliados atrav&eacute;s de um conjunto de crit&eacute;rios pr&eacute;-definidos, nomeadamente relacionados com o reconhecimento do processo e com o pr&oacute;prio processo de participa&ccedil;&atilde;o. Os crit&eacute;rios relacionados com o reconhecimento referem-se essencialmente a dimens&otilde;es associadas com o n&iacute;vel de representatividade, independ&ecirc;ncia, influ&ecirc;ncia e transpar&ecirc;ncia. Por sua vez, os crit&eacute;rios associados com o processo de participa&ccedil;&atilde;o, prendem-se essencialmente com o modo como a tarefa &eacute; definida, o n&iacute;vel de acessibilidade dos recursos e o tipo de estrutura utilizada na tomada de decis&atilde;o, bem como a rela&ccedil;&atilde;o entre custos e benef&iacute;cios associados ao processo (Rowe et al., 2008; Rowe &amp; Frewer, 2000, 2004).</p>     <p>Ao considerarem que estes crit&eacute;rios s&atilde;o universais, estas perspetivas negligenciam a import&acirc;ncia das experi&ecirc;ncias subjetivas de participa&ccedil;&atilde;o e o papel de vari&aacute;veis contextuais. Neste sentido, Webler e Tuler (2006) defendem que a defini&ccedil;&atilde;o de um processo de participa&ccedil;&atilde;o realmente significativo n&atilde;o &eacute; necessariamente algo consensual. Por sua vez, Baker e Chapin (2018) argumentam que os principais pontos de discord&acirc;ncia est&atilde;o relacionados com a influ&ecirc;ncia que vari&aacute;veis contextuais podem ter, nomeadamente dimens&otilde;es relacionadas com a distribui&ccedil;&atilde;o de poder, lideran&ccedil;a, confian&ccedil;a, transpar&ecirc;ncia e abertura pol&iacute;tica.</p>     <p>Apesar de ser poss&iacute;vel identificar uma mudan&ccedil;a no sentido de uma abordagem compreensiva e contextual dos processos de participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, a maior parte da investiga&ccedil;&atilde;o realizada continua ainda a privilegiar crit&eacute;rios bastante instrumentais. De facto, poucos estudos t&ecirc;m procurado examinar os processos de participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica na perspetiva dos cidad&atilde;os leigos. Senecah (2004), na sua &quot;teoria pr&aacute;tica&quot;chamada &quot;Trindade da Voz&quot;, analisou estes processos focando-se em dimens&otilde;es relacionadas com o acesso, a legitimidade, e a influ&ecirc;ncia. Com base nesta proposta, as quest&otilde;es de acesso, legitimidade processual e influ&ecirc;ncia devem ser guiadas por uma rela&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua de constru&ccedil;&atilde;o de confian&ccedil;a, de modo a potenciar o desenvolvimento da comunidade e a promover a coes&atilde;o comunit&aacute;ria (Senecah, 2004). Senecah (2004) prop&otilde;e assim uma an&aacute;lise do modo como as pessoas falam sobre as suas experi&ecirc;ncias de participa&ccedil;&atilde;o, nomeadamente sobre as oportunidades de expressar as suas escolhas e opini&otilde;es (acesso); a legitimidade c&iacute;vica do processo de participa&ccedil;&atilde;o, incluindo o respeito, estima e considera&ccedil;&atilde;o que as opini&otilde;es das pessoas recebem (legitimidade); e o impacto que estas vozes t&ecirc;m no processo de tomada de decis&atilde;o (influ&ecirc;ncia). Consideramos que a abordagem proposta por Senecah (2004) representa uma inflex&atilde;o na forma como a participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica &eacute; tendencialmente analisada, uma vez que procura incentivar an&aacute;lises focadas no processo de participa&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o no produto/resultado da participa&ccedil;&atilde;o (Davies, 2001). Neste sentido, a teoria referida providencia uma estrutura relevante que permite olhar para a &eacute;tica das consultas p&uacute;blicas.</p>     <p>V&aacute;rios autores t&ecirc;m vindo a sugerir a necessidade de desenvolver um c&oacute;digo de &eacute;tica para utilizar nos processos de participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, de modo a assegurar que os processos t&ecirc;m um prop&oacute;sito e capacidade de influ&ecirc;ncia (Baker &amp; Chapin, 2018; Davies, 2001; Fox &amp; Murphy, 2012; Senecah, 2004). Por exemplo, a Associa&ccedil;&atilde;o Internacional de Participa&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica<sup><a href="#5" name="top5">[5]</a></sup>, desenvolveu uma lista de orienta&ccedil;&otilde;es que sugere a necessidade de assegurar os seguintes princ&iacute;pios: prop&oacute;sito, confian&ccedil;a e credibilidade do processo, transpar&ecirc;ncia e abertura ao p&uacute;blico, acesso ao processo e respeito pelas comunidades. No entanto, apesar das v&aacute;rias propostas, os c&oacute;digos de &eacute;tica desenvolvidos at&eacute; ent&atilde;o consistem meramente numa lista de aspira&ccedil;&otilde;es que devem guiar a interven&ccedil;&atilde;o dos especialistas (Conrad, Cassar, Christie &amp; Fazey, 2011)<sup><a href="#6" name="top6">[6]</a></sup>, e cuja implementa&ccedil;&atilde;o depende dos atores com mais poder (que normalmente s&atilde;o as entidades governamentais ou empresas) (Fox &amp; Murphy, 2012).</p>     <p>Salvaguardar a &eacute;tica nos processos de consulta p&uacute;blica implica desafiar rela&ccedil;&otilde;es de poder pr&eacute;-existentes (Cornwall, 2002), de modo a assegurar que as preocupa&ccedil;&otilde;es das pessoas (com menos poder) s&atilde;o reconhecidas e consideradas como leg&iacute;timas atrav&eacute;s de processos democr&aacute;ticos de tomada de decis&atilde;o (O'Faircheallaigh, 2010). Cabe &agrave; entidade que lidera o processo de consulta garantir que n&atilde;o existe qualquer viola&ccedil;&atilde;o dos princ&iacute;pios &eacute;ticos, o que passa por n&atilde;o permitir mentiras, quebra de promessas; manipula&ccedil;&atilde;o; convidar o p&uacute;blico a participar apenas em algumas fases; potenciar participa&ccedil;&atilde;o apenas como uma formalidade, etc. (Fox &amp; Murphy, 2012). De forma sucinta, implica necessariamente considerar as necessidades, contribui&ccedil;&otilde;es e perspetivas dos diferentes atores envolvidos no processo. Segundo Senecah (2004), implica providenciar oportunidades de acesso, legitimidade e influ&ecirc;ncia. Envolve tamb&eacute;m olhar para as consultas p&uacute;blicas como espa&ccedil;os de (des)politiza&ccedil;&atilde;o onde diferentes subjetividades pol&iacute;ticas podem (ou n&atilde;o) emergir, ser ouvidas e/ou tidas em considera&ccedil;&atilde;o (Krause &amp; Schramm, 2011). Num contexto de participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica politizada, os cidad&atilde;os teriam oportunidades de exercer ag&ecirc;ncia pol&iacute;tica (Carvalho, Wessel &amp; Maeseele, 2016) e de debater diferentes possibilidades e alternativas (Pepermans &amp; Maeseele, 2016). </p>     <p>Inspiradas pelos v&aacute;rios estudos e propostas te&oacute;ricas referidas anteriormente (e.g., Fox &amp; Murphy, 2012; Krause &amp; Schramm, 2011; Senecah, 2004; Tronto, 2010)<sup><a href="#7" name="top7">[7]</a></sup>, propomos, neste artigo, que os processos de participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica possam ser considerados &eacute;ticos quando se re&uacute;nem as seguintes condi&ccedil;&otilde;es: as quest&otilde;es de acesso, legitimidade e influ&ecirc;ncia (Senecah, 2004) s&atilde;o percecionadas como transparentes e de confian&ccedil;a pelos v&aacute;rios atores envolvidos; o p&uacute;blico interessado tem oportunidade de participa&ccedil;&atilde;o, e os recursos e ferramentas de participa&ccedil;&atilde;o s&atilde;o acess&iacute;veis; as vis&otilde;es e opini&otilde;es do p&uacute;blico s&atilde;o valorizadas no processo de tomada de decis&atilde;o; o poder &eacute; igualmente partilhado, e a comunidade local tem poder para influenciar todas as fases do processo; e finalmente, todas as pessoas interessadas no processo t&ecirc;m acesso igual e justo ao processo de participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica. </p>     <p>Neste artigo, analisamos estes aspetos atrav&eacute;s de uma abordagem discursiva, que procura dar centralidade &agrave;s dimens&otilde;es &eacute;ticas nas quest&otilde;es de acesso, legitimidade e influ&ecirc;ncia (Senecah, 2004). Fazemo-lo atrav&eacute;s da an&aacute;lise das experi&ecirc;ncias narradas pelos cidad&atilde;os, o que constitui uma abordagem inovadora na forma como se analisam os processos de participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica. De facto, apesar de v&aacute;rios estudos terem vindo a sugerir a necessidade de estabelecer princ&iacute;pios &eacute;ticos para a participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica (Fox &amp; Murphy, 2012; Rowe &amp; Frewer, 2004)<sup><a href="#8" name="top8">[8]</a></sup>, poucos estudos analisaram os processos de consulta p&uacute;blica atrav&eacute;s de uma abordagem discursiva, especialmente dando &ecirc;nfase &agrave;s dimens&otilde;es &eacute;ticas ou a partir da perspetiva dos cidad&atilde;os.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Desenho metodol&oacute;gico e procedimentos</b></p>     <p>Este estudo assume uma abordagem metodol&oacute;gica qualitativa, atrav&eacute;s da combina&ccedil;&atilde;o de entrevistas e grupos focais. No total, analisamos 15 entrevistas individuais, cinco entrevistas em grupos e cinco grupos focais. Os dados foram recolhidos entre mar&ccedil;o e maio de 2014. A combina&ccedil;&atilde;o de entrevistas e de grupos focais permitiu a an&aacute;lise de uma variedade de discursos sobre experi&ecirc;ncias de participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, bem como das possibilidades de a&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica em processos de consulta p&uacute;blica (H&auml;kli &amp; Kallio, 2014).</p>     <p><b>Entrevistas</b></p>     <p>As entrevistas foram conduzidas nas quatro localidades abrangidas pelo projeto de constru&ccedil;&atilde;o da LMAL: Barcelinhos (concelho de Barcelos), Gemieira (Ponte de Lima), Ribeira (Ponte de Lima), e Mon&ccedil;&atilde;o (Mon&ccedil;&atilde;o). No total, foram entrevistadas 26 pessoas, com uma dura&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia de cerca de 16 minutos por entrevista. </p>     <p>Quinze pessoas foram entrevistadas individualmente e cinco entrevistas foram conduzidas em pequenos grupos (duas a tr&ecirc;s pessoas por grupo; um participante foi entrevistado em ambos os formatos). Utilizou-se uma amostra de conveni&ecirc;ncia (Etikan, Musa &amp; Alkassim, 2016), sendo que a maior parte das entrevistas foram conduzidas em espa&ccedil;os p&uacute;blicos, nomeadamente caf&eacute;s, jardins e pra&ccedil;as (outras decorreram noutro tipo de espa&ccedil;os p&uacute;blicos como: uma loja, um hotel e uma junta de freguesia). Tendo em conta que esses espa&ccedil;os p&uacute;blicos (e.g., caf&eacute;s, pra&ccedil;as) continuam a ser importantes pontos de encontro nas vilas e aldeias, os habitantes foram abordados e convidados a participar no estudo nesses contextos &quot;naturais&quot;. A amostra &eacute; constitu&iacute;da por habitantes que quando abordados nesses &quot;contextos naturais&quot;, aceitaram participar no estudo (Etikan et al., 2016). Deste modo, foi poss&iacute;vel aceder &agrave;s din&acirc;micas de sociabilidade dessas localidades, ainda que de forma limitada. Como encontramos pessoas a frequentar os espa&ccedil;os referidos, ora individualmente ora em pequenos grupos, decidimos conduzir entrevistas em ambos os formatos. A combina&ccedil;&atilde;o de entrevistas individuais e em grupos naturais permitiu recolher discursos produzidos em v&aacute;rios formatos de intera&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Em termos de carateriza&ccedil;&atilde;o sociodemogr&aacute;fica, a amostra &eacute; maioritariamente constitu&iacute;da por homens (18 homens, sete mulheres), com uma m&eacute;dia de idade de 54 anos. A distribui&ccedil;&atilde;o da amostra em termos de idade e g&eacute;nero reflete, muito provavelmente, o tipo de popula&ccedil;&atilde;o que passa tempo em espa&ccedil;os p&uacute;blicos durante o hor&aacute;rio laboral. Apesar de algum enviesamento devido ao facto de termos conduzido as entrevistas durante o hor&aacute;rio de trabalho, a m&eacute;dia de idade dos entrevistados reflete tamb&eacute;m as caracter&iacute;sticas demogr&aacute;ficas de v&aacute;rias vilas e aldeias portuguesas, que nos &uacute;ltimos anos sofreram muito com o &ecirc;xodo rural. </p>     <p>As primeiras quest&otilde;es colocadas tinham o objetivo de quebrar o gelo, e simultaneamente compreender a liga&ccedil;&atilde;o dos entrevistados &agrave; comunidade local: &quot;&eacute; de Barcelinhos? H&aacute; quanto tempo vive aqui? Gosta de viver aqui?&quot;. De seguida, exploramos as experi&ecirc;ncias e perce&ccedil;&otilde;es sobre participa&ccedil;&atilde;o c&iacute;vica/pol&iacute;tica, nomeadamente atrav&eacute;s de quest&otilde;es relacionadas com a comunidade local dos participantes, e com os motivos para a (n&atilde;o) participa&ccedil;&atilde;o. Num momento posterior, as quest&otilde;es focaram-se no sentimento de influ&ecirc;ncia pol&iacute;tica (e.g., As pessoas podem contribuir para a altera&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas? De que forma?). De seguida, procur&aacute;mos compreender se os participantes tinham conhecimento do projeto de constru&ccedil;&atilde;o da LMAT e abord&aacute;mos as experi&ecirc;ncias de participa&ccedil;&atilde;o no procedimento de consulta p&uacute;blica (e.g., J&aacute; ouviu falar da LMAT? E do processo de consulta p&uacute;blica, ouviu falar? Participou?). Por fim, foram colocadas algumas quest&otilde;es relacionadas com a responsabilidade na tomada de decis&atilde;o em projetos ambientais (e.g., Quem &eacute; que tem responsabilidade para decidir sobre quest&otilde;es como a instala&ccedil;&atilde;o da linha? Quem &eacute; que acha que deveria ter essa responsabilidade?).</p>     <p><b>Grupos focais</b></p>     <p>De forma complementar &agrave;s entrevistas, foram conduzidos v&aacute;rios grupos focais. Essencialmente, o objetivo era aceder aos processos de influ&ecirc;ncia e intera&ccedil;&atilde;o social, confirmados pelas nossas entrevistas de grupo como dimens&otilde;es importantes e relevantes para a investiga&ccedil;&atilde;o. Ao permitirem recriar algumas din&acirc;micas sociais de grupos naturais, os grupos focais permitem aceder a tais processos. </p>     <p>Os grupos focais foram realizados em freguesias onde estava prevista a passagem da LMAT, nomeadamente em Barcelinhos, concelho de Barcelos (dois grupos focais); Tangil, concelho de Mon&ccedil;&atilde;o; Ribeira, concelho de Ponte de Lima; e Ref&oacute;ios, concelho de Ponte de Lima (um grupo focal por cada localidade). Os participantes foram recrutados atrav&eacute;s de organiza&ccedil;&otilde;es e associa&ccedil;&otilde;es locais (e.g., associa&ccedil;&otilde;es ambientalistas, grupos desportivos, escuteiros), recorrendo assim a &quot;grupos naturais&quot;. Tal como proposto por Krueger e Casey (2015), as pessoas que participaram nos grupos focais partilhavam algumas caracter&iacute;sticas em comum, e foram recrutadas porque viviam ou trabalhavam nas localidades afetadas pelo projeto de constru&ccedil;&atilde;o da LMAT. Os grupos e organiza&ccedil;&otilde;es locais foram mapeados atrav&eacute;s de pesquisas na internet, sendo posteriormente convidados a participarem no estudo por email ou telefone. Solicitamos &agrave;s organiza&ccedil;&otilde;es que recrutassem participantes para os grupos focais, procurando incluir diferentes perfis em termos de g&eacute;nero, idade, e perfil de envolvimento com as organiza&ccedil;&otilde;es. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A amostra &eacute; novamente maioritariamente masculina (27 homens, 10 mulheres), mas mais jovem do que nas entrevistas (sete participantes tinham entre 18-25 anos; nove entre os 26 e os 35 anos; 16 entre os 36 e os 50 anos, quatro entre 51 e 65 anos; e finalmente um participante tinha mais do que 65 anos). Vinte e nove participantes viviam nas freguesias onde os grupos de discuss&atilde;o decorreram e oito trabalhavam ou tinham uma liga&ccedil;&atilde;o significativa com o lugar ainda que n&atilde;o fossem residentes. Atrav&eacute;s dos grupos de discuss&atilde;o procurou-se compreender: a) se os participantes tinham tido conhecimento e se tinham participado no processo de consulta p&uacute;blica, e as vis&otilde;es dos participantes sobre o mesmo; b) impactos da linha de muita alta tens&atilde;o; c) quem deveria conduzir o processo de consulta p&uacute;blica; d) quem deveria ser respons&aacute;vel pela dissemina&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o e que meios deveriam ser utilizados; e) qual a dura&ccedil;&atilde;o desej&aacute;vel do processo; f) que meios deveriam ser facultados para a participa&ccedil;&atilde;o c&iacute;vica; g) como &eacute; que as opini&otilde;es deveriam ser tidas em conta; h) como deveria ser a tomada de decis&atilde;o. Os grupos de discuss&atilde;o foram conduzidos por duas moderadoras, sendo que uma era respons&aacute;vel pela introdu&ccedil;&atilde;o dos t&oacute;picos relevantes para a discuss&atilde;o e a outra estava mais focada nas din&acirc;micas do grupo (e.g., linguagem corporal, participa&ccedil;&atilde;o desigual). Durante as sess&otilde;es dos grupos focais, procurou-se incentivar a partilha de opini&otilde;es e experi&ecirc;ncias por parte de todos os participantes. Por exemplo, sempre que algum dos participantes estava menos participativo, uma das moderadoras dirigia-se diretamente ao participante solicitando que desse a sua opini&atilde;o. Tamb&eacute;m procurou incentivar-se que os participantes partilhassem opini&otilde;es contradit&oacute;rias ou dissidentes. </p>     <p><b>An&aacute;lise dos discursos</b></p>     <p>Nesta sec&ccedil;&atilde;o, apresentamos a an&aacute;lise das entrevistas e dos grupos de discuss&atilde;o. A estrutura tem como base uma an&aacute;lise tem&aacute;tica guiada pelas no&ccedil;&otilde;es de acesso, legitimidade e influ&ecirc;ncia propostas por Senecah (2004). O programa Nvivo 12 foi utilizado como apoio e suporte para a organiza&ccedil;&atilde;o dos dados. Inspiradas pelas abordagens da An&aacute;lise Cr&iacute;tica de Discurso (Fairclough &amp; Wodak, 2006) e da An&aacute;lise Positiva do Discurso (Hughes, 2018), analisamos os discursos dos cidad&atilde;os relativamente aos fatores que podem bloquear a participa&ccedil;&atilde;o, tal como as condi&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para o desenvolvimento de processos de consulta p&uacute;blica &eacute;ticos e relevantes. A An&aacute;lise Cr&iacute;tica de Discurso (ACD) combina &quot;cr&iacute;tica ao discurso e explica&ccedil;&atilde;o de como o discurso funciona e contribui para a realidade social existente, e &eacute; uma base para a&ccedil;&atilde;o que vise a mudan&ccedil;a da realidade social existente em determinados aspetos&quot;(Fairclough, 2014). Noutras palavras, a ACD visa contribuir para a emancipa&ccedil;&atilde;o social atrav&eacute;s da an&aacute;lise de textos e do modo como esses textos se relacionam com pr&aacute;ticas, processos e estruturas sociais. A maioria dos estudos na &aacute;rea da ACD focam-se apenas nos discursos que produzem discrimina&ccedil;&atilde;o, formas de abuso de poder e opress&atilde;o. Propostas recentes sugerem uma An&aacute;lise Positiva do Discurso (e.g., Hughes, 2018), o que implica uma an&aacute;lise mais focada nas pr&aacute;ticas de linguagem que contrariam os problemas sociais existentes e que sugerem possibilidades e caminhos com vista a uma melhoria das condi&ccedil;&otilde;es sociais. Com base nestas duas abordagens &agrave; an&aacute;lise de discurso, neste artigo combinamos uma an&aacute;lise dos sentimentos (expressos) de exclus&atilde;o e desempoderamento, com uma an&aacute;lise das estrat&eacute;gias propostas pelos cidad&atilde;os para reduzir ou eliminar os obst&aacute;culos &agrave; participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica.</p>     <p><b>Narrativas de exclus&atilde;o: falta de acesso, informa&ccedil;&atilde;o e conhecimento</b></p>     <p>Cerca de metade dos participantes mencionaram a falta de informa&ccedil;&atilde;o, quer em rela&ccedil;&atilde;o ao processo de consulta de p&uacute;blica, quer em rela&ccedil;&atilde;o aos impactos das linhas de muita alta tens&atilde;o. De facto, a falta de informa&ccedil;&atilde;o foi recorrentemente referida como um dos principais motivos para a n&atilde;o participa&ccedil;&atilde;o na consulta p&uacute;blica. A grande maioria dos participantes atribu&iacute;ram a responsabilidade pela n&atilde;o participa&ccedil;&atilde;o na consulta &agrave; falta de informa&ccedil;&atilde;o ou &agrave; aus&ecirc;ncia de informa&ccedil;&atilde;o adequada. Por exemplo, Manuel e Jos&eacute;, residentes no concelho de Mon&ccedil;&atilde;o, referiram n&atilde;o terem tido acesso a nenhuma informa&ccedil;&atilde;o sobre a consulta: </p>     <blockquote>Manuel – Ningu&eacute;m ouviu falar disso aqui&hellip;.    <br>   Entrevistadora – E o senhor, tamb&eacute;m n&atilde;o soube da consulta p&uacute;blica que houve?    <br>   Jos&eacute; – Nada, nada. Que consulta. Nada, nada.    <br>   Armando – N&atilde;o houve consulta nenhuma. Embora eles digam que houve. (Entrevista de grupo, Mon&ccedil;&atilde;o)</blockquote>     <p>Manuel tende a generalizar a sua falta de informa&ccedil;&atilde;o a toda a popula&ccedil;&atilde;o da regi&atilde;o. Da mesma forma, a pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia do processo de consulta p&uacute;blica &eacute; questionada por Jos&eacute; e refutada por Armando. O discurso de Armando revela v&aacute;rias d&uacute;vidas sobre a honestidade das entidades e dos t&eacute;cnicos envolvidos na consulta p&uacute;blica. Para al&eacute;m disso, a utiliza&ccedil;&atilde;o de express&otilde;es vagas como &quot;eles&quot;, t&iacute;picas dos processos de categoriza&ccedil;&atilde;o &quot;n&oacute;s/eles&quot;, implica implicitamente um &quot;n&oacute;s&quot;(as pessoas da comunidade). Neste caso, a categoria &quot;eles&quot;representa as pessoas em cargos de poder, e o &quot;n&oacute;s&quot;as pessoas que foram exclu&iacute;das dos processos de participa&ccedil;&atilde;o. Este entrevistado deslegitima o processo de consulta, essencialmente porque n&atilde;o chegou aos cidad&atilde;os. Adicionalmente, a grande maioria dos participantes referiu que tinha a expectativa de que as institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas partilhassem informa&ccedil;&atilde;o sobre o processo de consulta, bem como sobre os impactos das linhas de muita alta tens&atilde;o, de forma a que conseguissem &quot;construir uma opini&atilde;o cr&iacute;tica e sustentada&quot;(Elisa, grupo focal, Barcelinhos 1). Na mesma linha, a falta de suporte e de responsividade por parte das autoridades e institui&ccedil;&otilde;es, s&atilde;o considerados na literatura como obst&aacute;culos significativos &agrave; participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica (Lowndes, Pratchett &amp; Stoker, 2001).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Tal como nas entrevistas, os participantes nos grupos focais sugeriram diversas vezes que o processo de consulta p&uacute;blica tinha sido intencionalmente simulado, desde o in&iacute;cio. De facto, o acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o sobre o processo parece n&atilde;o ter sido assegurado de todo, ou ent&atilde;o aconteceu tardiamente e/ou de forma inadequada, tal como Helena explicou: &quot;pelo menos n&oacute;s, foi s&oacute; na parte final onde j&aacute; quase mais nada havia a fazer porque j&aacute; estava tudo decidido (&hellip;). Na freguesia s&oacute; come&ccedil;aram a pedir assinaturas tr&ecirc;s dias antes [de fechar o processo]&quot;(Helena, grupo focal, Ribeira). Estas e outras cr&iacute;ticas est&atilde;o direta e explicitamente relacionadas com o direito de acesso &agrave; consulta p&uacute;blica j&aacute; que os participantes reclamam n&atilde;o ter tido informa&ccedil;&atilde;o suficiente sobre a consulta p&uacute;blica, em particular sobre a possibilidade de submeterem as suas sugest&otilde;es (Senecah, 2004).</p>     <p>Ao n&atilde;o se verificarem as condi&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para o envolvimento inicial dos cidad&atilde;os no processo de consulta, os participantes tendem a percecionar todo o processo como enviesado e simulado (Rowe &amp; Frewer, 2000). A maioria dos participantes considera que a falta de informa&ccedil;&atilde;o e m&aacute; gest&atilde;o do processo foi deliberada e intencional, com o prop&oacute;sito de evitar contesta&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica. Verifica-se assim um problema de falta de confian&ccedil;a relativamente aos processos de participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica iniciados pelo Estado, o que provavelmente tende a influenciar a decis&atilde;o de n&atilde;o participar em tais processos. Tal como referido por um dos participantes, as pessoas tiveram conhecimento sobre o projeto das linhas de muita alta tens&atilde;o meramente por acaso: &quot;e aten&ccedil;&atilde;o, as pessoas tiveram conhecimento deste projeto porque l&aacute; calhou, houve uma falha em qualquer lado. Algu&eacute;m que n&atilde;o estava dentro do sistema, mas que viu este processo e se revoltou&quot;(Leonor, grupo focal, Ref&oacute;ios). Relativamente &agrave; consulta p&uacute;blica, um dos entrevistados de Gemieira apontou que &quot;isto foi escondido de n&oacute;s todos&quot;(Fernando) e outra participante de Barcelinhos argumentou que: &quot;se eles estivessem realmente interessados em ouvir a nossa opini&atilde;o, teriam feito um processo mais claro&quot;(Sofia, grupo focal, Barcelinhos 1). </p>     <p>Para al&eacute;m disso, os poucos participantes que referiram ter tido acesso ao processo de consulta p&uacute;blica, afirmaram que a natureza t&eacute;cnica da linguagem utilizada nos documentos oficiais foi uma barreira &agrave; participa&ccedil;&atilde;o: &quot;eu estive a ler um bocadinho, mas h&aacute; partes que&hellip;&Eacute; uma linguagem muito t&eacute;cnica. N&atilde;o &eacute; propriamente para n&oacute;s&quot;(Rafaela, grupo focal, Tangil). &Eacute; transversal aos participantes a vontade de ter mais informa&ccedil;&atilde;o sobre os impactos das linhas de muita alta tens&atilde;o, sendo que a falta de disponibiliza&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o sobre os riscos para a sa&uacute;de foi considerada um aspeto particularmente alarmante: </p>     <blockquote>Entrevistadora – Ent&atilde;o acham que n&atilde;o foi bem conduzido?     <br>   S&eacute;rgio – N&atilde;o. O que mais nos preocupa ningu&eacute;m diz.     <br>   Lurdes – O que preocupa mais as pessoas &eacute; a quest&atilde;o de sa&uacute;de e nessa parte dizem zero. (Grupo focal, Tangil)</blockquote>     <p>De forma geral, os cidad&atilde;os sentem que a informa&ccedil;&atilde;o disponibilizada foi restrita e limitada de forma a, por um lado, evitar que o p&uacute;blico tivesse conhecimento sobre o projeto de constru&ccedil;&atilde;o da linha de muita alta tens&atilde;o; e por outro lado, de forma a limitar a possibilidade dos cidad&atilde;os terem voz, isto &eacute;, darem a sua opini&atilde;o sobre o projeto proposto. Assim, os elementos m&iacute;nimos que permitem o acesso &agrave; participa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o foram facultados (Senecah, 2004), o que sugere que as institui&ccedil;&otilde;es n&atilde;o est&atilde;o interessadas nas vis&otilde;es, opini&otilde;es e preocupa&ccedil;&otilde;es dos cidad&atilde;os, ainda que digam o contr&aacute;rio (e.g., Arnstein, 1969; Rowe &amp; Frewer, 2000). A partir de um olhar &eacute;tico, pode-se considerar que o p&uacute;blico interessado n&atilde;o teve oportunidade genu&iacute;na de aceder ao processo de consulta, nem foi disponibilizada informa&ccedil;&atilde;o suficiente que permitisse aos cidad&atilde;os compreender o procedimento de consulta p&uacute;blica<sup><a href="#9" name="top9">[9]</a></sup>. As vis&otilde;es dos cidad&atilde;os sobre a falta de acesso, informa&ccedil;&atilde;o e conhecimento sugerem uma viola&ccedil;&atilde;o grave de v&aacute;rios princ&iacute;pios &eacute;ticos, nomeadamente relacionados com abertura, acessibilidade e transpar&ecirc;ncia do processo<sup><a href="#10" name="top10">[10]</a></sup>, e tamb&eacute;m com a adequabilidade dos recursos e das ferramentas disponibilizadas para potenciar o envolvimento dos cidad&atilde;os. </p>     <p><b>Experi&ecirc;ncias da consulta (simulada): formato, intera&ccedil;&otilde;es e legitimidade dos cidad&atilde;os</b></p>     <p>O formato da consulta p&uacute;blica tem problemas &oacute;bvios no que se refere ao acesso, especialmente porque exclui &agrave; partida pessoas que n&atilde;o sabem ler ou escrever. Para al&eacute;m disso, n&atilde;o pressup&otilde;e nenhum debate ou delibera&ccedil;&atilde;o e depende essencialmente de uma boa estrat&eacute;gia de informa&ccedil;&atilde;o (e respetiva cobertura medi&aacute;tica) conduzida pelo governo nacional e/ou local. Durante um processo de consulta p&uacute;blica, &eacute; esperado que o Estado portugu&ecirc;s (normalmente atrav&eacute;s da Associa&ccedil;&atilde;o Portuguesa do Ambiente) organize sess&otilde;es p&uacute;blicas que ajudem os cidad&atilde;os interessados a compreender os projetos a decorrer, bem como os potenciais impactos de tais projetos. Pelo que sabemos, durante o processo de consulta relativamente &agrave; LMAT prevista para o Norte de Portugal, apenas foi organizada uma sess&atilde;o p&uacute;blica, em Mon&ccedil;&atilde;o, no dia 8 de fevereiro de 2014. Os poucos participantes neste estudo que estiveram presentes na referida sess&atilde;o p&uacute;blica demonstraram uma enorme frustra&ccedil;&atilde;o relacionada com o modo como a sess&atilde;o foi organizada, com a postura dos oradores, com o tipo de linguagem utilizada e com a pr&oacute;pria gest&atilde;o do tempo durante a sess&atilde;o:</p>     <blockquote>Rui – Eu n&atilde;o fiquei at&eacute; ao final que aquilo nunca mais acabava, aquilo era, cada orador vinha com a sua teoria e aquilo prolongou-se e aquilo quando entrou nos debates propriamente dito, em que o povo se come&ccedil;ou a manifestar, eu vim-me embora, que j&aacute; eram quase oito horas e eu tive que me vir embora.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   (&hellip;)    <br>   Rui – Come&ccedil;ou &agrave;s tr&ecirc;s horas. Aquilo eram sete horas e s&oacute; tinha havido conversa da chacha.    <br>   Sim&atilde;o – Era, era conversa de chacha.     <br>   Rui – E havia uma senhora, uma senhora que pertencia &agrave; aquela empresa de luz e [Sim&atilde;o – A REN]. Isso nunca mais acabava.    <br>   Sim&atilde;o – Claro, isso &eacute; para chatear as pessoas    <br>   Rui – Porque depois &eacute; muita gente da aldeia.    <br>   Entrevistadora – Era linguagem t&eacute;cnica?    <br>   Rui – Claro, pois era mais t&eacute;cnica do que coisa. Ali estava muita gente da aldeia, mas eram mais pessoas que vivem a coisa no local, n&atilde;o &eacute;? E queriam-se manifestar e que nunca mais chegava a vez deles. At&eacute; porque a maior parte das pessoas foi-se embora. [Entrevistadora – Foram embora]. Pronto, viagens de 15 km e 18 km e estar ali toda a tarde e quase nem se perceber nada.    <br>   (&hellip;)    <br>   Sim&atilde;o – N&atilde;o &eacute;. Eles v&ecirc;m para falar para ningu&eacute;m.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   Entrevistadora – Porque era dif&iacute;cil de compreender o que estavam a dizer, n&atilde;o &eacute;?    <br>   Sim&atilde;o – Sim, pois claro. A falar para ningu&eacute;m [Falam todos em simult&acirc;neo concordando com esta ideia]. N&atilde;o v&ecirc;m com dados concretos.    <br>   Rui – Ficou a&iacute; quase uma hora e meia a falar.    <br>   Sim&atilde;o – Para qu&ecirc;? Para afastar as pessoas. Para p&ocirc;r as pessoas na rua.     <br>   Rui – A senhora falou, falou que nunca mais se (.) e termos t&eacute;cnicos e coisas.    <br>   Sim&atilde;o – &Eacute; evidente, aquilo est&aacute; feito para isso.    <br>   Rui – Veio um outro senhor depois dessa, rebater quase tudo aquilo que ela disse.    <br>   Sim&atilde;o – &Eacute; evidente.    <br>   Entrevistadora – Que era tamb&eacute;m outro t&eacute;cnico?    <br>   Sim&atilde;o – E isso foi outra hora e meia. (Entrevista de grupo, Mon&ccedil;&atilde;o)</blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Esta descri&ccedil;&atilde;o da din&acirc;mica de intera&ccedil;&atilde;o entre os oradores e o p&uacute;blico local revela que a possibilidade de o p&uacute;blico influenciar estes processos &eacute; obstaculizada, &agrave; partida, por discursos institucionais que tendem a empoderar excessivamente os t&eacute;cnicos e especialistas, bloqueando assim a participa&ccedil;&atilde;o c&iacute;vica, nomeadamente atrav&eacute;s da excessiva tecnologiza&ccedil;&atilde;o das quest&otilde;es e respetiva despolitiza&ccedil;&atilde;o (e.g., Carvalho et al., 2016). Apesar do projeto de constru&ccedil;&atilde;o da LMAT ter v&aacute;rios impactos potenciais na popula&ccedil;&atilde;o local, podendo ent&atilde;o ser considerada uma quest&atilde;o social e pol&iacute;tica que &eacute; localmente relevante, foi apresentado &agrave; popula&ccedil;&atilde;o como uma quest&atilde;o meramente t&eacute;cnica. Este aspeto, aliado ao excessivo uso do tempo por parte dos t&eacute;cnicos durante as sess&otilde;es p&uacute;blicas, &quot;para p&ocirc;r as pessoas na rua&quot;, limita fundamentalmente as oportunidades de participa&ccedil;&atilde;o. Os excertos apresentados acima demonstram as m&uacute;ltiplas formas em que os cidad&atilde;os analisam criticamente os objetivos estrat&eacute;gicos dos v&aacute;rios atores no poder, e revelam v&aacute;rias pistas sobre o modo como os cidad&atilde;os interpretam as inten&ccedil;&otilde;es do Estado, das grandes empresas, e dos t&eacute;cnicos especialistas que os representam. Curiosamente, os entrevistados consideram que o prop&oacute;sito dos momentos de intera&ccedil;&atilde;o entre os t&eacute;cnicos e os cidad&atilde;os, &eacute; &quot;afastar as pessoas&quot;destas quest&otilde;es.</p>     <p>As din&acirc;micas de intera&ccedil;&atilde;o s&atilde;o descritas como desrespeitosas e desadequadas ao perfil da comunidade local e &agrave;s suas circunst&acirc;ncias. Tomando como refer&ecirc;ncia Butler (1997), encontramos nesta entrevista de grupo refer&ecirc;ncias &agrave; expectativa do p&uacute;blico em ser abordado pelas autoridades, mas tamb&eacute;m um desejo de que a sua voz seja ouvida e reconhecida como leg&iacute;tima e v&aacute;rias refer&ecirc;ncias ao modo como este desejo tem sido recorrentemente reprimido. Tal como Bl&uuml;dhorn (2013) sugere, este tipo de discurso tamb&eacute;m poder ser considerado uma cr&iacute;tica &agrave; sess&atilde;o p&uacute;blica por esta representar uma forma de &quot;democracia simulada&quot;, em que determinadas pr&aacute;ticas s&atilde;o utilizadas para criar a ilus&atilde;o de liberdade pol&iacute;tica e igualdade e/ou em que &quot;os governos s&atilde;o inspirados por, e respondem aos valores e necessidades expressos pela demo&quot;(Bl&uuml;dhorn, 2013, p. 28).</p>     <p>Assim, em vez de contribuir para a compreens&atilde;o p&uacute;blica dos aspetos cient&iacute;ficos, tecnol&oacute;gicos e ambientais associados ao projeto de constru&ccedil;&atilde;o da linha de muita alta tens&atilde;o, a sess&atilde;o p&uacute;blica narrada pelos participantes parece ter contribu&iacute;do para intensificar a desconfian&ccedil;a e suspei&ccedil;&atilde;o face ao Estado e &agrave;s grandes empresas. Pela &oacute;tica de an&aacute;lise de discurso, o efeito pragm&aacute;tico deste tipo de sess&otilde;es (em que os t&eacute;cnicos especialistas &quot;falam para ningu&eacute;m&quot;) &eacute; o desenvolvimento de formas de resist&ecirc;ncia face &agrave;s autoridades, que passa pela cr&iacute;tica e ceticismo pol&iacute;tico. Na conversa reproduzida acima, os entrevistados refor&ccedil;am as opini&otilde;es uns dos outros, como se pode verificar atrav&eacute;s do vocabul&aacute;rio utilizado (&quot;claro&quot;; &quot;certo&quot;; &quot;&eacute; evidente&quot;), desenvolvendo assim uma cultura partilhada de antagonismo em rela&ccedil;&atilde;o ao Estado e outros atores. O excerto da entrevista apresentada oferece v&aacute;rias pistas sobre a constru&ccedil;&atilde;o relacional das identidades, nomeadamente a partir da intera&ccedil;&atilde;o entre cidad&atilde;os e t&eacute;cnicos especialistas. Tamb&eacute;m parece refor&ccedil;ar o argumento de que a &eacute;tica deve ser garantida por aqueles que lideram o processo de consulta (Fox &amp; Murphy, 2012). Assim, os t&eacute;cnicos devem respeitar os princ&iacute;pios &eacute;ticos no desenho e implementa&ccedil;&atilde;o da consulta p&uacute;blica, evitando qualquer forma de manipula&ccedil;&atilde;o e aquieta&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico (Arnstein, 1969).</p>     <p><b>Rela&ccedil;&otilde;es de poder e desejo de influ&ecirc;ncia</b></p>     <p>A maioria dos participantes s&atilde;o bastante descrentes relativamente &agrave; possibilidade de influenciarem decis&otilde;es pol&iacute;ticas. Tendem a considerar o sistema pol&iacute;tico – por vezes referido como aliado do sistema econ&oacute;mico – como indiferente &agrave; influ&ecirc;ncia cidad&atilde;. V&aacute;rios cidad&atilde;os evitam a participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, uma vez que a consideram in&uacute;til ou insignificante face ao poder do &quot;sistema&quot;. Apesar de, nalgumas pessoas, esta descren&ccedil;a ser baseada em experi&ecirc;ncias individuais pr&eacute;vias de participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, a maioria dos participantes n&atilde;o referiu experi&ecirc;ncias de participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica anteriores. Curiosamente, a descren&ccedil;a na capacidade de influ&ecirc;ncia c&iacute;vica foi v&aacute;rias vezes contraditada pelos casos recordados pelos participantes quando instigados a tal. De notar, no entanto, que, no decurso das entrevistas e grupos focais, alguns (poucos) participantes foram um pouco mais positivos relativamente ao impacto potencial da a&ccedil;&atilde;o c&iacute;vica. Por outro lado, outros n&atilde;o se conseguiam lembrar de nenhuma experi&ecirc;ncia de participa&ccedil;&atilde;o, com impacto ou sem impacto. Estas inconsist&ecirc;ncias encontradas nos discursos dos cidad&atilde;os, podem ser relacionadas com o paradoxo p&oacute;s-democr&aacute;tico descrito por Bl&uuml;hdorn como a &quot;simultaneidade de compromissos incompat&iacute;veis&quot;(Bl&uuml;hdorn, 2013, p. 20), que pode ser observada nas democracias baseadas no consumo, em que a press&atilde;o social para mais democracia e equidade pol&iacute;tica (e.g., envolvimento de minorias e grupos n&atilde;o privilegiados), coexiste com uma democracia enfraquecida por uma sociedade &quot;l&iacute;quida&quot;, individualista e consumista.</p>     <p>As perspetivas que apresentamos acima, surgem tamb&eacute;m associadas a diversas desigualdades no acesso ao poder. Muitos participantes concordaram que alguns atores no campo pol&iacute;tico e econ&oacute;mico – referidos como os &quot;os grandes&quot;ou como &quot;as maiorias&quot;– det&ecirc;m (grande parte) do poder de tomada de decis&atilde;o, enquanto que as &quot;pessoas&quot;s&atilde;o o elemento fraco. Os participantes consideram que a decis&atilde;o de avan&ccedil;ar (ou n&atilde;o) com a constru&ccedil;&atilde;o da linha de muita alta tens&atilde;o &eacute; essencialmente dependente de uma rela&ccedil;&atilde;o de poder desigual em que os cidad&atilde;os s&atilde;o impotentes. A perce&ccedil;&atilde;o de falta de influ&ecirc;ncia atrav&eacute;s da consulta p&uacute;blica &eacute; explicitamente referida por Fernando: &quot;basicamente, eu penso que j&aacute; est&aacute; tudo decidido&quot;(Gemieira). Este tipo de discurso que sugere, de forma expl&iacute;cita, uma falta de poder de influ&ecirc;ncia nas pol&iacute;ticas ou nas institui&ccedil;&otilde;es foi bastante consensual: </p>     <blockquote>Helena – estamos a lutar contra coisas que&hellip;     <br>   Nuno – Que j&aacute; est&atilde;o decididas.     <br>   Helena – Que pouca influ&ecirc;ncia vamos ter.     <br>   Nuno – Somos t&atilde;o pouquinhos.     ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   Helena – Exatamente. Houve umas manifesta&ccedil;&otilde;es e tem-se feito o esfor&ccedil;o que se tem, por exemplo, ao n&iacute;vel dos or&ccedil;amentos de Estado, entrando novamente na quest&atilde;o pol&iacute;tica, que &eacute;, se calhar, a mais vis&iacute;vel. Faz-se for&ccedil;a, faz-se for&ccedil;a e o que sai de l&aacute; &eacute; os sindicatos a bater palmas e a fazer acordos. Ou seja, a voz do povo j&aacute; n&atilde;o conta.     <br>   Daniel – Quando vem parar o povo j&aacute; est&aacute; decidido, n&atilde;o vale a pena&hellip; (Grupo focal, Ribeira)</blockquote>     <p>As posi&ccedil;&otilde;es apresentadas nos excertos acima sugerem uma rejei&ccedil;&atilde;o do processo de consulta p&uacute;blica como um mecanismo leg&iacute;timo de tomada de decis&atilde;o, nomeadamente, porque as decis&otilde;es est&atilde;o meramente dependentes de quest&otilde;es relacionadas com a distribui&ccedil;&atilde;o desigual de poder, e as a&ccedil;&otilde;es e posi&ccedil;&otilde;es dos cidad&atilde;os s&atilde;o limitadas pelas a&ccedil;&otilde;es e posi&ccedil;&otilde;es de outros que est&atilde;o em posi&ccedil;&otilde;es de poder. Novamente, este discurso alude &agrave; natureza relacional na constru&ccedil;&atilde;o (discursiva) de identidades, que emerge de forma bastante clara nos dados. As possibilidades de participa&ccedil;&atilde;o oferecidas pelo Estado s&atilde;o vistas como negativas por v&aacute;rios participantes, que referem sentirem-se humilhados e ridicularizados. As express&otilde;es escolhidas pelos participantes para descrever as rela&ccedil;&otilde;es de poder indicam a import&acirc;ncia destas quest&otilde;es para a legitimidade processual. Neste estudo, o Estado &eacute; apresentado como o &quot;le&atilde;o&quot;, e/no centro do poder, que considera os seus cidad&atilde;os como elementos com poucos conhecimentos e sem credibilidade: </p>     <blockquote>Entrevistadora (dirigindo-se a Rui) – Mas isso [referindo-se &agrave; vontade anteriormente expressa de melhorar o sistema nacional de pens&otilde;es] lev&aacute;-lo-ia no seu caso a participar nalgum protesto?    <br>   Sim&atilde;o – Se a coisa se justificasse, porque n&atilde;o?     <br>   Rui – Sim, pois claro, se a coisa se justificasse, se a gente visse que&hellip;     <br>   Sim&atilde;o – Que havia sa&iacute;da.    <br>   Rui – Que havia sa&iacute;da para essas coisas, tudo bem.     <br>   Sim&atilde;o – Agora assim n&atilde;o.    <br>   Rui – Agora ainda vai meter-se na boca do lobo.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   Sim&atilde;o – Vai-se meter &agrave; c&uacute;pula do poder (&hellip;) do sistema, n&atilde;o pode&hellip;    <br>   Rui – Do sistema&hellip;    <br>   Entrevistadora – Se visse, se acreditasse que pudesse dar algum resultado, n&atilde;o &eacute; isso que me est&aacute; a dizer?    <br>   Rui – Exato. Assim n&atilde;o, assim &eacute; chover no molhado.    <br>   Sim&atilde;o – &Eacute;. Para ser humilhado, para ser ridiculizado. Para dizerem que para o que d&aacute; uma pessoa com esta idade andar metido nisto. (Entrevista de grupo, Mon&ccedil;&atilde;o) </blockquote>     <p>Os dois oradores (de Mon&ccedil;&atilde;o) refor&ccedil;am a posi&ccedil;&atilde;o um do outro repetindo o que disse o locutor anterior, completando as frases do outro, refor&ccedil;ando as afirma&ccedil;&otilde;es do outro. Num grupo focal de Barcelinhos, um participante evocou uma fera para se referir ao poder que algumas pessoas t&ecirc;m: &quot;porque depois chegam a determinado ponto e economicamente nem lhes &eacute; poss&iacute;vel lutarem contra esses grandes tubar&otilde;es&quot;(Andr&eacute;). As imagens de &quot;le&otilde;es&quot;e &quot;tubar&otilde;es&quot;s&atilde;o tamb&eacute;m utilizadas para descrever quem tem o poder de decidir. Do lado oposto, aqueles que participam e resistem s&atilde;o considerados &quot;palha&ccedil;os&quot;. O excerto abaixo pode, primeiramente, sugerir uma deslegitima&ccedil;&atilde;o dos &quot;manifestantes&quot;, por serem apenas &quot;meia-d&uacute;zia&quot;e &quot;n&atilde;o dizerem nada&quot;. Um olhar mais aprofundado sobre a entrevista sugere que este discurso &eacute; provavelmente baseado numa forte descren&ccedil;a e desconfian&ccedil;a no poder que as pessoas t&ecirc;m para influenciar as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas: </p>     <blockquote>Gil – Acho que as pessoas singulares (&hellip;) s&atilde;o muito pequenas para fazer, n&atilde;o vale a pena estar a lutar contra uma coisa que est&aacute; assumida (&hellip;)    <br>   Gil – Em princ&iacute;pio h&aacute;, tem que haver (&hellip;) tem que haver aceita&ccedil;&atilde;o dos munic&iacute;pios, tem que haver aceita&ccedil;&atilde;o das freguesias, n&atilde;o &eacute;?    <br>   Entrevistadora – L&aacute; est&aacute;.    <br>   Gil – As freguesias &eacute; que t&ecirc;m que fazer o barulho.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   Entrevistadora – As freguesias s&atilde;o toda a gente (h).    <br>   Gil – As freguesias s&atilde;o, s&atilde;o toda a gente, s&atilde;o toda (&hellip;) somos, somos todos n&oacute;s. Mas eles &eacute; que deveriam ter, estamos numa fase muito avan&ccedil;ada do projeto, eles &eacute; que, estamos numa fase em que a linha est&aacute; tra&ccedil;ada, a linha t&aacute; definida, n&atilde;o &eacute;? Antes disso, deveria ter havido uma certa consulta &agrave;s freguesias, aos munic&iacute;pios. Algu&eacute;m disse alguma coisa sobre isso? V&ecirc;m agora os palha&ccedil;os, a popula&ccedil;&atilde;o, meia d&uacute;zia da popula&ccedil;&atilde;o que nem dizem nada. N&atilde;o! Isto devia ser passado para a freguesia, com muita anteced&ecirc;ncia, n&atilde;o &eacute; agora nesta fase.</blockquote>     <p>De forma sucinta, nas falas dos cidad&atilde;os, as suas a&ccedil;&otilde;es e posi&ccedil;&otilde;es s&atilde;o definidas como limitadas por e dependentes das a&ccedil;&otilde;es e posi&ccedil;&otilde;es de outros. Consequentemente, o tipo de rela&ccedil;&otilde;es de poder referidas como caracter&iacute;sticas do processo de consulta p&uacute;blica parece ter um grande impacto no modo como os cidad&atilde;os se envolvem com as institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas e com o pr&oacute;prio sistema democr&aacute;tico. Em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, estes discursos sugerem uma necessidade de repensarmos as abordagens &agrave; participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica. Tal como referido anteriormente, os esfor&ccedil;os para promover a participa&ccedil;&atilde;o devem ser acompanhados por apoio e suporte adequados, caso contr&aacute;rio, poder&atilde;o vir a &quot;fazer mais mal do que bem&quot;(Fox &amp; Murphy, 2012, p. 212). Sucessivas experi&ecirc;ncias de participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica caracterizadas por falta de acesso, legitimidade e influ&ecirc;ncia, parecem levar a que os cidad&atilde;os se sintam desempoderados e desrespeitados, e poder&atilde;o contribuir para que os cidad&atilde;os, ativa e intencionalmente, evitem qualquer envolvimento em processos de participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica.</p>     <p><b>Imaginando &eacute;tica na participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica</b></p>     <p>Seguindo a proposta de Senecah (2004), a nossa an&aacute;lise aponta para uma interdepend&ecirc;ncia entre as quest&otilde;es de acesso, legitimidade e influ&ecirc;ncia. Simultaneamente, as vis&otilde;es relativamente ao que &eacute; um processo de consulta p&uacute;blica &eacute;tico e relevante est&atilde;o bastante alinhadas com as experi&ecirc;ncias dos participantes. Neste sentido, os participantes sugerem uma variedade de estrat&eacute;gias para desenvolver processos de participa&ccedil;&atilde;o que assegurem o acesso, legitimidade e influ&ecirc;ncia, tais como: cria&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os de di&aacute;logo e reuni&otilde;es informativas, assembleias p&uacute;blicas e reuni&otilde;es com os promotores do projeto; contato direto com a popula&ccedil;&atilde;o, por exemplo porta-a-porta; partilha de informa&ccedil;&atilde;o sobre o projeto e sobre a consulta por via postal, na fatura da eletricidade ou atrav&eacute;s de redes sociais; cria&ccedil;&atilde;o de um gabinete de informa&ccedil;&atilde;o na junta de freguesia ou na igreja local; dissemina&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria atrav&eacute;s de panfletos e cartazes, em lojas e mercados locais; partilha de informa&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s dos m&eacute;dia locais (jornais, r&aacute;dio); e envolvimento de organiza&ccedil;&otilde;es locais para facilitar o processo de consulta p&uacute;blica. Todos os participantes concordam com a ideia de que, idealmente, os processos devem recorrer a uma combina&ccedil;&atilde;o de meios e ferramentas de comunica&ccedil;&atilde;o, de forma a garantir que os cidad&atilde;os – ou pelo menos a maioria dos cidad&atilde;os interessados – s&atilde;o inclu&iacute;dos no processo de consulta: </p>     <blockquote>Rita – Eu acho que n&oacute;s temos que nos atualizar um bocadinho. Os tempos s&atilde;o para as novas tecnologias e efetivamente divulgar atrav&eacute;s do Facebook e outras redes sociais hoje em dia &eacute; crucial. E n&atilde;o passar mensagens diferentes, passar uma s&oacute; mensagem, mas adapt&aacute;-la aos diferentes tipos de p&uacute;blicos. As novas tecnologias s&atilde;o &uacute;teis para chegar a um p&uacute;blico mais jovem, mas n&atilde;o nos podemos esquecer que aqui neste tipo de freguesias que s&atilde;o ainda t&atilde;o rurais, h&aacute; uma camada da popula&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o &eacute; formada, que n&atilde;o tem uma consci&ecirc;ncia t&atilde;o trabalhada para estas quest&otilde;es e precisa de ser esclarecida por outros meios.    <br>   Alexandre – T&ecirc;m que ser v&aacute;rios dispositivos.     <br>   Ana – Para mim j&aacute; poderia ser um email, mas os mais velhos&hellip;     <br>   Sofia – Ou mesmo at&eacute; mais eficaz, como a C&acirc;mara p&otilde;e nas caixas do correio, um boletim informativo. (Grupo focal, Barcelinhos 1)</blockquote>     <p>Tal como enfatizado por v&aacute;rios participantes, &eacute; tamb&eacute;m fundamental que a mensagem seja clara, coerente e acess&iacute;vel. Em termos de espa&ccedil;os de partilha de informa&ccedil;&atilde;o, a igreja local foi referida como o lugar ideal para chegar a todas as pessoas em zonas rurais. V&aacute;rios participantes partilharam a ideia de que os an&uacute;ncios p&uacute;blicos importantes poderiam ser feitos pela par&oacute;quia local: &quot;era o padre anunciar na missa (&hellip;) &eacute; a primeira forma de chegar &agrave;s pessoas&quot;(Lu&iacute;sa, grupo focal, Ref&oacute;ios). A proposta de dissemina&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o sobre os impactos das linhas de muita alta tens&atilde;o e o processo de consulta atrav&eacute;s do padre e das igrejas relembram-nos da necessidade de considerar o papel das vari&aacute;veis contextuais nos processos de participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica. Ao enquadrar as consultas p&uacute;blicas num contexto social e pol&iacute;tico, com caracter&iacute;sticas pr&oacute;prias e espec&iacute;ficas, ser&aacute; mais f&aacute;cil garantir que a consulta decorre de forma &eacute;tica e relevante. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em termos de mecanismos de participa&ccedil;&atilde;o, de notar que os participantes propuseram a cria&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios formatos, que passam pela consulta de opini&otilde;es atrav&eacute;s de question&aacute;rios, por telefone ou online, peti&ccedil;&otilde;es e mesmo referendos populares. Estabelecendo v&aacute;rias liga&ccedil;&otilde;es com o sistema de voto em Portugal, os participantes revelaram dificuldade em compreender os motivos para a n&atilde;o utiliza&ccedil;&atilde;o de referendos num assunto t&atilde;o &quot;importante&quot;, como as linhas de muita alta tens&atilde;o. Neste aspeto, verificou-se que as pessoas se referiram &agrave; falta de direitos de participa&ccedil;&atilde;o nestas quest&otilde;es de forma bastante emocional e solicitaram mais debates, manifesta&ccedil;&otilde;es, sess&otilde;es p&uacute;blicas, mais espa&ccedil;os e momentos de tomada de decis&atilde;o: </p>     <blockquote>Lu&iacute;sa – Eu acho que em debates, a parte da divulga&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o, de pessoas que sejam competentes, que tenham conhecimentos.     <br>   Helena – Manifesta&ccedil;&otilde;es.    <br>   Daniel – Nas reuni&otilde;es.     <br>   Rog&eacute;rio – Uma reuni&atilde;o feita num domingo. J&aacute; que eles obrigam a ir votar nos domingos tamb&eacute;m se podia marcar uma reuni&atilde;o num domingo.    <br>   Entrevistadora – E as pessoas iam l&aacute; e diziam o que &eacute; que pensavam?    <br>   Rog&eacute;rio – Sim.    <br>   Helena – Atrav&eacute;s de debates, manifesta&ccedil;&otilde;es, se houver caso disso, e atrav&eacute;s de vota&ccedil;&otilde;es.     <br>   Entrevistadora – Todas essas coisas?     <br>   Lu&iacute;sa – Tendo em conta que a vota&ccedil;&atilde;o sendo um voto secreto&hellip;    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   Nuno – Talvez as pessoas v&atilde;o votar e s&atilde;o capazes de n&atilde;o falar cara a cara.     <br>   Helena – E sendo o voto secreto &eacute; menos influenci&aacute;vel.(Grupo focal, Ribeira) </blockquote>     <p>Apesar de se verificar uma falta de consenso relativamente &agrave; dura&ccedil;&atilde;o considerada ideal para o processo de consulta p&uacute;blica (e.g., tr&ecirc;s ou seis meses, um ou dois anos), os participantes parecem concordar que o processo de consulta deve ter a dura&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria para permitir alcan&ccedil;ar toda a popula&ccedil;&atilde;o interessada, ou pelo menos grande parte das pessoas. &Eacute; considerado fundamental assegurar que todos os membros da comunidade t&ecirc;m oportunidade de participar no processo e de esclarecer todas as d&uacute;vidas que eventualmente possam ter: &quot;o tempo necess&aacute;rio para as pessoas ficarem elucidadas&quot;(Pedro, grupo focal, Tangil). De forma geral, &eacute; poss&iacute;vel identificar nos discursos dos participantes os elementos m&iacute;nimos indispens&aacute;veis para garantir o acesso &agrave; participa&ccedil;&atilde;o (e.g., oportunidades de aceder a informa&ccedil;&atilde;o e educa&ccedil;&atilde;o; e envolvimento no processo desde o in&iacute;cio). Para al&eacute;m disso, os participantes tamb&eacute;m reclamam mais oportunidades e espa&ccedil;os de debate e di&aacute;logo, bem como f&oacute;runs deliberativos, o que est&aacute; diretamente relacionado com as pr&aacute;ticas necess&aacute;rias para assegurar legitimidade processual (Senecah, 2004). As propostas mencionadas pelos participantes tamb&eacute;m reconhecem o papel de vari&aacute;veis sociodemogr&aacute;ficas e contextuais (tais como o n&iacute;vel de religiosidade da comunidade, rela&ccedil;&otilde;es sociais pr&eacute;-existentes e n&iacute;veis de educa&ccedil;&atilde;o) na limita&ccedil;&atilde;o da participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica (Baker &amp; Chapin, 2018).</p>     <p>&Eacute; claro que os participantes querem ser ouvidos e, sobretudo, pretendem que as suas propostas e sugest&otilde;es tenham um car&aacute;cter vinculativo ou que pelo menos, sejam tidas em considera&ccedil;&atilde;o: &quot;como devia ser tomada a decis&atilde;o? Era as pessoas terem algum poder vinculativo na decis&atilde;o final, sen&atilde;o qual &eacute; o sentido de estar a discutir se no final&quot;(Rodrigo, grupo focal, Barcelinhos 2). Para a maior parte dos participantes, as oportunidades oferecidas pelo formato de participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica s&atilde;o frequentemente aparentes e ilus&oacute;rias, no sentido em que apenas servem para criar falsas expectativas sobre o poder dos cidad&atilde;os nos processos de tomada de decis&atilde;o. N&atilde;o obstante, v&aacute;rios participantes associam legitimidade para exercer influ&ecirc;ncia ao conhecimento t&eacute;cnico/especialista. Especificamente, express&otilde;es lingu&iacute;sticas como &quot;vi&aacute;vel&quot;, &quot;informada&quot;, &quot;prudente&quot;, &quot;baseada no conhecimento&quot;, e &quot;baseada em informa&ccedil;&atilde;o&quot;s&atilde;o utilizadas para descrever o tipo de voz que deve influenciar as tomadas de decis&atilde;o: &quot;todas as opini&otilde;es deveriam ser pensadas, discutidas e ter uma conclus&atilde;o realista e depois a decis&atilde;o estaria a&iacute;, se realmente fosse realista&quot;(Ot&aacute;vio, grupo focal, Tangil). Este e outros excertos sugerem posi&ccedil;&otilde;es ambivalentes relativamente &agrave;s pr&aacute;ticas de influ&ecirc;ncia. Em &uacute;ltima an&aacute;lise, os discursos s&atilde;o reveladores de como os cidad&atilde;os percecionam a sua pr&oacute;pria legitimidade de decidir e influenciar quest&otilde;es socialmente relevantes. </p>     <p><b>Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></p>     <p>Com base nas narrativas dos participantes sobre as quest&otilde;es de acesso, legitimidade e influ&ecirc;ncia, a nossa an&aacute;lise sugere a considera&ccedil;&atilde;o da &eacute;tica da participa&ccedil;&atilde;o nos seus diferentes aspetos, de modo a assegurar processos de consulta p&uacute;blica realmente relevantes. Especificamente, estes aspetos relacionam-se com: o acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o e ao conhecimento; o formato da consulta; as intera&ccedil;&otilde;es entre os t&eacute;cnicos e os cidad&atilde;os; a legitimidade do pr&oacute;prio processo; as rela&ccedil;&otilde;es e din&acirc;micas de poder; e, por fim, a capacidade de influ&ecirc;ncia. De notar que as quest&otilde;es de acesso, legitimidade e influ&ecirc;ncia s&atilde;o vistas como interdependentes (Senecah, 2004), e associadas a v&aacute;rios aspetos de uma &eacute;tica da participa&ccedil;&atilde;o tais como a confian&ccedil;a, o respeito, a transpar&ecirc;ncia, a abertura e a exist&ecirc;ncia de rela&ccedil;&otilde;es igualit&aacute;rias de poder.</p>     <p>Uma das conclus&otilde;es principais que podemos retirar da nossa an&aacute;lise &eacute; que, nas consultas p&uacute;blicas, a l&oacute;gica de um &quot;tamanho e formato &uacute;nico&quot;n&atilde;o &eacute; minimamente adequada. Os participantes apontaram v&aacute;rias solu&ccedil;&otilde;es poss&iacute;veis de modo a que os formatos, os espa&ccedil;os e o tempo da consulta p&uacute;blica estejam adaptados &agrave;s caracter&iacute;sticas do contexto local e ao projeto em consulta. Isto remete-nos para a necessidade de considerar as din&acirc;micas contextuais quando pensamos em participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, e para a necessidade de desenvolver formatos que sejam contextual e localmente relevantes. Contrariamente a uma tend&ecirc;ncia para determinar crit&eacute;rios universais nos processos de participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica (e.g., Rowe &amp; Frewer, 2000, 2004; Rowe et al., 2008), a nossa an&aacute;lise demonstra a import&acirc;ncia de considerar as vari&aacute;veis contextuais e tamb&eacute;m diversas dimens&otilde;es espec&iacute;ficas do projeto em consulta p&uacute;blica que poder&atilde;o explicar o n&atilde;o envolvimento dos cidad&atilde;os (Baker &amp; Chapin, 2018; Webler &amp; Tuller, 2006). Isto implica necessariamente facultar meios e recursos adequados de participa&ccedil;&atilde;o, reconhecer as m&uacute;ltiplas formas de participa&ccedil;&atilde;o, reconhecer legitimidade a essas formas de participa&ccedil;&atilde;o, e considerar que diferentes p&uacute;blicos poder&atilde;o ter diferentes prefer&ecirc;ncias sobre como a participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica deve ser conduzida. Seguindo a perspetiva da &quot;&eacute;tica do cuidado&quot;, implica necessariamente reconhecer particularidade e pluralidade no processo de consulta (Tronto, 2010).</p>     <p>&Eacute; particularmente preocupante que as quest&otilde;es de acesso, legitimidade e influ&ecirc;ncia nos processos de consulta p&uacute;blica sejam percebidas pelos cidad&atilde;os como desonestas, fraudulentas e desrespeitosas. Para resolver estes e outros problemas mencionados durante as entrevistas e grupos de discuss&atilde;o, os participantes sugerem a necessidade de mais abertura e transpar&ecirc;ncia relativamente ao projeto de constru&ccedil;&atilde;o da LMAT, e tamb&eacute;m mais oportunidades de participa&ccedil;&atilde;o e influ&ecirc;ncia. Tal como diversos autores t&ecirc;m vindo a sugerir, se o objetivo &eacute; melhorar os processos de participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, prop&oacute;sito e confian&ccedil;a s&atilde;o dois aspetos centrais a ter em conta (Baker &amp; Chapin, 2018; Senecah, 2004)<sup><a href="#11" name="top11">[11]</a></sup>. Na perspetiva de Arendt, se n&atilde;o existir uma oportunidade genu&iacute;na de influenciar os resultados, nem o pr&oacute;prio processo, a participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica n&atilde;o permite que a a&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica ocorra, uma vez que a a&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica &eacute; essencialmente &quot;uma express&atilde;o da liberdade e individualidade humana, o princ&iacute;pio de algo novo que n&atilde;o &eacute; esperado de nada que aconteceu anteriormente&quot;(Arendt, 1958, p. 178).</p>     <p>Todavia, a nossa an&aacute;lise sugere que a n&atilde;o participa&ccedil;&atilde;o nem sempre equivale a falta de interesse e aliena&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica (Cammaerts et al., 2014). Curiosamente, as pessoas revelaram um forte desejo de mais participa&ccedil;&atilde;o, e apresentaram v&aacute;rias propostas para o desenvolvimento de formas de participa&ccedil;&atilde;o &eacute;ticas e relevantes. Tendo em conta que a consulta p&uacute;blica analisada neste estudo n&atilde;o foi considerada uma oportunidade genu&iacute;na de influenciar a tomada de decis&atilde;o, os participantes propuseram diversas formas, meios e estrat&eacute;gias para melhorar as quest&otilde;es de acesso, legitimidade processual e influ&ecirc;ncia. As sugest&otilde;es indicam que os participantes t&ecirc;m grandes expectativas sobre a democracia deliberativa (Fishkin, 2009) e, em particular, verifica-se que, nestes discursos, as quest&otilde;es de influ&ecirc;ncia emergiram como intrinsecamente ligadas a uma vis&atilde;o mais democr&aacute;tica do campo pol&iacute;tico. Em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, ao expressar o desejo de participar e ao reivindicarem processos de participa&ccedil;&atilde;o &eacute;ticos e relevantes, os participantes no nosso estudo atribuem legitimidade &agrave; participa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>As propostas dos participantes para resgatar a participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica de forma geral, e as consultas p&uacute;blicas em particular, cont&ecirc;m muitas expectativas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; democracia (Conrad et al., 2011) e sugerem desde logo a necessidade de politizar os processos de participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica. &Eacute; prov&aacute;vel que a remo&ccedil;&atilde;o do car&aacute;cter pol&iacute;tico aos processos de decis&atilde;o envolvidos nos formatos de participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica leve &agrave; redu&ccedil;&atilde;o da ag&ecirc;ncia coletiva percebida (Hay, 2007; Wood, 2015), o que por sua vez poder&aacute; ter implica&ccedil;&otilde;es no modo como as pessoas veem e participam na pol&iacute;tica (van Wessel, 2010). Os obst&aacute;culos mencionados indicam que considerar dimens&otilde;es de &eacute;tica e relev&acirc;ncia na participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, implica necessariamente reconhecer o direito democr&aacute;tico de incluir todos no processo de decis&atilde;o e em condi&ccedil;&otilde;es em que todos se sintam motivados (Fishkin, 2009). Ao reivindicar o direito (desejado) de expressar as suas preocupa&ccedil;&otilde;es e de ser envolvido na consulta p&uacute;blica decorrida, os participantes reclamam ag&ecirc;ncia pol&iacute;tica, e solicitam que as suas vozes sejam tratadas como leg&iacute;timas perante o sistema pol&iacute;tico. A nossa an&aacute;lise sugere tamb&eacute;m que as quest&otilde;es de acesso, legitimidade, e influ&ecirc;ncia podem contribuir para a revitaliza&ccedil;&atilde;o da democracia, se forem baseadas na confian&ccedil;a, abertura, transpar&ecirc;ncia e em no&ccedil;&otilde;es de justi&ccedil;a. Pelo menos, poder&atilde;o ajudar a contribuir para a diminui&ccedil;&atilde;o de algumas das desigualdades de poder que parecem estar a criar constrangimentos &agrave; ag&ecirc;ncia pol&iacute;tica dos cidad&atilde;os e &agrave; pr&oacute;pria participa&ccedil;&atilde;o em processos de participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A an&aacute;lise apresentada neste artigo &eacute; baseada nas vis&otilde;es e nos discursos de um conjunto de cidad&atilde;os residentes em v&aacute;rias localidades do Norte de Portugal. N&atilde;o obstante o rigor na abordagem qualitativa e da combina&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rias fontes de dados, o estudo &eacute; baseado nos discursos sobre um tipo particular de consulta p&uacute;blica, que ocorreu num contexto espec&iacute;fico. Adicionalmente, importa salientar que a combina&ccedil;&atilde;o de entrevistas com grupos focais tamb&eacute;m trouxe alguns desafios &agrave; an&aacute;lise. Apesar de termos procurado representar, quer os discursos dominantes, quer as opini&otilde;es dissidentes, &eacute; poss&iacute;vel que os discursos dominantes estejam sobre-representados e que as din&acirc;micas de grupos tenham sido pouco analisadas (Smithson, 2000). Deve-se procurar continuar a explorar os significados associados &agrave; participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, dando centralidade &agrave;s m&uacute;ltiplas vozes e perspetivas dos cidad&atilde;os nos processos pol&iacute;ticos (van Wessel, 2010). Tal como o nosso estudo sugere, os discursos sobre a &eacute;tica da participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica merecem uma aten&ccedil;&atilde;o especial. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <!-- ref --><p>Amn&aring;, E. &amp; Ekman, J. (2014). Standby citizens: diverse faces of political passivity. <i>European Political Science Review</i>, <i>6</i>(2), 261-281.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2017355&pid=S2183-3575201900030000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Arendt, H. (1958). <i>The human condition</i>. Chicago: University of Chicago Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2017357&pid=S2183-3575201900030000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Arnstein, S. R. (1969). A ladder of citizen participation. <i>Planning Practice and Research</i>, <i>35</i>(1), 216-224. <a href="https://doi.org/10.1080/01944366908977225" target="_blank">https://doi.org/10.1080/01944366908977225</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2017359&pid=S2183-3575201900030000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Baker, S. &amp; Chapin, F. S. (2018). Going beyond &quot;it depends:&quot;the role of context in shaping participation in natural resource management. <i>Ecology and Society</i>, <i>23</i>(1), 1-20. <a href="https://doi.org/10.5751/ES-09868-230120" target="_blank">https://doi.org/10.5751/ES-09868-230120</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2017360&pid=S2183-3575201900030000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Bl&uuml;hdorn, I. (2013). The governance of unsustainability: ecology and democracy after the post-democratic turn. <i>Environmental Politics</i>, <i>22</i>(1), 16-36. <a href="https://doi.org/10.1080/09644016.2013.755005" target="_blank">https://doi.org/10.1080/09644016.2013.755005</a> &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2017361&pid=S2183-3575201900030000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Butler, J. (1997). <i>The psychic life of power: theories in subjection</i>. Stanford, CA: Stanford University Press.</p>     <!-- ref --><p>Cammaerts, B., Bruter, M., Banaji, S., Harrison, S. &amp; Anstead, N. (2014). The myth of youth apathy: young Europeans' critical attitudes toward democratic life.<i> American Behavioral Scientist, 58</i>(5), 645-664. <a href="https://doi.org/10.1177/0002764213515992" target="_blank">https://doi.org/10.1177/0002764213515992</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2017363&pid=S2183-3575201900030000400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Carpentier, N. (2012). The concept of participation: if they have access and interact, do they really participate? <i>Revista Fronteiras – Estudos Midi&aacute;ticos</i>, <i>14</i>(2), 164-177. <a href="https://doi.org/10.4013/fem.2012.142.10" target="_blank">https://doi.org/10.4013/fem.2012.142.10</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2017364&pid=S2183-3575201900030000400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Carvalho, A., Wessel, M. V. &amp; Maeseele, P. (2016). Communication practices and political engagement with climate change: a research agenda. <i>Environmental Communication</i>, <i>11</i>(1), 122-135. <a href="https://doi.org/10.1080/17524032.2016.1241815" target="_blank">https://doi.org/10.1080/17524032.2016.1241815</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2017365&pid=S2183-3575201900030000400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Conrad, E., Cassar, L. F., Christie, M. &amp; Fazey, I. (2011). Hearing but not listening? A participatory assessment of public participation in planning.<i> Environment and Planning C: Government and Policy, 29</i>(5), 761-782<i>.</i> <a href="https://doi.org/10.1068/c10137" target="_blank">https://doi.org/10.1068/c10137</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2017366&pid=S2183-3575201900030000400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Cornwall, A. (2002). <i>Making spaces, changing places: situating participation in development. IDS Working Paper, 170</i>. Brighton: Institute of Development Studies.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2017367&pid=S2183-3575201900030000400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Dalton, R. J. (2008). Citizenship norms and the expansion of political participation. <i>Political Studies</i>, <i>56</i>(1), 76-98.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2017369&pid=S2183-3575201900030000400012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Dalton, R. J. (2015). <i>The good citizen: how a younger generation is reshaping American politics.</i> Washington: CQ Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2017371&pid=S2183-3575201900030000400013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Dassonneville, R. &amp; Hooghe, M. (2018). Indifference and alienation: diverging dimensions of electoral dealignment in Europe. <i>Acta Politica</i>, <i>53</i>(1), 1-23.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2017373&pid=S2183-3575201900030000400014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Davies, A. (2001). What silence knows – planning, public participation and environmental values. <i>Environmental Values</i>, <i>10</i>(1), 77-102. <a href="https://doi.org/10.3197/096327101129340750" target="_blank">https://doi.org/10.3197/096327101129340750</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2017375&pid=S2183-3575201900030000400015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Decreto-Lei n.&ordm; 69/2000, de 3 de maio, Rep&uacute;blica Portuguesa.</p>     <p>Decreto-Lei n.&ordm; 197/2005, de 8 de novembro, Rep&uacute;blica Portuguesa.</p>     <!-- ref --><p>Ekman, J. &amp; Amn&atilde;, E. (2012). Political participation and civic: towards a new typology. <i>Human Affairs</i>, 22, 283-300. <a href="https://doi.org/10.2478/s13374-012-0024-1" target="_blank">https://doi.org/10.2478/s13374-012-0024-1</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2017378&pid=S2183-3575201900030000400016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Etikan, I., Musa, S. A. &amp; Alkassim, R. S. (2016). Comparison of convenience sampling and purposive sampling. <i>American Journal of Theoretical and Applied Statistics</i>, <i>5</i>(1), 1-4. <a href="https://doi.org/10.11648/j.ajtas.20160501.11" target="_blank">https://doi.org/10.11648/j.ajtas.20160501.11</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2017379&pid=S2183-3575201900030000400017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Fairclough, N. (2014). What is CDA? Language and power twenty-five years on. Retirado de <a href="https://lancaster.academia.edu/NormanFairclough" target="_blank">https://lancaster.academia.edu/NormanFairclough</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2017380&pid=S2183-3575201900030000400018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Fairclough, N. &amp; Wodak, R. (2006). Critical discourse analysis. In T. A. van Dijk (Ed.), <i>Discourse as social interaction</i> (pp. 258-284). Londres: Sage.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2017381&pid=S2183-3575201900030000400019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Fishkin, J. S. (2009). <i>When the people speak: deliberative democracy and public consultations</i>. Oxford: Oxford University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2017383&pid=S2183-3575201900030000400020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Fox, C. &amp; Murphy, P. (2012). Environmental reviews and case studies: sometimes less is better: ethics of public participation. <i>Environmental Practice</i>, <i>14</i>(3), 212-219. <a href="https://doi.org/10.1017/S1466046612000166" target="_blank">https://doi.org/10.1017/S1466046612000166</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2017385&pid=S2183-3575201900030000400021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>H&auml;kli, J. &amp; Kallio, K. (2014). Subject, action and polis: theorizing political agency. <i>Progress in Human Geography</i>, <i>38</i>(2) 181-200. <a href="https://doi.org/10.1177/0309132512473869" target="_blank">https://doi.org/10.1177/0309132512473869</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2017386&pid=S2183-3575201900030000400022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Hay, C. (2007). <i>Why we hate politics.</i> Cambridge: Polity Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2017387&pid=S2183-3575201900030000400023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Hendry, J. (2004). Decide, announce, defend: turning the NEPA process into an advocacy tool rather than a decision-making tool. In S. P. Depoe, J. W. Delicath, &amp; M.-A. Elsenbeer (Eds.), <i>Communication and public participation in environmental decision-making</i> (pp. 99-112). Albany: State University of New York Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2017389&pid=S2183-3575201900030000400024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Hughes, J. M. F. (2018). Progressing positive discourse analysis and/in Critical Discourse Studies: reconstructing resistance through progressive discourse analysis. <i>Review of Communication</i>, <i>18</i>(3), 193-211. <a href="https://doi.org/10.1080/15358593.2018.1479880" target="_blank">https://doi.org/10.1080/15358593.2018.1479880</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2017391&pid=S2183-3575201900030000400025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Kaehne, A. &amp; Taylor, H. (2016). Do public consultations work? The case of the Social Services and Well-being (Wales) Bill. <i>Public Policy and Administration</i>, <i>31</i>(1), 80-99. <a href="https://doi.org/10.1177/0952076715595676" target="_blank">https://doi.org/10.1177/0952076715595676</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2017392&pid=S2183-3575201900030000400026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Krause, K. &amp; Schramm, K. (2011). Thinking through political subjectivity. <i>African Diaspora, 4</i>, 115-134. <a href="https://doi.org/10.1163/187254611X607741" target="_blank">https://doi.org/10.1163/187254611X607741</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2017393&pid=S2183-3575201900030000400027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Krueger, R. A. &amp; Casey, M. A. (2015). <i>Focus groups: a practical guide for applied research</i>. Thousand Oaks: Sage.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2017394&pid=S2183-3575201900030000400028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Lowndes, V., Pratchett, L. &amp; Stoker, G. (2001). Trends in public participation: part 2 – citizens' perspectives. <i>Public Administration</i>, <i>79(</i>2) 445-455.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2017396&pid=S2183-3575201900030000400029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Lusa (2015, 12 de fevereiro).Nova linha de alta tens&atilde;o no Norte adiada. <i>P&uacute;blico. </i>Retirado de <a href="https://www.publico.pt/2015/02/12/local/noticia/projecto-de-linha-electrica-no-norte-adiado-1685895" target="_blank">https://www.publico.pt/2015/02/12/local/noticia/projecto-de-linha-electrica-no-norte-adiado-1685895</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2017398&pid=S2183-3575201900030000400030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Martin, T. (2007). Muting the voice of the local in the age of the global: how communication practices compromised public participation in India's Allain Dunhangan environmental impact assessment. <i>Environmental Communication, 1</i>, 171-193. <a href="https://doi.org/10.1080/17524030701642595" target="_blank">https://doi.org/10.1080/17524030701642595</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2017399&pid=S2183-3575201900030000400031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Norris, P. (2002). <i>Democratic phoenix: reinventing political activism.</i> Cambridge: Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2017400&pid=S2183-3575201900030000400032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Norris, P. (2011). <i>Democratic deficit: critical citizens revisited.</i> Cambridge: Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2017402&pid=S2183-3575201900030000400033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>O'Faircheallaigh, C. (2010). Public participation and environmental impact assessment: purposes, implications, and lessons for public policy making. <i>Environmental Impact Assessment Review</i>, <i>30</i>(1), 19-27. <a href="https://doi.org/10.1016/j.eiar.2009.05.001" target="_blank">https://doi.org/10.1016/j.eiar.2009.05.001</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2017404&pid=S2183-3575201900030000400034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Pepermans, Y. &amp; Maeseele, P. (2016). The politicization of climate change: problem or solution? <i>Wiley Interdisciplinary Reviews: Climate Change</i>, <i>7</i>(4), 478-485. <a href="https://doi.org/10067/1334860151162165141" target="_blank">https://doi.org/10067/1334860151162165141</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2017405&pid=S2183-3575201900030000400035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Putnam, R. D. (2000). <i>Bowling alone: the collapse and revival of American community. </i>Nova Iorque: Simon &amp; Schuster.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2017406&pid=S2183-3575201900030000400036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Rowe, G. &amp; Frewer L. J. (2000). Public participation methods: a framework for evaluation. <i>Science, Technology and Human Values, 25</i>(1), 3-29. Retirado de <a href="https://www.jstor.org/stable/690198" target="_blank">https://www.jstor.org/stable/690198</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2017408&pid=S2183-3575201900030000400037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Rowe, G. &amp; Frewer, L. J. (2004). Evaluating public-participation exercises: a research agenda. <i>Science, Technology, &amp; Human Values</i>, <i>29</i>(4), 512-556. <a href="https://doi.org/10.1177/0162243903259197" target="_blank">https://doi.org/10.1177/0162243903259197</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2017409&pid=S2183-3575201900030000400038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Rowe, G., Horlick-jones, T., Walls, J., Poortinga, W. &amp; Pidgeon, N. F. (2008). Analysis of a normative framework for evaluating public engagement exercises: reliability, validity and limitations. <i>Public Understanding of Science</i>, <i>17</i>(4), 419-441. <a href="https://doi.org/10.1177/0963662506075351" target="_blank">https://doi.org/10.1177/0963662506075351</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2017410&pid=S2183-3575201900030000400039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Scourfield, P. &amp; Burch, S. (2010). Ethical considerations when involving older people in public service participation processes. <i>Ethics and Social Welfare</i>, <i>4</i>(3), 236-253.<a href="https://doi.org/10.1080/17496535.2010.516120" target="_blank">https://doi.org/10.1080/17496535.2010.516120</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2017411&pid=S2183-3575201900030000400040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Senecah, S. L. (2004). The trinity of voice: the role of practical theory in planning and evaluating the effectiveness of environmental participatory processes. In S. P. Depoe, J. W. Delicath &amp; M. F. Elsenbeer (Eds.), <i>Communication and public participation in environmental decision making</i> (pp. 13-33). Albany: State University of New York Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2017412&pid=S2183-3575201900030000400041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Smithson, J. (2000). Using and analysing focus groups: limitations and possibilities. <i>International Journal of Social Research Methodology</i>, <i>3</i>(2), 103-119.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2017414&pid=S2183-3575201900030000400042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Stewart, J. M. P. &amp; Sinclair, A. J. (2007). Meaningful public participation in environmental assessment: perspectives from Canadian participants, proponents, and government.<i> Journal of Environmental Assessment Policy and Management, 9</i>(2), 161-183. <a href="https://doi.org/10.1142/S1464333207002743" target="_blank">https://doi.org/10.1142/S1464333207002743</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2017416&pid=S2183-3575201900030000400043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Tronto, J. C. (2010). Creating caring institutions: politics, plurality, and purpose. <i>Ethics and Social Welfare</i>, <i>4</i>(2), 158-171. <a href="https://doi.org/10.1080/17496535.2010.484259" target="_blank">https://doi.org/10.1080/17496535.2010.484259</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2017417&pid=S2183-3575201900030000400044&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Van Damme, J. &amp; Brans, M (2012). Managing public consultation: a conceptual framework and empirical findings from Belgian case studies. <i>Public Administration</i>, <i>90</i>(4), 1047-1066. <a href="https://doi.org/10.1111/j.1467-9299.2011.02014.x" target="_blank">https://doi.org/10.1111/j.1467-9299.2011.02014.x</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2017418&pid=S2183-3575201900030000400045&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Van Wessel, M. (2010). Political disaffection: what we can learn from asking the people. <i>Parliamentary Affairs</i>, <i>63</i>(3), 504-523. <a href="https://doi.org/10.1093/pa/gsq004" target="_blank">https://doi.org/10.1093/pa/gsq004</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2017419&pid=S2183-3575201900030000400046&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Verba, S. (2003). Would the dream of political equality turn out to be a nightmare? <i>Perspectives on Politics</i>, <i>1</i>(4), 663-679.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2017420&pid=S2183-3575201900030000400047&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Verba, S., Schlozman, K. &amp; Brady, H. (1995). <i>Voice and equality: civic voluntarism in American politics</i>. Cambridge: Harvard University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2017422&pid=S2183-3575201900030000400048&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Webler, T. &amp; Tuler, S. (2006). Four perspectives on public participation process in environmental assessment and decision making: combined results from 10 case studies. <i>The Policy Studies Journal, 34</i>(4), 699-722.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2017424&pid=S2183-3575201900030000400049&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Wood, M. (2015). Politicisation, depoliticisation and anti-politics: towards a multilevel research agenda. <i>Political Studies Review, 14</i>(4), 521-533. <a href="https://doi.org/10.1111/1478-9302.12074" target="_blank">https://doi.org/10.1111/1478-9302.12074</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2017426&pid=S2183-3575201900030000400050&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Nota biogr&aacute;fica</b></p>     <p>Maria Fernandes-Jesus (PhD, Universidade do Porto) &eacute; Investigadora do Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o e Interven&ccedil;&atilde;o Social, do Instituto Universit&aacute;rio de Lisboa (ISCTE-IUL), em Portugal. Desenvolve investiga&ccedil;&atilde;o sobre a&ccedil;&atilde;o coletiva, ativismo ambiental, movimentos sociais, envolvimento comunit&aacute;rio e participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica entre grupos minorit&aacute;rios.</p>     <p>ORCID: <a href="https://orcid.org/0000-0002-8868-1968" target="_blank">https://orcid.org/0000-0002-8868-1968</a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Email: <a href="mailto:maria.jesus@iscte-iul.pt">maria.jesus@iscte-iul.pt</a>     <p>Endere&ccedil;o: Instituto Universit&aacute;rio de Lisboa (ISCTE-IUL, CIS, Lisboa), Avenida das For&ccedil;as Armadas, 1649-026, Lisboa, Portugal</p>     <p>Eunice Castro Seixas &eacute; doutorada em Sociologia. Investigadora no Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o em Sociologia Econ&oacute;mica e das Organiza&ccedil;&otilde;es (SOCIUS) e no Centro de Ci&ecirc;ncias Sociais e Gest&atilde;o do ISEG, da Universidade de Lisboa, em Portugal. Atualmente &eacute; Investigadora Principal do projeto de investiga&ccedil;&atilde;o &quot;As crian&ccedil;as e o seu direito &agrave; cidade: Combater a desigualdade urbana atrav&eacute;s do desenho participativo de cidades amigas das crian&ccedil;as&quot;, financiado pela Funda&ccedil;&atilde;o para a Ci&ecirc;ncia e a Tecnologia. Desenvolve investiga&ccedil;&atilde;o sobre participa&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as no planeamento urbano, direitos urbanos, estudos cr&iacute;ticos sobre transpar&ecirc;ncia e discursos sobre intelig&ecirc;ncia e contra-terrorismo.</p>     <p>ORCID: <a href="https://orcid.org/0000-0001-5356-6014" target="_blank">https://orcid.org/0000-0001-5356-6014</a></p>     <p>Email: <a href="mailto:euniceseixas@gmail.com">euniceseixas@gmail.com</a>     <p>Morada: SOCIUS/CSG - Investiga&ccedil;&atilde;o em Ci&ecirc;ncias Sociais e Gest&atilde;o, ISEG - Lisbon School of Economics &amp; Management, Rua Miguel Lupi, 20, 1249-078 Lisboa, Portugal</p>     <p>Anabela Carvalho (PhD, University College – Londres) &eacute; Professora Associada do Departamento de Ci&ecirc;ncias da Comunica&ccedil;&atilde;o da Universidade do Minho, em Portugal. Desenvolve investiga&ccedil;&atilde;o sobre as diversas formas de ambiente, comunica&ccedil;&atilde;o de ci&ecirc;ncia e pol&iacute;tica, com foco particular nas altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas. Publicou diversos livros, entre eles <i>Communicating climate change: discourses, mediations and perceptions </i>(2008), <i>Citizen voices: enacting public participation in science and environment communication</i> (com L. Phillips e J. Doyle; 2012), <i>Climate change politics: communication and public engagement</i> (com T. R. Peterson; 2012). Atualmente &eacute; Diretora do Doutoramento em Estudos de Comunica&ccedil;&atilde;o: Tecnologia, Cultura e Sociedade.</p>     <p>ORCID: <a href="https://orcid.org/0000-0002-7727-4187" target="_blank">https://orcid.org/0000-0002-7727-4187</a></p>     <p>Email: <a href="mailto:carvalho@ics.uminho.pt">carvalho@ics.uminho.pt</a>     <p>Morada: Departamento de Ci&ecirc;ncias da Comunica&ccedil;&atilde;o, Universidade do Minho, Campus de Gualtar, 4710-057 Braga, Portugal</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>* Submetido: 12/02/2019</b></p>     <p><b>* Aceite: 10/05/2019</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Tradu&ccedil;&atilde;o</b></p> Maria Fernandes-Jesus, Eunice Castro Seixas e Anabela Carvalho     <p></p>     <p>Agradecimentos</p>     <p>Agradecemos a todos os participantes neste estudo pelo seu tempo e por partilharem as suas opini&otilde;es e experi&ecirc;ncias. Este estudo foi desenvolvido no &acirc;mbito do projeto COMPOLIS – Comunica&ccedil;&atilde;o e Envolvimento Pol&iacute;tico com Quest&otilde;es Ambientais, financiado pela Funda&ccedil;&atilde;o para a Ci&ecirc;ncia e a Tecnologia [EXPL/IVC-COM/1717/2012] atrav&eacute;s de fundos nacionais (PIDDAC) e cofinanciado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER) atrav&eacute;s do programa COMPETE – Programa Operacional Fatores de Competitividade.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Notas</b></p>     <p><sup><a href="#top1" name="1">[1]</a></sup> Informa&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m retirada de <a href="https://www.iap2.org/page/about" target="_blank">https://www.iap2.org/page/about</a></p>     <p><sup><a href="#top2" name="2">[2]</a></sup> Informa&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m retirada de <a href="https://www.iap2.org/page/about" target="_blank">https://www.iap2.org/page/about</a></p>     <p><sup><a href="#top3" name="3">[3]</a></sup> Informa&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m retirada de <a href="https://www.iap2.org/page/about" target="_blank">https://www.iap2.org/page/about</a></p>     <p><sup><a href="#top4" name="4">[4]</a></sup> &quot;Standing&quot;foi o termo originalmente proposto por Senecah (2004). Tivemos dificuldade em encontrar um termo equivalente na l&iacute;ngua portuguesa. Opt&aacute;mos pelo termo &quot;legitimidade&quot;, que nos pareceu ser adequado para representar a posi&ccedil;&atilde;o/lugar/estatuto reconhecido aos cidad&atilde;os nos processos de participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, e que vai de encontro &agrave; defini&ccedil;&atilde;o proposta de &quot;standing&quot;. </p>     <p><sup><a href="#top5" name="5">[5]</a></sup> Informa&ccedil;&atilde;o retirada de <a href="https://www.iap2.org/page/about" target="_blank">https://www.iap2.org/page/about</a></p>     <p><sup><a href="#top6" name="6">[6]</a></sup> Informa&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m retirada de <a href="https://www.iap2.org/page/about" target="_blank">https://www.iap2.org/page/about</a></p>     <p><sup><a href="#top7" name="7">[7]</a></sup> Informa&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m retirada de <a href="https://www.iap2.org/page/about" target="_blank">https://www.iap2.org/page/about</a></p>     <p><sup><a href="#top8" name="8">[8]</a></sup> Informa&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m retirada de <a href="https://www.iap2.org/page/about" target="_blank">https://www.iap2.org/page/about</a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top9" name="9">[9]</a></sup> Informa&ccedil;&atilde;o retirada de <a href="https://www.iap2.org/page/about" target="_blank">https://www.iap2.org/page/about</a></p>     <p><sup><a href="#top10" name="10">[10]</a></sup> Ver, por exemplo, <a href="https://www.iap2.org/page/about" target="_blank">https://www.iap2.org/page/about</a></p>     <p><sup><a href="#top11" name="11">[11]</a></sup> Informa&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m retirada de <a href="https://www.iap2.org/page/about" target="_blank">https://www.iap2.org/page/about</a></p>      ]]></body><back>
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