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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Descarte e consumo: narrativas participativas visuais de crianças e adolescentes residentes no Jardim Gramacho]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article invites us to realize how a group of 16 children and young people, from four to 15 years, residents of the old landfill of Jardim Gramacho, in Rio de Janeiro, act as narrators of their own stories. Based on the analysis of the photographs produced by the group of participants, the article aims to understand how they visually represent contemporary social consumption practices and the disposal environment in which they live. The participatory photography is a tool for the construction and critical reflection of meanings that involve a critical perception around consumption, but not the acquisition of goods such as toys, play environments and other objects, through the photovoice method. The research is part of the project of social intervention “Olhares do Gramacho” that developed in November 2018 a set of workshops which culminated in a photographic exhibition at the end of the action.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS TEM&Aacute;TICOS</b></p>     <p><b>Descarte e consumo: narrativas participativas visuais de crian&ccedil;as e adolescentes residentes no Jardim Gramacho</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Disposal and consumption: visual participatory narratives of children and adolescents living in Jardim Gramacho</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Daniel Meirinho*</b></p> <img src="/img/revistas/id_orcid.gif"> <a href="https://orcid.org/0000-0002-4658-5556" target="_blank">https://orcid.org/0000-0002-4658-5556</a>     
<p></p>     <p>*Departamento de Comunica&ccedil;&atilde;o Social, Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Estudos da M&iacute;dia, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Brasil.</p>     <p><a href="mailto:danielmeirinho@hotmail.com">danielmeirinho@hotmail.com</a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>O artigo convida-nos a refletir sobre o modo como um grupo de 16 crian&ccedil;as e jovens, de quatro a 15 anos, moradores do antigo aterro sanit&aacute;rio do Jardim Gramacho, no Rio de Janeiro, atua como agentes narradores das suas pr&oacute;prias hist&oacute;rias. A partir da an&aacute;lise das fotografias produzidas pelo grupo de participantes, o trabalho prop&otilde;e-se perceber como representam visualmente as pr&aacute;ticas sociais de consumo contempor&acirc;neo e o ambiente de descarte em que vivem. A fotografia participativa &eacute; a ferramenta de constru&ccedil;&atilde;o e reflex&atilde;o cr&iacute;tica de significados que possibilita uma percep&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica em torno do consumo, mas n&atilde;o da aquisi&ccedil;&atilde;o de bens como brinquedos, ambientes de brincadeiras e outros objetos atrav&eacute;s do m&eacute;todo <i>photovoice.</i> A pesquisa se integra ao projeto de interven&ccedil;&atilde;o social &ldquo;Olhares do Gramacho&rdquo; que desenvolveu em novembro de 2018 um conjunto de oficinas e culminou numa exposi&ccedil;&atilde;o fotogr&aacute;fica no fim da a&ccedil;&atilde;o.</p>     <p><b>Palavras-chave</b>: fotografia participativa; inf&acirc;ncia; aterro sanit&aacute;rio; consumo;<i> photovoice</i>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This article invites us to realize how a group of 16 children and young people, from four to 15 years, residents of the old landfill of Jardim Gramacho, in Rio de Janeiro, act as narrators of their own stories. Based on the analysis of the photographs produced by the group of participants, the article aims to understand how they visually represent contemporary social consumption practices and the disposal environment in which they live. The participatory photography is a tool for the construction and critical reflection of meanings that involve a critical perception around consumption, but not the acquisition of goods such as toys, play environments and other objects, through the photovoice method. The research is part of the project of social intervention &ldquo;Olhares do Gramacho&rdquo; that developed in November 2018 a set of workshops which culminated in a photographic exhibition at the end of the action.</p>     <p><b>Keywords</b>: participatory photography; childhood; sanitary landfill; consumption; photovoice.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Desde sua inven&ccedil;&atilde;o at&eacute; sua alargada acessibilidade, a fotografia tem sido tratada popularmente e percebida umas vezes como uma janela que observa o mundo tal qual ele se apresenta e outras vezes como um espelho que refrata uma realidade (Barthes, 1984; Baudrillard, 1995; Sontag, 1986). Muitos debates abordam a sua veracidade, sendo a fotografia compreendida como um moderno formato de enquadrar as diversas percep&ccedil;&otilde;es do mundo real (Baudrillard, 1995). Contudo, esta &ldquo;produ&ccedil;&atilde;o de realidade&rdquo; cria um universo de simula&ccedil;&otilde;es a partir de experi&ecirc;ncias visuais de contextos perif&eacute;ricos n&atilde;o hegem&ocirc;nicos que reproduzem narrativas e representa&ccedil;&otilde;es a partir dos seus repert&oacute;rios culturais, econ&ocirc;micos e sociais. </p>     <p>A fotografia ao longo dos anos se torna um referencial por vezes repleto de estere&oacute;tipos que ativam mem&oacute;rias cristalizadas a partir do olhar estrangeiro que localiza e posiciona holofotes sobre o que deve fazer parte da agenda de preocupa&ccedil;&otilde;es globais e locais. Para Mark Sealy (2019), a fotografia se tornou um referencial de como algumas culturas veem os &ldquo;outros&rdquo;, em um trabalho de arquivamento da mem&oacute;ria cultural, que por vezes desempenha um papel de representa&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica violenta de alguns povos e grupos sociais. Estas imagens s&atilde;o repletas de estere&oacute;tipos que ativam mem&oacute;rias cristalizadas em uma rela&ccedil;&atilde;o de poder entre &ldquo;observador e observado&rdquo; que localiza e posiciona holofotes sobre aqueles que devem fazer parte da agenda de preocupa&ccedil;&otilde;es globais, ao mesmo tempo que projeta &ldquo;uma imagem inferior ou humilhante sobre o outro que distorce e oprime, na medida em que a imagem &eacute; internalizada&rdquo; (Taylor, 1994, p. 36).</p>     <p>Partimos neste artigo da seguinte quest&atilde;o central: como um grupo de crian&ccedil;as e adolescentes, residentes em um antigo aterro sanit&aacute;rio no Rio de Janeiro, reflete a partir de suas fotografias o consumo na perspectiva do descarte e n&atilde;o da aquisi&ccedil;&atilde;o de objetos e bens? A proposta parte de um projeto de investiga&ccedil;&atilde;o-a&ccedil;&atilde;o participativa e de interven&ccedil;&atilde;o social chamado &ldquo;Olhares do Gramacho&rdquo;<i>,</i> que utilizou a imagem fotogr&aacute;fica como instrumento para encontros e di&aacute;logos com um grupo de 16 crian&ccedil;as e adolescentes, com idades entre quatro a 15 anos. Todos os participantes residiam na comunidade Quatro Rodas, inserida onde esteve localizado por quase 40 anos o maior &ldquo;lix&atilde;o&rdquo; da Am&eacute;rica Latina: o Aterro Metropolitano de Jardim Gramacho (AMJG), no Rio de Janeiro, Brasil. </p>     <p>Durante seis dias, em novembro de 2018, este grupo de crian&ccedil;as e adolescentes atuaram como agentes narradores de suas pr&oacute;prias realidades, sendo as fotografias produzidas pelos participantes uma ferramenta de reflex&atilde;o cr&iacute;tica em torno da cultura contempor&acirc;nea do descarte social e humano e de uma identidade deteriorada atrav&eacute;s da metodologia participativa visual <i>photovoice</i> (Wang &amp; Burris, 1997). A proposta de uma metodologia que toma crian&ccedil;as e adolescentes como sujeitos da pesquisa apresenta um modelo n&atilde;o t&atilde;o comum de estudar a inf&acirc;ncia, particularmente na comunica&ccedil;&atilde;o em que a fotografia &eacute; percebida como uma tecnologia de comunica&ccedil;&atilde;o e express&atilde;o. O m&eacute;todo <i>photovoice </i>(Wang &amp; Burris, 1997) insere no processo investigativo atividades de base comunit&aacute;ria e participativa que promovem compet&ecirc;ncias visuais de identifica&ccedil;&atilde;o, representa&ccedil;&atilde;o e di&aacute;logo em torno de tem&aacute;ticas espec&iacute;ficas com o grupo social, atrav&eacute;s de suas representa&ccedil;&otilde;es fotogr&aacute;ficas.</p>     <p>O artigo problematiza como a imagem pode ser um referencial de a&ccedil;&otilde;es reflexivas coletivas para um grupo de crian&ccedil;as e adolescentes, a partir da produ&ccedil;&atilde;o desta visualidade em torno das suas perspectivas e experi&ecirc;ncias pessoais com o descarte e as quest&otilde;es de consumo (Marshall &amp; Shepard, 2006). E ainda como crian&ccedil;as e adolescentes residentes em uma &aacute;rea de aterro sanit&aacute;rio podem ativamente contribuir para uma representa&ccedil;&atilde;o imag&eacute;tica desarm&ocirc;nica e oposta &agrave; que &eacute; apresentada pela m&iacute;dia sobre o debate sobre lixo. Se Bauman (2005) argumenta que &ldquo;a sobreviv&ecirc;ncia da forma de vida moderna depende da destreza e da profici&ecirc;ncia na remo&ccedil;&atilde;o do lixo&rdquo; (p. 39), a reintrodu&ccedil;&atilde;o dos bens de consumo e produtos da cultura de descarte s&atilde;o percebidos pelas crian&ccedil;as e adolescentes a partir de uma l&oacute;gica de exclus&atilde;o e inclus&atilde;o. Ao mesmo tempo, esse grupo social &eacute; uma poderosa pe&ccedil;a da engrenagem medi&aacute;tica e publicit&aacute;ria do sistema de consumo (Souza, 2016). A apropria&ccedil;&atilde;o de bens materiais pode ser percebida por um ciclo de reutiliza&ccedil;&atilde;o das coisas e n&atilde;o pela normativa de obsolesc&ecirc;ncia que propicia comportamentos obsessivos de aquisi&ccedil;&atilde;o de novos objetos, da sociedade de consumo.</p>     <p>A imagem fotogr&aacute;fica foi a ferramenta que possibilitou debates sobre os interesses e regimes de visibilidade do grupo de crian&ccedil;as e adolescentes participantes com enfoque na tem&aacute;tica em torno do consumo e do descarte contempor&acirc;neo, j&aacute; que vivem em um ambiente que recebe todos os res&iacute;duos s&oacute;lidos e lixo recicl&aacute;vel de uma das mais populosas regi&otilde;es metropolitanas do Brasil. C&acirc;maras fotogr&aacute;ficas digitais estiveram em posse deste grupo de crian&ccedil;as e adolescentes durante uma semana. O objetivo foi perceber como o registro e as representa&ccedil;&otilde;es visuais do que compreendem como lixo e descarte contrastam ou se assemelham com a representa&ccedil;&atilde;o medi&aacute;tica do espa&ccedil;o em que vivem e como s&atilde;o os ajustamentos e as complexas quest&otilde;es de conv&iacute;vio com o lixo e despejo ilegal de produtos e objetos. </p>     <p>O projeto &ldquo;Olhares do Gramacho&rdquo; teve em seus seis dias de oficinas a produ&ccedil;&atilde;o de 3.912 fotografias, realizadas pelas 16 crian&ccedil;as e adolescentes residentes na comunidade Quatro Rodas, do Jardim Gramacho. As imagens retratam, al&eacute;m do tema do descarte, as rela&ccedil;&otilde;es entre os participantes, seus familiares e a comunidade, com muitas imagens de espa&ccedil;os coletivos (ruas, esta&ccedil;&atilde;o de tratamento de &aacute;gua, campo de futebol), ambientes privados (associa&ccedil;&otilde;es de moradores e catadores), pessoas do bairro e as rela&ccedil;&otilde;es afetivas com seus amigos e animais de estima&ccedil;&atilde;o, bem como objetos e lixo. Houve um grande percentual de imagens de flores dos &ldquo;jardins&rdquo; pessoais das casas e das organiza&ccedil;&otilde;es, com uma alus&atilde;o direta ao nome do bairro. Para o recorte anal&iacute;tico deste artigo s&atilde;o analisadas as imagens de objetos descartados que s&atilde;o reutilizados e os espa&ccedil;os l&uacute;dicos de brincadeiras em torno da l&oacute;gica do consumo de (re)apropria&ccedil;&atilde;o com base na rela&ccedil;&atilde;o dos participantes enquanto receptores de dep&oacute;sito de uma sociedade de excessos do consumismo contempor&acirc;neo (Uglione, 2018) e suas rela&ccedil;&otilde;es de autoestima e afetividade com estes materiais. </p>     <p><b>A investiga&ccedil;&atilde;o participativa visual com crian&ccedil;as e adolescentes </b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Devido &agrave; crescente &ecirc;nfase nos direitos da crian&ccedil;a e do adolescente, a participa&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as em estudos sobre quest&otilde;es sociais tem vindo a tornar-se uma tend&ecirc;ncia, no &acirc;mbito da import&acirc;ncia dada a ouvir suas perspectivas e compreender suas experi&ecirc;ncias de vida. O interesse pela participa&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as e jovens na investiga&ccedil;&atilde;o vem aumentando mais a cada ano e tem salientado a import&acirc;ncia de ouvir suas perspectivas e entender suas vidas e experi&ecirc;ncias (Clark, 2007; Green &amp; Hogan, 2005; Sinclair, 2004). O interesse acad&ecirc;mico em buscar as perspectivas das crian&ccedil;as na investiga&ccedil;&atilde;o (Lewis &amp; Lindsay, 2000), dentro da estrutura dos direitos da crian&ccedil;a, passa a reconhecer como valiosos os pensamentos e experi&ecirc;ncias das crian&ccedil;as e adolescentes. </p>     <p>AConven&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre os direitos da crian&ccedil;a, adotada pela Assembleia Geral da ONU em 20 de novembro de 1989, veio estimular ainda mais o desenvolvimento de estrat&eacute;gias de investiga&ccedil;&atilde;o ajustadas aos direitos da crian&ccedil;a (Lundy &amp; McEvoy, 2012). A Conven&ccedil;&atilde;o estabelece direitos que devem ser alcan&ccedil;ados para que crian&ccedil;as e adolescentes alcancem seu pleno potencial e exige que pol&iacute;ticas e servi&ccedil;os relativos &agrave;s crian&ccedil;as respondam &agrave; sua ampla gama de necessidades e capacidades (Lundy &amp; McEvoy, 2012). Assim, as crian&ccedil;as passam a ter o direito de expressar seus pontos de vista nos processos de tomada de decis&atilde;o, conforme o Artigo 12 que afirma:</p>     <blockquote>Artigo 12. Os Estados Partes assegurar&atilde;o &agrave; crian&ccedil;a que estiver capacitada a formular seus pr&oacute;prios ju&iacute;zos, o direito de expressar suas opini&otilde;es livremente sobre todos os assuntos relacionados com a crian&ccedil;a, levando-se devidamente em considera&ccedil;&atilde;o essas opini&otilde;es, em fun&ccedil;&atilde;o da idade e maturidade da crian&ccedil;a. (Decreto n&ordm; 99.710)</blockquote>     <p>Esse lugar e direito de participar ativamente de investiga&ccedil;&otilde;es relacionadas a assuntos relacionados a elas reflete &ldquo;sobre o lugar que as crian&ccedil;as ocupam e como entram nessa disputa de sentidos&rdquo; (Pereira, Gomes &amp; Silva, 2018, p. 762). O direito &agrave; participa&ccedil;&atilde;o estabelecido pela Conven&ccedil;&atilde;o muda o foco da realiza&ccedil;&atilde;o de investiga&ccedil;&otilde;es <i>sobre </i>crian&ccedil;aspara o foco em investiga&ccedil;&otilde;es <i>com</i> crian&ccedil;as. </p>     <p>A investiga&ccedil;&atilde;o-a&ccedil;&atilde;o participativa com crian&ccedil;as e jovens aplicada neste artigo possui uma hist&oacute;ria recente e vem crescendo nos &uacute;ltimos anos em diversos contextos socioculturais a partir das chamadas de investiga&ccedil;&atilde;o-a&ccedil;&atilde;o participativa (Khanlou &amp; Peter, 2005). Este movimento de pesquisa desafia o sistema de vigil&acirc;ncia e controle de conhecimento por meio da investiga&ccedil;&atilde;o: &ldquo;quanto mais os participantes procuram o controle ativo das agendas da investiga&ccedil;&atilde;o, mais poderosos estes agentes se estabelecem&rdquo; (Khanlou &amp; Peter, 2005, p. 2339). </p>     <p>Ao buscar as perspectivas visuais de crian&ccedil;as e adolescentes, o projeto &ldquo;Olhares do Gramacho&rdquo; reconhece que este n&atilde;o &eacute; um grupo hegem&oacute;nico, mas que cada um e cada uma tem seu pr&oacute;prio conjunto de caracter&iacute;sticas e experi&ecirc;ncias, que os tornam &uacute;nicos (Lewis &amp; Lindsay, 2000). Os m&eacute;todos visuais participativos foram escolhidos nesta investiga&ccedil;&atilde;o enquanto uma ferramenta &uacute;til no envolvimento do grupo de crian&ccedil;as e adolescentes do Jardim Gramacho, como um convite de que registrassem fotograficamente suas vidas cotidianas. A fotografia passaria a ser discutida em um contexto de compartilhamento de narrativas cr&iacute;ticas em torno dos regimes de visibilidade e descarte de objetos e no local onde vivem (Wang &amp; Burris, 1997). O m&eacute;todo<i>photovoice</i> foi a abordagem metodol&oacute;gica que forneceu a possibilidade de se expressarem visualmente, utilizando um olhar ativo para definir quest&otilde;es que os afetam (Lust, 2013; Woodlrych, 2004), refletindo criticamente em torno das vozes e representa&ccedil;&otilde;es hegem&oacute;nicas que, na grande maioria das vezes, n&atilde;o os constituem identitariamente. </p>     <p>Desenvolvido no in&iacute;cio da d&eacute;cada de 90 do s&eacute;culo passado pela professora e investigadora da Escola de Sa&uacute;de P&uacute;blica da Universidade de Michigan, Caroline Wang, e pela investigadora associada da Escola de Estudos Orientais e Africanos da Universidade de Londres, Mary Ann Burris, a abordagem metodol&oacute;gica <i>photovoice</i><sup><a href="#1" name="top1">[1]</a></sup> se prop&otilde;e a inserir no processo investigativo atividades de base comunit&aacute;ria com o intuito de &ldquo;identificar, representar e refor&ccedil;ar os recursos das suas comunidades atrav&eacute;s de t&eacute;cnicas e representa&ccedil;&otilde;es fotogr&aacute;ficas&rdquo; (Wang &amp; Burris, 1997, p. 369). A fotografia passa a ser um suporte e ferramenta de trabalho &ldquo;que serve como instrumento para criar rela&ccedil;&otilde;es, informar e organizar indiv&iacute;duos da comunidade, permitindo-lhes dar prioridade &agrave;s suas preocupa&ccedil;&otilde;es e discutir seus problemas e solu&ccedil;&otilde;es coletivamente, atrav&eacute;s dos enquadramentos visuais&rdquo; (Wang &amp; Burris, 1997, p. 370). </p>     <p>Apesar da proposta metodol&oacute;gica ter sido criada no campo dos estudos da sa&uacute;de p&uacute;blica e coletiva, o m&eacute;todo tem sido uma reconhecida ferramenta em investiga&ccedil;&otilde;es com crian&ccedil;as e adolescentes (Ewald, 2001; Mcintyre &amp; Thusi, 2003; Spielman, 2001; Meirinho, 2016; Wilson, Dasho, Martin, Wallerstein, Wang &amp; Minkler, 2007). A fotografia participativa (Palibroda, Krieg, Murdock &amp; Havelock, 2009) foi um instrumento estrat&eacute;gico e precioso pela possibilidade de proporcionar &agrave;s crian&ccedil;as e adolescentes do Jardim Gramacho a oportunidade de discutir sua comunidade e seus h&aacute;bitos a partir das suas representa&ccedil;&otilde;es visuais. Neste caso, o m&eacute;todo visual serviu-nos como meio atrativo para envolver ativamente os participantes no processo de pesquisa, bem como um instrumento anal&iacute;tico. </p>     <p><b>O Jardim Gramacho enquanto contexto de interven&ccedil;&atilde;o social investigativa</b></p>     <p>Localizado na regi&atilde;o metropolitana do Rio de Janeiro, por quase 40 anos o Jardim Gramacho abrigou o maior aterro sanit&aacute;rio da Am&eacute;rica Latina (C&aacute;rcamo, De Oliveira &amp; Da Cunha, 2018). Ocupando uma &aacute;rea de 1,3 milh&otilde;es de metros quadrados (Bastos, 2007), ficou conhecido mundialmente atrav&eacute;s dos filmes <i>Estamira</i> (Padro, 2005), o document&aacute;rio <i>Lixo extraordin&aacute;rio</i> (Walker, Jardim &amp; Harley, 2010), e tamb&eacute;m do filme <i>Trash &ndash; a esperan&ccedil;a vem do Lixo</i> (Daldry, 2014). Estes filmes projetaram o bairro e as prec&aacute;rias condi&ccedil;&otilde;es humanas nos conhecidos lix&otilde;es. O aterro teve a sua inaugura&ccedil;&atilde;o no final da d&eacute;cada de 70 e foi desativado em junho de 2012, deixando mais de mil fam&iacute;lias de ex-catadores, incluindo diversas crian&ccedil;as e adolescentes vivendo no local. Durante 34 anos de funcionamento chegou a receber um volume de lixo de oito mil toneladas por dia (IBASE &ndash; Instituto Brasileiro de An&aacute;lises Sociais e Econ&ocirc;micas, 2005), criando uma &ldquo;montanha&rdquo; de res&iacute;duos s&oacute;lidos que ultrapassou os 40 metros de altura. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O Jardim Gramacho est&aacute; localizado na ba&iacute;a de Guanabara e esta faz parte do munic&iacute;pio de Duque de Caxias, que ocupa uma &aacute;rea da regi&atilde;o metropolitana do Estado do Rio de Janeiro denominada Baixada Fluminense. No bairro vivem 18.951 habitantes, distribu&iacute;dos por 5.701 domic&iacute;lios (C&aacute;rcamo, 2013). O bairro possui uma infraestrutura com habita&ccedil;&otilde;es prec&aacute;rias e problemas de saneamento, acesso a transportes, sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o e boa parte da sua economia ainda se encontra voltada para a atividade de cata&ccedil;&atilde;o, comercializa&ccedil;&atilde;o e recupera&ccedil;&atilde;o de materiais recicl&aacute;veis, em que muitas crian&ccedil;as est&atilde;o inseridas. O bairro sofre com graves problemas estruturais, como sujeira e mau cheiro, ocasionados pelos dep&oacute;sitos clandestinos. Como quase todas as comunidades perif&eacute;ricas do Rio de Janeiro, a comunidade sofre com a viol&ecirc;ncia e falta de seguran&ccedil;a proporcionada pelo tr&aacute;fico de drogas. H&aacute; uma grande incid&ecirc;ncia de depend&ecirc;ncia qu&iacute;mica entre jovens e adultos.</p>     <p>A comunidade Quatro Rodas ocupa o terreno mais pr&oacute;ximo da rampa (local onde os caminh&otilde;es despejavam os materiais e res&iacute;duos quando era um aterro sanit&aacute;rio) de dep&oacute;sito do Aterro Metropolitano do Jardim Gramacho, onde grandes quantidades de lixo ainda permanecem e s&atilde;o depositadas, agora de forma ilegal. Estima-se que existam cerca de 100 moradias constru&iacute;das, na sua maioria, por materiais como madeira, lata, papel&atilde;o e algumas delas em alvenaria, mas sem rede de &aacute;gua pot&aacute;vel e esgoto. O lixo ocupa quase todos os espa&ccedil;os da comunidade como um manto nas ruas, entulhados enquanto recicl&aacute;veis nos cantos das casas e empilhados em sacos nas muretas. </p>     <p>O fechamento do aterro sanit&aacute;rio, em 2012, aumentou a segrega&ccedil;&atilde;o social e afetou diretamente o trabalho e gera&ccedil;&atilde;o de renda das fam&iacute;lias que passaram a ser inteiramente dependentes de programas de assist&ecirc;ncia social como o &ldquo;Bolsa fam&iacute;lia&rdquo;, ou ainda de atividades ilegais de cata&ccedil;&atilde;o. &Eacute; baixa a participa&ccedil;&atilde;o neste programa social devido &agrave;s &ldquo;exig&ecirc;ncias m&iacute;nimas do pr&oacute;prio programa, que contrastam com a realidade do bairro&rdquo; (Uglione, 2018, p. 1603). O baixo n&uacute;mero de crian&ccedil;as matriculadas em escolas e o n&uacute;mero elevado de adultos que n&atilde;o possuem documento de identifica&ccedil;&atilde;o agravam o acesso aos programas assistenciais governamentais. &Eacute; comum ver muitas crian&ccedil;as nas ruas, no campo de futebol, pr&oacute;ximo da rampa ou nos quintais das casas ainda realizando atividades de cata&ccedil;&atilde;o de recicl&aacute;veis. </p>     <p><b>O projeto de investiga&ccedil;&atilde;o-a&ccedil;&atilde;o &ldquo;Olhares do Gramacho&rdquo;: um relato de campo</b></p>     <p>A plataforma de desenvolvimento social e pesquisa &ldquo;Eyes of the street&rdquo;<sup><a href="#2" name="top2">[2]</a></sup> (Olhares da rua) foi criada em 2015 com a proposta de desenvolver oficinas l&uacute;dicas e art&iacute;sticas que utilizam a fotografia como elemento de literacia visual, especialmente com crian&ccedil;as e jovens. O projeto possui seu foco na investiga&ccedil;&atilde;o-a&ccedil;&atilde;o visual colaborativa ao colocar seus participantes como narradores visuais de suas pr&oacute;prias hist&oacute;rias. A primeira edi&ccedil;&atilde;o do projeto &ldquo;Eyes of the street&rdquo; foi realizada em maio de 2016 com crian&ccedil;as e jovens dos bairros perif&eacute;ricos do Arruda e Santo Amaro, no Recife. Em julho de 2016 o projeto desenvolveu oficinas de fotografia participativa com mulheres e m&atilde;es, de etnia felupe, das tabancas de Suzana e Varela, na Guin&eacute;-Bissau, com o apoio da organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o governamental Voluntariado Internacional para o Desenvolvimento Africano (VIDA) (Meirinho &amp; Janu&aacute;rio, 2018) e que culminaram em diversas exposi&ccedil;&otilde;es fotogr&aacute;ficas na Guin&eacute;-Bissau, Portugal e Brasil. </p>     <p>Em 2017 a plataforma social &ldquo;Eyes of the street&rdquo; iniciou os primeiros contatos com a ONG Resgate da Inf&acirc;ncia Social (Riso)<sup><a href="#3" name="top3">[3]</a></sup>, e a produtora Mairar&ecirc;<sup><a href="#4" name="top4">[4]</a></sup>, para a realiza&ccedil;&atilde;o do projeto Olhares do Gramacho. A a&ccedil;&atilde;o foi financiada a partir de uma campanha de financiamento colaborativo (<i>crowdfunding</i>)intitulada &ldquo;Photography for sustainable capacity building&rdquo; (Fotografia para constru&ccedil;&atilde;o de capacidades sustent&aacute;veis)<i>. </i>Em 56dias de campanha pela plataforma digital Crowdfunder<sup><a href="#5" name="top5">[5]</a></sup> foi angariado um montante de &pound;2.590,00 (equivalente a R$ 11.500,00, na altura), doado por 34 apoiadores, na sua maioria europeus e brasileiros. Todo o recurso financeiro foi aplicado em log&iacute;stica de transporte, remunera&ccedil;&atilde;o da equipe de produ&ccedil;&atilde;o, educadores sociais e jovens monitores residentes no Jardim Gramacho, bem como na compra de materiais para as oficinas e para a exposi&ccedil;&atilde;o. As 13 c&acirc;maras fotogr&aacute;ficas utilizadas foram doadas por apoiadores do projeto, atrav&eacute;s de a&ccedil;&otilde;es de mobiliza&ccedil;&atilde;o nas redes sociais durante o ano de 2018. </p>     <p>As oficinas iniciaram no dia 5 de novembro de 2018 e foram realizadas na sede da Associa&ccedil;&atilde;o Humanit&aacute;ria Casa Amarela, que atua desde 2005 no Jardim Gramacho. Durante seis tardes seguidas, as 16 crian&ccedil;as e adolescentes, com idades entre quatro a 15 anos, estiveram nos encontros do projeto que culminou na exposi&ccedil;&atilde;o fotogr&aacute;fica &ldquo;Olhares do Gramacho&rdquo;, no s&aacute;bado, 10 de novembro. </p>     <p>Durante os seis dias foram introduzidas discuss&otilde;es e capacita&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas em fotografia, atrav&eacute;s de din&acirc;micas l&uacute;dicas. Todas as sa&iacute;das fotogr&aacute;ficas pela comunidade Quatro Rodas foram realizadas em duplas, sugerindo que fotografassem o conv&iacute;vio do bairro e aquilo que para cada um fosse de grande import&acirc;ncia. No final de cada dia era reservado um momento para a aplica&ccedil;&atilde;o da etapa da metodologia <i>photovoice</i> (Wang &amp; Burris), que consistia em projetar e discutir com o grupo as fotografias produzidas (Palibroda et al., 2009). Surgiam nas imagens quest&otilde;es como afetos, personagens, h&aacute;bitos e pr&aacute;ticas comunit&aacute;rias, identifica&ccedil;&atilde;o e autorrepresenta&ccedil;&atilde;o, atrav&eacute;s de <i>selfies</i>, espa&ccedil;os, territ&oacute;rios l&uacute;dicos e de brincadeiras, e rela&ccedil;&otilde;es com objetos descartados ou reutilizados pela comunidade. O consumo e descarte foi tema de conversas di&aacute;rias com os participantes, devido &agrave; import&acirc;ncia que davam &agrave;s suas produ&ccedil;&otilde;es visuais e aos debates. Este t&oacute;pico nos permitiu levantar questionamentos e reflex&otilde;es com o grupo em rela&ccedil;&atilde;o ao consumo, o desperd&iacute;cio material e descarte social e humano, bem como debates em torno do tipo de acesso a estes bens, enquanto receptores dos produtos descartados, por serem residentes de uma &aacute;rea de aterro sanit&aacute;rio e filhos de antigos catadores de lixo.</p>     <p>Para finalizar a interven&ccedil;&atilde;o do projeto, foi realizada a escolha das fotografias e montagem de uma exposi&ccedil;&atilde;o final no muro externo da Associa&ccedil;&atilde;o Humanit&aacute;ria Casa Amarela, no centro da comunidade Quatro Rodas. Cada crian&ccedil;a e adolescente escolheu duas fotos, que foram impressas em papel fotogr&aacute;fico e expostas em um varal na rua. </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><a name="f1"></a> <img src="/img/revistas/csoc/v37/v37a03f1.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f2"></a> <img src="/img/revistas/csoc/v37/v37a03f2.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f3"></a> <img src="/img/revistas/csoc/v37/v37a03f3.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f4"></a> <img src="/img/revistas/csoc/v37/v37a03f4.jpg"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Olhares sobre o descarte: a constru&ccedil;&atilde;o dos significados conferidos ao lixo</b></p>     <p>Diversos foram os temas e fotografias produzidas pelas crian&ccedil;as e jovens durante o projeto &ldquo;Olhares do Gramacho&rdquo;, o que daria in&uacute;meras abordagens e recortes anal&iacute;ticos para esta investiga&ccedil;&atilde;o sob a &eacute;gide da aplica&ccedil;&atilde;o do m&eacute;todo <i>photovoice</i> (Ewald, 2001; Wilson et al., 2007). A tem&aacute;tica escolhida para este artigo passa pela frequ&ecirc;ncia das conversas com os participantes durante as oficinas e tamb&eacute;m assunto cotidiano na comunidade Quatro Rodas: a rela&ccedil;&atilde;o de descarte de objetos de consumo encontrados no lixo e despejados no Jardim Gramacho. Todos os dias, atrav&eacute;s das sa&iacute;das fotogr&aacute;ficas pela comunidade, cruz&aacute;vamos com amontoados de lixo, encontradas nas imagens produzidas pelas c&acirc;maras dos jovens. </p>     <p>As crian&ccedil;as e adolescentes s&atilde;o reconhecidos em diversos estudos sobre consumo como participantes-chave e ativos nas estrat&eacute;gias de aquisi&ccedil;&atilde;o de bens de consumo como brinquedos, tecnologia, roupas, entre outros objetos que as conectam a um <i>status</i> simb&oacute;lico de estilo e pertencimento do consumo tradicional. A inf&acirc;ncia pode ser percebida como cada vez mais imersa em uma sociedade em que voc&ecirc; &eacute; aquilo que voc&ecirc; compra (Klein, 2001). No rastro da Naomi Klein, outras publica&ccedil;&otilde;es discutem a cultura de consumo infantil e consideram as crian&ccedil;as em um mundo essencialmente comercial, sendo assim percebidas como consumidores prematuros, ing&ecirc;nuos e indefesos. N&atilde;o pretendemos entrar aqui no debate que Buckingham (2012) levanta em torno das estrat&eacute;gias de marketing direcionadas a uma crian&ccedil;a-consumidora, ou discutir a possibilidade das crian&ccedil;as serem os sujeitos ativos e competentes no consumo que vai na contram&atilde;o da concep&ccedil;&atilde;o de indiv&iacute;duos inocentes e impotentes. </p>     <p>No Jardim Gramacho as crian&ccedil;as e adolescentes vivenciam os mesmos modelos e contextos de consumo (Miller, 1995), que se diferenciam na aquisi&ccedil;&atilde;o de bens e servi&ccedil;os e que se tornam &ldquo;uma pr&aacute;tica no mundo e a forma na qual constru&iacute;mos o entendimento de n&oacute;s mesmos no mundo&rdquo; (Miller, 1995, p. 30). As crian&ccedil;as apresentam de forma clara a preocupa&ccedil;&atilde;o de estarem inseridas na cultura do consumo quando mostram conhecerem todas as marcas e produtos que lhes interessam, ao mesmo tempo que muitos dos objetos que adquirem s&atilde;o resultantes do descarte e do ato de &ldquo;jogar no lixo&rdquo;, o que as coloca &agrave; margem do ambiente formal e tradicional de consumo. Para este grupo de crian&ccedil;as, brinquedos, acess&oacute;rios, roupas e objetos s&atilde;o novamente configurados na situa&ccedil;&atilde;o original de utiliza&ccedil;&atilde;o, mesmo sendo coisas que a &ldquo;sociedade&rdquo; da aquisi&ccedil;&atilde;o quis se livrar e substituir (Bauman, 2005). </p>     <p>Os jovens que participaram do projeto &ldquo;Olhares do Gramacho&rdquo; compreendem claramente o sistema de abund&acirc;ncia e substitui&ccedil;&atilde;o de algo que n&atilde;o tem mais utilidade, est&aacute; velho ou danificado pela necessidade de algo novo para os consumidores com acesso econ&ocirc;mico. Suas fotografias de objetos descartados deflagram a consci&ecirc;ncia de que o acesso aos bens vem da coexist&ecirc;ncia deles com o lixo e descrevem com muita propriedade e espontaneidade que se sentem os recept&aacute;culos humanos de tudo aquilo que n&atilde;o serve para ser utilizado por aqueles que est&atilde;o fora da comunidade, nos centros urbanos da cidade do Rio de Janeiro, em seu complexo sistema de desigualdade.</p>     <p>A maioria das crian&ccedil;as participantes do projeto sai pouco do contexto comunit&aacute;rio, e apenas entra em contato com outras realidades ou indiv&iacute;duos quando vai &agrave; escola ou ao centro de Duque de Caxias, seguindo a mesma met&aacute;fora do prot&oacute;tipo territorial dos exclu&iacute;dos. Estes s&atilde;o os momentos em que entram em contato e passam a ser afetadas e impactadas pelos mesmos significados simb&oacute;licos, estrutura cultural e c&oacute;digos do consumo, seja nos di&aacute;logos familiares, ambientes escolares ou de contato com os produtos medi&aacute;ticos, especialmente televisivos, pois o acesso &agrave; internet e &agrave; tecnologia ainda &eacute; muito restrito. </p>     <p>As crian&ccedil;as e adolescentes t&ecirc;m consci&ecirc;ncia que s&atilde;o reposit&oacute;rio de descarte de tudo que se torna obsoleto para a cultura de consumo, garantindo a percep&ccedil;&atilde;o de que est&atilde;o fora de um lugar de privil&eacute;gio de aquisi&ccedil;&atilde;o de bens, onde grande parte da popula&ccedil;&atilde;o quer estar. O lixo representa o local de rejei&ccedil;&atilde;o humana e de objetos, que reflete diretamente na baixa autoestima, associada &agrave; pobreza e &agrave; exclus&atilde;o. Estes se encontram e se reconhecem a partir do que Goffman (1988) compreende de identidade social deteriorada de indiv&iacute;duos estigmatizados, considerados estranhos. De pessoas inferiorizadas, engatadas na l&oacute;gica do consumo do lixo. </p>     <p>Mesmo com diversos problemas de saneamento, o consumo l&uacute;dico do brincar na inf&acirc;ncia &eacute; representado nas fotografias em um ambiente prec&aacute;rio e in&oacute;spito, com exist&ecirc;ncia de doen&ccedil;as decorrentes do lixo depositado pelos mais de 30 anos no local. Tal perspectiva de consumo pode ser visto na <a href="#f5">Figura 5</a> da adolescente Cassiane<sup><a href="#6" name="top6">[6]</a></sup>, de 12 anos, que fotografou adolescentes tomando banho e saltando na lagoa de tratamento do antigo aterro sanit&aacute;rio. Seus espa&ccedil;os l&uacute;dicos de jogos e brincadeiras s&atilde;o cheios de lixo e dejetos humano e as brincadeiras ocorrem ao ver crian&ccedil;as descal&ccedil;as correndo em meio de subst&acirc;ncias t&oacute;xicas e um manto de lixo que cobre as ruas. O risco de contamina&ccedil;&atilde;o por infec&ccedil;&otilde;es intestinais &eacute; muito recorrente entre as crian&ccedil;as e residentes da comunidade Quatro Rodas. </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><a name="f5"></a> <img src="/img/revistas/csoc/v37/v37a03f5.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A tem&aacute;tica do brinquedo e sua representa&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica para a inf&acirc;ncia e adolesc&ecirc;ncia foi outra quest&atilde;o de destaque nas fotografias produzidas pelos participantes. Podemos partir da perspectiva de que os brinquedos, geralmente, s&atilde;o objetos do universo infantil que d&atilde;o vida ao brincar, ao l&uacute;dico (Broug&eacute;re, 2008). &Eacute; poss&iacute;vel perceber que por meio dele a crian&ccedil;a se apropria do mundo real, se relaciona e se integra culturalmente, sendo um objeto de muito valor na inf&acirc;ncia, dentro do mundo dos bens (Douglas &amp; Isherwood, 2013). Contudo, os brinquedos no Gramacho n&atilde;o se configuram apenas pela representa&ccedil;&atilde;o da f&aacute;bula ou fantasia associadas aos bichinhos, personagens famosos, de desenhos animados ou super-her&oacute;is. A situa&ccedil;&atilde;o imagin&aacute;ria em que a crian&ccedil;a assume pap&eacute;is e comportamentos na fabula&ccedil;&atilde;o l&uacute;dica do brincar &eacute; feita pelas crian&ccedil;as e jovens do Jardim Gramacho atrav&eacute;s dos brinquedos danificados. Este argumento &eacute; visto na <a href="#f6">Figura 6</a>, do adolescente C&aacute;ssio, de 12 anos, que fotografou uma boneca enterrada na rua, s&oacute; com a cabe&ccedil;a de fora. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f6"></a> <img src="/img/revistas/csoc/v37/v37a03f6.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&Eacute; comum brincar com bonecas descartadas e brinquedos quebrados. O pensamento sobre a posse dos bens retirados do lixo &eacute; de que existe a possibilidade de posse de um determinado objeto, j&aacute; que em alguns casos, como brinquedos, s&atilde;o percebidos como s&iacute;mbolos de prest&iacute;gio (Goffman, 1988). Para Broug&eacute;re (2008), entre as fun&ccedil;&otilde;es sociais do brinquedo destaca-se a de suporte de rela&ccedil;&atilde;o afetiva. Isto &eacute;, sua posse inclui um valor de prest&iacute;gio que pouco a pouco vai se construindo a partir da converg&ecirc;ncia entre a imagem portadora de valores simb&oacute;licos e significa&ccedil;&atilde;o social e a fun&ccedil;&atilde;o social do brinquedo. A rea&ccedil;&atilde;o de especificidade com o brinquedo para as crian&ccedil;as do Jardim Gramacho continua na experi&ecirc;ncia da posse, que insere a crian&ccedil;a no universo do consumo, mas de forma reciclada no que toca ao uso destes objetos. As crian&ccedil;as conferem significados aos brinquedos descartados, ganhando novas rela&ccedil;&otilde;es l&oacute;gicas em que passam a ser um espelho fiel, n&atilde;o da realidade exterior, mas da realidade cultural e simb&oacute;lica da crian&ccedil;a da comunidade, em conex&atilde;o com toda a cultura de consumo e medi&aacute;tica que passa a ter acesso. Ver como estes brinquedos s&atilde;o reapropriados e descartados na rua, &agrave;s vezes sem muito apego, &eacute; se confrontar com a imagem e o mundo cultural deste grupo de crian&ccedil;as e adolescentes.</p>     <p>Muitos jovens, ao verem as imagens de objetos que foram jogados no lixo e reaproveitados em suas fotografias, informaram que sempre foi comum terem uma inf&acirc;ncia com brinquedos, m&oacute;veis, roupas e acess&oacute;rios retirados do lixo, sendo reutilizados sem questionar a dignidade do acesso a estes bens. Tal posse denota mais do que meros objetos: representa um c&oacute;digo social de inclus&atilde;o em uma sociedade de consumo, invertida. Ao mesmo tempo que recebem os produtos descartados cotidianamente, as crian&ccedil;as e adolescentes est&atilde;o inseridos no sistema de consumo em que a inf&acirc;ncia &eacute; um poderoso alvo da engrenagem medi&aacute;tica de consumo (Souza, 2016), quando reconhecem esses objetos a partir de suas marcas e associa&ccedil;&otilde;es aos an&uacute;ncios publicit&aacute;rios.</p>     <p>Por fim, a &uacute;ltima tem&aacute;tica de an&aacute;lise neste trabalho se d&aacute; em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s imagens produzidas pelos participantes dos utens&iacute;lios da casa e sua extens&atilde;o para a rua como c&oacute;digos distintos de significa&ccedil;&atilde;o. Muitos objetos que comp&otilde;em o preenchimento da casa como eletrodom&eacute;sticos, m&oacute;veis, aparelhos eletr&ocirc;nicos obsoletos e esquecidos s&atilde;o apresentados no ambiente da rua como extens&atilde;o da casa e representam o ambiente de descarte do Jardim Gramacho, como pode ser visto na <a href="#f7">Figura 7</a>. A fotografia do sof&aacute; na rua, do adolescente Anderson (14 anos), representa o objeto enquanto rel&iacute;quia guardada por uma fam&iacute;lia, que passa a ser de uso coletivo, por&eacute;m inserido em uma nova ordem e uma nova significa&ccedil;&atilde;o como parte do acervo da rua. O ritual de consumo de bens de uma casa, bem como a arruma&ccedil;&atilde;o e organiza&ccedil;&atilde;o do seu bem, seguem a mesma l&oacute;gica do descarte. Muitos objetos entram para casa e os moradores passam a possuir estantes para guard&aacute;-los como pr&eacute;mios decorativos encontrados no lixo, que ganham uma nova vida na ornamenta&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o dom&eacute;stico. Mesmo com a perda da funcionalidade, por sua vez, em alguns casos, s&atilde;o conferidos outros usos em um novo arranjo est&eacute;tico e decorativo, ao inv&eacute;s de sua funcionalidade. </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><a name="f7"></a> <img src="/img/revistas/csoc/v37/v37a03f7.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>O apego aos bens materiais por parte das crian&ccedil;as e adolescentes &eacute; relativo &agrave; import&acirc;ncia que esses objetos possuem dentro de um c&oacute;digo de consumo externo, ou nas condi&ccedil;&otilde;es de alguns objetos, em f&aacute;bula perversa onde tudo se encontra, mas ao mesmo tempo j&aacute; &eacute; danificado. Como o modelo de consumo contempor&acirc;neo se concentra na desvaloriza&ccedil;&atilde;o imediata de objetos antigos que gera uma insatisfa&ccedil;&atilde;o com a identidade adquirida nessa cultura. A import&acirc;ncia est&aacute; no pr&oacute;prio objeto de consumo e no sistema de significa&ccedil;&atilde;o atribu&iacute;dos pelas crian&ccedil;as e adolescentes &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es sociais e culturais e n&atilde;o &agrave; aquisi&ccedil;&atilde;o de valores (Douglas &amp; Isherwood, 2013). </p>     <p>O recorte anal&iacute;tico mostra que a hierarquiza&ccedil;&atilde;o social n&atilde;o prov&eacute;m do valor econ&ocirc;mico dos bens de consumo, mas sim dos significados de posse em uma esp&eacute;cie de &ldquo;acordo coletivo&rdquo; de representa&ccedil;&otilde;es.No Jardim Gramacho os objetos s&atilde;o resignificados em uma cadeia de valor que comummente atribui import&acirc;ncia a coisas que podem gerar lucro. Nesta &oacute;tica, at&eacute; o lixo deve ser transformado em valor financeiro, devido &agrave; possibilidade de renova&ccedil;&atilde;o da mat&eacute;ria prima atrav&eacute;s da reciclagem. </p>     <p><b>Considera&ccedil;&otilde;es finais </b></p>     <p>Este artigo parte de um recorte de an&aacute;lise de um projeto de investiga&ccedil;&atilde;o-a&ccedil;&atilde;o visual que possui a inten&ccedil;&atilde;o de mobiliza&ccedil;&atilde;o social para um desenvolvimento comunit&aacute;rio, com enfoque na inf&acirc;ncia e adolesc&ecirc;ncia, aplicando os conceitos e estrat&eacute;gias do m&eacute;todo <i>photovoice </i>(Wang &amp; Burris, 1997). A imagem fotogr&aacute;fica foi concebida e utilizada como uma ferramenta de documenta&ccedil;&atilde;o e mobiliza&ccedil;&atilde;o social ao mesmo tempo que apresentou relatos visuais e discuss&otilde;es com o grupo pesquisado a partir do recorte em torno da l&oacute;gica de consumo e das rela&ccedil;&otilde;es com o lixo e o ambiente de descarte contempor&acirc;neo (Uglione, 2018). A fotografia demonstrou ser uma ferramenta metodol&oacute;gica altamente flex&iacute;vel que nos possibilitou atravessar barreiras de significa&ccedil;&atilde;o e representa&ccedil;&atilde;o. A imagem assumiu nesta investiga&ccedil;&atilde;o um papel de agente catalisador de di&aacute;logos e reflex&otilde;es em torno das preocupa&ccedil;&otilde;es deste grupo de crian&ccedil;as e adolescentes, auxiliando num processo anal&iacute;tico de preocupa&ccedil;&otilde;es em torno das crian&ccedil;as residentes nos lix&otilde;es e seu contexto de inf&acirc;ncia a partir de polos antag&oacute;nicos e excludentes que os colocam como agentes protagonistas desta pesquisa. </p>     <p>Percebemos, a partir deste recorte de imagens analisadas que a inf&acirc;ncia transcende o potencial da sociedade de prote&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as e adolescentes dentro e fora dos lix&otilde;es. &Eacute; um complexo e constrangedor contexto de ser observado e analisado, especialmente pelos estranhamentos que convoca e provoca sobre esta nova est&eacute;tica de representa&ccedil;&atilde;o por aqueles que convivem neste ambiente. </p>     <p>O trabalho apresenta a compreens&atilde;o em torno do consumo de objetos descart&aacute;veis para as crian&ccedil;as e adolescentes, e passa por um processo de objetifica&ccedil;&atilde;o. Este deve ser entendido atrav&eacute;s da dial&eacute;tica de desigualdade de aquisi&ccedil;&atilde;o e acesso condizentes com as contradi&ccedil;&otilde;es culturais em que est&atilde;o inseridos. Concordamos com o argumento de Douglas e Isherwood (2013), que compreendem o consumo como um processo comunicativo de afirma&ccedil;&atilde;o de valores, pr&aacute;ticas e rituais sociais, servindo como formas de inclus&atilde;o e exclus&atilde;o das crian&ccedil;as nos c&iacute;rculos sociais. Para al&eacute;m dos valores utilit&aacute;rios, os bens descartados e encontrados no lixo participam da constitui&ccedil;&atilde;o de rela&ccedil;&otilde;es sociais e de identidades, de pertencimento ou distanciamento da sociedade de consumo. Eles est&atilde;o fora da atividade cotidiana de consumir, que os coloca exclu&iacute;dos do processo de significa&ccedil;&atilde;o identit&aacute;ria de participa&ccedil;&atilde;o social. </p>     <p>A inser&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as e adolescentes no universo de consumo representa uma inf&acirc;ncia que convive com mercadorias descartadas no lixo, da renda de materiais acumulados em entulhos nos jardins das casas pela fam&iacute;lia, como gera&ccedil;&atilde;o de renda, ou at&eacute; mesmo como um grupo social priorit&aacute;rio receptor da doa&ccedil;&atilde;o de entidades e pessoas que v&atilde;o at&eacute; o local e entregam o que j&aacute; n&atilde;o utilizam ou necessita ser colocado no &ldquo;lixo&rdquo;, ativando um novo ciclo de consumo chamado de sustentabilidade ou atitudes de compaix&atilde;o e solidariedade com os grupos sociais mais necessitados. </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <!-- ref --><p>Barthes, R. (1984). <i>A c&acirc;mara clara: nota sobre a fotografia</i>. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019776&pid=S2183-3575202000010000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p>Bastos, V P. (2007). Na rota do lixo: da casa ao catador o primeiro trajeto da cadeia industrial de reciclagem. <i>Caderno de Comunica&ccedil;&otilde;es do XII Congresso Brasileiro de Assistentes Sociais</i>. Foz do Igua&ccedil;u: CFESS. </p>     <!-- ref --><p>Baudrillard, J. (1995). <i>A sociedade de consumo</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es 70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019779&pid=S2183-3575202000010000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Bauman, Z. (2005). <i>Vidas desperdi&ccedil;adas</i>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. </p>     <!-- ref --><p>Broug&eacute;re, G. (2008). <i>Brinquedo e cultura</i> (7.&ordf; ed.). S&atilde;o Paulo: Cortez.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019782&pid=S2183-3575202000010000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p>Buckingham, D. (2012). Repensando a crian&ccedil;a-consumidora: novas pr&aacute;ticas, novos paradigmas. <i>Comunica&ccedil;&atilde;o, M&iacute;dia e Consumo,</i> 9(25), 43-72. <a href="https://doi.org/10.18568/cmc.v9i25.311" target="_blank">https://doi.org/10.18568/cmc.v9i25.311</a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>C&aacute;rcamo M. I. (2013). <i>Configura&ccedil;&atilde;o territorial e problemas de sa&uacute;de e ambiente em uma periferia metropolitana: o caso do bairro Jardim Gramacho &ndash; Duque de Caxias</i>. Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado, Escola Nacional de Sa&uacute;de P&uacute;blica Sergio Arouca, FIOCRUZ, Rio de Janeiro, Brasil. Retirado de <a href="https://www.arca.fiocruz.br/handle/icict/24535" target="_blank">https://www.arca.fiocruz.br/handle/icict/24535</a></p>     <p>C&aacute;rcamo, M. I. C., de Oliveira, R. M. &amp; da Cunha, M. B. (2018). Configura&ccedil;&atilde;o socioespacial e problemas de saneamento em uma periferia metropolitana: o caso do bairro Jardim Gramacho&ndash;Duque de Caxias. <i>&Aacute;gora</i>, <i>20</i>(2), 77-89. <a href="https://doi.org/10.17058/agora.v20i2.12297" target="_blank">https://doi.org/10.17058/agora.v20i2.12297</a></p>     <p>Clark, A. (2007). Views from inside the shed: young children&rsquo;s perspectives of the outdoor environment. <i>Education</i>, <i>35</i>(4), 349-363. <a href="https://doi.org/10.1080/03004270701602483" target="_blank">https://doi.org/10.1080/03004270701602483</a></p>     <!-- ref --><p>Daldry, S. (Realizador). (2014). <i>Trash - a esperan&ccedil;a vem do lixo </i>[Filme]. Brasil/Reino Unido: Universal Pictures.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019788&pid=S2183-3575202000010000300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Decreto n&ordm; 99.710, de 21 de novembro, Rep&uacute;blica do Brasil.</p>     <!-- ref --><p>Douglas, M &amp; Isherwood, B. (2013). <i>O mundo dos bens: para uma antropologia do consumo</i>. Rio de Janeiro: Editora UFRJ.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019791&pid=S2183-3575202000010000300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Ewald, W. (2001). <i>I wanna take me a picture: teaching photography and writing to children</i>. Boston: Beacon Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019793&pid=S2183-3575202000010000300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Goffman, E. (1998). <i>Estigma: notas sobre a manipula&ccedil;&atilde;o da identidade deteriorada</i> (4.&ordf; ed). S&atilde;o Paulo: LTC.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019795&pid=S2183-3575202000010000300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p>Greene, S &amp; Hogan, D. (Eds.) (2005). <i>Researching children&rsquo;s experience: approaches and methods</i>. Londres: SAGE.</p>     <!-- ref --><p>IBASE, Instituto Brasileiro de An&aacute;lises Sociais e Econ&ocirc;micas. (2019). <i>Diagn&oacute;stico social: bairro Jardim Gramacho</i>. Retirado de <a href="https://ibase.br/pt/midiateca/publicacoes/publicacoes/" target="_blank">https://ibase.br/pt/midiateca/publicacoes/publicacoes/</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019798&pid=S2183-3575202000010000300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Khanlou, N. &amp; Peter, E. (2005). Participatory action research: considerations for ethical review. <i>Social Science &amp; Medicine, 60</i>(10), 2333-2340. <a href="https://doi.org/10.1016/j.socscimed.2004.10.004/" target="_blank">https://doi.org/10.1016/j.socscimed.2004.10.004</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019799&pid=S2183-3575202000010000300016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Klein, N. (2001). <i>No Logo</i>. Londres: Flamingo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019800&pid=S2183-3575202000010000300017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Lewis, A. &amp; Lindsay, G. (2000). <i>Researching children&rsquo;s perspectives</i>. Philadelphia: Buckingham, Open University Press.</p>     <p>Lundy, L. &amp; McEvoy, L. (2012). Childhood, the United Nations Convention on the Rights of the Child, and research: what constitutes a &ldquo;rights-based&rdquo; approach? In M. Freeman (Ed.), <i>Law and childhood studies: current legal issues volume 14</i> (pp. 75-91) Oxford: Oxford University Press.</p>     <!-- ref --><p>Lust, D. (2013). <i>When a child has a disability: exploring the experience of adolescent siblings through photovoice. </i>Tese de Doutoramento, Universidade de Toledo, Toledo,    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019804&pid=S2183-3575202000010000300020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> EUA.</p>     <!-- ref --><p>Marshall, A. &amp; Shepard, B. (2006) Youth on the margins: qualitative research with adolescent groups. In B. Lead- Beater; E.B.B.C. Benoit; E. Jansson; A. Marshall &amp; T. Riecken (Orgs.), <i>Ethical issues in community-based re- search with children and youth </i>(pp. 140-156).Toronto: University of Toronto Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019806&pid=S2183-3575202000010000300021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p>Mcintyre, A. &amp; Thusi, T. (2003). Children and youth in Sierra Leone&rsquo;s peace-building process. <i>African Security Review</i>, <i>12</i>(2), 73-80. <a href="https://doi.org/10.1080/10246029.2003.9627222" target="_blank">https://doi.org/10.1080/10246029.2003.9627222</a></p>     <!-- ref --><p>Meirinho, D. (2016). <i>Olhares em foco. Fotografia participativa e empoderamento juvenil. </i>Covilh&atilde;: LabCom.IFP.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019809&pid=S2183-3575202000010000300023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Meirinho, D. &amp; Janu&aacute;rio, S. B. (2018). Fotografia participativa e rela&ccedil;&otilde;es de g&ecirc;nero: uma experi&ecirc;ncia visual com mulheres guineenses. <i>Fronteiras-estudos midi&aacute;ticos</i>, <i>20</i>(2), 252-264. <a href="https://doi.org/10.4013/fem.2018.202.10" target="_blank">https://doi.org/10.4013/fem.2018.202.10</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019811&pid=S2183-3575202000010000300024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Miller, D. (1995). Consumption as the vanguard of history: a polemic by way of an introduction. In D. Miller (Ed.), <i>Acknowledging consumption (a review of new studies) </i>(pp. 140-156). Londres; Nova Iorque: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019812&pid=S2183-3575202000010000300025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Palibroda, B., Krieg, B., Murdock, L. &amp; Havelock, J. (2009). <i>A practical guide to photovoice: sharing pictures, telling stories and changing communities. </i>Retirado de <a href="http://www.pwhce.ca/photovoice/pdf/Photovoice_Manual.pdf" target="_blank">http://www.pwhce.ca/photovoice/pdf/Photovoice_Manual.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019814&pid=S2183-3575202000010000300026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Pereira, R., Gomes, L. &amp; Silva, C. F. S. (2018). A inf&acirc;ncia no fio da navalha: constru&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica como agir &eacute;tico. <i>ETD-Educa&ccedil;&atilde;o Tem&aacute;tica Digital</i>, <i>20</i>(3), 761-780. <a href="https://doi.org/10.20396/etd.v20i3.8649227" target="_blank">https://doi.org/10.20396/etd.v20i3.8649227</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019815&pid=S2183-3575202000010000300027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Prado, M. (Realizador). (2015). <i>Estamira </i>[Filme]. Brasil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019816&pid=S2183-3575202000010000300028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Sealy, M. (2019). <i>Decolonizing the camera: photography in racial time</i>. Londres: Lawrence e Wishart.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019818&pid=S2183-3575202000010000300029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Sinclair, R. (2004). Participation in practice: making it meaningful, effective and sustainable. <i>Children and Society,</i> <i>18</i>(2), 106-118. <a href="https://doi.org/10.1002/chi.817" target="_blank">https://doi.org/10.1002/chi.817</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019820&pid=S2183-3575202000010000300030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Sontag, S. (1986). <i>Sobre fotografia</i>. S&atilde;o Paulo: Publica&ccedil;&otilde;es Dom Quixote.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019821&pid=S2183-3575202000010000300031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Souza, S J. (2016). <i>Crian&ccedil;a e consumo: dez anos de transforma&ccedil;&atilde;o.</i> S&atilde;o Paulo: Instituto Alana.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019823&pid=S2183-3575202000010000300032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Spielman, J. (2001). The family photography project: we will just read what the pictures tell us. <i>The Reading Teacher</i>, <i>54</i>(2), 762-770. Retirado de <a href="https://www.jstor.org/stable/20204991?seq=1" target="_blank">https://www.jstor.org/stable/20204991?seq=1</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019825&pid=S2183-3575202000010000300033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Taylor, C. (1994). The politics of recognition. In C. Taylor &amp; A. Gutmann (Eds.), <i>Multiculturalism: examining the politics of recognition</i> (pp. 25&ndash;74). Princeton, NJ: Princeton University Press.</p>     <!-- ref --><p>Uglione, P. (2018). Crian&ccedil;as e lix&otilde;es: inf&acirc;ncias e cidades por vir. In M. Alc&aacute;ntara; M. G. Monteiro &amp; F. S. L&oacute;pez (Eds.), <i>Estudios Sociales: memoria del 56.&ordm; Congreso Internacional de Americanistas</i> (pp. 1599-1607). Salamanca: Ediciones Universidad de Salamanca.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019827&pid=S2183-3575202000010000300035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Walker, L., Jardim, J. &amp; Harley, K. (Realizadores). (2010). <i>Lixo extraordin&aacute;rio </i>[Filme]. Reino Unido/Brasil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019829&pid=S2183-3575202000010000300036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Wang, C. C. &amp; Burris, M. A. (1997). Photovoice: concept, methodology, and use for participatory needs assessment. <i>Health Education and Behavior, 24</i>, 369-387. <a href="https://doi.org/10.1177/109019819702400309" target="_blank">https://doi.org/10.1177/109019819702400309</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019831&pid=S2183-3575202000010000300037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Wilson, N., Dasho, S., Martin, A.C., Wallerstein, N., Wang, C.C. &amp; Minkler, M. (2007). Engaging young adolescents in social action through photovoice: the Youth Empowerment Strategies (YES!) project. <i>Journal of Early Adolescence, 27</i>(2), 241-261. <a href="https://doi.org/10.1177/0272431606294834" target="_blank">https://doi.org/10.1177/0272431606294834</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019832&pid=S2183-3575202000010000300038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Woodlrych, R. (2004). Empowering images: using photovoice with tenants with special needs. <i>Housing, Care and Support, 7</i>(1), 31-36. <a href="https://doi.org/10.1108/14608790200400007" target="_blank">https://doi.org/10.1108/14608790200400007</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2019833&pid=S2183-3575202000010000300039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Nota biogr&aacute;fica</b></p>     <p>Doutor em Ci&ecirc;ncias da Comunica&ccedil;&atilde;o pela Faculdade de Ci&ecirc;ncias Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa, professor no Departamento de Comunica&ccedil;&atilde;o Social da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Brasil e professor e pesquisador do Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Estudos da M&iacute;dia (PPgEM/UFRN)</p>     <p>ORCID: <a href="https://orcid.org/0000-0002-4658-5556">https://orcid.org/0000-0002-4658-5556</a></p>     <p>Email: <a href="mailto:danielmeirinho@hotmail.com">danielmeirinho@hotmail.com</a></p>     <p>Morada: Rua Correa Dutra, 128 &ndash; Apt. 204, Catete, Rio de Janeiro &ndash; RJ, Brasil CEP 22210-050 </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>* Submiss&atilde;o: 18/12/2019</b></p>     <p><b>* Aceita&ccedil;&atilde;o: 19/04/2020</b></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Agradecimentos</b></p>     <p>O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordena&ccedil;&atilde;o de Aperfei&ccedil;oamento de Pessoal de N&iacute;vel Superior &ndash; Brasil (CAPES) &ndash; C&oacute;digo de Financiamento 001.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Notas</b></p>     <p><sup><a href="#top1" name="1">[1]</a></sup> A designa&ccedil;&atilde;o <i>photovoice</i> &eacute; compreendida como um acr&oacute;nimo para <i>voicing our individual and collective experience</i> (expressando nossa experi&ecirc;ncia individual e coletiva, em Portugu&ecirc;s). </p>     <p><sup><a href="#top2" name="2">[2]</a></sup> Mais informa&ccedil;&otilde;es dispon&iacute;veis em <a href="https://www.eyesofthestreet.org" target="_blank">https://www.eyesofthestreet.org</a></p>     <p><sup><a href="#top3" name="3">[3]</a></sup> Mais informa&ccedil;&otilde;es dispon&iacute;veis em <a href="http://www.ongriso.com.br" target="_blank">www.ongriso.com.br</a></p>     <p><sup><a href="#top4" name="4">[4]</a></sup> Mais informa&ccedil;&otilde;es dispon&iacute;veis em <a href="http://www.mairareprodutora.com" target="_blank">www.mairareprodutora.com</a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top5" name="5">[5]</a></sup> Mais informa&ccedil;&otilde;es dispon&iacute;veis em <a href="https://www.crowdfunder.co.uk/photography-and-sustainable-capacity-building" target="_blank">https://www.crowdfunder.co.uk/photography-and-sustainable-capacity-building</a></p>     <p><sup><a href="#top6" name="6">[6]</a></sup> Neste artigo foram usados pseud&oacute;nimos para todos os participantes com o intuito de confidencialidade e com a finalidade de proteger a sua privacidade (Marshall &amp; Shepard, 2006). </p>      ]]></body><back>
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