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<article-id pub-id-type="doi">10.17231/comsoc.37(2020).2394</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[“Tenho pena que não sinalizes quando fazes publicidade”: audiência e conteúdo comercial no canal Sofia Barbosa no YouTube]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[“I'm sorry you don't flag it when you advertise”: audience and commercial content on the Sofia Barbosa YouTube channel]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The main theme of the article is the context of digital microcelebrity experienced by children and adolescents, particularly on social networking sites such as YouTube. The purpose of the study is to understand how young audiences of the popular Portuguese channel Sofia Barbosa on YouTube construct meaning about the commercial content and authenticity that the youtuber presents. The methodology used is qualitative bias and netnography is employed in analysing 1.961 comments made by subscribers on 10 videos posted between January and October 2018. As a means of better understanding the context of the comments we also analysed the visual, verbal and commercial aspects of the videos. The comments demonstrate a perception on the part of followers of closeness and intimacy in relation to Sofia and a strong acceptance of the commercial content promoted by the young woman. However, critical reflections about the marketing practices of the youtuber can at various times be perceived, namely on the lack of transparency in commercial relations; this presents itself as an opportunity to balance a romanticised view that many subscribers have of microcelebrities with a more rational understanding of the industry that sustains them.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS TEM&Aacute;TICOS</b></p>     <p><b>&ldquo;Tenho pena que n&atilde;o sinalizes quando fazes publicidade&rdquo;: audi&ecirc;ncia e conte&uacute;do comercial no canal <i>Sofia Barbosa</i> no YouTube</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>&ldquo;I&rsquo;m sorry you don&rsquo;t flag it when you advertise&rdquo;: audience and commercial content on the <i>Sofia Barbosa</i> YouTube channel</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> //     <p><b>Barbara Janiques de Carvalho</b></p> <img src="/img/revistas/id_orcid.gif"> <a href="https://orcid.org/0000-0001-6203-7333" target="_blank">https://orcid.org/0000-0001-6203-7333</a>     
<p></p>     <p><b>Lidia Mar&ocirc;po**</b></p> <img src="/img/revistas/id_orcid.gif"> <a href="https://orcid.org/0000-0003-4687-7628" target="_blank">https://orcid.org/0000-0003-4687-7628</a>     
<p></p> //     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> //*Faculdade de Letras, Universidade de Coimbra, Portugal / Centro Interdisciplinar de Ci&ecirc;ncias Sociais (CICS.NOVA), Portugal, <a href="mailto:bjaniques@gmail.com">bjaniques@gmail.com</a>. //    <br>   //**Departamento de Ci&ecirc;ncias da Comunica&ccedil;&atilde;o e da Linguagem, Escola Superior de Educa&ccedil;&atilde;o, Instituto Polit&eacute;cnico de Set&uacute;bal / Centro Interdisciplinar de Ci&ecirc;ncias Sociais (CICS.NOVA), Portugal, <a href="mailto:lidiamaropo@gmail.com"> lidiamaropo@gmail.com</a>. //</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Este artigo trata do contexto da microcelebriza&ccedil;&atilde;o digital vivenciado por crian&ccedil;as e adolescentes, nomeadamente, em sites de redes sociais como o YouTube. O objetivo do trabalho est&aacute; em perceber como as jovens audi&ecirc;ncias do popular canal portugu&ecirc;s <i>Sofia Barbosa</i>, no YouTube, constroem sentidos sobre os conte&uacute;dos comerciais e a autenticidade que a <i>youtuber</i> apresenta. A metodologia utilizada tem cariz qualitativo e contou com a netnografia para a an&aacute;lise de 1.961 coment&aacute;rios feitos pelos subscritores em 10 v&iacute;deos publicados entre janeiro e outubro de 2018. Como forma de melhor compreender o contexto em que estavam inseridos os coment&aacute;rios, analisamos tamb&eacute;m os aspetos visuais, verbais e comerciais dos v&iacute;deos. Os coment&aacute;rios demonstram uma perce&ccedil;&atilde;o de proximidade e intimidade por parte dos seguidores em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; Sofia e uma forte aceita&ccedil;&atilde;o do conte&uacute;do comercial promovido pela jovem. No entanto, percebe-se em v&aacute;rios momentos uma reflexividade cr&iacute;tica em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s pr&aacute;ticas mercadol&oacute;gicas da <i>youtuber</i>, nomeadamente no que diz respeito &agrave; falta de transpar&ecirc;ncia nas rela&ccedil;&otilde;es comerciais, o que se apresenta como uma oportunidade para equilibrar uma vis&atilde;o romantizada que muitos subscritores t&ecirc;m das microcelebridades com uma compreens&atilde;o mais racional sobre a ind&uacute;stria que os sustenta.</p>     <p><b>Palavras-chave</b>: jovens; microcelebridade; autenticidade; comercialismo; YouTube.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>The main theme of the article is the context of digital microcelebrity experienced by children and adolescents, particularly on social networking sites such as YouTube. The purpose of the study is to understand how young audiences of the popular Portuguese channel <i>Sofia Barbosa</i> on YouTube construct meaning about the commercial content and authenticity that the youtuber presents. The methodology used is qualitative bias and netnography is employed in analysing 1.961 comments made by subscribers on 10 videos posted between January and October 2018. As a means of better understanding the context of the comments we also analysed the visual, verbal and commercial aspects of the videos. The comments demonstrate a perception on the part of followers of closeness and intimacy in relation to Sofia and a strong acceptance of the commercial content promoted by the young woman. However, critical reflections about the marketing practices of the youtuber can at various times be perceived, namely on the lack of transparency in commercial relations; this presents itself as an opportunity to balance a romanticised view that many subscribers have of microcelebrities with a more rational understanding of the industry that sustains them.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Keywords</b>: young people; microcelebrity, authenticity; commercialism; YouTube.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>No contexto das culturas infantis e juvenis contempor&acirc;neas, as rela&ccedil;&otilde;es das crian&ccedil;as e adolescentes com as redes sociais t&ecirc;m atra&iacute;do a aten&ccedil;&atilde;o da ind&uacute;stria, dos <i>media</i> e da academia. H&aacute; muitos pontos positivos desta presen&ccedil;a digital dos mais novos, seja como audi&ecirc;ncia ou como produtores de conte&uacute;do: possibilidades de educa&ccedil;&atilde;o para interpretar as mensagens medi&aacute;ticas, de intera&ccedil;&atilde;o e novas aprendizagens, de auto express&atilde;o e manifesta&ccedil;&atilde;o de valores e de visibilidades de suas pr&oacute;prias culturas (Jorge, Mar&ocirc;po &amp; Nunes, 2018). </p>     <p>No entanto, o potencial de cria&ccedil;&atilde;o e amplifica&ccedil;&atilde;o de vozes, que caracterizou inicialmente a internet, cedeu espa&ccedil;o a um novo modelo de neg&oacute;cio das grandes plataformas digitais que alia a influ&ecirc;ncia digital &agrave; gest&atilde;o de metadados (Khamis, Ang &amp; Welling, 2016; van Dijck, 2017). Esta datafica&ccedil;&atilde;o caracteriza-se pela coleta, armazenamento e monitoramento de dados sobre as sociabilidades e os comportamentos humanos, explorada por empresas, plataformas digitais e por ag&ecirc;ncias governamentais. Dados que, por muito tempo, foram considerados subprodutos das novas tecnologias, como amizades, interesses pessoais, conversa&ccedil;&otilde;es, express&atilde;o de gostos e sentimentos, tornaram-se uma valiosa moeda de troca para a predi&ccedil;&atilde;o de comportamento, o desenvolvimento de novos produtos e o planeamento de a&ccedil;&otilde;es de <i>marketing</i> (van Dijck, 2017). </p>     <p>Nesta perspetiva, plataformas como o YouTube e o Instagram passaram a investir maci&ccedil;amente na profissionaliza&ccedil;&atilde;o e mercantiliza&ccedil;&atilde;o do conte&uacute;do produzido pelos seus utilizadores, contribuindo para a popularidade dos chamados influenciadores digitais e para a promo&ccedil;&atilde;o do comercialismo entre as suas audi&ecirc;ncias, compostas em grande parte por crian&ccedil;as e adolescentes (Jorge, Mar&ocirc;po &amp; Nunes, 2018; Khamis et al., 2016). &Eacute; neste contexto que surgem as microcelebridades, pessoas comuns que conquistam fama ao partilhar aspetos da vida quotidiana online, utilizando paralelamente estrat&eacute;gias de autenticidade e <i>self-branding</i> para atrair a aten&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico e da ind&uacute;stria publicit&aacute;ria (Banet-Weiser, 2011; Marwick, 2010). </p>     <p>Enquanto partilham rotinas, gostos e interesses similares aos dos seus pares, microcelebridades infantojuvenis promovem mais facilmente sentimentos de identifica&ccedil;&atilde;o perante os seus seguidores (Tomaz, 2017). Os f&atilde;s das estrelas tradicionais podem suscitar d&uacute;vidas se estas s&atilde;o como realmente se apresentam. J&aacute; as audi&ecirc;ncias das microcelebridades sentem que as conhecem verdadeiramente e que sabem detalhes que s&oacute; as pessoas pr&oacute;ximas conhecem. Desta forma, estes &ldquo;&lsquo;pequenos&rsquo; influenciadores digitais podem ter audi&ecirc;ncias mais leais, promovendo recomenda&ccedil;&otilde;es que podem ser mais eficientes&rdquo; (Jorge, Mar&ocirc;po &amp; Nunes, 2018, p. 81). </p>     <p>Cerca de 70% dos espetadores adolescentes do YouTube afirmam relacionar-se mais com os influenciadores digitais do que com as celebridades tradicionais e quatro em cada 10 jovens que veem v&iacute;deos na plataforma declaram que as estrelas do YouTubeas entendem melhor que os pr&oacute;prios amigos (O&rsquo;Neil-Hart &amp; Blumenstein, 2016). </p>     <p>Neste sentido, percebe-se a import&acirc;ncia de estudos que procurem pistas sobre os desdobramentos que esta cultura da celebriza&ccedil;&atilde;o no YouTube tem na forma&ccedil;&atilde;o das subjetividades de crian&ccedil;as e adolescentes e nos seus comportamentos como atores sociais e como consumidores inseridos no contexto da economia da aten&ccedil;&atilde;o (Crawford, 2015).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em Portugal, a cultura das microcelebridades tem conquistado espa&ccedil;o entre as jovens audi&ecirc;ncias. No segmento de moda e beleza, Sofia Barbosa (19 anos) &eacute; uma <i>youtuber</i> e <i>instagramer</i> com reconhecida fama. Seu canal hom&oacute;nimo foi selecionado como objeto emp&iacute;rico deste trabalho devido &agrave; sua popularidade no referido nicho no YouTube no pa&iacute;s (Chaves, 2017), especialmente entre crian&ccedil;as e adolescentes. O canal tem cerca de 270 mil subscritores, 558 v&iacute;deos e quase 39 milh&otilde;es de visualiza&ccedil;&otilde;es (em outubro/2019). Sofia Barbosa tamb&eacute;m mant&eacute;m perfis no Instagram, no Facebook e no Twitter, todos com centenas de milhares de seguidores, e em setembro de 2019 estreou o seu pr&oacute;prio podcast, o <i>N&atilde;o sejas pussy</i>. A <i>youtuber</i> j&aacute; ganhou o pr&eacute;mio <i>Nickelodeon Kids Choice Award</i> de &ldquo;Youtuber portugu&ecirc;s favorita&rdquo; (2017), j&aacute; protagonizou campanhas publicit&aacute;rias a n&iacute;vel nacional e, com regularidade, firma parcerias com marcas de renome internacional. </p>     <p>O objetivo deste artigo &eacute; perceber como as audi&ecirc;ncias do canal <i>Sofia Barbosa</i> constroem sentidos sobre os conte&uacute;dos comerciais e a autenticidade apresentada pela <i>youtuber</i>. A metodologia utilizada tem cariz qualitativo e conta com a netnografia (Fragoso, Recuero &amp; Amaral, 2011) para analisar os coment&aacute;rios dos subscritores e os conte&uacute;dos partilhados por Sofia em 10 v&iacute;deos publicados entre janeiro e outubro de 2018. Para definir o <i>corpus</i>da pesquisa emp&iacute;rica, procedeu-se &agrave; an&aacute;lise de conte&uacute;do (Igartua &amp; Humanes, 2004) de 50 v&iacute;deos do canal, bem como ao desenvolvimento de <i>rankings</i> dos v&iacute;deos mais populares e com mais intera&ccedil;&atilde;o, segundo m&eacute;tricas como visualiza&ccedil;&otilde;es, <i>likes</i>, <i>dislikes</i> e coment&aacute;rios. </p>     <p><b>Microcelebridades e as suas jovens audi&ecirc;ncias: viv&ecirc;ncias em rede</b></p>     <p>O s&eacute;culo XXI chegou trazendo uma completa reinven&ccedil;&atilde;o da cultura do consumo e da forma de se relacionar e estar no mundo. O processo de globaliza&ccedil;&atilde;o conectou pessoas e os novos aparatos criativos e tecnol&oacute;gicos alteraram a linearidade da comunica&ccedil;&atilde;o, deram voz aos sujeitos, apagaram os limites entre produtor e consumidor de conte&uacute;do, transformaram o relacionamento empresa/cliente e impuseram ao mercado uma r&aacute;pida adapta&ccedil;&atilde;o (Castells, 2007; Lipovetsky &amp; Seroy, 2010). </p>     <p>Considerando os m&uacute;ltiplos recortes sociais e culturais das sociedades ocidentalizadas, sabe-se que, em geral, os jovens, hoje, est&atilde;o presentes digitalmente, interagem nas redes sociais e atraem a aten&ccedil;&atilde;o da ind&uacute;stria, cada vez mais vigilante ao que est&atilde;o a produzir e a consumir no ambiente digital. Os estudos abaixo, realizados em diferentes contextos e pa&iacute;ses, corroboram esta afirma&ccedil;&atilde;o. </p>     <p>A pesquisa <i>Uniquely gen Z</i> (NRF &amp; IBM, 2017) feita com 15.000 jovens de 13 a 21 anos, de 16 pa&iacute;ses, apontou que 74% dos participantes afirmaram gastar o seu tempo livre na internet. O estudo destacou o potencial de consumo deste segmento, de US$44 mil milh&otilde;es ao ano, e tamb&eacute;m apresentou algumas caracter&iacute;sticas sobre o seu comportamento de consumo e o n&iacute;vel de intera&ccedil;&atilde;o que estabelece com as empresas em ambiente digital: 36% afirmaram que criariam conte&uacute;do digital para alguma marca; 42% participariam de atividades online para uma campanha; 66% demonstraram preocupa&ccedil;&atilde;o com a qualidade do que est&atilde;o a comprar e 45% confirmaram o interesse por marcas <i>eco-friendly</i> e socialmente respons&aacute;veis.</p>     <p>A pesquisa <i>Teens, social media &amp; technology 2018</i> (Anderson &amp; Jiang, 2018) feita com 743 adolescentes de 13 a 17 anos nos Estados Unidos indica que 45% dos participantes afirmaram estar online &ldquo;quase sempre&rdquo; e 44% indicaram que se conectam &agrave; internet &ldquo;v&aacute;rias vezes ao dia&rdquo;. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s redes sociais, o YouTube &eacute; a preferida dos adolescentes (85%), seguido pelo Instagram (72%) e pelo Snapchat (69%). </p>     <p>No &acirc;mbito europeu, um estudo desenvolvido com 281 adolescentes de 12 a 19 anos de Portugal, It&aacute;lia e Espanha (Pereira, Moura &amp; Fillol, 2018), concluiu que os portugueses se apresentam como os que mais utilizam as redes sociais (4,78), seguidos pelos espanh&oacute;is (4,7) e italianos (4,45). Nos tr&ecirc;s pa&iacute;ses, o YouTube apareceu em primeiro lugar, com 97% dos participantes a afirmarem ter uma conta na plataforma. O WhatsApp surgiu em segunda posi&ccedil;&atilde;o, com 88%, seguido pelo Instagram, com 73%.</p>     <p>Ao analisar todos estes dados, percebe-se o protagonismo das redes sociais nas viv&ecirc;ncias de crian&ccedil;as e adolescentes em rede. O que leva &agrave; reflex&atilde;o de que se est&atilde;o, de facto, ocupando estes espa&ccedil;os digitais, a ind&uacute;stria n&atilde;o deixaria de encontrar formas de tamb&eacute;m marcar presen&ccedil;a por meio das mais diferentes estrat&eacute;gias mercadol&oacute;gicas. </p>     <p>Uma destas estrat&eacute;gias que mais tem repercutido entre o p&uacute;blico infantojuvenil &eacute; a parceria de marcas com microcelebridades digitais, ou seja, aqueles produtores de conte&uacute;do comuns, mas bem-sucedidos, que entendem a import&acirc;ncia da autopromo&ccedil;&atilde;o, constroem uma &ldquo;persona online&rdquo; e a comercializam como se fossem uma marca (Senft, 2008). As microcelebridades falam nas suas redes sociais com nichos espec&iacute;ficos de p&uacute;blico e costumam dispensar os &ldquo;intermedi&aacute;rios&rdquo; do entretenimento corporativo, como os agentes t&iacute;picos das grandes celebridades (Marwick, 2010). Em meio a este discurso aparentemente &iacute;ntimo e apresentado como espont&acirc;neo, a microcelebridade mostra produtos, esbatendo as barreiras entre discurso publicit&aacute;rio e narrativa autoral. Desta maneira, representam uma solu&ccedil;&atilde;o positiva aos bloqueios dos consumidores diante dos tradicionais esfor&ccedil;os de persuas&atilde;o (Williamsom, 2016). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Esta autopromo&ccedil;&atilde;o por meio de estrat&eacute;gias semelhantes &agrave;s que as marcas utilizam, despertando sentidos de intimidade e afeto no p&uacute;blico &eacute; nomeada de <i>self-branding</i> (Khamis et al., 2016; Marwick, 2010; Raun, 2018) e est&aacute; intimamente relacionada &agrave; l&oacute;gica da &ldquo;economia da aten&ccedil;&atilde;o&rdquo; (Crawford, 2015). Esta l&oacute;gica tem a sua for&ccedil;a motriz nas m&eacute;tricas como os <i>likes</i>, os coment&aacute;rios e os compartilhamentos, que podem indicar alta visibilidade e capacidade de influ&ecirc;ncia das microcelebridades. Portanto, para atrair a aten&ccedil;&atilde;o da ind&uacute;stria, estes influenciadores sabem que precisam manter as suas audi&ecirc;ncias fidelizadas, trabalhando a seu favor (Tomaz, 2017).</p>     <p>O YouTube &eacute; a rede social por excel&ecirc;ncia das microcelebridades, muito porque dedicou recursos para que os v&iacute;deos amadores de seus produtores desse lugar a um conte&uacute;do cada vez mais profissional e suscet&iacute;vel de ser cooptado. A plataforma surgiu em 2005 com o objetivo de facilitar a partilha de v&iacute;deos com base no conte&uacute;do gerado pelo usu&aacute;rio, sem a necessidade de muitos conhecimentos t&eacute;cnicos (Jorge, Amaral &amp; Mathieu, 2018). Em 2006, a Google comprou o YouTube e em pouco tempo este alcan&ccedil;ou as primeiras posi&ccedil;&otilde;es no ranking dos sites mais visitados do mundo (Burgess &amp; Green, 2009). Desde ent&atilde;o, a plataforma voltou os seus esfor&ccedil;os para a profissionaliza&ccedil;&atilde;o dos criadores de conte&uacute;do. As estrat&eacute;gias para alcan&ccedil;ar estes objetivos foram in&uacute;meras: 1) o imbricado sistema de algoritmos que coopta os dados dos utilizadores para serem comercializados com os anunciantes e os classifica conforme as suas escolhas e gostos; 2) as fun&ccedil;&otilde;es sociais, como coment&aacute;rios e <i>likes</i>, 3) as listas autom&aacute;ticas de recomenda&ccedil;&otilde;es de v&iacute;deos; 4) o programa de parceiros do YouTube (YPP); e 5) o suporte log&iacute;stico dado aos criadores de conte&uacute;do como workshops, eventos e os est&uacute;dios de grava&ccedil;&atilde;o equipados para a produ&ccedil;&atilde;o audiovisual dos <i>youtubers</i>, espalhados por todo o mundo (Burgess &amp; Green, 2009; Jorge, Amaral &amp; Mathieu, 2018). Estas estrat&eacute;gias de coopta&ccedil;&atilde;o do conte&uacute;do gerado pelos utilizadores resultam em mil milh&otilde;es de d&oacute;lares ao ano &agrave; plataforma (Jorge, Mar&ocirc;po &amp; Nunes, 2018). </p>     <p>&Eacute; neste contexto que os <i>youtubers</i> se tornaram uma ponte entre as marcas e os seus p&uacute;blicos. Ao se associar a uma microcelebridade que se apresenta de forma aparentemente &iacute;ntima e aut&ecirc;ntica &agrave;s suas audi&ecirc;ncias, a marca gera credibilidade e se utiliza da reputa&ccedil;&atilde;o do influenciador constru&iacute;da com base no <i>self-branding</i>. J&aacute; a cria&ccedil;&atilde;o de uma atmosfera h&iacute;brida, por parte dos <i>influencers</i>, que mescla narrativa pessoal e conte&uacute;do comercial, pode ser eficaz para fazer com que o p&uacute;blico n&atilde;o perceba se o que est&aacute; sendo compartilhado se trata de uma recomenda&ccedil;&atilde;o espont&acirc;nea ou de um conte&uacute;do patrocinado. Ao se tratar de crian&ccedil;as e adolescentes, esse tipo de estrat&eacute;gia pode passar de maneira ainda mais desapercebida. Sampaio e Cavalcante (2016) comentam que este p&uacute;blico identifica mais facilmente a publicidade veiculada nos meios eletr&oacute;nicos que nos digitais, justamente porque o conte&uacute;do e a publicidade, em meio online, muitas vezes, n&atilde;o tem demarca&ccedil;&otilde;es bem definidas. Al&eacute;m disto, a cultura de pares exerce forte influ&ecirc;ncia na forma&ccedil;&atilde;o das subjetividades dos mais jovens. <i>Youtubers</i> de sucesso parecem que est&atilde;o sempre a conversar, falam a partir dos seus ambientes dom&eacute;sticos, sobre assuntos rotineiros, expressam-se de maneira afetuosa ou c&oacute;mica, refor&ccedil;am a autoestima dos seguidores, usam jarg&otilde;es padronizados e uma narrativa informal (Mar&ocirc;po, Sampaio &amp; Pereira, 2018). Tamb&eacute;m falam de quest&otilde;es comuns ao universo <i>pop</i> (m&uacute;sicas, cinema, <i>best-sellers</i>, <i>fast foods</i>) e dos modos de ser da juventude. Ou seja, constroem rela&ccedil;&otilde;es para serem percebidas como aut&ecirc;nticas e que impactam nas novas formas de socializa&ccedil;&atilde;o e de consumo de crian&ccedil;as e adolescentes conectadas digitalmente. </p>     <p><b>Escolhas metodol&oacute;gicas</b></p>     <p>Este artigo tem origem na investiga&ccedil;&atilde;o realizada no &acirc;mbito da disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado em Ci&ecirc;ncias da Comunica&ccedil;&atilde;o, pela Universidade do Minho (Carvalho, 2019). Ele analisa como as audi&ecirc;ncias do canal <i>Sofia Barbosa</i> constroem sentidos sobre os conte&uacute;dos comerciais e a autenticidade que a <i>youtuber</i> apresenta. A escolha do canal deveu-se &agrave; sua popularidade entre adolescentes, especialmente no nicho de moda e beleza, no YouTube em Portugal. Aos 12 anos, Sofia via-se como uma menina t&iacute;mida e afirma ter criado o seu canal como <i>hobby</i>, inspirada em <i>youtubers</i> internacionais de beleza (TEDx Talks, 2018). Hoje, aos 19 anos, a jovem comanda um canal com mais de 270 mil inscritos e quase 39 milh&otilde;es de visualiza&ccedil;&otilde;es. A decis&atilde;o de n&atilde;o ir para a universidade e mudar-se com a irm&atilde;, do Porto para a capital, Lisboa, a fim de investir na carreira, al&eacute;m da qualidade t&eacute;cnica dos v&iacute;deos, os investimentos em equipamentos e, principalmente, o facto de Sofia fazer do canal o seu trabalho a tempo inteiro, s&atilde;o alguns dos elementos que atestam a sua profissionaliza&ccedil;&atilde;o. Os v&iacute;deos de Sofia Barbosa costumam apresentar um <i>mix</i> das frivolidades do dia-a-dia e do <i>glamour</i> que o universo da microcelebriza&ccedil;&atilde;o proporciona: Sofia limpa a sua casa, &eacute; convidada para lan&ccedil;amentos de produtos, fotografa <i>looks</i> para conhecidas marcas de roupa, pede entregade pizza aos domingos e viaja para esquiar a convite de um patrocinador. </p>     <p>Este estudo teve como base a metodologia qualitativa respaldada na an&aacute;lise netnogr&aacute;fica (Fragoso et al. 2011), no sentido de promover a an&aacute;lise sistem&aacute;tica dos coment&aacute;rios dos subscritores e das pr&aacute;ticas de consumo e sociabilidades protagonizadas pela jovem Sofia em 10 v&iacute;deos publicados em seu canal. </p>     <p>Para a sele&ccedil;&atilde;o do <i>corpus</i> recorreu-se &agrave; an&aacute;lise de conte&uacute;do (Igartua &amp; Humanes, 2004) e &agrave; classifica&ccedil;&atilde;o de todos os v&iacute;deos partilhados pela <i>youtuber</i> no per&iacute;odo de janeiro a outubro de 2018. Ao todo, 50 v&iacute;deos foram classificados em tr&ecirc;s diferentes esferas, segundo modelo de Florencia Garc&iacute;a-Rapp (2017): 1) esfera da comunidade &ndash; v&iacute;deos de <i>self-branding</i>, com a influenciadora a falar de si, assuntos da vida &iacute;ntima, em tom pessoal, como se estivesse a conversar com uma amiga; 2) esfera comercial &ndash; a <i>vlogger</i> mostra as suas &uacute;ltimas compras ou &ldquo;recebidos&rdquo;, experimenta produtos, ensina a us&aacute;-los e apresenta marcas; 3) esfera hi´brida &ndash; identificada neste trabalho para categorizar os v&iacute;deos que mesclam estilo e conte&uacute;do das duas esferas acima e que, muitas vezes, corresponde aos v&iacute;deos patrocinados. Esta classifica&ccedil;&atilde;o identificou 21 v&iacute;deos pertencentes &agrave; esfera da comunidade, 12 v&iacute;deos referentes &agrave; esfera comercial e 17 da esfera h&iacute;brida. </p>     <p>Para a an&aacute;lise pormenorizada dos coment&aacute;rios, foi selecionada uma amostra de 10 v&iacute;deos baseada em dois crit&eacute;rios. O primeiro se refere a um equil&iacute;brio entre estas tr&ecirc;s esferas. O segundo crit&eacute;rio leva em considera&ccedil;&atilde;o as m&eacute;tricas de popularidade e intera&ccedil;&atilde;o dos v&iacute;deos (<i>likes</i>, <i>dislikes</i>, coment&aacute;rios e visualiza&ccedil;&otilde;es) que representam <i>feedbacks</i> concretos do que os seguidores mais apreciam (Tomaz, 2017). Estes crit&eacute;rios de sele&ccedil;&atilde;o garantiram a representatividade num&eacute;rica dos coment&aacute;rios analisados &ndash; num total de 1961 &ndash; ao mesmo tempo que possibilitou uma diversidade da amostra conforme referido na <a href ="/img/revistas/csoc/v37/v37a06t1.jpg">Tabela 1</a>. </p>     
<p>Observamos os coment&aacute;rios dos 10 v&iacute;deos considerando: 1) os temas abordados; 2) a intera&ccedil;&atilde;o dos seguidores com a <i>youtuber</i> e com outros seguidores no que diz respeito a conte&uacute;dos comerciais; 3) os pedidos de informa&ccedil;&atilde;o dos seguidores sobre produtos e marcas; 4) as suas perce&ccedil;&otilde;es sobre a autenticidade da <i>youtuber</i> em rela&ccedil;&atilde;o a conte&uacute;dos comerciais, e 5) aprova&ccedil;&atilde;o ou criticismo em rela&ccedil;&atilde;o aos conte&uacute;dos comerciais. Ao todo, foram analisados 1961 coment&aacute;rios e respostas de coment&aacute;rios, recuperados por meio do YouTube Comment Scraper<sup><a href="#1" name="top1">[1]</a></sup> e organizados em uma planilha eletr&oacute;nica. Como forma de melhor compreender o contexto em que estavam inseridos os coment&aacute;rios, analisamos tamb&eacute;m os v&iacute;deos, tendo em conta aspetos 1) visuais, como cen&aacute;rio, edi&ccedil;&atilde;o, enquadramento, pessoas que dividem a cena<i>, </i>atividades executadas; 2) verbais, como discurso &iacute;ntimo, perguntas que faz ao p&uacute;blico, conversa tipo <i>t&ecirc;te-&agrave;-t&ecirc;te</i>, aten&ccedil;&atilde;o &agrave; autenticidade e ao que o p&uacute;blico demonstra apreciar; e, 3) comerciais, como exibi&ccedil;&atilde;o de produtos, marcas e transpar&ecirc;ncia sobre patroc&iacute;nios. </p>     <p><b>O que as audi&ecirc;ncias pensam sobre o hibridismo que procura conciliar autenticidade e comercialismo?</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Sofia tem uma narrativa permeada por um leve humor juvenil, que aborda assuntos de cunho pessoal e emocional. A sua ret&oacute;rica &iacute;ntima tem fun&ccedil;&atilde;o essencial na sua apresenta&ccedil;&atilde;oe &eacute; eficaz para (Carvalho, 2019, p. 98): </p> <ul>       <li>identificar familiares e amigos: &ldquo;neste momento estou sozinha em casa, a minha irm&atilde; foi com os meus pais para Lisboa e o meu irm&atilde;o t&aacute; a trabalhar neste momento&rdquo; (&ldquo;Primeiros passos para a minha mudan&ccedil;a de casa!&rdquo;)<sup><a href="#2" name="top2">[2]</a></sup>;</li>       <li>falar sobre a sua casa: &ldquo;houve muita gente que comentou no meu &uacute;ltimo <i>weekly vlog</i> que a luz da minha casa &eacute; muito bonita. Como voc&ecirc;s podem ver, &eacute; verdade. (&hellip;) Obrigada a toda a gente que reparou nisto&rdquo; (&ldquo;Weekly vlog: sou uma tia babada&rdquo;); </li>       <li>mostrar os seus h&aacute;bitos:&ldquo;mal eu acordo vou logo pra cozinha tomar o meu pequeno almo&ccedil;o e pra quem j&aacute; viu os meus <i>vlogs</i>, j&aacute; sabe o que que &eacute;. &Eacute; iogurte, aveia e banana&rdquo; (&ldquo;A minha rotina matinal para os fins de semana&rdquo;);</li>       <li>refor&ccedil;ar a ideia de que o p&uacute;blico a conhece: &ldquo;sinceramente, eu acho que voc&ecirc;s sabem quase tudo sobre mim&rdquo; (&ldquo;Tag: 13 perguntas pessoais&rdquo;);</li>       <li>justificar uma poss&iacute;vel falha: &ldquo;hoje &eacute; domingo e antes de mais eu quero pedir desculpa porque ontem eu n&atilde;o gravei <i>vlog</i>. E sexta-feira tenho a certeza que n&atilde;o ficou assim um dia t&atilde;o completo&rdquo; (&ldquo;Weekly vlog: sou uma tia babada!&rdquo;). </li>     </ul>     <p>Ao consumir estes conte&uacute;dos, os seguidores se regozijam com as semelhan&ccedil;as de gostos demonstrados por Sofia:</p>     <blockquote>       <p>CHOCOLATE BAUNILHA E CARAMELO! Amiga, eu nunca gritei t&atilde;o alto SAME na minha vida! Cada vez te adoro mais. AHHH PODIAMOS SER BOAS AMIGAS. (C.F. &ndash; &ldquo;Tag: 13 perguntas pessoais&rdquo;)<sup><a href="#3" name="top3">[3]</a></sup> </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Sinto-me t&atilde;o orgulhosa de ti vejo te desde os meus 11 anos e agora tenho 14 e sinto que mereces tudo o que tens, quem dera um dia conhecer-te. (I.C. &ndash; &ldquo;Primeiros passos para a minha mudan&ccedil;a de casa&rdquo;) </p>       <p>Sofia &eacute;s igual a mim adoro massa &agrave; bolonhesa :3. (K. G. &ndash; &ldquo;Tag: 13 perguntas pessoais&rdquo;) </p>       <p>Acho que cada vez aprecio mais os teus videos Sofia. Edit: quando for da tua idade quero ter uma casa igual :). (C.F. &ndash; &ldquo;Weekly vlog: sou uma tia babada&rdquo;)</p> </blockquote>     <p>A sensa&ccedil;&atilde;o de proximidade com a <i>youtuber</i> &eacute; tamanha que h&aacute; seguidores que nutrem um sentimento de gratid&atilde;o e uma esp&eacute;cie de &ldquo;confian&ccedil;a cega&rdquo; por Sofia: </p>     <blockquote>       <p>Ainda n&atilde;o vi o video mas ja deixei like e vim dizer que &eacute;s a melhor pessoa do mundo e obrigada por me dares o maior apoio psicologicamente, i love you (F. F. &ndash; &ldquo;A minha rotina matinal para os fins de semana&rdquo;) </p> </blockquote>     <p>A narrativa &iacute;ntima da <i>youtuber</i> torna-se exitosa quando a &ldquo;Sofia amiga&rdquo; se sobressai &agrave; &ldquo;Sofia microcelebridade&rdquo; e o trabalho no YouTube &eacute; visto como algo desinteressado ou &ldquo;resultado inquestion&aacute;vel de uma f&eacute; inabal&aacute;vel na realiza&ccedil;&atilde;o de um sonho ou de um empenho individual&rdquo; (Tomaz, 2017, p. 162), como pode ser percebido neste coment&aacute;rio: </p>     <blockquote>       <p>Este v&iacute;deo &eacute; t&atilde;o inspirador!! Ver tudo o que conseguiste com o teu trabalho e dedica&ccedil;&atilde;o e sem sequer esperares nada em troca. Que venham muitos mais anos de v&iacute;deos teus beijinho enorme Sofia. (S. M. &ndash; &ldquo;O tempo passa r&aacute;pido&rdquo;)</p> </blockquote>     <p>H&aacute; subscritores, que, envolvidos por sentimentos de afeto e intimidade, n&atilde;o percebem claramente o vi&eacute;s mercadol&oacute;gico presente no canal. Al&eacute;m disto, o facto das audi&ecirc;ncias aparentemente n&atilde;o terem muitos conhecimentos sobre como funciona a cadeia produtiva da celebridade (sistema de algoritmos, programa de parceiros, contratos publicit&aacute;rios, ag&ecirc;ncias de <i>marketing</i> de influ&ecirc;ncia, investimento em equipamento e tecnologia, entre outros fatores) tamb&eacute;m ajuda a construir a ideia da fama como um resultado involunt&aacute;rio do talento ou do esfor&ccedil;o das jovens microcelebridades como Sofia (Tomaz, 2017).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>T&atilde;o importante quanto a ret&oacute;rica &iacute;ntima para uma estrat&eacute;gia de <i>self-branding</i> eficaz &eacute; a <i>performance</i>aut&ecirc;ntica. A <i>youtuber</i> refor&ccedil;a a ideia de que &eacute; importante &ldquo;ser voc&ecirc; mesma&rdquo;, pela partilha de gostos (s&eacute;ries populares, festivais de m&uacute;sica, lan&ccedil;amentos de novas marcas, dicas de viagens), pela afirma&ccedil;&atilde;o do que define como um estilo pr&oacute;prio e por espontaneidade performada, (&ldquo;erros&rdquo; de grava&ccedil;&atilde;o ou cenas inesperadas s&atilde;o mantidas na edi&ccedil;&atilde;o dos v&iacute;deos). Desta forma, enquanto grava, n&atilde;o pausa para abrir a porta para o entregador de pizza, ajustar o enquadramento, procurar os &oacute;culos na bolsa ou manusear o telem&oacute;vel. Em uma cena aparece sentada na sala de sua casa a falar para a c&acirc;mara, quando desvia rapidamente a aten&ccedil;&atilde;o para avisar &agrave; irm&atilde; que ela havia derramado leite em cima de um livro e que precisava limpar logo aquilo (Carvalho, 2019). </p>     <p>O p&uacute;blico d&aacute; ind&iacute;cios de que percebe Sofia de forma aut&ecirc;ntica e costuma fazer coment&aacute;rios maioritariamente positivos e de incentivo, usando palavras como &ldquo;original&rdquo;, &ldquo;verdadeiro&rdquo;, &ldquo;diferente&rdquo; e &ldquo;sincero&rdquo; (Carvalho, 2019):</p>     <blockquote>       <p>&hellip; Adorei a edi&ccedil;&atilde;o e a forma como, cada vez mais, te deixas transparecer verdadeiramente para este lado :) continua. (B.C. &ndash; &ldquo;Weekly vlog: sou uma tia babada!&rdquo;) </p>       <p>Muitos parab&eacute;ns pelo v&iacute;deo adorei e sobretudo sei que foste muito sincera&hellip; (I.C. &ndash; &ldquo;O tempo passa r&aacute;pido&rdquo;)</p>       <p>Gostaria de ver mais v&iacute;deos de moda e beleza, as tuas dicas d&atilde;o sempre uma ajudinha pro dia a dia. Os teus v&iacute;deos s&atilde;o fant&aacute;sticos e originais, fico sempre surpreendida e &eacute; isso q faz com q sejas amazing!!! (F. S. &ndash; &ldquo;Weekly vlog: sou uma tia babada!&rdquo;) </p>       <p>Parab&eacute;ns Sofia, &eacute;s um exemplo e uma inspira&ccedil;&atilde;o tenho 12 anos e tamb&eacute;m quero criar um canal no YouTube Um grande beijinho, e continua, desejo-te tudo de bom. (C.R. &ndash; &ldquo;O tempo passa r&aacute;pido&rdquo;)</p> </blockquote>     <p>Os elogios e palavras de incentivo estendem-se &agrave;s suas recomenda&ccedil;&otilde;es de produtos e marcas: </p>     <blockquote>       <p>Ol&aacute; sofia, (&hellip;) tenho saudades dos teus videos de favoritos ajudavam me sempre muito a descobrir novos produtos roupas ou filmes!! Beijinhos adoro te &lt;3. (D. &ndash; &ldquo;Weekly vlog: sou uma tia babada!&rdquo;)</p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O v&iacute;deo &ldquo;Nova casa em Lisboa&rdquo; tem o formato de <i>vlog</i><sup><a href="#4" name="top4">[4]</a></sup> e nele a <i>youtuber</i> intercala cenas dentro de casa, falando diretamente para a c&acirc;mara, com cenas externas na cidade de Lisboa. A jovem inicia a comentar sobre a mudan&ccedil;a de casa e logo centraliza o assunto nos cuidados com a pele, alegando ter recebido muitos pedidos para que partilhasse a sua rotina de cuidados com a pele. Este &eacute; o mote para introduzir a publicidade paga de uma conhecida marca francesa de cosm&eacute;ticos. O v&iacute;deo de 11 minutos que, conforme sugere o t&iacute;tulo, deveria ter o foco na nova casa em Lisboa, tem cerca de quatro minutos dedicados &agrave; <i>youtuber</i> a apresentar os produtos da marca patrocinadora. Esta tentativa de &ldquo;camuflar&rdquo; o vi&eacute;s mercadol&oacute;gico por meio do t&iacute;tulo foi percebida por uma seguidora (Carvalho, 2019):</p>     <blockquote>       <p>Sofia estava &agrave; espera dum v&iacute;deo a mostrares a tua nova casa. N&atilde;o sei porque &eacute; que escolheste este t&iacute;tulo um pouco enganador. (C.S &ndash; &ldquo;Nova casa em Lisboa&rdquo;) </p> </blockquote>     <p>Na caixa de descri&ccedil;&atilde;o havia um agradecimento &agrave; marca patrocinadora, entretanto, percebe-se, novamente, uma tentativa de manter a publicidade despercebida, ao analisar este coment&aacute;rio:</p>     <blockquote>       <p>Adoro os teus v&iacute;deos, s&oacute; tenho pena que n&atilde;o sinalizes quando fazes publicidade a alguma coisa, quer seja no v&iacute;deo ou na caixa de descri&ccedil;&atilde;o &eacute; extremamente importante a sinaliza&ccedil;&atilde;o das publicidades, mesmo que fosse na caixa de descri&ccedil;&atilde;o com um *este video &eacute; patrocinado, porque claramente &eacute; patrocinado pela garnier. (C. &ndash; &ldquo;Nova casa em Lisboa&rdquo;) </p> </blockquote>     <p>Ou seja, &eacute; prov&aacute;vel que o agradecimento feito por Sofia tenha sido inserido em um segundo momento ap&oacute;s o <i>upload</i> do v&iacute;deo. Al&eacute;m deste coment&aacute;rio a cobrar transpar&ecirc;ncia, identific&aacute;mos outras manifesta&ccedil;&otilde;es cr&iacute;ticas ao conte&uacute;do publicit&aacute;rio presente no canal. Um coment&aacute;rio, com 18 <i>likes </i>de outros seguidores<i>,</i> destaca que nos &uacute;ltimos meses os v&iacute;deos de Sofia &ldquo;n&atilde;o s&atilde;o mais os mesmos&rdquo; e que muita gente sente que a <i>youtuber</i> parece gravar por obriga&ccedil;&atilde;o, por estar a receber das marcas. O autor do coment&aacute;rio exemplifica ao citar aquele mesmo v&iacute;deo, em que Sofia passou metade do tempo a falar de um produto e praticamente n&atilde;o apresentou outros conte&uacute;dos. </p>     <p>Percebe-se, assim, que, seja pelo t&iacute;tulo &ldquo;camuflado&rdquo;, pela falta de men&ccedil;&atilde;o ao patroc&iacute;nio ou pela inser&ccedil;&atilde;o casual dos produtos em meio &agrave;s cenas do dia-a-dia, h&aacute; um claro esfor&ccedil;o para valorizar uma <i>performance</i>aparentemente aut&ecirc;ntica do quotidiano de Sofia, em detrimento de uma maior transpar&ecirc;ncia sobre o conte&uacute;do patrocinado.</p>     <p>Estas estrat&eacute;gias de hibridiza&ccedil;&atilde;o entre conte&uacute;dos da esfera comercial e da comunidade s&atilde;o novamente questionadas pelos subscritores no v&iacute;deo &ldquo;A minha rotina matinal para os fins de semana&rdquo;, que tem o patroc&iacute;nio de outra renomada marca de cosm&eacute;ticos. Este foi um dos v&iacute;deos que mais recebeu <i>dislikes</i> e coment&aacute;rios negativos. A produ&ccedil;&atilde;o assemelha-se a um videoclipe com um roteiro pr&eacute;-estabelecido que conta uma hist&oacute;ria: o que Sofia faz em uma manh&atilde; de fim de semana. O v&iacute;deo se inicia com Sofia a acordar na sua cama e termina com a <i>youtuber</i> a passear pelo parque. Neste entremeio, Sofia utiliza in&uacute;meros produtos para a pele e maquilhagem, todos da marca patrocinadora. Novamente a omiss&atilde;o do conte&uacute;do patrocinado foi percebida, o que leva, mais uma vez, &agrave; conclus&atilde;o de que a men&ccedil;&atilde;o &agrave; publicidade presente na caixa de descri&ccedil;&atilde;o foi inclu&iacute;da ap&oacute;s a publica&ccedil;&atilde;o e, provavelmente, depois das manifesta&ccedil;&otilde;es de desaprova&ccedil;&atilde;o. </p>     <p>Tamb&eacute;m surgiram cr&iacute;ticas sobre a &eacute;tica de Sofia por utilizar produtos de empresas que testam em animais. Uma seguidora comentou: </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p>Sofia, volto a dizer, se quiseres utilizar maquilhagem mais &eacute;tica, ou seja, cruelty free n&atilde;o &eacute; boa ideia usares e apoiares a Clinique. Testa em animais. (S. &ndash; &ldquo;A minha rotina matinal para os fins de semana&rdquo;) </p> </blockquote>     <p>Contudo, foi sobre o facto de o conte&uacute;do comercial comprometer a apar&ecirc;ncia de autenticidade promovida por Sofia que incidiram as cr&iacute;ticas com maior repercuss&atilde;o entre a audi&ecirc;ncia. Este coment&aacute;rio recebeu 93 <i>likes</i>: </p>     <blockquote>       <p>Rotina s&oacute; com uma marca n&atilde;o &eacute; uma rotina real. N&atilde;o tem mal nenhum, mas fica demasiado &oacute;bvio que n&atilde;o &eacute; um video realista e sincero. (C. &ndash; &ldquo;A minha rotina matinal para os fins de semana&rdquo;) </p> </blockquote>     <p>Este outro coment&aacute;rio tamb&eacute;m seguiu a mesma linha: </p>     <blockquote>       <p>O v&iacute;deo est&aacute; muito bom, mas na minha opini&atilde;o n&atilde;o corresponde a realidade. Para come&ccedil;ar o v&iacute;deo &eacute; patrocinado por marcas de maquilhagem e ningu&eacute;m usa 10 cenas diferentes de maquilhagem antes de sair TODOS os dias&hellip; (U. &ndash; &ldquo;A minha rotina matinal para os fins de semana&rdquo;)</p> </blockquote>     <p>Houve tamb&eacute;m quem pedisse que Sofia n&atilde;o deixasse a sua autenticidade ser influenciada pelos patroc&iacute;nios:</p>     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&hellip;por favor n&atilde;o deixes de ser &ldquo;tu&rdquo; e n&atilde;o deixes de dar a tua opini&atilde;o sincera sobre os produtos e as marcas, apenas por causa dos patroc&iacute;nios, porque pelo menos eu sempre te segui por seres super honesta e humilde, e seria uma pena se agora o come&ccedil;asses a deixar de ser para com os teus subs&hellip; Beijinho. (M. M. &ndash; &ldquo;A minha rotina matinal para os fins de semana&rdquo;)</p> </blockquote>     <p><b>Discuss&atilde;o e conclus&atilde;o</b></p>     <p>A an&aacute;lise dos coment&aacute;rios dos seguidores do canal <i>Sofia Barbosa</i> neste estudo contribui para um maior entendimento das sociabilidades infantis e juvenis no &acirc;mbito da cultura do consumo promovida no ambiente digital. </p>     <p>As audi&ecirc;ncias retribuem as estrat&eacute;gias de intimidade e autenticidade de Sofia com frequentes manifesta&ccedil;&otilde;es de afeto. Os elogios, os <i>feedbacks</i> positivos, as tentativas em encontrar afinidades com a <i>youtuber</i>ou os desejos de que Sofia se tornasse, realmente, uma amiga, para al&eacute;m dos ecr&atilde;s, s&atilde;o exemplos disto. Percebe-se tamb&eacute;m nesta rela&ccedil;&atilde;o de aparente proximidade, uma forte aceita&ccedil;&atilde;o do conte&uacute;do comercial fomentado pela jovem.</p>     <p>No entanto, &eacute; poss&iacute;vel encontrar pontualmente exemplos que indicam que os apelos ao consumo presentes no canal n&atilde;o s&atilde;o assimilados sem nenhum tipo de sentido cr&iacute;tico. Em diversos momentos, h&aacute; uma reflexividade em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s pr&aacute;ticas comerciais protagonizadas por Sofia, nomeadamente quando s&atilde;o dissimuladas.</p>     <p>A falta de transpar&ecirc;ncia quanto aos patroc&iacute;nios, quando percebida, n&atilde;o encontrou uma boa rece&ccedil;&atilde;o numa pequena parcela dos subscritores. Outras estrat&eacute;gias para ocultar a presen&ccedil;a do conte&uacute;do comercial, como no caso do t&iacute;tulo visto como &ldquo;enganador&rdquo;, tamb&eacute;m foram recebidas de forma cr&iacute;tica por parte do p&uacute;blico. Alguns seguidores apontaram caminhos para resolver a quest&atilde;o com pedidos para que Sofia identifique sempre os conte&uacute;dos patrocinados. Embora raras, tamb&eacute;m foram encontradas manifesta&ccedil;&otilde;es cr&iacute;ticas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s pr&oacute;prias marcas, como no caso da seguidora que questionou Sofia pelo uso de marcas que testam em animais, posicionando-se politicamente em defesa da causa. </p>     <p>Esta postura mais c&eacute;tica de alguns seguidores pode ser interpretada como uma no&ccedil;&atilde;o inc&oacute;moda de que, repentinamente, est&atilde;o sendo catapultados do posto de &ldquo;amigos que tudo sabem sobre Sofia&rdquo; para o lugar de meros consumidores. &Eacute; poss&iacute;vel perceber nos coment&aacute;rios um sentimento de deslealdade perante a artificialidade de determinados conte&uacute;dos e a tentativa da <i>youtuber</i> em monetizar a partir de rela&ccedil;&otilde;es comerciais com determinadas marcas e produtos que s&atilde;o apresentadas como genu&iacute;nas.</p>     <p>Estas manifesta&ccedil;&otilde;es de desencantamento com a <i>youtuber</i> podem contribuir para equilibrar uma vis&atilde;o romantizada que muitos subscritores t&ecirc;m das microcelebridades com uma compreens&atilde;o mais racional sobre a ind&uacute;stria que os sustenta. Neste sentido, os conte&uacute;dos comerciais em alguns momentos n&atilde;o foram apenas um ve&iacute;culo de promo&ccedil;&atilde;o de marcas e produtos, mas transformaram-se num espa&ccedil;o para que os seguidores tamb&eacute;m pudessem posicionar-se criticamente no espa&ccedil;o dos coment&aacute;rios. </p>     <p>Nestes momentos, a jovem audi&ecirc;ncia demonstra possuir alguma literacia que a ajuda a desenvolver compet&ecirc;ncias para analisar e discernir os conte&uacute;dos encontrados no canal, incluindo os mercadol&oacute;gicos (Pereira, Pinto &amp; Moura, 2015). No entanto, de uma maneira geral, os coment&aacute;rios demonstram que crian&ccedil;as e jovens pouco sabem (ou pouco se importam) sobre os processos comerciais imbricados no universo das microcelebridades digitais. </p>     <p>A presen&ccedil;a de crian&ccedil;as e adolescentes na internet e nas redes sociais pode e deve ser interpretada tamb&eacute;m por um olhar positivo que descortina novas possibilidades para se constitu&iacute;rem como atores sociais que impactam o contexto &agrave; sua volta por meio da intera&ccedil;&atilde;o, da aprendizagem e da express&atilde;o das suas culturas e identidades. No entanto, h&aacute; ainda um longo trabalho de literacia digital a ser feito para que crian&ccedil;as e jovens utilizadores das redes sociais percebam de maneira mais consciente como a ind&uacute;stria se tem valido da visibilidade e da credibilidade de microcelebridades como Sofia. Isto inclui n&atilde;o apenas as marcas, mas tamb&eacute;m os grandes conglomerados da internet, como a Google e o YouTube, que t&ecirc;m o seu modelo de neg&oacute;cio baseado na coopta&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos e audi&ecirc;ncias. &Eacute; preciso mais e novos estudos neste sentido, tendo os media digitais como um amplo campo de estudo e as crian&ccedil;as e adolescentes como agentes fundamentais destas investiga&ccedil;&otilde;es. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <!-- ref --><p>Anderson, M. &amp; Jiang, J. (2018). <i>Teens, social media &amp; technology 2018</i>. Washington: Pew Research Center. Retirado de <a href="https://www.pewresearch.org/internet/2018/05/31/teens-social-media-technology-2018/" target="_blank">https://www.pewresearch.org/internet/2018/05/31/teens-social-media-technology-2018/</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2020463&pid=S2183-3575202000010000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Banet-Weiser, S. (2011). Branding the post-feminist self: girls&rsquo; video production and YouTube. In M. C. Kearney (Ed.), <i>Mediated girlhoods: new explorations of girls&rsquo; media culture</i> (pp. 277-294)<i>. </i>Nova Iorque: Peter Lang. </p>     <!-- ref --><p>Burgess, J. &amp; Green, J. (2009). <i>YouTube e a revolu&ccedil;&atilde;o digital: como o maior fen&ocirc;meno da cultura participativa transformou a m&iacute;dia e a sociedade.</i>S&atilde;o Paulo: Aleph.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2020465&pid=S2183-3575202000010000600003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Castells, M. (2007). <i>A gal&aacute;xia internet.</i> <i>Reflex&otilde;es sobre internet neg&oacute;cios e sociedade.</i> Lisboa: Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2020467&pid=S2183-3575202000010000600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Carvalho, B. J. (2019). Entre o afeto e o consumo: perce&ccedil;&otilde;es e intera&ccedil;&otilde;es de uma jovem youtuber e suas audi&ecirc;ncias. Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado, Universidade do Minho, Braga, Portugal. Retirado de <a href="http://repositorium.sdum.uminho.pt/handle/1822/61234" target="_blank">http://repositorium.sdum.uminho.pt/handle/1822/61234</a></p>     <!-- ref --><p>Chaves, S. (2017, 19 de novembro). 8 vloggers de beleza que deve seguir no Instagram. <i>Nit</i>. Retirado de <a href="https://nit.pt/vanity/beleza/vloggers-beleza-seguir-instagram" target="_blank">https://nit.pt/vanity/beleza/vloggers-beleza-seguir-instagram</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2020470&pid=S2183-3575202000010000600006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Crawford, M. (2015). Introduction: attention as a cultural problem. In C. Matthew (Ed.), <i>The world beyond your head: on becoming an individual in an age of distraction</i> (pp. 3-28). Nova Iorque: Farrar, Straus and Giroux.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2020471&pid=S2183-3575202000010000600007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Fragoso, S., Recuero, R. &amp; Amaral, A. (2011). <i>M&eacute;todos de pesquisa para internet.</i> Porto Alegre: Sulina.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2020473&pid=S2183-3575202000010000600008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p>Garc&iacute;a-Rapp, F. (2017). Popularity markers on YouTube&rsquo;s attention economy: the case of Bubzbeauty. <i>Celebrity Studies</i>, <i>8</i>(2), 228&ndash;245. <a href="https://doi.org/10.1080/19392397.2016.1242430" target="_blank">https://doi.org/10.1080/19392397.2016.1242430</a>.</p>     <!-- ref --><p>Igartua, J. &amp; Humanes, M. (2004). El m&eacute;todo cient&iacute;fico aplicado a la investigaci&oacute;n en comunicaci&oacute;n social. Aula abierta, Lecciones b&aacute;sicas. <i>Portal de la Comunicaci&oacute;n.</i> Retirado de <a href="https://www.researchgate.net/profile/Maria_Humanes/publication/237584442_El_metodo_cientifico_aplicado_a_la_investigacion_en_comunicacion_social/links/00b49526104d2d1485000000/El-metodo-cientifico-aplicado-a-la-investigacion-en-comunicacion-social.pdf" target="_blank">https://www.researchgate.net/profile/Maria_Humanes/publication/237584442_El_metodo_cientifico_aplicado_a_la_investigacion_en_comunicacion_social/links/00b49526104d2d1485000000/El-metodo-cientifico-aplicado-a-la-investigacion-en-comunicacion-social.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2020476&pid=S2183-3575202000010000600010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Jorge, A., Amaral, I. &amp; Mathieu, D. (2018). The co-option of audiences in the attention economy: introduction. <i>Observat&oacute;rio </i>[Vol. Especial], 1-4.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2020477&pid=S2183-3575202000010000600011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p>Jorge, A., Mar&ocirc;po, L. &amp; Nunes, T. (2018). &lsquo;I am not being sponsored to say this&rsquo;: a teen youtuber and her audience negotiate branded content. <i>Observat&oacute;rio </i>[Vol. Especial], 76-96. </p>     <p>Khamis, S., Ang, L. &amp; Welling, R. (2016). Self- branding, &lsquo;micro-celebrity&rsquo; and the rise of Social Media Influencers. <i>Celebrity Studies, 18</i>, 1-18. <a href="http://dx.doi.org/10.1080/19392397.2016.1218292" target="_blank">http://dx.doi.org/10.1080/19392397.2016.1218292</a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Lipovetsky, G. &amp; Serroy, J. (2010). <i>O ecr&atilde; global: cultura medi&aacute;tica e cinema na era hipermoderna.</i> Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es 70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2020481&pid=S2183-3575202000010000600014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Mar&ocirc;po, L., Sampaio, I. &amp; Pereira, N. (2018). Meninas no YouTube: participa&ccedil;&atilde;o, celebriza&ccedil;&atilde;o e cultura do consumo. <i>Estudos em Comunica&ccedil;&atilde;o</i>, <i>16</i>(1), 175-195.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2020483&pid=S2183-3575202000010000600015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Marwick, A. E. (2010). <i>Status update: celebrity, publicity and self-branding in web 2.0. </i>Tese de Doutoramento, New York University, Nova Iorque, EUA. Retirado de <a href="https://www.academia.edu/27795511/Status_Update_Celebrity_Publicity_and_Self_Branding_in_Web_2.0_PhD_Dissertation" target="_blank">https://www.academia.edu/27795511/Status_Update_Celebrity_Publicity_and_Self_Branding_in_Web_2.0_PhD_Dissertation</a></p>     <!-- ref --><p>NRF &amp; IBM. (2017). <i>Uniquely gen Z: executive report</i>. Retirado de <a href="https://nrf.com/research/uniquely-gen-z" target="_blank">https://nrf.com/research/uniquely-gen-z</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2020486&pid=S2183-3575202000010000600017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>O&rsquo;Neil-Hart, C. &amp; Blumenstein, H. (2016, junho). <i>Why YouTube stars are more influential than traditional celebrities</i> [Post em blogue]. Retirado de <a href="https://goo.gl/7YdeSD" target="_blank">https://goo.gl/7YdeSD</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2020487&pid=S2183-3575202000010000600018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Pereira, S., Moura, P. &amp; Fillol, J. (2018). The youtubers phenomenon: what makes YouTube stars so popular for young people? <i>Fonseca,</i> <i>Journal of Communication</i>, <i>17,</i> 107-123.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2020488&pid=S2183-3575202000010000600019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Pereira, S., Pinto, M. &amp; Moura, P. (2015). <i>N&iacute;veis de literacia medi&aacute;tica: estudo explorat&oacute;rio com jovens do 12&ordm; ano. </i>Braga: CECS.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2020490&pid=S2183-3575202000010000600020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Raun, T. (2018). Capitalizing intimacy: New subcultural forms of micro- celebrity strategies and affective labour on YouTube. <i>Convergence: The International Journal of Research into New Media Technologies,</i> <i>24</i>(1), 99&ndash;113. <a href="https://doi.org/10.1177/1354856517736983" target="_blank">https://doi.org/10.1177/1354856517736983</a>.</p>     <!-- ref --><p>Sampaio, I &amp; Cavalcante, A. (2016). <i>Publicidade infantil em tempos de converg&ecirc;ncia</i>. Relat&oacute;rio final, Universidade Federal do Cear&aacute;, Cear&aacute;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2020493&pid=S2183-3575202000010000600022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->, Brasil.</p>     <!-- ref --><p>Senft, T. (2008). <i>Camgirls: celebrity and community in the age of social networks.</i> Estados Unidos: Peterlang.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2020495&pid=S2183-3575202000010000600023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>TEDx Talks. (2018). <i>&ldquo;Nunca Digas Nunca&rdquo; | Sofia Barbosa | TEDxBraga. </i>Retirado de <a href="https://www.youtube.com/watch?v=gtxNZwcwD9s" target="_blank">https://www.youtube.com/watch?v=gtxNZwcwD9s</a></p>     <!-- ref --><p>Tomaz, R. (2017). <i>O que voc&ecirc; vai ser antes de crescer: youtubers, inf&acirc;ncia e celebridade. </i>Tese de Doutoramento, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro,    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2020498&pid=S2183-3575202000010000600025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> Brasil. </p>     <!-- ref --><p>Van Dijck, J. (2017). Confiamos nos dados? As implica&ccedil;&otilde;es da datifica&ccedil;&atilde;o para o monitoramento social. <i>Matrizes,</i> <i>11</i>(1), 39-59. <a href="https://doi.org/10.11606/issn.1982-8160.v11i1p39-59" target="_blank">https://doi.org/10.11606/issn.1982-8160.v11i1p39-59</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2020500&pid=S2183-3575202000010000600026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Williamson, D. (2016, 4 de mar&ccedil;o). Como as marcas podem usar influenciadores. <i>Meio e Mensagem.</i> Retirado de <a href="http://www.meioemensagem.com.br/home/marketing/2016/03/04/como-as-marcas-podem-usar-influenciadores.html" target="_blank">http://www.meioemensagem.com.br/home/marketing/2016/03/04/como-as-marcas-podem-usar-influenciadores.html</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2020501&pid=S2183-3575202000010000600027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Nota biogr&aacute;fica</b></p>     <p>B&aacute;rbara Janiques de Carvalho &eacute; doutoranda em Ci&ecirc;ncias da Comunica&ccedil;&atilde;o na Universidade de Coimbra (Portugal) e investigadora no Centro Interdisciplinar de Ci&ecirc;ncias Sociais da Universidade NOVA de Lisboa (Portugal). A sua investiga&ccedil;&atilde;o combina os <i>media </i>interativos, literacia medi&aacute;tica, cultura das microcelebridades e formas de socializa&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as e adolescentes em redes sociais digitais. Possui mais de 10 anos de experi&ecirc;ncia trabalhando no setor de comunica&ccedil;&atilde;o de organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais no Brasil, com assessoria de imprensa, produ&ccedil;&atilde;o de eventos,<i> social media</i>, marketing digital e <i>copywriting</i>.</p>     <p>ORCID: <a href="https://orcid.org/0000-0001-6203-7333" target="_blank">https://orcid.org/0000-0001-6203-7333</a></p>     <p>Email: <a href="mailto:bjaniques@gmail.com">bjaniques@gmail.com</a>.</p>     <p>Morada: Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra - Largo Porta F&eacute;rrea, 3000-370 Coimbra, Portugal</p>     <p>Lidia Mar&ocirc;po &eacute; Professora Assistente no Instituto Polit&eacute;cnico de Set&uacute;bal, Portugal, e investigadora integrada no Centro Interdisciplinar de Ci&ecirc;ncias Sociais da Universidade NOVA de Lisboa, Portugal. &Eacute; doutorada em Ci&ecirc;ncias da Comunica&ccedil;&atilde;o pela Universidade NOVA de Lisboa (2010), onde tamb&eacute;m realizou p&oacute;s-doutoramento (2011-2012). Sua investiga&ccedil;&atilde;o aborda principalmente a rela&ccedil;&atilde;o entre crian&ccedil;as, jovens e <i>media</i>, com foco especial, nos &uacute;ltimos anos, na cultura digital. Tem participado de projetos e redes internacionais, como as &ldquo;COST Actions Transforming Audiences&rdquo; e &ldquo;ySKILLS&rdquo;, e publicado em peri&oacute;dicos nacionais e internacionais como o <i>Journal of Children and Media </i>e <i>Communication &amp; Society</i> e editoras como Palgrave e Routledge.</p>     <p>ORCID: <a href="https://orcid.org/0000-0003-4687-7628" target="_blank">https://orcid.org/0000-0003-4687-7628</a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Email: <a href="mailto:lidiamaropo@gmail.com"> lidiamaropo@gmail.com</a></p>     <p>Morada: Campus do IPS, Estefanilha 2914 - 504 Set&uacute;bal | Portugal</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>* Submiss&atilde;o: 19/12/2019</b></p>     <p><b>* Aceita&ccedil;&atilde;o: 09/04/2020</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Notas</b></p>     <p><sup><a href="#top1" name="1">[1]</a></sup> Ver <a href="http://ytcomments.klostermann.ca" target="_blank">http://ytcomments.klostermann.ca</a></p>     <p><sup><a href="#top2" name="2">[2]</a></sup> Todas as falas de Sofia e coment&aacute;rios dos v&iacute;deos foram transcritos tal como apresentados, podendo conter erros de pontua&ccedil;&atilde;o ou reda&ccedil;&atilde;o incorreta de alguma palavra ou frase, al&eacute;m de s&iacute;mbolos gr&aacute;ficos. Os<i> emojis </i>foram retirados.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top3" name="3">[3]</a></sup> Muitos utilizadores do YouTube trocam os seus nomes reais por<i> nicknames</i>. Todos os coment&aacute;rios de utilizadores deixados nos v&iacute;deos usados neste trabalho s&atilde;o identificados pelas iniciais dos nomes ou <i>nicknames</i>, seguidas do t&iacute;tulo do v&iacute;deo no qual o coment&aacute;rio foi feito.</p>     <p><sup><a href="#top4" name="4">[4]</a></sup> V&iacute;deos que mostram as viv&ecirc;ncias pessoais da rotina de uma microcelebridade, como um di&aacute;rio pessoal compartilhado diante da c&acirc;mera (Mar&ocirc;po et al., 2018). Sofia costuma fazer com mais frequ&ecirc;ncia o que ela nomeia de <i>weekly vlogs</i>, em que mostra os acontecimentos de uma semana inteira.</p>      ]]></body><back>
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<publisher-name><![CDATA[Peter Lang]]></publisher-name>
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<surname><![CDATA[Burgess]]></surname>
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<surname><![CDATA[Green]]></surname>
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<source><![CDATA[A galáxia internet: Reflexões sobre internet negócios e sociedade]]></source>
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<source><![CDATA[Entre o afeto e o consumo: percec¸o~es e interac¸o~es de uma jovem youtuber e suas audie&#094;ncias]]></source>
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