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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Proteção dos menores no contexto digital europeu: um diálogo necessário entre pais, academia, reguladores e indústria]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper represents the initial phase of a larger project being developed by the “Media, communication policy and democracy in the European Union” research group, which is currently working on the study “Communication policies, SVOD platforms and values education for minors in the single digital market (2020-2022)”. We wish to pursue in this study that, beyond technological considerations, it is necessary to expand the scope of child protection by establishing mutual collaboration between regulators, distributors and video on demand services, as well as consumers and parents' organisations, in an effort to further enhance cooperation and mutual understanding (European Regulators Group for Audiovisual Media Services, 2017b, p. 75). It is for this reason that we believe that the academic sphere can also be invited into this wide-ranging discussion on child protection to contribute reflections on a key aspect: audiovisual and media education, an essential pillar of protection in addition to filters, external limits, and electronic labelling. We thus uphold a vision that not only considers the “digital stuff” but also highlights the need for “ethos stuff” (Goggin, 2008, p.89). In this respect, we have considered it essential a literature review on the concept of media literacy. Secondly, our qualitative methodology involves an analysis of the instructions issued by the European Union and their implementation in Spain. In this stage, we have conducted desk research based on a narrative analysis of the documents and programs of different institutions in order to chart the evolution of the question in recent years, at a time when the digital environment has changed more quickly than ever before. This same type of analysis is also conducted on the initiatives of European and Spanish companies to determine whether they are implementing child protection strategies.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS TEM&Aacute;TICOS</b></p>     <p><b>Prote&ccedil;&atilde;o dos menores no contexto digital europeu: um di&aacute;logo necess&aacute;rio entre pais, academia, reguladores e ind&uacute;stria</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Protection of minors in the European digital audiovisual context: a necessary dialogue between parents, academy, regulators and industry</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> //     <p><b>Aurora Labio-Bernal</b></p> <img src="/img/revistas/id_orcid.gif"> <a href="https://orcid.org/0000-0001-5195-0012" target="_blank">https://orcid.org/0000-0001-5195-0012</a>     
<p></p>     <p><b>Lorena R. Romero-Dom&iacute;nguez**</b></p> <img src="/img/revistas/id_orcid.gif"> <a href="https://orcid.org/0000-0001-6942-0183" target="_blank">https://orcid.org/0000-0001-6942-0183</a>     
<p></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Mar&iacute;a Jos&eacute; Garc&iacute;a-Orta***</b></p> <img src="/img/revistas/id_orcid.gif"> <a href="https://orcid.org/0000-0002-3284-2005" target="_blank">https://orcid.org/0000-0002-3284-2005</a>     
<p></p> //     <p> //*Faculdade de Comunica&ccedil;&atilde;o, Universidade de Sevilha, Espanha, <a href="mailto:auroalabio@us.es">auroalabio@us.es</a>. //    <br>   //**Faculdade de Comunica&ccedil;&atilde;o, Universidade de Sevilha, Espanha, <a href="mailto:lorenaromero@us.es">lorenaromero@us.es</a>. //    <br>   //***Faculdade de Comunica&ccedil;&atilde;o, Universidade de Sevilha, Espanha, <a href="mailto:mjorta@us.es">mjorta@us.es</a>. //</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Este artigo representa a fase inicial de um projeto mais vasto conduzido pelo grupo de investiga&ccedil;&atilde;o &ldquo;Media, pol&iacute;tica de comunica&ccedil;&atilde;o e democracia na Uni&atilde;o Europeia&rdquo; que est&aacute; atualmente a desenvolver o estudo &ldquo;Pol&iacute;ticas de comunica&ccedil;&atilde;o, plataformas SVOD e educa&ccedil;&atilde;o de valores para menores no mercado &uacute;nico digital (2020-2022)&rdquo;. Neste estudo, pretendemos explorar a ideia de que, al&eacute;m das considera&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas, &eacute; necess&aacute;rio alargar o &acirc;mbito da prote&ccedil;&atilde;o infantil, estabelecendo colabora&ccedil;&atilde;o m&uacute;tua entre entidades reguladoras, distribuidores e servi&ccedil;os de v&iacute;deo<i> on demand</i>, bem como organiza&ccedil;&otilde;es de consumidores e de pais, num esfor&ccedil;o para melhorar ainda mais a coopera&ccedil;&atilde;o e o entendimento m&uacute;tuo (Grupo Europeu de Reguladores dos Servi&ccedil;os de Comunica&ccedil;&atilde;o Audiovisuais, 2017b, p. 75). Tendo por base este objetivo, consideramos que a esfera acad&eacute;mica tamb&eacute;m pode ser convidada para este abrangente debate sobre prote&ccedil;&atilde;o infantil, a fim de contribuir para um aspeto fundamental: a educa&ccedil;&atilde;o audiovisual e medi&aacute;tica como um pilar essencial de prote&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m de filtros, limites externos e rotulagem eletr&oacute;nica. Assim, defendemos uma vis&atilde;o que considera n&atilde;o apenas os aspetos digitais (<i>digital stuff</i>), mas tamb&eacute;m destaca a necessidade de aspetos &eacute;ticos (<i>ethos stuff</i>) (Goggin, 2008, p.89). A esse respeito, &eacute; essencial uma revis&atilde;o da literatura sobre o conceito de literacia medi&aacute;tica. A metodologia qualitativa envolve uma an&aacute;lise das indica&ccedil;&otilde;es da Uni&atilde;o Europeia e a sua implementa&ccedil;&atilde;o em Espanha. Nesta fase, realiz&aacute;mos pesquisas de dados secund&aacute;rios com base numa an&aacute;lise narrativa dos documentos e programas de diferentes institui&ccedil;&otilde;es, a fim de mapear a evolu&ccedil;&atilde;o da quest&atilde;o nos &uacute;ltimos anos, num momento em que o ambiente digital mudou muito rapidamente. Este tipo de an&aacute;lise tamb&eacute;m &eacute; conduzido nas iniciativas de empresas europeias e espanholas, no sentido de determinar se est&atilde;o a implementar estrat&eacute;gias de prote&ccedil;&atilde;o &agrave; crian&ccedil;a.</p>     <p><b>Palavras-chave</b>: literacia digital; menores; prote&ccedil;&atilde;o; Europa; reguladores.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This paper represents the initial phase of a larger project being developed by the &ldquo;Media, communication policy and democracy in the European Union&rdquo; research group, which is currently working on the study &ldquo;Communication policies, SVOD platforms and values education for minors in the single digital market (2020-2022)&rdquo;. We wish to pursue in this study that, beyond technological considerations, it is necessary to expand the scope of child protection by establishing mutual collaboration between regulators, distributors and video on demand services, as well as consumers and parents&rsquo; organisations, in an effort to further enhance cooperation and mutual understanding (European Regulators Group for Audiovisual Media Services, 2017b, p. 75). It is for this reason that we believe that the academic sphere can also be invited into this wide-ranging discussion on child protection to contribute reflections on a key aspect: audiovisual and media education, an essential pillar of protection in addition to filters, external limits, and electronic labelling. We thus uphold a vision that not only considers the &ldquo;digital stuff&rdquo; but also highlights the need for &ldquo;ethos stuff&rdquo; (Goggin, 2008, p.89). In this respect, we have considered it essential a literature review on the concept of media literacy. Secondly, our qualitative methodology involves an analysis of the instructions issued by the European Union and their implementation in Spain. In this stage, we have conducted desk research based on a narrative analysis of the documents and programs of different institutions in order to chart the evolution of the question in recent years, at a time when the digital environment has changed more quickly than ever before. This same type of analysis is also conducted on the initiatives of European and Spanish companies to determine whether they are implementing child protection strategies. </p>     <p><b>Keywords</b>: digital literacy; minors; protection; Europe; regulators.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Na introdu&ccedil;&atilde;o ao seu relat&oacute;rio <i>Protection of minors in the audiovisual media services: trends &amp; practices</i>, o Grupo Europeu de Reguladores dos Servi&ccedil;os de Comunica&ccedil;&atilde;o Audiovisuais (ERGA, 2017b) faz especial refer&ecirc;ncia &agrave; necessidade da colabora&ccedil;&atilde;o entre empresas de comunica&ccedil;&atilde;o e entidades reguladoras, no sentido de fornecer ferramentas e mecanismos que permitam aos pais proteger os seus filhos na era digital, de acordo com as respetivas prefer&ecirc;ncias (p. 4). </p>     <p>Al&eacute;m disso, h&aacute; alguns meses, na &ldquo;Provuldig Conference&rdquo;, apresent&aacute;mos refer&ecirc;ncias sobre como, na esfera acad&eacute;mica, a investiga&ccedil;&atilde;o de Lievens, Livingstone, McLaughlin, O&rsquo;Neill e Verdoodt (2018), Potter e Steemers (2017), entre outros, evidenciou a necessidade de regular o atual ambiente audiovisual para proteger as crian&ccedil;as. Embora estes estudos tenham mais uma vez demonstrado a complexidade da quest&atilde;o num mundo globalizado, parece existir um consenso entre os acad&eacute;micos sobre quest&otilde;es b&aacute;sicas comuns para garantir a prote&ccedil;&atilde;o de menores. Tir&aacute;mos mesmo algumas conclus&otilde;es interessantes no nosso estudo sobre a proposta apresentada por Livingstone e Third (2017) em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o do debate tecnol&oacute;gico para exigir dignidade e prote&ccedil;&atilde;o para as crian&ccedil;as em contextos de desvantagem. Desta forma, tamb&eacute;m integr&aacute;mos o debate entre a compet&ecirc;ncia digital e a compet&ecirc;ncia digital informacional, um debate que inevitavelmente nos leva &agrave; literacia medi&aacute;tica (Area &amp; Guarro, 2012; Valverde, de Pro-Bueno &amp; Gonz&aacute;lez, 2018).</p>     <p>Uma caracter&iacute;stica not&aacute;vel do relat&oacute;rio produzido pelo ERGA (2017a, p. 68) &eacute; a proposta de uma experi&ecirc;ncia t&eacute;cnica e de um projeto piloto denominado &ldquo;Miracle&rdquo;, destinado a desenvolver um modelo eletr&oacute;nico estandardizado para classifica&ccedil;&atilde;o et&aacute;ria no contexto audiovisual, que seria aplic&aacute;vel al&eacute;m fronteiras e em diferentes dispositivos digitais. &Eacute; importante ter em conta que h&aacute; alguns anos atr&aacute;s o consumo de conte&uacute;dos audiovisuais por menores de idade podia ser controlado atrav&eacute;s da classifica&ccedil;&atilde;o e rotulagem com base na idade dos diferentes produtos consumidos fora do contexto eletr&oacute;nico. No entanto, os novos caminhos de acesso online ao conte&uacute;do audiovisual exigem uma nova forma de pensar sobre as informa&ccedil;&otilde;es que estas classifica&ccedil;&otilde;es fornecem. Foi com isto em mente que o projeto &ldquo;Miracle&rdquo; foi lan&ccedil;ado, para fornecer um sistema &uacute;nico de classifica&ccedil;&atilde;o e rotulagem com base na idade e nos modelos existentes. Desta forma, a experi&ecirc;ncia serviu para real&ccedil;ar como o cruzamento de dados sobre estas classifica&ccedil;&otilde;es poderia ser &uacute;til para a ind&uacute;stria, as institui&ccedil;&otilde;es educacionais e os utilizadores. Os cons&oacute;rcios participantes foram o British Board of Film Classification (BBFC), o Netherlands Institute for Classification of Audiovisual Media (NICAM), a autoridade que gere o sistema pan-europeu de autorregula&ccedil;&atilde;o de jogos de v&iacute;deo (PEGI), a Associa&ccedil;&atilde;o Alem&atilde; de Autorregula&ccedil;&atilde;o Volunt&aacute;ria de Prestadores de Servi&ccedil;os de Comunica&ccedil;&atilde;o Digital (FSM) e o National Safer Internet Centre, na Rep&uacute;blica Checa. Todas estas organiza&ccedil;&otilde;es participaram no &ldquo;Miracle&rdquo; num esfor&ccedil;o para desenvolver um ecossistema de rotulagem eletr&oacute;nica e online baseada na idade (infraestruturas, servi&ccedil;os e aplica&ccedil;&otilde;es) que pudesse ser aplicado ao mesmo conte&uacute;do, independentemente da jurisdi&ccedil;&atilde;o, e aos diferentes membros da UE, mesmo aqueles que t&ecirc;m legisla&ccedil;&atilde;o diferente relacionada com a prote&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Outro aspeto que consideramos ser muito relevante para o nosso estudo &eacute; o reconhecimento do uso indiscriminado de diferentes dispositivos pelas crian&ccedil;as para consumir conte&uacute;do, como mostra a figura seguinte. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f2"></a> <img src="/img/revistas/csoc/v37/v37a08f1.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Em Espanha, por exemplo, os dispositivos mais utilizados por menores para aceder &agrave; internet s&atilde;o os telem&oacute;veis (76%), seguidos das televis&otilde;es inteligentes (72%), consolas de videojogos (29%), computadores (28%) e tablets (26%), de acordo com o relat&oacute;rio <i>Actividades, mediaci&oacute;n, oportunidades y riesgos online de los menores en la era de la convergencia medi&aacute;tica</i> (Garmendia et al., 2019, p. 17). De acordo com a figura acima, o sistema de classifica&ccedil;&atilde;o &uacute;nico proposto pelo projeto &ldquo;Miracle&rdquo; tamb&eacute;m se destina a ser aplic&aacute;vel a todos os dispositivos e a coexistir com outros filtros, como o controlo parental, ao mesmo tempo que pode ter utilidade para os fornecedores de conte&uacute;do e ser aplicado a novos servi&ccedil;os de dados.</p>     <p>No entanto, apesar das interessantes contribui&ccedil;&otilde;es oferecidas pelo projeto &ldquo;Miracle&rdquo;, temos de salientar que, &agrave; semelhan&ccedil;a de outras iniciativas da UE, n&atilde;o &eacute; um projeto obrigat&oacute;rio e, por isso, cabe aos estados-membros optarem voluntariamente pela sua ado&ccedil;&atilde;o.</p>     <blockquote>       <p>Mas al&eacute;m desta considera&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica, o relat&oacute;rio do ERGA (2017b, p. 75) conclui que &eacute; necess&aacute;rio alargar o &acirc;mbito da prote&ccedil;&atilde;o infantil, estabelecendo uma colabora&ccedil;&atilde;o m&uacute;tua entre entidades reguladoras, distribuidores e servi&ccedil;os de v&iacute;deo<i> on demand</i> (VOD), bem como organiza&ccedil;&otilde;es de consumidores e de pais, num esfor&ccedil;o para melhorar ainda mais a coopera&ccedil;&atilde;o e o entendimento m&uacute;tuo. O relat&oacute;rio aponta inclusive para a possibilidade de estabelecer um documento para um p&uacute;blico mais vasto, sob a forma de um guia de boas pr&aacute;ticas.</p> </blockquote>     <p><b>Hip&oacute;teses e objetivos</b></p>     <p>Esta &eacute; precisamente a linha de investiga&ccedil;&atilde;o que pretendemos seguir neste estudo, indo al&eacute;m de um modelo meramente tecnol&oacute;gico. &Eacute; por este motivo que acreditamos que a esfera acad&eacute;mica tamb&eacute;m pode ser convidada para este amplo debate sobre a prote&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a, a fim de contribuir para um aspeto-chave: a educa&ccedil;&atilde;o audiovisual e medi&aacute;tica, um pilar essencial de prote&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m de filtros, limites externos e rotulagem eletr&oacute;nica. Assim, defendemos uma vis&atilde;o que tem em considera&ccedil;&atilde;o n&atilde;o apenas os aspetos digitais, <i>digital stuff</i>, mas tamb&eacute;m destaca a necessidade de aspetos &eacute;ticos, <i>ethos stuff</i> (Goggin, 2008, p. 89). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Com base nestas considera&ccedil;&otilde;es, para esta investiga&ccedil;&atilde;o coloc&aacute;mos as seguintes hip&oacute;teses:</p>     <blockquote>       <p>1. as ferramentas tecnol&oacute;gicas (controlo parental, rotulagem baseada na idade e sistemas de filtragem) n&atilde;o s&atilde;o suficientes para proteger os menores no ambiente digital;</p>       <p>2. os mecanismos para prevenir danos e riscos para os menores t&ecirc;m de basear-se numa nova forma de olhar para a literacia medi&aacute;tica como uma tarefa partilhada entre reguladores, pais, educadores e produtores de conte&uacute;dos.</p> </blockquote>     <p>Para testar estas hip&oacute;teses, propusemos uma s&eacute;rie de objetivos. O primeiro envolve uma revis&atilde;o da defini&ccedil;&atilde;o do conceito &ldquo;literacia medi&aacute;tica&rdquo;, num esfor&ccedil;o para compreender como as novas formas de consumo exigem que reavaliemos o que &eacute; a literacia medi&aacute;tica e quem &eacute; respons&aacute;vel pelo seu ensino. &Eacute; tamb&eacute;m essencial examinar as ordens e indica&ccedil;&otilde;es difundidas pela Uni&atilde;o Europeia ao longo dos anos para analisar a evolu&ccedil;&atilde;o do discurso, desde as primeiras abordagens baseadas no uso de ferramentas tecnol&oacute;gicas, de qualidade, ao papel dos menores no desenvolvimento da consci&ecirc;ncia cr&iacute;tica para fazer uma utiliza&ccedil;&atilde;o segura dos espacos online enquanto criadores e consumidores. Finalmente, estamos interessados em determinar como estes programas foram implementados em Espanha e tamb&eacute;m em estudar o papel da ind&uacute;stria neste pa&iacute;s na promo&ccedil;&atilde;o de iniciativas que reconhe&ccedil;am a responsabilidade do setor na prote&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as e jovens. </p>     <p><b>Metodologia</b></p>     <p>Para este estudo, adot&aacute;mos uma metodologia qualitativa com uma dimens&atilde;o cr&iacute;tica. Neste sentido, consideramos essencial na investiga&ccedil;&atilde;o a ado&ccedil;&atilde;o de uma metodologia que inclua, antes de mais, uma revis&atilde;o da literatura em torno do conceito de literacia medi&aacute;tica. Acreditamos que qualquer an&aacute;lise da prote&ccedil;&atilde;o dos menores no ambiente digital deve come&ccedil;ar com um enquadramento te&oacute;rico que possa ajudar a identificar as diferentes abordagens e perspetivas sobre a educa&ccedil;&atilde;o relativamente aos meios de comunica&ccedil;&atilde;o. Isto permitir&aacute; ent&atilde;o determinar as quest&otilde;es colocadas pelas diferentes abordagens e tamb&eacute;m confirmar a postura intelectual sobre a qual devemos basear o estudo. A justifica&ccedil;&atilde;o para esta fase heur&iacute;stica da metodologia reside no facto de envolver a caracteriza&ccedil;&atilde;o do problema como um debate acad&eacute;mico e a identifica&ccedil;&atilde;o de teorias que possam servir para o descrever e contribuir para uma redefini&ccedil;&atilde;o da literacia medi&aacute;tica.</p>     <p>A metodologia qualitativa envolve uma an&aacute;lise das indica&ccedil;&otilde;es estabelecidas e difundidas pela Uni&atilde;o Europeia e a sua implementa&ccedil;&atilde;o em Espanha. Nesta fase, realiz&aacute;mos uma pesquisa de dados baseada na an&aacute;lise de diferentes tipos de documentos (relat&oacute;rios, diretivas, documentos estrat&eacute;gicos, resumos, acordos comerciais entre operadores m&oacute;veis, c&oacute;digo de conduta e &eacute;tica das empresas de telecomunica&ccedil;&otilde;es, documentos de trabalho, etc.) das institui&ccedil;&otilde;es europeias e organiza&ccedil;&otilde;es da ind&uacute;stria (Conselho da Europa, Parlamento Europeu, Comiss&atilde;o Europeia, Observat&oacute;rio Europeu do Audiovisual, Grupo Europeu de Reguladores dos Servi&ccedil;os de Comunica&ccedil;&atilde;o Audiovisuais, GSMA, ICT Coalition), a fim de mapear a evolu&ccedil;&atilde;o da quest&atilde;o desde 1996 at&eacute; ao presente, um per&iacute;odo em que o ambiente digital mudou mais rapidamente do que nunca. Este mesmo tipo de an&aacute;lise tamb&eacute;m &eacute; realizado sobre as iniciativas das empresas espanholas (Comiss&atilde;o Nacional de Mercados e Concorr&ecirc;ncia[CNMC], Mediaset, Telef&oacute;nica, Vodafone, Filmin), para determinar se est&atilde;o a implementar estrat&eacute;gias de prote&ccedil;&atilde;o a menores. Esta revis&atilde;o, em ambos os n&iacute;veis, envolveu os seguintes passos: identifica&ccedil;&atilde;o do tema de investiga&ccedil;&atilde;o (menores, online, prote&ccedil;&atilde;o) e identifica&ccedil;&atilde;o de fontes documentais (oficiais/n&atilde;o oficiais; governativas/n&atilde;o governativas; p&uacute;blicas/privadas ou comerciais); compara&ccedil;&atilde;o entre as recomenda&ccedil;&otilde;es institucionais e as aplica&ccedil;&otilde;es pr&aacute;ticas das organiza&ccedil;&otilde;es industriais e conclus&otilde;es finais. </p>     <p><b>Rumo a um novo tipo de literacia medi&aacute;tica </b></p>     <p>&Eacute; claramente um facto demonstr&aacute;vel que as novas tecnologias, a utiliza&ccedil;&atilde;o de dispositivos m&oacute;veis e as possibilidades da internet mudaram n&atilde;o s&oacute; a forma como produzimos e consumimos conte&uacute;dos, mas at&eacute; a forma como participamos em atividades culturais e nos relacionamos uns com os outros. Foi apenas h&aacute; alguns anos que a Uni&atilde;o Europeia come&ccedil;ou a dar aten&ccedil;&atilde;o especial aos riscos, mas tamb&eacute;m &agrave;s oportunidades, que a internet oferece aos menores. Um ponto fundamental consiste em saber quais as ferramentas que podem ser usadas para oferecer educa&ccedil;&atilde;o medi&aacute;tica &agrave;s crian&ccedil;as, para que possam sentir-se protegidas no ambiente digital. Uma quest&atilde;o importante que pode surgir est&aacute; relacionada com o desenvolvimento de compet&ecirc;ncias, pois parece existir um pressuposto de que quanto mais as crian&ccedil;as conhecerem as compet&ecirc;ncias digitais, estruturais (de utiliza&ccedil;&atilde;o) e estrat&eacute;gicas (aplic&aacute;veis), menos vulner&aacute;veis ser&atilde;o aos riscos de intera&ccedil;&atilde;o online, como o <i>cyberbullying</i>, o aliciamento (ass&eacute;dio sexual) ou a invas&atilde;o de privacidade. No entanto, autores como Sonck e de Haan (2014) descobriram que a aquisi&ccedil;&atilde;o de tais compet&ecirc;ncias nem sempre garante a prote&ccedil;&atilde;o contra os riscos. Na verdade, os estudos realizados sobre esta quest&atilde;o (Livingstone &amp; Helsper, 2010; Sonck, Kuiper &amp; de Haan, 2012) produziram &ldquo;resultados inconclusivos no que diz respeito &agrave; efic&aacute;cia das compet&ecirc;ncias digitais em manter os jovens seguros na internet. Concluiu-se que a exist&ecirc;ncia de mais compet&ecirc;ncias coincide com um aumento dos riscos e n&atilde;o tem efeito significativo na preven&ccedil;&atilde;o de experi&ecirc;ncias indesejadas&rdquo; (Sonck &amp; de Haan, 2014, p. 97). Estes investigadores tamb&eacute;m apontam para uma considera&ccedil;&atilde;o interessante para o nosso trabalho, ao proporem uma explora&ccedil;&atilde;o mais aprofundada destas compet&ecirc;ncias digitais, associando-as &agrave; literacia medi&aacute;tica (Sonck &amp; de Haan, 2014, p. 90). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p>Ao longo dos anos, a perspetiva da literacia medi&aacute;tica adotou uma posi&ccedil;&atilde;o &eacute;tica individualizada em rela&ccedil;&atilde;o ao consumo e sele&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos audiovisuais (O&rsquo;Neill, 2010, p. 323). No entanto, num contexto de possibilidades crescentes na escolha de conte&uacute;dos em m&uacute;ltiplos dispositivos em tempo real e <i>on demand</i>, a quest&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o medi&aacute;tica torna-se um assunto complexo por v&aacute;rias raz&otilde;es.</p> </blockquote>     <p>A primeira delas &eacute; a necessidade de esclarecer o que entendemos por literacia medi&aacute;tica, uma vez que se enquadram neste termo outros conceitos como literacia informativa, audiovisual e digital. &Eacute; por isso que Koltay (2011, p. 212) define a educa&ccedil;&atilde;o medi&aacute;tica como &ldquo;um conceito guarda-chuva&rdquo; que pode ser abordado a partir de diferentes perspetivas. Simultaneamente, Cordes (2009, p. 3) apresenta a vis&atilde;o de uma forma multimodal de literacia como &ldquo;a s&iacute;ntese de m&uacute;ltiplos modos de comunica&ccedil;&atilde;o (&hellip;) O objeto multimodal pode exigir uma s&eacute;rie de ferramentas, compet&ecirc;ncias e sensibilidades e muitas vezes reflete tanto o esfor&ccedil;o cooperativo quanto o individual&rdquo;. Na mesma linha, Tyner (2003, p. 373) fala de diferentes formas de multiliteracia como uma forma de abordar as necessidades dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o, digitais, visuais ou da literacia inform&aacute;tica. No nosso estudo, importa sublinhar que utilizaremos o termo &ldquo;literacia medi&aacute;tica&rdquo; com uma defini&ccedil;&atilde;o que se estende aos contextos audiovisual e digital. De acordo com os investigadores Thoman e Jolls (2004, pp. 23-24), as caracter&iacute;sticas deste tipo de educa&ccedil;&atilde;o medi&aacute;tica s&atilde;o as seguintes:</p>     <blockquote>       <p>1. a literacia medi&aacute;tica est&aacute; mais focada no processo do que no conte&uacute;do. Neste sentido, o que importa n&atilde;o &eacute; tanto o aspeto tecnol&oacute;gico, mas a capacidade de identificar problemas, aprender conceitos e gerar liga&ccedil;&otilde;es e ideias baseadas numa mensagem medi&aacute;tica (em papel ou eletr&oacute;nica);</p>       <p>2. a literacia medi&aacute;tica amplia o conceito de texto, pois os textos n&atilde;o s&atilde;o apenas escritos, mas tamb&eacute;m verbais ou audiovisuais, multim&eacute;dia e digitais;</p>       <p>3. a literacia medi&aacute;tica caracteriza-se pelo princ&iacute;pio do questionamento e da cr&iacute;tica dos aspetos importantes que emergem do ecossistema medi&aacute;tico. </p> </blockquote>     <p>A literacia medi&aacute;tica tem, portanto, o objetivo de promover uma perspetiva cr&iacute;tica e de expandir as capacidades intelectuais para criar cidad&atilde;os e n&atilde;o meros consumidores, capazes de exercer a sua responsabilidade c&iacute;vica nas sociedades democr&aacute;ticas.</p>     <p>A segunda raz&atilde;o para a complexidade da literacia medi&aacute;tica reside na quest&atilde;o de quem deve ser respons&aacute;vel pelo seu ensino. A este respeito, concordamos novamente com Sonck e de Haan (2014) quando referem um processo educacional partilhado pela fam&iacute;lia, pela escola, pelo governo e pela ind&uacute;stria. Tamb&eacute;m referem a coopera&ccedil;&atilde;o m&uacute;tua entre os pr&oacute;prios menores no desenvolvimento do seu uso respons&aacute;vel da internet. Assim, argumentar&iacute;amos que a literacia medi&aacute;tica tem de ser assumida como uma tarefa partilhada pelos pais, pelas institui&ccedil;&otilde;es educacionais, pelos &oacute;rg&atilde;os reguladores e pelos fornecedores de conte&uacute;do. &Eacute; uma tarefa que visa desenvolver uma atitude cr&iacute;tica nas crian&ccedil;as para que sejam capazes de discernir quais os conte&uacute;dos que podem ser prejudiciais.</p>     <p>Esta vis&atilde;o integrativa da literacia medi&aacute;tica tamb&eacute;m foi apresentada recentemente no relat&oacute;rio intitulado <i>Looking forward: technological and social change in the lives of European children and young people</i> (Blum-Ross et al., 2018). Este relat&oacute;rio teve a abordagem inovadora de recolher opini&otilde;es atrav&eacute;s de entrevistas realizadas com a ind&uacute;stria e atrav&eacute;s de grupos de an&aacute;lise que inclu&iacute;am pais, jovens e educadores de cinco estados-membros da UE: B&eacute;lgica, Bulg&aacute;ria, Alemanha, Irlanda e It&aacute;lia. Os representantes da ind&uacute;stria inclu&iacute;am a Altice Portugal, o Facebook, a Google, a Telia, a Vodafone e a Orange. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Uma das considera&ccedil;&otilde;es mais interessantes deste relat&oacute;rio, por exemplo, &eacute; a ideia de que os pais podem agir como &ldquo;mentores dos <i>media</i>&rdquo;, &ldquo;n&atilde;o s&oacute; ajudando as crian&ccedil;as a encontrar recursos, mas tamb&eacute;m agindo eles pr&oacute;prios como modelos de bons comportamentos&rdquo; (Blum-Ross et al., 2018, p. 19). Concordamos que a tarefa dos pais deve ser n&atilde;o s&oacute; a de estabelecer orienta&ccedil;&otilde;es, mas tamb&eacute;m a de encorajar a capacita&ccedil;&atilde;o dos seus filhos atrav&eacute;s de uma educa&ccedil;&atilde;o rica em valores, que deve ser entendida como outro aspeto dos cuidados parentais. Sonck e de Haan (2014, p. 98), por exemplo, descrevem diferentes estrat&eacute;gias como a media&ccedil;&atilde;o ativa, a aplica&ccedil;&atilde;o de restri&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas, o estabelecimento de normas para as restri&ccedil;&otilde;es e a monitoriza&ccedil;&atilde;o do uso da internet. Um ponto que consideramos importante a este respeito est&aacute; relacionado com a necessidade de sensibilizar os pais para a introdu&ccedil;&atilde;o do consumo online como uma realidade na educa&ccedil;&atilde;o dos seus filhos. </p>     <p>Obviamente, este trabalho parental estende-se at&eacute; &agrave; escola. No relat&oacute;rio supra mencionado, por exemplo, os investigadores argumentam que todos os intervenientes na educa&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m de trabalhar em conjunto, desde os pais aos professores e &agrave;s autoridades escolares. Os investigadores est&atilde;o, assim, claramente conscientes de que a &ldquo;prote&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a&rdquo; &eacute; uma &ldquo;quest&atilde;o muito vasta que s&oacute; pode ser abordada quando a responsabilidade &eacute; partilhada e quando toda a comunidade escolar est&aacute; ativamente envolvida&rdquo; (Blum-Ross et al., 2018, p. 25). </p>     <p><b>O papel da Europa</b></p>     <p>A Uni&atilde;o Europeia tamb&eacute;m respondeu ativamente &agrave; necessidade de proteger os menores, especialmente no novo ambiente digital. J&aacute; em 1996, a Comiss&atilde;o Europeia tinha publicado o <i>Green Paper: protection of minors and human dignity in audiovisual and information services</i> (Comiss&atilde;o Europeia, 1996a), que reconheceu a import&acirc;ncia desta quest&atilde;o, sobretudo porque as novas plataformas de comunica&ccedil;&atilde;o social poderiam contribuir de forma mais vis&iacute;vel e relativamente r&aacute;pida do que os meios tradicionais para tornar este tipo de conte&uacute;dos mais acess&iacute;veis aos menores. Embora o <i>Livro Verde</i> fosse um ponto de partida, seria a <i>Communication on illegal and harmful content on the internet</i> (Comiss&atilde;o Europeia, 1996b) a propor as primeiras medidas de controlo espec&iacute;ficas para a prote&ccedil;&atilde;o de menores, n&atilde;o atrav&eacute;s da sensibiliza&ccedil;&atilde;o para a censura, mas atrav&eacute;s da cria&ccedil;&atilde;o de uma abordagem cr&iacute;tica &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos online. Para tal, a Comiss&atilde;o adotou um ponto de partida bastante ing&eacute;nuo, centrado apenas nos padr&otilde;es tecnol&oacute;gicos, abrangendo software de controlo parental, sistemas de filtragem de conte&uacute;dos e um sistema de rotulagem baseado na idade. </p>     <p>Embora n&atilde;o se tratasse de uma proposta monol&iacute;tica, e tenha diferido em todos os casos para o princ&iacute;pio de subsidiariedade, a Comiss&atilde;o lan&ccedil;ou as bases de uma s&eacute;rie de programas para a prote&ccedil;&atilde;o de menores no ambiente digital, com uma consciencializa&ccedil;&atilde;o, como afirma o Observat&oacute;rio Europeu do Audiovisual (EAO, 2012) nos seus relat&oacute;rios <i>Protection of minors and audiovisual content on-demand (2012-6)</i>, da necessidade de avaliar e repensar o enquadramento regulat&oacute;rio e jur&iacute;dico que protege os menores no ambiente audiovisual, de acordo com o dinamismo e a natureza mut&aacute;vel do panorama dos media: um panorama para o qual o modelo definido na Diretiva Audiovisual da UE (Diretiva [UE] 2018/1808) j&aacute; n&atilde;o era relevante. Reconhecendo que o modelo de prote&ccedil;&atilde;o de menores no ambiente audiovisual estava em transi&ccedil;&atilde;o para o mundo online, as novas circunst&acirc;ncias precipitadas pela internet tornaram imposs&iacute;vel a aplica&ccedil;&atilde;o das normas tradicionais de prote&ccedil;&atilde;o. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f2"></a> <img src="/img/revistas/csoc/v37/v37a08f2.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Estes par&acirc;metros foram aplicados ao desenvolvimento das diferentes etapas do &ldquo;Plano de a&ccedil;&atilde;o para uma internet mais segura&rdquo;, criado em 1999 para promover um ambiente favor&aacute;vel ao desenvolvimento da ind&uacute;stria relacionada com a internet, encorajando a utiliza&ccedil;&atilde;o segura da web e combatendo os conte&uacute;dos ilegais e nocivos. Os pilares b&aacute;sicos de a&ccedil;&atilde;o (seguran&ccedil;a atrav&eacute;s de uma rede europeia de linhas telef&oacute;nicas para a den&uacute;ncia de conte&uacute;dos ilegais, desenvolvimento de sistemas de classifica&ccedil;&atilde;o e filtragem de conte&uacute;dos, iniciativas de sensibiliza&ccedil;&atilde;o e educa&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s de programas de literacia medi&aacute;tica e desenvolvimento de iniciativas de autorregula&ccedil;&atilde;o) foram mantidos nas sucessivas fases de implementa&ccedil;&atilde;o do plano, embora em todas estas &aacute;reas tenha havido uma maior consciencializa&ccedil;&atilde;o da import&acirc;ncia das quest&otilde;es relacionadas com a prote&ccedil;&atilde;o dos menores, da sua dignidade e privacidade, com o papel cada vez maior desempenhado pela tecnologia na sua vida quotidiana (segundo dados da Comiss&atilde;o, um em cada tr&ecirc;s utilizadores da internet na UE &eacute; uma crian&ccedil;a<sup><a href="#1" name="top1">[1]</a></sup>). </p>     <p>Assim, a segunda etapa do programa (&ldquo;Para uma internet mais segura plus&rdquo;, 2005-2008) destacou a necessidade de ampliar as estrat&eacute;gias de a&ccedil;&atilde;o face &agrave;s mudan&ccedil;as que est&atilde;o a ocorrer no mundo das comunica&ccedil;&otilde;es.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em 2009, foi lan&ccedil;ada a terceira etapa, no contexto de um ambiente online consolidado e utilizado cada vez mais ativamente pelas crian&ccedil;as, embora elas tamb&eacute;m sejam especialmente vulner&aacute;veis.</p>     <p>A intensa atividade das institui&ccedil;&otilde;es europeias nesta &aacute;rea, desde a implementa&ccedil;&atilde;o do primeiro projeto (EAO, 2015), resultou numa s&eacute;rie de iniciativas: o programa &ldquo;dotSAFE&rdquo;; o f&oacute;rum &ldquo;Para uma internet mais segura&rdquo; (desde 2004) com representantes da ind&uacute;stria, autoridades legais, institui&ccedil;&otilde;es legislativas e organiza&ccedil;&otilde;es civis (associa&ccedil;&otilde;es de pais e professores, grupos de consumidores, grupos de prote&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a, etc.); Insafe e INHOPE (rede global de linhas de apoio para a den&uacute;ncia de conte&uacute;dos ilegais online e com o compromisso de eliminar o abuso sexual de crian&ccedil;as online); &ldquo;EU kids online&rdquo; (mapeamento de experi&ecirc;ncias de crian&ccedil;as online, para avaliar riscos e seguran&ccedil;a em sites); &ldquo;Mediappro&rdquo; (projeto de literacia medi&aacute;tica); a cria&ccedil;&atilde;o do programa &ldquo;SIP-Bench&rdquo; (estrat&eacute;gias de controlo parental); a celebra&ccedil;&atilde;o do Dia da Internet Mais Segura; a cria&ccedil;&atilde;o do &ldquo;F&oacute;rum sobre a governa&ccedil;&atilde;o da internet&rdquo;; o estabelecimento de pontos de contacto em que as crian&ccedil;as possam obter respostas &agrave;s suas perguntas sobre como navegar na internet em seguran&ccedil;a e combater o <i>cyberbullying</i> e o abuso sexual online, gra&ccedil;as ao trabalho dos Centros de Internet Mais Segura (SICs); a Rede Poscon (Positive Online Content and Services for Children in Europe); a Alian&ccedil;a Europeia de ONG para a Seguran&ccedil;a Infantil Online; Net Children Go Mobile; SPIRTO (Self-Produced Images Risk Taking Online), etc.</p>     <p>A etapa final come&ccedil;ou em 2014 e ainda hoje est&aacute; em curso, focada em quatro &aacute;reas principais de a&ccedil;&atilde;o: </p> <ul>       <li>encorajar a produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos online criativos e educativos para crian&ccedil;as e promover experi&ecirc;ncias online positivas para crian&ccedil;as pequenas;</li>       <li>aumentar a sensibiliza&ccedil;&atilde;o e a capacita&ccedil;&atilde;o, incluindo o ensino da literacia digital e da seguran&ccedil;a online em todas as escolas da UE;</li>       <li>criar um ambiente seguro para as crian&ccedil;as atrav&eacute;s de configura&ccedil;&otilde;es de privacidade adequadas &agrave; idade, de uma utiliza&ccedil;&atilde;o mais alargada do controlo parental e da classifica&ccedil;&atilde;o baseada na idade e no conte&uacute;do;</li>       <li>combater o material de abuso sexual infantil online e a explora&ccedil;&atilde;o sexual de crian&ccedil;as.</li>     </ul>     <p>O ponto de partida para esta etapa foi a <i>Estrat&eacute;gia Europeia para uma Internet Melhor para as Crian&ccedil;as</i>da Comiss&atilde;o para o Parlamento Europeu, o Conselho, o Comit&eacute; Econ&oacute;mico e Social Europeu e o Comit&eacute; das Regi&otilde;es. Esta estrat&eacute;gia, publicada pela Comiss&atilde;o Europeia (2012), analisa os maiores desafios para o setor online em mat&eacute;ria de prote&ccedil;&atilde;o infantil. Foi conclu&iacute;da com o lan&ccedil;amento das conclus&otilde;es do Conselho sobre a estrat&eacute;gia europeia para uma internet melhor para as crian&ccedil;as(Conselho da Uni&atilde;o Europeia, 2012), que introduziu uma nova linha de a&ccedil;&atilde;o dedicada &agrave; promo&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos de qualidade para menores, concebida para completar as linhas de a&ccedil;&atilde;o das tr&ecirc;s primeiras etapas. </p>     <p>Este trabalho reflete um reconhecimento do importante papel que o conte&uacute;do de qualidade para crian&ccedil;as no ambiente online desempenha no combate ao conte&uacute;do ilegal e nocivo: o termo &ldquo;conte&uacute;do online de qualidade para crian&ccedil;as&rdquo; deve ser entendido como o conte&uacute;do que de alguma forma beneficia as crian&ccedil;as &ndash; por exemplo, aumentando os seus conhecimentos, as suas aptid&otilde;es e compet&ecirc;ncias, com especial &ecirc;nfase na criatividade &ndash; al&eacute;m de ser atraente e utiliz&aacute;vel por elas, fi&aacute;vel e seguro e, se relevante, um conte&uacute;do que torne a publicidade ou a comunica&ccedil;&atilde;o comercial claramente reconhec&iacute;vel como tal (Conselho da Uni&atilde;o Europeia, 2012, p. 4).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O Conselho tamb&eacute;m reconheceu que a disponibilidade deste tipo de conte&uacute;do poderia incentivar uma melhor utiliza&ccedil;&atilde;o da web, especialmente se as crian&ccedil;as tamb&eacute;m estivessem envolvidas na cria&ccedil;&atilde;o do mesmo. O reconhecimento desta atitude ativa dos menores representa uma diferen&ccedil;a not&aacute;vel em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s fases anteriores, uma vez que a UE sempre salientou o importante papel que os pais, os educadores e a sociedade civil devem desempenhar para tornar o ambiente online seguro, deixando a cria&ccedil;&atilde;o, a produ&ccedil;&atilde;o e a distribui&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos online nas m&atilde;os da ind&uacute;stria. Com a nova campanha (POCC: &ldquo;Positive Online Content Campaign&rdquo;), o objetivo &eacute; alertar consci&ecirc;ncias para a import&acirc;ncia deste tipo de material, incentivando o envolvimento de crian&ccedil;as e jovens, que t&ecirc;m de desenvolver uma consciencializa&ccedil;&atilde;o de que &eacute; poss&iacute;vel participar num ambiente online seguro sem o risco de danos. </p>     <p>A campanha &eacute; refor&ccedil;ada pelo apoio decisivo &agrave;s compet&ecirc;ncias de literacia digital que as crian&ccedil;as t&ecirc;m de desenvolver desde cedo para que possam avaliar criticamente o conte&uacute;do que encontram online, ao mesmo tempo que as protege contra futuros riscos online, como o aliciamento, o <i>cyberbullying</i>, a chantagem sexual ou a pornografia de vingan&ccedil;a, ou simplesmente caso encontrem conte&uacute;do inadequado enquanto navegam na web. A l&oacute;gica do programa &eacute; a de que, expondo as crian&ccedil;as pequenas a conte&uacute;dos online de elevada qualidade nas suas primeiras experi&ecirc;ncias online, elas ser&atilde;o capazes de aprender a reconhecer os componentes b&aacute;sicos de conte&uacute;dos e servi&ccedil;os apropriados e positivos. </p>     <p>Estes novos desafios est&atilde;o hoje encapsulados no programa &ldquo;Internet melhor para as crian&ccedil;as&rdquo; (BIK), que foi estabelecido como um centro de pr&aacute;ticas, investiga&ccedil;&atilde;o, redes de coopera&ccedil;&atilde;o e uma ampla gama de iniciativas de literacia medi&aacute;tica, como a &ldquo;Semana global de literacia medi&aacute;tica e de informa&ccedil;&atilde;o&rdquo;, a rede universit&aacute;ria de Literacia Medi&aacute;tica e Informa&ccedil;&atilde;o e Di&aacute;logo Intercultural (MILID), o Centro Internacional de Interc&acirc;mbio de Informa&ccedil;&otilde;es sobre a LMI, a Alian&ccedil;a Global para Parcerias em Literacia Medi&aacute;tica e Informa&ccedil;&atilde;o (GAPMIL) e o movimento &ldquo;MIL CLICKS&rdquo;. </p>     <p>A Espanha tem abordado o BIK no contexto de iniciativas pol&iacute;ticas mais alargadas. O enquadramento pol&iacute;tico geral mais relevante &eacute; a <i>Agenda digital para Espanha</i>, publicada em 2013, que serve como um programa global para a&ccedil;&otilde;es governamentais relacionadas com a sociedade da informa&ccedil;&atilde;o e a agenda digital<sup><a href="#2" name="top2">[2]</a></sup>. A <i>Estrat&eacute;gia nacional de seguran&ccedil;a cibern&eacute;tica espanhola</i>, lan&ccedil;ada em 2014, tamb&eacute;m &eacute; importante, pois abrange &aacute;reas como a promo&ccedil;&atilde;o de uma cultura de seguran&ccedil;a cibern&eacute;tica para todos os cidad&atilde;os e o aumento dos n&iacute;veis de prote&ccedil;&atilde;o online (EAO, 2016). </p>     <p>O projeto &ldquo;Internet segura para as crian&ccedil;as&rdquo; foi lan&ccedil;ado em fevereiro de 2017 com o apoio do Centro de Internet mais segura &ndash; Espanha e a colabora&ccedil;&atilde;o da rede europeia Insafe para jovens, e tem o objetivo de reduzir a quantidade de conte&uacute;dos ilegais que circulam na web e os comportamentos online nocivos. Um dos seus pilares consiste em incentivar a utiliza&ccedil;&atilde;o positiva da internet por crian&ccedil;as e adolescentes e inclui recursos para pais e consumidores, a fim de promover o consumo de conte&uacute;do positivo. Embora n&atilde;o existam acordos espec&iacute;ficos para a participa&ccedil;&atilde;o de menores e jovens no desenvolvimento de pol&iacute;ticas do programa BIK, em Espanha temos a plataforma <i>La Infancia Opina</i>, um f&oacute;rum para todas as organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais e outros intervenientes envolvidos na promo&ccedil;&atilde;o do bem-estar infantil, onde s&atilde;o recolhidas e classificadas as preocupa&ccedil;&otilde;es dos menores relacionadas com diferentes temas. </p>     <p><b>Iniciativas de autorregula&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Embora tenhamos identificado uma mudan&ccedil;a de pol&iacute;tica com a inclus&atilde;o da cria&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos criativos e de qualidade pelas pr&oacute;prias crian&ccedil;as, a UE tem tradicionalmente mostrado uma prefer&ecirc;ncia pela autorregula&ccedil;&atilde;o que tem sido expressa em v&aacute;rias iniciativas desde 2007. </p>     <p>O <i>Quadro europeu para uma utiliza&ccedil;&atilde;o m&oacute;vel mais segura pelos jovens adolescentes e crian&ccedil;as</i>(Comiss&atilde;o Europeia, 2007) foi o resultado do trabalho do Grupo de Alto N&iacute;vel sobre Prote&ccedil;&atilde;o da Crian&ccedil;a criado pela Comiss&aacute;ria Viviane Reding em Novembro de 2006. Os membros do grupo eram a GSMA Europa, operadores m&oacute;veis, fornecedores de conte&uacute;dos, organiza&ccedil;&otilde;es de prote&ccedil;&atilde;o infantil e a Comiss&atilde;o Europeia. Os operadores m&oacute;veis e fornecedores de conte&uacute;dos assinaram o Acordo sobre o Dia da Internet Mais Segura, 6 de Fevereiro de 2007, em Bruxelas (Comiss&atilde;o Europeia, 2007). Desde ent&atilde;o, a GSMA Europa e os operadores m&oacute;veis que assinaram o acordo-quadro t&ecirc;m trabalhado para a sua implementa&ccedil;&atilde;o, especialmente incentivando a participa&ccedil;&atilde;o de mais operadores m&oacute;veis e assegurando o desenvolvimento de c&oacute;digos de conduta nacionais de autorregula&ccedil;&atilde;o que facilitar&atilde;o a sua implementa&ccedil;&atilde;o. </p>     <p>Em janeiro de 2012, v&aacute;rios membros da GSMA Europa aderiram &agrave; Coliga&ccedil;&atilde;o das TIC para a utiliza&ccedil;&atilde;o mais segura de dispositivos conectados e servi&ccedil;os online por crian&ccedil;as e jovens (Coliga&ccedil;&atilde;o CEO para tornar a internet um lugar melhor para as crian&ccedil;as). O objetivo desta coliga&ccedil;&atilde;o industrial era o de ajudar os utilizadores mais jovens da internet em toda a Europa a tirar o m&aacute;ximo partido do mundo online e a lidar com os potenciais desafios e riscos. As empresas que aderiram &agrave; Coliga&ccedil;&atilde;o foram: Apple, BSkyB, BT, Dailymotion, Deutsche Telekom, Facebook, France Telecom&ndash;Orange, Google, Hyves, KPN, Liberty Global, LG Electronics, Mediaset, Microsoft, Netlog, Nintendo, Nokia, Opera Software, Research in Motion, RTL Group, Samsung, Skyrock, Stardoll, Sulake, Telefonica, TeliaSonera, Telecom Italia, Telenor Group, Tuenti, Vivendi e Vodafone.</p>     <p>A iniciativa mudou o nome em 2016 para &ldquo;Alian&ccedil;a para melhor proteger os menores online&rdquo;. As empresas associadas foram ASKfm, BT Group, Deutsche Telekom, Disney, Facebook, Google, KPN, the Lego Group, Liberty Global, Microsoft, Orange, Rovio, Samsung Electronics, Sky, Spotify, Sulake, Super RTL, TIM (Telecom Italia), Telef&oacute;nica, Telenor, Telia Company, Twitter, Vivendi e Vodafone. Tamb&eacute;m participaram as associa&ccedil;&otilde;es: BBFC, Child Helpline International, Coface, Enacso, EUN Partnership, FFTelecoms, FOSI, FSM, GSMA, ICT Coalition, NICAM, Toy Industries of Europe e Unicef.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A Alian&ccedil;a emergiu do reconhecimento dos riscos em constante mudan&ccedil;a associados aos servi&ccedil;os online. Tendo em conta estes riscos, prop&otilde;e identificar potenciais &aacute;reas onde a seguran&ccedil;a e os direitos dos menores possam ser comprometidos. Ao mesmo tempo, a Alian&ccedil;a reconhece a necessidade de uma abordagem global que combine os esfor&ccedil;os de pais e fam&iacute;lias, educadores, sociedade civil, organiza&ccedil;&otilde;es nacionais e internacionais, e autoridades p&uacute;blicas, bem como a necessidade de aumentar a consciencializa&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s de iniciativas de literacia medi&aacute;tica. </p>     <p><b>Estrat&eacute;gia dos fornecedores de servi&ccedil;os de multim&eacute;dia digital em Espanha</b></p>     <p>As principais empresas espanholas de telecomunica&ccedil;&otilde;es, em conjunto com fornecedores internacionais de conte&uacute;dos online com presen&ccedil;a no pa&iacute;s, definiram uma estrat&eacute;gia clara para proteger as crian&ccedil;as e/ou contribuir para uma internet melhor. Esta estrat&eacute;gia &eacute; baseada nos seguintes pilares: autorregula&ccedil;&atilde;o e bloqueio de conte&uacute;dos nocivos; parcerias com intervenientes chave; produtos multim&eacute;dia e campanhas de sensibiliza&ccedil;&atilde;o espec&iacute;ficas; e promo&ccedil;&atilde;o e apoio das iniciativas educacionais.</p>     <p>No que diz respeito &agrave; autorregula&ccedil;&atilde;o e ao bloqueio de conte&uacute;dos nocivos, estas empresas concentraram-se principalmente na aplica&ccedil;&atilde;o do sistema de classifica&ccedil;&atilde;o com base na idade dos produtos audiovisuais, assinado pelos operadores em 2015 sob os ausp&iacute;cios da Comiss&atilde;o Nacional de Mercados e Concorr&ecirc;ncia (CNMC, 2015), que estabelece os crit&eacute;rios aplic&aacute;veis a todos os fornecedores de servi&ccedil;os de comunica&ccedil;&atilde;o, lineares e n&atilde;o lineares, afetando assim as plataformas VOD. Com efeito, at&eacute; ao momento o sistema foi implementado por plataformas como Wuaki.TV, Vodafone One TV, MiteleKids (Mediaset), LOVEStv (uma plataforma operada pela Atresmedia, Mediaset e RTVE sob o padr&atilde;o HbbTV), Movistar Plus e Netflix.</p>     <p>O novo sistema de classifica&ccedil;&atilde;o estabelece sete categorias de conte&uacute;dos potencialmente nocivos para as crian&ccedil;as: viol&ecirc;ncia, medo ou ansiedade, sexo, drogas e subst&acirc;ncias t&oacute;xicas, discrimina&ccedil;&atilde;o, comportamento imit&aacute;vel e linguagem. Fatores como a intensidade e frequ&ecirc;ncia de tal conte&uacute;do, o qu&atilde;o realista &eacute; ou a sua presen&ccedil;a verbal ou visual, determinar&atilde;o a idade m&iacute;nima recomendada para visualiza&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Al&eacute;m disso, a <i>Resoluci&oacute;n por la que aprueban los criterios orientadores para la calificaci&oacute;n de contenidos audiovisuals</i> (CNMC, 2015), estabeleceu as seguintes categorias et&aacute;rias para proporcionar ao p&uacute;blico informa&ccedil;&atilde;o adequada sobre conte&uacute;dos potencialmente nocivos: especialmente recomendado para crian&ccedil;as; adequado para todas as idades; n&atilde;o recomendado para crian&ccedil;as com menos de sete anos; n&atilde;o recomendado para crian&ccedil;as com menos de 12 anos; n&atilde;o recomendado para crian&ccedil;as e jovens com menos de 16 anos; n&atilde;o recomendado para crian&ccedil;as e jovens com menos de 18 anos; e conte&uacute;do X. &Eacute; um modelo muito semelhante aos &ldquo;Amazon maturity ratings&rdquo;, utilizado por muitos pa&iacute;ses europeus. </p>     <p>Entretanto, outras plataformas online como a Netflix e o Google Play aplicam a classifica&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do para fic&ccedil;&atilde;o do Instituto de Cinematografia e Artes Audiovisuais (ICAA). </p>     <p>Um caso especial notado no relat&oacute;rio do ERGA (2017b) &eacute; o da plataforma Filmin, que, com a ajuda do &ldquo;Yeeep! Kid&rsquo;s media&rdquo;, desenvolveu um sistema de categorias especiais (Natal, amigos, espa&ccedil;o, hist&oacute;rias, etc.) para classificar conte&uacute;dos dirigidos &agrave;s crian&ccedil;as no seu ambiente FilminKIDS. O Yeeep! oferece aos canais de televis&atilde;o e plataformas multim&eacute;dia um servi&ccedil;o de classifica&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do audiovisual (guia de conte&uacute;do audiovisual para crian&ccedil;as dos dois aos 13 anos) desenvolvido por especialistas internacionais em educa&ccedil;&atilde;o, assim como a produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do audiovisual para crian&ccedil;as e comunica&ccedil;&atilde;o. O conte&uacute;do &eacute; classificado com base no seu contributo para o bem-estar e desenvolvimento das crian&ccedil;as. </p>     <p>No interesse de garantir um ambiente de navega&ccedil;&atilde;o seguro para as crian&ccedil;as, as empresas com um c&oacute;digo de &eacute;tica avaliam se o conte&uacute;do cumpre as suas diretrizes antes de ser transmitido. Em muitos casos, as refer&ecirc;ncias a crian&ccedil;as nestes c&oacute;digos s&atilde;o m&iacute;nimas. Por exemplo, o <i>C&oacute;digo &eacute;tico Mediaset Espa&ntilde;a</i> (Mediaset, 2016) inclui apenas duas medidas relacionadas com as crian&ccedil;as, ambas aparentemente destinadas a programas de televis&atilde;o linear. Estas medidas s&atilde;o: &ldquo;ningu&eacute;m deve comportar-se de forma a induzir, promover, favorecer, permitir ou tolerar atos ou atitudes que possam ser classificados como prostitui&ccedil;&atilde;o ou aliciamento de menores&rdquo; (Mediaset, 2016, p. 10); e &ldquo;a difus&atilde;o de express&otilde;es ou imagens que possam ser prejudiciais &agrave; sensibilidade do espetador deve ser evitada sempre que poss&iacute;vel, especialmente em momentos do dia em que as crian&ccedil;as possam estar a ver televis&atilde;o&rdquo; (Mediaset, 2016, p. 14).</p>     <p>No caso da Telef&oacute;nica, com a sua marca Movistar Plus, o seu c&oacute;digo de &eacute;tica n&atilde;o faz qualquer refer&ecirc;ncia espec&iacute;fica &agrave; prote&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as, embora tal prote&ccedil;&atilde;o esteja presente nos seus padr&otilde;es de comunica&ccedil;&atilde;o respons&aacute;vel e nos seus princ&iacute;pios de neg&oacute;cios respons&aacute;veis. Nestes princ&iacute;pios, a empresa afirma que &ldquo;dedicamos um esfor&ccedil;o especial &agrave; promo&ccedil;&atilde;o do uso respons&aacute;vel da tecnologia, (&hellip;). Estamos especialmente comprometidos com a prote&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as e jovens online&rdquo; (Telef&oacute;nica, n.d., p. 16). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este &eacute; um compromisso que mant&ecirc;m h&aacute; mais de dez anos. J&aacute; em 2007, a Telef&oacute;nica, juntamente com a Orange, a Vodafone e a Yoigo, assinou um c&oacute;digo de conduta para as operadoras m&oacute;veis, destinado a incentivar o uso respons&aacute;vel por menores de idade dos servi&ccedil;os de conte&uacute;do eletr&oacute;nico fornecidos nas redes de telefonia m&oacute;vel. Os compromissos assumidos e ainda em vigor incluem:</p>     <blockquote>       <p>1. colabora&ccedil;&atilde;o proativa com institui&ccedil;&otilde;es educativas, associa&ccedil;&otilde;es ou ag&ecirc;ncias de prote&ccedil;&atilde;o infantil e autoridades oficiais na distribui&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o e na organiza&ccedil;&atilde;o de campanhas destinadas a incentivar o uso respons&aacute;vel dos telem&oacute;veis nas escolas;</p>       <p>2. colabora&ccedil;&atilde;o com as autoridades policiais em rela&ccedil;&atilde;o a conte&uacute;dos proibidos pelo direito penal, bem como assist&ecirc;ncia &agrave;s autoridades e entidades dedicadas ao combate a tais conte&uacute;dos ilegais; </p>       <p>3. disponibiliza&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es sobre como utilizar os servi&ccedil;os m&oacute;veis de forma respons&aacute;vel, detalhando as medidas que podem ser adotadas pelos pais e educadores para garantir tal uso respons&aacute;vel. (GSMA, 2007, pp. 3-4)</p> </blockquote>     <p>Para garantir este tipo de ambiente de navega&ccedil;&atilde;o seguro, as empresas de telecomunica&ccedil;&otilde;es disponibilizam controlo parental aos pais e tutores legais, com fun&ccedil;&otilde;es de bloqueio de canais e PIN de compra. Algumas empresas fornecem recursos informativos sobre o que fazer para evitar conte&uacute;dos ilegais, enfatizando a supervis&atilde;o parental, uma vez que o controlo parental por si s&oacute; n&atilde;o &eacute; totalmente eficaz. Em qualquer dos casos, as empresas reconhecem que seguem os padr&otilde;es de bloqueio de tais conte&uacute;dos estabelecidos pela Internet Watch Foundation, uma organiza&ccedil;&atilde;o sem fins lucrativos que pesquisa conte&uacute;dos de pedofilia na Web para os denunciar &agrave;s autoridades.</p>     <p>Apesar das preocupa&ccedil;&otilde;es com este tipo de conte&uacute;do, os pais n&atilde;o est&atilde;o a tomar as medidas adequadas. De acordo com dados do inqu&eacute;rito &agrave;s fam&iacute;lias do CNMC em novembro de 2018, embora 68% das fam&iacute;lias espanholas afirmem ter conhecimento do software que lhes permite bloquear conte&uacute;dos impr&oacute;prios, apenas 11,4% dos pais ativaram a fun&ccedil;&atilde;o de controlo parental (Mediaset, 2018).</p>     <p>Outra das medidas adotadas pelos fornecedores ou plataformas de conte&uacute;dos e servi&ccedil;os audiovisuais online que t&ecirc;m publicidade &eacute; a segmenta&ccedil;&atilde;o da sua publicidade para evitar a promo&ccedil;&atilde;o de produtos ou servi&ccedil;os impr&oacute;prios para crian&ccedil;as.</p>     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o ao segundo pilar que identific&aacute;mos acima nas estrat&eacute;gias das grandes empresas, as parcerias com os principais intervenientes, muitos destes acordos t&ecirc;m-se focado sobretudo na produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos espec&iacute;ficos para crian&ccedil;as e jovens, bem como na participa&ccedil;&atilde;o em atividades educativas e campanhas de sensibiliza&ccedil;&atilde;o. Isto significa que o nosso debate sobre estas parcerias fornecer&aacute; tamb&eacute;m exemplos dos outros pilares mencionados no in&iacute;cio desta sec&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>As principais empresas de telecomunica&ccedil;&otilde;es pertencem &agrave; &ldquo;Alian&ccedil;a para melhor proteger os menores online&rdquo;, &agrave; Coliga&ccedil;&atilde;o TIC, &agrave; Coliga&ccedil;&atilde;o CEO para uma internet melhor para crian&ccedil;as, ou ao programa europeu ENABLE, cujo objetivo &eacute; combater o <i>bullying</i> nas escolas (a Vodafone &eacute; um dos seus parceiros fundadores). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No entanto, os operadores telef&oacute;nicos espanh&oacute;is e internacionais tamb&eacute;m t&ecirc;m parcerias estrat&eacute;gicas com organiza&ccedil;&otilde;es sociais, como a rede Insafe/INHOPE, Safernet, Unicef, Fundaci&oacute;n Ideas para la Infancia ou Pantallas Amigas. A organiza&ccedil;&atilde;o Pantallas Amigas colaborou com a Movistar (com quem lan&ccedil;ou o jogo SmartPRIVIAL), a Vodafone e a Orange, assim como com empresas globais da internet, como o Facebook e a Google. </p>     <p>A operadora mais ativa &eacute; a Telef&oacute;nica, que realiza a&ccedil;&otilde;es conjuntas com grupos de interesse envolvidos na prote&ccedil;&atilde;o de menores, como a Rcpi (Rede Peruana contra a Pornografia Infantil), Conna (Conselho Nacional da Crian&ccedil;a e do Adolescente de El Salvador), Red de Aliados por la Ni&ntilde;ez, Zentrum f&uuml;r Kimderschutz im Internet e Capital Humano Social.</p>     <p>Para oferecer um ambiente que estimule o uso seguro e respons&aacute;vel dos servi&ccedil;os digitais por parte dos jovens, foram lan&ccedil;adas iniciativas como o &ldquo;Dialogando&rdquo; (um projeto online para promover a educa&ccedil;&atilde;o digital patrocinado pela Telef&oacute;nica com servi&ccedil;os dispon&iacute;veis em 15 pa&iacute;ses, concebido como uma evolu&ccedil;&atilde;o do site da Fam&iacute;lia Digital); &ldquo;Movistar junior&rdquo; (uma aplica&ccedil;&atilde;o para crian&ccedil;as at&eacute; 12 anos, com n&iacute;vel pr&eacute;-escolar, infantil e juvenil), e &ldquo;Digital parenting&rdquo;, da Funda&ccedil;&atilde;o Vodafone (Vodafone, 2018).</p>     <p>O mais impactante e abrangente projeto de literacia medi&aacute;tica online em Espanha atualmente &eacute; o &ldquo;(In)f&oacute;rmate&rdquo;, anunciado em abril de 2019, que visa &ldquo;fomentar a capacidade e o desejo dos adolescentes de aceder a informa&ccedil;&atilde;o oferecida pelos meios tradicionais e conte&uacute;dos online, analis&aacute;-la, contextualiz&aacute;-la e avali&aacute;-la, desenvolvendo assim as suas compet&ecirc;ncias de pensamento cr&iacute;tico&rdquo;<sup><a href="#3" name="top3">[3]</a></sup>. Segundo o seu site, o projeto ser&aacute; lan&ccedil;ado em setembro e tem como objetivo garantir que os jovens &ldquo;sejam capazes de distinguir informa&ccedil;&otilde;es &uacute;teis e precisas de informa&ccedil;&otilde;es falsas, n&atilde;o verificadas ou irrelevantes (&hellip;), e que tenham interesse em produzir conte&uacute;dos precisos e &uacute;teis de forma diligente para que se possam tornar utilizadores ativos&rdquo;<sup><a href="#4" name="top4">[4]</a></sup>.</p>     <p>Esta &eacute; uma iniciativa da Google e da organiza&ccedil;&atilde;o Fundaci&oacute;n de Ayuda contra la Drogadicci&oacute;n (FAD), com o apoio do governo espanhol e de um grande n&uacute;mero de organiza&ccedil;&otilde;es multim&eacute;dia: Atresmedia, Mediaset, Movistar, Prisa, Unidad Editorial, Grupo Vocento, Efe, Europa Press, Forta, Grupo God&oacute;, Grupo Joly, Grupo Zeta, Henneo, Ilunion, La Raz&oacute;n, Onda Cero, Prensa Ib&eacute;rica, Promecal e RTVE. Tem tamb&eacute;m o apoio do Twitter e dos projetos de verifica&ccedil;&atilde;o de factos Maldita.es e Newtral (que tamb&eacute;m lan&ccedil;ou um projeto pr&oacute;prio de literacia medi&aacute;tica).</p>     <p>O p&uacute;blico-alvo do &ldquo;(In)f&oacute;rmate&rdquo; s&atilde;o os jovens entre os 14 e os 16 anos que est&atilde;o no terceiro ou quarto ano do ensino secund&aacute;rio. De acordo com o site do projeto, os professores podem associar conte&uacute;dos &ldquo;(In)f&oacute;rmate&rdquo; a compet&ecirc;ncias chave no curr&iacute;culo educacional espanhol: comunica&ccedil;&atilde;o lingu&iacute;stica, compet&ecirc;ncias digitais, aprender a aprender, compet&ecirc;ncias sociais e c&iacute;vicas e consci&ecirc;ncia e express&atilde;o cultural.</p>     <p>O projeto tamb&eacute;m proporciona contacto direto com os <i>media</i> e com os profissionais da informa&ccedil;&atilde;o. Para isso, oferece v&iacute;deos experimentais que apresentam uma vis&atilde;o interna de como funciona uma organiza&ccedil;&atilde;o multim&eacute;dia e de como a informa&ccedil;&atilde;o &eacute; selecionada, analisada, verificada, preparada e publicada.</p>     <p>Al&eacute;m disso, para avaliar a aquisi&ccedil;&atilde;o de compet&ecirc;ncias e o uso do pensamento cr&iacute;tico, prop&otilde;e um concurso de cria&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos informativos, seja em forma escrita ou audiovisual, com o apoio de profissionais da comunica&ccedil;&atilde;o social como mentores.</p>     <p>Para facilitar o processo de ensino-aprendizagem, o &ldquo;(In)f&oacute;rmate&rdquo; fornece aos professores um guia com recursos audiovisuais e atividades para realizar na sala de aula.</p>     <p>Em suma, a grande maioria dos fornecedores de servi&ccedil;os audiovisuais e/ou conte&uacute;dos online tomou medidas destinadas a proteger as crian&ccedil;as. Com base nas diretrizes da Unicef para a ind&uacute;stria sobre prote&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as online (Unicef, 2015), as medidas adotadas pela ind&uacute;stria envolvem principalmente a integra&ccedil;&atilde;o de considera&ccedil;&otilde;es relacionadas com os direitos da crian&ccedil;a na pol&iacute;tica da empresa, a promo&ccedil;&atilde;o e/ou colabora&ccedil;&atilde;o com outras organiza&ccedil;&otilde;es para criar um ambiente online mais seguro para as crian&ccedil;as e a implementa&ccedil;&atilde;o de atividades ou projetos digitais para educar crian&ccedil;as e jovens, bem como os seus pais e professores, na utiliza&ccedil;&atilde;o respons&aacute;vel da internet e das TIC.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Conclus&otilde;es</b></p>     <p>H&aacute; alguns meses atr&aacute;s, atrav&eacute;s de um grupo de f&oacute;rum organizado com representantes da ind&uacute;stria dos <i>media</i> (Movistar, RTVE, A3Media), o nosso grupo de investiga&ccedil;&atilde;o da Universidade de Sevilha p&ocirc;de confirmar que o <i>feedback</i> entre os sectores empresarial e acad&eacute;mico serviu para articular oportunidades de colabora&ccedil;&atilde;o, ao mesmo tempo que chamou a aten&ccedil;&atilde;o de entidades reguladoras, como o Observat&oacute;rio Europeu do Audiovisual. </p>     <p>Assim, acreditamos ser essencial explorar o desafio que os novos h&aacute;bitos audiovisuais das crian&ccedil;as no contexto online representam para os diferentes agentes envolvidos. Neste sentido, os fornecedores de conte&uacute;dos n&atilde;o podem fugir &agrave; sua responsabilidade de garantir a prote&ccedil;&atilde;o de grupos vulner&aacute;veis, incluindo crian&ccedil;as, que s&atilde;o nativos digitais nesta realidade. Por outro lado, as entidades reguladoras t&ecirc;m de estabelecer limites que n&atilde;o constituam um substituto para o controlo parental ou uma sobrecarga excessiva para os fornecedores de conte&uacute;dos. Al&eacute;m disso, os pais tamb&eacute;m t&ecirc;m de assumir a responsabilidade pelo tipo de conte&uacute;do que os seus filhos consomem, tendo em conta as capacidades discriminat&oacute;rias dos menores. E sobre esta quest&atilde;o, as pesquisas acad&eacute;micas realizadas devem incluir estudos de literacia medi&aacute;tica, j&aacute; que a prote&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as envolve tamb&eacute;m a educa&ccedil;&atilde;o para o consumo dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Como acab&aacute;mos de sugerir, esta n&atilde;o &eacute; uma tarefa f&aacute;cil, pois estamos a lidar com uma quest&atilde;o que requer di&aacute;logo entre educadores, &oacute;rg&atilde;os reguladores, fornecedores de conte&uacute;dos e pais. Neste sentido, acreditamos que tanto a regula&ccedil;&atilde;o do setor como a literacia medi&aacute;tica s&atilde;o importantes, uma vez que ambas s&atilde;o identificadas como necess&aacute;rias para a prote&ccedil;&atilde;o de menores no contexto digital. Al&eacute;m disso, embora esteja fora do &acirc;mbito deste estudo, gostar&iacute;amos ainda de destacar o papel das pr&oacute;prias crian&ccedil;as na aquisi&ccedil;&atilde;o de compet&ecirc;ncias que lhes permitam criar conte&uacute;dos como parte da sua educa&ccedil;&atilde;o audiovisual no ambiente digital, um tema importante para investiga&ccedil;&atilde;o futura.</p>     <p>Finalmente, oferecemos uma s&eacute;rie de conclus&otilde;es que confirmam as hip&oacute;teses iniciais e apontam para possibilidades de investiga&ccedil;&atilde;o futuras:</p>     <blockquote>       <p>1. os pais desempenham um papel essencial na prote&ccedil;&atilde;o dos menores no ambiente digital, mas este papel n&atilde;o se pode limitar aos controlos tecnol&oacute;gicos. A fam&iacute;lia tem de compreender que a educa&ccedil;&atilde;o de valores &eacute; uma parte necess&aacute;ria dos cuidados parentais e da literacia medi&aacute;tica;</p>       <p>2. a tarefa da educa&ccedil;&atilde;o para a literacia medi&aacute;tica tem de ser partilhada pelos pais e pelas institui&ccedil;&otilde;es educativas, mas tamb&eacute;m pelos organismos reguladores europeus e pelos fornecedores de conte&uacute;dos. N&atilde;o &eacute; uma responsabilidade exclusiva das escolas, mas uma obriga&ccedil;&atilde;o que deve ser assumida pela sociedade como um todo;</p>       <p>3. o objetivo final desta colabora&ccedil;&atilde;o m&uacute;tua entre a ind&uacute;stria, reguladores, pais e educadores &eacute; ajudar as crian&ccedil;as a desenvolver capacidades e compet&ecirc;ncias que lhes permitam pensar criticamente e criar conte&uacute;dos de qualidade como parte da sua educa&ccedil;&atilde;o digital.</p> </blockquote>     <p>Neste estudo, tivemos interesse em realizar um debate te&oacute;rico e uma an&aacute;lise da investiga&ccedil;&atilde;o e das experi&ecirc;ncias realizadas por acad&eacute;micos, entidades reguladoras e empresas, como parte das atuais circunst&acirc;ncias europeias. Por conseguinte, n&atilde;o consideramos necess&aacute;rio mencionar as conclus&otilde;es a que chegou o F&oacute;rum, uma vez que a sua investiga&ccedil;&atilde;o se baseou num caso local. Por este motivo, na pr&oacute;xima fase da investiga&ccedil;&atilde;o propomos incluir estas conclus&otilde;es como parte de uma an&aacute;lise mais regional que estenda o estudo ao papel ativo dos pr&oacute;prios menores no ambiente digital. Desta forma, e seguindo estudos como <i>The class: living and learning in the digital age</i> (Livingstone &amp; Sefton-Green, 2016), a nossa inten&ccedil;&atilde;o &eacute; a de realizar uma an&aacute;lise no terreno que inclua as crian&ccedil;as espanholas. Com base nas ideias do F&oacute;rum, planeamos realizar uma experi&ecirc;ncia semelhante em institutos da Andaluzia, com o objetivo de promover as melhores capacidades e o pensamento cr&iacute;tico entre os menores, os quais lhes permitam criar conte&uacute;dos como parte da sua pr&oacute;pria educa&ccedil;&atilde;o digital.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <!-- ref --><p>Area, M. &amp; Guarro, A. (2012). La alfabetizaci&oacute;n informacional y digital: fundamentos pedag&oacute;gicos para la ense&ntilde;anza y el aprendizaje competente. <i>Revista Espa&ntilde;ola de Documentaci&oacute;n Cient&iacute;fica</i>, 46-74. <a href="https://doi.org/10.3989/redc.2012.mono.977" target="_blank">https://doi.org/10.3989/redc.2012.mono.977</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2020914&pid=S2183-3575202000010000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Blum-Ross, A., Donoso, V., Dinh, T., Mascheroni, G., O&rsquo;Neill, B., Riesmeyer, C. &amp; Stoilova, M. (2018). <i>Looking forward: technological and social change in the lives of European children and young people. Report for the ICT Coalition for Children Online.</i> Bruxelas: ICT Coalition. </p>     <!-- ref --><p>CNMC, Comiss&atilde;o Nacional de Mercados e Concorr&ecirc;ncia. (2015). <i>Resoluci&oacute;n por la que aprueban los criterios orientadores para la calificaci&oacute;n de contenidos audiovisuales</i>. Madrid: CNMC.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2020916&pid=S2183-3575202000010000800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Comiss&atilde;o Europeia. (1996a).<i> Green Paper: protection of minors and human dignity in audiovisual and information services</i>. Retirado de <a href="https://op.europa.eu/en/publication-detail/-/publication/8593679e-0099-4616-9fd0-c3b4fe67c8b4/language-en" target="_blank">https://op.europa.eu/en/publication-detail/-/publication/8593679e-0099-4616-9fd0-c3b4fe67c8b4/language-en</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2020918&pid=S2183-3575202000010000800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Comiss&atilde;o Europeia. (2007, 6 de fevereiro). <i>European framework for safer mobile use by teenagers and children</i>. Retirado de <a href="https://www.gsma.com/gsmaeurope/wp-content/uploads/2012/04/saferchildren.pdf" target="_blank">https://www.gsma.com/gsmaeurope/wp-content/uploads/2012/04/saferchildren.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2020919&pid=S2183-3575202000010000800005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Comiss&atilde;o Europeia. (2012). <i>European strategy for a better internet for children</i>. Retirado de <a href="https://eur-lex.europa.eu/legal-content/EN/TXT/HTML/?uri=CELEX:52012DC0196&amp;from=EN" target="_blank">https://eur-lex.europa.eu/legal-content/EN/TXT/HTML/?uri=CELEX:52012DC0196&amp;from=EN</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2020920&pid=S2183-3575202000010000800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Comiss&atilde;o Europeia. (1996b).<i> Communication on illegal and harmful content on the internet</i>. Retirado de <a href="http://aei.pitt.edu/5895/1/5895.pdf" target="_blank">http://aei.pitt.edu/5895/1/5895.pdf </a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2020921&pid=S2183-3575202000010000800007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Conselho da Uni&atilde;o Europeia. (2012). <i>Council conclusions on the European strategy for a better internet for children</i>. Bruxelas: Conselho da Uni&atilde;o Europeia.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2020922&pid=S2183-3575202000010000800008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Cordes, S. (2009). <i>Broad horizons: the role of multimodal literacy in 21st-century library instruction</i>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2020924&pid=S2183-3575202000010000800009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> Comunica&ccedil;&atilde;o apresentada no 75<sup>th</sup> IFLA World Library and Information Congress General Conference and Assembly, Mil&atilde;o.</p>     <p>Diretiva (UE) 2018/1808, de 14 de novembro, Uni&atilde;o Europeia.</p>     <!-- ref --><p>EAO, Observat&oacute;rio Europeu do Audiovisual. (2012). <i>Protection of minors and audiovisual content on-demand (2012-6)</i>. Estrasburgo: EAO.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2020927&pid=S2183-3575202000010000800010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>EAO, Observat&oacute;rio Europeu do Audiovisual. (2015). <i>The protection of minors in a converged media environment</i>. Estrasburgo: EAO.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2020929&pid=S2183-3575202000010000800011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>EAO, Observat&oacute;rio Europeu do Audiovisual. (2016). <i>Mapping of media literacy practices and actions in EU-28</i>. Estrasburgo: EAO.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2020931&pid=S2183-3575202000010000800012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ERGA, Grupo Europeu de Reguladores dos Servi&ccedil;os de Comunica&ccedil;&atilde;o Audiovisuais. (2017a). <i>Protecting children in audiovisual media services-current and future measures.</i> Retirado de <a href="http://erga-online.eu/wp-content/uploads/2018/02/Protecting-Children-in-Audiovisual-Media-Services-Current-and-Future-Measures.pdf" target="_blank">http://erga-online.eu/wp-content/uploads/2018/02/Protecting-Children-in-Audiovisual-Media-Services-Current-and-Future-Measures.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2020933&pid=S2183-3575202000010000800013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>ERGA, Grupo Europeu de Reguladores dos Servi&ccedil;os de Comunica&ccedil;&atilde;o Audiovisuais. (2017b). <i>Protection of minors in the audiovisual media services: trends &amp; practices</i>. Retirado de <a href="http://erga-online.eu/wp-content/uploads/2016/10/ERGA-PoM-Report-2017-wordpress.pdf" target="_blank">http://erga-online.eu/wp-content/uploads/2016/10/ERGA-PoM-Report-2017-wordpress.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2020934&pid=S2183-3575202000010000800014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Garmendia, M., Jim&eacute;nez, E., Karrera, I., Larra&ntilde;aga, N., Casado, M.A., Mart&iacute;nez, G. &amp; Garitaonandia, C. (2019). <i>Actividades, mediaci&oacute;n, oportunidades y riesgos online de los menores en la era de la convergencia medi&aacute;tica</i>. Le&oacute;n: Instituto Nacional de Ciberseguridad (INCIBE).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2020935&pid=S2183-3575202000010000800015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Goggin, G. (2008). Opening up literacy with the digital tuns: ideas from mobiles. <i>Media International Australia</i>, <i>128</i>, 88-94. Retirado de <a href="https://repository.upenn.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=1035&amp;context=literacyorg_articles" target="_blank">https://repository.upenn.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=1035&amp;context=literacyorg_articles</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2020937&pid=S2183-3575202000010000800016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>GSMA. (2007).<i> Code of conduct for mobile operators designed to encourage responsible use by underage persons of electronic content services supplied via mobile telephone networks in Spain.</i> Madrid: GSMA. Retirado de <a href="https://www.gsma.com/gsmaeurope/wp-content/uploads/2012/04/spaincoc0308.pdf" target="_blank">https://www.gsma.com/gsmaeurope/wp-content/uploads/2012/04/spaincoc0308.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2020938&pid=S2183-3575202000010000800017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Koltay, T. (2011). The media and the literacies: media literacy, information literacy, digital literacy. <i>Media, Culture &amp; Society</i>, <i>33</i>(2), 211-221. <a href="https://doi.org/10.1177/0163443710393382" target="_blank">https://doi.org/10.1177/0163443710393382</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2020939&pid=S2183-3575202000010000800018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Lievens, E., Livingstone, S., McLaughlin, S., O&rsquo;Neill, B. &amp; Verdoodt, V. (2018). <i>Childrens&rsquo;s rights and digital technologies</i>. Singapore: Springer Nature.</p>     <p>Livingstone, S. &amp; Helsper, E. (2010). Balancing opportunities and risks in teenagers&rsquo; use of the internet: the role of online skills and internet self-efficacy. <i>New media &amp; society,</i> <i>12</i>(2). 309-329. <a href="https://doi.org/10.1177/1461444809342697" target="_blank">https://doi.org/10.1177/1461444809342697</a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Livinsgstone, S. &amp; Sefton-Green, J. (2016). <i>The class: living and learning in the digital age</i>. Nova Iorque: NYU Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2020942&pid=S2183-3575202000010000800021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Livinsgstone, S. &amp; Third, A. (2017). Children and young people&rsquo;s rights in the digital age: an emerging agenda. <i>New Media &amp; Society</i>, <i>19</i>(5), 657-670. <a href="https://doi.org/10.1177/1461444816686318" target="_blank">https://doi.org/10.1177/1461444816686318</a></p>     <!-- ref --><p>Mediaset. (2016). <i>C&oacute;digo &eacute;tico Mediaset Espa&ntilde;a.</i> Madrid: Mediaset Espa&ntilde;a. Retirado de <a href="https://album.mediaset.es/file/10002/2017/09/22/thearchive_cd34.pdf" target="_blank">https://album.mediaset.es/file/10002/2017/09/22/thearchive_cd34.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2020945&pid=S2183-3575202000010000800023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Mediaset. (2018). Solo el 11,4% de los hogares activa el control parental de la television. <i>Telemania.es.</i> Retirado de <a href="https://www.mediaset.es/telemania/audiencias/control-parental-television-internet_0_2663850030.html" target="_blank">https://www.mediaset.es/telemania/audiencias/control-parental-television-internet_0_2663850030.html</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2020946&pid=S2183-3575202000010000800024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>O&rsquo;Neill, B. (2010). Media literacy and communication rights. <i>The International Communication Gazette</i>, <i>72</i>(4-5), 323-338. <a href="https://doi.org/10.1177/1748048510362445" target="_blank">https://doi.org/10.1177/1748048510362445</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2020947&pid=S2183-3575202000010000800025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Potter, A. &amp; Steemers, J. (2017). Children&rsquo;s television in transition: policies, platforms and production. <i>Media International Australia, 163</i>(1), 6-12. <a href="https://doi.org/10.1177/1329878X17693936" target="_blank">https://doi.org/10.1177/1329878X17693936</a></p>     <!-- ref --><p>Sonck, N. &amp; de Haan, J. (2014). Safety by literacy? Rethinking the role of digital skills in improving online safety. In S. Van der Hof, B. Van den Berg &amp; B. Schermer (Eds.), <i>Minding minors wandering the web: regulating online child safety</i> (pp.89-104). The Hague: Springer.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2020949&pid=S2183-3575202000010000800027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Sonck, N., Kuiper, E. &amp; de Haan, J. (2012). Digital skills in the context of media literacy. In S. Livingstone, L. Haddon &amp; A. G&ouml;rzig (Eds.),<i>Children, risk and safety online: research and policy challenges in comparative perspective</i> (pp. 87-98). Bristol: Polity Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2020951&pid=S2183-3575202000010000800028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Telef&oacute;nica. (n.d.). <i>El c&oacute;digo &eacute;tico de Telef&oacute;nica. Nuestros principios de actuaci&oacute;n.</i> Madrid: Telef&oacute;nica.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2020953&pid=S2183-3575202000010000800029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Thoman, E. &amp; Jolls, T. (2004). Media literacy. A national priority for a changing world. <i>American Behavioral Scientist</i>, <i>48</i>(1), 18-29. Retirado de <a href="https://www.medialit.org/reading-room/media-literacy-national-priority-changing-world" target="_blank">https://www.medialit.org/reading-room/media-literacy-national-priority-changing-world</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2020955&pid=S2183-3575202000010000800030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Tyner, K. (2003). Beyond boxes and wires: literacy in transition. <i>Television &amp; New media</i>, <i>4</i>(4), 371-388. <a href="https://doi.org/10.1177/1527476403255812" target="_blank">https://doi.org/10.1177/1527476403255812</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2020956&pid=S2183-3575202000010000800031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Unicef. (2015). <i>Guidelines for industry on child online protection</i>. Retirado de <i>4</i>(4), 371-388. <a href="https://www.unicef.org/csr/files/COP_Guidelines_English.pdf" target="_blank">https://www.unicef.org/csr/files/COP_Guidelines_English.pdf</a></p>     <!-- ref --><p>Valverde, D., De Pro-Bueno, A. &amp; Gonz&aacute;lez, J. (2018). La competencia informacional-digital en la ense&ntilde;anza y aprendizaje de las ciencias en la educaci&oacute;n secundaria obligatoria actual: una revisi&oacute;n te&oacute;rica. <i>Revista Eureka sobre Ense&ntilde;anza y Divulgaci&oacute;n de las Ciencias, 15</i>(2), 2105-1-2105-15. <a href="https://doi.org/10.25267/Rev_Eureka_ensen_divulg_cienc.2018.v15.i2.2105" target="_blank">https://doi.org/10.25267/Rev_Eureka_ensen_divulg_cienc.2018.v15.i2.2105</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2020958&pid=S2183-3575202000010000800033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Vodafone. (2018). <i>Informe integrado Vodafone Espa&ntilde;a (2017-18).</i> Madrid: Vodafone.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2020959&pid=S2183-3575202000010000800034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Nota biogr&aacute;fica</b></p>     <p>Aurora Labio-Bernal &eacute; Professora Titular de Jornalismo na Universidade de Sevilha. Doutorada e licenciada em jornalismo, &eacute; diretora do grupo de investiga&ccedil;&atilde;o &ldquo;Meios, Pol&iacute;ticas de Comunica&ccedil;&atilde;o e Democracia na Uni&atilde;o Europeia&rdquo; (DEMOC-MEDIA). A sua atividade de investiga&ccedil;&atilde;o centra-se na Economia Pol&iacute;tica da Comunica&ccedil;&atilde;o e Estrutura da Informa&ccedil;&atilde;o. Professora convidada da Universidade de Westminster (Londres) e da Universidade Aut&oacute;noma de Barcelona, publicou, tamb&eacute;m o livro <i>Comunicaci&oacute;n, periodismo y control informativo.</i> </p>     <p>ORCID: <a href="https://orcid.org/0000-0001-5195-0012" target="_blank">https://orcid.org/0000-0001-5195-0012</a></p>     <p>Email: <a href="mailto:auroalabio@us.es">auroalabio@us.es</a></p>     <p>Morada: School of Communication, Journalism II Section, Universidad de Sevilla, Avda. Americo Vespucio s/n Cartuja Scientific and Technological Park, 41092 &ndash; Sevilla, Spain</p>     <p>Lorena R. Romero-Dom&iacute;nguez &eacute; Professora Titular de Jornalismo na Universidade de Sevilha. Doutorada e licenciada em jornalismo, faz parte do grupo de investiga&ccedil;&atilde;o &ldquo;Meios, Pol&iacute;ticas de Comunica&ccedil;&atilde;o e Democracia na Uni&atilde;o Europeia&rdquo; (DEMOC-MEDIA). Especializada na situa&ccedil;&atilde;o medi&aacute;tica da Alemanha, colaborou com a Academia Austr&iacute;aca da Ci&ecirc;ncia no livro <i>Medienstrukturen und Medienperformanz</i>. Colaborou, como docente e investigadora, nas seguintes universidades: Humboldt Universit&auml;t zu Berlin, Konstanz Universit&auml;t, Cardiff University, Johannes-Gutenberg Mainz Universit&auml;t e Ostfalia Universit&auml;t.</p>     <p>ORCID: <a href="https://orcid.org/0000-0001-6942-0183" target="_blank">https://orcid.org/0000-0001-6942-0183</a></p>     <p>Email:<a href="mailto:lorenaromero@us.es">lorenaromero@us.es</a></p>     <p>Morada: School of Communication, Journalism II Section, Universidad de Sevilla, Avda. Americo Vespucio s/n Cartuja Scientific and Technological Park, 41092 &ndash; Sevilla, Espanha</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Mar&iacute;a Jos&eacute; Garc&iacute;a-Orta. Licenciada e doutorada em Jornalismo pela Universidade de Sevilha. &Eacute; professora associada na Faculdade de Comunica&ccedil;&atilde;o de Sevilha e docente do Mestrado em Comunica&ccedil;&atilde;o Institucional e Pol&iacute;tica da dita Universidade. Al&eacute;m disso, faz parte do grupo de investiga&ccedil;&atilde;o &ldquo;Meios, Pol&iacute;ticas de Comunica&ccedil;&atilde;o e Democracia na Uni&atilde;o Europeia&rdquo;. Desenvolveu a sua atividade cient&iacute;fica, tanto no &acirc;mbito da propaganda, como em outras &aacute;reas de conhecimento, entre as quais se destacam a comunica&ccedil;&atilde;o politico-eleitoral, a estrutura da informa&ccedil;&atilde;o, a ind&uacute;stria audiovisual e as novas tecnologias da informa&ccedil;&atilde;o, com especial aten&ccedil;&atilde;o para as redes sociais.</p>     <p>ORCID: <a href="https://orcid.org/0000-0002-3284-2005" target="_blank">https://orcid.org/0000-0002-3284-2005</a></p>     <p>Email: <a href="mailto:mjorta@us.es">mjorta@us.es</a></p>     <p>Morada: School of Communication, Journalism II Section, Universidad de Sevilla, Avda. Americo Vespucio s/n Cartuja Scientific and Technological Park, 41092 &ndash; Sevilla, Espanha</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>* Submiss&atilde;o: 04/11/2019</b></p>     <p><b>* Aceita&ccedil;&atilde;o: 21/04/2020</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Tradu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>STAR Servicios Ling&uuml;&iacute;sticos</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Notas</b></p>     <p><sup><a href="#top1" name="1">[1]</a></sup> Retirado de <a href="https://ec.europa.eu/digital-single-market/en/content/creating-better-internet-kids-0" target="_blank">https://ec.europa.eu/digital-single-market/en/content/creating-better-internet-kids-0</a></p>     <p><sup><a href="#top2" name="2">[2]</a></sup> Ver <a href="https://www.plantl.gob.es/digital-agenda/Paginas/digital-agenda-spain.aspx" target="_blank">https://www.plantl.gob.es/digital-agenda/Paginas/digital-agenda-spain.aspx</a></p>     <p><sup><a href="#top3" name="3">[3]</a></sup> Ver <a href="https://informate.campusfad.org/proyecto/" target="_blank">https://informate.campusfad.org/proyecto/</a></p>     <p><sup><a href="#top4" name="4">[4]</a></sup> Ver <a href="https://informate.campusfad.org/proyecto/" target="_blank">https://informate.campusfad.org/proyecto/</a></p>      ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[Area]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
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<surname><![CDATA[Guarro]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
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