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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Crianças, jovens e notícias: uma revisão sistemática da literatura a partir da Communication Abstracts]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Despite having their roots in Medicine and being more frequently used in Natural Sciences, systematic reviews can also be extremely useful when it comes to the Social Sciences, namely when the aim is to conduct a study that identifies and maps the subject of interest of scientists in a given area. In this paper, a systematic literature review has been applied to the main database in the field of Communication, Communication Abstracts, as to try and understand who studied the relationship between children and/or young people and the news, when and where that happened, as well as the angle of the investigation. A sample of 146 titles and abstracts was reviewed. The findings show that most of them were reception and representation studies, whereas production studies were in much smaller number; studies on parental mediation and journalists' ethical concerns when covering events involving children and young people were practically residual.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS TEM&Aacute;TICOS</b></p>     <p><b>Crian&ccedil;as, jovens e not&iacute;cias: uma revis&atilde;o sistem&aacute;tica da literatura a partir da Communication Abstracts</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Children, young people and the news: a systematic literature review based on Communication Abstracts </b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> //     <p><b>Joana Fillol</b></p> <img src="/img/revistas/id_orcid.gif"> <a href="https://orcid.org/0000-0002-8577-7809" target="_blank">https://orcid.org/0000-0002-8577-7809</a>     
<p></p>     <p><b>Sara Pereira**</b></p> <img src="/img/revistas/id_orcid.gif"> <a href="https://orcid.org/0000-0002-9978-3847" target="_blank">https://orcid.org/0000-0002-9978-3847</a>     
<p></p> //     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> //*Centro de Estudos de Comunica&ccedil;&atilde;o e Sociedade, Instituto de Ci&ecirc;ncias Sociais, Universidade do Minho, Portugal, <a href="mailto:joanafillol@gmail.com">joanafillol@gmail.com</a>. //    <br>   //**Centro de Estudos de Comunica&ccedil;&atilde;o e Sociedade, Instituto de Ci&ecirc;ncias Sociais, Universidade do Minho, Portugal, <a href="mailto:sarapereira@ics.uminho.pt">sarapereira@ics.uminho.pt</a>. //</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Apesar de terem a sua raiz na Medicina e de serem mais frequentes nas Ci&ecirc;ncias Naturais, as revis&otilde;es sistem&aacute;ticas da literatura podem revestir-se de grande utilidade, tamb&eacute;m, nas Ci&ecirc;ncias Sociais, nomeadamente quando se pretende empreender um estudo que identifique e mapeie o que foi alvo de interesse por parte dos cientistas num determinado campo. Neste artigo, a t&eacute;cnica de revis&atilde;o sistem&aacute;tica de literatura foi aplicada &agrave; principal base de dados no campo da Comunica&ccedil;&atilde;o, a Communication Abstracts, com o intuito de perceber quem, quando e onde tem estudado a rela&ccedil;&atilde;o entre crian&ccedil;as e/ou jovens e not&iacute;cias e qual tem sido o &acirc;ngulo privilegiado pela investiga&ccedil;&atilde;o. Uma amostra de 146 t&iacute;tulos e resumos de artigos foi analisada. Os resultados revelam que os estudos de rece&ccedil;&atilde;o e de representa&ccedil;&atilde;o dominam a investiga&ccedil;&atilde;o no tema em apre&ccedil;o, sendo pouco expressivos os estudos sobre a produ&ccedil;&atilde;o e praticamente residuais aqueles que se debru&ccedil;am sobre a media&ccedil;&atilde;o parental e as preocupa&ccedil;&otilde;es &eacute;ticas dos jornalistas quando cobrem acontecimentos que envolvem crian&ccedil;as e jovens.</p>     <p><b>Palavras-chave</b>: crian&ccedil;as; jovens; not&iacute;cias; jornalismo; revis&atilde;o sistem&aacute;tica da literatura.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>Despite having their roots in Medicine and being more frequently used in Natural Sciences, systematic reviews can also be extremely useful when it comes to the Social Sciences, namely when the aim is to conduct a study that identifies and maps the subject of interest of scientists in a given area. In this paper, a systematic literature review has been applied to the main database in the field of Communication, Communication Abstracts, as to try and understand who studied the relationship between children and/or young people and the news, when and where that happened, as well as the angle of the investigation. A sample of 146 titles and abstracts was reviewed. The findings show that most of them were reception and representation studies, whereas production studies were in much smaller number; studies on parental mediation and journalists&rsquo; ethical concerns when covering events involving children and young people were practically residual. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Keywords</b>: children; young people; news; journalism; systematic literature review.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>&ldquo;Newton n&atilde;o podia ter visto o que viu sem que antes Galileu, Kepler, Descartes e outros n&atilde;o o tivessem precedido&rdquo; (Fiolhais, 2011, s. p.). &Eacute; desta forma que o f&iacute;sico e ensa&iacute;sta portugu&ecirc;s Carlos Fiolhais esmi&uacute;&ccedil;a, no blogue <i>De Rerum Natura,</i> a sugestiva met&aacute;fora dos an&otilde;es sobre os ombros de gigantes, segundo a qual as descobertas realizadas por quem nos precedeu nos permitem ver mais. E ver mais longe. A ideia, atribu&iacute;da originalmente ao monge medieval franc&ecirc;s Bernardo de Chartres (e eternizada nos vitrais azuis da catedral da cidade francesa com o mesmo nome, onde os evangelistas surgem encavalitados aos ombros dos profetas), se aplicada &agrave; ci&ecirc;ncia, transmite essa vis&atilde;o do trabalho cient&iacute;fico como um <i>continuum</i>, em que os avan&ccedil;os no conhecimento se fazem tendo por base as descobertas anteriores. Como t&atilde;o bem se ilustra ainda nesse mesmo <i>post</i>: &ldquo;a constru&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia &eacute; uma pir&acirc;mide humana&rdquo; (Fiolhais, 2011, s. p.).</p>     <p>Ora, &eacute; nesta vis&atilde;o cumulativa do trabalho cient&iacute;fico que reside a import&acirc;ncia de conhecer o estado da arte de um determinado campo antes de se empreender qualquer processo de investiga&ccedil;&atilde;o. A revis&atilde;o de literatura constitui-se, assim, como a base de toda e qualquer pesquisa cient&iacute;fica e realiza-se tanto com o objetivo de resumir o que se sabe at&eacute; ao momento sobre uma determinada &aacute;rea de conhecimento, como de motivar novas investiga&ccedil;&otilde;es (Carver, Hassler, Hernandes &amp; Kraft, 2013). </p>     <p>Vom Brocke, Simons, Bjoern Niehaves, Bjorn Niehaves, Reimer, Plattfaut e Cleven (2009) sublinham que a import&acirc;ncia deste trabalho assenta, nomeadamente, na procura de fontes relevantes para um determinado t&oacute;pico e no contributo que essa busca d&aacute; para garantir a relev&acirc;ncia e o rigor da investiga&ccedil;&atilde;o. Os autores recorrem a Baker (2000, citado em Vom Brocke et al., 2009) para explicar que, por relev&acirc;ncia, se entende o evitar reinvestigar o que j&aacute; se conhece, e servem-se de Hevner et al. (2004, citado em Vom Brocke et al., 2009) para especificar que o rigor adv&eacute;m de um uso efetivo do conhecimento j&aacute; existente. </p>     <p>Facilitada pelas tecnologias da informa&ccedil;&atilde;o, a crescente quantidade de conhecimento cient&iacute;fico ao dispor da comunidade veio tornar os processos de revis&atilde;o de literatura cada vez mais exigentes (Best, Taylor, Manktelow &amp; McQuilkin, 2014; Campbell, Taylor, Bates &amp; O&rsquo;Conner-Bones, 2018). Tornou, tamb&eacute;m, mais premente a necessidade de avaliar a qualidade dessas revis&otilde;es &ndash; uma quest&atilde;o que n&atilde;o &eacute; propriamente recente. J&aacute; nos anos oitenta, Cooper (1988) notava um aumento de revis&otilde;es de literatura no &acirc;mbito da Educa&ccedil;&atilde;o e da Psicologia, que associava justamente &agrave; &ldquo;explos&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o&rdquo; e ao aumento de investigadores (p. 105) na &aacute;rea. Face a essa nova realidade, o investigador e psic&oacute;logo norte-americano manifestava preocupa&ccedil;&atilde;o com a qualidade das revis&otilde;es de literatura e alertava para a necessidade de elas serem alvo de um rigoroso escrut&iacute;nio, propondo uma taxonomia para as classificar, cujo objetivo era &ldquo;distinguir trabalhos superiores de trabalhos inferiores&rdquo; (p. 105). </p>     <p>A principal desvantagem apontada &agrave;s revis&otilde;es de literatura tradicionais relaciona-se com a falta de um m&eacute;todo espec&iacute;fico que as oriente, algo que Carver et al. (2013) resumem do seguinte modo: &ldquo;a falta de rigor pode influenciar os resultados ou fazer com que o investigador omita publica&ccedil;&otilde;es relevantes, alterando a natureza das conclus&otilde;es&rdquo; (p. 203). Embora admitindo que as revis&otilde;es convencionais podem ser v&aacute;lidas e interessantes, tamb&eacute;m Petticrew e Roberts (2006) alertam para o risco de uma revis&atilde;o deste g&eacute;nero poder resultar numa &ldquo;revis&atilde;o parcial de uma amostra de conveni&ecirc;ncia dos estudos favoritos do autor&rdquo; (p. 6).</p>     <p>Pelo contr&aacute;rio, ao serem formalmente planeadas e metodicamente executadas (Staples &amp; Niazi, 2007), as revis&otilde;es sistem&aacute;ticas da literatura (RSL) parecem responder de um modo mais eficaz ao problema da arbitrariedade, na escolha da literatura a considerar, que carateriza as revis&otilde;es narrativas. Como frisa Ramalho (2005), o objetivo central das RSL &eacute; precisamente o de reduzir a possibilidade de vieses, tal como se pretende em qualquer investiga&ccedil;&atilde;o. A autora real&ccedil;a a objetividade e a reprodutibilidade, pilares fundamentais de todo o trabalho cient&iacute;fico, como algumas das principais carater&iacute;sticas deste g&eacute;nero de estudos. Petticrew e Roberts (2006) apontam, ainda, outra vantagem das revis&otilde;es sistem&aacute;ticas, que julgam justificar a sua crescente popularidade: &ldquo;fornecem um meio de lidar com a montanha de informa&ccedil;&otilde;es, ao permitir que grandes quantidades de pesquisa sejam destiladas de forma gerenci&aacute;vel&rdquo; (p. 11).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Hist&oacute;ria e limita&ccedil;&otilde;es da RSL</b></p>     <p>O desenvolvimento das RSL &eacute; geralmente situado no in&iacute;cio dos anos 90 do s&eacute;culo passado, com a publica&ccedil;&atilde;o do &ldquo;Evidence-based Medicine Working Group&rdquo; (Boell &amp; Cecez-Kecmanovic, 2015). Este tipo de estudo come&ccedil;ou, portanto, a ser usado no campo da Medicina para agregar evid&ecirc;ncias e conhecimentos que sustentassem a op&ccedil;&atilde;o por determinados procedimentos cl&iacute;nicos e a ado&ccedil;&atilde;o de determinadas pol&iacute;ticas. Desde ent&atilde;o, o recurso a RSL tem vindo a ser defendido por diferentes &aacute;reas do conhecimento que reconhecem e tiram partido das suas vantagens &ndash; da Engenharia de Sistemas &agrave; Psicologia, da Enfermagem &agrave; Educa&ccedil;&atilde;o. Independentemente da &aacute;rea cient&iacute;fica em que se enquadrem, as RSL parecem servir prop&oacute;sitos muito diferentes. Trata-se, desde logo, de uma metodologia que &eacute; adotada tanto para obter uma vis&atilde;o panor&acirc;mica de um tema a investigar como para encontrar evid&ecirc;ncias que respondam a quest&otilde;es de pesquisa muito espec&iacute;ficas. Num e noutro caso, o que se pretende &eacute; sempre obter uma s&iacute;ntese do trabalho anteriormente desenvolvido.</p>     <p>Apesar de terem a sua raiz nas Ci&ecirc;ncias Naturais, nas Ci&ecirc;ncias Sociais s&atilde;o v&aacute;rios os investigadores que t&ecirc;m realizado estudos com os quais pretendem evidenciar como as RSL podem ser aplicadas a este dom&iacute;nio cient&iacute;fico (Campbell et al., 2018; Ramos, Faria &amp; Faria, 2014; Victor, 2008). </p>     <p>Independentemente da disciplina, nos artigos que seguem os procedimentos da RSL nota-se, frequentemente, um entusiasmo excessivo com esta t&eacute;cnica de pesquisa, adotada, n&atilde;o raras vezes, sem que se fa&ccedil;a acompanhar por uma reflex&atilde;o cr&iacute;tica acerca dela por parte dos investigadores que a elegem. Julgamos que quando se opta por empreender uma RSL &eacute; importante refletir, tamb&eacute;m, sobre as suas limita&ccedil;&otilde;es e sobre o que se perde face a uma revis&atilde;o narrativa de literatura, ou seja, uma revis&atilde;o que n&atilde;o segue crit&eacute;rios r&iacute;gidos e facilmente replic&aacute;veis. </p>     <p>No artigo &ldquo;On being &lsquo;systematic&rsquo; in literature reviews in IS&rdquo;, Boell e Cecez-Kecmanovic (2015) empreendem uma reflex&atilde;o profunda sobre a RSL, questionando muitas das carater&iacute;sticas e vantagens que lhe s&atilde;o apontadas. Na esteira de autores como Hammersley, Hjrland ou Finfgeld-Connett e Johnson, alertam para o facto de a importa&ccedil;&atilde;o das RSL da Medicina para outras disciplinas poder conduzir a um vi&eacute;s empirista/positivista relativamente ao conhecimento cient&iacute;fico. Chamam ainda a aten&ccedil;&atilde;o para a sua ado&ccedil;&atilde;o poder &ldquo;minar o envolvimento cr&iacute;tico com a literatura e com o que significa pesquisar no trabalho acad&eacute;mico&rdquo; (p. 161). Sublinham, nomeadamente, a minimiza&ccedil;&atilde;o do papel do investigador &ndash; da sua &ldquo;interpreta&ccedil;&atilde;o, imagina&ccedil;&atilde;o, criatividade e individualidade na sele&ccedil;&atilde;o e julgamento dos estudos e descobertas&rdquo; (p. 165).</p>     <p>De acordo com a vis&atilde;o de Boell e Cecez-Kecmanovic (2015) a realiza&ccedil;&atilde;o de uma RSL n&atilde;o se pode substituir a uma revis&atilde;o de literatura narrativa, mas, como os autores australianos tamb&eacute;m escrevem, ela pode ser &uacute;til para um tipo espec&iacute;fico de revis&atilde;o de literatura: &ldquo;um meta estudo que identifica e sumariza evid&ecirc;ncia da pesquisa anterior&rdquo; (p. 163). Petticrew e Roberts (2006) veem a RSL como um m&eacute;todo de pesquisa adequado para responder a perguntas espec&iacute;ficas. Afirmam que &eacute; menos uma discuss&atilde;o da literatura e mais uma ferramenta cient&iacute;fica: uma forma de olhar para os estudos como se olha para os respondentes numa pesquisa &ndash; &ldquo;os resultados de um entrevistado podem dizer algo (&hellip;) mas &eacute; mais prov&aacute;vel que algu&eacute;m aprenda mais examinando os dados de todos os entrevistados, o alcance das respostas, por que variam e tentando resumi-las&rdquo; (Petticrew &amp; Roberts, 2006, p. 15). Uma ideia que vai ao encontro da veiculada por Tranfield, Denyer e Smart (2003, p. 209): &ldquo;a meta-an&aacute;lise oferece um procedimento estat&iacute;stico para sintetizar os resultados, a fim de obter uma fiabilidade geral indispon&iacute;vel a partir de qualquer estudo isolado&rdquo;.</p>     <p><b>Motiva&ccedil;&atilde;o para a realiza&ccedil;&atilde;o de uma RSL</b></p>     <p>Confrontados com a necessidade de fazer uma revis&atilde;o da literatura para identificar quem, quando e onde tem estudado a rela&ccedil;&atilde;o entre crian&ccedil;as e/ou jovens e not&iacute;cias e qual tem sido o &acirc;ngulo privilegiado pela investiga&ccedil;&atilde;o, a RSL afigurou-se como uma resposta adequada, at&eacute; por n&atilde;o ter sido encontrado nenhum estudo semelhante. Pretendeu-se, assim, alcan&ccedil;ar uma vis&atilde;o global, panor&acirc;mica, do campo a estudar: a rela&ccedil;&atilde;o entre crian&ccedil;as e/ou jovens e not&iacute;cias. </p>     <p>No cap&iacute;tulo &ldquo;Views on the news&rdquo;, escrito j&aacute; em 2011, Hobbs, Cohn-Geltner e Landis come&ccedil;avam precisamente por notar que &ldquo;na literatura acad&eacute;mica sobre comunica&ccedil;&atilde;o de massas, educa&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento humano, poucos temas s&atilde;o mais marginalizados do que aquele que envolvem crian&ccedil;as, eventos atuais e not&iacute;cias&rdquo; (p. 43). Esta &eacute; uma opini&atilde;o partilhada por v&aacute;rios autores (Buckingham, 1997; English, Barnes, Fynes-Clinton &amp; Stewart, 2019; Hobbs, Cohn-Geltner &amp; Landis, 2011). Apesar desta constata&ccedil;&atilde;o, h&aacute; estudos que se debru&ccedil;am sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre crian&ccedil;as e not&iacute;cias, abordando-a sobretudo a partir da rece&ccedil;&atilde;o, da produ&ccedil;&atilde;o e da representa&ccedil;&atilde;o (Pereira, Fillol &amp; Silveira, 2015). </p>     <p>Sendo lugar-comum que as crian&ccedil;as n&atilde;o se interessam por not&iacute;cias, j&aacute; alguns investigadores demonstraram o contr&aacute;rio (Carter &amp; Allan, 2005; Silveira, 2019). Um outro estudo, centrado na rela&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as do Reino Unido com o servi&ccedil;o noticioso para a inf&acirc;ncia da BBC, o <i>Newsround</i>, Carter, Messenger Davies, Allan e Mendes (2009) mostraram o contributo que as not&iacute;cias podem dar para o crescimento das crian&ccedil;as enquanto cidad&atilde;s e como o facto de se sentirem representadas constitui um est&iacute;mulo ao seu interesse pelas quest&otilde;es que se colocam &agrave; sociedade.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As quest&otilde;es a explorar nesta RSL poder&atilde;o ter relev&acirc;ncia cient&iacute;fica no campo das Ci&ecirc;ncias da Comunica&ccedil;&atilde;o por ajudarem a construir um panorama geral do que tem sido a investiga&ccedil;&atilde;o nesta &aacute;rea, identificando as tend&ecirc;ncias que se verificam, mas tamb&eacute;m as lacunas que existem no campo e que podem motivar a sua colmata&ccedil;&atilde;o. Deste modo, este trabalho poder&aacute; interessar a investigadores que estudam o tema dos <i>media</i>, das crian&ccedil;as e dos jovens, bem como a profissionais de jornalismo e educa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p><b>Metodologia</b></p>     <p>Conforme explicitado no in&iacute;cio deste artigo, uma RSL deve ser formalmente planeada, envolvendo v&aacute;rias fases, cada uma das quais contendo uma sequ&ecirc;ncia de etapas (Staples &amp; Niazi, 2007). Todos esses momentos devem estar previstos num protocolo estrito, que descreve os processos e m&eacute;todos a serem aplicados (Boell &amp; Cecez-Kecmanovic, 2015; Petticrew &amp; Roberts, 2006), sendo este que garante a suposta transpar&ecirc;ncia, objetividade e possibilidade de replica&ccedil;&atilde;o de todo o processo. &ldquo;Suposta&rdquo; porque, como sublinham Boell e Cecez-Kecmanovic (2015), &ldquo;a RSL confunde os &lsquo;procedimentos objetivos&rsquo; do processo com a objetividade dos resultados da revis&atilde;o&rdquo;, que depender&aacute; sempre da subjetividade dos autores que a realizem (p. 166). Neste artigo, as etapas de planeamento e an&aacute;lise seguidas foram adaptadas do modelo sugerido por Petticrew e Roberts (2006), autores de um guia pr&aacute;tico para a realiza&ccedil;&atilde;o de RSL em Ci&ecirc;ncias Sociais, tal como ilustrado na figura apresentada abaixo. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a href ="/img/revistas/csoc/v37/v37a09f1.jpg">Figura 1</a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Para relatar a informa&ccedil;&atilde;o extra&iacute;da da leitura dos resumos, inspir&aacute;mo-nos no modelo seguido por Lu&iacute;s Pereira (2011).</p>     <p><b>Perguntas de investiga&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Tendo em mente que as quest&otilde;es que guiam uma RSL devem ser fechadas e ter respostas que resumam evid&ecirc;ncias (Boell &amp; Cecez-Kecmanovic, 2015), formul&aacute;mos a seguinte pergunta de investiga&ccedil;&atilde;o:</p>     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>1. Quem, quando, onde e como a rela&ccedil;&atilde;o entre crian&ccedil;as e/ou jovens e not&iacute;cias tem vindo a ser abordada na investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica?</p>       <p>1.1. Que &acirc;ngulos foram mais explorados e mais descurados?</p>       <p>1.2. Notam-se tend&ecirc;ncias associadas a determinados per&iacute;odos temporais?</p>       <p>1.3. Como tem evolu&iacute;do o interesse pelo tema em fun&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de artigos e tem&aacute;ticas?</p>       <p>1.4. Que faixas et&aacute;rias foram mais estudadas?</p>       <p>1.5. Que meio jornal&iacute;stico foi mais estudado (imprensa, r&aacute;dio, televis&atilde;o, jornalismo escrito)?</p>       <p>1.6. Que investigadores se t&ecirc;m debru&ccedil;ado mais sobre estas quest&otilde;es?</p>       <p>1.7. Que pa&iacute;ses se dedicam mais a estudar esta mat&eacute;ria?</p>       <p>1.8. At&eacute; que ponto investigadores de pa&iacute;ses diferentes t&ecirc;m trabalhado em conjunto?</p>       <p>1.9. Que revistas publicaram mais artigos neste dom&iacute;nio?</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>1.10. Que palavras-chave foram mais utilizadas?</p> </blockquote>     <p><b>Sele&ccedil;&atilde;o da base de dados</b></p>     <p>Por norma, uma RSL prop&otilde;e-se identificar todos os estudos relevantes para responder a uma pergunta espec&iacute;fica. &Eacute;, no entanto, poss&iacute;vel levar a cabo alternativas a uma RSL completa, que podem ser &uacute;teis quando se procura mapear um t&oacute;pico geral. Petticrew e Roberts (2006) designam um estudo deste tipo por &ldquo;revis&atilde;o r&aacute;pida&rdquo;. Trata-se de uma revis&atilde;o sistem&aacute;tica que &eacute;, de alguma forma, restrita (a um pa&iacute;s, a um ano, etc.). Neste caso, a revis&atilde;o levada a cabo foi restringida a uma base de dados, a que mais diretamente se relaciona com a Comunica&ccedil;&atilde;o, a &aacute;rea de estudo em quest&atilde;o. </p>     <p>A Communication Abstracts foi eleita por disponibilizar t&iacute;tulos, resumos e informa&ccedil;&atilde;o bibliogr&aacute;fica de artigos contidos em 240 publica&ccedil;&otilde;es acad&eacute;micas indexadas na &aacute;rea da Comunica&ccedil;&atilde;o, dos <i>media</i> de massas e de outros campos de estudo que, com eles, se relacionam intimamente. Anteriormente produzida pela SAGE, esta base de dados referencial &eacute; atualmente gerida pela EBSCO e coloca &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o mais de 360 mil registos, datados de 1978 at&eacute; &agrave; atualidade. Embora conscientes de que restringir a pesquisa a uma base de dados condiciona os resultados (Best et al., 2014; Boell &amp; Cecez-Kecmanovic, 2015), considera-se que, pela sua abrang&ecirc;ncia e import&acirc;ncia, o material obtido atrav&eacute;s da Communication Abstracts constitui uma interessante amostra para um entendimento inicial do tema em estudo. </p>     <p><b>F&oacute;rmula de pesquisa e filtros</b></p>     <p>Para realizar a pesquisa foram identificados dois grupos de conceitos: 1) not&iacute;cias; 2) crian&ccedil;as e jovens. Relativamente ao segundo grupo, recorreu-se &agrave; trucagem (atrav&eacute;s do asterisco) para pesquisar variantes de palavras, permitindo alcan&ccedil;ar varia&ccedil;&otilde;es das mesmas, em particular formas plurais. Os operadores booleanos AND e OR foram usados para relacionar os conceitos, tendo sido realizados testes para obter os melhores resultados com a ajuda de uma especialista em pesquisa em bibliotecas digitais da Universidade do Minho. Com a f&oacute;rmula escolhida, pretendeu-se encontrar um crivo que fosse lato, mas n&atilde;o em excesso, ou seja, que permitisse encontrar o m&aacute;ximo de resultados relevantes, mas n&atilde;o devolver resultados irrelevantes em demasia, o que normalmente sucede quando se acrescentam mais termos de pesquisa (Campbell et al., 2018). A f&oacute;rmula encontrada foi a seguinte: &ldquo;news AND child* OR adolesc* OR young* OR teen* OR youth*&rdquo;.</p>     <p>A pesquisa foi aplicada ao campo &ldquo;AB Abstract or Author-Supllied Abstract&rdquo;, sendo ainda refinada a partir das possibilidades oferecidas pelas ferramentas de pesquisa avan&ccedil;ada. Os resultados foram restringidos quanto a: <i>tipo de revistas</i>, tendo-se optado por limitar a pesquisa a revistas cient&iacute;ficas (revistas por pares); <i>tipo de publica&ccedil;&atilde;o</i>, foram considerados apenas &ldquo;academic journals&rdquo;. N&atilde;o se colocaram restri&ccedil;&otilde;es face ao tipo de documento, dado que a realiza&ccedil;&atilde;o de testes pr&eacute;vios tinha mostrado que, selecionando apenas &ldquo;articles&rdquo;, os estudos de caso ficavam fora da pesquisa. Por fim, aceitaram-se resultados em cinco idiomas: espanhol, franc&ecirc;s, ingl&ecirc;s, italiano e portugu&ecirc;s. Tamb&eacute;m n&atilde;o foram feitas restri&ccedil;&otilde;es temporais, j&aacute; que uma das quest&otilde;es de pesquisa se prende justamente com a evolu&ccedil;&atilde;o ao longo do tempo da investiga&ccedil;&atilde;o feita em torno do tema em an&aacute;lise. </p>     <p>A pesquisa foi realizada no dia 2 de dezembro de 2019, tendo-se obtido 777 resultados. Para estabelecer uma compara&ccedil;&atilde;o, replicou-se a pesquisa (com os mesmos termos, mas com filtros semelhantes, j&aacute; que as pesquisas nas diversas bases de dados n&atilde;o oferecem exatamente as mesmas possibilidades) nas seguintes plataformas cient&iacute;ficas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="t1"></a> <img src="/img/revistas/csoc/v37/v37a09t1.jpg"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Como se pode observar, &agrave; exce&ccedil;&atilde;o da base de dados especializada em Educa&ccedil;&atilde;o, a ERIC, as restantes devolvem um n&uacute;mero muito superior de resultados, cuja an&aacute;lise implicaria uma disponibilidade muito superior de tempo. </p>     <p><b>Processo de inclus&atilde;o e exclus&atilde;o de artigos</b></p>     <p>Relativamente &agrave;s refer&ecirc;ncias conseguidas atrav&eacute;s da pesquisa na Communication Abstracts, o passo seguinte consistiu na leitura de todos os t&iacute;tulos e resumos dos 777 artigos, com o intuito de fazer uma sele&ccedil;&atilde;o que correspondesse aos crit&eacute;rios de inclus&atilde;o. Seguindo o conselho de Petersen e Ali (2011), procurou-se estabelecer crit&eacute;rios claros, objetivos e f&aacute;ceis de verificar, sem necessidade de interpreta&ccedil;&atilde;o. Revelou-se mais f&aacute;cil, para compreender se um artigo cumpria ou n&atilde;o os crit&eacute;rios pretendidos, estabelecer alguns sob a forma de perguntas. Em nome de uma maior transpar&ecirc;ncia que, como real&ccedil;am Vom Brocke et al. (2009), deve ser garantida para permitir aos leitores avaliarem melhor a revis&atilde;o, optou-se por especificar algumas situa&ccedil;&otilde;es de exclus&atilde;o, que poderiam suscitar maior d&uacute;vida caso algu&eacute;m pretendesse replicar este trabalho<sup><a href="#1" name="top1">[1]</a></sup>. Apresenta-se, em seguida, o protocolo que orientou a fase de inclus&atilde;o ou exclus&atilde;o das refer&ecirc;ncias encontradas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a href ="/img/revistas/csoc/v37/v37a09t2.jpg">Tabela 2</a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>O processo de sele&ccedil;&atilde;o dos artigos &eacute;, provavelmente, a tarefa mais exigente e que consome mais tempo num processo de RSL. Para a simplificar, optou-se-por realizar esta etapa por fases. </p>     <p>Come&ccedil;ou-se por ler todos os resumos excluindo aqueles que claramente n&atilde;o cumpriam os crit&eacute;rios para integrarem a amostra e selecionando os que n&atilde;o ofereciam d&uacute;vidas quanto &agrave; sua inclus&atilde;o. Nesta fase, constatou-se que havia refer&ecirc;ncias duplicadas (o mesmo artigo publicado em mais do que uma l&iacute;ngua ou duplicado). Para estes doze casos, manteve-se uma vers&atilde;o e excluiu-se outra, num total de seis artigos. Encontraram-se, ainda, refer&ecirc;ncias que n&atilde;o correspondiam a artigos e que foram, por isso, exclu&iacute;das, como editoriais ou &iacute;ndices. Assim, foram eliminadas 36 refer&ecirc;ncias, passando a amostra de 777 para 741. </p>     <p>Num segundo momento leram-se os resumos dos artigos cuja sele&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se afigurou t&atilde;o evidente. Em v&aacute;rios casos, a leitura dos resumos n&atilde;o disponibilizou os dados necess&aacute;rios para saber se o artigo cumpria os crit&eacute;rios de inclus&atilde;o. A maior parte das vezes esta situa&ccedil;&atilde;o relacionou-se com a idade dos sujeitos estudados, que n&atilde;o era especificada. Tal obrigou a uma consulta do texto integral dos artigos e, por vezes, foi mesmo necess&aacute;rio escrever aos autores. Esclarecidas as d&uacute;vidas foi poss&iacute;vel concluir o processo de inclus&atilde;o/exclus&atilde;o, que conduziu a 158 resultados apurados. Por&eacute;m, alertados por Staples e Niazi (2007) que, numa RSL que conduziram, identificaram artigos escritos pelos mesmos autores que reportavam os mesmos resultados acerca de um mesmo estudo e s&oacute; divergiam ligeiramente na estrutura, fez-se ainda um exerc&iacute;cio de comparar todos os artigos assinados pelo(s) mesmo(s) autor(es). Este processo levou a que fossem exclu&iacute;dos mais doze artigos. Finda esta etapa chegou-se aos 146 artigos que constituem a amostra. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f2"></a> <img src="/img/revistas/csoc/v37/v37a09f2.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Na seguinte tabela, pode observar-se a informa&ccedil;&atilde;o que procur&aacute;mos obter a partir dos resumos de cada um dos artigos. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="t3"></a> <img src="/img/revistas/csoc/v37/v37a09t3.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p><b>An&aacute;lise dos resultados</b></p>     <p><b>Evolu&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de artigos publicados</b></p>     <p>O <a href="/img/revistas/csoc/v37/v37a09g1.jpg">Gr&aacute;fico 1</a> ilustra a evolu&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de artigos publicados ao longo dos anos (1978-2019). At&eacute; 2003 &eacute; muito reduzido o n&uacute;mero de publica&ccedil;&otilde;es encontradas, variando entre nenhum e tr&ecirc;s artigos. Entre 2004 e 2016, o n&uacute;mero de publica&ccedil;&otilde;es, embora oscilante, sobe ligeiramente, aproximando-se, regra geral, j&aacute; da meia dezena por ano, com uma clara exce&ccedil;&atilde;o em 2011 &ndash; ano em que esse n&uacute;mero ultrapassa pela primeira vez a dezena, situando-se nos 11 artigos. Algo que s&oacute; volta a acontecer seis anos mais tarde, em 2017 e em 2019, com uma ligeira quebra em 2018. Nos &uacute;ltimos cinco anos nota-se uma tend&ecirc;ncia de crescimento do n&uacute;mero de artigos mais sustentada, ficando sempre acima dos sete artigos por ano. Este aumento mais recente do n&uacute;mero de publica&ccedil;&otilde;es pode significar uma maior aten&ccedil;&atilde;o dada por parte dos investigadores a esta tem&aacute;tica, tamb&eacute;m na sequ&ecirc;ncia das preocupa&ccedil;&otilde;es em torno das designadas <i>fake news</i> e do conceito de p&oacute;s-verdade. O aumento do n&uacute;mero de artigos verificado a partir de 2004 pode dever-se ao facto a que j&aacute; atr&aacute;s se aludiu, de as tecnologias da informa&ccedil;&atilde;o terem facilitado a publica&ccedil;&atilde;o de artigos cient&iacute;ficos<sup><a href="#2" name="top2">[2]</a></sup>.</p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Publica&ccedil;&atilde;o de artigos por revista cient&iacute;fica</b></p>     <p>Na tabela seguinte pode observar-se quais as revistas que mais artigos publicaram em torno da tem&aacute;tica crian&ccedil;as, jovens e not&iacute;cias, informa&ccedil;&atilde;o que se revela de utilidade para saber onde encontrar pesquisas j&aacute; realizadas sobre o tema em apre&ccedil;o e onde poder&aacute; ser importante dar a conhecer o trabalho realizado. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="t4"></a> <img src="/img/revistas/csoc/v37/v37a09t4.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Os 146 artigos que comp&otilde;em a amostra encontram-se distribu&iacute;dos por 70 publica&ccedil;&otilde;es, o que ilustra a dispers&atilde;o dos artigos desta tem&aacute;tica e refor&ccedil;a a import&acirc;ncia e a utilidade das bases de dados digitais, que vieram facilitar aos investigadores o acesso a trabalhos do seu interesse. Conforme ilustrado na tabela acima, as revistas com tr&ecirc;s ou mais publica&ccedil;&otilde;es s&atilde;o 12 e nelas est&atilde;o publicados 68 artigos, o que equivale a 46,3% do total. Os restantes 68 artigos (53,7%) surgem em revistas com apenas uma ou duas publica&ccedil;&otilde;es. Note-se que cinco revistas re&uacute;nem 30% do total de refer&ecirc;ncias. </p>     <p>O lugar de topo ocupado pelo <i>Journal of Children and Media</i>, fundado em 2007 e atualmente publicado pela Taylor &amp; Francis Online, &eacute; compreens&iacute;vel, j&aacute; que se trata de uma publica&ccedil;&atilde;o interdisciplinar dedicada &agrave; discuss&atilde;o da presen&ccedil;a dos <i>media</i> na vida de crian&ccedil;as e adolescentes, dando aten&ccedil;&atilde;o a tr&ecirc;s &aacute;reas complementares: crian&ccedil;as como consumidores de <i>media</i>, representa&ccedil;&otilde;es de crian&ccedil;as nos <i>media</i> e organiza&ccedil;&otilde;es/produ&ccedil;&otilde;es de <i>media</i> para crian&ccedil;as ou por crian&ccedil;as. A revista, com revis&atilde;o por pares e quatro edi&ccedil;&otilde;es por ano, acolhe estudos de tradi&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas e emp&iacute;ricas de acad&eacute;micos e profissionais de todo o mundo. Como se pode ler no seu site<sup><a href="#3" name="top3">[3]</a></sup>, pretende ser um f&oacute;rum a n&iacute;vel internacional para discutir as quest&otilde;es atr&aacute;s referidas, tanto em contextos locais, como nacionais ou globais.</p>     <p>A revista <i>Communication Research</i>, que ocupa o segundo lugar, conta j&aacute; 45 anos de vida e &eacute; publicada pela SAGE Publishing. Tal como o<i> Journal of Children and Media</i> nasceu nos Estados Unidos, mas o seu car&aacute;ter &eacute; mais abrangente, uma vez que cobre todo o campo dos estudos da Comunica&ccedil;&atilde;o, publicando artigos que, conforme se pode ler no site da publica&ccedil;&atilde;o, &ldquo;exploram os processos, antecedentes e consequ&ecirc;ncias da comunica&ccedil;&atilde;o em larga escala nos sistemas sociais&rdquo;<sup><a href="#4" name="top4">[4]</a></sup>.</p>     <p>Na an&aacute;lise das publica&ccedil;&otilde;es, as revistas cient&iacute;ficas sobre Jornalismo, Comunica&ccedil;&atilde;o e <i>Media</i> constituem, sem surpresa, a maioria, mas &eacute; curioso notar a presen&ccedil;a de sete revistas cujo foco central &eacute; a Educa&ccedil;&atilde;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>&Acirc;ngulos de abordagem da investiga&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Uma das quest&otilde;es centrais de investiga&ccedil;&atilde;o desta RSL prendia-se com perceber, a partir da leitura dos resumos, quais tinham sido os prismas mais estudados sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre not&iacute;cias e crian&ccedil;as ou jovens. Assim, os artigos foram agrupados inicialmente por tr&ecirc;s categorias, tradicionais nos estudos da comunica&ccedil;&atilde;o: estudos de rece&ccedil;&atilde;o e efeitos; estudos sobre a produ&ccedil;&atilde;o; e estudos sobre a representa&ccedil;&atilde;o. Outras tr&ecirc;s categorias emergiram da an&aacute;lise dos t&iacute;tulos e resumos dos artigos: impacto das not&iacute;cias na participa&ccedil;&atilde;o ou socializa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica; impacto da media&ccedil;&atilde;o parental; e preocupa&ccedil;&otilde;es &eacute;ticas dos jornalistas na cobertura de not&iacute;cias que envolvem crian&ccedil;as. Os 146 artigos foram, ent&atilde;o, subdivididos pelas seis categorias<sup><a href="#5" name="top5">[5]</a></sup>, cujos crit&eacute;rios de inclus&atilde;o se especificam na tabela seguinte. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a href ="/img/revistas/csoc/v37/v37a09t5.jpg">Tabela 5</a>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A distribui&ccedil;&atilde;o da amostra pelas categorias pode observar-se no gr&aacute;fico seguinte.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="g2"></a> <img src="/img/revistas/csoc/v37/v37a09g2.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Como se pode inferir da leitura do gr&aacute;fico, h&aacute; duas abordagens que dominam a pesquisa nesta &aacute;rea: estudos de rece&ccedil;&atilde;o (representam 37,6% do total, equivalentes a 55 artigos); a curta dist&acirc;ncia do primeiro, estudos sobre como determinados acontecimentos relacionados com crian&ccedil;as e jovens foram cobertos pela imprensa (34,2%, correspondentes a 50 artigos). Juntas, estas abordagens totalizam mais de dois ter&ccedil;os do total da amostra (71,8%), sendo portanto as categorias que mais interesse t&ecirc;m despertado aos investigadores. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Cada uma destas duas categorias merece um olhar mais atento. </p>     <p>Os <i>estudos de rece&ccedil;&atilde;o</i> marcam presen&ccedil;a ao longo de todo o per&iacute;odo estudado, de 1978 a 2019.</p>     <p>Um pouco mais de um quinto (21,3%) do total preocupou-se em compreender como os jovens recebem e lidam com not&iacute;cias tristes ou violentas, denotando, assim, uma preocupa&ccedil;&atilde;o com os efeitos por parte dos investigadores. Nesta subcategoria enquadraram-se onze artigos, um n&uacute;mero pr&oacute;ximo ao de artigos que integram a categoria de impacto na participa&ccedil;&atilde;o e socializa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica (13). Face a estes dois conjuntos de artigos h&aacute; uma outra compara&ccedil;&atilde;o que se pode estabelecer: os estudos centrados nos efeitos surgem distribu&iacute;dos no tempo entre 1993 e 2019. J&aacute; os estudos centrados no impacto das not&iacute;cias na participa&ccedil;&atilde;o dos mais jovens concentram-se em dois momentos, separados entre si tr&ecirc;s d&eacute;cadas: h&aacute; registo destes artigos entre 1981 e 1984, mas depois s&oacute; voltam a surgir entre 2014 e 2019.</p>     <p>Relativamente aos 50 artigos que entram na categoria designada por <i>representa&ccedil;&atilde;o</i>, a maioria (32) dos temas que motivou este tipo de investiga&ccedil;&atilde;o diz respeito a acontecimentos negativos, como guerras, sequestros de crian&ccedil;as, viol&ecirc;ncia ou delinqu&ecirc;ncia juvenil, abuso sexual. Seis artigos centram-se na rela&ccedil;&atilde;o entre as crian&ccedil;as e a internet, dos quais quatro abordam problem&aacute;ticas como o <i>cyberbullying</i>, o <i>sexting</i> ou os riscos online. H&aacute; oito artigos que se relacionam com quest&otilde;es (quase sempre problemas) de sa&uacute;de, como obesidade, cancro infantil ou autismo. Este centrar da investiga&ccedil;&atilde;o em aspetos negativos parece mostrar como os <i>media</i> t&ecirc;m a capacidade de marcar a agenda, mesmo de quem os tem como objeto de estudo, uma vez que v&aacute;rias investiga&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m mostrado que a abordagem da popula&ccedil;&atilde;o infantojuvenil pela imprensa &eacute; marcada, justamente, por imagens negativas, o que tamb&eacute;m se verifica em Portugal (Brites, 2013; Ponte, 2009).</p>     <p>Ainda na categoria da representa&ccedil;&atilde;o, sobressai uma preocupa&ccedil;&atilde;o dos investigadores com grupos mais vulner&aacute;veis: quatro artigos s&atilde;o sobre crian&ccedil;as imigrantes ou refugiadas, outros quatro sobre minorias &eacute;tnicas. Jovens que vivem nos sub&uacute;rbios, crian&ccedil;as multiculturais ou transg&eacute;nero motivaram tamb&eacute;m investiga&ccedil;&otilde;es, tal como crian&ccedil;as-estrela (Malala Yousafzai ou os protagonistas do filme <i>Slumdog Millionaire</i>, 2008). Olhando para o per&iacute;odo temporal em que estes artigos foram produzidos, nota-se que os estudos de representa&ccedil;&atilde;o s&oacute; come&ccedil;am a ser uma tend&ecirc;ncia na investiga&ccedil;&atilde;o nesta &aacute;rea a partir de finais dos anos 90 do s&eacute;culo passado. Todos os artigos, &agrave; exce&ccedil;&atilde;o de um, est&atilde;o datados entre 1998 e 2019. </p>     <p>Prosseguindo a leitura do gr&aacute;fico, as quatro restantes categorias correspondem a pouco mais de um quarto da amostra: 28,1% (41 artigos). </p>     <p>A maior parcela centra-se na <i>produ&ccedil;&atilde;o de not&iacute;cias para ou por crian&ccedil;as e jovens</i> (12,3%, correspondente a 18 artigos). Apenas uma pe&ccedil;a se foca em jornalismo escolar: a grande maioria (67%) analisa jornais ou notici&aacute;rios de televis&atilde;o dirigidos &agrave; inf&acirc;ncia ou juventude em v&aacute;rias partes do mundo e o programa da BBC <i>Newsround</i> &eacute; analisado em mais do que um artigo. </p>     <p>A seguir &agrave;s j&aacute; referidas publica&ccedil;&otilde;es sobre o <i>impacto das not&iacute;cias na participa&ccedil;&atilde;o e socializa&ccedil;&atilde;o</i> (8,9%, com 13 artigos), a receber pouco interesse por parte da academia, ficam o estudo da media&ccedil;&atilde;o parental (4,8%, com sete artigos) e das preocupa&ccedil;&otilde;es &eacute;ticas dos jornalistas face ao tratamento de crian&ccedil;as e jovens nas not&iacute;cias (2,1%, com tr&ecirc;s artigos). </p>     <p><b>Meta-an&aacute;lise sobre os autores</b></p>     <p>Outra das quest&otilde;es de investiga&ccedil;&atilde;o pretendia identificar os investigadores com mais trabalhos publicados neste tema, com o intuito de chegar a bibliografia que n&atilde;o tivesse sido encontrada pela presente RSL e de encontrar contactos para poss&iacute;veis parceiros de investiga&ccedil;&atilde;o. Para obter este dado, optou-se por seguir um sistema de pontua&ccedil;&atilde;o, uma vez que n&atilde;o parecia rigoroso comparar apenas por n&uacute;mero de artigos, sem ter em considera&ccedil;&atilde;o se se tratava de primeiros ou segundos (ou mais) autores<sup><a href="#6" name="top6">[6]</a></sup>. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Apesar de os Estados Unidos serem o pa&iacute;s que tem, de longe, o maior n&uacute;mero de trabalhos publicado neste dom&iacute;nio, os investigadores europeus t&ecirc;m uma presen&ccedil;a muito significativa entre os que mais artigos publicam neste campo, com uma diferen&ccedil;a m&iacute;nima a favor dos estado-unidenses (de nove para sete autores). </p>     <p>Na <a href="/img/revistas/csoc/v37/v37a09t6.jpg">Tabela 6</a>, pode constatar-se que, embora &agrave; cabe&ccedil;a estejam dois homens, as mulheres est&atilde;o em larga maioria. Dafna Lemish notava isso no balan&ccedil;o de 13 anos como editora do <i>Journal of Children and Media</i>: o campo de estudo das crian&ccedil;as e dos <i>media</i> continuava dominado pelo sexo feminino, o que n&atilde;o a surpreendia &ldquo;enquanto a esfera privada da fam&iacute;lia e o bem-estar das crian&ccedil;as, sua educa&ccedil;&atilde;o e alfabetiza&ccedil;&atilde;o forem percebidas como territ&oacute;rio das mulheres &ndash; seja em resid&ecirc;ncias individuais, institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas ou campos acad&ecirc;micos&rdquo; (Lemish, 2019, p. 120).</p>     
<p>O investigador que mais pontos obteve nesta escala de autores com mais publica&ccedil;&otilde;es &eacute; sueco. Adam Shehata &eacute; professor associado do departamento de Jornalismo, <i>Media</i> e Comunica&ccedil;&atilde;o da Universidade de Gotemburgo e assina quatro artigos, tr&ecirc;s deles como primeiro autor. Neste <i>ranking</i> individual, surgem, de seguida, dois autores norte-americanos com tr&ecirc;s artigos como primeiro autor cada: Charles Atkin foi professor catedr&aacute;tico na Universidade de Wisconsin, no Departamento de Comunica&ccedil;&atilde;o, a que tamb&eacute;m preside; Regina Marchi, professora associada de Jornalismo e Estudos de <i>Media</i> na Rutgers School of Communication and Information, em New Jersey, trabalha na interse&ccedil;&atilde;o entre os <i>media</i>, a cultura e a pol&iacute;tica, focando comunidades desprivilegiadas, entre as quais se contam as crian&ccedil;as &ndash; em 2017 publicou em coautoria o livro <i>Young people and the future of news: social media and the rise of connective journalism</i>, pela Cambridge University Press.</p>     <p>Com cinco pontos cada, surgem depois tr&ecirc;s acad&eacute;micas holandesas: Moniek Buijzen e Mariska Kleemans, ambas da Universidade de Radboud (que, como a Universidade de Amesterd&atilde;o, tem um consider&aacute;vel n&uacute;mero de investigadores a assinar artigos, como autores ou coautores, nesta amostra: nove no caso de Radboud, oito no caso de Amesterd&atilde;o); Juliette Walma Van Der Molen, da Universidade de Twent. Das tr&ecirc;s, a que parece desenvolver um trabalho mais centrado na tem&aacute;tica em quest&atilde;o &eacute; Kleemans, cuja pesquisa tem por objetivo investigar como o v&iacute;nculo entre crian&ccedil;as e not&iacute;cias pode ser aprimorado: &ldquo;como as crian&ccedil;as se podem envolver mais com as not&iacute;cias e como as not&iacute;cias podem inspir&aacute;-las a envolver-se mais com a sociedade&rdquo;<sup><a href="#7" name="top7">[7]</a></sup>. Kleemans debru&ccedil;a-se ainda sobre como as not&iacute;cias negativas devem ser apresentadas &agrave;s crian&ccedil;as. O trabalho de Buijzen vai mais no sentido de aplicar o conhecimento cient&iacute;fico da comunica&ccedil;&atilde;o para melhorar o bem-estar dos jovens, e Van Der Molen aprofunda a forma como os jovens aprendem a partir de diferentes <i>media</i>.<sup><a href="#8" name="top8">[8]</a></sup></p>     <p>Atentando nos pa&iacute;ses com maior n&uacute;mero de artigos publicados (pela nacionalidade do primeiro autor), os Estados Unidos da Am&eacute;rica destacam-se, com metade do total. A seguir est&atilde;o a Holanda, com 9,6% e a Inglaterra, com 6,8%. Somando o n&uacute;mero de artigos escritos que tinham um europeu como primeiro autor, a percentagem fica ainda aqu&eacute;m da alcan&ccedil;ada pelos EUA. (31,5%). &Eacute; um convite &agrave; reflex&atilde;o o facto de na lista de 24 pa&iacute;ses representados na amostra (s&atilde;o 22 se se contar apenas os primeiros autores), constarem v&aacute;rios territ&oacute;rios marcados por uma hist&oacute;ria de viol&ecirc;ncia (a n&iacute;vel interno ou com territ&oacute;rios vizinhos) ou de forte repress&atilde;o. Exemplos disso s&atilde;o Israel, Palestina, Irlanda do Norte, Coreia do Sul, Turquia, Chile, Rom&eacute;nia e Taiwan que representam um ter&ccedil;o dos pa&iacute;ses. Entre 1978 e 1991 (inclusive), os 19 artigos publicados e reunidos na base de dados da Communication Abstracts sobre este tema s&atilde;o de investigadores radicados em tr&ecirc;s pa&iacute;ses: EUA (14), Israel (tr&ecirc;s) e Irlanda do Norte (dois).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="t7"></a> <img src="/img/revistas/csoc/v37/v37a09t7.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Relativamente aos autores, foi tamb&eacute;m objetivo saber se tem havido trabalho conjunto entre investigadores de diferentes pa&iacute;ses e se realidades nacionais diferentes t&ecirc;m sido comparadas. Concluiu-se que poucos trabalhos cruzam mais do que uma realidade ou t&ecirc;m contributos de autores com enquadramentos geogr&aacute;ficos e culturais diferentes. Registaram-se sete artigos escritos por investigadores de pa&iacute;ses diferentes (seis juntam autores de dois pa&iacute;ses; um junta autores de tr&ecirc;s pa&iacute;ses). H&aacute;, no entanto, nove artigos que se debru&ccedil;am sobre realidades de mais do que um pa&iacute;s (Brasil e Su&eacute;cia; Coreia do Sul e Holanda; &Iacute;ndia e realidade internacional; Turquia, Marrocos e Flandres; It&aacute;lia, Portugal e Espanha; Londres e Nova Iorque; EUA, Reino Unido, Qatar e Jerusal&eacute;m; 14 pa&iacute;ses europeus) e um artigo que compara Judeus e &Aacute;rabes em Israel. Como frisa Barnhurst (2000), contrastar grupos que cresceram em diferentes realidades noticiosas permite a procura de padr&otilde;es comuns, contribuindo para perceber, por exemplo, se h&aacute; uma cultura de gera&ccedil;&atilde;o que atravesse fronteiras culturais ou nacionais. Por outro lado, acrescenta o mesmo autor, as diferen&ccedil;as podem indicar contextos diferentes, com pol&iacute;ticas alternativas que importa avaliar. De uma forma ou outra, a compara&ccedil;&atilde;o permite construir uma teoria fundamentada.</p>     <p>Relativamente &agrave;s nacionalidades, constata-se que alguns pa&iacute;ses se interessam mais por determinadas &aacute;reas de investiga&ccedil;&atilde;o. Isso &eacute; not&oacute;rio, no caso da Su&eacute;cia, onde quatro dos seis artigos se inserem na categoria que avalia o impacto das not&iacute;cias na participa&ccedil;&atilde;o e socializa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. Dos 10 artigos que t&ecirc;m como primeiro autor um ingl&ecirc;s, tr&ecirc;s (30%) enquadram-se na categoria produ&ccedil;&atilde;o, a que n&atilde;o ser&aacute; indiferente o facto de a esta&ccedil;&atilde;o de televis&atilde;o brit&acirc;nica de servi&ccedil;o p&uacute;blico, BBC, produzir o mais antigo notici&aacute;rio televisivo para crian&ccedil;as do mundo, o <i>Newsround</i>. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Meta-an&aacute;lise sobre os artigos</b></p>     <p>Relativamente aos trabalhos publicados, foi poss&iacute;vel verificar que &eacute; bastante equilibrada a aten&ccedil;&atilde;o dada a crian&ccedil;as e a jovens: 68 artigos centraram a sua pesquisa nas primeiras e 67 nos segundos. Houve ainda oito artigos que focaram os dois grupos indistintamente e tr&ecirc;s investiga&ccedil;&otilde;es que se centraram em beb&eacute;s (estudos de representa&ccedil;&atilde;o). No caso dos <i>resumos</i> que mencionavam as idades estudadas, as crian&ccedil;as eram consideradas em faixas que oscilavam entre os cinco e os 13 anos de idades e os jovens (ou adolescentes) em intervalos que iam entre os 12 e os 19 anos. Foi ainda poss&iacute;vel observar que os artigos que investigaram o impacto das not&iacute;cias na participa&ccedil;&atilde;o ou socializa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica se centraram na sua esmagadora maioria em jovens e que as investiga&ccedil;&otilde;es sobre a forma como as crian&ccedil;as recebem not&iacute;cias negativas se voltaram para crian&ccedil;as.</p>     <p>Quando a an&aacute;lise se debru&ccedil;ou sobre os <i>meios</i> estudados, os resultados s&atilde;o os que se apresentam na <a href="/img/revistas/csoc/v37/v37a09t8.jpg">Tabela 8</a>.</p>     
<p>Como se verifica na Tabela 8, muitos artigos n&atilde;o se fixaram em nenhum <i>meio</i> espec&iacute;fico, abordando as not&iacute;cias em geral. Entre aqueles que se focaram num <i>meio</i>, a televis&atilde;o foi o que mais motivou o interesse dos investigadores, seguida pelos jornais. A r&aacute;dio tem apenas um artigo em que &eacute; alvo de an&aacute;lise de forma isolada. O meio digital j&aacute; come&ccedil;a a ser alvo de estudo. O primeiro artigo que considera as not&iacute;cias online para crian&ccedil;as data de 2010, correspondendo sensivelmente ao per&iacute;odo em que o n&uacute;mero de estudos sobre a televis&atilde;o come&ccedil;a a diminuir. </p>     <p>Relativamente &agrave;s metodologias utilizadas, n&atilde;o foi poss&iacute;vel elaborar uma an&aacute;lise estat&iacute;stica uma vez que nem todos os resumos forneciam informa&ccedil;&otilde;es claras a este n&iacute;vel. Foi, no entanto, poss&iacute;vel constatar que a esmagadora maioria dos artigos publicados neste dom&iacute;nio se baseia em estudos emp&iacute;ricos, que se servem tanto de metodologias qualitativas como quantitativas. Identificou-se apenas um &uacute;nico estudo baseado numa experi&ecirc;ncia de interven&ccedil;&atilde;o e os artigos que constitu&iacute;am uma reflex&atilde;o te&oacute;rica n&atilde;o foram al&eacute;m da meia dezena.</p>     <p>Por fim, e seguindo o exemplo de Ramos, Faria e Faria (2014) fez-se uma nuvem de palavras importando para a ferramenta WordClouds<sup><a href="#9" name="top9">[9]</a></sup> todas as palavras-chave indicadas pelos autores dos v&aacute;rios artigos (48 autores n&atilde;o forneceram palavras-chave, raz&atilde;o pela qual esta nuvem &eacute; feita apenas com base nas palavras-chave fornecidas pelos autores de 98 artigos<sup><a href="#10" name="top10">[10]</a></sup>). </p>     <p>A <a href="#f3">Figura 3</a> permite constatar que as palavras-chave a que se recorreu para fazer a pesquisa se revelaram adequadas e que a nuvem, no seu conjunto, ilustra alguns dos resultados alcan&ccedil;ados neste estudo. Al&eacute;m do destaque dado &agrave;s palavras que se relacionam com a &aacute;rea da pesquisa (not&iacute;cias e crian&ccedil;as e/ou jovens), encontram-se real&ccedil;adas palavras que identificam todas as categorias identificadas a partir da an&aacute;lise dos resumos: rece&ccedil;&atilde;o/efeitos (<i>audience, effects</i>); representa&ccedil;&atilde;o e produ&ccedil;&atilde;o (<i>analysis, content, discourse, framing</i>); impacto da media&ccedil;&atilde;o parental (<i>mediation</i>); impacto na participa&ccedil;&atilde;o ou socializa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica (<i>political, social, socialization</i>); preocupa&ccedil;&otilde;es &eacute;ticas dos jornalistas (<i>ethics</i>). Gra&ccedil;as a esta ferramenta, os resultados obtidos poder&atilde;o ser &uacute;teis na hora de escolher as palavras-chave que identificam investiga&ccedil;&otilde;es realizadas nesta &aacute;rea de estudo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="f3"></a> <img src="/img/revistas/csoc/v37/v37a09f3.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></p>     <p>A t&eacute;cnica de revis&atilde;o sistem&aacute;tica de literatura revelou-se uma ferramenta adequada ao objetivo de mapear e fazer uma meta-an&aacute;lise ao trabalho feito at&eacute; ao momento em torno da rela&ccedil;&atilde;o entre crian&ccedil;as e/ou jovens e not&iacute;cias. A vis&atilde;o de conjunto que se pretendia obter dificilmente teria sido conseguida fazendo uma revis&atilde;o de literatura convencional. Considera-se, no entanto, que os dois tipos de revis&atilde;o de literatura n&atilde;o se podem colocar, numa vis&atilde;o alternativa, mas sim complementar, nomeadamente no campo das Ci&ecirc;ncias Sociais, sob pena de sujeitar a investiga&ccedil;&atilde;o a um vi&eacute;s positivista. A RSL foi um importante passo inicial para, a partir daqui, se proceder a uma leitura cr&iacute;tica dos artigos na &iacute;ntegra e, atrav&eacute;s deles, chegar a outros estudos e autores. </p>     <p>O facto de esta revis&atilde;o se limitar a uma base de dados determina que estudos relevantes neste dom&iacute;nio n&atilde;o integrem esta amostra, al&eacute;m de que se cinge &agrave; &aacute;rea da Comunica&ccedil;&atilde;o, pondendo n&atilde;o contemplar investiga&ccedil;&otilde;es de outros campos de estudo. O facto de a grande parte das revistas que integra a Communicatio Abstracts ser anglo-sax&oacute;nica limita as refer&ecirc;ncias dispon&iacute;veis, pelo que ser&aacute; importante num trabalho futuro alargar a pesquisa a bases de dados que disponibilizem maior produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica noutras l&iacute;nguas, nomeadamente, em l&iacute;ngua portuguesa. A pesquisa por este tipo de bases de dados condiciona, ainda, o acesso a fontes documentais t&atilde;o importantes como s&atilde;o os livros. Tendo presente estas limita&ccedil;&otilde;es, considera-se, ainda assim, que foi um trabalho relevante, com o qual foi poss&iacute;vel identificar as &aacute;reas mais estudadas &ndash; rece&ccedil;&atilde;o e representa&ccedil;&atilde;o &ndash; e mais negligenciadas &ndash; produ&ccedil;&atilde;o, impactos na participa&ccedil;&atilde;o, media&ccedil;&atilde;o parental e preocupa&ccedil;&otilde;es &eacute;ticas dos jornalistas; os momentos em que o tema mereceu mais aten&ccedil;&atilde;o, de 2011 at&eacute; &agrave; atualidade; e as revistas que lhe deram mais destaque, com o <i>Journal of Children and Media</i> &agrave; cabe&ccedil;a. Percebeu-se que, embora os EUA apresentem metade dos artigos publicados neste &acirc;mbito, na lista dos autores que mais se dedicam ao tema h&aacute; um equil&iacute;brio entre norte-americanos e europeus e que a &aacute;rea interessa sobretudo a investigadoras (sexo feminino). A maioria dos artigos aborda not&iacute;cias em geral. Quando os estudos se centram num meio apenas, a televis&atilde;o &eacute; o mais estudado, sendo que, a partir de 2010, os estudos sobre a televis&atilde;o come&ccedil;am a decair e o online come&ccedil;a a despertar o interesse dos investigadores. J&aacute; quanto ao p&uacute;blico-alvo, notou-se um equil&iacute;brio no n&uacute;mero de estudos que se centram s&oacute; em crian&ccedil;as ou s&oacute; em jovens. Relativamente &agrave; geografia das investiga&ccedil;&otilde;es, h&aacute; ainda poucos estudos a cruzar realidades diferentes e um ter&ccedil;o dos pa&iacute;ses que t&ecirc;m trabalhos publicados nesta &aacute;rea corresponde a territ&oacute;rios marcados por viol&ecirc;ncia ou por uma hist&oacute;ria recente marcada por regimes pol&iacute;ticos totalit&aacute;rios. </p>     <p>Terminando como se come&ccedil;ou, esta RSL est&aacute; longe de nos ter permitido conhecer o &ldquo;gigante&rdquo; a que aludimos no in&iacute;cio, mas permitiu identificar-lhe os contornos. Conhec&ecirc;-lo em profundidade ser&aacute; o passo que se segue na investiga&ccedil;&atilde;o. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <!-- ref --><p>Barnhurst, K. G. (2000). Political engagement and the audience for news: lessons from Spain. <i>Journalism &amp; Communication Monographs</i>, <i>2</i>(1), 6-61. <a href="https://doi.org/10.1177/152263790000200102" target="_blank">https://doi.org/10.1177/152263790000200102</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2021173&pid=S2183-3575202000010000900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Best, P., Taylor, B., Manktelow, R. &amp; McQuilkin, J. (2014). Systematically retrieving research in the digital age: case study on the topic of social networking sites and young people&rsquo;s mental health. <i>Journal of Information Science,</i> <i>40</i>(3), 346-356. <a href="https://doi.org/10.1177/0165551514521936" target="_blank">https://doi.org/10.1177/0165551514521936</a></p>     <p>Boell, S. K. &amp; Cecez-Kecmanovic, D. (2015). On being &lsquo;systematic&rsquo; in literature reviews in IS. <i>Journal of Information Technology, 30</i>, 161-173. <a href="https://doi.org/10.1057/jit.2014.26" target="_blank">https://doi.org/10.1057/jit.2014.26</a></p>     <!-- ref --><p>Brites, M. J. (2013). Os jovens e a cidadania: a relev&acirc;ncia do espa&ccedil;o medi&aacute;tico. <i>Caleidosc&oacute;pio</i>, <i>10</i>, 177-188&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2021176&pid=S2183-3575202000010000900004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Buckingham, D. (1997). The making of citizens: pedagogy and address in children&rsquo;s television news. <i>Journal of Educational Media</i>, <i>23</i>(2-3), 119-139. <a href="https://doi.org/10.1080/1358165970230203" target="_blank">https://doi.org/10.1080/1358165970230203</a></p>     <p>Campbell, A., Taylor, B., Bates, J. &amp; O&rsquo;Conner-Bones, U. (2018). Developing and applying a protocol for a systematic review in the Social Sciences. <i>New Review of Academic Librarianship</i>, <i>24</i>(1), 1-22. <a href="https://doi.org/10.1080/13614533.2017.1281827" target="_blank">https://doi.org/10.1080/13614533.2017.1281827</a></p>     <!-- ref --><p>Carter, C. &amp; Allan, S. (2005) <i>Hearing their voices: young people, citizenship and online news</i>. In A. Williams &amp; C. Thurlow (Eds.), <i>Talking adolescence: perspectives on communication in the teenage years</i> (pp. 73-90). Nova Iorque: Peter Lang.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2021179&pid=S2183-3575202000010000900007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Carter, C., Messenger-Davies, M., Allan, S. &amp; Mendes, K. (2009). <i>What do children want from BBC? Children&rsquo;s content and participatory environments in an age of citizen media</i>. Cardiff: The Cardiff School of Journalism. Retirado de <a href="https://www.bbc.co.uk/blogs/knowledgeexchange/cardifftwo.pdf" target="_blank">https://www.bbc.co.uk/blogs/knowledgeexchange/cardifftwo.pdf</a></p>     <p>Carver, J. C., Hassler, E., Hernandes, E. &amp; Kraft, N. A. (2013). Identifying barriers to the systematic literature review process. In <i>Procedings of the International Symposium on Empirical Software Engineering and Measurement</i> (pp 203&ndash;212). Washington, DC: IEEE. <a href="https://doi.org/10.1109/ESEM.2013.28" target="_blank">https://doi.org/10.1109/ESEM.2013.28</a></p>     <!-- ref --><p>Cooper, H. M. (1988). Organizing knowledge syntheses: a taxonomy of literature reviews. <i>Knowledge in Society, 1</i>, 104-126.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2021183&pid=S2183-3575202000010000900010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p>English, P., Barnes, R., Fynes-Clinton, J. &amp; Stewart, L. (2019) Children&rsquo;s news in Australia: content for young readers in Crinkling News. <i>Journal of Children and Media</i>, 13(1), 73-88. <a href="https://doi.org/10.1080/17482798.2018.1547777" target="_blank">https://doi.org/10.1080/17482798.2018.1547777</a></p>     <p>Fiolhais, C. (2011, 8 de dezembro). &ldquo;Aos ombros de gigantes&rdquo;. [Post em blogue]. Retirado de <a href="http://dererummundi.blogspot.com/2011/12/aos-ombros-de-gigantes.html" target="_blank">http://dererummundi.blogspot.com/2011/12/aos-ombros-de-gigantes.html</a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Hobbs, R., Cohn-Geltner, H. &amp; Landis, J. (2011). Views on the news. In C. Von Feilitzen; U. Carlsson &amp; C. Bucht (Eds.), <i>New questions, new insights, new approaches</i> (pp.43-55). Gotemburgo: Nordicom.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2021187&pid=S2183-3575202000010000900013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Lemish, D. (2019). &ldquo;A room of our own&rdquo;: farewell comments on editing the Journal of Children and Media. <i>Journal of Children and Media</i>, <i>13</i>(1), 116-126. <a href="https://doi.org/10.1080/17482798.2019.1557813" target="_blank">https://doi.org/10.1080/17482798.2019.1557813</a></p>     <p>Pereira, L. (2011). <i>Conce&ccedil;&otilde;es de literacia digital nas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas - estudo a partir do Plano Tecnol&oacute;gico da Educa&ccedil;&atilde;o</i>. Tese de doutoramento, Universidade do Minho, Braga, Portugal. Retirado de <a href="http://repositorium.sdum.uminho.pt/handle/1822/19825" target="_blank">http://repositorium.sdum.uminho.pt/handle/1822/19825</a></p>     <!-- ref --><p>Pereira, S, Fillol, J. &amp; Silveira, P. (2015). Explicar o mundo &agrave;s crian&ccedil;as: an&aacute;lise de espa&ccedil;os noticiosos dirigidos ao p&uacute;blico infantojuvenil. In A. Barbalho &amp; L. Mar&ocirc;po (Eds<i>.</i>), <i>Inf&acirc;ncia, juventude e m&iacute;dia: olhares luso-brasileiros</i> (pp. 365-394). Fortaleza: EdUECE.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2021191&pid=S2183-3575202000010000900016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Petersen, K. &amp; Ali, N. B. (2011). Identifying strategies for study selection in systematic reviews and maps<i>. </i>In<i> International Symposium on Empirical Software Engineering and Measurement </i>(pp. 351-354). Banff: IEEE. <a href="https://doi.org/10.1109/ESEM.2011.46" target="_blank">https://doi.org/10.1109/ESEM.2011.46</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2021193&pid=S2183-3575202000010000900017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Petticrew, M. &amp; Roberts, H. (2006). <i>Systematic reviews in the Social Sciences: a practical guide</i>. Oxford: Blackwell.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2021194&pid=S2183-3575202000010000900018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Ponte, C. (2009), <i>Crian&ccedil;as e jovens em not&iacute;cia</i>. Lisboa: Livros Horizonte.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2021196&pid=S2183-3575202000010000900019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Ramalho, A. (2005). <i>Reda&ccedil;&atilde;o de estudos e projetos de revis&atilde;o sistem&aacute;tica com e sem metan&aacute;lise</i>. Coimbra: Formasau.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2021198&pid=S2183-3575202000010000900020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Ramos, A., Faria, P. M. &amp; Faria, A. (2014). Revis&atilde;o sistem&aacute;tica da literatura: contributo para a inova&ccedil;&atilde;o na investiga&ccedil;&atilde;o em Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o. <i>Revista Di&aacute;logo Educ</i>., <i>14</i>(41), 17-36. <a href="https://doi.org/10.7213/dialogo.educ.14.041.DS01" target="_blank">https://doi.org/10.7213/dialogo.educ.14.041.DS01</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2021200&pid=S2183-3575202000010000900021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Silveira, P. (2019). Not&iacute;cias televisivas e p&uacute;blicos infantis: o porqu&ecirc; da aposta em jornalismo segmentado para as crian&ccedil;as. <i>Observatorio</i>, <i>13</i>(2), 48-67. <a href="https://doi.org/10.15847/obsOBS13220191467" target="_blank">https://doi.org/10.15847/obsOBS13220191467</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2021201&pid=S2183-3575202000010000900022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Staples, M. &amp; Niazi, M. (2007). Experiences using systematic review guidelines. <i>Journal of Systems and Software</i>, <i>80</i>(9), 1425-1437. <a href="https://doi.org/10.1016/j.jss.2006.09.046" target="_blank">https://doi.org/10.1016/j.jss.2006.09.046</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2021202&pid=S2183-3575202000010000900023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Tran?eld, D., Denyer, D. &amp; Smart, P. (2003). Towards a methodology for developing evidence-informed management knowledge by means of systematic review. <i>British Journal of Management</i>, <i>14</i>(3), 207-222. <a href="https://doi.org/10.1111/1467-8551.00375" target="_blank">https://doi.org/10.1111/1467-8551.00375</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2021203&pid=S2183-3575202000010000900024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Victor, L. (2008). Systematic reviewing in the Social Sciences: oucomes and explanation. <i>Enquire, 1</i>(1), 32-46. Retirado de <a href="http://prdb.pk/uploads/publications/1537169935393.pdf" target="_blank">http://prdb.pk/uploads/publications/1537169935393.pdf</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2021204&pid=S2183-3575202000010000900025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Vom Brocke, J., Simons, A., Niehaves, B., Niehaves, B., Reimer, K., Plattfaut, R. &amp; Cleven, A. (2009). Reconstructing the giant: on the importance of rigour in documenting the literature search process. In <i>ECIS 2009 Proceedings</i>, 161. Retirado de <a href="http://aisel.aisnet.org/ecis2009/161" target="_blank">http://aisel.aisnet.org/ecis2009/161</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2021205&pid=S2183-3575202000010000900026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Nota biogr&aacute;fica</b></p>     <p>Joana Fillol &eacute; estudante de doutoramento em Ci&ecirc;ncias da Comunica&ccedil;&atilde;o no Centro de Estudo de Comunica&ccedil;&atilde;o e Sociedade da Universidade do Minho, ao abrigo de uma bolsa da Funda&ccedil;&atilde;o para a Ci&ecirc;ncia e Tecnologia. A sua pesquisa centra-se na rela&ccedil;&atilde;o entre crian&ccedil;as, jovens e not&iacute;cias. Licenciada em Jornalismo pela Universidade de Coimbra, trabalhou v&aacute;rios anos na imprensa escrita e, em 2015, fundou um s&iacute;tio de informa&ccedil;&atilde;o noticiosa para crian&ccedil;as e jovens (Jornalissimo.com). &Eacute; colaboradora do MILobs &ndash; Observat&oacute;rio sobre <i>Media</i>, Informa&ccedil;&atilde;o e Literacia e coautora do programa de r&aacute;dio <i>Ouvido Cr&iacute;tico</i>, emitido semanalmente na Antena 1</p>     <p>ORCID: <a href="https://orcid.org/0000-0002-8577-7809" target="_blank">https://orcid.org/0000-0002-8577-7809</a></p>     <p>Email: <a href="mailto:joanafillol@gmail.com">joanafillol@gmail.com</a></p>     <p>Morada: Centro de Estudos de Comunica&ccedil;&atilde;o e Sociedade &ndash; Instituto de Ci&ecirc;ncias Sociais &ndash; Universidade do Minho, Campus de Gualtar, 4710-057 Braga, Portugal</p>     <p>Sara Pereira &eacute; Professora Associada do Departamento de Ci&ecirc;ncias da Comunica&ccedil;&atilde;o e investigadora do Centro de Estudos de Comunica&ccedil;&atilde;o e Sociedade (CECS) da Universidade do Minho. Tem como principais &aacute;reas de investiga&ccedil;&atilde;o as crian&ccedil;as, os jovens e os <i>media</i>, e a Literacia para os <i>Media</i>. Tem coordenado v&aacute;rios projetos nacionais e europeus e &eacute; autora de diversas publica&ccedil;&otilde;es nestas &aacute;reas. Preside &agrave; sec&ccedil;&atilde;o Media Education Research da International Association for Media and Communication Research (IAMCR) desde julho de 2019. &Eacute; cocoordenadora do MILobs &ndash; Observat&oacute;rio sobre <i>Media</i>, Informa&ccedil;&atilde;o e Literacia e coautora do programa de r&aacute;dio <i>Ouvido Cr&iacute;tico</i>, emitido semanalmente na Antena 1 desde fevereiro de 2018.</p>     <p>ORCID: <a href="https://orcid.org/0000-0002-9978-3847" target="_blank">https://orcid.org/0000-0002-9978-3847</a></p>     <p>Email: <a href="mailto:sarapereira@ics.uminho.pt">sarapereira@ics.uminho.pt</a></p>     <p>Morada: Centro de Estudos de Comunica&ccedil;&atilde;o e Sociedade &ndash; Instituto de Ci&ecirc;ncias Sociais &ndash; Universidade do Minho, Campus de Gualtar, 4710-057 Braga, Portugal</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>* Submiss&atilde;o: 23/12/2019</b></p>     <p><b>* Aceita&ccedil;&atilde;o: 09/04/2020</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Agradecimentos</p>     <p>Este estudo foi realizado no &acirc;mbito do projeto de doutoramento em Ci&ecirc;ncias da Comunica&ccedil;&atilde;o, na Universidade do Minho, financiado pela Funda&ccedil;&atilde;o para a Ci&ecirc;ncia e a Tecnologia atrav&eacute;s da bolsa com a refer&ecirc;ncia BD/139388/2018.</p>     <p>Este trabalho &eacute; financiado por fundos nacionais atrav&eacute;s da FCT &ndash; Funda&ccedil;&atilde;o para a Ci&ecirc;ncia e a Tecnologia, I.P., no &acirc;mbito do projeto UIDB/00736/2020. O Financiamento Plurianual do Centro de Estudos de Comunica&ccedil;&atilde;o e Sociedade (UIDB/00736/2020) apoiou a tradu&ccedil;&atilde;o do artigo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Notas</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top1" name="1">[1]</a></sup> Tal como advertiu a leitura de artigos sobre RSL, tamb&eacute;m neste estudo foi inevit&aacute;vel adaptar os crit&eacute;rios de inclus&atilde;o e exclus&atilde;o ao longo do processo de sele&ccedil;&atilde;o, pois, como notam Staples e Niazi (2007), o investigador vai obtendo um maior conhecimento do tema ao ler os artigos, o que lhe permite melhorar os crit&eacute;rios iniciais de sele&ccedil;&atilde;o.</p>     <p><sup><a href="#top2" name="2">[2]</a></sup> Na p&aacute;gina da Communication Abstracts n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel encontrar informa&ccedil;&atilde;o sobre a evolu&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de artigos que a base veio a disponibilizar ao longo dos anos, que nos permitiria estabelecer um termo de compara&ccedil;&atilde;o com o gr&aacute;fico que aqui &eacute; apresentado.</p>     <p><sup><a href="#top3" name="3">[3]</a></sup> Ver <a href="https://www.tandfonline.com/toc/rchm20/current" target="_blank">https://www.tandfonline.com/toc/rchm20/current</a></p>     <p><sup><a href="#top4" name="4">[4]</a></sup> Retirado de <a href="https://journals.sagepub.com/home/crx" target="_blank">https://journals.sagepub.com/home/crx</a></p>     <p><sup><a href="#top5" name="5">[5]</a></sup> Quando um artigo podia integrar mais do que uma categoria, foi escolhida aquela que se considerou ser a dominante. Relativamente &agrave; categoria &ldquo;preocupa&ccedil;&otilde;es &eacute;ticas dos jornalistas&rdquo; &eacute; de referir que os artigos cient&iacute;ficos encontrados debru&ccedil;am-se sobre as preocupa&ccedil;&otilde;es &eacute;ticas dos jornalistas e n&atilde;o sobre preocupa&ccedil;&otilde;es &eacute;ticas levantadas pelos investigadores em decorr&ecirc;ncia da cobertura noticiosa feita pelos jornalistas.</p>     <p><sup><a href="#top6" name="6">[6]</a></sup> Optou-se por atribuir ao investigador dois pontos por cada artigo de que fosse primeiro autor e um ponto por cada artigo de que fosse coautor. Deste modo, por exemplo, dois autores com dois artigos publicados, um com dois como primeiro autor e outro com dois como coautor, n&atilde;o obtinham a mesma pontua&ccedil;&atilde;o.</p>     <p><sup><a href="#top7" name="7">[7]</a></sup> Retirado de <a href="https://www.ru.nl/english/people/kleemans-m/" target="_blank">https://www.ru.nl/english/people/kleemans-m/</a></p>     <p><sup><a href="#top8" name="8">[8]</a></sup> Dois dos autores que assinaram artigos encontrados na presente RSL n&atilde;o apresentavam filia&ccedil;&atilde;o nem foi poss&iacute;vel chegar a ela a partir da pesquisa dos seus nomes na internet.</p>     <p><sup><a href="#top9" name="9">[9]</a></sup> Ver <a href="https://www.wordclouds.com/" target="_blank">https://www.wordclouds.com/</a></p>     <p><sup><a href="#top10" name="10">[10]</a></sup> As palavras-chave que estavam em letra mai&uacute;scula foram colocadas em min&uacute;scula para que, na nuvem, surgissem uma s&oacute; vez, caso contr&aacute;rio, o programa assume-as como palavras diferentes, dando origem a duas entradas e n&atilde;o permitindo dar a dimens&atilde;o exata da frequ&ecirc;ncia de determinada palavra-chave.</p>     ]]></body>
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