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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Discursos migrantes: estratégias de construção de nós e os outros em discursos jornalísticos de opinião]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This study analyses the press coverage of the migratory flow towards Europe in a period of intense visibility of this issue in the Portuguese press (September and October 2015), in a corpus of opinion texts and titles of other journalistic texts from three generalist reference publications at the national level. It draws on theoretical assumptions and methodological tools of discourse analysis, taken in a broad sense (Adam, 2011; Berthoud & Mondada, 1995; Charaudeau, 1997, Moirand 1999, 2006; Rabatel & Chauvin-Vileno 2006, nomeadamente), to describe and analyse the discursive construction of images of migrants in contrast to those of Europeans, with emphasis on the personal deixis, lexical choices and modalization processes marked in discourses. It concludes that the media discourse was fundamental in the discursive construction of the social event led by the massive arrival of refugees and migrants in Europe. This construction is structured around two groups, us and them. In the referenciation activity carried out, there is a process of categorization and recategorization that points to the construction of a homogeneous group, they, the others, around different designations, but mostly around the designation “refugee”. In contrast to such homogeneity, the group formed by us, the Europeans, is fractured by disagreements about values, often marked in oppositional parallel structures. The ways in which discursive referenciation is constructed, which call for shared knowledge about the war, and the evaluative modality frame the position of the locutors-enunciators involved in the construction of public opinion and give the speeches a strong emotional feature.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS TEM&Aacute;TICOS</b></p>     <p><b>Discursos migrantes: estrat&eacute;gias de constru&ccedil;&atilde;o de <i>n&oacute;s</i> e os <i>outros</i> em discursos jornal&iacute;sticos de opini&atilde;o</b></p>     <p><b>Migrant speeches: strategies for representing <i>us</i> and <i>them</i> in opinion journalistic discourse</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Maria Aldina Marques*</b></p>     <p><img src="http:/img/revistas/id_orcid.gif"> <a href="http://orcid.org/0000-0003-3263-1977">http://orcid.org/0000-0003-3263-1977</a></p>     <p><b>Rui Ramos**</b></p>     <p><img src="http:/img/revistas/id_orcid.gif"> <a href="http://orcid.org/0000-0001-8700-8301">http://orcid.org/0000-0001-8700-8301</a></p>     <p>*Centro de Estudos Human&iacute;sticos, Instituto de Letras e Ci&ecirc;ncias Humanas, Universidade do Minho, Portugal</p>     <p>**Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o em Estudos da Crian&ccedil;a/Centro de Estudos Human&iacute;sticos, Instituto de Educa&ccedil;&atilde;o, Universidade do Minho, Portugal</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>O presente estudo analisa o tratamento medi&aacute;tico do fluxo migrat&oacute;rio em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; Europa num per&iacute;odo de intensa visibilidade da quest&atilde;o na imprensa nacional (setembro e outubro de 2015), num <i>corpus</i> de textos de opini&atilde;o e t&iacute;tulos de outros textos jornal&iacute;sticos de tr&ecirc;s publica&ccedil;&otilde;es generalistas de refer&ecirc;ncia no &acirc;mbito nacional. Recorre aos fundamentos te&oacute;ricos e aos instrumentos metodol&oacute;gicos da an&aacute;lise do(s) discurso(s), tomada em sentido amplo (Adam, 2011; Berthoud &amp; Mondada, 1995; Charaudeau, 1997, Moirand 1999, 2006; Rabatel &amp; Chauvin-Vileno 2006, nomeadamente), para descrever e analisar a constru&ccedil;&atilde;o discursiva das imagens dos migrantes em contraste com as dos europeus, com sali&ecirc;ncia para a d&ecirc;ixis pessoal, as escolhas lexicais e os processos de modaliza&ccedil;&atilde;o, marcados nos discursos. Conclui que o discurso dos m&eacute;dia foi fundamental para a constru&ccedil;&atilde;o discursiva do acontecimento social protagonizado pela chegada massiva de refugiados e migrantes &agrave; Europa. Essa constru&ccedil;&atilde;o articula-se em torno de dois grupos, <i>n&oacute;s</i> e <i>eles</i>. Na atividade de referencia&ccedil;&atilde;o levada a cabo, ocorre um processo de categoriza&ccedil;&atilde;o e recategoriza&ccedil;&atilde;o que aponta para a constru&ccedil;&atilde;o de um grupo homog&eacute;neo, <i>eles</i>, os <i>outros</i>, em torno de diferentes designa&ccedil;&otilde;es, mas maioritariamente em torno da designa&ccedil;&atilde;o &ldquo;refugiado&rdquo;. Em contraste com tal homogeneidade, o grupo constitu&iacute;do por <i>n&oacute;s</i>, os <i>europeus</i>, est&aacute; fraturado por dissensos em torno de valores, frequentemente marcados em estruturas paralel&iacute;sticas opositivas. Os modos de referencia&ccedil;&atilde;o, que convocam o conhecimento partilhado sobre a guerra, e a modalidade avaliativa enquadram o posicionamento dos locutores-enunciadores envolvidos na constru&ccedil;&atilde;o da opini&atilde;o p&uacute;blica e conferem aos discursos uma vertente emocional forte.</p>     <p><b>Palavras-chave</b></p>     <p>migrantes; refugiados; m&eacute;dia; d&ecirc;ixis; referencia&ccedil;&atilde;o</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This study analyses the press coverage of the migratory flow towards Europe in a period of intense visibility of this issue in the Portuguese press (September and October 2015), in a <i>corpus</i> of opinion texts and titles of other journalistic texts from three generalist reference publications at the national level. It draws on theoretical assumptions and methodological tools of discourse analysis, taken in a broad sense (Adam, 2011; Berthoud &amp; Mondada, 1995; Charaudeau, 1997, Moirand 1999, 2006; Rabatel &amp; Chauvin-Vileno 2006, nomeadamente), to describe and analyse the discursive construction of images of migrants in contrast to those of Europeans, with emphasis on the personal deixis, lexical choices and modalization processes marked in discourses. It concludes that the media discourse was fundamental in the discursive construction of the social event led by the massive arrival of refugees and migrants in Europe. This construction is structured around two groups, <i>us</i> and <i>them</i>. In the referenciation activity carried out, there is a process of categorization and recategorization that points to the construction of a homogeneous group, <i>they</i>, <i>the</i> <i>others</i>, around different designations, but mostly around the designation &ldquo;refugee&rdquo;. In contrast to such homogeneity, the group formed by <i>us, the Europeans</i>, is fractured by disagreements about values, often marked in oppositional parallel structures. The ways in which discursive referenciation is constructed, which call for shared knowledge about the war, and the evaluative modality frame the position of the locutors-enunciators involved in the construction of public opinion and give the speeches a strong emotional feature.</p>     <p><b>Keywords:&nbsp;</b>migrants; refugees; media; deixis; referenciation</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>A Europa est&aacute; confrontada, e tem-se confrontado tamb&eacute;m, com o fen&oacute;meno social maior dos refugiados. &Eacute; na imprensa que se apresentam e representam ecos da rea&ccedil;&atilde;o social e se prop&otilde;em e confrontam imagens e identidades de <i>n&oacute;s</i>, europeus, e dos <i>outros</i>, os &ldquo;clandestinos, depois migrantes, exilados e, s&oacute; por fim refugiados&rdquo;, como refere Rui Cardoso (2015, p. 29).&nbsp;</p>     <p>O discurso dos m&eacute;dia &eacute;, por consequ&ecirc;ncia, fundamental para a constru&ccedil;&atilde;o e difus&atilde;o de representa&ccedil;&otilde;es sobre o mundo, sobre eventos que marcam a(s) sociedade(s). Por&eacute;m os m&eacute;dia n&atilde;o retratam a realidade, antes a criam ativamente (Charaudeau, 1997).</p>     <p>Reconhecendo tal predom&iacute;nio, poder&aacute; mesmo afirmar-se que os m&eacute;dia desempenham um papel social mais poderoso do que outras institui&ccedil;&otilde;es no agendamento da vida social. Nash (2005, p. 18) atribui-lhes mesmo uma influ&ecirc;ncia superior &agrave; de outras institui&ccedil;&otilde;es tradicionais como o sistema familiar, religioso ou mesmo educativo.</p>     <p>Em particular, no quadro da atividade discursiva que releva de um g&eacute;nero jornal&iacute;stico espec&iacute;fico, o artigo de opini&atilde;o, destaca-se o papel dos <i>opinion makers</i> ou fazedores da opini&atilde;o p&uacute;blica. Tom&aacute;mos de van Dijk (2005, p. 37) a afirma&ccedil;&atilde;o dessa centralidade dos m&eacute;dia na sociedade atual, a par, como refere, de outros grupos de elite, como os pol&iacute;ticos, os empres&aacute;rios ou os professores. O poder medi&aacute;tico &eacute; um poder &ldquo;discursivo e simb&oacute;lico&rdquo; que influencia o cidad&atilde;o an&oacute;nimo, mas tamb&eacute;m as elites.</p>     <p>Assumindo este relevo dos m&eacute;dia tamb&eacute;m na sociedade portuguesa, pretendemos analisar o modo como as imagens dos migrantes/refugiados e dos europeus, atores em situa&ccedil;&otilde;es complexas com interesses nem sempre convergentes, s&atilde;o constru&iacute;das, nos discursos de opini&atilde;o veiculados pela imprensa de grande circula&ccedil;&atilde;o. &Eacute; uma quest&atilde;o fundamental para a elucida&ccedil;&atilde;o da representa&ccedil;&atilde;o discursiva do <i>fluxo migrante</i> para a Europa<i>, </i>&ldquo;o ser humano em tr&acirc;nsito&rdquo; (Nolasco, 2015, p. 47), que marcou a atualidade jornal&iacute;stica portuguesa ao longo de 2015 e 2016 e tem mantido, desde ent&atilde;o, uma presen&ccedil;a latente, ainda que menos ostensiva.</p>     <p>O <i>objetivo</i> nuclear do estudo &eacute;, assim, identificar, em textos de opini&atilde;o publicados em jornais portugueses durante um per&iacute;odo intenso de mediatiza&ccedil;&atilde;o da situa&ccedil;&atilde;o (setembro e outubro de 2015), a constru&ccedil;&atilde;o discursiva das imagens dos migrantes em contraste com a Europa, de que os articulistas fazem parte; est&aacute;, assim, em debate, na comunica&ccedil;&atilde;o social, a constru&ccedil;&atilde;o de <i>n&oacute;s e os outros</i>, identidades grupais heterog&eacute;neas, diversamente representadas e valorizadas. O distanciamento temporal que carateriza a an&aacute;lise permite-lhe uma objetividade acrescida.</p>     <p>Em particular, pretende-se identificar e analisar os modos de constru&ccedil;&atilde;o no discurso do movimento migrat&oacute;rio para a Europa, dos <i>refugiados</i>, representados como <i>eles</i>, <i>os outros</i> (e os respetivos contextos de ocorr&ecirc;ncia); a constru&ccedil;&atilde;o discursiva dos <i>europeus</i>, como <i>n&oacute;s</i> (com as v&aacute;rias realidades que se confrontam e se aliam); a constru&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o discursiva estabelecida entre <i>n&oacute;s</i> e <i>eles</i>.</p>     <p>Na an&aacute;lise destes processos de referencia&ccedil;&atilde;o discursiva dos &ldquo;migrantes&rdquo; e do mundo ocidental, daremos especial aten&ccedil;&atilde;o a mecanismos lingu&iacute;stico-discursivos diversos, mas com sali&ecirc;ncia para a d&ecirc;ixis pessoal e as escolhas lexicais efetuadas pelos diferentes locutores.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Enquadramento te&oacute;rico-metodol&oacute;gico </b></p>     <p>No contexto portugu&ecirc;s, &eacute; poss&iacute;vel rastrear j&aacute; um conjunto significativo de investiga&ccedil;&otilde;es recentes que anunciam estudar quest&otilde;es discursivas articulando migrantes e m&eacute;dia (por exemplo, Abdo, Cabecinhas &amp; Brites, 2019; Almeida, 2017; Barbosa, 2012; Costa, 2010; Macedo &amp; Cabecinhas, 2012; Oliveira, 2011; Santos, 2016; Silva, 2017). Mas, se v&aacute;rios associam e analisam os temas m&eacute;dia e migrantes, alguns com foco particular nas minorias &eacute;tnicas ou na problem&aacute;tica das mulheres neste contexto (C&aacute;dima &amp; Figueiredo, 2003; Carvalho, 2007; Ferin &amp; Santos, 2008; Galante, 2010; Santos, 2007; Silvestre, 2011; Togni, 2008), &eacute; de salientar que tais estudos se inscrevem sobretudo nos campos das Ci&ecirc;ncias da Comunica&ccedil;&atilde;o e da Etnologia, em detrimento de abordagens feitas a partir das Ci&ecirc;ncias da Linguagem. Aparentemente, o assunto n&atilde;o tem sido adotado como objeto de an&aacute;lise por especialistas da &aacute;rea. Com efeito, os estudos acima identificados desenvolvem sobretudo an&aacute;lises de conte&uacute;do, de teor quantitativo, complementadas com alguma abordagem qualitativa; nenhum deles se inscreve no quadro te&oacute;rico-metodol&oacute;gico da an&aacute;lise dos discursos<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>. Ora, como refere van Dijk (2005), acreditamos que &eacute; importante, para a compreens&atilde;o deste fen&oacute;meno social, uma an&aacute;lise da l&iacute;ngua em uso, isto &eacute;, em contexto, com aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s estrat&eacute;gias discursivas e estruturas complexas que configuram os textos<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a> jornal&iacute;sticos selecionados, e que v&aacute; al&eacute;m da abordagem das pe&ccedil;as jornal&iacute;sticas tomadas como mensagens linguisticamente transparentes segundo uma an&aacute;lise de conte&uacute;do centrada unicamente em m&eacute;todos quantitativos.</p>     <p>No quadro de uma abordagem discursiva-enunciativa aqui adotada, os discursos s&atilde;o considerados como pr&aacute;ticas lingu&iacute;sticas sociais (Bakhtine, 1984), pelo que a aten&ccedil;&atilde;o &agrave; sua constru&ccedil;&atilde;o social, cultural, contextual e lingu&iacute;stica determina a presente an&aacute;lise. Para a an&aacute;lise da constru&ccedil;&atilde;o dos objetos de discurso que selecion&aacute;mos<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a> , tomamos como autores fundamentais, entre outros, Berthoud e Mondada (1995), Cavalcante (2003, 2012), Koch e Cortez (2015), Marchuschi (2006), Moirand (2016), Moirand e Reboul-Tour&eacute; (2015), Mondada e Dubois (1995), Mondada (2001), Rabatel e Chauvin-Vileno (2006). Destacando a capacidade referencial da l&iacute;ngua, a teoria da referencia&ccedil;&atilde;o por eles desenvolvida inter-relaciona enuncia&ccedil;&atilde;o e refer&ecirc;ncia, no seguimento, ali&aacute;s das propostas de Benveniste (1970). Berthoud e Mondada (1995, p. 206) retomam esta quest&atilde;o quando afirmam que</p>     <p>     <blockquote>cada palavra estabelece, no momento em que &eacute; enunciada, o universo a que se reporta; prop&otilde;e objetos de discurso, que lhe n&atilde;o s&atilde;o pr&eacute;-existentes, mas que emergem no ato de enuncia&ccedil;&atilde;o e se transformam &agrave; medida que este decorre ou que outros se encadeiam com ele.</blockquote>     <p></p>     <p>A referencia&ccedil;&atilde;o &eacute; indissoci&aacute;vel da posi&ccedil;&atilde;o enunciativa do locutor e, por conseguinte, da responsabilidade enunciativa que lhe &eacute; inerente (Marques, 2018)<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a> .</p>     <p>As escolhas operadas pelo locutor, no processo de referencia&ccedil;&atilde;o, nomeadamente ao n&iacute;vel do l&eacute;xico, para categorizar e recategorizar os objetos de discurso contribuem, de modo decisivo, para a constru&ccedil;&atilde;o de cren&ccedil;as culturais compartilhadas, nas palavras de Nash (2005).</p>     <p>Para a an&aacute;lise a realizar, foram selecionados, da imprensa escrita, textos de opini&atilde;o &ndash; artigos de opini&atilde;o e editoriais &ndash; e t&iacute;tulos de outras pe&ccedil;as jornal&iacute;sticas, divulgados em tr&ecirc;s publica&ccedil;&otilde;es generalistas de refer&ecirc;ncia de &acirc;mbito nacional: a revista semanal <i>Vis&atilde;o</i>, o jornal di&aacute;rio <i>P&uacute;blico</i> e o seman&aacute;rio <i>Expresso</i>, tomados como representativos do &ldquo;poder global dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o&rdquo; (van Dijk 2005, p. 37) na sociedade portuguesa. Estes dados s&atilde;o relativos aos meses de setembro e outubro de 2015, um per&iacute;odo de particular intensidade na produ&ccedil;&atilde;o de not&iacute;cias sobre os refugiados que chegam &agrave; Europa. Os n&uacute;meros assustadores de mortos por afogamento e a imagem inesperada e chocante de uma crian&ccedil;a morta, numa praia de embarque clandestino na Turquia, no in&iacute;cio de setembro de 2015, avivaram, por efeitos emocionais, a import&acirc;ncia medi&aacute;tica do problema.</p>     <p>O processo de sele&ccedil;&atilde;o dos dados passou pela identifica&ccedil;&atilde;o de todas as ocorr&ecirc;ncias dos lexemas <i>refugiado</i>, <i>migrante</i> e <i>imigrante</i> em artigos de opini&atilde;o e editoriais. Para ligar estas ocorr&ecirc;ncias aos textos jornal&iacute;sticos de informa&ccedil;&atilde;o, os mesmos voc&aacute;bulos foram recolhidos nos t&iacute;tulos e subt&iacute;tulos das not&iacute;cias, com destaque para a ocorr&ecirc;ncia na primeira p&aacute;gina dos peri&oacute;dicos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O l&eacute;xico interessa-nos enquanto parte da unidade global que &eacute; o discurso. Por isso, a aten&ccedil;&atilde;o ao cotexto das ocorr&ecirc;ncias &eacute; necess&aacute;ria, a fim de evidenciar a constru&ccedil;&atilde;o destes objetos discursivos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A constru&ccedil;&atilde;o discursiva dos outros: &ldquo;eles, os refugiados, migrantes&hellip;&rdquo;</b></p>     <p><b>Enquadramento pol&iacute;tico-social</b></p>     <p>Com visibilidade di&aacute;ria, a quest&atilde;o dos refugiados em fuga para a Europa manteve-se na agenda medi&aacute;tica ao longo dos meses em an&aacute;lise &ndash; setembro e outubro de 2015. Tal perman&ecirc;ncia evidencia a import&acirc;ncia e o impacto que assumiu na sociedade portuguesa. De facto, deve ter-se em conta que este tema coexistiu com uma agenda pol&iacute;tica portuguesa muito relevante em termos sociais e medi&aacute;ticos, com o final da campanha eleitoral para o parlamento portugu&ecirc;s e as respetivas elei&ccedil;&otilde;es, com a crise pol&iacute;tica p&oacute;s-eleitoral (forma&ccedil;&atilde;o do governo, sua queda, forma&ccedil;&atilde;o de novo governo apoiado, pela primeira vez na hist&oacute;ria da democracia portuguesa, por uma alian&ccedil;a parlamentar dos partidos da esquerda), com o fim de mandato presidencial e o in&iacute;cio de nova campanha eleitoral para a Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica. As aten&ccedil;&otilde;es e as preocupa&ccedil;&otilde;es sociais centraram-se em quest&otilde;es internas, sobretudo econ&oacute;micas, no final de um per&iacute;odo de apoio financeiro externo e de um dur&iacute;ssimo retrocesso no rendimento das fam&iacute;lias portuguesas, com uma austeridade que gerou imensos problemas nos indiv&iacute;duos, nas empresas e no Estado. Estavam reunidas condi&ccedil;&otilde;es mais do que suficientes para que a problem&aacute;tica dos migrantes/refugiados fosse rapidamente empurrada para os espa&ccedil;os marginais relativamente &agrave; centralidade dos artigos que tratavam das lutas pol&iacute;ticas internas e das preocupa&ccedil;&otilde;es profissionais e pessoais dos portugueses. Ainda assim, ao longo do per&iacute;odo em an&aacute;lise, a quest&atilde;o dos refugiados que chegavam &agrave; Europa recebeu um tratamento medi&aacute;tico permanente e destacado (em t&iacute;tulos de primeira p&aacute;gina, acompanhados de fotografias, destaques, artigos de opini&atilde;o e espa&ccedil;os de publica&ccedil;&atilde;o individualizados).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Enquadramento medi&aacute;tico</b></p>     <p>Houve, em termos de cobertura medi&aacute;tica, um evento que suscitou um pico de interesse p&uacute;blico sobre a quest&atilde;o dos refugiados: a publica&ccedil;&atilde;o, nas redes sociais e nos m&eacute;dia, da fotografia de uma crian&ccedil;a, Aylan<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a> , de tr&ecirc;s anos, afogada e arremessada pelo mar a uma praia turca. A vis&atilde;o dessa crian&ccedil;a chocou a opini&atilde;o p&uacute;blica e gerou uma intensifica&ccedil;&atilde;o de toda a cobertura medi&aacute;tica, que se refletiu em m&uacute;ltiplos artigos, de diferentes tipos<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a> .</p>     <p>A mediatiza&ccedil;&atilde;o da quest&atilde;o dos refugiados teve a participa&ccedil;&atilde;o de m&uacute;ltiplos atores sociais (nomeadamente, jornalistas, comentadores, pol&iacute;ticos, ativistas dos diretos humanos, professores universit&aacute;rios). Pode afirmar-se que se produziu sobre o tema um discurso heterog&eacute;neo, em termos de tipologia discursiva e de agentes produtores.</p>     <p>No que respeita aos autores de artigos de opini&atilde;o e editoriais<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a> , os quadros seguintes permitem identificar as vozes que se manifestaram nas publica&ccedil;&otilde;es em an&aacute;lise.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="t1"></a> <img src="/img/revistas/csoc/v38/v38a02t1.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="t2"></a> <img src="/img/revistas/csoc/v38/v38a02t2.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="t3"></a> <img src="/img/revistas/csoc/v38/v38a02t3.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Estes quadros d&atilde;o conta de uma intensa atividade discursiva envolvendo um leque alargado de indiv&iacute;duos, entre colaboradores regulares com fun&ccedil;&atilde;o de comentar a realidade nacional e internacional, jornalistas e pol&iacute;ticos, mas tamb&eacute;m cidad&atilde;os an&oacute;nimos a quem a dire&ccedil;&atilde;o dos peri&oacute;dicos decide dar visibilidade, publicando as suas &ldquo;cartas ao diretor&rdquo; na sec&ccedil;&atilde;o respetiva.</p>     <p>Dois tipos de organiza&ccedil;&atilde;o tem&aacute;tica sobressaem: a par de um enquadramento em quest&otilde;es gerais geopol&iacute;ticas, hist&oacute;ricas e culturais, h&aacute;, por vezes, um enquadramento a partir de casos particulares e pessoais do <i>opinion-maker,</i> em narrativas de experi&ecirc;ncia de vida, que servem de ponto de partida para generaliza&ccedil;&otilde;es posteriores.</p>     <p>&Eacute; de assinalar que, como veremos, os m&eacute;dia portugueses assumem claramente uma posi&ccedil;&atilde;o favor&aacute;vel ao acolhimento de refugiados, identific&aacute;vel pela modalidade<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a> avaliativa que os textos mostram, mas d&atilde;o igualmente alguma visibilidade aos defensores da rejei&ccedil;&atilde;o. Para Portugal, estas posi&ccedil;&otilde;es de rejei&ccedil;&atilde;o de refugiados manifestam-se somente nas cartas ao diretor, pela voz de cidad&atilde;os comuns &ldquo;an&oacute;nimos&rdquo; (em termos de notoriedade social, apenas, porque &eacute; indicada a autoria das cartas). As rejei&ccedil;&otilde;es em termos de posi&ccedil;&otilde;es assumidas no espa&ccedil;o europeu s&atilde;o sobretudo veiculadas nos artigos informativos e nos t&iacute;tulos. Colocamos como hip&oacute;tese explicativa que esta atitude, identificada nas tr&ecirc;s publica&ccedil;&otilde;es em an&aacute;lise, se poder&aacute; dever ao facto de os <i>opinion-makers</i> assumirem uma atitude de &ldquo;responsabilidade&rdquo;, no sentido em que dela fala Moirand (2006), ou seja, marcada pela &eacute;tica e pela moral. S&atilde;o incapazes de rejeitar ou propor a rejei&ccedil;&atilde;o de pessoas que lutam pela sua sobreviv&ecirc;ncia, fugindo a um cen&aacute;rio de guerra, relativamente ao qual est&atilde;o numa posi&ccedil;&atilde;o de v&iacute;timas indefesas. S&oacute; os comentadores menos empenhados socialmente, os tais cidad&atilde;os an&oacute;nimos que resolvem escrever &ldquo;cartas ao diretor&rdquo;, manifestam uma posi&ccedil;&atilde;o contracorrente e menos comprometida com a &eacute;tica. Contudo, o jornal decide dar-lhes voz, em respeito pelo exerc&iacute;cio da liberdade de express&atilde;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Constru&ccedil;&atilde;o do objeto de discurso &ndash; refugiado, migrante, imigrante/eles</b></p>     <p><b>Quantifica&ccedil;&atilde;o de ocorr&ecirc;ncias</b></p>     <p>A recolha das ocorr&ecirc;ncias dos itens lexicais em an&aacute;lise, <i>refugiado, migrante </i>ou<i> imigrante</i> (referindo-se a indiv&iacute;duos oriundos do M&eacute;dio Oriente ou de &Aacute;frica que se deslocam para a Europa) em textos de opini&atilde;o, que guiou a an&aacute;lise, mostra os resultados apresentados na tabela seguinte.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="t4"></a> <img src="/img/revistas/csoc/v38/v38a02t4.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Ou seja, no per&iacute;odo em estudo, e considerando apenas o jornal <i>P&uacute;blico</i>, 75,4% dos exemplares cont&ecirc;m artigos de opini&atilde;o onde ocorrem as palavras <i>refugiado, migrante </i>ou<i> imigrante</i>. No que concerne ao seman&aacute;rio<i> Expresso</i>, a percentagem &eacute; de 77,7% para os mesmos voc&aacute;bulos. Na <i>Vis&atilde;o</i>, por sua vez, a percentagem &eacute; de 88,8%.</p>     <p>Finalmente, considerando os dois meses em an&aacute;lise, &eacute; quase obsessiva a presen&ccedil;a do tema no <i>P&uacute;blico</i> durante o m&ecirc;s de setembro, com ocorr&ecirc;ncias dos tr&ecirc;s itens lexicais em textos de opini&atilde;o, em todas as edi&ccedil;&otilde;es ao longo do m&ecirc;s. No m&ecirc;s de outubro, a incid&ecirc;ncia diminui, mas, ainda assim, h&aacute; ocorr&ecirc;ncias a registar em mais de metade das edi&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>Nas duas outras publica&ccedil;&otilde;es, a incid&ecirc;ncia &eacute; igualmente muito alta, em quase todas as edi&ccedil;&otilde;es do per&iacute;odo analisado. Acresce que, sobretudo nos seman&aacute;rios <i>Expresso</i> e <i>Vis&atilde;o</i>, as edi&ccedil;&otilde;es cont&ecirc;m, em diversos casos, v&aacute;rios artigos de opini&atilde;o que versam sobre a tem&aacute;tica em causa.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Assim, estes voc&aacute;bulos funcionar&atilde;o como designa&ccedil;&otilde;es de indiv&iacute;duos ou grupos concretos mas tamb&eacute;m como <i>mots-&eacute;v&eacute;nements</i> (Moirand 2006), ou seja, express&otilde;es que evocam determinados acontecimentos ou <i>frames</i>, apelando &agrave; mem&oacute;ria interdiscursiva do leitor.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A categoriza&ccedil;&atilde;o do objeto de discurso como &ldquo;refugiado&rdquo;</b></p>     <p>A procura da designa&ccedil;&atilde;o adequada dos objetos de discurso &eacute; uma das dimens&otilde;es do processo de referencia&ccedil;&atilde;o. Os pr&oacute;prios jornalistas e outros comentadores fazem sobressair essa import&acirc;ncia.</p>     <p>A an&aacute;lise dos artigos selecionados mostra que a designa&ccedil;&atilde;o &ldquo;refugiado&rdquo; &eacute; claramente a mais frequente, face &agrave;s v&aacute;rias op&ccedil;&otilde;es que ocorrem para designar estes &ldquo;seres humanos em tr&acirc;nsito&rdquo;. De acordo com a frequ&ecirc;ncia de ocorr&ecirc;ncias, o termo teve a capacidade de se impor face aos restantes termos que coocorrem para designar o mesmo objeto de discurso<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a> .</p>     <p>Mas outros itens lexicais ou constru&ccedil;&otilde;es evocam igualmente a realidade dos refugiados. Entre estes, contam-se, por exemplo, termos como &ldquo;deslocado&rdquo;, &ldquo;requerente de asilo&rdquo;, &ldquo;exilado&rdquo;, &ldquo;clandestino&rdquo; ou &ldquo;fugitivo&rdquo;, todos, no entanto, com muito menos ocorr&ecirc;ncias, mas escolhas fundamentais para a categoriza&ccedil;&atilde;o do referente discursivo. Em alguns casos, a combina&ccedil;&atilde;o &ldquo;refugiados e migrantes&rdquo;, provavelmente por ser esta a f&oacute;rmula recomendada pelo ACNUR &ndash; a ag&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para os refugiados &ndash;, amalgama diferentes objetos de discurso numa mesma designa&ccedil;&atilde;o composta, um processo divergente do ponto de vista das entidades governamentais, nomeadamente<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a> .</p>     <p>A op&ccedil;&atilde;o por &ldquo;refugiados&rdquo; seleciona a guerra como <i>t&oacute;pico</i> enquadrador (com o cortejo de refugiados que esta provoca, associada, ainda, &agrave;s mem&oacute;rias dolorosas da II Guerra Mundial) em detrimento do t&oacute;pico da crise econ&oacute;mica (geradora de movimentos de migrantes em busca de melhores condi&ccedil;&otilde;es de vida). A valoriza&ccedil;&atilde;o social da guerra como situa&ccedil;&atilde;o de perigo extremo manifesta e cria um ambiente mais favor&aacute;vel para a imagem dos indiv&iacute;duos do que o faria um quadro de problemas econ&oacute;micos, por ser uma estrat&eacute;gia mais produtiva na gera&ccedil;&atilde;o do <i>pathos</i> necess&aacute;rio a um movimento de compaix&atilde;o e aceita&ccedil;&atilde;o, que os diversos artigos de opini&atilde;o visam.</p>     <p>Ao longo de todos os artigos analisados, a express&atilde;o referencial usada dispensa especifica&ccedil;&otilde;es e, por isso, &eacute; sempre referida como &ldquo;os refugiados&rdquo; (com determinante definido) ou s&oacute; &ldquo;refugidos&rdquo; (com determinante zero). Isto &eacute;, dada a sali&ecirc;ncia contextual do objeto, nenhum autor mostra sentir necessidade de especificar que s&atilde;o os refugiados que chegam &agrave; Europa oriundos do m&eacute;dio oriente ou de &Aacute;frica. Em alguns casos, &eacute; acrescentado um adjetivo, como no sintagma nominal &ldquo;os refugiados s&iacute;rios&rdquo;, estabelecendo distin&ccedil;&otilde;es discretas e pontuais na mole humana que a express&atilde;o designa, mas n&atilde;o sem consequ&ecirc;ncias ao n&iacute;vel dos sentidos do discurso. A adjetiva&ccedil;&atilde;o distingue os refugiados protot&iacute;picos, d&aacute;-lhes sali&ecirc;ncia no drama em curso.</p>     <p>Para o uso do determinante definido ou de determinante zero podem ser arroladas duas explica&ccedil;&otilde;es complementares. Por um lado, os textos analisados s&atilde;o artigos de opini&atilde;o, discursos dial&oacute;gicos que entram em rela&ccedil;&atilde;o com outros textos presentes na mesma edi&ccedil;&atilde;o do peri&oacute;dico, que evocam, reproduzem, comentam, e dos quais se aproximam ou distanciam, mas para os quais remetem, numa cadeia anf&oacute;rica constru&iacute;da no espa&ccedil;o f&iacute;sico do jornal. Assim, os textos de teor informativo, primeiros no espa&ccedil;o f&iacute;sico do jornal, d&atilde;o espa&ccedil;o &agrave; relev&acirc;ncia da categoriza&ccedil;&atilde;o do referente como &ldquo;refugiado&rdquo;, relativamente &agrave; qual se estabelecem rela&ccedil;&otilde;es de correfer&ecirc;ncia nos textos de opini&atilde;o.</p>     <p>Por outro lado, os textos de opini&atilde;o remetem para um interdiscurso medi&aacute;tico que circula na esfera p&uacute;blica (Moirand, 1999, 2006), mesmo que n&atilde;o esteja pontualmente presente na mesma edi&ccedil;&atilde;o do peri&oacute;dico. Abordar o t&oacute;pico dos refugiados, no momento em causa e no espa&ccedil;o p&uacute;blico nacional, dispensou esclarecimentos adicionais sobre o objeto de discurso, tal era a presen&ccedil;a e a capacidade de imposi&ccedil;&atilde;o social da quest&atilde;o evocada.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Categoriza&ccedil;&atilde;o e quantifica&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>O uso de quantificadores<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a> com valor superlativante est&aacute;, de igual modo, ao servi&ccedil;o da cria&ccedil;&atilde;o de dramatismo, uma estrat&eacute;gia para atrair o leitor e manter o seu interesse, surpreendendo-o e emocionando-o. &Eacute; frequente que os acontecimentos ou os estados de coisas associados aos refugiados sejam, assim, modificados atrav&eacute;s do uso de quantificadores. Estes podem ser divididos em dois grupos.</p>     <p>No primeiro grupo encontram-se as quantifica&ccedil;&otilde;es exatas. Estas ocorrem frequentemente nos artigos de opini&atilde;o analisados, apontando para realidades extremas, mesmo que n&atilde;o seja f&aacute;cil aos leitores ter uma imagem precisa do que elas significam.</p>     <p>Assinale-se que, dadas as determina&ccedil;&otilde;es do g&eacute;nero, n&atilde;o &eacute; expect&aacute;vel que os artigos de opini&atilde;o usem estas estrat&eacute;gias. Ao contr&aacute;rio, seria mais expect&aacute;vel que fossem os artigos de cariz informativo a apresentar tais quantifica&ccedil;&otilde;es. Os artigos de opini&atilde;o, de reflex&atilde;o sobre a realidade evocada nos primeiros, privilegiariam outras vertentes. N&atilde;o obstante, &eacute; frequente o recurso a tais procedimentos, que, na verdade, criam um dramatismo, que percorre todos os artigos, decorrente da grandeza dos n&uacute;meros, como se evidencia nos exemplos seguintes:</p>     <p>     <blockquote>a ONU calcula que desde janeiro tenham atravessado o Mediterr&acirc;neo <i>380 mil pessoas</i>, das quais <i>tr&ecirc;s mil</i> morreram ou desapareceram. Duas novas frentes se abriram nas &uacute;ltimas semanas: a ilha grega de Lesbos, com <i>20 mil refugiados</i> vindos da costa turca (equivalentes a <i>um quarto da popula&ccedil;&atilde;o local</i>), e a fronteira da Hungria com a S&eacute;rvia, donde <i>20 mil pessoas</i> (<i>metade das quais</i> chegadas nos &uacute;ltimos tr&ecirc;s meses) foram levadas no fim de semana. (<i>Expresso</i>, 12/09/2015, p. 29)<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a>         <p></p>         <p>Espera-se que cheguem &agrave; Alemanha <i>entre 800 mil e 1,5 milh&otilde;es de refugiados este ano</i>, levando ao limite a m&aacute;quina administrativa alem&atilde;. S&oacute; para integrar as crian&ccedil;as na escola, por exemplo, ser&atilde;o necess&aacute;rios <i>mais cerca de 25 mil professores</i>, estimam associa&ccedil;&otilde;es citadas pelo <i>Economist</i>. (<i>Vis&atilde;o</i>, 29/10/2015, p. 29)</p>         <p>Juncker prop&otilde;e redistribui&ccedil;&atilde;o de mais <i>120 mil refugiados</i> pela EU. (<i>P&uacute;blico</i>, 04/09/2015, p. 2)   </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p></p>     <p>No segundo grupo de quantificadores, incluem-se as express&otilde;es que evocam quantidades aproximadas. Tamb&eacute;m estas express&otilde;es, categorizadoras (e recategorizadoras) do objeto de discurso em constru&ccedil;&atilde;o, tal como as quantifica&ccedil;&otilde;es exatas, se encontram ao servi&ccedil;o da superlativiza&ccedil;&atilde;o do evento, a partir da explicita&ccedil;&atilde;o recorrente da quantidade, extrema e avassaladora, talvez mesmo incontrol&aacute;vel, na perspetiva do locutor/enunciador (L/E): <i>vaga</i>, <i>fluxo</i>, <i>onda</i>, <i>mar&eacute;</i>, &ecirc;xodo, leva, explos&atilde;o, milh&otilde;es de encontram-se entre os mais salientes, como ilustram os exemplos abaixo:</p>     <p>     <blockquote>essas <i>levas humanas</i> fogem &agrave; mis&eacute;ria, &agrave; fome, para acalentar a esperan&ccedil;a de poderem continuar a viver. (<i>P&uacute;blico</i>, 14/09/2015, p. 47)         <p></p>         <p>Alheios a estes jogos de poder est&atilde;o <i>milh&otilde;es de seres humanos</i> que lutam por sobreviver e procuram uma sa&iacute;da dos palcos de guerra, que n&atilde;o entendem nem procuram entender. (<i>P&uacute;blico</i>, 04/09/2015, p. 53)</p>         <p>Gerir o <i>fluxo maci&ccedil;o e inesperado dos refugiados</i> que fogem da guerra e ajudar as pessoas que perderam tudo &eacute; um enorme desafio. (<i>P&uacute;blico</i>, 13/10/2015, p. 47)</p>         <p>As alternativas seriam a continua&ccedil;&atilde;o das vidas destro&ccedil;adas, da morte, da desestabiliza&ccedil;&atilde;o da regi&atilde;o, dos &ecirc;xodos e a expans&atilde;o do terror, da barb&aacute;rie e dos crimes contra a Humanidade e o patrim&oacute;nio hist&oacute;rico. (<i>Vis&atilde;o</i>, 17/09/2015, p. 74)</p>         <p>Refiro-me &agrave; <i>explos&atilde;o migrat&oacute;ria</i>, aos corredores da desgra&ccedil;a humana que rasgam o Mediterr&acirc;neo e combinam esperan&ccedil;a e desespero, tr&aacute;fico e viol&ecirc;ncias, naufr&aacute;gios e imagens de crian&ccedil;as a caminhar ao longo das vias f&eacute;rreas. (<i>Vis&atilde;o</i>, 03/09/2015, p. 77)</p>         <p>A &uacute;ltima semana permitiu mudar o rumo da discuss&atilde;o sobre <i>a vaga de refugiados e migrantes</i> que chegam &agrave; Uni&atilde;o Europeia. (<i>Expresso</i>, 12/09/2015, p. 8)</p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>As ondas de refugiados</i> que batem desesperados &agrave;s portas da Europa, fugindo da guerra e da barb&aacute;rie instaladas nos seus pa&iacute;ses de origem, est&aacute; a interpelar-nos de forma brutal. (<i>Expresso</i>, 19/09/2015, p. 35)</p> </blockquote>     <p>Estas express&otilde;es que quantificam, de modo superlativo e metaf&oacute;rico, os objetos de discurso n&atilde;o tra&ccedil;am cen&aacute;rios euf&oacute;ricos. Pelo contr&aacute;rio, colaboram na cria&ccedil;&atilde;o de cen&aacute;rios fortemente disf&oacute;ricos, no que s&atilde;o auxiliadas por outras express&otilde;es referenciais que as enquadram, ao servi&ccedil;o da cria&ccedil;&atilde;o de um discurso dram&aacute;tico, emocionado e pat&eacute;mico (&ldquo;corredores da desgra&ccedil;a humana que rasgam o Mediterr&acirc;neo&rdquo;; &ldquo;batem desesperados &agrave;s portas da Europa&rdquo;).</p>     <p>Como foi referido acima, a guerra &eacute; o quadro social enquadrador do movimento migrat&oacute;rio sempre referido no discurso por express&otilde;es disf&oacute;ricas. Mesmo sem procedermos a uma quantifica&ccedil;&atilde;o exata das ocorr&ecirc;ncias, &eacute; percet&iacute;vel que, transversais &agrave;s tr&ecirc;s publica&ccedil;&otilde;es, as express&otilde;es &ldquo;crise dos refugiados&rdquo; e &ldquo;drama dos refugiados&rdquo; se imp&otilde;em. N&atilde;o exaustivamente, elencamos, abaixo, para os artigos de opini&atilde;o do <i>P&uacute;blico</i>, oito express&otilde;es que podemos considerar em rela&ccedil;&atilde;o de sinon&iacute;mia textual e respetivas ocorr&ecirc;ncias:</p>     <p>&ldquo;a trag&eacute;dia de dezenas de refugiados&rdquo; (seis ocorr&ecirc;ncias);</p>     <p>&ldquo;a crise dos refugiados&rdquo; (28 oc.);</p>     <p>&ldquo;o problema dos refugiados&rdquo; (duas oc);</p>     <p>&ldquo;o drama dos refugiados&rdquo;<b> (</b>nove oc.);</p>     <p>&ldquo;caos humanit&aacute;rio&rdquo; (uma oc.);</p>     <p>&ldquo;quest&atilde;o dos refugiados&rdquo; (quatro oc.);</p>     <p>&ldquo;drama humano&rdquo; (uma oc.);</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&ldquo;trag&eacute;dia quotidiana&rdquo; (uma oc.).</p>     <p>No caso do <i>Expresso</i>, pode apontar-se, igualmente a t&iacute;tulo exemplificativo, o emprego de outras express&otilde;es disf&oacute;ricas semelhantes:</p>     <p>&ldquo;inferno&rdquo; (cinco oc.);</p>     <p>&ldquo;trag&eacute;dia humanit&aacute;ria&rdquo;/&ldquo;trag&eacute;dia humana&rdquo; (duas oc.).</p>     <p>Finalmente, no caso da <i>Vis&atilde;o</i>, o panorama mant&eacute;m-se:</p>     <p>&ldquo;tormenta&rdquo; (uma oc.);</p>     <p>&ldquo;barb&aacute;rie&rdquo; (uma oc.);</p>     <p>&ldquo;inqualific&aacute;vel drama&rdquo; (uma oc.).</p>     <p>Fica, desta forma, igualmente marcada a modaliza&ccedil;&atilde;o (Kerbrat-Orecchioni, 1980; Monte, 2011; Vion, 2005) operada pelo enunciador, que encontra na dramatiza&ccedil;&atilde;o uma estrat&eacute;gia de atratividade para o seu texto, enquanto constr&oacute;i para si uma imagem de indiv&iacute;duo sens&iacute;vel e humano.</p>     <p>Como &eacute; caracter&iacute;stico de algum discurso medi&aacute;tico, a metaforiza&ccedil;&atilde;o do real discursivizado associa-se &agrave; espetaculariza&ccedil;&atilde;o dos estados de coisas, para chocar, para atrair o leitor, para emocionar.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Constru&ccedil;&atilde;o do objeto de discurso &ldquo;os europeus&rdquo; &ndash; n&oacute;s</b></p>     <p><b>Constru&ccedil;&atilde;o de dicotomias contrastantes: n&oacute;s e eles</b></p>     <p>Os textos jornal&iacute;sticos operam frequentemente um tratamento dicot&oacute;mico entre <i>eles</i>, os refugiados, e <i>n&oacute;s</i>, os europeus, desenhando diferentes perfis, a&ccedil;&otilde;es e responsabilidades para uns e outros.</p>     <p>A quest&atilde;o da referencia&ccedil;&atilde;o dos refugiados como <i>eles</i>, como os <i>diferentes </i>ou <i>estrangeiros/estranhos</i> &eacute; abordada nos jornais. Em v&aacute;rios momentos, em processos mais ou menos discretos de modaliza&ccedil;&atilde;o, os textos de opini&atilde;o representam os refugiados no seu percurso de fuga, os perigos e riscos que experimentam, o sofrimento que suportam, as suas expectativas e esperan&ccedil;as, nomeadamente. Raramente s&atilde;o feitas cr&iacute;ticas ou s&atilde;o constru&iacute;dos quadros nos quais <i>eles</i> assumam pap&eacute;is negativamente conotados. Intencionalmente ou n&atilde;o, h&aacute; neste processo de mostrar o <i>outro</i> uma dimens&atilde;o de humaniza&ccedil;&atilde;o e, portanto, de aproxima&ccedil;&atilde;o afetiva, que se orienta para a defesa do acolhimento dos refugiados, marcada em processos lingu&iacute;stico-pragm&aacute;ticos disf&oacute;ricos de substantiva&ccedil;&atilde;o, adjetiva&ccedil;&atilde;o e de metaforiza&ccedil;&atilde;o:</p>     <p>     <blockquote>n&atilde;o s&atilde;o imigrantes (ou migrantes como &eacute; mais simples cham&aacute;-los) pois que n&atilde;o escolhem partir dos seus pa&iacute;ses, mas sim deslocados, <i>empurrados por guerras</i> que o Ocidente, na generalidade, e a Europa, por completa omiss&atilde;o, alimentaram. (<i>P&uacute;blico</i>, 04/09/2015, p. 53)         <p></p>         <p>Os refugiados pol&iacute;ticos da S&iacute;ria, <i>fugidos do horror e da barb&aacute;rie</i>, s&atilde;o mais importantes do que as ru&iacute;nas romanas de Palmira destru&iacute;das pelos mesmos monstros sob forma humana (&hellip;). Indo ao concreto, que &eacute; aquilo que interessa a estes <i>deserdados da terra</i>. (<i>Expresso</i>, 05/09/2015, p. 7)</p>         <p><i>Os refugiados n&atilde;o s&atilde;o como as sardinhas </i>(&hellip;) Ana Macedo mostrava-se incomodada por os refugiados terem passado, tamb&eacute;m eles, a serem tratados como n&uacute;meros. <i>Com o destino desenhado em folhas de Excel</i>.</p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O que mais se ouve s&atilde;o discuss&otilde;es sobre quotas, tudo se resume a quotas. De sardinhas, de leite&hellip; de refugiados. (<i>Vis&atilde;o</i>, 10/09/2015, p. 16)</p> </blockquote>     <p>H&aacute; uma homogeneiza&ccedil;&atilde;o do grupo na prefer&ecirc;ncia pela designa&ccedil;&atilde;o de &ldquo;refugiados&rdquo;, ao contr&aacute;rio das entidades governamentais, que insistem na distin&ccedil;&atilde;o entre refugiados e migrantes, com consequ&ecirc;ncias perlocut&oacute;rias importantes.</p>     <p>Por oposi&ccedil;&atilde;o, &ldquo;os europeus&rdquo;, o grupo em que o locutor se integra e &eacute;, por isso, referido como <i>n&oacute;s</i>, s&atilde;o configurados no outro lado da barricada, ou da fronteira, ou do muro, num mundo de abund&acirc;ncia e paz, atrativo para os <i>outros</i>. Pese embora a fun&ccedil;&atilde;o <i>in-group </i>do pronome <i>n&oacute;s</i>, h&aacute; um distanciamento expl&iacute;cito, mediado por um ju&iacute;zo avaliativo negativo, dos diversos locutores/enunciadores relativamente ao que consideram ser a exist&ecirc;ncia de uma atitude at&aacute;vica ou defensiva, quando n&atilde;o hip&oacute;crita, que n&atilde;o &eacute; eticamente aceit&aacute;vel:</p>     <p>     <blockquote>a <i>nossa</i> seguran&ccedil;a, a <i>nossa</i> economia, a <i>nossa</i> demografia, a <i>nossa</i> democracia, a <i>nossa</i> cultura est&atilde;o a ser desafiadas pelas <i>nossas</i> respostas a esta <i>crise humanit&aacute;ria</i>. (<i>P&uacute;blico</i>, 02/09/2015, p. 46)         <p></p>         <p>Aylan morreu vestido com do&ccedil;ura, na posi&ccedil;&atilde;o semifetal, em que vimos os <i>nossos</i> filhos adormecer tranquilizados. E <i>n&oacute;s</i> chor&aacute;mos todos. (<i>P&uacute;blico</i>, 11/09/2015, p. 48)</p>         <p>Hoje <i>discutimos</i>, e <i>discutimos</i>, e <i>discutimos</i>, e <i>voltamos</i> a discutir a divis&atilde;o de 120.000 de refugiados pelos quatro cantos de uma <i>Europa que se fez t&atilde;o rica quanto ego&iacute;sta e xen&oacute;foba</i>. (<i>Vis&atilde;o</i>, 01/10/2015, p. 46)</p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A constru&ccedil;&atilde;o de diferentes &ldquo;europas&rdquo;</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>De facto, a Europa n&atilde;o &eacute; configurada como um todo uniforme, pois a rea&ccedil;&atilde;o &agrave; chegada dos refugiados &eacute; diferente em diferentes pa&iacute;ses. Esta foi e &eacute; uma quest&atilde;o pol&eacute;mica, que dividiu e divide, por raz&otilde;es variadas, a Europa, ou melhor, a Uni&atilde;o Europeia. As palavras <i>dividir</i>, <i>divis&atilde;o</i>, <i>dividida</i>, associadas &agrave; Europa, ocorrem com alguma insist&ecirc;ncia ao longo do <i>corpus</i>, como nos exemplos seguintes:</p>     <p>     <blockquote>a <i>divis&atilde;o europeia</i> sobre os refugiados v&ecirc;-se nos milhares que sa&iacute;ram &agrave; rua. (<i>P&uacute;blico</i>, 13/09/2015, p. 32)         <p></p>         <p>Os <i>europeus</i>, incapazes sequer de lidar com a crise dos refugiados, correm o risco de se <i>dividir</i> caso n&atilde;o haja uma lideran&ccedil;a americana. (<i>P&uacute;blico</i>, 02/10/2015, p. 29)</p>         <p>Primeiro, recuperar a unidade e a confian&ccedil;a entre os estados membros. (&hellip;) Donald Tusk sabe que as <i>divis&otilde;es</i> podem p&ocirc;r em causa Schengen e comprometer a <i>coopera&ccedil;&atilde;o europeia</i>. (<i>Vis&atilde;o</i>, 15/10/2015, p. 82)</p>         <p>&Aacute;ustria amea&ccedil;a fechar mais uma fronteira da <i>dividida Europa</i></p>         <p>A <i>UE divide-se</i> perigosamente. H&aacute; cada vez mais muros e agress&otilde;es verbais &ndash; neste cen&aacute;rio de pa&iacute;ses solid&aacute;rios e pa&iacute;ses duros, continua a n&atilde;o haver solu&ccedil;&atilde;o. (<i>P&uacute;blico</i>, 29/10/2015, p. 2)</p> </blockquote>     <p>A incid&ecirc;ncia na divis&atilde;o europeia, repetidamente afirmada, p&otilde;e em evid&ecirc;ncia a cria&ccedil;&atilde;o de dois blocos geogr&aacute;ficos, mas tamb&eacute;m civilizacionais:</p>     <p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote><i>isso &eacute; partir a Europa</i> e dar argumentos <i>a pa&iacute;ses como a Hungria, a Rep&uacute;blica Checa, a Eslov&aacute;quia e a Pol&oacute;nia</i> (&hellip;). A Hungria, que levantou uma veda&ccedil;&atilde;o de arame farpado na sua fronteira com a S&eacute;rvia, amea&ccedil;a utilizar o ex&eacute;rcito para manter &agrave; dist&acirc;ncia os refugiados. (<i>Vis&atilde;o</i>, 03/09/2015, p. 35)         <p></p>         <p>A Uni&atilde;o Europeia est&aacute; lentamente a<i> dividir-se em dois blocos, Europa Ocidental e a Europa Oriental</i> (&hellip;). Sim, a Uni&atilde;o Europeia est&aacute; cada vez mais parecida com o Imp&eacute;rio Romano <i>dividido</i> entre Roma ocidental e Biz&acirc;ncio oriental. E o curioso &eacute; que a linha de <i>divis&atilde;o</i> est&aacute; quase no mesmo s&iacute;tio. (<i>Expresso</i>, 19/09/2015, p. 35)   </blockquote>     <p></p>     <p>&Eacute; relevante assinalar que os contrastes estabelecidos nunca s&atilde;o neutros, mas fortemente marcados pela modalidade avaliativa (Kerbrat-Orecchioni, 1980; Monte, 2011; Vion, 2005), o que permite identificar claramente o posicionamento de cada locutor-enunciador (L/E) face &agrave; quest&atilde;o. A escolha de palavras, e nomeadamente adjetivos, em express&otilde;es como &ldquo;o sinistro espet&aacute;culo&rdquo;; &ldquo;sem tudo o que de abjeto se est&aacute; a fazer na Hungria&rdquo;; &ldquo;evocar os dias sinistros de Auschwitz&rdquo; ou &ldquo;a Europa &eacute; confrontada com os seus piores fantasmas&rdquo; d&atilde;o conta de um ju&iacute;zo avaliativo negativo que, sobre a divis&atilde;o da Europa relativamente ao acolhimento dos refugiados, posiciona o L/E em diverg&ecirc;ncia com esse bloco desumano e cruel. A tens&atilde;o criada pela divis&atilde;o interna &eacute; tamb&eacute;m avaliada negativamente pelo L/E: &ldquo;a UE <i>divide-se </i>perigosamente&rdquo;. <i>N&oacute;s</i> &eacute;, na verdade, um grupo fraturado por diverg&ecirc;ncias m&uacute;ltiplas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Constru&ccedil;&otilde;es sint&aacute;ticas ao servi&ccedil;o do contraste</b></p>     <p>O acolhimento e a rejei&ccedil;&atilde;o que caracterizam os diversos grupos est&atilde;o marcados tamb&eacute;m em estruturas sint&aacute;ticas de contraste (rela&ccedil;&otilde;es estabelecidas pelos conectores <i>mas</i>, <i>e</i>; paralelismo sint&aacute;tico) e em estruturas lexicais ligadas por rela&ccedil;&otilde;es de anton&iacute;mia, de que damos conta no quadro seguinte, a prop&oacute;sito dos textos do jornal <i>P&uacute;blico</i>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="t5"></a> <img src="/img/revistas/csoc/v38/v38a02t5.jpg"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Estes modos de organiza&ccedil;&atilde;o discursiva intensificam os contrastes, constroem la&ccedil;os coesivos que tornam a leitura mais f&aacute;cil, na medida em que desencadeiam a previsibilidade de sentidos. S&atilde;o linhas de leitura que se integram de modo relevante no interdiscurso medi&aacute;tico que carateriza os textos dos jornais em an&aacute;lise e que se sedimenta de texto em texto, influenciando o discurso da esfera p&uacute;blica.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>O papel de Portugal na crise dos refugiados &ndash; a emerg&ecirc;ncia dos valores</b></p>     <p>Objeto de um interesse particular e da opini&atilde;o manifestada pelos articulistas, Portugal reflete, de algum modo, a situa&ccedil;&atilde;o europeia. Se o Governo e todas as institui&ccedil;&otilde;es alinham numa posi&ccedil;&atilde;o de solidariedade, mesmo que nem sempre eficaz, n&atilde;o deixam de ser comentadas, e repudiadas, situa&ccedil;&otilde;es, sobretudo de car&aacute;ter individual, que espelham sentimentos de xenofobia e medo<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a> relativamente aos refugiados:</p>     <p>     <blockquote>Portugal mostra-se dispon&iacute;vel para <i>receber 3000 refugiados</i>. (<i>P&uacute;blico</i>, 04/09/2015, p. 4)         <p></p>         <p>Portugal deveria aproveitar esta oportunidade para assumir uma posi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica firme e clara: a de que &eacute; <i>um pa&iacute;s solid&aacute;rio e humanista</i> e, consequentemente, colaborar&aacute; ativamente no esfor&ccedil;o requerido. (<i>Expresso</i>, 19/09/2015, p. 35)</p>         <p>N&atilde;o <i>deixemos</i> que a <i>indiferen&ccedil;a</i> chegue ao n&iacute;vel da fila do supermercado. (<i>P&uacute;blico</i>, 01/09/2015, p. 48)</p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Mas cuidado, que os custos do <i>medo</i>, do desespero e da destrui&ccedil;&atilde;o s&atilde;o incomparavelmente maiores, para al&eacute;m de serem <i>moral</i> e <i>politicamente</i> inaceit&aacute;veis. (<i>Vis&atilde;o</i>, 17/09/2015, p. 74)</p> </blockquote>     <p>As rea&ccedil;&otilde;es (de car&aacute;ter individual, como foi acima referido) de xenofobia, medo ou desumanidade ocorrem, sobretudo, na voz daqueles que n&atilde;o s&atilde;o jornalistas nem comentadores reconhecidos, mas &ldquo;an&oacute;nimos&rdquo; que encontram express&atilde;o e espa&ccedil;o medi&aacute;tico nas &ldquo;cartas ao diretor&rdquo;, das mais radicais &agrave;s mais ponderadas.</p>     <p>Estas &ldquo;Cartas&rdquo;/&ldquo;Cartas &agrave; diretora&rdquo; ocorrem, respetivamente, nos jornais <i>Expresso</i> e <i>P&uacute;blico</i>.</p>     <p>O <i>Expresso</i> d&aacute; voz, na sua sec&ccedil;&atilde;o &ldquo;Cartas&rdquo;, a algumas opini&otilde;es claramente contr&aacute;rias ao acolhimento dos refugiados, que tra&ccedil;am cen&aacute;rios futuros disf&oacute;ricos, ou que manifestam apreens&otilde;es face a cen&aacute;rios preocupantes:</p>     <p>     <blockquote>a Alemanha abriu os bra&ccedil;os e a Hungria prepara-se para fechar as suas fronteiras. Contudo, como se far&aacute; a absor&ccedil;&atilde;o pac&iacute;fica de tantas pessoas que continuam a chegar todos os dias? (&hellip;) Se alguns s&atilde;o <i>brancos, s&iacute;rios, formados, crist&atilde;o alguns, muitos outros s&atilde;o subsarianos, pobres, incultos, mu&ccedil;ulmanos, terroristas talvez. </i>(<i>Expresso</i>, 12/09/2015, p. 36)         <p></p>         <p>Porque n&atilde;o <i>arrumam primeiro a nossa casa</i>?</p>         <p>Tenho-me remetido ao sil&ecirc;ncio acerca da <i>prov&aacute;vel invas&atilde;o</i>, que Portugal ir&aacute; ter que enfrentar, com os refugiados, vindos fugidos, especialmente da Rep&uacute;blica &Aacute;rabe da S&iacute;ria (&hellip;). Portugal (&hellip;) <i>cujo povo est&aacute; igualmente a passar por enormes dificuldades</i> e (&hellip;) que &eacute; por natureza, para os de fora muito am&aacute;vel, sempre muito simp&aacute;tico, muito hospitaleiro e uns m&atilde;os largas, mas somente para os outros, porque para <i>os da casa</i>, s&oacute; nos d&atilde;o desemprego, aumentos de impostos. (<i>Expresso</i>, 26/09/2015, p. 36)</p> </blockquote>     <p>No <i>P&uacute;blico</i>, a exist&ecirc;ncia das referidas atitudes &eacute; testemunhada de forma indireta, em relatos de discursos outros, j&aacute; que todas as express&otilde;es de opini&atilde;o evocam valores e s&atilde;o favor&aacute;veis ao acolhimento dos refugiados. S&atilde;o opini&otilde;es que se alinham, genericamente, com a posi&ccedil;&atilde;o oficial de Portugal e a cr&iacute;tica incide sobre vozes dispersas, dissonantes, mas sempre coletivas e an&oacute;nimas:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>     <blockquote>hoje assistimos nas redes sociais, e n&atilde;o s&oacute;, a imensas <i>manifesta&ccedil;&otilde;es ego&iacute;stas</i><b>, </b><i>xen&oacute;fobas e racistas</i> em rela&ccedil;&atilde;o aos infelizes que fogem do <i>terror da guerra</i> que est&aacute; a destruir os seus pa&iacute;ses. Como a S&iacute;ria, o Iraque, e a L&iacute;bia. E o que &eacute; triste &eacute; ver <i>pessoas que se dizem at&eacute;</i> crist&atilde;s e sempre com o seu Deus na boca tomarem atitudes t&atilde;o contr&aacute;rias &agrave; religi&atilde;o que professam. (<i>P&uacute;blico</i>, 17/9, p. 44)         <p></p>         <p>&Eacute; incompreens&iacute;vel que, <i>muitos dos portugueses que se manifestam contra a vinda de migrantes e refugiados para a Europa</i>, sejam <i>repatriados regressados a Portugal com o 25 de Abril e o fim da guerra colonial</i>. J&aacute; se esqueceram do sofrimento e a descrimina&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o residente da altura que os olhavam de soslaio, considerando-os invasores e sorvedores de empregos. Outra esp&eacute;cie muito piedosa s&atilde;o <i>aqueles que dizem</i> que se &ldquo;tem de ajudar primeiro os nossos. (<i>P&uacute;blico</i>, 05/10/2015, p. 44)</p> </blockquote>     <p>H&aacute; que assinalar que, se as opini&otilde;es expressas nas &ldquo;cartas ao diretor&rdquo; pertencem aos seus autores, e n&atilde;o ao jornal, n&atilde;o &eacute; menos verdade que &eacute; a dire&ccedil;&atilde;o editorial que opta por dar visibilidade e espa&ccedil;o medi&aacute;tico a umas e n&atilde;o a outras. A responsabilidade editorial existe, e cabe ao jornal.</p>     <p>A rela&ccedil;&atilde;o <i>n&oacute;s/europeus &ndash; eles/refugiados,</i> &eacute;, como j&aacute; foi mostrado, balizada por valores &eacute;ticos, que sustentam a milenar cultura europeia. O pluralismo, positivamente encarado, enfatiza os benef&iacute;cios m&uacute;tuos da abertura a outras culturas, a outras comunidades, advogando a favor de um processo que apresentam, no entanto, como dif&iacute;cil:</p>     <p>     <blockquote>n&atilde;o quero ser ing&eacute;nuo, nem escamotear os problemas que o acolhimento acarreta. Mas a pergunta &ldquo;que fizeste ao teu irm&atilde;o?&rdquo; &eacute; uma das mais belas e mais antigas da nossa cultura. (<i>P&uacute;blico</i>, 01/09/2015, p. 48)         <p></p>         <p>Trazem com eles a sua <i>cultura, tradi&ccedil;&otilde;es e religi&atilde;o</i> porque estas <i>qualidades</i> fazem parte deles como fazem parte de n&oacute;s. (<i>P&uacute;blico</i>, 02/09/2015, p. 46)</p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A emerg&ecirc;ncia humanit&aacute;ria que vivemos n&atilde;o &eacute;, infelizmente, nova apesar das propor&ccedil;&otilde;es agora sentidas por n&oacute;s, mas a actual onda de solidariedade tem o m&eacute;rito de lhe fazer frente. <i>N&atilde;o podemos</i> deixar que esmore&ccedil;a. (&hellip;)</p>         <p>Mas <i>n&atilde;o basta remediar</i> o presente, <i>temos</i> tamb&eacute;m de acautelar o futuro. (&hellip;) As solu&ccedil;&otilde;es est&atilde;o &agrave; frente de todos h&aacute; demasiado tempo. Mas n&atilde;o <i>pode </i>o Parlamento Europeu sozinho implementar. (&hellip;)</p>         <p>O Parlamento <i>n&atilde;o se furtar&aacute;</i> &agrave;s suas compet&ecirc;ncias e, desta vez, tamb&eacute;m o Conselho <i>ter&aacute; </i>de agir! (<i>P&uacute;blico</i>, 11/09/2015, p. 49)</p>         <p>Vivemos a maior crise de refugiados desde a segunda guerra mundial e os europeus est&atilde;o a mostrar-se &agrave; altura. Nestes &uacute;ltimos dias as ac&ccedil;&otilde;es de muitos relembraram ao mundo o <i>esp&iacute;rito solid&aacute;rio e humanista dos povos europeus</i>. (<i>P&uacute;blico</i>, 11/09/2015, p. 49)</p> </blockquote>     <p>&Eacute;, obviamente, a vis&atilde;o europeia dos refugiados e da rela&ccedil;&atilde;o que a Europa quer/deve estabelecer com eles. Numa &oacute;tica de solidariedade ou de rep&uacute;dio, que a divis&atilde;o da Europa suscita, os europeus s&atilde;o os agentes e os refugiados/migrantes s&atilde;o o objeto desse agir. Em termos sint&aacute;tico-sem&acirc;nticos, o lugar do sujeito &eacute; preferencialmente ocupado por <i>n&oacute;s</i>; o lugar de objeto &eacute; preferencialmente ocupado por <i>eles</i>. <i>Eles</i> s&oacute; parecem ser agentes num quadro de fuga e de experiencia&ccedil;&atilde;o de dor, sofrimento, risco. Os verbos escolhidos s&atilde;o tamb&eacute;m decisivos na constru&ccedil;&atilde;o dessa rela&ccedil;&atilde;o. <i>N&oacute;s</i>, a Europa dividida, acolhemos, endurecemos &hellip;; <i>eles</i> partem, fogem, gritam&hellip;</p>     <p>&Eacute; particularmente nos t&iacute;tulos que encontramos estas estruturas:</p>     <p>     <blockquote>Cameron <i>promete acolher</i> <i>&ldquo;mais alguns milhares&rdquo; de refugiados</i> (<i>P&uacute;blico</i>, 05/09/2015, p. 1)         <p></p>         <p>Hungria <i>endurece</i> ac&ccedil;&atilde;o <i>contra refugiados</i>. (<i>P&uacute;blico</i>, 05/09/2015, p. 2)</p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Sociedade civil mobiliza</i>-se para <i>apoiar</i> <i>refugiados. </i>(<i>P&uacute;blico</i>, 20/09/2015, p. 21)</p>         <p>Invas&atilde;o massiva de gente que <i>foge</i> aos cen&aacute;rios de guerra. (<i>P&uacute;blico</i>, 04/09/2015, p. 53)</p>         <p>Refugiados <i>continuam a entrar</i> na Hungria. (<i>P&uacute;blico</i>, 11/09/2015, p. 1)</p>         <p>Milhares <i>partem</i> <i>a p&eacute; de Budapeste para a &Aacute;ustria</i>. (<i>P&uacute;blico</i>, 05/09/2015, p. 2)</p>         <p>Portugal <i>acolhe</i>. (<i>Vis&atilde;o</i>, 17/09/2015, p. 54)</p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&otilde;es</b></p>     <p>O discurso dos m&eacute;dia foi fundamental para a constru&ccedil;&atilde;o discursiva do acontecimento social protagonizado pela chegada massiva de &ldquo;seres humanos em tr&acirc;nsito&rdquo;, em particular no per&iacute;odo de setembro &ndash; outubro de 2015.</p>     <p>Em termos do discurso jornal&iacute;stico portugu&ecirc;s, os textos de informa&ccedil;&atilde;o e de opini&atilde;o convergem nessa constru&ccedil;&atilde;o. &Eacute; um acontecimento discursivo plurilocutores, em circula&ccedil;&atilde;o no espa&ccedil;o p&uacute;blico portugu&ecirc;s, mas tamb&eacute;m em todo o espa&ccedil;o europeu. A constru&ccedil;&atilde;o discursiva articula-se em torno de dois grupos, <i>n&oacute;s</i> e <i>eles</i>.</p>     <p>No processo de referencia&ccedil;&atilde;o levado a cabo nos discursos de opini&atilde;o, sobressai um processo de categoriza&ccedil;&atilde;o e recategoriza&ccedil;&atilde;o que aponta para a constru&ccedil;&atilde;o de um grupo homog&eacute;neo, <i>eles</i>, os <i>outros</i>, em torno de diferentes designa&ccedil;&otilde;es, mas maioritariamente em torno da designa&ccedil;&atilde;o de &ldquo;refugiado&rdquo;. A escolha desta palavra ativa sentidos, impl&iacute;citos, de um cen&aacute;rio de guerra em detrimento de outros cen&aacute;rios, de cariz econ&oacute;mico, em designa&ccedil;&otilde;es como &ldquo;(i)migrante&rdquo;.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em contraste com a homogeneidade referida, o grupo constitu&iacute;do por <i>n&oacute;s</i>, os <i>europeus</i>, em que os diferentes locutores se integram, est&aacute; fraturado por dissensos em torno de valores, marcados em estruturas paralel&iacute;sticas opositivas.</p>     <p>Os modos de referencia&ccedil;&atilde;o, que convocam o conhecimento partilhado sobre a guerra, e a modaliza&ccedil;&atilde;o avaliativa enquadram o posicionamento dos locutores-enunciadores, envolvidos na constru&ccedil;&atilde;o da opini&atilde;o p&uacute;blica e conferem aos discursos uma vertente emocional forte, que est&aacute; de acordo com a posi&ccedil;&atilde;o expressa por Moirand (2016, p. 1031), ao afirmar que</p>     <p>     <blockquote>o tratamento medi&aacute;tico dos eventos &eacute;, de facto, um lugar privilegiado de inscri&ccedil;&atilde;o das emo&ccedil;&otilde;es. (&hellip;) Esta inscri&ccedil;&atilde;o, mostrada ou sugerida, desempenha um papel na designa&ccedil;&atilde;o do acontecimentos (&hellip;), mas tamb&eacute;m na constru&ccedil;&atilde;o discursiva dos acontecimentos, na perspetiva&ccedil;&atilde;o dos objetos de discurso e na argumenta&ccedil;&atilde;o.         <p></p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>Abdo, C., Cabecinhas, R. &amp; Brites, M. J. (2019). Crise migrat&oacute;ria na Europa: os <i>media</i> e a constru&ccedil;&atilde;o da imagem dos refugiados. In Z. Pinto-Coelho; S. Marinho &amp; T. Ru&atilde;o (Eds.), <i>Comunidades, participa&ccedil;&atilde;o e regula&ccedil;&atilde;o. VI Jornadas Doutorais, Comunica&ccedil;&atilde;o &amp; Estudos Culturais</i> (pp. 71-83). Braga: CECS.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2021871&pid=S2183-3575202000020000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Adam, J.-M. (2011). <i>La linguistique textuelle. Introduction &agrave; l&rsquo;analyse textuelle des discours. </i>Paris: A. Colin.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Almeida, D. (2017). <i>A situa&ccedil;&atilde;o dos refugiados e os direitos humanos. Representa&ccedil;&otilde;es na imprensa portuguesa: o caso dos jornais Di&aacute;rio de Not&iacute;cias e P&uacute;blico</i>. Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado, Universidade dos A&ccedil;ores, Ponta Delgada, Portugal.</p>     <!-- ref --><p>Bakhtine, M. (1984). Les genres du discours. In M. Bakhtine, <i>Esth&eacute;tique de la Cr&eacute;ation Verbale </i>(pp. 263-308). Paris: Gallimard.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2021875&pid=S2183-3575202000020000200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Barbosa, M. (2012). N&oacute;s e eles: responsabilidade social dos <i>media</i> na constru&ccedil;&atilde;o de uma cidadania inclusiva. <i>Comunica&ccedil;&atilde;o e Sociedade</i>, <i>21</i>, 231-240. <a href="https://doi.org/10.17231/comsoc.21(2012).711" target="_blank">https://doi.org/10.17231/comsoc.21(2012).711</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2021877&pid=S2183-3575202000020000200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Benveniste, E. (1970). L&rsquo;appareil formel de l&rsquo;&eacute;nonciation. <i>Langages</i>, <i>17</i>, 12-18.</p>     <!-- ref --><p>Berthoud, A.-C. &amp; Mondada, L. (1995). Traitement du topic, processus &eacute;nonciatifs et s&eacute;quences conversationnelles. <i>Cahiers de Linguistique Fran&ccedil;aise</i>, 17, 205-228.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2021879&pid=S2183-3575202000020000200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>C&aacute;dima, R. &amp; Figueiredo, A (2003). <i>Representa&ccedil;&otilde;es (imagens) dos imigrantes e das minorias &eacute;tnicas nos media</i>. Lisboa: Alto-Comissariado para a Imigra&ccedil;&atilde;o e Minorias &Eacute;tnicas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2021881&pid=S2183-3575202000020000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Cardoso, R. (2015, 12 de setembro). Entre os fantasmas e os valores da Europa. <i>Expresso</i>, p. 29.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Carvalho, M. (2007). <i>A constru&ccedil;&atilde;o da imagem dos imigrantes e das minorias &eacute;tnicas pela imprensa portuguesa. Uma an&aacute;lise comparativa de dois jornais di&aacute;rios</i>. Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado, ISCTE - Instituto Universit&aacute;rio de Lisboa, Lisboa, Portugal.</p>     <!-- ref --><p>Cavalcante, M. (2012). <i>Os sentidos do texto</i>. S&atilde;o Paulo: Contexto.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2021885&pid=S2183-3575202000020000200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Cavalcante, M., Biasi-Rodrigues, B. &amp; Ciulla e Silva, A. (Eds.) (2003)<i>. Referencia&ccedil;&atilde;o</i>. S&atilde;o Paulo: Contexto.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2021887&pid=S2183-3575202000020000200009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Charaudeau, P. (1997). <i>Le discours d&rsquo;information m&eacute;diatique. La construction du miroir social</i>. Paris: Nathan.</p>     <!-- ref --><p>Costa, A. (2010). <i>A cria&ccedil;&atilde;o da categoria imigrantes em Portugal na revista Vis&atilde;o: jornalistas entre estere&oacute;tipos e audi&ecirc;ncias</i>. Lisboa: Alto-Comissariado para a Imigra&ccedil;&atilde;o e Di&aacute;logo Intercultural.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2021890&pid=S2183-3575202000020000200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Ferin, I. &amp; Santos, C. (2008). <i>Media, imigra&ccedil;&atilde;o e minorias &eacute;tnicas &ndash; 2005-2006</i>. Lisboa: Alto-Comissariado para a Imigra&ccedil;&atilde;o e Di&aacute;logo Intercultural.</p>     <p>Galante, S. (2010). <i>As representa&ccedil;&otilde;es dos imigrantes e minorias &eacute;tnicas no jornalismo portugu&ecirc;s:&nbsp;an&aacute;lise comparativa entre o Di&aacute;rio de Not&iacute;cias e o P&uacute;blico. </i>Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado, Universidade da Beira Interior, Covilh&atilde;, Portugal.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Kerbrat-Orecchioni, C. (1980). <i>L&rsquo;&eacute;nonciation. De la subjectivit&eacute; dans le langage</i>. Paris: Armand Colin.</p>     <!-- ref --><p>Koch, I. &amp; Cortez, S. (2015). A constru&ccedil;&atilde;o heterodial&oacute;gica dos objetos de discurso por formas nominais referenciais. <i>ReVEL</i>,<i> 25</i>(13), 29-49.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2021895&pid=S2183-3575202000020000200014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Macedo, I. &amp; Cabecinhas, R. (2012). Representa&ccedil;&otilde;es sociais, migra&ccedil;&otilde;es e media: reflex&otilde;es em torno do papel da literacia cinematogr&aacute;fica na promo&ccedil;&atilde;o da interculturalidade. In Z. Pinto-Coelho &amp; J. Fidalgo (Eds.), <i>Sobre Comunica&ccedil;&atilde;o e Cultura: I Jornadas de Doutorandos em Ci&ecirc;ncias da Comunica&ccedil;&atilde;o e Estudos Culturais </i>(pp. 179-193). Braga: CECS.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2021897&pid=S2183-3575202000020000200015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Marcuschi, L. A. (2006). Referencia&ccedil;&atilde;o e progress&atilde;o t&oacute;pica: aspectos cognitivos e textuais. <i>Cad.Est.Ling, 48</i>(1), 7-22.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2021899&pid=S2183-3575202000020000200016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Marques, M. A. (2013). Construir a responsabilidade enunciativa no discurso jornal&iacute;stico. <i>REDIS: Revista de Estudos do Discurso, 2</i>, 139-165.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2021901&pid=S2183-3575202000020000200017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Marques, M. A. (2018). Enuncia&ccedil;&atilde;o e referencia&ccedil;&atilde;o. Os discursos de celebra&ccedil;&atilde;o de Abril. <i>REDIS</i>, <i>7</i>, 122-143.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2021903&pid=S2183-3575202000020000200018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Moirand, S. (1999). Les indices dialogiques de contextualisation dans la presse ordinaire. <i>Cahiers de prax&eacute;matique</i>, <i>33</i>, 145-184.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2021905&pid=S2183-3575202000020000200019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Moirand, S. (2006). Responsabilit&eacute; et &eacute;nonciation dans la presse quotidienne: questionnements sur les observables et les cat&eacute;gories d&rsquo;analyse. <i>Semen</i>, 22. <a href="https://doi.org/10.4000/semen.2798" target="_blank">https://doi.org/10.4000/semen.2798</a></p>     <p>Moirand, S. (2016). De l&rsquo;in&eacute;galit&eacute; objectivis&eacute;e &agrave; l&rsquo;in&eacute;galit&eacute; ressentie et aux peurs qu&rsquo;elle suscite: les r&eacute;fugi&eacute;s pris au pi&egrave;ge de l&rsquo;identit&eacute;. <i>Revista de Estudos da Linguagem</i>, <i>26</i>(3), 1015-1046.</p>     <p>Moirand, S. &amp; Reboul-Tour&eacute;, S. (2015). Nommer les &eacute;v&eacute;nements &agrave; l&rsquo;&eacute;preuve des mots et de la construction du discours. <i>Langue fran&ccedil;aise, 188</i>, 105-120.</p>     <!-- ref --><p>Mondada, L. &amp; Dubois, D. (1995). Construction des objets de discours et cat&eacute;gorisation: une approche des processus de r&eacute;f&eacute;renciation. <i>Tranel</i> - <i>Travaux Neuch&acirc;telois de Linguistique</i>, <i>23</i>, 273-302.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2021910&pid=S2183-3575202000020000200023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Mondada, L. (2001).&nbsp;Gestion du topic et organisation de la conversation. <i>Cad.Est.Ling.,</i> <i>41</i>, 7-35.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2021912&pid=S2183-3575202000020000200024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Monte, M. (2011). Modalit&eacute;s et modalisation: peut-on sortir des embarras typologiques? <i>Mod&egrave;les Linguistiques, 64</i>, 85-101.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2021914&pid=S2183-3575202000020000200025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Nash, M. (2005) La doble alteridad en la comunidad imaginada de las mujeres inmigrantes. In M. Nash; M. Benach &amp; R. Robira (Eds.), <i>Inmigraci&oacute;n, g&eacute;nero y espacios urbanos. Los retos de la diversidad </i>(pp. 17-31). Barcelona: Edicions Bellaterra.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2021916&pid=S2183-3575202000020000200026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Nolasco, C. (2015, 21 de setembro). &Agrave; espera dos b&aacute;rbaros. <i>P&uacute;blico</i>, p. 47.</p>     <!-- ref --><p>Oliveira, F. (2011). Os movimentos migrat&oacute;rios e os discursos dos <i>media</i>. <i>Anu&aacute;rio Internacional de Comunica&ccedil;&atilde;o Lus&oacute;fona, 9,</i> 331-350.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2021919&pid=S2183-3575202000020000200027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Rabatel, A. &amp; Chauvin-Vileno, A. (2006). La question de la responsabilit&eacute; dans l&rsquo;&eacute;criture de presse. <i>S&eacute;men</i> 22. Retirado de <a href="https://journals.openedition.org/semen/2792" target="_blank">https://journals.openedition.org/semen/2792</a></p>     <!-- ref --><p>Santos, C. (2007) <i>Imagens de mulheres imigrantes na imprensa portuguesa. An&aacute;lise do ano 2003</i>. Lisboa: Alto-Comissariado para a Imigra&ccedil;&atilde;o e Di&aacute;logo Intercultural.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2021922&pid=S2183-3575202000020000200029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Santos, N. (2016). <i>As representa&ccedil;&otilde;es sociais acerca do acolhimento de refugiados em Portugal: estudo de caso dos coment&aacute;rios &agrave;s not&iacute;cias sobre chegada de refugiados a Portugal nas redes sociais e nos media portugueses</i>. Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado, Universidade Aberta, Lisboa, Portugal.</p>     <!-- ref --><p>Silva, J. (2017). A imigra&ccedil;&atilde;o e a m&iacute;dia. Entre a utopia da invisibilidade social e os direitos humanos universais. <i>Revista de Estudos Internacionais</i>, <i>8</i>(3), 22-34.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2021925&pid=S2183-3575202000020000200030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Silvestre, F. (2011). <i>Um olhar sobre a imprensa: representa&ccedil;&otilde;es sobre os refugiados e requerentes de asilo em Portugal</i>. Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado, Universidade Nova de Lisboa, Lisboa, Portugal.</p>     <p>Togni, P. (2008). <i>Os fluxos matrimoniais transnacionais entre brasileiras e portugueses: g&eacute;nero e imigra&ccedil;&atilde;o</i>. Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado, ISCTE - Instituto Universit&aacute;rio de Lisboa, Lisboa, Portugal.</p>     <!-- ref --><p>van Dijk, T. (2005). Nuevo racismo y noticias. Un enfoque discursivo. In M. Nash; R. Tello &amp; N. Benach (Eds.), <i>Inmigraci&oacute;n, g&eacute;nero y espacios urbanos. Los retos de la diversidad </i>(pp. 33-55). Barcelona: Edicions Bellaterra.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2021929&pid=S2183-3575202000020000200031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Vion, R. (2004). Modalit&eacute;s, modalisations et discours repr&eacute;sent&eacute;s. <i>Langages</i>,<i> 156, </i>96-110.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2021931&pid=S2183-3575202000020000200032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Notas biogr&aacute;ficas</b></p>     <p>Maria Aldina Marques &eacute; Professora Associada com Agrega&ccedil;&atilde;o do Departamento de Estudos Portugueses e Lus&oacute;fonos, do Instituto de Letras e Ci&ecirc;ncias Humanas da Universidade do Minho, Portugal. &Eacute; investigadora do CEHUM, Centro de Estudos Human&iacute;sticos da Universidade do Minho, e as principais &aacute;reas de investiga&ccedil;&atilde;o s&atilde;o a an&aacute;lise dos discursos, a pragm&aacute;tica e a argumenta&ccedil;&atilde;o. Tem orientado trabalhos de mestrado, doutoramento e p&oacute;s-doutoramento, e possui mais de uma centena de publica&ccedil;&otilde;es nacionais e internacionais.</p>     <p>ORCID: <a href="http://orcid.org/0000-0003-3263-1977">http://orcid.org/0000-0003-3263-1977</a></p>     <p>Email: <a href="mailto:mamarques@ilch.uminho.pt">mamarques@ilch.uminho.pt</a></p>     <p>Morada: Instituto de Letras e Ci&ecirc;ncias Humanas. Universidade do Minho. Campus de Gualtar. 4710-057 Braga</p>     <p>Rui Ramos possui doutoramento em Lingu&iacute;stica desde 2006 e &eacute; Professor Auxiliar no Instituto de Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade do Minho. &Eacute; membro integrado do Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o em Estudos da Crian&ccedil;a e membro colaborador do Centro de Estudos Human&iacute;sticos da sua universidade. &Eacute; editor-adjunto da <i>REDIS &ndash; Revista de Estudos do Discurso</i> (Faculdade de Letras do Porto/Universidade de S&atilde;o Paulo). Publicou diversos livros, cap&iacute;tulos de livro e artigos em revistas na &aacute;rea da Lingu&iacute;stica (an&aacute;lise do discurso) e do ensino da l&iacute;ngua portuguesa. Tem experi&ecirc;ncia de coopera&ccedil;&atilde;o e trabalho em contextos internacionais como o Brasil, Timor-Leste e a Guin&eacute;-Bissau. Detalhes do seu percurso acad&eacute;mico podem ser encontrados em <a href="https://www.cienciavitae.pt/281E-FBCD-2E5A" target="_blank">https://www.cienciavitae.pt/281E-FBCD-2E5A</a>.</p>     <p>ORCID: <a href="http://orcid.org/0000-0001-8700-8301">http://orcid.org/0000-0001-8700-8301</a></p>     <p>Email: <a href="mailto:rlramos@ie.uminho.pt">rlramos@ie.uminho.pt</a></p>     <p>Morada: Universidade do Minho. Instituto de Educa&ccedil;&atilde;o. Campus de Gualtar. 4710-057 Braga</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Submetido: </b><b>14/04/2020</b></p>     <p><b>Aceite: </b><b>01/07/2020</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> Ainda que v&aacute;rios estudos referidos reclamem a utiliza&ccedil;&atilde;o de &ldquo;t&eacute;cnicas proporcionadas pela an&aacute;lise cr&iacute;tica do discurso&rdquo; (Silvestre 2011, p. V) para cumprirem os procedimentos de an&aacute;lise qualitativa.</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> Usaremos aqui <i>texto</i> e <i>discurso</i> na perspetiva proposta por Adam (2011).</p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> Trata-se de &ldquo;propor uma forma de construir e de estruturar discursivamente um mundo num espa&ccedil;o intersubjetivo&rdquo; (Berthout &amp; Mondada, 1995, p. 206).</p>     <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> &ldquo;&Eacute; a responsabilidade enunciativa inerente ao facto de o locutor estar na origem da enuncia&ccedil;&atilde;o, do discurso em que participa, enquanto lhe cabem as escolhas e estrat&eacute;gias discursivas, no quadro obviamente regulador do g&eacute;nero, dos interlocutores, dos objetivos e do espa&ccedil;o institucional em que se integra. Cabe-lhe (&hellip;) gerir o discurso. Nomeadamente, cabe-lhe estruturar o discurso, e determinar que vozes convocar, assim como o lugar e modo de as fazer ouvir. Cabe-lhe ainda, na importante fun&ccedil;&atilde;o de referencia&ccedil;&atilde;o, a escolha do l&eacute;xico para designar os objetos do discurso&rdquo; (Marques, 2013, pp. 147-148).</p>     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> &nbsp; Aylan ou Alan &ndash; o primeiro &eacute; o nome em turco, o segundo &eacute; em curdo.</p>     <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> Na sua edi&ccedil;&atilde;o de 03 de setembro, o <i>P&uacute;blico</i> publicou a fotografia de Aylan em primeira p&aacute;gina, tendo sentido necessidade de justificar o facto no seu editorial da p&aacute;gina 44, dada a pol&eacute;mica gerada pela sua divulga&ccedil;&atilde;o medi&aacute;tica. Na p&aacute;gina quatro, o jornal publicou outra fotografia da crian&ccedil;a, a ser transportada por um agente policial. Um t&iacute;tulo de primeira p&aacute;gina (&ldquo;Por que publicamos esta fotografia&rdquo;) remete para um editorial onde tal justifica&ccedil;&atilde;o &eacute; apresentada. O <i>Expresso</i> retomar&aacute; a primeira imagem num <i>cartoon</i> em primeira p&aacute;gina na sua edi&ccedil;&atilde;o de 12 de setembro.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> No <i>P&uacute;blico</i> e no <i>Expresso</i>, os editoriais n&atilde;o s&atilde;o assinados e, por isso, n&atilde;o foram considerados nos quadros abaixo.</p>     <p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> Sobre a discuss&atilde;o te&oacute;rica em torno dos conceitos de modaliza&ccedil;&atilde;o, modalidade e modalizador, ver kerbrat-Orecchioni (1980), Monte (2011) e Vion (2004), entre outros.</p>     <p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup> Sublinhe-se que estas designa&ccedil;&otilde;es conhecem uma visibilidade e uma perman&ecirc;ncia no discurso medi&aacute;tico superiores &agrave;quelas que a an&aacute;lise dos textos de opini&atilde;o pode sugerir, visto que h&aacute; ocorr&ecirc;ncias numerosas tamb&eacute;m em artigos pertencentes a outros g&eacute;neros jornal&iacute;sticos. A t&iacute;tulo de exemplo, pode referir-se que, no seman&aacute;rio <i>Expresso</i>, das nove edi&ccedil;&otilde;es analisadas, seis apresentam o voc&aacute;bulo &ldquo;refugiado&rdquo; nas respetivas primeiras p&aacute;ginas e, nos artigos de informa&ccedil;&atilde;o, de enuncia&ccedil;&atilde;o objetivizada (Moirand, 1999), contam-se 206 ocorr&ecirc;ncias em corpo de texto e 13 em t&iacute;tulo.</p>     <p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup> O voc&aacute;bulo &ldquo;migrante&rdquo; funciona ora como hiper&oacute;nimo ora como co-hip&oacute;nimo de &ldquo;refugiado&rdquo;, como em: <i>&ldquo;</i>o nosso olhar sobre o fluxo migrat&oacute;rio mudou atrav&eacute;s da percep&ccedil;&atilde;o de que ele &eacute;, em grande medida, oriundo da S&iacute;ria devastada pelo estado isl&acirc;mico. As imagens televisivas da longa marcha dos <i>migrantes</i>, primeiro pelo mar e depois em terra, fazem com que os habitantes da Europa tenham de tomar uma posi&ccedil;&atilde;o individual sobre se s&atilde;o ou n&atilde;o contra receber estes refugiados&rdquo; (<i>P&uacute;blico, </i>12/09/2015, p. 12).</p>     <p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup> Tamb&eacute;m Moirand (2016, p. 1027) identifica no discurso da imprensa (francesa, no caso) &ldquo;express&otilde;es de quantidade&rdquo; relevantes para a configura&ccedil;&atilde;o do t&oacute;pico dos migrantes.</p>     <p><Sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></Sup> Neste exemplo, como nos que se seguem, o it&aacute;lico &eacute; nosso.</p>     <p><Sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></Sup> A quest&atilde;o do sentimento de medo face aos refugiados &eacute; tratada com relevo em Moirand (2016).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Agradecimentos</b></p>     <p>Este trabalho foi financiado por Fundos Nacionais atrav&eacute;s da FCT &ndash; Funda&ccedil;&atilde;o para a Ci&ecirc;ncia e a Tecnologia no &acirc;mbito do projeto do CIEC (Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o em Estudos da Crian&ccedil;a da Universidade do Minho) com a refer&ecirc;ncia UIDB/00317/2020.</p>     ]]></body>
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