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<article-id pub-id-type="doi">10.17231/comsoc.38(2020).2595</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A crise dos refugiados: sequências narrativas e emoção em crónicas/reportagens ou a narrativa ao serviço da persuasão]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The refugee crisis: narrative sequences and emotions in opinion articles/reports or narratives in the service of persuasion]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[We intend to show, using an ad hoc corpus of media texts on the refugee crisis, how several linguistic and, more specifically, enunciative-pragmatic mechanisms contribute to the construction of an empathic discourse, used for argumentative purposes. These journalistic texts, between opinion and reporting, take sides, although not through a set of logical arguments objectively arranged and assumed by the speaker, but, instead, through narratives that show refugees as a source of information either as protagonists or, sometimes, as initial narrators. Through these narratives, the speaker seeks to approach the tragic experience told by refugees and bring it to the reader, with the aim of conquering his empathy (Lencastre, 2011). The linguistic empathy (Rabatel, 2017) translates into enunciative mechanisms, such as placing yourself in someone else's place, assuming her voice, to understand her point of view. The narrative, descriptive and dialogical sequences (Adam, 2005) are at the service of this empathy, through which the speaker tries to persuade the addressee. Several mechanisms will be listed that contribute to the same discursive strategy of persuading the addressee, through discourse patemization. We conclude that emotion in discourse (Plantin, 2011) that favours empathy increases when done through the voice of people with names and stories located in spaces that can be described, using reported speeches, narratives and descriptions for the construction of the theses defended by the journalists.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGOS TEM&Aacute;TICOS</b></p>     <p><b>A crise dos refugiados: sequ&ecirc;ncias narrativas e emo&ccedil;&atilde;o em cr&oacute;nicas/reportagens ou a narrativa ao servi&ccedil;o da persuas&atilde;o</b></p>     <p><b>The refugee crisis: narrative sequences and emotions in opinion articles/reports or narratives in the service of persuasion</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Isabel Margarida Duarte</b></p>     <p><img src="http:/img/revistas/id_orcid.gif"> <a href="http://orcid.org/0000-0001-7908-5649" target="_blank">http://orcid.org/0000-0001-7908-5649</a></p>     <p>Centro de Lingu&iacute;stica, Faculdade de Letras, Universidade do Porto, Portugal</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Pretende mostrar-se, num <i>corpus</i> <i>ad hoc</i> de textos dos m&eacute;dia centrados na crise dos refugiados, de que forma alguns mecanismos lingu&iacute;sticos e, mais especificamente, enunciativo-pragm&aacute;ticos contribuem para a constru&ccedil;&atilde;o de um discurso emp&aacute;tico, usado para fins argumentativos. Esses textos jornal&iacute;sticos est&atilde;o entre a cr&oacute;nica e a reportagem. Tomam partido, embora n&atilde;o o fa&ccedil;am explicitamente, atrav&eacute;s de um conjunto de argumentos l&oacute;gicos, objetivamente arrumados e assumidos pelo locutor, mas antes atrav&eacute;s de narrativas que t&ecirc;m os refugiados como fonte de informa&ccedil;&atilde;o e como protagonistas e, &agrave;s vezes, como narradores primeiros. Por meio dessas narrativas, o locutor procura aproximar-se da viv&ecirc;ncia tr&aacute;gica relatada pelos refugiados e traz&ecirc;-la para perto do leitor, cuja empatia (Lencastre, 2011) visa conquistar. A empatia lingu&iacute;stica (Rabatel, 2017) traduz-se em mecanismos enunciativos como p&ocirc;r-se no lugar do outro, assumindo a sua voz, para compreender o seu ponto de vista. As sequ&ecirc;ncias narrativas, mas tamb&eacute;m as descritivas e dialogais (Adam, 2005) est&atilde;o ao servi&ccedil;o dessa empatia, atrav&eacute;s da qual se procura conseguir a persuas&atilde;o do alocut&aacute;rio. Ser&atilde;o elencados v&aacute;rios mecanismos que contribuem para a mesma estrat&eacute;gia discursiva de convencimento do alocut&aacute;rio, atrav&eacute;s da patemiza&ccedil;&atilde;o do discurso. Conclui-se que a emo&ccedil;&atilde;o no discurso (Plantin, 2011), que leva &agrave; empatia, &eacute; maior se for protagonizada pela voz de pessoas com nome e hist&oacute;rias situadas em espa&ccedil;os que se podem descrever, pondo palavras relatadas, narrativas e descri&ccedil;&otilde;es ao servi&ccedil;o da constru&ccedil;&atilde;o da tese que os locutores jornalistas defendem.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavras-chave:&nbsp;</b>empatia lingu&iacute;stica; persuas&atilde;o; narra&ccedil;&atilde;o; refugiados; m&eacute;dia</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>We intend to show, using an <i>ad hoc</i> <i>corpus</i> of media texts on the refugee crisis, how several linguistic and, more specifically, enunciative-pragmatic mechanisms contribute to the construction of an empathic discourse, used for argumentative purposes. These journalistic texts, between opinion and reporting, take sides, although not through a set of logical arguments objectively arranged and assumed by the speaker, but, instead, through narratives that show refugees as a source of information either as protagonists or, sometimes, as initial narrators. Through these narratives, the speaker seeks to approach the tragic experience told by refugees and bring it to the reader, with the aim of conquering his empathy (Lencastre, 2011). The linguistic empathy (Rabatel, 2017) translates into enunciative mechanisms, such as placing yourself in someone else&rsquo;s place, assuming her voice, to understand her point of view. The narrative, descriptive and dialogical sequences (Adam, 2005) are at the service of this empathy, through which the speaker tries to persuade the addressee. Several mechanisms will be listed that contribute to the same discursive strategy of persuading the addressee, through discourse patemization. We conclude that emotion in discourse (Plantin, 2011) that favours empathy increases when done through the voice of people with names and stories located in spaces that can be described, using reported speeches, narratives and descriptions for the construction of the theses defended by the journalists.</p>     <p><b>Keywords:&nbsp;</b>linguistic empathy; persuasion; narration; refugees; media</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Na sequ&ecirc;ncia da guerra na S&iacute;ria, em parte respons&aacute;vel pela crise dos refugiados que tem assolado a Europa nos anos mais recentes<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>, a imprensa convencional e os m&eacute;dia online usam a emo&ccedil;&atilde;o para convencer o leitor quer a favor quer contra a entrada de refugiados e as pol&iacute;ticas de acolhimento ou de rejei&ccedil;&atilde;o violenta adotadas pelos diferentes pa&iacute;ses europeus. Para a constru&ccedil;&atilde;o da argumenta&ccedil;&atilde;o em prol de uma ou de outra posi&ccedil;&atilde;o (acolhimento <i>versus</i> rejei&ccedil;&atilde;o) s&atilde;o usados variados tipos de argumentos, uns que se pretendem mais objetivos e por isso utilizam n&uacute;meros, estat&iacute;sticas e gr&aacute;ficos e outros mais assumidamente emotivos. Teremos em conta argumentos considerados afetivos que, tais como os outros, podem aproximar-nos ou afastar-nos emotivamente da experi&ecirc;ncia vivida pelos refugiados. Os que vamos analisar servem-se de v&aacute;rios mecanismos lingu&iacute;stico-discursivos como eufemismos, met&aacute;foras, diversos tipos de elementos de encarecimento e de atenua&ccedil;&atilde;o, etc., que contribuem para a constru&ccedil;&atilde;o discursiva de empatia entre o leitor e os refugiados, como se poder&aacute; verificar no <i>corpus</i> de cr&oacute;nicas escolhido para este trabalho. Estamos perante aquele discurso a que Plantin chamou &ldquo;comunica&ccedil;&atilde;o emotiva&rdquo; (Plantin, 2011, p. 141), que implica a comunica&ccedil;&atilde;o intencional de emo&ccedil;&otilde;es por meio de palavras ou outras formas semi&oacute;ticas, como as fotografias, por exemplo. A utiliza&ccedil;&atilde;o das unidades lingu&iacute;stico-discursivas referidas testemunha a capacidade de ajustamento das palavras &agrave;s nossas inten&ccedil;&otilde;es comunicativas, ou seja, aquilo a que Zhang (2015) chama &ldquo;linguagem el&aacute;stica&rdquo;: &ldquo;n&oacute;s ajustamos, modificamos, e manipulamos as nossas palavras para acomodar necessidades discursivas particulares&rdquo; (p. 5). No caso em apre&ccedil;o, a inten&ccedil;&atilde;o dos locutores &eacute; a de criar empatia entre o leitor e os refugiados, para convencer o leitor e assim o fazer fazer.</p>     <p>A empatia, segundo Lencastre (2011, p. 12) &eacute; a &ldquo;capacidade de sentir a situa&ccedil;&atilde;o emocional dos outros atrav&eacute;s das pr&oacute;prias representa&ccedil;&otilde;es neurais e org&acirc;nicas, &eacute; um mecanismo autom&aacute;tico que nos permite identificar com as emo&ccedil;&otilde;es e agir em fun&ccedil;&atilde;o disso&rdquo;.</p>     <p>As sequ&ecirc;ncias narrativas (Adam, 2005) encaixadas nas cr&oacute;nicas que constituem o <i>corpus</i> utilizado neste trabalho t&ecirc;m por efeito, a nosso ver, aumentar o grau de empatia entre o leitor e os refugiados, como procuraremos mostrar.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os objetivos deste trabalho s&atilde;o os seguintes:</p> <ol>       <li>analisar as sequ&ecirc;ncias narrativas presentes num <i>corpus</i> de cr&oacute;nicas/reportagens, mostrando que se encontram ao servi&ccedil;o da argumenta&ccedil;&atilde;o, por via do refor&ccedil;o da emo&ccedil;&atilde;o e da cria&ccedil;&atilde;o de la&ccedil;os emp&aacute;ticos entre o leitor e os migrantes/refugiados;</li>       <li>apontar elementos lingu&iacute;sticos e enunciativo-pragm&aacute;ticos que concorrem para marcar o ponto de vista emp&aacute;tico do enunciador.</li>     </ol>     <p>O <i>corpus</i> analisado &eacute; composto por sete textos da imprensa portuguesa<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a> &ndash; dois da autoria de Alexandra Lucas Coelho<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a> (publicados no jornal <i>P&uacute;blico</i>, na rubrica Cr&oacute;nicas de Alexandra Lucas Coelho, N&atilde;o-fic&ccedil;&otilde;es) e cinco de Andr&eacute; Cunha<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a> (publicados na revista <i>Vis&atilde;o</i>, com o t&iacute;tulo gen&eacute;rico &ldquo;N&oacute;s e o novo muro&rdquo;, Cr&oacute;nica de Andr&eacute; Cunha em cinco cap&iacute;tulos)<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a name="t1"></a> <img src="/img/revistas/csoc/v38/v38a06t1.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Estes textos, embora atravessados por forte argumentatividade, nem s&atilde;o textos de opini&atilde;o com posi&ccedil;&otilde;es dos locutores jornalistas marcadamente assumidas, nem s&atilde;o dominantemente argumentativos. As principais teses que ambos os jornalistas defendem, ainda que n&atilde;o explicitamente, podem ser resumidas nos seguintes t&oacute;picos: i) os refugiados merecem a nossa solidariedade e acolhimento porque fogem da guerra, da viol&ecirc;ncia e de atrocidades; ii) s&atilde;o gente comum como n&oacute;s, com sonhos, profiss&otilde;es, fam&iacute;lias e afetos; iii) al&eacute;m de v&iacute;timas da guerra, s&atilde;o-no tamb&eacute;m de m&aacute;fias, de grupos extremistas europeus, da insensibilidade dos l&iacute;deres; iv) a Europa n&atilde;o est&aacute; a saber lidar com esta crise; v) os h&uacute;ngaros esqueceram-se do seu pr&oacute;prio passado; vi) nem todos os h&uacute;ngaros s&atilde;o indiferentes ao sofrimento dos refugiados. Para conseguirem a ades&atilde;o dos leitores aos pontos de vista defendidos, os textos s&atilde;o constru&iacute;015 dos com mecanismos enunciativos e lingu&iacute;sticos espec&iacute;ficos capazes de provocarem empatia entre aqueles de quem se fala e o leitor.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Enquadramento te&oacute;rico</b></p>     <p>Este trabalho situa-se na &aacute;rea da an&aacute;lise do discurso e da lingu&iacute;stica da enuncia&ccedil;&atilde;o. Procuraremos compreender de que modo as sequ&ecirc;ncias narrativas est&atilde;o ao servi&ccedil;o da argumenta&ccedil;&atilde;o e testemunham a posi&ccedil;&atilde;o do enunciador/jornalista, que se aproxima de umas opini&otilde;es e se afasta de outras, a partir das diferentes vozes que se fazem ouvir nos textos analisados, das escolhas feitas pelo enunciador para narrar e descrever. Pela forma como produz o discurso, isto &eacute;, pelo modo como se configura aquilo que &eacute; dito, e pela sele&ccedil;&atilde;o dos t&oacute;picos convocados, o l&eacute;xico selecionado, o ponto de vista adotado, os estere&oacute;tipos usados, as formas de referencia&ccedil;&atilde;o, o valor enunciativo dos conectores empregues, o texto conduz o leitor preferencialmente para a ades&atilde;o a um dos lados da pol&eacute;mica que se instalou, na Europa, a favor ou contra o acolhimento humanit&aacute;rio de refugiados.</p>     <p>A exist&ecirc;ncia de abundantes marcadores de subjetividade (os subjetivemas de que fala Kerbrat-Orecchini [1980]) deixa passar, como um terreno poroso, o ponto de vista dos jornalistas. O facto de o centro de&iacute;ctico adotado ser, com frequ&ecirc;ncia, o dos pr&oacute;prios refugiados, no que diz respeito, por exemplo, &agrave; categoria gramatical de pessoa e ao espa&ccedil;o, permite que jornalista e leitor adotem pontos de vista pr&oacute;ximos dos desses locutores primeiros, a partir de cujas subjetividade e experi&ecirc;ncia conhecemos os acontecimentos. Ver-se-&aacute;, ent&atilde;o, como as sequ&ecirc;ncias narrativas presentes nos textos est&atilde;o ao servi&ccedil;o da argumenta&ccedil;&atilde;o, por via do refor&ccedil;o da emo&ccedil;&atilde;o e da cria&ccedil;&atilde;o de la&ccedil;os emp&aacute;ticos entre o leitor e os refugiados que v&ecirc;m chegando &agrave; Europa, fugidos, sobretudo, do Iraque e da S&iacute;ria, tema central das cr&oacute;nicas selecionadas, sendo o <i>pathos</i><sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a> um elemento de aproxima&ccedil;&atilde;o entre as duas entidades.</p>     <p>A an&aacute;lise tem tamb&eacute;m por enquadramento te&oacute;rico a no&ccedil;&atilde;o de empatia lingu&iacute;stica (Rabatel, 2017), que &ldquo;de uma perspetiva enunciativa, consiste em p&ocirc;r-se no lugar de um outro (interlocutor ou terceira pessoa), um locutor que empresta a sua voz a um outro, para encarar um acontecimento, uma situa&ccedil;&atilde;o do ponto de vista do outro&rdquo; (Rabatel, 2017, p. 300). Esta empatia lingu&iacute;stica, Rabatel considera-a sobretudo tendo em conta &ldquo;a referencia&ccedil;&atilde;o dos objetos de discurso&rdquo;, referencia&ccedil;&atilde;o que d&aacute; conta do ponto de vista da fonte enunciativa: &ldquo;as escolhas de qualifica&ccedil;&atilde;o, de modaliza&ccedil;&atilde;o, de quantifica&ccedil;&atilde;o, de ordem dos componentes, etc., denotam o ponto de vista da fonte enunciadora segunda&rdquo; (Rabatel, 2017, p. 301), &ldquo;em modo emp&aacute;tico, o locutor-enunciador primeiro (L1/E1) n&atilde;o exprime diretamente as suas emo&ccedil;&otilde;es, evoca, de forma mediatizada as emo&ccedil;&otilde;es que imputa a um outro diferente de si, um enunciador segundo (e2 = X, [&hellip;])&rdquo; (Rabatel, 2013, p. 66). Ora a express&atilde;o textual desta evoca&ccedil;&atilde;o das emo&ccedil;&otilde;es alheias &eacute; um recurso do enunciador primeiro (E1) para persuadir o leitor. Tem uma inten&ccedil;&atilde;o performativa de levar o leitor a agir.</p>     <p>A convoca&ccedil;&atilde;o do conceito de &ldquo;reportatividade&rdquo;, uma subcategoria da evidencialidade, permite compreender melhor a constru&ccedil;&atilde;o discursiva da empatia: L organiza o texto, n&atilde;o com o &ldquo;seu pr&oacute;prio material cognitivo&rdquo; (Hattnher, 2018, p. 101), mas a partir das palavras que narram a experi&ecirc;ncia dos outros.</p>     <p>Para esta an&aacute;lise, conv&eacute;m situar os textos estudados num momento concreto da hist&oacute;ria recente das migra&ccedil;&otilde;es para a Europa, a saber, agosto e setembro de 2015, quando as chegadas massivas de refugiados ao velho continente, e as trag&eacute;dias a elas associadas ocupavam o m&aacute;ximo de aten&ccedil;&atilde;o dos m&eacute;dia<i>.</i> A compreens&atilde;o plena do texto exige o conhecimento do contexto hist&oacute;rico em que o texto surge e sobre que atua.</p>     <p>Por outro lado, a considera&ccedil;&atilde;o do g&eacute;nero a que os textos pertencem &eacute; de import&acirc;ncia tamb&eacute;m, porque sabemos que as caracter&iacute;sticas de g&eacute;nero marcam a organiza&ccedil;&atilde;o lingu&iacute;stico-discursiva dos produtos textuais. Ora os textos agora em apre&ccedil;o poder&atilde;o ser considerados cr&oacute;nicas ou reportagens, e esta classifica&ccedil;&atilde;o de g&eacute;nero merece ser questionada brevemente. Oficialmente, tais textos s&atilde;o cr&oacute;nicas, pelo menos no entendimento dos dois m&eacute;dia que os publicam. Os de Alexandra Lucas Coelho, no <i>P&uacute;blico</i>, fazem parte de uma rubrica chamada &ldquo;N&atilde;o fic&ccedil;&otilde;es&rdquo;. Esta designa&ccedil;&atilde;o gen&eacute;rica pode englobar quer cr&oacute;nicas quer reportagens, mas situa-as, pelo menos, no texto de tipo jornal&iacute;stico, por oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; fic&ccedil;&atilde;o que a autora tamb&eacute;m escreve<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>. E os de Andr&eacute; Cunha assumem-se como uma cr&oacute;nica em cap&iacute;tulos (ou epis&oacute;dios), como &eacute; dito a abrir a primeira, em 29/08/2015:</p>     <p>     <blockquote>cr&oacute;nica de uma viagem, realizada no in&iacute;cio deste ver&atilde;o, ao longo da plan&iacute;cie onde se juntam a Hungria e a S&eacute;rvia, dias antes da constru&ccedil;&atilde;o da maior barreira fronteiri&ccedil;a na Europa desde a queda do muro de Berlim. A nova obra de arame farpado &eacute; a resposta do governo h&uacute;ngaro &agrave; maior crise migrat&oacute;ria do Velho Continente depois da Segunda Guerra. Primeiro epis&oacute;dio.         <p></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O facto de o pr&oacute;prio locutor falar em &ldquo;cap&iacute;tulos&rdquo; anuncia que os diferentes textos t&ecirc;m unidade e coer&ecirc;ncia, apesar de terem sido publicados em datas diferentes (mas pr&oacute;ximas) e, por outro lado, que h&aacute; neles um assumido pendor narrativo. Pese embora a designa&ccedil;&atilde;o de cr&oacute;nica, os textos t&ecirc;m caracter&iacute;sticas de g&eacute;nero h&iacute;bridas entre a cr&oacute;nica e a reportagem, j&aacute; que, como acontece neste &uacute;ltimo g&eacute;nero jornal&iacute;stico, contam factos, a maior parte das vezes a partir das palavras, ou do resumo das narra&ccedil;&otilde;es pr&eacute;vias dos pr&oacute;prios protagonistas dos eventos. S&atilde;o textos constru&iacute;dos, sobretudo, a partir das narrativas de outros locutores, em que a evidencialidde, ou seja, a indica&ccedil;&atilde;o da fonte da informa&ccedil;&atilde;o ou &eacute; a perce&ccedil;&atilde;o pessoal e subjetiva do pr&oacute;prio locutor/jornalista ou o recurso ao discurso relatado pelos intervenientes nos eventos narrados. O sujeito enunciador deixa passar o seu ponto de vista como acontece na cr&oacute;nica, mas narra, recolhe opini&otilde;es, d&aacute; voz aos outros, como na reportagem. Os textos de Alexandra Lucas Coelho s&atilde;o mesmo acompanhados das fotografias de alguns dos protagonistas que nele falam e cuja hist&oacute;ria a jornalista relata. Essas fotografias contribuem, ali&aacute;s, para refor&ccedil;ar o dito e a respetiva orienta&ccedil;&atilde;o argumentativa. Os de Andr&eacute; Cunha apresentam fotos da Reuters, que n&atilde;o se referem, especificamente, &agrave;s personagens de quem se fala, mas ilustram o tema gen&eacute;rico da marcha dos refugiados, bem como infogravuras que auxiliam o leitor na compreens&atilde;o da complexidade do tema, fornecendo-lhe informa&ccedil;&otilde;es com mapas e n&uacute;meros. Tais documentos visam informar mas tamb&eacute;m credibilizar o discurso, conferindo-lhe, aos olhos do leitor, um maior grau de fiabilidade.</p>     <p>Tendo em conta o livro de estilo do jornal <i>P&uacute;blico</i>, dir&iacute;amos que os textos partilham muitas das caracter&iacute;sticas das reportagens:</p>     <p>     <blockquote>a reportagem deve incluir todas as vers&otilde;es contradit&oacute;rias, atrav&eacute;s de uma multiplicidade de dados, entrevistas e fontes de documenta&ccedil;&atilde;o. A adapta&ccedil;&atilde;o de uma hist&oacute;ria concreta ao contexto geral de uma reportagem &eacute; uma t&eacute;cnica especialmente aconselhada: centrar o assunto num caso pessoal concreto, em vez de se perder numa generaliza&ccedil;&atilde;o an&oacute;nima. (<i>P&uacute;blico</i>, 2005, p. 176).</blockquote>     <p></p>     <p>Os textos em apre&ccedil;o articulam-se, justamente, em torno de casos pessoais concretos, com sujeitos que narram as suas experi&ecirc;ncias dolorosas. As palavras dos narradores individuais s&atilde;o selecionadas estrategicamente pelos jornalistas, porque, tendo os protagonistas vivido situa&ccedil;&otilde;es tr&aacute;gicas, ningu&eacute;m melhor do que eles as podem narrar e mais eficazmente elas podem comover quem l&ecirc;. As sequ&ecirc;ncias narrativas curtas que existem nesses textos cumprem, a nosso ver, uma fun&ccedil;&atilde;o persuasiva: de comover o leitor, aproximando-o do sofrimento dos refugiados, apresentados como pessoas normais, id&ecirc;nticas ao leitor, pr&oacute;ximas e, portanto, capazes de desencadear empatia (s&atilde;o professores, m&uacute;sicos, estudantes, por exemplo).</p>     <p>Outras sequ&ecirc;ncias das cr&oacute;nicas/reportagens que com as narrativas intrinsecamente cooperam ser&atilde;o analisadas por id&ecirc;ntico prisma: 1) quer as sequ&ecirc;ncias descritivas que mostram espa&ccedil;os in&oacute;spitos e seres humanos em sofrimento, ou, pelo contr&aacute;rio, espa&ccedil;os paradis&iacute;acos contrastando com esse sofrimento humano; 2) quer as sequ&ecirc;ncias dialogais, em que &eacute; relatado discurso dos v&aacute;rios intervenientes, atrav&eacute;s, sobretudo, do discurso direto, que confere ao narrado vivacidade, verosimilhan&ccedil;a, dramatismo e portanto emo&ccedil;&atilde;o, traduz&iacute;vel em efic&aacute;cia argumentativa. A presen&ccedil;a do discurso direto, al&eacute;m do mais, credibiliza o discurso do jornalista, pelo testemunho aparentemente fidedigno que transmite. E ainda porque, como afirma Kronning sobre o discurso relatado,</p>     <p>     <blockquote>o discurso relatado tem uma orienta&ccedil;&atilde;o modal invariavelmente positiva. (&hellip;) Essa orienta&ccedil;&atilde;o modal explica-se por um princ&iacute;pio pragm&aacute;tico geral, um topos, derivado da m&aacute;xima da qualidade de Grice, segundo a qual o locutor deve tentar agir de modo a que o seu discurso seja ver&iacute;dico. Segundo esse topos (cf. Kronning (2005, p. 304, 2010, p. 26); Ducrot (1984, p. 157), se algu&eacute;m diz alguma coisa, o facto de a dizer &eacute; um argumento para que aquilo que diz seja verdadeiro. (Kronning, 2012, pp. 87-88)         <p></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Tamb&eacute;m a escolha desse discurso atribu&iacute;do aos refugiados, aos que os auxiliam ou aos l&iacute;deres e cidad&atilde;os europeus que lhes s&atilde;o hostis est&aacute; ao servi&ccedil;o da cria&ccedil;&atilde;o de diferentes imagens, mais ou menos emp&aacute;ticas. A convoca&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios enunciadores (Ducrot, 1985) e pontos de vista concorre para a cria&ccedil;&atilde;o de um <i>ethos</i><sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a> de objetividade e imparcialidade que a constru&ccedil;&atilde;o discursiva dos textos, ali&aacute;s, contradiz, mas que a presen&ccedil;a de infogravuras, por seu turno, confirma. A assun&ccedil;&atilde;o mais ou menos expl&iacute;cita pelo locutor/enunciador 1, das vozes e pontos de vista dos enunciadores e2, permite-nos considerar este discurso como fortemente dial&oacute;gico. Veremos, por fim, como o locutor assume, expl&iacute;cita ou implicitamente, certas posi&ccedil;&otilde;es em rela&ccedil;&atilde;o aos diferentes objetos do seu discurso, nomeadamente em rela&ccedil;&atilde;o aos v&aacute;rios atores em causa, sobretudo aos atores principais, os refugiados.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>An&aacute;lise do <i>corpus</i></b></p>     <p><b>As sequ&ecirc;ncias narrativas ao servi&ccedil;o da emo&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Em qualquer sequ&ecirc;ncia narrativa, as personagens s&atilde;o centrais, porque s&atilde;o elas que agem (sendo agentes), ou sofrem os efeitos da a&ccedil;&atilde;o de outros (sendo pacientes). Em todo o caso, &eacute; em torno da personagem que a a&ccedil;&atilde;o se organiza. &Eacute; por causa dela e da sua sorte que sofremos ou nos alegramos com a leitura ou a escuta da narrativa. As personagens apresentadas pelos autores dos textos aqui em apre&ccedil;o s&atilde;o simultaneamente fr&aacute;geis e simp&aacute;ticas. Os diminutivos e o l&eacute;xico da linguagem infantil contribuem para a valoriza&ccedil;&atilde;o emp&aacute;tica dos protagonistas, muitas vezes crian&ccedil;as, jovens e mulheres, ou seja, concorrem para a constru&ccedil;&atilde;o de objetos discursivos que s&atilde;o seres fracos e em risco, a necessitarem de prote&ccedil;&atilde;o: &ldquo;priminhos&rdquo;, &ldquo;a priminha loura de tot&oacute;s e franja, e olhos sempre franzidos&rdquo; (Coelho, 13/09/2015). A adjetiva&ccedil;&atilde;o valorativa est&aacute; ao servi&ccedil;o da constru&ccedil;&atilde;o avaliativa positiva das personagens, ainda mais quando ganha sali&ecirc;ncia pela anteposi&ccedil;&atilde;o do adjetivo ao nome, como nos dois &uacute;ltimos excertos a seguir: &ldquo;p&eacute;s min&uacute;sculos&rdquo;, &ldquo;a pequena Fatma e o seu tamb&eacute;m pequeno irm&atilde;o Ahmed&rdquo; (Cunha, 07/09/2015). O uso de crian&ccedil;as para comover e cativar o leitor &eacute; um recurso expect&aacute;vel, porque a prote&ccedil;&atilde;o da inf&acirc;ncia &eacute; um valor humano indiscut&iacute;vel e, portanto, largamente partilhado, fazendo parte da <i>doxa</i><sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a>.</p>     <p>A narrativa faz-se sobretudo na primeira pessoa, frequentemente por meio de cita&ccedil;&otilde;es entre aspas, o que aumenta o dramatismo e a subjetividade do relato:</p>     <p>     <blockquote>foram &ldquo;milhares de pessoas a fugir, deixando tudo, carros e cami&otilde;es cheios de gente&rdquo;. Demoraram dia e meio na estrada, em direc&ccedil;&atilde;o a Erbil, a capital curda. &ldquo;Mas n&atilde;o <i>nos</i> receberam muito bem, j&aacute; havia muita gente, deixaram-<i>nos</i> a dormir em jardins&rdquo;. (&hellip;) Vian quer contar a sua vers&atilde;o da viagem. &ldquo;Fugi<i>mos</i> de carro, um carro com dez pessoas, e <i>eu ia</i> &agrave; frente, com os dois filhos no colo, 36 horas assim, desmai<i>ei </i>duas vezes&rdquo;. (Coelho, 13/09/2015)         <p></p> </blockquote>     <p>Esta preval&ecirc;ncia da primeira pessoa &eacute; vis&iacute;vel, como um an&uacute;ncio, logo nos t&iacute;tulos das pe&ccedil;as jornal&iacute;sticas de Andr&eacute; Cunha. Sendo os locutores os intervenientes nas curtas hist&oacute;rias narradas, e remetendo o de&iacute;ctico pessoal, preferencialmente, para os pr&oacute;prios refugiados, a primeira pessoa marca, j&aacute; a partir do paratexto, o tom testemunhal dos artigos: &ldquo;<i>N&oacute;s</i> e o novo muro&rdquo;, cr&oacute;nica de Andr&eacute; Cunha em cinco cap&iacute;tulos: &ldquo;A Hungria est&aacute; a transformar-se num gueto&rdquo;; &ldquo;Da <i>minha</i> janela, v&ecirc;-se o muro&rdquo;; &ldquo;Se bombardeassem a <i>minha</i> cidade, <i>eu</i> tamb&eacute;m fugia&rdquo;; &ldquo;<i>N&oacute;s estamos</i> a fugir da guerra, n&atilde;o <i>queremos</i> mais viol&ecirc;ncia&rdquo;; &ldquo;N&atilde;o <i>tenho</i> pai, n&atilde;o <i>tenho</i> m&atilde;e. Pum pum! Taliban&rdquo;.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O segundo texto de Alexandra Lucas Coelho come&ccedil;a com palavras de um refugiado em discurso direto, portanto na primeira pessoa, antes de a jornalista sequer descrever o espa&ccedil;o ou apresentar o locutor:</p>     <p>     <blockquote>&ldquo;pode chamar-me Ivan&rdquo;, disse ele. Est&aacute;vamos sentados num jardim no Norte do Iraque, fim de tarde t&atilde;o tranquilo que duas guitarras ao centro alcan&ccedil;avam tudo. Mas naquele canto o que acontecia era uma separa&ccedil;&atilde;o. Ivan foi o nome que ele escolheu caso eu contasse a hist&oacute;ria no jornal. (Coelho, 20/09/2015)         <p></p> </blockquote>     <p>Esse espa&ccedil;o que enquadra as personagens narradoras &eacute; um espa&ccedil;o alheio e distante de n&oacute;s, o espa&ccedil;o do outro: &ldquo;era um campo d<i>aqueles</i> que ficam <i>l&aacute; </i>em &Aacute;frica, <i>l&aacute;</i> no M&eacute;dio Oriente, neste caso <i>l&aacute;</i> no Norte do Iraque&rdquo;. O demonstrativo e o adverbial de lugar, com valor de dist&acirc;ncia ampliado pelo facto de ocorrer tr&ecirc;s vezes, t&ecirc;m ainda, neste exemplo, para al&eacute;m de um valor de d&ecirc;ixis, um claro valor modal que aponta para um lugar afetivo distante do enunciador-jornalista e dos seus leitores: os campos ficam longe de n&oacute;s, n&atilde;o s&oacute; no espa&ccedil;o, mas sobretudo nas nossas preocupa&ccedil;&otilde;es e emo&ccedil;&otilde;es de europeus ocupados com os nossos pequenos ou grandes problemas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Sequ&ecirc;ncias descritivas e posi&ccedil;&atilde;o do enunciador</b></p>     <p>O discurso direto dos refugiados &eacute; enquadrado pelo chamado &ldquo;discurso atributivo&rdquo;<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a>, pequenos apontamentos descritivos sobre gestos, e outros elementos que acompanham as palavras em discurso direto, &ldquo;l&aacute;grimas come&ccedil;am a correr-lhe pela cara, ela continua a solu&ccedil;ar, mas quer continuar&rdquo;, numa clara contamina&ccedil;&atilde;o da n&atilde;o fic&ccedil;&atilde;o pela fic&ccedil;&atilde;o que Alexandra Lucas Coelho tamb&eacute;m escreve:</p>     <p>     <blockquote>&ldquo;a certa altura come&ccedil;&aacute;mos a ouvir balas por cima de n&oacute;s eu n&atilde;o sabia o que era, o &lsquo;Estado Isl&acirc;mico&rsquo; estava atr&aacute;s de n&oacute;s, e n&oacute;s precis&aacute;vamos de atravessar um checkpoint&hellip;&rdquo;. L&aacute;grimas come&ccedil;am a correr-lhe pela cara, ela continua a solu&ccedil;ar, mas quer continuar: &ldquo;um tanque veio e esmagou carros. Eram milhares de pessoas, milhares. Durante 36 horas n&atilde;o comemos. S&oacute; no checkpoint estivemos um dia inteiro, bebemos s&oacute; &aacute;gua da casa de banho, que ningu&eacute;m bebe. Cheguei como morta&rdquo;. (Coelho, 13/09/2015)         ]]></body>
<body><![CDATA[<p></p> </blockquote>     <p>A referencia&ccedil;&atilde;o da desmesura do sofrimento &eacute; constru&iacute;da por formas de superlativa&ccedil;&atilde;o como hip&eacute;rboles e repeti&ccedil;&otilde;es (&ldquo;eram milhares de pessoas, milhares&rdquo;; e, noutro texto: &ldquo;foram milhares de pessoas a fugir, deixando tudo, carros e cami&otilde;es cheios de gente&rdquo;) e met&aacute;foras hiperb&oacute;licas (&ldquo;esmagou carros&rdquo;; &ldquo;amontoam-se milh&otilde;es que fogem de guerras&rdquo;) ou apenas disf&oacute;ricas, indiciando pobreza e restri&ccedil;&atilde;o: &ldquo;o contentor &eacute; aquele rect&acirc;ngulo&rdquo;.</p>     <p>Nas sequ&ecirc;ncias descritivas, os subjetivemas (Kerbrat-Orecchioni, 1980) s&atilde;o muito abundantes. A adjetiva&ccedil;&atilde;o concorre para exarcebar a emo&ccedil;&atilde;o, por, atrav&eacute;s dela, o enunciador marcar a sua pr&oacute;pria posi&ccedil;&atilde;o de compaix&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o aos refugiados. Contribui ainda para a referencia&ccedil;&atilde;o, uma vez que acrescenta pormenores, qualifica&ccedil;&otilde;es, elementos descritivos aos objetos do mundo aos quais os nomes se referem, tornando-os mais informativos e mais precisos. Tal adjetiva&ccedil;&atilde;o disf&oacute;rica tra&ccedil;a um cen&aacute;rio de urg&ecirc;ncia e cat&aacute;strofe humana, pois a terra &eacute; &ldquo;batida&rdquo;, as crian&ccedil;as &ldquo;descal&ccedil;as&rdquo;, o calor &ldquo;sufocante&rdquo;, os p&eacute;s &ldquo;min&uacute;sculos&rdquo;: &ldquo;terra batida, contentores, coberturas de pl&aacute;stico, crian&ccedil;as descal&ccedil;as. (&hellip;) Faz um calor sufocante no contentor, que &eacute; a &uacute;nica casa que ele conhece, o calor irrita-lhe a pele com os seus p&eacute;s min&uacute;sculos&rdquo; (Coelho, 13/09/2015). Met&aacute;foras (&ldquo;contentor (&hellip;) &uacute;nica casa&rdquo;), complementos do nome (&ldquo;coberturas de pl&aacute;stico&rdquo;) e verbos expressivos (&ldquo;irrita-lhe&rdquo;) contribuem para a constru&ccedil;&atilde;o discursiva de um ambiente disf&oacute;rico.</p>     <p>H&aacute;, igualmente, formula&ccedil;&otilde;es antit&eacute;ticas fortes que sugerem o absurdo da situa&ccedil;&atilde;o, atrav&eacute;s de met&aacute;foras cristalizadas que se foram tornando f&oacute;rmulas, no sentido de Krieg-Planque (2009): &ldquo;uma nova <i>cortina de ferro</i> de 175 quil&oacute;metros se ergue no <i>cora&ccedil;&atilde;o</i> da Europa&rdquo; (Cunha, 29/08/2015). Tamb&eacute;m o uso de met&aacute;foras avaliativas &eacute; espa&ccedil;o de manifesta&ccedil;&atilde;o de subjetividade &ndash; &ldquo;a Hungria est&aacute; a transformar-se num gueto&rdquo; &ndash;, bem como acontece com o emprego inesperado de certos lexemas. Ambas as met&aacute;foras, &ldquo;cortina de ferro&rdquo; e &ldquo;gueto&rdquo; contribuem para caracterizar a situa&ccedil;&atilde;o como catastr&oacute;fica, por remeterem para a Segunda Guerra Mundial e as suas consequ&ecirc;ncias. De uma fronteira, por outro lado, n&atilde;o &eacute; habitual dizer-se que &eacute; mais ou menos fronteira, porque o nome &ldquo;fronteira&rdquo; n&atilde;o &eacute; gradu&aacute;vel. Ao us&aacute;-lo de forma gramaticalmente an&oacute;mala, o jornalista refor&ccedil;a a conota&ccedil;&atilde;o negativa aliada ao muro h&uacute;ngaro: &ldquo;s&iacute;mbolo arqueol&oacute;gico de uma antiga linha que nunca deixou de ser fronteira e que agora vai ser ainda mais fronteira&rdquo; (Cunha, 29/08/2015). Da segunda vez que &eacute; usado, o nome adquiriu, metaforicamente, o sentido de barreira intranspon&iacute;vel, muro que impede a passagem.</p>     <p>A met&aacute;fora, contribuindo para a referencia&ccedil;&atilde;o, ajuda a construir essa vis&atilde;o antit&eacute;tica e polarizada da realidade: os refugiados s&atilde;o referidos como &ldquo;o rebanho de refugiados&rdquo;, enquanto a constru&ccedil;&atilde;o do referente &ldquo;traficantes&rdquo; se serve da met&aacute;fora &ldquo;c&atilde;es raivosos que lhes mordem os bolsos (e as vidas)&rdquo;. Assim se op&otilde;e a mansid&atilde;o indefesa das ovelhas prontas para serem sacrificadas, de identific&aacute;veis conota&ccedil;&otilde;es religiosas, &agrave; raiva furiosa dos c&atilde;es.</p>     <p>&nbsp;Por outro lado, as descri&ccedil;&otilde;es antit&eacute;ticas de cen&aacute;rios relativamente aos factos narrados contribuem para a constru&ccedil;&atilde;o de uma representa&ccedil;&atilde;o de um mundo dilacerado, dividido em dois: os que sofrem a guerra e toda a sua viol&ecirc;ncia e os outros, que vivem em paz. Por isso os apontamentos descritivos da primeira cr&oacute;nica de Alexandra Lucas Coelho funcionam em contraponto com o que as sequ&ecirc;ncias narrativas nos contam. Num pano de fundo id&iacute;lico, brevemente sugerido em sequ&ecirc;ncias descritivas, os protagonistas falam da pior viol&ecirc;ncia: &ldquo;fim de tarde t&atilde;o tranquilo&rdquo;, &ldquo;por tr&aacute;s dele, h&aacute; sol, rosas, carrinhos de guloseimas&rdquo;, &ldquo;inclui os p&aacute;ssaros da tarde a cantarem por cima&rdquo;. De novo temos o diminutivo, os nomes, o verbo &ldquo;cantar&rdquo; e o adjetivo que apontam para <i>realia</i> agrad&aacute;veis (sol, rosas, guloseimas, p&aacute;ssaros, tranquilidade), compondo o tal cen&aacute;rio pac&iacute;fico e, portanto, contrastante com a viol&ecirc;ncia das narrativas produzidas. Esse mundo dividido &eacute; constru&iacute;do com efic&aacute;cia numa sequ&ecirc;ncia descritiva de Andr&eacute; Cunha, resumida na met&aacute;fora &ldquo;horizonte rasgado&rdquo;, ou nessa aprecia&ccedil;&atilde;o exclamativa: &ldquo;que bonito!&rdquo;, diz e repete sempre que atravessamos uma multid&atilde;o de girass&oacute;is em flor. &ldquo;&Eacute; a &uacute;ltima vez, Jo&atilde;o, que v&ecirc;s esta paisagem assim, virgem, sem arame farpado&rdquo;. &ldquo;H&aacute; de lhe <i>rasgar</i> o cora&ccedil;&atilde;o, talvez tamb&eacute;m lhe rasgue um poema&rdquo;. As met&aacute;foras dizem a divis&atilde;o e o horror que parecem ser contrariados pelo cen&aacute;rio de paz, acentuado por outras met&aacute;foras de valor conotativo avaliativo contr&aacute;rio (&ldquo;um <i>ilh&eacute;u</i> de paz&rdquo;, &ldquo;<i>salpicada</i> pelas ovelhinhas&rdquo;), ou por essas outras &ldquo;ilha&rdquo;, &ldquo;p&eacute;rola&rdquo;, &ldquo;corais&rdquo;, que contribuem para sequ&ecirc;ncias descritivas de polaridade positiva, de que &eacute; exemplo essa outra, superlativante: &ldquo;jardins mais floridos, cheios de rosas de todas as cores&rdquo;.</p>     <p>     <blockquote>O lugar mais pacato por onde pass&aacute;mos em toda a viagem, um ilh&eacute;u de paz. Das escotilhas destas casas, a infinita planura verde-loira, que &eacute; branca no inverno, vai continuar a estender-se para norte, salpicada pelas ovelhinhas de Rig&oacute; e J&oacute;zsef, mas para sul o horizonte estar&aacute; rasgado. (&hellip;) Tiszasziget &eacute; uma das ilhas principais, talvez aquela que disputaria a Ku¨bekh.za o t&iacute;tulo de p&eacute;rola da Pan&oacute;nia. Na terra de todos, entre a casa e a rua, os jardins mais floridos, cheios de rosas de todas as cores, s&atilde;o como corais no fundo do mar. (Cunha, 30/08/2015)         <p></p> </blockquote>     <p>A abund&acirc;ncia de atos expressivos avaliativos constitui uma marca de um discurso fortemente emotivo, que procura comover, ou seja, etimologicamente, mover, deslocar junto com.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>As vozes dos protagonistas e a persuas&atilde;o</b></p>     <p>Enquanto Alexandra Lucas Coelho escreve na primeira pessoa do singular, assumindo assim, frontalmente, as suas posi&ccedil;&otilde;es de empatia em rela&ccedil;&atilde;o aos refugiados, os textos de Andr&eacute; Cunha oscilam entre o singular e a primeira pessoa do plural, diluindo-se o enunciador num conjunto mais vasto de testemunhas n&atilde;o identificadas<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>. Portanto, a primeira pessoa do singular pode remeter para o eu comprometido individualmente: &ldquo;n&atilde;o h&aacute; eles e n&oacute;s porque s&oacute; h&aacute; n&oacute;s. N&oacute;s estamos no meio de n&oacute;s&rdquo;, diz Alexandra Lucas Coelho, numa cita&ccedil;&atilde;o que Andr&eacute; Cunha inclui numa das cr&oacute;nicas. Quanto &agrave; primeira pessoa do plural, estamos perante o &ldquo;dinamismo criativo&rdquo; do &ldquo;n&oacute;s&rdquo; de que fala Dahlet (2016, p. 218), referindo Benveniste (1966), pois o &ldquo;n&oacute;s&rdquo; &eacute; &ldquo;uma realidade de discurso&rdquo;, com configura&ccedil;&otilde;es que englobam o &ldquo;eu&rdquo;, mas s&atilde;o vari&aacute;veis. O &ldquo;n&oacute;s&rdquo; coletivo, por exemplo, pode abarcar tamb&eacute;m o leitor, agora testemunha do drama dos refugiados. Este &ldquo;n&oacute;s&rdquo;, como refere Andr&eacute; Cunha no excerto citado abaixo, &eacute; toda a gente. A primeira pessoa do plural englobante inclui todos os seres humanos envolvidos na hist&oacute;ria tr&aacute;gica destas migra&ccedil;&otilde;es: o nome da r&aacute;dio h&uacute;ngara &ldquo;<i>mi </i>significa n&oacute;s, em h&uacute;ngaro e em servo-croata&rdquo;. Na sequ&ecirc;ncia a seguir transcrita, esta pessoa gramatical configura a no&ccedil;&atilde;o de empatia de Rabatel acima apresentada. O &ldquo;n&oacute;s&rdquo; inclusivo &eacute; igual a eu + voc&ecirc;s, leitores, &ldquo;n&oacute;s&rdquo;, humanos:</p>     <p>     <blockquote><i>n</i>&oacute;s somos aqueles refugiados que nem sequer sabiam onde estavam depois da pol&iacute;cia os ter deixado na esta&ccedil;&atilde;o de comboios de Szeged: &ldquo;onde <i>estamos n&oacute;s</i>?&rdquo;. <i>N&oacute;s somos</i> Robert no <i>Triplex Confinium</i> onde esta viagem come&ccedil;ou, mas tamb&eacute;m <i>somos</i> Orb&aacute;n, <i>somos</i> o agricultor que vocifera contra o refugiado que lhe roubou alguns tomates e <i>somos</i> aquele pr&oacute;prio refugiado, <i>somos</i> as patroas das koscmas e os seus convivas naquelas tabernas da Terra Baixa h&uacute;ngara onde o mundo se move em c&acirc;mara lenta, <i>somos</i> J&oacute;zsef e Rig&oacute; entre as ovelhas, somos Sharbat, M&aacute;rk, Rita, Zolt&aacute;n, Mohammed, Bal&aacute;zs, <i>somos</i> ainda aqueles funcion&aacute;rios ferrovi&aacute;rios que queriam p&ocirc;r a pequena Fatma e o seu tamb&eacute;m pequeno irm&atilde;o Ahmed a dormirem ao relento e <i>havemos</i> de ser Rafiq, mais logo, quando <i>chegarmos</i> a Subotica, no norte da S&eacute;rvia, mas agora, ainda em Szeged, <i>somos</i> P&eacute;ter. (Cunha, 07/09/2015)</blockquote>     <p></p>     <p>A solidariedade presente neste &ldquo;n&oacute;s&rdquo; inclusivo faz-se notar tamb&eacute;m entre os protagonistas: &ldquo;&lsquo;cheguei a ir buscar amigos feridos e ver bandeiras do &lsquo;Estado Isl&acirc;mico&rsquo; pelo caminho&rsquo;, diz Mohammed&rdquo; (Coelho, 13/09/2015). Se algumas vezes, como veremos, h&aacute; vozes solid&aacute;rias com o sofrimento alheio, outras h&aacute;, nos pontos de passagem dos caminhantes, que lhes s&atilde;o hostis, estranhando o diferente, fechadas j&aacute; no seu gueto:</p>     <p>     <blockquote>G&aacute;bor Vona defende, tal como Viktor Orb&aacute;n &ndash; (&hellip;) &ndash; que um &ldquo;migrante ilegal&rdquo; &eacute; um &ldquo;criminoso&rdquo; e que, por isso, tem de ir para a pris&atilde;o, em vez de para um campo de acolhimento. (&hellip;) &ldquo;Eles s&atilde;o estranhos porque t&ecirc;m a pele mais escura&rdquo; diz-nos, atarefada, a patroa de uma das koscmas locais, senhora na casa dos seus 50 anos. (Cunha, 07/09/2015)         <p></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Existem, como se disse, vozes dissonantes contrariando a hostilidade dos governos e de muitos cidad&atilde;os, vozes solid&aacute;rias, que discordam do poder, como as de alguns protagonistas h&uacute;ngaros que se insurgem contra o esquecimento hist&oacute;rico:</p>     <p>     <blockquote>&ldquo;a hist&oacute;ria repete-se dentro de t&atilde;o pouco tempo que a gera&ccedil;&atilde;o que viveu os seus piores epis&oacute;dios ainda est&aacute; viva, mas alguns deles parece que j&aacute; n&atilde;o se lembram&rdquo;, resigna-se M&oacute;ni, lamentando essa amn&eacute;sia parcial de muitos conterr&acirc;neos do seu eterno estatuto de migrantes e refugiados, sen&atilde;o de primeira, de segunda ou terceira gera&ccedil;&atilde;o, para andar apenas um s&eacute;culo para tr&aacute;s, at&eacute; ao Tratado de Trianon, no fim da Primeira Guerra. (Cunha, 29/08/2015)         <p></p> </blockquote>     <p>Estas vozes dissonantes, de h&uacute;ngaros solid&aacute;rios, contra a corrente, pertencem a enunciadores claramente identificados, individualizados pelo nome pr&oacute;prio e apelido, uma forma de se tornarem, tamb&eacute;m, &uacute;nicos e mais pr&oacute;ximos de n&oacute;s e de n&atilde;o serem apenas gente an&oacute;nima, parte indistinta de coletivos sem rosto (por oposi&ccedil;&atilde;o aos plurais os h&uacute;ngaros, os refugiados, os rom, os judeus, os migrantes, os outros). R&oacute;bert Moln&aacute;r faz quest&atilde;o de se declarar crist&atilde;o praticante para evocar que &ldquo;&eacute; preciso tomar conta dos forasteiros&rdquo;, a mensagem de Estev&atilde;o I, rei h&uacute;ngaro, depois Santo Est&ecirc;v&atilde;o da Hungria para os crentes.</p>     <p>     <blockquote>&ldquo;Est&aacute; na B&iacute;blia: n&atilde;o fa&ccedil;as aos outros aquilo que n&atilde;o queres que te fa&ccedil;am a ti&rdquo;, recorda, para logo profetizar que &ldquo;a maldade vai-nos ser devolvida. Se n&atilde;o queremos ser maltratados, n&atilde;o podemos maltratar os outros&rdquo;. (&hellip;) Ali ao lado, uma crian&ccedil;a, erguida pelos bra&ccedil;os do pai, vai apanhando cerejas. Uma imagem quase espelhada ser-nos-&aacute; descrita, noutra kocsma, noutra povoa&ccedil;&atilde;o, pela patroa de servi&ccedil;o. Ela testemunhara &ldquo;a alegria de um grupo de refugiados, colhendo fruta de uma &aacute;rvore&rdquo;. (&hellip;) Um refugiado tinha roubado alguns tomates a um agricultor que se queixava do sucedido, na reportagem televisiva, como se isso fosse o fim do mundo. &ldquo;Coitados&rdquo;, algu&eacute;m diz em fundo, com tom de empatia, &ldquo;tinham fome, na mesma situa&ccedil;&atilde;o, qualquer um de n&oacute;s faria o mesmo&rdquo;. (Cunha, 29/08/2015)         <p></p> </blockquote>     <p>Vemos os h&uacute;ngaros fechados no seu pr&oacute;prio gueto e, para isso, concorrem o semantismo da met&aacute;fora &ldquo;praga&rdquo;, o nome &ldquo;guetiza&ccedil;&atilde;o&rdquo; e o verbo &ldquo;circunfechar-se&rdquo;, que &eacute; um neologismo, como neologismo &eacute; o verbo &ldquo;ciganar&rdquo;, querendo significar ser racista em rela&ccedil;&atilde;o aos ciganos: &ldquo;&lsquo;conhecendo a Hist&oacute;ria&rsquo;, diz ele, &lsquo;quando um pa&iacute;s decidiu construir uma veda&ccedil;&atilde;o ou um muro, como em Auschwitz-Birkenau, em Berlim ou no resto da fronteira do bloco comunista, isso tornou-se uma praga para quem o construiu&rsquo;&rdquo; (Cunha, 29/08/2015). A mem&oacute;ria interdiscursiva enceta um di&aacute;logo em que, no discurso deste h&uacute;ngaro, ressoam outros discursos anteriores, que ressemantizam a palavra &ldquo;muro&rdquo;. Deixa de ser, apenas, como diz o Dicion&aacute;rio Priberam, &ldquo;obra (geralmente de alvenaria) que separa terrenos cont&iacute;guos ou que forma cerca&rdquo;<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a>, para, por efeito dos muros que na Hist&oacute;ria se foram construindo, ter agora o sentido de &ldquo;separa&ccedil;&atilde;o, defesa, protec&ccedil;&atilde;o&rdquo;, a segunda ace&ccedil;&atilde;o registada no Dicion&aacute;rio da Academia. Prote&ccedil;&atilde;o de uns perante a amea&ccedil;a que, na sua cren&ccedil;a, representam os outros, separa&ccedil;&atilde;o violenta, exclus&atilde;o do outro diferente de n&oacute;s. O outro &eacute; s&iacute;mbolo de amea&ccedil;a (&ldquo;um refugiado tinha roubado alguns tomates a um agricultor&rdquo;), aquele cujo comportamento &eacute; digno de puni&ccedil;&atilde;o policial para uns, mas que merece a compreens&atilde;o de uma parte dos amea&ccedil;ados, cujo discurso direto manifesta, afinal, compaix&atilde;o e solidariedade: &ldquo;tinham fome, na mesma situa&ccedil;&atilde;o, qualquer um de n&oacute;s faria o mesmo&rdquo;.</p>     <p>Para Moln&aacute;r,</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>     <blockquote>a Hungria j&aacute; &eacute; um pa&iacute;s isolado a n&iacute;vel intelectual e psicol&oacute;gico. Isto vai ter como consequ&ecirc;ncia a guetiza&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s. A Hungria circunfecha-se, o que significa que n&atilde;o h&aacute; sa&iacute;da nem entrada, nem para fora, nem para dentro. Estamos no meio da Europa, se n&atilde;o conseguirmos navegar em &aacute;guas pac&iacute;ficas, isso vai determinar que o espa&ccedil;o de ac&ccedil;&atilde;o dos h&uacute;ngaros se vai reduzindo&rdquo; at&eacute; que &ldquo;as pessoas v&atilde;o perder a esperan&ccedil;a e v&atilde;o fugir do pa&iacute;s. (Cunha, 29/08/2015)         <p></p> </blockquote>     <p>Os nomes n&atilde;o s&atilde;o inocentes e por isso um dos protagonistas das cr&oacute;nicas de Alexandra Lucas Coelho assume que o seu nome, &ldquo;Ivan&rdquo;, servia de m&aacute;scara protetora e n&atilde;o o identificava a ele, na sua inteireza de ser humano, mas s&oacute; a ele enquanto refugiado e perseguido: &ldquo;Ivan foi o nome que ele escolheu caso eu contasse a hist&oacute;ria no jornal&rdquo;. Esse nome pr&oacute;prio protetor esconde a verdadeira identidade de Ivan que, afinal, a jornalista desvenda: &ldquo;os dois rapazes das guitarras eram curdos, portanto estavam em casa, tinham pap&eacute;is e ningu&eacute;m em cima deles, eu podia usar os nomes verdadeiros: Niaz, 21 anos, Hunar, 28, estudantes de M&uacute;sica na Universidade de Sulaymaniyah&rdquo; (Coelho, 20/09/2015). Ivan parece ser, ali&aacute;s, um nome que protege. A prop&oacute;sito de um outro interveniente, a autora escreve: &ldquo;o filho, chamemos-lhe Ivan, viera h&aacute; dois anos para o Curdist&atilde;o iraquiano&rdquo;. Os nomes dos protagonistas renomeados enquanto refugiados sucedem-se nos textos: &ldquo;o pai, chamemos-lhe Aziz&rdquo;, &ldquo;a m&atilde;e, chamemos-lhe Jian&rdquo;. Tamb&eacute;m para os protagonistas das cr&oacute;nicas de Andr&eacute; Cunha os nomes s&atilde;o, por vezes, uma m&aacute;scara: &ldquo;e finalmente Sharbat d&aacute;-nos o maior sorriso do mundo (mas mesmo assim n&atilde;o nos d&aacute; o seu nome)&rdquo;, &ldquo;a nossa rapariga afeg&atilde; de hoje (cujo verdadeiro nome provavelmente nunca saberemos)&rdquo;. A atribui&ccedil;&atilde;o de um outro nome a v&aacute;rios dos enunciadores dos discursos multiplica o n&uacute;mero de enunciadores: e1 com o seu verdadeiro nome n&atilde;o coincide com e1&rsquo;, com o nome falso que o protege. O n&atilde;o direito ao nome testemunha o n&atilde;o direito &agrave; exist&ecirc;ncia destes refugiados enquanto pessoas.</p>     <p>O di&aacute;logo entre os jornalistas e os protagonistas &eacute; resumido nos textos, e aqueles selecionam as palavras mais convincentes destes para os objetivos discursivos de den&uacute;ncia. Mas esse di&aacute;logo prolonga-se para l&aacute; da intera&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica face a face, pode ser posterior aos encontros. Andr&eacute; Cunha dirige-se diretamente a um dos seus entrevistados no texto, por exemplo, num longo par&ecirc;nteses, &ldquo;caro P&eacute;ter, permite-me s&oacute; um aparte, dois meses depois do nosso encontro: at&eacute; &agrave; data em que publicamos este texto n&atilde;o h&aacute; um &uacute;nico caso conhecido de doen&ccedil;as graves&rdquo; (Cunha, 07/09/2015). Ou numa pergunta da mesma &ldquo;cr&oacute;nica&rdquo;, que &eacute; uma acusa&ccedil;&atilde;o &agrave; indiferen&ccedil;a h&uacute;ngara: &ldquo;e como &eacute; que se diz rafiq em h&uacute;ngaro, P&eacute;ter T&oacute;th?&rdquo;; ou quando interpela o poeta Vasko Popa: &ldquo;n&atilde;o, Vasko Popa, a hist&oacute;ria n&atilde;o deixa Rita ser uma filha sem mem&oacute;ria&rdquo;.</p>     <p>A convoca&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rias vozes nos textos contribui para a cria&ccedil;&atilde;o de um <i>ethos</i> de objetividade necess&aacute;rio para contrariar a subjetividade evidente do discurso. Essas s&atilde;o as vozes em parte respons&aacute;veis pelas sequ&ecirc;ncias narrativas que Alexandra Lucas Coelho e Andr&eacute; Cunha incluem nos seus textos. As teses que os jornalistas, impl&iacute;cita ou mais explicitamente, defendem s&atilde;o, as mais das vezes, transmitidas e apoiadas atrav&eacute;s do discurso direto dos refugiados e de quem os ajuda e, por contraponto, do discurso tamb&eacute;m de quem os combate. H&aacute;, assim, uma empatia lingu&iacute;stica, porque &ldquo;um locutor empresta a sua voz a um outro (&hellip;) para encarar um acontecimento, uma situa&ccedil;&atilde;o, no seu lugar&rdquo; (Rabatel, 2013, p. 68). Ouvir a voz do outro &eacute; essencial para criar empatia: &ldquo;&eacute; sempre urgente tentar ouvir sem fronteiras todos os &lsquo;outros&rsquo;, para compreender melhor este momento&rdquo; (Cunha, 07/09/2015).</p>     <p>Os di&aacute;logos entre o rep&oacute;rter e os protagonistas da hist&oacute;ria n&atilde;o s&atilde;o os &uacute;nicos que fazem parte das cr&oacute;nicas. Como vimos, Andr&eacute; Cunha, por exemplo, interpela tr&ecirc;s vezes diretamente, nos textos, aqueles com quem presencialmente tinha falado e cujas palavras tinha j&aacute; transcrito.</p>     <p>Mas h&aacute; tamb&eacute;m di&aacute;logos intertextuais: com a B&iacute;blia, com George Steiner e Walter Benjamin, com Saramago, com os escritos de Kapuscinski. Andr&eacute; Cunha cita Alexandra Lucas Coelho, Jos&eacute; Gil em <i>Portugal, hoje &ndash; o medo de existir</i>, Claudio Magris e o seu <i>Dan&uacute;bio</i>, etc. O t&iacute;tulo da cr&oacute;nica &ldquo;Da minha janela, v&ecirc;-se o muro&rdquo; cita, em contraponto, o discurso de Verg&iacute;lio Ferreira &ldquo;Da minha l&iacute;ngua v&ecirc;-se o mar&rdquo;, e o autor refere, num dos textos, convocando a nossa mem&oacute;ria coletiva, o conhecimento partilhado do mundo, e estabelecendo rela&ccedil;&otilde;es entre os factos passados e o presente da escrita, &ldquo;aquela capa da edi&ccedil;&atilde;o da National Geographic que se tornou j&oacute;ia de colec&ccedil;&atilde;o e que o mundo viu h&aacute; 30 anos, em Junho de 1985&rdquo; (Cunha, 30/08/2015). Como se os jornalistas pretendessem indicar o caminho do di&aacute;logo, mostrando, nos seus textos, aquele que falta no mundo. Mas tamb&eacute;m, atrav&eacute;s das refer&ecirc;ncias culturais intertextualmente convocadas, como se quisessem aumentar o n&uacute;mero dos que, no discurso, partilhariam pontos de vista semelhantes aos seus.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&otilde;es</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Nestes artigos da imprensa escrita portuguesa, h&aacute;, ali&aacute;s, uma dimens&atilde;o performativa, de &iacute;ndole diretiva. &Eacute; como se as sequ&ecirc;ncias narrativas, as descritivas e as palavras relatadas contribuissem para, atrav&eacute;s do ponto de vista assumido pelos jornalistas, de cumplicidade com os refugiados e migrantes, trazer o leitor para a causa deles, isto &eacute;, estes textos t&ecirc;m por objetivo convencer e fazer fazer, melhor dito, fazer agir: &ldquo;&eacute; sempre urgente tentar ouvir sem fronteiras todos os &lsquo;outros&rsquo;, para compreender melhor este momento, ou para nos sentirmos mais perdidos nesta &lsquo;hist&oacute;ria do presente&rsquo; em que h&aacute; mais um muro no meio de n&oacute;s&rdquo; (Cunha, 07/09/2015).</p>     <p>Como &eacute; frequente quando se trata de cat&aacute;strofes naturais, estamos, no caso em apre&ccedil;o, perante aquilo a que se chama &ldquo;informa&ccedil;&atilde;o de urg&ecirc;ncia&rdquo; (Manuel, 2011) porque, se esta n&atilde;o &eacute; uma cat&aacute;strofe natural &eacute;, seguramente, uma cat&aacute;strofe humana. N&atilde;o s&atilde;o as v&iacute;timas que filmam, fotografam ou escrevem para nos dar conta dos acontecimentos. Mas s&atilde;o delas os relatos e as palavras. E &eacute; delas o ponto de vista adotado pelos jornalistas.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias&nbsp;</b></p>     <p>Adam, J-M. (2005). <i>La linguistique textuelle: introduction &agrave; l&rsquo;analyse textuelle des discours</i>. Paris: Armand Colin.</p>     <!-- ref --><p>Benveniste, &Eacute;. (1966). <i>Probl&egrave;mes de linguistique g&eacute;n&eacute;rale</i>. Paris: Gallimard.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2022926&pid=S2183-3575202000020000600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Charaudeau, P. &amp; Maingueneau, D. (2004). <i>Dicion&aacute;rio de an&aacute;lise do discurso</i>. S&atilde;o Paulo: Contexto.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2022928&pid=S2183-3575202000020000600003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Dahlet, P. (2016). O discurso pol&iacute;tico e o sujeito coletivo: fachadas do <i>n</i>&oacute;s. In W. Emediato (Ed.), <i>An&aacute;lise do discurso pol&iacute;tico</i> (pp. 214-240). Belo Horizonte: Editora FALE/UFMG.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2022930&pid=S2183-3575202000020000600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p><i>Dicion&aacute;rio da L&iacute;ngua Portuguesa Contempor&acirc;nea</i> (2001). Academia das Ci&ecirc;ncias. Lisboa: Verbo.</p>     <!-- ref --><p>Duarte, I. M. (2015). Conhecer gentes e as suas hist&oacute;rias: a narrativa como forma de persuas&atilde;o. In M. Pinto; S. Pereira &amp; M. J. Brites (Eds.), <i>Os media e a crise dos refugiados, agenda de atividades</i> (pp. 15-16). Braga: Centro de Estudos de Comunica&ccedil;&atilde;o e Sociedade (CECS), Universidade do Minho.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2022933&pid=S2183-3575202000020000600006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Ducrot, O. (1985). <i>Le dire et le dit</i>. Paris: Les &Eacute;ditions de Minuit.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2022935&pid=S2183-3575202000020000600007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Hattnher, M. M. (2018). A express&atilde;o lexical da evidencialidade: reflex&otilde;es sobre a dedu&ccedil;&atilde;o e a percep&ccedil;&atilde;o de evento. <i>Entrepalavras</i>, 8, [n. especial], 98-111. <a href="http://doi.org/10.22168/2237-6321-6esp1244" target="_blank">http://doi.org/10.22168/2237-6321-6esp1244</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2022937&pid=S2183-3575202000020000600008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Kerbrat-Orecchioni, C. (1980). <i>L&rsquo;&eacute;nonciation. De la subjectivit&eacute; dans le langage. </i>Paris: Armand Colin.</p>     <p>Krieg-Planque, A. (2009). <i>La notion de &ldquo;formule&rdquo; en analyse du discours. </i><i>Cadre th&eacute;orique et m&eacute;thodologique</i>. Besan&ccedil;on: Presses Universitaires de Franche-Comt&eacute;.</p>     <!-- ref --><p>Kronning, H. (2012). Le conditionnel &eacute;pist&eacute;mique: propri&eacute;t&eacute;s et fonctions discursives. <i>Langue fran&ccedil;aise</i>, <i>173</i>, 83-97. <a href="https://doi.org/10.3917/lf.173.0083" target="_blank">https://doi.org/10.3917/lf.173.0083</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2022940&pid=S2183-3575202000020000600011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Lencastre, M. (2011). Empatia, teoria da mente e linguagem. Fundamentos etol&oacute;gicos, psicol&oacute;gicos e culturais dos valores. <i>ANTROPOl&oacute;gicas</i>, <i>12</i>, 9-18.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2022941&pid=S2183-3575202000020000600012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Mais de 20 mil migrantes morreram em travessias no Mediterr&acirc;neo desde 2014 (2020, 06 de mar&ccedil;o). <i>ONU News</i>. Retirado de <a href="https://news.un.org/pt/story/2020/03/1706451" target="_blank">https://news.un.org/pt/story/2020/03/1706451</a></p>     <p>Manuel, A. (2011). <i>Information d&rsquo;urgence et information t&eacute;l&eacute;vis&eacute;e: analyse d&rsquo;un paradigme communicationnel (les &eacute;v&eacute;nements du tsunami de 2004 et du 11 septembre 2001</i>. Tese de Doutoramento, Universit&eacute; de Besan&ccedil;on, Franche-Comt&eacute;, Besan&ccedil;on, Fran&ccedil;a. Retirado de <a href="https://tel.archives-ouvertes.fr/tel-00973871/" target="_blank">https://tel.archives-ouvertes.fr/tel-00973871/</a></p>     <p>Plantin, C. (2011). <i>Les bonnes raisons des &eacute;motions. Principes et m&eacute;thode pour l&rsquo;&eacute;tude du discours &eacute;motionn&eacute;</i>. Berne: Peter Lang.</p>     <!-- ref --><p>Prince, G. (1978). Le discours attributif et le r&eacute;cit. <i>Po&eacute;tique</i>, <i>35</i>, 305-313.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2022946&pid=S2183-3575202000020000600014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>P&uacute;blico. (2005). <i>Livro de estilo </i>(2.&ordf; ed.). Lisboa: P&uacute;blico, Comunica&ccedil;&atilde;o, S.A.</p>     <!-- ref --><p>Rabatel, A. (2013). Ecrire les &eacute;motions en mode emphatique. <i>Semen, 35.</i> <a href="https://doi.org/10.4000/semen.9811" target="_blank">https://doi.org/10.4000/semen.9811</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2022949&pid=S2183-3575202000020000600015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Rabatel, A. (2017). Empathie et &eacute;motions argument&eacute;es en discours. In A. Rabatel (Ed.), <i>Pour une lecture linguistique et critique des m&eacute;dias. Empathie, &eacute;thique, point(s) de vue</i> (pp. 265-276). Limoges: Lambert-Lucas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2022950&pid=S2183-3575202000020000600016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Rota do Mediterr&acirc;neo &eacute; a mais perigosa e j&aacute; matou mais de mil migrantes este&nbsp;ano (2019, 07 de outubro). <i>Observador</i>. Retirado de <a href="https://observador.pt/2019/10/07/rota-do-mediterraneo-e-a-mais-perigosa-e-ja-matou-mais-de-mil-migrantes-este-ano/" target="_blank">https://observador.pt/2019/10/07/rota-do-mediterraneo-e-a-mais-perigosa-e-ja-matou-mais-de-mil-migrantes-este-ano/</a></p>     <p>Salvan, G. (2005). L&rsquo;incise de discours rapport&eacute; dans le roman fran&ccedil;ais du xviii<sup>e</sup> au xx<sup>e</sup> si&egrave;cle: contraintes syntaxiques et vocation textuelle. In A. Jaubert (Ed.), <i>Coh&eacute;sion et coh&eacute;rence: &eacute;tudes de linguistique textuelle.</i> Lyon: ENS &Eacute;ditions. <a href="https://doi.org/10.4000/books.enseditions.144" target="_blank">https://doi.org/10.4000/books.enseditions.144</a></p>     <!-- ref --><p>Zhang, G. (2015). <i>Elastic language</i>. <i>How and why we stretch our words.</i> Cambridge: Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2022954&pid=S2183-3575202000020000600018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Nota biogr&aacute;fica</b></p>     <p>Professora Associada de Lingu&iacute;stica na Universidade do Porto, Faculdade de Letras, Departamento de Estudos Portugueses e Estudos Rom&acirc;nicos. Membro do Centro de Lingu&iacute;stica da Universidade do Porto. &Aacute;reas de investiga&ccedil;&atilde;o:&nbsp;Pragm&aacute;tica e an&aacute;lise do discurso (relato de discurso, marcadores discursivos); confronto entre l&iacute;nguas rom&acirc;nicas e aplica&ccedil;&atilde;o da lingu&iacute;stica ao ensino do Portugu&ecirc;s.</p>     <p>ORCID: <a href="http://orcid.org/0000-0001-7908-5649" target="_blank">http://orcid.org/0000-0001-7908-5649</a></p>     <p>Email: <a href="mailto:iduarte@letras.up.pt&nbsp;">iduarte@letras.up.pt&nbsp;</a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Morada: Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Via Panor&acirc;mica s/n, 4150-564, Porto, Portugal</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Submetido: </b><b>14/04/2020</b></p>     <p><b>Aceite: </b><b>01/07/2020</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>NOTAS</b></p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> J&aacute; com dados de 2019, a Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional das Migra&ccedil;&otilde;es (OIM) afirmava que &ldquo;nos &uacute;ltimos seis anos, o n&uacute;mero de mortos nesta rota ultrapassa os 15.000&rdquo; (Rota do Mediterr&acirc;neo &eacute; a mais perigosa e j&aacute; matou mais de mil migrantes este&nbsp;ano, 2019). Mais recentemente, os n&uacute;meros foram corrigidos em alta: &ldquo;a Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional para Migra&ccedil;&otilde;es, OIM, informou que 20.014 migrantes perderam a vida atravessando o Mediterr&acirc;neo, nos &uacute;ltimos seis anos. A ag&ecirc;ncia disse que &ldquo;a trag&eacute;dia no Mediterr&acirc;neo segue, e que &eacute; urgente definir vias legais, seguras e melhores para migrantes e refugiados. Para a ag&ecirc;ncia, s&oacute; assim ser&aacute; poss&iacute;vel resolver os canais irregulares e evitar mortes na rota&rdquo; (Mais de 20 mil migrantes morreram em travessias no Mediterr&acirc;neo desde 2014, 2020).</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> Estes mesmos textos foram objeto de sugest&otilde;es para trabalho com alunos nas escolas portuguesas (Duarte, 2015).</p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> Retirados de <a href="http://www.publico.pt/mundo/noticia/refugiados-1-o-filho-que-nasceu-azul-e-a-prima-que-nao-pode-ver-luz-1707514" target="_blank">http://www.publico.pt/mundo/noticia/refugiados-1-o-filho-que-nasceu-azul-e-a-prima-que-nao-pode-ver-luz-1707514</a> e <a href="http://www.publico.pt/mundo/noticia/refugiados-2-adeus-eduas-guitarras-1708114" target="_blank">http://www.publico.pt/mundo/noticia/refugiados-2-adeus-eduas-guitarras-1708114</a></p>     <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> Retirados de <a href="http://visao.sapo.pt/actualidade/mundo/a-hungriaesta-a-transformar-se-num%20gueto=f829038" target="_blank">http://visao.sapo.pt/actualidade/mundo/a-hungriaesta-a-transformar-se-num gueto=f829038</a>;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="http://visao.sapo.pt/actualidade/mundo/da-minha-janela-ve-seo-muro=f829138" target="_blank">http://visao.sapo.pt/actualidade/mundo/da-minha-janela-ve-seo-muro=f829138</a>;</p>     <p><a href="http://visao.sapo.pt/actualidade/mundo/se-bombardeassem-a-minha-cidade-eu-tambem-fugia=f829298" target="_blank">http://visao.sapo.pt/actualidade/mundo/se-bombardeassem-a-minha-cidade-eu-tambem-fugia=f829298</a>;</p>     <p><a href="http://visao.sapo.pt/actualidade/mundo/nos-estamos-a-fugir-da-guerra-nao-queremos-mais-violencia=f829421%20e https://visao.sapo.pt/atualidade/mundo/2015-09-07-nao-tenho-pai-nao-tenho-mae-pum-pum-talibanf829779/" target="_blank">http://visao.sapo.pt/actualidade/mundo/nos-estamos-a-fugir-da-guerra-nao-queremos-mais-violencia=f829421 e https://visao.sapo.pt/atualidade/mundo/2015-09-07-nao-tenho-pai-nao-tenho-mae-pum-pum-talibanf829779/</a></p>     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> &ldquo;N&oacute;s e o novo muro&rdquo; &eacute; um projeto desenvolvido originalmente para o Observatorio Balcani e Caucaso, publicado em exclusivo, em Portugal, pela revista <i>Vis&atilde;o</i>.</p>     <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> <i>Pathos</i> &eacute; aqui usado no sentido ret&oacute;rico de tipo de &ldquo;argumentos, ou provas, destinados a produzir a persuas&atilde;o&rdquo;, conforme registado em Charaudeau e Maingeneau (2004, p. 371).</p>     <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> Al&eacute;m de jornalista e de ter publicado livros de cr&oacute;nicas, Alexandra Lucas Coelho &eacute; tamb&eacute;m romancista, tendo o seu romance <i>E a noite roda</i>, de 2012, ganho o Grande Pr&eacute;mio de Romance e Novela APE/DGLB (Associa&ccedil;&atilde;o Portuguesa de Escritores/Direc&ccedil;&atilde;o-Geral do Livro e das Bibliotecas).</p>     <p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> Na defini&ccedil;&atilde;o do dicion&aacute;rio de Charaudeau e Maingueneau (2004, p. 220), <i>ethos </i>&eacute; &ldquo;a imagem de si que o locutor constr&oacute;i em seu discurso para exercer uma influ&ecirc;ncia sobre seu alocut&aacute;rio&rdquo;.</p>     <p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup> Por um mecanismo sim&eacute;trico Andr&eacute; Cunha testemunha que a televis&atilde;o h&uacute;ngara do Presidente Orban censura as imagens de crian&ccedil;as refugiadas. Nesse caso, as imagens de crian&ccedil;as s&atilde;o evitadas para que o telespectador n&atilde;o se comova com o seu sofrimento.</p>     <p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup> A designa&ccedil;&atilde;o, de Prince&nbsp;(1978), &ldquo;discuso atributivo&rdquo;, &eacute; considerada limitadora por parte de Salvan (2005). Segundo a autora, parece que estes segmentos t&ecirc;m apens por fun&ccedil;&atilde;o &ldquo;atribuir a palavra, indicar a identidade do locutor e o modo como as palavras s&atilde;o pronunciadas&rdquo; (s. p.). Ora os exemplos selecionados por n&oacute;s testemunham, com efeito, a riqueza de fun&ccedil;&otilde;es destes enunciados.</p>     <p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup> Curiosamente, num dos seus textos, o autor cita Alexandra Lucas Coelho, o que revela uma certa dose de cumplicidade profissional entre os dois jornalistas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></Sup> Dicion&aacute;rio Priberam da L&iacute;ngua Portuguesa. Retirado de <a href="https://www.priberam.pt/dlpo/muro" target="_blank">https://www.priberam.pt/dlpo/muro</a></p>      ]]></body><back>
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